Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica . .Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

Inúmeras discussões e propostas são realizadas. provavelmente. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. a falta de propostas decorre de um dos dois. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.perda da fauna e da flora. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. entre outros -. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. ou melhor. Nos últimos anos. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. comprometimento do abastecimento de água.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. empobrecimento do solo. ou significam estratégias proibitivas. Acreditamos que. conse- . se propõe e se discute sobre o assunto. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . mas pouco se faz. que em sua maioria não resolvem o assunto. pois. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. alterações climáticas. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação.

especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. regional. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. permitir grandes avanços na conservação. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. mas inclui ainda interesses econômicos. Por sua vez. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. Consideramos. Dessa forma. a contribuição deste . sem dúvida alguma. Para tal. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. Nesse sentido. priorizadas. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . Essa relação.qüentemente. os moradores da floresta . Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. seus produtos e suas relações. entretanto. atualmente. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. São eles que podem. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Nesse aspecto. portanto.quer sejam grupos definidos.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. os pescadores do Vale do Ribeira. quer sejam comunidades tradicionais. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. como os ribeirinhas da Amazônia. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. não se dá apenas visando à sobrevivência. como mais um produto para comercialização. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. São eles que conhecem a floresta. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira.

que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. em janeiro de 1999. cada qual havia tomado seu caminho. e também no de desenvolvimento. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. como instituições determinantes para o avanço. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. No entanto. pagando o preço de um trabalho mais social. A equipe já não era a mesma. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. conseqüentemente. entretanto. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. Dessa forma. Não custa lembrar e salientar.livro é um começo. Passou da hora de a ciência e a política. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. na verdade. Foi a partir de pesquisas que realizamos. mais abrangente. publicado originalmente em 1989. Começamos o trabalho. já que dez anos haviam se passado. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. considerando os aspectos aqui referidos.

buscamos informações em diversos endereços. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. Nessa nova etapa. Index Medicus. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. outro importante e singular ecossistema brasileiro. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. pelo menos as mais citadas. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). além dos desenhos apresentados inicialmente. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. Estado de São Paulo. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. Por si só. No entanto. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. a nova idéia não tinha mais como retornar. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. incluindo fotos de algumas espécies. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. por um lado. químicos. à medida que. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores.proposta original. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. farmacológicos.não . foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. por outro. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. Chemical Abstracts).

como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. No entanto. mas com um livro. como é o caso da Amazônia e. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. sempre foi uma preocupação constante. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. da Mata Atlântica. sem dúvida. especificamente.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. Com essa nova concepção. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. especialmente os mais ameaçados. mas um novo trabalho. passaram a representar uma nova alternativa . Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. mas as plantas medicinais. que serão úteis. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. A conservação dos ecossistemas tropicais. mais acessível que os artigos .em artigos científicos e técnicos. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. não apenas catalogando espécies medicinais. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. hoje. durante todo esse período.

acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. apesar de preliminar e pequena. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. municipais e federais) e não-governamentais. Finalmente.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos.para a conservação dos ecossistemas. Nesse sentido. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. mas pouco realizado na prática. realizadas de forma racional e sustentável. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. Luiz Claudio Di Stasi .não pode ser apenas a retórica. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais.

Em terceiro lugar. Em segundo lugar. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. Em primeiro lugar. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. pretendeu-se. que esse conhecimento seja perdido. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. desse modo. a nosso modo de ver. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. realizar um estudo etnofarmacológico regional. o que. evitando-se.

preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. Em quarto lugar. juntamente com o Prof. e que visa.natural. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. como qualquer outra atividade humana. Finalmente. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. consideramos que a ciência. Nesse contexto. pretendeu-se. químicos. com a promoção de melhores condições de vida para a população. farmacologistas etc). do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). que potencialmente es- . com as atividades deste trabalho. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. realizado no município de Humaitá. com os conhecimentos adquiridos. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Nesse contexto. Por outro lado. além dos objetivos aqui expostos. deve ter um componente social em seu escopo. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. da qual o próprio pesquisador faz parte. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. Osvaldo Aulino da Silva.

verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. pela sua característica multidisciplinar. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. além de botânicos. tipo do solo. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). clima.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. propiciou um imenso prazer. além de engrandecer o trabalho. essa área requer um enfoque novo. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. Acreditamos. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. para que o conheci- . qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. estações do ano e outros). e nossa experiência é prova disso. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. que podemos denominar ecológico. No entanto. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. farmacologistas. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. como seres vivos. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. antropólogos e químicos. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. consideramos de grande importância colocar que. estágio de desenvolvimento. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. no entanto. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. portanto é urgente a sua consideração. que se superando as dificuldades.

Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. acrescentaram uma experiência rica. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida.mento tradicional seja devidamente resgatado. que. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. além de tornarem possível este trabalho. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. Luiz Claudio Di Stasi .

Dessas. por fim. portanto. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. de um lado.. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. (Cena III. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. mas os primeiros registros remontam a milênios. e. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. a grande maioria na região amazônica.William Shakespeare. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. quando se constata. Observa-se.. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. apesar disso.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. O Brasil contribui com 120 mil espécies. Ato II de Romeu e Julieta .

a distância vencida. Dra. Profa.Campinas) . Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro.criteriosos. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. enfim. de outro. Mas o passo foi dado. efeitos observados. Levantamentos etnofarmacológicos. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Quando dizemos criteriosos. como este que aqui se apresenta. Por último. e isso é o que importa. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. posologia.

alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. No entanto. provenientes da evapotranspiração. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. conforme aponta Philip M. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. Atualmente. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. apesar da pobreza dos solos. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. . A exploração madeireira. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. que. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. De fato. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. Dada a fragilidade desse equilíbrio. Fearnside. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. no caso da Amazônia.

Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Dr. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. Luiz Claudio Di Stasi.Rio Claro) . que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. portanto. Plantas medicinais na Amazônia. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. e. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. desde o leigo ao mais especializado. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. De qualquer maneira. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. riquíssima em espécies. das quais poucas foram estudadas. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. honrado em apresentar esta obra. Prof. ecológico e histórico. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. do ponto de vista social. julgamos altamente preocupantes: por um lado.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. por outro. Sinto-me. acarreta duas situações que. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Somada a isso. fruto de um trabalho sério de pesquisa. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. coloca às mãos dos leitores.

Vale do Ribeira. • Aldeia dos Tenharins. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. conforme descrito a seguir: . localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. no Estado de São Paulo. Jacupiranga e Sete Barras.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. sul do Estado do Amazonas. resumidamente. no Amazonas.

Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). a coleta errada do material. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Para as espécies da Amazônia. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Amazonas. assim. No caso de material em fase de floração. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. evitando-se. Departamento de Botânica do Instituto de . Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Para materiais fora da fase de floração.

as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. para sua identificação. Outras informações (agronômicas. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Itajaí .Santa Catarina. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Index Medicus (Med-line). Chemical Abstracts.Rio Claro. .Biociências da UNESP .Botucatu. Sites da Internet. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.

Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. . verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. como havia sido feito na primeira edição deste livro. com o tempo. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares.

as quais se subdividem em cinco seções: . em vários casos.incluindo as dicotiledôneas medicinais. dados ecológicos e distribuição.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . incluindo: . respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. . • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. que compreendem uma descrição botânica. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.• Parte II .dados botânicos e outras informações (quando for o caso). Para cada capítulo. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. • Dados químicos.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. .Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . • Introdução sobre a família botânica ou. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.

formatado e montado para a inclusão neste livro. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. No final do livro. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. • Dados toxicológicos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. UNESP.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. formatadas e montadas para inclusão no livro. formatadas e montadas para inclusão no livro. Instituto de Biociências de Botucatu. além de uma extensa bibliografia atualizada. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. de vários tipos: . . . . . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. C.• Dados farmacológicos. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. encontram-se um glossário de termos botânicos.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

algumas delas descritas neste capítulo. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. M. pelo seu grande valor ornamental. Santos L. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. M.1 Commelinidae medicinais C. Xyridaceae. Mayacaceae e Commelinaceae. C. A. Guimarães C. Outras ordens botânicas como Juncales. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Hiruma-Lima E. . Typhales.

que incluem vários gêneros. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. açúcar e trigo. Saccharum e outros. cujo representante principal é o arroz. • Pooideae. e o gênero Oryza. saponinas. Arundinoideae e Chloridoideae. Os outros constituintes incluem alcalóides. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. substâncias cianogênicas. como Sorghum do sorgo. Cymbopogon. que inclui os gêneros Secale e Avena. subfamília que. • Panicoideae. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. mas sem importância medicinal. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. . é a mais importante. 1996). Andropogon nardus. principalmente Zea mays (milho). Várias espécies possuem importância terapêutica. A família é dividida em quarenta tribos. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Zea. • Centothecoideae. ácidos fenólicos. amido. do famoso centeio e da aveia. ferragem. respectivamente.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). que inclui alguns importantes gêneros. também denominada Gramineae. açúcar e óleos essenciais. flavonóides e terpenóides (Evans. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. gêneros alimentícios como bebidas.A família Poaceae. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. reunindo inúmeras utilidades. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. do ponto de vista de espécies medicinais. Paspalum.

podendo atingir até 2 m de comprimen- . com folhas invaginadas bastante agudas. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. os colmos são finos. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Andropogon nardus L. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. espiguetas sésseis e fruto cariopse. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. por sua vez. Em outras regiões do país. glabros e curvados.B. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão.K. possuindo um grande número de ramos. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Em outras regiões do país. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.5 m de altura. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. os quais.

Capim-marinho. problemas estomacais e febre. Cymbopogon citratus (DC. folhas alternas. formigas e traças. eretas. Vervena. marginatus e validus. Capim-cidreira. Capim-sidró. bainha larga e lígula na base do limbo. Capim-cidrão. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. sudoríficas e carminativas. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. ásperas em ambas as faces. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. lineares.) Stapf. formando uma touceira robusta. com nós e entrenós. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. compridas. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Patchuli-falso. Sídró. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela.to. com grande valor econômico. Capim-limão.1). Capim-cheiroso. rizoma semi-subterrâneo. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. tais como flexuosus. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Erva-cidreira. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1962). O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras.

1980). 1980). 1988). em Brasília. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. Matos & Das Graças. carminativo. duas vezes ao dia. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1986).. gripes fortes. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. a infusão das folhas é usada como antidiurético. ápice agudo.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. lineares. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . fruto do tipo cariopse ovóide. colmo arqueado na base.Na região da Mata Atlântica. planas. Saccharum officinarum L. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. espiguetas com flores pequenas. calmante e antiespasmódico (Barros. no Pará. pequeno (Figura 1. no Rio Grande do Sul. reumatismo e febre. nervura central saliente e bainha espinescente. hermafroditas. 1982). verde ou violácea. contra gripes. no Ceará. como calmante e antiálgico (Van den Berg. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. ásperas. na forma de banho (Amorozo & Gély. dores de cabeça e dores musculares. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. cilíndrico. simples. dores de cabeça e disenteria. 1982. Na região da Mata Atlântica. Cana. o suco do colmo da planta. folhas amplexicantes. articulado e um pouco mais grosso nos internós. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. simplesmente. 1 dísticas.2). no Mato Grosso. como diurético.

O óleo essencial de C. linalol. como citronelal. metil-heptenona. vários aldeídos. 1996. 1996). citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. mirceno. 1997). terpenos e dipenteno (Costa.8-cineol. envenenamento com arsênico. cetonas e alcoóis. erisipela. internamente. a. febres. limoneno. 1981).e b-pineno. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. cariofileno. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. escarlatina.diurético e contra hipotensão. 1. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. geraniol. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). rachas dos seios. como o geraniol. . farnesol. Ming et al. externamente. chumbo e cobre. isovaleraldeído e decilaldeído. vômitos da gravidez (Corrêa. neral. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. contra úlceras da córnea. 1986). citronelal. laurato de etila. 1997). A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. tuberculose. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças.. metil-heptenol. mentol..4%). geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. neral. contra resinados e anginas e. aftas. nerol. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. cólera. além de seus isômeros geralúal e neral. 1984). sendo determinados os principais constituintes: citral (69. felandreno.

8%). A atividade antibacteriana de C. 1988). 1997). Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. 1996). Onawunmi et al. 1990). 2002).. O extrato metanólico de C. Onawunmi & Ogunlana. 1995).5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al.. Com as folhas de C. 1983 e 1989a). Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. Os principais constituintes das folhas de C. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1985). 1988). citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1989) e antioxidante (Lopes et al.. (1983) referem atividade antiespasmódica. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. . 1988). Lorenzetti et al. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. Di Stasi et al. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al.. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al.. (1985)..9%) e neral (33. toxicológico e clínico com essa espécie.. 1984. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal... porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. anti-helmíntica (Jourdan. 2000. Pinho et al. não observando propriedades de interesse terapêutico. relatam. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. 1997) e o extrato de C. 1988).. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. 1998).... 1988) antimicrobiana (de Sá et al. 1997). anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. no entanto. 2002. Onawunmi.. 1986 e 1987. citratus. e Di Stasi (1987). analgésica (Viana et al.. enquanto Ferreira et al. mirceno (12.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. geranial (45. 1986 e 1987). 1986. 1988).

2000). (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. Além de hipocolesterolêmico. 1983). e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. 1988). Hikino et al. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. ligninas e ácidos fenólicos. Menendez et al. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. De S. ataxia.. citratus. visto o grande número de trabalhos com C. . 1997. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero.. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. 1990). 1989). é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al.. ácidos p-coumárico.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. bradipnéia. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. também conhecido como Capim-cidrão. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. ferúlico e sinápico (He & Terashima. um álcool alifático com alto peso molecular. 1999). perda de postura. Dados toxicológicos O óleo de C. Para a espécie Saccharum officinarum. 1986a). citriodorus. Foi isolado também o policosanol. sedação e defecação (Ferreira et al.. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke..

1 . .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Banco de imagens ).FIGURA 1.Saccharum officinarum.2 . .

não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. importante produto de comercialização. Guimarães C. . Lowiaceae. As espécies da família Bromeliaceae. C. M. A.2 Zingiberidae medicinais C. Hiruma-Lima L. M. Santos E. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. Cannaceae e Marantaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Zingiberaceae. De todas essas famílias. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Tal uso não é comum na região amazônica.

deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Costus e Hedychium. e • Zingiberoideae. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. Alpinia. com várias espécies medicinais. especialmente as famosas Canas-do-brejo.100 espécies tropicais espontâneas. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Vindecaá e Vindicáa. Curcuma. Renealmia e Riedelia. larga bainha na base que envolve o caule. com folhas membranosas. algumas delas aqui descritas. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. destas. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. nos quais estão distribuídas 1. na qual se localizam os gêneros Zingiber. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. lâminas . Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. inclui 52 gêneros.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. descrita por Ivan Ivanovic Martinov.

flores em grupos com brácteas vistosas. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. elípticas. ápice agudo e base arredondada. 1988). . inclui 42 espécies tropicais. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. densas com flores brancas ou róseas. contém inflorescências terminais. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. hermafroditas e zigomorfas. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira.5 m de altura. contra sarampo. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. vistosas. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides.com 20 a 40 cm de comprimento. entouceirada. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. O gênero Costus. gineceu com ovário ínfero.1). descrito por Carl Linnaeus. podendo chegar a até 1. mas com algumas espécies em regiões tropicais. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. fruto capsular. Costus spiralis Rosc. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. perianto distinto em cálice (claviforme. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. espessas.

sendo de fácil multiplicação por touceiras. descrito por Johan Gerhard Koenig. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Hedychium coronarium Koen. muito perfumadas (Figura 2. Lírio branco e Gengibre branco. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Em razão de sua beleza. especialmente de origem sifilítica. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. A decocção de suas folhas. em Iguape é comum a denominação Napoleão. incluindo a espécie aqui descrita. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. cilíndricas. de onde partem as folhas longas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. O gênero Hedychium. grandes. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. contra diarréias graves. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. sésseis. a espécie é muito utilizada como ornamento. as inflorescências são terminais com flores brancas. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça.2). vistosas. . muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. na forma de infusão. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. lanceoladas e coriáceas.

com uma lígula membranosa bífida. A espécie é usada. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. sendo provavelmente o local de sua origem. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. . mas especialmente na Ásia. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. tosses. em todo o Brasil. mesmo no Vale do Ribeira. e. 1995). A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. lanceoladas. C. carminativa com uso na dispepsia. contra náusea. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. contra reumatismo. onde a maioria das espécies é espontânea. com ampla distribuição. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. flatulência e eólicas. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. de Gengibre. internamente. cólicas. externamente. além de diversos outros usos (Bown. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. gripes. 1994). indigestão. A espécie é reputada como estimulante. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. gripes e para problemas circulatórios. lumbago e cólicas menstruais. diarréias e como vomitiva. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. folhas alternas.

constituintes fenólicos em A. (Xue et al. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. galanga. speciosa. 1.. 1987b). nutans (Mendonça et al. e 5. 1988). Os principais constituintes dos frutos de A. 1988a). Dos rizomas de A. Da espécie A. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano.6-dehidrokawaina. dihidro-5. humulene. 1987). speciosa e A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. 1995). O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. Os compostos isolados dos rizomas de A. intermedia (ltowaka et al.. Cinco compostos.... taninos.8cineol. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. 1987c). 1996). isohanalpinona e alpinenona.. galanga. 1987).. linalol.. 1987a e 1987f) e A. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al.. óleo essencial. japonica (Morita et al.. Foram isolados dos rizomas de A. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1990). 1988). galanga (Mori et al.-(17)12-labddieno-15. 1988). 1987). De A. 1987b). galanga (Barik et al.. Os sesquiterpenos -eudesmol.. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. 1987). galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al.. acetato de geranil. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.6-dehidrokawaina... 1985a e 1985b. katsumadai (Okugawa et al.16-dial (Morita & Itokawa. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. galanolactona e (E)-8.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. flavonóides em A. nerolidol.

polyantha foram isolados. sendo um novo. 1989). Cinco diarilheptanóides.. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. 1997b) e quercetina (Wang et al. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. .calixina A e B e 3-epi-calixina B . Das sementes A. yakuchinona B.. As sementes possuem mirceno.5heptanediona.. isohanalpinona.. katsumadai possui -pineno. furopelargona B. 1997a). 1. sódio. bornil acetato... intermedeol e -selineno (Itokawa et al. De A. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. C. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1990). manganês.. hanalpinol peróxido. densibracteata foram isolados os bisabolanos. além das vitaminas B1. 1997b).7-difenil-3.. 1997). tectochrisina e nootkatona (Zhang et al.foram isolados recentemente da espécie A. furopelargona A.. sesquifelandreno e zingibereno. fenóis e alcalóides.. Os frutos de A. magnésio. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1992). aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al... ferro. potássio. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. blepharocalyx (Kadota et al. isohanalpinol e aokumanol. E. flavonóides (Luo et al.-o1. linalol. chumbo. hanalpinona. 1987d). 1988). 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. B2. terpineol e 1. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. Três novos diarilheptanóides . 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. Das partes aéreas de A. felandreno. oxyphylla contêm neonotkatol. alpinenona. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. fenchona e geraniol. -ll(12)-eremofilen-10. 1999). 1994). -sitosterol. decanol. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. 1997a). yakuchinona A. zerumbet (Xu et al.. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.8-cineol.. A análise fitoquímica de A. flabellata (Kikuzaki et al. 1996). cálcio. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1990). l. Do óleo essencial das sementes de A. geraniol.8-cineol (Lai et al. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. 1987). zinco. O óleo essencial das folhas e caules de A. 1997).. pineno. citronelol. além de óleos essenciais (Mendonça et al. 1989). mirceno. Dos rizomas de A.. conchigera (Athmaprasangsa et al. trans-bergamoteno. daucosterol.

além de medicinal. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1988b). 1988. 1987). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. 1989). galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1985). galanga (Itokawa et al. Constituintes isolados de A. bloqueio neuromuscular. 1996). indicando . 1999). 1994). Sesquiterpenos isolados de A. japonica e A. 1996). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. Lin et al. oxyphylla (Kyung-Soo et al. 1988). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. na perfumaria. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. que é um derivado do gingerol. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. e seu óleo. 1987c) e A. speciosa. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. Estudos com a espécie A. galanga (Janssen & Schefter. 1997). 1976) e A. A erva. 1972). Mendonça et al. 1986). 1996).De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. é usada na culinária. sendo antiulcerogênica (Wang et al. A espécie A. 1999. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. 2000). inibição da musculatura lisa.

. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al.. 1994). Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. officinarum (Kiuchi et al. Mendonça et al. antifúngica (Lima et al. 1988). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. Dos rizomas de A.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 1988. 1994). 2002). 1990). anticonvulsivante (Maia et al. O composto dihidro-5.. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Compostos isolados dos rizomas de A. 2001).. 1988). speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. O óleo essencial de A. 1989). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A.. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al.. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A... Geraniol e isotimol isolados de A. 2001). speciosa apresentou atividade analgésica periférica. O terpinen-4-ol. Moraes et al. Estudos com a espécie A. galanga (Itokawa et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al... ArnaudBatista et al. Os diarilheptanóides isolados de A. 1988b). O extrato acetônico de A. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. 1988a.. 1987c). 1982. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. 1990). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. oxyphylla (Chun et al.. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. 1998. 1987c) e A. 1992). 2002) e antigenotóxico (Heo et al. speciosa.. 1998). speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. Do óleo essencial das folhas de A. .6-dehidrokawaina isolado de A. 1992). A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1996). 1982). galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al.. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. Os rizomas de A. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. 1992). Mendonça et al. também isolado do óleo essencial. 1996).

Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2002). Musa e Heliconia. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. 1999).... 2002). contorções. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. speciosa produziu excitação psicomotora. 1988b).. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. 2000) e H.. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A.. 1999). oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 2001...A atividade antiinflamatória de A. 2000). gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. . O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. A espécie H. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al.. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. Surh. 2000). hipocinese. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 2000).. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. relatadas a seguir. 1992). Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al..

no entanto não foi possível obter sua identificação completa. com folhas longo-pecioladas.. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. oblongas e inteiras.5 m de altura. com pseudocaule ereto e cilíndrico. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. . O fruto da espécie não é usado como alimento. com bainhas grandes. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. minúsculas e duras. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. folhas longas.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. laminares de grande comprimento.

o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite.1 . mas com 25% do comprimento e da largura. FIGURA 2. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca).Alpinia japonica. .podendo atingir até 2 m. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. onde é amplamente cultivada como ornamento. flores reunidas em espigas. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). dando um pequeno fruto que também é comestível. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira.

Hedychium coronarium.FIGURA 2.2 . . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).

N. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. família Liliaceae. principal. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. família Liliaceae. Velloziaceae e Iridaceae. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Alliaceae e Amaryllidaceae. G. A.3 Liliidae medicinais L. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Seito C. C. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Velloziales. Gonzalez L. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Dioscoreaceae. Dioscoreales. especialmente na ordem Liliales. Asparagales. ordem Orchidales. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Di Stasi F. Liliales e Orchidales). Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil.

Tulipa. Colchicum e Drimia. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. esse da importante Babosa (Aloe vera). nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. que passamos a descrever. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Convallaria. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. especialmente do gênero Iris. A primeira. A segunda. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola).950 espécies vegetais. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Alloe. 1997). Narcissus e Veratrum. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica.e Liliaceae. grande fonte de espécies dessa família. como é o caso da cebola e do alho. dos quais devemos destacar o gênero Allium. . pelo grande número de espécies ornamentais. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Outro gênero importante é Aloe. ambas de valor econômico incomensurável. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. Trilium. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Lillium.

1995). Nas comunidades do Vale do Ribeira. tosse e também contra hipertensão. que se mesclam com os bolbilhos. sésseis. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma.Espécies medicinais Allium sativum L. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. flores brancas ou avermelhadas. capsular. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. a maioria é cultivada. os bulbos dessa espécie. obtida comercialmente.000 a. na forma de umbela pedunculada. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. ao passo que a infusão é usada contra gripes. C. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. são utilizados de várias formas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. em geral seco.1). cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. folhas lineares. fruto. inclusos e envolvidos por fina membrana. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. loculicida (Figura 3. Era citado pelos babilônios no ano 3. especialmente em crianças.

gastroenterite e disenteria. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. além do uso como condimento. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente acne e micoses. agudas. rouquidão.queca. resfriados. bronquite. Em outras regiões do Brasil. digestivo. tosse com expectoração. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. o uso externo. anual. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. também são utilizados como sudorífico. Em Minas Gerais. ao passo que a infusão das cas- . como referido para o Alho. diurético. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. Trata-se de uma espécie com usos históricos. reumáticas e paralíticas (Corrêa. carminativo e vermífugo. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. No Pará. subgloboso. os bulbos são usados na hipotensão. com inúmeras variedades e subtipos. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. com bulbo grande e solitário. poderoso anti-séptico das vias digestivas. histéricas. todos usados e comercializados como alimento e condimento. 1982). arteriosclerose. flores hermafroditas regulares esverdeadas. dispostas em umbela. antiasmático. em afecções nervosas. febrífugo. Dados botânicos Erva bulbosa. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. carnoso e com casca fina amarelo-parda. 1984). 1988). folhas radicais ocas e compridas. tosse. ateromatose. para problemas da pele. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. 1992). a espécie inclui vários usos medicinais.

O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. podendo atingir até 1 m de altura. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. usadas externamente. reunidas na forma de rosetas em sua base. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. são úteis contra edemas. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. internamente. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. para acne. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. folhas suculentas. como cicatrizante. externo. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. A manipulação dessa planta no preparo de loções. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. Dados botânicos Planta perene e suculenta. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. Na região amazônica. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. ao passo que as folhas frescas. Aloe vera L. densas. lanceoladas. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. as flores são tubuladas. descansado por 24 horas na geladeira. é considerado excelente contra úlceras.2). . dores e infecções da pele. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. O uso interno de um macerado em água fria.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. externamente.

. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1986). 2000). aliinase que origina a alicina. 1991). S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1997).. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 1968). obtidos de A. alil e alil-propil. 1999). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. vários heterosídeos sulfurados. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G.. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. holosídeos. 1997). 1995). 1990). as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. Prostaglandinas A. . isobarboloina (Kuzuya et al. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. a polpa é emoliente e resolutiva. sativum. 1979).. B. A antro-cenona. (B8) e P. 1993). proteínas e fermentos (Costa. exigindo-se cuidado na utilização. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil.. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. desoxialiina. fitosterinas. 1997). et al. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1992). barboloina. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al.. C. Da espécie A. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. Além disso. vitaminas A. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. saponinas esteroidais (Peng et al. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele.. barbadensis (Saleen et al. relatando ainda que as folhas são purgativas.. 1995). catártico e febrífugo. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. além de evitar queda de cabelo. Nos bulbos também foram encontrados aliina..

sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. Kwon et al. rolêmica. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. Entretanto. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina.. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. Além dessa classe de compostos. 1987. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). No entanto. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. Augusti & Sheela. isolado de Allium sativum Linn. entre outras ações que serão discutidas a seguir. in vitro (Sheela et al. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al.. hipocoleste.. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. 1992).. antibiótica. 2002). amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina.. Em animais com carciriogênese bucal o A. 1991). Nerkar et al. Esse mesmo efeito foi detectado . para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. 1981. O estudo comparativo in vitro. fibrinolítica.. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. 2000). Por sua vez. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. Hikino et al. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). demonstrou que os compostos de A. 1996). 1995. cicloxigenase. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie..

O extrato de A.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al.. enquanto a associação dessa dose com 4. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. precursor da alicina e obtido do alho. sativum apresentou também atividade antibacteriana. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni.. 1982. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. 1983) obtidos a partir dessa espécie... O estudo realizado por Celini et al. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. Sovova et al. 1996). Rees et al. 1984. contra Helicobacter pylori. fosfatase ácida. in vitro. 1985). Guevara et al.. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. 1985.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. O sulfóxido de S-alilcisteína. Singh & Shukla. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 2002) contra Staphylococcus aureus.. 1995). Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1993) e aquosos (Sato et al. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. além de atuar como . compostos fenólicos (Patel et al. Khan et al... sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. 2001). Mossa. 1994). 1984. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. O óleo de A. Dababneh & Aldelamy.. 1997. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. 1992). produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. 1981. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1993). 1983. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. 1980)..

1978). 1993). 1980. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . 1995b). Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. sem. 1978. 1993). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. (1986). extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia.. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Rotzsch et al. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Kamanna & Shandras-Wkhara. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 1980. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. no entanto. Os resultados obtidos por Sendl et al. cepa (Dorsch et al„ 1985). Sandhu et al. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al.. Adetumbi et al. no entanto.. Essas propriedades farmacológicas. metil-ajoeno.agente anticercaricida. Block et al. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. (1992). assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. 1992). Mohammad & Woodwara (1986). Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 1996). (1985). 1993). assim como substâncias isoladas do alho. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. inibem a síntese de colesterol.. Boelter et al. 1994). Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. e não as substâncias isoladas.. 1986) e brutos (Rees et al. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. 1978. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. 2001). foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1993).. 1984. assim como as respectivas substâncias isoladas. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. alicina e sulfeto de dialila.

1990). a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. também. 1993b). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. como radioproteção (Reeve et al. (1987). tais como a histamina (Usui & Susuki.. sativum (Kweon et al. 12.. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1993). Por sua vez...5. 1991). et al. 1996). Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. 1996). 1991).. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. sua condutância. enquanto Pantoja et al. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares.. Foushee et al. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. 1996). E. natriurética e hipotensora em cão. 1996). sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. M. et al. A... principal componente antiplaquetário do alho. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. I. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A.sos de bulbos de alho fresco (5. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. 1997). atividade diurética. Ribeiro et al. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1986a). 1996). (1992) com o composto ajoeno. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais.. (1982). (1986b). atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. Essa mesma planta reduziu a concentração .. 1993).

que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al.. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. ela é um excelente cicatrizante (Costa. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. 1992. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. in vitro. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. 1996).. cepa com A.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. Chithra et al. sativum L. 1995). promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al.. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. 1993. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das.. Lipotab. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. sativum ou A.. Além disso. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. et al. (1994). 1993). O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. 1991). I. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. conseqüentemente. E a mistura de A. Ko & Son. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1993). 1992). um preparado à base de Curcuma longa. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. 1990). 1993). Allium sativum.. 1994).. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico.. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. Extrato aquoso de A.. . (1996). 1995). apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. Para a espécie Aloe vera. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade..

relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. esses dados referem-se. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. contudo.. em camundongos.. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al.. 1994). 1996. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. 2001). Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. As folhas de A. aumento na contagem de espermatozóides. 2000). Saleem et al. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. Essa família possui pequena importância no Brasil. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. 1995). 1997).. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.1998). que inclui algumas espécies popu- . Entretanto. vera e hipotensora de A. 1991). pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. A atividade antiinflamatória de A.. 1997). 2001)... Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al..

A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". contra problemas hepáticos.. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. longas. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. 1996 e 1997b). 1996). no entanto. saponinas esteroidais (Mimaki et al. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. cilíndricas. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. brancas. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. e o Agave. 1987).. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. na região amazônica. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Das . em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica..larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. possui folhas carnosas. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. flores pequenas. No entanto. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. pontiagudas e com manchas brancas.

. 1986).Allium sativum.folhas de S.em Joly. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. pigmentos. além de carboidratos. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. cylindrica foram isolados lipídios. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . 1998) (Banco de imagens )..1 . FIGURA 3. 1997). 1982). Das folhas de S. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. saponinas. 1996). .. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al..

2 .Aloe vera. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .FIGURA 3.

Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. esta segunda com uma única família. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . de pouco interesse para nosso estudo. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. C. ainda não discutidas neste livro.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. portanto. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. S. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Mariot M. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. Di Stasi A. Triuridaceae. As duas espécies. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais.

ovadas. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. Aguapé. rizoma grosso e carnoso. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. essa segunda inclui apenas a família Palmae. e Sagittaria. Inclui ervas perenais. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. também denominada Arecaceae. com caule triangular e glabro. grandes e eretas. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. espécie de grande valor econômico. muitas aquáticas ou brejosas. coriáceas. numerosas. 1997).mico. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. flores brancas. A espécie possui as variedades floribundus.1). contendo vasos apenas nas raízes. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. folhas pecioladas. latescentes com lâmina foliar grande. freqüentemente . Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4.

. bem como gripes e resfriados. como ornamentais. especialmente contra dores de cabeça. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. muitas delas usadas como medicinais. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. reumatismo. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. com folhas terminais. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. sífilis. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). raramente trepadeiras.650 espécies tropicais (Mabberley. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. e outras. .consideradas outra espécie. útil ainda contra artrites. tônica e diurética. de barriga. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. nas costas. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. moléstias da pele e do fígado. 2000). 1997). e como anti-helmíntico. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. Incluem árvores ou arbustos. também denominada Arecaceae. como sedativo.

macrophyllus (Shigemori et al. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. Kobayashi et al. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . 2002. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Espécies medicinais Euterpe edulis M. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. 1998). como é o caso de várias palmeiras. Tratase de uma família de grande valor econômico e. do famoso coqueiro da Bahia. conseqüentemente. respectivamente do babaçu e da carnaúba. chegando até 25 m de altura. como é denominada a outra espécie do gênero. com folhas pinadas. 2000a e 2000b). especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. outras são importantes como medicamento. Destaca-se o gênero Euterpe. amplamente conhecida na região amazônica. como é o caso da Areca catechu. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico.. e o Arecastrum. amplamente conhecido na Mata Atlântica. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. que inclui o famoso palmiteiro. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. e o açaí..A família está subdividida em seis subfamílias. que incluem a piaçava e a ráfia. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. do jerivá (Joly. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. Cocos. especialmente da Mata Atlântica.

frutos esféricos de cor preta-arroxeada. o suco do caule é usado.1 . Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. internamente. como antídoto para picada de cobras. externamente. . O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. 1998) (Banco de imagens).Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. FIGURA 4.nhas. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. não fosse a intensa exploração da espécie. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. contra dores de barriga para controlar hemorragias e.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Santos L. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. M. mas deve ser destacado o gênero Peumus.5 Magnoliales medicinais C. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Hiruma-Lima E. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Na família Monimiaceae. inúmeros gêneros são importantes. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. são importantes como ornamentos. tais como Magnoliaceae. tais como as Magnoliaceae. M. Myristicaceae e Lauraceae. inúmeras espécies são medicinais. algumas com amplo número de espécies no Brasil. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. C. Guimarães C. A. da qual inúmeras espécies de grande valor . Annonaceae. Na família Chloranthaceae. do famoso Boldo.

A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Guatteria. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Graviola e outros. A família inclui árvores. Xylopia e Rollinia. os gêneros mais comuns são Annona. Cabeça-de-negro. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. 1997) e subtropicais. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Cinnamomum. Cryptocarya. Laurus e Sassafras. arbustos e lianas. 1997). Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Annona reticulata. e ainda outras importantes como alimento. compreendendo aproximadamente 260 espécies.150 espécies tropicais (Mabberley. Annona tenuiflora e Annona squamosa. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. que inclui os gêneros Annona.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Annona coriacea. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. espalhadas por todo o planeta. Pinha. Artabotrys. que inclui nosso Abacateiro. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Annona cherimolia. Aniba e Nectandra. No Brasil. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Xylopia. Uvaria. e Monodoroideae. . outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. como Aniba. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil.

espessa com saliências cônicas.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. com epiderme verde-escura. que são muito apreciados. polpa branca.1). inflorescência cauliflora. Várias espécies. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. com um espinho central. mole e recurvado. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. amareladas. as folhas são alternas. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. cordadas na base e acuminadas no ápice. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. fruto do tipo baga irregular. sucosa. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. no entanto vários sinônimos são usados. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. alcançando até 30 cm de comprimento. Iriticum. Araticum-ponhê. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. flores axilares. Coração-de-rainha e Nona. no entanto. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. com cálice de lobos triangulares e agudos. alcançando até 15 cm de comprimento. Araticum-punhê. Espécies medicinais Annona muricata L. Araticum-de-paca. que apresentamos a seguir. ovadas ou elípticooblongas. com um tronco revestido por casca aromática. . sementes castanhas ou pretas (Figura 5. pecioladas. tais como Araticum. subglobosas. latescente. 1998). têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país.

ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. referidos a seguir. usadas topicamente. a planta fornece madeira. Em outras regiões do Brasil. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. 1984). antiespasmódicas e antidisentéricas. sorvetes e geléias (Corrêa. mole e branca. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. podendo também ser usada na arborização urbana. 1984). tem grande valor como alimento. antiespasmódicas e hipotensivas. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. combatem reumatismo e abcessos. especialmente lombrigas. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. onde se tornou subespontânea. Na Amazônia. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. As folhas e raízes são consideradas sedativas. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. por sua vez. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. com importante uso potencial na fabricação de papel. sendo depois levada para outras regiões do planeta. O fruto. os brotos e as folhas são usados como béquicas. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . especialmente na produção de sucos. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. para baixar febres. as flores. as folhas cozidas. 1984). Além dos usos medicinais da espécie. diurético e no combate a insônias leves. dores de cabeça e como emagrecedor. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. peitorais.

Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica.. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. no processo de pesca. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. inseticidas. 1992). espasmos e febres. na forma de chá. No Peru. 1990). . Annona tenuiflora Mart. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. no entanto. Na Índia.. 1978. as folhas e a casca da árvore. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. 1986). reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. 1993). contra diversos parasitas (de Feo. parasitas. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. asma. diarréia e como lactagogo. De acordo com os mesmos autores. Na Jamaica e no Haiti. foram referidas espécies desse gênero.mas do fígado. gripe. enquanto o óleo das folhas. as sementes. Weninger et al. 1962). 1962). misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. a fruta e seu suco são usados contra febre. contra diabetes. onde é usada contra tosses. é usado externamente para neuralgia. como antiespasmódico. as cascas e folhas. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. 1955. e as sementes. Esse uso. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. 1987). as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. o chá das folhas é utilizada para catarro. Nas Guianas. tosse. as raízes e folhas. especialmente na África. Ayensu. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. impedindo-lhes a identificação correta.

vermelho. fruto do tipo baga ovóide. Malagueta e Banana-de-macaco. na região amazônica. tonturas e hipotensão. . agudas no ápice.2). tronco ereto e cilíndrico. alcançando até 8 m de altura. simplesmente. Jejerecou. Breu branco ou. alternas e ápice cuspidado. com duas a seis sementes (Figura 5. Jegerecu. sem estipulas. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Nomes populares A espécie é denominada. folhas alternas. Pindaíba. sul do Amazonas. pétalas lineares. Pindaúba. oblongolanceoladas. Pau-de-imbira. também descrito por Carl Linnaeus. Envira-preta. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. muitas das quais usadas na medicina popular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. O gênero Xylopia. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá.3). Em outras regiões do Norte do Brasil. onde parte deste estudo foi realizada. Coajerucu. coriáceas. lineares. com casca fibrosa. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Coaguerecou. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. frutescens Aubl. simples. curto-pecioladas. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. aromática. Pindaúva. folhas ovado-oblongas. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. e copa alongada. Envira. deiscente. Jejerecu. Pindaíba-branca. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Ibira. Breu. Pijerucu. Xylopia cf. hermafroditas. Coagerucu.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. cálice gamossépalo.

perenifólia e pioneira. sendo uma espécie heliófita. sementes de espécies da família Annonaceae. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. Na região amazônica da Colômbia. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. . especialmente. folhas e. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. como digestivo e são úteis contra catarro. Além dos usos medicinais descritos a seguir. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. também aromáticas. ao passo que a decocção da casca é usada. são usadas como estimulantes da bexiga. 1984). na forma de inalação. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. raízes. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. As sementes. 1998). como cabos de instrumentos e varas de pesca. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para combater resfriados e dores de cabeça. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. 1984). própria para uso em carpintaria. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos.

1993). Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. 1991).. epomuricenina A e B (Roblot et al. .. 2 e 3 (Wu et al. 1995c). 1995b). enquanto Gromek et al. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. I. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. No entanto... 1995b). e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. cis-annomontacina (Liaw et al. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. denominada corepoxilona. muricatetrocina A e B. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). 1994). e que são importantes representantes da flora brasileira. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 1991b). Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. 1995e).. iso-neoanonacina-10ona. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. 1995a). as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. muricina H.. anonacina-10-ona.. murihexocina A e B (Zeng et al. neo-anonacina-10-ona. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. anomutacina 1. 1994a e 1994c). essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. 2002).. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. Recentemente.. hoviicina A... especialmente como citotóxicas. muricatocina C e gigantetronenina.São ácidos graxos modificados. Anomuricina A e B. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto..

. 1994a e 1994b). Das sementes da mesma espécie... 1994a).. reticulacinona (Hisham et al. 1991). 31-hidroxibulatacina.. 1994c) neodesacetiluvaricina.. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. isoquerimolina 1... solamina.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. anomonicina e roliniastatina (Chang et al.. 1995). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al.. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. tais como reticulatina (Saad et al.. três uvariamicinas. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae.. 1993). esquamosinina A (Yang et al. 1995) em Annona bullata. 1991). squamocina e almunequina (Duret et al. C e D (Fujimoto et al.. cherimolia. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al.. anogaleno (Sahpaz et al. 1962). 1993b). Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A.. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. 30-hidroxibulatacina. Sahai et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas.... isomolvizuína 2. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. além de esquamocina e esquamostatina A. anoreticuína-9-ona. 1996). 1993). bulatencina. Das semen- . 1994). anomontacina em Annona montana (Jossang et al. 1993b).. 1994). 1994). 1996).. B. 32-hidroxibulatacina. molvizarina e motrilina (Cortes et al. muricata e A. cis. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. 1994b). 1995).. 1995a). 1991a e 1991c). itrabina. esquamona. Cortes et al. jeteína. esquamostanal A (Araya et al. esquamosteno A (Araya et al. incluindo A. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. 1994b). 1992). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. bulatanocina..

cherimolia (Yang et al.. Y. 1996). 1993).. 1992.. 1976). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.. 1979. squamosa (Silveira et al. foram isolados do fruto de Annona muricata .. ambotay (Carazza et al. ambotay (Oliveira et al. Barbosa Filho et al. 1995e). Martins et al. squamosa (Wu. oxouxinsunina. 1984). X. 1962). Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. 1988). 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. montana (Wu et al. anonaína. frutos de A. 1991). A.. 1994). 1970) e X.. aromatica (Rios et al. bullafa (Kutschabsky et al. brasilienses (Casagrande & Merotti. cacans (Saito & Alvarenga. enquanto os alcalóides anonaína. isoboldina e outros foram isolados de A.. squamosa (Leboeuf et al.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. squamosa (Setharaman.. 1991). de A. salzmannii (Paulo et al. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. 1989. 1982a e 1982b. Mukhopadhyay et al. 1987). quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. Alcalóides conhecidos como anoretina. laureliptina... 1981). 1994). Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al.. Yang & Chen. Inúmeros compostos terpenóides. squamosa (Krishna Rao et al. reticulina. enquanto diterpenos foram descritos em A. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. 1993) e sesquiterpenos em A. 1978). A. C. A. uma lignana ((-)-siringaresinol). purpurea (Castro et al. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. Flavonóides foram descritos em A. cherimolia (Villar et al. 1985) e A.. anolobina e asimilobina foram isolados de A. 1979.... Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. enquanto três amidas ácidas. 1994). como constituintes predominantes. X. anolatina. A. reticulina.. 1986) e A.. Monoterpenos foram isolados de A. 1976). 1986). 1986)... et al. 1978). michelalbina. Wu et al.

sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque.(Wong & Khoo. Heinrich et al. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. 1991). 1991.... possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Acetogeninas isoladas sementes de A. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. a raiz. 1987). assim como outras espécies do gênero. 1995. 1941. 1993). 1991b).. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. 1940). Solanina. Carbajal et al. 1979). Ngouela et al. aromatica. 1991). 1925 e 1932). antiespasmódica. 1995b)... 1992.. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. vasodilatadora. 1995e). 1998). também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. 1993. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. muricata. obtidas de Annona muricata. 1993. A espécie Annona muricata possui... X. 1979). 1990). 1991). propriedades inseticidas (Tattersfield et al. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1996. De Xylopia frutescens.. corosolona 1 e corosolina 2. brasiliensis e X.. 1962). Di Stasi. Vilegas et al.. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. uma acetogenina isolada de A. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. Gbeassor et al.. X. a casca. 1979. Bourne & Egbe. muricata e de A. 1988. Anomutacina 1... cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Lopez Abraham. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al.. 1991). acetogenina isolada de Annona muricata. Misas et al. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. enquanto extratos de folhas. .

oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al.. 1991). anonaína. 1991c e 1991a). enquanto os alcalóides de A. Cortes et al. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. respectivamente. 1993) e várias outras (Jossang et al. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. solamina. montana (Wu et al. reticulina.. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya.. salzmannii. enquanto os alcalóides liriodenina.. asimilobina. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. galucina. 1991. 1988b e 1988a). laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. Os alcalóides isolados de A... squamosa. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. Chang et al.. 1980). 1991. coridina..Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1993). . norcoridina. cherimolia (Cortes et al. 1995).. esquamona. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. 1994). montana (Wu et al. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. reticulina. 1993). anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. oxoxilopina. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. 1993b).. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A.. C. cherimolia (Villan del Fresno et al. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. (1995b). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. Hui et al. et al... Y. isolados de A.. 1980).. 1993b e 1994b. enquanto alcalóides isolados de A. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. 1992). 1987) e A.. reticulatina. Esteróides de A. anoreticuína9-ona. bulatanocina. 1992). 1995a)... Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al.

Extratos etanólicos de sementes de A.. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. que apresentou atividade citotóxica. et al. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. coriaceae (Souza et al. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. aromatica foi isolada atherospermidina. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. donovani. Oliveira et al. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al.. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al.. enquanto o extrato etanólico de A. O extrato etanólico da raiz de X. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. que determinaram efeito depressor do SNC. 1994). 1990. frutescens não apresentou atividade moluscicida. Anopheles stephensi (Saxena et al. 1989. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. L.. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. 1979. et al. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. Trypanossoma brucei... F. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. squamosa. Silva. Martins et al. discreta.1983). entre outras. 2001). 1993). 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al.. Extratos preparados também com A. 1996. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. parassimpatomimética de A. Do extrato etanólico das folhas de X. E. Das cascas de X.. 1996). 1979). 1993). De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica.. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). 1998). 1975)... A. 1999). 1998). atividade anticonvulsivante e analgésica.. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993)... Rao et al.. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. Extratos metanólicos de A. foi caracterizada a . potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. como acido caurenóico. A. 1994). senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. 1996). fungitóxica.

. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. (1988) para a espécie Annona muricata. anti-helmíntico e citotóxica. Os diterpenos caurenoicos presentes em X.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. como inseticida. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. 1988c). Em Guadalupe. . 1999). sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 2001).. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. muricata e A.. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. especialmente em uso crônico. 1996 e 1997). 1962). 2002).. E da espécie X.

1997).Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Horsfieldia e Knema. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. e espécies do gênero Virola. como a Noz-moscada (Myristica). que possuem importância do ponto de vista econômico. podendo chegar a até 35 m de altura. No Brasil. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Sucuba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Ucuuba cheirosa. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Bicuíba. contendo ramos carregados de folhas . 1996). utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Espécies medicinais Virola surinamensis L. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Virola. usada como condimento. Neste levantamento. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Essa família inclui gêneros importantes. como Myristica. Sucuuba. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. e também como Leite-de-mucuiba. Árvore-do-sebo.

V cf. É uma planta perenifólia. elongata . pavonis (Martinez et al. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. 1996. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. infecções.pecioladas. como outras do gênero. Espécie de ocorrência na Amazônia. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. 1996). hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria.. surinamensis. 1969. 2000). Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). V surinamensis (Lopes et al. V michelli (Santos. chegando até Pernambuco. 1995). Cassady et al.. 1987). usadas como venenos de flechas... et al. Vidigal et al. 1987a). S.. L. 1991 e 1992). inflamações. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. 1992. pavonis (Marques et al. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V.. para o tratamento de câncer. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. A casca é usada como medicamento para aftas. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. Martinez et al. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. V. 1997).. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. 1984). 1971). com até 20 cm de comprimento. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. bem como -sitosterol. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. Ferri & Barata... V. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. oblongolanceoladas. 1989.

1986 e 1990). A atividade antifúngica das espécies V. Alvarez et al. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al.. titonina .. 1992) e V. carinata e V. Pagnocca et al. Lemus & Castro. calophylloidea (Martinez. V. 1996a). 1990. sebifera. 1994 e 1996.. carinata e V. 1990).. foschnyi (Lemus & Castro. michellii foi atribuída à presença da flavona. V. urbaniana (Reis et al. 1987).. A atividade analgésica de V.. 1989).. 1996. 1994 e 1995). V. V.. 1993 e 1994). 2001). calophylla. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. V. V. Andrade et al. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. flexuosa (Aguirre. V. 2001). Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. 1995). e polifenóis nas espécies V. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 1987b). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. pavonis. 1990). caducifolia (Aparecida dos Santos et al.(Kato et al.. calophylla (Martinez et al. titonina (Andrade et al. 1992). 1996... Além das lignanas. surinamensis.. 1988).. V. michelli (Santos et al.. 1996) e V. calophylloidea (Von Rotz et al. 1989) e V. oleifera (Fernandes et al. Cavalho et al.. Das folhas de V. michellii (Cavalho et al.. venosa (Kato et al.. V. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. 1999).. 1999..

2000).850 espécies. 1998. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. 1987) e anti-hemorrágica de V. da famosa Canela-sassafrás. 1978). Sassafras. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. além do . 1986b e 1998). dados etnofarmacológicos de V. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. do famoso Louro. koschnyi (Castro et al. amplamente usado no Brasil como condimento. oleifera.. Incluem muitas espécies aromáticas. Os principais gêneros são Laurus. 1999). Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). mas não foi detectada em V.. cercaricida e molucicida de V. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família.. alucinogênica de V. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. carinata e V. 1987). As propriedades antioxidante e surfactante de V. e outros. inseticida de V. porém. aliados ao relato de atividade moluscicida. Persea. Nectandra. V. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. donovani e V. V. 1994). pois.. Ocotea. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. sugerem cuidados da população quanto ao uso. Licaria. Barata et al. surinamensis (Lopes et al. árvores e arbustos (Mabberley. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso.A atividade leishmanicida nas espécies V. 1997). do nosso famoso Abacateiro. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. elongata (Davino et al. 1996). 2000). tripanossomicida. A família reúne grande importância econômica. duckei (Bennett & Alarcon. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima.. 1996. calophylla (Miles et al. surinamensis. sebifera. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. todos aromáticos..

1998).costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. deriva de lauer = "verde". Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . e de outras espécies. pecioladas. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. fornecedor de alimento amplamente comercializado. 1998). a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. para combater problemas hepáticos e intestinais. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. como a Canela e o Louro. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. Espécies medicinais Laurus nobilis L. .Abacateiro. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. sendo considerada digestiva. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. bem como para dores de barriga. e laus = "louvor". lanceoladas. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. onde se adaptou muito bem. folhas alternas. de estômago e como emética e abortiva.

podendo chegar a até 20 cm de comprimento. úlceras e piolhos (Bown. ao passo que a infusão das folhas. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. fruto do tipo baga ovóide. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. não ocorrendo espontaneamente. diuréticas e febrífugas. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. anti-sifilíticas. analgésico. vulnerárias. 1984). que envolve a semente grande e marrom. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. flores branco-pálidas. contra reumatismo. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. lanceoladas e acuminadas. pequenas e pouco vistosas. Persea americana Mill. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. emenagogas. pecioladas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. sendo comercializada em todo o mundo. carminativas. .Internamente. estimulante do apetite e contra cólicas. além de atuar como diurético e analgésico. onde se encontram as folhas alternas. as folhas são usadas contra indigestão. com polpa verde. ou Persea gratíssima Gaertn. nome dado especificamente ao fruto. comestível. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. bronquites. é também usada contra febres. estomáquicas. reumatismo e uremia (Corrêa. além de serem usadas contra doenças renais. externamente. 1995). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico.

A espécie Persea americana L. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. Afifi et al. hidrocarbonetos. foram atribuídos os efeitos analgésico. antiinflamatório (Ademylmi et al. 2002. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 2002). Às folhas de P. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al.. 1999). 2002)... monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. americana citados acima.. 1997). 2002). constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie... Hargis et al. 1991.. 1991). nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. A atividade antiulcerogênica de L.8-cineol isolado de L. spatulenol.. 2002). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al.. Sladler et al. . antimicrobiana (Raharivelomanana et al. 2002).. 2000. 1987). O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 1991. 1995. O 1.. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. antifúngico (Domergue et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. 2001)... elemicina. Grant et al. Carman & Handley.

1 . b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. . 1984).FIGURA 5.

FIGURA 5. . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984) (Banco de imagens).Annona tenuiflora.2 .

b) Detalhe da flor (Banco de imagens).3 . .Xylopia cf. frutescens: a) Escanerata do ramo florido.FIGURA 5.

Joly. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. M. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. 1998). Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Di Stasi C. Thottea e Asarum. 1997. no Brasil. Hiruma-Lima E. e. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. M. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. C.ó Aristolochiales medicinais L. ao passo que na região do . Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. muitas das quais usadas como medicinais. Santos C. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. A. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras.

monoclamídeas com tépalas bilabiadas. flores isoladas. muitas das quais ricas em alcalóides. e várias com usos medicinais descritos.1). ramos lisos. axilares. zigomorfas. Outras denominações populares são Angelicó. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. sulcados e estriados. fruto capsular cilíndrico. a planta era usada popularmente para facilitar o parto.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. hermafroditas. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. foi referida como medicinal. Calunga. pecioladas. usadas como venenos. folhas alternas. com sementes achatadas. Capa-homem. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. simples. e lochia = "nascimento". O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". parto. Contra-erva. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. que lembra o feto em posição antes do nascimento. . Jarrinha. Batarda. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. Mil-homens e Papo-de-peru. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. Dados botânicos É uma planta trepadeira. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. grandes. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. denominada popularmente como Milomem.

Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. constipação nasal. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. cicatrizante e contra úlceras crônicas. pecioladas. anti-séptica. especialmente para combater náuseas e vômitos. sudorífica. excitante. catarros crônicos. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. sarnas e orquites (Van den Berg. estomáquica. estimulante. .Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. não sendo encontrada em áreas degradadas. Também não é uma espécie cultivada. gripes fortes. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. no entanto. 1984). capoeiras e áreas em regeneração. 1982). ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. as flores são isoladas e axilares. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. simples. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. sulcados e estriados. os ramos são lisos. disenteria e diarréia. diurética. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. anti-histérica e útil contra febres graves. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa.

C. T. A.. 1991). A. 1995) e A. et al. A. indica (Che et al.. longa (De Pascual et al. A. em A. 1996.. 1992). A. A. A. molissima (Peng et al. 1983b). 1984). 1996). chilensis (Urzua et al. A. ftiangularis (Bolzani et al.. M.. A.. A. argentine (Priestap.. tubiflora (Peng et al. molissima (Peng. clematitis (Kostalova et al... Zhang et al. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren.. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1985) e A. versicolor (Zhang&He. galeata (Lopes. 1991a).. acuminata (Moretti et al. elegans (El-Sebakhy et al. fangchi (Tsai et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. 1988). 1980). A. 1987). manshuriensis (Ruecker et al. 1987). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. tubiflora (Peng et al. yunnanensis (Chen et al. kankauensis (Wu.. rodix (Tsai et al.. 1992). 1995). Lopes.. clematitis (Kostalova et al. A. 1990. et al. kankauensis (Wu. 1979) em raízes de A. H.. A. 1983a). et al. manshuriensis (Lou et al. versicolor (He et al. rotunda (Pistelli et al.. indica (Piers & Tse.. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. A. 1987). brasiliensis (Lopes et al. 1995) e A. 1989). chilensis (Urzua Rodriguez. 1986).. arcuata (Watanabe & Lopes. rigida (Pistelli et al. 1993).. A. A. tubiflora (Peng et al. et al. A. 1994). X.. cinnabarina (Li et al. 1987.. 1987). 1992. . A.. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1995). incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. longa (De Pascual et al. 1991). A. 1987). 1991b). nata (Moretti et al. P et al. L.. S. 1994). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A.. 1992) e outros alcalóides em A. A. Higa et al... 1987. Abel & Schimmer.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. A. 1980)... A. 1987).. 1994). A. 1979).. clematitis (Kostalova et al. esperanzae e A. argentine (Priestap. 1995).. tais como A. liukiuensis (Mizuno et al... raízes de A. Lou et al. 1980). et al. 1988). 1991a). 1991b).. maurorum (Kery et al. 1995).. cinnabarina (Li. contorta (Lou et al. gigantea (Cortes et al. A... Paiva et al. 1991) e de A. A. bracteata (ElTahir. A. A. G. 1991). T. A. 1988. 1988). 1991).. 1983).. A.1993). A. 1992). vários outros alcalóides aporfínicos de A. Chakravarty et al. debilis (Ahmed Farag et al. 1986b e 1986a). L. 1995). dematilis (Makuch et al. A. versicolor (Zeng et al. 1991. A. 1977 e 1985). II. 1982). Alcalóides foram isolados de várias espécies. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. kankauensis (Wu et al. S. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. gigantea (Lopes. sendo descrito em A. A. III e IV (Houghton & Ogutveren. 1983). A... J. bracteata (ElTahir. A. 1995)..... ponticum (Houghton & Ogutveren..

esperanzae. A. gigantea e A. arcuata (Watanabe & Lopes. 1987b. Lignanas também foram descritas em A.. e o ácido aristolóquico de A. S. Compostos como -cariofileno.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. cymbifera.. A.. Lopes et al. triangularis (Ruecker et al. kankauensis (Wu. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. O ácido aristolóquico de A. -elemeno. et al. A. chilensis (Urzua et al.. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. 1980. 1979). 1990). 1980). 1978).. A. S.. 1991b). Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . 1994). 1996). Urzua & Presle. R. et al. 1993). 1990).. macroura (Leitão et al. birostris (Conserva et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A.. 1977). A. 1988) e amidas em A. taliscana (Longsw et al. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al.. 1995). indica (Pakrashi & Pakrasi. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. galeata (Lopes & Bolzani. 1988) e A. A. 1987) e A. copaeno. T..

1990).. A espécie A. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. G.. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. gigantea (Campos et al. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 2002). Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. birostris demonstraram. niaurorum (Kery et al. A. determinada pelo teste de Ames. antibacteriana. A. Atividade mutagênica.Choudhury. no Sistema Nervoso Central. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. 1993). O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 1999). 1988). indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. Estudos com A. H... Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. 2001). 1979). 1995). O mesmo ácido obtido de A.. 1991). et al. multiflora (Moretti et al. 1983)... Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. 1991).. 1991). paucinervis (Gadhi et al.. com A. anti-séptica e cicatrizante de A.. 1988). e antiviral com A. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 1979). causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . 1996). 1985).. tulobata (Sosa et al. papilaris (Maia et al. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. 1999). papilaris (Maia et al... Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al.. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. triangularis (Garcia.. 1993). 1985). atividade analgésica.

Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. Entretanto. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero.Aristolochia trilobata. 1996) por humanos. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). 1993). cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. 50 ou 100 mg/kg via oral. por suas características químicas. FIGURA 6.1 . Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. Da mesma forma..com 10. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados.

epífitas. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. lianas. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. C. especialmente do gênero Piper. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. A. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. Piper nigrum. Portilho M. Di Stasi C. Mariot W. do qual se destacam espécies como a Pimenta. 1997). Geralmente as plantas são arbustos. normalmente com células de óleos essenciais. Peperomia e Pothomorphe. Hiruma-Lima A. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. e espécies me- . onde ocorrem em abundância e diversidade.7 Piperales medicinais L. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. S. G. Por sua vez. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. dos quais se destacam os gêneros Piper.

muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Piper angustifolium.K. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. ovário com um só estigma.1). Espécies medicinais Peperomia elongata H. muito semelhantes entre si. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. folhas alternas. pequenas. Nomes populares Além de Tracoaptera.B. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. O gênero Peperomia. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón.dicinais de ampla utilização. como a Piper betle (betel). Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. sendo também apenas . flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. as quais passamos a discutir a seguir. como a chinesa e aiurvédica. Piper cubeba. Piper longum. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper.

A espécie é encontrada na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas.B. gastrite e gripes.K. Piper cavalcantei Yuncker. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. simples. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). Não foram encontrados sinônimos. curtopecioladas. bastante carnosas e glabras. mas com pouca ocorrência. Peperomia rotundifolia H. Nomes populares A espécie é chamada. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. pequenas. .obtida na área de floresta em torno da aldeia. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. de distúrbios do estômago. na região amazônica.

O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. podendo chegar a até 5 m de altura. isoladas e levemente curvadas. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. membranáceas. os frutos são drupáceos (Figura 7. sendo a maioria arbustos. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. algumas lianas e pequenas árvores. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. todas aromáticas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. atingindo até 10 cm de comprimento.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. folhas pecioladas. Piper cernnum Vell. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. assimétricas na base. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. especialmente para dores de cabeça. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. pendente. . com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura.2). característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. inflorescências do tipo espiga.

com os nomes de Murta e também de Pariparoba. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. assimétricas na base.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. particularmente contra cólicas abdominais. além de ser útil em distúrbios renais. membranáceas. onde a espécie é abundante. a infusão das folhas é usada como analgésico. especialmente contra dores de barriga. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. tendo distribuição por todo o Brasil. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. estomacais e hepáticos. Piper gaudichaudianum Kunth. um pouco ásperas. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos.3). . Em outras regiões do país. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. levemente curvadas. acuminadas no ápice. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. incluindo hepatite. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. inflorescências do tipo espiga. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7.

sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . cordiformes. Bitre. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Em outras regiões do país. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. alongada e fina. r e t a . A espécie é muito comum na Mata Atlântica. membranácea. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. pecioladas. folhas alternas. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. inflorescências do tipo espiga.Piper cf. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. com ramos glabros e cilíndricos. flores . pequena (até 11 cm de comprimento). Ihotzkyanum Kunth. levemente assimétrica na base. glabra. Nhandi. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. membranosas. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. com ápice acuminado. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Aperta-ruão ou Aperta-juan. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos.4). A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Piper marginatum Jacq. estomacais e renais.

como ocorre no gênero Piper. ovado-arredondadas. descrita a seguir. um gênero da família Araceae. as raízes são carminativas. andróginas. se ingerida. as folhas.) Miq. peltatas. bainha desenvolvida. minúsculas. Catajé. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. Malvarisco. dores de dente e blenorragias. diuréticas. Caá-peuá. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. contra veneno de cobra. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". membranosas. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. flores sésseis. sialagogas. formando uma falsa umbela. 1984). sudoríficas. essas diferenças ficam bem claras.com brácteas triangulares. . com ápice agudo e nervação peltinérvea. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum.5). estimulatórias (Corrêa. gineceu com três estigmas. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. Pothomorphe peltata (L. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper.6). principalmente da tucundeira. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. A planta é tônica. resolutiva e usada em banhos após o parto. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. os frutos são excitantes. fruto do tipo baga (Figura 7. Uma outra espécie do mesmo gênero. peitadas. androceu com três estames. estomáquica. e não isoladas.

antiinflamatório externo e interno. andróginas. Pothomorphe umbellata (L) Miq. bainha desenvolvida. 1980). A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas.7). 1984). Capeba ou Pariparoba. com ápice agudo e nervação peltinérvea. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. diurético. membranosas. . formando uma falsa umbela. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. ovado-arredondadas. cordada. minúsculas. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. vermífugo.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. fruto do tipo baga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. flores sésseis. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático.

(1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. Seeram et al.. grifolina bisobolol. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. 2001). miristicina.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. 1997). 1996).5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. M. De Peperomia japonica. Os alcalóides. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. et al. G. B e C (Chen. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. Cromonas foram isoladas de P. quinonas piperogalona.. ácidos graxos (Lima et al. C. que representa 49% dos constituintes voláteis. flavonóides (Tillequin et al... 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A... 1990).. sesquiterpenos. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. E.. 3-hidroxi-4. 2002. 2001). vulcanica e proctorionas de P. 1994).. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol.. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. 1988). 1982). 2000). et al. Das raízes de P. compostos de grande importância farmacológica. indicada populamente como antitumoral. além de apiol. Das partes aéreas de P. 1982). proctorii (Mbah et al. Mahiou et al. 1988). 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. monoterpenos.. são ... que também possui ácido grifólico. Piper Das raízes de P. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. marginatum foram isolados aril-propanóides.

1985). 1980) e P.... 1995). 1983. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. P. 1977. 1983). chavicina e outros. 1987). longum (Dutta et al. aduncum e P... Foram isolados diversos alcalóides em P. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. Li & Han. retrofractum (Banerji et al. 1986. tuberculatum (Braz Filho et al.. lancei (Han et al.. 1987).. P. betle (Evans et al. amalago (Dominguez et al. piperidina. 1981) e P. P.. P. 1980). 1986). Pothomorphe P. hispidum (Vieira et al. hispidum (Vieira et al. 1985) e P... sylvaticum (Banerji & Pal. 1981). Achenbach et al. P.. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al.encontrados com freqüência nesse gênero... isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. 1979). Foi demonstrado também que P. sendo os principais piperlonguminina. guineense (Cole. P peepuloides (Shah et al. Tabuneng et al. 1986. 1986) e flavonas de P.. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al.. 1987). hostmanianum (Diaz et al.. Bacillus subtilis. 1979). cubeba (Badheka et al. P. piperlongumina. Isolaram também neoglicanas de P. lignanas de P. Uma quinona. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro.. nigrum (Inatani et al. futokadsura (Chang et al. 1986). 1992). 1987). methysticum (Smith. 1982) e P clusti (Koul et al. P.. auritum (Ampofo et al. 1968). 1987). jaborandi (San Martin.. piperina. Shoji et al. betle (Rimando et al. flavonóides de P. 1986) e P. 1986 e 1987). P.. 1977) e P. hidropiperona. compostos fenólicos de P. 1985). 1986). P. aduncum (Smith & Kassim. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. P. hancei (Li et al.. 1984).. hispidum (Burke & Nair.

. bloqueada com prazosin e ioimbina.1-0.cies de Leishmania (Mahiou et al. promoveu piloereçáo. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. também conhecida como Língua-de-sapo. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. salivação intensa. 1997). 1992). A administração i. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. V. Substâncias de P. 1997). antibacteriana. et al. 1994).. 1995). provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. 1994).. 2001). Arigoni-Blank et al. hipotensora (Santos. L.. B. Villegas et al. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. 1997). 1996).. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. e atóxica (Saad et al.. et al. S. 1998. 1996a). R. hipotensora (Siqueira et al. Aziba et al. O extrato aquoso de P... O extrato metanólico de Peperomia flavamenta... Assim. 1996). et al. et al.. 1996b). apresentou atividades diurética (Santos. H... Piper Foram caracterizadas para P. O. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. E.1-1 g/kg. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida.v. lacrimejamento. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. 2002. 2001). Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. 1996).5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. antifúngica (Lima. relaxamento muscular e dispnéia. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. em doses que variaram de 0. V. O. 2002. V. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. do extrato (0. galioides e os compostos ácido grifóico.. et al. Embora o extrato de P. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. H. cicatrizante (Saad et al. analgésica (Da Silva et al.. M. R.. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. atuar como antialérgico e diminuir .

. além de bloquear a transmissão neuromuscular. apresentou propriedades anestésica. 1988). 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. Prakash. e antiviral P.. 1984). Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. cincinnatoris. inibindo a agregação de plaquetas. betle apresentou atividades fungicida. 1984. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. esta última com potente atividade (Di Stasi. mutagênica (Chen et al. analgésica. por seus constituintes químicos.. Desmachelier et al. retrofactum (Woo et al.. 2002). 1987). 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1985). Atualmente. 1984). sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. Pothomorphe A espécie P. 2002). 1979). nematicida (Evans et al. larvicida (Mongelli et al. peltata possui atividade analgésica (Pupo... a degranulação.. 1988). P. Cairney et al. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. e aumentou o tempo de sono (Duve. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . P. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. 1986). 1983). também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1986 e 1988.. nigrum (Miyakado et al. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. peltata. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P.. 2002. P. Amorim et al... 1986. Shen et al. De P. regnelli.. Dahanukar et al.. gaudichandianum. inseticida com substâncias de P. lancei e P. 1988).a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. 1985). 1978. 1976). 1987. Di Stasi & Pupo. methysticum também conhecida como kava-kava. 1991. 1984). As neoglicanas isoladas de P. anticonvulsivante. espasmolítica. 1985). 2000).. agindo como os anestésicos locais (Singh. conhecida como Pariparoba. A espécie P. 1985). antioxidante (Choudhary & Kale. abutiloides.... aduncum (Lohezic-Le et al. lindbergü e P. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). Porém. P. amalago (Pupo. fungicida. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. A espécie P.

além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 1987). umbellata. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. 1997. P. 2002. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. 1987). umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana.... umbellata.Banco de imagens . O extrato etanólico das raízes de P. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al.Peperomia elongata. de Ferreira da Cruz et al.. De P. antiedematogênica. 2000).. o que não foi observado na espécie P.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. analgésica. 1995).1 . peltata (Felzenswalb et al. antimalárica e antioxidante (Isobe et al. Desmarchelier et al. 1992).. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.. FIGURA 7.. umbellata L. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. 1996). Miq..

b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .FIGURA 7. .2 .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ).

3 .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ). .

.4 . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.FIGURA 7.

.5 . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).Piper marginatum.FIGURA 7.

.FIGURA 7..Pothomorphe peltata. .Banco de imagens .6 . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .

7 . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7. .

A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. arbustos escandentes e .8 Ranunculales medicinais L. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. algumas lianas. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. como é o caso da Papaver somniferum. C. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Di Stasi C. foram obtidos. como a morfina e outros derivados opióides. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. M. o famoso Ópio. Pteridophyllaceae. Hiruma-Lima C. Santos E. Sabiaceae. Berberidaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. A. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. M. das quais devemos destacar Menispermaceae. Ranuculaceae e Papaveraceae. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil.

1). foi referida como planta antiinflamatória. no entanto. tais como A. 1996). Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. imene. com contorno oblongo (Figura 8. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. 1997). Uma delas.raramente árvores ou ervas (Mabberley. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. Espécies do gênero Abuta. fruto do tipo drupa. aplicada no local lesado e/ou ingerida. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. onde a planta foi referida como medicinal. da Mata Atlântica. Dados botânicos Planta perene. com ampla distribuição na América do Sul. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. assim como . Nessa família. folhas alternas e pecioladas. típica da aldeia tenharins. Outra denominação é Iroba. a espécie é chamada de Abuta. também denominada de Abutua. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. são consideradas muito tóxicas. rufescens e A. raspada e misturada com água. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. utilizadas por índios do Norte do país.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. 1996). celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. D.. 1994). D. Brochado et al. 1996). Gomes et al. 1999.. argentea. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. 1996 e 1998).. 1998. 1993. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. B. Farias. in vitro. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino.. porém. 1997). Induziu. B. relaxante (Araújo et al. Além disso. GOT. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza.. LDH) e o nível de bilirrubina. 1997).. Não foram observadas.. 1987). L. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. raízes. 1996.. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. antiviral (Brochado et al. et al. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . et al. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Uma loção contendo C. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. Kern et al. M.. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. 1996). 1993). J. 1996a e 1996b). Loureiro et al. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono.... 1997). ainda. et al. analgésica (Macedo et ai. 1996. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero.. 1997). 1997.. L. Farias. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu..

Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. 1988. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. hemorragias. S. B.. et al. Extrato aquoso de A. inclui .. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al.. 1998). A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. especialmente em uso crônico. 1993).. De Ruiz et al.. não apenas com as espécies citadas. 1995). subclasse Caryophyllidae. 1972). porém. 1996). confirmados para inúmeras espécies dessa família. Yang et al. Zhang et al. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. C.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al.. 1992). O uso das espécies contra helmintos. Do extrato de A. mas com inúmeras outras da mesma família botânica.. 1989). requer cuidados por parte da população. 1996. aliado aos dados de toxicidade em peixes. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. et al. sobretudo contra helmintos. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1986..

com aproximadamente 1. de hábito variável e geralmente espinhosas. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. Cereus e Melocactus (Cactoideae). Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. suculentas. são espécies perenes. Em ambos os casos. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. . com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. 1997).400 espécies (Mabberley. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. Segundo Joly (1998). Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). 1978). usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir.97 gêneros. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. embora várias espécies possam ser encontradas na África. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. No Brasil ocorrem 32 gêneros. • Opuntia (Opuntioideae). a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. 1978). todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. que também inclui espécies medicinais. • Cactus.

aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. C. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. 1990). oblongas e acuminadas com base atenuada. 1986). sendo uma homenagem ao professor N.. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. obovóide. cresce em matas e em restingas.. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. galactose. Das folhas de P. ácido galactopiranosilurônico. glucose. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. glucurônico e seus metil ésteres. além de heteropolissacarídeos. xilose e ramnose (De Pinto et al. 1994). A espécie é originária da Argentina. galactose. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. arabinofuranose. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. folhas subpecioladas. A goma de P. lenhoso. fruto do tipo baga glabra. guamacho possui ácidos galacturônico. F. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. arabinose. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al.. numerosos acúleos. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. antitérmico e contra gripes e resfriados. galactopiranose. . 1987). arabinopiranose. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. Peiresc. dispostas em rácimos terminais. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. em altitudes e também no nível do mar.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. além de galactose.

No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. muitas delas suculentas (Mabberley. O principal gênero é o Portulaca. Talinum e Portulaca. 1978). . no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. 1997). sendo algumas pequenas árvores.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. Portulaca oleracea. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. e 33 espécies (Barrozo. arbustos e ervas.

Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. Na região da Mata Atlântica. referindo-se às propriedades purgativas da planta. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. Inclui três variedades principais. Berduega e Veduega. como alimento. mas algumas variações de nome popular são usadas. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. dadas sua rusticidade e resistência à seca. as partes aéreas cruas são usadas. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. Bodroega. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. fruto capsular obovóide. especialmente em Portugal e na Alemanha. axilares ou terminais. e a maioria é de ervas suculentas anuais. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. na forma de salada. planas e suculentas. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. cólicas renais e . obovadas. outros usos são atribuídos à espécie. sésseis. Dados botânicos É uma erva de caule curto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. tais como Verduega. folhas pequenas. arroxeado e suculento. pequenas. flores amarelas. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. pequenas. diminutivo de "porta".

Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. Caaponga. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Perrexi e Alecrim-desão-josé. Também conhecida como Beldroega. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho".afecções da vista. emenagoga e eficaz contra erisipela. estomáquica. Portulaca pilosa L. emoliente. diurética. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. . pilosas. As folhas dessa planta também são comestíveis. pequenas. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. as sementes passam por diuréticos. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. cicatrizante externa. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. flores amarelas. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. vulnerária. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. de onde saem folhas alternas. lanceoladas. amarga. glabros e suculentos. como as da beldroega. emenagogos e vermífugos. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado.

Simopoulos et ai. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis.. 1996). 1994). cálcio.. dentre os quais 18:3-ômega-3. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. 1988). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. campesterol e stigmasterol. ácido linoléico e ácido palmítico. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. 1995. 1992). Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 1990). portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd.4.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. ácido ascórbico.. 1996). 1995b). cycloartenol. 22:6ômega-3.. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. succínico. fósforo... pilosa (Ohsaki et al.. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. 1992). 1991).Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. pilosanol A. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. B e C. P.. três diterpenóides transclerodânicos. . parkeol.. 1991). carboidratos. butirospermol. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. 1991). málico. isolados das raízes de P. ascórbico. 1991. Boschelle et ai. manganês.. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. fumárico e acético (Gao & Liu. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. Boehm & Boehm. (1991) detectaram de R oleracea 3. sendo o último composto um glicosídeo. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. ferro.. malônico. como sitosterol. oleracea de proteínas. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. 1996). tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5.5% de lipídios. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina.

além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. sem alterar a diurese. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. 1989). beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. encontrado por Rocha et al. n-hexacosanol...De P. 1985) relaxante muscular.. enquanto das partes aéreas de P. 1989). O extrato de P.. 1994). Rocha et al. 1989). O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. oleracea foi investigado in vitro.. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1989b) e hipotensora (Poli et al. apresentou atividade hipoglicemiante.. lupeol. oleracea. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. 1994). 1993). P. 1987). stigmasterol. n-triacontano.. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1989. dentre outras espécies... .. diurética (Rocha et al. 1989).. beta-sitosterol.. 1996). De P.. 1995). Habtemariam et al. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun... (1994). Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio.. grandiflora Hook. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. 1993. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. 1997). suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 1987).

em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Caacica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. raramente. Menstruço. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. ramos folhosos verdes com folhas alternas. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. extremamente ramificado. Spinaceae. sendo uma planta extremamente . até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Ex Stend. ervas anuais ou perenes e. Salsola e Atriplex. Mentrasto e Mentrusto. Salicornia. 1997). A família se subdivide em quatro subfamílias. No entanto. Lombrigueira.5 m. Erva-das-cobras. caule ereto e glabro. Anserina vermífuga. oblongas denteadas. 1978). Erva-das-lombrigas. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. pequenas árvores. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Erva vomiqueira. Também é chamada de Ambrósia. que pode atingir até 1.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Inclui arbustos.

em altas doses.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. para problemas da pele. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. bronquite. Além desse uso. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. amplamente disseminado nas zonas rurais. contra reumatismo. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. febre. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas.. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. percevejos. ao passo que a infusão das folhas é usada.) . Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. incluindo a Amazônia. extremamente útil para afugentar pulgas. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. Godano et al. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". a maioria de ervas. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. especialmente na área veterinária. 2002.. dor ciática e parasitas intestinais e. baratas e demais insetos. externamente. 1985a e 1985b. como abortiva. 1978.. 1995). Melito et al. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. lesões hepáticas. esse uso é comum também em outros países. referindo-se às folhas lobadas. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. internamente. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e.

destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia.3). O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Guapira e Andradea. em trinta gêneros. Bougainvillea. ovadoblongas. Dos gêneros. arbustos e ervas que produzem betalaínas. distribuídas. Pega-pinto e Tangaraca. incluindo árvores. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. nome usado em todo o Brasil. pilosas e pecioladas. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. mas não antocianinas (Mabberley. Mirabilis e Bougainvillea. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. . Boerhavia. a espécie é conhecida como Erva-tostão. 1997). químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Mirabilis. de onde partem folhas pequenas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. opostas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. Pisonia.

além de ser considerada excelente diurético. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. especialmente a raiz. arbustos. 1996. 1999). Rawat et al. 2000a). A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. lianas ou ervas. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. 1990 e 1991). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. 1997). 1978 e 1980. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. 1991).. atóxica. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi.. Sohni et al. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca.. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas .. 1997). sendo árvores. 1991.. Aslam. sem efeito teratogênico (Singh et al. 1995). ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.. particularmente contra lombrigas. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1996) e lignanas (Lami et al. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. Corrêa (1984) refere que a planta. possui sabor picante. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado.. 1999). cujos efeitos benéficos são incontestáveis. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes.

folhas curto-pecioladas. membranosas. no Mato Grosso.4). em Pernambuco e em São Paulo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Pipi. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. alfavacão. limão de cayanna. Amansa-senhor. na Bahia. Em outras regiões. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. gineceu unicarpelar com ovário súpero. antiespasmódica e reputada como sudorífica. folhas. farmacêutico e amante da natureza. Gambá-tipi. alternas. no Rio de Janeiro. delgados e ascendentes. sublenhoso. fruto aquênio cilíndrico. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. e o gênero Petiveria. androceu com quatro estames. no alívio de dores musculares. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. achatado e carenado (Figura 9. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. diurética. ereto. como abortiva. O uso externo das folhas novas e da raiz. 1984). Erva-pipi e Raiz-de-guiné. estipuladas. Dados botânicos Subarbusto perene. Outros dados incluem o uso da raiz. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. também é comum. em decocto ou pó. inchaço de mem- . agudas no ápice e estreitas na base. que inclui uma única espécie. pequenas. raízes e ramos são considerados emenagogos.como ornamentais. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. ramificado com ramos compridos. como Tipi. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. Tipi-verdadeiro. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. flores sésseis.

1988. 1980). S. as raízes são usadas na hidropsia. ácidos palmítico. 1982). no Ceará. 1988b). et al. dores de cabeça.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. ácido lignocérico.. beta-sitosterol.. et al. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. reumatismo. Trotta et al.. T. em Minas Gerais. serina. além dessas indicações. no Rio Grande do Sul. 1986). 1982). trisulfeto de dibenzila. como abortivo. lignoceril álcool. 1988. 1990). flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez... . 1992). 1988).. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. esteárico. M. paralisia. 1980). 1980.. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio.. 1988).. et al. C. Pinto C. T. a raiz é útil na amenorréia (Agra. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al.. beta-sitosterol.. 1990). em Brasília e no Mato Grosso. pinitol. C. 1998).. flavonóides. na Paraíba.7-di-O-metilpinocembrina. peptídeos como ácido glutâmico. 1982. 1988. linoléico... o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. 1989) e depressora do SNC (Lima. Grandi et ai. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. ainda. 1982). 1997. triterpenos (Delia Monachi et al. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. M. De Souza et al. 1986). De Lima et al. trans-N-metil-4-metoxiprolina. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. nitrato de sódio. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. alantoína. glicina e alantoína (Sousa et al. Van den Berg. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima.

. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1998). Malpezzi et al.. utilizado popularmente como vermífugo. Elisabetsky et al.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.... O extrato hidroalcoólico de P. 1990). 1997) e antifungica (Benevides et al. citotóxica. 1998). decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al... alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 1984). 1988. 2050 aci02). Takahashi. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. alliacea. Lopez-Martins et al. por levar à imbecilidade. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. hematopoiética (Quadros et al. acaricida (Johnson et al.. 1988. 2001). 1991 e 1992). 1989. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al.. 1993.... efeito zigotóxico (Guerra et al. 1991. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva... 1991.. Guerra et al. 1991). 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 2002. 1994).. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. et al. 1993). O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1995). 1996) e antitumoral (Davino et al. Germano et al. Caldeira et al. 1989. Davino et al.. P.. M.. 1991). e o de caule. antiinflamatória oral (Germano et al. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. Davino et al.. 1994). No entanto. 1992). 1987) e antiviral (Ruffa et al... com uma D L m a de 1. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. afasia e até à morte (Corrêa. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al.... 1993. 1988.. Cortez et al.. atividades analgésica (Thomas et al. 1988). Y.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

é uma variação de sicyos. O gênero inclui apenas seis espécies. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. folhas pecioladas. longos. ramoso e delicado. como em formações secundárias. alternas. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. flores amarelas esbranquiçadas. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. flores amarelo-claras. sendo um produto amplamente comercializado. especialmente após o cultivo sistematizado. mas ásperas. . especialmente na Itália. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa.3). sulcado. com até 20 cm de comprimento. foi dado em homenagem a John Wilbrand. Wilbrandia. membranosas. fruto do tipo pepônio verde. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. descrito por Patrick Browne. É uma importante espécie econômica. capoeiras e na beira de estradas. e o nome. O nome do gênero Sechium. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. que significa "pepino". Wilbrandia ebracteata Cogn. rugoso. 5-lobadas e raramente com mais lobos. com caule anguloso. e muitas variedades em cada espécie. como Cabeça-de-negro.a cinco lobos. e sua raiz.

1996. 1985).. Hara et al. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos.. tumores e. Das folhas de M. Foram isolados ainda das sementes de M. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Das sementes de M.40%). 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. proteínas. divididos em lipídios não-polares (38. 1996).. sendo o cucurbita-5.. Huang et al. Zheng et al. charantia também foram isolados triterpenos. também. 1996). 1996.. Das sementes de M. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. Chandravadana et al. 1988. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al.. charantia foi determinada como 0. a raiz é utilizada no tratamento de febre.. Nguyen. sífilis (Almeida et al. Foram isolados também cicloarterol. charantia . 1995. momordicinina e momordicilina. 1996. 1987).80%) e fosfolipídios (16. 1992). 1997). Das sementes de M.. charantia também foram isolados vicina.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. De M... momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. Co. Cr.. glicolipídios (35. 1989. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. Grondin et al.. charantia foi isolada a gama-momorcharia.. além do esterol. Dos frutos frescos de M.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1990). Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico.. 1989)... Além disso.. Kusmenoglu. Wang et ai. 1986). 1996). aminoácidos e abundância em elementos como Cu. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. Dos frutos verdes de M. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. Chang et al.76% de lipídios. além das momordicinas (Fatope et al.. 1990a).81%). ácido linolênico. Zn. como laxativo (Farias et al. Mn e Li (Peng & Li. 1989. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. Ni.. 1997). A composição química do fruto de M. assim como no controle da diabetes. afecções da pele. 1991. 1990. reumatismo. 1992).

1987). As sementes possuem 50% de óleo. . As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. H e I (Miro. além de uma resina (Volák & Stodola. Das sementes de M. 1995). 1991). foetida (Mulholland et al. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero.vicine. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. além do ácido rosmarínico. pela E e. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. 1990). 1990). isolados das partes aéreas. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. sesquiterpenolactonas e taninos. Dos frutos de Aí. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. pelas G. Aí. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. triterpenos tetracíclicos. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1990b). linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate... 1995). 1987). balsamina (De Tommasi et al. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). 1993). Geralmente. contendo trinta carbonos. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. além de possuir óleo essencial (Guerrero. seguidas. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. 1994). também descrito em M.. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. charantia. posteriormente. 1994). esteárico. oléico. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. rigorosamente.. 1997). 1993). e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. também foram detectados em Aí. charantica. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. dioica eM.

1993).Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem.. Karunanayake et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. 1987).. Athar et al. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. O extrato etanólico de M. (1994). no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. Ahmad et al.. DNA. Welihinda et ai. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. (1986). Além disso. 1984. 1996)... Ng et ai. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Raman & Lau.. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. extratos brutos de folhas. 1986. O suco dos frutos de M. 2002). 1993). antiviral (Takemoto et al. 1983a e 1983b) e . (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. decocto das folhas e suco de M. 1981.. Inibição da síntese de RNA.. 1982. 1980. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar.. Platel & Sirinivasan. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica.. 1997). charantia (Rathi et al. Pugazhenthi & Murthy... parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1983). El-Gengaihi et al. 1996. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. 1982a e 1982b).6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. 1996. 2002) (Jilka et al. da síntese protéica. 1996.

inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1990).. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. Os frutos e sementes de M. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. 1996). 1994). na qual descreveram a momorcochina.. L. uma proteína inativadora de ribossomos. charantia.. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. 1993). Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. proteínas inativadoras de ribossomos. incluindo M. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. 1987. As proteínas inativadoras de ribossomos. isoladas de sementes de M. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al.. 1983). Fong et al. charantia. A glicoproteína isolada das sementes de M. alda-momorcharina..imunomoduladora (Spreafico et al. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. momordina 1 e momordina 2. 1995).. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. charantia. Cinco compostos foram isolados de sementes de M.. Wang et al. charantia. Ng et al. pulmonares e da mama (Rybak et al... e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. 1996). 1990).. charantia) inibe a integrase de HIV-1. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais.. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. 1994). impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. antitumoral. isoladas dessa espécie. 1995b).. charantia. 1993). et al. . quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. 1990a). (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al.

De M. 1994). 1997). 1988).. (1984 e 1985). Basaran et al. 1995). charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. A M.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. 1996).. M. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. 1990). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. Foram isoladas duas proteínas de M.. MAP30 isolado de M. Os frutos de M. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al.. antiancilostomose (Berchieri et al. L. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .. 1994). Dos frutos verdes de M.... Misra et al. 1991). et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn. No entanto. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1996). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. Das folhas de M. charantia (Silva. 1990. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. 1995). A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. charantia e Emblica officinalis Gaertn. O extrato aquoso da folha de M. 1996). Amorim et ai. 1990. 1987). charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. 1996). Apesar da indicação popular para inflamação. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer.. 1987). que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. Embora indicada contra malária.. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. De M.. charantia foi isolado ginsenosídeo.

diarréia.. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. tais como antiinflamatória. 1995. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Hamato et ai. 1986). charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai... além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. hipovolemia. 1993). charantia (Sankaranarayanan &Jolly.. Peters et al.. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 1996). 1995. Pagotto et al. 2000) e antimutagênico (Yen et al. em rato. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. 1997). 2001). antitumoral. C.. Proteínas isoladas de M. Jensen & Lai.atividade hipoglicemiante. 1991). inibição da ovulação. Trichosantina. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. 1997 e 1999). Outras atividades também foram descritas para a espécie. 1986b). podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas.. 1993). Além disso. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. De M. Miró. tais como antioxidante. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. do que o extrato de M... citotóxica.. 1995). ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. O extrato alcoólico de M. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. 1994). 1993). antimicrobial. A. anticoncepcional. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al... 1984. 1996).. 1995. 1995). et al. . anti-helmíntica. hipotensora (Gordon et al.. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1991). 1995. Teixeira. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al.. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. diminuição da pressão arterial.. 1989.

sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. Das sementes de M. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. 1986). Os frutos de M. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. 1994). 1988). A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados.. 1997). 1990).. Chan et al. charantia em enzimas hepáticas.. especialmente por gestantes. 1996. 1987). 1986). angaria foi de DL50 = 1.. A toxicidade do fruto de C. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. Platel & Sirinivasan. recentemente. 1996. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate... . El-Gengaihi et al. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. Em ambos os casos. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. Raman & Lau. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. 1992). 1986. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. 1996..6 mgAg. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali...

Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). mas que possui uma grande importância. distribuídas em regiões tropicais. e não foram encontrados sinônimos para ela. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. com gomo terminal protegido por estipula caduca. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. pétalas ausentes. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. alternas. ovário unilocular. farrapo". semente com endosperma carnoso (Figura 10. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. 1978). um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. androceu com um estame. . flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. referindo-se ao estame bifurcado. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. folhas simples. e stemon = "estame". Dados botânicos Árvore de pequeno porte. fruto do tipo capsular trilobado. pedaço. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo.4). bem desenvolvidas. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. onde há cerca de oito espécies.

Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. 1996). enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). existem várias espécies do gênero Passiflora. 1992). arbustos e árvores (Mabberley. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. no entanto. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. com 575 espécies tropicais e temperadas. de valor alimentício e medicinal.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. conforme apresentamos a seguir. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. 1997). em geral trepadeiras. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. . compreendendo lianas. representando um importante recurso econômico. No Brasil. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly.

uma espécie denominada Maracujá. agudas no ápice e estreitas na base. 1997). Passiflora macrocarpa Mart.5). alternas. ovadas. côncavas. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. que lembram os instrumentos do martírio. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. estipulas ovadas. principalmente a P edulis. 1990). a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. folhas inteiras. corniculadas. flores com cinco sépalas ovadas. carotenóides (Ferreira et al. cordiformes. 1987a. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. (9Z)-ácido octadecenóico. margem inteira.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. Na região da Mata Atlântica. antocianinas (Kidoey et al. pela interpretação dada às peças florais. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). peninérveas. 1996. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. hexadecanóico. 2tridecanona. sementes compridas (Figura 10. 1991). e cinco pétalas rosadas. cilíndrico. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente).Dados botânicos Planta glabra. Uma outra espécie de maracujá. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. o suco dos frutos é considerado sedativo. 1989). 1983). chamada popularmente de Maracujá gigante. Spencer & Seigler.. monoterpenóides. fruto oblongo-ovóide.. é usada para diversas finalidades. 1987b e 1985). .. 2-pentadecanona. gavinhas que são ramos florais modificados. planas e obtusas. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. mas identificada apenas até o gênero. epipassicoriacina. caule robusto.

PP e C (Zhuang & Wang. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. 1988). 1986). 1997). 1979). 1986). B2. espasmolítica (Queiroz & Brandão. Dos frutos e folhas de P . Raffaelli et al.. açúcares. taninos. 1988). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1989). fermentos.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al.. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. 1998).. 1997. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. harmol e harmalol). proteínas.. B1. 1987). 1987a) e P suberosa (Kidoey et al.. analgésica.. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. 1991). ferro. Amaral.1979). de onde foi isolada crisina. 1986). mollissima (Froehlich et al. amliformis (Restrepo & Duque. riboflavina.. nem em R incarnata (Speroni et al. Flavonóides como vitexina.. quadrangularis (Orsini et al. bem como a presença de glicosídeos em P. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. potássio. 1988). 1980). Proliac & Raynaud. Sena & Leite. lipídios. sendo a passiflorina o mais conhecido. Vale & Leite. Ortega et al. isoschaftosídeo. isoorientina. 2000). glicosilflavona (Geiger & Markham. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. Da espécie P. 1988.. 1997). carboidratos. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. isovitexina. maltol. fósforo. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. harmalina. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. 1996). bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. orientina e isoorientina. saponarina. flavonóides (orientina. K. 1980.. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. Esse composto não foi detectado em P coerulea.. P coriacea (Spencer & Seigler. P. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. assim como ácidos graxos... et al. O suco dos frutos contém água. 1996). vitaminas A. 1988. 1997.. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. 2000. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. 1997.. 1988. Spencer & Seigler. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. 1995. harmina. cálcio... 1987b). incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Menghini. Costa.

O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P... 1998a). 1985b. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico.. Echeverri & Suarez. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. fruto e flor (Banco de imagens . Barros et al.1 . 1991)... 2000). enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1989). antipirético (Silva et al..Luffa cylindrica Roem. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. FIGURA 10. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 1991. Das folhas de P .. antiinflamatório (Silva et al. foetida apresentou atividades hipotensora. Detalhe da folha 5-lobada. Porém. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al... que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. espasmolítica (Carneiro et al. inotrópica. 1978). 1989 e 1993) e inseticida.. 1988).edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 1985).

.Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10.2 . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. .) K. como abortivos. canaiensis (Willd. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. com caule ereto e ramoso. de Vassoura. na região amazônica. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. Nomes populares A espécie é chamada. 1982). Malva-preta. as flores são pequenas.mas. Vassoura e Relógio. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. Schum. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. na Bahia. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. reunidas em fascículos axilares. lineares e de cor branca. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. mas também de Ganchuma e Relógio. 1939). Sida rhombifolia L var. freqüentemente com cálice roseado. no Pará. emenagogos e as folhas (decocto). como emético (Hoehne.

. 1986). e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. é tido como útil. Em outras regiões do país. reticulata (Cav. como Minas Gerais. ramosa e pubescente. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Guaxiúba. Dados botânicos Planta anual. mas esta não foi completamente identificada. 1982. axilares. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. Malva-roxa. Ibaxama. ereta. é de grande uso externo contra reumatismo. var. Malvaísco. Na Mata Atlântica.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. O chá de toda a planta. Malva e Vassoura-do-campo. em São Paulo e no Rio de Janeiro. dispostas em racemos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. róseas. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. na região amazônica. na dose de três xícaras ao dia. flores solitárias. emoliente.. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Urena lobato L.4). em Minas Gerais. chamada de Caapiá. Guaxuma. Coaquibosa. folhas curto-pecioladas. tônica. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Uacima e Uacima-roxa. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Aguaxima. contra desarranjo menstrual. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Guaxima. popularmente conhecida como Caapiá. . rombóideovais ou lanceoladas. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Grandi & Siqueira. Rabo-de-foguete. anti-hemorroidal. Aramim. alternas. e Guanxuma.Vassourinha. no Rio Grande do Sul. 1982). a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. no Rio Grande do Sul. Carrapicho-de-lavadeira. a planta é utilizada como béquica.

moschentos (Tomoda et al. emoliente e contra eólicas renais. flores pecioladas. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. lobadas e de formas variáveis. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. Tomoda & Ichikawa. pequenas. fruto do tipo capsular. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. mucilagens das espécies H. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. de onde partem folhas alternas. 1986).Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. suculentus (Tomoda et al.. diurética e útil contra eólicas. 1986). ligninas de H. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. cannabinus (Kulchik . 1977a.. comum às espécies desse gênero. com ramos alternos cilíndricos. roxas ou rosas. a decocção da raiz é usada como diurético. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. H. syriaceus (Shimizu et al.. 1984). de até 3 m de altura. cannabinus foram isolados. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. 1991).. 3-7 nervadas. De H. 1986. Dados químicos Hibiscus De H. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. 1991). 1977b e 1978). ciclopropenos (Nakatani et ai. 1987).. pecioladas. suculentus (Moawad et al. 1990). com grande destaque para as três nervuras centrais. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. H. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fosfolipídios (Tolibaev et ai. onde se encontram glândulas nectaríferas. solitárias. 1985) e H. cordiformes.

A quantificação das proteínas das sementes de H. De H. 1977).. 1991). 1990).-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. . malvidina (Kim et al. N-acilfosfatidiletanolamina. o H. 1988). 1990a e 1990b). No óleo das sementes de H.. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. epoxiacilglicerídeos. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina.. sabdariffa produziu antocianinas. 1990). 1989a e 1989b). Husain et al. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. pelargonidina. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.et al... 1986). Das sementes de H. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. peonidina. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. arabinose e arabinan. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%.. esterois livres.. sabdariffa foi determinada (Kalyane. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. glucose. ikshusterol. De H.. Foram isolados também de H. sterculico. beta-sitosterilglicosilado. cianidina. monoglicerídeos. 1988). De H.7.. fosfatidiletanolamina. 1978). taxifolina e herbacetina. fosfatidilinositol. petunidina. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al.4'-pentahidroxiflavona. diacilglicerídeos. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. ácidos palmítico. esterol ésters. kaempferol 3. ácidos graxos livres.. 1988). uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. Em cultura de tecidos. linolenato de metila. betasitosterol. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. galactose. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. 1989). quercimeritrina.. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad.-L-arabinosideo-7. além de 15% de ramnose. abelmoschus (Maurer & Grieder. moschentos foram isolados 3. sesquiterpenóides de H.5. esculentus e H. Duckart et al.8. epi-ikshusterol. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. 1986. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. 1986. xilose e frutose (Pouget et al. Das pétalas de H. 1991) e lactonas de H. tiliaceus (Ali et al. 1988). triacilglicerídeos. oléico e linoléico (Tolibaev et al. 1989). N-acilisofosfatidiletanolamina.

óleo-dilinoleínas. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. palmito-dilinoleínas. prolamina e glutelina (Sammour et al. também isolado de G. D-galactose. 1987). glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. dipalmito-linoleínas. 1986). barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. Foram isolados de G. globulina. oléico. mucilagens e proteínas (Costa. 1995). ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). hirsutum e G arboreum. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. rainundii (Stipanovic et al.Das folhas de H. 1980). esteárico. 1985). Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. lecitinas. hirsutum e B. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . esteróis. hidrocarbonetos. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. dipalmito-oleínas. 1979). Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. diversos terpenóides (Hunter et al. 1985). 1979) e G. silianum (Kumamoto et al. fosfolípides. mirístico. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. hirsutum (Schmidt & Wells. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. miristoléico e palmitoléico. resinas. Ermatov et al. araquídico. xantofilas. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. 1986. barbadense. 1986). 1995). G. Das sementes de G. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. De G. palmítico. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. corantes como carotenos. barbadense determinou a presença de albumina. principalmente o esqualeno.

Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. espermátide e espermatozóide. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. humilis.(+) gossipol de G. Das partes aéreas de S. pristano. ácido palmítico. As partes aéreas floridas de S. Sida Alcalóides foram isolados de S. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. 1989a). S. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. isoquercitrina. ácido glutâmico e aspártico. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis.3%3%) (Bandyukova & Ligai. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. fitano. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. 1990). ácidos graxos como beta-sitosterol. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. hermaphrodita contêm também os flavonóides. hirsutum (Mansour et al. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. acuta (Goyal & Rani. As partes aéreas de S. 1988a). De S. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. S. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. stigmasterol. vesícula seminal e próstata ventral foram . campesterol. 1988). 1989). acuta. spinosa (Prakash et al. hirsutum (Zhou & Lin. A extração das partes aéreas de S. barbadense e G. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. 1981). O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. barbadense e G. 1987). esteárico e hexacosanóico (Khan et al. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. 1989b). 1997). rhombifolia e S.

2001). Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. esculentus (Medeiros et al.. 1999. A espécie H. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. 1992). rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. 1986). Haji & Haji. e de H. 1987). As flores de H. 2000). e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. 2002). Pai et al. Ainda de H. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. antiespermatogênica. porém os níveis de colesterol subiram. antimutagênica (Wang et al. citotóxica. 1985). causando o final da gestação (Pakrashi et al. verificadas por Singh et al (1982). O ovário apresenta sinais de luteólise. assim como uma forte ação citostática. A taxa de inibição de fertilidade com H. 1979). 1986. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. sabdariffa (El-Merzabani et al. 1987). O extrato das flores de H. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. moschentos (Tomoda et al. Em camundongos. 1989). a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. tripsina e a alfa-quimiotripsina. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. no tratamento com Hibiscus. 1984. 1976a e 1976b ).reduzidos nos animais tratados com H. Pakrashi et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. hipoglicêmica de H. 1990). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. Essas atividades. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1987). A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. esculentus. 1985). 1999). .

1997). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. 1985). arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1988) e S. Flavonóides de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 1996). induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1984). 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. serratifolia (Sawhney et al. 1995). barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). 1978). hirsutum e G. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. principal constituinte do óleo do algodão. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al.. rhombifolia (Bortoluzzi et al. 2001. Sida Os alcalóides de S. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. 1980).Gossypium O gossipol. Terpenóides isolados de G. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 2000) e tóxico (Bourke. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. As proteínas das sementes de G. Wang & Bunkers. 1982). 1985). Extratos de S. barbadense e G.

500 espécies tropicais. de grande cultivo em jardins. Das partes aéreas e folhas de S. 1998. e o gênero Theobroma. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. 2001). Segundo Barrozo (1978). incluindo árvores e arbustos. distribuídas em onze diferentes gêneros. 1992). et al. cordifolia (Malva-branca). enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. onde são encontrados em abundância. Bianchi et al. Fernandes et al. F. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. rhombifolia. carpinifolia. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. 1996). Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. Na região . poucas em áreas temperadas. do valioso Cacaueiro Joly 1998). Drena As raízes de U. nos quais se distribuem 1. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. exceto Bacillus subtilis. Franzotti et al. vulgarmente chamada de Guaxuma. C. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. 1988b). Do infuso de S. 1988. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. Dombeya. 1997). raramente ervas ou lianas (Mabberley. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. todos típicos de cerrados e campos. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. 1998. 1998). onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. Helicteres e Waltheria. Sterculia. V.

significa "manjar dos deuses". Cupu-assu. e o chá da sua casca. com estipulas caducas. grandes e vistosas. duas das mais importantes e valiosas espécies.5). grossos e tomentosos. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. no Pará (Amorozo & Gély. 1991). oblongolanceoladas. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. ou por suas variantes: Cupuaçu. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. 1990). com ramos longos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores que brotam dos galhos. descrito por Carl Linnaeus. O nome do gênero.) Schum. ex Spreng. Dados botânicos Arvore de grande porte. para o tratamento de diarréia. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. . com brácteas linear-lanceoladas. 1988). ovóide. O gênero Theobroma. folhas com pecíolos curtos e carnosos. Em tribos indígenas amazônicas. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. bem como nas comunidades locais da Amazônia. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. de valor econômico. Copoaçu.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. fruto do tipo capsular grande. vermelho-escuras. pedunculadas. medicinal e alimentar. liso e escuro (Figura 11. Theobroma. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu.

flores dispostas no caule. albuminas. no Amazonas. com ramos curtos. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. inibidores fenólicos da a-amilase. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada.. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. T.3. até 10 m de altura. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. M. palmítico. 1992a e 1992b). Já a espécie T. 1989). tripsina .9-tetrametilúrico. Kakao.Theobroma speciosa Willd. globulinas (Voigt et al. 1979). oblongolanceoladas. oléico e linoléico. mirístico. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. glicerídeos di-saturados. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. Dados botânicos Árvore de porte médio. ácidos esteárico. contêm flavonóides (Jalal & Collin.6).. Outras espécies desse gênero. Pagonini et al. fruto capsular ferrugíneo. 1977).. ex Mart. folhas com pecíolos longos. cacao. inteiras. (Figura 11. Cacao forastero. teobromina. como a T. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. grandiflorum). fasciculadas. Cacaoyer. et al. denominado Theobroma cacao L. 1970. 1986). Cacao azul. speciosa possui ácido 1. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Caca-y. mono.e tri-insaturados (Costa. Chocolate.. cafeína (Maia et al. Criollo.7. vermelho-escuras. 1993). fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro.

1996). Em T. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. simiarum. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. augustifolium. tais como ácidos palmítico. As essências florais de T. ácido lático. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. ácido araquídico. derivados do ácido hidroxicinâmico. dentre os quais o óxido de linalol (12. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. antocianinas. O T. 1987). taninos condensados. bicolor e T. 1989). principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. pela presença de ácidos graxos. subincanum. Além de açúcares totais. cacao e também em T. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. Porém. T. geraniol. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. (-)epicatequina..(Quesada et al.5%) e o isoeugenol (8.. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. ácido cítrico. cacao..9%). nerol. Alcalóides purínicos (cafeína. O índice de saponificação da T.6%. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T.74% (SantAnna Tucci et al. T..7% a 57. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. longifoleno e citronelol (Erickson et al. 1986). cacao foi caracterizado como de 190. e T. speciosum. mariae. quercetina e esculentina (Bastide et al. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum.. 1987). 1995). que variou 50. augustifolium (Sotelo & Alvarez. bicolor e T. ácido ecosadienóico.. Os alcalóides teobromina. 1994).. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. taninos.2%). porém. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. 1991). Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. quercetina3-0-glucosídeo. 1996). cacao consistem de 78 componentes.. T. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. 1991). flavan-3-ols. procianidina B2. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. Em T. diferentemente do T. 1986).37 a 1.. 1991). Esse constituinte também . 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. gorduras (Malini et al. teobromina. 1994). A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. xantinas e lipídios. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri.

cacao apresentou um efeito vasodilatador. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues.. 1989). 1997. 2002).. amido. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini.. . 1997). cacao (Yamagishi et al. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 1997). e a proantocianidina.. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. 1997). 1997.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. isolada dessa espécie vegetal. uma atividade analgésica (Santos. Sanbongi et al. cacao (Gurney et al.. et al. 1997). 1992). Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T... 2000). proteína. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. cafeína. 1970.. 1997). fenóis e taninos. M. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda... A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. clorofila. Paganini et al. 1992a e 1992b). Melzig et al. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. análoga à manteiga de cacau.

muito conhecida na região amazônica Joly. Triumfetta. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. de até 13 m de altura. 1998). que a referiram como medicinal. serrilhadas. Dados botânicos Árvore de porte médio. oblongolanceoladas. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. raramente ervas ou lianas (Mabberley. Espécies medicinais Muntingia calabura L. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. os gêneros mais comuns são Luehea. 1978). Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. . sendo a maioria de árvores e arbustos. 1997). agudas no ápice e oblíquas na base. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. folhas curto-pecioladas. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. de numerosos estames livres. No Brasil. e Apeiba. da planta Pau-de-jangada. com o nome de Curumin-nhapuá.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal.

denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. vermelho. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.3%). foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. sendo ésteres (31.6%) e derivados furanos (8.3%). fruto do tipo baga. alcanos (15. Do extrato citotóxico das raízes de M. calabura foram isoladas Havanas.9%).3%). Foi observada a presença de potentes componentes de odor. 1990). ésteres (26. sesquiterpenóides (10. A casca é emoliente. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. indeiscente. antiespasmódicas (Corrêa.7%).dispostas em pedicelos axilares. calabura L.5%) e compostos carbonil (23. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol.7). ovário 5-7 locular.. inúmeras sementes (Figura 11. aqui descrita como medicinal. quercetina.3%) os mais significativos. 1984). Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.4%). Dos frutos de Aí. e salicilato de metila. . 1991). kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. e as flores. arredondado. dos quais predominaram alcanos (44. compostos fenólicos (11. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman.

e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1998.1 -Bixa arbórea.

2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1984). 1998) (Banco de imagens - .

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.FIGURA 11.3 .

Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Sida rhombifolia var. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.FIGURA 11.4 .

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .FIGURA 11.5 .Theobroma grandiflorum.

6 . Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .Theobroma speciosa.FIGURA 11.

7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .FIGURA 11.Muntingia calabura.

duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata.12 Urticales medicinais L. por esse fato. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Em duas delas. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Da família Cannabaceae. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. amplamente conhecida como . Cecropiaceae. C. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Ulmaceae e Barbeyacea. A. fonte de substâncias também tóxicas. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Cecropiaceae e Moraceae. As outras duas famílias dessa ordem. e o importante gênero Urtica. e o segundo. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Seito C. das quais as famílias Moraceae. Di Stasi L N. fonte da maconha (Cannabis sativa). espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.

Com esse novo arranjo. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. de Lixa. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. folhas grandes. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Pourouma e Cecropia. Musanga. Ibaituga. Espécies medicinais Cecropia peltata L. e a espécie Sorocea bomplandii. Ambaí. lactescentes. Ambaíba. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Myrianthus. Arvore-da-preguiça e Torém. Ambatí. Embaúba. Ibaíba. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Ambahú. . Outras denominações populares são Aimbahú.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Figueira-de-surinam. Imbaubão. Imbati. alternas e protegidas por duas estipulas. Toréin. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. peitadas acima do centro. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Poiküospermum. Arvore-da-guiça. longopecioladas. referida com adulterante da Espinheirasanta. Ambaitinga.

Nas folhas do extrato de C. 1985). C. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. hidropisia. 1983). 1986). usados na fabricação de instrumentos de sopro. C. 1984). o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. Das raízes de C. carpelar. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. As folhas.. 1984b). asma. Kerber. A. bronquite e gripes fortes. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. Santos.. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero.flores pequenas de sexo separado. R. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. reunidas em densas inflorescências. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. catharinensis. 1996). gemas e brotos são adstringentes. unilocular. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. adenopus. A. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.1). meio homem e meio serpente. 1992. A. frutos nuculares. ecoar"... Em C. Na espécie C. formando infrutescências inclusas (Figura 12. 1986. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. . Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. 1994). 1996b). Mal de Parkinson. muitas delas de ocorrência no Brasil. Na região do Vale do Ribeira. indicada popularmente como antiinflamatório. Das folhas de C. que significa "chamar. lyratiloba (Menda. antililiásica (Domingos et al. do grego. a raiz é considerada útil contra tosse. F. et al. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses.. filho da Terra. R. et al. et al.. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. 1998)..

descrita originalmente por. 1998. distribuídas em 28 gêneros. distribuídas em 38 gêneros. espasmolítica (Delia Monache et al. efeito depressor do SNC. Em outras re- .. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. isolada de espécies deste gênero. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae.. antidepressiva. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. que incluem árvores. 1992). Morus. Rocho et al. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo.. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. dos quais se destacam: Ficus.. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. arbustos. Johann Heirinch Friedrich Link. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill.depressora do SNC.. de Espinheira-santa.. Cysneiros et al. Rocha et al. 1998a e 1998b. na Mata Atlântica.. 1988).100 espécies tropicais e poucas temperadas. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. a família conta com aproximadamente 340 espécies. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. antiulcerogênica (Cysneiros et al. Astocarpus e Sorocea. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. 2001). ansiolítica (Barettaetal.) Burger. característica marcante da maioria das espécies dessa família. Dorstenia. 1988.. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. lianas e ervas (Mabberley.. 1997). analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. A cecropina. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. compreende 1. 2002). 2001). No Brasil. 1993 e 1996a). usualmente com células lactíferas e grande produção de látex.. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. 2001).

especialmente na Mata Atlântica. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. Calixto et al. cilíndrico. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. de casca fina. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. especialmente da Mata Atlântica. Flavonóides foram isolados de S. . quando não está em época de floração. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. Canxim. Recentemente. ciófita. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. Folhas-de-serra. de face superior brilhante e inferior opaca. da família Celastraceae).giões do país a planta é chamada de Cincho. A espécie é latescente. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira.. fruto do tipo baga. folhas simples. chegando a 10 cm de comprimento. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Soroco. ilicifolia e S.. Resple. 2001.. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). com tronco ereto. 1993). 2001. Trata-se de uma espécie perenifólia.. Araçari. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. bomplandii. Carapicica-de-folha-miúda. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Gonzales et al. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. 1993). Laranjeira-do-mato.

(Banco de imagens .1 . 1998. c) inflorescência. Reis). S.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M.FIGURA 12. d) flor feminina. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) detalhe da folha.

Thymelaceae e Euphorbiaceae.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. 1997). especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. No Brasil. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. compreende 313 gêneros. Guimarães C. A família Euphorbiaceae. é urgente uma revisão da família. arbustos. M. lianas ou ervas. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. a família é representada por 72 gêneros. Hiruma-Lima A. segundo Mabberley (1997). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1978). C. comumente com células especializadas na produção de látex. M.100 espécies. com aproximadamente 1. Na família ocorrem árvores. Das centenas de gêneros. A. a maioria cosmopolita. Santos L. R. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. . com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. M. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. Souza-Brito E.13 Euphorbiales medicinais C.

Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. sementes ricas em endosperma (Figura 13. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. flores de sexo separado. com limbo dividido em lobos ou segmentos. lanceoladas. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. esquizocárpico. enquanto a infu- . a maior produtora de borracha. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. pela semelhança das sementes com esse animal. separando-se em três cocos. sendo algumas árvores. Pedilanthus. ervas e arbustos. espécie rica em óleo de rícino. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. verdes. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. peninérveas. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. especialmente em Phyllanthus. Jatropha e Croton. icterícia e malária. problemas hepáticos. folhas simples. fruto seco. Do gênero Euphorbia. febres. e outras. dos quais referimos algumas espécies a seguir. da valiosa Mamona. pecioladas.devemos destacar Ricinus. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. estipuladas.1). Mabea. atualmente cultivada em vários países.

são das folhas. fruto seco. estipuladas. Pinhão Pinhão-branco. Nomes populares A espécie é chamada. no Ceará. membranosas. no Pará. e Mandobiguaçu. palminérvias. Pinhão-manso. Croton sacaquinha Croizat. com ápice curtamente acuminado e base cordada. Pinhãodos-barbados. nodoso. esquizocárpico. Pinhão-do-paraguai. a Sacaca. atingindo até 4 m de altura. Maduri-graça. lanceoladas. Pião. flores de sexo separado. grandes. Pinhão-de-purga. reunidas em inflorescências racemosas. reunidas em inflorescências paucifloras. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. folhas simples. de caule grosso. com brácteas . Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. curto-pecioladas. peninérveas. na região amazônica. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. amarelo-esverdeadas. sementes ricas em endosperma. mas também de Peão. pequenas. lactescente. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). é útil contra hepatite. folhas alternas. flores unissexuadas. separando-se em três cocos. longo-pecioladas. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. glabras. de Sacaquinha. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. lobadas.

Pinhão-roxo.lanceoladas. Erva-purgante. assar a polpa na cinza. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. Pião caboclo. 1988). resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. Mamoninha. partir e tirar a "folhinha". deriva do grego iatros = "remédio". sementes escuras. esta passa a ser comestível e saudável). descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. Peão-curador. 1984). raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. gengibre amassado. elipsóides e oblongas (Figura 13. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. . fruto do tipo capsular. constipação nasal e como purgativo. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza.. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. coriáceo. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. O nome do gênero Jatropha. Batata-detéu. gripe (descascar a semente. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. no Pará. As sementes são eméticas (Corrêa. dez estames.2). Jatropha gossypifolia L. 1982). e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. Raizde-téu. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. são torradas. enquanto as sementes. lisas. colocar no café e banhar a cabeça). Arg. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. contra feridas (Amorozo & Gély. após a retirada do embrião. Peão-pajé. o látex é aplicado externamente. secar até ficar fria. assim como para constipação nasal.

com folhas alternas. No Pará. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. folhas pecioladas. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. 1982). o banho. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. contra feridas.3). Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. ramosa. cálice com cinco pétalas. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. útil nas obstruções das vias abdominais. A planta é purgativa. contra "mau olhado". palmadas e limbo dividido em lobos. 1984). Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. glabras e estipuladas. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . fruto capsular. 1988). as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. lineares. roxas. trissulcado. flores unissexuadas. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. Em Brasília. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. no Piauí (Emperaire. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. grandes. escuras e com pecíolos pubescentes. O nome do gênero Mabea. 1982).Dados botânicos Árvore de pequeno porte. e as folhas na cabeça. dispostas em cimeiras paniculadas. o chá das folhas é usado como antitérmico. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura.

Dados botânicos Planta de pequeno porte. sementes minúsculas (Figura 13. descrito por Carl Linnaeus. é usada como diurético e contra . Phyllanthus corcovadensis Muell. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. com ramos glabros. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. flor masculina fasciculada com três estames. folhas com limbo. alternas. cápsulas pequenas.5 m de altura. enquanto a infusão de toda a planta. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. 1984). ramificada.Aublet. trissulcadas. Arg.4). é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. significa "flor na folha". flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. Na região do Vale do Ribeira. estipuladas. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. O nome do gênero Phyllanthus. flores de sexo separado. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. que atinge até 0. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. incluindo as raízes. Na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. distribuídas na América tropical. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores.

transcrotonina. Posteriormente. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1. 1991). cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 1982). (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. além de ser usada contra pedras nos rins. O óleo essencial das cascas de C.. 1990.. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. é útil contra problemas do fígado. .. 1998). 1989). Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C.dores de barriga. beta-cariofileno.. Das cascas de C. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. Maciel et al.. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. e os principais constituintes são alfa-pineno.8-cineol.. 1979. alfa-humuleno. 1989. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. 1986). 2000). A infusão das folhas. 1992). de ácido aleuritólico (Muller et al. Kubo et al. Em Minas Gerais..

alfa-guaieno. zambesicums Muell.4-dimetoxibenzil. 1992). gama-elemeno. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. A composição do óleo essencial das cascas de C. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C.. betabourboneno e gama-cadineno. e das folhas de C. cortesianus foram isolados o clerodano.. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. De C. sitosterol. estragol. enquanto germacreno B. 2.. 1996). megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. limoneno e outros.. 2-metil-butanol.. 1996). Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. lundianus e a C.14dien-9-al e 3a. Das partes aéreas de C. alfa-humuleno. lechleri foi isolada a sinoacutina. metil isoeugenol. acetato de 3-metil-butanol.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). 4b-dihidroxi-15.4-dimetoxifenol. e chiromodine (Weckert et al. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. allo-aromadendreno e torreyol. propionato de etila. 1996). mirceno. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. 1995). Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. hovarum: a 3a. metileugenol. 1992b).. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. 1993b). alfa-cubebeno. glandulosus (Neto et al. p-cimeno.3. e de C. 1995).5-trimetoxibenzeno. e das cascas do caule de C.4. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 1992). acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. alfa-ilangeno. glandulosus. 3. a C.. 4-hidroxifeenetil.cadideno.4b-dihidroxi-15. 1992).14-dieno. .8-cineol.. acetato de 2-metil-butanol. 1993a).. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. Das folhas de C. lechleri foram: acetato de etila. 1994).. C. o óleo de C. eucaliptol. 3. Além disso. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. Os constituintes voláteis isolados de C. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários.. cânfora. acetato de propila. foi determinada. ludianus possui 1. a printziano e um norclerodano (Siems et al. gama-elemeno. cadineno. aubrevillei J. Porém. a levatina (Moulis et al. linalol.6-trimetoxifenol. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton.

castaprenol-11. tomentina. riangularis (Moura et al. 1991). Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. jatroolona A. taraxerol. Compostos terpenóides foram isolados de C. 1992). sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. curcas foram isolados ainda as latiranas. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. a seco-labdane (Schneider et al. caniojana. 1995). e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. diasii (Alvarenga et al. 1992). 16hidroxijatrofolona. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al.. beta-sitosterol (Chen et al. Jatropha Das raízes de J. De J. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. jatrofolona B.. Das partes aéreas de C. gossypifolios (Cespedes et al. taraxerol.5.De C. jatrofolona B. nobiletina.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney.. 6a.. e das cascas de C. ésteres e cetonas não-terpenóides. C. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. b-sitosterol. macwstachys (Herlem et al.. 1993). ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. argyrophylloides (Monte et al. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. e das folhas de C. eluteria foram isolados sesquiterpenos. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. e de C. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. jatrofina. 1996).. 5hidroxi-6.. 1991).. stigmasterol. 1986) e C..7. 1996).7b-dihidroxiannoneno e 6a. De C. 1976)..5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. Do óleo de C.. 1988).6-diona. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 1991a). curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 1992). enquanto alcalóides foram encontrados em C.. eudesmanos. 1994). (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. os triterpenóides jatrofolona A. 1981).3'. Das raízes de C.. jatrofol. . hemiargyreus (Barnes & Borges.7-dimetoxicoumarina. 1986). draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.

26%. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. 1989a e 1989c). flavonóides. 1987). Das cascas da raiz de J. glicina (19.30%) (Jain & Garg.92%) e leucina (12. 2epijatrogrossidiona.. . Auvin-Guette et al. valina (18. foi isolado de seu látex a albaditina.71%)./. Das raízes secas de J.. Banerji et al. Teixeira. ácido linoléico (Nasir et al. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. 1990).. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. 1989). os aminoácidos cistina (2.60%. 1987. ácido esteárico. 1996a) e jatrodiena (Das et al. jatrofolona B. alanina (28. curcas foram isoladas também várias lectinas. 1983)... 1995). 1988. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji..1%). De J. esteróides e glicosídeos. 1988). 1997). gossypifolia e J. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. Saponinas foram detectadas apenas em J. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. J.98%).1997). 1996b). 1986). Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo..9%. bem como o ácido nurístico. arginina (0. 1997). 0. J. pohliana var. mollissima foram isoladas orientina. tlalcozotitlanensis e J. 1997. malacophylla. ácido oléico. 1989).. divica foram isolados beta-sitosterol. e 43. além de outros três derivados diterpenóides. 0. saponinas. isoleucina (3. Das raízes de J.. De J..11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. caniojanae 1.07%). denominada curcina (Costa.9%). respectivamente (Raina & Gaikwad. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. compostos fenólicos. De J. Do látex de /. 15. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. 1988).15% e 15% de ácidos graxos saturados. 1996. As espécies. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. 1990). podagrida apresentaram 24%. isoorientina.. Das folhas de J.6% de ácido oléico. terpenos.26% de ácido aracdônico.9%. sendo 0. galvani (Guevara et al. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. Dos rizomas de J. 1988). multifida L. Makkar et al. metionina (13. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al.94%). J.. 1988). elbae.. Das folhas deJ. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al.. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. ácido araquídico e toxalbumina. 1997). curcas. Do caule de J. 14. gadaína (Das et al..

1996. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.. 1988. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole.. simplex.. 1989a e 1989b. timol e carvacrol (Odebiyi. 1995). Petchnaree et al. 1990). De P. . 1977). 1990. Huang et al. assim como os diterpenóides de J. Negietal. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al... cumarinas. Mensah et al.. gossypifolia.. 1991). 1988. 1986). macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. 1986.. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. sacarose. levulose. 1986. terpenos. Mabea Do látex do caule de M. 1988. 1997). enquanto em P. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al.. hidroxiflavanona. 1988. Singh et al.. Houghton et al. Yunes et al. da qual foram isolados alcalóides. 1981). ácido clorogênico. 1980). triterpenóides (Joshi et al. P.... 1986) e vários outros compostos (Singh et al. Ahmad et al. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al.. discoideus. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. 1996).. 1988).. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. citral. niruri. P. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1996. 1996. 1989. 1986. Hassarajani & Mulchandani. Singh et al. amarus e P. De J. 1983. 1985).. P. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. e dos frutos de M. flavonóides. ácido caféico. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. a mais estudada é a P....Da espécie J. Ojewole & Odebiyi. virgatus (Babady-Bila et al. 1980 e 1981). lignanas (Satyanarayana et al. 1988). klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1996). Anjaneyuly et al. diterpenos. Anjaneyulu et al. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ).. Singh et al.. neolignanas (Satyanarayana et al. 1991).

calisteginas (Asano et al. et al. Em P. De P flexuosus foram isolados triterpenos. 1996). Tanaka & Matsunaga. 1996). 1996). 1996b). e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al.. 1989.. C. n-alcanos.. francheti foram obtidos cicloheptano.. 2002. 1988. nalcanóis. olenadienóis. antinociceptiva (Carvalho et al. 1987. 1997 e 1996a).. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. 1988... Bighetti et al. 1999a). 1996). De P. 1988. antiestrogênica (Luma Costa et al... Lu et al. Das raízes de P. antiedermatogênica (Campos et al.. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A.. 1996c).. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. 1988b).. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. analgésica.. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. 1996). D. além de taninos (Zang. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. 1997)..... myrtifolius. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. De P. depressora do SNC (Hiruma-Lima. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. et al. 1998. Farias et al. 1995b). hipocolesterolêmica (Martins et al. emblica L.. cajucara apresentou atividade antiinflamatória.. 1995a). estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. alkekengi var. Farias et al. 1995).. Li et al. antiinflamatória. 1993... Tanaka et al. 1999). . peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. antidiabética (Silva et al. 1998). 2001). 1988a. Tanaka et al. Z. HirumaLima et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1996) e fisalinas (Makino et al..De P..

1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. 1993. 1986). 1980. 1988a).. sonderianus (Craveiro & Silveira. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. presente nos casos de C. 1985) e C.. tranqüilizante. penduliflorus (Asuku. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. 2001). tiglium (Deshmukh & Borle.... Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. Tang et al. penduliflorus (Anika & Shetty. Das sementes de C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. lechleri. subtyratus (Kitazawa et al. hipotensora de C. Chen & Pan. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . antiulcerôgenica de C. C. C.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. 1988. campestris (Lima et al. 1984). 1980). C. mais comumente de C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. Batatinha et al. glabelus (Novoa et al.. Luz Paredes et al. C. zehnteri (Albuquerque et al. 1983). 2000a e 2002b). antinociceptiva (Bighetti et al. para crotina I foi de 0. 1993). C.. Ao final. 1985. draconoides e C. 1994). Costa. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al.45 mg/kg e 2.. 1975)..4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. lacciferus (Ratnayake et al. entre outras... 1993. 1982). A DL50. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles.. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1999b. a ligana 3'. 1999). anestésica local. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al.. inseticida de C. cajucara (Hiruma-Lima et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri.. 1982). 2002a). 1987). C. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C.23 mg/kg para crotina II.. rhamnifolius (Silveira et al. rangelianus (Lima et al. erythrochilus. macrostachys (Mazzant et al. 1988b) e substâncias isoladas de C. 1987) e C. M.. 1988). anticonvulsivante e analgésica de C. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. et al. 1988) e C. com o uso prolongado (Rodriguez et al..

Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica.. os alcalóides de C. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato... A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica.78% de flavonóides. betulina e ácidos graxos.. 1992). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. 1995). berberina e outros alcalóides desse grupo. 1992a). Essa possui isoguanosina. 1994a e 1994b). Ao final. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. 1994). A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. 1991). 1995).. Das raízes de C. macrostachys foram isolados crotepóxido.. 1992. nardus (Lemos et al. lupeol. As folhas secas de C. 1991a e 1991b). Ao final dos experimentos. O efeito de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. 1993). que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. tonkinensis contêm 0. De C... lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. O extrato etanólico bruto das folhas de C.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. Do óleo essencial de C.32% de alcalóides e 2. berghei (Be &Truong. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. antibacteriana e cicatrizante. Pieters et al.

pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. 1989 e 1991). 1987. 1995).. Das sementes de J. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 1991a). Hirota et al. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al.9%) (Liberalino et al. 1991). o alcalóide taspina (Itokawa et al.p. 2000).7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. 2000).. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al.. Atividades larvicida (Karmegam et al. Os extratos da sementes de C.. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. 1988. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica.. 1993)... curcas foi isolada uma enzima proteolítica... e no retículo sarcoplasmático. haematobium (Rug & Ruppel. 1994). diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. 1992. 1992). Das sementes de /. 1988). (Huang et al. a curcaína (Nath & Dutta. 1989). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. 1997) e Schistosoma mansoni e S. Ubillas et al. 1994). que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. 1988). Do látex de C. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al.. antiplasmodial (Kohler .possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.. 1990) o óleo de C.. curcas. 1995). aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. O óleo de C. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. tiglium (Fanetal. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. tanto na prova do campo aberto... Do látex de J. Do extrato clorofórmico das raízes de C.. Jatropha Das sementes de J..39 mg pela via i.

inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. antiespasmódica (Silva et al. 1992a.. Das raízes de J. 1987) e tóxica (Brum et al. Esta mesma atividade foi observada em J. 1996). que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. gaumeri (Sanchez-Medino et al.. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. espasmolítica (Trebien et al. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas.. 1996). De J.. Dutra et al]. isabellii foi isolada a jatrofona. 1996. O óleo das sementes de /. zeyheri foi isolada a jaherina.. Santos et al.... M. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. 1992).. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.. 1992b e 1996). 2000). A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. curcas. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al.. 2001). das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. multifida. P.. J. 1996). et al. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al.. 1990. 1998). 1996). atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. 1987). 1996). 1987b). 2001). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1996).. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. De J. glauca (AlZanbagi et al. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. et al. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis.. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. De /.. 1994). 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1987) também foram caracterizadas em J..et al. curcas foram isoladas curcusonas A e C... Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1997). Dessa espécie foi isolada a jatrofona. As folhas de J. F. . O látex de /. e de J. De J. A J. 1996). 1993).

a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al.. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. Além disso... Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. 1995). 1989). Além disso. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. 1995). o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. Di Stasi... O extrato hidroalcoólico de P. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. Ribeiro et al. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al.. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno.. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). 1988). 1984. 1988. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. 1987). 1992. 1995).. 1994). 1992).. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al.. Santos et al. 2000).. Gorski et al. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina.. 1985 e 1986b. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. 1995). 1988).. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. . Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. De P.. Shimizu et al. 1996a). O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1996). campesterol e fitosterol (Santos et al. 1987). 1985). diurética. 1993.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al..

. 1996). De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. niruri e P urinaria (Santos et al. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. Foram caracterizadas. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. 1997a e 1997b). propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. corilagina... ácido elágico.. 1994). e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. ácido gálico e ácido protocatecoico. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al.. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1995).. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1996).. 1997).. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. 1991). 1995). ácido brevifolincarboxílico. .. Roy et al. 1996).. Sane et al. 1990. 1997). caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. 1996. de P urinaria. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. 1996).Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis.. 1996). Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian.. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. quercetina. 1988). 1995). 1996). 1995).. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al.

Efeitos como redução no tempo de protrombina. Pieters et al. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman.. Itokawa et al. 1979). Quadros de hemorragia anal. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Existem registros de intoxição em crianças de J. redução no consumo de água. 1984). 1991c). Porros et al. náuseas. 1986.. 2000).. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b)... desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Torpor. 1995. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum .Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. diarréia. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. 1993. vômitos e diarréia. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. curcas em ratos. mutifida (Levin et al. hipotensão e desidratação. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. Hemorragias internas em diversos órgãos. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Ahmed & Adam. Como conseqüência de seu uso crônico. e ação estimulante da musculatura lisa. 1987) e provoca náuseas. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979)... 1979).. 1993. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. 1979). Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. podendo causar a morte em humanos. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente.

. 1998) (Banco de imagens . nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. tiglium (Bauer et al.1 .Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1983.(1999). Pieters & Vlietinck. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1986). FIGURA 13.

2 -Jatropha curcas.FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima). .

Jatropha gossypifolia. Hiruma-Lima). Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.3 . .FIGURA 13.

1998). d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.FIGURA 13. b) flor feminina.4 .

gomas. arbustos ou ervas.370 espécies. óleos essenciais e resinas. Clusia. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). sendo raramente descritas epífitas. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. 1997). C. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. A. algumas delas de valor medicinal. . com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. 1978). Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley.14 Guttiferales medicinais C. pigmentos. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Hiruma-Lima L. No Brasil ocorrem 21 gêneros. e Elatinaceae. É composta por árvores.

madagascina. No Brasil. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. O tronco ereto possui casca grossa. com distribuição restrita à América tropical. Em V. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. euxantona. Trata-se de uma espécie semidecídua. pecioladas.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. as folhas são simples. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. também chamada de Lacre. friedelina. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. martiana foi observada a presença de sitosterol. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. ácido crisofânico. sendo facilmente cultivada. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. 1990). Pau-de-lacre e Purga-de-vento. como Picharrinha. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. a maioria é fornecedora de resinas. e algumas na África. O nome do gênero Vismia. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. coriáceas. damaradienol. e várias têm valor medicinal. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. foi dedicado a Visme. ácido betúlico. Em outras regiões. opostas e com borda inteira. descrito por Domingos Vandelli. com ocorrência em formações secundárias. damagascina.

cayennensis. De Vistnia caynnensis. da planta fresca (Tokarnia et al...japurensis Rich.... p-o.e a ferruginina (Pasqua et al. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al.. 1996). Porém. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 1979). 1997). micrantha foram isolados xantonas. 1983). 2000). Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. 1999). guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. Moracelli et al. vulgarmente chamada de Pichirina.. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. Em V. 1999) em V. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. conhecido popularmente como Lacre. O extrato etanólico da folhas. 1995).5'dimetoxisesamina (Camele et al... não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1996). Das raízes de V. vários triterpenos. magnoliaefolia.. 1982). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. et al. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 2-isorenilemodina e 5.. Os extratos hidroalcoólicos.. indicado para dermatofilose. 1993). e em V. benzofenonas (Fuller et al. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. 1994). .. como a friedelina. 1995.

Nessa família ocorrem 33 gêneros. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. . Theophrastaceae e Myrsinaceae. sendo a maioria árvores.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Rapania e Cybianthus. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Di Stasi C. descrita por Robert Brown.15 Primulales medicinais L. nos quais se distribuem 1. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. C. arbustos e lianas. 1997). Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. A. ainda não identificada completamente.

flores pequenas. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. curtas. dispostas em racemos. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. actinomorfas. ramos. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. reunidas em inflorescências axilares. Não foram encontrados sinônimos para ela. flores e frutos. ovário supero.1). androceu com cinco estames opostos às pétalas. folhas alternas. sem estipulas.Espécies medicinais Cybianthus sp. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". inteiras. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. . Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. diclamídeas. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. e anthos = "flor".

1 .Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .FIGURA 15.

a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. anemia e distúrbios da tireóide. . Hiruma-Lima L. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. Na região amazônica. A. essas espécies não foram referidas como medicinais.16 Capparidales medicinais C. C. no entanto. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Para a espécie Nasturtium officinale. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. além de seu consumo como condimento. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). gripes e bronquites. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil.

tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. Capparia e Maerua. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. com muitas flores rosas e bonitas. descrita a seguir. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). arbustos ou pequenas árvores. tem valor medicinal na região amazônica. raramente são descritas lianas (Barrozo.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. que justifi- . Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. que atinge até 1. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. 1978). possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. 1997). com seus representantes incluindo ervas. e a espécie Cleome latifolia. Os principais gêneros são Cleome.5 m de altura. inflorescências terminais bastante vistosas. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.

1990).. 1987).0025%). viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al.. 1997) e glicinebetaína. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. De C.. bonanzina (0.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. 1990). Várias espécies desse gênero. 1997b). Das sementes de C.. a isoramnetina 3. O extrato metanólico da planta toda de C.. 1996). amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. e das partes aéreas de C.. os flavonóides artemetina (0.0013%). são cultivadas e usadas como ornamentais. kaempferol. 3.06%) (El-Din et al. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al.. 1997). o ácido cleomaldéico (Jente et al. incluindo a Cleome latifolia. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. viscosa apresentou um . kaempferitrina (0. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. 1995). além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0.cam seu uso como ornamental... 1997) e triterpenos (Harraz et al.. 1988) e um diterpeno macrocíclico..0075%). 1986). Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. um trinortriterpenóide dilactona. um flavonol. 1990). a diacetoxibraquiicarpona. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.7-di-O-ramnosídeo (0. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. De C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

.. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. Lemos et al. 1993. De C. gynandropsis Samy et al. 1995a) e antioxidante (Selloum et al.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 1999).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro... arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al.. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al.. 1996). Chrysantha (Hashem & Wahba.. viscosa (Samy et al.. 2000) e C. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. popularmente conhecido como Mussambé. A espécie C. . foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al.. 1995). A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al.. 1992). além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. 1999). 1995b). 1970). C. 1996).

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Saxifragaceae. com inúmeras espécies medicinais. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. 1978). Rubus e Prunus.17 Rosales medicinais L. C. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. . Na região amazônica. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. a qual descrevemos a seguir. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. e de Rosaceae. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Várias espécies dessa ordem são medicinais. No entanto. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. a qual foi identificada apenas até o gênero. Crassulaceae. Di Stasi C. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Pittosporaceae. espécies dos gêneros Spiraea. A.

estipuladas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. sépalas e pétalas livres. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. Os principais gêneros dessa família são Licania. diclamídias. inteiras. onde ocorrem 120 espécies.1). . incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. incluindo árvores e herbáceas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. fruto do tipo drupa. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. muitas delas usadas para a produção de carvão. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. ovário unilocular. referindo-se ao tipo de pilosidade. alternas. Chrysobalanus e Hirtella. peninérveas. com cerca de 460 espécies tropicais. zigomorfas. segundo Barrozo (1978). corola com cinco pétalas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. flores pequenas. folhas simples. cálice gamossépalo com cinco lacínios. Espécies medicinais Hirtella sp. cíclicas. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17.

ralada. arbustos e ervas (Mabberley. primeira substância a ser comercializada como medicamento. Normalmente são árvores de pequeno porte. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. como a . é utilizada como afrodisíaco. da qual foi isolado o ácido salicílico. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. com aproximadamente 1. ou frutíferas. toxicologia e química. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum.825 espécies subcosmopolitas. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. a famosa aspirina. e • Prunoideae. encontradas em climas temperados. também se utiliza o chá contra reumatismo. Agrimonia e Fragaria. Rubus e Quijala. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. Potentila. No Brasil há poucas espécies. com destaque para os gêneros Rubus. no que se refere à farmacologia. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. • Maloideae. como é o caso das espécies do gênero Rosa. que inclui. com destaque para o gênero Spiraea. e raiz bifurcada para as mulheres. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. da histórica Spiraea ulmaria. compreende 95 gêneros. a maioria nos gêneros Prunus. 1997). aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. do gênero Frunus. entre outros. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. os gêneros Crataegus e Malus. • Rosoideae. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais.

fruto do tipo drupa. e contra diarréias. que existe em grande número. comestível e saboroso. Ameixa. Morango (Fragaria). lanceoladas. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. 1998). doce e com uma única semente. ásperas. assim como em várias regiões do país. Marmelo (Cydonia). Pêssego. flores vistosas brancas. . onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Cereja. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. especialmente de cabeça. carnoso. Damasco. de margem serrada. Pêra (Pirus). com folhas alternas. solitárias e/ou geminadas. dispostas em fascículos do tipo umbela. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. em latim. e a infusão dos frutos. a decocção das folhas é usada contra dores. Groselha e Moranguinho (Rubus). de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. dependendo da variedade. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil.Maçã (Malus). pendente. O nome do gênero corresponde a "ameixa". Espécies medicinais Prunus domestica L. Nomes populares Na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório.

laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.. FIGURA 17. Nakatani et al.Sapuntzakis et al. 2001). O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. 2002.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 2001). Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso... 2000). 2001).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.1 .. 1978) (Banco de imagens • . De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al.

madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. Hiruma-Lima A. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. ornamentais. 1997). M. Guimarães C. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. lianas e ervas. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas.18 Fabales medicinais L. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. arbustos. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. C. . A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. medicinais. Compreende três subfamílias. R. dependendo do arranjo sistemático adotado. M. M. Santos C. Di Stasi E. A. incluindo árvores.

Dalwits. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. angustifolia e C. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. • Cercideae. Dialium e Senna. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. das quais se destacam as espécies C. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. 1997). também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. Cassia occidentalis. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). C. dentre as quais C. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. . C. que inclui o gênero Caesalpinia. que inclui os gêneros Cássia. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). J. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. a saber: Caesalpinia férrea. bonduc. Cassia multijuga. que inclui o gênero Copaifera. bonducella. • Cassieae. • Detarieae. occidentalis. que inclui o gênero Bauhinia. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. pulcherrima. sapan e C.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). Cassia occidentalis e Cassia reticulata. Caesalpinia pulcherrima. todos contendo várias espécies de valor medicinal. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. senna. C. as quais descrevemos a seguir.

Pata-de-boi e Unha-de-boi.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. . É uma planta decídua. Mororó. vistosas (Figura 18. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. folhas glabras. tronco tortuoso ou ereto. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. A espécie fornece madeira leve. É amplamente utilizada como ornamental.1). raramente dentro das florestas. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. algumas arbóreas e outras lianas. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. heliófita. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. usada para produção de carvão e caixotes. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. assim como em quase todo o Brasil. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. onde ocorre em áreas úmidas. flores intensamente brancas. bastante espinhosa. dadas as características morfológicas de suas folhas. sempre com acúleos e seus dois ápices. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com grande abundância na Mata Atlântica. Por ser de rápido crescimento.

casca de jatobá. botânico italiano. séssil. ao passo que o preparado de casca de jucá. podendo chegar a 15 m de altura. ovalados ou obovais. na região amazônica. aquecido até formar um xarope. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. quase reto (Figura 18. Nomes populares A espécie é denominada. ferrea var. Imirá-itá. leiostachya.2). na forma de decocto. hermafroditas. São muito comuns duas variedades: a C. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. folhas bipinadas com folíolos oblongos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Dados botânicos Arvore de grande porte. além de largamente empregada como espécie ornamental. ultrapassando o cálice gamossépalo. com tronco liso e cerne duro. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. é utilizado como . ferrea var. Muirá-obi e Muiré-itá. fruto levemente estipitado. folhas de manga. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. A espécie é heliófita. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar.Caesalpinia ferrea Mart. é utilizado contra asma e bronquite. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. além de ser empregado como fortificante para crianças. Jucá. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. ferrea e a C. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. após aquecimento. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. dez estames. Suas folhas. especialmente de ruas e avenidas. açúcar e água. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. flores diclamídeas.

com folíolos ovado-oblongos. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares.anticatarral. No Piauí. glabros. Chagueira ou Barba-de-barata. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. A vagem crua é útil contra tosse. especialmente bronquites. com até 10 cm de comprimento. Espécie muito usada como ornamental. . Na região da Mata Atlântica. bipinadas. sobretudo como cerca viva. a decocção das raízes é usada como antitérmico. 1984). Nomes populares A espécie é denominada. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. 1984). flores grandes e vistosas. contra tosse crônica. Caesalpinia pulcherrima (L. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Baio-deestudante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1982). internamente. pois floresce quase ininterruptamente. resfriados e tosses. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. além do uso comum contra gripes. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Em outras localidades do país. e em Alagoas. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. na região. 1982). inflamações do fígado e baço. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa.) Sw. também é chamada de Flor-de-pavão. folhas compostas. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Considerada de origem antilhana. Flor-do-paraíso. asma e como cicatrizante (Campêlo. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores.

externamente.como emenagogo e abortivo e. largo e achatado (Figura 18. brinquedos. febrífugas e venenosas. obtusos no ápice e com base irregular. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. folhas pinadas. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. o fruto é do tipo vagem reta. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. lenha e carvão. excitantes. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. com rara ocorrência dentro de florestas. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. purgativos. em doses elevadas. sendo uma planta decídua no inverno. dado à falsa canela. abortiva. estipuladas. além de ornamental. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. . tendo propriedades tônicas. odontálgicos. amarga. deriva do grego Kasia. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. quando em grandes doses. a casca é considerada emenagoga e. febre e como purgativo. casca lisa e cinzenta. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre.3). pela beleza da planta na época de floração. atingindo até 10 m de altura. febrífugos. O nome do gênero Cassia. Segundo Corrêa (1984). Cassia multijuga Rich. as folhas e flores são usadas como tônicos. Em outros locais do país. descrito também por Carl Linnaeus. A espécie ocorre em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. a raiz é acre. heliófita e pioneira. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves.

infecções gerais. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. é indicada popularmente como antitérmico. diurético e colagogo (Gavilanes et al. folhas alternas. achatados. Em Minas Gerais. Rioba.Cassia occidentalis L. Outras denominações são Folha-de-pajé. beiras de estradas e próximo a culturas.. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). racemos axilares. Mamangá. Majerioba. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. com caule lenhoso na base. febre. assim como em outras regiões do país. Lava-pratos. Tararucu. laxativo. dispostas. curto-peciolados. paripenadas com ráquis comprida. estipulada e com glândulas na base. ramos quase cilíndricos. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Maioba. resfriado e diarréia (Grandi et . Na região da Mata Atlântica. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. no Brasil é espontânea nas pastagens. Ibixuma. gripes.4). androceu com seis estames e três estaminódios curtos. flores grandes. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. frutos do tipo vagem glabra. Segundo Emperaire (1982). no Piauí a infusão do caule. Mata-pasto. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. amarelas. Manjerioba. gineceu com ovário piloso. verde-escuros em ambas as faces. Lava-prados.

reumatismo. No Peru. 1970).al. sudorífico. rins e bexiga (Simões et al. febrífugo e diurético. Em outras localidades do país. nos desarranjos menstruais. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. No Panamá. 1994). sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. 1986). 1985). inflamações nos olhos.. tinha e hemorróidas. 1979). No Rio Grande do Sul. internamente. erisipela e tuberculose. Além disso. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. anemia. No Brasil. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. como Mata-olho. mas também são utilizadas contra tuberculose. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. na forma de cataplasma.. Na Amazônia peruana. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. é utilizada contra doenças do fígado. reumatismo. diurético. 1990). 1982). as sementes. e para constipações em bebês (Gupta et al. . mordida de escorpião. são utilizadas contra asma. desordens do trato urinário. A espécie C.. malária. Na Índia. como antiinflamatório e. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. dores menstruais e uterinas. 1988). hidrópisia e dismenorréia (Dennis. Cassia reticulata Willd. as raízes são consideradas diuréticas.. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. 1990). emenagogo. preparadas como o café. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. as raízes são consideradas um tônico. purgativo. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. doenças venéreas. como vermífugo (Nagaraju et al. problemas hepáticos. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup.. na asma. febrífugo. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. estômago.

1994).Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas compostas. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. com casca dura. Nomes populares No Vale do Ribeira. Algarobo. os frutos são vagens delgadas. flores brancas vistosas. brilhante. tronco ereto e ramos glabros. Jatobá-roxo. Jutaí. Hymenaea courbaryl L. Jutaí-peba. a espécie é conhecida como Jatobá. Jutaí-café. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. farinhento e comestível. Jatobá-de-anta. Jutaí-do-campo. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. ápices acuminados. alternas e pilosas. fruto doce. Jatobazeiro. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. lisos. entre outros. Jatobá-de-porco. negras. dispostas em cimeiras terminais. Jutaí-açu. marrom. com 6 a 15 cm de comprimento. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jatai. com até . como antitérmico e diurético. Também é chamada de Jatobá-mirim. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Olhode-boi. base assimétrica. Abati-tambaí. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores.

sedativo e peitoral. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. O nome do gênero deriva do grego hymen. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. Caesalpinia O extrato benzênico de C. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. 2000) e os flavonóides kaempferol.15 cm de comprimento. 2000). sendo usada na arborização de parques e jardins. estimulando a digestão e fortificando o organismo. microstachya (Meyre-Silva et al. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. e a seiva é excelente tônico para crianças. é eficaz contra tosses. vermífugo. Yadava & Tripathi. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. em alusão aos dois folíolos. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. É uma espécie semidecídua.forticata (da Silva et al. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. o deus da união. com florescimento entre outubro e dezembro. ácidos . 2001. além do uso contra bronquite. ferrea forneceu sitosterol.. enquanto o xarope da casca do caule. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. enquanto a madeira é usada na construção civil. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. especialmente em crianças. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. ácidos palmítico e octacosanóico. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente..

bonducelina... 3'-0-metilepisappanol. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 3'-0-metilsappanol. C e D (Peter et al.4. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. 1977). ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. brazilina (Namikoshi et al. 1987c). 1973). C e D (Patil et al. 4. 1997). sappan foram isolados octacosanol. 1987b. 8metoxibonducelina. 8. miricetina.6-dimetoxi-l. cianina.ll. 1996). 1977). 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al.4benzoquinona (McPherson et al... bonducelpina A. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra.5-trihidroxibenzóico (Rao et al.. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico....4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 1978). 1987e). De diferentes partes de C. sapanol. taraxerol (Yadava & Nigam. 1997a). 2002). Das sementes de C... 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. leucodelfinidina. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. ácido 3. 1987).. 1997). beta-sitosterol. Peter et al. B.. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. quercimeritrina (Awasthi & Misra. lup-20(29)-en-3beta-ol. 1978).gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 3'-deoxisapanoI. 1983). 1978) e 2.. 1987) e pulcherriminas A. sapanona B. 1997). e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. ..9. episapanol. 4-O-metilepisapanol. 4-O-metilsapanol. 3'-0-metilbrazilin. Da madeira de C.. Das cascas e raízes de C. 1997). B.14-didehidro-5a-vouacapenol. Foram isolados os flavonóides: rutina. beta-amirina. pulcherimina. 1983). De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. bondenolídeo. 1985). ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. alfa-amirina.. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. protosapina (Namikoshi et al.. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. 8metoxibonducelina... 7p-vouacapenediol. 1997b). lupeol. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1986. 6p-cinamoiloxi5a. Kim et al. quercetina (Rao et al. quercetina. 1954). 1987a).

1986. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. A composição de ácidos graxos das sementes de C. 1996) e de C. isoflavanóides de C.. sappan (Nigan et al. sapanol... crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. Foram isolados alcalóides de C. pumila foi analisada. 1986). isolaram-se 1. japonica (Namikoshi et al. buteína. sappan (Namikoshi & Tamotsu. .. 1996). 3-deoxisapanchalcona.. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. reticulata. brasilina e protosapaninas A. sitosterol. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal.. ácidos linoléico e palmítico de C. 4-O-metilepisapanol.. cacalaco e C. 1981). 1987d). digyna (Mahato et al.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. episapanol. a espécie C. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al.. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. saponinas. caladenia e C. Do Fedegoso. glicosídeos cardiotônicos. B e C (Namikoshi et al. além de xantonas (Wader & Kudav. (Kitagawa et al. glicosídeos de C. sapachalcona. 1987. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. Kitanaka et al. Na espécie C. C. C. Das sementes de C. Namikoshi et al. M. S. 1977). M. 1987f).. Dos frutos de C. 1995). 1983). multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. sitosterona. vários compostos aromáticos de C. C.Das raízes de C. occidentalis. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1997). sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. platyloba. sappan (Saitoh et al. 1994).... 1982). et al. isoliquiritigenina. hintoni (Contreras et al. dicopetala (Chowdhury et al.. 1996). 4-O-metilsapanol. 1977. Fuke et al. 1988).. glicosídeos (Singh. sapanonas a e b. Cassia Da espécie C. 1977). 1985). Da madeira de C. 1985). leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima.. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. taninos.. 1987a).

1989a). occidentalol-2. 1987. 1987). 1985).. Telange et al. 1986. Foram isolados das sementes de C..e beta-amirina. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo.. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. J. mirístico. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al.. 1988b). renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1988a).. De C. 1987). J. questina. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al... hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. occidentalol-1. roxburguinol e um novo estilbeno. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. roxburguina. Das folhas de C.. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. 1. 1990). Das sementes de C. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. 1996).. 1990). alfa. De C. crisofanol. emodina. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. Singh. occidentalis foram isolados pinselina. 1987).. bis (tetrahidro) antraceno.1987. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. 1986). De C. crisofanol. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas.7-dihidroxi-3metilxantona. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. 1985). 1982) e das raízes (Singh & Singh. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. Das sementes de C. roxburguina (Ashok & Sarma. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1989). palmítico... 1987). 1979). l. 1986). 1989). . 1978). & Singh. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. esteárico e oléico (Alencar et al. ácidos monoenóico. dienóico e trienóico (Zaka et al. além de flavonas (Guptaetal. 1977) e os ácidos cáprico. Das superfícies das folhas de C. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. germicrisona. triglicerídeos (Zaka et al. Da raiz de C. pinselina. 1987).

. 1986). 1988).3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. e das folhas. o aminoácido histidina (Zhang et al. além de ácido palmítico. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. esteárico. angustifolia não difere muito do de C. 1984). 1997). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. linoléico. flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1979). 1987. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. emodina.. 1989). acutifolia quanto à presença de aminoácidos. succínico e tartárico (Matsuura et al. questina. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. 1987) e emodina (Yang & Wang.. De C. glicosídeos. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. crisoobtusina. antraquinonas (Zhang et al..Das raízes de C. obtusifolina e estigmasterol.. 1986). oléico. 1988).. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1990). 1985). 1989). 1986). . obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. De C. oléico e linoléico. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. 1986). aurantioobtusina. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. obtusifolia foram também isolados obtusina. 1978). colesterol. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. flavonas. 1990).. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. beta-sitosterol e l. o senosídeo é o principal desses derivados... De C. 1987). além da presença de beta-sitosterol.. polissacarídeos (Khare et al. obtusina. 1988). 1989). Nas sementes de C. . 1988). 1980) e os ácidos palmítico.. De C. Ishidaet al. De C. Metil palmitato e metil oleato. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta.. O perfil fitoquímico de C. m-cresol. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. estigmasterol.. 1986. fisciona.. flavonóides (Wassel & Baghdadi. Asamizu et al. ácido crisofânico. De C. malválico. 1977). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. obtusofolina. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido..estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. flavonóides (Crawford et al.

javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. 1978). 1987b. aminoácidos (lisina. 1990). 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. javanica apresenta nonacosano.. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al... emodina.De C. 1990a). 1988)... ácido behênico.. palmitato. 1988).. Chowdhury et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. 1990). 1990). 1981). laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. Das folhas de C. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. 1989a). carboidratos.. 1990). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. malválico. 1988)... De C. fistula e C. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. oléico.senosídeos das folhas de vagens de C.. palmitato de beta-sitosterol.. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. reina. fistula (Cano Asseleih et al. glauca foram isolados os ácidos palmítico. 1990). sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. Das sementes de C. triptofano. De C. ácido glutâmico e aspártico.Ahuja et al. proteínas brutas.. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. renigera possui ácidos vernólico. treonina e leucina). De C. O óleo da semente de C. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. 1977). Do óleo das sementes de C. triacontano. 1987b). butirospermona. arginina. As cascas do caule de C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. 1987). linoléico. araquidato de beta-sitosterol. behenato de beta-sitosterol. beta-amirina. esteárico. 1991). ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. fistula e das cascas de C. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. 1988) e antraquinonas (. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. O extrato das folhas de C. 1988).. Das vagens de C. 1978). Das raízes de C. Das cascas do caule de C. De C.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. 1987). . flavonóides (Srivastava & Gupta.

mirístico.. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. 2-methoxistipandrona. De C. A composição dos ácidos graxos de C.... Cassia javanica (Azero et al. javanica (Singh & Jindal. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. Das folhas de C.. estérico. 1988). 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. 1988). emodina e rheina) (Krambeck et al.. 1977).. 1988). araquídico e behênico (Khalid et al. Cassia laevigata (Singh. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. Das raízes de C. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina.. 1989). crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al.. ácido quelidônico. 1977). Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1987). 1986. 1988). R. 1985). 1990). fisciona. De C. 1987). palmítico. B. 1989).. De C. 1997). didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. linolênico. 1987.. holosericea é predominantemente de ácido láurico. pumila foram isolados tetratriacontanol.. De C. 1985). palmitoléico. linoléico..Das partes aéreas de C.. além de alcalóides (Christofidis et al.. Das sementes de C. Sen et al. emodina. 1987). 1989) e nas sementes de C. 1986 e 1987).4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. 1986). C.. .. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. oléico. Das flores de C. C. C. sericea (Muralikrishna et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. marginata (Kumar et al.. fastuosa foram isolados os glicosídeos. (Baba et al. siamea (Khan et al. 1988). 1978). semicordata foram isolados compostos do tipo 1. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. De C. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. spectabilis foram isolados antraquinonas.

1988).. 1996. 2001) e antimolarial de B. 1997). O uso crônico de B. T. 1986). Rossi-Ferreira et al. antiedematogênica.. 3- . Bacchi & Sertié. C. O. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1991). sapanchalcona. Lemus et al. Nakamura et al.. malabarica e B. 1976) e proteínas de C.. antiinflamatória (Carvalho. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. J. 1994.. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. 2002. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar.. tarapotensis (Braca et al.. 1991). 2001. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al... 1998). ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. antimicrobiana (Cebalhos et al. Amaral et al. E. et al. 2000). Munoz et al.. 1977). 1985). candicans (Pepato et al.. et al. A espécie C. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al.. C. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos.. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. anticoagulante (Milagres et al.. 1986).. 2002a e 2002b).. Os inibidores da aldose reductase.. Estudos mais recentes têm apontado C.. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. 1995. Extratos de C. J. 1999)... analgésica (Carvalho. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. 1996). leiostachya (Moura et al. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B.. et al. 2000. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. Lopes et al. 1987). 1995.. guianensis (Kittakoop et al. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. et al. O. contêm caesalpina P..Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. De C. 1990) Lima. 1998).forficata e B.

de estimulante uterino (Saraf et al.. antifúngica. 1999).. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. . 1995a). Cassia Nas folhas de C. hipotensiva. 1991. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 1987. antiviral contra hepatite B (Patney et al. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. de relaxamento do músculo liso.. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1994.. Sama et al. Caceres et al. antibacteriana..deoxisapanona. De C. vasoconstritora. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al... Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1992. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. antiparasitária. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. Hussain et al. 1993... Schmeda-Hirschmann et al. Sadique et al.. 1996). que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. O extrato metanólico de C. 1962).. antimalária (Gasquet et al.. 1997). brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1978... 1997). 1985).. 1976) e. 1987). 2001). 1996). inibitória da hemólise. hepatoprotetor (Jafri et al.. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. in vitro. 1989). A brasilina isolada de C. Feng et al. protosapanina A. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al..

. Os resultados finais indicaram que tanto C. garrettiana foi isolada a 3.. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. C. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1988) e C. acutifolia como controle positivo. espasmolítica com subs- . fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. O extrato das folhas de C.. alata quanto C. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. 1979) e C. 1989). acutifolia. Crawford et al. De C. 1991)..4. As folhas de C. 1989). As sementes de C. utilizando as folhas de C. pudibunda (Cavalcanti et al.pudibunda (Cavalcanti et al. 1986a). obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. 1988). O extrato a 10% das folhas de C.. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1986).. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika... Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1991).. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. A fração polissacarídica de C.. lugustrina (Abhaham et al. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. As antraquinonas de C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. e C. 1990). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. citotóxica com extratos de C. 1990). Nas sementes de C.. Estudos com as sementes de C. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina).3'. 1990. 1990). 1985). garrettiana (Inamori et al. 1988 e 1989). pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos.Das sementes de C. 1989). 1984).5'-tetrahidroxistilbene.

anemia.. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. 1991). cavalos e cabras. especialmente por crianças. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. Colvin et al. 1977) e antivirótica com extratos de C.. purgativa dos glicosídeos de C. 1986). O gênero Cassia produz. A espécie C.. A administração de folhas de C. que apresentaram um quadro de ataxia. cólicas abdominais e diarréia. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman.. caracterizado por náuseas.. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. roenwilana (Rowe et al. amplamente utilizada pela população. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. vômitos. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al.. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. cansaço e dores. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. 1985). angustifolia (Nakajima et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. Salienta-se que a espécie C. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. ferrea. 1979).. diarréia.. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. 1986b). pumila (Fatawi et al. dispnéia. C. 1998). 1986. apatia. quinquangulata (Ogura et al. 1979). Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. em muitos países. 1987).. fistula (Babbar et al. na forma fresca. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. 1979) e C.tâncias isoladas de C. fistula (Bhardwaj & Mathur. antitumoral com extratos de C. como substituta do café. .. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. seca e/ou torrada. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. 1985). um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. Seu consumo indiscriminado é perigoso. em geral. 1984). em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa.

Cajanus. Nos estudos realizados na região amazônica e .Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. um importante produto alimentar no Brasil —. 1978). Indigofereae: Indigofera. Vicieae: Vicia e Pisum. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Abreae: Abrus. Dypteryxeae: Dypteryx. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Sophoreae: Sophora. Canavalia. Myrocarpus e Ormosia. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Robinieae: Sesbania e Robinia. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Trifolieae: Medicago. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Genisteae: Lupinus. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Millettieae: Tephrosia. Desmodieae: Desmodium. onde se encontram plantas (Barrozo. Dioclea e Mucuna. Crotalarieae: Crotalaria. Diplotropis. Psoraleae: Psoralea. Cymbosena. Derris e Lonchocarpus. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão.

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Erva-do-congo. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. as quais são descritas a seguir. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. gripes. dores de barriga e diarréia e a infusão. Espécies medicinais Cajanus cf. Cuandu. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. dispostas em pedúnculos axilares. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. na Mata Atlântica. compostas de três folíolos aveludados. Andu.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. Ervilhade-angola. mas há divergências quanto a essa classificação. 1984). Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. comprimida. com ampla utilização em diversos países. podendo atingir 3 m de altura. Guandu ou Feijão-guandu. contra constipação nasal. No restante do Brasil é conhecida como Guando. pinadas. de onde partem folhas pecioladas. Feijão-de-árvore. flores vistosas. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. sendo ainda forrageira. . oblongos. fruto do tipo vagem linear. A espécie possui um grande valor econômico. com ramos angulosos. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa.

oblongos. 1997). Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. em forma de bote. descrito por João de Loureiro. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. pediceladas. flores rosas. O nome do gênero Derris. e foi descrito por George Benthan. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". fruto do tipo legume falcado. com ramos tomentosos. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie.Cymbosema roseana Bent. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. menos freqüentemente. na Mata Atlântica. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. acuminados e glabros. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. flores rosas. significa "pele dura". reunidas em fascículos. de Flor-da-terra. . por arbustos ou árvores. referindo-se ao legume.

flores fortemente zigomorfas. trifoliadas e . hermafrodita. folhas alternas. com cálice gamossépalo. corola dialipétala. Derris floribunda Bth. didamídea. revestida de pêlos curtos. compostas. pentâmera. Dados botânicos Erva de pequeno porte. a prefloração da corola é imbricada descendente. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. ereto e com raiz bastante lenhosa. com uma grande pétala superior. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. cilíndrica. Erva-dos-mendigos e Jiquerana.) DC. Desmodium tortuossum (Sw. coriáceo. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. fruto do tipo legume linear.5). Outros nomes populares são Amores-do-campo. externa. Trevo-da-flórida. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. com folíolos articulados na base. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. folhas pecioladas. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. sementes sem endosperma (Figura 18.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra.

Sapupira-preta. plano. referindo-se à disposição das flores. fruto do tipo vagem. Sebipira. O nome do gênero significa "feixe". indeiscente.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. todas conhecidas como Sucupira.6). um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Sapupira. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. Sicupira. O nome Diplotropis significa "duas carenas". Outros nomes comuns são Favinha. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com ampla distribuição no Brasil e no México. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. reunidas em racemos. Dados da medicina tradicional A semente ralada. com sementes pretas e duras (Figura 18. flor com estandarte longo. pequenas. Diplotropis purpurea (Rich. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Paricarana. vexilo oblongo provido de apêndices na base. Sapupira-da-várzea. com folhas compostas. . A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Cutiúba. misturada com enxofre. Cutiubeira. Sucupira-da-terra-firme. pinadas e folíolos glabros. Sapupira-da-mata. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. coriáceos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. tendo um apêndice na base. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. fruto do tipo legume. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. e a infusão é usada internamente como antigonorréico.

e na produção de perfumes. referindo-se ao cálice. . sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. que. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. servem para tratar a pneumonia. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. grosso. se fendem liberando a semente roxo-escura. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. além da famosa fava de cumaru. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. Cumaruzeiro. imparipinadas. podendo atingir até 35 m de altura. alternas. aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cumaru-amarelo. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Umburana e Kumbaru. doces. de pequena espessura. quando maduros e secos. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. pecioladas.) Willd. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". na região amazônica. 1991). Cumar-do-amazonas. de Cumaru. frutos em forma de vagem drupácea. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. quando passados sobre as costelas. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. flores vermelhas. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. compostas.Dipteryx odorata (Aubl. Imburana. Nomes populares A espécie é chamada. O nome do gênero significa "duas asas". que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. cigarros. Imburana-de-cheiro. dispostas em panículas pubescentes. caule reto. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. alimentos e uísque. charutos. de cor verde-amarelada. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. folhas grandes.

Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. contra qualquer inflamação. como reconstituinte das forças orgânicas. flores vermelhas. antitussígeno. contra contusão e reumatismo. frutos em forma de vagem verde. Em outros lugares. para banhos fortificantes de crianças. alternas. antiespasmódico. emenagogas e cardíacas. dispostas em panículas pubescentes. compostas de sete a nove folíolos. folhas grandes. antidispéptico. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. febrífugo. diaforético. . diaforéticas. narcótico e estimulante. caule ereto. contendo casca de pequena espessura. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. pela presença de Cumarina. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. internamente. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. imparipinadas. grosso. emenagogo. e os palikur. podendo atingir até 3 m de altura. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. essa espécie é utilizada como anticoagulante.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. com semente oleosa e aromática. cardiotônico. diaforético. para aliviar dores de garganta e. aromáticas. 1991). pecioladas.

compostos 5-9 folioladas..Myrocarpus frondosus Aliem. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. A madeira. sendo ainda expectorante peitoral. indicadas nas lesões do sistema respiratório. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. assim como a casca. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". com casca rugosa no caule. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. Óleo-pardo. urucu. de ocorrência na América do Sul. a mais estudada é a D. 1974). Outros nomes são Cabruê. para fabricação de carroças. portas e janelas de luxo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Pau-bálsamo. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. de Cabreúva. Bálsamo e Pau-de-óleo. Nomes populares A espécie é chamada. sendo muito usada na indústria de cosméticos. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. outros compostos . possui aroma balsâmico. tinturas e perfumaria.

e das raízes de D. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. deguelina e tefrosina (Ahmed et al.. amoena. Foram isolados alcalóides de D.rotenóides (Braz Filho et al. D. 1991. incanum DC. lupinifolina e laxiflorina. enquanto de D.. 1978. Das raízes de D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. 1986).. 1985) e D.. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. Lin & Kuo. proteínas.. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1996). 1997). 1977). 1962). laxiflora Lin et al.. Desmodium De D. os flavonóides. obtusa (Nascimento et al. E em D. 1973b) e saponina (Parente & Mors. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al.) DC.. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al.. 1997)... reticulata. 1977). spruceana. As espécies D. D. do seu caule e de suas folhas.. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. D. epoxilupinifolina e dereticulatina. et al. 1994). possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. adhaesivum Schldl.. 1989). Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. 1993..) DC. foram isolados os flavonóides desmodina. glutinosum. Do caule de D.8-difenileriodictiol. Bell et al.. 1994). canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. Da espécie D. Kimetal. spruceana (Garcia et al. 1978). benthmii (Fellows et al. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. homoadonivenita (Batyuk et al. canadense (L.. canarensis (Evans et al. heterocarpon e D.... De D. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. Nakatu et al. senegalenseína. 1976) e D. tortuosum.. lipídios. crisantemina e cianina (Matinod et al. também denominada D. 1976. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. 1986. 1978). D. Em D. 1995b) e D. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. D. 1961. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. hiravanona.. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. Nascimento & Mors. 1989). Rao M. 1988). B e C). 1954).. frutescens. N. Flavonóides também foram isolados em D.. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. foram isolados. 1978). oblonga e D. . araripensis (Nascimento et al. aparines (Link. ou D. 1995b).. D.

. os flavonóides hiperina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. além de canavanina (Beveridge et al. De D. . O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. genisteína. ario-inositol e betapinitol. cinarascens A... foram isolados mangiferina. Purushothaman et al. leptocladina. tiliafolium G. 1973). possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. 1963). Purushothaman et al. Bell et al.) DC. salsolina.N-dimetiltriptamina. também muito usado medicinalmente. gangetina. intortum) possui carboidratos. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. cinereum (Kunth) DC. kaempferol e quercetina. 1-octacosanol. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. difisolina. 1969. desmodina. gangetinina. ácido octacosanóico. 1964) foram todos isolados de D. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. hordenina. 1984. Em suas raízes foram isolados abrina. caudatum (Thunb. betaína. 1983). galactopinitol A. também denominada D. Ghosal & Bhattacharya. normacromerina.. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. 1971). gangeticum (L. 3. hipoforina. e de D.4-dimetoxifenetilamina. Em D. 1962. 1975). 1972).. N-N-dimetil-3. os flavonóides desmodol (Ueno et al.. 1977. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. isoquercitrina.) DC. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. salsolidina. beta-carbolina. os alcalóides candicina. 2-feniletilamina. hordenina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al.. A espécie D. O D. N. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki.. bufotenina N-óxido. Don. 1978). Nmetiltiramina. 1972. elegans DC. desmocarpina. Nakatu et al. possui os flavonóides dalbergioidina. O-metilbufotenina.Os alcalóides bufotenina. hipoforina e os alcalóides.4-dimetoxifenetilamina.

1966). De D. Adinarayana & Syamasundar. Mukherjee et al. os terpenóides beta-amirina. estigmasterol. também denominado D. 1996). 1968). De D. 1989). Anjaneyulu et al.. 1997). De D. triquetrum foram isolados friedelina. compostos estes também isolados em D... podocarpum. 7-hidroxiflavona.. . 1984). pinitol e canavanina (Beveridge et al. foram isolados os flavonóides apigenina. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. ácido indol-3-acético. Perez-Maldonado & Norton. estigmasterol.. 1971. triflorum (L.. homoferreirina. multiflorum. 1995). e de D. De D. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. 1989. De D. kaempferol. Amor-de-velho-comum.N-dimetiltriptamina N-óxido. 1977. feniletilamina. formononetina. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. nonacosanos. floribundum. 1986.. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. ojeinese. 1985). isovitexina. 1965... e os alcalóides colina. ovalifolium (Giner-Chavez et al. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. Bell et al..1995. ougenina e quercetina (Balakrishna et al.. Kubo et al.. 1963a e 1963b. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. 1962). inositol. racemosum. e de D sandwicense E. lupeol. e de D. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al... vitexina. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. Kubo et al. 1978). De Desmodium uncinatum (Jacq. também conhecido com D. De D.) DC. De D. vitexina e xilosilvitenina. b-sitosterol. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar.) DC. 1989). heptacosanol. 1995).. o terpenóide lupeol. e os flavonóides isoliquiritigenina. Ahluwalia et al.. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. 1965).. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. N. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. 1961 e 1962. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. 1989). Sreenivasan & Sankarasubramanin. 1982. flavosativasídeo. tricosanol. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. laxiflorum foram isolados heptacosanos. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla.

lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.3epimetoxilupanina. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.1973a). 1.. . 1982).

punctata (Gruenwald. isoflavonóides (Lourenço et al. 1993). Das sementes de D.. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri.. pois suas sementes são ricas em Cumarina. odorata apresenta um grande valor comercial. odoratina. alata foram determinados 40% de óleo. .. 1995). lupenona e lupeol (Kaplan et al. De D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 2000. 1995. 1996). Nakano et al. 1952). punctata (Gruenwald. cumarinas (Ehlers et al.. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1966). De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. De D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri.. alata foram determinados 40% de óleo. odoratina. Das sementes da espécie D.. 1995). lupenona e lupeol (Kaplan et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. flavonóides (dipterixina. 1994). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1981). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). A espécie D. 1952). 1994).Dipferyx De diferentes partes de D. além dos terpenóides betulina.. flavonóides (dipterixina. retusina). 1994).. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). odoratina. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. Togashi. De diferentes partes de D. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol.. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. 1991). ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. odoratina.. além dos terpenóides betulina.

que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. 2001). Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. De D. 1997).. micou. 2002). 1997). Foi isolada das raízes de D. O extrato etanólico de D. 1998.. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al.. 1972). indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Datta & Bhattacharrya. Derris sp e D. urucu e D. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al.. 1987). 1997).. De Derris sp.. 2001).Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. D. nicou (Costa et al. 1996).. 1979). e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. também conhecido como Timbó. 1999. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos.. . sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico.. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. Das raízes de D. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos... Aragão & Valle.

. O extrato aquoso de D. 1996). styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. e os taninos isolados de D. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Tolera & Said. O extrato de D.. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. 1999). 1989). canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. D. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al... adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. . styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. 1987). De D. O extrato de D. styracifolium.. 1997). Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1988). intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al.. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. 1996. B e C. 1997). 1988). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D.. 1997)..A D.

Inga. das sementes de D. das quais destacamos os gêneros Parkia. Leucaena. Mimosa. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. muitos deles de valor medicinal. . 1996). lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida.. M.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. 1998).950 espécies descritas. urucum provoca irritação da pele. doses elevadas podem causar náusea. 1993). Calliandra. Albizia.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. et al. Adenanthera. Prosopis. Y. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.. distribuídas em cinco tribos. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D.. Zollernia e Acácia.. 1987). vômito. 1991).

a espécie é chamada de Mocitaíba. pinadas. com grande ocorrência na Amazônia. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes.) Willd. na região da Mata Atlântica. Ingá-grande e Jambolão. Em outras regiões do país. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. Laranjeira-do-mato. Moçataíba e Orelha-de-onça. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. encontradas em áreas tropicais e temperadas. compostas por folíolos ovais. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). flores reunidas em espigas terminais. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. repletas de glândulas. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). pecioladas. Nomes populares A espécie. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Zollernia ilicifolia Vog. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. .Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. é chamada de Espinheira-santa.

3'. 5. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. .7). Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. 1973). incluindo dores. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos.oblongas. alba. 1996). farmacológicos e toxicológicos. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. stipularis (Kraus & Reinbothe. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. I. I. heterophylla.4'trihidroxi-6. Foram isolados alcalóides das espécies I. semialata. flores rosadas (Figura 18.3'4'-trihidroxiaurona e 7.. I.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. parviflora foram isolados os constituintes 7. 6.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. nobilis. com margens onduladas e providas de espinhos. I. Maytenus ilicifolia).7. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. laurina. I. I. a antiga casa regente prussiana. I. paterno (Morton et al. oerstediana e I. I.. bourgonii. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. I. sertulifera. e o nome deriva de Hohenzollern. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. longispica. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var.8-dimetilflavona (Correa et al. 1991).

Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.1 .FIGURA 18. S. . Reis).

FIGURA 18. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .

FIGURA 18.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. 1984). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.3 .

Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.4 . b) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939).FIGURA 18.

FIGURA 18.Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .Derris floribunda.

FIGURA 18.6 .Banco de imagens - .Diplotropis purpurea. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

Reis). Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.7 . .FIGURA 18.Zollemia ilicifolia. S.

com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. com inúmeros representantes no Brasil. arbustivas.950 espécies. 1997). 1978). assim come outras espécies de valor econômico. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. que inclui o gênero Punica. e as duas famílias aqui descritas. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e .19 Myrtales medicinais L. distribuídas nos 188 gêneros. Melastomataceae e Myrtaceae. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Punicaceae. A. C. que incluem espécies medicinais. da famosa Romã. a Punica granatum. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. Di Stasi C. São plantas herbáceas.

com folhas ovais e cordiformes. Neste estudo. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Miconia. em outras regiões. Microlicia. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Salpinga. essa espécie é chamada de Quaresma. que descreveu inúmeras patologias em plantas. roxo. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. dispostas em cimeiras. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. ereto e piloso. Huberia. nervadas e pubescentes. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. Nomes populares Na região amazônica. brancas ou rosas. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. 1998).) DC. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. na região amazônica. ambas pela indicação popular na região amazônica. flores pequenas. ou Pixirica. fruto do tipo baga. . foram referidas como medicinal apenas duas espécies.

Leptospermum e Melaleuca. Pimenta. Eucalyptus. Pseudocaryophyllus. Eugenia. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.620 espécies (Mabberley. e várias outras em climas temperados. Psidium. 1990). Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. bem representada na Austrália. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. Syzygium. de onde partem folhas de pecíolo longo. oeste da Índia e América tropical. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Os . como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. 1997) arbustivas e arbóreas. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. planas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores.. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente.

1998). cultivado ou adquirido no comércio. Cereja-nacional. No Brasil. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. com folhas pecioladas. . flores pequenas. rosas ou avermelhadas. congestão nasal e dores de cabeça. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. além de óleos essenciais. taninos. 1996).constituintes dessa família incluem. oblongas e glabras. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. as partes aéreas do Cravo-da-índia. dispostas em corimbos. Araçá). leucoantocianinas. fruto do tipo drupa. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. opostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bastante aromáticas. para o alívio de dores de dentes. especialmente as flores. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. E uma espécie exótica. Eugenia (Pitanga. ácidos fenólicos e ésteres. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). são usadas no local. Myrciaria Gabuticaba). Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L.

a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. com caule tortuoso e casca lisa. significa "triturar. referindo-se aos frutos. usada externamente. 1984). Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. os brotos de goiaba e de caju. que é a denominação em grego da planta. actinomorfas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diclamídeas. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. folhas opostas. é indicado contra diarréia. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. esmagar. Araçá-goiaba. e. doenças da pele. para regulação do ciclo . de sabor agradável. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. botões florais tomentosos ou glabros. contra diarréias. fervidos. O nome do gênero.1). Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. morder". no entanto. existem registros para a espécie como Goiabeira. Guaiava. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. é útil contra hemorróidas. A infusão dos frutos. o chá das folhas novas. Araçáguaiaba. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. brancas e com numerosos estames. internamente. Provém de psidion. ovadolanceoladas. curto-pecioladas. fruto com baga amarela. com cálice membranoso.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. por outras. flores hermafroditas. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. edema e. galhada. Psidium. Guaiaba. Araçá-guaçu. Na região da Mata Atlântica.

Central. Duke & Vasquez.menstrual. 1992). o chá das folhas. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. Psydium cf. 1986). 1982). a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. com cálice membranoso. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. 1980. 1984). é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. Grenand et al. misturado com folhas de salva-de-marajó.. indisposição estomacal e vertigem (Forero. como também os frutos. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. principalmente em diarréias infantis. o chá da folha. . misturado com folhas de pitanga. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. é antidiarréico (Amorozo &Gély. no Piauí. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. anticolérica e antiúlcera.. e o decocto. brancas e com numerosos estames. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. flores hermafroditas. 1987. guajava ainda são utilizadas na América Latina. no Rio Grande do Sul. sendo facilmente confundida com esta. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. lavagens de úlceras. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. As folhas de P. 1994). guineense Sw. curto-pecioladas e glabras. botões florais tomentosos ou glabros. diclamídeas. 1982). no Pará.. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. 1982. antidiarréica. 1988). antileucorréica. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. como estomáquico. de polpa abundante. folhas opostas. actinomorfas. fruto com baga amarela. Grandi & Siqueira. igualmente usados como alimento. em Minas Gerais.

28 ésteres.. 1968). -bisaboleno.1-díetoxietano. humuleno. 1994). 1968. Ortega & Pino. Marcelin et al. 1987). 31 alcanos. açúcares. denominados 1. Pino et al. 1996). além de taninos (Misra & Seshadri. 1987. himacaleno. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al.. e 95% são cariofileno (Latza et al. 1990. 1996). lignina.. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. Zheng et al. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local.. 1996). alcanos. Pino et al. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. 1990.. 1991). vitaminas C e A..... 1987). óxido de humuleno. 1989. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. O dehidrodieugenol. 1994).. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 17 cetonas. 1981).1-dietoximetano. -guaieno.. mirceno. Yusof & Mohamed. 1. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. -cedreno. 1978). 1. Ortega & Pino. -cubebeno.. 1982) e quercetina. Wilson & Shaw. 1989.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. As diferenças quantitativas e qua- . t-cariofileno. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. -santaleno. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. 1986. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. 1987. 122 componentes voláteis. 10 ácidos. -terpineol. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. derivado de eugenol. cremoflieno. 1996. 1989.. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. aldeídos. Chyau & Wu.. borneol. cetonas. pectina. -bergamoteno. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.. dos quais 13 são aldeídos. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. p-cimeno. p-menten-9-ol. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. acoradieno. 1990). apresentou atividade depressora do SNC. Oliveros-Belardo et al. ésteres.

A atividade antibacteriana das cascas de P.. 1974. ácido oleanólico (Mair et al. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. Hegnaurer. 1989). Ácido elágico.... guaijaverina.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática.. 2002. Jain et al. 1987. polifenoloxidase (Augustin et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al.. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. Okuda et al... Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib.. oléico e esteárico (Opute. d-galactose. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. 1979b. 1987). 1987). O extrato aquoso tam- . existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. O interior das cascas é rico em ésteres. e Maruyama et al. 1986). 1978). ácidos linoléico. flavonóides. 1996). 1987). Osman et al. 1986). Chen & Yang (1983). (1994) e Neri et al. 1981). 1987). Lima Filho et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente.. 1991). As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al.. óleo essencial (Ji et al. palmítico.

. F.. et al.).. anticonvulsivante (Santos... 1996).. Morales et al. P. Cáceres et al. A. 1994... 1999). et al. 1995). A. Cáceres et al.. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. PonceMacotela et al. 1988) e tosse (Jaiay et al. 1997. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1994.. O óleo essencial de P. et al. guyanensis. 1990... 1990. Lutterdodt et al. incanescens (Santos. 1995). 1995). 1993. 1994. 1996c. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. A quercetina isolada de P. F. guyanensins. 1996a). guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. 2002.. óxido e b-selineno). 1983).. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. pohlianum e Psidium sp. F. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al... Do extrato hexânico das folhas de P. O extrato de folhas de P. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1989. widgrenianum (Souza et al. 1993. Lozoya et al. A. 1996a) de P. incanescens (Zelnik et al. F. P. 1998).. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. De P. 1999). guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. Grover et al. et al.. Santos et al. 1994). 1994. 1995. Das cascas de P. Shimomura. propriedade anticatártica (Pinto et al. 2000. Lutterdodt.. F. . e antitumoral de P. (Santos et al. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. 1994)... e eugenol e timol de P. 1992. guyanensis (Santos. 1989). A.. A.. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. Meckes et al. Lozoya et al. 1970).. et al.. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. Cheng et al.. Lutterdodt. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 1996b) e P.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .FIGURA 19.1 .Psydium guajava.

e Maytenus. C. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. são Celastrus e Trypterygium. nos quais se distribuem aproximadamente 1. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. com atividade antifertilidade masculina. 1997). Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. ambos contendo espécies amplamente estudadas. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. que possuem espécies medicinais. a família Celastraceae. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. Seito F . . que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. representa importante fonte de espécies medicinais. gênero de grande valor medicinal. N.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. e apenas uma delas. Os principais gêneros dessa família. Di Stasi L.G. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas.20 Celastrales medicinais L. Austroplenckia.

dor do "ciático". Espinho-de-Deus. Maytenus aquifolium M. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. gastrite e ulcera péptica. com acúleos. flores numerosas. Erva. amarelo-avermelhado. bastante coriáceas. de Espinheira-santa. ex Reiss. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. axilares. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. na região da Mata Atlântica. fruto do tipo cápsula ovóide. Nomes populares A espécie é chamada. Também é conhecida como Sombra-de-touro. Cancerosa.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. denteadas. de onde partem folhas elípticas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Salva-vidas. ápice agudo. glabras. . arbusto menor (de 1 a 3 m). Erva-santa e Congorça. Espinheira-divina. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada.cancerosa. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. dores nas costas e úlceras do estômago. atingindo até 9 cm de comprimento. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). copa globosa e ramos glabros.

. vermelho. 2000). para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. com ramos finos. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. 2001) e triterpenos cetônicos de M. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. fruto do tipo capsular. Da infusão das folhas de M. flores pequenas e axilares.. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. De M. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto.. 1995a). Foram isolados das cascas de raízes de M. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. podendo chegar a até 4 m de altura. 1997). bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. Foram também isolados um glicosídeo... Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. krukovii (Honda et al. heterophylla e M.. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al.. 1999).. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. Das sementes de M. 1995). oblongas.. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. contendo folhas alternas. .. Dados químicos De M. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. 1995. 1998). 2000). alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. arbitifolia (Orabi et al. 1998) e glucosídeos (Zhu et al.

1998).. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 1994).. ácido oleanólico e ácido betulônico. chuchuhuasca (Shirota et al. Além disso. 1993). 1994). 1997).. os triterpenos 3-beta. cangoronina e ilicifolina. E-I e E-II (Itokawa et al. De M. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. Dos ramos de M. 1994b). E-II. e outros triterpenos (Gonzalez et al. foram isolados das folhas de M.28. 1991). iliocifolia (Shirota et al. 1991b). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M.. 1996b)... As cascas das raízes de M..21-trione (Nozaki et al. E-V. e escutidina alfa A foram isolados de M.. lupeol..Gonzalez et al. Sesquiterpenos foram isolados de M. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al.. . 7 alfa-hidroxicanarol.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. os triterpenos fenólicos canarol. E-IV. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. além de pristimerina.. E-III.. canaradial. 1999). 1998). 1994)...30-lup-20(29) ene-triol e 28. os triterpenóides beta-amirina. emarginatina-D. betulina. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al.16. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. 1995a). lup-20(29)-ene-3beta.. De M. além de epicatecol.. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. 1992b). 1993a e 1993b). emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. Dos ramos de M. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. triterpenos do tipo friedelana. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI.. G alfa e G beta. macrocarpa (Chavez et al. emarginatina-E e emarginatinina. ilicifolia (Itokawa et al. 7. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. Das folhas de M. xuxuarinas F beta.30-diol (20). chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. 1992). 1999a e 2000).

isolados de M.. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. assim como os compostos 6 beta. G. Alcalóides foram isolados de M. 1996c). Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. 1971... Wang et al.... scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa.. 1971). senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. 8 beta. 2001). 2000. 1999). 1981). M. senegalensis e M.. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. scutioides (Gonzalez et al. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. 1984). myrsinoides (Baudouin et al.M. 1999b). catingarum (Alvarenga et al. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M... O composto escutiona isolado de M. 1999a). et al. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 1996b). . A. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al.. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al.. 6 beta. De M. 1999). 1996).. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. 8 beta.. macrocarpa (Chavez et al. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. 1996a). -15-triacetoxi-l alfa. Dados farmacológicos M... 1996b). Gonzalez et al.. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. 1999). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. Nor-triterpenos isolados de M.

Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. G. et al. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. Oliveira et al. Queiroz et al. 2001. 2001)... .O extrato diclorometânico de M. 2000). Extratos de Maytenus ilicifolia e M. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. Gonzalez. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. As folhas e caules de M. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. 1991. 2002). 1999).. 1991. F.....

Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. especialmente árvores. 1978).21 Polygalales medicinais L. contendo cerca de 1. com aproximadamente trezentas espécies. ocorrem 32 gêneros. C. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. Byrsonima. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Malpiguia e Stygmaphyllon. corantes e de medicamentos. usada na produção da Ayahuasca. .100 espécies tropicais. arbustos e lianas (Mabberley. bebida alucinógena. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. 1997). ambas com várias espécies medicinais. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Vochysiaceae e Krameriaceae. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. além das duas referidas a seguir. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. Trigoniaceae. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. com importantes espécies fontes de madeiras. Polygalaceae. No Brasil.

sendo comumente coletadas como da mesma espécie. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. nas raízes formam-se grandes tubérculos. de folhas cordiformes. e. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. glabas na face superior e sedosas na face inferior. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. Gordura-de-porco ou Cajuçara. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. grande e robusta. arredondadas. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. significa "estigmas foliáceos". contra icterícia. O nome do gênero Stigmaphyllon. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. externamente. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. . bastante pubescente.) Juss. dor de estômago e gripes. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies.) Juss.

especialmente dos gêneros Simarouba. . Quassia. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida.22 Sapindales medicinais C. R. Ailanthus. Hiruma-Lima A. essas espécies serão descritas a seguir. destacando-se as famílias Burseraceae. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Das demais famílias dessa ordem. Simarubaceae e a outra família. Simaroubaceae. Rutaceae. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Picrasma e Brucea. o Guaraná. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Anacardiaceae. Meliaceae. M. A. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Sapindaceae. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Essa ordem. Souza-Brito L. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. além das espécies aqui citadas. Cupania e Serjania. que contém. inúmeras espécies medicinais. especialmente no Sistema Nervoso Central. C.

o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). reúne setenta gêneros. Mangifera. arbustos. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. descrita por John Lindley. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). distribuídas em regiões tropicais. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Além dos usos medicinais. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. Spondias. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Desses gêneros destacam-se. relatados a seguir. pertence à ordem Sapindales. subclasse Rosidae. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. as espécies Pistacia lentiscus. nos países de clima temperado. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Essa família botânica inclui árvores. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Schinus. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Manga e Pistache. tais como Caju. amplamente consumida . Semecarpus (Semecarpeae). Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Do mesmo gênero. Spondias e Schinus. A espécie Mangifera indica. 1997). especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. No Brasil. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. lianas e raramente ervas pereniais. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. com aproximadamente 875 espécies. Nessa família.

as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. sendo também denominada Cajuaçu. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. o fruto em forma de drupa é peduncular. dispostas em panículas. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. de 25 a 30 m de altura. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. não foi referida na região de estudo como medicinal. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). ovário súpero com um só óvulo. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. as flores. Engl. Cajuí. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Caju-da-mata (Amazonas). .1). com tronco de casca lisa. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Pará e Mato Grosso. especialmente no Amazonas. perfumadas. Caju-assu. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. entre outras tribos indígenas.

Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. Caju-da-praia. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. tais como Acajaíba. Além dos usos medicinais descritos a seguir. É uma planta decídua. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. Caju-de-casa.Anacardium occidentale L. glabras. Para hemorróidas. O . utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. O óleo é usado na produção de borracha. ou simplesmente Caju.2). em referência ao nome de seu fruto. entre outras. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. pecioladas. onduladas. o óleo da castanha. significa "semelhante ao coração". ovadas. O nome do gênero. plástico e resinas. as flores. Contra diarréia. Anacardium. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. raspa de amor-crescido e cajá. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. as folhas são alternas. o fruto é do tipo aquênio reniforme. possui importante mercado nacional e internacional. várias outras denominações são usadas para a espécie. Acajuíba. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. Economicamente. pequenas e de coloração pálida. reticuladas e nervadas em ambas as faces. tomando-se um copo por dia. no entanto. com um só estame fértil. assim como a própria castanha. ovário unilocular. Cajumanso. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. heliófita e que cresce bem em solos secos. Caju-manteiga.

P. O suco das folhas serve como antiescorbútico. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. 1995). 1982). é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. debilidade muscular. . O pericarpo tem utilização como anti-séptico..broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. anti-helmíntico. 1992). Matos. As flores são afrodisíacas. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. A resina é usada como depurativo e expectorante. estimulante e afrodisíaco. No Piauí. 1993. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. purgativa. a casca é utilizada como adstringente. 1993). e a maceração de folhas para tratar diabete.. depurativo e anti-sifilítico. Cruz.. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. contra úlceras. desordens urinádas e asma (Lima. como um diurético. para controle das secreções vaginais. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. assim como um potente adstringente. Grenand et al. tonsilite e problemas de garganta. Em Juiz de Fora (MG). tônico. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1995). 1982). O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. 1994). Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. calos e verrugas. astenia. e a raiz. 1990. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. 1984). uma infusão de folha é usada contra diarréia. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. antidiabético e antihemorrágico (Verardo.. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. 1994. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre.

Bálsamo. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. tônico. Aroeira-branca. referindo-se às frestas da casca do fruto. Aroeira-vermelha. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Aroeira-da-praia. mas é muito usada como ornamental. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante.Schinus terebenthifolius Raddi. com copa bonita e arredondada. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. O nome do gênero significa "cortar". Fruto-de-raposa. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Aroeira-do-brejo. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. sugere-se o uso com moderação. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. com casca grossa. . analgésico e contra coceiras.3). Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. lenha e carvão. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Aroeira-do-sertão. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Fruto-de-sabi. adstringente. caule tortuoso. como cicatrizante e contra gengivites. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Cambuí. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Coração-de-bugre. Aroeira-do-campo. estimulante e analgésico.

ou Cajá e Umbu. além de comestíveis. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). referindo-se à semelhança com o fruto. as flores são pequenas. especialmente árvores com resinas. O gênero Spondias. Acaiou. O ácido anacárdico (C22H32. como antidiarréico. antiespasmódico. o fruto da espécie é empregado contra dores renais.O3). são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. Outras denominações comuns são Acajá. p-hidroxi- . diurético e analgésico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. esverdeado e doce (Figura 22. do tipo drupa. ilustrado a seguir. descrito também por Carl Linnaeus.Spondias purpurea L.4). Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. Acaju. Siriuela. com 5 a 7 m de altura. 1994). Em outros países da América do Sul. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. referindo-se apenas à fruta da espécie. o fruto. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. é ovóide. imparipinadas. reunidas em racemos. Cirouela. ou mesmo Caju. sendo um composto característico das espécies deste gênero. O nome Spondias significa "ameixa". inclui espécies tropicais.

K e Ca (Thomas & Dave. kaempferol. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos.. cardanol. amido. ácido gentísico.. de diferentes partes da planta. (-)-epiafzelequina. álcool araquidílico. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. (-)epicatequina. a-amirina. taninos e açúcar (Nagaraja et al. além de flavonóides voláteis (Pino. e de suas folhas foram isolados miricetina. Mg. 1987). Foram também caracterizados.. 1987). anacardeína (Sathe et al. antocianinas. 1989). Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. fenol. S. amentoflavona. glicosídeos de quercetina. também foram isolados (Costa. limoneno. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. flavonóides. estigmasterol. campesterol e colesterol (Dinda et al. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . taninos. 1985). quercetina. 1997c). 1995). 1986). aminoácidos. a-selineno e vitamina C (Gupta. ácido-p-hidroxibenzóico. cicloartenol. Compostos derivados do ácido anacárdico. Al. 1997). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. sódio e açúcar. P. aminoácidos. esteróis. derivado de resorcinol.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. agathisflavona. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. anacardol e cardol. C1. além de Na. ácido procatéquico. 1986). 1973). os seguintes compostos: acetofenona. anacardol. robustaflavona. leucocianidina. narigenina. 1990). apigenina. n-eicosano. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas.

quercetina. flavonóides e triterpenos em suas folhas. 1991). -sitosterol. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. -linolênico.. aminoácidos variados. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. 1994). Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. ácidos esteárico. Vários derivados do ácido anacárdico. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. -caroteno. 1992). 1991. 1994). tocoferol e outros.(Guerrero. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. palmitoléico.. e raízes (Guerrero. Escherichia coli. tocoferol. láurico. oléico.. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 1991). cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al.. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos .. 2000). ácido salicílico. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. 1994). gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al.Bacillus subtilis. 1999). Muroi & . O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. palmítico. 1993. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. 1994) e frutos (Augusto et al. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 2000). denominados geraniina e galoilgeraniina. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade.. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. Himegima & Kubo.. tais como -catequina.

1993).. O extrato hexânico das cascas de A. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas.. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. 1994). 1984a). Souza et al. Jurberg et al. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1993). occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais.. 1982). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. 1992. enquanto o cardol. Craveiro et al..epicatequina Kubo. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. 1974. glabrata. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). occidentale foram avaliados perante a B. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. 1995). 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. . e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. 1991).

. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.. França et al. 2000. 1982 e 1985. 2001. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka... O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al... mombin.. responsáveis por irritação da pele. 1991). um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. 1990. occidentale.. 1992). além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. Além disso. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. 1990). 1981).. occidentale. Kudi et al. antiartrítica. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Mota et al. 1994). 1982. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. pela presença do cardol (Hoehne. 1999. Geraniina e galoilgeraniina. Abo et al. 1980) enquanto. isolada de A... Barbosa Filho et al. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al..A epicatequina. 1992). 1983). 1993). . Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al.. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. 1994). taninos isolados de S. Akinpelu. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus.. Dos extratos hidroalcoólico..

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

Spondias purpurea. 1946). .4 .FIGURA 22. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

5 .Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22.

Ruta graveolens.6 .FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997).23 Apiales medicinais C. de acordo com o sistema de classificação botânica. com aproximadamente 3. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. denominada também Umbellales. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. mas alguns arbustos e árvores são des- . C. as quais são descritas a seguir. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. 1997). A maioria das espécies é de plantas herbáceas.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. Essa família inclui 446 gêneros. A. Di Stasi A ordem Apiales. como Umbelliferae. Hiruma-Lima L. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada.

Daucus (Caucalideae . a Eryngium ekmanii. No Brasil ocorrem poucos gêneros. Cominho e Salsa. oblongolanceoladas. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Cicuta. Coentro. 1998). Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. Erva-doce. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). folhas alternas. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Apium. optamos por incluir aqui apenas duas delas. entre inúmeros outros. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Coriandrum (Coriandreae . Muitas dessas espécies são cultivadas. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica.Saniculoideae). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Pimpinella (Erva-doce). Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Apium com características ruderais.Hydrocotyloideae).Apioideae). tais como Cenoura. assim. Petroselium (Salsa). Apium (gênero do Salsão). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly.Apioideae). e Hydrocotyle exigua. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. dunas e brejos.critos na família. ascendentes. muito comum na Mata Atlântica. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. com raízes fasciculadas. densamente imbricadas. onde há amplo uso como medicamento. fibrosas e caule florífero solitário.

na região do Vale do Ribeira. espalhadas por diversos continentes. de Erva-terrestre. com nós. frutos pilosos. referindo-se às fibras do rizoma. quando preparado em alta concentração. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. fruto subgloboso (Figura 23. Esse chá. Também é conhecida como Erva-capitão. é considerado excelente contra dores de cabeça. O nome do gênero. capítulos esverdeados com flores pequenas. dos quais são emitidas raízes. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. torcidas antes de abrir. habitando em lugares úmidos. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. var. no entanto. Eryngium. exigua (Urban. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . e aix = "cabra". folhas pequenas. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. com flores avermelhadas. crenadas. diclamídeas e hermafroditas.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. cordiformes. o sumo das folhas frescas.1). lobadas e pilosas. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. vem de eros = "lã". semelhantes a barba de cabra. cíclicas. inflorescência em capítulo. de no máximo 1 cm de espessura. especialmente em crianças. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. usado topicamente. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. Hydrocotyle hirsuta Sw.) Malme Nomes populares A espécie é chamada.

sendo majoritários carotol.. farneseno. comarinas e flavonóides. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. 1999). 1997a). 1985).. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. foram isolados 46 compostos. a DL50 por via oral foi de 1. 1984).4. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. anetol e alfa-pineno (Pino et al. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. Glicosídeos foram isolados de E. diurético e. 1986). emético. foetidum L. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. 1986). ilicifolium (Pinar & Galan. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. elegans (Campos & Garcia. .. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. Das folhas de E. e cotyle = "umbigo". campestre (Erdemeier & Sticher. planum (Hiller et al... 1997). 1980) e E. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. 1986). maritimum (Lisciani et al. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". O extrato aquoso de E. acetilenos. De E. 1992). 2002). 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al.inclui 130 espécies cosmopolitas. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. 1985. bourgatii (Lam et al.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1995)... Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos.5-trimetilbenzaldeído.. também encontrados em E.. foi ainda isolado o falcarindiol em E. sendo 2. em altas doses. 1997a). Além de saponinas. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. Hohmann et al.

1998). Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. da famosa Hera dos parques. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Mackinlaya e Polyscias.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. No entanto. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. arbustos. especialmente do gênero Cicuta. Hedera. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Árvores. 1997). Das inúmeras espécies descritas nessa família. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. lianas. e centenas de . Australásia e América tropical (Joly.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. especialmente em refogados e saladas. ambos introduzidos no Brasil. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. Panax. com aproximadamente 1. epífitas. no envenenamento do filósofo Sócrates. e inclui 47 gêneros. Centro-Oeste e Sul. Schefflera. Tetrapanax e Aralia. são encontradas na família. segundo a história. subclasse Rosidae. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. utilizada como alimento. famosa por ter sido usada. e Polyscias. No Brasil ocorrem vários gêneros. Tetrapanax. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. mas raramente ervas. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera.

globoso. variegadas. pertencente ao gênero Polyscias. descrito por Johann Forster e Georg Forster. flores pequenas. Cuia. fruto indeiscente. A espécie não foi completamente identificada. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. refere-se à forma da folhas. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. Cuia. e acias = "sombra". ovário ínfero. grandes. usada internamente. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. O nome popular da espécie. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. amplamente cultivada como ornamental. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. reunidas em inflorescências axilares.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. folhas alternas. sendo também usa- . O nome do gênero vem do grego polys = "muito". androceu com cinco estames. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. Cunha e Cunha-mansa. pela beleza de sua folhagem. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. cálice pequeno. com larga bainha na base. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. Outras espécies do gênero. O gênero Polyscias. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida.

. Em P. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1986). 1989c e 1990) e de P. 1990. 1992). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Proliac et al.. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. os autores demonstram que . 1992. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984).. 1989a. 1998)... Barilyak & Dugan. 2001). saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 1990). 1995. 1992).... Chaboud et al. Nesse estudo. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1994). Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al.. Nas folhas de Polyscias sp. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 1991).dos como calmante por adultos. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. Lutumski & Luan. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1996.. Fulva (Bedir et al. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. scutellaria (Paphassarang et al. Glicosídeos oleanólicos. 2002. Vo et al. 1989b. 1988.

FIGURA 23. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. A espécie P. associados àqueles referentes a outras da família.Eryngium ekmanii. assim como outras do gênero Polyscias.. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. especialmente a Panax ginseng. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. e de prolactina pela hipofise. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. mostram que essa espécie.1 . 2002). são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.

FIGURA 23.2 .Banco de imagens - . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Polyscias.

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica.24 Gentianales medicinais L. Esses dados. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. apesar de pouco numerosa. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Apocynaceae. C. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. Di Stasi C. Gentianaceae e Asclepiadaceae. Genistomaceae. Apesar de não referidas no nosso estudo.Strychnaceae. A. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. demonstram que a ordem Gentianales. Loganiaceae. . devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Gentianaceae e Asclepiadaceae -.

subclasse Asteridae. sendo esta última o mais importante. com destaque para ajmalina. com aproximadamente 1. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. dentre os gêneros. herbáceas. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Hancornia. Java. ajmalinina. e encontrado em várias outras espécies do gênero.900 espécies tropicais e subtropicais. aqueles que incluem espécies arbóreas. Nerium.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. Aspidosperma. arbóreas. . A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Inclui espécies arbustivas. como os gêneros Allamanda. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. entre as espécies de pequeno porte. fornecedores de madeira. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. inclui 165 gêneros. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. como Aspidosperma. serpentina. os gêneros Mandevilla e Thevetia. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Thevetia. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. a família possui espécies trepadeiras. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. serpentinina e reserpina. Mandevilla. e. Rauwolfia. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Vinca. além dessas. Paquistão e Tailândia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. muitas das quais trepadeiras e suculentas. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Strophantus. Nesse contexto. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Hancornia. Joly (1998) destaca. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. 1997). e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. muito utilizadas ornamentalmente. Tabernaemontana. Allamanda. Catharanthus. arbusto encontrado na Índia.

Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. tais como alstonina. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. tem sido designada também como Catharanthus roseus. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Alamanda amarela e Quatro-patacas. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. segundo Evans (1996). . contudo. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. espécies ricas em glicosídeos. A espécie Vinca rosea. Deve-se destacar. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. as espécies Strophantus gratus. especialmente a Nerium oleander. Vinca minor. e Thevetia peruviana. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. vinblastina e vincristina. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. estrofantinidina e cimarina. Wrightia e Aspidosperma. Dedal-de-dama. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. tanto para os animais como para a espécie humana. tais como majdina. as espécies Vinca major.• do gênero Vinca e Catharanthus. • do gênero Strophantus. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Orélia. a saber Allamanda cathartica. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. tais como ouabaína. Himathantus sp. cilastonina e também a reserpina. alstonilina. • do gênero Nerium.

Segundo Corrêa (1984). espessas. axilares e fasciculadas. especialmente cães e macacos. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. com tubo estreito e longo. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. semilenhoso. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. sendo a A. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. alternas. a planta exsuda látex considerado venenoso. fruto do tipo capsular. especialmente em crianças. em grande número. grandes. com folhas brilhantes. contendo poucas sementes (Figura 24. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. em animais domésticos. . na forma de funil. inflorescências com flores amarelas. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. com copa estreita e tronco ereto. é considerada um excelente vermífugo. A folha é considerada excelente catártico. folhas simples. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. atingindo até 20 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. Ucuuba e Sucuba. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica.1). purgativo e catártico. glabras e verticiladas. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. usada internamente. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. com casca rugosa. O gênero inclui doze espécies tropicais. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. enquanto a decocção das cascas da planta. emético e purgativo. A infusão das folhas é utilizada como emético. com a mesma indicação.

enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. alcançando até 10 m de altura. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes.pecioladas. 1997). Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. contendo sementes aladas. Thevetia peruviana (Pers. sendo útil como anti-helmíntico. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. O nome do gênero deriva do grego. significando "manto de flor". linear-lanceoladas. glabras em ambas as faces. especialmente no alívio de coceiras. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. ovaladas. heliófita e secundária. especialmente em crianças. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. simples. todas encontradas na América do Sul (Plumel. 1990). Fava-elétrica e Ahoay-guassu. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. sendo uma planta perenifólia. coriáceas. com um tronco de casca cinzenta. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. acumi- . referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. Coração-de-jesus. margens inteiras. Noz-de-cobra. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. Schum. frutos geminados em forma de chifres.) K. folhas alternas. no entanto. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. grandes e brancas.

descrito originalmente por Carl Linnaeus. A casca é considerada amarga e febrífuga. fruto do tipo drupa carnosa. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. 1984). revestimento de maracás (Corrêa. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. As sementes da espécie são usadas como inseticida. para provocar vômitos. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. como pulseiras. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. É uma espécie muito usada como ornamental. 1962).nadas. purgativa e emética e de uso perigoso. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. especialmente do continente africano. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. colares. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. braceletes. bactericida e como veneno para peixes. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. além da sua utilização uso em vários países como emético. assim como outros inúmeros usos de várias par- . amarelas. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. 1984). antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. contendo sementes duras e grandes. aromáticas. a amêndoa. com corola em forma de funil. contendo flores grandes. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. carnosas e glabras nas duas faces. 1997). O nome do gênero Thevetia. triangular. arbotifaciente. No Brasil. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. purgante. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. em pó. Os usos dessa espécie como purgativo. 1985).

Tewtrakul et al. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. plumericina. blanchetii (Ganapaty et al.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. quercetina. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo.1997. 1989).tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke.. 1988). ruvosídeo e neriifolina. -sitosterol. -sitosterol... As sementes de Thevetia peruviana. 1992b. 1992a e 1994). 2002). schottii. 1962.. O isolamento de diosgenina. 1993). De outras espécies do gênero Allamanda. também chamado tevetina A.Kader et al. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. Corrêa. são ricas em um glicosídeo a tevetina. canogenina. flavonóides. e de suas flores. como a A. 1988). alamandina. Kupchan et al. 1995c e 1995a). plumierida. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. ovata e T. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. Foram isolados de A. 1996). saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. 1986). escopoletina.-O. neriifolia os compostos 9. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel.. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. -amirina. escoparona.-hidroxipinoresinol e 9. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. assim como de outras espécies do gênero. acetato de lupeol. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. . tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. além de lignanas como pinoresinol. perivosídeo. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. 1985). rutina e os iridóides plumierida. 1988).. kaempferol... 1974). thevetioides (Perez-Amador et al. ácido ferúlico e ácido gentísico. tevetina B. foram isolados do caule isoplumericina. tais como de T..-hidroximedioresinol. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. além de 13-O-acetil plumierida. a alanerosida. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. 1984). Dados químicos dos gêneros Allamanda. 1996. medioresinol.

allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. cáprico. Das folhas de T.. obovatus (Vilegas et al... 1998). taninos e saponinas (Gupta. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. 1992) e H. 1996). 1991). taninos e saponinas. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. Da mesma forma. linoléico. (1990) e Beauregard Cruz et al. 2000). 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. linolênico. 1990). Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A.. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. esteárico.. glicosídeos cardiotônicos. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. 1993). (1986). Ali et al. 1994. Da espécie H. taninos. alcalóides. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. esperolactonas. 1995. follax (Abdel-Kader et al. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. linoléico.. triterpenos e saponinas. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. ácido metilperlatólico (Endo et al. behênico e erúcico. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1992) e em T. flavonóides. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. esteárico e palmítico. enquanto as cascas possuem alcalóides. 1978). neriifolia (Dinda&Saha. Iridóides também foram isolados de H.. Foram descritos os ácidos mirístico. Guerrero. oléico. Triterpenos como ácido olianólico. De acordo com Obasi et al.. e as raízes... 1982). ursólico. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. triterpenóides (Wood et al... 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster.

indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. Moreira et al. 1935). 2002) e antiofídico (Otero et al. 1990. 1994) antifúngico (Tiwari et al. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico....camundongos.. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina.. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. violacea (Lima & Caldas. A neriifolina. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. 1997). atóxica e cicatrizante (Villegas et al.. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1962). 1991).. 1992). 2000). Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. blanchetii (Melo et al. Peruvosídeo e neriifolina. 1933). analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. Obasi & Igboechi. conhecida popularmente como orélia. cathartica e A. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 1982a e 1982b. produziu atividades espasmogênica. isolada dessa espécie. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. 1994). . componentes principais da espécie Thevetia peruviana.. 1945 e 1947). 2002). 1981). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. bexiga. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. Moraes et al. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1990). antimicrobiana (Neto et al.. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A..... 1989). 1984.

700 mg/kg é dose letal. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. Eddleston et al. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. Maringhini et al. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Saraswat et al. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. No entanto. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996).. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. para bovinos (Tokarnia et al.4g/kg.. 2002. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. 1993). 0. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. Oji et al. 1999. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Nerium oleander. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. cobaias. 1996). gatos. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo.. 1996). 1992).. 1996). 1996. 1958. 1933. Singh & Singh.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade.. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 2000). Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. 2000. e estudos recen- . peixes e outros animais (Chopra et al. Frerejacque. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. efeitos tóxicos também são similares.5 g/ kg e 14. 1933). Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares.. e Thevetia peruviana e T. respectivamente. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração....

no entanto. inibição da Na+. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. ou seja. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. 1996). incluindo o homem. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. 1991). dada a riqueza química da família. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. De todo modo. os quais ainda não foram estudados. Dessa forma. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Da mesma forma. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal.K+-ATPase. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. Observações Várias espécies dessa família. Deve-se salientar. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. . a espécie Himatanthus sucuuba pode representar.

Fischeria. tais como Asclepias curassavica. Espécies medicinais Fischeria cf. mariana Dcne. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. No Brasil. Tylophora e Calotropis. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. especialmente por seus efeitos tóxicos. herbáceas e raramente arbustos e árvores. e algumas de grande valor medicinal. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. trepadeiras. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. descrita a seguir. Tylophora asthmatica e Calotropis procera.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. mariana. com aproximadamente 2. 1986). Inclui lianas. . subclasse Asteriddae. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Oxypetalum.Asclepias. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . e inclui 315 gêneros. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. Oxypetalum e Calostigma. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. sobretudo para animais. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. 1997).

nos quais se distribuem 1. com testa verrucosa (Figura 24. especialmente a febre. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. corola gamopétala.. L. de onde saem as folhas simples. diclamídeas. com pecíolos pubescentes. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. opostas. membranosas. inclui aproximadamente 78 gêneros.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. 1979). hermafroditas e de simetria radial. com ramos pubescentes. flores pentâmeras. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. androceu modificado. E.225 espécies cos- . químicos e toxicológicos de espécies desse gênero.2). Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. fruto unilocular. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. com lacínios conspicuamente crispados. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. foi realizado experimento de toxicidade. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. sementes comosas. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). von Fischer.

mopolitas. reunidas em verticilos. também sésseis. e outras são usadas como ornamentais. a decocção das raízes é usada contra febre. F. mas também inúmeras espécies tropicais. amenorréia e como vermífugo. especialmente do gênero Dejanira. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. folhas opostas e sésseis. fruto capsular. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. desordens estomacais. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. subtropicais e de clima temperado. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. 1998). Lisianthus e Coutoubea. com caule ereto de muitos ramos. amplexicaules e grandes. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. 1978). sendo várias delas medicinais. flores brancas grandes e muito vistosas. Nomes populares A espécie é chamada. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. Dados botânicos É uma planta anual. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. Dejanira. 1997). Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. Voyria. dispostas em espigas simples terminais. de Carne-seca. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . Puruvá e Cutúbea.

1984). dentre eles. Mas a C. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. 1979). conhecida popularmente como Tingui em Roraima. lianas e ervas (Mabberley. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. taquicardia. um dos encontrados no Brasil. tônico. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina.. estudos de toxicidade. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. febrífugo. incluindo tanto árvores como arbustos. diminuição da atividade motora e dores abdominais. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. diminuição da atividade do rúmen. hipotermia. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. da famosa Strychnos nux vomica. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. Porém. quando ingerida dentro de 24 horas. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. . polipnéia. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. e Strychnos. 1997). com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). destacamos apenas os principais: Spigelia. onde é cultivado como ornamental. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. e morte.

das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. em seus cipós. Segundo Corrêa (1984). nux-vomica (Shoba & Thomas. glabras. as plantas com propriedades narcóticas.. antigamente. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. coriáceas e trinervadas. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. a maioria na Amazônia (Barrozo. fruto do tipo baga globosa. que se refere à presença de mais de 190 espécies. também constatado para a espécie S. No levantamento realizado. flores amarelas em grande abundância. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. O nome do gênero designava. . 2001). A planta recebe esse nome por possuir. 2002). O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. porém de S. a planta é narcótica e venenosa. nós na forma de uma cruz. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. Noz-vômica e Quina-de-cipó. folhas opostas e ovais. 1978). Nomes populares Na Mata Atlântica. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M.

Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. 2001). Das raízes de S.1 .. S. ... 1996). 2001).. S. usambarensis (Frederich et al. 2000. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al..Allamanda cathartica.. 1998) e S. 1996). icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. 1995).. FIGURA 24. 2000). Rafatro et al. myrtoides (Martin et al. mellodora (Brandt et al.. Quetin-Lecrerq et al.. S. 2000 e 2001.. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. panganesis (Nuzillard et al. 1999). 1996).A S. guianesis (Penelle et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - ).

FIGURA 24. laniflora Dcne.Banco de imagens - .Fischeria cf.2 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

incluindo plantas herbáceas. Di Stasi F. lianas. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Gonzalez L.600 espécies. C. A. Solanaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. ervas. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae.25 Solanales medicinais L. N. G. algumas vezes parasitas. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Convolvulaceae. Seito C. das quais alguns exemplos são aqui referidos. arbus- . Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae.

Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. pecioladas. que são cultivadas com fins comerciais. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. Na região da Mata Atlântica. cordiformes. rosas ou arroxeadas.tos e raramente árvores (Mabberley. em gargarejos. geralmente lobadas. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. A planta também é conhecida. como Batata-da-terra. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. gengivite e dores de dente. ainda que raramente. . a espécie é cultivada e consumida como alimento. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. aqui também descrita como medicinal. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. Possuem inúmeras variedades. internamente. de Batata-doce. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. para infecções da boca. raízes tuberosas. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Nomes populares A espécie é chamada. axilares e fruto capsular. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. suculentas. Ipomoea batatas. flores brancas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. 1997). com folhas alternas.

purpurea e I. Muitas espécies são medicinais. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. 1996. acetil-b-amirina. 1996). com cinco lobos arredondados. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". de cor vermelhoviva ou rosa. 1995). pinatipartidas e pecioladas. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. flavonóides (Zhou. 1986). comparando-se as plantas deste gênero. muitas delas amplamente cultivadas. glabra.. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. como é o caso de I. com caules bastante entrelaçados. hederifolia. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. 2000. 1. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. ácido caféico e quercetina (Tan et al. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. cairica. e de homoios = "semelhante". 1996). tubérculos ou arbustos. enquanto as folhas são detergentes. b-sitosterol.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. sendo várias ervas. I. anti-reumáticas e laxativas... como é o caso de /. oblongata. folhas alternas. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. Goda et al.. I. batatas Lam. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. I.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. I. fruto capsular ovóide. Dados químicos do gênero Da espécie I. Delgado et al. friedelina. I. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. coptica. purpurea e /. Alba. cairica. carnea. De . de 5 a 18 cm de comprimento. sinensis.

1996 e 1997). é medido por mecanismos colinérgicos. 1996). 1997). De I. 1986). tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. e também dibenzil-g-butirolactona. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. Das sementes de I. carnea. 1999)... alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. 1987). 1988). (Sharma & Shukla. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. regnellii e I. Das partes aéreas de I.. 1996). operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. Diversos flavonóides foram isolados de I. 1997). arctiina e matairesinosídeo. 1996). De Lima & Braz-Filho. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. reticulata (Mann et al. adrenérgicos e . também encontrados em I. 1989).I. hardwickii (Liu et al. As folhas de I.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. matairesinol e trachelogenina. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.. e das flores de I. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. 1997).. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. 1990). 1997). Das sementes de I. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1987).. 1999a. quando administradas a cabras. alta concentração de cálcio e potássio. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. as lignanas arctigenina. carnea Jacq... tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. operculinas I-VIII ácido operculínico A. os flavonóides 4'. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. Das raízes de I.. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I.. cornea.

conhecida popularmente como salsa-da-praia. Entre estes. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al.. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas.. A I. depressão. 1992). Foram observadas também anorexia..950 espécies subcosmopolitas. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. O extrato diclorometano de I. 1998). e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. 1994). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. dos quais 25 são endêmicos. 1998a e 1998b). 1997). 1996). tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta... 1998).. Foram isolados de I. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. 1997).. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul.. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al... com 2. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . encontram-se árvores. 1996). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. pescapae (Madeira et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. stans três tetrassacarídeos. Os extratos aquosos. espasmolítica (Medeiros et al. 1995). O efeito tóxico foi observado no cérebro. lianas e ervas (Mabberley.não-colinérgicos (Hore et al. 1990). 1996). 1991). arbustos. As sementes de Ipomoea ssp. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 2000)..

inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Managá-caa. com inúmeros representantes no Brasil. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. tanto do ponto de vista farmacológico. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. da famosa espécie Nicotiana tabacum. como Juá-bravo. Nos estudos realizados. especialmente na espécie Hyosciamus niger. Em outras regiões. a capsaicina. ainda do ponto de vista comercial e social. Fumobravo. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. descrito posteriormente. dessa subfamília. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. importante ferramenta farmacológica e. Datura. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. da famosa Datura stramonium. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Lycopersicum. . que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. pelos nomes de Manacá-da-serra. Cuvitinga e outras espécies. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. Nomes populares Na região amazônica. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Manacá-açu e Jeratacaca. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. entre outros inúmeros compostos. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. de onde se isolou. e Solanum. Don. Physalis. Gambá.• Solanoideae. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. • Cestroideae. fonte de nicotina. do famoso Tomate. Brunsfelsia.

Nomes populares A espécie é chamada. folhas inteiras. Physalis angulata L. bolha". Dados da medicina tradicional Na região amazônica. caule verde. referindo-se à forma do fruto. semente rufescente (Figura 25. ereto e crasso. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. ovário bicarpelar. diclamídeas. O chá preparado com raiz de . súpero. agudas. fruto esverdeado do tipo baga. de Camapu. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. bilocular. Joá. possui. androceu com cinco estames. especialmente na Amazônia. Bolsa mulaca. folhas elípticas e acuminadas. na região amazônica.1). Joá-de-capote. muito ramificado. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. glabra. com anteras azuladas. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. Mulaca. Juá-de-capote. pentâmeras. flores dispostas em cimeiras. sem estipulas. Mata-fome.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. hermafroditas. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. Dados botânicos Erva com muitos ramos. flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. pequenas. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. longo-pecioladas.

outros. 1974-1975). o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. problemas hepáticos. contra inflamações. 1982). renais e de vesícula biliar (De Almeida. para tratar hepatite. os frutos são desobstruentes. útil contra reumatismo. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. vômito. 1984). . jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. problemas hepáticos. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1984) e a raiz. malária. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. Rutter. no Pará. 1998). o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado.. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. contra vermes. No Peru. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. da Amazônia brasileira. dermatites e doenças de pele. Jubeba. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira.camapu misturada com raiz de açaí. 1980. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. 1980). 1995). em Minas Gerais. 1990). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. a infusão da sua raiz. No Brasil. interna e externamente. Juripeba. 1993). são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1990). diuréticos e resolutivos (Corrêa. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. hepatite e reumatismo (Forero. 1980). bem como no combate a febre. 1994). na Paraíba. Juuna e Juvena.. Solanum paniculatum L. e suas folhas têm uso diurético.

hepatite e febres intermitentes. carnosos. alívio". referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. lilás ou roxas. desiguais. de caule alado. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. Inclui inúmeras variedades. muitas delas de grande valor econômico. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). dispostas em racemos. Solanum tuberosum L.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. flores em umbela. especialmente contra lombrigas. muito parecidas com as da Batata-inglesa. de onde é obtida pelos habitantes locais. sinuosas e acuminadas. brancos ou amarelados. es- . além de ser indicada contra problemas do estômago. todas cultivadas. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo.700 espécies subcosmopolitas. fruto do tipo baga globosa. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. ereta. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. sendo úteis contra icterícia. fruto do tipo baga redonda. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. folhas alternas. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. flores brancas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.

Glotter et al. 1986).52%) (Maestri & Guzman. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al.. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. alkekengi (Kawai et al. De B. No óleo das sementes de B. P viscosa (Maslennikova et al.. Alcalóides foram isolados de P.5%). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. peruviana (Sahai & Ray.. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. 1977 e 1978). 1987).. espécie de origem cubana... ácido palmítico (7... Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. P peruviana (Gottlieb et al. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. Itoh et al.. 1977a)..5%). Gottlieb et al. 1991).. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. principalmente. ixocarpa (Abdullaev et al. 1981). cetonas. 1980. P pubescens (Reddy et al. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. 1987. Frolow et al. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. 1995). 1986). angulata (Row et al.. 1979a. 1977). P.25%) e ácido ricinoléico (0. Do gênero Physalis. 1988. obtido de suas partes aéreas. ácido oléico (11. 1985). com ciclopropenóides. 1986. 1987. Eguchi et al. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). 1980. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico... P. 1985. Já da casca da raiz de B. 1996). 1986). 1980) e P. hidrocarbonetos. 1994).. grandiflora.8%). Vasina et al. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al.. As sementes de B. aldeídos.. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. dos quais foram caracterizados. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. Oshima . minima (Mulchandani et al. Na região. identificou a presença de 122 compostos. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. alcoóis e ésteres. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. Sinha et al. nitida.

alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. O extrato aquoso de B.. Oliveira et al. 1968. 1990). bronquites. além de vitaminimina (Gottlieb et al.. 1993. Vasina et al. 1992). que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. revelou atividade depressora do SNC. minima var. Chen et al. 2001). glicosídeos. 1987).. 1983.. fisalina B e quercetina (Gupta et al. 1991). 1989. 1967a e 1967b).. 1990). neoclorogenina. 1986. 1987. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. uniflora. australis (McBarron & de Sarem. 1986). De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1988). vitagulatina A. Spainhour et al. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. Banton et al. pauciflora e B.. fisagulina A e K. beta-sitosterol. acetil colina. além de alcalóides... Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. 1977).. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. calcyina var. Já da raiz de B. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. Ripperger et al. 1975. 1992b e 1992c). 1992a. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. ácido clorogênico. Chen et al. figrina. flavonóides (Ser... Shingu et al. flavonóides (Ismail & Alan. 1990. bonodora. 1997. 1990). De P.. 1988 e 1989).et al. com extratos da raiz de B. 1990. Neilson & Burren. . hopeana. 1988). febre e picadas de cobra. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. indica foram isolados vitasteróides. A administração oral de B.. Dinan et al. B. angulata foram isolados ainda vitasteróides. vitaminimina. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. fisangulídeo. Moiseeva et al. vitangulatina A. 1989. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. 1987b. B.... artrites. utilizada para picadas de cobra.. aianinas. floribunda. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al.. enquanto das folhas de P. 1987 e 1990.. De P. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. Uma triagem hipocrática em ratos.. 1997). vamonolídeo.

. quando ingeridas em dose única ou repetida. diurética. 1992a e 1992b). et al. Nos frutos de P. aqui descrita. anticoagulante (Kone-Bamba et al. M. Silva. M. M. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1995. M.. M. 1998). peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. anti-séptica. 1998). antiespasmódica. 1998b). 1998). et al. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho.. entre outras (Lin et al. antibacteriana (Hussain et al. citotóxica. T.. et al. anticolinérgica (Fonteles et al. 1993. imunoestimulante (Carvalho. 1990). Carvalho. Ribeiro et al. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. entre outras. in vitro e in vivo. V. et al. 1998.. M. antimutagênica. melanomas. 1992. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D.. et al. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos.. moluscicida (Almeida & Fonteles. M. 1997.. G. et al. 1990). aos esteóides. 1998). V. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida... 1988). antileucêmica. alcoólicos. O estudo dos vitanolídeos de P. constataram-se atividades hipotensora.. 1987). antigonorréica. 1989)... Kurokawa et al. 1998) e antineoplásica (Carvalho. como movimento . V.. 1998).. embora outros sinais também tenham sido verificados. etanólicos e esteroidal mostraram. e a atividade imunoestimulante. imunomoduladora (Rosas et al. tripanossomicida (Barbi et al. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. antiasmática.. 2000). I.. incluindo leucemias. 1998).. P. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho.. 1991. 1987). 1998... Haussmann et al. Chiang et al.Para a Physalis angulata.. Os extratos aquosos. V. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade.. 1998. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. antiviral (Otake et al. M. et al. 2002. Pietro et al. niruri e P. Soares et al. V. 1997. Barbi et al. Kusumoto et al. V. 1992a e 1992b).. Das folhas de P. et al..

Banco de imagens - . falta de apetite. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .Physalis angulata. perda de peso. Além disso. irritabilidade. estiramento e contração das patas traseiras. FIGURA 25. às vezes levando-o ao chão. 1991). quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al.1 . salivação.de mastigação. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.

Nas regiões de estudo. as quais serão discutidas a seguir. arbustos. com aproximadamente 2. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. 1997). Di Stasi E. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). inclui 130 gêneros distintos. M. M. Amazônia e Mata Atlântica. freqüentemente . C. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). Guimarães C. das quais se destacam as Boraginaceae.26 Lamiales medicinais L. Santos C.300 espécies (Mabberley. A família inclui árvores. apesar de incluir apenas oito famílias. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. espalhadas por todo o planeta. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. A.

sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Nomes populares A espécie é chamada. formando grandes populações em áreas litorâneas. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. • Cynoglossum. de onde saem folhas sésseis. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 1998). com até 12 cm de comprimento. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale.herbáceas e raramente lianas. lanceoladas. inflorescência espigosa. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. um dos gêneros mais comuns no Brasil. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal.1). pubescentes na face inferior. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. É uma planta heliófita e higrófita. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. de Ervabaleeira. sendo raramente encontrada no interior de matas. densa. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. • Heliotropium (Heliotropioideae). Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Borago e Symphytum (Boraginoideae). muito ramificado. agudas. .

. Aguaraquiunha. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. Crista-de-galo. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. com ramos lisos e glabros. Jamacanga e Jacuacanga. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre.Heliotropium indicum L. abcessos. e as espécies H. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. fruto formado como uma mitra. folhas pecioladas.5 a 1 m de altura. dispostas em espigas solitárias. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. estomatites. anginas. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". faringites. incluindo úlceras. Na medicina tradicional salvadorenha. com dispersão regiões tropicais e temperadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. furúnculos e também contra queimaduras. É uma planta anual. europaeum são reconhecidamente medicinais. 1994). incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. ovadas ou cordiformes e acuminadas. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". tubulosas. alternas. glabro ou pubescente. moléstias cutâneas e feridas. inflorescência curvada. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. e seu suco é de alto valor contra aftas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. e trepein = "mudar". de flores brancas. Segundo Corrêa (1984). Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. com flores brancas ou azuis. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. amplexicaule e H.

além de alcalóides e taninos. enquanto as raízes. 1994).. Sonsólida. Consolda maior. De H. europina. como beta-sitosterol. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. com folhas ovadas ou oblongas. 1986). de Confrei. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. Nomes populares A espécie é chamada. Orelha-de-vaca etc. taninos e triterpenos. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Das partes aéreas de H. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. tubulosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Língua-de-vaca. flores grandes. 1996). fruto com quatro aquênios lisos. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. amarelas ou rosas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. acuminadas no ápice. ásperas e onduladas. Erva-do-cardeal. lasiocarpina. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia.Symphytum officinale L. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. distúrbios estomacais. . lupeol. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. inflamação e dores de barriga. caule curto e ramoso. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Outros nomes são Consolda. dispostas radialmente. vistosas.

H. 1996). H.. 1995b). Reina et al. echinatina. H. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. 1990). e heliotropina de H. licopsamina amabilina.. 1988). H. 1996). curassavina. heliotrina. curassavicum (Davicino et al. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. 1988).a heliospatina e o heliospatulina . subulatum (Malik & Rahman. hirsutissimum (Guner et al. (1990). H. bovei. rotundifolium (europina. keralense (isolicopsamina. 1995). bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. heliotrina e lasiocarpina (Guner. coromandalina. arborescens (Bourauel et al. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. H.de H. curassavicum var. 1989). Farrag et al. Das partes aéreas de H. lasiocarpum (Akramov. 1995b. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. bursiferum (Marquina et al. 1987).. intermedina e retronecina) por Ravi et al. supinina e europina (Rizk et al. heliotrina e lasiocarpina de H. heliovicina. 1995) e H. destacando-se compostos fenólicos em H. europina.. 1994). heleurina. 1986). heliotrina. spathulatum (Roeder et al. coromandalinina. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina.. H.. em menor quantidade.. 1988). bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heliotrina e lasiocarpina e. 1988. 1991).De H. em H. curassavinina. argentinum e var.. em que se . 1988). europina e supinina em H. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . stenophyllum. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. esfandiarii (Yassa et al.. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero.. (1989). 1988).. heleurina.

1989) e esteróis e quinonas em H. 2000b). 1990). linnaei (Ioset et al. C. 1994 e 1996). sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. pinocembrina. 1991 e 1988. C. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 2001). chenopodiaceum. 2001). alliodora (Ioset et al. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. filifolium (Urzua et al.. Os flavonóides ayanina. 2001). dentre outras espécies (Ficarra et al. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1996). Porém nenhum composto isoladamente foi ca- .. pinobanksina-3-acetato. 1990). pinocembrina. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. Os constituintes fenólicos denominados galangina. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. verbenacea. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C... Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. 1990). C..3'-dimetileriodictiol. pinocembrina... Al Awadi et al. sakuranetina foram isolados da resina de H. 7-O-metileriodictiol. ovalifolium (Guntern et al.. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg.. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 2002). 1995. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. hesperetina. Sertie et al. tais como ácido rosmarínico. stenophyllum (Villarroel & Urzua. 1996). 1996). Do exsudato resinoso de H. bacciferum (Miralles et al. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 2001) e de C. filifolium também foram isolados. solicifolia (Hayashi et al. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. 7..descreveram os constituintes galangina....3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados.. As propriedades antifúngicos. 3-0-metilgalangina.. A H. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C.. De H. De H. do exsudato. 1998). 1987). curassavica (Ioset et al. 2000a) e C. myxa.

enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. assim como todo o gênero Heliotropium. nos quais se distribuem 6. Singh et al. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . bursiferum (Marouina et al. argentinum apresentam genotoxicidade. subtilis como o extrato bruto de H.. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. porcos e aves (Gaul et al... reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al..700 espécies. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. Jain et al. 1987. é potencialmente tóxica. 1987). europaeum e H. também denominada Labiatae. 1994. 1992). Dados toxicológicos A espécie. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora.. Das partes aéreas de H. 2001). Portanto. Alcalóides isolados de H. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. 2002.. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. 1995).paz de inibir efetivamente o B. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. Eroksuz et al. 1997). 1989). ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. infusão ou chás por via oral. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. ellipticum e H. 2001a e 2001b). De H..

Malva. ex Benth. Salvia. pois são usadas como condimentos. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Pogostemonoideae: Pogostemon. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Thymus. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. alimentos. crenadas. Scutellarioideae: Scutellaria. Mentha. Lavandula. Melissa.2). androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Ajugoideae: Ajuga. Hyptis e Plectranthus. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Satureja. pubescentes. com cálice tubuloso. rígidas. com haste suculenta. . Origanum. Teucrioideae: Teucrium. do ponto de vista medicinal. Rosmarinus. especialmente americanas. Trata-se de uma importante família. oposto-decussadas. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. bilabiado. Salva. flores dispostas em capítulos pedunculados. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada.(Mabberley. 1997). corola com tubo infundibuliforme. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. folhas pecioladas. Ocimum. Lamioideae: Leonotis. Nepetoideae: Hyssopus. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Leucas e Sideritis. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. obovais. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Salva-do-campo.

Dados botânicos Erva anual. folhas opostas. a decocção das folhas é usada contra malária.3). emenagogos. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". com caule quadrangular aveludado e pubescente. . uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. recebe o mesmo nome. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. ovadas e subcordiformes na base. na região amazônica e em quase todo o Brasil. flores pediceladas com quatro estames. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. Na Mata Atlântica. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. antigripal. para regular a menstruação. de constipações e artrites (Van den Berg. 1982). Na região da Mata Atlântica. e a infusão da planta toda. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. no tratamento de inflamações da garganta e olhos.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cólicas menstruais e problemas digestivos. Nomes populares A espécie é chamada. um pouco lenhosa. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. sudoríficos. de até 2 m de altura. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. e inclui apenas quinze espécies tropicais. de Rubim. anti-reumático e contra cólicas menstruais. flores dispostas em racemos densos e verticelados. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. Leonotis nepetaefolia Hort. diarréia. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. icterícia. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. mas não foi completamente identificada.

facilitando a expectoração. flores sésseis.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. nas inflamações broncopulmonares. antiasmática. 1984). como cicatrizante. desiguais entre si. a infusão das folhas é usada. a planta florida é usada na fraqueza geral. durante dois dias. 1986). 1982). com cinco segmentos acuminados. pilosos e sulcados. Br. herbáceo. sendo ainda indicada contra úlceras. ramoso e pubescente. distúrbios do estômago. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. especialmente de barriga e. no Rio Grande do Sul. em Minas Gerais (Verardo. no Ceará (Matos et al. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. como Cordão-de-frade. hipotensão. uma xícara por dia. internamente. útil contra úlceras. de caule ereto. ramos quadrangulares. ovadas ou oblongolanceoladas. reumatismo. corola bilabiada. folhas pecioladas. o chá de toda a planta. dores gerais. duas vezes ao dia. com lábio superior 1-2 . pubescentes nas duas faces e membranosas. 1982). elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. brancas. Dados botânicos Planta anual. Leucas martinicensis R. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. antireumática. cálice bilabiado. 1980).. como abortivo e antitérmico (Simões et al. Grandi & Siqueira. no Mato Grosso. Na região do Vale do Ribeira. na Mata Atlântica. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. febrífuga e diurética.. externamente. contra gripes. é utilizado como anti-reumático. 1982. A planta é também considerada antiespasmódica. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. raramente arredondadas. Pau-de-praga e Cordão-de-frade.

diclamídeas.lobado e o inferior 1-3 lobado. numerosas. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. O nome do gênero Leucas. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. um pouco pubescentes. serrilhadas. descrito por Robert Brown. e seu cozimento é indicado como antireumático. pentâmeras. 1984). contra dores musculares e reumatismo. folhas opostas. formando espigas no ápice dos ramos. ramoso. viridis e M. Hortelã-das-cozinhas. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. na Mata Atlântica. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. difere da M. . Na região do Vale do Ribeira. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. contra tumores. A planta também é utilizada como tônico. flores violáceas. antiespasmódico e contra nevralgias. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. hermafroditas. piperita é um híbrido de M. referindo-se à cor das flores. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o macerado das folhas em água. pouco aveludada. nome recebido em todo o Brasil. bilabiada. agudas. Menta e Hortelã-verdadeira. de porte herbáceo. corola gamopétala. ramos eretos e opostos. Dados botânicos A espécie M. externamente. apenas de Hortelã. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. fruto do tipo aquênio (Figura 26. topicamente. dela. significa "branco". as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. decussadas. com raiz fibrosa e caule ereto. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. planas. curto-pecioladas. zigomorfas. aquatica. na forma de gargarejo.4). é usado sobre gargantas inflamadas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. filha de Cocylus.5).

diarréia. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. estimulante do fluxo biliar. três vezes ao dia. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. é indicada contra dores de estômago em crianças. dismenorréias e verminoses. Hortelã-da-preta. vômitos. 1991). em 1990. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. estomáquicas. calmante. Hortelã-graúda. problemas cutâneos.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. Hortelã-comum. . garganta e dentes (Simões et al. Mentha viridis L. 1982) e como anti-séptico. de estômago. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. 1984). em Brasília. 1986). Na região da Mata Atlântica. carminativas. antiespasmódicas. musculares. catarros de mucosas. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. dores de cabeça. estimulantes. tremores. Contudo. Nomes populares A espécie é chamada. digestivas. no Rio Grande do Sul. a infusão das folhas. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. Hortelã-pequena. 1980). a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. timpanite.. cólicas abdominais e tétano. bronquite e tosses. sendo indicada contra flatulências. eólicas uterinas. na região amazônica. anti-reumático e contra insônia. de Hortelã-verde. A M. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). dor de barriga. 1986). é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes.

em verticilos aproximados. glabras. cilíndrica e frouxa. . os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. garganta e estômago. ovadolanceoladas. cólicas. ramos eretos. com folhas pequenas. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. inflorescência do tipo espiga. tosses. bronquites. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Mentha pulegium L. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. ovais ou oblongas. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. bastante pilosa e com aroma forte. dores de estômago e "quebranto". Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. tétano. ameba e giárdia. além de ser considerada útil contra febres. assim como em todo o Brasil. opostas. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. seu decocto é considerado útil contra tosse. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. dores de barriga e pedras nos rins. serrilhadas. bronquite e gripe.6). especialmente lombriga. gripes. ascendentes. folhas subsésseis. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. caule ereto. corola e cálice campanulado (Figura 26. Na região do Vale do Ribeira. pecioladas.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. denticuladas. flores rosas ou violeta-claras. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido.

ovadas. .Ocimum basilicum L. de Alfava. glabras. de caule ramoso. peitoral. Alfavaca-de-cheiro. assim como em todo o Brasil. Alfavacona. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Em outras regiões. significa "perfumada". entre outros. descrito por Carl Linnaeus. dentadas. diurética e útil contra resfriados. referindo-se à planta toda. diarréias e disenterias. O nome do gênero. Alfavaca-cheirosa. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Alfavaca-do-campo. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Ocimum canum Sims. Em outras regiões. estimulante. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. pequenas e finas. flores brancas ou rosas. com ramos tetrágonos e pubescentes. diaforética. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. especialmente de ocorrência na África. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. estomáquica. Ocimum. Alfavaquinha. com até 50 cm de altura ou maior. de onde partem folhas opostas.

A decocção das raízes . além de diurética. serradas. ovadolanceoladas. verdes e finas. de onde partem folhas ovais. denteadas. flores vermelhas. tosses. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. dispnéia e reumatismo. dispostas em racemos paniculados. fruto do tipo capsulas. de ramos quadrangulares. glabras. dores de cabeça e bronquites. A planta toda é bastante aromática. contendo folhas pecioladas. flores roxas ou. tosses e desordens uterinas e renais. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. diaforética. béquica. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. As folhas cruas também são empregadas como condimento. rins e uretra. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. pubescentes. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. além de excelente na cura da coqueluche. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. é usada contra febres. amarelo-esverdeadas.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. carminativa. glabros e eretos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. pubescentes. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. enquanto a infusão das partes aéreas. verticiladas e dispostas em racemos. a espécie é chamada de Alfavaca. raramente. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso.

androceu com estames inclusos. problemas nervosos. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça.é usada contra diarréias. As folhas são ainda muito usadas como condimento. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. núculas negras e lisas (Figura 26. folhas pecioladas. gripe e catarro no peito. glomerulada. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. carminativa. pequenas. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. Ocimum micranthum Willd. Alfavaca-do-campo. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. ovaladas. gineceu com ovário ovóide. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. diurética e útil contra tosses. como Manjericão. agudas. sudorífica. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. membranosas. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. dores de cabeça e febres. e na Mata Atlântica. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho.7). congestão nasal e dor de cabeça. margem irregular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . inflorescência racemosa. Alfavacão. distúrbios do estômago. dores de cabeça e como sedativo para crianças.

tosses e bronquites. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. além de a espécie ser utilizada também como condimento. Origanum vulgare L. flores em glomérulos. pilosa. de base arredondada e margem denteada. as folhas são consideradas úteis contra gripes. com ramos ascendentes. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. com até 50 cm de altura. dispostas em panículas. no Pará (Amorozo & Gély. no Mato Grosso (Van den Berg. Patchuli ou Patchouli. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. . Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. 1988). de onde partem folhas ovais. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. 1980). Pogostemon patchouly Pellet.Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra infecções. formando uma espiga terminal. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. dores de cabeça e tosse. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). vilosas. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. 1984).

bilocular. pentâmeras. porém. flores em glomérulos. fruto seco (Figura 26. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dos quais 32 foram identificados.8-cineol. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. 1990).. sabineno e alfa-copaeno (Din et al.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. Azevedo et al. suaveolens por Misra et al. Triterpenóides foram isolados de H. bicarpelar. 1. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. terpinen-4-ol. com espigas compostas. 1991). com dois óvulos em cada lóculo. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. corola com quatro lobos. descrito por Desf. (1982). cruzadas. O nome do gênero Pogostemon... O óleo essencial das partes aéreas de H. suaveolens possui setenta componentes. flores diclamídeas.8).8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). ovário supero. hermafroditas. sedativo e hipotensor. Existem. 1990). androceu com estames excertos. 1988. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. significa "estames barbados". predominantemente de sesquitepenos. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. sendo mais comuns o beta-cariofileno. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. três formando um lábio aberto. 2001 e 2002).. como beta- . Das folhas de H. alfa-bergamoteno. Uma outra análise do óleo essencial de H.

alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al.. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. 1988). 4. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. albida foram isoladas triterpenolactonas..elemeno. e de H. e de L. (1978) e Blounietal. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. De H. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al.. 1991). 1996). gama-terpineno. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. uma outra análise do óleo de H. 1987a). De H. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. (1980). Das folhas de H. umbrosa. 1990b). 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. ácido n-octacosanóico. 1990)... Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1988).. Porém.6.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. beta-cariofileno. timol. quercetina. Metil betulinato. mutabilis foram isolados triterpenos. Das raízes de L. sendo p-cimeno.. Das partes aéreas de H. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. 1990). 1990) e de H. .. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth.. 1988). salzmanii foram isolados diterpenos. ácido oleanólico acetato. 1989). Em H. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. campesterol. 1990). 1988). 1987). lignanas e flavononas (Messana et al. ácido ursólico.

Das partes aéreas de L.. mentona (24. Vaverkova et al. 1987). aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al.10%) e 1.. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. 1986 e 1987).80%). mentocubanona. 1996). 1987).7. fenilalanina.07%) e mentano (11. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. colesterol.. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. piperita var. 1986). T. Com isso. lanata foram isolados os aminoácidos histidina.64%).3'. flavonas himenoxina. De L. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al.. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. ácido aspártico. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. et al. officinalis. 1988). prolina. Das raízes de L. ácido glutâmico. glicina. 1990) e um composto fenólico (Misra. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. mentofurano (19. lisina. alanina. 1987). metil acetato (16.8-cineol (6. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. triptofano e metionina (Dinda et al. 5-hidroxi-6.. 1979).80%). hidroxiprolina. sendo os principais terpenos mentol. das partes aéreas de L. O óleo essencial de três variedades de M. A M. serina. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. mentona. 1987. Da espécie L. tirosina.. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. 1995). beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. Mentha A composição do óleo essencial de M. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. brassicasterol. treonina. N. 1996).Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- .. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet.84%).20%)..

posição de terpenos dessa espécie (Sacco. . betasitosterina. b-cariofileno.. Fe.. Mg. 1987). K.3'. 1986). De M. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. Foram ainda isolados mono. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa.8-cineol. luteolina e 5. nicotinamida. fenílico. a-terpineol e geraniol (Sacco et al.6. ácidos p-cumárico. Mg.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. Ca. Nas folhas de M. reduzindo significativamente a concentração de mentol. fitosterol. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. glicídios. cadideno. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. limoneno. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. catalase.8. 1989). Zi e Cu. 1992). 1990) e flavonóides glicorilados. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. 1988). 1.. vitaminas C e D2. caféico e clorogênico. como alfa-pineno.e sesquiterpenóides. peroxidases.7. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. Em Mentha viridis var. resinas.

e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. sendo 1.. 1996 e 1997a). cis-ocimeno. Borges et al. Na China. canum foram isolados diversos componentes. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. De O. 1989). Ocimum Do óleo essencial de O. . Do óleo essencial das folhas.. 1986. 1988). 1987. sendo eugenol. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. b-cariofileno. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. 1986.... 1996a). o óleo essencial apresentou 21 constituintes. Kartnig & Simon. linalol. hidrocarbonetos como p-cimeno. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. Khanna et al. 1996). t-bergamoteno. Phan et al.. Das sementes de O.cariofileno. eugenol.. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. 1990). 1990). o eugenol é o constituinte majoritário. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. 1. 1990). estragol e a-terpineol (Chalchat et al. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. Das folhas da O. 1987).. 1983). Em Cuba. Lawrence. 1988. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O.8-cineol.. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.. 1986. 1987... gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. flores e caule de O. gratissimum é composto de gamaterpineno.. Sharma et al. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. 1989).. De O. O óleo essencial de O. as folhas e flores de O. beta-cariofileno. 1981. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa.. eugenol. eugenol (Ekundayo et al. 1987).Patel et al.. micranthum foram isolados vinte compostos.8-cineol. Porém. Takahashi et al. 1986. 1997). já citados. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. 1986. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. basilicum (Brophy & Jogia. 1996).. 1981)... Sakurai et al. Nas folhas. O óleo essencial de O. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al.

. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag.. 1996). palmítico esteárico. linolênico e araquídico (Malik et al. b-sitosterol. basilicum foram isolados quercetina. triacontanol ferulato. 1989). 1. 1984). o óleo essencial de O. 1991).8cineol. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. oléico. além de ácido p-cumárico. 1. basilicum e O. sendo Metil chavicol.. 1990). A espécie O. ácido caféico.. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. Em O.. Fatope & Takeda. basilicum apresenta 44 compostos.O óleo essencial de O. De O. 1987). ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . Murugesan & Damodaran. mirístico. esculina (Skaltsa & Philianos. Thoppil. kaempferol. Ekundayo et al. sendo. na Turquia. 1. ácidos orgânicos.8cineol e eugenol. nesse caso. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. sanctum possui estigmasterol. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. linoléico. rubrum foram isolados borneol. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. 1986. 1996). eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al.. 1987).. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. eriodictiol. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. alcoóis. 1978). fenóis.. 1989). Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. já comentados (Modawi et al. 1990. rutina. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. cetonas. linalol. 1987. 1995). Das sementes de O. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. timol. além de metilchavicol. No Paquistão. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. 1989). Das flores de O. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. sabineno e eugenol (Retamar et al.. quercetin-3-O-diglucosídeo. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. láurico. isoquercitrina. 1988). kaempferol-3-O-rutinosídeo.. 1996). esculetina. 1994). terpenos. 1985.. A casca do caule de O.. Das folhas de O. 1995). 1995).

viride (Ekundayo. flavonas.. cablin (Akhila . 1984) e grandes quantidades de timol em O. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1985).. lactonas sesquiterpenóides de P. parviflorus (Nanda et al. 1984).Além desses compostos. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. flavonas (Patwarphan & Gupta. 1981). 1986). hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. Pogostemon As folhas de P. Foram isolados de P purpurascens.

além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1988.. Silva et al.. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. 1989). analgésica (Freitas et al. Do óleo essencial das folhas de P. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. H. Foram identificados n-octacosanol... O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. 1988). Munck & Croteau. plectranthoides (Esvandzhiya et al. auricularis (Prakash et al. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.. 1998).. 1997). comumente utilizada como calmante. 1998) e atóxica (Junior et al. crenata. Em H. 2001).. 1977. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. plectranthoides foram investigados experimentalmente. ovalifolia e H. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. pectinata (Bispo et al. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. garwal et al. 1990). 1971).. C.. P.. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H.. também conhecido como Sambacaitá. . cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. Em H. Coelho et al.. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. 1988).. Thapa et al.& Nigan. 1990). betasitosterol. 1987.. 1987. 1984).. estigmasterol.. 1994. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. mutabilis. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. 1998). Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. suaveolens e H. suaveolens apresenta 32 terpenóides. a-bulneseno. 1998). O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa.. Phadnis et al. H. atrorubens. 1989). beta-amirina. O óleo essencial de H. F et al... 1984.. umbrosa. 1990).. et al. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. saxatilis (Fernandes.

.. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi.. Do extrato metanólico de H. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. Coelho et al.. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. capitata foi isolado o ácido ursólico. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. Di . 1988). 1988). 1988).As propriedades antibacterianas.. 1979). O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. do extrato de H. 1988. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. conhecido como Cordão-de-frade. ramos e flores de H. que foram testados quanto à sua citotoxicidade... 1995)... 1976. 1988. 1985. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. Mentha O infuso das folhas de M. anti-hipertensiva e espasmolítica. verticillata. 1988). 1980. nepetaefolia. 1988). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1995. Leonotis Em L.. Posteriormente. Calixto et al. Diterpenóides isolados de H. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. Forster et al. e Novelo et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. 1995). 2002). 2002).. 1993) foram atribuídas a H.. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 1984). 1988). leonurus (Bienvenu et al. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. antimicrobiana (Cos et al. foram detectadas as atividades broncodilatadora. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. enquanto extratos de folhas.. Saksena & Saksena.. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica.

sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória.. Além das atividades já relatadas com M. cordifolia (Villasenor et al. antibacteriana. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. crispa (Mello et ai. 1986c) e em O. basilicum demonstraram atividades analgésica. antiespasmódica (Di Stasi et ai. enquanto estudos com O. Queiroz & Brandão. 1993. O óleo essencial de O. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. A. 1989). 1986a. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 1987). piperita (Ansari et al. 2001 e 2002). A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 1986a.. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 1998). Sharma & Jocob. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M... 1982... Chen et al. 1986b).. 2002. et ai.Stasi et al. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai.. Almeida et ai. 2000).. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Em O. 1986a).. 1986). (1968). determinaram-se propriedades fungicida. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. 2002). 1988. americanus (Jain & Agrawal. sanctum (Phadke & Kulkarni.. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. 1981). Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. Lahlou et ai.. Do híbrido. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. 1984). também verificada com extratos de O. piperita. antifertilidade. Extratos brutos de O. Queiroz & Reis. cannum (Dubey et ai. 1987b). 1987. espasmolítica (Queiroz & Reis. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1978) e O. .. arvensis (Ceruti et al. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. utilizando-se M. 2002).. Queiroz & Brandão. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. R... O. 1986). gratissimum (Atai et ai. 1989). micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. sanctum (Dey & Choudhuri. 2002).

1986). O óleo essencial de O.. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi.. O. 1990). 1995). Vanderlinde et al. et ai.. Das folhas de O.. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1994b. 1994). sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. suave (Tan et al. basilicum (Dube et al... A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. E. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. As folhas de O. mas a administração de O. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. gratissimum (Sobti et al.O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio.. Nakamura et ai.. 1989). 1992.. Vanderlinde et al. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. 1986). A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. 1994a). 1994. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 1995) e O. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. O óleo essencial de O. 1986). Das folhas de O. 1996). 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 1992. Vanderlinde et al. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. antiinflamatória. que apresentou atividade protetora do mastócito. 1997). 1989)... selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. Extrato etanólico das folhas de O. . enquanto a O.. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. 2002). 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. o ácido ursólico. O óleo essencial de O. 1996). Vanderlinde et al. 1994). 1999. Vanisree & Devaki. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. 2001). suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1993. Os óleos fixos de O.... adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al..

especialmente da América do Sul (Mabberley. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Stachytarpheta e Lippia. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. provocando sonolência. quadrangulares. como Erva-cidreira-do-campo. Compreendem árvores. arbustos e ervas.) N. Salva-brava. pubescentes.E. 1997). Alecrim-docampo.Br. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. caule e ramos primários. 1986). Salva-limão. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. Salsa. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. folhas pecioladas. alternas ou opostas . A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Sálvia e Salva-da-gripe. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. 1995). e em outras.5 ml/kg. sobretudo em crianças. ascendentes. longos. 1984).

além de problemas do estômago. no Rio Grande do Sul (Simões et al. pentâmeras. 1984). flores pequenas. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. hermafroditas. flores pequenas. folhas pecioladas. cólica do estômago. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. membranoso.(às vezes na mesma planta). diclamídeas. 1980). relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. pubescente e bipartido. 1980). estomáquica. no Pará. 1988). Salva. náuseas. Malva e Nulva-do-marajó. como antigripal e calmante. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. tosses e gripes. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. na Paraíba (Agra. 1986). fruto do tipo capsular branco. fruto com dois mericarpos plano- . emenagoga (Corrêa. cálice curto. Lippia grandís Schan. reunidas em inflorescências capituliformes. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. sementes pequenas (Figura 26. o chá das folhas é utilizado como calmante. Dados botânicos Planta de pequeno porte. cálice curto. o chá das folhas é utilizado como calmante. reunidas em inflorescências vistosas. relaxante e contra intoxicações gerais. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. corola bilabiada. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Essa espécie é usada como antiespasmódica. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão.. Na região do Vale do Ribeira. sem estipulas.9). no Mato Grosso (Van der Berg.

dulcis (Bubnov & Gurskii.. alfa-cubebeno. 1980). o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá.. é usado contra problemas do fígado. Souto-Bachiller et al. acacetina. timol. (1986 e 1987). broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. lapachenol.. 1982). e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al.. 1981). Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. mirceno.. Sauerwein et al. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1987. o chá das folhas. 1996). Matos et al. esteárico. 1987). Hernandulcina. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. araquídico. 1981). 1987). americana foram obtidos ácidos graxos livres... Já de L. três vezes ao dia. No óleo essencial de L. Craveiro et al. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina.. Da espécie L. behênico e lignocérico (Macambira et al. gama-terpineno. 1991. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. ukambensis (Chogo & Crank. a mais estudada é a L sidoides. As espécies L. betacariofileno (Craveiro et al. naringenina. citral e carvona (Matos et al. 1986. p-cinieno. Vários terpenóides foram isolados de L. Da parte aérea de L. 1987). 1983). Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. 1986. (1981). carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . 1996a e 1996b). canescens e I. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. e do caule e folhas foram obtidos ácido .. limoneno.. timol.convexos.. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. geranial. monoterpenos.vanílico.

1990). quatro alcanos.. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora.8-cineol (2..54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. luteolin-7-O-beta-glucosídeo.. 1994 e 1995). limoneno. 1996b). Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. alba e L.l. 1989)..97%) como principais componentes (Mwangi et al.8-cineol. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. . 1987). germacreno D e elemol (Koumaglo et al.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. crisoeriol. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. Das partes aéreas e das raízes de L. A composição química do óleo essencial de L. 1990). dois fenóis e uma cetona (Pino et al.. 1996a). alfa-terpineno (4.. 1. Das folhas e flores de L. p-cimeno (3. dos quais foram identificados piperitona (28. 1987). 1989). As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.. sabineno. Do óleo das folhas de L. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. timol. wilmsii foram isolados quinze componentes.. sendo 22 hidrocarbonetos. hispidulina. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. alfa. 1. quatro éteres. p-cimeno. graveolens foram isolados pinocembrina.27%). Das folhas de L. Dentre os compostos isolados. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. a-pineno.8-cineol. 6-hidroxiluteolina. acetato de timol (17. luteolina.67%)..8-cineol. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. Fun et al.23%) e metiltimol (2. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L.origanoides foi quantificada..8-cineol (15. timol. 1991 e 1995). neral. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. 1. 1.35%).espécies de L. Os constituintes p-cimeno. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. cirsimaritina. 1989).5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. 1.e beta-pineno. 1990. apigenina..33%). graveolens. diosmetina. eupafolina.12%).01%) ecariofileno (15. eupatorina.43%) e piperitenona (11. 1988). pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. De L. O óleo essencial de L. fissicalyx (Retamar et al. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina.

. o verbascosídeo. L.. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. 1996).. L.. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. et al. um éster do ácido caféico ligado ao 3. junelliana. antiulcerogênica (Pascual et al. 1980). Já o óleo essencial de L. sidoides mostrou atividade moluscicida. et al. enquanto o outro componente.carvacrol. além de uma atividade moluscicida (Almeida. 1998). 1990). 1998). efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.. aristata (Rouquayrol et al. turbinata e L. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. Do óleo das flores de L. assim como o de L. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. lipifolil(6)-en-5-ona (18. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. 2002).. 1996).. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1979). integrifolia foram isolados da cânfora (18.9%) elimoneno (13.2% e 41.. atribuída à presença de flavonóides (Santos. mircenona (31%) e de L.. multiflora. 1990). integrifolia e L. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. 1981). um dos componentes principais. M.... e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. 1980). 1996). respectivamente). polystachya foram isolados tujona (30. 1987).3%) (Zygadloet al. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. 2000). Do extrato das folhas de L.. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. Esse óleo.. polystachya... atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. aristata (Moraes Filho et al.. Com a espécie L. Observou-se ainda atividade antitumoral com L.. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. Vale et al. 1995a). as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al.. 1998. 1986).4%. Além disso. Moraes et al.Y. 1980 e 1987. 1988a).4- .. de L. contribui para a coesão das células da pele. 1997). Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. e atividade anticonvulsivante (Vale et al.. grata (Viana et al. misturado a cremes..5%). De L. P D. junelliana.

2001). 1985). Almeida. anestésica (Viana et al. 1996. 1988. moluscicida (Moraes.... no qual se observaram atividades analgésica.... multiflora (Chanh et al. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. atividades cicatrizante. . 1995). antifúngica (Lemos et al. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al.. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1978.. et al. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L.. apresentaram atividades antibacteriana. 1996). M. 1998). M.. 1996. S. et al.. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. e o de L. grata. 1995b). nodiflora foi realizado um screening preliminar. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante.. Laxoste et al. geminata e L. e no óleo essencial.. 1994.. 1994. et al. O.... porém. et al. timol e carvacrol. Moraes. 1984). sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. 1996). 1992).. Teixeira et al. Viana et al. anti-hipertensiva. Os principais componentes do seu óleo essencial. 1978).. 1986). graciliy (Fontenele et al.. Nas folhas de L. 1980)... O óleo essencial das folhas de L. M. 1995. 1978). hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. R. 1988. 1980. Nunes. O. 1978). parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L.. sidoides (Fonteneles & Sales. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. 1979. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. tranqüilizante (Matos et al. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1998). Teixeira.. Lacotes et al.. 1988b). L. Ximenes et al. 1979) e I. O óleo essencial de L.. 1977). hipnótica e hipotensora (Noamesi. 1988). 1992.. 1979). Menezes et al. espasmolítica (Viana et al. Botelho & Soares. 1980.dihidroxifeniletanol. Matos et al. Y.. antibacteriana (Aguiar et al. Além disso. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida.

1 .FIGURA 26. .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). b) escanerata com detalhe da inflorescência.

FIGURA 26. 1998). Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. .2 .Hyptis crenata.

FIGURA 26. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leonotis nepetaefolia.3 .

Leucas martinicensis. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .4 .FIGURA 26.

Mentha piperita.5 .FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .Mentha viridis.FIGURA 26.

FIGURA 26.Ocimum micranthum. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .

FIGURA 26.8 .Pogostemon patchouly. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

9 .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .

1997). Bignoniaceae. Mabberley. C. Scrophulariaceae. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. com aproximadamente 750 espécies. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas.27 Scrophulariales medicinais C. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Os gêneros mais importantes da . representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. e reúne 120 gêneros. lianas. as quais passamos a descrever. 1998. No estudo realizado. subclasse Asteridae. arbustos e raramente ervas (Joly. incluindo árvores. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. Hiruma-Lima L. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. pertence à ordem Scrophulariales. A. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae).

de ramos cilíndricos e glabros. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". Em outras regiões do país. anteras glabras e ovário oblongo. No Brasil. o que gera o nome popular atribuído à espécie. fruto do tipo capsular largo. curto-pecioladas. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. que inclui os Ipês e o Paud'arco. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. com ampla distribuição nas regiões tropicais. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. Jacaranda caroba. os gêneros mais comuns são Tabebuia.1). da famosa Flor-de-são-joão. uma delas. é descrita aqui. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. e as várias espécies do gênero Zeyhera. . duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. oblongo-linear.família. Pyrostegia. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. elípticos e coriáceos. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. as quais são discutidas a seguir. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. também é conhecida como Cipó-de-alho. com gavinhas. são Tabebuia e jacaranda. Na região da Mata Atlântica. contendo sementes oblongas (Figura 27. folhas normalmente 2-3-folioladas. com folíolos peciolados.

O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Carobado-carrasco. Jacaranda caroba (Vell. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Caroba-miúda. coriáceos e glabros. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. roxas. dispostas em panículas. flores tubulosas. Camboté. por ser mole e porosa. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. sendo amplamente usada como ornamental. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. não completamente identificada e conhecida como . fruto do tipo capsular. Camboatá-pequeno. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Caroba-do-campo. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados.) DC. Uma outra espécie do mesmo gênero.

as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. .2). inflorescências numerosas. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. especialmente em crianças. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. longas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas.5 cm de largura (Figura 27. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. adstringente e anti-sifilítica. sítios e quintais de residências. Segundo Corrêa (1984). O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. podendo ocorrer com flores amarelas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. amplamente encontrada em campos. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. ou seja /'coberta de fogo". deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". especialmente no Dia de São João. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). de cor laranja. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. descrito por Carel Borinov Presl.Carobinha. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. com ramos jovens delgados e folhagem densa. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Trata-se de uma espécie heliófita. É muito comum no Brasil. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. repletos de flores tubulares.5 cm de largura. O nome do gênero Pyrostegia. como corimbos multiflorais. raramente encontrada no interior de matas densas. folhas com folíolos ovadooblongos.

1992).. 1994). No Brasil. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. A espécie J. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. Foi detectada na flor de P... Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. Espécies medicinais Sesamum indicum L. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. venusta a presença de aminoácidos. 1976 e 1977). O extrato etanólico da espécie A. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu.. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. 1996). . mas apenas cultivada. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. A espécie J. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. sendo a maioria de ervas ou arbustos.. especialmente a espécie Sesamum indicum. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. acorendico presente na planta (Oguro et al. a família não é encontrada de forma espontânea. 1999). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. 1995). 1996).

externamente. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. contra hemorróidas (Bown. abortiva e anti-reumática e. tosses secas. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante.Dados botânicos A planta é uma erva anual. além de seu uso na culinária.. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente.. 1995). Nas sementes de S. para alívio da dor de ouvido. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas simples. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. para tratar constipação nasal crônica. disenteria e catarro intestinal.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. sesamolina (Mimura et al.. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. dores de cabeça. 1995). e sobre as pernas para tratar paralisia. flores amarelas. Tashiro et al. externamente. inteiras e pubescentes. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. 2001). indicum foi caracterizada a presença de . episesaminona (Marchand et al. 1990). 1997).. com origem na Ásia tropical ou na África. diarréias. para evitar perda de cabelos. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. visão fraca. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. osteoporose. 1997). fruto do tipo capsular. clorosesamona hidroxisesamona é 2. O óleo de gergelim. distúrbios renais. vistosas. com muitas sementes oleosas. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. no Egito e na Babilônia (Bown. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. 1988. opostas. e.

albumina. 2000 e 2001). indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. indicum detectaram a presença de glicolipídios. bem como três novos triglicosídeos. indicum L. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. sesamina Do extrato aquoso de S.. (Kar & Mishra. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 1991). prolamina. 1989.. ácidos graxos. 1993). Mimura. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. . 1994). Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. 1988). globulina.2000). A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. glutelina (Singh & Khanna. Nas raízes de S. 1996). gama-tocoferol e sesamolina.

dessa forma. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. alatum. 1992).Duas lignanas furânicas. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. Da parte aérea de S.. 1988. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. além de verbascosídeo.. . foram isoladas das sementes de S. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura.. respectivamente (Kang et al.. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 1991). indicum (Takswchi et ai. indicum e S. 1994). 1997). Tashiro et al. 2001). Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. O extrato de S.. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. alatosídeo A-C. 1995). angolense. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. e. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal.. 1992). 1992). 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. rengiol e isorengiol (Pottrat et al.. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. protegendo-o contra danos oxidativos. sesamolina (Mimura et al. 1991). Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias... 2002). em altas doses. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. dois derivados do ciclohexiletanol. 1990) e sesangolina.

em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. axilares. 1997). especialmente dos gêneros Antirrhinum. nos quais estão distribuídas 5. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. Pupeiçava. Scobedia. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. bilabiada. . com corola rotácea. purpurea e D. arbustos e ervas.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. No Brasil. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. hermafroditas. Tupixaba. Ganha-aqui-ganha-acolá. Outros nome são Vassourinha. Calceolaria e Maurandia. Vassoura. bicarpelar. ovário supero. algumas aquáticas (Mabberley. pequenas. incluindo árvores. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. tais como Digitalis. Nomes populares Na região amazônica. crenadas e glabras. lanata. aqui descrito como medicinal. flores brancas. Tapixaba. das famosas D. quatro estames didínamos. Vassourinha-de-botão. Veronica. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. no Pará. Verbascum e Wightia. opostas. popularmente conhecido como Vassoura.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. ovaldolanceoladas. pentâmeras. Esterhazia. Coerana-branca.

menstruais. o chá é preparado.. 1990). 1988). febrífuga. hipotensiva. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. Coimbra. bronquite. Já entre os ticunas. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. O nome do gênero. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Matos. emoliente. 1994. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al.. febre. tosse. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. 1993. 1982). 1986). Grandi & Siqueira. 1982. 1996). problemas cardíacos. Scoparia. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. também.. malária. hepáticas e estomacais. 1994. além de ser considerada tônica. tosse. por causa do seu emprego. para lavar feridas (Branch & da Silva. e utilizada contra desordens respiratórias. Verardo. desordens menstruais. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. essa espécie também é considerada emoliente. 1995). picada de mosquito. pectoral. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. antidiabética e contra afecções catarrais. 1987). 1984).bilocular. 1982. erisipela e afecções cutâneas. peitoral. Cruz. com todas as partes da planta. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. . 1988. bronquite. No Brasil. Em Minas Gerais. 1983). Grandi et al. especialmente na Floresta Amazônica. é utilizada como anti-hemorroidal. e as folhas. para melhorar o estado geral do indivíduo. 1990). Encontrada em abundância na América do Sul. Nas tribos indígenas do Equador.. brotoejas. 1990). No Rio Grande do Sul. No Pará. diabetes e hipertensão (De Almeida. com muitos óvulos (Figura 27. 1980). Na Paraíba.. Coee et al. béquica. expectorante. significa "vassoura".. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. também. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. hipoglicemiante. o chá da planta é usado contra hemorróidas. 1982. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. doenças venéreas. coceiras. emoliente e béquica (Corrêa.3).

Hayashi et al. antibacteriana gram-positiva. manitol. 1990a e 1991). (1981). 1988. depressora do SNC..Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. gentísico. benzoxazolinona. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. apigenina. 1996b).. anti-herpética. antiespasmódica. 1987). Freire. antidiabética (Jain. iflainóico. 1987.. 1987 e 1988c). hipocolesterolêmica. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica.. 2001)... 1994. escopadulciol. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. beta-sitosterol. simpatomimética (Freire et al.. S. antiviral. Azevedo et al. 6-metoxibenzoxazolinona. 1990b). secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . 1991).. Dalla Torre et al. flavonas. S. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. dulcinol e ácidos dulcióico. betulínico... anti-séptica. 1993 e 1996) depressora (Freire. 1989. alfa-amirina. O..1988b). cumárico. Os ácidos escopadúlcico B. antifúngica. 1993 e 1996)... 1998).. Hayashi e al. 1996). Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. 1986 e 1988a. M. 1990). E. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. escutelareína. entre outros compostos (Kawasaki et al. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica.. acacetina.. hipertensiva (Freire et al. M. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. et al. 1997. cinarosídeo D. antiinflamatória (Freire et al. 1993 e 1996a). obtidos da espécie.. antiinflamatória. glutinol e acacetina (Hayashi et al. scopadulciol (Hayashi et al. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1985). sedativa e diurética (Ahmed et al. et al. (1979) e Mahato et al... 1990b). Também foi detectada a presença de glicosídeos. B e C (Kawasaki et al. expectorante e atóxica (Moura et al. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1988a e 1990c). Torres et al..

2002) e antitumoral (Nishino et al.. FIGURA 27. 1997a)..vidade antimalarial in vitro (Riel et al. 1993). Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.1 . Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1988b). porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.. 1997a e 1997b). 1978) (Banco de imagens - .Adenocalyma alliaceum..

FIGURA 27.Pyrostegia venusta. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .2 .

3 . Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 27.Scoparia dulcis. 1946) (Banco de imagens - .

1997).528 gêneros. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . Santos E. que passamos a descrever a seguir. M. C. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta.Ivan Martinov.750 espécies cosmopolitas. M. Trata-se de uma grande ordem. herbáceas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Di Stasi C. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Hiruma-Lima C. encontradas em todo o planeta. exceto na Antártida (Mabberley. arbóreas.28 Asterales medicinais L. trepadeiras e ervas. A. com aproximadamente 22. Inclui espécies arbustivas. Essa família compreende 1. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. Os gêneros estão distri- . Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas.

Nesse contexto. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Zinnia. Gnaphalium e Achyrocline. Calendula. o Mentrasto. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Calea. • Asteroideae Inula (Inuleae). conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Novalgina e Anador. Ageratum. das quais se destaca a Baccharis trimera. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Wedelia. Tanacetum. Arnica e Tagetes (Helenieae). a Camomila. do gênero Mikania. Aster. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos.buídos em três grandes subfamílias. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Calendula (Calenduleae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). Mikania. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Matricaria chamomila. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Lactuca. gênero da famosa Calêndula. Semeio e Emilia (Senecioneae). Saussurea e Echinopis (Cardueae). as várias espécies de Artemisia. Galinsoga. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). e inúmeras plantas de . Achillea e Santolina (Anthemideae). Achillea millefolium. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Artemisia. do gênero Arnica. a famosa Arnica. Calendula officinalis. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Ageratum conyzoides. Baccharis e Solidago (Astereae). Matricaria. as importantes Carquejas. tais como inúmeras Vernonia. especialmente a Mikania glomerata. várias espécies do gênero Bidens. conhecida como Mil-folhas. com ampla distribuição no território brasileiro. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna.

rasteira. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais.1). Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. Na região do Vale do Ribeira. com borda irregularmente serreada. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". como cicatrizante. internamente. em Minas Gerais.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. amplamente usadas na medicina popular. curto-pecioladas. Dados botânicos Planta anual. apenas masculinas. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. externamente. .pequeno porte do gênero Eupatorium. oblongo lanceoladas. a decocção das folhas é usada. inteiras. como antiinflamatório e. de ápice e base agudas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. caule comprimido e denso-piloso. ereta ou prostrada. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. onde foram incorporadas na medicina tradicional. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. folhas simples. flores unissexuais e marginais. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. de pequeno porte. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. Em outras regiões do país. opostas. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28.

Aquiléia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. hermafroditas. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. gripes e distúrbios do estômago. como contraceptivo feminino (Mabberley. com caules ramosos. Milefólio e Mil-em-rama. 1982) e. digestivo. rizomatosa. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. sendo as marginais femininas e brancas. hemorroidais e pulmonares. além de ser anti-helmíntica. agindo ainda como antiespasmódico. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). flores dimorfas. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al.. . com até 60 cm de altura. glabra. contendo folhas oblongolanceoladas. Em outras regiões do país. raras são nativas das Américas. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. no Uruguai. e as centrais. dor de cabeça e dores gerais. Dados botânicos A planta é uma erva perene. a espécie é chamada de Novalgina. amarelas e tubulosas. 1997). reunidas em capítulos corimbosos.

com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. Catingade-barão. a espécie é chamada de Mentrasto. carminativa. útil contra resfriados. com folhas opostas. e o nome do gênero. flores brancas ou lilases.2). pilosa e ramosa. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. ovadas. . É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. Erva-de-são-joão e Maria-preta. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. além de indicada para aliviar náuseas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. anti-reumática. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Carqueja. Ageratum. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. Em outras regiões do país. crenadas. Baccharis trimera (Lers) DC. anti-reumático e contra cólicas menstruais. antidiarréica. significa "o que não envelhece". mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. febrífuga. amenorréia e gonorréia. tônica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. é conhecida ainda como Catinga-de-bode.Ageratum conyzoides L. cólicas flatulentas e uterinas. com até 1 m de altura. pecioladas. mucilaginosa.

O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. tais como Cuambu. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". Erva-picão. com ampla distribuição na América do Sul. Carrapicho-de-agulha. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. hipertensão. Picão-do-campo. o deus Baco do vinho. Erva-picão e Pau-pau. diurético e contra distúrbios renais. Pirco. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. . a decocção das folhas é usada como analgésico. anti-helmíntico. Aceitilla. Piolho-de-padre. fruto do tipo aquênio (Figura 28. estomacais e intestinais. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Espinho-de-agulha. anti-reumático. bem como em vários Estados brasileiros. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Amor-seco.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Carrapicho-de-cavalo. estomáquico. entre outras (Corrêa. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Macela-do-campo. como Picão-preto. podendo atingir até 1 m de altura. Carrapicho-deduas-pontas. a planta é usada como tônico. Goambu.3). Carrapicho. (Bidens pilosa L. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. 1926). inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. derrame cerebral e diabetes. Em outras regiões do país. Bidens bipinnatus L. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.

O nome. disenteria. 1994). 1993. diurética. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. capítulos pleiomorfos. 1990. diabetes. Duke et ai. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. . 1992. Na medicina tradicional peruana. utilizada especialmente contra icterícia. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. desordens hepáticas.. referindo-se às aristas do papilho. pecioladas e fendidas. adstringente e considerada útil contra icterícia. antileucorréica. dores de cabeça e de dentes (De Feo. edema. antiblenorrágica.Dados botânicos Planta de pequeno porte. a espécie também é referida como emoliente. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. No Leste da África. com cálice modificado. No Brasil. 1996). 1990). A planta é considerada estimulante. vermífuga e vulnerária. Vasquez. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. micoses. glabra. ramosa. 1984). diurético e contra hepatite. ereta. significa "dois dentes". simples. conjuntivite. diabetes e inflamações (Corrêa. infecções urinárias (Mejia & Reng. laringite. Bidens. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. Coimbra.4).. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. 1962). leucorréia. com até 1 m de altura. antiescorbútica. desobstruente. pentâmeras. 1995). a espécie é usada como antiinflamatório. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. folhas opostas. 1994). bem como no combate a dores em geral Jager et al. hepatite. antidisentérica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com flores radiais liguladas. sialagoga. dismenorréia.

Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . especialmente do fígado.Eupatorium ayapana Veuten. digestivo. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. empregado externamente na forma de banho. antidiarréico e antidisentérico.ambas não identificadas . estimulante.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. visto a grande semelhança entre elas.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. acuminadas. fruto do tipo aquênio alongado. sudorífico. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. triplinervadas. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. mas são comuns outras denominações. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado.5). de caule ereto. enquanto o sumo das folhas frescas. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). cólera. Dados botânicos Erva bastante delicada. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. a espécie possui vários usos das folhas. androceu com anteras levemente sagitadas. . Aiapana. estriado e diminuto. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. corola com tubo interno glabro. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. angina. Em outras regiões do Brasil. Japana-roxa e Erva-de-cobra. folhas opostas. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. flores (20 a 30) azuis. e contra malária. Japana-branca. como Iapana. 1984). como tônico. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. estomáquico. lanceoladas. ferrugíneo e glabro. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. anguloso.

O nome significa "feltro". com caules contendo folhas elípticas e obovadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Macela. assim como em todo o Brasil. . dores de barriga e outros distúrbios intestinais. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. de ocorrência nas Américas . O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. a infusão das folhas é usada contra diarréia. com ápice arredondado.e com raras espécies na América do Sul. capítulos pequenos e reunidos. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Arnica. Solidago microglossa DC. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. serradas. pequenas. referindo-se ao tomento das folhas. folhas oblongas.especialmente na América do Norte . O nome do gênero significa "o que é firme". que formam uma inflorescência cilíndrica. podendo atingir até 1 m de altura. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. flores amarelas.

com corola curva. batidas. Mastruço e Agrião-do-norte. membranosas. Dados botânicos Planta herbácea. Essa planta é utilizada como estomáquica. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. ovadas. descrito por Nicolaus von Jacquim. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. entretanto. vários outros nomes são usados. picadas de insetos e infecções. fruto do tipo aquênio.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. não alado. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. . Abecedária. Jambuaçu. agudas. Spilanthes acmella Rich. longo-pecioladas. com folhas opostas. tais como Agrião-do-pará. Botão-de-ouro.6). misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. que tem mancha escura sobre a lígula. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. Agriãobravo. Agrião-do-brasil. cálculos da bexiga e dores de dente. Spilanthes. o preparado com folhas de arruda. o chá das folhas. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. comprimido com papilho aristado. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. flores amarelas. O nome do gênero. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. significa "flor com mancha".

emenagoga. desinfetante e antiasmática. Cravo-africano e Tagetes. antigripal. Cravinho. narcótica. Outras espécies do gênero. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. a S. cicatrizante. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. com muitos ramos. 1997). A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. tosse e resfriado. está muito bem aclimatada no Brasil. Cravo-de-tufo. e indicada contra problemas hepáticos. digestiva. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. opostas ou alternas. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. também são usadas como medicinais. são partidas e aromáticas. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. minuta. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. 1988). atingindo de 60 a 90 cm de altura. patula e T. divindade etrúria representada como um belo jovem. tais como T. 1980).1982). O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". T. em Brasília (Matos & Das Graças. considerada carminativa. antiespasmódica. e seu nome vem de Tages. Na Colômbia. abortiva. no Pará (Amorozo & Gély. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. sendo também comumente chamada de Cravo. febrífuga. Amorozo & Gély (1988) referem que o . as folhas. bronquite. lucida. Originária do México.

o chá das folhas e flores. . bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. as flores possuem várias cores. Originária do México. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. resfriados. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. para tratar "doença que deixa o queixo duro". australe. cordiformes. anteras amarelas e estigmas vermelhos. Moça-e-velha e Canela-de-velho. bronquites e tosses. Segundo Hoehne (1939). forte. pela abundância de flores. as folhas são ásperas. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. de Zinha ou Zínia.chá das folhas com alho é usado contra febres. rosas. opostas. incluindo brancas. arroxeadas e vermelhas. sésseis. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. Zinnia elegans Jacq.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. é amplamente usada no Brasil como ornamental. com caule ereto. na região de estudo. com uso freqüente contra dores reumáticas. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". Nomes populares A espécie é chamada. que atua como anti-helmíntico e sudorífico.

. 1978). 1986.. leucantha (Wat et ai.... diterpenos (Saleh et al... 1976). 1990). 1988a e 1988b.. 2001.. Sharma & Sharma. beta-guaieno. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1979). 1975) e monoterpenos (Orth et al.. pilosa ... Caffmi & Demolis. deterpenos. 1975).. tripartitus. gama-cadineno. flavonóides (Bohlmann et al. Gill et al.. saponinas e xantonas (Caetano et al. 1991).6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. 1981). 1992). monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al.. 1994). 1997). 1987). Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.7. millefolium também foram isolados ésterois. laevis e B... 2000). triterpenos (Chandler et al. glabratum (Saleh et al. catecolaminas... 1981. 1994 e 1984. 1984). alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1980. Das partes aéreas de A. timol. Christensen et al. 1987). 1979). monoterpenos. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al.4'-trihidroxi-3. 1979.beta-elemeno. limoneno. isocariofileno. alfa-felandreno.. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al.. De A. De A. 1975. 1994. De A. Nair et al. Hoffman & Hoelzl. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. B. 1977)... Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. Alvarez et al. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides... pilosa. germacreno A. terpenos (Verzan & El Sayed. 1976a e 1976b). B. Da espécie B. 2000). cumarinas. Herz & Kalyanaraman. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. Poliacetilenos. crisosfenol D. 2002. Gene et al. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. alfa-copaeno. beta-pineno. 1990. B. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. flavonóides (Shimizu et al. 1987. leucoantociandinas. Debenedetti et al. Hausen et al. bipinnatus. 1985. Achilea. cadineno. 1996. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. De Tommassi et al. flavonas. 1997). 1986.. Wang et al. 1987.. flavonas (Falk et al. beta-cariofileno. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. 1992b. delta-cadineno (De Marais et al.. Torres et al. alfahumuleno. Bohlmann et al.. Herz & Kalyanaraman. axilarina e 5..

. 1991). parviflora. cernuol.. 1997). Edgar et al. 1990). e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. E. 1990a e 1990b). maximowicziana. 1991) e E. 1992). Três poliacetilenos. salvia (Gonzalez et al. 1995). micranthum (Herz et al 1978). campylotheca (Bauer et al. adenophorum (Li et al.. 1985). 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. frondosa (Karikome et al. B. 1987. Pagani.japonicum.. 1994) e E. E. 1991. Poliacetilenos também foram isolados de B. 1987 e 1988). leucolepis (Herz & Palaniappan. 1986). odorata (Hai et al. 1993 e 1995). Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. bipinnatus (W B. littorale (Sato et al.foram ainda isolados inúmeros compostos. E. E. tinifolium (D'Agostinoetal.B.. 1995). ácido linoléico e linolênico. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. E. 1988. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. £. cannabinum (Stevens et al. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. rotundifolium (Hendriks et al. 1979). E.. 1990)... Liu et al. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. E. E. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1990). ternbergianum (D'Agostino et al. B.. E. eugenol.. 1997). E. B. glandulosum (Nair et al.. 1988c e 1988d).. 1987. E. 1997). erythropappum (Talapatra et al. ácido linoléico. dahlioides. E guayanum (Sagareishvili et al. pilosa (Zuleeta et al.. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. 1995) E. 1994). B. 1988b. . ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. 1985). radiata e B. frondosa. dois derivados tiofênicos.. B. 1988a. Wang et al. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. chinese (Zhao et al. E. tripartita (Isakova et al. 1992). E. 1982).fortunei. B. chrysoanthemoides. angustifolium (Mesquita et al. B.. subhastatum (Ferraro et al. tais como quatro auronas. 1981). 1992). portoricense (Wiedenfeld et al. ferulefolius. buniifolium (Muschietti et al. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. 1986). £. 1992). 1995). 1995) e £. tripartitus (Christensen et al. altissimum (D'Agostino et al..

1980). espilantol. fortuna (Haruna et al. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1987). E. estigmasterol. cannabinum (Zdero & Bohlmann. E. 1991). paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. 1994). adenophorum. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. De S. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha.Nas folhas de E. 1988a e 1988b). E. acmella L. E.. 1979).. mikanioides (Herz et al.. 1993). Ramsewak et al. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. 1996).. 1986). americana foram isolados monoterpenos. sesquiterpenos... recurvens (Herz et al. quadrangularae (Hubert et al. deltoideum (Quijano et al. 1987). compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. Diterpenóides foram isolados de E. limoneno.. Uma amida. E. 1986b). odoratum foram encontrados taninos. 1992b. 1977). E. p-cimeno. 1986). cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al.. odoratum (Talapatra et al. triterpenóides de E. E. . stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. altissimum (Jakupovic et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. laevigatum (Bauer et al. rufescens (Ruecker et al. 1987). 1990a e 1990b). fenóis e saponina. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. 1980) e E. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. entre outros (Nakatani & Nagashima. 1987). naginatacetona. Das partes aéreas de S. enquanto em E. Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. 1987). tinifolium (D'Agostino et al. laevigatum (Lopes et al. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. quadrangularis (Hubert et al. E. 1986). cânfora. entre outras espécies (Ding et al. sitosterol. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. e sesquiterpenóides de E. var. 1987). 1992a). cannabinum (Stefanovic et al. 1987) e E.. 1986)..fortunei (Haruna et al.. 1978). 1999). espilantol e três amidas foram isolados das flores de S.

T. 1987. 1990b). riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev... patula (Ivancheva & Zdravkova. 1991). tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 1990). No entanto. minuta e T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1988).. T. patuletina e muitos desses derivados. T.. que podem ser diferenciadas pela composição química. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. lucida (Hethelyi et al.. 1995). T multiflora (De-Israilev & Seeligmann.. minuta são ocimeno. Tosi et al. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1993). glandulifera) (Craveiro et al. 1987). As espécies T. 1993b). 1988). laxa (De-Israilev et al. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. 1985). bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos.. T microglossa (Castro. 1990a). patula. 1987). 1988). tais como quercetagetina. mendocina e T. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. campanulata.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. 1988a e 1988b). 1993). 1994) e T. argentina) foram identificados quatro tiofenos. 1988. T. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. 6-hidroxikaempferol. patuletrina e patuletina. Entretanto. pois somente T. 1987). Pe- . Ahmad et al.. T. Das raízes de T. como quercetagetina. Os monoterpenos descritos em T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes.. T. 1992). patula foram isolados tiofenos. T.. erecta e T. além de enxofre e fósforo. erecta (Singh et al.

1995).. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. Experimentos com A.. 1987). Em A.. 1995). As antocianinas das flores de Z. a A. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al.. Carvalho et al... Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1996) dessa espécie.. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. australe (Matsunaga et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. elegans indicou a presença de Cumarina. taninos. glicosídeos cardíacos. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. australe contra Plasmodium berghei em roedores. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al.. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1988). Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A.. 1988).. . Nascimento et al. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. patula foi detectada (Arroo et al.. 2002) e antifúngica (Portillo et al.. 2001).quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. 1988. 1997).5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. ocitocina. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 1991).. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 1980). indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. glabratum (Saleh et al. 1997). hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.

1987. Triterpenos. 1997). pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. 1949).. 1991). minor foi a mais . var. à presença de saponinas (Gene et al.. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. minor (Blume) Sherff. pilosa (Santos et al.. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al.. imunoestimulante (Ignácio et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al.. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. (1991). pilosa. N'Dounga et al.. 1969). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. presente em suas partes aéreas (Torres et al. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. como friedelina e friedelan-3. 1983). 1998b. B.-ol. 2000). e B. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al..Achila.. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 1985. Porém. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. 1980). Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. 1996). reduzindo a produção de prostaglandinas. pilosa L. as propriedades analgésica e antiinflamatória. 1987). Goldberg et al.. Extrato etanólico de B. possuem atividade antiinflamatória. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. mas Bidens pilosa var. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. Abena et al.. Bondarenko et al. além de vários flavonóides obtidos de B. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa.. As folhas de A. 2000). Bidens Experimentos com B. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B..

uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. tequendamense (Mantilla & Sanabria. 1997). E... Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. balantaefolium (Almeida & Fonteles. brevipes (Guerrero et al. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. 1994). sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. O extrato hexânico de B. 2002). consaguineum (Lopes et al. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos.. 1998 e 1999).. 1995 e 1996) e. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. mais recentemente. 1996). campylotheca apresentou. morifolium e E. 1988) e E. glyptophlebum.. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. 1986b).. pauciflorum (Giesbrecht et al. . e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. 1989). 1996). var. 1985). E. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. in vitro. E.. 1985). E. As folhas de E. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. 1985). 1995).. densum. minor e B. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. Um composto sesquiterpênico isolado de B. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. gracilae. somente os extratos de B. 1994. ou seja. A espécie B. E. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 1995).. E. pilosa L. 1997). pilosa L. 1986) e diurética (Rebuelta et al.. Eupatorium A espécie E. 1995). atidifolium e E. Para a espécie B. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. La Casa et al. 1977)..ativa.. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. Entretanto.. hipotensora (Dimo et al... potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase..

Piperidinas de E.. DNAse.. 1985. DNA e RNA de células tumorais. Herz & Palaniappan. (Giesbrecht et al.. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. Guerrero et al. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1998). fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al.1986). A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. flaccida. E. Eupatorium perfoliatum. E. 1986). Cáceres et al. odoratum (Iwu & Chiori. pauciflorum. 1990). 1995) e E. Inya-Agha et al. 1978). enquanto a espécie E.. halinfolium e E. proteínas. candolleanum (Campos et al.. 1991). assim como da atividade da RNA polimerase. 1988. 1988). 1990).. O extrato bruto aquoso de E.. 1995). 1990 e 1991).. Spilanthes Das folhas de S. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. 1995). 1991). cannabinum. O óleo essencial de E. 1984. 1986 e 1987. e de E. inulaefolium (Gorzalczany et al... Os extratos de E. hyssopifolium (Hall et al. 1989). 1996) e E... triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. 1991). brevipes e E. RNAse. Inibição da síntese de colesterol. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. riparium (Ratnayake-Bandara et al. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. squalidum (Carvalho et al. E. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1982a). odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al.. A. A. acmella foram isolados n-isobutil-4. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. ayapana (Gonçalves et al. 1992). porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. E.. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E.. Sesquiterpenóides isolados de E. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic..5-decadienamida. cannabinum (Bourrel et al. larvicida (Pitasawat . Achyrodine alata. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium.

et al. 1987. Em S. C.. e o extrato de S. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. O eugenol. bem como no consumo destas (Meckes et al. 1993.. RJ. J. 1995). 1984).. como no cravo-da-índia. 1993). presente em muitas espécies. folhas e flores de T.. 1988. 1992) e antitumoral (Moraes et al. et al. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1999). L. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante.. Camargo Neves et al. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena.. 1996). O extrato de S. Valderrama et al. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. 1986) e S. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais.. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. Souza. sendo os deri- . 1993). et al. 1995). 1992). oleracea (Herdy & Carvalho. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. usado como emenagogo.. Andrade.. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. 1990). 1992. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica... embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. antimicrobiana. sedativa. enquanto o extrato de S.. 1994). 1998) e espilantol.. F. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. in vitro. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al... que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. (Fabry et al.. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. mas não contra Candida sp. T. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. Em I minuta.et al. 1989).. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.

presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. Dentre outras espécies. D e F. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1992). 1995).. in vitro. 1991). além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. a atividade da ATPase. Do extrato de Z. 1996). 1995). 1994). .. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. coronopifolia e T. Os extratos hexânicos de T. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. 1987). que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. o óleo essencial de T. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. elegans L. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B..Ca2+ dependente e inibiu.vados tiofênicos os compostos ativos. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes.. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. Zinnia As sementes de Z. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. in vivo e in vitro. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al.. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. 1997). 1994). o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. lúcida estimulou discretamente. O extrato de T.. 1997). 1989). 1991)...

poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. australe durante o período de prenhez de ratas. Estudos com a espécie A. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. T. congestão do baço e coração.. adenophorum (Oelrichs et ai. et al. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. especialmente na fase jovem. S.. hemorragia. Segundo Hoehne (1939). Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E.. 1994). enquanto o extrato aquoso de S. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. V.. 1996 e 1997). A ingestão regular de E. fraqueza e debilidade dos membros. 1995). porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. a espécie E. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. 1990).Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. alopecia. Entretanto.. 1988). icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. et ai. 1978a e 1978b). 1995). dispnéia. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. australe são tóxicas para aves. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. especialmente . 1993). Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. no entanto.. M. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. Tremetona isolada de E. A. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. caracterizados por diarréia. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. As folhas de S.

A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. FIGURA 28. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil.como diurético e hipotensor. relaxante muscular e antineoplásica.1 . c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. b) detalhe da escanerata.

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 28.

b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.3 .

4 .Bidens bipinnatus. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.

FIGURA 28.5 .original).Eupatorium ayapana.: a) ramo florido (Di Stasi . 1998). . b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.

6 . 1984).Spilanthes acmella. .FIGURA 28. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

200 espécies vegetais cosmopolitas. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. e Gardenia.29 Rubiales medicinais L. importante fonte de espécies ornamentais. C. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. alguns deles de valor histórico. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. • Ixoroideae: Coffea. 1997). com representantes arbóreos. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. algumas espontâneas nas áreas tropicais. nos quais se distribuem mais de 10. . A. arbustivos. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. Coffea arábica. Desfontainiaceae e Rubiaceae. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). do famoso Cafeeiro. Gelsemiaceae. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. do famoso jenipapo brasileiro. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Genipa. Di Stasi C. como é o caso de Coffea e Cinchona.

estipulas não foliáceas.• Antirheoideae: Guettarda. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. muito comuns em terrenos baldios. 1997). muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. . simples. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. importante árvore. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. carnoso e drupáceo (Figura 29. Cephaelis da famosa C. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. folhas curto-pecioladas. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. especialmente na Amazônia. fruto indeiscente. com pêlos abaixo da inserção dos estames. Dados botânicos Pequeno arbusto. lanceoladas. Borreria e Dioidea. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. e Palicourea. bicarpelar. diclamídeas.1). fonte de emetina e outros constituintes de importância. • Rubioideae: Psychotria. flores hermafroditas. com espécies popularmente denominadas Poaia. ereto. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. com corola de base gibosa. ipecacuanha. inteira. Não foram encontrados sinônimos. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. ovário ínfero. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais.

. . o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. pecioladas. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. 1994). delgados. 1996. Palermo-Neto et al. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. inflorescência em panículas. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Hil. 1999). Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. 2001). sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. de onde partem folhas com venação tênue. E popularmente usada como medicamento. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. Nomes populares No Brasil todo. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. Stuart & Woo-Meng.. De-Moraes-Moreau et al.Palicourea marcgravii St. avermelhados. acuminadas. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". Além de alcolóide. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira.. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. (Kemmerling. frutos do tipo baga. 1995.. sobretudo na região amazônica. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela.5 m de altura.. 1989a). glabros. fendleri (Nakano & Martin. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. com ramos cilíndricos. marcgravii. de P. 1976). opostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. avermelhadas.

Além de fluoroacetato. espasmos musculares. 1986). os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. 1984a. 1988.. et al. 1989). 1989b. 1996)... FIGURA 29. comum em animais e rara na espécie humana. Das folhas de P. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes.. Tokarnia & Dobereiner.1 . contrações musculares. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. enquanto P. náuseas. 1982). convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. 1989. 1989). marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. e a intoxicação. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. 1995).Banco de imagens - . Gorniak et al.... A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. Palermo-Neto et al.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen.teratogênica (Costa. falta de coordenação motora. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. P. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . 1980) e convulsivante (Gorniak et al. Segundo Schvartsman (1979). vômitos. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação.Palicourea laniflora.. midríase e morte em bovinos (Costa et al. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. De-Moraes-Moreau et al.

das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. Lonicera. também utilizado como medicinal em todo o mundo. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. Os principais gêneros são Sambucus. . 1997). mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. 1978). Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. descrita a seguir. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. Viburnum. Di Stasi C.30 Dipsacales medicinais L. A. arbustos e lianas. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. No Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. C. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Abelia e Linnaea. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro.

O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira.Espécies medicinais Sambucus nigra L. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é considerada excelente diurético e sudorífico. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. Apresenta importante valor econômico. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. óleos e ungüentos. Floresce nos meses de julho a agosto. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". A espécie. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados.1). também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. . e possuem aroma muito agradável. considerada exótica nas Américas. usada internamente. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. além de flavorizantes em vinhos. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. Na região da Mata Atlântica. com ramos bastante lenhosos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. dispostas em um corimbo branco. no champanhe e no catchup. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. além de seu histórico uso medicinal. A infusão das folhas. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. as flores são brancas. gripes fortes e varicela.

Internamente. 1989b e 1989c). cianogeninas. diuréticas. a planta ainda é indicada contra influenza.. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. os ácidos graxos láurico.. sinusite. heptadecênico. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. sudoríficas. 1989a). Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. tetradecênico. S. lectinas das cascas (Shibuya et al. flavonóides. descrita no trabalho de Grieve (1994). além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. gripes. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. para pequenas queimaduras. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. reumatismo e febres. folhas. De S.. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. canadensis foi isolado o iridóide . 1989. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. lignanas. 1986).. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. racemosa e S. externamente. Kaku et al. 1988). erisipelas e queimaduras. 2001). Van Damme et al. 1990. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. catarros. nigra. oléico.. palmítico. casca e frutos são usados para diminuir febres. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. esteárico. mirístico.Bown (1995) refere que flores.

nigra. mexicana. 1997. australis. 1997). ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al.. Bojic & Cuperlovic. das folhas. Van Damme & Peumans. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F..... e Polygonum aviculare. Schoning.. 1995). 1997.. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. 1990). Prunus spinosa. canadensis (Buhrmester et al. apresentou atividades analgésica. De S. O reatival.. Salvia offtcinalis. 1996). Artemisia absinthium. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. O extrato hidroalcoólico de S. Sambucus nigra. 1986). antiinflamatória e antipirética. 1988). Com base nessa constatação. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al.. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. que possui atividade colerética (Takeda et al. Das cascas de S. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. .. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. De S. 1992b e 1992). sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. beta-amirina e o ácido oleanólico.morronisídeo (Jensen & Nielsen. 1987).. As lectinas de S. O extrato aquoso das folhas de S. 1994). 1989). e das raízes de S. indicado para hidropisia. 1997a e 1997b). 1997). 1980). 1997). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1996. Centaurium minus. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. conhecido como Sauco.. 2000). O extrato aquoso de S. 1974). os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. formosana foram isolados.

A espécie S.Sambucus nigra. 2000. Neto et al. 1999) e a espécie S. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. 2002).. .. FIGURA 30.1 . Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al.

Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. A maioria é nativa desse ecossistema. como é o caso do Alho (Allium sativum). Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. da Hortelã (Menthapiperita). das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Dessas 135 espécies medicinais. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. entre outros. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. . C. • 109 são usadas na Amazônica. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Mata Atlântica.Posfácio L.

Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. a Camomila (Matricaria chamamila). várias espécies amplamente conhecidas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. razão pela qual não foram incluídas no texto. a Mostarda (Brassica nigra). Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. o Mamão (Carica papaya). neste livro. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. Esse dado se torna mais importante porque. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Agrião (Nasturtium officinalis). e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. . podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. a Calêndula (Calendula officinalis). O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. apenas dezesseis são monocotiledôneas. ou seja. líquens. o Coentro (Coriandrum sativum). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. a Losna (Artemisia absinthium). a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). a Erva-doce (Pimpinela anisum). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. compreendidas em trinta diferentes ordens. 340 espécies.Dessas 135 espécies medicinais. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%).

como a de massa e a erudita. Sobre essas. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. pelos mais variados grupos de pesquisadores. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. Por isso. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. esse conhecimento se enriquece a cada dia. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. isto é. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. Finalmente. . para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. alcançando alto índice de citação. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. e que esse conhecimento seja recuperado. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente.

no segundo. Andróginas. Arista. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. o ciclo reprodutivo e depois morre. Hermafroditas. Bainha. Aguda. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Amplexicaule. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Axilar. Antera. folhas que envolvem o caule. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen.Glossário de termos botânicos. Fruto seco. Aquênio. Baga. Alternas. Que fica na axila. Excrescência da semente. . Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. os estames. Androceu. Anual. Acuminada. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Planta que nasce. Que abraça o caule. com dois sexos. Bianual. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Arilo. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. pelo lado interno. com uma única semente. indeiscente.

Dicotiledôneas. Pedúnculo geralmente sem folhas. Ex. Colmo. Cálice. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. com função de proteção. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. normalmente largo. Folha modificada que origina o gineceu. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. tornando-o alado. Escandente. Cada um dos apêndices. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Crenada. Diclamídea.Bráctea. que é o verticilo externo da flor. Cápsula. Endosperma. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Caduco. Estandarte. mas sempre terminando na mesma altura. Decumbentes. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Conjunto de pétalas. Escapo. Diz-se da flor. Planta trepadeira. Cariopse. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. seco e indeiscente. Fruto monospérmico. Estipula.: cana-de-açúcar. Fruto seco. Carpelo. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Camada externa do pericarpo. Conjunto de sépalas. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Qualquer órgão que cai em determinado período. . Com a forma de elipse. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. androceu ou planta que possui quatro estames. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Cuneiforme. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. em geral dois. Carena. Capítulo. Decorrente. Didínomo. dois mais altos e dois mais baixos. Pétala superior da corola papilionada. Epicarpo. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Deiscente. Na forma de cunha. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Corimbo. Que se abre. Drupa. Estilete. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Corola. deiscente. inseridas em um eixo comum. como o fruto das gramíneas. Elíptico. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido.

Estômato. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. que é ramificada igualmente em forma de pincel. Fasciculada. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. As flores podem ser dímeras. trímeras. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. que juntos constituem o perianto. Filete. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. pentâmeras etc. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Flores. Folha. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. e ao de pétalas. . Parte do estame que sustenta a antera. o de corola. As flores são estruturas de reprodução. complexas e variadas nas formas.

e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .

ou composta . que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. as folhas podem ser pecioladas ou não. Nesses casos. ou com o próprio caule. .quando consta somente uma lâmina . às vezes reduzidas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. às vezes numerosas. no caso das folhas compostas pinadas.quando se compõem de duas ou mais lâminas. recebendo o nome de folíolos (ou pinais). As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas.

Todas essas características.Finalmente. conforme se observa na figura a seguir. . as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. mais aquelas apresentadas para as flores. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação.

Infrutescência. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Que não se abre. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Porção alargada e achatada da folha. em linhas gerais. porém presentes na mesma planta. . Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Lobado. Planta que produz flores unissexuais. Indeiscente. Metaclamídeos.Folíolo. Gluma. Monocotiledôneas. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Monóica. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Hermafrodita. os carpelos. Desprovido de pêlos. Lanceolada. Lígula. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. deiscente. Inflorescência. Planta ou flor com dois sexos. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. e as principais são motivadas na próxima figura. Hirsuto. Oblonga. Diz-se da folha em forma de círculo. Glabro. Flor com apenas um invólucro no perianto. Folículo. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Lâmina. Provido de pêlos longos. Orbicular. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. mais longa que larga. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Gavinha. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Gineceu. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Monoclamídea. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. é constante para cada espécie vegetal. Lóculo. Fruto seco.

.. 1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.

isovalérico. Zigomorfa. dibásicos. Papilho. gasoso. Hidrocarboneto não saturado. Substâncias orgânicas. solúvel em água. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. incolor. Tomentoso. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Caule subterrâneo. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. dispostas circularmente. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. cáprico. fenólico e tartárico. Racemo. Pecíolo. Ácidos orgânicos. Ácido graxo. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Exemplos: ácidos acético. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. cerdas ou aristas. mirístico. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. com cheiro desagradável. Ácido. o mesmo que cacho. Verticilo. Qualquer estrutura provida de pêlos. . Rizoma. aromáticos etc. Cálice modificado em pêlos. palmítico. succínico. Termos químicos Acetileno. Pubescente. fórmico. Uncinada. característico da família Asteraceae (Compositae). nitrogenadas de origem vegetal. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. linoléico. araquídico. Perianto. Perene. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Conjunto formado por cálice e corola. Qualquer substância de sabor ácido. Receptáculo. oléico. esteárico. gálico. Ráquis. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Planta ou órgão denso. Podem ser monobásicos. Estruturas com simetria bilateral. Alcalóides. cujos pêlos se entrelaçam.Panícula. Séssil. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Conjunto de estruturas com a mesma função. Que forma gancho.

Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. timol. ou ligadas a açúcares (glicosídeos).Alcoóis. Compostos alifáticos. com caráter gelatinoso. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Ou hidrato de carbono. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Líquidos incolores. Exemplo: p-cimeno. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Ver esteróides. Cetonas. onde exerce importantes funções. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Compostos aromáticos. tais como os hormônios. amarelos e roxos. eugenol e hidroquinonas. vegetais e animais. . derivados do cicloperidrofenantreno. voláteis. Flavonóides. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Esteróides. Uma das substâncias constituintes do amido. Esterol. Cumarinas. Aldeído. Exemplos: carvacrol. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Carboidrato. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Catalase. Compostos orgânicos não-cíclicos. Compostos naturais ou artificiais. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Betaínas. Fenóis. encontrado nos organismos vivos. originam as flavononas. Fitosterol. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. estragol. como a quercetina. Aminoácidos. Flavonas. Amilopectina. São corantes vegetais. que exercem várias funções. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas).

liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Hormônio secretado pelo pâncreas. Glicídios. Mucilagens. Lignanas. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Peroxidase. Insaturados. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Heterosídeo. Líquido oleoso. oxidando outros compostos. . ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Peróxido. Hidrocarboneto. Compostos cíclicos. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. sofrem hidrólise. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Glicosídeos. geralmente de odor agradável. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Ligninas. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Compostos cíclicos. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Insulina. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Lipídios. Hidrolato. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Líquido incolor e aromático.Fosfolipídio. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Lactonas. pela ação de ácidos diluídos. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. recobrindo-as com uma camada protetora. Óleo essencial. derivados do fenilpropano. Substâncias que. Exemplos: digitoxina e estrofantina.

calvície. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. a sangue). Antibacteriano. Que suprime náuseas ou vômitos.Termos médicos Abortivo. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. involuntárias de músculos voluntários). doença sexualmente transmissível. de um músculo ou grupo de músculos). violenta. que prende. Amenorréia. Que reduz a capacidade de reprodução. Agrupamento. Antiespasmódico. Que aumenta ou excita o desejo sexual. que provoca constricção. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Anestésico. Que reduz ou suprime a dor. especialmente táctil e dolorosa. Antiescorbútico. Anemia. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Auticonvulsivante. Delírio. Queda dos cabelos. . Dor sufocante. Alopecia. que impede a formação de catarro. Analgésico. Afasia. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Expectorante. Acne. Anticatarral. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Antifúngico. podendo ser feminina ou masculina. Que combate fungos. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Antiblenorrógico. Que combate as convulsões (contrações violentas. Que aperta. Alucinação. Agregação. Capaz de promover expulsão do feto. Antidisentérico. ato ou efeito de desvariar. Tumor maligno com disposição glandular. Antigonorréico. Antifertilidade. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Falta de menstruação. aglomeração. Que combate a eliminação de muco. Afrodisíaco. Adenocarcinoma. às vezes. Antiemético. Antidiabético. antigonorréico. Angina. Adstringente. perda momentânea da razão. sufocação. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar).

especialmente bactérias. Cálculo. Redução ou perda de apetite.no. popularmente chamados de vermes dos intestinos. também chamada de paludismo. inatividade. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Anorexia. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Que combate a formação de tumor maligno. . Antivirótico. Que combate o reumatismo. falta de emoção. Apatia. Antitérmico. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Que combate a histeria. Que combate as doenças provocadas por vírus. putrefação ou contaminação microbiana. Béquico. Estado de indiferença. Antineoplásico. que serve para o tratamento da tosse. Anti-sifilítico. Antileucorréico. Anti-séptico ou Antisséptico. Antileprótico. insensibilidade. Antivenéreo. quase sempre transmitida por contato sexual. Brônquios. febre paludosa ou palustre. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Relativo à tosse. formada por sais minerais. nos rins e/ou na vesícula biliar. Que combate o corrimento vaginal simples. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Ataxia. desinfetante. Anti-reumático. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Que combate a sífilis. Que combate tumores. Que combate a lepra. Anti-hemorroidal. Antimicrobio. Que combate micróbios. Antiinflamatório. Antipruriginoso. Que impede a fermentação. em geral acompanhada por desordens na fala. Que combate as inflamações. Antimalárico. Anti-histérico. Que dilata os brônquios. Em geral se forma na bexiga. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. doença causada pelo Treponema pallidum. Antitumoral. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Que combate helmintos.Anti-helmíntico. Que faz baixar a temperatura. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antinociceptivo. Também denominado antipirético e febrífugo. Broncodilatador.

Emenagogo. Que alivia a distensão por gases. Que tem a propriedade de amolecer. Dispepsia. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. também. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Desobstruente. Eczema. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. purifica. Emoliente. Desinfetante. Que provoca vômito. Depressor. Emético. Infecção por bactérias. Constipação. Que favorece o fluxo biliar. Diaforético. do intestino. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. gripe. particularmente a pele inflamada e porções próximas. reduz a excitação.Carbúnculo. Colagogo. . Que deprime. Catártico. Indigestão. Respiração difícil. Cardiotônico. libera a passagem de um vaso ou canal. estimulante da transpiração. Que favorece ou provoca menstruação. muitas delas usadas para destruir células tumorais. que previne a invasão de microorganismos. Depurativo. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Prisão de ventre ou. Edema. acompanhada de náuseas. Congestão. Cicatrizante. caracterizado visualmente pelo inchaço. Disfagia. Citotóxico. dificuldade para respirar. reduz a força. Dermatite. Carminativo. Que limpa. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. enfraquece. Purgativo. Dispnéia. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. gripe comum. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Que favorece a secreção urinária. resfriado. do estômago etc. sensação de peso ou queimação no estômago. Diurético. Dificuldade na deglutição. que separa substâncias nocivas. Que desentope. crostas e secreção. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Sudorífico. que ativa a eliminação de bile. empachamento. Inflamação da pele. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares.

Ictericia. pigmentação amarela generalizada da pele. Que estimula ou provoca a ação. estado de irritação. Hepatócitos. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. que leva à perda de atividade. . Capaz de promover estímulos. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Hiperglicemia. Relativo ao estômago. que facilita as funções do estômago. Fitoterapia. Fungicida. deposição de bile nos tecidos. Relativo ao fígado. Distensão por gases no intestino.Erisipela. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. com anemia. Hipertensor. assombro. Hepatotóxico. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Relativo a hemostasia. Fitoterápico. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Expectorante. O mesmo que arroto. Fitofármaco. com vermelhidão. Hemostático. Farmacoterápico. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. que estanca hemorragia. Que baixa a pressão sangüínea. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Flatulência. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Tóxico para as células do fígado. espanto. Estomáquico. Hepático. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. que melhora o funcionamento do fígado. Derrame de bile no sangue. Hipoglicemiante. Eructação. Estimulante. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Febrífugo. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Glicosúria. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Hipocolesterolêmico. Hidropisia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. com bradicardia (pulso lento. Estupefaciente. no estômago etc. Células do fígado. Que combate fungos. Excitante. Que combate a febre. Que aumenta a pressão sangüínea. Que produz imobilidade emocional. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Hipotensor.

Lenitivo. Incapacidade de reprodução. que acalma. Substância que mata insetos. Tóxico para as células brancas do sangue. dorso). Que resolve.Impingem. importantes para a coagulação sangüínea. Que adoça ou acalma. Linfocitotóxico. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Malária. Corpúsculos sangüíneos. Resolutivo. Midríase. Parasiticida. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Purgativo. que apenas exonera o intestino. purgativo fraco. tranqüilizante. Maleita. calmante. Poliária. Morféia. Peitoral. Narcótico. Lipogênico. Dor na região lombar (costas. droga que paralisa as funções do cérebro. o mesmo que laxante. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Infertilidade. que faz cessar inflamação. Inseticida. como no caso da esquistossomose). Lipemia. Lumbago. Que produz gordura. Moluscicida. Nefrotoxicidade. purgante. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Laxativo. Dilatação da pupila. Lepra. produzindo sono e alívio da dor. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Relativo a peito. Que alivia excitação. Que mata ou destrói parasitas. Grau ou índice de parasitas no sangue. Excreção excessiva de urina. Mutagênico. afecção cutânea. causado por gordura. impaludismo. Parasitemia. Que laxa ou afrouxa. Sedativo. Plaquetas. . Sialagoga. Estado que é tóxico ao rim. Que produz sono ou inconsciência.

Sialorréia. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Diaforético. Que tranqüiliza. Tranqüilizante. Tônico. que acalma. Que produz pus. . Vesicante. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Vermífugo. Próprio para curar feridas. Sudorífico. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Supirativo. Sinusite. Que provoca vesículas. Teratogênese. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. bolhas. Salivação abundante. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Vulnerário. Testículo. Tóxico para o zigoto. Revigorante. que facilita a saída de pus. Zigotóxico. Que destrói ou afugenta vermes.

v. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. n. Os dois autores. 1985. Khim. apenas sua referência.60. p. N. Human Toxicol.l69-71. S. v. os autores são citados no texto. Prir. v. I. L. ABDU-AGUYE. SEELIGMANN. 1995. p. (Tashk). Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo).4. et al. incluindose volume.12. fascículo.871-2.1294-7. 1995a. ABDALA.3. n. nos casos em que há mais de dois autores. p.269-74. v. nos casos de única autoria. p.326-32.5. Soedin (Tashk). Khim.43. Soedin. v. et a l j . ABE. p. Prod. et al. et al. P Lilloa. .7-8. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. . p. Um autor.23.38.657-63. 1997. ABDEL-KADER. D. 1986. página inicial e página final e ano de publicação. simpósio ou similar. n.5. F. 1986.499-500. O mesmo se aplica a teses. 1995. n..2.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. n.3. R. n. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. p. M. página e ano. . Prir. ABDULLAEV. dissertações e outras publicações do gênero. seguindo-se o título do congresso.. Biochemical Systematics and Ecology. os autores são citados como nos casos das revistas. n. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). nos casos de dupla autoria. Nat. • Quando se trata de livro.

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227-8. 79 Alismatidae. 364 Apiales. 140-1. 52. 93. 65. 386 Asteraceae. 202-4 . 201-2. 468-9.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 79 Allamanda cathartica. 119 Aristolochiaceae. 450. 351-2 Averrhoa carambola. 368 Arecaceae. 149. 78 Alpiniajaponica. 381-5. 453. 461 Ageratum conyzoides. 466 Adenocalyma alliaceum. 373 Averrhoa bilimbi. 351-2 Baccharis trimera. 81 Arecidae. 110 Annona tenuiflora. 42-3 Andropogon nardus. 90 Apiaceae. 90-3. 113-5. 111 Annonaceae. 480 Bignoniaceae. 463 Asteridae. 154 Alternanthera micrantha. 376 Araliaceae. 62 Alternanthera brasiliana. 56. 488 Bauhinia forficata. 480. 316 Bidens bipinnatus. 487 Alismataceae. 468-9. 391 Allium cepa. 475. 449 Bixa arborea. 102. 463-5 Asterales. 65. 340-3. 148 Anacardiaceae. 360 Anacardium occidentale. 143 Acanthospermum australe. 115 Aristolochia trilobata. 152. 467. 339-40 Anacardium giganteum. 474. 96. 345. 43 Annona muricata. 458-6 Achillea millefolium. 364 Apocynaceae. 77 Aloe vera. 68. 223 Bixa orellana. 377-78. 95-9. 58. 3512. 113 Asclepiadaceae. 67. 475. 479. 79 Aristolochia. 149-50 Amaranthaceae. 113 Aristolochiales. 361 Andropogon leucostachys. 489 Bidens pilosa. 69-74. 467-8. 75 Allium sativum. 465. 65-6. 342-3.

230-2. 212-3. 179 Cucurbitaceae. 210. 236 Euphorbiales. 163-4 Chrysobalanaceae. 259 Hedychium coronarium. 150. 63 Heliconia. 224 Hibiscus sabdariffa. 231 Celastraceae. 280. 207. 387 Gentianales. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 386-7 Gentianaceae. 82-3 Fabaceae. 171 Gossypium barbadense. 53-4 Coutoubea spicata. 322 Clusiaceae. 319 Dipsacales. 211. 235 Cecropiaceae. 318 Desmodium tortuossum. 213. 287 Cecropia peltata. 163 Chenopodium ambrosioides. 407. 298 Derris amazônica. 185. 201 Boerhavia difusa.Bixaceae. 276 Fischeria cf. 282-3. 315 Caesalpinia pulcherrima. 375 Gnaphalium purpureum. 365-9. 175 Diplotropis purpurea. 151-2. 264-5 Cymbopogon citratus. 295. 279. 215. 287-8 Cassia reticulata. 83 Eryngium ekmanii. indicus. 236 Euterpe edulis. 272. 190 Cucurbitapepo. 214 Himatanthus. 205. 394-5 Ipomoea quamoclit. 46-7. 297 Capparidaceae. 388 Croton cajucara. 413-4. 242. 471 Gomphrena globosa. 266 Capparidales. 170 Chenopodiaceae. 231 Celastrales. 470. 299. 382-3. 265 Caprifoliaceae. 496 Caryophyllales. 259 Commelinidae. 49 Cymbosena roseuna. 300. 481. 165. 395 . 285. 430. 406 Brunfelsia grandiflora. 272 Clidemia novemnervia. 54. 299 Dillenidae. 393 Cordia verbenacea. 237. 490 Euphorbiaceae. 408-9. 41-2 Convolvulaceae. 302 Echinodorus grandiflorus. 441 Inga spectabilis. 225 Guttiferales. 379. 206-7. 327 Cassia multijuga. 147 Caryophyllidae. 324. 402-3 Cactaceae. 44. 255 Croton sacaquinha. 411 Hibiscus furcellatus. 496 Dipteryx odorata. 331 Celosia argentea. 440 Costus spiralis. 275 Hydrocotyle exigua. 152-3. 283. 238 Cucumis anguria. 385 Hirtella. 281. 308 Dipteryx punctata. 155-6 Caesalpinia ferrea. mariana. 298 Derris floribunda. 276-7 Cajanus cf. 154. 366-7 Hymenaea courbaryl. 287 Cassia occidentalis. 178 Cybianthus. 145 Caryophyllus aromaticus. 284 Hyptis crenata. 178-9. 398. 373 Eupatorium ayapana. 312 Ipomoea batatas. 292. 172 Boraginaceae. 286. 296 Fabales. 247. 80. 61 Heliotropium indicum. 292 Caesalpiniaceae. 301-2.

435 Loganiaceae. 321 Nyctaginaceae. 427. 64-5 Liliales. 321 Menispermaceae. 332. 173 Phyllanthus corcovadensis. 495 Palicourea cf. 180. 412-3 Lamiales. 128. 427-8. 303 Myrsinaceae. 167-9. 196 Monocotiledonae. 199 Passifloraceae. 311 Momordica charantia. 184-9. 432. 158 Pothomorphe peltata. 434-5 Lippia granais. 334-6 Melastomataceae. 125. 323-4 Myrtales. 191-2. 134 Piper d. 419. 427 Ocimum gratissimum. 429. 402-5 Phytolacaceae. 494-5 Passiflora coccinea. 87 Magnoliales. 418 Mentha viridis. 337 Malva parviflora. laniflora. 262 Myrtaceae. 162 Portulacaceae. 277 Leonotis nepetaefolia. 238-9. 137 . 130. 431. 123. 420. 126-7. 427. 239-40. 166 Piper cavalcantei. 244-6. 229 Musa. 156-7 Persea americana. 425-6. 389 Luffa cylindrica.120 Piperales. 414. 125. 426. 447 Polygalales. 131. 445 Mimosaceae. 419-20. 106 Laurus nobilis. 64 Lippia alba. 121-2 Pereskia grandifolia. 42 Pogostemon patchouly. 136 Piperaceae. 135 Piper marginatum. 416. 399-400. 425. 415-6. 251 Lacistema. 350 Palicourea cf. 252. 192 Pedaliaceae. 336 Maytenus ilicifolia. 256 jatropha gossypifolia. 181-2. 79 Moraceae. 107 Leguminosae. 108 Persea gratíssima. 64 Liliidae. 417. 443 Liliaceae. 139 Mentha piperita. 332. 60 Myristicaceae. 160. 451-2 Jatropha curcas. 493. 129. lhotzkyanum. 442 Leucas martinicensis. 161-2 Portulaca pilosa. 453 Peperomia elongata. 192-3. 446 Origanum vulgare. 200 Maytenus aquifolium. 191 Lamiaceae. 204 Malvales. 421. 406 Lauraceae. 208 Malvaceae. 121. 432 Ocimum micranthum. 161 Ocimum basilicum. 369-72 Portulaca oleraceae. 198 Lacistemaceae. 133 Piper gaudichaudianum. 195 Mabea angustifolia. 432 Ocimum canum. 422-3. 250-1. 245. 241. 103 Myrocarpus frondosus. 431. 39. 108 Petiveria alliacea. 240-1 Magnoliidae. 61 Musaceae. 185. 132 Peperomia. 254.Jacaranda caroba. 422 Oxalidaceae. 124. 120 Poaceae. 337 Polyscias. 258 Physalis angulata. marcgravii. 444 Mentha pulegium. 89 Malpiguiaceae. 233 Muntingia calabura. 122-3 Piper cernnum. 424. 221-2. 158-9.

182 Sesamum indicum. 453-6 Sida rhombifolia. 477. 397-8 Solanales. 177-8 Virola surinamensis. 217-9. 269 Rubiaceae. 347. 273 Rosales. 390 Symphytum officinale. 271 Rosidae. 462 Ranunculales. 345. 183. guineense. 434 Violales. 227 Theobroma speciosa. 213. 228 Thevetia peruviana. 497-500 Sansevieria. 492 Ruta graveolens. 485. 52 Zingiberales. 226 Solanaceae. 353 Saccharum officinarum. 339 Schinus terebenthifolius. 312. 325-9. 103-6 Vismia japurensis. 99. 76 Sapindales. 360 Scoparia dulcis. 274 Psydium cf. 50 Sambucus nigra. 233-4 Spilanthes acmella. 112 Zingiber officinale. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 379-85 Tiliaceae. 457-60. frutescens. 139 Rhynchanthera grandiflora. 230-1 Verbenaceae. 412 Tagetes erecta. 330 Pyrostegia venusta. 320 . 484 Zollernia ilicifolia. 457 Scrophulariales. 479. 452. 262 Prunus domestica. 363 Rutaceae. 492 Rubiales. 189. 197 Xylopia cf. 45. 473-4. 482. 354-7. 51 Zinigiberidae. 322 Rosaceae. 338 Stigmaphyllon strigosum. 400 Solanum tuberosum. 344. 350. 401 Solidago microglossa. 48. 474. 338 Strychnos triplinervia. 349.Pothomorphe umbellata. 132. 58 Zingiberaceae. 361 Sterculiaceae. 127. 208-9. 478 Theobroma grandiflorum. 218. 221 Urena lobata. 393 Solanum paniculatum. 326 Psydium guajava. 463 Scrophulariaceae. 215-6. 216 Stigmaphyllon fulgen. 409. 94-5. 101. 449 Sechium edule. 138 Primulales. 471 Sorocea bomplandii. 491 Spondias purpurea. 51 Zinnia elegans. 472. 209 Urticales. 55.

Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

Campus de Botucatu. do Departamento de Farmacologia. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. do Departamento de Fisiologia.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. Capa: tsabel Carballo . estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. .Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.