Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). . pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

perda da fauna e da flora. entre outros -. alterações climáticas. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Nos últimos anos. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . a falta de propostas decorre de um dos dois. empobrecimento do solo. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. ou significam estratégias proibitivas. pois. Acreditamos que. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. comprometimento do abastecimento de água. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. conse- . Inúmeras discussões e propostas são realizadas. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. ou melhor. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. se propõe e se discute sobre o assunto. provavelmente. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. mas pouco se faz. que em sua maioria não resolvem o assunto.

fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. os pescadores do Vale do Ribeira. como os ribeirinhas da Amazônia. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. seus produtos e suas relações.quer sejam grupos definidos. regional. mas inclui ainda interesses econômicos. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. Consideramos. Essa relação. permitir grandes avanços na conservação. quer sejam comunidades tradicionais. portanto. Para tal.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente.qüentemente. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. priorizadas. Nesse aspecto. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. Nesse sentido. Dessa forma. atualmente. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. não se dá apenas visando à sobrevivência. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. os moradores da floresta . São eles que conhecem a floresta. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. entretanto. Por sua vez. São eles que podem. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. a contribuição deste . novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. sem dúvida alguma. como mais um produto para comercialização.

entretanto. Foi a partir de pesquisas que realizamos. em janeiro de 1999.livro é um começo. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. mais abrangente. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. No entanto. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. A equipe já não era a mesma. publicado originalmente em 1989. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. já que dez anos haviam se passado. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. como instituições determinantes para o avanço. cada qual havia tomado seu caminho. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. considerando os aspectos aqui referidos. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. na verdade. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . Dessa forma. Começamos o trabalho. conseqüentemente. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. Não custa lembrar e salientar. e também no de desenvolvimento. Passou da hora de a ciência e a política. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. pagando o preço de um trabalho mais social. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais.

pelo menos as mais citadas. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. farmacológicos. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. à medida que. a nova idéia não tinha mais como retornar. Index Medicus. químicos. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. incluindo fotos de algumas espécies. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. por um lado. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. No entanto. buscamos informações em diversos endereços. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica.proposta original. outro importante e singular ecossistema brasileiro. Estado de São Paulo. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. Por si só. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. Nessa nova etapa. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Chemical Abstracts).não . por outro. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. além dos desenhos apresentados inicialmente. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões .

Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. especificamente. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. não apenas catalogando espécies medicinais. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. durante todo esse período.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. A conservação dos ecossistemas tropicais. mais acessível que os artigos . especialmente os mais ameaçados. No entanto. passaram a representar uma nova alternativa . como é o caso da Amazônia e. que serão úteis.em artigos científicos e técnicos. hoje. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. mas as plantas medicinais. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. sempre foi uma preocupação constante. da Mata Atlântica. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. mas um novo trabalho. mas com um livro. Com essa nova concepção. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. sem dúvida.

reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. mas pouco realizado na prática. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. Nesse sentido. Finalmente.para a conservação dos ecossistemas. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. realizadas de forma racional e sustentável. municipais e federais) e não-governamentais. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . apesar de preliminar e pequena. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica.não pode ser apenas a retórica. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. Luiz Claudio Di Stasi . envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil.

pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Em primeiro lugar. evitando-se. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. desse modo. Em terceiro lugar. pretendeu-se. realizar um estudo etnofarmacológico regional.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. a nosso modo de ver. Em segundo lugar. o que. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. que esse conhecimento seja perdido. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais.

com os conhecimentos adquiridos. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Por outro lado. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. deve ter um componente social em seu escopo. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. que potencialmente es- . Finalmente. com as atividades deste trabalho. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. com a promoção de melhores condições de vida para a população. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. e que visa. Nesse contexto. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. além dos objetivos aqui expostos. da qual o próprio pesquisador faz parte. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. realizado no município de Humaitá. juntamente com o Prof. farmacologistas etc). mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. Em quarto lugar. Nesse contexto. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). consideramos que a ciência. pretendeu-se. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). químicos.natural. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Osvaldo Aulino da Silva. como qualquer outra atividade humana.

incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. que podemos denominar ecológico. tipo do solo. que se superando as dificuldades. no entanto. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. farmacologistas. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. essa área requer um enfoque novo. Acreditamos. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. pela sua característica multidisciplinar. estações do ano e outros). verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. clima. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. consideramos de grande importância colocar que. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). para que o conheci- . como seres vivos. antropólogos e químicos. estágio de desenvolvimento. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. além de engrandecer o trabalho. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. propiciou um imenso prazer. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. portanto é urgente a sua consideração. e nossa experiência é prova disso. No entanto. além de botânicos. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado.

além de tornarem possível este trabalho.mento tradicional seja devidamente resgatado. Luiz Claudio Di Stasi . Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. acrescentaram uma experiência rica. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. que. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final.

e. Observa-se. a grande maioria na região amazônica. Dessas. por fim. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. de um lado. mas os primeiros registros remontam a milênios. quando se constata. Ato II de Romeu e Julieta . O Brasil contribui com 120 mil espécies. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. portanto.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia.. (Cena III. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial.William Shakespeare. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. apesar disso..

chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. Profa. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Dra. como este que aqui se apresenta. Por último. Mas o passo foi dado. efeitos observados. a distância vencida. Quando dizemos criteriosos. e isso é o que importa. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. enfim. Levantamentos etnofarmacológicos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro.Campinas) . posologia.criteriosos. de outro. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos.

atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. Fearnside. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. No entanto. De fato. Dada a fragilidade desse equilíbrio. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. . a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. conforme aponta Philip M. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. Atualmente. A exploração madeireira. apesar da pobreza dos solos. que. no caso da Amazônia. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. provenientes da evapotranspiração. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação.

tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. De qualquer maneira.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. julgamos altamente preocupantes: por um lado. Plantas medicinais na Amazônia. Prof. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. fruto de um trabalho sério de pesquisa. ecológico e histórico. do ponto de vista social. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . por outro. desde o leigo ao mais especializado. riquíssima em espécies. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. Sinto-me. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. e. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. honrado em apresentar esta obra. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. portanto. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. coloca às mãos dos leitores. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças.Rio Claro) . Luiz Claudio Di Stasi. acarreta duas situações que. das quais poucas foram estudadas. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Somada a isso. Dr.

pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. sul do Estado do Amazonas. no Estado de São Paulo. resumidamente. no Amazonas. • Aldeia dos Tenharins. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. Vale do Ribeira. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Jacupiranga e Sete Barras. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. conforme descrito a seguir: .

Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. evitando-se. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Amazonas. No caso de material em fase de floração. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . assim. a coleta errada do material. Para materiais fora da fase de floração. cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Para as espécies da Amazônia. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Departamento de Botânica do Instituto de .Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença.

e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP .Biociências da UNESP .Santa Catarina. Itajaí .Botucatu.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Sites da Internet. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). para sua identificação. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Chemical Abstracts. Outras informações (agronômicas. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Index Medicus (Med-line).Rio Claro. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. . Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.

Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. com o tempo. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam.incluindo as monocotiledôneas medicinais. como havia sido feito na primeira edição deste livro. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. . Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae.

Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.incluindo as dicotiledôneas medicinais. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. dados ecológicos e distribuição.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. . incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. que compreendem uma descrição botânica. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.dados botânicos e outras informações (quando for o caso).• Parte II . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. . • Introdução sobre a família botânica ou.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . incluindo: .dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. as quais se subdividem em cinco seções: . Para cada capítulo. . Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. • Dados químicos. em vários casos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas.

Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. Instituto de Biociências de Botucatu. • Dados toxicológicos. UNESP. formatado e montado para a inclusão neste livro. . de vários tipos: . C. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. No final do livro. formatadas e montadas para inclusão no livro. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. além de uma extensa bibliografia atualizada. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. encontram-se um glossário de termos botânicos. . formatadas e montadas para inclusão no livro. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. . .• Dados farmacológicos.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

algumas delas descritas neste capítulo. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). A. M. Outras ordens botânicas como Juncales. Guimarães C. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Xyridaceae. . Mayacaceae e Commelinaceae. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. Hiruma-Lima E. C. M. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). pelo seu grande valor ornamental. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Santos L. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros.1 Commelinidae medicinais C. Typhales.

gêneros alimentícios como bebidas. que incluem vários gêneros. ferragem. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. do ponto de vista de espécies medicinais. • Centothecoideae. Zea. açúcar e óleos essenciais. como Sorghum do sorgo. . Arundinoideae e Chloridoideae. também denominada Gramineae. • Pooideae. A família é dividida em quarenta tribos. Os outros constituintes incluem alcalóides. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. flavonóides e terpenóides (Evans. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. Saccharum e outros.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. substâncias cianogênicas. • Panicoideae. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. Paspalum. que inclui alguns importantes gêneros. mas sem importância medicinal. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. Várias espécies possuem importância terapêutica. cujo representante principal é o arroz. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. que inclui os gêneros Secale e Avena. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Cymbopogon. ácidos fenólicos. é a mais importante. reunindo inúmeras utilidades. e o gênero Oryza. do famoso centeio e da aveia. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. subfamília que. saponinas. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). amido. respectivamente. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. açúcar e trigo. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus.A família Poaceae. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. principalmente Zea mays (milho). visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. 1996). Andropogon nardus.

também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Em outras regiões do país. os colmos são finos. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura.K. espiguetas sésseis e fruto cariopse. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos.B. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. os quais. a planta também é conhecida como Capim-membeca. por sua vez. Em outras regiões do país. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Andropogon nardus L. glabros e curvados. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1.5 m de altura. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. com folhas invaginadas bastante agudas.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. possuindo um grande número de ramos.

as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. sudoríficas e carminativas. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. folhas alternas.) Stapf. Capim-cheiroso. ásperas em ambas as faces.to. formigas e traças. Patchuli-falso. Sídró. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. compridas. Vervena. bainha larga e lígula na base do limbo. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. com nós e entrenós. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. lineares.1). Capim-marinho. rizoma semi-subterrâneo. Capim-sidró. Capim-cidreira. 1962). eretas. Cymbopogon citratus (DC. tais como flexuosus. problemas estomacais e febre. marginatus e validus. Erva-cidreira. Capim-cidrão. Capim-limão. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. . flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. com grande valor econômico. formando uma touceira robusta. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos.

como diurético. o suco do colmo da planta. a infusão das folhas é usada como antidiurético. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . 1982). Saccharum officinarum L. Cana. Matos & Das Graças. em Brasília. hermafroditas. 1986). planas. pequeno (Figura 1. lineares. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1982. no Pará. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. ásperas. reumatismo e febre. ápice agudo. dores de cabeça e disenteria. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. carminativo. 1980). dores de cabeça e dores musculares. simples. verde ou violácea. Na região da Mata Atlântica. gripes fortes.. 1 dísticas. fruto do tipo cariopse ovóide. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. contra gripes. simplesmente.Na região da Mata Atlântica. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. como calmante e antiálgico (Van den Berg. 1988). O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. articulado e um pouco mais grosso nos internós. duas vezes ao dia. folhas amplexicantes. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. no Rio Grande do Sul. espiguetas com flores pequenas. na forma de banho (Amorozo & Gély. cilíndrico. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. calmante e antiespasmódico (Barros.2). colmo arqueado na base. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia.. no Ceará. nervura central saliente e bainha espinescente. no Mato Grosso. 1980).

metil-heptenona. além de seus isômeros geralúal e neral. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. cetonas e alcoóis. 1986). limoneno.8-cineol. cariofileno. vários aldeídos. como citronelal. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. 1984). tuberculose. mentol..e b-pineno. chumbo e cobre. rachas dos seios. a. 1981). mirceno. laurato de etila. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. neral. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. erisipela. . felandreno. externamente. escarlatina. vômitos da gravidez (Corrêa. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. metil-heptenol. farnesol. 1997).. linalol. como o geraniol. contra resinados e anginas e. 1996). Ming et al. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. terpenos e dipenteno (Costa. envenenamento com arsênico. neral. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. citronelal. geraniol. cólera.diurético e contra hipotensão. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. isovaleraldeído e decilaldeído. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. internamente. contra úlceras da córnea.4%). 1996. 1997). 1. nerol. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). O óleo essencial de C. aftas. febres.

1988). O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. Pinho et al. e Di Stasi (1987).9%) e neral (33. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. no entanto. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. geranial (45. 1986. 1988). Com as folhas de C. anti-helmíntica (Jourdan. 1998). 1988). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. (1983) referem atividade antiespasmódica. Lorenzetti et al.. Os principais constituintes das folhas de C. toxicológico e clínico com essa espécie. 1988). 1989) e antioxidante (Lopes et al.. . citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 1990). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. O extrato metanólico de C. 1988). não observando propriedades de interesse terapêutico.. 1985). 1986 e 1987). enquanto Ferreira et al. relatam. 1997).Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al.... 1983 e 1989a). Di Stasi et al. Onawunmi & Ogunlana.. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1997) e o extrato de C.. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. mirceno (12. 1988) antimicrobiana (de Sá et al.. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. A atividade antibacteriana de C. 1986 e 1987. 1997). citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al.. analgésica (Viana et al. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. 2000.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. Onawunmi.8%). Onawunmi et al. 2002). 2002. 1995).... 1984.. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. 1996). citratus. (1985).

perda de postura. também conhecido como Capim-cidrão. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. visto o grande número de trabalhos com C. 1990). 1988). Foi isolado também o policosanol. sedação e defecação (Ferreira et al. ligninas e ácidos fenólicos. citratus. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. Dados toxicológicos O óleo de C. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. 1999). 1989). De S. um álcool alifático com alto peso molecular. Além de hipocolesterolêmico. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. ferúlico e sinápico (He & Terashima. citriodorus. 2000). e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al.. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. 1986a). Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. 1997. ataxia. . 1983). Hikino et al. ácidos p-coumárico. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. Menendez et al... Para a espécie Saccharum officinarum.. bradipnéia..

1 . . b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).FIGURA 1.

Saccharum officinarum. Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Banco de imagens ). .2 .FIGURA 1.

De todas essas famílias. Lowiaceae.2 Zingiberidae medicinais C. Cannaceae e Marantaceae. As espécies da família Bromeliaceae. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. M. M. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Guimarães C. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Tal uso não é comum na região amazônica. Zingiberaceae. A. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. . C. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). importante produto de comercialização. Santos E. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Hiruma-Lima L. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae.

Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. na qual se localizam os gêneros Zingiber. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. lâminas . que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. Costus e Hedychium. com folhas membranosas. algumas delas aqui descritas. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. Renealmia e Riedelia. e • Zingiberoideae. Alpinia. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. inclui 52 gêneros. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. com várias espécies medicinais. larga bainha na base que envolve o caule. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. nos quais estão distribuídas 1. descrita por Ivan Ivanovic Martinov.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Curcuma. Vindecaá e Vindicáa. destas. Além do valor medicinal das espécies dessa família. especialmente as famosas Canas-do-brejo.

elípticas. gineceu com ovário ínfero. contra sarampo. mas com algumas espécies em regiões tropicais.1). fruto capsular. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. . podendo chegar a até 1. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. espessas. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. hermafroditas e zigomorfas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. descrito por Carl Linnaeus. Costus spiralis Rosc. inclui 42 espécies tropicais. O gênero Costus. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. vistosas. entouceirada. flores em grupos com brácteas vistosas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. densas com flores brancas ou róseas. ápice agudo e base arredondada. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. contém inflorescências terminais. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso.5 m de altura. perianto distinto em cálice (claviforme.com 20 a 40 cm de comprimento. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. 1988).

Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. incluindo a espécie aqui descrita.2). de onde partem as folhas longas. sésseis. descrito por Johan Gerhard Koenig. a espécie é muito utilizada como ornamento. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. sendo de fácil multiplicação por touceiras. em Iguape é comum a denominação Napoleão. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. muito perfumadas (Figura 2. Lírio branco e Gengibre branco. as inflorescências são terminais com flores brancas. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. contra diarréias graves. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. na forma de infusão.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. O gênero Hedychium. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. especialmente de origem sifilítica. vistosas. Em razão de sua beleza. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. cilíndricas. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. grandes. A decocção de suas folhas. . lanceoladas e coriáceas. Hedychium coronarium Koen.

internamente. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. diarréias e como vomitiva. C. tosses. A espécie é reputada como estimulante. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. indigestão. contra náusea. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. 1995). de Gengibre. e. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. 1994). a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. além de diversos outros usos (Bown. mas especialmente na Ásia. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. onde a maioria das espécies é espontânea. gripes e para problemas circulatórios. sendo provavelmente o local de sua origem. mesmo no Vale do Ribeira. flatulência e eólicas. gripes. externamente. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. lanceoladas. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. . com uma lígula membranosa bífida. folhas alternas. A espécie é usada. carminativa com uso na dispepsia. contra reumatismo. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. lumbago e cólicas menstruais. cólicas. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. em todo o Brasil. com ampla distribuição. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve.

. (Xue et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. Da espécie A.6-dehidrokawaina. Os compostos isolados dos rizomas de A.-(17)12-labddieno-15. 1985a e 1985b.8cineol.6-dehidrokawaina. linalol.. galanolactona e (E)-8. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1988). japonica (Morita et al. speciosa e A. nutans (Mendonça et al. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1996). speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. 1987a e 1987f) e A. 1987c).. constituintes fenólicos em A. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. dihidro-5. e 5. galanga.. katsumadai (Okugawa et al. galanga (Mori et al.16-dial (Morita & Itokawa. 1987b).... isohanalpinona e alpinenona. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.. speciosa. Cinco compostos. Foram isolados dos rizomas de A. 1987)... De A. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . 1988). 1995). 1987).Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. nerolidol. taninos. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A... além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. Os principais constituintes dos frutos de A. 1988a). acetato de geranil. Os sesquiterpenos -eudesmol. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.. 1. intermedia (ltowaka et al. 1987). 1988). flavonóides em A. humulene... óleo essencial. galanga (Barik et al. 1987). Dos rizomas de A. 1990). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. galanga. 1987b).

Das sementes A. Três novos diarilheptanóides .calixina A e B e 3-epi-calixina B . E. potássio. flabellata (Kikuzaki et al. isohanalpinona. fenóis e alcalóides. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. C. densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1989). 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. De A.. trans-bergamoteno.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1997a). linalol. 1996). A análise fitoquímica de A. furopelargona B.-o1. katsumadai possui -pineno. 1988).. Do óleo essencial das sementes de A.. zerumbet (Xu et al. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al.. manganês. alpinenona. -ll(12)-eremofilen-10. Os frutos de A. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. sendo um novo. oxyphylla contêm neonotkatol. 1997b). blepharocalyx (Kadota et al. 1997). Além dos sesquiterpenos hanalpinol. fenchona e geraniol. 1994). intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos.foram isolados recentemente da espécie A. Cinco diarilheptanóides. além de óleos essenciais (Mendonça et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. sódio. 1990). aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al.. 1987). -sitosterol. B2.. l.. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. ferro. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. flavonóides (Luo et al..5heptanediona. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. chumbo. bornil acetato. pineno. daucosterol. intermedeol e -selineno (Itokawa et al... .. polyantha foram isolados. citronelol. magnésio. furopelargona A. hanalpinol peróxido. 1987d). geraniol. mirceno. O óleo essencial das folhas e caules de A. terpineol e 1. yakuchinona B. 1997). hanalpinona.. 1992). 1997a).7-difenil-3. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A.. Das partes aéreas de A.. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown.. cálcio. Dos rizomas de A.. 1997b) e quercetina (Wang et al. zinco. felandreno. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. 1990). 1. sesquifelandreno e zingibereno. decanol. além das vitaminas B1. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. As sementes possuem mirceno. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. isohanalpinol e aokumanol.8-cineol. conchigera (Athmaprasangsa et al.8-cineol (Lai et al. 1999). yakuchinona A. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. 1989).

1989). revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. Constituintes isolados de A. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. japonica e A. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1976) e A. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. bloqueio neuromuscular. oxyphylla (Kyung-Soo et al. Lin et al. 1999. Estudos com a espécie A. sendo antiulcerogênica (Wang et al.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. 1988). O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. que é um derivado do gingerol. 1988. e seu óleo. 1996). é usada na culinária. inibição da musculatura lisa. 1972). Sesquiterpenos isolados de A. 1997). Mendonça et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. indicando . 1986). assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1996). A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. galanga (Janssen & Schefter. além de medicinal. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. 1987c) e A. 1994). 2000). A erva. galanga (Itokawa et al. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1985). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. 1988b). speciosa. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. A espécie A. 1999). na perfumaria. 1996). 1987).

. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A... 1988). speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. 1987c). oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. 1987c) e A. anticonvulsivante (Maia et al. Moraes et al. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. Mendonça et al... que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. 1994).. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. O composto dihidro-5. Dos rizomas de A. 1998). Geraniol e isotimol isolados de A. . 2002) e antigenotóxico (Heo et al. 1988b). ArnaudBatista et al. 1988a. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. O extrato acetônico de A. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. O terpinen-4-ol. também isolado do óleo essencial. antifúngica (Lima et al. 1996). 1992). 2001). O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. O óleo essencial de A. officinarum (Kiuchi et al. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1994). 2002). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1982. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 1996) e antiproliferativo (Ali et al... Do óleo essencial das folhas de A. 1996). 1990). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.6-dehidrokawaina isolado de A. Os rizomas de A. Mendonça et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 1989). Os diarilheptanóides isolados de A. 2001). 1993) e antimicrobiana (Sá et al. 1988). galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. galanga (Itokawa et al. 1990). speciosa. Compostos isolados dos rizomas de A.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al.... 1982). oxyphylla (Chun et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. Estudos com a espécie A. 1992).. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles.. 1992).. 1988. 1998.

A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. .. A espécie H. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. 2000). 2001. 1999). galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.... 2002).A atividade antiinflamatória de A.. 2000). Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al.. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2000).. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 2002). 1992). De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. Surh.. 1988b). 1999). Musa e Heliconia. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. relatadas a seguir.... Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. 2000) e H. hipocinese. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. speciosa produziu excitação psicomotora. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. contorções. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al.

minúsculas e duras. folhas longas. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. laminares de grande comprimento.5 m de altura. . A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. com pseudocaule ereto e cilíndrico. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. com bainhas grandes. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura.. com folhas longo-pecioladas. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. oblongas e inteiras. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. O fruto da espécie não é usado como alimento. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento.

tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. .Alpinia japonica.1 . mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). flores reunidas em espigas. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). dando um pequeno fruto que também é comestível. mas com 25% do comprimento e da largura.podendo atingir até 2 m. FIGURA 2. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. onde é amplamente cultivada como ornamento.

Hedychium coronarium. .2 . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2.

3 Liliidae medicinais L. família Liliaceae. Di Stasi F. Alliaceae e Amaryllidaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. N. Gonzalez L. A. Asparagales. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Dioscoreales. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Liliales e Orchidales). como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. G. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. especialmente na ordem Liliales. Dioscoreaceae. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. ordem Orchidales. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. C. Velloziaceae e Iridaceae. principal. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. família Liliaceae. Velloziales. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Seito C.

grande fonte de espécies dessa família. Narcissus e Veratrum. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. A primeira. Lillium. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. esse da importante Babosa (Aloe vera). duas espécies de grande valor econômico e medicinal. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Outro gênero importante é Aloe. A segunda. Tulipa.e Liliaceae. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação.950 espécies vegetais. Convallaria. Colchicum e Drimia. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. Trilium. . 1997). a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. ambas de valor econômico incomensurável. pelo grande número de espécies ornamentais. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. dos quais devemos destacar o gênero Allium. como é o caso da cebola e do alho. que passamos a descrever. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). especialmente do gênero Iris. Alloe. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história.

capsular. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . C. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. flores brancas ou avermelhadas. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. inclusos e envolvidos por fina membrana. obtida comercialmente. em geral seco. são utilizados de várias formas.1). Era citado pelos babilônios no ano 3. na forma de umbela pedunculada. a maioria é cultivada. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. Nas comunidades do Vale do Ribeira. que se mesclam com os bolbilhos. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil.Espécies medicinais Allium sativum L. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. folhas lineares. 1995). especialmente em crianças. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura.000 a. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. loculicida (Figura 3. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. ao passo que a infusão é usada contra gripes. fruto. os bulbos dessa espécie. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. tosse e também contra hipertensão. sésseis.

anual. diurético. Dados botânicos Erva bulbosa.queca. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. ao passo que a infusão das cas- . em afecções nervosas. dispostas em umbela. 1984). tosse com expectoração. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. reumáticas e paralíticas (Corrêa. antiasmático. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. Trata-se de uma espécie com usos históricos. especialmente acne e micoses. carminativo e vermífugo. folhas radicais ocas e compridas. com inúmeras variedades e subtipos. como referido para o Alho. bronquite. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. arteriosclerose. 1982). histéricas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. febrífugo. além do uso como condimento. o uso externo. agudas. flores hermafroditas regulares esverdeadas. subgloboso. poderoso anti-séptico das vias digestivas. a espécie inclui vários usos medicinais. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. digestivo. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. os bulbos são usados na hipotensão. também são utilizados como sudorífico. 1988). Em Minas Gerais. tosse. gastroenterite e disenteria. com bulbo grande e solitário. rouquidão. carnoso e com casca fina amarelo-parda. ateromatose. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. todos usados e comercializados como alimento e condimento. 1992). e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. Em outras regiões do Brasil. para problemas da pele. resfriados. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. No Pará.

sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. é considerado excelente contra úlceras. A manipulação dessa planta no preparo de loções. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. O uso interno de um macerado em água fria. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Na região amazônica. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. dores e infecções da pele. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. reunidas na forma de rosetas em sua base. internamente. folhas suculentas. onde se adaptou em quase todas as regiões do país.2). A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. descansado por 24 horas na geladeira. podendo atingir até 1 m de altura. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. ao passo que as folhas frescas. externamente. densas.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. usadas externamente. como cicatrizante. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. para acne. as flores são tubuladas. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. lanceoladas. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. externo. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. são úteis contra edemas. Dados botânicos Planta perene e suculenta. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. Aloe vera L. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. . sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito.

. Nos bulbos também foram encontrados aliina. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. Além disso. 1997). aloe barbendol foram isoladas das raízes A. (B8) e P.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. et al. barbadensis (Saleen et al. 1992). catártico e febrífugo. sativum... Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. holosídeos. desoxialiina. . além de evitar queda de cabelo. vários heterosídeos sulfurados. saponinas esteroidais (Peng et al. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 1979). Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. 1997). além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. isobarboloina (Kuzuya et al. aliinase que origina a alicina. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida.. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. 1997). 1995). 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. 1991). 1999). C. Da espécie A. 2000). 1995). sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. vitaminas A. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. barboloina. proteínas e fermentos (Costa. relatando ainda que as folhas são purgativas. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl... Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. A antro-cenona.. 1968). 1993). 1986). obtidos de A. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. exigindo-se cuidado na utilização. B. 1990). a polpa é emoliente e resolutiva. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al.. alil e alil-propil. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. Prostaglandinas A. fitosterinas. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G..

. Em animais com carciriogênese bucal o A. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie.. antibiótica. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. 2002). fibrinolítica. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. hipocoleste. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. 1987. 2000). demonstrou que os compostos de A. Esse mesmo efeito foi detectado . O estudo comparativo in vitro. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. Augusti & Sheela.. 1996). Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. 1995. Nerkar et al.. Hikino et al. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio.. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. 1981. Além dessa classe de compostos. entre outras ações que serão discutidas a seguir. Entretanto.. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. Kwon et al. 1992). estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo.. in vitro (Sheela et al. cicloxigenase.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. No entanto. isolado de Allium sativum Linn. Por sua vez. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. rolêmica. 1991).

Sovova et al. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1997. além de atuar como ... 1995). fosfatase ácida. Khan et al. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente... Dababneh & Aldelamy. 1983) obtidos a partir dessa espécie. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos... compostos fenólicos (Patel et al.. contra Helicobacter pylori. sativum apresentou também atividade antibacteriana. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. 1985). 1992). O óleo de A. 2002) contra Staphylococcus aureus. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. Singh & Shukla. Rees et al. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. O sulfóxido de S-alilcisteína. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. Guevara et al. 1993) e aquosos (Sato et al. enquanto a associação dessa dose com 4. 1993). precursor da alicina e obtido do alho. 1984. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. 1996). O estudo realizado por Celini et al. 2001). 1980). 1984.. O extrato de A. 1985. Mossa...5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al.. 1983. in vitro. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. 1982. 1994). Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1981.

1994). Kamanna & Shandras-Wkhara. e não as substâncias isoladas. Essas propriedades farmacológicas. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. (1986).agente anticercaricida. Os resultados obtidos por Sendl et al. Boelter et al. 1993). metil-ajoeno. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. alicina e sulfeto de dialila.. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Extratos preparados com acetona/clorofórmio. 2001). 1986) e brutos (Rees et al. 1996). Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. cepa (Dorsch et al„ 1985). 1978. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1984. 1993). (1985). assim como substâncias isoladas do alho. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. 1980. assim como as respectivas substâncias isoladas. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. (1992). (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. 1978). 1992). 1980. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. Sandhu et al. no entanto. no entanto. Mohammad & Woodwara (1986). sem. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer.... Block et al. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Adetumbi et al. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. 1978. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia.. 1993). 1993).. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. inibem a síntese de colesterol. Rotzsch et al. 1995b).

I... (1992) com o composto ajoeno. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. 1993). principal componente antiplaquetário do alho. A. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. tais como a histamina (Usui & Susuki. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. sua condutância. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. Ribeiro et al. 1996). Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. (1987).. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1996). sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. sativum (Kweon et al. 1996). atividade diurética. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. como radioproteção (Reeve et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. Foushee et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. enquanto Pantoja et al. 1990). Essa mesma planta reduziu a concentração . 12. 1996).sos de bulbos de alho fresco (5. também. Por sua vez.5. assim como a reação de liberação induzida por agonistas.. et al. 1991). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.. 1993). de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais... Estudos realizados por Apitz-Castro et al. (1982). E. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. et al.. M. (1986b). 1997). diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1996). 1991). 1986a). 1993b).. natriurética e hipotensora em cão.

sativum L. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. 1996). O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. 1991). estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. ela é um excelente cicatrizante (Costa. 1993). I... Ko & Son. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. 1995). E a mistura de A. Para a espécie Aloe vera. Resultados similares foram obtidos por Imai et al.. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. in vitro. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al.. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. Allium sativum. . promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al.. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. (1994). 1993).sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. sativum ou A.. 1992. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. Chithra et al. um preparado à base de Curcuma longa. Além disso. conseqüentemente.... 1993). a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. 1990). cepa com A. 1994). et al. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. (1996). que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. 1992). Lipotab.. Extrato aquoso de A. 1993. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. 1995). Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al.

1996.. 1997). estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 2001). Saleem et al.. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al.. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 2000). 1994). 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. 1995). aumento na contagem de espermatozóides. que inclui algumas espécies popu- . 1997). A atividade antiinflamatória de A. Entretanto. contudo. vera e hipotensora de A.. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. Essa família possui pequena importância no Brasil. As folhas de A. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.1998). relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. em camundongos.. 2001).. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. esses dados referem-se. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.. 1991)...

. pontiagudas e com manchas brancas. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. no entanto. contra problemas hepáticos... 1987). cilíndricas.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Das . possui folhas carnosas. e o Agave. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. 1996 e 1997b). brancas. flores pequenas. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. saponinas esteroidais (Mimaki et al. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. No entanto. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. 1996). Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. longas. na região amazônica. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras.

cylindrica foram isolados lipídios. 1982). saponinas. além de carboidratos. 1998) (Banco de imagens ).Allium sativum.. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al.folhas de S.1 . 1996).. pigmentos. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. Das folhas de S. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . 1997). FIGURA 3.. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al.. 1986). .em Joly.

.FIGURA 3.2 .Aloe vera. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).

Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. de pouco interesse para nosso estudo.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Di Stasi A. As duas espécies. ainda não discutidas neste livro. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. esta segunda com uma única família. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. S. portanto. Mariot M. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. C. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. Triuridaceae.

1). Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. coriáceas.mico. ovadas. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. também denominada Arecaceae. 1997). vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. com caule triangular e glabro. espécie de grande valor econômico. flores brancas. essa segunda inclui apenas a família Palmae. folhas pecioladas. grandes e eretas. Aguapé. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. latescentes com lâmina foliar grande. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. rizoma grosso e carnoso. Inclui ervas perenais. e Sagittaria. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. A espécie possui as variedades floribundus. muitas aquáticas ou brejosas. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. numerosas. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. contendo vasos apenas nas raízes. freqüentemente .

como sedativo. bem como gripes e resfriados. raramente trepadeiras. . sífilis. e como anti-helmíntico. também denominada Arecaceae. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. como ornamentais.. útil ainda contra artrites. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. muitas delas usadas como medicinais. Incluem árvores ou arbustos.consideradas outra espécie. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. nas costas. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. moléstias da pele e do fígado.650 espécies tropicais (Mabberley. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. especialmente contra dores de cabeça. 1997). e outras. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. tônica e diurética. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. 2000). com folhas terminais. de barriga. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. reumatismo. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2.

e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. 1998). que incluem a piaçava e a ráfia. conseqüentemente. macrophyllus (Shigemori et al. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . Cocos.A família está subdividida em seis subfamílias. 2000a e 2000b). importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. outras são importantes como medicamento. amplamente conhecido na Mata Atlântica. como é o caso da Areca catechu. amplamente conhecida na região amazônica. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. como é o caso de várias palmeiras. e o açaí. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. do famoso coqueiro da Bahia. 2002. com folhas pinadas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. Espécies medicinais Euterpe edulis M. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Destaca-se o gênero Euterpe. Kobayashi et al. como é denominada a outra espécie do gênero. chegando até 25 m de altura. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E... respectivamente do babaçu e da carnaúba. especialmente da Mata Atlântica. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. do jerivá (Joly. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. e o Arecastrum. que inclui o famoso palmiteiro. Tratase de uma família de grande valor econômico e.

como antídoto para picada de cobras. internamente. o suco do caule é usado. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo.nhas. FIGURA 4. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. 1998) (Banco de imagens). .1 . Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. não fosse a intensa exploração da espécie. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. externamente. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

C. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. Na família Monimiaceae. Guimarães C. Hiruma-Lima E. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Annonaceae. tais como Magnoliaceae. são importantes como ornamentos. do famoso Boldo. Outras famílias dessa ordem também são importantes. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Santos L. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. Na família Chloranthaceae. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. M. tais como as Magnoliaceae. Myristicaceae e Lauraceae. M. mas deve ser destacado o gênero Peumus.5 Magnoliales medicinais C. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. da qual inúmeras espécies de grande valor . amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. A. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. inúmeros gêneros são importantes. inúmeras espécies são medicinais.

Annona cherimolia. Xylopia. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. A família inclui árvores. Annona tenuiflora e Annona squamosa. 1997) e subtropicais. Uvaria. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Cabeça-de-negro. os gêneros mais comuns são Annona. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. e Monodoroideae. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Artabotrys. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. arbustos e lianas. Guatteria. espalhadas por todo o planeta. No Brasil. . Cryptocarya. Annona reticulata.150 espécies tropicais (Mabberley. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. 1997). Annona coriacea. Laurus e Sassafras. que inclui os gêneros Annona. Aniba e Nectandra. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Cinnamomum. e ainda outras importantes como alimento. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. Graviola e outros. Xylopia e Rollinia. como Aniba. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Pinha. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. que inclui nosso Abacateiro.

espessa com saliências cônicas. inflorescência cauliflora. as folhas são alternas. cordadas na base e acuminadas no ápice. tais como Araticum. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. no entanto. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. alcançando até 30 cm de comprimento. . mole e recurvado. com epiderme verde-escura. ovadas ou elípticooblongas. Araticum-de-paca. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. com cálice de lobos triangulares e agudos. alcançando até 15 cm de comprimento. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. no entanto vários sinônimos são usados. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. fruto do tipo baga irregular. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. Araticum-ponhê. flores axilares. que apresentamos a seguir. sucosa. Espécies medicinais Annona muricata L. latescente. Coração-de-rainha e Nona. com um espinho central. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. polpa branca. 1998). O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. que são muito apreciados.1). com um tronco revestido por casca aromática.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. amareladas. pecioladas. Várias espécies. subglobosas. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. Iriticum. Araticum-punhê.

O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. 1984). enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. os brotos e as folhas são usados como béquicas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. antiespasmódicas e antidisentéricas. combatem reumatismo e abcessos. mole e branca. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. antiespasmódicas e hipotensivas. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . com importante uso potencial na fabricação de papel. para baixar febres. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. peitorais. O fruto. especialmente na produção de sucos. diurético e no combate a insônias leves.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. sorvetes e geléias (Corrêa. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. As folhas e raízes são consideradas sedativas. a planta fornece madeira. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. por sua vez. dores de cabeça e como emagrecedor. onde se tornou subespontânea. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. referidos a seguir. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. 1984). Além dos usos medicinais da espécie. tem grande valor como alimento. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. podendo também ser usada na arborização urbana. sendo depois levada para outras regiões do planeta. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. as flores. especialmente lombrigas. usadas topicamente. Em outras regiões do Brasil. as folhas cozidas. 1984). Na Amazônia.

as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. asma. . Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. no processo de pesca. a fruta e seu suco são usados contra febre. 1993). 1986). impedindo-lhes a identificação correta. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. Annona tenuiflora Mart. Na Índia.. Nas Guianas. Ayensu. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. diarréia e como lactagogo. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. contra diversos parasitas (de Feo. onde é usada contra tosses. é usado externamente para neuralgia. De acordo com os mesmos autores. 1978. as folhas e a casca da árvore. tosse. 1990). que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. as raízes e folhas. 1992). Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum.mas do fígado. o chá das folhas é utilizada para catarro. Weninger et al. inseticidas. gripe. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. parasitas. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. na forma de chá. foram referidas espécies desse gênero. contra diabetes. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. 1962). No Peru. no entanto.. 1955. Na Jamaica e no Haiti. especialmente na África. as sementes. 1987). Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. enquanto o óleo das folhas. e as sementes. as cascas e folhas. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. Esse uso. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. 1962). como antiespasmódico. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. espasmos e febres.

a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. com duas a seis sementes (Figura 5. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Pau-de-imbira. deiscente. Jejerecu. Pindaíba-branca. O gênero Xylopia. muitas das quais usadas na medicina popular. frutescens Aubl. Em outras regiões do Norte do Brasil. oblongolanceoladas. tronco ereto e cilíndrico. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. Envira. Coajerucu. aromática. folhas ovado-oblongas. simples. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. onde parte deste estudo foi realizada. Pindaúba. Pindaúva. Pindaíba. sul do Amazonas. Envira-preta. sem estipulas. Malagueta e Banana-de-macaco. fruto do tipo baga ovóide. Ibira. folhas alternas. simplesmente. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Coagerucu. Pijerucu. agudas no ápice. lineares.2). Nomes populares A espécie é denominada. e copa alongada. tonturas e hipotensão. coriáceas. cálice gamossépalo. também descrito por Carl Linnaeus. na região amazônica. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. curto-pecioladas. Breu branco ou. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Xylopia cf. pétalas lineares. com casca fibrosa. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. Breu.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. hermafroditas. . vermelho. alternas e ápice cuspidado. alcançando até 8 m de altura. Jejerecou. Coaguerecou. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Jegerecu.3).

incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. na forma de inalação. são usadas como estimulantes da bexiga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. própria para uso em carpintaria. . A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. 1998). Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. Na região amazônica da Colômbia.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. ao passo que a decocção da casca é usada. 1984). Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. folhas e. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. como digestivo e são úteis contra catarro. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. Além dos usos medicinais descritos a seguir. perenifólia e pioneira. como cabos de instrumentos e varas de pesca. raízes. especialmente. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. 1984). sendo uma espécie heliófita. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. As sementes. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. para combater resfriados e dores de cabeça. sementes de espécies da família Annonaceae. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. também aromáticas.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas.

I. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. denominada corepoxilona. cis-annomontacina (Liaw et al. anomutacina 1. 1994).. No entanto. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al.. 1995b). 1991). 1994a e 1994c).. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 1995e). anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes.. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona.. 1995c). muricatetrocina A e B. hoviicina A. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. e que são importantes representantes da flora brasileira. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. neo-anonacina-10-ona. muricatocina C e gigantetronenina. muricina H. murihexocina A e B (Zeng et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B).... 1993). iso-neoanonacina-10ona. . 2 e 3 (Wu et al.. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. epomuricenina A e B (Roblot et al. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. anonacina-10-ona. enquanto Gromek et al. 1995a). 1991b). também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al.São ácidos graxos modificados.. Anomuricina A e B. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. Recentemente. 2002). (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. especialmente como citotóxicas. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. 1995b). A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto.. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al.. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas.

. 1996).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.. isoquerimolina 1. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. muricata e A. reticulacinona (Hisham et al.. esquamona. 1991). anomontacina em Annona montana (Jossang et al. 1993b). esquamosinina A (Yang et al. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. cherimolia. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. itrabina. 1996). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. bulatanocina. 1994). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. molvizarina e motrilina (Cortes et al. 32-hidroxibulatacina. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas.. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1991a e 1991c). solamina.. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al.. 1995) em Annona bullata. 1993). anogaleno (Sahpaz et al. 1993b). 1995). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1994). 1994a). 1994c) neodesacetiluvaricina. Das sementes da mesma espécie. Cortes et al.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal.. 31-hidroxibulatacina. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1994). 1994a e 1994b). Sahai et al. jeteína.... 1994b). 1991). incluindo A. 1995a). 1993). três uvariamicinas. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. cis. C e D (Fujimoto et al.. B. anoreticuína-9-ona. esquamosteno A (Araya et al... isomolvizuína 2. 1962)... esquamostanal A (Araya et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. 30-hidroxibulatacina. squamocina e almunequina (Duret et al.. 1995).. além de esquamocina e esquamostatina A. tais como reticulatina (Saad et al.. Das semen- .. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae... 1994b). bulatencina. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. 1992).

X.. 1976). bullafa (Kutschabsky et al. enquanto três amidas ácidas. 1979. montana (Wu et al. Y. purpurea (Castro et al. 1985) e A. frutos de A. 1995e). 1982a e 1982b. 1978). michelalbina. Inúmeros compostos terpenóides. 1986) e A. 1991). squamosa (Wu... 1978). 1994). et al.. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. como constituintes predominantes. anolatina. squamosa (Leboeuf et al.. reticulina. brasilienses (Casagrande & Merotti. uma lignana ((-)-siringaresinol).. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. A. enquanto diterpenos foram descritos em A. Barbosa Filho et al. 1970) e X.. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. isoboldina e outros foram isolados de A.. cherimolia (Yang et al. A. oxouxinsunina. squamosa (Silveira et al. 1994). 1976). argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. cherimolia (Villar et al. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.. 1988). squamosa (Setharaman. 1987). 1962). 1986). anonaína. enquanto os alcalóides anonaína. 1991). 1979.. X. aromatica (Rios et al.. Flavonóides foram descritos em A. 1992. Martins et al. ambotay (Carazza et al.. foram isolados do fruto de Annona muricata . Wu et al. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1993). de A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. laureliptina. 1994). Mukhopadhyay et al.... Alcalóides conhecidos como anoretina. A.. 1986)... anolobina e asimilobina foram isolados de A..tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. salzmannii (Paulo et al. 1996). um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. A.. 1984).. 1981). C. 1989. ambotay (Oliveira et al. Monoterpenos foram isolados de A. Yang & Chen. reticulina. cacans (Saito & Alvarenga. squamosa (Krishna Rao et al. 1993) e sesquiterpenos em A.

uma acetogenina isolada de A. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. muricata. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al.. 1991)... corosolona 1 e corosolina 2. a raiz. 1993. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. 1991.. 1991). 1993.. Ngouela et al. enquanto extratos de folhas. 1991). A espécie Annona muricata possui. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. Acetogeninas isoladas sementes de A. 1990).(Wong & Khoo. 1962). Anomutacina 1. 1991). 1988.. antiespasmódica. Di Stasi. 1995e).. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. Vilegas et al. obtidas de Annona muricata. 1979.. X. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. De Xylopia frutescens. Heinrich et al. vasodilatadora.. 1995. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. 1995b). Gbeassor et al.. 1979). 1979). possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. 1925 e 1932). mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1996. . cherimolia foram ativas contra alguns parasitas.. 1993). a casca. 1941. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Lopez Abraham. 1998). apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. muricata e de A.. Bourne & Egbe. acetogenina isolada de Annona muricata.. X. 1940). assim como outras espécies do gênero. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. brasiliensis e X. aromatica.. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al.. 1992. Carbajal et al. 1987). Misas et al. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque... também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. Solanina. 1991b).

. Y. anonaína. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. 1980). respectivamente. squamosa. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. 1995a). produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. enquanto alcalóides isolados de A. oxoxilopina. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. 1993). coridina. 1993b e 1994b.. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. cherimolia (Cortes et al. anoreticuína9-ona. Esteróides de A. isolados de A. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. . oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. Chang et al. (1995b). 1991. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. enquanto os alcalóides liriodenina... galucina. 1987) e A. 1994). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. Os alcalóides isolados de A. reticulatina. 1980). reticulina. enquanto os alcalóides de A... reticulina.. montana (Wu et al. et al. 1992). cherimolia (Villan del Fresno et al. 1993). 1992)... 1991). 1991c e 1991a).. montana (Wu et al. 1988b e 1988a). norcoridina.. 1995). solamina. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A.. esquamona. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. asimilobina.. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. bulatanocina. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. 1991. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. salzmannii. Cortes et al..Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona... salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. 1993b). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. Hui et al. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al.. 1993) e várias outras (Jossang et al. C.

que determinaram efeito depressor do SNC. et al. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. Das cascas de X. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. parassimpatomimética de A. 1996). A atividade inseticida do extrato etanólico de A. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. O extrato etanólico da raiz de X.. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico.. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al.1983). F. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). 1993).. E. Extratos preparados também com A. 1998). senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. Rao et al. 1990. enquanto o extrato etanólico de A. A... Silva... além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. coriaceae (Souza et al.. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.... L. Trypanossoma brucei. foi caracterizada a . Martins et al. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). 2001). Extratos metanólicos de A. 1979). 1999). 1994). 1979. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. aromatica foi isolada atherospermidina. discreta. 1996). 1998). senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. et al. donovani. Do extrato etanólico das folhas de X.. que apresentou atividade citotóxica. Oliveira et al. Anopheles stephensi (Saxena et al. A. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. atividade anticonvulsivante e analgésica.. 1994). potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. 1996. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. entre outras. 1989. squamosa. 1975).. fungitóxica. frutescens não apresentou atividade moluscicida. como acido caurenóico. Extratos etanólicos de sementes de A. 1993).

anti-helmíntico e citotóxica. 2002).. Em Guadalupe. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. E da espécie X. 1962). squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz.. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. muricata e A. especialmente em uso crônico. 1996 e 1997). 1999). Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas.. .. Os diterpenos caurenoicos presentes em X.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. (1988) para a espécie Annona muricata. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. como inseticida. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. 1988c). 2001).

contendo ramos carregados de folhas . Sucuba. 1997). que possuem importância do ponto de vista econômico. e também como Leite-de-mucuiba. como a Noz-moscada (Myristica). porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. e espécies do gênero Virola. como Myristica. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Ucuuba cheirosa. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). No Brasil. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Árvore-do-sebo. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Virola. Espécies medicinais Virola surinamensis L. podendo chegar a até 35 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Sucuuba. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Horsfieldia e Knema. Nozmoscada e Ucuuba-branca. 1996).Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Essa família inclui gêneros importantes. Bicuíba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Neste levantamento. usada como condimento.

1995). O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas... 1989. chegando até Pernambuco. É uma planta perenifólia. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. 2000). Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. V surinamensis (Lopes et al. pavonis (Marques et al.. 1991 e 1992). O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. 1996). Espécie de ocorrência na Amazônia. como outras do gênero. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. et al. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. Ferri & Barata.. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. 1987). bem como -sitosterol.pecioladas. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. 1996. para o tratamento de câncer. inflamações. 1997)... V. surinamensis. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. Martinez et al. Cassady et al. oblongolanceoladas. L. pavonis (Martinez et al. V cf. infecções. 1987a).. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1984). com até 20 cm de comprimento. 1971). elongata . Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). S. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. A casca é usada como medicamento para aftas. usadas como venenos de flechas. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar.. V. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto.. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. Vidigal et al. 1992. V michelli (Santos. 1969.

V... caducifolia (Aparecida dos Santos et al.. 1987b). calophylla (Martinez et al. 1990). Pagnocca et al.. urbaniana (Reis et al.. venosa (Kato et al.. 1996.. foschnyi (Lemus & Castro.(Kato et al. Andrade et al. 1994 e 1996. 1990). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. calophylla. michelli (Santos et al. Além das lignanas. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al.. titonina (Andrade et al. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 2001). carinata e V.. e polifenóis nas espécies V. pavonis. 1996a). 1996... 1992) e V. A atividade analgésica de V. sebifera. Alvarez et al. 1996) e V.. 1989) e V. V. calophylloidea (Von Rotz et al. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. 1987). michellii foi atribuída à presença da flavona.. 1993 e 1994). 1992). 1990.. 1999).. 1995). Das folhas de V. michellii (Cavalho et al. titonina . 1989). Cavalho et al. V. V. V. 2001). Lemus & Castro. surinamensis.. 1994 e 1995). que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. V. calophylloidea (Martinez. oleifera (Fernandes et al. flexuosa (Aguirre... surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. V. 1999. V. V. 1986 e 1990). 1988). A atividade antifúngica das espécies V. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. carinata e V.. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V.

1991) como a surinamensina (Pinto et al. 1997).. do nosso famoso Abacateiro. aliados ao relato de atividade moluscicida. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca).850 espécies.A atividade leishmanicida nas espécies V. 2000). sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. duckei (Bennett & Alarcon. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. tripanossomicida. porém. As propriedades antioxidante e surfactante de V. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. 1986b e 1998). Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. oleifera. 1996). com substâncias flavorizantes e algumas medicinais.. 1987). alucinogênica de V.. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. calophylla (Miles et al. dados etnofarmacológicos de V. além do . 1978). Licaria. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. V. 1998. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. e outros.. cercaricida e molucicida de V. Nectandra. surinamensis. koschnyi (Castro et al. Incluem muitas espécies aromáticas. 1994). pois. mas não foi detectada em V. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. sebifera. 1996. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. elongata (Davino et al. do famoso Louro. Barata et al. inseticida de V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. A família reúne grande importância econômica. 2000). todos aromáticos. Os principais gêneros são Laurus. 1999). Persea.. V. Ocotea. árvores e arbustos (Mabberley. carinata e V. amplamente usado no Brasil como condimento. sugerem cuidados da população quanto ao uso.. da famosa Canela-sassafrás. surinamensis (Lopes et al. donovani e V. Sassafras. 1987) e anti-hemorrágica de V.

. sendo considerada digestiva. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. para combater problemas hepáticos e intestinais. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. 1998). folhas alternas. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea.Abacateiro. fornecedor de alimento amplamente comercializado.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. Espécies medicinais Laurus nobilis L. pecioladas. como a Canela e o Louro. de estômago e como emética e abortiva. lanceoladas. deriva de lauer = "verde". Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. e de outras espécies. onde se adaptou muito bem. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. e laus = "louvor". É uma planta exótica e cultivada no Brasil. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. bem como para dores de barriga. 1998).

carminativas. ao passo que a infusão das folhas. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. estimulante do apetite e contra cólicas. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. bronquites. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. ou Persea gratíssima Gaertn. flores branco-pálidas. que envolve a semente grande e marrom. emenagogas. contra reumatismo. vulnerárias. analgésico. nome dado especificamente ao fruto. não ocorrendo espontaneamente. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. pecioladas. reumatismo e uremia (Corrêa. além de serem usadas contra doenças renais. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. as folhas são usadas contra indigestão. estomáquicas. é também usada contra febres. fruto do tipo baga ovóide. lanceoladas e acuminadas.Internamente. sendo comercializada em todo o mundo. Persea americana Mill. 1995). com polpa verde. externamente. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. . diuréticas e febrífugas. 1984). além de atuar como diurético e analgésico. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. anti-sifilíticas. pequenas e pouco vistosas. onde se encontram as folhas alternas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. comestível. úlceras e piolhos (Bown.

A atividade antiulcerogênica de L. 1991. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. . bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). 2001). 2002). 2002).. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano.. 2002. Grant et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 1995. Hargis et al. A espécie Persea americana L. Sladler et al. 1999).Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. spatulenol. Afifi et al. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. hidrocarbonetos. 2000.8-cineol isolado de L. 1991).. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. foram atribuídos os efeitos analgésico. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie.. Às folhas de P... 2002). Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. elemicina. 1997)... monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. O 1.. americana citados acima. Carman & Handley. 2002). 1991. 2002)... antifúngico (Domergue et al.. antiinflamatório (Ademylmi et al.. 1987). beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al.

1984).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).FIGURA 5.1 . .

1984) (Banco de imagens). Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Annona tenuiflora.FIGURA 5. .2 .

Xylopia cf. b) Detalhe da flor (Banco de imagens).FIGURA 5.3 . . frutescens: a) Escanerata do ramo florido.

e. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. no Brasil.ó Aristolochiales medicinais L. M. M. Hiruma-Lima E. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Joly. Santos C. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. C. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. 1998). ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. muitas das quais usadas como medicinais. ao passo que na região do . Thottea e Asarum. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. Di Stasi C. 1997. A. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais.

a planta era usada popularmente para facilitar o parto. Jarrinha. fruto capsular cilíndrico. Calunga. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. Contra-erva. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. pecioladas. Batarda. zigomorfas. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. e várias com usos medicinais descritos. . Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. flores isoladas.1). axilares. simples. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". folhas alternas. hermafroditas. Capa-homem. denominada popularmente como Milomem. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). ramos lisos. e lochia = "nascimento". Dados da medicina tradicional Na região amazônica. grandes. que lembra o feto em posição antes do nascimento. foi referida como medicinal. sulcados e estriados. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Mil-homens e Papo-de-peru. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. Dados botânicos É uma planta trepadeira. usadas como venenos. muitas das quais ricas em alcalóides. com sementes achatadas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. parto. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Outras denominações populares são Angelicó.

sudorífica. no entanto. especialmente para combater náuseas e vômitos. Também não é uma espécie cultivada. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. sarnas e orquites (Van den Berg. capoeiras e áreas em regeneração. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. pecioladas. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. . gripes fortes. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. cicatrizante e contra úlceras crônicas. estimulante. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. anti-histérica e útil contra febres graves. catarros crônicos. não sendo encontrada em áreas degradadas. os ramos são lisos. diurética. estomáquica. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. constipação nasal. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. as flores são isoladas e axilares. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. sulcados e estriados. simples. disenteria e diarréia. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. 1984). ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. excitante. anti-séptica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1982).

1994).. 1991). argentine (Priestap. longa (De Pascual et al. longa (De Pascual et al. 1987). et al.. 1980). 1995). P et al.. ponticum (Houghton & Ogutveren.. yunnanensis (Chen et al. 1977 e 1985). clematitis (Kostalova et al. A. H. 1991a). 1987).. cinnabarina (Li et al. A... auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I.1993). tais como A. ftiangularis (Bolzani et al. tubiflora (Peng et al.. A. G.... chilensis (Urzua Rodriguez. A. X.. tubiflora (Peng et al. 1979). cinnabarina (Li. A. Alcalóides foram isolados de várias espécies. versicolor (He et al. II. kankauensis (Wu. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al... L. L. 1994). S. 1995) e A. 1992.. manshuriensis (Ruecker et al. argentine (Priestap. A. nata (Moretti et al. 1988). 1980).. 1995). 1994). 1986). galeata (Lopes. A. indica (Che et al.. T. A.. J. chilensis (Urzua et al. A. 1987). et al. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. bracteata (ElTahir. 1996. 1996). A. 1991a).. molissima (Peng et al. acuminata (Moretti et al.. vários outros alcalóides aporfínicos de A. A.. Lou et al. A. A.. A. 1988.. A. versicolor (Zeng et al. Paiva et al. esperanzae e A. brasiliensis (Lopes et al. gigantea (Cortes et al. A. A. clematitis (Kostalova et al. rodix (Tsai et al. .. 1987.. 1983b).... Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. 1982). bracteata (ElTahir. A. 1991b). sendo descrito em A. 1991). Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. dematilis (Makuch et al. A. S. 1995). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. 1987. A. A. 1995). molissima (Peng. Chakravarty et al. em A.. 1991). A. 1991). alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A.. 1991b). elegans (El-Sebakhy et al. A. A. A. 1995). 1992) e outros alcalóides em A. et al. fangchi (Tsai et al.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia.... 1992). et al. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. 1990.. A. T. 1995). 1993). A.. 1983a). clematitis (Kostalova et al. Higa et al. 1983). gigantea (Lopes. versicolor (Zhang&He.. liukiuensis (Mizuno et al. 1992). A. debilis (Ahmed Farag et al. A. 1984). rotunda (Pistelli et al. kankauensis (Wu et al.. contorta (Lou et al. 1988). A.. C. A. 1991.. manshuriensis (Lou et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. 1980). M.. et al. 1986b e 1986a). rigida (Pistelli et al. A. 1987)... Lopes.. 1985) e A. raízes de A. 1979) em raízes de A. Zhang et al. 1991) e de A. 1987). 1989). 1995) e A. Abel & Schimmer... arcuata (Watanabe & Lopes. A. tubiflora (Peng et al. kankauensis (Wu. maurorum (Kery et al. 1983). 1987). III e IV (Houghton & Ogutveren. A. indica (Piers & Tse.. 1992). Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1988). A.

.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. Lopes et al. 1988) e amidas em A. A. 1994). 1977). 1978). 1987) e A.. chilensis (Urzua et al. 1990).. macroura (Leitão et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. S. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. A. arcuata (Watanabe & Lopes. A. esperanzae. et al. triangularis (Ruecker et al. copaeno. indica (Pakrashi & Pakrasi. A. cymbifera. R. 1995). kankauensis (Wu. 1990). Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta... Compostos como -cariofileno. gigantea e A.. et al. galeata (Lopes & Bolzani. A.. S. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. -elemeno. birostris (Conserva et al. O ácido aristolóquico de A... taliscana (Longsw et al. Lignanas também foram descritas em A. 1987b. T. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. A. 1988) e A. 1980). Urzua & Presle. 1993). 1980. 1996).. e o ácido aristolóquico de A. 1979). 1991b).

. no Sistema Nervoso Central.. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. e antiviral com A. triangularis (Garcia. tulobata (Sosa et al. 1979). determinada pelo teste de Ames. Atividade mutagênica. 1983).. 1995). paucinervis (Gadhi et al. 1991)... Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. A espécie A. birostris demonstraram.Choudhury.. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir.. A. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. anti-séptica e cicatrizante de A. A. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. G. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al.. multiflora (Moretti et al. 1996). Estudos com A. 1999).. papilaris (Maia et al. 1988). 1985). niaurorum (Kery et al.. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A... 1985). O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. atividade analgésica. 1990). 1993). gigantea (Campos et al. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. 1979). enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. 2002). Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 2001).. H.. 1999). 1991). com A. antibacteriana.. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. 1993). O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 1988). Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. et al. 1991). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. O mesmo ácido obtido de A. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. papilaris (Maia et al.

com 10. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. por suas características químicas. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. Da mesma forma. . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). 1993). 50 ou 100 mg/kg via oral. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem.Aristolochia trilobata. FIGURA 6. Entretanto. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero..1 . Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 1996) por humanos.

Di Stasi C. do qual se destacam espécies como a Pimenta. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. especialmente do gênero Piper. S. Peperomia e Pothomorphe. G. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. onde ocorrem em abundância e diversidade. A. Mariot W. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. Piper nigrum. C. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. normalmente com células de óleos essenciais. Geralmente as plantas são arbustos. Hiruma-Lima A.7 Piperales medicinais L. e espécies me- . Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Por sua vez. 1997). dos quais se destacam os gêneros Piper. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. epífitas. lianas. Portilho M.

várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. pequenas.dicinais de ampla utilização. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. sendo também apenas . O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. Piper angustifolium.B. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Piper longum. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. muito semelhantes entre si. como a Piper betle (betel). A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. como a chinesa e aiurvédica. as quais passamos a discutir a seguir. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Nomes populares Além de Tracoaptera. folhas alternas. Piper cubeba. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Espécies medicinais Peperomia elongata H.K. O gênero Peperomia. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. ovário com um só estigma. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie.1). compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas.

mas com pouca ocorrência. simples. .B. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. A espécie é encontrada na Mata Atlântica.K. gastrite e gripes. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. Não foram encontrados sinônimos. bastante carnosas e glabras. na região amazônica. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão.obtida na área de floresta em torno da aldeia. de distúrbios do estômago. curtopecioladas. Piper cavalcantei Yuncker. Peperomia rotundifolia H. pequenas. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). Nomes populares A espécie é chamada. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago.

podendo chegar a até 5 m de altura. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. membranáceas. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. os frutos são drupáceos (Figura 7. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. algumas lianas e pequenas árvores. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. sendo a maioria arbustos. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. especialmente para dores de cabeça. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. . Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. atingindo até 10 cm de comprimento.2). isoladas e levemente curvadas. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. Piper cernnum Vell. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. assimétricas na base. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. folhas pecioladas. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. inflorescências do tipo espiga. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. todas aromáticas. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. pendente. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais.

inflorescências do tipo espiga. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. um pouco ásperas. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. Piper gaudichaudianum Kunth. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. a infusão das folhas é usada como analgésico.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. levemente curvadas. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. além de ser útil em distúrbios renais. Em outras regiões do país. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. onde a espécie é abundante. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. incluindo hepatite. tendo distribuição por todo o Brasil. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. assimétricas na base.3). estomacais e hepáticos. particularmente contra cólicas abdominais. acuminadas no ápice. membranáceas. especialmente contra dores de barriga. . ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.

com ramos glabros e cilíndricos. Nhandi. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. r e t a . levemente assimétrica na base. Em outras regiões do país. flores . Bitre. cordiformes. alongada e fina. com ápice acuminado. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Aperta-ruão ou Aperta-juan. com até 7 cm de comprimento (Figura 7.Piper cf. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. folhas alternas. membranácea. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . estomacais e renais. membranosas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. pecioladas. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. glabra. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Piper marginatum Jacq.4). pequena (até 11 cm de comprimento). A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Ihotzkyanum Kunth.

como ocorre no gênero Piper. essas diferenças ficam bem claras. sudoríficas. principalmente da tucundeira. androceu com três estames. ovado-arredondadas. as folhas. gineceu com três estigmas. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. Pothomorphe peltata (L. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. as raízes são carminativas. andróginas. estimulatórias (Corrêa. bainha desenvolvida.com brácteas triangulares. Uma outra espécie do mesmo gênero. peitadas. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. Malvarisco. 1984). contra veneno de cobra. fruto do tipo baga (Figura 7. um gênero da família Araceae. formando uma falsa umbela. minúsculas. .6). descrita a seguir. Catajé. membranosas. os frutos são excitantes. resolutiva e usada em banhos após o parto. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". se ingerida. A planta é tônica. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. diuréticas.5). Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. sialagogas. peltatas. estomáquica. e não isoladas. flores sésseis. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Caá-peuá. dores de dente e blenorragias. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. com ápice agudo e nervação peltinérvea.) Miq.

andróginas. formando uma falsa umbela. ovado-arredondadas. Capeba ou Pariparoba. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. bainha desenvolvida. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. minúsculas. 1980).7). diurético. 1984). a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. com ápice agudo e nervação peltinérvea. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. membranosas. antiinflamatório externo e interno. flores sésseis. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. vermífugo. Pothomorphe umbellata (L) Miq. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. . cordada. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. fruto do tipo baga. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum.

compostos de grande importância farmacológica. E. Seeram et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. et al. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al.. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. Os alcalóides. além de apiol. sesquiterpenos. B e C (Chen.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. G. vulcanica e proctorionas de P. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. et al. De Peperomia japonica... Mahiou et al.. monoterpenos. 1994). De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. Piper Das raízes de P. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. Cromonas foram isoladas de P. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. proctorii (Mbah et al.. quinonas piperogalona.. 1982). 1988).. 2001). C. 1988).. indicada populamente como antitumoral. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. M. flavonóides (Tillequin et al. marginatum foram isolados aril-propanóides. 3-hidroxi-4.. que representa 49% dos constituintes voláteis. grifolina bisobolol. 1982). Das raízes de P. 1996).. 1997).. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. 2001). Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol.. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. que também possui ácido grifólico. 2002. 1990). 2000). Das partes aéreas de P. miristicina. são . ácidos graxos (Lima et al..

1982) e P clusti (Koul et al.. 1987). sylvaticum (Banerji & Pal. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. lignanas de P.encontrados com freqüência nesse gênero. retrofractum (Banerji et al. 1979). 1985). 1986)... lancei (Han et al. P peepuloides (Shah et al. sendo os principais piperlonguminina. 1995). 1986). 1986. hidropiperona. aduncum (Smith & Kassim. P. P. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . Isolaram também neoglicanas de P... Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. Uma quinona. 1992). P. hispidum (Vieira et al. cubeba (Badheka et al. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. hispidum (Burke & Nair. P.. flavonóides de P. 1979). 1986. nigrum (Inatani et al. Foram isolados diversos alcalóides em P. P. P. 1968). hancei (Li et al... hispidum (Vieira et al.. piperina. chavicina e outros. betle (Evans et al. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. 1977) e P. 1981) e P. compostos fenólicos de P.. P. 1980). Achenbach et al. 1986 e 1987). guineense (Cole. amalago (Dominguez et al.. 1980) e P. 1987).. 1986). 1983. P.. 1987). Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. 1986) e P. aduncum e P.. tuberculatum (Braz Filho et al.. jaborandi (San Martin. Bacillus subtilis. piperlongumina. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. auritum (Ampofo et al. 1985) e P. Shoji et al... betle (Rimando et al. 1977. 1987). Tabuneng et al. futokadsura (Chang et al.. P.. longum (Dutta et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. 1984).. piperidina. 1987). hostmanianum (Diaz et al. 1983)... P. 1986) e flavonas de P. methysticum (Smith. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. 1981). Foi demonstrado também que P.. 1985). Pothomorphe P. Li & Han.

analgésica (Da Silva et al. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 1995). grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. H. 2001).1-0. 1996). e atóxica (Saad et al. lacrimejamento. do extrato (0.. V. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. O.cies de Leishmania (Mahiou et al.. cicatrizante (Saad et al. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. Embora o extrato de P. 1996b). O extrato aquoso de P. Substâncias de P. O. 1992). V. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos.. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas.. R. 1996a). 1996).. H. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. apresentou atividades diurética (Santos. 1997). analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. 1996). O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal..v.. em doses que variaram de 0. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. Piper Foram caracterizadas para P. Assim. V.. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.1-1 g/kg. promoveu piloereçáo. E. R. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. hipotensora (Siqueira et al. 1994). B. salivação intensa.. et al. antibacteriana. Aziba et al. bloqueada com prazosin e ioimbina. relaxamento muscular e dispnéia. et al. S. também conhecida como Língua-de-sapo. et al. hipotensora (Santos. M. Arigoni-Blank et al. A administração i.. L. galioides e os compostos ácido grifóico.. 1997)... et al. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. 1997). 2002. et al. 2002.. 1994). 1998. 2001).. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. Villegas et al. atuar como antialérgico e diminuir . antifúngica (Lima. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al.. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida.

esta última com potente atividade (Di Stasi. 1976). Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. P. analgésica. Atualmente. Amorim et al... antioxidante (Choudhary & Kale. lancei e P. 2002). agindo como os anestésicos locais (Singh. apresentou propriedades anestésica. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al... gaudichandianum. 1986). a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al.. 1988). peltata. 1988).. 1991. além de bloquear a transmissão neuromuscular. retrofactum (Woo et al. a degranulação. 1984)... conhecida como Pariparoba.. inseticida com substâncias de P. 2002).. 1986 e 1988. larvicida (Mongelli et al. anticonvulsivante. e antiviral P. mutagênica (Chen et al.. 1985). 2002. 1985). betle apresentou atividades fungicida... e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. methysticum também conhecida como kava-kava. Pothomorphe A espécie P. peltata possui atividade analgésica (Pupo. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). lindbergü e P. 1985). Cairney et al. regnelli. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. Dahanukar et al. Porém. amalago (Pupo. De P. 2000). espasmolítica.. 1984). inibindo a agregação de plaquetas. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P.. fungicida. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1987). As neoglicanas isoladas de P. 1984). 1985). cincinnatoris. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. Di Stasi & Pupo. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1979). nematicida (Evans et al. P. Desmachelier et al.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar.. Shen et al. A espécie P. 1978. 1984. abutiloides. Prakash. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. 1983). 1987. aduncum (Lohezic-Le et al. nigrum (Miyakado et al. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al.. e aumentou o tempo de sono (Duve. P. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. P. A espécie P. 1988). por seus constituintes químicos. 1986.

P. o que não foi observado na espécie P. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 1987).Peperomia elongata.. 2002. 1995).. 1996).atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.1 . Ramo florido (Desenhado por Di Stasi ... peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. umbellata. de Ferreira da Cruz et al.. 1992).Banco de imagens . FIGURA 7. peltata (Felzenswalb et al. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. antimalárica e antioxidante (Isobe et al... Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. umbellata L. Desmarchelier et al. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. 1997.. antiedematogênica. De P. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana.. O extrato etanólico das raízes de P. 2000). analgésica. umbellata. Miq. 1987). apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.

b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot . .FIGURA 7.Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ).2 .

3 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ). .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.FIGURA 7.

.4 . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).FIGURA 7.Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.

5 . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ). .FIGURA 7.Piper marginatum.

..Pothomorphe peltata.6 .Banco de imagens .FIGURA 7. . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .

Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ). .inflorescências Folha cordada FIGURA 7.7 .

Hiruma-Lima C. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. das quais devemos destacar Menispermaceae. algumas lianas. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. como é o caso da Papaver somniferum. Ranuculaceae e Papaveraceae. Berberidaceae. M. Sabiaceae. foram obtidos. C. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Di Stasi C. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. A. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. Santos E. como a morfina e outros derivados opióides. M. Pteridophyllaceae. o famoso Ópio.8 Ranunculales medicinais L. arbustos escandentes e .

rufescens e A. são consideradas muito tóxicas. folhas alternas e pecioladas. onde a planta foi referida como medicinal. fruto do tipo drupa. 1996). Outra denominação é Iroba. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. utilizadas por índios do Norte do país. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. a espécie é chamada de Abuta. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. também denominada de Abutua. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. com contorno oblongo (Figura 8. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. aplicada no local lesado e/ou ingerida. imene. 1997). Nessa família. assim como . com ampla distribuição na América do Sul. tais como A. Espécies do gênero Abuta. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. típica da aldeia tenharins. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. Uma delas.1). Dados botânicos Planta perene.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. raspada e misturada com água. da Mata Atlântica. foi referida como planta antiinflamatória. no entanto.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

Induziu. porém. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. 1996). o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. 1996 e 1998). et al. GOT. M. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. 1997. 1993).. 1996. in vitro. Loureiro et al. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. Não foram observadas. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1997). a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.. B. Farias. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. 1996).. argentea.. 1997). raízes.. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas.. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. 1997). Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. analgésica (Macedo et ai.. L. 1987). 1993. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. et al. 1996). 1999. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. Brochado et al. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.. relaxante (Araújo et al. 1996.. 1997). Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos.. L. B. D. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . J. Kern et al.. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al.. 1998. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. Além disso. 1996a e 1996b). et al. ainda. Uma loção contendo C... LDH) e o nível de bilirrubina. Gomes et al. D. Farias. antiviral (Brochado et al. 1994)..

requer cuidados por parte da população. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. O uso das espécies contra helmintos. 1972). sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. De Ruiz et al. 1993).. 1989). pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. B. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. 1996. subclasse Caryophyllidae.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al.. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. confirmados para inúmeras espécies dessa família. mas com inúmeras outras da mesma família botânica.. et al. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia.. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. 1998). 1988. 1986. não apenas com as espécies citadas. hemorragias. sobretudo contra helmintos. porém. Do extrato de A.. Extrato aquoso de A. C. 1995). inclui .. et al. S. aliado aos dados de toxicidade em peixes. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. Yang et al. 1996). assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. 1992).. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. especialmente em uso crônico.. Zhang et al.

com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. . com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. 1978). mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. Segundo Joly (1998). enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. que também inclui espécies medicinais. suculentas. No Brasil ocorrem 32 gêneros. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). de hábito variável e geralmente espinhosas. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. Em ambos os casos. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas.400 espécies (Mabberley. 1997).97 gêneros. • Opuntia (Opuntioideae). embora várias espécies possam ser encontradas na África. • Cactus. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. com aproximadamente 1. 1978). Cereus e Melocactus (Cactoideae). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. são espécies perenes.

xilose e ramnose (De Pinto et al. C. cresce em matas e em restingas. A espécie é originária da Argentina. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. ácido galactopiranosilurônico. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. fruto do tipo baga glabra. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. sendo uma homenagem ao professor N. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. 1987).. 1986). em altitudes e também no nível do mar.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. galactose. glucose.. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. galactose. guamacho possui ácidos galacturônico. arabinofuranose. F. folhas subpecioladas. lenhoso. 1994). além de galactose.. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. dispostas em rácimos terminais. antitérmico e contra gripes e resfriados. glucurônico e seus metil ésteres. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. Das folhas de P. . ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. obovóide. galactopiranose. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. Peiresc. arabinopiranose. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. A goma de P. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. além de heteropolissacarídeos. arabinose. 1990). numerosos acúleos. oblongas e acuminadas com base atenuada.

1997). usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. 1978). No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. Talinum e Portulaca. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. sendo algumas pequenas árvores. muitas delas suculentas (Mabberley. Portulaca oleracea.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. e 33 espécies (Barrozo. O principal gênero é o Portulaca. . arbustos e ervas.

O nome do gênero Portulaca deriva de portula. outros usos são atribuídos à espécie. Berduega e Veduega. planas e suculentas. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. obovadas. mas algumas variações de nome popular são usadas. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. na forma de salada. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. folhas pequenas. Bodroega. referindo-se às propriedades purgativas da planta. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. Dados botânicos É uma erva de caule curto. Inclui três variedades principais. pequenas. Na região da Mata Atlântica. como alimento. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. tais como Verduega. arroxeado e suculento. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. flores amarelas. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. pequenas. especialmente em Portugal e na Alemanha. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. as partes aéreas cruas são usadas. fruto capsular obovóide. diminutivo de "porta". Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dadas sua rusticidade e resistência à seca. e a maioria é de ervas suculentas anuais. axilares ou terminais. sésseis. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. cólicas renais e .

estomáquica. emenagoga e eficaz contra erisipela. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Perrexi e Alecrim-desão-josé. emoliente. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Caaponga. As folhas dessa planta também são comestíveis. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. as sementes passam por diuréticos.afecções da vista. pequenas. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. lanceoladas. vulnerária. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. emenagogos e vermífugos. . Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. Portulaca pilosa L. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. cicatrizante externa. amarga. flores amarelas. glabros e suculentos. Também conhecida como Beldroega. como as da beldroega. pilosas. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". diurética. de onde saem folhas alternas.

sendo o último composto um glicosídeo. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. . Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. 22:6ômega-3. ácido ascórbico. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. cycloartenol. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. carboidratos. 1996). malônico. 1996). cálcio. 1988). beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. málico. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al.. dentre os quais 18:3-ômega-3. 1994). 1991). butirospermol. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. campesterol e stigmasterol. 1991).Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. 1992). Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 1995. hidrocarbonos e alfa-tocoferol... Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. ferro.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. 1996). Boehm & Boehm. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol.4.. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai... 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. B e C. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. oleracea de proteínas. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. 1990). Simopoulos et ai. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina.. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. fumárico e acético (Gao & Liu. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. 1991). 1995b). pilosanol A. como sitosterol. manganês.. fósforo. três diterpenóides transclerodânicos.. pilosa (Ohsaki et al. P. succínico. Boschelle et ai. ascórbico.. isolados das raízes de P. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 1992). (1991) detectaram de R oleracea 3. ácido linoléico e ácido palmítico... parkeol. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.5% de lipídios. 1991.

. diurética (Rocha et al. n-hexacosanol. 1989). n-triacontano. 1989b) e hipotensora (Poli et al. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al.. 1985) relaxante muscular. 1997). stigmasterol. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. enquanto das partes aéreas de P. Habtemariam et al.. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 1989). 1994).. 1993). grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1994). O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. oleracea.. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. 1995). mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. 1989). O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. grandiflora Hook. 1993. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. (1994). 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al.De P.. 1987).. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. sem alterar a diurese. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al.. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. encontrado por Rocha et al. 1987). quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. .. O extrato de P. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. dentre outras espécies.. lupeol. oleracea foi investigado in vitro... foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. P. 1989. apresentou atividade hipoglicemiante. Rocha et al... beta-sitosterol. 1989).. 1996). De P..

Ex Stend. Lombrigueira.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. No entanto. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. oblongas denteadas. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas.5 m. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. raramente. Erva-das-lombrigas. pequenas árvores. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Caacica. Erva-das-cobras. que pode atingir até 1. A família se subdivide em quatro subfamílias. Também é chamada de Ambrósia. extremamente ramificado. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. 1978). sendo uma planta extremamente . Spinaceae. Erva vomiqueira. Menstruço. Salsola e Atriplex. ramos folhosos verdes com folhas alternas. Mentrasto e Mentrusto. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Inclui arbustos. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. caule ereto e glabro. Anserina vermífuga. ervas anuais ou perenes e. Salicornia. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. 1997). até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais.

) . além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown.. como abortiva. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. Melito et al. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. baratas e demais insetos. em altas doses. 1995)..vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. lesões hepáticas. percevejos. Godano et al. 1978. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. para problemas da pele. a maioria de ervas. 2002. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". ao passo que a infusão das folhas é usada. externamente. internamente. referindo-se às folhas lobadas. especialmente na área veterinária. contra reumatismo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. febre. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. bronquite. dor ciática e parasitas intestinais e. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. Além desse uso. 1985a e 1985b. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. incluindo a Amazônia. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. amplamente disseminado nas zonas rurais. extremamente útil para afugentar pulgas. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório.. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. esse uso é comum também em outros países.

3). flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. distribuídas. a espécie é conhecida como Erva-tostão. incluindo árvores. Dos gêneros. mas não antocianinas (Mabberley. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Mirabilis. . destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. nome usado em todo o Brasil. em trinta gêneros. ovadoblongas. Bougainvillea. Pega-pinto e Tangaraca. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. de onde partem folhas pequenas. 1997). Guapira e Andradea. opostas. Boerhavia. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. arbustos e ervas que produzem betalaínas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. pilosas e pecioladas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Pisonia. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Mirabilis e Bougainvillea.

1991. 1990 e 1991). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al.. especialmente a raiz. lianas ou ervas. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. além de ser considerada excelente diurético.. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. Corrêa (1984) refere que a planta.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. Sohni et al. 1978 e 1980. 1999). Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. 1999). Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. 1996) e lignanas (Lami et al. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1996. arbustos. 1997). 1991). particularmente contra lombrigas. possui sabor picante. 1995). sem efeito teratogênico (Singh et al. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas ... sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado.. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. sendo árvores.. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. 2000a).. 1997). atóxica. Rawat et al. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. Aslam.

anti-reumática e antivenérea (Corrêa. Amansa-senhor. Outros dados incluem o uso da raiz. ramificado com ramos compridos. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. como abortiva. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. achatado e carenado (Figura 9. membranosas. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. diurética. fruto aquênio cilíndrico. antiespasmódica e reputada como sudorífica. ereto. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. também é comum. Em outras regiões. limão de cayanna. em Pernambuco e em São Paulo. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. estipuladas. inchaço de mem- . peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. 1984). Tipi-verdadeiro. que inclui uma única espécie. alfavacão. como Tipi.4). alternas. no alívio de dores musculares. gineceu unicarpelar com ovário súpero. em decocto ou pó. Dados botânicos Subarbusto perene. raízes e ramos são considerados emenagogos. no Mato Grosso. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. e o gênero Petiveria. folhas. Pipi. delgados e ascendentes. sublenhoso. Gambá-tipi. androceu com quatro estames.como ornamentais. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. O uso externo das folhas novas e da raiz. agudas no ápice e estreitas na base. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. flores sésseis. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. folhas curto-pecioladas. na Bahia. pequenas. no Rio de Janeiro. farmacêutico e amante da natureza. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical.

a raiz é útil na amenorréia (Agra.. beta-sitosterol. 1988. Grandi et ai.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg.... ainda. 1989) e depressora do SNC (Lima. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. C. beta-sitosterol. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. 1990). 1982). além dessas indicações. alantoína.. 1980.. 1998). linoléico. em Brasília e no Mato Grosso. 1986). glicina e alantoína (Sousa et al. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. T. as raízes são usadas na hidropsia. nitrato de sódio. et al. lignoceril álcool. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. dores de cabeça. 1992). 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. Van den Berg. 1988). esteárico. trans-N-metil-4-metoxiprolina. De Lima et al... 1997. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. serina. pinitol. flavonóides. De Souza et al. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. S. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. M. Pinto C.. 1982. et al. et al.. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. no Rio Grande do Sul. C.. na Paraíba. 1982). 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. como abortivo. T. 1990). triterpenos (Delia Monachi et al. peptídeos como ácido glutâmico.. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. M. Trotta et al. 1988b).. paralisia. no Ceará. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. ácido lignocérico. 1988. 1986).. 1988. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. 1980). em Minas Gerais. 1982). 1988). a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. reumatismo. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. .7-di-O-metilpinocembrina. trisulfeto de dibenzila. 1980). ácidos palmítico.

. alliacea. O extrato hidroalcoólico de P. 1988.. 1995)... 1991.. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. também apresentou atividade moluscicida (Almeida.. 1988).. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. utilizado popularmente como vermífugo. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. 1987) e antiviral (Ruffa et al. 1991. por levar à imbecilidade. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica.. Cortez et al. 1988. Lopez-Martins et al... P. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 2002.. 1998). decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. 1989. 2001). tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1993.. Elisabetsky et al.. Takahashi. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. Malpezzi et al. Davino et al.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al.. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. . efeito zigotóxico (Guerra et al. M. Caldeira et al. citotóxica. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. 1994). alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. Y. 1994). 1984). Germano et al.. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.. atividades analgésica (Thomas et al. 1990). 2050 aci02). hematopoiética (Quadros et al. com uma D L m a de 1. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. antiinflamatória oral (Germano et al. Davino et al. afasia e até à morte (Corrêa. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso.. 1993. e o de caule. 1997) e antifungica (Benevides et al. 1993). 1988. 1991 e 1992).mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi... além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica... No entanto.. 1989.. 1991). 1998).. 1991). et al. acaricida (Johnson et al.. Guerra et al.. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 1992). 1996) e antitumoral (Davino et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

5-lobadas e raramente com mais lobos. como em formações secundárias. capoeiras e na beira de estradas. membranosas. folhas pecioladas. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. com até 20 cm de comprimento.3). sendo um produto amplamente comercializado. especialmente após o cultivo sistematizado. especialmente na Itália. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. e muitas variedades em cada espécie. mas ásperas. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. ramoso e delicado. descrito por Patrick Browne. com caule anguloso. e o nome. flores amarelas esbranquiçadas. foi dado em homenagem a John Wilbrand. como Cabeça-de-negro. é uma variação de sicyos. . É uma importante espécie econômica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. flores amarelo-claras. Wilbrandia ebracteata Cogn. que significa "pepino". e sua raiz. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. O nome do gênero Sechium. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. rugoso. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). longos. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. Wilbrandia. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas.a cinco lobos. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. fruto do tipo pepônio verde. sulcado. O gênero inclui apenas seis espécies. alternas.

1996. charantia foi determinada como 0.. Ni..40%).. a raiz é utilizada no tratamento de febre..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. além das momordicinas (Fatope et al.76% de lipídios. 1996. 1990a). momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. como laxativo (Farias et al. charantia . De M... 1996).. Zn. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. glicolipídios (35..80%) e fosfolipídios (16. 1989. 1992). 1988. charantia também foram isolados triterpenos.. Wang et ai. Huang et al. A composição química do fruto de M. Dos frutos frescos de M. ácido linolênico. divididos em lipídios não-polares (38. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. afecções da pele. Kusmenoglu. Hara et al. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Além disso. tumores e. Cr. 1996). charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai.. Grondin et al. Foram isolados ainda das sementes de M. além do esterol. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. 1996). 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Das sementes de M. Chandravadana et al. 1987). sífilis (Almeida et al. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos.. 1997). 1990). Mn e Li (Peng & Li. 1985). Dos frutos verdes de M.. Chang et al.. assim como no controle da diabetes. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1996. proteínas. Das sementes de M.. Nguyen. 1995. Zheng et al. momordicinina e momordicilina. 1997). 1991. Co... momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai..24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. charantia foi isolada a gama-momorcharia. 1992). reumatismo. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites... Das sementes de M. 1986). também. charantia também foram isolados vicina. 1989). 1990. Das folhas de M. 1989. sendo o cucurbita-5. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al.81%). Foram isolados também cicloarterol.

. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. Dos frutos de Aí. 1987).. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. 1995). H e I (Miro. 1991).. Geralmente. charantica. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1993).vicine. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. 1993). triterpenos tetracíclicos. dioica eM. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. seguidas. posteriormente. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. esteárico. também foram detectados em Aí. foetida (Mulholland et al. charantia. isolados das partes aéreas. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. pela E e. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. rigorosamente. . As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. além de possuir óleo essencial (Guerrero. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah.. além de uma resina (Volák & Stodola. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. 1995). Aí. 1994). oléico. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. 1990). Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. 1987). pelas G. As sementes possuem 50% de óleo. balsamina (De Tommasi et al. sesquiterpenolactonas e taninos. contendo trinta carbonos. 1990). e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1994). 1990b). Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. além do ácido rosmarínico. Das sementes de M. também descrito em M. 1997).

extratos brutos de folhas. 1980. parâmetros hematológicos permaneceram normais.. 2002) (Jilka et al. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l... Karunanayake et al.. 1996). DNA. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. 1993). Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. El-Gengaihi et al. 1984. da síntese protéica. 1986. 1982. 1983). Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Ahmad et al. Welihinda et ai. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. 1982a e 1982b).. Pugazhenthi & Murthy.. 2002).. 1983a e 1983b) e . (1986). charantia (Rathi et al. Inibição da síntese de RNA. 1987). Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. 1997). 1993). 1996. antiviral (Takemoto et al. O suco dos frutos de M. O extrato etanólico de M. (1994). 1996. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai.. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. Platel & Sirinivasan. 1981.. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem.. Athar et al. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos.. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto.. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. Ng et ai. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. Além disso. 1996. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. Raman & Lau. decocto das folhas e suco de M.

Wang et al. isoladas de sementes de M. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M.. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. 1993). A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al.. 1995b). A glicoproteína isolada das sementes de M. L.. uma proteína inativadora de ribossomos. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. 1990). Fong et al. charantia. charantia. isoladas dessa espécie. 1996).. . 1990a). 1994).. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. charantia. proteínas inativadoras de ribossomos.. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. charantia. 1993). 1987. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu.. 1996). Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta.. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. 1995). incluindo M. charantia. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al.. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M.. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1983). As proteínas inativadoras de ribossomos. 1994). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. 1990).. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. Ng et al. antitumoral. charantia) inibe a integrase de HIV-1. na qual descreveram a momorcochina.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. momordina 1 e momordina 2. alda-momorcharina. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos.imunomoduladora (Spreafico et al. et al. pulmonares e da mama (Rybak et al. Os frutos e sementes de M.

MAP30 isolado de M. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. Misra et al. 1987). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. Basaran et al.. Foram isoladas duas proteínas de M. 1996). O extrato aquoso da folha de M. 1995). (1984 e 1985). 1991). 1996)... 1995). Os frutos de M. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer.. 1990). A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. 1988). charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. antiancilostomose (Berchieri et al. 1987). 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. charantia foi isolado ginsenosídeo. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. L. 1997). Embora indicada contra malária. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1996).Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. A M. charantia e Emblica officinalis Gaertn. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M.. 1994). charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. De M. De M. 1994).. et al.. 1990. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia (Silva. Amorim et ai.. Dos frutos verdes de M. M.. e o rizoma de Curcuma longa Linn. 1996). charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. Das folhas de M. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M.. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. 1990. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. No entanto... Apesar da indicação popular para inflamação.

do que o extrato de M. A.. C... 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. 2000) e antimutagênico (Yen et al. em rato. Jensen & Lai.. Miró.. diarréia. 1993)... charantia (Sankaranarayanan &Jolly. et al. 1991). 1997 e 1999). . 1997). dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 2001). 1993). alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al.. Proteínas isoladas de M. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. 1991). 1984.. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. Além disso. anti-helmíntica. Trichosantina. 1989. De M. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. O extrato alcoólico de M. 1995. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al.. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. 1986b). anticoncepcional. Pagotto et al. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. Peters et al. hipovolemia.atividade hipoglicemiante. Hamato et ai. 1994). 1995). Outras atividades também foram descritas para a espécie. 1986). Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. inibição da ovulação.. 1995. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. antimicrobial.. tais como antioxidante. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 1995. tais como antiinflamatória. Teixeira.. antitumoral.. diminuição da pressão arterial. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. 1995. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1993). 1996). hipotensora (Gordon et al. 1996). citotóxica.. 1995).

com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. Platel & Sirinivasan. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1986). cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. 1996. A toxicidade do fruto de C. 1988)... especialmente por gestantes. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. . porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. Chan et al. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. Das sementes de M. 1997). angaria foi de DL50 = 1. El-Gengaihi et al. 1986). Raman & Lau. 1996.. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. 1986. recentemente.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. 1990). que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. 1994). 1987).. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado.. 1996.. Em ambos os casos.6 mgAg.. Os frutos de M. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas.. charantia em enzimas hepáticas. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. 1992).. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina.

alternas. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. farrapo".Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). e não foram encontrados sinônimos para ela. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. referindo-se ao estame bifurcado. e stemon = "estame". 1978). distribuídas em regiões tropicais. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. . folhas simples.4). mas que possui uma grande importância. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. fruto do tipo capsular trilobado. ovário unilocular. com gomo terminal protegido por estipula caduca. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. semente com endosperma carnoso (Figura 10. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. onde há cerca de oito espécies. pedaço. androceu com um estame. bem desenvolvidas. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. pétalas ausentes.

Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. representando um importante recurso econômico. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. arbustos e árvores (Mabberley. compreendendo lianas. em geral trepadeiras. de valor alimentício e medicinal. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. no entanto. conforme apresentamos a seguir. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. No Brasil. com 575 espécies tropicais e temperadas. . 1996). A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). existem várias espécies do gênero Passiflora. 1997). Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). 1992).

Spencer & Seigler. 1991). estipulas ovadas. principalmente a P edulis. . mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. hexadecanóico. gavinhas que são ramos florais modificados. 1997). 2-pentadecanona. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo.. mas identificada apenas até o gênero.Dados botânicos Planta glabra. epipassicoriacina.5). sementes compridas (Figura 10. antocianinas (Kidoey et al. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. flores com cinco sépalas ovadas.. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. ovadas. folhas inteiras. fruto oblongo-ovóide. 1987b e 1985). passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. que lembram os instrumentos do martírio. corniculadas. 1983). cordiformes. é usada para diversas finalidades. côncavas. 1989). monoterpenóides. peninérveas. cilíndrico. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. Uma outra espécie de maracujá. 1996. planas e obtusas. caule robusto. Passiflora macrocarpa Mart. e cinco pétalas rosadas. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. carotenóides (Ferreira et al.. 1987a. alternas. pela interpretação dada às peças florais. uma espécie denominada Maracujá. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. 1990).. margem inteira. o suco dos frutos é considerado sedativo. (9Z)-ácido octadecenóico. Na região da Mata Atlântica. 2tridecanona. agudas no ápice e estreitas na base. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. chamada popularmente de Maracujá gigante. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus).

saponarina. 1995.. isoorientina. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. Ortega et al.. Proliac & Raynaud.. Dos frutos e folhas de P . isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. Flavonóides como vitexina. vitaminas A.. riboflavina. Amaral. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. Raffaelli et al.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. carboidratos. orientina e isoorientina. 1996). sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. cálcio. fósforo. quadrangularis (Orsini et al. 1986).1979). glicosilflavona (Geiger & Markham. et al. Vale & Leite. 1988)... 1988)... harmina. lipídios. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1989). espasmolítica (Queiroz & Brandão. potássio. mollissima (Froehlich et al. Menghini.. 1997). Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. açúcares. 1987b).. Costa.. 2000). 1980). 1980. bem como a presença de glicosídeos em P. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. 1997. K. 1986). Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa.. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. de onde foi isolada crisina. maltol. 1997). 1988. 1979). 1997. B2.. assim como ácidos graxos. 1987). proteínas. Da espécie P. Esse composto não foi detectado em P coerulea. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. schaftosídeo (Proliac & Raynaud.. 2000. harmalina. B1. O suco dos frutos contém água.. nem em R incarnata (Speroni et al. isoschaftosídeo. 1988). Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. analgésica. sendo a passiflorina o mais conhecido. harmol e harmalol). P. Spencer & Seigler. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. 1996). 1988. ferro. PP e C (Zhuang & Wang. 1986). 1998).. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. 1997. 1991). P coriacea (Spencer & Seigler. isovitexina. Sena & Leite. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. taninos. flavonóides (orientina. 1988.. fermentos. amliformis (Restrepo & Duque.

.. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona.. 1988). 2000). Detalhe da folha 5-lobada. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. 1989). foetida apresentou atividades hipotensora.. 1985b...edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 1991). enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. 1989 e 1993) e inseticida. espasmolítica (Carneiro et al. Echeverri & Suarez. 1991. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. 1998a). 1985).. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. antipirético (Silva et al. Porém. Barros et al. inotrópica. fruto e flor (Banco de imagens . que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli..1 .Luffa cylindrica Roem. Das folhas de P . FIGURA 10. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P.. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. antiinflamatório (Silva et al. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. 1978)..

.FIGURA 10.Momordica charantia: a) ramo com frutos. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).2 .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

as raízes são usadas contra moléstias uterinas. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.) K. de Vassoura. como abortivos. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. na Bahia. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. Nomes populares A espécie é chamada. reunidas em fascículos axilares. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. emenagogos e as folhas (decocto). a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais.mas. canaiensis (Willd. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. como emético (Hoehne. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. Vassoura e Relógio. as flores são pequenas. 1982). Malva-preta. com caule ereto e ramoso. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. Schum. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. na região amazônica. mas também de Ganchuma e Relógio. no Pará. lineares e de cor branca. . freqüentemente com cálice roseado. Sida rhombifolia L var. 1939).

a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. mas esta não foi completamente identificada. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. na região amazônica. Em outras regiões do país. Rabo-de-foguete. reticulata (Cav. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior.Vassourinha. 1982). Malvaísco. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. ramosa e pubescente. rombóideovais ou lanceoladas. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. Na Mata Atlântica. tônica. Aramim. Dados botânicos Planta anual. Grandi & Siqueira. var. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. róseas. é tido como útil. folhas curto-pecioladas. O chá de toda a planta. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero.4). no Rio Grande do Sul. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. Urena lobato L. é de grande uso externo contra reumatismo. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. alternas. a planta é utilizada como béquica. Guaxima.. 1986). Guaxuma. Aguaxima. emoliente. popularmente conhecida como Caapiá. Uacima e Uacima-roxa.. Ibaxama. chamada de Caapiá. em Minas Gerais. como Minas Gerais. Malva-roxa. flores solitárias. na dose de três xícaras ao dia. ereta. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. Guaxiúba. e Guanxuma. Coaquibosa. 1982. dispostas em racemos. Carrapicho-de-lavadeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . anti-hemorroidal. axilares.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Malva e Vassoura-do-campo. contra desarranjo menstrual. no Rio Grande do Sul. em São Paulo e no Rio de Janeiro.

. Tomoda & Ichikawa. 1991). 1977a. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai.. 1984). syriaceus (Shimizu et al. cordiformes. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. mucilagens das espécies H. pequenas. fruto do tipo capsular. cannabinus foram isolados. ciclopropenos (Nakatani et ai. solitárias. com ramos alternos cilíndricos. emoliente e contra eólicas renais. cannabinus (Kulchik . roxas ou rosas. suculentus (Tomoda et al. 1977b e 1978). 3-7 nervadas.. fosfolipídios (Tolibaev et ai. comum às espécies desse gênero. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. de onde partem folhas alternas. com grande destaque para as três nervuras centrais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1990). A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais.. 1987). 1986). 1991). a decocção da raiz é usada como diurético. moschentos (Tomoda et al. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. de até 3 m de altura. De H. onde se encontram glândulas nectaríferas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. 1985) e H. ligninas de H.. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. H. flores pecioladas. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. lobadas e de formas variáveis. suculentus (Moawad et al. diurética e útil contra eólicas. 1986). pecioladas. 1986. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. H. Dados químicos Hibiscus De H.

além de 15% de ramnose. 1991) e lactonas de H. Das pétalas de H.-L-arabinosideo-7. 1986). ácidos palmítico. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. sabdariffa produziu antocianinas. abelmoschus (Maurer & Grieder. 1986.. quercimeritrina. peonidina. De H.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. 1989). triacilglicerídeos. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. Em cultura de tecidos. 1977). glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. De H. betasitosterol. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. De H. esterol ésters. N-acilfosfatidiletanolamina. 1991). 1988). malvidina (Kim et al. esculentus e H. petunidina. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. cianidina. Foram isolados também de H. arabinose e arabinan... 1990a e 1990b). beta-sitosterilglicosilado.. 1990). pelargonidina. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. Husain et al. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. monoglicerídeos. 1988). moschentos foram isolados 3. 1986. 1989).. tiliaceus (Ali et al.. xilose e frutose (Pouget et al. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina.. diacilglicerídeos.. fosfatidiletanolamina. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. epi-ikshusterol. taxifolina e herbacetina. glucose. 1990). sterculico.et al.7. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. Duckart et al.5. 1989a e 1989b). 7-0alfa-ramnopiranosídeo. epoxiacilglicerídeos. 1988)... lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. Das sementes de H.8. fosfatidilinositol. linolenato de metila. ikshusterol. A quantificação das proteínas das sementes de H. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. No óleo das sementes de H. o H.. N-acilisofosfatidiletanolamina. oléico e linoléico (Tolibaev et al. esterois livres. galactose. . vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. ácidos graxos livres. sesquiterpenóides de H. 1988). mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. sabdariffa foi determinada (Kalyane. kaempferol 3. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. 1978).4'-pentahidroxiflavona.

xantofilas. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. corantes como carotenos. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. globulina. silianum (Kumamoto et al. Das sementes de G. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. hirsutum (Schmidt & Wells. prolamina e glutelina (Sammour et al. 1985). 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. hirsutum e B. esteróis. oléico. fosfolípides. rainundii (Stipanovic et al. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. 1986). 1980). 1986. 1985).Das folhas de H. 1979) e G. esteárico. miristoléico e palmitoléico. palmito-dilinoleínas. barbadense determinou a presença de albumina. óleo-dilinoleínas. principalmente o esqualeno. G. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). dipalmito-linoleínas. 1987). Ermatov et al. D-galactose. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. Foram isolados de G. mucilagens e proteínas (Costa. 1986). mirístico. De G. barbadense. hirsutum e G arboreum. 1995). barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. 1995). resinas. lecitinas. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. diversos terpenóides (Hunter et al. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. dipalmito-oleínas. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. araquídico. 1979). palmítico. também isolado de G. hidrocarbonetos.

veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. 1988a). As partes aéreas floridas de S. ácido glutâmico e aspártico. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. 1990). As partes aéreas de S. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. 1981). 1989a). cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. humilis.(+) gossipol de G. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. fitano.3%3%) (Bandyukova & Ligai. 1997). escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. S. stigmasterol. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. barbadense e G. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. ácidos graxos como beta-sitosterol. vesícula seminal e próstata ventral foram . hirsutum (Mansour et al. hermaphrodita contêm também os flavonóides. rhombifolia e S. Das partes aéreas de S. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. S. pristano. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. De S. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. 1988). ácido palmítico. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. campesterol. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. 1987). Sida Alcalóides foram isolados de S. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. acuta (Goyal & Rani. spinosa (Prakash et al. barbadense e G. 1989b). acuta. A extração das partes aéreas de S. espermátide e espermatozóide. 1989). hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. hirsutum (Zhou & Lin. isoquercitrina.

. Pakrashi et al. As flores de H. 2002). 1986). 1999). rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. Pai et al. 2000). A espécie H. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 1987). Em camundongos. Essas atividades. 1986. porém os níveis de colesterol subiram. no tratamento com Hibiscus. 1985). 1992). Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. Haji & Haji. 1987). e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. 1984. 1999. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. antimutagênica (Wang et al. 1987). Ainda de H. O extrato das flores de H. esculentus (Medeiros et al. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. hipoglicêmica de H. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. moschentos (Tomoda et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. verificadas por Singh et al (1982). e de H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1989). tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1979). 1976a e 1976b ). . A taxa de inibição de fertilidade com H. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H.reduzidos nos animais tratados com H. antiespermatogênica. O ovário apresenta sinais de luteólise. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. sabdariffa (El-Merzabani et al. esculentus. citotóxica. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. 2001). O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. 1990). rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. assim como uma forte ação citostática. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 1985). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase.

. 1985). induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. 1985). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 2001.Gossypium O gossipol. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. 1978). Extratos de S. serratifolia (Sawhney et al. 1995). Terpenóides isolados de G. Flavonóides de G. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). barbadense e G. 1982). rhombifolia (Bortoluzzi et al. Sida Os alcalóides de S. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. 1984). hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. Wang & Bunkers. hirsutum e G. 1996). 1997). As proteínas das sementes de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 2000) e tóxico (Bourke. 1988) e S. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 1980). principal constituinte do óleo do algodão. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia.

Do infuso de S. vulgarmente chamada de Guaxuma. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. 1996).500 espécies tropicais. Bianchi et al. raramente ervas ou lianas (Mabberley. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. poucas em áreas temperadas. 2001). foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. et al. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. Helicteres e Waltheria. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Na região . F. distribuídas em onze diferentes gêneros. exceto Bacillus subtilis. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. Sterculia. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. nos quais se distribuem 1.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. incluindo árvores e arbustos. Dombeya. C. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. Drena As raízes de U. todos típicos de cerrados e campos. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. 1992). do valioso Cacaueiro Joly 1998). 1988b). de grande cultivo em jardins. 1997). Segundo Barrozo (1978). enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. cordifolia (Malva-branca). porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. 1988. Franzotti et al. rhombifolia. 1998). carpinifolia. 1998. 1998. V. Fernandes et al. Das partes aéreas e folhas de S. e o gênero Theobroma. onde são encontrados em abundância.

duas das mais importantes e valiosas espécies. O gênero Theobroma. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf.5). bem como nas comunidades locais da Amazônia. Copoaçu. grandes e vistosas. para o tratamento de diarréia. significa "manjar dos deuses". com estipulas caducas. Cupu-assu. ex Spreng. vermelho-escuras. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. e o chá da sua casca. grossos e tomentosos. pedunculadas. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. ovóide. medicinal e alimentar. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau.) Schum. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. com brácteas linear-lanceoladas. ou por suas variantes: Cupuaçu. fruto do tipo capsular grande. liso e escuro (Figura 11. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. O nome do gênero. com ramos longos. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. folhas com pecíolos curtos e carnosos. . descrito por Carl Linnaeus. flores que brotam dos galhos. de valor econômico. no Pará (Amorozo & Gély. 1991). Em tribos indígenas amazônicas. 1988).da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. Dados botânicos Arvore de grande porte. Theobroma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. oblongolanceoladas. 1990).

ex Mart. denominado Theobroma cacao L. M. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. 1979). 1992a e 1992b). mono. flores dispostas no caule. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. inibidores fenólicos da a-amilase. albuminas. no Amazonas. speciosa possui ácido 1. como a T. fasciculadas. oléico e linoléico. et al..6). contêm flavonóides (Jalal & Collin. Outras espécies desse gênero. 1986). (Figura 11. globulinas (Voigt et al.e tri-insaturados (Costa.3. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. cafeína (Maia et al. fruto capsular ferrugíneo.Theobroma speciosa Willd.. com ramos curtos. até 10 m de altura. Chocolate. 1970. Caca-y. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro.9-tetrametilúrico... T. Pagonini et al. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues.7. 1989). Kakao. Cacao azul. Dados botânicos Árvore de porte médio. Cacao forastero. glicerídeos di-saturados. palmítico. oblongolanceoladas. folhas com pecíolos longos. 1993). Criollo. cacao. tripsina . inteiras. 1977). mirístico. vermelho-escuras. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. grandiflorum). Já a espécie T. Cacaoyer. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. teobromina. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. ácidos esteárico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al.. As essências florais de T. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. 1996). antocianinas.2%). A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. flavan-3-ols. Alcalóides purínicos (cafeína. Os alcalóides teobromina. quercetina3-0-glucosídeo. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia.. (-)epicatequina. speciosum. longifoleno e citronelol (Erickson et al. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. quercetina e esculentina (Bastide et al. Em T. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. tais como ácidos palmítico.5%) e o isoeugenol (8. 1987). O índice de saponificação da T. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. xantinas e lipídios. geraniol. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. cacao. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. ácido cítrico.. Porém.7% a 57.. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. taninos condensados. porém. procianidina B2. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. e T.74% (SantAnna Tucci et al. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. simiarum.. cacao e também em T. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. nerol.(Quesada et al. ácido lático. Além de açúcares totais. pela presença de ácidos graxos. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. gorduras (Malini et al.. 1987). T. cacao consistem de 78 componentes. 1991). bicolor e T. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. subincanum. augustifolium. 1991). ácido ecosadienóico.37 a 1.6%. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. derivados do ácido hidroxicinâmico. taninos. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. Esse constituinte também . teobromina. 1989). 1994).9%). ácido araquídico. mariae. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. augustifolium (Sotelo & Alvarez. bicolor e T.. 1991). 1995). principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. que variou 50.. 1994). Em T. 1986).. 1996). dentre os quais o óxido de linalol (12. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. T. cacao foi caracterizado como de 190. T. O T. diferentemente do T. 1986). tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano.

Sanbongi et al. 1992). Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. 1997. 1992a e 1992b). 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 2002). 1997). 1997. amido. análoga à manteiga de cacau. cacao apresentou um efeito vasodilatador. 1997).. Melzig et al. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. cafeína. proteína. cacao (Gurney et al. 1970. isolada dessa espécie vegetal. 1997).. e a proantocianidina.. cacao (Yamagishi et al. 1997)... Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al.. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. Paganini et al. uma atividade analgésica (Santos. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares.. fenóis e taninos. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al.. et al. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. M. 1997).. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues.. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 2000). clorofila. 1989).pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. .

e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. e Apeiba. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. com o nome de Curumin-nhapuá. folhas curto-pecioladas. 1997). raramente ervas ou lianas (Mabberley. Dados botânicos Árvore de porte médio. de numerosos estames livres. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. sendo a maioria de árvores e arbustos. No Brasil. agudas no ápice e oblíquas na base. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. . Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. 1998). 1978). de até 13 m de altura. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. serrilhadas. da planta Pau-de-jangada. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. os gêneros mais comuns são Luehea. muito conhecida na região amazônica Joly. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. oblongolanceoladas. Triumfetta.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. que a referiram como medicinal. Espécies medicinais Muntingia calabura L.

e salicilato de metila. vermelho. inúmeras sementes (Figura 11. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.7%).5%) e compostos carbonil (23. ovário 5-7 locular. calabura L. quercetina. aqui descrita como medicinal. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. fruto do tipo baga. . 1990). compostos fenólicos (11. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. sendo ésteres (31.6%) e derivados furanos (8. ésteres (26. antiespasmódicas (Corrêa. alcanos (15.3%) os mais significativos.4%). Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. 1991).3%). denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. indeiscente. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. sesquiterpenóides (10. dos quais predominaram alcanos (44. 1984).3%). A casca é emoliente.. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman.3%).7). Dos frutos de Aí. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. e as flores. calabura foram isoladas Havanas.9%).dispostas em pedicelos axilares. Do extrato citotóxico das raízes de M. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. arredondado.

1998.FIGURA 11. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.1 -Bixa arbórea. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .

b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11.Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).2 . 1998) (Banco de imagens - .

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .3 .Gossypium barbadense.FIGURA 11.

Sida rhombifolia var. canaiensis.FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens .4 .

Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .FIGURA 11.5 .

Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .6 .FIGURA 11.Theobroma speciosa.

Muntingia calabura. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .7 .FIGURA 11.

duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. por esse fato. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. C. A. Em duas delas. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Cecropiaceae e Moraceae. Cecropiaceae. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. não possuem importantes espécies de valor medicinal. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Seito C. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Ulmaceae e Barbeyacea. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. e o segundo. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Di Stasi L N. fonte de substâncias também tóxicas. das quais as famílias Moraceae. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.12 Urticales medicinais L. amplamente conhecida como . fonte da maconha (Cannabis sativa). e o importante gênero Urtica. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. As outras duas famílias dessa ordem. Da família Cannabaceae.

Com esse novo arranjo. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Imbati.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Ibaíba. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. folhas grandes. Ambaitinga. Arvore-da-preguiça e Torém. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Ambaí. alternas e protegidas por duas estipulas. Musanga. Ambahú. Pourouma e Cecropia. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Imbaubão. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Toréin. de Lixa. Figueira-de-surinam. . Ibaituga. Ambaíba. peitadas acima do centro. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. lactescentes. e a espécie Sorocea bomplandii. Outras denominações populares são Aimbahú. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Embaúba. referida com adulterante da Espinheirasanta. Arvore-da-guiça. Poiküospermum. Myrianthus. longopecioladas. Ambatí.

apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. 1996). R. As folhas.. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. do grego. 1984b). 1998). R. 1984). hidropisia. . unilocular. usados na fabricação de instrumentos de sopro. et al. lyratiloba (Menda. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. 1983). C. 1994). 1986.. formando infrutescências inclusas (Figura 12. a raiz é considerada útil contra tosse. A.. indicada popularmente como antiinflamatório.flores pequenas de sexo separado.. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. Nas folhas do extrato de C. Kerber. et al. bronquite e gripes fortes. filho da Terra. Santos. Mal de Parkinson. muitas delas de ocorrência no Brasil. carpelar. ecoar". Das raízes de C. 1985). a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. catharinensis. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. antililiásica (Domingos et al.. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. Na região do Vale do Ribeira. Em C. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. 1986). referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero.1). A. asma. reunidas em densas inflorescências. Na espécie C. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. frutos nuculares. que significa "chamar. 1992. C. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. meio homem e meio serpente. adenopus. Das folhas de C. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. F.. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. gemas e brotos são adstringentes. 1996b). A..

2001). Cysneiros et al. arbustos. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. 1998. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. 1988. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada... antidepressiva.. 1998a e 1998b. 2001). pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade.) Burger. 1988). com inúmeras espécies usadas como ornamentais.. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill.100 espécies tropicais e poucas temperadas. distribuídas em 28 gêneros.. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. No Brasil. lianas e ervas (Mabberley. distribuídas em 38 gêneros. isolada de espécies deste gênero.. na Mata Atlântica. ansiolítica (Barettaetal.. descrita originalmente por. A cecropina. a família conta com aproximadamente 340 espécies. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex.. antiulcerogênica (Cysneiros et al. 2002). Rocha et al. dos quais se destacam: Ficus. 1992).. 1997). efeito depressor do SNC.depressora do SNC. que incluem árvores. Em outras re- .. compreende 1. Rocho et al. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. espasmolítica (Delia Monache et al. Dorstenia. 2001). de Espinheira-santa. Morus. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. Johann Heirinch Friedrich Link. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Astocarpus e Sorocea. 1993 e 1996a). característica marcante da maioria das espécies dessa família. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild.

Folhas-de-serra. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. especialmente da Mata Atlântica. . Flavonóides foram isolados de S. Trata-se de uma espécie perenifólia. de casca fina.. ciófita. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. de face superior brilhante e inferior opaca.. Laranjeira-do-mato. da família Celastraceae). chegando a 10 cm de comprimento. com tronco ereto. especialmente na Mata Atlântica. 2001. folhas simples. ilicifolia e S.giões do país a planta é chamada de Cincho. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias.. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. bomplandii. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. 1993). A espécie é latescente. fruto do tipo baga. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Araçari. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. Canxim. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. Gonzales et al. cilíndrico. Recentemente. Resple. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. 2001. 1993).. Calixto et al. Carapicica-de-folha-miúda. quando não está em época de floração. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Soroco. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas).

Reis). b) detalhe da folha. 1998.1 .Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. S. c) inflorescência. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. (Banco de imagens .FIGURA 12. d) flor feminina.

segundo Mabberley (1997). . Na família ocorrem árvores. Thymelaceae e Euphorbiaceae. lianas ou ervas. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. a maioria cosmopolita. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. a família é representada por 72 gêneros.100 espécies. M. No Brasil. 1997). com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. é urgente uma revisão da família. R. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. Santos L. comumente com células especializadas na produção de látex. arbustos. Guimarães C. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. M. com aproximadamente 1. M. 1978). Souza-Brito E. A. Hiruma-Lima A.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. Das centenas de gêneros. C. compreende 313 gêneros. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley.13 Euphorbiales medicinais C. A família Euphorbiaceae.

sendo algumas árvores. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. verdes. lanceoladas. enquanto a infu- . que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. febres. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. Pedilanthus. icterícia e malária. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. separando-se em três cocos.1). Do gênero Euphorbia. dos quais referimos algumas espécies a seguir. e outras. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. espécie rica em óleo de rícino. Mabea. ervas e arbustos.devemos destacar Ricinus. a maior produtora de borracha. fruto seco. estipuladas. peninérveas. folhas simples. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. especialmente em Phyllanthus. pela semelhança das sementes com esse animal. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". com limbo dividido em lobos ou segmentos. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. pecioladas. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. Jatropha e Croton. sementes ricas em endosperma (Figura 13. flores de sexo separado. problemas hepáticos. atualmente cultivada em vários países. esquizocárpico. da valiosa Mamona.

misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). flores de sexo separado. de caule grosso. a Sacaca. folhas simples. separando-se em três cocos. membranosas. estipuladas. grandes. palminérvias. Pinhãodos-barbados. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. folhas alternas. é útil contra hepatite. longo-pecioladas. lobadas. reunidas em inflorescências paucifloras. Pião. com brácteas . Pinhão-de-purga. Pinhão-do-paraguai. lanceoladas. Pinhão-manso. pequenas. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. Croton sacaquinha Croizat. amarelo-esverdeadas. de Sacaquinha. e Mandobiguaçu. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. nodoso. peninérveas. Maduri-graça. sementes ricas em endosperma. esquizocárpico. no Pará. reunidas em inflorescências racemosas.são das folhas. atingindo até 4 m de altura. curto-pecioladas. mas também de Peão. glabras. Nomes populares A espécie é chamada. Pinhão Pinhão-branco. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. no Ceará. flores unissexuadas. lactescente. com ápice curtamente acuminado e base cordada. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. fruto seco. na região amazônica.

1982). esta passa a ser comestível e saudável). Raizde-téu. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. no Pará.. sementes escuras. constipação nasal e como purgativo. partir e tirar a "folhinha". Peão-pajé. coriáceo. Mamoninha. Peão-curador. Batata-detéu. Pião caboclo. Arg. dez estames. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. O nome do gênero Jatropha. contra feridas (Amorozo & Gély. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. gengibre amassado. enquanto as sementes. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. lisas. As sementes são eméticas (Corrêa. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. o látex é aplicado externamente. deriva do grego iatros = "remédio". . Jatropha gossypifolia L. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. fruto do tipo capsular. assim como para constipação nasal. Erva-purgante. gripe (descascar a semente. assar a polpa na cinza. são torradas. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). secar até ficar fria. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). 1988). Pinhão-roxo. colocar no café e banhar a cabeça).lanceoladas. elipsóides e oblongas (Figura 13. 1984). após a retirada do embrião. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores.2). e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell.

as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. trissulcado. com folhas alternas. contra "mau olhado".Dados botânicos Árvore de pequeno porte. o chá das folhas é usado como antitérmico. escuras e com pecíolos pubescentes. O nome do gênero Mabea. ramosa. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. 1982). com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. útil nas obstruções das vias abdominais. o banho. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura.3). que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. 1982). glabras e estipuladas. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. e as folhas na cabeça. roxas. 1984). dispostas em cimeiras paniculadas. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . no Piauí (Emperaire. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. 1988). Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. No Pará. fruto capsular. palmadas e limbo dividido em lobos. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. lineares. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. A planta é purgativa. Em Brasília. folhas pecioladas. flores unissexuadas. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. contra feridas. grandes. cálice com cinco pétalas.

enquanto a infusão de toda a planta. Phyllanthus corcovadensis Muell. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. descrito por Carl Linnaeus. ramificada. O nome do gênero Phyllanthus. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. flores de sexo separado. trissulcadas. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. que atinge até 0. 1984). folhas com limbo. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. alternas.Aublet. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. estipuladas. incluindo as raízes. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. é usada como diurético e contra . dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. Arg. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. significa "flor na folha". flor masculina fasciculada com três estames. distribuídas na América tropical. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Na região do Vale do Ribeira. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. cápsulas pequenas.5 m de altura.4). sementes minúsculas (Figura 13. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. Na região amazônica. com ramos glabros.

além de ser usada contra pedras nos rins. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al... 1998). principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. O óleo essencial das cascas de C. . A infusão das folhas.. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 1986). 1982). 1989). alfa-humuleno. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. transcrotonina.. Posteriormente. é útil contra problemas do fígado. Das cascas de C. Maciel et al. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. 1992). 2000).8-cineol. 1979.. 1990. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al.. Kubo et al. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. beta-cariofileno. 1991).dores de barriga. 1. Em Minas Gerais. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo.. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. de ácido aleuritólico (Muller et al. e os principais constituintes são alfa-pineno. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. 1989.

. 1995).3. alfa-cubebeno. e de C.. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. a levatina (Moulis et al. 3. cortesianus foram isolados o clerodano. metil isoeugenol. gama-elemeno.8-cineol. a printziano e um norclerodano (Siems et al. e chiromodine (Weckert et al.6-trimetoxifenol. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. 1996). crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al.14-dieno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona.. glandulosus (Neto et al. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane.. C.. eucaliptol. 1993b). chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.. 1994). limoneno e outros. lundianus e a C. 1992). o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. cadineno.cadideno. Das partes aéreas de C. metileugenol. gama-elemeno. aubrevillei J. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. Das folhas de C. A composição do óleo essencial das cascas de C. ludianus possui 1. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. linalol. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. lechleri foram: acetato de etila. 1995).16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). hovarum: a 3a.4. 1993a).. 1992). o óleo de C. allo-aromadendreno e torreyol. Porém. a C.. cânfora. 1996)..14dien-9-al e 3a. Além disso. 4-hidroxifeenetil. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. 2. foi determinada. betabourboneno e gama-cadineno. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. alfa-ilangeno. acetato de 3-metil-butanol. alfa-humuleno. 1996).5-trimetoxibenzeno. 1992b). acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. alfa-guaieno. 1992). e das cascas do caule de C. 3. propionato de etila.4-dimetoxifenol. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. mirceno. acetato de 2-metil-butanol. De C. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al.. e das folhas de C. acetato de propila. p-cimeno. 2-metil-butanol.4b-dihidroxi-15. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. estragol. lechleri foi isolada a sinoacutina.. zambesicums Muell. enquanto germacreno B. . sitosterol. 4b-dihidroxi-15. glandulosus.4-dimetoxibenzil. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. Os constituintes voláteis isolados de C.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).

curcas foram isolados ainda as latiranas. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown.. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. jatrofolona B.7. Jatropha Das raízes de J. 1981).7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. castaprenol-11.. beta-sitosterol (Chen et al. 1991). salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. macwstachys (Herlem et al.. C. 1986). 1988). a seco-labdane (Schneider et al.. 1996). 6-metoxi-7hidroxicoumarina.. 16hidroxijatrofolona. eluteria foram isolados sesquiterpenos. b-sitosterol. hemiargyreus (Barnes & Borges. argyrophylloides (Monte et al. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno... 1976). os triterpenóides jatrofolona A. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. 1991a). caniojana.. taraxerol. 1994). ésteres e cetonas não-terpenóides. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. jatrofolona B. jatroolona A. Das partes aéreas de C. tomentina. .6-diona. e das cascas de C. taraxerol. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. e de C. 1996). draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina.5. jatrofina. 1993). 1995)..7b-dihidroxiannoneno e 6a. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. Das raízes de C. De J. riangularis (Moura et al. e das folhas de C. enquanto alcalóides foram encontrados em C. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 6a. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. jatrofol. Compostos terpenóides foram isolados de C. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. 1992).. 1992). eudesmanos. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. diasii (Alvarenga et al.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al.De C. stigmasterol. 5hidroxi-6. De C.. gossypifolios (Cespedes et al.7-dimetoxicoumarina. 1991). Do óleo de C. 1986) e C. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al...3'. nobiletina. 1992).

. jatrofolona B. esteróides e glicosídeos. 1997). Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. multifida L. saponinas. metionina (13.. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. 1989).60%. gadaína (Das et al.. 1988). 1988). Das folhas de J. As espécies. 1988. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al.6% de ácido oléico. glicina (19. 1997. os aminoácidos cistina (2. elbae. curcas foram isoladas também várias lectinas. sendo 0. alanina (28. ácido araquídico e toxalbumina. ácido oléico. 1987.. 1983). denominada curcina (Costa. podagrida apresentaram 24%. terpenos. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al.. isoleucina (3.. pohliana var. foi isolado de seu látex a albaditina. Banerji et al.07%). De J. 1996b). Do látex de /. 1987). bem como o ácido nurístico. 0. 1989a e 1989c). De J. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. divica foram isolados beta-sitosterol. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al./. malacophylla. Teixeira. além de outros três derivados diterpenóides. J. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona.1997)..26% de ácido aracdônico.. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. 1990)..9%. 15.. Saponinas foram detectadas apenas em J. Das folhas deJ. 1988). isoorientina. Auvin-Guette et al. valina (18. compostos fenólicos.. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. gossypifolia e J. flavonóides. curcas. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo.1%). respectivamente (Raina & Gaikwad.15% e 15% de ácidos graxos saturados.. e 43. 1995).. J. arginina (0. ácido esteárico. J.. Makkar et al. 1986). 1988).26%.9%.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. tlalcozotitlanensis e J.94%). 1996. 2epijatrogrossidiona. Das raízes de J. Das raízes secas de J. 0. ácido linoléico (Nasir et al..9%). gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. 1996a) e jatrodiena (Das et al.92%) e leucina (12. Das cascas da raiz de J. mollissima foram isoladas orientina. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. 1997). Do caule de J.71%). caniojanae 1. . 1997). 1989). Dos rizomas de J.98%). 1990).30%) (Jain & Garg. 14. galvani (Guevara et al. De J.

fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. discoideus.. Anjaneyulu et al. gossypifolia. citral. 1991). diterpenos. simplex... triterpenóides (Joshi et al.. 1996). 1986. lignanas (Satyanarayana et al. ácido caféico.. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. da qual foram isolados alcalóides. Ahmad et al. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. Anjaneyuly et al. Ojewole & Odebiyi. 1988). como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. Yunes et al. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.. Mabea Do látex do caule de M. flavonóides. 1996). terpenos. 1990. hidroxiflavanona. 1996. assim como os diterpenóides de J. 1977). Hassarajani & Mulchandani.. Singh et al. virgatus (Babady-Bila et al.. enquanto em P. P. ácido clorogênico.. Negietal. 1983. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1986. 1980 e 1981). 1996. 1989. 1988. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. 1988). timol e carvacrol (Odebiyi. amarus e P. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. 1988. De P.. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). Houghton et al. 1990). Singh et al. 1995).. Singh et al. 1997). 1980). e dos frutos de M. De J. 1996... 1991). 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al.. a mais estudada é a P..Da espécie J... 1985).. Huang et al. niruri. 1989a e 1989b.. 1988. cumarinas. 1986). Mensah et al.. . antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. sacarose. 1986. neolignanas (Satyanarayana et al. P. Petchnaree et al. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al.. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al.. P.. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1988. 1981). levulose. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.

Bighetti et al.... estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al... .. Em P. 1996b). 1995). fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. 2002. antiinflamatória. De P. HirumaLima et al. 1993. antinociceptiva (Carvalho et al. emblica L. 1988. antiedermatogênica (Campos et al. alkekengi var. 1999).. Z. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. analgésica. Tanaka et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. 1988. 1996). Li et al. 1997 e 1996a). Tanaka et al... myrtifolius. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al.. Farias et al.De P... 1988. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1995a).. Farias et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1996)... calisteginas (Asano et al.. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. francheti foram obtidos cicloheptano. nalcanóis. 1987. 1988b). 1988a. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al.. 1989. antidiabética (Silva et al. 1996). antiestrogênica (Luma Costa et al. et al... De P. Lu et al.. 1996) e fisalinas (Makino et al. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. 1996)... 1996c). 1997).... 1999a). 2001). olenadienóis. De P flexuosus foram isolados triterpenos. 1998). Das raízes de P. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. et al. 1996). além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. D. Tanaka & Matsunaga. hipocolesterolêmica (Martins et al.. além de taninos (Zang. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. C. 1995b). 1998. n-alcanos.

para crotina I foi de 0. 1980). 1988a). Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. entre outras. 2000a e 2002b). Chen & Pan. C.. sonderianus (Craveiro & Silveira. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. 1986). tiglium (Deshmukh & Borle. A DL50.. 1980. glabelus (Novoa et al. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. C. hipotensora de C. rhamnifolius (Silveira et al. 1975). 1988). C. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. antiulcerôgenica de C... Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. Tang et al. M...4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. 1984). erythrochilus. 1985) e C. penduliflorus (Anika & Shetty. et al.23 mg/kg para crotina II. anticonvulsivante e analgésica de C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1988. 1988) e C. lechleri. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. 1987). 1985. 1993. 1988b) e substâncias isoladas de C.. mais comumente de C. 2002a). campestris (Lima et al. anestésica local. a ligana 3'. Das sementes de C. Luz Paredes et al. 1993. C. subtyratus (Kitazawa et al. 1994). 1999b. antinociceptiva (Bighetti et al. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- .. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. 1993). 1982). Batatinha et al.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al.. inseticida de C. penduliflorus (Asuku. 1983). Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. C. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. zehnteri (Albuquerque et al.. presente nos casos de C. 1999). 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al.. C. cajucara (Hiruma-Lima et al..45 mg/kg e 2. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. 1987) e C. 1982). com o uso prolongado (Rodriguez et al. rangelianus (Lima et al. Costa.... tranqüilizante. macrostachys (Mazzant et al. Ao final. 2001).. lacciferus (Ratnayake et al. draconoides e C..

Ao final dos experimentos. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. C. berberina e outros alcalóides desse grupo. Das raízes de C.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters... Ao final. antibacteriana e cicatrizante. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P.. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. macrostachys foram isolados crotepóxido. 1992a).. Pieters et al. 1991). O efeito de C. 1992. 1993). os alcalóides de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. 1995). pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta.32% de alcalóides e 2. tonkinensis contêm 0. lupeol.. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. 1994a e 1994b). 1994). A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. Essa possui isoguanosina. O extrato etanólico bruto das folhas de C. nardus (Lemos et al. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. 1992). sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas.. Do óleo essencial de C. 1991a e 1991b). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol .. As folhas secas de C. berghei (Be &Truong. betulina e ácidos graxos. 1995).. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. De C.78% de flavonóides. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato.

1989 e 1991). 1995). lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.p.. 2000). 1992). haematobium (Rug & Ruppel. 1988). tiglium (Fanetal. Ubillas et al. 1993). 1989). Das sementes de J...9%) (Liberalino et al. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. Das sementes de /. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. a curcaína (Nath & Dutta. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al.. Do látex de J. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. O óleo de C. 1994). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. 2000). tanto na prova do campo aberto.. 1997) e Schistosoma mansoni e S. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. Do extrato clorofórmico das raízes de C. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. 1995). e no retículo sarcoplasmático. 1992.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.. Os extratos da sementes de C. 1988). curcas. Atividades larvicida (Karmegam et al.. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. o alcalóide taspina (Itokawa et al. 1991). zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al..39 mg pela via i.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. 1987. curcas foi isolada uma enzima proteolítica... 1990) o óleo de C. 1994). Jatropha Das sementes de J. Hirota et al. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. Do látex de C. 1991a).... (Huang et al. 1988.. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. antiplasmodial (Kohler ..

2001). O óleo das sementes de /. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. Esta mesma atividade foi observada em J. De /. Das raízes de J... 1996). curcas. 1992a. 1997). Dutra et al]. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. 1992b e 1996). P. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al..et al. De J. 1996). A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.. 1996). 1996. 1996). Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al... A J. isabellii foi isolada a jatrofona.. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe.. O látex de /.. De J. antiespasmódica (Silva et al. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. et al. 1987) e tóxica (Brum et al. espasmolítica (Trebien et al. 1996). . cilliata foram isolados isoorientina e orientina. As folhas de J. et al.. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al... 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. F.. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. J. 1993). 1996). glauca (AlZanbagi et al... multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. 1996).. curcas foram isoladas curcusonas A e C. 1987b). 2000).. e de J. gaumeri (Sanchez-Medino et al. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 2001). 1987) também foram caracterizadas em J... usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. 1987). 1990.. Santos et al. 1998). zeyheri foi isolada a jaherina.. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1994). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. 1992). De J. M. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. multifida.

1995). 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis.. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. Shimizu et al. 1988). Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. O extrato hidroalcoólico de P.. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. De P. 1985 e 1986b. 1984. 1992).. campesterol e fitosterol (Santos et al.. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al.. 1993. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. Além disso. 1987). 1988). porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis).Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al.. 1987). 1996). A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. 2000). .. 1995). Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. Di Stasi. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al.. 1996a). mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.. Além disso. 1995). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. 1989). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase.. 1994).. Santos et al.. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. Ribeiro et al... 1988. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. 1995).. 1992. diurética.. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. Gorski et al. 1985).

das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. 1994).. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. ácido brevifolincarboxílico. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al... 1996)... . 1995). de P urinaria. 1990. 1997). niruri e P urinaria (Santos et al.. ácido gálico e ácido protocatecoico. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. Foram caracterizadas. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1996). 1995).. 1988). O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian.. corilagina. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al.. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. 1996). Roy et al.. 1996. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al.. 1997a e 1997b). 1995). De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. 1991). e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al.. ácido elágico.. 1995). Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1996). Sane et al. 1996). O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al.. 1997). 1996). quercetina..

Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Como conseqüência de seu uso crônico. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. 1979). 1984).. náuseas. Pieters et al. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. Ahmed & Adam. e ação estimulante da musculatura lisa. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. Torpor. Efeitos como redução no tempo de protrombina. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Hemorragias internas em diversos órgãos. 1993. diarréia. 1979). Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Existem registros de intoxição em crianças de J. 1979).. 1986. 1987) e provoca náuseas.. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. Porros et al.... podendo causar a morte em humanos. mutifida (Levin et al. hipotensão e desidratação. curcas em ratos.. Itokawa et al. 1993. 1995. Quadros de hemorragia anal. 2000). distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. 1991c). redução no consumo de água. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979).. vômitos e diarréia.

tiglium (Bauer et al. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.1 . Pieters & Vlietinck.(1999). nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. 1986).. FIGURA 13. 1998) (Banco de imagens . 1983.

Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13. .2 -Jatropha curcas.

. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.Jatropha gossypifolia. Hiruma-Lima).3 .FIGURA 13.

4 . 1998).FIGURA 13. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . b) flor feminina.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

pigmentos. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. É composta por árvores. gomas. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). 1997). 1978). A. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. algumas delas de valor medicinal. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. arbustos ou ervas. sendo raramente descritas epífitas. .14 Guttiferales medicinais C. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. e Elatinaceae. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. No Brasil ocorrem 21 gêneros. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. Hiruma-Lima L. óleos essenciais e resinas. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. C. Clusia.370 espécies.

ácido crisofânico. e algumas na África. madagascina. e várias têm valor medicinal. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. descrito por Domingos Vandelli.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. foi dedicado a Visme. ácido betúlico. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. coriáceas. também chamada de Lacre. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. damagascina. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. Trata-se de uma espécie semidecídua. friedelina. com distribuição restrita à América tropical. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. damaradienol. No Brasil. opostas e com borda inteira. euxantona. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. como Picharrinha. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. Em V. Em outras regiões. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. com ocorrência em formações secundárias. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . martiana foi observada a presença de sitosterol. as folhas são simples. sendo facilmente cultivada. O tronco ereto possui casca grossa. a maioria é fornecedora de resinas. 1990). pecioladas. O nome do gênero Vismia.

.. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.. magnoliaefolia. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. e em V.. 2-isorenilemodina e 5. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza..japurensis Rich. 1982). indicado para dermatofilose. 1983). Em V. Porém. vulgarmente chamada de Pichirina. De Vistnia caynnensis. . 1993). et al.e a ferruginina (Pasqua et al. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al.. Das raízes de V. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. benzofenonas (Fuller et al.. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al..5'dimetoxisesamina (Camele et al. da planta fresca (Tokarnia et al.. 1999) em V. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. 1995). 1995. 1979). Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. 1994). conhecido popularmente como Lacre. 1996). micrantha foram isolados xantonas.. O extrato etanólico da folhas. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. 1996)... p-o. vários triterpenos. cayennensis. Os extratos hidroalcoólicos. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. 2000). não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg.. como a friedelina. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 1997). 1999). Moracelli et al.

15 Primulales medicinais L. sendo a maioria árvores. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. arbustos e lianas. C. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. Rapania e Cybianthus. Nessa família ocorrem 33 gêneros.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Theophrastaceae e Myrsinaceae. A. nos quais se distribuem 1. . Di Stasi C. descrita por Robert Brown. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. 1997). e poucas espécies herbáceas (Mabberley. ainda não identificada completamente. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins.

1). Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. ovário supero. Não foram encontrados sinônimos para ela. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". actinomorfas. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. .Espécies medicinais Cybianthus sp. folhas alternas. reunidas em inflorescências axilares. inteiras. dispostas em racemos. e anthos = "flor". referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. flores pequenas. ramos. sem estipulas. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. flores e frutos. androceu com cinco estames opostos às pétalas. curtas. diclamídeas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra.

Cybianthus sp.FIGURA 15.1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .

uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir.16 Capparidales medicinais C. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. no entanto. gripes e bronquites. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. além de seu consumo como condimento. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. Para a espécie Nasturtium officinale. essas espécies não foram referidas como medicinais. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). Hiruma-Lima L. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. C. Na região amazônica. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. anemia e distúrbios da tireóide. . A.

que atinge até 1. arbustos ou pequenas árvores. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Capparia e Maerua. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. com muitas flores rosas e bonitas. 1978). tem valor medicinal na região amazônica.5 m de altura. que justifi- . descrita a seguir. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. 1997). inflorescências terminais bastante vistosas. Os principais gêneros são Cleome. raramente são descritas lianas (Barrozo. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). com seus representantes incluindo ervas. e a espécie Cleome latifolia.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies.

droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. O extrato metanólico da planta toda de C.0025%). um trinortriterpenóide dilactona. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. 1986). 1988) e um diterpeno macrocíclico. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. 1990).. 1997b).06%) (El-Din et al.. kaempferitrina (0. 1997) e triterpenos (Harraz et al. a diacetoxibraquiicarpona.cam seu uso como ornamental. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. o ácido cleomaldéico (Jente et al. Das sementes de C. incluindo a Cleome latifolia. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. Várias espécies desse gênero. 1996).03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0.. os flavonóides artemetina (0. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. kaempferol... 3.. De C.7-di-O-ramnosídeo (0. e das partes aéreas de C. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. 1987). viscosa apresentou um . a isoramnetina 3.. De C.0013%). das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. 1995). a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. são cultivadas e usadas como ornamentais. 1990).7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. bonanzina (0. 1990). um flavonol... isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo.0075%). 1997). 1997) e glicinebetaína.. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al.

C. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. Chrysantha (Hashem & Wahba.. viscosa (Samy et al. 1995a) e antioxidante (Selloum et al. 1999)... A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. . 2000) e C.. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa... 1970). gynandropsis Samy et al.. Lemos et al. 1996). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al.. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. A espécie C.. popularmente conhecido como Mussambé. 1996). 1995b).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. 1999). 1992). 1995).6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al... 1993. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. De C.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Saxifragaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. C. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Na região amazônica. 1978). a qual descrevemos a seguir. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. espécies dos gêneros Spiraea.17 Rosales medicinais L. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Várias espécies dessa ordem são medicinais. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Rubus e Prunus. Di Stasi C. com inúmeras espécies medicinais. No entanto. A. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Crassulaceae. e de Rosaceae. a qual foi identificada apenas até o gênero. Pittosporaceae.

Espécies medicinais Hirtella sp. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. muitas delas usadas para a produção de carvão. estipuladas.1). incluindo árvores e herbáceas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. peninérveas. ovário unilocular. segundo Barrozo (1978). . cíclicas. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. corola com cinco pétalas. com cerca de 460 espécies tropicais. fruto do tipo drupa. onde ocorrem 120 espécies. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. cálice gamossépalo com cinco lacínios. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. referindo-se ao tipo de pilosidade. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. flores pequenas. inteiras. diclamídias. Chrysobalanus e Hirtella. zigomorfas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. sépalas e pétalas livres. Os principais gêneros dessa família são Licania. folhas simples. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. alternas.

e raiz bifurcada para as mulheres. da histórica Spiraea ulmaria.825 espécies subcosmopolitas. a famosa aspirina. ou frutíferas. a maioria nos gêneros Prunus. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. Normalmente são árvores de pequeno porte. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. toxicologia e química. No Brasil há poucas espécies. ralada. arbustos e ervas (Mabberley. que inclui. com destaque para os gêneros Rubus. do gênero Frunus. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. primeira substância a ser comercializada como medicamento. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. 1997). e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. encontradas em climas temperados. compreende 95 gêneros. os gêneros Crataegus e Malus. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. como a . com destaque para o gênero Spiraea. entre outros.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. • Maloideae. Potentila. • Rosoideae. Agrimonia e Fragaria. com aproximadamente 1. da qual foi isolado o ácido salicílico. como é o caso das espécies do gênero Rosa. no que se refere à farmacologia. é utilizada como afrodisíaco. Rubus e Quijala. também se utiliza o chá contra reumatismo. e • Prunoideae. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.

Espécies medicinais Prunus domestica L. e contra diarréias. solitárias e/ou geminadas. Damasco. que existe em grande número. dispostas em fascículos do tipo umbela. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Cereja. Nomes populares Na Mata Atlântica.Maçã (Malus). lanceoladas. carnoso. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. com folhas alternas. e a infusão dos frutos. 1998). Groselha e Moranguinho (Rubus). Pêssego. doce e com uma única semente. comestível e saboroso. dependendo da variedade. pendente. especialmente de cabeça. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. a decocção das folhas é usada contra dores. Pêra (Pirus). O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Ameixa. flores vistosas brancas. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. de margem serrada. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Marmelo (Cydonia). ásperas. fruto do tipo drupa. assim como em várias regiões do país. em latim. . enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. Morango (Fragaria). O nome do gênero corresponde a "ameixa".

contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.1 . laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. 2002.. Nakatani et al. 2001). 1978) (Banco de imagens • . Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 2001). Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al...Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). 2000). 2001). Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al.. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. FIGURA 17.Sapuntzakis et al.

nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. dependendo do arranjo sistemático adotado. Guimarães C. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. M. arbustos. lianas e ervas. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. R. Hiruma-Lima A. incluindo árvores. . Di Stasi E. medicinais. 1997). A. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. M. C. M. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. Santos C. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley.18 Fabales medicinais L. ornamentais. Compreende três subfamílias. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico.

no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. Dalwits. 1997). sapan e C. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. senna. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. angustifolia e C. C. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. dentre as quais C. bonducella. a saber: Caesalpinia férrea. Dialium e Senna. J. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). Cassia occidentalis. C. que inclui o gênero Caesalpinia. das quais se destacam as espécies C. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). que inclui os gêneros Cássia. . C. • Detarieae. que inclui o gênero Copaifera. bonduc. que inclui o gênero Bauhinia. occidentalis. • Cercideae. Caesalpinia pulcherrima. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. Cassia multijuga. todos contendo várias espécies de valor medicinal. • Cassieae. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. as quais descrevemos a seguir. pulcherrima. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata).

vistosas (Figura 18. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. assim como em quase todo o Brasil. com grande abundância na Mata Atlântica. folhas glabras. É uma planta decídua. algumas arbóreas e outras lianas. sempre com acúleos e seus dois ápices. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. tronco tortuoso ou ereto. Por ser de rápido crescimento. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. heliófita.1). Pata-de-boi e Unha-de-boi. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. bastante espinhosa. onde ocorre em áreas úmidas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie fornece madeira leve. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. raramente dentro das florestas. usada para produção de carvão e caixotes. Mororó. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. . dadas as características morfológicas de suas folhas. flores intensamente brancas. É amplamente utilizada como ornamental. mas especialmente nas encostas e formações secundárias.

ultrapassando o cálice gamossépalo. séssil. hermafroditas. leiostachya. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Nomes populares A espécie é denominada. após aquecimento. além de ser empregado como fortificante para crianças. além de largamente empregada como espécie ornamental. podendo chegar a 15 m de altura. A espécie é heliófita. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. ao passo que o preparado de casca de jucá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. ferrea var. dez estames. flores diclamídeas. ferrea e a C. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. fruto levemente estipitado. botânico italiano. é utilizado como . ferrea var. Dados botânicos Arvore de grande porte. especialmente de ruas e avenidas. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. folhas de manga. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. Suas folhas. é utilizado contra asma e bronquite. ovalados ou obovais. na forma de decocto.Caesalpinia ferrea Mart. aquecido até formar um xarope. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. Imirá-itá. açúcar e água. folhas bipinadas com folíolos oblongos. Muirá-obi e Muiré-itá. na região amazônica. várias são as utilizações medicinais dessa espécie.2). Jucá. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. casca de jatobá. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. São muito comuns duas variedades: a C. com tronco liso e cerne duro. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. quase reto (Figura 18. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos.

Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. bipinadas. na região. Espécie muito usada como ornamental. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. a decocção das raízes é usada como antitérmico. pois floresce quase ininterruptamente. Caesalpinia pulcherrima (L. Nomes populares A espécie é denominada. sobretudo como cerca viva. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. folhas compostas. 1982). No Piauí. além do uso comum contra gripes. inflamações do fígado e baço. contra tosse crônica. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. e em Alagoas. 1982). também é chamada de Flor-de-pavão. . tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire.anticatarral. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. Em outras localidades do país. 1984). especialmente bronquites. com até 10 cm de comprimento. Flor-do-paraíso. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. Na região da Mata Atlântica. Chagueira ou Barba-de-barata. resfriados e tosses. com folíolos ovado-oblongos. glabros. Considerada de origem antilhana. 1984). flores grandes e vistosas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos.) Sw. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. A vagem crua é útil contra tosse. internamente. Baio-deestudante. asma e como cicatrizante (Campêlo.

sendo uma planta decídua no inverno. Cassia multijuga Rich.como emenagogo e abortivo e. febrífugos. externamente. A espécie ocorre em todo o Brasil. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. com rara ocorrência dentro de florestas. tendo propriedades tônicas. purgativos. além de ornamental. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. dado à falsa canela. descrito também por Carl Linnaeus. excitantes. a raiz é acre. odontálgicos. brinquedos. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. atingindo até 10 m de altura. lenha e carvão. casca lisa e cinzenta. . febre e como purgativo. O nome do gênero Cassia. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. o fruto é do tipo vagem reta. amarga. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados.3). obtusos no ápice e com base irregular. pela beleza da planta na época de floração. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. febrífugas e venenosas. abortiva. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. heliófita e pioneira. Segundo Corrêa (1984). Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. folhas pinadas. Em outros locais do país. largo e achatado (Figura 18. quando em grandes doses. estipuladas. as folhas e flores são usadas como tônicos. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. em doses elevadas. a casca é considerada emenagoga e. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. deriva do grego Kasia.

beiras de estradas e próximo a culturas. assim como em outras regiões do país. Mamangá. Ibixuma. Manjerioba. curto-peciolados. estipulada e com glândulas na base. Tararucu. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. Na região da Mata Atlântica. no Piauí a infusão do caule. racemos axilares. verde-escuros em ambas as faces. frutos do tipo vagem glabra. infecções gerais. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. amarelas. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). gripes.4). Em Minas Gerais. Outras denominações são Folha-de-pajé. no Brasil é espontânea nas pastagens. Lava-prados. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. resfriado e diarréia (Grandi et . a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. diurético e colagogo (Gavilanes et al. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Majerioba. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Maioba. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18.. achatados. é indicada popularmente como antitérmico. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Segundo Emperaire (1982). com caule lenhoso na base. Mata-pasto. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. Lava-pratos. paripenadas com ráquis comprida. laxativo. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. febre. folhas alternas.Cassia occidentalis L. flores grandes. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. dispostas. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Rioba. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. ramos quase cilíndricos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gineceu com ovário piloso.

1990). 1985). Em outras localidades do país. No Brasil. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter.al. febrífugo e diurético. A espécie C.. sudorífico. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. mordida de escorpião. preparadas como o café. desordens do trato urinário. 1982). diurético. Na Amazônia peruana. febrífugo. 1970). internamente. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. doenças venéreas. são utilizadas contra asma.. dores menstruais e uterinas. 1994). reumatismo. erisipela e tuberculose. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. emenagogo. 1988). Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral... mas também são utilizadas contra tuberculose. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. 1990). doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. como vermífugo (Nagaraju et al. anemia. reumatismo. No Peru. na forma de cataplasma. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. na asma. nos desarranjos menstruais. purgativo. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. No Panamá. as raízes são consideradas diuréticas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. como antiinflamatório e. rins e bexiga (Simões et al. 1979). sarna e doenças de pele (Bardhan et al. Na Índia. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. . estômago. malária. inflamações nos olhos. 1986). o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. as sementes. as raízes são consideradas um tônico. No Rio Grande do Sul. Além disso. como Mata-olho. é utilizada contra doenças do fígado.. problemas hepáticos. Cassia reticulata Willd. e para constipações em bebês (Gupta et al. tinha e hemorróidas.

dispostas em cimeiras terminais. Jatobá-de-anta. como antitérmico e diurético. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. Jutaí-açu. farinhento e comestível. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Algarobo. negras. tronco ereto e ramos glabros. Jatai. os frutos são vagens delgadas. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. marrom. com 6 a 15 cm de comprimento. a espécie é conhecida como Jatobá. folhas compostas. Também é chamada de Jatobá-mirim. ápices acuminados. base assimétrica. Abati-tambaí. lisos. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Jutaí-do-campo. entre outros.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. alternas e pilosas. Olhode-boi. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. brilhante. com casca dura. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto doce. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. Hymenaea courbaryl L. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Jutaí. flores brancas vistosas. Nomes populares No Vale do Ribeira. Jutaí-café. Jutaí-peba. Jatobá-roxo. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. com até . Jatobazeiro. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. 1994). Jatobá-de-porco. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo.

além do uso contra bronquite. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. com florescimento entre outubro e dezembro. ferrea forneceu sitosterol. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. enquanto a madeira é usada na construção civil. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B.. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira.. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. É uma espécie semidecídua. enquanto o xarope da casca do caule. 2000). em alusão aos dois folíolos. O nome do gênero deriva do grego hymen. Caesalpinia O extrato benzênico de C. Yadava & Tripathi. vermífugo. ácidos palmítico e octacosanóico. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B.forticata (da Silva et al. 2000) e os flavonóides kaempferol. o deus da união. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. é eficaz contra tosses. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. e a seiva é excelente tônico para crianças. sendo usada na arborização de parques e jardins. 2001. estimulando a digestão e fortificando o organismo. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. especialmente em crianças. sedativo e peitoral. ácidos .15 cm de comprimento. microstachya (Meyre-Silva et al.

quercetina (Rao et al.. 1987)... pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. brazilina (Namikoshi et al. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. 7p-vouacapenediol. 1997). protosapina (Namikoshi et al. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 1954). quercimeritrina (Awasthi & Misra. 1977).9. ácido 3.4.4benzoquinona (McPherson et al. 2002). cianina. 4-O-metilsapanol. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. lup-20(29)-en-3beta-ol. 6p-cinamoiloxi5a. 3'-0-metilbrazilin. beta-amirina.. 1997). 1986. 1978). 8. 8metoxibonducelina. C e D (Patil et al. beta-sitosterol. 3'-deoxisapanoI.. sappan foram isolados octacosanol. 1977)... bondenolídeo. 1973). 1983). Kim et al. 1997). Das sementes de C. 1983).. lupeol. C e D (Peter et al. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal.ll. 3'-0-metilsappanol. 4-O-metilepisapanol.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1978)... 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona.6-dimetoxi-l. 1987b. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. leucodelfinidina. 1987) e pulcherriminas A. 1978) e 2. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al.5-trihidroxibenzóico (Rao et al.. taraxerol (Yadava & Nigam. 1987a). bonducelpina A. Peter et al. 8metoxibonducelina. 4. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1997a). sapanona B. bonducelina. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona.. Das cascas e raízes de C. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1996). 1985). .. quercetina. B.. sapanol..14-didehidro-5a-vouacapenol. Foram isolados os flavonóides: rutina. miricetina. 1997b). Da madeira de C.. 1997).. B. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. pulcherimina. alfa-amirina. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 3'-0-metilepisappanol. 1987e). ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. episapanol. 1987c). De diferentes partes de C. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il...

C. 1986. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima.. occidentalis. sitosterona. ácidos linoléico e palmítico de C. Foram isolados alcalóides de C. taninos. S. M. isolaram-se 1. sapanol. 1977). 1977). Das sementes de C. Na espécie C. caladenia e C. 1987f).. 1995).. reticulata. 1997). B e C (Namikoshi et al. glicosídeos de C. C. Da madeira de C.. . japonica (Namikoshi et al. dicopetala (Chowdhury et al. 1981). pumila foi analisada. 4-O-metilsapanol. cacalaco e C.. Kitanaka et al.. M. 1983). ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al.. 1987. episapanol.. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. sitosterol. glicosídeos cardiotônicos. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1986). além de xantonas (Wader & Kudav.. sappan (Namikoshi & Tamotsu. isoliquiritigenina. et al. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. 1987d).. 1996). Cassia Da espécie C. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. glicosídeos (Singh. (Kitagawa et al. Dos frutos de C. Namikoshi et al. Do Fedegoso. sapachalcona. 1985). 1985). estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. sapanonas a e b. vários compostos aromáticos de C.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina.. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. 1982). C. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. 1996). platyloba. 1994). isoflavanóides de C. 1996) e de C. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. saponinas. buteína.. a espécie C. 3-deoxisapanchalcona.. sappan (Saitoh et al. brasilina e protosapaninas A.Das raízes de C. 4-O-metilepisapanol. 1977. hintoni (Contreras et al. 1988)... Fuke et al. digyna (Mahato et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al.. sappan (Nigan et al. 1987a).

. 1977) e os ácidos cáprico. alfa. occidentalol-1. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. Foram isolados das sementes de C. 1988b). crisofanol. 1990). germicrisona. pinselina..8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. 1987. Singh.. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. 1989a). roxburguinol e um novo estilbeno. De C. 1987). ácidos monoenóico.. J. além de flavonas (Guptaetal. Das sementes de C. occidentalis foram isolados pinselina. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. 1985). occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1987). 1978). beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. crisofanol. 1979). palmítico.. 1989). roxburguina (Ashok & Sarma. De C. questina. 1987). occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. . 1. Das superfícies das folhas de C. De C. 1986). 1986. 1988a). 1986)...7-dihidroxi-3metilxantona. Das folhas de C. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. l. occidentalol-2. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. 1996). metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido.. 1990). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou.. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. dienóico e trienóico (Zaka et al. triglicerídeos (Zaka et al. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. Da raiz de C. 1987). marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. Das sementes de C. 1987). O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. bis (tetrahidro) antraceno.. emodina. 1989).1987. esteárico e oléico (Alencar et al. mirístico. 1982) e das raízes (Singh & Singh. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards.e beta-amirina. J.. roxburguina. 1985). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. Telange et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al.. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. & Singh.

questina. obtusifolina e estigmasterol. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh.. Nas sementes de C. 1988). além da presença de beta-sitosterol. 1979). 1980) e os ácidos palmítico. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. De C. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido.. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. obtusofolina. oléico e linoléico. obtusifolia foram também isolados obtusina. Asamizu et al. 1989). uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. 1988). De C. obtusina. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. além de ácido palmítico. polissacarídeos (Khare et al. De C. 1990). aurantioobtusina. colesterol. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. 1990). flavonóides (Wassel & Baghdadi..estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. beta-sitosterol e l. 1987). antraquinonas (Zhang et al. angustifolia não difere muito do de C. ácido crisofânico. 1997). Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. malválico. linoléico. esteárico.. 1978). 1986). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1984). 1985). De C.. flavonas. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta.. Ishidaet al. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1988). Metil palmitato e metil oleato. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. succínico e tartárico (Matsuura et al.. flavonóides (Crawford et al.. crisoobtusina.. o senosídeo é o principal desses derivados. . glicosídeos. o aminoácido histidina (Zhang et al. De C. oléico. .. flavonóides (Wassel & Baghdadi. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. 1988). 1986). m-cresol. fisciona.. 1986. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. O perfil fitoquímico de C... 1986). estigmasterol.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. 1989). Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. 1977).. 1987. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. e das folhas.. emodina. De C. 1989). 1986).Das raízes de C. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh.

e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. 1990). O extrato das folhas de C.De C. 1988). javanica apresenta nonacosano. Chowdhury et al. De C. Das raízes de C.. Das vagens de C. O óleo da semente de C. 1988) e antraquinonas (. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. ácido behênico. 1977). flavonóides (Srivastava & Gupta. 1990a) e antraquinonas (Messana et al.. fistula e das cascas de C.. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. 1990). auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. Das folhas de C. carboidratos. glauca foram isolados os ácidos palmítico. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. proteínas brutas. beta-amirina. 1989a). triptofano. 1987b. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. As cascas do caule de C. aminoácidos (lisina.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. Das cascas do caule de C. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . palmitato. oléico. 1988). triacontano.senosídeos das folhas de vagens de C. araquidato de beta-sitosterol. 1987). 1988). 1987). linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. esteárico. Do óleo das sementes de C. behenato de beta-sitosterol.. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. 1990). fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al.. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al.. 1978). emodina. malválico. 1991). arginina. . 1978). 1988). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. fistula (Cano Asseleih et al.Ahuja et al. 1981)...... Das sementes de C. fistula e C. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. butirospermona. ácido glutâmico e aspártico. De C.. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. treonina e leucina). 1990). De C. renigera possui ácidos vernólico. palmitato de beta-sitosterol. linoléico.. 1987b). 1990a). 1990). De C.. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. reina.

spectabilis foram isolados antraquinonas. 1987). 1988). falacinol e uracila (El-Sayyad et al. além de alcalóides (Christofidis et al. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. emodina e rheina) (Krambeck et al. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. marginata (Kumar et al. Cassia javanica (Azero et al. 1987. (Baba et al. pumila foram isolados tetratriacontanol. De C. palmítico. palmitoléico. oléico. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. C. 1977). A composição dos ácidos graxos de C. C. 1997). 1987).. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1978). holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1986 e 1987). Das flores de C. De C. araquídico e behênico (Khalid et al. . javanica (Singh & Jindal. 1986)...Das partes aéreas de C. 1977). didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. Das folhas de C. 1988). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. 1985).. 1986. 1990). De C. De C. Sen et al. 1988). 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. Cassia laevigata (Singh. Das sementes de C.. linoléico. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani... 1989) e nas sementes de C.. 1989). siamea (Khan et al..... 1988). dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. fisciona... R. 1987). sericea (Muralikrishna et al. 1989). ácido quelidônico. linolênico. B. 2-methoxistipandrona.. emodina. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. mirístico. 1985). 1988).... estérico. fastuosa foram isolados os glicosídeos. De C. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. Das raízes de C. C.

1977).. et al. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al.. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira.. candicans (Pepato et al. Munoz et al. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B.. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. A espécie C.. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. leiostachya (Moura et al. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. antiedematogênica. De C. 2002a e 2002b). antimicrobiana (Cebalhos et al. Estudos mais recentes têm apontado C.. anticoagulante (Milagres et al. 2002.. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. et al. C. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. guianensis (Kittakoop et al.forficata e B. 2000). 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. J. 1991). 1999). O. 1998). et al... J. Nakamura et al. 1994. 1995.. 1995. Extratos de C... contêm caesalpina P.... O uso crônico de B. malabarica e B. Os inibidores da aldose reductase. 1998). E.. 2001) e antimolarial de B. 2001.. Amaral et al. analgésica (Carvalho. Rossi-Ferreira et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. C. et al. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. Bacchi & Sertié. 1986).. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1988).. 3- . 1990) Lima.. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. Lemus et al. 1996. 1997). 1976) e proteínas de C.. T. sapanchalcona. 1987). Lopes et al. 1991). antiinflamatória (Carvalho. 1985). tarapotensis (Braca et al.. O.. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. 2000. 1986). 1996).Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B.

in vitro... inibitória da hemólise. 1996). antiviral contra hepatite B (Patney et al. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1987.. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. vasoconstritora. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. antimalária (Gasquet et al. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. De C. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. Caceres et al.. 1999).. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica.. 1992. . 1995a). antibacteriana. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. 1993. 1985). 1996). 1997).. Feng et al. 1976) e. 1994.. antifúngica. 1987). O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. de relaxamento do músculo liso. 1989).. Schmeda-Hirschmann et al.. antiparasitária.. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1978. O extrato metanólico de C. hipotensiva. hepatoprotetor (Jafri et al. 1962).. Sama et al. 1997). Hussain et al. protosapanina A... Cassia Nas folhas de C.. de estimulante uterino (Saraf et al. 2001). Sadique et al. 1991.. A brasilina isolada de C.deoxisapanona.. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al.

obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.3'.. garrettiana foi isolada a 3. De C.. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. acutifolia. alata quanto C. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. obtusifolia (Kitanaka & Takido.4.. 1991). Crawford et al. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. utilizando as folhas de C. C. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al.. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico.. acutifolia como controle positivo.. lugustrina (Abhaham et al. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. 1988 e 1989).. 1989). 1991). obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. As folhas de C.pudibunda (Cavalcanti et al. citotóxica com extratos de C. 1990. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. e C.5'-tetrahidroxistilbene. Os resultados finais indicaram que tanto C. Nas sementes de C. A fração polissacarídica de C. 1984). 1985). espasmolítica com subs- . 1990). garrettiana (Inamori et al. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman.. 1979) e C... glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). 1988) e C. 1986). Estudos com as sementes de C.. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. As sementes de C. 1990).. 1989). As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al.Das sementes de C. 1988). pudibunda (Cavalcanti et al. 1990). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. As antraquinonas de C. O extrato das folhas de C. O extrato a 10% das folhas de C. 1986a). 1989).

purgativa dos glicosídeos de C. roenwilana (Rowe et al. 1984). C. 1977) e antivirótica com extratos de C. fistula (Bhardwaj & Mathur. cansaço e dores.. diarréia. 1986). angustifolia (Nakajima et al. especialmente por crianças.. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. na forma fresca. que apresentaram um quadro de ataxia. 1985)... em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa.tâncias isoladas de C. 1985). 1998). estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade.. seca e/ou torrada. em muitos países. anemia. como substituta do café. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. A espécie C. 1986b). 1979). 1979).. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. 1987). 1991).. antitumoral com extratos de C. cólicas abdominais e diarréia. . pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. pumila (Fatawi et al.. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. O gênero Cassia produz. Salienta-se que a espécie C. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C.. Colvin et al. em geral. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. dispnéia. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. cavalos e cabras. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. vômitos. ferrea. 1979) e C. caracterizado por náuseas. quinquangulata (Ogura et al. Seu consumo indiscriminado é perigoso. A administração de folhas de C. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. amplamente utilizada pela população. apatia. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. fistula (Babbar et al. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. 1986. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado..

Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. 1978). Dioclea e Mucuna. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. onde se encontram plantas (Barrozo. Diplotropis. Sophoreae: Sophora. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Cymbosena. Canavalia. Robinieae: Sesbania e Robinia. Abreae: Abrus. Myrocarpus e Ormosia. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Dypteryxeae: Dypteryx. Vicieae: Vicia e Pisum. Cajanus. Psoraleae: Psoralea. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Millettieae: Tephrosia. Nos estudos realizados na região amazônica e . Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Derris e Lonchocarpus.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Indigofereae: Indigofera. Genisteae: Lupinus. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Crotalarieae: Crotalaria. Desmodieae: Desmodium. um importante produto alimentar no Brasil —. Trifolieae: Medicago.

Feijão-de-árvore. Andu. dispostas em pedúnculos axilares. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. flores vistosas. oblongos. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. pinadas. Ervilhade-angola. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. Erva-do-congo. fruto do tipo vagem linear. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. as quais são descritas a seguir. podendo atingir 3 m de altura. comprimida. Guandu ou Feijão-guandu. dores de barriga e diarréia e a infusão. . A espécie possui um grande valor econômico. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Cuandu. gripes.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. com ampla utilização em diversos países. mas há divergências quanto a essa classificação. com ramos angulosos. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. na Mata Atlântica. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. sendo ainda forrageira. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. contra constipação nasal. compostas de três folíolos aveludados. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. 1984). Espécies medicinais Cajanus cf. de onde partem folhas pecioladas. No restante do Brasil é conhecida como Guando.

O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. reunidas em fascículos. por arbustos ou árvores. com ramos tomentosos. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. menos freqüentemente. na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. significa "pele dura". oblongos. flores rosas. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. 1997). fruto do tipo legume falcado. em forma de bote. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero Derris. referindo-se ao legume. acuminados e glabros. Nomes populares A espécie é chamada. e foi descrito por George Benthan. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. . O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. pediceladas. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. de Flor-da-terra. descrito por João de Loureiro.Cymbosema roseana Bent. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. flores rosas.

Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. revestida de pêlos curtos. externa. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. hermafrodita. folhas alternas. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras.5). folhas pecioladas. com cálice gamossépalo. ereto e com raiz bastante lenhosa. sementes sem endosperma (Figura 18.) DC. corola dialipétala. flores fortemente zigomorfas. didamídea. a prefloração da corola é imbricada descendente. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Outros nomes populares são Amores-do-campo. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. cilíndrica. pentâmera. fruto do tipo legume linear. coriáceo. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Derris floribunda Bth. com folíolos articulados na base.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. Dados botânicos Erva de pequeno porte. Desmodium tortuossum (Sw. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. compostas. com uma grande pétala superior. Trevo-da-flórida. trifoliadas e .

O nome Diplotropis significa "duas carenas". O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. Sapupira-preta. tendo um apêndice na base. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Sicupira. Sapupira-da-várzea. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. flor com estandarte longo. Cutiúba. Paricarana. Outros nomes comuns são Favinha. vexilo oblongo provido de apêndices na base. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Sucupira-da-terra-firme. com sementes pretas e duras (Figura 18. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. Sebipira. fruto do tipo legume. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. O nome do gênero significa "feixe". A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. misturada com enxofre. referindo-se à disposição das flores. inflorescência revestida por pêlos cinzentos.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. Sapupira-da-mata. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. indeiscente.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Cutiubeira. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. pinadas e folíolos glabros. reunidas em racemos. todas conhecidas como Sucupira. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. coriáceos. Sapupira.6). fruto do tipo vagem. pequenas. plano. . com folhas compostas. Diplotropis purpurea (Rich. com ampla distribuição no Brasil e no México.

diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. imparipinadas. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. Nomes populares A espécie é chamada. Umburana e Kumbaru. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. Imburana. dispostas em panículas pubescentes. Cumaruzeiro. . quando maduros e secos. na região amazônica. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. frutos em forma de vagem drupácea. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". O nome do gênero significa "duas asas". caule reto. compostas. de Cumaru.) Willd. alimentos e uísque. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. referindo-se ao cálice. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. servem para tratar a pneumonia. de cor verde-amarelada.Dipteryx odorata (Aubl. 1991). produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. Cumar-do-amazonas. alternas. pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. doces. flores vermelhas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. podendo atingir até 35 m de altura. e na produção de perfumes. Imburana-de-cheiro. além da famosa fava de cumaru. de pequena espessura. charutos. aromáticas. grosso. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. se fendem liberando a semente roxo-escura. que. quando passados sobre as costelas. cigarros. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. folhas grandes. Cumaru-amarelo. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia.

com semente oleosa e aromática. flores vermelhas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. febrífugo. diaforéticas. contra qualquer inflamação. compostas de sete a nove folíolos. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. 1991). para aliviar dores de garganta e. caule ereto. emenagogas e cardíacas. aromáticas. antidispéptico. grosso. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. frutos em forma de vagem verde. diaforético. narcótico e estimulante. como reconstituinte das forças orgânicas. diaforético. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. antiespasmódico. pela presença de Cumarina. . e os palikur. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. antitussígeno. Em outros lugares. alternas. internamente. contendo casca de pequena espessura. folhas grandes. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. imparipinadas. contra contusão e reumatismo. cardiotônico. essa espécie é utilizada como anticoagulante. podendo atingir até 3 m de altura. para banhos fortificantes de crianças. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. emenagogo. dispostas em panículas pubescentes. pecioladas.

O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. com casca rugosa no caule. assim como a casca.. de Cabreúva. A madeira. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. de ocorrência na América do Sul. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. Pau-bálsamo. a mais estudada é a D. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. Bálsamo e Pau-de-óleo. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. indicadas nas lesões do sistema respiratório. 1974). sendo muito usada na indústria de cosméticos. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. tinturas e perfumaria. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. sendo ainda expectorante peitoral. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. para fabricação de carroças. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". possui aroma balsâmico. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos.Myrocarpus frondosus Aliem. outros compostos . Óleo-pardo. Outros nomes são Cabruê. compostos 5-9 folioladas. Nomes populares A espécie é chamada. portas e janelas de luxo. urucu. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura.

) DC. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. N. 1991. D. D. incanum DC. D......) DC. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. Da espécie D. 1978). aparines (Link. foram isolados os flavonóides desmodina. E em D. spruceana. também denominada D. Nascimento & Mors. Foram isolados alcalóides de D. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. As espécies D. ou D. D. D..... deguelina e tefrosina (Ahmed et al. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. frutescens. 1961. do seu caule e de suas folhas. heterocarpon e D. 1977). homoadonivenita (Batyuk et al. 1996). et al.. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. spruceana (Garcia et al. e das raízes de D. Rao M.. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. enquanto de D. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A.. Kimetal. Desmodium De D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. Do caule de D. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1954). 1978). 1976. Nakatu et al. crisantemina e cianina (Matinod et al.rotenóides (Braz Filho et al. os flavonóides.8-difenileriodictiol... 1995b). epoxilupinifolina e dereticulatina. 1985) e D. . tortuosum. senegalenseína. canadense (L.. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. oblonga e D. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al.. 1997). benthmii (Fellows et al. reticulata. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. 1977). 1989). foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. Em D. araripensis (Nascimento et al. proteínas. De D. 1993. Bell et al... ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. 1994). 1976) e D. 1995b) e D. 1978. hiravanona. obtusa (Nascimento et al. 1989). 1997). laxiflora Lin et al. foram isolados.. 1986. amoena. 1978). D. 1973b) e saponina (Parente & Mors. 1994). canarensis (Evans et al. 1986). B e C).. Flavonóides também foram isolados em D. Das raízes de D. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al.. glutinosum.. lipídios. lupinifolina e laxiflorina. adhaesivum Schldl. Lin & Kuo. 1962).. 1988).

gangetina. 1964) foram todos isolados de D. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. ácido octacosanóico. ario-inositol e betapinitol. kaempferol e quercetina. isoquercitrina.4-dimetoxifenetilamina. 1972). 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. 1977. cinereum (Kunth) DC. N.. intortum) possui carboidratos.N-dimetiltriptamina. hipoforina. 1962. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. os flavonóides desmodol (Ueno et al. O D. . beta-carbolina. caudatum (Thunb.. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. normacromerina. 1984. hordenina. 1-octacosanol. Don. Bell et al. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. salsolidina. também muito usado medicinalmente. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. tiliafolium G. 1975). Nakatu et al... 1983). cinarascens A. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. 1978). Nmetiltiramina.. os flavonóides hiperina. também denominada D.4-dimetoxifenetilamina.. desmodina. 1969. gangetinina. 1963). bufotenina N-óxido. N-N-dimetil-3. desmocarpina. foram isolados mangiferina. genisteína. difisolina. leptocladina. Ghosal & Bhattacharya. 1971). 2-feniletilamina. além de canavanina (Beveridge et al. 3. O-metilbufotenina. hipoforina e os alcalóides. elegans DC. salsolina. os alcalóides candicina. possui os flavonóides dalbergioidina.. e de D.. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. Purushothaman et al.) DC. Purushothaman et al. gangeticum (L. hordenina. A espécie D. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. 1972.) DC. betaína. Em D. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. 1973). De D. galactopinitol A.Os alcalóides bufotenina. Em suas raízes foram isolados abrina.

estigmasterol. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. Kubo et al. Ahluwalia et al.) DC. Amor-de-velho-comum. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al.. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. isovitexina. 1996). e os flavonóides isoliquiritigenina. 1986. multiflorum. vitexina e xilosilvitenina. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. 1989). kaempferol. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla.. N.. 1966). compostos estes também isolados em D. o terpenóide lupeol. De D. Mukherjee et al. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. racemosum. podocarpum. Anjaneyulu et al. 1995). flavosativasídeo. De D. 1984). 1961 e 1962. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. pinitol e canavanina (Beveridge et al. foram isolados os flavonóides apigenina. 1977. 1985). mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.. e os alcalóides colina. 1978). foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi.) DC. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth.. 1989). triquetrum foram isolados friedelina. ácido indol-3-acético. heptacosanol. De D. ovalifolium (Giner-Chavez et al... 1962). ougenina e quercetina (Balakrishna et al. foram isolados os carboidratos galactopinitol A.. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. 1989). estigmasterol.. 1982. floribundum. vitexina.1995. feniletilamina. e de D. e de D sandwicense E.. De D. De D. ojeinese. nonacosanos. 1968). formononetina. homoferreirina. 1995). Sreenivasan & Sankarasubramanin.. 1965. 1965). . b-sitosterol.. os terpenóides beta-amirina. 1989. De Desmodium uncinatum (Jacq. laxiflorum foram isolados heptacosanos. e de D. lupeol. inositol. De D. 1971. Perez-Maldonado & Norton... também conhecido com D.. 1963a e 1963b. também denominado D. Kubo et al. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. 1997). Bell et al. 7-hidroxiflavona. De D. Adinarayana & Syamasundar. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al.N-dimetiltriptamina N-óxido... triflorum (L. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. tricosanol. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al.

1. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. .3epimetoxilupanina.. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.1973a). 1982).

. 1995). Das sementes de D. odoratina. De D. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. 1981). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. lupenona e lupeol (Kaplan et al.. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D.. isoflavonóides (Lourenço et al. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al.. 1996).. Togashi. punctata (Gruenwald. pois suas sementes são ricas em Cumarina. 1994). flavonóides (dipterixina. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1966). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). cumarinas (Ehlers et al. odoratina. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. alata foram determinados 40% de óleo. De diferentes partes de D. 1952). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. Das sementes da espécie D. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. odorata apresenta um grande valor comercial. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 2000. Nakano et al. além dos terpenóides betulina. 1995.Dipferyx De diferentes partes de D. 1991)... ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. De D. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier.. A espécie D.. punctata (Gruenwald. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1952). retusina). além dos terpenóides betulina. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. alata foram determinados 40% de óleo. odoratina. 1993). . 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1994). lupenona e lupeol (Kaplan et al. flavonóides (dipterixina. 1994). odoratina.. 1995).

1998. 1997). Derris sp e D. 1997). urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. micou. Aragão & Valle. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. 1997).. Das raízes de D. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. De D. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. D. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. nicou (Costa et al. Datta & Bhattacharrya. Foi isolada das raízes de D. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al... 2001)... 1996)... urucu e D. 1987). 2002). 1999. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. 1979).. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. De Derris sp. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al.. 1972). 2001).. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. O extrato etanólico de D. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali.. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. .Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. também conhecido como Timbó.

.. O extrato aquoso de D. B e C. 1999). 1988).. O extrato de D. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma.. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. 1987).. 1997). que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1997). styracifolium. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. 1996). De D... além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. e os taninos isolados de D. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1996.. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1989). 1988). styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. O extrato de D. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. 1997).A D. Tolera & Said. D. . A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al.

Adenanthera.. distribuídas em cinco tribos. 1996). Leucaena. das quais destacamos os gêneros Parkia..950 espécies descritas.. 1987).Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. vômito. . Prosopis. 1991). Inga. muitos deles de valor medicinal. M. urucum provoca irritação da pele. Y. Albizia. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. et al. Mimosa. 1993). Calliandra. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. das sementes de D. Zollernia e Acácia. 1998). Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. doses elevadas podem causar náusea.

Ingá-grande e Jambolão. Moçataíba e Orelha-de-onça. é chamada de Espinheira-santa. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. flores reunidas em espigas terminais.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. Nomes populares A espécie. na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. com grande ocorrência na Amazônia. . a espécie é chamada de Mocitaíba. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m).) Willd. Em outras regiões do país. repletas de glândulas. compostas por folíolos ovais. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Laranjeira-do-mato. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. pecioladas. encontradas em áreas tropicais e temperadas. pinadas. Zollernia ilicifolia Vog.

incluindo dores. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. I. laurina. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I.oblongas.3'4'-trihidroxiaurona e 7.8-dimetilflavona (Correa et al. alba. 1991).. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. oerstediana e I. I. paterno (Morton et al. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. longispica. semialata.4'trihidroxi-6. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. heterophylla.7. Maytenus ilicifolia).3'. bourgonii. com margens onduladas e providas de espinhos. 1973). a antiga casa regente prussiana. e o nome deriva de Hohenzollern. I.. I. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. sertulifera. 1996). I. 6. I.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.7). parviflora foram isolados os constituintes 7. farmacológicos e toxicológicos. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. stipularis (Kraus & Reinbothe. nobilis. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. I. 5. Foram isolados alcalóides das espécies I. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. flores rosadas (Figura 18.

b) detalhe das folhas (fotos originais por M. S. Reis).FIGURA 18. .1 .Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.FIGURA 18.2 .

FIGURA 18. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .3 . 1984).

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1939).4 . b) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18.

Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .Derris floribunda.FIGURA 18.

6 .Diplotropis purpurea.Banco de imagens - .FIGURA 18. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

7 . . Reis). S.Zollemia ilicifolia.FIGURA 18. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.

950 espécies. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. a Punica granatum. assim come outras espécies de valor econômico. da famosa Romã. Di Stasi C. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. com inúmeros representantes no Brasil. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. 1997).19 Myrtales medicinais L. Melastomataceae e Myrtaceae. Punicaceae. distribuídas nos 188 gêneros. que incluem espécies medicinais. C. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. São plantas herbáceas. 1978). Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. A. que inclui o gênero Punica. arbustivas. e as duas famílias aqui descritas.

. ereto e piloso. Salpinga. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Nomes populares Na região amazônica. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. essa espécie é chamada de Quaresma. Miconia. em outras regiões. Huberia. roxo. brancas ou rosas. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. flores pequenas. Neste estudo. Microlicia.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. fruto do tipo baga. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. foram referidas como medicinal apenas duas espécies.) DC. na região amazônica. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. ambas pela indicação popular na região amazônica. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. dispostas em cimeiras. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. nervadas e pubescentes. com folhas ovais e cordiformes. 1998). ou Pixirica. que descreveu inúmeras patologias em plantas. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. Rhynchanthera grandiflora (Aubl.

Syzygium. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. planas. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Leptospermum e Melaleuca. Pseudocaryophyllus. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. que contém 19% de taninos hidrolizáveis.. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Eucalyptus. e várias outras em climas temperados. 1990). bem representada na Austrália. Psidium. de onde partem folhas de pecíolo longo. oeste da Índia e América tropical. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Pimenta. Os .620 espécies (Mabberley. Eugenia. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. 1997) arbustivas e arbóreas. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos.

opostas. além de óleos essenciais. dispostas em corimbos. rosas ou avermelhadas. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. as partes aéreas do Cravo-da-índia. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. ácidos fenólicos e ésteres. para o alívio de dores de dentes. . Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. flores pequenas. Myrciaria Gabuticaba). cultivado ou adquirido no comércio. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. Cereja-nacional. especialmente as flores. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. 1998). Eugenia (Pitanga. congestão nasal e dores de cabeça. Araçá). Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). são usadas no local. taninos. oblongas e glabras. No Brasil. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. fruto do tipo drupa. leucoantocianinas. com folhas pecioladas.constituintes dessa família incluem. bastante aromáticas. E uma espécie exótica. 1996). enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais.

O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. e. com cálice membranoso. Araçá-goiaba. referindo-se aos frutos. o chá das folhas novas. Araçáguaiaba. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovadolanceoladas. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. com caule tortuoso e casca lisa. significa "triturar. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. edema e. Guaiaba. Araçá-guaçu. Provém de psidion. para regulação do ciclo . morder". botões florais tomentosos ou glabros. existem registros para a espécie como Goiabeira. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. A infusão dos frutos. diclamídeas. esmagar. é indicado contra diarréia. O nome do gênero. flores hermafroditas. brancas e com numerosos estames. os brotos de goiaba e de caju. fervidos. de sabor agradável. actinomorfas. Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. internamente. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. contra diarréias. doenças da pele. que é a denominação em grego da planta. galhada. no entanto.1). folhas opostas. curto-pecioladas. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Guaiava. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. Psidium. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. fruto com baga amarela. por outras. 1984). é útil contra hemorróidas. usada externamente.

guineense Sw. no Piauí. botões florais tomentosos ou glabros. de polpa abundante. guajava ainda são utilizadas na América Latina. Duke & Vasquez. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al.menstrual. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. principalmente em diarréias infantis. como estomáquico. 1982. 1982). Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. e o decocto. é antidiarréico (Amorozo &Gély. antileucorréica. o chá das folhas. Grenand et al. no Rio Grande do Sul. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. misturado com folhas de pitanga. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. 1982). 1992). também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. Psydium cf. anticolérica e antiúlcera. Central. curto-pecioladas e glabras. antidiarréica. no Pará. 1986). sendo facilmente confundida com esta. 1980.. 1984). actinomorfas. As folhas de P. 1988). lavagens de úlceras. Grandi & Siqueira. em Minas Gerais. fruto com baga amarela. flores hermafroditas. indisposição estomacal e vertigem (Forero. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. o chá da folha. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. com cálice membranoso. folhas opostas. misturado com folhas de salva-de-marajó.. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. igualmente usados como alimento. . 1987. 1994). brancas e com numerosos estames. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. como também os frutos.. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. diclamídeas. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países.

Marcelin et al. 1989. cetonas.. 1990. p-menten-9-ol. Pino et al.. cremoflieno. borneol. 1968).. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. -terpineol. Pino et al.1-díetoxietano. 1996). vitaminas C e A. 1996). Yusof & Mohamed. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. ésteres.. 1989. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. Oliveros-Belardo et al. 1990). além de taninos (Misra & Seshadri. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al.. 17 cetonas. derivado de eugenol. 1987). 1. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. -guaieno. Chyau & Wu. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.1-dietoximetano. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. aldeídos. 1982) e quercetina. acoradieno.. Zheng et al. 1994).. -santaleno. 1... 1987. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al.. himacaleno. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. açúcares. 1990. 1968. 1996. 1986... 122 componentes voláteis. p-cimeno. -bergamoteno. apresentou atividade depressora do SNC. -cubebeno. Ortega & Pino. Ortega & Pino. 1994). Wilson & Shaw. 10 ácidos.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. dos quais 13 são aldeídos. 1989. 1991). -bisaboleno. 28 ésteres. 1996). pectina. e 95% são cariofileno (Latza et al. óxido de humuleno. denominados 1. 1987). 31 alcanos. alcanos. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. t-cariofileno.. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local.. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. 1981).Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1978). lignina. humuleno. O dehidrodieugenol. mirceno. -cedreno.. 1987. As diferenças quantitativas e qua- .

1989). (1994) verificaram atividade hipoglicêmica.. 1987). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. 1979b.. guaijaverina. polifenoloxidase (Augustin et al. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. 1987). 1986). Jain et al... d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. Chen & Yang (1983). A atividade antibacteriana das cascas de P. 1987). Ácido elágico. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. e Maruyama et al.. O extrato aquoso tam- . oléico e esteárico (Opute. óleo essencial (Ji et al. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. Hegnaurer. 1981). 1986). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. 1978). ácidos linoléico. flavonóides. Okuda et al. 1996). Osman et al. 1974. O interior das cascas é rico em ésteres.. d-galactose.. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 1991).. (1994) e Neri et al. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. Lima Filho et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. ácido oleanólico (Mair et al.. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 2002.. 1987. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero.. 1987). palmítico.

. F.. anticonvulsivante (Santos. Cáceres et al. et al... guyanensins.. e antitumoral de P. F. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. Lutterdodt.. widgrenianum (Souza et al. Cáceres et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. et al. 1994. A.. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. guyanensis... incanescens (Santos.. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. Lozoya et al. 1994. 1993. F. 1994.. Lozoya et al. De P. P. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1994). et al. (Santos et al. et al. Lutterdodt et al. Grover et al. 1983). 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. 1989. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 1997. A quercetina isolada de P. 1995). 2002.. 1996b) e P. Shimomura. óxido e b-selineno).. 1996). Meckes et al. 1995. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. PonceMacotela et al.. A. F. Lutterdodt. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1996c. 1992.. Cheng et al. A. 1999). 1970).. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt.. 1995). 1990.. Santos et al.. 1988) e tosse (Jaiay et al. 1994. F. Das cascas de P. 1994). 1989). guyanensis (Santos.. 1996a) de P..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. Do extrato hexânico das folhas de P. O extrato de folhas de P. O óleo essencial de P. 2000.. 1995). guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al.. P. pohlianum e Psidium sp. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. A.. .. 1996a). incanescens (Zelnik et al.. propriedade anticatártica (Pinto et al. Morales et al. 1999). et al. 1998). e eugenol e timol de P. 1990. 1993.). A..

Psydium guajava.1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .FIGURA 19.

aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. e apenas uma delas. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. gênero de grande valor medicinal. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. Seito F .20 Celastrales medicinais L.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. . 1997). representa importante fonte de espécies medicinais. a família Celastraceae. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. Di Stasi L. e Maytenus. nos quais se distribuem aproximadamente 1. Os principais gêneros dessa família. ambos contendo espécies amplamente estudadas. são Celastrus e Trypterygium. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. C. com atividade antifertilidade masculina. Austroplenckia. N. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. que possuem espécies medicinais.G. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas.

na região da Mata Atlântica. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Espinheira-divina. axilares. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). ápice agudo. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Espinho-de-Deus.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. amarelo-avermelhado. glabras. de onde partem folhas elípticas. bastante coriáceas. de Espinheira-santa. Salva-vidas. ex Reiss. Maytenus aquifolium M. arbusto menor (de 1 a 3 m). flores numerosas. copa globosa e ramos glabros. Também é conhecida como Sombra-de-touro. dor do "ciático". gastrite e ulcera péptica. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. dores nas costas e úlceras do estômago.cancerosa. denteadas. fruto do tipo cápsula ovóide. . agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. atingindo até 9 cm de comprimento. com acúleos. Erva-santa e Congorça. Cancerosa. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Erva.

fruto do tipo capsular.. Foram também isolados um glicosídeo. Dados químicos De M. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. 1998). boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. 1999). blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. flores pequenas e axilares. 1995. podendo chegar a até 4 m de altura. heterophylla e M. 2001) e triterpenos cetônicos de M. krukovii (Honda et al. vermelho.... aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia... De M.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. Da infusão das folhas de M. Das sementes de M.. oblongas. com ramos finos. 1995). 1997). 2000). Foram isolados das cascas de raízes de M.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. contendo folhas alternas. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M.. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. arbitifolia (Orabi et al.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . 2000).. 1995a). serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas.

. triterpenos do tipo friedelana. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. 1999).30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 1994). os triterpenos 3-beta. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. emarginatina-D.28..Gonzalez et al...16.30-lup-20(29) ene-triol e 28.. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C)... tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. 1993). iliocifolia (Shirota et al. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. E-III. Além disso. lupeol. 1991). W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1999a e 2000).. 1994). além de pristimerina... E-IV.. macrocarpa (Chavez et al. E-II. ... 1998). De M. 7 alfa-hidroxicanarol. foram isolados das folhas de M. 1992b). sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. De M. E-I e E-II (Itokawa et al. E-V.. Dos ramos de M.. As cascas das raízes de M. Dos ramos de M. chuchuhuasca (Shirota et al. e escutidina alfa A foram isolados de M. xuxuarinas F beta. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. e outros triterpenos (Gonzalez et al. 1998). os triterpenóides beta-amirina. 7.. emarginatina-E e emarginatinina. 1994b). além de epicatecol.21-trione (Nozaki et al. G alfa e G beta. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. cangoronina e ilicifolina. Das folhas de M.. betulina. ilicifolia (Itokawa et al. lup-20(29)-ene-3beta. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. Sesquiterpenos foram isolados de M.30-diol (20). sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al.. 1993a e 1993b). 1995a). 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. 1992). 1996b). 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. os triterpenos fenólicos canarol. canaradial. ácido oleanólico e ácido betulônico. 1997). tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 1991b). 1994).

magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 1971). De M. Wang et al. -15-triacetoxi-l alfa. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. Alcalóides foram isolados de M... 1971.. myrsinoides (Baudouin et al. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. . 8 beta. catingarum (Alvarenga et al. Gonzalez et al. assim como os compostos 6 beta. 1999b). Dados farmacológicos M. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. M. 8 beta. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. G. 1984).. Nor-triterpenos isolados de M. O composto escutiona isolado de M. 2001). 1999a)..M. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. A. 1996c).. 1999).. 1996). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 1996a). 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 6 beta... buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al.. 2000. 1996b).... 1981) e antimolarial ( El Taher et al.. senegalensis e M. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.. scutioides (Gonzalez et al. macrocarpa (Chavez et al. isolados de M. 1981). Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M.. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. 1999). 1999)... 1996b). et al.

O extrato diclorometânico de M.. F. et al. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. G. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 2001). aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. 1999).. 1991. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. 1991.. Oliveira et al. 2000)... 2002). Extratos de Maytenus ilicifolia e M. . As folhas e caules de M. 2001. Gonzalez. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al... Queiroz et al.

bebida alucinógena. corantes e de medicamentos. ambas com várias espécies medicinais. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. Byrsonima. Malpiguia e Stygmaphyllon. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. contendo cerca de 1. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Vochysiaceae e Krameriaceae. Polygalaceae. com aproximadamente trezentas espécies. ocorrem 32 gêneros. 1997). como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. 1978). com importantes espécies fontes de madeiras. C. .21 Polygalales medicinais L. arbustos e lianas (Mabberley. No Brasil. Trigoniaceae. além das duas referidas a seguir.100 espécies tropicais. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. especialmente árvores. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. usada na produção da Ayahuasca.

. significa "estigmas foliáceos". nas raízes formam-se grandes tubérculos. dor de estômago e gripes. O nome do gênero Stigmaphyllon. glabas na face superior e sedosas na face inferior. grande e robusta. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. Gordura-de-porco ou Cajuçara. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. arredondadas.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. contra icterícia. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. externamente. de folhas cordiformes.) Juss. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre.) Juss. e. bastante pubescente. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira.

Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Quassia. Cupania e Serjania. destacando-se as famílias Burseraceae. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. especialmente dos gêneros Simarouba. Souza-Brito L. essas espécies serão descritas a seguir. que contém.22 Sapindales medicinais C. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. inúmeras espécies medicinais. o Guaraná. M. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Meliaceae. . Sapindaceae. A. além das espécies aqui citadas. Hiruma-Lima A. Ailanthus. Essa ordem. R. Anacardiaceae. especialmente no Sistema Nervoso Central. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Das demais famílias dessa ordem. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Simarubaceae e a outra família. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Picrasma e Brucea. Simaroubaceae. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Rutaceae. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. C.

Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae).Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Essa família botânica inclui árvores. Schinus. Do mesmo gênero. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). as espécies Pistacia lentiscus. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. relatados a seguir. A espécie Mangifera indica. descrita por John Lindley. lianas e raramente ervas pereniais. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Spondias. reúne setenta gêneros. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). amplamente consumida . enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. Spondias e Schinus. 1997). tais como Caju. Além dos usos medicinais. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. nos países de clima temperado. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. subclasse Rosidae. No Brasil. com aproximadamente 875 espécies. arbustos. pertence à ordem Sapindales. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Semecarpus (Semecarpeae). algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. Mangifera. Manga e Pistache. distribuídas em regiões tropicais. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Nessa família. Desses gêneros destacam-se. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas.

Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. o fruto em forma de drupa é peduncular. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. de 25 a 30 m de altura. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Caju-assu. Caju-da-mata (Amazonas). Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. especialmente no Amazonas. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. perfumadas. Cajuí. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. não foi referida na região de estudo como medicinal. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. ovário súpero com um só óvulo. dispostas em panículas. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. . O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos.1). entre outras tribos indígenas. com tronco de casca lisa. Engl. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. Pará e Mato Grosso. as flores. sendo também denominada Cajuaçu.

onduladas. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. ovário unilocular. Caju-de-casa. entre outras. Para hemorróidas. heliófita e que cresce bem em solos secos. plástico e resinas. pecioladas. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Cajumanso. Economicamente. possui importante mercado nacional e internacional. ou simplesmente Caju. o óleo da castanha. Além dos usos medicinais descritos a seguir. em referência ao nome de seu fruto. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. assim como a própria castanha.2). o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. Caju-manteiga. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. glabras. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. Acajuíba. significa "semelhante ao coração". são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. tais como Acajaíba. as folhas são alternas. O nome do gênero. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. Contra diarréia. o fruto é do tipo aquênio reniforme. pequenas e de coloração pálida. O óleo é usado na produção de borracha. com um só estame fértil. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. as flores.Anacardium occidentale L. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. no entanto. ovadas. O . tomando-se um copo por dia. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. reticuladas e nervadas em ambas as faces. Caju-da-praia. Anacardium. raspa de amor-crescido e cajá. várias outras denominações são usadas para a espécie. É uma planta decídua.

E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba.. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. tônico. assim como um potente adstringente. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. calos e verrugas. O suco das folhas serve como antiescorbútico. 1994. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. A resina é usada como depurativo e expectorante. 1982). e a raiz. uma infusão de folha é usada contra diarréia. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf.. Em Juiz de Fora (MG). para controle das secreções vaginais. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. As flores são afrodisíacas. 1993. 1992). 1995).. contra úlceras. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. a casca é utilizada como adstringente. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. . Matos. e a maceração de folhas para tratar diabete. 1984). além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. desordens urinádas e asma (Lima. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa.. 1993). 1994). No Piauí. purgativa. debilidade muscular. estimulante e afrodisíaco. Grenand et al. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. como um diurético. depurativo e anti-sifilítico. 1990. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. P. astenia. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. Cruz. anti-helmíntico. 1982). contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. 1995). tonsilite e problemas de garganta.

A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica.Schinus terebenthifolius Raddi. analgésico e contra coceiras. Fruto-de-sabi. sugere-se o uso com moderação. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. . adstringente. como cicatrizante e contra gengivites. febrífuga e usada contra afecções uterinas. estimulante e analgésico.3). Aroeira-vermelha. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. com copa bonita e arredondada. Aroeira-do-campo. Bálsamo. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. referindo-se às frestas da casca do fruto. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. lenha e carvão. Fruto-de-raposa. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. O nome do gênero significa "cortar". caule tortuoso. Aroeira-branca. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Coração-de-bugre. Aroeira-do-sertão. Aroeira-do-brejo. mas é muito usada como ornamental. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Cambuí. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Aroeira-da-praia. com casca grossa. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. tônico. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas.

foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). imparipinadas. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. especialmente árvores com resinas. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. o fruto. Cirouela. diurético e analgésico.Spondias purpurea L. p-hidroxi- . enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. reunidas em racemos. ou mesmo Caju. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. sendo um composto característico das espécies deste gênero. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. com 5 a 7 m de altura. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. O gênero Spondias. como antidiarréico. ilustrado a seguir.4). Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. Acaiou. as flores são pequenas. referindo-se à semelhança com o fruto. Em outros países da América do Sul.O3). Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. descrito também por Carl Linnaeus. é ovóide. ou Cajá e Umbu. inclui espécies tropicais. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. O nome Spondias significa "ameixa". esverdeado e doce (Figura 22. do tipo drupa. 1994). Siriuela. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. referindo-se apenas à fruta da espécie. antiespasmódico. além de comestíveis. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. Acaju. O ácido anacárdico (C22H32. Outras denominações comuns são Acajá.

Foram também caracterizados. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. a-selineno e vitamina C (Gupta. de diferentes partes da planta. 1990).. anacardol. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. aminoácidos. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. glicosídeos de quercetina. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. C1. apigenina. kaempferol. os seguintes compostos: acetofenona. taninos e açúcar (Nagaraja et al. ácido-p-hidroxibenzóico. (-)-epiafzelequina. (-)epicatequina. K e Ca (Thomas & Dave. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. sódio e açúcar. limoneno. fenol. além de flavonóides voláteis (Pino. 1985). Mg.. a-amirina. S. antocianinas. Compostos derivados do ácido anacárdico. 1987). triterpenos e sesquiterpetenolactonas . cicloartenol. 1995). campesterol e colesterol (Dinda et al. além de Na. amentoflavona. P. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. ácido gentísico. leucocianidina. também foram isolados (Costa. 1997). 1997c). A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. 1973). anacardol e cardol. taninos. quercetina. robustaflavona. Al.. álcool araquidílico. ácido procatéquico. 1986). 1986). derivado de resorcinol. estigmasterol. amido. 1987). cardanol. 1989). esteróis. n-eicosano. e de suas folhas foram isolados miricetina. anacardeína (Sathe et al. narigenina. aminoácidos. agathisflavona. flavonóides.

O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade... gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. 1994) e frutos (Augusto et al. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. 2000). tocoferol.. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos.. palmítico. 2000). Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. 1991. Muroi & . mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. -sitosterol. palmitoléico. flavonóides e triterpenos em suas folhas. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . láurico. -caroteno. 1992). Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos.(Guerrero. ácido salicílico. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. ácidos esteárico. Escherichia coli. 1994). tais como -catequina. oléico. 1991). tocoferol e outros. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. Vários derivados do ácido anacárdico. 1991). onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 1999). um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. -linolênico..Bacillus subtilis. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al.. quercetina. aminoácidos variados. denominados geraniina e galoilgeraniina. 1994).. 1994). 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. Himegima & Kubo. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. 1993. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. e raízes (Guerrero.

.. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan..epicatequina Kubo. Craveiro et al. 1993). 1994). 1993). meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. enquanto o cardol. 1995). occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. Souza et al. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. O extrato hexânico das cascas de A. . 1974. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. 1991).. occidentale foram avaliados perante a B. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1992. 1984a). 1982). Jurberg et al. glabrata.

.. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.A epicatequina. 1991). 1990). 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. 1990. occidentale. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. responsáveis por irritação da pele.. 1980) enquanto. 1992). foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. 1981). Geraniina e galoilgeraniina.. . Abo et al. 1983). mombin. taninos isolados de S. Barbosa Filho et al. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Kudi et al. Dos extratos hidroalcoólico. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. Akinpelu. 1992). 1982 e 1985... um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al.. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al.. isolada de A. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al.. occidentale.. 2000. 1994). 1993). o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. Além disso. França et al. 1982. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1).. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. 2001. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. pela presença do cardol (Hoehne. Mota et al. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. 1994). Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum.... 1999.. antiartrítica.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

1946).FIGURA 22. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne. .Spondias purpurea.4 .

5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.

FIGURA 22.6 . Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .Ruta graveolens.

C.23 Apiales medicinais C. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae).540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. Di Stasi A ordem Apiales. Essa família inclui 446 gêneros. 1997). A. de acordo com o sistema de classificação botânica. como Umbelliferae. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. as quais são descritas a seguir. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). Hiruma-Lima L. mas alguns arbustos e árvores são des- . Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. denominada também Umbellales. com aproximadamente 3. A maioria das espécies é de plantas herbáceas.

Coriandrum (Coriandreae . Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho).Hydrocotyloideae). dunas e brejos. No Brasil ocorrem poucos gêneros. Erva-doce.Apioideae). Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . a Eryngium ekmanii. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. ascendentes. Pimpinella (Erva-doce). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. folhas alternas. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Apium (gênero do Salsão). dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Cicuta. optamos por incluir aqui apenas duas delas. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Muitas dessas espécies são cultivadas. oblongolanceoladas. Petroselium (Salsa). muito comum na Mata Atlântica. e Hydrocotyle exigua. entre inúmeros outros. fibrosas e caule florífero solitário. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . tais como Cenoura. onde há amplo uso como medicamento.critos na família. com raízes fasciculadas. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento.Apioideae). Apium. Daucus (Caucalideae . Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). Cominho e Salsa. Apium com características ruderais.Saniculoideae). densamente imbricadas. 1998). assim. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. Coentro.

enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. dos quais são emitidas raízes. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. o sumo das folhas frescas. usado topicamente. torcidas antes de abrir.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. var. no entanto. lobadas e pilosas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hydrocotyle hirsuta Sw. com flores avermelhadas. e aix = "cabra". vem de eros = "lã". Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. inflorescência em capítulo. cíclicas. fruto subgloboso (Figura 23. folhas pequenas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. com nós. Eryngium. crenadas. na região do Vale do Ribeira. de Erva-terrestre. O nome do gênero. de no máximo 1 cm de espessura. espalhadas por diversos continentes. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . Também é conhecida como Erva-capitão. diclamídeas e hermafroditas. especialmente em crianças.1). exigua (Urban. quando preparado em alta concentração. referindo-se às fibras do rizoma. frutos pilosos. habitando em lugares úmidos. capítulos esverdeados com flores pequenas. é considerado excelente contra dores de cabeça.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. semelhantes a barba de cabra. Esse chá. cordiformes.

planum (Hiller et al.5-trimetilbenzaldeído. 1986). 1986). ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. anetol e alfa-pineno (Pino et al. diurético e. 1999). Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico.. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. acetilenos. sendo 2. 1984). De E. Hohmann et al. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. 2002). 1985. sendo majoritários carotol. foram isolados 46 compostos. também encontrados em E. Glicosídeos foram isolados de E.. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. campestre (Erdemeier & Sticher. O extrato aquoso de E. em altas doses. .. Das folhas de E. 1995). maritimum (Lisciani et al. 1986). elegans (Campos & Garcia. comarinas e flavonóides. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al.. ilicifolium (Pinar & Galan.. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. Além de saponinas. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto.. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1992). creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. a DL50 por via oral foi de 1.4. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. foetidum L. 1997a). 1997a).. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. 1985).. bourgatii (Lam et al.. 1980) e E. 1997). O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. e cotyle = "umbigo". foi ainda isolado o falcarindiol em E. farneseno. emético.inclui 130 espécies cosmopolitas. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos.

Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. e Polyscias. Centro-Oeste e Sul. Árvores. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. e centenas de . Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. 1998).Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. utilizada como alimento. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. no envenenamento do filósofo Sócrates. No Brasil ocorrem vários gêneros. epífitas. famosa por ter sido usada. Hedera. Schefflera. subclasse Rosidae. especialmente do gênero Cicuta. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. Panax. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Tetrapanax. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. Mackinlaya e Polyscias. Australásia e América tropical (Joly. Tetrapanax e Aralia. segundo a história. da famosa Hera dos parques. com aproximadamente 1. arbustos. lianas. Das inúmeras espécies descritas nessa família. mas raramente ervas. No entanto. 1997). Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. e inclui 47 gêneros. são encontradas na família. ambos introduzidos no Brasil. especialmente em refogados e saladas.

No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. flores pequenas. Cuia. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. A espécie não foi completamente identificada. Cuia. sendo também usa- . a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. Cunha e Cunha-mansa. Outras espécies do gênero. descrito por Johann Forster e Georg Forster. O nome popular da espécie. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. globoso. pertencente ao gênero Polyscias. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. cálice pequeno. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. variegadas. amplamente cultivada como ornamental. ovário ínfero. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". folhas alternas. pela beleza de sua folhagem. reunidas em inflorescências axilares. O gênero Polyscias. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. androceu com cinco estames. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. grandes.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. fruto indeiscente. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. refere-se à forma da folhas. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. e acias = "sombra".2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. usada internamente. com larga bainha na base.

1992). Chaboud et al.. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. Proliac et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1989b. Glicosídeos oleanólicos. 2002. scutellaria (Paphassarang et al. 1998).. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1995. 1994). Em P. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al... A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. 1992. os autores demonstram que . Vo et al. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1989a. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. 2001). 1992).. 1990. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. Nas folhas de Polyscias sp. Barilyak & Dugan. 1988..dos como calmante por adultos. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 1996. 1986). Fulva (Bedir et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. 1991). 1989c e 1990) e de P.. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Nesse estudo... 1990). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll.. Lutumski & Luan.

prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse.Eryngium ekmanii. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. assim como outras do gênero Polyscias. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. e de prolactina pela hipofise. mostram que essa espécie. associados àqueles referentes a outras da família. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.1 . 2002). FIGURA 23. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al.. especialmente a Panax ginseng. A espécie P.

2 .Banco de imagens - .Polyscias.FIGURA 23. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Genistomaceae. Loganiaceae. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Di Stasi C. Gentianaceae e Asclepiadaceae. C. . somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. demonstram que a ordem Gentianales. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. A. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas.Strychnaceae. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. apesar de pouco numerosa. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Apesar de não referidas no nosso estudo.24 Gentianales medicinais L. Apocynaceae. Esses dados. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico.

Rauwolfia. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. subclasse Asteridae. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Vinca. arbóreas. Hancornia. fornecedores de madeira. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. a família possui espécies trepadeiras. os gêneros Mandevilla e Thevetia. além dessas. . dentre os gêneros. Aspidosperma. Allamanda. Strophantus. inclui 165 gêneros.900 espécies tropicais e subtropicais. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. com aproximadamente 1. Nesse contexto. herbáceas. muitas das quais conhecidas como Mangaba. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. aqueles que incluem espécies arbóreas. sendo esta última o mais importante. com destaque para ajmalina. entre as espécies de pequeno porte. serpentinina e reserpina. como os gêneros Allamanda. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. 1997). muito utilizadas ornamentalmente. Mandevilla. serpentina. e. Catharanthus. Java. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. ajmalinina. Joly (1998) destaca. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Hancornia. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. arbusto encontrado na Índia. Thevetia. Tabernaemontana. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Nerium. como Aspidosperma. Paquistão e Tailândia. Inclui espécies arbustivas.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales.

tais como ouabaína. Deve-se destacar. Himathantus sp. tais como alstonina. • do gênero Strophantus. e Thevetia peruviana. estrofantinidina e cimarina. especialmente a Nerium oleander. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. Orélia. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. A espécie Vinca rosea. espécies ricas em glicosídeos. segundo Evans (1996). fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Alamanda amarela e Quatro-patacas.• do gênero Vinca e Catharanthus. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. cilastonina e também a reserpina. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. Vinca minor. tanto para os animais como para a espécie humana. as espécies Strophantus gratus. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. tem sido designada também como Catharanthus roseus. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. tais como majdina. as espécies Vinca major. . contudo. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. a saber Allamanda cathartica. • do gênero Nerium. Wrightia e Aspidosperma. vinblastina e vincristina. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. Dedal-de-dama. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. alstonilina. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos.

a planta exsuda látex considerado venenoso. especialmente cães e macacos. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. emético e purgativo.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. em grande número. grandes. espessas. especialmente em crianças. com folhas brilhantes. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. O gênero inclui doze espécies tropicais. purgativo e catártico. com tubo estreito e longo. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. inflorescências com flores amarelas. fruto do tipo capsular. . sendo a A. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. atingindo até 20 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. Ucuuba e Sucuba. contendo poucas sementes (Figura 24. A folha é considerada excelente catártico. axilares e fasciculadas. alternas. A infusão das folhas é utilizada como emético.1). folhas simples. na forma de funil. usada internamente. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. com copa estreita e tronco ereto. com a mesma indicação. glabras e verticiladas. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. em animais domésticos. Segundo Corrêa (1984). semilenhoso. com casca rugosa. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. enquanto a decocção das cascas da planta. é considerada um excelente vermífugo.

Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. 1997). contendo sementes aladas. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. especialmente em crianças.pecioladas. alcançando até 10 m de altura. especialmente no alívio de coceiras. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. sendo útil como anti-helmíntico. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. grandes e brancas.) K. no entanto. ovaladas. Coração-de-jesus. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Noz-de-cobra. Thevetia peruviana (Pers. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). glabras em ambas as faces. Schum. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. coriáceas. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. frutos geminados em forma de chifres. linear-lanceoladas. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. 1990). pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. com um tronco de casca cinzenta. acumi- . margens inteiras. todas encontradas na América do Sul (Plumel. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. heliófita e secundária. sendo uma planta perenifólia. significando "manto de flor". O nome do gênero deriva do grego. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. folhas alternas. simples. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros.

assim como outros inúmeros usos de várias par- . inflorescências dispostas em cimeiras terminais. 1984). como pulseiras. com corola em forma de funil. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. 1985). O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. O nome do gênero Thevetia. bactericida e como veneno para peixes. 1997). para provocar vômitos. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. triangular. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. especialmente do continente africano. aromáticas. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. É uma espécie muito usada como ornamental. colares. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. carnosas e glabras nas duas faces. braceletes. arbotifaciente. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. No Brasil. em pó. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. A casca é considerada amarga e febrífuga. contendo flores grandes. fruto do tipo drupa carnosa. purgativa e emética e de uso perigoso. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. amarelas. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. 1984). sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. a amêndoa. 1962). revestimento de maracás (Corrêa. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. além da sua utilização uso em vários países como emético. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. purgante. As sementes da espécie são usadas como inseticida. contendo sementes duras e grandes.nadas. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. descrito originalmente por Carl Linnaeus. Os usos dessa espécie como purgativo.

-hidroximedioresinol. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. 1985). além das flavonóides (Germonsén-Robineau.. O isolamento de diosgenina. flavonóides.. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. como a A. perivosídeo.1997. medioresinol. 1993). Dados químicos dos gêneros Allamanda. . e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. também chamado tevetina A.. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. -sitosterol. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. 1992a e 1994).. schottii. foram isolados do caule isoplumericina. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. De outras espécies do gênero Allamanda. a alanerosida. blanchetii (Ganapaty et al.-O. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. 1996. alamandina. 1988). 2002). plumierida. As sementes de Thevetia peruviana. plumericina. 1962. 1996). thevetioides (Perez-Amador et al. Foram isolados de A.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. 1986). 1984). neriifolia os compostos 9. ruvosídeo e neriifolina. -sitosterol. 1974). Kupchan et al. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. 1988). escoparona.. tevetina B. 1989). pinoresinol e alamicina (Anderson et al.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al.Kader et al. acetato de lupeol. ovata e T. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. Corrêa. -amirina. além de 13-O-acetil plumierida. são ricas em um glicosídeo a tevetina. 1992b. e de suas flores. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. quercetina. assim como de outras espécies do gênero. Tewtrakul et al. rutina e os iridóides plumierida. canogenina. tais como de T. 1988).. kaempferol. 1995c e 1995a). Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo.. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. ácido ferúlico e ácido gentísico. além de lignanas como pinoresinol...-hidroxipinoresinol e 9. escopoletina.

e as raízes. follax (Abdel-Kader et al. triterpenóides (Wood et al. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. glicosídeos cardiotônicos. 1982).. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. De acordo com Obasi et al. linoléico. Da espécie H. Da mesma forma. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano... obovatus (Vilegas et al. (1990) e Beauregard Cruz et al. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. linolênico. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. (1986). taninos. ursólico.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. 2000). taninos e saponinas (Gupta.. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. flavonóides. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. enquanto as cascas possuem alcalóides. 1996).... Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. oléico. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. Guerrero. 1992) e em T. esperolactonas. taninos e saponinas. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. ácido metilperlatólico (Endo et al. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. esteárico. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al.. cáprico. Foram descritos os ácidos mirístico. 1998). Ali et al. 1992) e H.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. linoléico. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. 1995. behênico e erúcico. alcalóides.. Triterpenos como ácido olianólico. 1978). Iridóides também foram isolados de H. neriifolia (Dinda&Saha.. 1993). esteárico e palmítico. 1990). triterpenos e saponinas. 1994. Das folhas de T. 1991)..

2002).. Peruvosídeo e neriifolina. blanchetii (Melo et al.. 1981). o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster.. bexiga. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain.camundongos. violacea (Lima & Caldas.. componentes principais da espécie Thevetia peruviana.. 1962).. 1945 e 1947).. Obasi & Igboechi. A neriifolina. 1982a e 1982b. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1990. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 1984. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al.... Moreira et al. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 1991). 1994). Moraes et al. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 1989). conhecida popularmente como orélia. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 1990).. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. antimicrobiana (Neto et al. 1992). 1933). produziu atividades espasmogênica. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. 2002) e antiofídico (Otero et al. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis.. 2000). . cathartica e A. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. 1997). útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. 1935). 1994) antifúngico (Tiwari et al. atóxica e cicatrizante (Villegas et al.. isolada dessa espécie. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al.

2002. 2000). Frerejacque.. respectivamente.5 g/ kg e 14. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Saraswat et al. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. 1958. 1933... 0. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. No entanto. efeitos tóxicos também são similares. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares.. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. 1996). Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). 2000. Maringhini et al. 1996).. 1993).. 1933). A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 1992). acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração.. e Thevetia peruviana e T.4g/kg. para bovinos (Tokarnia et al. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. e estudos recen- ... 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Eddleston et al. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade.700 mg/kg é dose letal. peixes e outros animais (Chopra et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. cobaias. 1999. Nerium oleander. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Singh & Singh.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. 1996. 1996). gatos. Oji et al. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al.

que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças.K+-ATPase. De todo modo. Observações Várias espécies dessa família. . visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. Deve-se salientar. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. 1991). pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. Da mesma forma. no entanto. incluindo o homem. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. inibição da Na+. os quais ainda não foram estudados. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. Dessa forma. 1996). revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. ou seja. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. dada a riqueza química da família.

1986). Tylophora asthmatica e Calotropis procera. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. trepadeiras. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Oxypetalum e Calostigma. mariana. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Espécies medicinais Fischeria cf. especialmente por seus efeitos tóxicos. Oxypetalum. . Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. mariana Dcne. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. tais como Asclepias curassavica. e algumas de grande valor medicinal. com aproximadamente 2. Inclui lianas. sobretudo para animais. descrita a seguir.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. Sacamonoideae e Asclepiadoideae.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. e inclui 315 gêneros. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Tylophora e Calotropis. 1997). herbáceas e raramente arbustos e árvores. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. No Brasil. subclasse Asteriddae. Fischeria.Asclepias.

inclui aproximadamente 78 gêneros.225 espécies cos- . E. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. L. opostas. 1979). com pecíolos pubescentes. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. androceu modificado. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. com ramos pubescentes. flores pentâmeras. com lacínios conspicuamente crispados. com testa verrucosa (Figura 24. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. fruto unilocular. sementes comosas. nos quais se distribuem 1. von Fischer.2). continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos.. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. membranosas. de onde saem as folhas simples. diclamídeas. corola gamopétala. hermafroditas e de simetria radial. foi realizado experimento de toxicidade. especialmente a febre.

Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. e outras são usadas como ornamentais. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. na região amazônica. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. F. Puruvá e Cutúbea. amplexicaules e grandes. com caule ereto de muitos ramos. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. reunidas em verticilos. . também sésseis. amenorréia e como vermífugo. Voyria. subtropicais e de clima temperado. 1997). sendo várias delas medicinais. dispostas em espigas simples terminais. de Carne-seca. 1978). desordens estomacais. flores brancas grandes e muito vistosas.mopolitas. Nomes populares A espécie é chamada. fruto capsular. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. Dejanira. folhas opostas e sésseis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos É uma planta anual. especialmente do gênero Dejanira. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. Lisianthus e Coutoubea. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. a decocção das raízes é usada contra febre. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. mas também inúmeras espécies tropicais. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. 1998).

anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. da famosa Strychnos nux vomica. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. quando ingerida dentro de 24 horas. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae).Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. taquicardia. um dos encontrados no Brasil. febrífugo. diminuição da atividade motora e dores abdominais. e Strychnos. tônico.. e morte. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. incluindo tanto árvores como arbustos. diminuição da atividade do rúmen. 1997). Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. Porém. Mas a C. destacamos apenas os principais: Spigelia. lianas e ervas (Mabberley. 1979). Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. . Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. estudos de toxicidade. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. 1984). ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. polipnéia. hipotermia. onde é cultivado como ornamental. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. dentre eles.

nós na forma de uma cruz. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. glabras. 1978). antigamente. No levantamento realizado. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. coriáceas e trinervadas.. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Segundo Corrêa (1984). a maioria na Amazônia (Barrozo. flores amarelas em grande abundância. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. fruto do tipo baga globosa. 2001). 2002). porém de S. as plantas com propriedades narcóticas. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. que se refere à presença de mais de 190 espécies. também constatado para a espécie S. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. O nome do gênero designava. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. Nomes populares Na Mata Atlântica. folhas opostas e ovais. a planta é narcótica e venenosa. A planta recebe esse nome por possuir. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. Noz-vômica e Quina-de-cipó. nux-vomica (Shoba & Thomas. . potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. em seus cipós.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados.

1 . S... Quetin-Lecrerq et al... 2000 e 2001. . S. FIGURA 24. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. usambarensis (Frederich et al. 2001).A S. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. Rafatro et al. 1996). Detalhe da flor (Banco de imagens - )... icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 2000)... Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S... Das raízes de S. 2000.. 1996). mellodora (Brandt et al. guianesis (Penelle et al. 1995). 2001). 1996). 1998) e S. 1999).Allamanda cathartica. S. panganesis (Nuzillard et al. myrtoides (Martin et al. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al.

Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 24. laniflora Dcne.Banco de imagens - .2 .Fischeria cf.

lianas. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. arbus- . Seito C. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. ervas. N. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. G. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Solanaceae. incluindo plantas herbáceas.600 espécies. Convolvulaceae. A. Gonzalez L. Di Stasi F. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. C. algumas vezes parasitas.25 Solanales medicinais L.

como Batata-da-terra. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. suculentas. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. 1997). com folhas alternas. axilares e fruto capsular. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. delicadas e amplamente consumidas como alimento. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. . Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. gengivite e dores de dente. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. internamente. aqui também descrita como medicinal. para infecções da boca. pecioladas.tos e raramente árvores (Mabberley. rosas ou arroxeadas. Possuem inúmeras variedades. cordiformes. raízes tuberosas. Na região da Mata Atlântica. geralmente lobadas. que são cultivadas com fins comerciais. de Batata-doce. Nomes populares A espécie é chamada. em gargarejos. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. ainda que raramente. A planta também é conhecida. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. flores brancas. a espécie é cultivada e consumida como alimento. Ipomoea batatas. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento.

folhas alternas. de cor vermelhoviva ou rosa. 1996). I. com cinco lobos arredondados. glabra. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores.. flavonóides (Zhou. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. b-sitosterol. I. comparando-se as plantas deste gênero. batatas Lam. I. e de homoios = "semelhante". Muitas espécies são medicinais. acetil-b-amirina. 1996. muitas delas amplamente cultivadas. de 5 a 18 cm de comprimento. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo).. 1. 1995). como é o caso de I. 1996).. Delgado et al. purpurea e /. ácido caféico e quercetina (Tan et al. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. tubérculos ou arbustos. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. sinensis. I. cairica.. com caules bastante entrelaçados. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. anti-reumáticas e laxativas. sendo várias ervas. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. carnea. hederifolia. I. coptica. 1986). pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. Alba. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. pinatipartidas e pecioladas. enquanto as folhas são detergentes. Goda et al. 2000. cairica. como é o caso de /. Dados químicos do gênero Da espécie I. purpurea e I. De . friedelina. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". fruto capsular ovóide. oblongata.

. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. 1986). cornea. 1997). matairesinol e trachelogenina. Das sementes de I. 1996 e 1997). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda.. 1988).. 1999a. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. 1996).7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. Das partes aéreas de I. De Lima & Braz-Filho. operculinas I-VIII ácido operculínico A.I. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina.. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al.. 1987). Das sementes de I. Das raízes de I. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I.. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. as lignanas arctigenina. De I. (Sharma & Shukla. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. alta concentração de cálcio e potássio. carnea. adrenérgicos e . ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. carnea Jacq. As folhas de I. 1997). também encontrados em I. 1987). Diversos flavonóides foram isolados de I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I.. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. e também dibenzil-g-butirolactona. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. os flavonóides 4'.. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. é medido por mecanismos colinérgicos. 1996). alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. 1996). arctiina e matairesinosídeo. e das flores de I. 1997). 1990). quando administradas a cabras. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1999).. regnellii e I. hardwickii (Liu et al. 1997). reticulata (Mann et al. 1989)..

1991).. 1990). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. Os extratos aquosos. com 2. espasmolítica (Medeiros et al. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. 1996). dos quais 25 são endêmicos. Foram isolados de I. O extrato diclorometano de I. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al.. 1998a e 1998b). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1992). Foram observadas também anorexia. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. conhecida popularmente como salsa-da-praia.. 1998).. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena.... O efeito tóxico foi observado no cérebro. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. A I.. 1996). As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. As sementes de Ipomoea ssp.. depressão. arbustos.não-colinérgicos (Hore et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. 1998). 1995). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. lianas e ervas (Mabberley. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1997). 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. 1994). Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. encontram-se árvores. Entre estes...950 espécies subcosmopolitas. 1996). 2000). pescapae (Madeira et al. 1997). stans três tetrassacarídeos.

dessa subfamília. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Brunsfelsia. . importante ferramenta farmacológica e. Nos estudos realizados. Lycopersicum. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Manacá-açu e Jeratacaca. ainda do ponto de vista comercial e social. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. especialmente na espécie Hyosciamus niger. como Juá-bravo. descrito posteriormente. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. pelos nomes de Manacá-da-serra. de onde se isolou. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. da famosa espécie Nicotiana tabacum. do famoso Tomate. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. a capsaicina. entre outros inúmeros compostos. Physalis. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. Gambá. Managá-caa. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. e Solanum.• Solanoideae. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Don. tanto do ponto de vista farmacológico. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. Nomes populares Na região amazônica. Em outras regiões. da famosa Datura stramonium. Cuvitinga e outras espécies. com inúmeros representantes no Brasil. fonte de nicotina. Datura. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. • Cestroideae. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Fumobravo.

com anteras azuladas. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. diclamídeas. bolha". contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. referindo-se à forma do fruto. na região amazônica. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. agudas. pequenas. Bolsa mulaca. Joá. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga.1). glabra. bilocular. fruto esverdeado do tipo baga. súpero. folhas elípticas e acuminadas. Dados botânicos Erva com muitos ramos. flores dispostas em cimeiras. sem estipulas. folhas inteiras. ereto e crasso. especialmente na Amazônia. possui. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. longo-pecioladas. Joá-de-capote. ovário bicarpelar. Physalis angulata L. Juá-de-capote. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. muito ramificado. hermafroditas. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. semente rufescente (Figura 25. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. caule verde. Nomes populares A espécie é chamada. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. androceu com cinco estames. O chá preparado com raiz de . pentâmeras. flores amarelas. de Camapu. Mata-fome. Mulaca.

As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. Jubeba. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. malária. No Peru. contra icterícias (Schultes & Raffauf. . dermatites e doenças de pele. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. Solanum paniculatum L. 1974-1975). 1980. na Paraíba. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. hepatite e reumatismo (Forero. 1980). para tratar hepatite. Juuna e Juvena. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. contra vermes. 1993).. Juripeba. interna e externamente. 1990). enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. 1994). 1980). contra inflamações. a infusão da sua raiz. vômito. os frutos são desobstruentes. e suas folhas têm uso diurético. diuréticos e resolutivos (Corrêa. 1990).. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. problemas hepáticos. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. 1984) e a raiz. No Brasil.camapu misturada com raiz de açaí. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. 1982). da Amazônia brasileira. renais e de vesícula biliar (De Almeida. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. problemas hepáticos. outros. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. no Pará. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. 1998). 1984). Rutter. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. em Minas Gerais. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. bem como no combate a febre. útil contra reumatismo. 1995).

Solanum tuberosum L. fruto do tipo baga redonda. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. flores brancas. brancos ou amarelados. lilás ou roxas. sendo úteis contra icterícia. Inclui inúmeras variedades. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. dispostas em racemos. além de ser indicada contra problemas do estômago. especialmente contra lombrigas. ereta. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. carnosos. folhas alternas. de caule alado. desiguais. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. muito parecidas com as da Batata-inglesa. alívio". fruto do tipo baga globosa. flores em umbela.700 espécies subcosmopolitas. es- . todas cultivadas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. muitas delas de grande valor econômico. hepatite e febres intermitentes. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. sinuosas e acuminadas. de onde é obtida pelos habitantes locais.

1980) e P. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. 1986). 1980.. 1977).. hidrocarbonetos. Vasina et al. Gottlieb et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. Do gênero Physalis. Glotter et al. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. alcoóis e ésteres. 1988. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas).. aldeídos.. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. ácido palmítico (7.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. peruviana (Sahai & Ray. 1977 e 1978). 1987. 1987).52%) (Maestri & Guzman. cetonas. 1985).. alkekengi (Kawai et al. com ciclopropenóides. dos quais foram caracterizados.. Sinha et al. 1986. Já da casca da raiz de B.. P. 1981). identificou a presença de 122 compostos.. P viscosa (Maslennikova et al. Frolow et al. Na região. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al.. nitida... ixocarpa (Abdullaev et al. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. 1987. No óleo das sementes de B. angulata (Row et al. P. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75.5%).. ácido oléico (11... Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. As sementes de B. principalmente. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. Alcalóides foram isolados de P. 1986). grandiflora. P pubescens (Reddy et al.5%). P peruviana (Gottlieb et al. 1977a). 1996). obtido de suas partes aéreas. espécie de origem cubana. 1985. 1991). 1986). Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. Eguchi et al..8%). o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. 1995). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis.25%) e ácido ricinoléico (0. De B. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. minima (Mulchandani et al. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1980. 1979a.. 1994).. Oshima . Itoh et al.

24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. flavonóides (Ismail & Alan.. B. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. 1988). bronquites. 1990). 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. De P. 1993. Uma triagem hipocrática em ratos. glicosídeos.. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al.. artrites. 1987.. vitagulatina A. 1968. 1967a e 1967b). hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. fisagulina A e K. figrina. Shingu et al. 1990). 1989. Spainhour et al. 1990. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. 1977). acetil colina. neoclorogenina. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. 1997. 1988). Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. 2001). 1987b. A administração oral de B. minima var. 1992). aianinas. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. febre e picadas de cobra. com extratos da raiz de B. B.. O extrato aquoso de B.. pauciflora e B... bonodora... hopeana. Chen et al. Moiseeva et al. angulata foram isolados ainda vitasteróides. Banton et al. fisangulídeo. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al.... fisalina B e quercetina (Gupta et al. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al.. beta-sitosterol. vitangulatina A. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. 1997). uniflora. Oliveira et al. 1988 e 1989). 1975. 1987 e 1990. Ripperger et al...et al. Vasina et al. australis (McBarron & de Sarem. . 1992b e 1992c). utilizada para picadas de cobra.. ácido clorogênico. Chen et al. revelou atividade depressora do SNC. 1983. 1986). De P. enquanto das folhas de P. 1989.. calcyina var. indica foram isolados vitasteróides. além de vitaminimina (Gottlieb et al. vitaminimina. 1986. flavonóides (Ser. vamonolídeo. Já da raiz de B. floribunda. além de alcalóides. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al... alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. 1990).. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. 1992a. 1991). Neilson & Burren. Dinan et al. 1987). 1990.

1998) antimicobacteriano (Januario et al. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. 1989). tripanossomicida (Barbi et al. antibacteriana (Hussain et al. Nos frutos de P. M.. 2000). A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. 1997. anticoagulante (Kone-Bamba et al.. e a atividade imunoestimulante.. T.. entre outras. antileucêmica. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. embora outros sinais também tenham sido verificados. 1998. antigonorréica. antiviral (Otake et al. 1990).. diurética. quando ingeridas em dose única ou repetida. M. 1998) e antineoplásica (Carvalho..Para a Physalis angulata. M. 1998). P. et al. etanólicos e esteroidal mostraram. V. 1990). M... 1987). moluscicida (Almeida & Fonteles. entre outras (Lin et al. et al. M.. 1992a e 1992b).... 1998). O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. como movimento . Pietro et al. 1988). V. V. V. et al. Kurokawa et al. 1998). 1998).. 1995. 1992a e 1992b). aos esteóides. V.. 1998). M. Silva. et al. M. aqui descrita. Kusumoto et al. 2002. anticolinérgica (Fonteles et al. 1998. I. Soares et al. Haussmann et al. antimutagênica. imunoestimulante (Carvalho. G. in vitro e in vivo. 1998). Chiang et al. O estudo dos vitanolídeos de P. anti-séptica.. et al. antiasmática. Os extratos aquosos.. et al. 1987). 1998b). citotóxica.. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. antiespasmódica.... Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. M. imunomoduladora (Rosas et al. Ribeiro et al. et al.. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. niruri e P. 1992.... minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. alcoólicos. incluindo leucemias. 1993. Barbi et al. 1991. constataram-se atividades hipotensora. V. Das folhas de P. melanomas. Carvalho. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. 1997.. 1998. et al.

falta de apetite.Banco de imagens - . 1991). Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . FIGURA 25. Além disso.Physalis angulata.de mastigação. às vezes levando-o ao chão. salivação.1 . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. irritabilidade. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. perda de peso. estiramento e contração das patas traseiras.

Guimarães C. com aproximadamente 2.26 Lamiales medicinais L. A. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). das quais se destacam as Boraginaceae. apesar de incluir apenas oito famílias. C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. M. Di Stasi E. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. inclui 130 gêneros distintos. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Santos C.300 espécies (Mabberley. A família inclui árvores. M. freqüentemente . Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). as quais serão discutidas a seguir. 1997). Nas regiões de estudo. arbustos. Amazônia e Mata Atlântica. espalhadas por todo o planeta.

cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. lanceoladas. de Ervabaleeira. inflorescência espigosa. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura.herbáceas e raramente lianas. Nomes populares A espécie é chamada. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório.1). • Heliotropium (Heliotropioideae). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. com até 12 cm de comprimento. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. densa. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. . amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. pubescentes na face inferior. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. agudas. um dos gêneros mais comuns no Brasil. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. muito ramificado. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. 1998). de onde saem folhas sésseis. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. • Cynoglossum. Borago e Symphytum (Boraginoideae). sendo raramente encontrada no interior de matas. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. É uma planta heliófita e higrófita. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. formando grandes populações em áreas litorâneas.

incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. anginas. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". Na medicina tradicional salvadorenha. 1994). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. É uma planta anual. fruto formado como uma mitra. incluindo úlceras. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. faringites. folhas pecioladas. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". abcessos. com ramos lisos e glabros. estomatites. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. e as espécies H. com flores brancas ou azuis. Jamacanga e Jacuacanga. e trepein = "mudar". dispostas em espigas solitárias. e seu suco é de alto valor contra aftas. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. . Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. com dispersão regiões tropicais e temperadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. ovadas ou cordiformes e acuminadas. Crista-de-galo. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0.Heliotropium indicum L. moléstias cutâneas e feridas. Aguaraquiunha.5 a 1 m de altura. europaeum são reconhecidamente medicinais. alternas. Segundo Corrêa (1984). o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. inflorescência curvada. furúnculos e também contra queimaduras. glabro ou pubescente. tubulosas. de flores brancas. amplexicaule e H.

Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. enquanto as raízes. tubulosas. com folhas ovadas ou oblongas. De H. acuminadas no ápice. Consolda maior. vistosas. . além de alcalóides e taninos. Das partes aéreas de H. Nomes populares A espécie é chamada. Outros nomes são Consolda. 1986). amarelas ou rosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 1996).. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. distúrbios estomacais. dispostas radialmente. ásperas e onduladas. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. caule curto e ramoso. lasiocarpina. flores grandes. como beta-sitosterol. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. fruto com quatro aquênios lisos. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. de Confrei. europina. Erva-do-cardeal. Orelha-de-vaca etc. 1994). lupeol. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. taninos e triterpenos. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia.Symphytum officinale L. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. inflamação e dores de barriga. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. Língua-de-vaca. Sonsólida. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais.

Farrag et al. spathulatum (Roeder et al. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. 1988). 1987). coromandalinina. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al.. intermedina e retronecina) por Ravi et al. (1990). 1988). 1988). echinatina. 1996). H. 1988). supinina e europina (Rizk et al. 1990). em H. H. Das partes aéreas de H. 1996). heliotrina. heliovicina. heliotrina e lasiocarpina e. bursiferum (Marquina et al. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. 1986). lasiocarpum (Akramov. curassavina. coromandalina. heleurina. heliotrina e lasiocarpina de H. 1991).a heliospatina e o heliospatulina . heleurina. 1995). esfandiarii (Yassa et al. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina.. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. em menor quantidade. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988).. rotundifolium (europina. H.. heliotrina e lasiocarpina (Guner. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos .. 1988.. europina. curassavinina.. licopsamina amabilina. H. stenophyllum.de H. H.. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. bovei. 1995) e H.. (1989). argentinum e var. curassavicum (Davicino et al. heliotrina. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. curassavicum var. e heliotropina de H.. H. hirsutissimum (Guner et al. Reina et al. 1989). 1995b. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H.. arborescens (Bourauel et al. destacando-se compostos fenólicos em H. em que se . subulatum (Malik & Rahman. H. europina e supinina em H. 1995b).De H. keralense (isolicopsamina. 1994).

1991 e 1988. pinocembrina. 1990).. Al Awadi et al. Os constituintes fenólicos denominados galangina. 1995. A H. hesperetina. 7. filifolium (Urzua et al. 1998). C.. solicifolia (Hayashi et al.. 1996). 2002). dentre outras espécies (Ficarra et al.. pinocembrina. De H. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. curassavica (Ioset et al. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. 2001). multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. 1996). filifolium também foram isolados. C. myxa. tais como ácido rosmarínico. 7-O-metileriodictiol.. 3-0-metilgalangina. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. alliodora (Ioset et al.3'-dimetileriodictiol. 1996). De H... 1990).. 1989) e esteróis e quinonas em H. As propriedades antifúngicos. do exsudato. 2000a) e C. 1990). sakuranetina foram isolados da resina de H. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . pinobanksina-3-acetato. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. 1994 e 1996).. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. stenophyllum (Villarroel & Urzua. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. 1987). 2000b). 2001). chenopodiaceum.... pinocembrina. bacciferum (Miralles et al.descreveram os constituintes galangina. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 2001) e de C. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C.. Do exsudato resinoso de H. 2001).. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. Os flavonóides ayanina. verbenacea. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. C.. ovalifolium (Guntern et al. linnaei (Ioset et al.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. Sertie et al.. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg.

porcos e aves (Gaul et al. 2001). subtilis como o extrato bruto de H. nos quais se distribuem 6. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . ellipticum e H. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. 1992). Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. assim como todo o gênero Heliotropium. Singh et al. 1987. De H. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. sendo também contra-indicado o uso do material fresco.. argentinum apresentam genotoxicidade.paz de inibir efetivamente o B. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. 2002. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos...700 espécies.. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. 1994. Eroksuz et al. 1989). Das partes aéreas de H. Dados toxicológicos A espécie. 1997). bursiferum (Marouina et al. também denominada Labiatae. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. Alcalóides isolados de H. infusão ou chás por via oral. Jain et al. europaeum e H. 2001a e 2001b).. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. Portanto. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. é potencialmente tóxica.. 1995).. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. 1987).

Nepetoideae: Hyssopus. rígidas. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Trata-se de uma importante família. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada.(Mabberley. alimentos. corola com tubo infundibuliforme. Melissa. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. 1997). flores dispostas em capítulos pedunculados. ex Benth. Salva. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. pubescentes. crenadas. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. obovais. Salva-do-campo. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Leucas e Sideritis. Lamioideae: Leonotis. pois são usadas como condimentos. oposto-decussadas. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Ajugoideae: Ajuga. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. especialmente americanas. Satureja. Ocimum.2). Teucrioideae: Teucrium. com cálice tubuloso. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Salvia. Pogostemonoideae: Pogostemon. bilabiado. Scutellarioideae: Scutellaria. Mentha. Malva. Lavandula. Origanum. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. com haste suculenta. do ponto de vista medicinal. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. . androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Thymus. Rosmarinus. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Hyptis e Plectranthus. folhas pecioladas.

a decocção das folhas é usada contra malária. Dados botânicos Erva anual. para regular a menstruação. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. na região amazônica e em quase todo o Brasil. emenagogos. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. com caule quadrangular aveludado e pubescente. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. Leonotis nepetaefolia Hort. . diarréia. 1982). sudoríficos.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e a infusão da planta toda. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. icterícia. de Rubim. folhas opostas. de até 2 m de altura.3). Na região da Mata Atlântica. de constipações e artrites (Van den Berg. flores pediceladas com quatro estames. Na Mata Atlântica. um pouco lenhosa. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". e inclui apenas quinze espécies tropicais. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. mas não foi completamente identificada. antigripal. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. flores dispostas em racemos densos e verticelados. ovadas e subcordiformes na base. Nomes populares A espécie é chamada. cólicas menstruais e problemas digestivos. anti-reumático e contra cólicas menstruais. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. recebe o mesmo nome.

com cinco segmentos acuminados. folhas pecioladas. especialmente de barriga e. raramente arredondadas. hipotensão. brancas. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. ramoso e pubescente. 1980). durante dois dias. no Ceará (Matos et al. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e.. antiasmática. é utilizado como anti-reumático. de caule ereto. herbáceo. a planta florida é usada na fraqueza geral. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. pubescentes nas duas faces e membranosas. cálice bilabiado. 1982).Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores sésseis. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. como cicatrizante. Na região do Vale do Ribeira. Grandi & Siqueira. útil contra úlceras. contra gripes. sendo ainda indicada contra úlceras. corola bilabiada. antireumática. externamente. internamente. no Rio Grande do Sul. 1986). A planta é também considerada antiespasmódica. ovadas ou oblongolanceoladas. febrífuga e diurética. na Mata Atlântica. Leucas martinicensis R. distúrbios do estômago. pilosos e sulcados. Br. dores gerais. no Mato Grosso. 1982. como Cordão-de-frade. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. Dados botânicos Planta anual. como abortivo e antitérmico (Simões et al. facilitando a expectoração. 1984). reumatismo. com lábio superior 1-2 . nas inflamações broncopulmonares. ramos quadrangulares.. duas vezes ao dia. 1982). a infusão das folhas é usada. desiguais entre si. o chá de toda a planta. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. em Minas Gerais (Verardo. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. uma xícara por dia. Pau-de-praga e Cordão-de-frade.

. 1984). as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. hermafroditas. Dados botânicos A espécie M. curto-pecioladas. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. contra tumores. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. pentâmeras. aquatica. difere da M.lobado e o inferior 1-3 lobado. o macerado das folhas em água. externamente. formando espigas no ápice dos ramos. apenas de Hortelã. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. referindo-se à cor das flores. contra dores musculares e reumatismo. nome recebido em todo o Brasil. na Mata Atlântica. antiespasmódico e contra nevralgias. descrito por Robert Brown. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. fruto do tipo aquênio (Figura 26. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. folhas opostas. com raiz fibrosa e caule ereto. pouco aveludada. A planta também é utilizada como tônico. agudas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. e seu cozimento é indicado como antireumático. um pouco pubescentes. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. filha de Cocylus. dela. bilabiada. Hortelã-das-cozinhas. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos.5). Na região do Vale do Ribeira. serrilhadas. topicamente. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. é usado sobre gargantas inflamadas. ramos eretos e opostos. planas. flores violáceas.4). significa "branco". corola gamopétala. de porte herbáceo. viridis e M. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. diclamídeas. decussadas. Menta e Hortelã-verdadeira. ramoso. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. numerosas. O nome do gênero Leucas. piperita é um híbrido de M. na forma de gargarejo. zigomorfas.

tremores. vômitos. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. 1980). é utilizada internamente em distúrbios digestivos. 1984). três vezes ao dia. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. bronquite e tosses. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. Hortelã-da-preta. 1982) e como anti-séptico. Contudo. sendo indicada contra flatulências. Hortelã-pequena. de estômago. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. estimulante do fluxo biliar. é indicada contra dores de estômago em crianças. dismenorréias e verminoses. estomáquicas.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. garganta e dentes (Simões et al. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. Mentha viridis L. . timpanite. eólicas uterinas. A M. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. 1986). dor de barriga. Hortelã-graúda. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). musculares. problemas cutâneos. 1991). a infusão das folhas.. catarros de mucosas. Hortelã-comum. no Rio Grande do Sul. Nomes populares A espécie é chamada. dores de cabeça. anti-reumático e contra insônia. digestivas. de Hortelã-verde. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. cólicas abdominais e tétano. na região amazônica. estimulantes. 1986). e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. carminativas. em 1990. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Na região da Mata Atlântica. diarréia. em Brasília. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. calmante. antiespasmódicas.

ameba e giárdia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. inflorescência do tipo espiga. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. Na região do Vale do Ribeira. ovais ou oblongas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. bastante pilosa e com aroma forte. pecioladas. em verticilos aproximados. ascendentes. denticuladas. ovadolanceoladas. caule ereto.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. garganta e estômago. flores rosas ou violeta-claras. gripes. corola e cálice campanulado (Figura 26. além de ser considerada útil contra febres. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. especialmente lombriga. cólicas. tosses. bronquite e gripe. cilíndrica e frouxa. ramos eretos. dores de estômago e "quebranto". assim como em todo o Brasil. seu decocto é considerado útil contra tosse. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. glabras. Mentha pulegium L. bronquites. . a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz.6). a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. folhas subsésseis. serrilhadas. com folhas pequenas. dores de barriga e pedras nos rins. opostas. tétano. Também é conhecida como Poejo-das-hortas.

Alfavaquinha. diurética e útil contra resfriados. Alfavacona. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. estomáquica. peitoral. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. ovadas. Alfavaca-do-campo. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. flores brancas ou rosas. de onde partem folhas opostas. entre outros. assim como em todo o Brasil. Em outras regiões. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. significa "perfumada".Ocimum basilicum L. Ocimum. descrito por Carl Linnaeus. dentadas. diaforética. pequenas e finas. O nome do gênero. glabras. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Em outras regiões. de Alfava. de caule ramoso. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. . Alfavaca-de-cheiro. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. Ocimum canum Sims. estimulante. referindo-se à planta toda. com até 50 cm de altura ou maior. Alfavaca-cheirosa. especialmente de ocorrência na África. diarréias e disenterias. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. com ramos tetrágonos e pubescentes.

rins e uretra. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. flores roxas ou. pubescentes. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A decocção das raízes . de ramos quadrangulares. pubescentes. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. denteadas. A planta toda é bastante aromática. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. verticiladas e dispostas em racemos. ovadolanceoladas. é usada contra febres. glabros e eretos. raramente. além de diurética. tosses e desordens uterinas e renais. contendo folhas pecioladas. béquica. flores vermelhas. serradas.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. enquanto a infusão das partes aéreas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. As folhas cruas também são empregadas como condimento. fruto do tipo capsulas. a espécie é chamada de Alfavaca. dispostas em racemos paniculados. dores de cabeça e bronquites. de onde partem folhas ovais. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. carminativa. amarelo-esverdeadas. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. verdes e finas. glabras. diaforética. tosses. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. além de excelente na cura da coqueluche. dispnéia e reumatismo. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. agudas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. e na Mata Atlântica. . dores de cabeça e como sedativo para crianças. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. pequenas. gineceu com ovário ovóide. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. glomerulada. sudorífica. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. androceu com estames inclusos. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. Ocimum micranthum Willd. distúrbios do estômago. problemas nervosos. como Manjericão. dores de cabeça e febres. gripe e catarro no peito. diurética e útil contra tosses. As folhas são ainda muito usadas como condimento. núculas negras e lisas (Figura 26. folhas pecioladas. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. margem irregular. Alfavacão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. Alfavaca-do-campo.é usada contra diarréias.7). congestão nasal e dor de cabeça. ovaladas. inflorescência racemosa. membranosas. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. carminativa.

Pogostemon patchouly Pellet. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Origanum vulgare L. 1988). dores de cabeça e tosse. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. flores em glomérulos. 1984). com ramos ascendentes. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. formando uma espiga terminal. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. com até 50 cm de altura. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. no Mato Grosso (Van den Berg. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). dispostas em panículas. além de a espécie ser utilizada também como condimento. tosses e bronquites.Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada contra infecções. . vilosas. Patchuli ou Patchouli. de onde partem folhas ovais. no Pará (Amorozo & Gély. as folhas são consideradas úteis contra gripes. pilosa. de base arredondada e margem denteada. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. 1980).

terpinen-4-ol. 1. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. Existem. 1991). com espigas compostas. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. como beta- . fruto seco (Figura 26. cruzadas. corola com quatro lobos. 1988. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. O óleo essencial das partes aéreas de H. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. flores diclamídeas.. (1982). Uma outra análise do óleo essencial de H. dos quais 32 foram identificados. três formando um lábio aberto. androceu com estames excertos.. O nome do gênero Pogostemon. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes.8-cineol. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. hermafroditas. porém. bilocular. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. sendo mais comuns o beta-cariofileno. suaveolens possui setenta componentes. pentâmeras. suaveolens por Misra et al.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). bicarpelar. Azevedo et al. Das folhas de H. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. descrito por Desf. predominantemente de sesquitepenos. 2001 e 2002). sabineno e alfa-copaeno (Din et al. 1990).Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. com dois óvulos em cada lóculo. alfa-bergamoteno. flores em glomérulos. significa "estames barbados". Triterpenóides foram isolados de H. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. 1990).. sedativo e hipotensor. ovário supero.. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.8). o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça.

sendo p-cimeno. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. salzmanii foram isolados diterpenos. De H. 1996).. 1990b). especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth.. e de H. beta-cariofileno. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L.. e de L. 1988). ácido ursólico. quercetina. Porém. 1989). 1991). mutabilis foram isolados triterpenos. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado.. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. De H. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. 1987a). 1990). Metil betulinato. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Das folhas de H.. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. Das raízes de L. ácido oleanólico acetato. (1978) e Blounietal..6. lignanas e flavononas (Messana et al. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. uma outra análise do óleo de H. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. . 1988). gama-terpineno. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al.. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1988). leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 4. timol. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al.elemeno. 1990). umbrosa.. campesterol. (1980). albida foram isoladas triterpenolactonas. Em H. Das partes aéreas de H. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1987).. 1988). 1990). leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. 1990) e de H. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. ácido n-octacosanóico.

enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. Das raízes de L. mentocubanona. 1986). aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al..84%). das partes aéreas de L. 1979). piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração.07%) e mentano (11. Da espécie L. T. 1986 e 1987). piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas.64%).10%) e 1. serina.7. 1988).20%). 1987). triptofano e metionina (Dinda et al. hidroxiprolina. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. flavonas himenoxina. Das partes aéreas de L. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . O óleo essencial de três variedades de M. colesterol. 1990) e um composto fenólico (Misra. Com isso. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. piperita var. Vaverkova et al. treonina. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. ácido glutâmico. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. mentona (24. 1996)..3'. De L.. isomentona e o neomentol (Zakharova et al.8-cineol (6. officinalis. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. metil acetato (16.. mentofurano (19. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. 1996). tirosina. ácido aspártico. N. mentona. 1987). piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. alanina. fenilalanina. sendo os principais terpenos mentol.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. et al... 1987).80%).. A M. prolina.80%). lisina. 1995). que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. brassicasterol. glicina. 1987. Mentha A composição do óleo essencial de M. 5-hidroxi-6.

8-cineol.6. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. De M. b-cariofileno.8. Fe. Mg.. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. Nas folhas de M. betasitosterina.. caféico e clorogênico. catalase. 1986). Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. 1987). 1989). fitosterol. 1990) e flavonóides glicorilados. luteolina e 5. piperita foram encontrados ainda os elementos Na.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. Foram ainda isolados mono. reduzindo significativamente a concentração de mentol. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. 1. como alfa-pineno. cadideno. fenílico. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.e sesquiterpenóides. Mg. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. 1988). resinas. Zi e Cu. . peroxidases. nicotinamida. K. 1992). Ca. glicídios. vitaminas C e D2. Em Mentha viridis var.7. ácidos p-cumárico..3'. limoneno. a-terpineol e geraniol (Sacco et al.

Das sementes de O. o eugenol é o constituinte majoritário. 1996a).8-cineol. beta-cariofileno. 1996). Lawrence. Phan et al. 1989). hidrocarbonetos como p-cimeno. Kartnig & Simon. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Em Cuba. 1990). O óleo essencial de O. Das folhas da O. Khanna et al.. basilicum (Brophy & Jogia. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. 1996 e 1997a). flores e caule de O. 1987. 1987).Patel et al. Do óleo essencial das folhas... 1983)... compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. 1986. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1987. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.cariofileno.. linalol. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. micranthum foram isolados vinte compostos.. eugenol (Ekundayo et al. 1987). cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1986. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. Ocimum Do óleo essencial de O. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta.. Sharma et al. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. eugenol. cis-ocimeno.. De O. 1990).. canum foram isolados diversos componentes.. 1981. 1986. Na China. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. O óleo essencial de O.. Nas folhas. 1986. eugenol. b-cariofileno.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. De O. sendo eugenol. 1997). t-bergamoteno. Takahashi et al. Sakurai et al. as folhas e flores de O.. 1981). 1986. 1989). Borges et al. 1990). . 1988.. sendo 1... Porém. 1996).. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. gratissimum é composto de gamaterpineno.. 1.8-cineol. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. já citados. 1988).

1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. 1995)..8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. 1989). 1996). o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. 1995). 1.O óleo essencial de O. timol. eriodictiol. A espécie O. 1987). 1989). basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. Das flores de O. Murugesan & Damodaran. 1994). Fatope & Takeda. 1987. 1990). 1995).. mirístico.. 1. basilicum e O.8cineol. já comentados (Modawi et al. Thoppil. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al.. Das folhas de O. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. isoquercitrina. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al.8cineol e eugenol. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol.. b-sitosterol. 1987). Ekundayo et al. linoléico. No Paquistão. 1984). além de ácido p-cumárico. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. oléico. terpenos. ácidos orgânicos. 1991). De O.. láurico. kaempferol-3-O-rutinosídeo. Em O. sendo. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. Das sementes de O. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari .. cetonas. 1978). sendo Metil chavicol. 1990. 1996).. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. A casca do caule de O.. basilicum foram isolados quercetina. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. 1.. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. rutina. nesse caso. 1985. 1988). rubrum foram isolados borneol... fenóis. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. palmítico esteárico. o óleo essencial de O. 1989). linalol. ácido caféico. sanctum possui estigmasterol. na Turquia. linolênico e araquídico (Malik et al. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. kaempferol. basilicum apresenta 44 compostos. 1986. esculina (Skaltsa & Philianos. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. além de metilchavicol. quercetin-3-O-diglucosídeo. 1996). sabineno e eugenol (Retamar et al. esculetina. alcoóis. triacontanol ferulato.

1986). Foram isolados de P purpurascens.. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. flavonas. 1985). 1984) e grandes quantidades de timol em O.Além desses compostos. viride (Ekundayo. flavonas (Patwarphan & Gupta. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. 1981). cablin (Akhila . 1984).. lactonas sesquiterpenóides de P. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. Pogostemon As folhas de P. parviflorus (Nanda et al.

foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa.. 1987. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. auricularis (Prakash et al. Em H. suaveolens apresenta 32 terpenóides. suaveolens e H. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. mutabilis.. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. plectranthoides (Esvandzhiya et al. 1989). Munck & Croteau. Em H. 1994. Do óleo essencial das folhas de P. pectinata (Bispo et al. 1990). 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al... 1984. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. a-bulneseno. 1997). 1971). saxatilis (Fernandes. garwal et al.. analgésica (Freitas et al. também conhecido como Sambacaitá.. Foram identificados n-octacosanol. P. 1998). 1977. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. F et al. estigmasterol. Coelho et al.. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. 1988). comumente utilizada como calmante. 2001).. 1998). umbrosa.. 1987. H. Silva et al. Phadnis et al.. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. plectranthoides foram investigados experimentalmente. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa.. H. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al..& Nigan. 1984). Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H.. .... 1988.... que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. O óleo essencial de H. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H.. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. 1988).. betasitosterol. Thapa et al. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. atrorubens. crenata. 1998). 1998) e atóxica (Junior et al. et al. 1990). 1990). beta-amirina. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. 1989). ovalifolia e H. C. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.

. leonurus (Bienvenu et al. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. 1988. anti-hipertensiva e espasmolítica. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. Posteriormente. 1988)..... 1988. 1984). A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L.As propriedades antibacterianas. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. 1995).. Di . 1988).. Coelho et al. Mentha O infuso das folhas de M. 1988). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1988). 2002). piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. 1995).. ramos e flores de H.. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. foram detectadas as atividades broncodilatadora. Diterpenóides isolados de H. 1995. conhecido como Cordão-de-frade. Leonotis Em L. 2002). verticillata. nepetaefolia. Do extrato metanólico de H. do extrato de H.. 1988)... além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. Saksena & Saksena. enquanto extratos de folhas. 1979).. capitata foi isolado o ácido ursólico. e Novelo et al.. 1976. Forster et al.. Calixto et al. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. 1985. 1980. antimicrobiana (Cos et al. 1993) foram atribuídas a H. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 1988).

internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1987). 1986). micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. enquanto estudos com O. 2001 e 2002). 1998). sanctum (Phadke & Kulkarni. 2000). 1996) e hipotensora (Guedes et ai. O óleo essencial de O. 1989). antibacteriana.Stasi et al. 1993. Almeida et ai. Em O... Queiroz & Brandão.. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. piperita. 1989). piperita (Ansari et al. 1987.. 1986a). Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. Extratos brutos de O. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. et ai. 1986). gratissimum (Atai et ai... R. 2002).. determinaram-se propriedades fungicida. Queiroz & Reis. cordifolia (Villasenor et al. sanctum (Dey & Choudhuri.. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. O. 1986a. Chen et al. 1987b). (1968). A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 1986c) e em O. crispa (Mello et ai.. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 2002).. utilizando-se M. espasmolítica (Queiroz & Reis. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. basilicum demonstraram atividades analgésica. 1984). arvensis (Ceruti et al. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 1986b). 1978) e O. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. cannum (Dubey et ai. Lahlou et ai. antifertilidade. também verificada com extratos de O. 2002). 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1982. 1986a. antiespasmódica (Di Stasi et ai.. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. americanus (Jain & Agrawal.. . 2002.. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Além das atividades já relatadas com M. A.... Do híbrido. Sharma & Jocob. Queiroz & Brandão. 1981). 1988. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória.

Vanisree & Devaki. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. suave (Tan et al. O. 1994a)... 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. gratissimum (Sobti et al. Das folhas de O. E.. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. enquanto a O. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. Vanderlinde et al. 1995). 1992.. 1994. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al.. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. et ai. 1992. As folhas de O... 1995) e O. antiinflamatória. Vanderlinde et al. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. mas a administração de O. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 2001). 1986).O. 1996).. 1986). sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. 1999. o ácido ursólico. 1989). Das folhas de O. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. suave foram utilizadas como repelente de insetos... A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 1986). 1994).. Extrato etanólico das folhas de O. O óleo essencial de O. que apresentou atividade protetora do mastócito.. 1989).. basilicum (Dube et al. 1994). antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. 1993. . 1990). 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 2002).. Vanderlinde et al. O óleo essencial de O... basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. 1997). principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. Nakamura et ai. 1996). Vanderlinde et al. Os óleos fixos de O. O óleo essencial de O. 1994b.

e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa.5 ml/kg. quadrangulares. Alecrim-docampo. como Erva-cidreira-do-campo. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Salsa. 1995). caule e ramos primários. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.Br. sobretudo em crianças. pubescentes. Stachytarpheta e Lippia. longos.) N. 1984).E. Salva-limão. provocando sonolência. alternas ou opostas . Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. folhas pecioladas. Sálvia e Salva-da-gripe. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Compreendem árvores. 1986). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. Salva-brava. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. ascendentes. especialmente da América do Sul (Mabberley. arbustos e ervas. 1997). e em outras. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade.

Dados botânicos Planta de pequeno porte. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. 1980). cálice curto. Na região do Vale do Ribeira. cálice curto. corola bilabiada. fruto do tipo capsular branco.9). pentâmeras. no Pará. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. 1988). hermafroditas. 1980). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. o chá das folhas é utilizado como calmante. folhas pecioladas. cólica do estômago. Salva. reunidas em inflorescências vistosas. reunidas em inflorescências capituliformes. relaxante e contra intoxicações gerais. diclamídeas. sementes pequenas (Figura 26. tosses e gripes. estomáquica. flores pequenas. na Paraíba (Agra. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó.(às vezes na mesma planta). fruto com dois mericarpos plano- . a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. o chá das folhas é utilizado como calmante. Essa espécie é usada como antiespasmódica. sem estipulas. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago.. além de problemas do estômago. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. no Mato Grosso (Van der Berg. Malva e Nulva-do-marajó. Lippia grandís Schan. flores pequenas. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. no Rio Grande do Sul (Simões et al. 1984). náuseas. membranoso. pubescente e bipartido. como antigripal e calmante. emenagoga (Corrêa. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. 1986).

Craveiro et al. alfa-cubebeno.. As espécies L. araquídico. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. mirceno. esteárico. (1986 e 1987). e do caule e folhas foram obtidos ácido . limoneno. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi... e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Da parte aérea de L.vanílico... 1996). Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. gama-terpineno. o chá das folhas. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. 1982). Souto-Bachiller et al. três vezes ao dia. Vários terpenóides foram isolados de L. monoterpenos. 1987). Hernandulcina. timol. 1986. 1987). betacariofileno (Craveiro et al. lapachenol.. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. Matos et al. (1981). timol. a mais estudada é a L sidoides.. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. 1996a e 1996b). naringenina. p-cinieno. dulcis (Bubnov & Gurskii. 1987).. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. ukambensis (Chogo & Crank.. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . behênico e lignocérico (Macambira et al. americana foram obtidos ácidos graxos livres. canescens e I. 1981). 1991. 1981).. acacetina.. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. 1980). triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. Sauerwein et al. geranial. No óleo essencial de L. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual.convexos. citral e carvona (Matos et al. 1986. Da espécie L. 1987. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. Já de L. é usado contra problemas do fígado. 1983).

O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. 1996a).67%).. Fun et al..8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. Das partes aéreas e das raízes de L. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. p-cimeno. cirsimaritina.. eupatorina. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. germacreno D e elemol (Koumaglo et al.33%).e beta-pineno. alfa-terpineno (4. fissicalyx (Retamar et al. hispidulina.l.01%) ecariofileno (15.8-cineol. Os constituintes p-cimeno. 1991 e 1995).. 6-hidroxiluteolina. apigenina. De L. timol. graveolens foram isolados pinocembrina. 1996b). quatro éteres. timol. Do óleo das folhas de L. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.23%) e metiltimol (2. 1. limoneno.. diosmetina. sabineno. 1. 1. 1990). pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas.8-cineol. p-cimeno (3. 1988). luteolina..27%). 1990.. O óleo essencial de L. eupafolina. 1987). 1989). Das folhas e flores de L. acetato de timol (17.97%) como principais componentes (Mwangi et al. dois fenóis e uma cetona (Pino et al.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. 1994 e 1995)... citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. alfa.8-cineol (15.43%) e piperitenona (11.8-cineol (2. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. 1990). neral. sendo 22 hidrocarbonetos. 1987). a-pineno. alba e L.origanoides foi quantificada. .espécies de L.. 1989)..12%). foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.35%). Das folhas de L. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. crisoeriol. 1. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. graveolens. quatro alcanos. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. wilmsii foram isolados quinze componentes. Dentre os compostos isolados. 1. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1989).8-cineol. dos quais foram identificados piperitona (28. A composição química do óleo essencial de L.

Já o óleo essencial de L. junelliana.2% e 41. 1980).. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. 1998). relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al.. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al.. Vale et al.. sidoides mostrou atividade moluscicida. 1986).4%. Do óleo das flores de L.. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. Com a espécie L.3%) (Zygadloet al.. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. L. 2002). inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. Esse óleo. 1998). junelliana. integrifolia foram isolados da cânfora (18... além de uma atividade moluscicida (Almeida.. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al.5%). aristata (Rouquayrol et al. 2000). antiulcerogênica (Pascual et al. Além disso. P D.. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al.9%) elimoneno (13. 1990). grata (Viana et al. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. L.Y. et al. et al. enquanto o outro componente. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.. 1996). 1996).. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1981).. De L. 1998. o verbascosídeo. um dos componentes principais. mircenona (31%) e de L.... respectivamente). atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. lipifolil(6)-en-5-ona (18. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. Observou-se ainda atividade antitumoral com L.. polystachya. contribui para a coesão das células da pele. 1979). polystachya foram isolados tujona (30. turbinata e L.. 1996).carvacrol. um éster do ácido caféico ligado ao 3. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. 1980). 1988a)... assim como o de L. 1990). M. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. multiflora. aristata (Moraes Filho et al. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. Do extrato das folhas de L. 1995a).. 1997). 1987).4- . misturado a cremes. Moraes et al. atribuída à presença de flavonóides (Santos. de L. 1980 e 1987. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. integrifolia e L..

M. 1979). parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. L.. atividades cicatrizante. 1995b).. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al.... espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. Matos et al. et al.. et al. antibacteriana (Aguiar et al. Os principais componentes do seu óleo essencial. tranqüilizante (Matos et al. 1978). polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. 1978).. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al.. O. 1978. Almeida.. 1994. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. Teixeira et al. e o de L. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. graciliy (Fontenele et al. 1978). 1980).. Nas folhas de L.. 1996). 1998). O óleo essencial de L. 1998). 2001).. moluscicida (Moraes. 1985). Botelho & Soares. Laxoste et al. Lacotes et al. Além disso. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. 1988b).. grata. multiflora (Chanh et al. 1979. anti-hipertensiva. timol e carvacrol. Moraes. 1979) e I. porém.. geminata e L. apresentaram atividades antibacteriana. 1996. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. Nunes. 1994. 1992. M. M. 1980. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al.. nodiflora foi realizado um screening preliminar. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L.. 1986). ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. 1977).. R. antifúngica (Lemos et al. 1996). 1996. 1988. 1992).. O óleo essencial das folhas de L...dihidroxifeniletanol.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. 1988. espasmolítica (Viana et al.. . sidoides (Fonteneles & Sales. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Viana et al. S. et al. 1984). 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. no qual se observaram atividades analgésica. Y. Teixeira. e no óleo essencial. 1980. hipnótica e hipotensora (Noamesi. O. Ximenes et al... 1995). anestésica (Viana et al. 1995... chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1988). Menezes et al... et al.

Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). .FIGURA 26.1 . b) escanerata com detalhe da inflorescência.

1998).2 . Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 26. .Hyptis crenata.

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Leonotis nepetaefolia.3 .

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .4 .Leucas martinicensis.FIGURA 26.

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .5 .FIGURA 26.Mentha piperita.

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .Mentha viridis.FIGURA 26.

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Ocimum micranthum.7 .FIGURA 26.

Pogostemon patchouly. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.8 .

Lippia alba: a) escanerata do ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .FIGURA 26.

No estudo realizado. subclasse Asteridae. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. 1997). A. 1998. lianas. arbustos e raramente ervas (Joly. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica.27 Scrophulariales medicinais C. C. Hiruma-Lima L. Bignoniaceae. incluindo árvores. e reúne 120 gêneros. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. as quais passamos a descrever. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). com aproximadamente 750 espécies. pertence à ordem Scrophulariales. Mabberley. Os gêneros mais importantes da . descrita por Antoine Laurent de Jussieu. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Scrophulariaceae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas.

duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. contendo sementes oblongas (Figura 27. com gavinhas. No Brasil. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. Na região da Mata Atlântica. são Tabebuia e jacaranda. Em outras regiões do país. fruto do tipo capsular largo. os gêneros mais comuns são Tabebuia. com folíolos peciolados. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. uma delas. é descrita aqui. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. elípticos e coriáceos. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. que inclui os Ipês e o Paud'arco. . também é conhecida como Cipó-de-alho. curto-pecioladas. anteras glabras e ovário oblongo. e as várias espécies do gênero Zeyhera. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. com ampla distribuição nas regiões tropicais. oblongo-linear. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. Pyrostegia. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. as quais são discutidas a seguir. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". de ramos cilíndricos e glabros. o que gera o nome popular atribuído à espécie. da famosa Flor-de-são-joão.família.1). Jacaranda caroba. folhas normalmente 2-3-folioladas. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica.

Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. fruto do tipo capsular. Carobado-carrasco. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Caroba-miúda. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. roxas. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. Camboatá-pequeno. sendo amplamente usada como ornamental. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente.) DC. Camboté. Jacaranda caroba (Vell. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. flores tubulosas. não completamente identificada e conhecida como . especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Caroba-do-campo. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. coriáceos e glabros. das quais a maioria é encontrada no Brasil. por ser mole e porosa. Uma outra espécie do mesmo gênero. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. dispostas em panículas.

Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética.Carobinha. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias.2). O nome do gênero Pyrostegia. com ramos jovens delgados e folhagem densa. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. Trata-se de uma espécie heliófita. de cor laranja. longas. repletos de flores tubulares. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. especialmente no Dia de São João. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. ou seja /'coberta de fogo". raramente encontrada no interior de matas densas. especialmente em crianças. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. descrito por Carel Borinov Presl.5 cm de largura. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. . inflorescências numerosas.5 cm de largura (Figura 27. É muito comum no Brasil. amplamente encontrada em campos. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. Segundo Corrêa (1984). como corimbos multiflorais. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. podendo ocorrer com flores amarelas. sítios e quintais de residências. adstringente e anti-sifilítica. folhas com folíolos ovadooblongos. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão.

2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu.. sendo a maioria de ervas ou arbustos. especialmente a espécie Sesamum indicum. A espécie J. venusta a presença de aminoácidos. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. mas apenas cultivada. 1976 e 1977).. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. . a família não é encontrada de forma espontânea.. 1996). aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. No Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim.. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. 1995). Espécies medicinais Sesamum indicum L. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. a atividade antimicrobiana foi conferida a J.. 1994). 1992). Foi detectada na flor de P.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. 1999). O extrato etanólico da espécie A. A espécie J. 1996). marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. acorendico presente na planta (Oguro et al.

folhas simples. com origem na Ásia tropical ou na África. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto do tipo capsular. tosses secas. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. 1997). indicum foi caracterizada a presença de . externamente. externamente. e sobre as pernas para tratar paralisia. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. disenteria e catarro intestinal. episesaminona (Marchand et al. sesamolina (Mimura et al. para evitar perda de cabelos. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. contra hemorróidas (Bown. 1988. Tashiro et al. 1990). Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina.. dores de cabeça. inteiras e pubescentes. distúrbios renais. clorosesamona hidroxisesamona é 2. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. flores amarelas. 2001).. 1995). abortiva e anti-reumática e. osteoporose. para alívio da dor de ouvido. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba.. Nas sementes de S. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. no Egito e na Babilônia (Bown. opostas. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida.. com muitas sementes oleosas. diarréias. visão fraca.Dados botânicos A planta é uma erva anual. 1997). para tratar constipação nasal crônica. vistosas. além de seu uso na culinária. O óleo de gergelim. e.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. 1995).

Mimura. sesamina Do extrato aquoso de S.. 1989. 2000 e 2001). 1996). globulina. gama-tocoferol e sesamolina. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S.. 1994). indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. indicum L.albumina. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. bem como três novos triglicosídeos. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. prolamina. 1988). 1993). A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. Nas raízes de S. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. ácidos graxos. glutelina (Singh & Khanna. 1991). (Kar & Mishra. indicum detectaram a presença de glicolipídios.2000). .

.. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. 1988. além de verbascosídeo. dois derivados do ciclohexiletanol. foram isoladas das sementes de S. O extrato de S. e. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina... 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. Tashiro et al. 2002). angolense. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 1992). . Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. 2001).. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. dessa forma... em altas doses. alatosídeo A-C. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. 1991). indicum (Takswchi et ai.Duas lignanas furânicas. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. 1997). rengiol e isorengiol (Pottrat et al. respectivamente (Kang et al. 1995). Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro.. 1990) e sesangolina. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 1994). tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. sesamolina (Mimura et al. 1992).. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 1991). alatum. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. 1992). protegendo-o contra danos oxidativos. Da parte aérea de S. indicum e S. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S.

com corola rotácea.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Tupixaba. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. pequenas. Outros nome são Vassourinha. algumas aquáticas (Mabberley. Veronica. 1997). axilares. pentâmeras. Tapixaba. especialmente dos gêneros Antirrhinum. tais como Digitalis. Ganha-aqui-ganha-acolá.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. popularmente conhecido como Vassoura. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. opostas. Coerana-branca. flores brancas. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. . incluindo árvores. hermafroditas. ovaldolanceoladas. aqui descrito como medicinal. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. quatro estames didínamos. bicarpelar. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. arbustos e ervas. Nomes populares Na região amazônica. crenadas e glabras. ovário supero. Pupeiçava. no Pará. Vassoura. lanata. Esterhazia. Scobedia. Calceolaria e Maurandia. bilabiada. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Verbascum e Wightia. purpurea e D. No Brasil. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Vassourinha-de-botão. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. das famosas D. nos quais estão distribuídas 5.

. desordens menstruais. bronquite. 1986). As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. Grandi et al. O nome do gênero.. hepáticas e estomacais. febrífuga. Coimbra. pectoral.. No Rio Grande do Sul. é utilizada como anti-hemorroidal. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. béquica. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. hipoglicemiante. por causa do seu emprego. especialmente na Floresta Amazônica. 1995).. antidiabética e contra afecções catarrais. Nas tribos indígenas do Equador. 1990). 1990). 1987). No Pará. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. picada de mosquito. 1982). emoliente e béquica (Corrêa. No Brasil. também.. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1984). Em Minas Gerais. 1982. com muitos óvulos (Figura 27. 1980). 1982. 1990). menstruais. essa espécie também é considerada emoliente. com todas as partes da planta. e as folhas.3). significa "vassoura". . febre. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. 1988). Coee et al. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. diabetes e hipertensão (De Almeida. doenças venéreas. para melhorar o estado geral do indivíduo. Já entre os ticunas.. expectorante. bronquite. Verardo. hipotensiva. 1994. o chá é preparado. tosse. coceiras. além de ser considerada tônica. 1983). tosse. também. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. Cruz. Matos. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. peitoral. 1996).bilocular. emoliente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na Paraíba. malária. 1994. 1988. 1993. para lavar feridas (Branch & da Silva. Grandi & Siqueira. Scoparia. o chá da planta é usado contra hemorróidas. problemas cardíacos. erisipela e afecções cutâneas. e utilizada contra desordens respiratórias. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. brotoejas. 1982. Encontrada em abundância na América do Sul.

flavonas.. et al.. E. hipocolesterolêmica. antiinflamatória. 1989. antiviral. Dalla Torre et al. antibacteriana gram-positiva. 1993 e 1996a). anti-séptica. M. 1987 e 1988c). antiinflamatória (Freire et al. gentísico.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 1996b). glutinol e acacetina (Hayashi et al. 1986 e 1988a. 1987). expectorante e atóxica (Moura et al. entre outros compostos (Kawasaki et al. S.1988b). alfa-amirina. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. Freire. manitol. 1998). (1981).. 1990b). 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis... escutelareína.. 1988a e 1990c). simpatomimética (Freire et al. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. 1997. betulínico. iflainóico.. 1987. et al. 1994. scopadulciol (Hayashi et al. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. 1993 e 1996). antifúngica. dulcinol e ácidos dulcióico.. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- .. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. 1990). anti-herpética. 1985). são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al.. antidiabética (Jain. acacetina. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. depressora do SNC. antiespasmódica. Os ácidos escopadúlcico B.. 1990b). hipertensiva (Freire et al. Torres et al. benzoxazolinona.. 1988.. Hayashi et al. 1993 e 1996) depressora (Freire. (1979) e Mahato et al. Hayashi e al. B e C (Kawasaki et al. 1996).. S. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. beta-sitosterol.. cumárico. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. obtidos da espécie. 1991). 6-metoxibenzoxazolinona. Também foi detectada a presença de glicosídeos.. O... Azevedo et al. escopadulciol. M. apigenina. 2001). 1990a e 1991).. cinarosídeo D. sedativa e diurética (Ahmed et al.. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima.

1978) (Banco de imagens - .1 ...Adenocalyma alliaceum. 2002) e antitumoral (Nishino et al. FIGURA 27. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.vidade antimalarial in vitro (Riel et al.. 1997a e 1997b). 1997a). 1993). 1988b). porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al.. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.

Pyrostegia venusta.2 . Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .FIGURA 27.

Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 27.Scoparia dulcis. 1946) (Banco de imagens - .3 .

Ivan Martinov. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . trepadeiras e ervas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Hiruma-Lima C.750 espécies cosmopolitas. com aproximadamente 22.528 gêneros.28 Asterales medicinais L. M. A. herbáceas. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. Inclui espécies arbustivas. Di Stasi C. M. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. C. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. exceto na Antártida (Mabberley. que passamos a descrever a seguir. arbóreas. Essa família compreende 1. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Trata-se de uma grande ordem. Os gêneros estão distri- . Santos E. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. 1997). encontradas em todo o planeta.

as várias espécies de Artemisia. a Camomila. especialmente a Mikania glomerata. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. tais como inúmeras Vernonia. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Mikania. Ageratum. as importantes Carquejas. Lactuca. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Galinsoga. várias espécies do gênero Bidens. Arnica e Tagetes (Helenieae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). conhecida como Mil-folhas. Artemisia.buídos em três grandes subfamílias. gênero da famosa Calêndula. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Gnaphalium e Achyrocline. Semeio e Emilia (Senecioneae). dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Novalgina e Anador. Calea. Nesse contexto. do gênero Mikania. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Zinnia. Wedelia. Matricaria chamomila. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). Calendula (Calenduleae). Ageratum conyzoides. Calendula. Calendula officinalis. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Matricaria. Baccharis e Solidago (Astereae). conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). a famosa Arnica. com ampla distribuição no território brasileiro. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Aster. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. o Mentrasto. Achillea millefolium. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. das quais se destaca a Baccharis trimera. Tanacetum. do gênero Arnica. e inúmeras plantas de . Achillea e Santolina (Anthemideae). • Asteroideae Inula (Inuleae).

Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl.pequeno porte do gênero Eupatorium. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". de pequeno porte. curto-pecioladas. ereta ou prostrada. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. como cicatrizante. em Minas Gerais. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. de ápice e base agudas. com borda irregularmente serreada. externamente. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. . sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. internamente. oblongo lanceoladas. apenas masculinas. caule comprimido e denso-piloso. Em outras regiões do país. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. Na região do Vale do Ribeira. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. como antiinflamatório e. opostas. folhas simples.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. onde foram incorporadas na medicina tradicional. rasteira. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. a decocção das folhas é usada. inteiras. Dados botânicos Planta anual.1). flores unissexuais e marginais. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. amplamente usadas na medicina popular.

. hemorroidais e pulmonares. glabra. com até 60 cm de altura. amarelas e tubulosas. flores dimorfas. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. como contraceptivo feminino (Mabberley. no Uruguai.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. a espécie é chamada de Novalgina. sendo as marginais femininas e brancas. Milefólio e Mil-em-rama. 1982) e. 1997). reunidas em capítulos corimbosos. digestivo. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. Aquiléia. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. agindo ainda como antiespasmódico. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). e as centrais. Dados botânicos A planta é uma erva perene. dor de cabeça e dores gerais. . hermafroditas. Em outras regiões do país. raras são nativas das Américas. gripes e distúrbios do estômago. além de ser anti-helmíntica. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. com caules ramosos. contendo folhas oblongolanceoladas. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. rizomatosa.

ovadas.2). a espécie é chamada de Carqueja. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. significa "o que não envelhece". mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. tônica. . Nomes populares Na região da Mata Atlântica. flores brancas ou lilases. útil contra resfriados. Em outras regiões do país. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. febrífuga. com folhas opostas. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. a espécie é chamada de Mentrasto. anti-reumática. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. Baccharis trimera (Lers) DC.Ageratum conyzoides L. amenorréia e gonorréia. Erva-de-são-joão e Maria-preta. crenadas. e o nome do gênero. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. Ageratum. carminativa. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. cólicas flatulentas e uterinas. com até 1 m de altura. anti-reumático e contra cólicas menstruais. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. pecioladas. mucilaginosa. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Catingade-barão. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. pilosa e ramosa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. antidiarréica. além de indicada para aliviar náuseas.

derrame cerebral e diabetes. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Aceitilla. fruto do tipo aquênio (Figura 28. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Em outras regiões do país. Carrapicho-deduas-pontas. Erva-picão. podendo atingir até 1 m de altura. estomacais e intestinais. entre outras (Corrêa. bem como em vários Estados brasileiros. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. 1926). anti-reumático. Carrapicho-de-cavalo. o deus Baco do vinho. Espinho-de-agulha. com ampla distribuição na América do Sul.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. (Bidens pilosa L. . sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Goambu. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Pirco. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a decocção das folhas é usada como analgésico. Bidens bipinnatus L. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. hipertensão. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Picão-do-campo. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Amor-seco. estomáquico. tais como Cuambu. Erva-picão e Pau-pau.3). a planta é usada como tônico. Carrapicho. Carrapicho-de-agulha. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. anti-helmíntico. como Picão-preto. Piolho-de-padre. Macela-do-campo.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. diurético e contra distúrbios renais.

sialagoga. . 1994). a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite.4). 1962). 1996). referindo-se às aristas do papilho. ramosa. hepatite. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. Coimbra. 1993. No Brasil. A planta é considerada estimulante. diabetes e inflamações (Corrêa. com flores radiais liguladas.. desobstruente. desordens hepáticas. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. com até 1 m de altura. ereta. folhas opostas. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. adstringente e considerada útil contra icterícia. 1994). micoses. 1984).. leucorréia. vermífuga e vulnerária. diurética. diurético e contra hepatite. dismenorréia. a espécie também é referida como emoliente. significa "dois dentes". 1995). Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. No Leste da África. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. Na medicina tradicional peruana. antileucorréica.Dados botânicos Planta de pequeno porte. antiescorbútica. Vasquez. glabra. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. 1990). antiblenorrágica. capítulos pleiomorfos. simples. Bidens. disenteria. 1992. pentâmeras. conjuntivite. utilizada especialmente contra icterícia. bem como no combate a dores em geral Jager et al. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. a espécie é usada como antiinflamatório. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. laringite. dores de cabeça e de dentes (De Feo. O nome. pecioladas e fendidas. Duke et ai. edema. antidisentérica. com cálice modificado. diabetes. infecções urinárias (Mejia & Reng. 1990. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes.

visto a grande semelhança entre elas. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. Japana-branca. triplinervadas.ambas não identificadas . .) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. cólera. lanceoladas. enquanto o sumo das folhas frescas. 1984). mas são comuns outras denominações. angina. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . a espécie possui vários usos das folhas. anguloso.Eupatorium ayapana Veuten. fruto do tipo aquênio alongado. Dados botânicos Erva bastante delicada. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. especialmente do fígado. ferrugíneo e glabro. antidiarréico e antidisentérico. como tônico. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. sudorífico. folhas opostas. e contra malária. estimulante. empregado externamente na forma de banho. Em outras regiões do Brasil. estomáquico. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. digestivo. Japana-roxa e Erva-de-cobra. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie.5). acuminadas. androceu com anteras levemente sagitadas. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). flores (20 a 30) azuis. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. como Iapana. Aiapana. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. corola com tubo interno glabro. estriado e diminuto. de caule ereto.

Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Macela.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica.especialmente na América do Norte . Solidago microglossa DC. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. a espécie é chamada de Arnica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. folhas oblongas. O nome do gênero significa "o que é firme". que formam uma inflorescência cilíndrica. flores amarelas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. referindo-se ao tomento das folhas. podendo atingir até 1 m de altura. a infusão das folhas é usada contra diarréia. O nome significa "feltro". . dores de barriga e outros distúrbios intestinais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.e com raras espécies na América do Sul. assim como em todo o Brasil. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. serradas. de ocorrência nas Américas . capítulos pequenos e reunidos. com ápice arredondado. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. pequenas.

Essa planta é utilizada como estomáquica. Agriãobravo. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. Spilanthes acmella Rich. O nome do gênero. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. cálculos da bexiga e dores de dente. flores amarelas. descrito por Nicolaus von Jacquim. batidas. significa "flor com mancha". fruto do tipo aquênio. Dados botânicos Planta herbácea. membranosas. o preparado com folhas de arruda..6). referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. com corola curva. agudas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. . comprimido com papilho aristado. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Jambuaçu. Mastruço e Agrião-do-norte. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. tais como Agrião-do-pará. Agrião-do-brasil. Spilanthes. longo-pecioladas. entretanto. Botão-de-ouro. o chá das folhas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. que tem mancha escura sobre a lígula. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. não alado. ovadas. picadas de insetos e infecções. com folhas opostas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. vários outros nomes são usados. Abecedária.

T. bronquite. a S. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. febrífuga. antiespasmódica. Cravinho. tais como T. cicatrizante. divindade etrúria representada como um belo jovem. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. lucida. desinfetante e antiasmática. atingindo de 60 a 90 cm de altura. também são usadas como medicinais. Na Colômbia. digestiva. as folhas. em Brasília (Matos & Das Graças. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. patula e T. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. Cravo-de-tufo. 1988). está muito bem aclimatada no Brasil. são partidas e aromáticas. Originária do México. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. antigripal. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. minuta. Amorozo & Gély (1988) referem que o . narcótica. 1997). considerada carminativa. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia.1982). e indicada contra problemas hepáticos. abortiva. tosse e resfriado. e seu nome vem de Tages. opostas ou alternas. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. no Pará (Amorozo & Gély. emenagoga. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. 1980). nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. sendo também comumente chamada de Cravo. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. com muitos ramos. Cravo-africano e Tagetes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Outras espécies do gênero.

o chá das folhas e flores. para tratar "doença que deixa o queixo duro".chá das folhas com alho é usado contra febres. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. incluindo brancas. de Zinha ou Zínia. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". que atua como anti-helmíntico e sudorífico. arroxeadas e vermelhas. anteras amarelas e estigmas vermelhos. Segundo Hoehne (1939). opostas. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. cordiformes.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. australe. as flores possuem várias cores. . além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. Originária do México. rosas. com uso freqüente contra dores reumáticas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. bronquites e tosses. pela abundância de flores. sésseis. forte. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. Zinnia elegans Jacq. resfriados. é amplamente usada no Brasil como ornamental. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. com caule ereto. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Moça-e-velha e Canela-de-velho. as folhas são ásperas. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. na região de estudo.

1991).. millefolium também foram isolados ésterois. saponinas e xantonas (Caetano et al.. pilosa.. 1979). Nair et al. 1975. tripartitus. flavonas (Falk et al. 1981. flavonóides (Shimizu et al. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. leucoantociandinas. Achilea. Herz & Kalyanaraman. Hausen et al. 1976a e 1976b).. monoterpenos.. Debenedetti et al. diterpenos (Saleh et al. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 2000). germacreno A. terpenos (Verzan & El Sayed. alfa-felandreno.. bipinnatus. B. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. beta-guaieno. 1992).. Gill et al. 1977). 1990. De A. axilarina e 5. 1980. triterpenos (Chandler et al. Alvarez et al. Caffmi & Demolis. 1987).. crisosfenol D.. 1994 e 1984... Da espécie B. Torres et al.. 2001... 1979). 1994). alfa-copaeno.... carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A.. alfahumuleno. Hoffman & Hoelzl. De A. limoneno.. 1997). De A. 1984). Herz & Kalyanaraman. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. cadineno.. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1992b.. 1987. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode.beta-elemeno.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. flavonóides (Bohlmann et al. isocariofileno. beta-cariofileno. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. 1986. 1990).. deterpenos. Sharma & Sharma. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. glabratum (Saleh et al. 1997). Gene et al. 1981). 1975). Das partes aéreas de A.. 1994.4'-trihidroxi-3. 1987. B... 1978). 1979. laevis e B. 2000). delta-cadineno (De Marais et al.. 1975) e monoterpenos (Orth et al. gama-cadineno. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. catecolaminas. pilosa . 1985. 2002. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. Poliacetilenos. flavonas. Christensen et al. timol.7. cumarinas.. De Tommassi et al. beta-pineno. Wang et al... 1987). 1976). leucantha (Wat et ai. Bohlmann et al.. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. 1988a e 1988b. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. 1996. 1986. B.

ácido linoléico. 1995). 1987.. chrysoanthemoides. maximowicziana. 1979). angustifolium (Mesquita et al. dahlioides. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. E. 1992). Pagani.B. pilosa (Zuleeta et al. 1987. cannabinum (Stevens et al. E. E.. cernuol. 1987 e 1988). Poliacetilenos também foram isolados de B. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1992). 1994). B. 1992).. E. E. B. portoricense (Wiedenfeld et al.. 1990). E guayanum (Sagareishvili et al.. E. 1995). tais como quatro auronas.. dois derivados tiofênicos. B. micranthum (Herz et al 1978). Liu et al.. tripartitus (Christensen et al. eugenol. 1995).foram ainda isolados inúmeros compostos. 1988. 1993 e 1995). 1997). B. 1995) e £. 1994) e E. frondosa (Karikome et al. E. B. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. tinifolium (D'Agostinoetal. salvia (Gonzalez et al. B. radiata e B. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. 1986). leucolepis (Herz & Palaniappan. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. bipinnatus (W B. buniifolium (Muschietti et al. 1985). 1995) E. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. B. .japonicum. altissimum (D'Agostino et al. erythropappum (Talapatra et al. adenophorum (Li et al. £. Três poliacetilenos. 1985). frondosa. 1991) e E.. ternbergianum (D'Agostino et al. glandulosum (Nair et al. littorale (Sato et al. ferulefolius. 1986). 1997). enquanto várias chalconas foram obtidas de B. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. rotundifolium (Hendriks et al. 1992). Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. E. 1981). Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. E. ácido linoléico e linolênico. £. chinese (Zhao et al. E. 1990). 1988c e 1988d). 1982). E. E.. Edgar et al. 1991.. tripartita (Isakova et al. 1991).. Wang et al. E..fortunei.. subhastatum (Ferraro et al.. 1988b. 1990a e 1990b).. 1990).. odorata (Hai et al. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. 1988a. 1997). parviflora. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. campylotheca (Bauer et al.

1990a e 1990b). 1993). 1986b). 1979). 1978). Uma amida. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E..Nas folhas de E. 1987). compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. 1980) e E. 1988a e 1988b). naginatacetona. acmella L.. laevigatum (Bauer et al. sitosterol. mikanioides (Herz et al.. Diterpenóides foram isolados de E.. tinifolium (D'Agostino et al. sesquiterpenos. adenophorum. e sesquiterpenóides de E. E... 1980).. 1977). 1987). E. Ramsewak et al. 1987). E. . quadrangularis (Hubert et al. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. odoratum (Talapatra et al. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. enquanto em E. 1987). fortuna (Haruna et al. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. recurvens (Herz et al. E. cânfora. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1992a).. 1991). De S. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. 1999). laevigatum (Lopes et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. odoratum foram encontrados taninos. limoneno. E. 1996). altissimum (Jakupovic et al. triterpenóides de E. 1994). A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. cannabinum (Stefanovic et al. 1986). 1986). 1986).. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. quadrangularae (Hubert et al. espilantol. entre outras espécies (Ding et al. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. E.fortunei (Haruna et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. 1986). rufescens (Ruecker et al.. fenóis e saponina. entre outros (Nakatani & Nagashima. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. americana foram isolados monoterpenos. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. 1987). cannabinum (Zdero & Bohlmann. E. 1987) e E. E. estigmasterol. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. deltoideum (Quijano et al. 1987). p-cimeno.. Das partes aéreas de S. 1992b. var.

glandulifera) (Craveiro et al.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. pois somente T. 6-hidroxikaempferol. 1987. Entretanto. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. que podem ser diferenciadas pela composição química. 1987). 1993b). distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. 1987).. Os monoterpenos descritos em T. T. T. 1995). zipaquirensis (Abdala & Seeligmann.. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares... T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. 1994) e T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. 1993). patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. Ahmad et al. além de enxofre e fósforo. mendocina e T. patuletrina e patuletina. patula foram isolados tiofenos. tais como quercetagetina. Tosi et al. argentina) foram identificados quatro tiofenos.. No entanto. erecta e T.. T. As espécies T. T microglossa (Castro. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. minuta são ocimeno. patula. lucida (Hethelyi et al. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 1988. 1990a). rupestris (De-Israilev & Seeligmann.. 1990b). 1985). T. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. 1987). laxa (De-Israilev et al. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados.. como quercetagetina. 1988). 1988a e 1988b). Pe- . Das raízes de T. 1993). Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 1988). 1991). T. minuta e T. patula (Ivancheva & Zdravkova. T. patuletina e muitos desses derivados. T. erecta (Singh et al. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie.. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. 1990). 1992). 1988). campanulata..

quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. Em A. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. australe contra Plasmodium berghei em roedores.. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. 2001).. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1997). As antocianinas das flores de Z... 1988. 1991). (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al.. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. glabratum (Saleh et al. 1996) dessa espécie. glicosídeos cardíacos. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al..5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 1980). 2002) e antifúngica (Portillo et al. ocitocina. . elegans indicou a presença de Cumarina. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A.. australe (Matsunaga et al. 1995). b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al.. a A.. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. taninos. Nascimento et al. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. patula foi detectada (Arroo et al. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie.. Experimentos com A. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3.. 1987).. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. 1995). Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. 1997).. 1988). Carvalho et al.. 1988).

.-ol. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.. minor foi a mais ... como friedelina e friedelan-3. 2000). à presença de saponinas (Gene et al. var. 1991). As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. Goldberg et al. imunoestimulante (Ignácio et al. Bondarenko et al. além de vários flavonóides obtidos de B.. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al.. B. pilosa. pilosa (Santos et al. 1987). 1985. reduzindo a produção de prostaglandinas. as propriedades analgésica e antiinflamatória. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 2000). 1949). Extrato etanólico de B..... presente em suas partes aéreas (Torres et al. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. 1987. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. Abena et al. 1997). possuem atividade antiinflamatória. N'Dounga et al. 1980). 1983). e B... 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. (1991). 1998b. 1969).Achila. Triterpenos. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. As folhas de A. 1996). enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. mas Bidens pilosa var. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. pilosa L. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. minor (Blume) Sherff. Bidens Experimentos com B. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. Porém.

E. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. pilosa L.. var. campylotheca apresentou. . La Casa et al. 1996). Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E... tacotaneum (Sanabria & Mantilla. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. 1995).. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. E. 1996). cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. Para a espécie B. 1985). somente os extratos de B. morifolium e E. glyptophlebum. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase.. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. gracilae. ou seja. balantaefolium (Almeida & Fonteles. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. densum. 1994. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1985). consaguineum (Lopes et al. 1985). 1994)... E. 1986) e diurética (Rebuelta et al.. atidifolium e E.. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. 1977). E. As folhas de E. in vitro. 1988) e E.ativa. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. O extrato hexânico de B... brevipes (Guerrero et al.... pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. pilosa L. 1997). 1995). E. A espécie B. 1995). 1989). hipotensora (Dimo et al. 2002). Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E.. minor e B. 1986b). Entretanto. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. 1998 e 1999). 1995 e 1996) e. E. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. 1997). Eupatorium A espécie E.. pauciflorum (Giesbrecht et al. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. Um composto sesquiterpênico isolado de B. tequendamense (Mantilla & Sanabria. mais recentemente.

squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1995). squalidum (Carvalho et al.. DNA e RNA de células tumorais. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. 1998). vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al.1986). E. enquanto a espécie E. Inya-Agha et al.. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. 1992). 1995). DNAse. 1996) e E. Os extratos de E. Inibição da síntese de colesterol. 1988. candolleanum (Campos et al. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. cannabinum (Bourrel et al. A. 1991). 1990 e 1991). pauciflorum. brevipes e E. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. proteínas.5-decadienamida. 1982a). Guerrero et al. A.. Piperidinas de E. 1988). O extrato bruto aquoso de E.. Herz & Palaniappan.. Cáceres et al. ayapana (Gonçalves et al. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. hyssopifolium (Hall et al.. 1985. assim como da atividade da RNA polimerase. larvicida (Pitasawat . (Giesbrecht et al. E.. RNAse. 1995) e E.. 1984. O óleo essencial de E. Sesquiterpenóides isolados de E. 1989)... Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. acmella foram isolados n-isobutil-4.. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. 1991). Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. Achyrodine alata. flaccida. halinfolium e E. 1990). 1990). odoratum (Iwu & Chiori. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag.. 1986). 1986 e 1987. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic.. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1991).. e de E. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. cannabinum. inulaefolium (Gorzalczany et al. Eupatorium perfoliatum. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1978).. Spilanthes Das folhas de S. riparium (Ratnayake-Bandara et al. E.. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. E.

erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. et al. F. 1993). presente em muitas espécies. 1993.. J. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. O extrato de S. 1992) e antitumoral (Moraes et al.. usado como emenagogo. T. 1988. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz.. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. antimicrobiana. et al. 1987. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica.. Camargo Neves et al.. 1999). calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. L... 1986) e S. (Fabry et al. sendo os deri- . 1989). O eugenol. e o extrato de S. oleracea (Herdy & Carvalho. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica.. 1998) e espilantol. bem como no consumo destas (Meckes et al. Souza. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. 1995). RJ.. C.. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. sedativa. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. 1992. como no cravo-da-índia.. 1992).et al. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. 1994). 1990). mas não contra Candida sp.. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. Andrade.. enquanto o extrato de S. 1993). 1996). Em S. et al. 1995). como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al.. folhas e flores de T.. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. 1984). antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. Valderrama et al... Em I minuta. in vitro. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al.

1995).Ca2+ dependente e inibiu. Do extrato de Z. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. in vivo e in vitro. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. 1987).... Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al.. 1995). enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al.. 1994). 1996). sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. a atividade da ATPase.. 1991).. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica.. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al.vados tiofênicos os compostos ativos. . O extrato de T. 1997). 1989). D e F. 1992). Os extratos hexânicos de T. Dentre outras espécies. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. o óleo essencial de T. lúcida estimulou discretamente. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. Zinnia As sementes de Z. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1994). O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. in vitro. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus.. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. 1991). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. elegans L. 1997).. coronopifolia e T. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al.

1988).Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. australe são tóxicas para aves. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira.. enquanto o extrato aquoso de S. 1978a e 1978b).. hemorragia. A. australe durante o período de prenhez de ratas. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. no entanto.. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional.. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. Tremetona isolada de E. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. V. dispnéia. T. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. Entretanto. Segundo Hoehne (1939). alopecia. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. a espécie E. As folhas de S. 1990). 1995). adenophorum (Oelrichs et ai. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. fraqueza e debilidade dos membros. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga.. 1996 e 1997). especialmente na fase jovem. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. et ai. especialmente . et al. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. caracterizados por diarréia. Estudos com a espécie A. 1993). hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. 1994). A ingestão regular de E. M. congestão do baço e coração.. S. 1995).

c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana.como diurético e hipotensor. b) detalhe da escanerata. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. FIGURA 28. relaxante muscular e antineoplásica. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.1 .Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil.

Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.2 .FIGURA 28. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .

Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .3 .

FIGURA 28.4 .Bidens bipinnatus. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

5 .: a) ramo florido (Di Stasi . b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.Eupatorium ayapana. . 1998).FIGURA 28.original).

FIGURA 28. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).6 .Spilanthes acmella. .

A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). • Ixoroideae: Coffea. importante fonte de espécies ornamentais. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. algumas espontâneas nas áreas tropicais. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. e Gardenia.200 espécies vegetais cosmopolitas. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. Gelsemiaceae. . Coffea arábica.29 Rubiales medicinais L. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. com representantes arbóreos. arbustivos. como é o caso de Coffea e Cinchona. A. C. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. 1997). Genipa. Desfontainiaceae e Rubiaceae. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. nos quais se distribuem mais de 10. do famoso jenipapo brasileiro. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. alguns deles de valor histórico. Di Stasi C. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. do famoso Cafeeiro.

ovário ínfero. Não foram encontrados sinônimos. folhas curto-pecioladas. diclamídeas. com espécies popularmente denominadas Poaia. carnoso e drupáceo (Figura 29.• Antirheoideae: Guettarda. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. especialmente na Amazônia. inteira. 1997). Cephaelis da famosa C. importante árvore. com pêlos abaixo da inserção dos estames. lanceoladas. . com corola de base gibosa. ipecacuanha. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. bicarpelar. muito comuns em terrenos baldios. ereto. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. flores hermafroditas. Borreria e Dioidea. fonte de emetina e outros constituintes de importância. • Rubioideae: Psychotria. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. estipulas não foliáceas. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. simples. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. e Palicourea. fruto indeiscente.1). Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Dados botânicos Pequeno arbusto.

frutos do tipo baga. sobretudo na região amazônica.. fendleri (Nakano & Martin. 1994). foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. glabros. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. de onde partem folhas com venação tênue. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. De-Moraes-Moreau et al. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. opostas. inflorescência em panículas. (Kemmerling. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica.. Além de alcolóide. avermelhados. Stuart & Woo-Meng. Hil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1999). a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". de P. delgados. 1976). A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. Nomes populares No Brasil todo.. E popularmente usada como medicamento. 1995.. 1989a). Palermo-Neto et al. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. pecioladas. acuminadas. marcgravii.. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al.5 m de altura. com ramos cilíndricos. 1996. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. avermelhadas. 2001).Palicourea marcgravii St. .

. 1995). contrações musculares. 1984a. Tokarnia & Dobereiner. enquanto P. 1989)... Além de fluoroacetato. comum em animais e rara na espécie humana. FIGURA 29. falta de coordenação motora. midríase e morte em bovinos (Costa et al. De-Moraes-Moreau et al.. 1996). náuseas.Banco de imagens - . marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. P. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas.. Das folhas de P. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. 1989.. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. Gorniak et al. 1989). 1982). porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. espasmos musculares.1 .. 1989b. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. Segundo Schvartsman (1979).. 1988. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Palicourea laniflora.teratogênica (Costa.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. vômitos. Palermo-Neto et al. 1986). convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. e a intoxicação. et al.

mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. também utilizado como medicinal em todo o mundo. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Lonicera. A. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. C. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia.30 Dipsacales medicinais L. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Abelia e Linnaea. . Lonicera e Sambucus (Barrozo. 1978). As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. arbustos e lianas. Os principais gêneros são Sambucus. 1997). Di Stasi C. descrita a seguir. No Brasil. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. Viburnum. A família inclui inúmeras plantas ornamentais.

com ramos bastante lenhosos. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. Na região da Mata Atlântica. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. no champanhe e no catchup. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". gripes fortes e varicela. além de seu histórico uso medicinal. e possuem aroma muito agradável. A espécie.1). considerada exótica nas Américas. Apresenta importante valor econômico. Floresce nos meses de julho a agosto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. além de flavorizantes em vinhos. as flores são brancas. é considerada excelente diurético e sudorífico. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. A infusão das folhas. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. óleos e ungüentos. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. dispostas em um corimbo branco. . É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África.Espécies medicinais Sambucus nigra L. usada internamente.

1990. esteárico. lectinas das cascas (Shibuya et al. 1986). sudoríficas. 1989b e 1989c). casca e frutos são usados para diminuir febres. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. canadensis foi isolado o iridóide . Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. externamente. nigra. tetradecênico. Internamente. 1989. S. os ácidos graxos láurico.Bown (1995) refere que flores. 2001).. mirístico. 1989a). catarros. oléico. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. erisipelas e queimaduras. diuréticas. heptadecênico. palmítico. folhas. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos.. lignanas. cianogeninas. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. a planta ainda é indicada contra influenza.. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. sinusite. gripes. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. reumatismo e febres... racemosa e S. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. De S. Van Damme et al. Kaku et al. descrita no trabalho de Grieve (1994). para pequenas queimaduras. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. 1988). flavonóides.

1986). 1997). apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. De S. 1994). nigra. 1995). De S. e das raízes de S. 1997). Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1980). Bojic & Cuperlovic. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A.. 1997. ... 1997). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. Centaurium minus.. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. O reatival. As lectinas de S. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al.. Artemisia absinthium. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. Das cascas de S. antiinflamatória e antipirética. canadensis (Buhrmester et al. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al.. 1989). apresentou atividades analgésica. Prunus spinosa.. O extrato hidroalcoólico de S. das folhas.. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. Sambucus nigra. formosana foram isolados. Com base nessa constatação. 1997a e 1997b).morronisídeo (Jensen & Nielsen. Salvia offtcinalis. beta-amirina e o ácido oleanólico. O extrato aquoso das folhas de S. 1974).. indicado para hidropisia. Van Damme & Peumans.. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. 1996. 1988). conhecido como Sauco. Schoning. 1996). 1990). 1997. 2000). nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. australis. mexicana. 1987). e Polygonum aviculare. que possui atividade colerética (Takeda et al.. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. 1992b e 1992). porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al.. O extrato aquoso de S.

Sambucus nigra.A espécie S. . FIGURA 30. Neto et al. 1999) e a espécie S. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). 2002)..1 .. 2000. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.

Carambola (Averrhoa carambola) e outras. • 109 são usadas na Amazônica. A maioria é nativa desse ecossistema. entre outros. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. Mata Atlântica. como é o caso do Alho (Allium sativum). • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. da Hortelã (Menthapiperita). e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. C. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. Dessas 135 espécies medicinais. .Posfácio L. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno.

a Mostarda (Brassica nigra). tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). . o Coentro (Coriandrum sativum). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. o Agrião (Nasturtium officinalis). 340 espécies. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. apenas dezesseis são monocotiledôneas. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. razão pela qual não foram incluídas no texto. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. a Erva-doce (Pimpinela anisum). Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. a Losna (Artemisia absinthium). A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação.Dessas 135 espécies medicinais. ou seja. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. neste livro. líquens. a Camomila (Matricaria chamamila). mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. várias espécies amplamente conhecidas. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. a Calêndula (Calendula officinalis). compreendidas em trinta diferentes ordens. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. Esse dado se torna mais importante porque. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Mamão (Carica papaya). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica.

Por isso. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. isto é. . Finalmente. alcançando alto índice de citação. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Sobre essas. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. como a de massa e a erudita. pelos mais variados grupos de pesquisadores. esse conhecimento se enriquece a cada dia. e que esse conhecimento seja recuperado. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas.

Aguda. no segundo. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Axilar. os estames. Excrescência da semente. Arilo. Antera. Bainha. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Baga. . pelo lado interno.Glossário de termos botânicos. Anual. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Acuminada. com dois sexos. Arista. Alternas. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Amplexicaule. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Hermafroditas. Planta que nasce. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Que abraça o caule. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Androceu. com uma única semente. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. indeiscente. o ciclo reprodutivo e depois morre. folhas que envolvem o caule. Andróginas. Aquênio. Bianual. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Que fica na axila. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Fruto seco.

Ex. Estandarte. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Endosperma. Crenada. Epicarpo. Cápsula. Com a forma de elipse. androceu ou planta que possui quatro estames. Deiscente. Corola. Carena. Diz-se da flor. Cuneiforme. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. normalmente largo. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Caduco. Capítulo. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Estipula. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. . Fruto monospérmico. deiscente. Dicotiledôneas. Cariopse. Na forma de cunha. Caule com articulações bem evidentes nos nós.: cana-de-açúcar. Elíptico. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Que se abre. que é o verticilo externo da flor. Diclamídea. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Escapo. Pedúnculo geralmente sem folhas. Corimbo. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. mas sempre terminando na mesma altura. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Escandente. Pétala superior da corola papilionada. em geral dois. Didínomo. Qualquer órgão que cai em determinado período. tornando-o alado. Cada um dos apêndices. Drupa. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Folha modificada que origina o gineceu. com função de proteção. Carpelo. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. seco e indeiscente. Conjunto de pétalas. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Conjunto de sépalas. dois mais altos e dois mais baixos. Cálice. como o fruto das gramíneas.Bráctea. inseridas em um eixo comum. Decorrente. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Planta trepadeira. Fruto seco. Estilete. Colmo. Decumbentes. Camada externa do pericarpo.

Flores. que juntos constituem o perianto. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Fasciculada. que é ramificada igualmente em forma de pincel. As flores podem ser dímeras. o de corola. complexas e variadas nas formas. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. Filete. As flores são estruturas de reprodução. pentâmeras etc. trímeras. Parte do estame que sustenta a antera. . e ao de pétalas. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Folha. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice.Estômato. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado.

conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.

A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.quando consta somente uma lâmina .ou composta . as folhas podem ser pecioladas ou não. Nesses casos. . Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . recebendo o nome de folíolos (ou pinais). às vezes numerosas. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. ou com o próprio caule. às vezes reduzidas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. no caso das folhas compostas pinadas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia.quando se compõem de duas ou mais lâminas.

Todas essas características. conforme se observa na figura a seguir.Finalmente. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. mais aquelas apresentadas para as flores. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. .

Orbicular. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Lobado. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Gineceu. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. e as principais são motivadas na próxima figura. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. é constante para cada espécie vegetal. . porém presentes na mesma planta. Monóica. Infrutescência. os carpelos. Planta que produz flores unissexuais. Fruto seco. Lóculo. Hirsuto. Desprovido de pêlos. Provido de pêlos longos. Indeiscente. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Metaclamídeos. Lanceolada. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Planta ou flor com dois sexos. Porção alargada e achatada da folha. Lígula. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Gavinha. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que.Folíolo. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Flor com apenas um invólucro no perianto. Monocotiledôneas. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Inflorescência. Diz-se da folha em forma de círculo. em linhas gerais. Hermafrodita. Oblonga. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Monoclamídea. deiscente. Lâmina. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Gluma. Folículo. Glabro. Que não se abre. mais longa que larga.

.Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. 1978)..

Alcalóides. Cálice modificado em pêlos. dibásicos. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. fenólico e tartárico. Tomentoso. gálico. succínico. Conjunto de estruturas com a mesma função. cerdas ou aristas. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Que forma gancho. Substâncias orgânicas. com cheiro desagradável. esteárico. Receptáculo. solúvel em água. Ácido graxo. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Podem ser monobásicos. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. isovalérico.Panícula. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. . Séssil. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. palmítico. Hidrocarboneto não saturado. o mesmo que cacho. linoléico. Uncinada. fórmico. incolor. Pecíolo. dispostas circularmente. Ácido. Ráquis. Verticilo. característico da família Asteraceae (Compositae). Racemo. Perene. mirístico. Caule subterrâneo. cáprico. Conjunto formado por cálice e corola. Qualquer estrutura provida de pêlos. Termos químicos Acetileno. Perianto. Pubescente. nitrogenadas de origem vegetal. Qualquer substância de sabor ácido. Planta com ciclo de vida superior a três anos. araquídico. cujos pêlos se entrelaçam. Exemplos: ácidos acético. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. gasoso. Ácidos orgânicos. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. aromáticos etc. Zigomorfa. Estruturas com simetria bilateral. oléico. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Planta ou órgão denso. Papilho. Rizoma.

Fenóis. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. . derivados do cicloperidrofenantreno. Esterol. Exemplo: p-cimeno. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. como a quercetina. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Ou hidrato de carbono. vegetais e animais. Aldeído. Flavonas. tais como os hormônios. Compostos aromáticos. Amilopectina. Exemplos: carvacrol. Betaínas.Alcoóis. Fitosterol. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Flavonóides. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Compostos alifáticos. Aminoácidos. Compostos orgânicos não-cíclicos. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. eugenol e hidroquinonas. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. voláteis. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. com caráter gelatinoso. encontrado nos organismos vivos. Esteróides. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Líquidos incolores. Ver esteróides. Carboidrato. Cumarinas. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. timol. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Compostos naturais ou artificiais. estragol. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). que exercem várias funções. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Catalase. originam as flavononas. Cetonas. Uma das substâncias constituintes do amido. onde exerce importantes funções. São corantes vegetais. amarelos e roxos. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio.

Peroxidase. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. derivados do fenilpropano. oxidando outros compostos. Peróxido. Insaturados. Hidrolato. Compostos cíclicos. . Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Lignanas.Fosfolipídio. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Hidrocarboneto. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Hormônio secretado pelo pâncreas. geralmente de odor agradável. Heterosídeo. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Glicídios. Substâncias que. sofrem hidrólise. Lactonas. Líquido oleoso. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Compostos cíclicos. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Líquido incolor e aromático. Mucilagens. pela ação de ácidos diluídos. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Ligninas. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Lipídios. Óleo essencial. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. recobrindo-as com uma camada protetora. Insulina. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Glicosídeos. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água.

. violenta. Que combate as convulsões (contrações violentas. Tumor maligno com disposição glandular. Falta de menstruação. Capaz de promover expulsão do feto. que prende. sufocação. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Agrupamento. Antiespasmódico. doença sexualmente transmissível. Auticonvulsivante. às vezes. que impede a formação de catarro. Que aperta. Queda dos cabelos. Antifertilidade. Que reduz ou suprime a dor. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Antidiabético. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Acne. Amenorréia. Afrodisíaco. que provoca constricção. Antiemético. Antibacteriano. Antidisentérico. Dor sufocante. Que combate fungos. Anemia. Angina. ato ou efeito de desvariar. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Anticatarral. Antigonorréico. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Anestésico. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina).Termos médicos Abortivo. a sangue). Delírio. Agregação. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Adenocarcinoma. Alopecia. calvície. Alucinação. Antifúngico. aglomeração. Afasia. Que suprime náuseas ou vômitos. Adstringente. perda momentânea da razão. Antiescorbútico. podendo ser feminina ou masculina. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Analgésico. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Que combate a eliminação de muco. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). de um músculo ou grupo de músculos). Antiblenorrógico. especialmente táctil e dolorosa. Que aumenta ou excita o desejo sexual. involuntárias de músculos voluntários). antigonorréico. Expectorante. Que reduz a capacidade de reprodução. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos.

Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal).Anti-helmíntico. Antitumoral. Apatia. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Que combate as inflamações. Que combate a formação de tumor maligno. Antimicrobio. . que serve para o tratamento da tosse. Cálculo. em geral acompanhada por desordens na fala. desinfetante. Broncodilatador. Que combate o reumatismo. inatividade. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Béquico. Anti-sifilítico. Que combate as doenças provocadas por vírus. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Que combate a histeria. insensibilidade. Anorexia. Redução ou perda de apetite. Antitérmico. Estado de indiferença. Relativo à tosse. Anti-histérico. febre paludosa ou palustre. Antimalárico. nos rins e/ou na vesícula biliar. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Antinociceptivo. Antivenéreo. especialmente bactérias. Que faz baixar a temperatura. também chamada de paludismo. Anti-reumático. Antipruriginoso. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antileprótico. Antileucorréico. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate helmintos. Que combate tumores. Que combate a lepra. Anti-hemorroidal. formada por sais minerais.no. putrefação ou contaminação microbiana. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Brônquios. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Ataxia. falta de emoção. Que impede a fermentação. Que combate micróbios. Antineoplásico. Anti-séptico ou Antisséptico. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Que combate a sífilis. Antivirótico. quase sempre transmitida por contato sexual. Que combate o corrimento vaginal simples. Que dilata os brônquios. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Antiinflamatório. doença causada pelo Treponema pallidum. Em geral se forma na bexiga.

Infecção por bactérias. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Constipação. Depurativo. também. Emenagogo. Congestão. estimulante da transpiração. reduz a força. Que favorece a secreção urinária. Cicatrizante. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. gripe comum. crostas e secreção. enfraquece. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Dispnéia. Catártico. do estômago etc. Diaforético. Que favorece o fluxo biliar. Citotóxico. Dificuldade na deglutição. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Eczema. do intestino. Carminativo. purifica. Sudorífico. Cardiotônico. que separa substâncias nocivas. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. que aumenta ou provoca a secreção urinária. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Que limpa. que previne a invasão de microorganismos. gripe. Prisão de ventre ou. acompanhada de náuseas. Edema. Depressor. Colagogo. Desinfetante. . Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Desobstruente. Inflamação da pele. Respiração difícil. Dermatite. libera a passagem de um vaso ou canal. Que favorece ou provoca menstruação. Que provoca vômito. Dispepsia. Indigestão. Que alivia a distensão por gases.Carbúnculo. Emético. Que desentope. Que deprime. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. que ativa a eliminação de bile. Emoliente. resfriado. Que tem a propriedade de amolecer. sensação de peso ou queimação no estômago. caracterizado visualmente pelo inchaço. reduz a excitação. Disfagia. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Purgativo. dificuldade para respirar. empachamento. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Diurético. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação.

Febrífugo. Relativo ao estômago. Hepatócitos. no estômago etc. Ictericia. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Células do fígado. que melhora o funcionamento do fígado. Que produz imobilidade emocional. Derrame de bile no sangue. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Estupefaciente. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Hipoglicemiante. Estimulante. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. com bradicardia (pulso lento. Expectorante. Glicosúria. Hipotensor. Fitoterapia. Fungicida. Hemostático. pigmentação amarela generalizada da pele. Que baixa a taxa de glicose no sangue. assombro. Relativo ao fígado. espanto. Flatulência. Farmacoterápico. Relativo a hemostasia. que leva à perda de atividade. Fitofármaco. Excitante. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal.Erisipela. com vermelhidão. Fitoterápico. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Eructação. Hipocolesterolêmico. . Hiperglicemia. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Que combate fungos. Hepático. Hepatotóxico. Estomáquico. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Que combate a febre. que facilita as funções do estômago. que estanca hemorragia. estado de irritação. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Hipertensor. Capaz de promover estímulos. deposição de bile nos tecidos. Distensão por gases no intestino. Hidropisia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Que baixa a pressão sangüínea. com anemia. Tóxico para as células do fígado. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. O mesmo que arroto. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Que estimula ou provoca a ação. Que aumenta a pressão sangüínea.

Midríase. tranqüilizante. que acalma. Plaquetas. Nefrotoxicidade. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Malária. Lepra. Que alivia excitação. Que laxa ou afrouxa. que apenas exonera o intestino. Corpúsculos sangüíneos. Que mata ou destrói parasitas. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Lipemia. . Laxativo. Lipogênico. Que resolve. Lumbago. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Infertilidade. Parasiticida. Que produz gordura. Linfocitotóxico. droga que paralisa as funções do cérebro. Substância que mata insetos. Dor na região lombar (costas. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Maleita. Resolutivo. como no caso da esquistossomose). impaludismo. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. calmante. Peitoral. Excreção excessiva de urina. Estado que é tóxico ao rim. afecção cutânea. produzindo sono e alívio da dor. Grau ou índice de parasitas no sangue. Dilatação da pupila. Poliária. o mesmo que laxante. Lenitivo. purgante. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Que adoça ou acalma. Que produz sono ou inconsciência. Sedativo. Parasitemia. Mutagênico. Relativo a peito. Inseticida.Impingem. Sialagoga. causado por gordura. purgativo fraco. Moluscicida. Incapacidade de reprodução. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Purgativo. importantes para a coagulação sangüínea. que faz cessar inflamação. Morféia. Narcótico. Tóxico para as células brancas do sangue. dorso).

Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Teratogênese. Sinusite. Vulnerário. que facilita a saída de pus. bolhas. Diaforético. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Sudorífico. Vesicante. Que provoca vesículas. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Que destrói ou afugenta vermes. Revigorante. Tranqüilizante. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Testículo. Próprio para curar feridas. Vermífugo.Sialorréia. Salivação abundante. que acalma. Tóxico para o zigoto. Que produz pus. . Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Tônico. Supirativo. Que tranqüiliza. Zigotóxico.

5. n. ABE.4.871-2. 1986. os autores são citados como nos casos das revistas.. p. 1985. Prir. Biochemical Systematics and Ecology.326-32.499-500. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Khim. ABDULLAEV. P Lilloa. n.l69-71. página inicial e página final e ano de publicação. dissertações e outras publicações do gênero. v. Um autor. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. Prir. p.269-74. I. D. Khim. Soedin. n. ABDU-AGUYE.3. nos casos de dupla autoria.5. (Tashk).43. v. ABDEL-KADER. et al. n. nos casos de única autoria. L. ABDALA. simpósio ou similar. n. fascículo. p. R. SEELIGMANN.. p. n. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. et a l j . et al.1294-7. . et al.7-8.12. M. p.60. v. nos casos em que há mais de dois autores. . p.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. v. • Quando se trata de livro. 1997. O mesmo se aplica a teses. 1995a. Soedin (Tashk). Nat. n. incluindose volume. F. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). página e ano. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). N.38.657-63.23. Prod.3. seguindo-se o título do congresso. 1986. S. p. . v. apenas sua referência.2. 1995. Human Toxicol. 1995. Os dois autores. os autores são citados no texto.

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Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 342-3. 381-5. 345. 79 Allamanda cathartica. 149-50 Amaranthaceae. 202-4 . 339-40 Anacardium giganteum. 154 Alternanthera micrantha. 78 Alpiniajaponica. 201-2. 68. 227-8. 75 Allium sativum. 93. 361 Andropogon leucostachys. 488 Bauhinia forficata. 115 Aristolochia trilobata. 463 Asteridae. 140-1. 113 Asclepiadaceae. 42-3 Andropogon nardus. 110 Annona tenuiflora. 449 Bixa arborea. 463-5 Asterales. 62 Alternanthera brasiliana. 461 Ageratum conyzoides. 458-6 Achillea millefolium. 52. 351-2 Baccharis trimera. 340-3. 56. 467. 90-3. 58. 368 Arecaceae. 475. 479. 480. 474. 102. 43 Annona muricata. 386 Asteraceae. 376 Araliaceae. 453. 373 Averrhoa bilimbi. 148 Anacardiaceae. 81 Arecidae. 475. 466 Adenocalyma alliaceum. 468-9. 480 Bignoniaceae. 468-9. 69-74. 113-5. 119 Aristolochiaceae. 113 Aristolochiales. 223 Bixa orellana. 90 Apiaceae. 111 Annonaceae. 351-2 Averrhoa carambola. 152. 377-78. 79 Alismatidae. 450. 360 Anacardium occidentale. 79 Aristolochia. 67. 65. 364 Apocynaceae. 143 Acanthospermum australe. 465. 3512. 65. 149. 489 Bidens pilosa. 95-9. 96. 391 Allium cepa. 65-6. 364 Apiales. 467-8. 77 Aloe vera. 316 Bidens bipinnatus. 487 Alismataceae.

259 Hedychium coronarium. 151-2. 237. 63 Heliconia. 327 Cassia multijuga. 285. 382-3. 408-9. 242. 496 Caryophyllales. 490 Euphorbiaceae. 230-2. 298 Derris floribunda. 275 Hydrocotyle exigua. 185. indicus. 471 Gomphrena globosa. 283. 80. 259 Commelinidae. 319 Dipsacales. 279. 365-9. 163-4 Chrysobalanaceae. 276-7 Cajanus cf. 179 Cucurbitaceae. 298 Derris amazônica. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 172 Boraginaceae. 385 Hirtella. 308 Dipteryx punctata. 238 Cucumis anguria. 145 Caryophyllus aromaticus. 54. 300. mariana. 481. 235 Cecropiaceae. 470. 393 Cordia verbenacea. 225 Guttiferales. 292 Caesalpiniaceae. 215. 211. 212-3. 496 Dipteryx odorata. 430. 207. 41-2 Convolvulaceae. 322 Clusiaceae. 375 Gnaphalium purpureum. 287 Cecropia peltata. 53-4 Coutoubea spicata. 286. 224 Hibiscus sabdariffa. 299. 373 Eupatorium ayapana. 406 Brunfelsia grandiflora. 147 Caryophyllidae. 201 Boerhavia difusa. 213. 150. 170 Chenopodiaceae. 264-5 Cymbopogon citratus. 265 Caprifoliaceae. 394-5 Ipomoea quamoclit. 284 Hyptis crenata. 206-7. 44. 407. 171 Gossypium barbadense. 315 Caesalpinia pulcherrima. 413-4. 175 Diplotropis purpurea. 231 Celastraceae. 266 Capparidales. 236 Euphorbiales. 272. 255 Croton sacaquinha. 440 Costus spiralis. 83 Eryngium ekmanii. 178-9. 441 Inga spectabilis.Bixaceae. 61 Heliotropium indicum. 398. 165. 152-3. 301-2. 82-3 Fabaceae. 296 Fabales. 163 Chenopodium ambrosioides. 205. 190 Cucurbitapepo. 395 . 331 Celosia argentea. 297 Capparidaceae. 295. 276 Fischeria cf. 236 Euterpe edulis. 411 Hibiscus furcellatus. 292. 154. 402-3 Cactaceae. 287 Cassia occidentalis. 379. 247. 299 Dillenidae. 324. 214 Himatanthus. 155-6 Caesalpinia ferrea. 388 Croton cajucara. 312 Ipomoea batatas. 387 Gentianales. 386-7 Gentianaceae. 272 Clidemia novemnervia. 282-3. 280. 49 Cymbosena roseuna. 287-8 Cassia reticulata. 366-7 Hymenaea courbaryl. 302 Echinodorus grandiflorus. 318 Desmodium tortuossum. 231 Celastrales. 178 Cybianthus. 281. 46-7. 210.

431. 332. 369-72 Portulaca oleraceae. 204 Malvales. 64 Liliidae. 252. 166 Piper cavalcantei. 123. 208 Malvaceae. 229 Musa. 427-8. 87 Magnoliales. 422-3. 245. 332. 419. 427 Ocimum gratissimum. 173 Phyllanthus corcovadensis. 139 Mentha piperita. 192-3. 238-9. 239-40. 350 Palicourea cf.120 Piperales. 447 Polygalales. 136 Piperaceae. 108 Persea gratíssima. 125. 121. 128. 162 Portulacaceae. 61 Musaceae. 167-9. 39. 389 Luffa cylindrica. 337 Polyscias. lhotzkyanum. 221-2. 158 Pothomorphe peltata.Jacaranda caroba. 334-6 Melastomataceae. 303 Myrsinaceae. 64-5 Liliales. 451-2 Jatropha curcas. 254. 311 Momordica charantia. 185. 64 Lippia alba. 336 Maytenus ilicifolia. laniflora. 495 Palicourea cf. 244-6. 277 Leonotis nepetaefolia. 416. 191 Lamiaceae. 122-3 Piper cernnum. 125. 195 Mabea angustifolia. 420. 106 Laurus nobilis. 161 Ocimum basilicum. 124. 191-2. 493. 425. 445 Mimosaceae. 453 Peperomia elongata. 134 Piper d. 130. 135 Piper marginatum. 432 Ocimum canum. 79 Moraceae. 181-2. 415-6. 158-9. 233 Muntingia calabura. 434-5 Lippia granais. 426. 427. 422 Oxalidaceae. 198 Lacistemaceae. 414. 120 Poaceae. 129. 432. 323-4 Myrtales. 412-3 Lamiales. 427. 494-5 Passiflora coccinea. 133 Piper gaudichaudianum. 160. 161-2 Portulaca pilosa. 89 Malpiguiaceae. 42 Pogostemon patchouly. 429. 241. 442 Leucas martinicensis. 419-20. 121-2 Pereskia grandifolia. 200 Maytenus aquifolium. 435 Loganiaceae. 417. 251 Lacistema. marcgravii. 321 Nyctaginaceae. 402-5 Phytolacaceae. 184-9. 443 Liliaceae. 425-6. 107 Leguminosae. 421. 399-400. 337 Malva parviflora. 196 Monocotiledonae. 258 Physalis angulata. 321 Menispermaceae. 262 Myrtaceae. 199 Passifloraceae. 60 Myristicaceae. 444 Mentha pulegium. 132 Peperomia. 424. 240-1 Magnoliidae. 180. 126-7. 406 Lauraceae. 108 Petiveria alliacea. 131. 431. 156-7 Persea americana. 256 jatropha gossypifolia. 137 . 418 Mentha viridis. 446 Origanum vulgare. 250-1. 192 Pedaliaceae. 103 Myrocarpus frondosus. 432 Ocimum micranthum.

363 Rutaceae. 457 Scrophulariales. 45. 99. 497-500 Sansevieria. 390 Symphytum officinale. guineense. 218. 273 Rosales. 485. 228 Thevetia peruviana. 434 Violales. 453-6 Sida rhombifolia. 477. 271 Rosidae. 182 Sesamum indicum. 326 Psydium guajava. 478 Theobroma grandiflorum. 397-8 Solanales. 345. 50 Sambucus nigra. 409. 101. 325-9. 217-9. 462 Ranunculales. 94-5. 215-6. 457-60. 209 Urticales. 127. 347. 226 Solanaceae. 393 Solanum paniculatum. 262 Prunus domestica. 52 Zingiberales.Pothomorphe umbellata. 138 Primulales. 479. 400 Solanum tuberosum. 353 Saccharum officinarum. 330 Pyrostegia venusta. 312. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 230-1 Verbenaceae. 208-9. 320 . 338 Stigmaphyllon strigosum. 349. 344. 339 Schinus terebenthifolius. 233-4 Spilanthes acmella. frutescens. 139 Rhynchanthera grandiflora. 197 Xylopia cf. 492 Ruta graveolens. 484 Zollernia ilicifolia. 51 Zinnia elegans. 472. 482. 354-7. 227 Theobroma speciosa. 112 Zingiber officinale. 132. 51 Zinigiberidae. 401 Solidago microglossa. 471 Sorocea bomplandii. 76 Sapindales. 103-6 Vismia japurensis. 360 Scoparia dulcis. 269 Rubiaceae. 221 Urena lobata. 473-4. 350. 213. 463 Scrophulariaceae. 361 Sterculiaceae. 449 Sechium edule. 412 Tagetes erecta. 491 Spondias purpurea. 379-85 Tiliaceae. 492 Rubiales. 177-8 Virola surinamensis. 274 Psydium cf. 48. 474. 58 Zingiberaceae. 322 Rosaceae. 452. 216 Stigmaphyllon fulgen. 338 Strychnos triplinervia. 183. 55. 189.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .Estúdio Gráfico (Diagramação) .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

do Departamento de Fisiologia. do Departamento de Farmacologia. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. Campus de Botucatu. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Capa: tsabel Carballo .Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones.

ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. . estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica.