Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

. pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

pois. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. Nos últimos anos. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. se propõe e se discute sobre o assunto. mas pouco se faz. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses .perda da fauna e da flora. alterações climáticas. empobrecimento do solo. que em sua maioria não resolvem o assunto. entre outros -. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. a falta de propostas decorre de um dos dois. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. comprometimento do abastecimento de água. provavelmente. ou melhor.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. conse- . Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. ou significam estratégias proibitivas. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. Acreditamos que.

Por sua vez. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. São eles que podem. Nesse aspecto. a contribuição deste . pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. não se dá apenas visando à sobrevivência. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. seus produtos e suas relações. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. São eles que conhecem a floresta. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. priorizadas. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. Para tal. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. Consideramos. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. sem dúvida alguma. regional. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. Dessa forma. entretanto. como mais um produto para comercialização. quer sejam comunidades tradicionais. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. os moradores da floresta . contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. Nesse sentido. mas inclui ainda interesses econômicos.qüentemente.quer sejam grupos definidos. atualmente. Essa relação. os pescadores do Vale do Ribeira. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. como os ribeirinhas da Amazônia. portanto. permitir grandes avanços na conservação. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação.

melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. e também no de desenvolvimento. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. No entanto. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico.livro é um começo. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. como instituições determinantes para o avanço. mais abrangente. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. na verdade. publicado originalmente em 1989. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. entretanto. já que dez anos haviam se passado. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. Passou da hora de a ciência e a política. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. conseqüentemente. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. Dessa forma. Foi a partir de pesquisas que realizamos. cada qual havia tomado seu caminho. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. considerando os aspectos aqui referidos. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. em janeiro de 1999. Não custa lembrar e salientar. Começamos o trabalho. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. A equipe já não era a mesma. pagando o preço de um trabalho mais social.

que prontamente os disponibilizou para esta publicação. No entanto. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira.não . Estado de São Paulo.proposta original. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. Nessa nova etapa. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. outro importante e singular ecossistema brasileiro. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. por um lado. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . farmacológicos. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. pelo menos as mais citadas. incluindo fotos de algumas espécies. Chemical Abstracts). Por si só. além dos desenhos apresentados inicialmente. Index Medicus. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. a nova idéia não tinha mais como retornar. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. por outro. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. buscamos informações em diversos endereços. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. à medida que. químicos. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e.

excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. sempre foi uma preocupação constante. No entanto. A conservação dos ecossistemas tropicais. mas com um livro. durante todo esse período. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. mas um novo trabalho. especificamente. Com essa nova concepção. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. da Mata Atlântica. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. não apenas catalogando espécies medicinais. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. passaram a representar uma nova alternativa . hoje.em artigos científicos e técnicos. sem dúvida. especialmente os mais ameaçados. mais acessível que os artigos . dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. que serão úteis. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. como é o caso da Amazônia e. mas as plantas medicinais.

permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. mas pouco realizado na prática. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . Nesse sentido.para a conservação dos ecossistemas. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. municipais e federais) e não-governamentais. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. Luiz Claudio Di Stasi . Finalmente. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações.não pode ser apenas a retórica. apesar de preliminar e pequena. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. realizadas de forma racional e sustentável.

evitando-se. Em primeiro lugar. realizar um estudo etnofarmacológico regional. que esse conhecimento seja perdido.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. Em terceiro lugar. pretendeu-se. a nosso modo de ver. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. Em segundo lugar. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. o que. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. desse modo.

juntamente com o Prof. da qual o próprio pesquisador faz parte. consideramos que a ciência. com a promoção de melhores condições de vida para a população. e que visa. realizado no município de Humaitá. Por outro lado. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. como qualquer outra atividade humana. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. com os conhecimentos adquiridos. pretendeu-se. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. que potencialmente es- . Nesse contexto. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. além dos objetivos aqui expostos. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. Finalmente. químicos. Nesse contexto. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Em quarto lugar. deve ter um componente social em seu escopo. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. com as atividades deste trabalho. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Osvaldo Aulino da Silva. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. farmacologistas etc). preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas.natural.

portanto é urgente a sua consideração. estações do ano e outros). torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. estágio de desenvolvimento. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. antropólogos e químicos. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. que se superando as dificuldades. No entanto. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). consideramos de grande importância colocar que. farmacologistas. que podemos denominar ecológico. como seres vivos. essa área requer um enfoque novo. no entanto. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. para que o conheci- . incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. além de botânicos. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. e nossa experiência é prova disso.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. propiciou um imenso prazer. tipo do solo. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. Acreditamos. além de engrandecer o trabalho. clima. pela sua característica multidisciplinar. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo.

principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. Luiz Claudio Di Stasi . acrescentaram uma experiência rica. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. além de tornarem possível este trabalho. que. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. não só de conhecimento das potencialidades da natureza.mento tradicional seja devidamente resgatado.

(Cena III. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. quando se constata. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. Dessas. a grande maioria na região amazônica.. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos .Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. portanto. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. apesar disso. Observa-se. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. de um lado. e. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. mas os primeiros registros remontam a milênios. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. por fim. Ato II de Romeu e Julieta . quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média.. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. O Brasil contribui com 120 mil espécies.William Shakespeare.

Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. a distância vencida. Por último. Dra. Quando dizemos criteriosos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais.criteriosos. como este que aqui se apresenta. Mas o passo foi dado. efeitos observados. Levantamentos etnofarmacológicos. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. posologia. e isso é o que importa.Campinas) . enfim. Profa. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. de outro.

atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. . que. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. Dada a fragilidade desse equilíbrio.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. No entanto. Fearnside. conforme aponta Philip M. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. Atualmente. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. no caso da Amazônia. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. provenientes da evapotranspiração. A exploração madeireira. apesar da pobreza dos solos. De fato. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta.

ecológico e histórico. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. Luiz Claudio Di Stasi. por outro. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. Plantas medicinais na Amazônia. Somada a isso. e. julgamos altamente preocupantes: por um lado. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. riquíssima em espécies. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir.Rio Claro) . Prof. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. coloca às mãos dos leitores. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. acarreta duas situações que. desde o leigo ao mais especializado. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Dr. honrado em apresentar esta obra. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . das quais poucas foram estudadas. Sinto-me. De qualquer maneira. portanto. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. do ponto de vista social. fruto de um trabalho sério de pesquisa.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes.

Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. Jacupiranga e Sete Barras. no Amazonas. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. no Estado de São Paulo.Metodologia de pesquisa Apresentamos. conforme descrito a seguir: . Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. Vale do Ribeira. • Aldeia dos Tenharins. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. resumidamente. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. sul do Estado do Amazonas. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes.

• Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Amazonas. Departamento de Botânica do Instituto de . exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). a coleta errada do material. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Para materiais fora da fase de floração. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. evitando-se. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). assim. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. No caso de material em fase de floração. Para as espécies da Amazônia.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá .

as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.Botucatu. Chemical Abstracts. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Outras informações (agronômicas. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Rio Claro. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). para sua identificação.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP .Santa Catarina. Sites da Internet. Index Medicus (Med-line). Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . .Biociências da UNESP . ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Itajaí . Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado.

com o tempo. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. . assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares.incluindo as monocotiledôneas medicinais. como havia sido feito na primeira edição deste livro. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente.

tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. . • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. que compreendem uma descrição botânica. . em vários casos. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. as quais se subdividem em cinco seções: .Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.• Parte II . • Introdução sobre a família botânica ou. incluindo: .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. . especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . dados ecológicos e distribuição.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas.dados botânicos e outras informações (quando for o caso).Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . • Dados químicos.incluindo as dicotiledôneas medicinais.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . Para cada capítulo. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.

formatadas e montadas para inclusão no livro. No final do livro. . .Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. C. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. .• Dados farmacológicos. formatado e montado para a inclusão neste livro. além de uma extensa bibliografia atualizada. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. UNESP. Instituto de Biociências de Botucatu. . encontram-se um glossário de termos botânicos. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. de vários tipos: . químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. formatadas e montadas para inclusão no livro.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. • Dados toxicológicos. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

M. M. algumas delas descritas neste capítulo. Santos L. pelo seu grande valor ornamental. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Guimarães C. C. Outras ordens botânicas como Juncales. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Typhales. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Hiruma-Lima E. Mayacaceae e Commelinaceae. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico.1 Commelinidae medicinais C. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. . A. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. Xyridaceae.

Andropogon nardus. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. • Centothecoideae. também denominada Gramineae. Paspalum. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. açúcar e trigo. . ácidos fenólicos. e o gênero Oryza. açúcar e óleos essenciais. Saccharum e outros. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. Várias espécies possuem importância terapêutica. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. • Panicoideae. Cymbopogon. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. flavonóides e terpenóides (Evans. cujo representante principal é o arroz.A família Poaceae. que inclui os gêneros Secale e Avena. saponinas. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). como Sorghum do sorgo. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. Zea. principalmente Zea mays (milho). • Pooideae. respectivamente. mas sem importância medicinal. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. que incluem vários gêneros. Os outros constituintes incluem alcalóides. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. amido. A família é dividida em quarenta tribos. 1996). Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. subfamília que. Arundinoideae e Chloridoideae. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. é a mais importante. ferragem.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. substâncias cianogênicas. que inclui alguns importantes gêneros. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. do famoso centeio e da aveia. gêneros alimentícios como bebidas. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. reunindo inúmeras utilidades. do ponto de vista de espécies medicinais.

glabros e curvados. por sua vez. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. com folhas invaginadas bastante agudas. espiguetas sésseis e fruto cariopse. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Em outras regiões do país. Em outras regiões do país. os quais. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico.B.K. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.5 m de altura. os colmos são finos. Andropogon nardus L. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. a planta também é conhecida como Capim-membeca. possuindo um grande número de ramos.

problemas estomacais e febre. compridas. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades.) Stapf. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais.1). Erva-cidreira. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. bainha larga e lígula na base do limbo. eretas. com grande valor econômico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. formando uma touceira robusta. Capim-sidró. rizoma semi-subterrâneo. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Patchuli-falso. 1962). Capim-cidreira. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Sídró. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. formigas e traças. tais como flexuosus. Vervena. Cymbopogon citratus (DC.to. com nós e entrenós. lineares. marginatus e validus. . Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. Capim-cidrão. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. ásperas em ambas as faces. folhas alternas. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Capim-cheiroso. Capim-marinho. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Capim-limão. sudoríficas e carminativas. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo.

dores de cabeça e disenteria. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. ásperas. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. a infusão das folhas é usada como antidiurético. duas vezes ao dia. na forma de banho (Amorozo & Gély. como calmante e antiálgico (Van den Berg. Matos & Das Graças. no Pará. articulado e um pouco mais grosso nos internós. simples. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al.2). no Ceará. 1986). 1982). espiguetas com flores pequenas. Cana. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . ápice agudo. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. no Rio Grande do Sul. lineares. o suco do colmo da planta. hermafroditas. 1980). folhas amplexicantes. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. 1982. Saccharum officinarum L. no Mato Grosso. carminativo. contra gripes. planas. 1988). cilíndrico. dores de cabeça e dores musculares. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. 1 dísticas. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. pequeno (Figura 1. nervura central saliente e bainha espinescente. reumatismo e febre. fruto do tipo cariopse ovóide. como diurético..Na região da Mata Atlântica. calmante e antiespasmódico (Barros. 1980). Na região da Mata Atlântica. em Brasília. colmo arqueado na base. verde ou violácea. gripes fortes. simplesmente.. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou.

metil-heptenol. internamente. chumbo e cobre. 1. além de seus isômeros geralúal e neral. citronelal.. laurato de etila.e b-pineno. como citronelal. farnesol. mirceno. a. externamente.8-cineol. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas.4%). O óleo essencial de C. cólera. geraniol. vômitos da gravidez (Corrêa. limoneno.diurético e contra hipotensão. 1996. cariofileno. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. neral. neral. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. terpenos e dipenteno (Costa. felandreno. 1997). erisipela. linalol. Ming et al. 1984). terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. tuberculose. contra úlceras da córnea. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. 1997). metil-heptenona. vários aldeídos. como o geraniol. envenenamento com arsênico. isovaleraldeído e decilaldeído. cetonas e alcoóis. contra resinados e anginas e. . ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. mentol. 1981). febres. nerol. rachas dos seios. 1996). aftas. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). 1986).. escarlatina. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat.

1988) antimicrobiana (de Sá et al.. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 1985).. . Pinho et al. 2002). Lorenzetti et al. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. analgésica (Viana et al. 1988). enquanto Ferreira et al. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al.. toxicológico e clínico com essa espécie.. não observando propriedades de interesse terapêutico. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.. Com as folhas de C.. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. 1998). (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al.. 1983 e 1989a). citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. relatam. (1983) referem atividade antiespasmódica. O extrato metanólico de C. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 2002. 1990). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles..5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 2000.9%) e neral (33. 1997) e o extrato de C. 1997). 1986.. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1986 e 1987)... 1986 e 1987. (1985). 1989) e antioxidante (Lopes et al. 1984. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. e Di Stasi (1987). 1988). Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. 1988). anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. A atividade antibacteriana de C. no entanto. anti-helmíntica (Jourdan. geranial (45. mirceno (12. Os principais constituintes das folhas de C. 1996)... O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al.. 1988).. Onawunmi et al. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1988). Di Stasi et al. 1997). Onawunmi. citratus. 1995). Onawunmi & Ogunlana.8%).

1986a). sedação e defecação (Ferreira et al. 1988). 1989).Em relação a outras espécies do mesmo gênero. . citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. visto o grande número de trabalhos com C. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. Dados toxicológicos O óleo de C. citratus. ligninas e ácidos fenólicos. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al.. Menendez et al.. um álcool alifático com alto peso molecular. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. também conhecido como Capim-cidrão. ácidos p-coumárico. De S. bradipnéia. Para a espécie Saccharum officinarum. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. Hikino et al. perda de postura. ferúlico e sinápico (He & Terashima.. Foi isolado também o policosanol. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero.. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos.. citriodorus. 1990). capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. 1997. Além de hipocolesterolêmico.. 2000). é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. 1999). ataxia. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. 1983).

.Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).FIGURA 1.1 .

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) . .FIGURA 1.2 .Saccharum officinarum.Banco de imagens ).

. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. As espécies da família Bromeliaceae.2 Zingiberidae medicinais C. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Tal uso não é comum na região amazônica. Zingiberaceae. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. Guimarães C. C. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. De todas essas famílias. M. Lowiaceae. Hiruma-Lima L. Cannaceae e Marantaceae. A. Santos E. importante produto de comercialização. M. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão.

Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. na qual se localizam os gêneros Zingiber. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Alpinia.100 espécies tropicais espontâneas. algumas delas aqui descritas. com várias espécies medicinais. Além do valor medicinal das espécies dessa família. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. inclui 52 gêneros. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Renealmia e Riedelia. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. Costus e Hedychium. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. lâminas . e • Zingiberoideae. nos quais estão distribuídas 1. destas. larga bainha na base que envolve o caule. com folhas membranosas.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Vindecaá e Vindicáa. Curcuma. especialmente as famosas Canas-do-brejo.

O gênero Costus. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. contém inflorescências terminais. ápice agudo e base arredondada. 1988). contra sarampo. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. Dados da medicina tradicional Na Amazônia.1). trilocular e muitos óvulos (Figura 2. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. descrito por Carl Linnaeus. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. hermafroditas e zigomorfas. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo.5 m de altura. elípticas. podendo chegar a até 1. Costus spiralis Rosc.com 20 a 40 cm de comprimento. gineceu com ovário ínfero. perianto distinto em cálice (claviforme. entouceirada. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. espessas. flores em grupos com brácteas vistosas. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. mas com algumas espécies em regiões tropicais. fruto capsular. densas com flores brancas ou róseas. . vistosas. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. inclui 42 espécies tropicais. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso.

2). lanceoladas e coriáceas. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. . descrito por Johan Gerhard Koenig. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. Em razão de sua beleza. muito perfumadas (Figura 2. A decocção de suas folhas. Lírio branco e Gengibre branco. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. incluindo a espécie aqui descrita. Hedychium coronarium Koen. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. especialmente de origem sifilítica. vistosas. em Iguape é comum a denominação Napoleão. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. na forma de infusão. a espécie é muito utilizada como ornamento. sendo de fácil multiplicação por touceiras. cilíndricas. O gênero Hedychium. as inflorescências são terminais com flores brancas. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. contra diarréias graves. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. grandes. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. de onde partem as folhas longas. sésseis.

Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. mas especialmente na Ásia. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. lumbago e cólicas menstruais. gripes. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. tosses. em todo o Brasil. além de diversos outros usos (Bown. C. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. gripes e para problemas circulatórios. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. com ampla distribuição. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. contra náusea. diarréias e como vomitiva. e. A espécie é reputada como estimulante. mesmo no Vale do Ribeira. indigestão. cólicas. externamente. 1995). 1994). onde a maioria das espécies é espontânea. carminativa com uso na dispepsia. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. sendo provavelmente o local de sua origem. com uma lígula membranosa bífida. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. flatulência e eólicas. lanceoladas. de Gengibre. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. internamente. A espécie é usada. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. contra reumatismo.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. folhas alternas. .

1987). Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. Os compostos isolados dos rizomas de A. 1987). conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano...-(17)12-labddieno-15. flavonóides em A. 1988).. 1987). Dos rizomas de A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em .. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. acetato de geranil. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. De A.. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A.. 1987b). constituintes fenólicos em A. Os sesquiterpenos -eudesmol.6-dehidrokawaina. isohanalpinona e alpinenona.. galanga (Mori et al. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al.. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. 1990). Da espécie A. e 5. 1988). 1988a). óleo essencial.. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. galanga. japonica (Morita et al. speciosa.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. katsumadai (Okugawa et al. linalol. 1987b). 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. humulene. Cinco compostos. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. dihidro-5. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. Foram isolados dos rizomas de A.16-dial (Morita & Itokawa.. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al... 1988). 1987a e 1987f) e A. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. intermedia (ltowaka et al. galanolactona e (E)-8. nutans (Mendonça et al. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A.. Os principais constituintes dos frutos de A. galanga (Barik et al. 1987c). São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.6-dehidrokawaina. 1995). 1996). galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1987). 1985a e 1985b. 1. taninos. galanga. speciosa e A... (Xue et al.8cineol. nerolidol. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A.

furopelargona B.-o1. daucosterol... 1. isohanalpinol e aokumanol. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. Os frutos de A. flabellata (Kikuzaki et al. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. oxyphylla contêm neonotkatol.. Do óleo essencial das sementes de A. Três novos diarilheptanóides . 1994). zinco.. furopelargona A. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. densibracteata foram isolados os bisabolanos. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. Dos rizomas de A.. 1997b) e quercetina (Wang et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. bornil acetato. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. fenóis e alcalóides. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. além de óleos essenciais (Mendonça et al. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al.. 1989). O óleo essencial das folhas e caules de A. sendo um novo. 1989). sódio.8-cineol (Lai et al. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. cálcio. terpineol e 1. conchigera (Athmaprasangsa et al. trans-bergamoteno. 1997). intermedeol e -selineno (Itokawa et al. 1987d).. flavonóides (Luo et al. manganês. 1992). katsumadai possui -pineno. A análise fitoquímica de A. citronelol. 1988).. . 1990). 1990). sesquifelandreno e zingibereno. zerumbet (Xu et al.. ferro.foram isolados recentemente da espécie A. l.. linalol.7-difenil-3. felandreno. isohanalpinona. 1997a). E. Das sementes A. 1997b).8-cineol.. pineno. -ll(12)-eremofilen-10.. alpinenona. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. blepharocalyx (Kadota et al. 1997).. hanalpinona. 1999). Das partes aéreas de A. magnésio. -sitosterol. polyantha foram isolados. De A. geraniol. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.. B2. chumbo.calixina A e B e 3-epi-calixina B . C. yakuchinona B. 1987). intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. 1997a). além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. decanol.. yakuchinona A. além das vitaminas B1. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. As sementes possuem mirceno. Cinco diarilheptanóides. 1996). mirceno. hanalpinol peróxido.. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al.5heptanediona. fenchona e geraniol. potássio.

inibição da musculatura lisa. japonica e A. speciosa. 1987c) e A. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. oxyphylla (Kyung-Soo et al. 1987). 1976) e A. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. Estudos com a espécie A. 1985). 1988). galanga (Janssen & Schefter. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. 1999. 1989). 1999). A erva. 1996). Lin et al. A espécie A. Sesquiterpenos isolados de A. galanga (Itokawa et al. indicando . sendo antiulcerogênica (Wang et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1986). 1997). 1972). que é um derivado do gingerol. além de medicinal. 1994). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. na perfumaria. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1988. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. Mendonça et al. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 2000). Constituintes isolados de A. é usada na culinária. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. 1996). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. e seu óleo. bloqueio neuromuscular. 1988b). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 1996).

1982.. 1990). galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. officinarum (Kiuchi et al. Do óleo essencial das folhas de A. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. 1992). O terpinen-4-ol. .. Os rizomas de A. 1994). O extrato acetônico de A.. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al.. Compostos isolados dos rizomas de A. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. 1992). antifúngica (Lima et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. oxyphylla (Chun et al. O composto dihidro-5. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles.. speciosa.. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1988a. 1989). O óleo essencial de A. Moraes et al. Mendonça et al. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. Os diarilheptanóides isolados de A. 1996). 1998. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al.. 1994). 1998). 1988b). Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A.. 1990). 1992). Geraniol e isotimol isolados de A. 1988. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. anticonvulsivante (Maia et al.. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 2002). Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al.. Estudos com a espécie A.6-dehidrokawaina isolado de A. 1988)..a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1987c). speciosa apresentou atividade analgésica periférica. ArnaudBatista et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1996).. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1982).. 1987c) e A. Mendonça et al. 2001). blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. galanga (Itokawa et al.. também isolado do óleo essencial. 1988). speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 2001). Dos rizomas de A. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al.

Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante.. 2000). hipocinese.. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. 2001.. 2000). 1999).. contorções. 2002).. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. . 2002). Musa e Heliconia. 1988b).. 1999). gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. dos quais dois possuem grande importância no Brasil.. 1992). galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. relatadas a seguir. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al.. 2000).A atividade antiinflamatória de A.. Surh.. speciosa produziu excitação psicomotora. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. 2000) e H. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al.. A espécie H.

mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. oblongas e inteiras. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. com bainhas grandes. laminares de grande comprimento. minúsculas e duras. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. com folhas longo-pecioladas. folhas longas. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. com pseudocaule ereto e cilíndrico. . O fruto da espécie não é usado como alimento. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L.5 m de altura. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides.. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero.

tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.podendo atingir até 2 m. dando um pequeno fruto que também é comestível. onde é amplamente cultivada como ornamento. flores reunidas em espigas. . FIGURA 2. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). A espécie não é nativa da Mata Atlântica. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite.1 . mas com 25% do comprimento e da largura.Alpinia japonica. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira.

Hedychium coronarium. . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).2 .FIGURA 2.

especialmente na ordem Liliales. família Liliaceae. N. Dioscoreaceae. ordem Orchidales. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. A. Velloziales. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. Liliales e Orchidales). Di Stasi F. Seito C. C. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. principal. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Velloziaceae e Iridaceae. Gonzalez L. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. G. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. família Liliaceae. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas.3 Liliidae medicinais L. Dioscoreales. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Asparagales. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Alliaceae e Amaryllidaceae.

Narcissus e Veratrum. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4.950 espécies vegetais. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. especialmente do gênero Iris. que passamos a descrever. pelo grande número de espécies ornamentais. . Colchicum e Drimia. Convallaria. como é o caso da cebola e do alho. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). grande fonte de espécies dessa família.e Liliaceae. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. 1997). A segunda. A primeira. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. dos quais devemos destacar o gênero Allium. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Outro gênero importante é Aloe. Alloe. Lillium. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). ambas de valor econômico incomensurável. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Trilium. esse da importante Babosa (Aloe vera). Tulipa.

loculicida (Figura 3.Espécies medicinais Allium sativum L. tosse e também contra hipertensão. especialmente em crianças. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. sésseis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. Era citado pelos babilônios no ano 3. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa.1). flores brancas ou avermelhadas. C. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . em geral seco. capsular. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. folhas lineares. na forma de umbela pedunculada. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais.000 a. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. Nas comunidades do Vale do Ribeira. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. fruto. os bulbos dessa espécie. que se mesclam com os bolbilhos. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. a maioria é cultivada. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. são utilizados de várias formas. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. 1995). ao passo que a infusão é usada contra gripes. inclusos e envolvidos por fina membrana. obtida comercialmente. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados.

É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. subgloboso. para problemas da pele. Em Minas Gerais. os bulbos são usados na hipotensão. No Pará. tosse com expectoração. 1992). reumáticas e paralíticas (Corrêa. todos usados e comercializados como alimento e condimento. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. carminativo e vermífugo. diurético. Em outras regiões do Brasil. rouquidão. com inúmeras variedades e subtipos. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. além do uso como condimento. gastroenterite e disenteria. o uso externo. flores hermafroditas regulares esverdeadas. tosse. 1984). também são utilizados como sudorífico. Dados botânicos Erva bulbosa. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. bronquite. agudas. especialmente acne e micoses. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. febrífugo. antiasmático. resfriados. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. anual.queca. folhas radicais ocas e compridas. a espécie inclui vários usos medicinais. arteriosclerose. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. 1982). carnoso e com casca fina amarelo-parda. 1988). poderoso anti-séptico das vias digestivas. com bulbo grande e solitário. ateromatose. ao passo que a infusão das cas- . Trata-se de uma espécie com usos históricos. dispostas em umbela. como referido para o Alho. histéricas. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. em afecções nervosas. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. digestivo. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa.

dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. as flores são tubuladas. para acne. é considerado excelente contra úlceras. dores e infecções da pele. Na região amazônica. ao passo que as folhas frescas. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. descansado por 24 horas na geladeira. externo. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. usadas externamente. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. externamente. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. lanceoladas. A manipulação dessa planta no preparo de loções. Aloe vera L. O uso interno de um macerado em água fria. são úteis contra edemas.2). internamente. não foi referida pelos entrevistados como medicinal.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. . Dados botânicos Planta perene e suculenta. densas. podendo atingir até 1 m de altura. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. folhas suculentas. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. reunidas na forma de rosetas em sua base. como cicatrizante.

e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1968). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl.. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. 1995). B. proteínas e fermentos (Costa. C. relatando ainda que as folhas são purgativas. 1997). Além disso. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. 1993).. 2000). catártico e febrífugo. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. fitosterinas. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. A antro-cenona. obtidos de A.. barbadensis (Saleen et al. além de evitar queda de cabelo. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. et al. saponinas esteroidais (Peng et al. aliinase que origina a alicina. 1997). 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. 1995). Prostaglandinas A. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 1986).Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. vitaminas A. 1997). alil e alil-propil.. 1999). B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. sativum. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. desoxialiina. isobarboloina (Kuzuya et al. holosídeos. a polpa é emoliente e resolutiva. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina.. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G.. 1990). exigindo-se cuidado na utilização.. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al.. vários heterosídeos sulfurados. barboloina. 1979). 1992). Nos bulbos também foram encontrados aliina. . o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. Da espécie A. (B8) e P. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. 1991)..

apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. hipocoleste. 2000). 2002). isolado de Allium sativum Linn. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. Esse mesmo efeito foi detectado . in vitro (Sheela et al. cicloxigenase. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. Augusti & Sheela. 1996). Nerkar et al. Em animais com carciriogênese bucal o A. Kwon et al. 1987. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. 1992). Entretanto. Hikino et al. rolêmica. entre outras ações que serão discutidas a seguir. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. 1995.. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum.. Por sua vez. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. 1981... o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. 1991). O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante.. fibrinolítica. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al.. demonstrou que os compostos de A. antibiótica. O estudo comparativo in vitro. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo.. Além dessa classe de compostos. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). No entanto. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas.

O sulfóxido de S-alilcisteína. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. 2002) contra Staphylococcus aureus. precursor da alicina e obtido do alho. 1980). lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. Rees et al. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. Khan et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. enquanto a associação dessa dose com 4. fosfatase ácida. 1983. 1996).. 1984. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1982. 1985. 1981.. Singh & Shukla... Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda... produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. O extrato de A.. 1994). 1993). sativum apresentou também atividade antibacteriana. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. Guevara et al. O óleo de A. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. contra Helicobacter pylori. além de atuar como . Mossa.. in vitro. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1997.. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 1984.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al.. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. compostos fenólicos (Patel et al. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. O estudo realizado por Celini et al. Dababneh & Aldelamy. 1995). 1985). A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. Sovova et al. 2001). dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1993) e aquosos (Sato et al.. 1992). Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.

1993). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia.. (1992). (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. Os resultados obtidos por Sendl et al.. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. 1980. no entanto. cepa (Dorsch et al„ 1985). 1993). Extratos preparados com acetona/clorofórmio. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 1986) e brutos (Rees et al. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1984. assim como as respectivas substâncias isoladas. (1986).... Adetumbi et al.. e não as substâncias isoladas. Essas propriedades farmacológicas. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1980. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. inibem a síntese de colesterol. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. 1994). Block et al. 1978). alicina e sulfeto de dialila. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Mohammad & Woodwara (1986). 1978. 1993). Sandhu et al. Kamanna & Shandras-Wkhara. no entanto. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Boelter et al. 1995b). 1992). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. 1978. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. sem.agente anticercaricida. Rotzsch et al. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1996). da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. 1993). (1985). 2001). assim como substâncias isoladas do alho. metil-ajoeno.

de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. 1996). (1986b).. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. 1986a). et al. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1993). A.. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. M.sos de bulbos de alho fresco (5. Essa mesma planta reduziu a concentração . enquanto Pantoja et al. (1987).. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. como radioproteção (Reeve et al. E. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. tais como a histamina (Usui & Susuki. 1997).. sua condutância. 1996). promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. (1992) com o composto ajoeno. 1990). I. atividade diurética. 1991).5. natriurética e hipotensora em cão. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. 1991).. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. 12. 1993b). Ribeiro et al. (1982). Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al.. 1996). a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. et al. 1993)... também. principal componente antiplaquetário do alho. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1996). Por sua vez. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. sativum (Kweon et al. 1996). assim como a reação de liberação induzida por agonistas. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al.. Foushee et al. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das.

o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. Nepeta hindostana e ácido nicotínico.. cepa com A. Para a espécie Aloe vera. ela é um excelente cicatrizante (Costa. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1.. 1996). (1996).. sativum ou A. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. 1993.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. 1993). Além disso. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. 1995). in vitro. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.. 1993). A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al.. 1992. 1991). conseqüentemente. Ko & Son. et al. . sativum L. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. 1995). 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. 1993). I. 1992). enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Chithra et al. 1994). chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al... A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al... um preparado à base de Curcuma longa. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. Extrato aquoso de A. Lipotab. Allium sativum. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al.. 1990). E a mistura de A. (1994).

As folhas de A. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 2001). aumento na contagem de espermatozóides. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 1995). que inclui algumas espécies popu- . relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. 1997)... Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. 2000). Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. 2001). 1994). 1997).. Essa família possui pequena importância no Brasil... barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. Saleem et al. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al.. 1996. Entretanto. esses dados referem-se. contudo. em camundongos.. vera e hipotensora de A. 1991). 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. A atividade antiinflamatória de A.. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al..1998). Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al.

O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. 1996 e 1997b). 1987). e o Agave. pontiagudas e com manchas brancas. 1996). possui folhas carnosas. saponinas esteroidais (Mimaki et al. contra problemas hepáticos. longas.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. no entanto. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. brancas. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. No entanto. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. na região amazônica. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. cilíndricas. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura.. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente.. Das .. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. flores pequenas.

além de carboidratos. 1982). e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . FIGURA 3.. pigmentos..Allium sativum. . cylindrica foram isolados lipídios.. 1986). O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd.em Joly. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. 1996). 1997).1 .folhas de S. Das folhas de S. saponinas. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. 1998) (Banco de imagens )..

2 .FIGURA 3.Aloe vera. . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).

duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. C. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Mariot M.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Triuridaceae. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Di Stasi A. ainda não discutidas neste livro. esta segunda com uma única família. As duas espécies. S. de pouco interesse para nosso estudo. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. portanto. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica.

e Sagittaria. flores brancas.mico. ovadas. rizoma grosso e carnoso. A espécie possui as variedades floribundus. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. espécie de grande valor econômico. Aguapé. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. folhas pecioladas. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. essa segunda inclui apenas a família Palmae. muitas aquáticas ou brejosas. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. latescentes com lâmina foliar grande. grandes e eretas. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. freqüentemente . numerosas. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. Inclui ervas perenais. também denominada Arecaceae. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. 1997). A planta é chamada também de Chá-de-campanha. com caule triangular e glabro. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. contendo vasos apenas nas raízes. coriáceas.1). na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis.

foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. Incluem árvores ou arbustos. de barriga.650 espécies tropicais (Mabberley. nas costas. como sedativo. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. com folhas terminais. 1997). bem como gripes e resfriados.. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado.consideradas outra espécie. . A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. e outras. especialmente contra dores de cabeça. raramente trepadeiras. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. muitas delas usadas como medicinais. útil ainda contra artrites. como ornamentais. e como anti-helmíntico. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. tônica e diurética. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. moléstias da pele e do fígado. também denominada Arecaceae. 2000). sífilis. reumatismo.

como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. macrophyllus (Shigemori et al. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . que inclui o famoso palmiteiro. especialmente da Mata Atlântica. que incluem a piaçava e a ráfia. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. e o açaí.. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. e o Arecastrum. do famoso coqueiro da Bahia.. do jerivá (Joly. amplamente conhecida na região amazônica. outras são importantes como medicamento. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. respectivamente do babaçu e da carnaúba. 1998). 2002. com folhas pinadas. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. Kobayashi et al. como é o caso de várias palmeiras. como é o caso da Areca catechu. 2000a e 2000b). como é denominada a outra espécie do gênero. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. amplamente conhecido na Mata Atlântica. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. chegando até 25 m de altura. Destaca-se o gênero Euterpe. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Tratase de uma família de grande valor econômico e. conseqüentemente.A família está subdividida em seis subfamílias. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. Cocos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. Espécies medicinais Euterpe edulis M.

Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. o suco do caule é usado. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica.1 . FIGURA 4. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. como antídoto para picada de cobras. internamente. 1998) (Banco de imagens).nhas. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. não fosse a intensa exploração da espécie. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. externamente. . contra dores de barriga para controlar hemorragias e. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

tais como Magnoliaceae. Guimarães C. da qual inúmeras espécies de grande valor . Santos L. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Na família Monimiaceae. do famoso Boldo. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. mas deve ser destacado o gênero Peumus. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. A.5 Magnoliales medicinais C. inúmeras espécies são medicinais. Hiruma-Lima E. C. M. tais como as Magnoliaceae. Myristicaceae e Lauraceae. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. inúmeros gêneros são importantes. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. M. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. são importantes como ornamentos. Na família Chloranthaceae. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. algumas com amplo número de espécies no Brasil. Annonaceae.

econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. No Brasil. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. os gêneros mais comuns são Annona. e Monodoroideae. 1997). Xylopia.150 espécies tropicais (Mabberley. e ainda outras importantes como alimento. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. Cabeça-de-negro. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. 1997) e subtropicais. . Cryptocarya. Annona reticulata. Cinnamomum. Laurus e Sassafras. Artabotrys. A família inclui árvores. Annona cherimolia. arbustos e lianas. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. Graviola e outros. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. que inclui nosso Abacateiro. Aniba e Nectandra. Xylopia e Rollinia. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. espalhadas por todo o planeta. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Pinha. Annona coriacea. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. que inclui os gêneros Annona. Uvaria. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Annona tenuiflora e Annona squamosa. como Aniba. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Guatteria. compreendendo aproximadamente 260 espécies.

onde são conhecidas como Araticum e Biribá. tais como Araticum. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". espessa com saliências cônicas. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. pecioladas. alcançando até 30 cm de comprimento. Araticum-punhê. Várias espécies. inflorescência cauliflora. com epiderme verde-escura. alcançando até 15 cm de comprimento. 1998). no entanto. subglobosas. amareladas. cordadas na base e acuminadas no ápice. que apresentamos a seguir. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. com cálice de lobos triangulares e agudos. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. Araticum-de-paca. Araticum-ponhê. latescente. polpa branca. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. com um espinho central. Coração-de-rainha e Nona. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. Iriticum. . ovadas ou elípticooblongas. no entanto vários sinônimos são usados.1). sementes castanhas ou pretas (Figura 5. Espécies medicinais Annona muricata L. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. flores axilares.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. que são muito apreciados. com um tronco revestido por casca aromática. sucosa. as folhas são alternas. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. fruto do tipo baga irregular. mole e recurvado.

com importante uso potencial na fabricação de papel. mole e branca. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. tem grande valor como alimento. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. antiespasmódicas e antidisentéricas. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. a planta fornece madeira. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. 1984). peitorais. 1984). os brotos e as folhas são usados como béquicas. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. Em outras regiões do Brasil. as folhas cozidas. referidos a seguir. antiespasmódicas e hipotensivas. especialmente lombrigas. 1984). o chá das folhas é ainda usado contra proble- . As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. O fruto. sendo depois levada para outras regiões do planeta. por sua vez. dores de cabeça e como emagrecedor. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. Na Amazônia. as flores. podendo também ser usada na arborização urbana. Além dos usos medicinais da espécie. onde se tornou subespontânea. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. As folhas e raízes são consideradas sedativas. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. para baixar febres. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. combatem reumatismo e abcessos. usadas topicamente. especialmente na produção de sucos. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diurético e no combate a insônias leves. sorvetes e geléias (Corrêa. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas.

Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. 1962). sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. na forma de chá. 1990). 1978. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. onde é usada contra tosses.. Weninger et al. contra diversos parasitas (de Feo. espasmos e febres. impedindo-lhes a identificação correta. Annona tenuiflora Mart. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil.mas do fígado. Nas Guianas. asma. diarréia e como lactagogo. especialmente na África. como antiespasmódico. 1986). inseticidas. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. as folhas e a casca da árvore. 1993). No Peru. gripe. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. o chá das folhas é utilizada para catarro.. as sementes. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. 1955. as raízes e folhas. foram referidas espécies desse gênero. tosse. Na Jamaica e no Haiti. Ayensu. contra diabetes. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. parasitas. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. Na Índia. a fruta e seu suco são usados contra febre. as cascas e folhas. e as sementes. Esse uso. . como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. no processo de pesca. 1962). as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. 1992). também tem sido referido para as raízes e casca da planta. 1987). é usado externamente para neuralgia. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. De acordo com os mesmos autores. enquanto o óleo das folhas. no entanto. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais.

Ibira. O gênero Xylopia. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. Breu. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Jejerecou. tronco ereto e cilíndrico. . a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. tonturas e hipotensão. também descrito por Carl Linnaeus. oblongolanceoladas. sem estipulas. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. cálice gamossépalo. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Coajerucu. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. Em outras regiões do Norte do Brasil. Breu branco ou. vermelho. sul do Amazonas. com duas a seis sementes (Figura 5. Envira. curto-pecioladas. deiscente. aromática. simples. simplesmente. coriáceas. fruto do tipo baga ovóide. pétalas lineares. Pindaúba. Pindaíba-branca. lineares. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. e copa alongada. onde parte deste estudo foi realizada. Envira-preta. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. hermafroditas. folhas ovado-oblongas. Coagerucu.2). Coaguerecou. Nomes populares A espécie é denominada. na região amazônica. Xylopia cf. frutescens Aubl. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. agudas no ápice. Jejerecu.3). muitas das quais usadas na medicina popular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. alcançando até 8 m de altura. Malagueta e Banana-de-macaco. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. alternas e ápice cuspidado. Pindaúva. com casca fibrosa. Pijerucu. Pau-de-imbira. Pindaíba. folhas alternas. Jegerecu.

) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. como cabos de instrumentos e varas de pesca. Na região amazônica da Colômbia. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. sementes de espécies da família Annonaceae. na forma de inalação. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. As sementes. 1984). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. perenifólia e pioneira. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. para combater resfriados e dores de cabeça. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. são usadas como estimulantes da bexiga. especialmente. raízes. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. também aromáticas. como digestivo e são úteis contra catarro. folhas e. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. sendo uma espécie heliófita. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. Além dos usos medicinais descritos a seguir. 1984). ao passo que a decocção da casca é usada. . própria para uso em carpintaria. 1998). A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante.

1995c). hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. 2002). cis-annomontacina (Liaw et al. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. muricina H. . Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. 2 e 3 (Wu et al... No entanto. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. 1994a e 1994c). Recentemente. epomuricenina A e B (Roblot et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995b).. iso-neoanonacina-10ona. 1995b)... neo-anonacina-10-ona. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). muricatetrocina A e B. especialmente como citotóxicas. anonacina-10-ona. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. 1993). 1994). 1995e). enquanto Gromek et al. anomutacina 1. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. Anomuricina A e B.. hoviicina A.. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 1991).. murihexocina A e B (Zeng et al. 1995a). as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 1991b).São ácidos graxos modificados. I.. muricatocina C e gigantetronenina. e que são importantes representantes da flora brasileira. denominada corepoxilona. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al... essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica..

muricata e A. 1993b).. jeteína. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. isomolvizuína 2. 1994b). tais como reticulatina (Saad et al.. esquamosteno A (Araya et al. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. 1992)... C e D (Fujimoto et al... 1994a). cherimolia.. bulatencina.. isoquerimolina 1. solamina. 1994b). esquamosinina A (Yang et al... squamocina e almunequina (Duret et al. 1995). anoreticuína-9-ona. incluindo A. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. 1993b). 1994).. 1995) em Annona bullata... 1996).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. 1994). Cortes et al. 1991). além de esquamocina e esquamostatina A. reticulacinona (Hisham et al.. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al..Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. 1962)... três uvariamicinas. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. 1993). tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1994c) neodesacetiluvaricina.. 1996). itrabina. molvizarina e motrilina (Cortes et al. B. cis. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1991). 32-hidroxibulatacina. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al.. 1993). tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. 1991a e 1991c). esquamostanal A (Araya et al. 31-hidroxibulatacina. anogaleno (Sahpaz et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. 1994). 1994a e 1994b). 1995). Sahai et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. Das sementes da mesma espécie. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. 30-hidroxibulatacina. Das semen- . esquamona. bulatanocina... Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. 1995a).. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al.

.. laureliptina.. 1988). 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. uma lignana ((-)-siringaresinol). 1976).. Wu et al. cacans (Saito & Alvarenga. 1992. Monoterpenos foram isolados de A. anonaína. isoboldina e outros foram isolados de A... 1986) e A. Mukhopadhyay et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. montana (Wu et al. salzmannii (Paulo et al. 1994). Yang & Chen.. 1981). 1991). oxouxinsunina. de A. enquanto diterpenos foram descritos em A. 1970) e X. enquanto três amidas ácidas... cherimolia (Villar et al.. aromatica (Rios et al. cherimolia (Yang et al. C. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. reticulina. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. X.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. 1979. foram isolados do fruto de Annona muricata . purpurea (Castro et al. michelalbina. 1985) e A. 1989. A. anolobina e asimilobina foram isolados de A. 1994). squamosa (Leboeuf et al. Y.. X. ambotay (Oliveira et al. bullafa (Kutschabsky et al. 1979. enquanto os alcalóides anonaína. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C.. Martins et al. 1996). 1987). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1995e). 1978). ambotay (Carazza et al. squamosa (Silveira et al. Flavonóides foram descritos em A. 1984). anolatina. Inúmeros compostos terpenóides. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. como constituintes predominantes. squamosa (Wu. 1978).. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. squamosa (Setharaman. Barbosa Filho et al. 1994). et al.. Alcalóides conhecidos como anoretina. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.. squamosa (Krishna Rao et al. 1976)... 1991).. 1986). brasilienses (Casagrande & Merotti. A.. frutos de A. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. 1993) e sesquiterpenos em A. reticulina. 1993). A. A... 1982a e 1982b. 1962). 1986).

Bourne & Egbe. Ngouela et al. a raiz. Acetogeninas isoladas sementes de A... Lopez Abraham. Anomutacina 1. 1925 e 1932). 1991b). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. X. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. 1995e).. 1993. 1941. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al.. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. 1991). 1991). 1979). raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al... 1996. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. obtidas de Annona muricata. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. De Xylopia frutescens. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. . mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. 1962). enquanto extratos de folhas. 1988. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha.(Wong & Khoo.. 1979. brasiliensis e X. uma acetogenina isolada de A. a casca. Carbajal et al. assim como outras espécies do gênero. vasodilatadora. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. A espécie Annona muricata possui. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. X.. antiespasmódica. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. muricata e de A. 1993. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante.. Gbeassor et al. 1987). 1995b). corosolona 1 e corosolina 2.. 1995. aromatica.. 1991). Misas et al. 1993). Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora.. 1991). acetogenina isolada de Annona muricata. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. Heinrich et al. 1990). 1992. muricata. Vilegas et al. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque.. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica.. Di Stasi. Solanina. 1979). Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1998). 1940).. 1991..

. Chang et al.. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al... squamosa. galucina. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1993) e várias outras (Jossang et al. oxoxilopina. 1993).. cherimolia (Villan del Fresno et al. 1991. Y.. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. enquanto os alcalóides liriodenina. enquanto alcalóides isolados de A. isolados de A. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. 1988b e 1988a). et al.. 1992). 1995). (1995b). montana (Wu et al. 1994).. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. solamina. asimilobina. .. 1993b e 1994b..Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1987) e A. Cortes et al... Esteróides de A.. 1993). 1991. 1991c e 1991a). montana (Wu et al. Hui et al. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al.... reticulatina. Os alcalóides isolados de A. C. 1992). cherimolia (Cortes et al. 1991). apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. reticulina. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. 1980). anonaína. respectivamente. 1980). norcoridina. enquanto os alcalóides de A. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. 1993b). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. salzmannii. anoreticuína9-ona. esquamona. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. reticulina.. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. coridina.. 1995a). produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. bulatanocina. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína.

1994). que apresentou atividade citotóxica. E. L.. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. Extratos metanólicos de A. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. 1996. 1996). et al. Trypanossoma brucei... que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. donovani. Martins et al.. squamosa. Silva. 1979). e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994)..1983). A. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993)... Extratos preparados também com A. foi caracterizada a . F. Oliveira et al. 1998). Do extrato etanólico das folhas de X. enquanto o extrato etanólico de A. entre outras.. que determinaram efeito depressor do SNC. parassimpatomimética de A. 1993).. 1994). Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. coriaceae (Souza et al. Extratos etanólicos de sementes de A. 1989. O extrato etanólico da raiz de X. Das cascas de X. fungitóxica. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. 1979. 1996). que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. et al. Rao et al. 1998). provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. A.. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. frutescens não apresentou atividade moluscicida... porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. discreta. 1975). 1990. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. como acido caurenóico. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. 1999). Anopheles stephensi (Saxena et al. aromatica foi isolada atherospermidina.. atividade anticonvulsivante e analgésica. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 1993)... 2001). squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito.

Os diterpenos caurenoicos presentes em X. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. como inseticida. 1988c). E da espécie X. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. 2001). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. 1996 e 1997). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. anti-helmíntico e citotóxica. 2002). muricata e A. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas.. especialmente em uso crônico. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. Em Guadalupe. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al.... squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. . Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. (1988) para a espécie Annona muricata. 1962). 1999).

como a Noz-moscada (Myristica). mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. 1997). a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Ucuuba cheirosa. Horsfieldia e Knema. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. Neste levantamento. No Brasil. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Virola. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Árvore-do-sebo. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. contendo ramos carregados de folhas . 1996). Essa família inclui gêneros importantes. Sucuba. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. podendo chegar a até 35 m de altura. Espécies medicinais Virola surinamensis L. como Myristica. usada como condimento. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. e também como Leite-de-mucuiba. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Nozmoscada e Ucuuba-branca. que possuem importância do ponto de vista econômico. e espécies do gênero Virola. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Bicuíba. Sucuuba.

bem como -sitosterol. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. Espécie de ocorrência na Amazônia. S. 2000). V. 1997). inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. 1984). 1992.. inflamações. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. oblongolanceoladas. 1971). 1987). 1969... Cassady et al. 1991 e 1992). V surinamensis (Lopes et al. 1987a). elongata .. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1996. para o tratamento de câncer. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. usadas como venenos de flechas. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. chegando até Pernambuco... No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. V cf. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. como outras do gênero. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. pavonis (Martinez et al. A casca é usada como medicamento para aftas. V. infecções. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. et al. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica..pecioladas. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). 1989. com até 20 cm de comprimento. V michelli (Santos. Vidigal et al.. surinamensis. L. pavonis (Marques et al. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. 1995).. Ferri & Barata. 1996). Inclui 45 espécies de florestas tropicais. É uma planta perenifólia. Martinez et al.

As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V.. 1987b). 1990). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V... 1987). calophylloidea (Von Rotz et al. V. sebifera. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al.. 1990).(Kato et al.. 1994 e 1995). A atividade antifúngica das espécies V. 1996) e V. 1989). 1989) e V. michellii foi atribuída à presença da flavona. titonina (Andrade et al. Além das lignanas. 1993 e 1994). 1992). V. 2001)... koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. michelli (Santos et al. Andrade et al. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. 2001). Lemus & Castro. foschnyi (Lemus & Castro. Pagnocca et al. carinata e V. V. 1996. carinata e V. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al.. 1999). V.. V. V. 1999. V.. V. calophylla. Cavalho et al. Alvarez et al. pavonis. surinamensis. V. titonina . 1996. e polifenóis nas espécies V. venosa (Kato et al. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. calophylloidea (Martinez. 1994 e 1996.. 1992) e V...... 1988). 1986 e 1990). oleifera (Fernandes et al. urbaniana (Reis et al. 1990. 1995). Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. michellii (Cavalho et al. Das folhas de V. 1996a). flexuosa (Aguirre. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al.... A atividade analgésica de V. calophylla (Martinez et al.

No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. sebifera.850 espécies.A atividade leishmanicida nas espécies V. 2000). sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. aliados ao relato de atividade moluscicida. Ocotea. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. Persea.. Licaria. Barata et al. 1994).. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. do nosso famoso Abacateiro. 1986b e 1998). todos aromáticos. V. Os principais gêneros são Laurus. carinata e V.. koschnyi (Castro et al. mas não foi detectada em V. 1996.. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. alucinogênica de V. 1999). duckei (Bennett & Alarcon. oleifera. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. inseticida de V.. além do . Nectandra. Incluem muitas espécies aromáticas. porém. pois. tripanossomicida. calophylla (Miles et al. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. 1997). e outros. dados etnofarmacológicos de V. V. da famosa Canela-sassafrás. surinamensis. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil.. A família reúne grande importância econômica. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. cercaricida e molucicida de V. 1998. As propriedades antioxidante e surfactante de V. sugerem cuidados da população quanto ao uso. donovani e V. 1987). 1996). elongata (Davino et al. surinamensis (Lopes et al. Sassafras. amplamente usado no Brasil como condimento. 1987) e anti-hemorrágica de V. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). do famoso Louro. árvores e arbustos (Mabberley. 1978). Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. 2000).

folhas alternas. e laus = "louvor". Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. de estômago e como emética e abortiva. . flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. deriva de lauer = "verde". há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. como a Canela e o Louro. pecioladas. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. bem como para dores de barriga. Espécies medicinais Laurus nobilis L. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. lanceoladas.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . onde se adaptou muito bem. e de outras espécies. sendo considerada digestiva. 1998).Abacateiro. fornecedor de alimento amplamente comercializado. 1998). para combater problemas hepáticos e intestinais. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal.

contra reumatismo. com polpa verde. é também usada contra febres. Persea americana Mill. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. sendo comercializada em todo o mundo. 1984). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. além de atuar como diurético e analgésico. . fruto do tipo baga ovóide. nome dado especificamente ao fruto. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. analgésico. flores branco-pálidas. comestível. vulnerárias. 1995). que envolve a semente grande e marrom. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. estimulante do apetite e contra cólicas. estomáquicas. emenagogas. pequenas e pouco vistosas. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. bronquites. externamente. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. anti-sifilíticas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. ao passo que a infusão das folhas. ou Persea gratíssima Gaertn.Internamente. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. diuréticas e febrífugas. lanceoladas e acuminadas. além de serem usadas contra doenças renais. onde se encontram as folhas alternas. carminativas. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. as folhas são usadas contra indigestão. reumatismo e uremia (Corrêa. pecioladas. não ocorrendo espontaneamente. úlceras e piolhos (Bown. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate.

nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998)... americana citados acima. O 1. 2002). antimicrobiana (Raharivelomanana et al.. 2002). antiinflamatório (Ademylmi et al. elemicina.. spatulenol. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. foram atribuídos os efeitos analgésico.... O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 1991. A atividade antiulcerogênica de L. 2002).Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol.. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al.. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 1997). Grant et al. Afifi et al. 2002).. 2000. 1991. Carman & Handley.. 2002). Às folhas de P. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. antifúngico (Domergue et al. 2001). hidrocarbonetos. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. . Hargis et al. 1999). 1995. Sladler et al.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. 1987).. A espécie Persea americana L.8-cineol isolado de L. 2002. 1991). Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.

b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). 1984).1 .FIGURA 5. .Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.

Annona tenuiflora. .FIGURA 5. 1984) (Banco de imagens).2 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.

frutescens: a) Escanerata do ramo florido.3 .FIGURA 5.Xylopia cf. b) Detalhe da flor (Banco de imagens). .

1998). ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Santos C. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. M. e. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. 1997. Di Stasi C. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. C. no Brasil. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Thottea e Asarum. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. A. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. ao passo que na região do . Hiruma-Lima E. M. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia.ó Aristolochiales medicinais L. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. muitas das quais usadas como medicinais. Joly. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae.

flores isoladas. que lembra o feto em posição antes do nascimento. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. folhas alternas. axilares. grandes.1). Batarda. Capa-homem. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. denominada popularmente como Milomem. simples. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. zigomorfas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. com sementes achatadas. pecioladas. hermafroditas. sulcados e estriados. usadas como venenos. muitas das quais ricas em alcalóides. . parto. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. foi referida como medicinal. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Outras denominações populares são Angelicó. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. e várias com usos medicinais descritos. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. Contra-erva. Mil-homens e Papo-de-peru. Jarrinha. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Dados botânicos É uma planta trepadeira. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. fruto capsular cilíndrico. Calunga. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. e lochia = "nascimento". ramos lisos.

disenteria e diarréia. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. anti-séptica. . especialmente para combater náuseas e vômitos. 1982). pecioladas. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. não sendo encontrada em áreas degradadas. no entanto.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. estomáquica. 1984). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. simples. os ramos são lisos. capoeiras e áreas em regeneração. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. anti-histérica e útil contra febres graves. as flores são isoladas e axilares. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. sulcados e estriados. Também não é uma espécie cultivada. gripes fortes. sarnas e orquites (Van den Berg. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. excitante. diurética. cicatrizante e contra úlceras crônicas. sudorífica. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. estimulante. constipação nasal. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. catarros crônicos. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa.

acuminata (Moretti et al. A. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. 1993). sendo descrito em A. A. 1983).. manshuriensis (Lou et al. 1987). A... argentine (Priestap. 1986b e 1986a). 1995). em A. Lou et al. 1991). A.. ftiangularis (Bolzani et al. esperanzae e A. A. 1996.. 1991a). 1991) e de A. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. A. 1992). A. 1992) e outros alcalóides em A. A. longa (De Pascual et al. 1991a). bracteata (ElTahir. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. kankauensis (Wu. 1995).. A. A. 1987). 1995). 1992. versicolor (Zeng et al. gigantea (Cortes et al. M. rotunda (Pistelli et al. A. 1979) em raízes de A. A. H. 1980). elegans (El-Sebakhy et al.. versicolor (He et al.. L. tubiflora (Peng et al. yunnanensis (Chen et al.. 1983a). S. A..Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. A. 1991. A. bracteata (ElTahir. 1991). gigantea (Lopes. A. 1986)... 1980). incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. fangchi (Tsai et al. 1987). tais como A. T.. indica (Che et al. 1980). Lopes. et al. et al... 1996). 1989).. A. Zhang et al. 1995).. tubiflora (Peng et al. manshuriensis (Ruecker et al. vários outros alcalóides aporfínicos de A. et al. liukiuensis (Mizuno et al... arcuata (Watanabe & Lopes. 1987). 1995). A. contorta (Lou et al.. indica (Piers & Tse... kankauensis (Wu. A. C. ponticum (Houghton & Ogutveren. A. raízes de A. A.. 1983b). clematitis (Kostalova et al. A. A. 1990. A.. dematilis (Makuch et al. 1977 e 1985). rigida (Pistelli et al. tubiflora (Peng et al. 1994). A. molissima (Peng et al. 1988). 1991b).. T. clematitis (Kostalova et al. A.1993). A.. versicolor (Zhang&He.. Abel & Schimmer. G. Paiva et al. 1992). Higa et al.. chilensis (Urzua et al. Chakravarty et al. Alcalóides foram isolados de várias espécies. brasiliensis (Lopes et al. 1995). II. auricularia (Houghton & Ogutveren. X. L. 1987. 1991b).. J. et al.. 1995) e A. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. S.. longa (De Pascual et al. A. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1984). A. 1987). 1983). A. P et al. clematitis (Kostalova et al. 1991). debilis (Ahmed Farag et al. molissima (Peng. 1991).. A. A.. chilensis (Urzua Rodriguez. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A.. 1985) e A. Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. rodix (Tsai et al. kankauensis (Wu et al.. . III e IV (Houghton & Ogutveren. 1995) e A. 1979). 1988. 1994). 1982). maurorum (Kery et al. A... argentine (Priestap.. cinnabarina (Li.. 1992). 1987.. cinnabarina (Li et al.. nata (Moretti et al. 1994). A. 1988).. et al.. 1987)... 1988). A. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. galeata (Lopes.

. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty... A. 1988) e amidas em A. 1991b). indica (Pakrashi & Pakrasi. 1995). A. 1980). Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. 1988) e A. S. e o ácido aristolóquico de A. 1990). Compostos como -cariofileno. et al. 1979). R. A. A. A. birostris (Conserva et al. -elemeno e -humuleno foram determinados em A.. Urzua & Presle. taliscana (Longsw et al. 1978).. 1980. copaeno. triangularis (Ruecker et al. 1990).. 1993). arcuata (Watanabe & Lopes. esperanzae. O ácido aristolóquico de A. macroura (Leitão et al. chilensis (Urzua et al. 1977). T. et al.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren.. 1996). S.. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . -elemeno. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. cymbifera. gigantea e A. 1987) e A. kankauensis (Wu. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta.. 1987b. Lignanas também foram descritas em A. Lopes et al. galeata (Lopes & Bolzani. 1994).. A.

paucinervis (Gadhi et al.. 1991). Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. 2002). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. papilaris (Maia et al. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. no Sistema Nervoso Central. 1985). H. Estudos com A. 1993). Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha.Choudhury. 1996). triangularis (Garcia. anti-séptica e cicatrizante de A. A.. 1983). acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. A espécie A.. multiflora (Moretti et al.. gigantea (Campos et al. 1991). 1985). A.. com A. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. papilaris (Maia et al. 1999). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. 1993). 1988).. 1990). determinada pelo teste de Ames. atividade analgésica. e antiviral com A. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. 1995). Atividade mutagênica. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. tulobata (Sosa et al. 1979). O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1999). O mesmo ácido obtido de A.. antibacteriana... antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 2001). niaurorum (Kery et al.. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. 1988).. birostris demonstraram. 1979). 1991)... causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . G. et al...

as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. 50 ou 100 mg/kg via oral. 1996) por humanos. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. Entretanto. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. 1993).1 . não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies.. por suas características químicas.com 10. FIGURA 6.Aristolochia trilobata. Da mesma forma. .

G. normalmente com células de óleos essenciais. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. S. Por sua vez. onde ocorrem em abundância e diversidade. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. A. 1997). epífitas. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. Peperomia e Pothomorphe. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. lianas. Geralmente as plantas são arbustos. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. Hiruma-Lima A.7 Piperales medicinais L. Portilho M. dos quais se destacam os gêneros Piper. Piper nigrum. especialmente do gênero Piper. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. do qual se destacam espécies como a Pimenta. e espécies me- . Mariot W. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. Di Stasi C. C.

Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina.K.dicinais de ampla utilização. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. ovário com um só estigma. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas.1). como a Piper betle (betel). Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. Piper angustifolium. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Piper cubeba. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Piper longum. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. Espécies medicinais Peperomia elongata H. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. as quais passamos a discutir a seguir. O gênero Peperomia. Nomes populares Além de Tracoaptera. sendo também apenas . como a chinesa e aiurvédica. muito semelhantes entre si. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil.B. pequenas. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. folhas alternas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago.

Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica.K. Não foram encontrados sinônimos. na região amazônica. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). de distúrbios do estômago. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. Piper cavalcantei Yuncker. pequenas. . Nomes populares A espécie é chamada. simples. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago.B. mas com pouca ocorrência. curtopecioladas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. bastante carnosas e glabras. Peperomia rotundifolia H.obtida na área de floresta em torno da aldeia. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. gastrite e gripes.

Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. . O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. todas aromáticas. inflorescências do tipo espiga. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. pendente. isoladas e levemente curvadas. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. assimétricas na base. especialmente para dores de cabeça. membranáceas. sendo a maioria arbustos. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. algumas lianas e pequenas árvores. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. folhas pecioladas. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais.2). Piper cernnum Vell. podendo chegar a até 5 m de altura. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. atingindo até 10 cm de comprimento. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. os frutos são drupáceos (Figura 7. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura.

podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. incluindo hepatite. estomacais e hepáticos. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. um pouco ásperas. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. além de ser útil em distúrbios renais. membranáceas. onde a espécie é abundante. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. levemente curvadas. especialmente contra dores de barriga. acuminadas no ápice. assimétricas na base. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. a infusão das folhas é usada como analgésico. . Piper gaudichaudianum Kunth. inflorescências do tipo espiga. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. Em outras regiões do país. particularmente contra cólicas abdominais.3). com os nomes de Murta e também de Pariparoba. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tendo distribuição por todo o Brasil.

A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Em outras regiões do país. Ihotzkyanum Kunth. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. inflorescências do tipo espiga. cordiformes. membranácea. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. pecioladas. estomacais e renais. r e t a . Piper marginatum Jacq. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. com ramos glabros e cilíndricos. Nhandi. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. folhas alternas. membranosas. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos.Piper cf. Aperta-ruão ou Aperta-juan. flores . com ápice acuminado. glabra. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. alongada e fina. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil.4). pequena (até 11 cm de comprimento). Bitre. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. levemente assimétrica na base.

A planta é tônica. as folhas. Caá-peuá. descrita a seguir. gineceu com três estigmas. contra veneno de cobra. resolutiva e usada em banhos após o parto.com brácteas triangulares. Uma outra espécie do mesmo gênero.6). os frutos são excitantes. as raízes são carminativas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. estomáquica. e não isoladas. Catajé. sialagogas. dores de dente e blenorragias. 1984). minúsculas. flores sésseis. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. bainha desenvolvida. peitadas. essas diferenças ficam bem claras. diuréticas. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. se ingerida. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. androceu com três estames. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. . estimulatórias (Corrêa. andróginas. peltatas. um gênero da família Araceae. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper.5). Pothomorphe peltata (L. membranosas. sudoríficas. como ocorre no gênero Piper. principalmente da tucundeira. fruto do tipo baga (Figura 7. formando uma falsa umbela. Malvarisco. ovado-arredondadas.) Miq. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". com ápice agudo e nervação peltinérvea.

1984). membranosas. cordada. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. andróginas. Capeba ou Pariparoba. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. com ápice agudo e nervação peltinérvea. formando uma falsa umbela. . vermífugo. bainha desenvolvida. ovado-arredondadas. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. 1980). os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. flores sésseis. Pothomorphe umbellata (L) Miq. antiinflamatório externo e interno. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.7). diurético. fruto do tipo baga. minúsculas.

além de apiol.. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides..... que também possui ácido grifólico.. B e C (Chen. 1982). 1996). Das partes aéreas de P. 1988). 2001). 1982). et al. Cromonas foram isoladas de P. et al. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. 3-hidroxi-4. M. E. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. vulcanica e proctorionas de P. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. Piper Das raízes de P. que representa 49% dos constituintes voláteis. G. De Peperomia japonica.. 2002.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. 1994). monoterpenos. 1990). galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. C... Das raízes de P. Os alcalóides... Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. marginatum foram isolados aril-propanóides. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. Mahiou et al. 1997). flavonóides (Tillequin et al. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. proctorii (Mbah et al. Seeram et al.. indicada populamente como antitumoral. são . marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. sesquiterpenos. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. 2000).Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. miristicina. quinonas piperogalona. 2001). 1988). compostos de grande importância farmacológica. grifolina bisobolol.. ácidos graxos (Lima et al.

1981) e P. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. P.. 1987). hispidum (Burke & Nair. futokadsura (Chang et al.. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al.. Li & Han.encontrados com freqüência nesse gênero. nigrum (Inatani et al. lignanas de P. 1984). 1986) e P.. retrofractum (Banerji et al. Isolaram também neoglicanas de P... 1968).. P. piperlongumina. 1983).. Pothomorphe P.. 1995). cubeba (Badheka et al. 1980). flavonóides de P. P. P. P. Foram isolados diversos alcalóides em P. 1977. 1986. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. aduncum e P.. piperina. sylvaticum (Banerji & Pal. lancei (Han et al. P. 1983.. methysticum (Smith. 1979). aduncum (Smith & Kassim. hidropiperona. Bacillus subtilis.. Foi demonstrado também que P. tuberculatum (Braz Filho et al. P. hostmanianum (Diaz et al. 1985) e P.. P. 1986 e 1987). Uma quinona. longum (Dutta et al. 1987). jaborandi (San Martin. 1981). chavicina e outros. 1986). amalago (Dominguez et al.. 1979). guineense (Cole. 1987). 1977) e P. 1987). hispidum (Vieira et al. Tabuneng et al. hispidum (Vieira et al.. 1986) e flavonas de P.. 1982) e P clusti (Koul et al. auritum (Ampofo et al... P.. 1985).. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. compostos fenólicos de P. betle (Evans et al. 1987). 1986).. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. 1980) e P. betle (Rimando et al. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. 1986).. sendo os principais piperlonguminina. P peepuloides (Shah et al. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. hancei (Li et al. 1985). Shoji et al. Achenbach et al. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . piperidina. P. 1992). 1986..

. hipotensora (Siqueira et al. 1994).. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al.1-1 g/kg.. O. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. bloqueada com prazosin e ioimbina.. antibacteriana. relaxamento muscular e dispnéia. atuar como antialérgico e diminuir . grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.... O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. V. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos.cies de Leishmania (Mahiou et al. A administração i. Piper Foram caracterizadas para P. 2001). R.. Assim. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. O extrato aquoso de P. H.1-0. Aziba et al. 1997). hipotensora (Santos... 1998.v. 1996b). Substâncias de P. 2002. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. 1997). Villegas et al. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. em doses que variaram de 0. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. 1997). L. M. cicatrizante (Saad et al. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. Embora o extrato de P. et al. galioides e os compostos ácido grifóico. apresentou atividades diurética (Santos. et al. 2001). também conhecida como Língua-de-sapo. V. B. Arigoni-Blank et al. analgésica (Da Silva et al. 1996). 1992). lacrimejamento. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. promoveu piloereçáo.. e atóxica (Saad et al. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. S. V. O. 1996). salivação intensa. H.. do extrato (0. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. 1996a). antifúngica (Lima.. 1996). et al.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.. et al. 1995).. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. E. 2002. 1994).. R. et al.

larvicida (Mongelli et al. 1984). P. além de bloquear a transmissão neuromuscular. abutiloides. fungicida. conhecida como Pariparoba. cincinnatoris. Cairney et al. 1991. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. peltata possui atividade analgésica (Pupo.. 2002). Pothomorphe A espécie P. 1988).. 1986. Amorim et al. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. aduncum (Lohezic-Le et al. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. Shen et al. 2002. Dahanukar et al. P.... 1986). methysticum também conhecida como kava-kava. A espécie P. Atualmente. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. analgésica.. agindo como os anestésicos locais (Singh. nigrum (Miyakado et al. 1987. 2002). anticonvulsivante. 1979).. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al.. a degranulação. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. inseticida com substâncias de P. 1985). regnelli. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. Porém. 1988). O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1988). antioxidante (Choudhary & Kale.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. De P. Di Stasi & Pupo. lindbergü e P. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. nematicida (Evans et al. inibindo a agregação de plaquetas. 1987). além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. Desmachelier et al... retrofactum (Woo et al.. Prakash. P. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. 1978.. As neoglicanas isoladas de P.. amalago (Pupo. 1984). e aumentou o tempo de sono (Duve. apresentou propriedades anestésica. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al.. mutagênica (Chen et al. por seus constituintes químicos. lancei e P. 1985). 1984).. espasmolítica. 1976). e antiviral P. betle apresentou atividades fungicida.. 1985). 1986 e 1988. peltata. 1983). A espécie P. 1984. 1985). gaudichandianum. 2000). P. esta última com potente atividade (Di Stasi. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al..

. FIGURA 7. 2002. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. umbellata. P. peltata (Felzenswalb et al.. antimalárica e antioxidante (Isobe et al..Banco de imagens . 1992). 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. o que não foi observado na espécie P. 1996). Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. De P.. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . de Ferreira da Cruz et al. 1987). O extrato etanólico das raízes de P. umbellata L. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al.. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 2000). analgésica. Miq.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. Desmarchelier et al.. umbellata... antiedematogênica.Peperomia elongata. 1995). 1987).1 . 1997.

Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .2 .Banco de imagens ). .

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7.Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.3 . .

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.FIGURA 7. .4 . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).

5 .Piper marginatum. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7. .

Pothomorphe peltata. .FIGURA 7. .Banco de imagens . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .6 ..

7 . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ). .Pothomorphe umbellata.inflorescências Folha cordada FIGURA 7.

A. como a morfina e outros derivados opióides. Pteridophyllaceae. como é o caso da Papaver somniferum. arbustos escandentes e . A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Berberidaceae. o famoso Ópio. Santos E. Hiruma-Lima C. foram obtidos. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. C. Di Stasi C.8 Ranunculales medicinais L. M. Ranuculaceae e Papaveraceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Sabiaceae. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. algumas lianas. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. M. das quais devemos destacar Menispermaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados.

Uma delas. foi referida como planta antiinflamatória. folhas alternas e pecioladas. raspada e misturada com água. no entanto. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. 1996). flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. são consideradas muito tóxicas. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. aplicada no local lesado e/ou ingerida. Outra denominação é Iroba. 1997).raramente árvores ou ervas (Mabberley. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala.1). também denominada de Abutua. típica da aldeia tenharins. assim como . onde a planta foi referida como medicinal. fruto do tipo drupa. Nessa família. com ampla distribuição na América do Sul. a espécie é chamada de Abuta. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. rufescens e A. da Mata Atlântica. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. imene. com contorno oblongo (Figura 8. Espécies do gênero Abuta. utilizadas por índios do Norte do país. Dados botânicos Planta perene. tais como A. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

. 1996). Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. 1997). talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. 1993). J.. 1996). além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. 1997).. 1998... 1997). celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e.. Kern et al. antiviral (Brochado et al. Além disso. porém. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. 1996. Loureiro et al... et al. D. Farias. M. Não foram observadas. relaxante (Araújo et al. Brochado et al. 1994). Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. LDH) e o nível de bilirrubina. et al. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. 1987). analgésica (Macedo et ai. et al. 1999.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu... 1993. 1996a e 1996b). 1996 e 1998). B. D. ainda. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al.. L. 1996. Gomes et al. Induziu. argentea. L. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1997). mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. B.. 1996). 1997. Uma loção contendo C. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . GOT. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT.. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. in vitro. raízes.. Farias. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.

S. Yang et al.. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. B. porém. 1996. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. et al. sobretudo contra helmintos.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al.. confirmados para inúmeras espécies dessa família.. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. inclui . não apenas com as espécies citadas. 1986. O uso das espécies contra helmintos. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. Zhang et al. especialmente em uso crônico. hemorragias. et al. Extrato aquoso de A. 1998). 1989). assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade.. 1995). aliado aos dados de toxicidade em peixes.. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. subclasse Caryophyllidae. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. C. 1972)... 1996). requer cuidados por parte da população. Do extrato de A. 1988. De Ruiz et al. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. 1992).. 1993).

400 espécies (Mabberley. são espécies perenes. • Opuntia (Opuntioideae). que inclui a espécie Pereskia grandiflora. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. • Cactus. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. 1978). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. suculentas. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). 1997). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. Cereus e Melocactus (Cactoideae). todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. que também inclui espécies medicinais. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. 1978).97 gêneros. . Em ambos os casos. No Brasil ocorrem 32 gêneros. embora várias espécies possam ser encontradas na África. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. com aproximadamente 1. Segundo Joly (1998). A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. de hábito variável e geralmente espinhosas.

Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. folhas subpecioladas. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. cresce em matas e em restingas. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. oblongas e acuminadas com base atenuada. galactopiranose. 1990). 1986). com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. 1987). numerosos acúleos. . F. sendo uma homenagem ao professor N. glucose. 1994). C. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. além de galactose. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. glucurônico e seus metil ésteres. arabinopiranose.. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. A espécie é originária da Argentina. lenhoso. ácido galactopiranosilurônico. além de heteropolissacarídeos. antitérmico e contra gripes e resfriados.. galactose. arabinofuranose.. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. xilose e ramnose (De Pinto et al. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. dispostas em rácimos terminais. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. em altitudes e também no nível do mar. obovóide. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. Das folhas de P. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. arabinose. Peiresc. A goma de P. guamacho possui ácidos galacturônico. fruto do tipo baga glabra. galactose. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas.

usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. . No Brasil ocorrem apenas dois gêneros.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. muitas delas suculentas (Mabberley. Portulaca oleracea. 1978). sendo algumas pequenas árvores. Talinum e Portulaca. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. arbustos e ervas. O principal gênero é o Portulaca. e 33 espécies (Barrozo. 1997).

especialmente em Portugal e na Alemanha. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. pequenas. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. Dados botânicos É uma erva de caule curto. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. como alimento. flores amarelas. obovadas. referindo-se às propriedades purgativas da planta. Inclui três variedades principais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. fruto capsular obovóide. outros usos são atribuídos à espécie. Bodroega. as partes aéreas cruas são usadas. dadas sua rusticidade e resistência à seca. tais como Verduega. Na região da Mata Atlântica. e a maioria é de ervas suculentas anuais. cólicas renais e . mas algumas variações de nome popular são usadas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. Berduega e Veduega. folhas pequenas. arroxeado e suculento. diminutivo de "porta". o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. planas e suculentas. sésseis. na forma de salada. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. axilares ou terminais. pequenas.

como as da beldroega. . emenagogos e vermífugos. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. estomáquica. As folhas dessa planta também são comestíveis. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. amarga. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. de onde saem folhas alternas.afecções da vista. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. pequenas. diurética. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. emenagoga e eficaz contra erisipela. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. flores amarelas. glabros e suculentos. Portulaca pilosa L. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. as sementes passam por diuréticos. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". lanceoladas. Perrexi e Alecrim-desão-josé. vulnerária. cicatrizante externa. Caaponga. emoliente. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Também conhecida como Beldroega. pilosas.

1991). pilosa (Ohsaki et al. ácido ascórbico. três diterpenóides transclerodânicos. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol.. ácido linoléico e ácido palmítico. . 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. parkeol.. isolados das raízes de P.. 1991).0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai.. ferro. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. 1996). Simopoulos et ai. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al..5% de lipídios. sendo o último composto um glicosídeo. 1996).. P. butirospermol. málico.. como sitosterol. succínico. cálcio... campesterol e stigmasterol. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. 1996). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. dentre os quais 18:3-ômega-3. 1991.4. 1990). Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. 1995b). malônico.. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. 1991).Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. (1991) detectaram de R oleracea 3. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. 1992). 1994). 1988). 1992). carboidratos. ascórbico. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. fósforo. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 22:6ômega-3.. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. cycloartenol. Boschelle et ai. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. manganês. Boehm & Boehm. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. fumárico e acético (Gao & Liu. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A.. pilosanol A. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. oleracea de proteínas. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. B e C. 1995.

reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. O extrato de P. P. lupeol..De P. 1994). 1996). mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. 1993). porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 1989).. Rocha et al. De P.. oleracea foi investigado in vitro. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. (1994).. stigmasterol. n-hexacosanol. 1994). 1989b) e hipotensora (Poli et al.. 1995). Habtemariam et al. apresentou atividade hipoglicemiante... oleracea. encontrado por Rocha et al. dentre outras espécies. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al.. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. diurética (Rocha et al. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. grandiflora Hook. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. 1987). 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1989. beta-sitosterol. 1993.. enquanto das partes aéreas de P.. 1989). sem alterar a diurese.. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. .. 1987). 1989). 1989). n-triacontano. 1997). em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. 1985) relaxante muscular..

sendo uma planta extremamente . Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. que pode atingir até 1. extremamente ramificado. Também é chamada de Ambrósia. Salsola e Atriplex. 1978). Erva-das-cobras. raramente. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. ervas anuais ou perenes e. Salicornia. Erva-das-lombrigas. A família se subdivide em quatro subfamílias. Mentrasto e Mentrusto.5 m. Inclui arbustos. Anserina vermífuga. Caacica. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Menstruço. ramos folhosos verdes com folhas alternas. 1997). Ex Stend. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. No entanto. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Erva vomiqueira.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Lombrigueira. Spinaceae. caule ereto e glabro. pequenas árvores. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. oblongas denteadas.

além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. para problemas da pele. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais.. 2002. internamente. 1978. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. baratas e demais insetos. bronquite.. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. Godano et al. Melito et al. 1995). extremamente útil para afugentar pulgas. incluindo a Amazônia. amplamente disseminado nas zonas rurais. esse uso é comum também em outros países. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. especialmente na área veterinária. percevejos.. lesões hepáticas. em altas doses.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. referindo-se às folhas lobadas. 1985a e 1985b. a maioria de ervas. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo.) . Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. febre. contra reumatismo. dor ciática e parasitas intestinais e. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. como abortiva. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. externamente. ao passo que a infusão das folhas é usada. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Além desse uso. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais.

Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Bougainvillea. Mirabilis e Bougainvillea. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. Pisonia. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. 1997). de onde partem folhas pequenas. . Pega-pinto e Tangaraca. ovadoblongas. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. incluindo árvores. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. opostas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. arbustos e ervas que produzem betalaínas. Dos gêneros. Mirabilis. distribuídas. Boerhavia. a espécie é conhecida como Erva-tostão. mas não antocianinas (Mabberley. nome usado em todo o Brasil. pilosas e pecioladas. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia.3). em trinta gêneros. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Guapira e Andradea.

e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. possui sabor picante. além de ser considerada excelente diurético. 1995).. especialmente a raiz. Rawat et al. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. Aslam.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1999). Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. 1997).. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. sendo árvores. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. sem efeito teratogênico (Singh et al. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca... 1991. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. Sohni et al. 1997). A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. 1996) e lignanas (Lami et al. 1996. 1990 e 1991). arbustos. 1991). atóxica. 2000a). 1999). 1978 e 1980.. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Corrêa (1984) refere que a planta. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . lianas ou ervas. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. particularmente contra lombrigas...

estipuladas. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. limão de cayanna. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. que inclui uma única espécie. como Tipi. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. inchaço de mem- . farmacêutico e amante da natureza. alfavacão. também é comum. em decocto ou pó. Gambá-tipi. raízes e ramos são considerados emenagogos. ereto. agudas no ápice e estreitas na base. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. membranosas. O uso externo das folhas novas e da raiz. 1984). no Mato Grosso. no Rio de Janeiro. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. Dados botânicos Subarbusto perene. diurética. Pipi. em Pernambuco e em São Paulo. gineceu unicarpelar com ovário súpero. ramificado com ramos compridos. pequenas. androceu com quatro estames. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. folhas. sublenhoso. na Bahia. Amansa-senhor. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. delgados e ascendentes.como ornamentais. antiespasmódica e reputada como sudorífica. e o gênero Petiveria. folhas curto-pecioladas. flores sésseis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Tipi-verdadeiro. como abortiva. alternas. Outros dados incluem o uso da raiz. Em outras regiões. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. achatado e carenado (Figura 9.4). fruto aquênio cilíndrico. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. no alívio de dores musculares.

a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. paralisia. 1980). 1980).. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. além dessas indicações. dores de cabeça. et al. T.. esteárico. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. linoléico.. na Paraíba. 1988. Trotta et al. beta-sitosterol. S. 1988b). a raiz é útil na amenorréia (Agra. . Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. et al.. antiespasmódico e sudorífico (Verardo.7-di-O-metilpinocembrina. lignoceril álcool. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al.. trans-N-metil-4-metoxiprolina. C. Pinto C. 1982). pinitol. 1992). De Souza et al. ainda. serina. Grandi et ai. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. peptídeos como ácido glutâmico. flavonóides. 1988). 1982). 1986). C. De Lima et al. 1989) e depressora do SNC (Lima. 1982..bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. no Ceará. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. beta-sitosterol. em Brasília e no Mato Grosso. 1990). Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. M.. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. glicina e alantoína (Sousa et al. T. 1986). et al. trisulfeto de dibenzila. triterpenos (Delia Monachi et al. como abortivo. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. 1988. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. 1997. as raízes são usadas na hidropsia. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5.. alantoína. ácidos palmítico.. 1980. 1988).. em Minas Gerais. 1982). Van den Berg. reumatismo. 1988.. nitrato de sódio.. 1998). M. 1990)... ácido lignocérico. no Rio Grande do Sul.

1995). 1998). além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. 2001). 1988).. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 1989. 2050 aci02). afasia e até à morte (Corrêa. Malpezzi et al.. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 1988.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 1993. 1991 e 1992). 1994). hematopoiética (Quadros et al.. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. 1989.. 1991. 1987) e antiviral (Ruffa et al.. Elisabetsky et al. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. . 1988. 1992). zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. Caldeira et al. Cortez et al.. antiinflamatória oral (Germano et al. No entanto.. 2002. 1996) e antitumoral (Davino et al.. alliacea.... Lopez-Martins et al.. 1994). 1998). 1988. efeito zigotóxico (Guerra et al... M. 1991). utilizado popularmente como vermífugo.. Guerra et al. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. tendo sido determinada a toxicidade subaguda.. P.. e o de caule. acaricida (Johnson et al. 1991.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. 1991).. Y. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. por levar à imbecilidade. 1993. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. Davino et al. Takahashi.. 1997) e antifungica (Benevides et al.. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.. O extrato hidroalcoólico de P. et al. Germano et al.. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. 1993). 1990). 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol.... citotóxica. Davino et al. 1984).. atividades analgésica (Thomas et al. com uma D L m a de 1. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

como Cabeça-de-negro. como em formações secundárias. especialmente após o cultivo sistematizado. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. especialmente na Itália. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. é uma variação de sicyos. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. e o nome. descrito por Patrick Browne. longos. capoeiras e na beira de estradas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. e sua raiz. ramoso e delicado. e muitas variedades em cada espécie. Wilbrandia ebracteata Cogn. . folhas pecioladas. O gênero inclui apenas seis espécies. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya).3). chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. flores amarelas esbranquiçadas. com até 20 cm de comprimento. É uma importante espécie econômica. 5-lobadas e raramente com mais lobos.a cinco lobos. que significa "pepino". mas ásperas. flores amarelo-claras. sendo um produto amplamente comercializado. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. fruto do tipo pepônio verde. rugoso. sulcado. alternas. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. O nome do gênero Sechium. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. Wilbrandia. com caule anguloso. membranosas. foi dado em homenagem a John Wilbrand.

Foram isolados também cicloarterol. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. 1996. Cr.76% de lipídios. sendo o cucurbita-5. De M. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. A composição química do fruto de M. Grondin et al. ácido linolênico.. também. Hara et al. 1987). Mn e Li (Peng & Li. charantia também foram isolados triterpenos. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.40%). 1989. 1989). Chandravadana et al.. Huang et al... assim como no controle da diabetes. Das sementes de M. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. 1988. proteínas. 1996). Kusmenoglu. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai.. Dos frutos verdes de M. Das folhas de M. 1996). momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. 1992).. 1990). aminoácidos e abundância em elementos como Cu. 1986). sífilis (Almeida et al.. momordicinina e momordicilina. charantia foram isolados os triterpenos momordicina.. Nguyen. 1996. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. 1992). Das sementes de M. 1990. Wang et ai. 1990a). divididos em lipídios não-polares (38.. Das sementes de M. 1996).. 1997). Chang et al. 1991... Dos frutos frescos de M. Ni. reumatismo.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Zn. tumores e.. Co. Foram isolados ainda das sementes de M. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. glicolipídios (35. afecções da pele. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. charantia ..80%) e fosfolipídios (16..24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1985).. charantia também foram isolados vicina. como laxativo (Farias et al. 1995. Além disso. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. 1997). charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. 1989.. charantia foi isolada a gama-momorcharia.81%). Zheng et al. charantia foi determinada como 0. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai... 1996. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. além do esterol. além das momordicinas (Fatope et al.

Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. charantica. 1994). pela E e. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. além de uma resina (Volák & Stodola. Geralmente. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. As sementes possuem 50% de óleo. esteárico. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. 1987). além do ácido rosmarínico. Aí. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí.. contendo trinta carbonos. 1991). 1997). provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. 1990). aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. 1990b).. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. 1993). além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. além de possuir óleo essencial (Guerrero. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. Das sementes de M.vicine. dioica eM. também descrito em M. foetida (Mulholland et al.. sesquiterpenolactonas e taninos. também foram detectados em Aí. oléico. Dos frutos de Aí. posteriormente. H e I (Miro. rigorosamente. triterpenos tetracíclicos. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. pelas G. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. isolados das partes aéreas. 1990). 1987). 1995). e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. 1994). 1993). balsamina (De Tommasi et al.. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. . charantia. 1995). seguidas.

charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. decocto das folhas e suco de M. O suco dos frutos de M. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. (1986). antiviral (Takemoto et al.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. 1982a e 1982b). com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. 1982. 2002). da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. 1997). 1986. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. O extrato etanólico de M.. Pugazhenthi & Murthy.. parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1993).. 1983a e 1983b) e . extratos brutos de folhas. 1987). Além disso. Ng et ai. Welihinda et ai. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. 1983). 1996. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al.. Athar et al. 1996. 1980.. 1984.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Karunanayake et al. charantia (Rathi et al. Inibição da síntese de RNA. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Raman & Lau. (1994). Platel & Sirinivasan.. El-Gengaihi et al. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. 1996.. Ahmad et al. da síntese protéica.. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l... 1996). 1981. DNA. 2002) (Jilka et al.. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. 1993).

1996). charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. As proteínas inativadoras de ribossomos. 1993). Fong et al. charantia. incluindo M.imunomoduladora (Spreafico et al.. 1990). Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. pulmonares e da mama (Rybak et al. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. charantia.. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. L. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. . et al. na qual descreveram a momorcochina. charantia. 1994). A glicoproteína isolada das sementes de M. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. 1990a).. alda-momorcharina.. proteínas inativadoras de ribossomos. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1996). isoladas de sementes de M. isoladas dessa espécie. 1990). uma proteína inativadora de ribossomos. 1983). charantia) inibe a integrase de HIV-1. charantia.. Os frutos e sementes de M. Wang et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali.. 1995).. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. charantia.. Ng et al. 1987. 1994).. 1995b). O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M.. momordina 1 e momordina 2. antitumoral. 1993)...

Basaran et al. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. De M. Amorim et ai. Dos frutos verdes de M. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al.. A M.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. Foram isoladas duas proteínas de M. et al. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M.. 1987). 1994). 1988). charantia (Silva. Apesar da indicação popular para inflamação. Das folhas de M. 1995)... Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Os frutos de M. Embora indicada contra malária. 1997). 1994). Misra et al.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al.. e o rizoma de Curcuma longa Linn. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. 1987). charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al.. No entanto.. 1990. 1996). 1995). charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. 1990). 1996). O extrato aquoso da folha de M. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. 1991). 1996). charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. charantia foi isolado ginsenosídeo.. M.. (1984 e 1985).. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. De M. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. antiancilostomose (Berchieri et al. 1996). charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. MAP30 isolado de M. L. 1990.

.. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. 1993).. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. 1989. et al. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. 1995. 1996). . 2001). De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. hipovolemia. Teixeira. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. hipotensora (Gordon et al. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. 1996). Miró. Trichosantina. Pagotto et al. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. De M. anti-helmíntica. 1991)... 1997 e 1999). 1993)... citotóxica. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. em rato. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. Proteínas isoladas de M. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. 1986). 1994). 1995. tais como antiinflamatória. diminuição da pressão arterial. 1995).. Peters et al. Além disso. diarréia. 1993). 1984. 1995). hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. 1995. antitumoral. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. tais como antioxidante... do que o extrato de M. C. 1986b). Jensen & Lai.. Hamato et ai. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai.. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. A. 1997). aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. O extrato alcoólico de M. anticoncepcional. 1991). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1995.. Outras atividades também foram descritas para a espécie.. inibição da ovulação.. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.atividade hipoglicemiante.. antimicrobial. 2000) e antimutagênico (Yen et al. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al.

1996. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. Os frutos de M.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. 1986). 1996.. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. 1996.. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. . Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. recentemente. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória.. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. 1994). charantia em enzimas hepáticas. Das sementes de M. 1987). 1986. Chan et al. A toxicidade do fruto de C. 1986). A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. El-Gengaihi et al. Raman & Lau. 1992). porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate.6 mgAg. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1988). charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. Platel & Sirinivasan.. Em ambos os casos. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1997).... angaria foi de DL50 = 1. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. especialmente por gestantes.. 1990).. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.

semente com endosperma carnoso (Figura 10.4). Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. pedaço. androceu com um estame. pétalas ausentes. bem desenvolvidas. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com gomo terminal protegido por estipula caduca. farrapo". fruto do tipo capsular trilobado. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. onde há cerca de oito espécies. folhas simples. distribuídas em regiões tropicais. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. . 1978). nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. e stemon = "estame". desde o México até o Peru e o norte do Brasil. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. mas que possui uma grande importância. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. e não foram encontrados sinônimos para ela. ovário unilocular. alternas. referindo-se ao estame bifurcado.

Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. no entanto. 1992). Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. conforme apresentamos a seguir. de valor alimentício e medicinal.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. 1996). compreendendo lianas. arbustos e árvores (Mabberley. . Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. em geral trepadeiras. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. No Brasil. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). com 575 espécies tropicais e temperadas. representando um importante recurso econômico. existem várias espécies do gênero Passiflora. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. 1997). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato.

. estipulas ovadas. 1983). mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. 1987a. côncavas. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. epipassicoriacina. Spencer & Seigler. fruto oblongo-ovóide.. mas identificada apenas até o gênero. margem inteira. é usada para diversas finalidades. hexadecanóico. 1990). cordiformes. 1997). Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. corniculadas. Na região da Mata Atlântica. gavinhas que são ramos florais modificados. alternas. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. 2tridecanona. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. sementes compridas (Figura 10. peninérveas. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias.Dados botânicos Planta glabra. antocianinas (Kidoey et al. 1989). e cinco pétalas rosadas. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). o suco dos frutos é considerado sedativo. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. 1991). principalmente a P edulis. que lembram os instrumentos do martírio. flores com cinco sépalas ovadas. ovadas. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. 2-pentadecanona. uma espécie denominada Maracujá.. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. 1996.. monoterpenóides.. folhas inteiras. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. Uma outra espécie de maracujá. planas e obtusas. carotenóides (Ferreira et al. pela interpretação dada às peças florais. cilíndrico. agudas no ápice e estreitas na base. caule robusto. chamada popularmente de Maracujá gigante. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. Passiflora macrocarpa Mart. 1987b e 1985). (9Z)-ácido octadecenóico. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente).5).

isoschaftosídeo.. 1987b). Menghini. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. orientina e isoorientina. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. lipídios. isoorientina. Spencer & Seigler. fermentos.. 1980). nem em R incarnata (Speroni et al. mollissima (Froehlich et al. Costa. B1. Proliac & Raynaud. Raffaelli et al. harmalina. Esse composto não foi detectado em P coerulea. Sena & Leite. 1997). 1986). gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. assim como ácidos graxos. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. Dos frutos e folhas de P . 1996). glicosilflavona (Geiger & Markham. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. 1997). potássio... P. 1988. 1979)... isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al.. 1987). vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. harmina.. fósforo. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. vitaminas A. 1980. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. 1988). isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. Flavonóides como vitexina.. sendo a passiflorina o mais conhecido. amliformis (Restrepo & Duque... carboidratos. 1986).. K. Amaral. Ortega et al. O suco dos frutos contém água. riboflavina. 1984) e a P incarnata (Kimura et al.. bem como a presença de glicosídeos em P. proteínas.1979). harmol e harmalol). 1986). 2000. 1995. 1997. 1998). 1991). 1997. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. espasmolítica (Queiroz & Brandão. Vale & Leite.. isovitexina. taninos. PP e C (Zhuang & Wang. 1988). quadrangularis (Orsini et al. 1997. 1988. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. maltol. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. saponarina. flavonóides (orientina. de onde foi isolada crisina. 2000). B2. ferro. açúcares. et al. 1989).2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. P coriacea (Spencer & Seigler. 1988). composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas... cálcio. Da espécie P. analgésica. 1988. 1996).. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo.

outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.Luffa cylindrica Roem.. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. antiinflamatório (Silva et al. 1991). 1991. 1998a)... 1978). O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 1988). 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. Detalhe da folha 5-lobada.1 . inotrópica.... fruto e flor (Banco de imagens . Echeverri & Suarez.. 1985b. Porém. antipirético (Silva et al.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. 1985). Barros et al. 1989).. 1989 e 1993) e inseticida. foetida apresentou atividades hipotensora. Das folhas de P .. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. 2000). FIGURA 10.. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. espasmolítica (Carneiro et al.

Momordica charantia: a) ramo com frutos. .FIGURA 10.2 . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

as flores são pequenas. emenagogos e as folhas (decocto). mas também de Ganchuma e Relógio. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. lineares e de cor branca. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. Sida rhombifolia L var. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. como abortivos. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. freqüentemente com cálice roseado. 1982). na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Schum. Malva-preta. Nomes populares A espécie é chamada. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. Vassoura e Relógio.mas. . as raízes são usadas contra moléstias uterinas.) K. reunidas em fascículos axilares. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. 1939). com caule ereto e ramoso. como emético (Hoehne. de Vassoura. no Pará. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. na Bahia. canaiensis (Willd.

Na Mata Atlântica. Urena lobato L. no Rio Grande do Sul. Grandi & Siqueira. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. Em outras regiões do país. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. . como Minas Gerais. anti-hemorroidal. Uacima e Uacima-roxa. 1982. na dose de três xícaras ao dia. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. 1986). e Guanxuma. Ibaxama. reticulata (Cav. alternas. axilares. Coaquibosa. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. Carrapicho-de-lavadeira. flores solitárias. Malva-roxa. Aramim. Dados botânicos Planta anual. popularmente conhecida como Caapiá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em racemos. ereta. chamada de Caapiá. Guaxuma. Rabo-de-foguete. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Guaxiúba. var. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Malvaísco.4). tônica. contra desarranjo menstrual. mas esta não foi completamente identificada. róseas. emoliente.Vassourinha. em Minas Gerais. na região amazônica. é tido como útil. a planta é utilizada como béquica. ramosa e pubescente. é de grande uso externo contra reumatismo. Aguaxima. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa.. no Rio Grande do Sul. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. rombóideovais ou lanceoladas. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. Guaxima.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. em São Paulo e no Rio de Janeiro.. O chá de toda a planta. folhas curto-pecioladas. Malva e Vassoura-do-campo. 1982).

O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante.. cordiformes. onde se encontram glândulas nectaríferas. com grande destaque para as três nervuras centrais. 1991). ligninas de H. De H. a decocção da raiz é usada como diurético. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. moschentos (Tomoda et al. 1986). 1991). 1977b e 1978). lobadas e de formas variáveis. syriaceus (Shimizu et al. cannabinus (Kulchik . além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. 1977a. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. com ramos alternos cilíndricos. H.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. H.. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai.. de onde partem folhas alternas. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. de até 3 m de altura. suculentus (Tomoda et al. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. 1986. Dados químicos Hibiscus De H. fruto do tipo capsular. comum às espécies desse gênero. mucilagens das espécies H.. flores pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pequenas. 1986). roxas ou rosas. diurética e útil contra eólicas. 1987). 3-7 nervadas.. 1985) e H. 1990). solitárias. 1984). ciclopropenos (Nakatani et ai. emoliente e contra eólicas renais. cannabinus foram isolados. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. pecioladas. suculentus (Moawad et al. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. fosfolipídios (Tolibaev et ai. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. Tomoda & Ichikawa.

mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. tiliaceus (Ali et al. ácidos palmítico. Das sementes de H. 1989). arabinose e arabinan. diacilglicerídeos.7. kaempferol 3. fosfatidiletanolamina. malvidina (Kim et al.. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos.4'-pentahidroxiflavona. glucose. peonidina. Duckart et al. sterculico. linolenato de metila. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. 1989a e 1989b). 1988). 1986. o H. oléico e linoléico (Tolibaev et al. esculentus e H. 1990).-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. esterol ésters. sabdariffa produziu antocianinas. 1990). epi-ikshusterol. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. Das pétalas de H. 1988). 1986)... syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. 1989). N-acilfosfatidiletanolamina. 1991) e lactonas de H. Husain et al. ikshusterol. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al.. petunidina. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. 1978). além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. 1990a e 1990b). monoglicerídeos. 1986.5. abelmoschus (Maurer & Grieder. 1991). De H. ácidos graxos livres. De H.et al.. galactose. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. além de 15% de ramnose. 1988). pelargonidina.. 1977). fosfatidilinositol. Foram isolados também de H. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. De H.. taxifolina e herbacetina.-L-arabinosideo-7. . 1988). esterois livres. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al.8. triacilglicerídeos. sabdariffa foi determinada (Kalyane. epoxiacilglicerídeos. N-acilisofosfatidiletanolamina... betasitosterol. sesquiterpenóides de H. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina.. No óleo das sementes de H.. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. quercimeritrina. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. beta-sitosterilglicosilado. Em cultura de tecidos. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. cianidina. moschentos foram isolados 3. A quantificação das proteínas das sementes de H. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. xilose e frutose (Pouget et al.

ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). esteróis. G. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1995). Ermatov et al. dipalmito-oleínas. rainundii (Stipanovic et al. Das sementes de G. 1986). 1985). corantes como carotenos. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. barbadense determinou a presença de albumina. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. 1985). também isolado de G. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. resinas. mucilagens e proteínas (Costa. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . Foram isolados de G. principalmente o esqualeno. mirístico. hirsutum e G arboreum. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. globulina. palmítico. araquídico. dipalmito-linoleínas. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. 1980). silianum (Kumamoto et al. miristoléico e palmitoléico. 1995). 1986. barbadense. prolamina e glutelina (Sammour et al. 1979). 1979) e G. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. 1986). xantofilas.Das folhas de H. 1987). hirsutum (Schmidt & Wells. óleo-dilinoleínas. De G. hidrocarbonetos. esteárico. hirsutum e B. oléico. fosfolípides. D-galactose. diversos terpenóides (Hunter et al. palmito-dilinoleínas. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. lecitinas. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose.

rhombifolia e S. acuta (Goyal & Rani. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. 1988a). 1990). 1989). 1989a). Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal.3%3%) (Bandyukova & Ligai. hirsutum (Mansour et al. 1989b). Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. ácidos graxos como beta-sitosterol. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. 1987). ácido palmítico. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. barbadense e G. isoquercitrina. 1997). hirsutum (Zhou & Lin. barbadense e G. ácido glutâmico e aspártico. humilis. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova.(+) gossipol de G. campesterol. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. 1981). Das partes aéreas de S. espermátide e espermatozóide. fitano. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. Sida Alcalóides foram isolados de S. S. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. spinosa (Prakash et al. S. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. As partes aéreas floridas de S. A extração das partes aéreas de S. acuta. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. vesícula seminal e próstata ventral foram . stigmasterol. hermaphrodita contêm também os flavonóides. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. 1988). hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. As partes aéreas de S. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. pristano. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. De S.

As flores de H. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 1984. hipoglicêmica de H. antiespermatogênica. A espécie H. 1985). bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. verificadas por Singh et al (1982). citotóxica. Essas atividades. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. Pai et al. 1999). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. 1990). Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. Ainda de H. 2000). esculentus (Medeiros et al. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 1989). porém os níveis de colesterol subiram. 1999. sabdariffa (El-Merzabani et al. causando o final da gestação (Pakrashi et al. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. esculentus. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1987). dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. . 1992). 1979). 2001). no tratamento com Hibiscus. 1976a e 1976b ). O extrato das flores de H. tripsina e a alfa-quimiotripsina. e de H. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al.reduzidos nos animais tratados com H. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. Haji & Haji.. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. Em camundongos. 1986. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. assim como uma forte ação citostática. 1987). Pakrashi et al. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. 1987). O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. 2002). antimutagênica (Wang et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1986). A taxa de inibição de fertilidade com H. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 1985). Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. O ovário apresenta sinais de luteólise. moschentos (Tomoda et al. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H.

induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. Sida Os alcalóides de S. Terpenóides isolados de G. 1984). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. As proteínas das sementes de G. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. Wang & Bunkers. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 1988) e S. 1985). 2000) e tóxico (Bourke.. barbadense e G. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1996). 1985). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. serratifolia (Sawhney et al.Gossypium O gossipol. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Extratos de S. 1980). 1978). hirsutum e G. 1997). rhombifolia (Bortoluzzi et al. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. 1982). Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. 2001. principal constituinte do óleo do algodão. Flavonóides de G. 1995). Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies.

Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. rhombifolia. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Das partes aéreas e folhas de S. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. onde são encontrados em abundância. 1998). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. distribuídas em onze diferentes gêneros. nos quais se distribuem 1. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. Franzotti et al. exceto Bacillus subtilis. 1998. e o gênero Theobroma. Sterculia. de grande cultivo em jardins. C. Do infuso de S. V. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1997). do valioso Cacaueiro Joly 1998). não foi observada atividade mutagênica (Sugai. 1996).500 espécies tropicais. todos típicos de cerrados e campos. Drena As raízes de U. Na região . Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. 1992). vulgarmente chamada de Guaxuma. Bianchi et al. F. cordifolia (Malva-branca). Segundo Barrozo (1978).são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. poucas em áreas temperadas. 1998. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1988. et al. 1988b). Dombeya. Helicteres e Waltheria. 2001). Fernandes et al. carpinifolia. incluindo árvores e arbustos.

O nome do gênero. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. com ramos longos. significa "manjar dos deuses". duas das mais importantes e valiosas espécies. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. Em tribos indígenas amazônicas. grandes e vistosas. vermelho-escuras. O gênero Theobroma. com brácteas linear-lanceoladas. medicinal e alimentar. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. ex Spreng. 1988). com estipulas caducas. flores que brotam dos galhos. Cupu-assu. grossos e tomentosos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bem como nas comunidades locais da Amazônia. 1991). o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. fruto do tipo capsular grande. de valor econômico. liso e escuro (Figura 11. oblongolanceoladas.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica.) Schum. Theobroma. Dados botânicos Arvore de grande porte. ou por suas variantes: Cupuaçu. no Pará (Amorozo & Gély. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. ovóide. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. 1990). para o tratamento de diarréia. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. folhas com pecíolos curtos e carnosos. pedunculadas. e o chá da sua casca. descrito por Carl Linnaeus. Copoaçu. .5). Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu.

speciosa possui ácido 1. 1979). fasciculadas.6). cafeína (Maia et al. globulinas (Voigt et al. 1986).3. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. vermelho-escuras. teobromina. (Figura 11. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. M.Theobroma speciosa Willd. denominado Theobroma cacao L. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T.. T. Chocolate. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. mirístico. folhas com pecíolos longos. 1977). Já a espécie T. albuminas. Dados botânicos Árvore de porte médio. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. 1989). flores dispostas no caule. inteiras. oblongolanceoladas. ácidos esteárico..e tri-insaturados (Costa. tripsina . palmítico. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. oléico e linoléico. fruto capsular ferrugíneo. et al. inibidores fenólicos da a-amilase. como a T. com ramos curtos. 1993). cacao. 1992a e 1992b).9-tetrametilúrico. 1970. ex Mart. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. até 10 m de altura. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos.. Pagonini et al.7. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. contêm flavonóides (Jalal & Collin. Cacaoyer. Outras espécies desse gênero. glicerídeos di-saturados. Cacao azul. Criollo. Kakao. Caca-y. mono. Cacao forastero. no Amazonas. grandiflorum). Dados da medicina tradicional Na região amazônica..

2%). bicolor e T. Em T. ácido ecosadienóico. 1994).9%). Alcalóides purínicos (cafeína. 1986). A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. porém. simiarum. Além de açúcares totais. nerol.37 a 1.74% (SantAnna Tucci et al. 1987). (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. longifoleno e citronelol (Erickson et al. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. T. dentre os quais o óxido de linalol (12. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. O T. T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. Porém. e T. gorduras (Malini et al. antocianinas. (-)epicatequina. 1986).. 1996). bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. xantinas e lipídios. 1991). ácido araquídico. cacao.. taninos. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. cacao foi caracterizado como de 190. flavan-3-ols. augustifolium. quercetina3-0-glucosídeo. O índice de saponificação da T. quercetina e esculentina (Bastide et al. Os alcalóides teobromina. bicolor e T. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. cacao e também em T. 1996). Esse constituinte também ...5%) e o isoeugenol (8. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. 1989). ácido cítrico. 1987). procianidina B2.. subincanum. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. 1991).. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. augustifolium (Sotelo & Alvarez.. Em T..7% a 57. 1995). 1994). diferentemente do T. teobromina.. 1991). pela presença de ácidos graxos. tais como ácidos palmítico. mariae. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados.(Quesada et al. ácido lático. taninos condensados. cacao consistem de 78 componentes. T. derivados do ácido hidroxicinâmico. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. que variou 50. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. speciosum. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. As essências florais de T.6%. geraniol.

cacao apresentou um efeito vasodilatador. cafeína. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1997). 1997. 1989). 2002). 1992a e 1992b). 1997).. análoga à manteiga de cacau. e a proantocianidina.. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. 1970.. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al.. . teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek.. M. 1997).. 1992). amido.. et al. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. fenóis e taninos. Melzig et al. 1997). As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. cacao (Gurney et al. 2000). uma atividade analgésica (Santos. cacao (Yamagishi et al..pode ser encontrado em culturas de tecidos de T.. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. Paganini et al.. isolada dessa espécie vegetal. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 1997. proteína. clorofila. 1997). Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. Sanbongi et al.

serrilhadas. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. de até 13 m de altura. agudas no ápice e oblíquas na base. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. os gêneros mais comuns são Luehea. da planta Pau-de-jangada. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. 1998). com o nome de Curumin-nhapuá. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. muito conhecida na região amazônica Joly. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. 1978). folhas curto-pecioladas.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. de numerosos estames livres. Espécies medicinais Muntingia calabura L. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. No Brasil. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. e Apeiba. raramente ervas ou lianas (Mabberley. 1997). Dados botânicos Árvore de porte médio. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. oblongolanceoladas. Triumfetta. que a referiram como medicinal. . sendo a maioria de árvores e arbustos. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins.

antiespasmódicas (Corrêa. indeiscente.3%). sesquiterpenóides (10.3%).4%). kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. aqui descrita como medicinal.dispostas em pedicelos axilares. dos quais predominaram alcanos (44. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. Do extrato citotóxico das raízes de M. Dos frutos de Aí.6%) e derivados furanos (8. ovário 5-7 locular. 1991). Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. calabura foram isoladas Havanas. .5%) e compostos carbonil (23.7%). e salicilato de metila. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie.9%).3%) os mais significativos. quercetina.. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. vermelho. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. 1984). alcanos (15. inúmeras sementes (Figura 11. 1990). ésteres (26. A casca é emoliente. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. arredondado.7). compostos fenólicos (11.3%). denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. calabura L. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. e as flores. fruto do tipo baga. sendo ésteres (31.

1998. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11.

FIGURA 11. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens - .2 . 1984).Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.3 .FIGURA 11.

4 .Sida rhombifolia var. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.

5 .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .

6 .Theobroma speciosa.FIGURA 11. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

FIGURA 11.Muntingia calabura.7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .

C. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. e o importante gênero Urtica. Cecropiaceae. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. Ulmaceae e Barbeyacea. A. e o segundo. das quais as famílias Moraceae. Da família Cannabaceae. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Di Stasi L N. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. Cecropiaceae e Moraceae. fonte da maconha (Cannabis sativa). por esse fato. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. As outras duas famílias dessa ordem. fonte de substâncias também tóxicas. amplamente conhecida como . cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta.12 Urticales medicinais L. Seito C. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Em duas delas.

Arvore-da-guiça. Ambaíba. de Lixa. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Ambatí. Com esse novo arranjo. Toréin. folhas grandes. Ibaíba. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Ibaituga. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Ambaitinga. . lactescentes. peitadas acima do centro.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Embaúba. Imbati. alternas e protegidas por duas estipulas. e a espécie Sorocea bomplandii. Musanga. referida com adulterante da Espinheirasanta. Figueira-de-surinam. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Imbaubão. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Arvore-da-preguiça e Torém. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Ambahú. Ambaí. Myrianthus. Outras denominações populares são Aimbahú. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Pourouma e Cecropia. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Poiküospermum. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. longopecioladas. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba.

adenopus. 1985). C. 1994). Kerber. A. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. Na espécie C. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. As folhas. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. frutos nuculares.. ecoar". O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. formando infrutescências inclusas (Figura 12. 1984). 1996). catharinensis.. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. Santos. R. R.. Das raízes de C. . apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Mal de Parkinson.. unilocular. et al. antililiásica (Domingos et al. 1996b). reunidas em densas inflorescências. filho da Terra. meio homem e meio serpente. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. et al. 1992. Em C. que significa "chamar.flores pequenas de sexo separado. F. hidropisia. Na região do Vale do Ribeira. Das folhas de C. 1986. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. C. a raiz é considerada útil contra tosse.1). a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. usados na fabricação de instrumentos de sopro. Nas folhas do extrato de C. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. asma. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. indicada popularmente como antiinflamatório. 1998). não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. do grego. gemas e brotos são adstringentes.. 1986). et al. A. carpelar. 1984b). A... bronquite e gripes fortes. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. muitas delas de ocorrência no Brasil. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. lyratiloba (Menda. 1983).

No Brasil. distribuídas em 38 gêneros. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. que incluem árvores. Dorstenia. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. Morus. 1988). 1993 e 1996a). 1998.depressora do SNC. Astocarpus e Sorocea. espasmolítica (Delia Monache et al. 1998a e 1998b. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. Rocha et al. isolada de espécies deste gênero. arbustos. 2001). A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. 2002). Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. 2001).. característica marcante da maioria das espécies dessa família. compreende 1. descrita originalmente por..) Burger. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. distribuídas em 28 gêneros. A cecropina. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. com inúmeras espécies usadas como ornamentais... Em outras re- . analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. 2001). e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. antiulcerogênica (Cysneiros et al. 1992).. 1997). efeito depressor do SNC. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. antidepressiva. Johann Heirinch Friedrich Link.. na Mata Atlântica.. lianas e ervas (Mabberley.. dos quais se destacam: Ficus.. ansiolítica (Barettaetal. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill.. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex.100 espécies tropicais e poucas temperadas. 1988. de Espinheira-santa. Rocho et al. Cysneiros et al. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. a família conta com aproximadamente 340 espécies.

Folhas-de-serra. fruto do tipo baga. quando não está em época de floração. Calixto et al. 2001. Soroco.. especialmente na Mata Atlântica. chegando a 10 cm de comprimento. ciófita. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. folhas simples. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias.. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Canxim. com tronco ereto. Resple. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. Trata-se de uma espécie perenifólia. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. cilíndrico. 1993). Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. Recentemente. Gonzales et al. A espécie é latescente. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. 1993). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Carapicica-de-folha-miúda. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. Laranjeira-do-mato. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Flavonóides foram isolados de S. Araçari. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas).. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. da família Celastraceae). os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. bomplandii (Ferrari & Delle Monache.. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura.giões do país a planta é chamada de Cincho. bomplandii. de casca fina. especialmente da Mata Atlântica. 2001. de face superior brilhante e inferior opaca. ilicifolia e S. .

Reis). b) detalhe da folha. 1998.1 . c) inflorescência. d) flor feminina. S. (Banco de imagens .FIGURA 12.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Santos L. 1978). arbustos. Guimarães C. a maioria cosmopolita. 1997). Souza-Brito E. Das centenas de gêneros. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. com aproximadamente 1. Thymelaceae e Euphorbiaceae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. é urgente uma revisão da família. lianas ou ervas. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. M. M. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. M. comumente com células especializadas na produção de látex. A família Euphorbiaceae. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. C.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. segundo Mabberley (1997). A. compreende 313 gêneros. No Brasil. Na família ocorrem árvores. Hiruma-Lima A. R. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. a família é representada por 72 gêneros. . Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae.13 Euphorbiales medicinais C.100 espécies.

Jatropha e Croton. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. icterícia e malária. ervas e arbustos. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. flores de sexo separado. e outras. especialmente em Phyllanthus. febres. sementes ricas em endosperma (Figura 13. pecioladas. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. atualmente cultivada em vários países. problemas hepáticos. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros.devemos destacar Ricinus. folhas simples. dos quais referimos algumas espécies a seguir. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. da valiosa Mamona. separando-se em três cocos. Mabea. pela semelhança das sementes com esse animal. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. sendo algumas árvores. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. espécie rica em óleo de rícino. com limbo dividido em lobos ou segmentos. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. peninérveas. fruto seco. estipuladas. Pedilanthus. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato".1). Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. lanceoladas. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. esquizocárpico. a maior produtora de borracha. verdes. Do gênero Euphorbia. enquanto a infu- .

glabras. peninérveas. reunidas em inflorescências racemosas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. é útil contra hepatite. palminérvias. de Sacaquinha. lanceoladas. atingindo até 4 m de altura. Pinhão-de-purga. Pinhão-manso. nodoso. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. lobadas. no Ceará. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. flores unissexuadas. fruto seco. a Sacaca. folhas simples. mas também de Peão. Croton sacaquinha Croizat. Nomes populares A espécie é chamada. Pinhão-do-paraguai. Pinhãodos-barbados. com ápice curtamente acuminado e base cordada. separando-se em três cocos. reunidas em inflorescências paucifloras. esquizocárpico. flores de sexo separado. longo-pecioladas. sementes ricas em endosperma. membranosas. com brácteas . Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. no Pará. folhas alternas. amarelo-esverdeadas. e Mandobiguaçu. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. Maduri-graça. grandes. de caule grosso. na região amazônica. Pião. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. pequenas. lactescente. estipuladas. curto-pecioladas. Pinhão Pinhão-branco.são das folhas.

gineceu com ovário glabro e estigma bífido. esta passa a ser comestível e saudável). após a retirada do embrião. o látex é aplicado externamente. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. assar a polpa na cinza. constipação nasal e como purgativo. Mamoninha. assim como para constipação nasal. sementes escuras. coriáceo.. Peão-curador.lanceoladas. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). colocar no café e banhar a cabeça). o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. lisas. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. As sementes são eméticas (Corrêa. Peão-pajé. Raizde-téu. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. enquanto as sementes. 1982). gengibre amassado. O nome do gênero Jatropha.2). Pião caboclo. Erva-purgante. no Pará. partir e tirar a "folhinha". contra feridas (Amorozo & Gély. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. gripe (descascar a semente. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). deriva do grego iatros = "remédio". 1984). Pinhão-roxo. 1988). são torradas. Jatropha gossypifolia L. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. dez estames. Arg. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. secar até ficar fria. Batata-detéu. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. elipsóides e oblongas (Figura 13. . Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. fruto do tipo capsular.

útil nas obstruções das vias abdominais. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. o banho. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. Em Brasília. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. fruto capsular. trissulcado. dispostas em cimeiras paniculadas. flores unissexuadas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . Mabea angustifolia Spruce ex Bth. No Pará. com folhas alternas. e as folhas na cabeça. lineares. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. 1982). na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. o chá das folhas é usado como antitérmico. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari.3). 1984). ramosa. roxas. 1988). que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. contra feridas. O nome do gênero Mabea. grandes. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. palmadas e limbo dividido em lobos. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. folhas pecioladas. cálice com cinco pétalas. no Piauí (Emperaire. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. 1982). as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. contra "mau olhado". A planta é purgativa. glabras e estipuladas. escuras e com pecíolos pubescentes.

folhas com limbo. sementes minúsculas (Figura 13. alternas.Aublet. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. descrito por Carl Linnaeus. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico.4). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. distribuídas na América tropical. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. com ramos glabros. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. cápsulas pequenas. incluindo as raízes. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. significa "flor na folha". Phyllanthus corcovadensis Muell. O nome do gênero Phyllanthus.5 m de altura. é usada como diurético e contra . enquanto a infusão de toda a planta. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. 1984). flores de sexo separado. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Na região do Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. ramificada. flor masculina fasciculada com três estames. estipuladas. Arg. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. que atinge até 0. Dados botânicos Planta de pequeno porte. trissulcadas. Na região amazônica.

Kubo et al.. além de ser usada contra pedras nos rins. . dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. 1982). Maciel et al.. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. é útil contra problemas do fígado. O óleo essencial das cascas de C. 1.. 1986). desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. de ácido aleuritólico (Muller et al.. 1998). é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. beta-cariofileno. Posteriormente. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1989). cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. 1979.dores de barriga. 1991). 1990.. Em Minas Gerais. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. e os principais constituintes são alfa-pineno. transcrotonina. A infusão das folhas. alfa-humuleno. 1989. Das cascas de C. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C.. 1992).. 2000).8-cineol.

limoneno e outros. metileugenol. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona.. acetato de propila. 1993a). Os constituintes voláteis isolados de C. 1994). 3. acetato de 3-metil-butanol. eucaliptol. hovarum: a 3a. 1996). De C. e chiromodine (Weckert et al. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. linalol. 1996). A composição do óleo essencial das cascas de C. a levatina (Moulis et al. p-cimeno. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.. estragol.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. gama-elemeno. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. sitosterol. glandulosus. a C. glandulosus (Neto et al. 1992b). betabourboneno e gama-cadineno. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. e das folhas de C. e de C. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. e das cascas do caule de C..14dien-9-al e 3a. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. Além disso. foi determinada. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. cânfora. lechleri foram: acetato de etila. 4-hidroxifeenetil. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. 3. 1995).. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. 4b-dihidroxi-15. propionato de etila. 2.4-dimetoxifenol. ludianus possui 1. 1992)..14-dieno.4-dimetoxibenzil.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). 1993b). alfa-guaieno. .. Das folhas de C.. mirceno.3. gama-elemeno.cadideno.. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. cadineno. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. allo-aromadendreno e torreyol. lechleri foi isolada a sinoacutina. acetato de 2-metil-butanol. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. enquanto germacreno B. aubrevillei J. 1992)... alfa-ilangeno. o óleo de C. a printziano e um norclerodano (Siems et al.4b-dihidroxi-15. zambesicums Muell.8-cineol. lundianus e a C. metil isoeugenol.4. alfa-cubebeno. 1992). cortesianus foram isolados o clerodano. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários.6-trimetoxifenol. 2-metil-butanol. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1.5-trimetoxibenzeno.. C. Das partes aéreas de C. Porém. 1996). 1995). alfa-humuleno.

draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. C. nobiletina. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 1995). ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al.. curcas foram isolados ainda as latiranas. 1986) e C. riangularis (Moura et al.7b-dihidroxiannoneno e 6a. argyrophylloides (Monte et al. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. enquanto alcalóides foram encontrados em C.. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. jatrofina. 1992). 1993)..6-diona. 1986).. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.. 1988). jatroolona A. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al.5. tomentina. b-sitosterol. 1976). . eluteria foram isolados sesquiterpenos. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C.De C. Jatropha Das raízes de J. 1991).. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. De C. caniojana. De J. 1991). 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. gossypifolios (Cespedes et al. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. stigmasterol. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. a seco-labdane (Schneider et al.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al.. e de C. os triterpenóides jatrofolona A. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol.3'.. 1992). 1991a). e das cascas de C.. 5hidroxi-6. hemiargyreus (Barnes & Borges. taraxerol.. taraxerol. 6a. Compostos terpenóides foram isolados de C. ésteres e cetonas não-terpenóides. e das folhas de C. diasii (Alvarenga et al. 1992).7-dimetoxicoumarina. eudesmanos. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. jatrofol. 1996). castaprenol-11. 1994). macwstachys (Herlem et al. Do óleo de C. beta-sitosterol (Chen et al. Das raízes de C.. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. Das partes aéreas de C.7. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. jatrofolona B... 16hidroxijatrofolona. jatrofolona B. 1996). 1981).

. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. 1986). curcas. respectivamente (Raina & Gaikwad.60%.. 1983).9%. denominada curcina (Costa.. 0. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. 1988). isoorientina. De J. Auvin-Guette et al. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. 1990). caniojanae 1. elbae. J. 1997. 1997).15% e 15% de ácidos graxos saturados. alanina (28. podagrida apresentaram 24%. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. Do látex de /. mollissima foram isoladas orientina. J. saponinas. ácido linoléico (Nasir et al.. valina (18. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. 1996b). jatrofolona B.. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona.. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al.98%). ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al.. 1990). De J. 1988).. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. Do caule de J. Das folhas de J.1997). tlalcozotitlanensis e J. J. ácido esteárico. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.. Teixeira.9%. Dos rizomas de J. e 43. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. 1988.26%. gadaína (Das et al.26% de ácido aracdônico.9%). multifida L. isoleucina (3.94%). os aminoácidos cistina (2.71%). além de outros três derivados diterpenóides.. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. Makkar et al. 2epijatrogrossidiona. De J. 1988). 1987.07%). metionina (13. sendo 0.. pohliana var. ácido oléico. ácido araquídico e toxalbumina. compostos fenólicos. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. esteróides e glicosídeos. 1997). elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. divica foram isolados beta-sitosterol. . 14.. 1996. 1995).. glicina (19.. 1989a e 1989c).11-bisepicaniojana (Jakupovic et al./.92%) e leucina (12. gossypifolia e J. curcas foram isoladas também várias lectinas. Saponinas foram detectadas apenas em J.. foi isolado de seu látex a albaditina. galvani (Guevara et al. bem como o ácido nurístico. Das folhas deJ.30%) (Jain & Garg. 1997). Das cascas da raiz de J. 15. Banerji et al. 1996a) e jatrodiena (Das et al. 1987). 1989). arginina (0. 1989). terpenos. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. Das raízes de J. As espécies. flavonóides. 1988). gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína.1%). Das raízes secas de J. malacophylla. 0.6% de ácido oléico.

Huang et al. 1988. P. Ahmad et al.. Singh et al.. 1988. Singh et al. neolignanas (Satyanarayana et al. Petchnaree et al. P.. assim como os diterpenóides de J. De P.. 1986. 1985). e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1986) e vários outros compostos (Singh et al. Hassarajani & Mulchandani. citral.Da espécie J. 1990). klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. Houghton et al. ácido caféico. gossypifolia. enquanto em P. hidroxiflavanona. 1989a e 1989b. Negietal.. sacarose. 1996). . E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. Singh et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. da qual foram isolados alcalóides. 1988). triterpenóides (Joshi et al. diterpenos.. 1996). virgatus (Babady-Bila et al. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al.. Anjaneyulu et al. 1981).. lignanas (Satyanarayana et al. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. 1977). discoideus. 1996.. 1980 e 1981). 1996. De J... amarus e P. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. simplex. Mensah et al. a mais estudada é a P.. 1997). 1991). Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. timol e carvacrol (Odebiyi.. Yunes et al.. Mabea Do látex do caule de M. 1983. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. 1995). niruri.. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1996. terpenos. flavonóides. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1990. 1989... 1988. 1986. P. 1988. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. ácido clorogênico.. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. Ojewole & Odebiyi.. 1980). cumarinas. levulose. 1988). 1986. Anjaneyuly et al.. 1991)... e dos frutos de M. 1986). glucose e galactose (Hnatzyszyn et al.

. 1995). alkekengi var. Bighetti et al.. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. antiedermatogênica (Campos et al... 1996c).. Z.. Tanaka et al. Li et al. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. calisteginas (Asano et al.. D. 1999a). Tanaka & Matsunaga. Tanaka et al. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. além de taninos (Zang. Farias et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima. et al. francheti foram obtidos cicloheptano. 1999). fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. 1988. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. Das raízes de P.. 1996) e fisalinas (Makino et al.. 1998).. C.. hipocolesterolêmica (Martins et al. 2002. 1996). 1988a.. antidiabética (Silva et al. 1988.. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. nalcanóis. Em P. 2001). . 1995a). antiinflamatória.. HirumaLima et al. 1996). peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. De P.. 1996)... analgésica.. 1996). De P flexuosus foram isolados triterpenos... 1998. cajucara apresentou atividade antiinflamatória.. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al.. olenadienóis. 1988. 1993. antinociceptiva (Carvalho et al.. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. antiestrogênica (Luma Costa et al.. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. et al. 1997). 1996b). mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. 1987.. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. Farias et al. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. myrtifolius. n-alcanos. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. emblica L. 1996). 1988b). De P.De P. 1997 e 1996a). 1989. Lu et al. 1995b).

tiglium (Deshmukh & Borle. 1999b. 1987) e C.. Ao final. M. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . 1985. 1987). A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. C. 1988. penduliflorus (Anika & Shetty. 1980). anticonvulsivante e analgésica de C. rangelianus (Lima et al... lacciferus (Ratnayake et al. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. macrostachys (Mazzant et al. 1993. 1993). presente nos casos de C. mais comumente de C. 1985) e C. inseticida de C.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina.. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina.. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. draconoides e C. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. A DL50. Batatinha et al. Tang et al. 1988a). 1999).. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. zehnteri (Albuquerque et al. tranqüilizante... glabelus (Novoa et al. 2000a e 2002b). rhamnifolius (Silveira et al. C. 1982). lacciferus (Bandara & Wimalasiri.. Costa.. C. 2001). Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. campestris (Lima et al. 1980. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. penduliflorus (Asuku. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. 1986). Chen & Pan..23 mg/kg para crotina II. erythrochilus. et al. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. C. 1988b) e substâncias isoladas de C. 1982). 1984).. C. antiulcerôgenica de C.. 1988) e C. com o uso prolongado (Rodriguez et al.. hipotensora de C.. 1993. lechleri. subtyratus (Kitazawa et al. C.. Luz Paredes et al. para crotina I foi de 0.. anestésica local. Das sementes de C. a ligana 3'. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1983).45 mg/kg e 2. sonderianus (Craveiro & Silveira. 2002a). 1994). 1975). antinociceptiva (Bighetti et al. cajucara (Hiruma-Lima et al. 1988). entre outras.

lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. 1993).. Das raízes de C. antibacteriana e cicatrizante. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. Ao final. 1992). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. betulina e ácidos graxos. Do óleo essencial de C. O extrato etanólico bruto das folhas de C. tonkinensis contêm 0. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. 1994). os alcalóides de C. 1994a e 1994b). A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. As folhas secas de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. 1992. macrostachys foram isolados crotepóxido.32% de alcalóides e 2. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. O efeito de C. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P.. berberina e outros alcalóides desse grupo. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al.. 1995)... 1991a e 1991b). 1992a). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. nardus (Lemos et al. De C. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. berghei (Be &Truong. 1995). Pieters et al. C. 1991).. lupeol. Essa possui isoguanosina..tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters.78% de flavonóides. Ao final dos experimentos. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato.. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al.

. Das sementes de /. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. antiplasmodial (Kohler .. Atividades larvicida (Karmegam et al... haematobium (Rug & Ruppel. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. o alcalóide taspina (Itokawa et al. 1991a). curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.p. 1994)... 1989 e 1991). pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.39 mg pela via i. 1993). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al.. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. 2000).. Ubillas et al. 1992). lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. tanto na prova do campo aberto. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. Os extratos da sementes de C. 1994). Jatropha Das sementes de J. 1987. curcas. 1988).. Do extrato clorofórmico das raízes de C.. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. Do látex de J. curcas foi isolada uma enzima proteolítica... Das sementes de J. 1995). (Huang et al.. 1990) o óleo de C. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. e no retículo sarcoplasmático. 1988). 1989). Hirota et al. 1988. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. a curcaína (Nath & Dutta. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al.. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. 1992. O óleo de C. 1995). Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. 1997) e Schistosoma mansoni e S. 2000). e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. 1991).. Do látex de C. tiglium (Fanetal.9%) (Liberalino et al..

O óleo das sementes de /. De /. Dessa espécie foi isolada a jatrofona... Esta mesma atividade foi observada em J. Das raízes de J. 1990. gaumeri (Sanchez-Medino et al. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. 1996).. cilliata foram isolados isoorientina e orientina.. . 1987). espasmolítica (Trebien et al. De J.. 1992).. As folhas de J. De J. 1993). 1992b e 1996). 2001). 1996. F.. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. 2001).. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al.. antiespasmódica (Silva et al... 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. glauca (AlZanbagi et al. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1992a. et al. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. 1997). P. M. e de J. A J. O látex de /. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona.. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. 1996). 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1996).. zeyheri foi isolada a jaherina. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1996). que é moluscicida (Santos & Sant'Ana.et al. Dutra et al]. et al. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al.. J. 1996). Santos et al. 1987) e tóxica (Brum et al. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al.. 1987) também foram caracterizadas em J. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. 1996).. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al.. isabellii foi isolada a jatrofona. 1994). multifida.. curcas. De J. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al... 1996). usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. curcas foram isoladas curcusonas A e C. 1987b). 2000). 1998).. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /.

.. Di Stasi. Além disso. De P. Gorski et al.. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. 1993. campesterol e fitosterol (Santos et al. 1995). Além disso. diurética. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1995)... 1988).. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina.. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar.. Shimizu et al.. 1996a).. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al....Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1988). 1985 e 1986b. 1992). 1996). e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. 1987). corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al... Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. 1984. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. 1995). 1989). 1994). 1985). mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. Ribeiro et al. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 2000). Santos et al. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al.. 1987). 1988. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.. 1995). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. 1992. O extrato hidroalcoólico de P.

1996. 1991).. 1996). que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al... 1996). ácido brevifolincarboxílico. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian.. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1990.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. ácido elágico. Roy et al. 1988). Foram caracterizadas.. 1997).. 1996). O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al.. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1995). ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al.. quercetina. niruri e P urinaria (Santos et al. ácido gálico e ácido protocatecoico. 1996). Sane et al. 1994). de P urinaria. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. corilagina. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. .. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. 1996). 1996). 1995). e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. 1995)..... 1997a e 1997b). De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al.. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1995). das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1997). caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico..

1993. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. náuseas. 1979). hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. 1991c). A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. 1993. 1979). 1987) e provoca náuseas. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). 1984)... 2000). hipotensão e desidratação. Em casos graves ocorrem espasmos musculares.. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. redução no consumo de água. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). Porros et al. diarréia.. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. Ahmed & Adam. Itokawa et al. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Como conseqüência de seu uso crônico. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. Efeitos como redução no tempo de protrombina. curcas em ratos. podendo causar a morte em humanos. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . 1979). Pieters et al. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. Existem registros de intoxição em crianças de J.. 1995. vômitos e diarréia. mutifida (Levin et al. Quadros de hemorragia anal.. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. Hemorragias internas em diversos órgãos. Torpor. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. e ação estimulante da musculatura lisa. 1986. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman.. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada.. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz.

tiglium (Bauer et al. 1986). 1998) (Banco de imagens ..Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1983. FIGURA 13. nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. Pieters & Vlietinck.(1999).1 .

.2 -Jatropha curcas. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13.

3 . .Jatropha gossypifolia. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.FIGURA 13. Hiruma-Lima).

4 . c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) flor feminina. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .FIGURA 13. 1998).Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.

sendo raramente descritas epífitas. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. e Elatinaceae. É composta por árvores. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias.14 Guttiferales medicinais C. algumas delas de valor medicinal. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. arbustos ou ervas. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. No Brasil ocorrem 21 gêneros.370 espécies. gomas. . No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. 1978). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. óleos essenciais e resinas. pigmentos. C. Clusia. A. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. 1997). Hiruma-Lima L.

com distribuição restrita à América tropical. descrito por Domingos Vandelli. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. a maioria é fornecedora de resinas. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. martiana foi observada a presença de sitosterol.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. euxantona. como Picharrinha. friedelina. madagascina. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . damagascina. 1990). ácido betúlico. com ocorrência em formações secundárias. foi dedicado a Visme. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. Em V. O nome do gênero Vismia. No Brasil. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. também chamada de Lacre. damaradienol. Em outras regiões. e várias têm valor medicinal. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. sendo facilmente cultivada. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. ácido crisofânico. e algumas na África. as folhas são simples. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. pecioladas. O tronco ereto possui casca grossa. opostas e com borda inteira. coriáceas. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. Trata-se de uma espécie semidecídua.

1997). O extrato etanólico da folhas.5'dimetoxisesamina (Camele et al.japurensis Rich. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. vários triterpenos. magnoliaefolia. 1993). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha.. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. 2000).. 1996). 1999). 1996). 1995).. Das raízes de V. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. conhecido popularmente como Lacre. 1983). micrantha foram isolados xantonas. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. 1994).. cayennensis.e a ferruginina (Pasqua et al. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al.. indicado para dermatofilose. da planta fresca (Tokarnia et al. De Vistnia caynnensis. 1999) em V. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central.. benzofenonas (Fuller et al. p-o... 2-isorenilemodina e 5. 1979). 1995. Os extratos hidroalcoólicos.. Em V. e em V. como a friedelina. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1982).. vulgarmente chamada de Pichirina. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. et al.. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr... flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. . Porém. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. Moracelli et al.

Nessa família ocorrem 33 gêneros. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. arbustos e lianas. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. sendo a maioria árvores. Rapania e Cybianthus. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. A. ainda não identificada completamente. . 1997). Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. C. Theophrastaceae e Myrsinaceae. nos quais se distribuem 1.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. descrita por Robert Brown.15 Primulales medicinais L. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Di Stasi C.

flores pequenas. androceu com cinco estames opostos às pétalas. dispostas em racemos. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". curtas. ramos. folhas alternas. . Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. ovário supero. flores e frutos. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. sem estipulas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã.Espécies medicinais Cybianthus sp. diclamídeas. actinomorfas. reunidas em inflorescências axilares. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. e anthos = "flor". Não foram encontrados sinônimos para ela.1). inteiras.

FIGURA 15.1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .Cybianthus sp.

A. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. anemia e distúrbios da tireóide. gripes e bronquites. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. Na região amazônica. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). . essas espécies não foram referidas como medicinais. C.16 Capparidales medicinais C. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. Para a espécie Nasturtium officinale. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Hiruma-Lima L. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. no entanto. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. além de seu consumo como condimento. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira.

tem valor medicinal na região amazônica. 1997). descrita por Antoine Laurent de Jussieu. arbustos ou pequenas árvores. que atinge até 1. Os principais gêneros são Cleome. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies.5 m de altura. descrita a seguir. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. com seus representantes incluindo ervas. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. que justifi- .Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. com muitas flores rosas e bonitas. inflorescências terminais bastante vistosas. 1978). Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). Capparia e Maerua. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. e a espécie Cleome latifolia. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. raramente são descritas lianas (Barrozo.

além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. são cultivadas e usadas como ornamentais.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. e das partes aéreas de C..7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. 1990). 1997) e glicinebetaína. isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. 3. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.7-di-O-ramnosídeo (0.. 1996). Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al..0075%). incluindo a Cleome latifolia. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al.. um trinortriterpenóide dilactona.0025%). kaempferitrina (0. 1997). 1988) e um diterpeno macrocíclico. 1995). o ácido cleomaldéico (Jente et al. kaempferol. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. O extrato metanólico da planta toda de C.. 1990).0013%). O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. 1986). droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo..cam seu uso como ornamental. viscosa apresentou um .. Várias espécies desse gênero. 1987). um flavonol. 1990). a isoramnetina 3. De C. Das sementes de C.06%) (El-Din et al. os flavonóides artemetina (0..... Dados da medicina tradicional Na região amazônica. De C. 1997b). 1997) e triterpenos (Harraz et al. bonanzina (0. a diacetoxibraquiicarpona.

gynandropsis Samy et al.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. Chrysantha (Hashem & Wahba. . 1999). 1996). 1999).. 1995). além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al.. De C. 1970).. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. 1993. 1992). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al.. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. popularmente conhecido como Mussambé. 1995b).. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa... 1995a) e antioxidante (Selloum et al. viscosa (Samy et al.. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp.. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. 2000) e C... A espécie C. C. 1996).6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. Lemos et al.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

C. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. . Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. No entanto. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Rubus e Prunus. Di Stasi C. Crassulaceae. A. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Saxifragaceae.17 Rosales medicinais L. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Pittosporaceae. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Na região amazônica. com inúmeras espécies medicinais. a qual descrevemos a seguir. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. espécies dos gêneros Spiraea. e de Rosaceae. 1978). a qual foi identificada apenas até o gênero. em razão do uso prioritário da planta como frutífera.

com cerca de 460 espécies tropicais. flores pequenas. Espécies medicinais Hirtella sp. incluindo árvores e herbáceas. peninérveas. Os principais gêneros dessa família são Licania. estipuladas. referindo-se ao tipo de pilosidade. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. Chrysobalanus e Hirtella. inteiras.1). o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. onde ocorrem 120 espécies. cálice gamossépalo com cinco lacínios. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. zigomorfas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. alternas. fruto do tipo drupa. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. folhas simples. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. sépalas e pétalas livres. cíclicas. muitas delas usadas para a produção de carvão. diclamídias. ovário unilocular. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. corola com cinco pétalas. . segundo Barrozo (1978).

que inclui. Agrimonia e Fragaria. com aproximadamente 1. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. no que se refere à farmacologia. 1997). No Brasil há poucas espécies. • Maloideae. primeira substância a ser comercializada como medicamento. e raiz bifurcada para as mulheres. com destaque para o gênero Spiraea. ou frutíferas. Normalmente são árvores de pequeno porte. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais.825 espécies subcosmopolitas. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. como é o caso das espécies do gênero Rosa. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. da histórica Spiraea ulmaria. do gênero Frunus. Potentila. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. os gêneros Crataegus e Malus. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. a maioria nos gêneros Prunus. ralada. é utilizada como afrodisíaco. a famosa aspirina. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. da qual foi isolado o ácido salicílico. também se utiliza o chá contra reumatismo.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. Rubus e Quijala. como a . com destaque para os gêneros Rubus. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. arbustos e ervas (Mabberley. compreende 95 gêneros. e • Prunoideae. toxicologia e química. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. entre outros. • Rosoideae. encontradas em climas temperados. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais.

. Espécies medicinais Prunus domestica L. e contra diarréias. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Ameixa. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. carnoso. a decocção das folhas é usada contra dores. Nomes populares Na Mata Atlântica. fruto do tipo drupa. especialmente de cabeça. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. Cereja. doce e com uma única semente. que existe em grande número. Morango (Fragaria). solitárias e/ou geminadas. comestível e saboroso. ásperas. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. dispostas em fascículos do tipo umbela. com folhas alternas. 1998). Groselha e Moranguinho (Rubus). enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. em latim. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. de margem serrada. Marmelo (Cydonia). O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. O nome do gênero corresponde a "ameixa". Damasco. lanceoladas. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia.Maçã (Malus). e a infusão dos frutos. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. flores vistosas brancas. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Pêra (Pirus). assim como em várias regiões do país. pendente. Pêssego. dependendo da variedade. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil.

laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.1 .. 2002.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. Nakatani et al.. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). 2001). FIGURA 17. 1978) (Banco de imagens • . 2001). 2001).Sapuntzakis et al.. 2000).

Compreende três subfamílias. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. . A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. Hiruma-Lima A. Guimarães C. 1997). Santos C. M. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. Di Stasi E. C.18 Fabales medicinais L. medicinais. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. arbustos. M. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. A. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. dependendo do arranjo sistemático adotado. incluindo árvores. R. M. lianas e ervas. ornamentais.

C. bonducella. que inclui o gênero Bauhinia. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. J. angustifolia e C. as quais descrevemos a seguir. pulcherrima. C. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). Caesalpinia pulcherrima. dentre as quais C. Dalwits. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. das quais se destacam as espécies C. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. a saber: Caesalpinia férrea. Dialium e Senna. Cassia occidentalis.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. • Cassieae. que inclui o gênero Copaifera. que inclui o gênero Caesalpinia. que inclui os gêneros Cássia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. • Cercideae. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. Cassia multijuga. todos contendo várias espécies de valor medicinal. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. 1997). • Detarieae. C. sapan e C. senna. . occidentalis. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). bonduc.

Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. onde ocorre em áreas úmidas. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. heliófita. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. com grande abundância na Mata Atlântica. É amplamente utilizada como ornamental. Por ser de rápido crescimento. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. flores intensamente brancas. bastante espinhosa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Mororó.1). assim como em quase todo o Brasil. Pata-de-boi e Unha-de-boi. tronco tortuoso ou ereto. . hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. algumas arbóreas e outras lianas. A espécie fornece madeira leve. sempre com acúleos e seus dois ápices. É uma planta decídua. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. folhas glabras. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. vistosas (Figura 18. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. raramente dentro das florestas. usada para produção de carvão e caixotes. dadas as características morfológicas de suas folhas.

enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. São muito comuns duas variedades: a C. A espécie é heliófita. ferrea e a C. casca de jatobá. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. ferrea var. além de largamente empregada como espécie ornamental. é utilizado como . podendo chegar a 15 m de altura. hermafroditas. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. Dados botânicos Arvore de grande porte. Jucá. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. é utilizado contra asma e bronquite. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. Imirá-itá. séssil. ferrea var. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. leiostachya. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. folhas bipinadas com folíolos oblongos. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. quase reto (Figura 18. ovalados ou obovais. dez estames. após aquecimento. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. aquecido até formar um xarope. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. além de ser empregado como fortificante para crianças. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. Muirá-obi e Muiré-itá. fruto levemente estipitado. Suas folhas. com tronco liso e cerne duro. na região amazônica. especialmente de ruas e avenidas. Nomes populares A espécie é denominada. botânico italiano.Caesalpinia ferrea Mart. ultrapassando o cálice gamossépalo. folhas de manga. flores diclamídeas. açúcar e água. na forma de decocto. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. ao passo que o preparado de casca de jucá. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino.2).

glabros. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. e em Alagoas. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. a decocção das raízes é usada como antitérmico. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. na região. Considerada de origem antilhana. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1984). 1984). vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. . Nomes populares A espécie é denominada. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. asma e como cicatrizante (Campêlo. sobretudo como cerca viva. Espécie muito usada como ornamental. contra tosse crônica. com até 10 cm de comprimento. A vagem crua é útil contra tosse. No Piauí. bipinadas. especialmente bronquites. com folíolos ovado-oblongos. 1982). do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. Baio-deestudante. inflamações do fígado e baço. resfriados e tosses. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. flores grandes e vistosas. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. Chagueira ou Barba-de-barata. também é chamada de Flor-de-pavão. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Flor-do-paraíso. 1982).) Sw. Caesalpinia pulcherrima (L. pois floresce quase ininterruptamente. Na região da Mata Atlântica. internamente. folhas compostas.anticatarral. Em outras localidades do país. além do uso comum contra gripes.

. dado à falsa canela. amarga. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. descrito também por Carl Linnaeus. heliófita e pioneira.3). sendo uma planta decídua no inverno. estipuladas. Cassia multijuga Rich. febrífugas e venenosas. Segundo Corrêa (1984). Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. A espécie ocorre em todo o Brasil. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. tendo propriedades tônicas. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. com rara ocorrência dentro de florestas. em doses elevadas. lenha e carvão. a raiz é acre. obtusos no ápice e com base irregular. abortiva. purgativos. folhas pinadas. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados.como emenagogo e abortivo e. excitantes. as folhas e flores são usadas como tônicos. odontálgicos. casca lisa e cinzenta. externamente. largo e achatado (Figura 18. o fruto é do tipo vagem reta. além de ornamental. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. O nome do gênero Cassia. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. quando em grandes doses. atingindo até 10 m de altura. a casca é considerada emenagoga e. brinquedos. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. deriva do grego Kasia. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. Em outros locais do país. pela beleza da planta na época de floração. febre e como purgativo. febrífugos.

dispostas. diurético e colagogo (Gavilanes et al. gripes. infecções gerais. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. verde-escuros em ambas as faces. racemos axilares.Cassia occidentalis L. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Segundo Emperaire (1982). a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. ramos quase cilíndricos. flores grandes.4). febre. achatados. resfriado e diarréia (Grandi et . Lava-prados. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Outras denominações são Folha-de-pajé. folhas alternas. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. assim como em outras regiões do país. Mamangá. curto-peciolados. estipulada e com glândulas na base. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. laxativo. frutos do tipo vagem glabra. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Tararucu. no Piauí a infusão do caule. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. Maioba. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. amarelas. Mata-pasto. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Manjerioba. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). paripenadas com ráquis comprida. Em Minas Gerais. com caule lenhoso na base. no Brasil é espontânea nas pastagens. Rioba. é indicada popularmente como antitérmico. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Majerioba. gineceu com ovário piloso. beiras de estradas e próximo a culturas. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Ibixuma. Lava-pratos. Na região da Mata Atlântica..

as raízes são consideradas um tônico. No Panamá. erisipela e tuberculose. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. desordens do trato urinário. 1982). sudorífico. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. Na Índia. nos desarranjos menstruais. 1970). 1994). febrífugo e diurético. Em outras localidades do país. 1988). Além disso. mordida de escorpião. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. preparadas como o café. estômago. Na Amazônia peruana.. na forma de cataplasma.. . Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. como vermífugo (Nagaraju et al. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. como antiinflamatório e. na asma. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. problemas hepáticos. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. 1990).. A espécie C. as raízes são consideradas diuréticas. No Rio Grande do Sul. é utilizada contra doenças do fígado. diurético.al. 1990).. 1986). mas também são utilizadas contra tuberculose. Cassia reticulata Willd. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre.. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. doenças venéreas. malária. reumatismo. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. tinha e hemorróidas. febrífugo. emenagogo. dores menstruais e uterinas. No Peru. internamente. purgativo. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. e para constipações em bebês (Gupta et al. anemia. 1979). as sementes. No Brasil. como Mata-olho. 1985). rins e bexiga (Simões et al. são utilizadas contra asma. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. inflamações nos olhos. reumatismo.

Hymenaea courbaryl L. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Jatai. Jutaí. fruto doce. Jatobá-de-porco. Também é chamada de Jatobá-mirim. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. nome dado à planta em quase todo o Brasil. marrom. dispostas em cimeiras terminais. negras. brilhante. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. com 6 a 15 cm de comprimento. flores brancas vistosas. os frutos são vagens delgadas. com casca dura. a espécie é conhecida como Jatobá. ápices acuminados. lisos. Jutaí-peba.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Olhode-boi. alternas e pilosas. Jutaí-do-campo. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jatobá-de-anta. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jutaí-açu. como antitérmico e diurético. com até . A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Algarobo. Jutaí-café. tronco ereto e ramos glabros. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Abati-tambaí. Jatobazeiro. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. 1994). farinhento e comestível. folhas compostas. base assimétrica. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. Jatobá-roxo. entre outros. Nomes populares No Vale do Ribeira.

enquanto a madeira é usada na construção civil. 2000). enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica.. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. microstachya (Meyre-Silva et al. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. além do uso contra bronquite. 2000) e os flavonóides kaempferol. Caesalpinia O extrato benzênico de C. sendo usada na arborização de parques e jardins. Yadava & Tripathi. estimulando a digestão e fortificando o organismo. O nome do gênero deriva do grego hymen. com florescimento entre outubro e dezembro. vermífugo.forticata (da Silva et al. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. e a seiva é excelente tônico para crianças. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. é eficaz contra tosses. sedativo e peitoral. ferrea forneceu sitosterol. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. ácidos . A infusão da casca é usada como tônico para crianças. 2001. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. enquanto o xarope da casca do caule.. em alusão aos dois folíolos. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. É uma espécie semidecídua. ácidos palmítico e octacosanóico.15 cm de comprimento. o deus da união. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. especialmente em crianças.

os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al.. 4. 1997). 1983). sappan foram isolados octacosanol. 1997b). 2002). bondenolídeo. 3'-0-metilsappanol. 8metoxibonducelina.. protosapina (Namikoshi et al. a 8metoxibonducelina (Parmar et al..4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. 1983). 4-O-metilepisapanol. 1997). beta-amirina. 6p-cinamoiloxi5a.. beta-sitosterol. 1977). lupeol.. sapanol. episapanol. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1978) e 2. C e D (Peter et al.. bonducelina.. 1978). 1986.. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. 3'-0-metilepisappanol.. 1996). 1987b. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. Das cascas e raízes de C. miricetina. Peter et al. pulcherimina. brazilina (Namikoshi et al. 3'-deoxisapanoI. 1997). acetato de lup-20 (29)en-3beta-il.4benzoquinona (McPherson et al.. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al.. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. sapanona B. Foram isolados os flavonóides: rutina. cianina.9. lup-20(29)-en-3beta-ol. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al.. Das sementes de C. ácido 3. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. 1987e).4. 1973). 1997a). 1997). 8metoxibonducelina. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. 1977). quercimeritrina (Awasthi & Misra.ll. 4-O-metilsapanol. . bonducelpina A. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. B. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. 1985).5-trihidroxibenzóico (Rao et al.6-dimetoxi-l. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. 1987a). leucodelfinidina. 3'-0-metilbrazilin... 1978). Kim et al. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al.. 8. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden..14-didehidro-5a-vouacapenol. quercetina. 1987). Da madeira de C. B. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. 1987c). taraxerol (Yadava & Nigam. 7p-vouacapenediol.... quercetina (Rao et al. alfa-amirina. 1987) e pulcherriminas A. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1954). C e D (Patil et al. De diferentes partes de C.

além de xantonas (Wader & Kudav. Namikoshi et al.. sappan (Namikoshi & Tamotsu. glicosídeos cardiotônicos. 1982). sitosterol. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. vários compostos aromáticos de C. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1997). 1987a). sapanonas a e b. S. a espécie C. episapanol. 1987f). 1988). C. pumila foi analisada. glicosídeos de C. Kitanaka et al. dicopetala (Chowdhury et al.Das raízes de C. 1985). Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. brasilina e protosapaninas A. sappan (Nigan et al. 1986. Na espécie C. platyloba... 1977). sitosterona. caladenia e C. B e C (Namikoshi et al. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. Das sementes de C. C. et al. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. 4-O-metilsapanol. saponinas. Foram isolados alcalóides de C. 1981). Dos frutos de C. 1985). 1995). isoliquiritigenina.. isoflavanóides de C.. 1996). (Kitagawa et al. buteína. 1983). spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh.. sapachalcona. 3-deoxisapanchalcona. glicosídeos (Singh. isolaram-se 1. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. 1996)... ... Fuke et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. occidentalis.. A composição de ácidos graxos das sementes de C. 1996) e de C. 1987d). hintoni (Contreras et al. 1977). C. sapanol. 4-O-metilepisapanol. major foram isoladas caesaldekarinas A-E...8-di-hidroxiantraquinona (Costa. Do Fedegoso. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1987. ácidos linoléico e palmítico de C. 1986). sappan (Saitoh et al. Da madeira de C. cacalaco e C.. Cassia Da espécie C. japonica (Namikoshi et al. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. M. M. 1977.. taninos. digyna (Mahato et al. reticulata.. 1994).

Telange et al. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. além de flavonas (Guptaetal. . 1.. De C. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. pinselina. 1979). 1989). 1986). 1988a). roxburguina. 1987). l. occidentalol-2. Das folhas de C. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1996). crisofanol.. bis (tetrahidro) antraceno.. roxburguina (Ashok & Sarma. 1990). 1987). 1985). 1988b). ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. Das sementes de C. De C. 1978). occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. Das sementes de C.e beta-amirina.. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. De C.7-dihidroxi-3metilxantona. 1987). Singh. mirístico. germicrisona... occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al.. Foram isolados das sementes de C. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. triglicerídeos (Zaka et al. 1987). 1990). Da raiz de C. 1989). enquanto das vagens foram isolados crisofanol. palmítico. & Singh. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. 1987. 1987). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. emodina.. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. dienóico e trienóico (Zaka et al. esteárico e oléico (Alencar et al.. J. 1985). J. roxburguinol e um novo estilbeno. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou... senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. 1977) e os ácidos cáprico. 1986). crisofanol. occidentalol-1. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. occidentalis foram isolados pinselina. 1986. ácidos monoenóico. 1982) e das raízes (Singh & Singh..1987. Das superfícies das folhas de C. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. alfa. 1989a).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. questina.

. além da presença de beta-sitosterol. . que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. 1986). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. 1986). polissacarídeos (Khare et al. 1980) e os ácidos palmítico. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. De C. colesterol. 1988). De C. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1990). Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. Metil palmitato e metil oleato.. De C. além de ácido palmítico. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. 1985). m-cresol.. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. obtusifolina e estigmasterol. Asamizu et al. De C. 1997). 1986)... flavonóides (Wassel & Baghdadi. o senosídeo é o principal desses derivados. e das folhas. estigmasterol. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. 1989). obtusifolia foram também isolados obtusina. ácido crisofânico.. flavonóides (Crawford et al.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al.. crisoobtusina. 1987).. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona.. flavonas. 1979). malválico.. 1989). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1978). o aminoácido histidina (Zhang et al.. obtusofolina. . 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. 1986. oléico e linoléico. 1987) e emodina (Yang & Wang.. fisciona. emodina. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al.Das raízes de C. glicosídeos.. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. flavonóides (Wassel & Baghdadi.. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1984). 1988). 1987. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. 1977). 1988).. 1986). Ishidaet al. succínico e tartárico (Matsuura et al. Nas sementes de C. O perfil fitoquímico de C. oléico. aurantioobtusina. angustifolia não difere muito do de C. 1989). beta-sitosterol e l. questina. linoléico. 1990). antraquinonas (Zhang et al. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. esteárico. obtusina. De C. De C. 1988). 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al.

araquidato de beta-sitosterol. palmitato de beta-sitosterol. De C. 1978). Das raízes de C.. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. Das sementes de C. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. 1990a) e antraquinonas (Messana et al.. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. As cascas do caule de C. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. Das folhas de C. O extrato das folhas de C. esteárico. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. Do óleo das sementes de C. Das cascas do caule de C. glauca foram isolados os ácidos palmítico. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. . beta-amirina. 1981). 1991). 1987b.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. fistula (Cano Asseleih et al. malválico. fistula e das cascas de C. carboidratos. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh.. Das vagens de C.. reina. aminoácidos (lisina. O óleo da semente de C. 1990)...javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh.. 1989a). De C.. behenato de beta-sitosterol. 1990). auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi..senosídeos das folhas de vagens de C. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. triacontano. renigera possui ácidos vernólico. 1990).. 1990). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. 1978). 1988). 1990). linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. javanica apresenta nonacosano.. 1988) e antraquinonas (.. 1977). ácido glutâmico e aspártico. 1988). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. 1988). 1987b). 1987). ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. proteínas brutas. linoléico. Chowdhury et al. triptofano. fistula e C.. 1990a). 1988). arginina. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1987).Ahuja et al. palmitato.. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. emodina. ácido behênico. treonina e leucina). butirospermona. De C..De C. De C. oléico. flavonóides (Srivastava & Gupta.

. 1986). linoléico. palmitoléico.. Sen et al. palmítico. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. estérico. De C.. 1988).Das partes aéreas de C. pumila foram isolados tetratriacontanol. 1985). 2-methoxistipandrona. 1977). beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. De C. 1989). 1987). ácido quelidônico. 1986 e 1987). Das raízes de C. além de alcalóides (Christofidis et al. C. linolênico. emodina e rheina) (Krambeck et al. 1988). Cassia laevigata (Singh. fastuosa foram isolados os glicosídeos.. araquídico e behênico (Khalid et al... 1988).. . Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1977). ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1986. mirístico. 1990). 1997). R. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. spectabilis foram isolados antraquinonas. Cassia javanica (Azero et al. 1989). 1985). holosericea é predominantemente de ácido láurico. De C.. De C. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al.. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. A composição dos ácidos graxos de C.. 1978).. B.. oléico. siamea (Khan et al. 1987). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. 1988). Das folhas de C. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al... 1987). sericea (Muralikrishna et al. Das flores de C. 1988). falacinol e uracila (El-Sayyad et al. Das sementes de C. javanica (Singh & Jindal.. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. (Baba et al. emodina. 1987. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al.. fisciona. De C. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. C.. 1989) e nas sementes de C. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. C.. marginata (Kumar et al.

1998). et al. 1996). 2000).. tarapotensis (Braca et al. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C.. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira.. 2002... et al. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al.. 3- . 1988). 1991). antiinflamatória (Carvalho. 2001.. Rossi-Ferreira et al.. 1991). 1986). 1986). C. 2002a e 2002b). contêm caesalpina P. et al.. 1994. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W... Estudos mais recentes têm apontado C.. E. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C.forficata e B... 1997). Munoz et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. 2001) e antimolarial de B... guianensis (Kittakoop et al. 1990) Lima.. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al.. 1995. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. sapanchalcona. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al.. Bacchi & Sertié. O uso crônico de B. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al... T. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. J. 1995. Amaral et al. Nakamura et al. Os inibidores da aldose reductase. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. antiedematogênica. 1976) e proteínas de C. 1977). candicans (Pepato et al. Lemus et al. et al. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. antimicrobiana (Cebalhos et al. leiostachya (Moura et al.. Extratos de C. A espécie C.. Lopes et al. 2000. C. malabarica e B. analgésica (Carvalho. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. O. O. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. anticoagulante (Milagres et al. 1998). J. 1999). 1996. 1985). 1987). De C.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B.

antibacteriana. Hussain et al.... que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1987. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. Feng et al.. 1962). antifúngica. 1978. De C. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 2001). 1987). in vitro. 1995a).. 1994.. 1996). A brasilina isolada de C. 1989).. antimalária (Gasquet et al. hipotensiva. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1996). 1976) e. 1999).. 1985). occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. . sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. Sadique et al. 1997).. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. O extrato metanólico de C.deoxisapanona. 1993. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1992... antiviral contra hepatite B (Patney et al.. vasoconstritora. Sama et al. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. Schmeda-Hirschmann et al. Caceres et al. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. antiparasitária.. de estimulante uterino (Saraf et al. de relaxamento do músculo liso. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.. hepatoprotetor (Jafri et al. inibitória da hemólise. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. 1997). protosapanina A.. Cassia Nas folhas de C. 1991...

alata quanto C.. 1990). glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). 1984).. De C. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1991). 1990. acutifolia como controle positivo. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. Os resultados finais indicaram que tanto C. As folhas de C. Crawford et al. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos.. pudibunda (Cavalcanti et al. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. O extrato das folhas de C. As antraquinonas de C. 1989). exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. acutifolia. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. As sementes de C.. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1988 e 1989). 1986). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. citotóxica com extratos de C. espasmolítica com subs- . podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. lugustrina (Abhaham et al... obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. garrettiana foi isolada a 3. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al.. 1985). Nas sementes de C.. 1989).5'-tetrahidroxistilbene.Das sementes de C. 1991). A fração polissacarídica de C.pudibunda (Cavalcanti et al.. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.3'. Estudos com as sementes de C.. garrettiana (Inamori et al.. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona.4. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. e C. 1990). 1979) e C. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. utilizando as folhas de C. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. 1988). 1989). C. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1990). 1988) e C.. 1986a). O extrato a 10% das folhas de C.

pumila (Fatawi et al. 1977) e antivirótica com extratos de C. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. diarréia.tâncias isoladas de C. 1985). enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. 1985).. angustifolia (Nakajima et al. A administração de folhas de C. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. C. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. que apresentaram um quadro de ataxia. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado.. 1979) e C. 1987). fistula (Bhardwaj & Mathur. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. anemia. caracterizado por náuseas. em muitos países. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. 1998). 1986)... Salienta-se que a espécie C. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. como substituta do café. vômitos. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. quinquangulata (Ogura et al. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. especialmente por crianças. purgativa dos glicosídeos de C. ferrea. antitumoral com extratos de C. O gênero Cassia produz.. 1984). pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. seca e/ou torrada. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional.. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. na forma fresca. A espécie C. fistula (Babbar et al. amplamente utilizada pela população. 1991). 1986b). apatia.. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al.. cavalos e cabras. .. roenwilana (Rowe et al. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. 1979).. 1979). em geral. dispnéia. Colvin et al. 1986. Seu consumo indiscriminado é perigoso. cólicas abdominais e diarréia. cansaço e dores.

Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Canavalia. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. onde se encontram plantas (Barrozo. Genisteae: Lupinus. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Derris e Lonchocarpus. Crotalarieae: Crotalaria. Cymbosena. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Myrocarpus e Ormosia. Diplotropis. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Indigofereae: Indigofera. 1978). Robinieae: Sesbania e Robinia. Abreae: Abrus. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Desmodieae: Desmodium. Psoraleae: Psoralea. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Dypteryxeae: Dypteryx. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Cajanus. Sophoreae: Sophora. Vicieae: Vicia e Pisum. Nos estudos realizados na região amazônica e . um importante produto alimentar no Brasil —. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Millettieae: Tephrosia. Trifolieae: Medicago. Dioclea e Mucuna.

flores vistosas. Ervilhade-angola. compostas de três folíolos aveludados. oblongos. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. sendo ainda forrageira. dispostas em pedúnculos axilares. de onde partem folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Erva-do-congo. Feijão-de-árvore. gripes. Espécies medicinais Cajanus cf. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. com ampla utilização em diversos países.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. fruto do tipo vagem linear. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. . o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. pinadas. podendo atingir 3 m de altura. mas há divergências quanto a essa classificação. 1984). Andu. Guandu ou Feijão-guandu. Cuandu. contra constipação nasal. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. as quais são descritas a seguir. comprimida. No restante do Brasil é conhecida como Guando. na Mata Atlântica. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. dores de barriga e diarréia e a infusão. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. com ramos angulosos. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. A espécie possui um grande valor econômico.

com ramos tomentosos. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo.Cymbosema roseana Bent. fruto do tipo legume falcado. descrito por João de Loureiro. acuminados e glabros. referindo-se ao legume. . por arbustos ou árvores. reunidas em fascículos. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. flores rosas. menos freqüentemente. e foi descrito por George Benthan. 1997). em forma de bote. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero Derris. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. flores rosas. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. de Flor-da-terra. oblongos. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. significa "pele dura". O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. pediceladas.

folhas pecioladas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. com folíolos articulados na base. coriáceo.) DC. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. flores fortemente zigomorfas. cilíndrica. Trevo-da-flórida. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. didamídea. ereto e com raiz bastante lenhosa. corola dialipétala. Desmodium tortuossum (Sw. hermafrodita. externa. fruto do tipo legume linear. Derris floribunda Bth. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Dados botânicos Erva de pequeno porte. sementes sem endosperma (Figura 18.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. folhas alternas. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. pentâmera. trifoliadas e . a prefloração da corola é imbricada descendente. com uma grande pétala superior. compostas.5). revestida de pêlos curtos. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Outros nomes populares são Amores-do-campo. com cálice gamossépalo.

Sucupira-da-terra-firme. todas conhecidas como Sucupira. Sapupira. O nome Diplotropis significa "duas carenas". flor com estandarte longo. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Cutiúba. fruto do tipo vagem. Paricarana. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. fruto do tipo legume. Sebipira. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. plano. O nome do gênero significa "feixe". pinadas e folíolos glabros. com sementes pretas e duras (Figura 18. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. vexilo oblongo provido de apêndices na base. reunidas em racemos. coriáceos. Sapupira-da-várzea. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. tendo um apêndice na base. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. Sapupira-da-mata. Sicupira. indeiscente.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. . pequenas. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Outros nomes comuns são Favinha. com ampla distribuição no Brasil e no México. referindo-se à disposição das flores. misturada com enxofre. Diplotropis purpurea (Rich. com folhas compostas.6). Sapupira-preta. Cutiubeira.

referindo-se ao cálice. caule reto. Imburana-de-cheiro. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. . diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. de Cumaru. Nomes populares A espécie é chamada.Dipteryx odorata (Aubl. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. aromáticas. pecioladas. grosso. alternas. que. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Cumaruzeiro. flores vermelhas. folhas grandes. e na produção de perfumes. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. podendo atingir até 35 m de altura. de cor verde-amarelada. quando passados sobre as costelas. quando maduros e secos. se fendem liberando a semente roxo-escura. de pequena espessura. Imburana. dispostas em panículas pubescentes. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. frutos em forma de vagem drupácea. Umburana e Kumbaru. servem para tratar a pneumonia. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. alimentos e uísque. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei.) Willd. Cumar-do-amazonas. na região amazônica. 1991). O nome do gênero significa "duas asas". charutos. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. Cumaru-amarelo. doces. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. imparipinadas. compostas. cigarros. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". além da famosa fava de cumaru.

A planta é de grande ocorrência na Amazônia. com semente oleosa e aromática. podendo atingir até 3 m de altura. aromáticas. internamente. pecioladas. antitussígeno. grosso. como reconstituinte das forças orgânicas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. folhas grandes. diaforéticas. compostas de sete a nove folíolos. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. Em outros lugares. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. cardiotônico. . O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. alternas. caule ereto.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. flores vermelhas. emenagogo. emenagogas e cardíacas. narcótico e estimulante. essa espécie é utilizada como anticoagulante. contra contusão e reumatismo. antidispéptico. e os palikur. dispostas em panículas pubescentes. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. contra qualquer inflamação. febrífugo. imparipinadas. pela presença de Cumarina. para banhos fortificantes de crianças. antiespasmódico. para aliviar dores de garganta e. frutos em forma de vagem verde. 1991). diaforético. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. contendo casca de pequena espessura. diaforético.

o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Pau-bálsamo. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. portas e janelas de luxo. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. sendo ainda expectorante peitoral. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". sendo muito usada na indústria de cosméticos. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. 1974). indicadas nas lesões do sistema respiratório. para fabricação de carroças. assim como a casca. Óleo-pardo. Bálsamo e Pau-de-óleo. possui aroma balsâmico. A madeira. Outros nomes são Cabruê. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes.. de ocorrência na América do Sul. a mais estudada é a D. tinturas e perfumaria.Myrocarpus frondosus Aliem. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. urucu. outros compostos . Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. Nomes populares A espécie é chamada. de Cabreúva. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. compostos 5-9 folioladas. com casca rugosa no caule. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.

senegalenseína. Lin & Kuo. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. Nascimento & Mors. 1973b) e saponina (Parente & Mors... 1978. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. 1995b) e D. reticulata. 1994). Desmodium De D. epoxilupinifolina e dereticulatina. lipídios. Foram isolados alcalóides de D. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal.rotenóides (Braz Filho et al. hiravanona. D.. D. aparines (Link. incanum DC. 1985) e D. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. Em D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. laxiflora Lin et al.) DC. 1986). 1976. 1976) e D. obtusa (Nascimento et al. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. 1989). Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. 1978)... indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1977).. benthmii (Fellows et al. Das raízes de D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. .. B e C).. 1997). deguelina e tefrosina (Ahmed et al.. e das raízes de D. De D. amoena. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1977). crisantemina e cianina (Matinod et al. oblonga e D. Bell et al. canadense (L. 1978). do seu caule e de suas folhas... foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. N. frutescens. 1962). em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al.... lupinifolina e laxiflorina.) DC.. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. homoadonivenita (Batyuk et al. foram isolados. os flavonóides.. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. Nakatu et al. D. 1991. ou D. D. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. Flavonóides também foram isolados em D. D.8-difenileriodictiol. Kimetal. 1961. spruceana. 1978). E em D. 1954).. adhaesivum Schldl. proteínas. 1993. 1988). canarensis (Evans et al. 1986. As espécies D.. 1989). Da espécie D. tortuosum. D.. et al. foram isolados os flavonóides desmodina. araripensis (Nascimento et al. 1994). 1997). Rao M. heterocarpon e D. spruceana (Garcia et al. enquanto de D. 1995b).... também denominada D. 1996). glutinosum.. Do caule de D.

hordenina. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. 1978).. difisolina. Don. normacromerina. Ghosal & Bhattacharya.) DC. 3. cinarascens A. A espécie D. 1977. N-N-dimetil-3.) DC. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. os flavonóides hiperina.. caudatum (Thunb. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava.. 1975). 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. . intortum) possui carboidratos.. 1-octacosanol. 1972. gangetina. Em D.4-dimetoxifenetilamina. Nmetiltiramina.Os alcalóides bufotenina. 1971). genisteína.. Nakatu et al. salsolina. 1963). desmocarpina. possui os flavonóides dalbergioidina. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1964) foram todos isolados de D. De D. beta-carbolina.. gangetinina. hordenina.. leptocladina. cinereum (Kunth) DC. Bell et al. e de D. hipoforina. 1972). Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. ácido octacosanóico. O-metilbufotenina. 1969. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. 1962. 1984. hipoforina e os alcalóides. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D.N-dimetiltriptamina. bufotenina N-óxido. ario-inositol e betapinitol. os alcalóides candicina. Em suas raízes foram isolados abrina. também muito usado medicinalmente. 2-feniletilamina. elegans DC. Purushothaman et al. kaempferol e quercetina. N. desmodina. os flavonóides desmodol (Ueno et al. galactopinitol A. além de canavanina (Beveridge et al. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. foram isolados mangiferina.. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. também denominada D. Purushothaman et al. salsolidina. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. isoquercitrina. 1983). gangeticum (L.4-dimetoxifenetilamina. tiliafolium G. betaína. 1973). O D.

De D. 1986... De D. De D.. .. b-sitosterol. pinitol e canavanina (Beveridge et al. De D. podocarpum. o terpenóide lupeol. 1989). ovalifolium (Giner-Chavez et al. triquetrum foram isolados friedelina. compostos estes também isolados em D. 1989). flavosativasídeo. N. isovitexina. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. e os flavonóides isoliquiritigenina. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol.) DC.. De D. 1989). foram isolados os flavonóides apigenina. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. laxiflorum foram isolados heptacosanos. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 1963a e 1963b. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. 1984). e de D. 1962). 1977.. e de D sandwicense E. vitexina. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi.N-dimetiltriptamina N-óxido. 1966).. 1965. triflorum (L. ojeinese. floribundum.. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta.1995... os terpenóides beta-amirina. Mukherjee et al. 7-hidroxiflavona. ácido indol-3-acético. 1985). multiflorum. nonacosanos. 1968). 1996). estigmasterol. Adinarayana & Syamasundar. formononetina. 1971. 1995). lupeol. 1978). inositol. Kubo et al. e os alcalóides colina. De Desmodium uncinatum (Jacq. Ahluwalia et al. feniletilamina. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. Bell et al.) DC. Amor-de-velho-comum. estigmasterol. também denominado D. vitexina e xilosilvitenina.. heptacosanol. 1982.. tricosanol. Anjaneyulu et al. 1961 e 1962. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al.. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. também conhecido com D. 1989. De D. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. e de D. 1997)... De D. Perez-Maldonado & Norton.. Kubo et al. racemosum. 1995). Sreenivasan & Sankarasubramanin. homoferreirina. 1965). liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. kaempferol. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al.

. 1982).3epimetoxilupanina. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.1973a). 1. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al..

odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. Das sementes de D. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. A espécie D.. cumarinas (Ehlers et al. alata foram determinados 40% de óleo. 2000. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). . odoratina. 1993)..Dipferyx De diferentes partes de D. De diferentes partes de D. alata foram determinados 40% de óleo. flavonóides (dipterixina. 1996). 1995. além dos terpenóides betulina. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.. 1952). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1995). Nakano et al. retusina). odorata apresenta um grande valor comercial... além dos terpenóides betulina. 1994). 1994). 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri... utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. odoratina. 1994). 1991). 1952). 1966) e beta-farneseno (Matos et al. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1995). lupenona e lupeol (Kaplan et al. Das sementes da espécie D. 1981). odoratina. isoflavonóides (Lourenço et al.. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. punctata (Gruenwald. pois suas sementes são ricas em Cumarina. De D. flavonóides (dipterixina. odoratina. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1966).. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. Togashi. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. lupenona e lupeol (Kaplan et al.. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. De D. punctata (Gruenwald.

Foi isolada das raízes de D. 2001). foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. micou.. O extrato etanólico de D. Aragão & Valle. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. urucu e D. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. 1997).Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. D. nicou (Costa et al. Datta & Bhattacharrya.... 1987). Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al.. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. Derris sp e D. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. Das raízes de D. 1999. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al... também conhecido como Timbó. 1998. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. .. 2001). 1997). 1972). 1979). 1997). De D. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos.. De Derris sp... 1996).. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. 2002).

ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al.. Tolera & Said. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1988). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. 1987). adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma.... 1996). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. B e C. e os taninos isolados de D.. D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. 1997). .. 1996. O extrato de D. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al.. 1988). De D. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1997). grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. 1997). intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al.A D. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. styracifolium.. 1989). O extrato aquoso de D. 1999). styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. O extrato de D. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D.

1998).950 espécies descritas. das quais destacamos os gêneros Parkia. Calliandra. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. 1987). lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. 1991). Adenanthera. 1993). tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.. Mimosa. Albizia. urucum provoca irritação da pele. M.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Prosopis. . Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. Zollernia e Acácia.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. 1996). muitos deles de valor medicinal.. das sementes de D. distribuídas em cinco tribos. Inga.. et al. doses elevadas podem causar náusea. Y. Leucaena. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. vômito..

compostas por folíolos ovais. Laranjeira-do-mato. é chamada de Espinheira-santa.) Willd. repletas de glândulas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). com grande ocorrência na Amazônia. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Em outras regiões do país. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Moçataíba e Orelha-de-onça. Zollernia ilicifolia Vog. . O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. na região da Mata Atlântica. pinadas. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Nomes populares A espécie. Ingá-grande e Jambolão.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. flores reunidas em espigas terminais. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). a espécie é chamada de Mocitaíba. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. pecioladas.

semialata. farmacológicos e toxicológicos. a antiga casa regente prussiana. bourgonii. com margens onduladas e providas de espinhos.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. incluindo dores.8-dimetilflavona (Correa et al.oblongas.7. I. I.. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. oerstediana e I. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.. 1973). I. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. alba. 5. 1996). heterophylla. I. 6. nobilis. 1991). estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. longispica.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.3'4'-trihidroxiaurona e 7.7). laurina.4'trihidroxi-6. e o nome deriva de Hohenzollern. parviflora foram isolados os constituintes 7. paterno (Morton et al. Maytenus ilicifolia). a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. flores rosadas (Figura 18. I.3'. I. . Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. I. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. stipularis (Kraus & Reinbothe. Foram isolados alcalóides das espécies I. I. sertulifera.

1 .FIGURA 18. S. b) detalhe das folhas (fotos originais por M. . Reis).Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .FIGURA 18.

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. 1984).FIGURA 18.3 .

Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1939). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .FIGURA 18.4 . b) escanerata do ramo com flores e frutos.

Derris floribunda. Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .5 .FIGURA 18.

Diplotropis purpurea. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .6 .FIGURA 18.

Zollemia ilicifolia. Reis).7 .FIGURA 18. . S. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.

arbustivas. distribuídas nos 188 gêneros. São plantas herbáceas. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. 1978). C. da famosa Romã.950 espécies. Punicaceae. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil.19 Myrtales medicinais L. a Punica granatum. assim come outras espécies de valor econômico. Di Stasi C. 1997). como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. que inclui o gênero Punica. Melastomataceae e Myrtaceae. que incluem espécies medicinais. A. e as duas famílias aqui descritas. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. com inúmeros representantes no Brasil.

ou Pixirica. . Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. dispostas em cimeiras. Miconia. Neste estudo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica. em outras regiões. flores pequenas. roxo. ereto e piloso. na região amazônica. Microlicia. fruto do tipo baga. Salpinga. essa espécie é chamada de Quaresma. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus.) DC.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. nervadas e pubescentes. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. 1998). ambas pela indicação popular na região amazônica. brancas ou rosas. que descreveu inúmeras patologias em plantas. Huberia. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. com folhas ovais e cordiformes. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos.

Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. Leptospermum e Melaleuca. oeste da Índia e América tropical. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. 1990). Os . Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Eugenia. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Psidium. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. planas. 1997) arbustivas e arbóreas. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Pimenta. Essa família inclui gêneros como Myrtus.620 espécies (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta.. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. de onde partem folhas de pecíolo longo. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. Eucalyptus. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Pseudocaryophyllus. bem representada na Austrália. Syzygium. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. e várias outras em climas temperados.

Myrciaria Gabuticaba). são usadas no local. Araçá). . dispostas em corimbos. flores pequenas. No Brasil. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. ácidos fenólicos e ésteres. além de óleos essenciais. oblongas e glabras. especialmente as flores. opostas. para o alívio de dores de dentes. E uma espécie exótica. Eugenia (Pitanga. leucoantocianinas.constituintes dessa família incluem. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. 1996). sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. taninos. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Cereja-nacional. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. com folhas pecioladas. bastante aromáticas. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. 1998). as partes aéreas do Cravo-da-índia. rosas ou avermelhadas. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. cultivado ou adquirido no comércio. congestão nasal e dores de cabeça. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. fruto do tipo drupa. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovadolanceoladas. O nome do gênero. para regulação do ciclo . O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria.1). Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. Provém de psidion. significa "triturar. referindo-se aos frutos. actinomorfas. com caule tortuoso e casca lisa. flores hermafroditas. A infusão dos frutos. Araçá-guaçu. e. diclamídeas. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. Guaiava. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. de sabor agradável. existem registros para a espécie como Goiabeira. é indicado contra diarréia. esmagar. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. Guaiaba. morder". folhas opostas. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. doenças da pele. Araçá-goiaba. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. galhada. que é a denominação em grego da planta. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. no entanto. edema e. fervidos. curto-pecioladas. fruto com baga amarela. usada externamente. brancas e com numerosos estames. Na região da Mata Atlântica. Psidium. contra diarréias. internamente. os brotos de goiaba e de caju. por outras. Araçáguaiaba. com cálice membranoso. 1984). botões florais tomentosos ou glabros. o chá das folhas novas. é útil contra hemorróidas. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves.

as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. 1982). com cálice membranoso. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. 1987. anticolérica e antiúlcera. misturado com folhas de salva-de-marajó. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. . antileucorréica.. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura.. igualmente usados como alimento. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim.. indisposição estomacal e vertigem (Forero. 1988). em gargarejos contra afecções da boca e garganta. flores hermafroditas. sendo facilmente confundida com esta. guajava ainda são utilizadas na América Latina. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. de polpa abundante. actinomorfas. é antidiarréico (Amorozo &Gély. As folhas de P. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. 1992). misturado com folhas de pitanga. o chá das folhas. curto-pecioladas e glabras. guineense Sw. lavagens de úlceras. 1980. 1984). diclamídeas. 1982).menstrual. o chá da folha. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. 1982. no Pará. folhas opostas. fruto com baga amarela. no Piauí. antidiarréica. 1986). brancas e com numerosos estames. Central. Duke & Vasquez. no Rio Grande do Sul. como estomáquico. em Minas Gerais. e o decocto. 1994). a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. Psydium cf. Grandi & Siqueira. principalmente em diarréias infantis. Grenand et al. botões florais tomentosos ou glabros. como também os frutos. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa.

1996). 31 alcanos. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1987. 1. aldeídos. p-menten-9-ol. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.. 1989. -guaieno. -bisaboleno. 1981). 28 ésteres. Pino et al. açúcares. 1990). e 95% são cariofileno (Latza et al. 1994). analgésica e anticonvulsivante (Costa et al.. himacaleno. 1990. cremoflieno.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al.. -cedreno. humuleno. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. 1990. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al.. 1. -santaleno.. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. -cubebeno.. 1978).. 1989. 1982) e quercetina. 1987). 10 ácidos. t-cariofileno. Zheng et al. As diferenças quantitativas e qua- . os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. derivado de eugenol. Wilson & Shaw.. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. apresentou atividade depressora do SNC. 1996). 1991). polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 1994). denominados 1. mirceno. Ortega & Pino. 1968).. O dehidrodieugenol. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. 1968. vitaminas C e A. Oliveros-Belardo et al. lignina. além de taninos (Misra & Seshadri. 17 cetonas. 1986. dos quais 13 são aldeídos. -bergamoteno. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al.1-dietoximetano. 1996).. Chyau & Wu. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo.. óxido de humuleno.. alcanos. Marcelin et al.. Yusof & Mohamed. acoradieno. -terpineol. 1996. Pino et al. pectina. p-cimeno. 1989.1-díetoxietano. 122 componentes voláteis. ésteres. 1987.. 1987).. cetonas. borneol. Ortega & Pino. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari.

... A atividade antibacteriana das cascas de P. e Maruyama et al.. 1986). (1994) e Neri et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 1974. ácido oleanólico (Mair et al. Okuda et al. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. 1987. d-galactose. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 1987). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. óleo essencial (Ji et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. palmítico.. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib.. 1986). Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente.. O interior das cascas é rico em ésteres. 1987). Lima Filho et al. Chen & Yang (1983).. Ácido elágico. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. guaijaverina. 1978). Osman et al.. 1987). oléico e esteárico (Opute. Hegnaurer. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. 1991). 1979b. polifenoloxidase (Augustin et al. flavonóides.. 2002.. 1996). ácidos linoléico. 1987). As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. 1981). Jain et al. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. O extrato aquoso tam- . 1989).

guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. guyanensis (Santos. guyanensins. 1996a). 1989). propriedade anticatártica (Pinto et al.. 1992. 2000. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al.. 1996b) e P. widgrenianum (Souza et al..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. F. e eugenol e timol de P. 1994. Lozoya et al. 1996). 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. 1993.. Das cascas de P. F. P.. De P. A. 1997.. et al. pohlianum e Psidium sp. Santos et al.. Cáceres et al. et al.. A.. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo.. 1995). Morales et al. F. anticonvulsivante (Santos.. A. 1989. A quercetina isolada de P. Do extrato hexânico das folhas de P. 1996a) de P. et al. A. Shimomura. 1990. 1988) e tosse (Jaiay et al.. et al. 1995.. Meckes et al.. óxido e b-selineno). 1999). 1994. Cheng et al... P. 2002. 1998). Grover et al. . A. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. O extrato de folhas de P.. PonceMacotela et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al.. (Santos et al.. F.. 1995). 1993... A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al.. guyanensis. et al. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P... guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1994). guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 1999). Lutterdodt. Lutterdodt. 1994. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1995). F. incanescens (Zelnik et al. e antitumoral de P. 1996c. Lutterdodt et al. 1994). explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt..).. 1990.. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. Lozoya et al. incanescens (Santos. 1970). 1994. 1983). O óleo essencial de P. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. Cáceres et al.

Psydium guajava.FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .1 .

no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. nos quais se distribuem aproximadamente 1. ambos contendo espécies amplamente estudadas.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. e Maytenus. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. Seito F . são Celastrus e Trypterygium. que possuem espécies medicinais.20 Celastrales medicinais L. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. C. com atividade antifertilidade masculina. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. N. gênero de grande valor medicinal. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. 1997). Os principais gêneros dessa família. . Di Stasi L. a família Celastraceae. representa importante fonte de espécies medicinais. e apenas uma delas.G. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. Austroplenckia.

agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. Também é conhecida como Sombra-de-touro. dores nas costas e úlceras do estômago.cancerosa. na região da Mata Atlântica. bastante coriáceas. denteadas. Salva-vidas. de Espinheira-santa. ápice agudo. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). gastrite e ulcera péptica. Maytenus aquifolium M. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. fruto do tipo cápsula ovóide. dor do "ciático". Cancerosa. com acúleos. ex Reiss. axilares. Erva-santa e Congorça. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Erva. Espinheira-divina. Espinho-de-Deus. copa globosa e ramos glabros. glabras. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Nomes populares A espécie é chamada.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. amarelo-avermelhado. arbusto menor (de 1 a 3 m). atingindo até 9 cm de comprimento. flores numerosas. de onde partem folhas elípticas.

2001) e triterpenos cetônicos de M. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. 1998) e glucosídeos (Zhu et al. . Foram isolados das cascas de raízes de M. podendo chegar a até 4 m de altura. contendo folhas alternas. podendo chegar a até 15 cm de comprimento.. 1995a). amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. arbitifolia (Orabi et al.. 1995).. heterophylla e M. 1998).Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. Das sementes de M. oblongas.. Da infusão das folhas de M.. 1997). De M. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. 1999). cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. 1995.. Dados químicos De M. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al.... a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. vermelho. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 2000). com ramos finos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 2000). boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. krukovii (Honda et al. fruto do tipo capsular... blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. Foram também isolados um glicosídeo. flores pequenas e axilares.. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia.

30-lup-20(29) ene-triol e 28. G alfa e G beta.28. 1993a e 1993b). 1994).. betulina.. lupeol. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. cangoronina e ilicifolina. 1994b). os triterpenos 3-beta. De M. 1996b).. 1994). além de pristimerina. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. E-III. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. os triterpenóides beta-amirina. e outros triterpenos (Gonzalez et al.. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 1999). emarginatina-E e emarginatinina... foram isolados das folhas de M... Dos ramos de M.. E-I e E-II (Itokawa et al.. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.. ácido oleanólico e ácido betulônico. xuxuarinas F beta. Dos ramos de M.. triterpenos do tipo friedelana. Além disso. 1993). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. chuchuhuasca (Shirota et al. 1998).. 7 alfa-hidroxicanarol.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. 1995a). . Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos.. 1991). E-II. E-IV. emarginatina-D. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. 1997). 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. 1999a e 2000). iliocifolia (Shirota et al. lup-20(29)-ene-3beta. Das folhas de M. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. e escutidina alfa A foram isolados de M. 1991b). As cascas das raízes de M.30-diol (20). ilicifolia (Itokawa et al. os triterpenos fenólicos canarol.16. canaradial.. 1998). canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al.. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al.Gonzalez et al. Sesquiterpenos foram isolados de M.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1992b). 1994). macrocarpa (Chavez et al. 7. De M.21-trione (Nozaki et al. E-V. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3.. além de epicatecol. 1992).

amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. 1996b). tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. et al. 1996). Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. senegalensis e M. assim como os compostos 6 beta. A. 6 beta. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. Nor-triterpenos isolados de M. catingarum (Alvarenga et al. O composto escutiona isolado de M. 1999b).. macrocarpa (Chavez et al.. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 1981). 1999). G. 1996b). 1996a).. scutioides (Gonzalez et al.. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al.. 1996c). Dados farmacológicos M. isolados de M.. 2000.. Alcalóides foram isolados de M. .. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa..... 8 beta. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. myrsinoides (Baudouin et al.. 2001). 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 1999). 1971). Wang et al. 1984). -15-triacetoxi-l alfa. 1999a). buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al... De M. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al.. M.. 1999).M. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez.. 1971. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. Gonzalez et al. 8 beta.

senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. 1991.. 1999). Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al.. 1991.. As folhas e caules de M.. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. et al... Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. G. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. Gonzalez. 2000). . aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. Queiroz et al. 2001).O extrato diclorometânico de M. F.. Oliveira et al. 2001. 2002).

arbustos e lianas (Mabberley. corantes e de medicamentos. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. Byrsonima.21 Polygalales medicinais L. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. especialmente árvores. . A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. C.100 espécies tropicais. No Brasil. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. 1997). bebida alucinógena. Polygalaceae. com importantes espécies fontes de madeiras. além das duas referidas a seguir. contendo cerca de 1. 1978). Vochysiaceae e Krameriaceae. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. ocorrem 32 gêneros. com aproximadamente trezentas espécies. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. usada na produção da Ayahuasca. ambas com várias espécies medicinais. Malpiguia e Stygmaphyllon. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. Trigoniaceae. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae.

Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. de folhas cordiformes. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. nas raízes formam-se grandes tubérculos. bastante pubescente.) Juss. significa "estigmas foliáceos". e. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp.) Juss. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. contra icterícia. grande e robusta. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. O nome do gênero Stigmaphyllon. . dor de estômago e gripes. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. arredondadas. Gordura-de-porco ou Cajuçara. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. externamente. glabas na face superior e sedosas na face inferior. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara.

Simarubaceae e a outra família. M. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. que contém. Essa ordem. além das espécies aqui citadas. Picrasma e Brucea.22 Sapindales medicinais C. especialmente dos gêneros Simarouba. Meliaceae. . amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Quassia. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Souza-Brito L. Sapindaceae. A. R. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Cupania e Serjania. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. C. o Guaraná. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. inúmeras espécies medicinais. especialmente no Sistema Nervoso Central. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Rutaceae. Anacardiaceae. essas espécies serão descritas a seguir. Hiruma-Lima A. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. destacando-se as famílias Burseraceae. Das demais famílias dessa ordem. Simaroubaceae. Ailanthus.

o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Manga e Pistache. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. lianas e raramente ervas pereniais. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. distribuídas em regiões tropicais. as espécies Pistacia lentiscus. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). A espécie Mangifera indica. Essa família botânica inclui árvores. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Spondias. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. Nessa família. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Spondias e Schinus. tais como Caju. Mangifera. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. amplamente consumida . Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). Desses gêneros destacam-se. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. nos países de clima temperado. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Schinus. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. subclasse Rosidae. pertence à ordem Sapindales. Do mesmo gênero. Além dos usos medicinais. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. reúne setenta gêneros. com aproximadamente 875 espécies. arbustos. descrita por John Lindley. No Brasil. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. relatados a seguir. Semecarpus (Semecarpeae). 1997). muitas espécies estão espalhadas por todo o território.

perfumadas. entre outras tribos indígenas. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça.1). as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. especialmente no Amazonas. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. com tronco de casca lisa. Engl. Pará e Mato Grosso. Caju-assu.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. não foi referida na região de estudo como medicinal. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. ovário súpero com um só óvulo. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. sendo também denominada Cajuaçu. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Caju-da-mata (Amazonas). apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. de 25 a 30 m de altura. as flores. o fruto em forma de drupa é peduncular. dispostas em panículas. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. . Cajuí.

O . Cajumanso.Anacardium occidentale L. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. Caju-da-praia. pecioladas. entre outras. O nome do gênero. o óleo da castanha. O óleo é usado na produção de borracha. Economicamente. as flores. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. ou simplesmente Caju. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. ovadas. Caju-manteiga. heliófita e que cresce bem em solos secos. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. possui importante mercado nacional e internacional. tais como Acajaíba. pequenas e de coloração pálida. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. É uma planta decídua. assim como a própria castanha. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. com um só estame fértil. glabras. Contra diarréia. tomando-se um copo por dia. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. Além dos usos medicinais descritos a seguir. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. onduladas. em referência ao nome de seu fruto. Acajuíba. várias outras denominações são usadas para a espécie. Anacardium. ovário unilocular. no entanto. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. as folhas são alternas. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. reticuladas e nervadas em ambas as faces. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. significa "semelhante ao coração". o fruto é do tipo aquênio reniforme. raspa de amor-crescido e cajá. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. Para hemorróidas. plástico e resinas.2). Caju-de-casa.

Matos. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. P. 1993). O pericarpo tem utilização como anti-séptico. 1982). é eficiente contra aftas e cólicas intestinais.. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. a casca é utilizada como adstringente. tônico. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. calos e verrugas. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. 1990. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. para controle das secreções vaginais. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. 1995). debilidade muscular. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1994. uma infusão de folha é usada contra diarréia. 1992). Grenand et al. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. contra úlceras. astenia.. estimulante e afrodisíaco.. desordens urinádas e asma (Lima. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. e a raiz. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. 1993. anti-helmíntico. e a maceração de folhas para tratar diabete. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. 1982). Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. como um diurético. As flores são afrodisíacas. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Cruz. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. 1984). 1995). O suco das folhas serve como antiescorbútico.. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. A resina é usada como depurativo e expectorante. . assim como um potente adstringente. No Piauí. depurativo e anti-sifilítico. 1994). Em Juiz de Fora (MG). tonsilite e problemas de garganta. purgativa.

Aroeira-da-praia. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. lenha e carvão. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Fruto-de-sabi. Aroeira-vermelha. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. caule tortuoso. Cambuí. Coração-de-bugre. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Aroeira-branca. Aroeira-do-sertão. . A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas.3). analgésico e contra coceiras. Aroeira-do-brejo. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. com copa bonita e arredondada. sugere-se o uso com moderação. mas é muito usada como ornamental. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Bálsamo. com casca grossa. tônico. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. como cicatrizante e contra gengivites. Aroeira-do-campo. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. febrífuga e usada contra afecções uterinas. estimulante e analgésico. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético.Schinus terebenthifolius Raddi. adstringente. referindo-se às frestas da casca do fruto. Fruto-de-raposa. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. O nome do gênero significa "cortar".

além de comestíveis.O3).4). Cirouela. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. O nome Spondias significa "ameixa". Siriuela. como antidiarréico. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. com 5 a 7 m de altura. descrito também por Carl Linnaeus. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. O ácido anacárdico (C22H32. reunidas em racemos. o fruto. 1994). imparipinadas. esverdeado e doce (Figura 22. Acaiou. inclui espécies tropicais. ilustrado a seguir. referindo-se apenas à fruta da espécie. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887).Spondias purpurea L. ou Cajá e Umbu. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. é ovóide. antiespasmódico. especialmente árvores com resinas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. do tipo drupa. diurético e analgésico. ou mesmo Caju. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. sendo um composto característico das espécies deste gênero. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. Acaju. O gênero Spondias. p-hidroxi- . referindo-se à semelhança com o fruto. as flores são pequenas. Em outros países da América do Sul. Outras denominações comuns são Acajá.

cicloartenol. (-)-epiafzelequina. anacardol e cardol. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. ácido gentísico. narigenina. 1973). 1987). anacardeína (Sathe et al. amentoflavona. 1987). quercetina. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. 1985). fenol. limoneno. 1986). S.. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. também foram isolados (Costa. sódio e açúcar. aminoácidos. a-selineno e vitamina C (Gupta. glicosídeos de quercetina. 1997c). anacardol. C1. e de suas folhas foram isolados miricetina.. Al. derivado de resorcinol. Mg. n-eicosano. os seguintes compostos: acetofenona. taninos e açúcar (Nagaraja et al. flavonóides.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. de diferentes partes da planta. 1995). taninos. robustaflavona. kaempferol. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. antocianinas. cardanol. ácido procatéquico. 1989). agathisflavona.. além de Na. 1997). Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. aminoácidos. (-)epicatequina. estigmasterol. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . 1990). campesterol e colesterol (Dinda et al. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. ácido-p-hidroxibenzóico. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. Foram também caracterizados. esteróis. Compostos derivados do ácido anacárdico. K e Ca (Thomas & Dave. apigenina. além de flavonóides voláteis (Pino. amido. 1986). P. a-amirina. álcool araquidílico. leucocianidina.

ácidos esteárico. láurico. 1999). denominados geraniina e galoilgeraniina. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo.. 1993. e raízes (Guerrero. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . Vários derivados do ácido anacárdico. aminoácidos variados. tais como -catequina.. 1991). oléico. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. 1994). um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 2000).(Guerrero. 2000). Muroi & . flavonóides e triterpenos em suas folhas. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. palmítico. -sitosterol.Bacillus subtilis. 1992). Himegima & Kubo. 1994). Escherichia coli. -linolênico. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. 1994).. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. -caroteno.. ácido salicílico.. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. 1991). De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. palmitoléico. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. 1991. 1994) e frutos (Augusto et al. tocoferol e outros. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. tocoferol. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. quercetina.. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al.. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al.

. 1982). enquanto o cardol. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). 1995). Jurberg et al. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1984a). occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1991). 1993). 1974. .. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.epicatequina Kubo. 1993). 1992. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. Souza et al. O extrato hexânico das cascas de A. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. occidentale foram avaliados perante a B. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais... Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. 1994). glabrata. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. Craveiro et al. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A.

França et al. 1993). occidentale. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. . Akinpelu. Mota et al. occidentale. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. mombin. taninos isolados de S. Além disso. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 2001. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). 1991). Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. 1983).. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju.. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. 1990). O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. pela presença do cardol (Hoehne.. Abo et al. Dos extratos hidroalcoólico.. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka... o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. 1982 e 1985. 1999.. 1994).A epicatequina. 1992). 1992).. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. 1990. Barbosa Filho et al. 1981). responsáveis por irritação da pele... além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 1994). antiartrítica. Kudi et al. 1980) enquanto. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum.. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. Geraniina e galoilgeraniina... um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al.. 2000. isolada de A. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.. 1982.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

4 .FIGURA 22. 1946). Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne. .Spondias purpurea.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

6 .FIGURA 22.Ruta graveolens. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada.23 Apiales medicinais C. Hiruma-Lima L. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Essa família inclui 446 gêneros. de acordo com o sistema de classificação botânica.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. 1997). Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). denominada também Umbellales. mas alguns arbustos e árvores são des- . Di Stasi A ordem Apiales. com aproximadamente 3. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). como Umbelliferae. C. as quais são descritas a seguir. A. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias.

critos na família. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Cicuta.Apioideae). Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. Petroselium (Salsa). e Hydrocotyle exigua. folhas alternas. com raízes fasciculadas. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . No Brasil ocorrem poucos gêneros. tais como Cenoura. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. 1998). Apium (gênero do Salsão).Saniculoideae). Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). Muitas dessas espécies são cultivadas. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). oblongolanceoladas. Cominho e Salsa. fibrosas e caule florífero solitário. Apium com características ruderais. onde há amplo uso como medicamento. optamos por incluir aqui apenas duas delas.Apioideae). sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. Coentro. Pimpinella (Erva-doce). pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. densamente imbricadas. Erva-doce. Daucus (Caucalideae . ascendentes. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. assim. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Coriandrum (Coriandreae . dunas e brejos. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. muito comum na Mata Atlântica. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil.Hydrocotyloideae). a Eryngium ekmanii. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . entre inúmeros outros. Apium. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly.

no entanto. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. inflorescência em capítulo. quando preparado em alta concentração. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. O nome do gênero. com flores avermelhadas. torcidas antes de abrir. referindo-se às fibras do rizoma. com nós. é considerado excelente contra dores de cabeça. habitando em lugares úmidos. o sumo das folhas frescas. var. fruto subgloboso (Figura 23. capítulos esverdeados com flores pequenas. cíclicas.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. Eryngium. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. Também é conhecida como Erva-capitão. na região do Vale do Ribeira. cordiformes. folhas pequenas. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. exigua (Urban. dos quais são emitidas raízes. Esse chá. crenadas. de no máximo 1 cm de espessura. usado topicamente. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . semelhantes a barba de cabra. de Erva-terrestre.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. especialmente em crianças. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. lobadas e pilosas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. espalhadas por diversos continentes. vem de eros = "lã". diclamídeas e hermafroditas. Hydrocotyle hirsuta Sw. e aix = "cabra".1). frutos pilosos.

1997a).. Hohmann et al.5-trimetilbenzaldeído. ilicifolium (Pinar & Galan. 1985.. foram isolados 46 compostos. anetol e alfa-pineno (Pino et al. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. 1980) e E. diurético e. comarinas e flavonóides. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1984). acetilenos. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. De E. sendo 2. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. foi ainda isolado o falcarindiol em E. Glicosídeos foram isolados de E. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto.. planum (Hiller et al.. 1985). 1986). sendo majoritários carotol. a DL50 por via oral foi de 1. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. 1997). . 1997a). em altas doses. 2002). 1992). maritimum (Lisciani et al.inclui 130 espécies cosmopolitas. farneseno. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. 1995).. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. O extrato aquoso de E. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. 1986). bourgatii (Lam et al. foetidum L.. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. Das folhas de E.4. 1986). O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. campestre (Erdemeier & Sticher. 1999). Além de saponinas. também encontrados em E.. elegans (Campos & Garcia.. e cotyle = "umbigo".. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. emético. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água".

arbustos. famosa por ter sido usada. ambos introduzidos no Brasil. subclasse Rosidae.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. mas raramente ervas. com aproximadamente 1. e centenas de . As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. lianas. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. da famosa Hera dos parques. são encontradas na família. Australásia e América tropical (Joly. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Centro-Oeste e Sul. Panax. utilizada como alimento. No Brasil ocorrem vários gêneros. No entanto. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. epífitas. especialmente em refogados e saladas. 1997). Schefflera.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. Mackinlaya e Polyscias. e Polyscias. no envenenamento do filósofo Sócrates. Tetrapanax e Aralia. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. e inclui 47 gêneros. Das inúmeras espécies descritas nessa família. 1998). nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Árvores. Tetrapanax. especialmente do gênero Cicuta. segundo a história. Hedera. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo.

cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. refere-se à forma da folhas. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. Cunha e Cunha-mansa. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. variegadas. flores pequenas. usada internamente. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". androceu com cinco estames. sendo também usa- . Cuia. globoso. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. A espécie não foi completamente identificada. amplamente cultivada como ornamental. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. com larga bainha na base. cálice pequeno. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. e acias = "sombra". pela beleza de sua folhagem. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. Cuia. grandes. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. descrito por Johann Forster e Georg Forster. O gênero Polyscias. fruto indeiscente. ovário ínfero. O nome popular da espécie. pertencente ao gênero Polyscias.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. reunidas em inflorescências axilares. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. Outras espécies do gênero. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. folhas alternas. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família.

.. os autores demonstram que . Glicosídeos oleanólicos.dos como calmante por adultos.. 1989c e 1990) e de P. 1989a. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al.. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. Nas folhas de Polyscias sp.. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). Lutumski & Luan. 1994). 1990. Proliac et al. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico.. 1996. Em P. 1986). Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1998). 1990). Barilyak & Dugan. 1992)... 1992). sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Fulva (Bedir et al. scutellaria (Paphassarang et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 2001). 1992. 1988. Vo et al. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1989b. 1995... Nesse estudo. 1991). Chaboud et al. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 2002.

prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. mostram que essa espécie. assim como outras do gênero Polyscias. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . A espécie P..as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização.Eryngium ekmanii. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. FIGURA 23. e de prolactina pela hipofise. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. associados àqueles referentes a outras da família.1 . alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. 2002). Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. especialmente a Panax ginseng.

Banco de imagens - .FIGURA 23.Polyscias.2 . Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Apocynaceae.24 Gentianales medicinais L. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Apesar de não referidas no nosso estudo. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Gentianaceae e Asclepiadaceae. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. demonstram que a ordem Gentianales. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Loganiaceae. . Genistomaceae. Esses dados. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. C. Di Stasi C. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. A. apesar de pouco numerosa.Strychnaceae. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas.

ajmalinina. Thevetia. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. e encontrado em várias outras espécies do gênero. muito utilizadas ornamentalmente. Rauwolfia. Java. os gêneros Mandevilla e Thevetia. Vinca. sendo esta última o mais importante. Aspidosperma. Mandevilla. a família possui espécies trepadeiras. Hancornia. entre as espécies de pequeno porte. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. . Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. além dessas. herbáceas. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. Hancornia. subclasse Asteridae. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Catharanthus. Allamanda. dentre os gêneros. serpentina. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. 1997). Nerium.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. como os gêneros Allamanda. Inclui espécies arbustivas. fornecedores de madeira. serpentinina e reserpina. arbóreas. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. como Aspidosperma. aqueles que incluem espécies arbóreas. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. com aproximadamente 1. e. Joly (1998) destaca. muitas das quais trepadeiras e suculentas. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. arbusto encontrado na Índia. com destaque para ajmalina. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. inclui 165 gêneros. Strophantus. Tabernaemontana. Paquistão e Tailândia. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Nesse contexto.900 espécies tropicais e subtropicais.

especialmente a Nerium oleander. tais como majdina. tem sido designada também como Catharanthus roseus. as espécies Strophantus gratus. as espécies Vinca major. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Deve-se destacar. estrofantinidina e cimarina. . Wrightia e Aspidosperma. • do gênero Strophantus. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. e Thevetia peruviana. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. Orélia. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. a saber Allamanda cathartica. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. Alamanda amarela e Quatro-patacas. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. alstonilina. Vinca minor. Dedal-de-dama. Himathantus sp. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. tanto para os animais como para a espécie humana. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. espécies ricas em glicosídeos. cilastonina e também a reserpina.• do gênero Vinca e Catharanthus. vinblastina e vincristina. • do gênero Nerium. contudo. segundo Evans (1996). conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. tais como alstonina. tais como ouabaína. A espécie Vinca rosea. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus.

Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. especialmente cães e macacos. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. com tubo estreito e longo. alternas. semilenhoso. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. em grande número. grandes. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. sendo a A. axilares e fasciculadas. inflorescências com flores amarelas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. é considerada um excelente vermífugo. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. com copa estreita e tronco ereto. com folhas brilhantes. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. . emético e purgativo. glabras e verticiladas. folhas simples. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. fruto do tipo capsular. A folha é considerada excelente catártico. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. A infusão das folhas é utilizada como emético. enquanto a decocção das cascas da planta. espessas. O gênero inclui doze espécies tropicais. com casca rugosa. a planta exsuda látex considerado venenoso. em animais domésticos. contendo poucas sementes (Figura 24. Segundo Corrêa (1984). especialmente em crianças. usada internamente. purgativo e catártico. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. Ucuuba e Sucuba.1). com a mesma indicação. atingindo até 20 m de altura. na forma de funil. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente.

A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. O nome do gênero deriva do grego. heliófita e secundária.pecioladas. folhas alternas. 1990).) K. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. sendo uma planta perenifólia. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Schum. com um tronco de casca cinzenta. simples. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. 1997). grandes e brancas. sendo útil como anti-helmíntico. glabras em ambas as faces. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. todas encontradas na América do Sul (Plumel. contendo sementes aladas. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. especialmente em crianças. margens inteiras. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. alcançando até 10 m de altura. Coração-de-jesus. significando "manto de flor". Thevetia peruviana (Pers. frutos geminados em forma de chifres. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). linear-lanceoladas. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. coriáceas. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Noz-de-cobra. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. ovaladas. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. especialmente no alívio de coceiras. acumi- . no entanto.

contendo flores grandes. purgante.nadas. O nome do gênero Thevetia. amarelas. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. assim como outros inúmeros usos de várias par- . aromáticas. contendo sementes duras e grandes. As sementes da espécie são usadas como inseticida. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. purgativa e emética e de uso perigoso. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. bactericida e como veneno para peixes. 1997). como pulseiras. 1984). além da sua utilização uso em vários países como emético. No Brasil. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. especialmente do continente africano. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. arbotifaciente. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. braceletes. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. triangular. descrito originalmente por Carl Linnaeus. revestimento de maracás (Corrêa. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. 1962). com corola em forma de funil. A casca é considerada amarga e febrífuga. 1984). 1985). É uma espécie muito usada como ornamental. em pó. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. para provocar vômitos. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. fruto do tipo drupa carnosa. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. Os usos dessa espécie como purgativo. carnosas e glabras nas duas faces. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. a amêndoa. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. colares.

1996. 1989). enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. acetato de lupeol. tevetina B. além de lignanas como pinoresinol. 1988). cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. Kupchan et al. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. O isolamento de diosgenina. como a A. 1984). 1992b.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi.. Foram isolados de A. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. ruvosídeo e neriifolina. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. além de 13-O-acetil plumierida. rutina e os iridóides plumierida. escoparona. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen.. 1986)..-O.1997. . perivosídeo. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina.-hidroxipinoresinol e 9.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. Dados químicos dos gêneros Allamanda. -amirina. ácido ferúlico e ácido gentísico. schottii. 1974). a alanerosida. 1962. canogenina. ovata e T. são ricas em um glicosídeo a tevetina. alamandina. -sitosterol. -sitosterol. escopoletina. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. também chamado tevetina A.. quercetina. 2002)...Kader et al. 1993). e de suas flores. tais como de T. plumericina. thevetioides (Perez-Amador et al. 1992a e 1994). medioresinol. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina.-hidroximedioresinol.. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. De outras espécies do gênero Allamanda. plumierida. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero.. Tewtrakul et al. foram isolados do caule isoplumericina. 1996). além das flavonóides (Germonsén-Robineau. kaempferol. Corrêa. neriifolia os compostos 9. assim como de outras espécies do gênero. flavonóides. blanchetii (Ganapaty et al. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. 1985). 1995c e 1995a). 1988). Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel.. 1988). tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. As sementes de Thevetia peruviana.

obovatus (Vilegas et al. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. taninos.. (1990) e Beauregard Cruz et al. 1978).. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. taninos e saponinas. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em .Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. 1992) e em T. oléico. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. triterpenos e saponinas. linolênico. Da espécie H. neriifolia (Dinda&Saha... 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. Iridóides também foram isolados de H. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico.. follax (Abdel-Kader et al. Triterpenos como ácido olianólico. 1995. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. 1992) e H. Foram descritos os ácidos mirístico. cáprico. enquanto as cascas possuem alcalóides. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. De acordo com Obasi et al.. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. 2000). esteárico e palmítico. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. (1986). 1998). Das folhas de T. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. 1996). esperolactonas. triterpenóides (Wood et al.. linoléico. taninos e saponinas (Gupta. behênico e erúcico.. 1982).. e as raízes. flavonóides. esteárico. 1990). glicosídeos cardiotônicos. Ali et al. linoléico. Da mesma forma. ursólico. 1994. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. 1993)... Guerrero. ácido metilperlatólico (Endo et al. 1991). peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. alcalóides..

é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1994). 1935). 1991). 1990). mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk... 2002).. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. conhecida popularmente como orélia. 2002) e antiofídico (Otero et al.. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. 1992). 1990. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 1933). o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. produziu atividades espasmogênica. 1981). isolada dessa espécie. A neriifolina. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. bexiga. 1945 e 1947). violacea (Lima & Caldas. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 1982a e 1982b. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. Moraes et al. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. . blanchetii (Melo et al.. 2000).. cathartica e A... mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1989).. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al... que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1962).. Peruvosídeo e neriifolina. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 1984.. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1997). útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. 1994) antifúngico (Tiwari et al. antimicrobiana (Neto et al.camundongos. Moreira et al. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. Obasi & Igboechi.

e estudos recen- . Nerium oleander. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 2000). 1996). e Thevetia peruviana e T. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 2002. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. Oji et al. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. 1992)...4g/kg. 1999. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. 1996). 1996). peixes e outros animais (Chopra et al. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. além de congestão da mucosa da área digestiva restante.700 mg/kg é dose letal. respectivamente. para bovinos (Tokarnia et al.. Eddleston et al. Singh & Singh. 1993)... gatos. 0. No entanto. 1996. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares... Saraswat et al. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al.5 g/ kg e 14. 1933). efeitos tóxicos também são similares. 2000. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. Frerejacque. 1958.. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos.. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. 1933. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. cobaias. Maringhini et al.

A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. no entanto. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. incluindo o homem. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. De todo modo. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química.K+-ATPase. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. 1991). ou seja. Da mesma forma. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. Dessa forma. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. 1996). dada a riqueza química da família. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Observações Várias espécies dessa família. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. . podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. inibição da Na+. Deve-se salientar. os quais ainda não foram estudados.

mariana.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. herbáceas e raramente arbustos e árvores. subclasse Asteriddae. e inclui 315 gêneros. Inclui lianas. 1997). Espécies medicinais Fischeria cf. e algumas de grande valor medicinal. trepadeiras. tais como Asclepias curassavica. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Oxypetalum e Calostigma. com aproximadamente 2. especialmente por seus efeitos tóxicos. mariana Dcne. No Brasil.Asclepias. Oxypetalum. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Fischeria. Tylophora e Calotropis. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. 1986). descrita a seguir. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. sobretudo para animais. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. . todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar.

administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. L. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. E. androceu modificado. com lacínios conspicuamente crispados. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens.225 espécies cos- . Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. com testa verrucosa (Figura 24. foi realizado experimento de toxicidade. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. nos quais se distribuem 1. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. von Fischer. opostas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff.. com ramos pubescentes. fruto unilocular. sementes comosas. corola gamopétala. especialmente a febre. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo).2). de onde saem as folhas simples. hermafroditas e de simetria radial. flores pentâmeras.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. diclamídeas. 1979). com pecíolos pubescentes. inclui aproximadamente 78 gêneros. membranosas.

No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. sendo várias delas medicinais. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. amplexicaules e grandes. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. Dejanira. F. amenorréia e como vermífugo. 1978). Nomes populares A espécie é chamada. na região amazônica. fruto capsular. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. com caule ereto de muitos ramos. flores brancas grandes e muito vistosas. mas também inúmeras espécies tropicais. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. reunidas em verticilos. . Lisianthus e Coutoubea. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. Puruvá e Cutúbea. dispostas em espigas simples terminais.mopolitas. a decocção das raízes é usada contra febre. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. folhas opostas e sésseis. desordens estomacais. subtropicais e de clima temperado. 1997). Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. Voyria. também sésseis. 1998). especialmente do gênero Dejanira. Dados botânicos É uma planta anual. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. e outras são usadas como ornamentais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. de Carne-seca.

estudos de toxicidade. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. dentre eles. destacamos apenas os principais: Spigelia. taquicardia. febrífugo. um dos encontrados no Brasil. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. 1984). da famosa Strychnos nux vomica. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. 1979).Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. onde é cultivado como ornamental. diminuição da atividade motora e dores abdominais. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. e morte. . ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. hipotermia. Mas a C.. tônico. Porém. quando ingerida dentro de 24 horas. lianas e ervas (Mabberley. 1997). incluindo tanto árvores como arbustos. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. e Strychnos. polipnéia. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). diminuição da atividade do rúmen. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal.

nós na forma de uma cruz. antigamente. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. também constatado para a espécie S. Segundo Corrêa (1984). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a planta é narcótica e venenosa. folhas opostas e ovais. flores amarelas em grande abundância. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. 2001). potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. . Nomes populares Na Mata Atlântica. a maioria na Amazônia (Barrozo. em seus cipós. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. No levantamento realizado. O nome do gênero designava. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. 2002). nux-vomica (Shoba & Thomas. A planta recebe esse nome por possuir. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica.. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. Noz-vômica e Quina-de-cipó. glabras.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. porém de S. as plantas com propriedades narcóticas. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. coriáceas e trinervadas. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. que se refere à presença de mais de 190 espécies. fruto do tipo baga globosa. 1978).

. guianesis (Penelle et al... myrtoides (Martin et al.. S. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S.. . 2000).A S... S. 1996). 1996). Quetin-Lecrerq et al. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. 1999). 2000 e 2001...Allamanda cathartica. 2000. 1995). S. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). usambarensis (Frederich et al. FIGURA 24. Rafatro et al.. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. 1998) e S. mellodora (Brandt et al.1 . icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 2001). Das raízes de S. 1996). 2001).. panganesis (Nuzillard et al.

FIGURA 24. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - . laniflora Dcne.Fischeria cf.2 .

Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. G. Di Stasi F. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae.25 Solanales medicinais L. arbus- . Gonzalez L. N. das quais alguns exemplos são aqui referidos. ervas. algumas vezes parasitas. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Convolvulaceae. A. lianas. incluindo plantas herbáceas. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae.600 espécies. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Solanaceae. C. Seito C.

Nomes populares A espécie é chamada. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. que são cultivadas com fins comerciais. A planta também é conhecida. com folhas alternas. raízes tuberosas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. axilares e fruto capsular. aqui também descrita como medicinal. rosas ou arroxeadas. gengivite e dores de dente. de Batata-doce. . ainda que raramente. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais.tos e raramente árvores (Mabberley. Possuem inúmeras variedades. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. Na região da Mata Atlântica. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. a espécie é cultivada e consumida como alimento. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. para infecções da boca. 1997). como Batata-da-terra. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. flores brancas. pecioladas. suculentas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. em gargarejos. geralmente lobadas. cordiformes. internamente. Ipomoea batatas.

Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. anti-reumáticas e laxativas. como é o caso de /. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. 1996. Alba.. oblongata. acetil-b-amirina. 1986). I. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. 1996). Delgado et al. cairica. purpurea e /. com caules bastante entrelaçados. Dados químicos do gênero Da espécie I. I. 1995). b-sitosterol. I. muitas delas amplamente cultivadas. flavonóides (Zhou. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo.. sinensis. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". batatas Lam.. coptica. glabra. folhas alternas. carnea. de cor vermelhoviva ou rosa. De . como é o caso de I. tubérculos ou arbustos. 1996). I. cairica. hederifolia. friedelina. Muitas espécies são medicinais. pinatipartidas e pecioladas. 2000. com cinco lobos arredondados. fruto capsular ovóide. sendo várias ervas. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. comparando-se as plantas deste gênero.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. ácido caféico e quercetina (Tan et al. purpurea e I. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. Goda et al.. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. I. e de homoios = "semelhante".antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. enquanto as folhas são detergentes. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. 1. de 5 a 18 cm de comprimento.

além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. regnellii e I. 1997). 1997). além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. alta concentração de cálcio e potássio. Diversos flavonóides foram isolados de I.. 1999a. cornea. adrenérgicos e . tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. as lignanas arctigenina. também encontrados em I. 1988). onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al.. 1996). 1996). os flavonóides 4'. e também dibenzil-g-butirolactona. 1996). asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. quando administradas a cabras. 1997).. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. As folhas de I.. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. Das partes aéreas de I.. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis.. reticulata (Mann et al. 1996 e 1997). operculinas I-VIII ácido operculínico A. 1990). lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. 1987). (Sharma & Shukla. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. e das flores de I. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I.I. carnea Jacq.. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. De I. carnea.. 1997). ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. é medido por mecanismos colinérgicos. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. Das sementes de I. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. matairesinol e trachelogenina.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. De Lima & Braz-Filho. hardwickii (Liu et al. Das sementes de I.. 1986). arctiina e matairesinosídeo. 1989). 1987). Das raízes de I. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. 1999). purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica..

Entre estes. 1997). arbustos. depressão. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. 1992). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. 1995). 1994). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. Os extratos aquosos.. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al.... com 2. 1998). Foram observadas também anorexia.não-colinérgicos (Hore et al. As sementes de Ipomoea ssp.950 espécies subcosmopolitas. O efeito tóxico foi observado no cérebro.. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 1998a e 1998b). já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. A I. dos quais 25 são endêmicos.. 1997). hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. 2000). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. pescapae (Madeira et al. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. 1996). O extrato diclorometano de I. conhecida popularmente como salsa-da-praia. 1996).. espasmolítica (Medeiros et al. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. encontram-se árvores. lianas e ervas (Mabberley. 1990)... Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. 1991). Foram isolados de I. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1998). stans três tetrassacarídeos. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1996). muitos destes com grande ocorrência no Brasil... A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I.

visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Physalis. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. Brunsfelsia. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir.• Solanoideae. de onde se isolou. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Gambá. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. como Juá-bravo. Managá-caa. Lycopersicum. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. descrito posteriormente. entre outros inúmeros compostos. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. Nos estudos realizados. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. especialmente na espécie Hyosciamus niger. com inúmeros representantes no Brasil. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. da famosa espécie Nicotiana tabacum. Fumobravo. do famoso Tomate. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. dessa subfamília. tanto do ponto de vista farmacológico. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. na qual se encontram os gêneros Capsicum. importante ferramenta farmacológica e. e Solanum. . • Cestroideae. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. da famosa Datura stramonium. a capsaicina. Manacá-açu e Jeratacaca. Nomes populares Na região amazônica. Datura. Cuvitinga e outras espécies. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. fonte de nicotina. Don. ainda do ponto de vista comercial e social. pelos nomes de Manacá-da-serra. Em outras regiões.

diclamídeas. Mata-fome. bilocular. longo-pecioladas. com anteras azuladas. sem estipulas. agudas. Mulaca. caule verde. Joá-de-capote. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. ereto e crasso. possui. Nomes populares A espécie é chamada.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. especialmente na Amazônia. pentâmeras. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. muito ramificado. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Joá. bolha". Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. flores amarelas. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O chá preparado com raiz de . semente rufescente (Figura 25. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. Juá-de-capote. ovário bicarpelar. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Dados botânicos Erva com muitos ramos. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Physalis angulata L. androceu com cinco estames. folhas elípticas e acuminadas. fruto esverdeado do tipo baga. pequenas. de Camapu. na região amazônica. Bolsa mulaca. flores dispostas em cimeiras. referindo-se à forma do fruto. glabra. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas inteiras. súpero. hermafroditas. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa.1).

Juripeba.. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. 1993). Juuna e Juvena. na Paraíba. 1982). a infusão da sua raiz. outros. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. no Pará. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. Solanum paniculatum L. malária. os frutos são desobstruentes. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1990). interna e externamente. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. bem como no combate a febre. 1980. .camapu misturada com raiz de açaí.. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. útil contra reumatismo. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. 1984) e a raiz. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. No Peru. em Minas Gerais. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. 1990). enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. problemas hepáticos. contra inflamações. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. 1984). 1980). hepatite e reumatismo (Forero. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. 1998). Rutter. para tratar hepatite. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. renais e de vesícula biliar (De Almeida. contra icterícias (Schultes & Raffauf. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. da Amazônia brasileira. 1994). diuréticos e resolutivos (Corrêa. No Brasil. vômito. 1995). contra vermes. 1974-1975). 1980). dermatites e doenças de pele. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. Jubeba. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. e suas folhas têm uso diurético. problemas hepáticos.

O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. muitas delas de grande valor econômico. especialmente contra lombrigas.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. além de ser indicada contra problemas do estômago. muito parecidas com as da Batata-inglesa. de onde é obtida pelos habitantes locais. ereta.700 espécies subcosmopolitas. flores em umbela. sendo úteis contra icterícia. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Inclui inúmeras variedades. Solanum tuberosum L. sinuosas e acuminadas. fruto do tipo baga globosa. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. hepatite e febres intermitentes. desiguais. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. dispostas em racemos. folhas alternas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. todas cultivadas. de caule alado. es- . lilás ou roxas. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). carnosos. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. brancos ou amarelados. flores brancas. alívio". fruto do tipo baga redonda. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior.

obtido de suas partes aéreas.. 1987. 1987. Glotter et al. 1988.. 1977 e 1978). além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1980. alcoóis e ésteres.. dos quais foram caracterizados. Alcalóides foram isolados de P. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1986).. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. 1986). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis.. As sementes de B. P. principalmente. P viscosa (Maslennikova et al. Na região. 1987). P peruviana (Gottlieb et al. identificou a presença de 122 compostos.. 1977). De B. P. espécie de origem cubana. nitida. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. No óleo das sementes de B. alkekengi (Kawai et al. minima (Mulchandani et al. 1980. ixocarpa (Abdullaev et al. 1995). hidrocarbonetos. 1985... 1977a). 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. Gottlieb et al.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. ácido palmítico (7.. Frolow et al. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.5%).. 1994).52%) (Maestri & Guzman. aldeídos. grandiflora. com ciclopropenóides. cetonas.. Eguchi et al. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75.5%).. 1980) e P. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. ácido oléico (11. Vasina et al. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. peruviana (Sahai & Ray. Sinha et al. 1996). a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). Itoh et al.. angulata (Row et al. 1986.25%) e ácido ricinoléico (0.. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. Já da casca da raiz de B. Oshima . 1985).. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. 1986). 1991).. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. Do gênero Physalis.. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. 1979a. P pubescens (Reddy et al.8%). 1981). Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários.

1989. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina.. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. Chen et al. indica foram isolados vitasteróides. flavonóides (Ser. 1988). Oliveira et al. 1990).. fisalina B e quercetina (Gupta et al. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. 1987 e 1990. 1992). Banton et al. figrina. fisangulídeo. enquanto das folhas de P. vitagulatina A. calcyina var. vamonolídeo. além de alcalóides. hopeana. Chen et al. Uma triagem hipocrática em ratos. 1991).. Dinan et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. acetil colina. B. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. 2001). 1967a e 1967b). angulata foram isolados ainda vitasteróides. uniflora. O extrato aquoso de B. De P. revelou atividade depressora do SNC.. 1986). artrites. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. 1987). beta-sitosterol. flavonóides (Ismail & Alan. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. utilizada para picadas de cobra. B. neoclorogenina.... 1990.. bronquites. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. vitaminimina. 1992b e 1992c). A administração oral de B.et al.. Spainhour et al. 1988 e 1989). 1968. com extratos da raiz de B. . 1990). Ripperger et al. 1983. ácido clorogênico. bonodora. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo... 1977). que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 1987. 1987b.. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. Já da raiz de B.. fisagulina A e K. 1990). 1988). 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. glicosídeos.. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo... Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. De P. minima var. pauciflora e B. 1993. australis (McBarron & de Sarem. 1989. febre e picadas de cobra.. 1975. além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1997).. Neilson & Burren. Shingu et al. aianinas. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al.. vitangulatina A. 1992a.. Vasina et al. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. Moiseeva et al. 1986.. floribunda. 1997. 1990.

Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. moluscicida (Almeida & Fonteles. et al.. et al. 1990). 1989). Kusumoto et al. O estudo dos vitanolídeos de P.Para a Physalis angulata. V. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. e a atividade imunoestimulante.. anticoagulante (Kone-Bamba et al. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. G. V. Barbi et al. 1992a e 1992b). et al. embora outros sinais também tenham sido verificados. Ribeiro et al. alcoólicos. incluindo leucemias. M. 1998b). V.. Chiang et al.. 1998). M. Os extratos aquosos.. M. melanomas.. 1990). O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade.. antiviral (Otake et al. etanólicos e esteroidal mostraram... M. V. T. 1998. aqui descrita.. V.. Silva.. M. et al. antiespasmódica.. in vitro e in vivo. 2000). I. antimutagênica.. 1988). citotóxica. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. M. antigonorréica. Soares et al.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. M.. tripanossomicida (Barbi et al. 1998. 1998). 1998).. M. 1991. 1998. 1997. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. imunomoduladora (Rosas et al. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. 2002... et al. anticolinérgica (Fonteles et al. Pietro et al. antileucêmica. V. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. Haussmann et al. 1997. Das folhas de P. quando ingeridas em dose única ou repetida. imunoestimulante (Carvalho. como movimento . aos esteóides. antibacteriana (Hussain et al. Carvalho. Nos frutos de P.. 1998). anti-séptica. niruri e P. 1998). antiasmática. constataram-se atividades hipotensora. 1998) e antineoplásica (Carvalho. 1992a e 1992b). P. diurética. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro.. Kurokawa et al. 1987). 1992.. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D.. 1987). et al. 1995. entre outras (Lin et al. et al.. entre outras. 1998).. et al. 1993.

1991). perda de peso.Banco de imagens - . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . FIGURA 25. estiramento e contração das patas traseiras. falta de apetite. irritabilidade. salivação.1 . tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. Além disso.de mastigação.Physalis angulata. às vezes levando-o ao chão.

Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. das quais se destacam as Boraginaceae. freqüentemente . com aproximadamente 2. Di Stasi E. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Nas regiões de estudo. arbustos. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). Guimarães C. espalhadas por todo o planeta. Santos C. 1997). inclui 130 gêneros distintos. A.300 espécies (Mabberley. Amazônia e Mata Atlântica. A família inclui árvores. apesar de incluir apenas oito famílias.26 Lamiales medicinais L. as quais serão discutidas a seguir. C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. M. M.

agudas. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. • Cynoglossum. com até 12 cm de comprimento. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.herbáceas e raramente lianas. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. inflorescência espigosa. Borago e Symphytum (Boraginoideae). a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. Nomes populares A espécie é chamada. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. formando grandes populações em áreas litorâneas. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. 1998). lanceoladas. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. densa. um dos gêneros mais comuns no Brasil. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae.1). • Heliotropium (Heliotropioideae). de onde saem folhas sésseis. pubescentes na face inferior. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. sendo raramente encontrada no interior de matas. muito ramificado. É uma planta heliófita e higrófita. de Ervabaleeira. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale.

Heliotropium indicum L. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. dispostas em espigas solitárias. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. furúnculos e também contra queimaduras. amplexicaule e H. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. anginas. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". com ramos lisos e glabros. Crista-de-galo. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. incluindo úlceras. faringites. Jamacanga e Jacuacanga. com dispersão regiões tropicais e temperadas.5 a 1 m de altura. ovadas ou cordiformes e acuminadas. tubulosas. e as espécies H. 1994). de flores brancas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. folhas pecioladas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. inflorescência curvada. abcessos. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. alternas. Na medicina tradicional salvadorenha. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. Aguaraquiunha. e trepein = "mudar". O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. . de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. estomatites. e seu suco é de alto valor contra aftas. glabro ou pubescente. fruto formado como uma mitra. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. europaeum são reconhecidamente medicinais. Segundo Corrêa (1984). com flores brancas ou azuis. É uma planta anual. moléstias cutâneas e feridas.

lupeol. fruto com quatro aquênios lisos. 1994). O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. De H. dispostas radialmente. . Língua-de-vaca. taninos e triterpenos. Erva-do-cardeal. 1996). caule curto e ramoso. Consolda maior. acuminadas no ápice. Outros nomes são Consolda. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. enquanto as raízes. inflamação e dores de barriga. flores grandes.. lasiocarpina. distúrbios estomacais. amarelas ou rosas. com folhas ovadas ou oblongas. Sonsólida. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. tubulosas. ásperas e onduladas. europina. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. além de alcalóides e taninos. de Confrei. vistosas. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. Nomes populares A espécie é chamada.Symphytum officinale L. como beta-sitosterol. 1986). Das partes aéreas de H. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. Orelha-de-vaca etc.

de H. keralense (isolicopsamina. 1988). 1995). 1988). 1995) e H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. heliotrina. H. spathulatum (Roeder et al. Das partes aéreas de H.. supinina e europina (Rizk et al. hirsutissimum (Guner et al. stenophyllum. (1990). lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. H. 1988). curassavicum (Davicino et al. bursiferum (Marquina et al. 1994). intermedina e retronecina) por Ravi et al. 1986).. em H. heliotrina e lasiocarpina (Guner. esfandiarii (Yassa et al.. europina. 1995b). heliotrina..De H. lasiocarpum (Akramov. 1996). 1987). heliotrina e lasiocarpina e.. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. curassavicum var. licopsamina amabilina. (1989). H. 1995b. coromandalina... arborescens (Bourauel et al.. H. e heliotropina de H. heliovicina. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . H. heleurina. em menor quantidade. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1991). H. curassavina. echinatina. H. heleurina. rotundifolium (europina. em que se . Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero.. coromandalinina. 1989). destacando-se compostos fenólicos em H. 1988). 1990). dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. bovei. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. subulatum (Malik & Rahman. 1988. 1988). Farrag et al. Reina et al. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. curassavinina. 1996)..a heliospatina e o heliospatulina . europina e supinina em H. heliotrina e lasiocarpina de H. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. argentinum e var.. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al.

1989) e esteróis e quinonas em H. filifolium (Urzua et al. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. 1994 e 1996). verbenacea. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. solicifolia (Hayashi et al. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C.. 2001). Os constituintes fenólicos denominados galangina. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.... Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 2002). 1987).. curassavica (Ioset et al. sakuranetina foram isolados da resina de H.. 7-O-metileriodictiol.descreveram os constituintes galangina. ovalifolium (Guntern et al. C.. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes.. 1990).. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. stenophyllum (Villarroel & Urzua. alliodora (Ioset et al. C. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. tais como ácido rosmarínico. A H. Al Awadi et al. Sertie et al. 2001).3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al.... derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 1995. 1996). 2000b). pinocembrina. pinocembrina. 7. 3-0-metilgalangina. 1996). 1996). chenopodiaceum. 2001).. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . 2000a) e C. 2001) e de C.. bacciferum (Miralles et al. De H.3'-dimetileriodictiol. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. filifolium também foram isolados. pinobanksina-3-acetato. As propriedades antifúngicos. hesperetina. Os flavonóides ayanina. do exsudato. pinocembrina. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. dentre outras espécies (Ficarra et al. myxa. Do exsudato resinoso de H. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. 1998). linnaei (Ioset et al. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. 1990). 1991 e 1988. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 1990). De H. C..

Jain et al. assim como todo o gênero Heliotropium. 1994. 1987. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. ellipticum e H. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. Portanto... também denominada Labiatae. argentinum apresentam genotoxicidade.paz de inibir efetivamente o B. infusão ou chás por via oral. Dados toxicológicos A espécie. 2001). reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. 1997). a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . Singh et al. 1987).. Das partes aéreas de H. 2001a e 2001b). europaeum e H. bursiferum (Marouina et al. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. 1992). De H.700 espécies. é potencialmente tóxica. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. 1995). foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. porcos e aves (Gaul et al. Eroksuz et al. Alcalóides isolados de H. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.. 1989). subtilis como o extrato bruto de H. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado.. 2002... nos quais se distribuem 6. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma.

alimentos. com haste suculenta. pubescentes. Salvia. Lamioideae: Leonotis. Scutellarioideae: Scutellaria. Origanum. com cálice tubuloso. corola com tubo infundibuliforme. especialmente americanas. . Ajugoideae: Ajuga. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. folhas pecioladas. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Thymus. Malva. Teucrioideae: Teucrium. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Satureja. Melissa. Nepetoideae: Hyssopus. obovais. Leucas e Sideritis. Lavandula. Salva. Ocimum. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Rosmarinus. do ponto de vista medicinal. crenadas. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. oposto-decussadas. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. 1997). pois são usadas como condimentos. Salva-do-campo. ex Benth. bilabiado. Hyptis e Plectranthus. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. Pogostemonoideae: Pogostemon.2). Mentha. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. rígidas.(Mabberley. flores dispostas em capítulos pedunculados. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Trata-se de uma importante família. Dados botânicos A planta é uma erva ereta.

Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. antigripal. cólicas menstruais e problemas digestivos. flores dispostas em racemos densos e verticelados. flores pediceladas com quatro estames. de até 2 m de altura. para regular a menstruação.3). . e inclui apenas quinze espécies tropicais. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. Nomes populares A espécie é chamada. mas não foi completamente identificada. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". formando capítulos globosos isolados (Figura 26. e a infusão da planta toda. um pouco lenhosa. de Rubim. folhas opostas. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. ovadas e subcordiformes na base. Dados botânicos Erva anual. diarréia. Leonotis nepetaefolia Hort. sudoríficos. a decocção das folhas é usada contra malária. Na região da Mata Atlântica. com caule quadrangular aveludado e pubescente. de constipações e artrites (Van den Berg. icterícia. Na Mata Atlântica. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. 1982). por causa do lábio superior da corola grande e ereto. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. recebe o mesmo nome. emenagogos. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. anti-reumático e contra cólicas menstruais.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. na região amazônica e em quase todo o Brasil.

internamente. febrífuga e diurética. Leucas martinicensis R. 1986). em Minas Gerais (Verardo. o chá de toda a planta. folhas pecioladas. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. a planta florida é usada na fraqueza geral. com lábio superior 1-2 . uma xícara por dia. a infusão das folhas é usada. como cicatrizante. 1980). reumatismo. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos.. ramos quadrangulares. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. Na região do Vale do Ribeira. 1982). corola bilabiada. pilosos e sulcados. 1982). Br. no Ceará (Matos et al. raramente arredondadas. antiasmática. pubescentes nas duas faces e membranosas. ovadas ou oblongolanceoladas. cálice bilabiado. de caule ereto. especialmente de barriga e. herbáceo. 1982. é utilizado como anti-reumático. Dados botânicos Planta anual. duas vezes ao dia. flores sésseis. útil contra úlceras. dores gerais. distúrbios do estômago. externamente. nas inflamações broncopulmonares. no Mato Grosso. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A planta é também considerada antiespasmódica. durante dois dias. 1984). sendo ainda indicada contra úlceras. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg.. como Cordão-de-frade. como abortivo e antitérmico (Simões et al. Grandi & Siqueira. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. antireumática. hipotensão. com cinco segmentos acuminados. contra gripes. no Rio Grande do Sul. na Mata Atlântica. desiguais entre si. brancas. ramoso e pubescente. facilitando a expectoração.

formando espigas no ápice dos ramos. ramos eretos e opostos. flores violáceas. O nome do gênero Leucas. corola gamopétala. fruto do tipo aquênio (Figura 26. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho.lobado e o inferior 1-3 lobado. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26.5). nome recebido em todo o Brasil. planas. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. A planta também é utilizada como tônico. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. bilabiada. Hortelã-das-cozinhas. . os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. e seu cozimento é indicado como antireumático. significa "branco". contra tumores. Dados botânicos A espécie M. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. topicamente. filha de Cocylus. pouco aveludada. folhas opostas. piperita é um híbrido de M. de porte herbáceo. diclamídeas. um pouco pubescentes. difere da M. referindo-se à cor das flores. na forma de gargarejo. Menta e Hortelã-verdadeira. com raiz fibrosa e caule ereto. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. zigomorfas. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. é usado sobre gargantas inflamadas. dela. decussadas. antiespasmódico e contra nevralgias. o macerado das folhas em água. externamente. numerosas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. hermafroditas. viridis e M. pentâmeras. agudas. contra dores musculares e reumatismo. serrilhadas.4). as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. Na região do Vale do Ribeira. 1984). na Mata Atlântica. ramoso. curto-pecioladas. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. apenas de Hortelã. descrito por Robert Brown. aquatica.

no Rio Grande do Sul. . em Brasília. garganta e dentes (Simões et al. vômitos. estimulante do fluxo biliar. 1982) e como anti-séptico. a infusão das folhas. carminativas. 1984). Outros usos incluem suas propriedades tônicas. eólicas uterinas. Hortelã-graúda. Na região da Mata Atlântica. três vezes ao dia. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. Hortelã-pequena. calmante. anti-reumático e contra insônia. timpanite. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. tremores. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. estomáquicas. em 1990. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. Mentha viridis L. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. dor de barriga. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Hortelã-comum. de Hortelã-verde. dores de cabeça. é indicada contra dores de estômago em crianças.. digestivas. musculares. A M. Nomes populares A espécie é chamada. estimulantes. 1986). catarros de mucosas. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. Hortelã-da-preta. 1991). diarréia. bronquite e tosses. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. sendo indicada contra flatulências. 1986). na região amazônica.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de estômago. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. antiespasmódicas. problemas cutâneos. dismenorréias e verminoses. Contudo. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. cólicas abdominais e tétano. 1980).

os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. denticuladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. pecioladas. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. bronquites. ameba e giárdia. ascendentes. cólicas. ovais ou oblongas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. bronquite e gripe. dores de estômago e "quebranto". garganta e estômago. tétano. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. Mentha pulegium L. em verticilos aproximados. Na região do Vale do Ribeira. além de ser considerada útil contra febres. cilíndrica e frouxa. inflorescência do tipo espiga. opostas. . ramos eretos.6). a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. dores de barriga e pedras nos rins. ovadolanceoladas. especialmente lombriga. glabras. flores rosas ou violeta-claras. corola e cálice campanulado (Figura 26. bastante pilosa e com aroma forte. serrilhadas. folhas subsésseis. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. assim como em todo o Brasil. gripes. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. com folhas pequenas. caule ereto. seu decocto é considerado útil contra tosse. tosses.

Alfavaca-de-cheiro. Alfavaca-do-campo. de caule ramoso. flores brancas ou rosas. O nome do gênero. dentadas. peitoral. significa "perfumada". Alfavacona. Ocimum canum Sims. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. de onde partem folhas opostas. especialmente de ocorrência na África. Alfavaquinha. com ramos tetrágonos e pubescentes. com até 50 cm de altura ou maior. referindo-se à planta toda. Alfavaca-cheirosa. ovadas. diurética e útil contra resfriados. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. Em outras regiões. entre outros. diarréias e disenterias. estimulante. pequenas e finas. estomáquica. Dados botânicos A planta é uma erva anual. descrito por Carl Linnaeus. Em outras regiões. . de Alfava. glabras. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.Ocimum basilicum L. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. assim como em todo o Brasil. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. diaforética. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. Ocimum.

Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. A decocção das raízes . pubescentes. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. ovadolanceoladas. flores roxas ou. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. além de diurética. tosses. de onde partem folhas ovais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. dores de cabeça e bronquites. é usada contra febres. carminativa. de ramos quadrangulares. béquica. contendo folhas pecioladas. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. serradas. As folhas cruas também são empregadas como condimento. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. fruto do tipo capsulas. flores vermelhas. a espécie é chamada de Alfavaca. raramente. diaforética. dispostas em racemos paniculados. tosses e desordens uterinas e renais. A planta toda é bastante aromática. amarelo-esverdeadas. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. dispnéia e reumatismo. pubescentes. verticiladas e dispostas em racemos. rins e uretra. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. glabras. denteadas. enquanto a infusão das partes aéreas.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. além de excelente na cura da coqueluche. verdes e finas. glabros e eretos. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso.

Ocimum micranthum Willd. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. glomerulada. pequenas. As folhas são ainda muito usadas como condimento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. inflorescência racemosa. gineceu com ovário ovóide. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. dores de cabeça e como sedativo para crianças. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. . Alfavaca-do-campo. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir.7). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. margem irregular. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. carminativa. sudorífica. diurética e útil contra tosses. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. problemas nervosos. congestão nasal e dor de cabeça. ovaladas. membranosas.é usada contra diarréias. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. distúrbios do estômago. e na Mata Atlântica. gripe e catarro no peito. folhas pecioladas. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. dores de cabeça e febres. núculas negras e lisas (Figura 26. agudas. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. como Manjericão. androceu com estames inclusos. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. Alfavacão.

pilosa. flores em glomérulos. Origanum vulgare L. dispostas em panículas. 1980). com ramos ascendentes. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. com até 50 cm de altura.Na região da Mata Atlântica. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. . Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. Patchuli ou Patchouli. dores de cabeça e tosse. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. de onde partem folhas ovais. vilosas. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). as folhas são consideradas úteis contra gripes. no Mato Grosso (Van den Berg. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. de base arredondada e margem denteada. além de a espécie ser utilizada também como condimento. tosses e bronquites. a infusão das folhas é usada contra infecções. formando uma espiga terminal. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. no Pará (Amorozo & Gély. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Pogostemon patchouly Pellet. 1988). sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. 1984). enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal.

hermafroditas. 1991). Uma outra análise do óleo essencial de H. alfa-bergamoteno. 1988. sedativo e hipotensor. dos quais 32 foram identificados. suaveolens por Misra et al. como beta- . bicarpelar. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. fruto seco (Figura 26. três formando um lábio aberto. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. flores diclamídeas. bilocular. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante.. O óleo essencial das partes aéreas de H. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al.8-cineol. sendo mais comuns o beta-cariofileno. predominantemente de sesquitepenos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero Pogostemon. 1990). Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. 1990). 1..8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). Triterpenóides foram isolados de H. corola com quatro lobos. ovário supero. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. suaveolens possui setenta componentes. (1982). pentâmeras. terpinen-4-ol. cruzadas. androceu com estames excertos. Das folhas de H. flores em glomérulos.8). significa "estames barbados". com espigas compostas. Azevedo et al. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al.. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. sabineno e alfa-copaeno (Din et al.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. 2001 e 2002). Existem. porém. descrito por Desf. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. com dois óvulos em cada lóculo..

spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. Porém. (1980). 1990b). 1990) e de H.. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. 1996). uma outra análise do óleo de H. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. ácido ursólico. . Metil betulinato. sendo p-cimeno. (1978) e Blounietal. Das raízes de L. e de H. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. e de L. De H. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. 1990). mutabilis foram isolados triterpenos. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett.. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. umbrosa... campesterol. timol.. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica.elemeno. Das folhas de H. 4. 1988). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. ácido n-octacosanóico. ácido oleanólico acetato.. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. quercetina. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. 1987). 1988).. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1990).. gama-terpineno. Das partes aéreas de H. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. 1989). lignanas e flavononas (Messana et al. salzmanii foram isolados diterpenos. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1991). Em H. 1988). albida foram isoladas triterpenolactonas.6. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1988). 1990). beta-cariofileno. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol.. 1987a). De H. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes.

O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. 1987). piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. triptofano e metionina (Dinda et al. A M.. 1987). N. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M.7. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. brassicasterol. Com isso. glicina. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. treonina. fenilalanina.10%) e 1. hidroxiprolina. colesterol. T.3'. mentocubanona.8-cineol (6. prolina. 1996). 1987).. 1988). flavonas himenoxina. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. De L. metil acetato (16.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. Das partes aéreas de L.. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison.. 1986).64%).80%). Vaverkova et al..07%) e mentano (11. serina. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. 1986 e 1987). que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil.. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. 1996). 5-hidroxi-6.80%). officinalis. O óleo essencial de três variedades de M. mentona (24. 1990) e um composto fenólico (Misra. sendo os principais terpenos mentol. et al. ácido aspártico. das partes aéreas de L. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . mentofurano (19.20%). 1987.84%).4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. piperita var. 1979). Da espécie L. ácido glutâmico. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. lisina. Das raízes de L. mentona. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. tirosina. alanina.. Mentha A composição do óleo essencial de M. 1995).

b-cariofileno. Mg. nicotinamida. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. K. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. cadideno. 1987). Foram ainda isolados mono. 1989). Zi e Cu. 1988). como alfa-pineno. 1. 1992).6. peroxidases. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. Em Mentha viridis var. 1986). Nas folhas de M. reduzindo significativamente a concentração de mentol. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. fitosterol. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.. Fe.. vitaminas C e D2. betasitosterina. 1990) e flavonóides glicorilados. Ca.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. resinas. luteolina e 5.7. caféico e clorogênico. Mg. ácidos p-cumárico. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial.8-cineol. De M.3'. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. catalase. fenílico.8. . limoneno. glicídios. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa..e sesquiterpenóides.

1990). Sharma et al. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. Das sementes de O. 1. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. O óleo essencial de O. 1996). canum foram isolados diversos componentes.. 1989). eugenol.. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al.. 1981. t-bergamoteno..cariofileno.. 1987... b-cariofileno.. De O. 1986. flores e caule de O. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.. o eugenol é o constituinte majoritário.8-cineol. Do óleo essencial das folhas. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. beta-cariofileno. 1987. sendo 1. 1986. linalol. Na China. já citados. 1987). 1996). 1997). gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. cis-ocimeno. 1990). eugenol. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. 1988. Lawrence.... compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. 1983). as folhas e flores de O. De O. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. gratissimum é composto de gamaterpineno. sendo eugenol. . Nas folhas. 1989). Das folhas da O. Borges et al. eugenol (Ekundayo et al. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Em Cuba. hidrocarbonetos como p-cimeno. Sakurai et al. 1987). 1981).. 1996 e 1997a). 1986. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.8-cineol. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol.. 1986. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. Porém. Phan et al. 1988). O óleo essencial de O. 1996a).Patel et al. basilicum (Brophy & Jogia. Kartnig & Simon.. 1990). micranthum foram isolados vinte compostos.. 1986... Khanna et al. Takahashi et al. Ocimum Do óleo essencial de O.. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.

mirístico. palmítico esteárico.. 1989). Das sementes de O. linolênico e araquídico (Malik et al. 1984).. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. Murugesan & Damodaran.8cineol. oléico. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. ácido caféico. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. esculina (Skaltsa & Philianos. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. 1989)... linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. kaempferol-3-O-rutinosídeo. 1978). na Turquia. esculetina. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. 1986. No Paquistão. basilicum foram isolados quercetina. sabineno e eugenol (Retamar et al. 1990. 1995).. basilicum apresenta 44 compostos. o óleo essencial de O. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. De O. 1987). cetonas. alcoóis. ácidos orgânicos. A espécie O. 1994). 1987. b-sitosterol.. sendo Metil chavicol. 1987). linalol. 1989). rubrum foram isolados borneol. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico.. 1985. isoquercitrina. kaempferol. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. Das flores de O. 1996). ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1991).8cineol e eugenol. linoléico. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. Das folhas de O. basilicum e O. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes.. 1995). terpenos. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. além de metilchavicol. Thoppil.. 1996).. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. 1. quercetin-3-O-diglucosídeo. 1990). Fatope & Takeda. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. 1. além de ácido p-cumárico. rutina. Em O. eriodictiol. triacontanol ferulato. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. 1995). láurico. Ekundayo et al. 1996).O óleo essencial de O. já comentados (Modawi et al. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. nesse caso. 1988). Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. sanctum possui estigmasterol.. basilicum da Austrália (Lachowicz et al..8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. fenóis. No Marrocos foram isolados 28 constituintes.. timol. A casca do caule de O. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. sendo. 1.

. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. cablin (Akhila . kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1984). viride (Ekundayo. flavonas. Foram isolados de P purpurascens. Pogostemon As folhas de P. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O.Além desses compostos. 1986). 1981). flavonas (Patwarphan & Gupta.. 1985). parviflorus (Nanda et al. 1984) e grandes quantidades de timol em O. lactonas sesquiterpenóides de P.

atrorubens. 1990). também conhecido como Sambacaitá... Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. 1998). 1990).. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. 1987. Phadnis et al. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.. 1988. auricularis (Prakash et al. umbrosa. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. F et al.. 1984. garwal et al. betasitosterol. mutabilis... além de outros diterpenóides (Hussaini et al. H.. suaveolens e H. 1994.& Nigan.. 1989). Coelho et al. saxatilis (Fernandes. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. suaveolens apresenta 32 terpenóides. analgésica (Freitas et al. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. a-bulneseno. 1971). O óleo essencial de H. pectinata (Bispo et al. C. estigmasterol. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. Silva et al... Em H. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. 1998). Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al.. plectranthoides (Esvandzhiya et al. 1977. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.. Foram identificados n-octacosanol. beta-amirina. 1997).. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. Munck & Croteau. comumente utilizada como calmante. 1988). 1990). H. Do óleo essencial das folhas de P.. ovalifolia e H. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1987... Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. 1998) e atóxica (Junior et al. crenata. . 1984). 1998). 1988). Em H. P. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. 1989).. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa.. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al.. 2001). plectranthoides foram investigados experimentalmente. et al.. Thapa et al.

. 1988). do extrato de H. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.. 1995). 1979). 1995)... enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica.. e Novelo et al.. Saksena & Saksena. 1985. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. Calixto et al. 1988). nepetaefolia. antimicrobiana (Cos et al.. 1988). 1976.. capitata foi isolado o ácido ursólico. verticillata. Do extrato metanólico de H. ramos e flores de H. 1980. Coelho et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. Diterpenóides isolados de H. 1993) foram atribuídas a H. 1988.. 1984). capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. 2002). porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al.. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi... leonurus (Bienvenu et al. Posteriormente. 1988). Leonotis Em L. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.. 1988). que foram testados quanto à sua citotoxicidade. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. 1988).. 1988. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. 2002). 1995. Mentha O infuso das folhas de M. foram detectadas as atividades broncodilatadora. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. conhecido como Cordão-de-frade. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. enquanto extratos de folhas. Forster et al. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano.As propriedades antibacterianas. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. anti-hipertensiva e espasmolítica.. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. Di .

americanus (Jain & Agrawal. A. 2000). 2001 e 2002). O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M.. 1986a. antifertilidade.. Em O. 1987b). 1986). Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma.. determinaram-se propriedades fungicida. sanctum (Phadke & Kulkarni.Stasi et al. enquanto estudos com O. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 2002).. 1981).. 1986). arvensis (Ceruti et al.. 1986c) e em O. utilizando-se M. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. Lahlou et ai. 2002). sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória.. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 2002. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. cordifolia (Villasenor et al. O. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1986a. antiespasmódica (Di Stasi et ai. Além das atividades já relatadas com M. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. 1989). micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa.. basilicum demonstraram atividades analgésica. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 1978) e O. crispa (Mello et ai. Queiroz & Brandão. 1988. Chen et al.. Extratos brutos de O. também verificada com extratos de O. cannum (Dubey et ai.. et ai. piperita (Ansari et al. R.. 1987. piperita. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. 1986a).. 1987). 1982. Ocimum Verificou-se que a espécie O. Sharma & Jocob. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. sanctum (Dey & Choudhuri. O óleo essencial de O. 1989). Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. gratissimum (Atai et ai. 1984). 1989) e diurética (Carvalho et ai. Do híbrido.. 2002).. antibacteriana. 1998). . (1968). 1986b). espasmolítica (Queiroz & Reis.. Queiroz & Reis. Almeida et ai. 1993. Queiroz & Brandão...

adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al.. 1996).. mas a administração de O. 1994b. Vanderlinde et al. basilicum (Dube et al.. suave foram utilizadas como repelente de insetos. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. O óleo essencial de O. 1997). sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O.. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. 1989). 1992. Vanderlinde et al. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. antiinflamatória. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica.. 1986).. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 1994). o ácido ursólico. Nakamura et ai. gratissimum (Sobti et al.. 1994). 1989).. Das folhas de O. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al.. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. . O. 2002). 1994a). 1995) e O.. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai.O. Vanderlinde et al. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al.. et ai.. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. 1996). Os óleos fixos de O. suave (Tan et al. 1992. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04.. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. 1994. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. Vanisree & Devaki. 1999. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar... 2001). 1986). 1986). Vanderlinde et al.. E. Extrato etanólico das folhas de O. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 1990). As folhas de O. O óleo essencial de O. 1993. que apresentou atividade protetora do mastócito. enquanto a O. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. O óleo essencial de O. Das folhas de O. 1995).

arbustos e ervas. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. sobretudo em crianças.5 ml/kg. Sálvia e Salva-da-gripe. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo.) N. alternas ou opostas . Compreendem árvores. 1986). caule e ramos primários.E. Stachytarpheta e Lippia.Br. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. provocando sonolência. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. 1995). 1984). Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. pubescentes. ascendentes.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. longos. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. como Erva-cidreira-do-campo. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Alecrim-docampo. Salsa. e em outras. 1997). especialmente da América do Sul (Mabberley. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. Salva-limão. folhas pecioladas. Salva-brava. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. quadrangulares.

tosses e gripes.9). 1980). o chá das folhas é utilizado como calmante. como antigripal e calmante. Essa espécie é usada como antiespasmódica. flores pequenas. 1988).(às vezes na mesma planta). o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. no Mato Grosso (Van der Berg. Salva. cálice curto. corola bilabiada. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. o chá das folhas é utilizado como calmante. reunidas em inflorescências vistosas. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. 1984). 1980). Dados botânicos Planta de pequeno porte. no Rio Grande do Sul (Simões et al. sem estipulas. Lippia grandís Schan. pubescente e bipartido. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. cálice curto. emenagoga (Corrêa. além de problemas do estômago. membranoso. na Paraíba (Agra. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais.. fruto com dois mericarpos plano- . flores pequenas. relaxante e contra intoxicações gerais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas pecioladas. diclamídeas. no Pará. náuseas. estomáquica. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. Na região do Vale do Ribeira. Malva e Nulva-do-marajó. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. cólica do estômago. hermafroditas. reunidas em inflorescências capituliformes. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. 1986). pentâmeras. fruto do tipo capsular branco. sementes pequenas (Figura 26.

nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. behênico e lignocérico (Macambira et al. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. é usado contra problemas do fígado. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. monoterpenos. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. (1986 e 1987). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gama-terpineno. araquídico.. Hernandulcina. esteárico. 1987). 1986. timol. naringenina. canescens e I. limoneno. Souto-Bachiller et al. 1987). o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. 1982).. As espécies L. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno.. o chá das folhas. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. 1987. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia.. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al.. p-cinieno. 1996a e 1996b).. Da espécie L. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. a mais estudada é a L sidoides. 1981). 1987). Craveiro et al. No óleo essencial de L. Sauerwein et al. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. Matos et al. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. lapachenol. dulcis (Bubnov & Gurskii. geranial.. americana foram obtidos ácidos graxos livres. 1986..vanílico. timol. (1981). mirceno. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. betacariofileno (Craveiro et al.. Já de L. acacetina. Vários terpenóides foram isolados de L. alfa-cubebeno. 1996). 1991. citral e carvona (Matos et al. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al..convexos.. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . três vezes ao dia. 1981). 1983). ukambensis (Chogo & Crank. 1980). e do caule e folhas foram obtidos ácido . Da parte aérea de L.

43%) e piperitenona (11. 1. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.espécies de L. 1991 e 1995). Das folhas e flores de L. 1988).8-cineol.. 1996a). 1987). limoneno. p-cimeno. fissicalyx (Retamar et al. 1990. 1989).8-cineol (2. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. timol. timol.8-cineol (15. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.. 1996b). 1990). O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. Os constituintes p-cimeno. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. 1990). hispidulina.35%). De L. cirsimaritina.. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol.23%) e metiltimol (2. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. 6-hidroxiluteolina. O óleo essencial de L. wilmsii foram isolados quinze componentes.e beta-pineno. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. dos quais foram identificados piperitona (28.27%). quatro éteres.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.67%). sabineno. p-cimeno (3.33%). 1987).. acetato de timol (17.origanoides foi quantificada. 1. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. Das partes aéreas e das raízes de L. .5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. graveolens.. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. neral. 1.12%). graveolens foram isolados pinocembrina..l. eupatorina. Das folhas de L. 1989).8-cineol. 1989). 1. a-pineno. diosmetina. Fun et al. alba e L.. quatro alcanos.97%) como principais componentes (Mwangi et al. 1994 e 1995). apigenina. sendo 22 hidrocarbonetos. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes..8-cineol. luteolina.. 1. alfa-terpineno (4. A composição química do óleo essencial de L. crisoeriol. germacreno D e elemol (Koumaglo et al.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al.. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.01%) ecariofileno (15. alfa. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al.. eupafolina. Dentre os compostos isolados. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. Do óleo das folhas de L.

19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. 1981). 1990). inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. Já o óleo essencial de L.. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. 1980 e 1987. polystachya.. gracilis foram observados aumento inotrópico. de L. 1995a). M. Do óleo das flores de L. grata (Viana et al. contribui para a coesão das células da pele.. 1996). efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. 1979).carvacrol. Moraes et al. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. 1997). sidoides mostrou atividade moluscicida. 1987). P D. 1998). multiflora.3%) (Zygadloet al. integrifolia e L. um éster do ácido caféico ligado ao 3. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. 1988a)..2% e 41. junelliana. Além disso. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. aristata (Moraes Filho et al.. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. 2002). 1996). um dos componentes principais.. respectivamente).Y.. 1980). 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al..4%. mircenona (31%) e de L. atribuída à presença de flavonóides (Santos. L. 1980). 2000). aristata (Rouquayrol et al.5%). 1996).. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. 1986).. enquanto o outro componente. turbinata e L. 1998).... 1990). polystachya foram isolados tujona (30.. Com a espécie L. Do extrato das folhas de L. Esse óleo. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al.. o verbascosídeo.4- .9%) elimoneno (13. Vale et al.. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. junelliana.. et al.. além de uma atividade moluscicida (Almeida. L. integrifolia foram isolados da cânfora (18. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. misturado a cremes.. et al. assim como o de L. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. De L. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1998.. lipifolil(6)-en-5-ona (18. antiulcerogênica (Pascual et al. Observou-se ainda atividade antitumoral com L...

.. 1992... nodiflora foi realizado um screening preliminar. 1988. Ximenes et al. porém. Menezes et al. 1992). 1986).. anestésica (Viana et al. 1988.. Almeida. S.. 1995. 1980. 1978). M. 1995b).. 1978. O óleo essencial das folhas de L. R. M. antifúngica (Lemos et al. 1979) e I.. O. grata. Moraes. atividades cicatrizante. 1979). ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al.. anti-hipertensiva. e o de L. Nas folhas de L... no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante.. 1980). 1979. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al.. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. O. Teixeira et al. et al. tranqüilizante (Matos et al. Matos et al... Laxoste et al. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al.dihidroxifeniletanol. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. graciliy (Fontenele et al. 1998). multiflora (Chanh et al.. Além disso. 1996. M. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. O óleo essencial de L. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. 1996). 1988). sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai.. Nunes. sidoides (Fonteneles & Sales. hipnótica e hipotensora (Noamesi. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. no qual se observaram atividades analgésica.. Os principais componentes do seu óleo essencial. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1977). Lacotes et al. apresentaram atividades antibacteriana. Viana et al. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L... antibacteriana (Aguiar et al. timol e carvacrol.. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. espasmolítica (Viana et al. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. geminata e L.. 1996.. 1994... sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses.. e no óleo essencial. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. 1984). 1978). L. moluscicida (Moraes. 1994. 2001). 1995). 1985). et al.. et al. Botelho & Soares. 1978). 1980. Teixeira. 1998). et al. 1988b). 1996). . Y.

.FIGURA 26. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.1 . b) escanerata com detalhe da inflorescência.

. 1998).2 . Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Hyptis crenata.FIGURA 26.

FIGURA 26.3 . Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leonotis nepetaefolia.

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .4 .Leucas martinicensis.FIGURA 26.

FIGURA 26.5 .Mentha piperita. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

Mentha viridis.FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Ocimum micranthum.FIGURA 26.7 .

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .8 .Pogostemon patchouly.FIGURA 26.

FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.9 .

foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. incluindo árvores. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Os gêneros mais importantes da . representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. 1997). Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). 1998. Bignoniaceae. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. as quais passamos a descrever. Mabberley. e reúne 120 gêneros. com aproximadamente 750 espécies. Scrophulariaceae.27 Scrophulariales medicinais C. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. arbustos e raramente ervas (Joly. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. Hiruma-Lima L. No estudo realizado. pertence à ordem Scrophulariales. lianas. C. A. subclasse Asteridae. Pedaliaceae e Scrophulariaceae.

folhas normalmente 2-3-folioladas. as quais são discutidas a seguir. contendo sementes oblongas (Figura 27. . Jacaranda caroba. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. No Brasil. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. e as várias espécies do gênero Zeyhera. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. uma delas.1).família. com folíolos peciolados. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. é descrita aqui. também é conhecida como Cipó-de-alho. fruto do tipo capsular largo. de ramos cilíndricos e glabros. os gêneros mais comuns são Tabebuia. elípticos e coriáceos. Em outras regiões do país. oblongo-linear. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. anteras glabras e ovário oblongo. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. curto-pecioladas. são Tabebuia e jacaranda. com gavinhas. o que gera o nome popular atribuído à espécie. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. Na região da Mata Atlântica. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. com ampla distribuição nas regiões tropicais. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". que inclui os Ipês e o Paud'arco. Pyrostegia. da famosa Flor-de-são-joão.

O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. flores tubulosas. dispostas em panículas. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Uma outra espécie do mesmo gênero. sendo amplamente usada como ornamental. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. Carobado-carrasco. Camboatá-pequeno. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. por ser mole e porosa. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. roxas. não completamente identificada e conhecida como . fruto do tipo capsular. Caroba-miúda.) DC. Jacaranda caroba (Vell. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. Camboté. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. coriáceos e glabros. Caroba-do-campo. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados.

. adstringente e anti-sifilítica. com ramos jovens delgados e folhagem densa. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. ou seja /'coberta de fogo". contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. Trata-se de uma espécie heliófita. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. O nome do gênero Pyrostegia. amplamente encontrada em campos. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. especialmente no Dia de São João. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente).2). Segundo Corrêa (1984).Carobinha. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas.5 cm de largura. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. como corimbos multiflorais. repletos de flores tubulares. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. sítios e quintais de residências. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. podendo ocorrer com flores amarelas.5 cm de largura (Figura 27. folhas com folíolos ovadooblongos. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. É muito comum no Brasil. raramente encontrada no interior de matas densas. especialmente em crianças. longas. inflorescências numerosas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. de cor laranja. descrito por Carel Borinov Presl. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética.

A espécie J. 1992).. A espécie J. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. especialmente a espécie Sesamum indicum. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. venusta a presença de aminoácidos. mas apenas cultivada. 1999).. acorendico presente na planta (Oguro et al. a família não é encontrada de forma espontânea. Espécies medicinais Sesamum indicum L. 1995). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. 1996). aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. 1976 e 1977).. No Brasil. .. sendo a maioria de ervas ou arbustos. 1996).Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. O extrato etanólico da espécie A. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. 1994). Foi detectada na flor de P..

além de seu uso na culinária. indicum foi caracterizada a presença de . 2001). folhas simples. flores amarelas. O óleo de gergelim. tosses secas. diarréias.. 1997). e.. dores de cabeça. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. vistosas.. 1995). inteiras e pubescentes. disenteria e catarro intestinal. 1988. Nas sementes de S. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. abortiva e anti-reumática e. para tratar constipação nasal crônica. opostas. osteoporose. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. no Egito e na Babilônia (Bown. 1995). visão fraca. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. para evitar perda de cabelos. externamente. e sobre as pernas para tratar paralisia. sesamolina (Mimura et al. 1990). 1997). com origem na Ásia tropical ou na África. Tashiro et al.Dados botânicos A planta é uma erva anual. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. episesaminona (Marchand et al.. clorosesamona hidroxisesamona é 2. distúrbios renais. contra hemorróidas (Bown. com muitas sementes oleosas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. fruto do tipo capsular. externamente. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. para alívio da dor de ouvido.

indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi.. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida.albumina. 2000 e 2001). indicum detectaram a presença de glicolipídios. globulina. glutelina (Singh & Khanna. indicum L. 1989. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. sesamina Do extrato aquoso de S. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. ácidos graxos. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. bem como três novos triglicosídeos.. (Kar & Mishra. Nas raízes de S. 1988).2000). 1993). . gama-tocoferol e sesamolina. Mimura. prolamina. 1996). 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. 1994). 1991). indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al.

.. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. 1997). indicum e S. 1988. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. O extrato de S. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias.. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S.. 1995).. 1992). em altas doses. 1992). Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. 1992). 1991). 1991).. 1994). . indicum (Takswchi et ai. protegendo-o contra danos oxidativos. alatum. 1990) e sesangolina. e. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. além de verbascosídeo.. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. 2001). sesamolina (Mimura et al. dessa forma. Da parte aérea de S. foram isoladas das sementes de S.Duas lignanas furânicas. Tashiro et al. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. angolense. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. alatosídeo A-C. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. 2002). Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. respectivamente (Kang et al. dois derivados do ciclohexiletanol. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S.. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai..

1997). Pupeiçava. bicarpelar.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Scobedia. com corola rotácea. bilabiada. pentâmeras. Verbascum e Wightia. Outros nome são Vassourinha. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. ovaldolanceoladas. incluindo árvores. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. nos quais estão distribuídas 5. Tapixaba. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. Veronica. Tupixaba. flores brancas.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Vassourinha-de-botão. especialmente dos gêneros Antirrhinum. crenadas e glabras. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. quatro estames didínamos. No Brasil. Esterhazia. arbustos e ervas. . aqui descrito como medicinal. Calceolaria e Maurandia. ovário supero. no Pará. pequenas. hermafroditas. Coerana-branca. popularmente conhecido como Vassoura. Ganha-aqui-ganha-acolá. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. purpurea e D. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. axilares. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. Vassoura. opostas. tais como Digitalis. das famosas D. algumas aquáticas (Mabberley. Nomes populares Na região amazônica. lanata.

emoliente. significa "vassoura". peitoral. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. emoliente e béquica (Corrêa. 1982. 1982. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na Paraíba. Coimbra. 1986). desordens menstruais. No Rio Grande do Sul. O nome do gênero. No Brasil. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. também. 1993. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. malária. picada de mosquito. Coee et al. tosse. bronquite. 1982. Encontrada em abundância na América do Sul. 1990). e as folhas. brotoejas. . a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. especialmente na Floresta Amazônica. 1988. hipoglicemiante. além de ser considerada tônica. erisipela e afecções cutâneas.. 1982).. coceiras.. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. 1994. Já entre os ticunas. Em Minas Gerais. 1996). o chá é preparado. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. por causa do seu emprego. para lavar feridas (Branch & da Silva.3). hepáticas e estomacais. Matos. 1980). para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. febrífuga. 1994. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély.bilocular. com muitos óvulos (Figura 27. bronquite. Verardo. pectoral. 1990). 1990). Nas tribos indígenas do Equador. com todas as partes da planta. também.. o chá da planta é usado contra hemorróidas. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. 1988). febre. para melhorar o estado geral do indivíduo. 1984). 1995). diabetes e hipertensão (De Almeida. Scoparia.. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. é utilizada como anti-hemorroidal. menstruais. Grandi et al.. expectorante. Grandi & Siqueira. hipotensiva. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. 1987). 1983). infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. essa espécie também é considerada emoliente. tosse. doenças venéreas. Cruz. e utilizada contra desordens respiratórias. problemas cardíacos. béquica. antidiabética e contra afecções catarrais. No Pará.

O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. O. anti-séptica. apigenina. antibacteriana gram-positiva. 1987). B e C (Kawasaki et al. expectorante e atóxica (Moura et al. Hayashi e al. M. antifúngica. dulcinol e ácidos dulcióico.. 1988. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis... 2001). escutelareína. anti-herpética. antiinflamatória (Freire et al. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. 1990b). acacetina... gentísico. depressora do SNC. sedativa e diurética (Ahmed et al. antiinflamatória. 1996).. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al.1988b). S. cinarosídeo D. 1988a e 1990c). 1993 e 1996a). et al. alfa-amirina... 1996b). Freire. obtidos da espécie. 1997. et al. betulínico. (1981). benzoxazolinona. iflainóico. M.. 1998).. antiviral. escopadulciol. 1986 e 1988a. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. Os ácidos escopadúlcico B. 1991).. glutinol e acacetina (Hayashi et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . 1990b). 1985). 1994. flavonas. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. 1993 e 1996) depressora (Freire. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. Hayashi et al. E. 1989. 1987. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. hipocolesterolêmica. cumárico..... beta-sitosterol. simpatomimética (Freire et al. antiespasmódica. Azevedo et al..Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 6-metoxibenzoxazolinona. 1990). manitol. hipertensiva (Freire et al. S. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. Torres et al.... 1990a e 1991). 1987 e 1988c). antidiabética (Jain.. Também foi detectada a presença de glicosídeos. entre outros compostos (Kawasaki et al. Dalla Torre et al. (1979) e Mahato et al. scopadulciol (Hayashi et al. 1993 e 1996).

1997a). 1978) (Banco de imagens - . 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1997a e 1997b). Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al.1 .vidade antimalarial in vitro (Riel et al. FIGURA 27.. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al.Adenocalyma alliaceum. 1993).. 1988b).... Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.

Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .Pyrostegia venusta.2 .FIGURA 27.

3 . 1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.Scoparia dulcis.

528 gêneros. exceto na Antártida (Mabberley. Os gêneros estão distri- . 1997). trepadeiras e ervas. Trata-se de uma grande ordem. arbóreas. Hiruma-Lima C. C.Ivan Martinov. com aproximadamente 22. Santos E. M. herbáceas. Di Stasi C. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta.750 espécies cosmopolitas.28 Asterales medicinais L. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. A. encontradas em todo o planeta. Essa família compreende 1. que passamos a descrever a seguir. M. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Inclui espécies arbustivas. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.

muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. com ampla distribuição no território brasileiro. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Novalgina e Anador. Calendula (Calenduleae). as importantes Carquejas. Wedelia. Calea. Lactuca. as várias espécies de Artemisia. Mikania. várias espécies do gênero Bidens. gênero da famosa Calêndula. a famosa Arnica. Tanacetum. das quais se destaca a Baccharis trimera. Achillea e Santolina (Anthemideae).buídos em três grandes subfamílias. Matricaria chamomila. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Zinnia. Ageratum. do gênero Arnica. e inúmeras plantas de . Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Achillea millefolium. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Baccharis e Solidago (Astereae). conhecida como Mil-folhas. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Nesse contexto. • Asteroideae Inula (Inuleae). sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. do gênero Mikania. Aster. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. especialmente a Mikania glomerata. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Matricaria. Ageratum conyzoides. Artemisia. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Semeio e Emilia (Senecioneae). Galinsoga. Arnica e Tagetes (Helenieae). o Mentrasto. Gnaphalium e Achyrocline. Calendula. a Camomila. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Bidens e Helianthus (Heliantheae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Saussurea e Echinopis (Cardueae). Calendula officinalis. tais como inúmeras Vernonia.

Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro.pequeno porte do gênero Eupatorium. apenas masculinas. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. com borda irregularmente serreada. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. a decocção das folhas é usada. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos".) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. amplamente usadas na medicina popular. caule comprimido e denso-piloso. externamente. ereta ou prostrada. onde foram incorporadas na medicina tradicional. curto-pecioladas. opostas. rasteira. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. folhas simples. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. oblongo lanceoladas. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. inteiras. flores unissexuais e marginais. de pequeno porte. internamente. Dados botânicos Planta anual. de ápice e base agudas. em Minas Gerais.1). como cicatrizante. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. como antiinflamatório e. Em outras regiões do país. . Na região do Vale do Ribeira.

sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas..A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. 1982) e. hemorroidais e pulmonares. dor de cabeça e dores gerais. contendo folhas oblongolanceoladas. com até 60 cm de altura. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. gripes e distúrbios do estômago. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). a espécie é chamada de Novalgina. no Uruguai. . sendo as marginais femininas e brancas. hermafroditas. flores dimorfas. Aquiléia. como contraceptivo feminino (Mabberley. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. reunidas em capítulos corimbosos. rizomatosa. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. agindo ainda como antiespasmódico. além de ser anti-helmíntica. 1997). raras são nativas das Américas. glabra. Dados botânicos A planta é uma erva perene. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. Milefólio e Mil-em-rama. amarelas e tubulosas. com caules ramosos. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. Em outras regiões do país. digestivo. e as centrais.

. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. a espécie é chamada de Mentrasto. ovadas. flores brancas ou lilases. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. com até 1 m de altura. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele.2). Nomes populares Na região da Mata Atlântica. significa "o que não envelhece". A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28.Ageratum conyzoides L. com folhas opostas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Em outras regiões do país. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. pecioladas. crenadas. anti-reumático e contra cólicas menstruais. tônica. carminativa. anti-reumática. antidiarréica. e o nome do gênero. Dados botânicos A planta é uma erva anual. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. Baccharis trimera (Lers) DC. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Carqueja. pilosa e ramosa. Catingade-barão. Ageratum. cólicas flatulentas e uterinas. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. Erva-de-são-joão e Maria-preta. além de indicada para aliviar náuseas. amenorréia e gonorréia. febrífuga. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. mucilaginosa. útil contra resfriados. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes.

Carrapicho-de-agulha. a decocção das folhas é usada como analgésico. derrame cerebral e diabetes. estomáquico. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. anti-helmíntico. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço.3). o deus Baco do vinho. Em outras regiões do país. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Carrapicho-de-cavalo. Macela-do-campo. . (Bidens pilosa L. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. anti-reumático. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Carrapicho-deduas-pontas. Piolho-de-padre. podendo atingir até 1 m de altura. Bidens bipinnatus L. a planta é usada como tônico. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Pirco. entre outras (Corrêa. hipertensão. 1926). tais como Cuambu. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Aceitilla. Amor-seco. como Picão-preto. Espinho-de-agulha. com ampla distribuição na América do Sul. Carrapicho.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. diurético e contra distúrbios renais. Picão-do-campo. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". Erva-picão. Erva-picão e Pau-pau. bem como em vários Estados brasileiros.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. Goambu. estomacais e intestinais.

Coimbra. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. desobstruente. 1984). diurético e contra hepatite. O nome. com até 1 m de altura. Vasquez.Dados botânicos Planta de pequeno porte. leucorréia. antiblenorrágica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diabetes. diurética. disenteria. utilizada especialmente contra icterícia. vermífuga e vulnerária.4). o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk.. infecções urinárias (Mejia & Reng. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. a espécie é usada como antiinflamatório. com cálice modificado. edema. antiescorbútica. antidisentérica. a espécie também é referida como emoliente. antileucorréica. 1996). Bidens. referindo-se às aristas do papilho. A planta é considerada estimulante. 1990). significa "dois dentes". pentâmeras. sialagoga. 1990. No Brasil. glabra. desordens hepáticas. com flores radiais liguladas. conjuntivite. dores de cabeça e de dentes (De Feo. bem como no combate a dores em geral Jager et al. adstringente e considerada útil contra icterícia. 1994). 1992. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. laringite. simples. dismenorréia. Duke et ai. ereta. 1994). hepatite. 1962). No Leste da África.. diabetes e inflamações (Corrêa. 1995). 1993. pecioladas e fendidas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. . a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. folhas opostas. micoses. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. Na medicina tradicional peruana. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. capítulos pleiomorfos. ramosa. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros.

Japana-branca. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. cólera. Japana-roxa e Erva-de-cobra. Em outras regiões do Brasil. estimulante. estomáquico. acuminadas. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. folhas opostas. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . reunidas em capítulos dispostos terminalmente. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. digestivo. visto a grande semelhança entre elas. estriado e diminuto. androceu com anteras levemente sagitadas. 1984). sudorífico. anguloso. fruto do tipo aquênio alongado. mas são comuns outras denominações. e contra malária. flores (20 a 30) azuis. . A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. antidiarréico e antidisentérico. corola com tubo interno glabro. de caule ereto. Dados botânicos Erva bastante delicada. angina. Aiapana. ferrugíneo e glabro. triplinervadas.Eupatorium ayapana Veuten. especialmente do fígado. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). enquanto o sumo das folhas frescas. a espécie possui vários usos das folhas. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. como tônico. como Iapana.ambas não identificadas . empregado externamente na forma de banho.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses.5). lanceoladas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves.

folhas oblongas. O nome do gênero significa "o que é firme". O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. assim como em todo o Brasil. podendo atingir até 1 m de altura. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. serradas. flores amarelas. . Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. referindo-se ao tomento das folhas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. O nome significa "feltro". a espécie é chamada de Arnica. a infusão das folhas é usada contra diarréia.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. Solidago microglossa DC. capítulos pequenos e reunidos. pequenas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Macela. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. que formam uma inflorescência cilíndrica.especialmente na América do Norte .e com raras espécies na América do Sul. de ocorrência nas Américas . dores de barriga e outros distúrbios intestinais. com ápice arredondado. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea.

. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. Abecedária. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Essa planta é utilizada como estomáquica. o preparado com folhas de arruda. membranosas. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. o chá das folhas. O nome do gênero.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. entretanto. fruto do tipo aquênio. picadas de insetos e infecções. Jambuaçu. que tem mancha escura sobre a lígula. comprimido com papilho aristado. Agrião-do-brasil. significa "flor com mancha".6). enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. longo-pecioladas. Spilanthes acmella Rich. ovadas. não alado. cálculos da bexiga e dores de dente. descrito por Nicolaus von Jacquim. Spilanthes. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. . Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. Botão-de-ouro. com folhas opostas. Dados botânicos Planta herbácea. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. com corola curva. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. vários outros nomes são usados. batidas. Agriãobravo. tais como Agrião-do-pará. flores amarelas. agudas. Mastruço e Agrião-do-norte.

patula e T. Amorozo & Gély (1988) referem que o . as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. está muito bem aclimatada no Brasil. bronquite. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. tosse e resfriado. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. minuta. antiespasmódica. com muitos ramos. são partidas e aromáticas. no Pará (Amorozo & Gély. 1997). desinfetante e antiasmática. Originária do México. 1980).1982). Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. antigripal. Na Colômbia. cicatrizante. Outras espécies do gênero. sendo também comumente chamada de Cravo. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". e indicada contra problemas hepáticos. lucida. narcótica. a S. febrífuga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. também são usadas como medicinais. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. Cravinho. atingindo de 60 a 90 cm de altura. as folhas. digestiva. e seu nome vem de Tages. 1988). tais como T. Cravo-africano e Tagetes. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. Cravo-de-tufo. opostas ou alternas. abortiva. divindade etrúria representada como um belo jovem. T. emenagoga. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. considerada carminativa. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. em Brasília (Matos & Das Graças.

as flores possuem várias cores. cordiformes. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. com uso freqüente contra dores reumáticas. Nomes populares A espécie é chamada.chá das folhas com alho é usado contra febres. é amplamente usada no Brasil como ornamental.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. resfriados. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Segundo Hoehne (1939). opostas. para tratar "doença que deixa o queixo duro". Originária do México. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. forte. bronquites e tosses. as folhas são ásperas. anteras amarelas e estigmas vermelhos. incluindo brancas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. Moça-e-velha e Canela-de-velho. pela abundância de flores. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. australe. sésseis. . o chá das folhas e flores. na região de estudo. com caule ereto. arroxeadas e vermelhas. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. rosas. Zinnia elegans Jacq. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. de Zinha ou Zínia. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão.

leucantha (Wat et ai. Nair et al. 1976a e 1976b). 1977).. tripartitus.. millefolium também foram isolados ésterois.. 1996. bipinnatus..beta-elemeno. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. Hoffman & Hoelzl.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. 1975) e monoterpenos (Orth et al. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. saponinas e xantonas (Caetano et al... Caffmi & Demolis. 1992). diterpenos (Saleh et al. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. triterpenos (Chandler et al. 2001. 1994 e 1984. pilosa .. 1988a e 1988b. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. De Tommassi et al. beta-pineno. 1975)..4'-trihidroxi-3. Debenedetti et al. alfahumuleno. 1981.. axilarina e 5.. leucoantociandinas. monoterpenos. catecolaminas. laevis e B. timol.. 2002.. 1981). pilosa. Sharma & Sharma. 1991). delta-cadineno (De Marais et al.... flavonas (Falk et al. flavonas. De A. 1992b. Wang et al.. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. De A. De A. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. alfa-copaeno. 1987). 1987. Hausen et al. alfa-felandreno. Herz & Kalyanaraman.. cumarinas. 1979).. Gill et al. Da espécie B. Bohlmann et al... 1980. 1994). B. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. crisosfenol D.. cadineno. 1997). 1997). De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. 1976). 1985. germacreno A. Achilea. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. B. Herz & Kalyanaraman. 1978). 1986. isocariofileno.. Gene et al. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1986.. 1990. Poliacetilenos. 1987. Christensen et al... limoneno. 1994.7. 1979). B. deterpenos. flavonóides (Shimizu et al. flavonóides (Bohlmann et al. 1979... 1990).. 1975. beta-guaieno. 1987). Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 2000). beta-cariofileno. Torres et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. gama-cadineno. Alvarez et al.. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. 1984).. Das partes aéreas de A. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. glabratum (Saleh et al. terpenos (Verzan & El Sayed. 2000).

1997). 1988c e 1988d). B. erythropappum (Talapatra et al. 1994) e E. 1985). 1990). dahlioides. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. tripartitus (Christensen et al... 1988. B.japonicum. 1997). chrysoanthemoides. 1988a. altissimum (D'Agostino et al. radiata e B. cernuol... E. 1990). 1994). 1987. 1995). ácido linoléico e linolênico. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. 1992). E. Liu et al.B. 1995) E... 1991. 1995). 1985). campylotheca (Bauer et al.. bipinnatus (W B. ácido linoléico. dois derivados tiofênicos. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £.. Wang et al. odorata (Hai et al. 1979). 1986). pilosa (Zuleeta et al. leucolepis (Herz & Palaniappan. 1990). os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. micranthum (Herz et al 1978). 1993 e 1995). 1987 e 1988). 1987. tais como quatro auronas. ternbergianum (D'Agostino et al. . 1992). £. Pagani. B. 1991) e E. B. E. glandulosum (Nair et al. E. buniifolium (Muschietti et al. B. 1995) e £. E guayanum (Sagareishvili et al. E. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. tinifolium (D'Agostinoetal. Edgar et al. 1988b. Poliacetilenos também foram isolados de B. chinese (Zhao et al. 1990a e 1990b).. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. E. 1995).. portoricense (Wiedenfeld et al.fortunei. B. subhastatum (Ferraro et al. ferulefolius. cannabinum (Stevens et al. E. 1992).. 1992). angustifolium (Mesquita et al. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. B. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. E. 1982). frondosa... 1986). adenophorum (Li et al. littorale (Sato et al. 1997). E. 1981). ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. E. salvia (Gonzalez et al. rotundifolium (Hendriks et al. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. E. Três poliacetilenos. parviflora. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B.. 1991). E.. £. E. tripartita (Isakova et al. frondosa (Karikome et al. eugenol. maximowicziana..foram ainda isolados inúmeros compostos.

1987).. 1979). 1991). compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1987) e E. 1987). sesquiterpenos.fortunei (Haruna et al. e sesquiterpenóides de E. var. 1990a e 1990b).. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. Diterpenóides foram isolados de E. . E. acmella L. enquanto em E. entre outros (Nakatani & Nagashima.. odoratum (Talapatra et al. 1980) e E. Ramsewak et al.. estigmasterol. E. triterpenóides de E. 1994). p-cimeno.. 1987). paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. mikanioides (Herz et al. americana foram isolados monoterpenos. laevigatum (Bauer et al. Das partes aéreas de S. E. sitosterol. 1978). Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. 1986b). 1986). De S.. Uma amida. cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1996). odoratum foram encontrados taninos. 1999). ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. fortuna (Haruna et al. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. E. Os principais constituintes do óleo essencial de E. quadrangularis (Hubert et al. 1987). E. tinifolium (D'Agostino et al. E. 1992a). stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. 1980). laevigatum (Lopes et al.. E. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. 1988a e 1988b). Uma grande quantidade de terpenos (geranial. adenophorum. deltoideum (Quijano et al. cânfora. E. rufescens (Ruecker et al. quadrangularae (Hubert et al.Nas folhas de E... entre outras espécies (Ding et al. 1986).. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. naginatacetona. 1977). 1992b. limoneno. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. 1987). 1987). recurvens (Herz et al. fenóis e saponina. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. altissimum (Jakupovic et al.. espilantol. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. 1986). cannabinum (Stefanovic et al. 1993). 1986). beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E.

1995). zipaquirensis (Abdala & Seeligmann.. 1993b). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. T. Das raízes de T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. argentina) foram identificados quatro tiofenos. como quercetagetina. campanulata. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. além de enxofre e fósforo. T. 1994) e T.. lucida (Hethelyi et al. 6-hidroxikaempferol. que podem ser diferenciadas pela composição química. 1988). As espécies T. patula foram isolados tiofenos. minuta são ocimeno. 1987). T. 1993).. patuletrina e patuletina. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. patula. 1988. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. 1985). 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. pois somente T. erecta e T. 1988a e 1988b). T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. T. 1990). erecta (Singh et al. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares.. T... No entanto. Pe- . 1992).. T. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. 1993). tenuifolia (I signata) (Parodi et al. minuta e T. 1991).Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. 1987. tais como quercetagetina.. 1988). rupestris (De-Israilev & Seeligmann. Tosi et al.. T. 1990b). Ahmad et al. laxa (De-Israilev et al.. T microglossa (Castro. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. Os monoterpenos descritos em T. Entretanto. patuletina e muitos desses derivados. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. 1990a). benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. 1987). riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. patula (Ivancheva & Zdravkova. 1987). 1988). glandulifera) (Craveiro et al. mendocina e T. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes.

. australe contra Plasmodium berghei em roedores. 1988). elegans indicou a presença de Cumarina.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1997)... 1980). indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. 1995).. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. 1997). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. patula foi detectada (Arroo et al.. 1996) dessa espécie. Carvalho et al.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. Experimentos com A... ocitocina. 1995).. glicosídeos cardíacos. As antocianinas das flores de Z. taninos. glabratum (Saleh et al. 1991).. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A.. 1988). a A.. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. 1988. Nascimento et al. 1987).. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. 2002) e antifúngica (Portillo et al. Em A... australe (Matsunaga et al. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. 2001). .

1949). pilosa (Santos et al. (1991).. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. Porém. 1997). pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 2000). Triterpenos.-ol. Goldberg et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1987). além de vários flavonóides obtidos de B. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 1991). reduzindo a produção de prostaglandinas. N'Dounga et al. minor (Blume) Sherff. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. presente em suas partes aéreas (Torres et al. B. Bondarenko et al.. 1980).... além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al.. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. mas Bidens pilosa var. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. 1969). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. minor foi a mais . efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L.. 1987. possuem atividade antiinflamatória. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al... 2000).. pilosa L. Extrato etanólico de B. pilosa. 1983). Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1996). chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. imunoestimulante (Ignácio et al. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. 1998b. Abena et al. As folhas de A.Achila. as propriedades analgésica e antiinflamatória. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. 1985. como friedelina e friedelan-3.. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. Bidens Experimentos com B. var. e B. à presença de saponinas (Gene et al..

Entretanto.. Para a espécie B. atidifolium e E. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. 1994. tequendamense (Mantilla & Sanabria. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. O extrato hexânico de B. 1986b). gracilae. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1977). ou seja. . in vitro. E. Eupatorium A espécie E. 1996).. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E.. mais recentemente. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. glyptophlebum... 1995 e 1996) e. pilosa L. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. pilosa L. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. pauciflorum (Giesbrecht et al. 1985). La Casa et al.. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. 1994). morifolium e E. E. E. densum. 1997). E. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. campylotheca apresentou. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E.ativa. hipotensora (Dimo et al. E. 1995). potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. balantaefolium (Almeida & Fonteles. 1996).... 1995).. 1988) e E. 1985). e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. 1997). Um composto sesquiterpênico isolado de B. somente os extratos de B.. E.. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. A espécie B. brevipes (Guerrero et al. 1985). minor e B. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1995). 1986) e diurética (Rebuelta et al. As folhas de E.. 2002).. consaguineum (Lopes et al. var. 1989).. 1998 e 1999). pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe..

E.. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. A. Piperidinas de E. acmella foram isolados n-isobutil-4. Inibição da síntese de colesterol. (Giesbrecht et al. 1991). riparium (Ratnayake-Bandara et al. O extrato bruto aquoso de E. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. 1990 e 1991). 1995). seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag.1986). 1984. pauciflorum. 1986 e 1987. 1998). larvicida (Pitasawat . 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. cannabinum. inulaefolium (Gorzalczany et al. Os extratos de E. 1995) e E. 1991). E. 1996) e E.. enquanto a espécie E. 1995). 1990).. proteínas. squalidum (Carvalho et al. 1985.. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. Achyrodine alata. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. odoratum (Iwu & Chiori. cannabinum (Bourrel et al. candolleanum (Campos et al. 1989). brevipes e E. halinfolium e E. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. Guerrero et al.. E. 1992). DNA e RNA de células tumorais. assim como da atividade da RNA polimerase..5-decadienamida. Cáceres et al. 1982a). DNAse. O óleo essencial de E. Sesquiterpenóides isolados de E. Inya-Agha et al.. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória.. 1988. A. 1988).. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. e de E. hyssopifolium (Hall et al. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al... Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. E. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1978). Eupatorium perfoliatum. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. 1991). enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. Herz & Palaniappan.. 1986).. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. RNAse. Spilanthes Das folhas de S. flaccida... 1990).. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. ayapana (Gonçalves et al.

Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. Souza. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. (Fabry et al. 1992. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. presente em muitas espécies... 1990).. 1999). bem como no consumo destas (Meckes et al. et al. Camargo Neves et al. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. et al. L.. O eugenol. et al. Andrade. T. e o extrato de S. como no cravo-da-índia.. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al.. 1993. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. C.. O extrato de S. 1993). 1986) e S. 1987. enquanto o extrato de S.. usado como emenagogo. F. folhas e flores de T. Valderrama et al. 1993). 1988. 1995). que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. in vitro. J.. 1998) e espilantol. 1989). oleracea (Herdy & Carvalho. antimicrobiana. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. mas não contra Candida sp.. RJ. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. sedativa. Em S.et al.. 1994).. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum.. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. Em I minuta. 1992) e antitumoral (Moraes et al. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. sendo os deri- . isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz.. 1996).. 1984). 1992). acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante.. 1995).

. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al.vados tiofênicos os compostos ativos. Dentre outras espécies. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. 1992). 1996)... e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. coronopifolia e T.. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. 1994). Zinnia As sementes de Z.. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. elegans L. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. . a atividade da ATPase. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula.Ca2+ dependente e inibiu. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. 1994). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. lúcida estimulou discretamente.. D e F. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. 1989). foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. 1987). 1991). Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1995). 1995). 1997). O extrato de T. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al.. Do extrato de Z.. Os extratos hexânicos de T. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. in vitro. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al.. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. 1991).. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. o óleo essencial de T. in vivo e in vitro. 1997).

1995).. a espécie E. adenophorum (Oelrichs et ai. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. especialmente . A. 1995). acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. et ai. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. no entanto. hemorragia. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. 1994). enquanto o extrato aquoso de S. T. australe durante o período de prenhez de ratas. especialmente na fase jovem. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. M. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. Estudos com a espécie A.. 1993).. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E.. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. 1990). a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. V. As folhas de S. alopecia.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. Tremetona isolada de E. Segundo Hoehne (1939). dispnéia. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. 1988). aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. et al.. Entretanto. A ingestão regular de E. S. fraqueza e debilidade dos membros. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. 1978a e 1978b). caracterizados por diarréia. australe são tóxicas para aves. congestão do baço e coração. 1996 e 1997)..

1 . c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.como diurético e hipotensor.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. FIGURA 28. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. relaxante muscular e antineoplásica. b) detalhe da escanerata.

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.2 .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.

FIGURA 28.3 . b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.

4 .Bidens bipinnatus.FIGURA 28. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

original). 1998).Eupatorium ayapana. b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.: a) ramo florido (Di Stasi .5 .FIGURA 28. .

6 . 1984). Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 28. .Spilanthes acmella.

do famoso jenipapo brasileiro.200 espécies vegetais cosmopolitas. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. Gelsemiaceae. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. arbustivos. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. algumas espontâneas nas áreas tropicais. como é o caso de Coffea e Cinchona. . com representantes arbóreos. Di Stasi C. • Ixoroideae: Coffea. e Gardenia. alguns deles de valor histórico. 1997). C. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. Desfontainiaceae e Rubiaceae. nos quais se distribuem mais de 10. Genipa. importante fonte de espécies ornamentais. A. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. Coffea arábica. do famoso Cafeeiro.29 Rubiales medicinais L.

e Palicourea. com pêlos abaixo da inserção dos estames. fruto indeiscente. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. simples. Não foram encontrados sinônimos. com espécies popularmente denominadas Poaia. inteira. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. folhas curto-pecioladas. com corola de base gibosa. diclamídeas. Dados botânicos Pequeno arbusto.• Antirheoideae: Guettarda. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. carnoso e drupáceo (Figura 29. . estipulas não foliáceas. • Rubioideae: Psychotria. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base.1). Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. ipecacuanha. ovário ínfero. flores hermafroditas. fonte de emetina e outros constituintes de importância. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. importante árvore. ereto. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. especialmente na Amazônia. Borreria e Dioidea. lanceoladas. Cephaelis da famosa C. muito comuns em terrenos baldios. bicarpelar. 1997).

1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. glabros. delgados. avermelhados. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al.. de P. fendleri (Nakano & Martin. (Kemmerling. de onde partem folhas com venação tênue. 1996. Palermo-Neto et al. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. Além de alcolóide. De-Moraes-Moreau et al. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. frutos do tipo baga. 1976). Stuart & Woo-Meng. 1995. marcgravii... 2001).. acuminadas. pecioladas. com ramos cilíndricos. 1994). Nomes populares No Brasil todo. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Palicourea marcgravii St. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. 1999). Hil. opostas. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. avermelhadas. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". sobretudo na região amazônica. E popularmente usada como medicamento.. 1989a). mas também considerada espécie tóxica e perigosa. .5 m de altura. inflorescência em panículas.

Além de fluoroacetato. e a intoxicação. 1986). De-Moraes-Moreau et al. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - . 1996). 1982). marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. 1995). 1989. Das folhas de P. espasmos musculares. contrações musculares. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. 1988. 1989)... Tokarnia & Dobereiner.. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. náuseas.teratogênica (Costa. vômitos. 1989). et al.1 . enquanto P. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. Palermo-Neto et al. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. Gorniak et al. 1989b. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. FIGURA 29. 1984a. midríase e morte em bovinos (Costa et al. Segundo Schvartsman (1979).juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado... que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. falta de coordenação motora. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. P. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al..Palicourea laniflora.. comum em animais e rara na espécie humana.. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas.

mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. 1997).30 Dipsacales medicinais L. A. também utilizado como medicinal em todo o mundo. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. No Brasil. descrita a seguir. Abelia e Linnaea. . das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Viburnum. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. Os principais gêneros são Sambucus. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. C. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. Di Stasi C. Lonicera. 1978). mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. arbustos e lianas. A família inclui inúmeras plantas ornamentais.

Espécies medicinais Sambucus nigra L. Floresce nos meses de julho a agosto. óleos e ungüentos.1). A espécie. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. considerada exótica nas Américas. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. Apresenta importante valor econômico. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. as flores são brancas. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. além de flavorizantes em vinhos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. e possuem aroma muito agradável. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. A infusão das folhas. Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". usada internamente. além de seu histórico uso medicinal. . gripes fortes e varicela. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. no champanhe e no catchup. é considerada excelente diurético e sudorífico. com ramos bastante lenhosos. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. dispostas em um corimbo branco.

1986). lectinas das cascas (Shibuya et al. mirístico. diuréticas. palmítico. flavonóides. erisipelas e queimaduras. 1989b e 1989c). reumatismo e febres. oléico.. gripes. a planta ainda é indicada contra influenza. sudoríficas... além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. 1990. tetradecênico. cianogeninas. os ácidos graxos láurico. heptadecênico. 2001). De S. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. esteárico. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. 1988). onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. racemosa e S. 1989a).Bown (1995) refere que flores. Van Damme et al.. canadensis foi isolado o iridóide . Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. casca e frutos são usados para diminuir febres. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. folhas. catarros. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. S. para pequenas queimaduras. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. Kaku et al. nigra. sinusite.. lignanas. 1989. descrita no trabalho de Grieve (1994). glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. externamente. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. Internamente. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral.

australis. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al.. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita.. O extrato aquoso das folhas de S. Com base nessa constatação. Bojic & Cuperlovic. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al... com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. 1995). 1986). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. O reatival. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. antiinflamatória e antipirética. Sambucus nigra. 1990). 1992b e 1992).morronisídeo (Jensen & Nielsen. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S.. 1987). das folhas. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al.. 1997. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome.. De S.. 1997a e 1997b). não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al.. 2000). As lectinas de S.. 1996. conhecido como Sauco. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. Prunus spinosa. O extrato aquoso de S. Centaurium minus. Artemisia absinthium. 1994). apresentou atividades analgésica. nigra. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. 1997). 1988). . Das cascas de S. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. Van Damme & Peumans. 1989). e das raízes de S. 1997). canadensis (Buhrmester et al. 1996). Salvia offtcinalis. De S. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. O extrato hidroalcoólico de S. que possui atividade colerética (Takeda et al. indicado para hidropisia. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. 1997). 1974). 1980). e Polygonum aviculare. 1997.. mexicana. beta-amirina e o ácido oleanólico. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. Schoning.. formosana foram isolados. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina.

FIGURA 30. 2002).1 .. Neto et al. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). 2000.Sambucus nigra. 1999) e a espécie S. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al.A espécie S.. .

das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. C. como é o caso do Alho (Allium sativum). Mata Atlântica. . Dessas 135 espécies medicinais. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea).Posfácio L. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. entre outros. A maioria é nativa desse ecossistema. • 109 são usadas na Amazônica. da Hortelã (Menthapiperita). Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras.

O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. a Losna (Artemisia absinthium). as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. . e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. a Mostarda (Brassica nigra). o Agrião (Nasturtium officinalis). compreendidas em trinta diferentes ordens. líquens. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. o Coentro (Coriandrum sativum). Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. várias espécies amplamente conhecidas. 340 espécies. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. a Calêndula (Calendula officinalis). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). o Mamão (Carica papaya). definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. a Camomila (Matricaria chamamila). a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). a Erva-doce (Pimpinela anisum). razão pela qual não foram incluídas no texto. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. neste livro. ou seja. apenas dezesseis são monocotiledôneas. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. Esse dado se torna mais importante porque. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais.Dessas 135 espécies medicinais.

Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. . alcançando alto índice de citação. isto é. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. Sobre essas. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. esse conhecimento se enriquece a cada dia. Por isso. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. como a de massa e a erudita.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Finalmente. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. pelos mais variados grupos de pesquisadores. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. e que esse conhecimento seja recuperado.

Excrescência da semente. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen.Glossário de termos botânicos. Anual. Antera. Aquênio. Aguda. pelo lado interno. com uma única semente. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Que abraça o caule. Bainha. Arilo. Fruto seco. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. o ciclo reprodutivo e depois morre. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Hermafroditas. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. com dois sexos. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. no segundo. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Planta que nasce. Alternas. folhas que envolvem o caule. Bianual. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. indeiscente. os estames. Arista. Acuminada. Amplexicaule. Axilar. . Androceu. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Baga. Que fica na axila. Andróginas.

Cálice. Decorrente. que é o verticilo externo da flor. Cada um dos apêndices.Bráctea. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Fruto seco. Com a forma de elipse. Deiscente. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Conjunto de sépalas. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Pétala superior da corola papilionada. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. seco e indeiscente. Crenada. Decumbentes. Que se abre. tornando-o alado. Cariopse. Carpelo. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Fruto monospérmico. Dicotiledôneas. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Caduco. mas sempre terminando na mesma altura. Estandarte. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Estilete. androceu ou planta que possui quatro estames. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Na forma de cunha. inseridas em um eixo comum. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Pedúnculo geralmente sem folhas. Corimbo. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Capítulo. Elíptico. em geral dois. Colmo. Planta trepadeira. dois mais altos e dois mais baixos. Drupa. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Didínomo. Estipula. Diclamídea.: cana-de-açúcar. Ex. Diz-se da flor. Cápsula. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. como o fruto das gramíneas. Escandente. Cuneiforme. Epicarpo. Endosperma. Qualquer órgão que cai em determinado período. Carena. Corola. Escapo. com função de proteção. Folha modificada que origina o gineceu. deiscente. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. normalmente largo. Camada externa do pericarpo. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Conjunto de pétalas. que se formam ao lado da parte basal das folhas. .

e ao de pétalas. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. que juntos constituem o perianto.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. . de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Fasciculada. Folha. Flores. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. trímeras. o de corola.Estômato. complexas e variadas nas formas. Parte do estame que sustenta a antera. As flores são estruturas de reprodução. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. pentâmeras etc. As flores podem ser dímeras. que é ramificada igualmente em forma de pincel. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. Filete.

e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .

as folhas podem ser pecioladas ou não. no caso das folhas compostas pinadas.quando consta somente uma lâmina . às vezes reduzidas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. Nesses casos. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.ou composta . ou com o próprio caule. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . às vezes numerosas. recebendo o nome de folíolos (ou pinais).quando se compõem de duas ou mais lâminas. . Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia.

são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. . Todas essas características.Finalmente. mais aquelas apresentadas para as flores. conforme se observa na figura a seguir. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar.

Diz-se da folha que tem a forma de lança. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Desprovido de pêlos. Planta que produz flores unissexuais. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. e as principais são motivadas na próxima figura. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Orbicular. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Metaclamídeos. Hirsuto. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Gluma. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Oblonga. Lanceolada. Lobado. Folículo. Flor com apenas um invólucro no perianto. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Glabro. Fruto seco. deiscente. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. é constante para cada espécie vegetal. mais longa que larga. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Gavinha. Lâmina. As inflorescências podem ser de diversos tipos. porém presentes na mesma planta. Provido de pêlos longos. Monoclamídea. Indeiscente. os carpelos. Porção alargada e achatada da folha. em linhas gerais.Folíolo. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Gineceu. Monocotiledôneas. Que não se abre. Lígula. Monóica. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Diz-se da folha em forma de círculo. . Infrutescência. Planta ou flor com dois sexos. Lóculo. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Inflorescência. Hermafrodita.

.Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.. 1978).

Que forma gancho. Racemo. mirístico.Panícula. dispostas circularmente. Uncinada. Conjunto de estruturas com a mesma função. gasoso. esteárico. Ácidos orgânicos. Qualquer substância de sabor ácido. Pecíolo. cujos pêlos se entrelaçam. nitrogenadas de origem vegetal. Zigomorfa. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Caule subterrâneo. cáprico. Qualquer estrutura provida de pêlos. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Ráquis. com cheiro desagradável. o mesmo que cacho. succínico. Cálice modificado em pêlos. Receptáculo. Termos químicos Acetileno. fórmico. Substâncias orgânicas. característico da família Asteraceae (Compositae). Pubescente. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Conjunto formado por cálice e corola. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. . de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Alcalóides. solúvel em água. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Rizoma. gálico. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Estruturas com simetria bilateral. dibásicos. linoléico. oléico. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Podem ser monobásicos. Séssil. Exemplos: ácidos acético. fenólico e tartárico. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Papilho. Verticilo. Perene. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Ácido. cerdas ou aristas. Tomentoso. araquídico. isovalérico. palmítico. Planta ou órgão denso. Perianto. Hidrocarboneto não saturado. incolor. aromáticos etc. Ácido graxo.

eugenol e hidroquinonas. .Alcoóis. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Compostos orgânicos não-cíclicos. Fitosterol. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Esterol. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). originam as flavononas. Líquidos incolores. Exemplos: carvacrol. Aminoácidos. Flavonóides. encontrado nos organismos vivos. Exemplo: p-cimeno. com caráter gelatinoso. vegetais e animais. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. tais como os hormônios. Cetonas. Esteróides. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. estragol. derivados do cicloperidrofenantreno. São corantes vegetais. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Ver esteróides. Uma das substâncias constituintes do amido. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Carboidrato. Aldeído. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Compostos alifáticos. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Cumarinas. Ou hidrato de carbono. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Flavonas. que exercem várias funções. Compostos aromáticos. Amilopectina. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. timol. amarelos e roxos. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. voláteis. Fenóis. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Compostos naturais ou artificiais. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. como a quercetina. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Betaínas. onde exerce importantes funções. Catalase.

liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Ligninas. Peróxido. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. oxidando outros compostos. Substâncias que. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Glicídios. Líquido oleoso. Peroxidase. Combinações orgânicas do tipo da glicose.Fosfolipídio. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Hormônio secretado pelo pâncreas. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Mucilagens. Lipídios. Hidrolato. derivados do fenilpropano. Hidrocarboneto. Compostos cíclicos. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. . Lignanas. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. recobrindo-as com uma camada protetora. sofrem hidrólise. Compostos cíclicos. pela ação de ácidos diluídos. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. geralmente de odor agradável. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Insaturados. Lactonas. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Glicosídeos. Líquido incolor e aromático. Insulina. Óleo essencial. Heterosídeo.

Que suprime náuseas ou vômitos. Antiemético. aglomeração. que prende. Que combate as convulsões (contrações violentas. Amenorréia. Falta de menstruação. Que aperta. Angina. Antidisentérico. Que combate fungos. Anestésico. Adstringente. doença sexualmente transmissível. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Acne. Auticonvulsivante. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. . Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Antifúngico. Tumor maligno com disposição glandular. Que combate a eliminação de muco. Expectorante. Afrodisíaco. Delírio. involuntárias de músculos voluntários). Queda dos cabelos. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Antibacteriano. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Antiespasmódico. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. de um músculo ou grupo de músculos). que provoca constricção. Anticatarral. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Antigonorréico. Analgésico. às vezes. podendo ser feminina ou masculina. violenta. ato ou efeito de desvariar. Capaz de promover expulsão do feto. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Antidiabético. perda momentânea da razão. Que reduz a capacidade de reprodução. Anemia. Adenocarcinoma. Antiblenorrógico. a sangue). Afasia. Que reduz ou suprime a dor. Alucinação. antigonorréico. que impede a formação de catarro. Alopecia. sufocação. Agrupamento. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Dor sufocante. Agregação. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. especialmente táctil e dolorosa.Termos médicos Abortivo. calvície. Antiescorbútico. Antifertilidade.

Ataxia. Que combate as inflamações. em geral acompanhada por desordens na fala. Antineoplásico. Que combate tumores. Cálculo. que serve para o tratamento da tosse. Que combate a lepra. Que combate a histeria. Béquico. Que combate as doenças provocadas por vírus. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Anti-séptico ou Antisséptico. Anti-histérico. Antipruriginoso. Brônquios. Em geral se forma na bexiga. Anti-reumático. falta de emoção. insensibilidade. Que impede a fermentação. Que dilata os brônquios. Que faz baixar a temperatura. febre paludosa ou palustre. nos rins e/ou na vesícula biliar. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. . Antileprótico. Anti-hemorroidal. Relativo à tosse. putrefação ou contaminação microbiana. Redução ou perda de apetite. Que combate a sífilis. Antimicrobio. Que combate o reumatismo. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Anorexia. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate o corrimento vaginal simples. doença causada pelo Treponema pallidum. Antivenéreo. Antileucorréico. Que combate micróbios. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Anti-sifilítico.Anti-helmíntico. Broncodilatador. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Que combate a formação de tumor maligno. quase sempre transmitida por contato sexual. Antitumoral. Antivirótico.no. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Apatia. formada por sais minerais. inatividade. Estado de indiferença. desinfetante. Antinociceptivo. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Também denominado antipirético e febrífugo. Antimalárico. Que combate helmintos. Antitérmico. especialmente bactérias. Antiinflamatório. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). também chamada de paludismo.

Depressor. Constipação. libera a passagem de um vaso ou canal. gripe. Congestão. Emético. purifica. do intestino. Que exerce efeito tônico sobre o coração. sensação de peso ou queimação no estômago. Dispepsia. Que tem a propriedade de amolecer. resfriado. Que deprime. Colagogo. Desinfetante. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Que favorece o fluxo biliar. empachamento. Purgativo. que previne a invasão de microorganismos. enfraquece. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. reduz a excitação. Emenagogo. Que favorece a secreção urinária. Cicatrizante. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. do estômago etc. Infecção por bactérias. acompanhada de náuseas. Carminativo. Diaforético. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Que desentope. Dermatite. caracterizado visualmente pelo inchaço. Citotóxico. Cardiotônico. crostas e secreção. Dispnéia. que ativa a eliminação de bile. que separa substâncias nocivas. Desobstruente. Prisão de ventre ou. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Diurético. . Depurativo. Dificuldade na deglutição. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Emoliente. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Disfagia.Carbúnculo. gripe comum. reduz a força. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. estimulante da transpiração. Que limpa. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Edema. Sudorífico. Inflamação da pele. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Eczema. Indigestão. Que provoca vômito. dificuldade para respirar. Que favorece ou provoca menstruação. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Respiração difícil. Que alivia a distensão por gases. também. Catártico.

Hidropisia. que leva à perda de atividade. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Hepatócitos. Tóxico para as células do fígado. Fungicida. Distensão por gases no intestino. com anemia. . Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Que combate a febre. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Hemostático. Ictericia. Que combate fungos. que estanca hemorragia. Eructação. deposição de bile nos tecidos. Farmacoterápico. Relativo ao fígado. Fitoterápico. Que estimula ou provoca a ação. Fitofármaco. O mesmo que arroto. Hiperglicemia. Flatulência. que melhora o funcionamento do fígado. Hipotensor. Excitante. Células do fígado. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. pigmentação amarela generalizada da pele. Hepatotóxico. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. assombro. Estomáquico. espanto. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Estimulante.Erisipela. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Relativo ao estômago. Que baixa a taxa de glicose no sangue. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Fitoterapia. Relativo a hemostasia. Glicosúria. Que baixa a pressão sangüínea. Hipertensor. Hepático. Febrífugo. Capaz de promover estímulos. Estupefaciente. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Expectorante. no estômago etc. estado de irritação. produz sono e alivia a dor (narcóticos). com bradicardia (pulso lento. Hipocolesterolêmico. que facilita as funções do estômago. Derrame de bile no sangue. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Que aumenta a pressão sangüínea. Hipoglicemiante. com vermelhidão. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Que produz imobilidade emocional.

Que resolve. o mesmo que laxante. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Que produz gordura. . Maleita. Sedativo. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Laxativo. como no caso da esquistossomose). Que produz sono ou inconsciência. droga que paralisa as funções do cérebro. que faz cessar inflamação. Que laxa ou afrouxa. Excreção excessiva de urina. Estado que é tóxico ao rim. Nefrotoxicidade. Infertilidade. calmante. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Resolutivo. Sialagoga. impaludismo. Que adoça ou acalma. purgativo fraco. tranqüilizante. Incapacidade de reprodução. Lenitivo. Plaquetas. Malária. purgante. Morféia. Midríase. Lumbago. Peitoral. Dilatação da pupila. que acalma. Que alivia excitação. afecção cutânea. Substância que mata insetos. Lipemia. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Tóxico para as células brancas do sangue. Que mata ou destrói parasitas. Moluscicida.Impingem. causado por gordura. Lipogênico. Relativo a peito. Parasitemia. Grau ou índice de parasitas no sangue. produzindo sono e alívio da dor. Linfocitotóxico. dorso). Poliária. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Corpúsculos sangüíneos. Lepra. Purgativo. Parasiticida. Narcótico. que apenas exonera o intestino. Mutagênico. Inseticida. importantes para a coagulação sangüínea. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Dor na região lombar (costas. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica.

Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Supirativo. Tranqüilizante. Sinusite. Tóxico para o zigoto. Sudorífico. bolhas. Zigotóxico. Que provoca vesículas. Diaforético. Vulnerário.Sialorréia. . Próprio para curar feridas. Salivação abundante. Revigorante. Testículo. Teratogênese. Vesicante. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Vermífugo. Que tranqüiliza. Que produz pus. Que destrói ou afugenta vermes. que acalma. que facilita a saída de pus. Tônico.

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202-4 . 487 Alismataceae. 345. 386 Asteraceae. 149-50 Amaranthaceae. 450. 52. 465. 111 Annonaceae. 143 Acanthospermum australe. 453. 68. 77 Aloe vera. 368 Arecaceae. 468-9. 488 Bauhinia forficata. 361 Andropogon leucostachys. 95-9. 461 Ageratum conyzoides. 467-8. 67. 154 Alternanthera micrantha. 340-3. 119 Aristolochiaceae. 113-5. 351-2 Baccharis trimera. 75 Allium sativum. 458-6 Achillea millefolium. 62 Alternanthera brasiliana. 140-1. 463 Asteridae. 113 Asclepiadaceae. 449 Bixa arborea. 148 Anacardiaceae. 489 Bidens pilosa. 113 Aristolochiales. 90-3. 463-5 Asterales. 373 Averrhoa bilimbi. 69-74. 43 Annona muricata. 90 Apiaceae. 377-78. 65. 351-2 Averrhoa carambola. 79 Aristolochia. 479. 201-2. 466 Adenocalyma alliaceum. 376 Araliaceae. 58. 115 Aristolochia trilobata. 81 Arecidae. 480. 3512. 42-3 Andropogon nardus.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 480 Bignoniaceae. 364 Apocynaceae. 65-6. 65. 467. 96. 149. 79 Alismatidae. 78 Alpiniajaponica. 56. 475. 79 Allamanda cathartica. 316 Bidens bipinnatus. 102. 110 Annona tenuiflora. 339-40 Anacardium giganteum. 223 Bixa orellana. 360 Anacardium occidentale. 342-3. 381-5. 152. 364 Apiales. 474. 227-8. 475. 468-9. 391 Allium cepa. 93.

259 Commelinidae. 301-2. 49 Cymbosena roseuna. 175 Diplotropis purpurea. 322 Clusiaceae. 172 Boraginaceae. 151-2. 213. 398. 224 Hibiscus sabdariffa. 366-7 Hymenaea courbaryl. 163-4 Chrysobalanaceae. 231 Celastraceae. 82-3 Fabaceae. 185. 373 Eupatorium ayapana. 41-2 Convolvulaceae. 386-7 Gentianaceae. 282-3. 154. 63 Heliconia. 178-9. 264-5 Cymbopogon citratus. 283. 178 Cybianthus. 382-3. 327 Cassia multijuga. 302 Echinodorus grandiflorus. 259 Hedychium coronarium. 150. 411 Hibiscus furcellatus. 406 Brunfelsia grandiflora. 276-7 Cajanus cf. 272. 385 Hirtella. 215. 402-3 Cactaceae. mariana. 298 Derris amazônica. 281. 365-9. 481. 280. 238 Cucumis anguria. 393 Cordia verbenacea. 214 Himatanthus. 413-4. 170 Chenopodiaceae. 207. 44. 407. 490 Euphorbiaceae. 276 Fischeria cf. 299. 297 Capparidaceae. 496 Caryophyllales. 312 Ipomoea batatas. 275 Hydrocotyle exigua. 235 Cecropiaceae. 53-4 Coutoubea spicata. 375 Gnaphalium purpureum. indicus. 54. 230-2. 225 Guttiferales. 298 Derris floribunda. 318 Desmodium tortuossum. 296 Fabales. 379. 319 Dipsacales. 145 Caryophyllus aromaticus. 247. 272 Clidemia novemnervia. 211. 388 Croton cajucara. 496 Dipteryx odorata. 205. 201 Boerhavia difusa. 408-9. 300. 441 Inga spectabilis. 292. 394-5 Ipomoea quamoclit. 287 Cassia occidentalis. 237. 315 Caesalpinia pulcherrima. 430. 308 Dipteryx punctata. 299 Dillenidae. 155-6 Caesalpinia ferrea. 279. 292 Caesalpiniaceae. 255 Croton sacaquinha. 242. 440 Costus spiralis.Bixaceae. 285. 179 Cucurbitaceae. 80. 287-8 Cassia reticulata. 231 Celastrales. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 331 Celosia argentea. 171 Gossypium barbadense. 470. 46-7. 83 Eryngium ekmanii. 61 Heliotropium indicum. 210. 387 Gentianales. 212-3. 471 Gomphrena globosa. 295. 266 Capparidales. 284 Hyptis crenata. 265 Caprifoliaceae. 324. 236 Euphorbiales. 206-7. 152-3. 286. 287 Cecropia peltata. 165. 190 Cucurbitapepo. 163 Chenopodium ambrosioides. 147 Caryophyllidae. 236 Euterpe edulis. 395 .

79 Moraceae. 208 Malvaceae. 443 Liliaceae. 60 Myristicaceae. lhotzkyanum. 128. 125. 350 Palicourea cf. 64 Lippia alba. 191-2. 418 Mentha viridis. 332. 181-2. 123. 158 Pothomorphe peltata. 425. 453 Peperomia elongata. 389 Luffa cylindrica. 415-6. 419. 129. 139 Mentha piperita. 420. 192-3. 262 Myrtaceae. 446 Origanum vulgare. 321 Nyctaginaceae. 434-5 Lippia granais. 121-2 Pereskia grandifolia. 133 Piper gaudichaudianum. 337 Polyscias. 161-2 Portulaca pilosa. 158-9. 221-2. 256 jatropha gossypifolia. 399-400. 277 Leonotis nepetaefolia.120 Piperales. 134 Piper d. 427. 238-9. 132 Peperomia. 337 Malva parviflora. 229 Musa. 108 Petiveria alliacea. 167-9. 42 Pogostemon patchouly. 108 Persea gratíssima. 192 Pedaliaceae. 156-7 Persea americana. 435 Loganiaceae. 106 Laurus nobilis. 64-5 Liliales. 136 Piperaceae. 311 Momordica charantia. 402-5 Phytolacaceae. 424. 161 Ocimum basilicum. 245. 131. 64 Liliidae. 427 Ocimum gratissimum. 39. 445 Mimosaceae. 419-20. 184-9. 61 Musaceae. 239-40. 321 Menispermaceae. 130. 303 Myrsinaceae. 121. 417. 251 Lacistema. 103 Myrocarpus frondosus. 447 Polygalales. 200 Maytenus aquifolium. 432 Ocimum micranthum. 244-6. 160. 124. 494-5 Passiflora coccinea. 162 Portulacaceae. 195 Mabea angustifolia.Jacaranda caroba. 233 Muntingia calabura. 412-3 Lamiales. 429. 416. 427. 427-8. 369-72 Portulaca oleraceae. 191 Lamiaceae. 120 Poaceae. marcgravii. 166 Piper cavalcantei. 495 Palicourea cf. 185. 422 Oxalidaceae. 432 Ocimum canum. 432. 107 Leguminosae. 332. 336 Maytenus ilicifolia. 421. 89 Malpiguiaceae. 252. 173 Phyllanthus corcovadensis. 431. 334-6 Melastomataceae. 425-6. 431. 241. 180. 250-1. 122-3 Piper cernnum. 451-2 Jatropha curcas. 240-1 Magnoliidae. 493. 258 Physalis angulata. 444 Mentha pulegium. 426. 87 Magnoliales. 198 Lacistemaceae. 422-3. 126-7. laniflora. 204 Malvales. 196 Monocotiledonae. 323-4 Myrtales. 135 Piper marginatum. 406 Lauraceae. 199 Passifloraceae. 125. 442 Leucas martinicensis. 137 . 254. 414.

208-9. 363 Rutaceae. 177-8 Virola surinamensis. 485. 230-1 Verbenaceae. frutescens. 492 Ruta graveolens. 51 Zinigiberidae. 76 Sapindales. 138 Primulales. 226 Solanaceae. 353 Saccharum officinarum. 50 Sambucus nigra. 269 Rubiaceae. 453-6 Sida rhombifolia. 339 Schinus terebenthifolius. 45. 338 Strychnos triplinervia. 452. 344. 379-85 Tiliaceae. 52 Zingiberales. 497-500 Sansevieria. 326 Psydium guajava. 197 Xylopia cf. 401 Solidago microglossa. 227 Theobroma speciosa. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 390 Symphytum officinale. 325-9. 189. 127. 183. 209 Urticales. 412 Tagetes erecta. 463 Scrophulariaceae. 271 Rosidae. 112 Zingiber officinale. 478 Theobroma grandiflorum. 479.Pothomorphe umbellata. 484 Zollernia ilicifolia. 347. 132. 349. 492 Rubiales. 221 Urena lobata. 400 Solanum tuberosum. 58 Zingiberaceae. 350. 274 Psydium cf. 474. guineense. 471 Sorocea bomplandii. 338 Stigmaphyllon strigosum. 457 Scrophulariales. 262 Prunus domestica. 322 Rosaceae. 233-4 Spilanthes acmella. 215-6. 101. 409. 51 Zinnia elegans. 473-4. 99. 182 Sesamum indicum. 354-7. 491 Spondias purpurea. 397-8 Solanales. 449 Sechium edule. 457-60. 213. 103-6 Vismia japurensis. 361 Sterculiaceae. 139 Rhynchanthera grandiflora. 482. 94-5. 462 Ranunculales. 217-9. 477. 345. 216 Stigmaphyllon fulgen. 330 Pyrostegia venusta. 434 Violales. 320 . 472. 228 Thevetia peruviana. 273 Rosales. 55. 360 Scoparia dulcis. 312. 48. 218. 393 Solanum paniculatum.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

e Clélia Akiko Hiruma-Lima. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. do Departamento de Fisiologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Departamento de Farmacologia. Campus de Botucatu.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. Capa: tsabel Carballo . os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi.

. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica.