Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).Vale do Ribeira. . pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. Acreditamos que. a falta de propostas decorre de um dos dois. empobrecimento do solo. comprometimento do abastecimento de água. entre outros -.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. se propõe e se discute sobre o assunto. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. pois. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. Nos últimos anos. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. ou melhor. mas pouco se faz. conse- . ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento.perda da fauna e da flora. alterações climáticas. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. ou significam estratégias proibitivas. que em sua maioria não resolvem o assunto. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . provavelmente.

Por sua vez. Para tal. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .quer sejam grupos definidos. seus produtos e suas relações. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. regional.qüentemente. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. não se dá apenas visando à sobrevivência. São eles que conhecem a floresta. permitir grandes avanços na conservação. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. os moradores da floresta . mas inclui ainda interesses econômicos. Nesse aspecto. atualmente. São eles que podem. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. como mais um produto para comercialização. entretanto. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. como os ribeirinhas da Amazônia. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. os pescadores do Vale do Ribeira. sem dúvida alguma. a contribuição deste . priorizadas. Consideramos. portanto. Essa relação. Dessa forma. quer sejam comunidades tradicionais. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. Nesse sentido. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa.

Não custa lembrar e salientar. Foi a partir de pesquisas que realizamos.livro é um começo. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. e também no de desenvolvimento. mais abrangente. como instituições determinantes para o avanço. No entanto. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . Dessa forma. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. publicado originalmente em 1989. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. conseqüentemente. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. na verdade. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. entretanto. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. A equipe já não era a mesma. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. em janeiro de 1999. já que dez anos haviam se passado. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. considerando os aspectos aqui referidos. Passou da hora de a ciência e a política. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. Começamos o trabalho. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. cada qual havia tomado seu caminho. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. pagando o preço de um trabalho mais social.

assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. além dos desenhos apresentados inicialmente. Nessa nova etapa. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. pelo menos as mais citadas. No entanto. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Chemical Abstracts). por um lado. à medida que. Por si só. por outro. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. Estado de São Paulo. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. outro importante e singular ecossistema brasileiro. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. farmacológicos. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. químicos. incluindo fotos de algumas espécies. a nova idéia não tinha mais como retornar. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. buscamos informações em diversos endereços.não .proposta original. Index Medicus. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa.

No entanto. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. não apenas catalogando espécies medicinais. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. como é o caso da Amazônia e. Com essa nova concepção. mas as plantas medicinais. mas com um livro. especialmente os mais ameaçados.em artigos científicos e técnicos. hoje.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. sem dúvida. mas um novo trabalho. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. da Mata Atlântica. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. mais acessível que os artigos . Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. A conservação dos ecossistemas tropicais. passaram a representar uma nova alternativa . raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. que serão úteis. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. especificamente. sempre foi uma preocupação constante. durante todo esse período. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo.

mas pouco realizado na prática. realizadas de forma racional e sustentável. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica.para a conservação dos ecossistemas. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. Nesse sentido. municipais e federais) e não-governamentais. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais.não pode ser apenas a retórica. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. Finalmente. apesar de preliminar e pequena. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. Luiz Claudio Di Stasi . Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais.

mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . desse modo. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. Em primeiro lugar. pretendeu-se. evitando-se. a nosso modo de ver. o que. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. realizar um estudo etnofarmacológico regional. que esse conhecimento seja perdido. Em terceiro lugar. Em segundo lugar.

principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. realizado no município de Humaitá. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. Finalmente. deve ter um componente social em seu escopo. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. químicos. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Em quarto lugar. farmacologistas etc). com a promoção de melhores condições de vida para a população. da qual o próprio pesquisador faz parte. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. pretendeu-se. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. Osvaldo Aulino da Silva. com as atividades deste trabalho. que potencialmente es- .natural. além dos objetivos aqui expostos. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. com os conhecimentos adquiridos. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. consideramos que a ciência. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. juntamente com o Prof. Nesse contexto. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. Por outro lado. Nesse contexto. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). e que visa. como qualquer outra atividade humana.

O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. antropólogos e químicos. e nossa experiência é prova disso. para que o conheci- . O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. além de engrandecer o trabalho. portanto é urgente a sua consideração. clima. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. tipo do solo. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. como seres vivos. pela sua característica multidisciplinar. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. No entanto.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. essa área requer um enfoque novo. estações do ano e outros). no entanto. além de botânicos. estágio de desenvolvimento. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. Acreditamos. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. propiciou um imenso prazer. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. farmacologistas. que se superando as dificuldades. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. consideramos de grande importância colocar que. que podemos denominar ecológico.

Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. acrescentaram uma experiência rica. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. Luiz Claudio Di Stasi . Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. que. além de tornarem possível este trabalho.mento tradicional seja devidamente resgatado. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida.

de um lado. Observa-se. Ato II de Romeu e Julieta . 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. por fim. O Brasil contribui com 120 mil espécies.. e.. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. a grande maioria na região amazônica. Dessas. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. mas os primeiros registros remontam a milênios. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. (Cena III.William Shakespeare. apesar disso. quando se constata. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. portanto. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos .

criteriosos. como este que aqui se apresenta. de outro. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. posologia. Profa. Quando dizemos criteriosos. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica.Campinas) . Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Levantamentos etnofarmacológicos. enfim. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Por último. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. e isso é o que importa. efeitos observados. Mas o passo foi dado. a distância vencida. Dra.

. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. que. provenientes da evapotranspiração. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. apesar da pobreza dos solos. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. No entanto. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. A exploração madeireira. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. Fearnside. De fato. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. no caso da Amazônia. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. conforme aponta Philip M.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. Dada a fragilidade desse equilíbrio. Atualmente.

riquíssima em espécies. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos.Rio Claro) . pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP .O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. por outro. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. acarreta duas situações que. Dr. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. Sinto-me. De qualquer maneira. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. do ponto de vista social. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. Plantas medicinais na Amazônia. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. coloca às mãos dos leitores. ecológico e histórico. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. desde o leigo ao mais especializado. Somada a isso. das quais poucas foram estudadas. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. Luiz Claudio Di Stasi. e. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. fruto de um trabalho sério de pesquisa. julgamos altamente preocupantes: por um lado. honrado em apresentar esta obra. Prof. portanto.

sul do Estado do Amazonas. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. • Aldeia dos Tenharins. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. resumidamente. no Amazonas. conforme descrito a seguir: .Metodologia de pesquisa Apresentamos. Vale do Ribeira. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. no Estado de São Paulo. Jacupiranga e Sete Barras.

• Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Departamento de Botânica do Instituto de . Para materiais fora da fase de floração. Para as espécies da Amazônia. a coleta errada do material. No caso de material em fase de floração. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). evitando-se.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Amazonas. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. assim. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista).

Index Medicus (Med-line). Itajaí . Chemical Abstracts.Botucatu.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. para sua identificação.Rio Claro.Santa Catarina. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. .Biociências da UNESP . Outras informações (agronômicas. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Sites da Internet. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP .

Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. . mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. com o tempo. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e.incluindo as monocotiledôneas medicinais. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. como havia sido feito na primeira edição deste livro.

nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. que compreendem uma descrição botânica. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. Para cada capítulo. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. as quais se subdividem em cinco seções: . respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .dados botânicos e outras informações (quando for o caso). • Introdução sobre a família botânica ou.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .• Parte II . . especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.incluindo as dicotiledôneas medicinais. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. incluindo: . em vários casos. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. . dados ecológicos e distribuição. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. • Dados químicos. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. .Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto.

Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações.• Dados farmacológicos. de vários tipos: . formatado e montado para a inclusão neste livro.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. além de uma extensa bibliografia atualizada. encontram-se um glossário de termos botânicos. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. UNESP. . incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. C. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. formatadas e montadas para inclusão no livro.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. No final do livro. . formatadas e montadas para inclusão no livro. . • Dados toxicológicos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. . Instituto de Biociências de Botucatu.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Mayacaceae e Commelinaceae. Guimarães C. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros.1 Commelinidae medicinais C. Typhales. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. M. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). pelo seu grande valor ornamental. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. M. Hiruma-Lima E. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). . Xyridaceae. Outras ordens botânicas como Juncales. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. C. Santos L. algumas delas descritas neste capítulo. A.

excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. ferragem. do famoso centeio e da aveia. Andropogon nardus. . como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. Paspalum. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. reunindo inúmeras utilidades. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. • Centothecoideae. açúcar e óleos essenciais. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. açúcar e trigo. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. e o gênero Oryza. 1996). Saccharum e outros. Várias espécies possuem importância terapêutica. cujo representante principal é o arroz. como Sorghum do sorgo. A família é dividida em quarenta tribos. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. substâncias cianogênicas. • Panicoideae. Zea. Cymbopogon. saponinas. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. que inclui os gêneros Secale e Avena. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. subfamília que. que inclui alguns importantes gêneros. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. amido. Os outros constituintes incluem alcalóides. flavonóides e terpenóides (Evans. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. Arundinoideae e Chloridoideae. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. • Pooideae. principalmente Zea mays (milho).A família Poaceae. que incluem vários gêneros. gêneros alimentícios como bebidas. também denominada Gramineae. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. do ponto de vista de espécies medicinais. respectivamente. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. ácidos fenólicos. é a mais importante. mas sem importância medicinal.

Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. glabros e curvados. os quais. Andropogon nardus L.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. possuindo um grande número de ramos.5 m de altura.K. podendo atingir até 2 m de comprimen- . também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. com folhas invaginadas bastante agudas. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal.B. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. por sua vez. Em outras regiões do país. Em outras regiões do país. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. a planta também é conhecida como Capim-membeca. espiguetas sésseis e fruto cariopse. os colmos são finos.

com grande valor econômico. eretas. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Capim-cidrão. bainha larga e lígula na base do limbo.to. marginatus e validus. tais como flexuosus. . Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Capim-cheiroso. folhas alternas. rizoma semi-subterrâneo. sudoríficas e carminativas. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Capim-limão. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades.1). ásperas em ambas as faces. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. formigas e traças. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras.) Stapf. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. lineares. problemas estomacais e febre. Patchuli-falso. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. com nós e entrenós. Capim-sidró. Cymbopogon citratus (DC. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. formando uma touceira robusta. Capim-marinho. Vervena. Sídró. Capim-cidreira. 1962). Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. compridas. Erva-cidreira.

reumatismo e febre. 1980).Na região da Mata Atlântica. ápice agudo. hermafroditas. a infusão das folhas é usada como antidiurético. simples. 1980). Na região da Mata Atlântica. Matos & Das Graças. no Pará. no Mato Grosso. o suco do colmo da planta. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. calmante e antiespasmódico (Barros. contra gripes. no Rio Grande do Sul. 1 dísticas. em Brasília. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. Saccharum officinarum L. cilíndrico. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. 1982). folhas amplexicantes. 1982. no Ceará. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. nervura central saliente e bainha espinescente. 1988). dores de cabeça e dores musculares. gripes fortes. dores de cabeça e disenteria. ásperas. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. colmo arqueado na base. verde ou violácea. Cana. como calmante e antiálgico (Van den Berg.2). Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. 1986). carminativo. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. duas vezes ao dia. articulado e um pouco mais grosso nos internós. planas. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. pequeno (Figura 1. na forma de banho (Amorozo & Gély.. lineares. como diurético. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas.. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. simplesmente. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . espiguetas com flores pequenas. fruto do tipo cariopse ovóide.

1997). 1996). envenenamento com arsênico.. 1. como citronelal. linalol. cariofileno. vários aldeídos. além de seus isômeros geralúal e neral. rachas dos seios. contra resinados e anginas e. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). metil-heptenol.8-cineol. felandreno. 1997). erisipela. limoneno. neral. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. geraniol. 1996. externamente. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. metil-heptenona. internamente.4%). como o geraniol. farnesol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. febres. 1986). além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. contra úlceras da córnea. mentol. nerol.e b-pineno.diurético e contra hipotensão. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. neral. cetonas e alcoóis. citronelal. tuberculose. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. O óleo essencial de C. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. laurato de etila. escarlatina. cólera. 1981). a. vômitos da gravidez (Corrêa. chumbo e cobre.. aftas. mirceno. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. isovaleraldeído e decilaldeído. 1984). . Ming et al. terpenos e dipenteno (Costa. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat.

. enquanto Ferreira et al. 1986. 1997). citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1997) e o extrato de C. (1985). O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al.. 2002). A atividade antibacteriana de C..8%). 1996)... não observando propriedades de interesse terapêutico. e Di Stasi (1987).. citratus.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. Lorenzetti et al. Onawunmi & Ogunlana. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. 2002. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1984... (1983) referem atividade antiespasmódica.. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. 1998).. 1988).. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 2000. geranial (45. 1986 e 1987). 1990). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. mirceno (12... 1985). depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. analgésica (Viana et al. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. anti-helmíntica (Jourdan. 1983 e 1989a). 1988). relatam. 1986 e 1987. Di Stasi et al. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. Pinho et al. 1997). citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. Onawunmi et al. O extrato metanólico de C. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. toxicológico e clínico com essa espécie.9%) e neral (33. 1988). Com as folhas de C. 1988). Os principais constituintes das folhas de C. 1988)..5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al.. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1995). aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. Onawunmi. . anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. no entanto.

Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. 1990). e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. ferúlico e sinápico (He & Terashima. também conhecido como Capim-cidrão. citratus. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. ataxia. De S.. Para a espécie Saccharum officinarum. visto o grande número de trabalhos com C. perda de postura.. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. ligninas e ácidos fenólicos.. Dados toxicológicos O óleo de C. . O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. sedação e defecação (Ferreira et al... 2000). 1997. Além de hipocolesterolêmico. 1989). citriodorus. Hikino et al. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. Menendez et al. 1988). ácidos p-coumárico. bradipnéia. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. 1986a). capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. Foi isolado também o policosanol. um álcool alifático com alto peso molecular. 1983). 1999). O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al..

.1 . c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .FIGURA 1.Banco de imagens ).2 . .Saccharum officinarum.

Lowiaceae. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae.2 Zingiberidae medicinais C. As espécies da família Bromeliaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Cannaceae e Marantaceae. A. Tal uso não é comum na região amazônica. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. M. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Guimarães C. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Santos E. Hiruma-Lima L. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Zingiberaceae. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. importante produto de comercialização. De todas essas famílias. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. M. C. .

larga bainha na base que envolve o caule. Vindecaá e Vindicáa. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq.100 espécies tropicais espontâneas. Curcuma. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. com folhas membranosas. lâminas . Renealmia e Riedelia. Costus e Hedychium. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. especialmente as famosas Canas-do-brejo. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. com várias espécies medicinais.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Além do valor medicinal das espécies dessa família. destas. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. na qual se localizam os gêneros Zingiber. nos quais estão distribuídas 1. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. algumas delas aqui descritas. inclui 52 gêneros. e • Zingiberoideae. Alpinia. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus.

o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. elípticas. O gênero Costus. flores em grupos com brácteas vistosas. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. espessas. vistosas.com 20 a 40 cm de comprimento. perianto distinto em cálice (claviforme. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. densas com flores brancas ou róseas. gineceu com ovário ínfero. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. contra sarampo. podendo chegar a até 1. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. . Costus spiralis Rosc. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. entouceirada.5 m de altura. fruto capsular. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. contém inflorescências terminais. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. ápice agudo e base arredondada. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas.1). inclui 42 espécies tropicais. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. descrito por Carl Linnaeus. 1988). mas com algumas espécies em regiões tropicais. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. hermafroditas e zigomorfas. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira.

incluindo a espécie aqui descrita. vistosas. descrito por Johan Gerhard Koenig. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. lanceoladas e coriáceas. a espécie é muito utilizada como ornamento. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. as inflorescências são terminais com flores brancas. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. na forma de infusão. muito perfumadas (Figura 2. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Em razão de sua beleza. sésseis. sendo de fácil multiplicação por touceiras.2). . inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. A decocção de suas folhas. contra diarréias graves. O gênero Hedychium. grandes. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. Hedychium coronarium Koen. de onde partem as folhas longas. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. em Iguape é comum a denominação Napoleão. Lírio branco e Gengibre branco. cilíndricas. especialmente de origem sifilítica. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie.

A espécie é reputada como estimulante. mas especialmente na Ásia. com uma lígula membranosa bífida. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. de Gengibre. internamente. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. lanceoladas. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. indigestão. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. C. contra reumatismo. externamente. tosses. flatulência e eólicas. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. mesmo no Vale do Ribeira. carminativa com uso na dispepsia.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. gripes e para problemas circulatórios. 1995). além de diversos outros usos (Bown. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. . contra náusea. sendo provavelmente o local de sua origem. cólicas. com ampla distribuição. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. gripes. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. e. em todo o Brasil. diarréias e como vomitiva. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. 1994). A espécie é usada. lumbago e cólicas menstruais. folhas alternas. onde a maioria das espécies é espontânea.

dihidro-5. galanga. 1990). 1987c). galanga (Barik et al. 1987b). intermedia (ltowaka et al.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. 1987). Os principais constituintes dos frutos de A. 1988a). taninos.6-dehidrokawaina. e 5.. 1987). Da espécie A. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. 1988). formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano.. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. 1988).-(17)12-labddieno-15. galanga (Mori et al. Cinco compostos.. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. flavonóides em A. 1985a e 1985b.. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A.. 1996). acetato de geranil. (Xue et al.. óleo essencial. Dos rizomas de A... De A. constituintes fenólicos em A.8cineol. Foram isolados dos rizomas de A. 1987b). isohanalpinona e alpinenona.. 1. linalol. nerolidol. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. humulene.. 1987). galanga. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al.. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.16-dial (Morita & Itokawa. katsumadai (Okugawa et al. speciosa. 1987a e 1987f) e A. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. speciosa e A. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A.. 1988). 1987). 1995). 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona.6-dehidrokawaina. nutans (Mendonça et al. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A... Os compostos isolados dos rizomas de A. japonica (Morita et al. Os sesquiterpenos -eudesmol. galanolactona e (E)-8.. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A.

.8-cineol.. B2. 1994). oxyphylla contêm neonotkatol. fenóis e alcalóides. 1987d). 1996). Os frutos de A. 1. Das partes aéreas de A.. 1997b). 1990). Três novos diarilheptanóides . De A. daucosterol.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1988). Cinco diarilheptanóides. yakuchinona B. hanalpinol peróxido.8-cineol (Lai et al. sesquifelandreno e zingibereno. 1989). o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. decanol. bornil acetato. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. chumbo. 1997b) e quercetina (Wang et al... além de óleos essenciais (Mendonça et al.-o1.. katsumadai possui -pineno. Das sementes A. isohanalpinol e aokumanol. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A.. flavonóides (Luo et al. yakuchinona A.. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. 1997). 1989). hanalpinona. sendo um novo. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. 1997). terpineol e 1.7-difenil-3. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. fenchona e geraniol. linalol. 1992). alpinenona. potássio. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. trans-bergamoteno. polyantha foram isolados. Do óleo essencial das sementes de A. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. Dos rizomas de A. ferro. citronelol. conchigera (Athmaprasangsa et al. 1997a). sódio. As sementes possuem mirceno. blepharocalyx (Kadota et al... além das vitaminas B1. 1990). isohanalpinona. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. 1987). -sitosterol. flabellata (Kikuzaki et al. furopelargona B. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. 1997a).foram isolados recentemente da espécie A. zinco.. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. felandreno. geraniol. cálcio... . pineno. mirceno. furopelargona A. 1999). C.5heptanediona. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al... E.. -ll(12)-eremofilen-10. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. l. zerumbet (Xu et al.calixina A e B e 3-epi-calixina B . blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. A análise fitoquímica de A. manganês. magnésio. O óleo essencial das folhas e caules de A.

assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. sendo antiulcerogênica (Wang et al. 1972). A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. bloqueio neuromuscular. 1994). 2000). indicando . 1996). 1999). 1988. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1988b). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. é usada na culinária. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1999. que é um derivado do gingerol. galanga (Itokawa et al. 1976) e A. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. A erva. 1996). japonica e A. inibição da musculatura lisa. Lin et al. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. Constituintes isolados de A. 1986). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1987). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. speciosa. Estudos com a espécie A. e seu óleo. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. Mendonça et al. 1985). galanga (Janssen & Schefter. 1996). além de medicinal. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. na perfumaria. 1988). Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. Sesquiterpenos isolados de A. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1989). 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. oxyphylla (Kyung-Soo et al. A espécie A. 1997). 1987c) e A.

speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 1992).. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al.. 1982. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. oxyphylla (Chun et al. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1994). O terpinen-4-ol. 1998.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. Mendonça et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. Estudos com a espécie A. ArnaudBatista et al. 1987c) e A.. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1998).. . speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. anticonvulsivante (Maia et al. 1982).. 1994). 1988). Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. antifúngica (Lima et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. Dos rizomas de A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. Geraniol e isotimol isolados de A. 1988b).. Moraes et al. 1990). O extrato acetônico de A. Os rizomas de A.. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. 1990).6-dehidrokawaina isolado de A. 1987c). officinarum (Kiuchi et al. 2001). speciosa. 1996). 1988. também isolado do óleo essencial. 1992). Os diarilheptanóides isolados de A. 1989). 1988a. Do óleo essencial das folhas de A. 2001). galanga (Itokawa et al. 1988)... 1996). O óleo essencial de A. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. Compostos isolados dos rizomas de A. O composto dihidro-5. 2002). 1992).... galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. Mendonça et al...

1999)... galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.A atividade antiinflamatória de A. 1992). Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A.. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. A espécie H. . Surh.. 2000). 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al.... além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al.. hipocinese. 1999).. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A.. 2001. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. relatadas a seguir. 2002). de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. Musa e Heliconia. contorções.. 2000). A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. 2000) e H. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. 2000). speciosa produziu excitação psicomotora. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 1988b). gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. 2002). De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.

Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. folhas longas. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. . laminares de grande comprimento.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. minúsculas e duras. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. com bainhas grandes. oblongas e inteiras. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L.. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. com folhas longo-pecioladas. com pseudocaule ereto e cilíndrico. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical.5 m de altura. O fruto da espécie não é usado como alimento. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana.

Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ).Alpinia japonica. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.1 . FIGURA 2. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. onde é amplamente cultivada como ornamento.podendo atingir até 2 m. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). dando um pequeno fruto que também é comestível. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. flores reunidas em espigas. mas com 25% do comprimento e da largura.

Hedychium coronarium.2 . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).FIGURA 2. .

3 Liliidae medicinais L. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. ordem Orchidales. família Liliaceae. N. especialmente na ordem Liliales. Velloziaceae e Iridaceae. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Gonzalez L. principal. Dioscoreaceae. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Di Stasi F. A. Velloziales. Alliaceae e Amaryllidaceae. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. G. C. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. família Liliaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Liliales e Orchidales). Seito C. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Asparagales. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Dioscoreales. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas.

1997). ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium.950 espécies vegetais. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. especialmente do gênero Iris. esse da importante Babosa (Aloe vera). a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. Tulipa. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. Alloe. ambas de valor econômico incomensurável. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). A segunda. Colchicum e Drimia. grande fonte de espécies dessa família. Convallaria. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Trilium. A primeira. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. dos quais devemos destacar o gênero Allium. . Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. que passamos a descrever. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Lillium.e Liliaceae. pelo grande número de espécies ornamentais. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Outro gênero importante é Aloe. Narcissus e Veratrum. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). como é o caso da cebola e do alho.

Nas comunidades do Vale do Ribeira.1). são indicados contra hipertensão e gripes fortes. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. C. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. os bulbos dessa espécie. tosse e também contra hipertensão. capsular. 1995). na forma de umbela pedunculada. que se mesclam com os bolbilhos. são utilizados de várias formas. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. a maioria é cultivada. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. loculicida (Figura 3. em geral seco.000 a. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. folhas lineares. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. sésseis. ao passo que a infusão é usada contra gripes. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. obtida comercialmente. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. Era citado pelos babilônios no ano 3. flores brancas ou avermelhadas. inclusos e envolvidos por fina membrana. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. fruto.Espécies medicinais Allium sativum L. especialmente em crianças.

1988). além do uso como condimento. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. subgloboso. digestivo. Em Minas Gerais. também são utilizados como sudorífico. todos usados e comercializados como alimento e condimento. Trata-se de uma espécie com usos históricos. dispostas em umbela. rouquidão. anual. folhas radicais ocas e compridas. carminativo e vermífugo. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. resfriados. especialmente acne e micoses. febrífugo. 1982). agudas. 1992). e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. poderoso anti-séptico das vias digestivas. tosse com expectoração. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. para problemas da pele. No Pará. reumáticas e paralíticas (Corrêa. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. em afecções nervosas. 1984). com inúmeras variedades e subtipos. diurético. Em outras regiões do Brasil. ateromatose. o uso externo. tosse. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. antiasmático. Dados botânicos Erva bulbosa.queca. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. arteriosclerose. flores hermafroditas regulares esverdeadas. histéricas. a espécie inclui vários usos medicinais. como referido para o Alho. ao passo que a infusão das cas- . o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. gastroenterite e disenteria. carnoso e com casca fina amarelo-parda. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. os bulbos são usados na hipotensão. bronquite. com bulbo grande e solitário.

o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. podendo atingir até 1 m de altura. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. Aloe vera L. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. densas. são úteis contra edemas. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. O uso interno de um macerado em água fria. as flores são tubuladas. usadas externamente. descansado por 24 horas na geladeira. para acne. internamente. dores e infecções da pele. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. lanceoladas. Dados botânicos Planta perene e suculenta. A manipulação dessa planta no preparo de loções. Na região amazônica.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. ao passo que as folhas frescas. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. externamente. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e.2). . apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. folhas suculentas. é considerado excelente contra úlceras. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. externo. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. como cicatrizante. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. reunidas na forma de rosetas em sua base.

1997).. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. proteínas e fermentos (Costa. barboloina. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. Além disso... fitosterinas. sativum. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. barbadensis (Saleen et al.. Nos bulbos também foram encontrados aliina. obtidos de A. B. 1990). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl.. catártico e febrífugo. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al.. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. et al. 1995).. holosídeos.. 1992). 1991). 1997). aloe barbendol foram isoladas das raízes A. 1997). apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. Prostaglandinas A. além de evitar queda de cabelo.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. 1995). 2000). o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. 1999). desoxialiina. 1986). aliinase que origina a alicina. alil e alil-propil. (B8) e P. Da espécie A. 1979). além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. relatando ainda que as folhas são purgativas. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. exigindo-se cuidado na utilização. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. vários heterosídeos sulfurados. isobarboloina (Kuzuya et al. 1968). A antro-cenona. saponinas esteroidais (Peng et al. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. . 1993). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al.. vitaminas A. a polpa é emoliente e resolutiva. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. C.

sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. Além dessa classe de compostos. fibrinolítica. 1987. 2002). Esse mesmo efeito foi detectado .. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos).. 1996). o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al.. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. Entretanto. in vitro (Sheela et al. Em animais com carciriogênese bucal o A. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. Hikino et al. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. Por sua vez.. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. 1992). O estudo comparativo in vitro. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. hipocoleste. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. 1995.. isolado de Allium sativum Linn. entre outras ações que serão discutidas a seguir.. 1981. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. 2000). cicloxigenase. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. demonstrou que os compostos de A. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. Kwon et al. rolêmica.. Augusti & Sheela. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. 1991). antibiótica. No entanto. Nerkar et al. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996).

a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. 1985. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. contra Helicobacter pylori. O extrato de A. 2002) contra Staphylococcus aureus.. Khan et al. 1983.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al.. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática.. 1981. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. 1993). fosfatase ácida. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. 1985).. 1997. 1996). Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. Guevara et al. 1992). 1980).. Singh & Shukla. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina... o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. precursor da alicina e obtido do alho. sativum apresentou também atividade antibacteriana. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. 2001). 1993) e aquosos (Sato et al. enquanto a associação dessa dose com 4. O óleo de A.. O sulfóxido de S-alilcisteína. 1994).. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1984. 1984.. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. 1995). Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. O estudo realizado por Celini et al. Sovova et al. Rees et al. Dababneh & Aldelamy. in vitro. 1982. Mossa.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al.. compostos fenólicos (Patel et al. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. além de atuar como .

Kamanna & Shandras-Wkhara. 1980. 1978). Boelter et al. 1978. 1993). 1984. 1994).. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. assim como as respectivas substâncias isoladas. Adetumbi et al. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 2001). Rotzsch et al. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. 1993). enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui.. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma.. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. no entanto. (1986). assim como substâncias isoladas do alho. 1992). Block et al. e não as substâncias isoladas. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh.. 1993).. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1986) e brutos (Rees et al. 1995b). Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. Mohammad & Woodwara (1986). sem. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. alicina e sulfeto de dialila. cepa (Dorsch et al„ 1985). inibem a síntese de colesterol. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. Os resultados obtidos por Sendl et al. no entanto. Sandhu et al. 1993). da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. (1992). (1985). 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng.. Essas propriedades farmacológicas. metil-ajoeno.agente anticercaricida. 1980. 1996). Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. 1978. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt.

sativum (Kweon et al. 12.. I.. atividade diurética. Foushee et al. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1991). E. (1986b).. 1993). tais como a histamina (Usui & Susuki. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados.sos de bulbos de alho fresco (5. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. sua condutância. A. et al. (1992) com o composto ajoeno. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. assim como a reação de liberação induzida por agonistas.. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. também. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. 1993b). enquanto Pantoja et al. como radioproteção (Reeve et al. 1991).... e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. M. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al.. 1990).5. 1993). Ribeiro et al. 1997). atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. (1987). Essa mesma planta reduziu a concentração . natriurética e hipotensora em cão. 1996). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. principal componente antiplaquetário do alho.. 1996). 1996). Por sua vez. 1996). sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. (1982). 1986a). promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali.. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. 1996). et al.

Allium sativum. Ko & Son. Extrato aquoso de A. .. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. 1992. (1994).. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. Lipotab. 1996). conseqüentemente. 1993).sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. sativum ou A. ela é um excelente cicatrizante (Costa. 1991). Chithra et al. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. sativum L. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al.. I. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. um preparado à base de Curcuma longa.. 1995). enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. 1994)... cepa com A.. 1993. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. et al. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. (1996). 1990). 1995). Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. 1993). Além disso. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. 1992). Para a espécie Aloe vera. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al.. 1993). in vitro. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. E a mistura de A... Resultados similares foram obtidos por Imai et al. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al.

apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. vera e hipotensora de A. aumento na contagem de espermatozóides.. Essa família possui pequena importância no Brasil.1998). estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação... Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. 1997). 1991). 1995). A atividade antiinflamatória de A. 1996. As folhas de A.... contudo. esses dados referem-se. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. 1997). 2001). Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. Saleem et al. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. 2001). O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 2000).. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. que inclui algumas espécies popu- .. Entretanto. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.. 1994). em camundongos.

em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica... O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. 1987). Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. saponinas esteroidais (Mimaki et al.. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. e o Agave. no entanto. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. 1996 e 1997b). pontiagudas e com manchas brancas. longas. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. na região amazônica. 1996). contra problemas hepáticos. brancas. flores pequenas. No entanto. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. Das . A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". possui folhas carnosas. cilíndricas.

.. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. 1986). . 1997).1 .em Joly. FIGURA 3. 1998) (Banco de imagens ). reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .. 1996). além de carboidratos. cylindrica foram isolados lipídios. 1982).Allium sativum.folhas de S. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. saponinas.. Das folhas de S. pigmentos. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al.

.2 . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).FIGURA 3.Aloe vera.

Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. ainda não discutidas neste livro. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. esta segunda com uma única família. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. S. Triuridaceae. de pouco interesse para nosso estudo. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. C. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Mariot M. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. Di Stasi A. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. portanto. As duas espécies.

do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. com caule triangular e glabro. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. Inclui ervas perenais. coriáceas. Aguapé. e Sagittaria. freqüentemente . A espécie possui as variedades floribundus. rizoma grosso e carnoso. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. essa segunda inclui apenas a família Palmae. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. folhas pecioladas. muitas aquáticas ou brejosas. numerosas. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. grandes e eretas. também denominada Arecaceae. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales.1). 1997). mas que também é usado como espécie de valor medicinal. espécie de grande valor econômico. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. ovadas. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. latescentes com lâmina foliar grande.mico. contendo vasos apenas nas raízes. flores brancas. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus.

Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E.. de barriga. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. também denominada Arecaceae. moléstias da pele e do fígado. . especialmente contra dores de cabeça. bem como gripes e resfriados. reumatismo.650 espécies tropicais (Mabberley. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. tônica e diurética. útil ainda contra artrites. 1997). raramente trepadeiras. como ornamentais. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. nas costas. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros.consideradas outra espécie. sífilis. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. Incluem árvores ou arbustos. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. e como anti-helmíntico. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). com folhas terminais. 2000). muitas delas usadas como medicinais. e outras. como sedativo.

chegando até 25 m de altura. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. como é o caso de várias palmeiras.A família está subdividida em seis subfamílias. amplamente conhecida na região amazônica. Kobayashi et al. 2002.. amplamente conhecido na Mata Atlântica. Destaca-se o gênero Euterpe. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. como é o caso da Areca catechu. e o açaí. macrophyllus (Shigemori et al. especialmente da Mata Atlântica. Cocos. do famoso coqueiro da Bahia. 2000a e 2000b). conseqüentemente. Espécies medicinais Euterpe edulis M. 1998).. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . e o Arecastrum. respectivamente do babaçu e da carnaúba. do jerivá (Joly. que incluem a piaçava e a ráfia. que inclui o famoso palmiteiro. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. com folhas pinadas. como é denominada a outra espécie do gênero. Tratase de uma família de grande valor econômico e. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. outras são importantes como medicamento.

1998) (Banco de imagens). FIGURA 4. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. como antídoto para picada de cobras. internamente. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas.1 . . não fosse a intensa exploração da espécie.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. o suco do caule é usado. frutos esféricos de cor preta-arroxeada.nhas. externamente.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. mas deve ser destacado o gênero Peumus. M. inúmeros gêneros são importantes. C. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. da qual inúmeras espécies de grande valor . Santos L. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. do famoso Boldo. tais como as Magnoliaceae. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Na família Chloranthaceae. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. M. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Annonaceae. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. são importantes como ornamentos. A. inúmeras espécies são medicinais. Guimarães C. Hiruma-Lima E. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Myristicaceae e Lauraceae. tais como Magnoliaceae. Na família Monimiaceae. Outras famílias dessa ordem também são importantes. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies.5 Magnoliales medicinais C.

e Monodoroideae. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. Cryptocarya. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Guatteria. que inclui os gêneros Annona. 1997) e subtropicais.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Pinha. Cabeça-de-negro. Annona cherimolia. 1997). Artabotrys. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. que inclui nosso Abacateiro. Uvaria. . A maioria das espécies é de plantas lenhosas. A família inclui árvores. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. No Brasil. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. arbustos e lianas. Cinnamomum. Xylopia. os gêneros mais comuns são Annona. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Aniba e Nectandra. Annona tenuiflora e Annona squamosa. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Annona reticulata. espalhadas por todo o planeta. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. e ainda outras importantes como alimento. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Xylopia e Rollinia. Annona coriacea. Laurus e Sassafras. Graviola e outros. compreendendo aproximadamente 260 espécies.150 espécies tropicais (Mabberley. como Aniba. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley.

Araticum-punhê. latescente. no entanto vários sinônimos são usados. Araticum-de-paca. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". alcançando até 30 cm de comprimento. pecioladas. Araticum-ponhê. que são muito apreciados. flores axilares. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. Espécies medicinais Annona muricata L. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. as folhas são alternas. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. inflorescência cauliflora.1). cordadas na base e acuminadas no ápice. 1998). Iriticum. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. Coração-de-rainha e Nona. . ovadas ou elípticooblongas. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. amareladas. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. mole e recurvado.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. polpa branca. com um tronco revestido por casca aromática. sucosa. espessa com saliências cônicas. alcançando até 15 cm de comprimento. no entanto. tais como Araticum. que apresentamos a seguir. com um espinho central. com epiderme verde-escura. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. Várias espécies. subglobosas. fruto do tipo baga irregular. com cálice de lobos triangulares e agudos. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon.

o chá das folhas é ainda usado contra proble- . tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. As folhas e raízes são consideradas sedativas. Em outras regiões do Brasil. mole e branca. especialmente lombrigas. peitorais. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. sendo depois levada para outras regiões do planeta. as flores. com importante uso potencial na fabricação de papel. tem grande valor como alimento. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. Na Amazônia. dores de cabeça e como emagrecedor. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. O fruto. onde se tornou subespontânea. as folhas cozidas. 1984). antiespasmódicas e hipotensivas. especialmente na produção de sucos. a planta fornece madeira. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. os brotos e as folhas são usados como béquicas. referidos a seguir. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. sorvetes e geléias (Corrêa. Além dos usos medicinais da espécie. diurético e no combate a insônias leves. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. por sua vez. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. combatem reumatismo e abcessos. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. 1984). O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. antiespasmódicas e antidisentéricas. usadas topicamente. 1984). os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. podendo também ser usada na arborização urbana. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. para baixar febres. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie.

Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. 1978. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. enquanto o óleo das folhas. impedindo-lhes a identificação correta. as raízes e folhas. diarréia e como lactagogo. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. De acordo com os mesmos autores. parasitas. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. 1990). o chá das folhas é utilizada para catarro. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. 1992). a fruta e seu suco são usados contra febre. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk.mas do fígado. especialmente na África. 1962). e as sementes. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. Na Índia. Na Jamaica e no Haiti. contra diabetes. asma. as cascas e folhas. 1987). contra diversos parasitas (de Feo. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. é usado externamente para neuralgia. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. . espasmos e febres. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. onde é usada contra tosses. no processo de pesca. as sementes. tosse. Esse uso. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. na forma de chá. como antiespasmódico. gripe. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. No Peru. Nas Guianas.. no entanto. Ayensu. as folhas e a casca da árvore. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al.. inseticidas. 1955. Weninger et al. foram referidas espécies desse gênero. 1986). no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. 1962). Annona tenuiflora Mart. 1993).

2). significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. e copa alongada. tonturas e hipotensão. hermafroditas. Jejerecu. sem estipulas. Malagueta e Banana-de-macaco. lineares.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Pindaíba. curto-pecioladas.3). Em outras regiões do Norte do Brasil. oblongolanceoladas. coriáceas. muitas das quais usadas na medicina popular. também descrito por Carl Linnaeus. . Pindaíba-branca. onde parte deste estudo foi realizada. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Ibira. com casca fibrosa. fruto do tipo baga ovóide. O gênero Xylopia. frutescens Aubl. tronco ereto e cilíndrico. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. folhas alternas. Nomes populares A espécie é denominada. Breu. Jegerecu. Coagerucu. Pau-de-imbira. sul do Amazonas. com duas a seis sementes (Figura 5. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. agudas no ápice. Envira-preta. aromática. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Pijerucu. simples. folhas ovado-oblongas. simplesmente. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. alcançando até 8 m de altura. na região amazônica. cálice gamossépalo. alternas e ápice cuspidado. Envira. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. pétalas lineares. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Xylopia cf. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Coajerucu. Breu branco ou. vermelho. Jejerecou. Coaguerecou. deiscente. Pindaúba. Pindaúva.

A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. também aromáticas. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. As sementes. Além dos usos medicinais descritos a seguir. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. folhas e. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. para combater resfriados e dores de cabeça. 1984). chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. própria para uso em carpintaria. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. sementes de espécies da família Annonaceae.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. 1984). raízes. como cabos de instrumentos e varas de pesca. na forma de inalação. como digestivo e são úteis contra catarro.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. são usadas como estimulantes da bexiga. perenifólia e pioneira. sendo uma espécie heliófita. 1998). a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. ao passo que a decocção da casca é usada. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. Na região amazônica da Colômbia. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. especialmente. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. .

cis-annomontacina (Liaw et al.. enquanto Gromek et al. 2002)..São ácidos graxos modificados. 1993). Anomuricina A e B. especialmente como citotóxicas.. muricina H. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al.. 1994). 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. . 1995b). 1995e). Recentemente.. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. muricatocina C e gigantetronenina. hoviicina A. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. 1995a). 1991). anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. iso-neoanonacina-10ona. anonacina-10-ona. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. murihexocina A e B (Zeng et al... I. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. 1995c). e que são importantes representantes da flora brasileira. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie... Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). anomutacina 1. No entanto. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 2 e 3 (Wu et al.. 1995b). muricatetrocina A e B. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al.. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. neo-anonacina-10-ona.. epomuricenina A e B (Roblot et al. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 1994a e 1994c). das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. denominada corepoxilona. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. 1991b).

. 1991a e 1991c).. Cortes et al. cherimolia. solamina. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. bulatanocina. 1993). (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.. tais como reticulatina (Saad et al. itrabina.. reticulacinona (Hisham et al. Das semen- .. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. esquamostanal A (Araya et al. incluindo A. 32-hidroxibulatacina. squamocina e almunequina (Duret et al. anogaleno (Sahpaz et al. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. esquamona. B. 1996). isoquerimolina 1. 1991). bulatencina. 1995). anomontacina em Annona montana (Jossang et al. 1992). além de esquamocina e esquamostatina A.. C e D (Fujimoto et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1993b). 30-hidroxibulatacina.. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1994c) neodesacetiluvaricina..Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. cis. 1995). tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al.. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1994). 1994b). três uvariamicinas.. 1994a). 1996). Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. Sahai et al. 1994). 1962).. 1993b). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A... 1995) em Annona bullata. muricata e A. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al... esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. esquamosinina A (Yang et al. 1993).. 1994b)... 31-hidroxibulatacina. isomolvizuína 2. 1994a e 1994b).. molvizarina e motrilina (Cortes et al. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. Das sementes da mesma espécie. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. 1991)... jeteína. anoreticuína-9-ona.. 1994). 1995a). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. esquamosteno A (Araya et al.

Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. 1984). 1979. 1962). 1978). X. 1989. enquanto diterpenos foram descritos em A. 1976).. 1988). Mukhopadhyay et al. 1978). 1986) e A. purpurea (Castro et al. 1991). um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A.. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin.. michelalbina..... C.. anolobina e asimilobina foram isolados de A. squamosa (Silveira et al. reticulina. aromatica (Rios et al.. enquanto três amidas ácidas. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. montana (Wu et al. Wu et al. A. 1986). Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. Monoterpenos foram isolados de A. Y. Yang & Chen... A. Martins et al. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1979. 1994). Alcalóides conhecidos como anoretina. squamosa (Leboeuf et al.. ambotay (Oliveira et al. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. X. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1987). 1991). anolatina. bullafa (Kutschabsky et al.. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. reticulina. 1992. oxouxinsunina. Inúmeros compostos terpenóides.. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. cacans (Saito & Alvarenga. squamosa (Krishna Rao et al.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. enquanto os alcalóides anonaína. 1994).. cherimolia (Villar et al. brasilienses (Casagrande & Merotti. laureliptina. A. 1994). 1996). argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. Barbosa Filho et al. squamosa (Wu. squamosa (Setharaman. 1993)... 1970) e X. A... anonaína.. cherimolia (Yang et al. et al. salzmannii (Paulo et al. 1982a e 1982b. 1976). uma lignana ((-)-siringaresinol). foram isolados do fruto de Annona muricata . isoboldina e outros foram isolados de A. de A. 1986). 1993) e sesquiterpenos em A. 1981). frutos de A. 1985) e A. ambotay (Carazza et al. 1995e). como constituintes predominantes. Flavonóides foram descritos em A..

corosolona 1 e corosolina 2. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1991).. 1990). 1987). Heinrich et al. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. X. De Xylopia frutescens. 1995e). obtidas de Annona muricata. enquanto extratos de folhas. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. a casca. 1991. 1979. 1991).. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1998).. 1993. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. antiespasmódica. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. 1925 e 1932). assim como outras espécies do gênero. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. aromatica. a raiz. Gbeassor et al. 1992. 1991b). brasiliensis e X. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al... relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. 1993). Bourne & Egbe.. 1996. acetogenina isolada de Annona muricata... 1991). Misas et al.. Ngouela et al. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al...(Wong & Khoo. muricata e de A. Di Stasi. 1993. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1995b).. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. Solanina. Acetogeninas isoladas sementes de A. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. 1995. 1991). Carbajal et al. 1979)... 1988. Anomutacina 1. Vilegas et al. 1962).. X. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. muricata. uma acetogenina isolada de A. 1979). A espécie Annona muricata possui. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. Lopez Abraham.. 1940). 1941. . Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. vasodilatadora.

Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. coridina. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1993). enquanto os alcalóides liriodenina. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. 1991c e 1991a). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. galucina. 1991. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. Y. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al.. enquanto alcalóides isolados de A. oxoxilopina. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica.. Cortes et al. reticulina.. montana (Wu et al. C. 1993).. 1993) e várias outras (Jossang et al. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. Os alcalóides isolados de A.. Esteróides de A. reticulina. 1992). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu.. isolados de A. Chang et al... Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. 1993b e 1994b. anoreticuína9-ona. 1987) e A. 1980). Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A.. solamina.. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. et al. 1991. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. 1995). respectivamente. cherimolia (Cortes et al... tais como cinco acetogeninas isoladas de A. 1994). 1988b e 1988a). ... anonaína. (1995b). squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. 1995a). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. 1980). roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. Hui et al. 1993b). squamosa. cherimolia (Villan del Fresno et al.. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. enquanto os alcalóides de A. 1992).. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. montana (Wu et al. esquamona. bulatanocina. asimilobina. 1991). salzmannii.. norcoridina. reticulatina.

que determinaram efeito depressor do SNC.1983). Extratos etanólicos de sementes de A. atividade anticonvulsivante e analgésica. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. 1979).. parassimpatomimética de A. 1996. Trypanossoma brucei. A. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. coriaceae (Souza et al. F. 1999). Do extrato etanólico das folhas de X. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al.. discreta.. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. et al. 2001). potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. que apresentou atividade citotóxica. donovani. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al.. Das cascas de X. et al. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.. 1998).. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica... enquanto o extrato etanólico de A. O extrato etanólico da raiz de X. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. Martins et al. frutescens não apresentou atividade moluscicida. 1993). 1990.. Oliveira et al.. Anopheles stephensi (Saxena et al. 1994). 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al.. 1975).. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. A. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. 1996).. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. fungitóxica. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. como acido caurenóico. L. 1979.. entre outras. foi caracterizada a . E. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. Silva. aromatica foi isolada atherospermidina. Rao et al. 1996).. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. Extratos metanólicos de A. 1998). 1994). squamosa. Extratos preparados também com A. 1989. 1993). Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. 1996 e 1997). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk.. muricata e A.. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas.. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. . 2001). 1988c). anti-helmíntico e citotóxica. 1999). como inseticida. 2002). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona.. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. (1988) para a espécie Annona muricata. 1962). squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. Em Guadalupe. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. especialmente em uso crônico. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. E da espécie X.

tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. usada como condimento. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. que possuem importância do ponto de vista econômico.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. como Myristica. Sucuba. 1996). porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. podendo chegar a até 35 m de altura. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. 1997). contendo ramos carregados de folhas . Essa família inclui gêneros importantes. Horsfieldia e Knema. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Virola. como a Noz-moscada (Myristica). utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Bicuíba. No Brasil. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Espécies medicinais Virola surinamensis L. Árvore-do-sebo. e espécies do gênero Virola. Ucuuba cheirosa. Sucuuba. Neste levantamento. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. e também como Leite-de-mucuiba.

1989. V michelli (Santos. V. 1995). como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. et al. 1992. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. 1987a). muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. Martinez et al. Vidigal et al. usadas como venenos de flechas. oblongolanceoladas. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. 1984). No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. elongata .. 1971). Inclui 45 espécies de florestas tropicais. pavonis (Martinez et al. como outras do gênero. É uma planta perenifólia. pavonis (Marques et al.. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. L. V. bem como -sitosterol. surinamensis. 1996). Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos.pecioladas. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). 1991 e 1992). Espécie de ocorrência na Amazônia. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. 1996. infecções.. chegando até Pernambuco... inflamações... 2000). O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. Ferri & Barata. V cf. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima.. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. para o tratamento de câncer. com até 20 cm de comprimento. A casca é usada como medicamento para aftas. S. 1997). Cassady et al. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. 1987). V surinamensis (Lopes et al. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. 1969.. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar.

pavonis. 1993 e 1994). 1996. 1989). urbaniana (Reis et al. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. venosa (Kato et al. michelli (Santos et al... surinamensis... 1996) e V. A atividade analgésica de V.. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V.. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. 1986 e 1990). michellii foi atribuída à presença da flavona.. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. 1989) e V. calophylloidea (Martinez. carinata e V. 1990. Lemus & Castro.. Das folhas de V. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. foschnyi (Lemus & Castro. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. titonina (Andrade et al. 1994 e 1995). 1987). 1990). 1990). V. 1995). Alvarez et al. 1987b).. e polifenóis nas espécies V. calophylla. 1988).. 2001). V... 1996. titonina . A atividade antifúngica das espécies V. Cavalho et al. calophylla (Martinez et al. V. 1992) e V.. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. 1996a). V. 2001). V. V.. Além das lignanas. michellii (Cavalho et al. 1999. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. Andrade et al.. sebifera. calophylloidea (Von Rotz et al.. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 1999). V. carinata e V. Pagnocca et al.. V. flexuosa (Aguirre. oleifera (Fernandes et al. 1992).(Kato et al... V. 1994 e 1996.

1991) como a surinamensina (Pinto et al. 1999). calophylla (Miles et al. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. elongata (Davino et al. sugerem cuidados da população quanto ao uso. 1997). Sassafras. V. Os principais gêneros são Laurus. koschnyi (Castro et al. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. 2000). Licaria.850 espécies. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al... 1987) e anti-hemorrágica de V. porém. dados etnofarmacológicos de V.. mas não foi detectada em V. da famosa Canela-sassafrás. As propriedades antioxidante e surfactante de V. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. Ocotea. além do . 2000). pois. Persea. donovani e V. 1978). inseticida de V. aliados ao relato de atividade moluscicida. 1996). do nosso famoso Abacateiro. Incluem muitas espécies aromáticas. A propriedade antioxidante foi confirmada para V.. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. oleifera. duckei (Bennett & Alarcon. carinata e V. 1996. surinamensis (Lopes et al.A atividade leishmanicida nas espécies V. 1998. 1994). tripanossomicida. todos aromáticos. do famoso Louro. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. 1986b e 1998). e outros. Barata et al... cercaricida e molucicida de V. Nectandra. sebifera. V. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. 1987). surinamensis. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. árvores e arbustos (Mabberley. amplamente usado no Brasil como condimento. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. alucinogênica de V. A família reúne grande importância econômica.

deriva de lauer = "verde". É uma planta exótica e cultivada no Brasil. Espécies medicinais Laurus nobilis L. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. pecioladas. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. 1998). há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. bem como para dores de barriga.Abacateiro. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. para combater problemas hepáticos e intestinais. e laus = "louvor". A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. lanceoladas. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. A infusão também é indicada contra dores de cabeça.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. 1998). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. folhas alternas. e de outras espécies. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. . usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . fornecedor de alimento amplamente comercializado. sendo considerada digestiva. como a Canela e o Louro. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. de estômago e como emética e abortiva. onde se adaptou muito bem.

comestível.Internamente. reumatismo e uremia (Corrêa. com polpa verde. nome dado especificamente ao fruto. anti-sifilíticas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. contra reumatismo. pequenas e pouco vistosas. analgésico. Persea americana Mill. pecioladas. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. lanceoladas e acuminadas. . é também usada contra febres. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. diuréticas e febrífugas. 1995). fruto do tipo baga ovóide. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. estomáquicas. ao passo que a infusão das folhas. 1984). não ocorrendo espontaneamente. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. onde se encontram as folhas alternas. sendo comercializada em todo o mundo. vulnerárias. as folhas são usadas contra indigestão. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. ou Persea gratíssima Gaertn. além de atuar como diurético e analgésico. bronquites. além de serem usadas contra doenças renais. que envolve a semente grande e marrom. flores branco-pálidas. úlceras e piolhos (Bown. externamente. emenagogas. estimulante do apetite e contra cólicas. carminativas.

O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al... nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. 2002). 1995. Sladler et al.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol.. Afifi et al. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown.. Grant et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). A espécie Persea americana L. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. Às folhas de P. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. A atividade antiulcerogênica de L.. antifúngico (Domergue et al.. 2002). 2000. antiinflamatório (Ademylmi et al.. hidrocarbonetos. 1997). 1999). 2002). 2002).. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2001). constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. O 1. 1987). 1991). Carman & Handley. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. foram atribuídos os efeitos analgésico. 2002. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. .. 2002). americana citados acima.8-cineol isolado de L.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al.. Hargis et al.. elemicina. 1991. spatulenol.. 1991.

. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.FIGURA 5.1 . 1984).

FIGURA 5. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. . 1984) (Banco de imagens).Annona tenuiflora.2 .

Xylopia cf.FIGURA 5. b) Detalhe da flor (Banco de imagens). frutescens: a) Escanerata do ramo florido. .3 .

1997. M. ao passo que na região do . Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. no Brasil. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. A. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. C. muitas das quais usadas como medicinais. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. e. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Joly.ó Aristolochiales medicinais L. 1998). Thottea e Asarum. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Santos C. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. M. Hiruma-Lima E. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. Di Stasi C. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia.

Capa-homem. que lembra o feto em posição antes do nascimento. . ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. ramos lisos. folhas alternas. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. flores isoladas. Outras denominações populares são Angelicó. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". simples. Calunga. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. e várias com usos medicinais descritos.1). foi referida como medicinal. grandes. denominada popularmente como Milomem. usadas como venenos. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Contra-erva. Dados botânicos É uma planta trepadeira. com sementes achatadas. parto. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. hermafroditas. Mil-homens e Papo-de-peru. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. Jarrinha. Batarda. zigomorfas. fruto capsular cilíndrico. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. muitas das quais ricas em alcalóides. sulcados e estriados. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e lochia = "nascimento". pecioladas. axilares. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica.

diurética. . Também não é uma espécie cultivada. simples. cicatrizante e contra úlceras crônicas. gripes fortes. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. sudorífica. constipação nasal. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. capoeiras e áreas em regeneração. 1984). essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. estimulante. sulcados e estriados. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. os ramos são lisos. excitante. as flores são isoladas e axilares. 1982). resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. especialmente para combater náuseas e vômitos. pecioladas. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. não sendo encontrada em áreas degradadas. sarnas e orquites (Van den Berg. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. no entanto. anti-séptica. catarros crônicos.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. anti-histérica e útil contra febres graves. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. estomáquica. disenteria e diarréia.

liukiuensis (Mizuno et al. esperanzae e A. A. 1987. 1991a).. longa (De Pascual et al. A. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. T. indica (Piers & Tse. 1996.. L. 1984). 1996). kankauensis (Wu. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. ... et al.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. gigantea (Cortes et al. ponticum (Houghton & Ogutveren. A. argentine (Priestap. 1995). 1990. brasiliensis (Lopes et al. et al... X. 1983). contorta (Lou et al. 1989).. 1980). fangchi (Tsai et al.. P et al. ftiangularis (Bolzani et al. A. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. C. 1991). vários outros alcalóides aporfínicos de A. A.. J. 1983a). clematitis (Kostalova et al. A. 1986). elegans (El-Sebakhy et al. A. A. 1987. 1995).. 1991b). A. A. 1986b e 1986a). manshuriensis (Ruecker et al. 1991b)... 1988). 1991) e de A. 1983). 1983b). rotunda (Pistelli et al. tubiflora (Peng et al. 1987). gigantea (Lopes. A... Lou et al. 1995).. Paiva et al. A. indica (Che et al. 1980). cinnabarina (Li et al. 1995).. nata (Moretti et al.. 1979) em raízes de A.. 1995) e A. A. A. A... A. 1994). A. A.. versicolor (Zeng et al. A. T. Zhang et al. et al. Higa et al. kankauensis (Wu. 1988). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. 1992. molissima (Peng et al.. longa (De Pascual et al... 1987). acuminata (Moretti et al.. et al. M.. 1980). S. 1994). manshuriensis (Lou et al. A. 1977 e 1985).. 1979). chilensis (Urzua et al. clematitis (Kostalova et al.. tais como A. tubiflora (Peng et al. 1987).. bracteata (ElTahir. rigida (Pistelli et al. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1992). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. rodix (Tsai et al. 1987). auricularia (Houghton & Ogutveren. A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. raízes de A. A. arcuata (Watanabe & Lopes. 1988). 1992) e outros alcalóides em A. yunnanensis (Chen et al. sendo descrito em A. versicolor (Zhang&He. 1991a). em A. clematitis (Kostalova et al. 1991)... A.. Chakravarty et al.. A. G. 1991). A. dematilis (Makuch et al. cinnabarina (Li.. 1985) e A. A. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. maurorum (Kery et al. 1991. H.. A. tubiflora (Peng et al.. II. L. 1992). 1987). et al. argentine (Priestap. 1991). A. 1995). chilensis (Urzua Rodriguez. kankauensis (Wu et al. galeata (Lopes. bracteata (ElTahir. 1987). A. A.. Lopes..1993). S. A. A. A... A. Abel & Schimmer. III e IV (Houghton & Ogutveren. debilis (Ahmed Farag et al. 1995) e A. Alcalóides foram isolados de várias espécies. 1995)..... versicolor (He et al. 1993). 1982)... 1992). molissima (Peng. 1994). 1988. A.

. Lignanas também foram descritas em A.. 1987b. 1987) e A. 1990). 1980. indica (Pakrashi & Pakrasi. et al. galeata (Lopes & Bolzani.. 1977). R. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. cymbifera. 1996).. A. 1995). -elemeno. gigantea e A. Compostos como -cariofileno.. A. A..Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. e o ácido aristolóquico de A. et al. esperanzae. A.. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. 1978). arcuata (Watanabe & Lopes. 1988) e A. T. kankauensis (Wu. 1980). Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . O ácido aristolóquico de A. 1990). chilensis (Urzua et al. 1991b). 1979). triangularis (Ruecker et al. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. 1988) e amidas em A. A. A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. 1994). 1993). S... macroura (Leitão et al. Urzua & Presle. taliscana (Longsw et al. S.. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. birostris (Conserva et al. copaeno. Lopes et al.

e antiviral com A. 1993). 1993). Atividade mutagênica. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. anti-séptica e cicatrizante de A. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico.Choudhury. 1979). birostris demonstraram. paucinervis (Gadhi et al. gigantea (Campos et al. atividade analgésica.. 1991). A. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. antibacteriana.. niaurorum (Kery et al. A espécie A. 1991). 1985). triangularis (Garcia... A.. multiflora (Moretti et al. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. et al. papilaris (Maia et al... O mesmo ácido obtido de A.. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha.. com A. 1991). 1988). 1995). 1999). antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina.. H. no Sistema Nervoso Central. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. papilaris (Maia et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. 1996). tulobata (Sosa et al... causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento .. 1979). acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. 1988). 1990).. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. G. 1985). Estudos com A. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 2001). 1999). 1983). 2002). enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. determinada pelo teste de Ames. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir.. O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al.

1996) por humanos. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. FIGURA 6. 50 ou 100 mg/kg via oral. 1993). cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados.Aristolochia trilobata. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.1 .com 10. Entretanto. . salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas.. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. por suas características químicas. Da mesma forma. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero.

Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Di Stasi C. S. Por sua vez. especialmente do gênero Piper. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. C. 1997). e espécies me- . Peperomia e Pothomorphe. dos quais se destacam os gêneros Piper. lianas. Mariot W. do qual se destacam espécies como a Pimenta.7 Piperales medicinais L. Geralmente as plantas são arbustos. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. epífitas. A. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. Piper nigrum. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. onde ocorrem em abundância e diversidade. Hiruma-Lima A. Portilho M. G. normalmente com células de óleos essenciais. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica.

Piper longum. pequenas. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. sendo também apenas . Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Piper cubeba. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces.B. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Espécies medicinais Peperomia elongata H. como a Piper betle (betel). muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. ovário com um só estigma. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas.dicinais de ampla utilização. Nomes populares Além de Tracoaptera. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. folhas alternas. O gênero Peperomia. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Piper angustifolium.K.1). como a chinesa e aiurvédica. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. as quais passamos a discutir a seguir. muito semelhantes entre si. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga.

Peperomia rotundifolia H. simples. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. bastante carnosas e glabras. Piper cavalcantei Yuncker. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Não foram encontrados sinônimos. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada.K. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. de distúrbios do estômago. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. pequenas.B. gastrite e gripes. curtopecioladas. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). na região amazônica. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. mas com pouca ocorrência. .

podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. algumas lianas e pequenas árvores. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. os frutos são drupáceos (Figura 7. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. atingindo até 10 cm de comprimento. assimétricas na base. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. todas aromáticas. folhas pecioladas. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. pendente.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. podendo chegar a até 5 m de altura. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico.2). O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. especialmente para dores de cabeça. membranáceas. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. inflorescências do tipo espiga. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. sendo a maioria arbustos. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. isoladas e levemente curvadas. Piper cernnum Vell. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. .

estomacais e hepáticos. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. onde a espécie é abundante. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. especialmente contra dores de barriga. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro.3). inflorescências do tipo espiga. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. além de ser útil em distúrbios renais. acuminadas no ápice. assimétricas na base. Em outras regiões do país. . membranáceas. um pouco ásperas. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. levemente curvadas. incluindo hepatite. particularmente contra cólicas abdominais.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tendo distribuição por todo o Brasil. a infusão das folhas é usada como analgésico. Piper gaudichaudianum Kunth. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica.

4). Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. alongada e fina. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. membranosas. folhas alternas. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. com ápice acuminado. levemente assimétrica na base. Bitre. com ramos glabros e cilíndricos. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . Ihotzkyanum Kunth. glabra. membranácea. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. estomacais e renais. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. inflorescências do tipo espiga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. r e t a . Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. pequena (até 11 cm de comprimento). flores . Piper marginatum Jacq. Em outras regiões do país.Piper cf. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. pecioladas. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Nhandi. cordiformes. Aperta-ruão ou Aperta-juan.

Catajé. essas diferenças ficam bem claras. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. sialagogas.) Miq. e não isoladas. principalmente da tucundeira. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. ovado-arredondadas. diuréticas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. A planta é tônica. com ápice agudo e nervação peltinérvea. peitadas. Malvarisco. fruto do tipo baga (Figura 7. . Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. como ocorre no gênero Piper. os frutos são excitantes. um gênero da família Araceae. flores sésseis. peltatas. minúsculas. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. estimulatórias (Corrêa. Caá-peuá. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Pothomorphe peltata (L. as raízes são carminativas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. se ingerida. sudoríficas. estomáquica. androceu com três estames. contra veneno de cobra. as folhas. gineceu com três estigmas. resolutiva e usada em banhos após o parto. bainha desenvolvida.6). descrita a seguir. Uma outra espécie do mesmo gênero. 1984).5). membranosas.com brácteas triangulares. dores de dente e blenorragias. andróginas. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". formando uma falsa umbela. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo.

Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. bainha desenvolvida. Capeba ou Pariparoba.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie.7). A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. minúsculas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. formando uma falsa umbela. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. membranosas. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. flores sésseis. vermífugo. com ápice agudo e nervação peltinérvea. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. antiinflamatório externo e interno. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. diurético. 1980). 1984). . Pothomorphe umbellata (L) Miq. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. fruto do tipo baga. andróginas. cordada. ovado-arredondadas. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático.

. flavonóides (Tillequin et al. monoterpenos. 1988). marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. proctorii (Mbah et al. Das raízes de P. et al.. E.. 1982). miristicina. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 3-hidroxi-4. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. sesquiterpenos. que também possui ácido grifólico.... são . B e C (Chen. Piper Das raízes de P. 2001). que representa 49% dos constituintes voláteis. De Peperomia japonica. 1988)... galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. 1990). vulcanica e proctorionas de P.. C. Das partes aéreas de P. 1994). Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al.. marginatum foram isolados aril-propanóides. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. 1982). consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. 1997). G. 2002. quinonas piperogalona. 1996). marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. Cromonas foram isoladas de P. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. além de apiol. compostos de grande importância farmacológica. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. indicada populamente como antitumoral. ácidos graxos (Lima et al. Mahiou et al.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. grifolina bisobolol...Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. 2001). M. et al. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. 2000). 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. Os alcalóides. Seeram et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol..

Uma quinona. piperidina. sylvaticum (Banerji & Pal.. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. 1985) e P. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. hidropiperona. aduncum (Smith & Kassim. Bacillus subtilis. jaborandi (San Martin. 1985)... P.. P. 1977. P. 1987). P. Achenbach et al. hancei (Li et al. 1986). 1992).. Shoji et al. Tabuneng et al. Li & Han. P. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. P. methysticum (Smith. 1983. Pothomorphe P. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. guineense (Cole. 1980). Foram isolados diversos alcalóides em P. P.. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. nigrum (Inatani et al. 1987). longum (Dutta et al. 1968). betle (Rimando et al. aduncum e P. 1987). P... 1985).. 1987). piperlongumina. 1982) e P clusti (Koul et al. 1983). 1986.. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das.. 1986) e flavonas de P. 1984).. 1979).. tuberculatum (Braz Filho et al.. Isolaram também neoglicanas de P. betle (Evans et al. 1986 e 1987). 1977) e P. 1986). sendo os principais piperlonguminina.. chavicina e outros. futokadsura (Chang et al. amalago (Dominguez et al. 1981)... piperina. 1979). 1995).. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. hispidum (Vieira et al. hispidum (Vieira et al. P..encontrados com freqüência nesse gênero. Foi demonstrado também que P. compostos fenólicos de P.. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . P peepuloides (Shah et al. hispidum (Burke & Nair. 1980) e P. auritum (Ampofo et al. 1981) e P. hostmanianum (Diaz et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. retrofractum (Banerji et al.. 1986. flavonóides de P. cubeba (Badheka et al.. 1987). lignanas de P. 1986) e P. lancei (Han et al. 1986). P..

não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. O. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas.. do extrato (0. R. atuar como antialérgico e diminuir . 1997).. 2001). galioides e os compostos ácido grifóico.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. R. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro.. salivação intensa. hipotensora (Siqueira et al. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. Villegas et al. 1996b). O extrato aquoso de P.. V. 1996a). et al. 1994). V. V. 2002. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. et al. L. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. e atóxica (Saad et al... também conhecida como Língua-de-sapo. 1996). 1992). provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al.. antibacteriana. M. et al. 1996).. 1996). O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. cicatrizante (Saad et al. 2001).1-0. em doses que variaram de 0. analgésica (Da Silva et al. relaxamento muscular e dispnéia. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. et al.. hipotensora (Santos. H. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. lacrimejamento. 1994). 1997). Arigoni-Blank et al. O. 1997).. H.. Aziba et al. E... marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. B.v. promoveu piloereçáo. S.. et al. Piper Foram caracterizadas para P. A administração i. bloqueada com prazosin e ioimbina.1-1 g/kg. apresentou atividades diurética (Santos. 2002. antifúngica (Lima.cies de Leishmania (Mahiou et al. Substâncias de P. 1995). mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 1998... Embora o extrato de P. Assim. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida.

e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. e aumentou o tempo de sono (Duve. 2002). amalago (Pupo. P. esta última com potente atividade (Di Stasi. 2002). larvicida (Mongelli et al.. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. Prakash. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. 1987). apresentou propriedades anestésica. Di Stasi & Pupo. Porém. 1988). gaudichandianum.. betle apresentou atividades fungicida.. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. e antiviral P. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda ... por seus constituintes químicos. regnelli. Dahanukar et al. inseticida com substâncias de P. abutiloides. aduncum (Lohezic-Le et al. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1976). 1984). também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. 2000). 1983). retrofactum (Woo et al.. A espécie P. 1985). mutagênica (Chen et al. 1984). antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. methysticum também conhecida como kava-kava. P. lindbergü e P. 1985). 1986 e 1988. Pothomorphe A espécie P. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. De P. 1985).. Cairney et al. peltata. Atualmente. 1985). espasmolítica. 1986... 1978. fungicida. nigrum (Miyakado et al. cincinnatoris. A espécie P. 1991. P. Shen et al. peltata possui atividade analgésica (Pupo. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. 1988). a degranulação. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. 1984). 1988). conhecida como Pariparoba... analgésica. 1986). nematicida (Evans et al. agindo como os anestésicos locais (Singh. As neoglicanas isoladas de P.. 1984. Amorim et al... anticonvulsivante. 2002. lancei e P. antioxidante (Choudhary & Kale. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. Desmachelier et al.. P. 1979). inibindo a agregação de plaquetas. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P.. 1987..

umbellata.. 1996). 1992).Peperomia elongata. P. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al.1 . peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al.. 1997. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. antimalárica e antioxidante (Isobe et al. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. FIGURA 7. O extrato etanólico das raízes de P... 1987). apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.. Desmarchelier et al. 2000).. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P.Banco de imagens . 2002. umbellata. de Ferreira da Cruz et al. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . 1995). Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.. analgésica. peltata (Felzenswalb et al... Miq. o que não foi observado na espécie P. 1987). umbellata L. De P. antiedematogênica.

.2 . b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Banco de imagens ).Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.FIGURA 7.

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7.3 .

. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.4 .FIGURA 7.

Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ). .FIGURA 7.Piper marginatum.5 .

.Banco de imagens .6 .Pothomorphe peltata. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . .FIGURA 7..

7 .Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ). .inflorescências Folha cordada FIGURA 7.

M. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. M. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. como a morfina e outros derivados opióides. arbustos escandentes e . algumas lianas. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Hiruma-Lima C. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Di Stasi C. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. das quais devemos destacar Menispermaceae. o famoso Ópio. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina.8 Ranunculales medicinais L. Ranuculaceae e Papaveraceae. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. foram obtidos. como é o caso da Papaver somniferum. Santos E. A. Berberidaceae. Pteridophyllaceae. C. Sabiaceae.

também denominada de Abutua.1). típica da aldeia tenharins. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. tais como A. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. no entanto. imene. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Espécies do gênero Abuta. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. onde a planta foi referida como medicinal. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua.raramente árvores ou ervas (Mabberley. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. foi referida como planta antiinflamatória. 1997). são consideradas muito tóxicas. 1996). Uma delas. folhas alternas e pecioladas. Outra denominação é Iroba. aplicada no local lesado e/ou ingerida. raspada e misturada com água. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. assim como . com contorno oblongo (Figura 8. com ampla distribuição na América do Sul. fruto do tipo drupa. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. da Mata Atlântica. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. Dados botânicos Planta perene. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. Nessa família. a espécie é chamada de Abuta. rufescens e A. utilizadas por índios do Norte do país.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. Kern et al. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. Além disso.... et al.. antiviral (Brochado et al. Brochado et al. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente.. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. Induziu.. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. 1999. analgésica (Macedo et ai. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. Não foram observadas. D. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. LDH) e o nível de bilirrubina. B.. 1993). 1996).. 1996. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. porém.. 1994) e depressora do SNC (Kern et al.. 1996). 1987). 1996 e 1998). ainda. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. Uma loção contendo C.. et al.. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. 1994). 1996a e 1996b). 1996). Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. L.. Farias.. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . J. D. 1998. M. Gomes et al. Loureiro et al. 1993. 1996. argentea. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. et al. 1997). L. 1997).parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. 1997. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. 1997). 1997). GOT. in vitro. Farias. B. raízes. relaxante (Araújo et al. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al..

1996). 1989). Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. requer cuidados por parte da população. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu.. 1998)... aliado aos dados de toxicidade em peixes. O uso das espécies contra helmintos. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. 1988.. De Ruiz et al. Extrato aquoso de A. 1992).. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al.. 1996. hemorragias. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. Do extrato de A. confirmados para inúmeras espécies dessa família. S. não apenas com as espécies citadas. Zhang et al. sobretudo contra helmintos. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. et al. B. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. especialmente em uso crônico. porém. C. et al.. 1995). Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. 1986. subclasse Caryophyllidae. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. 1993). Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. Yang et al. inclui . 1972)..quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al.

com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. que também inclui espécies medicinais. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. No Brasil ocorrem 32 gêneros. • Opuntia (Opuntioideae). As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. Segundo Joly (1998). que inclui a espécie Pereskia grandiflora.97 gêneros. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. suculentas. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. Em ambos os casos. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. 1997). embora várias espécies possam ser encontradas na África. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. Cereus e Melocactus (Cactoideae). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. 1978). com aproximadamente 1. 1978). são espécies perenes. de hábito variável e geralmente espinhosas. . • Cactus.400 espécies (Mabberley. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas.

arabinofuranose. arabinose. Peiresc. C. galactose. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. além de galactose. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. arabinopiranose. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. 1990). numerosos acúleos. sendo uma homenagem ao professor N. oblongas e acuminadas com base atenuada. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. além de heteropolissacarídeos. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. glucurônico e seus metil ésteres. 1986). com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. Das folhas de P. ácido galactopiranosilurônico. fruto do tipo baga glabra. A goma de P. 1994). galactose. em altitudes e também no nível do mar. galactopiranose. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. glucose. . ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. folhas subpecioladas. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. obovóide. cresce em matas e em restingas. A espécie é originária da Argentina.. F. guamacho possui ácidos galacturônico. 1987). lenhoso. dispostas em rácimos terminais.. antitérmico e contra gripes e resfriados. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico.. xilose e ramnose (De Pinto et al.

O principal gênero é o Portulaca. 1997). no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. Portulaca oleracea. sendo algumas pequenas árvores. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. e 33 espécies (Barrozo. Talinum e Portulaca.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. 1978). muitas delas suculentas (Mabberley. . sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. arbustos e ervas.

planas e suculentas. pequenas. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. obovadas. como alimento. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. referindo-se às propriedades purgativas da planta. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. diminutivo de "porta". Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas pequenas. Inclui três variedades principais. na forma de salada. fruto capsular obovóide. outros usos são atribuídos à espécie. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. cólicas renais e . tais como Verduega. as partes aéreas cruas são usadas. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. e a maioria é de ervas suculentas anuais. pequenas. Bodroega. mas algumas variações de nome popular são usadas. sésseis. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. Dados botânicos É uma erva de caule curto. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. arroxeado e suculento. Berduega e Veduega. axilares ou terminais. flores amarelas. especialmente em Portugal e na Alemanha. Na região da Mata Atlântica. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. O nome do gênero Portulaca deriva de portula.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. dadas sua rusticidade e resistência à seca. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético.

vulnerária. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. emenagogos e vermífugos. cicatrizante externa. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. de onde saem folhas alternas. . Portulaca pilosa L. amarga.afecções da vista. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. pilosas. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. lanceoladas. Também conhecida como Beldroega. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. emenagoga e eficaz contra erisipela. diurética. As folhas dessa planta também são comestíveis. glabros e suculentos. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". como as da beldroega. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. pequenas. flores amarelas. estomáquica. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. emoliente. Caaponga. as sementes passam por diuréticos. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. Perrexi e Alecrim-desão-josé.

1994). 1988).5% de lipídios. 1991). dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. cycloartenol. manganês.. malônico. (1991) detectaram de R oleracea 3.. 1990). ácido linoléico e ácido palmítico.. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. como sitosterol. parkeol. sendo o último composto um glicosídeo. 1996). cálcio. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. Simopoulos et ai. três diterpenóides transclerodânicos. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. . 1991).. 1996). 22:6ômega-3.4. 1991. 1991). campesterol e stigmasterol. 1992). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai.. ferro. 1995.. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. pilosanol A. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. pilosa (Ohsaki et al.. 1996). Boehm & Boehm. dentre os quais 18:3-ômega-3. P. butirospermol. 1992). oleracea de proteínas.. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. isolados das raízes de P. carboidratos. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3.. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. málico. Boschelle et ai. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. succínico. 1995b). hidrocarbonos e alfa-tocoferol. ácido ascórbico. fósforo. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.. ascórbico... além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. B e C. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. fumárico e acético (Gao & Liu. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca.

1995).. 1993). O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. (1994). 1994). O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1985) relaxante muscular. 1989b) e hipotensora (Poli et al. 1989).De P. 1996). Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. apresentou atividade hipoglicemiante. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. 1987). além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético.. enquanto das partes aéreas de P. lupeol. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. dentre outras espécies.. Habtemariam et al.. 1989. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al.. 1989). stigmasterol. oleracea foi investigado in vitro.. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1987). beta-sitosterol. De P.. 1989).. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. sem alterar a diurese. 1994).. 1989). em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. grandiflora Hook. encontrado por Rocha et al. P. O extrato de P.. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al.. 1997). porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. diurética (Rocha et al. .. Rocha et al. n-triacontano.. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. oleracea.. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al.. 1993. n-hexacosanol..

Salicornia. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. 1978). 1997). sendo uma planta extremamente . raramente. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. ramos folhosos verdes com folhas alternas. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Lombrigueira. No entanto. que pode atingir até 1. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Também é chamada de Ambrósia. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Erva-das-cobras. Salsola e Atriplex. A família se subdivide em quatro subfamílias.5 m. Anserina vermífuga. ervas anuais ou perenes e.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Spinaceae. Ex Stend. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Caacica. oblongas denteadas. extremamente ramificado. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Erva-das-lombrigas. Menstruço. caule ereto e glabro. Erva vomiqueira. Inclui arbustos. pequenas árvores. Mentrasto e Mentrusto.

. 2002.. Melito et al. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. Godano et al. percevejos. para problemas da pele. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. extremamente útil para afugentar pulgas. incluindo a Amazônia. especialmente na área veterinária. ao passo que a infusão das folhas é usada. esse uso é comum também em outros países. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. contra reumatismo. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. febre. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. 1985a e 1985b. a maioria de ervas. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. 1995). as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. referindo-se às folhas lobadas. Além desse uso. bronquite. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. internamente. baratas e demais insetos. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. em altas doses. lesões hepáticas. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. 1978. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. como abortiva.) . o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório.. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. dor ciática e parasitas intestinais e.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. externamente. amplamente disseminado nas zonas rurais.

Dos gêneros. distribuídas. pilosas e pecioladas. Pisonia. a espécie é conhecida como Erva-tostão. nome usado em todo o Brasil. Mirabilis.3). Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. Bougainvillea. incluindo árvores. 1997). com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. de onde partem folhas pequenas. em trinta gêneros. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. opostas. Pega-pinto e Tangaraca. ovadoblongas. Boerhavia. . Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. arbustos e ervas que produzem betalaínas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Mirabilis e Bougainvillea. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. mas não antocianinas (Mabberley. Guapira e Andradea.

. atóxica. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. 2000a). Aslam. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. além de ser considerada excelente diurético. 1999). desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. 1991). 1978 e 1980... 1997). a maioria rica em antocianinas (Mabberley... 1999). 1996. 1997). 1990 e 1991). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. Sohni et al. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. lianas ou ervas. Rawat et al. particularmente contra lombrigas. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. possui sabor picante. 1996) e lignanas (Lami et al. sendo árvores. Corrêa (1984) refere que a planta. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava... Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. arbustos. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. sem efeito teratogênico (Singh et al. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. 1991. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. 1995). especialmente a raiz. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt.

farmacêutico e amante da natureza. no Rio de Janeiro. Tipi-verdadeiro. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. gineceu unicarpelar com ovário súpero. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. Gambá-tipi. como abortiva. O uso externo das folhas novas e da raiz. raízes e ramos são considerados emenagogos. Em outras regiões. no Mato Grosso. Pipi. androceu com quatro estames. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. antiespasmódica e reputada como sudorífica. achatado e carenado (Figura 9. folhas. inchaço de mem- . alternas. folhas curto-pecioladas. como Tipi. em Pernambuco e em São Paulo. limão de cayanna. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. estipuladas. flores sésseis. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça.como ornamentais. e o gênero Petiveria. alfavacão. pequenas. Amansa-senhor.4). amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. também é comum. ereto. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. em decocto ou pó. agudas no ápice e estreitas na base. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. 1984). estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. membranosas. diurética. fruto aquênio cilíndrico. Outros dados incluem o uso da raiz. que inclui uma única espécie. no alívio de dores musculares. Dados botânicos Subarbusto perene. ramificado com ramos compridos. na Bahia. delgados e ascendentes. sublenhoso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

et al.. em Brasília e no Mato Grosso. lignoceril álcool. Pinto C. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. 1988. ácido lignocérico. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva.. 1997. como abortivo. trisulfeto de dibenzila. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al.. De Souza et al. dores de cabeça.. 1988b). e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. 1992). 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. Trotta et al. 1990). beta-sitosterol.. em Minas Gerais. 1989) e depressora do SNC (Lima.. T. 1980). . 1980). et al. no Ceará. nitrato de sódio. beta-sitosterol.. M. a raiz é útil na amenorréia (Agra. 1988). M. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. 1982). além dessas indicações. triterpenos (Delia Monachi et al.. pinitol. T. Grandi et ai. 1988). De Lima et al. C.. C.7-di-O-metilpinocembrina.. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. na Paraíba. 1986). ácidos palmítico. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. peptídeos como ácido glutâmico.. et al. 1982. 1990). ainda. no Rio Grande do Sul. linoléico. trans-N-metil-4-metoxiprolina. S.. 1980. Van den Berg. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. flavonóides.. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. 1982). Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. 1988. 1986). lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. esteárico. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. serina. reumatismo. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. 1982). glicina e alantoína (Sousa et al. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. as raízes são usadas na hidropsia. 1988. 1998).. alantoína. paralisia.

utilizado popularmente como vermífugo. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. antiinflamatória oral (Germano et al. Malpezzi et al. 1991). 1994). 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 1991 e 1992). Lopez-Martins et al. 1988.. 1992). Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. No entanto. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1991.. 1990). 1989. 1988.. acaricida (Johnson et al.. hematopoiética (Quadros et al. 1994).. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al... 1993. e o de caule. afasia e até à morte (Corrêa. Davino et al. ... além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. Caldeira et al. 2001). 1996) e antitumoral (Davino et al. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. O extrato hidroalcoólico de P. Y.. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. citotóxica.. M. Davino et al. Germano et al. 2002. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. 1998). et al... 1988. por levar à imbecilidade. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva.. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1995). Guerra et al. 1997) e antifungica (Benevides et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. 1991). 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso... 1988). 1987) e antiviral (Ruffa et al. alliacea.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi.. 1989.. 1993. Elisabetsky et al.. efeito zigotóxico (Guerra et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.... 2050 aci02).270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al... além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. Takahashi. 1984).. 1993). P. com uma D L m a de 1. 1998). atividades analgésica (Thomas et al.. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. Cortez et al. 1991. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

e sua raiz. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. membranosas.3). e muitas variedades em cada espécie. flores amarelas esbranquiçadas. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. especialmente após o cultivo sistematizado. . Wilbrandia. que significa "pepino". sulcado. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. como Cabeça-de-negro. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. capoeiras e na beira de estradas. flores amarelo-claras. sendo um produto amplamente comercializado. com até 20 cm de comprimento.a cinco lobos. rugoso. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. O nome do gênero Sechium. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. fruto do tipo pepônio verde. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. é uma variação de sicyos. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. especialmente na Itália. como em formações secundárias. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. com caule anguloso. descrito por Patrick Browne. Wilbrandia ebracteata Cogn. folhas pecioladas. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). foi dado em homenagem a John Wilbrand. longos. É uma importante espécie econômica. alternas. 5-lobadas e raramente com mais lobos. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. ramoso e delicado. O gênero inclui apenas seis espécies. mas ásperas. e o nome.

momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.. divididos em lipídios não-polares (38. Huang et al. De M.. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. sendo o cucurbita-5. Foram isolados também cicloarterol.. Grondin et al. afecções da pele. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. ácido linolênico. Ni. Zn. 1990).. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. Kusmenoglu.. assim como no controle da diabetes. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1990. sífilis (Almeida et al. Das sementes de M.. tumores e... Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. glicolipídios (35.. proteínas. 1985). Chang et al. 1996). charantia foi determinada como 0. 1996. Nguyen. 1997). 1989.. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. 1996).Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1992). momordicinina e momordicilina.76% de lipídios. além das momordicinas (Fatope et al.. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. também. Chandravadana et al. Dos frutos frescos de M. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. charantia foi isolada a gama-momorcharia.. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. charantia também foram isolados triterpenos. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. 1991. Das sementes de M. Das folhas de M. Co. Wang et ai. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai..80%) e fosfolipídios (16.. além do esterol. 1988. Cr.. 1989.. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. Hara et al. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. charantia . Mn e Li (Peng & Li. Zheng et al. Das sementes de M. 1987). 1990a).. 1989).. A composição química do fruto de M. Além disso. 1992).. a raiz é utilizada no tratamento de febre.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. Dos frutos verdes de M.81%). 1997).40%). 1995. Foram isolados ainda das sementes de M. 1996. 1986). 1996. 1996). reumatismo. como laxativo (Farias et al. charantia também foram isolados vicina.

Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. Das sementes de M. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. pelas G. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. balsamina (De Tommasi et al. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. Geralmente. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. também foram detectados em Aí. As sementes possuem 50% de óleo.. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. . 1990). 1997). 1990). dioica eM. oléico.vicine. charantica. posteriormente. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. triterpenos tetracíclicos. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. contendo trinta carbonos... Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1987). provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. também descrito em M. 1990b). punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. pela E e. 1995). seguidas. isolados das partes aéreas. rigorosamente. Aí. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). 1993). linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. Dos frutos de Aí. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. esteárico. além de possuir óleo essencial (Guerrero. 1987). 1993). 1994). sesquiterpenolactonas e taninos. 1994). 1991). H e I (Miro. foetida (Mulholland et al. além do ácido rosmarínico. charantia. 1995). além de uma resina (Volák & Stodola. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D.. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos.

Athar et al. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. O extrato etanólico de M. 1982a e 1982b). Ng et ai. El-Gengaihi et al.. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. 1996. 1980. 1987). charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. Welihinda et ai. charantia (Rathi et al... 1996. 2002). 1993). 1993). da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Ahmad et al. 1997). Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. Pugazhenthi & Murthy. extratos brutos de folhas. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. antiviral (Takemoto et al..Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. 1983a e 1983b) e .. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. 1982. DNA. (1986). charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.. 1986. O suco dos frutos de M. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. (1994). da síntese protéica. 1996)... com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. Inibição da síntese de RNA. 1984. Karunanayake et al. Platel & Sirinivasan. 2002) (Jilka et al. decocto das folhas e suco de M. Além disso. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais.. Raman & Lau.. 1981. 1983).6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. 1996.. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al.. parâmetros hematológicos permaneceram normais.

charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. Wang et al. 1990). MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al.. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. charantia.. 1995). (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. Os frutos e sementes de M. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. na qual descreveram a momorcochina. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. 1987. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. 1994). 1983). antitumoral.. charantia) inibe a integrase de HIV-1. momordina 1 e momordina 2. charantia. charantia. charantia. Fong et al. As proteínas inativadoras de ribossomos.. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1994). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali.. Ng et al. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. 1995b). Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. L. 1990). A glicoproteína isolada das sementes de M. proteínas inativadoras de ribossomos.. 1993)... possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. charantia. et al. alda-momorcharina. incluindo M. isoladas dessa espécie. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al.. isoladas de sementes de M. 1993)..imunomoduladora (Spreafico et al.. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. 1996). impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. pulmonares e da mama (Rybak et al. 1990a). .. 1996). uma proteína inativadora de ribossomos.

Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. 1996). 1994). 1995). charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. (1984 e 1985). charantia e Emblica officinalis Gaertn. 1990). Embora indicada contra malária. Basaran et al. 1990... charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. De M. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia foi isolado ginsenosídeo. Dos frutos verdes de M. 1996). et al. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. De M. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . Os frutos de M.. 1988).. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1991). 1987). 1994).. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. Foram isoladas duas proteínas de M.. O extrato aquoso da folha de M. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M.. 1996)... No entanto. 1990. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. A M. Amorim et ai. Das folhas de M. charantia (Silva.. antiancilostomose (Berchieri et al. Apesar da indicação popular para inflamação. 1987). MAP30 isolado de M. L. Misra et al. 1995).. M. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1996). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al.. 1997). e o rizoma de Curcuma longa Linn.

aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle.. 1997 e 1999). 1993). Além disso. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. 1995. 1986). 1984.. antitumoral. Proteínas isoladas de M. 2000) e antimutagênico (Yen et al. do que o extrato de M. Jensen & Lai. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. 1997).. 1995. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al.. 1995). 1996). Trichosantina. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. tais como antiinflamatória.... 1993). anti-helmíntica. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. Peters et al. inibição da ovulação. diarréia. 1989. 1996). hipovolemia.. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. 2001). Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.. tais como antioxidante. Hamato et ai. antimicrobial. Outras atividades também foram descritas para a espécie.. anticoncepcional. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. De M..atividade hipoglicemiante. O extrato alcoólico de M. 1986b). diminuição da pressão arterial. 1994).. 1991). 1991). 1995). inúmeras atividades farmacológicas são referidas. em rato. hipotensora (Gordon et al. Miró. Pagotto et al.. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. citotóxica.. et al. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. 1995. 1995. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. A. ... C. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. 1993). charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. Teixeira.

El-Gengaihi et al. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. 1986. 1994). sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. 1987). 1997). recentemente. 1996. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. 1996. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al...6 mgAg.. 1986). A toxicidade do fruto de C. 1986). 1990). . 1992). Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. Das sementes de M. Chan et al.. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai.. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. especialmente por gestantes.. 1996. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. 1988). Os frutos de M.. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. charantia em enzimas hepáticas. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M.. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai.. Platel & Sirinivasan. Raman & Lau. Em ambos os casos. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. angaria foi de DL50 = 1.

mas que possui uma grande importância. . semente com endosperma carnoso (Figura 10. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. fruto do tipo capsular trilobado. pedaço. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. distribuídas em regiões tropicais.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). ovário unilocular. alternas. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. e não foram encontrados sinônimos para ela. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. androceu com um estame. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. 1978). referindo-se ao estame bifurcado. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. folhas simples. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. pétalas ausentes. onde há cerca de oito espécies. desde o México até o Peru e o norte do Brasil.4). com gomo terminal protegido por estipula caduca. farrapo". visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. e stemon = "estame". bem desenvolvidas.

Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. em geral trepadeiras. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. 1992). Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. arbustos e árvores (Mabberley. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). existem várias espécies do gênero Passiflora. conforme apresentamos a seguir. compreendendo lianas. no entanto. 1996). de valor alimentício e medicinal. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. . No Brasil. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. 1997). representando um importante recurso econômico. com 575 espécies tropicais e temperadas. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero.

cordiformes. 1991). mas identificada apenas até o gênero. agudas no ápice e estreitas na base. Spencer & Seigler. o suco dos frutos é considerado sedativo. é usada para diversas finalidades. Passiflora macrocarpa Mart. 1989). gavinhas que são ramos florais modificados. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea.. antocianinas (Kidoey et al. cilíndrico. hexadecanóico. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. carotenóides (Ferreira et al. corniculadas. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). fruto oblongo-ovóide. 2tridecanona. margem inteira. 2-pentadecanona. uma espécie denominada Maracujá.. pela interpretação dada às peças florais. caule robusto. epipassicoriacina. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero.5). 1997). (9Z)-ácido octadecenóico. estipulas ovadas. sementes compridas (Figura 10. e cinco pétalas rosadas. que lembram os instrumentos do martírio. 1990).. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. alternas. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Uma outra espécie de maracujá. chamada popularmente de Maracujá gigante. principalmente a P edulis. monoterpenóides. 1987b e 1985). 1996. planas e obtusas. . flores com cinco sépalas ovadas. folhas inteiras. peninérveas. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. côncavas. ovadas. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. 1983). O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. Na região da Mata Atlântica. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma.Dados botânicos Planta glabra. 1987a.

harmalina. 1989). O suco dos frutos contém água. saponarina. potássio. B2. assim como ácidos graxos. amliformis (Restrepo & Duque. Proliac & Raynaud. nem em R incarnata (Speroni et al. maltol. ferro. 1986). isoschaftosídeo. de onde foi isolada crisina. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. Amaral... Dos frutos e folhas de P . isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al.. 1997. Sena & Leite. B1. proteínas. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. fermentos. Spencer & Seigler.. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Raffaelli et al. 1979). Menghini.1979). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. espasmolítica (Queiroz & Brandão. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. harmol e harmalol). flavonóides (orientina.. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. P coriacea (Spencer & Seigler. Ortega et al. orientina e isoorientina. 2000). PP e C (Zhuang & Wang. 1988).. Esse composto não foi detectado em P coerulea. 1996). 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. isoorientina. riboflavina. P.. quadrangularis (Orsini et al. 1997. Da espécie P. sendo a passiflorina o mais conhecido. 1988).. Flavonóides como vitexina. harmina. K.. 1988. lipídios. et al. 1997). 1997. 1980). além de vários compostos aromáticos (Winter et al. vitaminas A. 1997). sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. mollissima (Froehlich et al. schaftosídeo (Proliac & Raynaud... Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. glicosilflavona (Geiger & Markham. carboidratos. cálcio. Vale & Leite. 1986). bem como a presença de glicosídeos em P. analgésica. açúcares. fósforo. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al.. isovitexina. 1980. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. 1995.. 1988. 1987b). 2000.. 1987). Costa..2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. 1988. 1991).. 1988). 1996). 1984) e a P incarnata (Kimura et al. taninos. 1998).. 1986).

antiinflamatório (Silva et al. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al.. 1991). 1985). antipirético (Silva et al. 1978).. foetida apresentou atividades hipotensora.. 2000). 1991. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1988).. inotrópica. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.Luffa cylindrica Roem.. FIGURA 10. Barros et al. 1989 e 1993) e inseticida.. 1998a). fruto e flor (Banco de imagens .. Das folhas de P . 1989). O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P.1 . Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. espasmolítica (Carneiro et al. Detalhe da folha 5-lobada. Porém. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. 1985b... 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. Echeverri & Suarez...

FIGURA 10.Momordica charantia: a) ramo com frutos. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima). .2 .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

na região amazônica. de Vassoura. mas também de Ganchuma e Relógio. Nomes populares A espécie é chamada. reunidas em fascículos axilares. canaiensis (Willd. como abortivos. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Sida rhombifolia L var. como emético (Hoehne.mas. . com caule ereto e ramoso. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. as flores são pequenas. na Bahia. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. lineares e de cor branca. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1982). Vassoura e Relógio. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva.) K. Schum. emenagogos e as folhas (decocto). freqüentemente com cálice roseado. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. no Pará. Malva-preta. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. 1939). fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas.

Vassourinha. O chá de toda a planta. . carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. popularmente conhecida como Caapiá.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Aguaxima. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. ereta. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. 1986). Na Mata Atlântica. Uacima e Uacima-roxa. Aramim. Guaxuma. mas esta não foi completamente identificada. 1982). flores solitárias. róseas. Coaquibosa. chamada de Caapiá. no Rio Grande do Sul. Malvaísco. na região amazônica.4). Dados botânicos Planta anual. rombóideovais ou lanceoladas.. Carrapicho-de-lavadeira. 1982. Malva-roxa. Guaxima. emoliente. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. dispostas em racemos. Grandi & Siqueira. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. é tido como útil. contra desarranjo menstrual. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. axilares. no Rio Grande do Sul. como Minas Gerais. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. anti-hemorroidal. em São Paulo e no Rio de Janeiro. Guaxiúba. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Malva e Vassoura-do-campo. em Minas Gerais. Ibaxama. var. Urena lobato L. folhas curto-pecioladas. alternas. e Guanxuma. é de grande uso externo contra reumatismo. Rabo-de-foguete. ramosa e pubescente. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Em outras regiões do país.. tônica. na dose de três xícaras ao dia. reticulata (Cav. a planta é utilizada como béquica.

1986). pequenas. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. Dados químicos Hibiscus De H. moschentos (Tomoda et al. com grande destaque para as três nervuras centrais. cordiformes. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. fosfolipídios (Tolibaev et ai.. roxas ou rosas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. 1985) e H. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. emoliente e contra eólicas renais. lobadas e de formas variáveis. 1991). comum às espécies desse gênero.. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. 1991). suculentus (Moawad et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores pecioladas. solitárias. fruto do tipo capsular. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. diurética e útil contra eólicas. 1990). de até 3 m de altura. a decocção da raiz é usada como diurético... ligninas de H. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1977a. com ramos alternos cilíndricos. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai.. 1986). cannabinus (Kulchik . rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. de onde partem folhas alternas. H. Tomoda & Ichikawa. 3-7 nervadas. H. mucilagens das espécies H. 1987). Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. 1977b e 1978). 1986. syriaceus (Shimizu et al. 1984). suculentus (Tomoda et al. cannabinus foram isolados. ciclopropenos (Nakatani et ai. pecioladas. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. onde se encontram glândulas nectaríferas. De H.

xilose e frutose (Pouget et al. N-acilisofosfatidiletanolamina.. ácidos palmítico. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. 1991) e lactonas de H.. abelmoschus (Maurer & Grieder. 1988). 1989).. tiliaceus (Ali et al. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. linolenato de metila. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. ikshusterol. De H. sterculico. esterol ésters.4'-pentahidroxiflavona. esculentus e H. moschentos foram isolados 3. Foram isolados também de H. cianidina. taxifolina e herbacetina..-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. 1978). 1991). Das pétalas de H. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. beta-sitosterilglicosilado. 1988).8. N-acilfosfatidiletanolamina. 1989a e 1989b). Das sementes de H. 1986). 1989). sabdariffa produziu antocianinas. Duckart et al.. diacilglicerídeos. betasitosterol. triacilglicerídeos. . 1990a e 1990b). ácidos graxos livres. fosfatidilinositol.. 1990). galactose. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. 1977).. 1990). além de 15% de ramnose. epoxiacilglicerídeos.. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. kaempferol 3. 1988). De H. oléico e linoléico (Tolibaev et al. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. petunidina. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. No óleo das sementes de H. pelargonidina. 1986. malvidina (Kim et al. esterois livres. monoglicerídeos. peonidina. glucose. sesquiterpenóides de H. Em cultura de tecidos. A quantificação das proteínas das sementes de H.. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.7. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1986. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina..et al. arabinose e arabinan. 1988). Husain et al.. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. epi-ikshusterol. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. fosfatidiletanolamina. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. De H.5. o H. quercimeritrina.-L-arabinosideo-7.

hidrocarbonetos. 1986). miristoléico e palmitoléico. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. lecitinas. palmítico. 1985). 1979). esteróis. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. 1987). sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. principalmente o esqualeno. De G. prolamina e glutelina (Sammour et al. 1986). 1986. barbadense. óleo-dilinoleínas. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). esteárico. 1980). barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. Das sementes de G. Foram isolados de G. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . também isolado de G. D-galactose. corantes como carotenos. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. hirsutum (Schmidt & Wells. rainundii (Stipanovic et al. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. xantofilas. 1995). G. mucilagens e proteínas (Costa. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. 1985). Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. mirístico. silianum (Kumamoto et al. 1979) e G.Das folhas de H. hirsutum e B. resinas. Ermatov et al. fosfolípides. dipalmito-linoleínas. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. palmito-dilinoleínas. dipalmito-oleínas. barbadense determinou a presença de albumina. araquídico. globulina. oléico. 1995). hirsutum e G arboreum. diversos terpenóides (Hunter et al.

pristano. esteárico e hexacosanóico (Khan et al.(+) gossipol de G. As partes aéreas de S. isoquercitrina. Sida Alcalóides foram isolados de S. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. campesterol. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. S. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. As partes aéreas floridas de S. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. stigmasterol. rhombifolia e S. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. fitano. acuta. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. 1997). Das partes aéreas de S. 1990). quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. A extração das partes aéreas de S. barbadense e G. ácidos graxos como beta-sitosterol. humilis. 1988a). 1989). hirsutum (Zhou & Lin. vesícula seminal e próstata ventral foram . escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. barbadense e G. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. 1981). 1988).3%3%) (Bandyukova & Ligai. De S. spinosa (Prakash et al. 1989b). 1987). hermaphrodita contêm também os flavonóides. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. S. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. hirsutum (Mansour et al. ácido palmítico. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. 1989a). ácido glutâmico e aspártico. espermátide e espermatozóide. acuta (Goyal & Rani.

e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. As flores de H. 1987). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. citotóxica. 1985). verificadas por Singh et al (1982). rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. Pai et al. 1992). antimutagênica (Wang et al. 1986). tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1999). e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. . Ainda de H. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. 1986. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al.reduzidos nos animais tratados com H. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. sabdariffa (El-Merzabani et al. 1989). Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 1990). hipoglicêmica de H. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. Essas atividades. Haji & Haji. porém os níveis de colesterol subiram. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. esculentus (Medeiros et al. 1987). 2002). 1987). O ovário apresenta sinais de luteólise. 2000). antiespermatogênica. Em camundongos. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. 2001). 1999. 1979). 1976a e 1976b ). O extrato das flores de H. 1984. causando o final da gestação (Pakrashi et al. no tratamento com Hibiscus. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. A espécie H. e de H. Pakrashi et al. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. A taxa de inibição de fertilidade com H. assim como uma forte ação citostática. esculentus. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa.. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. 1985). Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. moschentos (Tomoda et al.

2000) e tóxico (Bourke. 1995). O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. Flavonóides de G. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. rhombifolia (Bortoluzzi et al. serratifolia (Sawhney et al. Extratos de S. 1978). Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1988) e S. 1985). principal constituinte do óleo do algodão. barbadense e G. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Wang & Bunkers. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 1996). 1985). 1980). 1984). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 2001. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. 1997). Terpenóides isolados de G.Gossypium O gossipol.. As proteínas das sementes de G. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). hirsutum e G. Sida Os alcalóides de S. 1982).

1988. vulgarmente chamada de Guaxuma. Sterculia. de grande cultivo em jardins. 1998). Franzotti et al. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Bianchi et al. Drena As raízes de U. 1996). nos quais se distribuem 1. distribuídas em onze diferentes gêneros. todos típicos de cerrados e campos. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. 1998. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Do infuso de S. 1998. Segundo Barrozo (1978). V. onde são encontrados em abundância. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1992). F. exceto Bacillus subtilis. Das partes aéreas e folhas de S. carpinifolia. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo.500 espécies tropicais. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. rhombifolia. 1997). 1988b). enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. Dombeya. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. e o gênero Theobroma. incluindo árvores e arbustos. et al. C. Helicteres e Waltheria. do valioso Cacaueiro Joly 1998). poucas em áreas temperadas. Na região . Fernandes et al. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. cordifolia (Malva-branca). 2001). onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas.

de valor econômico. e o chá da sua casca.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. duas das mais importantes e valiosas espécies. 1990). ovóide. Dados botânicos Arvore de grande porte. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. O nome do gênero. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. fruto do tipo capsular grande. no Pará (Amorozo & Gély. pedunculadas. Cupu-assu. flores que brotam dos galhos.) Schum. com brácteas linear-lanceoladas. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. bem como nas comunidades locais da Amazônia. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. O gênero Theobroma. ex Spreng. medicinal e alimentar. . com estipulas caducas. 1991). grandes e vistosas. liso e escuro (Figura 11. Em tribos indígenas amazônicas. descrito por Carl Linnaeus. significa "manjar dos deuses". onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. vermelho-escuras. folhas com pecíolos curtos e carnosos. oblongolanceoladas. com ramos longos. 1988). ou por suas variantes: Cupuaçu. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu.5). Theobroma. grossos e tomentosos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Copoaçu. para o tratamento de diarréia.

ácidos esteárico. et al.6). palmítico. 1993). fruto capsular ferrugíneo. Chocolate. Kakao. Caca-y.. 1986). até 10 m de altura. Cacao forastero. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. ex Mart. 1970. 1989). (Figura 11. Dados botânicos Árvore de porte médio. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao.9-tetrametilúrico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. flores dispostas no caule. mono. Já a espécie T. Criollo. Pagonini et al. oblongolanceoladas. 1979).7. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. contêm flavonóides (Jalal & Collin. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. T. grandiflorum). fasciculadas.3. cafeína (Maia et al. inteiras. denominado Theobroma cacao L..e tri-insaturados (Costa. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. mirístico. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. albuminas. inibidores fenólicos da a-amilase. Cacaoyer. oléico e linoléico. cacao. teobromina. Outras espécies desse gênero. 1992a e 1992b). no Amazonas. com ramos curtos. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. Cacao azul. tripsina . vermelho-escuras. folhas com pecíolos longos. 1977). M. como a T. speciosa possui ácido 1. glicerídeos di-saturados.. globulinas (Voigt et al.Theobroma speciosa Willd.

O índice de saponificação da T. T. T. diferentemente do T. e T. 1989). Os alcalóides teobromina.9%).. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. bicolor e T. longifoleno e citronelol (Erickson et al. mariae.. teobromina. bicolor e T. tais como ácidos palmítico. que variou 50. taninos. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. 1991). Além de açúcares totais. 1991). gorduras (Malini et al. flavan-3-ols.. Esse constituinte também . nerol. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. O T. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. Alcalóides purínicos (cafeína. cacao. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura.(Quesada et al. ácido cítrico. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. (-)epicatequina.. porém. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. subincanum. cacao consistem de 78 componentes. simiarum. 1994). 1996). nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. derivados do ácido hidroxicinâmico.. T. quercetina e esculentina (Bastide et al... As essências florais de T. augustifolium (Sotelo & Alvarez. speciosum. 1991). ácido araquídico. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. 1994). cacao foi caracterizado como de 190. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. 1986). o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. 1996). cacao e também em T. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al.7% a 57. antocianinas. 1986). augustifolium. pela presença de ácidos graxos.6%. taninos condensados. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri.74% (SantAnna Tucci et al.2%). teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai.5%) e o isoeugenol (8. Em T. geraniol. ácido lático. 1987).. ácido ecosadienóico. 1987).37 a 1. xantinas e lipídios. Em T. procianidina B2.. dentre os quais o óxido de linalol (12. 1995). 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. quercetina3-0-glucosídeo. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. Porém.

fenóis e taninos. isolada dessa espécie vegetal. cacao (Yamagishi et al. et al. Melzig et al. 1989).. 1997. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares.. análoga à manteiga de cacau. 1997). com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. cacao apresentou um efeito vasodilatador. proteína. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al.. 1992). Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T.. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 1997). 2000). . Sanbongi et al. amido. 1997). teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T.. uma atividade analgésica (Santos. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. e a proantocianidina. clorofila. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. Paganini et al. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al... M.. cacao (Gurney et al.. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. 1970. 2002). Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas.. cafeína. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1997). 1997). 1997. 1992a e 1992b).

Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. agudas no ápice e oblíquas na base. serrilhadas. de numerosos estames livres. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. com o nome de Curumin-nhapuá. No Brasil. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1997). Dados botânicos Árvore de porte médio. Triumfetta. Espécies medicinais Muntingia calabura L. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. 1998). muito conhecida na região amazônica Joly. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. e Apeiba. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. da planta Pau-de-jangada. sendo a maioria de árvores e arbustos. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. de até 13 m de altura. folhas curto-pecioladas. os gêneros mais comuns são Luehea. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. oblongolanceoladas. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. que a referiram como medicinal. 1978). neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. .

3%).7). dos quais predominaram alcanos (44. indeiscente. calabura L. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol.9%). arredondado. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. vermelho. A casca é emoliente. e salicilato de metila. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. . quercetina. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. e as flores.. 1984). ésteres (26. fruto do tipo baga. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.4%).3%).dispostas em pedicelos axilares. compostos fenólicos (11.3%) os mais significativos. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. sesquiterpenóides (10. alcanos (15. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. inúmeras sementes (Figura 11. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. Dos frutos de Aí. ovário 5-7 locular. 1990). O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. calabura foram isoladas Havanas.6%) e derivados furanos (8.5%) e compostos carbonil (23.7%). aqui descrita como medicinal. 1991). antiespasmódicas (Corrêa. Do extrato citotóxico das raízes de M. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.3%). sendo ésteres (31.

1998.1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .

2 .FIGURA 11.Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly. 1984). 1998) (Banco de imagens - .

FIGURA 11.3 . Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.

4 .Sida rhombifolia var.FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.

Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .FIGURA 11.5 .

6 . Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .Theobroma speciosa.FIGURA 11.

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .Muntingia calabura.7 .FIGURA 11.

Da família Cannabaceae. Di Stasi L N. A. por esse fato. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. Cecropiaceae. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Cecropiaceae e Moraceae. Ulmaceae e Barbeyacea. e o segundo. Em duas delas. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. Seito C. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. e o importante gênero Urtica. fonte da maconha (Cannabis sativa).12 Urticales medicinais L. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. amplamente conhecida como . das quais as famílias Moraceae. C. fonte de substâncias também tóxicas. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. As outras duas famílias dessa ordem. não possuem importantes espécies de valor medicinal.

. Imbaubão. Ibaituga. Com esse novo arranjo. Imbati. Ambatí. Pourouma e Cecropia. folhas grandes. Myrianthus. Embaúba. Ambaí. de Lixa.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. lactescentes. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Poiküospermum. Arvore-da-preguiça e Torém. peitadas acima do centro. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. e a espécie Sorocea bomplandii. referida com adulterante da Espinheirasanta. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Figueira-de-surinam. longopecioladas. Ambaitinga. Ibaíba. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Arvore-da-guiça. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Ambaíba. Musanga. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Ambahú. Espécies medicinais Cecropia peltata L. alternas e protegidas por duas estipulas. Outras denominações populares são Aimbahú. Toréin. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist.

não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. asma. Mal de Parkinson.. frutos nuculares. usados na fabricação de instrumentos de sopro. Santos. catharinensis. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. F. lyratiloba (Menda. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al.flores pequenas de sexo separado. Na região do Vale do Ribeira... Na espécie C. A. 1998). Das raízes de C. formando infrutescências inclusas (Figura 12. antililiásica (Domingos et al. 1996). unilocular. et al. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. 1996b). bronquite e gripes fortes. 1986). reunidas em densas inflorescências. a raiz é considerada útil contra tosse. do grego. muitas delas de ocorrência no Brasil. 1992. Em C. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. O xarope dos brotos também é usado contra tosse.. adenopus. ecoar". meio homem e meio serpente. 1994). C. filho da Terra. et al. 1984). a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. que significa "chamar. et al. A. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. carpelar.. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. C. hidropisia. indicada popularmente como antiinflamatório. gemas e brotos são adstringentes. 1986.. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. Nas folhas do extrato de C. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C.. A. Kerber. As folhas. R. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. 1984b).1). o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. R. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. . 1985). Das folhas de C. 1983).

ansiolítica (Barettaetal. Em outras re- . antidepressiva. 1992). pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa.. na Mata Atlântica. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. Astocarpus e Sorocea. Johann Heirinch Friedrich Link. a família conta com aproximadamente 340 espécies. 1998. Rocho et al. 2002). espasmolítica (Delia Monache et al.. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. 1998a e 1998b. efeito depressor do SNC.. No Brasil. 2001). obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. que incluem árvores. de Espinheira-santa. descrita originalmente por. arbustos.. A cecropina. antiulcerogênica (Cysneiros et al. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. Dorstenia. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo.. dos quais se destacam: Ficus. compreende 1. isolada de espécies deste gênero. possui atividade antimicrobiana (Andra et al.. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. 2001). 1988). distribuídas em 38 gêneros. 1988.. Cysneiros et al. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. lianas e ervas (Mabberley. Rocha et al. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al.) Burger. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill.. 1997). característica marcante da maioria das espécies dessa família. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. 1993 e 1996a). Morus.. nos quais várias espécies medicinais são encontradas.depressora do SNC. 2001). distribuídas em 28 gêneros. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade.100 espécies tropicais e poucas temperadas..

Flavonóides foram isolados de S. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. quando não está em época de floração. especialmente da Mata Atlântica. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. Trata-se de uma espécie perenifólia. Calixto et al. especialmente na Mata Atlântica. 1993). Canxim. A espécie é latescente.. chegando a 10 cm de comprimento. Resple.. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. ciófita.giões do país a planta é chamada de Cincho. . Carapicica-de-folha-miúda.. Araçari.. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. Recentemente. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. bomplandii. Folhas-de-serra. com tronco ereto. 1993). Gonzales et al. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. ilicifolia e S. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. de face superior brilhante e inferior opaca. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Soroco. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. folhas simples. cilíndrico. 2001. 2001. da família Celastraceae). característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. de casca fina. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. fruto do tipo baga. Laranjeira-do-mato.

d) flor feminina. Reis). b) detalhe da folha. (Banco de imagens .Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.1 . S.FIGURA 12. 1998. c) inflorescência.

a maioria cosmopolita. Das centenas de gêneros. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. A família Euphorbiaceae. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. M. com aproximadamente 1. Souza-Brito E.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. lianas ou ervas. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. Guimarães C. M. 1997). . 1978). Thymelaceae e Euphorbiaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Hiruma-Lima A. arbustos. R. a família é representada por 72 gêneros. é urgente uma revisão da família. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. C. No Brasil. M. A.100 espécies.13 Euphorbiales medicinais C. comumente com células especializadas na produção de látex. Na família ocorrem árvores. compreende 313 gêneros. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. Santos L. segundo Mabberley (1997).

devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. ervas e arbustos. icterícia e malária. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. dos quais referimos algumas espécies a seguir. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. estipuladas. esquizocárpico. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. especialmente em Phyllanthus. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. e outras.1). fruto seco. flores de sexo separado. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. problemas hepáticos. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. Mabea. sementes ricas em endosperma (Figura 13. enquanto a infu- . espécie rica em óleo de rícino. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. atualmente cultivada em vários países. Jatropha e Croton. folhas simples. Do gênero Euphorbia. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. da valiosa Mamona. lanceoladas. separando-se em três cocos.devemos destacar Ricinus. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. peninérveas. a maior produtora de borracha. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. sendo algumas árvores. pela semelhança das sementes com esse animal. Pedilanthus. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". febres. pecioladas. verdes. com limbo dividido em lobos ou segmentos.

é útil contra hepatite. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. folhas alternas. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Croton sacaquinha Croizat. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. estipuladas. folhas simples. lanceoladas. longo-pecioladas. de Sacaquinha. esquizocárpico. com ápice curtamente acuminado e base cordada. amarelo-esverdeadas. grandes. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. nodoso. com brácteas . Maduri-graça. lactescente. separando-se em três cocos. peninérveas.são das folhas. no Pará. Nomes populares A espécie é chamada. palminérvias. Pinhão-de-purga. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. Pinhãodos-barbados. reunidas em inflorescências paucifloras. Pinhão-do-paraguai. de caule grosso. flores unissexuadas. fruto seco. no Ceará. pequenas. lobadas. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. glabras. e Mandobiguaçu. a Sacaca. curto-pecioladas. sementes ricas em endosperma. flores de sexo separado. na região amazônica. Pinhão Pinhão-branco. Pinhão-manso. atingindo até 4 m de altura. reunidas em inflorescências racemosas. Pião. membranosas. mas também de Peão.

raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. coriáceo. colocar no café e banhar a cabeça). Pião caboclo. 1982). o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo.lanceoladas. 1984). descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. constipação nasal e como purgativo. . as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). Erva-purgante. Arg. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. são torradas. assim como para constipação nasal.2). Mamoninha. gengibre amassado. dez estames. o látex é aplicado externamente. 1988). o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. Peão-pajé. partir e tirar a "folhinha". resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. lisas. após a retirada do embrião.. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. esta passa a ser comestível e saudável). gineceu com ovário glabro e estigma bífido. contra feridas (Amorozo & Gély. enquanto as sementes. As sementes são eméticas (Corrêa. fruto do tipo capsular. gripe (descascar a semente. elipsóides e oblongas (Figura 13. no Pará. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. Raizde-téu. Batata-detéu. assar a polpa na cinza. Jatropha gossypifolia L. Peão-curador. sementes escuras. Pinhão-roxo. deriva do grego iatros = "remédio". secar até ficar fria. O nome do gênero Jatropha.

1982). trissulcado. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. 1982). contra "mau olhado".3). escuras e com pecíolos pubescentes. com folhas alternas. 1984). folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. útil nas obstruções das vias abdominais. no Piauí (Emperaire. dispostas em cimeiras paniculadas. o banho. e as folhas na cabeça. palmadas e limbo dividido em lobos. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. flores unissexuadas.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Em Brasília. fruto capsular. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. contra feridas. roxas. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. No Pará. 1988). Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. glabras e estipuladas. lineares. grandes. cálice com cinco pétalas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. o chá das folhas é usado como antitérmico. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. A planta é purgativa. O nome do gênero Mabea. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. ramosa.

ramificada. incluindo as raízes. que atinge até 0. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. significa "flor na folha". dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores.5 m de altura. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. 1984). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. com ramos glabros. trissulcadas. folhas com limbo. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie.Aublet. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. flores de sexo separado. distribuídas na América tropical. sementes minúsculas (Figura 13. Arg.4). Dados botânicos Planta de pequeno porte. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. estipuladas. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. cápsulas pequenas. é usada como diurético e contra . O nome do gênero Phyllanthus. descrito por Carl Linnaeus. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. flor masculina fasciculada com três estames. enquanto a infusão de toda a planta. Na região do Vale do Ribeira. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. Na região amazônica. alternas. Phyllanthus corcovadensis Muell.

A infusão das folhas.. 1992)... Das cascas de C. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1982).. além de ser usada contra pedras nos rins. transcrotonina. 1.. . principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. 1989). 1989. é útil contra problemas do fígado. 1979. Kubo et al. 1990. O óleo essencial das cascas de C.dores de barriga. Maciel et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos..8-cineol. 1991). 2000). 1998). 1986). de ácido aleuritólico (Muller et al. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. alfa-humuleno. Em Minas Gerais.. beta-cariofileno. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. e os principais constituintes são alfa-pineno. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. Posteriormente. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al.

a C. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. enquanto germacreno B. zambesicums Muell. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C.4-dimetoxifenol. sitosterol.8-cineol. e das cascas do caule de C.. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. mirceno. 1993a). a levatina (Moulis et al.. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. betabourboneno e gama-cadineno. e das folhas de C.4. C. a printziano e um norclerodano (Siems et al. 1992).4b-dihidroxi-15. Das partes aéreas de C. alfa-guaieno. glandulosus (Neto et al. e chiromodine (Weckert et al. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. eucaliptol. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al.. cortesianus foram isolados o clerodano. 3.5-trimetoxibenzeno.3. 1996).. 1992). 1992b). foi determinada. acetato de 3-metil-butanol.6-trimetoxifenol.. A composição do óleo essencial das cascas de C. p-cimeno.. Porém. e de C. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. 2. cânfora. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. metil isoeugenol. alfa-cubebeno. o óleo de C. De C. lundianus e a C.. acetato de propila.cadideno. acetato de 2-metil-butanol. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. 4-hidroxifeenetil. alfa-ilangeno. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. . glandulosus. 1994). lechleri foi isolada a sinoacutina. 1995).16-epoxi-12-oxocleroda-13(16)...16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). 1996). cadineno. limoneno e outros.4-dimetoxibenzil. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. 3. hovarum: a 3a. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. aubrevillei J. alfa-humuleno.. 2-metil-butanol. linalol. metileugenol. Os constituintes voláteis isolados de C.14dien-9-al e 3a.14-dieno. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 4b-dihidroxi-15. 1993b). Das folhas de C. allo-aromadendreno e torreyol. estragol. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. propionato de etila.. 1992). lechleri foram: acetato de etila. 1996). gama-elemeno. ludianus possui 1. Além disso. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. gama-elemeno. 1995).

5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. Compostos terpenóides foram isolados de C. 1988). e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. diasii (Alvarenga et al. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno..5. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. eudesmanos. 1976).7-dimetoxicoumarina. 1992). jatroolona A. 1993).. . 1981). jatrofolona B. Do óleo de C. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. 1991a). 6-metoxi-7hidroxicoumarina. 1986) e C.3'. 1995). curcas foram isolados 5a-stigmastane-3.. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. castaprenol-11.. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. 1996). taraxerol. beta-sitosterol (Chen et al. a seco-labdane (Schneider et al. C. os triterpenóides jatrofolona A. 1992). 1994). 1992). eluteria foram isolados sesquiterpenos.6-diona. hemiargyreus (Barnes & Borges.De C. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al.. enquanto alcalóides foram encontrados em C.7. curcas foram isolados ainda as latiranas.. jatrofol. e das folhas de C. caniojana. macwstachys (Herlem et al. e das cascas de C. 6a. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. 1986). Jatropha Das raízes de J. 1991). 1996). Das partes aéreas de C. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. argyrophylloides (Monte et al. gossypifolios (Cespedes et al.. tomentina. taraxerol. jatrofina. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 5hidroxi-6. De C. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. 1991).. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. jatrofolona B. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. De J. Das raízes de C..7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. b-sitosterol. nobiletina.. stigmasterol. 16hidroxijatrofolona. ésteres e cetonas não-terpenóides. e de C.. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. riangularis (Moura et al..7b-dihidroxiannoneno e 6a..

Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo.. denominada curcina (Costa. J. Das folhas deJ. 1997). 2epijatrogrossidiona. J.94%). e 43. isoorientina. 1986). Banerji et al.. Das folhas de J. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. 1995). tlalcozotitlanensis e J.. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. Das cascas da raiz de J. As espécies.1%). arginina (0. compostos fenólicos. curcas foram isoladas também várias lectinas. flavonóides. 1997). alanina (28. 14. bem como o ácido nurístico. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. além de outros três derivados diterpenóides. malacophylla.9%.71%). sendo 0.92%) e leucina (12.98%).. 1990). . caniojanae 1. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. terpenos. 1989). 1989).26%. isoleucina (3.30%) (Jain & Garg. 1989a e 1989c).. saponinas./. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. Saponinas foram detectadas apenas em J.15% e 15% de ácidos graxos saturados. esteróides e glicosídeos. curcas. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al.6% de ácido oléico.9%. galvani (Guevara et al.. pohliana var. 1988). 1997). a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. 1988). Do látex de /. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1987). elbae. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. podagrida apresentaram 24%. Makkar et al. 1988). De J. foi isolado de seu látex a albaditina.. ácido linoléico (Nasir et al. metionina (13. 1990). 1988. 1996..07%).9%).. Das raízes de J. 15.. gossypifolia e J. 1983). De J. ácido oléico. 1997. Auvin-Guette et al.1997).60%. 0. Do caule de J. Das raízes secas de J. ácido araquídico e toxalbumina. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. divica foram isolados beta-sitosterol. 1987. respectivamente (Raina & Gaikwad. jatrofolona B.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al.26% de ácido aracdônico. glicina (19. valina (18. gadaína (Das et al. Dos rizomas de J. 1996b). J. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. mollissima foram isoladas orientina. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al.. os aminoácidos cistina (2. ácido esteárico. 1996a) e jatrodiena (Das et al. 0.. 1988). multifida L. Teixeira. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al.. De J..

virgatus (Babady-Bila et al. . Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1996. 1997). 1986). discoideus. a mais estudada é a P. levulose. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. Hassarajani & Mulchandani. 1988).. ácido clorogênico.. Singh et al.. 1988). klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. da qual foram isolados alcalóides. 1991). 1977). glucose e galactose (Hnatzyszyn et al.. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.. Houghton et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.. 1985). cumarinas. hidroxiflavanona. P. ácido caféico.. terpenos... gossypifolia.. Huang et al. 1988.. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1996.. De J. citral. Mabea Do látex do caule de M. 1991). Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. Petchnaree et al. 1996). 1980 e 1981). 1983. Mensah et al.. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). lignanas (Satyanarayana et al. amarus e P. e dos frutos de M. neolignanas (Satyanarayana et al. 1988. 1986. Singh et al. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al.. flavonóides. enquanto em P... 1980). 1986. simplex. 1989. timol e carvacrol (Odebiyi. 1988. niruri. triterpenóides (Joshi et al. 1981). 1989a e 1989b. Singh et al.. Anjaneyuly et al.. 1986. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1990). 1995). 1996). Ojewole & Odebiyi. De P... 1984) e antibacteriana (Odebiyi. 1990.. Ahmad et al. Yunes et al. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. P.Da espécie J. sacarose. Negietal. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. diterpenos. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al.. P. 1996. 1988. Anjaneyulu et al. assim como os diterpenóides de J.

.. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al.. 1989. hipocolesterolêmica (Martins et al. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. Farias et al. Farias et al..De P.. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. Tanaka & Matsunaga.. 1996). 1998) e teratogênica (Crisostomo et al.. analgésica. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. olenadienóis. 1996). estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. De P. et al. nalcanóis. Bighetti et al.. francheti foram obtidos cicloheptano. 1988. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. Z.. emblica L.. 1988b).. calisteginas (Asano et al.. antiedermatogênica (Campos et al. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. 1995a). 1988a. 1999). 1996). Lu et al. 1999a). 1996).. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1995b). Li et al... antidiabética (Silva et al. além de taninos (Zang. 1987. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. et al. . antiinflamatória... HirumaLima et al. alkekengi var. 1995). Tanaka et al. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. 1996). n-alcanos. 1988. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A... De P flexuosus foram isolados triterpenos. 1997 e 1996a)... 1997). myrtifolius. 1998). 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al.. D.. antiestrogênica (Luma Costa et al. Em P. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. 1996) e fisalinas (Makino et al. antinociceptiva (Carvalho et al. 1993.. 1996) antitumoral (Grynberg et al. C. 1996c).. 2002. Das raízes de P. De P. 1996b).. 2001). Tanaka et al. 1998. 1988.

anticonvulsivante e analgésica de C. 2000a e 2002b).. 1993.. erythrochilus. mais comumente de C. Tang et al. lechleri. campestris (Lima et al. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. 1988a).. 1985) e C. penduliflorus (Anika & Shetty. subtyratus (Kitazawa et al. 1993). 1980... Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al.. 1985. 2001).. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 1982). 2002a). M. sonderianus (Craveiro & Silveira. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton.. anestésica local. a ligana 3'. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória.23 mg/kg para crotina II. hipotensora de C. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. C. 1984). 1975). Ao final. C. cajucara (Hiruma-Lima et al... C. Costa.. 1988). Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. zehnteri (Albuquerque et al. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. macrostachys (Mazzant et al. C. presente nos casos de C. para crotina I foi de 0.. C. A DL50. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos.. lacciferus (Ratnayake et al. Luz Paredes et al. antinociceptiva (Bighetti et al. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. tranqüilizante. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. Chen & Pan. antiulcerôgenica de C. 1987) e C.. 1999b. rhamnifolius (Silveira et al. 1993. com o uso prolongado (Rodriguez et al. rangelianus (Lima et al. glabelus (Novoa et al.. 1999). 1994).4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. 1983).. et al. 1988. C. 1988) e C. 1988b) e substâncias isoladas de C. draconoides e C. 1986). mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. inseticida de C. penduliflorus (Asuku. tiglium (Deshmukh & Borle. 1980).Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. 1982).. Batatinha et al. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . entre outras. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. Das sementes de C. 1987).45 mg/kg e 2.

macrostachys foram isolados crotepóxido. C. Ao final. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. 1991).32% de alcalóides e 2. Ao final dos experimentos. tonkinensis contêm 0. Do óleo essencial de C. nardus (Lemos et al. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol .. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. berberina e outros alcalóides desse grupo. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. 1993). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. 1992..78% de flavonóides. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. De C. 1992a). 1991a e 1991b). Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. Pieters et al.. As folhas secas de C. Essa possui isoguanosina. 1994a e 1994b). O extrato etanólico bruto das folhas de C. Das raízes de C. lupeol. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato... os alcalóides de C. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al.. 1995).. 1994). campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1995). 1992). betulina e ácidos graxos. berghei (Be &Truong. O efeito de C.. antibacteriana e cicatrizante. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P.

1989 e 1991). pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.39 mg pela via i.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. curcas. 1993). 1988. 1989).. 1992. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.9%) (Liberalino et al.. Do látex de C.. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C..p. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. 1987. e no retículo sarcoplasmático. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. Do extrato clorofórmico das raízes de C. Atividades larvicida (Karmegam et al. haematobium (Rug & Ruppel.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. 1995)... 2000). (Huang et al. Os extratos da sementes de C. Ubillas et al. 1994). zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26.. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al.. 1994). 1995). tiglium (Fanetal. 1990) o óleo de C.. tanto na prova do campo aberto. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. o alcalóide taspina (Itokawa et al. Das sementes de /. 2000). curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al... a curcaína (Nath & Dutta. Jatropha Das sementes de J.. Das sementes de J. 1988). como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.. Hirota et al. Do látex de J. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. 1991a). 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al... curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al.. 1988). O óleo de C. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. 1992). 1991). antiplasmodial (Kohler . diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. 1997) e Schistosoma mansoni e S. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas.

De J. e de J. 1987) e tóxica (Brum et al. 1996.. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. 1992b e 1996). 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta.et al. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. ... 1987) também foram caracterizadas em J. De J. 1994). glauca (AlZanbagi et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 1996). 1996). 2001).. 1993). F. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al.. antiespasmódica (Silva et al. 1990. 1996). Esta mesma atividade foi observada em J. J.. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. et al. espasmolítica (Trebien et al. A J. P. De J. 2001). A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.. curcas. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. O látex de /. 1992). gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. 2000). inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. Dutra et al]. 1987b).. 1996). 1996). isabellii foi isolada a jatrofona. 1987). zeyheri foi isolada a jaherina.. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1996).. et al. M.. 1998).. Santos et al. curcas foram isoladas curcusonas A e C. 1992a. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al.. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. 1996).. De /. multifida. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. 1997). as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. Das raízes de J.. O óleo das sementes de /.... As folhas de J. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. gaumeri (Sanchez-Medino et al..

diurética. 1995). Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. Gorski et al. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al... hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 1985). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 2000).. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al.. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1995).. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. 1985 e 1986b. 1992.. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. Santos et al. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al.. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo.. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1996). 1988). que foi atribuída aos compostos estigmasterol. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1993. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis.. 1995). 1995). 1994). o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. campesterol e fitosterol (Santos et al... Ribeiro et al. Shimizu et al.. Além disso.. Di Stasi. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. O extrato hidroalcoólico de P. 1988. 1987). . 1996a). corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al... O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1984. 1989). 1988). De P. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). 1992). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina.. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.. 1987). Além disso.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al.

caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren.. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al.. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.. Sane et al.. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. 1994). 1990. Foram caracterizadas. de P urinaria. 1996). 1996). e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al.. Roy et al.. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. 1996).. corilagina. 1988).. 1997a e 1997b).. quercetina.. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1996). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1996). 1995). ácido elágico.. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. 1997). 1996). De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1991). 1995). e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. 1997). ácido brevifolincarboxílico.... 1995). 1996. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al.. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. . Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. 1995). ácido gálico e ácido protocatecoico. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. niruri e P urinaria (Santos et al.

1993. Itokawa et al. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. 1995. Quadros de hemorragia anal. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. Hemorragias internas em diversos órgãos. 1987) e provoca náuseas. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. Porros et al. 1979).. Torpor. diarréia.. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. 2000).Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. 1986. 1979). Ahmed & Adam. podendo causar a morte em humanos. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. vômitos e diarréia... O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. náuseas. Pieters et al. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). 1979). 1991c). 1993. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979).. curcas em ratos. Existem registros de intoxição em crianças de J. mutifida (Levin et al. Como conseqüência de seu uso crônico. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. redução no consumo de água. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. e ação estimulante da musculatura lisa. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman.. Efeitos como redução no tempo de protrombina. 1984).. hipotensão e desidratação. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento.. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente.

Pieters & Vlietinck. nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.. FIGURA 13. 1986). tiglium (Bauer et al. 1998) (Banco de imagens . 1983.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.(1999). Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.1 .

FIGURA 13. . Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).2 -Jatropha curcas.

Hiruma-Lima).3 .FIGURA 13.Jatropha gossypifolia. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais. .

FIGURA 13.4 . c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) flor feminina.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . 1998).

algumas delas de valor medicinal. 1997). Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. C. Clusia. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Hiruma-Lima L.14 Guttiferales medicinais C. 1978). pigmentos. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. óleos essenciais e resinas. . No Brasil ocorrem 21 gêneros. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. É composta por árvores. A. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil.370 espécies. arbustos ou ervas. sendo raramente descritas epífitas. gomas. e Elatinaceae.

Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. O tronco ereto possui casca grossa. ácido crisofânico. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . madagascina. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. coriáceas. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. com distribuição restrita à América tropical. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. as folhas são simples. ácido betúlico.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Em outras regiões. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. opostas e com borda inteira. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. damagascina. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. Em V. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. também chamada de Lacre. Trata-se de uma espécie semidecídua. 1990). friedelina. damaradienol. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. foi dedicado a Visme. com ocorrência em formações secundárias. e várias têm valor medicinal. euxantona. a maioria é fornecedora de resinas. descrito por Domingos Vandelli. e algumas na África. como Picharrinha. O nome do gênero Vismia. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. martiana foi observada a presença de sitosterol. No Brasil. sendo facilmente cultivada. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. pecioladas.

clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al.. 1999). foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central.. 2-isorenilemodina e 5. vulgarmente chamada de Pichirina.. et al. Porém.. 1982). Moracelli et al.. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. . O extrato etanólico da folhas. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. como a friedelina. Das raízes de V. conhecido popularmente como Lacre. 1997).. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. vários triterpenos. indicado para dermatofilose.. 1994). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. 1995). magnoliaefolia. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1996). 1979). Em V.. Os extratos hidroalcoólicos.. p-o. micrantha foram isolados xantonas..e a ferruginina (Pasqua et al. e em V. 1993). flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira.japurensis Rich. 1983). 1999) em V. da planta fresca (Tokarnia et al. De Vistnia caynnensis. cayennensis.5'dimetoxisesamina (Camele et al. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. 2000).. 1996). De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 1995.. benzofenonas (Fuller et al.

A. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. .225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Rapania e Cybianthus. Di Stasi C. arbustos e lianas.15 Primulales medicinais L. descrita por Robert Brown. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. 1997). sendo a maioria árvores. ainda não identificada completamente. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. C. nos quais se distribuem 1. Theophrastaceae e Myrsinaceae. Nessa família ocorrem 33 gêneros. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae.

bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. ovário supero. androceu com cinco estames opostos às pétalas. diclamídeas. curtas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã.Espécies medicinais Cybianthus sp.1). O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. folhas alternas. actinomorfas. . Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. reunidas em inflorescências axilares. dispostas em racemos. Não foram encontrados sinônimos para ela. e anthos = "flor". inteiras. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. ramos. flores e frutos. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. sem estipulas. flores pequenas.

FIGURA 15. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .1 .Cybianthus sp.

. A. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. essas espécies não foram referidas como medicinais. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. C. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Hiruma-Lima L. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. além de seu consumo como condimento. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). Na região amazônica. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. no entanto. gripes e bronquites. anemia e distúrbios da tireóide. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira.16 Capparidales medicinais C. Para a espécie Nasturtium officinale. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir.

Os principais gêneros são Cleome. com seus representantes incluindo ervas. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). 1997). 1978). possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. arbustos ou pequenas árvores. e a espécie Cleome latifolia. que justifi- . que atinge até 1. Capparia e Maerua. tem valor medicinal na região amazônica. descrita a seguir.5 m de altura. raramente são descritas lianas (Barrozo. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. com muitas flores rosas e bonitas. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. inflorescências terminais bastante vistosas. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira.

. kaempferol. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. Várias espécies desse gênero. Das sementes de C. viscosa apresentou um . 1990).0013%). 1997) e glicinebetaína..7-di-O-ramnosídeo (0.0075%). um flavonol. e das partes aéreas de C. 1997) e triterpenos (Harraz et al. um trinortriterpenóide dilactona. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. 1997b). kaempferitrina (0.. a diacetoxibraquiicarpona. 3. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. 1986). De C. 1997).. a isoramnetina 3. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo.. 1990)..0025%)..7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. o ácido cleomaldéico (Jente et al. incluindo a Cleome latifolia..03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. 1988) e um diterpeno macrocíclico. O extrato metanólico da planta toda de C. 1996). a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. 1995). Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al.cam seu uso como ornamental. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. De C. os flavonóides artemetina (0. 1987). são cultivadas e usadas como ornamentais.. bonanzina (0.06%) (El-Din et al. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. 1990). O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al.. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas.

além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. gynandropsis Samy et al...6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. Lemos et al. 1993. 1999). Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 1995a) e antioxidante (Selloum et al. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al... 1999). 1995).. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 1996). popularmente conhecido como Mussambé. viscosa (Samy et al. C. 1995b).. . 1992). foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al.. Chrysantha (Hashem & Wahba. 1996). No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. A espécie C... droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. 2000) e C. De C.. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. 1970)..

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

1978). . C. com inúmeras espécies medicinais. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Di Stasi C. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Pittosporaceae. espécies dos gêneros Spiraea. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. e de Rosaceae. Na região amazônica. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. No entanto. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Crassulaceae. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Rubus e Prunus.17 Rosales medicinais L. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. A. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Saxifragaceae. a qual descrevemos a seguir. a qual foi identificada apenas até o gênero.

referindo-se ao tipo de pilosidade. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. folhas simples. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África.1). flores pequenas. muitas delas usadas para a produção de carvão. cíclicas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. diclamídias. com cerca de 460 espécies tropicais. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. estipuladas. segundo Barrozo (1978). . Espécies medicinais Hirtella sp. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. cálice gamossépalo com cinco lacínios. incluindo árvores e herbáceas. alternas.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. fruto do tipo drupa. inteiras. peninérveas. corola com cinco pétalas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. ovário unilocular. sépalas e pétalas livres. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. Chrysobalanus e Hirtella. zigomorfas. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. onde ocorrem 120 espécies. Os principais gêneros dessa família são Licania.

Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. com destaque para os gêneros Rubus. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. como é o caso das espécies do gênero Rosa. encontradas em climas temperados. • Rosoideae. da qual foi isolado o ácido salicílico. ou frutíferas. e raiz bifurcada para as mulheres. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. do gênero Frunus. e • Prunoideae.Dados da medicina tradicional A raiz da planta.825 espécies subcosmopolitas. toxicologia e química. como a . Potentila. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Normalmente são árvores de pequeno porte. entre outros. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. ralada. compreende 95 gêneros. com destaque para o gênero Spiraea. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. 1997). a maioria nos gêneros Prunus. Agrimonia e Fragaria. no que se refere à farmacologia. com aproximadamente 1. também se utiliza o chá contra reumatismo. arbustos e ervas (Mabberley. é utilizada como afrodisíaco. • Maloideae. da histórica Spiraea ulmaria. primeira substância a ser comercializada como medicamento. a famosa aspirina. os gêneros Crataegus e Malus. que inclui. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. No Brasil há poucas espécies. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Rubus e Quijala.

flores vistosas brancas. pendente. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. carnoso. Ameixa. 1998). Cereja. Damasco. ásperas.Maçã (Malus). O nome do gênero corresponde a "ameixa". Espécies medicinais Prunus domestica L. com folhas alternas. comestível e saboroso. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Marmelo (Cydonia). lanceoladas. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. que existe em grande número. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Pêssego. e contra diarréias. em latim. Groselha e Moranguinho (Rubus). de margem serrada. especialmente de cabeça. assim como em várias regiões do país. e a infusão dos frutos. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. dependendo da variedade. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. Nomes populares Na Mata Atlântica. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. fruto do tipo drupa. dispostas em fascículos do tipo umbela. Morango (Fragaria). doce e com uma única semente. a decocção das folhas é usada contra dores. solitárias e/ou geminadas. Pêra (Pirus).

FIGURA 17. 2000).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.Sapuntzakis et al. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. 1978) (Banco de imagens • .. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 2001).. 2001). 2002.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi)... De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2001). Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.1 .. Nakatani et al. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.

visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. R. ornamentais. C. Hiruma-Lima A. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. A. Santos C. arbustos. Compreende três subfamílias. dependendo do arranjo sistemático adotado. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. incluindo árvores. lianas e ervas. Guimarães C. . madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. Di Stasi E. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. medicinais. M. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. M. 1997).18 Fabales medicinais L. M.

• Cercideae. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. dentre as quais C. C. J. que inclui o gênero Bauhinia. bonducella. bonduc. sapan e C. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). Caesalpinia pulcherrima. pulcherrima. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. todos contendo várias espécies de valor medicinal. senna. que inclui o gênero Copaifera. Cassia multijuga. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). as quais descrevemos a seguir. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. • Detarieae. C. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. que inclui os gêneros Cássia. das quais se destacam as espécies C. angustifolia e C. Dalwits. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. que inclui o gênero Caesalpinia. . onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. • Cassieae. occidentalis. C. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). 1997). Dialium e Senna. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. Cassia occidentalis. a saber: Caesalpinia férrea. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países.

dadas as características morfológicas de suas folhas. Por ser de rápido crescimento. É amplamente utilizada como ornamental.1). algumas arbóreas e outras lianas. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. com grande abundância na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. sempre com acúleos e seus dois ápices. É uma planta decídua. flores intensamente brancas. . mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. vistosas (Figura 18. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie fornece madeira leve. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. Mororó. tronco tortuoso ou ereto. bastante espinhosa. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. onde ocorre em áreas úmidas. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. folhas glabras. assim como em quase todo o Brasil. raramente dentro das florestas. usada para produção de carvão e caixotes. heliófita. Pata-de-boi e Unha-de-boi. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

com tronco liso e cerne duro. leiostachya. botânico italiano. açúcar e água. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. ferrea var. ovalados ou obovais. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. folhas de manga. aquecido até formar um xarope. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. Nomes populares A espécie é denominada.2). são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. flores diclamídeas. Dados botânicos Arvore de grande porte. além de largamente empregada como espécie ornamental. ao passo que o preparado de casca de jucá. Muirá-obi e Muiré-itá. folhas bipinadas com folíolos oblongos. ultrapassando o cálice gamossépalo. especialmente de ruas e avenidas. ferrea var. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. na forma de decocto. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. São muito comuns duas variedades: a C. quase reto (Figura 18. Suas folhas. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos.Caesalpinia ferrea Mart. Imirá-itá. ferrea e a C. é utilizado como . é utilizado contra asma e bronquite. fruto levemente estipitado. após aquecimento. dez estames. podendo chegar a 15 m de altura. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. hermafroditas. além de ser empregado como fortificante para crianças. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. Jucá. A espécie é heliófita. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. séssil. na região amazônica. casca de jatobá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

Considerada de origem antilhana. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. Caesalpinia pulcherrima (L. Em outras localidades do país. Flor-do-paraíso. pois floresce quase ininterruptamente. asma e como cicatrizante (Campêlo. inflamações do fígado e baço. na região. A vagem crua é útil contra tosse. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. No Piauí. internamente. resfriados e tosses. 1982). frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. contra tosse crônica. Flamboyanzinho e Poinciana-anã.anticatarral. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. flores grandes e vistosas. com folíolos ovado-oblongos. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. especialmente bronquites. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. além do uso comum contra gripes. 1982).) Sw. Baio-deestudante. Na região da Mata Atlântica. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Espécie muito usada como ornamental. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. folhas compostas. sobretudo como cerca viva. a decocção das raízes é usada como antitérmico. e em Alagoas. com até 10 cm de comprimento. 1984). Chagueira ou Barba-de-barata. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. Nomes populares A espécie é denominada. glabros. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. 1984). também é chamada de Flor-de-pavão. bipinadas. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos.

febrífugos. o fruto é do tipo vagem reta. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre.3). Em outros locais do país. Segundo Corrêa (1984). A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. O nome do gênero Cassia. Cassia multijuga Rich. odontálgicos. casca lisa e cinzenta. folhas pinadas. largo e achatado (Figura 18. além de ornamental. abortiva. atingindo até 10 m de altura. amarga. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. febrífugas e venenosas. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas.como emenagogo e abortivo e. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. as folhas e flores são usadas como tônicos. lenha e carvão. brinquedos. descrito também por Carl Linnaeus. quando em grandes doses. excitantes. com rara ocorrência dentro de florestas. externamente. tendo propriedades tônicas. purgativos. a casca é considerada emenagoga e. sendo uma planta decídua no inverno. obtusos no ápice e com base irregular. estipuladas. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. febre e como purgativo. em doses elevadas. dado à falsa canela. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. deriva do grego Kasia. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. a raiz é acre. heliófita e pioneira. pela beleza da planta na época de floração. . A espécie ocorre em todo o Brasil. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados.

Mata-pasto. Maioba. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Lava-pratos. Majerioba. verde-escuros em ambas as faces. folhas alternas. Manjerioba. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. paripenadas com ráquis comprida. ramos quase cilíndricos. beiras de estradas e próximo a culturas. gineceu com ovário piloso. com caule lenhoso na base. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. flores grandes. no Piauí a infusão do caule. amarelas. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Lava-prados. infecções gerais. Tararucu. Rioba. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. diurético e colagogo (Gavilanes et al. no Brasil é espontânea nas pastagens. dispostas. estipulada e com glândulas na base. frutos do tipo vagem glabra. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. Ibixuma.. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. Segundo Emperaire (1982). 1982) e no tratamento de dores de cabeça. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. assim como em outras regiões do país.Cassia occidentalis L.4). gripes. Em Minas Gerais. febre. racemos axilares. laxativo. Na região da Mata Atlântica. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. Outras denominações são Folha-de-pajé. achatados. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. resfriado e diarréia (Grandi et . é indicada popularmente como antitérmico. Mamangá. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. curto-peciolados. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária.

anemia. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. problemas hepáticos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. reumatismo. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. as raízes são consideradas diuréticas. inflamações nos olhos. mordida de escorpião. são utilizadas contra asma. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. desordens do trato urinário. 1982). Na Índia. como vermífugo (Nagaraju et al. No Panamá. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. é utilizada contra doenças do fígado. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. dores menstruais e uterinas.al. e para constipações em bebês (Gupta et al. A espécie C. as sementes. tinha e hemorróidas. 1988). e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. . nos desarranjos menstruais. como antiinflamatório e. como Mata-olho. 1990).. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. Além disso. febrífugo e diurético. 1970). estômago. No Brasil. 1986). reumatismo. erisipela e tuberculose. emenagogo. internamente. 1990). 1985). No Peru. preparadas como o café. malária. Em outras localidades do país. No Rio Grande do Sul. 1979). Na Amazônia peruana. na asma. mas também são utilizadas contra tuberculose. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre..... Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. rins e bexiga (Simões et al. 1994). Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. purgativo. as raízes são consideradas um tônico. febrífugo. doenças venéreas. sudorífico. Cassia reticulata Willd. diurético. na forma de cataplasma.

entre outros. Jatobá-de-porco. como antitérmico e diurético. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jatobá-roxo. Jatobá-de-anta. brilhante.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. negras. Algarobo. a espécie é conhecida como Jatobá. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. marrom. flores brancas vistosas. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. com casca dura. tronco ereto e ramos glabros. Hymenaea courbaryl L. Jatobazeiro. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Jutaí. Jatai. os frutos são vagens delgadas. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. ápices acuminados. base assimétrica. Jutaí-peba. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Jutaí-café. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. Nomes populares No Vale do Ribeira. Olhode-boi. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. alternas e pilosas. farinhento e comestível. Também é chamada de Jatobá-mirim. com 6 a 15 cm de comprimento. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. folhas compostas. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. dispostas em cimeiras terminais. 1994). A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. fruto doce. com até . Abati-tambaí. lisos. Jutaí-do-campo. Jutaí-açu.

em alusão aos dois folíolos. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. Caesalpinia O extrato benzênico de C.. com florescimento entre outubro e dezembro. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B.15 cm de comprimento. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. Yadava & Tripathi. É uma espécie semidecídua. enquanto o xarope da casca do caule. microstachya (Meyre-Silva et al. ácidos palmítico e octacosanóico. 2001. e a seiva é excelente tônico para crianças. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. além do uso contra bronquite. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy.. é eficaz contra tosses. sedativo e peitoral. enquanto a madeira é usada na construção civil. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. vermífugo.forticata (da Silva et al. 2000). A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. estimulando a digestão e fortificando o organismo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. ferrea forneceu sitosterol. 2000) e os flavonóides kaempferol. ácidos . o deus da união. sendo usada na arborização de parques e jardins. especialmente em crianças. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. O nome do gênero deriva do grego hymen.

6-dimetoxi-l. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden.4benzoquinona (McPherson et al.4. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. beta-sitosterol. protosapina (Namikoshi et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. Das sementes de C. ácido 3. 1997b).4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 8metoxibonducelina.. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. . 1983). 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1978).9. bondenolídeo. cianina. B... lupeol.. Das cascas e raízes de C.. beta-amirina. B. sapanona B. miricetina. 6p-cinamoiloxi5a. 1986. pulcherimina. 1987c). quercetina (Rao et al. 4.. De diferentes partes de C. 1997a).. quercetina. episapanol. 1997).. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. sapanol. 1997).. 1997). 1978). 1996). De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. Da madeira de C. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 1977). 1987a).. Kim et al. 1997). 4-O-metilepisapanol.... bonducelpina A. 7p-vouacapenediol.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. bonducelina. 8. 3'-deoxisapanoI. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. Peter et al. 1978) e 2. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. 2002).. 3'-0-metilsappanol. 1973). e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. Foram isolados os flavonóides: rutina... lup-20(29)-en-3beta-ol. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. C e D (Peter et al. 1954). alfa-amirina. quercimeritrina (Awasthi & Misra. sappan foram isolados octacosanol. 1983). leucodelfinidina.. 3'-0-metilbrazilin. 1985).ll. 1987b. 1987).5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 3'-0-metilepisappanol.14-didehidro-5a-vouacapenol. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al.. 1987) e pulcherriminas A. 1987e). 4-O-metilsapanol. C e D (Patil et al. a 8metoxibonducelina (Parmar et al.. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 1977). 8metoxibonducelina. taraxerol (Yadava & Nigam. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. brazilina (Namikoshi et al.

occidentalis.. Da madeira de C. 1985). spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. sitosterona. 1981). 1995). 1986. sitosterol. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. sapanol. B e C (Namikoshi et al.Das raízes de C. reticulata. sappan (Namikoshi & Tamotsu. et al. 1997). Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. isolaram-se 1. Cassia Da espécie C. 1982). 1996) e de C. 1977). (Kitagawa et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al.... hintoni (Contreras et al. 1996). Namikoshi et al. pumila foi analisada.... leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. caladenia e C. Na espécie C. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. Das sementes de C. . ácidos linoléico e palmítico de C. brasilina e protosapaninas A. C. 1983). Foram isolados alcalóides de C.. 1987a). 1996). M. 1987. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. digyna (Mahato et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C. episapanol.. isoflavanóides de C. sappan (Saitoh et al. glicosídeos (Singh. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. 1988). saponinas. 4-O-metilsapanol. 1977. sappan (Nigan et al. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1994).. buteína. glicosídeos de C. Dos frutos de C. glicosídeos cardiotônicos. a espécie C.... triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. japonica (Namikoshi et al. sapanonas a e b. isoliquiritigenina. além de xantonas (Wader & Kudav. Kitanaka et al. Fuke et al. Do Fedegoso.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. 1986). M. S. 4-O-metilepisapanol. C. sapachalcona. platyloba. cacalaco e C. 1977). vários compostos aromáticos de C. C... 1987d).. dicopetala (Chowdhury et al. 3-deoxisapanchalcona. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. 1987f). 1985). taninos.

enquanto das vagens foram isolados crisofanol. 1987. Das sementes de C. 1986. ácidos monoenóico. emodina. Das superfícies das folhas de C. J. 1990). questina. 1985).. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al.. roxburguina. Foram isolados das sementes de C. 1985). germicrisona.. De C. Das sementes de C. 1978). mirístico. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. roxburguinol e um novo estilbeno. Singh.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav.. 1.. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1982) e das raízes (Singh & Singh. 1977) e os ácidos cáprico. crisofanol.1987. 1986). l. dienóico e trienóico (Zaka et al.. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. Telange et al. alfa. palmítico. occidentalol-2. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. Das folhas de C.. pinselina. roxburguina (Ashok & Sarma. 1989)..7-dihidroxi-3metilxantona. 1990). Da raiz de C. 1987). 1987). 1989a). hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. 1988b). 1979). crisofanol. 1996). bis (tetrahidro) antraceno.. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele.. J.. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. além de flavonas (Guptaetal. De C. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1986). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. occidentalol-1. occidentalis foram isolados pinselina. . 1989). 1988a). e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. 1987). O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido..e beta-amirina. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. De C. triglicerídeos (Zaka et al. & Singh. 1987). 1987). esteárico e oléico (Alencar et al.

o senosídeo é o principal desses derivados. De C. obtusofolina. Asamizu et al. De C. 1989). succínico e tartárico (Matsuura et al. além de ácido palmítico. 1984). . 1988). 1986). colesterol... O perfil fitoquímico de C. 1988). Metil palmitato e metil oleato. 1986). estigmasterol. e das folhas. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido.. o aminoácido histidina (Zhang et al. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. beta-sitosterol e l. De C. obtusifolina e estigmasterol. 1997). ácido crisofânico. m-cresol. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. 1977).Das raízes de C. esteárico. flavonóides (Wassel & Baghdadi. além da presença de beta-sitosterol. flavonas. 1986. 1987) e emodina (Yang & Wang. questina. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona.. emodina.. linoléico. De C. 1987. obtusina. crisoobtusina. 1986). polissacarídeos (Khare et al. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. 1990).. 1989). 1988). oléico. De C. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al.. obtusifolia foram também isolados obtusina. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1980) e os ácidos palmítico.. antraquinonas (Zhang et al. De C. aurantioobtusina. 1979). Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico.. 1986). 1988).. flavonóides (Crawford et al. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. 1987). . 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. 1985). angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1990). torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. Ishidaet al. oléico e linoléico.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1989). acutifolia quanto à presença de aminoácidos.. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. 1978)... flavonóides (Wassel & Baghdadi. glicosídeos. fisciona.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. malválico.. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. angustifolia não difere muito do de C.. Nas sementes de C.

De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. 1989a).. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. malválico.. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. reina. 1987b.. As cascas do caule de C.Ahuja et al.De C.. 1987).. De C. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. 1977). 1988) e antraquinonas (. De C. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. 1981). 1990a).. oléico.senosídeos das folhas de vagens de C. 1988). arginina. beta-amirina. 1988). De C.. Das cascas do caule de C. flavonóides (Srivastava & Gupta. palmitato de beta-sitosterol. ácido glutâmico e aspártico. treonina e leucina). carboidratos. esteárico. triacontano. 1987b). fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al.. ácido behênico.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. fistula (Cano Asseleih et al. Das folhas de C. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. butirospermona. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. 1990). fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. 1990). ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. De C. palmitato. 1991). 1978). laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. fistula e C.. proteínas brutas. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. behenato de beta-sitosterol.. javanica apresenta nonacosano. fistula e das cascas de C. 1990). 1990). linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. Das vagens de C. linoléico. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1988). O óleo da semente de C. triptofano. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. emodina. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. Das raízes de C.. aminoácidos (lisina. renigera possui ácidos vernólico.. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. O extrato das folhas de C.. Do óleo das sementes de C. 1987). Chowdhury et al.. glauca foram isolados os ácidos palmítico. 1988). 1990). Das sementes de C. 1978). . araquidato de beta-sitosterol.

De C. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. B. 2-methoxistipandrona. 1977). linolênico. 1986. 1985).. marginata (Kumar et al. 1987). falacinol e uracila (El-Sayyad et al. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1989) e nas sementes de C. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. C.. emodina... 1988).. fastuosa foram isolados os glicosídeos. ácido quelidônico.. De C. araquídico e behênico (Khalid et al.. 1987. linoléico. fisciona. De C. 1988). siamea (Khan et al. oléico. pumila foram isolados tetratriacontanol.. estérico. 1978). 1987).4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al..Das partes aéreas de C. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. 1986).. C. palmitoléico. palmítico.. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. mirístico. 1989). 1990). 1988). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. Cassia javanica (Azero et al.. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. (Baba et al. emodina e rheina) (Krambeck et al. Das sementes de C.. De C. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol... 1985). dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. javanica (Singh & Jindal. 1997). além de alcalóides (Christofidis et al. 1988). 1987). Sen et al. spectabilis foram isolados antraquinonas. A composição dos ácidos graxos de C. De C. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. Das flores de C. R. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. 1986 e 1987).. Das raízes de C. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. 1989). C. Das folhas de C. 1977). Cassia laevigata (Singh. 1988).. sericea (Muralikrishna et al. ..

purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar.. et al.. 1999).. O. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. Amaral et al. Munoz et al. Bacchi & Sertié. 1996. O. 2001) e antimolarial de B. anticoagulante (Milagres et al. 1994. et al. guianensis (Kittakoop et al. Nakamura et al. C.. et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. Extratos de C. antiinflamatória (Carvalho. et al.. 1998). Os inibidores da aldose reductase. 2002. sapanchalcona.. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. antimicrobiana (Cebalhos et al. analgésica (Carvalho. 1991). 1988).. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.. malabarica e B. 1986). E. 2000). Lopes et al.. 1990) Lima.. candicans (Pepato et al. Rossi-Ferreira et al. 1987). ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1991). 1977).. O uso crônico de B.. contêm caesalpina P.. 1995. 2001. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson.. Estudos mais recentes têm apontado C. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. Lemus et al. J. T. 1985). e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. antiedematogênica. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. C. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. 1998). A espécie C.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 2002a e 2002b). De C. 1986).. 1995. tarapotensis (Braca et al. 1976) e proteínas de C. 2000. J.forficata e B. leiostachya (Moura et al.. 3- .. 1997).. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos..... 1996). com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al.

que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. Schmeda-Hirschmann et al. de relaxamento do músculo liso. 1989). antifúngica. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. . Sama et al. 1985)... principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 1997).. 1976) e. 1993. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. inibitória da hemólise. 1996). 1999).... hipotensiva. Feng et al. antiviral contra hepatite B (Patney et al.. Caceres et al. 1962). antiparasitária. 2001). antimalária (Gasquet et al. antibacteriana. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1987. 1991. 1987).. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al.. Hussain et al... 1994. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1997). sappan como ingredientes ativos (Morota et al. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim.. De C. in vitro. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al.. Cassia Nas folhas de C. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. 1995a). hepatoprotetor (Jafri et al. 1996). Sadique et al. A brasilina isolada de C.. 1992. O extrato metanólico de C. vasoconstritora.. protosapanina A. de estimulante uterino (Saraf et al. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum.. 1978..deoxisapanona.

1986a).. 1985)... 1979) e C. 1989).. As folhas de C.pudibunda (Cavalcanti et al. 1988). 1989). 1990). garrettiana foi isolada a 3.. obtusifolia (Kitanaka & Takido.5'-tetrahidroxistilbene. A fração polissacarídica de C. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. espasmolítica com subs- . Estudos com as sementes de C. 1991). garrettiana (Inamori et al. e C. Os resultados finais indicaram que tanto C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. utilizando as folhas de C. Nas sementes de C. acutifolia.. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1984). 1989). glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). 1986). O extrato a 10% das folhas de C. 1990). Crawford et al. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al..4. 1990. De C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al.Das sementes de C. acutifolia como controle positivo.. lugustrina (Abhaham et al. 1990). O extrato das folhas de C. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1988 e 1989). 1991). pudibunda (Cavalcanti et al. 1988) e C.. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. ADP e colágeno (Yun-Choi et al.. citotóxica com extratos de C. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. C. As antraquinonas de C.3'. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos.. As sementes de C. alata quanto C.

Salienta-se que a espécie C. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C.. Colvin et al. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. purgativa dos glicosídeos de C. diarréia. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. 1986b). Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. amplamente utilizada pela população. ferrea. como substituta do café. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. anemia. que apresentaram um quadro de ataxia. 1984). O gênero Cassia produz.. vômitos. 1979). talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. . em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. fistula (Babbar et al. antitumoral com extratos de C. A espécie C. cavalos e cabras. 1985). C. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado... especialmente por crianças. na forma fresca. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. 1979). apatia. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. cólicas abdominais e diarréia.. 1986. 1991). 1979) e C. 1987). em razão de seus efeitos hepatotóxicos. fistula (Bhardwaj & Mathur. caracterizado por náuseas. em geral. 1998).. 1977) e antivirótica com extratos de C.. A administração de folhas de C. roenwilana (Rowe et al. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. cansaço e dores. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. dispnéia. angustifolia (Nakajima et al... seca e/ou torrada. em muitos países. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. 1986).tâncias isoladas de C. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. Seu consumo indiscriminado é perigoso. pumila (Fatawi et al. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al.. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. 1985). quinquangulata (Ogura et al. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado.

Sophoreae: Sophora. Crotalarieae: Crotalaria. onde se encontram plantas (Barrozo. Dypteryxeae: Dypteryx. Myrocarpus e Ormosia. Diplotropis. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Indigofereae: Indigofera. 1978). Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Genisteae: Lupinus. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Psoraleae: Psoralea. Dioclea e Mucuna. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Cajanus. Trifolieae: Medicago. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Canavalia. Nos estudos realizados na região amazônica e . sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Dalbergieae: Dalbergia e Andira.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Cymbosena. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Abreae: Abrus. Millettieae: Tephrosia. Derris e Lonchocarpus. Vicieae: Vicia e Pisum. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Robinieae: Sesbania e Robinia. um importante produto alimentar no Brasil —. Desmodieae: Desmodium.

Espécies medicinais Cajanus cf. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. com ampla utilização em diversos países. oblongos. Erva-do-congo. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Cuandu. na Mata Atlântica. Feijão-de-árvore. compostas de três folíolos aveludados. de onde partem folhas pecioladas. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. as quais são descritas a seguir. A espécie possui um grande valor econômico. Ervilhade-angola. Andu. flores vistosas. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. 1984). podendo atingir 3 m de altura. . comprimida. fruto do tipo vagem linear. mas há divergências quanto a essa classificação.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. pinadas. gripes. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. com ramos angulosos. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. Guandu ou Feijão-guandu. dores de barriga e diarréia e a infusão. sendo ainda forrageira. dispostas em pedúnculos axilares. No restante do Brasil é conhecida como Guando. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. contra constipação nasal.

1997). com ramos tomentosos. de Flor-da-terra. e foi descrito por George Benthan. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". pediceladas. fruto do tipo legume falcado. menos freqüentemente. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. Nomes populares A espécie é chamada. em forma de bote. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. oblongos. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. descrito por João de Loureiro. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. reunidas em fascículos. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. flores rosas. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. na Mata Atlântica. significa "pele dura". O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. acuminados e glabros. flores rosas. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália.Cymbosema roseana Bent. por arbustos ou árvores. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero Derris. . referindo-se ao legume.

Outros nomes populares são Amores-do-campo. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. corola dialipétala. didamídea.5). Dados botânicos Erva de pequeno porte. cilíndrica. sementes sem endosperma (Figura 18. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. com cálice gamossépalo. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. flores fortemente zigomorfas. revestida de pêlos curtos. com folíolos articulados na base. fruto do tipo legume linear. Derris floribunda Bth. ereto e com raiz bastante lenhosa. compostas. externa. coriáceo.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. folhas alternas. folhas pecioladas. pentâmera. Trevo-da-flórida. com uma grande pétala superior. trifoliadas e .) DC. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. a prefloração da corola é imbricada descendente. hermafrodita. Desmodium tortuossum (Sw. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã.

Cutiubeira.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. pequenas. fruto do tipo vagem. misturada com enxofre. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com ampla distribuição no Brasil e no México. Dados da medicina tradicional A semente ralada. pinadas e folíolos glabros.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. Sicupira. plano. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Sapupira-preta. com folhas compostas. O nome do gênero significa "feixe". coriáceos. . botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. com sementes pretas e duras (Figura 18. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. todas conhecidas como Sucupira. Paricarana. Sucupira-da-terra-firme. Sapupira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flor com estandarte longo. Sapupira-da-mata. fruto do tipo legume. O nome Diplotropis significa "duas carenas". reunidas em racemos. vexilo oblongo provido de apêndices na base. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Outros nomes comuns são Favinha. Cutiúba. Diplotropis purpurea (Rich. Sapupira-da-várzea. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. referindo-se à disposição das flores. Sebipira. tendo um apêndice na base. indeiscente.6). ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis.

folhas grandes. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. caule reto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates.Dipteryx odorata (Aubl. que. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. . com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. doces. Umburana e Kumbaru. e na produção de perfumes. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. charutos. dispostas em panículas pubescentes. na região amazônica. Imburana. Cumaru-amarelo. quando passados sobre as costelas. O nome do gênero significa "duas asas". aromáticas. grosso. Nomes populares A espécie é chamada. alternas. Cumar-do-amazonas. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. podendo atingir até 35 m de altura. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. servem para tratar a pneumonia. de Cumaru. compostas. de cor verde-amarelada. se fendem liberando a semente roxo-escura. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. flores vermelhas. pecioladas. de pequena espessura. quando maduros e secos. cigarros. alimentos e uísque. imparipinadas. frutos em forma de vagem drupácea. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. Imburana-de-cheiro. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. além da famosa fava de cumaru.) Willd. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. 1991). referindo-se ao cálice. Cumaruzeiro.

para aliviar dores de garganta e. contra qualquer inflamação. narcótico e estimulante. frutos em forma de vagem verde. emenagogo. podendo atingir até 3 m de altura. compostas de sete a nove folíolos. contendo casca de pequena espessura. diaforético. . folhas grandes. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. imparipinadas. pecioladas. contra contusão e reumatismo. aromáticas. antidispéptico. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. emenagogas e cardíacas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. grosso. flores vermelhas. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. internamente. diaforéticas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. cardiotônico. alternas. antiespasmódico. antitussígeno. e os palikur. como reconstituinte das forças orgânicas. 1991). A planta é de grande ocorrência na Amazônia. febrífugo. para banhos fortificantes de crianças. Em outros lugares. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. caule ereto. diaforético. essa espécie é utilizada como anticoagulante. dispostas em panículas pubescentes. pela presença de Cumarina. com semente oleosa e aromática.

Nomes populares A espécie é chamada. Óleo-pardo. de Cabreúva.. portas e janelas de luxo. 1974). A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. indicadas nas lesões do sistema respiratório. urucu. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. sendo muito usada na indústria de cosméticos. assim como a casca. para fabricação de carroças. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Bálsamo e Pau-de-óleo. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". Pau-bálsamo.Myrocarpus frondosus Aliem. outros compostos . possui aroma balsâmico. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Outros nomes são Cabruê. compostos 5-9 folioladas. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. A madeira. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. tinturas e perfumaria. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. com casca rugosa no caule. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo ainda expectorante peitoral. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. de ocorrência na América do Sul. a mais estudada é a D.

. oblonga e D.. homoadonivenita (Batyuk et al. heterocarpon e D. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. D. 1986). incanum DC. benthmii (Fellows et al. B e C). 1993. 1978). De D. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A.. aparines (Link. Das raízes de D. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. canadense (L. 1978).. 1985) e D. 1988). araripensis (Nascimento et al. glutinosum. Da espécie D. N. lipídios. reticulata. senegalenseína. Do caule de D.. spruceana (Garcia et al.. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al... 1995b) e D. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. lupinifolina e laxiflorina. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al.. do seu caule e de suas folhas. 1978. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. 1995b). 1973b) e saponina (Parente & Mors.. obtusa (Nascimento et al. . D. Foram isolados alcalóides de D. 1961.8-difenileriodictiol. 1986. E em D.) DC. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. Lin & Kuo.. 1997).. epoxilupinifolina e dereticulatina.) DC. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. D. 1994)... 1997). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. D. 1978). deguelina e tefrosina (Ahmed et al.... tortuosum. e das raízes de D. et al. crisantemina e cianina (Matinod et al. Flavonóides também foram isolados em D.. 1977). 1994). Rao M. spruceana. As espécies D. 1996). D. 1954). elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. 1991.. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. Nascimento & Mors. D. hiravanona. amoena. frutescens. foram isolados os flavonóides desmodina.rotenóides (Braz Filho et al. 1989). enquanto de D. também denominada D. Bell et al. Desmodium De D. proteínas. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds.. 1989).. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. Em D.. adhaesivum Schldl. 1977).. 1962). laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1976) e D. canarensis (Evans et al. ou D. laxiflora Lin et al. foram isolados. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. Nakatu et al. Kimetal. 1976. os flavonóides.

cinereum (Kunth) DC. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. . leptocladina. gangetina. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. gangeticum (L. caudatum (Thunb. hordenina. 1973). normacromerina. 1969. Em suas raízes foram isolados abrina. 1964) foram todos isolados de D. hordenina. beta-carbolina. Purushothaman et al. 1963). 1984. N-N-dimetil-3. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. Nakatu et al. e de D. ácido octacosanóico. hipoforina e os alcalóides. Ghosal & Bhattacharya.. os flavonóides hiperina.. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. ario-inositol e betapinitol. De D.. N. 1972. os alcalóides candicina.. hipoforina. Em D. cinarascens A. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. 1975). Bell et al.Os alcalóides bufotenina.) DC.. 2-feniletilamina. salsolina. possui os flavonóides dalbergioidina.. bufotenina N-óxido. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. elegans DC. O-metilbufotenina.N-dimetiltriptamina. tiliafolium G. 1971). e o esteróide antiosídeo (Alaniya. difisolina. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. 1949) e a canavanina (Van Etten et al.. 1972). foram isolados mangiferina. isoquercitrina. 1-octacosanol. genisteína. também muito usado medicinalmente. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. desmodina. 1978).4-dimetoxifenetilamina. os flavonóides desmodol (Ueno et al. kaempferol e quercetina. A espécie D. Nmetiltiramina. também denominada D.. gangetinina. desmocarpina.) DC. além de canavanina (Beveridge et al. galactopinitol A. salsolidina. 1983). intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. O D. intortum) possui carboidratos. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. Don. 1962. betaína. 1977. Purushothaman et al.4-dimetoxifenetilamina. 3.

7-hidroxiflavona. 1997). também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. Adinarayana & Syamasundar. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. b-sitosterol. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al... 1965)... podocarpum. 1989). e os alcalóides colina. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. 1989). ovalifolium (Giner-Chavez et al. nonacosanos.. multiflorum. 1961 e 1962. 1995). formononetina. ojeinese. triflorum (L.) DC. Bell et al. De D. floribundum. 1977. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. Mukherjee et al. 1978). e de D sandwicense E. isovitexina. Perez-Maldonado & Norton. compostos estes também isolados em D.... foram isolados os flavonóides dalbergioidina.. De D. o terpenóide lupeol.1995. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. Kubo et al.. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. 1982. foram isolados os flavonóides apigenina. De D. ácido indol-3-acético. também denominado D. lupeol. pinitol e canavanina (Beveridge et al. 1966). 1986. De D. feniletilamina. estigmasterol. também conhecido com D. De D. De Desmodium uncinatum (Jacq. 1968). De D. vitexina e xilosilvitenina. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. 1971. Anjaneyulu et al. triquetrum foram isolados friedelina. Sreenivasan & Sankarasubramanin. 1963a e 1963b. laxiflorum foram isolados heptacosanos.. heptacosanol. homoferreirina. 1989. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. racemosum.. e os flavonóides isoliquiritigenina. 1985). 1996).. os terpenóides beta-amirina. N.. tricosanol. kaempferol. estigmasterol. Amor-de-velho-comum. flavosativasídeo. 1989). Kubo et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta..) DC. 1965. 1962). trigonelina e tiramina (Ghosal et al. e de D. De D. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. e de D. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. vitexina. inositol. Ahluwalia et al. 1995).N-dimetiltriptamina N-óxido. 1984).. .

De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. .1973a). 1982).. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.3epimetoxilupanina. 1.

Das sementes da espécie D.. . odoratina. além dos terpenóides betulina. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. punctata (Gruenwald. odorata apresenta um grande valor comercial. punctata (Gruenwald. alata foram determinados 40% de óleo.. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. Nakano et al. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1995). A espécie D. alata foram determinados 40% de óleo. 1994). ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. retusina). 1995). lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1952). 1952). lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. 1991). 1995. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al.. Das sementes de D.. pois suas sementes são ricas em Cumarina.. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. isoflavonóides (Lourenço et al. De D. De D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. odoratina.. 1993). 1994).. flavonóides (dipterixina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). odoratina. De diferentes partes de D. Togashi. flavonóides (dipterixina... retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. 1966). 1994).. odoratina. além dos terpenóides betulina. 1996).Dipferyx De diferentes partes de D. 1981). 2000. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. cumarinas (Ehlers et al.

De Derris sp.. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Aragão & Valle. 1997)... 2001).. micou. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. urucu e D. também conhecido como Timbó. 1987). Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. Derris sp e D. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. 1999. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. .. Datta & Bhattacharrya..Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1972). 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. 2002). 1997). 2001). Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. De D. Das raízes de D. 1998.. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. O extrato etanólico de D. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. Foi isolada das raízes de D. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali... nicou (Costa et al. 1997). gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. 1979). D. 1996).. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico...

. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. Tolera & Said. 1988). canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1996. 1996). adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. O extrato de D. 1997). D... B e C. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. 1999). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio.. O extrato aquoso de D. 1997). 1997). além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. styracifolium. 1987). que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al.A D. O extrato de D. e os taninos isolados de D. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1989). ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. De D.. ... intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al.. 1988).

distribuídas em cinco tribos. M. 1993). Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. muitos deles de valor medicinal. urucum provoca irritação da pele. Calliandra.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. 1991).Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2.950 espécies descritas. 1987). Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. Mimosa.. 1996). et al. Leucaena. Zollernia e Acácia. das sementes de D. das quais destacamos os gêneros Parkia.. Adenanthera.. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. . Y. Prosopis.. Inga. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. Albizia. 1998). vômito. doses elevadas podem causar náusea.

Ingá-grande e Jambolão. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Zollernia ilicifolia Vog. a espécie é chamada de Mocitaíba. pecioladas. Nomes populares A espécie. com grande ocorrência na Amazônia. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. na região da Mata Atlântica. Laranjeira-do-mato. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. flores reunidas em espigas terminais. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Moçataíba e Orelha-de-onça. compostas por folíolos ovais. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. . Em outras regiões do país. pinadas.) Willd. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). é chamada de Espinheira-santa. repletas de glândulas.

1991). Maytenus ilicifolia). oerstediana e I. laurina. 1973). I. 5.4'trihidroxi-6. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. sertulifera. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. I. longispica.7.8-dimetilflavona (Correa et al. 6. I. a antiga casa regente prussiana. Foram isolados alcalóides das espécies I. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. e o nome deriva de Hohenzollern. incluindo dores. parviflora foram isolados os constituintes 7. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. I. stipularis (Kraus & Reinbothe. farmacológicos e toxicológicos.. I.3'. 1996).4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. alba. . nobilis. paterno (Morton et al. bourgonii.7). I.3'4'-trihidroxiaurona e 7. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. com margens onduladas e providas de espinhos. I. I. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var.oblongas. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.. semialata. flores rosadas (Figura 18. heterophylla.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.

S. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.FIGURA 18. Reis). .1 .Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore.

FIGURA 18.Caesalpinia ferrea.2 . Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .

3 .FIGURA 18. 1984). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . b) escanerata do ramo com flores e frutos.Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 18.4 . 1939).

FIGURA 18.5 .Derris floribunda.Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .

Diplotropis purpurea.6 .Banco de imagens - .FIGURA 18. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

Zollemia ilicifolia. Reis). S.7 .FIGURA 18. . Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.

Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. assim come outras espécies de valor econômico. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Melastomataceae e Myrtaceae. A. Punicaceae. da famosa Romã. C. e as duas famílias aqui descritas. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. 1978). com inúmeros representantes no Brasil. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas.19 Myrtales medicinais L. 1997).950 espécies. que incluem espécies medicinais. distribuídas nos 188 gêneros. arbustivas. Di Stasi C. São plantas herbáceas. a Punica granatum. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. que inclui o gênero Punica.

Huberia. ou Pixirica. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. na região amazônica. com folhas ovais e cordiformes. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. Salpinga. ambas pela indicação popular na região amazônica. Neste estudo. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. nervadas e pubescentes. essa espécie é chamada de Quaresma. ereto e piloso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. roxo. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. fruto do tipo baga. flores pequenas. 1998). que descreveu inúmeras patologias em plantas. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. . foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Miconia. brancas ou rosas. em outras regiões.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. dispostas em cimeiras. Microlicia. Nomes populares Na região amazônica.) DC. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora.

Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. bem representada na Austrália. Pseudocaryophyllus. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Essa família inclui gêneros como Myrtus. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1990). cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Leptospermum e Melaleuca. Eucalyptus. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. e várias outras em climas temperados. Psidium. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Pimenta. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores.. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. planas. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Eugenia. oeste da Índia e América tropical. Os . 1997) arbustivas e arbóreas. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos.620 espécies (Mabberley.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. de onde partem folhas de pecíolo longo. Syzygium.

1998). além de óleos essenciais. taninos. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. com folhas pecioladas. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. especialmente as flores. leucoantocianinas. oblongas e glabras. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. bastante aromáticas. E uma espécie exótica. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. flores pequenas. congestão nasal e dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. rosas ou avermelhadas. Eugenia (Pitanga. Cereja-nacional. dispostas em corimbos.constituintes dessa família incluem. 1996). Araçá). fruto do tipo drupa. as partes aéreas do Cravo-da-índia. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). ácidos fenólicos e ésteres. cultivado ou adquirido no comércio. opostas. . enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. para o alívio de dores de dentes. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. No Brasil. são usadas no local. Myrciaria Gabuticaba).

contra diarréias. existem registros para a espécie como Goiabeira. que é a denominação em grego da planta. Araçá-goiaba. folhas opostas. botões florais tomentosos ou glabros. internamente. significa "triturar. no entanto. de sabor agradável. edema e. Araçá-guaçu. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. doenças da pele.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. brancas e com numerosos estames. Araçáguaiaba. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. 1984). referindo-se aos frutos. ovadolanceoladas. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. A infusão dos frutos. Na região da Mata Atlântica. curto-pecioladas. O nome do gênero. actinomorfas. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. morder". por outras.1). esmagar. diclamídeas. é indicado contra diarréia. Guaiaba. com caule tortuoso e casca lisa. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. o chá das folhas novas. galhada. é útil contra hemorróidas. flores hermafroditas. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. Guaiava. Provém de psidion. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. e. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. para regulação do ciclo . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Psidium. fruto com baga amarela. fervidos. os brotos de goiaba e de caju. com cálice membranoso. usada externamente.

no Rio Grande do Sul. Grenand et al. 1988). misturado com folhas de pitanga. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. curto-pecioladas e glabras. o chá das folhas. o chá da folha. Duke & Vasquez. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. misturado com folhas de salva-de-marajó. 1984). antileucorréica. brancas e com numerosos estames. 1987. igualmente usados como alimento. indisposição estomacal e vertigem (Forero. 1992). guineense Sw. antidiarréica. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. diclamídeas. 1994). 1982. de polpa abundante. Psydium cf. em Minas Gerais. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. no Piauí. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. actinomorfas. botões florais tomentosos ou glabros. guajava ainda são utilizadas na América Latina. 1986). fruto com baga amarela. folhas opostas. Central. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. com cálice membranoso. e o decocto. 1982). Grandi & Siqueira.menstrual. lavagens de úlceras.. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. como estomáquico. flores hermafroditas. é antidiarréico (Amorozo &Gély. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. sendo facilmente confundida com esta. como também os frutos. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. principalmente em diarréias infantis. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. . 1982).. 1980. As folhas de P. anticolérica e antiúlcera. no Pará..

Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. -terpineol.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.... 1996). dos quais 13 são aldeídos. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos.. Zheng et al.1-díetoxietano. 1978). 1987. Ortega & Pino. 1989. humuleno. 1986. óxido de humuleno. e 95% são cariofileno (Latza et al.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.. 1990. 1996). 1989. 1987). borneol. Oliveros-Belardo et al. -guaieno. 1996. acoradieno. -bergamoteno. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 1994). 1989. denominados 1.. 1990. -bisaboleno. vitaminas C e A. 1987. 1. Wilson & Shaw.. 1968). 10 ácidos. t-cariofileno. alcanos. 31 alcanos. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. ésteres. 1968. Ortega & Pino.1-dietoximetano. 122 componentes voláteis. cetonas. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno.. himacaleno. Yusof & Mohamed. -cubebeno. 1982) e quercetina. -santaleno. açúcares. O dehidrodieugenol. Pino et al. p-menten-9-ol. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. Marcelin et al. 1987). 28 ésteres. -cedreno. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. 1990).. aldeídos. cremoflieno. Chyau & Wu. p-cimeno. derivado de eugenol. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. 1991).. apresentou atividade depressora do SNC... além de taninos (Misra & Seshadri. Pino et al. 1981).. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al... polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. mirceno. pectina. 17 cetonas. As diferenças quantitativas e qua- . 1994). lignina. 1996). 1.

. Ácido elágico. Hegnaurer. 1981). 1987). 1986). 1987. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 1979b. d-galactose. (1994) e Neri et al.. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. 1987).. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu.. ácido oleanólico (Mair et al.. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero.. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. flavonóides. guaijaverina. A atividade antibacteriana das cascas de P. 1974. 1991). Jain et al. oléico e esteárico (Opute. Lima Filho et al. óleo essencial (Ji et al. 1987). d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. e Maruyama et al. O interior das cascas é rico em ésteres. polifenoloxidase (Augustin et al. 2002.. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica.. Okuda et al.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 1987). alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. 1986). 1996).. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. 1978). Chen & Yang (1983). O extrato aquoso tam- . Osman et al. palmítico. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al.. ácidos linoléico. 1989).. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al.

A. A quercetina isolada de P. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. PonceMacotela et al. O extrato de folhas de P. Lozoya et al. Cheng et al. 1990. 2000. De P. Morales et al. A. et al. 2002. Lutterdodt et al.. 1994. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1994. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 1996c. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al.. 1988) e tosse (Jaiay et al. 1970). 1994). 1994). Cáceres et al. A. propriedade anticatártica (Pinto et al...bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. 1995). incanescens (Santos.).. Grover et al... Lozoya et al. et al. widgrenianum (Souza et al. F. 1999). 1995).. (Santos et al.. anticonvulsivante (Santos. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos.. guyanensins..... guyanensis (Santos. O óleo essencial de P. et al. e antitumoral de P. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. 1994.. A. 1989). pohlianum e Psidium sp. et al. Lutterdodt. 1996b) e P.. 1990. Meckes et al.. P.. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. guyanensis.. e eugenol e timol de P. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. P. 1993. Lutterdodt. F. .. et al.. 1996a) de P. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. F. Shimomura. 1989. Do extrato hexânico das folhas de P. 1983). 1996a). F. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 1996). Cáceres et al... 1994. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P.. 1997. 1998). incanescens (Zelnik et al. óxido e b-selineno). guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. 1995. 1993. F. 1999). Das cascas de P. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. 1992. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. A. 1995). Santos et al...

1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .Psydium guajava.FIGURA 19.

que possuem espécies medicinais. Os principais gêneros dessa família. são Celastrus e Trypterygium.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. nos quais se distribuem aproximadamente 1. com atividade antifertilidade masculina. Seito F . que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. e Maytenus. gênero de grande valor medicinal. ambos contendo espécies amplamente estudadas. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. a família Celastraceae. C. N. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. e apenas uma delas. representa importante fonte de espécies medicinais.G. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. Di Stasi L. 1997). . aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. Austroplenckia.20 Celastrales medicinais L.

ápice agudo. atingindo até 9 cm de comprimento. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. copa globosa e ramos glabros. de onde partem folhas elípticas. . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Maytenus aquifolium M.cancerosa. fruto do tipo cápsula ovóide. Cancerosa. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com acúleos. Erva. Espinheira-divina. dores nas costas e úlceras do estômago. Também é conhecida como Sombra-de-touro. ex Reiss. arbusto menor (de 1 a 3 m). axilares. Espinho-de-Deus. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. de Espinheira-santa. amarelo-avermelhado. gastrite e ulcera péptica. denteadas. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). na região da Mata Atlântica. Salva-vidas. bastante coriáceas. glabras. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Nomes populares A espécie é chamada. dor do "ciático". Erva-santa e Congorça. flores numerosas.

A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 2001) e triterpenos cetônicos de M.. 1998).Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. Da infusão das folhas de M. 1995.. fruto do tipo capsular. Foram isolados das cascas de raízes de M.. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. 1997). 2000). amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. 1995a). serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. arbitifolia (Orabi et al. podendo chegar a até 4 m de altura. Dados químicos De M. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al.. 2000). flores pequenas e axilares. Foram também isolados um glicosídeo. De M. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia... Das sementes de M. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. heterophylla e M. krukovii (Honda et al. . vermelho. contendo folhas alternas. oblongas.. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. 1995). com ramos finos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica... 1999)...

G alfa e G beta. triterpenos do tipo friedelana. 1992b). 1994). Das folhas de M. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al.30-diol (20). e escutidina alfa A foram isolados de M. 1993). 1995a).. além de epicatecol. 7.. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 1999a e 2000). E-I e E-II (Itokawa et al. 1998). os triterpenóides beta-amirina. ácido oleanólico e ácido betulônico.30-lup-20(29) ene-triol e 28. 1996b). lup-20(29)-ene-3beta.. os triterpenos 3-beta.. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. Sesquiterpenos foram isolados de M.. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. E-IV. xuxuarinas F beta. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. iliocifolia (Shirota et al.. e outros triterpenos (Gonzalez et al. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. os triterpenos fenólicos canarol. E-III.8dihidroisoxuxuarina E alfa. emarginatina-E e emarginatinina. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. De M. 1998).. lupeol. foram isolados das folhas de M.. As cascas das raízes de M.28. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. 1994).. cangoronina e ilicifolina.. emarginatina-D. 1991b). 1992). chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides.. ilicifolia (Itokawa et al. E-V. . canaradial.Gonzalez et al. 1999).16. Além disso.21-trione (Nozaki et al. além de pristimerina. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos.. Dos ramos de M. De M.. 1993a e 1993b). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). chuchuhuasca (Shirota et al. macrocarpa (Chavez et al... 1994b).. betulina. E-II. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al.. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. Dos ramos de M. 1997). bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 1991). 7 alfa-hidroxicanarol. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. 1994).

1996b). isolados de M. 1996b). maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. O composto escutiona isolado de M. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al.. 8 beta. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. catingarum (Alvarenga et al. M. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 1996). Wang et al. De M. G.. 8 beta. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M.. -15-triacetoxi-l alfa.. et al.M. scutioides (Gonzalez et al.. 2000. senegalensis e M. 6 beta... Nor-triterpenos isolados de M. 1999). assim como outro nor-triterpeno isolado de M.. 1999b).. 1999). Gonzalez et al. 1971. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. 1984). 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina.. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.. 1999a). . canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. 1981). 2001). Dados farmacológicos M.. myrsinoides (Baudouin et al. 1971). 1996a). 1981) e antimolarial ( El Taher et al. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. assim como os compostos 6 beta.. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al.. 1999). scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. Alcalóides foram isolados de M. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. macrocarpa (Chavez et al.. A... 1996c)..

O extrato diclorometânico de M. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. As folhas e caules de M. 1999). Queiroz et al.. . Gonzalez. et al. 2001.. 1991. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 1991. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas.. 2000). 2002).. F. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. Oliveira et al. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina... ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al.. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. 2001). G.

A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. com aproximadamente trezentas espécies. com importantes espécies fontes de madeiras. ocorrem 32 gêneros. Vochysiaceae e Krameriaceae. No Brasil. . Trigoniaceae.100 espécies tropicais. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Polygalaceae. 1978). arbustos e lianas (Mabberley. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. bebida alucinógena.21 Polygalales medicinais L. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. C. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Byrsonima. Malpiguia e Stygmaphyllon. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. além das duas referidas a seguir. 1997). Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. especialmente árvores. contendo cerca de 1. corantes e de medicamentos. ambas com várias espécies medicinais. usada na produção da Ayahuasca. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae.

Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. contra icterícia. dor de estômago e gripes. arredondadas. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. externamente. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira.) Juss. e. de folhas cordiformes. significa "estigmas foliáceos". bastante pubescente. . no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. glabas na face superior e sedosas na face inferior. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. grande e robusta. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. Gordura-de-porco ou Cajuçara. nas raízes formam-se grandes tubérculos. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies.) Juss. O nome do gênero Stigmaphyllon.

Meliaceae. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Essa ordem. especialmente dos gêneros Simarouba. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Simarubaceae e a outra família. além das espécies aqui citadas. Ailanthus. Rutaceae.22 Sapindales medicinais C. M. que contém. destacando-se as famílias Burseraceae. . Quassia. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. C. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. A. Das demais famílias dessa ordem. Hiruma-Lima A. Oxalidaceae e Balsaminaceae. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Souza-Brito L. Sapindaceae. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. R. especialmente no Sistema Nervoso Central. essas espécies serão descritas a seguir. o Guaraná. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Picrasma e Brucea. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. Simaroubaceae. inúmeras espécies medicinais. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Anacardiaceae. Cupania e Serjania.

reúne setenta gêneros. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. Spondias. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). com aproximadamente 875 espécies. Essa família botânica inclui árvores. Desses gêneros destacam-se. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. distribuídas em regiões tropicais. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Manga e Pistache. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Spondias e Schinus. tais como Caju. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. lianas e raramente ervas pereniais. Do mesmo gênero. Schinus. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Nessa família. 1997). Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). subclasse Rosidae. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. nos países de clima temperado. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. arbustos. Além dos usos medicinais. No Brasil. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. A espécie Mangifera indica. pertence à ordem Sapindales. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. descrita por John Lindley. Mangifera. Semecarpus (Semecarpeae). relatados a seguir. as espécies Pistacia lentiscus. amplamente consumida . Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela).

com tronco de casca lisa. Caju-assu. . Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. dispostas em panículas. não foi referida na região de estudo como medicinal. de 25 a 30 m de altura. entre outras tribos indígenas. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. o fruto em forma de drupa é peduncular. sendo também denominada Cajuaçu. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Pará e Mato Grosso. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. ovário súpero com um só óvulo. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. especialmente no Amazonas. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Caju-da-mata (Amazonas).como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). perfumadas. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica.1). O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Engl. Cajuí. as flores. possuem sépalas e pétalas pentâmeras.

O . onduladas. raspa de amor-crescido e cajá. ou simplesmente Caju. significa "semelhante ao coração". entre outras. pecioladas.Anacardium occidentale L. É uma planta decídua. Anacardium. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. O nome do gênero. Caju-manteiga. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. Caju-de-casa. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. ovário unilocular. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. plástico e resinas. as folhas são alternas. assim como a própria castanha. Caju-da-praia. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. reticuladas e nervadas em ambas as faces. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. várias outras denominações são usadas para a espécie. em referência ao nome de seu fruto. O óleo é usado na produção de borracha. o fruto é do tipo aquênio reniforme.2). no entanto. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. Acajuíba. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Cajumanso. as flores. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. com um só estame fértil. possui importante mercado nacional e internacional. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. glabras. heliófita e que cresce bem em solos secos. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. Contra diarréia. tais como Acajaíba. ovadas. Economicamente. pequenas e de coloração pálida. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. Para hemorróidas. tomando-se um copo por dia. o óleo da castanha.

1993. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. 1992). O pericarpo tem utilização como anti-séptico. assim como um potente adstringente. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. Em Juiz de Fora (MG). 1995). como um diurético. 1994. 1982). depurativo e anti-sifilítico. P. a casca é utilizada como adstringente. 1984). utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie.. para controle das secreções vaginais.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. uma infusão de folha é usada contra diarréia. debilidade muscular. e a raiz. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. tônico. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. Cruz. anti-helmíntico. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. O suco das folhas serve como antiescorbútico. 1990.. 1993). O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. 1994). As flores são afrodisíacas. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. contra úlceras. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. No Piauí.. 1982). purgativa. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. Matos. A resina é usada como depurativo e expectorante. tonsilite e problemas de garganta. 1995). E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. e a maceração de folhas para tratar diabete. . Grenand et al. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. desordens urinádas e asma (Lima. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al.. estimulante e afrodisíaco. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. astenia. calos e verrugas.

imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Fruto-de-sabi. tônico. Coração-de-bugre. caule tortuoso. como cicatrizante e contra gengivites. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. adstringente. Aroeira-do-campo. Cambuí. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. referindo-se às frestas da casca do fruto. Aroeira-do-sertão. Aroeira-do-brejo.Schinus terebenthifolius Raddi. . O nome do gênero significa "cortar". lenha e carvão. Aroeira-branca. sugere-se o uso com moderação. Aroeira-da-praia. Aroeira-vermelha. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. estimulante e analgésico. com copa bonita e arredondada. Fruto-de-raposa.3). febrífuga e usada contra afecções uterinas. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. com casca grossa. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Bálsamo. analgésico e contra coceiras. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. mas é muito usada como ornamental. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético.

as flores são pequenas. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. imparipinadas. esverdeado e doce (Figura 22. p-hidroxi- . inclui espécies tropicais. do tipo drupa. Acaiou.O3). é ovóide. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. O nome Spondias significa "ameixa".4). com 5 a 7 m de altura. antiespasmódico. ou mesmo Caju. referindo-se apenas à fruta da espécie. descrito também por Carl Linnaeus. reunidas em racemos. como antidiarréico. 1994).Spondias purpurea L. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. além de comestíveis. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. Cirouela. Siriuela. referindo-se à semelhança com o fruto. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. o fruto. diurético e analgésico. Outras denominações comuns são Acajá. ou Cajá e Umbu. sendo um composto característico das espécies deste gênero. O ácido anacárdico (C22H32. ilustrado a seguir. O gênero Spondias. Acaju. especialmente árvores com resinas. Em outros países da América do Sul.

esteróis. Foram também caracterizados. n-eicosano. ácido-p-hidroxibenzóico. derivado de resorcinol. S. anacardol.. de diferentes partes da planta. além de flavonóides voláteis (Pino. 1986). No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. agathisflavona. C1. fenol. apigenina. leucocianidina. e de suas folhas foram isolados miricetina. amido. a-amirina. antocianinas. (-)-epiafzelequina. 1987). Compostos derivados do ácido anacárdico. estigmasterol. campesterol e colesterol (Dinda et al. aminoácidos. limoneno. sódio e açúcar.. flavonóides. os seguintes compostos: acetofenona. ácido procatéquico. taninos. P. cardanol. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. 1985). anacardol e cardol. cicloartenol. também foram isolados (Costa.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. anacardeína (Sathe et al. 1997). kaempferol. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . K e Ca (Thomas & Dave. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. Al. 1989). aminoácidos. além de Na. 1990). glicosídeos de quercetina. 1973). quercetina. Mg. (-)epicatequina. 1997c). narigenina. 1995). Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. 1987). As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. amentoflavona. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer.. a-selineno e vitamina C (Gupta. álcool araquidílico. 1986). ácido gentísico. taninos e açúcar (Nagaraja et al. robustaflavona.

-sitosterol. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol.. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade.. tocoferol.. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. 1994).(Guerrero. 2000). O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. 1994) e frutos (Augusto et al. 1993. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. flavonóides e triterpenos em suas folhas. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . tocoferol e outros. -caroteno. 1992). Muroi & .. denominados geraniina e galoilgeraniina. Vários derivados do ácido anacárdico. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. Do extrato etanólico de folhas e caule de S.Bacillus subtilis. 1994). aminoácidos variados. 1991). -linolênico. 1999). onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. Escherichia coli. Himegima & Kubo. palmitoléico. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. láurico. e raízes (Guerrero. 1991. 1991). ácido salicílico.. tais como -catequina. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. 1994). Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. quercetina. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. 2000). ácidos esteárico. palmítico. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al... oléico.

epicatequina Kubo. Jurberg et al. occidentale foram avaliados perante a B. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. 1993).. O extrato hexânico das cascas de A. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida.. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al.. 1984a). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. enquanto o cardol. 1994). 1993). 1982). occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. . 1992.. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. 1974. 1995). 1991). Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Craveiro et al. Souza et al. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. glabrata. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais.

além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 1991). 1983). 1982 e 1985.. responsáveis por irritação da pele.. Akinpelu. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al.. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. . o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al.. Geraniina e galoilgeraniina. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Kudi et al. 1999... occidentale. 1981). 2001. 1992). 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus.. 1990. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.A epicatequina. França et al. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. taninos isolados de S. 2000. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. Além disso. occidentale.. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1).. pela presença do cardol (Hoehne.. isolada de A. 1990). Abo et al. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. 1993). 1992). possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. 1994). Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.. 1982. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. 1980) enquanto. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. 1994). antiartrítica. mombin. Dos extratos hidroalcoólico.... foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al.. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. Mota et al. Barbosa Filho et al.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

4 . .Spondias purpurea. 1946).FIGURA 22. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

FIGURA 22. b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).5 . c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.

FIGURA 22.6 .Ruta graveolens. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

as quais são descritas a seguir. A. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. com aproximadamente 3. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. Di Stasi A ordem Apiales. Hiruma-Lima L. como Umbelliferae. de acordo com o sistema de classificação botânica. C. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. mas alguns arbustos e árvores são des- . Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). denominada também Umbellales.23 Apiales medicinais C. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. 1997). descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Essa família inclui 446 gêneros.

Erva-doce. Cominho e Salsa. Muitas dessas espécies são cultivadas. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). dunas e brejos. Apium com características ruderais. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . densamente imbricadas.Apioideae). Daucus (Caucalideae . Apium (gênero do Salsão). fibrosas e caule florífero solitário. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Apium.Hydrocotyloideae). onde há amplo uso como medicamento. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. optamos por incluir aqui apenas duas delas. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. assim. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. muito comum na Mata Atlântica. Petroselium (Salsa). e Hydrocotyle exigua. 1998). a Eryngium ekmanii. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. folhas alternas.Saniculoideae). Coriandrum (Coriandreae . ascendentes. entre inúmeros outros.Apioideae). sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Cicuta. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. Coentro. Pimpinella (Erva-doce). No Brasil ocorrem poucos gêneros.critos na família. oblongolanceoladas. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). tais como Cenoura. com raízes fasciculadas.

Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. semelhantes a barba de cabra. exigua (Urban. diclamídeas e hermafroditas. lobadas e pilosas. usado topicamente. referindo-se às fibras do rizoma. Eryngium. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. de Erva-terrestre. inflorescência em capítulo. no entanto. torcidas antes de abrir. o sumo das folhas frescas. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. Também é conhecida como Erva-capitão.1). folhas pequenas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. com flores avermelhadas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. de no máximo 1 cm de espessura. cordiformes. é considerado excelente contra dores de cabeça. especialmente em crianças. vem de eros = "lã". cíclicas. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. fruto subgloboso (Figura 23. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hydrocotyle hirsuta Sw. var. quando preparado em alta concentração. com nós. O nome do gênero. crenadas. Esse chá. habitando em lugares úmidos. capítulos esverdeados com flores pequenas. na região do Vale do Ribeira. e aix = "cabra". dos quais são emitidas raízes. espalhadas por diversos continentes.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. frutos pilosos.

5-trimetilbenzaldeído.4. . Hohmann et al. 1985). creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. 1984). maritimum (Lisciani et al. planum (Hiller et al.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. 1999). sendo 2... De E. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. 1986). Glicosídeos foram isolados de E.. 1997a). a DL50 por via oral foi de 1. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al.. farneseno. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. emético. bourgatii (Lam et al. sendo majoritários carotol. 1985.. foram isolados 46 compostos. 1997). também encontrados em E.. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. foetidum L. 1986). ilicifolium (Pinar & Galan. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh.. 1995). Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. campestre (Erdemeier & Sticher. elegans (Campos & Garcia. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. anetol e alfa-pineno (Pino et al. 1992). comarinas e flavonóides. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. 1986). foi ainda isolado o falcarindiol em E. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. diurético e. em altas doses. 1997a). O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. Das folhas de E. 1980) e E. Além de saponinas. acetilenos.. 2002). a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos.inclui 130 espécies cosmopolitas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. O extrato aquoso de E. e cotyle = "umbigo"..

e centenas de . Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. são encontradas na família. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. segundo a história. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. e Polyscias. famosa por ter sido usada. com aproximadamente 1. Schefflera. Hedera. arbustos. Mackinlaya e Polyscias. No Brasil ocorrem vários gêneros. ambos introduzidos no Brasil. subclasse Rosidae. no envenenamento do filósofo Sócrates. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. 1997). epífitas. lianas. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. especialmente em refogados e saladas. da famosa Hera dos parques.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. 1998). Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. Das inúmeras espécies descritas nessa família. e inclui 47 gêneros. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Panax. Centro-Oeste e Sul. Árvores. Tetrapanax e Aralia. Australásia e América tropical (Joly.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. utilizada como alimento. mas raramente ervas. Tetrapanax. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. especialmente do gênero Cicuta. No entanto.

amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. Cuia. e acias = "sombra". Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. refere-se à forma da folhas. sendo também usa- . cálice pequeno. pela beleza de sua folhagem. variegadas. A espécie não foi completamente identificada. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. folhas alternas. O gênero Polyscias. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. flores pequenas. grandes. Cuia.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. androceu com cinco estames. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. descrito por Johann Forster e Georg Forster. amplamente cultivada como ornamental. reunidas em inflorescências axilares. com larga bainha na base. fruto indeiscente. ovário ínfero. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". usada internamente.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. globoso. O nome popular da espécie. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. Outras espécies do gênero. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. pertencente ao gênero Polyscias. Cunha e Cunha-mansa. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa.

1990. 1992.. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Nas folhas de Polyscias sp.. 1994). os autores demonstram que .. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. 2002. 1988. Glicosídeos oleanólicos.dos como calmante por adultos. 1989c e 1990) e de P. Barilyak & Dugan. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). Nesse estudo. 1989a. 2001).. Fulva (Bedir et al. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. 1989b. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng... 1991). Proliac et al. Vo et al. 1992). Lutumski & Luan. 1998). 1996.. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al.. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. Chaboud et al. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1986). 1992).. Em P. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. scutellaria (Paphassarang et al. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1995.. 1990).

mostram que essa espécie.Eryngium ekmanii.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . e de prolactina pela hipofise. assim como outras do gênero Polyscias. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. 2002). Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. associados àqueles referentes a outras da família. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios.1 . A espécie P. especialmente a Panax ginseng. FIGURA 23. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas.

FIGURA 23.Polyscias.2 .Banco de imagens - . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

.Strychnaceae. Apesar de não referidas no nosso estudo. Esses dados. A. Loganiaceae. Genistomaceae. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . Di Stasi C. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir.24 Gentianales medicinais L. C. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Apocynaceae. demonstram que a ordem Gentianales. apesar de pouco numerosa. Gentianaceae e Asclepiadaceae.

herbáceas.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Nerium. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Thevetia. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Mandevilla. arbusto encontrado na Índia. Nesse contexto. a família possui espécies trepadeiras. muitas das quais conhecidas como Mangaba. aqueles que incluem espécies arbóreas. com aproximadamente 1. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. inclui 165 gêneros. Paquistão e Tailândia. serpentinina e reserpina. os gêneros Mandevilla e Thevetia. fornecedores de madeira. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. 1997). e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. entre as espécies de pequeno porte. serpentina. como Aspidosperma. Vinca. Joly (1998) destaca.900 espécies tropicais e subtropicais. ajmalinina. Java. como os gêneros Allamanda. subclasse Asteridae. Allamanda. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Hancornia. Catharanthus. e. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. Inclui espécies arbustivas. Strophantus. além dessas. Tabernaemontana. arbóreas. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. sendo esta última o mais importante. com destaque para ajmalina. muito utilizadas ornamentalmente. Hancornia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. Aspidosperma. Rauwolfia. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. dentre os gêneros. e encontrado em várias outras espécies do gênero. . que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria.

Orélia. • do gênero Nerium. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. . contudo. vinblastina e vincristina. Dedal-de-dama.• do gênero Vinca e Catharanthus. espécies ricas em glicosídeos. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. A espécie Vinca rosea. tais como ouabaína. as espécies Strophantus gratus. especialmente a Nerium oleander. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. cilastonina e também a reserpina. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. tem sido designada também como Catharanthus roseus. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Himathantus sp. tais como alstonina. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. a saber Allamanda cathartica. Deve-se destacar. tais como majdina. Alamanda amarela e Quatro-patacas. estrofantinidina e cimarina. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. as espécies Vinca major. e Thevetia peruviana. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. Vinca rosea e Catharanthus roseus. segundo Evans (1996). que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. alstonilina. Wrightia e Aspidosperma. • do gênero Strophantus. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Vinca minor. tanto para os animais como para a espécie humana.

1). O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. com copa estreita e tronco ereto. espessas. grandes. contendo poucas sementes (Figura 24. com a mesma indicação. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. especialmente em crianças. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. inflorescências com flores amarelas. em animais domésticos. especialmente cães e macacos. semilenhoso. emético e purgativo. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. enquanto a decocção das cascas da planta. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. sendo a A. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. A folha é considerada excelente catártico. axilares e fasciculadas. usada internamente. A infusão das folhas é utilizada como emético. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. . Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. O gênero inclui doze espécies tropicais. atingindo até 20 m de altura. folhas simples. Segundo Corrêa (1984). a planta exsuda látex considerado venenoso. fruto do tipo capsular. com casca rugosa. com tubo estreito e longo. purgativo e catártico. em grande número. alternas. Ucuuba e Sucuba. é considerada um excelente vermífugo. glabras e verticiladas. com folhas brilhantes. na forma de funil. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba.

enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). todas encontradas na América do Sul (Plumel. com um tronco de casca cinzenta. no entanto. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies.pecioladas. coriáceas.) K. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. grandes e brancas. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. acumi- . Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. Thevetia peruviana (Pers. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. alcançando até 10 m de altura. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. simples. margens inteiras. Noz-de-cobra. 1997). especialmente no alívio de coceiras. sendo uma planta perenifólia. contendo sementes aladas. 1990). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. Coração-de-jesus. frutos geminados em forma de chifres. linear-lanceoladas. ovaladas. significando "manto de flor". heliófita e secundária. glabras em ambas as faces. folhas alternas. O nome do gênero deriva do grego. especialmente em crianças. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. Schum. sendo útil como anti-helmíntico. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros.

sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. revestimento de maracás (Corrêa. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. 1997). em pó. A casca é considerada amarga e febrífuga. 1985). É uma espécie muito usada como ornamental. aromáticas. contendo sementes duras e grandes. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. colares. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. além da sua utilização uso em vários países como emético. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. Os usos dessa espécie como purgativo. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. descrito originalmente por Carl Linnaeus. bactericida e como veneno para peixes. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. purgante. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. purgativa e emética e de uso perigoso. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. No Brasil. As sementes da espécie são usadas como inseticida. contendo flores grandes. braceletes. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. assim como outros inúmeros usos de várias par- . 1962). que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. 1984). arbotifaciente. para provocar vômitos. com corola em forma de funil. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. triangular. especialmente do continente africano. como pulseiras.nadas. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. O nome do gênero Thevetia. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. a amêndoa. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. carnosas e glabras nas duas faces. fruto do tipo drupa carnosa. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. 1984). amarelas.

também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. tevetina B. e de suas flores. 1985).-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. 1996..Kader et al. Corrêa. 1995c e 1995a). tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. alamandina. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. tais como de T. 1992a e 1994). 1993). -sitosterol. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. O isolamento de diosgenina. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. canogenina. 2002). além de 13-O-acetil plumierida. também chamado tevetina A. neriifolia os compostos 9. Foram isolados de A. ácido ferúlico e ácido gentísico. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. flavonóides. -sitosterol. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. schottii.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. medioresinol. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo.-O. são ricas em um glicosídeo a tevetina. 1992b. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. 1962.. escoparona. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. 1988). 1974). rutina e os iridóides plumierida. 1988)..1997. thevetioides (Perez-Amador et al. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. blanchetii (Ganapaty et al.-hidroxipinoresinol e 9. a alanerosida. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. assim como de outras espécies do gênero. Tewtrakul et al. como a A. 1996). saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica.. plumericina.-hidroximedioresinol. além de lignanas como pinoresinol. perivosídeo. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. As sementes de Thevetia peruviana. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A.. foram isolados do caule isoplumericina. Dados químicos dos gêneros Allamanda. quercetina. ovata e T. plumierida.. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina.. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. 1988).. ruvosídeo e neriifolina. acetato de lupeol. . De outras espécies do gênero Allamanda. kaempferol. 1986). -amirina. 1989). escopoletina. Kupchan et al. 1984)..

allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. Iridóides também foram isolados de H.. 1991). esteárico. linoléico. ácido metilperlatólico (Endo et al. 1982). Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. 1993). alcalóides. taninos e saponinas (Gupta. taninos.. flavonóides. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. 1992) e em T. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. Das folhas de T. Triterpenos como ácido olianólico. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda.. Guerrero. (1986). glicosídeos cardiotônicos. Ali et al. Da espécie H. 1995. 1990). taninos e saponinas. 1992) e H. enquanto as cascas possuem alcalóides. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. triterpenóides (Wood et al. 1994. obovatus (Vilegas et al. e as raízes... 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. linoléico. follax (Abdel-Kader et al. 1998). 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. Foram descritos os ácidos mirístico. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. linolênico. cáprico.... 2000).. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . esperolactonas.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico.. behênico e erúcico. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1996). triterpenos e saponinas. (1990) e Beauregard Cruz et al. 1978). esteárico e palmítico. Da mesma forma.. ursólico. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. De acordo com Obasi et al. oléico. neriifolia (Dinda&Saha. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta.

1991). 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1994)... O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. antimicrobiana (Neto et al. 1981). que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 2002). Moraes et al.. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 1997). 1984. 1989). 1990).. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. . isolada dessa espécie.. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1992). anti-hipertensora (Socorro & Thomas. Obasi & Igboechi. 1962). O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. A neriifolina. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 2002) e antiofídico (Otero et al. blanchetii (Melo et al. 1935). 1994) antifúngico (Tiwari et al... O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis.. cathartica e A.. violacea (Lima & Caldas. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. bexiga. Moreira et al. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. Peruvosídeo e neriifolina. produziu atividades espasmogênica. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al.. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. 1945 e 1947). inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. conhecida popularmente como orélia. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. 1982a e 1982b... mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos.camundongos. 2000). 1933). 1990. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al..

1996). 1996. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Nerium oleander. 0. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. 2000). Maringhini et al.. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. 1996). além de congestão da mucosa da área digestiva restante. para bovinos (Tokarnia et al. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. 2002. 2000. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos.. 1958. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). 1999. respectivamente. Singh & Singh. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. peixes e outros animais (Chopra et al. 1996).. e Thevetia peruviana e T. Oji et al.5 g/ kg e 14.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. Saraswat et al. 1992). Eddleston et al. e estudos recen- . vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor.700 mg/kg é dose letal. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. efeitos tóxicos também são similares. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente... gatos.4g/kg. cobaias.... Frerejacque. No entanto. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. 1933). Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. 1933. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 1993)..

A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. 1996). verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. incluindo o homem. Da mesma forma. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. De todo modo. 1991). . no entanto.K+-ATPase. inibição da Na+. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. Dessa forma. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Observações Várias espécies dessa família. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. os quais ainda não foram estudados. ou seja. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. dada a riqueza química da família. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. Deve-se salientar. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica.

herbáceas e raramente arbustos e árvores. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. mariana. Espécies medicinais Fischeria cf. No Brasil. sobretudo para animais. trepadeiras. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. . tais como Asclepias curassavica. mariana Dcne. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. especialmente por seus efeitos tóxicos.Asclepias. Oxypetalum e Calostigma. Oxypetalum. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. descrita a seguir. e algumas de grande valor medicinal.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. e inclui 315 gêneros. Tylophora e Calotropis. Inclui lianas. 1997). 1986). esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. com aproximadamente 2. subclasse Asteriddae. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. Fischeria.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias.

foi realizado experimento de toxicidade. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr.225 espécies cos- . Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. opostas. inclui aproximadamente 78 gêneros. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens.2).Dados botânicos Espécie de pequeno porte. androceu modificado. fruto unilocular. com ramos pubescentes. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. von Fischer. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. E. flores pentâmeras. sementes comosas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. diclamídeas. com lacínios conspicuamente crispados. de onde saem as folhas simples. nos quais se distribuem 1. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. membranosas. especialmente a febre. L. 1979). com pecíolos pubescentes. hermafroditas e de simetria radial. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados.. com testa verrucosa (Figura 24. corola gamopétala.

subtropicais e de clima temperado. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. Voyria. 1997). fruto capsular. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. Dados botânicos É uma planta anual. 1998). Puruvá e Cutúbea. Nomes populares A espécie é chamada. F. folhas opostas e sésseis. 1978). com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. na região amazônica. sendo várias delas medicinais. e outras são usadas como ornamentais. com caule ereto de muitos ramos. amplexicaules e grandes. dispostas em espigas simples terminais. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. flores brancas grandes e muito vistosas. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro.mopolitas. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. Lisianthus e Coutoubea. também sésseis. mas também inúmeras espécies tropicais. amenorréia e como vermífugo. de Carne-seca. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. desordens estomacais. Dejanira. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. reunidas em verticilos. especialmente do gênero Dejanira. a decocção das raízes é usada contra febre. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. .

com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. e morte. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. tônico. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). Mas a C. onde é cultivado como ornamental. diminuição da atividade do rúmen. febrífugo. destacamos apenas os principais: Spigelia. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. diminuição da atividade motora e dores abdominais. quando ingerida dentro de 24 horas. estudos de toxicidade. hipotermia. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. 1984). 1979). A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. da famosa Strychnos nux vomica. dentre eles. . polipnéia. 1997). fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. taquicardia. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. e Strychnos. conhecida popularmente como Tingui em Roraima.. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. incluindo tanto árvores como arbustos. lianas e ervas (Mabberley. Porém. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. um dos encontrados no Brasil.

O nome do gênero designava. Nomes populares Na Mata Atlântica. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. as plantas com propriedades narcóticas. nós na forma de uma cruz. No levantamento realizado. A planta recebe esse nome por possuir. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. 1978). Noz-vômica e Quina-de-cipó. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. glabras. também constatado para a espécie S. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. em seus cipós. nux-vomica (Shoba & Thomas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. coriáceas e trinervadas. Segundo Corrêa (1984). antigamente. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. a maioria na Amazônia (Barrozo. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. folhas opostas e ovais.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M.. . a planta é narcótica e venenosa. flores amarelas em grande abundância. 2002). A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. 2001). porém de S. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. fruto do tipo baga globosa. que se refere à presença de mais de 190 espécies.

Allamanda cathartica.. 1998) e S.. 2001). usambarensis (Frederich et al. 1995). FIGURA 24. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. 2000).. myrtoides (Martin et al. mellodora (Brandt et al. Rafatro et al. S. 1996). ..1 . 1996).. 1996). Detalhe da flor (Banco de imagens - ). Quetin-Lecrerq et al. S. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.. guianesis (Penelle et al. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 2001). 2000..A S... panganesis (Nuzillard et al. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S.. 2000 e 2001. S. 1999). Das raízes de S. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al..

2 . laniflora Dcne. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Fischeria cf.Banco de imagens - .FIGURA 24.

Gonzalez L. A. G. Di Stasi F. ervas. arbus- . C. Seito C. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1.25 Solanales medicinais L. algumas vezes parasitas. lianas. Solanaceae. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. incluindo plantas herbáceas. das quais alguns exemplos são aqui referidos. N. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Convolvulaceae.600 espécies.

raízes tuberosas. . na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. em gargarejos. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. flores brancas. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. A planta também é conhecida. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. cordiformes. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. que são cultivadas com fins comerciais. delicadas e amplamente consumidas como alimento. pecioladas. Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. axilares e fruto capsular. para infecções da boca. suculentas. Nomes populares A espécie é chamada. com folhas alternas. Possuem inúmeras variedades. ainda que raramente. como Batata-da-terra. a espécie é cultivada e consumida como alimento. geralmente lobadas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. rosas ou arroxeadas. gengivite e dores de dente. internamente. 1997). Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. aqui também descrita como medicinal. Ipomoea batatas.tos e raramente árvores (Mabberley. de Batata-doce.

de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". purpurea e /. glabra. I. Goda et al. 1996). pinatipartidas e pecioladas. 1995). fruto capsular ovóide. 1996. comparando-se as plantas deste gênero. I. ácido caféico e quercetina (Tan et al. flavonóides (Zhou. como é o caso de I. Delgado et al.. sendo várias ervas. cairica. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. tubérculos ou arbustos. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores.. Alba. enquanto as folhas são detergentes.. I. Muitas espécies são medicinais. com cinco lobos arredondados. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. 1. De . Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. anti-reumáticas e laxativas. e de homoios = "semelhante". de cor vermelhoviva ou rosa. oblongata. cairica. sinensis.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. 1986). 2000. muitas delas amplamente cultivadas. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. carnea. hederifolia. folhas alternas. de 5 a 18 cm de comprimento. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. purpurea e I. coptica. Dados químicos do gênero Da espécie I.. batatas Lam. friedelina. b-sitosterol. como é o caso de /. com caules bastante entrelaçados. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. I.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. acetil-b-amirina. 1996). I.

.. De Lima & Braz-Filho. alta concentração de cálcio e potássio. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam.. quando administradas a cabras. regnellii e I. reticulata (Mann et al. e também dibenzil-g-butirolactona. carnea Jacq. 1997). 1997). é medido por mecanismos colinérgicos. 1996). Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. 1988).7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. 1989). (Sharma & Shukla. 1996 e 1997). também encontrados em I. 1987). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. 1996). adrenérgicos e . e das flores de I. 1987). 1986). A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. matairesinol e trachelogenina. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. 1997). purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al.. Diversos flavonóides foram isolados de I. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. De I.. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. 1996). cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. 1997). 1990).. os flavonóides 4'. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. Das partes aéreas de I. arctiina e matairesinosídeo. As folhas de I.. as lignanas arctigenina. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. 1999).. Das sementes de I. Das sementes de I. 1999a. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis.I. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al.. cornea. carnea. operculinas I-VIII ácido operculínico A. hardwickii (Liu et al. Das raízes de I. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al.

sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. A I. conhecida popularmente como salsa-da-praia. Entre estes. O efeito tóxico foi observado no cérebro.. 2000). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .950 espécies subcosmopolitas.. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1998). 1996)... com 2. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros.. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. 1994). O extrato diclorometano de I. 1996). 1991). 1996). 1998a e 1998b).. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas.. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. 1992)... e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. Os extratos aquosos. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika..não-colinérgicos (Hore et al. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. stans três tetrassacarídeos. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. 1998). 1997). Foram observadas também anorexia. encontram-se árvores.. depressão. lianas e ervas (Mabberley. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. Foram isolados de I. espasmolítica (Medeiros et al. dos quais 25 são endêmicos. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. arbustos. As sementes de Ipomoea ssp. pescapae (Madeira et al. 1995). 1990). 1997).

Managá-caa. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Lycopersicum. Don. Gambá. da famosa espécie Nicotiana tabacum. com inúmeros representantes no Brasil. na qual se encontram os gêneros Capsicum. pelos nomes de Manacá-da-serra. especialmente na espécie Hyosciamus niger. Em outras regiões. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. Cuvitinga e outras espécies. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. da famosa Datura stramonium. dessa subfamília. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. Fumobravo. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. do famoso Tomate. • Cestroideae. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. a capsaicina. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Brunsfelsia. Datura. descrito posteriormente. Manacá-açu e Jeratacaca. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. e Solanum. como Juá-bravo. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. . mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. fonte de nicotina. tanto do ponto de vista farmacológico. entre outros inúmeros compostos. Nos estudos realizados. importante ferramenta farmacológica e. ainda do ponto de vista comercial e social. na qual se destacam os gêneros Nicotiana.• Solanoideae. Physalis. Nomes populares Na região amazônica. de onde se isolou. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus.

O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. na região amazônica. pentâmeras. súpero. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. diclamídeas. flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas inteiras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Mulaca. Mata-fome. Physalis angulata L. Joá-de-capote. longo-pecioladas. bilocular. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. ovário bicarpelar. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. O chá preparado com raiz de . hermafroditas. pequenas. agudas. androceu com cinco estames. glabra. folhas elípticas e acuminadas. caule verde. ereto e crasso. referindo-se à forma do fruto. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. Dados botânicos Erva com muitos ramos. bolha". Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. de Camapu. Nomes populares A espécie é chamada. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. flores dispostas em cimeiras. possui. especialmente na Amazônia. Joá. Juá-de-capote. fruto esverdeado do tipo baga. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno.1). semente rufescente (Figura 25. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. com anteras azuladas. muito ramificado.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Bolsa mulaca. sem estipulas.

1998). hepatite e reumatismo (Forero. bem como no combate a febre. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. no Pará. problemas hepáticos. da Amazônia brasileira. No Peru. útil contra reumatismo. 1984) e a raiz.. na Paraíba. contra icterícias (Schultes & Raffauf. contra vermes. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. a infusão da sua raiz.. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. . essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. diuréticos e resolutivos (Corrêa. dermatites e doenças de pele. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. e suas folhas têm uso diurético. 1993). 1980). 1974-1975). Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. Solanum paniculatum L. 1982). Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. interna e externamente. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. 1980. vômito. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. 1994). 1984). e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. Rutter. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. malária. 1990). A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. Juuna e Juvena. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. para tratar hepatite. Jubeba. os frutos são desobstruentes. em Minas Gerais. renais e de vesícula biliar (De Almeida. problemas hepáticos. 1995). Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély.camapu misturada com raiz de açaí. 1980). outros. contra inflamações. Juripeba. 1990). No Brasil.

Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. alívio". referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. flores brancas. ereta. além de ser indicada contra problemas do estômago. dispostas em racemos. desiguais. de onde é obtida pelos habitantes locais. brancos ou amarelados. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. carnosos. muito parecidas com as da Batata-inglesa. fruto do tipo baga globosa. es- . O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. flores em umbela. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. sendo úteis contra icterícia. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. folhas alternas. Solanum tuberosum L. lilás ou roxas. muitas delas de grande valor econômico. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. sinuosas e acuminadas. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. de caule alado. Inclui inúmeras variedades. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.700 espécies subcosmopolitas. fruto do tipo baga redonda. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. especialmente contra lombrigas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. todas cultivadas. hepatite e febres intermitentes.

Glotter et al. Alcalóides foram isolados de P. ácido palmítico (7. 1991). 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. principalmente. 1986. 1980. ixocarpa (Abdullaev et al. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). Itoh et al. Gottlieb et al. Na região. 1979a.. nitida. 1987.. Eguchi et al. 1987). Do gênero Physalis. Vasina et al. Sinha et al.8%). 1988. P. grandiflora. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. 1985). 1986). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. 1980) e P. 1987. cetonas. 1996)... americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. uniflora constituem rica fonte de óleo (30... minima (Mulchandani et al. 1977a)... P viscosa (Maslennikova et al. P pubescens (Reddy et al.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. As sementes de B. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. 1986). além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. alcoóis e ésteres.52%) (Maestri & Guzman.. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. ácido oléico (11. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al.. 1977). P. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. peruviana (Sahai & Ray.. espécie de origem cubana.. identificou a presença de 122 compostos. dos quais foram caracterizados. obtido de suas partes aéreas. Frolow et al. 1986).. angulata (Row et al. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. P peruviana (Gottlieb et al. 1985.5%).. alkekengi (Kawai et al. hidrocarbonetos. 1977 e 1978). No óleo das sementes de B. Oshima . 1981). Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75..25%) e ácido ricinoléico (0.5%).. 1994). Já da casca da raiz de B. 1995). De B. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. aldeídos.. com ciclopropenóides. 1980.

Ripperger et al. vitagulatina A. pauciflora e B. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. flavonóides (Ismail & Alan. Banton et al. neoclorogenina. 1990). revelou atividade depressora do SNC. vitangulatina A.. Vasina et al. Oliveira et al. bonodora. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. flavonóides (Ser. calcyina var. artrites. figrina.. 1989. 1990. 1997. acetil colina.. 1993. 1977).. uniflora. B. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. enquanto das folhas de P. utilizada para picadas de cobra. glicosídeos. 1975. 1983.. minima var. 1991). 1987b. australis (McBarron & de Sarem. O extrato aquoso de B. De P. além de vitaminimina (Gottlieb et al. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B.. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al.. floribunda.. febre e picadas de cobra. 1967a e 1967b). flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al.. Moiseeva et al. 1987. ácido clorogênico.. além de alcalóides. Chen et al. 1987 e 1990. 1992). 1988). aianinas. Dinan et al. 1992a. com extratos da raiz de B. . que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al.. indica foram isolados vitasteróides. De P. vamonolídeo. 1988 e 1989)... painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B.. 1988). 1986. 1989.. 1990. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al.et al. angulata foram isolados ainda vitasteróides. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. A administração oral de B. bronquites.. 1968. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. Uma triagem hipocrática em ratos.. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. Neilson & Burren.. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. 1987).. 1992b e 1992c). Chen et al. Spainhour et al. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. 1986). 1990). vitaminimina. B. beta-sitosterol. fisalina B e quercetina (Gupta et al.. 1990). Já da raiz de B. Shingu et al. fisagulina A e K. 1997). hopeana. fisangulídeo.. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. 2001).

1997... O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. tripanossomicida (Barbi et al. 1992a e 1992b). 1998b). anti-séptica. 1987). V.. et al. antigonorréica. 1987). 1998. V. etanólicos e esteroidal mostraram. aos esteóides. 1998). et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. Haussmann et al. anticoagulante (Kone-Bamba et al. como movimento . Das folhas de P... P. niruri e P. 1998... Chiang et al. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. e a atividade imunoestimulante. embora outros sinais também tenham sido verificados. Pietro et al. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana... Ribeiro et al. entre outras. 1998.. alcoólicos.. G. Kusumoto et al. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho.. 1990). 2002. Nos frutos de P. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. 1998) antimicobacteriano (Januario et al.. melanomas. 1991. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. Carvalho.. citotóxica. 1989). anticolinérgica (Fonteles et al. incluindo leucemias. Silva. 1988). et al. 1992a e 1992b). Kurokawa et al.. M. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. entre outras (Lin et al. Soares et al. moluscicida (Almeida & Fonteles. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 1992. 1998).. V. et al. 1998). M. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. diurética. 1997.. V. O estudo dos vitanolídeos de P. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. et al. imunoestimulante (Carvalho. antibacteriana (Hussain et al.. aqui descrita. V. M. 2000).. et al. M. 1995. antiviral (Otake et al. et al. antiasmática. M...Para a Physalis angulata. imunomoduladora (Rosas et al. M. M. 1998). constataram-se atividades hipotensora.. Barbi et al. in vitro e in vivo. 1990). 1993. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. antileucêmica. quando ingeridas em dose única ou repetida. 1998) e antineoplásica (Carvalho. I.. antiespasmódica. 1998). M. 1998).. antimutagênica.. T. Os extratos aquosos. et al. V.

FIGURA 25. falta de apetite. 1991). salivação. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. Além disso.1 . irritabilidade.de mastigação. estiramento e contração das patas traseiras. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - . perda de peso. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al.Physalis angulata. às vezes levando-o ao chão.

descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Santos C. freqüentemente . as quais serão discutidas a seguir. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. arbustos. 1997). com aproximadamente 2. das quais se destacam as Boraginaceae. A família inclui árvores. Di Stasi E. Nas regiões de estudo. Amazônia e Mata Atlântica. Guimarães C. apesar de incluir apenas oito famílias. espalhadas por todo o planeta. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas.300 espécies (Mabberley. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). A. C. M. M. inclui 130 gêneros distintos.26 Lamiales medicinais L. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae).

denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. formando grandes populações em áreas litorâneas. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. 1998). um dos gêneros mais comuns no Brasil. de onde saem folhas sésseis. densa. É uma planta heliófita e higrófita. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. lanceoladas. muito ramificado. sendo raramente encontrada no interior de matas. • Cynoglossum. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. • Heliotropium (Heliotropioideae). agudas. com até 12 cm de comprimento. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. Borago e Symphytum (Boraginoideae).1). cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). pubescentes na face inferior. inflorescência espigosa. . Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. Nomes populares A espécie é chamada. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. de Ervabaleeira.herbáceas e raramente lianas. fruto subgloboso vermelho (Figura 26.

É uma planta anual. dispostas em espigas solitárias. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. alternas. Na medicina tradicional salvadorenha. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". com dispersão regiões tropicais e temperadas. com ramos lisos e glabros. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. moléstias cutâneas e feridas. abcessos. fruto formado como uma mitra. anginas.5 a 1 m de altura.Heliotropium indicum L. Aguaraquiunha. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". europaeum são reconhecidamente medicinais. e trepein = "mudar". Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. e seu suco é de alto valor contra aftas. de flores brancas. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. ovadas ou cordiformes e acuminadas. estomatites. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. folhas pecioladas. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. Segundo Corrêa (1984). . amplexicaule e H. furúnculos e também contra queimaduras. tubulosas. inflorescência curvada. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. incluindo úlceras. 1994). Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. Jamacanga e Jacuacanga. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. glabro ou pubescente. faringites. Crista-de-galo. e as espécies H. com flores brancas ou azuis. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais.

amarelas ou rosas. enquanto as raízes. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. de Confrei. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. como beta-sitosterol. taninos e triterpenos. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. acuminadas no ápice. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. dispostas radialmente.. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. 1986).Symphytum officinale L. tubulosas. Consolda maior. Erva-do-cardeal. além de alcalóides e taninos. Orelha-de-vaca etc. ásperas e onduladas. europina. lasiocarpina. flores grandes. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. Nomes populares A espécie é chamada. Das partes aéreas de H. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. vistosas. inflamação e dores de barriga. Língua-de-vaca. com folhas ovadas ou oblongas. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. caule curto e ramoso. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. lupeol. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. Outros nomes são Consolda. Sonsólida. 1994). distúrbios estomacais. 1996). . fruto com quatro aquênios lisos. De H.

arborescens (Bourauel et al. curassavina. curassavicum (Davicino et al. heliotrina e lasiocarpina de H. bovei. echinatina. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. heliotrina. heliovicina. Reina et al. 1988). heliotrina. (1990). 1988). heliotrina e lasiocarpina (Guner. H. destacando-se compostos fenólicos em H. 1994). europina e supinina em H. 1988). lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. H.de H. e heliotropina de H. Farrag et al. esfandiarii (Yassa et al. 1996). 1995b).. heliotrina e lasiocarpina e. (1989). europina. curassavinina. stenophyllum. H. 1995) e H. 1991). coromandalinina. keralense (isolicopsamina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos .. em menor quantidade... heleurina. curassavicum var. H. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. rotundifolium (europina.De H. subulatum (Malik & Rahman. intermedina e retronecina) por Ravi et al. hirsutissimum (Guner et al.. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988).a heliospatina e o heliospatulina . 1986). 1990).. argentinum e var. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. 1988. lasiocarpum (Akramov. em que se . em H.. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. spathulatum (Roeder et al... H. H. bursiferum (Marquina et al.. H. 1995). Das partes aéreas de H. 1995b. coromandalina. heleurina. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. 1996). 1989). 1988).. licopsamina amabilina. supinina e europina (Rizk et al. 1987).

2001). 2002). linnaei (Ioset et al... C. De H. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 1990). stenophyllum (Villarroel & Urzua. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis.. 1989) e esteróis e quinonas em H. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. do exsudato. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. 1995. verbenacea. Os flavonóides ayanina. 7. 1996).. C. 1994 e 1996). pinobanksina-3-acetato. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. alliodora (Ioset et al..descreveram os constituintes galangina. Sertie et al. pinocembrina. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. ovalifolium (Guntern et al. curassavica (Ioset et al.. tais como ácido rosmarínico. 1990).. bacciferum (Miralles et al.. pinocembrina. 1990). pinocembrina. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. 2001). multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al.. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. solicifolia (Hayashi et al. 1991 e 1988. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. filifolium também foram isolados. chenopodiaceum. 1996). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua.. A H.. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. hesperetina. 1998). Os constituintes fenólicos denominados galangina. 7-O-metileriodictiol. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 1987).. Al Awadi et al.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.3'-dimetileriodictiol. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. 2000a) e C. 3-0-metilgalangina. myxa. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. 2001) e de C.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. filifolium (Urzua et al.. dentre outras espécies (Ficarra et al. As propriedades antifúngicos. 2000b). C. 1996). sakuranetina foram isolados da resina de H.. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . Do exsudato resinoso de H.. 2001). De H.

enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros.. ellipticum e H. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae.. infusão ou chás por via oral. 2001a e 2001b). 1995). Das partes aéreas de H.. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. Jain et al. 1987. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. europaeum e H. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. 1994. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. Dados toxicológicos A espécie.paz de inibir efetivamente o B. 2001). porcos e aves (Gaul et al.. Singh et al. De H. 1997).. 1989). a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . nos quais se distribuem 6. também denominada Labiatae.. 1987).. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. assim como todo o gênero Heliotropium. 1992). bursiferum (Marouina et al. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. Alcalóides isolados de H. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. argentinum apresentam genotoxicidade. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.700 espécies. subtilis como o extrato bruto de H. Portanto. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Eroksuz et al. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. 2002. é potencialmente tóxica. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al.

(Mabberley. Malva. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. 1997). androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. do ponto de vista medicinal. Salva-do-campo. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Thymus. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Pogostemonoideae: Pogostemon. Lavandula. Mentha.2). Origanum. Ajugoideae: Ajuga. Ocimum. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. crenadas. Melissa. ex Benth. Leucas e Sideritis. rígidas. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. com cálice tubuloso. oposto-decussadas. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Salva. Nepetoideae: Hyssopus. Lamioideae: Leonotis. corola com tubo infundibuliforme. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. pois são usadas como condimentos. folhas pecioladas. Trata-se de uma importante família. Salvia. Rosmarinus. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. flores dispostas em capítulos pedunculados. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". com haste suculenta. Scutellarioideae: Scutellaria. Satureja. . alimentos. Hyptis e Plectranthus. bilabiado. obovais. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Teucrioideae: Teucrium. especialmente americanas. pubescentes.

diarréia. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. com caule quadrangular aveludado e pubescente. e inclui apenas quinze espécies tropicais. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. de constipações e artrites (Van den Berg. flores pediceladas com quatro estames. um pouco lenhosa. anti-reumático e contra cólicas menstruais. emenagogos.3). a decocção das folhas é usada contra malária. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". por causa do lábio superior da corola grande e ereto. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. recebe o mesmo nome. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. cólicas menstruais e problemas digestivos. para regular a menstruação. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. Na Mata Atlântica. e a infusão da planta toda. Nomes populares A espécie é chamada. icterícia. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. folhas opostas. . enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. 1982).Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Erva anual. flores dispostas em racemos densos e verticelados. de até 2 m de altura. Na região da Mata Atlântica. de Rubim. Leonotis nepetaefolia Hort. antigripal. sudoríficos. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. mas não foi completamente identificada. na região amazônica e em quase todo o Brasil. ovadas e subcordiformes na base. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga.

hipotensão. o chá de toda a planta. duas vezes ao dia. febrífuga e diurética. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. flores sésseis. no Mato Grosso. no Rio Grande do Sul. ovadas ou oblongolanceoladas. antireumática. durante dois dias. é utilizado como anti-reumático. nas inflamações broncopulmonares. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. especialmente de barriga e. pubescentes nas duas faces e membranosas. como cicatrizante. internamente. em Minas Gerais (Verardo. raramente arredondadas. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. com cinco segmentos acuminados.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1980). como Cordão-de-frade. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. uma xícara por dia.. reumatismo. contra gripes. Dados botânicos Planta anual. útil contra úlceras. antiasmática. cálice bilabiado. 1982). folhas pecioladas. Grandi & Siqueira. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. herbáceo. pilosos e sulcados. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. 1986). Br. dores gerais. na Mata Atlântica. ramos quadrangulares. de caule ereto. sendo ainda indicada contra úlceras. A planta é também considerada antiespasmódica. ramoso e pubescente. brancas. com lábio superior 1-2 . 1982). desiguais entre si. 1982. 1984). a infusão das folhas é usada. externamente. facilitando a expectoração. como abortivo e antitérmico (Simões et al. corola bilabiada. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. no Ceará (Matos et al. Leucas martinicensis R. Na região do Vale do Ribeira. a planta florida é usada na fraqueza geral. distúrbios do estômago..

nome recebido em todo o Brasil. topicamente. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. é usado sobre gargantas inflamadas. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. A planta também é utilizada como tônico. . O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. na forma de gargarejo. zigomorfas. referindo-se à cor das flores.5). antiespasmódico e contra nevralgias. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. ramos eretos e opostos. pentâmeras. contra dores musculares e reumatismo. filha de Cocylus. Hortelã-das-cozinhas. Na região do Vale do Ribeira. significa "branco". pouco aveludada. um pouco pubescentes. na Mata Atlântica. Menta e Hortelã-verdadeira. O nome do gênero Leucas. externamente. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. formando espigas no ápice dos ramos. aquatica. planas. folhas opostas. hermafroditas. Dados botânicos A espécie M.4). ramoso. difere da M. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. bilabiada. agudas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. dela. fruto do tipo aquênio (Figura 26. 1984).lobado e o inferior 1-3 lobado. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. serrilhadas. de porte herbáceo. curto-pecioladas. e seu cozimento é indicado como antireumático. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. corola gamopétala. viridis e M. diclamídeas. descrito por Robert Brown. apenas de Hortelã. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. com raiz fibrosa e caule ereto. contra tumores. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. decussadas. numerosas. o macerado das folhas em água. piperita é um híbrido de M. flores violáceas.

bronquite e tosses. musculares. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). catarros de mucosas.. três vezes ao dia. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. sendo indicada contra flatulências. eólicas uterinas. de estômago. garganta e dentes (Simões et al. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. calmante. estomáquicas. diarréia. de Hortelã-verde. dor de barriga. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. A M. Hortelã-da-preta. dores de cabeça. antiespasmódicas. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. vômitos. Hortelã-pequena. digestivas. estimulante do fluxo biliar. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. . Nomes populares A espécie é chamada. em Brasília. na região amazônica. 1984). a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. anti-reumático e contra insônia. estimulantes. Na região da Mata Atlântica. 1982) e como anti-séptico. problemas cutâneos. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. timpanite. cólicas abdominais e tétano. Hortelã-comum. 1986). 1991). e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. Hortelã-graúda. tremores. a infusão das folhas. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. dismenorréias e verminoses. 1986). Contudo. Mentha viridis L. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. no Rio Grande do Sul. em 1990. 1980). carminativas. é indicada contra dores de estômago em crianças.

bronquite e gripe. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. seu decocto é considerado útil contra tosse. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. especialmente lombriga. cilíndrica e frouxa. ovais ou oblongas. tétano. Na região do Vale do Ribeira. bronquites. dores de barriga e pedras nos rins. corola e cálice campanulado (Figura 26. inflorescência do tipo espiga. glabras. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. folhas subsésseis. dores de estômago e "quebranto". serrilhadas. ascendentes.6). tosses. denticuladas. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. bastante pilosa e com aroma forte. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. caule ereto. ameba e giárdia. além de ser considerada útil contra febres. . a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. cólicas. gripes. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. pecioladas. garganta e estômago. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. ovadolanceoladas. assim como em todo o Brasil. flores rosas ou violeta-claras. com folhas pequenas. opostas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Mentha pulegium L. em verticilos aproximados. ramos eretos.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte.

pequenas e finas. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Alfavaca-cheirosa. com ramos tetrágonos e pubescentes. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. entre outros. Alfavaquinha. de caule ramoso. diurética e útil contra resfriados. Alfavaca-de-cheiro. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. com até 50 cm de altura ou maior. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Alfavacona. Ocimum canum Sims. descrito por Carl Linnaeus. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. peitoral. assim como em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. dentadas. significa "perfumada". aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Em outras regiões. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. flores brancas ou rosas. de onde partem folhas opostas.Ocimum basilicum L. diaforética. Alfavaca-do-campo. Em outras regiões. . Ocimum. de Alfava. glabras. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. diarréias e disenterias. ovadas. estomáquica. O nome do gênero. estimulante. Dados botânicos A planta é uma erva anual. especialmente de ocorrência na África. referindo-se à planta toda.

é usada contra febres. A decocção das raízes . Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Alfavaca. enquanto a infusão das partes aéreas. pubescentes. carminativa. tosses e desordens uterinas e renais. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. béquica. de ramos quadrangulares. verdes e finas. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. glabras. dispostas em racemos paniculados. contendo folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. tosses. raramente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. fruto do tipo capsulas. denteadas. verticiladas e dispostas em racemos.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. além de diurética. ovadolanceoladas. dores de cabeça e bronquites. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. serradas. de onde partem folhas ovais. diaforética. flores roxas ou. As folhas cruas também são empregadas como condimento. amarelo-esverdeadas. A planta toda é bastante aromática. flores vermelhas. dispnéia e reumatismo. glabros e eretos. além de excelente na cura da coqueluche. rins e uretra. pubescentes. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso.

ovaladas. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. distúrbios do estômago. Alfavaca-do-campo. glomerulada.7). folhas pecioladas.é usada contra diarréias. congestão nasal e dor de cabeça. Ocimum micranthum Willd. como Manjericão. inflorescência racemosa. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. gripe e catarro no peito. núculas negras e lisas (Figura 26. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. margem irregular. Alfavacão. dores de cabeça e febres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. problemas nervosos. e na Mata Atlântica. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. carminativa. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. As folhas são ainda muito usadas como condimento. membranosas. androceu com estames inclusos. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. sudorífica. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. gineceu com ovário ovóide. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. dores de cabeça e como sedativo para crianças. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. . Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. agudas. pequenas. diurética e útil contra tosses. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona.

Na região da Mata Atlântica. tosses e bronquites. pilosa. Origanum vulgare L. a infusão das folhas é usada contra infecções. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. 1988). de onde partem folhas ovais. com ramos ascendentes. de base arredondada e margem denteada. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. 1980). dores de cabeça e tosse. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. Pogostemon patchouly Pellet. as folhas são consideradas úteis contra gripes. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. além de a espécie ser utilizada também como condimento. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. formando uma espiga terminal. dispostas em panículas. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. vilosas. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). com até 50 cm de altura. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. flores em glomérulos. 1984). . no Mato Grosso (Van den Berg. no Pará (Amorozo & Gély. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Patchuli ou Patchouli.

fruto seco (Figura 26. dos quais 32 foram identificados. pentâmeras. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes.8-cineol. flores diclamídeas. flores em glomérulos. bilocular. Existem. sendo mais comuns o beta-cariofileno. bicarpelar.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). 1988. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. (1982). ovário supero. suaveolens por Misra et al. O nome do gênero Pogostemon. suaveolens possui setenta componentes. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. com espigas compostas. cruzadas.. descrito por Desf.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. corola com quatro lobos. alfa-bergamoteno. sedativo e hipotensor. porém. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. como beta- . 1.. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. significa "estames barbados". O óleo essencial das partes aéreas de H. hermafroditas. 1991). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. três formando um lábio aberto. Azevedo et al. 1990). Das folhas de H. 2001 e 2002).. Triterpenóides foram isolados de H. terpinen-4-ol. androceu com estames excertos.. predominantemente de sesquitepenos.8). evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. Uma outra análise do óleo essencial de H. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. 1990). com dois óvulos em cada lóculo. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá.

mutabilis foram isolados triterpenos. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo.. 1989). ácido n-octacosanóico.. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. ácido ursólico. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. uma outra análise do óleo de H. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. . Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. 1987a). leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. (1978) e Blounietal. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. e de H. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al...elemeno. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. 1990b). 1991). 1988).. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. sendo p-cimeno. timol. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. De H. 1988). germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. Das raízes de L. gama-terpineno. umbrosa.. 1990). 1987). 1990). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. Das partes aéreas de H. Em H. 4. 1996). (1980). ácido oleanólico acetato. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. beta-cariofileno. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado.. lignanas e flavononas (Messana et al. 1990).6. 1988). quercetina. Metil betulinato.. salzmanii foram isolados diterpenos. 1988). 1990) e de H. e de L. campesterol. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. De H. Das folhas de H.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. Porém.. albida foram isoladas triterpenolactonas.

flavonas himenoxina..80%).4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. T.7. 1996). aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. 1995). das partes aéreas de L. 1996).. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova.3'. De L. fenilalanina. mentona (24. 1987. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . 1987). isomentona e o neomentol (Zakharova et al. 1986 e 1987). hidroxiprolina. 1990) e um composto fenólico (Misra. et al.. prolina. 5-hidroxi-6. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. mentocubanona. treonina. 1987). 1987). triptofano e metionina (Dinda et al. Com isso. brassicasterol. ácido glutâmico.. lisina.64%). officinalis.80%). Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. metil acetato (16. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.84%). A M. alanina. Das raízes de L. piperita var. 1979).. colesterol.10%) e 1. glicina. N. sendo os principais terpenos mentol. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. 1988). mentofurano (19. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas.8-cineol (6. serina. tirosina. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. O óleo essencial de três variedades de M. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. mentona. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. ácido aspártico. Da espécie L. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. Das partes aéreas de L.. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. Vaverkova et al. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. 1986)..Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis.07%) e mentano (11.. Mentha A composição do óleo essencial de M.20%).

fitosterol.. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. Mg. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. Mg. Foram ainda isolados mono.posição de terpenos dessa espécie (Sacco.6. nicotinamida.. 1987). Fe.3'. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. b-cariofileno. cadideno. K. ácidos p-cumárico. como alfa-pineno. 1990) e flavonóides glicorilados.e sesquiterpenóides. 1988). fenílico. Zi e Cu. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. glicídios. Em Mentha viridis var.8. 1992). . resinas.. betasitosterina. caféico e clorogênico. Ca. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. 1. reduzindo significativamente a concentração de mentol. Nas folhas de M. 1986). a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. catalase. vitaminas C e D2. De M.7. peroxidases. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. limoneno.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. luteolina e 5. 1989).8-cineol. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos.

gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng.... Khanna et al. canum foram isolados diversos componentes. 1986. t-bergamoteno. Takahashi et al. 1983). Em Cuba. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. Ocimum Do óleo essencial de O. Do óleo essencial das folhas.. 1981). 1996). Porém.. De O.. 1996 e 1997a). Na China. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. O óleo essencial de O. Kartnig & Simon. 1989). canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al.. Borges et al.. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. hidrocarbonetos como p-cimeno.. 1996a). dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. linalol. 1987). 1990). micranthum foram isolados vinte compostos. 1986. De O. 1986. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. 1990).cariofileno.. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. sendo eugenol... eugenol (Ekundayo et al. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. 1988. 1996). 1988).. cis-ocimeno.8-cineol. b-cariofileno..8-cineol. 1987. Sharma et al. eugenol. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. já citados. O óleo essencial de O.. 1986. flores e caule de O. 1981. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. 1997). Das folhas da O. 1989). o óleo essencial apresentou 21 constituintes. beta-cariofileno. Nas folhas.. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. 1. 1986. 1990). Sakurai et al.Patel et al. as folhas e flores de O. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. gratissimum é composto de gamaterpineno. Phan et al. Das sementes de O. o eugenol é o constituinte majoritário.. 1987. sendo 1. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. 1987). Lawrence. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. basilicum (Brophy & Jogia.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. . eugenol..

ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . Ekundayo et al. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. quercetin-3-O-diglucosídeo. De O. No Paquistão. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. 1988). A casca do caule de O. láurico. nesse caso. o óleo essencial de O. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. Das sementes de O. linolênico e araquídico (Malik et al. 1991). 1. além de metilchavicol.. basilicum e O.. ácido caféico. basilicum foram isolados quercetina. 1985. Fatope & Takeda. Das folhas de O. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. sendo. 1994). 1.. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. 1995). já comentados (Modawi et al. esculina (Skaltsa & Philianos. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. 1989). 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh.. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. rubrum foram isolados borneol. linalol. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. timol. 1986. 1989). basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. 1995). 1987). timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. Das flores de O. sabineno e eugenol (Retamar et al.O óleo essencial de O. sendo Metil chavicol. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. 1987. 1995). fenóis. 1987). o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. 1984). 1990.. basilicum apresenta 44 compostos. 1996). na Turquia. kaempferol-3-O-rutinosídeo. 1. 1990). eriodictiol. A espécie O.. palmítico esteárico. além de ácido p-cumárico. linoléico.8cineol e eugenol. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul.8cineol. triacontanol ferulato.. ácidos orgânicos. Murugesan & Damodaran.. 1989). 1978). b-sitosterol.. alcoóis.. kaempferol.. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. cetonas. Em O. oléico. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. 1996). terpenos..8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. Thoppil. sanctum possui estigmasterol. 1996).. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. esculetina. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. isoquercitrina. rutina. mirístico. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al.

viride (Ekundayo. 1986). cablin (Akhila . foram obtidos limoneno e beta-pineno em O.. parviflorus (Nanda et al.Além desses compostos. 1985). flavonas (Patwarphan & Gupta. Pogostemon As folhas de P. Foram isolados de P purpurascens. 1984). kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. lactonas sesquiterpenóides de P. flavonas. 1981). patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa.. 1984) e grandes quantidades de timol em O. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P.

Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. 1988). 1987.... 1998) e atóxica (Junior et al. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. .. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. estigmasterol. 1990). apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. 1998).. 1998). Coelho et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides. saxatilis (Fernandes. atrorubens. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. 1988). a-bulneseno. plectranthoides (Esvandzhiya et al. O óleo essencial de H.. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. mutabilis. P. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P.& Nigan. auricularis (Prakash et al.. garwal et al. 1998). H.... comumente utilizada como calmante. também conhecido como Sambacaitá. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. C.. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al.. Silva et al. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.. betasitosterol.. 1977. pectinata (Bispo et al.. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. Em H. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. beta-amirina. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H.. umbrosa. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. Em H. 1994. Thapa et al. 1984. plectranthoides foram investigados experimentalmente. ovalifolia e H. Phadnis et al. F et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno.. suaveolens e H. analgésica (Freitas et al. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al.. 1990). crenata. et al. 1971).. 1989). 1984). Foram identificados n-octacosanol. H. 1990). 1989). 2001). Do óleo essencial das folhas de P. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. 1997). 1987. 1988. Munck & Croteau.. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana..

que foram testados quanto à sua citotoxicidade. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. 1988). leonurus (Bienvenu et al. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. 1985. Di . Posteriormente. 1988). capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos.. Leonotis Em L. anti-hipertensiva e espasmolítica.. 1988). O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. Forster et al. nepetaefolia. Calixto et al.. 2002). ramos e flores de H. 1993) foram atribuídas a H.. conhecido como Cordão-de-frade. 2002).... 1988). foram detectadas as atividades broncodilatadora. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano.. 1995).. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. capitata foi isolado o ácido ursólico. 1980. do extrato de H. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al... 1988. verticillata..As propriedades antibacterianas. antimicrobiana (Cos et al. 1995). Diterpenóides isolados de H. 1995. 1988). Do extrato metanólico de H. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1976. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al.. Saksena & Saksena. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 1984). Coelho et al. Mentha O infuso das folhas de M. 1979). causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al.. 1988). Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. e Novelo et al. enquanto extratos de folhas. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. 1988.

sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. 1987. 2002). Queiroz & Brandão. espasmolítica (Queiroz & Reis.. A. Queiroz & Reis. também verificada com extratos de O.. Do híbrido. 1986a). Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1986). 1984).. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro.. Chen et al. 1986a. 1986b). Extratos brutos de O. cannum (Dubey et ai. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1986c) e em O. determinaram-se propriedades fungicida. crispa (Mello et ai... arvensis (Ceruti et al.. . O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1978) e O. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa.. 2002. 2000). 1996) e hipotensora (Guedes et ai. 1998).. 1986).. sanctum (Phadke & Kulkarni. O óleo essencial de O. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Em O.. gratissimum (Atai et ai. Queiroz & Brandão.. 2002). Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. 1987b).. 1986a. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. sanctum (Dey & Choudhuri. O. enquanto estudos com O. Sharma & Jocob. americanus (Jain & Agrawal. Além das atividades já relatadas com M. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 1993. Almeida et ai. 1989). (1968).. 1989). 1982. 1987). antifertilidade. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. 2002). cordifolia (Villasenor et al. basilicum demonstraram atividades analgésica. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 2001 e 2002). et ai. 1989) e diurética (Carvalho et ai... 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 1988. Lahlou et ai.Stasi et al. utilizando-se M. R. piperita.. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. 1981). antibacteriana. piperita (Ansari et al.

antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. O.. 1986).. 1989). 1997). 1994a). Vanderlinde et al. 1996). Vanderlinde et al. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 1994). enquanto a O. 1994. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. Das folhas de O. 2002).. 1989).. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. As folhas de O. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al.. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. que apresentou atividade protetora do mastócito. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 1994).. suave (Tan et al. Vanderlinde et al.. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. 1992.. 1994b. 1993. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio.. basilicum (Dube et al. 1996). sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1990). 1986). selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. Vanderlinde et al. 2001). . Nakamura et ai. Vanisree & Devaki. Extrato etanólico das folhas de O. 1999. o ácido ursólico. mas a administração de O.. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa.. antiinflamatória. 1995). O óleo essencial de O. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. Os óleos fixos de O. O óleo essencial de O. E. suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1992. Das folhas de O. et ai. 1995) e O. O óleo essencial de O.. gratissimum (Sobti et al.. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki..O. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al.. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. 1986).

como Erva-cidreira-do-campo. alternas ou opostas . Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. 1984). Sálvia e Salva-da-gripe. Alecrim-docampo. 1997). pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. folhas pecioladas. quadrangulares. especialmente da América do Sul (Mabberley. provocando sonolência. 1986). Salva-brava. Compreendem árvores. sobretudo em crianças. e em outras. longos. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Salva-limão.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. arbustos e ervas. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. pubescentes. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. ascendentes. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.E.5 ml/kg. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. caule e ramos primários.Br. 1995).) N. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Stachytarpheta e Lippia. Salsa.

. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. cálice curto.(às vezes na mesma planta). 1986). no Mato Grosso (Van der Berg. o chá das folhas é utilizado como calmante. sem estipulas. 1984). é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. pentâmeras.9). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. além de problemas do estômago. Lippia grandís Schan. 1980). náuseas. 1980). no Rio Grande do Sul (Simões et al. hermafroditas. membranoso. fruto do tipo capsular branco. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. o chá das folhas é utilizado como calmante. flores pequenas. folhas pecioladas. emenagoga (Corrêa. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. tosses e gripes. estomáquica. Malva e Nulva-do-marajó. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. diclamídeas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. reunidas em inflorescências vistosas. Salva. Dados botânicos Planta de pequeno porte. na Paraíba (Agra. no Pará. fruto com dois mericarpos plano- . enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. pubescente e bipartido. 1988). cálice curto. corola bilabiada. como antigripal e calmante. sementes pequenas (Figura 26. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. Na região do Vale do Ribeira. relaxante e contra intoxicações gerais. cólica do estômago. reunidas em inflorescências capituliformes. Essa espécie é usada como antiespasmódica. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. flores pequenas.

carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. Já de L. 1987). Sauerwein et al. 1991. Da espécie L. 1981). O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. Hernandulcina. citral e carvona (Matos et al. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. Souto-Bachiller et al. lapachenol. Da parte aérea de L. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. Matos et al. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. 1981).. geranial. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. o chá das folhas. Vários terpenóides foram isolados de L. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual.vanílico. gama-terpineno. araquídico. 1980). No óleo essencial de L. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al.. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. a mais estudada é a L sidoides. canescens e I. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. dulcis (Bubnov & Gurskii. três vezes ao dia. behênico e lignocérico (Macambira et al. naringenina. limoneno. 1986. 1986. 1996). 1987). 1996a e 1996b).. acacetina. 1987). é usado contra problemas do fígado. e do caule e folhas foram obtidos ácido . esteárico. timol. Craveiro et al.. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. 1983). (1986 e 1987).. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. (1981). carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.convexos. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. timol. betacariofileno (Craveiro et al... 1987. As espécies L... 1982). americana foram obtidos ácidos graxos livres. p-cinieno. ukambensis (Chogo & Crank.. alfa-cubebeno. mirceno. monoterpenos.

Os constituintes p-cimeno. hispidulina. 1989). O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. eupafolina.. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. Do óleo das folhas de L.. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.espécies de L. 1988). graveolens. Das folhas e flores de L.origanoides foi quantificada.8-cineol (15. . 1989). timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. Dentre os compostos isolados. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. 1. 1991 e 1995). Das folhas de L. timol.. O óleo essencial de L. graveolens foram isolados pinocembrina. timol.35%). alfa. 1996a)..... diosmetina. 1994 e 1995).97%) como principais componentes (Mwangi et al. 1. p-cimeno. 1989). dos quais foram identificados piperitona (28. quatro éteres.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. Fun et al. fissicalyx (Retamar et al. cirsimaritina. 1996b). 1987). acetato de timol (17.67%).27%).33%). 1990). apigenina. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. luteolina. 1. crisoeriol.01%) ecariofileno (15. 1990). Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. wilmsii foram isolados quinze componentes. quatro alcanos.8-cineol. De L. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. A composição química do óleo essencial de L.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. alba e L. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. alfa-terpineno (4. sendo 22 hidrocarbonetos.8-cineol (2.8-cineol. Das partes aéreas e das raízes de L..e beta-pineno. limoneno. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.23%) e metiltimol (2.l. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. sabineno..43%) e piperitenona (11. 1990. neral. luteolin-7-O-beta-glucosídeo.8-cineol. 1.. 1987).. 6-hidroxiluteolina. a-pineno. 1. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. p-cimeno (3. eupatorina.12%).

carvacrol. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al... além de uma atividade moluscicida (Almeida. 1996).. 1986). Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. 1998. 1980 e 1987. lipifolil(6)-en-5-ona (18. um éster do ácido caféico ligado ao 3.Y.. 1997). Observou-se ainda atividade antitumoral com L. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1995a). Vale et al. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. P D. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.2% e 41. aristata (Moraes Filho et al. 1990). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1980). grata (Viana et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18.. contribui para a coesão das células da pele. turbinata e L. 1998).. atribuída à presença de flavonóides (Santos. L. integrifolia e L.. 1981). 1988a). polystachya. 1990). 2000).3%) (Zygadloet al. 1998). relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. polystachya foram isolados tujona (30. 1980). Moraes et al.. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. Já o óleo essencial de L. Além disso. mircenona (31%) e de L. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. multiflora. misturado a cremes. Do extrato das folhas de L. antiulcerogênica (Pascual et al.. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana.. Com a espécie L.4- .. um dos componentes principais. de L... et al. assim como o de L. junelliana. 1979).. L.. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. 1987). o verbascosídeo. Esse óleo. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L... turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes.. enquanto o outro componente. junelliana. 1996).. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al..4%.9%) elimoneno (13. 1996). M. 2002).. et al. aristata (Rouquayrol et al.. sidoides mostrou atividade moluscicida. respectivamente).5%). Do óleo das flores de L. De L.

. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Nunes.. e no óleo essencial. nodiflora foi realizado um screening preliminar... M. 1988). Y.... et al. M.. 2001)... sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. apresentaram atividades antibacteriana. 1995. Menezes et al. anti-hipertensiva. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. atividades cicatrizante. sidoides (Fonteneles & Sales. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al.... Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. Almeida.. grata.. moluscicida (Moraes.. 1988. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. et al. O. Lacotes et al. Viana et al.. Laxoste et al. .. 1978).. et al. 1998). 1995). 1996. 1980. R. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1998). Teixeira. et al. 1996).. 1988b). timol e carvacrol.. 1979. O. 1978). chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1996). 1977). 1979). anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. 1978. 1996. 1988. porém.. espasmolítica (Viana et al. 1980.. 1994. Botelho & Soares. L. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. e o de L. Ximenes et al. Nas folhas de L. no qual se observaram atividades analgésica. 1986). antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al.. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. O óleo essencial de L. antibacteriana (Aguiar et al. 1994. 1985). Moraes. 1978). hipnótica e hipotensora (Noamesi. anestésica (Viana et al. graciliy (Fontenele et al. 1980). hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. geminata e L. Matos et al. 1979) e I. tranqüilizante (Matos et al. 1992). antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. Teixeira et al. 1984). polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. O óleo essencial das folhas de L.... Os principais componentes do seu óleo essencial. M. Além disso. S. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1992. multiflora (Chanh et al. 1995b). antifúngica (Lemos et al.dihidroxifeniletanol.

FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência.1 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.

Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998).2 .FIGURA 26. .Hyptis crenata.

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .3 .Leonotis nepetaefolia.FIGURA 26.

4 .FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.

Mentha piperita.FIGURA 26.5 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .Mentha viridis.6 .

FIGURA 26.Ocimum micranthum. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Pogostemon patchouly.8 .

FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.

geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. C. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. arbustos e raramente ervas (Joly. Bignoniaceae. 1998. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. subclasse Asteridae. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. com aproximadamente 750 espécies. Hiruma-Lima L. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). A. incluindo árvores.27 Scrophulariales medicinais C. as quais passamos a descrever. Scrophulariaceae. lianas. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. e reúne 120 gêneros. 1997). Os gêneros mais importantes da . descrita por Antoine Laurent de Jussieu. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Mabberley. pertence à ordem Scrophulariales. No estudo realizado.

com gavinhas. Na região da Mata Atlântica. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. Em outras regiões do país. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água.1). Jacaranda caroba. contendo sementes oblongas (Figura 27. folhas normalmente 2-3-folioladas. oblongo-linear. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". da famosa Flor-de-são-joão. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. anteras glabras e ovário oblongo. é descrita aqui. são Tabebuia e jacaranda. . que inclui os Ipês e o Paud'arco. uma delas. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. Pyrostegia. elípticos e coriáceos. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. com ampla distribuição nas regiões tropicais. fruto do tipo capsular largo. o que gera o nome popular atribuído à espécie. No Brasil.família. as quais são discutidas a seguir. de ramos cilíndricos e glabros. os gêneros mais comuns são Tabebuia. com folíolos peciolados. também é conhecida como Cipó-de-alho. e as várias espécies do gênero Zeyhera. curto-pecioladas.

A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. não completamente identificada e conhecida como . Carobado-carrasco. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. fruto do tipo capsular. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Caroba-miúda. das quais a maioria é encontrada no Brasil. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. flores tubulosas. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. por ser mole e porosa. especialmente a associada a estados gripais e resfriados.) DC. Caroba-do-campo. sendo amplamente usada como ornamental. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. roxas. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. dispostas em panículas. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Camboté. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. Uma outra espécie do mesmo gênero. Jacaranda caroba (Vell. coriáceos e glabros.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. Camboatá-pequeno. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.

especialmente no Dia de São João. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. podendo ocorrer com flores amarelas. Segundo Corrêa (1984). as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. especialmente em crianças. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. amplamente encontrada em campos. sítios e quintais de residências. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. . Trata-se de uma espécie heliófita. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. longas. folhas com folíolos ovadooblongos. É muito comum no Brasil.Carobinha. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. inflorescências numerosas.2). onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. O nome do gênero Pyrostegia. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental.5 cm de largura. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. raramente encontrada no interior de matas densas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. como corimbos multiflorais. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. com ramos jovens delgados e folhagem densa. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). ou seja /'coberta de fogo". deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". adstringente e anti-sifilítica. repletos de flores tubulares.5 cm de largura (Figura 27. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. descrito por Carel Borinov Presl. de cor laranja.

Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. .. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. 1996). O extrato etanólico da espécie A. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. venusta a presença de aminoácidos. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. A espécie J. especialmente a espécie Sesamum indicum. 1999). Foi detectada na flor de P. Espécies medicinais Sesamum indicum L. 1976 e 1977). a família não é encontrada de forma espontânea. 1996). mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. sendo a maioria de ervas ou arbustos.. mas apenas cultivada.. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. 1995). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al.. A espécie J. 1992). acorendico presente na planta (Oguro et al. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos.. 1994). No Brasil. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton.

dores de cabeça. Nas sementes de S. distúrbios renais.. inteiras e pubescentes. 1997). o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. 1997). de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. para tratar constipação nasal crônica. visão fraca. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. opostas. vistosas. tosses secas. no Egito e na Babilônia (Bown.. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. 1995). externamente. para evitar perda de cabelos.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. diarréias. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão.. Tashiro et al. O óleo de gergelim. além de seu uso na culinária. e.Dados botânicos A planta é uma erva anual. flores amarelas. 1988. com origem na Ásia tropical ou na África. disenteria e catarro intestinal. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. 2001). O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. para alívio da dor de ouvido. e sobre as pernas para tratar paralisia. abortiva e anti-reumática e. com muitas sementes oleosas. 1990). indicum foi caracterizada a presença de . A infusão das sementes é usada internamente como diurética. osteoporose. folhas simples. 1995). episesaminona (Marchand et al. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. externamente. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. clorosesamona hidroxisesamona é 2. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. sesamolina (Mimura et al. fruto do tipo capsular. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba.. contra hemorróidas (Bown.

A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. gama-tocoferol e sesamolina. 1988). Nas raízes de S. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. 1994). globulina. 2000 e 2001).albumina. 1989. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 1993). indicum L. 1991).. prolamina. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S.2000). ácidos graxos. Mimura. sesamina Do extrato aquoso de S. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. glutelina (Singh & Khanna. (Kar & Mishra. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi.. indicum detectaram a presença de glicolipídios. bem como três novos triglicosídeos. 1996). . Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S.

Tashiro et al... 1991)... foram isoladas das sementes de S. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro.Duas lignanas furânicas. 1992). indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. O extrato de S. 2002). sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. dessa forma. além de verbascosídeo. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. 1991). indicum (Takswchi et ai. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. angolense. .. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. alatum. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. em altas doses. e. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. 1988. 1995).... indicum e S. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. dois derivados do ciclohexiletanol. respectivamente (Kang et al. 1992). Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. Da parte aérea de S. protegendo-o contra danos oxidativos. 1992). Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S.. 2001). 1997). 1990) e sesangolina. 1994). tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. alatosídeo A-C. sesamolina (Mimura et al.

fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. No Brasil. Verbascum e Wightia. bilabiada. Pupeiçava. arbustos e ervas. crenadas e glabras. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. Vassoura. Tapixaba. bicarpelar. 1997). aqui descrito como medicinal. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. Coerana-branca. . com corola rotácea. Veronica. popularmente conhecido como Vassoura. ovário supero. lanata. hermafroditas. no Pará. nos quais estão distribuídas 5. pequenas.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. quatro estames didínamos.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Esterhazia. Ganha-aqui-ganha-acolá. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Scobedia. Vassourinha-de-botão. algumas aquáticas (Mabberley. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. flores brancas. Tupixaba. ovaldolanceoladas. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Calceolaria e Maurandia. axilares. especialmente dos gêneros Antirrhinum. purpurea e D. tais como Digitalis. pentâmeras. opostas. das famosas D. Outros nome são Vassourinha. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Nomes populares Na região amazônica. incluindo árvores.

1990). Na Paraíba. Encontrada em abundância na América do Sul. 1988. Em Minas Gerais. tosse. problemas cardíacos. 1993. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. e utilizada contra desordens respiratórias. No Rio Grande do Sul. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. O nome do gênero. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. o chá da planta é usado contra hemorróidas. 1982). No Pará. também. pectoral. e as folhas. erisipela e afecções cutâneas. por causa do seu emprego. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. Cruz. coceiras. doenças venéreas. 1982. menstruais. 1984). a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf.. 1982. significa "vassoura". especialmente na Floresta Amazônica. 1987). antidiabética e contra afecções catarrais. Matos. também. febre. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. 1994. Verardo. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. para lavar feridas (Branch & da Silva. malária. Grandi & Siqueira. Grandi et al. Coee et al. brotoejas.. diabetes e hipertensão (De Almeida. o chá é preparado.. Nas tribos indígenas do Equador. 1990). essa espécie também é considerada emoliente. picada de mosquito. emoliente e béquica (Corrêa. 1980). além de ser considerada tônica. Coimbra. 1986). para melhorar o estado geral do indivíduo. 1988).bilocular. 1994. Já entre os ticunas. peitoral. No Brasil. 1982. hipoglicemiante. expectorante. 1990). hepáticas e estomacais. com todas as partes da planta. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. 1995). com muitos óvulos (Figura 27. febrífuga. Scoparia. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. bronquite. 1996).3). bronquite. . tosse. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. hipotensiva.. é utilizada como anti-hemorroidal. desordens menstruais.. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. emoliente. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. béquica. 1983). para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al.

ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. M. 1996b). antiinflamatória (Freire et al. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. antibacteriana gram-positiva.. B e C (Kawasaki et al.. 1989. Dalla Torre et al. 1987 e 1988c). antifúngica. simpatomimética (Freire et al. 1996). M. dulcinol e ácidos dulcióico.. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. S. 2001). apigenina. 1991).. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al.. depressora do SNC. 1988a e 1990c). 1997.. antiespasmódica.. gentísico. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. hipertensiva (Freire et al. anti-herpética. Torres et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . 1985). 1994. Azevedo et al. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. acacetina.. O.. 1990b).. et al.. 1987)... expectorante e atóxica (Moura et al. benzoxazolinona. 1993 e 1996). 1990). E.. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. Os ácidos escopadúlcico B.. glutinol e acacetina (Hayashi et al.. (1979) e Mahato et al.. 1987. scopadulciol (Hayashi et al. alfa-amirina. flavonas. (1981).. Hayashi et al. Também foi detectada a presença de glicosídeos. escopadulciol. escutelareína. 1993 e 1996a). antidiabética (Jain.. antiinflamatória. cinarosídeo D. iflainóico. 1988. entre outros compostos (Kawasaki et al.. 1990a e 1991). 6-metoxibenzoxazolinona. et al. beta-sitosterol. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. 1993 e 1996) depressora (Freire. sedativa e diurética (Ahmed et al. obtidos da espécie. S. betulínico. hipocolesterolêmica.1988b). anti-séptica. 1990b). Freire. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. Hayashi e al.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. manitol. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. cumárico. 1998). Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1986 e 1988a. antiviral.

1978) (Banco de imagens - . porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.Adenocalyma alliaceum.. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al.. 1997a). além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. FIGURA 27.vidade antimalarial in vitro (Riel et al. 1988b). 1993)... Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.1 . 1997a e 1997b). 2002) e antitumoral (Nishino et al.

Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .2 .

3 . 1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27.Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

528 gêneros. Essa família compreende 1. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. Trata-se de uma grande ordem. M. arbóreas. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. Os gêneros estão distri- .Ivan Martinov. que passamos a descrever a seguir. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke.28 Asterales medicinais L. Inclui espécies arbustivas. Di Stasi C.750 espécies cosmopolitas. encontradas em todo o planeta. Santos E. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. com aproximadamente 22. trepadeiras e ervas. 1997). Hiruma-Lima C. M. A. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. herbáceas. C. exceto na Antártida (Mabberley.

A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. do gênero Arnica. a famosa Arnica. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Zinnia. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Tanacetum. várias espécies do gênero Bidens. Matricaria. conhecida como Mil-folhas. Semeio e Emilia (Senecioneae). tais como inúmeras Vernonia. Novalgina e Anador. Calendula. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Bidens e Helianthus (Heliantheae). sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Nesse contexto. com ampla distribuição no território brasileiro. o Mentrasto. Aster. do gênero Mikania. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). a Camomila. Ageratum. e inúmeras plantas de . Calendula officinalis. Arnica e Tagetes (Helenieae). os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Ageratum conyzoides. das quais se destaca a Baccharis trimera. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Mikania. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Calea. Lactuca. as importantes Carquejas. Calendula (Calenduleae). • Asteroideae Inula (Inuleae). Wedelia. Gnaphalium e Achyrocline. Galinsoga. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Artemisia.buídos em três grandes subfamílias. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Baccharis e Solidago (Astereae). as várias espécies de Artemisia. Achillea millefolium. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Matricaria chamomila. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). gênero da famosa Calêndula. especialmente a Mikania glomerata. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho.

folhas simples. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. apenas masculinas. flores unissexuais e marginais. curto-pecioladas. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. internamente.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. em Minas Gerais. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. onde foram incorporadas na medicina tradicional. opostas. de pequeno porte. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro.pequeno porte do gênero Eupatorium. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. como cicatrizante. rasteira. Em outras regiões do país. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. como antiinflamatório e. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. oblongo lanceoladas. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. externamente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . amplamente usadas na medicina popular. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". a decocção das folhas é usada. inteiras. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. de ápice e base agudas. ereta ou prostrada. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. caule comprimido e denso-piloso. Na região do Vale do Ribeira.1). com borda irregularmente serreada. Dados botânicos Planta anual.

além de ser anti-helmíntica. 1982) e. digestivo.. hemorroidais e pulmonares. a espécie é chamada de Novalgina. Em outras regiões do país. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. no Uruguai. sendo as marginais femininas e brancas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. Dados botânicos A planta é uma erva perene. raras são nativas das Américas. glabra. Aquiléia. reunidas em capítulos corimbosos. hermafroditas. com até 60 cm de altura. com caules ramosos. flores dimorfas. Milefólio e Mil-em-rama. . Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. agindo ainda como antiespasmódico. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. dor de cabeça e dores gerais. como contraceptivo feminino (Mabberley. gripes e distúrbios do estômago. e as centrais. 1997). a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. rizomatosa.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. amarelas e tubulosas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. contendo folhas oblongolanceoladas.

Nomes populares Na região da Mata Atlântica. tônica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Ageratum. . reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. febrífuga. amenorréia e gonorréia. Dados botânicos A planta é uma erva anual. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. anti-reumática. com folhas opostas. e o nome do gênero.2). carminativa. pecioladas. crenadas. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. com até 1 m de altura. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. flores brancas ou lilases. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. pilosa e ramosa. antidiarréica. a espécie é chamada de Carqueja. útil contra resfriados. anti-reumático e contra cólicas menstruais. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. Catingade-barão. Erva-de-são-joão e Maria-preta. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Baccharis trimera (Lers) DC. além de indicada para aliviar náuseas. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. a espécie é chamada de Mentrasto. cólicas flatulentas e uterinas.Ageratum conyzoides L. mucilaginosa. Em outras regiões do país. ovadas. significa "o que não envelhece".

tais como Cuambu. anti-helmíntico. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. podendo atingir até 1 m de altura. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Bidens bipinnatus L. Amor-seco. Carrapicho. Pirco. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Piolho-de-padre.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. estomacais e intestinais. entre outras (Corrêa. Goambu. Erva-picão e Pau-pau. Picão-do-campo. Espinho-de-agulha. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. hipertensão. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. estomáquico. Carrapicho-de-cavalo. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. . derrame cerebral e diabetes. bem como em vários Estados brasileiros. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. Carrapicho-de-agulha. (Bidens pilosa L. o deus Baco do vinho. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo".Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. como Picão-preto. anti-reumático. 1926). inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Macela-do-campo. Erva-picão. Aceitilla. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. diurético e contra distúrbios renais.3). Em outras regiões do país. a decocção das folhas é usada como analgésico. com ampla distribuição na América do Sul. a planta é usada como tônico. Carrapicho-deduas-pontas.

dores de cabeça e de dentes (De Feo. sialagoga. Vasquez. 1962). 1984). vermífuga e vulnerária. 1993. No Leste da África. ramosa. significa "dois dentes". antiescorbútica. bem como no combate a dores em geral Jager et al. capítulos pleiomorfos. leucorréia. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. folhas opostas. desordens hepáticas. antiblenorrágica. diabetes. antileucorréica. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. 1990. adstringente e considerada útil contra icterícia. dismenorréia. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. hepatite. Na medicina tradicional peruana. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. desobstruente. a espécie também é referida como emoliente.Dados botânicos Planta de pequeno porte. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. disenteria. diurético e contra hepatite. antidisentérica. 1994). infecções urinárias e vaginais (De Almeida. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28.. pentâmeras. infecções urinárias (Mejia & Reng. 1995). utilizada especialmente contra icterícia. diurética. Duke et ai.4). A planta é considerada estimulante. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. micoses. pecioladas e fendidas. Bidens. laringite. edema. Coimbra. 1994). No Brasil. a espécie é usada como antiinflamatório. 1990). com cálice modificado. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. .. com até 1 m de altura. 1996). conjuntivite. com flores radiais liguladas. diabetes e inflamações (Corrêa. O nome. simples. ereta. 1992. referindo-se às aristas do papilho. glabra.

A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. Dados botânicos Erva bastante delicada. lanceoladas. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. Aiapana.ambas não identificadas . e contra malária. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. empregado externamente na forma de banho. corola com tubo interno glabro. angina. a espécie possui vários usos das folhas. 1984).Eupatorium ayapana Veuten. cólera. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. flores (20 a 30) azuis. como tônico. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. estriado e diminuto. mas são comuns outras denominações. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. enquanto o sumo das folhas frescas. . ferrugíneo e glabro. Japana-branca. triplinervadas. anguloso. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. especialmente do fígado. estomáquico. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. Em outras regiões do Brasil.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. antidiarréico e antidisentérico. sudorífico. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens).5).) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. Japana-roxa e Erva-de-cobra. estimulante. digestivo. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. androceu com anteras levemente sagitadas. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. de caule ereto. visto a grande semelhança entre elas. fruto do tipo aquênio alongado. folhas opostas. como Iapana. acuminadas. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp.

O nome significa "feltro". folhas oblongas. . reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. podendo atingir até 1 m de altura. Solidago microglossa DC. com ápice arredondado. capítulos pequenos e reunidos. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. flores amarelas. referindo-se ao tomento das folhas. pequenas. a espécie é chamada de Macela. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. que formam uma inflorescência cilíndrica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. O nome do gênero significa "o que é firme". Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. assim como em todo o Brasil. serradas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. a infusão das folhas é usada contra diarréia. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.especialmente na América do Norte . com caules contendo folhas elípticas e obovadas.e com raras espécies na América do Sul. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. de ocorrência nas Américas . a espécie é chamada de Arnica.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. cálculos da bexiga e dores de dente. Spilanthes. Botão-de-ouro. Abecedária. entretanto. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. não alado. o preparado com folhas de arruda. tais como Agrião-do-pará. O nome do gênero. Essa planta é utilizada como estomáquica. membranosas. o chá das folhas. . Mastruço e Agrião-do-norte. ovadas. flores amarelas. comprimido com papilho aristado. vários outros nomes são usados. Jambuaçu. com folhas opostas. agudas. Spilanthes acmella Rich. significa "flor com mancha". descrito por Nicolaus von Jacquim. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. fruto do tipo aquênio. picadas de insetos e infecções. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. com corola curva. Dados botânicos Planta herbácea. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. Agriãobravo. longo-pecioladas. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. Agrião-do-brasil. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. que tem mancha escura sobre a lígula. batidas.6)..

Cravo-africano e Tagetes. 1988). patula e T. e indicada contra problemas hepáticos. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. as folhas. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. em Brasília (Matos & Das Graças. divindade etrúria representada como um belo jovem. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. tais como T. a S. abortiva. Cravo-de-tufo. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". atingindo de 60 a 90 cm de altura. bronquite. Amorozo & Gély (1988) referem que o . no Pará (Amorozo & Gély. 1997). narcótica. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. são partidas e aromáticas. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. lucida. com muitos ramos. minuta. tosse e resfriado. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. desinfetante e antiasmática. Cravinho. cicatrizante. e seu nome vem de Tages. opostas ou alternas. antigripal. considerada carminativa. T. Outras espécies do gênero.1982). também são usadas como medicinais. 1980). Originária do México. Na Colômbia. febrífuga. digestiva. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. emenagoga. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. antiespasmódica. está muito bem aclimatada no Brasil. sendo também comumente chamada de Cravo.

Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. anteras amarelas e estigmas vermelhos. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. o chá das folhas e flores. na região de estudo. sésseis. de Zinha ou Zínia. rosas. cordiformes. com uso freqüente contra dores reumáticas. Originária do México. . é amplamente usada no Brasil como ornamental. arroxeadas e vermelhas. para tratar "doença que deixa o queixo duro". Moça-e-velha e Canela-de-velho. Zinnia elegans Jacq. forte. australe. Nomes populares A espécie é chamada. incluindo brancas. resfriados. opostas. pela abundância de flores. bronquites e tosses. as folhas são ásperas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas.chá das folhas com alho é usado contra febres. com caule ereto.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. as flores possuem várias cores. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. Segundo Hoehne (1939). Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura.

1979). Hausen et al.. terpenos (Verzan & El Sayed.. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.. Sharma & Sharma. 1981). Achilea. timol. 1987... hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. 1985. flavonóides (Shimizu et al. 1997). germacreno A. Bohlmann et al. 1987). 1975. 1977).. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. Da espécie B. isocariofileno. 1996. diterpenos (Saleh et al. Herz & Kalyanaraman. 1984). 1979. Hoffman & Hoelzl.. B. 1991). leucoantociandinas. 1990. B.... beta-cariofileno... Gill et al. gama-cadineno. 1978)..4'-trihidroxi-3.. limoneno. laevis e B. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. De Tommassi et al. 2000).. De A.. 2002. leucantha (Wat et ai. delta-cadineno (De Marais et al.. millefolium também foram isolados ésterois. saponinas e xantonas (Caetano et al. Torres et al. 2001. alfa-copaeno. alfahumuleno. glabratum (Saleh et al. 1987). Das partes aéreas de A. B. triterpenos (Chandler et al. cumarinas. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 1997). Debenedetti et al. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. beta-pineno. 1986... 1994). axilarina e 5. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. cadineno.. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al.. 1987.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. 1976a e 1976b). deterpenos. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. 2000). Wang et al. pilosa. 1992). De A.beta-elemeno. alfa-felandreno.. Christensen et al. 1988a e 1988b. Gene et al. Herz & Kalyanaraman. 1980. beta-guaieno.. pilosa . tripartitus. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. monoterpenos. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 1979). De A. catecolaminas.. Poliacetilenos.. Nair et al.. Caffmi & Demolis. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides.. 1994... 1975).. 1975) e monoterpenos (Orth et al. flavonas (Falk et al. 1994 e 1984. bipinnatus. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. flavonóides (Bohlmann et al. 1986. Alvarez et al. flavonas. 1992b. 1981. 1976). crisosfenol D.7. 1990). carotenóides e glicosídeos foram isolados de B.

e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. E. Edgar et al. £. Três poliacetilenos. 1990). B. E. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. 1995).. E.. 1979). 1985). foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. frondosa (Karikome et al. 1992).foram ainda isolados inúmeros compostos. E.. B.. B. tinifolium (D'Agostinoetal. ácido linoléico. 1994) e E. cannabinum (Stevens et al. Poliacetilenos também foram isolados de B. 1997). tripartitus (Christensen et al. Wang et al. pilosa (Hoffmann & Hoelzl.B. B. Liu et al.. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. 1995). erythropappum (Talapatra et al. chinese (Zhao et al. 1986). E. portoricense (Wiedenfeld et al.. E.japonicum. Pagani. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1990a e 1990b). 1988b.. E. altissimum (D'Agostino et al.. 1991. B. chrysoanthemoides. 1987. 1987 e 1988). cernuol. 1995). E. 1997). Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al.. E. 1992).fortunei. . ternbergianum (D'Agostino et al.. leucolepis (Herz & Palaniappan.. 1997). salvia (Gonzalez et al. dahlioides. 1982). 1988. B. 1981).. odorata (Hai et al. subhastatum (Ferraro et al. 1995) E. campylotheca (Bauer et al. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. pilosa (Zuleeta et al. E.. tais como quatro auronas. 1990). B.. ferulefolius. eugenol. E.. 1987. 1986). 1991) e E. glandulosum (Nair et al. £. 1992). 1990). dois derivados tiofênicos. micranthum (Herz et al 1978). bipinnatus (W B. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. rotundifolium (Hendriks et al. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. buniifolium (Muschietti et al. frondosa. 1988c e 1988d). E guayanum (Sagareishvili et al. parviflora. 1994). adenophorum (Li et al. littorale (Sato et al. maximowicziana. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B.. 1985). ácido linoléico e linolênico. angustifolium (Mesquita et al. 1988a. E. tripartita (Isakova et al. 1993 e 1995). 1991). 1995) e £. E. radiata e B. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. 1992).

1987). triterpenóides de E.. 1987). laevigatum (Bauer et al. entre outros (Nakatani & Nagashima. p-cimeno. sitosterol. 1987) e E. Das partes aéreas de S. espilantol.. Diterpenóides foram isolados de E. naginatacetona. mikanioides (Herz et al. e sesquiterpenóides de E. recurvens (Herz et al. Os principais constituintes do óleo essencial de E.. 1986). cannabinum (Stefanovic et al. E. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. americana foram isolados monoterpenos.fortunei (Haruna et al. laevigatum (Lopes et al. estigmasterol. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. fenóis e saponina. limoneno. 1986). cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. rufescens (Ruecker et al. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari.. 1978). 1999). Uma amida. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. 1993). 1987). sesquiterpenos. De S. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. odoratum foram encontrados taninos. 1987).. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. . E. quadrangularis (Hubert et al. adenophorum. 1986b). 1986). compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1987). Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. 1980) e E.. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. 1994). 1992a).. 1996). 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. E... var. 1991). entre outras espécies (Ding et al. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. quadrangularae (Hubert et al. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. E. Ramsewak et al. E. E. 1990a e 1990b). 1986). 1988a e 1988b). cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1992b.. altissimum (Jakupovic et al. odoratum (Talapatra et al. 1987).. tinifolium (D'Agostino et al. 1980). E.Nas folhas de E. deltoideum (Quijano et al. acmella L. cânfora. E. enquanto em E. fortuna (Haruna et al. 1979). 1977).

glandulifera) (Craveiro et al.. erecta e T. lucida (Hethelyi et al. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1988). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. T. 1993b). 1990b). 1988a e 1988b).. 1991). patula. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 1992). dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. laxa (De-Israilev et al. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. Tosi et al. patula (Ivancheva & Zdravkova... Pe- ... Das raízes de T. 1995). benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. 1987).. T.. 1994) e T. 6-hidroxikaempferol. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. patula foram isolados tiofenos. As espécies T. patuletrina e patuletina. campanulata. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1988. 1990).. além de enxofre e fósforo. 1987). patuletina e muitos desses derivados. T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. 1988). riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. No entanto.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. mendocina e T. como quercetagetina. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. argentina) foram identificados quatro tiofenos. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. T. T microglossa (Castro. que podem ser diferenciadas pela composição química. 1990a). Entretanto. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. T. Os monoterpenos descritos em T. 1987. 1993). pois somente T. erecta (Singh et al. minuta são ocimeno. tais como quercetagetina. T.. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. 1988). bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. T. 1987). 1985). 1993). Ahmad et al. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. minuta e T.

1997). hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca.. a A.. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. elegans indicou a presença de Cumarina. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. australe (Matsunaga et al. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1987). glabratum (Saleh et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. Em A. As antocianinas das flores de Z. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. patula foi detectada (Arroo et al. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. 2002) e antifúngica (Portillo et al.. ocitocina. taninos. 1997)... Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. glicosídeos cardíacos.. Nascimento et al.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1988). 1991). 1996) dessa espécie... indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. 1988). 1995). hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.. Carvalho et al. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. 1988. . australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. 1980). Experimentos com A. australe contra Plasmodium berghei em roedores.. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 2001). 1995).. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al...

1996). Porém. 1949). aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. à presença de saponinas (Gene et al. além de vários flavonóides obtidos de B. N'Dounga et al. possuem atividade antiinflamatória. As folhas de A. pilosa (Santos et al. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 1998b. 1980). pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. pilosa. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. minor foi a mais . pilosa L.. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin.. var. Goldberg et al. Bidens Experimentos com B. e B.. 2000). (1991).. reduzindo a produção de prostaglandinas. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos.. 2000). Triterpenos. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1985.. mas Bidens pilosa var. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois.. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al.. Bondarenko et al.. 1969). imunoestimulante (Ignácio et al. 1983). B.Achila.. 1997). 1987. minor (Blume) Sherff. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. as propriedades analgésica e antiinflamatória.. 1991). Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. 1987).-ol. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al.. como friedelina e friedelan-3. Extrato etanólico de B. Abena et al. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al.

gracilae. 1995). 1994). in vitro. 1994. E.. mais recentemente. Para a espécie B. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. 1985)... além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. 1985). campylotheca apresentou. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 2002). 1998 e 1999). ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. hipotensora (Dimo et al. Entretanto. var. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. E. 1996). uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. 1989). 1995). E. pilosa L.ativa. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E.. morifolium e E. pilosa L. 1997). pauciflorum (Giesbrecht et al. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. 1986b). minor e B. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório.. . consaguineum (Lopes et al. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. glyptophlebum. E.. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. 1995 e 1996) e.. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. Um composto sesquiterpênico isolado de B. ou seja. A espécie B. As folhas de E. densum. Eupatorium A espécie E. E. 1996). La Casa et al.. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. somente os extratos de B. O extrato hexânico de B. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. 1985). 1997). 1995)... E. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. 1977)... tequendamense (Mantilla & Sanabria. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1988) e E. balantaefolium (Almeida & Fonteles... atidifolium e E. brevipes (Guerrero et al. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. 1986) e diurética (Rebuelta et al...

. assim como da atividade da RNA polimerase. cannabinum. halinfolium e E. 1992). hyssopifolium (Hall et al. 1990).. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. Inya-Agha et al. Herz & Palaniappan. Inibição da síntese de colesterol. 1989).. pauciflorum. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. E. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. A. 1990).. proteínas. Eupatorium perfoliatum. 1998). 1991). 1985. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. Cáceres et al. flaccida. DNAse. 1995). 1978).. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. Sesquiterpenóides isolados de E. ayapana (Gonçalves et al. O óleo essencial de E. cannabinum (Bourrel et al. enquanto a espécie E. 1986 e 1987. larvicida (Pitasawat . 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. odoratum (Iwu & Chiori. e de E. acmella foram isolados n-isobutil-4.. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia.. candolleanum (Campos et al. E. 1990 e 1991).. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli.. 1986).. squalidum (Carvalho et al. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al.5-decadienamida. Guerrero et al. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al.. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos.. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini..1986). 1991). 1991). A. inulaefolium (Gorzalczany et al. brevipes e E. Piperidinas de E. Os extratos de E. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. 1988).. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. Achyrodine alata. 1982a). 1984. Spilanthes Das folhas de S. DNA e RNA de células tumorais. 1996) e E. (Giesbrecht et al. O extrato bruto aquoso de E.. RNAse. E. 1988. riparium (Ratnayake-Bandara et al.. 1995). 1995) e E. E.

. 1987. folhas e flores de T. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum.. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. enquanto o extrato de S. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. Valderrama et al. 1992) e antitumoral (Moraes et al. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan.. mas não contra Candida sp. sendo os deri- . 1998) e espilantol. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade.... 1993). et al. 1986) e S. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica... como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. presente em muitas espécies. O eugenol. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. 1984). bem como no consumo destas (Meckes et al. antimicrobiana. T. Em S. 1996). como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. et al.. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. J. como no cravo-da-índia. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. Souza. (Fabry et al. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz.. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. RJ. et al. e o extrato de S. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al.. 1999). usado como emenagogo. L.... in vitro. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. 1993). 1995). erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. Em I minuta. F. C. Andrade.. oleracea (Herdy & Carvalho. 1992. 1990).et al. 1992). Camargo Neves et al.. 1993.. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. 1989). O extrato de S. 1994). sedativa. 1988. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1995).

1995). Os extratos hexânicos de T. 1991). a atividade da ATPase. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. Dentre outras espécies. O extrato de T. D e F. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. 1994).Ca2+ dependente e inibiu. elegans L.. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. coronopifolia e T. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B.. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al.. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. 1996). Do extrato de Z. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. in vivo e in vitro. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. Zinnia As sementes de Z. 1991). além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. 1997). . Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. 1995)... que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. 1994). 1992). 1987). sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos.. in vitro.. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. o óleo essencial de T... lúcida estimulou discretamente. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al.. 1997). tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. 1989).vados tiofênicos os compostos ativos.

ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. et al. 1996 e 1997). Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. a espécie E. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. adenophorum (Oelrichs et ai. 1990). Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação... enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. A. enquanto o extrato aquoso de S. V. especialmente na fase jovem. T.. 1988). 1995). 1978a e 1978b). Estudos com a espécie A.. As folhas de S.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. S.. et ai. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. especialmente . M.. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. alopecia. caracterizados por diarréia. dispnéia. australe durante o período de prenhez de ratas. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. 1995). hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. A ingestão regular de E. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. 1993). os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. Tremetona isolada de E. australe são tóxicas para aves. hemorragia. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. no entanto. 1994). a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. congestão do baço e coração. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. fraqueza e debilidade dos membros. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. Segundo Hoehne (1939). rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. Entretanto.

b) detalhe da escanerata.1 . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . relaxante muscular e antineoplásica.como diurético e hipotensor. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. FIGURA 28.

Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .FIGURA 28.

3 . b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.

Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .4 .FIGURA 28.Bidens bipinnatus.

5 .Eupatorium ayapana.FIGURA 28. . 1998). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.original).: a) ramo florido (Di Stasi .

Spilanthes acmella. .6 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 28.

. arbustivos. Gelsemiaceae. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. importante fonte de espécies ornamentais. como é o caso de Coffea e Cinchona. com representantes arbóreos. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Coffea arábica. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. A. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico.29 Rubiales medicinais L. do famoso Cafeeiro. C. do famoso jenipapo brasileiro. Di Stasi C. e Gardenia. alguns deles de valor histórico. • Ixoroideae: Coffea. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. nos quais se distribuem mais de 10. algumas espontâneas nas áreas tropicais. Desfontainiaceae e Rubiaceae. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. 1997).200 espécies vegetais cosmopolitas. Genipa. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona.

com corola de base gibosa. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. ovário ínfero. flores hermafroditas. com pêlos abaixo da inserção dos estames. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. ipecacuanha. . tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. fonte de emetina e outros constituintes de importância. especialmente na Amazônia. e Palicourea.• Antirheoideae: Guettarda. Cephaelis da famosa C. estipulas não foliáceas. inteira. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. lanceoladas. diclamídeas. folhas curto-pecioladas. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. carnoso e drupáceo (Figura 29. Não foram encontrados sinônimos. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha.1). muito comuns em terrenos baldios. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. • Rubioideae: Psychotria. com espécies popularmente denominadas Poaia. fruto indeiscente. 1997). bicarpelar. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. Borreria e Dioidea. importante árvore. simples. Dados botânicos Pequeno arbusto. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. ereto.

. 2001). Nomes populares No Brasil todo. frutos do tipo baga. 1995. fendleri (Nakano & Martin. avermelhados. mas também considerada espécie tóxica e perigosa.. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.5 m de altura.. inflorescência em panículas. .. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. marcgravii. avermelhadas. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. pecioladas. com ramos cilíndricos. 1996. de P. De-Moraes-Moreau et al. acuminadas. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.Palicourea marcgravii St. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. 1989a). delgados. 1999). 1994). de onde partem folhas com venação tênue. Palermo-Neto et al. Além de alcolóide. Hil. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. sobretudo na região amazônica. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. glabros. (Kemmerling. E popularmente usada como medicamento. Stuart & Woo-Meng. opostas. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica.. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. 1976).

FIGURA 29. Tokarnia & Dobereiner. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. De-Moraes-Moreau et al. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. Além de fluoroacetato. 1989b. contrações musculares. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado.teratogênica (Costa. comum em animais e rara na espécie humana.. espasmos musculares. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. enquanto P. Das folhas de P. 1995). 1989). que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling..Palicourea laniflora.. 1989. et al.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen.1 . marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1986). 1989). 1996). e a intoxicação.. Gorniak et al. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. 1988. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. Segundo Schvartsman (1979). vômitos. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. náuseas.... Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . Palermo-Neto et al. 1982).. falta de coordenação motora. P. midríase e morte em bovinos (Costa et al. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. 1984a. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade.Banco de imagens - .

1978). A. também utilizado como medicinal em todo o mundo. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. Viburnum. Lonicera. 1997). mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Di Stasi C. C. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Lonicera e Sambucus (Barrozo. No Brasil. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. arbustos e lianas. . cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. descrita a seguir. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal.30 Dipsacales medicinais L. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. Abelia e Linnaea. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. Os principais gêneros são Sambucus.

usada internamente. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. A infusão das folhas. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. no champanhe e no catchup.1). folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. . O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. A espécie. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. Apresenta importante valor econômico. é considerada excelente diurético e sudorífico. além de seu histórico uso medicinal. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. além de flavorizantes em vinhos. e possuem aroma muito agradável. Floresce nos meses de julho a agosto. óleos e ungüentos.Espécies medicinais Sambucus nigra L. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em um corimbo branco. as flores são brancas. com ramos bastante lenhosos. gripes fortes e varicela. considerada exótica nas Américas. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares.

diuréticas. oléico. catarros.. flavonóides. esteárico. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. Van Damme et al. 2001). De S. Kaku et al. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. para pequenas queimaduras. descrita no trabalho de Grieve (1994). reumatismo e febres. sudoríficas.. nigra. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. 1986). S. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. Internamente. os ácidos graxos láurico. gripes. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. 1990.. heptadecênico.Bown (1995) refere que flores. erisipelas e queimaduras. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. sinusite. lignanas. 1989b e 1989c). tetradecênico. mirístico. palmítico. canadensis foi isolado o iridóide . 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. racemosa e S.. externamente. 1989a). Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. folhas. 1989. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. casca e frutos são usados para diminuir febres.. 1988). a planta ainda é indicada contra influenza. lectinas das cascas (Shibuya et al. cianogeninas.

com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Artemisia absinthium. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1992b e 1992). indicado para hidropisia. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. O extrato aquoso das folhas de S. beta-amirina e o ácido oleanólico.. . 1997).. 1990). Prunus spinosa. 1997). Bojic & Cuperlovic. 1994). os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F... formosana foram isolados. 1987). Centaurium minus. das folhas. e das raízes de S. e Polygonum aviculare. 1997). 1997a e 1997b). Schoning. Salvia offtcinalis. Sambucus nigra. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. As lectinas de S. nigra.. O reatival. De S. Van Damme & Peumans.. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. que possui atividade colerética (Takeda et al. apresentou atividades analgésica. O extrato aquoso de S. 1996). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. conhecido como Sauco. De S. 1974).. Com base nessa constatação. antiinflamatória e antipirética. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A.. 1980). 2000). 1996.. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita... 1997. 1995). promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al.morronisídeo (Jensen & Nielsen. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. 1989). O extrato hidroalcoólico de S. canadensis (Buhrmester et al. Das cascas de S. mexicana.. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. 1997. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. australis. 1986). 1988).

1 .Sambucus nigra. 1999) e a espécie S. 2000. .A espécie S. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). FIGURA 30. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al... 2002). peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Neto et al.

e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. como é o caso do Alho (Allium sativum). . C. • 109 são usadas na Amazônica. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Mata Atlântica. da Hortelã (Menthapiperita). Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). A maioria é nativa desse ecossistema. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. entre outros.Posfácio L. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. Dessas 135 espécies medicinais.

podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. Esse dado se torna mais importante porque. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias.Dessas 135 espécies medicinais. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. a Mostarda (Brassica nigra). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. a Erva-doce (Pimpinela anisum). ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. várias espécies amplamente conhecidas. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. neste livro. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. compreendidas em trinta diferentes ordens. razão pela qual não foram incluídas no texto. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. a Camomila (Matricaria chamamila). as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. apenas dezesseis são monocotiledôneas. a Calêndula (Calendula officinalis). o Mamão (Carica papaya). O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. . devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. o Agrião (Nasturtium officinalis). o Coentro (Coriandrum sativum). líquens. 340 espécies. a Losna (Artemisia absinthium). As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. ou seja.

Por isso. alcançando alto índice de citação. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. . para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. Finalmente. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. e que esse conhecimento seja recuperado. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. Sobre essas. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. pelos mais variados grupos de pesquisadores. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. esse conhecimento se enriquece a cada dia. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. como a de massa e a erudita. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. isto é. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca.

Glossário de termos botânicos. com dois sexos. os estames. folhas que envolvem o caule. Bianual. com uma única semente. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Que abraça o caule. Excrescência da semente. . se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. o ciclo reprodutivo e depois morre. Antera. Bainha. Planta que nasce. Acuminada. Baga. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Alternas. Amplexicaule. no segundo. Axilar. Conjunto de órgãos masculinos da flor. indeiscente. Arilo. Anual. Aguda. Hermafroditas. Arista. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Aquênio. Androceu. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. pelo lado interno. Andróginas. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Fruto seco. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Que fica na axila. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria.

Conjunto de sépalas. Estipula. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. inseridas em um eixo comum. Cuneiforme. Capítulo. Pétala superior da corola papilionada. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo.: cana-de-açúcar. . que é o verticilo externo da flor. Carena. Escandente. que se formam ao lado da parte basal das folhas. seco e indeiscente. Colmo. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Cápsula. Planta trepadeira. Diclamídea. Ex. deiscente. Decumbentes. com função de proteção. Caduco. tornando-o alado. Folha modificada que origina o gineceu. Carpelo. em geral dois. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. dois mais altos e dois mais baixos. Decorrente. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Conjunto de pétalas. como o fruto das gramíneas. Pedúnculo geralmente sem folhas. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Escapo. Que se abre. Na forma de cunha. Corola. Estandarte. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. normalmente largo.Bráctea. Fruto monospérmico. Didínomo. Cálice. Epicarpo. Camada externa do pericarpo. Elíptico. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Fruto seco. mas sempre terminando na mesma altura. Estilete. Corimbo. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Cada um dos apêndices. Crenada. Cariopse. Deiscente. Diz-se da flor. Dicotiledôneas. Com a forma de elipse. Endosperma. Drupa. Qualquer órgão que cai em determinado período. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. androceu ou planta que possui quatro estames. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Tecido nutritivo encontrado nas sementes.

Fasciculada. que é ramificada igualmente em forma de pincel. Folha. Flores. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. complexas e variadas nas formas. o de corola. As flores são estruturas de reprodução. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. que juntos constituem o perianto. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice.Estômato. e ao de pétalas. trímeras. . pentâmeras etc. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Parte do estame que sustenta a antera. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Filete. As flores podem ser dímeras. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.

Nesses casos.quando se compõem de duas ou mais lâminas. as folhas podem ser pecioladas ou não. ou com o próprio caule. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples .A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. no caso das folhas compostas pinadas. .quando consta somente uma lâmina . recebendo o nome de folíolos (ou pinais). às vezes numerosas.ou composta . A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. às vezes reduzidas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.

. mais aquelas apresentadas para as flores.Finalmente. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. Todas essas características. conforme se observa na figura a seguir.

Inflorescência. Que não se abre. Lobado. Porção alargada e achatada da folha. Gavinha. é constante para cada espécie vegetal. Brácteas externas que envolvem a espigueta. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Monóica. Metaclamídeos. . deiscente. Orbicular. os carpelos. Monoclamídea. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. mais longa que larga. Diz-se da folha que tem a forma de lança. em linhas gerais. Infrutescência. Lígula. Oblonga. Diz-se da folha em forma de círculo. Gluma.Folíolo. e as principais são motivadas na próxima figura. Gineceu. Hirsuto. Hermafrodita. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Planta que produz flores unissexuais. Indeiscente. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Monocotiledôneas. Lâmina. Flor com apenas um invólucro no perianto. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Fruto seco. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. porém presentes na mesma planta. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Lóculo. Provido de pêlos longos. Lanceolada. Folículo. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Planta ou flor com dois sexos. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Glabro. Desprovido de pêlos.

Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. .. 1978).

fórmico. . gasoso. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. fenólico e tartárico. Pecíolo. Planta ou órgão denso. cáprico. gálico. Racemo. dispostas circularmente. Tomentoso. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Substâncias orgânicas. Séssil. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Podem ser monobásicos. Ácido graxo. esteárico. Zigomorfa. isovalérico. mirístico. aromáticos etc. Ácido.Panícula. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Verticilo. Receptáculo. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Ácidos orgânicos. Rizoma. Conjunto formado por cálice e corola. Caule subterrâneo. Cálice modificado em pêlos. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. succínico. Perianto. cujos pêlos se entrelaçam. Qualquer estrutura provida de pêlos. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. o mesmo que cacho. Termos químicos Acetileno. característico da família Asteraceae (Compositae). Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. cerdas ou aristas. nitrogenadas de origem vegetal. Uncinada. Conjunto de estruturas com a mesma função. oléico. Que forma gancho. linoléico. solúvel em água. palmítico. Perene. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Hidrocarboneto não saturado. Alcalóides. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. incolor. araquídico. Qualquer substância de sabor ácido. Estruturas com simetria bilateral. dibásicos. Ráquis. Pubescente. Exemplos: ácidos acético. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. com cheiro desagradável. Papilho.

Líquidos incolores. Uma das substâncias constituintes do amido. Betaínas. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Esterol. Catalase. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. encontrado nos organismos vivos. eugenol e hidroquinonas. vegetais e animais. amarelos e roxos. estragol. Ver esteróides. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. como a quercetina. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Fenóis. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. voláteis.Alcoóis. Ou hidrato de carbono. onde exerce importantes funções. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Aminoácidos. com caráter gelatinoso. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Cumarinas. Exemplos: carvacrol. Compostos aromáticos. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. São corantes vegetais. Flavonas. Aldeído. que exercem várias funções. Fitosterol. Carboidrato. Esteróides. Compostos naturais ou artificiais. Flavonóides. Amilopectina. Cetonas. Compostos alifáticos. Compostos orgânicos não-cíclicos. Exemplo: p-cimeno. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. . derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. originam as flavononas. tais como os hormônios. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. timol. derivados do cicloperidrofenantreno.

com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Hidrocarboneto. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. pela ação de ácidos diluídos. Hidrolato. Compostos cíclicos. Substâncias que. Líquido oleoso. recobrindo-as com uma camada protetora. Ligninas. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Insulina. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Óleo essencial. Peroxidase. . Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Hormônio secretado pelo pâncreas. Heterosídeo. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Lactonas. Peróxido. Lipídios. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Insaturados. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Mucilagens.Fosfolipídio. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. oxidando outros compostos. derivados do fenilpropano. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Glicídios. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Compostos cíclicos. Líquido incolor e aromático. Glicosídeos. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. sofrem hidrólise. Lignanas. geralmente de odor agradável.

Adenocarcinoma. . Que combate fungos. Antifúngico. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. especialmente táctil e dolorosa. Antidisentérico. Antiemético. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Anestésico. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. podendo ser feminina ou masculina. Angina. antigonorréico. Que reduz ou suprime a dor. involuntárias de músculos voluntários). Anemia. Antiblenorrógico. às vezes. Analgésico. Afrodisíaco. que impede a formação de catarro. Que reduz a capacidade de reprodução. Adstringente. perda momentânea da razão. violenta. Agregação. Que aperta. Antiespasmódico. Delírio. Antidiabético. Amenorréia. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Antigonorréico. doença sexualmente transmissível. Queda dos cabelos. de um músculo ou grupo de músculos). Agrupamento. Expectorante. Antibacteriano. Falta de menstruação. Que combate a eliminação de muco. Capaz de promover expulsão do feto. aglomeração. Alucinação. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Antiescorbútico. Auticonvulsivante. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). sufocação. Afasia. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Acne. Que suprime náuseas ou vômitos. Dor sufocante. ato ou efeito de desvariar. Tumor maligno com disposição glandular. que provoca constricção. Alopecia. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. a sangue). Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos.Termos médicos Abortivo. Anticatarral. Que combate as convulsões (contrações violentas. calvície. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Antifertilidade. que prende.

Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. quase sempre transmitida por contato sexual. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Que combate micróbios. Antimalárico. desinfetante. Que combate a histeria. Que combate a sífilis. Antiinflamatório. Também denominado antipirético e febrífugo. febre paludosa ou palustre. Cálculo.Anti-helmíntico. Anorexia. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Que faz baixar a temperatura. em geral acompanhada por desordens na fala. que serve para o tratamento da tosse. Béquico. Antipruriginoso. Antivirótico. Que combate as inflamações.no. Anti-hemorroidal. Ataxia. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Que combate tumores. Que combate a lepra. Antineoplásico. putrefação ou contaminação microbiana. Antimicrobio. Que impede a fermentação. Anti-séptico ou Antisséptico. insensibilidade. Anti-sifilítico. Antileucorréico. Que combate o reumatismo. Apatia. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate helmintos. formada por sais minerais. Antitérmico. Antitumoral. Anti-reumático. Em geral se forma na bexiga. . Massa inorgânica anormal no organismo animal. Que combate as doenças provocadas por vírus. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Brônquios. Broncodilatador. Antinociceptivo. falta de emoção. Anti-histérico. Redução ou perda de apetite. Antivenéreo. Estado de indiferença. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). nos rins e/ou na vesícula biliar. Que combate a formação de tumor maligno. Que dilata os brônquios. Relativo à tosse. também chamada de paludismo. inatividade. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Que combate o corrimento vaginal simples. doença causada pelo Treponema pallidum. Antileprótico. especialmente bactérias.

Dermatite. Disfagia. empachamento. Infecção por bactérias. sensação de peso ou queimação no estômago. Desinfetante. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Que tem a propriedade de amolecer. Que limpa. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. estimulante da transpiração. Emenagogo. Que favorece ou provoca menstruação. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. que separa substâncias nocivas. libera a passagem de um vaso ou canal. acompanhada de náuseas. Colagogo. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Cardiotônico. Inflamação da pele. Dispnéia. Depressor. Respiração difícil. reduz a força. Prisão de ventre ou. Diaforético.Carbúnculo. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. dificuldade para respirar. . Emético. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Edema. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. que ativa a eliminação de bile. Que provoca vômito. Diurético. Catártico. Constipação. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. muitas delas usadas para destruir células tumorais. gripe. Dispepsia. gripe comum. Que favorece o fluxo biliar. enfraquece. purifica. Emoliente. Cicatrizante. Que favorece a secreção urinária. Que alivia a distensão por gases. Que deprime. Carminativo. Desobstruente. também. Indigestão. Que desentope. Congestão. Depurativo. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. resfriado. Sudorífico. Dificuldade na deglutição. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Purgativo. do intestino. particularmente a pele inflamada e porções próximas. crostas e secreção. Que exerce efeito tônico sobre o coração. que previne a invasão de microorganismos. caracterizado visualmente pelo inchaço. Eczema. reduz a excitação. do estômago etc. Citotóxico.

que melhora o funcionamento do fígado. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). assombro. estado de irritação. Relativo ao estômago. Ictericia. no estômago etc. O mesmo que arroto. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Glicosúria. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. pigmentação amarela generalizada da pele. . Hipotensor. Hipocolesterolêmico. Que combate fungos. Excitante. Relativo a hemostasia. com bradicardia (pulso lento. Flatulência. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Hipertensor. Que baixa a taxa de glicose no sangue.Erisipela. Hidropisia. Farmacoterápico. com anemia. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. com vermelhidão. Febrífugo. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Tóxico para as células do fígado. que facilita as funções do estômago. Expectorante. Distensão por gases no intestino. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Fitoterapia. Hemostático. Capaz de promover estímulos. que estanca hemorragia. Relativo ao fígado. Fitofármaco. Hepatotóxico. Que combate a febre. Hepático. Hiperglicemia. Que aumenta a pressão sangüínea. espanto. Eructação. Células do fígado. Fitoterápico. Que estimula ou provoca a ação. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Derrame de bile no sangue. Estomáquico. que leva à perda de atividade. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Estupefaciente. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Fungicida. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Hepatócitos. Que produz imobilidade emocional. Hipoglicemiante. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Estimulante. Que baixa a pressão sangüínea. deposição de bile nos tecidos. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida.

Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Que resolve. Lipogênico. Nefrotoxicidade. Sialagoga. Parasitemia. o mesmo que laxante. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Que produz gordura. que apenas exonera o intestino. Sedativo. . como no caso da esquistossomose). Que alivia excitação. Inseticida. Narcótico. Moluscicida. Midríase. Dilatação da pupila. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Substância que mata insetos. Laxativo. causado por gordura. Resolutivo. purgante. Que adoça ou acalma. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. calmante. Estado que é tóxico ao rim. Malária. tranqüilizante. Relativo a peito. droga que paralisa as funções do cérebro. Incapacidade de reprodução. Plaquetas. Excreção excessiva de urina. Infertilidade. Linfocitotóxico. Corpúsculos sangüíneos. Maleita. Grau ou índice de parasitas no sangue. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Que laxa ou afrouxa. Peitoral. produzindo sono e alívio da dor. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Lepra. Morféia. Mutagênico. Lenitivo. afecção cutânea. purgativo fraco. que faz cessar inflamação. Que mata ou destrói parasitas. Tóxico para as células brancas do sangue.Impingem. Purgativo. Lipemia. que acalma. Dor na região lombar (costas. Que produz sono ou inconsciência. Lumbago. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. importantes para a coagulação sangüínea. impaludismo. Parasiticida. Poliária. dorso).

Salivação abundante. que acalma. que facilita a saída de pus. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Testículo. Que produz pus. Zigotóxico. Teratogênese. Vulnerário.Sialorréia. Tóxico para o zigoto. Revigorante. . Desenvolvimento de anormalidades fetais. Vermífugo. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Sudorífico. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Diaforético. Próprio para curar feridas. bolhas. Tônico. Sinusite. Que provoca vesículas. Que destrói ou afugenta vermes. Vesicante. Supirativo. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Tranqüilizante. Que tranqüiliza.

269-74. os autores são citados no texto.2. . n. 1985. et a l j . nos casos de única autoria. ABDALA. p.5. ABDULLAEV. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). n. Human Toxicol. Um autor.. n.7-8. Nat. 1995. O mesmo se aplica a teses.1294-7. Os dois autores. n. simpósio ou similar. Khim. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. D.3. dissertações e outras publicações do gênero. ABDEL-KADER. 1986. et al.38.12. n. ABE.3.23. . página e ano. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). R. n. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. incluindose volume. et al. 1986. v. et al. F. os autores são citados como nos casos das revistas. P Lilloa.43. Biochemical Systematics and Ecology. 1995. fascículo. . N. p. (Tashk). p.l69-71. p. 1995a. n. apenas sua referência.. p. Prir. L. M.657-63. nos casos em que há mais de dois autores. seguindo-se o título do congresso. página inicial e página final e ano de publicação. Prir.326-32. v.5. I.871-2. 1997. Khim. p. nos casos de dupla autoria.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. v.499-500. v. p. SEELIGMANN.4. Prod. Soedin.60. S. ABDU-AGUYE. v. • Quando se trata de livro. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. Soedin (Tashk).

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351-2 Baccharis trimera. 487 Alismataceae. 360 Anacardium occidentale. 113 Aristolochiales. 3512. 351-2 Averrhoa carambola. 77 Aloe vera. 96. 488 Bauhinia forficata.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 148 Anacardiaceae. 468-9. 339-40 Anacardium giganteum. 90 Apiaceae. 65. 67. 340-3. 223 Bixa orellana. 119 Aristolochiaceae. 227-8. 143 Acanthospermum australe. 467-8. 79 Alismatidae. 479. 458-6 Achillea millefolium. 42-3 Andropogon nardus. 65. 95-9. 68. 149-50 Amaranthaceae. 79 Aristolochia. 90-3. 342-3. 386 Asteraceae. 377-78. 453. 43 Annona muricata. 463-5 Asterales. 467. 152. 75 Allium sativum. 58. 480. 361 Andropogon leucostachys. 376 Araliaceae. 81 Arecidae. 79 Allamanda cathartica. 364 Apiales. 69-74. 463 Asteridae. 364 Apocynaceae. 381-5. 368 Arecaceae. 461 Ageratum conyzoides. 102. 489 Bidens pilosa. 56. 480 Bignoniaceae. 475. 345. 52. 465. 111 Annonaceae. 466 Adenocalyma alliaceum. 110 Annona tenuiflora. 113-5. 93. 62 Alternanthera brasiliana. 450. 449 Bixa arborea. 475. 149. 78 Alpiniajaponica. 113 Asclepiadaceae. 202-4 . 373 Averrhoa bilimbi. 201-2. 468-9. 154 Alternanthera micrantha. 65-6. 115 Aristolochia trilobata. 316 Bidens bipinnatus. 474. 391 Allium cepa. 140-1.

225 Guttiferales. 172 Boraginaceae.Bixaceae. indicus. 272. 242. 382-3. 324. 387 Gentianales. 211. 301-2. 296 Fabales. 408-9. 236 Euterpe edulis. 46-7. 496 Dipteryx odorata. 178 Cybianthus. 178-9. 299 Dillenidae. 213. 300. 150. 145 Caryophyllus aromaticus. 295. 279. 393 Cordia verbenacea. 235 Cecropiaceae. 441 Inga spectabilis. 496 Caryophyllales. 265 Caprifoliaceae. 430. 171 Gossypium barbadense. 327 Cassia multijuga. 298 Derris amazônica. 411 Hibiscus furcellatus. 152-3. 319 Dipsacales. 163 Chenopodium ambrosioides. 481. 407. 170 Chenopodiaceae. 214 Himatanthus. 82-3 Fabaceae. 175 Diplotropis purpurea. 406 Brunfelsia grandiflora. 276-7 Cajanus cf. 236 Euphorbiales. 470. 151-2. 287 Cecropia peltata. 413-4. 155-6 Caesalpinia ferrea. 210. 259 Hedychium coronarium. 297 Capparidaceae. 283. 185. 63 Heliconia. mariana. 292 Caesalpiniaceae. 41-2 Convolvulaceae. 154. 247. 147 Caryophyllidae. 266 Capparidales. 366-7 Hymenaea courbaryl. 315 Caesalpinia pulcherrima. 49 Cymbosena roseuna. 318 Desmodium tortuossum. 282-3. 287-8 Cassia reticulata. 264-5 Cymbopogon citratus. 53-4 Coutoubea spicata. 299. 231 Celastraceae. 179 Cucurbitaceae. 331 Celosia argentea. 284 Hyptis crenata. 388 Croton cajucara. 83 Eryngium ekmanii. 298 Derris floribunda. 275 Hydrocotyle exigua. 490 Euphorbiaceae. 287 Cassia occidentalis. 375 Gnaphalium purpureum. 237. 231 Celastrales. 255 Croton sacaquinha. 322 Clusiaceae. 205. 398. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 190 Cucurbitapepo. 259 Commelinidae. 165. 238 Cucumis anguria. 224 Hibiscus sabdariffa. 54. 215. 285. 286. 373 Eupatorium ayapana. 276 Fischeria cf. 395 . 385 Hirtella. 280. 272 Clidemia novemnervia. 308 Dipteryx punctata. 212-3. 379. 292. 207. 230-2. 440 Costus spiralis. 312 Ipomoea batatas. 61 Heliotropium indicum. 201 Boerhavia difusa. 402-3 Cactaceae. 281. 206-7. 394-5 Ipomoea quamoclit. 386-7 Gentianaceae. 471 Gomphrena globosa. 302 Echinodorus grandiflorus. 80. 44. 163-4 Chrysobalanaceae. 365-9.

108 Petiveria alliacea. 245. 87 Magnoliales. 431. 200 Maytenus aquifolium. 311 Momordica charantia. 79 Moraceae. 238-9. 181-2. 167-9. 422-3. 192-3. 107 Leguminosae. 134 Piper d. 192 Pedaliaceae. 451-2 Jatropha curcas. 139 Mentha piperita. 64 Liliidae. 493. 121. 426. laniflora. 251 Lacistema. 442 Leucas martinicensis. 195 Mabea angustifolia. 422 Oxalidaceae. 125. 126-7. 434-5 Lippia granais. 323-4 Myrtales. 199 Passifloraceae. 332. 161-2 Portulaca pilosa. 431. 103 Myrocarpus frondosus. 425-6. 336 Maytenus ilicifolia. 418 Mentha viridis. 416. 421. 337 Polyscias. 250-1. 427. 443 Liliaceae. 277 Leonotis nepetaefolia. 196 Monocotiledonae. 42 Pogostemon patchouly. 229 Musa. 240-1 Magnoliidae. 161 Ocimum basilicum. 244-6. 412-3 Lamiales. 124. 241. 60 Myristicaceae. marcgravii.120 Piperales. 369-72 Portulaca oleraceae. 208 Malvaceae. 417. 424. 321 Nyctaginaceae. 444 Mentha pulegium. 221-2. 136 Piperaceae. 258 Physalis angulata. 399-400. 166 Piper cavalcantei. 89 Malpiguiaceae. 334-6 Melastomataceae. 233 Muntingia calabura. 350 Palicourea cf. 180. 425. 494-5 Passiflora coccinea. 432. 204 Malvales. 130. 129. 495 Palicourea cf. 252. 414. 137 . 303 Myrsinaceae. 262 Myrtaceae. 162 Portulacaceae. 184-9. 429. 133 Piper gaudichaudianum. 432 Ocimum micranthum. 406 Lauraceae. 332. 122-3 Piper cernnum. 191 Lamiaceae. 419.Jacaranda caroba. 254. 198 Lacistemaceae. 239-40. 173 Phyllanthus corcovadensis. 120 Poaceae. 123. 337 Malva parviflora. 135 Piper marginatum. 64 Lippia alba. 160. 427. 256 jatropha gossypifolia. 447 Polygalales. 64-5 Liliales. 389 Luffa cylindrica. 158 Pothomorphe peltata. 435 Loganiaceae. 121-2 Pereskia grandifolia. 321 Menispermaceae. 132 Peperomia. 427-8. 427 Ocimum gratissimum. 445 Mimosaceae. 108 Persea gratíssima. 415-6. 185. 158-9. 453 Peperomia elongata. lhotzkyanum. 419-20. 125. 420. 156-7 Persea americana. 131. 432 Ocimum canum. 191-2. 106 Laurus nobilis. 402-5 Phytolacaceae. 39. 128. 61 Musaceae. 446 Origanum vulgare.

473-4. 101. 228 Thevetia peruviana. 213. 472. 474. 51 Zinnia elegans. 409. 51 Zinigiberidae. frutescens. 345. 273 Rosales. 320 . 262 Prunus domestica. 209 Urticales. 353 Saccharum officinarum. 363 Rutaceae. 50 Sambucus nigra. 434 Violales. 400 Solanum tuberosum. 271 Rosidae. 112 Zingiber officinale. 338 Strychnos triplinervia. 182 Sesamum indicum. 360 Scoparia dulcis. 197 Xylopia cf. 227 Theobroma speciosa. 412 Tagetes erecta. guineense. 132. 127. 189. 139 Rhynchanthera grandiflora. 457-60. 397-8 Solanales. 491 Spondias purpurea. 233-4 Spilanthes acmella. 485. 497-500 Sansevieria. 52 Zingiberales. 48.Pothomorphe umbellata. 208-9. 322 Rosaceae. 226 Solanaceae. 55. 330 Pyrostegia venusta. 453-6 Sida rhombifolia. 478 Theobroma grandiflorum. 484 Zollernia ilicifolia. 449 Sechium edule. 217-9. 393 Solanum paniculatum. 477. 344. 354-7. 463 Scrophulariaceae. 482. 492 Rubiales. 312. 339 Schinus terebenthifolius. 338 Stigmaphyllon strigosum. 462 Ranunculales. 215-6. 76 Sapindales. 274 Psydium cf. 183. 347. 230-1 Verbenaceae. 45. 479. 94-5. 269 Rubiaceae. 103-6 Vismia japurensis. 471 Sorocea bomplandii. 401 Solidago microglossa. 452. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 349. 221 Urena lobata. 390 Symphytum officinale. 99. 379-85 Tiliaceae. 216 Stigmaphyllon fulgen. 326 Psydium guajava. 457 Scrophulariales. 350. 492 Ruta graveolens. 361 Sterculiaceae. 138 Primulales. 58 Zingiberaceae. 177-8 Virola surinamensis. 218. 325-9.

Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. Capa: tsabel Carballo . estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. do Departamento de Fisiologia. do Departamento de Farmacologia. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Campus de Botucatu. e Clélia Akiko Hiruma-Lima.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. .