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Plantas_medicinais_na_Amazônia_e_na_Mata_Atlântica

Plantas_medicinais_na_Amazônia_e_na_Mata_Atlântica

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Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica . .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. Inúmeras discussões e propostas são realizadas.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. pois. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . conse- . se propõe e se discute sobre o assunto. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. comprometimento do abastecimento de água. que em sua maioria não resolvem o assunto. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. a falta de propostas decorre de um dos dois. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. mas pouco se faz. empobrecimento do solo. provavelmente.perda da fauna e da flora. ou melhor. entre outros -. Nos últimos anos. Acreditamos que. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. ou significam estratégias proibitivas. alterações climáticas. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.

Por sua vez. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. a contribuição deste . Dessa forma. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. atualmente.qüentemente. regional. quer sejam comunidades tradicionais. Essa relação. permitir grandes avanços na conservação. São eles que conhecem a floresta. portanto. como os ribeirinhas da Amazônia. os pescadores do Vale do Ribeira. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. São eles que podem. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. Nesse sentido. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. entretanto.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. Para tal. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. Consideramos. mas inclui ainda interesses econômicos. seus produtos e suas relações. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. Nesse aspecto. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. sem dúvida alguma. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa.quer sejam grupos definidos. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. não se dá apenas visando à sobrevivência. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. os moradores da floresta . especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. como mais um produto para comercialização. priorizadas. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .

considerando os aspectos aqui referidos. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. como instituições determinantes para o avanço. Dessa forma.livro é um começo. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. Começamos o trabalho. e também no de desenvolvimento. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. A equipe já não era a mesma. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. publicado originalmente em 1989. Foi a partir de pesquisas que realizamos. já que dez anos haviam se passado. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. pagando o preço de um trabalho mais social. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. Não custa lembrar e salientar. entretanto. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. Passou da hora de a ciência e a política. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. cada qual havia tomado seu caminho. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. No entanto. conseqüentemente. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. em janeiro de 1999. mais abrangente. na verdade. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. abrindo uma porta importante para a publicação deste material.

a nova idéia não tinha mais como retornar. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet.proposta original. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. incluindo fotos de algumas espécies. Index Medicus. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. Por si só. Nessa nova etapa. buscamos informações em diversos endereços. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. Chemical Abstracts). A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. outro importante e singular ecossistema brasileiro.não . No entanto. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. à medida que. por um lado. farmacológicos. pelo menos as mais citadas. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. químicos. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. Estado de São Paulo. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. além dos desenhos apresentados inicialmente. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. por outro. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados.

mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país.em artigos científicos e técnicos. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. não apenas catalogando espécies medicinais. especialmente os mais ameaçados. que serão úteis. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. A conservação dos ecossistemas tropicais. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. mas as plantas medicinais. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. No entanto. mais acessível que os artigos . realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. hoje. da Mata Atlântica. especificamente. passaram a representar uma nova alternativa . Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. sem dúvida. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. mas com um livro. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. Com essa nova concepção. mas um novo trabalho. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. durante todo esse período. sempre foi uma preocupação constante. como é o caso da Amazônia e.

apesar de preliminar e pequena. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . Nesse sentido. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. Luiz Claudio Di Stasi . cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. municipais e federais) e não-governamentais. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . mas pouco realizado na prática. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam.não pode ser apenas a retórica.para a conservação dos ecossistemas. realizadas de forma racional e sustentável. Finalmente.

obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. Em segundo lugar. que esse conhecimento seja perdido. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. Em primeiro lugar. pretendeu-se. realizar um estudo etnofarmacológico regional. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. evitando-se. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. desse modo. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. Em terceiro lugar. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. o que. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. a nosso modo de ver.

natural. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. pretendeu-se. Osvaldo Aulino da Silva. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. Por outro lado. com a promoção de melhores condições de vida para a população. deve ter um componente social em seu escopo. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. realizado no município de Humaitá. da qual o próprio pesquisador faz parte. além dos objetivos aqui expostos. consideramos que a ciência. Finalmente. juntamente com o Prof. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. Em quarto lugar. Nesse contexto. que potencialmente es- . com os conhecimentos adquiridos. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). químicos. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. e que visa. com as atividades deste trabalho. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. como qualquer outra atividade humana. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. farmacologistas etc). mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. Nesse contexto.

qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. estágio de desenvolvimento. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. No entanto. portanto é urgente a sua consideração. antropólogos e químicos. e nossa experiência é prova disso. estações do ano e outros). verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). farmacologistas. consideramos de grande importância colocar que. pela sua característica multidisciplinar. Acreditamos. que podemos denominar ecológico. tipo do solo. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. além de engrandecer o trabalho. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. no entanto. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. para que o conheci- .tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. propiciou um imenso prazer. essa área requer um enfoque novo. além de botânicos. como seres vivos. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. que se superando as dificuldades. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. clima.

não só de conhecimento das potencialidades da natureza. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país.mento tradicional seja devidamente resgatado. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. acrescentaram uma experiência rica. Luiz Claudio Di Stasi . Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. além de tornarem possível este trabalho. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. que.

Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. O Brasil contribui com 120 mil espécies. Ato II de Romeu e Julieta . Dessas. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora.William Shakespeare. mas os primeiros registros remontam a milênios. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. e. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. Observa-se. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. por fim. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais.. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. a grande maioria na região amazônica. (Cena III. portanto. de um lado. quando se constata. apesar disso. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia..

são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. e isso é o que importa. efeitos observados. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas.criteriosos. Levantamentos etnofarmacológicos. Por último. enfim. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Profa. Dra. a distância vencida.Campinas) . Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . como este que aqui se apresenta. de outro. Mas o passo foi dado. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Quando dizemos criteriosos. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. posologia.

que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. no caso da Amazônia. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. Atualmente. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. conforme aponta Philip M. provenientes da evapotranspiração. Fearnside. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. A exploração madeireira. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. No entanto. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. que. De fato. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. .Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. apesar da pobreza dos solos. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. Dada a fragilidade desse equilíbrio. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização.

levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. fruto de um trabalho sério de pesquisa. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. e. Dr.Rio Claro) . tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. por outro. Luiz Claudio Di Stasi.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. julgamos altamente preocupantes: por um lado. das quais poucas foram estudadas. Plantas medicinais na Amazônia. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Somada a isso. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. honrado em apresentar esta obra. ecológico e histórico. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . coloca às mãos dos leitores. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. De qualquer maneira. acarreta duas situações que. riquíssima em espécies. desde o leigo ao mais especializado. Sinto-me. portanto. do ponto de vista social. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Prof. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças.

• Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. conforme descrito a seguir: . pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. sul do Estado do Amazonas. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. resumidamente. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. Jacupiranga e Sete Barras.Metodologia de pesquisa Apresentamos. no Amazonas. no Estado de São Paulo. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Vale do Ribeira. • Aldeia dos Tenharins.

evitando-se. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia).Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Para materiais fora da fase de floração. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). assim. Departamento de Botânica do Instituto de . • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Amazonas. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã".Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". a coleta errada do material. No caso de material em fase de floração. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Para as espécies da Amazônia.

e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Chemical Abstracts.Rio Claro. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Itajaí .Santa Catarina. Sites da Internet. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Outras informações (agronômicas. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". . Index Medicus (Med-line).Botucatu. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos.Biociências da UNESP . os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. para sua identificação. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies.

assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. como havia sido feito na primeira edição deste livro. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997).incluindo as monocotiledôneas medicinais. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. com o tempo. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . . verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia.

Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. • Introdução sobre a família botânica ou. . dados ecológicos e distribuição.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. • Dados químicos. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. em vários casos. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. Para cada capítulo. as quais se subdividem em cinco seções: . que compreendem uma descrição botânica. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. . respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae .dados botânicos e outras informações (quando for o caso). incluindo: .incluindo as dicotiledôneas medicinais.• Parte II .

• Dados toxicológicos. formatadas e montadas para inclusão no livro. . químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. de vários tipos: . encontram-se um glossário de termos botânicos. .escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. . Instituto de Biociências de Botucatu. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp.• Dados farmacológicos. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. além de uma extensa bibliografia atualizada. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. UNESP. C. . No final do livro. formatado e montado para a inclusão neste livro. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. formatadas e montadas para inclusão no livro.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. . Outras ordens botânicas como Juncales. C.1 Commelinidae medicinais C. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). A. M. Hiruma-Lima E. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. Typhales. Xyridaceae. M. pelo seu grande valor ornamental. algumas delas descritas neste capítulo. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Guimarães C. Santos L. Mayacaceae e Commelinaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico.

subfamília que. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. 1996). mas sem importância medicinal. substâncias cianogênicas. Paspalum. flavonóides e terpenóides (Evans. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. ácidos fenólicos. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. também denominada Gramineae. açúcar e trigo. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. Zea. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. amido. reunindo inúmeras utilidades. do famoso centeio e da aveia. • Centothecoideae. é a mais importante. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. . cujo representante principal é o arroz. Andropogon nardus. açúcar e óleos essenciais. principalmente Zea mays (milho). Os outros constituintes incluem alcalóides. • Pooideae. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. do ponto de vista de espécies medicinais. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). que inclui os gêneros Secale e Avena.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. A família é dividida em quarenta tribos. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Saccharum e outros. que inclui alguns importantes gêneros. Várias espécies possuem importância terapêutica. que incluem vários gêneros. saponinas. Cymbopogon. e o gênero Oryza. respectivamente. como Sorghum do sorgo. gêneros alimentícios como bebidas. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. • Panicoideae.A família Poaceae. Arundinoideae e Chloridoideae. ferragem.

Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. glabros e curvados. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Em outras regiões do país.B. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. os quais.5 m de altura. com folhas invaginadas bastante agudas. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas.K. espiguetas sésseis e fruto cariopse. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. possuindo um grande número de ramos. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. os colmos são finos. Em outras regiões do país. Andropogon nardus L. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. a planta também é conhecida como Capim-membeca.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. por sua vez.

1). Erva-cidreira. Capim-cidrão. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. . flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Vervena. ásperas em ambas as faces. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. formigas e traças. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. lineares.) Stapf. rizoma semi-subterrâneo. Capim-cheiroso. problemas estomacais e febre. tais como flexuosus. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Capim-marinho. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Sídró. 1962). O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Patchuli-falso. eretas. Capim-limão. folhas alternas. Capim-sidró. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. compridas. com nós e entrenós.to. com grande valor econômico. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Cymbopogon citratus (DC. sudoríficas e carminativas. marginatus e validus. formando uma touceira robusta. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. bainha larga e lígula na base do limbo. Capim-cidreira.

ápice agudo. duas vezes ao dia. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. planas. no Ceará. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. Matos & Das Graças. como calmante e antiálgico (Van den Berg. Cana. articulado e um pouco mais grosso nos internós. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. simples..2). 1980). gripes fortes. 1980). calmante e antiespasmódico (Barros. em Brasília. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. dores de cabeça e disenteria. 1982). Na região da Mata Atlântica. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. 1988). pequeno (Figura 1. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. verde ou violácea. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. hermafroditas. ásperas.Na região da Mata Atlântica. no Mato Grosso. como diurético. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. reumatismo e febre. no Pará. dores de cabeça e dores musculares. o suco do colmo da planta. lineares. fruto do tipo cariopse ovóide. carminativo. cilíndrico. folhas amplexicantes. espiguetas com flores pequenas. 1 dísticas. simplesmente. a infusão das folhas é usada como antidiurético. Saccharum officinarum L. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . contra gripes. na forma de banho (Amorozo & Gély. 1986).. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. nervura central saliente e bainha espinescente. no Rio Grande do Sul. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. colmo arqueado na base. 1982.

8-cineol. limoneno. 1. geraniol. vômitos da gravidez (Corrêa. a. linalol. neral. metil-heptenol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. citronelal. tuberculose. 1996. mirceno. 1997). terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. metil-heptenona. O óleo essencial de C.e b-pineno. mentol. febres. erisipela. vários aldeídos. 1981). como citronelal. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. isovaleraldeído e decilaldeído. cariofileno. terpenos e dipenteno (Costa. 1984). externamente. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). rachas dos seios. . escarlatina.. 1997). como o geraniol. laurato de etila.. farnesol. além de seus isômeros geralúal e neral.4%). felandreno. 1986). contra úlceras da córnea. Ming et al. cólera. internamente. contra resinados e anginas e. 1996). chumbo e cobre. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. envenenamento com arsênico. nerol.diurético e contra hipotensão. neral. aftas. cetonas e alcoóis. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno.

1996). Lorenzetti et al.. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al... relatam. 1998). A atividade antibacteriana de C.. 1988). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1984. Onawunmi & Ogunlana. 1983 e 1989a). 1990). e Di Stasi (1987). citratus.. 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1988).. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C.... .8%). 1997) e o extrato de C. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.. Pinho et al. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. 1985). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. mirceno (12. (1983) referem atividade antiespasmódica. 1997). enquanto Ferreira et al. 1995). Onawunmi. anti-helmíntica (Jourdan. 1988).. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1986 e 1987.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 2000.9%) e neral (33. não observando propriedades de interesse terapêutico. no entanto. toxicológico e clínico com essa espécie.. analgésica (Viana et al. 2002. 1988) antimicrobiana (de Sá et al.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. geranial (45.. (1985). 2002). Di Stasi et al.. 1997). 1986. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. 1988). Os principais constituintes das folhas de C. Onawunmi et al. Com as folhas de C. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1988). 1986 e 1987). O extrato metanólico de C. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al.

Além de hipocolesterolêmico. 1986a). Para a espécie Saccharum officinarum. 1990). (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. Foi isolado também o policosanol. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. Hikino et al. sedação e defecação (Ferreira et al. citratus. ataxia. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. perda de postura. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. ferúlico e sinápico (He & Terashima. bradipnéia. . 1997. ligninas e ácidos fenólicos. 1989).. Dados toxicológicos O óleo de C. ácidos p-coumárico.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. 1988). O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al.. 1999). visto o grande número de trabalhos com C. Menendez et al.. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. De S.. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais.. um álcool alifático com alto peso molecular. 1983). também conhecido como Capim-cidrão. 2000). apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.. citriodorus. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial.

FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.1 . .

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Saccharum officinarum. .Banco de imagens ).2 .FIGURA 1.

não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. . entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Zingiberaceae. C. M. Lowiaceae. A. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Guimarães C. De todas essas famílias. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Hiruma-Lima L. Santos E.2 Zingiberidae medicinais C. Tal uso não é comum na região amazônica. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. As espécies da família Bromeliaceae. M. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. Cannaceae e Marantaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. importante produto de comercialização.

que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. larga bainha na base que envolve o caule. na qual se localizam os gêneros Zingiber. destas.100 espécies tropicais espontâneas. nos quais estão distribuídas 1. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. Costus e Hedychium. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. algumas delas aqui descritas. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Vindecaá e Vindicáa. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. e • Zingiberoideae. com folhas membranosas. especialmente as famosas Canas-do-brejo. com várias espécies medicinais. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. Renealmia e Riedelia. inclui 52 gêneros. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Alpinia. lâminas . Além do valor medicinal das espécies dessa família. Curcuma. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae.

gineceu com ovário ínfero.5 m de altura. O gênero Costus. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. elípticas. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. hermafroditas e zigomorfas. Dados da medicina tradicional Na Amazônia.com 20 a 40 cm de comprimento. contra sarampo. espessas. Costus spiralis Rosc. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. fruto capsular. contém inflorescências terminais. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. podendo chegar a até 1. densas com flores brancas ou róseas. 1988). Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.1). inclui 42 espécies tropicais. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. perianto distinto em cálice (claviforme. vistosas. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. flores em grupos com brácteas vistosas. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. . A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. ápice agudo e base arredondada. descrito por Carl Linnaeus. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. mas com algumas espécies em regiões tropicais. entouceirada.

sésseis. . na forma de infusão. grandes. contra diarréias graves.2). lanceoladas e coriáceas. as inflorescências são terminais com flores brancas.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. muito perfumadas (Figura 2. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. O gênero Hedychium. especialmente de origem sifilítica. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. sendo de fácil multiplicação por touceiras. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. Em razão de sua beleza. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. Lírio branco e Gengibre branco. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. incluindo a espécie aqui descrita. Hedychium coronarium Koen. em Iguape é comum a denominação Napoleão. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. descrito por Johan Gerhard Koenig. cilíndricas. A decocção de suas folhas. de onde partem as folhas longas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. a espécie é muito utilizada como ornamento. vistosas. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores.

flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. lumbago e cólicas menstruais. gripes e para problemas circulatórios. sendo provavelmente o local de sua origem. externamente. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. mas especialmente na Ásia. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. 1994). a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. cólicas. C. gripes. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. lanceoladas. onde a maioria das espécies é espontânea. com uma lígula membranosa bífida. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. além de diversos outros usos (Bown. A espécie é reputada como estimulante. tosses. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. A espécie é usada. flatulência e eólicas. 1995). indigestão. mesmo no Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. e. carminativa com uso na dispepsia. . Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. em todo o Brasil. contra reumatismo. contra náusea. de Gengibre. com ampla distribuição. internamente. diarréias e como vomitiva. folhas alternas.

speciosa. taninos. 1987). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al... eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A..6-dehidrokawaina. 1995). 1987a e 1987f) e A. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A.8cineol. 1988). Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. 1987c). galanga (Mori et al. acetato de geranil. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano.. dihidro-5. galanga (Barik et al.. 1. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al.. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. japonica (Morita et al. óleo essencial. galanga. katsumadai (Okugawa et al. speciosa e A. 1988). Cinco compostos. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. isohanalpinona e alpinenona. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. De A. (Xue et al. 1987)... Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. 1988). galanolactona e (E)-8. constituintes fenólicos em A. Os compostos isolados dos rizomas de A. 1987b). galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. 1985a e 1985b. 1987b). nutans (Mendonça et al.. intermedia (ltowaka et al.6-dehidrokawaina. humulene.. nerolidol. galanga. 1990). O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. Os principais constituintes dos frutos de A. 1988a). linalol... São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. Da espécie A. e 5.. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . 1987). 1996).Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. flavonóides em A.16-dial (Morita & Itokawa. Foram isolados dos rizomas de A.-(17)12-labddieno-15. Os sesquiterpenos -eudesmol. Dos rizomas de A... 1987).

felandreno. Três novos diarilheptanóides . aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. E. Dos rizomas de A. 1988).. polyantha foram isolados. blepharocalyx (Kadota et al.calixina A e B e 3-epi-calixina B .-o1. sendo um novo. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. citronelol. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1997). 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. ferro. As sementes possuem mirceno.8-cineol. isohanalpinol e aokumanol. A análise fitoquímica de A. terpineol e 1.8-cineol (Lai et al. -sitosterol. O óleo essencial das folhas e caules de A... yakuchinona A. decanol. furopelargona B. katsumadai possui -pineno. isohanalpinona.foram isolados recentemente da espécie A. fenchona e geraniol. 1997).. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A.5heptanediona. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos.7-difenil-3. 1997b) e quercetina (Wang et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.. trans-bergamoteno.. flavonóides (Luo et al. Do óleo essencial das sementes de A. . chumbo...modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1. sesquifelandreno e zingibereno. furopelargona A. sódio. Das sementes A. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al.. Cinco diarilheptanóides.. 1989). zerumbet (Xu et al. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. daucosterol. l. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. 1997a). Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1994). linalol. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. bornil acetato. 1997b). além de óleos essenciais (Mendonça et al. flabellata (Kikuzaki et al. alpinenona. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. -ll(12)-eremofilen-10. geraniol. manganês. 1997a). cálcio. hanalpinona.. De A. 1992). além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. mirceno. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A.. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. hanalpinol peróxido. B2. 1996). zinco. 1990). potássio. yakuchinona B.. 1989). Os frutos de A.. pineno. C. magnésio. oxyphylla contêm neonotkatol. Das partes aéreas de A. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano.. além das vitaminas B1. 1999). 1987d). densibracteata foram isolados os bisabolanos.. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. 1990). fenóis e alcalóides. 1987). conchigera (Athmaprasangsa et al.

Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. speciosa. inibição da musculatura lisa. 1988b). A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1999). na perfumaria. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. 1996). 2000). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1986). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. é usada na culinária. Estudos com a espécie A. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. Lin et al. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. galanga (Itokawa et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. oxyphylla (Kyung-Soo et al. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1988). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. além de medicinal. A espécie A. Mendonça et al. Constituintes isolados de A. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1972). 1976) e A. 1997). galanga (Janssen & Schefter. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1996). japonica e A. sendo antiulcerogênica (Wang et al. 1985). indicando . que é um derivado do gingerol. A erva. 1987). 1996). 1999. 1989). assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1994). 1987c) e A. bloqueio neuromuscular. e seu óleo. 1988. Sesquiterpenos isolados de A. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central.

que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. antifúngica (Lima et al. 1994). galanga (Itokawa et al. 1990). Dos rizomas de A.. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al.. 1992). speciosa apresentou atividade analgésica periférica. 1988b). 2001).. 1982).. oxyphylla (Chun et al. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. Estudos com a espécie A. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. Moraes et al.. Os diarilheptanóides isolados de A. 1987c). 2002).6-dehidrokawaina isolado de A. O óleo essencial de A..a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 1994). 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. O composto dihidro-5. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 1996). speciosa. 1992). Do óleo essencial das folhas de A. 1992).. ArnaudBatista et al. Mendonça et al.. 1990).. também isolado do óleo essencial. Mendonça et al.. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1988). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al.. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. 1987c) e A. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. . speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1988a.. 1988. 1988). 2001). 1998. officinarum (Kiuchi et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 1989). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. Geraniol e isotimol isolados de A. 1998). 1996). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al.. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. O extrato acetônico de A. anticonvulsivante (Maia et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al.. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Os rizomas de A. Compostos isolados dos rizomas de A. O terpinen-4-ol. 1982. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al.

Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al... oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 1988b). Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. 1999).. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. 2000) e H. hipocinese. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al.. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. Surh. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. 2000). 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al.. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.. 2001. 2002). 1992). . O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2000).. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al... Musa e Heliconia. speciosa produziu excitação psicomotora. 2002).A atividade antiinflamatória de A. 2000). 1999). relatadas a seguir. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. A espécie H. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. contorções..

oblongas e inteiras. laminares de grande comprimento.5 m de altura. . com bainhas grandes. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. minúsculas e duras.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. folhas longas.. O fruto da espécie não é usado como alimento. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. com folhas longo-pecioladas. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. no entanto não foi possível obter sua identificação completa.

dando um pequeno fruto que também é comestível. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores reunidas em espigas. FIGURA 2.Alpinia japonica. mas com 25% do comprimento e da largura. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ).1 . mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. onde é amplamente cultivada como ornamento. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. .podendo atingir até 2 m.

FIGURA 2.2 .Hedychium coronarium. . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).

especialmente na ordem Liliales. família Liliaceae. principal. G. Velloziaceae e Iridaceae. Velloziales. família Liliaceae. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Dioscoreales. C. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Alliaceae e Amaryllidaceae. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Liliales e Orchidales). N. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Di Stasi F. Seito C. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Dioscoreaceae. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. nas quais se encontram importantes espécies medicinais.3 Liliidae medicinais L. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Gonzalez L. A. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. ordem Orchidales. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Asparagales.

como é o caso da cebola e do alho. Tulipa. dos quais devemos destacar o gênero Allium. . Outro gênero importante é Aloe. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Alloe. 1997). especialmente do gênero Iris. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros.e Liliaceae. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). A primeira. esse da importante Babosa (Aloe vera).950 espécies vegetais. Colchicum e Drimia. Lillium. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Narcissus e Veratrum. A segunda. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. pelo grande número de espécies ornamentais. Trilium. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Convallaria. ambas de valor econômico incomensurável. que passamos a descrever. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. grande fonte de espécies dessa família.

fruto. em geral seco.1). tosse e também contra hipertensão. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. folhas lineares. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. especialmente em crianças. 1995). que se mesclam com os bolbilhos.Espécies medicinais Allium sativum L. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. capsular. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. loculicida (Figura 3. C. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . ao passo que a infusão é usada contra gripes. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. sésseis. inclusos e envolvidos por fina membrana. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma.000 a. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. a maioria é cultivada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. obtida comercialmente. os bulbos dessa espécie. são utilizados de várias formas. Era citado pelos babilônios no ano 3. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. na forma de umbela pedunculada. Nas comunidades do Vale do Ribeira. flores brancas ou avermelhadas.

No Pará. anual. subgloboso. carnoso e com casca fina amarelo-parda.queca. Em outras regiões do Brasil. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. com inúmeras variedades e subtipos. gastroenterite e disenteria. dispostas em umbela. resfriados. ateromatose. além do uso como condimento. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. com bulbo grande e solitário. 1992). carminativo e vermífugo. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. todos usados e comercializados como alimento e condimento. rouquidão. agudas. 1988). a espécie inclui vários usos medicinais. febrífugo. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. em afecções nervosas. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. especialmente acne e micoses. ao passo que a infusão das cas- . Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. flores hermafroditas regulares esverdeadas. arteriosclerose. tosse com expectoração. diurético. tosse. o uso externo. reumáticas e paralíticas (Corrêa. também são utilizados como sudorífico. digestivo. Dados botânicos Erva bulbosa. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. histéricas. folhas radicais ocas e compridas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. como referido para o Alho. 1984). bronquite. Trata-se de uma espécie com usos históricos. para problemas da pele. os bulbos são usados na hipotensão. 1982). antiasmático. poderoso anti-séptico das vias digestivas. Em Minas Gerais.

A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. Na região amazônica. dores e infecções da pele. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.2). Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. ao passo que as folhas frescas. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. para acne. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. são úteis contra edemas. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. Aloe vera L. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. Dados botânicos Planta perene e suculenta. é considerado excelente contra úlceras. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. externo. O uso interno de um macerado em água fria. A manipulação dessa planta no preparo de loções. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. usadas externamente. lanceoladas. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. podendo atingir até 1 m de altura. reunidas na forma de rosetas em sua base. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. descansado por 24 horas na geladeira. como cicatrizante. folhas suculentas. densas. . apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. internamente. as flores são tubuladas. externamente.

a polpa é emoliente e resolutiva. 1968). foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 1997). fitosterinas. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. barbadensis (Saleen et al. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. desoxialiina. Além disso. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin.. alil e alil-propil. relatando ainda que as folhas são purgativas. 1995). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al.. 1997). C. . sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. holosídeos. barboloina.. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. vitaminas A. proteínas e fermentos (Costa. 1997). saponinas esteroidais (Peng et al. 1991). catártico e febrífugo. Prostaglandinas A. isobarboloina (Kuzuya et al. 2000). (B8) e P. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al.. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1993).. além de evitar queda de cabelo. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. Nos bulbos também foram encontrados aliina. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina.. Da espécie A. B. 1986). 1995). 1999). aliinase que origina a alicina. 1979). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. obtidos de A. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. 1990).. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. vários heterosídeos sulfurados. 1992). sativum. et al.. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. A antro-cenona.. exigindo-se cuidado na utilização.

fibrinolítica. rolêmica. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. Esse mesmo efeito foi detectado . estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. Por sua vez. Kwon et al. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. 1992). o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. No entanto. 1981.. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. in vitro (Sheela et al. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. isolado de Allium sativum Linn. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. 1995. 1987. 1991). 2000).. demonstrou que os compostos de A. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). Augusti & Sheela. Hikino et al. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. O estudo comparativo in vitro. Entretanto. 2002). entre outras ações que serão discutidas a seguir. hipocoleste.. cicloxigenase. Além dessa classe de compostos. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich... sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. Em animais com carciriogênese bucal o A. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. 1996).. Nerkar et al..Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. antibiótica. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie.

1993). Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.. in vitro. Sovova et al. Mossa. 1985). bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. O extrato de A. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. 2002) contra Staphylococcus aureus.. Singh & Shukla.. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. 1997. O estudo realizado por Celini et al. Dababneh & Aldelamy. 1985. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. Rees et al... 1993) e aquosos (Sato et al.. 2001). 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. Guevara et al. 1982. 1983. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. 1980). 1984. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. além de atuar como . produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. compostos fenólicos (Patel et al. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1995). (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml.. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. fosfatase ácida. 1992). contra Helicobacter pylori. O sulfóxido de S-alilcisteína. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. sativum apresentou também atividade antibacteriana... 1981. 1984. Khan et al. precursor da alicina e obtido do alho. O óleo de A. 1996). enquanto a associação dessa dose com 4.. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos.. 1994). 1983) obtidos a partir dessa espécie. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al.

apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary.. assim como as respectivas substâncias isoladas. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. cepa (Dorsch et al„ 1985). e não as substâncias isoladas. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al.agente anticercaricida. (1985). 1992). 1993). 1978. 1986) e brutos (Rees et al. 1978. 1994). alicina e sulfeto de dialila.. assim como substâncias isoladas do alho. 1996). 1980. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Os resultados obtidos por Sendl et al. 2001). Extratos preparados com acetona/clorofórmio. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng.. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. 1993). Rotzsch et al. metil-ajoeno. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Block et al. no entanto. 1993). 1993). inibem a síntese de colesterol. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Essas propriedades farmacológicas. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. no entanto. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. Sandhu et al. 1995b).. Kamanna & Shandras-Wkhara.. 1978). (1986). (1992). Mohammad & Woodwara (1986). 1984. sem. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. Boelter et al.. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. 1980. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. Adetumbi et al. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al.

Estudos realizados por Apitz-Castro et al.. Por sua vez. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. como radioproteção (Reeve et al. principal componente antiplaquetário do alho. E. 1997).sos de bulbos de alho fresco (5. atividade diurética. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. (1982). 1986a).. 1996).. Foushee et al. et al. também.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. 1993). 1993b). 1991). (1992) com o composto ajoeno.5. 1993). natriurética e hipotensora em cão.. 1991). (1987). 1996).. Essa mesma planta reduziu a concentração . e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. sua condutância. enquanto Pantoja et al. 12. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. I.. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das.. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. 1990). promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.. 1996). Ribeiro et al. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. M. 1996). sativum (Kweon et al. A.. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. 1996). e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. et al. tais como a histamina (Usui & Susuki. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. (1986b).

1993). sativum L. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. E a mistura de A. 1992). chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al.. Ko & Son.. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. ela é um excelente cicatrizante (Costa. Allium sativum.. sativum ou A. in vitro. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. et al. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. (1994). 1991). Para a espécie Aloe vera.. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1993). 1995). Chithra et al.. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. 1990). o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade.. 1996)... conseqüentemente. . 1995). de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. I. Lipotab. 1993). cepa com A.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. 1994). A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. 1993.. Além disso. Extrato aquoso de A. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al.. (1996). Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. 1992. um preparado à base de Curcuma longa. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.

. A atividade antiinflamatória de A. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. 1996. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al.1998). contudo.. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. 1997).. 2001). 1995).. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. esses dados referem-se. Essa família possui pequena importância no Brasil. vera e hipotensora de A. Saleem et al. que inclui algumas espécies popu- . Os estudos de toxicidade de Allium cepa. 2001). Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. aumento na contagem de espermatozóides. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.. 1991). O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. 1994). Entretanto.. As folhas de A... 2000). em camundongos.. 1997). e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.

pontiagudas e com manchas brancas. flores pequenas. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. saponinas esteroidais (Mimaki et al. cilíndricas. 1987). em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica.. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. No entanto. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. longas. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. contra problemas hepáticos. 1996 e 1997b). no entanto. e o Agave. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. Das . reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica.. possui folhas carnosas.. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. na região amazônica. 1996). brancas. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie.

saponinas. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd..1 .em Joly.. 1997). 1996). hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. . pigmentos. além de carboidratos.Allium sativum. FIGURA 3. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. Das folhas de S. 1982). 1998) (Banco de imagens ). 1986).folhas de S.. cylindrica foram isolados lipídios..

FIGURA 3. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .2 .Aloe vera.

esta segunda com uma única família. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. As duas espécies. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. C. Triuridaceae. Di Stasi A. Mariot M. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . portanto. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. S. de pouco interesse para nosso estudo. ainda não discutidas neste livro.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores.

do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. ovadas. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. A espécie possui as variedades floribundus. Inclui ervas perenais. muitas aquáticas ou brejosas.mico. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. coriáceas. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. grandes e eretas.1). 1997). e Sagittaria. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. Aguapé. freqüentemente . espécie de grande valor econômico. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. também denominada Arecaceae. contendo vasos apenas nas raízes. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. numerosas. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. folhas pecioladas. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. flores brancas. com caule triangular e glabro. latescentes com lâmina foliar grande. essa segunda inclui apenas a família Palmae. rizoma grosso e carnoso.

1997). reumatismo. moléstias da pele e do fígado. nas costas. bem como gripes e resfriados. sífilis. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). com folhas terminais. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. de barriga. 2000). útil ainda contra artrites. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. . Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. raramente trepadeiras. Incluem árvores ou arbustos. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. e outras. e como anti-helmíntico. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. tônica e diurética. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. muitas delas usadas como medicinais. como sedativo. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. especialmente contra dores de cabeça.consideradas outra espécie. como ornamentais. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado..650 espécies tropicais (Mabberley. também denominada Arecaceae. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão.

amplamente conhecido na Mata Atlântica. Kobayashi et al. e o Arecastrum. que incluem a piaçava e a ráfia. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. Destaca-se o gênero Euterpe. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- .. amplamente conhecida na região amazônica. respectivamente do babaçu e da carnaúba. do famoso coqueiro da Bahia. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico.A família está subdividida em seis subfamílias. como é denominada a outra espécie do gênero. Espécies medicinais Euterpe edulis M. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. do jerivá (Joly. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. conseqüentemente. como é o caso da Areca catechu. 2002. e o açaí. com folhas pinadas. que inclui o famoso palmiteiro. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. como é o caso de várias palmeiras. Tratase de uma família de grande valor econômico e.. Cocos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. especialmente da Mata Atlântica. macrophyllus (Shigemori et al. chegando até 25 m de altura. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. 1998). 2000a e 2000b). Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. outras são importantes como medicamento.

Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.nhas.1 .Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. não fosse a intensa exploração da espécie. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. internamente. 1998) (Banco de imagens). . FIGURA 4. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. externamente. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. o suco do caule é usado. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. como antídoto para picada de cobras. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

tais como Magnoliaceae.5 Magnoliales medicinais C. Guimarães C. M. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Na família Monimiaceae. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. tais como as Magnoliaceae. Santos L. inúmeros gêneros são importantes. inúmeras espécies são medicinais. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Outras famílias dessa ordem também são importantes. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Myristicaceae e Lauraceae. C. do famoso Boldo. Annonaceae. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. Hiruma-Lima E. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Na família Chloranthaceae. são importantes como ornamentos. da qual inúmeras espécies de grande valor . M. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. A. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal.

arbustos e lianas. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Xylopia e Rollinia. Artabotrys. que inclui nosso Abacateiro. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. e Monodoroideae. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. espalhadas por todo o planeta. compreendendo aproximadamente 260 espécies.150 espécies tropicais (Mabberley. os gêneros mais comuns são Annona. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. No Brasil. Pinha.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Annona coriacea. Xylopia. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. . como Aniba. Graviola e outros. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. e ainda outras importantes como alimento. que inclui os gêneros Annona. Cabeça-de-negro. Guatteria. Cinnamomum. 1997) e subtropicais. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. 1997). Laurus e Sassafras. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Uvaria. Annona cherimolia. Cryptocarya. Annona tenuiflora e Annona squamosa. A família inclui árvores. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Aniba e Nectandra. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Annona reticulata.

alcançando até 15 cm de comprimento. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. Espécies medicinais Annona muricata L. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. Coração-de-rainha e Nona. inflorescência cauliflora. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. ovadas ou elípticooblongas. que apresentamos a seguir.1). Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. pecioladas. Araticum-ponhê. sucosa. alcançando até 30 cm de comprimento. flores axilares. amareladas. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. com cálice de lobos triangulares e agudos. . cordadas na base e acuminadas no ápice. latescente. fruto do tipo baga irregular. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. as folhas são alternas. no entanto. subglobosas. polpa branca. Araticum-punhê. com um espinho central. espessa com saliências cônicas. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. Várias espécies. tais como Araticum. 1998). com várias delas comuns na Amazônia (Joly. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". com epiderme verde-escura. mole e recurvado.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. Araticum-de-paca. no entanto vários sinônimos são usados. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. que são muito apreciados. Iriticum. com um tronco revestido por casca aromática.

as folhas cozidas. podendo também ser usada na arborização urbana. peitorais. especialmente na produção de sucos. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. dores de cabeça e como emagrecedor. 1984). sorvetes e geléias (Corrêa. diurético e no combate a insônias leves. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. referidos a seguir. mole e branca. combatem reumatismo e abcessos. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. 1984). onde se tornou subespontânea. Na Amazônia.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. os brotos e as folhas são usados como béquicas. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. Em outras regiões do Brasil. antiespasmódicas e hipotensivas. para baixar febres. sendo depois levada para outras regiões do planeta. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. usadas topicamente. especialmente lombrigas. por sua vez. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. com importante uso potencial na fabricação de papel. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. As folhas e raízes são consideradas sedativas. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . a planta fornece madeira. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. as flores. Além dos usos medicinais da espécie. antiespasmódicas e antidisentéricas. O fruto. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. tem grande valor como alimento. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. 1984).

espasmos e febres. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. 1987). asma. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil.. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. a fruta e seu suco são usados contra febre. Weninger et al. 1990). 1962). casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. diarréia e como lactagogo. as folhas e a casca da árvore. Ayensu. as raízes e folhas. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. gripe. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. De acordo com os mesmos autores. . tosse. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton.mas do fígado. é usado externamente para neuralgia. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. no entanto. e as sementes. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. na forma de chá. Annona tenuiflora Mart. parasitas. 1992). o chá das folhas é utilizada para catarro. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. 1962). enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. 1955. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. Na Jamaica e no Haiti. foram referidas espécies desse gênero. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. como antiespasmódico. Esse uso. Nas Guianas. as sementes. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. contra diabetes. enquanto o óleo das folhas. contra diversos parasitas (de Feo. No Peru. no processo de pesca. inseticidas. onde é usada contra tosses. 1993). 1978. especialmente na África. 1986). Na Índia. impedindo-lhes a identificação correta. as cascas e folhas.. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez.

Jegerecu. coriáceas.3). cálice gamossépalo. alternas e ápice cuspidado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. alcançando até 8 m de altura. Breu. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Envira-preta. folhas ovado-oblongas. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Pijerucu. Nomes populares A espécie é denominada. Pindaíba-branca. Xylopia cf. tronco ereto e cilíndrico. Pindaúva. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. muitas das quais usadas na medicina popular. com duas a seis sementes (Figura 5. Pindaúba. onde parte deste estudo foi realizada. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. pétalas lineares. Jejerecu. folhas alternas. na região amazônica.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura.2). sem estipulas. simples. fruto do tipo baga ovóide. Pau-de-imbira. curto-pecioladas. tonturas e hipotensão. O gênero Xylopia. oblongolanceoladas. Coagerucu. hermafroditas. Jejerecou. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. com casca fibrosa. agudas no ápice. Em outras regiões do Norte do Brasil. aromática. e copa alongada. Coajerucu. Envira. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. frutescens Aubl. Malagueta e Banana-de-macaco. sul do Amazonas. vermelho. Pindaíba. também descrito por Carl Linnaeus. Ibira. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. deiscente. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Coaguerecou. Breu branco ou. . tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. simplesmente. lineares.

sendo uma espécie heliófita. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. As sementes. perenifólia e pioneira.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. para combater resfriados e dores de cabeça. Na região amazônica da Colômbia. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. folhas e. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. são usadas como estimulantes da bexiga. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. 1984). típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. . 1984). especialmente. sementes de espécies da família Annonaceae. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. como cabos de instrumentos e varas de pesca. própria para uso em carpintaria. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. raízes. também aromáticas. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. na forma de inalação. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. como digestivo e são úteis contra catarro. 1998). chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. ao passo que a decocção da casca é usada.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa.

1995c).. enquanto Gromek et al. 2002).. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. cis-annomontacina (Liaw et al.. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995a). especialmente como citotóxicas. muricatocina C e gigantetronenina. 1991b). 1993). I.São ácidos graxos modificados. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie... 1995b).. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. hoviicina A. muricatetrocina A e B.. . 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. anonacina-10-ona. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. Recentemente. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. No entanto. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. anomutacina 1. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. muricina H. e que são importantes representantes da flora brasileira..... denominada corepoxilona. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). 1994a e 1994c). e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. neo-anonacina-10-ona. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. murihexocina A e B (Zeng et al. epomuricenina A e B (Roblot et al. 1991).. 1995b). Anomuricina A e B. 1994). iso-neoanonacina-10ona. 1995e). Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 2 e 3 (Wu et al. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al.

1994).. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero..... 1996). solamina. anogaleno (Sahpaz et al. 1994c) neodesacetiluvaricina.. esquamosinina A (Yang et al.. cherimolia. 31-hidroxibulatacina. 1994a e 1994b). jeteína. 1991). Cortes et al. bulatencina. esquamona. Sahai et al. esquamostanal A (Araya et al.. squamocina e almunequina (Duret et al. Das sementes da mesma espécie. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. cis. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 1995a). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. 1993). 1993b).. Das semen- . 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. três uvariamicinas. 1993).. 1995). além de esquamocina e esquamostatina A.. 1994). 30-hidroxibulatacina. 1995) em Annona bullata. 32-hidroxibulatacina. C e D (Fujimoto et al. B.. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1996). muricata e A. 1995). esquamocina e roliniastatina I (Vu et al.. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. 1991a e 1991c).. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk.. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. reticulacinona (Hisham et al. 1994b). molvizarina e motrilina (Cortes et al. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. esquamosteno A (Araya et al.. anoreticuína-9-ona.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al.. isomolvizuína 2. 1992).. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al.. 1962). 1994a). (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. incluindo A. bulatanocina. tais como reticulatina (Saad et al. 1994). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. itrabina. isoquerimolina 1. 1991). 1993b)... 1994b).. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al.

aromatica (Rios et al.. squamosa (Krishna Rao et al. bullafa (Kutschabsky et al.. como constituintes predominantes. squamosa (Leboeuf et al. 1984). salzmannii (Paulo et al. ambotay (Oliveira et al.. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. A. anolobina e asimilobina foram isolados de A.. 1986). foram isolados do fruto de Annona muricata . 1994). 1985) e A. montana (Wu et al. squamosa (Wu. 1976). 1962)... argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. uma lignana ((-)-siringaresinol). squamosa (Silveira et al. Flavonóides foram descritos em A.. 1978). oxouxinsunina. 1982a e 1982b.. anonaína. Barbosa Filho et al. A. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1992. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1994). 1994). laureliptina. 1970) e X. 1988).. 1996). 1986) e A.. Monoterpenos foram isolados de A. C.. 1989. 1993) e sesquiterpenos em A. 1979. 1979..... purpurea (Castro et al.. Alcalóides conhecidos como anoretina. 1995e). Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. squamosa (Setharaman. de A. 1986). Mukhopadhyay et al. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1976). X. reticulina. 1991). isoboldina e outros foram isolados de A.. 1993). cherimolia (Villar et al. Yang & Chen. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. 1987). enquanto diterpenos foram descritos em A. anolatina....tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. Inúmeros compostos terpenóides. Y. 1981). enquanto três amidas ácidas. ambotay (Carazza et al. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. enquanto os alcalóides anonaína. frutos de A. Wu et al. et al. X. brasilienses (Casagrande & Merotti. cherimolia (Yang et al. 1978). A. cacans (Saito & Alvarenga. michelalbina. A.. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. 1991). Martins et al. reticulina.

corosolona 1 e corosolina 2. uma acetogenina isolada de A. acetogenina isolada de Annona muricata.. 1979). mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al.. 1995.. Vilegas et al. X. 1988. De Xylopia frutescens. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer... 1991). aromatica.. obtidas de Annona muricata. Di Stasi. 1941. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha.. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. Carbajal et al. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. 1962). 1990). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. 1995e). Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora.. 1995b). 1991). ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Ngouela et al. 1992. X. 1991). Acetogeninas isoladas sementes de A. 1991b). enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. muricata e de A. 1993. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. a raiz. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. Anomutacina 1.. 1991.. 1940). . a casca. Lopez Abraham.. 1987).. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. Bourne & Egbe. assim como outras espécies do gênero. propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. 1996. 1993). brasiliensis e X. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. Gbeassor et al. vasodilatadora.. enquanto extratos de folhas.. Heinrich et al. antiespasmódica.(Wong & Khoo. 1925 e 1932). muricata. 1979. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. Misas et al. 1991). 1998). 1979). Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. Solanina. A espécie Annona muricata possui. 1993..

reticulina. et al. 1993b e 1994b. isolados de A. galucina. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. anonaína. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. oxoxilopina. 1993). enquanto os alcalóides de A. (1995b). 1992). Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A... squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. 1993b). 1994). Chang et al. 1992).. . Cortes et al. 1993). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. montana (Wu et al. squamosa. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. reticulatina.... cherimolia (Cortes et al. 1991). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. cherimolia (Villan del Fresno et al. C. salzmannii. bulatanocina. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. coridina... anoreticuína9-ona.. 1991. asimilobina. reticulina. 1993) e várias outras (Jossang et al. montana (Wu et al. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. 1995a). norcoridina. 1991. Esteróides de A. solamina.. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. 1995).. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. respectivamente.. 1980).Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona.. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. enquanto alcalóides isolados de A.. Hui et al. 1988b e 1988a). Y. 1991c e 1991a). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. Os alcalóides isolados de A... 1987) e A. enquanto os alcalóides liriodenina.. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. esquamona. 1980).

Oliveira et al. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. 2001). além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. Extratos metanólicos de A. 1996.. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. 1993). A. foi caracterizada a . Do extrato etanólico das folhas de X. F.1983). que apresentou atividade citotóxica. donovani. Extratos etanólicos de sementes de A. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. que determinaram efeito depressor do SNC. 1998). 1989. E. enquanto o extrato etanólico de A. atividade anticonvulsivante e analgésica. Anopheles stephensi (Saxena et al. L. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. discreta. squamosa. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. 1993).. Das cascas de X. 1999). Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. aromatica foi isolada atherospermidina. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. coriaceae (Souza et al. Silva. 1996).. 1979).. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. 1975). fungitóxica. A. Martins et al. Extratos preparados também com A. parassimpatomimética de A. frutescens não apresentou atividade moluscicida. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).. 1990.. 1979.. 1994). Rao et al.. 1994). 1996). Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. 1998). Trypanossoma brucei... e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. como acido caurenóico. et al.. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. et al. O extrato etanólico da raiz de X. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. entre outras...

que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. (1988) para a espécie Annona muricata. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A.. .Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al... 1996 e 1997). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. anti-helmíntico e citotóxica. muricata e A. como inseticida. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. E da espécie X. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. Em Guadalupe. 1962). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. 2002).. 2001). especialmente em uso crônico. 1999). 1988c). Os diterpenos caurenoicos presentes em X. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A.

porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Virola. Nozmoscada e Ucuuba-branca. e espécies do gênero Virola. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Espécies medicinais Virola surinamensis L. usada como condimento. Ucuuba cheirosa. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. como Myristica. Horsfieldia e Knema. No Brasil. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. podendo chegar a até 35 m de altura. 1997). Árvore-do-sebo. Neste levantamento. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. como a Noz-moscada (Myristica). Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Bicuíba. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Essa família inclui gêneros importantes. e também como Leite-de-mucuiba. Sucuuba. contendo ramos carregados de folhas . 1996). a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Sucuba. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. que possuem importância do ponto de vista econômico.

elongata .. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. 1995). Vidigal et al. inflamações. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. Espécie de ocorrência na Amazônia. pavonis (Marques et al. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. V surinamensis (Lopes et al. Ferri & Barata. 1969. V. como outras do gênero. 1992. 1987). Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. 1996. bem como -sitosterol. para o tratamento de câncer. V cf. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. oblongolanceoladas.pecioladas.. pavonis (Martinez et al. S. chegando até Pernambuco. É uma planta perenifólia.. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. 1997). usadas como venenos de flechas. et al. A casca é usada como medicamento para aftas. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. com até 20 cm de comprimento. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. 1984). inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. 2000). O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. V.. 1989. L. Cassady et al.. Martinez et al. infecções. V michelli (Santos.. 1991 e 1992). surinamensis. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis).. 1996). 1971)... popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. 1987a). -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado.

urbaniana (Reis et al. V. V. 1987b). A atividade antifúngica das espécies V.. V. 2001). que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. 1996a). Além das lignanas.. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. michellii foi atribuída à presença da flavona. surinamensis.. 1994 e 1995). 1992) e V. pavonis. Pagnocca et al. calophylloidea (Von Rotz et al. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. sebifera. Das folhas de V.. calophylla (Martinez et al.. 1989) e V. titonina (Andrade et al. 1989). Lemus & Castro.. A atividade analgésica de V. titonina . calophylloidea (Martinez.. e polifenóis nas espécies V..(Kato et al.. V. 1992). carinata e V. 1999. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. V. Andrade et al. 1990).. flexuosa (Aguirre. calophylla. 1990. 2001). 1999). 1996. 1987)... surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al... 1990). oleifera (Fernandes et al. foschnyi (Lemus & Castro. V. 1986 e 1990). V. V.. carinata e V. 1993 e 1994). 1996... michelli (Santos et al. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. 1996) e V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. 1994 e 1996. venosa (Kato et al. michellii (Cavalho et al.. Cavalho et al.. 1988). Alvarez et al. V. 1995). As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V.

Persea.A atividade leishmanicida nas espécies V.. árvores e arbustos (Mabberley. amplamente usado no Brasil como condimento. 1986b e 1998). elongata (Davino et al. 1997). sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. sugerem cuidados da população quanto ao uso. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. Barata et al. surinamensis. 1978). do famoso Louro. aliados ao relato de atividade moluscicida. 1994).. A família reúne grande importância econômica. 2000). Sassafras.. Os principais gêneros são Laurus. da famosa Canela-sassafrás. todos aromáticos. sebifera. oleifera.. Ocotea. inseticida de V. donovani e V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima.850 espécies. V. Licaria.. 1987). duckei (Bennett & Alarcon. carinata e V. Nectandra. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. koschnyi (Castro et al. surinamensis (Lopes et al. dados etnofarmacológicos de V. 1996. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. e outros. As propriedades antioxidante e surfactante de V. pois. 1999). do nosso famoso Abacateiro. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. calophylla (Miles et al. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. cercaricida e molucicida de V. mas não foi detectada em V. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. 1998. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). 1996).. porém. alucinogênica de V. tripanossomicida. Incluem muitas espécies aromáticas. 1987) e anti-hemorrágica de V. 2000). além do . V.

É uma planta exótica e cultivada no Brasil. deriva de lauer = "verde". usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. para combater problemas hepáticos e intestinais. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Espécies medicinais Laurus nobilis L. lanceoladas. . e de outras espécies. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. como a Canela e o Louro. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. bem como para dores de barriga. fornecedor de alimento amplamente comercializado. 1998). onde se adaptou muito bem. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. sendo considerada digestiva. pecioladas. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. de estômago e como emética e abortiva. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. 1998).Abacateiro. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. e laus = "louvor". O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. folhas alternas.

A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. reumatismo e uremia (Corrêa. vulnerárias. é também usada contra febres. carminativas. não ocorrendo espontaneamente. externamente. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. diuréticas e febrífugas. as folhas são usadas contra indigestão. que envolve a semente grande e marrom. lanceoladas e acuminadas. comestível. anti-sifilíticas. ou Persea gratíssima Gaertn. nome dado especificamente ao fruto. estimulante do apetite e contra cólicas. ao passo que a infusão das folhas. 1995). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. além de atuar como diurético e analgésico. bronquites. emenagogas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. Persea americana Mill. contra reumatismo. pequenas e pouco vistosas. pecioladas. além de serem usadas contra doenças renais.Internamente. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. sendo comercializada em todo o mundo. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. úlceras e piolhos (Bown. estomáquicas. 1984). onde se encontram as folhas alternas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. fruto do tipo baga ovóide. com polpa verde. analgésico. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. flores branco-pálidas. .

1991.. elemicina. antifúngico (Domergue et al. 2001). Grant et al. 2002)... americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1987). antiinflamatório (Ademylmi et al. 1997). .. americana citados acima. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998).. 2002)..8-cineol isolado de L. 2002.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. 2002). O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. A atividade antiulcerogênica de L. spatulenol. foram atribuídos os efeitos analgésico. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. Afifi et al. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. 2002). O 1.. 1991). 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al.. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. 1995. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. Carman & Handley. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al.. 2000. A espécie Persea americana L. Às folhas de P. Sladler et al. 2002).. hidrocarbonetos. Hargis et al. 1999). 1991...

FIGURA 5. 1984). .Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.1 . b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).

Annona tenuiflora. 1984) (Banco de imagens).FIGURA 5.2 . . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

3 .Xylopia cf. . b) Detalhe da flor (Banco de imagens). frutescens: a) Escanerata do ramo florido.FIGURA 5.

e. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. C. muitas das quais usadas como medicinais. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Thottea e Asarum. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Santos C. 1998). A. M. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. M.ó Aristolochiales medicinais L. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Hiruma-Lima E. no Brasil. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. 1997. Di Stasi C. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. ao passo que na região do . Joly.

com sementes achatadas. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. folhas alternas.1). Calunga. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. grandes. e lochia = "nascimento". Capa-homem. que lembra o feto em posição antes do nascimento. zigomorfas. sulcados e estriados.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. hermafroditas. flores isoladas. parto. e várias com usos medicinais descritos. Dados botânicos É uma planta trepadeira. Mil-homens e Papo-de-peru. Jarrinha. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. fruto capsular cilíndrico. usadas como venenos. Batarda. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. simples. Outras denominações populares são Angelicó. ramos lisos. . denominada popularmente como Milomem. foi referida como medicinal. Contra-erva. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pecioladas. muitas das quais ricas em alcalóides. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. axilares.

Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. simples. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. as flores são isoladas e axilares. catarros crônicos. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. gripes fortes. pecioladas. especialmente para combater náuseas e vômitos. Também não é uma espécie cultivada. disenteria e diarréia. não sendo encontrada em áreas degradadas. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. 1982). constipação nasal. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. . 1984). sudorífica. anti-histérica e útil contra febres graves. diurética. os ramos são lisos. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. capoeiras e áreas em regeneração. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. sarnas e orquites (Van den Berg. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. estimulante. cicatrizante e contra úlceras crônicas. anti-séptica. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. sulcados e estriados. estomáquica. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. excitante. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. no entanto. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira.

debilis (Ahmed Farag et al. 1995). A. 1980). A. cinnabarina (Li.. A. 1983b). 1995). cinnabarina (Li et al.. Paiva et al. 1995). A. 1995) e A. A. S. dematilis (Makuch et al... 1988. ftiangularis (Bolzani et al. rotunda (Pistelli et al. J. clematitis (Kostalova et al. 1987).. 1989).. 1994). 1979) em raízes de A. A. elegans (El-Sebakhy et al. et al.. G. bracteata (ElTahir. A. 1986b e 1986a). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. 1991b). kankauensis (Wu. esperanzae e A. 1996). vários outros alcalóides aporfínicos de A. A. A. 1991) e de A. ponticum (Houghton & Ogutveren. Chakravarty et al.. 1992) e outros alcalóides em A. arcuata (Watanabe & Lopes.. 1987). 1979). maurorum (Kery et al. 1985) e A. clematitis (Kostalova et al. indica (Piers & Tse. 1987). galeata (Lopes. kankauensis (Wu et al. A. 1983a). manshuriensis (Ruecker et al. A. A. A. Zhang et al. Lou et al. longa (De Pascual et al. versicolor (Zeng et al.. clematitis (Kostalova et al. et al... sendo descrito em A. 1988). chilensis (Urzua et al. A. gigantea (Lopes. II. fangchi (Tsai et al. versicolor (Zhang&He. 1984). 1977 e 1985). rigida (Pistelli et al. 1992. 1987.. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. em A. C.. 1995). gigantea (Cortes et al. A. liukiuensis (Mizuno et al.. tubiflora (Peng et al. . S.. A.. manshuriensis (Lou et al... 1991). A. X. 1991). A.. rodix (Tsai et al... yunnanensis (Chen et al. 1988). 1986). 1987. et al. A.. 1983). 1991a)... A. A. argentine (Priestap. longa (De Pascual et al. Alcalóides foram isolados de várias espécies.. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1991a). 1982). A.. T.... 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1991).. 1995). tubiflora (Peng et al. 1992). auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. 1987). A.. 1992). incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. tubiflora (Peng et al. 1994). 1994). argentine (Priestap. A.. acuminata (Moretti et al.. tais como A. L. bracteata (ElTahir. auricularia (Houghton & Ogutveren.. H. Abel & Schimmer. M. A. brasiliensis (Lopes et al. A. molissima (Peng et al. L. 1991b). 1992). versicolor (He et al. A. A.. molissima (Peng. 1991). 1980).1993). 1987). A. kankauensis (Wu. 1995).. 1996. et al... nata (Moretti et al. A. 1995) e A. P et al. 1980).. Lopes. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1988). chilensis (Urzua Rodriguez. 1987). 1993)... T.. et al. Higa et al. A. indica (Che et al.. A. 1983). III e IV (Houghton & Ogutveren. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. A. A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. raízes de A. 1991. contorta (Lou et al. A. 1990..

1980). -elemeno e -humuleno foram determinados em A.. copaeno.. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . triangularis (Ruecker et al. indica (Pakrashi & Pakrasi. 1978). birostris (Conserva et al. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. et al. 1988) e A.. A. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. Lopes et al. A. 1987b. 1990).... 1995). Urzua & Presle. 1990). T. taliscana (Longsw et al. 1991b). A.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1979). chilensis (Urzua et al. arcuata (Watanabe & Lopes. 1988) e amidas em A. -elemeno. S. cymbifera. macroura (Leitão et al. 1980. 1987) e A. e o ácido aristolóquico de A. 1977).. O ácido aristolóquico de A. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. A.. et al.. kankauensis (Wu. S. R. Lignanas também foram descritas em A. A. esperanzae.. 1994). 1993). galeata (Lopes & Bolzani. A. 1996). Compostos como -cariofileno. gigantea e A.

Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. niaurorum (Kery et al. anti-séptica e cicatrizante de A. O mesmo ácido obtido de A. 1991). antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. 1985). gigantea (Campos et al. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1988). paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. 2001). triangularis (Garcia. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al.Choudhury.. 1990). 1983). Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. no Sistema Nervoso Central. 1993). O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. Atividade mutagênica. 1996).. A. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. papilaris (Maia et al... O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al.. A espécie A. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. et al.. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al.. H. Estudos com A. papilaris (Maia et al.. tulobata (Sosa et al. 1979).. 1999).. 1988). 1995). 1985). com A. 1979). paucinervis (Gadhi et al. antibacteriana. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. 1991). birostris demonstraram. A. 1999). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. Atividade antiinflamatória também foi observada em A.. 1993). multiflora (Moretti et al. atividade analgésica. 1991).. G. e antiviral com A.... O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 2002). determinada pelo teste de Ames.

Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. Entretanto. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. Da mesma forma. por suas características químicas. . 50 ou 100 mg/kg via oral. FIGURA 6.Aristolochia trilobata. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. 1996) por humanos.1 . 1993)..com 10. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes.

Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. G. 1997). A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. especialmente do gênero Piper. C. epífitas. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. Di Stasi C. S. e espécies me- . do qual se destacam espécies como a Pimenta. Piper nigrum.7 Piperales medicinais L. onde ocorrem em abundância e diversidade. Geralmente as plantas são arbustos. A. Portilho M. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. Mariot W. Hiruma-Lima A. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Peperomia e Pothomorphe. normalmente com células de óleos essenciais. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. dos quais se destacam os gêneros Piper. lianas. Por sua vez. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal.

muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. folhas alternas. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. sendo também apenas . O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá.dicinais de ampla utilização. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. muito semelhantes entre si.1). Piper cubeba. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Nomes populares Além de Tracoaptera. as quais passamos a discutir a seguir. como a chinesa e aiurvédica. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. pequenas. Espécies medicinais Peperomia elongata H. ovário com um só estigma. Piper angustifolium. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. O gênero Peperomia. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces.B.K. Piper longum. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. como a Piper betle (betel). Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie.

Não foram encontrados sinônimos. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. simples. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Piper cavalcantei Yuncker. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Peperomia rotundifolia H. pequenas. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. . A espécie é encontrada na Mata Atlântica.K. Nomes populares A espécie é chamada. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). gastrite e gripes. bastante carnosas e glabras. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. na região amazônica. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica.B. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. mas com pouca ocorrência. curtopecioladas. de distúrbios do estômago.

Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. sendo a maioria arbustos. os frutos são drupáceos (Figura 7. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. folhas pecioladas. assimétricas na base. Piper cernnum Vell. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. pendente. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. podendo chegar a até 5 m de altura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. atingindo até 10 cm de comprimento. isoladas e levemente curvadas. especialmente para dores de cabeça. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. todas aromáticas. membranáceas. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. algumas lianas e pequenas árvores. inflorescências do tipo espiga. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento.2). .

3). especialmente contra dores de barriga. Piper gaudichaudianum Kunth. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. onde a espécie é abundante. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. um pouco ásperas. inflorescências do tipo espiga. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. particularmente contra cólicas abdominais. além de ser útil em distúrbios renais. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. tendo distribuição por todo o Brasil. a infusão das folhas é usada como analgésico. acuminadas no ápice. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. Em outras regiões do país. . levemente curvadas. estomacais e hepáticos. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. incluindo hepatite. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. membranáceas. assimétricas na base. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente.

flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. cordiformes. levemente assimétrica na base. estomacais e renais. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. com ápice acuminado.Piper cf. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Aperta-ruão ou Aperta-juan. flores . Ihotzkyanum Kunth. pequena (até 11 cm de comprimento). Em outras regiões do país. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Nhandi. folhas alternas. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pecioladas. Bitre. glabra.4). sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Piper marginatum Jacq. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. alongada e fina. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. membranosas. inflorescências do tipo espiga. com ramos glabros e cilíndricos. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. r e t a . membranácea. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. A espécie é muito comum na Mata Atlântica.

O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. formando uma falsa umbela.) Miq. as raízes são carminativas.6). ovado-arredondadas. Caá-peuá. essas diferenças ficam bem claras. Pothomorphe peltata (L. com ápice agudo e nervação peltinérvea. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. sudoríficas. dores de dente e blenorragias. membranosas. sialagogas. um gênero da família Araceae. A planta é tônica. peltatas. . estomáquica. se ingerida. peitadas.com brácteas triangulares. andróginas. descrita a seguir. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. e não isoladas. flores sésseis. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Uma outra espécie do mesmo gênero. Malvarisco. os frutos são excitantes. diuréticas. estimulatórias (Corrêa. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. contra veneno de cobra. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. bainha desenvolvida. androceu com três estames. como ocorre no gênero Piper. Catajé. 1984). as folhas. principalmente da tucundeira.5). resolutiva e usada em banhos após o parto. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. minúsculas. fruto do tipo baga (Figura 7. gineceu com três estigmas. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo.

Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg.7). minúsculas. Capeba ou Pariparoba. cordada. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. vermífugo. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. 1984). 1980). a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. diurético. . desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. ovado-arredondadas. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. antiinflamatório externo e interno. Pothomorphe umbellata (L) Miq. fruto do tipo baga. formando uma falsa umbela. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. com ápice agudo e nervação peltinérvea. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. membranosas. flores sésseis. bainha desenvolvida. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. andróginas.

G... Das partes aéreas de P. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides.. 2001). foram isolados lignanas denominadas peperomina A. De Peperomia japonica. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. que representa 49% dos constituintes voláteis. 1997). Os alcalóides. Das raízes de P. compostos de grande importância farmacológica.. 2000). vulcanica e proctorionas de P. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. indicada populamente como antitumoral. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. 3-hidroxi-4. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. 2002. Piper Das raízes de P.. 1994). B e C (Chen. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. C. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. 1982)...Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. são . 1996).. proctorii (Mbah et al.. flavonóides (Tillequin et al. marginatum foram isolados aril-propanóides.. Cromonas foram isoladas de P. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. et al. 1982). grifolina bisobolol... quinonas piperogalona. ácidos graxos (Lima et al. E. além de apiol. miristicina. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. M. Mahiou et al. et al. 1988). monoterpenos. 2001). 1988). 1990)..5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. que também possui ácido grifólico. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. Seeram et al. sesquiterpenos.

isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . hancei (Li et al. sylvaticum (Banerji & Pal. auritum (Ampofo et al.. Isolaram também neoglicanas de P.. 1986.. 1986) e P. P. 1979). 1985). betle (Evans et al.. Bacillus subtilis. piperlongumina. hispidum (Burke & Nair. piperina. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1983.. P. piperidina. cubeba (Badheka et al.. hidropiperona. 1986. jaborandi (San Martin. lancei (Han et al... Foram isolados diversos alcalóides em P. betle (Rimando et al. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. 1985).. hispidum (Vieira et al. 1977) e P. flavonóides de P.. lignanas de P. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al.. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. nigrum (Inatani et al. 1987).. Uma quinona.. P. 1987). com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. compostos fenólicos de P.. Shoji et al. aduncum e P. Achenbach et al.encontrados com freqüência nesse gênero. 1984). Foi demonstrado também que P. amalago (Dominguez et al. longum (Dutta et al. P. hostmanianum (Diaz et al. P. 1980). hispidum (Vieira et al. 1995).. P.. methysticum (Smith. Tabuneng et al. aduncum (Smith & Kassim. 1982) e P clusti (Koul et al. 1980) e P.. P peepuloides (Shah et al. 1986 e 1987). guineense (Cole. retrofractum (Banerji et al. chavicina e outros. 1981) e P. futokadsura (Chang et al. 1987). 1986). 1986).. 1987).. 1977. tuberculatum (Braz Filho et al. 1968). P. 1987). 1992). 1986). P. 1985) e P.. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A.. 1979).. P. Li & Han. P. Pothomorphe P. 1981). 1983). sendo os principais piperlonguminina.. 1986) e flavonas de P. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli.

2001). Piper Foram caracterizadas para P. O extrato aquoso de P. 1996).. M. Villegas et al. promoveu piloereçáo. 2001). analgésica (Da Silva et al. V. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. antibacteriana. E. antifúngica (Lima. salivação intensa. lacrimejamento. apresentou atividades diurética (Santos. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. relaxamento muscular e dispnéia. et al. et al. em doses que variaram de 0. et al.. S. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. et al. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. O... L. V. 1994). V... 2002. H. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.1-1 g/kg. 1996a)... e atóxica (Saad et al. O. bloqueada com prazosin e ioimbina. 1992).. Substâncias de P. 1995)..cies de Leishmania (Mahiou et al. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. A administração i. Arigoni-Blank et al. 1997).. galioides e os compostos ácido grifóico. 1997).. Assim. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. 1998. 1996b). Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. R. 2002. B. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. R. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. também conhecida como Língua-de-sapo. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro.v. 1996). cicatrizante (Saad et al. atuar como antialérgico e diminuir . não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. hipotensora (Siqueira et al. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. 1994). do extrato (0. et al. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. hipotensora (Santos. H..5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.. Embora o extrato de P. 1996). 1997).. Aziba et al.1-0.. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta.

1991. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. P.. Di Stasi & Pupo. Cairney et al. e aumentou o tempo de sono (Duve. nigrum (Miyakado et al.. 1985).. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.. 2002). 1979). 1988).. aduncum (Lohezic-Le et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. 1976). 1983). as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. apresentou propriedades anestésica.. methysticum também conhecida como kava-kava. 1988). nematicida (Evans et al. P. Prakash.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar.. cincinnatoris. retrofactum (Woo et al. 1984). antioxidante (Choudhary & Kale. Shen et al. Amorim et al. Atualmente. 1988). analgésica. 1987). A espécie P. lindbergü e P. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al.. 1986). 1985).. De P. anticonvulsivante. espasmolítica... A espécie P. 1984). As neoglicanas isoladas de P. Desmachelier et al. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda .. 2002. 1987. abutiloides. por seus constituintes químicos. Pothomorphe A espécie P. 2000). a degranulação... e antiviral P. mutagênica (Chen et al. Porém.. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. 1985). regnelli. 1986 e 1988. 1978. gaudichandianum. 2002). futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1985). além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. fungicida. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. P. Dahanukar et al.. 1986. lancei e P. betle apresentou atividades fungicida. conhecida como Pariparoba. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. inibindo a agregação de plaquetas. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. amalago (Pupo.. agindo como os anestésicos locais (Singh. peltata. esta última com potente atividade (Di Stasi. larvicida (Mongelli et al. 1984). 1984. peltata possui atividade analgésica (Pupo. inseticida com substâncias de P. P. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P.

Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.. 1995). analgésica. 1992). Desmarchelier et al.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al.. Miq. 1987).. P. 1996). umbellata. 2002. 1987).Peperomia elongata. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . antimalárica e antioxidante (Isobe et al. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. umbellata L. De P.1 .. umbellata. peltata (Felzenswalb et al. antiedematogênica. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. o que não foi observado na espécie P. FIGURA 7.Banco de imagens . 2000).. O extrato etanólico das raízes de P.. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.. 1997... de Ferreira da Cruz et al.

2 .FIGURA 7. .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Banco de imagens ).

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7.3 .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. .

b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ). .FIGURA 7.Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.4 .

5 .Piper marginatum. . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7.

FIGURA 7.Banco de imagens . ..Pothomorphe peltata. . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .6 .

Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ). .7 .

Hiruma-Lima C. o famoso Ópio. arbustos escandentes e . C. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. foram obtidos. como a morfina e outros derivados opióides. das quais devemos destacar Menispermaceae. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Berberidaceae. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. como é o caso da Papaver somniferum. algumas lianas.8 Ranunculales medicinais L. Santos E. Pteridophyllaceae. Di Stasi C. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. Ranuculaceae e Papaveraceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. A. Sabiaceae. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. M. M. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas.

Espécies do gênero Abuta. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. Nessa família. no entanto. com ampla distribuição na América do Sul. da Mata Atlântica. folhas alternas e pecioladas. 1996). aplicada no local lesado e/ou ingerida. foi referida como planta antiinflamatória. Outra denominação é Iroba. são consideradas muito tóxicas. assim como .raramente árvores ou ervas (Mabberley. Dados botânicos Planta perene. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. a espécie é chamada de Abuta. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. típica da aldeia tenharins. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. com contorno oblongo (Figura 8. fruto do tipo drupa. onde a planta foi referida como medicinal. 1997). também denominada de Abutua. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. Uma delas. utilizadas por índios do Norte do país. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais.1). O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. rufescens e A. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. raspada e misturada com água. tais como A. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. imene.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

1997). 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. Não foram observadas..parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. 1996.. D. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai.. 1996). L. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. GOT. et al. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. 1996 e 1998). 1993. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. 1996). 1996a e 1996b). antiviral (Brochado et al.. B. 1998. M. porém... J. et al.. relaxante (Araújo et al. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al.. 1997). 1997). 1997). celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. 1994). ainda. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al.. 1999. 1987)... Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. D. et al. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. in vitro. 1996. B. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. 1993).. raízes. Induziu. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Além disso. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Gomes et al. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. Brochado et al.. 1997. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. Kern et al. analgésica (Macedo et ai. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. L.. argentea. Uma loção contendo C. Farias. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . Loureiro et al. Farias. 1996). LDH) e o nível de bilirrubina.

Zhang et al. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. especialmente em uso crônico. confirmados para inúmeras espécies dessa família. sobretudo contra helmintos. 1996).. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. Extrato aquoso de A. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. inclui . 1992).. Do extrato de A. 1972).. 1988. 1998). não apenas com as espécies citadas. S. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. et al. 1995). C. 1996. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1993).. subclasse Caryophyllidae. 1986. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. B. O uso das espécies contra helmintos. Yang et al. De Ruiz et al. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica..quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. requer cuidados por parte da população. 1989).. aliado aos dados de toxicidade em peixes. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al.. et al. mas com inúmeras outras da mesma família botânica.. porém. hemorragias.

1978). suculentas. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. são espécies perenes. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. No Brasil ocorrem 32 gêneros. embora várias espécies possam ser encontradas na África.97 gêneros. 1978). Cereus e Melocactus (Cactoideae).400 espécies (Mabberley. com aproximadamente 1. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. • Opuntia (Opuntioideae). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. . Em ambos os casos. • Cactus. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. 1997). com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. Segundo Joly (1998). de hábito variável e geralmente espinhosas. que também inclui espécies medicinais. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas.

1986). muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. C. numerosos acúleos. dispostas em rácimos terminais. guamacho possui ácidos galacturônico. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. 1994). ácido galactopiranosilurônico. arabinose. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. obovóide. galactopiranose. além de galactose. arabinopiranose. A goma de P. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. fruto do tipo baga glabra. Peiresc.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. A espécie é originária da Argentina.. galactose. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. Das folhas de P. 1987). 1990). com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. galactose. F.. sendo uma homenagem ao professor N. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. além de heteropolissacarídeos. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. folhas subpecioladas. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. antitérmico e contra gripes e resfriados. glucose. cresce em matas e em restingas. glucurônico e seus metil ésteres. oblongas e acuminadas com base atenuada. arabinofuranose. em altitudes e também no nível do mar. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. . xilose e ramnose (De Pinto et al. lenhoso. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al.. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich.

sendo algumas pequenas árvores. arbustos e ervas. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. muitas delas suculentas (Mabberley. 1997). O principal gênero é o Portulaca. 1978). . Talinum e Portulaca.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. e 33 espécies (Barrozo. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. Portulaca oleracea. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos.

e a maioria é de ervas suculentas anuais. sésseis. Na região da Mata Atlântica. diminutivo de "porta". Dados botânicos É uma erva de caule curto. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. arroxeado e suculento. especialmente em Portugal e na Alemanha. fruto capsular obovóide.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. pequenas. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. Bodroega. Berduega e Veduega. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. outros usos são atribuídos à espécie. flores amarelas. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. na forma de salada. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. dadas sua rusticidade e resistência à seca. como alimento. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. cólicas renais e . mas algumas variações de nome popular são usadas. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. tais como Verduega. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. pequenas. folhas pequenas. planas e suculentas. Inclui três variedades principais. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. axilares ou terminais. referindo-se às propriedades purgativas da planta. as partes aéreas cruas são usadas. obovadas.

A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. como as da beldroega. pilosas.afecções da vista. de onde saem folhas alternas. Caaponga. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. as sementes passam por diuréticos. diurética. Também conhecida como Beldroega. glabros e suculentos. amarga. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. flores amarelas. . roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. Portulaca pilosa L. Perrexi e Alecrim-desão-josé. vulnerária. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. pequenas. lanceoladas. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. cicatrizante externa. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. As folhas dessa planta também são comestíveis. estomáquica. emoliente. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. emenagogos e vermífugos. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. emenagoga e eficaz contra erisipela. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves.

três diterpenóides transclerodânicos. Simopoulos et ai. campesterol e stigmasterol. pilosa (Ohsaki et al. 1992). butirospermol. B e C.. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai.. dentre os quais 18:3-ômega-3. oleracea de proteínas. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. 1996). ascórbico. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. 1991). (1991) detectaram de R oleracea 3. . 1995b). portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. málico. cycloartenol.. pilosanol A. carboidratos. cálcio.. succínico. 1991). fumárico e acético (Gao & Liu. 1988)... ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai.. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. Boschelle et ai..4. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. P. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 22:6ômega-3. 1996). isolados das raízes de P. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. malônico.. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al.. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. ferro.5% de lipídios. 1991).Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. 1992). manganês. sendo o último composto um glicosídeo. como sitosterol. 1996). ácido ascórbico. parkeol. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. 1991. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos.. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina.. Boehm & Boehm. 1994). 1990). fósforo. 1995. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. ácido linoléico e ácido palmítico.

além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. (1994). oleracea foi investigado in vitro.. 1993. 1994). em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. Habtemariam et al. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al.... 1989). O extrato de P. 1989b) e hipotensora (Poli et al. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. n-hexacosanol.. 1994). 1989. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1987). 1989). foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. . suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. 1985) relaxante muscular.. lupeol. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al.. oleracea.. 1995). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 1993). grandiflora Hook. beta-sitosterol... encontrado por Rocha et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai.. sem alterar a diurese. De P. 1989).. 1996).. 1997).De P. 1989). 1987). stigmasterol. apresentou atividade hipoglicemiante. diurética (Rocha et al. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. dentre outras espécies. enquanto das partes aéreas de P.. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. n-triacontano.. P. Rocha et al. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.

1978). 1997). Anserina vermífuga. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Salicornia. raramente. Spinaceae. extremamente ramificado. ervas anuais ou perenes e. Erva vomiqueira. Inclui arbustos. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. oblongas denteadas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Ex Stend. ramos folhosos verdes com folhas alternas. sendo uma planta extremamente . Lombrigueira. Salsola e Atriplex. Erva-das-lombrigas. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Erva-das-cobras. Também é chamada de Ambrósia. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Menstruço. caule ereto e glabro.5 m.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. No entanto. Mentrasto e Mentrusto. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. A família se subdivide em quatro subfamílias. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Caacica. pequenas árvores. que pode atingir até 1. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal.

destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. extremamente útil para afugentar pulgas.) . renais e genotoxicidade (Kapadia et al.. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. febre. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. 1995). O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. 1978. lesões hepáticas. esse uso é comum também em outros países. percevejos. a maioria de ervas. incluindo a Amazônia. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. Melito et al. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. amplamente disseminado nas zonas rurais. dor ciática e parasitas intestinais e. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. para problemas da pele. referindo-se às folhas lobadas.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. ao passo que a infusão das folhas é usada. externamente. Além desse uso. 2002. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. 1985a e 1985b. contra reumatismo. em altas doses. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". Godano et al. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. especialmente na área veterinária. baratas e demais insetos. bronquite.. sendo especialmente útil como vermífugo de animais.. como abortiva. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. internamente.

distribuídas. de onde partem folhas pequenas.3). nome usado em todo o Brasil. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Bougainvillea. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Guapira e Andradea. Mirabilis e Bougainvillea. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. a espécie é conhecida como Erva-tostão. Pega-pinto e Tangaraca. pilosas e pecioladas. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. ovadoblongas. . flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Mirabilis. opostas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Pisonia. Dos gêneros. arbustos e ervas que produzem betalaínas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Boerhavia. em trinta gêneros.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. incluindo árvores. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. 1997). mas não antocianinas (Mabberley. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos.

1978 e 1980. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. sendo árvores. Corrêa (1984) refere que a planta.. além de ser considerada excelente diurético. atóxica. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. 1990 e 1991). Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. 1991. 1995).. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. Rawat et al. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. 1996) e lignanas (Lami et al. 1997). a maioria rica em antocianinas (Mabberley. 1999). Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. sem efeito teratogênico (Singh et al. 2000a). lianas ou ervas. especialmente a raiz. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1991). Sohni et al. cujos efeitos benéficos são incontestáveis... Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. particularmente contra lombrigas. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes.. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . possui sabor picante. 1997). 1996. 1999). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al... Aslam. arbustos. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.

também é comum. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. fruto aquênio cilíndrico. em Pernambuco e em São Paulo. alternas. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. pequenas. Outros dados incluem o uso da raiz.como ornamentais. Tipi-verdadeiro. folhas. 1984). diurética. achatado e carenado (Figura 9. limão de cayanna. antiespasmódica e reputada como sudorífica. Gambá-tipi. folhas curto-pecioladas. no alívio de dores musculares. sublenhoso. ramificado com ramos compridos. delgados e ascendentes. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. membranosas. raízes e ramos são considerados emenagogos. como Tipi. farmacêutico e amante da natureza. e o gênero Petiveria. Amansa-senhor. alfavacão. que inclui uma única espécie. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. na Bahia. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. inchaço de mem- . o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. Dados botânicos Subarbusto perene. O uso externo das folhas novas e da raiz. em decocto ou pó. androceu com quatro estames. flores sésseis. Em outras regiões. agudas no ápice e estreitas na base. anti-reumática e antivenérea (Corrêa.4). como abortiva. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. estipuladas. ereto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Pipi. no Rio de Janeiro. gineceu unicarpelar com ovário súpero. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. no Mato Grosso.

bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. 1997. peptídeos como ácido glutâmico. serina. a raiz é útil na amenorréia (Agra. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. glicina e alantoína (Sousa et al. M. pinitol. no Rio Grande do Sul. na Paraíba. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. paralisia.. . lignoceril álcool.. et al.. 1988. 1988). S. T. De Lima et al. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. Van den Berg. Grandi et ai. além dessas indicações. 1992). reumatismo. 1990). C. 1980). Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. trisulfeto de dibenzila. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. 1989) e depressora do SNC (Lima. 1998). 1982). 1986). as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. ácidos palmítico. beta-sitosterol. 1982. De Souza et al. 1988b). M. dores de cabeça. T. 1990).. triterpenos (Delia Monachi et al. esteárico. linoléico. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. as raízes são usadas na hidropsia.. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. nitrato de sódio. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al.. em Minas Gerais. 1988. em Brasília e no Mato Grosso. ainda.. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5.. C. 1986).. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. 1988). ácido lignocérico. flavonóides. trans-N-metil-4-metoxiprolina.. beta-sitosterol. 1988. 1980. Trotta et al.. et al.. no Ceará. et al. como abortivo. 1980).. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. Pinto C. alantoína. 1982)..7-di-O-metilpinocembrina. 1982). Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados.

tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1988. 1996) e antitumoral (Davino et al. Caldeira et al. 1988. por levar à imbecilidade. 1987) e antiviral (Ruffa et al. Elisabetsky et al.. utilizado popularmente como vermífugo. 1997) e antifungica (Benevides et al. hematopoiética (Quadros et al. 1991). 2002. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 1989. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. P.. 1991). Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo.. e o de caule. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. 1994). et al. 1998). citotóxica. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. 1998).. acaricida (Johnson et al.. Takahashi... Lopez-Martins et al.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. Malpezzi et al. 2001). Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1990).. 1994). 1995)... Davino et al. 1988. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1992). 1991. Cortez et al.. . 1993). alliacea. 1991.. com uma D L m a de 1. No entanto.. afasia e até à morte (Corrêa. atividades analgésica (Thomas et al. 1991 e 1992). 1993.... Germano et al. M. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. 1993. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. Y. 1984). 2050 aci02).... 1988). O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. Davino et al.. O extrato hidroalcoólico de P. 1989... 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. antiinflamatória oral (Germano et al.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. também apresentou atividade moluscicida (Almeida... Guerra et al. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. efeito zigotóxico (Guerra et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

é uma variação de sicyos. . fruto do tipo pepônio verde. como Cabeça-de-negro. alternas. membranosas. Wilbrandia ebracteata Cogn. foi dado em homenagem a John Wilbrand. longos. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. descrito por Patrick Browne. rugoso. Wilbrandia. especialmente na Itália. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá.3). que significa "pepino". e muitas variedades em cada espécie. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. mas ásperas. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. O nome do gênero Sechium. e o nome. É uma importante espécie econômica. 5-lobadas e raramente com mais lobos. O gênero inclui apenas seis espécies. com caule anguloso. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. especialmente após o cultivo sistematizado. como em formações secundárias. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. flores amarelas esbranquiçadas. e sua raiz. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). sendo um produto amplamente comercializado. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. sulcado. folhas pecioladas.a cinco lobos. ramoso e delicado. capoeiras e na beira de estradas. com até 20 cm de comprimento. flores amarelo-claras. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies.

charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. charantia foi determinada como 0.76% de lipídios. 1990. charantia foi isolada a gama-momorcharia. Grondin et al..81%). além das momordicinas (Fatope et al. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1987). afecções da pele.. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. 1996). Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. reumatismo.. Zheng et al. sendo o cucurbita-5. 1988. Dos frutos verdes de M. 1990a). 1986). sífilis (Almeida et al.. 1996. 1996).. também. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Wang et ai. Ni. Foram isolados também cicloarterol. A composição química do fruto de M. 1990). Chandravadana et al.. Dos frutos frescos de M. charantia também foram isolados triterpenos. glicolipídios (35. a raiz é utilizada no tratamento de febre.. charantia . momordicinina e momordicilina.. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Hara et al. Chang et al. 1991. Cr.. 1997). 1992). divididos em lipídios não-polares (38. 1996). 1985).. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. Mn e Li (Peng & Li. 1996. ácido linolênico. Huang et al. como laxativo (Farias et al. proteínas. Das folhas de M. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al.. 1989). 1996. Das sementes de M. 1997). Além disso.. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. 1989..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Kusmenoglu. Das sementes de M. Das sementes de M. Zn. além do esterol.80%) e fosfolipídios (16. 1992).. Nguyen. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. tumores e.. De M. Co. 1995. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. assim como no controle da diabetes.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes.. charantia também foram isolados vicina.. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai.. aminoácidos e abundância em elementos como Cu..40%). 1989. Foram isolados ainda das sementes de M.

dioica eM. seguidas. 1990). punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. 1991). H e I (Miro. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. 1987). esteárico. triterpenos tetracíclicos. 1987). e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. além do ácido rosmarínico. contendo trinta carbonos. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. 1990b). Geralmente. também foram detectados em Aí. sesquiterpenolactonas e taninos. 1994). 1994). 1995). pelas G.. balsamina (De Tommasi et al. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1993). charantica. Aí. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. também descrito em M. Dos frutos de Aí. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. além de uma resina (Volák & Stodola. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. foetida (Mulholland et al.. Das sementes de M.. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. 1990). involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. pela E e.. além de possuir óleo essencial (Guerrero. charantia. isolados das partes aéreas. As sementes possuem 50% de óleo. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. 1995). As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. posteriormente. rigorosamente. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. 1997).vicine. 1993). oléico. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. . e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R).

.. 1993). Welihinda et ai... Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. 1980. 1996.. parâmetros hematológicos permaneceram normais. da síntese protéica. Pugazhenthi & Murthy. 1997).. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Raman & Lau.. 1996). 1983a e 1983b) e . do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. decocto das folhas e suco de M. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. (1994).6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. 1996. 1996. 1982a e 1982b). (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. Karunanayake et al.. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. 1987).. 1981. antiviral (Takemoto et al. 1986. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. Ng et ai. 1982.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes.. extratos brutos de folhas. O extrato etanólico de M. 2002) (Jilka et al. (1986). El-Gengaihi et al. Inibição da síntese de RNA. charantia (Rathi et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. Platel & Sirinivasan. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Ahmad et al. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. 1983). com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. Além disso. DNA. Athar et al. 1993). charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. 1984.. 2002). O suco dos frutos de M. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l.. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti.

proteínas inativadoras de ribossomos. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. charantia. 1996).. antitumoral.. Os frutos e sementes de M. Wang et al. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. charantia. 1987. incluindo M.. L. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. . pulmonares e da mama (Rybak et al. 1994). charantia. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1983). O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M.imunomoduladora (Spreafico et al. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M.. alda-momorcharina. 1990).. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. Ng et al. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M.. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. momordina 1 e momordina 2. 1996).. 1990a). et al. inativadora de ribossomos e imunomoduladora.. 1995b). Fong et al. uma proteína inativadora de ribossomos. 1994). quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. 1995). charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. A glicoproteína isolada das sementes de M. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. isoladas dessa espécie.. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. 1990).. charantia. na qual descreveram a momorcochina. isoladas de sementes de M. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. 1993). As proteínas inativadoras de ribossomos. charantia) inibe a integrase de HIV-1.. charantia. 1993). MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M.. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais.

charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. e o rizoma de Curcuma longa Linn. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. antiancilostomose (Berchieri et al. 1997).. 1987). não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1990.. No entanto. Amorim et ai. O extrato aquoso da folha de M.. Das folhas de M. 1994). Misra et al. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. 1987). charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li.. Dos frutos verdes de M. 1996). charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1990). Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. 1988). charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. 1990. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al.. 1996). charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang.. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . Basaran et al.. A M. Foram isoladas duas proteínas de M. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. 1995).(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. et al.. De M. 1994). Embora indicada contra malária. MAP30 isolado de M. L. (1984 e 1985).. 1996).. M. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. De M. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. 1995).. charantia (Silva.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia e Emblica officinalis Gaertn. Os frutos de M. charantia foi isolado ginsenosídeo. 1991). 1996). Apesar da indicação popular para inflamação. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al.

Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. diminuição da pressão arterial.. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. 1995. 1991). 1993). em rato. O extrato alcoólico de M. Miró. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. antimicrobial. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. Proteínas isoladas de M. antitumoral. tais como antioxidante. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular.. anticoncepcional. 1984.. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. A. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. De M. 1997 e 1999). Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. et al.. 1993).. inibição da ovulação. 1996). diarréia. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. Hamato et ai.. Peters et al. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. Jensen & Lai. Teixeira. 1993). 1994). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. Outras atividades também foram descritas para a espécie. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. citotóxica. 1995. do que o extrato de M. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. hipotensora (Gordon et al.. . podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. 1995)..atividade hipoglicemiante. C. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. Pagotto et al. 1989. Trichosantina. 2000) e antimutagênico (Yen et al... 1995. tais como antiinflamatória... Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. Além disso. 2001).. 1997). 1996)... hipovolemia. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. 1995. 1995). 1991).. anti-helmíntica. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1986b). 1986).

. Chan et al. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. recentemente. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. Em ambos os casos.. 1986. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. 1988). 1990). dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória.. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M.. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. 1996.6 mgAg. especialmente por gestantes.. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. 1996. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. Das sementes de M. Os frutos de M... Platel & Sirinivasan. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. 1996. El-Gengaihi et al. angaria foi de DL50 = 1. A toxicidade do fruto de C. charantia em enzimas hepáticas. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1992). charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1986). o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. 1994). 1986). Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. 1997). 1987)... Raman & Lau. .

onde há cerca de oito espécies. 1978). androceu com um estame. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. com gomo terminal protegido por estipula caduca.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). alternas. mas que possui uma grande importância. fruto do tipo capsular trilobado. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. pedaço. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. ovário unilocular. referindo-se ao estame bifurcado. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. bem desenvolvidas. e não foram encontrados sinônimos para ela. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo.4). pétalas ausentes. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. semente com endosperma carnoso (Figura 10. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. farrapo". nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. distribuídas em regiões tropicais. . incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. folhas simples. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. e stemon = "estame".

. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. de valor alimentício e medicinal. em geral trepadeiras. existem várias espécies do gênero Passiflora. 1992). no entanto. No Brasil. conforme apresentamos a seguir. arbustos e árvores (Mabberley. representando um importante recurso econômico. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. 1997). A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). compreendendo lianas. 1996). com 575 espécies tropicais e temperadas.

mas identificada apenas até o gênero.. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). 2tridecanona. 1990). estipulas ovadas. sementes compridas (Figura 10. planas e obtusas. 1987b e 1985). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. margem inteira. chamada popularmente de Maracujá gigante. (9Z)-ácido octadecenóico. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. Spencer & Seigler. flores com cinco sépalas ovadas. monoterpenóides. carotenóides (Ferreira et al. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Passiflora macrocarpa Mart. 1996. antocianinas (Kidoey et al.Dados botânicos Planta glabra. peninérveas. caule robusto. 2-pentadecanona. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. . cilíndrico. ovadas. fruto oblongo-ovóide. alternas. 1983). uma espécie denominada Maracujá. 1987a. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. e cinco pétalas rosadas. é usada para diversas finalidades. pela interpretação dada às peças florais. gavinhas que são ramos florais modificados. folhas inteiras. 1997). Uma outra espécie de maracujá. 1989). a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. corniculadas. o suco dos frutos é considerado sedativo. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. 1991). hexadecanóico. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. epipassicoriacina. agudas no ápice e estreitas na base. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. principalmente a P edulis... que lembram os instrumentos do martírio. cordiformes.5). côncavas.. Na região da Mata Atlântica.

Dos frutos e folhas de P . P.. Raffaelli et al.1979). et al. açúcares. 2000. lipídios. 1997). Proliac & Raynaud. flavonóides (orientina. 1995. sendo a passiflorina o mais conhecido. assim como ácidos graxos. harmalina. 1986). bem como a presença de glicosídeos em P. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. maltol. ferro. orientina e isoorientina.. Menghini. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. fermentos.. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero... carboidratos. quadrangularis (Orsini et al. 2000). O suco dos frutos contém água..2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. isoorientina. isovitexina. 1986). além de vários compostos aromáticos (Winter et al. 1987b). 1979). 1988. 1988. harmina. Spencer & Seigler. 1997.. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al... Vale & Leite. 1997.. B1. 1980. fósforo. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. K. de onde foi isolada crisina. saponarina. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1988). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1998). 1988). 1987a) e P suberosa (Kidoey et al.. espasmolítica (Queiroz & Brandão. harmol e harmalol). Sena & Leite. isoschaftosídeo. 1997). Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. proteínas. amliformis (Restrepo & Duque. nem em R incarnata (Speroni et al. cálcio. Da espécie P. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al.. riboflavina.. mollissima (Froehlich et al.. Costa. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. 1987)... 1986). 1988). B2. 1997. 1996). Amaral. taninos. 1989). PP e C (Zhuang & Wang. 1988. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. glicosilflavona (Geiger & Markham. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1991). analgésica. vitaminas A. 1996).. P coriacea (Spencer & Seigler. 1980). Flavonóides como vitexina. potássio. Esse composto não foi detectado em P coerulea. Ortega et al. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al.

1989 e 1993) e inseticida. 1988).. Barros et al.. FIGURA 10. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. 1989).. 2000). 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.. 1998a). tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. foetida apresentou atividades hipotensora. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P..Luffa cylindrica Roem. Das folhas de P . Detalhe da folha 5-lobada. antipirético (Silva et al.. inotrópica..edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al..1 . espasmolítica (Carneiro et al. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. 1985). fruto e flor (Banco de imagens . 1991. Porém.. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. Echeverri & Suarez. 1991). atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. antiinflamatório (Silva et al. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1985b. 1978)... Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al.

.Momordica charantia: a) ramo com frutos.2 .FIGURA 10. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

na região amazônica. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. 1939). de Vassoura. como emético (Hoehne. na Bahia. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. Schum. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. lineares e de cor branca. as flores são pequenas. reunidas em fascículos axilares.) K. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. . Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. no Pará. Sida rhombifolia L var. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. mas também de Ganchuma e Relógio. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. Nomes populares A espécie é chamada. freqüentemente com cálice roseado. como abortivos. com caule ereto e ramoso. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. Malva-preta. 1982). canaiensis (Willd. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. as raízes são usadas contra moléstias uterinas.mas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. Vassoura e Relógio. emenagogos e as folhas (decocto).

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai.. popularmente conhecida como Caapiá. Aramim. róseas. ramosa e pubescente. folhas curto-pecioladas. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. e Guanxuma. é de grande uso externo contra reumatismo. Malvaísco. 1982. emoliente. flores solitárias. rombóideovais ou lanceoladas. 1986). dispostas em racemos. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Carrapicho-de-lavadeira. O chá de toda a planta. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. . Malva-roxa. alternas. Ibaxama. na região amazônica. chamada de Caapiá.4). Em outras regiões do país. Guaxuma. Guaxima. Malva e Vassoura-do-campo. é tido como útil. Rabo-de-foguete. 1982). Na Mata Atlântica. reticulata (Cav. tônica.. em São Paulo e no Rio de Janeiro. a planta é utilizada como béquica. anti-hemorroidal. Aguaxima. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. como Minas Gerais. ereta. no Rio Grande do Sul. var. mas esta não foi completamente identificada. Coaquibosa. no Rio Grande do Sul. contra desarranjo menstrual. como Guaxima e Carrapichode-cavalo.Vassourinha. na dose de três xícaras ao dia. Grandi & Siqueira. Guaxiúba. Urena lobato L. Uacima e Uacima-roxa.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. axilares. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. em Minas Gerais. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. Dados botânicos Planta anual.

moschentos (Tomoda et al. ligninas de H. solitárias. fruto do tipo capsular. emoliente e contra eólicas renais. 1977b e 1978). cannabinus foram isolados. suculentus (Moawad et al.. lobadas e de formas variáveis. com grande destaque para as três nervuras centrais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1990). com ramos alternos cilíndricos. fosfolipídios (Tolibaev et ai. Tomoda & Ichikawa.. pecioladas. 1987). um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. Dados químicos Hibiscus De H. 1986). mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. comum às espécies desse gênero. 1984). de até 3 m de altura. onde se encontram glândulas nectaríferas. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. a decocção da raiz é usada como diurético. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. 1986. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase.. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. ciclopropenos (Nakatani et ai. cordiformes. de onde partem folhas alternas. H. suculentus (Tomoda et al. 1985) e H. De H. cannabinus (Kulchik .Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. syriaceus (Shimizu et al. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo.. roxas ou rosas. 1986). flores pecioladas. H. 1991). 1991). 3-7 nervadas. pequenas. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1977a. diurética e útil contra eólicas. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai.. mucilagens das espécies H.

. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. 1988). 1990a e 1990b). Foram isolados também de H. pelargonidina. Das sementes de H. 1991) e lactonas de H. epoxiacilglicerídeos. 1988).. N-acilfosfatidiletanolamina.-L-arabinosideo-7. glucose. sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1989a e 1989b). peonidina.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. fosfatidilinositol.4'-pentahidroxiflavona.et al. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 1986. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H.8. Duckart et al. sabdariffa produziu antocianinas. N-acilisofosfatidiletanolamina. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. galactose. 1978). cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. tiliaceus (Ali et al. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen.. xilose e frutose (Pouget et al. De H. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. abelmoschus (Maurer & Grieder. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. o H. esculentus e H.. arabinose e arabinan. triacilglicerídeos.. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%.. 1988). 1991). betasitosterol.. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. ikshusterol.5. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. Das pétalas de H. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. . sesquiterpenóides de H. De H. taxifolina e herbacetina.. quercimeritrina.7. oléico e linoléico (Tolibaev et al. A quantificação das proteínas das sementes de H. Em cultura de tecidos. sterculico. De H. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.. No óleo das sementes de H. esterois livres. linolenato de metila.. monoglicerídeos. 1986. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. ácidos palmítico. fosfatidiletanolamina. além de 15% de ramnose. kaempferol 3. cianidina. 1988). 1977). diacilglicerídeos. 1989). esterol ésters. moschentos foram isolados 3. Husain et al. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. epi-ikshusterol. 1986). petunidina. 1990). beta-sitosterilglicosilado.. 1990). 1989). malvidina (Kim et al. ácidos graxos livres.

palmítico. prolamina e glutelina (Sammour et al. rainundii (Stipanovic et al. barbadense. esteróis. hidrocarbonetos. hirsutum e B. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. dipalmito-linoleínas. mucilagens e proteínas (Costa. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. esteárico. hirsutum e G arboreum. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. principalmente o esqualeno. 1979) e G. lecitinas. 1986). D-galactose. óleo-dilinoleínas. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. miristoléico e palmitoléico. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. fosfolípides. Ermatov et al. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. 1985). diversos terpenóides (Hunter et al. 1986. 1987). mirístico. globulina. Das sementes de G. G. 1980). 1995).Das folhas de H. 1985). 1979). De G. xantofilas. araquídico. também isolado de G. resinas. oléico. hirsutum (Schmidt & Wells. 1986). palmito-dilinoleínas. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. corantes como carotenos. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. Foram isolados de G. barbadense determinou a presença de albumina. dipalmito-oleínas. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. silianum (Kumamoto et al. 1995). Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G.

Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. 1988a). fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. acuta (Goyal & Rani. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. spinosa (Prakash et al. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. campesterol. Das partes aéreas de S. hirsutum (Mansour et al. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. As partes aéreas de S. rhombifolia e S. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. As partes aéreas floridas de S. espermátide e espermatozóide. 1988). O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. humilis. 1987). acuta. pristano. S. hermaphrodita contêm também os flavonóides. hirsutum (Zhou & Lin. A extração das partes aéreas de S. 1997).(+) gossipol de G. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. 1989a). barbadense e G. S. isoquercitrina. 1990). ácidos graxos como beta-sitosterol. barbadense e G. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1981). rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. De S. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. 1989). stigmasterol. ácido palmítico. vesícula seminal e próstata ventral foram . fitano.3%3%) (Bandyukova & Ligai. 1989b). ácido glutâmico e aspártico.

Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. citotóxica. 2001). 1984. tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1979). porém os níveis de colesterol subiram. 1985). no tratamento com Hibiscus. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. 1986. antimutagênica (Wang et al. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. moschentos (Tomoda et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 2000). O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. A espécie H. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. esculentus. 1999. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. A taxa de inibição de fertilidade com H. O ovário apresenta sinais de luteólise. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. verificadas por Singh et al (1982). sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. sabdariffa (El-Merzabani et al. 1976a e 1976b ). rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1989). 1990). Ainda de H. Pakrashi et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. 1985). a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. 1987). com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. . 1986). antiespermatogênica. 1987). As flores de H. 1987). Haji & Haji. Pai et al. Em camundongos. esculentus (Medeiros et al. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. O extrato das flores de H. 1992). 1999). 2002). hipoglicêmica de H.reduzidos nos animais tratados com H. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al.. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. Essas atividades. e de H. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. assim como uma forte ação citostática.

principal constituinte do óleo do algodão. 1978). O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. 2001. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Sida Os alcalóides de S. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. serratifolia (Sawhney et al. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. As proteínas das sementes de G. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1988) e S. 1985). Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). barbadense e G. 1995). 1980). Terpenóides isolados de G. 2000) e tóxico (Bourke. rhombifolia (Bortoluzzi et al. 1982). Extratos de S.Gossypium O gossipol. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al.. 1984). 1985). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . Flavonóides de G. hirsutum e G. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. Wang & Bunkers. 1997). 1996). 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia.

1998. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. nos quais se distribuem 1. do valioso Cacaueiro Joly 1998). enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. Segundo Barrozo (1978). onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. não foi observada atividade mutagênica (Sugai.500 espécies tropicais. vulgarmente chamada de Guaxuma. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. V.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. 2001). porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1998). Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. 1992). utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Helicteres e Waltheria. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. exceto Bacillus subtilis. Bianchi et al. 1988. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. 1996). e o gênero Theobroma. poucas em áreas temperadas. rhombifolia. de grande cultivo em jardins. Dombeya. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1988b). com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. todos típicos de cerrados e campos. Sterculia. Franzotti et al. onde são encontrados em abundância. Drena As raízes de U. incluindo árvores e arbustos. carpinifolia. distribuídas em onze diferentes gêneros. Do infuso de S. F. Das partes aéreas e folhas de S. cordifolia (Malva-branca). 1997). Fernandes et al. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. C. et al. 1998. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. Na região .

no Pará (Amorozo & Gély. oblongolanceoladas. flores que brotam dos galhos. . duas das mais importantes e valiosas espécies.) Schum. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. O nome do gênero. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. ex Spreng. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. medicinal e alimentar. vermelho-escuras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovóide. Em tribos indígenas amazônicas. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. com estipulas caducas. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. 1991). Dados botânicos Arvore de grande porte. grossos e tomentosos. folhas com pecíolos curtos e carnosos. fruto do tipo capsular grande. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. grandes e vistosas.5). 1988). Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. 1990). Theobroma. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. descrito por Carl Linnaeus. Copoaçu. pedunculadas. liso e escuro (Figura 11. significa "manjar dos deuses". bem como nas comunidades locais da Amazônia. e o chá da sua casca.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. com brácteas linear-lanceoladas. para o tratamento de diarréia. Cupu-assu. de valor econômico. ou por suas variantes: Cupuaçu. com ramos longos. O gênero Theobroma.

Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau.6). M. glicerídeos di-saturados.e tri-insaturados (Costa. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. mirístico. inteiras. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. Dados botânicos Árvore de porte médio. mono. flores dispostas no caule. T. albuminas. denominado Theobroma cacao L. inibidores fenólicos da a-amilase. 1977).Theobroma speciosa Willd. Cacao forastero. vermelho-escuras. Cacaoyer. 1986). oléico e linoléico.. 1993). cafeína (Maia et al.. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. até 10 m de altura. 1989). et al.3. oblongolanceoladas. teobromina. palmítico. 1970.9-tetrametilúrico. (Figura 11. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. 1992a e 1992b). grandiflorum). cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. Outras espécies desse gênero. Kakao. fasciculadas. Cacao azul. 1979). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cacao. folhas com pecíolos longos. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. como a T. ex Mart. speciosa possui ácido 1. Pagonini et al. Criollo.. fruto capsular ferrugíneo. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. tripsina . com ramos curtos.. Caca-y. no Amazonas. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T.7. ácidos esteárico. globulinas (Voigt et al. Chocolate. contêm flavonóides (Jalal & Collin. Já a espécie T.

. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. O T. taninos condensados. 1986). longifoleno e citronelol (Erickson et al. augustifolium.. cacao. teobromina. 1995). nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. 1991).. diferentemente do T.7% a 57.2%).. 1994). 1996).(Quesada et al. 1986).5%) e o isoeugenol (8. mariae.6%. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. (-)epicatequina. 1994). cacao foi caracterizado como de 190. e T. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. procianidina B2. augustifolium (Sotelo & Alvarez. que variou 50. 1991). Esse constituinte também . T. ácido araquídico. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados.. xantinas e lipídios. T. 1996). A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez.9%). bicolor e T. Os alcalóides teobromina. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. ácido lático. Alcalóides purínicos (cafeína. tais como ácidos palmítico. cacao consistem de 78 componentes. Porém. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. 1987). esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. cacao e também em T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. antocianinas. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. speciosum. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. gorduras (Malini et al. taninos. Em T. porém. ácido ecosadienóico. quercetina3-0-glucosídeo.74% (SantAnna Tucci et al. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. nerol. 1989). cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T..37 a 1. 1991).. pela presença de ácidos graxos. bicolor e T.. O índice de saponificação da T. As essências florais de T. T. dentre os quais o óxido de linalol (12.. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. subincanum. Além de açúcares totais. simiarum. geraniol. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. 1987). flavan-3-ols. derivados do ácido hidroxicinâmico. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. ácido cítrico. quercetina e esculentina (Bastide et al. Em T.

1994) e antidepressora (Matsunaga et al. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. 1997). cafeína. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 1997.. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. 1997). M... fenóis e taninos. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. clorofila. 2002).. 1997). Sanbongi et al.. Melzig et al. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1997). Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. isolada dessa espécie vegetal. 1997). 1970. proteína. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. cacao (Yamagishi et al. 1992). e a proantocianidina. amido. uma atividade analgésica (Santos. cacao (Gurney et al. Paganini et al. et al. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 2000).. 1992a e 1992b). 1997. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. análoga à manteiga de cacau. cacao apresentou um efeito vasodilatador.... .pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. 1989)..

muito conhecida na região amazônica Joly. Dados botânicos Árvore de porte médio. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. raramente ervas ou lianas (Mabberley. de até 13 m de altura. 1997). oblongolanceoladas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. agudas no ápice e oblíquas na base. com o nome de Curumin-nhapuá. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. 1998). Espécies medicinais Muntingia calabura L. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. 1978). No Brasil. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. os gêneros mais comuns são Luehea. sendo a maioria de árvores e arbustos. que a referiram como medicinal. da planta Pau-de-jangada. e Apeiba. folhas curto-pecioladas. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. Triumfetta. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. serrilhadas. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. de numerosos estames livres. .

antiespasmódicas (Corrêa. arredondado. aqui descrita como medicinal. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. 1990). dos quais predominaram alcanos (44. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. indeiscente.5%) e compostos carbonil (23. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.4%). foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. Dos frutos de Aí. inúmeras sementes (Figura 11. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. vermelho.7).3%).. compostos fenólicos (11. 1991).3%).dispostas em pedicelos axilares. 1984).6%) e derivados furanos (8. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. A casca é emoliente. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. e salicilato de metila. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. ovário 5-7 locular. . fruto do tipo baga.3%) os mais significativos. e as flores. alcanos (15. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. calabura L. sendo ésteres (31. ésteres (26. Do extrato citotóxico das raízes de M.3%). quercetina. calabura foram isoladas Havanas. sesquiterpenóides (10.9%).7%).

FIGURA 11. 1998.1 -Bixa arbórea. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

1984).2 .FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens - .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.

FIGURA 11. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .3 .Gossypium barbadense.

Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens .4 . canaiensis.Sida rhombifolia var.FIGURA 11.

5 .Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .FIGURA 11.

Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.6 .

Muntingia calabura.FIGURA 11. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .7 .

Em duas delas. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. fonte da maconha (Cannabis sativa). por esse fato. amplamente conhecida como . não possuem importantes espécies de valor medicinal. Cecropiaceae e Moraceae. Da família Cannabaceae. das quais as famílias Moraceae. C. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae.12 Urticales medicinais L. Cecropiaceae. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. A. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. e o segundo. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. Ulmaceae e Barbeyacea. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. fonte de substâncias também tóxicas. e o importante gênero Urtica. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Seito C. As outras duas famílias dessa ordem. Di Stasi L N.

Ibaíba. referida com adulterante da Espinheirasanta. Outras denominações populares são Aimbahú. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Ambatí. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. de Lixa. Ambahú. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Ambaíba. Myrianthus. Imbaubão. Embaúba. peitadas acima do centro. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Poiküospermum. Ambaitinga. Musanga. Ambaí. alternas e protegidas por duas estipulas. Toréin. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. longopecioladas. Imbati. lactescentes. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. e a espécie Sorocea bomplandii. Arvore-da-guiça. Pourouma e Cecropia. Ibaituga. folhas grandes. Figueira-de-surinam. Com esse novo arranjo. Arvore-da-preguiça e Torém.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. .

usados na fabricação de instrumentos de sopro. asma. adenopus. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. formando infrutescências inclusas (Figura 12. 1996b). 1996). O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. Das raízes de C. 1986). muitas delas de ocorrência no Brasil. catharinensis. et al..1). frutos nuculares... 1992. a raiz é considerada útil contra tosse. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. R. ecoar". et al. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. A. Na região do Vale do Ribeira. C. do grego. Nas folhas do extrato de C. C. 1983). o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. Das folhas de C.. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. 1984). unilocular. Na espécie C.. 1984b).. A. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. bronquite e gripes fortes. . meio homem e meio serpente. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Mal de Parkinson. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. carpelar. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. hidropisia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1994).. et al. 1985).flores pequenas de sexo separado. indicada popularmente como antiinflamatório. Em C. 1998). Santos. Kerber. reunidas em densas inflorescências. 1986. F. lyratiloba (Menda. filho da Terra. As folhas. A. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. gemas e brotos são adstringentes. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. antililiásica (Domingos et al. R. que significa "chamar. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite.

Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. descrita originalmente por. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild.. 2001). pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. Cysneiros et al. dos quais se destacam: Ficus. 1988.depressora do SNC. Rocho et al.. 1988). possui atividade antimicrobiana (Andra et al. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. Rocha et al. A cecropina. 1992). usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. distribuídas em 38 gêneros.. antiulcerogênica (Cysneiros et al. característica marcante da maioria das espécies dessa família. na Mata Atlântica. No Brasil. 2001).) Burger.. antidepressiva. compreende 1. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill.. ansiolítica (Barettaetal.. a família conta com aproximadamente 340 espécies.. 1993 e 1996a). analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. efeito depressor do SNC. Morus. lianas e ervas (Mabberley. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. espasmolítica (Delia Monache et al. Astocarpus e Sorocea. 1997).. 2001).. Johann Heirinch Friedrich Link. distribuídas em 28 gêneros. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. que incluem árvores. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. de Espinheira-santa. 2002).. Em outras re- . 1998.100 espécies tropicais e poucas temperadas. arbustos. 1998a e 1998b. isolada de espécies deste gênero. Dorstenia. nos quais várias espécies medicinais são encontradas.

giões do país a planta é chamada de Cincho. 2001. de face superior brilhante e inferior opaca. especialmente na Mata Atlântica. da família Celastraceae). 1993). cilíndrico. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. folhas simples. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Laranjeira-do-mato. especialmente da Mata Atlântica. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. de casca fina. Recentemente. Calixto et al. Trata-se de uma espécie perenifólia. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. chegando a 10 cm de comprimento. 2001. Canxim. Flavonóides foram isolados de S. Carapicica-de-folha-miúda. ciófita. fruto do tipo baga. Resple. ilicifolia e S.. Soroco. 1993). onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. bomplandii. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas).. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. quando não está em época de floração. com tronco ereto. Folhas-de-serra. A espécie é latescente. Araçari.. .. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Gonzales et al. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias.

Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. 1998. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. S. b) detalhe da folha. d) flor feminina. c) inflorescência. (Banco de imagens .1 . Reis).FIGURA 12.

Das centenas de gêneros. segundo Mabberley (1997). Na família ocorrem árvores. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e.13 Euphorbiales medicinais C. C. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. Thymelaceae e Euphorbiaceae. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. Guimarães C. 1978). A. Hiruma-Lima A.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. A família Euphorbiaceae. compreende 313 gêneros. a maioria cosmopolita. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. M. é urgente uma revisão da família. a família é representada por 72 gêneros. arbustos. com aproximadamente 1. Santos L. R. No Brasil. M. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. comumente com células especializadas na produção de látex.100 espécies. . 1997). lianas ou ervas. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. M. Souza-Brito E.

folhas simples. icterícia e malária. pecioladas. problemas hepáticos. fruto seco. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". flores de sexo separado. especialmente em Phyllanthus.devemos destacar Ricinus. Do gênero Euphorbia. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais.1). enquanto a infu- . esquizocárpico. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. Pedilanthus. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. estipuladas. pela semelhança das sementes com esse animal. sementes ricas em endosperma (Figura 13. verdes. da valiosa Mamona. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. e outras. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. separando-se em três cocos. febres. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. com limbo dividido em lobos ou segmentos. a maior produtora de borracha. espécie rica em óleo de rícino. lanceoladas. atualmente cultivada em vários países. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. ervas e arbustos. dos quais referimos algumas espécies a seguir. sendo algumas árvores. Jatropha e Croton. Mabea. peninérveas.

pequenas. esquizocárpico. reunidas em inflorescências paucifloras. fruto seco. amarelo-esverdeadas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. Pinhão Pinhão-branco. glabras. Pinhão-do-paraguai. lanceoladas. mas também de Peão.são das folhas. no Pará. com ápice curtamente acuminado e base cordada. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. a Sacaca. palminérvias. Croton sacaquinha Croizat. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. sementes ricas em endosperma. atingindo até 4 m de altura. flores unissexuadas. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Nomes populares A espécie é chamada. no Ceará. membranosas. de Sacaquinha. folhas simples. folhas alternas. Pinhãodos-barbados. Pinhão-manso. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. reunidas em inflorescências racemosas. Pião. peninérveas. curto-pecioladas. longo-pecioladas. lobadas. estipuladas. de caule grosso. é útil contra hepatite. Maduri-graça. e Mandobiguaçu. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. com brácteas . separando-se em três cocos. na região amazônica. lactescente. nodoso. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. flores de sexo separado. grandes. Pinhão-de-purga.

Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. Pinhão-roxo. partir e tirar a "folhinha". assim como para constipação nasal. no Pará. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. contra feridas (Amorozo & Gély. enquanto as sementes. sementes escuras. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire.lanceoladas. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. 1982). 1988). Pião caboclo. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. gengibre amassado. colocar no café e banhar a cabeça). são torradas. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. após a retirada do embrião. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. assar a polpa na cinza. Erva-purgante. o látex é aplicado externamente. Peão-curador. deriva do grego iatros = "remédio". fruto do tipo capsular. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Batata-detéu. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. gripe (descascar a semente. Peão-pajé. Jatropha gossypifolia L. elipsóides e oblongas (Figura 13. constipação nasal e como purgativo. . O nome do gênero Jatropha. Raizde-téu. Mamoninha. coriáceo. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral.2). lisas. dez estames.. Arg. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. esta passa a ser comestível e saudável). As sementes são eméticas (Corrêa. secar até ficar fria. 1984).

Em Brasília. O nome do gênero Mabea. glabras e estipuladas. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. roxas. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. 1982). Mabea angustifolia Spruce ex Bth. útil nas obstruções das vias abdominais. com folhas alternas. A planta é purgativa. o chá das folhas é usado como antitérmico. escuras e com pecíolos pubescentes. fruto capsular. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. grandes. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. no Piauí (Emperaire. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. 1982). trissulcado. o banho. e as folhas na cabeça. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. flores unissexuadas. No Pará. 1988).3). ramosa.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. dispostas em cimeiras paniculadas. folhas pecioladas. lineares. 1984). palmadas e limbo dividido em lobos. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. contra "mau olhado". cálice com cinco pétalas. contra feridas.

Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. significa "flor na folha". Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico.5 m de altura. estipuladas. enquanto a infusão de toda a planta. 1984). Dados botânicos Planta de pequeno porte. distribuídas na América tropical. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. alternas. Phyllanthus corcovadensis Muell. flor masculina fasciculada com três estames. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo.Aublet. cápsulas pequenas. Arg. Na região do Vale do Ribeira. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. com ramos glabros. incluindo as raízes. descrito por Carl Linnaeus. O nome do gênero Phyllanthus. trissulcadas. ramificada. flores de sexo separado. que atinge até 0.4). é usada como diurético e contra . Na região amazônica. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. folhas com limbo. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. sementes minúsculas (Figura 13.

1979.. é útil contra problemas do fígado.8-cineol. 1990. Maciel et al. 1. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. e os principais constituintes são alfa-pineno. além de ser usada contra pedras nos rins.dores de barriga. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. Em Minas Gerais.. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. 1989. 1998). cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. A infusão das folhas.. Kubo et al. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. transcrotonina. 1989). beta-cariofileno. 1982). 1986). de ácido aleuritólico (Muller et al. . Posteriormente. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. O óleo essencial das cascas de C. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al.... 1991). Das cascas de C. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al.. 2000). 1992). alfa-humuleno.

cânfora. sitosterol.. foi determinada. e das folhas de C. limoneno e outros.4b-dihidroxi-15. gama-elemeno.. propionato de etila. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. 1995). levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. C. lundianus e a C. 1992).. 1996). a C. metil isoeugenol. metileugenol.3. alfa-cubebeno. 1994). Os constituintes voláteis isolados de C. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. . acetato de propila. 1992b).14dien-9-al e 3a. aubrevillei J. e chiromodine (Weckert et al. hovarum: a 3a. 2. estragol. 3. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. lechleri foram: acetato de etila.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. o óleo de C. a printziano e um norclerodano (Siems et al.. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16).5-trimetoxibenzeno... enquanto germacreno B. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. 1992).4-dimetoxifenol. 2-metil-butanol. glandulosus. acetato de 3-metil-butanol. ludianus possui 1.cadideno.4-dimetoxibenzil. alfa-guaieno.. 3. alfa-ilangeno. 1993b). 4b-dihidroxi-15.8-cineol. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. alfa-humuleno.. eucaliptol.. betabourboneno e gama-cadineno. Das folhas de C. gama-elemeno. e das cascas do caule de C. A composição do óleo essencial das cascas de C. p-cimeno. glandulosus (Neto et al. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. 1996).. lechleri foi isolada a sinoacutina. 1996). Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. Das partes aéreas de C. 1992). cortesianus foram isolados o clerodano.4. a levatina (Moulis et al.6-trimetoxifenol. zambesicums Muell. allo-aromadendreno e torreyol. 1993a). 4-hidroxifeenetil. cadineno. mirceno. De C. Além disso. acetato de 2-metil-butanol. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. 1995). Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa.14-dieno. linalol.. Porém. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. e de C.

1991). castaprenol-11. .. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al.. eluteria foram isolados sesquiterpenos. beta-sitosterol (Chen et al. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. 16hidroxijatrofolona. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 1994). draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.. 1992). draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. 1991a). jatrofol. 1988). riangularis (Moura et al. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. 1986) e C. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. os triterpenóides jatrofolona A. e das cascas de C.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. 1996). curcas foram isolados ainda as latiranas.. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. argyrophylloides (Monte et al. De C. enquanto alcalóides foram encontrados em C. e de C.7. 1996). ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. jatrofina.. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. Das raízes de C. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 1991). diasii (Alvarenga et al. C. a seco-labdane (Schneider et al. Das partes aéreas de C..3'. taraxerol.7-dimetoxicoumarina. 1981).. 6a. 1992).5. De J. jatroolona A. macwstachys (Herlem et al.. caniojana.. jatrofolona B. Do óleo de C. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. 1976). 1986). 1993). jatrofolona B. 1992). eudesmanos. stigmasterol. hemiargyreus (Barnes & Borges. tomentina.7b-dihidroxiannoneno e 6a.. Compostos terpenóides foram isolados de C.. Jatropha Das raízes de J. 1995). Altas concentrações de taninos foram encontradas em C.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. b-sitosterol.De C..6-diona. gossypifolios (Cespedes et al. nobiletina. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. taraxerol. e das folhas de C. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. ésteres e cetonas não-terpenóides. 5hidroxi-6.. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol.

alanina (28. saponinas. 1987). 1990). 1997). 1989). mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. compostos fenólicos. Das cascas da raiz de J.30%) (Jain & Garg. J. . isoorientina. ácido araquídico e toxalbumina. 14. denominada curcina (Costa.9%). 1997)....9%. ácido oléico. malacophylla. os aminoácidos cistina (2. 1983). e 43. curcas. pohliana var.71%).. arginina (0. 1996. Das raízes secas de J. elbae. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. curcas foram isoladas também várias lectinas. 1987. esteróides e glicosídeos. 1988). além de outros três derivados diterpenóides./. 1996a) e jatrodiena (Das et al. Auvin-Guette et al.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. Das folhas deJ.60%. De J. podagrida apresentaram 24%. 15. terpenos. 1988). Banerji et al. 1989). elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. 1986).. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico.1997). grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. Do caule de J. 1990). todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. jatrofolona B. gadaína (Das et al. Saponinas foram detectadas apenas em J. As espécies. Makkar et al. bem como o ácido nurístico. J. Das raízes de J. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. De J. valina (18. divica foram isolados beta-sitosterol.98%)... respectivamente (Raina & Gaikwad. ácido linoléico (Nasir et al. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1989a e 1989c). 1997). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.. galvani (Guevara et al.. mollissima foram isoladas orientina.1%). J.. caniojanae 1. 0. multifida L.15% e 15% de ácidos graxos saturados. foi isolado de seu látex a albaditina.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. tlalcozotitlanensis e J. Dos rizomas de J. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. 1988). Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al...6% de ácido oléico. 1988. 1995). 1988). 1997.9%. 1996b).. Do látex de /. De J.. ácido esteárico. sendo 0.07%). 2epijatrogrossidiona. isoleucina (3. Teixeira.26% de ácido aracdônico. Das folhas de J. metionina (13.26%.92%) e leucina (12. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. gossypifolia e J. flavonóides. glicina (19. 0.94%).

da qual foram isolados alcalóides. De J.. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1988. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. amarus e P. 1986.. Mensah et al.. Hassarajani & Mulchandani. discoideus. 1977). 1988. 1990. hidroxiflavanona. 1985). a mais estudada é a P. P.. cumarinas. Ahmad et al. sacarose. ácido caféico. P. diterpenos. 1989. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. Yunes et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. 1988). Mabea Do látex do caule de M. 1991). P. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona... Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1990).. Negietal. ácido clorogênico. 1997). E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al.. 1991). excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. neolignanas (Satyanarayana et al.. timol e carvacrol (Odebiyi. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1995). 1986. terpenos. assim como os diterpenóides de J. 1988. 1996). 1996.. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1986). e dos frutos de M. simplex. Anjaneyuly et al. Singh et al. 1988... que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1989a e 1989b. enquanto em P. 1986) e vários outros compostos (Singh et al... 1981).Da espécie J. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.. Anjaneyulu et al. lignanas (Satyanarayana et al. 1996. 1986. Petchnaree et al. 1980).. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al.. virgatus (Babady-Bila et al.. triterpenóides (Joshi et al. levulose. citral. De P. Ojewole & Odebiyi. 1996. 1988). Singh et al. niruri. .. 1983... glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. flavonóides. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. gossypifolia. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. Houghton et al.. Singh et al. Huang et al. 1980 e 1981). 1996).

C. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. 1996). 1996). 1997). 1996).. 1995). estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. Das raízes de P. antiinflamatória. 1989. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.. 1988. HirumaLima et al... cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 1996c). 1987. Li et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1997 e 1996a).. D.... et al. n-alcanos. 1988b). Farias et al. 1996). 2001). De P.. nalcanóis. 1999). antidiabética (Silva et al. analgésica. antinociceptiva (Carvalho et al. Em P.. 2002. 1996) antitumoral (Grynberg et al. Tanaka et al. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al... 1999a). 1988. myrtifolius.. Bighetti et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos. De P.. antiestrogênica (Luma Costa et al. francheti foram obtidos cicloheptano. 1996). 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. .. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al... Farias et al. Tanaka & Matsunaga. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. 1993. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. antiedermatogênica (Campos et al. Tanaka et al. emblica L.. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C.. 1996b).. et al. além de taninos (Zang. olenadienóis. 1995a)... ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. Lu et al. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. calisteginas (Asano et al. 1988. 1988a. alkekengi var... Z. 1995b). Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A.De P. hipocolesterolêmica (Martins et al. 1998. 1996) e fisalinas (Makino et al.. 1998).. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga.

1993. 1999b. 2001). erythrochilus. 1975). rhamnifolius (Silveira et al. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. a ligana 3'. campestris (Lima et al. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . zehnteri (Albuquerque et al. glabelus (Novoa et al. 1999).. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. draconoides e C. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al.. C. C.. subtyratus (Kitazawa et al. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. antinociceptiva (Bighetti et al. mais comumente de C. 1988a). 1980. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. 1982).. penduliflorus (Anika & Shetty. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. anestésica local. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina.23 mg/kg para crotina II. C. 1986). 1987)... 1994). Chen & Pan. 1985. tiglium (Deshmukh & Borle.. tranqüilizante. presente nos casos de C. 1982). rangelianus (Lima et al. cajucara (Hiruma-Lima et al. com o uso prolongado (Rodriguez et al. lechleri. Tang et al. penduliflorus (Asuku. 1988). Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. 2000a e 2002b).. 2002a). 1993. Luz Paredes et al. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. lacciferus (Ratnayake et al. et al. 1980). Das sementes de C. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. Batatinha et al. C. Costa..4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. M. Ao final. entre outras. 1993)... hipotensora de C... Foram verificadas ainda atividades laxativas com C..45 mg/kg e 2. antiulcerôgenica de C.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. A DL50. 1984). Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. 1983). anticonvulsivante e analgésica de C.. inseticida de C. 1987) e C. 1988) e C. 1988b) e substâncias isoladas de C. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória.. C. para crotina I foi de 0. C. 1985) e C. 1988. macrostachys (Mazzant et al.. sonderianus (Craveiro & Silveira.

tonkinensis contêm 0. 1992). Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato.78% de flavonóides. Ao final. Do óleo essencial de C. Essa possui isoguanosina. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. 1994). 1992. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. 1995). tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. Pieters et al. O extrato etanólico bruto das folhas de C. As folhas secas de C. 1993). 1992a). nardus (Lemos et al. 1994a e 1994b). A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . macrostachys foram isolados crotepóxido. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. betulina e ácidos graxos. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. O efeito de C. Ao final dos experimentos. De C. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. berghei (Be &Truong. 1995). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol.32% de alcalóides e 2. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. Das raízes de C. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. antibacteriana e cicatrizante. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al... os alcalóides de C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1991). lupeol... C. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta.... campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas.. berberina e outros alcalóides desse grupo. 1991a e 1991b).

Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. 1991).possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.p. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. 1989 e 1991). 1990) o óleo de C... que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. e no retículo sarcoplasmático. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. 1989). a curcaína (Nath & Dutta.. 2000).. O óleo de C. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26.. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. 1988. o alcalóide taspina (Itokawa et al. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. 1988). Das sementes de /.. 1997) e Schistosoma mansoni e S.. tiglium (Fanetal. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.. Do extrato clorofórmico das raízes de C. 1991a). tanto na prova do campo aberto. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. Ubillas et al.. haematobium (Rug & Ruppel.39 mg pela via i. (Huang et al..7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. Os extratos da sementes de C. 1995)...9%) (Liberalino et al.. 2000). Hirota et al. Do látex de C. 1987.. Do látex de J.. 1992. 1994). 1988). 1992). 1993). curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. antiplasmodial (Kohler . e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. Das sementes de J. Jatropha Das sementes de J. 1995). curcas. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 1994).. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. Atividades larvicida (Karmegam et al.

1987) também foram caracterizadas em J. Das raízes de J. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. 1993). 1996). um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. antiespasmódica (Silva et al. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. As folhas de J. 1994). multifida. isabellii foi isolada a jatrofona. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 1996).. De J.et al. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. 1987) e tóxica (Brum et al. zeyheri foi isolada a jaherina. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis.... espasmolítica (Trebien et al. 1987b). 2001). e de J. De /. O látex de /. 1996). que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. O óleo das sementes de /. gaumeri (Sanchez-Medino et al. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. et al. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.. De J. 1996). 1990....... Dutra et al]. 1997).. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. 1996). cilliata foram isolados isoorientina e orientina. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. F.. Esta mesma atividade foi observada em J. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. 2001). 1996. 1996).. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. curcas. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al.. J. 1998). curcas foram isoladas curcusonas A e C. P. et al. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. 1996). .. M. 1992a... que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. 1992b e 1996). glauca (AlZanbagi et al.. A J. 1987). Santos et al.. 2000).. De J. 1992). atóxica e anti-hipotensora (Paes et al.

denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. campesterol e fitosterol (Santos et al. 1996a). obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. De P... 1985). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. Di Stasi.. 1988). .. 1988.. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al.. que foi atribuída aos compostos estigmasterol.. 1996). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. Santos et al. Além disso. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. Shimizu et al.. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. 1995).. 1992). Ribeiro et al. 1992. 1985 e 1986b. Além disso.. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. Gorski et al. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 2000).. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. 1995)..Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al.. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. 1995). porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.. 1995). O extrato hidroalcoólico de P. 1989). 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1993. 1987). 1994). diurética.. 1988). 1987).. 1984.

.. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al.. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. . 1997). quercetina. Foram caracterizadas. 1996). 1991). Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1995). ácido brevifolincarboxílico. 1996). Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P... e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. ácido gálico e ácido protocatecoico. 1994). 1996).. Roy et al. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. 1996). De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina.. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. 1997a e 1997b). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1996). Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al.. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1995). de P urinaria.. ácido elágico. 1995). 1996. corilagina... O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1990. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. Sane et al. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al.. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1997). 1995).. 1988). 1996). niruri e P urinaria (Santos et al. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai...

náuseas. redução no consumo de água.. vômitos e diarréia.. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Quadros de hemorragia anal. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . e ação estimulante da musculatura lisa. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara.. diarréia. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. 1986. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. 1979). 1991c). 1984). Itokawa et al.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. podendo causar a morte em humanos. 2000). Porros et al. Pieters et al.. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. 1987) e provoca náuseas. Como conseqüência de seu uso crônico.. 1995. Efeitos como redução no tempo de protrombina. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente.. 1993.. Torpor. hipotensão e desidratação. 1979). cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. 1993.. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). Ahmed & Adam. mutifida (Levin et al. Existem registros de intoxição em crianças de J. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. curcas em ratos. Hemorragias internas em diversos órgãos. 1979).

FIGURA 13. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1998) (Banco de imagens . 1983.1 . 1986). tiglium (Bauer et al..Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.(1999). Pieters & Vlietinck. nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.

.FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).2 -Jatropha curcas.

Hiruma-Lima).Jatropha gossypifolia. .3 . Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.FIGURA 13.

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 13. 1998). b) flor feminina. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .4 .

arbustos ou ervas.370 espécies. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. 1997). Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). pigmentos. algumas delas de valor medicinal. A. C. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Hiruma-Lima L. óleos essenciais e resinas. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. sendo raramente descritas epífitas. 1978). dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil.14 Guttiferales medicinais C. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. Clusia. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). No Brasil ocorrem 21 gêneros. gomas. É composta por árvores. . e Elatinaceae.

O nome do gênero Vismia. ácido betúlico. foi dedicado a Visme. O tronco ereto possui casca grossa. friedelina. madagascina. sendo facilmente cultivada. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. Trata-se de uma espécie semidecídua. e várias têm valor medicinal. martiana foi observada a presença de sitosterol. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. 1990). ácido crisofânico. No Brasil. Em outras regiões. descrito por Domingos Vandelli. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. com distribuição restrita à América tropical. pecioladas. coriáceas.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. com ocorrência em formações secundárias. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. euxantona. e algumas na África. a maioria é fornecedora de resinas. damagascina. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . damaradienol. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. Em V. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. também chamada de Lacre. as folhas são simples. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. opostas e com borda inteira. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. como Picharrinha.

2000). clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1995. e em V.japurensis Rich. 1999) em V.. 1996).5'dimetoxisesamina (Camele et al. et al. O extrato etanólico da folhas. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. conhecido popularmente como Lacre. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira.. magnoliaefolia.. como a friedelina.. vulgarmente chamada de Pichirina.... De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. 1979).e a ferruginina (Pasqua et al. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. Moracelli et al. 1995). 1997). p-o. Porém. 1996). Os extratos hidroalcoólicos... da planta fresca (Tokarnia et al.... 1983). Das raízes de V. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1999). micrantha foram isolados xantonas. Em V. indicado para dermatofilose. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. 2-isorenilemodina e 5. benzofenonas (Fuller et al. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. De Vistnia caynnensis. 1993).. cayennensis. vários triterpenos. . 1994). 1982).

das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Di Stasi C. Rapania e Cybianthus. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. descrita por Robert Brown. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. C. 1997). ainda não identificada completamente. A. Nessa família ocorrem 33 gêneros. sendo a maioria árvores. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. . nos quais se distribuem 1. arbustos e lianas. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Theophrastaceae e Myrsinaceae.15 Primulales medicinais L.

bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. e anthos = "flor". referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. inteiras. reunidas em inflorescências axilares. ramos.1). Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. Não foram encontrados sinônimos para ela. actinomorfas. folhas alternas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. flores pequenas.Espécies medicinais Cybianthus sp. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. curtas. ovário supero. androceu com cinco estames opostos às pétalas. diclamídeas. sem estipulas. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. dispostas em racemos. flores e frutos. .

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .FIGURA 15.1 .Cybianthus sp.

onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. A. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. essas espécies não foram referidas como medicinais. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. gripes e bronquites. Para a espécie Nasturtium officinale. além de seu consumo como condimento. C. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. Na região amazônica. anemia e distúrbios da tireóide. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas.16 Capparidales medicinais C. no entanto. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). . enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Hiruma-Lima L.

tem valor medicinal na região amazônica. com muitas flores rosas e bonitas.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. inflorescências terminais bastante vistosas. descrita a seguir. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. com seus representantes incluindo ervas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. 1997). e a espécie Cleome latifolia. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. raramente são descritas lianas (Barrozo. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. 1978). Os principais gêneros são Cleome. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. arbustos ou pequenas árvores. que justifi- . no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). que atinge até 1. Capparia e Maerua. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos.5 m de altura.

. Várias espécies desse gênero.7-di-O-ramnosídeo (0. a diacetoxibraquiicarpona. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. um trinortriterpenóide dilactona. 1990).. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. 1997). Das sementes de C.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. 1990). 1986).. kaempferitrina (0..0075%)... os flavonóides artemetina (0. 1995). e das partes aéreas de C. 1996).. bonanzina (0. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. De C. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. viscosa apresentou um . Dados da medicina tradicional Na região amazônica.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. são cultivadas e usadas como ornamentais.. um flavonol. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1987). 3. 1997) e triterpenos (Harraz et al. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al.0025%). a isoramnetina 3. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. O extrato metanólico da planta toda de C.cam seu uso como ornamental.. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. o ácido cleomaldéico (Jente et al. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1997) e glicinebetaína. kaempferol. 1997b). além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.06%) (El-Din et al..0013%). 1990).. incluindo a Cleome latifolia. 1988) e um diterpeno macrocíclico. De C.

A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 2000) e C... droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 1995).. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al... . Lemos et al. 1995b). 1996).. 1999). 1970). 1993. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al... 1999). popularmente conhecido como Mussambé. De C. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. viscosa (Samy et al.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. A espécie C. 1996). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al..efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. Chrysantha (Hashem & Wahba. 1992). A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. gynandropsis Samy et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al.. C. 1995a) e antioxidante (Selloum et al.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

1978). e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. . em razão do uso prioritário da planta como frutífera. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Di Stasi C. Rubus e Prunus. espécies dos gêneros Spiraea. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Na região amazônica. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Crassulaceae. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. A. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo.17 Rosales medicinais L. a qual descrevemos a seguir. e de Rosaceae. com inúmeras espécies medicinais. Saxifragaceae. a qual foi identificada apenas até o gênero. No entanto. C. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Pittosporaceae.

cálice gamossépalo com cinco lacínios.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. sépalas e pétalas livres. . segundo Barrozo (1978). incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. folhas simples. cíclicas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. com cerca de 460 espécies tropicais. Espécies medicinais Hirtella sp. Os principais gêneros dessa família são Licania. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. Chrysobalanus e Hirtella. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. inteiras. zigomorfas. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. estipuladas.1). alternas. diclamídias. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. fruto do tipo drupa. ovário unilocular. corola com cinco pétalas. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. peninérveas. flores pequenas. muitas delas usadas para a produção de carvão. onde ocorrem 120 espécies. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. incluindo árvores e herbáceas. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. referindo-se ao tipo de pilosidade.

que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. do gênero Frunus. com destaque para os gêneros Rubus. que inclui. como a . toxicologia e química. primeira substância a ser comercializada como medicamento. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. No Brasil há poucas espécies. ou frutíferas. como é o caso das espécies do gênero Rosa. e raiz bifurcada para as mulheres. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. também se utiliza o chá contra reumatismo. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. a maioria nos gêneros Prunus. ralada. Potentila. com aproximadamente 1. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. com destaque para o gênero Spiraea. da qual foi isolado o ácido salicílico.825 espécies subcosmopolitas. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. • Rosoideae. compreende 95 gêneros. é utilizada como afrodisíaco. da histórica Spiraea ulmaria. Agrimonia e Fragaria. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. no que se refere à farmacologia. Normalmente são árvores de pequeno porte. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. a famosa aspirina. arbustos e ervas (Mabberley. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. Rubus e Quijala. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. 1997).Dados da medicina tradicional A raiz da planta. e • Prunoideae. entre outros. • Maloideae. encontradas em climas temperados. os gêneros Crataegus e Malus. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.

Espécies medicinais Prunus domestica L. ásperas. fruto do tipo drupa. solitárias e/ou geminadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. e a infusão dos frutos. 1998). de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. Cereja. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. O nome do gênero corresponde a "ameixa". dependendo da variedade. que existe em grande número. doce e com uma única semente. flores vistosas brancas. Groselha e Moranguinho (Rubus). Pêssego. comestível e saboroso. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Marmelo (Cydonia). a decocção das folhas é usada contra dores. carnoso. lanceoladas. Morango (Fragaria). a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. em latim. Damasco. assim como em várias regiões do país. pendente. Pêra (Pirus). especialmente de cabeça. de margem serrada. dispostas em fascículos do tipo umbela. com folhas alternas. Ameixa. e contra diarréias. Nomes populares Na Mata Atlântica. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. . Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte.Maçã (Malus). Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia.

Sapuntzakis et al.. 2002. 1978) (Banco de imagens • . Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al.. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.. 2001). 2001).Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). FIGURA 17. 2001). De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. Nakatani et al. 2000).1 .. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.

. 1997). nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. medicinais. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. A. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. Di Stasi E. C. ornamentais. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. M. Santos C. R. Compreende três subfamílias. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. Guimarães C. dependendo do arranjo sistemático adotado. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. Hiruma-Lima A. M.18 Fabales medicinais L. incluindo árvores. lianas e ervas. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. M. arbustos. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares.

conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. todos contendo várias espécies de valor medicinal. J. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. que inclui os gêneros Cássia. Dialium e Senna. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. que inclui o gênero Copaifera. que inclui o gênero Bauhinia. bonducella. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). a saber: Caesalpinia férrea. das quais se destacam as espécies C. C. angustifolia e C. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. occidentalis. C.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). que inclui o gênero Caesalpinia. as quais descrevemos a seguir. • Cercideae. sapan e C. dentre as quais C. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). senna. pulcherrima. 1997). Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. C. Cassia occidentalis. • Cassieae. . espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. bonduc. • Detarieae. Caesalpinia pulcherrima. Dalwits. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. Cassia multijuga.

flores intensamente brancas. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. heliófita. É uma planta decídua. algumas arbóreas e outras lianas. usada para produção de carvão e caixotes. dadas as características morfológicas de suas folhas. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. folhas glabras. sempre com acúleos e seus dois ápices. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. Mororó. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. Por ser de rápido crescimento. raramente dentro das florestas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . Pata-de-boi e Unha-de-boi.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. É amplamente utilizada como ornamental. com grande abundância na Mata Atlântica. assim como em quase todo o Brasil. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. vistosas (Figura 18. tronco tortuoso ou ereto. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. A espécie fornece madeira leve.1). bastante espinhosa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. onde ocorre em áreas úmidas. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético.

Suas folhas. na região amazônica. podendo chegar a 15 m de altura. folhas bipinadas com folíolos oblongos. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. é utilizado como . várias são as utilizações medicinais dessa espécie. hermafroditas. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. São muito comuns duas variedades: a C. Jucá. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. ovalados ou obovais. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. ao passo que o preparado de casca de jucá. dez estames. Imirá-itá. com tronco liso e cerne duro. além de largamente empregada como espécie ornamental. especialmente de ruas e avenidas. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. folhas de manga. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. aquecido até formar um xarope. ultrapassando o cálice gamossépalo. Muirá-obi e Muiré-itá. é utilizado contra asma e bronquite. quase reto (Figura 18. na forma de decocto. fruto levemente estipitado. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. além de ser empregado como fortificante para crianças. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. casca de jatobá. ferrea e a C. A espécie é heliófita. botânico italiano. ferrea var. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. Dados botânicos Arvore de grande porte. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos.2). após aquecimento. leiostachya. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Nomes populares A espécie é denominada. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. flores diclamídeas. ferrea var.Caesalpinia ferrea Mart. açúcar e água. séssil.

especialmente bronquites. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. 1982). na região. Considerada de origem antilhana. Caesalpinia pulcherrima (L. 1982). Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. 1984). bipinadas. resfriados e tosses. asma e como cicatrizante (Campêlo. Flor-do-paraíso. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. flores grandes e vistosas. Espécie muito usada como ornamental. além do uso comum contra gripes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pois floresce quase ininterruptamente. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. Na região da Mata Atlântica. folhas compostas. Em outras localidades do país. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. inflamações do fígado e baço. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. sobretudo como cerca viva. A vagem crua é útil contra tosse. Baio-deestudante. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. . internamente. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Chagueira ou Barba-de-barata. Nomes populares A espécie é denominada. com até 10 cm de comprimento.anticatarral. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. contra tosse crônica. 1984). glabros. a decocção das raízes é usada como antitérmico. também é chamada de Flor-de-pavão. e em Alagoas.) Sw. No Piauí. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. com folíolos ovado-oblongos.

dado à falsa canela. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. além de ornamental. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. heliófita e pioneira. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. folhas pinadas. atingindo até 10 m de altura.3). A espécie ocorre em todo o Brasil. excitantes. febre e como purgativo. febrífugos. descrito também por Carl Linnaeus. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. amarga. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. casca lisa e cinzenta. com rara ocorrência dentro de florestas. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. lenha e carvão. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. as folhas e flores são usadas como tônicos. Cassia multijuga Rich. brinquedos. largo e achatado (Figura 18. a raiz é acre. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. quando em grandes doses. em doses elevadas. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. externamente. a casca é considerada emenagoga e. Segundo Corrêa (1984). abortiva. estipuladas. Em outros locais do país. odontálgicos. pela beleza da planta na época de floração. sendo uma planta decídua no inverno. tendo propriedades tônicas. deriva do grego Kasia. obtusos no ápice e com base irregular. febrífugas e venenosas.como emenagogo e abortivo e. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. o fruto é do tipo vagem reta. . Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. O nome do gênero Cassia. purgativos.

achatados.Cassia occidentalis L. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. no Brasil é espontânea nas pastagens. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). gripes. infecções gerais. Maioba. Lava-prados. febre. gineceu com ovário piloso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Mamangá. laxativo. é indicada popularmente como antitérmico. diurético e colagogo (Gavilanes et al. Majerioba. Outras denominações são Folha-de-pajé.4). Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. Em Minas Gerais. assim como em outras regiões do país. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. flores grandes. Tararucu. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Manjerioba. Lava-pratos. ramos quase cilíndricos. amarelas. curto-peciolados.. folhas alternas. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. Na região da Mata Atlântica. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. resfriado e diarréia (Grandi et . Rioba. verde-escuros em ambas as faces. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. racemos axilares. com caule lenhoso na base. Segundo Emperaire (1982). Ibixuma. dispostas. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. frutos do tipo vagem glabra. no Piauí a infusão do caule. Mata-pasto. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. beiras de estradas e próximo a culturas. paripenadas com ráquis comprida. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. estipulada e com glândulas na base.

problemas hepáticos. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. desordens do trato urinário. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. No Brasil. No Rio Grande do Sul. 1979).al. . a raiz triturada é utilizada para epilepsia. estômago. febrífugo. rins e bexiga (Simões et al. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. emenagogo. febrífugo e diurético. Na Índia. 1970). anemia. as sementes. 1982). dores menstruais e uterinas. mas também são utilizadas contra tuberculose.. sudorífico. como Mata-olho. preparadas como o café. mordida de escorpião. diurético. na asma. reumatismo. inflamações nos olhos. na forma de cataplasma. Além disso. 1990). doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. 1985). internamente.. 1990).. 1986). reumatismo. as raízes são consideradas um tônico. malária. e para constipações em bebês (Gupta et al. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. Em outras localidades do país. erisipela e tuberculose. as raízes são consideradas diuréticas. A espécie C.. 1994). Na Amazônia peruana. é utilizada contra doenças do fígado. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. como vermífugo (Nagaraju et al. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. tinha e hemorróidas. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. como antiinflamatório e. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. No Peru. purgativo. nos desarranjos menstruais.. 1988). doenças venéreas. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. Cassia reticulata Willd. No Panamá. são utilizadas contra asma.

a espécie é conhecida como Jatobá. Jutaí-peba.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. os frutos são vagens delgadas. alternas e pilosas. Jutaí-açu. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. ápices acuminados. Olhode-boi. Nomes populares No Vale do Ribeira. com 6 a 15 cm de comprimento. Algarobo. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Abati-tambaí. Jatai. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em cimeiras terminais. farinhento e comestível. Jutaí-café. Também é chamada de Jatobá-mirim. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. brilhante. entre outros. com casca dura. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. fruto doce. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. como antitérmico e diurético. negras. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. 1994). glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. flores brancas vistosas. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jatobá-de-anta. folhas compostas. lisos. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Jatobá-roxo. Jatobá-de-porco. tronco ereto e ramos glabros. base assimétrica. marrom. Jatobazeiro. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. Jutaí. Hymenaea courbaryl L. Jutaí-do-campo. com até .

ferrea forneceu sitosterol. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. além do uso contra bronquite. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. vermífugo. o deus da união. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. Caesalpinia O extrato benzênico de C. Yadava & Tripathi.forticata (da Silva et al. ácidos . Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. 2000) e os flavonóides kaempferol. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. enquanto a madeira é usada na construção civil. e a seiva é excelente tônico para crianças. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. com florescimento entre outubro e dezembro. especialmente em crianças. 2000). O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África.15 cm de comprimento. É uma espécie semidecídua. estimulando a digestão e fortificando o organismo. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. em alusão aos dois folíolos.. 2001. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria.. microstachya (Meyre-Silva et al. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. sendo usada na arborização de parques e jardins. enquanto o xarope da casca do caule. sedativo e peitoral. ácidos palmítico e octacosanóico. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. é eficaz contra tosses. O nome do gênero deriva do grego hymen. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B.

1987c). 8. pulcherimina.. . Da madeira de C. brazilina (Namikoshi et al. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 3'-0-metilepisappanol. beta-amirina. Das cascas e raízes de C. De diferentes partes de C. sapanol. 1997).. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona.. bondenolídeo.. 1978) e 2. 3'-0-metilbrazilin. 1986. 1997). 1987a). 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. miricetina.. alfa-amirina. 8metoxibonducelina. 1987e). 1996). quercetina (Rao et al..... lup-20(29)-en-3beta-ol. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. bonducelina. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.6-dimetoxi-l. episapanol. lupeol. 1973).. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 3'-deoxisapanoI. 1997). protosapina (Namikoshi et al. 1978). acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1987) e pulcherriminas A. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. quercetina. 1954).5-trihidroxibenzóico (Rao et al. quercimeritrina (Awasthi & Misra. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. Kim et al. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al.. Das sementes de C. 1997a).. 8metoxibonducelina. 1987)... 2002). Foram isolados os flavonóides: rutina. 7p-vouacapenediol. 1987b. cianina. C e D (Patil et al.. 1978). taraxerol (Yadava & Nigam. 3'-0-metilsappanol.. 1977). 1983). 1983). os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico.4. C e D (Peter et al.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. sapanona B. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 1997b). 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. Peter et al. bonducelpina A.. 4-O-metilepisapanol. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden.9. beta-sitosterol. 6p-cinamoiloxi5a.. 4-O-metilsapanol. 1997). 1977). 1985).ll. 4.. B. leucodelfinidina. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. ácido 3. B. sappan foram isolados octacosanol.14-didehidro-5a-vouacapenol.4benzoquinona (McPherson et al.

glicosídeos cardiotônicos. glicosídeos de C. brasilina e protosapaninas A. pumila foi analisada. 1987f). 1977). multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh.. japonica (Namikoshi et al. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. .. M. C. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. glicosídeos (Singh. 1987. C. C. sappan (Namikoshi & Tamotsu. 1988). sapanonas a e b. 1997). 1985). Cassia Da espécie C. A composição de ácidos graxos das sementes de C. Dos frutos de C.. além de xantonas (Wader & Kudav. 1977. S. 1981).. dicopetala (Chowdhury et al. vários compostos aromáticos de C.. Na espécie C. 1987a). triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. digyna (Mahato et al. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. B e C (Namikoshi et al. isoflavanóides de C. 1994). 1996). episapanol. sappan (Nigan et al. isoliquiritigenina.. 1982). 1983). buteína. cacalaco e C. Do Fedegoso.. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. sappan (Saitoh et al. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al.. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. 1985). platyloba. caladenia e C. saponinas. Fuke et al. 1977). sitosterol. occidentalis. 4-O-metilepisapanol.. ácidos linoléico e palmítico de C. Das sementes de C. isolaram-se 1.. Kitanaka et al. a espécie C. 1987d). 1986). japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol.. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. hintoni (Contreras et al. Namikoshi et al.. sitosterona. (Kitagawa et al.. et al.. 1996) e de C. reticulata.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. 3-deoxisapanchalcona. Da madeira de C. Foram isolados alcalóides de C. M. sapachalcona. 1986. taninos. 4-O-metilsapanol. 1995). sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. sapanol. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh.Das raízes de C. 1996)...

ácidos monoenóico. 1. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele.. Das sementes de C. 1979)... Telange et al. occidentalol-1. questina. além de flavonas (Guptaetal. l. triglicerídeos (Zaka et al. palmítico.e beta-amirina. De C. 1982) e das raízes (Singh & Singh.. emodina. 1987). 1985). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1990). 1987). Foram isolados das sementes de C. 1989). 1978).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. roxburguina (Ashok & Sarma. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. 1987... & Singh. roxburguina.7-dihidroxi-3metilxantona. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. Da raiz de C. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. Das superfícies das folhas de C. 1990). 1986. Das folhas de C. roxburguinol e um novo estilbeno. De C. alfa.1987. J. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. Das sementes de C. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards.. De C. crisofanol. 1989a). mirístico. 1986). esteárico e oléico (Alencar et al.. occidentalis foram isolados pinselina. Singh. enquanto das vagens foram isolados crisofanol... dienóico e trienóico (Zaka et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. 1988b).. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. 1987). 1987). metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. occidentalol-2. 1987). crisofanol. 1977) e os ácidos cáprico. pinselina. germicrisona. . 1989). J. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. 1986). 1988a). bis (tetrahidro) antraceno. 1996). além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. 1985). carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al..

o aminoácido histidina (Zhang et al. 1987... O perfil fitoquímico de C.. 1979). obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. Asamizu et al.. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. aurantioobtusina. De C.. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. flavonas. polissacarídeos (Khare et al. 1986). 1988). glicosídeos. oléico e linoléico. 1988). 1980) e os ácidos palmítico. 1987). De C. linoléico. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. obtusina. 1990). 1986. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. colesterol..Das raízes de C. m-cresol. malválico.. De C.. 1977). 1990).. flavonóides (Wassel & Baghdadi. De C. 1984). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. obtusifolia foram também isolados obtusina.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. obtusofolina. e das folhas. 1989). 1997). Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. 1989). 1988). 1989). além da presença de beta-sitosterol. crisoobtusina. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. . fisciona. além de ácido palmítico.. angustifolia não difere muito do de C... acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. oléico. beta-sitosterol e l. . flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1988). 1986). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. 1987) e emodina (Yang & Wang. De C. succínico e tartárico (Matsuura et al. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al.. o senosídeo é o principal desses derivados.. antraquinonas (Zhang et al. ácido crisofânico. questina. Nas sementes de C. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. 1978). siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. Ishidaet al. 1985). emodina. 1986). flavonóides (Crawford et al. esteárico. obtusifolina e estigmasterol. estigmasterol. 1986).. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. De C. Metil palmitato e metil oleato.

aminoácidos (lisina. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi.. Chowdhury et al. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de .. 1988) e antraquinonas (. araquidato de beta-sitosterol. 1987b).. fistula (Cano Asseleih et al. 1988). linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. fistula e das cascas de C. flavonóides (Srivastava & Gupta. Das sementes de C. Das vagens de C. malválico. behenato de beta-sitosterol. emodina. arginina.. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al.. butirospermona. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. De C. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. 1988). O óleo da semente de C. proteínas brutas.. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. 1991). 1990). palmitato de beta-sitosterol. esteárico. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al.. 1987). ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla.De C. 1981). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. Do óleo das sementes de C. renigera possui ácidos vernólico. glauca foram isolados os ácidos palmítico. 1990). De C. beta-amirina. 1990). 1989a). 1978). fistula e C. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al.. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. ..javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al.. 1987b. ácido glutâmico e aspártico. 1990).. carboidratos.. 1987). linoléico. O extrato das folhas de C. 1988). javanica apresenta nonacosano. 1978). 1990a) e antraquinonas (Messana et al. oléico. Das raízes de C. De C.senosídeos das folhas de vagens de C. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. As cascas do caule de C. Das folhas de C. 1988). reina. Das cascas do caule de C. treonina e leucina).Ahuja et al. De C. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. 1990a). triptofano. palmitato. ácido behênico... triacontano. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. 1977). 1990).

B. 1977). Das folhas de C.. De C.. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol... De C... C. palmítico.Das partes aéreas de C. De C.. C. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1987).4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al.. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. emodina. linolênico. 1997). garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1978). 1988). (Baba et al. estérico.. Das flores de C. 1988). 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al.. siamea (Khan et al. fisciona. javanica (Singh & Jindal. ácido quelidônico. 1977). De C. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. emodina e rheina) (Krambeck et al. oléico. 1987. 1988). 1986. 1987). 1988). mirístico. Cassia javanica (Azero et al. 2-methoxistipandrona. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. 1988). 1986 e 1987). spectabilis foram isolados antraquinonas. De C. 1987). A composição dos ácidos graxos de C. . 1985). Sen et al.. R. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. araquídico e behênico (Khalid et al. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1990). 1989) e nas sementes de C.. marginata (Kumar et al. pumila foram isolados tetratriacontanol. fastuosa foram isolados os glicosídeos. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. linoléico. além de alcalóides (Christofidis et al. sericea (Muralikrishna et al. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. 1985).. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. 1986). palmitoléico. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. C.. Cassia laevigata (Singh.... Das raízes de C. 1989). 1989). Das sementes de C..

. C. leiostachya (Moura et al. et al... Extratos de C. 3- . ferrea como antitumoral (Queiroz et al. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. 1977). candicans (Pepato et al.. tarapotensis (Braca et al. 1985).. 2000). Os inibidores da aldose reductase. T. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. contêm caesalpina P. 1990) Lima. 2000.. 1986). O. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al.. 1991). Rossi-Ferreira et al. 1998). O. C. 2001. J.. 1995. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar.... Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. A espécie C... De C.. Bacchi & Sertié. Munoz et al.. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. 1994.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B.. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1995. 1976) e proteínas de C. malabarica e B. Nakamura et al.. sapanchalcona. Estudos mais recentes têm apontado C. 2001) e antimolarial de B. et al. antimicrobiana (Cebalhos et al. Lemus et al. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. 2002a e 2002b). 1996. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. et al. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. J. 1988). 2002... 1996). E. 1986). O uso crônico de B. et al.. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. antiinflamatória (Carvalho. 1997). Lopes et al. guianensis (Kittakoop et al. 1999).forficata e B. Amaral et al. 1998). 1987). analgésica (Carvalho. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. 1991).. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. anticoagulante (Milagres et al.. antiedematogênica..

antifúngica. Feng et al. 2001). 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. de relaxamento do músculo liso. 1996). 1994.. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. Schmeda-Hirschmann et al. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. 1989). 1987). sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. 1985). 1997). 1999). Sadique et al. in vitro. 1991.. 1996). Hussain et al. protosapanina A.deoxisapanona. antibacteriana. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. Cassia Nas folhas de C. Caceres et al. 1992. A brasilina isolada de C. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. antimalária (Gasquet et al. 1976) e. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica.. . brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1978. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1995a).. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. vasoconstritora. de estimulante uterino (Saraf et al. hepatoprotetor (Jafri et al.. 1997).. De C.... sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. Sama et al. 1993.. inibitória da hemólise.. antiviral contra hepatite B (Patney et al. O extrato metanólico de C. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos... hipotensiva.... antiparasitária.. 1962). 1987.

alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.. citotóxica com extratos de C. Nas sementes de C. utilizando as folhas de C. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. As folhas de C. Crawford et al. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. lugustrina (Abhaham et al. 1986a). que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. 1988). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. ADP e colágeno (Yun-Choi et al... 1979) e C. C. obtusifolia (Kitanaka & Takido.. e C. 1990). Estudos com as sementes de C. acutifolia como controle positivo.pudibunda (Cavalcanti et al. O extrato a 10% das folhas de C. 1988 e 1989). 1989). angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. 1989). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. De C. alata quanto C. As antraquinonas de C. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika.. acutifolia.3'. garrettiana (Inamori et al.. 1988) e C. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. espasmolítica com subs- .. 1985).5'-tetrahidroxistilbene. 1984). obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. O extrato das folhas de C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman.. As sementes de C. garrettiana foi isolada a 3. 1990. 1991). 1989).Das sementes de C... Os resultados finais indicaram que tanto C.. 1986). obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1990). pudibunda (Cavalcanti et al.4. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). 1990). exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. 1991). A fração polissacarídica de C.

1984). ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional.. como substituta do café. seca e/ou torrada. ferrea. na forma fresca. roenwilana (Rowe et al. em geral.. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. A espécie C. 1979) e C. dispnéia. especialmente por crianças.. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. apatia. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. A administração de folhas de C. vômitos. cólicas abdominais e diarréia. 1986b). antitumoral com extratos de C. angustifolia (Nakajima et al. O gênero Cassia produz. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. fistula (Bhardwaj & Mathur. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. Seu consumo indiscriminado é perigoso. em muitos países.. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. Salienta-se que a espécie C. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. fistula (Babbar et al. amplamente utilizada pela população. diarréia.. 1979). C. purgativa dos glicosídeos de C. que apresentaram um quadro de ataxia... 1985). 1977) e antivirótica com extratos de C. 1986. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. quinquangulata (Ogura et al. 1991).. anemia. 1985). . pumila (Fatawi et al. 1979). cansaço e dores. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. 1986).. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão.. caracterizado por náuseas. Colvin et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas.tâncias isoladas de C. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. 1987). cavalos e cabras. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. 1998). echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al.

Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Desmodieae: Desmodium. Diplotropis. Dioclea e Mucuna. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. um importante produto alimentar no Brasil —. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. 1978). das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Trifolieae: Medicago. Crotalarieae: Crotalaria. Robinieae: Sesbania e Robinia.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Derris e Lonchocarpus. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Abreae: Abrus. Nos estudos realizados na região amazônica e . Dypteryxeae: Dypteryx. Indigofereae: Indigofera. Psoraleae: Psoralea. Millettieae: Tephrosia. onde se encontram plantas (Barrozo. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Myrocarpus e Ormosia. Genisteae: Lupinus. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Sophoreae: Sophora. Cajanus. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Cymbosena. Canavalia. Vicieae: Vicia e Pisum.

com ramos angulosos. Andu. gripes. comprimida. dores de barriga e diarréia e a infusão. de onde partem folhas pecioladas. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Ervilhade-angola. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. na Mata Atlântica. as quais são descritas a seguir. compostas de três folíolos aveludados. Erva-do-congo. Cuandu. sendo ainda forrageira. . Feijão-de-árvore. pinadas. mas há divergências quanto a essa classificação. Guandu ou Feijão-guandu. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. flores vistosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. fruto do tipo vagem linear. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. com ampla utilização em diversos países. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. contra constipação nasal. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. 1984). Espécies medicinais Cajanus cf. A espécie possui um grande valor econômico. podendo atingir 3 m de altura. dispostas em pedúnculos axilares.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. oblongos. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro.

descrito por João de Loureiro.Cymbosema roseana Bent. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. na Mata Atlântica. com ramos tomentosos. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". pediceladas. flores rosas. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. flores rosas. significa "pele dura". por arbustos ou árvores. referindo-se ao legume. oblongos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. O nome do gênero Derris. e foi descrito por George Benthan. de Flor-da-terra. menos freqüentemente. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. acuminados e glabros. reunidas em fascículos. em forma de bote. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. fruto do tipo legume falcado. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. . Nomes populares A espécie é chamada. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. 1997).

trifoliadas e . revestida de pêlos curtos. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. cilíndrica. compostas. sementes sem endosperma (Figura 18.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. corola dialipétala.) DC. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. com cálice gamossépalo. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. flores fortemente zigomorfas. ereto e com raiz bastante lenhosa. Derris floribunda Bth. Dados botânicos Erva de pequeno porte. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. didamídea. Desmodium tortuossum (Sw. folhas alternas. hermafrodita. com uma grande pétala superior. externa. pentâmera. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. folhas pecioladas. a prefloração da corola é imbricada descendente. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. com folíolos articulados na base. coriáceo. fruto do tipo legume linear. Trevo-da-flórida. Outros nomes populares são Amores-do-campo.5).

pequenas. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. fruto do tipo vagem. com sementes pretas e duras (Figura 18. Paricarana. Sicupira. Sapupira-preta.6). flor com estandarte longo. misturada com enxofre. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Dados da medicina tradicional A semente ralada. com ampla distribuição no Brasil e no México. O nome Diplotropis significa "duas carenas". Outros nomes comuns são Favinha. pinadas e folíolos glabros. Sapupira-da-mata. Sucupira-da-terra-firme. Sapupira. todas conhecidas como Sucupira.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Sebipira. coriáceos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. indeiscente. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. referindo-se à disposição das flores. plano. Cutiúba. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. . Sapupira-da-várzea. Diplotropis purpurea (Rich. com folhas compostas. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. reunidas em racemos. vexilo oblongo provido de apêndices na base. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. inflorescência revestida por pêlos cinzentos.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. O nome do gênero significa "feixe". tendo um apêndice na base. Cutiubeira. fruto do tipo legume.

referindo-se ao cálice. que. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. grosso. quando passados sobre as costelas. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. charutos. cigarros. alternas. Nomes populares A espécie é chamada. na região amazônica. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". alimentos e uísque. Cumaruzeiro. podendo atingir até 35 m de altura.Dipteryx odorata (Aubl. 1991). dispostas em panículas pubescentes. servem para tratar a pneumonia. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. Cumar-do-amazonas. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. aromáticas. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. flores vermelhas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de Cumaru. de pequena espessura. caule reto. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. Imburana-de-cheiro. pecioladas. além da famosa fava de cumaru. Imburana. Umburana e Kumbaru. se fendem liberando a semente roxo-escura. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. e na produção de perfumes. de cor verde-amarelada.) Willd. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. folhas grandes. . compostas. frutos em forma de vagem drupácea. imparipinadas. O nome do gênero significa "duas asas". muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. doces. quando maduros e secos. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Cumaru-amarelo. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça.

.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. diaforético. antitussígeno. emenagogas e cardíacas. contendo casca de pequena espessura. antiespasmódico. pecioladas. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. dispostas em panículas pubescentes. como reconstituinte das forças orgânicas. pela presença de Cumarina. diaforético. contra contusão e reumatismo. grosso. e os palikur. narcótico e estimulante. essa espécie é utilizada como anticoagulante. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. cardiotônico. para banhos fortificantes de crianças. contra qualquer inflamação. podendo atingir até 3 m de altura. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. com semente oleosa e aromática. antidispéptico. folhas grandes. aromáticas. febrífugo. Em outros lugares. flores vermelhas. diaforéticas. 1991). dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. internamente. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. imparipinadas. alternas. emenagogo. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. compostas de sete a nove folíolos. caule ereto. para aliviar dores de garganta e. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. frutos em forma de vagem verde.

com casca rugosa no caule. 1974). o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. compostos 5-9 folioladas.Myrocarpus frondosus Aliem. tinturas e perfumaria. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. Pau-bálsamo. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. Bálsamo e Pau-de-óleo. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. A madeira. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos.. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. de ocorrência na América do Sul. Nomes populares A espécie é chamada. portas e janelas de luxo. Outros nomes são Cabruê. sendo ainda expectorante peitoral. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. urucu. de Cabreúva. indicadas nas lesões do sistema respiratório. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. Óleo-pardo. a mais estudada é a D. para fabricação de carroças. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. outros compostos . A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. possui aroma balsâmico. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. sendo muito usada na indústria de cosméticos. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". assim como a casca.

Foram isolados alcalóides de D. 1976) e D.. 1978). 1991. heterocarpon e D. reticulata.. D. Desmodium De D. As espécies D. D. 1994)... hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. foram isolados. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. 1986). Rao M. 1973b) e saponina (Parente & Mors... deguelina e tefrosina (Ahmed et al. 1995b) e D. D. spruceana. araripensis (Nascimento et al. do seu caule e de suas folhas. N..) DC. frutescens.. crisantemina e cianina (Matinod et al. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. canadense (L.. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal.. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. enquanto de D. 1961. 1977).. lupinifolina e laxiflorina. epoxilupinifolina e dereticulatina. laxiflora Lin et al. Nakatu et al. 1977)... Do caule de D. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. D. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. 1978.8-difenileriodictiol. D. ou D. spruceana (Garcia et al. homoadonivenita (Batyuk et al. 1985) e D. Lin & Kuo.. Flavonóides também foram isolados em D.. lipídios. Kimetal.. 1986. benthmii (Fellows et al. canarensis (Evans et al.. 1997). 1962). B e C). 1993. E em D.. adhaesivum Schldl. 1994). 1988). 1978). tortuosum. glutinosum. proteínas. também denominada D.) DC. os flavonóides. Em D. 1954). oblonga e D. e das raízes de D. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al.. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al.. et al.. aparines (Link. senegalenseína. amoena. obtusa (Nascimento et al. 1989). hiravanona. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. 1989). Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. 1996). elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1997). foram isolados os flavonóides desmodina. De D. Da espécie D. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. incanum DC. Bell et al. 1995b).rotenóides (Braz Filho et al. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6.. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. 1978). que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Das raízes de D. D. . canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A.. Nascimento & Mors. 1976.

e de D. Nakatu et al. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. Purushothaman et al..) DC. 1969. 1-octacosanol.. ácido octacosanóico. 1971). isoquercitrina. normacromerina. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman.. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. 1978).Os alcalóides bufotenina. O-metilbufotenina. hordenina. gangeticum (L. hipoforina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. Don. gangetina. O D.. cinarascens A. além de canavanina (Beveridge et al. tiliafolium G. 1983). 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. Bell et al.4-dimetoxifenetilamina. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. beta-carbolina. genisteína. salsolidina. difisolina. desmodina. 1972. 1963). salsolina. 1977. 1972).N-dimetiltriptamina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. 1975). 1973). A espécie D.4-dimetoxifenetilamina. ario-inositol e betapinitol. 1962. bufotenina N-óxido. N. hipoforina e os alcalóides.. leptocladina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. Nmetiltiramina. caudatum (Thunb. Ghosal & Bhattacharya. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. 1964) foram todos isolados de D. 3. N-N-dimetil-3. . Em suas raízes foram isolados abrina. 2-feniletilamina. possui os flavonóides dalbergioidina. os flavonóides desmodol (Ueno et al. intortum) possui carboidratos.. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee.. 1984.) DC. betaína. kaempferol e quercetina. De D. hordenina.. também denominada D. também muito usado medicinalmente. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. os alcalóides candicina. elegans DC. Em D. os flavonóides hiperina. desmocarpina. cinereum (Kunth) DC. Purushothaman et al. galactopinitol A. foram isolados mangiferina. gangetinina.

kaempferol. 1984). podocarpum. e de D sandwicense E. 1977. compostos estes também isolados em D. Amor-de-velho-comum.. Kubo et al. floribundum. racemosum.) DC. e os alcalóides colina.N-dimetiltriptamina N-óxido. 1971. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. 1963a e 1963b.. b-sitosterol. ácido indol-3-acético. e os flavonóides isoliquiritigenina. Anjaneyulu et al.. 1978). styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al.. 1986. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. vitexina e xilosilvitenina. nonacosanos. foram isolados os flavonóides apigenina. De D. pinitol e canavanina (Beveridge et al. vitexina. feniletilamina... 1966). foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al.. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. homoferreirina. Ahluwalia et al. Adinarayana & Syamasundar. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.1995. 1961 e 1962. ovalifolium (Giner-Chavez et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. também conhecido com D. estigmasterol. formononetina.) DC. inositol. Sreenivasan & Sankarasubramanin. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. 1995)... Kubo et al. tricosanol. triquetrum foram isolados friedelina. 1989. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. De D. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. multiflorum. 7-hidroxiflavona. estigmasterol. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. triflorum (L. . laxiflorum foram isolados heptacosanos.. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. ojeinese. 1989). 1965). Mukherjee et al.. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. heptacosanol. De D. Bell et al. 1962). 1989). lupeol.. também denominado D. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. o terpenóide lupeol. 1985). isovitexina. 1965. N. e de D.. De Desmodium uncinatum (Jacq. 1996). 1968). foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. 1995). Perez-Maldonado & Norton. De D. De D. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al... e de D. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. 1982. 1989). De D. 1997). flavosativasídeo. os terpenóides beta-amirina. De D...

. 1982).1973a). 1. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. .3epimetoxilupanina. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.

. . 1996). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1994). A espécie D. 1952).. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 2000.. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1995). punctata (Gruenwald. 1981).. 1966) e beta-farneseno (Matos et al.Dipferyx De diferentes partes de D. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1995. Togashi. 1952). retusina). isoflavonóides (Lourenço et al. De D. Das sementes de D. 1993). odoratina.. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. alata foram determinados 40% de óleo. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. 1994).. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. além dos terpenóides betulina. De D.. odoratina. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. lupenona e lupeol (Kaplan et al.. cumarinas (Ehlers et al. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona)... Nakano et al. 1966). flavonóides (dipterixina. odoratina. pois suas sementes são ricas em Cumarina. alata foram determinados 40% de óleo. 1994). 1995) e cumarinas (Ehlers et al. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. punctata (Gruenwald. odoratina. Das sementes da espécie D. odorata apresenta um grande valor comercial. 1995). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. De diferentes partes de D. 1991). flavonóides (dipterixina. lupenona e lupeol (Kaplan et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. além dos terpenóides betulina.

indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. micou. também conhecido como Timbó. nicou (Costa et al.. 2002). 1997). sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. . 2001). Datta & Bhattacharrya. 1999. 1997). De Derris sp. 1979). 1997). scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico... que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. Foi isolada das raízes de D.. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos... 1987). O extrato etanólico de D.. De D.. Derris sp e D. D.. Aragão & Valle. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. 1972). e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. 2001).. 1996). Das raízes de D...Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. urucu e D. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. 1998. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al.

. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. 1997). O extrato de D. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio.. 1997). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. De D. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar.A D. styracifolium.. Tolera & Said.. 1987). ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. 1997).. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. 1999). 1996). O extrato de D. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. D. O extrato aquoso de D. 1988). 1996. 1988). além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al.. . e os taninos isolados de D. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1989). B e C... Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D.

das sementes de D. Y. 1998). Leucaena. Albizia. Calliandra.. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.. 1996). 1987). . Zollernia e Acácia. 1993).. Inga.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al.. das quais destacamos os gêneros Parkia. et al. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. M. vômito. doses elevadas podem causar náusea.950 espécies descritas. 1991). distribuídas em cinco tribos. Prosopis. Adenanthera. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Mimosa. urucum provoca irritação da pele. muitos deles de valor medicinal.

pinadas. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. com grande ocorrência na Amazônia. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. pecioladas. . folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Ingá-grande e Jambolão. compostas por folíolos ovais. Laranjeira-do-mato. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. Zollernia ilicifolia Vog. a espécie é chamada de Mocitaíba. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Nomes populares A espécie. flores reunidas em espigas terminais. é chamada de Espinheira-santa. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). encontradas em áreas tropicais e temperadas. repletas de glândulas. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia).Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. Em outras regiões do país. na região da Mata Atlântica. Moçataíba e Orelha-de-onça.) Willd.

stipularis (Kraus & Reinbothe. semialata.8-dimetilflavona (Correa et al. I.oblongas. parviflora foram isolados os constituintes 7.4'trihidroxi-6. 6.. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.3'. 1991). a antiga casa regente prussiana. 1973). laurina. 1996). com margens onduladas e providas de espinhos. 5. bourgonii. nobilis. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. oerstediana e I. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.7). farmacológicos e toxicológicos. I. I. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. I. Foram isolados alcalóides das espécies I. I. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. I. incluindo dores.3'4'-trihidroxiaurona e 7.. flores rosadas (Figura 18. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. I. e o nome deriva de Hohenzollern. . paterno (Morton et al. longispica. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. alba.7.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. I. Maytenus ilicifolia). heterophylla. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. sertulifera.

b) detalhe das folhas (fotos originais por M.FIGURA 18. Reis).Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. .1 . S.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .FIGURA 18.

Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .3 .

4 . 1939).FIGURA 18. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . b) escanerata do ramo com flores e frutos.Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

FIGURA 18.5 .Derris floribunda. Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .

Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .6 .FIGURA 18.Diplotropis purpurea.

S. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.FIGURA 18.Zollemia ilicifolia. Reis).7 . .

da famosa Romã. Melastomataceae e Myrtaceae. Punicaceae. Di Stasi C. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . a Punica granatum. com inúmeros representantes no Brasil. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. C. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. São plantas herbáceas. A. 1978). lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. e as duas famílias aqui descritas. assim come outras espécies de valor econômico. 1997). distribuídas nos 188 gêneros.950 espécies.19 Myrtales medicinais L. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. que incluem espécies medicinais. que inclui o gênero Punica. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. arbustivas.

flores pequenas. . nervadas e pubescentes. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. essa espécie é chamada de Quaresma. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em cimeiras. Salpinga. Huberia. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. brancas ou rosas. fruto do tipo baga. ou Pixirica. Miconia. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. que descreveu inúmeras patologias em plantas. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. 1998).) DC. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. Neste estudo. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. Nomes populares Na região amazônica. em outras regiões. na região amazônica. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. ambas pela indicação popular na região amazônica. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. roxo. Microlicia. ereto e piloso. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. com folhas ovais e cordiformes.

A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Leptospermum e Melaleuca. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Eugenia. Os . planas. Pimenta. bem representada na Austrália. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. de onde partem folhas de pecíolo longo. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al.620 espécies (Mabberley.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Psidium. Syzygium. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. e várias outras em climas temperados.. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Eucalyptus. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. Pseudocaryophyllus. oeste da Índia e América tropical. 1997) arbustivas e arbóreas. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. 1990). flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura.

E uma espécie exótica. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. No Brasil. com folhas pecioladas. leucoantocianinas. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. 1998). especialmente as flores. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. rosas ou avermelhadas. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. dispostas em corimbos. Eugenia (Pitanga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. são usadas no local. Araçá). fruto do tipo drupa. oblongas e glabras. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. as partes aéreas do Cravo-da-índia. bastante aromáticas. Cereja-nacional. congestão nasal e dores de cabeça. flores pequenas. para o alívio de dores de dentes. .constituintes dessa família incluem. 1996). além de óleos essenciais. cultivado ou adquirido no comércio. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. opostas. ácidos fenólicos e ésteres. Myrciaria Gabuticaba). taninos.

Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. por outras. no entanto. Araçáguaiaba. curto-pecioladas. fervidos. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Psidium. os brotos de goiaba e de caju. internamente. Araçá-guaçu. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. A infusão dos frutos. existem registros para a espécie como Goiabeira. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. de sabor agradável. galhada. que é a denominação em grego da planta. Guaiaba. botões florais tomentosos ou glabros. Provém de psidion. doenças da pele. referindo-se aos frutos. Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Guaiava. folhas opostas. fruto com baga amarela. ovadolanceoladas. diclamídeas. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. o chá das folhas novas. contra diarréias. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. esmagar. Araçá-goiaba. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. com caule tortuoso e casca lisa. para regulação do ciclo . actinomorfas. significa "triturar. e. é indicado contra diarréia. edema e. é útil contra hemorróidas. flores hermafroditas. com cálice membranoso. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. usada externamente. 1984). brancas e com numerosos estames. morder".1).

As folhas de P. 1982). oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. misturado com folhas de salva-de-marajó. guajava ainda são utilizadas na América Latina. curto-pecioladas e glabras. 1982). A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. com cálice membranoso. Grenand et al. diclamídeas. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire.menstrual. actinomorfas. .. Grandi & Siqueira. é antidiarréico (Amorozo &Gély. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. o chá das folhas. flores hermafroditas. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. antidiarréica.. guineense Sw. misturado com folhas de pitanga. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. Psydium cf. botões florais tomentosos ou glabros. 1980. como estomáquico. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. como também os frutos. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. indisposição estomacal e vertigem (Forero. e o decocto. igualmente usados como alimento. fruto com baga amarela. Central. 1988). lavagens de úlceras. no Piauí. no Rio Grande do Sul. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. anticolérica e antiúlcera.. antileucorréica. principalmente em diarréias infantis. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. 1992). sendo facilmente confundida com esta. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. 1984). de polpa abundante. Duke & Vasquez. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. em Minas Gerais. brancas e com numerosos estames. no Pará. 1986). o chá da folha. 1982. folhas opostas. 1987. 1994). é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al.

cremoflieno. 1987). alcanos..1-díetoxietano. ésteres. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. dos quais 13 são aldeídos. óxido de humuleno.. Pino et al. 1986. 1. p-cimeno.. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes... 1996). bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. O dehidrodieugenol. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al.. lignina. 1978). Wilson & Shaw. 1996.. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. 1990.. -terpineol. 28 ésteres. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.1-dietoximetano. 1989. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. borneol. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. aldeídos. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. açúcares. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. 31 alcanos. Zheng et al. p-menten-9-ol. 1982) e quercetina. derivado de eugenol. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. vitaminas C e A. -guaieno. 1981). e 95% são cariofileno (Latza et al. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. além de taninos (Misra & Seshadri. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 1987. pectina. 10 ácidos. 1987. himacaleno. -bergamoteno. denominados 1. apresentou atividade depressora do SNC. 1990). Ortega & Pino.. Yusof & Mohamed. 1. 1989. mirceno.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. -bisaboleno. 1994). Oliveros-Belardo et al. Pino et al. 1996). Chyau & Wu.... 1968. 122 componentes voláteis. As diferenças quantitativas e qua- . 1991). -santaleno.. 1996). Ortega & Pino. t-cariofileno.. cetonas. humuleno. -cubebeno. acoradieno. 1989. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 1994). Marcelin et al. -cedreno.. 1968). 1990. 1987). 17 cetonas.

palmítico. polifenoloxidase (Augustin et al. 1987).litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib.. 1986). A atividade antibacteriana das cascas de P. guaijaverina.. ácidos linoléico. Lima Filho et al. Hegnaurer. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. O interior das cascas é rico em ésteres.. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. Okuda et al. O extrato aquoso tam- . 1987. flavonóides... e Maruyama et al. 1981). 1979b.. (1994) e Neri et al. Ácido elágico. Osman et al. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al.. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. oléico e esteárico (Opute. Chen & Yang (1983). óleo essencial (Ji et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1987). 1991). d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. ácido oleanólico (Mair et al. 1987). 1978)... 2002. 1986). (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. 1974.. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. d-galactose. 1987). 1989).. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. 1996). Jain et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al.

1996a) de P. F. 1999). P. óxido e b-selineno). pohlianum e Psidium sp. et al. A. Morales et al. 1994).. De P. 1996c. Lutterdodt. 1997. et al. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. 1995. F. Grover et al. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. et al. 1995). 1993. widgrenianum (Souza et al. (Santos et al. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. Lozoya et al. guyanensis (Santos. A. F..... propriedade anticatártica (Pinto et al. guyanensins.. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al.. Das cascas de P. et al. Lozoya et al. PonceMacotela et al. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1994. Do extrato hexânico das folhas de P. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. F. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. e eugenol e timol de P. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória.. 1989. O extrato de folhas de P. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. 1994. . 1990... 1994. A.... 2002. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.. Cáceres et al. Meckes et al. 1995).. A quercetina isolada de P.. 1988) e tosse (Jaiay et al. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. F. 1989). guyanensis. Shimomura. e antitumoral de P... anticonvulsivante (Santos. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. P. 1998). incanescens (Zelnik et al. 1999)... O óleo essencial de P. 1983). Santos et al.. Lutterdodt et al. A. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 1994). 1996). 1993.... Cáceres et al. et al.). 2000...bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. incanescens (Santos. 1995). 1990. 1996b) e P. 1992. 1996a). A. 1994. Cheng et al. Lutterdodt.. 1970).

1 .FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .Psydium guajava.

com inúmeras atividades farmacológicas já descritas.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. Seito F . aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. Os principais gêneros dessa família. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. a família Celastraceae. nos quais se distribuem aproximadamente 1. representa importante fonte de espécies medicinais. Di Stasi L. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. C.G. e apenas uma delas. com atividade antifertilidade masculina. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. ambos contendo espécies amplamente estudadas. Austroplenckia.20 Celastrales medicinais L. . 1997). são Celastrus e Trypterygium. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. N. e Maytenus. que possuem espécies medicinais. gênero de grande valor medicinal.

denteadas. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). gastrite e ulcera péptica. . Também é conhecida como Sombra-de-touro. fruto do tipo cápsula ovóide. Espinho-de-Deus. Erva. flores numerosas. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. axilares. Salva-vidas. dor do "ciático". com acúleos. Cancerosa. de onde partem folhas elípticas. Espinheira-divina. ex Reiss. de Espinheira-santa. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. ápice agudo. arbusto menor (de 1 a 3 m). dores nas costas e úlceras do estômago.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. atingindo até 9 cm de comprimento. glabras. amarelo-avermelhado. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. na região da Mata Atlântica. Maytenus aquifolium M. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. Erva-santa e Congorça. bastante coriáceas. copa globosa e ramos glabros. Nomes populares A espécie é chamada.cancerosa. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa.

Dados químicos De M.. 1995). boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al.. 2001) e triterpenos cetônicos de M. krukovii (Honda et al. De M... Foram isolados das cascas de raízes de M. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. Foram também isolados um glicosídeo. heterophylla e M. oblongas. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al.. arbitifolia (Orabi et al. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. 2000)..Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto.. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. fruto do tipo capsular. podendo chegar a até 4 m de altura.. Das sementes de M... 2000). . contendo folhas alternas.. Da infusão das folhas de M. flores pequenas e axilares. 1995a). 1995.. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. vermelho. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. 1999). blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. 1997). com ramos finos. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 1998).

1999). sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. Das folhas de M. os triterpenóides beta-amirina. E-V. ácido oleanólico e ácido betulônico. 1998). ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al.. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. além de epicatecol. 1998).21-trione (Nozaki et al. 1992b).. 1992). 1991).. os triterpenos fenólicos canarol.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.30-lup-20(29) ene-triol e 28. xuxuarinas F beta.. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al.. 1994).. além de pristimerina. Além disso. canaradial. Dos ramos de M. chuchuhuasca (Shirota et al. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al.. 1991b)...28. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. G alfa e G beta. 1993). E-I e E-II (Itokawa et al. emarginatina-E e emarginatinina. 1996b).8dihidroisoxuxuarina E alfa. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. foram isolados das folhas de M. . betulina. 1994). iliocifolia (Shirota et al. os triterpenos 3-beta. cangoronina e ilicifolina. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. macrocarpa (Chavez et al. E-IV. As cascas das raízes de M. e outros triterpenos (Gonzalez et al. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al.Gonzalez et al. lup-20(29)-ene-3beta. 1997). e escutidina alfa A foram isolados de M. emarginatina-D.. triterpenos do tipo friedelana. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. 7 alfa-hidroxicanarol. lupeol..30-diol (20). 1993a e 1993b).. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I.. 1995a)..16. 1994).. 1994b). De M. E-III. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. E-II... triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. ilicifolia (Itokawa et al. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. De M. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. 1999a e 2000). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).. Sesquiterpenos foram isolados de M. Dos ramos de M. 7.

8 beta.. A. Alcalóides foram isolados de M.... 1999b). 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 8 beta.. M. G. isolados de M.. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. 1999a). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. Gonzalez et al. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al.. Wang et al.. 1999). buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. scutioides (Gonzalez et al. O composto escutiona isolado de M. 2000. catingarum (Alvarenga et al. Dados farmacológicos M.. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. . senegalensis e M. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. macrocarpa (Chavez et al. -15-triacetoxi-l alfa. 1981). amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. De M. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. assim como os compostos 6 beta.M. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 2001). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. 1999).. 1996). myrsinoides (Baudouin et al. 6 beta.. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. et al.. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 1984). 1996a). 1996c). 1996b). Nor-triterpenos isolados de M. 1996b). 1981) e antimolarial ( El Taher et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. 1971... 1999). maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al... tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al.. 1971).. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.

2001). 1999). ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. Queiroz et al.. Gonzalez. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. et al.O extrato diclorometânico de M. 2002).. . Oliveira et al. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. G.. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 1991. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. 2000).. 2001. As folhas e caules de M. 1991.. F...

1997). contendo cerca de 1. No Brasil. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. usada na produção da Ayahuasca. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. corantes e de medicamentos. Malpiguia e Stygmaphyllon. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. especialmente árvores.21 Polygalales medicinais L. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. Polygalaceae. arbustos e lianas (Mabberley. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. ocorrem 32 gêneros. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. Vochysiaceae e Krameriaceae. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. ambas com várias espécies medicinais. 1978). Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. com importantes espécies fontes de madeiras. bebida alucinógena.100 espécies tropicais. Byrsonima. com aproximadamente trezentas espécies. Trigoniaceae. . além das duas referidas a seguir. C. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae.

sendo comumente coletadas como da mesma espécie. e.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. arredondadas. grande e robusta. descrito por Antoine Laurent de Jussieu.) Juss. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. glabas na face superior e sedosas na face inferior. . de folhas cordiformes. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. O nome do gênero Stigmaphyllon. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. significa "estigmas foliáceos". Gordura-de-porco ou Cajuçara. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. externamente. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. dor de estômago e gripes. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal.) Juss. nas raízes formam-se grandes tubérculos. contra icterícia. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. bastante pubescente. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp.

Souza-Brito L. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Oxalidaceae e Balsaminaceae. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. essas espécies serão descritas a seguir. Rutaceae. Anacardiaceae. Cupania e Serjania. Ailanthus. Meliaceae. o Guaraná. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Essa ordem. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Hiruma-Lima A. além das espécies aqui citadas. Picrasma e Brucea. Quassia. que contém. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Simarubaceae e a outra família. M. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. destacando-se as famílias Burseraceae. A.22 Sapindales medicinais C. Das demais famílias dessa ordem. . C. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. inúmeras espécies medicinais. especialmente no Sistema Nervoso Central. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. especialmente dos gêneros Simarouba. R. Sapindaceae. Simaroubaceae.

enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). No Brasil. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. 1997). o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. as espécies Pistacia lentiscus. Spondias e Schinus. relatados a seguir.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. com aproximadamente 875 espécies. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. pertence à ordem Sapindales. subclasse Rosidae. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Semecarpus (Semecarpeae). enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Nessa família. Desses gêneros destacam-se. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Schinus. nos países de clima temperado. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. arbustos. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Manga e Pistache. A espécie Mangifera indica. Do mesmo gênero. tais como Caju. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. descrita por John Lindley. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. Mangifera. lianas e raramente ervas pereniais. Essa família botânica inclui árvores. amplamente consumida . reúne setenta gêneros. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). distribuídas em regiões tropicais. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Spondias. Além dos usos medicinais. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo.

não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Engl. as flores. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. com tronco de casca lisa. de 25 a 30 m de altura. Cajuí. . dispostas em panículas. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Pará e Mato Grosso. entre outras tribos indígenas. o fruto em forma de drupa é peduncular. Caju-assu. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro.1). não foi referida na região de estudo como medicinal. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. perfumadas. sendo também denominada Cajuaçu. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. ovário súpero com um só óvulo. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Caju-da-mata (Amazonas). carnoso e raras vezes doce (Figura 22. especialmente no Amazonas.

o óleo da castanha. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. raspa de amor-crescido e cajá. em referência ao nome de seu fruto. plástico e resinas. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. pequenas e de coloração pálida. Caju-da-praia. O óleo é usado na produção de borracha. Economicamente. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. com um só estame fértil. no entanto. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. É uma planta decídua. tomando-se um copo por dia. Além dos usos medicinais descritos a seguir. as flores. possui importante mercado nacional e internacional. significa "semelhante ao coração".2). O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. Anacardium. entre outras. reticuladas e nervadas em ambas as faces. heliófita e que cresce bem em solos secos. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. ovário unilocular. várias outras denominações são usadas para a espécie. Para hemorróidas. o fruto é do tipo aquênio reniforme. assim como a própria castanha. ovadas. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. Caju-de-casa. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. glabras. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. Caju-manteiga. Acajuíba. Contra diarréia. Cajumanso. O . onduladas. tais como Acajaíba. O nome do gênero. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. ou simplesmente Caju. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro.Anacardium occidentale L. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. pecioladas. as folhas são alternas.

purgativa. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. uma infusão de folha é usada contra diarréia. 1990. desordens urinádas e asma (Lima. assim como um potente adstringente. e a maceração de folhas para tratar diabete. calos e verrugas. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. tonsilite e problemas de garganta. 1984). Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. 1993. debilidade muscular. 1982). Em Juiz de Fora (MG).. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. Grenand et al. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. a casca é utilizada como adstringente. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. 1994). O pericarpo tem utilização como anti-séptico. astenia. antidiabético e antihemorrágico (Verardo.. e a raiz. contra úlceras. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. No Piauí. A resina é usada como depurativo e expectorante. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1993). estimulante e afrodisíaco. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. tônico. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng.. Cruz. 1992). Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. 1995). 1995). O suco das folhas serve como antiescorbútico.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. anti-helmíntico. 1994.. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. P. como um diurético. Matos. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. para controle das secreções vaginais. depurativo e anti-sifilítico. 1982). As flores são afrodisíacas. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. .

Aroeira-branca. O nome do gênero significa "cortar". Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. analgésico e contra coceiras. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. mas é muito usada como ornamental. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. lenha e carvão.Schinus terebenthifolius Raddi. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil.3). tônico. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. . a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. referindo-se às frestas da casca do fruto. com copa bonita e arredondada. Aroeira-do-campo. Fruto-de-sabi. com casca grossa. Aroeira-do-brejo. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. febrífuga e usada contra afecções uterinas. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Cambuí. Aroeira-vermelha. adstringente. Bálsamo. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. estimulante e analgésico. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. caule tortuoso. como cicatrizante e contra gengivites. Aroeira-do-sertão. Aroeira-da-praia. Coração-de-bugre. Fruto-de-raposa. sugere-se o uso com moderação.

1994). é ovóide. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. o fruto da espécie é empregado contra dores renais.4). Outras denominações comuns são Acajá.Spondias purpurea L. Siriuela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos.O3). p-hidroxi- . descrito também por Carl Linnaeus. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. Cirouela. O nome Spondias significa "ameixa". ou Cajá e Umbu. ou mesmo Caju. inclui espécies tropicais. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. com 5 a 7 m de altura. antiespasmódico. como antidiarréico. imparipinadas. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. sendo um composto característico das espécies deste gênero. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. especialmente árvores com resinas. esverdeado e doce (Figura 22. do tipo drupa. Acaju. referindo-se apenas à fruta da espécie. Em outros países da América do Sul. diurético e analgésico. além de comestíveis. reunidas em racemos. o fruto. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. ilustrado a seguir. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. referindo-se à semelhança com o fruto. as flores são pequenas. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. O ácido anacárdico (C22H32. Acaiou. O gênero Spondias. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887).

K e Ca (Thomas & Dave. Al. anacardol e cardol. cicloartenol.. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. 1986). Compostos derivados do ácido anacárdico. além de Na. e de suas folhas foram isolados miricetina. limoneno. estigmasterol. ácido gentísico. agathisflavona. aminoácidos. também foram isolados (Costa. robustaflavona. 1997c). derivado de resorcinol. P. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. álcool araquidílico. (-)-epiafzelequina. 1990). De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. a-selineno e vitamina C (Gupta.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. glicosídeos de quercetina. fenol. narigenina. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. 1989).. anacardeína (Sathe et al. antocianinas. aminoácidos. esteróis. Foram também caracterizados. (-)epicatequina. ácido procatéquico. além de flavonóides voláteis (Pino. amentoflavona. taninos e açúcar (Nagaraja et al. 1997). C1. 1973). S. apigenina. os seguintes compostos: acetofenona. Mg.. n-eicosano. flavonóides. de diferentes partes da planta. amido. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. 1987). sódio e açúcar. 1995). a-amirina. 1985). kaempferol. quercetina. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . cardanol. ácido-p-hidroxibenzóico. leucocianidina. anacardol. 1986). taninos. campesterol e colesterol (Dinda et al. 1987).

láurico. quercetina. ácido salicílico. 1991). 1994). ácidos esteárico. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. palmitoléico. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. 1991. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -.. -caroteno. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 1991). gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. denominados geraniina e galoilgeraniina. palmítico.. Muroi & . Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. 2000)... tocoferol e outros. Escherichia coli.(Guerrero. tais como -catequina. Himegima & Kubo. 1999). 1994). -linolênico. 1992). Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. oléico. 1993. Vários derivados do ácido anacárdico. -sitosterol. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . 1994). Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos.. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al.. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. 1994) e frutos (Augusto et al. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. aminoácidos variados. flavonóides e triterpenos em suas folhas. e raízes (Guerrero.Bacillus subtilis.. tocoferol. 2000).

1982). O extrato hexânico das cascas de A. 1993). enquanto o cardol. . 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1984a). 1995).. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. glabrata. Souza et al. Jurberg et al.. 1991). 1993).. 1992. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1994). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial.. Craveiro et al. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. occidentale foram avaliados perante a B.epicatequina Kubo. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1974.

. Mota et al. Além disso. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus.. Geraniina e galoilgeraniina.. 1999. mombin... taninos isolados de S. 1993). O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. 1990. 1981). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1).. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. responsáveis por irritação da pele. 1991). 1992). possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. antiartrítica.. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.. 1983). o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. occidentale. 2001. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1982 e 1985. pela presença do cardol (Hoehne. Abo et al. 1992). foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. occidentale. 1980) enquanto. 1982... 1994).. 2000..A epicatequina. Kudi et al. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. isolada de A. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. 1990). . Akinpelu. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. Barbosa Filho et al. França et al. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata.. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1994). foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Dos extratos hidroalcoólico...

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

1946).FIGURA 22.4 . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne. .Spondias purpurea.

b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22.Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.5 . c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

Ruta graveolens.FIGURA 22. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .6 .

A maioria das espécies é de plantas herbáceas. 1997). denominada também Umbellales. Essa família inclui 446 gêneros. de acordo com o sistema de classificação botânica. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae).540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). Hiruma-Lima L. as quais são descritas a seguir. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. C. como Umbelliferae. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. A. mas alguns arbustos e árvores são des- . com aproximadamente 3. Di Stasi A ordem Apiales.23 Apiales medicinais C. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu.

Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. fibrosas e caule florífero solitário. Coentro. e Hydrocotyle exigua.Apioideae). especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. dunas e brejos. Coriandrum (Coriandreae . Muitas dessas espécies são cultivadas. Apium (gênero do Salsão). ascendentes. Petroselium (Salsa). densamente imbricadas. oblongolanceoladas.critos na família. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Apium com características ruderais. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. onde há amplo uso como medicamento. No Brasil ocorrem poucos gêneros.Apioideae). pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Pimpinella (Erva-doce). folhas alternas. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. Erva-doce. muito comum na Mata Atlântica. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. Cominho e Salsa. a Eryngium ekmanii. assim. Apium. tais como Cenoura. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). optamos por incluir aqui apenas duas delas. Daucus (Caucalideae . sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. entre inúmeros outros. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. Cicuta. 1998). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly.Hydrocotyloideae). com raízes fasciculadas. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). Eryngium e Alepidea (Eryngeae .Saniculoideae).

diclamídeas e hermafroditas. e aix = "cabra". com flores avermelhadas. com nós. cíclicas. na região do Vale do Ribeira. fruto subgloboso (Figura 23. usado topicamente. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. var. vem de eros = "lã". de Erva-terrestre. o sumo das folhas frescas. lobadas e pilosas. especialmente em crianças. dos quais são emitidas raízes. é considerado excelente contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hydrocotyle hirsuta Sw. torcidas antes de abrir. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. O nome do gênero. espalhadas por diversos continentes. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. no entanto. semelhantes a barba de cabra. referindo-se às fibras do rizoma. exigua (Urban.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. Também é conhecida como Erva-capitão. inflorescência em capítulo. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. Esse chá. habitando em lugares úmidos. folhas pequenas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. frutos pilosos. cordiformes. Eryngium. quando preparado em alta concentração. capítulos esverdeados com flores pequenas. de no máximo 1 cm de espessura.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas.1). crenadas.

sendo majoritários carotol. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. De E. a DL50 por via oral foi de 1. elegans (Campos & Garcia.. planum (Hiller et al. 1997a). campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. bourgatii (Lam et al.. 1985). anetol e alfa-pineno (Pino et al. O extrato aquoso de E. comarinas e flavonóides. 1985.. 1995). 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. .4. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. 1980) e E. foram isolados 46 compostos.. foetidum L. ilicifolium (Pinar & Galan.. farneseno. e cotyle = "umbigo". 1986). maritimum (Lisciani et al. em altas doses.. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al.5-trimetilbenzaldeído. 1997a). a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 1986). Glicosídeos foram isolados de E. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. campestre (Erdemeier & Sticher. também encontrados em E. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. 1997). Além de saponinas. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos.. emético. 1984). 1999).. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. diurético e. 1986). ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. Das folhas de E. acetilenos.. 1992).inclui 130 espécies cosmopolitas. Hohmann et al. 2002).000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. foi ainda isolado o falcarindiol em E. sendo 2. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh.

e inclui 47 gêneros. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. epífitas. Australásia e América tropical (Joly. da famosa Hera dos parques. no envenenamento do filósofo Sócrates. utilizada como alimento. No entanto. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. mas raramente ervas. arbustos. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Mackinlaya e Polyscias. Panax. Hedera. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. são encontradas na família. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Schefflera. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. e centenas de . Centro-Oeste e Sul. ambos introduzidos no Brasil. 1997). 1998). e Polyscias. com aproximadamente 1. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. Tetrapanax. Das inúmeras espécies descritas nessa família. especialmente em refogados e saladas. segundo a história. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. lianas. subclasse Rosidae. especialmente do gênero Cicuta. Tetrapanax e Aralia. No Brasil ocorrem vários gêneros.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. famosa por ter sido usada. Árvores. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero.

amplamente cultivada como ornamental. grandes. pela beleza de sua folhagem. A espécie não foi completamente identificada. folhas alternas. androceu com cinco estames. descrito por Johann Forster e Georg Forster. O nome popular da espécie. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. com larga bainha na base. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. fruto indeiscente. globoso. ovário ínfero. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. flores pequenas. O gênero Polyscias. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. Cuia. Outras espécies do gênero. reunidas em inflorescências axilares. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. variegadas. usada internamente. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. e acias = "sombra". Cuia. Cunha e Cunha-mansa. sendo também usa- . cálice pequeno. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". pertencente ao gênero Polyscias. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. refere-se à forma da folhas.

Barilyak & Dugan... Chaboud et al. Nas folhas de Polyscias sp. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. Proliac et al.. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 1992). (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Vo et al. Fulva (Bedir et al. 2001). 1989c e 1990) e de P.dos como calmante por adultos. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al... Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Glicosídeos oleanólicos. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. 1990. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1989b.. 2002.. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 1986). 1989a.. 1991). 1992. Lutumski & Luan. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 1988.. 1992). Nesse estudo. 1998).. 1994). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1990). Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. os autores demonstram que . sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). Em P. 1995. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1996. scutellaria (Paphassarang et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al.

prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. e de prolactina pela hipofise. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - .1 . A espécie P. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. mostram que essa espécie. assim como outras do gênero Polyscias. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. associados àqueles referentes a outras da família.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. 2002). bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. FIGURA 23. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide.Eryngium ekmanii.. especialmente a Panax ginseng.

Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .FIGURA 23.2 .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Gentianaceae e Asclepiadaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III).24 Gentianales medicinais L.Strychnaceae. Loganiaceae. apesar de pouco numerosa. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Esses dados. demonstram que a ordem Gentianales. Di Stasi C. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. Apesar de não referidas no nosso estudo. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . Genistomaceae. A. . devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Apocynaceae. C. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica.

serpentina. herbáceas. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Hancornia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. ajmalinina. Java. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. como os gêneros Allamanda. muitas das quais conhecidas como Mangaba. muito utilizadas ornamentalmente. Tabernaemontana. dentre os gêneros. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Hancornia. aqueles que incluem espécies arbóreas. 1997). Thevetia. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Nerium.900 espécies tropicais e subtropicais. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. entre as espécies de pequeno porte. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. Inclui espécies arbustivas. Strophantus. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. Aspidosperma. e encontrado em várias outras espécies do gênero. sendo esta última o mais importante. . e. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. como Aspidosperma. além dessas. arbóreas. subclasse Asteridae. serpentinina e reserpina. Allamanda. Joly (1998) destaca. Nesse contexto. Paquistão e Tailândia. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Catharanthus. com destaque para ajmalina. Mandevilla. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. a família possui espécies trepadeiras. com aproximadamente 1. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. Rauwolfia. inclui 165 gêneros. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Vinca. arbusto encontrado na Índia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. fornecedores de madeira. os gêneros Mandevilla e Thevetia.

Orélia. contudo. alstonilina. Alamanda amarela e Quatro-patacas. a saber Allamanda cathartica. tais como alstonina. especialmente a Nerium oleander. tais como majdina. • do gênero Strophantus. Himathantus sp. Vinca minor. espécies ricas em glicosídeos. tais como ouabaína. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. vinblastina e vincristina. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. e Thevetia peruviana. Deve-se destacar. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. as espécies Vinca major. tem sido designada também como Catharanthus roseus. cilastonina e também a reserpina. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. tanto para os animais como para a espécie humana. segundo Evans (1996). que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. . A espécie Vinca rosea. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. Vinca rosea e Catharanthus roseus. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. as espécies Strophantus gratus. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. • do gênero Nerium.• do gênero Vinca e Catharanthus. Wrightia e Aspidosperma. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. Dedal-de-dama. estrofantinidina e cimarina.

Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. Ucuuba e Sucuba. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. fruto do tipo capsular. atingindo até 20 m de altura. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. a planta exsuda látex considerado venenoso. contendo poucas sementes (Figura 24. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. com copa estreita e tronco ereto. emético e purgativo. em grande número. folhas simples. enquanto a decocção das cascas da planta. A folha é considerada excelente catártico. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. purgativo e catártico. inflorescências com flores amarelas. na forma de funil. A infusão das folhas é utilizada como emético. com tubo estreito e longo. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. axilares e fasciculadas. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. alternas. é considerada um excelente vermífugo. grandes. glabras e verticiladas. semilenhoso. especialmente em crianças. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. sendo a A. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. com casca rugosa. com a mesma indicação. Segundo Corrêa (1984). com folhas brilhantes. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. . em animais domésticos. usada internamente. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. especialmente cães e macacos. O gênero inclui doze espécies tropicais.1). espessas.

grandes e brancas. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. folhas alternas. glabras em ambas as faces. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. sendo uma planta perenifólia. heliófita e secundária. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. com um tronco de casca cinzenta. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). significando "manto de flor". ovaladas.pecioladas. coriáceas. simples. frutos geminados em forma de chifres. Schum. Noz-de-cobra. todas encontradas na América do Sul (Plumel. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. contendo sementes aladas. Thevetia peruviana (Pers. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. alcançando até 10 m de altura. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Coração-de-jesus. acumi- . 1997). 1990). margens inteiras. no entanto. linear-lanceoladas.) K. O nome do gênero deriva do grego. especialmente em crianças. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. sendo útil como anti-helmíntico. especialmente no alívio de coceiras. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação.

Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. fruto do tipo drupa carnosa. aromáticas. 1962). especialmente do continente africano. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. O nome do gênero Thevetia. colares. além da sua utilização uso em vários países como emético. braceletes. amarelas. assim como outros inúmeros usos de várias par- . foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. contendo sementes duras e grandes. descrito originalmente por Carl Linnaeus. para provocar vômitos. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. purgativa e emética e de uso perigoso. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. a amêndoa. No Brasil. 1984). arbotifaciente. Os usos dessa espécie como purgativo. contendo flores grandes. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. das quais a referida é a mais conhecida e estudada.nadas. revestimento de maracás (Corrêa. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. purgante. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. com corola em forma de funil. bactericida e como veneno para peixes. 1997). antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. triangular. 1984). sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. como pulseiras. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. É uma espécie muito usada como ornamental. A casca é considerada amarga e febrífuga. carnosas e glabras nas duas faces. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. 1985). As sementes da espécie são usadas como inseticida. em pó.

também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk.-hidroximedioresinol. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. 1996. 1985).-hidroxipinoresinol e 9. Tewtrakul et al. . 1986). Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. 1974). além das flavonóides (Germonsén-Robineau. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. ácido ferúlico e ácido gentísico.Kader et al. escoparona. blanchetii (Ganapaty et al. tevetina B. -amirina.. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. perivosídeo.-O. O isolamento de diosgenina. quercetina. -sitosterol..-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. As sementes de Thevetia peruviana. medioresinol. plumericina. ruvosídeo e neriifolina. thevetioides (Perez-Amador et al. schottii. 1992b. além de 13-O-acetil plumierida. Corrêa. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. 1988). Kupchan et al. 1989). -sitosterol.. a alanerosida. De outras espécies do gênero Allamanda. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. tais como de T. e de suas flores. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. acetato de lupeol. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. 1996). plumierida. escopoletina.1997.. 1993). Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. 1988). 1992a e 1994). flavonóides. além de lignanas como pinoresinol. alamandina. são ricas em um glicosídeo a tevetina. kaempferol. 1995c e 1995a). As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. 1962.. como a A. Foram isolados de A. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. neriifolia os compostos 9. Dados químicos dos gêneros Allamanda.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. foram isolados do caule isoplumericina. 2002). rutina e os iridóides plumierida. também chamado tevetina A.. 1984). canogenina.. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. ovata e T... 1988). assim como de outras espécies do gênero.

glicosídeos cardiotônicos.. taninos e saponinas. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. neriifolia (Dinda&Saha. 2000). 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. Triterpenos como ácido olianólico. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. Da mesma forma. linoléico. 1994. 1998). linoléico. alcalóides.. 1992) e em T. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. 1996).. (1986). Ali et al. follax (Abdel-Kader et al. 1993). acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. esteárico. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. Guerrero. cáprico.. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. ursólico.. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em .. taninos e saponinas (Gupta. enquanto as cascas possuem alcalóides. e as raízes. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1990). esteárico e palmítico. oléico. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. taninos. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. 1991). flavonóides. ácido metilperlatólico (Endo et al. triterpenóides (Wood et al. obovatus (Vilegas et al. (1990) e Beauregard Cruz et al. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster... Iridóides também foram isolados de H. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. 1992) e H. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. Da espécie H. Das folhas de T. linolênico. 1978). behênico e erúcico. De acordo com Obasi et al. Foram descritos os ácidos mirístico. 1995. 1982).. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico.. esperolactonas..Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. triterpenos e saponinas..

1935). 1933). violacea (Lima & Caldas. 1997).. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al.. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al.camundongos. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. isolada dessa espécie. Moreira et al. conhecida popularmente como orélia. blanchetii (Melo et al. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. antimicrobiana (Neto et al.. 2002) e antiofídico (Otero et al. . 2000). 1990.. 1982a e 1982b. 1984. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 1981). O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 2002). A neriifolina. 1989). produziu atividades espasmogênica. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. 1962)... 1992). anti-hipertensora (Socorro & Thomas. Moraes et al.. 1945 e 1947). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al.... 1991). Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina.. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster.. Peruvosídeo e neriifolina. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. atóxica e cicatrizante (Villegas et al.. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. Obasi & Igboechi. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 1994) antifúngico (Tiwari et al. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. bexiga. 1994). analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 1990). cathartica e A.

. No entanto. Saraswat et al. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg.. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. e estudos recen- . 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 1996). Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. 1996). edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. 1993). vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor.700 mg/kg é dose letal.. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. 1999. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. 1933. para bovinos (Tokarnia et al. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al.. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração.4g/kg. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Eddleston et al. respectivamente... 0. Singh & Singh. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. cobaias. 2002. 1958. peixes e outros animais (Chopra et al. e Thevetia peruviana e T. 1992).. além de congestão da mucosa da área digestiva restante.5 g/ kg e 14.. Frerejacque. 2000. 1996). gatos. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. Maringhini et al. Nerium oleander. 2000). O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Oji et al. 1996. 1933). Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica.. efeitos tóxicos também são similares.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.

1996). incluindo o homem. De todo modo. 1991).K+-ATPase. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. Da mesma forma. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. . que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. Observações Várias espécies dessa família. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. os quais ainda não foram estudados. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. ou seja. Dessa forma. dada a riqueza química da família. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. inibição da Na+. Deve-se salientar. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. no entanto.

Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. No Brasil. especialmente por seus efeitos tóxicos. e inclui 315 gêneros. sobretudo para animais.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. . herbáceas e raramente arbustos e árvores. 1986). todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. mariana. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. e algumas de grande valor medicinal. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Espécies medicinais Fischeria cf. 1997). trepadeiras. mariana Dcne. Inclui lianas. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. descrita a seguir. subclasse Asteriddae. Fischeria. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. tais como Asclepias curassavica. Oxypetalum. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. Tylophora e Calotropis.Asclepias. com aproximadamente 2. Oxypetalum e Calostigma. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Tylophora asthmatica e Calotropis procera.

inclui aproximadamente 78 gêneros.. von Fischer. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. L. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. com pecíolos pubescentes.225 espécies cos- . administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. com testa verrucosa (Figura 24. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. de onde saem as folhas simples. opostas. hermafroditas e de simetria radial. especialmente a febre. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. diclamídeas. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. E. corola gamopétala. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. sementes comosas.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. nos quais se distribuem 1. com lacínios conspicuamente crispados. flores pentâmeras. fruto unilocular. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. com ramos pubescentes. androceu modificado. membranosas.2). curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. 1979). foi realizado experimento de toxicidade.

1998). 1978). de Carne-seca. Lisianthus e Coutoubea. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. F. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. e outras são usadas como ornamentais. na região amazônica. fruto capsular. . mas também inúmeras espécies tropicais. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl.mopolitas. desordens estomacais. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. subtropicais e de clima temperado. amenorréia e como vermífugo. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. sendo várias delas medicinais. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. com caule ereto de muitos ramos. 1997). também sésseis. Dejanira. Voyria. Dados botânicos É uma planta anual. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. dispostas em espigas simples terminais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores brancas grandes e muito vistosas. Puruvá e Cutúbea. a decocção das raízes é usada contra febre. especialmente do gênero Dejanira. folhas opostas e sésseis. amplexicaules e grandes. reunidas em verticilos. Nomes populares A espécie é chamada.

Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. 1997). diminuição da atividade motora e dores abdominais. onde é cultivado como ornamental. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. lianas e ervas (Mabberley. tônico. destacamos apenas os principais: Spigelia. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. polipnéia. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. dentre eles. e Strychnos. 1979). Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. hipotermia. . Mas a C. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. da famosa Strychnos nux vomica. e morte. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. estudos de toxicidade. quando ingerida dentro de 24 horas. um dos encontrados no Brasil. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae).. Porém. incluindo tanto árvores como arbustos. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. taquicardia. febrífugo. 1984). do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. diminuição da atividade do rúmen.

. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. a planta é narcótica e venenosa. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. também constatado para a espécie S. 2001). O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. No levantamento realizado. a maioria na Amazônia (Barrozo. em seus cipós. que se refere à presença de mais de 190 espécies.. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. 2002). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. glabras. nux-vomica (Shoba & Thomas. Segundo Corrêa (1984). a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. A planta recebe esse nome por possuir. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. nós na forma de uma cruz. Nomes populares Na Mata Atlântica. O nome do gênero designava. flores amarelas em grande abundância. antigamente. folhas opostas e ovais. 1978). fruto do tipo baga globosa. coriáceas e trinervadas. porém de S. as plantas com propriedades narcóticas. Noz-vômica e Quina-de-cipó.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M.

Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S.. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.1 . Detalhe da flor (Banco de imagens - ). FIGURA 24.. S... 2001). 1996). icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. 1996). . Quetin-Lecrerq et al. mellodora (Brandt et al. panganesis (Nuzillard et al. Das raízes de S. Rafatro et al. 1995). guianesis (Penelle et al.. S...Allamanda cathartica. 1998) e S.. 1996). S. myrtoides (Martin et al... 2001). 1999).A S. 2000 e 2001. 2000). 2000. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. usambarensis (Frederich et al.

Banco de imagens - . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Fischeria cf. laniflora Dcne.2 .FIGURA 24.

Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Di Stasi F. Gonzalez L. Convolvulaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. lianas.600 espécies. ervas. Solanaceae.25 Solanales medicinais L. C. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. A. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. G. N. arbus- . Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. algumas vezes parasitas. incluindo plantas herbáceas. Seito C. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae.

para infecções da boca. Possuem inúmeras variedades. pecioladas. de Batata-doce. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. raízes tuberosas. flores brancas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. axilares e fruto capsular. Nomes populares A espécie é chamada. Na região da Mata Atlântica. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. ainda que raramente. como Batata-da-terra. rosas ou arroxeadas. geralmente lobadas. gengivite e dores de dente. com folhas alternas. internamente. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. . suculentas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. delicadas e amplamente consumidas como alimento. aqui também descrita como medicinal. a espécie é cultivada e consumida como alimento. que são cultivadas com fins comerciais. em gargarejos. 1997). Ipomoea batatas.tos e raramente árvores (Mabberley. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. cordiformes. A planta também é conhecida. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais.

flavonóides (Zhou. 1. purpurea e I. 1986). coptica. De .. I. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. de cor vermelhoviva ou rosa. 2000. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. tubérculos ou arbustos. folhas alternas. pinatipartidas e pecioladas. hederifolia. sinensis. I. fruto capsular ovóide. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. carnea. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. Muitas espécies são medicinais. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". acetil-b-amirina. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. I. enquanto as folhas são detergentes. de 5 a 18 cm de comprimento. 1996). glabra. anti-reumáticas e laxativas. cairica..antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. e de homoios = "semelhante". b-sitosterol. com cinco lobos arredondados. I. como é o caso de /. sendo várias ervas. 1995). Goda et al. muitas delas amplamente cultivadas. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. Dados químicos do gênero Da espécie I. friedelina. com caules bastante entrelaçados. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas.. 1996). Alba. purpurea e /. batatas Lam. I. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. como é o caso de I. cairica. oblongata. É também chamada de Boa-tarde e Primavera.. ácido caféico e quercetina (Tan et al. Delgado et al. comparando-se as plantas deste gênero. 1996.

asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. 1996). 1997). cornea. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. quando administradas a cabras. 1989). 1996). 1997). Das sementes de I.. hardwickii (Liu et al. regnellii e I. carnea Jacq. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. operculinas I-VIII ácido operculínico A. 1990). arctiina e matairesinosídeo.. 1988). operculata foram isolados os glicosídeos jalapina.. é medido por mecanismos colinérgicos. 1997). também encontrados em I. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. (Sharma & Shukla. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. Das partes aéreas de I. Diversos flavonóides foram isolados de I. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga... ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al.. 1996). reticulata (Mann et al. De I. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. De Lima & Braz-Filho. adrenérgicos e . matairesinol e trachelogenina. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1987). 1986). as lignanas arctigenina. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. os flavonóides 4'.. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. e também dibenzil-g-butirolactona. Das sementes de I. 1996 e 1997).I.. 1987). 1997). alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. As folhas de I. 1999). 1999a.. Das raízes de I. e das flores de I. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I.. alta concentração de cálcio e potássio. carnea. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al.

O efeito tóxico foi observado no cérebro.. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika.. 1997). Foram isolados de I. 1996). fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. 1998). arbustos.. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. Foram observadas também anorexia.não-colinérgicos (Hore et al.. lianas e ervas (Mabberley. conhecida popularmente como salsa-da-praia. espasmolítica (Medeiros et al. 1996). dos quais 25 são endêmicos. 1996). Entre estes. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. As sementes de Ipomoea ssp.950 espécies subcosmopolitas. 1997). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. O extrato diclorometano de I. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al.. A I. depressão. 1994). 1995). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena.. 1992). As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al.. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. encontram-se árvores. 2000). 1991). hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. com 2. 1990). 1998). sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul.. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .. stans três tetrassacarídeos. 1998a e 1998b).. pescapae (Madeira et al. Os extratos aquosos. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta..

de onde se isolou. Em outras regiões. importante ferramenta farmacológica e. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. • Cestroideae. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Manacá-açu e Jeratacaca. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. e Solanum. Fumobravo. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. dessa subfamília. da famosa Datura stramonium. Cuvitinga e outras espécies. Lycopersicum. pelos nomes de Manacá-da-serra. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. Brunsfelsia. da famosa espécie Nicotiana tabacum. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. Gambá. Nos estudos realizados. ainda do ponto de vista comercial e social.• Solanoideae. tanto do ponto de vista farmacológico. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Physalis. especialmente na espécie Hyosciamus niger. com inúmeros representantes no Brasil. descrito posteriormente. fonte de nicotina. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. . Don. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. do famoso Tomate. Nomes populares Na região amazônica. entre outros inúmeros compostos. Datura. como Juá-bravo. na qual se encontram os gêneros Capsicum. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Managá-caa. a capsaicina.

a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Joá-de-capote. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovário bicarpelar. hermafroditas. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. possui. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Nomes populares A espécie é chamada. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. semente rufescente (Figura 25. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. agudas. bolha". glabra. folhas elípticas e acuminadas. Dados botânicos Erva com muitos ramos. de Camapu. bilocular. fruto esverdeado do tipo baga. muito ramificado. androceu com cinco estames. flores amarelas.1). Physalis angulata L. ereto e crasso. caule verde. especialmente na Amazônia. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. Joá. na região amazônica. sem estipulas.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. pequenas. O chá preparado com raiz de . flores dispostas em cimeiras. Mata-fome. longo-pecioladas. com anteras azuladas. Bolsa mulaca. diclamídeas. súpero. referindo-se à forma do fruto. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. folhas inteiras. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. pentâmeras. Mulaca. Juá-de-capote.

jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. 1974-1975). 1980). 1995). problemas hepáticos. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. 1980. 1990). problemas hepáticos.. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. 1994). Rutter. renais e de vesícula biliar (De Almeida. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. em Minas Gerais. hepatite e reumatismo (Forero. 1993). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes.. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. bem como no combate a febre. 1980). No Brasil. na Paraíba. no Pará. Juripeba. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. Juuna e Juvena. dermatites e doenças de pele. 1998). Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. outros. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. 1990). 1984). são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. 1984) e a raiz. No Peru. . A seiva dessa espécie é calmante e depurativa.camapu misturada com raiz de açaí. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. e suas folhas têm uso diurético. 1982). malária. interna e externamente. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. Jubeba. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. contra icterícias (Schultes & Raffauf. os frutos são desobstruentes. vômito. contra vermes. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. para tratar hepatite. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. Solanum paniculatum L. da Amazônia brasileira. útil contra reumatismo. contra inflamações. a infusão da sua raiz. diuréticos e resolutivos (Corrêa.

lilás ou roxas. fruto do tipo baga redonda. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. sinuosas e acuminadas. além de ser indicada contra problemas do estômago. alívio". de onde é obtida pelos habitantes locais.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. Solanum tuberosum L. muito parecidas com as da Batata-inglesa. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. flores brancas. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. sendo úteis contra icterícia. flores em umbela. folhas alternas. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). carnosos. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Inclui inúmeras variedades. dispostas em racemos. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. todas cultivadas. hepatite e febres intermitentes. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados.700 espécies subcosmopolitas. es- . O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. de caule alado. muitas delas de grande valor econômico. fruto do tipo baga globosa. ereta. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. desiguais. brancos ou amarelados. especialmente contra lombrigas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies.

Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. Glotter et al. 1977 e 1978). 1985). 1980..pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. cetonas. 1986). As sementes de B... 1979a. ácido oléico (11. P peruviana (Gottlieb et al. Itoh et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al.5%). Vasina et al. 1985. 1980) e P. 1977a).. obtido de suas partes aéreas... 1994). 1987. P viscosa (Maslennikova et al. P. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. Do gênero Physalis. uniflora constituem rica fonte de óleo (30.25%) e ácido ricinoléico (0.. 1986). principalmente. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Já da casca da raiz de B. alkekengi (Kawai et al. 1986). Sinha et al. 1986. Alcalóides foram isolados de P. hidrocarbonetos.. ixocarpa (Abdullaev et al. 1977). hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1995). 1991).8%). 1981). angulata (Row et al. 1987. minima (Mulchandani et al.. com ciclopropenóides. Frolow et al. dos quais foram caracterizados.. 1980. 1988. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. ácido palmítico (7. Eguchi et al. 1996). furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. 1987). P pubescens (Reddy et al. nitida. No óleo das sementes de B. Gottlieb et al. P... americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago..52%) (Maestri & Guzman.. peruviana (Sahai & Ray. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários.. De B. grandiflora. identificou a presença de 122 compostos. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. aldeídos. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75.5%). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. espécie de origem cubana.. Oshima . Na região. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. alcoóis e ésteres..

1990). B. vitaminimina.. Dinan et al. pauciflora e B. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. Spainhour et al. vitangulatina A. 1991).. enquanto das folhas de P. hopeana.. com extratos da raiz de B. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. bronquites. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. 1988 e 1989). bonodora. fisangulídeo. 1990). fisagulina A e K. 1993. 1992b e 1992c). Já da raiz de B.. 1987 e 1990. Chen et al.. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber.. 1992). Ripperger et al. 1988). Uma triagem hipocrática em ratos. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo.. glicosídeos... vamonolídeo. Oliveira et al. acetil colina. indica foram isolados vitasteróides. 1977). 1989. revelou atividade depressora do SNC. beta-sitosterol. utilizada para picadas de cobra. 1986. 2001). floribunda. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. Banton et al. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo.. 1986).et al. vitagulatina A. calcyina var. A administração oral de B. 1992a. O extrato aquoso de B.. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. 1967a e 1967b). 1975.. 1968. além de vitaminimina (Gottlieb et al. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. ácido clorogênico. febre e picadas de cobra. Vasina et al. australis (McBarron & de Sarem. 1990).. uniflora. angulata foram isolados ainda vitasteróides. . De P.. B. 1990.. neoclorogenina. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. além de alcalóides. Shingu et al. 1987. figrina. Chen et al.. Moiseeva et al. 1997. 1990.. artrites. 1988).. aianinas. minima var. flavonóides (Ismail & Alan. 1989. fisalina B e quercetina (Gupta et al. Neilson & Burren. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al.. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida.. De P. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1987). flavonóides (Ser.. 1983. 1997). 1987b.

1987). Nos frutos de P.. V... et al. anticoagulante (Kone-Bamba et al. M. Kurokawa et al. P. G. Chiang et al. 1988). moluscicida (Almeida & Fonteles. 1998) e antineoplásica (Carvalho. Carvalho. V. et al. 1995. et al. M. antileucêmica. imunomoduladora (Rosas et al. 1998).. O estudo dos vitanolídeos de P. Soares et al. 1998). 1998. Silva. antimutagênica. entre outras (Lin et al.. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. Pietro et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. 1989). et al. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. V. 1998). imunoestimulante (Carvalho. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. antibacteriana (Hussain et al. citotóxica. diurética. alcoólicos. V. 1998b). 1998.. tripanossomicida (Barbi et al.. anti-séptica.. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 1990). O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. antiviral (Otake et al.. T.. Das folhas de P.. et al. Kusumoto et al. M. constataram-se atividades hipotensora. como movimento ... 1998. 1987). et al. 1991. I. M. 1997. M.. 1992. anticolinérgica (Fonteles et al.. et al. Ribeiro et al.. 2000). antiespasmódica. 1990). 1998). Barbi et al.. M.. niruri e P. melanomas. antigonorréica. Os extratos aquosos. V. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. in vitro e in vivo. 1998) antimicobacteriano (Januario et al... entre outras.Para a Physalis angulata. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. 1992a e 1992b). e a atividade imunoestimulante.. M. 1993. 1998). aqui descrita. 1998). 1992a e 1992b). Haussmann et al. 2002.. et al. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas.. etanólicos e esteroidal mostraram. antiasmática. M. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. incluindo leucemias. 1997. quando ingeridas em dose única ou repetida. embora outros sinais também tenham sido verificados. V.. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana.. aos esteóides.

Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . às vezes levando-o ao chão. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. 1991).Banco de imagens - . FIGURA 25. perda de peso. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. irritabilidade.de mastigação. salivação.1 .Physalis angulata. falta de apetite. Além disso. estiramento e contração das patas traseiras.

1997). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. apesar de incluir apenas oito famílias. Di Stasi E. Nas regiões de estudo. arbustos. Santos C. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). as quais serão discutidas a seguir. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. A família inclui árvores. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. espalhadas por todo o planeta. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). M. Amazônia e Mata Atlântica. A.300 espécies (Mabberley.26 Lamiales medicinais L. inclui 130 gêneros distintos. M. freqüentemente . das quais se destacam as Boraginaceae. com aproximadamente 2. Guimarães C. C.

Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. Borago e Symphytum (Boraginoideae). referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. 1998). com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. muito ramificado. • Heliotropium (Heliotropioideae). um dos gêneros mais comuns no Brasil. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). agudas. É uma planta heliófita e higrófita. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. inflorescência espigosa. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. de Ervabaleeira. • Cynoglossum. lanceoladas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. pubescentes na face inferior. com até 12 cm de comprimento. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais.1). . densa. Nomes populares A espécie é chamada. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. sendo raramente encontrada no interior de matas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório.herbáceas e raramente lianas. de onde saem folhas sésseis. formando grandes populações em áreas litorâneas. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas.

com ramos lisos e glabros.Heliotropium indicum L. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. abcessos. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. e trepein = "mudar". tubulosas. Aguaraquiunha. incluindo úlceras. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. faringites. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". amplexicaule e H. fruto formado como uma mitra. com flores brancas ou azuis. europaeum são reconhecidamente medicinais. Segundo Corrêa (1984). 1994). e seu suco é de alto valor contra aftas. Jamacanga e Jacuacanga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. É uma planta anual.5 a 1 m de altura. folhas pecioladas. Na medicina tradicional salvadorenha. inflorescência curvada. anginas. . dispostas em espigas solitárias. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. glabro ou pubescente. alternas. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". estomatites. furúnculos e também contra queimaduras. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. ovadas ou cordiformes e acuminadas. e as espécies H. moléstias cutâneas e feridas. de flores brancas. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. Crista-de-galo. com dispersão regiões tropicais e temperadas.

amarelas ou rosas. Das partes aéreas de H. europina. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. fruto com quatro aquênios lisos. 1994). Sonsólida. Erva-do-cardeal. ásperas e onduladas. flores grandes. acuminadas no ápice. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Consolda maior. com folhas ovadas ou oblongas. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. enquanto as raízes. taninos e triterpenos. caule curto e ramoso. lupeol. dispostas radialmente. lasiocarpina. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. inflamação e dores de barriga.. . É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. Nomes populares A espécie é chamada. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. 1986). com porte herbáceo e raízes fasciculadas.Symphytum officinale L. como beta-sitosterol. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. 1996). marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. Outros nomes são Consolda. distúrbios estomacais. de Confrei. De H. Língua-de-vaca. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. além de alcalóides e taninos. tubulosas. Orelha-de-vaca etc. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. vistosas. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso.

. arborescens (Bourauel et al. H. coromandalinina. hirsutissimum (Guner et al. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. Das partes aéreas de H. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . heliotrina e lasiocarpina de H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. curassavicum var. coromandalina. rotundifolium (europina. heliotrina e lasiocarpina e. H. 1988).. 1995). curassavinina. heliotrina. 1991). 1995b). bovei.. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. H. spathulatum (Roeder et al. lasiocarpum (Akramov. curassavicum (Davicino et al. H.. subulatum (Malik & Rahman.De H. heleurina. heliotrina. esfandiarii (Yassa et al. Farrag et al. e heliotropina de H. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H.a heliospatina e o heliospatulina .. europina. 1990). 1994). 1986). 1989). H. 1995) e H. licopsamina amabilina. europina e supinina em H. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heleurina.. argentinum e var. em menor quantidade. em que se . H.de H. Reina et al.. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al.. heliovicina. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. heliotrina e lasiocarpina (Guner. 1995b. em H.. curassavina. stenophyllum. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. 1988). 1988). echinatina. 1988. (1990). keralense (isolicopsamina. intermedina e retronecina) por Ravi et al. 1987). 1996). 1996). 1988). 1988). destacando-se compostos fenólicos em H. supinina e europina (Rizk et al. bursiferum (Marquina et al. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al.. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero.. (1989).

enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 2002). 1994 e 1996). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua.. Os flavonóides ayanina. 1996). 2001) e de C.. solicifolia (Hayashi et al. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. 7. A H. 1990). De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. dentre outras espécies (Ficarra et al... filifolium (Urzua et al. 1989) e esteróis e quinonas em H. pinobanksina-3-acetato. 1996). De H. hesperetina. tais como ácido rosmarínico. As propriedades antifúngicos. Os constituintes fenólicos denominados galangina. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. C.. 1995. do exsudato. verbenacea. Do exsudato resinoso de H.. myxa. stenophyllum (Villarroel & Urzua.3'-dimetileriodictiol.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. sakuranetina foram isolados da resina de H.. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. 1996). 7-O-metileriodictiol. pinocembrina... derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. C.. bacciferum (Miralles et al. 1990). Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H.. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 1987). A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. 2001). 1998). 2000b).. alliodora (Ioset et al.. C. curassavica (Ioset et al. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. filifolium também foram isolados. pinocembrina. 2001). sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina.descreveram os constituintes galangina. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- .3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. De H. 2001). pinocembrina. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. 2000a) e C.. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. Al Awadi et al.. chenopodiaceum. 3-0-metilgalangina. 1990). Sertie et al. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. linnaei (Ioset et al. 1991 e 1988. ovalifolium (Guntern et al.

1987. 1997). Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. é potencialmente tóxica. 2001). Jain et al.. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. Das partes aéreas de H... Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. infusão ou chás por via oral. Singh et al. 1989). 1992). elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. De H. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. 1994. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores .paz de inibir efetivamente o B. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. 2001a e 2001b)... Alcalóides isolados de H. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. 2002. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. europaeum e H. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. Eroksuz et al. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. 1995). assim como todo o gênero Heliotropium. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. 1987).. subtilis como o extrato bruto de H. bursiferum (Marouina et al..700 espécies. ellipticum e H. Portanto. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. nos quais se distribuem 6. Dados toxicológicos A espécie. argentinum apresentam genotoxicidade. porcos e aves (Gaul et al. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. também denominada Labiatae.

corola com tubo infundibuliforme. 1997). oposto-decussadas. Teucrioideae: Teucrium. folhas pecioladas. Melissa. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. do ponto de vista medicinal. Salva. . Nepetoideae: Hyssopus. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Ajugoideae: Ajuga. Trata-se de uma importante família. Salva-do-campo. Lamioideae: Leonotis. Origanum. especialmente americanas. rígidas. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Rosmarinus. Scutellarioideae: Scutellaria. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada.2). bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Salvia. Ocimum. com haste suculenta. obovais. bilabiado. Malva. Hyptis e Plectranthus. alimentos. Pogostemonoideae: Pogostemon. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Leucas e Sideritis. ex Benth. pois são usadas como condimentos. Mentha.(Mabberley. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. Lavandula. Satureja. pubescentes. crenadas. flores dispostas em capítulos pedunculados. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Thymus. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. com cálice tubuloso. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais.

diarréia. de Rubim. para regular a menstruação. anti-reumático e contra cólicas menstruais. folhas opostas. recebe o mesmo nome. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. antigripal. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero.3). icterícia. flores dispostas em racemos densos e verticelados. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. e inclui apenas quinze espécies tropicais. sudoríficos. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. de constipações e artrites (Van den Berg. de até 2 m de altura. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. cólicas menstruais e problemas digestivos. com caule quadrangular aveludado e pubescente. emenagogos. Nomes populares A espécie é chamada. um pouco lenhosa. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. e a infusão da planta toda.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na Mata Atlântica. na região amazônica e em quase todo o Brasil. flores pediceladas com quatro estames. Leonotis nepetaefolia Hort. a decocção das folhas é usada contra malária. Dados botânicos Erva anual. . O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. ovadas e subcordiformes na base. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. mas não foi completamente identificada. 1982). Na região da Mata Atlântica. As folhas e os ramos são indicados como excitantes.

1984).Dados da medicina tradicional Na região amazônica. facilitando a expectoração. 1980). pilosos e sulcados. é utilizado como anti-reumático. 1982). externamente. Grandi & Siqueira. antiasmática. como abortivo e antitérmico (Simões et al. ovadas ou oblongolanceoladas. 1982). como cicatrizante. hipotensão. duas vezes ao dia. com cinco segmentos acuminados. o chá de toda a planta. cálice bilabiado. na Mata Atlântica. ramos quadrangulares. contra gripes. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. desiguais entre si. flores sésseis. febrífuga e diurética. Br. A planta é também considerada antiespasmódica. nas inflamações broncopulmonares. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco.. Dados botânicos Planta anual. no Mato Grosso. especialmente de barriga e. durante dois dias. Leucas martinicensis R. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. raramente arredondadas. dores gerais. como Cordão-de-frade. corola bilabiada. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. internamente. útil contra úlceras. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. a infusão das folhas é usada.. ramoso e pubescente. reumatismo. sendo ainda indicada contra úlceras. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. uma xícara por dia. no Rio Grande do Sul. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. brancas. folhas pecioladas. distúrbios do estômago. 1986). com lábio superior 1-2 . no Ceará (Matos et al. 1982. em Minas Gerais (Verardo. Na região do Vale do Ribeira. herbáceo. pubescentes nas duas faces e membranosas. de caule ereto. antireumática. a planta florida é usada na fraqueza geral.

ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. referindo-se à cor das flores. corola gamopétala. na forma de gargarejo. Hortelã-das-cozinhas. pentâmeras. um pouco pubescentes. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. planas. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. 1984). flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. formando espigas no ápice dos ramos. de porte herbáceo. o macerado das folhas em água. flores violáceas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. . A planta também é utilizada como tônico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas opostas. filha de Cocylus. aquatica. ramos eretos e opostos. hermafroditas. apenas de Hortelã. dela. agudas. externamente. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. contra tumores. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa.4). zigomorfas. diclamídeas. curto-pecioladas. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. descrito por Robert Brown. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. decussadas. numerosas. pouco aveludada. piperita é um híbrido de M. O nome do gênero Leucas. Menta e Hortelã-verdadeira. nome recebido em todo o Brasil. difere da M. serrilhadas. ramoso. Na região do Vale do Ribeira. é usado sobre gargantas inflamadas. e seu cozimento é indicado como antireumático. Dados botânicos A espécie M. significa "branco". antiespasmódico e contra nevralgias.lobado e o inferior 1-3 lobado. topicamente. bilabiada. contra dores musculares e reumatismo. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos.5). na Mata Atlântica. fruto do tipo aquênio (Figura 26. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. com raiz fibrosa e caule ereto. viridis e M.

1984). Hortelã-comum. de Hortelã-verde. dismenorréias e verminoses. . e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite.. cólicas abdominais e tétano. dores de cabeça. Contudo.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é indicada contra dores de estômago em crianças. em 1990. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. antiespasmódicas. timpanite. vômitos. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Hortelã-graúda. dor de barriga. na região amazônica. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. Hortelã-da-preta. garganta e dentes (Simões et al. eólicas uterinas. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. a infusão das folhas. digestivas. problemas cutâneos. Na região da Mata Atlântica. anti-reumático e contra insônia. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Mentha viridis L. 1986). é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. Nomes populares A espécie é chamada. estimulante do fluxo biliar. três vezes ao dia. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. de estômago. musculares. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). carminativas. no Rio Grande do Sul. estomáquicas. 1980). em Brasília. sendo indicada contra flatulências. 1986). 1982) e como anti-séptico. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. calmante. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. Hortelã-pequena. catarros de mucosas. estimulantes. tremores. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. A M. bronquite e tosses. 1991). diarréia.

bronquites. cólicas. com folhas pequenas. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. ovais ou oblongas. Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. garganta e estômago. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. flores rosas ou violeta-claras. corola e cálice campanulado (Figura 26. ramos eretos. cilíndrica e frouxa. bronquite e gripe. Mentha pulegium L. dores de estômago e "quebranto". tosses. folhas subsésseis. gripes.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. bastante pilosa e com aroma forte. especialmente lombriga. além de ser considerada útil contra febres. caule ereto. seu decocto é considerado útil contra tosse. assim como em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. dores de barriga e pedras nos rins. tétano. serrilhadas. . a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. ovadolanceoladas. denticuladas. ascendentes. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. ameba e giárdia. glabras. pecioladas. em verticilos aproximados. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. opostas.6). inflorescência do tipo espiga.

Alfavaquinha. flores brancas ou rosas. descrito por Carl Linnaeus. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Alfavacona. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. estimulante. estomáquica. peitoral. Alfavaca-de-cheiro. glabras. significa "perfumada". a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. especialmente de ocorrência na África. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. diarréias e disenterias. de onde partem folhas opostas. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro.Ocimum basilicum L. Alfavaca-do-campo. Ocimum canum Sims. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. O nome do gênero. referindo-se à planta toda. de caule ramoso. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. com até 50 cm de altura ou maior. . de Alfava. assim como em todo o Brasil. Alfavaca-cheirosa. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. entre outros. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Em outras regiões. dentadas. ovadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. pequenas e finas. diurética e útil contra resfriados. diaforética. Em outras regiões. Ocimum. com ramos tetrágonos e pubescentes.

Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. rins e uretra. tosses. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. serradas. além de excelente na cura da coqueluche.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. tosses e desordens uterinas e renais. béquica. A decocção das raízes . fruto do tipo capsulas. A planta toda é bastante aromática. ovadolanceoladas. de onde partem folhas ovais. enquanto a infusão das partes aéreas. glabras. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. flores roxas ou. pubescentes. As folhas cruas também são empregadas como condimento. além de diurética. é usada contra febres. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. carminativa. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. flores vermelhas. verticiladas e dispostas em racemos. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. verdes e finas. raramente. dispostas em racemos paniculados. diaforética. glabros e eretos. contendo folhas pecioladas. de ramos quadrangulares. dispnéia e reumatismo. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. denteadas. pubescentes. amarelo-esverdeadas. dores de cabeça e bronquites. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Alfavaca.

núculas negras e lisas (Figura 26. pequenas. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. folhas pecioladas. sudorífica.7). O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. gripe e catarro no peito. diurética e útil contra tosses. As folhas são ainda muito usadas como condimento. Alfavacão. agudas. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. problemas nervosos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. inflorescência racemosa. distúrbios do estômago. glomerulada. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante.é usada contra diarréias. . Alfavaca-do-campo. como Manjericão. dores de cabeça e como sedativo para crianças. gineceu com ovário ovóide. ovaladas. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. dores de cabeça e febres. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Ocimum micranthum Willd. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. congestão nasal e dor de cabeça. carminativa. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. e na Mata Atlântica. margem irregular. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. androceu com estames inclusos. membranosas.

formando uma espiga terminal. no Pará (Amorozo & Gély. as folhas são consideradas úteis contra gripes. vilosas. de base arredondada e margem denteada. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. 1988). as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). Origanum vulgare L. com até 50 cm de altura. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. 1980). além de a espécie ser utilizada também como condimento. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. Patchuli ou Patchouli. a infusão das folhas é usada contra infecções. Dados botânicos A planta é uma erva ereta.Na região da Mata Atlântica. dores de cabeça e tosse. flores em glomérulos. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. de onde partem folhas ovais. com ramos ascendentes. 1984). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. tosses e bronquites. dispostas em panículas. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. . Pogostemon patchouly Pellet. pilosa. no Mato Grosso (Van den Berg. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza.

enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. suaveolens por Misra et al. Uma outra análise do óleo essencial de H. hermafroditas. dos quais 32 foram identificados. alfa-bergamoteno. descrito por Desf. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. três formando um lábio aberto. bicarpelar. sendo mais comuns o beta-cariofileno. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. Das folhas de H. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). com espigas compostas.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. androceu com estames excertos. 1. 1988. fruto seco (Figura 26. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. sedativo e hipotensor.8-cineol. pentâmeras. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. ovário supero. O óleo essencial das partes aéreas de H. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. Azevedo et al. cruzadas. O nome do gênero Pogostemon. flores em glomérulos. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. porém. flores diclamídeas. terpinen-4-ol. Existem. com dois óvulos em cada lóculo. Triterpenóides foram isolados de H. significa "estames barbados". predominantemente de sesquitepenos. corola com quatro lobos. bilocular..8). pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1990). A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. 1990)... 1991). suaveolens possui setenta componentes. (1982). como beta- .. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. 2001 e 2002).

1990) e de H. ácido oleanólico acetato. albida foram isoladas triterpenolactonas. Em H. lignanas e flavononas (Messana et al. . alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. uma outra análise do óleo de H. beta-cariofileno. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al.. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1991). salzmanii foram isolados diterpenos.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. ácido n-octacosanóico. Metil betulinato.6.. e de L. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo... De H.. Das raízes de L. 1988). 1987). 4. quercetina. 1990). sendo p-cimeno. 1990b). nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. 1990). timol. e de H. 1987a). 1988). 1988). Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1988).. Das partes aéreas de H. De H. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. gama-terpineno.. umbrosa. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. (1980). germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. (1978) e Blounietal. ácido ursólico. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. campesterol. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. mutabilis foram isolados triterpenos. 1989). 1990). triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. Porém.elemeno.. Das folhas de H. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes.. 1996).

mentona. prolina. serina. metil acetato (16. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. Com isso.. tirosina. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. mentona (24. 1996). 1995). 1990) e um composto fenólico (Misra.. mentofurano (19.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. triptofano e metionina (Dinda et al. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. flavonas himenoxina. Vaverkova et al. ácido aspártico.. officinalis. et al. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. A M. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. lisina.. fenilalanina. 1986 e 1987). N. brassicasterol. O óleo essencial de três variedades de M. 1996). mentocubanona. sendo os principais terpenos mentol. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. alanina. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. treonina. piperita var. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. das partes aéreas de L. 1987). Da espécie L. De L..3'. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al.64%). piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas.80%). hidroxiprolina.. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova.84%).07%) e mentano (11. 1987. 1988).20%). Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. colesterol. glicina. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. T. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet.80%). 1986). 5-hidroxi-6. ácido glutâmico. 1987). 1987). Mentha A composição do óleo essencial de M. 1979).8-cineol (6. Das raízes de L.7.. Das partes aéreas de L.10%) e 1..

posição de terpenos dessa espécie (Sacco.6. reduzindo significativamente a concentração de mentol. 1990) e flavonóides glicorilados. glicídios. betasitosterina. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. limoneno. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. 1986). . Zi e Cu. fitosterol. 1992). a-terpineol e geraniol (Sacco et al.. K.7. 1988). catalase. Mg. peroxidases.. Fe. De M. cadideno. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. Nas folhas de M. b-cariofileno..8. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. caféico e clorogênico. nicotinamida. Em Mentha viridis var. como alfa-pineno. vitaminas C e D2.3'. resinas. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.e sesquiterpenóides. 1989). ácidos p-cumárico. 1987).4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. Ca. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. 1.8-cineol. luteolina e 5. Mg. Foram ainda isolados mono. fenílico.

.Patel et al. micranthum foram isolados vinte compostos. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1981). Khanna et al. 1990). Sakurai et al. Em Cuba. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.cariofileno... gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. o eugenol é o constituinte majoritário. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. O óleo essencial de O. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. Das folhas da O.. 1983). t-bergamoteno. 1988. basilicum (Brophy & Jogia. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. 1987). Do óleo essencial das folhas. 1990). 1. gratissimum é composto de gamaterpineno. as folhas e flores de O. 1997). Sharma et al. eugenol (Ekundayo et al. eugenol. linalol. 1996a). De O. 1996). b-cariofileno. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. Kartnig & Simon. 1989). Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. Ocimum Do óleo essencial de O. De O. Lawrence. beta-cariofileno... 1990). 1986. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1989). 1986. 1981. 1987. canum foram isolados diversos componentes.8-cineol. 1996). já citados... Takahashi et al. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. O óleo essencial de O.. flores e caule de O. Na China. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. Das sementes de O. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al.. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al... Phan et al. hidrocarbonetos como p-cimeno. 1988).. 1996 e 1997a).. Nas folhas.. . 1986. 1987. Borges et al. 1986. sendo eugenol.. 1987).8-cineol. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O.. eugenol. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. Porém. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. cis-ocimeno. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al.. 1986. sendo 1.

1987). ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . linolênico e araquídico (Malik et al. 1978). ácidos orgânicos. rubrum foram isolados borneol.. Das folhas de O.. ácido caféico. 1. alcoóis. 1986. Ekundayo et al. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. 1989). No Paquistão. além de metilchavicol. 1995). basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. 1985.. láurico. 1996). o óleo essencial de O... triacontanol ferulato. 1994). sendo. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. A casca do caule de O... b-sitosterol. quercetin-3-O-diglucosídeo. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. 1996). De O. 1995).. Murugesan & Damodaran. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. já comentados (Modawi et al. oléico. isoquercitrina. 1. kaempferol. sabineno e eugenol (Retamar et al. A espécie O. timol. 1989). sendo Metil chavicol. 1988). terpenos. 1990). Thoppil. 1990. 1... linalol. 1987. cetonas. basilicum e O. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. fenóis. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. Das sementes de O. basilicum apresenta 44 compostos. 1984). basilicum foram isolados quercetina. na Turquia.. 1991). palmítico esteárico. 1989). Fatope & Takeda. nesse caso. mirístico. No Marrocos foram isolados 28 constituintes.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. Em O.8cineol e eugenol. esculina (Skaltsa & Philianos. kaempferol-3-O-rutinosídeo. além de ácido p-cumárico..8cineol. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. 1987). esculetina.. linoléico. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio.O óleo essencial de O. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. sanctum possui estigmasterol. rutina. eriodictiol. Das flores de O. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. 1995). timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. 1996). 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al.

kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. viride (Ekundayo. 1984). cablin (Akhila . flavonas (Patwarphan & Gupta. lactonas sesquiterpenóides de P... 1985). 1981). Pogostemon As folhas de P. 1986). 1984) e grandes quantidades de timol em O. flavonas. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. Foram isolados de P purpurascens. parviflorus (Nanda et al.Além desses compostos. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa.

mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. 1987. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al.. 2001). plectranthoides (Esvandzhiya et al. Coelho et al. beta-amirina.. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. Em H. 1998). apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al... 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. 1987. atrorubens. Thapa et al.. também conhecido como Sambacaitá. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. F et al. 1994. 1977... .. 1998) e atóxica (Junior et al. et al.. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. saxatilis (Fernandes. plectranthoides foram investigados experimentalmente. 1997). 1989). 1990).& Nigan. garwal et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. 1971). O óleo essencial de H. pectinata (Bispo et al. 1988). 1990).. C. betasitosterol. H. Munck & Croteau. 1988. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H.. Do óleo essencial das folhas de P.. ovalifolia e H. mutabilis. auricularis (Prakash et al. crenata. analgésica (Freitas et al.. Foram identificados n-octacosanol. 1990)... 1989). 1988). a-bulneseno.. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. comumente utilizada como calmante. suaveolens e H. 1984).. P. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. H. umbrosa. Silva et al. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. Em H.. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P.. estigmasterol. 1998). O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.. 1998). 1984.. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. Phadnis et al.

além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al.. 1976. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. Mentha O infuso das folhas de M. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1988). capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. 1988). O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. Saksena & Saksena. foram detectadas as atividades broncodilatadora. nepetaefolia. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210.. Calixto et al. antimicrobiana (Cos et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. 1988. 1995. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al.. Do extrato metanólico de H. 1988). 1979). capitata foi isolado o ácido ursólico. Forster et al. 1984). 1993) foram atribuídas a H.. 1995). 1988). 1985. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. 1988).... Posteriormente.. conhecido como Cordão-de-frade.. 2002). 1988). A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. e Novelo et al.As propriedades antibacterianas. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. Leonotis Em L. 1995). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.... porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. 2002). causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. Coelho et al. leonurus (Bienvenu et al. Diterpenóides isolados de H. anti-hipertensiva e espasmolítica. Di . que foram testados quanto à sua citotoxicidade. 1988.. do extrato de H. 1980. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. enquanto extratos de folhas. ramos e flores de H... verticillata.

cordifolia (Villasenor et al. piperita. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. A. Queiroz & Reis. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1987. 1998). (1968). 1981). Almeida et ai. 2001 e 2002). 1989). 1993. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. sanctum (Phadke & Kulkarni. 1984).... 1986a). et ai. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. enquanto estudos com O. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas.. sanctum (Dey & Choudhuri.. Do híbrido. 2002). 2002).. 1978) e O. 1986). americanus (Jain & Agrawal.. Lahlou et ai. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. . O.. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. crispa (Mello et ai. antibacteriana. gratissimum (Atai et ai. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro.. Além das atividades já relatadas com M. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 2002. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. também verificada com extratos de O. R. 1986c) e em O. Extratos brutos de O. determinaram-se propriedades fungicida. Sharma & Jocob. 1989). 1986). 1989) e diurética (Carvalho et ai. Queiroz & Brandão. 1988. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. espasmolítica (Queiroz & Reis. O óleo essencial de O. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.... micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. piperita (Ansari et al. utilizando-se M.. 1986b). Chen et al. arvensis (Ceruti et al. cannum (Dubey et ai. antifertilidade. 1987).. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 2002). antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1986a.. Ocimum Verificou-se que a espécie O. 1987b). 1982. basilicum demonstraram atividades analgésica.. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O..Stasi et al. 2000). Em O. 1986a. Queiroz & Brandão.

Vanderlinde et al. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. Extrato etanólico das folhas de O.. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. 1995) e O. O. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. Vanderlinde et al. O óleo essencial de O. mas a administração de O. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. 1996).. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. 2002). 1989). suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1995). E. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa... 1992. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. Os óleos fixos de O. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio.. O óleo essencial de O. suave (Tan et al. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. Vanderlinde et al.O. As folhas de O.... 1994b. gratissimum (Sobti et al. Vanisree & Devaki. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. 1994a). 1994). 1992.. 1994. et ai. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. Das folhas de O. 1986). 1989).. 1990). espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 1997). 1986). O óleo essencial de O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. 1986). 1994). antiinflamatória.. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes.. 1996). As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. basilicum (Dube et al. que apresentou atividade protetora do mastócito.. o ácido ursólico.. . 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. Vanderlinde et al. 1999. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. Das folhas de O. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. enquanto a O. 1993. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04.. 2001). Nakamura et ai.

Salsa. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. Alecrim-docampo. especialmente da América do Sul (Mabberley.5 ml/kg. folhas pecioladas. quadrangulares.Br. alternas ou opostas . 1997). e em outras. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. provocando sonolência. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. 1984). pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. ascendentes. longos.E. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Sálvia e Salva-da-gripe.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. 1986). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. Compreendem árvores. Salva-brava. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. pubescentes. Stachytarpheta e Lippia. Salva-limão. arbustos e ervas. como Erva-cidreira-do-campo. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura.) N. sobretudo em crianças. 1995). caule e ramos primários. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.

fruto com dois mericarpos plano- . Lippia grandís Schan. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. sementes pequenas (Figura 26. no Pará. membranoso. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. 1988). como antigripal e calmante. 1980). relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. pentâmeras. Salva. flores pequenas. cólica do estômago. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. 1984). o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças.(às vezes na mesma planta). pubescente e bipartido. estomáquica. 1980).9). corola bilabiada. sem estipulas. cálice curto. cálice curto. flores pequenas. o chá das folhas é utilizado como calmante. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. emenagoga (Corrêa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Malva e Nulva-do-marajó. hermafroditas. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. náuseas. reunidas em inflorescências vistosas.. na Paraíba (Agra. Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo capsular branco. Essa espécie é usada como antiespasmódica. relaxante e contra intoxicações gerais. reunidas em inflorescências capituliformes. no Rio Grande do Sul (Simões et al. diclamídeas. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. folhas pecioladas. 1986). no Mato Grosso (Van der Berg. tosses e gripes. Dados botânicos Planta de pequeno porte. o chá das folhas é utilizado como calmante. além de problemas do estômago.

1996). é usado contra problemas do fígado. Hernandulcina.. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. Souto-Bachiller et al. a mais estudada é a L sidoides.. canescens e I. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. Da parte aérea de L. citral e carvona (Matos et al.. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. 1991. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gama-terpineno. 1987). (1986 e 1987). behênico e lignocérico (Macambira et al. 1986.. 1986. alfa-cubebeno. As espécies L. Vários terpenóides foram isolados de L. Matos et al. mirceno. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. acacetina. e do caule e folhas foram obtidos ácido . 1981). timol. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina.. monoterpenos. betacariofileno (Craveiro et al. o chá das folhas.vanílico. 1980). Da espécie L.. americana foram obtidos ácidos graxos livres. dulcis (Bubnov & Gurskii. 1981). isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. No óleo essencial de L. lapachenol. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. geranial. timol.. 1987)...convexos. esteárico. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. p-cinieno. 1983). limoneno. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. 1987).. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. três vezes ao dia.. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. ukambensis (Chogo & Crank. (1981). Craveiro et al. 1996a e 1996b). Sauerwein et al. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. naringenina. 1982). 1987. Já de L. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . araquídico.

1996b). 1991 e 1995).. 1. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.35%). graveolens foram isolados pinocembrina. sabineno.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. Do óleo das folhas de L.8-cineol. alfa-terpineno (4. 1990). dois fenóis e uma cetona (Pino et al.. timol.. fissicalyx (Retamar et al. 1989).. neral. wilmsii foram isolados quinze componentes. 1989). sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. Dentre os compostos isolados. p-cimeno (3.8-cineol (15.. eupatorina.97%) como principais componentes (Mwangi et al.27%). alfa. a-pineno...5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.12%). quatro éteres. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. luteolina. eupafolina.. diosmetina.e beta-pineno. dos quais foram identificados piperitona (28. p-cimeno.origanoides foi quantificada. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.. 6-hidroxiluteolina. Das folhas e flores de L. 1. apigenina. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. acetato de timol (17. A composição química do óleo essencial de L. sendo 22 hidrocarbonetos. 1996a).8-cineol. Das partes aéreas e das raízes de L. Das folhas de L. 1. 1994 e 1995). luteolin-7-O-beta-glucosídeo.8-cineol (2. 1988).. crisoeriol. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. alba e L. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.l. 1987). quatro alcanos. cirsimaritina. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. De L.01%) ecariofileno (15.33%). 1. Fun et al.espécies de L. 1989).23%) e metiltimol (2. hispidulina. Os constituintes p-cimeno. 1990. 1. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. limoneno.43%) e piperitenona (11. .67%). O óleo essencial de L. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas.8-cineol. timol. graveolens. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. 1990). 1987)..

.. 1996). enquanto o outro componente. turbinata e L. 1996). 2002). integrifolia e L. lipifolil(6)-en-5-ona (18. L. 1998).. Vale et al... P D. De L. contribui para a coesão das células da pele. junelliana. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. Observou-se ainda atividade antitumoral com L.. 1990). sidoides mostrou atividade moluscicida. o verbascosídeo. 1987). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. 1995a)... aristata (Moraes Filho et al. Moraes et al.9%) elimoneno (13. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. 1998. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.. 1980). Com a espécie L... 1980 e 1987.4- .2% e 41. assim como o de L. 1979). M.4%. um éster do ácido caféico ligado ao 3. atribuída à presença de flavonóides (Santos. et al.. gracilis foram observados aumento inotrópico. respectivamente). 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. 1980). além de uma atividade moluscicida (Almeida. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. grata (Viana et al. Do óleo das flores de L. Além disso. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. Já o óleo essencial de L.. polystachya. Esse óleo. junelliana. misturado a cremes.. polystachya foram isolados tujona (30. 1997). 1990). et al. aristata (Rouquayrol et al. 1986). efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.. 2000). formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. L.. antiulcerogênica (Pascual et al.. 1981). integrifolia foram isolados da cânfora (18. um dos componentes principais.3%) (Zygadloet al. 1996). as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. Do extrato das folhas de L. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. multiflora. mircenona (31%) e de L. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. 1998).carvacrol. de L.. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al.5%). Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al..... 1988a). 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.Y.

. antibacteriana (Aguiar et al.. 1988). .. grata. Botelho & Soares. 1978). hipnótica e hipotensora (Noamesi. 1978. 1994. et al. Moraes. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. Y. timol e carvacrol. espasmolítica (Viana et al. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. multiflora (Chanh et al. et al. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. Ximenes et al. 1978). 1992). e no óleo essencial.. O. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. Almeida. 1992.. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai.dihidroxifeniletanol. 1995. porém. Viana et al. 1996. moluscicida (Moraes.. 1996). graciliy (Fontenele et al.. 1994... 1978). 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. atividades cicatrizante. no qual se observaram atividades analgésica. Lacotes et al. 1988b). 1996.. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al.. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. 1998).. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. Além disso.. antifúngica (Lemos et al. Laxoste et al. geminata e L. 1979). e o de L.. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1996). no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Nunes. M.. et al.. 1995b).. 2001). sidoides (Fonteneles & Sales. Os principais componentes do seu óleo essencial. 1985). anti-hipertensiva. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. R. L... 1995). 1977). 1984). apresentaram atividades antibacteriana. Teixeira et al. O.. M. 1979) e I. 1988. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin..... 1979. O óleo essencial das folhas de L. 1986). Teixeira. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. M. anestésica (Viana et al. O óleo essencial de L.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. 1980. Menezes et al.. et al. 1980. 1988.. tranqüilizante (Matos et al. 1998). nodiflora foi realizado um screening preliminar. Matos et al.. 1980). S. Nas folhas de L. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al.

Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).1 . .

1998). .2 .Hyptis crenata.FIGURA 26. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

3 . Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leonotis nepetaefolia.FIGURA 26.

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.4 .Leucas martinicensis.

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Mentha piperita.5 .

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Mentha viridis.6 .

FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .Ocimum micranthum.

FIGURA 26.Pogostemon patchouly. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .8 .

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26.9 .

lianas. 1998. Bignoniaceae. incluindo árvores. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. com aproximadamente 750 espécies. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. e reúne 120 gêneros. subclasse Asteridae. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). Os gêneros mais importantes da . Mabberley. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. Scrophulariaceae. A. as quais passamos a descrever. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. 1997). No estudo realizado.27 Scrophulariales medicinais C. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. pertence à ordem Scrophulariales. Hiruma-Lima L. C. arbustos e raramente ervas (Joly. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica.

os gêneros mais comuns são Tabebuia. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. elípticos e coriáceos. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. anteras glabras e ovário oblongo. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. Em outras regiões do país. fruto do tipo capsular largo. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. Jacaranda caroba. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada.1). também é conhecida como Cipó-de-alho. o que gera o nome popular atribuído à espécie. oblongo-linear. folhas normalmente 2-3-folioladas. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. com folíolos peciolados.família. é descrita aqui. as quais são discutidas a seguir. curto-pecioladas. . Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. No Brasil. são Tabebuia e jacaranda. da famosa Flor-de-são-joão. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". com gavinhas. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. uma delas. contendo sementes oblongas (Figura 27. de ramos cilíndricos e glabros. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Pyrostegia. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. com ampla distribuição nas regiões tropicais. e as várias espécies do gênero Zeyhera. que inclui os Ipês e o Paud'arco. Na região da Mata Atlântica.

não completamente identificada e conhecida como . das quais a maioria é encontrada no Brasil. Camboté. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Caroba-do-campo. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Uma outra espécie do mesmo gênero. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. sendo amplamente usada como ornamental. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. Caroba-miúda. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. Jacaranda caroba (Vell. fruto do tipo capsular. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria.) DC. flores tubulosas. Carobado-carrasco. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. roxas. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. dispostas em panículas. por ser mole e porosa. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Camboatá-pequeno. coriáceos e glabros. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.

especialmente no Dia de São João. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas.2). podendo ocorrer com flores amarelas. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. . raramente encontrada no interior de matas densas. de cor laranja. adstringente e anti-sifilítica. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. Segundo Corrêa (1984). amplamente encontrada em campos. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. ou seja /'coberta de fogo". O nome do gênero Pyrostegia. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. descrito por Carel Borinov Presl. inflorescências numerosas. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. folhas com folíolos ovadooblongos. com ramos jovens delgados e folhagem densa. sítios e quintais de residências.Carobinha. como corimbos multiflorais. Trata-se de uma espécie heliófita. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética.5 cm de largura (Figura 27. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. especialmente em crianças. repletos de flores tubulares. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias.5 cm de largura. É muito comum no Brasil. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". longas.

carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. a família não é encontrada de forma espontânea. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. A espécie J. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. mas apenas cultivada. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. 1994).. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. acorendico presente na planta (Oguro et al. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. O extrato etanólico da espécie A. Foi detectada na flor de P. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. 1999). 1996).. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. A espécie J.. venusta a presença de aminoácidos. Espécies medicinais Sesamum indicum L. 1992). decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. especialmente a espécie Sesamum indicum. 1995). Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. No Brasil.. 1996). . 1976 e 1977). sendo a maioria de ervas ou arbustos.

podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga.. 1995). Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. clorosesamona hidroxisesamona é 2. Tashiro et al. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. 1990).Dados botânicos A planta é uma erva anual. externamente. O óleo de gergelim. para evitar perda de cabelos. 2001). com origem na Ásia tropical ou na África.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. 1997). O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. folhas simples. vistosas. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. tosses secas.. osteoporose. 1995). indicum foi caracterizada a presença de . sesamolina (Mimura et al. visão fraca. dores de cabeça. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. para tratar constipação nasal crônica. diarréias. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. distúrbios renais. além de seu uso na culinária.. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. 1988. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. 1997). com muitas sementes oleosas. e. disenteria e catarro intestinal. inteiras e pubescentes. fruto do tipo capsular. no Egito e na Babilônia (Bown. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. flores amarelas. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. e sobre as pernas para tratar paralisia. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. episesaminona (Marchand et al. externamente. Nas sementes de S. opostas.. abortiva e anti-reumática e. contra hemorróidas (Bown. para alívio da dor de ouvido.

1988). indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. 1994). globulina.2000). Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. 2000 e 2001). bem como três novos triglicosídeos.. sesamina Do extrato aquoso de S. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. 1996).. indicum L. ácidos graxos. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. (Kar & Mishra. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. Mimura. . glutelina (Singh & Khanna. gama-tocoferol e sesamolina. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. indicum detectaram a presença de glicolipídios. Nas raízes de S. 1993). prolamina. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 1989.albumina. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. 1991). A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida.

5alatum (Kamal Eldin & Yousif. sesamolina (Mimura et al.. respectivamente (Kang et al. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 2002).. dois derivados do ciclohexiletanol. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. Tashiro et al. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. Da parte aérea de S. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 1992). alatosídeo A-C. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. em altas doses. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. indicum (Takswchi et ai. 2001). além de verbascosídeo. 1997). 1988.. 1995). 1991). laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al.. angolense. alatum. 1992). Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. 1994). e. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. indicum e S.. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S.. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. 1990) e sesangolina. dessa forma.. foram isoladas das sementes de S. protegendo-o contra danos oxidativos. 1991). 1992). .Duas lignanas furânicas.. O extrato de S..

Pupeiçava.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. opostas. Ganha-aqui-ganha-acolá. algumas aquáticas (Mabberley. das famosas D. Vassoura. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. pequenas. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. Tapixaba. flores brancas. Outros nome são Vassourinha. No Brasil. popularmente conhecido como Vassoura. Veronica. . incluindo árvores. Nomes populares Na região amazônica. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. especialmente dos gêneros Antirrhinum. 1997). Vassourinha-doce e Corrente-roxa. axilares. purpurea e D. quatro estames didínamos. Calceolaria e Maurandia. ovaldolanceoladas. crenadas e glabras. com corola rotácea. arbustos e ervas. nos quais estão distribuídas 5. pentâmeras. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. Tupixaba. bilabiada. tais como Digitalis. Scobedia. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. ovário supero.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Coerana-branca. lanata. Verbascum e Wightia. aqui descrito como medicinal. no Pará. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Esterhazia. hermafroditas. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Vassourinha-de-botão. bicarpelar.

a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Nas tribos indígenas do Equador. significa "vassoura". mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. hipotensiva. 1986). e utilizada contra desordens respiratórias. Grandi et al. 1982. com todas as partes da planta. problemas cardíacos. Cruz. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. brotoejas. picada de mosquito. Verardo. malária.. tosse. Scoparia. 1995). A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. desordens menstruais. também.. O nome do gênero. doenças venéreas. 1982. Coimbra. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. também. emoliente. menstruais. 1988. antidiabética e contra afecções catarrais. 1994. Coee et al. 1988). com muitos óvulos (Figura 27.3). especialmente na Floresta Amazônica. e as folhas. Matos. pectoral. 1983). além de ser considerada tônica. Já entre os ticunas. o chá da planta é usado contra hemorróidas. Em Minas Gerais. Na Paraíba. hipoglicemiante. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. bronquite. febre. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. erisipela e afecções cutâneas. tosse. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. emoliente e béquica (Corrêa. hepáticas e estomacais. diabetes e hipertensão (De Almeida. 1980). 1990). infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. 1994. béquica. o chá é preparado. No Rio Grande do Sul. coceiras. essa espécie também é considerada emoliente. bronquite. 1982. Grandi & Siqueira. é utilizada como anti-hemorroidal. 1990). bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. 1993. por causa do seu emprego. 1990). para melhorar o estado geral do indivíduo. 1984).. Encontrada em abundância na América do Sul. . o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. peitoral.. No Pará. 1996). 1987). para lavar feridas (Branch & da Silva. febrífuga.bilocular... já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. expectorante. No Brasil. 1982).

.. 1993 e 1996) depressora (Freire. anti-herpética. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . depressora do SNC. iflainóico. glutinol e acacetina (Hayashi et al. 1990).. expectorante e atóxica (Moura et al. hipertensiva (Freire et al.. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis.. 1990a e 1991)... betulínico. benzoxazolinona. cinarosídeo D. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 6-metoxibenzoxazolinona. beta-sitosterol. 1994. 1988. anti-séptica. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. gentísico.. apigenina. 1998).Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 1987.. Também foi detectada a presença de glicosídeos. M.. Torres et al. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica.. alfa-amirina.. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. 1990b). sedativa e diurética (Ahmed et al. Azevedo et al. 1988a e 1990c). S. et al. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. hipocolesterolêmica. antibacteriana gram-positiva. manitol. entre outros compostos (Kawasaki et al. O. escutelareína. 1993 e 1996).. 1990b). antiespasmódica. Hayashi et al. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. 1993 e 1996a). 1985). 1987 e 1988c).. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. (1981). scopadulciol (Hayashi et al. 2001). M. cumárico. antiinflamatória (Freire et al. flavonas.. acacetina..1988b). B e C (Kawasaki et al. obtidos da espécie. Freire. 1989. (1979) e Mahato et al. 1997. dulcinol e ácidos dulcióico. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. 1991). Hayashi e al. antiinflamatória. antiviral. antifúngica. 1986 e 1988a. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al.. antidiabética (Jain. S. et al. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. Dalla Torre et al. Os ácidos escopadúlcico B. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. 1987). simpatomimética (Freire et al. escopadulciol. 1996). E... 1996b)..

1993). 1988b)...Adenocalyma alliaceum. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al..vidade antimalarial in vitro (Riel et al.1 .. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. FIGURA 27. 1997a). além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al.. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1997a e 1997b). 1978) (Banco de imagens - .

FIGURA 27.Pyrostegia venusta. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .2 .

FIGURA 27. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1946) (Banco de imagens - .3 .Scoparia dulcis.

sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. Trata-se de uma grande ordem. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke.528 gêneros. com aproximadamente 22. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . M. exceto na Antártida (Mabberley. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.28 Asterales medicinais L. Inclui espécies arbustivas. 1997). que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. arbóreas. Di Stasi C. encontradas em todo o planeta. M.Ivan Martinov.750 espécies cosmopolitas. Hiruma-Lima C. Essa família compreende 1. trepadeiras e ervas. A. Os gêneros estão distri- . que passamos a descrever a seguir. herbáceas. Santos E. C.

Semeio e Emilia (Senecioneae). gênero da famosa Calêndula. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Calea. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Novalgina e Anador. • Asteroideae Inula (Inuleae). a Camomila. Mikania. Calendula (Calenduleae). Saussurea e Echinopis (Cardueae). das quais se destaca a Baccharis trimera. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Artemisia. Lactuca. o Mentrasto. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Vernonia e Elephantopus (Vernonieae).buídos em três grandes subfamílias. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. e inúmeras plantas de . Nesse contexto. Calendula officinalis. Arnica e Tagetes (Helenieae). Baccharis e Solidago (Astereae). Galinsoga. Matricaria. tais como inúmeras Vernonia. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Gnaphalium e Achyrocline. Zinnia. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Ageratum. Tanacetum. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. especialmente a Mikania glomerata. conhecida como Mil-folhas. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Wedelia. do gênero Mikania. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. com ampla distribuição no território brasileiro. a famosa Arnica. as várias espécies de Artemisia. Matricaria chamomila. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Ageratum conyzoides. Aster. várias espécies do gênero Bidens. do gênero Arnica. as importantes Carquejas. Achillea millefolium. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Calendula.

curto-pecioladas. apenas masculinas. Dados botânicos Planta anual. Em outras regiões do país.1). fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. . e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. opostas. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. externamente. de pequeno porte. com borda irregularmente serreada. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. a decocção das folhas é usada. Na região do Vale do Ribeira. como antiinflamatório e. flores unissexuais e marginais. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. em Minas Gerais. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. inteiras. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. amplamente usadas na medicina popular. de ápice e base agudas. caule comprimido e denso-piloso.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. como cicatrizante. oblongo lanceoladas.pequeno porte do gênero Eupatorium. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. ereta ou prostrada. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. onde foram incorporadas na medicina tradicional. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". internamente. folhas simples. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. rasteira.

e as centrais. hermafroditas. digestivo. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. 1982) e. Aquiléia. 1997). rizomatosa. com caules ramosos. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. gripes e distúrbios do estômago. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. contendo folhas oblongolanceoladas. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores dimorfas. agindo ainda como antiespasmódico.. no Uruguai. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. a espécie é chamada de Novalgina. dor de cabeça e dores gerais. Em outras regiões do país. . como contraceptivo feminino (Mabberley. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. com até 60 cm de altura. Dados botânicos A planta é uma erva perene. Milefólio e Mil-em-rama. reunidas em capítulos corimbosos. hemorroidais e pulmonares.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. sendo as marginais femininas e brancas. amarelas e tubulosas. glabra. além de ser anti-helmíntica. raras são nativas das Américas. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal.

2). com até 1 m de altura.Ageratum conyzoides L. tônica. antidiarréica. pilosa e ramosa. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Catingade-barão. mucilaginosa. Erva-de-são-joão e Maria-preta. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. ovadas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Ageratum. flores brancas ou lilases. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. útil contra resfriados. carminativa. anti-reumática. e o nome do gênero. . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. a espécie é chamada de Carqueja. Baccharis trimera (Lers) DC. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. amenorréia e gonorréia. a espécie é chamada de Mentrasto. além de indicada para aliviar náuseas. febrífuga. significa "o que não envelhece". a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. Em outras regiões do país. pecioladas. cólicas flatulentas e uterinas. com folhas opostas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. crenadas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. hipertensão. Erva-picão. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. a decocção das folhas é usada como analgésico. Aceitilla. bem como em vários Estados brasileiros. tais como Cuambu. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Pirco. como Picão-preto. Picão-do-campo. estomáquico. Goambu.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. (Bidens pilosa L. anti-helmíntico. estomacais e intestinais. anti-reumático. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". Carrapicho-de-agulha. podendo atingir até 1 m de altura. . o deus Baco do vinho. Bidens bipinnatus L. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. a planta é usada como tônico. Macela-do-campo. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Em outras regiões do país. 1926). diurético e contra distúrbios renais. Espinho-de-agulha. Carrapicho-deduas-pontas. Carrapicho-de-cavalo. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Erva-picão e Pau-pau. derrame cerebral e diabetes.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Amor-seco. Carrapicho. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. Piolho-de-padre. com ampla distribuição na América do Sul. entre outras (Corrêa.3).

. O nome. glabra.Dados botânicos Planta de pequeno porte. Coimbra. Vasquez. leucorréia. diurética. referindo-se às aristas do papilho.4). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bem como no combate a dores em geral Jager et al. antileucorréica. 1994). infecções urinárias (Mejia & Reng. capítulos pleiomorfos. simples. adstringente e considerada útil contra icterícia. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. com cálice modificado. folhas opostas. conjuntivite. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. 1984). 1995). Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros.. dores de cabeça e de dentes (De Feo. dismenorréia. pecioladas e fendidas. com flores radiais liguladas. vermífuga e vulnerária. ereta. 1962). a espécie também é referida como emoliente. No Leste da África. 1994). laringite. 1990). Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. 1993. edema. Na medicina tradicional peruana. desordens hepáticas. micoses. sialagoga. A planta é considerada estimulante. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. 1992. a espécie é usada como antiinflamatório. significa "dois dentes". com até 1 m de altura. No Brasil. diurético e contra hepatite. diabetes. hepatite. antiblenorrágica. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. desobstruente. disenteria. pentâmeras. diabetes e inflamações (Corrêa. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. Bidens. utilizada especialmente contra icterícia.. antiescorbútica. Duke et ai. 1996). ramosa. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. 1990. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. antidisentérica. icterícia e contra vermes distintos (Rutter.

mas são comuns outras denominações. fruto do tipo aquênio alongado. Em outras regiões do Brasil. a espécie possui vários usos das folhas.5). como Iapana.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. sudorífico. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. de caule ereto. folhas opostas. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. 1984). androceu com anteras levemente sagitadas. especialmente do fígado. estriado e diminuto. visto a grande semelhança entre elas. cólera. acuminadas. antidiarréico e antidisentérico. digestivo. enquanto o sumo das folhas frescas. Dados botânicos Erva bastante delicada. empregado externamente na forma de banho. angina.ambas não identificadas . Aiapana. ferrugíneo e glabro. corola com tubo interno glabro. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. lanceoladas. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. triplinervadas. estimulante. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. estomáquico. reunidas em capítulos dispostos terminalmente.Eupatorium ayapana Veuten. flores (20 a 30) azuis. . anguloso. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. Japana-roxa e Erva-de-cobra. e contra malária. Japana-branca. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. como tônico.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie.

Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. O nome significa "feltro". a espécie é chamada de Macela. a espécie é chamada de Arnica. . reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. com ápice arredondado. referindo-se ao tomento das folhas.e com raras espécies na América do Sul. Solidago microglossa DC. O nome do gênero significa "o que é firme". com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. serradas. pequenas. que formam uma inflorescência cilíndrica. flores amarelas.especialmente na América do Norte . Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. de ocorrência nas Américas . Nomes populares Na região da Mata Atlântica. capítulos pequenos e reunidos. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. folhas oblongas. podendo atingir até 1 m de altura. a infusão das folhas é usada contra diarréia.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. assim como em todo o Brasil.

Agriãobravo. membranosas. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. Agrião-do-brasil. agudas. Jambuaçu. com folhas opostas. o preparado com folhas de arruda. longo-pecioladas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. cálculos da bexiga e dores de dente. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. não alado. flores amarelas. o chá das folhas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. comprimido com papilho aristado. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. . descrito por Nicolaus von Jacquim. Abecedária. Botão-de-ouro. fruto do tipo aquênio.. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. Essa planta é utilizada como estomáquica. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. Dados botânicos Planta herbácea. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. batidas. com corola curva. ovadas. vários outros nomes são usados. entretanto. picadas de insetos e infecções. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. significa "flor com mancha". referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta.6). Spilanthes. Mastruço e Agrião-do-norte. que tem mancha escura sobre a lígula. Spilanthes acmella Rich. O nome do gênero. tais como Agrião-do-pará.

em Brasília (Matos & Das Graças. e seu nome vem de Tages. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. divindade etrúria representada como um belo jovem. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. minuta. Amorozo & Gély (1988) referem que o . sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. T. também são usadas como medicinais. emenagoga. tosse e resfriado. no Pará (Amorozo & Gély. 1980). opostas ou alternas. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley.1982). digestiva. lucida. cicatrizante. Cravo-africano e Tagetes. desinfetante e antiasmática. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. com muitos ramos. antigripal. está muito bem aclimatada no Brasil. abortiva. patula e T. narcótica. a S. tais como T. 1997). Na Colômbia. febrífuga. Cravinho. considerada carminativa. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. bronquite. e indicada contra problemas hepáticos. Outras espécies do gênero. são partidas e aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. atingindo de 60 a 90 cm de altura. Originária do México. as folhas. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. antiespasmódica. 1988). Cravo-de-tufo. sendo também comumente chamada de Cravo.

rosas. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. bronquites e tosses. para tratar "doença que deixa o queixo duro". resfriados. Nomes populares A espécie é chamada. pela abundância de flores. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. as folhas são ásperas. de Zinha ou Zínia. . australe. arroxeadas e vermelhas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Originária do México. é amplamente usada no Brasil como ornamental. que atua como anti-helmíntico e sudorífico.chá das folhas com alho é usado contra febres. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. com caule ereto. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". opostas. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. as flores possuem várias cores. Moça-e-velha e Canela-de-velho. anteras amarelas e estigmas vermelhos. cordiformes. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. sésseis. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. o chá das folhas e flores. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. Zinnia elegans Jacq. incluindo brancas. com uso freqüente contra dores reumáticas. Segundo Hoehne (1939). a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. na região de estudo.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. forte.

alfahumuleno. laevis e B. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A.. 1997).. De A. 1997). De Tommassi et al. glabratum (Saleh et al. 1976a e 1976b). 1975. 1992). beta-guaieno... crisosfenol D. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. pilosa. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. 1994 e 1984.. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. delta-cadineno (De Marais et al. 1980. flavonas (Falk et al. flavonóides (Bohlmann et al. beta-cariofileno. 2000). millefolium também foram isolados ésterois. 1987). 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. Hausen et al. 1991).. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. cumarinas. germacreno A. axilarina e 5. 1986..... alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1990)... Bohlmann et al. Debenedetti et al. bipinnatus... carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. triterpenos (Chandler et al. 1986. isocariofileno.. 1978). 1987. Nair et al. 1979). Torres et al. tripartitus.. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al.. timol. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al.. deterpenos. Herz & Kalyanaraman. 1975). Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. catecolaminas. 1977). Christensen et al. 1979. Gene et al. 1994). diterpenos (Saleh et al. 1981. 1994. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow..6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. 1975) e monoterpenos (Orth et al... leucantha (Wat et ai... 1996. 1987. Da espécie B. 2001. 1987).. 1992b. Wang et al. 1990.. monoterpenos. De A.. B.4'-trihidroxi-3. 2002. pilosa . 1981). gama-cadineno. 1985. 2000). Alvarez et al. 1976). flavonas. flavonóides (Shimizu et al. B. 1984).beta-elemeno. terpenos (Verzan & El Sayed.7.. beta-pineno. Achilea. Herz & Kalyanaraman. saponinas e xantonas (Caetano et al. cadineno.. Poliacetilenos. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. 1988a e 1988b. alfa-copaeno.. 1979). Gill et al. Sharma & Sharma. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. De A. leucoantociandinas. alfa-felandreno. Caffmi & Demolis. limoneno. B.. Das partes aéreas de A. Hoffman & Hoelzl.

japonicum. E.. E. 1987 e 1988). salvia (Gonzalez et al. 1988b. glandulosum (Nair et al.. 1988a. frondosa. frondosa (Karikome et al. dois derivados tiofênicos. E. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. £. E. tais como quatro auronas.. 1997). 1992). 1990). micranthum (Herz et al 1978). Liu et al. 1990).. 1993 e 1995). 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. £. 1990a e 1990b). os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. E. 1987. E. 1997). E. 1992). cannabinum (Stevens et al. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1995). 1985). Pagani. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. E. bipinnatus (W B. B. E. campylotheca (Bauer et al. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. 1992). leucolepis (Herz & Palaniappan. 1985). 1995) E. eugenol. Poliacetilenos também foram isolados de B. 1991). 1995).. 1988. 1981). chrysoanthemoides.. 1991) e E. Edgar et al. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. B. 1990). B. adenophorum (Li et al.B. B. 1991. 1986).. 1979). E. B.. Wang et al. ferulefolius. 1992). pilosa (Zuleeta et al. ternbergianum (D'Agostino et al. littorale (Sato et al. ácido linoléico e linolênico. 1995) e £. 1997). 1982). e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. 1995). erythropappum (Talapatra et al. subhastatum (Ferraro et al. parviflora. portoricense (Wiedenfeld et al. 1988c e 1988d). angustifolium (Mesquita et al. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. 1994) e E. E guayanum (Sagareishvili et al... altissimum (D'Agostino et al. radiata e B. Três poliacetilenos. E. tinifolium (D'Agostinoetal. 1994).. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. cernuol.. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. tripartita (Isakova et al.. maximowicziana. B. ... B.foram ainda isolados inúmeros compostos. 1986). buniifolium (Muschietti et al. rotundifolium (Hendriks et al. dahlioides. chinese (Zhao et al. 1987..fortunei. ácido linoléico. tripartitus (Christensen et al. E. odorata (Hai et al. E.

1987). adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. odoratum (Talapatra et al. 1994). quadrangularae (Hubert et al. fenóis e saponina. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1987). 1977). espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. naginatacetona. enquanto em E. sesquiterpenos. 1987). 1980) e E. 1987) e E. deltoideum (Quijano et al.Nas folhas de E. 1986). 1992a). 1993). e sesquiterpenóides de E. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. E.fortunei (Haruna et al. quadrangularis (Hubert et al. recurvens (Herz et al. De S.. americana foram isolados monoterpenos. entre outros (Nakatani & Nagashima. Das partes aéreas de S. laevigatum (Lopes et al. 1991). beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. Diterpenóides foram isolados de E. sitosterol. altissimum (Jakupovic et al.. E. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. E. espilantol. mikanioides (Herz et al. 1979). odoratum foram encontrados taninos. 1978). cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al.. 1999).. rufescens (Ruecker et al. E. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. var. 1990a e 1990b). 1987). 1987). 1986b). E. 1986)... cânfora. tinifolium (D'Agostino et al. fortuna (Haruna et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. acmella L. p-cimeno. triterpenóides de E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. E. . estigmasterol.. entre outras espécies (Ding et al. 1986). E.. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. 1986). 1987). cannabinum (Stefanovic et al. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. Ramsewak et al. limoneno. Uma amida. E. 1980). cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1996). 1988a e 1988b).. 1992b... laevigatum (Bauer et al. adenophorum.

T. além de enxofre e fósforo. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. 1990a). Os monoterpenos descritos em T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. patula foram isolados tiofenos. laxa (De-Israilev et al.. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. 1993b). 1993). 1987). Entretanto. minuta e T. 1991). tais como quercetagetina. argentina) foram identificados quatro tiofenos. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al.. 1990).. T. 1988). zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. No entanto. T. Pe- .. erecta (Singh et al. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. 1995). lucida (Hethelyi et al.. como quercetagetina. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1988. pois somente T.. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. campanulata.. T. T. minuta são ocimeno. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1987). o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. que podem ser diferenciadas pela composição química. T. Ahmad et al. T. 1987. patuletina e muitos desses derivados. patula (Ivancheva & Zdravkova. Das raízes de T. Tosi et al. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 1992).Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T... T microglossa (Castro. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. 1987).. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. patula. erecta e T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1988). 1993). 1990b). tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. As espécies T. patuletrina e patuletina. 1988). glandulifera) (Craveiro et al. 1994) e T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. 1985). mendocina e T. 6-hidroxikaempferol. 1988a e 1988b). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso.

indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. Carvalho et al. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 2002) e antifúngica (Portillo et al. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1991).5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3.. 1988.. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.. a A. ocitocina.. 1996) dessa espécie. glabratum (Saleh et al. As antocianinas das flores de Z.... . australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. taninos. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. 1980).. patula foi detectada (Arroo et al. elegans indicou a presença de Cumarina. australe contra Plasmodium berghei em roedores.. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1997). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A... bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. Nascimento et al.. Em A.. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 1987). 1995). 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. australe (Matsunaga et al. 2001). 1995).. Experimentos com A. 1988). além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. glicosídeos cardíacos. 1997). 1988).

imunoestimulante (Ignácio et al. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al.. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. Abena et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. Extrato etanólico de B.Achila. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. N'Dounga et al. 1987. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. as propriedades analgésica e antiinflamatória. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. minor (Blume) Sherff. 1997). possuem atividade antiinflamatória. Porém. 1969). e B.. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.-ol. à presença de saponinas (Gene et al. 1987). reduzindo a produção de prostaglandinas. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. além de vários flavonóides obtidos de B. Bidens Experimentos com B. B. Goldberg et al. como friedelina e friedelan-3. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases.. pilosa L. 1949). (1991). 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1998b... var. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 1996).. Triterpenos.. As folhas de A. 2000). 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. 2000). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca.. 1985. mas Bidens pilosa var. 1980). A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 1983). aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. minor foi a mais .. pilosa (Santos et al. 1991)... Bondarenko et al.. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. pilosa.

1989). 1996). aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1994. E. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai.. 1995 e 1996) e. La Casa et al. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. E. Entretanto.. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. O extrato hexânico de B. E.. 2002). potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. 1998 e 1999).. brevipes (Guerrero et al. E. somente os extratos de B. consaguineum (Lopes et al. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. pilosa L. 1985). 1995). tacotaneum (Sanabria & Mantilla. pauciflorum (Giesbrecht et al. A espécie B. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. 1995). balantaefolium (Almeida & Fonteles. campylotheca apresentou. Um composto sesquiterpênico isolado de B.. Eupatorium A espécie E. E. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. var. hipotensora (Dimo et al.. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1977).. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al.. pilosa L. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E.. As folhas de E. .. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. atidifolium e E. E. 1996). 1986) e diurética (Rebuelta et al. minor e B. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. 1994). Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. ou seja. 1997). densum. Para a espécie B. mais recentemente. 1986b). 1997)..ativa. in vitro. 1988) e E... tequendamense (Mantilla & Sanabria. 1985). gracilae. 1995). 1985). morifolium e E. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al.. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. glyptophlebum. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff...

Herz & Palaniappan. 1988. enquanto a espécie E. DNAse. 1990). assim como da atividade da RNA polimerase. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al.5-decadienamida. proteínas. (Giesbrecht et al. RNAse. 1988).. 1995) e E. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. Cáceres et al. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al.. 1985. Spilanthes Das folhas de S. 1984. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium.. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag.. inulaefolium (Gorzalczany et al. O extrato bruto aquoso de E. pauciflorum. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. cannabinum (Bourrel et al. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. 1995). E.. A.. Piperidinas de E. 1990 e 1991). ayapana (Gonçalves et al. Eupatorium perfoliatum. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1986 e 1987. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1991).. 1990). Sesquiterpenóides isolados de E.. 1998). enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. E. riparium (Ratnayake-Bandara et al. 1989). Achyrodine alata. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. DNA e RNA de células tumorais. Inya-Agha et al. Guerrero et al. 1996) e E. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. larvicida (Pitasawat .1986). 1991).. 1982a). hyssopifolium (Hall et al... acmella foram isolados n-isobutil-4. e de E. cannabinum. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. 1995). Os extratos de E. E. odoratum (Iwu & Chiori. A. O óleo essencial de E.. flaccida. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. squalidum (Carvalho et al.. candolleanum (Campos et al.. E. 1992). halinfolium e E.. 1986).. brevipes e E. Inibição da síntese de colesterol. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1991). fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. 1978).

conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. presente em muitas espécies. oleracea (Herdy & Carvalho. O eugenol. 1989). bem como no consumo destas (Meckes et al... Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. C. usado como emenagogo. antimicrobiana. enquanto o extrato de S. O extrato de S. L. 1990)... isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. sedativa. et al. 1984). 1992. Em I minuta.. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. 1988. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis.. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. Camargo Neves et al. 1994). 1992).. Em S. T. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante.et al. 1993). et al. F. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz.. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. folhas e flores de T.. J.. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. mas não contra Candida sp. 1993). 1998) e espilantol. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al.. 1993. sendo os deri- .. 1995). que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. 1996). 1987. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. 1992) e antitumoral (Moraes et al.. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1986) e S.. in vitro. et al.. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. (Fabry et al. RJ... 1995). Valderrama et al. Andrade. como no cravo-da-índia. e o extrato de S. 1999). Souza. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica.

1987). 1996). Do extrato de Z. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. 1997). elegans L. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. . Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. coronopifolia e T... enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1997). a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes.. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B.Ca2+ dependente e inibiu. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. in vitro. in vivo e in vitro. O extrato de T.. 1989). Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. 1994).. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al.vados tiofênicos os compostos ativos. D e F. Dentre outras espécies. 1992).. 1994). Os extratos hexânicos de T. o óleo essencial de T. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. 1995).. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. Zinnia As sementes de Z. 1995). e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.. a atividade da ATPase. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. lúcida estimulou discretamente. 1991). sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. 1991).. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner..

especialmente . poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. australe são tóxicas para aves. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. Estudos com a espécie A. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. alopecia. a espécie E. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. 1993).Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A.. S. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. no entanto.. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. dispnéia. 1994). 1990). adenophorum (Oelrichs et ai. T. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. et ai. A. As folhas de S. Tremetona isolada de E. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação.. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam.. 1978a e 1978b). Entretanto. V. 1995). Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. Segundo Hoehne (1939). fraqueza e debilidade dos membros. M. australe durante o período de prenhez de ratas. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. A ingestão regular de E. 1988). 1996 e 1997). et al. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. 1995). enquanto o extrato aquoso de S. caracterizados por diarréia. congestão do baço e coração. especialmente na fase jovem. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. hemorragia. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes...

Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. b) detalhe da escanerata. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.1 . c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.como diurético e hipotensor. FIGURA 28. relaxante muscular e antineoplásica. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana.

Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.2 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.

3 . b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.

4 .Bidens bipinnatus.FIGURA 28. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.: a) ramo florido (Di Stasi .original).FIGURA 28.5 . .Eupatorium ayapana. 1998).

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 28. .Spilanthes acmella.6 .

com representantes arbóreos. Coffea arábica. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. 1997). Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. • Ixoroideae: Coffea. Genipa. e Gardenia.29 Rubiales medicinais L. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. A. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). alguns deles de valor histórico. como é o caso de Coffea e Cinchona. C. do famoso Cafeeiro. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. importante fonte de espécies ornamentais.200 espécies vegetais cosmopolitas. . Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. arbustivos. nos quais se distribuem mais de 10. algumas espontâneas nas áreas tropicais. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. do famoso jenipapo brasileiro. Gelsemiaceae. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. Di Stasi C. Desfontainiaceae e Rubiaceae.

ereto. com pêlos abaixo da inserção dos estames. com espécies popularmente denominadas Poaia. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. lanceoladas. carnoso e drupáceo (Figura 29. Não foram encontrados sinônimos. diclamídeas.• Antirheoideae: Guettarda. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. fruto indeiscente. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. muito comuns em terrenos baldios. Borreria e Dioidea. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. estipulas não foliáceas. simples. bicarpelar. e Palicourea. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base.1). ovário ínfero. Dados botânicos Pequeno arbusto. com corola de base gibosa. • Rubioideae: Psychotria. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. flores hermafroditas. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. folhas curto-pecioladas. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. fonte de emetina e outros constituintes de importância. inteira. . ipecacuanha. importante árvore. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. especialmente na Amazônia. Cephaelis da famosa C. 1997).

De-Moraes-Moreau et al.. 1994). Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. 1995. 2001). acuminadas.. Stuart & Woo-Meng. inflorescência em panículas. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. Hil. de onde partem folhas com venação tênue. glabros. Palermo-Neto et al. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. delgados.. marcgravii. opostas. com ramos cilíndricos. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. Nomes populares No Brasil todo.Palicourea marcgravii St. 1976). Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela.5 m de altura. E popularmente usada como medicamento. 1996. fendleri (Nakano & Martin. avermelhados.. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. 1999). sobretudo na região amazônica. de P. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. frutos do tipo baga. (Kemmerling. 1989a). pecioladas. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. Além de alcolóide. .. avermelhadas.

outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina.. enquanto P. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. P. 1988. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. De-Moraes-Moreau et al. 1996).1 . 1989). náuseas. Gorniak et al.teratogênica (Costa. 1995). FIGURA 29.. et al. midríase e morte em bovinos (Costa et al. 1984a. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. Tokarnia & Dobereiner. Palermo-Neto et al. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. Das folhas de P. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. comum em animais e rara na espécie humana. contrações musculares. espasmos musculares..juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. 1986).Banco de imagens - . 1989b.. 1989. 1989). falta de coordenação motora. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. Além de fluoroacetato. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. Segundo Schvartsman (1979). e a intoxicação.Palicourea laniflora. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas... vômitos. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P.. 1982). que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling.

1997). A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Di Stasi C. arbustos e lianas. Lonicera. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. Os principais gêneros são Sambucus. . das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal.30 Dipsacales medicinais L. A. também utilizado como medicinal em todo o mundo. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. descrita a seguir. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. No Brasil. Viburnum. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. C. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. 1978). As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. Abelia e Linnaea. Lonicera e Sambucus (Barrozo.

folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. Na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro.1). Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. usada internamente. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. gripes fortes e varicela. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. além de flavorizantes em vinhos. Floresce nos meses de julho a agosto. e possuem aroma muito agradável.Espécies medicinais Sambucus nigra L. as flores são brancas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A espécie. . é considerada excelente diurético e sudorífico. dispostas em um corimbo branco. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. A infusão das folhas. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. com ramos bastante lenhosos. no champanhe e no catchup. além de seu histórico uso medicinal. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. óleos e ungüentos. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". considerada exótica nas Américas. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. Apresenta importante valor econômico. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30.

Van Damme et al. canadensis foi isolado o iridóide . descrita no trabalho de Grieve (1994). heptadecênico. 2001). Internamente. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. 1988). 1989a).. os ácidos graxos láurico. reumatismo e febres. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. 1989. flavonóides. casca e frutos são usados para diminuir febres. nigra.. palmítico. diuréticas.Bown (1995) refere que flores. tetradecênico. racemosa e S. folhas. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. De S. externamente. lectinas das cascas (Shibuya et al. mirístico. 1990. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. a planta ainda é indicada contra influenza. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. Kaku et al. gripes.. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. sinusite. oléico.. esteárico. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos.. para pequenas queimaduras. catarros. 1989b e 1989c). irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. sudoríficas. erisipelas e queimaduras. cianogeninas. 1986). lignanas. S. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral.

promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. 1997. Prunus spinosa. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. das folhas. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. 1994)... Van Damme & Peumans. beta-amirina e o ácido oleanólico. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. australis. antiinflamatória e antipirética. conhecido como Sauco. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. Bojic & Cuperlovic. O reatival. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. Salvia offtcinalis. 1990).. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. O extrato hidroalcoólico de S. 1974).. 1997).. Centaurium minus... e das raízes de S. indicado para hidropisia. e Polygonum aviculare. formosana foram isolados. 1992b e 1992). Com base nessa constatação.. 1986). apresentou atividades analgésica.. nigra. 1997). Schoning. 1997a e 1997b). 1980).. O extrato aquoso das folhas de S. O extrato aquoso de S. 1997. Artemisia absinthium. As lectinas de S. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. canadensis (Buhrmester et al. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. De S. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. 1996). sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. .. 1997). 1995).. 1987).morronisídeo (Jensen & Nielsen. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. 1988). 1996. De S. mexicana. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. que possui atividade colerética (Takeda et al. 2000). porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. Das cascas de S. 1989). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. Sambucus nigra.

peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. FIGURA 30. 1999) e a espécie S. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - )..Sambucus nigra.1 . 2000. 2002).A espécie S. Neto et al. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.. .

como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. entre outros. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. . Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. • 109 são usadas na Amazônica. Mata Atlântica. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. da Hortelã (Menthapiperita). • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. como é o caso do Alho (Allium sativum). Carambola (Averrhoa carambola) e outras. C. A maioria é nativa desse ecossistema. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais.Posfácio L. Dessas 135 espécies medicinais. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras.

podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. várias espécies amplamente conhecidas. Esse dado se torna mais importante porque. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. a Camomila (Matricaria chamamila). As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. a Erva-doce (Pimpinela anisum). tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). o Coentro (Coriandrum sativum). ou seja. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. 340 espécies. líquens. o Mamão (Carica papaya). mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. neste livro. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. a Mostarda (Brassica nigra). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. apenas dezesseis são monocotiledôneas. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. a Losna (Artemisia absinthium). e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). compreendidas em trinta diferentes ordens. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. o Agrião (Nasturtium officinalis). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica.Dessas 135 espécies medicinais. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. razão pela qual não foram incluídas no texto. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. . briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. a Calêndula (Calendula officinalis). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais.

Sobre essas. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. e que esse conhecimento seja recuperado. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. alcançando alto índice de citação. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Finalmente. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Por isso. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. . para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. esse conhecimento se enriquece a cada dia. como a de massa e a erudita. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. isto é. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. pelos mais variados grupos de pesquisadores.

Arista. Que abraça o caule. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Antera. com dois sexos. o ciclo reprodutivo e depois morre. folhas que envolvem o caule. no segundo. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Bainha. pelo lado interno. Hermafroditas. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Baga. Axilar.Glossário de termos botânicos. Bianual. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Andróginas. os estames. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Androceu. Aguda. Anual. Aquênio. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. . Excrescência da semente. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Fruto seco. indeiscente. Que fica na axila. Arilo. Amplexicaule. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Acuminada. Planta que nasce. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Alternas. com uma única semente. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa.

Diclamídea. Caduco. Corola. Elíptico.Bráctea. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Cápsula. Estilete. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo.: cana-de-açúcar. Crenada. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Ex. deiscente. Estipula. mas sempre terminando na mesma altura. Estandarte. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Que se abre. Didínomo. tornando-o alado. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Na forma de cunha. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Conjunto de pétalas. Pétala superior da corola papilionada. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. normalmente largo. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Conjunto de sépalas. Diz-se da flor. . Escapo. Cariopse. como o fruto das gramíneas. Planta trepadeira. Colmo. androceu ou planta que possui quatro estames. Carena. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Cuneiforme. Pedúnculo geralmente sem folhas. seco e indeiscente. Folha modificada que origina o gineceu. Drupa. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Qualquer órgão que cai em determinado período. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Decorrente. Corimbo. Decumbentes. Camada externa do pericarpo. Cada um dos apêndices. Carpelo. inseridas em um eixo comum. dois mais altos e dois mais baixos. Capítulo. Cálice. Endosperma. que é o verticilo externo da flor. Escandente. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. em geral dois. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Dicotiledôneas. Fruto monospérmico. Epicarpo. Com a forma de elipse. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Fruto seco. com função de proteção. Deiscente.

que é ramificada igualmente em forma de pincel.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. As flores podem ser dímeras. Filete. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. Flores. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. pentâmeras etc. que juntos constituem o perianto. o de corola. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Fasciculada. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. . complexas e variadas nas formas.Estômato. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Folha. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. As flores são estruturas de reprodução. e ao de pétalas. Parte do estame que sustenta a antera. trímeras.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.

as folhas podem ser pecioladas ou não.ou composta . recebendo o nome de folíolos (ou pinais). Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . às vezes numerosas.quando se compõem de duas ou mais lâminas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. ou com o próprio caule. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. às vezes reduzidas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. Nesses casos.quando consta somente uma lâmina . no caso das folhas compostas pinadas. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. .

Finalmente. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. Todas essas características. . as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. conforme se observa na figura a seguir. mais aquelas apresentadas para as flores.

Diz-se da folha que tem a forma de lança. Indeiscente. Folículo. Flor com apenas um invólucro no perianto. Fruto seco. Lígula. Orbicular. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. é constante para cada espécie vegetal. em linhas gerais. Lóculo. Que não se abre. Hirsuto. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. . Lâmina. os carpelos. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Gavinha. Monocotiledôneas. Gluma. Planta que produz flores unissexuais. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Porção alargada e achatada da folha. deiscente. Desprovido de pêlos. Inflorescência. Glabro. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. porém presentes na mesma planta.Folíolo. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Diz-se da folha em forma de círculo. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Infrutescência. As inflorescências podem ser de diversos tipos. mais longa que larga. Oblonga. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Planta ou flor com dois sexos. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Lanceolada. Provido de pêlos longos. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Lobado. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Gineceu. e as principais são motivadas na próxima figura. Monoclamídea. Monóica. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Hermafrodita. Metaclamídeos.

1978). .Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al..

Pecíolo. gálico. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Termos químicos Acetileno. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. isovalérico. Zigomorfa. Alcalóides. Pubescente. Ácido. Papilho. Perene. dispostas circularmente. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Planta ou órgão denso. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. dibásicos. o mesmo que cacho. mirístico. palmítico. aromáticos etc. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Conjunto formado por cálice e corola. Conjunto de estruturas com a mesma função. Ácido graxo. Racemo. Planta com ciclo de vida superior a três anos. gasoso. araquídico. Ráquis. Cálice modificado em pêlos. Que forma gancho. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Séssil. cerdas ou aristas. Qualquer substância de sabor ácido. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Estruturas com simetria bilateral. . Podem ser monobásicos. incolor. Substâncias orgânicas. característico da família Asteraceae (Compositae). Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Receptáculo. Ácidos orgânicos. Caule subterrâneo. linoléico. Hidrocarboneto não saturado. nitrogenadas de origem vegetal. Perianto. com cheiro desagradável. fórmico. Uncinada.Panícula. cujos pêlos se entrelaçam. Tomentoso. fenólico e tartárico. oléico. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Verticilo. esteárico. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Qualquer estrutura provida de pêlos. succínico. Exemplos: ácidos acético. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. cáprico. Rizoma. solúvel em água.

Uma das substâncias constituintes do amido. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Ver esteróides. tais como os hormônios. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. encontrado nos organismos vivos. Esterol. voláteis. eugenol e hidroquinonas. Flavonóides. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Carboidrato. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Catalase. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Betaínas. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. São corantes vegetais. Amilopectina. Aminoácidos. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. amarelos e roxos. Exemplos: carvacrol. . Aminas com fórmula de dois pólos deferentes.Alcoóis. originam as flavononas. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Esteróides. Fenóis. timol. vegetais e animais. Flavonas. estragol. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Exemplo: p-cimeno. com caráter gelatinoso. Compostos aromáticos. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Compostos alifáticos. Líquidos incolores. Compostos orgânicos não-cíclicos. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Cumarinas. como a quercetina. Cetonas. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. que exercem várias funções. Aldeído. Compostos naturais ou artificiais. Fitosterol. Ou hidrato de carbono. derivados do cicloperidrofenantreno. onde exerce importantes funções. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides.

sofrem hidrólise. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Líquido oleoso. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Peroxidase. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. derivados do fenilpropano. Glicosídeos. oxidando outros compostos. Hormônio secretado pelo pâncreas. Hidrocarboneto. Heterosídeo.Fosfolipídio. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Insaturados. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Compostos cíclicos. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Óleo essencial. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Peróxido. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Lipídios. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Mucilagens. Líquido incolor e aromático. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. . Hidrolato. Compostos cíclicos. Substâncias que. pela ação de ácidos diluídos. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Ligninas. recobrindo-as com uma camada protetora. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Insulina. geralmente de odor agradável. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Lignanas. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Glicídios. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Lactonas.

Que combate a eliminação de muco. Antifertilidade. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). calvície. Acne. Tumor maligno com disposição glandular. aglomeração. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Que aumenta ou excita o desejo sexual. Falta de menstruação. Que combate as convulsões (contrações violentas. que prende. Queda dos cabelos. Capaz de promover expulsão do feto. a sangue). Dor sufocante. involuntárias de músculos voluntários). Antigonorréico. Analgésico. Afrodisíaco. Afasia. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Adstringente. Angina. Que aperta. Expectorante. Adenocarcinoma. Antidiabético. Auticonvulsivante. Antidisentérico. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Agrupamento. que provoca constricção. Que reduz ou suprime a dor. Antibacteriano. violenta. Que combate fungos. podendo ser feminina ou masculina. Que suprime náuseas ou vômitos. Alopecia. Delírio. Agregação. Antiblenorrógico. de um músculo ou grupo de músculos). Alucinação. perda momentânea da razão. Antiespasmódico. às vezes. antigonorréico. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Que reduz a capacidade de reprodução. Anestésico. Antiescorbútico. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Antiemético. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Anticatarral. Amenorréia. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. ato ou efeito de desvariar. doença sexualmente transmissível. . especialmente táctil e dolorosa. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. que impede a formação de catarro.Termos médicos Abortivo. Anemia. Antifúngico. sufocação.

Antivenéreo. Antimicrobio. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate a histeria. Que combate helmintos. Anti-reumático. Béquico. Ataxia. em geral acompanhada por desordens na fala. febre paludosa ou palustre. Antileprótico. Que combate a formação de tumor maligno. Massa inorgânica anormal no organismo animal. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Anti-séptico ou Antisséptico. Antineoplásico. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). . Brônquios. nos rins e/ou na vesícula biliar. especialmente bactérias. Que impede a fermentação. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Estado de indiferença.no. Antitérmico. Anti-hemorroidal. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Antipruriginoso. Anti-sifilítico. Cálculo. Que combate a sífilis. putrefação ou contaminação microbiana. Que combate as inflamações. quase sempre transmitida por contato sexual. Antileucorréico. Que dilata os brônquios. Que combate tumores. falta de emoção. Que combate o corrimento vaginal simples. doença causada pelo Treponema pallidum. Que combate o reumatismo. Apatia. Antitumoral. Antinociceptivo. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Em geral se forma na bexiga. Broncodilatador. também chamada de paludismo.Anti-helmíntico. desinfetante. Antiinflamatório. Anorexia. formada por sais minerais. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Redução ou perda de apetite. Que faz baixar a temperatura. insensibilidade. que serve para o tratamento da tosse. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. inatividade. Anti-histérico. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Relativo à tosse. Que combate a lepra. Antivirótico. Antimalárico. Que combate as doenças provocadas por vírus. Que combate micróbios.

Que favorece ou provoca menstruação. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Emoliente. Prisão de ventre ou. Que limpa. que ativa a eliminação de bile. reduz a força.Carbúnculo. Emenagogo. Dificuldade na deglutição. Constipação. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. do estômago etc. Congestão. Dermatite. Edema. reduz a excitação. caracterizado visualmente pelo inchaço. Purgativo. Que favorece a secreção urinária. Depressor. Disfagia. estimulante da transpiração. também. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. que previne a invasão de microorganismos. Indigestão. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Que provoca vômito. Que favorece o fluxo biliar. Que desentope. Que deprime. Que alivia a distensão por gases. Dispnéia. Emético. Eczema. Que tem a propriedade de amolecer. gripe comum. Infecção por bactérias. . Que exerce efeito tônico sobre o coração. empachamento. Depurativo. Cicatrizante. do intestino. que separa substâncias nocivas. particularmente a pele inflamada e porções próximas. acompanhada de náuseas. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Sudorífico. Carminativo. libera a passagem de um vaso ou canal. sensação de peso ou queimação no estômago. Respiração difícil. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Colagogo. Dispepsia. purifica. Desobstruente. resfriado. Citotóxico. Desinfetante. gripe. crostas e secreção. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Cardiotônico. Diurético. Inflamação da pele. enfraquece. Catártico. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. dificuldade para respirar. Diaforético. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados.

com bradicardia (pulso lento. Fungicida. Relativo a hemostasia. Fitoterapia. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Fitoterápico. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Tóxico para as células do fígado. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Febrífugo. Que combate fungos. Hipoglicemiante. Que produz imobilidade emocional. pigmentação amarela generalizada da pele. Hiperglicemia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Hepático. com anemia. Que estimula ou provoca a ação. Ictericia. que leva à perda de atividade. Hepatócitos. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Flatulência. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Farmacoterápico. Relativo ao estômago. Que combate a febre. Células do fígado. assombro. deposição de bile nos tecidos. Glicosúria. Hipocolesterolêmico. espanto. O mesmo que arroto. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Hipertensor. Distensão por gases no intestino. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. que facilita as funções do estômago. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Derrame de bile no sangue. Excitante. . Estupefaciente. com vermelhidão. Capaz de promover estímulos. Fitofármaco. Estomáquico. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Hemostático. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Expectorante. que estanca hemorragia. Hidropisia. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Hepatotóxico. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. estado de irritação.Erisipela. Hipotensor. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. que melhora o funcionamento do fígado. Que aumenta a pressão sangüínea. Relativo ao fígado. Eructação. produz sono e alivia a dor (narcóticos). no estômago etc. Que baixa a pressão sangüínea. Estimulante.

purgativo fraco. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. dorso). Que alivia excitação. Lepra. Morféia. Estado que é tóxico ao rim. que acalma. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Sialagoga. Que mata ou destrói parasitas. o mesmo que laxante. Maleita. Midríase. droga que paralisa as funções do cérebro. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Mutagênico. Relativo a peito. afecção cutânea. que faz cessar inflamação. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Linfocitotóxico. Moluscicida. Parasitemia. Dilatação da pupila. importantes para a coagulação sangüínea. Lipemia. Que produz gordura. causado por gordura. Substância que mata insetos. Purgativo. Dor na região lombar (costas. Parasiticida. calmante. Incapacidade de reprodução. Inseticida. Nefrotoxicidade. Peitoral. Grau ou índice de parasitas no sangue. Plaquetas. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Laxativo. Excreção excessiva de urina. Malária. impaludismo. Lumbago. Que laxa ou afrouxa. Narcótico. . purgante. Que produz sono ou inconsciência. que apenas exonera o intestino. Sedativo. Corpúsculos sangüíneos. Lenitivo. Infertilidade. tranqüilizante. como no caso da esquistossomose). Tóxico para as células brancas do sangue. Lipogênico. produzindo sono e alívio da dor. Que adoça ou acalma. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Poliária. Que resolve.Impingem. Resolutivo.

Vulnerário. que facilita a saída de pus. Que produz pus. que acalma. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Teratogênese. Sinusite. Sudorífico. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. que restabelece o estado de saúde ou do órgão.Sialorréia. Que destrói ou afugenta vermes. Supirativo. Vesicante. Testículo. Tóxico para o zigoto. Zigotóxico. . Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Que provoca vesículas. Que tranqüiliza. Próprio para curar feridas. bolhas. Vermífugo. Tônico. Tranqüilizante. Salivação abundante. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Revigorante. Diaforético.

12. Um autor. L. 1986. ABDU-AGUYE. n. 1995a. p. ABDEL-KADER. incluindose volume. I. . dissertações e outras publicações do gênero.657-63.43. nos casos de única autoria. p. et a l j . Khim. n. 1995. nos casos em que há mais de dois autores. n.l69-71. p.23.3. N. ABDULLAEV. p. (Tashk).3. Prod. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. v. Não são apresentados os títulos dos trabalhos.871-2. et al.326-32. et al. Soedin. seguindo-se o título do congresso. v. R. Prir. v. • Quando se trata de livro. S.5. fascículo. n. 1986. p. os autores são citados como nos casos das revistas. 1997. v.38. ABDALA.4.. . Os dois autores. O mesmo se aplica a teses. n. nos casos de dupla autoria. 1985.1294-7. Human Toxicol. P Lilloa. ABE. v.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. F. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo).. Khim. apenas sua referência. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). p. Nat. Soedin (Tashk). .60.269-74.499-500. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. Biochemical Systematics and Ecology. Prir. SEELIGMANN. página inicial e página final e ano de publicação. n. 1995.2. M. n. D. página e ano. os autores são citados no texto. et al. p.7-8. simpósio ou similar.5.

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480. 467. 149-50 Amaranthaceae. 458-6 Achillea millefolium. 361 Andropogon leucostachys. 110 Annona tenuiflora. 339-40 Anacardium giganteum. 79 Aristolochia. 468-9. 450. 474. 386 Asteraceae. 316 Bidens bipinnatus. 376 Araliaceae. 68. 3512. 368 Arecaceae. 143 Acanthospermum australe. 377-78. 391 Allium cepa. 52. 475. 360 Anacardium occidentale. 475. 154 Alternanthera micrantha. 364 Apiales. 461 Ageratum conyzoides. 119 Aristolochiaceae. 381-5. 90 Apiaceae. 58. 111 Annonaceae. 75 Allium sativum. 449 Bixa arborea. 351-2 Averrhoa carambola. 351-2 Baccharis trimera. 223 Bixa orellana.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 90-3. 93. 487 Alismataceae. 113 Asclepiadaceae. 227-8. 62 Alternanthera brasiliana. 453. 140-1. 113-5. 69-74. 488 Bauhinia forficata. 202-4 . 42-3 Andropogon nardus. 77 Aloe vera. 480 Bignoniaceae. 96. 364 Apocynaceae. 65-6. 373 Averrhoa bilimbi. 201-2. 113 Aristolochiales. 67. 81 Arecidae. 468-9. 467-8. 79 Allamanda cathartica. 463-5 Asterales. 148 Anacardiaceae. 79 Alismatidae. 78 Alpiniajaponica. 56. 115 Aristolochia trilobata. 342-3. 465. 43 Annona muricata. 466 Adenocalyma alliaceum. 479. 102. 149. 345. 463 Asteridae. 65. 489 Bidens pilosa. 95-9. 340-3. 152. 65.

282-3. 298 Derris amazônica. 408-9. 231 Celastrales. 152-3. 190 Cucurbitapepo. 230-2. 210. 205. 481. 272 Clidemia novemnervia. 292 Caesalpiniaceae. 322 Clusiaceae. 302 Echinodorus grandiflorus. 331 Celosia argentea. 247. 49 Cymbosena roseuna. 298 Derris floribunda. 299 Dillenidae. 53-4 Coutoubea spicata. 398. 387 Gentianales. 280. 259 Hedychium coronarium. 318 Desmodium tortuossum. 237. 385 Hirtella. 170 Chenopodiaceae. 259 Commelinidae. 284 Hyptis crenata. 319 Dipsacales. 470.Bixaceae. 327 Cassia multijuga. 388 Croton cajucara. 281. 413-4. 145 Caryophyllus aromaticus. 292. 82-3 Fabaceae. 212-3. 297 Capparidaceae. 276 Fischeria cf. 411 Hibiscus furcellatus. indicus. 155-6 Caesalpinia ferrea. 471 Gomphrena globosa. 211. 154. 295. 286. 393 Cordia verbenacea. 287-8 Cassia reticulata. 276-7 Cajanus cf. 178 Cybianthus. 80. 287 Cassia occidentalis. 299. 224 Hibiscus sabdariffa. 236 Euterpe edulis. 225 Guttiferales. 165. 287 Cecropia peltata. 163-4 Chrysobalanaceae. 496 Caryophyllales. 296 Fabales. 163 Chenopodium ambrosioides. 496 Dipteryx odorata. 172 Boraginaceae. 171 Gossypium barbadense. 235 Cecropiaceae. 324. 54. 406 Brunfelsia grandiflora. 272. 308 Dipteryx punctata. 394-5 Ipomoea quamoclit. 179 Cucurbitaceae. 430. 231 Celastraceae. 44. 147 Caryophyllidae. 215. 266 Capparidales. 175 Diplotropis purpurea. 264-5 Cymbopogon citratus. 312 Ipomoea batatas. 236 Euphorbiales. 61 Heliotropium indicum. 41-2 Convolvulaceae. 150. 285. 402-3 Cactaceae. 490 Euphorbiaceae. 382-3. 365-9. 440 Costus spiralis. 206-7. 265 Caprifoliaceae. 407. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 315 Caesalpinia pulcherrima. 375 Gnaphalium purpureum. 46-7. 301-2. 386-7 Gentianaceae. 178-9. 279. 373 Eupatorium ayapana. 238 Cucumis anguria. 255 Croton sacaquinha. 83 Eryngium ekmanii. 213. 395 . 63 Heliconia. 201 Boerhavia difusa. 214 Himatanthus. 283. 151-2. 275 Hydrocotyle exigua. 207. 242. 185. 441 Inga spectabilis. 366-7 Hymenaea courbaryl. 379. mariana. 300.

425. 447 Polygalales. 426. 252. 120 Poaceae.120 Piperales. lhotzkyanum. 161 Ocimum basilicum. 181-2. 196 Monocotiledonae. 103 Myrocarpus frondosus. 244-6. 121-2 Pereskia grandifolia. 444 Mentha pulegium. 60 Myristicaceae. 332. 240-1 Magnoliidae. 427-8. 125. 336 Maytenus ilicifolia. 427. 420. 131. 443 Liliaceae. 321 Nyctaginaceae. 161-2 Portulaca pilosa. 415-6. 191-2. 445 Mimosaceae. 427. 442 Leucas martinicensis. 238-9. 139 Mentha piperita. 431. 126-7. 195 Mabea angustifolia. 106 Laurus nobilis. 134 Piper d. 137 . 184-9. 337 Polyscias. 136 Piperaceae. 254. 334-6 Melastomataceae. 156-7 Persea americana. 158-9. 128. 191 Lamiaceae. 369-72 Portulaca oleraceae. 419. 199 Passifloraceae. 251 Lacistema. 311 Momordica charantia. 422 Oxalidaceae. 125. 256 jatropha gossypifolia. 124. 432 Ocimum micranthum. 208 Malvaceae. 418 Mentha viridis. 204 Malvales. 229 Musa. 180. 87 Magnoliales. 262 Myrtaceae. 399-400. 122-3 Piper cernnum. 185. 495 Palicourea cf. laniflora. 427 Ocimum gratissimum. 416. 89 Malpiguiaceae. 123. 200 Maytenus aquifolium. 417. 167-9. 429. 121. 434-5 Lippia granais. 422-3. 64 Liliidae. 79 Moraceae. 412-3 Lamiales. 133 Piper gaudichaudianum. 402-5 Phytolacaceae. 198 Lacistemaceae. 250-1. 160. 221-2. 332. 323-4 Myrtales. 494-5 Passiflora coccinea. marcgravii. 130. 192-3. 108 Petiveria alliacea. 321 Menispermaceae. 64 Lippia alba. 451-2 Jatropha curcas. 241. 166 Piper cavalcantei. 337 Malva parviflora. 421. 424. 432 Ocimum canum. 107 Leguminosae. 277 Leonotis nepetaefolia. 389 Luffa cylindrica. 61 Musaceae. 135 Piper marginatum. 414. 446 Origanum vulgare. 419-20. 303 Myrsinaceae. 192 Pedaliaceae. 350 Palicourea cf. 425-6. 258 Physalis angulata.Jacaranda caroba. 435 Loganiaceae. 39. 453 Peperomia elongata. 173 Phyllanthus corcovadensis. 431. 493. 233 Muntingia calabura. 129. 158 Pothomorphe peltata. 64-5 Liliales. 42 Pogostemon patchouly. 239-40. 108 Persea gratíssima. 245. 406 Lauraceae. 432. 162 Portulacaceae. 132 Peperomia.

213. 51 Zinnia elegans. 226 Solanaceae. 230-1 Verbenaceae. 472. 197 Xylopia cf. 48. 325-9. 52 Zingiberales. 177-8 Virola surinamensis. 344. 345. 462 Ranunculales. 361 Sterculiaceae. 434 Violales. 491 Spondias purpurea. 262 Prunus domestica. 103-6 Vismia japurensis. 457-60. 473-4. 50 Sambucus nigra. 215-6. 227 Theobroma speciosa. 312. 338 Stigmaphyllon strigosum. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 478 Theobroma grandiflorum. 353 Saccharum officinarum. 273 Rosales. 94-5. 189. 221 Urena lobata. 412 Tagetes erecta. 457 Scrophulariales. 55. 393 Solanum paniculatum. 338 Strychnos triplinervia. 471 Sorocea bomplandii. 479. 326 Psydium guajava. 182 Sesamum indicum. 453-6 Sida rhombifolia. 482. 363 Rutaceae. 99. guineense. 127. 449 Sechium edule. 485. 218. 76 Sapindales. 379-85 Tiliaceae. frutescens.Pothomorphe umbellata. 320 . 397-8 Solanales. 51 Zinigiberidae. 484 Zollernia ilicifolia. 360 Scoparia dulcis. 322 Rosaceae. 139 Rhynchanthera grandiflora. 233-4 Spilanthes acmella. 349. 271 Rosidae. 269 Rubiaceae. 497-500 Sansevieria. 477. 339 Schinus terebenthifolius. 58 Zingiberaceae. 112 Zingiber officinale. 354-7. 474. 216 Stigmaphyllon fulgen. 330 Pyrostegia venusta. 350. 452. 400 Solanum tuberosum. 132. 101. 183. 409. 274 Psydium cf. 209 Urticales. 492 Rubiales. 138 Primulales. 228 Thevetia peruviana. 463 Scrophulariaceae. 45. 347. 217-9. 390 Symphytum officinale. 492 Ruta graveolens. 401 Solidago microglossa. 208-9.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Capa: tsabel Carballo . Campus de Botucatu.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. do Departamento de Fisiologia. do Departamento de Farmacologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. e Clélia Akiko Hiruma-Lima.

Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. .