Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). .Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

comprometimento do abastecimento de água. mas pouco se faz.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. Inúmeras discussões e propostas são realizadas.perda da fauna e da flora. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. que em sua maioria não resolvem o assunto. se propõe e se discute sobre o assunto. pois. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. Nos últimos anos. ou melhor. conse- . da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. ou significam estratégias proibitivas. provavelmente. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. alterações climáticas. Acreditamos que. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . a falta de propostas decorre de um dos dois. empobrecimento do solo. entre outros -.

entretanto. Nesse aspecto. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. permitir grandes avanços na conservação. Consideramos. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. sem dúvida alguma.qüentemente. não se dá apenas visando à sobrevivência. mas inclui ainda interesses econômicos. como os ribeirinhas da Amazônia. quer sejam comunidades tradicionais.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. atualmente. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. a contribuição deste . portanto. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. São eles que podem. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. São eles que conhecem a floresta. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. Para tal. regional. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. Nesse sentido. Dessa forma. Essa relação. os pescadores do Vale do Ribeira. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. Por sua vez. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. como mais um produto para comercialização.quer sejam grupos definidos. seus produtos e suas relações. priorizadas. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. os moradores da floresta . como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .

Começamos o trabalho. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . cada qual havia tomado seu caminho. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. publicado originalmente em 1989. já que dez anos haviam se passado. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. No entanto.livro é um começo. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. como instituições determinantes para o avanço. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. A equipe já não era a mesma. pagando o preço de um trabalho mais social. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. Dessa forma. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. na verdade. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. Não custa lembrar e salientar. entretanto. em janeiro de 1999. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. Passou da hora de a ciência e a política. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. e também no de desenvolvimento. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. Foi a partir de pesquisas que realizamos. mais abrangente. conseqüentemente. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. considerando os aspectos aqui referidos.

foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . além dos desenhos apresentados inicialmente. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. outro importante e singular ecossistema brasileiro. por outro. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. incluindo fotos de algumas espécies. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. Por si só. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados.proposta original. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. Index Medicus. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. à medida que. a nova idéia não tinha mais como retornar. Nessa nova etapa. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. farmacológicos. No entanto. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Chemical Abstracts). A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. químicos.não . pelo menos as mais citadas. por um lado. buscamos informações em diversos endereços. Estado de São Paulo.

Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. passaram a representar uma nova alternativa . Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. mas com um livro. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. especialmente os mais ameaçados. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. sempre foi uma preocupação constante. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. durante todo esse período. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. da Mata Atlântica.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. mais acessível que os artigos . hoje. mas as plantas medicinais. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. sem dúvida. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área.em artigos científicos e técnicos. não apenas catalogando espécies medicinais. A conservação dos ecossistemas tropicais. Com essa nova concepção. especificamente. mas um novo trabalho. que serão úteis. como é o caso da Amazônia e. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. No entanto.

visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. Nesse sentido. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. apesar de preliminar e pequena. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil.não pode ser apenas a retórica. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. Luiz Claudio Di Stasi .para a conservação dos ecossistemas. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. realizadas de forma racional e sustentável. Finalmente. municipais e federais) e não-governamentais. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. mas pouco realizado na prática. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal.

Em primeiro lugar. Em segundo lugar. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . realizar um estudo etnofarmacológico regional. pretendeu-se. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. que esse conhecimento seja perdido. a nosso modo de ver. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. o que. Em terceiro lugar.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. evitando-se. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. desse modo. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país.

a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. com as atividades deste trabalho. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. consideramos que a ciência. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. com os conhecimentos adquiridos. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Osvaldo Aulino da Silva. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. que potencialmente es- . Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. Nesse contexto. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. farmacologistas etc). pretendeu-se. com a promoção de melhores condições de vida para a população. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. químicos. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. da qual o próprio pesquisador faz parte. como qualquer outra atividade humana. Finalmente. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). além dos objetivos aqui expostos. Por outro lado. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país.natural. e que visa. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. deve ter um componente social em seu escopo. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. Em quarto lugar. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). Nesse contexto. juntamente com o Prof. realizado no município de Humaitá.

como exemplos) e abióticos (umidade do ar. que se superando as dificuldades. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). estágio de desenvolvimento. tipo do solo. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. pela sua característica multidisciplinar. para que o conheci- . A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. essa área requer um enfoque novo. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. antropólogos e químicos. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. além de engrandecer o trabalho. Acreditamos. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. que podemos denominar ecológico. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. como seres vivos. propiciou um imenso prazer. e nossa experiência é prova disso. farmacologistas. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. além de botânicos. No entanto. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. clima. no entanto. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. estações do ano e outros). desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. consideramos de grande importância colocar que. portanto é urgente a sua consideração. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias.

principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. além de tornarem possível este trabalho. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. que.mento tradicional seja devidamente resgatado. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. Luiz Claudio Di Stasi . acrescentaram uma experiência rica. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos.

quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. mas os primeiros registros remontam a milênios. apesar disso. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies.. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. de um lado. quando se constata. Dessas. Ato II de Romeu e Julieta . e. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. Observa-se. a grande maioria na região amazônica. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos ..William Shakespeare. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. (Cena III. por fim. portanto. O Brasil contribui com 120 mil espécies. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora.

vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. e isso é o que importa. posologia. Dra. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas.Campinas) . Profa. de outro. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. como este que aqui se apresenta. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . efeitos observados. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. a distância vencida. Quando dizemos criteriosos. Mas o passo foi dado. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. enfim. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem.criteriosos. Levantamentos etnofarmacológicos. Por último.

A exploração madeireira. Atualmente. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. conforme aponta Philip M. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. apesar da pobreza dos solos. No entanto. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. Dada a fragilidade desse equilíbrio. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. Fearnside. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. . a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. que. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. provenientes da evapotranspiração. De fato. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. no caso da Amazônia. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas.

e. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. Prof. fruto de um trabalho sério de pesquisa. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. Sinto-me. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. do ponto de vista social. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Dr. por outro. portanto. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. das quais poucas foram estudadas. De qualquer maneira. desde o leigo ao mais especializado. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . honrado em apresentar esta obra. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Luiz Claudio Di Stasi. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. riquíssima em espécies. acarreta duas situações que.Rio Claro) . que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. coloca às mãos dos leitores. Somada a isso. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. Plantas medicinais na Amazônia. ecológico e histórico. julgamos altamente preocupantes: por um lado. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas.

pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Jacupiranga e Sete Barras. conforme descrito a seguir: . Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Vale do Ribeira.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. no Amazonas. sul do Estado do Amazonas. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. • Aldeia dos Tenharins. resumidamente. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. no Estado de São Paulo. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte.

Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. a coleta errada do material. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Para materiais fora da fase de floração. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). evitando-se. No caso de material em fase de floração. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). assim. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Amazonas. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Para as espécies da Amazônia. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Departamento de Botânica do Instituto de .Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá .

Sites da Internet. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Itajaí . Chemical Abstracts. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). para sua identificação. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP .Rio Claro.Biociências da UNESP . e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Index Medicus (Med-line). . Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Outras informações (agronômicas.Botucatu. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.Santa Catarina. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica.

Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. como havia sido feito na primeira edição deste livro. com o tempo. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro.incluindo as monocotiledôneas medicinais. . Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I .

Para cada capítulo. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . • Introdução sobre a família botânica ou. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto.• Parte II .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. incluindo: .Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. que compreendem uma descrição botânica. .Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . as quais se subdividem em cinco seções: . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular. . incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. em vários casos.incluindo as dicotiledôneas medicinais. • Dados químicos. dados ecológicos e distribuição. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.

Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. além de uma extensa bibliografia atualizada. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. UNESP. • Dados toxicológicos.• Dados farmacológicos. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. . químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. . No final do livro. encontram-se um glossário de termos botânicos. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. Essas ilustrações constavam do livro Plantas.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. formatadas e montadas para inclusão no livro. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. Instituto de Biociências de Botucatu. formatadas e montadas para inclusão no livro.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. C. formatado e montado para a inclusão neste livro. . de vários tipos: . medicinais na Amazônia e foram escaneadas.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. A. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. . Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. M. pelo seu grande valor ornamental. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. Xyridaceae. Hiruma-Lima E. Typhales.1 Commelinidae medicinais C. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Outras ordens botânicas como Juncales. Mayacaceae e Commelinaceae. Santos L. C. M. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. algumas delas descritas neste capítulo. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Guimarães C.

açúcar e trigo. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. do ponto de vista de espécies medicinais. Zea.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. principalmente Zea mays (milho). como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. Saccharum e outros. ácidos fenólicos. • Panicoideae. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. substâncias cianogênicas. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. que incluem vários gêneros. açúcar e óleos essenciais. ferragem. cujo representante principal é o arroz. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. mas sem importância medicinal. flavonóides e terpenóides (Evans. . Os outros constituintes incluem alcalóides. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. saponinas. 1996). Arundinoideae e Chloridoideae. Cymbopogon. e o gênero Oryza. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. • Centothecoideae. amido. respectivamente. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. do famoso centeio e da aveia. é a mais importante. Andropogon nardus.A família Poaceae. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. como Sorghum do sorgo. gêneros alimentícios como bebidas. Várias espécies possuem importância terapêutica. A família é dividida em quarenta tribos. também denominada Gramineae. subfamília que. que inclui alguns importantes gêneros. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. Paspalum. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. reunindo inúmeras utilidades. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. que inclui os gêneros Secale e Avena. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). • Pooideae.

Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. glabros e curvados. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. espiguetas sésseis e fruto cariopse. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. a planta também é conhecida como Capim-membeca. possuindo um grande número de ramos. Andropogon nardus L. por sua vez. Em outras regiões do país. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Em outras regiões do país. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica.B. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. os quais.5 m de altura. com folhas invaginadas bastante agudas.K. podendo atingir até 2 m de comprimen- . os colmos são finos.

Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. bainha larga e lígula na base do limbo.) Stapf. Capim-cidreira. compridas. sudoríficas e carminativas. formigas e traças. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. Patchuli-falso. Capim-cheiroso. eretas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. marginatus e validus. . 1962). tais como flexuosus. Capim-limão. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. rizoma semi-subterrâneo. ásperas em ambas as faces. lineares. com nós e entrenós. folhas alternas. Capim-sidró. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. problemas estomacais e febre. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. Erva-cidreira. Vervena. Capim-marinho. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Capim-cidrão.1). a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Cymbopogon citratus (DC. com grande valor econômico.to. Sídró. formando uma touceira robusta.

Na região da Mata Atlântica. folhas amplexicantes. simples. colmo arqueado na base. Cana. na forma de banho (Amorozo & Gély.Na região da Mata Atlântica. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. 1982). calmante e antiespasmódico (Barros. gripes fortes. cilíndrico. articulado e um pouco mais grosso nos internós. espiguetas com flores pequenas. nervura central saliente e bainha espinescente. hermafroditas. o suco do colmo da planta. fruto do tipo cariopse ovóide. 1982. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1980). é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. planas.. Saccharum officinarum L. carminativo. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. no Mato Grosso. como diurético. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. no Rio Grande do Sul. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. 1986). duas vezes ao dia. Matos & Das Graças. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. 1 dísticas. no Pará. como calmante e antiálgico (Van den Berg. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. lineares. ásperas. no Ceará. dores de cabeça e dores musculares. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. pequeno (Figura 1.. contra gripes. 1980). 1988). em Brasília. a infusão das folhas é usada como antidiurético.2). dores de cabeça e disenteria. verde ou violácea. ápice agudo. reumatismo e febre. simplesmente.

como o geraniol. cólera. contra úlceras da córnea. além de seus isômeros geralúal e neral. vários aldeídos. a.8-cineol. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. 1997). externamente. citronelal. linalol. 1997). 1986). Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. mentol. internamente. febres. cetonas e alcoóis. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. contra resinados e anginas e. envenenamento com arsênico. 1. aftas. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. limoneno. chumbo e cobre. metil-heptenona. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. 1984). rachas dos seios. geraniol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. erisipela. metil-heptenol. mirceno. neral. . como citronelal. tuberculose. nerol. escarlatina. O óleo essencial de C.. neral.. 1996. isovaleraldeído e decilaldeído. felandreno. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. terpenos e dipenteno (Costa.e b-pineno. laurato de etila. cariofileno.diurético e contra hipotensão. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças.4%). farnesol. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. 1981). 1996). vômitos da gravidez (Corrêa. Ming et al. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). além de o açúcar servir para o combate à pneumonia.

1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1988). Com as folhas de C. Os principais constituintes das folhas de C. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. 1986 e 1987). O extrato metanólico de C.. citratus. Onawunmi & Ogunlana. 1986 e 1987. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. 1996). 1995). 1988) antimicrobiana (de Sá et al.8%). . no entanto. 2000. toxicológico e clínico com essa espécie. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. 1986.. 1985). Onawunmi et al. (1983) referem atividade antiespasmódica. não observando propriedades de interesse terapêutico.. A atividade antibacteriana de C. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico.. 1988).... 1984. 1988). 1997) e o extrato de C. 2002). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1990). depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho... O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. e Di Stasi (1987). Lorenzetti et al... O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. mirceno (12. 1989) e antioxidante (Lopes et al.. 2002. 1997). 1983 e 1989a). geranial (45. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. anti-helmíntica (Jourdan. enquanto Ferreira et al. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. Di Stasi et al. 1988). relatam. 1988). O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.9%) e neral (33. 1998). citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. Onawunmi. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al.. (1985).. Pinho et al. 1997).. analgésica (Viana et al. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal.

Foi isolado também o policosanol. Dados toxicológicos O óleo de C. citriodorus. ácidos p-coumárico. Além de hipocolesterolêmico... 2000).. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. ferúlico e sinápico (He & Terashima. 1999). Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. bradipnéia. 1988). Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero.. sedação e defecação (Ferreira et al. De S. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Menendez et al.. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. ataxia. 1986a). visto o grande número de trabalhos com C. 1989). . (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. 1983). officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. ligninas e ácidos fenólicos.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. 1990). 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. Para a espécie Saccharum officinarum. perda de postura. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. citratus.. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. Hikino et al. 1997. também conhecido como Capim-cidrão. um álcool alifático com alto peso molecular. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. o extrato hidroalcoólico das folhas de C.

FIGURA 1. .1 . c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.

Saccharum officinarum.FIGURA 1.Banco de imagens ). .2 . Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .

Tal uso não é comum na região amazônica. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. importante produto de comercialização. . Guimarães C. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. As espécies da família Bromeliaceae. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Zingiberaceae. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Lowiaceae. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Santos E. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Cannaceae e Marantaceae. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. A. M. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). M.2 Zingiberidae medicinais C. De todas essas famílias. C. Hiruma-Lima L.

100 espécies tropicais espontâneas. destas. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. larga bainha na base que envolve o caule. com folhas membranosas. inclui 52 gêneros. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. Costus e Hedychium. algumas delas aqui descritas. Vindecaá e Vindicáa. Curcuma. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. lâminas . nos quais estão distribuídas 1. com várias espécies medicinais. Alpinia. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Além do valor medicinal das espécies dessa família. especialmente as famosas Canas-do-brejo. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. Renealmia e Riedelia. e • Zingiberoideae. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. na qual se localizam os gêneros Zingiber.

distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. hermafroditas e zigomorfas. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. flores em grupos com brácteas vistosas. gineceu com ovário ínfero. contra sarampo. elípticas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. densas com flores brancas ou róseas. podendo chegar a até 1. descrito por Carl Linnaeus. O gênero Costus. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. . Costus spiralis Rosc. inclui 42 espécies tropicais. fruto capsular.com 20 a 40 cm de comprimento. 1988). espessas. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. mas com algumas espécies em regiões tropicais. perianto distinto em cálice (claviforme. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. ápice agudo e base arredondada. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa.5 m de altura. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. entouceirada. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. contém inflorescências terminais. vistosas.1).

as inflorescências são terminais com flores brancas. muito perfumadas (Figura 2. grandes. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. . Em razão de sua beleza. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. contra diarréias graves. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. Lírio branco e Gengibre branco. vistosas. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. O gênero Hedychium. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. de onde partem as folhas longas. incluindo a espécie aqui descrita. cilíndricas. especialmente de origem sifilítica. lanceoladas e coriáceas. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. sendo de fácil multiplicação por touceiras. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. Hedychium coronarium Koen. na forma de infusão.2). em Iguape é comum a denominação Napoleão. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. sésseis. a espécie é muito utilizada como ornamento. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. descrito por Johan Gerhard Koenig. A decocção de suas folhas. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga.

gripes. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. indigestão. gripes e para problemas circulatórios. diarréias e como vomitiva. e. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. além de diversos outros usos (Bown. lanceoladas. carminativa com uso na dispepsia. onde a maioria das espécies é espontânea. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. cólicas. 1994). A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. folhas alternas. com ampla distribuição. internamente. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. contra náusea. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. mesmo no Vale do Ribeira. C. contra reumatismo. de Gengibre. flatulência e eólicas. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. sendo provavelmente o local de sua origem. em todo o Brasil. tosses. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. com uma lígula membranosa bífida. lumbago e cólicas menstruais. externamente. . mas especialmente na Ásia. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. 1995). A espécie é usada. A espécie é reputada como estimulante.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada.

linalol. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. japonica (Morita et al. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1988a). 1987b). 1987). alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . 1996). óleo essencial. galanga (Barik et al. De A. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. intermedia (ltowaka et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.16-dial (Morita & Itokawa. taninos. galanga..8cineol. Da espécie A. dihidro-5.. 1987b). Os sesquiterpenos -eudesmol. 1987a e 1987f) e A. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1987). speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.6-dehidrokawaina.-(17)12-labddieno-15. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. nutans (Mendonça et al. 1. galanga. humulene... 1988). Cinco compostos. 1987c)... flavonóides em A. galanolactona e (E)-8. katsumadai (Okugawa et al. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al... eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio... acetato de geranil. nerolidol. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. Os compostos isolados dos rizomas de A. 1995). 1985a e 1985b.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. isohanalpinona e alpinenona. constituintes fenólicos em A. 1988). Foram isolados dos rizomas de A. 1987). Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. Os principais constituintes dos frutos de A. 1987).. speciosa e A.. 1990). O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. Dos rizomas de A. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.6-dehidrokawaina. e 5. speciosa... galanga (Mori et al.. (Xue et al. 1988).

cálcio. fenóis e alcalóides. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al.. fenchona e geraniol. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. furopelargona B. chumbo. 1988). além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. 1987d).7-difenil-3.. 1992). 1996). hanalpinol peróxido. zinco. 1989). além das vitaminas B1. 1999). . 1997a). De A.. 1994). E. isohanalpinona. geraniol. Das sementes A.5heptanediona. além de óleos essenciais (Mendonça et al. manganês. citronelol. blepharocalyx (Kadota et al.foram isolados recentemente da espécie A. A análise fitoquímica de A.. felandreno. l. zerumbet (Xu et al. Dos rizomas de A. -sitosterol. 1. As sementes possuem mirceno. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. hanalpinona. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al.. 1997). intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. Os frutos de A. 1997b) e quercetina (Wang et al.. furopelargona A. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al.calixina A e B e 3-epi-calixina B .modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1990). C.. magnésio. pineno. B2.. bornil acetato.. terpineol e 1. 1989). Além dos sesquiterpenos hanalpinol.. yakuchinona B. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. ferro. densibracteata foram isolados os bisabolanos. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. Das partes aéreas de A. sesquifelandreno e zingibereno. daucosterol.. Três novos diarilheptanóides . 1990). katsumadai possui -pineno. alpinenona. potássio. polyantha foram isolados. -ll(12)-eremofilen-10. sendo um novo. isohanalpinol e aokumanol.8-cineol.. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A.. flavonóides (Luo et al. 1997a). linalol. 1997). trans-bergamoteno.. decanol. oxyphylla contêm neonotkatol. yakuchinona A.. Do óleo essencial das sementes de A. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. mirceno. O óleo essencial das folhas e caules de A..8-cineol (Lai et al. flabellata (Kikuzaki et al. 1997b). sódio. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. 1987). aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. conchigera (Athmaprasangsa et al. Cinco diarilheptanóides.-o1.

A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. galanga (Itokawa et al. 1987c) e A. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1999). 1987). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. speciosa. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. oxyphylla (Kyung-Soo et al. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. A erva. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. inibição da musculatura lisa. na perfumaria. Constituintes isolados de A. 1985). Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. Estudos com a espécie A. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. 1986). 1996). 1999. é usada na culinária. Lin et al. e seu óleo. 1988). além de medicinal. indicando . Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. 1997). A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. A espécie A. 2000). O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1976) e A. galanga (Janssen & Schefter. sendo antiulcerogênica (Wang et al.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. 1972). Mendonça et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1989). que é um derivado do gingerol. 1994). 1996). 1996). assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1988. 1988b). bloqueio neuromuscular. Sesquiterpenos isolados de A. japonica e A. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.

A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. O composto dihidro-5. oxyphylla (Chun et al. speciosa. 1988). Do óleo essencial das folhas de A. . speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. Estudos com a espécie A. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. O óleo essencial de A. 1992). speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal.. O extrato acetônico de A..6-dehidrokawaina isolado de A. ArnaudBatista et al.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al... 2002). 1998). Compostos isolados dos rizomas de A. Moraes et al.. 1982. Dos rizomas de A. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al.. 1987c). O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. 1996). Geraniol e isotimol isolados de A. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1994). 1992). 1988. 1996) e antiproliferativo (Ali et al.. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. 2001).. 1987c) e A.. 1989). speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al.. Os diarilheptanóides isolados de A. 1988b). Os rizomas de A. 1988a... O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. anticonvulsivante (Maia et al. 1982). 1994). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1992). O terpinen-4-ol. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 2001). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1998. Mendonça et al. Mendonça et al. 1990). galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1996). 2002) e antigenotóxico (Heo et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.. 1988). 1990). 1993) e antimicrobiana (Sá et al.. antifúngica (Lima et al. galanga (Itokawa et al. officinarum (Kiuchi et al. também isolado do óleo essencial.

Musa e Heliconia.... 2000). que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. A espécie H. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.. Surh. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. . 2002). relatadas a seguir. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.. 1999). 2000). além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. 2000) e H. hipocinese.A atividade antiinflamatória de A... 1992). contorções. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 2000)... 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. 1999). oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al.. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. speciosa produziu excitação psicomotora. 1988b). 2001. 2002). ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A.

minúsculas e duras. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. . A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L.. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca.5 m de altura. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. com pseudocaule ereto e cilíndrico.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. oblongas e inteiras. laminares de grande comprimento. com bainhas grandes. com folhas longo-pecioladas. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. folhas longas. O fruto da espécie não é usado como alimento. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. no entanto não foi possível obter sua identificação completa.

podendo atingir até 2 m. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). onde é amplamente cultivada como ornamento. flores reunidas em espigas. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ).Alpinia japonica. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. . FIGURA 2. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. mas com 25% do comprimento e da largura. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. A espécie não é nativa da Mata Atlântica.1 . dando um pequeno fruto que também é comestível. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.

. Vista da planta florida (Banco de imagens - ).Hedychium coronarium.FIGURA 2.2 .

Liliales e Orchidales). Di Stasi F.3 Liliidae medicinais L. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. especialmente na ordem Liliales. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. N. Asparagales. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Seito C. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. ordem Orchidales. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. principal. família Liliaceae. Dioscoreales. Velloziales. Velloziaceae e Iridaceae. C. família Liliaceae. Dioscoreaceae. Gonzalez L. G. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Alliaceae e Amaryllidaceae. A.

que passamos a descrever. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Trilium. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. Narcissus e Veratrum. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). especialmente do gênero Iris. A segunda.e Liliaceae. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium.950 espécies vegetais. grande fonte de espécies dessa família. Convallaria. como é o caso da cebola e do alho. 1997). Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). A primeira. . nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. esse da importante Babosa (Aloe vera). pelo grande número de espécies ornamentais. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. Lillium. Alloe. Tulipa. Colchicum e Drimia. ambas de valor econômico incomensurável. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Outro gênero importante é Aloe. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita.

O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. em geral seco. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados.1). fruto. ao passo que a infusão é usada contra gripes. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. na forma de umbela pedunculada. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. inclusos e envolvidos por fina membrana. especialmente em crianças. loculicida (Figura 3. 1995).000 a. C. a maioria é cultivada. Nas comunidades do Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. são utilizados de várias formas. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. os bulbos dessa espécie. folhas lineares. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. flores brancas ou avermelhadas. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Era citado pelos babilônios no ano 3. obtida comercialmente. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. tosse e também contra hipertensão. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. capsular.Espécies medicinais Allium sativum L. que se mesclam com os bolbilhos. sésseis.

resfriados. também são utilizados como sudorífico. Em outras regiões do Brasil. Em Minas Gerais. como referido para o Alho. reumáticas e paralíticas (Corrêa. febrífugo. 1992). subgloboso. gastroenterite e disenteria. flores hermafroditas regulares esverdeadas. histéricas. tosse. anual. antiasmático. tosse com expectoração. digestivo. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. folhas radicais ocas e compridas. Trata-se de uma espécie com usos históricos. poderoso anti-séptico das vias digestivas. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. com inúmeras variedades e subtipos. arteriosclerose. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. carnoso e com casca fina amarelo-parda. No Pará. ao passo que a infusão das cas- . É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. para problemas da pele. dispostas em umbela. Dados botânicos Erva bulbosa. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. carminativo e vermífugo. 1984). 1982). diurético. além do uso como condimento. bronquite. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. especialmente acne e micoses. rouquidão. agudas. os bulbos são usados na hipotensão. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1988). com bulbo grande e solitário.queca. ateromatose. a espécie inclui vários usos medicinais. todos usados e comercializados como alimento e condimento. o uso externo. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. em afecções nervosas.

é considerado excelente contra úlceras. Na região amazônica. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. externamente. para acne. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil.2). dores e infecções da pele. ao passo que as folhas frescas. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. podendo atingir até 1 m de altura. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. folhas suculentas. as flores são tubuladas. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. externo. como cicatrizante. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. lanceoladas.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. são úteis contra edemas. internamente. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. O uso interno de um macerado em água fria. reunidas na forma de rosetas em sua base. Aloe vera L. descansado por 24 horas na geladeira. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. A manipulação dessa planta no preparo de loções. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. Dados botânicos Planta perene e suculenta. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. usadas externamente. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. . densas.

A antro-cenona. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. 1995). desoxialiina. Prostaglandinas A. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. barboloina. alil e alil-propil. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. 1997). catártico e febrífugo. 1990). (B8) e P. além de evitar queda de cabelo... 1997). vitaminas A. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1979). Além disso. 1986).. exigindo-se cuidado na utilização. saponinas esteroidais (Peng et al. 1992). 1999). holosídeos. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. B. fitosterinas. 1993). para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. vários heterosídeos sulfurados.. obtidos de A. barbadensis (Saleen et al.. a polpa é emoliente e resolutiva. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. C. proteínas e fermentos (Costa. Nos bulbos também foram encontrados aliina. 1997). foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik.. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil.. et al. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. 1995).Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. isobarboloina (Kuzuya et al. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. aliinase que origina a alicina. Da espécie A. 1968). e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. 1991). relatando ainda que as folhas são purgativas. sativum. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. 2000). De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina.. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco.. .

Augusti & Sheela. Entretanto. fibrinolítica. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. demonstrou que os compostos de A. Esse mesmo efeito foi detectado . Kwon et al. No entanto. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. in vitro (Sheela et al. Além dessa classe de compostos. antibiótica. 1991). 1996). 2000). Em animais com carciriogênese bucal o A. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). O estudo comparativo in vitro. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al.. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. rolêmica. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. 1992).. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al.. 1981. entre outras ações que serão discutidas a seguir. 2002). 1995. hipocoleste.. 1987. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. isolado de Allium sativum Linn. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma.. Por sua vez. Hikino et al. cicloxigenase. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich.. Nerkar et al. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie..

Khan et al. Rees et al. Mossa. 1984.. 1993).. 1981.. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1983.. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. 1997. 1984. Guevara et al. Sovova et al. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. 1993) e aquosos (Sato et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. fosfatase ácida. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni.. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al.. 1995). sativum apresentou também atividade antibacteriana. compostos fenólicos (Patel et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al.. precursor da alicina e obtido do alho. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. enquanto a associação dessa dose com 4. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. 1994). O extrato de A. 1996). bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. 1992). Dababneh & Aldelamy. 1982. contra Helicobacter pylori. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. 2002) contra Staphylococcus aureus. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. O sulfóxido de S-alilcisteína. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. além de atuar como . O óleo de A. Singh & Shukla. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 2001). 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1985).. O estudo realizado por Celini et al. 1980). in vitro.. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática.. 1985..

inibem a síntese de colesterol. metil-ajoeno. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. no entanto. 1992). (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno.. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Kamanna & Shandras-Wkhara. Boelter et al.. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. 1984. (1992). 1978). 1993). Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. 1986) e brutos (Rees et al. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia.. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. Os resultados obtidos por Sendl et al. Block et al. 1980. assim como substâncias isoladas do alho. Rotzsch et al.agente anticercaricida. 1980. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. alicina e sulfeto de dialila. assim como as respectivas substâncias isoladas. Adetumbi et al... no entanto. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. sem. cepa (Dorsch et al„ 1985). Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. 1993). 1978. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. 1995b). A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Mohammad & Woodwara (1986). 1996). 1993). Essas propriedades farmacológicas. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1978. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1994). assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma.. (1986). apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. 1993). 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Sandhu et al. (1985). Dados recentes demonstram que extratos aquo- . e não as substâncias isoladas. 2001).

Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A.. 1997). 1996). antiinflamatória (Khobragade & Jangde. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. M. 1996). A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.. Por sua vez. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas.sos de bulbos de alho fresco (5. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. 1996). de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. (1987). 1991). sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. 1990). também. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. et al. et al. 1993). atividade diurética. sativum (Kweon et al. natriurética e hipotensora em cão. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. assim como a reação de liberação induzida por agonistas... sua condutância.. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1986a). 1993b). A. (1982). 12. 1991). Ribeiro et al.. (1992) com o composto ajoeno. E. tais como a histamina (Usui & Susuki. enquanto Pantoja et al. como radioproteção (Reeve et al. principal componente antiplaquetário do alho. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 1996). I. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio.. 1993). promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al.5. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares.. 1996). Essa mesma planta reduziu a concentração .. Foushee et al. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. (1986b).

sativum L. 1995). de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico.. . O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas.... 1992. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. Lipotab. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. 1990). 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar.. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. et al. 1993. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. 1993). enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. 1994). que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. Para a espécie Aloe vera. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. ela é um excelente cicatrizante (Costa. (1996). Além disso. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. in vitro.. Allium sativum. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. 1991). 1993). conseqüentemente.. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al.. 1993). I. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1996). A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. cepa com A. 1992). e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. Chithra et al. sativum ou A. Ko & Son. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. E a mistura de A.. 1995). um preparado à base de Curcuma longa. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. Extrato aquoso de A. (1994)..

barbadensis tem sido relatada (Vasques et al.. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al.. 1991).1998). Essa família possui pequena importância no Brasil. aumento na contagem de espermatozóides. 2001). Os estudos de toxicidade de Allium cepa. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. que inclui algumas espécies popu- .. vera e hipotensora de A. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. 1995). estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. em camundongos.. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. A atividade antiinflamatória de A.. As folhas de A. 1997). 1996. esses dados referem-se. contudo. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. Saleem et al.. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al.. 1994). 2001). e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 1997).. 2000). Entretanto. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al.. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação.

saponinas esteroidais (Mimaki et al. no entanto. 1987). brancas. pontiagudas e com manchas brancas.. e o Agave. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". No entanto. possui folhas carnosas. contra problemas hepáticos. flores pequenas. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. cilíndricas. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. 1996).larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente.. na região amazônica. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. Das .. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. longas. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. 1996 e 1997b). Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al.

saponinas.em Joly. . e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. FIGURA 3. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. 1998) (Banco de imagens )..1 . 1997). Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .. Das folhas de S. 1982). 1986). 1996).folhas de S.Allium sativum. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd.. pigmentos.. além de carboidratos. cylindrica foram isolados lipídios. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al.

2 . Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).Aloe vera.FIGURA 3. .

Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. As duas espécies. Mariot M. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. C.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . das quais destacamos apenas a família Alismataceae. ainda não discutidas neste livro. S. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. esta segunda com uma única família. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. de pouco interesse para nosso estudo. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Di Stasi A. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. portanto. Triuridaceae. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales.

flores brancas. muitas aquáticas ou brejosas. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. espécie de grande valor econômico. e Sagittaria. numerosas. grandes e eretas. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. ovadas. 1997). A planta é chamada também de Chá-de-campanha. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. coriáceas. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. folhas pecioladas. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. freqüentemente .mico.1). Inclui ervas perenais. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. com caule triangular e glabro. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. rizoma grosso e carnoso. latescentes com lâmina foliar grande. essa segunda inclui apenas a família Palmae. também denominada Arecaceae. Aguapé. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. contendo vasos apenas nas raízes. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. A espécie possui as variedades floribundus.

tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E.consideradas outra espécie. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. Incluem árvores ou arbustos.. e como anti-helmíntico. tônica e diurética. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. muitas delas usadas como medicinais. reumatismo. raramente trepadeiras. nas costas. especialmente contra dores de cabeça.650 espécies tropicais (Mabberley. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. de barriga. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). como sedativo. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. útil ainda contra artrites. 1997). O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. moléstias da pele e do fígado. . também denominada Arecaceae. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. e outras. sífilis. bem como gripes e resfriados. como ornamentais. 2000). com folhas terminais. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al.

Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Kobayashi et al. 2000a e 2000b). respectivamente do babaçu e da carnaúba. 2002. como é o caso da Areca catechu. que inclui o famoso palmiteiro. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. Tratase de uma família de grande valor econômico e. chegando até 25 m de altura. como é denominada a outra espécie do gênero. Cocos. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. do jerivá (Joly. que incluem a piaçava e a ráfia. Espécies medicinais Euterpe edulis M. 1998). e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico.. amplamente conhecido na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. como é o caso de várias palmeiras. Destaca-se o gênero Euterpe. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. conseqüentemente. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. com folhas pinadas. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos.A família está subdividida em seis subfamílias. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E.. do famoso coqueiro da Bahia. especialmente da Mata Atlântica. amplamente conhecida na região amazônica. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. outras são importantes como medicamento. e o Arecastrum. e o açaí. macrophyllus (Shigemori et al.

O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. . não fosse a intensa exploração da espécie. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. o suco do caule é usado.nhas. como antídoto para picada de cobras.1 . Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. externamente. FIGURA 4.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. internamente. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. 1998) (Banco de imagens).

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

algumas com amplo número de espécies no Brasil. Na família Monimiaceae. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies.5 Magnoliales medicinais C. C. são importantes como ornamentos. mas deve ser destacado o gênero Peumus. tais como Magnoliaceae. Myristicaceae e Lauraceae. inúmeros gêneros são importantes. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. do famoso Boldo. Na família Chloranthaceae. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. tais como as Magnoliaceae. Annonaceae. M. Guimarães C. M. Hiruma-Lima E. A. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. Santos L. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. da qual inúmeras espécies de grande valor . todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. inúmeras espécies são medicinais. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal.

Guatteria. que inclui os gêneros Annona. como Aniba. 1997). Annona cherimolia. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae.150 espécies tropicais (Mabberley. Annona coriacea. arbustos e lianas. espalhadas por todo o planeta. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Graviola e outros. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Pinha. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. 1997) e subtropicais. Laurus e Sassafras. Cabeça-de-negro. Uvaria. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. Xylopia e Rollinia. Annona reticulata. . Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Cryptocarya. e Monodoroideae. Xylopia. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Annona tenuiflora e Annona squamosa. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. Cinnamomum. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. e ainda outras importantes como alimento. A família inclui árvores. Aniba e Nectandra. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. os gêneros mais comuns são Annona. Artabotrys. No Brasil. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. que inclui nosso Abacateiro.

as folhas são alternas. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. Araticum-ponhê. fruto do tipo baga irregular. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Araticum-de-paca. com um espinho central. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. amareladas. . Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. no entanto. cordadas na base e acuminadas no ápice. polpa branca. que são muito apreciados. latescente. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". que apresentamos a seguir. 1998). Coração-de-rainha e Nona.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. pecioladas. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. Araticum-punhê. Várias espécies. alcançando até 30 cm de comprimento. com um tronco revestido por casca aromática. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. com cálice de lobos triangulares e agudos. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. ovadas ou elípticooblongas. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. alcançando até 15 cm de comprimento. mole e recurvado. Espécies medicinais Annona muricata L. sucosa.1). tais como Araticum. Iriticum. espessa com saliências cônicas. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. no entanto vários sinônimos são usados. com epiderme verde-escura. inflorescência cauliflora. flores axilares. subglobosas. com várias delas comuns na Amazônia (Joly.

Em outras regiões do Brasil. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. dores de cabeça e como emagrecedor. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. As folhas e raízes são consideradas sedativas.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. combatem reumatismo e abcessos. antiespasmódicas e antidisentéricas. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. para baixar febres. com importante uso potencial na fabricação de papel. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. as flores. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. 1984). antiespasmódicas e hipotensivas. a planta fornece madeira. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. os brotos e as folhas são usados como béquicas. 1984). usadas topicamente. peitorais. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. Na Amazônia. mole e branca. sendo depois levada para outras regiões do planeta. as folhas cozidas. por sua vez. especialmente na produção de sucos. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . O fruto. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. sorvetes e geléias (Corrêa. diurético e no combate a insônias leves. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. referidos a seguir. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. tem grande valor como alimento. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. podendo também ser usada na arborização urbana. Além dos usos medicinais da espécie. especialmente lombrigas. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. 1984). onde se tornou subespontânea. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.

Ayensu. as raízes e folhas. contra diversos parasitas (de Feo.mas do fígado. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. Na Índia. e as sementes. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. foram referidas espécies desse gênero. 1986). misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. Annona tenuiflora Mart. 1993). enquanto o óleo das folhas. inseticidas. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. parasitas. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. as folhas e a casca da árvore. 1987). como sedativo e antiespasmódico (Vasquez.. é usado externamente para neuralgia. Weninger et al. 1990). também tem sido referido para as raízes e casca da planta. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. impedindo-lhes a identificação correta. No Peru. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. gripe. no entanto. a fruta e seu suco são usados contra febre. onde é usada contra tosses. De acordo com os mesmos autores. as cascas e folhas. como antiespasmódico. diarréia e como lactagogo. na forma de chá. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. 1992). Esse uso. espasmos e febres. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. as sementes. especialmente na África. contra diabetes. 1962). no processo de pesca. o chá das folhas é utilizada para catarro.. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. 1978. asma. 1962). . 1955. Nas Guianas. Na Jamaica e no Haiti. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. tosse.

Malagueta e Banana-de-macaco. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Jegerecu. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Breu branco ou. e copa alongada. Jejerecou. Coaguerecou. Xylopia cf. alternas e ápice cuspidado. Envira-preta. folhas ovado-oblongas. na região amazônica. O gênero Xylopia. Envira.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. cálice gamossépalo. simplesmente. frutescens Aubl. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Coajerucu. agudas no ápice. com casca fibrosa. lineares. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Em outras regiões do Norte do Brasil. vermelho. deiscente. Pindaúba. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. Nomes populares A espécie é denominada.2). oblongolanceoladas. onde parte deste estudo foi realizada. fruto do tipo baga ovóide. tonturas e hipotensão. Pijerucu. Ibira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Pindaíba-branca. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. folhas alternas. muitas das quais usadas na medicina popular.3). Breu. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. Pindaúva. . com duas a seis sementes (Figura 5. Jejerecu. alcançando até 8 m de altura. aromática. pétalas lineares. Pindaíba. coriáceas. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Coagerucu. sem estipulas. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. curto-pecioladas. também descrito por Carl Linnaeus. tronco ereto e cilíndrico. sul do Amazonas. simples. hermafroditas. Pau-de-imbira.

típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1984). chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. na forma de inalação. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. Além dos usos medicinais descritos a seguir. são usadas como estimulantes da bexiga. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. raízes. perenifólia e pioneira. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. para combater resfriados e dores de cabeça. sendo uma espécie heliófita. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. especialmente. sementes de espécies da família Annonaceae. As sementes. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. 1998). como digestivo e são úteis contra catarro. folhas e. Na região amazônica da Colômbia.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. também aromáticas. própria para uso em carpintaria. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. 1984). como cabos de instrumentos e varas de pesca. ao passo que a decocção da casca é usada. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. .

1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. anonacina-10-ona. 2002). com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas.São ácidos graxos modificados.. muricatocina C e gigantetronenina. . (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. murihexocina A e B (Zeng et al. 1995e).. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al.. Recentemente. 1993). Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 1991)... 1995b). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). 2 e 3 (Wu et al. e que são importantes representantes da flora brasileira. No entanto. cis-annomontacina (Liaw et al. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. 1991b). 1994a e 1994c). Anomuricina A e B. 1995a). anomutacina 1.. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995c). as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. 1995b). neo-anonacina-10-ona. enquanto Gromek et al. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. especialmente como citotóxicas.. 1994). das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. denominada corepoxilona. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. epomuricenina A e B (Roblot et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. muricina H. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A... também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al.. iso-neoanonacina-10ona. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. I. hoviicina A.. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. muricatetrocina A e B..

32-hidroxibulatacina. Das sementes da mesma espécie. Cortes et al. incluindo A. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al.. 1962).. 1995). 1993).. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. Das semen- . 1995). 1994a). isoquerimolina 1.. cherimolia. 1993b). esquamosteno A (Araya et al. molvizarina e motrilina (Cortes et al. anoreticuína-9-ona. 31-hidroxibulatacina. 1992). 1991).. 1994b). tais como reticulatina (Saad et al. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas.. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al.... 1994c) neodesacetiluvaricina. 1991). esquamosinina A (Yang et al. anogaleno (Sahpaz et al.. solamina. 1994). 1995) em Annona bullata. Sahai et al. 1993). 1991a e 1991c). anomontacina em Annona montana (Jossang et al... esquamostanal A (Araya et al.. bulatencina. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. jeteína... Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. reticulacinona (Hisham et al. 1994). squamocina e almunequina (Duret et al.. 1993b). tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. esquamona. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. além de esquamocina e esquamostatina A. itrabina. muricata e A. 1994b)...Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas.. bulatanocina. 1995a).. B. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. três uvariamicinas. 1994a e 1994b)... 1996). 1996).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. isomolvizuína 2. C e D (Fujimoto et al. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. 30-hidroxibulatacina. 1994). cis.

1962).. montana (Wu et al. 1982a e 1982b. Alcalóides conhecidos como anoretina. enquanto os alcalóides anonaína. Yang & Chen. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. michelalbina. 1979. A. oxouxinsunina. 1978). X. 1987). 1993). um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. anonaína. 1996). reticulina...... frutos de A. squamosa (Krishna Rao et al.. purpurea (Castro et al. X. 1970) e X. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. 1976). salzmannii (Paulo et al. cacans (Saito & Alvarenga. squamosa (Setharaman.. bullafa (Kutschabsky et al. 1984). isoboldina e outros foram isolados de A. 1991). anolatina. ambotay (Carazza et al. 1979. Martins et al. Flavonóides foram descritos em A. enquanto diterpenos foram descritos em A. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein.. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al.. aromatica (Rios et al... A. 1995e). Monoterpenos foram isolados de A. cherimolia (Yang et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. brasilienses (Casagrande & Merotti.... squamosa (Leboeuf et al. foram isolados do fruto de Annona muricata . 1993) e sesquiterpenos em A. A. enquanto três amidas ácidas. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1978). 1986). como constituintes predominantes. 1981). laureliptina. reticulina. de A. 1992. 1989. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al.. Inúmeros compostos terpenóides. Barbosa Filho et al. squamosa (Wu. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1988).. 1976). C. 1985) e A. A.. Y.. anolobina e asimilobina foram isolados de A. squamosa (Silveira et al. uma lignana ((-)-siringaresinol). 1994). 1986). Wu et al. Mukhopadhyay et al. 1991). et al. ambotay (Oliveira et al. cherimolia (Villar et al. 1994).. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk.. 1986) e A. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. 1994).

1993. 1991). Anomutacina 1.. obtidas de Annona muricata. corosolona 1 e corosolina 2. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. 1979). Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1998). 1987). Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk...(Wong & Khoo. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al... 1991). 1993. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. a casca.. Misas et al. Carbajal et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. acetogenina isolada de Annona muricata. Solanina. 1925 e 1932). A espécie Annona muricata possui... uma acetogenina isolada de A. 1991. 1962). 1996.. muricata. muricata e de A. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. brasiliensis e X. 1995b). Vilegas et al.. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. a raiz. antiespasmódica. . Heinrich et al.. X. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Acetogeninas isoladas sementes de A. 1940). 1993). 1991b). 1990). enquanto extratos de folhas. De Xylopia frutescens. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. vasodilatadora.. 1941. X. Di Stasi. 1995e). assim como outras espécies do gênero. 1991). 1992. Ngouela et al. Lopez Abraham. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. 1979). 1995. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer.. 1991). Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. Bourne & Egbe. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. 1979.... aromatica.. 1988. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. Gbeassor et al.

1991.. (1995b). asimilobina. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A.. 1995).. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina.. reticulina.. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. anonaína. reticulatina. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. 1995a). . cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. 1992). squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. 1994). et al. respectivamente. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. Esteróides de A. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al.. galucina. solamina. montana (Wu et al. cherimolia (Villan del Fresno et al.. 1993). salzmannii. montana (Wu et al.. 1991c e 1991a). 1993b). coridina. enquanto os alcalóides liriodenina.. 1987) e A. enquanto alcalóides isolados de A.. C. cherimolia (Cortes et al. esquamona. isolados de A.. anoreticuína9-ona. 1993) e várias outras (Jossang et al. 1980). laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. Hui et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. bulatanocina.. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. 1993). reticulina. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. Cortes et al. Chang et al. 1991. squamosa. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al.... De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. norcoridina. 1980). Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1993b e 1994b. enquanto os alcalóides de A. oxoxilopina. 1991). anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. Y.. Os alcalóides isolados de A. 1992).. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. 1988b e 1988a).. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu.

squamosa. 1979. Do extrato etanólico das folhas de X. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. foi caracterizada a . Rao et al. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. 1996).. Anopheles stephensi (Saxena et al. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al.. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. que determinaram efeito depressor do SNC. fungitóxica. 1996. como acido caurenóico. Extratos preparados também com A. 1998). que apresentou atividade citotóxica. 1989. coriaceae (Souza et al. F. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. Extratos etanólicos de sementes de A. Extratos metanólicos de A. 1975). Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al.. 2001). Trypanossoma brucei. Das cascas de X. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. 1993). 1994).. et al. Martins et al.. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. donovani. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. 1979). que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. et al. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. Oliveira et al. E. O extrato etanólico da raiz de X.. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. Silva.. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. 1990. 1993).. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito.. 1996).... A. 1994). enquanto o extrato etanólico de A. atividade anticonvulsivante e analgésica. parassimpatomimética de A. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). A... 1998). aromatica foi isolada atherospermidina. L.. discreta. 1999). entre outras.1983). frutescens não apresentou atividade moluscicida.

2001). como inseticida. especialmente em uso crônico. Em Guadalupe. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. E da espécie X.. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. 2002). 1988c). Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. 1996 e 1997). bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas.. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. (1988) para a espécie Annona muricata. muricata e A. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. anti-helmíntico e citotóxica.. . que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. 1999). indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 1962).. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al.

é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. que possuem importância do ponto de vista econômico. Ucuuba cheirosa. No Brasil. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Espécies medicinais Virola surinamensis L. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. e também como Leite-de-mucuiba. Árvore-do-sebo. Essa família inclui gêneros importantes. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. Bicuíba. Nozmoscada e Ucuuba-branca. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Horsfieldia e Knema. como a Noz-moscada (Myristica). 1996). Virola. 1997). usada como condimento. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. Sucuuba. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. e espécies do gênero Virola. Sucuba. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. como Myristica. podendo chegar a até 35 m de altura. contendo ramos carregados de folhas . Neste levantamento.

Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. 1989. surinamensis. 1996. Inclui 45 espécies de florestas tropicais.. com até 20 cm de comprimento. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas.pecioladas. Ferri & Barata. 1996). oblongolanceoladas. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. Espécie de ocorrência na Amazônia. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. et al. V. Martinez et al. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. 1997). 1971).. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. V surinamensis (Lopes et al.. 1992. pavonis (Martinez et al. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. É uma planta perenifólia. V cf. 1995). 2000). A casca é usada como medicamento para aftas. Vidigal et al. pavonis (Marques et al.. 1987). V michelli (Santos.. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. V. como outras do gênero. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. Cassady et al.. usadas como venenos de flechas. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). bem como -sitosterol. 1984). chegando até Pernambuco. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. L. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. infecções. 1987a).. inflamações. elongata . -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto.. 1969. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. 1991 e 1992).. para o tratamento de câncer. S.

. 2001). 1987). 1988). V. 1990). 1994 e 1996... flexuosa (Aguirre. Das folhas de V. surinamensis.. Além das lignanas. V. foschnyi (Lemus & Castro. 1992) e V. 1990. titonina (Andrade et al. 1995). A atividade analgésica de V. A atividade antifúngica das espécies V.. titonina . V. calophylla. 1987b). 1989) e V. carinata e V. 1996) e V. 1992). 1994 e 1995). sebifera. 1993 e 1994). Cavalho et al. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. calophylla (Martinez et al.. Andrade et al. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. Alvarez et al. Lemus & Castro. 1996a).. 1996. V. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. michellii (Cavalho et al. michelli (Santos et al. urbaniana (Reis et al. V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al.. pavonis. 1986 e 1990)... V.. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 1996.. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. 1989).. calophylloidea (Von Rotz et al.. e polifenóis nas espécies V. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. V. oleifera (Fernandes et al. venosa (Kato et al. michellii foi atribuída à presença da flavona.. Pagnocca et al. calophylloidea (Martinez. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. V.. 1999). V. 2001). 1999.(Kato et al... carinata e V. 1990)..

carinata e V. 1987). Sassafras. surinamensis (Lopes et al. porém. donovani e V. 1999). elongata (Davino et al.. 1986b e 1998). sugerem cuidados da população quanto ao uso. cercaricida e molucicida de V. árvores e arbustos (Mabberley. duckei (Bennett & Alarcon. V. amplamente usado no Brasil como condimento... alucinogênica de V. surinamensis. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto.A atividade leishmanicida nas espécies V.. tripanossomicida. 1994). do famoso Louro. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. 1996. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. 1997). Barata et al. 1978). Ocotea. V. 2000). aliados ao relato de atividade moluscicida. Nectandra. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. pois.. Os principais gêneros são Laurus. 1998. A família reúne grande importância econômica. todos aromáticos. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. do nosso famoso Abacateiro. oleifera. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. inseticida de V. Persea. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. dados etnofarmacológicos de V. da famosa Canela-sassafrás. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. 1996). sebifera. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. Incluem muitas espécies aromáticas. As propriedades antioxidante e surfactante de V.850 espécies. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero.. Licaria. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. e outros. além do . 1987) e anti-hemorrágica de V. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). 2000). koschnyi (Castro et al. mas não foi detectada em V. calophylla (Miles et al.

pecioladas. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. É uma planta exótica e cultivada no Brasil.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. Espécies medicinais Laurus nobilis L. para combater problemas hepáticos e intestinais. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. 1998). deriva de lauer = "verde". a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. folhas alternas. . e laus = "louvor". O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. sendo considerada digestiva. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. 1998). A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. fornecedor de alimento amplamente comercializado. lanceoladas. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. e de outras espécies. como a Canela e o Louro. bem como para dores de barriga. onde se adaptou muito bem. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. de estômago e como emética e abortiva.Abacateiro.

onde se encontram as folhas alternas. Persea americana Mill. estimulante do apetite e contra cólicas. anti-sifilíticas. contra reumatismo. comestível. as folhas são usadas contra indigestão. pequenas e pouco vistosas. não ocorrendo espontaneamente. lanceoladas e acuminadas. úlceras e piolhos (Bown. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. nome dado especificamente ao fruto. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. analgésico. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. . emenagogas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. estomáquicas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. diuréticas e febrífugas. que envolve a semente grande e marrom. vulnerárias. sendo comercializada em todo o mundo. 1995). além de atuar como diurético e analgésico. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. com polpa verde. flores branco-pálidas. ou Persea gratíssima Gaertn. bronquites. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. 1984). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. pecioladas. é também usada contra febres. carminativas. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. fruto do tipo baga ovóide. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. externamente. reumatismo e uremia (Corrêa.Internamente. além de serem usadas contra doenças renais. ao passo que a infusão das folhas.

antifúngico (Domergue et al. Afifi et al. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano.. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. hidrocarbonetos. 2002). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. foram atribuídos os efeitos analgésico... . Grant et al. 1987). 2002).. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 2002). americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown.. 1997). constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. 1999). 1995.. 1991. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2002. 2000. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. elemicina.8-cineol isolado de L... bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). Às folhas de P... Hargis et al. 2002). A espécie Persea americana L. A atividade antiulcerogênica de L.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol.. Carman & Handley. americana citados acima. Sladler et al. 2001). O 1. 1991. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. spatulenol. 1991). monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. 2002).. antiinflamatório (Ademylmi et al.

FIGURA 5. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ). 1984).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. .1 .

2 .Annona tenuiflora. .FIGURA 5. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984) (Banco de imagens).

3 . frutescens: a) Escanerata do ramo florido.FIGURA 5. . b) Detalhe da flor (Banco de imagens).Xylopia cf.

Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. Di Stasi C. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. 1997. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. Santos C. 1998). com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. e. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. C. M. muitas das quais usadas como medicinais. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. M. Hiruma-Lima E. ao passo que na região do . A. no Brasil. Joly. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. Thottea e Asarum.ó Aristolochiales medicinais L. Hydnoraceae e Rafflesiaceae.

muitas das quais ricas em alcalóides. hermafroditas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. Jarrinha. pecioladas. Outras denominações populares são Angelicó. e várias com usos medicinais descritos. zigomorfas. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. que lembra o feto em posição antes do nascimento. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). usadas como venenos. grandes. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. denominada popularmente como Milomem. Mil-homens e Papo-de-peru. parto. com sementes achatadas. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. Calunga. flores isoladas. Capa-homem. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. axilares. sulcados e estriados. foi referida como medicinal. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". Batarda. simples. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. folhas alternas. ramos lisos. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. Contra-erva. fruto capsular cilíndrico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . Dados botânicos É uma planta trepadeira.1). e lochia = "nascimento".

não sendo encontrada em áreas degradadas. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. estimulante. catarros crônicos. diurética. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. especialmente para combater náuseas e vômitos. simples.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. estomáquica. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. capoeiras e áreas em regeneração. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. os ramos são lisos. as flores são isoladas e axilares. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. sulcados e estriados. sudorífica. disenteria e diarréia. cicatrizante e contra úlceras crônicas. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. anti-histérica e útil contra febres graves. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. anti-séptica. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. constipação nasal. excitante. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. 1982). no entanto. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. Também não é uma espécie cultivada. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. sarnas e orquites (Van den Berg. . 1984). pecioladas. gripes fortes.

.. clematitis (Kostalova et al.. brasiliensis (Lopes et al. et al. 1994).. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1986b e 1986a).. L.. L.. 1986). Higa et al. molissima (Peng. esperanzae e A.. molissima (Peng et al. 1980). A. argentine (Priestap. Chakravarty et al.. 1996. 1987). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. A. M. chilensis (Urzua et al. 1990.1993). 1983). P et al. 1987. raízes de A.. A. ponticum (Houghton & Ogutveren. 1991a).. 1991). 1991). longa (De Pascual et al.. A. 1991. 1984). A. et al. S. Alcalóides foram isolados de várias espécies. T. 1987. ftiangularis (Bolzani et al. argentine (Priestap. kankauensis (Wu et al. em A. Paiva et al. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A.. 1991a).. Zhang et al. et al. longa (De Pascual et al. 1987).. A. 1995). A. nata (Moretti et al.. 1995). tubiflora (Peng et al. X.. A. 1991). 1994). A. III e IV (Houghton & Ogutveren. 1988). rotunda (Pistelli et al.. II. J. vários outros alcalóides aporfínicos de A.. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1987). galeata (Lopes.. A. cinnabarina (Li. T.. 1992) e outros alcalóides em A.. manshuriensis (Ruecker et al. 1995). A. A. arcuata (Watanabe & Lopes. H. kankauensis (Wu. 1985) e A. fangchi (Tsai et al.. 1977 e 1985). 1991) e de A. A.. A.. A.. 1983b).. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1992). Abel & Schimmer. 1995). clematitis (Kostalova et al. A. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A.. rigida (Pistelli et al. elegans (El-Sebakhy et al. dematilis (Makuch et al. A. versicolor (He et al. bracteata (ElTahir. 1979).. S.. 1991b).. gigantea (Lopes. 1989). clematitis (Kostalova et al. 1993). tais como A. 1983a). 1988. yunnanensis (Chen et al.. A. 1991).. 1995). indica (Che et al. Lopes. debilis (Ahmed Farag et al. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. manshuriensis (Lou et al. A. A. contorta (Lou et al. Lou et al. chilensis (Urzua Rodriguez. 1987). 1992). tubiflora (Peng et al. A. auricularia (Houghton & Ogutveren. A.. 1995). tubiflora (Peng et al. bracteata (ElTahir. versicolor (Zeng et al.. maurorum (Kery et al.. 1987). 1982). 1987). liukiuensis (Mizuno et al. 1983). 1979) em raízes de A. versicolor (Zhang&He. 1980). cinnabarina (Li et al. 1992).. 1996).. A. A. A. . 1988). et al. gigantea (Cortes et al. 1995) e A. A. 1991b). 1980). et al. A. A.. A... A. acuminata (Moretti et al. sendo descrito em A.. A. 1995) e A. C. A. A. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A.. indica (Piers & Tse. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. 1988). 1994).. G.. 1992. A.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. rodix (Tsai et al. kankauensis (Wu. A.

indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty.. Lopes et al. A. 1990). esperanzae. et al. R.. copaeno. 1996). birostris (Conserva et al. Urzua & Presle. Lignanas também foram descritas em A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. A. cymbifera. 1988) e amidas em A.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. A. 1980). macroura (Leitão et al. 1987b. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta.. 1979). gigantea e A. S. 1978). indica (Pakrashi & Pakrasi. kankauensis (Wu.. 1980. triangularis (Ruecker et al. A. 1990).. chilensis (Urzua et al.. -elemeno.. T. e o ácido aristolóquico de A. galeata (Lopes & Bolzani. taliscana (Longsw et al. 1995). 1994). et al.. 1987) e A. 1993). 1991b).. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. A. 1988) e A. O ácido aristolóquico de A. arcuata (Watanabe & Lopes.. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . 1977). A. Compostos como -cariofileno. S.

1985). com A. H. tulobata (Sosa et al. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. Estudos com A. 1990)... O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir.. atividade analgésica. G. paucinervis (Gadhi et al. triangularis (Garcia.. 1979). birostris demonstraram. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. papilaris (Maia et al.Choudhury. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. multiflora (Moretti et al.. 1988). gigantea (Campos et al. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al... 1999). 1996).. papilaris (Maia et al. niaurorum (Kery et al. A. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico.. O mesmo ácido obtido de A. anti-séptica e cicatrizante de A. e antiviral com A. no Sistema Nervoso Central. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. determinada pelo teste de Ames.. 1979). 1983). 1999). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. 1993). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos.. 1995). 1988). 1993). 1985).. A. 2001). A espécie A. 2002). et al. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. antibacteriana... Atividade mutagênica. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. 1991). O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos.. 1991). 1991).

com 10. 50 ou 100 mg/kg via oral. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. FIGURA 6. Da mesma forma. por suas características químicas. Entretanto. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero.1 . as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. 1993). Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 1996) por humanos. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes.Aristolochia trilobata.. . Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.

o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. normalmente com células de óleos essenciais. C. Portilho M. onde ocorrem em abundância e diversidade. especialmente do gênero Piper. Piper nigrum. 1997). e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. A. Mariot W. Hiruma-Lima A. G. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. Por sua vez. e espécies me- . dos quais se destacam os gêneros Piper. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. Di Stasi C. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros.7 Piperales medicinais L. Peperomia e Pothomorphe. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Geralmente as plantas são arbustos. lianas. S. epífitas.

Nomes populares Além de Tracoaptera. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. pequenas. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. Piper angustifolium. sendo também apenas . Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. Espécies medicinais Peperomia elongata H.B. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências.K. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Piper cubeba.dicinais de ampla utilização.1). como a chinesa e aiurvédica. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. muito semelhantes entre si. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. O gênero Peperomia. como a Piper betle (betel). folhas alternas. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. as quais passamos a discutir a seguir. ovário com um só estigma. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. Piper longum. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie.

. curtopecioladas.obtida na área de floresta em torno da aldeia. bastante carnosas e glabras. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. simples. pequenas. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. gastrite e gripes. na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. Piper cavalcantei Yuncker.B. Peperomia rotundifolia H. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Nomes populares A espécie é chamada. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. de distúrbios do estômago. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas.K. mas com pouca ocorrência. Não foram encontrados sinônimos. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). A espécie é encontrada na Mata Atlântica.

todas aromáticas. sendo a maioria arbustos. atingindo até 10 cm de comprimento. especialmente para dores de cabeça. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. folhas pecioladas. assimétricas na base. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. Piper cernnum Vell. podendo chegar a até 5 m de altura. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. membranáceas. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. pendente. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado.2). os frutos são drupáceos (Figura 7. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. inflorescências do tipo espiga. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. algumas lianas e pequenas árvores. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. isoladas e levemente curvadas.

Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. membranáceas. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. incluindo hepatite. a infusão das folhas é usada como analgésico. Piper gaudichaudianum Kunth. estomacais e hepáticos. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. um pouco ásperas. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. . especialmente contra dores de barriga. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. onde a espécie é abundante. levemente curvadas. além de ser útil em distúrbios renais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tendo distribuição por todo o Brasil. acuminadas no ápice. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi.3). inflorescências do tipo espiga. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. assimétricas na base. Em outras regiões do país. particularmente contra cólicas abdominais. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. com os nomes de Murta e também de Pariparoba.

4). Bitre. folhas alternas. Aperta-ruão ou Aperta-juan. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. membranosas. pecioladas. estomacais e renais. com ápice acuminado. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. levemente assimétrica na base. r e t a . cordiformes. Ihotzkyanum Kunth. pequena (até 11 cm de comprimento). flores . Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Em outras regiões do país. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. alongada e fina. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Piper marginatum Jacq. membranácea. glabra. com ramos glabros e cilíndricos. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Nhandi. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão.Piper cf.

Malvarisco. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. . Uma outra espécie do mesmo gênero. se ingerida. androceu com três estames. principalmente da tucundeira. sudoríficas. estimulatórias (Corrêa. fruto do tipo baga (Figura 7. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. com ápice agudo e nervação peltinérvea. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". peitadas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. diuréticas. Pothomorphe peltata (L.com brácteas triangulares.) Miq. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. contra veneno de cobra. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. resolutiva e usada em banhos após o parto. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. descrita a seguir. bainha desenvolvida. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. Catajé. A planta é tônica. minúsculas. sialagogas. um gênero da família Araceae. estomáquica.6). os frutos são excitantes. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. 1984). Caá-peuá. flores sésseis. as raízes são carminativas. dores de dente e blenorragias. e não isoladas. ovado-arredondadas. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. gineceu com três estigmas.5). membranosas. como ocorre no gênero Piper. as folhas. andróginas. essas diferenças ficam bem claras. formando uma falsa umbela. peltatas.

a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. minúsculas. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. com ápice agudo e nervação peltinérvea. ovado-arredondadas. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. antiinflamatório externo e interno. flores sésseis. diurético. 1980). Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. . cordada. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. Capeba ou Pariparoba. fruto do tipo baga. andróginas.7). vermífugo.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. membranosas. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. bainha desenvolvida. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. formando uma falsa umbela. 1984). A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Pothomorphe umbellata (L) Miq.

et al. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. ácidos graxos (Lima et al. De Peperomia japonica..... Os alcalóides. grifolina bisobolol. Mahiou et al. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. monoterpenos. 2002.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. sesquiterpenos. Piper Das raízes de P.. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. Das raízes de P. são . 2001). Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. M.. C.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. B e C (Chen. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. flavonóides (Tillequin et al. marginatum foram isolados aril-propanóides. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. 1996). proctorii (Mbah et al. et al. E... 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. quinonas piperogalona. que também possui ácido grifólico. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. 2000). G. miristicina. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. compostos de grande importância farmacológica. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al.. 1988).. indicada populamente como antitumoral. vulcanica e proctorionas de P. 1982). Seeram et al. 1994). além de apiol. 1982). 3-hidroxi-4. Das partes aéreas de P.. 2001). Cromonas foram isoladas de P. 1997)... 1988). 1990). foram isolados lignanas denominadas peperomina A. que representa 49% dos constituintes voláteis. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al.

piperina. 1986).. Foi demonstrado também que P. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. piperlongumina. betle (Evans et al. 1986). P. 1985) e P.. piperidina. P. Pothomorphe P. aduncum (Smith & Kassim. 1987).... retrofractum (Banerji et al. 1977... tuberculatum (Braz Filho et al. sylvaticum (Banerji & Pal.. compostos fenólicos de P. 1977) e P. 1992). Foram isolados diversos alcalóides em P.. 1986. 1979).. sendo os principais piperlonguminina. 1981) e P. 1995). guineense (Cole. 1986) e flavonas de P. hispidum (Vieira et al. 1979).. 1982) e P clusti (Koul et al. P.. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. 1985). 1986). P. P. 1980). hostmanianum (Diaz et al. P. lignanas de P. hancei (Li et al. 1987). 1980) e P. methysticum (Smith. hidropiperona. hispidum (Burke & Nair. 1981). Li & Han. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al.. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . Shoji et al. 1986) e P.. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. 1986. Tabuneng et al. 1985). Isolaram também neoglicanas de P. aduncum e P.. 1968). P. P. Bacillus subtilis.. 1986 e 1987).encontrados com freqüência nesse gênero. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. jaborandi (San Martin. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al.. futokadsura (Chang et al. P. 1987). chavicina e outros. flavonóides de P. Achenbach et al. longum (Dutta et al. 1983). nigrum (Inatani et al.. amalago (Dominguez et al. P.. 1984). lancei (Han et al. auritum (Ampofo et al. 1983... cubeba (Badheka et al. Uma quinona. 1987). 1987). peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A... P peepuloides (Shah et al. betle (Rimando et al. hispidum (Vieira et al.

L. Piper Foram caracterizadas para P. lacrimejamento... salivação intensa. 1996a). M.. 1998. Assim. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. et al. S.. O extrato aquoso de P.. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. 2001). et al. H. H.. E. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. Embora o extrato de P. analgésica (Da Silva et al... galioides e os compostos ácido grifóico.. 1996)... mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. Substâncias de P.. também conhecida como Língua-de-sapo. hipotensora (Santos.. 1997). et al. 2001). em doses que variaram de 0. 1996b). 1997). Villegas et al. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. hipotensora (Siqueira et al. 1994). 1997). Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta.. apresentou atividades diurética (Santos. 2002. atuar como antialérgico e diminuir . e atóxica (Saad et al. cicatrizante (Saad et al. B.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente.. 1996). Arigoni-Blank et al.cies de Leishmania (Mahiou et al. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. V. 2002. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. V. 1996). R. promoveu piloereçáo. do extrato (0. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. antibacteriana. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.1-1 g/kg. O.v. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. O. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. antifúngica (Lima. V. Aziba et al. bloqueada com prazosin e ioimbina. 1994). et al. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. 1992). et al. 1995).1-0. R. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. relaxamento muscular e dispnéia. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos.. A administração i.

espasmolítica. Cairney et al.. Atualmente. 1986). 1985). por seus constituintes químicos.. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. P. antioxidante (Choudhary & Kale. 1986.. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. 1984). e antiviral P. 1985). Dahanukar et al. regnelli. 1988). Di Stasi & Pupo. 1979). O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1984. conhecida como Pariparoba. 1987). inibindo a agregação de plaquetas. Pothomorphe A espécie P. 2002). nematicida (Evans et al.. lindbergü e P. apresentou propriedades anestésica. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1985).. analgésica. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. As neoglicanas isoladas de P. anticonvulsivante. retrofactum (Woo et al. lancei e P. 1984). peltata. nigrum (Miyakado et al. 1987. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). methysticum também conhecida como kava-kava... abutiloides.. 2002. aduncum (Lohezic-Le et al. 1978.. inseticida com substâncias de P. larvicida (Mongelli et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. amalago (Pupo. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. agindo como os anestésicos locais (Singh. fungicida.. 1984). betle apresentou atividades fungicida. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1976). A espécie P. Porém. 1991.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. P. 1988).. Shen et al. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. esta última com potente atividade (Di Stasi. P. cincinnatoris. 1988).. P.... 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al.. De P. 1983). A espécie P. a degranulação. e aumentou o tempo de sono (Duve. Desmachelier et al. mutagênica (Chen et al. 2002). 1986 e 1988. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. 1985).. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. Prakash. Amorim et al. peltata possui atividade analgésica (Pupo. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. 2000). gaudichandianum. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al.

. 1987). antiedematogênica. P.. 1987). Desmarchelier et al. 2000). peltata (Felzenswalb et al. De P.. 1992)... analgésica. umbellata.Peperomia elongata. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. umbellata. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. antimalárica e antioxidante (Isobe et al. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al.. umbellata L. o que não foi observado na espécie P. O extrato etanólico das raízes de P. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi .. 1997. FIGURA 7.Banco de imagens .atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. Miq..1 . 1995). peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 1996). Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P.. de Ferreira da Cruz et al. 2002.

b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ). .2 .FIGURA 7.

FIGURA 7. .3 .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).

4 . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ). .Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.FIGURA 7.

Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ). .Piper marginatum.FIGURA 7.5 .

. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . .6 .FIGURA 7.Banco de imagens . .Pothomorphe peltata.

inflorescências Folha cordada FIGURA 7.Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).7 . .

Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. como é o caso da Papaver somniferum. Berberidaceae. Sabiaceae. Santos E. o famoso Ópio. foram obtidos. C. arbustos escandentes e . Hiruma-Lima C. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. algumas lianas. Ranuculaceae e Papaveraceae. Di Stasi C.8 Ranunculales medicinais L. M. Pteridophyllaceae. M. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. A. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. como a morfina e outros derivados opióides. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. das quais devemos destacar Menispermaceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae.

aplicada no local lesado e/ou ingerida. são consideradas muito tóxicas. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. Nessa família. utilizadas por índios do Norte do país.raramente árvores ou ervas (Mabberley. típica da aldeia tenharins. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. com contorno oblongo (Figura 8. tais como A. no entanto. Uma delas. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. 1996). Espécies do gênero Abuta. raspada e misturada com água. assim como . Dados botânicos Planta perene.1). 1997). flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. foi referida como planta antiinflamatória. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. onde a planta foi referida como medicinal. Outra denominação é Iroba. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. também denominada de Abutua. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. a espécie é chamada de Abuta. folhas alternas e pecioladas. da Mata Atlântica. fruto do tipo drupa. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. rufescens e A. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. imene. com ampla distribuição na América do Sul. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

. 1987). Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. raízes.. porém. 1997). antiviral (Brochado et al... et al. 1996. M. L. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Além disso. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. et al.. argentea. 1996 e 1998). pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . L. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. LDH) e o nível de bilirrubina. 1996). 1996). ainda. B. 1996). Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. GOT. 1994). O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. relaxante (Araújo et al. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook.. in vitro. 1997). 1994) e depressora do SNC (Kern et al. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. et al. B.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. 1997... analgésica (Macedo et ai. Não foram observadas. Induziu. 1993). Farias. 1997). D. Farias. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. 1993.. Kern et al. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Uma loção contendo C. Brochado et al. 1996. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. Gomes et al. 1997). D. 1996a e 1996b). Loureiro et al. 1998. 1999.... J.. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana.. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al.. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.

Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies.. et al.. 1972).. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. C. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. 1996. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal.. sobretudo contra helmintos. S. 1986. Extrato aquoso de A. hemorragias. 1992).. confirmados para inúmeras espécies dessa família. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. O uso das espécies contra helmintos. inclui . B. não apenas com as espécies citadas. 1993). 1988. aliado aos dados de toxicidade em peixes. 1996). Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu.. porém. Zhang et al. De Ruiz et al.. Do extrato de A. requer cuidados por parte da população.. 1989). 1995). subclasse Caryophyllidae. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. especialmente em uso crônico. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. et al. Yang et al. 1998). A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan.

Cereus e Melocactus (Cactoideae). • Opuntia (Opuntioideae).97 gêneros. embora várias espécies possam ser encontradas na África. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. 1997). com aproximadamente 1. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. suculentas. • Cactus. de hábito variável e geralmente espinhosas. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. que também inclui espécies medicinais. . Em ambos os casos. 1978). No Brasil ocorrem 32 gêneros. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. Segundo Joly (1998).400 espécies (Mabberley. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. são espécies perenes. 1978). a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento.

Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. além de heteropolissacarídeos. arabinofuranose. F. sendo uma homenagem ao professor N.. Peiresc. Das folhas de P. glucurônico e seus metil ésteres. fruto do tipo baga glabra. oblongas e acuminadas com base atenuada. lenhoso. C. 1990). 1994). O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. 1987). folhas subpecioladas. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al.. em altitudes e também no nível do mar. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. galactose. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. galactopiranose. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. além de galactose. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. arabinopiranose. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. xilose e ramnose (De Pinto et al. glucose. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. antitérmico e contra gripes e resfriados. A goma de P. obovóide. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. numerosos acúleos. . arabinose.. A espécie é originária da Argentina. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. 1986). flores rosas com anteras amarelas e inodoras. galactose.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. guamacho possui ácidos galacturônico. ácido galactopiranosilurônico. dispostas em rácimos terminais. cresce em matas e em restingas.

sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. O principal gênero é o Portulaca. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. 1997). usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. muitas delas suculentas (Mabberley. Talinum e Portulaca. Portulaca oleracea. . arbustos e ervas. e 33 espécies (Barrozo. sendo algumas pequenas árvores. 1978). nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil.

dadas sua rusticidade e resistência à seca. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. Dados botânicos É uma erva de caule curto. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. sésseis. pequenas. fruto capsular obovóide. tais como Verduega. Inclui três variedades principais. na forma de salada. Berduega e Veduega. obovadas. outros usos são atribuídos à espécie. folhas pequenas. mas algumas variações de nome popular são usadas. referindo-se às propriedades purgativas da planta.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. cólicas renais e . febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. as partes aéreas cruas são usadas. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. pequenas. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. flores amarelas. diminutivo de "porta". vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. Na região da Mata Atlântica. axilares ou terminais. especialmente em Portugal e na Alemanha. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. e a maioria é de ervas suculentas anuais. Bodroega. como alimento. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. arroxeado e suculento. planas e suculentas. A espécie é usada desde os tempos mais remotos.

emenagogos e vermífugos. lanceoladas. As folhas dessa planta também são comestíveis. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. emoliente. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. emenagoga e eficaz contra erisipela. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. de onde saem folhas alternas. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. como as da beldroega. Também conhecida como Beldroega. diurética. glabros e suculentos. cicatrizante externa.afecções da vista. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. Caaponga. estomáquica. pequenas. amarga. . sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. Portulaca pilosa L. as sementes passam por diuréticos. flores amarelas. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. vulnerária. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. pilosas. Perrexi e Alecrim-desão-josé.

. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis.. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. 1991). pilosa (Ohsaki et al. sendo o último composto um glicosídeo. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. fósforo. carboidratos. 1995b). Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 1996). 1995.. campesterol e stigmasterol. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. três diterpenóides transclerodânicos. Boehm & Boehm.. Boschelle et ai. ascórbico. isolados das raízes de P... fumárico e acético (Gao & Liu. 1992). 22:6ômega-3.. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. ácido linoléico e ácido palmítico.. dentre os quais 18:3-ômega-3.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. malônico. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. 1992). 1994). cálcio. ácido ascórbico. 1990). 1991). Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. manganês. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. oleracea de proteínas.. Simopoulos et ai. 1996). 1991.. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd.4. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. . hidrocarbonos e alfa-tocoferol.. P. como sitosterol. 1996).0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. parkeol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol.5% de lipídios. 1988). succínico. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. pilosanol A. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. B e C. cycloartenol. málico. butirospermol. (1991) detectaram de R oleracea 3. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. ferro. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. 1991).. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca.

. 1989). o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. apresentou atividade hipoglicemiante.De P. 1994). O extrato de P. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano.. stigmasterol.. 1994). reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. (1994). diurética (Rocha et al. lupeol.. 1997). sem alterar a diurese.. n-triacontano. 1985) relaxante muscular. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al.. 1989b) e hipotensora (Poli et al. beta-sitosterol. dentre outras espécies. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1989). O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. enquanto das partes aéreas de P. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. 1989). oleracea foi investigado in vitro. 1989.. n-hexacosanol. Rocha et al.. P. encontrado por Rocha et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. 1989). Habtemariam et al. oleracea.. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético.. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. De P. .. 1996). grandiflora Hook. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun.. 1993). 1987)... 1987). 1993. 1995)..

Salsola e Atriplex. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Lombrigueira. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Caacica. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Erva-das-lombrigas. oblongas denteadas. Erva vomiqueira. No entanto. Mentrasto e Mentrusto.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. A família se subdivide em quatro subfamílias. caule ereto e glabro. Spinaceae. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Menstruço. Anserina vermífuga. ramos folhosos verdes com folhas alternas. que pode atingir até 1. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Ex Stend. Salicornia. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert.5 m. extremamente ramificado. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. 1978). sendo uma planta extremamente . até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. 1997). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Erva-das-cobras. ervas anuais ou perenes e. raramente. Também é chamada de Ambrósia. Inclui arbustos. pequenas árvores.

destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. bronquite. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. referindo-se às folhas lobadas. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. 1995). A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais.. extremamente útil para afugentar pulgas. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. especialmente na área veterinária. ao passo que a infusão das folhas é usada. externamente. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. lesões hepáticas. dor ciática e parasitas intestinais e. febre. Godano et al. esse uso é comum também em outros países. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. 2002. amplamente disseminado nas zonas rurais. 1978. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. incluindo a Amazônia. contra reumatismo.) . para problemas da pele. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1985a e 1985b. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. Além desse uso. em altas doses. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso"... internamente. percevejos. como abortiva. a maioria de ervas. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. baratas e demais insetos. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. Melito et al.

pilosas e pecioladas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Pega-pinto e Tangaraca. 1997). Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. em trinta gêneros. mas não antocianinas (Mabberley. distribuídas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. ovadoblongas. Mirabilis e Bougainvillea. Mirabilis. arbustos e ervas que produzem betalaínas. Pisonia. Dos gêneros. opostas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. a espécie é conhecida como Erva-tostão. Boerhavia. Guapira e Andradea. Bougainvillea. nome usado em todo o Brasil. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. incluindo árvores.3). No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. de onde partem folhas pequenas. . destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9.

que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. 1996) e lignanas (Lami et al.. sendo árvores. 1991. arbustos. possui sabor picante. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. particularmente contra lombrigas.. 1997). Aslam.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1999). 1999). 1995). lianas ou ervas. 1991). além de ser considerada excelente diurético. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. sem efeito teratogênico (Singh et al. especialmente a raiz. Rawat et al. 1997). A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al.. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. 2000a). 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. Sohni et al.. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg.. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. 1990 e 1991). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. 1978 e 1980. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. atóxica. 1996. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. Corrêa (1984) refere que a planta. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca...

estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. membranosas. ereto. raízes e ramos são considerados emenagogos. também é comum. sublenhoso. na Bahia. farmacêutico e amante da natureza. Amansa-senhor. O uso externo das folhas novas e da raiz. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. flores sésseis. inchaço de mem- . folhas. Dados botânicos Subarbusto perene. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. delgados e ascendentes. ramificado com ramos compridos. diurética. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.4). gineceu unicarpelar com ovário súpero. em Pernambuco e em São Paulo. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. limão de cayanna. agudas no ápice e estreitas na base. pequenas. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. Espécies medicinais Petiveria alliacea L.como ornamentais. como abortiva. folhas curto-pecioladas. em decocto ou pó. Gambá-tipi. Outros dados incluem o uso da raiz. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. no alívio de dores musculares. alfavacão. no Rio de Janeiro. estipuladas. no Mato Grosso. antiespasmódica e reputada como sudorífica. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. e o gênero Petiveria. alternas. 1984). achatado e carenado (Figura 9. Tipi-verdadeiro. Pipi. Em outras regiões. androceu com quatro estames. como Tipi. fruto aquênio cilíndrico. que inclui uma única espécie.

ainda.... 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. De Lima et al. 1980). Pinto C. no Ceará. C. De Souza et al. 1992).. reumatismo. 1988. . ácido lignocérico. além dessas indicações. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina.. ácidos palmítico. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5.. linoléico. beta-sitosterol. nitrato de sódio. lignoceril álcool. S. 1997. 1980. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. 1982. 1988). lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. peptídeos como ácido glutâmico. Grandi et ai. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. dores de cabeça..7-di-O-metilpinocembrina. serina. como abortivo. trans-N-metil-4-metoxiprolina.. a raiz é útil na amenorréia (Agra.. 1989) e depressora do SNC (Lima. 1982).. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. C. T. 1998). T. 1988. em Brasília e no Mato Grosso. pinitol. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças.. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. Van den Berg. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. Trotta et al. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. M. et al. triterpenos (Delia Monachi et al. 1990). et al. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. 1982). as raízes são usadas na hidropsia. beta-sitosterol. esteárico. 1988b).. 1982). M. 1988). trisulfeto de dibenzila. 1986). glicina e alantoína (Sousa et al.. no Rio Grande do Sul. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. na Paraíba. em Minas Gerais.. et al. 1988. 1990). alantoína. paralisia. flavonóides. 1986). 1980).bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg.

1994). 1988.. Germano et al.. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al.. 1984). 1998).. et al.. alliacea..mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 2050 aci02).. 1993).. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. 1993.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al.. Caldeira et al. 1991... Cortez et al. 1988). decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. 1991). 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso.. hematopoiética (Quadros et al.. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. Davino et al. No entanto. Guerra et al. utilizado popularmente como vermífugo. afasia e até à morte (Corrêa. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo.. P.. 2001).. 1995).. . 1991 e 1992). 1987) e antiviral (Ruffa et al. 1990).. 1991). por levar à imbecilidade. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. 1998).. Elisabetsky et al.. 1989. atividades analgésica (Thomas et al. Takahashi. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 2002. acaricida (Johnson et al. Malpezzi et al. 1992). Y. 1994). Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 1991. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. antiinflamatória oral (Germano et al. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1996) e antitumoral (Davino et al. 1988. com uma D L m a de 1. O extrato hidroalcoólico de P. 1989. 1993. 1997) e antifungica (Benevides et al. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. efeito zigotóxico (Guerra et al... e o de caule. Davino et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 1988. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. M.. Lopez-Martins et al. citotóxica... tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

Wilbrandia. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. com até 20 cm de comprimento. como Cabeça-de-negro. é uma variação de sicyos. e muitas variedades em cada espécie.3). Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. 5-lobadas e raramente com mais lobos. com caule anguloso. que significa "pepino". folhas pecioladas. especialmente após o cultivo sistematizado. flores amarelas esbranquiçadas. membranosas. mas ásperas. como em formações secundárias. É uma importante espécie econômica. e o nome. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. flores amarelo-claras. Wilbrandia ebracteata Cogn. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. longos. foi dado em homenagem a John Wilbrand.a cinco lobos. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). fruto do tipo pepônio verde. descrito por Patrick Browne. . Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. rugoso. ramoso e delicado. sulcado. especialmente na Itália. O gênero inclui apenas seis espécies. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. e sua raiz. alternas. sendo um produto amplamente comercializado. O nome do gênero Sechium. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. capoeiras e na beira de estradas.

Cr. charantia também foram isolados triterpenos. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. ácido linolênico. Ni.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1989. 1987). Das sementes de M. 1997).. 1990..80%) e fosfolipídios (16.. 1989). De M. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Hara et al. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. 1985).. além das momordicinas (Fatope et al. Grondin et al. sífilis (Almeida et al. reumatismo. Chandravadana et al.. 1991. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Co. charantia foi determinada como 0. 1996. Zn.40%). afecções da pele.. Das folhas de M. Das sementes de M. 1989. assim como no controle da diabetes. glicolipídios (35. divididos em lipídios não-polares (38. Zheng et al.. Wang et ai. 1986). aminoácidos e abundância em elementos como Cu. 1996). uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. Dos frutos frescos de M. momordicinina e momordicilina. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. também. Huang et al. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. tumores e. como laxativo (Farias et al. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. 1990).. 1995. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai.81%).. 1997).76% de lipídios.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Foram isolados ainda das sementes de M. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al.. Mn e Li (Peng & Li.... Dos frutos verdes de M. 1996.. 1992).. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. 1988. Kusmenoglu. charantia foi isolada a gama-momorcharia. Das sementes de M. Chang et al. 1996). proteínas. Além disso. 1996.. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al... sendo o cucurbita-5. A composição química do fruto de M. Nguyen. 1996). 1990a). charantia também foram isolados vicina.. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. além do esterol. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. charantia . Foram isolados também cicloarterol. 1992). momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.

pela E e.. 1990b). involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. dioica eM. 1991). rigorosamente. Geralmente. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. 1987). além de uma resina (Volák & Stodola. foetida (Mulholland et al.. 1990). 1993). posteriormente. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. 1987). oléico. Dos frutos de Aí. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. também foram detectados em Aí. seguidas. também descrito em M. charantia. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. 1994).vicine. H e I (Miro. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. 1994). Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. sesquiterpenolactonas e taninos. 1993). pelas G. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. 1995). charantica. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. além de possuir óleo essencial (Guerrero. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). 1990). esteárico. 1997). As sementes possuem 50% de óleo. além do ácido rosmarínico. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. contendo trinta carbonos. Das sementes de M. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. Aí. triterpenos tetracíclicos. . isolados das partes aéreas. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate.. balsamina (De Tommasi et al. 1995)..

(1986). parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1984. 1996). Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. Platel & Sirinivasan. extratos brutos de folhas. El-Gengaihi et al. O suco dos frutos de M. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Raman & Lau. Inibição da síntese de RNA. da síntese protéica... 1982.. antiviral (Takemoto et al. 1980. Welihinda et ai. decocto das folhas e suco de M. 1981.. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al.. O extrato etanólico de M. 1983a e 1983b) e . no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. Pugazhenthi & Murthy. 1993)... charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. DNA. Além disso. 1982a e 1982b). charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. 1986. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem... 1996. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. Karunanayake et al. Athar et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. 1996. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto..6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. (1994). charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. 2002). 1997). Ng et ai. 1993). Ahmad et al. 1987). charantia (Rathi et al. 1983).. 1996. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al.. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. 2002) (Jilka et al. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos.

alda-momorcharina. 1993). (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. 1990). pulmonares e da mama (Rybak et al. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. L. charantia. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. 1993). . charantia) inibe a integrase de HIV-1.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. A glicoproteína isolada das sementes de M.. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu.. 1987. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. Ng et al.. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. isoladas de sementes de M. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. charantia. proteínas inativadoras de ribossomos. 1994).imunomoduladora (Spreafico et al. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. 1995b). charantia. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. charantia. 1983). uma proteína inativadora de ribossomos.. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M.. 1996). Wang et al. 1990a).. 1996). Fong et al. 1995). charantia. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. incluindo M. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. 1990). et al.. antitumoral.. na qual descreveram a momorcochina. 1994). uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva... Os frutos e sementes de M.. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. As proteínas inativadoras de ribossomos. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. momordina 1 e momordina 2. isoladas dessa espécie. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali.

charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. 1996)... 1988). apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . 1997). charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia (Silva. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al.. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. 1990. De M. 1994). charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. et al.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei... Foram isoladas duas proteínas de M. (1984 e 1985). Embora indicada contra malária. 1990). 1991). 1994).. Misra et al. M. Das folhas de M. Os frutos de M. 1990...Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn. Dos frutos verdes de M. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. A M. De M. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. antiancilostomose (Berchieri et al. MAP30 isolado de M. Basaran et al. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1995). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al.. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. 1996). Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. Amorim et ai. No entanto. charantia foi isolado ginsenosídeo. 1987). 1987). charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. 1996). 1995). L. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M... O extrato aquoso da folha de M. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. Apesar da indicação popular para inflamação. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1996)..

1991).. 1986b).. 1993). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1991). do que o extrato de M.... inúmeras atividades farmacológicas são referidas. diarréia. 1995. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1995). Teixeira. tais como antioxidante. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. hipotensora (Gordon et al. anti-helmíntica. 1986). diminuição da pressão arterial. 1994). antitumoral. 1996). em rato. antimicrobial.. 1995). Miró. Além disso.. Pagotto et al. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. 1993). 1995.. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. 1989. tais como antiinflamatória. Proteínas isoladas de M. citotóxica. . Jensen & Lai.. Peters et al. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. 2001). 1984. Hamato et ai. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. hipovolemia. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. 1996). C.. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. De M. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. anticoncepcional. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1995. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai.. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.. charantia (Sankaranarayanan &Jolly... 2000) e antimutagênico (Yen et al. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. O extrato alcoólico de M. et al. 1997).. A. Outras atividades também foram descritas para a espécie.atividade hipoglicemiante.. inibição da ovulação. 1993). 1997 e 1999). Trichosantina. 1995.

especialmente por gestantes. angaria foi de DL50 = 1. Raman & Lau. Em ambos os casos.. 1986.. Das sementes de M. 1996. 1987). 1997). .Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. charantia em enzimas hepáticas.. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. Chan et al. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. recentemente. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. 1992)... antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. 1996. 1990). charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. 1988). 1994).. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai.. Platel & Sirinivasan..6 mgAg. 1986). Os frutos de M. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. 1986). charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. A toxicidade do fruto de C. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. 1996. El-Gengaihi et al.. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.

androceu com um estame. farrapo". cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. semente com endosperma carnoso (Figura 10. . O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. com gomo terminal protegido por estipula caduca. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. pedaço.4).Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). distribuídas em regiões tropicais. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. alternas. mas que possui uma grande importância. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. ovário unilocular. bem desenvolvidas. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. pétalas ausentes. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. referindo-se ao estame bifurcado. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. 1978). e não foram encontrados sinônimos para ela. folhas simples. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. onde há cerca de oito espécies. e stemon = "estame". fruto do tipo capsular trilobado. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. desde o México até o Peru e o norte do Brasil.

Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. No Brasil. 1997). de valor alimentício e medicinal. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). arbustos e árvores (Mabberley. com 575 espécies tropicais e temperadas. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. no entanto. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. 1992). 1996). existem várias espécies do gênero Passiflora. em geral trepadeiras. conforme apresentamos a seguir.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. representando um importante recurso econômico. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). . Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. compreendendo lianas. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. Na região da Mata Atlântica. ovadas. 1997).. 1987a. 2tridecanona.. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. corniculadas. 1996. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. 1990). e cinco pétalas rosadas. antocianinas (Kidoey et al. fruto oblongo-ovóide. principalmente a P edulis. o suco dos frutos é considerado sedativo.5). gavinhas que são ramos florais modificados. alternas. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. Spencer & Seigler... margem inteira. planas e obtusas. cordiformes. Passiflora macrocarpa Mart.Dados botânicos Planta glabra. 1989). uma espécie denominada Maracujá. pela interpretação dada às peças florais. . 1987b e 1985). enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. Uma outra espécie de maracujá. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. peninérveas. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). 1983). 2-pentadecanona. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. 1991). Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. hexadecanóico. carotenóides (Ferreira et al. chamada popularmente de Maracujá gigante. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). que lembram os instrumentos do martírio. folhas inteiras. flores com cinco sépalas ovadas. cilíndrico. é usada para diversas finalidades. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. epipassicoriacina. côncavas. estipulas ovadas. sementes compridas (Figura 10. monoterpenóides. (9Z)-ácido octadecenóico. mas identificada apenas até o gênero. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. agudas no ápice e estreitas na base. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. caule robusto.

Sena & Leite. flavonóides (orientina. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. 1986). isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. Menghini. 1988). de onde foi isolada crisina. harmalina. Dos frutos e folhas de P . isoschaftosídeo. 1997). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. riboflavina.. 2000).. nem em R incarnata (Speroni et al. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire.. 1991). Amaral. 1996). sendo a passiflorina o mais conhecido. 1997). Esse composto não foi detectado em P coerulea. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. isovitexina. vitaminas A. analgésica.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. PP e C (Zhuang & Wang.. 1987b).. espasmolítica (Queiroz & Brandão. Costa. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. 1986).. assim como ácidos graxos. 1980).. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. et al. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. mollissima (Froehlich et al. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. 1979). 1988.. 1997. glicosilflavona (Geiger & Markham. carboidratos. bem como a presença de glicosídeos em P. 1996). 1987). B2. proteínas. K..... schaftosídeo (Proliac & Raynaud. Flavonóides como vitexina.. 1995. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. orientina e isoorientina... B1. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. harmol e harmalol). 1988). lipídios. 1986). P coriacea (Spencer & Seigler. Da espécie P. ferro. 1997. 1988. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. cálcio. isoorientina. Raffaelli et al. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. açúcares. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. amliformis (Restrepo & Duque. maltol. quadrangularis (Orsini et al. fósforo.1979). taninos. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. Vale & Leite. harmina. 1980. Proliac & Raynaud. 1988). 2000. O suco dos frutos contém água. 1997. potássio. Spencer & Seigler.. 1988. 1998). saponarina. 1989).. fermentos. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. P. Ortega et al.

1991). antipirético (Silva et al.1 . fruto e flor (Banco de imagens .. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli... 1989). tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona. 1978).. FIGURA 10. Das folhas de P . foetida apresentou atividades hipotensora.. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al.. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 1991. espasmolítica (Carneiro et al. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. 1988). Detalhe da folha 5-lobada. Barros et al. Porém. 1998a). antiinflamatório (Silva et al.Luffa cylindrica Roem. 2000)... inotrópica. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al... 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1985). O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. 1989 e 1993) e inseticida..edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 1985b. Echeverri & Suarez.

.Momordica charantia: a) ramo com frutos.2 .FIGURA 10. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. freqüentemente com cálice roseado. Nomes populares A espécie é chamada. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. as flores são pequenas. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. 1939). na Bahia. na região amazônica. com caule ereto e ramoso. canaiensis (Willd. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais.mas. Vassoura e Relógio. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. como abortivos. de Vassoura. como emético (Hoehne. lineares e de cor branca. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. no Pará. 1982). emenagogos e as folhas (decocto). mas também de Ganchuma e Relógio. .) K. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Malva-preta. Schum. reunidas em fascículos axilares. Sida rhombifolia L var.

flores solitárias. tônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Planta anual. popularmente conhecida como Caapiá. axilares. Ibaxama.. Na Mata Atlântica. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. é tido como útil. O chá de toda a planta. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa.4). na dose de três xícaras ao dia. dispostas em racemos. var. chamada de Caapiá. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. róseas. Coaquibosa. na região amazônica. alternas. 1982. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. Aguaxima. Rabo-de-foguete. Guaxiúba. ramosa e pubescente.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. a planta é utilizada como béquica. Em outras regiões do país. Uacima e Uacima-roxa. ereta. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. mas esta não foi completamente identificada. Malva e Vassoura-do-campo. em Minas Gerais. no Rio Grande do Sul.. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Guaxima. 1982). .Vassourinha. Malva-roxa. Guaxuma. contra desarranjo menstrual. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. 1986). emoliente. em São Paulo e no Rio de Janeiro. é de grande uso externo contra reumatismo. e Guanxuma. como Minas Gerais. reticulata (Cav. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. Carrapicho-de-lavadeira. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. Grandi & Siqueira. anti-hemorroidal. Urena lobato L. no Rio Grande do Sul. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Aramim. folhas curto-pecioladas. Malvaísco. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. rombóideovais ou lanceoladas.

1991). Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. Dados químicos Hibiscus De H. 1977a. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai.. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. pequenas. 1991). H.. mucilagens das espécies H. cannabinus (Kulchik . suculentus (Tomoda et al. pecioladas. emoliente e contra eólicas renais. fosfolipídios (Tolibaev et ai. 1986). com ramos alternos cilíndricos. 1986). syriaceus (Shimizu et al. solitárias. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. 1985) e H. De H. cordiformes. ciclopropenos (Nakatani et ai.. lobadas e de formas variáveis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. comum às espécies desse gênero. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. de onde partem folhas alternas. de até 3 m de altura. moschentos (Tomoda et al. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado.. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. Tomoda & Ichikawa. 1990). roxas ou rosas. flores pecioladas. 3-7 nervadas. diurética e útil contra eólicas.. suculentus (Moawad et al. fruto do tipo capsular. 1977b e 1978). Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. cannabinus foram isolados. H. a decocção da raiz é usada como diurético. onde se encontram glândulas nectaríferas. com grande destaque para as três nervuras centrais.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. 1986. ligninas de H. 1987). 1984).

1977). esterol ésters. De H.5. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. 1986). cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al.et al. linolenato de metila.7. No óleo das sementes de H. diacilglicerídeos. 1991) e lactonas de H. 1988). arabinose e arabinan. 1990a e 1990b). kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. galactose. Das pétalas de H. 1978).. A quantificação das proteínas das sementes de H. monoglicerídeos. 1989)..-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. ikshusterol. esterois livres. o H. taxifolina e herbacetina.. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. pelargonidina. 1988). beta-sitosterilglicosilado. N-acilfosfatidiletanolamina. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina.. petunidina. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. 1990).. esculentus e H. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. sabdariffa produziu antocianinas. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. fosfatidiletanolamina. Duckart et al. 1986. sterculico. 1991). lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. De H. tiliaceus (Ali et al. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. sesquiterpenóides de H. peonidina. N-acilisofosfatidiletanolamina.. oléico e linoléico (Tolibaev et al. 1989a e 1989b). 1988). abelmoschus (Maurer & Grieder. xilose e frutose (Pouget et al. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. . quercimeritrina. moschentos foram isolados 3... Foram isolados também de H.4'-pentahidroxiflavona. betasitosterol.-L-arabinosideo-7. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. ácidos graxos livres. De H. sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. 1988). ácidos palmítico. Das sementes de H. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico.. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. Husain et al. malvidina (Kim et al. epi-ikshusterol. epoxiacilglicerídeos. 1990). kaempferol 3.8. 1986. Em cultura de tecidos. fosfatidilinositol. 1989). sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. triacilglicerídeos. glucose.. além de 15% de ramnose.. cianidina.

araquídico. 1979). 1985). palmítico. palmito-dilinoleínas. 1995). dipalmito-linoleínas. esteárico. G. óleo-dilinoleínas. lecitinas. mucilagens e proteínas (Costa. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. barbadense determinou a presença de albumina. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. hirsutum (Schmidt & Wells. hirsutum e B. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. fosfolípides. rainundii (Stipanovic et al. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. mirístico. 1986. principalmente o esqualeno. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic.Das folhas de H. 1980). corantes como carotenos. prolamina e glutelina (Sammour et al. xantofilas. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. Ermatov et al. esteróis. globulina. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. miristoléico e palmitoléico. barbadense. Foram isolados de G. oléico. hirsutum e G arboreum. 1995). Das sementes de G. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. diversos terpenóides (Hunter et al. dipalmito-oleínas. D-galactose. De G. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . 1987). silianum (Kumamoto et al. 1985). Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1986). hidrocarbonetos. 1979) e G. resinas. também isolado de G. 1986).

hirsutum (Zhou & Lin. As partes aéreas floridas de S. pristano. campesterol. 1990). 1989a). humilis. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. 1988a). Das partes aéreas de S. 1989). quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. vesícula seminal e próstata ventral foram . cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. isoquercitrina. hermaphrodita contêm também os flavonóides. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. hirsutum (Mansour et al. S. espermátide e espermatozóide. barbadense e G.(+) gossipol de G. ácido glutâmico e aspártico. S. spinosa (Prakash et al. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. ácido palmítico. ácidos graxos como beta-sitosterol. fitano. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. Sida Alcalóides foram isolados de S. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. 1989b). A extração das partes aéreas de S. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. 1997). 1981). esteárico e hexacosanóico (Khan et al. stigmasterol. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito.3%3%) (Bandyukova & Ligai. rhombifolia e S. acuta. 1988). acuta (Goyal & Rani. De S. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. 1987). As partes aéreas de S. barbadense e G.

antimutagênica (Wang et al. 2000). Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. no tratamento com Hibiscus. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. O ovário apresenta sinais de luteólise. 2001). causando o final da gestação (Pakrashi et al. citotóxica. antiespermatogênica. e de H. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1984. 1992). esculentus. A taxa de inibição de fertilidade com H. Pai et al. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. A espécie H. 1985). 1976a e 1976b ). 1989). 1979). porém os níveis de colesterol subiram. Em camundongos. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. . com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. O extrato das flores de H. 1987). A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. 1999).. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. As flores de H. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. assim como uma forte ação citostática. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. Haji & Haji. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al.reduzidos nos animais tratados com H. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. 1990). hipoglicêmica de H. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. 1985). 1987). Ainda de H. esculentus (Medeiros et al. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. Essas atividades. Pakrashi et al. 1986). 2002). sabdariffa (El-Merzabani et al. verificadas por Singh et al (1982). moschentos (Tomoda et al. 1986. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1999. 1987). antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al.

Gossypium O gossipol. principal constituinte do óleo do algodão. hirsutum e G. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. 1984). Terpenóides isolados de G. 1995). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. rhombifolia (Bortoluzzi et al. 1996). barbadense e G. 1988) e S. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. Flavonóides de G. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. 1980). 1985). barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al.. serratifolia (Sawhney et al. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1985). 1978). Extratos de S. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. Wang & Bunkers. 2000) e tóxico (Bourke. As proteínas das sementes de G. Sida Os alcalóides de S. 1997). cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. 2001. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1982).

cordifolia (Malva-branca). lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. 1992). onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. poucas em áreas temperadas. de grande cultivo em jardins. vulgarmente chamada de Guaxuma. nos quais se distribuem 1. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. Das partes aéreas e folhas de S. 2001). porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. Na região . et al. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. F. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. do valioso Cacaueiro Joly 1998). exceto Bacillus subtilis. 1996). Fernandes et al. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. não foi observada atividade mutagênica (Sugai.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. 1998. Drena As raízes de U. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. 1988b). Do infuso de S. Dombeya. onde são encontrados em abundância. 1997). raramente ervas ou lianas (Mabberley. e o gênero Theobroma. incluindo árvores e arbustos. distribuídas em onze diferentes gêneros. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. Franzotti et al. V. Sterculia. 1998). carpinifolia. rhombifolia. todos típicos de cerrados e campos. 1988. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. Bianchi et al. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal.500 espécies tropicais. 1998. Helicteres e Waltheria. Segundo Barrozo (1978). As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. C.

1991). fruto do tipo capsular grande. ex Spreng. descrito por Carl Linnaeus. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. duas das mais importantes e valiosas espécies. pedunculadas. folhas com pecíolos curtos e carnosos. grandes e vistosas. e o chá da sua casca. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. vermelho-escuras. Copoaçu. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Arvore de grande porte. ou por suas variantes: Cupuaçu. oblongolanceoladas. 1988). . com ramos longos. significa "manjar dos deuses". grossos e tomentosos. para o tratamento de diarréia. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. O gênero Theobroma. medicinal e alimentar. de valor econômico.) Schum. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. bem como nas comunidades locais da Amazônia. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. Em tribos indígenas amazônicas. flores que brotam dos galhos.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. com brácteas linear-lanceoladas.5). Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. Theobroma. no Pará (Amorozo & Gély. 1990). O nome do gênero. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. Cupu-assu. com estipulas caducas. liso e escuro (Figura 11. ovóide.

grandiflorum). usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. tripsina . glicerídeos di-saturados.9-tetrametilúrico. ácidos esteárico. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. contêm flavonóides (Jalal & Collin. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. oléico e linoléico. mirístico. M. globulinas (Voigt et al. folhas com pecíolos longos. inibidores fenólicos da a-amilase. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. com ramos curtos. Cacao azul.. 1979). denominado Theobroma cacao L. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. oblongolanceoladas. como a T. (Figura 11. inteiras. cafeína (Maia et al. cacao. 1970. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. vermelho-escuras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. T. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau.7. 1986). fruto capsular ferrugíneo. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. Dados botânicos Árvore de porte médio. no Amazonas. flores dispostas no caule.Theobroma speciosa Willd. 1977). Pagonini et al. Outras espécies desse gênero. Cacaoyer. fasciculadas. palmítico. Já a espécie T.. Chocolate. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao.6). teobromina. 1993). Cacao forastero. speciosa possui ácido 1. mono. Kakao.e tri-insaturados (Costa. Caca-y. et al. albuminas.. 1989). Criollo. 1992a e 1992b).3. ex Mart.. até 10 m de altura.

7% a 57. 1994). nerol. longifoleno e citronelol (Erickson et al. cacao foi caracterizado como de 190. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. geraniol. subincanum. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. dentre os quais o óxido de linalol (12. tais como ácidos palmítico. ácido cítrico.. augustifolium. porém. quercetina3-0-glucosídeo. 1991). procianidina B2.(Quesada et al. cacao e também em T.6%. ácido ecosadienóico. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. 1991). tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. gorduras (Malini et al. que variou 50. taninos. cacao. Em T. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. 1987). cacao consistem de 78 componentes. 1987). antocianinas. flavan-3-ols. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes.. T. pela presença de ácidos graxos. 1995). teobromina. (-)epicatequina. O índice de saponificação da T. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood.5%) e o isoeugenol (8. mariae. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. taninos condensados. 1994). 1996). Porém. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. Alcalóides purínicos (cafeína. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T.. Esse constituinte também . simiarum. Em T. Os alcalóides teobromina.. O T. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis.2%).9%). 1989). ácido araquídico. bicolor e T. 1986). derivados do ácido hidroxicinâmico. quercetina e esculentina (Bastide et al. 1991). speciosum. 1986). ácido lático.. xantinas e lipídios.. e T. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al..37 a 1.. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. augustifolium (Sotelo & Alvarez. T. 1996). (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. T. Além de açúcares totais. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. As essências florais de T. diferentemente do T.. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1.74% (SantAnna Tucci et al. bicolor e T.

fenóis e taninos. M. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. 1997). amido. Paganini et al. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek.. cacao apresentou um efeito vasodilatador. 2000). e a proantocianidina. clorofila. Melzig et al. análoga à manteiga de cacau.. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1997). com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. proteína. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al.. . uma atividade analgésica (Santos.. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. isolada dessa espécie vegetal. 1992).. 1997. 1997. cafeína. 2002). 1997).. et al. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al.. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al.. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. cacao (Gurney et al. 1992a e 1992b). 1989). Sanbongi et al.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T... A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. 1997). 1997). 1970. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. cacao (Yamagishi et al.

Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. 1978). de até 13 m de altura. Triumfetta. que a referiram como medicinal. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. oblongolanceoladas. 1997). . Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. com o nome de Curumin-nhapuá. 1998). Dados botânicos Árvore de porte médio. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. os gêneros mais comuns são Luehea. raramente ervas ou lianas (Mabberley. e Apeiba. de numerosos estames livres.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. sendo a maioria de árvores e arbustos. muito conhecida na região amazônica Joly. Espécies medicinais Muntingia calabura L. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. No Brasil. agudas no ápice e oblíquas na base. da planta Pau-de-jangada. serrilhadas. folhas curto-pecioladas. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo.

ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. aqui descrita como medicinal. compostos fenólicos (11.3%). sendo ésteres (31. dos quais predominaram alcanos (44. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo.3%).3%). antiespasmódicas (Corrêa. e salicilato de metila. Dos frutos de Aí. Foi observada a presença de potentes componentes de odor.dispostas em pedicelos axilares. sesquiterpenóides (10. inúmeras sementes (Figura 11. 1991).5%) e compostos carbonil (23. 1990). O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting.3%) os mais significativos.6%) e derivados furanos (8. e as flores. quercetina. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1.7%). fruto do tipo baga. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. indeiscente.4%). alcanos (15. calabura L. 1984). vermelho. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. arredondado. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. calabura foram isoladas Havanas. A casca é emoliente.7).. Do extrato citotóxico das raízes de M. ésteres (26. ovário 5-7 locular.9%). . foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.

1998.FIGURA 11.1 -Bixa arbórea. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

1984).2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens - .FIGURA 11.

FIGURA 11.3 .Gossypium barbadense. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .

canaiensis.FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens .Sida rhombifolia var.4 .

FIGURA 11. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .5 .Theobroma grandiflorum.

Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.6 .

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .Muntingia calabura.7 .FIGURA 11.

amplamente conhecida como . Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. Seito C. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. das quais as famílias Moraceae. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. fonte da maconha (Cannabis sativa). Nos estudos realizados e apresentados neste livro. A. e o segundo. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae.12 Urticales medicinais L. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. As outras duas famílias dessa ordem. Cecropiaceae e Moraceae. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Em duas delas. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. C. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. não possuem importantes espécies de valor medicinal. por esse fato. Ulmaceae e Barbeyacea. Da família Cannabaceae. fonte de substâncias também tóxicas. e o importante gênero Urtica. Di Stasi L N. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. Cecropiaceae.

Ambatí. folhas grandes. Ambaí. Toréin. Pourouma e Cecropia. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. e a espécie Sorocea bomplandii. Imbaubão. Ibaíba.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Arvore-da-guiça. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Ambaíba. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Ibaituga. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Imbati. Ambaitinga. Outras denominações populares são Aimbahú. peitadas acima do centro. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. lactescentes. Poiküospermum. Ambahú. de Lixa. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. longopecioladas. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. Myrianthus. alternas e protegidas por duas estipulas. Arvore-da-preguiça e Torém. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Com esse novo arranjo. Musanga. . referida com adulterante da Espinheirasanta. Embaúba. Figueira-de-surinam.

A. Nas folhas do extrato de C.flores pequenas de sexo separado. adenopus. R. A. Em C. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas.. bronquite e gripes fortes. 1984). catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. catharinensis. unilocular.. gemas e brotos são adstringentes. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. Mal de Parkinson. . formando infrutescências inclusas (Figura 12.. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. 1983). et al. 1998). o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. frutos nuculares. 1994). carpelar. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. do grego. Na região do Vale do Ribeira.. 1984b). R. Kerber. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. antililiásica (Domingos et al. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. 1986).. filho da Terra. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. reunidas em densas inflorescências. As folhas. 1996). flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. hidropisia.1). Santos. et al. meio homem e meio serpente. Na espécie C. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C.. F. a raiz é considerada útil contra tosse. usados na fabricação de instrumentos de sopro. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. 1996b). C. A. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. et al. Das folhas de C. Das raízes de C. lyratiloba (Menda. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. 1992. muitas delas de ocorrência no Brasil. asma. C. 1985). que significa "chamar. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. indicada popularmente como antiinflamatório. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al.. 1986. ecoar".

usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. Rocha et al. 1988). 1988.. ansiolítica (Barettaetal. 1997). A cecropina. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Johann Heirinch Friedrich Link.) Burger. de Espinheira-santa. distribuídas em 28 gêneros. 1993 e 1996a). 1992). 2001). lianas e ervas (Mabberley. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild... Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada.. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. isolada de espécies deste gênero. Em outras re- . 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. antidepressiva. 1998.. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade..depressora do SNC. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. 2001). que incluem árvores. antiulcerogênica (Cysneiros et al. característica marcante da maioria das espécies dessa família.. Morus.. 2001). Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill... efeito depressor do SNC. espasmolítica (Delia Monache et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas. dos quais se destacam: Ficus. descrita originalmente por. No Brasil. Dorstenia. Rocho et al. arbustos. Astocarpus e Sorocea. na Mata Atlântica. compreende 1. a família conta com aproximadamente 340 espécies. distribuídas em 38 gêneros. Cysneiros et al. 2002). 1998a e 1998b.

Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. Araçari. 2001. Calixto et al. Folhas-de-serra. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al.. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios.. ilicifolia e S. Laranjeira-do-mato. Soroco. Recentemente. Trata-se de uma espécie perenifólia. Gonzales et al. especialmente da Mata Atlântica. Flavonóides foram isolados de S. quando não está em época de floração. A espécie é latescente.. com tronco ereto. especialmente na Mata Atlântica.. ciófita. Resple. bomplandii. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. da família Celastraceae).giões do país a planta é chamada de Cincho. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Canxim. chegando a 10 cm de comprimento. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. folhas simples. 1993). cilíndrico. . A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. 1993). de casca fina. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Carapicica-de-folha-miúda. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. 2001. de face superior brilhante e inferior opaca. fruto do tipo baga.

Reis).FIGURA 12. (Banco de imagens . 1998.1 . d) flor feminina. c) inflorescência.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. S. b) detalhe da folha.

Guimarães C. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. Souza-Brito E. C. Hiruma-Lima A. a maioria cosmopolita. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. No Brasil.13 Euphorbiales medicinais C. Thymelaceae e Euphorbiaceae. arbustos. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. R. 1997).100 espécies. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. é urgente uma revisão da família. A família Euphorbiaceae. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. compreende 313 gêneros. M. A. a família é representada por 72 gêneros. . M. Das centenas de gêneros. com aproximadamente 1. lianas ou ervas. comumente com células especializadas na produção de látex. 1978). segundo Mabberley (1997). Na família ocorrem árvores. Santos L. M. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos.

flores de sexo separado. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. fruto seco. icterícia e malária.devemos destacar Ricinus. separando-se em três cocos. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. a maior produtora de borracha. esquizocárpico. enquanto a infu- . problemas hepáticos. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. especialmente em Phyllanthus. verdes. ervas e arbustos. espécie rica em óleo de rícino. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. com limbo dividido em lobos ou segmentos.1). Espécies medicinais Croton cajucara Beth. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. lanceoladas. febres. sementes ricas em endosperma (Figura 13. atualmente cultivada em vários países. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. pecioladas. da valiosa Mamona. dos quais referimos algumas espécies a seguir. peninérveas. sendo algumas árvores. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. estipuladas. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. Pedilanthus. e outras. Jatropha e Croton. Do gênero Euphorbia. Mabea. folhas simples. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". pela semelhança das sementes com esse animal.

de Sacaquinha. e Mandobiguaçu. Maduri-graça. reunidas em inflorescências racemosas. no Ceará. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Pinhão-manso. Pinhão-do-paraguai. é útil contra hepatite. no Pará. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. grandes. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. flores unissexuadas. a Sacaca. de caule grosso. glabras. com brácteas . fruto seco. atingindo até 4 m de altura.são das folhas. membranosas. Pinhão Pinhão-branco. peninérveas. pequenas. Croton sacaquinha Croizat. folhas alternas. amarelo-esverdeadas. na região amazônica. folhas simples. lactescente. separando-se em três cocos. Pinhão-de-purga. lobadas. com ápice curtamente acuminado e base cordada. estipuladas. lanceoladas. curto-pecioladas. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. Pião. longo-pecioladas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. Pinhãodos-barbados. palminérvias. reunidas em inflorescências paucifloras. nodoso. sementes ricas em endosperma. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. flores de sexo separado. mas também de Peão. Nomes populares A espécie é chamada. esquizocárpico.

. Mamoninha.2). Jatropha gossypifolia L. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. 1984). Peão-curador. Arg. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. após a retirada do embrião. Pinhão-roxo. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). fruto do tipo capsular. lisas. constipação nasal e como purgativo. Erva-purgante. dez estames.lanceoladas. sementes escuras. assim como para constipação nasal. . contra feridas (Amorozo & Gély. o látex é aplicado externamente. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. são torradas. O nome do gênero Jatropha. colocar no café e banhar a cabeça). gengibre amassado. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. esta passa a ser comestível e saudável). assar a polpa na cinza. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. 1988). Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. partir e tirar a "folhinha". as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). Peão-pajé. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. As sementes são eméticas (Corrêa. enquanto as sementes. secar até ficar fria. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. coriáceo. 1982). deriva do grego iatros = "remédio". Pião caboclo. gripe (descascar a semente. Batata-detéu. Raizde-téu. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. elipsóides e oblongas (Figura 13. no Pará.

1984). folhas pecioladas. cálice com cinco pétalas. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. ramosa. e as folhas na cabeça. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély.3). Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. o banho. lineares. flores unissexuadas. contra "mau olhado". flores em grande quantidade agrupadas em rácimos.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . O nome do gênero Mabea. glabras e estipuladas. roxas. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. No Pará. 1988). grandes. contra feridas. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. Em Brasília. trissulcado. escuras e com pecíolos pubescentes. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. palmadas e limbo dividido em lobos. no Piauí (Emperaire. dispostas em cimeiras paniculadas. 1982). útil nas obstruções das vias abdominais. A planta é purgativa. 1982). Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. fruto capsular. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. o chá das folhas é usado como antitérmico. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. com folhas alternas. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13.

1984). flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. com ramos glabros. distribuídas na América tropical. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. O nome do gênero Phyllanthus. flor masculina fasciculada com três estames. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Arg.5 m de altura. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. incluindo as raízes. Na região do Vale do Ribeira. cápsulas pequenas. ramificada. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. Phyllanthus corcovadensis Muell. sementes minúsculas (Figura 13.4). trissulcadas. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. significa "flor na folha". é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. folhas com limbo. estipuladas. que atinge até 0. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. é usada como diurético e contra . descrito por Carl Linnaeus. Na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores.Aublet. flores de sexo separado. enquanto a infusão de toda a planta. alternas.

. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1979. 1990. 1989.. Kubo et al. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. além de ser usada contra pedras nos rins. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. beta-cariofileno. é útil contra problemas do fígado. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. Em Minas Gerais. Posteriormente.dores de barriga. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C.. 1992). 1991). Das cascas de C. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al.. 1998). cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. transcrotonina. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. Maciel et al. A infusão das folhas. 1.. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1989).. de ácido aleuritólico (Muller et al. alfa-humuleno. . e os principais constituintes são alfa-pineno. 2000). dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. 1986)..8-cineol. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. 1982). O óleo essencial das cascas de C.

4. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. 3. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. De C. p-cimeno.6-trimetoxifenol. 1994).14dien-9-al e 3a. e chiromodine (Weckert et al.cadideno. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. betabourboneno e gama-cadineno. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. 1996). 1992b). 1996)..14-dieno. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. zambesicums Muell. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. a printziano e um norclerodano (Siems et al. allo-aromadendreno e torreyol. C. limoneno e outros. enquanto germacreno B..3. acetato de propila. propionato de etila.. cânfora. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. 3. cadineno. eucaliptol. Das folhas de C.. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. 1992). alfa-cubebeno.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).. e de C. linalol. Os constituintes voláteis isolados de C. lechleri foi isolada a sinoacutina.. 1993a). metil isoeugenol.5-trimetoxibenzeno. Das partes aéreas de C. hovarum: a 3a.. acetato de 3-metil-butanol. 1996).. Além disso. 4-hidroxifeenetil. alfa-humuleno. glandulosus (Neto et al. 1992). e das cascas do caule de C. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton.4-dimetoxibenzil. 1995). a levatina (Moulis et al. alfa-guaieno. gama-elemeno. a C. 1992). acetato de 2-metil-butanol. sitosterol.4b-dihidroxi-15. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. lundianus e a C. A composição do óleo essencial das cascas de C. glandulosus. Porém. aubrevillei J. mirceno.. o óleo de C. gama-elemeno. metileugenol.4-dimetoxifenol. estragol. e das folhas de C. lechleri foram: acetato de etila. 2. 1993b). acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). foi determinada. 2-metil-butanol. 4b-dihidroxi-15. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B.8-cineol. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. .. alfa-ilangeno. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. ludianus possui 1. cortesianus foram isolados o clerodano.. 1995). zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al.

. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. Jatropha Das raízes de J. 1976). castaprenol-11. taraxerol. e das cascas de C. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. 1995). hemiargyreus (Barnes & Borges.. argyrophylloides (Monte et al.. os triterpenóides jatrofolona A. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3.3'.De C. eluteria foram isolados sesquiterpenos. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. curcas foram isolados ainda as latiranas... sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 16hidroxijatrofolona.. tomentina. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. 6a. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown.. 5hidroxi-6. 1996).5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina.. C. riangularis (Moura et al. 1981). jatrofina. De C.. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. De J. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. Das partes aéreas de C. nobiletina. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. jatroolona A. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. jatrofol.7-dimetoxicoumarina. taraxerol. 1994). 1993). curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 1991). a seco-labdane (Schneider et al.. diasii (Alvarenga et al. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. Do óleo de C.. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. jatrofolona B. 1991).7b-dihidroxiannoneno e 6a. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3.6-diona. macwstachys (Herlem et al. stigmasterol. Compostos terpenóides foram isolados de C.7... e de C. enquanto alcalóides foram encontrados em C. 1992). eudesmanos. 1988). jatrofolona B. 1992). draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. Das raízes de C. beta-sitosterol (Chen et al. 1986) e C. 1986). e das folhas de C. 1992). b-sitosterol. 1996). caniojana.5. gossypifolios (Cespedes et al. 1991a). . sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. ésteres e cetonas não-terpenóides.

.. compostos fenólicos. De J. Das folhas de J. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico./. 0. Dos rizomas de J.. tlalcozotitlanensis e J. gossypifolia e J. Das folhas deJ. Teixeira.94%). divica foram isolados beta-sitosterol. metionina (13. Auvin-Guette et al. multifida L. Das raízes secas de J. foi isolado de seu látex a albaditina.6% de ácido oléico. podagrida apresentaram 24%. ácido oléico... 1988). Das cascas da raiz de J. J.9%). jatrofolona B. 1997)..26%. malacophylla. 1997).1997).. 1990). 2epijatrogrossidiona. 1986).26% de ácido aracdônico. 1983). Makkar et al.07%). 1989). um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al.98%). Do caule de J. denominada curcina (Costa. isoleucina (3. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji.15% e 15% de ácidos graxos saturados. Das raízes de J. 1989a e 1989c).. Do látex de /. e 43.9%. De J. 1996. Banerji et al. 1996b). 1995). mollissima foram isoladas orientina. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. De J. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. ácido araquídico e toxalbumina. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. esteróides e glicosídeos.92%) e leucina (12.30%) (Jain & Garg. 1996a) e jatrodiena (Das et al. 1997). elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. 1988). Saponinas foram detectadas apenas em J.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. curcas foram isoladas também várias lectinas. sendo 0. valina (18. os aminoácidos cistina (2. curcas.60%. 1989). alanina (28. além de outros três derivados diterpenóides. flavonóides.. respectivamente (Raina & Gaikwad. glicina (19. 1997. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. ácido linoléico (Nasir et al. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides.. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al.. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. arginina (0. gadaína (Das et al. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. galvani (Guevara et al. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. 0. As espécies.. J. 14. 1988). isoorientina. bem como o ácido nurístico. terpenos.9%. .. 1988. 1987...71%). pohliana var.1%). caniojanae 1. saponinas. elbae. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. ácido esteárico. 1987). 15. J. 1990). 1988).

P. 1988. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1996. neolignanas (Satyanarayana et al. diterpenos. 1989. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. Houghton et al. sacarose. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. Mabea Do látex do caule de M. 1977)... virgatus (Babady-Bila et al.. discoideus. triterpenóides (Joshi et al. Anjaneyulu et al. Singh et al. como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al.Da espécie J. 1988. ácido clorogênico. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. assim como os diterpenóides de J. 1996). 1986) e vários outros compostos (Singh et al. 1991). 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1995).. 1988). Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides.. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1980 e 1981). 1980). . niruri. gossypifolia. cumarinas.. Ojewole & Odebiyi. amarus e P. e dos frutos de M. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al.. Ahmad et al. ácido caféico. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. flavonóides. timol e carvacrol (Odebiyi... Anjaneyuly et al... 1990).. terpenos. da qual foram isolados alcalóides. 1983. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. 1988. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. Huang et al. 1986. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. citral. 1990. Negietal. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. 1991). Petchnaree et al. 1996. P. levulose. 1986).. Yunes et al. 1989a e 1989b.. 1988. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides.. Hassarajani & Mulchandani. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. hidroxiflavanona... De P. 1981). a mais estudada é a P. Singh et al.. 1986.. De J.. 1997). 1988). simplex. lignanas (Satyanarayana et al. 1996).. Singh et al. 1996. P.. Mensah et al. 1986.. 1985). enquanto em P.

hipocolesterolêmica (Martins et al. 1996). olenadienóis. além de taninos (Zang. calisteginas (Asano et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1989.. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante.. 1988a. 1996). Tanaka et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos. Z. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. antidiabética (Silva et al. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. 1988. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. Tanaka et al. antiedermatogênica (Campos et al. et al. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. 1999a).. 1996). 1987. 1988b). 1996c). nalcanóis... 2001). 1995a).. 1996) e fisalinas (Makino et al. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al... C. 1996b). 1995).... 1997). mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.De P. . 1998). emblica L. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. Tanaka & Matsunaga. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. Farias et al..... D. et al. 1996)... Bighetti et al. myrtifolius. HirumaLima et al. 1996). 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. Li et al.. antiestrogênica (Luma Costa et al. De P. Das raízes de P. 1999).. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. Lu et al. analgésica. 1997 e 1996a). antiinflamatória. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 2002. 1998.. 1993.. 1988.. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al.. n-alcanos. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga.. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. Em P. antinociceptiva (Carvalho et al. Farias et al. De P. 1988. alkekengi var. francheti foram obtidos cicloheptano.. 1995b)..

. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. M.. sonderianus (Craveiro & Silveira. anticonvulsivante e analgésica de C. hipotensora de C. 1988b) e substâncias isoladas de C.. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al.. 1993). et al. 1983). Chen & Pan. C. campestris (Lima et al. presente nos casos de C. 1993. para crotina I foi de 0. com o uso prolongado (Rodriguez et al.. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1988) e C.. draconoides e C. 1994). anestésica local. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. inseticida de C. 1985) e C. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. 1987) e C. C. 1986). Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1982). Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. entre outras. lacciferus (Ratnayake et al. subtyratus (Kitazawa et al. C. Ao final. A DL50. mais comumente de C. Costa.. Batatinha et al. 1988. erythrochilus. 1993. 1975). 1999). rangelianus (Lima et al.. 1980). penduliflorus (Asuku. C... glabelus (Novoa et al.. 1984). penduliflorus (Anika & Shetty. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. tranqüilizante. macrostachys (Mazzant et al.. 1985. tiglium (Deshmukh & Borle. a ligana 3'. 1988a).. 1980. 1999b. C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. antiulcerôgenica de C. 2000a e 2002b). 1982). Luz Paredes et al. antinociceptiva (Bighetti et al.. 2002a).4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. 1987). cajucara (Hiruma-Lima et al.. C. 1988).45 mg/kg e 2.. Das sementes de C. Tang et al.23 mg/kg para crotina II. lechleri. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. rhamnifolius (Silveira et al. 2001). Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II.. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. zehnteri (Albuquerque et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri.

que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. As folhas secas de C. Pieters et al. lupeol. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al.. 1992a). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. O extrato etanólico bruto das folhas de C.. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. 1995). 1994). campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. De C. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. 1991).32% de alcalóides e 2. macrostachys foram isolados crotepóxido. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. O efeito de C. betulina e ácidos graxos. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos..78% de flavonóides. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. 1991a e 1991b). antibacteriana e cicatrizante.. Essa possui isoguanosina. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. Das raízes de C. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. 1992. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. 1995).tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters.. Ao final dos experimentos. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. tonkinensis contêm 0. 1993). os alcalóides de C. berghei (Be &Truong. Do óleo essencial de C. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. 1992). Ao final. 1994a e 1994b). lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica.. C.. nardus (Lemos et al.. berberina e outros alcalóides desse grupo.

39 mg pela via i. 1991). e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. 1994). De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. haematobium (Rug & Ruppel. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. 1988).. Os extratos da sementes de C.. Do látex de C. 1995). O óleo de C. 1991a). 1993). Do extrato clorofórmico das raízes de C.p. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. 1995).. Do látex de J. 1992. 2000).. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Atividades larvicida (Karmegam et al.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. Jatropha Das sementes de J. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. e no retículo sarcoplasmático.9%) (Liberalino et al. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. o alcalóide taspina (Itokawa et al. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.. 1994). Hirota et al.. 1989). 1987. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. (Huang et al. tanto na prova do campo aberto. antiplasmodial (Kohler . Das sementes de J. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. curcas. Das sementes de /. 1988). 1997) e Schistosoma mansoni e S.. 1988. 1990) o óleo de C. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al.. a curcaína (Nath & Dutta.. Ubillas et al. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais.. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.. 1992). que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. tiglium (Fanetal.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.... e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C.. 2000). aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. 1989 e 1991).. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.

1996). 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1992a. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. De J. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. espasmolítica (Trebien et al. 1990. Esta mesma atividade foi observada em J. Santos et al.. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta... grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. curcas.. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. antiespasmódica (Silva et al. A J. Das raízes de J. 1996. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. 1987) e tóxica (Brum et al.. . usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas.. 1987) também foram caracterizadas em J. De J. e de J. 1997). multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. De J. 1994). Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. gaumeri (Sanchez-Medino et al. 2001).. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. glauca (AlZanbagi et al.. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al.. isabellii foi isolada a jatrofona.. 1987). 1987b). et al. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. P.. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al.. 1996). M. As folhas de J. O óleo das sementes de /.. 1992). 1998). 2000). 1992b e 1996). 1993). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. 1996). 2001). multifida. 1996). O látex de /.. 1996). et al. curcas foram isoladas curcusonas A e C.. Dutra et al]. 1996).et al.. F.. 1996). De /.. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al... cilliata foram isolados isoorientina e orientina. zeyheri foi isolada a jaherina.. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. J.

. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1995).. 1984... 1985). que foi atribuída aos compostos estigmasterol. 1996). 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al.. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. Di Stasi. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al.. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al.. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. diurética. 1993.. Shimizu et al. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. 2000).. De P. 1995). hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. O extrato hidroalcoólico de P. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al.. 1995). 1985 e 1986b. 1987). Além disso. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. 1989). 1988. 1992). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. 1987). Ribeiro et al. 1994). 1988)... O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase.. . Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1992. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1988).. Além disso.. 1996a). Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. 1995).. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. Santos et al. Gorski et al. campesterol e fitosterol (Santos et al.

. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. ácido brevifolincarboxílico. Roy et al.. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1997). 1997a e 1997b).. 1991). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. ácido elágico. 1996). Sane et al. 1996). e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al.. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. 1995). O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1995). De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. 1988). 1995).. 1996). de P urinaria. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al.. ácido gálico e ácido protocatecoico... De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico.. niruri e P urinaria (Santos et al. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. 1995). Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. quercetina. . corilagina. 1996)....Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. 1990.. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. 1994).. 1996). 1997). Foram caracterizadas. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. 1996. 1996).

vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. 1986. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada.. hipotensão e desidratação. 1993. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. 1991c). 2000).. redução no consumo de água. Existem registros de intoxição em crianças de J. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. e ação estimulante da musculatura lisa. 1995. curcas em ratos. Como conseqüência de seu uso crônico. Quadros de hemorragia anal. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b)..Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. Efeitos como redução no tempo de protrombina. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. diarréia.. 1979). Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. 1993. mutifida (Levin et al. 1979). 1987) e provoca náuseas. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. Pieters et al. Torpor. 1979). Ahmed & Adam. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal... podendo causar a morte em humanos. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. Hemorragias internas em diversos órgãos. Itokawa et al. Porros et al.. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. vômitos e diarréia.. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. náuseas. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. 1984). Em casos graves ocorrem espasmos musculares.

FIGURA 13.(1999).Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Pieters & Vlietinck. 1998) (Banco de imagens .. 1983. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta. tiglium (Bauer et al. 1986).1 .

Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13.2 -Jatropha curcas. .

FIGURA 13.3 .Jatropha gossypifolia. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais. . Hiruma-Lima).

c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .4 .FIGURA 13. 1998). b) flor feminina.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.

Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). É composta por árvores.14 Guttiferales medicinais C. sendo raramente descritas epífitas. A. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. algumas delas de valor medicinal. pigmentos. Clusia. 1997). No Brasil ocorrem 21 gêneros. 1978). como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Hiruma-Lima L. C. e Elatinaceae. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. gomas. óleos essenciais e resinas. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. arbustos ou ervas. .370 espécies.

damagascina.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. e várias têm valor medicinal. sendo facilmente cultivada. com distribuição restrita à América tropical. com ocorrência em formações secundárias. descrito por Domingos Vandelli. foi dedicado a Visme. damaradienol. madagascina. também chamada de Lacre. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. O tronco ereto possui casca grossa. 1990). ácido betúlico. friedelina. martiana foi observada a presença de sitosterol. como Picharrinha. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. pecioladas. Em V. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . opostas e com borda inteira. euxantona. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. No Brasil. e algumas na África. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. ácido crisofânico. O nome do gênero Vismia. as folhas são simples. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. Trata-se de uma espécie semidecídua. Em outras regiões. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. a maioria é fornecedora de resinas. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. coriáceas.

1995.. 1983). 2-isorenilemodina e 5. Em V. conhecido popularmente como Lacre. 1996). 1999) em V. 1993).. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha.. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1996). e em V. De Vistnia caynnensis. p-o. .. Porém.. benzofenonas (Fuller et al. vários triterpenos. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. 1997).5'dimetoxisesamina (Camele et al. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. da planta fresca (Tokarnia et al. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al... indicado para dermatofilose. micrantha foram isolados xantonas.. et al. magnoliaefolia. como a friedelina. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. cayennensis. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr.japurensis Rich. 1995). 2000). Moracelli et al.. Os extratos hidroalcoólicos. O extrato etanólico da folhas. vulgarmente chamada de Pichirina.. 1994). foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg.e a ferruginina (Pasqua et al. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. Das raízes de V. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al... 1979).. 1982). flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. 1999). De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al.

15 Primulales medicinais L. ainda não identificada completamente. A. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. 1997). C. Theophrastaceae e Myrsinaceae. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. descrita por Robert Brown. . nos quais se distribuem 1. Nessa família ocorrem 33 gêneros. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. sendo a maioria árvores. arbustos e lianas. Rapania e Cybianthus. Di Stasi C.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados.

. Não foram encontrados sinônimos para ela. inteiras. ovário supero. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. diclamídeas.Espécies medicinais Cybianthus sp. actinomorfas. reunidas em inflorescências axilares. curtas. androceu com cinco estames opostos às pétalas. folhas alternas. flores pequenas. ramos. dispostas em racemos. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". flores e frutos. sem estipulas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15.1). e anthos = "flor".

1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .Cybianthus sp.FIGURA 15.

Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). Na região amazônica. C. A. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. anemia e distúrbios da tireóide. no entanto. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. . assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. essas espécies não foram referidas como medicinais. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil.16 Capparidales medicinais C. além de seu consumo como condimento. Para a espécie Nasturtium officinale. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Hiruma-Lima L. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. gripes e bronquites.

tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Capparia e Maerua. Os principais gêneros são Cleome. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1978). que atinge até 1. raramente são descritas lianas (Barrozo. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. 1997).5 m de altura. inflorescências terminais bastante vistosas. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. tem valor medicinal na região amazônica. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. que justifi- . e a espécie Cleome latifolia. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. com seus representantes incluindo ervas. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. arbustos ou pequenas árvores. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. com muitas flores rosas e bonitas. descrita a seguir.

Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. O extrato metanólico da planta toda de C. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. o ácido cleomaldéico (Jente et al.. são cultivadas e usadas como ornamentais.. 1995)..cam seu uso como ornamental.0013%)..0075%)..0025%). a diacetoxibraquiicarpona. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. De C. viscosa apresentou um . brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. 1997b). 1988) e um diterpeno macrocíclico. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico.7-di-O-ramnosídeo (0.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0..06%) (El-Din et al. 1987). 1997) e glicinebetaína. um trinortriterpenóide dilactona. a isoramnetina 3. e das partes aéreas de C. 1997). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.. 1986). 1990).. 1990). Várias espécies desse gênero. 1997) e triterpenos (Harraz et al. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. bonanzina (0. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. kaempferol. kaempferitrina (0. 1990). 1996). a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.. Das sementes de C. 3. incluindo a Cleome latifolia. De C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. um flavonol. os flavonóides artemetina (0..

. Chrysantha (Hashem & Wahba. C. A espécie C.. 1996). viscosa (Samy et al. 1993. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. 1996). Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al..efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. gynandropsis Samy et al. 1995b). 1995).. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. 1992).. popularmente conhecido como Mussambé... 1995a) e antioxidante (Selloum et al. Lemos et al. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. De C. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp.. 1999).. droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. 2000) e C. 1999)... 1970)..

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

a qual descrevemos a seguir. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Rubus e Prunus. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. e de Rosaceae.17 Rosales medicinais L. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Saxifragaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. com inúmeras espécies medicinais. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. a qual foi identificada apenas até o gênero. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. No entanto. Crassulaceae. A. . sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Na região amazônica. Di Stasi C. 1978). das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Pittosporaceae. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. espécies dos gêneros Spiraea. C.

O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. referindo-se ao tipo de pilosidade. diclamídias. cíclicas. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. estipuladas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. ovário unilocular. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. inteiras. fruto do tipo drupa. zigomorfas.1). muitas delas usadas para a produção de carvão. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. sépalas e pétalas livres. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. Espécies medicinais Hirtella sp. cálice gamossépalo com cinco lacínios. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. segundo Barrozo (1978). Chrysobalanus e Hirtella. alternas. Os principais gêneros dessa família são Licania.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. . com cerca de 460 espécies tropicais. onde ocorrem 120 espécies. flores pequenas. corola com cinco pétalas. incluindo árvores e herbáceas. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. peninérveas. folhas simples.

e raiz bifurcada para as mulheres. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. com destaque para o gênero Spiraea. a maioria nos gêneros Prunus. que inclui. os gêneros Crataegus e Malus. a famosa aspirina. ralada. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico.825 espécies subcosmopolitas. da histórica Spiraea ulmaria. arbustos e ervas (Mabberley. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. do gênero Frunus. da qual foi isolado o ácido salicílico. é utilizada como afrodisíaco. no que se refere à farmacologia. compreende 95 gêneros. Potentila. 1997). como é o caso das espécies do gênero Rosa.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. como a . descrita por Antoine Laurent de Jussieu. • Maloideae. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. Agrimonia e Fragaria. com destaque para os gêneros Rubus. toxicologia e química. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. entre outros. também se utiliza o chá contra reumatismo. ou frutíferas. Normalmente são árvores de pequeno porte. com aproximadamente 1. primeira substância a ser comercializada como medicamento. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. Rubus e Quijala. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. encontradas em climas temperados. No Brasil há poucas espécies. e • Prunoideae. • Rosoideae.

fruto do tipo drupa. comestível e saboroso. Morango (Fragaria). que existe em grande número. dependendo da variedade. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. dispostas em fascículos do tipo umbela. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. especialmente de cabeça. ásperas. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. assim como em várias regiões do país. doce e com uma única semente. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. e contra diarréias. pendente. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. flores vistosas brancas. Groselha e Moranguinho (Rubus). Nomes populares Na Mata Atlântica. 1998). com folhas alternas. O nome do gênero corresponde a "ameixa". de margem serrada. Ameixa. a decocção das folhas é usada contra dores. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Espécies medicinais Prunus domestica L. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro.Maçã (Malus). . A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. Marmelo (Cydonia). Cereja. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. Damasco. Pêssego. lanceoladas. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. em latim. e a infusão dos frutos. carnoso. Pêra (Pirus). solitárias e/ou geminadas.

Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi).1 . 1978) (Banco de imagens • . Nakatani et al. 2001). 2002. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. 2001)..Sapuntzakis et al. 2001). 2000). FIGURA 17... O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados..

• Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. R. 1997). A. M. lianas e ervas. Santos C. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. dependendo do arranjo sistemático adotado. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. Hiruma-Lima A. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. ornamentais. arbustos. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. Compreende três subfamílias. . Guimarães C. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. M. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. incluindo árvores. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. Di Stasi E.18 Fabales medicinais L. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. M. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. C. medicinais.

sapan e C. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). Dalwits. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. senna. Cassia multijuga. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. a saber: Caesalpinia férrea. Cassia occidentalis e Cassia reticulata.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). occidentalis. Caesalpinia pulcherrima. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. J. que inclui os gêneros Cássia. . conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. • Cercideae. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. que inclui o gênero Bauhinia. Dialium e Senna. das quais se destacam as espécies C. angustifolia e C. • Detarieae. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. C. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. as quais descrevemos a seguir. que inclui o gênero Caesalpinia. todos contendo várias espécies de valor medicinal. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). 1997). C. Cassia occidentalis. dentre as quais C. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. pulcherrima. • Cassieae. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. C. bonduc. bonducella. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. que inclui o gênero Copaifera.

O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. É uma planta decídua. com grande abundância na Mata Atlântica. algumas arbóreas e outras lianas. . Pata-de-boi e Unha-de-boi. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. onde ocorre em áreas úmidas. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. tronco tortuoso ou ereto. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. A espécie fornece madeira leve. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. flores intensamente brancas. bastante espinhosa. assim como em quase todo o Brasil. heliófita. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas.1). vistosas (Figura 18. Mororó. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. folhas glabras.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. Por ser de rápido crescimento. É amplamente utilizada como ornamental. dadas as características morfológicas de suas folhas. raramente dentro das florestas. usada para produção de carvão e caixotes. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. sempre com acúleos e seus dois ápices.

podendo chegar a 15 m de altura. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. Imirá-itá. ultrapassando o cálice gamossépalo. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. com tronco liso e cerne duro. quase reto (Figura 18. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. séssil. folhas de manga. casca de jatobá. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. com característica de mata pluvial com ampla dispersão.Caesalpinia ferrea Mart. hermafroditas. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. folhas bipinadas com folíolos oblongos. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos.2). Jucá. A espécie é heliófita. ao passo que o preparado de casca de jucá. dez estames. fruto levemente estipitado. especialmente de ruas e avenidas. leiostachya. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. açúcar e água. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é utilizado como . após aquecimento. Muirá-obi e Muiré-itá. ferrea e a C. além de ser empregado como fortificante para crianças. São muito comuns duas variedades: a C. ovalados ou obovais. na região amazônica. flores diclamídeas. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. ferrea var. Nomes populares A espécie é denominada. na forma de decocto. aquecido até formar um xarope. botânico italiano. Suas folhas. é utilizado contra asma e bronquite. além de largamente empregada como espécie ornamental. ferrea var. Dados botânicos Arvore de grande porte. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas.

a decocção das raízes é usada como antitérmico. inflamações do fígado e baço. 1984). resfriados e tosses. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Baio-deestudante. asma e como cicatrizante (Campêlo. . com folíolos ovado-oblongos. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. com até 10 cm de comprimento. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. e em Alagoas. bipinadas. Nomes populares A espécie é denominada. Em outras localidades do país. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. No Piauí. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Considerada de origem antilhana. Na região da Mata Atlântica. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos.anticatarral. contra tosse crônica. também é chamada de Flor-de-pavão. sobretudo como cerca viva. 1982). pois floresce quase ininterruptamente.) Sw. Caesalpinia pulcherrima (L. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. além do uso comum contra gripes. Chagueira ou Barba-de-barata. flores grandes e vistosas. internamente. folhas compostas. especialmente bronquites. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. na região. A vagem crua é útil contra tosse. Espécie muito usada como ornamental. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. 1984). tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. Flor-do-paraíso. 1982). glabros.

A espécie ocorre em todo o Brasil. Cassia multijuga Rich. purgativos. em doses elevadas. descrito também por Carl Linnaeus. amarga. Em outros locais do país. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. a casca é considerada emenagoga e. pela beleza da planta na época de floração. externamente. obtusos no ápice e com base irregular. heliófita e pioneira. dado à falsa canela. a raiz é acre. com rara ocorrência dentro de florestas. odontálgicos. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. brinquedos. abortiva. largo e achatado (Figura 18.como emenagogo e abortivo e. excitantes. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. lenha e carvão. Segundo Corrêa (1984).3). compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. atingindo até 10 m de altura. casca lisa e cinzenta. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. folhas pinadas. o fruto é do tipo vagem reta. além de ornamental. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. febrífugas e venenosas. tendo propriedades tônicas. febrífugos. febre e como purgativo. . as folhas e flores são usadas como tônicos. sendo uma planta decídua no inverno. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. deriva do grego Kasia. quando em grandes doses. estipuladas. O nome do gênero Cassia. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia.

Majerioba. racemos axilares. verde-escuros em ambas as faces.. folhas alternas. Manjerioba. estipulada e com glândulas na base. diurético e colagogo (Gavilanes et al. febre. ramos quase cilíndricos. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Ibixuma. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Outras denominações são Folha-de-pajé. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. resfriado e diarréia (Grandi et . das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Maioba. assim como em outras regiões do país. infecções gerais. Na região da Mata Atlântica. gineceu com ovário piloso. Mata-pasto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Cassia occidentalis L. Segundo Emperaire (1982). Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura.4). frutos do tipo vagem glabra. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. beiras de estradas e próximo a culturas. Lava-pratos. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. gripes. Tararucu. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. achatados. Rioba. paripenadas com ráquis comprida. no Piauí a infusão do caule. curto-peciolados. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. amarelas. Mamangá. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Em Minas Gerais. Lava-prados. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. dispostas. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. com caule lenhoso na base. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. flores grandes. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. laxativo. no Brasil é espontânea nas pastagens. é indicada popularmente como antitérmico. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. androceu com seis estames e três estaminódios curtos.

reumatismo. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. dores menstruais e uterinas. Em outras localidades do país. na asma. 1985). estômago. as raízes são consideradas diuréticas. erisipela e tuberculose. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. malária. 1994). tinha e hemorróidas. No Brasil. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. No Panamá. Na Amazônia peruana. purgativo. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. mas também são utilizadas contra tuberculose. 1986). hidrópisia e dismenorréia (Dennis.. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. Na Índia.. internamente. inflamações nos olhos. as sementes. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético.al. na forma de cataplasma. No Peru. são utilizadas contra asma. febrífugo e diurético. 1990). e para constipações em bebês (Gupta et al. 1979). diurético. reumatismo. como Mata-olho. emenagogo. Além disso. como vermífugo (Nagaraju et al. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. as raízes são consideradas um tônico. nos desarranjos menstruais. febrífugo. sudorífico. mordida de escorpião. doenças venéreas. 1988). A espécie C. . anemia. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. 1990). rins e bexiga (Simões et al... Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia.. problemas hepáticos. desordens do trato urinário. Cassia reticulata Willd. é utilizada contra doenças do fígado. 1982). o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. 1970). No Rio Grande do Sul. preparadas como o café. como antiinflamatório e.

Hymenaea courbaryl L. Abati-tambaí. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. folhas compostas. Jutaí-açu. Jatai. Nomes populares No Vale do Ribeira. como antitérmico e diurético. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jutaí. Jutaí-café. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. nome dado à planta em quase todo o Brasil. lisos. Jutaí-do-campo. ápices acuminados. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jutaí-peba. dispostas em cimeiras terminais.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. farinhento e comestível. Olhode-boi. com 6 a 15 cm de comprimento. alternas e pilosas. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. brilhante. com casca dura. Também é chamada de Jatobá-mirim. flores brancas vistosas. negras. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. entre outros. fruto doce. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. os frutos são vagens delgadas. Algarobo. 1994). purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. Jatobá-roxo. base assimétrica. marrom. tronco ereto e ramos glabros. Jatobá-de-anta. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. com até . Jatobá-de-porco. a espécie é conhecida como Jatobá. Jatobazeiro.

A infusão da casca é usada como tônico para crianças. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. microstachya (Meyre-Silva et al. ácidos palmítico e octacosanóico. enquanto o xarope da casca do caule. O nome do gênero deriva do grego hymen. especialmente em crianças.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. estimulando a digestão e fortificando o organismo. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. ferrea forneceu sitosterol. com florescimento entre outubro e dezembro. Caesalpinia O extrato benzênico de C. vermífugo. além do uso contra bronquite. sedativo e peitoral. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. 2001. sendo usada na arborização de parques e jardins. É uma espécie semidecídua.. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. Yadava & Tripathi. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica.15 cm de comprimento. ácidos . em alusão aos dois folíolos. o deus da união. enquanto a madeira é usada na construção civil. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. 2000) e os flavonóides kaempferol.forticata (da Silva et al. 2000). é eficaz contra tosses. e a seiva é excelente tônico para crianças. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B.

brazilina (Namikoshi et al. De diferentes partes de C. cianina. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. 1973). Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 1977).9.4benzoquinona (McPherson et al. 8. bondenolídeo.. B. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al.14-didehidro-5a-vouacapenol... Peter et al. taraxerol (Yadava & Nigam. 1987a). 1978). Das cascas e raízes de C. 3'-0-metilsappanol. 1987c).. a 8metoxibonducelina (Parmar et al.. C e D (Peter et al. leucodelfinidina... quercimeritrina (Awasthi & Misra. bonducelina. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. Foram isolados os flavonóides: rutina. 3'-0-metilbrazilin.. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. beta-amirina.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. Da madeira de C. 1954)... os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 3'-0-metilepisappanol. 1997). 6p-cinamoiloxi5a. 8metoxibonducelina. 4. beta-sitosterol. 3'-deoxisapanoI. 1987b.. 1983). 1987) e pulcherriminas A.. 1978). pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. bonducelpina A.. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. sapanol. . 1997). Das sementes de C.. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. quercetina. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. B. Kim et al.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. ácido 3. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 1985). 1997b). sappan foram isolados octacosanol. episapanol. 1987). miricetina. 1997a). lup-20(29)-en-3beta-ol. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 1986... 1997). e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. quercetina (Rao et al. sapanona B. 1996). 8metoxibonducelina.. pulcherimina. 2002). 4-O-metilsapanol.4. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al.. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. alfa-amirina. lupeol. 4-O-metilepisapanol. 1987e). 1978) e 2. 1997).. 1983).ll.5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 7p-vouacapenediol. 1977). C e D (Patil et al. protosapina (Namikoshi et al.6-dimetoxi-l.

. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. 1987f). 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh... 1994). isoliquiritigenina.Das raízes de C. 1987d). Fuke et al. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. cacalaco e C. 3-deoxisapanchalcona. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. Da madeira de C.. glicosídeos de C. 1996).8-di-hidroxiantraquinona (Costa.. Na espécie C. S. M. buteína. sappan (Nigan et al. japonica (Namikoshi et al. 1986. isolaram-se 1. B e C (Namikoshi et al. hintoni (Contreras et al... sapanol. taninos. 1977).. 1983). 1985).. platyloba. reticulata. 1995). 1977. 1997). Cassia Da espécie C. sitosterona. glicosídeos cardiotônicos. sappan (Namikoshi & Tamotsu. digyna (Mahato et al. vários compostos aromáticos de C.. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. pumila foi analisada. caladenia e C. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. Das sementes de C. 1982). 1986). (Kitagawa et al. sitosterol. a espécie C. Dos frutos de C. saponinas. M. Do Fedegoso. C. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. ácidos linoléico e palmítico de C. 1996). 1977)... 1996) e de C. 1981). Kitanaka et al. A composição de ácidos graxos das sementes de C. sappan (Saitoh et al. brasilina e protosapaninas A. Namikoshi et al. além de xantonas (Wader & Kudav. 1988). 4-O-metilepisapanol. 1987. occidentalis. sapachalcona. 1987a)... crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. isoflavanóides de C. Foram isolados alcalóides de C. glicosídeos (Singh. C.. et al. C. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al.. 1985). dicopetala (Chowdhury et al. . 4-O-metilsapanol. sapanonas a e b. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. episapanol.

bis (tetrahidro) antraceno. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. occidentalis foram isolados pinselina. triglicerídeos (Zaka et al.. J.. 1989). além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1987). 1987). 1. De C. . 1986).7-dihidroxi-3metilxantona. Telange et al. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo.. 1986. roxburguina (Ashok & Sarma. 1990). senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele.. pinselina. & Singh. além de flavonas (Guptaetal. 1978). marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1977) e os ácidos cáprico. ácidos monoenóico. 1987). J. 1987). Singh. Das superfícies das folhas de C. germicrisona.. 1989a). roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. 1996)..e beta-amirina. mirístico. palmítico. 1990). 1987). 1988a). alfa. occidentalol-1. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. Da raiz de C.1987. 1986).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. Foram isolados das sementes de C. 1985). occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al.. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al.. 1979).. occidentalol-2. emodina. De C. dienóico e trienóico (Zaka et al. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. esteárico e oléico (Alencar et al. crisofanol. l.. roxburguina. 1985). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. roxburguinol e um novo estilbeno. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. 1987... Das sementes de C. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. Das sementes de C. Das folhas de C. crisofanol. 1988b). 1989). questina. 1982) e das raízes (Singh & Singh. De C. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido.

Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. obtusina. 1990). e das folhas. obtusifolina e estigmasterol. 1988). Asamizu et al. angustifolia não difere muito do de C. . 1986).estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. o senosídeo é o principal desses derivados. 1987)... que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. estigmasterol. flavonóides (Wassel & Baghdadi... acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. De C. 1988). crisoobtusina.. 1987. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. obtusifolia foram também isolados obtusina. Metil palmitato e metil oleato. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta... Ishidaet al.Das raízes de C... 1977). esteárico.. 1986... De C. flavonas. succínico e tartárico (Matsuura et al. 1989). Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. m-cresol.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. oléico. 1978). 1989). 1988). 1980) e os ácidos palmítico. 1990). oléico e linoléico. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1986). aurantioobtusina. ácido crisofânico. 1988). obtusofolina. malválico. glicosídeos. além de ácido palmítico. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido.. Nas sementes de C. 1985). obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. 1986). colesterol. além da presença de beta-sitosterol. flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. De C. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1989). flavonóides (Crawford et al. polissacarídeos (Khare et al. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. O perfil fitoquímico de C. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1984). siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. antraquinonas (Zhang et al.. o aminoácido histidina (Zhang et al. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. De C. 1979). torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II.. emodina. beta-sitosterol e l. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. 1997). De C. . questina. 1986). fisciona. De C. linoléico.

1977). 1990).. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. araquidato de beta-sitosterol.. 1991)..De C. De C. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al.senosídeos das folhas de vagens de C. Das cascas do caule de C. triptofano. esteárico.. 1981). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. 1990). renigera possui ácidos vernólico. 1978). 1987). 1988).Ahuja et al. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. 1988)... aminoácidos (lisina. 1987b).. Das raízes de C. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. butirospermona. 1990a). fistula (Cano Asseleih et al. behenato de beta-sitosterol. triacontano.. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. reina. beta-amirina.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. Chowdhury et al. fistula e C. De C. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh.. palmitato de beta-sitosterol. fistula e das cascas de C. Das sementes de C.. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. treonina e leucina). Das folhas de C. flavonóides (Srivastava & Gupta. glauca foram isolados os ácidos palmítico. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1990). O extrato das folhas de C. malválico. 1988). fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. De C. As cascas do caule de C. ácido glutâmico e aspártico. proteínas brutas.. . allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. 1988) e antraquinonas (.. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. javanica apresenta nonacosano. 1990). 1988). oléico.. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. palmitato. linoléico. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. emodina. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. 1990a) e antraquinonas (Messana et al.. De C.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. Do óleo das sementes de C. Das vagens de C. 1987). arginina. ácido behênico. 1989a). 1987b. O óleo da semente de C.. carboidratos. 1978). 1990).

C. sericea (Muralikrishna et al. Das folhas de C. siamea (Khan et al. araquídico e behênico (Khalid et al. Cassia laevigata (Singh. 1977). mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. De C. 1997).. pumila foram isolados tetratriacontanol. 1988). 1977).. Cassia javanica (Azero et al. javanica (Singh & Jindal. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. 1988). 1988). semicordata foram isolados compostos do tipo 1. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol... A composição dos ácidos graxos de C. oléico. linoléico... fastuosa foram isolados os glicosídeos.. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A.. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma.. 1986 e 1987). 1978).4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. holosericea é predominantemente de ácido láurico.. De C. De C. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. C. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. mirístico. De C. 1985). marginata (Kumar et al... emodina.. 1987). emodina e rheina) (Krambeck et al. R. Das flores de C. 1988). C. fisciona. 1987). nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. 1989). Das sementes de C. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. (Baba et al.. linolênico.Das partes aéreas de C. 1987). De C. Sen et al. B. spectabilis foram isolados antraquinonas. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. 1986). Das raízes de C. . estérico.. 1990). 2-methoxistipandrona. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. palmítico. 1989).. ácido quelidônico. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. 1986. 1989) e nas sementes de C. 1987.. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al.. palmitoléico. 1988). 1985). além de alcalóides (Christofidis et al.

Nakamura et al... e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. De C. guianensis (Kittakoop et al. 1996. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. A espécie C. antiinflamatória (Carvalho. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. 1986).. 1991). O uso crônico de B. leiostachya (Moura et al. et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. E. contêm caesalpina P. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. 2002. 1994.... ferrea como antitumoral (Queiroz et al. Os inibidores da aldose reductase. 1990) Lima. 2001) e antimolarial de B.. 1995. 1996)... analgésica (Carvalho. Lemus et al. 1986). sapanchalcona. candicans (Pepato et al. 2000). et al. Amaral et al. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. O. antiedematogênica. 1995. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C... pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. malabarica e B. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. Extratos de C.forficata e B. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos.. tarapotensis (Braca et al.. 3- . C. J. 1998). Lopes et al.. 1985). et al.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B.. 1991). Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar.. et al. 1987).. Rossi-Ferreira et al. Estudos mais recentes têm apontado C. J. Munoz et al. 2002a e 2002b). Bacchi & Sertié. anticoagulante (Milagres et al. C.... 1998). T. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. 1997).. 1976) e proteínas de C. 2001. 2000.. 1977).. 1988). antimicrobiana (Cebalhos et al. O. 1999).

1996). antimalária (Gasquet et al. Sadique et al. in vitro.. antiviral contra hepatite B (Patney et al. de estimulante uterino (Saraf et al. 1987. 2001). vasoconstritora.. Schmeda-Hirschmann et al. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al.... porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. . sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. antibacteriana... 1992. 1994. 1989). 1993. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. 1996). Cassia Nas folhas de C.. 1987)... O extrato metanólico de C.. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. Hussain et al. 1978.. hipotensiva.. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon.deoxisapanona. hepatoprotetor (Jafri et al. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1962). Caceres et al.. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. inibitória da hemólise. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. 1985). 1997). protosapanina A. antifúngica.. 1991.. Feng et al. 1995a). Sama et al.. De C. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. 1997). A brasilina isolada de C. 1976) e. 1999). antiparasitária. de relaxamento do músculo liso. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al.

C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. Crawford et al. 1989).4. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. 1990). 1989). As sementes de C... 1991).5'-tetrahidroxistilbene. 1990). 1990). O extrato a 10% das folhas de C. De C.. lugustrina (Abhaham et al.. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. 1984). ADP e colágeno (Yun-Choi et al. 1989).3'. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al.Das sementes de C. acutifolia. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. Estudos com as sementes de C. Os resultados finais indicaram que tanto C. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. utilizando as folhas de C.. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. 1988) e C. citotóxica com extratos de C.pudibunda (Cavalcanti et al. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1979) e C. garrettiana foi isolada a 3. e C. 1985). O extrato das folhas de C. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. As folhas de C. pudibunda (Cavalcanti et al. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika.. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. obtusifolia (Kitanaka & Takido. acutifolia como controle positivo. garrettiana (Inamori et al.. 1986a). Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. 1986). 1991). A fração polissacarídica de C. 1988).. alata quanto C. 1988 e 1989). 1990. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. As antraquinonas de C... espasmolítica com subs- . podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). Nas sementes de C..

como substituta do café. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. anemia. antitumoral com extratos de C. na forma fresca. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. roenwilana (Rowe et al. fistula (Babbar et al. 1986b). A administração de folhas de C. 1986). com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. . 1986.. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional.. 1987). A espécie C. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. caracterizado por náuseas. em razão de seus efeitos hepatotóxicos.. que apresentaram um quadro de ataxia. cavalos e cabras. quinquangulata (Ogura et al.. 1985). ferrea. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. em muitos países.. Seu consumo indiscriminado é perigoso. 1991). em geral. cansaço e dores. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. pumila (Fatawi et al. diarréia. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos.. 1979) e C. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. cólicas abdominais e diarréia.. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. fistula (Bhardwaj & Mathur. 1977) e antivirótica com extratos de C.. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. 1985). dispnéia. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. 1979). Colvin et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. 1984). talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. amplamente utilizada pela população. vômitos. O gênero Cassia produz. angustifolia (Nakajima et al. seca e/ou torrada. purgativa dos glicosídeos de C. 1998). especialmente por crianças...tâncias isoladas de C. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. apatia. C. Salienta-se que a espécie C. 1979).

Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Robinieae: Sesbania e Robinia. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Desmodieae: Desmodium. um importante produto alimentar no Brasil —. Psoraleae: Psoralea. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Millettieae: Tephrosia. Canavalia. onde se encontram plantas (Barrozo. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Myrocarpus e Ormosia. 1978). Trifolieae: Medicago. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Dypteryxeae: Dypteryx. Nos estudos realizados na região amazônica e . sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Diplotropis. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Derris e Lonchocarpus. Dioclea e Mucuna. Cymbosena. Indigofereae: Indigofera. Crotalarieae: Crotalaria. Genisteae: Lupinus. Sophoreae: Sophora. Vicieae: Vicia e Pisum. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Cajanus. Abreae: Abrus.

1984). com ampla utilização em diversos países. de onde partem folhas pecioladas. sendo ainda forrageira. fruto do tipo vagem linear. Erva-do-congo. comprimida. . indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. gripes. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. dispostas em pedúnculos axilares. dores de barriga e diarréia e a infusão. mas há divergências quanto a essa classificação. Cuandu. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. as quais são descritas a seguir. Feijão-de-árvore. Espécies medicinais Cajanus cf. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. oblongos. Ervilhade-angola. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. No restante do Brasil é conhecida como Guando. pinadas. compostas de três folíolos aveludados. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. A espécie possui um grande valor econômico. contra constipação nasal. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. Guandu ou Feijão-guandu. com ramos angulosos. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Andu. flores vistosas. podendo atingir 3 m de altura.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. na Mata Atlântica.

O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme".Cymbosema roseana Bent. significa "pele dura". com ramos tomentosos. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. por arbustos ou árvores. Nomes populares A espécie é chamada. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. pediceladas. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. de Flor-da-terra. flores rosas. fruto do tipo legume falcado. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. descrito por João de Loureiro. reunidas em fascículos. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. em forma de bote. O nome do gênero Derris. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. oblongos. menos freqüentemente. . O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. acuminados e glabros. e foi descrito por George Benthan. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. referindo-se ao legume. 1997). na Mata Atlântica. flores rosas. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica.

fruto do tipo legume linear. corola dialipétala. Derris floribunda Bth.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. com folíolos articulados na base. ereto e com raiz bastante lenhosa. cilíndrica. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. didamídea. Desmodium tortuossum (Sw. trifoliadas e . Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. folhas alternas. externa. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã.5). coriáceo. hermafrodita. Trevo-da-flórida.) DC. com uma grande pétala superior. compostas. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. pentâmera. sementes sem endosperma (Figura 18. flores fortemente zigomorfas. a prefloração da corola é imbricada descendente. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. com cálice gamossépalo. revestida de pêlos curtos. Dados botânicos Erva de pequeno porte. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. folhas pecioladas. Outros nomes populares são Amores-do-campo.

) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. coriáceos. flor com estandarte longo. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. com ampla distribuição no Brasil e no México. fruto do tipo legume. tendo um apêndice na base. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Cutiubeira.6). fruto do tipo vagem. vexilo oblongo provido de apêndices na base. . Sapupira. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Sebipira. todas conhecidas como Sucupira. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. indeiscente. Cutiúba. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. O nome Diplotropis significa "duas carenas". ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. pinadas e folíolos glabros. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Outros nomes comuns são Favinha. Sapupira-da-mata. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. referindo-se à disposição das flores. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Sapupira-da-várzea. Sicupira. Diplotropis purpurea (Rich. reunidas em racemos. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. com folhas compostas. misturada com enxofre. O nome do gênero significa "feixe". Sapupira-preta.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. com sementes pretas e duras (Figura 18. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Paricarana. Sucupira-da-terra-firme. pequenas. Dados da medicina tradicional A semente ralada. plano.

Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Imburana. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. referindo-se ao cálice. compostas. de pequena espessura. flores vermelhas. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. Cumaru-amarelo. quando maduros e secos. cigarros. dispostas em panículas pubescentes. além da famosa fava de cumaru. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. 1991). podendo atingir até 35 m de altura. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". e na produção de perfumes. pecioladas. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de Cumaru. imparipinadas. Cumaruzeiro. . oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. folhas grandes. Imburana-de-cheiro. doces. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. de cor verde-amarelada. alimentos e uísque. caule reto. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. que. na região amazônica. frutos em forma de vagem drupácea. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. se fendem liberando a semente roxo-escura. charutos. aromáticas. Umburana e Kumbaru.) Willd.Dipteryx odorata (Aubl. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. Cumar-do-amazonas. quando passados sobre as costelas. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. alternas. grosso. O nome do gênero significa "duas asas". Nomes populares A espécie é chamada. servem para tratar a pneumonia. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e.

. aromáticas. compostas de sete a nove folíolos. emenagogas e cardíacas. pela presença de Cumarina. cardiotônico. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. folhas grandes. contendo casca de pequena espessura. dispostas em panículas pubescentes. Em outros lugares. pecioladas. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. essa espécie é utilizada como anticoagulante. diaforético. diaforéticas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. para aliviar dores de garganta e. antidispéptico.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. narcótico e estimulante. frutos em forma de vagem verde. podendo atingir até 3 m de altura. caule ereto. flores vermelhas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. emenagogo. febrífugo. internamente. contra contusão e reumatismo. contra qualquer inflamação. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. grosso. diaforético. como reconstituinte das forças orgânicas. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. antitussígeno. alternas. e os palikur. imparipinadas. antiespasmódico. 1991). para banhos fortificantes de crianças. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. com semente oleosa e aromática.

Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. Outros nomes são Cabruê. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. indicadas nas lesões do sistema respiratório. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". a mais estudada é a D. de Cabreúva. Óleo-pardo. para fabricação de carroças.Myrocarpus frondosus Aliem. urucu. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. assim como a casca. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. Bálsamo e Pau-de-óleo. outros compostos . Pau-bálsamo. portas e janelas de luxo. A madeira. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. 1974). flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. sendo muito usada na indústria de cosméticos. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. tinturas e perfumaria.. possui aroma balsâmico. sendo ainda expectorante peitoral. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. compostos 5-9 folioladas. Nomes populares A espécie é chamada. com casca rugosa no caule. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. de ocorrência na América do Sul. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório.

adhaesivum Schldl. os flavonóides. D.. canarensis (Evans et al. lipídios. 1977). canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. 1989).. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. E em D. 1993.) DC... Bell et al. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1976. enquanto de D. hiravanona. do seu caule e de suas folhas. 1985) e D. Nakatu et al.. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas.) DC. et al. 1977). D. heterocarpon e D. crisantemina e cianina (Matinod et al. Kimetal... araripensis (Nascimento et al. benthmii (Fellows et al. 1986.. ou D.. 1986).. Desmodium De D. 1976) e D. foram isolados os flavonóides desmodina. Rao M. 1996). 1991. e das raízes de D. 1997). indica caracterizou-se a presença de carboidratos. obtusa (Nascimento et al. . elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. canadense (L. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. De D. oblonga e D. 1989). epoxilupinifolina e dereticulatina. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. 1978... Do caule de D. D. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1961. Foram isolados alcalóides de D. N. Das raízes de D.8-difenileriodictiol. D. spruceana. aparines (Link.. glutinosum. amoena. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al.. laxiflora Lin et al. 1995b). Da espécie D. 1994). Flavonóides também foram isolados em D. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. 1962). Nascimento & Mors. tortuosum. spruceana (Garcia et al.. D... 1954). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. proteínas. lupinifolina e laxiflorina... 1995b) e D. D. 1978). foram isolados. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. Em D. incanum DC. 1988). 1973b) e saponina (Parente & Mors. senegalenseína. reticulata. frutescens. As espécies D. B e C).. 1997). 1978).rotenóides (Braz Filho et al. Lin & Kuo. 1994)... ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. homoadonivenita (Batyuk et al. 1978). também denominada D..

O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee.4-dimetoxifenetilamina. cinarascens A. os flavonóides hiperina. possui os flavonóides dalbergioidina. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. Ghosal & Bhattacharya. tiliafolium G. Em suas raízes foram isolados abrina. 1984. betaína.4-dimetoxifenetilamina. Don. ácido octacosanóico. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. hipoforina e os alcalóides. beta-carbolina. foram isolados mangiferina. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. isoquercitrina. também denominada D. além de canavanina (Beveridge et al. difisolina. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. . os alcalóides candicina. A espécie D. hordenina. 3. leptocladina.N-dimetiltriptamina. N. Nakatu et al. Purushothaman et al. 1969. ario-inositol e betapinitol. 1964) foram todos isolados de D. 1-octacosanol.. 1977. N-N-dimetil-3. intortum) possui carboidratos. gangetina. 1972). desmodina.. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. O D. Purushothaman et al. caudatum (Thunb. Nmetiltiramina.) DC. 1983). Bell et al.. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. 2-feniletilamina. desmocarpina.. 1971). salsolidina.. e de D. galactopinitol A. 1972. De D. O-metilbufotenina. os flavonóides desmodol (Ueno et al. hipoforina.. 1978). 1962. cinereum (Kunth) DC.. também muito usado medicinalmente. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. gangeticum (L.. hordenina. bufotenina N-óxido. Em D.Os alcalóides bufotenina.) DC. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. 1975). elegans DC. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. normacromerina. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. 1973). kaempferol e quercetina. salsolina. gangetinina. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. 1963). genisteína.

inositol. feniletilamina. nonacosanos. pinitol e canavanina (Beveridge et al. multiflorum. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. 1963a e 1963b. podocarpum. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. Amor-de-velho-comum. tricosanol. 1996). floribundum. 1984). De D.. vitexina.. ácido indol-3-acético.. 1978).N-dimetiltriptamina N-óxido. compostos estes também isolados em D.. 1966). 1995). styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. 1965). 1982. o terpenóide lupeol. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. 1995). também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. triquetrum foram isolados friedelina. 1971. 1989). Bell et al. Kubo et al. também conhecido com D... De D.. De D. 1986. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. triflorum (L. . Sreenivasan & Sankarasubramanin. homoferreirina. 1989). Anjaneyulu et al. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. 1989. e de D. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. Adinarayana & Syamasundar. ojeinese. e de D. 1989). ovalifolium (Giner-Chavez et al. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. 1997). kaempferol. N. 7-hidroxiflavona..) DC. e os alcalóides colina. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla.. Kubo et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. 1961 e 1962.. 1977. estigmasterol.) DC. os terpenóides beta-amirina. lupeol. 1985). flavosativasídeo. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. formononetina. Perez-Maldonado & Norton. b-sitosterol. racemosum. De D.. Ahluwalia et al.. De Desmodium uncinatum (Jacq. De D. 1962).1995. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al.. e de D sandwicense E. 1968). Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. também denominado D. 1965. estigmasterol.. Mukherjee et al. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. De D. laxiflorum foram isolados heptacosanos. heptacosanol. e os flavonóides isoliquiritigenina.. vitexina e xilosilvitenina. foram isolados os flavonóides apigenina. De D. isovitexina...

1982). De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. 1.3epimetoxilupanina. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al..1973a). .

punctata (Gruenwald. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.. 1952).. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. Nakano et al. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1966). 1995) e cumarinas (Ehlers et al. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. 1993). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. flavonóides (dipterixina. retusina). flavonóides (dipterixina. 1995.. além dos terpenóides betulina. punctata (Gruenwald. 1995). odoratina. além dos terpenóides betulina.. alata foram determinados 40% de óleo. 1994). isoflavonóides (Lourenço et al. Das sementes da espécie D. odoratina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1952). Das sementes de D. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1981). odorata apresenta um grande valor comercial. . pois suas sementes são ricas em Cumarina.. 2000. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. Togashi.. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D... A espécie D. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1996). odoratina. 1995).Dipferyx De diferentes partes de D. De D. alata foram determinados 40% de óleo. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri... lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1994). De diferentes partes de D. 1991). 1994). odoratina. De D. cumarinas (Ehlers et al. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona).

Foi isolada das raízes de D. De Derris sp. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. 2001). gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. Das raízes de D.. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al.. 1998.. D. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. 1972).. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. também conhecido como Timbó. 1997).. O extrato etanólico de D. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. micou. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. 1997). 1987). urucu e D.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1979). 1999. 1997). . 2001).. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al.. nicou (Costa et al. Aragão & Valle.. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. Derris sp e D. 1996). foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. Datta & Bhattacharrya. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. 2002). elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. De D....

1996).A D. B e C. que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al... O extrato aquoso de D. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al.. . ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. 1997). que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. O extrato de D. 1989). 1988). 1997). canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. D. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. styracifolium. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al.. 1988).. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1999).. 1987). styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. e os taninos isolados de D. De D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. O extrato de D.. 1996.. Tolera & Said. 1997). e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D.

1996). . urucum provoca irritação da pele. muitos deles de valor medicinal.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Adenanthera. Albizia. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. 1987). Zollernia e Acácia.. 1993). doses elevadas podem causar náusea. 1991).. et al. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. Leucaena.. Y. Inga. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. M. das quais destacamos os gêneros Parkia.. das sementes de D. Mimosa.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al.950 espécies descritas. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. distribuídas em cinco tribos. Calliandra. Prosopis. 1998). vômito.

O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Nomes populares A espécie. pinadas. Laranjeira-do-mato. repletas de glândulas. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. flores reunidas em espigas terminais. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Zollernia ilicifolia Vog. . O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis.) Willd. com grande ocorrência na Amazônia. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. a espécie é chamada de Mocitaíba. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. Em outras regiões do país. pecioladas. é chamada de Espinheira-santa. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Moçataíba e Orelha-de-onça. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. compostas por folíolos ovais. Ingá-grande e Jambolão. na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl.

sertulifera.3'4'-trihidroxiaurona e 7. com margens onduladas e providas de espinhos. Maytenus ilicifolia). longispica..7). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 6. a antiga casa regente prussiana.7. 1973). a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. heterophylla. I. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. bourgonii.8-dimetilflavona (Correa et al. flores rosadas (Figura 18. oerstediana e I. 1996). I. paterno (Morton et al. I. stipularis (Kraus & Reinbothe. incluindo dores. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. I. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. semialata. . 1991). e o nome deriva de Hohenzollern. alba. parviflora foram isolados os constituintes 7. 5. farmacológicos e toxicológicos. I. laurina. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais.4'trihidroxi-6.3'.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. I. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. I. Foram isolados alcalóides das espécies I..22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.oblongas. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. nobilis. I. I. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação.

Reis). .1 .FIGURA 18. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. S.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .FIGURA 18.Caesalpinia ferrea.2 .

3 .FIGURA 18. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. 1984).

FIGURA 18. 1939).Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .4 . b) escanerata do ramo com flores e frutos.

Banco de imagens - .5 .Derris floribunda. Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .FIGURA 18.

Diplotropis purpurea.Banco de imagens - .FIGURA 18.6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.7 .Zollemia ilicifolia. S. .FIGURA 18. Reis).

lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. São plantas herbáceas. arbustivas. 1997). distribuídas nos 188 gêneros. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. C. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Punicaceae. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. a Punica granatum. da famosa Romã. assim come outras espécies de valor econômico. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. com inúmeros representantes no Brasil. que incluem espécies medicinais. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea.950 espécies. Melastomataceae e Myrtaceae. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. Di Stasi C. 1978). e as duas famílias aqui descritas. A.19 Myrtales medicinais L. que inclui o gênero Punica.

ambas pela indicação popular na região amazônica. Neste estudo. Microlicia. Miconia. 1998). ereto e piloso. . Salpinga. flores pequenas. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. essa espécie é chamada de Quaresma. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. dispostas em cimeiras. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. roxo. em outras regiões. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. com folhas ovais e cordiformes. Huberia.) DC. na região amazônica. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. ou Pixirica. fruto do tipo baga. nervadas e pubescentes. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. brancas ou rosas.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. que descreveu inúmeras patologias em plantas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica.

Pimenta. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. de onde partem folhas de pecíolo longo. oeste da Índia e América tropical. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores.620 espécies (Mabberley. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Essa família inclui gêneros como Myrtus. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. planas. Syzygium. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. 1997) arbustivas e arbóreas. e várias outras em climas temperados. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. bem representada na Austrália. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. 1990). Eucalyptus.. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Eugenia. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Os . Psidium. Pseudocaryophyllus. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Leptospermum e Melaleuca. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos.

congestão nasal e dores de cabeça. especialmente as flores. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. dispostas em corimbos. são usadas no local. com folhas pecioladas. rosas ou avermelhadas. oblongas e glabras. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. No Brasil. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. E uma espécie exótica. opostas. bastante aromáticas. Araçá). flores pequenas. 1998). os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. Cereja-nacional. leucoantocianinas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia.constituintes dessa família incluem. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. fruto do tipo drupa. ácidos fenólicos e ésteres. Eugenia (Pitanga. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. além de óleos essenciais. 1996). taninos. cultivado ou adquirido no comércio. Myrciaria Gabuticaba). Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. as partes aéreas do Cravo-da-índia. para o alívio de dores de dentes. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. .

usada externamente. fruto com baga amarela.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. edema e. A infusão dos frutos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Psidium. Na região da Mata Atlântica. Guaiaba. brancas e com numerosos estames. diclamídeas. morder". doenças da pele. de sabor agradável. esmagar. botões florais tomentosos ou glabros. significa "triturar. O nome do gênero. Araçá-goiaba. curto-pecioladas. Provém de psidion. folhas opostas. Guaiava. no entanto. internamente. que é a denominação em grego da planta. contra diarréias. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. actinomorfas. galhada. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. flores hermafroditas. o chá das folhas novas. Araçáguaiaba. e. com cálice membranoso. Araçá-guaçu. fervidos. para regulação do ciclo . O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. referindo-se aos frutos. por outras.1). ovadolanceoladas. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. existem registros para a espécie como Goiabeira. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. 1984). com caule tortuoso e casca lisa. os brotos de goiaba e de caju. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. é útil contra hemorróidas. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. é indicado contra diarréia.

indisposição estomacal e vertigem (Forero. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. botões florais tomentosos ou glabros. . com cálice membranoso. em Minas Gerais. 1994). guajava ainda são utilizadas na América Latina.. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. igualmente usados como alimento.. misturado com folhas de salva-de-marajó. curto-pecioladas e glabras. 1982). actinomorfas. As folhas de P. 1986). no Rio Grande do Sul. 1980. principalmente em diarréias infantis. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. o chá da folha. Psydium cf. como também os frutos. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. guineense Sw. Duke & Vasquez. 1982). 1992). Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. Grenand et al. Grandi & Siqueira. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. folhas opostas. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. antileucorréica. é antidiarréico (Amorozo &Gély. 1984). no Piauí. 1988).. antidiarréica. anticolérica e antiúlcera. e o decocto. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. brancas e com numerosos estames. sendo facilmente confundida com esta. flores hermafroditas. de polpa abundante. 1982. misturado com folhas de pitanga. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. como estomáquico. fruto com baga amarela. Central. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. lavagens de úlceras. diclamídeas. no Pará. 1987. o chá das folhas.menstrual. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais.

apresentou atividade depressora do SNC.. -bisaboleno. além de taninos (Misra & Seshadri. Zheng et al. 1987). 1990.. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. aldeídos. 1978). Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. ésteres. 1987. -cubebeno. acoradieno. açúcares. 10 ácidos. As diferenças quantitativas e qua- . 1987. Pino et al... polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 1996. 1989.. 1. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 28 ésteres. himacaleno. -bergamoteno. t-cariofileno. 1986. mirceno. Wilson & Shaw... hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. -cedreno.. óxido de humuleno. lignina. 17 cetonas. 1. denominados 1. 1989. humuleno.1-díetoxietano.. Ortega & Pino. Chyau & Wu. dos quais 13 são aldeídos. 1982) e quercetina. Ortega & Pino. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al.. 31 alcanos. cremoflieno. p-menten-9-ol.. 1991). pectina. 1996). p-cimeno. -terpineol. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. 1968). 1987). Oliveros-Belardo et al.1-dietoximetano. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. 1981). O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. 1990.. 1996). derivado de eugenol. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. 1996). 1994). as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1990). O dehidrodieugenol. alcanos. -guaieno. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. 1994). Marcelin et al. Pino et al.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.. e 95% são cariofileno (Latza et al. vitaminas C e A. cetonas.. -santaleno. Yusof & Mohamed.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1968. 122 componentes voláteis. 1989.. borneol.

1989). oléico e esteárico (Opute. d-galactose.. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. óleo essencial (Ji et al. 1986). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. 1996).. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 1987).. 2002. O extrato aquoso tam- .. Hegnaurer. Osman et al. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. Lima Filho et al. A atividade antibacteriana das cascas de P. 1987). ácidos linoléico. 1978). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al..litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. Jain et al.. 1979b.. Chen & Yang (1983). polifenoloxidase (Augustin et al. 1986). guaijaverina. 1991). 1987). flavonóides. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. Ácido elágico. ácido oleanólico (Mair et al.. Okuda et al. e Maruyama et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. 1987. 1987).. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. 1974. palmítico.. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. (1994) e Neri et al. O interior das cascas é rico em ésteres. 1981)..

A. . P..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. O extrato de folhas de P.. O óleo essencial de P.. Morales et al. e antitumoral de P. 1983). 1993. Cáceres et al. A. Cheng et al. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. 1997. 1996c.. 1993. A quercetina isolada de P. F.. guyanensis (Santos. (Santos et al. widgrenianum (Souza et al.. 2002. óxido e b-selineno).. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. A. 1990. 1988) e tosse (Jaiay et al. anticonvulsivante (Santos. De P. 1994. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. 1996a). Cáceres et al. pohlianum e Psidium sp. Santos et al. e eugenol e timol de P..). guyanensis. 2000.. 1994)... 1995). 1989. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1994. 1989). et al. 1999). 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. A.. 1994. 1994). 1995). Das cascas de P. Lutterdodt... 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. et al.. Shimomura. 1998).. Lutterdodt. propriedade anticatártica (Pinto et al. 1995). F. 1994. et al... guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. Lozoya et al. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. incanescens (Zelnik et al. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1970). A. F.. et al. incanescens (Santos. 1992. 1999). guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al.. PonceMacotela et al. Grover et al. Lutterdodt et al.. 1990. 1996). 1995.. P. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. 1996b) e P. Lozoya et al. 1996a) de P.. F. Do extrato hexânico das folhas de P. F. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. et al. Meckes et al.... guyanensins.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .FIGURA 19.Psydium guajava.1 .

. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. que possuem espécies medicinais. Di Stasi L.G. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. são Celastrus e Trypterygium. a família Celastraceae. representa importante fonte de espécies medicinais. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. gênero de grande valor medicinal. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. e apenas uma delas. Seito F .20 Celastrales medicinais L. C. Os principais gêneros dessa família. N. ambos contendo espécies amplamente estudadas. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. Austroplenckia. com atividade antifertilidade masculina.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. e Maytenus. 1997). nos quais se distribuem aproximadamente 1.

a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. ex Reiss. Espinho-de-Deus. . axilares. com acúleos. ápice agudo. amarelo-avermelhado. bastante coriáceas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. copa globosa e ramos glabros. dor do "ciático".Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. flores numerosas. atingindo até 9 cm de comprimento. fruto do tipo cápsula ovóide. Erva-santa e Congorça. gastrite e ulcera péptica. Nomes populares A espécie é chamada. Salva-vidas. Espinheira-divina. Cancerosa.cancerosa. glabras. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. de Espinheira-santa. na região da Mata Atlântica. denteadas. dores nas costas e úlceras do estômago. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. de onde partem folhas elípticas. Também é conhecida como Sombra-de-touro. arbusto menor (de 1 a 3 m). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Erva. Maytenus aquifolium M.

serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas.. 1998). para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 2001) e triterpenos cetônicos de M. podendo chegar a até 4 m de altura. krukovii (Honda et al. 1995a).. 1998) e glucosídeos (Zhu et al.... Das sementes de M.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. 1997). alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. 1999). 2000). 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al.. 2000). A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. 1995). oblongas. Foram também isolados um glicosídeo. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al.. 1995.. De M. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. heterophylla e M. Dados químicos De M. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al.. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. fruto do tipo capsular. Da infusão das folhas de M. contendo folhas alternas. arbitifolia (Orabi et al. .. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. vermelho. Foram isolados das cascas de raízes de M. com ramos finos. flores pequenas e axilares...

Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. Além disso.. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. G alfa e G beta. além de pristimerina. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. foram isolados das folhas de M. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 1993a e 1993b). sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. emarginatina-D.. betulina. 1994)..28. 1991b).Gonzalez et al. 1999). cangoronina e ilicifolina. 1998). As cascas das raízes de M.... 1994b).. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. ilicifolia (Itokawa et al.. Das folhas de M. triterpenos do tipo friedelana.. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. 1995a). 1998).. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina.. Dos ramos de M..21-trione (Nozaki et al.16. os triterpenos fenólicos canarol. 7 alfa-hidroxicanarol. e outros triterpenos (Gonzalez et al. Dos ramos de M. . E-IV. e escutidina alfa A foram isolados de M. 1992). E-III. De M. 1993). E-V. 1991). ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. os triterpenos 3-beta. 1994). emarginatina-E e emarginatinina. Sesquiterpenos foram isolados de M. canaradial.. macrocarpa (Chavez et al. ácido oleanólico e ácido betulônico. 7. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. 1999a e 2000). 1992b). canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. chuchuhuasca (Shirota et al.. E-I e E-II (Itokawa et al.30-diol (20). E-II. 1997)..30-lup-20(29) ene-triol e 28. 1994). os triterpenóides beta-amirina. além de epicatecol. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. 1996b). 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al.. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.8dihidroisoxuxuarina E alfa. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. lup-20(29)-ene-3beta. xuxuarinas F beta.. De M. iliocifolia (Shirota et al. lupeol.

Alcalóides foram isolados de M. 1984). 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano. De M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. Wang et al. G. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. A. 1999). Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M... 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. 1996a). 1999). 2001). Nor-triterpenos isolados de M... scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al.. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. -15-triacetoxi-l alfa. 1996). scutioides (Gonzalez et al. 1971). assim como os compostos 6 beta... 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 8 beta. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. O composto escutiona isolado de M.. senegalensis e M. myrsinoides (Baudouin et al. 8 beta. Dados farmacológicos M. 1981) e antimolarial ( El Taher et al... Gonzalez et al.. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. M.. 1981). senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina.. 2000. catingarum (Alvarenga et al. 1971.. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al.M.. 1996b).. 1999b). 1996c). isolados de M. . et al. 1999a). Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M.. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 6 beta. macrocarpa (Chavez et al.. 1999). tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. 1996b).

. 1991. F. As folhas e caules de M. . senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al.. 2002).O extrato diclorometânico de M. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. 2001). 2000). 1999). ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. Gonzalez. G. Queiroz et al. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. Oliveira et al. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al.. et al... 1991.. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua.. 2001. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M.

especialmente árvores. arbustos e lianas (Mabberley. Polygalaceae. Malpiguia e Stygmaphyllon. ocorrem 32 gêneros. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. 1997). Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. Vochysiaceae e Krameriaceae. C. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. com aproximadamente trezentas espécies. além das duas referidas a seguir. corantes e de medicamentos. bebida alucinógena. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. contendo cerca de 1. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. ambas com várias espécies medicinais. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. usada na produção da Ayahuasca. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. Trigoniaceae. No Brasil.100 espécies tropicais. com importantes espécies fontes de madeiras. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. . podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. 1978).21 Polygalales medicinais L. Byrsonima. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas.

arredondadas. . Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. grande e robusta. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. descrito por Antoine Laurent de Jussieu.) Juss. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. significa "estigmas foliáceos". O nome do gênero Stigmaphyllon. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. de folhas cordiformes. Gordura-de-porco ou Cajuçara. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. dor de estômago e gripes. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. glabas na face superior e sedosas na face inferior.) Juss. e. bastante pubescente. externamente. nas raízes formam-se grandes tubérculos. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. contra icterícia. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre.

essas espécies serão descritas a seguir. destacando-se as famílias Burseraceae. que contém. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. o Guaraná. M. Simarubaceae e a outra família. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Ailanthus. C. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. . reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Picrasma e Brucea. Souza-Brito L. Quassia. R. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Oxalidaceae e Balsaminaceae. especialmente no Sistema Nervoso Central.22 Sapindales medicinais C. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. além das espécies aqui citadas. Anacardiaceae. Essa ordem. Cupania e Serjania. especialmente dos gêneros Simarouba. A. Sapindaceae. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Das demais famílias dessa ordem. Meliaceae. Simaroubaceae. Rutaceae. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. inúmeras espécies medicinais. Hiruma-Lima A.

Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. subclasse Rosidae. Essa família botânica inclui árvores. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). com aproximadamente 875 espécies. Mangifera. nos países de clima temperado. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. Spondias. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. distribuídas em regiões tropicais. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Schinus. relatados a seguir. Nessa família. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. Spondias e Schinus. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Além dos usos medicinais. Desses gêneros destacam-se. No Brasil. amplamente consumida . Manga e Pistache. A espécie Mangifera indica. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae).Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). as espécies Pistacia lentiscus. pertence à ordem Sapindales. descrita por John Lindley. Do mesmo gênero. tais como Caju. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. reúne setenta gêneros. lianas e raramente ervas pereniais. 1997). Semecarpus (Semecarpeae). algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. arbustos.

em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Engl. . Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. o fruto em forma de drupa é peduncular. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Caju-assu.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Pará e Mato Grosso. não foi referida na região de estudo como medicinal. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. com tronco de casca lisa. perfumadas. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. ovário súpero com um só óvulo. as flores. sendo também denominada Cajuaçu. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. especialmente no Amazonas. dispostas em panículas. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Caju-da-mata (Amazonas). as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. de 25 a 30 m de altura. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). entre outras tribos indígenas. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular.1). Cajuí.

utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. significa "semelhante ao coração". O nome do gênero. Caju-de-casa. onduladas. glabras. pequenas e de coloração pálida. É uma planta decídua. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. ovadas. ou simplesmente Caju.2). tais como Acajaíba. o óleo da castanha. as folhas são alternas. o fruto é do tipo aquênio reniforme. Para hemorróidas. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. Contra diarréia. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. várias outras denominações são usadas para a espécie.Anacardium occidentale L. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. O óleo é usado na produção de borracha. assim como a própria castanha. pecioladas. heliófita e que cresce bem em solos secos. raspa de amor-crescido e cajá. tomando-se um copo por dia. reticuladas e nervadas em ambas as faces. entre outras. possui importante mercado nacional e internacional. as flores. Anacardium. O . utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. com um só estame fértil. Caju-da-praia. Além dos usos medicinais descritos a seguir. ovário unilocular. Acajuíba. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. Caju-manteiga. no entanto. plástico e resinas. em referência ao nome de seu fruto. Cajumanso. Economicamente.

1990. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. calos e verrugas. depurativo e anti-sifilítico.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. No Piauí. 1994). Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. 1995). contra úlceras. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. 1982). debilidade muscular. uma infusão de folha é usada contra diarréia. astenia. desordens urinádas e asma (Lima. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. assim como um potente adstringente. 1995). Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. . 1994. tônico. P. estimulante e afrodisíaco. purgativa. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire.. A resina é usada como depurativo e expectorante.. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng.. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. Cruz. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. a casca é utilizada como adstringente. As flores são afrodisíacas. 1993. 1993). brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. e a maceração de folhas para tratar diabete. Em Juiz de Fora (MG). O suco das folhas serve como antiescorbútico. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. 1982). 1984). 1992). para controle das secreções vaginais. Grenand et al. antidiabético e antihemorrágico (Verardo.. tonsilite e problemas de garganta. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. anti-helmíntico. Matos. e a raiz. como um diurético.

como cicatrizante e contra gengivites. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Aroeira-do-sertão. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Bálsamo. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Fruto-de-sabi. Aroeira-do-brejo. Aroeira-da-praia. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. O nome do gênero significa "cortar". por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Coração-de-bugre. Aroeira-do-campo. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Cambuí. lenha e carvão. tônico. estimulante e analgésico. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. sugere-se o uso com moderação. analgésico e contra coceiras. Aroeira-branca. Aroeira-vermelha. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa.Schinus terebenthifolius Raddi. caule tortuoso. Fruto-de-raposa. com casca grossa. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. mas é muito usada como ornamental. com copa bonita e arredondada. referindo-se às frestas da casca do fruto. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões.3). Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. adstringente. febrífuga e usada contra afecções uterinas.

referindo-se à semelhança com o fruto. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados.Spondias purpurea L. Em outros países da América do Sul. com 5 a 7 m de altura. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. Outras denominações comuns são Acajá. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. ilustrado a seguir. O gênero Spondias. sendo um composto característico das espécies deste gênero. especialmente árvores com resinas.O3). do tipo drupa. Acaiou. reunidas em racemos. esverdeado e doce (Figura 22. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. antiespasmódico. O ácido anacárdico (C22H32. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. ou Cajá e Umbu.4). é ovóide. como antidiarréico. Acaju. além de comestíveis. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. 1994). diurético e analgésico. o fruto. Siriuela. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. Cirouela. referindo-se apenas à fruta da espécie. ou mesmo Caju. as flores são pequenas. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. imparipinadas. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. inclui espécies tropicais. O nome Spondias significa "ameixa". p-hidroxi- . descrito também por Carl Linnaeus.

C1. 1987). Al. 1987). n-eicosano. aminoácidos. álcool araquidílico. robustaflavona. 1989). apigenina.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech.. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. esteróis. amentoflavona. flavonóides. anacardol. 1973). os seguintes compostos: acetofenona. 1997c). Compostos derivados do ácido anacárdico. ácido procatéquico. P. cardanol. quercetina. leucocianidina. Mg. amido. 1986). (-)epicatequina. campesterol e colesterol (Dinda et al. Foram também caracterizados. 1997). quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. ácido-p-hidroxibenzóico. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. além de Na. 1986). estigmasterol. ácido gentísico. e de suas folhas foram isolados miricetina. 1995). cicloartenol. derivado de resorcinol. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. antocianinas. a-amirina. anacardol e cardol. anacardeína (Sathe et al. K e Ca (Thomas & Dave. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . S. sódio e açúcar. limoneno. a-selineno e vitamina C (Gupta. taninos e açúcar (Nagaraja et al. taninos. narigenina. kaempferol... 1985). glicosídeos de quercetina. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. aminoácidos. 1990). fenol. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. além de flavonóides voláteis (Pino. de diferentes partes da planta. (-)-epiafzelequina. também foram isolados (Costa. agathisflavona.

. e raízes (Guerrero. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. tais como -catequina. -caroteno.. 1994). aminoácidos variados.. oléico. palmitoléico. 2000). láurico. 1991. -linolênico. ácidos esteárico.. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al.(Guerrero. flavonóides e triterpenos em suas folhas. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. ácido salicílico. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. quercetina. Himegima & Kubo.Bacillus subtilis. Muroi & . 1999). 1994). 1991). denominados geraniina e galoilgeraniina. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al... -sitosterol. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . 1991). 1992). De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto.. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. 1993. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. 1994). Escherichia coli. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. 1994) e frutos (Augusto et al. tocoferol. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. tocoferol e outros. palmítico. 2000). Vários derivados do ácido anacárdico.

enquanto o cardol. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira.. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. Souza et al.. 1995).. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera.epicatequina Kubo. 1984a). 1993). Jurberg et al. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). 1974. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1991). glabrata. Craveiro et al. 1993). O extrato hexânico das cascas de A.. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. occidentale foram avaliados perante a B. 1994). . Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. 1992. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. 1982). Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan.

Akinpelu. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al.. 1983). 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. Além disso. 1981). 1992). O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1).A epicatequina. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata.. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. 1994). antiartrítica... occidentale.. ... 1982 e 1985. 1993)..... um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. 1992). analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. mombin.. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. occidentale. taninos isolados de S. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. Kudi et al. pela presença do cardol (Hoehne. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. Barbosa Filho et al. 1991). 1982. 1994). responsáveis por irritação da pele.. 1990). 1980) enquanto. Geraniina e galoilgeraniina. Abo et al. Dos extratos hidroalcoólico. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas.. 1999. França et al. isolada de A. 2000. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka.. 2001. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. Mota et al. 1990.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

FIGURA 22. . 1946). Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.4 .Spondias purpurea.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima). c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 22.

FIGURA 22.Ruta graveolens.6 . Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

A. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. as quais são descritas a seguir. A maioria das espécies é de plantas herbáceas.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. de acordo com o sistema de classificação botânica. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. denominada também Umbellales. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). Essa família inclui 446 gêneros. mas alguns arbustos e árvores são des- . como Umbelliferae. C. Di Stasi A ordem Apiales. 1997).23 Apiales medicinais C. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. Hiruma-Lima L. com aproximadamente 3.

oblongolanceoladas. No Brasil ocorrem poucos gêneros. Daucus (Caucalideae . Petroselium (Salsa).critos na família. muito comum na Mata Atlântica. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Cicuta. ascendentes. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. a Eryngium ekmanii. onde há amplo uso como medicamento. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Coriandrum (Coriandreae . e Hydrocotyle exigua. Apium. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. 1998). tais como Cenoura. Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. folhas alternas. entre inúmeros outros. Cominho e Salsa. Muitas dessas espécies são cultivadas. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Eryngium e Alepidea (Eryngeae . sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. densamente imbricadas.Apioideae). Erva-doce. Apium com características ruderais.Saniculoideae). Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly.Hydrocotyloideae).Apioideae). Apium (gênero do Salsão). dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). assim. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. com raízes fasciculadas. fibrosas e caule florífero solitário. optamos por incluir aqui apenas duas delas. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . dunas e brejos. Pimpinella (Erva-doce). Coentro. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento.

frutos pilosos. capítulos esverdeados com flores pequenas.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. o sumo das folhas frescas. fruto subgloboso (Figura 23. no entanto. dos quais são emitidas raízes. O nome do gênero. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. na região do Vale do Ribeira. de Erva-terrestre. usado topicamente.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. referindo-se às fibras do rizoma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. quando preparado em alta concentração. exigua (Urban. e aix = "cabra". espalhadas por diversos continentes. Esse chá. especialmente em crianças. Também é conhecida como Erva-capitão. Hydrocotyle hirsuta Sw. lobadas e pilosas. semelhantes a barba de cabra. cíclicas. var. crenadas. de no máximo 1 cm de espessura. é considerado excelente contra dores de cabeça. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. cordiformes. diclamídeas e hermafroditas.1). Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. habitando em lugares úmidos. vem de eros = "lã". Eryngium. com nós. folhas pequenas. com flores avermelhadas. inflorescência em capítulo. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. torcidas antes de abrir. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e .

. 1992). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. foi ainda isolado o falcarindiol em E..000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta.4. farneseno. comarinas e flavonóides. 1999).5-trimetilbenzaldeído. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. 1980) e E. 2002). O extrato aquoso de E.. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al.. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. planum (Hiller et al. 1985). emético. 1986). Hohmann et al. diurético e. Glicosídeos foram isolados de E. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. 1986). 1995). a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. sendo 2. ilicifolium (Pinar & Galan. De E.. acetilenos. 1984). foetidum L. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. Além de saponinas. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. 1985.inclui 130 espécies cosmopolitas. foram isolados 46 compostos. sendo majoritários carotol. 1997a). campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. bourgatii (Lam et al. também encontrados em E. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al.. 1986).. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. . anetol e alfa-pineno (Pino et al. em altas doses. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. 1997). elegans (Campos & Garcia. a DL50 por via oral foi de 1. Das folhas de E. maritimum (Lisciani et al. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. 1997a).. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos.. campestre (Erdemeier & Sticher. e cotyle = "umbigo".

1997). no envenenamento do filósofo Sócrates. segundo a história. Australásia e América tropical (Joly. arbustos. 1998). ambos introduzidos no Brasil. e Polyscias. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Árvores. famosa por ter sido usada. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. Schefflera. Hedera. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. Mackinlaya e Polyscias. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. epífitas. Tetrapanax e Aralia. subclasse Rosidae. Centro-Oeste e Sul. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. utilizada como alimento. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. especialmente do gênero Cicuta. com aproximadamente 1. Tetrapanax. e centenas de . lianas. e inclui 47 gêneros. da famosa Hera dos parques. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. especialmente em refogados e saladas.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Das inúmeras espécies descritas nessa família. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. são encontradas na família. No entanto. No Brasil ocorrem vários gêneros. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. Panax. mas raramente ervas.

flores pequenas. cálice pequeno. fruto indeiscente. Cunha e Cunha-mansa. usada internamente. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. pela beleza de sua folhagem. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. androceu com cinco estames. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. refere-se à forma da folhas. sendo também usa- . Cuia. reunidas em inflorescências axilares. com larga bainha na base. folhas alternas. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. Outras espécies do gênero. descrito por Johann Forster e Georg Forster. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". O nome popular da espécie.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. ovário ínfero. grandes. pertencente ao gênero Polyscias. A espécie não foi completamente identificada. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. amplamente cultivada como ornamental. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. variegadas. Cuia.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. O gênero Polyscias. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. e acias = "sombra". mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. globoso.

A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. os autores demonstram que . sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1995.. 1988. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso.. Glicosídeos oleanólicos. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Chaboud et al. 1989c e 1990) e de P... saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Vo et al. 1992).dos como calmante por adultos. Nas folhas de Polyscias sp. 1990). 1989b. Em P.. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll.. 2002. 1994).. 1998).. 1990. 1996. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. scutellaria (Paphassarang et al.. 1992). sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. Lutumski & Luan. Fulva (Bedir et al. Proliac et al. 1991). ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 2001). 1989a. 1992. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1986). De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Barilyak & Dugan. Nesse estudo.. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan.

filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al.1 . A espécie P. associados àqueles referentes a outras da família. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios.. 2002). assim como outras do gênero Polyscias. especialmente a Panax ginseng. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. FIGURA 23. e de prolactina pela hipofise. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.Eryngium ekmanii. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. mostram que essa espécie. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide.

FIGURA 23.Banco de imagens - .Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .2 .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. demonstram que a ordem Gentianales. Gentianaceae e Asclepiadaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Loganiaceae. Apocynaceae. Esses dados. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). Apesar de não referidas no nosso estudo. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. apesar de pouco numerosa.Strychnaceae. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Genistomaceae. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. A. Di Stasi C. C. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico.24 Gentianales medicinais L. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . .

entre as espécies de pequeno porte. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. muito utilizadas ornamentalmente. Thevetia. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. . ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. com aproximadamente 1. Paquistão e Tailândia. 1997). Hancornia. Tabernaemontana. como os gêneros Allamanda. e. a família possui espécies trepadeiras. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. inclui 165 gêneros. arbusto encontrado na Índia. Vinca. Rauwolfia. Catharanthus. serpentina. dentre os gêneros. Inclui espécies arbustivas. muitas das quais trepadeiras e suculentas. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Joly (1998) destaca. Nesse contexto. serpentinina e reserpina. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. herbáceas. os gêneros Mandevilla e Thevetia. ajmalinina. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. além dessas. Allamanda. Java. arbóreas. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Mandevilla. sendo esta última o mais importante. fornecedores de madeira.900 espécies tropicais e subtropicais. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. Nerium. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Hancornia. Aspidosperma. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Strophantus. como Aspidosperma. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. subclasse Asteridae. aqueles que incluem espécies arbóreas. com destaque para ajmalina. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica.

cilastonina e também a reserpina. . • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. Vinca minor. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides.• do gênero Vinca e Catharanthus. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. Dedal-de-dama. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. espécies ricas em glicosídeos. Orélia. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. alstonilina. segundo Evans (1996). A espécie Vinca rosea. vinblastina e vincristina. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. especialmente a Nerium oleander. • do gênero Strophantus. tais como ouabaína. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. as espécies Strophantus gratus. Vinca rosea e Catharanthus roseus. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. Himathantus sp. tais como majdina. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. a saber Allamanda cathartica. • do gênero Nerium. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Wrightia e Aspidosperma. tais como alstonina. tanto para os animais como para a espécie humana. Alamanda amarela e Quatro-patacas. contudo. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. e Thevetia peruviana. Deve-se destacar. as espécies Vinca major. estrofantinidina e cimarina. tem sido designada também como Catharanthus roseus.

especialmente cães e macacos. axilares e fasciculadas. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. contendo poucas sementes (Figura 24. atingindo até 20 m de altura. usada internamente. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. inflorescências com flores amarelas. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. é considerada um excelente vermífugo. na forma de funil. A folha é considerada excelente catártico. especialmente em crianças. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. em animais domésticos. glabras e verticiladas.1). purgativo e catártico. emético e purgativo. com casca rugosa. enquanto a decocção das cascas da planta. . Segundo Corrêa (1984). grandes. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. em grande número. com copa estreita e tronco ereto. fruto do tipo capsular. com folhas brilhantes. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. folhas simples. sendo a A. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. semilenhoso. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. com a mesma indicação. com tubo estreito e longo. O gênero inclui doze espécies tropicais. a planta exsuda látex considerado venenoso. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. Ucuuba e Sucuba. espessas. A infusão das folhas é utilizada como emético. alternas.

linear-lanceoladas. heliófita e secundária. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. 1990). alcançando até 10 m de altura. no entanto. margens inteiras. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão.pecioladas. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. Thevetia peruviana (Pers. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. 1997). sendo útil como anti-helmíntico. Coração-de-jesus. folhas alternas. simples. contendo sementes aladas. coriáceas. glabras em ambas as faces. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. acumi- . referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. Noz-de-cobra. com um tronco de casca cinzenta. Schum. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. grandes e brancas.) K. ovaladas. significando "manto de flor". O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. especialmente no alívio de coceiras. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. todas encontradas na América do Sul (Plumel. especialmente em crianças. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). frutos geminados em forma de chifres. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. O nome do gênero deriva do grego. sendo uma planta perenifólia. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado.

O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. carnosas e glabras nas duas faces. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. arbotifaciente. A casca é considerada amarga e febrífuga. bactericida e como veneno para peixes. além da sua utilização uso em vários países como emético. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. amarelas. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. 1984). com corola em forma de funil. aromáticas.nadas. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. especialmente do continente africano. contendo sementes duras e grandes. fruto do tipo drupa carnosa. O nome do gênero Thevetia. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. 1962). purgativa e emética e de uso perigoso. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. para provocar vômitos. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. braceletes. em pó. As sementes da espécie são usadas como inseticida. como pulseiras. descrito originalmente por Carl Linnaeus. Os usos dessa espécie como purgativo. colares. No Brasil. a amêndoa. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. 1997). 1985). É uma espécie muito usada como ornamental. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. purgante. contendo flores grandes. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. revestimento de maracás (Corrêa. 1984). O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. assim como outros inúmeros usos de várias par- . antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. triangular.

.. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. kaempferol. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. . Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides.-O. Dados químicos dos gêneros Allamanda. ácido ferúlico e ácido gentísico. e de suas flores. quercetina..Kader et al. além de 13-O-acetil plumierida. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. medioresinol. 1986). -amirina. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. ovata e T.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. rutina e os iridóides plumierida.1997. 1974). 1988). além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1989).. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. tais como de T. canogenina. Foram isolados de A. como a A. -sitosterol. escopoletina. plumierida.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. schottii. a alanerosida. tevetina B. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. blanchetii (Ganapaty et al. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. além de lignanas como pinoresinol. O isolamento de diosgenina. De outras espécies do gênero Allamanda. 1996). 1984).. assim como de outras espécies do gênero. 1992a e 1994)... 1995c e 1995a). Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. escoparona. ruvosídeo e neriifolina. As sementes de Thevetia peruviana.-hidroximedioresinol. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero.-hidroxipinoresinol e 9. flavonóides.. acetato de lupeol. 1985). 1988). 2002). 1988). neriifolia os compostos 9. são ricas em um glicosídeo a tevetina. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. Corrêa. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. 1993).. foram isolados do caule isoplumericina. -sitosterol. Tewtrakul et al. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. alamandina. 1962. também chamado tevetina A. 1992b. thevetioides (Perez-Amador et al. 1996. perivosídeo. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. Kupchan et al. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. plumericina. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina.

o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. esteárico e palmítico. 1991). ácido metilperlatólico (Endo et al. neriifolia (Dinda&Saha.. taninos e saponinas. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. cáprico. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. linoléico. 1998). Iridóides também foram isolados de H. 1992) e em T.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. behênico e erúcico. esteárico. 1978). cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . taninos. Da espécie H.. 1993). follax (Abdel-Kader et al.. taninos e saponinas (Gupta. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al.. alcalóides. 1992) e H. 2000). triterpenos e saponinas. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. e as raízes. flavonóides. Ali et al. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. glicosídeos cardiotônicos. Triterpenos como ácido olianólico. 1990). (1986). Da mesma forma. De acordo com Obasi et al. (1990) e Beauregard Cruz et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina.. enquanto as cascas possuem alcalóides.. Guerrero. esperolactonas. obovatus (Vilegas et al. 1995. linolênico. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. 1996). ursólico. oléico. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al.. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A.. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. linoléico. triterpenóides (Wood et al. Das folhas de T.. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. 1982). Foram descritos os ácidos mirístico.. 1994..

. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.. antimicrobiana (Neto et al. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. 1981). atóxica e cicatrizante (Villegas et al. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1933). componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 2002). Peruvosídeo e neriifolina. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. 1990.. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. 1994). 1935). 1945 e 1947). indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al... isolada dessa espécie. produziu atividades espasmogênica.. Moraes et al. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 1982a e 1982b... 1997). cathartica e A. Obasi & Igboechi.. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 1984. conhecida popularmente como orélia. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1962). mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 2002) e antiofídico (Otero et al. 1990). bexiga. blanchetii (Melo et al. violacea (Lima & Caldas. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster.camundongos. Moreira et al. 1992).. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. 1994) antifúngico (Tiwari et al. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. A neriifolina.. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 1989). 2000). .. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1991).. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk.

além de congestão da mucosa da área digestiva restante. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos.. 2000).. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. 1933. 2002. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. 1999.. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. e estudos recen- ... efeitos tóxicos também são similares. Nerium oleander. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração.. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. respectivamente. Oji et al. cobaias. Singh & Singh. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. 1996). 0. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 1993). 2000.. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente.4g/kg. No entanto. Frerejacque. Maringhini et al. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. 1996).Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. Eddleston et al. Saraswat et al. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. 1992).700 mg/kg é dose letal.. para bovinos (Tokarnia et al. gatos. peixes e outros animais (Chopra et al. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 1996. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. e Thevetia peruviana e T. 1933). Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). 1958. 1996)..5 g/ kg e 14.

uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. . A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese.K+-ATPase. Deve-se salientar. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. Observações Várias espécies dessa família. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. 1996). A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. dada a riqueza química da família. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. ou seja. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. incluindo o homem. inibição da Na+. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. 1991). Dessa forma. De todo modo. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. os quais ainda não foram estudados.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. no entanto. Da mesma forma.

esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Espécies medicinais Fischeria cf. e algumas de grande valor medicinal. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. mariana. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. trepadeiras. Fischeria. especialmente por seus efeitos tóxicos.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. 1986). todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Inclui lianas. . Sacamonoideae e Asclepiadoideae.Asclepias. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. subclasse Asteriddae. sobretudo para animais. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. mariana Dcne. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Oxypetalum. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. com aproximadamente 2. Oxypetalum e Calostigma. 1997). descrita a seguir. No Brasil. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. Tylophora e Calotropis. tais como Asclepias curassavica. e inclui 315 gêneros.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. herbáceas e raramente arbustos e árvores.

com ramos pubescentes. opostas. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. com testa verrucosa (Figura 24. membranosas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. von Fischer. com pecíolos pubescentes.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. hermafroditas e de simetria radial. especialmente a febre. sementes comosas.. nos quais se distribuem 1. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. corola gamopétala. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. androceu modificado. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. inclui aproximadamente 78 gêneros. flores pentâmeras. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. fruto unilocular. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. de onde saem as folhas simples. diclamídeas. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados.2). com lacínios conspicuamente crispados. foi realizado experimento de toxicidade. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr.225 espécies cos- . formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). E. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1979). L.

Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil.mopolitas. na região amazônica. mas também inúmeras espécies tropicais. amenorréia e como vermífugo. Dejanira. especialmente do gênero Dejanira. com caule ereto de muitos ramos. 1978). Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. . Dados botânicos É uma planta anual. 1997). Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. desordens estomacais. de Carne-seca. 1998). subtropicais e de clima temperado. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. dispostas em espigas simples terminais. Puruvá e Cutúbea. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. fruto capsular. Nomes populares A espécie é chamada. também sésseis. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. amplexicaules e grandes. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. sendo várias delas medicinais. F. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. flores brancas grandes e muito vistosas. folhas opostas e sésseis. reunidas em verticilos. Voyria. a decocção das raízes é usada contra febre. Lisianthus e Coutoubea. e outras são usadas como ornamentais.

ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. e Strychnos. onde é cultivado como ornamental. . fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. polipnéia. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. incluindo tanto árvores como arbustos. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. diminuição da atividade do rúmen.. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). estudos de toxicidade. Mas a C. e morte. destacamos apenas os principais: Spigelia. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. um dos encontrados no Brasil. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. taquicardia. 1997). 1979). lianas e ervas (Mabberley. tônico. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. 1984). dentre eles. Porém. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. da famosa Strychnos nux vomica. quando ingerida dentro de 24 horas. hipotermia. febrífugo. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. diminuição da atividade motora e dores abdominais.

O nome do gênero designava. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. fruto do tipo baga globosa. porém de S. Nomes populares Na Mata Atlântica. nós na forma de uma cruz. a planta é narcótica e venenosa. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. glabras. nux-vomica (Shoba & Thomas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a maioria na Amazônia (Barrozo. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. antigamente.. 2002). . No levantamento realizado. Noz-vômica e Quina-de-cipó. folhas opostas e ovais. Segundo Corrêa (1984). flores amarelas em grande abundância. também constatado para a espécie S. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. coriáceas e trinervadas. em seus cipós. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. 2001). as plantas com propriedades narcóticas. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. que se refere à presença de mais de 190 espécies. A planta recebe esse nome por possuir. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. 1978).

. S. 1996). 1996). . S.. 1995). Das raízes de S. mellodora (Brandt et al. 2000.. S. 1996).. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. 2000 e 2001. 2001). 1999).. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - )... Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. 2000). usambarensis (Frederich et al.1 . 1998) e S.. panganesis (Nuzillard et al. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.Allamanda cathartica.A S. Rafatro et al... 2001). Quetin-Lecrerq et al. myrtoides (Martin et al. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. guianesis (Penelle et al.. FIGURA 24.

2 . laniflora Dcne. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .Fischeria cf.FIGURA 24.

600 espécies. C. algumas vezes parasitas. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Gonzalez L. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Di Stasi F. Seito C. Convolvulaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. N. A. G. incluindo plantas herbáceas. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. lianas. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. ervas. Solanaceae. arbus- .25 Solanales medicinais L.

Possuem inúmeras variedades. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Nomes populares A espécie é chamada. gengivite e dores de dente. ainda que raramente.tos e raramente árvores (Mabberley. em gargarejos. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Na região da Mata Atlântica. com folhas alternas. 1997). raízes tuberosas. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. cordiformes. como Batata-da-terra. de Batata-doce. suculentas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. . geralmente lobadas. Ipomoea batatas. internamente. flores brancas. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. pecioladas. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. que são cultivadas com fins comerciais. rosas ou arroxeadas. A planta também é conhecida. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. aqui também descrita como medicinal. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. a espécie é cultivada e consumida como alimento. para infecções da boca. axilares e fruto capsular.

Alba. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. sinensis. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. I.. 1986). comparando-se as plantas deste gênero. 1995). enquanto as folhas são detergentes. Goda et al. e de homoios = "semelhante". acetil-b-amirina. I. 1996. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. b-sitosterol. I. anti-reumáticas e laxativas. 2000. flavonóides (Zhou. 1996). Delgado et al. fruto capsular ovóide. hederifolia.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). oblongata. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes.. De . com caules bastante entrelaçados. batatas Lam. glabra. purpurea e I. cairica. I. de cor vermelhoviva ou rosa. folhas alternas. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. muitas delas amplamente cultivadas.. coptica. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. Dados químicos do gênero Da espécie I. cairica. tubérculos ou arbustos. como é o caso de /. friedelina. purpurea e /. I. Muitas espécies são medicinais. É também chamada de Boa-tarde e Primavera.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al.. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. pinatipartidas e pecioladas. de 5 a 18 cm de comprimento. 1. com cinco lobos arredondados. como é o caso de I. ácido caféico e quercetina (Tan et al. 1996). carnea. sendo várias ervas. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói".

A contração do trato gastrintestinal pela administração de I.. 1987). 1987). as lignanas arctigenina. 1997). Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. Das sementes de I. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas... reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. 1997). arctiina e matairesinosídeo. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al.. carnea Jacq.. 1999a. também encontrados em I. quando administradas a cabras. De I. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. regnellii e I. reticulata (Mann et al. operculinas I-VIII ácido operculínico A. 1996 e 1997). operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1990). (Sharma & Shukla. 1986). e também dibenzil-g-butirolactona. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. Das raízes de I. alta concentração de cálcio e potássio. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. é medido por mecanismos colinérgicos.. As folhas de I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. adrenérgicos e . 1988). 1997). 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa.. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. De Lima & Braz-Filho. 1997). cornea. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. 1996). Das partes aéreas de I. e das flores de I.. hardwickii (Liu et al. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al.I. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. 1999). 1996).. 1996). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. os flavonóides 4'. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. carnea. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina.. matairesinol e trachelogenina. Diversos flavonóides foram isolados de I. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. Das sementes de I. 1989).

depressão. arbustos. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. espasmolítica (Medeiros et al.950 espécies subcosmopolitas.. 1998a e 1998b).. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .. com 2. pescapae (Madeira et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. Os extratos aquosos. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta.. 1997). no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. O efeito tóxico foi observado no cérebro. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. 1990). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 2000). Foram observadas também anorexia.. 1997). apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. dos quais 25 são endêmicos. 1991).. Foram isolados de I. 1995). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. 1996).. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al.. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. A I. lianas e ervas (Mabberley. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. Entre estes. 1996). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas.. 1994). O extrato diclorometano de I. encontram-se árvores.. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. stans três tetrassacarídeos.não-colinérgicos (Hore et al. As sementes de Ipomoea ssp. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. 1996). Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. conhecida popularmente como salsa-da-praia. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 1998). 1992).. 1998).

que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. de onde se isolou. Brunsfelsia. como Juá-bravo. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. a capsaicina. da famosa Datura stramonium. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. dessa subfamília. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Manacá-açu e Jeratacaca. Gambá. especialmente na espécie Hyosciamus niger. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Em outras regiões. da famosa espécie Nicotiana tabacum. entre outros inúmeros compostos. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Don. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. Managá-caa. fonte de nicotina. Datura. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. e Solanum. pelos nomes de Manacá-da-serra. Physalis. tanto do ponto de vista farmacológico. descrito posteriormente. Cuvitinga e outras espécies. importante ferramenta farmacológica e. Fumobravo. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. • Cestroideae. na qual se encontram os gêneros Capsicum. do famoso Tomate. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. ainda do ponto de vista comercial e social.• Solanoideae. Nomes populares Na região amazônica. . Lycopersicum. com inúmeros representantes no Brasil. Nos estudos realizados.

de Camapu. Dados botânicos Erva com muitos ramos. ereto e crasso. especialmente na Amazônia. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. flores dispostas em cimeiras. Bolsa mulaca. bilocular. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. hermafroditas.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares A espécie é chamada. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. O chá preparado com raiz de . O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. Physalis angulata L. na região amazônica. longo-pecioladas. sem estipulas. flores amarelas.1). pentâmeras. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. caule verde. Mata-fome. súpero. agudas. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. Joá-de-capote. possui. com anteras azuladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Mulaca. referindo-se à forma do fruto. fruto esverdeado do tipo baga. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. folhas elípticas e acuminadas. glabra. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. pequenas. androceu com cinco estames. diclamídeas. ovário bicarpelar. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. Juá-de-capote. Joá. semente rufescente (Figura 25. folhas inteiras. muito ramificado. bolha".

camapu misturada com raiz de açaí. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. diuréticos e resolutivos (Corrêa. No Brasil. contra inflamações. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. a infusão da sua raiz. 1994). útil contra reumatismo. hepatite e reumatismo (Forero. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. malária. contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1990). Rutter. bem como no combate a febre. vômito. 1980. 1984). 1984) e a raiz. contra vermes. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. 1993). dermatites e doenças de pele. na Paraíba. no Pará. 1980). renais e de vesícula biliar (De Almeida. No Peru. Juuna e Juvena. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero.. Jubeba. problemas hepáticos. problemas hepáticos. Solanum paniculatum L. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. . As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1990). Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. e suas folhas têm uso diurético. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. interna e externamente. Juripeba. da Amazônia brasileira. em Minas Gerais. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. 1982). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes.. 1998). 1974-1975). Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. 1995). outros. 1980). os frutos são desobstruentes. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. para tratar hepatite. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas.

Solanum tuberosum L. muitas delas de grande valor econômico. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). dispostas em racemos. além de ser indicada contra problemas do estômago. brancos ou amarelados. flores brancas. todas cultivadas. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. alívio". especialmente contra lombrigas. muito parecidas com as da Batata-inglesa. folhas alternas. Inclui inúmeras variedades. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. carnosos. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. de onde é obtida pelos habitantes locais. flores em umbela. hepatite e febres intermitentes. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. sendo úteis contra icterícia. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. lilás ou roxas. fruto do tipo baga globosa. sinuosas e acuminadas. es- . ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. ereta. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. de caule alado.700 espécies subcosmopolitas. fruto do tipo baga redonda. desiguais.

. 1987). 1986).. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. Glotter et al.. aldeídos... Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. nitida. 1986). hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30.. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. 1981).52%) (Maestri & Guzman. Alcalóides foram isolados de P. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico.5%). o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. 1987. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. grandiflora. Vasina et al. Oshima . 1988. No óleo das sementes de B. 1996).. Já da casca da raiz de B. P. P. Sinha et al. 1995). a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). 1985. Gottlieb et al. 1980. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer.8%). P viscosa (Maslennikova et al. minima (Mulchandani et al.. 1980) e P. 1980. obtido de suas partes aéreas. 1977 e 1978). ixocarpa (Abdullaev et al. angulata (Row et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis.. 1977). identificou a presença de 122 compostos. alcoóis e ésteres. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al..pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. 1986. 1985).. alkekengi (Kawai et al. peruviana (Sahai & Ray. dos quais foram caracterizados. 1987. cetonas. 1977a). 1986).. ácido palmítico (7. De B. Itoh et al.. As sementes de B. principalmente.. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. Do gênero Physalis. hidrocarbonetos.25%) e ácido ricinoléico (0. P pubescens (Reddy et al. ácido oléico (11. Eguchi et al...5%). 1994). espécie de origem cubana. Frolow et al. P peruviana (Gottlieb et al. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al.. com ciclopropenóides. Na região. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. 1979a. 1991).

B.. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al..... flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. Chen et al. 1988 e 1989). Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B... pauciflora e B. ácido clorogênico. enquanto das folhas de P. 1990). 1986. 1988). 1977). 1975. Ripperger et al. angulata foram isolados ainda vitasteróides.. revelou atividade depressora do SNC.. febre e picadas de cobra. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. De P. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 1997). De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. utilizada para picadas de cobra.. minima var. vitangulatina A. Spainhour et al. O extrato aquoso de B. fisagulina A e K.. 1987 e 1990. 1990). fisalina B e quercetina (Gupta et al. B. hopeana. 2001). além de vitaminimina (Gottlieb et al.. 1988).et al. Oliveira et al. Neilson & Burren. indica foram isolados vitasteróides. flavonóides (Ser.. 1992). 1983. 1986). 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. 1968. calcyina var. figrina. australis (McBarron & de Sarem. Já da raiz de B. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. De P. acetil colina. aianinas. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. com extratos da raiz de B. vitaminimina. 1991). 1992a. vitagulatina A. 1987. .... 1990. 1992b e 1992c). Chen et al. Vasina et al. bronquites. 1993. 1967a e 1967b). Banton et al. 1990. glicosídeos. artrites. 1987). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. Uma triagem hipocrática em ratos. bonodora. Shingu et al. A administração oral de B. beta-sitosterol.. 1987b. uniflora. 1989.. flavonóides (Ismail & Alan. neoclorogenina. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. 1990).. floribunda. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina.. 1989. fisangulídeo. Moiseeva et al. 1997. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. vamonolídeo. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. Dinan et al.. além de alcalóides. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo.

2002. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. Silva. 1989). imunoestimulante (Carvalho. aos esteóides. etanólicos e esteroidal mostraram. V. I. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. Pietro et al. aqui descrita. anticolinérgica (Fonteles et al. embora outros sinais também tenham sido verificados. como movimento . alcoólicos. T. 1998).. V.. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro.. G. Soares et al. Das folhas de P. M.. entre outras. e a atividade imunoestimulante. M. antimutagênica. Os extratos aquosos. et al. entre outras (Lin et al. 1998) e antineoplásica (Carvalho. 1992a e 1992b).. et al. et al. Kurokawa et al. M. melanomas. Kusumoto et al. Haussmann et al. antibacteriana (Hussain et al. et al. 1995... 1991. Nos frutos de P. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. moluscicida (Almeida & Fonteles. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. 1998b). 1992a e 1992b). do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. quando ingeridas em dose única ou repetida. antiviral (Otake et al. 1990).. imunomoduladora (Rosas et al. M.. constataram-se atividades hipotensora. Ribeiro et al. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. 1993.. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. 1997. antigonorréica. 1988). Chiang et al. 1992. anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1998. 2000).. 1998). 1998).. V. O estudo dos vitanolídeos de P. Carvalho. M.Para a Physalis angulata. 1998).. antiespasmódica. citotóxica.. et al. P. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 1998)... et al... tripanossomicida (Barbi et al. diurética. 1990). 1998. M. 1987).. V. 1998. anti-séptica. 1997. et al. niruri e P. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. M. Barbi et al. M.. V. antileucêmica. 1987).. in vitro e in vivo.. incluindo leucemias.. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. antiasmática. et al.. V.. 1998).

Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .1 . irritabilidade. falta de apetite.Physalis angulata. salivação. perda de peso. às vezes levando-o ao chão. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.de mastigação. Além disso. estiramento e contração das patas traseiras. 1991). quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. FIGURA 25.Banco de imagens - .

Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). as quais serão discutidas a seguir. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. com aproximadamente 2. 1997). A família inclui árvores.300 espécies (Mabberley. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. das quais se destacam as Boraginaceae. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. apesar de incluir apenas oito famílias. espalhadas por todo o planeta. Nas regiões de estudo.26 Lamiales medicinais L. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). Di Stasi E. arbustos. Santos C. freqüentemente . M. M. Guimarães C. Amazônia e Mata Atlântica. A. inclui 130 gêneros distintos. C.

denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. muito ramificado. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. um dos gêneros mais comuns no Brasil. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. sendo raramente encontrada no interior de matas. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. • Cynoglossum. Borago e Symphytum (Boraginoideae). no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. • Heliotropium (Heliotropioideae). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pubescentes na face inferior. inflorescência espigosa. formando grandes populações em áreas litorâneas. densa. 1998).herbáceas e raramente lianas. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. agudas.1). sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. de Ervabaleeira. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. lanceoladas. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. com até 12 cm de comprimento. de onde saem folhas sésseis. É uma planta heliófita e higrófita. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. .

Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. tubulosas.Heliotropium indicum L. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. incluindo úlceras. fruto formado como uma mitra. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. Crista-de-galo. ovadas ou cordiformes e acuminadas. moléstias cutâneas e feridas. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. glabro ou pubescente. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. e as espécies H. e trepein = "mudar". com dispersão regiões tropicais e temperadas. Jamacanga e Jacuacanga. faringites. com ramos lisos e glabros.5 a 1 m de altura. anginas. abcessos. É uma planta anual. Segundo Corrêa (1984). 1994). dispostas em espigas solitárias. amplexicaule e H. de flores brancas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. furúnculos e também contra queimaduras. folhas pecioladas. inflorescência curvada. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. estomatites. alternas. Na medicina tradicional salvadorenha. europaeum são reconhecidamente medicinais. . Aguaraquiunha. com flores brancas ou azuis. e seu suco é de alto valor contra aftas. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu.

com folhas ovadas ou oblongas. caule curto e ramoso. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. além de alcalóides e taninos. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. De H. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. lupeol. lasiocarpina. europina. taninos e triterpenos. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. Outros nomes são Consolda. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. dispostas radialmente. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. enquanto as raízes. fruto com quatro aquênios lisos. distúrbios estomacais. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. Erva-do-cardeal. ásperas e onduladas. Língua-de-vaca.Symphytum officinale L. . vistosas. amarelas ou rosas. inflamação e dores de barriga. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Das partes aéreas de H. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. Nomes populares A espécie é chamada. 1996). Consolda maior. 1994). Orelha-de-vaca etc. flores grandes. acuminadas no ápice. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. como beta-sitosterol. na Mata Atlântica e em todo o Brasil.. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. 1986). Sonsólida. de Confrei. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. tubulosas.

licopsamina amabilina. 1988). heliotrina. heliotrina. curassavina. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov.a heliospatina e o heliospatulina . H. Farrag et al. em menor quantidade. destacando-se compostos fenólicos em H. heleurina... intermedina e retronecina) por Ravi et al. 1990). curassavicum var.. argentinum e var. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. em que se . 1991). keralense (isolicopsamina. heliotrina e lasiocarpina e. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. H. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. europina. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. H. rotundifolium (europina. heleurina. coromandalina. arborescens (Bourauel et al. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. coromandalinina. 1995b). bovei. 1988... 1995b. 1986).. em H. bursiferum (Marquina et al. esfandiarii (Yassa et al. 1995) e H. supinina e europina (Rizk et al. lasiocarpum (Akramov. 1988). curassavinina.. H. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al.De H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1994). Das partes aéreas de H. spathulatum (Roeder et al. H. hirsutissimum (Guner et al. stenophyllum. subulatum (Malik & Rahman.. 1988).. (1989). europina e supinina em H.. 1988). heliovicina. 1995). 1987).de H. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . 1988). Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. curassavicum (Davicino et al. H. 1989). 1996). H.. 1996). heliotrina e lasiocarpina de H. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. heliotrina e lasiocarpina (Guner. (1990). echinatina. Reina et al. e heliotropina de H.

A H. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. 2001). Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. pinocembrina. Do exsudato resinoso de H. pinocembrina.. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes.. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. hesperetina.. 1991 e 1988. 1996). Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. 1998).. As propriedades antifúngicos. stenophyllum (Villarroel & Urzua. 2001).descreveram os constituintes galangina. Al Awadi et al. 2000a) e C. 2000b). De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. C. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al.. ovalifolium (Guntern et al. myxa.. 7.. pinobanksina-3-acetato. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. 1990). derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. dentre outras espécies (Ficarra et al. Os flavonóides ayanina.. verbenacea. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. 1989) e esteróis e quinonas em H.. bacciferum (Miralles et al. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. 7-O-metileriodictiol.3'-dimetileriodictiol. curassavica (Ioset et al. 1990)... bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. tais como ácido rosmarínico. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. Os constituintes fenólicos denominados galangina. C. 1994 e 1996). 2001). De H. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . filifolium também foram isolados. C... 2002). 3-0-metilgalangina. 2001) e de C. 1996). enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 1990). sakuranetina foram isolados da resina de H. Sertie et al. do exsudato. 1995. pinocembrina... A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. chenopodiaceum. 1996). solicifolia (Hayashi et al. 1987). alliodora (Ioset et al. linnaei (Ioset et al. De H. filifolium (Urzua et al.

. Portanto. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. 1992). ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. Singh et al. Jain et al. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. Eroksuz et al. 1994. 2002. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. assim como todo o gênero Heliotropium. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Das partes aéreas de H. bursiferum (Marouina et al. 1995). Dados toxicológicos A espécie. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. 1997). 1989). Alcalóides isolados de H. 1987.. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.. também denominada Labiatae. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . 1987).. é potencialmente tóxica. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. infusão ou chás por via oral. ellipticum e H.. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. 2001a e 2001b). europaeum e H.700 espécies. nos quais se distribuem 6. subtilis como o extrato bruto de H. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H.paz de inibir efetivamente o B. porcos e aves (Gaul et al. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. 2001).. De H. argentinum apresentam genotoxicidade.

Satureja. Ajugoideae: Ajuga. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Trata-se de uma importante família. Pogostemonoideae: Pogostemon. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. com cálice tubuloso. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Rosmarinus. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. Malva. flores dispostas em capítulos pedunculados. ex Benth. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. . Ocimum. corola com tubo infundibuliforme. Salvia. especialmente americanas. com haste suculenta. Origanum. Melissa. rígidas. pubescentes. 1997).(Mabberley. alimentos. Lavandula. do ponto de vista medicinal. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Thymus. Salva. crenadas. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. pois são usadas como condimentos. obovais. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Nepetoideae: Hyssopus. Hyptis e Plectranthus. Teucrioideae: Teucrium. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Lamioideae: Leonotis. folhas pecioladas. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado".2). Mentha. bilabiado. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Leucas e Sideritis. oposto-decussadas. Scutellarioideae: Scutellaria. Salva-do-campo.

icterícia. Na Mata Atlântica. para regular a menstruação. e inclui apenas quinze espécies tropicais. um pouco lenhosa. flores dispostas em racemos densos e verticelados. diarréia. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. com caule quadrangular aveludado e pubescente.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. anti-reumático e contra cólicas menstruais. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior.3). Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. e a infusão da planta toda. Nomes populares A espécie é chamada. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. . Leonotis nepetaefolia Hort. recebe o mesmo nome. cólicas menstruais e problemas digestivos. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. mas não foi completamente identificada. 1982). antigripal. a decocção das folhas é usada contra malária. ovadas e subcordiformes na base. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". de Rubim. na região amazônica e em quase todo o Brasil. folhas opostas. sudoríficos. de até 2 m de altura. flores pediceladas com quatro estames. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos Erva anual. de constipações e artrites (Van den Berg. emenagogos. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções.

de caule ereto. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. Leucas martinicensis R. desiguais entre si. como cicatrizante. sendo ainda indicada contra úlceras. a infusão das folhas é usada. hipotensão. reumatismo. especialmente de barriga e. no Ceará (Matos et al. na Mata Atlântica. Na região do Vale do Ribeira. no Mato Grosso. cálice bilabiado. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. como abortivo e antitérmico (Simões et al. distúrbios do estômago. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. com cinco segmentos acuminados. brancas. em Minas Gerais (Verardo. pubescentes nas duas faces e membranosas. útil contra úlceras. folhas pecioladas. nas inflamações broncopulmonares. durante dois dias. Grandi & Siqueira. A planta é também considerada antiespasmódica. a planta florida é usada na fraqueza geral. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. duas vezes ao dia. facilitando a expectoração.. febrífuga e diurética. 1980). contra gripes. ramoso e pubescente.. 1986). dores gerais. uma xícara por dia. 1982). 1982). no Rio Grande do Sul. internamente. como Cordão-de-frade. Br. flores sésseis. corola bilabiada. Dados botânicos Planta anual. 1984). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. 1982. antiasmática. externamente. ramos quadrangulares. herbáceo. raramente arredondadas. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. ovadas ou oblongolanceoladas. pilosos e sulcados. o chá de toda a planta. antireumática. é utilizado como anti-reumático. com lábio superior 1-2 .Dados da medicina tradicional Na região amazônica. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa.

Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. viridis e M. Hortelã-das-cozinhas.4). fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. externamente. na Mata Atlântica. na forma de gargarejo. zigomorfas.lobado e o inferior 1-3 lobado. antiespasmódico e contra nevralgias. piperita é um híbrido de M. formando espigas no ápice dos ramos. hermafroditas. corola gamopétala. A planta também é utilizada como tônico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e seu cozimento é indicado como antireumático. . flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. numerosas. topicamente. é usado sobre gargantas inflamadas. pentâmeras. bilabiada. com raiz fibrosa e caule ereto. nome recebido em todo o Brasil.5). filha de Cocylus. aquatica. fruto do tipo aquênio (Figura 26. flores violáceas. Dados botânicos A espécie M. o macerado das folhas em água. decussadas. ramos eretos e opostos. dela. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. folhas opostas. contra dores musculares e reumatismo. difere da M. contra tumores. referindo-se à cor das flores. O nome do gênero Leucas. apenas de Hortelã. de porte herbáceo. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. diclamídeas. curto-pecioladas. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. ramoso. um pouco pubescentes. Na região do Vale do Ribeira. 1984). viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. agudas. pouco aveludada. Menta e Hortelã-verdadeira. descrito por Robert Brown. serrilhadas. planas. significa "branco". ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago.

garganta e dentes (Simões et al. dor de barriga. no Rio Grande do Sul. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. A M. Mentha viridis L. eólicas uterinas. 1991). de estômago. três vezes ao dia. antiespasmódicas. Hortelã-graúda. . anti-reumático e contra insônia. musculares. estomáquicas. Hortelã-comum. dores de cabeça. vômitos. 1980). sendo indicada contra flatulências. carminativas. 1982) e como anti-séptico. tremores. 1986). a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. 1986). digestivas. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. timpanite. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. diarréia. na região amazônica. problemas cutâneos. de Hortelã-verde. catarros de mucosas. em Brasília.. 1984). estimulante do fluxo biliar. Hortelã-pequena. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. Hortelã-da-preta. Nomes populares A espécie é chamada. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. estimulantes. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. a infusão das folhas.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Contudo. é indicada contra dores de estômago em crianças. calmante. Na região da Mata Atlântica. cólicas abdominais e tétano. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. em 1990. bronquite e tosses. dismenorréias e verminoses.

. glabras. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. seu decocto é considerado útil contra tosse. ramos eretos. bastante pilosa e com aroma forte. cólicas. Na região do Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. especialmente lombriga. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. inflorescência do tipo espiga. serrilhadas. pecioladas. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. além de ser considerada útil contra febres. dores de barriga e pedras nos rins. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. ovadolanceoladas. flores rosas ou violeta-claras. opostas. Mentha pulegium L. em verticilos aproximados. ascendentes. cilíndrica e frouxa. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. ovais ou oblongas. denticuladas. folhas subsésseis. corola e cálice campanulado (Figura 26. gripes. Também é conhecida como Poejo-das-hortas.6). caule ereto. com folhas pequenas. ameba e giárdia. garganta e estômago.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. dores de estômago e "quebranto". a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. bronquites. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. bronquite e gripe. tétano. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. assim como em todo o Brasil. tosses.

diarréias e disenterias. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. especialmente de ocorrência na África. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. glabras. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. entre outros. flores brancas ou rosas. pequenas e finas. descrito por Carl Linnaeus. ovadas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. com até 50 cm de altura ou maior. Alfavacona. Alfavaca-cheirosa. de Alfava. assim como em todo o Brasil. Em outras regiões. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. Alfavaca-de-cheiro. Alfavaca-do-campo. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.Ocimum basilicum L. diurética e útil contra resfriados. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. com ramos tetrágonos e pubescentes. de caule ramoso. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Alfavaquinha. estimulante. de onde partem folhas opostas. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. Ocimum. dentadas. estomáquica. O nome do gênero. diaforética. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. peitoral. Em outras regiões. . referindo-se à planta toda. significa "perfumada". O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Ocimum canum Sims.

pubescentes. As folhas cruas também são empregadas como condimento. verdes e finas. a espécie é chamada de Alfavaca. A planta toda é bastante aromática. carminativa. tosses. raramente. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. glabros e eretos. pubescentes. diaforética. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. além de excelente na cura da coqueluche. béquica. enquanto a infusão das partes aéreas. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. dispostas em racemos paniculados. dores de cabeça e bronquites. A decocção das raízes . Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. flores roxas ou. é usada contra febres. fruto do tipo capsulas. de onde partem folhas ovais. serradas. além de diurética. dispnéia e reumatismo. de ramos quadrangulares. contendo folhas pecioladas. tosses e desordens uterinas e renais. flores vermelhas. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. verticiladas e dispostas em racemos.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. rins e uretra. ovadolanceoladas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. amarelo-esverdeadas. glabras. denteadas.

como Manjericão. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. Alfavaca-do-campo. membranosas. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. Alfavacão. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça.7). pequenas. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça.é usada contra diarréias. Ocimum micranthum Willd. ovaladas. núculas negras e lisas (Figura 26. gripe e catarro no peito. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. agudas. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. dores de cabeça e como sedativo para crianças. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. gineceu com ovário ovóide. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. problemas nervosos. inflorescência racemosa. androceu com estames inclusos. congestão nasal e dor de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. . As folhas são ainda muito usadas como condimento. margem irregular. distúrbios do estômago. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. carminativa. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. sudorífica. folhas pecioladas. glomerulada. dores de cabeça e febres. diurética e útil contra tosses. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. e na Mata Atlântica.

a infusão das folhas é usada contra infecções. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. de onde partem folhas ovais. pilosa. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. 1980). 1988). formando uma espiga terminal. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. as folhas são consideradas úteis contra gripes. 1984). dores de cabeça e tosse. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). vilosas. com ramos ascendentes. tosses e bronquites.Na região da Mata Atlântica. de base arredondada e margem denteada. flores em glomérulos. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Origanum vulgare L. no Mato Grosso (Van den Berg. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. . Patchuli ou Patchouli. Pogostemon patchouly Pellet. dispostas em panículas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. no Pará (Amorozo & Gély. com até 50 cm de altura. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. além de a espécie ser utilizada também como condimento.

O óleo essencial das partes aéreas de H. cruzadas. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. dos quais 32 foram identificados. 1991). Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. corola com quatro lobos.. 1988. Das folhas de H. descrito por Desf.8-cineol. bilocular. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al..Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. hermafroditas. (1982). significa "estames barbados". predominantemente de sesquitepenos. Uma outra análise do óleo essencial de H.. 2001 e 2002). A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. suaveolens por Misra et al. sendo mais comuns o beta-cariofileno. 1990). fruto seco (Figura 26. terpinen-4-ol. 1990). porém. androceu com estames excertos. como beta- . alfa-bergamoteno. O nome do gênero Pogostemon. sedativo e hipotensor. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. com espigas compostas. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. Azevedo et al. Triterpenóides foram isolados de H. flores diclamídeas. 1.. bicarpelar. flores em glomérulos.8). suaveolens apresentou altas concentrações de 1. com dois óvulos em cada lóculo.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). ovário supero. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. Existem. pentâmeras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. suaveolens possui setenta componentes. três formando um lábio aberto.

spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al.. 1989). uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. Das folhas de H. salzmanii foram isolados diterpenos... 1988).7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. quercetina. Das raízes de L. campesterol. 1990). sendo p-cimeno. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al.. Em H. e de L. Metil betulinato. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. 1988). nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. beta-cariofileno. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. (1980). ácido n-octacosanóico. e de H. De H. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1988). 1996). lignanas e flavononas (Messana et al. 1991). De H.6... Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al.elemeno. 1990). beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. 1987). (1978) e Blounietal. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. albida foram isoladas triterpenolactonas. Porém. 1987a). 1990) e de H. gama-terpineno. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett.. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. Das partes aéreas de H. uma outra análise do óleo de H. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. 1988).. timol. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. 4. ácido oleanólico acetato. mutabilis foram isolados triterpenos. ácido ursólico.. 1990b). . umbrosa. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1990).

7. brassicasterol.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al.80%).8-cineol (6.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. colesterol. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. N. 1990) e um composto fenólico (Misra. serina. prolina. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. Da espécie L. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. 1988). das partes aéreas de L.64%). piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. Das partes aéreas de L. mentofurano (19. Das raízes de L. glicina. 1996). 1987).. Vaverkova et al. Com isso. 1996). 1986 e 1987). 1987). O óleo essencial de três variedades de M. 1995). neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. 1986). piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. De L. officinalis. lanata foram isolados os aminoácidos histidina.07%) e mentano (11. A M. et al. 1987). lisina. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . treonina. 1987. tirosina. metil acetato (16. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29.3'.84%). 5-hidroxi-6. Mentha A composição do óleo essencial de M...10%) e 1.. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. fenilalanina. sendo os principais terpenos mentol. triptofano e metionina (Dinda et al. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. hidroxiprolina. 1979).. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al..80%).. piperita var. mentona (24. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. mentocubanona. T. mentona.. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. ácido aspártico.20%). alanina. ácido glutâmico. flavonas himenoxina.

Mg. 1987). . Nas folhas de M.e sesquiterpenóides. Ca. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. vitaminas C e D2. catalase. Zi e Cu. caféico e clorogênico. Foram ainda isolados mono.8-cineol. 1986). Em Mentha viridis var.8. resinas. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al.7. b-cariofileno. luteolina e 5. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.. como alfa-pineno. cadideno. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. nicotinamida. K. 1990) e flavonóides glicorilados. De M. 1992). betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. reduzindo significativamente a concentração de mentol. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. betasitosterina. glicídios. ácidos p-cumárico. fitosterol.6. limoneno.3'. 1.. peroxidases. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. 1988). fenílico.. Fe. 1989). Mg.

1988.8-cineol. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. 1996). 1996a). estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1989). Ocimum Do óleo essencial de O. Lawrence.. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. Khanna et al. Das sementes de O. linalol.. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng.Patel et al. hidrocarbonetos como p-cimeno. O óleo essencial de O. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. 1990). Borges et al. Sharma et al. Sakurai et al. . o eugenol é o constituinte majoritário.. 1986. 1987. Das folhas da O. t-bergamoteno. Nas folhas. eugenol (Ekundayo et al.. 1986. b-cariofileno. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. 1996). basilicum (Brophy & Jogia. cis-ocimeno. Na China. cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. 1981). cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1988). 1986. Takahashi et al.. De O. Phan et al. Kartnig & Simon.. flores e caule de O. 1990).. gratissimum é composto de gamaterpineno.. eugenol... os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. beta-cariofileno. O óleo essencial de O. 1981. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. canum foram isolados diversos componentes. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. 1997)... canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. 1987)..cariofileno. 1986. já citados. eugenol. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. Do óleo essencial das folhas. 1.. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. 1986. sendo eugenol.. micranthum foram isolados vinte compostos. 1983). De O. 1989). 1996 e 1997a). Porém. 1987. Em Cuba.. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.. as folhas e flores de O.8-cineol.. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. sendo 1. 1987). 1990). Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.

8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. kaempferol. ácidos orgânicos. A casca do caule de O. Thoppil. 1987). eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. 1990. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. láurico. Murugesan & Damodaran. esculetina. No Paquistão. quercetin-3-O-diglucosídeo. 1996). 1989). 1996).. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. Ekundayo et al. 1995). 1984). sendo Metil chavicol.. além de ácido p-cumárico. 1988). na Turquia. esculina (Skaltsa & Philianos. 1987). ácido caféico. 1989). rutina. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. basilicum apresenta 44 compostos. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. 1.. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1986. 1987.8cineol. terpenos. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. linolênico e araquídico (Malik et al. sabineno e eugenol (Retamar et al.. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. linoléico. kaempferol-3-O-rutinosídeo. rubrum foram isolados borneol. 1994). fenóis. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. basilicum foram isolados quercetina. alcoóis. Das folhas de O.. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. De O. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. já comentados (Modawi et al... eriodictiol. A espécie O. oléico. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. triacontanol ferulato. cetonas. nesse caso. b-sitosterol. 1989). 1990). 1995). No Marrocos foram isolados 28 constituintes. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. 1. 1985. sanctum possui estigmasterol. 1... Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. basilicum da Austrália (Lachowicz et al.8cineol e eugenol. além de metilchavicol. mirístico.. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. Das sementes de O. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. Em O.. timol.O óleo essencial de O. 1991). sendo. 1996). isoquercitrina. palmítico esteárico. basilicum e O. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. o óleo essencial de O. Fatope & Takeda. Das flores de O.. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. linalol.. 1978). 1995). basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan.

patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al.. 1985). 1984). Foram isolados de P purpurascens. 1986).Além desses compostos. flavonas. cablin (Akhila . 1981). hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. lactonas sesquiterpenóides de P. parviflorus (Nanda et al.. Pogostemon As folhas de P. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. flavonas (Patwarphan & Gupta. 1984) e grandes quantidades de timol em O. viride (Ekundayo.

P. Munck & Croteau. Foram identificados n-octacosanol. mutabilis. analgésica (Freitas et al. 1989). cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. beta-amirina. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa.. atrorubens. 1988). 1977. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. 1987. estigmasterol... bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al.. 1988). Silva et al. crenata.... Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. plectranthoides (Esvandzhiya et al. 1998). O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa.. Phadnis et al. auricularis (Prakash et al. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa.. . betasitosterol.. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. 1998). comumente utilizada como calmante..... suaveolens apresenta 32 terpenóides.. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. Coelho et al. 1984). 1998) e atóxica (Junior et al. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. pectinata (Bispo et al. O óleo essencial de H. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. Thapa et al. Em H.. saxatilis (Fernandes. 1984.. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. 1989). a-bulneseno. 1998). Em H. 2001). também conhecido como Sambacaitá. 1994. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1990). suaveolens e H. Do óleo essencial das folhas de P.... garwal et al. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. umbrosa. C. ovalifolia e H.& Nigan. 1988. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. H. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. F et al. H. 1997). plectranthoides foram investigados experimentalmente. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. 1987. et al. 1990).. 1990). 1971).

A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. 1988). 1985. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al.. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. 1993) foram atribuídas a H. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. 1988.. 1995). O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al... 1995. 2002). causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. 1988). antimicrobiana (Cos et al. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.. 1988). capitata foi isolado o ácido ursólico. 2002). umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. anti-hipertensiva e espasmolítica. 1979).. Leonotis Em L. Di . conhecido como Cordão-de-frade.. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. Saksena & Saksena. e Novelo et al. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. ramos e flores de H. Coelho et al. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. enquanto extratos de folhas. 1988. 1995). do extrato de H. 1976. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. Mentha O infuso das folhas de M.. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. 1980. nepetaefolia.. 1988)... que foram testados quanto à sua citotoxicidade.. Forster et al. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. Posteriormente.As propriedades antibacterianas. 1984). foram detectadas as atividades broncodilatadora. Diterpenóides isolados de H.. Do extrato metanólico de H. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. leonurus (Bienvenu et al. 1988).. verticillata.. 1988). Calixto et al.

2002). utilizando-se M. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. Chen et al.Stasi et al. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa.. cordifolia (Villasenor et al.. Extratos brutos de O... 2002). 2001 e 2002). gratissimum (Atai et ai. R. 1987b). produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 1984). 1978) e O. 1986).. piperita. enquanto estudos com O. piperita (Ansari et al. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. Queiroz & Brandão. Queiroz & Reis. americanus (Jain & Agrawal. (1968). Além das atividades já relatadas com M. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M... 1982. 2000). Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. Do híbrido. 1993. . 1989).. 1988. 1987). cannum (Dubey et ai.. 1998).. 1989). sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. O óleo essencial de O. Ocimum Verificou-se que a espécie O. sanctum (Phadke & Kulkarni.. crispa (Mello et ai. 1986c) e em O. 2002). Almeida et ai. Queiroz & Brandão... 1996) e hipotensora (Guedes et ai. antiespasmódica (Di Stasi et ai.. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. O. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. 1987. 1981). Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 1986a. antibacteriana. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma.. 1986a. arvensis (Ceruti et al. Em O. sanctum (Dey & Choudhuri. Lahlou et ai. basilicum demonstraram atividades analgésica. antifertilidade.. 1986b). espasmolítica (Queiroz & Reis. também verificada com extratos de O. Sharma & Jocob. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. 1986a). 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. et ai. 2002. 1986). O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica.. A. determinaram-se propriedades fungicida.

1990). A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. suave (Tan et al. 1994. 1997). 1999. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. Vanderlinde et al. et ai. 1986).. 1992. Os óleos fixos de O. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. antiinflamatória. 1992. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 2001). Vanderlinde et al. enquanto a O. . 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 1995). O óleo essencial de O. 1996).. Extrato etanólico das folhas de O. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. 1989). mas a administração de O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. O. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki.. O óleo essencial de O. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. 1986).. Vanderlinde et al.. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. As folhas de O. gratissimum (Sobti et al. 1994). adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. 1994).. Vanderlinde et al.. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al.. Vanisree & Devaki. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes.. E. O óleo essencial de O.. 1986). sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. Nakamura et ai. o ácido ursólico. 1994a). sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário.O. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar... 1993. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. 1995) e O. 1994b. 2002). suave foram utilizadas como repelente de insetos. Das folhas de O.. que apresentou atividade protetora do mastócito. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. 1996). basilicum (Dube et al.. 1989). Os efeitos do pré-tratamento de animais com O.. Das folhas de O.

e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Salsa.E. quadrangulares. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. folhas pecioladas. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. caule e ramos primários. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Sálvia e Salva-da-gripe. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. sobretudo em crianças.Br.5 ml/kg. especialmente da América do Sul (Mabberley. Salva-brava. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. 1986). Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. e em outras.) N. 1995). como Erva-cidreira-do-campo. pubescentes. provocando sonolência. ascendentes. longos. Alecrim-docampo. 1997). Salva-limão. Stachytarpheta e Lippia. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. arbustos e ervas. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. alternas ou opostas . Compreendem árvores. 1984).

náuseas. 1980). cálice curto. no Pará. fruto com dois mericarpos plano- . corola bilabiada. além de problemas do estômago. flores pequenas. reunidas em inflorescências capituliformes. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. no Rio Grande do Sul (Simões et al. Malva e Nulva-do-marajó. folhas pecioladas. Dados botânicos Planta de pequeno porte. emenagoga (Corrêa. Na região do Vale do Ribeira. estomáquica. sem estipulas. cálice curto. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. cólica do estômago.(às vezes na mesma planta). flores pequenas.9). a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. 1988). pubescente e bipartido. 1980). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o chá das folhas é utilizado como calmante. hermafroditas. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. Salva. membranoso. reunidas em inflorescências vistosas. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. diclamídeas. Lippia grandís Schan. 1986). no Mato Grosso (Van der Berg.. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. tosses e gripes. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. o chá das folhas é utilizado como calmante. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. relaxante e contra intoxicações gerais. sementes pequenas (Figura 26. pentâmeras. Essa espécie é usada como antiespasmódica. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. na Paraíba (Agra. como antigripal e calmante. 1984). fruto do tipo capsular branco.

behênico e lignocérico (Macambira et al. 1996a e 1996b). Vários terpenóides foram isolados de L. três vezes ao dia. Sauerwein et al. 1991. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno.convexos. (1986 e 1987). geranial.. é usado contra problemas do fígado.. e do caule e folhas foram obtidos ácido . gama-terpineno. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. As espécies L. limoneno.. No óleo essencial de L. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. timol. Já de L. Da espécie L. monoterpenos.. 1987). araquídico. naringenina. 1981). Souto-Bachiller et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Matos et al.. alfa-cubebeno.. 1986. a mais estudada é a L sidoides.. (1981). O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi.. 1987). esteárico. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al.. Hernandulcina. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. citral e carvona (Matos et al. canescens e I. Da parte aérea de L. 1981). 1987). timol. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. americana foram obtidos ácidos graxos livres. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. Craveiro et al. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. lapachenol. 1983). porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . 1986. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. o chá das folhas.vanílico.. 1996). dulcis (Bubnov & Gurskii. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. 1980). p-cinieno. betacariofileno (Craveiro et al. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. 1982). 1987.. ukambensis (Chogo & Crank. mirceno. acacetina.

67%).. eupafolina.e beta-pineno. Dentre os compostos isolados. alfa-terpineno (4. 1987). 1989). Do óleo das folhas de L. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. 1. Os constituintes p-cimeno. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. Das partes aéreas e das raízes de L.8-cineol. 1996a). germacreno D e elemol (Koumaglo et al. 1994 e 1995). timol. quatro éteres. 1990)..35%). luteolina. 1987).8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. 1991 e 1995). 1988). sabineno. quatro alcanos.8-cineol (2.8-cineol (15. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al.12%). . sendo 22 hidrocarbonetos. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. 1996b).l. 1989). crisoeriol. eupatorina. a-pineno. A composição química do óleo essencial de L. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. 1990. cirsimaritina. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado... 1..33%). O óleo essencial de L.. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. graveolens. graveolens foram isolados pinocembrina.97%) como principais componentes (Mwangi et al. p-cimeno. acetato de timol (17. limoneno. alba e L. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. De L.. fissicalyx (Retamar et al. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. Das folhas e flores de L. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. 1.espécies de L. 1.. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol.8-cineol. wilmsii foram isolados quinze componentes. 6-hidroxiluteolina.01%) ecariofileno (15.origanoides foi quantificada.. p-cimeno (3.. 1989).. timol.23%) e metiltimol (2. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. diosmetina. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. neral. dos quais foram identificados piperitona (28.27%). alfa.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. hispidulina.8-cineol. 1. Fun et al. apigenina. Das folhas de L.43%) e piperitenona (11. 1990).

de L. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. um éster do ácido caféico ligado ao 3. Esse óleo.. respectivamente).. junelliana... et al. sidoides mostrou atividade moluscicida. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. polystachya.. 1980).. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana.. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. 1996).. além de uma atividade moluscicida (Almeida. Do extrato das folhas de L. 1997). aristata (Rouquayrol et al. 2002).. junelliana. 1980). aristata (Moraes Filho et al. et al.. grata (Viana et al. 1987).. De L.. Já o óleo essencial de L. assim como o de L. Vale et al. 1986). Moraes et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes.4%. 1998. lipifolil(6)-en-5-ona (18. Com a espécie L.2% e 41.. atribuída à presença de flavonóides (Santos. L. M. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al.3%) (Zygadloet al. 1981). e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. 1998)... Além disso.. 1990). Do óleo das flores de L.. multiflora.4- . 1996). contribui para a coesão das células da pele. polystachya foram isolados tujona (30. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. misturado a cremes.. 1990).. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. 1996). e atividade anticonvulsivante (Vale et al. turbinata e L. o verbascosídeo. 1979). 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.Y. gracilis foram observados aumento inotrópico. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al.carvacrol. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. integrifolia e L. P D.. mircenona (31%) e de L. 1988a).9%) elimoneno (13. antiulcerogênica (Pascual et al. 1998). L. um dos componentes principais. enquanto o outro componente. 1980 e 1987..5%). 1995a). 2000).

1984). potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. R. Viana et al. 1978). 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. et al. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. 1988).. no qual se observaram atividades analgésica. 1995b). 1992).. 1979). espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. M.. multiflora (Chanh et al. anestésica (Viana et al. Além disso. 1977). M.. 1994.. Y. Matos et al. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. Teixeira et al. nodiflora foi realizado um screening preliminar. grata. et al. 1978)... 2001).. moluscicida (Moraes. 1996.. Nunes.. anti-hipertensiva. 1986). O. tranqüilizante (Matos et al. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. antifúngica (Lemos et al. geminata e L. 1988b). 1995). 1980. 1980). 1996). 1985). 1979) e I. S.. M. atividades cicatrizante. Laxoste et al. 1996... no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Nas folhas de L. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai... Almeida. graciliy (Fontenele et al. Lacotes et al. porém. espasmolítica (Viana et al. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. et al.. Ximenes et al. Teixeira. Moraes.... Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. . 1980. sidoides (Fonteneles & Sales. Botelho & Soares. 1978). 1979..dihidroxifeniletanol. 1988. antibacteriana (Aguiar et al. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. e no óleo essencial. O. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. apresentaram atividades antibacteriana.. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. L. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. 1995.. 1992. 1996).. 1978. O óleo essencial de L.. 1998). timol e carvacrol.. 1998). 1994. Os principais componentes do seu óleo essencial. Menezes et al. et al. 1988. O óleo essencial das folhas de L. e o de L..

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).FIGURA 26. .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.1 . b) escanerata com detalhe da inflorescência.

1998).2 . Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Hyptis crenata. .FIGURA 26.

3 . Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leonotis nepetaefolia.FIGURA 26.

FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .4 .Leucas martinicensis.

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .5 .FIGURA 26.Mentha piperita.

FIGURA 26.Mentha viridis.6 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.7 .Ocimum micranthum.

8 .Pogostemon patchouly. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .FIGURA 26.

9 .FIGURA 26.Lippia alba: a) escanerata do ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .

No estudo realizado. arbustos e raramente ervas (Joly. Os gêneros mais importantes da . as quais passamos a descrever. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. C. com aproximadamente 750 espécies. Hiruma-Lima L. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. 1997). Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). incluindo árvores. e reúne 120 gêneros. 1998. subclasse Asteridae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. Mabberley. lianas. pertence à ordem Scrophulariales. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae.27 Scrophulariales medicinais C. A. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. Scrophulariaceae. Bignoniaceae.

O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. da famosa Flor-de-são-joão. são Tabebuia e jacaranda. uma delas. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada.família. elípticos e coriáceos.1). duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. com ampla distribuição nas regiões tropicais. os gêneros mais comuns são Tabebuia. fruto do tipo capsular largo. folhas normalmente 2-3-folioladas. e as várias espécies do gênero Zeyhera. de ramos cilíndricos e glabros. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. que inclui os Ipês e o Paud'arco. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. Pyrostegia. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". com folíolos peciolados. também é conhecida como Cipó-de-alho. é descrita aqui. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. as quais são discutidas a seguir. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. o que gera o nome popular atribuído à espécie. . Na região da Mata Atlântica. oblongo-linear. anteras glabras e ovário oblongo. No Brasil. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. curto-pecioladas. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. contendo sementes oblongas (Figura 27. Jacaranda caroba. Em outras regiões do país. com gavinhas.

Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. Jacaranda caroba (Vell.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. coriáceos e glabros. sendo amplamente usada como ornamental. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Uma outra espécie do mesmo gênero. Caroba-miúda. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. roxas. Caroba-do-campo. fruto do tipo capsular. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. por ser mole e porosa. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Carobado-carrasco. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Camboté. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa.) DC. não completamente identificada e conhecida como . A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. das quais a maioria é encontrada no Brasil. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Camboatá-pequeno. dispostas em panículas. flores tubulosas.

5 cm de largura.Carobinha. folhas com folíolos ovadooblongos. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. sítios e quintais de residências. longas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. Trata-se de uma espécie heliófita. inflorescências numerosas. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. especialmente no Dia de São João. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. adstringente e anti-sifilítica. amplamente encontrada em campos. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. descrito por Carel Borinov Presl. podendo ocorrer com flores amarelas. especialmente em crianças. repletos de flores tubulares. ou seja /'coberta de fogo". raramente encontrada no interior de matas densas. O nome do gênero Pyrostegia. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta".5 cm de largura (Figura 27. como corimbos multiflorais. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). de cor laranja. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Segundo Corrêa (1984). Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas.2). Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. . É muito comum no Brasil. com ramos jovens delgados e folhagem densa. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas.

decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al.. 1976 e 1977). a atividade antimicrobiana foi conferida a J.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. Espécies medicinais Sesamum indicum L. . venusta a presença de aminoácidos. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. acorendico presente na planta (Oguro et al. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. 1995).. No Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. especialmente a espécie Sesamum indicum. sendo a maioria de ervas ou arbustos. mas apenas cultivada. 1996). mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. 1996)... 1994). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. O extrato etanólico da espécie A. Foi detectada na flor de P. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. A espécie J. 1999). 1992). A espécie J. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger.. a família não é encontrada de forma espontânea. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.

Dados botânicos A planta é uma erva anual. externamente. externamente.. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. fruto do tipo capsular. visão fraca. indicum foi caracterizada a presença de . também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. dores de cabeça. 1995). 1988. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. flores amarelas. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. Tashiro et al. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. 1995). e sobre as pernas para tratar paralisia.. no Egito e na Babilônia (Bown.. com origem na Ásia tropical ou na África. inteiras e pubescentes. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. abortiva e anti-reumática e. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. tosses secas.. episesaminona (Marchand et al. para alívio da dor de ouvido. para evitar perda de cabelos. opostas. sesamolina (Mimura et al. osteoporose. vistosas. clorosesamona hidroxisesamona é 2. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. e. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. para tratar constipação nasal crônica.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. distúrbios renais. 2001). com muitas sementes oleosas. disenteria e catarro intestinal. folhas simples. Nas sementes de S. 1990). 1997). 1997). além de seu uso na culinária. contra hemorróidas (Bown. O óleo de gergelim. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. diarréias.

indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. 1988).. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. indicum L. ácidos graxos. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. gama-tocoferol e sesamolina.albumina. 1991). Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. sesamina Do extrato aquoso de S.2000). indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 2000 e 2001). (Kar & Mishra. 1996). glutelina (Singh & Khanna. 1993). 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. Mimura. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. indicum detectaram a presença de glicolipídios. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. globulina. 1989. Nas raízes de S. 1994).. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. . bem como três novos triglicosídeos. prolamina.

. dessa forma. 1992). diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. alatosídeo A-C. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina.. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. 2001). sesamolina (Mimura et al.. 1992). e. 1992). foram isoladas das sementes de S. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. angolense. 1991). O extrato de S. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 1988.. indicum (Takswchi et ai. em altas doses. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. 1995).Duas lignanas furânicas.. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura.. 1997). 1991). dois derivados do ciclohexiletanol. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab... Da parte aérea de S.. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. indicum e S. protegendo-o contra danos oxidativos. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. além de verbascosídeo. respectivamente (Kang et al. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. Tashiro et al.. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. 1994). 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. 1990) e sesangolina. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. 2002). alatum.

das famosas D. nos quais estão distribuídas 5. algumas aquáticas (Mabberley. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. Esterhazia. no Pará. especialmente dos gêneros Antirrhinum. arbustos e ervas. popularmente conhecido como Vassoura. pequenas. No Brasil. hermafroditas. Pupeiçava. incluindo árvores. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Ganha-aqui-ganha-acolá. com corola rotácea. pentâmeras. bilabiada.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Veronica. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. Scobedia. bicarpelar. Tupixaba. Nomes populares Na região amazônica. crenadas e glabras. axilares. Coerana-branca. flores brancas. quatro estames didínamos. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Calceolaria e Maurandia. . lanata. ovário supero. purpurea e D. Verbascum e Wightia. tais como Digitalis. ovaldolanceoladas. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. aqui descrito como medicinal. Vassoura. 1997). Tapixaba. Vassourinha-de-botão. opostas.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Outros nome são Vassourinha.

mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. Verardo. problemas cardíacos. . Encontrada em abundância na América do Sul. tosse. Cruz. 1982. bronquite. béquica. com muitos óvulos (Figura 27.. e as folhas. picada de mosquito.. 1996). As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. hipoglicemiante. 1987). essa espécie também é considerada emoliente. 1990). especialmente na Floresta Amazônica. 1988). emoliente e béquica (Corrêa... 1995). tosse. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. 1986). coceiras. expectorante. menstruais. hipotensiva.3). febre. 1993. também. 1982. pectoral. o chá é preparado. significa "vassoura". bronquite. hepáticas e estomacais. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. para melhorar o estado geral do indivíduo. Grandi & Siqueira. por causa do seu emprego. e utilizada contra desordens respiratórias. peitoral.. Na Paraíba. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. Coee et al. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. No Rio Grande do Sul. o chá da planta é usado contra hemorróidas. Scoparia. antidiabética e contra afecções catarrais. para lavar feridas (Branch & da Silva. Já entre os ticunas. 1990). brotoejas. também. 1994. No Pará. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. 1982). emoliente. diabetes e hipertensão (De Almeida. doenças venéreas. Em Minas Gerais. 1994. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. 1980). é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. O nome do gênero. além de ser considerada tônica. Grandi et al. desordens menstruais. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély.. é utilizada como anti-hemorroidal. 1983). No Brasil. Coimbra. malária. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. erisipela e afecções cutâneas. Matos. 1990). com todas as partes da planta. Nas tribos indígenas do Equador. febrífuga.bilocular. 1982. 1984). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. 1988. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al.

1987 e 1988c).. Hayashi e al. 1993 e 1996) depressora (Freire. antifúngica... (1981). antiinflamatória (Freire et al. Os ácidos escopadúlcico B. B e C (Kawasaki et al.. 1989. 1993 e 1996a). gentísico. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. Azevedo et al.. Freire.. 2001). M. Hayashi et al.. O. 1998). são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. S. 1990b). (1979) e Mahato et al. apigenina. glutinol e acacetina (Hayashi et al. iflainóico. 1985). entre outros compostos (Kawasaki et al. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. depressora do SNC. beta-sitosterol.. escopadulciol. acacetina. 1987.. cinarosídeo D. 1996). 1990a e 1991). E.. S.. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 1988a e 1990c).. 1987). 6-metoxibenzoxazolinona. hipocolesterolêmica. et al. 1994. 1988. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. expectorante e atóxica (Moura et al. anti-herpética.. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1993 e 1996).1988b). manitol. antiespasmódica. Também foi detectada a presença de glicosídeos. antiinflamatória. obtidos da espécie. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al.. 1990). A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al.. cumárico. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . sedativa e diurética (Ahmed et al. antiviral. betulínico. alfa-amirina. dulcinol e ácidos dulcióico. 1986 e 1988a. Dalla Torre et al. antibacteriana gram-positiva. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. anti-séptica. Torres et al. hipertensiva (Freire et al. 1991).. scopadulciol (Hayashi et al. escutelareína... benzoxazolinona. 1990b). flavonas. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. 1996b). M. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. et al. 1997... antidiabética (Jain. simpatomimética (Freire et al.

1978) (Banco de imagens - . dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1993).. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. FIGURA 27.. 1988b).. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.1 . Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.. 2002) e antitumoral (Nishino et al.Adenocalyma alliaceum. 1997a e 1997b).vidade antimalarial in vitro (Riel et al.. 1997a).

2 .Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27.3 .

a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. 1997). Inclui espécies arbustivas. A. arbóreas.750 espécies cosmopolitas. trepadeiras e ervas. C. exceto na Antártida (Mabberley.528 gêneros. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Os gêneros estão distri- . Di Stasi C. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.Ivan Martinov. herbáceas. M. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta.28 Asterales medicinais L. encontradas em todo o planeta. com aproximadamente 22. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Essa família compreende 1. Trata-se de uma grande ordem. Hiruma-Lima C. Santos E. M. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. que passamos a descrever a seguir.

sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). do gênero Arnica.buídos em três grandes subfamílias. Novalgina e Anador. especialmente a Mikania glomerata. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Galinsoga. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Semeio e Emilia (Senecioneae). os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. • Asteroideae Inula (Inuleae). popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Calendula officinalis. Achillea millefolium. Zinnia. Calendula. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). a Camomila. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). com ampla distribuição no território brasileiro. as importantes Carquejas. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Baccharis e Solidago (Astereae). Mikania. Ageratum. a famosa Arnica. Bidens e Helianthus (Heliantheae). o Mentrasto. Matricaria. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). as várias espécies de Artemisia. Saussurea e Echinopis (Cardueae). e inúmeras plantas de . tais como inúmeras Vernonia. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. Lactuca. Matricaria chamomila. Tanacetum. Ageratum conyzoides. Arnica e Tagetes (Helenieae). Wedelia. Calendula (Calenduleae). Calea. Aster. várias espécies do gênero Bidens. Achillea e Santolina (Anthemideae). conhecida como Mil-folhas. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Gnaphalium e Achyrocline. Nesse contexto. Artemisia. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. gênero da famosa Calêndula. do gênero Mikania. das quais se destaca a Baccharis trimera.

rasteira. amplamente usadas na medicina popular. externamente. Na região do Vale do Ribeira. de pequeno porte. curto-pecioladas. a decocção das folhas é usada. onde foram incorporadas na medicina tradicional. ereta ou prostrada. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. internamente.1). Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". de ápice e base agudas. opostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas simples. caule comprimido e denso-piloso. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. Em outras regiões do país. Dados botânicos Planta anual. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. apenas masculinas. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. como antiinflamatório e. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. . como cicatrizante. flores unissexuais e marginais. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético.pequeno porte do gênero Eupatorium. inteiras. oblongo lanceoladas. com borda irregularmente serreada. em Minas Gerais.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira.

e as centrais. contendo folhas oblongolanceoladas. além de ser anti-helmíntica. amarelas e tubulosas. 1997). com caules ramosos. Milefólio e Mil-em-rama. no Uruguai. hemorroidais e pulmonares. Aquiléia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. digestivo. Dados botânicos A planta é uma erva perene. rizomatosa. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). raras são nativas das Américas. flores dimorfas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia.. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. como contraceptivo feminino (Mabberley. . nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. 1982) e. sendo as marginais femininas e brancas. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. a espécie é chamada de Novalgina. agindo ainda como antiespasmódico. com até 60 cm de altura. gripes e distúrbios do estômago. glabra. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. reunidas em capítulos corimbosos. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. Em outras regiões do país. hermafroditas. dor de cabeça e dores gerais.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. antidiarréica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. tônica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.2). Catingade-barão. significa "o que não envelhece". Baccharis trimera (Lers) DC.Ageratum conyzoides L. pecioladas. pilosa e ramosa. febrífuga. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. a espécie é chamada de Mentrasto. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. Em outras regiões do país. crenadas. carminativa. . A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. ovadas. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. cólicas flatulentas e uterinas. flores brancas ou lilases. e o nome do gênero. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. Ageratum. anti-reumático e contra cólicas menstruais. com até 1 m de altura. a espécie é chamada de Carqueja. Dados botânicos A planta é uma erva anual. amenorréia e gonorréia. mucilaginosa. com folhas opostas. útil contra resfriados. Erva-de-são-joão e Maria-preta. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. anti-reumática. além de indicada para aliviar náuseas.

tais como Cuambu. anti-reumático. entre outras (Corrêa. o deus Baco do vinho.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. como Picão-preto. Pirco. diurético e contra distúrbios renais. Espinho-de-agulha. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". Erva-picão. Piolho-de-padre. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. hipertensão. Macela-do-campo. Erva-picão e Pau-pau. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Goambu. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. anti-helmíntico. (Bidens pilosa L. Carrapicho. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. estomacais e intestinais. Picão-do-campo. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . bem como em vários Estados brasileiros.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. com ampla distribuição na América do Sul. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. Em outras regiões do país. 1926). Bidens bipinnatus L. a planta é usada como tônico. derrame cerebral e diabetes. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Amor-seco. Carrapicho-deduas-pontas. Carrapicho-de-cavalo. estomáquico.3). os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Aceitilla. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. a decocção das folhas é usada como analgésico. Carrapicho-de-agulha. podendo atingir até 1 m de altura.

1994). leucorréia. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. O nome. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo.. 1994). laringite. capítulos pleiomorfos.4). Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. antiescorbútica. adstringente e considerada útil contra icterícia.. 1984). dores de cabeça e de dentes (De Feo. edema. antidisentérica. 1990. folhas opostas. ramosa. diabetes e inflamações (Corrêa. pentâmeras. micoses. ereta. desordens hepáticas. 1996). infecções urinárias e vaginais (De Almeida. glabra. utilizada especialmente contra icterícia. com até 1 m de altura. com flores radiais liguladas. diabetes. hepatite. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. simples. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. com cálice modificado. antiblenorrágica. sialagoga. vermífuga e vulnerária.Dados botânicos Planta de pequeno porte. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. diurética. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. desobstruente. Coimbra. a espécie também é referida como emoliente. Bidens. conjuntivite. significa "dois dentes". a espécie é usada como antiinflamatório. diurético e contra hepatite. 1962). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dismenorréia. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. 1990). infecções urinárias (Mejia & Reng. Na medicina tradicional peruana. disenteria. A planta é considerada estimulante. 1995). antileucorréica. referindo-se às aristas do papilho. bem como no combate a dores em geral Jager et al. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. Vasquez. Duke et ai. No Leste da África. No Brasil. 1992. pecioladas e fendidas. 1993. .

além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. triplinervadas. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). como tônico. digestivo. especialmente do fígado. estimulante. corola com tubo interno glabro.5).Eupatorium ayapana Veuten. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. estriado e diminuto. mas são comuns outras denominações. folhas opostas. como Iapana. ferrugíneo e glabro. de caule ereto. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. Dados botânicos Erva bastante delicada. Japana-branca. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator.ambas não identificadas . Japana-roxa e Erva-de-cobra. Em outras regiões do Brasil. sudorífico. anguloso. antidiarréico e antidisentérico. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. androceu com anteras levemente sagitadas. Aiapana. estomáquico. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. angina. lanceoladas. fruto do tipo aquênio alongado. e contra malária. flores (20 a 30) azuis.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. empregado externamente na forma de banho. visto a grande semelhança entre elas. cólera. a espécie possui vários usos das folhas. . 1984). com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . acuminadas. enquanto o sumo das folhas frescas.

a espécie é chamada de Arnica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. O nome significa "feltro". a infusão das folhas é usada contra diarréia. capítulos pequenos e reunidos. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. podendo atingir até 1 m de altura. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. O nome do gênero significa "o que é firme". O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. assim como em todo o Brasil. . referindo-se ao tomento das folhas.especialmente na América do Norte . flores amarelas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. Solidago microglossa DC. serradas. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados.e com raras espécies na América do Sul. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. que formam uma inflorescência cilíndrica. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. com ápice arredondado. de ocorrência nas Américas . a espécie é chamada de Macela.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. folhas oblongas. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pequenas.

o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. ovadas. Mastruço e Agrião-do-norte. vários outros nomes são usados. o chá das folhas. Spilanthes acmella Rich. . Dados da medicina tradicional Na região de estudo.6). Essa planta é utilizada como estomáquica. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. batidas. membranosas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores amarelas. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. cálculos da bexiga e dores de dente. que tem mancha escura sobre a lígula. comprimido com papilho aristado. com corola curva. O nome do gênero. picadas de insetos e infecções. Agriãobravo. Spilanthes. fruto do tipo aquênio. tais como Agrião-do-pará. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. o preparado com folhas de arruda. agudas. com folhas opostas.. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. Jambuaçu. entretanto. significa "flor com mancha". não alado. Botão-de-ouro. Dados botânicos Planta herbácea. Agrião-do-brasil. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. descrito por Nicolaus von Jacquim. longo-pecioladas. Abecedária.

Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. são partidas e aromáticas. Cravo-africano e Tagetes. está muito bem aclimatada no Brasil. antiespasmódica. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. divindade etrúria representada como um belo jovem. narcótica. no Pará (Amorozo & Gély. tosse e resfriado. antigripal. atingindo de 60 a 90 cm de altura. minuta. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. cicatrizante. 1980). patula e T. bronquite. T. emenagoga. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. Na Colômbia. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. Amorozo & Gély (1988) referem que o . considerada carminativa. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. a S. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. em Brasília (Matos & Das Graças. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". opostas ou alternas. com muitos ramos. Cravo-de-tufo. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. e indicada contra problemas hepáticos. lucida. tais como T. febrífuga. as folhas. sendo também comumente chamada de Cravo. abortiva. Outras espécies do gênero. digestiva. e seu nome vem de Tages. desinfetante e antiasmática.1982). O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. também são usadas como medicinais. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. 1997). Originária do México. 1988). Cravinho.

Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. arroxeadas e vermelhas. anteras amarelas e estigmas vermelhos. . rosas.chá das folhas com alho é usado contra febres. opostas. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. pela abundância de flores. as folhas são ásperas. Zinnia elegans Jacq. resfriados. Moça-e-velha e Canela-de-velho. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". bronquites e tosses. incluindo brancas. Nomes populares A espécie é chamada. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. de Zinha ou Zínia. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. as flores possuem várias cores. cordiformes. com uso freqüente contra dores reumáticas. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Originária do México. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. com caule ereto. Segundo Hoehne (1939). que atua como anti-helmíntico e sudorífico. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. australe. o chá das folhas e flores. sésseis. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. na região de estudo. forte. para tratar "doença que deixa o queixo duro".

1977).. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. leucantha (Wat et ai. 1987. 1994). pilosa . diterpenos (Saleh et al... Gill et al.. alfa-felandreno. 1988a e 1988b. 2000). 1984). 2000). gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. bipinnatus. Sharma & Sharma. Torres et al. 1994 e 1984. 1991). 1987). Poliacetilenos. 1990). 1975. germacreno A. Herz & Kalyanaraman. Christensen et al. B. De A. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. pilosa. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. Hoffman & Hoelzl. flavonas... 1979. De A.. saponinas e xantonas (Caetano et al. 1992b.. 1981. 1979). 1976). laevis e B. Da espécie B... Wang et al. Debenedetti et al. monoterpenos. De A.. catecolaminas. 1976a e 1976b)... Herz & Kalyanaraman. 1981). carotenóides e glicosídeos foram isolados de B.. Gene et al.. 1997). 1992).. crisosfenol D. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. axilarina e 5.... beta-guaieno.. millefolium também foram isolados ésterois. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. flavonas (Falk et al.. delta-cadineno (De Marais et al. gama-cadineno. 1975).. 1987). 1986. deterpenos. beta-cariofileno.. leucoantociandinas.. alfa-copaeno. tripartitus.. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. flavonóides (Shimizu et al.. De Tommassi et al. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. isocariofileno. Hausen et al. limoneno. 1987. Achilea.. 1975) e monoterpenos (Orth et al.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. beta-pineno. 2001. Bohlmann et al. 1996.4'-trihidroxi-3. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1978). B.7. Nair et al. 1979).. 1994. glabratum (Saleh et al. cumarinas. timol. terpenos (Verzan & El Sayed. 1990. 2002. alfahumuleno. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al.. 1986. Caffmi & Demolis. B. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. cadineno. Das partes aéreas de A. 1997). Alvarez et al. flavonóides (Bohlmann et al. 1985. triterpenos (Chandler et al.beta-elemeno. 1980.. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow.

1990). Pagani. pilosa (Zuleeta et al. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al.B. 1995). 1992). E. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. 1997). Edgar et al. 1985). Wang et al. radiata e B. Poliacetilenos também foram isolados de B.. 1995). 1988. B. 1995) E. E guayanum (Sagareishvili et al. eugenol. 1986).... 1991). B. B. leucolepis (Herz & Palaniappan.. 1981). 1988c e 1988d). E.. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. dahlioides. 1982). buniifolium (Muschietti et al. frondosa (Karikome et al. 1988a. chinese (Zhao et al. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. frondosa. B. . ácido linoléico. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. 1994) e E. £.foram ainda isolados inúmeros compostos. cernuol. subhastatum (Ferraro et al. 1995). erythropappum (Talapatra et al. ternbergianum (D'Agostino et al. 1992). B. Três poliacetilenos. ácido linoléico e linolênico. 1994). E.fortunei. angustifolium (Mesquita et al. E. 1991. campylotheca (Bauer et al.japonicum.. £. parviflora. bipinnatus (W B. maximowicziana. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. 1997). salvia (Gonzalez et al. tinifolium (D'Agostinoetal.... E. altissimum (D'Agostino et al. 1992). ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. B. rotundifolium (Hendriks et al. littorale (Sato et al. E. 1992). 1995) e £... 1987. portoricense (Wiedenfeld et al. 1987. E. Liu et al. ferulefolius. micranthum (Herz et al 1978). 1997). E. 1986). E. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. E. 1988b. 1993 e 1995). cannabinum (Stevens et al. tripartitus (Christensen et al. odorata (Hai et al. E. 1990). tripartita (Isakova et al. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. adenophorum (Li et al. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al.. 1979). 1985). dois derivados tiofênicos. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al.. 1991) e E. 1987 e 1988). E. glandulosum (Nair et al. tais como quatro auronas. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. E. 1990). 1990a e 1990b).. B.. chrysoanthemoides.

1987). 1980). oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. E. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. E. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. E. enquanto em E. 1987). entre outros (Nakatani & Nagashima. E. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha.. 1980) e E. var. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. americana foram isolados monoterpenos. 1986). 1991). odoratum foram encontrados taninos. 1978). 1977). . p-cimeno. altissimum (Jakupovic et al. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al... fortuna (Haruna et al. 1996). triterpenóides de E. tinifolium (D'Agostino et al. 1986).. cânfora. De S. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. fenóis e saponina. 1999). 1988a e 1988b). Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1986b). naginatacetona.fortunei (Haruna et al. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. 1987). 1993). odoratum (Talapatra et al. E. cannabinum (Stefanovic et al. deltoideum (Quijano et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. E. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. Diterpenóides foram isolados de E. espilantol. E. limoneno. quadrangularae (Hubert et al. 1987). recurvens (Herz et al.. rufescens (Ruecker et al. 1992a). quadrangularis (Hubert et al. 1994). sitosterol. 1979). 1987). Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. entre outras espécies (Ding et al.. laevigatum (Bauer et al.. 1992b. adenophorum. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al.Nas folhas de E. 1986).. 1987) e E. sesquiterpenos. 1986). beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1990a e 1990b). mikanioides (Herz et al. 1987).. Uma amida. acmella L. E. estigmasterol. Ramsewak et al. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al.. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E.. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. cannabinum (Zdero & Bohlmann. e sesquiterpenóides de E. Das partes aéreas de S. laevigatum (Lopes et al.

Entretanto.. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. Tosi et al.. Os monoterpenos descritos em T. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. patula foram isolados tiofenos. T. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. campanulata. 1990b). Das raízes de T. 1988. 1994) e T. T. T. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T.. patuletrina e patuletina. pois somente T. 1985). minuta e T. 1988). 1991). que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. laxa (De-Israilev et al. erecta (Singh et al. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. que podem ser diferenciadas pela composição química. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. 1993). 1987. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. mendocina e T. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. patula (Ivancheva & Zdravkova. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. além de enxofre e fósforo.. 1995). argentina) foram identificados quatro tiofenos. T. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. lucida (Hethelyi et al.... Ahmad et al.. 1987). 6-hidroxikaempferol. tais como quercetagetina. patula. 1988). No entanto. 1987).. 1987). T. 1990a).. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. patuletina e muitos desses derivados. erecta e T. 1988). T microglossa (Castro.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. glandulifera) (Craveiro et al. como quercetagetina. minuta são ocimeno. 1993). T. As espécies T. 1988a e 1988b). patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. 1990). T. Pe- . 1992). 1993b). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso.

indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A.. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al.. 1995).. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. 1997). Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.. Carvalho et al. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al.. glabratum (Saleh et al.. 1987)..quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. 1995). 2001).. Nascimento et al. Experimentos com A. 2002) e antifúngica (Portillo et al.. Em A. glicosídeos cardíacos. elegans indicou a presença de Cumarina. ... ocitocina. As antocianinas das flores de Z. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al.. patula foi detectada (Arroo et al. 1991). australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. australe (Matsunaga et al. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. australe contra Plasmodium berghei em roedores. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. taninos. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. 1980).. 1988). b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. a A. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. 1988). hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. 1996) dessa espécie.. 1988. 1997).

chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. Bondarenko et al. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. pilosa. e B. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 1987).. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. minor foi a mais .. além de vários flavonóides obtidos de B. possuem atividade antiinflamatória. 1998b. 1983). Bidens Experimentos com B. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. 1985. B.. pilosa (Santos et al. 1996). A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. reduzindo a produção de prostaglandinas.. à presença de saponinas (Gene et al. Extrato etanólico de B. 1991). imunoestimulante (Ignácio et al. Triterpenos. (1991).. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. 1980). trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. Goldberg et al. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases... As folhas de A. 1949). 1987. as propriedades analgésica e antiinflamatória. minor (Blume) Sherff.. mas Bidens pilosa var. Abena et al. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. N'Dounga et al. como friedelina e friedelan-3. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B.. var. Porém. 1969). 1997).Achila.. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al.. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 2000).-ol. 2000). pilosa L. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L..

pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe... var. mais recentemente. in vitro. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. 1995). E. 1997). tequendamense (Mantilla & Sanabria. morifolium e E. 1977). pilosa L. Eupatorium A espécie E.ativa. 1994). . pilosa L.. 1995 e 1996) e. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. As folhas de E.. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al.. E. 1996). 1988) e E. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. Para a espécie B..... 1995). Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E.. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. glyptophlebum. 1996).. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. Entretanto. 1985)... E. 1997). 1998 e 1999). Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal.. consaguineum (Lopes et al. atidifolium e E. hipotensora (Dimo et al. La Casa et al. densum.. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. 1986b). 1989). Um composto sesquiterpênico isolado de B. brevipes (Guerrero et al. 2002). balantaefolium (Almeida & Fonteles. 1985). E. 1985). e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. E. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. A espécie B. gracilae. 1986) e diurética (Rebuelta et al. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. 1994. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. pauciflorum (Giesbrecht et al. campylotheca apresentou. minor e B. O extrato hexânico de B. somente os extratos de B. 1995).. ou seja. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. E. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al.

. 1990).. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. DNA e RNA de células tumorais. 1990). que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. 1995). brevipes e E.. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. squalidum (Carvalho et al. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. A. (Giesbrecht et al. 1996) e E. cannabinum (Bourrel et al. Spilanthes Das folhas de S. 1988). Herz & Palaniappan.... Cáceres et al. RNAse.. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. 1988.. pauciflorum. 1991).. Os extratos de E. riparium (Ratnayake-Bandara et al. halinfolium e E. 1982a). 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. Sesquiterpenóides isolados de E. DNAse. odoratum (Iwu & Chiori.. larvicida (Pitasawat . E.1986). flaccida. 1984. candolleanum (Campos et al. assim como da atividade da RNA polimerase. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al.. Eupatorium perfoliatum. acmella foram isolados n-isobutil-4. Achyrodine alata. 1989). 1986 e 1987. 1978). Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. ayapana (Gonçalves et al. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. E.. inulaefolium (Gorzalczany et al.. Guerrero et al. proteínas. E.5-decadienamida. O óleo essencial de E. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. enquanto a espécie E.. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. Piperidinas de E. 1991). cannabinum.. 1992). e de E. 1995) e E. hyssopifolium (Hall et al. 1985.. Inibição da síntese de colesterol. O extrato bruto aquoso de E. 1998). enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. 1991). Inya-Agha et al. 1986). A. E. 1990 e 1991). 1995).

1988... 1999). mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. 1995). 1998) e espilantol. antimicrobiana. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante.. mas não contra Candida sp. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. Souza.. et al. J. in vitro. Valderrama et al. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. 1986) e S. 1993.. 1992. como no cravo-da-índia.. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. 1992) e antitumoral (Moraes et al. sendo os deri- . L. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan.. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. T. Camargo Neves et al.. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. Em S. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários.et al. 1996).. oleracea (Herdy & Carvalho. 1990). e o extrato de S.. O eugenol. Andrade. presente em muitas espécies. Em I minuta. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. F. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais.. bem como no consumo destas (Meckes et al. 1992). erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. et al. usado como emenagogo. enquanto o extrato de S. C. folhas e flores de T. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. 1989). (Fabry et al.... testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. sedativa. O extrato de S.. RJ.. 1984). 1993). 1987. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. 1994). erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. 1993).. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. 1995).

in vivo e in vitro. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. a atividade da ATPase. 1987). 1991). O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. coronopifolia e T. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. o óleo essencial de T.vados tiofênicos os compostos ativos... Os extratos hexânicos de T. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. 1994)... lúcida estimulou discretamente. 1997). presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. O extrato de T. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al.. 1997). foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1995). 1996). Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida.Ca2+ dependente e inibiu. Dentre outras espécies. 1989). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. D e F. . o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. 1995). tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.. Zinnia As sementes de Z.. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. 1994).. elegans L. 1992).. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. 1991). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. Do extrato de Z. in vitro.. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al.

a espécie E. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. hemorragia. Entretanto. fraqueza e debilidade dos membros. 1995). 1978a e 1978b).Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A.. australe são tóxicas para aves. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas.. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. et al. As folhas de S. enquanto o extrato aquoso de S. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. congestão do baço e coração. alopecia. no entanto... V. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. especialmente . adenophorum (Oelrichs et ai. 1996 e 1997). poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. T. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. Estudos com a espécie A. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. A. 1988). especialmente na fase jovem. 1990). Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. 1993). A ingestão regular de E. 1995). M.. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. S. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. 1994). et ai. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. Segundo Hoehne (1939). caracterizados por diarréia.. dispnéia. Tremetona isolada de E. australe durante o período de prenhez de ratas.

A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. FIGURA 28. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . relaxante muscular e antineoplásica.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. b) detalhe da escanerata. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.como diurético e hipotensor.1 .

2 .FIGURA 28.Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .

Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28.3 . b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .

Bidens bipinnatus. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.4 .

: a) ramo florido (Di Stasi . 1998).Eupatorium ayapana.5 .FIGURA 28.original). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov. .

FIGURA 28. 1984).Spilanthes acmella. . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.6 .

Desfontainiaceae e Rubiaceae. do famoso Cafeeiro. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. do famoso jenipapo brasileiro. como é o caso de Coffea e Cinchona.200 espécies vegetais cosmopolitas. alguns deles de valor histórico. Genipa. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. importante fonte de espécies ornamentais. 1997). assim como de vários compostos com atividade farmacológica. algumas espontâneas nas áreas tropicais. Coffea arábica. C. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. e Gardenia. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. . • Ixoroideae: Coffea. Gelsemiaceae. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). A.29 Rubiales medicinais L. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. nos quais se distribuem mais de 10. com representantes arbóreos. Di Stasi C. arbustivos.

flores hermafroditas. Dados botânicos Pequeno arbusto. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha.• Antirheoideae: Guettarda. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. importante árvore. . muito comuns em terrenos baldios. com corola de base gibosa. lanceoladas. com pêlos abaixo da inserção dos estames. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. estipulas não foliáceas. com espécies popularmente denominadas Poaia. fonte de emetina e outros constituintes de importância. especialmente na Amazônia. Borreria e Dioidea. Não foram encontrados sinônimos. simples. folhas curto-pecioladas. Cephaelis da famosa C. bicarpelar. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. diclamídeas. ipecacuanha. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. inteira. ovário ínfero. fruto indeiscente. e Palicourea. • Rubioideae: Psychotria.1). ereto. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. 1997). muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. carnoso e drupáceo (Figura 29. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base.

mas também considerada espécie tóxica e perigosa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. opostas. Stuart & Woo-Meng. Hil. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. de P.5 m de altura. pecioladas. (Kemmerling. E popularmente usada como medicamento. Palermo-Neto et al. frutos do tipo baga. inflorescência em panículas. avermelhadas. 2001). Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. 1989a). Nomes populares No Brasil todo. de onde partem folhas com venação tênue. sobretudo na região amazônica. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. acuminadas. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. marcgravii. delgados. 1995. Além de alcolóide. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. 1994). o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. 1999).. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica.. 1976).. glabros. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". com ramos cilíndricos. 1996. . fendleri (Nakano & Martin. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. avermelhados... foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. De-Moraes-Moreau et al.Palicourea marcgravii St. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2.

marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. midríase e morte em bovinos (Costa et al. enquanto P. comum em animais e rara na espécie humana. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. P.. Gorniak et al.teratogênica (Costa. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade.. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al..Palicourea laniflora. 1988. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. 1989). 1986). espasmos musculares. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes.1 . 1989b. FIGURA 29. 1984a. náuseas.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. Das folhas de P. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. Tokarnia & Dobereiner.. Palermo-Neto et al... Além de fluoroacetato. e a intoxicação. Segundo Schvartsman (1979). Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . contrações musculares. vômitos... et al. 1989). 1995).Banco de imagens - . falta de coordenação motora. 1982). que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. 1989. 1996). De-Moraes-Moreau et al. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P.

Viburnum. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies.30 Dipsacales medicinais L. 1997). das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Lonicera e Sambucus (Barrozo. A. Abelia e Linnaea. No Brasil. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. Os principais gêneros são Sambucus. . 1978). descrita a seguir. Di Stasi C. Lonicera. arbustos e lianas. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. também utilizado como medicinal em todo o mundo. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. C. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas.

Espécies medicinais Sambucus nigra L. além de seu histórico uso medicinal. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. considerada exótica nas Américas. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. A infusão das folhas. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. . no champanhe e no catchup.1). óleos e ungüentos. as flores são brancas. com ramos bastante lenhosos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em um corimbo branco. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. usada internamente. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. gripes fortes e varicela. e possuem aroma muito agradável. Floresce nos meses de julho a agosto. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. Apresenta importante valor econômico. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. Na região da Mata Atlântica. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. é considerada excelente diurético e sudorífico. A espécie. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. além de flavorizantes em vinhos.

1989. 1989b e 1989c). Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. lignanas. sudoríficas. De S. erisipelas e queimaduras. racemosa e S. Van Damme et al. a planta ainda é indicada contra influenza. canadensis foi isolado o iridóide . Kaku et al. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. gripes.. os ácidos graxos láurico. flavonóides. 1989a). reumatismo e febres. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral.. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. esteárico. para pequenas queimaduras. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. heptadecênico. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos.. 1990. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. nigra. folhas. sinusite. diuréticas. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. 2001). casca e frutos são usados para diminuir febres. oléico. palmítico. lectinas das cascas (Shibuya et al. 1986). descrita no trabalho de Grieve (1994). Internamente.Bown (1995) refere que flores. cianogeninas. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. catarros. mirístico.. tetradecênico.. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. externamente. 1988). S.

. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Schoning. 1986). e Polygonum aviculare. Salvia offtcinalis. 1990). O reatival. 1994). promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. conhecido como Sauco. antiinflamatória e antipirética. beta-amirina e o ácido oleanólico. 1997).. australis. O extrato aquoso de S. 1997). indicado para hidropisia. Van Damme & Peumans. 1989). sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. apresentou atividades analgésica. nigra. Prunus spinosa. 2000).. 1988). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1997). 1980). 1987). nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. formosana foram isolados. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. mexicana. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F.. 1996. Centaurium minus. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. Com base nessa constatação. 1997. .. Bojic & Cuperlovic.. que possui atividade colerética (Takeda et al. 1997a e 1997b). das folhas. 1992b e 1992). 1974)... uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita.. O extrato aquoso das folhas de S. De S. Artemisia absinthium. 1996). Sambucus nigra. Das cascas de S. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al..morronisídeo (Jensen & Nielsen. canadensis (Buhrmester et al.. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. e das raízes de S. 1997. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. 1995). As lectinas de S. De S.. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. O extrato hidroalcoólico de S.

Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ).1 .Sambucus nigra. Neto et al. 2000. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al... ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. 1999) e a espécie S. 2002). FIGURA 30.A espécie S. .

e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. C. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea).Posfácio L. Mata Atlântica. • 109 são usadas na Amazônica. A maioria é nativa desse ecossistema. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. Dessas 135 espécies medicinais. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. como é o caso do Alho (Allium sativum). da Hortelã (Menthapiperita). . das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. entre outros. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões.

compreendidas em trinta diferentes ordens. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). . das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. a Erva-doce (Pimpinela anisum). a Mostarda (Brassica nigra). o Agrião (Nasturtium officinalis). líquens. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. Esse dado se torna mais importante porque. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). o Coentro (Coriandrum sativum). As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. várias espécies amplamente conhecidas. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. o Mamão (Carica papaya). a Camomila (Matricaria chamamila). ou seja. neste livro. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. apenas dezesseis são monocotiledôneas. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. a Losna (Artemisia absinthium). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica.Dessas 135 espécies medicinais. razão pela qual não foram incluídas no texto. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. a Calêndula (Calendula officinalis). o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. 340 espécies. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal.

documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. esse conhecimento se enriquece a cada dia. como a de massa e a erudita. Finalmente. alcançando alto índice de citação.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. isto é. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. pelos mais variados grupos de pesquisadores. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. Por isso. Sobre essas. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. e que esse conhecimento seja recuperado. . para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas.

folhas que envolvem o caule. o ciclo reprodutivo e depois morre. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Baga. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Axilar. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Hermafroditas. Aguda. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Alternas. Fruto seco. com dois sexos. Acuminada. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Que fica na axila. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Amplexicaule. Arista. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Anual. os estames. pelo lado interno. . no segundo. com uma única semente. Planta que nasce. Andróginas. Arilo. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Excrescência da semente. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. indeiscente. Aquênio. Bianual. Que abraça o caule. Bainha. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo.Glossário de termos botânicos. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Androceu. Antera.

Crenada. Planta trepadeira. Fruto monospérmico.Bráctea. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. dois mais altos e dois mais baixos. Qualquer órgão que cai em determinado período. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Decumbentes. Caduco. deiscente. Conjunto de sépalas. com função de proteção. androceu ou planta que possui quatro estames. Carpelo. Pedúnculo geralmente sem folhas. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Endosperma. Camada externa do pericarpo. normalmente largo. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. que é o verticilo externo da flor. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Carena. . quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Na forma de cunha. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Decorrente. Dicotiledôneas. Com a forma de elipse. Cuneiforme. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. seco e indeiscente. Cariopse. Drupa. Estandarte. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Corimbo. Diz-se da flor. Elíptico. Colmo. Diclamídea. Que se abre. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Cada um dos apêndices. Corola. Conjunto de pétalas. Estipula.: cana-de-açúcar. Estilete. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Cápsula. tornando-o alado. Cálice. como o fruto das gramíneas. inseridas em um eixo comum. Deiscente. Escandente. Capítulo. Escapo. Folha modificada que origina o gineceu. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Ex. mas sempre terminando na mesma altura. Didínomo. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Fruto seco. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. em geral dois. Epicarpo. Pétala superior da corola papilionada.

complexas e variadas nas formas. o de corola. que juntos constituem o perianto. que é ramificada igualmente em forma de pincel. e ao de pétalas. trímeras. pentâmeras etc. . As flores podem ser dímeras. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. As flores são estruturas de reprodução.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Filete.Estômato. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Fasciculada. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Flores. Folha. Parte do estame que sustenta a antera. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado.

e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.

às vezes reduzidas. . às vezes numerosas.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. as folhas podem ser pecioladas ou não. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. ou com o próprio caule. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. Nesses casos.quando consta somente uma lâmina . no caso das folhas compostas pinadas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . recebendo o nome de folíolos (ou pinais). que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis.quando se compõem de duas ou mais lâminas.ou composta .

conforme se observa na figura a seguir.Finalmente. Todas essas características. mais aquelas apresentadas para as flores. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. .

Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Diz-se da folha em forma de círculo. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Gineceu. Folículo. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Indeiscente. os carpelos. e as principais são motivadas na próxima figura. Monoclamídea. Glabro. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. deiscente. Planta que produz flores unissexuais. Lígula. Porção alargada e achatada da folha. Gluma. Oblonga. Planta ou flor com dois sexos. Lóculo. Fruto seco. Monocotiledôneas. Provido de pêlos longos. Flor com apenas um invólucro no perianto. Lanceolada. Que não se abre. Metaclamídeos. em linhas gerais. Lâmina. porém presentes na mesma planta.Folíolo. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Hermafrodita. Diz-se da folha que tem a forma de lança. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Lobado. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Infrutescência. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Monóica. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Orbicular. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Gavinha. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. . Desprovido de pêlos. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Brácteas externas que envolvem a espigueta. é constante para cada espécie vegetal. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Inflorescência. mais longa que larga. Hirsuto.

..Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. 1978).

Ácidos orgânicos. succínico. Cálice modificado em pêlos. Racemo. Papilho. Ácido graxo. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. dibásicos. dispostas circularmente. palmítico. Substâncias orgânicas. Alcalóides. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Tomentoso. nitrogenadas de origem vegetal. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Planta ou órgão denso. cáprico. Perene. Planta com ciclo de vida superior a três anos. esteárico. característico da família Asteraceae (Compositae). Hidrocarboneto não saturado. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. gálico. mirístico. Perianto. Qualquer substância de sabor ácido. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Que forma gancho. incolor. Conjunto de estruturas com a mesma função. Exemplos: ácidos acético. o mesmo que cacho. Rizoma. Ráquis. linoléico. com cheiro desagradável. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Zigomorfa. Séssil. Estruturas com simetria bilateral. Uncinada. Ácido. cerdas ou aristas. Qualquer estrutura provida de pêlos. isovalérico. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. fenólico e tartárico. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. cujos pêlos se entrelaçam. Verticilo. solúvel em água. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Caule subterrâneo.Panícula. gasoso. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Pecíolo. Termos químicos Acetileno. . Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Podem ser monobásicos. Conjunto formado por cálice e corola. araquídico. oléico. fórmico. Pubescente. Receptáculo. aromáticos etc.

Ver esteróides. . tais como os hormônios. Compostos naturais ou artificiais. Cumarinas. Betaínas. que exercem várias funções. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Exemplo: p-cimeno. Catalase. eugenol e hidroquinonas. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Carboidrato. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). vegetais e animais. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Flavonas. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Amilopectina. Fitosterol. Compostos alifáticos. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. estragol. Aldeído. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Líquidos incolores. onde exerce importantes funções. Compostos aromáticos. voláteis. São corantes vegetais. Aminoácidos. Exemplos: carvacrol. Cetonas. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Compostos orgânicos não-cíclicos. originam as flavononas.Alcoóis. como a quercetina. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Esteróides. Fenóis. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Esterol. derivados do cicloperidrofenantreno. Ou hidrato de carbono. encontrado nos organismos vivos. timol. Uma das substâncias constituintes do amido. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Flavonóides. com caráter gelatinoso. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. amarelos e roxos.

derivados do fenilpropano. Heterosídeo. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Compostos cíclicos. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Peroxidase. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. Lipídios. recobrindo-as com uma camada protetora. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Hormônio secretado pelo pâncreas. Combinações orgânicas do tipo da glicose. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Substâncias que. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Hidrocarboneto. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Glicídios. . Insaturados. Glicosídeos. oxidando outros compostos. Ligninas. Lignanas. geralmente de odor agradável. Mucilagens. Insulina. Compostos cíclicos. Líquido oleoso. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas.Fosfolipídio. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Líquido incolor e aromático. Lactonas. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. sofrem hidrólise. pela ação de ácidos diluídos. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Óleo essencial. Hidrolato. Peróxido.

Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. . Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Antigonorréico. Anemia. Capaz de promover expulsão do feto. Antibacteriano. Anticatarral. Antiescorbútico. Que suprime náuseas ou vômitos. Queda dos cabelos. calvície. Que combate fungos. Que reduz a capacidade de reprodução. involuntárias de músculos voluntários). Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Angina. Delírio. Que combate a eliminação de muco. violenta. antigonorréico. ato ou efeito de desvariar. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Adstringente. Que reduz ou suprime a dor. Alopecia. Que combate as convulsões (contrações violentas. Antiespasmódico. Acne. sufocação. Antifertilidade. Antiemético. perda momentânea da razão. Falta de menstruação. Tumor maligno com disposição glandular. Que aperta. Adenocarcinoma. Antiblenorrógico. que impede a formação de catarro. Dor sufocante. Antifúngico. Agrupamento. aglomeração. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Afrodisíaco. Antidiabético. Antidisentérico. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae.Termos médicos Abortivo. Anestésico. que prende. Agregação. Expectorante. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Alucinação. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. especialmente táctil e dolorosa. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. que provoca constricção. de um músculo ou grupo de músculos). a sangue). Auticonvulsivante. podendo ser feminina ou masculina. às vezes. Afasia. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Amenorréia. doença sexualmente transmissível. Analgésico. Que aumenta ou excita o desejo sexual.

Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antileprótico. putrefação ou contaminação microbiana. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate a lepra. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Que combate a sífilis. especialmente bactérias. . Que combate as doenças provocadas por vírus. Relativo à tosse. Béquico. Anti-histérico. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. popularmente chamados de vermes dos intestinos. desinfetante. Cálculo. Que combate helmintos. Que combate micróbios. falta de emoção. Que impede a fermentação. Anti-séptico ou Antisséptico. Antinociceptivo. Que combate o corrimento vaginal simples. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). inatividade. formada por sais minerais. Que combate o reumatismo.no. também chamada de paludismo. Anti-sifilítico. quase sempre transmitida por contato sexual. Estado de indiferença. Antineoplásico. Que combate tumores. Que combate as inflamações. Antitumoral. Ataxia. Que combate a formação de tumor maligno. Antimalárico. Antivirótico. insensibilidade.Anti-helmíntico. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. em geral acompanhada por desordens na fala. que serve para o tratamento da tosse. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Antileucorréico. Antivenéreo. Antiinflamatório. nos rins e/ou na vesícula biliar. Que faz baixar a temperatura. Anti-reumático. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Apatia. febre paludosa ou palustre. Antitérmico. Que dilata os brônquios. Brônquios. Em geral se forma na bexiga. Anorexia. Que combate a histeria. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Redução ou perda de apetite. Anti-hemorroidal. Antimicrobio. Broncodilatador. doença causada pelo Treponema pallidum. Antipruriginoso.

Catártico. Que alivia a distensão por gases. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Que provoca vômito. purifica. Emoliente. Dispepsia. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Que tem a propriedade de amolecer. Que deprime. Infecção por bactérias. Desobstruente. reduz a força. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Cardiotônico. Que desentope. caracterizado visualmente pelo inchaço. Colagogo. Depressor. sensação de peso ou queimação no estômago. dificuldade para respirar. Dispnéia. Depurativo. acompanhada de náuseas. crostas e secreção. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Dermatite. gripe comum. Sudorífico. Citotóxico. Disfagia. que previne a invasão de microorganismos. Respiração difícil. Carminativo. Purgativo. Constipação. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Prisão de ventre ou. Eczema. Indigestão.Carbúnculo. Que limpa. Que favorece ou provoca menstruação. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. enfraquece. libera a passagem de um vaso ou canal. do estômago etc. gripe. do intestino. Inflamação da pele. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. que ativa a eliminação de bile. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Diurético. Cicatrizante. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. estimulante da transpiração. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Emenagogo. Que favorece o fluxo biliar. Dificuldade na deglutição. Emético. empachamento. resfriado. Edema. Diaforético. particularmente a pele inflamada e porções próximas. que separa substâncias nocivas. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Que favorece a secreção urinária. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Desinfetante. . Congestão. reduz a excitação. também.

Relativo ao estômago. Glicosúria. Hipocolesterolêmico. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. pigmentação amarela generalizada da pele. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Hepatotóxico. Que baixa a taxa de glicose no sangue. que estanca hemorragia. Hiperglicemia. Que aumenta a pressão sangüínea. Hemostático. com anemia. com bradicardia (pulso lento. Tóxico para as células do fígado. Que baixa a pressão sangüínea. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Que produz imobilidade emocional. Expectorante. Distensão por gases no intestino. Fungicida. estado de irritação. Derrame de bile no sangue. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Relativo ao fígado. Fitofármaco. Capaz de promover estímulos. Células do fígado. Excitante. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Estimulante. O mesmo que arroto.Erisipela. Hipotensor. Que estimula ou provoca a ação. Hidropisia. Que combate fungos. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Que combate a febre. Hipertensor. Ictericia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. no estômago etc. Fitoterápico. Estomáquico. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Hepático. Hepatócitos. Farmacoterápico. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. que facilita as funções do estômago. Estupefaciente. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. com vermelhidão. . espanto. Fitoterapia. que leva à perda de atividade. que melhora o funcionamento do fígado. Relativo a hemostasia. Febrífugo. produz sono e alivia a dor (narcóticos). deposição de bile nos tecidos. Eructação. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Hipoglicemiante. Flatulência. assombro.

afecção cutânea. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Plaquetas. Que adoça ou acalma. tranqüilizante. Narcótico. que acalma. importantes para a coagulação sangüínea. Que alivia excitação. Resolutivo. Que produz gordura. Linfocitotóxico. droga que paralisa as funções do cérebro. Lipogênico. Incapacidade de reprodução. Lenitivo. Moluscicida. Peitoral. impaludismo. Tóxico para as células brancas do sangue. Relativo a peito. Poliária. como no caso da esquistossomose). Presença de taxa elevada de gordura no sangue. causado por gordura. Laxativo. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Parasitemia. Dor na região lombar (costas. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Infertilidade. Midríase. Corpúsculos sangüíneos. Inseticida.Impingem. Lepra. Dilatação da pupila. Malária. Purgativo. Nefrotoxicidade. que apenas exonera o intestino. purgativo fraco. Que laxa ou afrouxa. Que produz sono ou inconsciência. purgante. Lumbago. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. produzindo sono e alívio da dor. Parasiticida. Estado que é tóxico ao rim. Que mata ou destrói parasitas. Morféia. Grau ou índice de parasitas no sangue. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Sialagoga. dorso). que faz cessar inflamação. Excreção excessiva de urina. o mesmo que laxante. Lipemia. Sedativo. calmante. Maleita. Substância que mata insetos. Mutagênico. . Que resolve.

Vermífugo. Próprio para curar feridas. Vesicante. Vulnerário.Sialorréia. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Sudorífico. . que facilita a saída de pus. bolhas. Testículo. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Tranqüilizante. Teratogênese. Que destrói ou afugenta vermes. Que tranqüiliza. Salivação abundante. Revigorante. Supirativo. Zigotóxico. Que produz pus. que acalma. Tóxico para o zigoto. Que provoca vesículas. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Tônico. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Sinusite. Diaforético.

1986. os autores são citados no texto. p. n. os autores são citados como nos casos das revistas. . v. ABDULLAEV. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. Prod. (Tashk). ABDALA.5. 1995a.4. p. et al. Um autor. ABDU-AGUYE. 1995. . Human Toxicol.. fascículo. simpósio ou similar. . dissertações e outras publicações do gênero. 1986.38. SEELIGMANN. D. incluindose volume. et a l j . n.5. nos casos de dupla autoria. Khim.326-32. apenas sua referência. p. v.269-74. página e ano. I.43. Soedin.871-2. Prir. Nat. O mesmo se aplica a teses. Biochemical Systematics and Ecology. v.. p. ABE. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo).12.23. n. página inicial e página final e ano de publicação.7-8. • Quando se trata de livro.2. Soedin (Tashk). 1985. ABDEL-KADER. v. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros).499-500. n. et al. p.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor.60. 1997.3.657-63.l69-71. R. Prir. n. L. Os dois autores. nos casos em que há mais de dois autores. p. S.3. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. et al. n. v. seguindo-se o título do congresso. nos casos de única autoria. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. p. M. N. 1995. n. Khim. P Lilloa. F.1294-7.

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227-8. 342-3. 489 Bidens pilosa. 154 Alternanthera micrantha. 65. 115 Aristolochia trilobata. 111 Annonaceae. 81 Arecidae. 449 Bixa arborea. 468-9. 364 Apocynaceae. 143 Acanthospermum australe. 42-3 Andropogon nardus. 351-2 Averrhoa carambola. 78 Alpiniajaponica. 113-5. 360 Anacardium occidentale. 468-9. 102. 480 Bignoniaceae. 361 Andropogon leucostachys. 368 Arecaceae. 75 Allium sativum. 152. 140-1. 79 Alismatidae. 461 Ageratum conyzoides. 65. 56. 340-3. 52. 475. 480. 95-9. 458-6 Achillea millefolium. 68. 377-78. 148 Anacardiaceae. 463 Asteridae. 316 Bidens bipinnatus. 488 Bauhinia forficata. 467. 79 Allamanda cathartica. 113 Asclepiadaceae. 62 Alternanthera brasiliana. 43 Annona muricata. 463-5 Asterales. 465. 58. 202-4 . 79 Aristolochia. 479. 474. 90-3. 3512. 93. 373 Averrhoa bilimbi. 113 Aristolochiales. 351-2 Baccharis trimera. 381-5. 96. 364 Apiales. 77 Aloe vera. 90 Apiaceae. 67. 65-6. 110 Annona tenuiflora. 69-74. 149. 487 Alismataceae. 119 Aristolochiaceae. 386 Asteraceae. 391 Allium cepa.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 223 Bixa orellana. 149-50 Amaranthaceae. 475. 466 Adenocalyma alliaceum. 345. 467-8. 450. 201-2. 339-40 Anacardium giganteum. 376 Araliaceae. 453.

266 Capparidales. 247. 276 Fischeria cf. 496 Dipteryx odorata. 178 Cybianthus. 395 . 190 Cucurbitapepo. 49 Cymbosena roseuna. 385 Hirtella. 54. 300. 388 Croton cajucara. 280. 231 Celastrales. 151-2. 387 Gentianales. 331 Celosia argentea. 318 Desmodium tortuossum. 272. 236 Euphorbiales. 236 Euterpe edulis. 163 Chenopodium ambrosioides. 154. 308 Dipteryx punctata. 63 Heliconia. 393 Cordia verbenacea. 398. 61 Heliotropium indicum. 322 Clusiaceae. 214 Himatanthus. 408-9. 275 Hydrocotyle exigua. 259 Hedychium coronarium. 170 Chenopodiaceae. 373 Eupatorium ayapana. 201 Boerhavia difusa. 298 Derris floribunda. 287 Cassia occidentalis. 152-3. 215. 301-2. 299 Dillenidae. 238 Cucumis anguria. 207. 327 Cassia multijuga. 365-9. 366-7 Hymenaea courbaryl. 284 Hyptis crenata. 302 Echinodorus grandiflorus. 297 Capparidaceae. 279. 185. 292 Caesalpiniaceae. 402-3 Cactaceae. 44. 213. 272 Clidemia novemnervia. 276-7 Cajanus cf. 299. 46-7. 265 Caprifoliaceae. 411 Hibiscus furcellatus. 53-4 Coutoubea spicata. 147 Caryophyllidae. 255 Croton sacaquinha. 413-4. 210. 496 Caryophyllales. 82-3 Fabaceae. 163-4 Chrysobalanaceae. 430. 298 Derris amazônica. 235 Cecropiaceae. 407.Bixaceae. 287 Cecropia peltata. 312 Ipomoea batatas. 286. 179 Cucurbitaceae. 80. 406 Brunfelsia grandiflora. 319 Dipsacales. 471 Gomphrena globosa. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 175 Diplotropis purpurea. mariana. 230-2. 145 Caryophyllus aromaticus. indicus. 394-5 Ipomoea quamoclit. 178-9. 440 Costus spiralis. 237. 225 Guttiferales. 41-2 Convolvulaceae. 205. 150. 379. 155-6 Caesalpinia ferrea. 172 Boraginaceae. 212-3. 171 Gossypium barbadense. 481. 282-3. 264-5 Cymbopogon citratus. 242. 296 Fabales. 441 Inga spectabilis. 386-7 Gentianaceae. 375 Gnaphalium purpureum. 224 Hibiscus sabdariffa. 165. 470. 295. 83 Eryngium ekmanii. 259 Commelinidae. 211. 287-8 Cassia reticulata. 206-7. 315 Caesalpinia pulcherrima. 490 Euphorbiaceae. 382-3. 285. 283. 281. 292. 231 Celastraceae. 324.

60 Myristicaceae. 303 Myrsinaceae. 432 Ocimum canum. 443 Liliaceae. 332. 196 Monocotiledonae. 136 Piperaceae. 158 Pothomorphe peltata. 121. 495 Palicourea cf. 239-40. 427 Ocimum gratissimum. 429. 425. 277 Leonotis nepetaefolia. 426. 424. 311 Momordica charantia. 180. 416. 350 Palicourea cf. 245. 137 . 321 Nyctaginaceae. 135 Piper marginatum. 161 Ocimum basilicum. 191 Lamiaceae. 444 Mentha pulegium. 173 Phyllanthus corcovadensis. 332. 422 Oxalidaceae. 122-3 Piper cernnum. 425-6. 442 Leucas martinicensis. 195 Mabea angustifolia. 103 Myrocarpus frondosus. 323-4 Myrtales. 229 Musa. 389 Luffa cylindrica. 39. 192 Pedaliaceae. 133 Piper gaudichaudianum. 337 Polyscias. 134 Piper d. 108 Persea gratíssima. 167-9. 184-9. 402-5 Phytolacaceae. 417. 132 Peperomia. 204 Malvales. 162 Portulacaceae. 64 Lippia alba. 233 Muntingia calabura. 414. 258 Physalis angulata. 238-9. 139 Mentha piperita. 431. 191-2. 369-72 Portulaca oleraceae. 181-2. 419-20. 240-1 Magnoliidae.Jacaranda caroba. 130. 129. 87 Magnoliales. 451-2 Jatropha curcas. 61 Musaceae. 125. 418 Mentha viridis. 419. 185. 120 Poaceae. 412-3 Lamiales. 415-6. 432. 252. 166 Piper cavalcantei. 160. 79 Moraceae. 161-2 Portulaca pilosa. 198 Lacistemaceae. 494-5 Passiflora coccinea. 221-2. 199 Passifloraceae. 64 Liliidae. 427-8. 126-7. 337 Malva parviflora. 432 Ocimum micranthum. laniflora. 241. 108 Petiveria alliacea. 334-6 Melastomataceae. 336 Maytenus ilicifolia. 121-2 Pereskia grandifolia. 244-6. 256 jatropha gossypifolia. lhotzkyanum. 406 Lauraceae. 89 Malpiguiaceae. 431. 250-1. 107 Leguminosae. 254. 192-3. 427. 420. 445 Mimosaceae. 124. 434-5 Lippia granais. 42 Pogostemon patchouly. 321 Menispermaceae. 106 Laurus nobilis. 64-5 Liliales. 446 Origanum vulgare. 200 Maytenus aquifolium. 251 Lacistema. 125. 262 Myrtaceae. 123. 422-3. 421. 128. 156-7 Persea americana. 208 Malvaceae. 435 Loganiaceae. 447 Polygalales. 131. 158-9. 427. 399-400.120 Piperales. marcgravii. 453 Peperomia elongata. 493.

228 Thevetia peruviana. 215-6. 457-60. 103-6 Vismia japurensis. 213. 339 Schinus terebenthifolius. 269 Rubiaceae. 226 Solanaceae. 216 Stigmaphyllon fulgen. 138 Primulales. 322 Rosaceae. 50 Sambucus nigra. 347. 58 Zingiberaceae. 492 Ruta graveolens. 52 Zingiberales.Pothomorphe umbellata. 400 Solanum tuberosum. 471 Sorocea bomplandii. 472. 482. 453-6 Sida rhombifolia. 218. 485. 273 Rosales. 349. 55. 497-500 Sansevieria. 94-5. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 457 Scrophulariales. 182 Sesamum indicum. 189. 230-1 Verbenaceae. 320 . 227 Theobroma speciosa. 139 Rhynchanthera grandiflora. 132. 345. 393 Solanum paniculatum. 99. 484 Zollernia ilicifolia. 51 Zinigiberidae. 477. 449 Sechium edule. 412 Tagetes erecta. 492 Rubiales. 350. 478 Theobroma grandiflorum. 474. 360 Scoparia dulcis. 48. 326 Psydium guajava. guineense. 361 Sterculiaceae. 338 Strychnos triplinervia. 221 Urena lobata. 379-85 Tiliaceae. 330 Pyrostegia venusta. 112 Zingiber officinale. 274 Psydium cf. 101. 217-9. 338 Stigmaphyllon strigosum. 76 Sapindales. 312. 262 Prunus domestica. 491 Spondias purpurea. 479. 344. 401 Solidago microglossa. 271 Rosidae. frutescens. 233-4 Spilanthes acmella. 208-9. 390 Symphytum officinale. 354-7. 452. 409. 434 Violales. 45. 209 Urticales. 353 Saccharum officinarum. 397-8 Solanales. 363 Rutaceae. 197 Xylopia cf. 325-9. 177-8 Virola surinamensis. 473-4. 51 Zinnia elegans. 183. 462 Ranunculales. 127. 463 Scrophulariaceae.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Capa: tsabel Carballo .Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. do Departamento de Farmacologia. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. do Departamento de Fisiologia. Campus de Botucatu. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones.

Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. .