Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Vale do Ribeira. pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

entre outros -. Nos últimos anos. alterações climáticas. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. comprometimento do abastecimento de água. conse- . podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. se propõe e se discute sobre o assunto. ou significam estratégias proibitivas. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. a falta de propostas decorre de um dos dois. que em sua maioria não resolvem o assunto.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. pois. provavelmente.perda da fauna e da flora. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. empobrecimento do solo. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. Acreditamos que. mas pouco se faz. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . ou melhor. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.

pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . regional. Nesse aspecto. quer sejam comunidades tradicionais. os moradores da floresta . permitir grandes avanços na conservação. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. não se dá apenas visando à sobrevivência. Por sua vez. portanto. mas inclui ainda interesses econômicos. Consideramos. Essa relação. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. Dessa forma. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. seus produtos e suas relações. priorizadas. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. como mais um produto para comercialização. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. atualmente. sem dúvida alguma.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. São eles que conhecem a floresta. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. Nesse sentido. entretanto. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas.qüentemente. Para tal. São eles que podem.quer sejam grupos definidos. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. a contribuição deste . como os ribeirinhas da Amazônia. os pescadores do Vale do Ribeira. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema.

fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. cada qual havia tomado seu caminho. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. No entanto. Dessa forma. Foi a partir de pesquisas que realizamos. entretanto. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. considerando os aspectos aqui referidos. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. conseqüentemente. já que dez anos haviam se passado. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. pagando o preço de um trabalho mais social. em janeiro de 1999.livro é um começo. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. e também no de desenvolvimento. publicado originalmente em 1989. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. Começamos o trabalho. mais abrangente. na verdade. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . A equipe já não era a mesma. Passou da hora de a ciência e a política. Não custa lembrar e salientar. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. como instituições determinantes para o avanço.

pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. à medida que. buscamos informações em diversos endereços. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. químicos. pelo menos as mais citadas. Index Medicus. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. Estado de São Paulo.proposta original.não . já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. incluindo fotos de algumas espécies. por outro. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. outro importante e singular ecossistema brasileiro. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Por si só. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. além dos desenhos apresentados inicialmente. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. farmacológicos. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. Chemical Abstracts). assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). a nova idéia não tinha mais como retornar. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . Nessa nova etapa. No entanto. por um lado.

sem dúvida. mas as plantas medicinais. especialmente os mais ameaçados. passaram a representar uma nova alternativa . Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. da Mata Atlântica. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. Com essa nova concepção. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo.em artigos científicos e técnicos.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. No entanto. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. mais acessível que os artigos . hoje. especificamente. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. não apenas catalogando espécies medicinais. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. mas com um livro. mas um novo trabalho. que serão úteis. sempre foi uma preocupação constante. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. como é o caso da Amazônia e. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. durante todo esse período. A conservação dos ecossistemas tropicais.

mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. municipais e federais) e não-governamentais. Finalmente. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. Luiz Claudio Di Stasi . reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam.para a conservação dos ecossistemas. realizadas de forma racional e sustentável. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. mas pouco realizado na prática. apesar de preliminar e pequena. Nesse sentido. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais.somando-se a isso a busca de novos medicamentos.não pode ser apenas a retórica. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico.

mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. a nosso modo de ver. Em primeiro lugar. Em segundo lugar. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. o que. que esse conhecimento seja perdido. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. evitando-se. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . realizar um estudo etnofarmacológico regional. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. pretendeu-se. Em terceiro lugar. desse modo.

e que visa. juntamente com o Prof. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Finalmente. da qual o próprio pesquisador faz parte. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. com os conhecimentos adquiridos. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir.natural. consideramos que a ciência. químicos. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. realizado no município de Humaitá. Em quarto lugar. deve ter um componente social em seu escopo. pretendeu-se. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. que potencialmente es- . com a promoção de melhores condições de vida para a população. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Osvaldo Aulino da Silva. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. com as atividades deste trabalho. Nesse contexto. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. Nesse contexto. além dos objetivos aqui expostos. farmacologistas etc). oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. como qualquer outra atividade humana. Por outro lado.

principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. que se superando as dificuldades. que podemos denominar ecológico. antropólogos e químicos. como seres vivos. propiciou um imenso prazer. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. no entanto. portanto é urgente a sua consideração. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. Acreditamos. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. consideramos de grande importância colocar que. além de engrandecer o trabalho. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. essa área requer um enfoque novo. além de botânicos. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. No entanto. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. pela sua característica multidisciplinar. tipo do solo. e nossa experiência é prova disso.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. estágio de desenvolvimento. para que o conheci- . A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. estações do ano e outros). clima. farmacologistas. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. como exemplos) e abióticos (umidade do ar.

não só de conhecimento das potencialidades da natureza. acrescentaram uma experiência rica. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. Luiz Claudio Di Stasi . preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. que. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. além de tornarem possível este trabalho. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam.mento tradicional seja devidamente resgatado.

a grande maioria na região amazônica. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . Ato II de Romeu e Julieta . O Brasil contribui com 120 mil espécies. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. de um lado. quando se constata. portanto. Observa-se. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. (Cena III. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. apesar disso. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males.. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. por fim.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. Dessas. mas os primeiros registros remontam a milênios. e. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora.. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo.William Shakespeare. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais.

e isso é o que importa. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais.Campinas) . efeitos observados. Profa. Mas o passo foi dado. Levantamentos etnofarmacológicos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. como este que aqui se apresenta. a distância vencida. Por último. de outro. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro.criteriosos. enfim. Dra. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. Quando dizemos criteriosos. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. posologia.

. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. que. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. Fearnside. Dada a fragilidade desse equilíbrio. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. Atualmente. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. De fato. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. No entanto. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. apesar da pobreza dos solos. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. conforme aponta Philip M. no caso da Amazônia. A exploração madeireira. provenientes da evapotranspiração. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação.

por outro. Plantas medicinais na Amazônia. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP .Rio Claro) . visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. ecológico e histórico. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. Dr. fruto de um trabalho sério de pesquisa. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. Luiz Claudio Di Stasi. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. e. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. desde o leigo ao mais especializado. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. De qualquer maneira.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. julgamos altamente preocupantes: por um lado. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Prof. honrado em apresentar esta obra. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. do ponto de vista social. Sinto-me. riquíssima em espécies. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. portanto. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. coloca às mãos dos leitores. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. das quais poucas foram estudadas. Somada a isso. acarreta duas situações que.

Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. resumidamente. no Amazonas. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Vale do Ribeira. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. conforme descrito a seguir: . a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Jacupiranga e Sete Barras. • Aldeia dos Tenharins. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. no Estado de São Paulo. sul do Estado do Amazonas.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá.

assim. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Amazonas. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Departamento de Botânica do Instituto de . Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. No caso de material em fase de floração. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Para materiais fora da fase de floração. evitando-se.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Para as espécies da Amazônia. a coleta errada do material.

Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP .Biociências da UNESP . Itajaí . as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". para sua identificação. Sites da Internet.Rio Claro. Chemical Abstracts. .Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues".Santa Catarina. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Outras informações (agronômicas. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.Botucatu. Index Medicus (Med-line).

as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. como havia sido feito na primeira edição deste livro. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. . Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. com o tempo.

• Introdução sobre a família botânica ou.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . dados ecológicos e distribuição. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.• Parte II . especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . Para cada capítulo. • Dados químicos. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. incluindo: . .incluindo as dicotiledôneas medicinais. . as quais se subdividem em cinco seções: .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. que compreendem uma descrição botânica. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. em vários casos. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.

incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. formatadas e montadas para inclusão no livro. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.• Dados farmacológicos. formatado e montado para a inclusão neste livro. . . C. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. No final do livro.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. • Dados toxicológicos. . além de uma extensa bibliografia atualizada. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. .desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. de vários tipos: . encontram-se um glossário de termos botânicos.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. formatadas e montadas para inclusão no livro. UNESP. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. Instituto de Biociências de Botucatu. medicinais na Amazônia e foram escaneadas.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Santos L. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Outras ordens botânicas como Juncales. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae.1 Commelinidae medicinais C. algumas delas descritas neste capítulo. Typhales. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Xyridaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Guimarães C. Mayacaceae e Commelinaceae. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). C. A. M. . pelo seu grande valor ornamental. Hiruma-Lima E. M.

e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. respectivamente. que incluem vários gêneros. Cymbopogon. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. principalmente Zea mays (milho). saponinas. também denominada Gramineae. ácidos fenólicos. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. que inclui alguns importantes gêneros. Arundinoideae e Chloridoideae. gêneros alimentícios como bebidas. A família é dividida em quarenta tribos. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. do ponto de vista de espécies medicinais. Os outros constituintes incluem alcalóides. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. • Panicoideae. que inclui os gêneros Secale e Avena. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9.A família Poaceae. Saccharum e outros. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. 1996). e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). reunindo inúmeras utilidades. amido. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. . Paspalum. Andropogon nardus. do famoso centeio e da aveia. é a mais importante. subfamília que. açúcar e trigo. como Sorghum do sorgo. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. flavonóides e terpenóides (Evans. e o gênero Oryza. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. Zea. Várias espécies possuem importância terapêutica. cujo representante principal é o arroz. • Centothecoideae. substâncias cianogênicas. açúcar e óleos essenciais.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. ferragem. mas sem importância medicinal. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. • Pooideae.

os quais.5 m de altura. com folhas invaginadas bastante agudas. Em outras regiões do país. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Em outras regiões do país. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. espiguetas sésseis e fruto cariopse. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. glabros e curvados. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. por sua vez. os colmos são finos. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão.K. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.B. possuindo um grande número de ramos. Andropogon nardus L.

problemas estomacais e febre. marginatus e validus.) Stapf.1). Patchuli-falso. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Capim-cidrão. bainha larga e lígula na base do limbo. Capim-sidró. 1962). Vervena. Cymbopogon citratus (DC. Capim-marinho. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. rizoma semi-subterrâneo. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas.to. Erva-cidreira. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. folhas alternas. lineares. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Capim-cheiroso. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. eretas. formando uma touceira robusta. tais como flexuosus. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. ásperas em ambas as faces. compridas. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. sudoríficas e carminativas. formigas e traças. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. Sídró. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. com grande valor econômico. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. . Capim-limão. com nós e entrenós. Capim-cidreira.

Matos & Das Graças. como calmante e antiálgico (Van den Berg. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ápice agudo. 1982). como diurético. no Rio Grande do Sul. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. calmante e antiespasmódico (Barros. simplesmente. 1982. gripes fortes. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. lineares. contra gripes. Na região da Mata Atlântica. dores de cabeça e dores musculares. Saccharum officinarum L.. cilíndrico. articulado e um pouco mais grosso nos internós.Na região da Mata Atlântica. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. nervura central saliente e bainha espinescente. 1988). em Brasília. simples. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. no Mato Grosso.. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . 1980). no Ceará. verde ou violácea. 1 dísticas.2). duas vezes ao dia. Cana. reumatismo e febre. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. ásperas. a infusão das folhas é usada como antidiurético. hermafroditas. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. colmo arqueado na base. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. dores de cabeça e disenteria. no Pará. carminativo. o suco do colmo da planta. fruto do tipo cariopse ovóide. planas. 1986). como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. folhas amplexicantes. na forma de banho (Amorozo & Gély. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. espiguetas com flores pequenas. 1980). pequeno (Figura 1.

metil-heptenona. 1996). cariofileno. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. tuberculose. rachas dos seios. a. além de seus isômeros geralúal e neral. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. febres. 1981). aftas. cetonas e alcoóis. neral.. 1. nerol. 1984). geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. erisipela. chumbo e cobre. 1997). terpenos e dipenteno (Costa. como o geraniol. contra úlceras da córnea.. 1997). laurato de etila. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. contra resinados e anginas e. metil-heptenol. neral. O óleo essencial de C. limoneno.e b-pineno. como citronelal. internamente. 1986).8-cineol. linalol. externamente. envenenamento com arsênico.diurético e contra hipotensão. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. Ming et al. . citronelal. isovaleraldeído e decilaldeído. escarlatina. mentol. 1996. felandreno. mirceno. cólera. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. geraniol. vários aldeídos.4%). ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. vômitos da gravidez (Corrêa. farnesol.

O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.. 1996). 2000... citratus. 1988).Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. Onawunmi & Ogunlana. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. (1983) referem atividade antiespasmódica. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.. Lorenzetti et al. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al.. Com as folhas de C. 2002. toxicológico e clínico com essa espécie. Os principais constituintes das folhas de C. 1983 e 1989a)..9%) e neral (33. (1985). citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1997). analgésica (Viana et al.. e Di Stasi (1987). 1990). 1988). Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. relatam. no entanto. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C...8%). 1986.. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. 1998). 1988) antimicrobiana (de Sá et al. Onawunmi et al. enquanto Ferreira et al. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 2002). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1997) e o extrato de C. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. . geranial (45. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. mirceno (12. 1989) e antioxidante (Lopes et al. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1997). 1986 e 1987). citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. O extrato metanólico de C. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. A atividade antibacteriana de C. anti-helmíntica (Jourdan. Di Stasi et al... Onawunmi. Pinho et al... 1986 e 1987.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. não observando propriedades de interesse terapêutico. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1995).. 1985). 1988). 1984. 1988). 1988).

. 1986a). ácidos p-coumárico.. um álcool alifático com alto peso molecular. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. ferúlico e sinápico (He & Terashima. ligninas e ácidos fenólicos. Foi isolado também o policosanol. citriodorus. Hikino et al. 1988). bradipnéia. Menendez et al. 1999). (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. visto o grande número de trabalhos com C. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. 1989).. ataxia.. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. também conhecido como Capim-cidrão. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. 1997. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. citratus.. perda de postura. 1983). 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. 1990). citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke.. Para a espécie Saccharum officinarum. 2000). Dados toxicológicos O óleo de C. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. sedação e defecação (Ferreira et al.. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. Além de hipocolesterolêmico. De S. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.

c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. .FIGURA 1.1 .

Banco de imagens ).FIGURA 1. Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .2 . .Saccharum officinarum.

As espécies da família Bromeliaceae. Hiruma-Lima L. Lowiaceae. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Santos E. De todas essas famílias. M. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais.2 Zingiberidae medicinais C. M. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. C. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. importante produto de comercialização. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. Cannaceae e Marantaceae. Tal uso não é comum na região amazônica. A. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Zingiberaceae. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. . especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Guimarães C.

Curcuma. Alpinia. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. inclui 52 gêneros. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. na qual se localizam os gêneros Zingiber. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. com folhas membranosas. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Costus e Hedychium. Renealmia e Riedelia. larga bainha na base que envolve o caule. especialmente as famosas Canas-do-brejo. e • Zingiberoideae.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. nos quais estão distribuídas 1. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae.100 espécies tropicais espontâneas. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Vindecaá e Vindicáa. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. destas. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. com várias espécies medicinais. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. algumas delas aqui descritas. lâminas .

podendo chegar a até 1. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. contra sarampo.com 20 a 40 cm de comprimento. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. flores em grupos com brácteas vistosas. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. vistosas. hermafroditas e zigomorfas. inclui 42 espécies tropicais. 1988). Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. densas com flores brancas ou róseas. contém inflorescências terminais. espessas. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély.5 m de altura. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. fruto capsular. entouceirada. mas com algumas espécies em regiões tropicais. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. .1). podendo chegar a até 35 cm de comprimento. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. Costus spiralis Rosc. gineceu com ovário ínfero. ápice agudo e base arredondada. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. O gênero Costus. perianto distinto em cálice (claviforme. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. descrito por Carl Linnaeus. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. elípticas.

incluindo a espécie aqui descrita. lanceoladas e coriáceas. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. especialmente de origem sifilítica. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. Hedychium coronarium Koen. contra diarréias graves. de onde partem as folhas longas. . Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. as inflorescências são terminais com flores brancas. na forma de infusão. descrito por Johan Gerhard Koenig. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. sésseis. a espécie é muito utilizada como ornamento. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.2). grandes. sendo de fácil multiplicação por touceiras. vistosas. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. Em razão de sua beleza. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. O gênero Hedychium. muito perfumadas (Figura 2. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. Lírio branco e Gengibre branco. em Iguape é comum a denominação Napoleão. A decocção de suas folhas. cilíndricas.

Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. onde a maioria das espécies é espontânea. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. externamente. diarréias e como vomitiva. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. lanceoladas.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. A espécie é reputada como estimulante. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. sendo provavelmente o local de sua origem. e. em todo o Brasil. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. carminativa com uso na dispepsia. além de diversos outros usos (Bown. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. de Gengibre. com ampla distribuição. lumbago e cólicas menstruais. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. gripes. C. gripes e para problemas circulatórios. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. internamente. mas especialmente na Ásia. A espécie é usada. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. 1995). mesmo no Vale do Ribeira. folhas alternas. cólicas. indigestão. contra náusea. . Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. flatulência e eólicas. 1994). com uma lígula membranosa bífida. contra reumatismo. tosses.

1987b). nerolidol. galanga. 1985a e 1985b.. 1987b). Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. 1.16-dial (Morita & Itokawa. speciosa e A. galanolactona e (E)-8. Os sesquiterpenos -eudesmol. linalol.8cineol. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al.. galanga (Barik et al.. 1988). 1987). taninos. 1987c).. constituintes fenólicos em A. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano.-(17)12-labddieno-15. katsumadai (Okugawa et al. 1995). intermedia (ltowaka et al. 1987). 1988). Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B.. 1987). Da espécie A. galanga.. 1987).. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.6-dehidrokawaina.. japonica (Morita et al.. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1990).. De A. Foram isolados dos rizomas de A. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. isohanalpinona e alpinenona. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A.. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. acetato de geranil. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.. Os compostos isolados dos rizomas de A. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. galanga (Mori et al. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . Cinco compostos. nutans (Mendonça et al. flavonóides em A. (Xue et al. humulene. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A.. 1988a). 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. 1988). Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. óleo essencial.. speciosa. Os principais constituintes dos frutos de A. Dos rizomas de A. dihidro-5. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al.. 1996). e 5. 1987a e 1987f) e A.6-dehidrokawaina.

. A análise fitoquímica de A. fenchona e geraniol. 1997b) e quercetina (Wang et al.8-cineol (Lai et al. sódio. As sementes possuem mirceno. pineno. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. além de óleos essenciais (Mendonça et al. 1997b). flabellata (Kikuzaki et al. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A..foram isolados recentemente da espécie A. sendo um novo. mirceno. conchigera (Athmaprasangsa et al... flavonóides (Luo et al.-o1. oxyphylla contêm neonotkatol. alpinenona. decanol.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. isohanalpinona. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. zerumbet (Xu et al. 1996). sesquifelandreno e zingibereno. katsumadai possui -pineno. l. B2. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. cálcio. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown.. bornil acetato. 1999). intermedeol e -selineno (Itokawa et al.. 1987). 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. 1997). citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. Do óleo essencial das sementes de A. polyantha foram isolados. Três novos diarilheptanóides .5heptanediona. yakuchinona A. além das vitaminas B1.. zinco. -ll(12)-eremofilen-10. E. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1992). De A. yakuchinona B.. 1990). hanalpinol peróxido. citronelol. trans-bergamoteno. linalol. O óleo essencial das folhas e caules de A. Cinco diarilheptanóides.7-difenil-3. 1997a). blepharocalyx (Kadota et al. C. 1988). isohanalpinol e aokumanol. Das partes aéreas de A. furopelargona A.. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. 1989). blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.calixina A e B e 3-epi-calixina B . -sitosterol. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. . Das sementes A. Dos rizomas de A. furopelargona B. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. magnésio. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al... 1989)...8-cineol.. terpineol e 1. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. 1997a). 1. Os frutos de A. fenóis e alcalóides. 1990). Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1997). 1987d).. densibracteata foram isolados os bisabolanos. potássio. manganês. 1994). geraniol. chumbo. ferro. daucosterol. hanalpinona. felandreno.

1988. Mendonça et al. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. 1976) e A. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. 1989). 1996). assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. bloqueio neuromuscular. inibição da musculatura lisa. além de medicinal. que é um derivado do gingerol. 1985). Constituintes isolados de A. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. e seu óleo. A espécie A. 1999. 1996). sendo antiulcerogênica (Wang et al. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. é usada na culinária. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. Estudos com a espécie A. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. indicando . 2000). speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1986). galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. Sesquiterpenos isolados de A. galanga (Itokawa et al. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1988b). japonica e A. oxyphylla (Kyung-Soo et al. 1972). 1996). na perfumaria. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. 1999). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1988). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1987). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. speciosa. A erva. galanga (Janssen & Schefter. 1997). Lin et al. 1994). 1987c) e A.

Compostos isolados dos rizomas de A. 1992). 1996) e antiproliferativo (Ali et al. 1998). 1987c). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. officinarum (Kiuchi et al... Estudos com a espécie A.. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 1988). 1994). Os diarilheptanóides isolados de A. speciosa. 2001). apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. ArnaudBatista et al. 1992).. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al.. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 1988). Geraniol e isotimol isolados de A. 1994).. O óleo essencial de A.6-dehidrokawaina isolado de A. oxyphylla (Chun et al. 1990). . anticonvulsivante (Maia et al. O composto dihidro-5. Mendonça et al.. Moraes et al. O terpinen-4-ol. 1996). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1988. 1990). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1989). 2002) e antigenotóxico (Heo et al. O extrato acetônico de A. 1982). A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1987c) e A. 1996). Do óleo essencial das folhas de A. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. Dos rizomas de A. Mendonça et al.. 1992). speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. 1998.. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. 1988b)..a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 1982. 2002). Os rizomas de A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 2001). 1988a... A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. também isolado do óleo essencial. galanga (Itokawa et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al.. antifúngica (Lima et al.. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. speciosa apresentou atividade analgésica periférica.

.. 2002). 2002). 2000). De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. hipocinese. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. contorções.A atividade antiinflamatória de A. Surh. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al.. speciosa produziu excitação psicomotora. 2000) e H. 1999). 2000). Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A... 1992). O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. relatadas a seguir. 1999). Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.. 1988b). A espécie H. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al.. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al... oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al... 2001. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. . de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. Musa e Heliconia. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2000). ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al.

. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. O fruto da espécie não é usado como alimento. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. com folhas longo-pecioladas. com bainhas grandes. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. folhas longas. com pseudocaule ereto e cilíndrico. . oblongas e inteiras.5 m de altura. laminares de grande comprimento. minúsculas e duras. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2.

1 . . ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. mas com 25% do comprimento e da largura. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. onde é amplamente cultivada como ornamento. FIGURA 2. A espécie não é nativa da Mata Atlântica.podendo atingir até 2 m. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. flores reunidas em espigas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Alpinia japonica. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). dando um pequeno fruto que também é comestível. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca).

2 . .Hedychium coronarium. Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2.

especialmente na ordem Liliales. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. principal. N. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. família Liliaceae. Dioscoreales. Asparagales. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. A. G. Velloziales. ordem Orchidales. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Liliales e Orchidales). Gonzalez L. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Alliaceae e Amaryllidaceae. Velloziaceae e Iridaceae. C. família Liliaceae. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Seito C.3 Liliidae medicinais L. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Dioscoreaceae. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Di Stasi F.

.e Liliaceae. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium.950 espécies vegetais. Lillium. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. 1997). Alloe. A segunda. dos quais devemos destacar o gênero Allium. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. especialmente do gênero Iris. grande fonte de espécies dessa família. Convallaria. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Trilium. A primeira. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). ambas de valor econômico incomensurável. pelo grande número de espécies ornamentais. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Outro gênero importante é Aloe. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Colchicum e Drimia. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. como é o caso da cebola e do alho. esse da importante Babosa (Aloe vera). que passamos a descrever. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. Narcissus e Veratrum. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Tulipa.

Era citado pelos babilônios no ano 3. obtida comercialmente. em geral seco. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. são utilizados de várias formas. inclusos e envolvidos por fina membrana. loculicida (Figura 3.1).Espécies medicinais Allium sativum L. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. fruto. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. ao passo que a infusão é usada contra gripes. 1995). O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. na forma de umbela pedunculada. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. especialmente em crianças. C. que se mesclam com os bolbilhos. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. flores brancas ou avermelhadas.000 a. sésseis. Nas comunidades do Vale do Ribeira. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. a maioria é cultivada. capsular. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. os bulbos dessa espécie. folhas lineares. tosse e também contra hipertensão.

diurético. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. reumáticas e paralíticas (Corrêa. resfriados. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. 1992). os bulbos são usados na hipotensão. histéricas. 1982). e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. o uso externo. antiasmático. com inúmeras variedades e subtipos. ateromatose. Em outras regiões do Brasil. carnoso e com casca fina amarelo-parda.queca. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. também são utilizados como sudorífico. além do uso como condimento. anual. em afecções nervosas. flores hermafroditas regulares esverdeadas. todos usados e comercializados como alimento e condimento. folhas radicais ocas e compridas. a espécie inclui vários usos medicinais. com bulbo grande e solitário. gastroenterite e disenteria. para problemas da pele. No Pará. febrífugo. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. poderoso anti-séptico das vias digestivas. 1984). rouquidão. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. carminativo e vermífugo. tosse com expectoração. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. especialmente acne e micoses. como referido para o Alho. Trata-se de uma espécie com usos históricos. digestivo. agudas. 1988). Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. dispostas em umbela. tosse. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. ao passo que a infusão das cas- . Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. subgloboso. Dados botânicos Erva bulbosa. Em Minas Gerais. bronquite. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. arteriosclerose.

A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. podendo atingir até 1 m de altura. reunidas na forma de rosetas em sua base. A manipulação dessa planta no preparo de loções. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. como cicatrizante. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. externo. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. são úteis contra edemas. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. para acne. internamente. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. descansado por 24 horas na geladeira. é considerado excelente contra úlceras. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. dores e infecções da pele. folhas suculentas. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. ao passo que as folhas frescas. Dados botânicos Planta perene e suculenta. . sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. densas. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. O uso interno de um macerado em água fria. Aloe vera L. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. lanceoladas. as flores são tubuladas. usadas externamente. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. Na região amazônica. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado.2). externamente.

(B8) e P. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. 1990).. B. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. Nos bulbos também foram encontrados aliina. 1995).. 1995). holosídeos. 1991). Além disso. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. 1997). 2000). proteínas e fermentos (Costa. além de evitar queda de cabelo. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. vitaminas A. . De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. desoxialiina. 1968).. C. 1999). 1986). Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. aliinase que origina a alicina. exigindo-se cuidado na utilização. Da espécie A. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. alil e alil-propil. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. barboloina. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen.. isobarboloina (Kuzuya et al. relatando ainda que as folhas são purgativas. fitosterinas. 1997). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. 1997). catártico e febrífugo. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. barbadensis (Saleen et al.. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. a polpa é emoliente e resolutiva. saponinas esteroidais (Peng et al. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. obtidos de A. 1993). sativum. et al.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. vários heterosídeos sulfurados. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. A antro-cenona. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. Prostaglandinas A. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. 1992)... 1979)...

1981. Hikino et al. Entretanto. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos).. 1996). várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. No entanto. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. in vitro (Sheela et al. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. 1991). estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. 1995. rolêmica... Por sua vez. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. Além dessa classe de compostos. hipocoleste. O estudo comparativo in vitro. isolado de Allium sativum Linn. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al... 2002). amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. 1987. 1992). demonstrou que os compostos de A. Augusti & Sheela. Nerkar et al. 2000). antibiótica. fibrinolítica. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). cicloxigenase.. Esse mesmo efeito foi detectado . Em animais com carciriogênese bucal o A. Kwon et al.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie.. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. entre outras ações que serão discutidas a seguir. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie.

1981. 1993). O óleo de A. 1983. Guevara et al. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda.. Singh & Shukla. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. Khan et al. Rees et al.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti.. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al.. 1994). Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 1993) e aquosos (Sato et al. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. O extrato de A. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. precursor da alicina e obtido do alho.. 1984. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni.. Mossa. 2002) contra Staphylococcus aureus. enquanto a associação dessa dose com 4. 1985). Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. O sulfóxido de S-alilcisteína... 1996). Dababneh & Aldelamy.. in vitro. 1997.. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1984. 1985. contra Helicobacter pylori.. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. 1982. Sovova et al.. além de atuar como . 2001). a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. 1983) obtidos a partir dessa espécie. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. O estudo realizado por Celini et al. sativum apresentou também atividade antibacteriana. 1992). lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. 1980). fosfatase ácida. compostos fenólicos (Patel et al. 1995).

Kamanna & Shandras-Wkhara. 1992). inibem a síntese de colesterol. 1993).. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. no entanto. no entanto. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Os resultados obtidos por Sendl et al. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. Sandhu et al. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. 1980. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti.. cepa (Dorsch et al„ 1985). A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 1994). alicina e sulfeto de dialila.. 1980. 1984.. assim como as respectivas substâncias isoladas. Boelter et al. 1995b). esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. e não as substâncias isoladas. 1978. (1992). 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. metil-ajoeno. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Mohammad & Woodwara (1986). (1985). Rotzsch et al.. 1986) e brutos (Rees et al. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1996). enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . 2001). (1986). 1993). 1993). 1993). 1978. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh.agente anticercaricida. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. Block et al. 1978). sem. assim como substâncias isoladas do alho. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. Adetumbi et al.. Essas propriedades farmacológicas.

5. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. Por sua vez. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1990). (1992) com o composto ajoeno. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. 1991). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. M. tais como a histamina (Usui & Susuki. Essa mesma planta reduziu a concentração . I. Ribeiro et al. (1986b). bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. natriurética e hipotensora em cão.. sua condutância. 1996).. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. sativum (Kweon et al. 1993b). Foushee et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. (1987)... 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali.sos de bulbos de alho fresco (5.. 1997). 1996). 1991). principal componente antiplaquetário do alho. 1996). sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. atividade diurética. 1993). A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. A. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. também. 1996). A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. et al. enquanto Pantoja et al.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. 1993). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas.. E. et al. como radioproteção (Reeve et al. 12.. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais.. 1986a). além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al.. 1996). e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. (1982).

et al. 1993). 1990). Resultados similares foram obtidos por Imai et al. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. sativum ou A. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. sativum L. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. 1992. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al.. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. I.. Lipotab. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados.. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer.. 1992). tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. conseqüentemente. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. 1995). 1994). Para a espécie Aloe vera. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. ela é um excelente cicatrizante (Costa.. (1994).. 1991). Ko & Son. 1995). 1993). (1996). 1993. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. Além disso. Allium sativum.. . O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. 1996). 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. Extrato aquoso de A. cepa com A.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. um preparado à base de Curcuma longa. in vitro.. Chithra et al. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. E a mistura de A. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina.. 1993)..

1995). 2000). Essa família possui pequena importância no Brasil. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 1996. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. Entretanto. 2001). As folhas de A. vera e hipotensora de A..1998). que inclui algumas espécies popu- . mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al.. 1997). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. esses dados referem-se. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. aumento na contagem de espermatozóides. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. em camundongos. 2001).. Os estudos de toxicidade de Allium cepa.. A atividade antiinflamatória de A.. 1994). 1997). apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al.. Saleem et al. contudo. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al.. 1991). estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão.

Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. brancas. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. e o Agave. no entanto. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. 1996 e 1997b). saponinas esteroidais (Mimaki et al. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. No entanto..larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. Das .. 1987). trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. flores pequenas. longas. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. cilíndricas. contra problemas hepáticos. pontiagudas e com manchas brancas. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica.. 1996). possui folhas carnosas. na região amazônica. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al.

FIGURA 3. além de carboidratos. saponinas. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. 1982). 1996). beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al..1 .. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al..Allium sativum. 1998) (Banco de imagens ). 1986).. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . .folhas de S. cylindrica foram isolados lipídios.em Joly. 1997). Das folhas de S. pigmentos.

Aloe vera.2 .FIGURA 3. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .

sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. esta segunda com uma única família. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. Di Stasi A. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Triuridaceae. S. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. portanto. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. de pouco interesse para nosso estudo. As duas espécies.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Mariot M. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. ainda não discutidas neste livro. C. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- .

na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. latescentes com lâmina foliar grande. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. 1997). Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. muitas aquáticas ou brejosas. e Sagittaria. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. A espécie possui as variedades floribundus. rizoma grosso e carnoso. contendo vasos apenas nas raízes. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro.mico. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. essa segunda inclui apenas a família Palmae. também denominada Arecaceae. numerosas. com caule triangular e glabro. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. flores brancas.1). folhas pecioladas. Inclui ervas perenais. ovadas. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. espécie de grande valor econômico. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. grandes e eretas. freqüentemente . coriáceas. Aguapé.

raramente trepadeiras.. útil ainda contra artrites. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. Incluem árvores ou arbustos. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. moléstias da pele e do fígado. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. com folhas terminais. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. especialmente contra dores de cabeça. sífilis. também denominada Arecaceae. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. nas costas. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. tônica e diurética. 1997). e como anti-helmíntico. . e outras.consideradas outra espécie. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. como sedativo. bem como gripes e resfriados. reumatismo. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al.650 espécies tropicais (Mabberley. de barriga. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. como ornamentais. 2000). tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. muitas delas usadas como medicinais.

2000a e 2000b). outras são importantes como medicamento. com folhas pinadas. que inclui o famoso palmiteiro. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. amplamente conhecida na região amazônica. como é denominada a outra espécie do gênero.. Kobayashi et al. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. como é o caso da Areca catechu.A família está subdividida em seis subfamílias. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . chegando até 25 m de altura. e o açaí. 2002. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. do jerivá (Joly. 1998). Cocos. do famoso coqueiro da Bahia. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Destaca-se o gênero Euterpe.. Espécies medicinais Euterpe edulis M. amplamente conhecido na Mata Atlântica. conseqüentemente. especialmente da Mata Atlântica. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. como é o caso de várias palmeiras. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. macrophyllus (Shigemori et al. que incluem a piaçava e a ráfia. e o Arecastrum. Tratase de uma família de grande valor econômico e. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. respectivamente do babaçu e da carnaúba. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E.

O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. FIGURA 4. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. não fosse a intensa exploração da espécie. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. 1998) (Banco de imagens). o suco do caule é usado.1 . como antídoto para picada de cobras. internamente. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. . Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional.nhas. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. externamente. contra dores de barriga para controlar hemorragias e.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Myristicaceae e Lauraceae. Na família Chloranthaceae. M. M. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. da qual inúmeras espécies de grande valor . especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. C. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Santos L. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. inúmeras espécies são medicinais. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. A. Outras famílias dessa ordem também são importantes. inúmeros gêneros são importantes. tais como as Magnoliaceae. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. tais como Magnoliaceae. do famoso Boldo. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Guimarães C. Hiruma-Lima E. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal.5 Magnoliales medicinais C. são importantes como ornamentos. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. Annonaceae. Na família Monimiaceae. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas.

Graviola e outros. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Xylopia e Rollinia. Xylopia. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. e Monodoroideae.150 espécies tropicais (Mabberley.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Annona reticulata. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Artabotrys. e ainda outras importantes como alimento. Uvaria. Cinnamomum. Annona tenuiflora e Annona squamosa. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. . como Aniba. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. A família inclui árvores. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. os gêneros mais comuns são Annona. 1997) e subtropicais. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. 1997). Cryptocarya. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Annona coriacea. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. espalhadas por todo o planeta. No Brasil. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Pinha. Annona cherimolia. Guatteria. que inclui nosso Abacateiro. Laurus e Sassafras. que inclui os gêneros Annona. arbustos e lianas. Aniba e Nectandra. Cabeça-de-negro. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil.

Coração-de-rainha e Nona. pecioladas.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. com um espinho central. com cálice de lobos triangulares e agudos. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. latescente. 1998). Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. ovadas ou elípticooblongas. tais como Araticum. que apresentamos a seguir. flores axilares. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. alcançando até 15 cm de comprimento. amareladas. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. que são muito apreciados. com um tronco revestido por casca aromática. Araticum-punhê. polpa branca. inflorescência cauliflora. Araticum-de-paca. . no entanto vários sinônimos são usados. no entanto. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". mole e recurvado. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. Iriticum. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. Várias espécies. Espécies medicinais Annona muricata L. cordadas na base e acuminadas no ápice. alcançando até 30 cm de comprimento.1). com várias delas comuns na Amazônia (Joly. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. sucosa. fruto do tipo baga irregular. Araticum-ponhê. subglobosas. com epiderme verde-escura. espessa com saliências cônicas. as folhas são alternas.

especialmente na produção de sucos. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. Em outras regiões do Brasil. as folhas cozidas. peitorais. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. a planta fornece madeira. sorvetes e geléias (Corrêa. com importante uso potencial na fabricação de papel. por sua vez. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. As folhas e raízes são consideradas sedativas. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. antiespasmódicas e antidisentéricas. tem grande valor como alimento. usadas topicamente. Na Amazônia.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. 1984). ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. 1984). as flores. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. antiespasmódicas e hipotensivas. mole e branca. combatem reumatismo e abcessos. sendo depois levada para outras regiões do planeta. diurético e no combate a insônias leves. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. Além dos usos medicinais da espécie. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . podendo também ser usada na arborização urbana. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. os brotos e as folhas são usados como béquicas. O fruto. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. onde se tornou subespontânea. para baixar febres. especialmente lombrigas. 1984). referidos a seguir. dores de cabeça e como emagrecedor. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa.

Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. foram referidas espécies desse gênero. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. onde é usada contra tosses. gripe. no processo de pesca. as raízes e folhas. as folhas e a casca da árvore. impedindo-lhes a identificação correta. 1987). misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. 1990). No Peru. espasmos e febres. a fruta e seu suco são usados contra febre. 1986). 1962). que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. 1955. Na Jamaica e no Haiti. na forma de chá. 1962). Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. contra diversos parasitas (de Feo. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton.. inseticidas. o chá das folhas é utilizada para catarro. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. Esse uso. enquanto o óleo das folhas. . são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. as cascas e folhas. Na Índia. no entanto. como antiespasmódico. as sementes. Ayensu. Weninger et al. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. tosse. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. é usado externamente para neuralgia. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. diarréia e como lactagogo. 1978.mas do fígado. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. Nas Guianas. 1992).. Annona tenuiflora Mart. especialmente na África. 1993). também tem sido referido para as raízes e casca da planta. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. contra diabetes. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. asma. parasitas. De acordo com os mesmos autores. e as sementes.

Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. folhas alternas. curto-pecioladas. muitas das quais usadas na medicina popular. tonturas e hipotensão. sul do Amazonas. Malagueta e Banana-de-macaco. agudas no ápice. onde parte deste estudo foi realizada. com casca fibrosa. simplesmente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Pijerucu. Jejerecou. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Ibira. Envira. cálice gamossépalo. lineares. simples. deiscente. Pindaíba. pétalas lineares. na região amazônica. vermelho. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. Jejerecu. O gênero Xylopia. hermafroditas. aromática. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. . alternas e ápice cuspidado. Pindaúva. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. folhas ovado-oblongas. tronco ereto e cilíndrico. coriáceas. fruto do tipo baga ovóide. Envira-preta. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. também descrito por Carl Linnaeus. Coagerucu. Pindaíba-branca. Jegerecu. Coaguerecou. oblongolanceoladas. Pau-de-imbira. Coajerucu. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Breu branco ou. sem estipulas. Nomes populares A espécie é denominada. Breu. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5.3). Em outras regiões do Norte do Brasil. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. com duas a seis sementes (Figura 5. frutescens Aubl. alcançando até 8 m de altura. Xylopia cf.2). Pindaúba. e copa alongada.

a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. também aromáticas. raízes. sendo uma espécie heliófita. como cabos de instrumentos e varas de pesca. 1984). 1984). para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. Além dos usos medicinais descritos a seguir. como digestivo e são úteis contra catarro. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. As sementes. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. 1998). . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. perenifólia e pioneira. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. Na região amazônica da Colômbia. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. sementes de espécies da família Annonaceae. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. especialmente. para combater resfriados e dores de cabeça. folhas e. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. na forma de inalação. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. própria para uso em carpintaria. ao passo que a decocção da casca é usada. são usadas como estimulantes da bexiga.

1995b). (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. 1994a e 1994c). com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. neo-anonacina-10-ona. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al.São ácidos graxos modificados. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. e que são importantes representantes da flora brasileira.. I. enquanto Gromek et al. 1995c). anonacina-10-ona.. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 1995e). Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. muricatocina C e gigantetronenina. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. muricina H. No entanto. muricatetrocina A e B.. 1995b). Anomuricina A e B. iso-neoanonacina-10ona. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 1991). murihexocina A e B (Zeng et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al...... denominada corepoxilona. Recentemente. 2002). 2 e 3 (Wu et al. . 1993). e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 1995a). Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. cis-annomontacina (Liaw et al. 1994). anomutacina 1. 1991b). essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. especialmente como citotóxicas. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes.. hoviicina A. epomuricenina A e B (Roblot et al... os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico..

. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. cis. bulatanocina. isomolvizuína 2.. 1995)... 1994a).... (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al.. anogaleno (Sahpaz et al. incluindo A... esquamosinina A (Yang et al.. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. cherimolia. molvizarina e motrilina (Cortes et al. esquamona. Das semen- . 1994). 1962).. 31-hidroxibulatacina. 1994). cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. Sahai et al. esquamostanal A (Araya et al. 1991a e 1991c)... além de esquamocina e esquamostatina A. 1994b). itrabina. 1994b).. bulatencina. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas.. Cortes et al. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. 1994). squamocina e almunequina (Duret et al.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. 1995a). 1991). 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al... tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 1993). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1994a e 1994b). reticulacinona (Hisham et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. isoquerimolina 1. anomontacina em Annona montana (Jossang et al... Das sementes da mesma espécie. muricata e A. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. 1995) em Annona bullata. jeteína. 1993b). 1996). 1994c) neodesacetiluvaricina. 1996). 1993b). três uvariamicinas. tais como reticulatina (Saad et al. 1992). neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. 1993). 30-hidroxibulatacina. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. 1995).. 1991). C e D (Fujimoto et al. B. solamina. anoreticuína-9-ona.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. esquamosteno A (Araya et al.. 32-hidroxibulatacina.

isoboldina e outros foram isolados de A. 1979. X. cacans (Saito & Alvarenga.. 1970) e X. 1976). anolobina e asimilobina foram isolados de A. 1991). enquanto diterpenos foram descritos em A. C. de A.. 1996).. 1986) e A. ambotay (Carazza et al. 1993)... frutos de A. 1994). reticulina. 1986). enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. enquanto três amidas ácidas. Yang & Chen. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1994). X. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. squamosa (Setharaman. Flavonóides foram descritos em A. 1987).. cherimolia (Villar et al.. 1962).. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. laureliptina.. 1988). salzmannii (Paulo et al. A. A. 1982a e 1982b. squamosa (Krishna Rao et al. A. 1994). 1986). Alcalóides conhecidos como anoretina. reticulina. Wu et al.. 1985) e A. 1989. 1978). Monoterpenos foram isolados de A... 1991). uma lignana ((-)-siringaresinol). Y. oxouxinsunina. et al. 1979. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. Mukhopadhyay et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. como constituintes predominantes. brasilienses (Casagrande & Merotti. aromatica (Rios et al. 1993) e sesquiterpenos em A.. A. 1992. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. montana (Wu et al. Inúmeros compostos terpenóides. 1995e). Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. 1984). cherimolia (Yang et al. squamosa (Silveira et al. anolatina. 1978). ambotay (Oliveira et al.. anonaína. 1976)... 1981).. Martins et al. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. purpurea (Castro et al. foram isolados do fruto de Annona muricata ... quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. michelalbina. enquanto os alcalóides anonaína. Barbosa Filho et al. squamosa (Leboeuf et al.. squamosa (Wu.. bullafa (Kutschabsky et al. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al.

propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1996. Gbeassor et al. 1993. Misas et al. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1962). De Xylopia frutescens. a casca. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al.. Di Stasi. 1925 e 1932). 1991b). Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1995b). 1993). aromatica. 1991). uma acetogenina isolada de A. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque... 1993. 1991). Vilegas et al. Ngouela et al.(Wong & Khoo.. 1941.. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas.. 1987). enquanto extratos de folhas. 1998). 1991). enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. obtidas de Annona muricata. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. brasiliensis e X. vasodilatadora. 1979). o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Anomutacina 1. X... a raiz. muricata e de A. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. Carbajal et al. Heinrich et al. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. Solanina.. acetogenina isolada de Annona muricata.. X. . apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al.. 1995e). antiespasmódica. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. muricata. 1940). Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al... 1979).. Bourne & Egbe.. 1988. corosolona 1 e corosolina 2. assim como outras espécies do gênero. 1990). Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. 1992. 1991). 1995. 1991. Acetogeninas isoladas sementes de A. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. Lopez Abraham... A espécie Annona muricata possui. 1979.

montana (Wu et al. montana (Wu et al. 1993) e várias outras (Jossang et al. 1992). norcoridina. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. 1991. reticulina.. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. 1988b e 1988a). enquanto alcalóides isolados de A. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. 1991..... C. 1987) e A. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. Hui et al. respectivamente. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. enquanto os alcalóides de A. coridina.. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. anoreticuína9-ona. Y.. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. 1992). 1994).Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. asimilobina. 1991c e 1991a). tais como cinco acetogeninas isoladas de A.. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. squamosa. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. reticulatina.. bulatanocina.. 1993).. galucina. 1995). et al. ... Os alcalóides isolados de A. 1993). salzmannii. esquamona. enquanto os alcalóides liriodenina. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. 1980). oxoxilopina. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. Esteróides de A. anonaína.. cherimolia (Cortes et al. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al.. solamina. Chang et al. reticulina. 1995a).. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. 1980). 1993b). 1991). (1995b). squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. Cortes et al. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. 1993b e 1994b.. cherimolia (Villan del Fresno et al. isolados de A. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al..

Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. Rao et al. 1990.. 2001)... squamosa. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. coriaceae (Souza et al. Oliveira et al. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. Extratos preparados também com A.. L. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. donovani. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. 1993). 1999). A atividade inseticida do extrato etanólico de A. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. frutescens não apresentou atividade moluscicida. que determinaram efeito depressor do SNC. 1993). provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. 1998). Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. aromatica foi isolada atherospermidina. 1994).. O extrato etanólico da raiz de X.. foi caracterizada a . Martins et al. 1979.. et al. Extratos etanólicos de sementes de A. 1998). 1996. 1996). E. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). 1989. enquanto o extrato etanólico de A. que apresentou atividade citotóxica. fungitóxica. 1975).1983). et al. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. 1996). 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. Anopheles stephensi (Saxena et al.. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. Das cascas de X.. atividade anticonvulsivante e analgésica.. A. 1994)... Trypanossoma brucei. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. F. A. Silva. Extratos metanólicos de A. parassimpatomimética de A. como acido caurenóico. Do extrato etanólico das folhas de X. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. entre outras. discreta.... além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. 1979).

squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. E da espécie X. 1988c). Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A.. 2002). como inseticida... Em Guadalupe. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al.. . anti-helmíntico e citotóxica.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. (1988) para a espécie Annona muricata. especialmente em uso crônico. 1996 e 1997). que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 2001). Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. 1999). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. 1962). muricata e A. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk.

Horsfieldia e Knema. podendo chegar a até 35 m de altura. que possuem importância do ponto de vista econômico. Neste levantamento. 1996). No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. como a Noz-moscada (Myristica). mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. usada como condimento. No Brasil. Virola. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Sucuba. como Myristica. 1997). Nozmoscada e Ucuuba-branca. Ucuuba cheirosa. Espécies medicinais Virola surinamensis L. Árvore-do-sebo. Essa família inclui gêneros importantes. contendo ramos carregados de folhas . e espécies do gênero Virola. Bicuíba. Sucuuba. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998).Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. e também como Leite-de-mucuiba. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio.

V cf. V. Vidigal et al.. V. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. chegando até Pernambuco. 1995). Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. inflamações. usadas como venenos de flechas. para o tratamento de câncer. 1969. 1987a)... A casca é usada como medicamento para aftas. com até 20 cm de comprimento. infecções. Ferri & Barata. 2000). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. 1989. Espécie de ocorrência na Amazônia.. 1984). surinamensis. 1992. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. et al.. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. Cassady et al. 1991 e 1992). inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. Martinez et al.. 1996). muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. 1996. 1971). elongata . popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas.pecioladas. pavonis (Marques et al. bem como -sitosterol. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. S. oblongolanceoladas. 1987). L. É uma planta perenifólia.. V michelli (Santos. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. como outras do gênero... O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. 1997). pavonis (Martinez et al. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. V surinamensis (Lopes et al.

. Cavalho et al. 2001). sebifera. carinata e V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V.. foschnyi (Lemus & Castro. 1996. michelli (Santos et al. V..(Kato et al. calophylloidea (Martinez. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. michellii foi atribuída à presença da flavona. Alvarez et al. A atividade analgésica de V. 1986 e 1990). 1989). V. Das folhas de V. Além das lignanas. surinamensis. V. V. titonina . V. 1996) e V. e polifenóis nas espécies V. Pagnocca et al.. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. titonina (Andrade et al. 1990. 1994 e 1995).... 1993 e 1994). 1994 e 1996.. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. 1989) e V. calophylla (Martinez et al. 1999).. Lemus & Castro. 1988).. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. 1990). 1990). Andrade et al.. oleifera (Fernandes et al. 1999. 1996... A atividade antifúngica das espécies V.. calophylloidea (Von Rotz et al. venosa (Kato et al. 1992) e V. 1992).. 1996a). flexuosa (Aguirre. pavonis. carinata e V. 1987). V... que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. V. 1987b). V. calophylla. V. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. urbaniana (Reis et al.. 1995).. michellii (Cavalho et al. 2001).

oleifera... sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. 1996). Ocotea. V. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. 1987). da famosa Canela-sassafrás. além do . Os principais gêneros são Laurus. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. árvores e arbustos (Mabberley. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. 1997). carinata e V. sugerem cuidados da população quanto ao uso... 1978). Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. do famoso Louro. 1994). koschnyi (Castro et al. duckei (Bennett & Alarcon. dados etnofarmacológicos de V. do nosso famoso Abacateiro. 2000). 1999). Sassafras. 2000). 1996. cercaricida e molucicida de V. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. Barata et al. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso.A atividade leishmanicida nas espécies V. todos aromáticos. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). elongata (Davino et al. V. surinamensis. calophylla (Miles et al. donovani e V. Incluem muitas espécies aromáticas. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. As propriedades antioxidante e surfactante de V. 1987) e anti-hemorrágica de V. A família reúne grande importância econômica. amplamente usado no Brasil como condimento.850 espécies. pois. 1986b e 1998). mas não foi detectada em V. porém.. Persea. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero.. 1998. aliados ao relato de atividade moluscicida. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. sebifera. inseticida de V. tripanossomicida. Nectandra. alucinogênica de V. Licaria. surinamensis (Lopes et al. e outros.

pecioladas. deriva de lauer = "verde".Abacateiro. como a Canela e o Louro. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. . É uma planta exótica e cultivada no Brasil. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . folhas alternas. onde se adaptou muito bem. 1998). para combater problemas hepáticos e intestinais. lanceoladas. e de outras espécies. de estômago e como emética e abortiva. bem como para dores de barriga. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. 1998). fornecedor de alimento amplamente comercializado. e laus = "louvor". A infusão também é indicada contra dores de cabeça. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. Espécies medicinais Laurus nobilis L.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. sendo considerada digestiva.

Internamente. pecioladas. diuréticas e febrífugas. vulnerárias. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. externamente. emenagogas. ou Persea gratíssima Gaertn. reumatismo e uremia (Corrêa. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. contra reumatismo. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. estomáquicas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. anti-sifilíticas. comestível. flores branco-pálidas. Persea americana Mill. 1984). sendo comercializada em todo o mundo. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. analgésico. bronquites. onde se encontram as folhas alternas. fruto do tipo baga ovóide. lanceoladas e acuminadas. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. pequenas e pouco vistosas. não ocorrendo espontaneamente. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. ao passo que a infusão das folhas. que envolve a semente grande e marrom. além de atuar como diurético e analgésico. nome dado especificamente ao fruto. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. com polpa verde. é também usada contra febres. . Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. carminativas. estimulante do apetite e contra cólicas. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. além de serem usadas contra doenças renais. as folhas são usadas contra indigestão. úlceras e piolhos (Bown. 1995).

Às folhas de P. antiinflamatório (Ademylmi et al. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al.. 1991). nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). spatulenol. 1995. elemicina. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano.. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2002). foram atribuídos os efeitos analgésico. Sladler et al. .. 2000. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.. 2002... Afifi et al.. americana citados acima. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. 2002). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. antifúngico (Domergue et al. A espécie Persea americana L.8-cineol isolado de L. 1991. O 1..Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 2002)... Carman & Handley. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. 2002). nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. hidrocarbonetos. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 1999).. Grant et al. 2001). 1987).. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 2002). A atividade antiulcerogênica de L. 1991.. 1997). Hargis et al.

FIGURA 5. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). .1 . 1984).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.

2 .Annona tenuiflora. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 5. . 1984) (Banco de imagens).

FIGURA 5.Xylopia cf. b) Detalhe da flor (Banco de imagens). . frutescens: a) Escanerata do ramo florido.3 .

Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. Santos C. ao passo que na região do . Di Stasi C. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Hiruma-Lima E. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. M. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Joly. C. A. muitas das quais usadas como medicinais. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. 1997. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. M. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. 1998). no Brasil. Thottea e Asarum. Hydnoraceae e Rafflesiaceae.ó Aristolochiales medicinais L. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. e.

usadas como venenos. Capa-homem. ramos lisos. Dados botânicos É uma planta trepadeira. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. muitas das quais ricas em alcalóides. Contra-erva. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. grandes. parto. simples. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. axilares. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. e lochia = "nascimento". pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. . e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Batarda. Mil-homens e Papo-de-peru. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. folhas alternas. zigomorfas. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. fruto capsular cilíndrico. e várias com usos medicinais descritos.1). monoclamídeas com tépalas bilabiadas. com sementes achatadas. sulcados e estriados. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". foi referida como medicinal. Outras denominações populares são Angelicó. que lembra o feto em posição antes do nascimento. denominada popularmente como Milomem. Calunga. Jarrinha. hermafroditas. flores isoladas. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas.

o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. estimulante. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. anti-histérica e útil contra febres graves. sarnas e orquites (Van den Berg. cicatrizante e contra úlceras crônicas. não sendo encontrada em áreas degradadas. estomáquica. Também não é uma espécie cultivada. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. especialmente para combater náuseas e vômitos. pecioladas. disenteria e diarréia. no entanto. 1984). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. constipação nasal. gripes fortes. sulcados e estriados. sudorífica. os ramos são lisos. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. excitante. . 1982). capoeiras e áreas em regeneração. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. anti-séptica. catarros crônicos. simples. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. diurética.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. as flores são isoladas e axilares.

A. 1991a). cinnabarina (Li. A. clematitis (Kostalova et al.. 1985) e A. A. tubiflora (Peng et al. A. 1991b). et al. 1995).. A. 1980).. et al. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. rotunda (Pistelli et al. et al. L... 1994). 1995). maurorum (Kery et al. 1992. A. 1987). A.. 1994). A. A. longa (De Pascual et al. kankauensis (Wu.. 1995) e A. rigida (Pistelli et al... 1983a). alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. longa (De Pascual et al. Abel & Schimmer... 1987. Higa et al. J. 1980). cinnabarina (Li et al. A. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. bracteata (ElTahir. 1991) e de A. A. . 1995) e A. 1995). Paiva et al. 1992). Zhang et al. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. A.. gigantea (Lopes. A. 1984).. 1991). 1991.. fangchi (Tsai et al.. manshuriensis (Lou et al. 1987). kankauensis (Wu et al.. 1989). S. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. A. argentine (Priestap.. 1994). kankauensis (Wu. 1991)... A. T. 1996. 1983). 1980). liukiuensis (Mizuno et al. A. ponticum (Houghton & Ogutveren. et al.. 1991a). 1991b). H. T. A. 1987). A. 1993).1993). sendo descrito em A. 1977 e 1985).. molissima (Peng et al. tubiflora (Peng et al. 1991). A. contorta (Lou et al. A.. A. elegans (El-Sebakhy et al. 1979) em raízes de A. M. raízes de A. 1992) e outros alcalóides em A. tubiflora (Peng et al. A. esperanzae e A. A. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. G.. A. 1987). 1979). debilis (Ahmed Farag et al. 1995). indica (Che et al.. arcuata (Watanabe & Lopes... X. A. versicolor (He et al.. II. A.. P et al. 1988). A.. 1992). chilensis (Urzua Rodriguez. A. et al. A. brasiliensis (Lopes et al. chilensis (Urzua et al. 1988).. Lou et al. galeata (Lopes. clematitis (Kostalova et al.... A. S.. gigantea (Cortes et al. 1983). C. A. 1986). clematitis (Kostalova et al. 1987. versicolor (Zeng et al... ftiangularis (Bolzani et al. 1987)... A. 1996). 1986b e 1986a).. 1987). 1983b).Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia.. auricularia (Houghton & Ogutveren. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1995). tais como A..... III e IV (Houghton & Ogutveren. rodix (Tsai et al. nata (Moretti et al. 1991). 1988. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. dematilis (Makuch et al. argentine (Priestap. L. Alcalóides foram isolados de várias espécies. manshuriensis (Ruecker et al. versicolor (Zhang&He. Chakravarty et al. yunnanensis (Chen et al. molissima (Peng. 1982). A. bracteata (ElTahir. Lopes. A. A. 1995). acuminata (Moretti et al.. 1992). 1990. 1988). vários outros alcalóides aporfínicos de A. indica (Piers & Tse. em A. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A.

1990).. taliscana (Longsw et al. 1991b). Urzua & Presle. A. A. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. -elemeno.. Lopes et al. 1987b. et al.... Compostos como -cariofileno. 1988) e amidas em A. kankauensis (Wu. R. 1988) e A.. birostris (Conserva et al. e o ácido aristolóquico de A. 1993). esperanzae. A.. A... T. 1980). 1980. O ácido aristolóquico de A. Lignanas também foram descritas em A. gigantea e A. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. 1978). copaeno. S. indica (Pakrashi & Pakrasi. 1995). 1979). macroura (Leitão et al. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. galeata (Lopes & Bolzani. cymbifera. et al.. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . 1987) e A. arcuata (Watanabe & Lopes. chilensis (Urzua et al. A. S. 1977). triangularis (Ruecker et al. 1994). -elemeno e -humuleno foram determinados em A. 1996). Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. A. 1990).

Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A.. A. H. anti-séptica e cicatrizante de A. tulobata (Sosa et al. determinada pelo teste de Ames. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. 1995). Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos.. 1985). gigantea (Campos et al. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. 1999). 1999). 1985). Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. Estudos com A.. 1991). paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al.. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. com A. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento .. atividade analgésica. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al.. O mesmo ácido obtido de A. 1988). birostris demonstraram.. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 1991). multiflora (Moretti et al. no Sistema Nervoso Central.... papilaris (Maia et al. A.. paucinervis (Gadhi et al..Choudhury. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. 2002). 1979). 1996). A espécie A. 1983). niaurorum (Kery et al. 1993). antibacteriana. 1979). papilaris (Maia et al. triangularis (Garcia. et al. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1991).. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. 1988). Atividade mutagênica. 2001).. 1993). 1990). e antiviral com A.. G.

Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.com 10. 50 ou 100 mg/kg via oral. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. por suas características químicas. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies.1 . . Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas.. FIGURA 6.Aristolochia trilobata. Entretanto. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. 1996) por humanos. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). 1993). Da mesma forma. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem.

lianas. especialmente do gênero Piper. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Por sua vez. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. e espécies me- . Piper nigrum. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Mariot W. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. C. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. A. Geralmente as plantas são arbustos. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. S. dos quais se destacam os gêneros Piper. Hiruma-Lima A. normalmente com células de óleos essenciais. epífitas. 1997). onde ocorrem em abundância e diversidade. Peperomia e Pothomorphe.7 Piperales medicinais L. Di Stasi C. Portilho M. G.

Nomes populares Além de Tracoaptera. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil.dicinais de ampla utilização. Piper angustifolium. Piper longum. folhas alternas. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. muito semelhantes entre si. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. como a Piper betle (betel). pequenas.1). Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros.B. ovário com um só estigma.K. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. as quais passamos a discutir a seguir. como a chinesa e aiurvédica. Espécies medicinais Peperomia elongata H. sendo também apenas . muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. O gênero Peperomia. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Piper cubeba.

Não foram encontrados sinônimos. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. Piper cavalcantei Yuncker. Peperomia rotundifolia H. na região amazônica.B.K. . em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. Nomes populares A espécie é chamada. gastrite e gripes. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. curtopecioladas.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). simples. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. pequenas. mas com pouca ocorrência. bastante carnosas e glabras. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. de distúrbios do estômago.

atingindo até 10 cm de comprimento. especialmente para dores de cabeça. podendo chegar a até 5 m de altura. assimétricas na base.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. pendente. folhas pecioladas. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. algumas lianas e pequenas árvores. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. os frutos são drupáceos (Figura 7. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. Piper cernnum Vell. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. .2). isoladas e levemente curvadas. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. sendo a maioria arbustos. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. membranáceas. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. todas aromáticas. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. inflorescências do tipo espiga.

Piper gaudichaudianum Kunth. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. além de ser útil em distúrbios renais. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. um pouco ásperas. membranáceas.3). acuminadas no ápice. estomacais e hepáticos. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. particularmente contra cólicas abdominais. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. levemente curvadas. tendo distribuição por todo o Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. Em outras regiões do país. assimétricas na base. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente contra dores de barriga. . a infusão das folhas é usada como analgésico. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. incluindo hepatite. inflorescências do tipo espiga. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. onde a espécie é abundante.

com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Em outras regiões do país. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . Nhandi. Ihotzkyanum Kunth. folhas alternas. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. r e t a . membranosas. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. alongada e fina. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. com ramos glabros e cilíndricos. Piper marginatum Jacq. levemente assimétrica na base. pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Aperta-ruão ou Aperta-juan. com ápice acuminado. Bitre. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. membranácea. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí.4).Piper cf. flores . c o m o Aperta-mão e Pimenteira. cordiformes. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. inflorescências do tipo espiga. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. estomacais e renais. pequena (até 11 cm de comprimento). glabra. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão.

fruto do tipo baga (Figura 7. com ápice agudo e nervação peltinérvea. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. Catajé. minúsculas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. contra veneno de cobra. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. A planta é tônica.) Miq. formando uma falsa umbela. sudoríficas. as raízes são carminativas. dores de dente e blenorragias. principalmente da tucundeira. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. estomáquica. gineceu com três estigmas. resolutiva e usada em banhos após o parto. . diuréticas.6). visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. bainha desenvolvida. descrita a seguir.com brácteas triangulares. os frutos são excitantes. um gênero da família Araceae. como ocorre no gênero Piper. essas diferenças ficam bem claras.5). Caá-peuá. se ingerida. e não isoladas. Uma outra espécie do mesmo gênero. androceu com três estames. ovado-arredondadas. flores sésseis. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. 1984). é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. peltatas. estimulatórias (Corrêa. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. andróginas. sialagogas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". peitadas. Malvarisco. Pothomorphe peltata (L. membranosas. as folhas.

no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. Pothomorphe umbellata (L) Miq. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. flores sésseis. minúsculas. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. fruto do tipo baga. 1984). lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. cordada. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. membranosas. andróginas. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. 1980). flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. ovado-arredondadas. antiinflamatório externo e interno. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. com ápice agudo e nervação peltinérvea.7). bainha desenvolvida. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. diurético. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. Capeba ou Pariparoba. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. . formando uma falsa umbela. vermífugo. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa.

que representa 49% dos constituintes voláteis. 1996).. 1997). 2002.. 1982).. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al.. Das partes aéreas de P. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. são . além de apiol. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. Seeram et al. 2001). ácidos graxos (Lima et al... sesquiterpenos.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. De Peperomia japonica.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. monoterpenos. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. flavonóides (Tillequin et al. 1990).. 1982).. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. 2000). Mahiou et al. quinonas piperogalona. miristicina. grifolina bisobolol. compostos de grande importância farmacológica. marginatum foram isolados aril-propanóides. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol.. indicada populamente como antitumoral. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. Das raízes de P. 3-hidroxi-4. M. et al. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides... 1988). marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. B e C (Chen. proctorii (Mbah et al. Piper Das raízes de P. 2001). 1994). vulcanica e proctorionas de P. C. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. G.. 1988). Cromonas foram isoladas de P. E.. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. Os alcalóides. et al. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. que também possui ácido grifólico. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia.

1968). 1982) e P clusti (Koul et al. sylvaticum (Banerji & Pal. hispidum (Vieira et al. Tabuneng et al. Li & Han. P. 1987).. 1987). methysticum (Smith.. tuberculatum (Braz Filho et al. futokadsura (Chang et al. lignanas de P. P peepuloides (Shah et al. 1992). Foi demonstrado também que P. aduncum (Smith & Kassim. guineense (Cole. 1986). 1986) e flavonas de P. 1987). cubeba (Badheka et al. 1986. 1995). 1977. P. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli.. 1985) e P. 1979). compostos fenólicos de P. hispidum (Vieira et al.. piperina.. 1986). flavonóides de P... betle (Rimando et al... com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. 1985). P. auritum (Ampofo et al.. 1986) e P. Pothomorphe P. 1983. P. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. hispidum (Burke & Nair.. Foram isolados diversos alcalóides em P. nigrum (Inatani et al. 1980) e P. 1987). hancei (Li et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. amalago (Dominguez et al.. hidropiperona. P. 1986).. hostmanianum (Diaz et al. retrofractum (Banerji et al. piperlongumina... 1980). 1977) e P.. piperidina. lancei (Han et al. longum (Dutta et al. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1986 e 1987). peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al.. aduncum e P. jaborandi (San Martin. chavicina e outros. P. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. P.encontrados com freqüência nesse gênero. Shoji et al. 1979).. sendo os principais piperlonguminina. Achenbach et al. Isolaram também neoglicanas de P. 1983). 1987). Uma quinona.. 1985). P. P. 1986.. 1981). betle (Evans et al. 1981) e P.. P... Bacillus subtilis. 1984).

grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. 1996). H.. 1997). 1994). apresentou atividades diurética (Santos.. promoveu piloereçáo. V. bloqueada com prazosin e ioimbina. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. 1996). 2002. et al. V. et al. lacrimejamento. do extrato (0. Embora o extrato de P. antifúngica (Lima. 1997). cicatrizante (Saad et al... marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. S. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. antibacteriana.v. V. 2002. em doses que variaram de 0. Arigoni-Blank et al. Aziba et al. atuar como antialérgico e diminuir . O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. O. relaxamento muscular e dispnéia. R... marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. et al.. 1994). galioides e os compostos ácido grifóico. A administração i. O. salivação intensa. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte.. Substâncias de P. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. et al. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. Villegas et al.cies de Leishmania (Mahiou et al. et al.1-1 g/kg. 2001).. analgésica (Da Silva et al. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. H. hipotensora (Siqueira et al. 1995).. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. também conhecida como Língua-de-sapo. 1996a). O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. 1996). Piper Foram caracterizadas para P. E... M. 1997). O extrato aquoso de P. e atóxica (Saad et al. Assim. L.1-0. 2001). 1996b). o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. B.. hipotensora (Santos... 1992). O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. R. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. 1998.

2000). 1988).. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. 1984). betle apresentou atividades fungicida. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1984). 1985). larvicida (Mongelli et al. P. P. por seus constituintes químicos. P. e antiviral P.. 1984.. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. Prakash. apresentou propriedades anestésica.. e aumentou o tempo de sono (Duve. peltata possui atividade analgésica (Pupo. amalago (Pupo. Dahanukar et al. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . As neoglicanas isoladas de P. antioxidante (Choudhary & Kale. esta última com potente atividade (Di Stasi. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. 1985). retrofactum (Woo et al. aduncum (Lohezic-Le et al.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar.. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.. analgésica. 1988).. nigrum (Miyakado et al.. 1988). 2002). além de bloquear a transmissão neuromuscular. Amorim et al. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos.. Atualmente. A espécie P. Cairney et al. De P. Porém. 1979). agindo como os anestésicos locais (Singh. 1986 e 1988. 1986). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). inseticida com substâncias de P. 1987.. 1983). Pothomorphe A espécie P. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. mutagênica (Chen et al. P.. methysticum também conhecida como kava-kava. 1976). 1985). a degranulação. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger.. Di Stasi & Pupo. abutiloides. 1978. lancei e P. Desmachelier et al. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. 1987). 1984). 2002). 1985). Shen et al. 1991.. regnelli. espasmolítica. nematicida (Evans et al. anticonvulsivante. cincinnatoris. conhecida como Pariparoba. lindbergü e P. fungicida.. gaudichandianum. peltata. inibindo a agregação de plaquetas. 2002.. A espécie P. 1986...

antiedematogênica. umbellata. 2002.. P... Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . 1995).. Miq. 1992).. analgésica. FIGURA 7.Peperomia elongata.. umbellata L. O extrato etanólico das raízes de P. De P.. de Ferreira da Cruz et al. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. 1987).1 . peltata (Felzenswalb et al. 2000).. 1987). Desmarchelier et al. umbellata. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. 1996). 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al.. 1997.Banco de imagens . umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. o que não foi observado na espécie P.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. antimalárica e antioxidante (Isobe et al. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.

FIGURA 7. .Banco de imagens ).Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.2 . b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .

. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).3 .FIGURA 7.Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.4 . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).FIGURA 7. .

Piper marginatum. . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7.5 .

.6 . .FIGURA 7. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .Banco de imagens . .Pothomorphe peltata.

. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).7 .Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7.

todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. C. Berberidaceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. como é o caso da Papaver somniferum. Hiruma-Lima C.8 Ranunculales medicinais L. arbustos escandentes e . Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. M. M. algumas lianas. Sabiaceae. Di Stasi C. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. das quais devemos destacar Menispermaceae. A. foram obtidos. Ranuculaceae e Papaveraceae. Pteridophyllaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Santos E. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. o famoso Ópio. como a morfina e outros derivados opióides.

com ampla distribuição na América do Sul. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Espécies do gênero Abuta. 1997). Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. da Mata Atlântica.raramente árvores ou ervas (Mabberley. também denominada de Abutua. tais como A. raspada e misturada com água. imene. onde a planta foi referida como medicinal. assim como . Dados botânicos Planta perene. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. 1996). O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. folhas alternas e pecioladas. Outra denominação é Iroba. típica da aldeia tenharins. foi referida como planta antiinflamatória. Uma delas. utilizadas por índios do Norte do país. são consideradas muito tóxicas. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. aplicada no local lesado e/ou ingerida. com contorno oblongo (Figura 8. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. fruto do tipo drupa.1). Nessa família. rufescens e A. a espécie é chamada de Abuta. no entanto. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

J.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. et al. Uma loção contendo C. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino.. 1993. 1993)... 1997). D.. 1996 e 1998). 1987). antiviral (Brochado et al. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1999. B. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. B.. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. LDH) e o nível de bilirrubina.. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. in vitro.. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. porém. Gomes et al. 1996). argentea. 1996). as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al.. 1997). 1997). Induziu.. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Farias. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. 1996. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Não foram observadas. M. L. L. 1996. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. Brochado et al. Loureiro et al. 1996a e 1996b). 1997. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. 1996).. GOT.. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. Farias.. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. 1998. et al. et al.. raízes. relaxante (Araújo et al. 1994). Kern et al. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. D.. 1997). 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. Além disso. ainda.. analgésica (Macedo et ai.

S. Zhang et al. não apenas com as espécies citadas. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. Do extrato de A. De Ruiz et al. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1996. sobretudo contra helmintos.. C. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. especialmente em uso crônico. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. 1989)... requer cuidados por parte da população.. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. porém.. subclasse Caryophyllidae.. 1993). Yang et al.. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu.. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. 1998). 1972). et al. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. 1996). hemorragias. 1988. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. O uso das espécies contra helmintos. 1986. B. confirmados para inúmeras espécies dessa família. Extrato aquoso de A. aliado aos dados de toxicidade em peixes. inclui . 1995).quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1992). assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. et al.

• Opuntia (Opuntioideae). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. com aproximadamente 1. 1978). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. • Cactus. . suculentas.400 espécies (Mabberley. 1997). Segundo Joly (1998). todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. Cereus e Melocactus (Cactoideae). mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. 1978). embora várias espécies possam ser encontradas na África. Em ambos os casos. No Brasil ocorrem 32 gêneros. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. que também inclui espécies medicinais. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. que inclui a espécie Pereskia grandiflora.97 gêneros. de hábito variável e geralmente espinhosas. são espécies perenes. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo.

além de heteropolissacarídeos. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. guamacho possui ácidos galacturônico. 1990). O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. sendo uma homenagem ao professor N. Peiresc. glucose. A espécie é originária da Argentina. arabinose. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. folhas subpecioladas. numerosos acúleos.. lenhoso. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. 1987). 1986). cresce em matas e em restingas. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. arabinofuranose. antitérmico e contra gripes e resfriados. galactose. 1994). obovóide. oblongas e acuminadas com base atenuada.. xilose e ramnose (De Pinto et al. galactose. fruto do tipo baga glabra. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. em altitudes e também no nível do mar. além de galactose. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. F. galactopiranose. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. A goma de P. C. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. glucurônico e seus metil ésteres. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. . Das folhas de P.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. dispostas em rácimos terminais.. arabinopiranose. ácido galactopiranosilurônico.

sendo algumas pequenas árvores. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. . nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. O principal gênero é o Portulaca. Portulaca oleracea. e 33 espécies (Barrozo. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. 1997). Talinum e Portulaca. 1978). muitas delas suculentas (Mabberley. arbustos e ervas. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros.

Berduega e Veduega. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. axilares ou terminais. Bodroega. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. na forma de salada. pequenas. as partes aéreas cruas são usadas. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. flores amarelas. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. tais como Verduega. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. Na região da Mata Atlântica. pequenas. referindo-se às propriedades purgativas da planta. planas e suculentas. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. Dados botânicos É uma erva de caule curto. cólicas renais e . diminutivo de "porta". O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. dadas sua rusticidade e resistência à seca. fruto capsular obovóide.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. arroxeado e suculento. especialmente em Portugal e na Alemanha. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. Inclui três variedades principais. folhas pequenas. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. obovadas. sésseis. e a maioria é de ervas suculentas anuais. outros usos são atribuídos à espécie. como alimento. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. mas algumas variações de nome popular são usadas.

Portulaca pilosa L. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. pilosas. as sementes passam por diuréticos. estomáquica. amarga. flores amarelas. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Perrexi e Alecrim-desão-josé. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. de onde saem folhas alternas. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Também conhecida como Beldroega. cicatrizante externa. pequenas.afecções da vista. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. glabros e suculentos. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. como as da beldroega. emenagoga e eficaz contra erisipela. vulnerária. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. diurética. As folhas dessa planta também são comestíveis. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. . lanceoladas. emenagogos e vermífugos. emoliente. Caaponga.

Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. dentre os quais 18:3-ômega-3. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai..0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. 1988). três diterpenóides transclerodânicos. Boehm & Boehm. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. 1990). P. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. ascórbico. parkeol. cálcio. 1995b).. 1996). Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. cycloartenol.. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala.. butirospermol. 1992).. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. 1991).. B e C. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. como sitosterol. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. Simopoulos et ai.. 1996). malônico.. campesterol e stigmasterol. 1996). isolados das raízes de P. pilosa (Ohsaki et al.. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis... portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. fósforo. manganês.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. pilosanol A. 1995. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. ferro. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. 1994). ácido ascórbico. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol.5% de lipídios. 1991). carboidratos. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 22:6ômega-3. 1991. succínico. sendo o último composto um glicosídeo. .. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al.4. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. oleracea de proteínas. Boschelle et ai. (1991) detectaram de R oleracea 3. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. ácido linoléico e ácido palmítico. 1991). 1992). fumárico e acético (Gao & Liu. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. málico.

1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1995). foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. 1989b) e hipotensora (Poli et al. 1996).. apresentou atividade hipoglicemiante. grandiflora Hook. 1989). diurética (Rocha et al. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio.De P.. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. 1994). o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 1993. 1989). De P. 1989). 1987). stigmasterol. n-hexacosanol. 1985) relaxante muscular. beta-sitosterol.. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. (1994). 1997). . oleracea foi investigado in vitro. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.. sem alterar a diurese.. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. dentre outras espécies. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai.. encontrado por Rocha et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. Habtemariam et al. P. 1993).. Rocha et al... O extrato de P... mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. n-triacontano.... enquanto das partes aéreas de P.. lupeol. 1994).. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. 1989. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1989). 1987). O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. oleracea. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio.

em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. oblongas denteadas. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. 1997). raramente. Salsola e Atriplex. caule ereto e glabro. ramos folhosos verdes com folhas alternas. ervas anuais ou perenes e. Erva-das-lombrigas.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Inclui arbustos. Erva-das-cobras. Erva vomiqueira. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Menstruço. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Salicornia. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. sendo uma planta extremamente . Caacica. que pode atingir até 1. Mentrasto e Mentrusto. extremamente ramificado. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. 1978).5 m. Lombrigueira. No entanto. A família se subdivide em quatro subfamílias. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Também é chamada de Ambrósia. Anserina vermífuga. Ex Stend. pequenas árvores. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Spinaceae.

internamente. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. extremamente útil para afugentar pulgas. dor ciática e parasitas intestinais e. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. febre. percevejos. ao passo que a infusão das folhas é usada. 2002. lesões hepáticas. em altas doses.. para problemas da pele. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais.. 1985a e 1985b. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. bronquite. como abortiva. Godano et al. Melito et al. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. contra reumatismo. baratas e demais insetos. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. 1995). destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. a maioria de ervas. Além desse uso.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. especialmente na área veterinária. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso".. 1978. referindo-se às folhas lobadas. amplamente disseminado nas zonas rurais.) . Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. incluindo a Amazônia. esse uso é comum também em outros países. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. externamente. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais.

Guapira e Andradea. Mirabilis. ovadoblongas. em trinta gêneros. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. nome usado em todo o Brasil. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Mirabilis e Bougainvillea. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave.3). distribuídas. arbustos e ervas que produzem betalaínas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. a espécie é conhecida como Erva-tostão. pilosas e pecioladas. opostas. Pisonia. de onde partem folhas pequenas. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Bougainvillea. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. . incluindo árvores.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Dos gêneros. Pega-pinto e Tangaraca. 1997). Boerhavia. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. mas não antocianinas (Mabberley.

2000a). além de ser considerada excelente diurético. 1991). nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. 1996) e lignanas (Lami et al. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. 1996. possui sabor picante... sem efeito teratogênico (Singh et al. Corrêa (1984) refere que a planta.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal.. 1997). a maioria rica em antocianinas (Mabberley. arbustos.. particularmente contra lombrigas. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. 1991. 1999). 1997). cujos efeitos benéficos são incontestáveis.. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. Sohni et al.. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Rawat et al. 1999). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1995).. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. 1978 e 1980. atóxica. 1990 e 1991). Aslam. sendo árvores. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . lianas ou ervas. especialmente a raiz.

Dados botânicos Subarbusto perene. que inclui uma única espécie. membranosas. folhas curto-pecioladas. como abortiva. Outros dados incluem o uso da raiz. androceu com quatro estames.4). O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. como Tipi. agudas no ápice e estreitas na base. no Mato Grosso. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. também é comum. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. 1984). folhas. raízes e ramos são considerados emenagogos. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. alternas. inchaço de mem- . farmacêutico e amante da natureza. O uso externo das folhas novas e da raiz. em Pernambuco e em São Paulo.como ornamentais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. delgados e ascendentes. estipuladas. limão de cayanna. e o gênero Petiveria. Gambá-tipi. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. Em outras regiões. em decocto ou pó. ereto. no Rio de Janeiro. Pipi. na Bahia. achatado e carenado (Figura 9. ramificado com ramos compridos. flores sésseis. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. alfavacão. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. Tipi-verdadeiro. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. gineceu unicarpelar com ovário súpero. Amansa-senhor. pequenas. diurética. sublenhoso. no alívio de dores musculares. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. fruto aquênio cilíndrico. antiespasmódica e reputada como sudorífica.

triterpenos (Delia Monachi et al. De Souza et al.. em Minas Gerais. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. reumatismo. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5.. M.. 1980. as raízes são usadas na hidropsia. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. 1982). beta-sitosterol.. no Ceará. 1986). 1988). serina.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. S. Trotta et al. 1988. .. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al.. 1988. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. et al. ácidos palmítico. esteárico. 1982). ainda.. lignoceril álcool. 1992). a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. Pinto C. 1988. paralisia. 1988b). glicina e alantoína (Sousa et al. 1988). linoléico. pinitol.. Grandi et ai. como abortivo. et al. peptídeos como ácido glutâmico. De Lima et al. 1990). dores de cabeça. 1982. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. 1986). 1997. 1998). as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças.. a raiz é útil na amenorréia (Agra. além dessas indicações. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. 1990). 1982). alantoína. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al.. 1980).. Van den Berg. 1989) e depressora do SNC (Lima. T. 1980). trans-N-metil-4-metoxiprolina.. M. C. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. no Rio Grande do Sul. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. C..7-di-O-metilpinocembrina. na Paraíba. flavonóides. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. ácido lignocérico. et al.. T. nitrato de sódio. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. em Brasília e no Mato Grosso. trisulfeto de dibenzila. beta-sitosterol.

1991). alliacea. atividades analgésica (Thomas et al. 1992). 2001). hematopoiética (Quadros et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. 1991 e 1992). afasia e até à morte (Corrêa. 2002.. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. antiinflamatória oral (Germano et al... 1988). M. Davino et al. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al.. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida.. 1988. 1993). Takahashi. 1996) e antitumoral (Davino et al. 2050 aci02). Cortez et al.. 1995). Lopez-Martins et al.. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1988.. .. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. P. No entanto. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. utilizado popularmente como vermífugo..... sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. Elisabetsky et al. 1989. 1998).. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. 1991. 1993.. com uma D L m a de 1.. 1997) e antifungica (Benevides et al.. O extrato hidroalcoólico de P. e o de caule.... Davino et al. Malpezzi et al. 1989. 1991).. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.. 1994). 1991. citotóxica. Germano et al. Caldeira et al. 1993. acaricida (Johnson et al. et al. por levar à imbecilidade.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1998). 1990).270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. Y. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva.. 1984). 1988. Guerra et al.. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. efeito zigotóxico (Guerra et al. 1994). 1987) e antiviral (Ruffa et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

que significa "pepino". e sua raiz. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas.3). rugoso. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. 5-lobadas e raramente com mais lobos. Wilbrandia. capoeiras e na beira de estradas. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos.a cinco lobos. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). sendo um produto amplamente comercializado. é uma variação de sicyos. fruto do tipo pepônio verde. com até 20 cm de comprimento. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. membranosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. É uma importante espécie econômica. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. descrito por Patrick Browne. especialmente após o cultivo sistematizado. folhas pecioladas. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. Wilbrandia ebracteata Cogn. com caule anguloso. alternas. O gênero inclui apenas seis espécies. flores amarelas esbranquiçadas. O nome do gênero Sechium. . mas ásperas. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. sulcado. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. especialmente na Itália. e o nome. como Cabeça-de-negro. foi dado em homenagem a John Wilbrand. flores amarelo-claras. ramoso e delicado. como em formações secundárias. longos. e muitas variedades em cada espécie.

Zn. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. charantia . 1989.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. reumatismo. glicolipídios (35. Chang et al.. 1995. A composição química do fruto de M. tumores e.. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Ni. charantia foi determinada como 0.. Dos frutos frescos de M. charantia também foram isolados vicina. 1989).. Foram isolados também cicloarterol. 1990. divididos em lipídios não-polares (38. Kusmenoglu. 1990). a raiz é utilizada no tratamento de febre. 1996. Cr. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al.76% de lipídios. 1991.80%) e fosfolipídios (16. Das sementes de M. 1996.. Nguyen.. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al..24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1992). Grondin et al.. 1996). Huang et al.. Das folhas de M.. 1997). 1985). De M. 1990a). 1996). momordicinina e momordicilina.. Das sementes de M. como laxativo (Farias et al. assim como no controle da diabetes. Das sementes de M.40%).. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. 1996). taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. 1997). Hara et al.. Além disso. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. sendo o cucurbita-5... além do esterol. além das momordicinas (Fatope et al. charantia também foram isolados triterpenos.. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. Zheng et al. sífilis (Almeida et al. ácido linolênico. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Co.81%)... aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Foram isolados ainda das sementes de M. 1986). momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. 1996. 1992). 1988. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. Wang et ai. afecções da pele.. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. proteínas. 1989. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. charantia foi isolada a gama-momorcharia. também. Chandravadana et al. Dos frutos verdes de M. 1987). Mn e Li (Peng & Li.

balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. 1995). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. 1990b). isolados das partes aéreas. posteriormente. triterpenos tetracíclicos. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. 1990). 1993). Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. Aí. 1987). As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. As sementes possuem 50% de óleo. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. além de uma resina (Volák & Stodola. 1993). dioica eM. também foram detectados em Aí. além do ácido rosmarínico. Geralmente.. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. 1997).. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. esteárico. oléico. charantica. foetida (Mulholland et al. . 1990).vicine. 1987). pela E e. sesquiterpenolactonas e taninos.. charantia. além de possuir óleo essencial (Guerrero. Dos frutos de Aí. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. 1991). e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. pelas G. 1994). H e I (Miro. contendo trinta carbonos. também descrito em M. 1995). Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. balsamina (De Tommasi et al. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. Das sementes de M.. 1994). albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. seguidas. rigorosamente.

charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. 1982.. 1986.. charantia (Rathi et al. antiviral (Takemoto et al. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al.. 1983). Karunanayake et al. 2002). Athar et al. extratos brutos de folhas. O suco dos frutos de M. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Welihinda et ai.. El-Gengaihi et al. Raman & Lau. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. 1982a e 1982b). Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al.. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. 1993). 1996. 2002) (Jilka et al.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. da síntese protéica. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. Inibição da síntese de RNA. 1996. (1994).. (1986)..Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes.. Pugazhenthi & Murthy. 1996). (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. decocto das folhas e suco de M.. 1993). 1980. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1996. 1997). Além disso. 1981. Platel & Sirinivasan. 1984.. 1983a e 1983b) e .. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. 1987). Ahmad et al. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. O extrato etanólico de M.. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. DNA. Ng et ai.

A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. incluindo M. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. 1994). proteínas inativadoras de ribossomos. uma proteína inativadora de ribossomos.. momordina 1 e momordina 2. charantia. 1987.. A glicoproteína isolada das sementes de M... As proteínas inativadoras de ribossomos. Wang et al. isoladas dessa espécie. 1996). Fong et al... impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. 1993). Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M.. Os frutos e sementes de M. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae.. antitumoral. 1995b). Ng et al. charantia.. charantia. 1990a). atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. 1993). 1996). charantia) inibe a integrase de HIV-1. 1990). 1995). (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. 1990). possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al.. 1994). .. isoladas de sementes de M. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. L. charantia. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. charantia.. et al. 1983). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali.imunomoduladora (Spreafico et al. na qual descreveram a momorcochina. pulmonares e da mama (Rybak et al. alda-momorcharina. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M.

Basaran et al. 1990). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. 1991).(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang... 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al.. 1995). charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. Os frutos de M. 1988). L. Misra et al. Apesar da indicação popular para inflamação. 1990.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. antiancilostomose (Berchieri et al. 1994).. 1990. charantia e Emblica officinalis Gaertn. Dos frutos verdes de M.. et al. No entanto. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M.. charantia (Silva. Das folhas de M.. 1997). Amorim et ai. M. (1984 e 1985). A M. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. 1996). que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al.. 1987). charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai.. De M. O extrato aquoso da folha de M. Foram isoladas duas proteínas de M. Embora indicada contra malária. 1996). e o rizoma de Curcuma longa Linn. MAP30 isolado de M. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1996). charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. 1994). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. charantia foi isolado ginsenosídeo.. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . 1987). De M. 1995). 1996)..

1993). Outras atividades também foram descritas para a espécie. em rato. diminuição da pressão arterial. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. 1994). podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas.. 1995). Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. Teixeira.. 1993).. anticoncepcional.. Jensen & Lai. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. 1996).. et al. 1997). Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. 1991). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1995. 2001). 1986). alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle... Miró. tais como antioxidante. C.. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. 1996).. diarréia... citotóxica. Além disso. A. Pagotto et al. Peters et al. antitumoral. De M. 1993). 1995. do que o extrato de M. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. Proteínas isoladas de M. tais como antiinflamatória. 1984. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi.. 1997 e 1999). 1995. hipotensora (Gordon et al. inibição da ovulação.. antimicrobial. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. Trichosantina. O extrato alcoólico de M.atividade hipoglicemiante. Hamato et ai. 1995). 1991). em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. . hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. 2000) e antimutagênico (Yen et al. anti-helmíntica. 1995. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai.. 1989. hipovolemia.. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. 1986b). inúmeras atividades farmacológicas são referidas.

El-Gengaihi et al.. .. Em ambos os casos. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. 1996. 1996. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. 1987). 1996.. 1986. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina.. Chan et al. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. Das sementes de M. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai.. Raman & Lau.. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. 1986). 1994). 1997). angaria foi de DL50 = 1. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. charantia em enzimas hepáticas. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. especialmente por gestantes. recentemente.. Os frutos de M.. A toxicidade do fruto de C. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. Platel & Sirinivasan. 1986). charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória.. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate.6 mgAg. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1992). 1990).Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. 1988). charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy.

nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. alternas.4). fruto do tipo capsular trilobado. bem desenvolvidas. mas que possui uma grande importância. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). semente com endosperma carnoso (Figura 10. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. referindo-se ao estame bifurcado. onde há cerca de oito espécies. e stemon = "estame". distribuídas em regiões tropicais. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. pétalas ausentes. pedaço. androceu com um estame. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. farrapo". com gomo terminal protegido por estipula caduca. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. e não foram encontrados sinônimos para ela. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. folhas simples. 1978). . ovário unilocular.

. 1992). existem várias espécies do gênero Passiflora. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. no entanto. em geral trepadeiras. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. No Brasil. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. compreendendo lianas. de valor alimentício e medicinal. arbustos e árvores (Mabberley. 1996). Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. representando um importante recurso econômico. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. conforme apresentamos a seguir. 1997).Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. com 575 espécies tropicais e temperadas. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato.

agudas no ápice e estreitas na base. epipassicoriacina. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. pela interpretação dada às peças florais. principalmente a P edulis. 2-pentadecanona. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). 1989). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. margem inteira. folhas inteiras. cordiformes. peninérveas. fruto oblongo-ovóide. sementes compridas (Figura 10. corniculadas. (9Z)-ácido octadecenóico. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. 1983). a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. flores com cinco sépalas ovadas. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. Spencer & Seigler. carotenóides (Ferreira et al. chamada popularmente de Maracujá gigante.. hexadecanóico. uma espécie denominada Maracujá. alternas. antocianinas (Kidoey et al. Passiflora macrocarpa Mart. e cinco pétalas rosadas. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. é usada para diversas finalidades. 1997).Dados botânicos Planta glabra. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. o suco dos frutos é considerado sedativo. 1996. ovadas. monoterpenóides. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. gavinhas que são ramos florais modificados.. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. caule robusto. Na região da Mata Atlântica. Uma outra espécie de maracujá. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter.. mas identificada apenas até o gênero.5). que lembram os instrumentos do martírio. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). cilíndrico. côncavas. 1987a. estipulas ovadas. . 1991). 2tridecanona. 1990).. planas e obtusas. 1987b e 1985). Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina.

P. P coriacea (Spencer & Seigler.. harmol e harmalol). 1988). Da espécie P.. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al.. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. Raffaelli et al.. sendo a passiflorina o mais conhecido.1979). bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. Vale & Leite. 1996). Ortega et al. PP e C (Zhuang & Wang.. Sena & Leite. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. glicosilflavona (Geiger & Markham.. nem em R incarnata (Speroni et al. quadrangularis (Orsini et al. saponarina. 1986). incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. Esse composto não foi detectado em P coerulea. assim como ácidos graxos. Menghini. fósforo. 1988. proteínas.. analgésica. 1995.. maltol. 1988). fermentos.. 1986). 1988. Spencer & Seigler. B1.. Flavonóides como vitexina. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. taninos. K. carboidratos. bem como a presença de glicosídeos em P.. 1980. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. isoschaftosídeo. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. riboflavina. isovitexina. 1989). açúcares.... Proliac & Raynaud. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. isoorientina. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. vitaminas A.. 1988. et al.. 1986). orientina e isoorientina. 1997. potássio. 1997. Costa. 1988). Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. O suco dos frutos contém água. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. lipídios. 1991). 1984) e a P incarnata (Kimura et al. 1998).. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. 1987). 1980). de onde foi isolada crisina. B2. cálcio. harmina. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. mollissima (Froehlich et al.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. 1997. 1997). flavonóides (orientina. 1979). ferro. harmalina. 1997). Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. amliformis (Restrepo & Duque. 2000). espasmolítica (Queiroz & Brandão. Amaral. 1987b). Dos frutos e folhas de P . 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. 2000. 1996).

. 1989 e 1993) e inseticida.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. Barros et al. Porém.. 1991).. antipirético (Silva et al. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P... 1985b. 2000). que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1991. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. inotrópica... 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. antiinflamatório (Silva et al. 1988). FIGURA 10.Luffa cylindrica Roem. 1989). foetida apresentou atividades hipotensora.. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. fruto e flor (Banco de imagens . 1985)...1 .. espasmolítica (Carneiro et al. Detalhe da folha 5-lobada. 1978). Echeverri & Suarez. 1998a). Das folhas de P .

FIGURA 10. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).Momordica charantia: a) ramo com frutos.2 . .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

freqüentemente com cálice roseado. Schum. mas também de Ganchuma e Relógio. na região amazônica.mas. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. Nomes populares A espécie é chamada. lineares e de cor branca. Vassoura e Relógio. com caule ereto e ramoso. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. 1982). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. no Pará. de Vassoura.) K. reunidas em fascículos axilares. como abortivos. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. emenagogos e as folhas (decocto). 1939). aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. Sida rhombifolia L var. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. na Bahia. Malva-preta. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. . fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. canaiensis (Willd. como emético (Hoehne. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. as flores são pequenas. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual.

Rabo-de-foguete. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. é de grande uso externo contra reumatismo. rombóideovais ou lanceoladas. no Rio Grande do Sul. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Urena lobato L. 1986). como Minas Gerais. Aramim. popularmente conhecida como Caapiá. Uacima e Uacima-roxa. é tido como útil. Carrapicho-de-lavadeira.. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Guaxima.Vassourinha. na dose de três xícaras ao dia. alternas. emoliente. Malvaísco. anti-hemorroidal. contra desarranjo menstrual. axilares. Aguaxima. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. O chá de toda a planta. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. Na Mata Atlântica.4). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em outras regiões do país. Ibaxama. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. no Rio Grande do Sul. e Guanxuma. var. Grandi & Siqueira. em São Paulo e no Rio de Janeiro. Malva e Vassoura-do-campo. mas esta não foi completamente identificada. a planta é utilizada como béquica. 1982. Guaxuma. ereta. folhas curto-pecioladas. Guaxiúba. chamada de Caapiá. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. róseas. 1982). em Minas Gerais.. . dispostas em racemos.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. flores solitárias. na região amazônica. Dados botânicos Planta anual. Malva-roxa. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Coaquibosa. ramosa e pubescente. tônica. reticulata (Cav.

ciclopropenos (Nakatani et ai. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. cannabinus foram isolados. H. emoliente e contra eólicas renais. 3-7 nervadas. Tomoda & Ichikawa. solitárias. mucilagens das espécies H. Dados químicos Hibiscus De H.. ligninas de H.. 1986. a decocção da raiz é usada como diurético. com grande destaque para as três nervuras centrais. 1977b e 1978). Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto.. 1977a. de até 3 m de altura.. 1991). além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. com ramos alternos cilíndricos. roxas ou rosas. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. pecioladas. 1986). onde se encontram glândulas nectaríferas. H. de onde partem folhas alternas. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. 1991). suculentus (Moawad et al. pequenas. 1984). diurética e útil contra eólicas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1987). moschentos (Tomoda et al. 1986). suculentus (Tomoda et al. fosfolipídios (Tolibaev et ai. 1985) e H. De H. cannabinus (Kulchik . rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. lobadas e de formas variáveis. flores pecioladas. fruto do tipo capsular. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1990).. cordiformes. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. syriaceus (Shimizu et al. comum às espécies desse gênero. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente.

cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. 1988). esculentus e H. moschentos foram isolados 3.-L-arabinosideo-7. ácidos graxos livres. tiliaceus (Ali et al. betasitosterol. 1977). glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. quercimeritrina. monoglicerídeos. arabinose e arabinan. 1986. triacilglicerídeos. o H.. . vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. 1988). esterol ésters. linolenato de metila. sabdariffa produziu antocianinas. Das pétalas de H. N-acilfosfatidiletanolamina. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. 1991) e lactonas de H. fosfatidiletanolamina. diacilglicerídeos. galactose. pelargonidina. 1988). peonidina. ikshusterol. 1990a e 1990b). kaempferol 3.. malvidina (Kim et al.. sabdariffa foi determinada (Kalyane.. esterois livres.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. No óleo das sementes de H. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. cianidina. 1988). De H. De H. Duckart et al. Das sementes de H. além de 15% de ramnose. 1986. 1989).. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol.et al. xilose e frutose (Pouget et al. 1978). De H. 1989a e 1989b). A quantificação das proteínas das sementes de H. abelmoschus (Maurer & Grieder. Em cultura de tecidos. fosfatidilinositol.5. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al.7. Foram isolados também de H. 1990). esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. taxifolina e herbacetina. beta-sitosterilglicosilado... petunidina. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 1989). 1990) e alfacelulose (Saikia et al. 1991). N-acilisofosfatidiletanolamina.. sesquiterpenóides de H. epoxiacilglicerídeos. glucose. Husain et al.8. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. 1986)... sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. epi-ikshusterol.4'-pentahidroxiflavona. ácidos palmítico. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. oléico e linoléico (Tolibaev et al. sterculico. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. 1990). kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo.

silianum (Kumamoto et al. 1986). 1985). prolamina e glutelina (Sammour et al. rainundii (Stipanovic et al. hirsutum e B. xantofilas. mucilagens e proteínas (Costa. 1986. palmito-dilinoleínas. barbadense determinou a presença de albumina. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. globulina. diversos terpenóides (Hunter et al. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. barbadense. resinas. mirístico. dipalmito-linoleínas. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. oléico. principalmente o esqualeno. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. hidrocarbonetos. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. Ermatov et al. 1980). Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. miristoléico e palmitoléico. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. 1979). corantes como carotenos. De G. hirsutum e G arboreum. 1995). também isolado de G. óleo-dilinoleínas. 1985).Das folhas de H. Foram isolados de G. araquídico. 1987). 1986). palmítico. lecitinas. hirsutum (Schmidt & Wells. fosfolípides. esteróis. esteárico. Das sementes de G. 1979) e G. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. G. dipalmito-oleínas. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. D-galactose. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. 1995). barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov.

quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. isoquercitrina. vesícula seminal e próstata ventral foram . As partes aéreas floridas de S.(+) gossipol de G. fitano. S. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. acuta. 1987). hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. A extração das partes aéreas de S. rhombifolia e S. barbadense e G. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. pristano. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. 1997). barbadense e G. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. spinosa (Prakash et al.3%3%) (Bandyukova & Ligai. 1990). 1989). acuta (Goyal & Rani. ácido glutâmico e aspártico. 1989b). 1989a). espermátide e espermatozóide. De S. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. hermaphrodita contêm também os flavonóides. humilis. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. S. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. hirsutum (Zhou & Lin. campesterol. Das partes aéreas de S. ácidos graxos como beta-sitosterol. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1981). stigmasterol. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. hirsutum (Mansour et al. As partes aéreas de S. ácido palmítico. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. 1988). 1988a). cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados.

assim como uma forte ação citostática. no tratamento com Hibiscus. Haji & Haji. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano.reduzidos nos animais tratados com H. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. antimutagênica (Wang et al. sabdariffa (El-Merzabani et al. 1976a e 1976b ). 1990). rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 2000). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. Ainda de H. antiespermatogênica. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. O extrato das flores de H.. 1984. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. verificadas por Singh et al (1982). bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. 1999). e de H. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. tripsina e a alfa-quimiotripsina. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. 1987). rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. esculentus (Medeiros et al. 1999. 2002). A espécie H. hipoglicêmica de H. 1992). rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. 1987). 1985). a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 2001). citotóxica. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. moschentos (Tomoda et al. Pakrashi et al. Em camundongos. Pai et al. 1986). A taxa de inibição de fertilidade com H. 1979). 1986. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. O ovário apresenta sinais de luteólise. 1987). . esculentus. As flores de H. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. 1989). porém os níveis de colesterol subiram. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. 1985). rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Essas atividades. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário.

Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 1985). Sida Os alcalóides de S. As proteínas das sementes de G. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al.. 1997). hirsutum e G. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. serratifolia (Sawhney et al. Extratos de S. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. rhombifolia (Bortoluzzi et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1980). 1988) e S. Wang & Bunkers.Gossypium O gossipol. 1984). 1995). 1982). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Flavonóides de G. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. Terpenóides isolados de G. 2000) e tóxico (Bourke. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 2001. barbadense e G. 1985). principal constituinte do óleo do algodão. 1978). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 1996).

Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. exceto Bacillus subtilis. vulgarmente chamada de Guaxuma. de grande cultivo em jardins. 1998. 1997).500 espécies tropicais. Das partes aéreas e folhas de S.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. onde são encontrados em abundância. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. do valioso Cacaueiro Joly 1998). Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. C. et al. F. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Helicteres e Waltheria. Bianchi et al. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. e o gênero Theobroma. Drena As raízes de U. 1996). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. 2001). 1988b). Fernandes et al. Dombeya. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. incluindo árvores e arbustos. distribuídas em onze diferentes gêneros. cordifolia (Malva-branca). Na região . no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1992). 1998. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. rhombifolia. raramente ervas ou lianas (Mabberley. carpinifolia. 1998). nos quais se distribuem 1. Franzotti et al. todos típicos de cerrados e campos. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. poucas em áreas temperadas. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. Sterculia. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Do infuso de S. 1988. V. Segundo Barrozo (1978). porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica.

com ramos longos. descrito por Carl Linnaeus. grossos e tomentosos. Copoaçu. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. ex Spreng. grandes e vistosas. Em tribos indígenas amazônicas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto do tipo capsular grande. . significa "manjar dos deuses". Cupu-assu. medicinal e alimentar. flores que brotam dos galhos. vermelho-escuras. no Pará (Amorozo & Gély. O gênero Theobroma. 1991). o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. liso e escuro (Figura 11. de valor econômico. pedunculadas. ovóide. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. O nome do gênero. com brácteas linear-lanceoladas. Dados botânicos Arvore de grande porte.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. 1988).) Schum. para o tratamento de diarréia. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. oblongolanceoladas. duas das mais importantes e valiosas espécies. folhas com pecíolos curtos e carnosos. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. bem como nas comunidades locais da Amazônia.5). 1990). ou por suas variantes: Cupuaçu. com estipulas caducas. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Theobroma. e o chá da sua casca.

fruto capsular ferrugíneo.. 1986). Outras espécies desse gênero. cacao. inteiras.. grandiflorum). (Figura 11. como a T. et al. Já a espécie T. cafeína (Maia et al. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao.Theobroma speciosa Willd. M. fasciculadas.e tri-insaturados (Costa. mirístico. 1993). 1989). Cacao forastero. vermelho-escuras. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. teobromina. até 10 m de altura. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. globulinas (Voigt et al. albuminas. Kakao. no Amazonas.9-tetrametilúrico. glicerídeos di-saturados. contêm flavonóides (Jalal & Collin. com ramos curtos. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. oblongolanceoladas. inibidores fenólicos da a-amilase. Dados botânicos Árvore de porte médio. speciosa possui ácido 1. 1970. 1979).6). tripsina . ex Mart. ácidos esteárico. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. 1992a e 1992b). denominado Theobroma cacao L. 1977).. T. Caca-y. Chocolate. Cacao azul. palmítico.. Criollo. mono. flores dispostas no caule. folhas com pecíolos longos.3. Pagonini et al. oléico e linoléico.7. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. Cacaoyer. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta.

1987). cacao foi caracterizado como de 190.2%). nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. teobromina. bicolor e T. flavan-3-ols. 1986). T. ácido ecosadienóico. Porém. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. 1995).74% (SantAnna Tucci et al. e T. augustifolium. porém. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. nerol. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. taninos condensados. 1996).. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai.6%. ácido lático. Além de açúcares totais.. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. cacao consistem de 78 componentes. T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri.. Alcalóides purínicos (cafeína. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. (-)epicatequina.37 a 1. quercetina e esculentina (Bastide et al. xantinas e lipídios. O T. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. simiarum... augustifolium (Sotelo & Alvarez. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum.. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood.5%) e o isoeugenol (8. 1991). 1991). O índice de saponificação da T. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. 1994). 1996). mariae. Os alcalóides teobromina. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. 1987). 1991). gorduras (Malini et al. ácido cítrico. bicolor e T. cacao. As essências florais de T. subincanum. Esse constituinte também . que variou 50. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. Em T.(Quesada et al. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. procianidina B2. diferentemente do T. pela presença de ácidos graxos.9%). cacao e também em T. ácido araquídico.7% a 57. geraniol. quercetina3-0-glucosídeo. antocianinas. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. speciosum. longifoleno e citronelol (Erickson et al. 1989).. derivados do ácido hidroxicinâmico.. T. Em T. dentre os quais o óxido de linalol (12. 1986). o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados.. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. tais como ácidos palmítico. taninos. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. 1994).

1997. 2000).. 1989). Sanbongi et al... et al. fenóis e taninos. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. análoga à manteiga de cacau. Melzig et al. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. 1997).. 1997). com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1997. proteína. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. 1997). Paganini et al. cafeína. cacao apresentou um efeito vasodilatador. 2002). clorofila... 1992a e 1992b). M. 1997). cacao (Gurney et al.. 1992). As sementes fornecem 48% de uma gordura branca.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. 1970.. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1997). isolada dessa espécie vegetal... amido. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. e a proantocianidina. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. cacao (Yamagishi et al. . A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. uma atividade analgésica (Santos.

. Dados botânicos Árvore de porte médio. Espécies medicinais Muntingia calabura L. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. muito conhecida na região amazônica Joly. No Brasil. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Triumfetta. agudas no ápice e oblíquas na base. e Apeiba. de numerosos estames livres. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. 1997). Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. de até 13 m de altura. sendo a maioria de árvores e arbustos. folhas curto-pecioladas. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. oblongolanceoladas. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. raramente ervas ou lianas (Mabberley. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. da planta Pau-de-jangada. 1978). os gêneros mais comuns são Luehea. serrilhadas. que a referiram como medicinal. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. com o nome de Curumin-nhapuá. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. 1998).

1991).4%).7%). calabura L. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. ésteres (26. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. arredondado.6%) e derivados furanos (8. 1984). 1990).3%) os mais significativos.3%). quercetina. dos quais predominaram alcanos (44. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. e salicilato de metila. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. e as flores..7).dispostas em pedicelos axilares. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.3%). indeiscente. A casca é emoliente. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. fruto do tipo baga. calabura foram isoladas Havanas. . foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. sesquiterpenóides (10. Do extrato citotóxico das raízes de M. inúmeras sementes (Figura 11. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. alcanos (15. sendo ésteres (31.5%) e compostos carbonil (23. Dos frutos de Aí. aqui descrita como medicinal.9%).3%). ovário 5-7 locular. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. vermelho. compostos fenólicos (11. antiespasmódicas (Corrêa. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.

e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . 1998.1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11.

Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 11. 1984). b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.2 . 1998) (Banco de imagens - .

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.FIGURA 11.3 .

Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.Sida rhombifolia var.4 .

Theobroma grandiflorum.FIGURA 11.5 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .

FIGURA 11.Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .6 .

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .Muntingia calabura.FIGURA 11.7 .

A. não possuem importantes espécies de valor medicinal. fonte da maconha (Cannabis sativa). C. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Ulmaceae e Barbeyacea. das quais as famílias Moraceae. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. fonte de substâncias também tóxicas. e o importante gênero Urtica. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. por esse fato. Di Stasi L N. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Cecropiaceae. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. e o segundo. As outras duas famílias dessa ordem. Em duas delas. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Cecropiaceae e Moraceae. Seito C. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Da família Cannabaceae. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. amplamente conhecida como . duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.12 Urticales medicinais L.

Com esse novo arranjo. Figueira-de-surinam. Poiküospermum. Arvore-da-preguiça e Torém. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Ambaí. Imbati. Embaúba. Outras denominações populares são Aimbahú. peitadas acima do centro. Ambatí. Myrianthus. Imbaubão. Ambaíba. referida com adulterante da Espinheirasanta. Pourouma e Cecropia. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Ibaíba. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Musanga. Ambahú. e a espécie Sorocea bomplandii. longopecioladas. folhas grandes. Espécies medicinais Cecropia peltata L. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Ibaituga. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. lactescentes. . Ambaitinga. de Lixa.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Toréin. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Arvore-da-guiça. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. alternas e protegidas por duas estipulas. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa.

referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. 1998). antililiásica (Domingos et al. Na região do Vale do Ribeira.. reunidas em densas inflorescências. hidropisia. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. A. R. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. do grego. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. meio homem e meio serpente. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. 1983). que significa "chamar. et al. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. 1994). unilocular. usados na fabricação de instrumentos de sopro. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. C. 1986). Em C. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C.flores pequenas de sexo separado. formando infrutescências inclusas (Figura 12. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. A. Na espécie C. As folhas. a raiz é considerada útil contra tosse. .1). indicada popularmente como antiinflamatório. 1984b). 1992. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. adenopus. C. gemas e brotos são adstringentes. Das folhas de C. et al. Das raízes de C. 1996).. carpelar. et al. 1984).. lyratiloba (Menda. 1985).. asma. Nas folhas do extrato de C.. bronquite e gripes fortes. 1996b). R.. A. frutos nuculares. Kerber. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. Santos. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. F.. 1986. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. ecoar". a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. filho da Terra. Mal de Parkinson. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. muitas delas de ocorrência no Brasil. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. catharinensis.

possui atividade antimicrobiana (Andra et al. descrita originalmente por. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. isolada de espécies deste gênero. lianas e ervas (Mabberley. Em outras re- . Astocarpus e Sorocea. Rocho et al. Rocha et al.. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae.. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild.. dos quais se destacam: Ficus.depressora do SNC. ansiolítica (Barettaetal. de Espinheira-santa. 1993 e 1996a). 1998a e 1998b... efeito depressor do SNC. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. distribuídas em 28 gêneros. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. 1997). 1988). usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. Morus.) Burger. arbustos. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. 2001). 2001). na Mata Atlântica. a família conta com aproximadamente 340 espécies. Johann Heirinch Friedrich Link. 1992). 1998. A cecropina.. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa.. antidepressiva. característica marcante da maioria das espécies dessa família. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. No Brasil. distribuídas em 38 gêneros.. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. Dorstenia. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. 1988. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C.. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. que incluem árvores. antiulcerogênica (Cysneiros et al. Cysneiros et al. 2002). espasmolítica (Delia Monache et al.. 2001). Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill.100 espécies tropicais e poucas temperadas. compreende 1.

2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. folhas simples. Carapicica-de-folha-miúda. 1993). Gonzales et al. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. Folhas-de-serra. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). de face superior brilhante e inferior opaca. 1993). bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S.. 2001. chegando a 10 cm de comprimento. Flavonóides foram isolados de S. ciófita. Trata-se de uma espécie perenifólia. especialmente na Mata Atlântica. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias.. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. cilíndrico.. Araçari. quando não está em época de floração. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Soroco. Canxim. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. Laranjeira-do-mato. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. da família Celastraceae). com tronco ereto. A espécie é latescente. bomplandii. Resple. 2001. ilicifolia e S. Calixto et al. Recentemente. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. . fruto do tipo baga. de casca fina. especialmente da Mata Atlântica.giões do país a planta é chamada de Cincho..

Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. Reis). d) flor feminina. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) detalhe da folha.FIGURA 12. S. c) inflorescência.1 . (Banco de imagens . 1998.

a maioria cosmopolita. M. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. lianas ou ervas. C. segundo Mabberley (1997). Na família ocorrem árvores. Guimarães C. M.13 Euphorbiales medicinais C. a família é representada por 72 gêneros. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. A. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. No Brasil. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. é urgente uma revisão da família.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. Das centenas de gêneros. . Thymelaceae e Euphorbiaceae. Santos L. Souza-Brito E. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. A família Euphorbiaceae. Hiruma-Lima A.100 espécies. R. 1978). arbustos. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. comumente com células especializadas na produção de látex. com aproximadamente 1. M. 1997). compreende 313 gêneros.

atualmente cultivada em vários países. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. Do gênero Euphorbia. flores de sexo separado. enquanto a infu- . icterícia e malária. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. folhas simples. pecioladas. peninérveas. ervas e arbustos. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. especialmente em Phyllanthus. e outras. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. da valiosa Mamona. pela semelhança das sementes com esse animal. problemas hepáticos. Mabea. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". com limbo dividido em lobos ou segmentos. esquizocárpico. espécie rica em óleo de rícino. a maior produtora de borracha.devemos destacar Ricinus. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. fruto seco. dos quais referimos algumas espécies a seguir. sendo algumas árvores. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira.1). Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. verdes. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. Jatropha e Croton. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. lanceoladas. febres. separando-se em três cocos. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. estipuladas. Pedilanthus. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. sementes ricas em endosperma (Figura 13.

membranosas. lobadas. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Nomes populares A espécie é chamada. de caule grosso. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. separando-se em três cocos. mas também de Peão. Pinhão-manso. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. pequenas. Maduri-graça.são das folhas. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Pinhão-de-purga. atingindo até 4 m de altura. esquizocárpico. lanceoladas. palminérvias. nodoso. e Mandobiguaçu. no Pará. Pião. com ápice curtamente acuminado e base cordada. lactescente. flores unissexuadas. fruto seco. sementes ricas em endosperma. peninérveas. glabras. com brácteas . folhas simples. reunidas em inflorescências racemosas. Pinhãodos-barbados. na região amazônica. grandes. curto-pecioladas. folhas alternas. estipuladas. longo-pecioladas. a Sacaca. flores de sexo separado. Pinhão-do-paraguai. Croton sacaquinha Croizat. no Ceará. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. reunidas em inflorescências paucifloras. Pinhão Pinhão-branco. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. é útil contra hepatite. de Sacaquinha. amarelo-esverdeadas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado.

resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. deriva do grego iatros = "remédio". O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. Arg. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. colocar no café e banhar a cabeça). o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. assim como para constipação nasal. Mamoninha. esta passa a ser comestível e saudável). são torradas. gengibre amassado. 1988). Peão-curador. assar a polpa na cinza. elipsóides e oblongas (Figura 13. gripe (descascar a semente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dez estames. fruto do tipo capsular. lisas. constipação nasal e como purgativo. O nome do gênero Jatropha. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. . Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. Pinhão-roxo. após a retirada do embrião.lanceoladas. Jatropha gossypifolia L. 1984). o látex é aplicado externamente. sementes escuras. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. secar até ficar fria. coriáceo. As sementes são eméticas (Corrêa. partir e tirar a "folhinha". tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). Pião caboclo.2). as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). enquanto as sementes. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. Erva-purgante. Batata-detéu. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. Peão-pajé. no Pará.. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Raizde-téu. 1982). contra feridas (Amorozo & Gély.

descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. No Pará. 1982). folhas pecioladas. fruto capsular. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. Em Brasília. lineares. 1984). Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. roxas. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. com folhas alternas. dispostas em cimeiras paniculadas. e as folhas na cabeça.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. O nome do gênero Mabea. glabras e estipuladas. útil nas obstruções das vias abdominais. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. o chá das folhas é usado como antitérmico. trissulcado. contra "mau olhado". flores unissexuadas. palmadas e limbo dividido em lobos. o banho. 1988). escuras e com pecíolos pubescentes. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. A planta é purgativa. 1982). contra feridas. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. cálice com cinco pétalas. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares.3). no Piauí (Emperaire. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. grandes. ramosa.

reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. estipuladas. Na região do Vale do Ribeira. folhas com limbo. cápsulas pequenas.5 m de altura. flores de sexo separado. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. descrito por Carl Linnaeus. sementes minúsculas (Figura 13. que atinge até 0. O nome do gênero Phyllanthus. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. enquanto a infusão de toda a planta.Aublet. com ramos glabros. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. alternas. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Arg. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. Na região amazônica. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. distribuídas na América tropical. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. incluindo as raízes. flor masculina fasciculada com três estames. ramificada. 1984). é usada como diurético e contra . Phyllanthus corcovadensis Muell. trissulcadas. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. significa "flor na folha". dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia.4).

1990. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. de ácido aleuritólico (Muller et al.dores de barriga.. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1998). alfa-humuleno. e os principais constituintes são alfa-pineno. Posteriormente.. 1986). é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira.. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al... além de ser usada contra pedras nos rins.8-cineol.. Maciel et al. 2000). 1. transcrotonina. 1979. 1989. 1991). Das cascas de C. Em Minas Gerais. 1989). . foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. 1982). O óleo essencial das cascas de C.. é útil contra problemas do fígado. beta-cariofileno. Kubo et al. A infusão das folhas. 1992). cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos.

sitosterol. 1995). glandulosus (Neto et al... zambesicums Muell. a levatina (Moulis et al. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al.cadideno. C.. Das folhas de C. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. o óleo de C.. 4-hidroxifeenetil. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. metileugenol. 1992b). hovarum: a 3a. 4b-dihidroxi-15. e das folhas de C. estragol. 1996). lundianus e a C. Os constituintes voláteis isolados de C.. cânfora. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. Das partes aéreas de C. foi determinada. aubrevillei J. alfa-guaieno.4. a printziano e um norclerodano (Siems et al. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. limoneno e outros. ludianus possui 1. . 2-metil-butanol.. p-cimeno. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. e das cascas do caule de C. acetato de 3-metil-butanol. propionato de etila. 1993b). acetato de propila.4b-dihidroxi-15. 1996). a C.5-trimetoxibenzeno. 1996).6-trimetoxifenol.14dien-9-al e 3a. A composição do óleo essencial das cascas de C. De C. 3. alfa-humuleno.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).8-cineol. 1992). lechleri foi isolada a sinoacutina. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. cortesianus foram isolados o clerodano. mirceno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. 1992). Além disso. e de C. glandulosus.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 1994). Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. alfa-cubebeno. betabourboneno e gama-cadineno. acetato de 2-metil-butanol. eucaliptol. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. 2.. 3.3. e chiromodine (Weckert et al. 1993a). Porém. gama-elemeno. metil isoeugenol. lechleri foram: acetato de etila.14-dieno. linalol. 1995).4-dimetoxifenol.4-dimetoxibenzil.. enquanto germacreno B. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton.. 1992)... crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. alfa-ilangeno. cadineno. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. allo-aromadendreno e torreyol. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. gama-elemeno.

De C.. 16hidroxijatrofolona. a seco-labdane (Schneider et al. 1986). 1991).7b-dihidroxiannoneno e 6a. beta-sitosterol (Chen et al. b-sitosterol. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. os triterpenóides jatrofolona A. gossypifolios (Cespedes et al. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. diasii (Alvarenga et al. 1993). argyrophylloides (Monte et al. 1988). ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1.7-dimetoxicoumarina. 1996)..5.. 1996). jatrofina. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. nobiletina. e das cascas de C. eudesmanos. 1976). matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. 1992). taraxerol.. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. 6a. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. 1986) e C. 1991a).6-diona. jatroolona A. jatrofolona B. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. jatrofol. riangularis (Moura et al. De J.. macwstachys (Herlem et al... tomentina.. 1994). 1991). e das folhas de C. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. Do óleo de C. caniojana. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. 1995).3'.. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. 1981). 6-metoxi-7hidroxicoumarina. stigmasterol.. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. ésteres e cetonas não-terpenóides.7.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney.. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 1992). Das partes aéreas de C. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. e de C. Jatropha Das raízes de J. jatrofolona B. C. Compostos terpenóides foram isolados de C. hemiargyreus (Barnes & Borges.. enquanto alcalóides foram encontrados em C.. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. taraxerol.De C. castaprenol-11. . eluteria foram isolados sesquiterpenos. 1992). Das raízes de C. curcas foram isolados ainda as latiranas. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. 5hidroxi-6.

26%.. curcas foram isoladas também várias lectinas.. compostos fenólicos. J. Das folhas de J. Do látex de /. 1988). 1997. 14.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. Das cascas da raiz de J. metionina (13. 1987. 1997). gossypifolia e J. bem como o ácido nurístico. mollissima foram isoladas orientina. 2epijatrogrossidiona. malacophylla. 1989a e 1989c)... denominada curcina (Costa. 1996a) e jatrodiena (Das et al. 1990). ácido esteárico. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. J. jatrofolona B.. isoleucina (3.1997). Banerji et al. Do caule de J.6% de ácido oléico. 15.98%).07%). os aminoácidos cistina (2. 1995). multifida L. Das folhas deJ. Auvin-Guette et al.71%). arginina (0. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1996b)./. Makkar et al. saponinas. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. elbae. Das raízes de J.60%. além de outros três derivados diterpenóides.. 1990). respectivamente (Raina & Gaikwad.15% e 15% de ácidos graxos saturados. . 1989). e 43. 1988). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. galvani (Guevara et al. flavonóides. As espécies. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. 1988). caniojanae 1. valina (18.26% de ácido aracdônico. ácido linoléico (Nasir et al.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. pohliana var. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo.. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. 1988). a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. sendo 0. alanina (28. 1997). De J.1%). De J. podagrida apresentaram 24%. terpenos.. De J. curcas.. glicina (19. isoorientina. 1987). 1989).30%) (Jain & Garg. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. Das raízes secas de J. Dos rizomas de J. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. foi isolado de seu látex a albaditina. gadaína (Das et al.9%). Teixeira. J. Saponinas foram detectadas apenas em J.. ácido oléico. esteróides e glicosídeos. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al..94%)... grossidentata foram isolados jatrogrossidiona.9%. 0. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al.9%. 1986).92%) e leucina (12. 1997).. ácido araquídico e toxalbumina. 0. 1996. 1983). divica foram isolados beta-sitosterol. tlalcozotitlanensis e J. 1988.

podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. assim como os diterpenóides de J. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. triterpenóides (Joshi et al. P. 1986. Singh et al. 1988. 1986). De J. discoideus. 1988. 1985). Ahmad et al. 1977). 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. ácido clorogênico. Huang et al.. Mabea Do látex do caule de M. 1990). macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al.. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). Ojewole & Odebiyi. citral. Singh et al... a mais estudada é a P. ácido caféico. hidroxiflavanona.. flavonóides. Yunes et al. 1989a e 1989b. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. lignanas (Satyanarayana et al. Negietal.. 1988). De P. da qual foram isolados alcalóides. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. Singh et al. Mensah et al. 1983. 1988. 1980 e 1981).. 1988. Hassarajani & Mulchandani. amarus e P. 1990. 1989. Houghton et al.. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. 1981). 1996. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. sacarose.. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.... 1996). klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al.. timol e carvacrol (Odebiyi. Petchnaree et al... terpenos. 1988).. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al.. cumarinas. e dos frutos de M. 1996).. gossypifolia... levulose.. P. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. enquanto em P.Da espécie J. diterpenos. neolignanas (Satyanarayana et al. 1986. 1980).. 1997). . 1996. Anjaneyulu et al.. niruri. simplex. 1996. P. virgatus (Babady-Bila et al. 1986. Anjaneyuly et al. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1991). 1991). 1995).

2002.. Tanaka & Matsunaga.. 1995).... estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. antidiabética (Silva et al. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.. 1988. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. antiinflamatória. alkekengi var. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga.. 1997).. 1996) antitumoral (Grynberg et al. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1988. calisteginas (Asano et al.. antiedermatogênica (Campos et al. 1999).De P.. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. n-alcanos. Z. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. emblica L. 1996). 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1993. Em P. De P. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. .. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. além de taninos (Zang. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. De P. Farias et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos. C. 1996).. depressora do SNC (Hiruma-Lima.. 1999a)... D. Bighetti et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. antiestrogênica (Luma Costa et al. Das raízes de P. 1996).. 1988a. 1988. 2001). nalcanóis. 1987. 1996c).. et al. Li et al. 1998). et al. analgésica. myrtifolius. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. Farias et al.. 1996) e fisalinas (Makino et al. antinociceptiva (Carvalho et al. Tanaka et al. olenadienóis... 1995b). 1989.. Tanaka et al. Lu et al.. 1996). foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. 1997 e 1996a). 1988b). 1996). francheti foram obtidos cicloheptano. 1998. 1995a). HirumaLima et al... hipocolesterolêmica (Martins et al.. 1996b).

.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. M. Luz Paredes et al. 1994). Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. mais comumente de C.. Tang et al.. Ao final. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. subtyratus (Kitazawa et al. anestésica local. 1988a). 1988) e C. zehnteri (Albuquerque et al.. 2001). penduliflorus (Asuku.. para crotina I foi de 0. 1999b. cajucara (Hiruma-Lima et al.. 1988. et al. sonderianus (Craveiro & Silveira.. 1985) e C. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. entre outras. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. hipotensora de C.. 1987). A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. C. 1986). 1983). glabelus (Novoa et al. 1999). presente nos casos de C. Batatinha et al. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 1987) e C. Chen & Pan. 1988).. 1982).. campestris (Lima et al. 1975). 1988b) e substâncias isoladas de C. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. rhamnifolius (Silveira et al.45 mg/kg e 2. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. C. C.. 2002a).. C. macrostachys (Mazzant et al. a ligana 3'. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. antiulcerôgenica de C.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. 1993). com o uso prolongado (Rodriguez et al. 1985.. 1980. 1993. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . Das sementes de C. lechleri. tiglium (Deshmukh & Borle. lacciferus (Ratnayake et al. A DL50. C. 1982). 1980). 1993. draconoides e C. anticonvulsivante e analgésica de C. Costa... inseticida de C. rangelianus (Lima et al. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C..23 mg/kg para crotina II. 1984). antinociceptiva (Bighetti et al. penduliflorus (Anika & Shetty. tranqüilizante. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. erythrochilus. 2000a e 2002b).. C.

. nardus (Lemos et al.. 1992. Pieters et al. macrostachys foram isolados crotepóxido. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. betulina e ácidos graxos. O efeito de C. Essa possui isoguanosina. 1993). Das raízes de C... tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. 1995). berghei (Be &Truong. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. As folhas secas de C. Ao final. lupeol..78% de flavonóides. 1992a).. O extrato etanólico bruto das folhas de C. 1995). 1991). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . berberina e outros alcalóides desse grupo. De C.. 1991a e 1991b). lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. 1992). sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos.. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. tonkinensis contêm 0.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. C. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. 1994). antibacteriana e cicatrizante. Ao final dos experimentos. 1994a e 1994b). Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al.32% de alcalóides e 2. os alcalóides de C. Do óleo essencial de C.

De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. 1991). curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. Atividades larvicida (Karmegam et al. Os extratos da sementes de C. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. (Huang et al. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. 1995). lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas.39 mg pela via i. 1994). zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. Das sementes de /.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.. a curcaína (Nath & Dutta.. Do extrato clorofórmico das raízes de C. Ubillas et al. Hirota et al.. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. tiglium (Fanetal.. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. curcas... Jatropha Das sementes de J. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57.. tanto na prova do campo aberto..p. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. 2000). Do látex de J. 1987. 1989 e 1991). diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. e no retículo sarcoplasmático.. O óleo de C.. Das sementes de J. 1993).. 1988). 1994). 1989). 2000). 1995).. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. curcas foi isolada uma enzima proteolítica.. 1992. Do látex de C. 1988). antiplasmodial (Kohler . 1992). 1988. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.. 1990) o óleo de C.. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C.9%) (Liberalino et al.. haematobium (Rug & Ruppel. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. 1997) e Schistosoma mansoni e S. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. o alcalóide taspina (Itokawa et al. 1991a).

gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al.. 1987).. antiespasmódica (Silva et al... que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al.et al. 1987) também foram caracterizadas em J. . multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. P. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. 2001). 1996.. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al.. e de J. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana... apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. Esta mesma atividade foi observada em J. A J.. J. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. 1992b e 1996). Dessa espécie foi isolada a jatrofona. multifida. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. 2000). 1997). Dutra et al]. curcas. 1994). espasmolítica (Trebien et al. Santos et al. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1996). 1987) e tóxica (Brum et al. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. Das raízes de J.. 1996). 1987b). glauca (AlZanbagi et al. 1992). 1992a. De /. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. O látex de /. De J.. As folhas de J. et al. 1996).. zeyheri foi isolada a jaherina... 1996).. 1993). usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al.. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. F. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. De J. 1990. O óleo das sementes de /. 1996). cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 1996). et al. M... 1996). De J.. gaumeri (Sanchez-Medino et al. 2001). isabellii foi isolada a jatrofona.. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1998). curcas foram isoladas curcusonas A e C. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis.

1984. 1988.. De P. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. 1988)..... o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. 1996a). 1995). essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. que foi atribuída aos compostos estigmasterol.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. Ribeiro et al. 1995). 1993. 1992). 1989)... Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. 1994). 1995). O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 2000). 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. Além disso. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. diurética. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1992. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. Di Stasi. . 1988)..... 1985 e 1986b. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. 1987). Shimizu et al. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. O extrato hidroalcoólico de P. Santos et al. 1987). denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1995). Além disso.. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. campesterol e fitosterol (Santos et al. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis)... 1996). Gorski et al. 1985). 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis.. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al.

. 1996). Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. ácido gálico e ácido protocatecoico. quercetina. 1997). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.. 1996). O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1995). das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai.. de P urinaria..Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. corilagina. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. 1996). 1991). e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al.. 1988). 1997). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. Roy et al.. Foram caracterizadas. 1990.. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis.. 1995). e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1994). Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. niruri e P urinaria (Santos et al. 1995).... De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1996).. 1995).. 1996). ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. Sane et al. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1997a e 1997b).. ácido elágico... ácido brevifolincarboxílico. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. 1996). De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. 1996.

. Pieters et al. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Itokawa et al. 1987) e provoca náuseas. mutifida (Levin et al. 1979). 1993. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b).. 1986. Torpor. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1979). podendo causar a morte em humanos. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. 1984). Porros et al. vômitos e diarréia. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. 2000). náuseas. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . Existem registros de intoxição em crianças de J. diarréia. Quadros de hemorragia anal. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. 1993. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada.. 1995. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J.. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. hipotensão e desidratação. curcas em ratos. redução no consumo de água.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz.. Ahmed & Adam.. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. e ação estimulante da musculatura lisa. Efeitos como redução no tempo de protrombina. 1979). Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. Como conseqüência de seu uso crônico. 1991c). Em casos graves ocorrem espasmos musculares... Hemorragias internas em diversos órgãos.

.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.(1999). 1998) (Banco de imagens . Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.1 . tiglium (Bauer et al. Pieters & Vlietinck. FIGURA 13. 1983. 1986). nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.

.FIGURA 13.2 -Jatropha curcas. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

FIGURA 13. Hiruma-Lima).Jatropha gossypifolia. .3 . Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. 1998). c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) flor feminina.4 .FIGURA 13. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .

Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. Clusia. A. óleos essenciais e resinas. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). pigmentos. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. 1997). C.370 espécies. É composta por árvores. .14 Guttiferales medicinais C. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Hiruma-Lima L. algumas delas de valor medicinal. sendo raramente descritas epífitas. No Brasil ocorrem 21 gêneros. arbustos ou ervas. gomas. 1978). e Elatinaceae. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo.

e várias têm valor medicinal. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . euxantona. 1990). como Picharrinha. Em V.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. descrito por Domingos Vandelli. ácido betúlico. as folhas são simples. foi dedicado a Visme. opostas e com borda inteira. madagascina. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. também chamada de Lacre. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. Trata-se de uma espécie semidecídua. coriáceas. damaradienol. pecioladas. Em outras regiões. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. damagascina. friedelina. com ocorrência em formações secundárias. e algumas na África. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. O tronco ereto possui casca grossa. No Brasil. O nome do gênero Vismia. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. com distribuição restrita à América tropical. ácido crisofânico. martiana foi observada a presença de sitosterol. sendo facilmente cultivada. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a maioria é fornecedora de resinas. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies.

Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1996). da planta fresca (Tokarnia et al. 1996). cayennensis. 1994). clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. como a friedelina. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al.. vulgarmente chamada de Pichirina.. 1995. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. . p-o. 1982).. e em V. 2000). Moracelli et al. 1997). et al. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. 1979)... Das raízes de V. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. 1993). 1995).. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al.. benzofenonas (Fuller et al. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. 1999). Porém.e a ferruginina (Pasqua et al. 2-isorenilemodina e 5. micrantha foram isolados xantonas.5'dimetoxisesamina (Camele et al.. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. De Vistnia caynnensis. vários triterpenos... Em V. Os extratos hidroalcoólicos. 1999) em V. magnoliaefolia. conhecido popularmente como Lacre. O extrato etanólico da folhas.. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 1983)..japurensis Rich.. indicado para dermatofilose.

Theophrastaceae e Myrsinaceae. sendo a maioria árvores.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. ainda não identificada completamente. C. arbustos e lianas. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. 1997). Rapania e Cybianthus. Nessa família ocorrem 33 gêneros. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus.15 Primulales medicinais L. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. Di Stasi C. . A. nos quais se distribuem 1. descrita por Robert Brown. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins.

dispostas em racemos. . Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. flores pequenas. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. ovário supero. inteiras. e anthos = "flor". Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. folhas alternas. diclamídeas.1). actinomorfas.Espécies medicinais Cybianthus sp. ramos. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. sem estipulas. androceu com cinco estames opostos às pétalas. Não foram encontrados sinônimos para ela. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. reunidas em inflorescências axilares. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. curtas. flores e frutos.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .1 .Cybianthus sp.FIGURA 15.

onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. além de seu consumo como condimento. . no entanto.16 Capparidales medicinais C. C. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). A. Na região amazônica. anemia e distúrbios da tireóide. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. essas espécies não foram referidas como medicinais. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. gripes e bronquites. Para a espécie Nasturtium officinale. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Hiruma-Lima L. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir.

Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). com muitas flores rosas e bonitas. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. tem valor medicinal na região amazônica. Capparia e Maerua. que justifi- . Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. que atinge até 1. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. raramente são descritas lianas (Barrozo. 1978). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. com seus representantes incluindo ervas. inflorescências terminais bastante vistosas. e a espécie Cleome latifolia. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Os principais gêneros são Cleome. 1997). arbustos ou pequenas árvores.5 m de altura. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. descrita a seguir.

brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. viscosa apresentou um .. um flavonol.. kaempferitrina (0.0013%).. 1997) e triterpenos (Harraz et al. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al..0025%). O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1987). 1986). De C. e das partes aéreas de C. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico.0075%). 1997b). são cultivadas e usadas como ornamentais. kaempferol. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al.cam seu uso como ornamental.. 1990). bonanzina (0. 1990). viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. O extrato metanólico da planta toda de C. 3. Das sementes de C.. 1990). a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas.7-di-O-ramnosídeo (0. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. 1996).. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Várias espécies desse gênero. um trinortriterpenóide dilactona. incluindo a Cleome latifolia. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. a diacetoxibraquiicarpona. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. De C.. 1997) e glicinebetaína. 1997). além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. 1995).. a isoramnetina 3. 1988) e um diterpeno macrocíclico..03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. o ácido cleomaldéico (Jente et al. os flavonóides artemetina (0.06%) (El-Din et al.

1995b).. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. gynandropsis Samy et al.. A espécie C. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. Chrysantha (Hashem & Wahba.. 1999). De C.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. 1992).. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. 2000) e C. C.. Lemos et al. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. 1999). droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al.. viscosa (Samy et al.. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. 1995a) e antioxidante (Selloum et al.. 1970). 1993. 1996).. 1995). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al.. popularmente conhecido como Mussambé. 1996). .

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Di Stasi C. Saxifragaceae. C. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae.17 Rosales medicinais L. . a qual foi identificada apenas até o gênero. Crassulaceae. A. com inúmeras espécies medicinais. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. No entanto. espécies dos gêneros Spiraea. a qual descrevemos a seguir. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Na região amazônica. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Várias espécies dessa ordem são medicinais. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. e de Rosaceae. Pittosporaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Rubus e Prunus. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. 1978).

ovário unilocular. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. com cerca de 460 espécies tropicais.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. folhas simples. cálice gamossépalo com cinco lacínios. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. segundo Barrozo (1978). referindo-se ao tipo de pilosidade. onde ocorrem 120 espécies. . distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil.1). incluindo árvores e herbáceas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. corola com cinco pétalas. fruto do tipo drupa. diclamídias. flores pequenas. sépalas e pétalas livres. muitas delas usadas para a produção de carvão. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. inteiras. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. Chrysobalanus e Hirtella. cíclicas. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. peninérveas. alternas. Espécies medicinais Hirtella sp. estipuladas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. zigomorfas. Os principais gêneros dessa família são Licania.

da histórica Spiraea ulmaria. com destaque para os gêneros Rubus. do gênero Frunus.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. Rubus e Quijala. e raiz bifurcada para as mulheres. toxicologia e química. 1997). aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. a maioria nos gêneros Prunus. compreende 95 gêneros. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. os gêneros Crataegus e Malus. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. ralada. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. Agrimonia e Fragaria. No Brasil há poucas espécies. e • Prunoideae. com aproximadamente 1.825 espécies subcosmopolitas. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. no que se refere à farmacologia. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. com destaque para o gênero Spiraea. que inclui. encontradas em climas temperados. como é o caso das espécies do gênero Rosa. arbustos e ervas (Mabberley. entre outros. é utilizada como afrodisíaco. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Potentila. também se utiliza o chá contra reumatismo. da qual foi isolado o ácido salicílico. a famosa aspirina. como a . primeira substância a ser comercializada como medicamento. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. • Rosoideae. Normalmente são árvores de pequeno porte. ou frutíferas. • Maloideae.

A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. . Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. dispostas em fascículos do tipo umbela. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. assim como em várias regiões do país. de margem serrada. Pêra (Pirus). Morango (Fragaria). carnoso. pendente. flores vistosas brancas. especialmente de cabeça. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. que existe em grande número. solitárias e/ou geminadas. fruto do tipo drupa. 1998). Ameixa.Maçã (Malus). a decocção das folhas é usada contra dores. Marmelo (Cydonia). onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. e contra diarréias. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. lanceoladas. Cereja. e a infusão dos frutos. ásperas. O nome do gênero corresponde a "ameixa". enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. com folhas alternas. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Pêssego. doce e com uma única semente. Espécies medicinais Prunus domestica L. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Groselha e Moranguinho (Rubus). O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. dependendo da variedade. Nomes populares Na Mata Atlântica. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. em latim. Damasco. comestível e saboroso.

b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. 2001). 2001).Sapuntzakis et al. 2002.. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 1978) (Banco de imagens • . Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. FIGURA 17. 2001). Nakatani et al.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).. 2000).. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.1 .

ornamentais. 1997). Compreende três subfamílias. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. lianas e ervas. M. incluindo árvores. Di Stasi E. dependendo do arranjo sistemático adotado. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. . Guimarães C. M. R. A. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. Hiruma-Lima A. C. Santos C. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros.18 Fabales medicinais L. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. M. medicinais. arbustos. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas.

C. dentre as quais C. 1997). Cassia occidentalis e Cassia reticulata. Caesalpinia pulcherrima. que inclui o gênero Bauhinia. • Cercideae. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). as quais descrevemos a seguir. todos contendo várias espécies de valor medicinal. que inclui os gêneros Cássia. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. bonduc. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. Dalwits. sapan e C. pulcherrima. Dialium e Senna. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. • Cassieae. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). J. C. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. que inclui o gênero Copaifera. • Detarieae. Cassia multijuga. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. angustifolia e C. bonducella. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. C. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. . das quais se destacam as espécies C. a saber: Caesalpinia férrea. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. senna. Cassia occidentalis. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. que inclui o gênero Caesalpinia.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). occidentalis. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro.

Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. É amplamente utilizada como ornamental. heliófita. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. raramente dentro das florestas. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. bastante espinhosa. Por ser de rápido crescimento. sempre com acúleos e seus dois ápices. vistosas (Figura 18. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. Pata-de-boi e Unha-de-boi. É uma planta decídua.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. tronco tortuoso ou ereto. flores intensamente brancas. Mororó. A espécie fornece madeira leve. algumas arbóreas e outras lianas. onde ocorre em áreas úmidas. usada para produção de carvão e caixotes. . O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. dadas as características morfológicas de suas folhas. assim como em quase todo o Brasil. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas.1). com grande abundância na Mata Atlântica. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. folhas glabras.

O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. é utilizado como . ferrea var.Caesalpinia ferrea Mart. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. Suas folhas. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. ferrea e a C. após aquecimento. flores diclamídeas. além de largamente empregada como espécie ornamental. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. botânico italiano. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. ao passo que o preparado de casca de jucá. folhas bipinadas com folíolos oblongos. A espécie é heliófita. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. é utilizado contra asma e bronquite. quase reto (Figura 18. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. além de ser empregado como fortificante para crianças. folhas de manga. casca de jatobá. ferrea var. aquecido até formar um xarope. com tronco liso e cerne duro. Jucá. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. Dados botânicos Arvore de grande porte. açúcar e água. séssil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. São muito comuns duas variedades: a C. ovalados ou obovais.2). ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. ultrapassando o cálice gamossépalo. especialmente de ruas e avenidas. dez estames. Imirá-itá. leiostachya. na forma de decocto. Nomes populares A espécie é denominada. Muirá-obi e Muiré-itá. podendo chegar a 15 m de altura. fruto levemente estipitado. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. hermafroditas. na região amazônica. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro.

Nomes populares A espécie é denominada. folhas compostas. pois floresce quase ininterruptamente. na região. 1984). da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. sobretudo como cerca viva. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. Na região da Mata Atlântica. especialmente bronquites. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. 1982). Em outras localidades do país. Flor-do-paraíso. além do uso comum contra gripes. resfriados e tosses. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. No Piauí. Baio-deestudante. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. a decocção das raízes é usada como antitérmico. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. . bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. A vagem crua é útil contra tosse. com até 10 cm de comprimento. Espécie muito usada como ornamental.) Sw. bipinadas. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. asma e como cicatrizante (Campêlo. internamente. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. contra tosse crônica. e em Alagoas. também é chamada de Flor-de-pavão. glabros. Chagueira ou Barba-de-barata. Caesalpinia pulcherrima (L. flores grandes e vistosas. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Considerada de origem antilhana. 1982). inflamações do fígado e baço. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. com folíolos ovado-oblongos.anticatarral. 1984). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

em doses elevadas. Segundo Corrêa (1984). atingindo até 10 m de altura. quando em grandes doses. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. dado à falsa canela. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. pela beleza da planta na época de floração. febrífugas e venenosas. heliófita e pioneira. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. Cassia multijuga Rich. abortiva. casca lisa e cinzenta. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. A espécie ocorre em todo o Brasil. a raiz é acre. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. deriva do grego Kasia. tendo propriedades tônicas.3). largo e achatado (Figura 18. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. O nome do gênero Cassia. sendo uma planta decídua no inverno. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. brinquedos. o fruto é do tipo vagem reta. além de ornamental.como emenagogo e abortivo e. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. amarga. lenha e carvão. febrífugos. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. a casca é considerada emenagoga e. estipuladas. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. febre e como purgativo. externamente. Em outros locais do país. purgativos. as folhas e flores são usadas como tônicos. . excitantes. obtusos no ápice e com base irregular. folhas pinadas. descrito também por Carl Linnaeus. com rara ocorrência dentro de florestas. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. odontálgicos.

a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. racemos axilares. com caule lenhoso na base. Mata-pasto.Cassia occidentalis L. Manjerioba.4). Rioba. laxativo. beiras de estradas e próximo a culturas. no Piauí a infusão do caule. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Maioba.. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Outras denominações são Folha-de-pajé. Mamangá. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. Ibixuma. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. infecções gerais. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. dispostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. frutos do tipo vagem glabra. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. no Brasil é espontânea nas pastagens. diurético e colagogo (Gavilanes et al. amarelas. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. Na região da Mata Atlântica. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. é indicada popularmente como antitérmico. ramos quase cilíndricos. Majerioba. resfriado e diarréia (Grandi et . curto-peciolados. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. gineceu com ovário piloso. folhas alternas. Em Minas Gerais. Segundo Emperaire (1982). estipulada e com glândulas na base. verde-escuros em ambas as faces. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. gripes. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Lava-pratos. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. assim como em outras regiões do país. achatados. paripenadas com ráquis comprida. Tararucu. Lava-prados. flores grandes. febre.

al. febrífugo. erisipela e tuberculose. reumatismo. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. sudorífico. como antiinflamatório e. nos desarranjos menstruais. as raízes são consideradas diuréticas. emenagogo. problemas hepáticos. diurético. 1990). é utilizada contra doenças do fígado. malária. como vermífugo (Nagaraju et al. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. purgativo. . a raiz triturada é utilizada para epilepsia. No Panamá. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. Além disso. na forma de cataplasma. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. preparadas como o café. mordida de escorpião. No Peru. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. Cassia reticulata Willd. reumatismo. desordens do trato urinário. 1988).. rins e bexiga (Simões et al.. anemia. e para constipações em bebês (Gupta et al. as sementes... No Brasil. 1985). são utilizadas contra asma. tinha e hemorróidas. No Rio Grande do Sul. Na Amazônia peruana. 1982). internamente. 1990). dores menstruais e uterinas. A espécie C. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. febrífugo e diurético. doenças venéreas. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. como Mata-olho. estômago. sarna e doenças de pele (Bardhan et al.. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. 1986). Na Índia. 1979). as raízes são consideradas um tônico. inflamações nos olhos. Em outras localidades do país. 1994). Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. mas também são utilizadas contra tuberculose. na asma. 1970).

Jatobá-de-anta. Jutaí-açu. Algarobo. lisos. Jutaí. Jatobá-de-porco. Jatobazeiro. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. negras. dispostas em cimeiras terminais. os frutos são vagens delgadas. tronco ereto e ramos glabros. com 6 a 15 cm de comprimento. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Hymenaea courbaryl L. a espécie é conhecida como Jatobá. entre outros. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Jatobá-roxo. flores brancas vistosas. farinhento e comestível. brilhante. com até . purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jatai. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. com casca dura. Jutaí-peba. marrom. Olhode-boi. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ápices acuminados. Também é chamada de Jatobá-mirim. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Jutaí-café. base assimétrica. Nomes populares No Vale do Ribeira. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. Jutaí-do-campo. 1994). fruto doce. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. alternas e pilosas. como antitérmico e diurético. Abati-tambaí.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. folhas compostas.

sendo usada na arborização de parques e jardins. 2000) e os flavonóides kaempferol. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos.forticata (da Silva et al. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 2001. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. Yadava & Tripathi. e a seiva é excelente tônico para crianças. com florescimento entre outubro e dezembro. 2000). além do uso contra bronquite. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. Caesalpinia O extrato benzênico de C. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África.. ferrea forneceu sitosterol. é eficaz contra tosses. enquanto o xarope da casca do caule. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria.15 cm de comprimento. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. O nome do gênero deriva do grego hymen. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. o deus da união. vermífugo. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. ácidos palmítico e octacosanóico. enquanto a madeira é usada na construção civil.. em alusão aos dois folíolos. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. sedativo e peitoral. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. estimulando a digestão e fortificando o organismo. microstachya (Meyre-Silva et al. ácidos . 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. especialmente em crianças. É uma espécie semidecídua.

brazilina (Namikoshi et al. Kim et al. 1987e).gálico e elágico (Santos & Sant'Ana.. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. 8metoxibonducelina. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. beta-amirina.4. B. 1983). Foram isolados os flavonóides: rutina.5-trihidroxibenzóico (Rao et al.6-dimetoxi-l. quercimeritrina (Awasthi & Misra.. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 3'-0-metilepisappanol. 1986. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina.. 1973). Da madeira de C. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. beta-sitosterol. 4. lupeol. 8.. 7p-vouacapenediol.4benzoquinona (McPherson et al. 1997).. 1977). alfa-amirina.. Das sementes de C.. 1987) e pulcherriminas A. Das cascas e raízes de C. 8metoxibonducelina. taraxerol (Yadava & Nigam. miricetina. 1983). 1954). protosapina (Namikoshi et al. sapanona B. pulcherimina. 3'-0-metilsappanol. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. episapanol. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 6p-cinamoiloxi5a.. 1997a). 1987a). 1997). B. 1987c). 1978). bondenolídeo. lup-20(29)-en-3beta-ol. leucodelfinidina. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 4-O-metilsapanol. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. 3'-deoxisapanoI. 1977).ll. bonducelina. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 1987). 1978). . 1997). 2002). 1996).. sapanol. C e D (Peter et al. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. quercetina (Rao et al.. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. Peter et al.14-didehidro-5a-vouacapenol. 1997b). sappan foram isolados octacosanol. 3'-0-metilbrazilin. 1978) e 2. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. bonducelpina A...9.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. C e D (Patil et al. De diferentes partes de C. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al.. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al.. quercetina... 1985). pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. ácido 3. 4-O-metilepisapanol... 1997). cianina. 1987b.

triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. Dos frutos de C. Na espécie C. dicopetala (Chowdhury et al.. S. 1986). 1977. C. 1996).Das raízes de C.. 1982). pumila foi analisada. . reticulata. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. Fuke et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C.. caladenia e C. Do Fedegoso.. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. M.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. ácidos linoléico e palmítico de C. glicosídeos cardiotônicos. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. buteína. Das sementes de C. saponinas. vários compostos aromáticos de C. glicosídeos de C. 1987. sitosterol. glicosídeos (Singh. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. sapanol. occidentalis. sapachalcona. 1988).. 1997). isolaram-se 1. 1977). Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. platyloba. 1987a). Cassia Da espécie C. 1995).. B e C (Namikoshi et al. 1987f). 1994). 4-O-metilsapanol. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. sapanonas a e b.. além de xantonas (Wader & Kudav. Foram isolados alcalóides de C. sappan (Namikoshi & Tamotsu. major foram isoladas caesaldekarinas A-E.. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. 1996). C. episapanol. 4-O-metilepisapanol. sappan (Nigan et al. 1987d). 3-deoxisapanchalcona. M.. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. 1981). 1986.. digyna (Mahato et al. 1983).. Da madeira de C. isoflavanóides de C. 1985). cacalaco e C.. Namikoshi et al. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. a espécie C.. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. 1977). sappan (Saitoh et al. sitosterona. 1985). isoliquiritigenina. (Kitagawa et al. et al. Kitanaka et al. 1996) e de C... brasilina e protosapaninas A. C. hintoni (Contreras et al.. japonica (Namikoshi et al. taninos.

carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al.. De C. ácidos monoenóico. roxburguinol e um novo estilbeno. 1988b). 1977) e os ácidos cáprico. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. emodina. além de flavonas (Guptaetal. Foram isolados das sementes de C. Telange et al. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. mirístico.. 1987). 1978). Da madeira foram isolados beta-sitosterol. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. alfa. Das sementes de C. Da raiz de C. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1986). e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. 1990). . 1988a)..7-dihidroxi-3metilxantona. 1985). enquanto das vagens foram isolados crisofanol. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou.1987. esteárico e oléico (Alencar et al. triglicerídeos (Zaka et al. De C. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. 1.. occidentalol-1. l.. roxburguina (Ashok & Sarma. Das sementes de C. 1979).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. 1996). Singh. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. dienóico e trienóico (Zaka et al.. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. roxburguina. Das folhas de C.. 1989). 1987). metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. De C. 1982) e das raízes (Singh & Singh. occidentalis foram isolados pinselina. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico.. crisofanol. 1987).. 1989).. J. 1986).e beta-amirina. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C.. 1987).. 1990). germicrisona. 1986. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. Das superfícies das folhas de C. crisofanol. & Singh. pinselina. 1987). palmítico. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. questina. J. occidentalol-2. 1987. 1989a). 1985). ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. bis (tetrahidro) antraceno.

.. 1986). crisoobtusina. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. obtusina.. De C. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1988). Asamizu et al. Metil palmitato e metil oleato. esteárico. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. De C. o aminoácido histidina (Zhang et al. além da presença de beta-sitosterol. flavonóides (Wassel & Baghdadi.. Ishidaet al. . .. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al.. colesterol. oléico. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. flavonas. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. De C. o senosídeo é o principal desses derivados. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. Nas sementes de C.. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. aurantioobtusina. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. malválico. e das folhas.. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. obtusifolia foram também isolados obtusina. 1979). flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1988). 1987). 1987) e emodina (Yang & Wang. 1989). siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 1988). 1989). questina. obtusofolina. 1990). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. 1986. 1986). 1980) e os ácidos palmítico.. 1989).. succínico e tartárico (Matsuura et al. fisciona. 1988). oléico e linoléico.. 1985). glicosídeos. antraquinonas (Zhang et al. 1977).. estigmasterol.Das raízes de C. emodina. De C. 1986).. m-cresol. além de ácido palmítico. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. 1978). acutifolia quanto à presença de aminoácidos.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. flavonóides (Crawford et al. 1984). angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. obtusifolina e estigmasterol. polissacarídeos (Khare et al. De C. 1990). 1987. De C.. linoléico. angustifolia não difere muito do de C. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1997). O perfil fitoquímico de C. ácido crisofânico. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona.. beta-sitosterol e l. 1986).

1988). aminoácidos (lisina.. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. arginina. 1988). behenato de beta-sitosterol. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. 1990).. 1988).. 1987b). O óleo da semente de C. oléico. araquidato de beta-sitosterol. 1978). malválico. 1977). Do óleo das sementes de C. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh.. De C. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh.. treonina e leucina). . singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al.. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. emodina. 1987b. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. palmitato de beta-sitosterol. 1978).Ahuja et al. proteínas brutas.. butirospermona. De C. O extrato das folhas de C. carboidratos. Das sementes de C. triptofano. As cascas do caule de C.. Chowdhury et al. 1990).senosídeos das folhas de vagens de C. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de .De C. palmitato. reina. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. glauca foram isolados os ácidos palmítico. renigera possui ácidos vernólico. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. fistula (Cano Asseleih et al.. 1990a). fistula e C. 1989a). triacontano. Das raízes de C. beta-amirina.. Das folhas de C. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. 1990).. Das cascas do caule de C. flavonóides (Srivastava & Gupta.. Das vagens de C. 1988) e antraquinonas (. 1987). 1991). De C. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1990). e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. ácido glutâmico e aspártico.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. 1988). esteárico. ácido behênico. 1987). De C.. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al.. linoléico. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh.. 1981). fistula e das cascas de C. javanica apresenta nonacosano. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. 1990).

semicordata foram isolados compostos do tipo 1. 1989) e nas sementes de C. Das sementes de C. 1997). 1987). 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 2-methoxistipandrona. emodina. Das folhas de C. 1988)... A composição dos ácidos graxos de C. estérico... linolênico. mirístico. 1987). fisciona. Das raízes de C. emodina e rheina) (Krambeck et al. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. 1989). 1989). garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1985). 1988). 1988). holosericea é predominantemente de ácido láurico. (Baba et al. De C. C. araquídico e behênico (Khalid et al.. além de alcalóides (Christofidis et al. 1977).. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. oléico. 1985). falacinol e uracila (El-Sayyad et al. 1987). Das flores de C. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. siamea (Khan et al. 1988). B. 1988). Cassia laevigata (Singh. palmitoléico. C. De C.. ácido quelidônico.. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani... linoléico. C.. 1978). pumila foram isolados tetratriacontanol.. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. .Das partes aéreas de C.. javanica (Singh & Jindal. Sen et al. sericea (Muralikrishna et al. 1987. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. 1986). 1990).. 1977). nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. R.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. marginata (Kumar et al.. De C. De C. De C. 1986. fastuosa foram isolados os glicosídeos. Cassia javanica (Azero et al. palmítico. 1986 e 1987). spectabilis foram isolados antraquinonas....

1985). comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes.. Bacchi & Sertié. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.. Amaral et al.. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. et al. E. 1977).. Estudos mais recentes têm apontado C. 1998). 1996. 1991). J. 2002a e 2002b). Os inibidores da aldose reductase. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. 1991).. 1995. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. antiinflamatória (Carvalho. 2001. antiedematogênica. J.. 1990) Lima.. 1988). gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al.. 1995. tarapotensis (Braca et al. Lemus et al.. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. sapanchalcona. antimicrobiana (Cebalhos et al. 1994. 1996). Nakamura et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. 1998). et al. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.. contêm caesalpina P. 3- . guianensis (Kittakoop et al. et al.. Extratos de C. candicans (Pepato et al. A espécie C.. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. De C. 2002..... analgésica (Carvalho... O.. 1987). 2000.. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. 2001) e antimolarial de B.. 1999).. anticoagulante (Milagres et al. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. Munoz et al. Rossi-Ferreira et al. Lopes et al. T. 1997). 1976) e proteínas de C. 1986). et al. leiostachya (Moura et al. O uso crônico de B. C.forficata e B. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. C.. 2000). malabarica e B. O. 1986).

A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1987.. 1999). hepatoprotetor (Jafri et al. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum.. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. Caceres et al.. antiviral contra hepatite B (Patney et al. antimalária (Gasquet et al. 1989). 1962).. Sadique et al. inibitória da hemólise. antibacteriana. de relaxamento do músculo liso. hipotensiva. O extrato metanólico de C. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos.. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al.. Sama et al. in vitro. 1996). 2001). de estimulante uterino (Saraf et al. Cassia Nas folhas de C. Hussain et al.. .. Schmeda-Hirschmann et al. 1978. 1995a). 1992.. 1997). 1993. Feng et al. 1996).. 1994. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1991. antifúngica. 1997). sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. protosapanina A. 1987).. 1976) e. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al.. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.. 1985). De C. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. vasoconstritora. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. antiparasitária. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C... A brasilina isolada de C.deoxisapanona...

acutifolia como controle positivo. 1984). obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. Nas sementes de C. 1990). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. A fração polissacarídica de C. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. garrettiana (Inamori et al. As sementes de C. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. pudibunda (Cavalcanti et al. acutifolia. Estudos com as sementes de C. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina).. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al.pudibunda (Cavalcanti et al. 1991). O extrato das folhas de C. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. 1989). obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. De C. 1989). Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. 1988 e 1989).. alata quanto C.5'-tetrahidroxistilbene. e C. obtusifolia (Kitanaka & Takido.. 1990.4. Crawford et al. Os resultados finais indicaram que tanto C...Das sementes de C. 1979) e C. 1989).. 1988). 1986a).. lugustrina (Abhaham et al. utilizando as folhas de C. 1990). 1985). 1986).3'... exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. 1991). As folhas de C. citotóxica com extratos de C. garrettiana foi isolada a 3. O extrato a 10% das folhas de C.. 1990)... espasmolítica com subs- . As antraquinonas de C. 1988) e C. C. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.

ferrea. vômitos. que apresentaram um quadro de ataxia.. 1984). acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado.. caracterizado por náuseas. 1998). fistula (Bhardwaj & Mathur. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. 1979) e C. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. roenwilana (Rowe et al. cólicas abdominais e diarréia. antitumoral com extratos de C. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. 1985). A administração de folhas de C. 1977) e antivirótica com extratos de C. O gênero Cassia produz. 1991).. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. especialmente por crianças. cansaço e dores. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. purgativa dos glicosídeos de C.... echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. 1986). angustifolia (Nakajima et al. Colvin et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. Seu consumo indiscriminado é perigoso... na forma fresca. amplamente utilizada pela população. dispnéia. anemia. 1987). em geral. apatia. diarréia. em muitos países. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al.. em razão de seus efeitos hepatotóxicos.. 1986. 1985). pumila (Fatawi et al. C. fistula (Babbar et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. A espécie C. . 1979).tâncias isoladas de C. como substituta do café. quinquangulata (Ogura et al. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. Salienta-se que a espécie C. cavalos e cabras. 1986b). Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. 1979). seca e/ou torrada.

onde se encontram plantas (Barrozo. Cajanus. Dypteryxeae: Dypteryx. Desmodieae: Desmodium. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. 1978). das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Vicieae: Vicia e Pisum. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Nos estudos realizados na região amazônica e . Diplotropis. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Canavalia. Millettieae: Tephrosia. Psoraleae: Psoralea. Abreae: Abrus. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Cymbosena. Trifolieae: Medicago. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Robinieae: Sesbania e Robinia. Crotalarieae: Crotalaria. Genisteae: Lupinus. Dioclea e Mucuna. um importante produto alimentar no Brasil —.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Indigofereae: Indigofera. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Derris e Lonchocarpus. Sophoreae: Sophora. Myrocarpus e Ormosia.

sendo um nome popular da planta usado em Malabar. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. Cuandu. compostas de três folíolos aveludados. podendo atingir 3 m de altura. Feijão-de-árvore. pinadas. dispostas em pedúnculos axilares. . Erva-do-congo. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. Espécies medicinais Cajanus cf. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. as quais são descritas a seguir. Andu. fruto do tipo vagem linear. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. comprimida. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. oblongos. 1984). com ramos angulosos. na Mata Atlântica.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. sendo ainda forrageira. gripes. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. com ampla utilização em diversos países. de onde partem folhas pecioladas. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. Ervilhade-angola. A espécie possui um grande valor econômico. mas há divergências quanto a essa classificação. flores vistosas. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. dores de barriga e diarréia e a infusão. Guandu ou Feijão-guandu. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. contra constipação nasal.

O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". descrito por João de Loureiro. 1997). O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. pediceladas. menos freqüentemente. referindo-se ao legume. O nome do gênero Derris. fruto do tipo legume falcado. flores rosas. por arbustos ou árvores. Nomes populares A espécie é chamada. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. em forma de bote. e foi descrito por George Benthan. flores rosas. reunidas em fascículos. com ramos tomentosos. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. na Mata Atlântica. acuminados e glabros. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. de Flor-da-terra. oblongos. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. significa "pele dura". O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica.Cymbosema roseana Bent.

compostas. Erva-dos-mendigos e Jiquerana.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. com cálice gamossépalo. com folíolos articulados na base. corola dialipétala. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. revestida de pêlos curtos. pentâmera. hermafrodita. Outros nomes populares são Amores-do-campo. externa. Desmodium tortuossum (Sw.) DC. Dados botânicos Erva de pequeno porte. cilíndrica. folhas pecioladas. folhas alternas. Derris floribunda Bth. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. sementes sem endosperma (Figura 18. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. coriáceo. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. didamídea. flores fortemente zigomorfas. fruto do tipo legume linear. a prefloração da corola é imbricada descendente. trifoliadas e .5). ereto e com raiz bastante lenhosa. Trevo-da-flórida. com uma grande pétala superior.

O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. Sucupira-da-terra-firme. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. vexilo oblongo provido de apêndices na base.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Dados da medicina tradicional A semente ralada. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Sapupira-da-mata. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. plano. Outros nomes comuns são Favinha. indeiscente. O nome Diplotropis significa "duas carenas". Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com ampla distribuição no Brasil e no México. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. pinadas e folíolos glabros. Sebipira. Cutiubeira. com folhas compostas. tendo um apêndice na base. referindo-se à disposição das flores.6). fruto do tipo vagem. Cutiúba. pequenas. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Sicupira. todas conhecidas como Sucupira. Diplotropis purpurea (Rich. Sapupira-da-várzea. Sapupira. O nome do gênero significa "feixe". fruto do tipo legume. misturada com enxofre. reunidas em racemos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. . Sapupira-preta. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. com sementes pretas e duras (Figura 18. flor com estandarte longo. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. coriáceos. Paricarana.

caule reto. quando maduros e secos. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. se fendem liberando a semente roxo-escura. charutos. cigarros. referindo-se ao cálice. Cumaru-amarelo. imparipinadas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. pecioladas. Cumar-do-amazonas. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. além da famosa fava de cumaru. de Cumaru. compostas. doces. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. aromáticas. frutos em forma de vagem drupácea. Cumaruzeiro. folhas grandes. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". dispostas em panículas pubescentes. de pequena espessura. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. de cor verde-amarelada. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. 1991).) Willd. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. na região amazônica. Umburana e Kumbaru. O nome do gênero significa "duas asas". O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. quando passados sobre as costelas. Imburana. flores vermelhas. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. podendo atingir até 35 m de altura. Nomes populares A espécie é chamada. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. que.Dipteryx odorata (Aubl. . Imburana-de-cheiro. alternas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e na produção de perfumes. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. servem para tratar a pneumonia. grosso. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. alimentos e uísque.

grosso. com semente oleosa e aromática. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. febrífugo. diaforético. . compostas de sete a nove folíolos. antiespasmódico. aromáticas. como reconstituinte das forças orgânicas. imparipinadas. essa espécie é utilizada como anticoagulante. antitussígeno. pecioladas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. e os palikur. folhas grandes. 1991). alternas. diaforéticas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. frutos em forma de vagem verde. antidispéptico. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. pela presença de Cumarina. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. flores vermelhas. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. emenagogas e cardíacas. Em outros lugares. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. diaforético. internamente. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. contendo casca de pequena espessura. dispostas em panículas pubescentes. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. emenagogo. podendo atingir até 3 m de altura. contra qualquer inflamação. para aliviar dores de garganta e. cardiotônico. caule ereto. narcótico e estimulante. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. contra contusão e reumatismo. para banhos fortificantes de crianças.

de Cabreúva. indicadas nas lesões do sistema respiratório. assim como a casca. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. de ocorrência na América do Sul. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. 1974). urucu. Outros nomes são Cabruê. com casca rugosa no caule. portas e janelas de luxo. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. Nomes populares A espécie é chamada. sendo muito usada na indústria de cosméticos.. compostos 5-9 folioladas. sendo ainda expectorante peitoral. possui aroma balsâmico. outros compostos . A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. tinturas e perfumaria. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a mais estudada é a D. A madeira. Bálsamo e Pau-de-óleo. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". Pau-bálsamo. para fabricação de carroças. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas.Myrocarpus frondosus Aliem. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Óleo-pardo. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões.

laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6.. 1986). glutinosum. canadense (L...8-difenileriodictiol. Do caule de D. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch.. do seu caule e de suas folhas. D. spruceana (Garcia et al.. 1989). et al. B e C). laxiflora Lin et al. N. D.... elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. 1977). homoadonivenita (Batyuk et al. D. 1986. também denominada D. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. 1973b) e saponina (Parente & Mors. spruceana. epoxilupinifolina e dereticulatina. ou D. e das raízes de D.. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. araripensis (Nascimento et al. 1976.. oblonga e D. Bell et al. foram isolados. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. Das raízes de D. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. As espécies D. 1961.. 1978). 1989)... adhaesivum Schldl. .rotenóides (Braz Filho et al. Em D. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. heterocarpon e D. reticulata.. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. Nascimento & Mors. 1997).. enquanto de D. 1985) e D. 1997). crisantemina e cianina (Matinod et al. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. Desmodium De D. 1962). foram isolados os flavonóides desmodina. D.. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. Foram isolados alcalóides de D. 1954). proteínas. frutescens... lipídios. 1978. 1995b). os flavonóides. 1978). 1995b) e D. Lin & Kuo. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. 1991. E em D. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas.. 1994). possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. senegalenseína. 1988). lupinifolina e laxiflorina. D. incanum DC. aparines (Link.. 1994). Da espécie D.. benthmii (Fellows et al. Flavonóides também foram isolados em D. 1996). 1977). que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. Nakatu et al.) DC. 1993.) DC.. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. canarensis (Evans et al. 1976) e D. hiravanona.. obtusa (Nascimento et al. 1978). tortuosum. Rao M. D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. De D. Kimetal. amoena.

1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. Ghosal & Bhattacharya..) DC. os flavonóides desmodol (Ueno et al. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. hipoforina. 1-octacosanol.. genisteína. Nakatu et al... gangetinina. os alcalóides candicina. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. elegans DC. Em D. Don. betaína. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. isoquercitrina. beta-carbolina. gangetina. 1984. e de D. intortum) possui carboidratos. 1963). 1977. cinarascens A..N-dimetiltriptamina. caudatum (Thunb. gangeticum (L. salsolidina. 1973). A espécie D.. Bell et al. 1978). ario-inositol e betapinitol. De D.Os alcalóides bufotenina.. 1975).4-dimetoxifenetilamina.. foram isolados mangiferina. também denominada D. hordenina. . 1949) e a canavanina (Van Etten et al. 1972). 1969. hordenina. também muito usado medicinalmente. Em suas raízes foram isolados abrina. 1962. leptocladina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. ácido octacosanóico. normacromerina. Purushothaman et al. N-N-dimetil-3. os flavonóides hiperina.4-dimetoxifenetilamina. possui os flavonóides dalbergioidina. desmocarpina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. Purushothaman et al. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. tiliafolium G. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. 1971). salsolina. galactopinitol A. 1983). cinereum (Kunth) DC. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1964) foram todos isolados de D. desmodina. difisolina. bufotenina N-óxido. além de canavanina (Beveridge et al. O D. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. O-metilbufotenina. 3. Nmetiltiramina.) DC. kaempferol e quercetina. 1972. N. hipoforina e os alcalóides. 2-feniletilamina.

kaempferol. 1963a e 1963b. De D. homoferreirina. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. N. ácido indol-3-acético. e de D. formononetina. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol.. 1996). racemosum. pinitol e canavanina (Beveridge et al. tricosanol. foram isolados os carboidratos galactopinitol A.. foram isolados os flavonóides apigenina. Perez-Maldonado & Norton. e os alcalóides colina.. 1995). Adinarayana & Syamasundar.N-dimetiltriptamina N-óxido.) DC.. lupeol.1995.. vitexina. 1997). 1989). feniletilamina. isovitexina. o terpenóide lupeol.. 1989). flavosativasídeo. 1995). floribundum. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. triflorum (L. Bell et al. . 1985).. De D. Kubo et al. Sreenivasan & Sankarasubramanin. nonacosanos. Ahluwalia et al. De D. 7-hidroxiflavona. e os flavonóides isoliquiritigenina. 1968). styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al.. De D. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 1965.. podocarpum. 1962). estigmasterol.. também conhecido com D. multiflorum. 1961 e 1962. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. Amor-de-velho-comum. 1977.. 1989). 1986. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. Kubo et al. 1982... De D.) DC. também denominado D. 1966).. triquetrum foram isolados friedelina. ovalifolium (Giner-Chavez et al. Mukherjee et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. 1965). os terpenóides beta-amirina. De D. compostos estes também isolados em D. heptacosanol. b-sitosterol. 1978). vitexina e xilosilvitenina. e de D.. e de D sandwicense E. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. 1984). 1971. estigmasterol. De Desmodium uncinatum (Jacq. laxiflorum foram isolados heptacosanos. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. inositol... Anjaneyulu et al. 1989. ojeinese. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. De D. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al.

. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.3epimetoxilupanina. 1. 1982). lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.1973a). .

. De diferentes partes de D.. punctata (Gruenwald.. odoratina. lupenona e lupeol (Kaplan et al. odorata apresenta um grande valor comercial. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. 1995).. flavonóides (dipterixina. 1966) e beta-farneseno (Matos et al.. Das sementes de D. retusina). Nakano et al.. odoratina. 1981). ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1991). 1994). flavonóides (dipterixina. 1966). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. De D. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. punctata (Gruenwald. 2000. cumarinas (Ehlers et al. alata foram determinados 40% de óleo. 1952). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1995. 1994). De D. 1952). A espécie D. além dos terpenóides betulina.. Togashi. isoflavonóides (Lourenço et al. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1995). pois suas sementes são ricas em Cumarina. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. odoratina. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. 1994). 1996).. Das sementes da espécie D. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1993). além dos terpenóides betulina. odoratina. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria..Dipferyx De diferentes partes de D. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. alata foram determinados 40% de óleo. .

.. 1999. também conhecido como Timbó. 1987). 1996). Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. 2002). De Derris sp. Foi isolada das raízes de D. Datta & Bhattacharrya. 1997). 2001).. Derris sp e D. 1997). 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al... e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. urucu e D. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos.. De D. 1979). nicou (Costa et al. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al.. . elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. D... 2001). 1997).Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. 1972). que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. Das raízes de D. O extrato etanólico de D. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. micou. Aragão & Valle... 1998. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al.

e os taninos isolados de D. 1996). .. 1997).. 1997). 1988). 1996. 1999). canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al.. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. B e C. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. 1989). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al.. De D. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy.. D. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio.. 1988). Tolera & Said. 1987). intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al.. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. O extrato de D. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. O extrato aquoso de D. styracifolium. 1997). e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. O extrato de D. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma..A D.

Y. M. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. Mimosa.. das quais destacamos os gêneros Parkia. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. Calliandra. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. distribuídas em cinco tribos. vômito. urucum provoca irritação da pele. Leucaena. Prosopis.950 espécies descritas. 1996). muitos deles de valor medicinal. et al. das sementes de D. doses elevadas podem causar náusea. 1991). 1987).. 1993). Albizia. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. 1998).. Inga..Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. . Zollernia e Acácia. Adenanthera. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2.

Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). repletas de glândulas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Laranjeira-do-mato. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Nomes populares A espécie. encontradas em áreas tropicais e temperadas. pecioladas. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Zollernia ilicifolia Vog. Em outras regiões do país. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. Moçataíba e Orelha-de-onça. flores reunidas em espigas terminais. pinadas. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). com grande ocorrência na Amazônia. é chamada de Espinheira-santa. na região da Mata Atlântica. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. compostas por folíolos ovais. Ingá-grande e Jambolão.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. a espécie é chamada de Mocitaíba.) Willd. . O nome do gênero é denominação popular nas Guianas.

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Foram isolados alcalóides das espécies I. 1991). 5. I.3'4'-trihidroxiaurona e 7. alba. 1973). e o nome deriva de Hohenzollern. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. parviflora foram isolados os constituintes 7. I. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia.. incluindo dores. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.7. a antiga casa regente prussiana. 1996). Maytenus ilicifolia). I. bourgonii. I.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. .oblongas.3'.7). I. longispica. flores rosadas (Figura 18.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. heterophylla. I. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. farmacológicos e toxicológicos.8-dimetilflavona (Correa et al. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. 6. I. nobilis. oerstediana e I. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. laurina. I. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos.4'trihidroxi-6. semialata. stipularis (Kraus & Reinbothe. com margens onduladas e providas de espinhos. sertulifera. paterno (Morton et al.

b) detalhe das folhas (fotos originais por M. Reis).1 .FIGURA 18.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. S. .

FIGURA 18. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .

FIGURA 18. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.3 . 1984).

Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 18. b) escanerata do ramo com flores e frutos.4 . 1939). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .

5 . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Derris floribunda.Banco de imagens - .FIGURA 18.

Banco de imagens - .FIGURA 18.6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Diplotropis purpurea.

S. Reis).7 . Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. .Zollemia ilicifolia.FIGURA 18.

A. distribuídas nos 188 gêneros. 1978). Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. que incluem espécies medicinais. Melastomataceae e Myrtaceae. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. Punicaceae. 1997). lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. Di Stasi C. São plantas herbáceas. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. a Punica granatum. com inúmeros representantes no Brasil.950 espécies. assim come outras espécies de valor econômico. C. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. arbustivas. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. e as duas famílias aqui descritas.19 Myrtales medicinais L. que inclui o gênero Punica. da famosa Romã.

Miconia. ereto e piloso. Nomes populares Na região amazônica. . O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. essa espécie é chamada de Quaresma. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. fruto do tipo baga. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. que descreveu inúmeras patologias em plantas. dispostas em cimeiras.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. flores pequenas. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. ambas pela indicação popular na região amazônica. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. em outras regiões. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Microlicia.) DC. roxo. Salpinga. nervadas e pubescentes. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. Huberia. na região amazônica. brancas ou rosas. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. ou Pixirica. 1998). com folhas ovais e cordiformes. Neste estudo. Rhynchanthera grandiflora (Aubl.

Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. bem representada na Austrália.. 1990). O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Eugenia. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. Syzygium. Pimenta. Pseudocaryophyllus. Leptospermum e Melaleuca. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. 1997) arbustivas e arbóreas. e várias outras em climas temperados.620 espécies (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Psidium. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. oeste da Índia e América tropical. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. Eucalyptus. planas. Os . de onde partem folhas de pecíolo longo. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. que contém 19% de taninos hidrolizáveis.

Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. 1996). para o alívio de dores de dentes. 1998). especialmente as flores. . E uma espécie exótica. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.constituintes dessa família incluem. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. flores pequenas. as partes aéreas do Cravo-da-índia. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. rosas ou avermelhadas. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. Myrciaria Gabuticaba). Araçá). congestão nasal e dores de cabeça. Eugenia (Pitanga. com folhas pecioladas. taninos. opostas. leucoantocianinas. No Brasil. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. dispostas em corimbos. são usadas no local. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. bastante aromáticas. cultivado ou adquirido no comércio. fruto do tipo drupa. Cereja-nacional. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. oblongas e glabras. além de óleos essenciais. ácidos fenólicos e ésteres.

doenças da pele. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. é útil contra hemorróidas. existem registros para a espécie como Goiabeira. ovadolanceoladas. diclamídeas. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. Guaiaba. para regulação do ciclo . com cálice membranoso. Araçá-guaçu. fervidos. Provém de psidion. A infusão dos frutos. O nome do gênero. internamente. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. Araçá-goiaba.1). Guaiava.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. botões florais tomentosos ou glabros. significa "triturar. e. referindo-se aos frutos. brancas e com numerosos estames. folhas opostas. por outras. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. flores hermafroditas. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. actinomorfas. contra diarréias. que é a denominação em grego da planta. curto-pecioladas. 1984). Psidium. morder". glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Araçáguaiaba. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. galhada. os brotos de goiaba e de caju. é indicado contra diarréia. edema e. esmagar. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. fruto com baga amarela. com caule tortuoso e casca lisa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. Na região da Mata Atlântica. o chá das folhas novas. no entanto. usada externamente. de sabor agradável.

Grandi & Siqueira. 1988). 1982. como estomáquico. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. o chá da folha. curto-pecioladas e glabras. . indisposição estomacal e vertigem (Forero. actinomorfas. 1982). 1984). 1992).. 1994). A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. diclamídeas. lavagens de úlceras. 1982). botões florais tomentosos ou glabros. folhas opostas. 1987. brancas e com numerosos estames. Grenand et al.menstrual. antidiarréica. como também os frutos. é antidiarréico (Amorozo &Gély. antileucorréica. de polpa abundante. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. flores hermafroditas. em Minas Gerais. no Rio Grande do Sul. igualmente usados como alimento. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. 1980. anticolérica e antiúlcera. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. sendo facilmente confundida com esta. Central. guajava ainda são utilizadas na América Latina. com cálice membranoso. 1986).. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. principalmente em diarréias infantis. no Pará. o chá das folhas. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. Duke & Vasquez.. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. misturado com folhas de pitanga. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. misturado com folhas de salva-de-marajó. no Piauí. Psydium cf. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. fruto com baga amarela. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. As folhas de P. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. e o decocto. guineense Sw.

1..1-dietoximetano. -guaieno. 1982) e quercetina. aldeídos. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. t-cariofileno. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 1996).1-díetoxietano. óxido de humuleno.. Ortega & Pino. -cubebeno. mirceno. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. além de taninos (Misra & Seshadri.. p-cimeno. 28 ésteres. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. himacaleno. -santaleno. 1989..1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. 10 ácidos. 1994). acoradieno. 31 alcanos. e 95% são cariofileno (Latza et al. 1991). 1987.. Chyau & Wu. apresentou atividade depressora do SNC. 1987). 1978).. 1968). 1981).. açúcares. Pino et al. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. ésteres. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al.. dos quais 13 são aldeídos. -bergamoteno. 1996)... De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. 1996. Zheng et al. 1990). polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. -cedreno. lignina. -bisaboleno. 122 componentes voláteis. -terpineol. alcanos.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1968. cremoflieno. borneol. Oliveros-Belardo et al. vitaminas C e A. p-menten-9-ol. 1987... 1990. 17 cetonas.. 1990. 1. Ortega & Pino. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. derivado de eugenol. denominados 1.. Yusof & Mohamed. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. 1994). humuleno. As diferenças quantitativas e qua- . pectina. Marcelin et al. cetonas. 1989. Wilson & Shaw. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.. 1989. 1996). 1987). as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. Pino et al. 1986. O dehidrodieugenol.

. A atividade antibacteriana das cascas de P. 1978). e Maruyama et al.. guaijaverina. Chen & Yang (1983).. 1987. 1987). alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. 1979b. 1981). palmítico.. 1991).. Jain et al. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. 1987). ácidos linoléico. Lima Filho et al.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 2002. Osman et al. 1987). ácido oleanólico (Mair et al. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica.. Ácido elágico. 1986). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. 1974. polifenoloxidase (Augustin et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1989).. d-galactose.. oléico e esteárico (Opute. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. Okuda et al. O interior das cascas é rico em ésteres. óleo essencial (Ji et al. 1987). flavonóides. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente.. 1986). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al.. Hegnaurer. (1994) e Neri et al. 1996). O extrato aquoso tam- ..

e eugenol e timol de P. 1995). 1990. (Santos et al.. 1995. Grover et al. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória.. et al.. P.. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. anticonvulsivante (Santos. Cáceres et al. incanescens (Zelnik et al. F. A quercetina isolada de P... pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. pohlianum e Psidium sp. Lozoya et al. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 2002. 1990.. P. Shimomura. Morales et al.... 1993. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. 1994. 1989... et al.. Lutterdodt et al. 1994). Lutterdodt. F. 1970). 1994. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. A. et al. F. 1989). 1996). guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. 1996a). e antitumoral de P. Meckes et al. A.. Lozoya et al. PonceMacotela et al. 1983). incanescens (Santos. guyanensis (Santos.. guyanensis. et al. A.. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. 1994).. 1994. 1998). 1993. 1995).bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. óxido e b-selineno). guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. Santos et al. 1988) e tosse (Jaiay et al.. 1996b) e P.. Cheng et al. A. 1996c. 1999). De P... 1997.. widgrenianum (Souza et al.. O extrato de folhas de P. 1996a) de P.. Lutterdodt. 1992. et al. A. F. 1995). 1994.). Cáceres et al. Do extrato hexânico das folhas de P.. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. guyanensins.. 1999).. O óleo essencial de P.. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 2000. Das cascas de P. F. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. propriedade anticatártica (Pinto et al. .

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .1 .FIGURA 19.Psydium guajava.

com inúmeras atividades farmacológicas já descritas.20 Celastrales medicinais L. e apenas uma delas. Austroplenckia. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. Seito F .300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. . Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. ambos contendo espécies amplamente estudadas. gênero de grande valor medicinal. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. são Celastrus e Trypterygium. com atividade antifertilidade masculina. representa importante fonte de espécies medicinais. nos quais se distribuem aproximadamente 1. Di Stasi L. N. Os principais gêneros dessa família.G. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. a família Celastraceae. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. e Maytenus. 1997). que possuem espécies medicinais. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. C.

Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). amarelo-avermelhado.cancerosa. Salva-vidas. fruto do tipo cápsula ovóide. dores nas costas e úlceras do estômago. flores numerosas. bastante coriáceas. com acúleos. axilares. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. Erva-santa e Congorça. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. . Nomes populares A espécie é chamada. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Erva. ápice agudo. arbusto menor (de 1 a 3 m). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ex Reiss. copa globosa e ramos glabros. Espinheira-divina. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. glabras. atingindo até 9 cm de comprimento. de onde partem folhas elípticas. gastrite e ulcera péptica. de Espinheira-santa. Espinho-de-Deus.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. na região da Mata Atlântica. Cancerosa. dor do "ciático". Também é conhecida como Sombra-de-touro. denteadas. Maytenus aquifolium M. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga.

1997). alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al.. Das sementes de M. contendo folhas alternas. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. oblongas. flores pequenas e axilares.. 1995). 1999). krukovii (Honda et al.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. 2000). Da infusão das folhas de M. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. 1995a). fruto do tipo capsular. 1998) e glucosídeos (Zhu et al.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. Foram também isolados um glicosídeo. Foram isolados das cascas de raízes de M. 1998). Dados químicos De M.. 2001) e triterpenos cetônicos de M.. .... com ramos finos. arbitifolia (Orabi et al. 1995. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. 2000). De M. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. vermelho. podendo chegar a até 4 m de altura. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. podendo chegar a até 15 cm de comprimento... heterophylla e M.

30-lup-20(29) ene-triol e 28.. betulina... 1993). 1994). De M. os triterpenos fenólicos canarol. ilicifolia (Itokawa et al. E-III. cangoronina e ilicifolina. E-IV. emarginatina-D.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. De M. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al..28. emarginatina-E e emarginatinina.30-diol (20). 1992b). além de pristimerina. 1997). 1994b). Sesquiterpenos foram isolados de M. 1992). 1999). 7..8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1998). 1991b). Dos ramos de M... G alfa e G beta.. Das folhas de M.. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M.. lupeol. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. os triterpenos 3-beta. .. 1991). Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. 1995a). 7-hidroxi-6-oxoiguesterol.Gonzalez et al.. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. lup-20(29)-ene-3beta. Dos ramos de M. canaradial. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. As cascas das raízes de M. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides.. 1994). 1994). 1993a e 1993b). e escutidina alfa A foram isolados de M. E-II. 1998).. xuxuarinas F beta. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. e outros triterpenos (Gonzalez et al. foram isolados das folhas de M.. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. além de epicatecol. os triterpenóides beta-amirina. 1996b). bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al.. 7 alfa-hidroxicanarol. ácido oleanólico e ácido betulônico. Além disso. 1999a e 2000).16. E-I e E-II (Itokawa et al... 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. triterpenos do tipo friedelana. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. chuchuhuasca (Shirota et al. iliocifolia (Shirota et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. E-V. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. macrocarpa (Chavez et al.21-trione (Nozaki et al.

. 8 beta. senegalensis e M. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. De M... assim como os compostos 6 beta. . 2001). A. macrocarpa (Chavez et al. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 1999).. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. isolados de M.. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 1999)..... scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al.. G.. 1996a). Nor-triterpenos isolados de M. 2000. 1996b). -15-triacetoxi-l alfa. 1996c). Alcalóides foram isolados de M. 6 beta. O composto escutiona isolado de M.. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 1981).. 8 beta. Dados farmacológicos M. et al. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al..M. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. scutioides (Gonzalez et al. M. myrsinoides (Baudouin et al... 1999). canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. 1996). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. Gonzalez et al. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 1971. 1999a).. 1996b). 1971). 1984). 1999b). catingarum (Alvarenga et al. Wang et al.

As folhas e caules de M. Oliveira et al. Queiroz et al. 1991.. 2001). 2002).O extrato diclorometânico de M. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. G. 1991. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. .. 2000)... 1999). Extratos de Maytenus ilicifolia e M. F. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina... 2001.. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. Gonzalez. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua.

ambas com várias espécies medicinais. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. 1997). Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Polygalaceae. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. ocorrem 32 gêneros. No Brasil. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Trigoniaceae. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. contendo cerca de 1. arbustos e lianas (Mabberley. . Vochysiaceae e Krameriaceae. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis.100 espécies tropicais. C. usada na produção da Ayahuasca. além das duas referidas a seguir. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. Byrsonima. 1978). com importantes espécies fontes de madeiras. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. especialmente árvores. Malpiguia e Stygmaphyllon. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo.21 Polygalales medicinais L. corantes e de medicamentos. com aproximadamente trezentas espécies. bebida alucinógena. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis.

Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. dor de estômago e gripes. bastante pubescente. de folhas cordiformes. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. contra icterícia. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. . glabas na face superior e sedosas na face inferior. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. O nome do gênero Stigmaphyllon.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. significa "estigmas foliáceos". Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. nas raízes formam-se grandes tubérculos. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. externamente. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira.) Juss. grande e robusta. Gordura-de-porco ou Cajuçara. e. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. arredondadas.) Juss.

destacando-se as famílias Burseraceae. Quassia. R. Meliaceae. Simaroubaceae. Picrasma e Brucea. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. o Guaraná. especialmente no Sistema Nervoso Central. Oxalidaceae e Balsaminaceae. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes.22 Sapindales medicinais C. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Das demais famílias dessa ordem. A. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. . algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Souza-Brito L. Essa ordem. Anacardiaceae. essas espécies serão descritas a seguir. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Hiruma-Lima A. M. Sapindaceae. Cupania e Serjania. inúmeras espécies medicinais. além das espécies aqui citadas. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Simarubaceae e a outra família. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. que contém. C. Rutaceae. especialmente dos gêneros Simarouba. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Ailanthus.

Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Nessa família. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. relatados a seguir. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). as espécies Pistacia lentiscus. arbustos. Spondias. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. A espécie Mangifera indica. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). muitas espécies estão espalhadas por todo o território. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. 1997). Além dos usos medicinais. Essa família botânica inclui árvores. Manga e Pistache. tais como Caju. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. reúne setenta gêneros. descrita por John Lindley. distribuídas em regiões tropicais. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. amplamente consumida . Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. nos países de clima temperado. lianas e raramente ervas pereniais.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Spondias e Schinus. subclasse Rosidae. No Brasil. com aproximadamente 875 espécies. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Semecarpus (Semecarpeae). pertence à ordem Sapindales. Mangifera. Do mesmo gênero. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Desses gêneros destacam-se. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. Schinus. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju).

Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). dispostas em panículas. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. não foi referida na região de estudo como medicinal. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca.1). sendo também denominada Cajuaçu. Engl. Caju-assu. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. especialmente no Amazonas. de 25 a 30 m de altura. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. ovário súpero com um só óvulo. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Caju-da-mata (Amazonas). não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Pará e Mato Grosso. perfumadas. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Cajuí. as flores. entre outras tribos indígenas. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. . com tronco de casca lisa. o fruto em forma de drupa é peduncular. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex.

que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. plástico e resinas. ovário unilocular. heliófita e que cresce bem em solos secos. o óleo da castanha. Para hemorróidas. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. em referência ao nome de seu fruto. ou simplesmente Caju. Cajumanso. significa "semelhante ao coração". O óleo é usado na produção de borracha. Economicamente. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. as folhas são alternas. raspa de amor-crescido e cajá. O . pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. onduladas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. Além dos usos medicinais descritos a seguir. pecioladas. no entanto.Anacardium occidentale L. possui importante mercado nacional e internacional. ovadas. Anacardium.2). entre outras. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. Contra diarréia. reticuladas e nervadas em ambas as faces. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. O nome do gênero. o fruto é do tipo aquênio reniforme. várias outras denominações são usadas para a espécie. Caju-manteiga. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. com um só estame fértil. Acajuíba. tomando-se um copo por dia. É uma planta decídua. tais como Acajaíba. assim como a própria castanha. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. pequenas e de coloração pálida. as flores. Caju-da-praia. glabras. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. Caju-de-casa.

historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. desordens urinádas e asma (Lima. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. astenia. contra úlceras. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. P. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. assim como um potente adstringente. tonsilite e problemas de garganta. 1982). 1984). O pericarpo tem utilização como anti-séptico. tônico.. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. Em Juiz de Fora (MG). para controle das secreções vaginais. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. calos e verrugas. 1995).. A resina é usada como depurativo e expectorante. Matos.. depurativo e anti-sifilítico. 1993. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. a casca é utilizada como adstringente.. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. purgativa. e a raiz. 1992). o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. estimulante e afrodisíaco. como um diurético. debilidade muscular. 1995). Cruz. No Piauí. 1993). além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. . As flores são afrodisíacas. e a maceração de folhas para tratar diabete. O suco das folhas serve como antiescorbútico. anti-helmíntico. 1994. 1990. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. Grenand et al. 1982). uma infusão de folha é usada contra diarréia. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. 1994).

Coração-de-bugre. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas.Schinus terebenthifolius Raddi. Aroeira-do-sertão. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Bálsamo. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. como cicatrizante e contra gengivites. analgésico e contra coceiras.3). lenha e carvão. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Aroeira-da-praia. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Fruto-de-sabi. estimulante e analgésico. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. Aroeira-vermelha. caule tortuoso. mas é muito usada como ornamental. O nome do gênero significa "cortar". sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Fruto-de-raposa. com casca grossa. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Cambuí. tônico. com copa bonita e arredondada. referindo-se às frestas da casca do fruto. adstringente. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Aroeira-do-campo. Aroeira-do-brejo. Aroeira-branca. febrífuga e usada contra afecções uterinas. sugere-se o uso com moderação. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético.

O ácido anacárdico (C22H32. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. além de comestíveis. com 5 a 7 m de altura. Outras denominações comuns são Acajá. Cirouela. sendo um composto característico das espécies deste gênero. O nome Spondias significa "ameixa". o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Em outros países da América do Sul. reunidas em racemos. do tipo drupa. as flores são pequenas. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. p-hidroxi- . Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. inclui espécies tropicais. antiespasmódico.O3). Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. imparipinadas. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. descrito também por Carl Linnaeus. o fruto. Acaju.4). Acaiou. ilustrado a seguir. ou mesmo Caju.Spondias purpurea L. referindo-se apenas à fruta da espécie. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. diurético e analgésico. esverdeado e doce (Figura 22. referindo-se à semelhança com o fruto. é ovóide. 1994). ou Cajá e Umbu. Siriuela. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). como antidiarréico. O gênero Spondias. especialmente árvores com resinas. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados.

S. n-eicosano.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. taninos. 1973). quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. anacardeína (Sathe et al. aminoácidos. narigenina. 1987). a-selineno e vitamina C (Gupta. apigenina. álcool araquidílico. 1989). anacardol. esteróis.. ácido gentísico. Mg. ácido procatéquico. kaempferol. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. flavonóides. 1997c). aminoácidos. 1986). triterpenos e sesquiterpetenolactonas . P. derivado de resorcinol. (-)-epiafzelequina. 1995). agathisflavona.. fenol. quercetina. também foram isolados (Costa. glicosídeos de quercetina. leucocianidina. Compostos derivados do ácido anacárdico. robustaflavona. 1997). estigmasterol. (-)epicatequina. Foram também caracterizados. Al. C1. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. campesterol e colesterol (Dinda et al. ácido-p-hidroxibenzóico. além de Na. sódio e açúcar. além de flavonóides voláteis (Pino. anacardol e cardol. K e Ca (Thomas & Dave. 1990). e de suas folhas foram isolados miricetina. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. a-amirina. cicloartenol. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. 1986). antocianinas. de diferentes partes da planta.. amido. 1985). limoneno. 1987). taninos e açúcar (Nagaraja et al. cardanol. os seguintes compostos: acetofenona. amentoflavona.

1994).. 2000). palmítico. láurico. ácido salicílico. Vários derivados do ácido anacárdico. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al.. tais como -catequina. palmitoléico.Bacillus subtilis. 1991). quercetina. 1994).. tocoferol e outros. flavonóides e triterpenos em suas folhas. 1991. Muroi & . Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. Himegima & Kubo. Do extrato etanólico de folhas e caule de S.. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas.. oléico. 1994). 1991). ácidos esteárico. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 1993. 1999).. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. -caroteno. Escherichia coli. 2000). 1992).(Guerrero. 1994) e frutos (Augusto et al. tocoferol. denominados geraniina e galoilgeraniina. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. -sitosterol. aminoácidos variados. e raízes (Guerrero.. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. -linolênico. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos.

1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. enquanto o cardol.. occidentale foram avaliados perante a B. 1993). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1984a). 1991). occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. Souza et al.. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. 1993)... Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). 1982). Jurberg et al. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1995).epicatequina Kubo. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. Craveiro et al. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1992. . 1974. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. glabrata. 1994). e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. O extrato hexânico das cascas de A.

1981). França et al. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1).. responsáveis por irritação da pele... 1994). 1991). isolada de A. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus..A epicatequina... 1980) enquanto. 1994). Dos extratos hidroalcoólico.. 1982. Barbosa Filho et al. 1990. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Akinpelu. 2000.. mombin. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1999. 1983).. taninos isolados de S. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. Geraniina e galoilgeraniina. Mota et al. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al.. occidentale. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. antiartrítica.. 1982 e 1985. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. . um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. 1992). além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 2001. Kudi et al. pela presença do cardol (Hoehne. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al.. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. occidentale. 1993). Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. Abo et al. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas.. 1992). Além disso.. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al.. 1990).

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

Spondias purpurea.4 .FIGURA 22. . 1946). Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

Ruta graveolens.6 .FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

1997). C. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. mas alguns arbustos e árvores são des- . de acordo com o sistema de classificação botânica. com aproximadamente 3. denominada também Umbellales.23 Apiales medicinais C. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. Hiruma-Lima L. como Umbelliferae. as quais são descritas a seguir. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. A. Essa família inclui 446 gêneros. Di Stasi A ordem Apiales.

especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas.Saniculoideae).Apioideae). Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Apium com características ruderais. muito comum na Mata Atlântica. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . a Eryngium ekmanii. ascendentes. com raízes fasciculadas. Erva-doce. 1998). Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. Apium. oblongolanceoladas. Cicuta. Daucus (Caucalideae . sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Pimpinella (Erva-doce). Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. No Brasil ocorrem poucos gêneros. onde há amplo uso como medicamento. folhas alternas. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Coriandrum (Coriandreae . dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). assim.Hydrocotyloideae). entre inúmeros outros. fibrosas e caule florífero solitário. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e.critos na família.Apioideae). tais como Cenoura. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. densamente imbricadas. Petroselium (Salsa). Muitas dessas espécies são cultivadas. Coentro. dunas e brejos. Cominho e Salsa. e Hydrocotyle exigua. Apium (gênero do Salsão). optamos por incluir aqui apenas duas delas.

var. na região do Vale do Ribeira. o sumo das folhas frescas. frutos pilosos.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. Esse chá. Hydrocotyle hirsuta Sw. e aix = "cabra". usado topicamente. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. lobadas e pilosas. com flores avermelhadas. referindo-se às fibras do rizoma. é considerado excelente contra dores de cabeça.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. habitando em lugares úmidos. O nome do gênero. diclamídeas e hermafroditas. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. quando preparado em alta concentração. fruto subgloboso (Figura 23. Também é conhecida como Erva-capitão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de Erva-terrestre. com nós. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. dos quais são emitidas raízes.1). O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . espalhadas por diversos continentes. inflorescência em capítulo. cordiformes. semelhantes a barba de cabra. vem de eros = "lã". especialmente em crianças. cíclicas. Eryngium. crenadas. exigua (Urban. torcidas antes de abrir. capítulos esverdeados com flores pequenas. no entanto. de no máximo 1 cm de espessura. folhas pequenas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta.

O extrato aquoso de E. campestre (Erdemeier & Sticher. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. sendo 2. farneseno. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. 1999). creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. ilicifolium (Pinar & Galan. bourgatii (Lam et al. Além de saponinas. 1985). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. foi ainda isolado o falcarindiol em E. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. também encontrados em E. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher.. 1997a). a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. Das folhas de E. acetilenos.. diurético e. elegans (Campos & Garcia. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E.. comarinas e flavonóides. planum (Hiller et al..5-trimetilbenzaldeído. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. emético. 1992). a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. a DL50 por via oral foi de 1. 1980) e E. foetidum L. 1986). em altas doses. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". ..4. 1986). 1986). foram isolados 46 compostos.inclui 130 espécies cosmopolitas. maritimum (Lisciani et al. anetol e alfa-pineno (Pino et al. 1985. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al.. 1984). Hohmann et al.. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. De E.. 1995). e cotyle = "umbigo". sendo majoritários carotol.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 2002).. 1997a). 1997). Glicosídeos foram isolados de E.

lianas. Das inúmeras espécies descritas nessa família.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. e inclui 47 gêneros. epífitas. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. famosa por ter sido usada. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. utilizada como alimento. Australásia e América tropical (Joly. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. no envenenamento do filósofo Sócrates. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. 1998). Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Árvores. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. 1997). subclasse Rosidae. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. da famosa Hera dos parques.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. ambos introduzidos no Brasil. Mackinlaya e Polyscias. Tetrapanax e Aralia. No Brasil ocorrem vários gêneros. Panax. especialmente do gênero Cicuta. arbustos. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. mas raramente ervas. Centro-Oeste e Sul. e centenas de . e Polyscias. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. com aproximadamente 1. segundo a história. especialmente em refogados e saladas. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Tetrapanax. Schefflera. Hedera. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. são encontradas na família. No entanto.

2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. O gênero Polyscias. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. Outras espécies do gênero. fruto indeiscente. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. folhas alternas. refere-se à forma da folhas. com larga bainha na base. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. e acias = "sombra". flores pequenas. variegadas. amplamente cultivada como ornamental. androceu com cinco estames. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. descrito por Johann Forster e Georg Forster. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. Cuia. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. grandes. O nome popular da espécie. usada internamente. Cunha e Cunha-mansa. reunidas em inflorescências axilares. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. sendo também usa- . Cuia. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". Dados botânicos Arvore de pequeno porte. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. ovário ínfero. A espécie não foi completamente identificada. cálice pequeno. pertencente ao gênero Polyscias.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. pela beleza de sua folhagem. globoso.

Proliac et al. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1990. scutellaria (Paphassarang et al. 1994). 2001). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Chaboud et al. 1995.dos como calmante por adultos... foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 1988. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso.. 1991). saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Vo et al. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. Nas folhas de Polyscias sp.. Lutumski & Luan. 1998).. 2002... Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. Nesse estudo.. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. Barilyak & Dugan. 1992). 1989b. 1992. 1992). Fulva (Bedir et al. Glicosídeos oleanólicos. 1989a. 1986). 1989c e 1990) e de P. os autores demonstram que . Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1996.. Em P. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1990). De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al..

. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. A espécie P. associados àqueles referentes a outras da família. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. especialmente a Panax ginseng.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. mostram que essa espécie. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. e de prolactina pela hipofise. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. 2002). filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.1 . Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.Eryngium ekmanii. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . FIGURA 23. assim como outras do gênero Polyscias.

FIGURA 23.2 .Banco de imagens - .Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). A. C. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Di Stasi C. Apocynaceae.24 Gentianales medicinais L. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. apesar de pouco numerosa. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. . Gentianaceae e Asclepiadaceae. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. Genistomaceae. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. demonstram que a ordem Gentianales. Apesar de não referidas no nosso estudo. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias .Strychnaceae. Esses dados. Loganiaceae. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas.

subclasse Asteridae. Paquistão e Tailândia. serpentinina e reserpina. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Joly (1998) destaca. com destaque para ajmalina. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Hancornia. Hancornia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. Vinca. a família possui espécies trepadeiras. Mandevilla.900 espécies tropicais e subtropicais. Inclui espécies arbustivas. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Rauwolfia. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. como os gêneros Allamanda. Java. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. aqueles que incluem espécies arbóreas. além dessas. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Nerium. muito utilizadas ornamentalmente. Allamanda. inclui 165 gêneros. entre as espécies de pequeno porte. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. Tabernaemontana. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Catharanthus. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Nesse contexto. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Strophantus. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. sendo esta última o mais importante. ajmalinina. Aspidosperma. Thevetia. dentre os gêneros. . fornecedores de madeira. arbóreas. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. serpentina. e. os gêneros Mandevilla e Thevetia. 1997). Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. como Aspidosperma. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. herbáceas. com aproximadamente 1. arbusto encontrado na Índia.

segundo Evans (1996). • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. tem sido designada também como Catharanthus roseus. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. vinblastina e vincristina. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. espécies ricas em glicosídeos. Alamanda amarela e Quatro-patacas. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. e Thevetia peruviana. Vinca minor. especialmente a Nerium oleander. • do gênero Nerium. A espécie Vinca rosea. estrofantinidina e cimarina. tais como majdina. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. tais como ouabaína. Dedal-de-dama. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. Wrightia e Aspidosperma. Deve-se destacar. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. Vinca rosea e Catharanthus roseus. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. tanto para os animais como para a espécie humana. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. tais como alstonina. as espécies Strophantus gratus. Himathantus sp. alstonilina. cilastonina e também a reserpina. • do gênero Strophantus. .• do gênero Vinca e Catharanthus. contudo. a saber Allamanda cathartica. as espécies Vinca major. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Orélia. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família.

purgativo e catártico. A folha é considerada excelente catártico. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. axilares e fasciculadas. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. em animais domésticos. emético e purgativo. especialmente cães e macacos. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. folhas simples. contendo poucas sementes (Figura 24. especialmente em crianças. em grande número. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. na forma de funil. sendo a A. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. enquanto a decocção das cascas da planta. com casca rugosa. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. atingindo até 20 m de altura. alternas. . a planta exsuda látex considerado venenoso. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. espessas. fruto do tipo capsular. grandes. com copa estreita e tronco ereto. semilenhoso. com folhas brilhantes. O gênero inclui doze espécies tropicais. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas.1). Ucuuba e Sucuba. usada internamente. glabras e verticiladas. inflorescências com flores amarelas. A infusão das folhas é utilizada como emético. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. é considerada um excelente vermífugo.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. com tubo estreito e longo. Segundo Corrêa (1984). adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. com a mesma indicação.

Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. sendo útil como anti-helmíntico. coriáceas. especialmente em crianças. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. contendo sementes aladas. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. Schum. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. heliófita e secundária. Noz-de-cobra. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. margens inteiras. significando "manto de flor". folhas alternas. alcançando até 10 m de altura. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Coração-de-jesus. ovaladas. frutos geminados em forma de chifres. simples. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). no entanto. linear-lanceoladas. Thevetia peruviana (Pers. glabras em ambas as faces. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. grandes e brancas. com um tronco de casca cinzenta. especialmente no alívio de coceiras. O nome do gênero deriva do grego. 1997).pecioladas. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. todas encontradas na América do Sul (Plumel. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. acumi- . sendo uma planta perenifólia.) K. 1990).

foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. como pulseiras. É uma espécie muito usada como ornamental. 1984). contendo flores grandes. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. contendo sementes duras e grandes. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. amarelas. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. braceletes. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. arbotifaciente. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. 1962). Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. Os usos dessa espécie como purgativo. purgante. além da sua utilização uso em vários países como emético. fruto do tipo drupa carnosa. A casca é considerada amarga e febrífuga. aromáticas. 1997). As sementes da espécie são usadas como inseticida. purgativa e emética e de uso perigoso. carnosas e glabras nas duas faces. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. No Brasil. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. colares. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. triangular. para provocar vômitos. 1985). especialmente do continente africano. O nome do gênero Thevetia. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. com corola em forma de funil. o látex acre é usado para acalmar dores de dente.nadas. em pó. descrito originalmente por Carl Linnaeus. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. revestimento de maracás (Corrêa. bactericida e como veneno para peixes. assim como outros inúmeros usos de várias par- . O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. a amêndoa. 1984).

escopoletina.. As sementes de Thevetia peruviana. kaempferol. thevetioides (Perez-Amador et al. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao.. schottii.. acetato de lupeol. 1993).1997. ruvosídeo e neriifolina. blanchetii (Ganapaty et al. Kupchan et al. são ricas em um glicosídeo a tevetina. 1986). além de 13-O-acetil plumierida. e de suas flores. Dados químicos dos gêneros Allamanda.. medioresinol. 1962. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. ácido ferúlico e ácido gentísico. ovata e T. 1996).. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. 1995c e 1995a).. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina..-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. -sitosterol. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. 1974). escoparona. a alanerosida. tevetina B. 1988).-hidroxipinoresinol e 9. Foram isolados de A. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. 1984). Corrêa. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. quercetina. Tewtrakul et al. neriifolia os compostos 9. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides.-O. alamandina. canogenina. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. rutina e os iridóides plumierida. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. O isolamento de diosgenina. -amirina.-hidroximedioresinol. 2002). 1996... Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. plumierida. . tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. 1989). tais como de T. foram isolados do caule isoplumericina. 1988). flavonóides.Kader et al. assim como de outras espécies do gênero. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. além de lignanas como pinoresinol. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1992b. De outras espécies do gênero Allamanda. plumericina. 1988). como a A. 1992a e 1994). 1985). -sitosterol. perivosídeo. também chamado tevetina A.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke.

.. Da mesma forma.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. Triterpenos como ácido olianólico. Iridóides também foram isolados de H. obovatus (Vilegas et al. Guerrero. taninos. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. Das folhas de T. triterpenóides (Wood et al. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1992) e em T. 1996). (1990) e Beauregard Cruz et al.... phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. Ali et al. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. taninos e saponinas. Da espécie H. 1991). Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. esteárico e palmítico. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. taninos e saponinas (Gupta. 1982). (1986). De acordo com Obasi et al. ácido metilperlatólico (Endo et al. esteárico.. 1993). enquanto as cascas possuem alcalóides.. follax (Abdel-Kader et al.. 1978). Foram descritos os ácidos mirístico. linolênico. 1992) e H. behênico e erúcico. alcalóides. triterpenos e saponinas.. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al.. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. ursólico. neriifolia (Dinda&Saha. 1990). linoléico. cáprico. e as raízes. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . linoléico. 2000). oléico.. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. esperolactonas. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. 1998). o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. 1995. flavonóides. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. 1994. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. glicosídeos cardiotônicos. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A..

produziu atividades espasmogênica. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 1984. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino.. bexiga.. Moraes et al.. . A neriifolina.. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.. 1997). 1994). De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. Peruvosídeo e neriifolina. 1990). conhecida popularmente como orélia. blanchetii (Melo et al. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1962). 1994) antifúngico (Tiwari et al. 2002) e antiofídico (Otero et al.. 1982a e 1982b. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. anti-hipertensora (Socorro & Thomas.. isolada dessa espécie. 1981). além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina.. antimicrobiana (Neto et al. 1991). componentes principais da espécie Thevetia peruviana. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii... 2002). cathartica e A. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. Obasi & Igboechi. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1935). 1933). atóxica e cicatrizante (Villegas et al.. 1992). 1989). 1990.. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos.camundongos. Moreira et al. 1945 e 1947).. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. 2000). violacea (Lima & Caldas. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico.

1996). 2000. 1999. Frerejacque. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares.. 2000). gatos. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. efeitos tóxicos também são similares. No entanto. Singh & Singh. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 1958. Eddleston et al. respectivamente. e estudos recen- . Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. para bovinos (Tokarnia et al. Oji et al. peixes e outros animais (Chopra et al. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos.. Nerium oleander. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Saraswat et al. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. 1996). 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al..700 mg/kg é dose letal. 1996). 1933). 1992). nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al.. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al.. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 1993). cobaias. Maringhini et al. 0. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente.4g/kg.. e Thevetia peruviana e T. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos... Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996)..5 g/ kg e 14. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 1933.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. 1996. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. 2002.

Observações Várias espécies dessa família. ou seja. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. Dessa forma. os quais ainda não foram estudados. 1991). inibição da Na+. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. Deve-se salientar. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Da mesma forma. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. 1996). no entanto. dada a riqueza química da família. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. incluindo o homem. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander.K+-ATPase.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. De todo modo. . visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora.

1997). Oxypetalum e Calostigma. Espécies medicinais Fischeria cf. Oxypetalum. herbáceas e raramente arbustos e árvores. Inclui lianas. sobretudo para animais. mariana. subclasse Asteriddae. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . e algumas de grande valor medicinal. e inclui 315 gêneros. Fischeria. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. especialmente por seus efeitos tóxicos. trepadeiras. 1986). No Brasil. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. descrita a seguir. Tylophora e Calotropis. . sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo.Asclepias. com aproximadamente 2. mariana Dcne. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. tais como Asclepias curassavica. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas.

1979). curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff.225 espécies cos- . com ramos pubescentes. com lacínios conspicuamente crispados. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. foi realizado experimento de toxicidade. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). flores pentâmeras. especialmente a febre. androceu modificado. opostas. E. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. diclamídeas. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. corola gamopétala. membranosas. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. com pecíolos pubescentes.. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. inclui aproximadamente 78 gêneros. nos quais se distribuem 1. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. L. hermafroditas e de simetria radial. fruto unilocular. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. de onde saem as folhas simples. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. sementes comosas.2).Dados botânicos Espécie de pequeno porte. von Fischer. com testa verrucosa (Figura 24.

O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. amenorréia e como vermífugo. e outras são usadas como ornamentais. sendo várias delas medicinais. 1978). Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro.mopolitas. Lisianthus e Coutoubea. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. 1998). mas também inúmeras espécies tropicais. fruto capsular. F. flores brancas grandes e muito vistosas. Puruvá e Cutúbea. com caule ereto de muitos ramos. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. na região amazônica. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. folhas opostas e sésseis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1997). Dados botânicos É uma planta anual. Nomes populares A espécie é chamada. desordens estomacais. também sésseis. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. subtropicais e de clima temperado. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. dispostas em espigas simples terminais. . Voyria. reunidas em verticilos. a decocção das raízes é usada contra febre. de Carne-seca. especialmente do gênero Dejanira. amplexicaules e grandes. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. Dejanira. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl.

1979). estudos de toxicidade. . hipotermia. lianas e ervas (Mabberley. destacamos apenas os principais: Spigelia. incluindo tanto árvores como arbustos. Mas a C. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. diminuição da atividade motora e dores abdominais. quando ingerida dentro de 24 horas. e morte. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. diminuição da atividade do rúmen. 1984). anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. dentre eles. e Strychnos. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. da famosa Strychnos nux vomica. um dos encontrados no Brasil. 1997). Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. Porém. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. taquicardia. onde é cultivado como ornamental. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. tônico. polipnéia. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae).. febrífugo. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia.

porém de S. 1978). No levantamento realizado. Nomes populares Na Mata Atlântica. 2002). as plantas com propriedades narcóticas. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. antigamente. A planta recebe esse nome por possuir. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero designava. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. Noz-vômica e Quina-de-cipó. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. 2001). Segundo Corrêa (1984). . Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. que se refere à presença de mais de 190 espécies. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. nux-vomica (Shoba & Thomas. glabras. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. fruto do tipo baga globosa. nós na forma de uma cruz. folhas opostas e ovais. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. a maioria na Amazônia (Barrozo. em seus cipós.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil.. flores amarelas em grande abundância. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. também constatado para a espécie S. coriáceas e trinervadas. a planta é narcótica e venenosa.

. 2001). 1995). icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. 2001). FIGURA 24. S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. panganesis (Nuzillard et al. guianesis (Penelle et al..A S. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - ).. Quetin-Lecrerq et al. myrtoides (Martin et al. 1996). Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.. 2000). S. 1996). 1998) e S.. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. . mellodora (Brandt et al. Das raízes de S.1 . 2000.Allamanda cathartica... usambarensis (Frederich et al. 1999).. 1996).. S.. Rafatro et al. 2000 e 2001.

FIGURA 24.Fischeria cf. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .2 . laniflora Dcne.

algumas vezes parasitas. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. incluindo plantas herbáceas. arbus- . das quais alguns exemplos são aqui referidos. C. ervas. N. Gonzalez L. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Di Stasi F. Solanaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Seito C. lianas. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos.600 espécies. A. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Convolvulaceae. G.25 Solanales medicinais L.

Possuem inúmeras variedades. A planta também é conhecida. a espécie é cultivada e consumida como alimento. para infecções da boca. gengivite e dores de dente. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. raízes tuberosas. rosas ou arroxeadas. flores brancas. internamente. em gargarejos. Nomes populares A espécie é chamada. ainda que raramente. 1997). Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. pecioladas. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. axilares e fruto capsular. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais.tos e raramente árvores (Mabberley. Na região da Mata Atlântica. delicadas e amplamente consumidas como alimento. de Batata-doce. como Batata-da-terra. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. cordiformes. geralmente lobadas. que são cultivadas com fins comerciais. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. com folhas alternas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. suculentas. Ipomoea batatas. . Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. aqui também descrita como medicinal.

acetil-b-amirina. folhas alternas. purpurea e /.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. enquanto as folhas são detergentes. sinensis.. cairica. Goda et al.. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. ácido caféico e quercetina (Tan et al. 1996). 1996). como é o caso de I. glabra. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). fruto capsular ovóide. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al.. De . e de homoios = "semelhante". b-sitosterol. 1986). batatas Lam.. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. coptica. 2000. 1996. carnea. purpurea e I. Muitas espécies são medicinais. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. com caules bastante entrelaçados. 1995). 1. I. I. com cinco lobos arredondados. Alba. friedelina. muitas delas amplamente cultivadas. flavonóides (Zhou. tubérculos ou arbustos. anti-reumáticas e laxativas. I. de 5 a 18 cm de comprimento. de cor vermelhoviva ou rosa. pinatipartidas e pecioladas. I. como é o caso de /. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". É também chamada de Boa-tarde e Primavera. comparando-se as plantas deste gênero. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. cairica. Dados químicos do gênero Da espécie I. sendo várias ervas. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. I. hederifolia. oblongata. Delgado et al.

1996). 1990). é medido por mecanismos colinérgicos.. regnellii e I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. também encontrados em I. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1988). 1997). 1987). alta concentração de cálcio e potássio. De I. Das partes aéreas de I. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. reticulata (Mann et al.. quando administradas a cabras. Diversos flavonóides foram isolados de I.. 1987). purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. 1996).. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou.. De Lima & Braz-Filho. As folhas de I. 1996 e 1997).7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. 1996).I. Das sementes de I. hardwickii (Liu et al. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. 1999). carnea Jacq. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I.. carnea. Das raízes de I. operculinas I-VIII ácido operculínico A. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda.. matairesinol e trachelogenina. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al.. 1999a. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. as lignanas arctigenina. e das flores de I. 1997). 1997). os flavonóides 4'. cornea. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. arctiina e matairesinosídeo. Das sementes de I. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I.. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. 1997). Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. adrenérgicos e . lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.. (Sharma & Shukla. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. 1989). 1986). e também dibenzil-g-butirolactona.

1993) e tóxica (Melo Diniz et al...não-colinérgicos (Hore et al.. encontram-se árvores. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . pescapae (Madeira et al. Os extratos aquosos. 1991). 1998). Foram isolados de I. stans três tetrassacarídeos.. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. 2000). O extrato diclorometano de I. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. 1998a e 1998b). 1995). 1996). muitos destes com grande ocorrência no Brasil. A I. 1992)... Entre estes. 1990). no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta.. com 2. 1998). conhecida popularmente como salsa-da-praia. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1996). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. 1994). lianas e ervas (Mabberley. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. dos quais 25 são endêmicos. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. depressão. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1996).950 espécies subcosmopolitas. As sementes de Ipomoea ssp. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al.. arbustos... Foram observadas também anorexia. 1997). O efeito tóxico foi observado no cérebro. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul.. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. 1997). espasmolítica (Medeiros et al.

e Solanum. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. . constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. Managá-caa. da famosa espécie Nicotiana tabacum. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Em outras regiões. Manacá-açu e Jeratacaca. com inúmeros representantes no Brasil. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. da famosa Datura stramonium. ainda do ponto de vista comercial e social. Nos estudos realizados. do famoso Tomate. de onde se isolou. Gambá. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. entre outros inúmeros compostos. Brunsfelsia. Datura. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. • Cestroideae. como Juá-bravo. tanto do ponto de vista farmacológico. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Don. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. fonte de nicotina. Physalis. Fumobravo. descrito posteriormente. a capsaicina. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente.• Solanoideae. Lycopersicum. especialmente na espécie Hyosciamus niger. Cuvitinga e outras espécies. importante ferramenta farmacológica e. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Nomes populares Na região amazônica. dessa subfamília. pelos nomes de Manacá-da-serra.

Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. androceu com cinco estames. referindo-se à forma do fruto. agudas. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. especialmente na Amazônia. Joá-de-capote. Mulaca. caule verde. Mata-fome.1). glabra. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. Nomes populares A espécie é chamada. pentâmeras. ereto e crasso. longo-pecioladas. flores dispostas em cimeiras. súpero. com anteras azuladas. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Physalis angulata L. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. hermafroditas. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O chá preparado com raiz de . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Juá-de-capote. sem estipulas. de Camapu. diclamídeas. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Joá.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. fruto esverdeado do tipo baga. na região amazônica. semente rufescente (Figura 25. flores amarelas. bolha". usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. possui. folhas inteiras. pequenas. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. ovário bicarpelar. Dados botânicos Erva com muitos ramos. bilocular. Bolsa mulaca. folhas elípticas e acuminadas. muito ramificado.

Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. vômito. no Pará. 1984) e a raiz.. em Minas Gerais. hepatite e reumatismo (Forero. Rutter. diuréticos e resolutivos (Corrêa. contra inflamações.. os frutos são desobstruentes. contra vermes. e suas folhas têm uso diurético. malária. 1974-1975). As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. No Brasil. 1990). 1995). 1980). problemas hepáticos. Solanum paniculatum L. da Amazônia brasileira. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa.camapu misturada com raiz de açaí. dermatites e doenças de pele. No Peru. 1990). A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. Juripeba. na Paraíba. bem como no combate a febre. problemas hepáticos. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. 1994). jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. Juuna e Juvena. Jubeba. 1993). a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. 1980. renais e de vesícula biliar (De Almeida. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. interna e externamente. contra icterícias (Schultes & Raffauf. a infusão da sua raiz. 1980). 1982). o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. 1984). . Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. 1998). outros. para tratar hepatite. útil contra reumatismo.

flores brancas. de caule alado. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. brancos ou amarelados. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. lilás ou roxas. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. ereta. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. folhas alternas. Solanum tuberosum L. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. especialmente contra lombrigas. flores em umbela. muitas delas de grande valor econômico. muito parecidas com as da Batata-inglesa. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. es- . dispostas em racemos.700 espécies subcosmopolitas. sendo úteis contra icterícia. de onde é obtida pelos habitantes locais. todas cultivadas. sinuosas e acuminadas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). desiguais. hepatite e febres intermitentes. fruto do tipo baga globosa. alívio". além de ser indicada contra problemas do estômago. Inclui inúmeras variedades. fruto do tipo baga redonda. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. carnosos.

P. ixocarpa (Abdullaev et al. 1991). Itoh et al. alcoóis e ésteres.. uniflora constituem rica fonte de óleo (30.. 1987). peruviana (Sahai & Ray.. Sinha et al. Já da casca da raiz de B. P. 1979a. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. De B.. 1985. Eguchi et al.5%). 1987. minima (Mulchandani et al. Do gênero Physalis. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). 1977a). 1986). 1986). Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. 1987. 1977 e 1978). hidrocarbonetos.5%). ácido oléico (11. 1988. 1986). P peruviana (Gottlieb et al. alkekengi (Kawai et al.. Alcalóides foram isolados de P.. angulata (Row et al. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1985). Na região.. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. aldeídos. grandiflora. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. nitida.. com ciclopropenóides. cetonas. 1977).. Glotter et al. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al.. P pubescens (Reddy et al. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. 1996). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. obtido de suas partes aéreas. As sementes de B. 1981). P viscosa (Maslennikova et al. ácido palmítico (7. Vasina et al. espécie de origem cubana.. 1980) e P.52%) (Maestri & Guzman.8%). 1986. 1995).. principalmente.. Gottlieb et al. dos quais foram caracterizados.. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. No óleo das sementes de B.25%) e ácido ricinoléico (0. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P.. 1980. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. identificou a presença de 122 compostos. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. 1994). 1980. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Oshima . Frolow et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al..pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação..

A administração oral de B. aianinas. vitangulatina A. 1990). 1992a.. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. 1990. 1990. Spainhour et al. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. fisangulídeo.. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. australis (McBarron & de Sarem. 1989.. artrites. 1977). com extratos da raiz de B. 2001). febre e picadas de cobra. ácido clorogênico. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. 1967a e 1967b). De P. além de alcalóides. glicosídeos. Vasina et al. Neilson & Burren.. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida... 1989. 1975. 1987. 1987 e 1990. pauciflora e B. 1990).. 1988). vitaminimina. 1990).. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo... 1993. flavonóides (Ser. figrina. 1986). Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B.et al.. Dinan et al. minima var. calcyina var. 1988). De P. 1986. Chen et al. Shingu et al. B. neoclorogenina. floribunda. 1992). revelou atividade depressora do SNC. fisalina B e quercetina (Gupta et al. beta-sitosterol. O extrato aquoso de B.. vamonolídeo. Moiseeva et al. 1997).... Banton et al.. flavonóides (Ismail & Alan. 1983. B. Chen et al. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. bronquites. acetil colina... uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al.. enquanto das folhas de P. 1987). 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al.. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. indica foram isolados vitasteróides. Uma triagem hipocrática em ratos. fisagulina A e K. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. Oliveira et al. 1991). 1987b. . uniflora. angulata foram isolados ainda vitasteróides. hopeana. além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1988 e 1989). Ripperger et al. bonodora. vitagulatina A. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. Já da raiz de B. 1968. utilizada para picadas de cobra. 1992b e 1992c). 1997.

et al. entre outras (Lin et al. Haussmann et al. 2002. 1997. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. 1998b). et al. embora outros sinais também tenham sido verificados.. citotóxica. 1987).. quando ingeridas em dose única ou repetida. incluindo leucemias.. 1989).. V. 1998. etanólicos e esteroidal mostraram. V. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. V. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. in vitro e in vivo. imunoestimulante (Carvalho. antileucêmica. 1998.Para a Physalis angulata. aos esteóides. e a atividade imunoestimulante. 1992a e 1992b). V. Silva. antigonorréica.. 1988). et al. moluscicida (Almeida & Fonteles. 1998) e antineoplásica (Carvalho. anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1998). et al. 1998). Nos frutos de P. et al. et al.. 1998). et al. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. 1998). isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. Carvalho.. M. 1998.. 1998). Soares et al. 1998). 1995. 1990). M. aqui descrita. O estudo dos vitanolídeos de P.. Das folhas de P. Os extratos aquosos. imunomoduladora (Rosas et al. 1993. diurética. M. niruri e P. 1987). G. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. antiviral (Otake et al. como movimento .. anticolinérgica (Fonteles et al.. M.. T. antimutagênica. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. et al. V.. V. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. P.. melanomas. 1991. M. 1992a e 1992b). peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. 1990).... M.. M. Barbi et al. entre outras. Kusumoto et al. Kurokawa et al. antibacteriana (Hussain et al. antiespasmódica.. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro.. 1997. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. M. Pietro et al. tripanossomicida (Barbi et al. antiasmática... Ribeiro et al. alcoólicos. anti-séptica. 2000)... constataram-se atividades hipotensora. Chiang et al. 1992. I..

1991). irritabilidade.Physalis angulata. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . salivação. Além disso.Banco de imagens - . estiramento e contração das patas traseiras. FIGURA 25. falta de apetite. perda de peso. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al.de mastigação. às vezes levando-o ao chão. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.1 .

Amazônia e Mata Atlântica. das quais se destacam as Boraginaceae. Nas regiões de estudo.26 Lamiales medicinais L. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. 1997). as quais serão discutidas a seguir. Santos C. com aproximadamente 2. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. freqüentemente . Di Stasi E. espalhadas por todo o planeta. M. A família inclui árvores. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). apesar de incluir apenas oito famílias.300 espécies (Mabberley. Guimarães C. C. arbustos. M. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. A. inclui 130 gêneros distintos. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae).

Nomes populares A espécie é chamada. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). sendo raramente encontrada no interior de matas. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. lanceoladas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. • Heliotropium (Heliotropioideae). densa.herbáceas e raramente lianas. 1998). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. É uma planta heliófita e higrófita. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. • Cynoglossum. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. inflorescência espigosa. de Ervabaleeira. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. agudas. pubescentes na face inferior. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. . referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. um dos gêneros mais comuns no Brasil. Borago e Symphytum (Boraginoideae). de onde saem folhas sésseis. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal.1). com até 12 cm de comprimento. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. muito ramificado. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. formando grandes populações em áreas litorâneas.

Jamacanga e Jacuacanga. estomatites. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. glabro ou pubescente. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. anginas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária.Heliotropium indicum L. incluindo úlceras. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. e seu suco é de alto valor contra aftas. Segundo Corrêa (1984). Aguaraquiunha. e as espécies H. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. e trepein = "mudar". abcessos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0.5 a 1 m de altura. faringites. com flores brancas ou azuis. Crista-de-galo. furúnculos e também contra queimaduras. moléstias cutâneas e feridas. . É uma planta anual. ovadas ou cordiformes e acuminadas. com ramos lisos e glabros. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. Na medicina tradicional salvadorenha. 1994). folhas pecioladas. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". europaeum são reconhecidamente medicinais. amplexicaule e H. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". fruto formado como uma mitra. dispostas em espigas solitárias. tubulosas. com dispersão regiões tropicais e temperadas. alternas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. inflorescência curvada. de flores brancas.

1996). a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. acuminadas no ápice. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. Língua-de-vaca. Sonsólida. enquanto as raízes. dispostas radialmente. distúrbios estomacais. caule curto e ramoso. Nomes populares A espécie é chamada..Symphytum officinale L. Consolda maior. lasiocarpina. fruto com quatro aquênios lisos. Orelha-de-vaca etc. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. taninos e triterpenos. com folhas ovadas ou oblongas. ásperas e onduladas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. De H. inflamação e dores de barriga. de Confrei. flores grandes. Outros nomes são Consolda. tubulosas. 1994). com porte herbáceo e raízes fasciculadas. amarelas ou rosas. Das partes aéreas de H. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. vistosas. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. além de alcalóides e taninos. lupeol. como beta-sitosterol. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. europina. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. 1986). A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Erva-do-cardeal. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. . lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit.

H. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. heliotrina. curassavicum var.. rotundifolium (europina. 1995) e H.. coromandalina. H. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . coromandalinina. heliotrina. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. 1986). arborescens (Bourauel et al. subulatum (Malik & Rahman. 1991). supinina e europina (Rizk et al. licopsamina amabilina. e heliotropina de H. lasiocarpum (Akramov. 1988). heliotrina e lasiocarpina (Guner. 1987). circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. 1988). em menor quantidade. 1989). Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero.. europina e supinina em H. keralense (isolicopsamina. esfandiarii (Yassa et al. 1995).. H. echinatina. curassavina..de H. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. bursiferum (Marquina et al. Reina et al. (1989). 1995b).. heliotrina e lasiocarpina e. 1988. 1988). 1988).De H. europina. hirsutissimum (Guner et al. heleurina. em H. heliotrina e lasiocarpina de H. 1996). 1990). destacando-se compostos fenólicos em H. 1994). dasycarpum (Rakhimova & Shakirov.. (1990).a heliospatina e o heliospatulina ... em que se . Farrag et al. curassavinina. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heliovicina. H. bovei. H. 1988).. intermedina e retronecina) por Ravi et al. Das partes aéreas de H. curassavicum (Davicino et al. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1996). 1995b.. H. argentinum e var. spathulatum (Roeder et al. H. stenophyllum. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heleurina.

A H. Os flavonóides ayanina. 1996). De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1990). 1994 e 1996). derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al.. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C.. Do exsudato resinoso de H.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. alliodora (Ioset et al. 2001) e de C. tais como ácido rosmarínico. sakuranetina foram isolados da resina de H.descreveram os constituintes galangina... bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. chenopodiaceum. myxa. As propriedades antifúngicos. 2002). 7. 1996). stenophyllum (Villarroel & Urzua. filifolium (Urzua et al. curassavica (Ioset et al. 1996).. C. Os constituintes fenólicos denominados galangina. 1995. bacciferum (Miralles et al. 1989) e esteróis e quinonas em H. Sertie et al. 2001). pinocembrina.. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. 7-O-metileriodictiol. De H. verbenacea.. C. pinocembrina.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 2000a) e C. dentre outras espécies (Ficarra et al. linnaei (Ioset et al. ovalifolium (Guntern et al. 3-0-metilgalangina. solicifolia (Hayashi et al.. 2000b)... 1987). enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg.. De H. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. pinobanksina-3-acetato. filifolium também foram isolados. 2001). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. 1991 e 1988. pinocembrina. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al.. 1990). 2001).. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. C. do exsudato.. 1990). hesperetina. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al.3'-dimetileriodictiol. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . 1998). Al Awadi et al.

1992). subtilis como o extrato bruto de H. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros.. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H.. 1987). Dados toxicológicos A espécie. Jain et al. 2002. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. ellipticum e H. Alcalóides isolados de H.700 espécies.. infusão ou chás por via oral. porcos e aves (Gaul et al. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . Das partes aéreas de H.. 1997).. também denominada Labiatae. argentinum apresentam genotoxicidade. Singh et al. nos quais se distribuem 6. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.paz de inibir efetivamente o B. 1995). 2001). De H. bursiferum (Marouina et al. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. 1989). Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. Eroksuz et al. Portanto.. é potencialmente tóxica. assim como todo o gênero Heliotropium. 1994. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. 1987. europaeum e H. 2001a e 2001b).

crenadas. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Leucas e Sideritis. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. . pois são usadas como condimentos. bilabiado. Lamioideae: Leonotis. Thymus. Rosmarinus. folhas pecioladas. Salva-do-campo. flores dispostas em capítulos pedunculados. Nepetoideae: Hyssopus. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Scutellarioideae: Scutellaria. pubescentes.2). Ajugoideae: Ajuga. oposto-decussadas. do ponto de vista medicinal. Pogostemonoideae: Pogostemon. ex Benth. 1997). Malva. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Mentha. Satureja. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. com cálice tubuloso. Salvia. Salva. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Origanum. especialmente americanas. Teucrioideae: Teucrium. alimentos. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Trata-se de uma importante família. obovais. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Hyptis e Plectranthus. rígidas. com haste suculenta. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. corola com tubo infundibuliforme.(Mabberley. Melissa. Ocimum. Lavandula.

recebe o mesmo nome. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. e inclui apenas quinze espécies tropicais. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. sudoríficos.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. na região amazônica e em quase todo o Brasil. antigripal. Dados botânicos Erva anual. com caule quadrangular aveludado e pubescente. Na região da Mata Atlântica. a decocção das folhas é usada contra malária. flores pediceladas com quatro estames. Nomes populares A espécie é chamada. cólicas menstruais e problemas digestivos. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. flores dispostas em racemos densos e verticelados. icterícia. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. ovadas e subcordiformes na base.3). a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. Na Mata Atlântica. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. . anti-reumático e contra cólicas menstruais. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. de constipações e artrites (Van den Berg. e a infusão da planta toda. 1982). mas não foi completamente identificada. de Rubim. Leonotis nepetaefolia Hort. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". por causa do lábio superior da corola grande e ereto. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. de até 2 m de altura. emenagogos. para regular a menstruação. um pouco lenhosa. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. diarréia. folhas opostas.

uma xícara por dia. cálice bilabiado. a planta florida é usada na fraqueza geral. Br.. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. corola bilabiada. flores sésseis. facilitando a expectoração. de caule ereto. com lábio superior 1-2 . Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos Planta anual. febrífuga e diurética. 1982. A planta é também considerada antiespasmódica. antiasmática. distúrbios do estômago. ramos quadrangulares. como Cordão-de-frade. nas inflamações broncopulmonares. útil contra úlceras. dores gerais. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. na Mata Atlântica. pubescentes nas duas faces e membranosas. Grandi & Siqueira. internamente. ramoso e pubescente. hipotensão. Leucas martinicensis R.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovadas ou oblongolanceoladas. duas vezes ao dia. no Rio Grande do Sul. no Mato Grosso. 1984). reumatismo. folhas pecioladas. 1986). pilosos e sulcados. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. em Minas Gerais (Verardo. 1980). durante dois dias. brancas. especialmente de barriga e. raramente arredondadas. 1982). com cinco segmentos acuminados. no Ceará (Matos et al. a infusão das folhas é usada. sendo ainda indicada contra úlceras. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. 1982). o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos.. contra gripes. herbáceo. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. como abortivo e antitérmico (Simões et al. é utilizado como anti-reumático. externamente. desiguais entre si. o chá de toda a planta. como cicatrizante. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. antireumática.

Hortelã-das-cozinhas. agudas.lobado e o inferior 1-3 lobado. ramos eretos e opostos. de porte herbáceo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diclamídeas. significa "branco". com raiz fibrosa e caule ereto. flores violáceas. dela. 1984). enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. bilabiada. O nome do gênero Leucas. Na região do Vale do Ribeira. piperita é um híbrido de M. o macerado das folhas em água. externamente. numerosas. viridis e M. corola gamopétala. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais.4). topicamente. fruto do tipo aquênio (Figura 26. folhas opostas. decussadas. planas. serrilhadas. é usado sobre gargantas inflamadas. antiespasmódico e contra nevralgias. hermafroditas. filha de Cocylus. . as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. contra dores musculares e reumatismo. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. ramoso. apenas de Hortelã. Dados botânicos A espécie M. difere da M. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. descrito por Robert Brown. um pouco pubescentes. e seu cozimento é indicado como antireumático. referindo-se à cor das flores. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. contra tumores. na Mata Atlântica.5). os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. pouco aveludada. A planta também é utilizada como tônico. curto-pecioladas. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. nome recebido em todo o Brasil. aquatica. na forma de gargarejo. zigomorfas. pentâmeras. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. Menta e Hortelã-verdadeira. formando espigas no ápice dos ramos.

A M. 1984). dismenorréias e verminoses. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. vômitos. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. tremores. problemas cutâneos. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. a infusão das folhas. em 1990. na região amazônica. digestivas. em Brasília. cólicas abdominais e tétano. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. . Contudo. estimulantes. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais.. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. estomáquicas. musculares. Hortelã-da-preta. Hortelã-pequena. calmante. timpanite. sendo indicada contra flatulências. dores de cabeça. Nomes populares A espécie é chamada. três vezes ao dia. 1986). é utilizada internamente em distúrbios digestivos. é indicada contra dores de estômago em crianças. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). Mentha viridis L. de estômago. de Hortelã-verde. eólicas uterinas. 1991). enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. estimulante do fluxo biliar. 1980).Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1982) e como anti-séptico. Hortelã-graúda. carminativas. bronquite e tosses. garganta e dentes (Simões et al. no Rio Grande do Sul. diarréia. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. antiespasmódicas. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. catarros de mucosas. dor de barriga. 1986). Hortelã-comum. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. Na região da Mata Atlântica. anti-reumático e contra insônia. vômitos e cólera (Matos & Das Graças.

opostas. bronquite e gripe. gripes. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. ovadolanceoladas. pecioladas. . os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. dores de barriga e pedras nos rins. flores rosas ou violeta-claras. caule ereto. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. dores de estômago e "quebranto". assim como em todo o Brasil. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. com folhas pequenas. especialmente lombriga. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Na região do Vale do Ribeira. tosses. cólicas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. ramos eretos. em verticilos aproximados. folhas subsésseis. serrilhadas. bastante pilosa e com aroma forte. Mentha pulegium L. além de ser considerada útil contra febres. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. corola e cálice campanulado (Figura 26. ameba e giárdia. cilíndrica e frouxa. garganta e estômago. ovais ou oblongas.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. ascendentes. Também é conhecida como Poejo-das-hortas.6). seu decocto é considerado útil contra tosse. denticuladas. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. glabras. inflorescência do tipo espiga. bronquites. tétano.

aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Em outras regiões. Alfavacona. diurética e útil contra resfriados. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Ocimum. estomáquica. Alfavaca-cheirosa. de Alfava. diarréias e disenterias. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. pequenas e finas. glabras. estimulante. com até 50 cm de altura ou maior. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Alfavaca-do-campo. significa "perfumada". Alfavaquinha. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão.Ocimum basilicum L. peitoral. com ramos tetrágonos e pubescentes. Ocimum canum Sims. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. dentadas. ovadas. assim como em todo o Brasil. Em outras regiões. diaforética. especialmente de ocorrência na África. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. de onde partem folhas opostas. referindo-se à planta toda. flores brancas ou rosas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. entre outros. Alfavaca-de-cheiro. descrito por Carl Linnaeus. O nome do gênero. Dados botânicos A planta é uma erva anual. de caule ramoso. . é conhecida como Remédio-de-vaqueiro.

carminativa. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. denteadas. de onde partem folhas ovais. pubescentes. flores vermelhas. dispnéia e reumatismo. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. flores roxas ou. verdes e finas. verticiladas e dispostas em racemos. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. além de excelente na cura da coqueluche. diaforética. pubescentes. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. glabras. amarelo-esverdeadas. é usada contra febres. dores de cabeça e bronquites. além de diurética. raramente. béquica. rins e uretra. tosses e desordens uterinas e renais. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. As folhas cruas também são empregadas como condimento.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. tosses. enquanto a infusão das partes aéreas. a espécie é chamada de Alfavaca. dispostas em racemos paniculados. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. fruto do tipo capsulas. A planta toda é bastante aromática. de ramos quadrangulares. glabros e eretos. ovadolanceoladas. A decocção das raízes . Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. serradas. contendo folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.

ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dores de cabeça e febres. folhas pecioladas. núculas negras e lisas (Figura 26. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. As folhas são ainda muito usadas como condimento. androceu com estames inclusos. distúrbios do estômago. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. congestão nasal e dor de cabeça. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. . Alfavacão. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. problemas nervosos. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. gineceu com ovário ovóide. dores de cabeça e como sedativo para crianças. carminativa. agudas. como Manjericão. membranosas. pequenas. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. glomerulada. ovaladas. Ocimum micranthum Willd. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. margem irregular. sudorífica. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande.7). Alfavaca-do-campo. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. inflorescência racemosa. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. e na Mata Atlântica. gripe e catarro no peito.é usada contra diarréias. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. diurética e útil contra tosses.

1988). de onde partem folhas ovais. formando uma espiga terminal. a infusão das folhas é usada contra infecções. dores de cabeça e tosse. Patchuli ou Patchouli. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. de base arredondada e margem denteada. as folhas são consideradas úteis contra gripes. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. pilosa. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. no Pará (Amorozo & Gély. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. 1984). além de a espécie ser utilizada também como condimento. com até 50 cm de altura. . Origanum vulgare L. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. com ramos ascendentes. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. no Mato Grosso (Van den Berg. tosses e bronquites. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Pogostemon patchouly Pellet. vilosas. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses.Na região da Mata Atlântica. dispostas em panículas. 1980). flores em glomérulos.

1991). Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. flores diclamídeas. com espigas compostas. Azevedo et al. predominantemente de sesquitepenos. sendo mais comuns o beta-cariofileno. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. fruto seco (Figura 26. como beta- .. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. bilocular. 1990).Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. O nome do gênero Pogostemon. suaveolens possui setenta componentes. bicarpelar. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. significa "estames barbados". alfa-bergamoteno. Das folhas de H.. androceu com estames excertos. pentâmeras. dos quais 32 foram identificados. hermafroditas. O óleo essencial das partes aéreas de H. porém. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. terpinen-4-ol. 1988. com dois óvulos em cada lóculo. 1990). (1982). suaveolens apresentou altas concentrações de 1. cruzadas. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%)..8). descrito por Desf. sedativo e hipotensor. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica.8-cineol. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. 2001 e 2002). 1. flores em glomérulos. três formando um lábio aberto. Existem. suaveolens por Misra et al.. corola com quatro lobos. Uma outra análise do óleo essencial de H. Triterpenóides foram isolados de H. ovário supero.

1988). 1990b). Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica.. 1989). ácido ursólico. Das partes aéreas de H. beta-cariofileno. (1978) e Blounietal..elemeno. 1987a). e de H. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. salzmanii foram isolados diterpenos. 1990). (1980). urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. umbrosa. uma outra análise do óleo de H. . pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. De H. 1987). gama-terpineno. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al.. timol. ácido n-octacosanóico. ácido oleanólico acetato. 1990). 1991). nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. 1990). quercetina. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. sendo p-cimeno. campesterol.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1990) e de H. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L... triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Porém. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. 1988). Metil betulinato. 1996). 1988). Das folhas de H. mutabilis foram isolados triterpenos. e de L. lignanas e flavononas (Messana et al. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak.. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo..6... albida foram isoladas triterpenolactonas. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. Em H. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1988). De H. 4. Das raízes de L.

1996). hidroxiprolina. glicina. brassicasterol. officinalis. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. 1979). Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil.07%) e mentano (11.3'.. lisina.. 1986). O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis.. treonina.80%). T. Das partes aéreas de L. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al.84%). enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. 1988). ácido aspártico... triptofano e metionina (Dinda et al. Da espécie L. ácido glutâmico. serina. metil acetato (16. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. A M.7. Vaverkova et al. O óleo essencial de três variedades de M. 1987. colesterol. 1987). Com isso. 1986 e 1987).80%). mentona (24. fenilalanina. 1987). parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . 1987). 1996). 1990) e um composto fenólico (Misra. sendo os principais terpenos mentol. mentona.. tirosina. Das raízes de L. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. N. De L. alanina.20%). das partes aéreas de L. 1995).4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol.64%). piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. Mentha A composição do óleo essencial de M.. prolina. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. et al.10%) e 1. mentofurano (19. flavonas himenoxina. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas.8-cineol (6.. 5-hidroxi-6. piperita var. mentocubanona.

. Ca.7. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. 1986). vitaminas C e D2. luteolina e 5. fitosterol. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. caféico e clorogênico. betasitosterina. reduzindo significativamente a concentração de mentol. b-cariofileno.8-cineol. cadideno.. fenílico. Mg. Zi e Cu.8. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. De M. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. 1988). Fe. peroxidases. catalase.6. Mg.. K.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. 1990) e flavonóides glicorilados. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. 1. Em Mentha viridis var. 1987). 1992). ácidos p-cumárico.e sesquiterpenóides.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. Foram ainda isolados mono. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. . resinas. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. como alfa-pineno. 1989). A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. Nas folhas de M.3'. glicídios. limoneno. nicotinamida. piperita foram encontrados ainda os elementos Na.

. canum foram isolados diversos componentes. 1996 e 1997a).Patel et al. 1. 1990). Borges et al. sendo 1. 1987. 1987. O óleo essencial de O. o óleo essencial apresentou 21 constituintes... canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. Na China. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. De O... 1986. eugenol. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1981. Do óleo essencial das folhas. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. 1987). 1997). Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al.. cis-ocimeno. hidrocarbonetos como p-cimeno. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1986. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. micranthum foram isolados vinte compostos. 1990). Khanna et al. 1988. flores e caule de O. 1988). já citados. 1986... sendo eugenol. Phan et al. Em Cuba. eugenol (Ekundayo et al. 1981). 1996a). 1989). 1990). O óleo essencial de O. 1996). De O. Kartnig & Simon.. Lawrence.. 1989). Sakurai et al. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. t-bergamoteno.. Sharma et al. b-cariofileno.8-cineol. Porém. 1987).. Das sementes de O... o eugenol é o constituinte majoritário. linalol. Nas folhas. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. gratissimum é composto de gamaterpineno. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al.8-cineol. Ocimum Do óleo essencial de O. as folhas e flores de O.cariofileno. 1996). 1983). basilicum (Brophy & Jogia. 1986.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O.. Das folhas da O.. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. beta-cariofileno. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al... 1986. eugenol. Takahashi et al. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. . os constituintes majoritários variam em cada parte da planta.

1995).. sanctum possui estigmasterol. 1996). 1988).O óleo essencial de O. basilicum foram isolados quercetina. rutina. 1989). sendo.. 1991). 1990). linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. mirístico. esculina (Skaltsa & Philianos. 1989). 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. isoquercitrina. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1990. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul... 1. Fatope & Takeda. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. 1986. basilicum apresenta 44 compostos. 1985. ácido caféico.. palmítico esteárico. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. 1995). já comentados (Modawi et al. terpenos. Ekundayo et al. 1989). quercetin-3-O-diglucosídeo. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. basilicum e O.. triacontanol ferulato. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. 1987). sabineno e eugenol (Retamar et al. além de ácido p-cumárico. 1994). ácidos orgânicos. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. rubrum foram isolados borneol.. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. sendo Metil chavicol. fenóis. 1987).8cineol e eugenol. Thoppil. eriodictiol. linolênico e araquídico (Malik et al. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. kaempferol.. kaempferol-3-O-rutinosídeo. cetonas. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. láurico. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. A espécie O. 1. na Turquia. Murugesan & Damodaran. 1984). 1996).8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. nesse caso. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. oléico. 1995). 1978). o óleo essencial de O. esculetina. De O. No Paquistão. b-sitosterol.. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. 1. Das folhas de O. além de metilchavicol. Das sementes de O. timol.. 1987. linalol. A casca do caule de O. 1996). basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. linoléico.. alcoóis. Em O. Das flores de O... basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al.8cineol.

. 1984) e grandes quantidades de timol em O. 1985). cablin (Akhila . patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. Foram isolados de P purpurascens. parviflorus (Nanda et al. 1986). Pogostemon As folhas de P. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1981). 1984).. flavonas (Patwarphan & Gupta.Além desses compostos. flavonas. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. lactonas sesquiterpenóides de P. viride (Ekundayo.

1989). garwal et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. Thapa et al. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al.. plectranthoides foram investigados experimentalmente. 1990). umbrosa. beta-amirina....... cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. 1988). 1998). atrorubens. Do óleo essencial das folhas de P. H. 1990). Em H. Phadnis et al. comumente utilizada como calmante. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. Munck & Croteau. 1987. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. O óleo essencial de H. 1997). mutabilis. também conhecido como Sambacaitá. C. 1994. ovalifolia e H.. 1987. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. pectinata (Bispo et al. Coelho et al. 1971). 1984). saxatilis (Fernandes.. F et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. 1989). citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. plectranthoides (Esvandzhiya et al... Foram identificados n-octacosanol.. 1988).. auricularis (Prakash et al. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. a-bulneseno. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. Silva et al. 1990).. betasitosterol. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. analgésica (Freitas et al.. suaveolens e H.& Nigan. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.. 1998). 2001).. 1977. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. 1998). além de outros diterpenóides (Hussaini et al. estigmasterol. 1988. et al. Em H. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa.. crenata. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. 1984. 1998) e atóxica (Junior et al... P. H. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. ..

do extrato de H. Posteriormente. enquanto extratos de folhas. ramos e flores de H. 1995. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. Diterpenóides isolados de H. Mentha O infuso das folhas de M.. 1984). leonurus (Bienvenu et al. 1988). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1980.. capitata foi isolado o ácido ursólico. foram detectadas as atividades broncodilatadora. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano.... Do extrato metanólico de H. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. Di . 1995). Calixto et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. Leonotis Em L.. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. 1985. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 1979).As propriedades antibacterianas. 2002). 1993) foram atribuídas a H.. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210.. 1988). antimicrobiana (Cos et al. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. 1988)... 1988. nepetaefolia. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al.. Saksena & Saksena.. verticillata.. 1988). Forster et al. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. conhecido como Cordão-de-frade. e Novelo et al. 2002). anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. anti-hipertensiva e espasmolítica.. 1995). 1976. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. 1988). Coelho et al. 1988. 1988).

cannum (Dubey et ai. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 1989) e diurética (Carvalho et ai. antiespasmódica (Di Stasi et ai. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. R. Do híbrido.. 1988. 1986). também verificada com extratos de O. 1993.. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1989). determinaram-se propriedades fungicida. arvensis (Ceruti et al. 1986c) e em O. basilicum demonstraram atividades analgésica. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 1987). Além das atividades já relatadas com M.. 1989). A. americanus (Jain & Agrawal. 1981). Extratos brutos de O. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. enquanto estudos com O..Stasi et al. (1968)... 2002).. 1987b). 2002. 1984). Lahlou et ai. 1987. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos... cordifolia (Villasenor et al. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. Sharma & Jocob. 2000). basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 1986a. Queiroz & Reis. sanctum (Dey & Choudhuri. 2002).. sanctum (Phadke & Kulkarni. Em O. antibacteriana. Queiroz & Brandão. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. utilizando-se M. gratissimum (Atai et ai. piperita (Ansari et al. antifertilidade. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1986). 1986a). piperita. Almeida et ai. Queiroz & Brandão.. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. crispa (Mello et ai.. 1982. . et ai. 2001 e 2002).. 1998). sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. Chen et al.. 1986b). analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. 1986a.. 1978) e O.. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al.. espasmolítica (Queiroz & Reis. O. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. O óleo essencial de O. Ocimum Verificou-se que a espécie O. 2002).

O óleo essencial de O. 1986). 1999.. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. Vanderlinde et al. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. Vanderlinde et al. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04.. que apresentou atividade protetora do mastócito. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al.. 1994b. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. Vanisree & Devaki. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. 1994a). Extrato etanólico das folhas de O. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O.O. 1994). As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. 1996). Nakamura et ai. 1986)... 1995) e O.. Das folhas de O. mas a administração de O. O óleo essencial de O.. 1994). 1996).. Das folhas de O. 1995). O. o ácido ursólico. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. 1992. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. 1986). A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. 2001).. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. O óleo essencial de O. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. enquanto a O.. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. 1989). 1990). 1994. et ai.. Vanderlinde et al.. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário.. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O.. 1989). gratissimum (Sobti et al. 2002). suave (Tan et al. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. .. 1992. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. 1993. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1997).. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. antiinflamatória. suave foram utilizadas como repelente de insetos. Os óleos fixos de O. Vanderlinde et al. As folhas de O. basilicum (Dube et al. E.

ascendentes. especialmente da América do Sul (Mabberley. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. quadrangulares. Salsa. 1995). e em outras. Compreendem árvores.Br. folhas pecioladas.) N. Salva-limão. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. sobretudo em crianças. Alecrim-docampo. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. arbustos e ervas.E. 1997). e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. longos. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. como Erva-cidreira-do-campo. Sálvia e Salva-da-gripe. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. provocando sonolência. Stachytarpheta e Lippia. pubescentes. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. caule e ramos primários.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. alternas ou opostas .5 ml/kg. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. 1984). pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. Salva-brava. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. 1986).

relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. no Mato Grosso (Van der Berg. 1980). 1984). 1980). 1988). O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. cálice curto. diclamídeas. Malva e Nulva-do-marajó. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. fruto do tipo capsular branco. reunidas em inflorescências capituliformes. emenagoga (Corrêa. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. além de problemas do estômago. sem estipulas. membranoso. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély.(às vezes na mesma planta). náuseas. tosses e gripes. fruto com dois mericarpos plano- . relaxante e contra intoxicações gerais. reunidas em inflorescências vistosas. Essa espécie é usada como antiespasmódica. o chá das folhas é utilizado como calmante. folhas pecioladas. no Pará. hermafroditas. Lippia grandís Schan. flores pequenas. flores pequenas. Na região do Vale do Ribeira. pentâmeras. Dados botânicos Planta de pequeno porte. cálice curto. pubescente e bipartido. como antigripal e calmante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. Salva.9). corola bilabiada. no Rio Grande do Sul (Simões et al.. cólica do estômago. na Paraíba (Agra. sementes pequenas (Figura 26. estomáquica. o chá das folhas é utilizado como calmante. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. 1986).

ukambensis (Chogo & Crank. 1981). três vezes ao dia. monoterpenos. 1983). Craveiro et al. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá.. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral.. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. 1986. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. (1986 e 1987). O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. timol. lapachenol. araquídico. 1981).. Da espécie L. naringenina. a mais estudada é a L sidoides. As espécies L. betacariofileno (Craveiro et al. acacetina.. americana foram obtidos ácidos graxos livres. geranial. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1987..convexos. timol. 1991. Hernandulcina. 1987). broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. 1980). (1981). Souto-Bachiller et al.. mirceno. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . esteárico.. dulcis (Bubnov & Gurskii. limoneno. Matos et al. No óleo essencial de L. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. behênico e lignocérico (Macambira et al. 1987). Já de L. o chá das folhas. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. Sauerwein et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e do caule e folhas foram obtidos ácido . e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al... 1996a e 1996b). microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina.. p-cinieno. Vários terpenóides foram isolados de L. 1986. citral e carvona (Matos et al.vanílico. canescens e I. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. 1982). 1996). alfa-cubebeno. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. é usado contra problemas do fígado. Da parte aérea de L. gama-terpineno. 1987)..

graveolens foram isolados pinocembrina.. 1. 1. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. 1989).8-cineol.. 1989).. hispidulina.origanoides foi quantificada. 1. 1994 e 1995). dos quais foram identificados piperitona (28. Dentre os compostos isolados. 1990).. 1996b). O óleo essencial de L.. A composição química do óleo essencial de L. cirsimaritina. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. diosmetina. germacreno D e elemol (Koumaglo et al.e beta-pineno.. 1990.35%). 1987). luteolina. sabineno... sendo 22 hidrocarbonetos.12%). 1987). wilmsii foram isolados quinze componentes.8-cineol (15. crisoeriol. 1988). 1991 e 1995). fissicalyx (Retamar et al. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.. Das folhas de L. acetato de timol (17.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. 1. 1990). eupatorina. quatro alcanos. Do óleo das folhas de L. 6-hidroxiluteolina. a-pineno.8-cineol (2. p-cimeno. Fun et al.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. Das folhas e flores de L. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas.8-cineol. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1989).l. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. alba e L. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. Das partes aéreas e das raízes de L. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. eupafolina.43%) e piperitenona (11. De L. 1.97%) como principais componentes (Mwangi et al. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. timol.27%)..8-cineol. neral. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. .67%).. alfa.01%) ecariofileno (15. limoneno. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L.espécies de L. graveolens. apigenina. quatro éteres. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al.23%) e metiltimol (2. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. Os constituintes p-cimeno. timol. p-cimeno (3. 1996a).33%). alfa-terpineno (4.

sidoides mostrou atividade moluscicida. Do óleo das flores de L.. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. polystachya foram isolados tujona (30. 1987). De L.2% e 41. respectivamente). Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. junelliana. antiulcerogênica (Pascual et al... o verbascosídeo.Y. polystachya.. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. 1998). 1998). Vale et al.carvacrol. 1996).4- . L. Já o óleo essencial de L.3%) (Zygadloet al.. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18. 1980). aristata (Moraes Filho et al.. lipifolil(6)-en-5-ona (18. mircenona (31%) e de L.. contribui para a coesão das células da pele. 1996). atribuída à presença de flavonóides (Santos. gracilis foram observados aumento inotrópico.. 1997). e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. 2002). de L. Moraes et al. P D. Com a espécie L. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. 1980)... 1988a).. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. 1990). 1979). inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. et al.. turbinata e L. assim como o de L. et al. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. 1981). 1995a). Além disso.9%) elimoneno (13. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein..5%). Do extrato das folhas de L. 1998. Esse óleo. um dos componentes principais. junelliana. aristata (Rouquayrol et al. multiflora. 1990). 1996). 1986).. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al.4%. enquanto o outro componente.... grata (Viana et al. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. misturado a cremes. 2000).. além de uma atividade moluscicida (Almeida. integrifolia e L.. 1980 e 1987... um éster do ácido caféico ligado ao 3. M. L.

et al. atividades cicatrizante.. anti-hipertensiva. 1978.. multiflora (Chanh et al. 1980). Além disso. 1995b).. 1978).. 1996. 1995). Nas folhas de L. 1992. M. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. e no óleo essencial. hipnótica e hipotensora (Noamesi. et al.. moluscicida (Moraes. 1996). Nunes. geminata e L. 1988). 1984).. antifúngica (Lemos et al. Viana et al. antibacteriana (Aguiar et al. sidoides (Fonteneles & Sales. nodiflora foi realizado um screening preliminar. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. 1992). antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. espasmolítica (Viana et al. et al. M.. 1977). apresentaram atividades antibacteriana. Almeida.. Ximenes et al. tranqüilizante (Matos et al. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1988b).. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al.. 1996).. O óleo essencial de L. 1979).. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al.. 1978). Teixeira et al. . Moraes. Lacotes et al. 1980. 1980. O. 1986). M. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. 1978). 1979. Menezes et al. et al. Laxoste et al. Teixeira. anestésica (Viana et al. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Botelho & Soares.. 1998).. Matos et al.. porém...dihidroxifeniletanol. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. O.. graciliy (Fontenele et al. 1979) e I.. Y. S. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al.. e o de L.. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L.. 1994.. grata. Os principais componentes do seu óleo essencial. 1995. 1988... L. 1994. 1988. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. no qual se observaram atividades analgésica. timol e carvacrol. O óleo essencial das folhas de L. 1998). 1985).. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. 2001). 1996. R..

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). b) escanerata com detalhe da inflorescência.FIGURA 26. .1 .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.

Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998).Hyptis crenata. .FIGURA 26.2 .

3 .FIGURA 26.Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

4 .FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.

FIGURA 26.5 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .Mentha piperita.

FIGURA 26.Mentha viridis.6 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .

Ocimum micranthum.7 .FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

FIGURA 26.8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Pogostemon patchouly.

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .FIGURA 26.Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.

27 Scrophulariales medicinais C. Mabberley. incluindo árvores. A. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. as quais passamos a descrever. subclasse Asteridae. C. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). Pedaliaceae e Scrophulariaceae. 1997). foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Os gêneros mais importantes da . pertence à ordem Scrophulariales. lianas. e reúne 120 gêneros. com aproximadamente 750 espécies. 1998. No estudo realizado. Scrophulariaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. arbustos e raramente ervas (Joly. Hiruma-Lima L. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. Bignoniaceae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas.

O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". fruto do tipo capsular largo. contendo sementes oblongas (Figura 27. . Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. é descrita aqui. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. oblongo-linear. também é conhecida como Cipó-de-alho. com gavinhas. são Tabebuia e jacaranda. as quais são discutidas a seguir. Em outras regiões do país. e as várias espécies do gênero Zeyhera. curto-pecioladas. elípticos e coriáceos. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. anteras glabras e ovário oblongo. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. os gêneros mais comuns são Tabebuia. de ramos cilíndricos e glabros. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. No Brasil. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. da famosa Flor-de-são-joão. uma delas. o que gera o nome popular atribuído à espécie. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Na região da Mata Atlântica. folhas normalmente 2-3-folioladas.1).família. com ampla distribuição nas regiões tropicais. com folíolos peciolados. Pyrostegia. que inclui os Ipês e o Paud'arco. Jacaranda caroba. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. podendo chegar a até 16 cm de comprimento.

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Jacaranda caroba (Vell.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. dispostas em panículas. Camboté. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. não completamente identificada e conhecida como . roxas. Carobado-carrasco.) DC. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. Caroba-miúda. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. Caroba-do-campo. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. sendo amplamente usada como ornamental. flores tubulosas. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. coriáceos e glabros. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Camboatá-pequeno. Uma outra espécie do mesmo gênero. fruto do tipo capsular. das quais a maioria é encontrada no Brasil. por ser mole e porosa. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções.

onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. podendo ocorrer com flores amarelas. ou seja /'coberta de fogo". sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. como corimbos multiflorais. É muito comum no Brasil. especialmente em crianças. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. especialmente no Dia de São João. raramente encontrada no interior de matas densas. longas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. O nome do gênero Pyrostegia.5 cm de largura (Figura 27. Trata-se de uma espécie heliófita. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. descrito por Carel Borinov Presl. inflorescências numerosas.2). folhas com folíolos ovadooblongos. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". . de cor laranja. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). repletos de flores tubulares. adstringente e anti-sifilítica. amplamente encontrada em campos. com ramos jovens delgados e folhagem densa. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1.Carobinha. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Segundo Corrêa (1984). referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. sítios e quintais de residências. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura.5 cm de largura.

A espécie J. 1994).. 1995). Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton.. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. Espécies medicinais Sesamum indicum L.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. 1992). 1976 e 1977).. A espécie J. 1996). a família não é encontrada de forma espontânea. O extrato etanólico da espécie A. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. No Brasil. venusta a presença de aminoácidos. especialmente a espécie Sesamum indicum. sendo a maioria de ervas ou arbustos. mas apenas cultivada. 1996). carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. acorendico presente na planta (Oguro et al. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. 1999).. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan.. . 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. Foi detectada na flor de P. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu.

O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. além de seu uso na culinária. 1988.Dados botânicos A planta é uma erva anual. tosses secas. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. 1995). fruto do tipo capsular. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. com muitas sementes oleosas. abortiva e anti-reumática e. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. inteiras e pubescentes. dores de cabeça. O óleo de gergelim. distúrbios renais. 1990). o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida.. diarréias. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga.. Tashiro et al. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. disenteria e catarro intestinal. para evitar perda de cabelos. no Egito e na Babilônia (Bown. para tratar constipação nasal crônica. osteoporose. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. flores amarelas.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. visão fraca. externamente. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para alívio da dor de ouvido. externamente.. e sobre as pernas para tratar paralisia. vistosas. com origem na Ásia tropical ou na África. e. folhas simples. opostas. Nas sementes de S. 1995). sesamolina (Mimura et al. 1997).. indicum foi caracterizada a presença de . episesaminona (Marchand et al. contra hemorróidas (Bown. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. 1997). O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. clorosesamona hidroxisesamona é 2. 2001).

Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. ácidos graxos. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. bem como três novos triglicosídeos. 1994). sesamina Do extrato aquoso de S.albumina. 1991). 1989.. 2000 e 2001). . indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. prolamina. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. 1988). gama-tocoferol e sesamolina. Nas raízes de S.. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. indicum detectaram a presença de glicolipídios. Mimura.2000). Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. indicum L. glutelina (Singh & Khanna. (Kar & Mishra. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 1993). globulina. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 1996).

1997). Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. indicum (Takswchi et ai. O extrato de S. Da parte aérea de S. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. . alatosídeo A-C... em altas doses. 1992). protegendo-o contra danos oxidativos. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. 1994). 1992). Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S.. Tashiro et al. 2002). Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados.. 1988. 1990) e sesangolina.. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. alatum. 1991). A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. respectivamente (Kang et al. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai.. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. e. 1992). tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. angolense. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias.Duas lignanas furânicas. 1995).. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. dessa forma. dois derivados do ciclohexiletanol. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. sesamolina (Mimura et al. foram isoladas das sementes de S. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. indicum e S. 1991).. além de verbascosídeo. 2001).. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif.

opostas. com corola rotácea. Esterhazia. flores brancas. Scobedia. crenadas e glabras. purpurea e D. . Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Pupeiçava. Vassourinha-de-botão. especialmente dos gêneros Antirrhinum. hermafroditas. tais como Digitalis. Veronica. Tupixaba. bilabiada. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Ganha-aqui-ganha-acolá.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Tapixaba. axilares. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. arbustos e ervas. Vassoura. no Pará. das famosas D. No Brasil. nos quais estão distribuídas 5. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. ovário supero. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. pequenas. Nomes populares Na região amazônica. aqui descrito como medicinal. Coerana-branca. Calceolaria e Maurandia. pentâmeras. bicarpelar. Verbascum e Wightia.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. quatro estames didínamos. Outros nome são Vassourinha. 1997). lanata. ovaldolanceoladas. algumas aquáticas (Mabberley. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. popularmente conhecido como Vassoura. incluindo árvores.

picada de mosquito. Já entre os ticunas. tosse. expectorante. 1982. significa "vassoura". brotoejas. hepáticas e estomacais. e as folhas. 1993. 1980). 1984). Verardo. para lavar feridas (Branch & da Silva. malária. pectoral. Matos. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. 1982). erisipela e afecções cutâneas. 1994. menstruais. para melhorar o estado geral do indivíduo. tosse. emoliente e béquica (Corrêa. 1990). 1990).. béquica.3). No Brasil. e utilizada contra desordens respiratórias. 1994. coceiras. Em Minas Gerais. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. 1987).. bronquite.. 1982.. o chá é preparado. febrífuga. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. hipotensiva. antidiabética e contra afecções catarrais. 1983). No Rio Grande do Sul. 1996). o chá da planta é usado contra hemorróidas. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. diabetes e hipertensão (De Almeida. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. 1995). é utilizada como anti-hemorroidal. com todas as partes da planta. Nas tribos indígenas do Equador. essa espécie também é considerada emoliente. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. também. especialmente na Floresta Amazônica. 1988.. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. O nome do gênero. além de ser considerada tônica. doenças venéreas.bilocular. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. hipoglicemiante. . para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. Cruz. Grandi & Siqueira. Grandi et al. também.. Encontrada em abundância na América do Sul. bronquite. problemas cardíacos. No Pará. Na Paraíba. com muitos óvulos (Figura 27. Scoparia. emoliente. Coee et al. febre. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1990). Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. 1986). 1988). por causa do seu emprego. 1982. Coimbra. peitoral. desordens menstruais.

1993 e 1996) depressora (Freire.. entre outros compostos (Kawasaki et al. hipocolesterolêmica. Torres et al.. 1990a e 1991). M. 2001). O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. E. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. gentísico. anti-herpética.. anti-séptica.. antibacteriana gram-positiva.. hipertensiva (Freire et al. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. scopadulciol (Hayashi et al. antiinflamatória.. 1987 e 1988c). apigenina. beta-sitosterol. glutinol e acacetina (Hayashi et al. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. betulínico. 1996). acacetina.. 1987. S. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.. 1991).. iflainóico. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. 1988. Freire. B e C (Kawasaki et al. obtidos da espécie.. antifúngica. depressora do SNC. expectorante e atóxica (Moura et al. Azevedo et al. 1994. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. 1990b). 1998). escutelareína. 1986 e 1988a.1988b).. Hayashi et al. 1988a e 1990c). dulcinol e ácidos dulcióico.. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- .. manitol. 1993 e 1996). Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. M. 1997. antidiabética (Jain.. Hayashi e al. alfa-amirina. (1979) e Mahato et al. et al.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al.. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al.. antiviral.. simpatomimética (Freire et al. (1981). 1990). 1987). 1996b). benzoxazolinona. cinarosídeo D. S.. sedativa e diurética (Ahmed et al. cumárico. 1985). Dalla Torre et al. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al.. antiespasmódica. 1989. 1993 e 1996a). 6-metoxibenzoxazolinona. et al. O. Os ácidos escopadúlcico B. 1990b).. escopadulciol. Também foi detectada a presença de glicosídeos. flavonas. antiinflamatória (Freire et al.

1993). além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al..1 . 1997a e 1997b). 1978) (Banco de imagens - . Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.vidade antimalarial in vitro (Riel et al. 1988b). Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1997a).. FIGURA 27.. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al..Adenocalyma alliaceum. 2002) e antitumoral (Nishino et al.

Pyrostegia venusta. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .FIGURA 27.2 .

FIGURA 27.3 . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.Scoparia dulcis. 1946) (Banco de imagens - .

750 espécies cosmopolitas. que passamos a descrever a seguir. arbóreas. trepadeiras e ervas. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. A. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. Trata-se de uma grande ordem.28 Asterales medicinais L. Essa família compreende 1. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Os gêneros estão distri- . M. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Di Stasi C. Hiruma-Lima C. C. M. encontradas em todo o planeta. herbáceas. Inclui espécies arbustivas. 1997). Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.Ivan Martinov. exceto na Antártida (Mabberley. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte.528 gêneros. com aproximadamente 22. Santos E.

buídos em três grandes subfamílias. as importantes Carquejas. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Ageratum. Saussurea e Echinopis (Cardueae). popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. especialmente a Mikania glomerata. • Asteroideae Inula (Inuleae). gênero da famosa Calêndula. Ageratum conyzoides. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Artemisia. do gênero Arnica. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. o Mentrasto. várias espécies do gênero Bidens. Aster. Tanacetum. conhecida como Mil-folhas. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Matricaria chamomila. a Camomila. Galinsoga. Calendula. Baccharis e Solidago (Astereae). Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Zinnia. com ampla distribuição no território brasileiro. Mikania. Wedelia. do gênero Mikania. Semeio e Emilia (Senecioneae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). as várias espécies de Artemisia. a famosa Arnica. Novalgina e Anador. Arnica e Tagetes (Helenieae). Calendula officinalis. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Nesse contexto. e inúmeras plantas de . conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Achillea e Santolina (Anthemideae). os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Achillea millefolium. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Gnaphalium e Achyrocline. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Calea. Matricaria. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). das quais se destaca a Baccharis trimera. Lactuca. Calendula (Calenduleae). tais como inúmeras Vernonia.

a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. em Minas Gerais. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. oblongo lanceoladas. ereta ou prostrada. a decocção das folhas é usada. onde foram incorporadas na medicina tradicional. rasteira. como cicatrizante. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. de ápice e base agudas. Na região do Vale do Ribeira. com borda irregularmente serreada. internamente.1). caule comprimido e denso-piloso.pequeno porte do gênero Eupatorium. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. externamente.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões do país. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. folhas simples. Dados botânicos Planta anual. opostas. . como antiinflamatório e. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. de pequeno porte. apenas masculinas. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. inteiras. curto-pecioladas. flores unissexuais e marginais. amplamente usadas na medicina popular. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras.

Dados botânicos A planta é uma erva perene. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. 1997). A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. Aquiléia.. reunidas em capítulos corimbosos. amarelas e tubulosas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. com caules ramosos. agindo ainda como antiespasmódico. rizomatosa. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. como contraceptivo feminino (Mabberley. gripes e distúrbios do estômago. Em outras regiões do país. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. a espécie é chamada de Novalgina. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. além de ser anti-helmíntica. 1982) e. sendo as marginais femininas e brancas. com até 60 cm de altura. hermafroditas. e as centrais. . hemorroidais e pulmonares. digestivo. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. flores dimorfas. raras são nativas das Américas. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). glabra. no Uruguai. contendo folhas oblongolanceoladas.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. dor de cabeça e dores gerais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. Milefólio e Mil-em-rama.

Dados botânicos A planta é uma erva anual. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. ovadas. tônica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Erva-de-são-joão e Maria-preta. além de indicada para aliviar náuseas. flores brancas ou lilases. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. pecioladas. Catingade-barão. cólicas flatulentas e uterinas. mucilaginosa. Baccharis trimera (Lers) DC. . antidiarréica.2). útil contra resfriados. significa "o que não envelhece". anti-reumático e contra cólicas menstruais. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. com folhas opostas. Ageratum. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. carminativa. pilosa e ramosa. Em outras regiões do país. amenorréia e gonorréia. com até 1 m de altura. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. anti-reumática. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. febrífuga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. crenadas.Ageratum conyzoides L. a espécie é chamada de Carqueja. e o nome do gênero. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. a espécie é chamada de Mentrasto.

Erva-picão e Pau-pau. como Picão-preto. Picão-do-campo. Espinho-de-agulha. Macela-do-campo. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. hipertensão. o deus Baco do vinho. tais como Cuambu.3). A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". estomacais e intestinais. Carrapicho. fruto do tipo aquênio (Figura 28. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. . Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. anti-helmíntico. a decocção das folhas é usada como analgésico. bem como em vários Estados brasileiros. estomáquico. (Bidens pilosa L. Aceitilla.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. derrame cerebral e diabetes. Erva-picão. Em outras regiões do país. anti-reumático. Goambu. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. a planta é usada como tônico. entre outras (Corrêa.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Carrapicho-de-agulha. com ampla distribuição na América do Sul. Carrapicho-de-cavalo. Carrapicho-deduas-pontas. podendo atingir até 1 m de altura. Pirco. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Amor-seco. 1926). A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Piolho-de-padre. diurético e contra distúrbios renais. Bidens bipinnatus L. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice.

A planta é considerada estimulante. com cálice modificado. No Leste da África. Na medicina tradicional peruana. laringite. 1992. Coimbra. sialagoga. capítulos pleiomorfos. folhas opostas. diabetes. Duke et ai. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. 1993. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. pecioladas e fendidas. 1994). edema. O nome. 1995). 1962). vermífuga e vulnerária. referindo-se às aristas do papilho. a espécie é usada como antiinflamatório. glabra. infecções urinárias (Mejia & Reng. ramosa. dores de cabeça e de dentes (De Feo. disenteria. com até 1 m de altura. 1994). flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo.Dados botânicos Planta de pequeno porte. antidisentérica. . a espécie também é referida como emoliente. utilizada especialmente contra icterícia. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. hepatite. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. antiescorbútica. No Brasil. diurética. desordens hepáticas. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. conjuntivite. leucorréia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ereta. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. diabetes e inflamações (Corrêa. bem como no combate a dores em geral Jager et al. antileucorréica. Vasquez. dismenorréia. com flores radiais liguladas. significa "dois dentes". diurético e contra hepatite. simples. 1984). a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. pentâmeras. adstringente e considerada útil contra icterícia. antiblenorrágica. 1990..4). 1996). micoses. Bidens. desobstruente. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28.. 1990).

ambas não identificadas . triplinervadas. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. anguloso. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas.5). O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. Dados botânicos Erva bastante delicada.Eupatorium ayapana Veuten. de caule ereto. Japana-branca. e contra malária. empregado externamente na forma de banho. ferrugíneo e glabro. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. acuminadas. 1984). Aiapana. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. Em outras regiões do Brasil. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. como Iapana. folhas opostas. a espécie possui vários usos das folhas.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. corola com tubo interno glabro. visto a grande semelhança entre elas. angina. sudorífico. estriado e diminuto. estimulante. como tônico. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. especialmente do fígado. lanceoladas. flores (20 a 30) azuis. Japana-roxa e Erva-de-cobra. estomáquico. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . digestivo. . fruto do tipo aquênio alongado. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). cólera. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. mas são comuns outras denominações. enquanto o sumo das folhas frescas. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. androceu com anteras levemente sagitadas. antidiarréico e antidisentérico.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie.

Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Arnica. pequenas.e com raras espécies na América do Sul. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. capítulos pequenos e reunidos.especialmente na América do Norte . folhas oblongas. O nome significa "feltro". com ápice arredondado. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. flores amarelas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. assim como em todo o Brasil. O nome do gênero significa "o que é firme". referindo-se ao tomento das folhas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. a infusão das folhas é usada contra diarréia. podendo atingir até 1 m de altura. Solidago microglossa DC. de ocorrência nas Américas . serradas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. que formam uma inflorescência cilíndrica. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. a espécie é chamada de Macela.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. . reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. dores de barriga e outros distúrbios intestinais.

o chá das folhas. Essa planta é utilizada como estomáquica. Agriãobravo. não alado. membranosas. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. picadas de insetos e infecções. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses.6). Abecedária. cálculos da bexiga e dores de dente. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Botão-de-ouro. significa "flor com mancha". comprimido com papilho aristado. Mastruço e Agrião-do-norte. longo-pecioladas. tais como Agrião-do-pará. vários outros nomes são usados. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. entretanto. Dados botânicos Planta herbácea. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. Spilanthes. . referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Agrião-do-brasil. agudas. o preparado com folhas de arruda. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. ovadas. com corola curva. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. flores amarelas. fruto do tipo aquênio.. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. Jambuaçu. batidas. com folhas opostas. que tem mancha escura sobre a lígula. descrito por Nicolaus von Jacquim. O nome do gênero. Spilanthes acmella Rich.

as folhas. também são usadas como medicinais. minuta. desinfetante e antiasmática. e seu nome vem de Tages. Cravinho. e indicada contra problemas hepáticos. atingindo de 60 a 90 cm de altura. está muito bem aclimatada no Brasil. sendo também comumente chamada de Cravo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. Originária do México. febrífuga. Cravo-de-tufo. são partidas e aromáticas.1982). nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. Na Colômbia. Outras espécies do gênero. 1980). opostas ou alternas. cicatrizante. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. Cravo-africano e Tagetes. tais como T. antiespasmódica. 1988). O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. tosse e resfriado. narcótica. digestiva. a S. patula e T. Amorozo & Gély (1988) referem que o . sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. considerada carminativa. com muitos ramos. antigripal. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. no Pará (Amorozo & Gély. lucida. emenagoga. abortiva. bronquite. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. T. em Brasília (Matos & Das Graças. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. 1997). divindade etrúria representada como um belo jovem.

chá das folhas com alho é usado contra febres. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". forte. australe. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. as flores possuem várias cores. com caule ereto. na região de estudo. bronquites e tosses. Nomes populares A espécie é chamada. cordiformes. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. opostas. pela abundância de flores. Moça-e-velha e Canela-de-velho. incluindo brancas. Originária do México. para tratar "doença que deixa o queixo duro". sésseis. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. com uso freqüente contra dores reumáticas. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Zinnia elegans Jacq. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. . que atua como anti-helmíntico e sudorífico. as folhas são ásperas. Segundo Hoehne (1939). o chá das folhas e flores. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. rosas. de Zinha ou Zínia. anteras amarelas e estigmas vermelhos. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. resfriados. arroxeadas e vermelhas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante.

Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. Hausen et al. 1997). 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. beta-guaieno.. flavonas. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A.. 1991). 1979). Bohlmann et al. De A. 1979). Caffmi & Demolis. crisosfenol D. Sharma & Sharma..4'-trihidroxi-3... triterpenos (Chandler et al. Debenedetti et al. De A. 2002. laevis e B. germacreno A. 1996. Gene et al. millefolium também foram isolados ésterois. flavonóides (Bohlmann et al.. Alvarez et al. Hoffman & Hoelzl. 1978). beta-pineno.. 1976). leucantha (Wat et ai.. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1976a e 1976b). pilosa . axilarina e 5.. 1979... saponinas e xantonas (Caetano et al. B.. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. B. alfahumuleno.. leucoantociandinas. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. Da espécie B. 1990. cumarinas. tripartitus. Herz & Kalyanaraman. 1987). alfa-copaeno. De Tommassi et al. 1981).. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al... 1984). 1987. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. pilosa. Achilea. limoneno.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. deterpenos. 1988a e 1988b. terpenos (Verzan & El Sayed. 1994)... Gill et al. Torres et al.7. beta-cariofileno. timol. diterpenos (Saleh et al. glabratum (Saleh et al. 2001... isocariofileno. 1981. cadineno. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. Das partes aéreas de A. 1997). 1990). Christensen et al. 1987). 2000). Nair et al. 1980.. Wang et al. Poliacetilenos. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. delta-cadineno (De Marais et al..beta-elemeno. alfa-felandreno. 1977). 1994.. 1987. bipinnatus. B.. flavonas (Falk et al... 1986. 1986. catecolaminas. flavonóides (Shimizu et al. 1975). 1992). 1975) e monoterpenos (Orth et al. De A.. 1994 e 1984. 1985. gama-cadineno.. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. monoterpenos. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. 1975.. 1992b. 2000). Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.. Herz & Kalyanaraman.

1991) e E. 1992). 1979). 1988.. radiata e B.. 1992). glandulosum (Nair et al. E. ferulefolius. buniifolium (Muschietti et al. Pagani. portoricense (Wiedenfeld et al. littorale (Sato et al. E. 1995). Edgar et al. enquanto várias chalconas foram obtidas de B.japonicum. 1986). frondosa. 1997). 1995).. ternbergianum (D'Agostino et al. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. B. B. Três poliacetilenos. 1990).B. E. 1994) e E. 1988c e 1988d). 1992). cernuol.foram ainda isolados inúmeros compostos. frondosa (Karikome et al. E... campylotheca (Bauer et al. tripartitus (Christensen et al.. dois derivados tiofênicos. E. B. chrysoanthemoides. E. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. 1995). ácido linoléico. 1990). parviflora. 1986). subhastatum (Ferraro et al. Wang et al. 1992). rotundifolium (Hendriks et al. 1995) E. maximowicziana.. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. 1985). 1997). 1997). £.fortunei. E. 1994). e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. B. 1993 e 1995). E. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1982). E guayanum (Sagareishvili et al. B. 1990). angustifolium (Mesquita et al. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. cannabinum (Stevens et al. 1985). 1987. tinifolium (D'Agostinoetal. 1987. salvia (Gonzalez et al. £. 1991. odorata (Hai et al. E. E. eugenol. E. dahlioides.. adenophorum (Li et al. Poliacetilenos também foram isolados de B.. 1987 e 1988). 1988b. 1995) e £. . E. leucolepis (Herz & Palaniappan. E. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. 1991). B. B. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. erythropappum (Talapatra et al... micranthum (Herz et al 1978). Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. tripartita (Isakova et al. 1990a e 1990b).. tais como quatro auronas. altissimum (D'Agostino et al. 1988a. Liu et al. pilosa (Zuleeta et al.. chinese (Zhao et al. bipinnatus (W B. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. 1981).. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £.. ácido linoléico e linolênico. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al..

E.. tinifolium (D'Agostino et al. americana foram isolados monoterpenos.. 1991). entre outras espécies (Ding et al. 1986). 1990a e 1990b). Diterpenóides foram isolados de E. De S. 1987)... enquanto em E. cânfora. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. sitosterol. Uma amida. mikanioides (Herz et al. quadrangularis (Hubert et al. 1992a). sesquiterpenos. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. altissimum (Jakupovic et al. 1988a e 1988b). limoneno.Nas folhas de E.. quadrangularae (Hubert et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. adenophorum. odoratum foram encontrados taninos.. E. estigmasterol. e sesquiterpenóides de E.. E. 1986). Das partes aéreas de S. E. 1979). sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. espilantol. var. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. acmella L.. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. naginatacetona. 1987). laevigatum (Lopes et al. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. . triterpenóides de E. E. 1980) e E. 1993). Uma grande quantidade de terpenos (geranial. 1986). 1987). Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. deltoideum (Quijano et al. 1996). fortuna (Haruna et al. Os principais constituintes do óleo essencial de E. fenóis e saponina. 1980). 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al.. cannabinum (Stefanovic et al. p-cimeno. entre outros (Nakatani & Nagashima. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. rufescens (Ruecker et al. 1987). beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1986b). 1994). stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. 1987). 1986). 1977). paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. odoratum (Talapatra et al. recurvens (Herz et al. cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1987).. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. 1978). E. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S.fortunei (Haruna et al. 1992b.. E. E. laevigatum (Bauer et al. 1999). 1987) e E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. Ramsewak et al.

argentina) foram identificados quatro tiofenos. 1985). T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. tais como quercetagetina. Tosi et al. As espécies T. erecta (Singh et al. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. Os monoterpenos descritos em T. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T... 1993). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. T. 1987. 1987). como quercetagetina. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. 1990a). bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. 1988). riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. laxa (De-Israilev et al.. além de enxofre e fósforo. patula (Ivancheva & Zdravkova. 1990b).. T. glandulifera) (Craveiro et al. campanulata. T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. erecta e T. 1988a e 1988b). 1993). Pe- .. No entanto. Ahmad et al. patula foram isolados tiofenos. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. patuletrina e patuletina. lucida (Hethelyi et al. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. mendocina e T.. T. T.. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1995). 1990).. minuta são ocimeno. T. que podem ser diferenciadas pela composição química. 1987). 1992). Das raízes de T. Entretanto. patuletina e muitos desses derivados. 6-hidroxikaempferol. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. minuta e T. 1987).. 1988). 1993b). 1994) e T. pois somente T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 1991)..Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. 1988). dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. patula. T. 1988. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. T microglossa (Castro.

ocitocina. As antocianinas das flores de Z. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. elegans indicou a presença de Cumarina. .... (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.. 1995). Experimentos com A. taninos. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.. patula foi detectada (Arroo et al. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T.. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. glabratum (Saleh et al. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. Nascimento et al. 1980). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. glicosídeos cardíacos. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. 1996) dessa espécie. 2001). Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al... hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.. 1997).. 1988. 2002) e antifúngica (Portillo et al.. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1997).5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1987). 1988). 1995). além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. Carvalho et al. Em A. 1991). b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 1988).. australe (Matsunaga et al. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. a A. australe contra Plasmodium berghei em roedores..

N'Dounga et al.. pilosa L.-ol. B. 1987.Achila. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. 1991). A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. reduzindo a produção de prostaglandinas. 1949).. var.. 2000). 1969). Bondarenko et al. 1987). mas Bidens pilosa var. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. 1985. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. As folhas de A. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases... As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. minor foi a mais . As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. pilosa. como friedelina e friedelan-3. Abena et al. 1998b. Triterpenos.. 2000). à presença de saponinas (Gene et al. e B. além de vários flavonóides obtidos de B. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. presente em suas partes aéreas (Torres et al.. (1991). trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. Goldberg et al. as propriedades analgésica e antiinflamatória. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B.. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. Porém.. imunoestimulante (Ignácio et al. minor (Blume) Sherff. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. Bidens Experimentos com B.. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. 1997). possuem atividade antiinflamatória. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. 1980). aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. pilosa (Santos et al. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. 1996). 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1983). Extrato etanólico de B..

uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. 1997). cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 1989).. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E.. 2002). in vitro. E.. atidifolium e E. Um composto sesquiterpênico isolado de B. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. tequendamense (Mantilla & Sanabria. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. ou seja. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B.. 1998 e 1999). aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1996). densum. As folhas de E. pilosa L. 1995). campylotheca apresentou. morifolium e E.ativa. 1995). var. 1977).. E. La Casa et al. 1994. 1988) e E. hipotensora (Dimo et al. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. 1986) e diurética (Rebuelta et al. glyptophlebum. minor e B. consaguineum (Lopes et al. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1985). 1985). ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff.. gracilae. 1996). E.. somente os extratos de B. 1995 e 1996) e. 1995). pilosa L. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. brevipes (Guerrero et al. E.. Entretanto.. pauciflorum (Giesbrecht et al. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. 1985). Para a espécie B. O extrato hexânico de B. 1997). Eupatorium A espécie E.... ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. E. mais recentemente. . reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al... pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos.. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. balantaefolium (Almeida & Fonteles. A espécie B.. E. 1994). 1986b).

1991). 1998). halinfolium e E... assim como da atividade da RNA polimerase. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. 1991).... E. Achyrodine alata. O extrato bruto aquoso de E.. Piperidinas de E.. 1991).1986). 1992). DNAse. enquanto a espécie E. e de E. Sesquiterpenóides isolados de E. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. A. 1990).. proteínas. 1988). Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E.. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium.5-decadienamida. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. candolleanum (Campos et al. 1988.. hyssopifolium (Hall et al. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. flaccida. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al.. 1990). 1995) e E. squalidum (Carvalho et al. odoratum (Iwu & Chiori. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. 1986 e 1987. acmella foram isolados n-isobutil-4. (Giesbrecht et al. E. 1995). inulaefolium (Gorzalczany et al.. Cáceres et al. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. 1989). cannabinum. riparium (Ratnayake-Bandara et al. pauciflorum. Inibição da síntese de colesterol. 1995). 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. A... 1985. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. brevipes e E. ayapana (Gonçalves et al. RNAse. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. cannabinum (Bourrel et al. Guerrero et al. Os extratos de E. Eupatorium perfoliatum. Spilanthes Das folhas de S. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. 1982a). 1978).. larvicida (Pitasawat .. DNA e RNA de células tumorais. E. 1984. O óleo essencial de E. 1986). squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1996) e E. Herz & Palaniappan. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. E. Inya-Agha et al. 1990 e 1991).

. C. 1995). presente em muitas espécies. 1984). Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. RJ. mas não contra Candida sp. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. O eugenol...et al. Souza. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade.. 1994). erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. J. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. 1993).. Andrade.. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. 1993. antimicrobiana. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. Em S. 1988. (Fabry et al. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. et al. 1998) e espilantol. sendo os deri- . et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. in vitro. sedativa. 1990). como no cravo-da-índia. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. Valderrama et al. 1993). conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo.. Camargo Neves et al. enquanto o extrato de S. Em I minuta. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al.. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. O extrato de S. 1996)... testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. bem como no consumo destas (Meckes et al. F. 1986) e S. T. 1989). 1995). et al. folhas e flores de T. e o extrato de S. oleracea (Herdy & Carvalho. 1999).. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. L... antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. usado como emenagogo. 1992. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. 1987.... calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1992) e antitumoral (Moraes et al. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1992).

Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. 1997). 1994).. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B.. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos.. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. .. 1992). elegans L.. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Zinnia As sementes de Z. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. O extrato de T. 1995). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. 1991). o óleo essencial de T. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida.. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. Do extrato de Z. Dentre outras espécies. D e F.. lúcida estimulou discretamente. 1987). 1991). a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. 1997). 1995). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. 1994). O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. 1996). Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. coronopifolia e T. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al... Os extratos hexânicos de T. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. in vitro. in vivo e in vitro.Ca2+ dependente e inibiu.. a atividade da ATPase.vados tiofênicos os compostos ativos. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1989).

adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. fraqueza e debilidade dos membros. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. V. Estudos com a espécie A.. Tremetona isolada de E. especialmente na fase jovem. 1995). T. no entanto. 1996 e 1997). M. 1978a e 1978b). acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. 1993). enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. A ingestão regular de E. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. especialmente . porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. 1994). icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. Entretanto. hemorragia.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. caracterizados por diarréia.. S. Segundo Hoehne (1939).. adenophorum (Oelrichs et ai. dispnéia. 1990). As folhas de S.. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. 1988). Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. australe durante o período de prenhez de ratas. enquanto o extrato aquoso de S. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. 1995). et ai. alopecia. et al. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. a espécie E. A. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. congestão do baço e coração. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. australe são tóxicas para aves...

A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. FIGURA 28. b) detalhe da escanerata.1 .como diurético e hipotensor. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. relaxante muscular e antineoplásica.

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .FIGURA 28.Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.

b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.3 .

FIGURA 28.4 .Bidens bipinnatus. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

5 .: a) ramo florido (Di Stasi .original).Eupatorium ayapana. b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.FIGURA 28. . 1998).

1984).Spilanthes acmella. .6 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 28.

importante fonte de espécies ornamentais. Gelsemiaceae. Desfontainiaceae e Rubiaceae. A. do famoso jenipapo brasileiro. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). algumas espontâneas nas áreas tropicais.200 espécies vegetais cosmopolitas. Di Stasi C. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. . fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. C. do famoso Cafeeiro.29 Rubiales medicinais L. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. Genipa. Coffea arábica. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. arbustivos. alguns deles de valor histórico. e Gardenia. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. com representantes arbóreos. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. nos quais se distribuem mais de 10. 1997). • Ixoroideae: Coffea. como é o caso de Coffea e Cinchona. assim como de vários compostos com atividade farmacológica.

e Palicourea. com pêlos abaixo da inserção dos estames. diclamídeas. lanceoladas.• Antirheoideae: Guettarda. com espécies popularmente denominadas Poaia. importante árvore. Dados botânicos Pequeno arbusto. Não foram encontrados sinônimos. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. ovário ínfero. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. carnoso e drupáceo (Figura 29. flores hermafroditas. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. fonte de emetina e outros constituintes de importância. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. inteira. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha.1). muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. especialmente na Amazônia. . 1997). muito comuns em terrenos baldios. • Rubioideae: Psychotria. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. ereto. simples. fruto indeiscente. com corola de base gibosa. bicarpelar. Cephaelis da famosa C. ipecacuanha. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. folhas curto-pecioladas. estipulas não foliáceas. Borreria e Dioidea.

pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. 1976). De-Moraes-Moreau et al. de onde partem folhas com venação tênue. acuminadas. frutos do tipo baga. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Nomes populares No Brasil todo. de P... A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. inflorescência em panículas. opostas. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. com ramos cilíndricos. marcgravii. fendleri (Nakano & Martin. Além de alcolóide. glabros. 1995. Hil.Palicourea marcgravii St. Palermo-Neto et al. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. 2001). 1996. Stuart & Woo-Meng. .. avermelhados. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. delgados. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. 1989a). mas também considerada espécie tóxica e perigosa. sobretudo na região amazônica. 1994). foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.. 1999). (Kemmerling.5 m de altura. pecioladas.. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. avermelhadas. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. E popularmente usada como medicamento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

1996). midríase e morte em bovinos (Costa et al.teratogênica (Costa.1 . falta de coordenação motora.. vômitos. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . 1984a. náuseas.. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. et al.. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. 1986). enquanto P. 1995).. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. Das folhas de P. 1989). e a intoxicação. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. 1982). contrações musculares. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. P. FIGURA 29. espasmos musculares... Palermo-Neto et al. 1989b. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. 1988. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. 1989. Gorniak et al. Além de fluoroacetato.. Segundo Schvartsman (1979). comum em animais e rara na espécie humana. 1989).Palicourea laniflora. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. Tokarnia & Dobereiner.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. De-Moraes-Moreau et al..Banco de imagens - . marcgravii promoveu o aparecimento de excitação.

1978). a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. Di Stasi C. No Brasil.30 Dipsacales medicinais L. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Lonicera. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. também utilizado como medicinal em todo o mundo. Viburnum. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. 1997). Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. Abelia e Linnaea. . C. A. descrita a seguir. arbustos e lianas. Os principais gêneros são Sambucus.

a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30.Espécies medicinais Sambucus nigra L. as flores são brancas. usada internamente. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. no champanhe e no catchup. e possuem aroma muito agradável. A espécie. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. além de flavorizantes em vinhos. A infusão das folhas. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. Na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. . com ramos bastante lenhosos. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos.1). considerada exótica nas Américas. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. óleos e ungüentos. Apresenta importante valor econômico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. dispostas em um corimbo branco. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. Floresce nos meses de julho a agosto. além de seu histórico uso medicinal. gripes fortes e varicela. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. é considerada excelente diurético e sudorífico. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos.

2001).. 1986). Internamente. 1990. oléico. mirístico. S. 1988). gripes.. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. 1989a). sinusite. externamente. De S. folhas. canadensis foi isolado o iridóide . os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. heptadecênico. 1989b e 1989c). catarros. 1989. descrita no trabalho de Grieve (1994). linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. erisipelas e queimaduras. nigra. lignanas. a planta ainda é indicada contra influenza. esteárico. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. Kaku et al. reumatismo e febres.. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. os ácidos graxos láurico. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. cianogeninas. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. diuréticas. palmítico. lectinas das cascas (Shibuya et al. racemosa e S. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. Van Damme et al. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru.. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos.. para pequenas queimaduras. tetradecênico.Bown (1995) refere que flores. sudoríficas. flavonóides. casca e frutos são usados para diminuir febres.

. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1996. O extrato hidroalcoólico de S. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. indicado para hidropisia. canadensis (Buhrmester et al. Centaurium minus.. . O extrato aquoso de S. O extrato aquoso das folhas de S. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al... 1997). Salvia offtcinalis. Van Damme & Peumans. que possui atividade colerética (Takeda et al. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al.. 1997). uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. De S. formosana foram isolados. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. 1989). 1995). 1980). nigra. 1997). porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. 1992b e 1992). 1997a e 1997b). antiinflamatória e antipirética. 1997. 1994). não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. 1986). Sambucus nigra. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. 2000). Das cascas de S. 1987). As lectinas de S. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. conhecido como Sauco. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. Prunus spinosa... De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. O reatival. Bojic & Cuperlovic. e Polygonum aviculare.. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. Schoning. Com base nessa constatação.. australis. das folhas. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. 1974). 1990).. mexicana.. e das raízes de S. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. 1996). beta-amirina e o ácido oleanólico. 1997. Artemisia absinthium. apresentou atividades analgésica.morronisídeo (Jensen & Nielsen. 1988). De S..

1 . ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. 1999) e a espécie S.Sambucus nigra. Neto et al. 2000.. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). ..A espécie S. 2002). FIGURA 30.

Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. Dessas 135 espécies medicinais. como é o caso do Alho (Allium sativum). como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira.Posfácio L. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. entre outros. Mata Atlântica. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. C. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. da Hortelã (Menthapiperita). das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. A maioria é nativa desse ecossistema. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. . • 109 são usadas na Amazônica.

entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. a Calêndula (Calendula officinalis). a Camomila (Matricaria chamamila).Dessas 135 espécies medicinais. líquens. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. a Losna (Artemisia absinthium). e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. neste livro. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. ou seja. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. a Erva-doce (Pimpinela anisum). o Agrião (Nasturtium officinalis). o Coentro (Coriandrum sativum). 340 espécies. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. várias espécies amplamente conhecidas. a Mostarda (Brassica nigra). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. apenas dezesseis são monocotiledôneas. razão pela qual não foram incluídas no texto. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). compreendidas em trinta diferentes ordens. Esse dado se torna mais importante porque. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. o Mamão (Carica papaya). . o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero.

Finalmente. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. e que esse conhecimento seja recuperado. . devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. alcançando alto índice de citação. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. como a de massa e a erudita. Por isso. Sobre essas. esse conhecimento se enriquece a cada dia. isto é.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. pelos mais variados grupos de pesquisadores. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras.

pelo lado interno. . Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Anual. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Fruto seco. Aquênio. Antera. Que fica na axila. Que abraça o caule. com dois sexos. Bianual. Arista. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Bainha. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo.Glossário de termos botânicos. no segundo. Androceu. Alternas. Baga. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. os estames. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. o ciclo reprodutivo e depois morre. Axilar. Arilo. Aguda. Hermafroditas. Acuminada. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Planta que nasce. Excrescência da semente. com uma única semente. Andróginas. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Amplexicaule. indeiscente. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. folhas que envolvem o caule. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule.

Crenada. Fruto monospérmico. Colmo. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Fruto seco. Cuneiforme. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si.: cana-de-açúcar. Qualquer órgão que cai em determinado período. Decumbentes. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Corimbo. que é o verticilo externo da flor. Camada externa do pericarpo. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Deiscente. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. inseridas em um eixo comum. Planta trepadeira. Cariopse. Que se abre. normalmente largo. Carpelo. Caduco. Corola. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Dicotiledôneas. Carena. Diz-se da flor. deiscente. Estipula. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. mas sempre terminando na mesma altura. Estandarte. Com a forma de elipse. Escandente. dois mais altos e dois mais baixos. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Na forma de cunha. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. com função de proteção. Didínomo. Endosperma. Escapo. Diclamídea. Capítulo. Folha modificada que origina o gineceu. . Cálice. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Pedúnculo geralmente sem folhas. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Ex. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. seco e indeiscente. Cápsula. Drupa. Elíptico. androceu ou planta que possui quatro estames. Conjunto de pétalas. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Decorrente. Epicarpo. Cada um dos apêndices. tornando-o alado. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. como o fruto das gramíneas.Bráctea. Conjunto de sépalas. em geral dois. Estilete. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Pétala superior da corola papilionada.

Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. que é ramificada igualmente em forma de pincel. Flores. Folha. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Parte do estame que sustenta a antera. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado.Estômato. e ao de pétalas. que juntos constituem o perianto. pentâmeras etc. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. Filete. . Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. o de corola. As flores são estruturas de reprodução. As flores podem ser dímeras. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Fasciculada. trímeras. complexas e variadas nas formas. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue.

e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .

A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. as folhas podem ser pecioladas ou não. às vezes numerosas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. recebendo o nome de folíolos (ou pinais).quando se compõem de duas ou mais lâminas. às vezes reduzidas. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . Nesses casos. .quando consta somente uma lâmina . ou com o próprio caule. no caso das folhas compostas pinadas. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas.ou composta .

Todas essas características. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação.Finalmente. . mais aquelas apresentadas para as flores. conforme se observa na figura a seguir. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar.

Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Glabro. Desprovido de pêlos. Flor com apenas um invólucro no perianto. Lígula. Gavinha. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Hirsuto. Gineceu. Planta ou flor com dois sexos. Lanceolada. em linhas gerais. Hermafrodita. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Inflorescência. Planta que produz flores unissexuais. Metaclamídeos. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Porção alargada e achatada da folha. Folículo. Lobado. e as principais são motivadas na próxima figura. Monóica. é constante para cada espécie vegetal. Orbicular. Gluma. Infrutescência. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Monocotiledôneas. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Indeiscente. Monoclamídea. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Oblonga. deiscente. Fruto seco. mais longa que larga. Provido de pêlos longos. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Que não se abre. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Lóculo. . Diz-se da folha em forma de círculo. porém presentes na mesma planta. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Lâmina.Folíolo. Diz-se da folha que tem a forma de lança. os carpelos.

. . 1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.

linoléico. Uncinada. Alcalóides. Podem ser monobásicos. cáprico. Pecíolo. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. isovalérico. . dispostas circularmente. incolor. Perianto. o mesmo que cacho. palmítico. Substâncias orgânicas. oléico. Verticilo. fenólico e tartárico. Séssil. Receptáculo. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Pubescente. com cheiro desagradável. fórmico. Que forma gancho. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Hidrocarboneto não saturado. Ácidos orgânicos. solúvel em água. mirístico. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Conjunto formado por cálice e corola. Papilho. cujos pêlos se entrelaçam. Termos químicos Acetileno. gasoso.Panícula. nitrogenadas de origem vegetal. Conjunto de estruturas com a mesma função. araquídico. Cálice modificado em pêlos. Ráquis. característico da família Asteraceae (Compositae). Perene. aromáticos etc. succínico. gálico. Ácido graxo. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. dibásicos. Zigomorfa. Racemo. Rizoma. Estruturas com simetria bilateral. Planta ou órgão denso. Tomentoso. Qualquer estrutura provida de pêlos. cerdas ou aristas. Exemplos: ácidos acético. Ácido. Qualquer substância de sabor ácido. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Caule subterrâneo. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. esteárico.

de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Esterol. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Compostos aromáticos. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Fenóis. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Compostos naturais ou artificiais. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Aldeído. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Flavonas. onde exerce importantes funções. Ou hidrato de carbono. Líquidos incolores. com caráter gelatinoso. Flavonóides. Aminoácidos. derivados do cicloperidrofenantreno. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Compostos orgânicos não-cíclicos. Exemplo: p-cimeno. São corantes vegetais. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. como a quercetina. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. que exercem várias funções. vegetais e animais. timol. eugenol e hidroquinonas. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Cumarinas. Amilopectina. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. estragol. Cetonas. Exemplos: carvacrol. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. . Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico.Alcoóis. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Compostos alifáticos. Uma das substâncias constituintes do amido. Betaínas. encontrado nos organismos vivos. Esteróides. Carboidrato. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. originam as flavononas. amarelos e roxos. voláteis. Fitosterol. Ver esteróides. Catalase. tais como os hormônios.

Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Hormônio secretado pelo pâncreas. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Ligninas. Hidrolato. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. . Hidrocarboneto. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Polímeros de açúcares (polissacarídeos). derivados do fenilpropano. Líquido incolor e aromático. Mucilagens. Peroxidase. Insaturados. Compostos cíclicos. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Insulina.Fosfolipídio. Líquido oleoso. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Óleo essencial. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Lactonas. geralmente de odor agradável. sofrem hidrólise. Compostos cíclicos. Glicosídeos. pela ação de ácidos diluídos. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Glicídios. Peróxido. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Heterosídeo. recobrindo-as com uma camada protetora. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. oxidando outros compostos. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Substâncias que. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Lipídios. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Lignanas. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Combinações orgânicas do tipo da glicose.

Antibacteriano. ato ou efeito de desvariar. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Antiblenorrógico. Que combate fungos. Antifúngico. Amenorréia. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Alopecia. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). violenta. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Anticatarral. Auticonvulsivante. Acne. Que reduz ou suprime a dor. Antiescorbútico. de um músculo ou grupo de músculos). Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. que impede a formação de catarro. que provoca constricção. Adenocarcinoma. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Antiespasmódico. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Que aperta. Que combate as convulsões (contrações violentas. Antigonorréico. Falta de menstruação. Antiemético. Anemia. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Capaz de promover expulsão do feto. especialmente táctil e dolorosa. involuntárias de músculos voluntários). perda momentânea da razão. Alucinação. . que prende. Antidisentérico. Agregação. Afrodisíaco. Dor sufocante. Agrupamento. aglomeração. Que combate a eliminação de muco.Termos médicos Abortivo. Queda dos cabelos. Tumor maligno com disposição glandular. Que reduz a capacidade de reprodução. Anestésico. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Afasia. antigonorréico. Delírio. doença sexualmente transmissível. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Adstringente. Expectorante. Antidiabético. Que suprime náuseas ou vômitos. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). a sangue). podendo ser feminina ou masculina. Analgésico. calvície. sufocação. Angina. às vezes. Antifertilidade.

Relativo à tosse. Que dilata os brônquios. Antitumoral. formada por sais minerais. Que combate o corrimento vaginal simples. Antineoplásico. Antiinflamatório. Antimicrobio. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Antinociceptivo. Antileprótico. Que combate micróbios. Brônquios. putrefação ou contaminação microbiana. Que combate helmintos. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. febre paludosa ou palustre. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Ataxia. inatividade. desinfetante. Estado de indiferença. em geral acompanhada por desordens na fala. . Que combate as inflamações. especialmente bactérias. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Anti-histérico. Que combate a histeria. Anti-sifilítico. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate o reumatismo. Que impede a fermentação. Que faz baixar a temperatura. Antileucorréico. Que combate a formação de tumor maligno. falta de emoção. nos rins e/ou na vesícula biliar. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Anorexia. Que combate a lepra. Que combate a sífilis. quase sempre transmitida por contato sexual. Apatia. doença causada pelo Treponema pallidum. Antitérmico. também chamada de paludismo. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Antipruriginoso. Que combate as doenças provocadas por vírus. Anti-séptico ou Antisséptico. Antivenéreo. Anti-hemorroidal. que serve para o tratamento da tosse. Broncodilatador. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Em geral se forma na bexiga. Cálculo. Antimalárico. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Anti-reumático. insensibilidade.Anti-helmíntico. Béquico. Que combate tumores.no. Antivirótico. Redução ou perda de apetite. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação.

do intestino. gripe comum. Emético. Emenagogo. Dispnéia. Disfagia. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Infecção por bactérias. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Diurético. Depressor. Cardiotônico. que ativa a eliminação de bile. Que limpa. Catártico. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Dermatite. Desinfetante. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. que separa substâncias nocivas. Carminativo. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. gripe. particularmente a pele inflamada e porções próximas. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. reduz a força. Edema. Que provoca vômito. Que alivia a distensão por gases. Prisão de ventre ou. empachamento. Diaforético. Eczema. dificuldade para respirar. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Purgativo. do estômago etc. Desobstruente. que aumenta ou provoca a secreção urinária. que previne a invasão de microorganismos. libera a passagem de um vaso ou canal. Que favorece a secreção urinária. Inflamação da pele. Sudorífico. Que favorece o fluxo biliar. estimulante da transpiração. Constipação. acompanhada de náuseas. Dificuldade na deglutição. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. caracterizado visualmente pelo inchaço. Cicatrizante. Indigestão. purifica. Que tem a propriedade de amolecer. Citotóxico. Que favorece ou provoca menstruação. reduz a excitação. crostas e secreção. resfriado. Que deprime. Emoliente.Carbúnculo. Colagogo. enfraquece. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. sensação de peso ou queimação no estômago. também. Respiração difícil. Dispepsia. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Depurativo. . Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Congestão. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Que desentope.

Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Farmacoterápico. Flatulência. Hipotensor. Fitoterapia. Que produz imobilidade emocional. no estômago etc. Hemostático. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). O mesmo que arroto. Hepatócitos. Ictericia. Distensão por gases no intestino. deposição de bile nos tecidos. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Derrame de bile no sangue. Estupefaciente. Hiperglicemia. Hidropisia. Que estimula ou provoca a ação. Glicosúria. assombro. Capaz de promover estímulos. Fitoterápico. Hepático. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Que combate a febre. Hipoglicemiante. . Relativo a hemostasia. que estanca hemorragia. Que combate fungos. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Células do fígado. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Tóxico para as células do fígado. Estomáquico. que leva à perda de atividade. Hepatotóxico. Que baixa a pressão sangüínea. que melhora o funcionamento do fígado. pigmentação amarela generalizada da pele. produz sono e alivia a dor (narcóticos). com vermelhidão. Estimulante. Hipocolesterolêmico. espanto. Excitante. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Hipertensor.Erisipela. Fungicida. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. com bradicardia (pulso lento. Relativo ao estômago. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Relativo ao fígado. estado de irritação. Expectorante. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Fitofármaco. Febrífugo. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Que aumenta a pressão sangüínea. com anemia. que facilita as funções do estômago. Eructação.

Inseticida. Poliária. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Estado que é tóxico ao rim. produzindo sono e alívio da dor. Malária. Purgativo. causado por gordura. Que produz gordura. que faz cessar inflamação. calmante. o mesmo que laxante. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Morféia. Lumbago. Sialagoga. Lipogênico. Que resolve. Nefrotoxicidade. Que alivia excitação. Moluscicida. Resolutivo. Tóxico para as células brancas do sangue. Mutagênico. Sedativo. Dilatação da pupila. purgativo fraco.Impingem. Incapacidade de reprodução. Lenitivo. Grau ou índice de parasitas no sangue. afecção cutânea. Parasiticida. Corpúsculos sangüíneos. Plaquetas. Lipemia. Narcótico. purgante. droga que paralisa as funções do cérebro. Substância que mata insetos. que apenas exonera o intestino. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. tranqüilizante. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. dorso). Que produz sono ou inconsciência. como no caso da esquistossomose). Midríase. que acalma. Lepra. Dor na região lombar (costas. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Que laxa ou afrouxa. Laxativo. impaludismo. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. importantes para a coagulação sangüínea. Maleita. . Parasitemia. Infertilidade. Linfocitotóxico. Peitoral. Que adoça ou acalma. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Relativo a peito. Excreção excessiva de urina. Que mata ou destrói parasitas.

Que tranqüiliza. Tranqüilizante. Diaforético. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Que provoca vesículas. Salivação abundante. Zigotóxico. Vermífugo. Sudorífico. Sinusite. Revigorante. Tônico. bolhas. Vesicante. Que destrói ou afugenta vermes. Próprio para curar feridas. que facilita a saída de pus. Supirativo. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Que produz pus. Testículo. Tóxico para o zigoto. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Teratogênese.Sialorréia. que acalma. . Vulnerário. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides.

v. simpósio ou similar. v. v.12. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros).1294-7. seguindo-se o título do congresso. n. n. p. • Quando se trata de livro.269-74. n. ABE.2. S. N. dissertações e outras publicações do gênero. ABDALA. Khim..43.60. SEELIGMANN. . os autores são citados no texto. Biochemical Systematics and Ecology. . R. 1997. ABDULLAEV. P Lilloa. Um autor. página inicial e página final e ano de publicação. n. ABDEL-KADER. p.23. (Tashk). seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. et al. I. p. ABDU-AGUYE.499-500.3. v. F.871-2. n. p. et al. Soedin (Tashk). 1985. Soedin. Human Toxicol. Khim. n. página e ano.5. L. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. p.3. Nat. os autores são citados como nos casos das revistas. apenas sua referência. p. Os dois autores.. Prir.4.326-32. nos casos de dupla autoria. et al.38. O mesmo se aplica a teses. et a l j .l69-71.7-8. M. 1986.657-63. 1995a.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor.5. incluindose volume. D. . 1995. Prir. n. v. 1986. Prod. nos casos de única autoria. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). p. nos casos em que há mais de dois autores. fascículo. 1995.

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339-40 Anacardium giganteum. 110 Annona tenuiflora. 65-6.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 42-3 Andropogon nardus. 65. 90-3. 154 Alternanthera micrantha. 465. 450. 78 Alpiniajaponica. 52. 149. 96. 58. 480 Bignoniaceae. 345. 489 Bidens pilosa. 77 Aloe vera. 316 Bidens bipinnatus. 148 Anacardiaceae. 202-4 . 474. 368 Arecaceae. 56. 463-5 Asterales. 480. 75 Allium sativum. 113 Aristolochiales. 227-8. 149-50 Amaranthaceae. 488 Bauhinia forficata. 463 Asteridae. 69-74. 351-2 Baccharis trimera. 364 Apocynaceae. 115 Aristolochia trilobata. 68. 466 Adenocalyma alliaceum. 381-5. 223 Bixa orellana. 377-78. 360 Anacardium occidentale. 65. 467. 376 Araliaceae. 475. 140-1. 201-2. 342-3. 453. 95-9. 487 Alismataceae. 143 Acanthospermum australe. 373 Averrhoa bilimbi. 152. 361 Andropogon leucostachys. 340-3. 351-2 Averrhoa carambola. 67. 43 Annona muricata. 3512. 458-6 Achillea millefolium. 79 Alismatidae. 119 Aristolochiaceae. 93. 79 Allamanda cathartica. 113 Asclepiadaceae. 102. 113-5. 364 Apiales. 386 Asteraceae. 81 Arecidae. 90 Apiaceae. 461 Ageratum conyzoides. 468-9. 467-8. 479. 79 Aristolochia. 475. 449 Bixa arborea. 111 Annonaceae. 62 Alternanthera brasiliana. 468-9. 391 Allium cepa.

393 Cordia verbenacea. 201 Boerhavia difusa. 264-5 Cymbopogon citratus. 236 Euterpe edulis. 315 Caesalpinia pulcherrima. 215. 259 Hedychium coronarium. 80. 286. 49 Cymbosena roseuna. 224 Hibiscus sabdariffa. 441 Inga spectabilis. 298 Derris floribunda. 265 Caprifoliaceae. 206-7. 61 Heliotropium indicum. 387 Gentianales. 402-3 Cactaceae. 145 Caryophyllus aromaticus. 373 Eupatorium ayapana. 212-3. 147 Caryophyllidae. 285. 406 Brunfelsia grandiflora. 470. 398. 272. 407. 287 Cassia occidentalis. 279. 287 Cecropia peltata. 272 Clidemia novemnervia. 312 Ipomoea batatas. 171 Gossypium barbadense. 319 Dipsacales. 53-4 Coutoubea spicata. 282-3. 255 Croton sacaquinha. 287-8 Cassia reticulata. 237. 308 Dipteryx punctata. 324. 266 Capparidales. 496 Dipteryx odorata. 178-9. 152-3. 172 Boraginaceae. 83 Eryngium ekmanii. 163-4 Chrysobalanaceae. 481. 280. 207. 175 Diplotropis purpurea. 295. 301-2. 299. 471 Gomphrena globosa. 247. 302 Echinodorus grandiflorus. 440 Costus spiralis. 54. 235 Cecropiaceae. 225 Guttiferales. 292 Caesalpiniaceae. 413-4. 151-2. indicus. 411 Hibiscus furcellatus. 213. 214 Himatanthus. 41-2 Convolvulaceae. 375 Gnaphalium purpureum. 231 Celastrales. 163 Chenopodium ambrosioides. 170 Chenopodiaceae. 327 Cassia multijuga. 386-7 Gentianaceae. 281. 365-9. 297 Capparidaceae. 388 Croton cajucara. 366-7 Hymenaea courbaryl. 331 Celosia argentea. 82-3 Fabaceae. 44. 178 Cybianthus. 46-7. 395 . 155-6 Caesalpinia ferrea. 276-7 Cajanus cf. 259 Commelinidae.Bixaceae. 205. 296 Fabales. 283. 190 Cucurbitapepo. 242. 211. 300. 298 Derris amazônica. 231 Celastraceae. 150. 210. 238 Cucumis anguria. 490 Euphorbiaceae. 382-3. 496 Caryophyllales. 275 Hydrocotyle exigua. 230-2. 179 Cucurbitaceae. 292. 63 Heliconia. 276 Fischeria cf. 165. 394-5 Ipomoea quamoclit. mariana. 299 Dillenidae. 154. 185. 430. 322 Clusiaceae. 318 Desmodium tortuossum. 236 Euphorbiales. 385 Hirtella. 284 Hyptis crenata. 408-9. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 379.

262 Myrtaceae. 245. 180. 399-400. 64-5 Liliales. 233 Muntingia calabura. 87 Magnoliales. 451-2 Jatropha curcas. 494-5 Passiflora coccinea. 161-2 Portulaca pilosa. 108 Petiveria alliacea. 167-9. 107 Leguminosae. 332. 64 Lippia alba. 412-3 Lamiales. 432 Ocimum canum. 192 Pedaliaceae. 321 Menispermaceae.Jacaranda caroba. laniflora. 184-9. 208 Malvaceae. 191 Lamiaceae. 160. 258 Physalis angulata. 240-1 Magnoliidae. 244-6. 336 Maytenus ilicifolia. 415-6. 61 Musaceae. 431. 158-9. 173 Phyllanthus corcovadensis. 129. lhotzkyanum. 422-3. 60 Myristicaceae. 414. 134 Piper d. 89 Malpiguiaceae. 42 Pogostemon patchouly. 420. 321 Nyctaginaceae. 350 Palicourea cf. 424. 427. 337 Malva parviflora. 126-7. 421. 137 .120 Piperales. 303 Myrsinaceae. 416. 334-6 Melastomataceae. 444 Mentha pulegium. 161 Ocimum basilicum. 135 Piper marginatum. 121. 79 Moraceae. 132 Peperomia. 434-5 Lippia granais. 198 Lacistemaceae. 389 Luffa cylindrica. 200 Maytenus aquifolium. 125. 136 Piperaceae. 418 Mentha viridis. 122-3 Piper cernnum. 427. 256 jatropha gossypifolia. 431. 192-3. 427-8. 426. 254. 204 Malvales. 402-5 Phytolacaceae. 185. 337 Polyscias. 419-20. 124. 128. 406 Lauraceae. 447 Polygalales. 162 Portulacaceae. 238-9. 199 Passifloraceae. 427 Ocimum gratissimum. 425-6. 131. 442 Leucas martinicensis. 229 Musa. 425. 106 Laurus nobilis. 121-2 Pereskia grandifolia. 252. 311 Momordica charantia. 495 Palicourea cf. 103 Myrocarpus frondosus. 39. 130. 369-72 Portulaca oleraceae. 108 Persea gratíssima. 453 Peperomia elongata. 64 Liliidae. 432. 443 Liliaceae. 323-4 Myrtales. 156-7 Persea americana. 277 Leonotis nepetaefolia. 417. 419. 251 Lacistema. 432 Ocimum micranthum. 446 Origanum vulgare. 493. 429. 435 Loganiaceae. 191-2. 239-40. 241. 125. 195 Mabea angustifolia. 196 Monocotiledonae. 250-1. 139 Mentha piperita. 123. marcgravii. 120 Poaceae. 445 Mimosaceae. 166 Piper cavalcantei. 181-2. 158 Pothomorphe peltata. 422 Oxalidaceae. 221-2. 332. 133 Piper gaudichaudianum.

434 Violales. 138 Primulales. 215-6. 325-9. 221 Urena lobata. 320 . 209 Urticales. 492 Rubiales. 218. 479. 216 Stigmaphyllon fulgen. 48. 127. 262 Prunus domestica. 363 Rutaceae. 390 Symphytum officinale. 345. 449 Sechium edule. 478 Theobroma grandiflorum. 132. 472. 322 Rosaceae. 58 Zingiberaceae. 492 Ruta graveolens. 400 Solanum tuberosum. 233-4 Spilanthes acmella. 269 Rubiaceae. 457 Scrophulariales. 274 Psydium cf. 213. 339 Schinus terebenthifolius. 338 Stigmaphyllon strigosum. 208-9. 51 Zinnia elegans. 230-1 Verbenaceae. 312. 228 Thevetia peruviana. 55. 189. 457-60. 197 Xylopia cf. frutescens. 226 Solanaceae. 485. 393 Solanum paniculatum. 51 Zinigiberidae. 338 Strychnos triplinervia. 473-4. 271 Rosidae. 482. 397-8 Solanales. 453-6 Sida rhombifolia. 497-500 Sansevieria. 139 Rhynchanthera grandiflora. 484 Zollernia ilicifolia. 227 Theobroma speciosa. 347. 217-9. 99. 183.Pothomorphe umbellata. 182 Sesamum indicum. 354-7. 409. 177-8 Virola surinamensis. 330 Pyrostegia venusta. 462 Ranunculales. 401 Solidago microglossa. 474. 103-6 Vismia japurensis. 50 Sambucus nigra. 361 Sterculiaceae. 52 Zingiberales. 463 Scrophulariaceae. 353 Saccharum officinarum. 412 Tagetes erecta. 273 Rosales. 349. 326 Psydium guajava. 344. 452. 379-85 Tiliaceae. 477. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 45. 471 Sorocea bomplandii. 112 Zingiber officinale. 350. 491 Spondias purpurea. 76 Sapindales. guineense. 360 Scoparia dulcis. 101. 94-5.

Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. do Departamento de Fisiologia.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. do Departamento de Farmacologia. Campus de Botucatu. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. Capa: tsabel Carballo . estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones.

. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.