Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

.Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

Acreditamos que. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. comprometimento do abastecimento de água. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. empobrecimento do solo. pois. ou significam estratégias proibitivas. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. ou melhor. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas.perda da fauna e da flora. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. mas pouco se faz. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . se propõe e se discute sobre o assunto. a falta de propostas decorre de um dos dois. alterações climáticas. conse- . é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. provavelmente. Nos últimos anos. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. que em sua maioria não resolvem o assunto. entre outros -.

portanto. atualmente. entretanto. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. mas inclui ainda interesses econômicos. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .quer sejam grupos definidos. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. como mais um produto para comercialização. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. quer sejam comunidades tradicionais. São eles que conhecem a floresta. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. permitir grandes avanços na conservação. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. Por sua vez.qüentemente. não se dá apenas visando à sobrevivência. os moradores da floresta . seus produtos e suas relações. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. como os ribeirinhas da Amazônia. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. Para tal. Consideramos. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. São eles que podem. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. priorizadas. regional. os pescadores do Vale do Ribeira. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. Nesse aspecto. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. a contribuição deste . Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. Dessa forma. sem dúvida alguma. Essa relação. Nesse sentido.

Foi a partir de pesquisas que realizamos. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. conseqüentemente. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. Não custa lembrar e salientar. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. entretanto. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. No entanto. pagando o preço de um trabalho mais social.livro é um começo. Começamos o trabalho. considerando os aspectos aqui referidos. Passou da hora de a ciência e a política. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. A equipe já não era a mesma. na verdade. Dessa forma. publicado originalmente em 1989. já que dez anos haviam se passado. em janeiro de 1999. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. cada qual havia tomado seu caminho. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. e também no de desenvolvimento. mais abrangente. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. como instituições determinantes para o avanço.

químicos. farmacológicos. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. outro importante e singular ecossistema brasileiro. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. Nessa nova etapa. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. Por si só. à medida que. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. por outro. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. pelo menos as mais citadas. Estado de São Paulo. buscamos informações em diversos endereços. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. incluindo fotos de algumas espécies. por um lado. No entanto. além dos desenhos apresentados inicialmente. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. a nova idéia não tinha mais como retornar. Chemical Abstracts). A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. Index Medicus. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira.proposta original.não . Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM).

Com essa nova concepção.em artigos científicos e técnicos. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. que serão úteis. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. A conservação dos ecossistemas tropicais. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. No entanto. como é o caso da Amazônia e. hoje. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. sempre foi uma preocupação constante. especificamente. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. mais acessível que os artigos . mas um novo trabalho. mas as plantas medicinais. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. sem dúvida. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. especialmente os mais ameaçados. não apenas catalogando espécies medicinais. mas com um livro. passaram a representar uma nova alternativa . da Mata Atlântica. durante todo esse período. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área.

e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico.para a conservação dos ecossistemas. Luiz Claudio Di Stasi .não pode ser apenas a retórica. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. Nesse sentido. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. municipais e federais) e não-governamentais. mas pouco realizado na prática. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. apesar de preliminar e pequena. realizadas de forma racional e sustentável. Finalmente. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico .somando-se a isso a busca de novos medicamentos.

mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. a nosso modo de ver. evitando-se. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. Em segundo lugar. Em terceiro lugar. realizar um estudo etnofarmacológico regional.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. desse modo. Em primeiro lugar. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. que esse conhecimento seja perdido. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. o que. pretendeu-se.

Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. Osvaldo Aulino da Silva. realizado no município de Humaitá. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). Em quarto lugar. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). além dos objetivos aqui expostos. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. consideramos que a ciência. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Nesse contexto. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. juntamente com o Prof. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Nesse contexto. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais.natural. que potencialmente es- . químicos. com a promoção de melhores condições de vida para a população. com as atividades deste trabalho. Finalmente. da qual o próprio pesquisador faz parte. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. e que visa. Por outro lado. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. como qualquer outra atividade humana. pretendeu-se. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. com os conhecimentos adquiridos. deve ter um componente social em seu escopo. farmacologistas etc).

clima. pela sua característica multidisciplinar. como seres vivos. estágio de desenvolvimento. portanto é urgente a sua consideração.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. que podemos denominar ecológico. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. No entanto. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. consideramos de grande importância colocar que. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). que se superando as dificuldades. antropólogos e químicos. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. no entanto. propiciou um imenso prazer. farmacologistas. e nossa experiência é prova disso. estações do ano e outros). O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. essa área requer um enfoque novo. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. Acreditamos. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. para que o conheci- . verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. tipo do solo. além de botânicos. além de engrandecer o trabalho. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie.

Luiz Claudio Di Stasi . o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. que. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. além de tornarem possível este trabalho. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país.mento tradicional seja devidamente resgatado. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. acrescentaram uma experiência rica. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto.

e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. e. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. Dessas. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. por fim. apesar disso. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. a grande maioria na região amazônica. (Cena III.. Ato II de Romeu e Julieta .William Shakespeare. mas os primeiros registros remontam a milênios. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo.. Observa-se. portanto. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. de um lado. O Brasil contribui com 120 mil espécies. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. quando se constata. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial.

de outro.Campinas) .criteriosos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Profa. Mas o passo foi dado. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Quando dizemos criteriosos. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Por último. Dra. efeitos observados. como este que aqui se apresenta. posologia. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Levantamentos etnofarmacológicos. e isso é o que importa. enfim. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. a distância vencida.

No entanto. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. .Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. que. no caso da Amazônia. conforme aponta Philip M. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. apesar da pobreza dos solos. De fato. Dada a fragilidade desse equilíbrio. Atualmente. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. Fearnside. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. provenientes da evapotranspiração. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. A exploração madeireira. por se tratar de uma importante fonte de perturbação.

levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. ecológico e histórico. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. De qualquer maneira. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. do ponto de vista social. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. desde o leigo ao mais especializado. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Somada a isso. das quais poucas foram estudadas.Rio Claro) . por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. e. riquíssima em espécies. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. Luiz Claudio Di Stasi. portanto. Plantas medicinais na Amazônia. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. por outro. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. Prof. julgamos altamente preocupantes: por um lado.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. acarreta duas situações que. coloca às mãos dos leitores. honrado em apresentar esta obra. Dr. fruto de um trabalho sério de pesquisa. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. Sinto-me.

• Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Vale do Ribeira. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. no Estado de São Paulo. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. sul do Estado do Amazonas. conforme descrito a seguir: . no Amazonas. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. • Aldeia dos Tenharins. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. resumidamente. Jacupiranga e Sete Barras.Metodologia de pesquisa Apresentamos.

ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". No caso de material em fase de floração. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Amazonas. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. a coleta errada do material. evitando-se. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). assim. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. Departamento de Botânica do Instituto de . cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). Para materiais fora da fase de floração. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. Para as espécies da Amazônia.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia).

e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. .Biociências da UNESP .Rio Claro. Sites da Internet. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. Itajaí . Chemical Abstracts. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Index Medicus (Med-line).Santa Catarina. as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Botucatu.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". para sua identificação. Outras informações (agronômicas. Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais.

Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam.incluindo as monocotiledôneas medicinais. como havia sido feito na primeira edição deste livro. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. . com o tempo. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.

dados botânicos e outras informações (quando for o caso). especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. • Dados químicos. .nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. .incluindo as dicotiledôneas medicinais.• Parte II . Para cada capítulo.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae .Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . as quais se subdividem em cinco seções: . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. em vários casos. dados ecológicos e distribuição.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. que compreendem uma descrição botânica. incluindo: . • Introdução sobre a família botânica ou. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae.

• Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.• Dados farmacológicos. formatadas e montadas para inclusão no livro. encontram-se um glossário de termos botânicos. UNESP. • Dados toxicológicos. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. . Essas ilustrações constavam do livro Plantas. formatado e montado para a inclusão neste livro. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. além de uma extensa bibliografia atualizada. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. Instituto de Biociências de Botucatu. de vários tipos: .Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. C. No final do livro. . formatadas e montadas para inclusão no livro.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. . .

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). A. Outras ordens botânicas como Juncales. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. Santos L. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). M. Typhales. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. Xyridaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. C. M. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. Hiruma-Lima E. Guimarães C.1 Commelinidae medicinais C. pelo seu grande valor ornamental. algumas delas descritas neste capítulo. Mayacaceae e Commelinaceae. .

ferragem. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. 1996). gêneros alimentícios como bebidas. A família é dividida em quarenta tribos. açúcar e trigo. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. amido. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. açúcar e óleos essenciais. que incluem vários gêneros. que inclui alguns importantes gêneros. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). ácidos fenólicos. . Os outros constituintes incluem alcalóides. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. do ponto de vista de espécies medicinais. respectivamente. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. Saccharum e outros. como Sorghum do sorgo. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. Várias espécies possuem importância terapêutica. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. • Centothecoideae. e o gênero Oryza. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. • Panicoideae. substâncias cianogênicas. Cymbopogon. é a mais importante. • Pooideae. também denominada Gramineae. Arundinoideae e Chloridoideae. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. que inclui os gêneros Secale e Avena. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. flavonóides e terpenóides (Evans.A família Poaceae. do famoso centeio e da aveia. cujo representante principal é o arroz. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. subfamília que. mas sem importância medicinal. Andropogon nardus. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. Paspalum. saponinas. principalmente Zea mays (milho). Zea. reunindo inúmeras utilidades.

espiguetas sésseis e fruto cariopse. os quais. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico.K. possuindo um grande número de ramos.5 m de altura. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. por sua vez. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. com folhas invaginadas bastante agudas. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Em outras regiões do país. Andropogon nardus L. glabros e curvados. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. podendo atingir até 2 m de comprimen- . Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal.B. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. os colmos são finos. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. Em outras regiões do país.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H.

as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. . eretas. Capim-sidró. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. formigas e traças. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk.to. compridas. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Patchuli-falso. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal.) Stapf. Erva-cidreira. com grande valor econômico. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. formando uma touceira robusta. bainha larga e lígula na base do limbo. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Capim-marinho. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. rizoma semi-subterrâneo. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas.1). problemas estomacais e febre. Capim-limão. Capim-cheiroso. Capim-cidrão. Sídró. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. tais como flexuosus. folhas alternas. com nós e entrenós. lineares. Vervena. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. 1962). marginatus e validus. Cymbopogon citratus (DC. ásperas em ambas as faces. sudoríficas e carminativas. Capim-cidreira.

no Ceará. espiguetas com flores pequenas. colmo arqueado na base.Na região da Mata Atlântica. verde ou violácea. Na região da Mata Atlântica. ápice agudo. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. lineares. fruto do tipo cariopse ovóide. duas vezes ao dia. a infusão das folhas é usada como antidiurético. no Rio Grande do Sul. gripes fortes. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . calmante e antiespasmódico (Barros. simplesmente. nervura central saliente e bainha espinescente. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. dores de cabeça e dores musculares. Matos & Das Graças. carminativo. 1980). 1982. 1988). contra gripes. no Mato Grosso. Cana. folhas amplexicantes. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa.. em Brasília. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. simples. 1980). Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. 1 dísticas. no Pará. planas. Saccharum officinarum L. ásperas. na forma de banho (Amorozo & Gély. o suco do colmo da planta. articulado e um pouco mais grosso nos internós. como diurético. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante.2). Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. como calmante e antiálgico (Van den Berg. 1982). hermafroditas. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo.. dores de cabeça e disenteria. reumatismo e febre. cilíndrico. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pequeno (Figura 1. 1986).

contra resinados e anginas e. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno.4%). geraniol.. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al.e b-pineno. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. 1997). metil-heptenona. citronelal.8-cineol. como citronelal. isovaleraldeído e decilaldeído. metil-heptenol. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. como o geraniol. 1997). vários aldeídos. felandreno. neral. além de seus isômeros geralúal e neral.. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. nerol. laurato de etila. vômitos da gravidez (Corrêa. contra úlceras da córnea. febres. 1986). cariofileno. rachas dos seios. mentol. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. 1984).diurético e contra hipotensão. limoneno. 1996. externamente. 1981). Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. terpenos e dipenteno (Costa. Ming et al. neral. internamente. . Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). chumbo e cobre. 1996). 1. linalol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. aftas. escarlatina. envenenamento com arsênico. tuberculose. farnesol. erisipela. O óleo essencial de C. mirceno. a. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. cólera. cetonas e alcoóis. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças.

2002. citratus. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho.8%). 1995). 1986 e 1987.. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1986 e 1987)... 1988). toxicológico e clínico com essa espécie. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho..9%) e neral (33.. O extrato metanólico de C. mirceno (12. 1984. Onawunmi & Ogunlana. e Di Stasi (1987). analgésica (Viana et al. 1988).5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. no entanto. Lorenzetti et al.. Os principais constituintes das folhas de C. enquanto Ferreira et al. 2000. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal.. 1998). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1997). não observando propriedades de interesse terapêutico.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al.. geranial (45. 1983 e 1989a). Di Stasi et al. 1986. 2002). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1988). O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. 1996). citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al.. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. 1988). O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. Onawunmi et al... citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. 1989) e antioxidante (Lopes et al. . Pinho et al.. 1988). 1997) e o extrato de C. (1983) referem atividade antiespasmódica. 1990). citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. 1997). relatam. A atividade antibacteriana de C. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al.. Com as folhas de C. anti-helmíntica (Jourdan. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. Onawunmi. 1985).. (1985)..

bradipnéia. Foi isolado também o policosanol. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. 1997.. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. Hikino et al. citratus.Em relação a outras espécies do mesmo gênero.. ferúlico e sinápico (He & Terashima.. um álcool alifático com alto peso molecular. perda de postura. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. ligninas e ácidos fenólicos. ácidos p-coumárico. 1999). O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. Menendez et al.. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. 2000). também conhecido como Capim-cidrão. citriodorus. sedação e defecação (Ferreira et al. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. ataxia.. visto o grande número de trabalhos com C. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. 1988). capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. . Dados toxicológicos O óleo de C. 1986a).. 1989). De S. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. 1990). Além de hipocolesterolêmico. Para a espécie Saccharum officinarum. 1983). Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra.

b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).1 . .FIGURA 1.Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.

Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Banco de imagens ). .Saccharum officinarum.FIGURA 1.2 .

Cannaceae e Marantaceae. M. M. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. De todas essas famílias. . especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. As espécies da família Bromeliaceae. A. Zingiberaceae. Lowiaceae. importante produto de comercialização. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Tal uso não é comum na região amazônica. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. C. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Guimarães C. Santos E. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Hiruma-Lima L.2 Zingiberidae medicinais C. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae.

descrita por Ivan Ivanovic Martinov.100 espécies tropicais espontâneas. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. Renealmia e Riedelia. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. inclui 52 gêneros. Costus e Hedychium. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. com folhas membranosas. Vindecaá e Vindicáa.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. especialmente as famosas Canas-do-brejo. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. Alpinia. algumas delas aqui descritas. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. Curcuma. nos quais estão distribuídas 1. com várias espécies medicinais. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. lâminas . e • Zingiberoideae. destas. larga bainha na base que envolve o caule. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. na qual se localizam os gêneros Zingiber.

Dados da medicina tradicional Na Amazônia. podendo chegar a até 35 cm de comprimento. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. 1988). mas com algumas espécies em regiões tropicais. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. . ocorrendo em abundância em regiões alagadas. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. gineceu com ovário ínfero. entouceirada. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. trilocular e muitos óvulos (Figura 2.5 m de altura. ápice agudo e base arredondada. espessas. descrito por Carl Linnaeus. contra sarampo. flores em grupos com brácteas vistosas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. vistosas.com 20 a 40 cm de comprimento. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. hermafroditas e zigomorfas. Costus spiralis Rosc. inclui 42 espécies tropicais. densas com flores brancas ou róseas. contém inflorescências terminais. O gênero Costus.1). distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. fruto capsular. podendo chegar a até 1. elípticas. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. perianto distinto em cálice (claviforme.

na forma de infusão. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça.2). O gênero Hedychium. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. descrito por Johan Gerhard Koenig. incluindo a espécie aqui descrita. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. grandes. contra diarréias graves. Em razão de sua beleza. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. sésseis. especialmente de origem sifilítica. cilíndricas. Lírio branco e Gengibre branco. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. as inflorescências são terminais com flores brancas. vistosas. . muito perfumadas (Figura 2. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. Hedychium coronarium Koen. de onde partem as folhas longas. em Iguape é comum a denominação Napoleão. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. A decocção de suas folhas. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. a espécie é muito utilizada como ornamento. lanceoladas e coriáceas. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. sendo de fácil multiplicação por touceiras. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais.

C. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. lumbago e cólicas menstruais. contra reumatismo. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. com ampla distribuição. internamente. cólicas. 1995). Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. indigestão. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. e. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. mesmo no Vale do Ribeira. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. folhas alternas. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. lanceoladas. carminativa com uso na dispepsia. A espécie é usada. A espécie é reputada como estimulante. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. mas especialmente na Ásia. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. . flatulência e eólicas. 1994). sendo provavelmente o local de sua origem. gripes e para problemas circulatórios. além de diversos outros usos (Bown. gripes. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. tosses. de Gengibre. externamente. com uma lígula membranosa bífida.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. onde a maioria das espécies é espontânea. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. em todo o Brasil. contra náusea. diarréias e como vomitiva. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular.

. 1990). epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. 1996).. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . Foram isolados dos rizomas de A. Cinco compostos. nutans (Mendonça et al. speciosa. 1987).. 1987b). 1987b). Os sesquiterpenos -eudesmol.8cineol. japonica (Morita et al.6-dehidrokawaina. Dos rizomas de A. acetato de geranil. galanolactona e (E)-8. 1987a e 1987f) e A. 1988). taninos. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. dihidro-5. 1995).-(17)12-labddieno-15. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1987). óleo essencial. Os principais constituintes dos frutos de A.... formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. e 5.. galanga (Barik et al. 1987c).Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. galanga (Mori et al. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1. 1987).. Da espécie A. Os compostos isolados dos rizomas de A. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. 1985a e 1985b.. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al..16-dial (Morita & Itokawa. speciosa e A. isohanalpinona e alpinenona. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1988). 1987). 1988). linalol.. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. (Xue et al.. galanga. De A.. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. galanga. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.6-dehidrokawaina. 1988a).. flavonóides em A. constituintes fenólicos em A. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. katsumadai (Okugawa et al. intermedia (ltowaka et al.. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. nerolidol. humulene.

daucosterol. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown.8-cineol. zinco. Das sementes A. . -ll(12)-eremofilen-10. 1994). cálcio. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al.7-difenil-3. blepharocalyx (Kadota et al.5heptanediona. fenchona e geraniol.. decanol.foram isolados recentemente da espécie A. katsumadai possui -pineno. 1997a). conchigera (Athmaprasangsa et al. 1992). isohanalpinona.. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. Do óleo essencial das sementes de A. A análise fitoquímica de A. 1. 1997). 1987). Dos rizomas de A.. intermedeol e -selineno (Itokawa et al.. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. terpineol e 1. felandreno. yakuchinona A.. Os frutos de A. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. -sitosterol. furopelargona A. potássio. 1988). sódio. oxyphylla contêm neonotkatol. geraniol. 1990). isohanalpinol e aokumanol. trans-bergamoteno. linalol. 1990). Cinco diarilheptanóides. fenóis e alcalóides.8-cineol (Lai et al. hanalpinona. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. B2. 1989).. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano... polyantha foram isolados. Três novos diarilheptanóides . chumbo. além das vitaminas B1. sesquifelandreno e zingibereno. mirceno. 1989). ferro. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. além de óleos essenciais (Mendonça et al. bornil acetato. 1997b) e quercetina (Wang et al. O óleo essencial das folhas e caules de A. sendo um novo. E. C. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. manganês. magnésio. alpinenona. 1996). além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A.... Das partes aéreas de A.. flabellata (Kikuzaki et al. citronelol. pineno. 1997b).modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu.. flavonóides (Luo et al.-o1. furopelargona B.. De A. hanalpinol peróxido. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. 1987d). densibracteata foram isolados os bisabolanos. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A.calixina A e B e 3-epi-calixina B . l. 1997). 1997a). As sementes possuem mirceno.. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. zerumbet (Xu et al. yakuchinona B.. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. 1999). aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al.

sendo antiulcerogênica (Wang et al. inibição da musculatura lisa. 1988). 1996). O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. que é um derivado do gingerol. Mendonça et al. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1985). 1994). 1987). indicando . galanga (Janssen & Schefter. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1988b). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1972). revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. japonica e A. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 2000). bloqueio neuromuscular. A espécie A. 1976) e A. Lin et al. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. Sesquiterpenos isolados de A. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. 1988. galanga (Itokawa et al. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. é usada na culinária. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1999.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. 1997). Constituintes isolados de A. 1996). 1989). Estudos com a espécie A. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. além de medicinal. 1986). oxyphylla (Kyung-Soo et al. 1996). speciosa. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. e seu óleo. 1999). A erva. na perfumaria. 1987c) e A.

speciosa. speciosa apresentou atividade analgésica periférica.6-dehidrokawaina isolado de A. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 2002). O terpinen-4-ol. 1994). 1992). 1988). Do óleo essencial das folhas de A.. 2001). 1987c).. 1990). também isolado do óleo essencial. officinarum (Kiuchi et al. 1996). galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. 1996). . ArnaudBatista et al. 1987c) e A. Compostos isolados dos rizomas de A.. 1990). Estudos com a espécie A. Mendonça et al. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al.. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1988a...a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. Os rizomas de A.. O composto dihidro-5. 1988b). 1996) e antiproliferativo (Ali et al. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. Mendonça et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al... 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. 1992). 1998. 1982). galanga (Itokawa et al.. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1988). O extrato acetônico de A.. Geraniol e isotimol isolados de A. 1988. 1989). Os diarilheptanóides isolados de A.. 1994). Dos rizomas de A. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al.. O óleo essencial de A. oxyphylla (Chun et al. 2001). blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al.. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. 1992). Moraes et al. 1998). anticonvulsivante (Maia et al. antifúngica (Lima et al. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. 1982.

1988b). 2000)... 2002). 2002). Surh. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al. Musa e Heliconia. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. hipocinese.. 2000) e H. relatadas a seguir. 1999). speciosa produziu excitação psicomotora.. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. A espécie H. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros.. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. 2000). contorções... 2000). oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais.. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. 1999). 1992). Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al.A atividade antiinflamatória de A.. 2001. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al... além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. .

folhas longas. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. O fruto da espécie não é usado como alimento. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. oblongas e inteiras. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura.5 m de altura. minúsculas e duras. com bainhas grandes.. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. com pseudocaule ereto e cilíndrico.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. com folhas longo-pecioladas. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. laminares de grande comprimento. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. .

Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). dando um pequeno fruto que também é comestível.podendo atingir até 2 m. FIGURA 2.Alpinia japonica. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira.1 . A espécie não é nativa da Mata Atlântica. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. onde é amplamente cultivada como ornamento. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. mas com 25% do comprimento e da largura. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. . flores reunidas em espigas.

FIGURA 2.Hedychium coronarium. .2 . Vista da planta florida (Banco de imagens - ).

Velloziaceae e Iridaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. principal. ordem Orchidales. Velloziales. Seito C. C. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . Liliales e Orchidales). Asparagales. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Dioscoreaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. Alliaceae e Amaryllidaceae.3 Liliidae medicinais L. especialmente na ordem Liliales. Di Stasi F. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Dioscoreales. família Liliaceae. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. N. Gonzalez L. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. G. A. família Liliaceae. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae.

esse da importante Babosa (Aloe vera). Colchicum e Drimia. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. Lillium. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Alloe. Outro gênero importante é Aloe. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. como é o caso da cebola e do alho. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. grande fonte de espécies dessa família. especialmente do gênero Iris. pelo grande número de espécies ornamentais. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica).e Liliaceae. Narcissus e Veratrum. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. . também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Trilium. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Convallaria. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. que passamos a descrever. A segunda.950 espécies vegetais. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). ambas de valor econômico incomensurável. A primeira. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. dos quais devemos destacar o gênero Allium. 1997). Tulipa.

ao passo que a decocção é usada contra enxa- . folhas lineares.000 a. capsular. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. loculicida (Figura 3. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. 1995). ao passo que a infusão é usada contra gripes. os bulbos dessa espécie. na forma de umbela pedunculada.1). em geral seco. fruto. C. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. onde a espécie é denominada rashoma (Bown.Espécies medicinais Allium sativum L. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. sésseis. tosse e também contra hipertensão. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. flores brancas ou avermelhadas. Nas comunidades do Vale do Ribeira. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. obtida comercialmente. inclusos e envolvidos por fina membrana. são utilizados de várias formas. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. que se mesclam com os bolbilhos. a maioria é cultivada. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. Era citado pelos babilônios no ano 3. especialmente em crianças. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura.

Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. a espécie inclui vários usos medicinais. antiasmático. rouquidão. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. ao passo que a infusão das cas- . No Pará. Em outras regiões do Brasil. além do uso como condimento. 1982). 1992). febrífugo. flores hermafroditas regulares esverdeadas. tosse. como referido para o Alho. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. Trata-se de uma espécie com usos históricos. com bulbo grande e solitário. tosse com expectoração. também são utilizados como sudorífico. Dados botânicos Erva bulbosa. para problemas da pele. os bulbos são usados na hipotensão. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. dispostas em umbela. diurético. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. gastroenterite e disenteria. digestivo. Em Minas Gerais. poderoso anti-séptico das vias digestivas. carnoso e com casca fina amarelo-parda. 1984). em afecções nervosas.queca. 1988). ateromatose. agudas. carminativo e vermífugo. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. todos usados e comercializados como alimento e condimento. bronquite. resfriados. com inúmeras variedades e subtipos. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. arteriosclerose. histéricas. o uso externo. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. especialmente acne e micoses. anual. reumáticas e paralíticas (Corrêa. folhas radicais ocas e compridas. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. subgloboso.

sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. lanceoladas. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. A manipulação dessa planta no preparo de loções. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. internamente. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. descansado por 24 horas na geladeira. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. dores e infecções da pele. externamente. externo. reunidas na forma de rosetas em sua base. como cicatrizante. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. Dados botânicos Planta perene e suculenta. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. podendo atingir até 1 m de altura. Aloe vera L. é considerado excelente contra úlceras. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. O uso interno de um macerado em água fria. ao passo que as folhas frescas. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. as flores são tubuladas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. folhas suculentas. para acne.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. são úteis contra edemas. densas. usadas externamente.2). Na região amazônica.

1997). 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. Da espécie A. isobarboloina (Kuzuya et al. . S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. proteínas e fermentos (Costa. vitaminas A. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. além de evitar queda de cabelo.. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al.. holosídeos.. 1986). a polpa é emoliente e resolutiva. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. barboloina. 1995). 2000). sativum. Nos bulbos também foram encontrados aliina. 1999). exigindo-se cuidado na utilização. 1979). Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. vários heterosídeos sulfurados. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. aliinase que origina a alicina.. catártico e febrífugo. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al.. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. C. 1968). alil e alil-propil. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas.. 1997). fitosterinas. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 1992). 1995). obtidos de A. et al. 1997). para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. (B8) e P. desoxialiina. 1993). apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. saponinas esteroidais (Peng et al. 1991). 1990). barbadensis (Saleen et al. relatando ainda que as folhas são purgativas. Além disso. B.. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida.. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. Prostaglandinas A. A antro-cenona..

1981.. 2002). Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. isolado de Allium sativum Linn.. 2000). Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. entre outras ações que serão discutidas a seguir. Esse mesmo efeito foi detectado . demonstrou que os compostos de A.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie.. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. Nerkar et al. 1996). alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. Além dessa classe de compostos. Em animais com carciriogênese bucal o A. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie... para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. No entanto. Por sua vez. fibrinolítica. Kwon et al. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. Augusti & Sheela. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. Entretanto.. in vitro (Sheela et al. 1995. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento.. Hikino et al. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. 1992). agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). rolêmica. cicloxigenase. 1991). 1987. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. antibiótica. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. O estudo comparativo in vitro. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. hipocoleste.

compostos fenólicos (Patel et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. O estudo realizado por Celini et al... 1995). 1980). além de atuar como . Singh & Shukla. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. Guevara et al. 1993) e aquosos (Sato et al. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. 1992). 1994). glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez.. Sovova et al. fosfatase ácida. Mossa. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. 1996). 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1985). A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1981.. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. enquanto a associação dessa dose com 4.. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos... 1997. Rees et al... (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 1983. 1984. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. contra Helicobacter pylori. Khan et al. precursor da alicina e obtido do alho.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. 1993). lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. O óleo de A. 2002) contra Staphylococcus aureus. O sulfóxido de S-alilcisteína.. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. 1982. 1984. 2001).. O extrato de A. sativum apresentou também atividade antibacteriana. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1985. in vitro.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. Dababneh & Aldelamy.

Extratos preparados com acetona/clorofórmio. Rotzsch et al. 1993). sem. Boelter et al. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. no entanto. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. (1986). no entanto. 1980. 1978). Kamanna & Shandras-Wkhara. Mohammad & Woodwara (1986). assim como substâncias isoladas do alho. Os resultados obtidos por Sendl et al. que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. 1993). metil-ajoeno. 1980. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. cepa (Dorsch et al„ 1985). 1984. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt.. 1996). Adetumbi et al. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Block et al. 1994). (1992). 1986) e brutos (Rees et al. 1995b). Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . 1992). apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. alicina e sulfeto de dialila.. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh.. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. inibem a síntese de colesterol. 2001). 1978. Essas propriedades farmacológicas. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1993)..agente anticercaricida. Sandhu et al.. assim como as respectivas substâncias isoladas. e não as substâncias isoladas. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 1978. (1985). assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma.. 1993).

sativum (Kweon et al.. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio.. A.. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais.. 1991). 1996). sua condutância. M.. Essa mesma planta reduziu a concentração . diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al.. 1996). também. 1993b). enquanto Pantoja et al. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados... Estudos realizados por Apitz-Castro et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. 1991). atividade diurética. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. 1996). tais como a histamina (Usui & Susuki. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al.. 1997). (1982). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. Ribeiro et al. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. et al. principal componente antiplaquetário do alho. (1987). 1993). I. como radioproteção (Reeve et al. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. 1993).. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato.5. 1986a). 1996). Foushee et al.sos de bulbos de alho fresco (5. (1986b). 12. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. Por sua vez. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. 1996). assim como a reação de liberação induzida por agonistas. E. natriurética e hipotensora em cão. (1992) com o composto ajoeno. et al. 1990).

1995). Chithra et al. I.. Lipotab. 1993).. 1992. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. ela é um excelente cicatrizante (Costa. 1996). A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. 1992). O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. sativum ou A.. 1993). 1991). . sativum L. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. (1996). chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. in vitro.. 1993. conseqüentemente. 1995). et al. cepa com A.. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. Allium sativum. Ko & Son. Extrato aquoso de A.. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al.. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. Nepeta hindostana e ácido nicotínico.. Para a espécie Aloe vera. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. Resultados similares foram obtidos por Imai et al.. 1994). (1994).. 1993). tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. um preparado à base de Curcuma longa. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. 1990). enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. E a mistura de A. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. Além disso.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh.

As folhas de A. que inclui algumas espécies popu- . Essa família possui pequena importância no Brasil. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. 1995). 2000).1998).. 1994).. 2001). esses dados referem-se. aumento na contagem de espermatozóides.. 1991).. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. 1997). estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. vera e hipotensora de A. em camundongos.. 2001). A atividade antiinflamatória de A. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação.. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. Saleem et al.. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. contudo... O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. Entretanto. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. 1997). 1996.

1996 e 1997b). saponinas esteroidais (Mimaki et al.. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. Das . que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. 1996). o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa".. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. cilíndricas. brancas. no entanto. pontiagudas e com manchas brancas. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. na região amazônica.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. contra problemas hepáticos. flores pequenas. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. possui folhas carnosas.. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. e o Agave. 1987). longas. No entanto. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al.

Allium sativum. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. além de carboidratos. 1986). Das folhas de S. 1996). beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al.1 .. pigmentos.folhas de S. . 1982). saponinas. 1998) (Banco de imagens ).. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. cylindrica foram isolados lipídios. 1997). FIGURA 3.. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al.em Joly. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd.

Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).Aloe vera.FIGURA 3. .2 .

Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. esta segunda com uma única família. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. Triuridaceae. portanto. S. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . C. de pouco interesse para nosso estudo. ainda não discutidas neste livro. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Mariot M. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Di Stasi A. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. das quais destacamos apenas a família Alismataceae.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. As duas espécies.

como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. com caule triangular e glabro. Inclui ervas perenais. também denominada Arecaceae. Aguapé. contendo vasos apenas nas raízes. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. 1997). essa segunda inclui apenas a família Palmae. latescentes com lâmina foliar grande. muitas aquáticas ou brejosas. freqüentemente .mico. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. rizoma grosso e carnoso. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. ovadas. folhas pecioladas.1). e Sagittaria. coriáceas. A espécie possui as variedades floribundus. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. flores brancas. espécie de grande valor econômico. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. numerosas. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. grandes e eretas.

Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. tônica e diurética. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. reumatismo. bem como gripes e resfriados. nas costas. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. como sedativo. e outras. útil ainda contra artrites. . macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. moléstias da pele e do fígado. 1997). Incluem árvores ou arbustos. e como anti-helmíntico. como ornamentais. de barriga. sífilis. raramente trepadeiras. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. muitas delas usadas como medicinais. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. com folhas terminais.. especialmente contra dores de cabeça. também denominada Arecaceae. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae.650 espécies tropicais (Mabberley. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos.consideradas outra espécie. 2000). tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado.

2000a e 2000b). usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. como é o caso da Areca catechu. Espécies medicinais Euterpe edulis M. chegando até 25 m de altura. e o açaí. macrophyllus (Shigemori et al. do jerivá (Joly. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Kobayashi et al. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. e o Arecastrum. do famoso coqueiro da Bahia. amplamente conhecido na Mata Atlântica. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . amplamente conhecida na região amazônica.. que incluem a piaçava e a ráfia. como é denominada a outra espécie do gênero. respectivamente do babaçu e da carnaúba. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. 2002. que inclui o famoso palmiteiro. como é o caso de várias palmeiras. outras são importantes como medicamento. conseqüentemente. Destaca-se o gênero Euterpe. Tratase de uma família de grande valor econômico e. Cocos. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. 1998). Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. com folhas pinadas. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia.A família está subdividida em seis subfamílias. especialmente da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro..

FIGURA 4. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica.nhas. internamente. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. externamente. 1998) (Banco de imagens).1 . não fosse a intensa exploração da espécie. .Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. como antídoto para picada de cobras. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. o suco do caule é usado.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Guimarães C. Na família Chloranthaceae. Myristicaceae e Lauraceae. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. inúmeros gêneros são importantes. Annonaceae. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. algumas com amplo número de espécies no Brasil. do famoso Boldo. inúmeras espécies são medicinais. tais como Magnoliaceae. tais como as Magnoliaceae. C. mas deve ser destacado o gênero Peumus. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Santos L. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. A. Outras famílias dessa ordem também são importantes. da qual inúmeras espécies de grande valor . Na família Monimiaceae. M. M. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. Hiruma-Lima E. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. são importantes como ornamentos.5 Magnoliales medicinais C.

Graviola e outros. compreendendo aproximadamente 260 espécies. arbustos e lianas. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. Aniba e Nectandra. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. A família inclui árvores. . A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. que inclui nosso Abacateiro. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Cinnamomum. Artabotrys. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. como Aniba. Uvaria. Cryptocarya. Cabeça-de-negro. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Xylopia. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. os gêneros mais comuns são Annona. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. Annona cherimolia. e ainda outras importantes como alimento. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Guatteria. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. espalhadas por todo o planeta. 1997) e subtropicais. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Annona reticulata. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. No Brasil. 1997). que inclui os gêneros Annona. Annona coriacea. Laurus e Sassafras.150 espécies tropicais (Mabberley. Xylopia e Rollinia. Pinha. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. e Monodoroideae. Annona tenuiflora e Annona squamosa.

nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". Várias espécies. no entanto vários sinônimos são usados. com um tronco revestido por casca aromática. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. . latescente. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. sucosa. com um espinho central. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. flores axilares. alcançando até 30 cm de comprimento. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. amareladas. no entanto. Espécies medicinais Annona muricata L. Araticum-punhê. alcançando até 15 cm de comprimento. com cálice de lobos triangulares e agudos. com epiderme verde-escura. as folhas são alternas. subglobosas.1). Araticum-ponhê. Coração-de-rainha e Nona. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. que são muito apreciados. fruto do tipo baga irregular. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. polpa branca. pecioladas. que apresentamos a seguir. mole e recurvado. Araticum-de-paca. tais como Araticum. Iriticum. espessa com saliências cônicas. 1998). sementes castanhas ou pretas (Figura 5. cordadas na base e acuminadas no ápice. inflorescência cauliflora. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. ovadas ou elípticooblongas. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais.

As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. Além dos usos medicinais da espécie. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. para baixar febres. As folhas e raízes são consideradas sedativas. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. diurético e no combate a insônias leves. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. referidos a seguir. combatem reumatismo e abcessos. tem grande valor como alimento. Em outras regiões do Brasil. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. sendo depois levada para outras regiões do planeta. especialmente lombrigas. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. 1984). como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. antiespasmódicas e hipotensivas. por sua vez. os brotos e as folhas são usados como béquicas. 1984). as folhas cozidas. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. podendo também ser usada na arborização urbana. sorvetes e geléias (Corrêa. 1984). enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. peitorais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. onde se tornou subespontânea. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. O fruto. a planta fornece madeira.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. usadas topicamente. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . especialmente na produção de sucos. Na Amazônia. dores de cabeça e como emagrecedor. mole e branca. as flores. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. antiespasmódicas e antidisentéricas. com importante uso potencial na fabricação de papel.

e as sementes. as cascas e folhas. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica.mas do fígado. 1978. Na Jamaica e no Haiti. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. 1987). 1993). inseticidas. enquanto o óleo das folhas. impedindo-lhes a identificação correta. é usado externamente para neuralgia.. asma.. onde é usada contra tosses. a fruta e seu suco são usados contra febre. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. Annona tenuiflora Mart. parasitas. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. diarréia e como lactagogo. como antiespasmódico. foram referidas espécies desse gênero. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. especialmente na África. as sementes. De acordo com os mesmos autores. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. o chá das folhas é utilizada para catarro. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. Ayensu. 1955. 1990). . no processo de pesca. na forma de chá. Na Índia. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. 1962). também tem sido referido para as raízes e casca da planta. contra diabetes. as raízes e folhas. no entanto. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. 1962). as folhas e a casca da árvore. Weninger et al. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. Nas Guianas. contra diversos parasitas (de Feo. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. Esse uso. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. gripe. espasmos e febres. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. 1986). tosse. 1992). No Peru.

Ibira. Xylopia cf. Pindaúva. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. vermelho. deiscente. Pau-de-imbira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Jegerecu. folhas ovado-oblongas. alcançando até 8 m de altura. tronco ereto e cilíndrico. Pindaíba-branca. Malagueta e Banana-de-macaco. coriáceas. Envira. Envira-preta. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. sul do Amazonas. e copa alongada. lineares. Jejerecou. com casca fibrosa.2). flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Pindaúba. Coagerucu. Nomes populares A espécie é denominada. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. O gênero Xylopia. folhas alternas. muitas das quais usadas na medicina popular. pétalas lineares. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. simples. Coaguerecou. hermafroditas. aromática. Em outras regiões do Norte do Brasil. simplesmente. agudas no ápice. curto-pecioladas. sem estipulas. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Pijerucu. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. tonturas e hipotensão. Pindaíba.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. na região amazônica. também descrito por Carl Linnaeus. oblongolanceoladas. alternas e ápice cuspidado. fruto do tipo baga ovóide. onde parte deste estudo foi realizada. Breu branco ou. Breu. frutescens Aubl.3). Jejerecu. com duas a seis sementes (Figura 5. Coajerucu. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. . cálice gamossépalo. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento.

para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. como digestivo e são úteis contra catarro. Na região amazônica da Colômbia. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. ao passo que a decocção da casca é usada. perenifólia e pioneira. As sementes. são usadas como estimulantes da bexiga. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. 1984). A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. também aromáticas. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. . na forma de inalação. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo uma espécie heliófita. como cabos de instrumentos e varas de pesca. para combater resfriados e dores de cabeça. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. própria para uso em carpintaria. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. especialmente. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. Além dos usos medicinais descritos a seguir. 1998). leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. sementes de espécies da família Annonaceae. raízes. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. 1984). folhas e.

1991b). 1995a). No entanto. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 1991).. 1994). denominada corepoxilona. anomutacina 1. iso-neoanonacina-10ona. muricina H. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. 1995b). enquanto Gromek et al. murihexocina A e B (Zeng et al. 1995e). hoviicina A. 1995b). muricatetrocina A e B. e que são importantes representantes da flora brasileira. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. 1995c). 1993). Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico.São ácidos graxos modificados. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico.. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. epomuricenina A e B (Roblot et al.. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona... cis-annomontacina (Liaw et al. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. muricatocina C e gigantetronenina. 2002).. . também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al.. Recentemente. Anomuricina A e B.. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. neo-anonacina-10-ona. anonacina-10-ona. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al.. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. 2 e 3 (Wu et al. I.... especialmente como citotóxicas. 1994a e 1994c). 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie.

. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. molvizarina e motrilina (Cortes et al. 1991). 1991). cherimolia. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. 1994b). 1996). três uvariamicinas. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. 1993).. esquamosinina A (Yang et al. Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. bulatencina. incluindo A. reticulacinona (Hisham et al. 31-hidroxibulatacina... 1993b). 1995). 32-hidroxibulatacina. solamina. 1994b)... 1995) em Annona bullata. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al.. esquamostanal A (Araya et al. 1994). bulatanocina. C e D (Fujimoto et al. esquamona.. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. isoquerimolina 1. 30-hidroxibulatacina...Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1994c) neodesacetiluvaricina. 1993b). neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. Das sementes da mesma espécie. 1994).. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. cis. além de esquamocina e esquamostatina A. 1994a). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. isomolvizuína 2.. 1992).. 1994a e 1994b).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. 1991a e 1991c). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. Sahai et al. Cortes et al.... tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. squamocina e almunequina (Duret et al. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. jeteína. 1962). esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1996). Das semen- .. B. itrabina. 1994). esquamosteno A (Araya et al. anogaleno (Sahpaz et al. 1995). tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al.. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. anoreticuína-9-ona... muricata e A. tais como reticulatina (Saad et al... 1995a). 1993).

anonaína. 1985) e A. 1962).. 1981). 1994). 1995e). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. isoboldina e outros foram isolados de A.. Martins et al. 1993). 1976).. oxouxinsunina. squamosa (Wu. Wu et al.. 1989. C. michelalbina.. 1978). 1994). squamosa (Krishna Rao et al. A. 1993) e sesquiterpenos em A. Inúmeros compostos terpenóides. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina.. aromatica (Rios et al. Alcalóides conhecidos como anoretina. 1970) e X. brasilienses (Casagrande & Merotti. 1976). 1984). foram isolados do fruto de Annona muricata ... squamosa (Silveira et al. et al. 1991). frutos de A. anolobina e asimilobina foram isolados de A. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1987)... cacans (Saito & Alvarenga. cherimolia (Yang et al.. 1979. A. purpurea (Castro et al. bullafa (Kutschabsky et al. X. reticulina.. laureliptina. 1996). X. A. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk... Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. enquanto diterpenos foram descritos em A. Y.. uma lignana ((-)-siringaresinol). Barbosa Filho et al. 1992. 1982a e 1982b. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1986). um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. 1994). como constituintes predominantes. squamosa (Leboeuf et al. salzmannii (Paulo et al. Yang & Chen. squamosa (Setharaman. A. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. 1988). Monoterpenos foram isolados de A. enquanto três amidas ácidas. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. Mukhopadhyay et al.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. ambotay (Carazza et al. ambotay (Oliveira et al. 1986). anolatina.. 1986) e A. Flavonóides foram descritos em A. 1978). 1979. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. 1991). de A. montana (Wu et al. reticulina.... Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C... cherimolia (Villar et al. enquanto os alcalóides anonaína.

De Xylopia frutescens. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. 1993).. Vilegas et al. obtidas de Annona muricata. 1979). antiespasmódica. Ngouela et al. 1941.. Acetogeninas isoladas sementes de A. . a raiz. 1979). 1991). também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. 1995b). aromatica. 1979. muricata e de A... brasiliensis e X. A espécie Annona muricata possui. Misas et al.. 1998). 1992. Lopez Abraham. Gbeassor et al.. 1993. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. 1962).. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. X.. 1991). Carbajal et al. 1925 e 1932). Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. 1993.. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. 1990). muricata. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. 1991b). Solanina. 1991. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante.. 1991). Anomutacina 1. Bourne & Egbe. corosolona 1 e corosolina 2. acetogenina isolada de Annona muricata... 1995e). X. assim como outras espécies do gênero. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al.. 1996. Di Stasi. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. vasodilatadora. 1988. Heinrich et al.(Wong & Khoo. enquanto extratos de folhas. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. a casca... Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. 1940). 1995.. 1987). o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al.. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. 1991). possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. uma acetogenina isolada de A.

De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1992).. asimilobina. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. oxoxilopina. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A... Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína.. norcoridina. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. Chang et al. reticulina. Hui et al.. galucina. 1995). 1995a). 1987) e A. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. respectivamente.. enquanto alcalóides isolados de A. cherimolia (Cortes et al. 1991. 1993b). Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. cherimolia (Villan del Fresno et al. . isolados de A. 1992). Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. reticulatina. solamina.. bulatanocina... Y. 1988b e 1988a). 1993b e 1994b. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. squamosa. C. et al.. 1980). apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al.. (1995b). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1993).. esquamona. 1991. enquanto os alcalóides de A. 1994). salzmannii.. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al.. 1980). coridina. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. Esteróides de A. montana (Wu et al. enquanto os alcalóides liriodenina... produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. Cortes et al. Os alcalóides isolados de A. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. anoreticuína9-ona. 1993) e várias outras (Jossang et al. 1991c e 1991a). montana (Wu et al. reticulina. 1991). 1993). A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. anonaína. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al... tais como cinco acetogeninas isoladas de A.

além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. Do extrato etanólico das folhas de X.. 1994). Das cascas de X. 2001). provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. et al... 1998). potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. que apresentou atividade citotóxica. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major.. 1990... squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993). Oliveira et al. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo.1983). parassimpatomimética de A. squamosa. A. 1994).. coriaceae (Souza et al. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. O extrato etanólico da raiz de X. atividade anticonvulsivante e analgésica. como acido caurenóico. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. 1996.. 1996). 1993). Anopheles stephensi (Saxena et al. L.. donovani. fungitóxica.. Trypanossoma brucei. que determinaram efeito depressor do SNC.. frutescens não apresentou atividade moluscicida. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. 1979). entre outras. Rao et al. 1979. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. A. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. 1975). enquanto o extrato etanólico de A. aromatica foi isolada atherospermidina.... além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. Extratos preparados também com A. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. 1993). discreta. 1989. Extratos etanólicos de sementes de A. E. foi caracterizada a . et al. F. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. 1999). porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. Extratos metanólicos de A. 1996). Silva.. Martins et al. 1998).

indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 1999). como inseticida. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. Em Guadalupe. 1996 e 1997)... bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. Os diterpenos caurenoicos presentes em X. . Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. (1988) para a espécie Annona muricata. 2002). anti-helmíntico e citotóxica.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.. especialmente em uso crônico. muricata e A. 2001). O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. E da espécie X. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al.. 1962). Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. 1988c). muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al.

Essa família inclui gêneros importantes. No Brasil. Árvore-do-sebo. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Virola. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. e também como Leite-de-mucuiba. Nozmoscada e Ucuuba-branca. Horsfieldia e Knema. Sucuuba. e espécies do gênero Virola. que possuem importância do ponto de vista econômico. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. podendo chegar a até 35 m de altura. Neste levantamento. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Sucuba. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. como Myristica. 1996). Ucuuba cheirosa. contendo ramos carregados de folhas . mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Bicuíba. Espécies medicinais Virola surinamensis L. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. 1997). como a Noz-moscada (Myristica). usada como condimento.

1984). No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V.. V. 1995). O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. para o tratamento de câncer. Espécie de ocorrência na Amazônia. infecções. Cassady et al. 1971).. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. oblongolanceoladas.. S. 1996. bem como -sitosterol. com até 20 cm de comprimento.. Martinez et al. surinamensis. 2000). O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. elongata . pavonis (Marques et al. Ferri & Barata. V surinamensis (Lopes et al.pecioladas. É uma planta perenifólia. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1989. pavonis (Martinez et al. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. et al. 1969. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. V michelli (Santos. 1997). L.. A casca é usada como medicamento para aftas. V cf. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. usadas como venenos de flechas. chegando até Pernambuco. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres.. inflamações. 1987). Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. 1996). Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis).. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba.. 1991 e 1992). Vidigal et al. como outras do gênero. 1992. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. 1987a). A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado.. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. V. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos.

..(Kato et al. V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. calophylla. A atividade antifúngica das espécies V. V. V. 1996.. oleifera (Fernandes et al. carinata e V.. 1990). sebifera. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. 1994 e 1996. urbaniana (Reis et al. 1992). A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al.. V. flexuosa (Aguirre. venosa (Kato et al. michelli (Santos et al. 1989) e V. 1990. Cavalho et al. 1987). 1996) e V.. Das folhas de V. e polifenóis nas espécies V.... Andrade et al. pavonis. michellii foi atribuída à presença da flavona. V. 1990). titonina . Além das lignanas..... 1988). 2001). titonina (Andrade et al. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. michellii (Cavalho et al. Lemus & Castro. V. 1992) e V.... 1989). 1999. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. calophylla (Martinez et al. calophylloidea (Martinez. surinamensis. 1999). A atividade analgésica de V. V. 1986 e 1990).. 1993 e 1994). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. Pagnocca et al. 1987b). As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 1994 e 1995). 2001). calophylloidea (Von Rotz et al. 1996. 1996a). koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al.. foschnyi (Lemus & Castro. V. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. Alvarez et al. carinata e V. V.. 1995).

sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. Incluem muitas espécies aromáticas. As propriedades antioxidante e surfactante de V. do nosso famoso Abacateiro. 1998. 1987).. todos aromáticos. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. porém. Barata et al. 1999). dados etnofarmacológicos de V. Os principais gêneros são Laurus.. além do . Persea. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. 1996). pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. mas não foi detectada em V. tripanossomicida. carinata e V. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. sebifera. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. calophylla (Miles et al. 2000). 1996. e outros. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. Licaria. surinamensis (Lopes et al. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. Sassafras. cercaricida e molucicida de V. duckei (Bennett & Alarcon. elongata (Davino et al. V. 1997).. árvores e arbustos (Mabberley. da famosa Canela-sassafrás. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. 1987) e anti-hemorrágica de V. A família reúne grande importância econômica. V. oleifera.. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. alucinogênica de V. sugerem cuidados da população quanto ao uso.. Nectandra. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima.. inseticida de V. pois. 1986b e 1998). 1994). Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). surinamensis.A atividade leishmanicida nas espécies V.850 espécies. aliados ao relato de atividade moluscicida. 2000). amplamente usado no Brasil como condimento. do famoso Louro. Ocotea. donovani e V. 1978). Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. koschnyi (Castro et al.

.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. pecioladas. 1998). Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói.Abacateiro. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. de estômago e como emética e abortiva. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. 1998). como a Canela e o Louro. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. deriva de lauer = "verde". fornecedor de alimento amplamente comercializado. onde se adaptou muito bem. Espécies medicinais Laurus nobilis L. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. bem como para dores de barriga. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. lanceoladas. folhas alternas. e laus = "louvor". Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. para combater problemas hepáticos e intestinais. e de outras espécies. sendo considerada digestiva.

estomáquicas. além de serem usadas contra doenças renais. diuréticas e febrífugas. emenagogas. anti-sifilíticas.Internamente. bronquites. nome dado especificamente ao fruto. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. as folhas são usadas contra indigestão. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. estimulante do apetite e contra cólicas. analgésico. onde se encontram as folhas alternas. é também usada contra febres. Persea americana Mill. úlceras e piolhos (Bown. reumatismo e uremia (Corrêa. sendo comercializada em todo o mundo. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. vulnerárias. comestível. fruto do tipo baga ovóide. não ocorrendo espontaneamente. além de atuar como diurético e analgésico. . com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. pecioladas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. carminativas. 1995). externamente. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. ou Persea gratíssima Gaertn. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. contra reumatismo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pequenas e pouco vistosas. 1984). que envolve a semente grande e marrom. lanceoladas e acuminadas. ao passo que a infusão das folhas. com polpa verde. flores branco-pálidas.

Carman & Handley. foram atribuídos os efeitos analgésico.8-cineol isolado de L.. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2001). 2002).. Às folhas de P. americana citados acima. O 1.. antifúngico (Domergue et al. 2000.. 2002. 2002). antiinflamatório (Ademylmi et al. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown.. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. A atividade antiulcerogênica de L. spatulenol. 2002). elemicina.. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al.... O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. Sladler et al. A espécie Persea americana L. 1995. 1991. Hargis et al. Grant et al. . nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al... Afifi et al. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. 1999). 2002). beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 1991). 2002). hidrocarbonetos. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. 1991. 1987). bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. 1997)...

1984).FIGURA 5.Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. .1 . b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).

2 . 1984) (Banco de imagens). Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. .FIGURA 5.Annona tenuiflora.

FIGURA 5. . frutescens: a) Escanerata do ramo florido.3 . b) Detalhe da flor (Banco de imagens).Xylopia cf.

ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. e. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. 1998). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. 1997. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Hiruma-Lima E. Di Stasi C. M. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. muitas das quais usadas como medicinais. A. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras.ó Aristolochiales medicinais L. Santos C. Joly. M. no Brasil. ao passo que na região do . Thottea e Asarum. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. C. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae.

Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. com sementes achatadas. Dados botânicos É uma planta trepadeira. e várias com usos medicinais descritos. axilares. e lochia = "nascimento". O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". Mil-homens e Papo-de-peru. Capa-homem.1).Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. folhas alternas. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. ramos lisos. fruto capsular cilíndrico. Outras denominações populares são Angelicó. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. flores isoladas. pecioladas. usadas como venenos. que lembra o feto em posição antes do nascimento. muitas das quais ricas em alcalóides. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. foi referida como medicinal. Batarda. simples. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. denominada popularmente como Milomem. Contra-erva. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). sulcados e estriados. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. hermafroditas. Jarrinha. grandes. Calunga. parto. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. zigomorfas.

pecioladas. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. anti-histérica e útil contra febres graves. 1984). estomáquica. os ramos são lisos. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. capoeiras e áreas em regeneração. sulcados e estriados. sarnas e orquites (Van den Berg. catarros crônicos. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. no entanto. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. simples. as flores são isoladas e axilares. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. especialmente para combater náuseas e vômitos. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. excitante. estimulante. não sendo encontrada em áreas degradadas. anti-séptica. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. disenteria e diarréia. sudorífica. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. cicatrizante e contra úlceras crônicas. diurética. 1982). gripes fortes. . constipação nasal.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. Também não é uma espécie cultivada.

1988). rotunda (Pistelli et al. 1995). 1994). contorta (Lou et al.. 1986).. 1995). molissima (Peng et al.. vários outros alcalóides aporfínicos de A.. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. G. A. 1983). indica (Che et al.. A. . yunnanensis (Chen et al. 1991. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A.. A. bracteata (ElTahir.. 1996).. A. 1983b). A. A. A.. M. A. A. 1991). molissima (Peng. 1987). sendo descrito em A. 1987. P et al. 1985) e A.. debilis (Ahmed Farag et al. et al. 1991a). Paiva et al. maurorum (Kery et al.. 1995). T. clematitis (Kostalova et al. A. S. A. indica (Piers & Tse. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1992). 1991b). A. brasiliensis (Lopes et al.. 1980). A.. A. dematilis (Makuch et al. A. cinnabarina (Li. tubiflora (Peng et al. 1989). C. ftiangularis (Bolzani et al. acuminata (Moretti et al... tais como A. Higa et al. L. A. 1987). 1988). 1977 e 1985). cinnabarina (Li et al.. A. argentine (Priestap.. galeata (Lopes.. manshuriensis (Ruecker et al. 1983a). II. X. S. nata (Moretti et al. A.. 1995). 1992). 1987). clematitis (Kostalova et al.. Alcalóides foram isolados de várias espécies. A. L.. 1988). 1980).. 1990. 1994). Chakravarty et al. raízes de A. T. arcuata (Watanabe & Lopes.. 1988.. A. 1991). H. 1996. versicolor (Zeng et al. 1987). kankauensis (Wu et al.. liukiuensis (Mizuno et al.. 1995) e A. et al. A. clematitis (Kostalova et al. A.. versicolor (He et al. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. chilensis (Urzua et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. A. 1992) e outros alcalóides em A. 1982)... 1992). et al. A. A. chilensis (Urzua Rodriguez. 1995) e A.1993)... tubiflora (Peng et al.. 1987). A. III e IV (Houghton & Ogutveren. 1992. et al.. longa (De Pascual et al. ponticum (Houghton & Ogutveren. rigida (Pistelli et al.. 1979). 1991) e de A.. A. A. longa (De Pascual et al. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A.. elegans (El-Sebakhy et al. manshuriensis (Lou et al. A. 1991a). esperanzae e A. As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. argentine (Priestap. Lopes. kankauensis (Wu. tubiflora (Peng et al. gigantea (Lopes. 1983). em A. bracteata (ElTahir. Lou et al. kankauensis (Wu. 1995). A. A. 1984)....Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. A.. 1980). 1987). 1986b e 1986a)... Zhang et al. Abel & Schimmer. 1995). Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. versicolor (Zhang&He. J... et al. 1979) em raízes de A. A.. 1991). gigantea (Cortes et al. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. 1994). fangchi (Tsai et al. 1993). A. 1991b). 1991). rodix (Tsai et al. A.. 1987.

.. 1996). macroura (Leitão et al. A. Urzua & Presle. T. 1980). taliscana (Longsw et al... A. et al. et al.. e o ácido aristolóquico de A. Compostos como -cariofileno.. Lignanas também foram descritas em A.. O ácido aristolóquico de A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. galeata (Lopes & Bolzani. esperanzae. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. arcuata (Watanabe & Lopes.. Lopes et al. 1987b. S. R. A. 1978). 1988) e amidas em A. -elemeno. copaeno. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. 1994). indica (Pakrashi & Pakrasi. A. birostris (Conserva et al.. triangularis (Ruecker et al. 1979). indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. kankauensis (Wu. S. A. 1991b). rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1987) e A. 1990). 1990). Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & .. cymbifera. 1988) e A. 1977). A. 1980. 1995). gigantea e A. 1993). chilensis (Urzua et al.

1991). também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. niaurorum (Kery et al. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. birostris demonstraram. A. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. 1988). atividade analgésica. et al.... A. 1996).. multiflora (Moretti et al. 1988). G. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir.. 1999). Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A.Choudhury. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. triangularis (Garcia. papilaris (Maia et al. 1990).. 1983). no Sistema Nervoso Central. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. e antiviral com A. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. determinada pelo teste de Ames.. 1991). 2002). além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 1985). paucinervis (Gadhi et al. anti-séptica e cicatrizante de A. Atividade mutagênica.. 1993).. com A.... 1985). tulobata (Sosa et al. Estudos com A.. O mesmo ácido obtido de A. 1991). 1993). 2001). A espécie A. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al.. 1995). 1979). antibacteriana. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. 1979). papilaris (Maia et al. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al.. H. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. gigantea (Campos et al. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. 1999). antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). FIGURA 6. Da mesma forma. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas.Aristolochia trilobata. . 1993). Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. 1996) por humanos.com 10.. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. Entretanto. por suas características químicas. 50 ou 100 mg/kg via oral. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.1 . não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies.

C. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Hiruma-Lima A. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. Di Stasi C. A. normalmente com células de óleos essenciais. S. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Por sua vez. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. dos quais se destacam os gêneros Piper. Geralmente as plantas são arbustos. G. 1997). e espécies me- . Peperomia e Pothomorphe. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. Portilho M. onde ocorrem em abundância e diversidade. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. epífitas. lianas.7 Piperales medicinais L. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. especialmente do gênero Piper. Piper nigrum. Mariot W.

pequenas.B. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. O gênero Peperomia. muito semelhantes entre si. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros.dicinais de ampla utilização. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. sendo também apenas . Nomes populares Além de Tracoaptera.K. ovário com um só estigma. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. Piper cubeba. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. as quais passamos a discutir a seguir. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. como a Piper betle (betel).1). compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. folhas alternas. Piper longum. Piper angustifolium. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. como a chinesa e aiurvédica. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Espécies medicinais Peperomia elongata H. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces.

K.B.obtida na área de floresta em torno da aldeia. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. de distúrbios do estômago. pequenas. Piper cavalcantei Yuncker. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. simples. Peperomia rotundifolia H. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. . A espécie é encontrada na Mata Atlântica. bastante carnosas e glabras. Nomes populares A espécie é chamada. na região amazônica. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. curtopecioladas. mas com pouca ocorrência. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. gastrite e gripes. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Não foram encontrados sinônimos.

folhas pecioladas. sendo a maioria arbustos. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. todas aromáticas. podendo chegar a até 5 m de altura. . O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. pendente.2). O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. inflorescências do tipo espiga. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. os frutos são drupáceos (Figura 7. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. membranáceas. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. Piper cernnum Vell. algumas lianas e pequenas árvores. atingindo até 10 cm de comprimento. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. isoladas e levemente curvadas. especialmente para dores de cabeça.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. assimétricas na base.

inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. especialmente contra dores de barriga. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. onde a espécie é abundante. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. além de ser útil em distúrbios renais. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. assimétricas na base. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. tendo distribuição por todo o Brasil. particularmente contra cólicas abdominais. a infusão das folhas é usada como analgésico.3). A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. levemente curvadas. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. estomacais e hepáticos. incluindo hepatite. Em outras regiões do país. Piper gaudichaudianum Kunth. com os nomes de Murta e também de Pariparoba.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. membranáceas. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. . enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. acuminadas no ápice. um pouco ásperas.

Ihotzkyanum Kunth. flores .Piper cf. estomacais e renais. Piper marginatum Jacq.4). com ramos glabros e cilíndricos. cordiformes. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. pequena (até 11 cm de comprimento). r e t a . a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Nhandi. membranácea. Bitre. Em outras regiões do país. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. inflorescências do tipo espiga. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. membranosas. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. Aperta-ruão ou Aperta-juan. alongada e fina. levemente assimétrica na base. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . com ápice acuminado. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. folhas alternas. glabra. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. pecioladas.

peltatas. e não isoladas. contra veneno de cobra. andróginas. peitadas. flores sésseis. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos".) Miq. bainha desenvolvida. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. essas diferenças ficam bem claras. membranosas. formando uma falsa umbela. diuréticas. ovado-arredondadas. as folhas. principalmente da tucundeira.5). gineceu com três estigmas. as raízes são carminativas. androceu com três estames. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. Malvarisco. os frutos são excitantes. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. estimulatórias (Corrêa. um gênero da família Araceae. se ingerida. dores de dente e blenorragias. como ocorre no gênero Piper. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. Catajé. .com brácteas triangulares. estomáquica.6). com ápice agudo e nervação peltinérvea. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. Uma outra espécie do mesmo gênero. A planta é tônica. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. sudoríficas. minúsculas. Pothomorphe peltata (L. resolutiva e usada em banhos após o parto. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. fruto do tipo baga (Figura 7. 1984). Caá-peuá. sialagogas. descrita a seguir. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica.

antiinflamatório externo e interno. bainha desenvolvida. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. 1980). flores sésseis. fruto do tipo baga. andróginas. ovado-arredondadas.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. membranosas. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. formando uma falsa umbela. .7). cordada. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Pothomorphe umbellata (L) Miq. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. 1984). Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. minúsculas. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. Capeba ou Pariparoba. vermífugo. com ápice agudo e nervação peltinérvea. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. diurético. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba.

marginatum foram isolados aril-propanóides. 2001). galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. grifolina bisobolol.. que também possui ácido grifólico. ácidos graxos (Lima et al.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. Das partes aéreas de P. et al. De Peperomia japonica. vulcanica e proctorionas de P. 3-hidroxi-4. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. M. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. 1988). 1982). Mahiou et al. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. Cromonas foram isoladas de P... 1997). Das raízes de P. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. foram isolados lignanas denominadas peperomina A.. Seeram et al.. C. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al.. et al. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. Piper Das raízes de P. 2001)... 1990). são .. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. indicada populamente como antitumoral. 1996). 2002. 1982).. E. flavonóides (Tillequin et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. 1994). proctorii (Mbah et al. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. monoterpenos. B e C (Chen. G.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. sesquiterpenos. quinonas piperogalona. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. além de apiol. 1988). Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. 2000).. compostos de grande importância farmacológica. Os alcalóides. que representa 49% dos constituintes voláteis. miristicina. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides...

1979). 1986).. 1981).. Tabuneng et al. 1984). P.. 1980). 1983). 1985).. P. sylvaticum (Banerji & Pal. P.. Isolaram também neoglicanas de P. hostmanianum (Diaz et al. compostos fenólicos de P. 1968). isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. 1985) e P. P. Pothomorphe P. chavicina e outros. 1982) e P clusti (Koul et al.. 1977) e P. Uma quinona. guineense (Cole.. 1986). tuberculatum (Braz Filho et al. hispidum (Vieira et al... auritum (Ampofo et al. hispidum (Vieira et al. 1995).encontrados com freqüência nesse gênero. flavonóides de P. P. 1986) e P. 1979). 1987).. Shoji et al. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. hancei (Li et al. 1980) e P. 1992). P. hispidum (Burke & Nair. 1985). Achenbach et al. cubeba (Badheka et al.. aduncum e P. jaborandi (San Martin.. Bacillus subtilis. 1987).. betle (Rimando et al. 1986 e 1987). Foi demonstrado também que P. Foram isolados diversos alcalóides em P. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. aduncum (Smith & Kassim... piperlongumina.. 1986) e flavonas de P. 1987). Li & Han. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. methysticum (Smith. P peepuloides (Shah et al. 1986). betle (Evans et al. 1987). Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. 1986. P... futokadsura (Chang et al. P. amalago (Dominguez et al. 1987). Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli.. 1986. lignanas de P. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al... 1983. P. hidropiperona. P. piperidina. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. longum (Dutta et al. nigrum (Inatani et al. 1981) e P... sendo os principais piperlonguminina. retrofractum (Banerji et al. piperina. lancei (Han et al. 1977.

V. 1997). et al. et al. Villegas et al.. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. Arigoni-Blank et al. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo.. apresentou atividades diurética (Santos. 1997). galioides e os compostos ácido grifóico. 1996b). 2002.. 1996a). bloqueada com prazosin e ioimbina. hipotensora (Santos.. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. antibacteriana...v. 1997). A administração i. 1996). grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. lacrimejamento...1-1 g/kg. em doses que variaram de 0. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. 1996). marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. promoveu piloereçáo. V. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. relaxamento muscular e dispnéia.cies de Leishmania (Mahiou et al. et al. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas.. salivação intensa. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. do extrato (0. H. atuar como antialérgico e diminuir .. analgésica (Da Silva et al. L. S. R. M. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. B. 1998. V. antifúngica (Lima. O. O extrato aquoso de P. Aziba et al. et al. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. e atóxica (Saad et al. et al. 2001).. E. Assim. 1994).. 2002. H.. 1995). 1994). O. Embora o extrato de P. 1992). O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. 1996). Substâncias de P.. também conhecida como Língua-de-sapo..1-0. Piper Foram caracterizadas para P. 2001). cicatrizante (Saad et al. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. hipotensora (Siqueira et al. R. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al..

fungicida. retrofactum (Woo et al. 1984).. 1987). betle apresentou atividades fungicida. 1988). 2002).. Cairney et al. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). As neoglicanas isoladas de P.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1984. mutagênica (Chen et al.. 2002). peltata possui atividade analgésica (Pupo.. Porém. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1984). regnelli. lancei e P. analgésica. 1985). gaudichandianum. Atualmente. 1986). Dahanukar et al.. 2000). 1979). agindo como os anestésicos locais (Singh... 1986 e 1988. 1991. Prakash. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. antioxidante (Choudhary & Kale. Di Stasi & Pupo. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. methysticum também conhecida como kava-kava. apresentou propriedades anestésica. 1988). P. nigrum (Miyakado et al... Desmachelier et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. por seus constituintes químicos. amalago (Pupo.. 1985).. A espécie P. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. e aumentou o tempo de sono (Duve. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. anticonvulsivante. aduncum (Lohezic-Le et al. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. esta última com potente atividade (Di Stasi. P. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P.. e antiviral P. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. P. 1984). A espécie P. espasmolítica.. Pothomorphe A espécie P. P... 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1985). a degranulação. Shen et al. 1985). 1976). 1988). inibindo a agregação de plaquetas. abutiloides. 1983). 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. peltata. 2002. 1987. conhecida como Pariparoba. De P. Amorim et al. cincinnatoris. nematicida (Evans et al. lindbergü e P.. 1978.. larvicida (Mongelli et al. inseticida com substâncias de P. 1986.

O extrato etanólico das raízes de P.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. antimalárica e antioxidante (Isobe et al.1 .Peperomia elongata. o que não foi observado na espécie P. umbellata. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. De P.. analgésica. 2002. de Ferreira da Cruz et al..Banco de imagens . Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . 1997. 1987).. antiedematogênica. 1996). peltata (Felzenswalb et al... umbellata. FIGURA 7.... peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. umbellata L.. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 2000). 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. P. Desmarchelier et al. 1995). Miq. 1987). 1992). Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.

b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .2 .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.FIGURA 7. .Banco de imagens ).

3 . .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7.

FIGURA 7. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.4 . .

. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).Piper marginatum.5 .FIGURA 7.

.Pothomorphe peltata. .Banco de imagens . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi . .FIGURA 7.6 .

Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).7 .inflorescências Folha cordada FIGURA 7. .Pothomorphe umbellata.

como é o caso da Papaver somniferum. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. Hiruma-Lima C. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Berberidaceae. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Sabiaceae. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. o famoso Ópio. das quais devemos destacar Menispermaceae. como a morfina e outros derivados opióides. Pteridophyllaceae. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. C. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. arbustos escandentes e . M. foram obtidos. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. Ranuculaceae e Papaveraceae. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Santos E. M.8 Ranunculales medicinais L. A. Di Stasi C. algumas lianas.

constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. raspada e misturada com água. são consideradas muito tóxicas. assim como . foi referida como planta antiinflamatória. Dados botânicos Planta perene. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. com ampla distribuição na América do Sul. também denominada de Abutua. tais como A. 1997). folhas alternas e pecioladas. a espécie é chamada de Abuta. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. com contorno oblongo (Figura 8. Nessa família. onde a planta foi referida como medicinal.1). trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada.raramente árvores ou ervas (Mabberley. no entanto. típica da aldeia tenharins. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Espécies do gênero Abuta. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. imene. da Mata Atlântica. aplicada no local lesado e/ou ingerida. rufescens e A. fruto do tipo drupa. 1996). é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. Uma delas. utilizadas por índios do Norte do país. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. Outra denominação é Iroba.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

Não foram observadas. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. analgésica (Macedo et ai. in vitro.. 1994). J. Farias.. Além disso. 1997). L. antiviral (Brochado et al. 1996 e 1998). 1996). 1997). 1996). celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e.. LDH) e o nível de bilirrubina. et al. ainda. B. 1997). Uma loção contendo C. raízes. et al. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos.. argentea. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. 1996. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Gomes et al.. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. Farias. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. D. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. 1987). Kern et al. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos.. 1993. 1997). D... Loureiro et al. L... Brochado et al. 1999.. 1993).. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas.. Induziu. 1996a e 1996b). mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. 1996). Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino... 1996. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. relaxante (Araújo et al. 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. M. 1997. et al. 1998. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. porém. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. B. GOT.

. porém. hemorragias. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal.. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. 1993). 1986. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. não apenas com as espécies citadas.. Yang et al. subclasse Caryophyllidae. Zhang et al.. sobretudo contra helmintos. et al. requer cuidados por parte da população.. et al.. Extrato aquoso de A. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica. inclui . A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1995). 1998). S. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. confirmados para inúmeras espécies dessa família... 1972). provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. C. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1988. B. 1996. 1996). 1989). O uso das espécies contra helmintos. Do extrato de A. aliado aos dados de toxicidade em peixes. De Ruiz et al. especialmente em uso crônico. 1992). sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al.

com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo.97 gêneros. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. com aproximadamente 1. embora várias espécies possam ser encontradas na África. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. . que inclui a espécie Pereskia grandiflora. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. que também inclui espécies medicinais. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. 1997). 1978). Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). 1978). • Opuntia (Opuntioideae). • Cactus. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo.400 espécies (Mabberley. Cereus e Melocactus (Cactoideae). A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. Segundo Joly (1998). No Brasil ocorrem 32 gêneros. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. Em ambos os casos. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. de hábito variável e geralmente espinhosas. são espécies perenes. suculentas.

lenhoso.. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. xilose e ramnose (De Pinto et al. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. A goma de P. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. em altitudes e também no nível do mar. Peiresc. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. 1994). C. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. guamacho possui ácidos galacturônico. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. fruto do tipo baga glabra. dispostas em rácimos terminais. glucurônico e seus metil ésteres. além de galactose.. obovóide. cresce em matas e em restingas. arabinose. arabinofuranose. 1986). É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. galactose. Das folhas de P. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. glucose. galactopiranose. 1990). ácido galactopiranosilurônico. folhas subpecioladas. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. além de heteropolissacarídeos. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. A espécie é originária da Argentina. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. antitérmico e contra gripes e resfriados. . numerosos acúleos. oblongas e acuminadas com base atenuada. arabinopiranose. F.. galactose. sendo uma homenagem ao professor N. 1987).

O principal gênero é o Portulaca. e 33 espécies (Barrozo. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. . usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. muitas delas suculentas (Mabberley. Portulaca oleracea. Talinum e Portulaca. 1997). sendo algumas pequenas árvores. arbustos e ervas.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. 1978).

Na região da Mata Atlântica. planas e suculentas. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. referindo-se às propriedades purgativas da planta. outros usos são atribuídos à espécie. na forma de salada. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. axilares ou terminais. tais como Verduega. pequenas. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. Bodroega. Berduega e Veduega. arroxeado e suculento. e a maioria é de ervas suculentas anuais. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores amarelas. Inclui três variedades principais. obovadas. como alimento. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. cólicas renais e . O nome do gênero Portulaca deriva de portula. sésseis. Dados botânicos É uma erva de caule curto. diminutivo de "porta". vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. fruto capsular obovóide. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. pequenas. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. especialmente em Portugal e na Alemanha. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. mas algumas variações de nome popular são usadas. folhas pequenas. as partes aéreas cruas são usadas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. dadas sua rusticidade e resistência à seca.

amarga. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Também conhecida como Beldroega. emenagogos e vermífugos. flores amarelas. Caaponga. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. as sementes passam por diuréticos. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. vulnerária. pilosas. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. emenagoga e eficaz contra erisipela. emoliente. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. . diurética. lanceoladas. estomáquica. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". As folhas dessa planta também são comestíveis. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. glabros e suculentos. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. cicatrizante externa.afecções da vista. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. de onde saem folhas alternas. como as da beldroega. Portulaca pilosa L. Perrexi e Alecrim-desão-josé. pequenas.

como sitosterol. pilosanol A. isolados das raízes de P. 1991. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. Boehm & Boehm. (1991) detectaram de R oleracea 3.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. 22:6ômega-3. 1990). Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. oleracea de proteínas. fósforo. cycloartenol.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. 1992).. sendo o último composto um glicosídeo. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. B e C. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala.... Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. parkeol. três diterpenóides transclerodânicos. 1996). 1991). carboidratos. 1991). ácido ascórbico. dentre os quais 18:3-ômega-3. succínico. 1995. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai.5% de lipídios. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. 1992). portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. fumárico e acético (Gao & Liu. malônico. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. málico. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al.. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol.. 1991).4. Simopoulos et ai. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. 1988)... 1996). manganês. campesterol e stigmasterol. 1995b). 1996). cálcio. ferro. .. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. pilosa (Ohsaki et al.. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3.. P. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. ascórbico. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. 1994). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. Boschelle et ai. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. ácido linoléico e ácido palmítico.. butirospermol.

. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. 1994). reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. 1989. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. lupeol. grandiflora Hook. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. (1994). 1996). oleracea foi investigado in vitro. n-hexacosanol.. 1987). O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1989).. 1989)... além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al.. 1993. diurética (Rocha et al. encontrado por Rocha et al. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. 1987). O extrato de P. beta-sitosterol... 1997). 1989). Habtemariam et al. stigmasterol. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. De P. dentre outras espécies. sem alterar a diurese. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. P. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. 1985) relaxante muscular. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio.. ...De P. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. n-triacontano. 1989b) e hipotensora (Poli et al.. oleracea. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1989). 1995). apresentou atividade hipoglicemiante. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético.. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. enquanto das partes aéreas de P. Rocha et al. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 1994).. 1993)...

1978). extremamente ramificado. ramos folhosos verdes com folhas alternas. A família se subdivide em quatro subfamílias. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Menstruço.5 m. caule ereto e glabro. sendo uma planta extremamente . Caacica. Lombrigueira.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Spinaceae. pequenas árvores. Erva-das-lombrigas. 1997). Anserina vermífuga. Erva-das-cobras. Inclui arbustos. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Salsola e Atriplex. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Erva vomiqueira. que pode atingir até 1. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Também é chamada de Ambrósia. No entanto. Mentrasto e Mentrusto. Salicornia. raramente. oblongas denteadas.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Ex Stend. ervas anuais ou perenes e. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria.

extremamente útil para afugentar pulgas. para problemas da pele. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. Godano et al. contra reumatismo. referindo-se às folhas lobadas. bronquite. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. Melito et al. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. dor ciática e parasitas intestinais e. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. a maioria de ervas.) . em altas doses. como abortiva. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas.. 1978. ao passo que a infusão das folhas é usada.. 2002. baratas e demais insetos. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. percevejos. 1995). 1985a e 1985b. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. externamente.. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. Além desse uso. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. incluindo a Amazônia. lesões hepáticas. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. esse uso é comum também em outros países. especialmente na área veterinária. febre. amplamente disseminado nas zonas rurais. internamente. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso".vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional.

Bougainvillea. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. pilosas e pecioladas. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. arbustos e ervas que produzem betalaínas. ovadoblongas. em trinta gêneros. 1997). opostas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Guapira e Andradea. Boerhavia.3). com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Mirabilis. Pega-pinto e Tangaraca. de onde partem folhas pequenas. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. distribuídas. . nome usado em todo o Brasil. mas não antocianinas (Mabberley. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. incluindo árvores.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. a espécie é conhecida como Erva-tostão. Mirabilis e Bougainvillea. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. Pisonia. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Dos gêneros. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco.

sendo árvores. 1990 e 1991). 1991). 1997).. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. Corrêa (1984) refere que a planta. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. Rawat et al. lianas ou ervas. sem efeito teratogênico (Singh et al. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. especialmente a raiz. 1996) e lignanas (Lami et al. Aslam. 1997). 1999). além de ser considerada excelente diurético.. arbustos. 1978 e 1980. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. Sohni et al.. 1995).. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. particularmente contra lombrigas.. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1991. 1996. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. possui sabor picante. atóxica.. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. 2000a). cujos efeitos benéficos são incontestáveis.. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1999). nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas .

diurética. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. ereto. também é comum. gineceu unicarpelar com ovário súpero. no Mato Grosso. e o gênero Petiveria. como Tipi. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. androceu com quatro estames. agudas no ápice e estreitas na base. Amansa-senhor. Tipi-verdadeiro. 1984). ramificado com ramos compridos. alternas. folhas. Em outras regiões. sublenhoso. farmacêutico e amante da natureza. Gambá-tipi. flores sésseis. Dados botânicos Subarbusto perene. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. membranosas. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. como abortiva. Outros dados incluem o uso da raiz. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. na Bahia. antiespasmódica e reputada como sudorífica. no Rio de Janeiro.4). folhas curto-pecioladas. pequenas. delgados e ascendentes. alfavacão. que inclui uma única espécie. raízes e ramos são considerados emenagogos.como ornamentais. inchaço de mem- . fruto aquênio cilíndrico. limão de cayanna. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. achatado e carenado (Figura 9. estipuladas. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. em Pernambuco e em São Paulo. em decocto ou pó. Pipi. no alívio de dores musculares. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. O uso externo das folhas novas e da raiz. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver.

. 1992). C... as raízes são usadas na hidropsia. C. alantoína. ácido lignocérico. 1986). 1986).7-di-O-metilpinocembrina. 1982). O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. linoléico. Pinto C. 1990). triterpenos (Delia Monachi et al. Grandi et ai.. et al. 1997. 1988. em Minas Gerais. na Paraíba. trans-N-metil-4-metoxiprolina..bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. lignoceril álcool.. trisulfeto de dibenzila. nitrato de sódio. M. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol.. . De Lima et al. reumatismo. et al. serina. 1988. 1980). como abortivo. beta-sitosterol. no Ceará. lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. 1982). Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. paralisia. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. Trotta et al. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. 1988). glicina e alantoína (Sousa et al. 1980. 1988b). a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. beta-sitosterol. 1989) e depressora do SNC (Lima. De Souza et al. T... protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. 1988). 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. 1988. ainda. T. no Rio Grande do Sul... 1982)... peptídeos como ácido glutâmico. esteárico. 1982. pinitol. Van den Berg. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. S. 1990). M. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. dores de cabeça. além dessas indicações. 1998). a raiz é útil na amenorréia (Agra. flavonóides. et al. em Brasília e no Mato Grosso.. 1980). ácidos palmítico.

1993. 1993). Davino et al. utilizado popularmente como vermífugo. acaricida (Johnson et al. Malpezzi et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1988... alliacea. 1991). 1992).. 1991). decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. M... zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico.. 1998).. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1988. Davino et al.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. Cortez et al. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1984). 1995). Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica..mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. Lopez-Martins et al. 1990). O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida.. 1998). estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. 1989. atividades analgésica (Thomas et al.... por levar à imbecilidade. afasia e até à morte (Corrêa.. 1994). Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo... 1996) e antitumoral (Davino et al. O extrato hidroalcoólico de P... Y. Germano et al... O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al.. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. Takahashi. . No entanto. P. 2050 aci02). 2001)... 1991 e 1992). 1987) e antiviral (Ruffa et al. Guerra et al. 1993. 1997) e antifungica (Benevides et al. hematopoiética (Quadros et al. 1988.. 1994). efeito zigotóxico (Guerra et al. Caldeira et al. com uma D L m a de 1.. antiinflamatória oral (Germano et al. 1988). alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al.. citotóxica. e o de caule. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva.. Elisabetsky et al. 1991. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 2002. 1991. et al. 1989.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

capoeiras e na beira de estradas. membranosas. descrito por Patrick Browne. rugoso. e o nome. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. folhas pecioladas. É uma importante espécie econômica. O nome do gênero Sechium. O gênero inclui apenas seis espécies. . e sua raiz. flores amarelas esbranquiçadas. fruto do tipo pepônio verde. como em formações secundárias. 5-lobadas e raramente com mais lobos. flores amarelo-claras. Wilbrandia ebracteata Cogn. com caule anguloso. alternas. como Cabeça-de-negro. especialmente na Itália. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. sulcado. e muitas variedades em cada espécie. mas ásperas. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. que significa "pepino". Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. longos. sendo um produto amplamente comercializado. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. é uma variação de sicyos. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. com até 20 cm de comprimento. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). foi dado em homenagem a John Wilbrand. ramoso e delicado. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. Wilbrandia. especialmente após o cultivo sistematizado. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.a cinco lobos.3).

reumatismo. 1996). 1996). Nguyen. Das sementes de M.. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. Kusmenoglu.. 1990. Zheng et al. 1997). Das folhas de M. 1988. 1990). Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. tumores e.. 1996). De M. 1996. Ni. 1991.... charantia .. como laxativo (Farias et al. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico.. Co. Foram isolados também cicloarterol. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. 1992). charantia foi determinada como 0. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. Além disso. Hara et al. 1996.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. além do esterol. além das momordicinas (Fatope et al.40%). Chang et al.81%). aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. também. charantia também foram isolados vicina. assim como no controle da diabetes. a raiz é utilizada no tratamento de febre. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. A composição química do fruto de M.. Chandravadana et al. Foram isolados ainda das sementes de M. 1985).. 1995. Dos frutos verdes de M. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al... afecções da pele. charantia foi isolada a gama-momorcharia.. divididos em lipídios não-polares (38. glicolipídios (35. Grondin et al.80%) e fosfolipídios (16. charantia foram isolados os triterpenos momordicina.. Huang et al. 1997). sífilis (Almeida et al. 1986). sendo o cucurbita-5.. proteínas. 1990a). charantia também foram isolados triterpenos.. Cr. Mn e Li (Peng & Li. Das sementes de M. 1987). 1989.. Das sementes de M. ácido linolênico. 1989. Dos frutos frescos de M.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. 1996. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. Zn.. Wang et ai. 1989).76% de lipídios.. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. 1992). momordicinina e momordicilina.

linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. 1995). sesquiterpenolactonas e taninos. além do ácido rosmarínico. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. também foram detectados em Aí. Geralmente. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. H e I (Miro. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. contendo trinta carbonos. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu.. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. pela E e. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. balsamina (De Tommasi et al. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D.. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. isolados das partes aéreas. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. Das sementes de M. 1995). 1990b). 1990). punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. charantica. além de uma resina (Volák & Stodola. 1990). 1993). 1994). esteárico. seguidas. 1987). albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. 1997). e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). também descrito em M... foetida (Mulholland et al. triterpenos tetracíclicos. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. além de possuir óleo essencial (Guerrero. charantia. 1991).vicine. 1987). aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. . rigorosamente. 1993). oléico. 1994). posteriormente. pelas G. As sementes possuem 50% de óleo. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. Dos frutos de Aí. Aí. dioica eM. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas.

(2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos.. 2002) (Jilka et al. Ng et ai. Inibição da síntese de RNA. 1993). 1996... (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. (1986).. Welihinda et ai.. 1996. O extrato etanólico de M. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. 1987).. da síntese protéica.. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. 1984.. O suco dos frutos de M. 1996). 1982a e 1982b). 1983). Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al..Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. 1982. Platel & Sirinivasan.. Além disso. charantia (Rathi et al. extratos brutos de folhas.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. 1981. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. Raman & Lau. (1994).. Pugazhenthi & Murthy. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. DNA. 2002). Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. 1996. antiviral (Takemoto et al. 1986. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. El-Gengaihi et al. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto.. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. Ahmad et al. Athar et al. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. 1997). 1983a e 1983b) e . parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1980. 1993). Karunanayake et al. decocto das folhas e suco de M.

incluindo M. 1996). uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. Fong et al. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. alda-momorcharina. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. na qual descreveram a momorcochina. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. charantia. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. 1990a). 1990). antitumoral. Os frutos e sementes de M. isoladas dessa espécie. 1990).. inativadora de ribossomos e imunomoduladora.. A glicoproteína isolada das sementes de M. et al. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. charantia) inibe a integrase de HIV-1.. momordina 1 e momordina 2. charantia. 1994).. 1996).. 1993). atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. 1993). 1995b). 1983).. charantia. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. Ng et al. Wang et al. charantia. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M.. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta.. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al.. . As proteínas inativadoras de ribossomos. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea... possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. 1995). e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. proteínas inativadoras de ribossomos. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. pulmonares e da mama (Rybak et al. charantia. 1994). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. uma proteína inativadora de ribossomos.imunomoduladora (Spreafico et al. L.. 1987. isoladas de sementes de M.

charantia (Silva.. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1994). apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . Embora indicada contra malária. De M. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. 1994). 1997). 1996). Basaran et al.. 1990. Amorim et ai. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia e Emblica officinalis Gaertn. antiancilostomose (Berchieri et al. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1995). charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. No entanto. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1991). charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al.. et al. M. L.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. Das folhas de M. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. O extrato aquoso da folha de M. 1996). 1995)... Misra et al.. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. De M. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. 1996). Apesar da indicação popular para inflamação... Os frutos de M. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Dos frutos verdes de M. charantia foi isolado ginsenosídeo. e o rizoma de Curcuma longa Linn. (1984 e 1985).. 1990. 1987). Foram isoladas duas proteínas de M. 1996). 1987). 1988).. 1990). A M.. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. MAP30 isolado de M.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang..

1993)..atividade hipoglicemiante. anticoncepcional. diminuição da pressão arterial. De M. 1986). 1995. 1997).. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. antitumoral. 1986b). 1984.. 1995. citotóxica... hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. 1997 e 1999). alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. diarréia. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 2001). Peters et al. Hamato et ai. O extrato alcoólico de M.. Outras atividades também foram descritas para a espécie. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. Pagotto et al. 1995). Trichosantina. 1991). tais como antiinflamatória. A. antimicrobial. 1996). Proteínas isoladas de M. 1994). Jensen & Lai. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al.. hipotensora (Gordon et al.. et al. 1995. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai.. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. C. tais como antioxidante. 1989.. Teixeira. 1993). inúmeras atividades farmacológicas são referidas. 1996). .. 1991). 1993). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. inibição da ovulação. 1995). 2000) e antimutagênico (Yen et al. anti-helmíntica.. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. hipovolemia. em rato... 1995.. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Além disso. do que o extrato de M. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al.. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. Miró.

. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. Das sementes de M. angaria foi de DL50 = 1. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai.. 1988). 1996. 1996. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M.. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1990). recentemente. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1994). cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. charantia em enzimas hepáticas.. . 1992). A toxicidade do fruto de C. 1986). o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado..Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados.. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. Raman & Lau. Em ambos os casos. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. 1996. 1987)... charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali..6 mgAg. 1986). 1986. Chan et al. Platel & Sirinivasan. El-Gengaihi et al. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. Os frutos de M. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. 1997). especialmente por gestantes.

alternas. androceu com um estame. pétalas ausentes. e não foram encontrados sinônimos para ela.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). . pedaço. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. bem desenvolvidas. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. folhas simples. referindo-se ao estame bifurcado. mas que possui uma grande importância. e stemon = "estame". um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. semente com endosperma carnoso (Figura 10. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. 1978). farrapo". fruto do tipo capsular trilobado. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. onde há cerca de oito espécies. com gomo terminal protegido por estipula caduca. Dados botânicos Árvore de pequeno porte.4). distribuídas em regiões tropicais. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. ovário unilocular.

Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. arbustos e árvores (Mabberley. No Brasil. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). . compreendendo lianas. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. de valor alimentício e medicinal. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. representando um importante recurso econômico. 1992). Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. com 575 espécies tropicais e temperadas. 1996). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. no entanto. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. em geral trepadeiras. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. conforme apresentamos a seguir. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. existem várias espécies do gênero Passiflora. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. 1997).

margem inteira. 1991). 1989). fruto oblongo-ovóide. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. alternas. Passiflora macrocarpa Mart.. 1983). 1997). epipassicoriacina.5). Na região da Mata Atlântica. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. planas e obtusas. monoterpenóides. 1987a. 1990). estipulas ovadas. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. (9Z)-ácido octadecenóico. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. 2tridecanona. caule robusto. pela interpretação dada às peças florais. agudas no ápice e estreitas na base. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma.. principalmente a P edulis. chamada popularmente de Maracujá gigante. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. 1996. carotenóides (Ferreira et al. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. peninérveas. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. que lembram os instrumentos do martírio. 2-pentadecanona. Spencer & Seigler. gavinhas que são ramos florais modificados. e cinco pétalas rosadas.. mas identificada apenas até o gênero. cilíndrico. o suco dos frutos é considerado sedativo. . cordiformes. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. folhas inteiras. flores com cinco sépalas ovadas. corniculadas. côncavas. é usada para diversas finalidades. antocianinas (Kidoey et al. ovadas. 1987b e 1985). hexadecanóico.. uma espécie denominada Maracujá. Uma outra espécie de maracujá. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter.Dados botânicos Planta glabra. sementes compridas (Figura 10.

sendo a passiflorina o mais conhecido. assim como ácidos graxos. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. et al. fermentos. K. Spencer & Seigler. carboidratos. 1988).. quadrangularis (Orsini et al. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al.. 1997. 1988). 1989).. glicosilflavona (Geiger & Markham. saponarina. O suco dos frutos contém água. ferro. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. B1. flavonóides (orientina. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. isovitexina. Esse composto não foi detectado em P coerulea. 1986). vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. P coriacea (Spencer & Seigler.. 2000. vitaminas A. isoorientina. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. 1997). proteínas. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana.. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa.1979).. orientina e isoorientina. B2.. 1988. Da espécie P. Raffaelli et al. lipídios. 1988).2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. 1987b). açúcares. nem em R incarnata (Speroni et al. 1979). além de vários compostos aromáticos (Winter et al.. harmalina. 1980. 1998). maltol. cálcio. 1991). espasmolítica (Queiroz & Brandão. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1986). isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. Menghini. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. 1980). Ortega et al. harmina. amliformis (Restrepo & Duque. isoschaftosídeo. mollissima (Froehlich et al. 1987)... 1988. bem como a presença de glicosídeos em P. Proliac & Raynaud. 1997. 2000). analgésica. potássio. 1996). de onde foi isolada crisina.. Sena & Leite. fósforo.. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. Vale & Leite. Amaral. 1996). Flavonóides como vitexina. 1997). Dos frutos e folhas de P ... taninos. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al.. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo.. riboflavina. 1986). 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. harmol e harmalol). 1997. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. 1995. Costa. 1988.. P. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. PP e C (Zhuang & Wang.

1989). 1998a). outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.1 ..edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al.. Detalhe da folha 5-lobada. 1985b. FIGURA 10. 1988).. 2000). fruto e flor (Banco de imagens . atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. 1978). 1989 e 1993) e inseticida. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona.. 1991). Echeverri & Suarez. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al.. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. Barros et al. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico.. foetida apresentou atividades hipotensora..Luffa cylindrica Roem. antiinflamatório (Silva et al. antipirético (Silva et al. espasmolítica (Carneiro et al. Das folhas de P . 1991.. inotrópica.. 1985). Porém. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al..

2 . .Momordica charantia: a) ramo com frutos.FIGURA 10. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

na Bahia. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. como abortivos. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante.mas. Malva-preta. 1939). no Pará. lineares e de cor branca. como emético (Hoehne. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. mas também de Ganchuma e Relógio. Sida rhombifolia L var. Vassoura e Relógio. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. de Vassoura. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. na região amazônica. Schum. reunidas em fascículos axilares. Nomes populares A espécie é chamada. com caule ereto e ramoso. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. freqüentemente com cálice roseado. as flores são pequenas. emenagogos e as folhas (decocto). O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual.) K. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. . canaiensis (Willd. 1982).

Na Mata Atlântica. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. emoliente. flores solitárias.Vassourinha.. Coaquibosa. anti-hemorroidal. Dados botânicos Planta anual. 1982. em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. é de grande uso externo contra reumatismo. Malva-roxa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. . no Rio Grande do Sul. chamada de Caapiá. Aguaxima. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. popularmente conhecida como Caapiá. tônica. Uacima e Uacima-roxa. Malvaísco. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Grandi & Siqueira. rombóideovais ou lanceoladas. mas esta não foi completamente identificada. em Minas Gerais. Em outras regiões do país. na região amazônica.4). e Guanxuma. é tido como útil. alternas. a planta é utilizada como béquica. Malva e Vassoura-do-campo. ramosa e pubescente. no Rio Grande do Sul. Carrapicho-de-lavadeira. na dose de três xícaras ao dia. Urena lobato L. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. róseas. 1982). como Minas Gerais. dispostas em racemos. Guaxima. Guaxuma. Aramim. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. contra desarranjo menstrual. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. O chá de toda a planta. Guaxiúba. reticulata (Cav. axilares. var. folhas curto-pecioladas. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Ibaxama. ereta. Rabo-de-foguete. 1986).

com grande destaque para as três nervuras centrais. 1977a. cordiformes. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. 1987). Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica.. ciclopropenos (Nakatani et ai. solitárias. syriaceus (Shimizu et al. cannabinus foram isolados. mucilagens das espécies H. emoliente e contra eólicas renais. onde se encontram glândulas nectaríferas. 1984). flores pecioladas. a decocção da raiz é usada como diurético. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. 1986). diurética e útil contra eólicas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. moschentos (Tomoda et al. De H. 1991). 3-7 nervadas. cannabinus (Kulchik . Tomoda & Ichikawa. 1986). A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. suculentus (Tomoda et al. comum às espécies desse gênero. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. H.. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. lobadas e de formas variáveis. 1986. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1990). pequenas. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes.. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. de até 3 m de altura. 1991). De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. 1985) e H.. de onde partem folhas alternas. ligninas de H. pecioladas. suculentus (Moawad et al. Dados químicos Hibiscus De H.. fosfolipídios (Tolibaev et ai. roxas ou rosas. 1977b e 1978). fruto do tipo capsular. H. com ramos alternos cilíndricos.

1991) e lactonas de H. 1986. epi-ikshusterol. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. 7-0alfa-ramnopiranosídeo.. triacilglicerídeos.. 1989a e 1989b). 1989). kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. 1988). abelmoschus (Maurer & Grieder. 1991). kaempferol 3. linolenato de metila.. moschentos foram isolados 3. o H. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. ácidos palmítico. sabdariffa foi determinada (Kalyane. . xilose e frutose (Pouget et al. malvidina (Kim et al. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. oléico e linoléico (Tolibaev et al. galactose. sabdariffa produziu antocianinas. N-acilfosfatidiletanolamina. pelargonidina..8. sesquiterpenóides de H.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. Husain et al. Foram isolados também de H.. cianidina. quercimeritrina. esterois livres. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. diacilglicerídeos. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. além de 15% de ramnose. epoxiacilglicerídeos. 1986. monoglicerídeos. fosfatidilinositol. betasitosterol. esculentus e H. taxifolina e herbacetina. ácidos graxos livres. 1988). syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. esterol ésters. A quantificação das proteínas das sementes de H.et al. 1988). além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina.. 1990). Em cultura de tecidos. arabinose e arabinan. 1990a e 1990b).. De H. 1989). vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad.. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. 1990) e alfacelulose (Saikia et al.7. De H... Das pétalas de H. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. No óleo das sementes de H. 1988).-L-arabinosideo-7. Duckart et al. ikshusterol. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. N-acilisofosfatidiletanolamina. peonidina.4'-pentahidroxiflavona. De H. beta-sitosterilglicosilado. glucose. 1990). 1986). cannabinus foram isolados hidrocarbonetos.. Das sementes de H. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al.5. fosfatidiletanolamina. tiliaceus (Ali et al. 1978). sterculico. petunidina. 1977).

Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. 1985). palmito-dilinoleínas. globulina. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). araquídico. hirsutum (Schmidt & Wells. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . De G. hidrocarbonetos. 1986). Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. também isolado de G. fosfolípides. dipalmito-linoleínas. dipalmito-oleínas. mirístico. lecitinas. oléico. corantes como carotenos. silianum (Kumamoto et al. Das sementes de G. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. 1979). 1979) e G. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. hirsutum e B. palmítico. prolamina e glutelina (Sammour et al. hirsutum e G arboreum. D-galactose. 1985). esteróis. óleo-dilinoleínas. barbadense. 1995). syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. miristoléico e palmitoléico. 1995). resinas. 1987). xantofilas. esteárico. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. 1986). Ermatov et al. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. Foram isolados de G. 1986. 1980). G.Das folhas de H. mucilagens e proteínas (Costa. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. principalmente o esqualeno. rainundii (Stipanovic et al. barbadense determinou a presença de albumina. diversos terpenóides (Hunter et al.

rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. A extração das partes aéreas de S. 1981). hirsutum (Mansour et al. ácido glutâmico e aspártico. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. pristano. espermátide e espermatozóide.(+) gossipol de G. De S. campesterol. isoquercitrina. acuta (Goyal & Rani. As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. As partes aéreas floridas de S. spinosa (Prakash et al. ácidos graxos como beta-sitosterol. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. barbadense e G. 1987). rhombifolia e S. Sida Alcalóides foram isolados de S. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. 1989a). colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. hirsutum (Zhou & Lin. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. ácido palmítico. barbadense e G. 1988). 1997). S. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. 1989b). humilis. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. acuta. hermaphrodita contêm também os flavonóides. fitano. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. Das partes aéreas de S. 1990). cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. 1988a). stigmasterol. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G.3%3%) (Bandyukova & Ligai. As partes aéreas de S. S. 1989). O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. vesícula seminal e próstata ventral foram . hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2.

1985). Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. tripsina e a alfa-quimiotripsina. 1989). 1987). antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 1992). A taxa de inibição de fertilidade com H. 1985). 1990). esculentus. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. assim como uma forte ação citostática. A espécie H. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. causando o final da gestação (Pakrashi et al. 1976a e 1976b ). rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. e de H. 1986). no tratamento com Hibiscus. 1987). 1999).. 1987). a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. esculentus (Medeiros et al. 2000). antiespermatogênica.reduzidos nos animais tratados com H. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. Haji & Haji. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. Pai et al. citotóxica. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 1979). 1984. . moschentos (Tomoda et al. Essas atividades. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. sabdariffa (El-Merzabani et al. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. As flores de H. 1986. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. Ainda de H. verificadas por Singh et al (1982). Em camundongos. 1999. Pakrashi et al. 2001). porém os níveis de colesterol subiram. O ovário apresenta sinais de luteólise. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. antimutagênica (Wang et al. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. hipoglicêmica de H. O extrato das flores de H. 2002). Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano.

rhombifolia (Bortoluzzi et al. Extratos de S. 1988) e S. As proteínas das sementes de G. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1985).Gossypium O gossipol. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 1985). 1980). Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. hirsutum e G. 1995). 2000) e tóxico (Bourke. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. serratifolia (Sawhney et al. principal constituinte do óleo do algodão. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Terpenóides isolados de G. barbadense e G. 1978). hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. Sida Os alcalóides de S. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al.. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. 2001. 1984). Wang & Bunkers. 1996). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. Flavonóides de G. 1997). Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1982). Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies.

utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. raramente ervas ou lianas (Mabberley. exceto Bacillus subtilis. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. do valioso Cacaueiro Joly 1998). distribuídas em onze diferentes gêneros. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. Sterculia. 1997). onde são encontrados em abundância.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. incluindo árvores e arbustos. Franzotti et al. cordifolia (Malva-branca). V. 1998). Drena As raízes de U. Segundo Barrozo (1978). porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. C. F. Na região . rhombifolia. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. Dombeya. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. todos típicos de cerrados e campos. 1988b).500 espécies tropicais. Das partes aéreas e folhas de S. 1996). de grande cultivo em jardins. 2001). no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1988. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. 1998. carpinifolia. Helicteres e Waltheria. Bianchi et al. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. e o gênero Theobroma. Fernandes et al. 1992). et al. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. nos quais se distribuem 1. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. vulgarmente chamada de Guaxuma. Do infuso de S. 1998. poucas em áreas temperadas.

descrito por Carl Linnaeus. duas das mais importantes e valiosas espécies. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1988). com brácteas linear-lanceoladas. de valor econômico. medicinal e alimentar. flores que brotam dos galhos. O nome do gênero. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. . ex Spreng. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. Copoaçu. liso e escuro (Figura 11. com estipulas caducas.) Schum. 1991). e o chá da sua casca. oblongolanceoladas. com ramos longos. Em tribos indígenas amazônicas. Cupu-assu. ovóide. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. folhas com pecíolos curtos e carnosos. significa "manjar dos deuses". O gênero Theobroma. grandes e vistosas. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Dados botânicos Arvore de grande porte. grossos e tomentosos. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. Theobroma. pedunculadas. vermelho-escuras. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. para o tratamento de diarréia. fruto do tipo capsular grande. ou por suas variantes: Cupuaçu. 1990).da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. bem como nas comunidades locais da Amazônia. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. no Pará (Amorozo & Gély. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil.5). Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd.

(Figura 11. grandiflorum). Chocolate. Já a espécie T. M. 1992a e 1992b). Outras espécies desse gênero. Pagonini et al. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. glicerídeos di-saturados. Cacao forastero. fasciculadas.e tri-insaturados (Costa. até 10 m de altura.. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. 1993). ácidos esteárico. Caca-y.. cafeína (Maia et al. como a T. T. teobromina.. Cacaoyer.9-tetrametilúrico. palmítico. contêm flavonóides (Jalal & Collin. Dados botânicos Árvore de porte médio. 1986). folhas com pecíolos longos. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. 1977). usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. globulinas (Voigt et al. Criollo.7. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. flores dispostas no caule. albuminas. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Theobroma speciosa Willd. mono. cacao. denominado Theobroma cacao L. fruto capsular ferrugíneo. ex Mart. vermelho-escuras. no Amazonas. 1989). Cacao azul. 1979).6). oléico e linoléico. inteiras. 1970. inibidores fenólicos da a-amilase. mirístico. speciosa possui ácido 1.3. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. oblongolanceoladas. Kakao. tripsina .. com ramos curtos.

ácido araquídico. Esse constituinte também . simiarum. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados.. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina.7% a 57. Os alcalóides teobromina.6%. ácido cítrico. Além de açúcares totais. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. cacao e também em T. 1994). flavan-3-ols.2%).(Quesada et al. mariae. O T. 1996). 1986). augustifolium. 1986).. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. teobromina. porém. 1989). diferentemente do T. 1987). 1991). procianidina B2. (-)epicatequina.. 1994). e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. subincanum. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. taninos condensados. que variou 50. augustifolium (Sotelo & Alvarez. xantinas e lipídios. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. O índice de saponificação da T.. derivados do ácido hidroxicinâmico. bicolor e T. dentre os quais o óxido de linalol (12. cacao consistem de 78 componentes. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. nerol. Porém. speciosum. quercetina e esculentina (Bastide et al. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. 1991). bicolor e T. 1991)..37 a 1. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. As essências florais de T. ácido lático. longifoleno e citronelol (Erickson et al. ácido ecosadienóico. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood..9%). 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. gorduras (Malini et al. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. quercetina3-0-glucosídeo. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. T. geraniol. T. 1987). cacao foi caracterizado como de 190. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico.. 1995). pela presença de ácidos graxos. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12.. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes.. T.5%) e o isoeugenol (8. Em T. tais como ácidos palmítico. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. Alcalóides purínicos (cafeína. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. taninos. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. 1996).74% (SantAnna Tucci et al. e T. cacao. Em T. antocianinas. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1.

cacao apresentou um efeito vasodilatador. 1997. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. et al. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T.. 1997). cafeína. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 1997). bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. 1997). Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda.. e a proantocianidina. uma atividade analgésica (Santos. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al.. Sanbongi et al. cacao (Yamagishi et al. proteína. 1989).. 2002). Melzig et al. 2000). 1992a e 1992b). análoga à manteiga de cacau. isolada dessa espécie vegetal. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. Paganini et al. M. amido. 1970... As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1997). fenóis e taninos. cacao (Gurney et al. 1997).. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T.. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. . com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T... 1997. clorofila. 1992). Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al.

que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. muito conhecida na região amazônica Joly. folhas curto-pecioladas. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. que a referiram como medicinal. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. com o nome de Curumin-nhapuá. 1997). Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. Triumfetta. . neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. os gêneros mais comuns são Luehea. serrilhadas. oblongolanceoladas. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. raramente ervas ou lianas (Mabberley. No Brasil. e Apeiba. Espécies medicinais Muntingia calabura L. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. Dados botânicos Árvore de porte médio. de até 13 m de altura. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. 1978). de numerosos estames livres. sendo a maioria de árvores e arbustos. 1998). da planta Pau-de-jangada. agudas no ápice e oblíquas na base.

compostos fenólicos (11. A casca é emoliente.7). calabura L. inúmeras sementes (Figura 11. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting..3%) os mais significativos. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1.6%) e derivados furanos (8. arredondado. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. aqui descrita como medicinal. 1991). antiespasmódicas (Corrêa. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. quercetina. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto.3%).4%). calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. vermelho. sendo ésteres (31. e as flores.3%). calabura foram isoladas Havanas. . fruto do tipo baga. dos quais predominaram alcanos (44.3%). 1990).9%). O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. ovário 5-7 locular. Dos frutos de Aí. ésteres (26. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.7%). sesquiterpenóides (10. alcanos (15. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. indeiscente. 1984).5%) e compostos carbonil (23.dispostas em pedicelos axilares. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. Do extrato citotóxico das raízes de M. e salicilato de metila.

Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .FIGURA 11. 1998.1 -Bixa arbórea.

2 . 1984).Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens - . b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.

Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .FIGURA 11.Gossypium barbadense.3 .

1998) (Banco de imagens . canaiensis.4 .FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Sida rhombifolia var.

FIGURA 11.5 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .Theobroma grandiflorum.

Theobroma speciosa.6 . Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.

FIGURA 11.7 .Muntingia calabura. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .

devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. A. das quais as famílias Moraceae. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. Da família Cannabaceae. fonte de substâncias também tóxicas. C. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Cecropiaceae e Moraceae. e o segundo. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. não possuem importantes espécies de valor medicinal. fonte da maconha (Cannabis sativa). e o importante gênero Urtica. As outras duas famílias dessa ordem. Seito C. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Di Stasi L N. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. amplamente conhecida como . pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Em duas delas. Cecropiaceae.12 Urticales medicinais L. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. por esse fato. Ulmaceae e Barbeyacea.

de Lixa. Ibaíba. Outras denominações populares são Aimbahú. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Embaúba. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Musanga. Ambaí. Com esse novo arranjo. longopecioladas. Imbaubão. Ibaituga.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Arvore-da-preguiça e Torém. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Arvore-da-guiça. lactescentes. Ambaíba. Figueira-de-surinam. Ambaitinga. referida com adulterante da Espinheirasanta. Poiküospermum. alternas e protegidas por duas estipulas. Toréin. Ambatí. . Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. peitadas acima do centro. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Pourouma e Cecropia. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. folhas grandes. e a espécie Sorocea bomplandii. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Ambahú. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Imbati. Myrianthus.

O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. C. R. F.. Das folhas de C. Mal de Parkinson. indicada popularmente como antiinflamatório. reunidas em densas inflorescências. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. hidropisia. et al. 1994). Kerber. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. asma.. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Nas folhas do extrato de C. 1996). 1985). A. antililiásica (Domingos et al. adenopus. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. unilocular. meio homem e meio serpente. 1998). 1983). indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. A. catharinensis.1). frutos nuculares. usados na fabricação de instrumentos de sopro. a raiz é considerada útil contra tosse. et al. formando infrutescências inclusas (Figura 12. R. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. 1984b). que significa "chamar. Na região do Vale do Ribeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. bronquite e gripes fortes. 1984). ecoar". glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. et al. Das raízes de C. C. . Na espécie C. carpelar. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. lyratiloba (Menda. Em C. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. filho da Terra. As folhas.. 1986). 1996b).flores pequenas de sexo separado. do grego. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. 1992. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C.. A. muitas delas de ocorrência no Brasil.. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite.. 1986. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. gemas e brotos são adstringentes.. Santos.

que incluem árvores. Rocha et al. distribuídas em 38 gêneros. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. de Espinheira-santa. com inúmeras espécies usadas como ornamentais. compreende 1. descrita originalmente por. Morus. isolada de espécies deste gênero.. 1993 e 1996a).. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada.. arbustos. antiulcerogênica (Cysneiros et al. 1988. Em outras re- . a família conta com aproximadamente 340 espécies. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. 2002).depressora do SNC. Cysneiros et al. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. 1988). antidepressiva. No Brasil. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al.. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. 2001).. lianas e ervas (Mabberley. efeito depressor do SNC. na Mata Atlântica. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. dos quais se destacam: Ficus..) Burger. 1998a e 1998b.. Johann Heirinch Friedrich Link. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. 1998. 1997). 1992). Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. 2001).100 espécies tropicais e poucas temperadas. Dorstenia.. 2001). possui atividade antimicrobiana (Andra et al.. Astocarpus e Sorocea. característica marcante da maioria das espécies dessa família. A cecropina. espasmolítica (Delia Monache et al.. distribuídas em 28 gêneros. Rocho et al. ansiolítica (Barettaetal.

Trata-se de uma espécie perenifólia. ciófita. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. folhas simples. Flavonóides foram isolados de S. Canxim. cilíndrico. chegando a 10 cm de comprimento. Carapicica-de-folha-miúda. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. 1993).. 1993). Gonzales et al. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. bomplandii. 2001.giões do país a planta é chamada de Cincho. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Recentemente. de casca fina. fruto do tipo baga. Araçari. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. especialmente na Mata Atlântica.. . 2001. especialmente da Mata Atlântica. ilicifolia e S... Folhas-de-serra. de face superior brilhante e inferior opaca. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. com tronco ereto. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. Resple. Soroco. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. quando não está em época de floração. Laranjeira-do-mato. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). Calixto et al. A espécie é latescente. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. da família Celastraceae).

FIGURA 12. 1998. Reis). e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.1 . d) flor feminina.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. c) inflorescência. (Banco de imagens . b) detalhe da folha. S.

1997). comumente com células especializadas na produção de látex.100 espécies. segundo Mabberley (1997). A família Euphorbiaceae. a maioria cosmopolita. Guimarães C. Hiruma-Lima A. M. a família é representada por 72 gêneros. Das centenas de gêneros. Souza-Brito E. . No Brasil. Thymelaceae e Euphorbiaceae. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. é urgente uma revisão da família. lianas ou ervas. R. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. 1978). arbustos.13 Euphorbiales medicinais C. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Santos L. com aproximadamente 1. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. M. Na família ocorrem árvores. compreende 313 gêneros. A. M. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos.

especialmente em Phyllanthus. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. pecioladas. estipuladas. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular.devemos destacar Ricinus. Jatropha e Croton. pela semelhança das sementes com esse animal. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. com limbo dividido em lobos ou segmentos. icterícia e malária. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". sendo algumas árvores. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. Mabea. fruto seco. folhas simples. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. espécie rica em óleo de rícino. enquanto a infu- . verdes. ervas e arbustos. problemas hepáticos. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. a maior produtora de borracha. flores de sexo separado. esquizocárpico. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. e outras. da valiosa Mamona. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica.1). Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. Pedilanthus. atualmente cultivada em vários países. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. Do gênero Euphorbia. separando-se em três cocos. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. peninérveas. dos quais referimos algumas espécies a seguir. febres. lanceoladas.

com ápice curtamente acuminado e base cordada. estipuladas. pequenas. esquizocárpico. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. palminérvias. Pinhão Pinhão-branco. sementes ricas em endosperma. lanceoladas. Pinhão-manso. lactescente. atingindo até 4 m de altura. e Mandobiguaçu. Maduri-graça. longo-pecioladas. de caule grosso. Nomes populares A espécie é chamada. folhas alternas. lobadas. reunidas em inflorescências paucifloras. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Pinhão-de-purga. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. amarelo-esverdeadas. na região amazônica. Pinhão-do-paraguai. flores unissexuadas. membranosas. nodoso. com brácteas . mas também de Peão. fruto seco. Pinhãodos-barbados. grandes. no Pará. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. glabras. no Ceará. peninérveas. flores de sexo separado. reunidas em inflorescências racemosas.são das folhas. Croton sacaquinha Croizat. folhas simples. a Sacaca. é útil contra hepatite. separando-se em três cocos. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. Pião. curto-pecioladas. de Sacaquinha.

Batata-detéu. dez estames. sementes escuras. 1984). contra feridas (Amorozo & Gély. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão.. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. 1988). o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. Arg. colocar no café e banhar a cabeça). o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. partir e tirar a "folhinha". o látex é aplicado externamente. são torradas. O nome do gênero Jatropha. assim como para constipação nasal. . Raizde-téu. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Peão-curador.2). deriva do grego iatros = "remédio". secar até ficar fria. coriáceo. Pinhão-roxo. As sementes são eméticas (Corrêa. gripe (descascar a semente.lanceoladas. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. 1982). as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. Pião caboclo. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. no Pará. assar a polpa na cinza. gengibre amassado. Jatropha gossypifolia L. enquanto as sementes. Erva-purgante. elipsóides e oblongas (Figura 13. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). Mamoninha. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. Peão-pajé. lisas. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. esta passa a ser comestível e saudável). fruto do tipo capsular. constipação nasal e como purgativo. após a retirada do embrião. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

O nome do gênero Mabea. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. fruto capsular. trissulcado. A planta é purgativa. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. contra feridas. Em Brasília. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. útil nas obstruções das vias abdominais. e as folhas na cabeça. o banho. escuras e com pecíolos pubescentes. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. grandes. no Piauí (Emperaire. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . o chá das folhas é usado como antitérmico. 1984). No Pará. 1982). as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. roxas. palmadas e limbo dividido em lobos. folhas pecioladas. contra "mau olhado". flores unissexuadas. glabras e estipuladas. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. ramosa. cálice com cinco pétalas.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos.3). dispostas em cimeiras paniculadas. lineares. 1982). contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. com folhas alternas. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. 1988).

que atinge até 0. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. alternas. significa "flor na folha". com ramos glabros. ramificada. distribuídas na América tropical. sementes minúsculas (Figura 13. descrito por Carl Linnaeus. estipuladas. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. flores de sexo separado. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies.Aublet.5 m de altura. folhas com limbo. é usada como diurético e contra . cápsulas pequenas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. flor masculina fasciculada com três estames. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. O nome do gênero Phyllanthus. incluindo as raízes. Dados botânicos Planta de pequeno porte. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia.4). a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. 1984). enquanto a infusão de toda a planta. Na região amazônica. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. trissulcadas. Phyllanthus corcovadensis Muell. Na região do Vale do Ribeira. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. Arg. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa.

8-cineol. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al.. 1990.. Em Minas Gerais. 2000). Kubo et al. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. de ácido aleuritólico (Muller et al. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. Das cascas de C. 1989).. é útil contra problemas do fígado. e os principais constituintes são alfa-pineno. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. Posteriormente. A infusão das folhas. O óleo essencial das cascas de C. 1. 1979. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al.. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1992). além de ser usada contra pedras nos rins. 1989..dores de barriga. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. transcrotonina. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. alfa-humuleno. Maciel et al... 1982). cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 1991). 1998). 1986). . beta-cariofileno.

crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al.cadideno. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. 1993a). 2. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.6-trimetoxifenol. Além disso.5-trimetoxibenzeno. 2-metil-butanol. lechleri foram: acetato de etila. lundianus e a C. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). 4b-dihidroxi-15. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. metileugenol. a levatina (Moulis et al. betabourboneno e gama-cadineno. 1996). glandulosus (Neto et al.. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. enquanto germacreno B.4-dimetoxibenzil. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. alfa-ilangeno. eucaliptol. Os constituintes voláteis isolados de C. acetato de 2-metil-butanol. 1992b). acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. linalol. alfa-cubebeno. De C. 1994).8-cineol. limoneno e outros. 1992).. 1995).. gama-elemeno. alfa-guaieno. Porém. zambesicums Muell. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. acetato de 3-metil-butanol. acetato de propila. alfa-humuleno.. ludianus possui 1.. 1995). mirceno. 1992). e de C. 1996).. a printziano e um norclerodano (Siems et al. aubrevillei J.14-dieno. a C. lechleri foi isolada a sinoacutina. 1996). hovarum: a 3a. e das folhas de C.. gama-elemeno.. glandulosus. propionato de etila. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. estragol. Das partes aéreas de C. 3. cadineno. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. A composição do óleo essencial das cascas de C.4b-dihidroxi-15. cortesianus foram isolados o clerodano. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. p-cimeno.4.4-dimetoxifenol. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. metil isoeugenol.. sitosterol. allo-aromadendreno e torreyol. 3.14dien-9-al e 3a.3. o óleo de C. Das folhas de C. e chiromodine (Weckert et al.. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 1992).. C. cânfora. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. e das cascas do caule de C.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). foi determinada. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. 4-hidroxifeenetil. 1993b). . megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al.

curcas foram isolados ainda as latiranas. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol.. 1993). taraxerol. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. eluteria foram isolados sesquiterpenos. 1996). Compostos terpenóides foram isolados de C.. b-sitosterol. macwstachys (Herlem et al. riangularis (Moura et al. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. jatroolona A. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. 5hidroxi-6. C. 1992). Jatropha Das raízes de J. 1991). 1991). jatrofol.. Do óleo de C. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. a seco-labdane (Schneider et al.7. 1991a).3'.. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. nobiletina. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. argyrophylloides (Monte et al. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. e das folhas de C. enquanto alcalóides foram encontrados em C.7-dimetoxicoumarina. 1995). 1994). 1986) e C. tomentina.. 1981). De J. 1986). ésteres e cetonas não-terpenóides. 1992). curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. Das raízes de C. 16hidroxijatrofolona. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. gossypifolios (Cespedes et al. .6-diona. 1988). curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. jatrofolona B. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. De C.5. diasii (Alvarenga et al. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al.7b-dihidroxiannoneno e 6a.. taraxerol.. jatrofina.. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. e das cascas de C.. 1976).. Das partes aéreas de C. stigmasterol. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina. jatrofolona B. caniojana.. 6a. 1992). eudesmanos. os triterpenóides jatrofolona A.De C.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. beta-sitosterol (Chen et al. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. e de C. hemiargyreus (Barnes & Borges. 1996).. castaprenol-11..

curcas.. e 43. respectivamente (Raina & Gaikwad.60%. 1988). ácido esteárico. glicina (19.94%). foi isolado de seu látex a albaditina. 2epijatrogrossidiona.07%). Banerji et al. 1997).9%. Makkar et al. gossypifolia e J. 1988. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 1996a) e jatrodiena (Das et al. malacophylla.26% de ácido aracdônico. arginina (0. 0. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. além de outros três derivados diterpenóides.1997). alanina (28. Das folhas deJ. jatrofolona B. curcas foram isoladas também várias lectinas. 1990).6% de ácido oléico. J. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico.92%) e leucina (12. sendo 0. 1995).98%). isoleucina (3.. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. Do látex de /. ácido linoléico (Nasir et al. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al.. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. J. 14.1%). galvani (Guevara et al. 1989). 0. 1989). Dos rizomas de J.. 1990). terpenos. metionina (13. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.26%. gadaína (Das et al. 1997). todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al. Das folhas de J. flavonóides. 1987). multifida L.. 1988). De J. 1988)./.15% e 15% de ácidos graxos saturados. 1997. elbae. 1986). 1989a e 1989c).9%). isoorientina.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. denominada curcina (Costa.. Auvin-Guette et al. De J. Das raízes secas de J. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona... Teixeira.71%). 1987. As espécies. .. 15. Do caule de J.. ácido oléico. bem como o ácido nurístico. tlalcozotitlanensis e J. compostos fenólicos.. 1996b). os aminoácidos cistina (2. De J.. divica foram isolados beta-sitosterol. 1996.30%) (Jain & Garg. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. saponinas. 1997). mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. Das cascas da raiz de J. caniojanae 1. Das raízes de J.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. 1988). podagrida apresentaram 24%.9%.. pohliana var. mollissima foram isoladas orientina. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. ácido araquídico e toxalbumina. J. Saponinas foram detectadas apenas em J. valina (18. esteróides e glicosídeos.. 1983).

diterpenos. 1995). como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. . Singh et al. 1996. P. timol e carvacrol (Odebiyi. 1977). a mais estudada é a P... 1986). cumarinas. ácido clorogênico... neolignanas (Satyanarayana et al. Hassarajani & Mulchandani. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. virgatus (Babady-Bila et al.. hidroxiflavanona. Anjaneyuly et al. 1990. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. 1988. Ahmad et al.Da espécie J. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al.. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. De J.. 1989. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. 1996). 1985). Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1991). e dos frutos de M. 1981). amarus e P. assim como os diterpenóides de J. Huang et al. 1991). Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. 1988. niruri.. flavonóides. Houghton et al. terpenos.. ácido caféico. 1988.. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. Mensah et al. 1988. 1986.. Ojewole & Odebiyi. 1996.. lignanas (Satyanarayana et al. discoideus. Anjaneyulu et al. triterpenóides (Joshi et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. Yunes et al. 1996. 1980). excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. Mabea Do látex do caule de M. sacarose. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1986) e vários outros compostos (Singh et al.. P. P. Petchnaree et al. Singh et al... E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1997).... simplex.. 1983. 1980 e 1981). De P.. Singh et al. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. 1988). Negietal. 1986. enquanto em P. gossypifolia. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al... 1986. 1988). levulose. citral.. 1990). 1989a e 1989b. da qual foram isolados alcalóides. 1996).

1999).. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al. De P flexuosus foram isolados triterpenos. C. 1996)..De P. antidiabética (Silva et al. 1988... além de taninos (Zang. 1997). Em P. 1999a). 1996). Lu et al. Farias et al.. 1988b). emblica L. Tanaka et al. francheti foram obtidos cicloheptano.. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al.. Das raízes de P. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. 1995a). calisteginas (Asano et al.. et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima. nalcanóis. 1988a. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante.. 1998). 1997 e 1996a). D.. 1995). analgésica. Bighetti et al. et al. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu... 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. 1996). 1989.. antiedermatogênica (Campos et al. 1988. De P. Farias et al. 2001).. 1988. 1996) e fisalinas (Makino et al. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1995b). 1996). Tanaka & Matsunaga. antiinflamatória... hipocolesterolêmica (Martins et al. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. 1993. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al.. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. n-alcanos.... 1998. Z. Tanaka et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1996b). antiestrogênica (Luma Costa et al. De P. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. myrtifolius. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. 1996)... peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al.. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. 2002.. antinociceptiva (Carvalho et al.. alkekengi var. 1996c). 1987. . HirumaLima et al. Li et al. olenadienóis..

. antinociceptiva (Bighetti et al. sonderianus (Craveiro & Silveira. 1987). tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II.. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 2001). a ligana 3'. 1980. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- .. rangelianus (Lima et al. lechleri. 1987) e C. C. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. 1983). 2002a). Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. mais comumente de C. draconoides e C. C. Luz Paredes et al. para crotina I foi de 0. 1999b. penduliflorus (Anika & Shetty. 1975). Costa. 1985) e C. Batatinha et al.. tiglium (Deshmukh & Borle. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. entre outras.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al.45 mg/kg e 2. C. presente nos casos de C. 1980).23 mg/kg para crotina II. hipotensora de C. anestésica local.. 1984). M. Tang et al. C.. subtyratus (Kitazawa et al. C. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. penduliflorus (Asuku. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. inseticida de C. campestris (Lima et al. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. macrostachys (Mazzant et al.. 1993). 1994). 1982). 1986). O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. erythrochilus... 1985.. lacciferus (Ratnayake et al. glabelus (Novoa et al. Chen & Pan. A DL50. 1999). Das sementes de C. 1988. zehnteri (Albuquerque et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri.. et al. tranqüilizante. rhamnifolius (Silveira et al. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina.. 1993... com o uso prolongado (Rodriguez et al. 1993. 1982).. 1988a). 2000a e 2002b). antiulcerôgenica de C.. cajucara (Hiruma-Lima et al. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. 1988b) e substâncias isoladas de C.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. anticonvulsivante e analgésica de C. 1988) e C. 1988). estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. Ao final.. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. C.

Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. 1991a e 1991b).. Ao final dos experimentos.. 1992). A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. Essa possui isoguanosina. 1995). macrostachys foram isolados crotepóxido. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Do óleo essencial de C. Ao final. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa.. nardus (Lemos et al... 1993). De C. lupeol. C. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. 1992. os alcalóides de C. O extrato etanólico bruto das folhas de C. betulina e ácidos graxos. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato..32% de alcalóides e 2. Das raízes de C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. 1991). pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. tonkinensis contêm 0. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas... Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. 1994). antibacteriana e cicatrizante. 1992a). 1994a e 1994b). berberina e outros alcalóides desse grupo.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. As folhas secas de C. 1995). Pieters et al. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. berghei (Be &Truong. O efeito de C.78% de flavonóides.

1997) e Schistosoma mansoni e S. curcas. Do látex de J. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. Do látex de C.. antiplasmodial (Kohler ... Jatropha Das sementes de J.9%) (Liberalino et al. O óleo de C. 1988. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. tiglium (Fanetal.. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. 1992.. Os extratos da sementes de C. 1992). 1994)... 1995).. Hirota et al. tanto na prova do campo aberto. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. 2000). 1991a). 1990) o óleo de C. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. 1994). haematobium (Rug & Ruppel..p. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. 1991). Das sementes de J. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. 1988).. 1987. Ubillas et al. 1989 e 1991). pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. 1993).7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C.. 1995).. e no retículo sarcoplasmático.. (Huang et al. Do extrato clorofórmico das raízes de C. a curcaína (Nath & Dutta. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Atividades larvicida (Karmegam et al.. 2000). 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.39 mg pela via i. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta.. 1988). eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. Das sementes de /. o alcalóide taspina (Itokawa et al. 1989)..

O óleo das sementes de /. 1987). 1994). 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al.. curcas foram isoladas curcusonas A e C. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. Dutra et al]. 1996). apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al... gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. 1992). antiespasmódica (Silva et al. 2000).. 1987) e tóxica (Brum et al. 1997). 1996). 1996). et al. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. O látex de /.. e de J.. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. gaumeri (Sanchez-Medino et al. isabellii foi isolada a jatrofona. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas.. multifida.. Santos et al. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 2001). glauca (AlZanbagi et al.. zeyheri foi isolada a jaherina. De J. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. De /.et al.. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. De J. 1993).. 1987) também foram caracterizadas em J.. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. Das raízes de J.. 1987b). J.. Esta mesma atividade foi observada em J. 2001). espasmolítica (Trebien et al. De J.. 1996). curcas.. As folhas de J. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana.. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1992a. A J. P. 1996. 1990. M. 1992b e 1996). 1996). 1998). F. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al.. 1996). Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. et al.. . 1996). A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /..

essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. 1984.. 1993. 1988).. 1988.. Di Stasi. Gorski et al.. 1995). Além disso. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis). 1992. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al.. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. campesterol e fitosterol (Santos et al. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. 1995). 1989).Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1994). O extrato hidroalcoólico de P. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. Santos et al. 1996). diurética. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al.. 1995). 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al.. Shimizu et al.. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. 1992). a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al... 1987).. 2000). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1985 e 1986b. 1985). Além disso. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno... que foi atribuída aos compostos estigmasterol. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. Ribeiro et al. De P. 1987). 1988). . 1995). 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al... porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. 1996a).. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.

Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.. quercetina. 1988).. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. ácido brevifolincarboxílico. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina.. ... ácido elágico. 1991)... De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. 1997).. 1990. 1996). e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina.. A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. Sane et al. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. 1995). 1994). 1996). Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1996). 1996). ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. 1996. 1995). 1996). Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. Roy et al. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai.. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. 1997a e 1997b). corilagina.. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. 1995). ácido gálico e ácido protocatecoico. niruri e P urinaria (Santos et al. 1997).. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. de P urinaria.. 1995). Foram caracterizadas. 1996)..

Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. náuseas. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. vômitos e diarréia. 2000). Em casos graves ocorrem espasmos musculares. 1995. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. 1979). Porros et al. 1984).Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al.. Hemorragias internas em diversos órgãos. 1993. Itokawa et al. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b).. 1987) e provoca náuseas. Ahmed & Adam.. Quadros de hemorragia anal. 1993. curcas em ratos. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. mutifida (Levin et al. podendo causar a morte em humanos. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al... 1979). hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). Existem registros de intoxição em crianças de J. 1986. Torpor. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. Como conseqüência de seu uso crônico.. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . redução no consumo de água.. hipotensão e desidratação. Pieters et al. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Efeitos como redução no tempo de protrombina.. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. diarréia. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. 1991c). e ação estimulante da musculatura lisa. 1979).

1998) (Banco de imagens . FIGURA 13.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. tiglium (Bauer et al.. Pieters & Vlietinck. 1986). nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.(1999). 1983. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C.1 .

Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13. .2 -Jatropha curcas.

Hiruma-Lima).Jatropha gossypifolia.3 . .FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.

d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . b) flor feminina. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.4 .FIGURA 13. 1998).

Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. sendo raramente descritas epífitas. gomas. 1978). C. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). A.14 Guttiferales medicinais C. No Brasil ocorrem 21 gêneros. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. algumas delas de valor medicinal. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. arbustos ou ervas. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. óleos essenciais e resinas. Clusia. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. . Hiruma-Lima L. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. É composta por árvores. 1997). e Elatinaceae.370 espécies. pigmentos.

damagascina. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. damaradienol. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. e algumas na África. O tronco ereto possui casca grossa. sendo facilmente cultivada. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. Em V. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. a maioria é fornecedora de resinas. também chamada de Lacre. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. euxantona. friedelina. martiana foi observada a presença de sitosterol. opostas e com borda inteira. No Brasil. descrito por Domingos Vandelli. Trata-se de uma espécie semidecídua. como Picharrinha. as folhas são simples. foi dedicado a Visme. e várias têm valor medicinal. com ocorrência em formações secundárias. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. com distribuição restrita à América tropical. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. O nome do gênero Vismia. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. pecioladas. ácido crisofânico. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. 1990). madagascina. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. Em outras regiões. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . coriáceas. ácido betúlico.

conhecido popularmente como Lacre.. 1983).. . vários triterpenos. 1994). 1995. cayennensis.. p-o. 2000). clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza. indicado para dermatofilose. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 2-isorenilemodina e 5. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. De Vistnia caynnensis. e em V. 1995). da planta fresca (Tokarnia et al.. como a friedelina.. micrantha foram isolados xantonas. 1996). 1999).. 1997).5'dimetoxisesamina (Camele et al.. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.e a ferruginina (Pasqua et al. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. Em V. Os extratos hidroalcoólicos. Moracelli et al.. 1999) em V. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. et al. 1996). 1982). 1979). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. O extrato etanólico da folhas.. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. vulgarmente chamada de Pichirina.japurensis Rich... Porém.. magnoliaefolia. Das raízes de V. benzofenonas (Fuller et al. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1993)..

225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. ainda não identificada completamente. arbustos e lianas. . A. Theophrastaceae e Myrsinaceae. Di Stasi C. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. 1997). Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. C. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Nessa família ocorrem 33 gêneros. descrita por Robert Brown. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. nos quais se distribuem 1. sendo a maioria árvores.15 Primulales medicinais L. Rapania e Cybianthus.

1). O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". flores e frutos. inteiras. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. ovário supero. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. reunidas em inflorescências axilares. curtas. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. folhas alternas. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. flores pequenas. dispostas em racemos. . referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. Não foram encontrados sinônimos para ela. e anthos = "flor". androceu com cinco estames opostos às pétalas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. diclamídeas.Espécies medicinais Cybianthus sp. sem estipulas. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. ramos. actinomorfas.

1 .FIGURA 15.Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .

no entanto. A. Para a espécie Nasturtium officinale. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. Na região amazônica. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. essas espécies não foram referidas como medicinais. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Hiruma-Lima L. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. além de seu consumo como condimento. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. . C. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil.16 Capparidales medicinais C. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. gripes e bronquites. anemia e distúrbios da tireóide.

arbustos ou pequenas árvores. que justifi- . com seus representantes incluindo ervas. raramente são descritas lianas (Barrozo. descrita a seguir. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). tem valor medicinal na região amazônica. que atinge até 1. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. e a espécie Cleome latifolia. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. Os principais gêneros são Cleome. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Capparia e Maerua.5 m de altura. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. 1997). possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. inflorescências terminais bastante vistosas. 1978). com muitas flores rosas e bonitas.

Das sementes de C. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1988) e um diterpeno macrocíclico. a isoramnetina 3. são cultivadas e usadas como ornamentais.. bonanzina (0.. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 1990). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. viscosa apresentou um . 1986). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. De C.cam seu uso como ornamental. Várias espécies desse gênero.0075%).. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. os flavonóides artemetina (0.0025%).7-di-O-ramnosídeo (0. um flavonol. 1997) e glicinebetaína. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. 1997). das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley..7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. kaempferitrina (0. 1990).. De C. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. 3. 1997b). e das partes aéreas de C. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. 1990).03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0.. o ácido cleomaldéico (Jente et al. 1996). 1987)... a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. 1995). 1997a) e citotóxica (Nagaya et al.0013%). incluindo a Cleome latifolia. O extrato metanólico da planta toda de C.. kaempferol. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. a diacetoxibraquiicarpona. 1997) e triterpenos (Harraz et al. um trinortriterpenóide dilactona. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas..06%) (El-Din et al..

. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. gynandropsis Samy et al. A propriedade antibacteriana foi constatada em C. 1970). 1992). além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. De C. 1996)... arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. 1999).. 1999). 1995a) e antioxidante (Selloum et al. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. A espécie C. Chrysantha (Hashem & Wahba. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. popularmente conhecido como Mussambé. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro... 2000) e C. 1993. 1995b). droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al.. 1996). C. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp.. viscosa (Samy et al...6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al.. . Lemos et al. 1995).

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

espécies dos gêneros Spiraea. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. C. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Várias espécies dessa ordem são medicinais. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. a qual foi identificada apenas até o gênero. e de Rosaceae. Rubus e Prunus. Di Stasi C. No entanto. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. com inúmeras espécies medicinais. Pittosporaceae. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. Crassulaceae.17 Rosales medicinais L. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Na região amazônica. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Saxifragaceae. . A. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. a qual descrevemos a seguir. 1978).

onde ocorrem 120 espécies. inteiras. flores pequenas. fruto do tipo drupa. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. muitas delas usadas para a produção de carvão. Chrysobalanus e Hirtella. zigomorfas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. incluindo árvores e herbáceas. cálice gamossépalo com cinco lacínios. alternas. corola com cinco pétalas. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. . cíclicas. peninérveas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. folhas simples. Espécies medicinais Hirtella sp. estipuladas. Os principais gêneros dessa família são Licania. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. sépalas e pétalas livres. ovário unilocular.1). com cerca de 460 espécies tropicais. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. diclamídias. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. segundo Barrozo (1978). referindo-se ao tipo de pilosidade.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros.

e • Prunoideae. toxicologia e química. que inclui. a famosa aspirina. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. também se utiliza o chá contra reumatismo. os gêneros Crataegus e Malus.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. compreende 95 gêneros. 1997). a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Rubus e Quijala. encontradas em climas temperados. como é o caso das espécies do gênero Rosa. no que se refere à farmacologia. da qual foi isolado o ácido salicílico. arbustos e ervas (Mabberley. primeira substância a ser comercializada como medicamento. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. como a . entre outros. Normalmente são árvores de pequeno porte. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. da histórica Spiraea ulmaria.825 espécies subcosmopolitas. Potentila. ralada. a maioria nos gêneros Prunus. • Maloideae. com aproximadamente 1. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. do gênero Frunus. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. e raiz bifurcada para as mulheres. No Brasil há poucas espécies. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. • Rosoideae. com destaque para os gêneros Rubus. é utilizada como afrodisíaco. ou frutíferas. Agrimonia e Fragaria. com destaque para o gênero Spiraea.

Nomes populares Na Mata Atlântica. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. a decocção das folhas é usada contra dores. com folhas alternas. Pêra (Pirus). Groselha e Moranguinho (Rubus). O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. que existe em grande número. doce e com uma única semente. flores vistosas brancas. Marmelo (Cydonia). O nome do gênero corresponde a "ameixa". lanceoladas. fruto do tipo drupa. de margem serrada. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. em latim. e a infusão dos frutos. Morango (Fragaria). e contra diarréias. carnoso. ásperas. Damasco. 1998). Ameixa. . enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. dispostas em fascículos do tipo umbela. dependendo da variedade. assim como em várias regiões do país. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. especialmente de cabeça. solitárias e/ou geminadas. pendente. Espécies medicinais Prunus domestica L. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. Cereja.Maçã (Malus). Pêssego. comestível e saboroso.

De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2001).. Nakatani et al. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al. FIGURA 17. 2001). Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.. 1978) (Banco de imagens • ..Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados...1 . 2002.Sapuntzakis et al.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. 2001). 2000). laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.

R. . Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. M. lianas e ervas. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. ornamentais. M. medicinais. Guimarães C. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. incluindo árvores. Compreende três subfamílias. dependendo do arranjo sistemático adotado. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. Hiruma-Lima A. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. A. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. Santos C. arbustos. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. M. Di Stasi E.18 Fabales medicinais L. 1997). C.

que inclui o gênero Bauhinia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. Caesalpinia pulcherrima. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. angustifolia e C. as quais descrevemos a seguir. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. das quais se destacam as espécies C. • Cassieae. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. bonducella. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). C. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. Cassia multijuga. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. 1997). amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. J. Dalwits. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). Dialium e Senna. Cassia occidentalis. C. sapan e C. occidentalis. que inclui o gênero Caesalpinia. C. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. todos contendo várias espécies de valor medicinal. . • Detarieae. bonduc. que inclui o gênero Copaifera. senna. dentre as quais C. • Cercideae. a saber: Caesalpinia férrea. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. pulcherrima.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. que inclui os gêneros Cássia. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M.

raramente dentro das florestas. sempre com acúleos e seus dois ápices. Por ser de rápido crescimento. A espécie fornece madeira leve. flores intensamente brancas. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. . Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. Pata-de-boi e Unha-de-boi. dadas as características morfológicas de suas folhas. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. onde ocorre em áreas úmidas.1). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. Mororó. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com grande abundância na Mata Atlântica. assim como em quase todo o Brasil. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. usada para produção de carvão e caixotes. heliófita. folhas glabras. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. bastante espinhosa. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. tronco tortuoso ou ereto. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. vistosas (Figura 18. algumas arbóreas e outras lianas. É amplamente utilizada como ornamental. É uma planta decídua. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link.

A madeira da espécie é muito usada na construção civil. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. folhas bipinadas com folíolos oblongos. após aquecimento. Suas folhas. ferrea e a C. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. fruto levemente estipitado. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. São muito comuns duas variedades: a C. podendo chegar a 15 m de altura. é utilizado como . especialmente de ruas e avenidas. Dados botânicos Arvore de grande porte. além de largamente empregada como espécie ornamental. Nomes populares A espécie é denominada. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. ultrapassando o cálice gamossépalo. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. açúcar e água. ao passo que o preparado de casca de jucá. hermafroditas. leiostachya. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. quase reto (Figura 18. flores diclamídeas.Caesalpinia ferrea Mart. folhas de manga. Muirá-obi e Muiré-itá. ferrea var. aquecido até formar um xarope. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. é utilizado contra asma e bronquite. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. dez estames. na região amazônica. com tronco liso e cerne duro. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. casca de jatobá. Jucá. A espécie é heliófita. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. na forma de decocto.2). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. séssil. Imirá-itá. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. ovalados ou obovais. botânico italiano. além de ser empregado como fortificante para crianças. ferrea var. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. além dos nomes indígenas Ibirá-obi.

inflamações do fígado e baço. glabros. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. asma e como cicatrizante (Campêlo. pois floresce quase ininterruptamente. flores grandes e vistosas. sobretudo como cerca viva. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. além do uso comum contra gripes. Espécie muito usada como ornamental.anticatarral.) Sw. resfriados e tosses. bipinadas. com até 10 cm de comprimento. No Piauí. com folíolos ovado-oblongos. 1982). vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. também é chamada de Flor-de-pavão. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. Em outras localidades do país. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1984). internamente. Chagueira ou Barba-de-barata. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. 1984). Flor-do-paraíso. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. na região. Baio-deestudante. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. folhas compostas. Na região da Mata Atlântica. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. especialmente bronquites. 1982). contra tosse crônica. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. Considerada de origem antilhana. A vagem crua é útil contra tosse. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. . a decocção das raízes é usada como antitérmico. Nomes populares A espécie é denominada. e em Alagoas. Caesalpinia pulcherrima (L.

as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. atingindo até 10 m de altura. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. descrito também por Carl Linnaeus.como emenagogo e abortivo e. febrífugos. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. lenha e carvão. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. obtusos no ápice e com base irregular. estipuladas. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. abortiva. pela beleza da planta na época de floração. excitantes. . mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. O nome do gênero Cassia. externamente. além de ornamental. tendo propriedades tônicas. com rara ocorrência dentro de florestas. largo e achatado (Figura 18.3). as folhas e flores são usadas como tônicos. a casca é considerada emenagoga e. Segundo Corrêa (1984). deriva do grego Kasia. Cassia multijuga Rich. heliófita e pioneira. o fruto é do tipo vagem reta. folhas pinadas. sendo uma planta decídua no inverno. A espécie ocorre em todo o Brasil. febrífugas e venenosas. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. odontálgicos. brinquedos. amarga. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. febre e como purgativo. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. Em outros locais do país. em doses elevadas. quando em grandes doses. a raiz é acre. purgativos. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. dado à falsa canela. casca lisa e cinzenta.

composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). laxativo. Tararucu. beiras de estradas e próximo a culturas. infecções gerais.Cassia occidentalis L. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. gineceu com ovário piloso. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. achatados. estipulada e com glândulas na base. Manjerioba. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. racemos axilares. paripenadas com ráquis comprida. verde-escuros em ambas as faces. Majerioba. resfriado e diarréia (Grandi et . Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diurético e colagogo (Gavilanes et al. Mamangá. Outras denominações são Folha-de-pajé. folhas alternas. ramos quase cilíndricos. dispostas. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. Lava-prados. assim como em outras regiões do país. no Brasil é espontânea nas pastagens. febre. Ibixuma. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Mata-pasto. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Em Minas Gerais. curto-peciolados. no Piauí a infusão do caule. Segundo Emperaire (1982). Rioba. gripes.4).. Maioba. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. é indicada popularmente como antitérmico. amarelas. com caule lenhoso na base. Lava-pratos. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. flores grandes. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. frutos do tipo vagem glabra.

como vermífugo (Nagaraju et al. as raízes são consideradas diuréticas. 1994). estômago. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. A espécie C. 1970). 1985). como antiinflamatório e.. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. é utilizada contra doenças do fígado. Na Índia. preparadas como o café. problemas hepáticos. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. internamente. 1988).. na asma.al. as sementes. No Brasil. 1979). Na Amazônia peruana. emenagogo. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. as raízes são consideradas um tônico. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. reumatismo. rins e bexiga (Simões et al. Além disso. na forma de cataplasma. purgativo. febrífugo. inflamações nos olhos. erisipela e tuberculose. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. são utilizadas contra asma. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. 1990). 1986).. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. . malária. e para constipações em bebês (Gupta et al. mas também são utilizadas contra tuberculose. como Mata-olho. febrífugo e diurético. No Panamá. Em outras localidades do país. reumatismo. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. No Rio Grande do Sul. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral.. mordida de escorpião.. sudorífico. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. 1982). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. nos desarranjos menstruais. tinha e hemorróidas. doenças venéreas. diurético. desordens do trato urinário. dores menstruais e uterinas. 1990). anemia. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. Cassia reticulata Willd. No Peru.

a espécie é conhecida como Jatobá. flores brancas vistosas. ápices acuminados. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. dispostas em cimeiras terminais. Abati-tambaí. base assimétrica. Jutaí-açu. com 6 a 15 cm de comprimento. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. Jatobá-de-anta. Jatobá-roxo. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. Nomes populares No Vale do Ribeira. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. nome dado à planta em quase todo o Brasil. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. lisos. Jatobazeiro. os frutos são vagens delgadas. entre outros. tronco ereto e ramos glabros. com até . como antitérmico e diurético. Jatobá-de-porco. com casca dura. Jatai. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Jutaí-peba. Algarobo. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. farinhento e comestível. Também é chamada de Jatobá-mirim. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. folhas compostas. brilhante. fruto doce. Jutaí-café. negras. Jutaí-do-campo. Hymenaea courbaryl L. marrom. Olhode-boi. alternas e pilosas. 1994). Jutaí.

ácidos palmítico e octacosanóico. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sedativo e peitoral. vermífugo.. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. enquanto o xarope da casca do caule.forticata (da Silva et al. especialmente em crianças. O nome do gênero deriva do grego hymen. ferrea forneceu sitosterol. é eficaz contra tosses. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. estimulando a digestão e fortificando o organismo. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. enquanto a madeira é usada na construção civil. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. 2000). sendo usada na arborização de parques e jardins. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. ácidos . Caesalpinia O extrato benzênico de C. em alusão aos dois folíolos. e a seiva é excelente tônico para crianças. 2001. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. além do uso contra bronquite. Yadava & Tripathi. 2000) e os flavonóides kaempferol. com florescimento entre outubro e dezembro. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B.. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos.15 cm de comprimento. o deus da união. É uma espécie semidecídua. microstachya (Meyre-Silva et al. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B.

1985). ácido 3. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. protosapina (Namikoshi et al. 8. 1997b). 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. miricetina. lup-20(29)-en-3beta-ol. Das cascas e raízes de C. taraxerol (Yadava & Nigam. 8metoxibonducelina.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona.. 1983). 1983)... quercetina. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal.. 1997).. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. Das sementes de C. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 3'-deoxisapanoI. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al.. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. sappan foram isolados octacosanol. alfa-amirina.. C e D (Patil et al. 6p-cinamoiloxi5a.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. 1977). quercetina (Rao et al.. 1997a). quercimeritrina (Awasthi & Misra. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. cianina. 7p-vouacapenediol. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. bonducelpina A.5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1978) e 2. 4.. bondenolídeo. Da madeira de C.4benzoquinona (McPherson et al. beta-sitosterol.6-dimetoxi-l. 1986. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. . sapanona B.. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. 1977). 1997).. 2002). pulcherimina. bonducelina. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. B.4. brazilina (Namikoshi et al. C e D (Peter et al. 1978). 1987b. leucodelfinidina. 1978). 1987a). sapanol. De diferentes partes de C..14-didehidro-5a-vouacapenol. a 8metoxibonducelina (Parmar et al. lupeol. 3'-0-metilsappanol..9. 1987e)... 1987). ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden.. 1973). 1954).. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. beta-amirina. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 1987c). 4-O-metilsapanol. 3'-0-metilbrazilin.. 4-O-metilepisapanol. episapanol.ll. 8metoxibonducelina. 1987) e pulcherriminas A. 1996). 1997). Foram isolados os flavonóides: rutina. B. Kim et al. 1997). 3'-0-metilepisappanol. Peter et al..

sappan (Nigan et al. 1995). C. Fuke et al. Cassia Da espécie C.. taninos.. 1985). C. 1986. glicosídeos de C. 1996).. dicopetala (Chowdhury et al.8-di-hidroxiantraquinona (Costa.. a espécie C.. Na espécie C. C. 1987a). platyloba. episapanol... 1977. japonica (Namikoshi et al. digyna (Mahato et al. ácidos linoléico e palmítico de C.. S.. vários compostos aromáticos de C.. 1986). Kitanaka et al. 1987. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. sappan (Namikoshi & Tamotsu. cacalaco e C. 1987f). 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. sappan (Saitoh et al.. occidentalis.. 3-deoxisapanchalcona. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. 1981). Namikoshi et al.. et al. isolaram-se 1. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. sitosterol. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. 1977). triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. caladenia e C. 1997). isoflavanóides de C.. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. glicosídeos (Singh. brasilina e protosapaninas A. saponinas.. 1996). isoliquiritigenina. 1977). 4-O-metilsapanol. glicosídeos cardiotônicos. 1983). 1994). ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. B e C (Namikoshi et al. sapanol. (Kitagawa et al. 1982). sapachalcona. sitosterona.. pumila foi analisada.Das raízes de C. reticulata. buteína. 1985). 1996) e de C. hintoni (Contreras et al. M. Dos frutos de C. A composição de ácidos graxos das sementes de C. 4-O-metilepisapanol. Foram isolados alcalóides de C. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. Do Fedegoso. M. Das sementes de C. Da madeira de C. além de xantonas (Wader & Kudav. 1987d). 1988). sapanonas a e b. .

1988b). além de flavonas (Guptaetal. 1985). ácidos monoenóico. germicrisona. 1986. l. roxburguina (Ashok & Sarma. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. roxburguina. occidentalol-1. triglicerídeos (Zaka et al. alfa. & Singh.. . 1989). 1987). 1982) e das raízes (Singh & Singh.1987. Das sementes de C. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. J.. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. De C. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. palmítico. roxburguinol e um novo estilbeno. Da madeira foram isolados beta-sitosterol.. 1977) e os ácidos cáprico. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico.. De C. 1990).. Das folhas de C. 1986). metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. 1988a). occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele.. 1989a). Da raiz de C.. 1985). roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al.. occidentalol-2. 1990). Foram isolados das sementes de C.. 1987). Singh. 1979). De C. crisofanol. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. J. occidentalis foram isolados pinselina. 1978). bis (tetrahidro) antraceno. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. mirístico. esteárico e oléico (Alencar et al. 1989). crisofanol. 1986).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav.7-dihidroxi-3metilxantona. Das sementes de C.. 1. 1996).e beta-amirina.. pinselina. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1987). emodina. dienóico e trienóico (Zaka et al. Telange et al. questina. 1987).. 1987. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. Das superfícies das folhas de C. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. 1987). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou.

além da presença de beta-sitosterol. 1988). questina.. 1989). obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. 1988). beta-sitosterol e l. colesterol. 1986). além de ácido palmítico. 1980) e os ácidos palmítico. fisciona. 1997).. angustifolia não difere muito do de C. obtusifolia foram também isolados obtusina. flavonóides (Crawford et al. De C. antraquinonas (Zhang et al. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. 1977). obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1987). torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II.. Ishidaet al. 1984). . flavonóides (Wassel & Baghdadi. estigmasterol... acutifolia quanto à presença de aminoácidos. De C. 1979)... siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik.. succínico e tartárico (Matsuura et al. obtusofolina. 1990). obtusina. 1989). 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. 1988). agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh.. linoléico. De C.3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. De C. 1986).. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al.. De C. crisoobtusina. o aminoácido histidina (Zhang et al. 1986). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. ácido crisofânico.. De C.. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. m-cresol. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. obtusifolina e estigmasterol. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al.Das raízes de C. o senosídeo é o principal desses derivados. 1987) e emodina (Yang & Wang. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. Asamizu et al. Nas sementes de C. emodina. malválico. . Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. esteárico.. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. oléico e linoléico. 1986. 1990). O perfil fitoquímico de C. glicosídeos. Metil palmitato e metil oleato. flavonas. flavonóides (Wassel & Baghdadi.. 1986). e das folhas. 1988). 1985). aurantioobtusina. 1987. polissacarídeos (Khare et al. 1989). angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. 1978). oléico. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al.

1988). reina. Das cascas do caule de C.. 1978). 1987). fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al.. proteínas brutas. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. 1990).... linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. Do óleo das sementes de C. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. Das sementes de C. 1990). 1990a). fistula (Cano Asseleih et al. De C. Das raízes de C. . 1991).. 1988). glauca foram isolados os ácidos palmítico. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. De C.. 1978). flavonóides (Srivastava & Gupta.De C. 1987b. 1989a). 1988). beta-amirina.. linoléico. carboidratos. 1987b). De C.. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla.senosídeos das folhas de vagens de C.. palmitato. ácido behênico.. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. ácido glutâmico e aspártico.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. Das folhas de C. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. Chowdhury et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. butirospermona. behenato de beta-sitosterol. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. As cascas do caule de C. triacontano. 1988) e antraquinonas (. 1977).. O extrato das folhas de C. aminoácidos (lisina. Das vagens de C. 1987). 1990). 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . palmitato de beta-sitosterol. O óleo da semente de C. fistula e C. 1990). fistula e das cascas de C. javanica apresenta nonacosano. 1990). 1988).. De C. emodina.. 1990a) e antraquinonas (Messana et al. triptofano. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. arginina.Ahuja et al. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. araquidato de beta-sitosterol. esteárico. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. 1981).. oléico. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. malválico. treonina e leucina). renigera possui ácidos vernólico. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al.

1988). fisciona. De C. 1988). podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. fastuosa foram isolados os glicosídeos. 1977). emodina e rheina) (Krambeck et al. além de alcalóides (Christofidis et al. 2-methoxistipandrona. palmitoléico. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. 1997). 1987). Das raízes de C.. emodina. R. De C. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al.. 1987). didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. De C. ácido quelidônico.. B.. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. 1987). Das folhas de C. siamea (Khan et al. A composição dos ácidos graxos de C. 1988).. oléico. spectabilis foram isolados antraquinonas. estérico. 1989). mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 1986. Cassia laevigata (Singh. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. araquídico e behênico (Khalid et al.. linolênico. De C. Sen et al. 1987.. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít.. mirístico. 1990). pumila foram isolados tetratriacontanol. Das flores de C. . C. marginata (Kumar et al. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al.. palmítico. sericea (Muralikrishna et al. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. De C. 1985). ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. (Baba et al. Das sementes de C. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina.. 1989).. 1985). 1988).Das partes aéreas de C. 1989) e nas sementes de C... linoléico. 1988). javanica (Singh & Jindal. C. 1986 e 1987).. holosericea é predominantemente de ácido láurico.. 1986)... falacinol e uracila (El-Sayyad et al. Cassia javanica (Azero et al. 1977). C..4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. 1978).

candicans (Pepato et al.... Lopes et al. J. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. sapanchalcona. et al. O uso crônico de B. antiinflamatória (Carvalho. et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. malabarica e B. 2002. 2002a e 2002b).. 1990) Lima. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. guianensis (Kittakoop et al. O. A espécie C.. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W.. antimicrobiana (Cebalhos et al. Nakamura et al. 1994. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. 2000).. 1998).. et al. De C. 1999). 1995. E. leiostachya (Moura et al.. Estudos mais recentes têm apontado C... Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1991). 2000. C. 1976) e proteínas de C. Os inibidores da aldose reductase. contêm caesalpina P... 1998). com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. Amaral et al. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. Munoz et al. 1996.. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. Bacchi & Sertié.. 1986)... Extratos de C. T... 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. Lemus et al. C. 1996). 1987).. 1985). 1991). antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. Rossi-Ferreira et al.. J. O. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. 3- . analgésica (Carvalho. 2001) e antimolarial de B. et al.. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. 1988). 2001. ferrea como antitumoral (Queiroz et al. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. 1986). antiedematogênica.forficata e B. anticoagulante (Milagres et al. 1977). 1997). 1995.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. tarapotensis (Braca et al..

1987).. in vitro. 1995a). protosapanina A. antiviral contra hepatite B (Patney et al. . sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. de relaxamento do músculo liso.. 1991... 1999).. 1989). A brasilina isolada de C.. hepatoprotetor (Jafri et al. hipotensiva. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1978.. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. De C. 1976) e. O extrato metanólico de C. 1987... O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. 1992. 1994. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. Cassia Nas folhas de C.. antimalária (Gasquet et al. de estimulante uterino (Saraf et al. vasoconstritora. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. 1997).. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al... Caceres et al. Schmeda-Hirschmann et al. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. Sama et al. antibacteriana. Feng et al. 1996). Sadique et al. 1993. 2001).. 1996). antifúngica. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 1962). antiparasitária.. 1985). 1997). spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. inibitória da hemólise...deoxisapanona. Hussain et al.

1990. lugustrina (Abhaham et al. 1990)... obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. As folhas de C.. 1991). O extrato das folhas de C. 1989).5'-tetrahidroxistilbene. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina). garrettiana foi isolada a 3.. 1988). Nas sementes de C. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. 1991). O extrato a 10% das folhas de C. acutifolia. 1988 e 1989). exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. citotóxica com extratos de C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1984). 1988) e C. 1986a). alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. As sementes de C. 1986). 1990). A fração polissacarídica de C. garrettiana (Inamori et al.4. Crawford et al.. 1989). obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. e C. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. C. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. 1985). obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. obtusifolia (Kitanaka & Takido.. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C.3'.pudibunda (Cavalcanti et al. acutifolia como controle positivo. 1990). angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos.. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. pudibunda (Cavalcanti et al. Os resultados finais indicaram que tanto C. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. As antraquinonas de C... pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. 1989). As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. De C.. espasmolítica com subs- . Estudos com as sementes de C.Das sementes de C. alata quanto C. utilizando as folhas de C. 1979) e C..

Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado.. A administração de folhas de C. roenwilana (Rowe et al. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. . amplamente utilizada pela população. 1977) e antivirótica com extratos de C. 1987).. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. antitumoral com extratos de C. ferrea.. como substituta do café. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. anemia. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. Seu consumo indiscriminado é perigoso. Colvin et al. Salienta-se que a espécie C.. 1979). estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. fistula (Bhardwaj & Mathur. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. caracterizado por náuseas.tâncias isoladas de C. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. C.. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. que apresentaram um quadro de ataxia. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. 1998).. 1991). cansaço e dores. 1986). purgativa dos glicosídeos de C. quinquangulata (Ogura et al. O gênero Cassia produz. 1985). cavalos e cabras. 1986. 1985).. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. cólicas abdominais e diarréia. diarréia. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C.. fistula (Babbar et al. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. dispnéia. em geral. A espécie C. 1986b). vômitos. 1984). e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. angustifolia (Nakajima et al.. especialmente por crianças. 1979). fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. seca e/ou torrada. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. na forma fresca. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. 1979) e C. apatia. em muitos países. pumila (Fatawi et al..

onde se encontram plantas (Barrozo. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Psoraleae: Psoralea. Derris e Lonchocarpus.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Nos estudos realizados na região amazônica e . sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Desmodieae: Desmodium. Dypteryxeae: Dypteryx. Cajanus. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Cymbosena. Sophoreae: Sophora. Vicieae: Vicia e Pisum. Genisteae: Lupinus. Canavalia. Dioclea e Mucuna. Trifolieae: Medicago. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Millettieae: Tephrosia. um importante produto alimentar no Brasil —. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Diplotropis. Robinieae: Sesbania e Robinia. Myrocarpus e Ormosia. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. 1978). Abreae: Abrus. Indigofereae: Indigofera. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Crotalarieae: Crotalaria.

A espécie possui um grande valor econômico. comprimida. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. com ramos angulosos. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. Cuandu. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. de onde partem folhas pecioladas. compostas de três folíolos aveludados. Guandu ou Feijão-guandu. . Erva-do-congo. com ampla utilização em diversos países. oblongos. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. Ervilhade-angola. flores vistosas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pinadas. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. No restante do Brasil é conhecida como Guando. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. Espécies medicinais Cajanus cf. as quais são descritas a seguir. mas há divergências quanto a essa classificação. podendo atingir 3 m de altura. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. dispostas em pedúnculos axilares. Andu. sendo ainda forrageira. gripes. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. fruto do tipo vagem linear. 1984). Feijão-de-árvore. dores de barriga e diarréia e a infusão.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. na Mata Atlântica. contra constipação nasal.

O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. na Mata Atlântica. descrito por João de Loureiro. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. 1997). oblongos. .Cymbosema roseana Bent. com ramos tomentosos. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. por arbustos ou árvores. flores rosas. em forma de bote. O nome do gênero Derris. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. flores rosas. referindo-se ao legume. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. pediceladas. fruto do tipo legume falcado. significa "pele dura". reunidas em fascículos. e foi descrito por George Benthan. de Flor-da-terra. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. acuminados e glabros. Nomes populares A espécie é chamada. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. menos freqüentemente.

5). Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. a prefloração da corola é imbricada descendente. trifoliadas e . enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. com cálice gamossépalo. corola dialipétala. externa. com folíolos articulados na base. ereto e com raiz bastante lenhosa. Trevo-da-flórida.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. Derris floribunda Bth. compostas. sementes sem endosperma (Figura 18. hermafrodita. pentâmera. didamídea. com uma grande pétala superior. Dados botânicos Erva de pequeno porte. fruto do tipo legume linear. flores fortemente zigomorfas. Desmodium tortuossum (Sw. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Outros nomes populares são Amores-do-campo. revestida de pêlos curtos. coriáceo. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. folhas pecioladas. cilíndrica.) DC. folhas alternas.

Sapupira-da-várzea. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. misturada com enxofre. fruto do tipo vagem. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. pequenas. todas conhecidas como Sucupira. fruto do tipo legume. O nome Diplotropis significa "duas carenas". com folhas compostas. Sapupira-preta. coriáceos. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. plano. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Paricarana. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. indeiscente. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Sapupira-da-mata. reunidas em racemos. Sapupira. Sebipira.6). é aplicada topicamente para tratamento de impingem. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. com sementes pretas e duras (Figura 18. tendo um apêndice na base. flor com estandarte longo. . Outros nomes comuns são Favinha.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. pinadas e folíolos glabros. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. com ampla distribuição no Brasil e no México. Cutiubeira. vexilo oblongo provido de apêndices na base. referindo-se à disposição das flores. O nome do gênero significa "feixe". Diplotropis purpurea (Rich. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Sicupira. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Cutiúba. Sucupira-da-terra-firme.

que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. quando passados sobre as costelas. Cumaruzeiro. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. e na produção de perfumes. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. O nome do gênero significa "duas asas". referindo-se ao cálice. dispostas em panículas pubescentes. pecioladas. se fendem liberando a semente roxo-escura. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. caule reto. de Cumaru. imparipinadas. Nomes populares A espécie é chamada. de pequena espessura. Cumar-do-amazonas. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. doces. quando maduros e secos. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. compostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Imburana. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. alternas. além da famosa fava de cumaru. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. podendo atingir até 35 m de altura. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. Imburana-de-cheiro. folhas grandes. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. frutos em forma de vagem drupácea. servem para tratar a pneumonia. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". charutos. . oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. que. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. grosso. na região amazônica. Cumaru-amarelo. Umburana e Kumbaru. cigarros.Dipteryx odorata (Aubl. 1991). flores vermelhas. aromáticas.) Willd. de cor verde-amarelada. alimentos e uísque.

antitussígeno. essa espécie é utilizada como anticoagulante. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. com semente oleosa e aromática. flores vermelhas. emenagogo. diaforético. dispostas em panículas pubescentes. contra contusão e reumatismo. contendo casca de pequena espessura. como reconstituinte das forças orgânicas. pela presença de Cumarina. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. para aliviar dores de garganta e. imparipinadas. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. narcótico e estimulante. internamente. podendo atingir até 3 m de altura. antiespasmódico. alternas. emenagogas e cardíacas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. . e os palikur. folhas grandes. caule ereto. pecioladas. antidispéptico. contra qualquer inflamação. diaforético. diaforéticas. grosso. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. 1991). dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. para banhos fortificantes de crianças. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. aromáticas. cardiotônico. compostas de sete a nove folíolos. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. Em outros lugares. febrífugo. frutos em forma de vagem verde. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins.

O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. Nomes populares A espécie é chamada. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. 1974). Óleo-pardo. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. para fabricação de carroças. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. Outros nomes são Cabruê. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. Bálsamo e Pau-de-óleo. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo.Myrocarpus frondosus Aliem. a mais estudada é a D. outros compostos . Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. Pau-bálsamo. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. de ocorrência na América do Sul. sendo muito usada na indústria de cosméticos. compostos 5-9 folioladas. urucu. com casca rugosa no caule. indicadas nas lesões do sistema respiratório. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. assim como a casca. sendo ainda expectorante peitoral. de Cabreúva. possui aroma balsâmico.. A madeira. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. portas e janelas de luxo. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. tinturas e perfumaria. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo".

Nascimento & Mors. Rao M.. Das raízes de D. 1995b). D. epoxilupinifolina e dereticulatina.. foram isolados os flavonóides desmodina.. N. 1985) e D. Bell et al.. Em D. Flavonóides também foram isolados em D. Nakatu et al. adhaesivum Schldl. canarensis (Evans et al. Kimetal.rotenóides (Braz Filho et al. 1991. também denominada D. senegalenseína. oblonga e D.. Da espécie D. 1986. 1996). 1994).) DC.. araripensis (Nascimento et al.. lupinifolina e laxiflorina. 1978). amoena. 1978)... Foram isolados alcalóides de D.. 1976. 1976) e D. spruceana. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. canadense (L. 1977). scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. D. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. obtusa (Nascimento et al. Desmodium De D. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. D. proteínas. B e C). hiravanona. aparines (Link. 1989). hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. benthmii (Fellows et al. 1988). 1973b) e saponina (Parente & Mors. tortuosum... deguelina e tefrosina (Ahmed et al. Lin & Kuo. 1961. do seu caule e de suas folhas. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. Do caule de D. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al.8-difenileriodictiol.... 1977). homoadonivenita (Batyuk et al. 1993. E em D. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. foram isolados. 1962). lipídios. 1995b) e D. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. .. 1994). De D. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al... Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al.. 1978). 1997). 1989). possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. e das raízes de D. enquanto de D.) DC.. incanum DC. et al.. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. heterocarpon e D. D. laxiflora Lin et al.. 1954).. frutescens. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. 1978. reticulata. 1997). Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. ou D. spruceana (Garcia et al. As espécies D. 1986). D. os flavonóides. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. crisantemina e cianina (Matinod et al. D. glutinosum.

intortum) possui carboidratos. cinereum (Kunth) DC. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. 1962. hipoforina. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. difisolina. A espécie D.) DC. gangeticum (L. hordenina.N-dimetiltriptamina. Purushothaman et al. Don. Ghosal & Bhattacharya. Bell et al. bufotenina N-óxido. 2-feniletilamina. possui os flavonóides dalbergioidina.. também denominada D. ario-inositol e betapinitol. N-N-dimetil-3. N. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. os alcalóides candicina. os flavonóides hiperina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. foram isolados mangiferina. 1977. também muito usado medicinalmente. salsolina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. ácido octacosanóico. e de D.4-dimetoxifenetilamina.. .. 1963). Em suas raízes foram isolados abrina. 1972. os flavonóides desmodol (Ueno et al. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier.. Nakatu et al. caudatum (Thunb.) DC. O-metilbufotenina.4-dimetoxifenetilamina. 1978). kaempferol e quercetina. além de canavanina (Beveridge et al. leptocladina. 1975). 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. 1984. 1-octacosanol. 1971). O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. tiliafolium G.. Em D. 1969. 1972). O D. 1973). gangetina. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. Purushothaman et al. hordenina. beta-carbolina. genisteína.. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. desmocarpina. 1983). hipoforina e os alcalóides.Os alcalóides bufotenina. betaína.. elegans DC. gangetinina.. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. 1964) foram todos isolados de D. 3. cinarascens A. desmodina. galactopinitol A. De D. Nmetiltiramina. normacromerina. salsolidina. isoquercitrina.

. 1978). De D... 1995). 1995). 1989). 1997). ovalifolium (Giner-Chavez et al. b-sitosterol. 1985). Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. também conhecido com D. isovitexina. e os flavonóides isoliquiritigenina. compostos estes também isolados em D. Bell et al. Anjaneyulu et al. Kubo et al. Adinarayana & Syamasundar.. foram isolados os flavonóides dalbergioidina.. flavosativasídeo. heptacosanol. e de D. 7-hidroxiflavona. e de D. 1986.. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. estigmasterol. De D.) DC. 1971. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. De D. 1961 e 1962. e de D sandwicense E. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. De Desmodium uncinatum (Jacq. N. Ahluwalia et al. ougenina e quercetina (Balakrishna et al.. vitexina e xilosilvitenina. vitexina. De D. multiflorum. 1966).. e os alcalóides colina.1995. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. triflorum (L.. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. 1982. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol.. . foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. De D. De D. homoferreirina. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. 1965).. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al... ácido indol-3-acético. formononetina. De D. Perez-Maldonado & Norton. 1996). feniletilamina. Kubo et al. lupeol. os terpenóides beta-amirina. Amor-de-velho-comum. kaempferol. laxiflorum foram isolados heptacosanos. Sreenivasan & Sankarasubramanin. estigmasterol. pinitol e canavanina (Beveridge et al. racemosum.) DC. triquetrum foram isolados friedelina.. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. 1963a e 1963b. podocarpum. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. 1962). Mukherjee et al. 1965. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. ojeinese. floribundum.. 1989).. tricosanol. 1977. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. nonacosanos. foram isolados os flavonóides apigenina. 1989). 1989. inositol.. também denominado D. 1968). o terpenóide lupeol. 1984).N-dimetiltriptamina N-óxido.

De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina.1973a).. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.3epimetoxilupanina. . 1982). 1.

1994). flavonóides (dipterixina. odoratina. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. De D. 1981). 1994).. 1994). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). Nakano et al. 1995). utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria.. retusina). 1952). 2000. odorata apresenta um grande valor comercial... 1966) e beta-farneseno (Matos et al. 1995.. 1966). punctata (Gruenwald. 1952). De D. De diferentes partes de D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. punctata (Gruenwald. 1996). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. além dos terpenóides betulina.. odoratina. flavonóides (dipterixina. isoflavonóides (Lourenço et al. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier.. além dos terpenóides betulina. Togashi. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. pois suas sementes são ricas em Cumarina. 1995). 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. . A espécie D. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. alata foram determinados 40% de óleo. Das sementes da espécie D. cumarinas (Ehlers et al.. 1993). Das sementes de D. odoratina.. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. alata foram determinados 40% de óleo.Dipferyx De diferentes partes de D. 1991). lupenona e lupeol (Kaplan et al. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). odoratina..

elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. Das raízes de D. D. Foi isolada das raízes de D.. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. 1996).. micou. De D. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. urucu e D.. 1987).. 1972). De Derris sp. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. O extrato etanólico de D.. 1997).. 1979). 1998. ..Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. Derris sp e D. 1997). e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. nicou (Costa et al. 2001). scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. também conhecido como Timbó. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al.. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. 1999.. Aragão & Valle. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. Datta & Bhattacharrya.... foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. 2002). 1997). 2001).

intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. 1997). 1999).... que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. B e C. 1987). styracifolium. D. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A.. 1996). Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy.. 1988). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. 1988). e os taninos isolados de D.. 1997). e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al.A D. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. 1989). 1997). De D. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. . O extrato de D. O extrato aquoso de D.. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma.. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. O extrato de D. 1996. Tolera & Said.

1987). urucum provoca irritação da pele.950 espécies descritas... Adenanthera. vômito. M. Mimosa.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. das quais destacamos os gêneros Parkia. Zollernia e Acácia. . 1996). Inga. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. doses elevadas podem causar náusea. 1993). distribuídas em cinco tribos. Y. Calliandra. das sementes de D. muitos deles de valor medicinal. Leucaena.. 1991).. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. 1998). et al. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. Albizia. Prosopis.

O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. pinadas. . Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. Ingá-grande e Jambolão. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). Laranjeira-do-mato. na região da Mata Atlântica. flores reunidas em espigas terminais. compostas por folíolos ovais. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. com grande ocorrência na Amazônia. a espécie é chamada de Mocitaíba. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Zollernia ilicifolia Vog.) Willd.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Nomes populares A espécie. repletas de glândulas. é chamada de Espinheira-santa. Moçataíba e Orelha-de-onça. Em outras regiões do país. pecioladas.

Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. .7). I. alba. nobilis. incluindo dores.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. I. I.. 1991). parviflora foram isolados os constituintes 7. paterno (Morton et al. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos.8-dimetilflavona (Correa et al. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. 1996). I. stipularis (Kraus & Reinbothe. I. bourgonii. longispica. sertulifera. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação..3'. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais.4'trihidroxi-6. I. semialata. farmacológicos e toxicológicos.7. 6.oblongas. Foram isolados alcalóides das espécies I. Maytenus ilicifolia). heterophylla. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. com margens onduladas e providas de espinhos. oerstediana e I. a antiga casa regente prussiana. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. 5. I. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira.3'4'-trihidroxiaurona e 7. I. laurina. flores rosadas (Figura 18. e o nome deriva de Hohenzollern. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. I. 1973).22stigmastadien-3b-ol glucosedeo.

FIGURA 18.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M. Reis). S. .1 .

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .FIGURA 18.2 .Caesalpinia ferrea.

FIGURA 18. b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .3 .

Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.4 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939). b) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18.

Derris floribunda.5 .FIGURA 18.Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .

FIGURA 18.Diplotropis purpurea.Banco de imagens - .6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

7 . S. . Reis). Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.Zollemia ilicifolia.FIGURA 18.

e as duas famílias aqui descritas. assim come outras espécies de valor econômico. C. distribuídas nos 188 gêneros. com inúmeros representantes no Brasil. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. 1978). com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. São plantas herbáceas. A. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas.19 Myrtales medicinais L. Punicaceae. da famosa Romã. 1997). Di Stasi C. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo.950 espécies. arbustivas. a Punica granatum. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . que incluem espécies medicinais. Melastomataceae e Myrtaceae. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. que inclui o gênero Punica.

Salpinga. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. Miconia. com folhas ovais e cordiformes. Neste estudo. fruto do tipo baga.) DC. 1998). Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. . foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. em outras regiões. na região amazônica. nervadas e pubescentes. dispostas em cimeiras. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. roxo. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. ou Pixirica. Microlicia. Nomes populares Na região amazônica. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. ambas pela indicação popular na região amazônica. Huberia. que descreveu inúmeras patologias em plantas. ereto e piloso. brancas ou rosas. flores pequenas. essa espécie é chamada de Quaresma.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra.

oeste da Índia e América tropical. 1990). O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. bem representada na Austrália. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Pseudocaryophyllus. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Syzygium. de onde partem folhas de pecíolo longo. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente.620 espécies (Mabberley. Pimenta.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Eugenia. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Leptospermum e Melaleuca. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Psidium. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. Eucalyptus. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Os . e várias outras em climas temperados. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. planas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres.. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. 1997) arbustivas e arbóreas. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores.

rosas ou avermelhadas. com folhas pecioladas. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. ácidos fenólicos e ésteres. Cereja-nacional. cultivado ou adquirido no comércio. especialmente as flores. 1998). flores pequenas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). E uma espécie exótica. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. taninos. dispostas em corimbos. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. oblongas e glabras.constituintes dessa família incluem. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. No Brasil. fruto do tipo drupa. congestão nasal e dores de cabeça. são usadas no local. além de óleos essenciais. Eugenia (Pitanga. 1996). comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. opostas. bastante aromáticas. Araçá). para o alívio de dores de dentes. as partes aéreas do Cravo-da-índia. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Myrciaria Gabuticaba). . leucoantocianinas. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite.

com caule tortuoso e casca lisa. curto-pecioladas. por outras. Guaiaba. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. Na região da Mata Atlântica. 1984). Guaiava. Araçá-goiaba. Provém de psidion. Psidium. é indicado contra diarréia. flores hermafroditas. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. referindo-se aos frutos. folhas opostas. fervidos.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. de sabor agradável. doenças da pele. diclamídeas. internamente. Araçá-guaçu. e. os brotos de goiaba e de caju. esmagar. fruto com baga amarela. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. galhada. usada externamente. com cálice membranoso. Araçáguaiaba. é útil contra hemorróidas. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. brancas e com numerosos estames. para regulação do ciclo . Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. ovadolanceoladas. significa "triturar. que é a denominação em grego da planta. existem registros para a espécie como Goiabeira. botões florais tomentosos ou glabros. edema e. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas.1). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. contra diarréias. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. O nome do gênero. actinomorfas. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. no entanto. A infusão dos frutos. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. morder". o chá das folhas novas.

A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. em Minas Gerais. misturado com folhas de salva-de-marajó. actinomorfas. fruto com baga amarela. Central. 1984). 1986). a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. diclamídeas.. guajava ainda são utilizadas na América Latina. 1980. sendo facilmente confundida com esta. 1982). botões florais tomentosos ou glabros. Grandi & Siqueira. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. lavagens de úlceras. 1988). principalmente em diarréias infantis. o chá da folha. . sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. e o decocto.. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. no Piauí. misturado com folhas de pitanga. 1982). As folhas de P. 1987. folhas opostas.. Grenand et al.menstrual. brancas e com numerosos estames. Duke & Vasquez. como estomáquico. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. é antidiarréico (Amorozo &Gély. flores hermafroditas. com cálice membranoso. de polpa abundante. igualmente usados como alimento. no Pará. guineense Sw. indisposição estomacal e vertigem (Forero. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. anticolérica e antiúlcera. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. antileucorréica. 1992). curto-pecioladas e glabras. como também os frutos. 1982. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. antidiarréica. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. o chá das folhas. no Rio Grande do Sul. 1994). Psydium cf. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente.

Pino et al.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. Yusof & Mohamed... 1. acoradieno. ésteres. 1996). 1996). p-cimeno. 1968. vitaminas C e A.. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. derivado de eugenol. 122 componentes voláteis. 1990.1-dietoximetano. 1990. cetonas. alcanos... Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 1994). 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. As diferenças quantitativas e qua- . -cedreno. 1991). 1989. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al.. 1. 1996). Wilson & Shaw. t-cariofileno. denominados 1. mirceno.1-díetoxietano. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al.. -terpineol. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. Ortega & Pino. Pino et al.. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. humuleno. 1989. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. 1987. Oliveros-Belardo et al. 10 ácidos. 1996. p-menten-9-ol. -guaieno. 28 ésteres. O dehidrodieugenol. apresentou atividade depressora do SNC. 1968). Zheng et al. 17 cetonas. Chyau & Wu. pectina.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1978).. cremoflieno. aldeídos. -bergamoteno. 1981). além de taninos (Misra & Seshadri. himacaleno. 1994). Marcelin et al. 1987). bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. 1987.. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. lignina. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al.. -santaleno. -bisaboleno. 1987).. 1989. e 95% são cariofileno (Latza et al. 1990). 1986. -cubebeno. óxido de humuleno. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. borneol. açúcares. dos quais 13 são aldeídos... Ortega & Pino. 31 alcanos. 1982) e quercetina. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local..

1986). 1987). 1991). ácido oleanólico (Mair et al. Jain et al.. Okuda et al. oléico e esteárico (Opute. guaijaverina. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. flavonóides. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. palmítico. 1987).litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. (1994) e Neri et al.. Ácido elágico. Osman et al. O interior das cascas é rico em ésteres. 1987). e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. d-galactose.. 1979b.. Lima Filho et al. polifenoloxidase (Augustin et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al.. Chen & Yang (1983). enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. O extrato aquoso tam- .. e Maruyama et al... (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 1981).. 1987). 1987. 2002. ácidos linoléico. Hegnaurer.. 1989). A atividade antibacteriana das cascas de P. 1978). alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. óleo essencial (Ji et al. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed.. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 1974. 1996). 1986). (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática.

Cheng et al. P. anticonvulsivante (Santos. 1999).. F. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. Morales et al.. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. 1994).. et al.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al.. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. e antitumoral de P. O óleo essencial de P.... 2002. 1993. Do extrato hexânico das folhas de P. Santos et al. 1997. 1994. 1996c. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. Lozoya et al. 1995). F.. A. 2000. 1989.. Lozoya et al.. (Santos et al.. guyanensis.. Cáceres et al. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. Cáceres et al.. incanescens (Zelnik et al. F. Lutterdodt. 1999). 1994. et al. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. guyanensis (Santos. 1992.. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. A. Meckes et al.. A. óxido e b-selineno).. A. et al. incanescens (Santos.). A. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. 1994).. 1989). A quercetina isolada de P. F. pohlianum e Psidium sp. 1995). Grover et al. 1996). Lutterdodt. et al. e eugenol e timol de P. widgrenianum (Souza et al. 1995)... 1996a) de P. Das cascas de P. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. 1983). F. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. guyanensins. 1970).. 1994... propriedade anticatártica (Pinto et al. 1990. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea... et al. 1994. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. O extrato de folhas de P. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos... Shimomura. 1993. 1990.. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1996b) e P. Lutterdodt et al. . De P. PonceMacotela et al. 1995. P. 1988) e tosse (Jaiay et al. 1998).. 1996a).

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .1 .Psydium guajava.FIGURA 19.

Di Stasi L. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. C. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. com atividade antifertilidade masculina. e Maytenus. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. a família Celastraceae. . A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. e apenas uma delas. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas.G. 1997). Inclui desde árvores até arbustos e lianas. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. representa importante fonte de espécies medicinais. são Celastrus e Trypterygium. ambos contendo espécies amplamente estudadas. gênero de grande valor medicinal. que possuem espécies medicinais. nos quais se distribuem aproximadamente 1. Austroplenckia. Os principais gêneros dessa família.20 Celastrales medicinais L.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. Seito F . N.

com acúleos. arbusto menor (de 1 a 3 m). de Espinheira-santa. denteadas. .Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. Erva-santa e Congorça.cancerosa. bastante coriáceas. Espinho-de-Deus. copa globosa e ramos glabros. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. de onde partem folhas elípticas. amarelo-avermelhado. Maytenus aquifolium M. Salva-vidas. ápice agudo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Cancerosa. gastrite e ulcera péptica. Também é conhecida como Sombra-de-touro. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. flores numerosas. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. dor do "ciático". dores nas costas e úlceras do estômago. ex Reiss. axilares. fruto do tipo cápsula ovóide. Nomes populares A espécie é chamada. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. glabras. Espinheira-divina. atingindo até 9 cm de comprimento. Erva. na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica).

2001) e triterpenos cetônicos de M. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. arbitifolia (Orabi et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. 1998).. 1997). krukovii (Honda et al. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. com ramos finos. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. flores pequenas e axilares. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. Foram isolados das cascas de raízes de M. 1995a).. contendo folhas alternas.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. 1995.. 1999). bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al.. podendo chegar a até 4 m de altura.. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. oblongas. heterophylla e M.. Dados químicos De M. 1995).. De M. 2000). vermelho. Da infusão das folhas de M. .. Das sementes de M.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Foram também isolados um glicosídeo.. podendo chegar a até 15 cm de comprimento. 2000). 1998) e glucosídeos (Zhu et al. fruto do tipo capsular.

28. 7 alfa-hidroxicanarol. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al.. foram isolados das folhas de M... e outros triterpenos (Gonzalez et al. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. Das folhas de M. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. 7.16.30-lup-20(29) ene-triol e 28. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. além de pristimerina.8dihidroisoxuxuarina E alfa. 1998). As cascas das raízes de M.30-diol (20). iliocifolia (Shirota et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. triterpenos do tipo friedelana. 1993a e 1993b). 1999). 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. os triterpenóides beta-amirina. 1994). Dos ramos de M. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. e escutidina alfa A foram isolados de M. 1992).... sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. Sesquiterpenos foram isolados de M. . emarginatina-E e emarginatinina. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. De M... Além disso. 1991). ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. além de epicatecol. E-III. 1993).. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. 1994). 1994b). tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. macrocarpa (Chavez et al. 1996b).. xuxuarinas F beta. G alfa e G beta. emarginatina-D. 1999a e 2000).. 1997). E-IV. os triterpenos 3-beta. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. lupeol.. ilicifolia (Itokawa et al. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.. lup-20(29)-ene-3beta. ácido oleanólico e ácido betulônico. 1995a). 7-hidroxi-6-oxoiguesterol.. E-I e E-II (Itokawa et al.21-trione (Nozaki et al.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. 1994). betulina. os triterpenos fenólicos canarol. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 1991b).. De M. 1992b). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). chuchuhuasca (Shirota et al... canaradial. cangoronina e ilicifolina.. E-II. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. 1998).Gonzalez et al. E-V. Dos ramos de M.

8 beta. 1971). Wang et al. 1996b).... confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al... Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. 1999). Nor-triterpenos isolados de M. 8 beta. isolados de M. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al.. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. -15-triacetoxi-l alfa. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al.. scutioides (Gonzalez et al.. catingarum (Alvarenga et al. et al. senegalensis e M. .. 1981). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 1996c).. 1999a).. 1971. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. 1996b). 1996). De M. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. O composto escutiona isolado de M.. 1984). Alcalóides foram isolados de M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. 2000. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. myrsinoides (Baudouin et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. Dados farmacológicos M. 1996a).. A. 1999b). 1981) e antimolarial ( El Taher et al. G. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al... Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. 1999).. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. 1999). 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. macrocarpa (Chavez et al. 2001). Gonzalez et al.. assim como os compostos 6 beta. M. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. 6 beta. assim como outro nor-triterpeno isolado de M.M.

especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. Gonzalez. As folhas e caules de M.O extrato diclorometânico de M. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. Queiroz et al. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. G. 2001). 2002). ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al.. 1999)... Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. .. F. Oliveira et al. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas... 1991. et al. 2000). 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua.. 1991. 2001.

Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. especialmente árvores. contendo cerca de 1. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. Polygalaceae. ambas com várias espécies medicinais. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae.21 Polygalales medicinais L. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. corantes e de medicamentos. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae.100 espécies tropicais. ocorrem 32 gêneros. . Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. 1978). com importantes espécies fontes de madeiras. Trigoniaceae. bebida alucinógena. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. C. No Brasil. Vochysiaceae e Krameriaceae. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. com aproximadamente trezentas espécies. arbustos e lianas (Mabberley. 1997). Byrsonima. usada na produção da Ayahuasca. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. além das duas referidas a seguir. Malpiguia e Stygmaphyllon.

e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. bastante pubescente. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. e. dor de estômago e gripes. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. contra icterícia. arredondadas. externamente.) Juss.) Juss. O nome do gênero Stigmaphyllon. Gordura-de-porco ou Cajuçara.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. . descrito por Antoine Laurent de Jussieu. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. nas raízes formam-se grandes tubérculos. glabas na face superior e sedosas na face inferior. grande e robusta. significa "estigmas foliáceos". Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. de folhas cordiformes. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies.

especialmente no Sistema Nervoso Central. Ailanthus. o Guaraná. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Anacardiaceae. Cupania e Serjania. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. Meliaceae. Rutaceae. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. que contém. Simaroubaceae. C. M. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Sapindaceae.22 Sapindales medicinais C. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. . R. especialmente dos gêneros Simarouba. inúmeras espécies medicinais. essas espécies serão descritas a seguir. além das espécies aqui citadas. Quassia. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Picrasma e Brucea. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Hiruma-Lima A. A. destacando-se as famílias Burseraceae. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Souza-Brito L. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. Essa ordem. Das demais famílias dessa ordem. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Simarubaceae e a outra família.

Spondias e Schinus. reúne setenta gêneros. Além dos usos medicinais. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. as espécies Pistacia lentiscus. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Nessa família. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). arbustos. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). relatados a seguir. distribuídas em regiões tropicais. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. No Brasil. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). amplamente consumida . Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. Do mesmo gênero. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. tais como Caju. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Manga e Pistache. Semecarpus (Semecarpeae). A espécie Mangifera indica. pertence à ordem Sapindales. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Spondias. 1997). descrita por John Lindley. Mangifera. Schinus. Desses gêneros destacam-se. com aproximadamente 875 espécies. nos países de clima temperado. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. subclasse Rosidae. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. Essa família botânica inclui árvores. lianas e raramente ervas pereniais.

carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Caju-assu. entre outras tribos indígenas. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta.1). Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. perfumadas. . de 25 a 30 m de altura. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. especialmente no Amazonas. ovário súpero com um só óvulo. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Engl. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. o fruto em forma de drupa é peduncular. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. Caju-da-mata (Amazonas). com tronco de casca lisa. não foi referida na região de estudo como medicinal. Cajuí. sendo também denominada Cajuaçu. as flores. dispostas em panículas. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. possuem sépalas e pétalas pentâmeras.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Pará e Mato Grosso. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso).

pequenas e de coloração pálida. com um só estame fértil. várias outras denominações são usadas para a espécie. plástico e resinas. O óleo é usado na produção de borracha. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. as flores. ovário unilocular. O . Contra diarréia. as folhas são alternas. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. significa "semelhante ao coração". assim como a própria castanha. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. raspa de amor-crescido e cajá. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. ou simplesmente Caju. É uma planta decídua. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. Caju-manteiga. o fruto é do tipo aquênio reniforme. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento.2). tais como Acajaíba. ovadas.Anacardium occidentale L. Acajuíba. Caju-de-casa. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. o óleo da castanha. em referência ao nome de seu fruto. no entanto. heliófita e que cresce bem em solos secos. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. tomando-se um copo por dia. glabras. reticuladas e nervadas em ambas as faces. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Para hemorróidas. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. onduladas. Cajumanso. Anacardium. Economicamente. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. possui importante mercado nacional e internacional. Caju-da-praia. pecioladas. entre outras. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. O nome do gênero.

como um diurético... O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. e a raiz. contra glicosúria e poliúria na forma de banho..broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. 1982). No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. uma infusão de folha é usada contra diarréia. 1990. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. 1994. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. e a maceração de folhas para tratar diabete. Em Juiz de Fora (MG). contra úlceras. Cruz. 1992). é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. anti-helmíntico. astenia. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. 1993). enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. Matos. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. depurativo e anti-sifilítico. tônico. purgativa. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. para controle das secreções vaginais. . debilidade muscular. 1995). a casca é utilizada como adstringente. 1982). O pericarpo tem utilização como anti-séptico. estimulante e afrodisíaco. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo.. calos e verrugas. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. 1993. 1995). desordens urinádas e asma (Lima. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. 1984). O suco das folhas serve como antiescorbútico. assim como um potente adstringente. No Piauí. As flores são afrodisíacas. 1994). Grenand et al. tonsilite e problemas de garganta. A resina é usada como depurativo e expectorante. P.

Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. com copa bonita e arredondada. mas é muito usada como ornamental. analgésico e contra coceiras. Bálsamo. Cambuí. tônico. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. lenha e carvão. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Aroeira-do-sertão. adstringente. Fruto-de-sabi. Aroeira-do-campo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. com casca grossa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. . referindo-se às frestas da casca do fruto.Schinus terebenthifolius Raddi. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. sugere-se o uso com moderação. estimulante e analgésico. O nome do gênero significa "cortar". A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. caule tortuoso. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Aroeira-da-praia. Coração-de-bugre. Aroeira-vermelha. Fruto-de-raposa. como cicatrizante e contra gengivites. Aroeira-branca. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Aroeira-do-brejo.3).

descrito também por Carl Linnaeus. O gênero Spondias. Cirouela. inclui espécies tropicais. sendo um composto característico das espécies deste gênero. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). 1994). com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Em outros países da América do Sul. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. referindo-se à semelhança com o fruto. Acaiou. reunidas em racemos. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. antiespasmódico. com 5 a 7 m de altura. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. do tipo drupa. ou mesmo Caju. p-hidroxi- .Spondias purpurea L. ilustrado a seguir. especialmente árvores com resinas. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. o fruto.4). imparipinadas. Siriuela. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. as flores são pequenas. Outras denominações comuns são Acajá. Acaju.O3). como antidiarréico. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. O nome Spondias significa "ameixa". é ovóide. O ácido anacárdico (C22H32. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. ou Cajá e Umbu. diurético e analgésico. esverdeado e doce (Figura 22. referindo-se apenas à fruta da espécie. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. além de comestíveis.

e de suas folhas foram isolados miricetina. S. taninos e açúcar (Nagaraja et al. glicosídeos de quercetina. 1986). Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. K e Ca (Thomas & Dave. cicloartenol. narigenina. Foram também caracterizados. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. P. aminoácidos. cardanol. os seguintes compostos: acetofenona. 1989). 1985). também foram isolados (Costa.. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. 1986). (-)-epiafzelequina. de diferentes partes da planta. fenol. 1987). Mg. derivado de resorcinol. Al. limoneno. 1997c).benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. a-selineno e vitamina C (Gupta. kaempferol. leucocianidina. flavonóides. anacardol. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. ácido procatéquico. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. 1990). Compostos derivados do ácido anacárdico. n-eicosano. esteróis. 1987). As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. além de Na. quercetina.. antocianinas. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . amido. agathisflavona.. C1. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. taninos. 1995). apigenina. amentoflavona. álcool araquidílico. aminoácidos. ácido gentísico. sódio e açúcar. (-)epicatequina. robustaflavona. a-amirina. anacardol e cardol. 1997). anacardeína (Sathe et al. 1973). estigmasterol. ácido-p-hidroxibenzóico. além de flavonóides voláteis (Pino. campesterol e colesterol (Dinda et al.

ácidos esteárico. -linolênico. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. Himegima & Kubo. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . palmitoléico. Escherichia coli. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos.(Guerrero. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. e raízes (Guerrero. Muroi & . 2000). ácido salicílico. 1991). 1994). tocoferol. flavonóides e triterpenos em suas folhas.. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al... palmítico. 1994). 1991). oléico. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. 2000). láurico. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. aminoácidos variados.. 1992).. denominados geraniina e galoilgeraniina.. tocoferol e outros. 1993. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. 1999). cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. 1991. -sitosterol. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al.Bacillus subtilis. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. Vários derivados do ácido anacárdico. 1994). Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. 1994) e frutos (Augusto et al. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -.. -caroteno. quercetina. tais como -catequina.

Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. . Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida..epicatequina Kubo. 1995). 1982). occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1992. Craveiro et al.. Souza et al. 1991). 1974. O extrato hexânico das cascas de A. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. Jurberg et al. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1984a). 1993). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial.. 1993). enquanto o cardol. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. glabrata. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. occidentale foram avaliados perante a B. 1994)..

O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. 1992). França et al. 2000. foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus... foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al.. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. antiartrítica. mombin. 1982..A epicatequina. 1981). 1980) enquanto. Mota et al. 1992).. 1991). Geraniina e galoilgeraniina. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. Dos extratos hidroalcoólico. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. Kudi et al. Além disso.. 1983). Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al.. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. 1994). Abo et al. 1990). as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1994). responsáveis por irritação da pele. . etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. 1982 e 1985... occidentale. 2001. 1990. pela presença do cardol (Hoehne. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. isolada de A. taninos isolados de S. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. 1993).. Barbosa Filho et al... o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. Akinpelu.. occidentale. 1999...

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne. 1946).FIGURA 22.4 .Spondias purpurea.

FIGURA 22.Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.5 . c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).

FIGURA 22.Ruta graveolens.6 . Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

com aproximadamente 3. Essa família inclui 446 gêneros. denominada também Umbellales. Hiruma-Lima L. Di Stasi A ordem Apiales. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu.23 Apiales medicinais C. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. mas alguns arbustos e árvores são des- . as quais são descritas a seguir. como Umbelliferae. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. C. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). de acordo com o sistema de classificação botânica. 1997). A.

Apioideae). fibrosas e caule florífero solitário. Apium. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. com raízes fasciculadas. 1998). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e.Hydrocotyloideae). Cicuta. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. folhas alternas. assim. Apium (gênero do Salsão). Daucus (Caucalideae . a Eryngium ekmanii. Cominho e Salsa. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Erva-doce. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. onde há amplo uso como medicamento. No Brasil ocorrem poucos gêneros. optamos por incluir aqui apenas duas delas. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. muito comum na Mata Atlântica. ascendentes. densamente imbricadas. dunas e brejos. tais como Cenoura. Coriandrum (Coriandreae . Pimpinella (Erva-doce). Petroselium (Salsa). Muitas dessas espécies são cultivadas. oblongolanceoladas. e Hydrocotyle exigua. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. entre inúmeros outros. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Apium com características ruderais. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória.Saniculoideae). Coentro. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae).Apioideae).critos na família. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação .

Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dos quais são emitidas raízes. frutos pilosos. o sumo das folhas frescas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . Esse chá. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. de no máximo 1 cm de espessura. cordiformes. usado topicamente. Hydrocotyle hirsuta Sw. fruto subgloboso (Figura 23. O nome do gênero. inflorescência em capítulo. especialmente em crianças. de Erva-terrestre. e aix = "cabra". Também é conhecida como Erva-capitão. com nós. torcidas antes de abrir. exigua (Urban. semelhantes a barba de cabra. Eryngium. referindo-se às fibras do rizoma. vem de eros = "lã". com flores avermelhadas. na região do Vale do Ribeira. no entanto. capítulos esverdeados com flores pequenas. quando preparado em alta concentração.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. espalhadas por diversos continentes. var. habitando em lugares úmidos. lobadas e pilosas. diclamídeas e hermafroditas. é considerado excelente contra dores de cabeça. folhas pequenas. cíclicas. crenadas.1). O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis.

bourgatii (Lam et al. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. planum (Hiller et al. foi ainda isolado o falcarindiol em E.. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra..000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 1999). e cotyle = "umbigo". Glicosídeos foram isolados de E. também encontrados em E. . 1986). 1997). Das folhas de E. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. comarinas e flavonóides. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. anetol e alfa-pineno (Pino et al. sendo majoritários carotol. diurético e. 1985.. 1997a). foetidum L. em altas doses. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. maritimum (Lisciani et al. O extrato aquoso de E. emético. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". 1995). Além de saponinas. Hohmann et al.. acetilenos. 1997a). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher.. 1986). foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. 2002).5-trimetilbenzaldeído.. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. farneseno. elegans (Campos & Garcia.. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. 1985). a DL50 por via oral foi de 1. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. 1992).4. De E. campestre (Erdemeier & Sticher. 1984). 1980) e E. sendo 2. 1986). enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E.. foram isolados 46 compostos. ilicifolium (Pinar & Galan.inclui 130 espécies cosmopolitas.

nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. e inclui 47 gêneros. da famosa Hera dos parques. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. epífitas. utilizada como alimento. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. segundo a história. Hedera. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Árvores. no envenenamento do filósofo Sócrates. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. Panax. 1997). especialmente em refogados e saladas.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. lianas. com aproximadamente 1. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. arbustos. ambos introduzidos no Brasil. Schefflera. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. famosa por ter sido usada. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. especialmente do gênero Cicuta. No Brasil ocorrem vários gêneros. Tetrapanax. Mackinlaya e Polyscias. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. 1998). No entanto. Das inúmeras espécies descritas nessa família. Tetrapanax e Aralia. e centenas de . e Polyscias. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. Australásia e América tropical (Joly. Centro-Oeste e Sul. subclasse Rosidae. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. são encontradas na família. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. mas raramente ervas.

estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. Cunha e Cunha-mansa. folhas alternas. com larga bainha na base. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. globoso. Cuia. Outras espécies do gênero.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. A espécie não foi completamente identificada. refere-se à forma da folhas. flores pequenas. pertencente ao gênero Polyscias. ovário ínfero. e acias = "sombra". Dados botânicos Arvore de pequeno porte. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". sendo também usa- . O gênero Polyscias. grandes. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. fruto indeiscente. reunidas em inflorescências axilares. androceu com cinco estames. pela beleza de sua folhagem. usada internamente. cálice pequeno. amplamente cultivada como ornamental. variegadas. O nome popular da espécie. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. Cuia. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. descrito por Johann Forster e Georg Forster. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas.

Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. 1986).. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). 1990). ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 1992).. 1995.. Em P. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al.. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al.. 1996. Vo et al. 1992).. Nas folhas de Polyscias sp. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1992. Chaboud et al. 1988. scutellaria (Paphassarang et al. Barilyak & Dugan. os autores demonstram que .. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. 2001). Lutumski & Luan. Nesse estudo.dos como calmante por adultos. 1998).. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. 1990. 1989b. Proliac et al. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 2002. 1991). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. Glicosídeos oleanólicos. 1989a. 1989c e 1990) e de P. Fulva (Bedir et al. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 1994)... assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al.

Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. mostram que essa espécie..as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. A espécie P. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . especialmente a Panax ginseng. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. e de prolactina pela hipofise. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. FIGURA 23. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. 2002).1 . assim como outras do gênero Polyscias. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al.Eryngium ekmanii. associados àqueles referentes a outras da família.

FIGURA 23.Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .2 .Banco de imagens - .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. Loganiaceae. apesar de pouco numerosa. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Gentianaceae e Asclepiadaceae. Genistomaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. Di Stasi C. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. . referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir.Strychnaceae. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . A. Apesar de não referidas no nosso estudo.24 Gentianales medicinais L. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Apocynaceae. C. Esses dados. demonstram que a ordem Gentianales.

e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. muitas das quais conhecidas como Mangaba. muitas das quais trepadeiras e suculentas. como os gêneros Allamanda. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. Mandevilla. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. Vinca. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Java. Allamanda. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. herbáceas. Joly (1998) destaca. além dessas. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. Aspidosperma. arbusto encontrado na Índia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Hancornia. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Catharanthus. Nesse contexto. a família possui espécies trepadeiras. Strophantus. Inclui espécies arbustivas. arbóreas. Thevetia. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. Rauwolfia. e. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Nerium. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. subclasse Asteridae. fornecedores de madeira. aqueles que incluem espécies arbóreas. ajmalinina.900 espécies tropicais e subtropicais. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. os gêneros Mandevilla e Thevetia. serpentinina e reserpina. inclui 165 gêneros. como Aspidosperma. Paquistão e Tailândia. muito utilizadas ornamentalmente. 1997). .Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. serpentina. Tabernaemontana. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. sendo esta última o mais importante. Hancornia. com aproximadamente 1. dentre os gêneros. entre as espécies de pequeno porte. com destaque para ajmalina.

Orélia. espécies ricas em glicosídeos. Deve-se destacar. vinblastina e vincristina. especialmente a Nerium oleander. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. tais como majdina. . que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. as espécies Vinca major. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. as espécies Strophantus gratus. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. tanto para os animais como para a espécie humana. • do gênero Strophantus. tais como ouabaína. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. cilastonina e também a reserpina. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. contudo. alstonilina. Himathantus sp. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Alamanda amarela e Quatro-patacas. Vinca rosea e Catharanthus roseus. e Thevetia peruviana.• do gênero Vinca e Catharanthus. segundo Evans (1996). Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. estrofantinidina e cimarina. Dedal-de-dama. tem sido designada também como Catharanthus roseus. • do gênero Nerium. Wrightia e Aspidosperma. Vinca minor. a saber Allamanda cathartica. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. A espécie Vinca rosea. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. tais como alstonina. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides.

com folhas brilhantes. é considerada um excelente vermífugo. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. com casca rugosa. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. folhas simples. A infusão das folhas é utilizada como emético. axilares e fasciculadas. emético e purgativo. grandes. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. com copa estreita e tronco ereto. na forma de funil. especialmente em crianças. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. fruto do tipo capsular. glabras e verticiladas. a planta exsuda látex considerado venenoso. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. especialmente cães e macacos. atingindo até 20 m de altura. em animais domésticos. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. com tubo estreito e longo. . Ucuuba e Sucuba. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental.1). Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. Segundo Corrêa (1984). semilenhoso.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. O gênero inclui doze espécies tropicais. em grande número. purgativo e catártico. alternas. contendo poucas sementes (Figura 24. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. usada internamente. sendo a A. espessas. inflorescências com flores amarelas. enquanto a decocção das cascas da planta. com a mesma indicação. A folha é considerada excelente catártico. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba.

Coração-de-jesus. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. O nome do gênero deriva do grego.pecioladas. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. frutos geminados em forma de chifres. Noz-de-cobra. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. heliófita e secundária. margens inteiras. Thevetia peruviana (Pers. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. simples. 1990). contendo sementes aladas. sendo uma planta perenifólia. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. especialmente em crianças. especialmente no alívio de coceiras. Schum. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. no entanto. coriáceas. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. glabras em ambas as faces. sendo útil como anti-helmíntico. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. acumi- . linear-lanceoladas. 1997). alcançando até 10 m de altura. grandes e brancas. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. todas encontradas na América do Sul (Plumel. folhas alternas. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação).) K. significando "manto de flor". ovaladas. com um tronco de casca cinzenta. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto.

arbotifaciente. com corola em forma de funil. carnosas e glabras nas duas faces. braceletes. aromáticas. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. em pó. purgativa e emética e de uso perigoso. As sementes da espécie são usadas como inseticida. Os usos dessa espécie como purgativo. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. 1984). 1985). a amêndoa. 1997). A casca é considerada amarga e febrífuga. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. revestimento de maracás (Corrêa. além da sua utilização uso em vários países como emético. para provocar vômitos. triangular. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. contendo flores grandes. contendo sementes duras e grandes. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. 1984). como pulseiras. É uma espécie muito usada como ornamental. especialmente do continente africano. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. No Brasil. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. 1962). bactericida e como veneno para peixes. colares.nadas. O nome do gênero Thevetia. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. descrito originalmente por Carl Linnaeus. amarelas. purgante. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. fruto do tipo drupa carnosa. assim como outros inúmeros usos de várias par- . enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. o látex acre é usado para acalmar dores de dente.

1985). 1992b. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. thevetioides (Perez-Amador et al. De outras espécies do gênero Allamanda. kaempferol. foram isolados do caule isoplumericina. Dados químicos dos gêneros Allamanda. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. canogenina. pinoresinol e alamicina (Anderson et al.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. medioresinol.1997.. Corrêa. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. 1988).-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. 1986).Kader et al. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. além de 13-O-acetil plumierida.-hidroximedioresinol. 1993).. são ricas em um glicosídeo a tevetina. alamandina. -amirina. ovata e T.-O. O isolamento de diosgenina. Foram isolados de A. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. Tewtrakul et al. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. tais como de T.. 2002). como a A. -sitosterol. Kupchan et al.-hidroxipinoresinol e 9. 1996). cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. perivosídeo. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. plumericina. acetato de lupeol. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. -sitosterol.. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. 1992a e 1994). blanchetii (Ganapaty et al. a alanerosida. plumierida. ácido ferúlico e ácido gentísico. rutina e os iridóides plumierida. schottii. 1988). Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. 1962. também chamado tevetina A. quercetina. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. 1974).. . As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. 1989).. neriifolia os compostos 9... ruvosídeo e neriifolina. assim como de outras espécies do gênero. tevetina B. flavonóides. e de suas flores. 1996. escopoletina. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica.. escoparona. além de lignanas como pinoresinol. As sementes de Thevetia peruviana. 1995c e 1995a). 1984). 1988). enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3.

e as raízes. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. cáprico. behênico e erúcico.. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. taninos. follax (Abdel-Kader et al. 1992) e em T. Ali et al. Da espécie H. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. enquanto as cascas possuem alcalóides. obovatus (Vilegas et al. ursólico. 1992) e H. linolênico. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano.. triterpenóides (Wood et al.. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al.. flavonóides. 1982). Triterpenos como ácido olianólico. esteárico. Foram descritos os ácidos mirístico. De acordo com Obasi et al. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. Da mesma forma. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis.. 2000).Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. alcalóides. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. triterpenos e saponinas. linoléico. esteárico e palmítico.. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. ácido metilperlatólico (Endo et al.. 1998). 1991). 1993). cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em .. 1995. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al.. (1990) e Beauregard Cruz et al. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. 1978). 1994. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. 1990). linoléico. taninos e saponinas. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. glicosídeos cardiotônicos... Iridóides também foram isolados de H. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. Das folhas de T. Guerrero. esperolactonas.. neriifolia (Dinda&Saha. taninos e saponinas (Gupta. (1986). oléico. 1996).

que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. 1935). mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos.. blanchetii (Melo et al. 1994) antifúngico (Tiwari et al. 2002) e antiofídico (Otero et al. Peruvosídeo e neriifolina. 1992). isolada dessa espécie. produziu atividades espasmogênica. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain.. 1989). Moraes et al. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1997). antimicrobiana (Neto et al. 1962). mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk... 1933). violacea (Lima & Caldas. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1984. Obasi & Igboechi. 1982a e 1982b. 2000). Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 2002). atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 1994). 1990).. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. A neriifolina. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A.. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.camundongos. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. cathartica e A. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. componentes principais da espécie Thevetia peruviana... bexiga. Moreira et al. 1991)... o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina.. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 1945 e 1947). .. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1990.. 1981). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. conhecida popularmente como orélia.

O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 2002. 1933.700 mg/kg é dose letal. efeitos tóxicos também são similares. e Thevetia peruviana e T. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. e estudos recen- . vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. Oji et al. 1996).5 g/ kg e 14.. Eddleston et al.. No entanto... 1996). acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. 1993). Frerejacque. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. 2000. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. respectivamente.4g/kg. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al.. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos.. 1999. 1933). 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al.. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. Singh & Singh.. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). 1996. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Nerium oleander. peixes e outros animais (Chopra et al. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. Saraswat et al. 1992). gatos. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. 1996). cobaias. Maringhini et al. 1958. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. para bovinos (Tokarnia et al. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. 0. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al..Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. 2000).

é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. Dessa forma. incluindo o homem. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. dada a riqueza química da família. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. os quais ainda não foram estudados. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. inibição da Na+. De todo modo. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. ou seja. Da mesma forma.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. Deve-se salientar. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. 1996). visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. . uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico.K+-ATPase. no entanto. Observações Várias espécies dessa família. 1991). verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química.

todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Oxypetalum e Calostigma. subclasse Asteriddae. No Brasil. herbáceas e raramente arbustos e árvores. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Espécies medicinais Fischeria cf. trepadeiras. com aproximadamente 2. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. Fischeria. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. mariana Dcne. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar.Asclepias. sobretudo para animais. especialmente por seus efeitos tóxicos. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. 1986). e algumas de grande valor medicinal. Inclui lianas. descrita a seguir.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. Tylophora e Calotropis. 1997).Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. . tais como Asclepias curassavica. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. mariana. Oxypetalum. e inclui 315 gêneros.

Dados botânicos Espécie de pequeno porte. von Fischer. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. com pecíolos pubescentes. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. fruto unilocular.225 espécies cos- . com ramos pubescentes. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. especialmente a febre.. inclui aproximadamente 78 gêneros. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. corola gamopétala. com lacínios conspicuamente crispados. com testa verrucosa (Figura 24. opostas. 1979). administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. E. nos quais se distribuem 1. membranosas. flores pentâmeras. sementes comosas. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie.2). Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. hermafroditas e de simetria radial. de onde saem as folhas simples. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. diclamídeas. foi realizado experimento de toxicidade. androceu modificado. L. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr.

subtropicais e de clima temperado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com caule ereto de muitos ramos. Lisianthus e Coutoubea. na região amazônica. 1978). amenorréia e como vermífugo. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. 1997). amplexicaules e grandes. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. de Carne-seca. fruto capsular. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. flores brancas grandes e muito vistosas. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. Voyria. . Nomes populares A espécie é chamada. folhas opostas e sésseis. F. também sésseis. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. a decocção das raízes é usada contra febre. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C.mopolitas. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. sendo várias delas medicinais. desordens estomacais. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. Puruvá e Cutúbea. especialmente do gênero Dejanira. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. Dejanira. mas também inúmeras espécies tropicais. e outras são usadas como ornamentais. dispostas em espigas simples terminais. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. Dados botânicos É uma planta anual. reunidas em verticilos. 1998).

com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. febrífugo. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. um dos encontrados no Brasil. dentre eles. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. 1997). 1984). diminuição da atividade do rúmen. . um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. hipotermia. onde é cultivado como ornamental. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. taquicardia. e morte. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa.. da famosa Strychnos nux vomica. 1979). incluindo tanto árvores como arbustos. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. polipnéia. lianas e ervas (Mabberley. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). Mas a C. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. tônico. estudos de toxicidade. diminuição da atividade motora e dores abdominais. quando ingerida dentro de 24 horas. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. Porém. destacamos apenas os principais: Spigelia. e Strychnos.

Noz-vômica e Quina-de-cipó. 2002). Segundo Corrêa (1984). No levantamento realizado. também constatado para a espécie S. .Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. O nome do gênero designava. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. antigamente. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a maioria na Amazônia (Barrozo. que se refere à presença de mais de 190 espécies.. a planta é narcótica e venenosa. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. 1978). a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. 2001). Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. em seus cipós. glabras. porém de S. nux-vomica (Shoba & Thomas. as plantas com propriedades narcóticas. fruto do tipo baga globosa. A planta recebe esse nome por possuir. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. flores amarelas em grande abundância. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. folhas opostas e ovais. nós na forma de uma cruz. coriáceas e trinervadas. Nomes populares Na Mata Atlântica.

guianesis (Penelle et al. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al.. 1995).. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). 2000). 1996).. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al.. Das raízes de S. .A S. panganesis (Nuzillard et al.Allamanda cathartica. 1998) e S. S..1 . mellodora (Brandt et al. 2000 e 2001. FIGURA 24.. usambarensis (Frederich et al. myrtoides (Martin et al.. 1996). icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. S. S. 2000. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. 1999). Rafatro et al. 1996)..... 2001). Quetin-Lecrerq et al. 2001).

Banco de imagens - .FIGURA 24.Fischeria cf.2 . laniflora Dcne. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

Di Stasi F. arbus- . ervas. A.600 espécies. lianas. algumas vezes parasitas. incluindo plantas herbáceas. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Seito C. Solanaceae. C. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Convolvulaceae. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. N. G. Gonzalez L.25 Solanales medicinais L. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae.

No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. Possuem inúmeras variedades. pecioladas. de Batata-doce. flores brancas. para infecções da boca. Na região da Mata Atlântica. internamente. ainda que raramente. cordiformes. Ipomoea batatas. com folhas alternas. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. . gengivite e dores de dente. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. em gargarejos. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. raízes tuberosas. geralmente lobadas. axilares e fruto capsular. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Nomes populares A espécie é chamada. rosas ou arroxeadas. suculentas.tos e raramente árvores (Mabberley. 1997). Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. aqui também descrita como medicinal. que são cultivadas com fins comerciais. a espécie é cultivada e consumida como alimento. A planta também é conhecida. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. como Batata-da-terra. delicadas e amplamente consumidas como alimento.

foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. anti-reumáticas e laxativas. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. cairica. friedelina. acetil-b-amirina.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. 1995). De . Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. de 5 a 18 cm de comprimento. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. Alba. I. tubérculos ou arbustos. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. I. carnea. batatas Lam. purpurea e I. ácido caféico e quercetina (Tan et al. com caules bastante entrelaçados. Goda et al. 1986). Muitas espécies são medicinais. oblongata. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. de cor vermelhoviva ou rosa. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. enquanto as folhas são detergentes. como é o caso de /. Delgado et al. coptica. e de homoios = "semelhante". comparando-se as plantas deste gênero. hederifolia. muitas delas amplamente cultivadas. fruto capsular ovóide.. flavonóides (Zhou. 2000.. glabra.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. I. sinensis. sendo várias ervas. b-sitosterol. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. I. 1996). Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. pinatipartidas e pecioladas. folhas alternas. 1996). com cinco lobos arredondados. Dados químicos do gênero Da espécie I. como é o caso de I.. purpurea e /.. 1996. cairica. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). 1. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". I.

. 1997). 1997). carnea Jacq. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. 1987).. 1999a. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. também encontrados em I. (Sharma & Shukla. Das sementes de I. 1996). 1987). matairesinol e trachelogenina. carnea. 1996).. e das flores de I. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. Das raízes de I. os flavonóides 4'. 1999). Diversos flavonóides foram isolados de I. Das sementes de I.. 1996 e 1997). Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. e também dibenzil-g-butirolactona. 1996). adrenérgicos e .. De Lima & Braz-Filho. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. De I. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina.. 1986). quando administradas a cabras.. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. Das partes aéreas de I. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. As folhas de I. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al.. 1997).I.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. reticulata (Mann et al. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. 1989). 1990). arctiina e matairesinosídeo. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. cornea. regnellii e I. alta concentração de cálcio e potássio. as lignanas arctigenina. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa.. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al.. 1997). operculinas I-VIII ácido operculínico A. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. é medido por mecanismos colinérgicos. hardwickii (Liu et al. 1988). os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica.

1998a e 1998b). As sementes de Ipomoea ssp.não-colinérgicos (Hore et al. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al.950 espécies subcosmopolitas. encontram-se árvores. 1997). 1994).. 1998). fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. Foram observadas também anorexia. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. 1996). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. A I. Entre estes. Os extratos aquosos. Foram isolados de I. O efeito tóxico foi observado no cérebro. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena.. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. depressão. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. 2000). O extrato diclorometano de I. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium.. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1992).. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: .. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1991)... 1995). 1996). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas.. com 2. 1997). conhecida popularmente como salsa-da-praia. pescapae (Madeira et al. arbustos. 1998).. dos quais 25 são endêmicos. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. espasmolítica (Medeiros et al. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. stans três tetrassacarídeos. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. 1990).. lianas e ervas (Mabberley.. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. 1996).

a capsaicina. importante ferramenta farmacológica e. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Managá-caa. Gambá. ainda do ponto de vista comercial e social. Cuvitinga e outras espécies. Lycopersicum. pelos nomes de Manacá-da-serra. Datura. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. Manacá-açu e Jeratacaca. Fumobravo. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. da famosa espécie Nicotiana tabacum. de onde se isolou. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. e Solanum. Don. Nomes populares Na região amazônica. fonte de nicotina. com inúmeros representantes no Brasil. tanto do ponto de vista farmacológico. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. entre outros inúmeros compostos. como Juá-bravo. Em outras regiões. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves.• Solanoideae. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. • Cestroideae. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. dessa subfamília. Nos estudos realizados. na qual se encontram os gêneros Capsicum. do famoso Tomate. especialmente na espécie Hyosciamus niger. da famosa Datura stramonium. . na qual se destacam os gêneros Nicotiana. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. Physalis. Brunsfelsia. descrito posteriormente.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de Camapu. Physalis angulata L. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. pequenas. muito ramificado. fruto esverdeado do tipo baga. folhas inteiras. diclamídeas. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. caule verde. na região amazônica. ereto e crasso. bilocular. com anteras azuladas. flores dispostas em cimeiras. hermafroditas. glabra. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. pentâmeras. longo-pecioladas. flores amarelas. Mulaca. Dados botânicos Erva com muitos ramos. especialmente na Amazônia. O chá preparado com raiz de . súpero. androceu com cinco estames. referindo-se à forma do fruto. folhas elípticas e acuminadas.1). a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Mata-fome. possui. bolha". agudas. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. sem estipulas. Bolsa mulaca. Joá-de-capote. Juá-de-capote. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovário bicarpelar. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. semente rufescente (Figura 25. Nomes populares A espécie é chamada. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. Joá.

. em Minas Gerais. útil contra reumatismo. os frutos são desobstruentes. No Brasil. interna e externamente. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero.. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. na Paraíba. para tratar hepatite. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra.camapu misturada com raiz de açaí. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. Juripeba. 1995). No Peru. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. 1980. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. no Pará. renais e de vesícula biliar (De Almeida. problemas hepáticos. dermatites e doenças de pele. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. 1984) e a raiz. da Amazônia brasileira. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. a infusão da sua raiz. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. problemas hepáticos. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. outros. contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1993). Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. malária. contra inflamações. vômito. 1980). usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. hepatite e reumatismo (Forero. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. bem como no combate a febre. Jubeba. 1990). diuréticos e resolutivos (Corrêa. 1984). contra vermes. 1980). Juuna e Juvena. 1974-1975).. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. 1990). 1994). Rutter. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. 1998). e suas folhas têm uso diurético. 1982). Solanum paniculatum L.

hepatite e febres intermitentes. sendo úteis contra icterícia. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. flores em umbela. fruto do tipo baga globosa. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. folhas alternas. Inclui inúmeras variedades. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. carnosos. de caule alado. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. muitas delas de grande valor econômico. es- . O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. desiguais. fruto do tipo baga redonda. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. alívio". ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. Solanum tuberosum L. muito parecidas com as da Batata-inglesa. além de ser indicada contra problemas do estômago. todas cultivadas. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. sinuosas e acuminadas. ereta. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. lilás ou roxas.700 espécies subcosmopolitas. de onde é obtida pelos habitantes locais. flores brancas. brancos ou amarelados. especialmente contra lombrigas. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. dispostas em racemos.

1980. 1977a). Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B.. 1986. angulata (Row et al. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. principalmente. ácido oléico (11.. com ciclopropenóides. 1977). Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. Oshima . espécie de origem cubana. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. Sinha et al.. As sementes de B. Alcalóides foram isolados de P. peruviana (Sahai & Ray.5%). Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. 1985. P. No óleo das sementes de B. De B. 1980. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. 1987). 1986).. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. 1991). P pubescens (Reddy et al. 1986).. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. cetonas. 1979a. 1988. alkekengi (Kawai et al. Gottlieb et al.8%). furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. Já da casca da raiz de B. Itoh et al... 1994)..5%).. 1985). Na região. 1987. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al.. Vasina et al. Do gênero Physalis. 1980) e P. 1996). dos quais foram caracterizados.52%) (Maestri & Guzman. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. 1987. P viscosa (Maslennikova et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. ixocarpa (Abdullaev et al. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. P. 1995)..25%) e ácido ricinoléico (0. aldeídos. 1981). nitida. obtido de suas partes aéreas. grandiflora. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani.. Frolow et al... Glotter et al. P peruviana (Gottlieb et al.. 1986). hidrocarbonetos. alcoóis e ésteres. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). minima (Mulchandani et al.. Eguchi et al. 1977 e 1978). identificou a presença de 122 compostos. ácido palmítico (7. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al..pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação.

Ripperger et al. Moiseeva et al. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. aianinas. 1987b. flavonóides (Ismail & Alan. beta-sitosterol.. calcyina var. Já da raiz de B. floribunda. utilizada para picadas de cobra. 1986). minima var. De P. 1992). alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. B. Oliveira et al. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. Shingu et al. pauciflora e B. revelou atividade depressora do SNC.. Uma triagem hipocrática em ratos.. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al.. figrina. Banton et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. Chen et al... angulata foram isolados ainda vitasteróides. 1967a e 1967b). neoclorogenina.. artrites. glicosídeos. 1988 e 1989). com extratos da raiz de B. 1987. 1989. Chen et al.. 1983. A administração oral de B. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. vitagulatina A. fisangulídeo. 1975. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. .. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. Vasina et al. 1987). 1988). flavonóides (Ser. 1993. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. 1990. fisagulina A e K. hopeana. 1988). vitangulatina A. 1968. 1997. acetil colina... apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. 1997).. 1990.. 1992b e 1992c). indica foram isolados vitasteróides. De P. Dinan et al. vamonolídeo. além de alcalóides.. 1989. vitaminimina.. fisalina B e quercetina (Gupta et al. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. uniflora. Neilson & Burren. enquanto das folhas de P. 1977). 1991). australis (McBarron & de Sarem. 1992a. 1986.. 1987 e 1990. 1990).. febre e picadas de cobra. B. ácido clorogênico. 2001). 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida.et al. Spainhour et al. O extrato aquoso de B. bronquites. bonodora. 1990). Existem relatos de atividade tóxica das espécies B.... 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. 1990)..

imunoestimulante (Carvalho. entre outras. 1998). et al. Soares et al.... constataram-se atividades hipotensora.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. quando ingeridas em dose única ou repetida. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. incluindo leucemias.. et al. Kusumoto et al.. 2000). O estudo dos vitanolídeos de P. 1998. I. 1991. 1990). 1992.. V. antimutagênica. 1997. 1998.. 1992a e 1992b). Pietro et al. antileucêmica. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho.. Das folhas de P. et al. citotóxica. et al. alcoólicos. diurética. Os extratos aquosos.. Kurokawa et al... G.. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. Nos frutos de P. Chiang et al. antiasmática. 1998. 1998). antiviral (Otake et al. et al. 1998). 1995. V.. M. Barbi et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. 1998). niruri e P. imunomoduladora (Rosas et al. 1998).. 1992a e 1992b). como movimento . Haussmann et al. 2002. anti-séptica. V.. anticolinérgica (Fonteles et al.. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. T. et al. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. P. 1993. tripanossomicida (Barbi et al. M. M. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. Ribeiro et al. V. 1998) e antineoplásica (Carvalho. 1998b). M. M.. 1989). aos esteóides. et al. embora outros sinais também tenham sido verificados. antibacteriana (Hussain et al. in vitro e in vivo.. 1988). V. M. Silva. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. M. 1987). entre outras (Lin et al. Carvalho.Para a Physalis angulata. aqui descrita. et al. moluscicida (Almeida & Fonteles. 1997.. V.. etanólicos e esteroidal mostraram. melanomas. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. antigonorréica. M. 1998). e a atividade imunoestimulante. antiespasmódica... 1987). 1990).. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. anticoagulante (Kone-Bamba et al..

às vezes levando-o ao chão. irritabilidade. Além disso.1 . perda de peso. estiramento e contração das patas traseiras. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi . 1991). falta de apetite.Banco de imagens - . salivação. FIGURA 25.de mastigação. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.Physalis angulata.

A família inclui árvores. Di Stasi E. Santos C. Amazônia e Mata Atlântica. Nas regiões de estudo.26 Lamiales medicinais L. A. arbustos. Guimarães C. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. inclui 130 gêneros distintos. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. com aproximadamente 2. das quais se destacam as Boraginaceae. apesar de incluir apenas oito famílias. as quais serão discutidas a seguir.300 espécies (Mabberley. M. espalhadas por todo o planeta. M. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). 1997). freqüentemente . Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae).

formando grandes populações em áreas litorâneas. inflorescência espigosa. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. pubescentes na face inferior. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. É uma planta heliófita e higrófita. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. sendo raramente encontrada no interior de matas. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. • Cynoglossum. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura.1). agudas. com até 12 cm de comprimento. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). . Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. de Ervabaleeira. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. 1998). Nomes populares A espécie é chamada. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. um dos gêneros mais comuns no Brasil. muito ramificado. lanceoladas. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale.herbáceas e raramente lianas. Borago e Symphytum (Boraginoideae). onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. • Heliotropium (Heliotropioideae). este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. densa. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. de onde saem folhas sésseis.

com ramos lisos e glabros.5 a 1 m de altura. inflorescência curvada. de flores brancas. e trepein = "mudar". folhas pecioladas. estomatites. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". Crista-de-galo. faringites. com flores brancas ou azuis. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. incluindo úlceras. glabro ou pubescente. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Aguaraquiunha. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". Jamacanga e Jacuacanga. moléstias cutâneas e feridas. fruto formado como uma mitra. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. com dispersão regiões tropicais e temperadas. Segundo Corrêa (1984).Heliotropium indicum L. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. amplexicaule e H. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. furúnculos e também contra queimaduras. . ovadas ou cordiformes e acuminadas. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. dispostas em espigas solitárias. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. É uma planta anual. 1994). Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. abcessos. alternas. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. Na medicina tradicional salvadorenha. anginas. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. tubulosas. e seu suco é de alto valor contra aftas. europaeum são reconhecidamente medicinais. e as espécies H.

. enquanto as raízes. Erva-do-cardeal. distúrbios estomacais. tubulosas. acuminadas no ápice. caule curto e ramoso. Sonsólida. com folhas ovadas ou oblongas. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. como beta-sitosterol. 1996). Orelha-de-vaca etc. fruto com quatro aquênios lisos. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero.Symphytum officinale L. taninos e triterpenos. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina.. Das partes aéreas de H. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. inflamação e dores de barriga. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. além de alcalóides e taninos. Língua-de-vaca. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. De H. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. dispostas radialmente. 1986). lasiocarpina. vistosas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. de Confrei. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. flores grandes. europina. Nomes populares A espécie é chamada. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. lupeol. ásperas e onduladas. Outros nomes são Consolda. 1994). amarelas ou rosas. Consolda maior. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias.

. heliotrina e lasiocarpina (Guner. e heliotropina de H. argentinum e var.. 1988). 1987).a heliospatina e o heliospatulina . 1995b). heliotrina. keralense (isolicopsamina. licopsamina amabilina. 1988. H. curassavicum (Davicino et al. bovei. Farrag et al. Das partes aéreas de H. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. 1988). H. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1990). (1990). 1986).. em que se . bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. spathulatum (Roeder et al. europina e supinina em H. bursiferum (Marquina et al. Reina et al. arborescens (Bourauel et al... (1989). lasiocarpum (Akramov.de H. 1994). hirsutissimum (Guner et al. esfandiarii (Yassa et al. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. echinatina. 1988). europina. curassavina. 1988). 1996). 1995). coromandalinina.. H. 1995b.. H. H. H. coromandalina. H. 1996). e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos ... intermedina e retronecina) por Ravi et al.De H.. 1991). heliotrina. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. em menor quantidade. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. heleurina. em H. 1995) e H. heliotrina e lasiocarpina de H. heliotrina e lasiocarpina e. curassavicum var. supinina e europina (Rizk et al. stenophyllum. destacando-se compostos fenólicos em H. curassavinina. 1988). rotundifolium (europina. subulatum (Malik & Rahman. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. heliovicina. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. 1989). heleurina.

bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. chenopodiaceum. 1991 e 1988. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. filifolium (Urzua et al. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. C. Os constituintes fenólicos denominados galangina. 2001). do exsudato. verbenacea. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg... 3-0-metilgalangina. C. De H. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. 1990).. 1989) e esteróis e quinonas em H. 2002). tais como ácido rosmarínico. 2000a) e C.. pinocembrina. 1987). De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. bacciferum (Miralles et al.. 2001). Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. solicifolia (Hayashi et al. 1996). A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. pinobanksina-3-acetato.. ovalifolium (Guntern et al. As propriedades antifúngicos. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. linnaei (Ioset et al... curassavica (Ioset et al. 1995. Sertie et al. myxa. hesperetina. 1994 e 1996). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua.. pinocembrina. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.. 1996). 2001) e de C. Al Awadi et al.3'-dimetileriodictiol. C. 1990). 2000b). Os flavonóides ayanina. 7. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. Do exsudato resinoso de H. A H. sakuranetina foram isolados da resina de H..descreveram os constituintes galangina. alliodora (Ioset et al. pinocembrina. stenophyllum (Villarroel & Urzua.. 7-O-metileriodictiol.. filifolium também foram isolados. De H. 1996). 1998).. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. dentre outras espécies (Ficarra et al..3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al.. 2001). 1990).

. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. infusão ou chás por via oral.. argentinum apresentam genotoxicidade. Jain et al. também denominada Labiatae. subtilis como o extrato bruto de H. Portanto. assim como todo o gênero Heliotropium.. De H. 2002. 1997). nos quais se distribuem 6.. Eroksuz et al. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . Alcalóides isolados de H. 1989). 1987. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. bursiferum (Marouina et al. porcos e aves (Gaul et al. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. Singh et al. europaeum e H. 1995). foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros.. 1994. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. 1992). 2001a e 2001b). é potencialmente tóxica.. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. 1987). Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale.paz de inibir efetivamente o B.. 2001). enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. ellipticum e H. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.700 espécies. Dados toxicológicos A espécie. Das partes aéreas de H.

androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. Leucas e Sideritis.2). com haste suculenta. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". do ponto de vista medicinal. Ocimum. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. crenadas. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Lamioideae: Leonotis. Hyptis e Plectranthus. com cálice tubuloso. Scutellarioideae: Scutellaria. Melissa. Teucrioideae: Teucrium. pubescentes. Nepetoideae: Hyssopus. Rosmarinus. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Salva-do-campo. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. ex Benth. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Malva. Ajugoideae: Ajuga. pois são usadas como condimentos. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. especialmente americanas. Mentha. Origanum. oposto-decussadas.(Mabberley. Satureja. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. 1997). com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. rígidas. Trata-se de uma importante família. . obovais. bilabiado. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Thymus. Salvia. corola com tubo infundibuliforme. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Pogostemonoideae: Pogostemon. flores dispostas em capítulos pedunculados. Salva. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. folhas pecioladas. Lavandula. alimentos.

de Rubim. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. de constipações e artrites (Van den Berg. e inclui apenas quinze espécies tropicais. folhas opostas. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. flores pediceladas com quatro estames. ovadas e subcordiformes na base. para regular a menstruação.3). cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. mas não foi completamente identificada. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. e a infusão da planta toda. Na Mata Atlântica. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. sudoríficos. antigripal. Nomes populares A espécie é chamada. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. um pouco lenhosa. diarréia.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. emenagogos. com caule quadrangular aveludado e pubescente. Dados botânicos Erva anual. . flores dispostas em racemos densos e verticelados. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. cólicas menstruais e problemas digestivos. icterícia. Na região da Mata Atlântica. anti-reumático e contra cólicas menstruais. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. 1982). na região amazônica e em quase todo o Brasil. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. recebe o mesmo nome. de até 2 m de altura. a decocção das folhas é usada contra malária. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". Leonotis nepetaefolia Hort.

folhas pecioladas. Grandi & Siqueira. desiguais entre si.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. corola bilabiada. flores sésseis.. externamente. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. como abortivo e antitérmico (Simões et al. raramente arredondadas. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. no Rio Grande do Sul. cálice bilabiado. duas vezes ao dia. ramos quadrangulares. ramoso e pubescente. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. facilitando a expectoração. reumatismo. no Ceará (Matos et al. 1982). como Cordão-de-frade. durante dois dias. especialmente de barriga e. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. Br. na Mata Atlântica. antireumática. em Minas Gerais (Verardo. o chá de toda a planta. herbáceo. brancas. Dados botânicos Planta anual. 1980). 1982. Na região do Vale do Ribeira. 1984). elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. antiasmática. com cinco segmentos acuminados. é utilizado como anti-reumático. A planta é também considerada antiespasmódica. como cicatrizante. dores gerais. a infusão das folhas é usada. 1986). contra gripes. hipotensão. a planta florida é usada na fraqueza geral. distúrbios do estômago. com lábio superior 1-2 . no Mato Grosso. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. pubescentes nas duas faces e membranosas. internamente. ovadas ou oblongolanceoladas. de caule ereto. Leucas martinicensis R. 1982).. útil contra úlceras. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. sendo ainda indicada contra úlceras. febrífuga e diurética. pilosos e sulcados. nas inflamações broncopulmonares. uma xícara por dia.

com raiz fibrosa e caule ereto. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. piperita é um híbrido de M. de porte herbáceo. . fruto do tipo aquênio (Figura 26. contra tumores. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. na Mata Atlântica. planas. nome recebido em todo o Brasil. é usado sobre gargantas inflamadas. apenas de Hortelã. ramoso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diclamídeas. Hortelã-das-cozinhas. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. Dados botânicos A espécie M. curto-pecioladas. bilabiada. O nome do gênero Leucas. dela.4). as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. filha de Cocylus.5). fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. um pouco pubescentes. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. aquatica. flores violáceas. pentâmeras. hermafroditas. Menta e Hortelã-verdadeira. descrito por Robert Brown. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. na forma de gargarejo. contra dores musculares e reumatismo. pouco aveludada. Na região do Vale do Ribeira. difere da M. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. topicamente. decussadas. zigomorfas. folhas opostas. o macerado das folhas em água. antiespasmódico e contra nevralgias. corola gamopétala. agudas. e seu cozimento é indicado como antireumático. numerosas. externamente. ramos eretos e opostos. viridis e M. formando espigas no ápice dos ramos. A planta também é utilizada como tônico.lobado e o inferior 1-3 lobado. referindo-se à cor das flores. serrilhadas. significa "branco". 1984).

1982) e como anti-séptico.. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. é indicada contra dores de estômago em crianças. de estômago. Mentha viridis L. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. Na região da Mata Atlântica. A M. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. Hortelã-pequena. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). sendo indicada contra flatulências. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. 1991). diarréia. dismenorréias e verminoses. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. três vezes ao dia. em Brasília. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. vômitos. a infusão das folhas. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. estimulante do fluxo biliar. musculares. no Rio Grande do Sul. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. antiespasmódicas. em 1990. catarros de mucosas. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. 1980). digestivas. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. na região amazônica. estomáquicas. cólicas abdominais e tétano. calmante. tremores. anti-reumático e contra insônia. Contudo. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. timpanite. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. 1986). de Hortelã-verde. garganta e dentes (Simões et al. 1984). 1986). eólicas uterinas. . Nomes populares A espécie é chamada. Hortelã-da-preta. bronquite e tosses. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. dores de cabeça. problemas cutâneos. dor de barriga. carminativas. estimulantes.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. Hortelã-comum. Hortelã-graúda.

além de ser considerada útil contra febres. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. ramos eretos. especialmente lombriga. dores de estômago e "quebranto". Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. com folhas pequenas. ovais ou oblongas. ascendentes. folhas subsésseis. ovadolanceoladas. bronquite e gripe. inflorescência do tipo espiga. corola e cálice campanulado (Figura 26. flores rosas ou violeta-claras. dores de barriga e pedras nos rins. cólicas. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. assim como em todo o Brasil. bastante pilosa e com aroma forte. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. tosses. serrilhadas.6). denticuladas. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. gripes. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. bronquites. cilíndrica e frouxa. Mentha pulegium L.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. Na região do Vale do Ribeira. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. em verticilos aproximados. tétano. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. glabras. pecioladas. caule ereto. opostas. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. ameba e giárdia. seu decocto é considerado útil contra tosse. garganta e estômago. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido.

Alfavaca-do-campo. glabras. diaforética. de Alfava. dentadas. estomáquica. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Alfavaca-cheirosa. com até 50 cm de altura ou maior. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. Em outras regiões. referindo-se à planta toda. diarréias e disenterias. entre outros. especialmente de ocorrência na África. com ramos tetrágonos e pubescentes. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. pequenas e finas. estimulante. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. assim como em todo o Brasil. significa "perfumada". Alfavaquinha. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. de caule ramoso. ovadas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. flores brancas ou rosas. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Alfavaca-de-cheiro. Ocimum canum Sims. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Em outras regiões. . peitoral. Alfavacona. diurética e útil contra resfriados. Ocimum. O nome do gênero. de onde partem folhas opostas.Ocimum basilicum L. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. descrito por Carl Linnaeus.

de ramos quadrangulares. além de diurética. além de excelente na cura da coqueluche. serradas. tosses e desordens uterinas e renais. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. de onde partem folhas ovais. diaforética. fruto do tipo capsulas. verticiladas e dispostas em racemos. é usada contra febres. béquica. ovadolanceoladas.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. pubescentes. a espécie é chamada de Alfavaca. pubescentes. tosses. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores vermelhas. dispnéia e reumatismo. dores de cabeça e bronquites. glabros e eretos. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. carminativa. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. amarelo-esverdeadas. rins e uretra. enquanto a infusão das partes aéreas. A planta toda é bastante aromática. A decocção das raízes . denteadas. dispostas em racemos paniculados. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. glabras. As folhas cruas também são empregadas como condimento. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. raramente. flores roxas ou. verdes e finas. contendo folhas pecioladas.

com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. ovaladas. distúrbios do estômago. e na Mata Atlântica. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. glomerulada. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir.é usada contra diarréias. diurética e útil contra tosses. dores de cabeça e febres. membranosas. margem irregular.7). levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. folhas pecioladas. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. Alfavacão. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. agudas. gripe e catarro no peito. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. androceu com estames inclusos. inflorescência racemosa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. núculas negras e lisas (Figura 26. pequenas. As folhas são ainda muito usadas como condimento. gineceu com ovário ovóide. congestão nasal e dor de cabeça. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. problemas nervosos. Ocimum micranthum Willd. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. dores de cabeça e como sedativo para crianças. sudorífica. Alfavaca-do-campo. como Manjericão. carminativa. .

no Mato Grosso (Van den Berg. . 1988). pilosa. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. dispostas em panículas. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. Origanum vulgare L. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. flores em glomérulos. no Pará (Amorozo & Gély. Patchuli ou Patchouli. 1980). Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. de onde partem folhas ovais. tosses e bronquites. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. formando uma espiga terminal. dores de cabeça e tosse. com até 50 cm de altura. vilosas. de base arredondada e margem denteada. além de a espécie ser utilizada também como condimento. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. as folhas são consideradas úteis contra gripes. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. Pogostemon patchouly Pellet. 1984). a infusão das folhas é usada contra infecções.Na região da Mata Atlântica. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. com ramos ascendentes. Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano.

8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). fruto seco (Figura 26. flores diclamídeas. terpinen-4-ol. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. Existem. predominantemente de sesquitepenos. (1982). suaveolens possui setenta componentes. com dois óvulos em cada lóculo. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. Uma outra análise do óleo essencial de H. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al.. bicarpelar. corola com quatro lobos. sendo mais comuns o beta-cariofileno. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. flores em glomérulos.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. O óleo essencial das partes aéreas de H. descrito por Desf. dos quais 32 foram identificados. sedativo e hipotensor. hermafroditas. 1991). bilocular. androceu com estames excertos. três formando um lábio aberto. 1988.8). suaveolens por Misra et al. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça.. porém. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. Das folhas de H. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. ovário supero. com espigas compostas. O nome do gênero Pogostemon. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica.8-cineol... Azevedo et al. cruzadas. 1990). pentâmeras. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. 2001 e 2002). 1990). O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. 1. como beta- . alfa-bergamoteno. significa "estames barbados". Triterpenóides foram isolados de H.

. ácido oleanólico acetato.. (1978) e Blounietal. 1990).6. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett.. Porém. 4..7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. e de H. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo.. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. campesterol. beta-cariofileno. sendo p-cimeno. De H. salzmanii foram isolados diterpenos. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. umbrosa. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. mutabilis foram isolados triterpenos.. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1990). gama-terpineno. Em H. 1987a). . 1988). e de L. 1996). urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. 1989). timol. Das folhas de H. (1980). 1990). Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. albida foram isoladas triterpenolactonas. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa.. Metil betulinato. Das partes aéreas de H. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. 1988).. 1987). ácido ursólico. 1990b). 1988). lignanas e flavononas (Messana et al. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. 1988).elemeno. ácido n-octacosanóico.. uma outra análise do óleo de H. De H. Das raízes de L. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. 1990) e de H. 1991). quercetina.

5-hidroxi-6. treonina. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. sendo os principais terpenos mentol.. brassicasterol..3'.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis.10%) e 1. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . Com isso. Vaverkova et al. Mentha A composição do óleo essencial de M. prolina. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana.. Das partes aéreas de L. colesterol. das partes aéreas de L.. N. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. 1988). mentona (24. flavonas himenoxina. mentocubanona. serina.64%). Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. glicina.80%). O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. ácido aspártico. 1995). piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. A M.20%).. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. 1986). neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol.84%). T. 1996). ácido glutâmico. mentona. 1986 e 1987). Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. triptofano e metionina (Dinda et al. 1987).80%).07%) e mentano (11. 1996). enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova. 1987). alanina.7. Das raízes de L. et al. 1990) e um composto fenólico (Misra. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. officinalis. De L. 1987. 1979).. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. piperita var. tirosina.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al.8-cineol (6. metil acetato (16.. hidroxiprolina. O óleo essencial de três variedades de M. mentofurano (19. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M.. fenilalanina. lisina. Da espécie L. 1987).

luteolina e 5. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. nicotinamida.8. 1. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. Ca. Em Mentha viridis var. . b-cariofileno. Zi e Cu. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.. betasitosterina. 1987).. 1992). 1990) e flavonóides glicorilados. K.3'. ácidos p-cumárico.e sesquiterpenóides. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. peroxidases. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. 1989). betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. Fe. Mg.7. Foram ainda isolados mono. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. Mg. como alfa-pineno. resinas. 1986). além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos.. reduzindo significativamente a concentração de mentol. caféico e clorogênico.6.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. De M. piperita foram encontrados ainda os elementos Na.8-cineol. 1988). catalase. glicídios. limoneno. fitosterol. vitaminas C e D2. fenílico. Nas folhas de M. cadideno.

1990). e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.. O óleo essencial de O. Kartnig & Simon. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al.. canum foram isolados diversos componentes... t-bergamoteno. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O.. micranthum foram isolados vinte compostos. 1996a).. eugenol.. eugenol (Ekundayo et al. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. Na China. 1986. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. 1986.Patel et al... Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.cariofileno. hidrocarbonetos como p-cimeno. O óleo essencial de O. Nas folhas. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. 1990). eugenol. 1990). compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. 1989). 1996 e 1997a)... os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. Em Cuba. 1986. . 1997). cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1981).. 1986.. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng.8-cineol. 1996). canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. Takahashi et al. b-cariofileno. Lawrence. Phan et al. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. Porém.8-cineol. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes... Das sementes de O. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1987). cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. beta-cariofileno. 1989). Sakurai et al. o óleo essencial apresentou 21 constituintes. cis-ocimeno. basilicum (Brophy & Jogia. 1986. gratissimum é composto de gamaterpineno.. 1. Do óleo essencial das folhas. Das folhas da O. Borges et al. Khanna et al. 1987.. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. 1988. as folhas e flores de O. flores e caule de O. 1996). 1987. o eugenol é o constituinte majoritário. Sharma et al. 1988). 1983). 1981. Ocimum Do óleo essencial de O. linalol. De O. 1987). gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. De O. já citados.. sendo eugenol.. sendo 1.

ácido caféico. esculetina.. Das sementes de O. sanctum possui estigmasterol.. 1995). De O. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. fenóis. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. sendo Metil chavicol. esculina (Skaltsa & Philianos. 1987). basilicum apresenta 44 compostos.. 1990). mirístico. 1996). 1996). terpenos. o óleo essencial de O. Fatope & Takeda. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. 1989). palmítico esteárico.8cineol. 1994). timol. 1987). basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. Thoppil. ácidos orgânicos. A casca do caule de O. 1995). eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. 1985. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1988). alcoóis. além de metilchavicol.. 1984). rubrum foram isolados borneol. na Turquia. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. além de ácido p-cumárico. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. Murugesan & Damodaran. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. eriodictiol. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. linolênico e araquídico (Malik et al. linoléico.. 1990. 1.. basilicum foram isolados quercetina. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul.. kaempferol.. nesse caso. kaempferol-3-O-rutinosídeo. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. Ekundayo et al. b-sitosterol. No Paquistão. 1. 1987. triacontanol ferulato.. 1986. láurico. 1. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. 1991). 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. Em O.. basilicum e O. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. rutina. já comentados (Modawi et al. quercetin-3-O-diglucosídeo.8cineol e eugenol. 1995).8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. oléico. sendo.. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al.. A espécie O. 1989). cetonas.O óleo essencial de O.. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. Das flores de O. 1978). Das folhas de O. isoquercitrina. linalol. 1996). sabineno e eugenol (Retamar et al. 1989). o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico.

. viride (Ekundayo. 1985). patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. 1984).Além desses compostos. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. Foram isolados de P purpurascens. lactonas sesquiterpenóides de P. parviflorus (Nanda et al. foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. flavonas (Patwarphan & Gupta.. 1984) e grandes quantidades de timol em O. Pogostemon As folhas de P. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1981). 1986). cablin (Akhila . flavonas.

1987. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. plectranthoides (Esvandzhiya et al.. 1997). 2001).. O óleo essencial de H. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. 1990).. Munck & Croteau. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. C. Phadnis et al.... 1984. H. umbrosa.& Nigan. plectranthoides foram investigados experimentalmente. Thapa et al. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P.. Coelho et al.. estigmasterol. 1989). Silva et al. ovalifolia e H.. 1994. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. 1971). 1998). 1998) e atóxica (Junior et al. .. H. Em H. betasitosterol. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. 1984). atrorubens... 1977. 1998). Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. P. 1988. Foram identificados n-octacosanol. crenata. 1990). mutabilis. 1987. 1989). 1998). Em H. beta-amirina. suaveolens apresenta 32 terpenóides. analgésica (Freitas et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H.. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al.. F et al.. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. 1988)... 1988). também conhecido como Sambacaitá. saxatilis (Fernandes. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. 1990). citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. pectinata (Bispo et al. comumente utilizada como calmante. garwal et al. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al... et al. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. auricularis (Prakash et al. Do óleo essencial das folhas de P. suaveolens e H.. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P.. a-bulneseno.

antimicrobiana (Cos et al. leonurus (Bienvenu et al. Leonotis Em L. 1988.. 1979). nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. que foram testados quanto à sua citotoxicidade.. e Novelo et al. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. Calixto et al. 1976. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. Di .As propriedades antibacterianas. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. 1988).. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1984). que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. anti-hipertensiva e espasmolítica.. 1988). do extrato de H.. ramos e flores de H. 2002)... 1995). umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. 2002). O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. 1985.. 1995). 1988). conhecido como Cordão-de-frade. Diterpenóides isolados de H. Posteriormente. capitata foi isolado o ácido ursólico. nepetaefolia. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. Saksena & Saksena.. 1988). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi.. verticillata. 1980.... 1988). 1988). 1995.. foram detectadas as atividades broncodilatadora. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. Mentha O infuso das folhas de M. enquanto extratos de folhas. 1988. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. Forster et al. 1993) foram atribuídas a H.. Do extrato metanólico de H. Coelho et al.

Chen et al. Queiroz & Brandão. enquanto estudos com O.. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. 1989). sanctum (Phadke & Kulkarni. crispa (Mello et ai. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 2002). antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1986c) e em O. cannum (Dubey et ai..... 1981). 1996) e hipotensora (Guedes et ai. Sharma & Jocob. 1986b). também verificada com extratos de O. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. 1986). basilicum demonstraram atividades analgésica. sanctum (Dey & Choudhuri. O.. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 2002). O óleo essencial de O. 2002. Ocimum Verificou-se que a espécie O. 2001 e 2002). Do híbrido. R. determinaram-se propriedades fungicida. 1987.. 1989) e diurética (Carvalho et ai. 2000). 1984).. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1988. espasmolítica (Queiroz & Reis. piperita (Ansari et al. 1987).. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. arvensis (Ceruti et al.. 1982. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. 1998). (1968). A. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele.Stasi et al... 1986a. Extratos brutos de O. 1978) e O. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. utilizando-se M. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.. piperita. . antifertilidade.. gratissimum (Atai et ai. 1989). antibacteriana. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória.. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O.. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. 2002).. Em O. et ai. Lahlou et ai. 1986). e a atividade antimutagênica ao extrato de M. Além das atividades já relatadas com M. americanus (Jain & Agrawal. Queiroz & Reis. Almeida et ai. 1987b). 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. 1993. Queiroz & Brandão. 1986a. 1986a). cordifolia (Villasenor et al.

1986). 1994a). 1995). selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. Extrato etanólico das folhas de O.. Nakamura et ai. 1992. 2002). espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. suave (Tan et al. 1995) e O. que apresentou atividade protetora do mastócito. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. basilicum (Dube et al. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. 1994). 2001). 1993. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1989). As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04.. E. Vanisree & Devaki. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04.. 1990).. Vanderlinde et al. 1992. 1986).. Os óleos fixos de O. 1994). antiedematogênica (Vanderlinde & Costa.O. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima.. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1994b. 1989). gratissimum (Sobti et al. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. Vanderlinde et al. 1996). o ácido ursólico. Vanderlinde et al. . basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. O óleo essencial de O.. O. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai.. O óleo essencial de O. 1997).. 1986). antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. 1996). antiinflamatória.. mas a administração de O.. As folhas de O.. Vanderlinde et al. suave foram utilizadas como repelente de insetos. enquanto a O. et ai. O óleo essencial de O.. 1994. Das folhas de O. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. 1999. Das folhas de O...

Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. Alecrim-docampo.) N. especialmente da América do Sul (Mabberley. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. alternas ou opostas . Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. folhas pecioladas. longos. sobretudo em crianças. caule e ramos primários.5 ml/kg. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. Stachytarpheta e Lippia. Salva-brava. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. 1986). pubescentes.Br. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. e em outras. Compreendem árvores. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. 1997). Salva-limão. 1984). Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Salsa. Sálvia e Salva-da-gripe. 1995). como Erva-cidreira-do-campo. quadrangulares. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. provocando sonolência. ascendentes. arbustos e ervas. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.E.

1980). 1986). O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. estomáquica. na Paraíba (Agra. 1984). pentâmeras.(às vezes na mesma planta). sem estipulas. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. membranoso. hermafroditas. relaxante e contra intoxicações gerais. Lippia grandís Schan. pubescente e bipartido. flores pequenas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. fruto do tipo capsular branco. no Pará. Essa espécie é usada como antiespasmódica.. Malva e Nulva-do-marajó. Salva. no Mato Grosso (Van der Berg. corola bilabiada.9). cólica do estômago. sementes pequenas (Figura 26. cálice curto. no Rio Grande do Sul (Simões et al. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. além de problemas do estômago. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. o chá das folhas é utilizado como calmante. flores pequenas. folhas pecioladas. emenagoga (Corrêa. cálice curto. Na região do Vale do Ribeira. o chá das folhas é utilizado como calmante. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. diclamídeas. reunidas em inflorescências capituliformes. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1988). Dados botânicos Planta de pequeno porte. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. como antigripal e calmante. 1980). náuseas. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. tosses e gripes. fruto com dois mericarpos plano- . reunidas em inflorescências vistosas.

behênico e lignocérico (Macambira et al. Da espécie L. Hernandulcina. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. é usado contra problemas do fígado. o chá das folhas.. 1987. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. geranial. lapachenol. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. a mais estudada é a L sidoides. 1982).vanílico. Souto-Bachiller et al.. Craveiro et al. 1986. alfa-cubebeno. 1996). 1986. dulcis (Bubnov & Gurskii. araquídico.. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual.. 1983).. 1991. 1980). monoterpenos. Da parte aérea de L. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. Vários terpenóides foram isolados de L. Já de L. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral.. 1996a e 1996b). ukambensis (Chogo & Crank.. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup.. e do caule e folhas foram obtidos ácido .convexos. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. citral e carvona (Matos et al. esteárico. canescens e I. Sauerwein et al.. 1987). carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. três vezes ao dia. betacariofileno (Craveiro et al. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. naringenina. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. Matos et al. 1981). isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. mirceno. (1981). acacetina. gama-terpineno. timol. No óleo essencial de L.. americana foram obtidos ácidos graxos livres. 1981). (1986 e 1987). p-cinieno. timol.. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . 1987). As espécies L. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. limoneno. 1987).

fissicalyx (Retamar et al. quatro éteres.origanoides foi quantificada. 1990). Do óleo das folhas de L.12%).. 6-hidroxiluteolina.l.espécies de L. 1990. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. alba e L. timol. 1989).8-cineol (15. hispidulina. Fun et al. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. a-pineno. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. Das folhas de L. 1.35%). O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. 1991 e 1995). quatro alcanos. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.. Dentre os compostos isolados.67%).. cirsimaritina. Os constituintes p-cimeno.33%). 1.97%) como principais componentes (Mwangi et al. p-cimeno. neral. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.23%) e metiltimol (2. 1988). . eupafolina. Das folhas e flores de L. sabineno. 1990).. 1987).. 1996b). 1.8-cineol (2. 1994 e 1995). limoneno. 1.. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. O óleo essencial de L. luteolina. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. A composição química do óleo essencial de L.8-cineol. dos quais foram identificados piperitona (28.27%).. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado..8-cineol. De L.. p-cimeno (3.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. 1989).01%) ecariofileno (15. sendo 22 hidrocarbonetos. alfa-terpineno (4. 1987). graveolens. alfa. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. graveolens foram isolados pinocembrina. eupatorina. Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora.e beta-pineno. 1.8-cineol.43%) e piperitenona (11. Das partes aéreas e das raízes de L. 1996a)... diosmetina. acetato de timol (17. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. crisoeriol. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. timol.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. 1989). Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. apigenina. wilmsii foram isolados quinze componentes.

as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. 1987). Além disso. sidoides mostrou atividade moluscicida. 1998. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. 1980). aristata (Rouquayrol et al. um éster do ácido caféico ligado ao 3.. L. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. integrifolia e L. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. polystachya.. 1998).. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al.. de L.5%). inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. Do óleo das flores de L. enquanto o outro componente. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al.. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. Esse óleo.. polystachya foram isolados tujona (30... aristata (Moraes Filho et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L.. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes.2% e 41. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al.3%) (Zygadloet al. 1998). 1988a).. 2002). 1990). 1995a)... além de uma atividade moluscicida (Almeida. 1996). Moraes et al. Do extrato das folhas de L. 1979).. 1996). um dos componentes principais. et al. misturado a cremes. junelliana.. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. antiulcerogênica (Pascual et al. multiflora. o verbascosídeo. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. assim como o de L. 1981). 1980 e 1987. turbinata e L. Já o óleo essencial de L.. 2000). et al. Vale et al.. atribuída à presença de flavonóides (Santos. mircenona (31%) e de L. 1986). 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. P D.. grata (Viana et al. 1996). Com a espécie L.Y.carvacrol. contribui para a coesão das células da pele. De L. M. 1997)...4- . formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al.9%) elimoneno (13. gracilis foram observados aumento inotrópico. respectivamente).. 1980)..4%. 1990). L. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al.. lipifolil(6)-en-5-ona (18. junelliana. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al.

hipnótica e hipotensora (Noamesi. 1985). L. Os principais componentes do seu óleo essencial. Botelho & Soares. 1996. Lacotes et al. 1992. R.. e o de L. espasmolítica (Viana et al. 1998). apresentaram atividades antibacteriana. et al. Laxoste et al.. moluscicida (Moraes. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. O. Y. Menezes et al.dihidroxifeniletanol. 1996). 1980. 1980). et al.. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1978). Ximenes et al. e no óleo essencial. nodiflora foi realizado um screening preliminar. 1977).. M. M. no qual se observaram atividades analgésica. S.. Viana et al.. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al.. sidoides (Fonteneles & Sales. Teixeira et al. 1996. Além disso. 1995).. 1995b). 1978). graciliy (Fontenele et al.. antibacteriana (Aguiar et al. O.. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L.. 1979). Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. O óleo essencial das folhas de L. 1988. M. 1978. anestésica (Viana et al. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. ... 1998). porém. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1992). geminata e L. multiflora (Chanh et al.. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al.. 1978). 2001).. grata.. Moraes. 1988.. Teixeira. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1980.. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. O óleo essencial de L. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1984). 1988).. 1996). atividades cicatrizante... Nas folhas de L.. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. Matos et al. 1979) e I. tranqüilizante (Matos et al. Nunes. 1979. anti-hipertensiva. 1994. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. et al... 1988b). et al. timol e carvacrol. 1995. Almeida. antifúngica (Lemos et al. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses.. 1986). 1994..

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).FIGURA 26.Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. b) escanerata com detalhe da inflorescência.1 . .

. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 26.2 . 1998).Hyptis crenata.

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.3 .Leonotis nepetaefolia.

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .4 .FIGURA 26.Leucas martinicensis.

Mentha piperita.5 .FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

6 .FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .Mentha viridis.

Ocimum micranthum.7 .FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Pogostemon patchouly.FIGURA 26.8 .

FIGURA 26.9 . b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.

descrita por Antoine Laurent de Jussieu. subclasse Asteridae. com aproximadamente 750 espécies. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. incluindo árvores. pertence à ordem Scrophulariales. Mabberley. A. Hiruma-Lima L. arbustos e raramente ervas (Joly.27 Scrophulariales medicinais C. C. Bignoniaceae. e reúne 120 gêneros. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). Pedaliaceae e Scrophulariaceae. as quais passamos a descrever. Scrophulariaceae. Os gêneros mais importantes da . geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. 1998. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. 1997). lianas. No estudo realizado. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae.

curto-pecioladas. contendo sementes oblongas (Figura 27. uma delas. Pyrostegia. elípticos e coriáceos. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". anteras glabras e ovário oblongo. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. o que gera o nome popular atribuído à espécie. folhas normalmente 2-3-folioladas. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. também é conhecida como Cipó-de-alho. e as várias espécies do gênero Zeyhera. Na região da Mata Atlântica. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. Em outras regiões do país. de ramos cilíndricos e glabros. com ampla distribuição nas regiões tropicais. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. No Brasil. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. são Tabebuia e jacaranda. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador.família. fruto do tipo capsular largo. da famosa Flor-de-são-joão. os gêneros mais comuns são Tabebuia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. Jacaranda caroba. . é descrita aqui. oblongo-linear. com gavinhas. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. as quais são discutidas a seguir. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada.1). que inclui os Ipês e o Paud'arco. com folíolos peciolados. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho.

Camboatá-pequeno. das quais a maioria é encontrada no Brasil. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. flores tubulosas. Camboté.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. não completamente identificada e conhecida como . O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. coriáceos e glabros. roxas. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Caroba-miúda. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. Carobado-carrasco. fruto do tipo capsular. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. Uma outra espécie do mesmo gênero. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. por ser mole e porosa. Caroba-do-campo.) DC. sendo amplamente usada como ornamental. Jacaranda caroba (Vell. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. dispostas em panículas.

o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias.5 cm de largura (Figura 27. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. Segundo Corrêa (1984). É muito comum no Brasil.Carobinha. adstringente e anti-sifilítica. O nome do gênero Pyrostegia. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. Trata-se de uma espécie heliófita.2).5 cm de largura. especialmente em crianças. ou seja /'coberta de fogo". de cor laranja. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). inflorescências numerosas. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. raramente encontrada no interior de matas densas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. podendo ocorrer com flores amarelas. sítios e quintais de residências. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. especialmente no Dia de São João. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. amplamente encontrada em campos. folhas com folíolos ovadooblongos. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. como corimbos multiflorais. descrito por Carel Borinov Presl. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. longas. com ramos jovens delgados e folhagem densa. . repletos de flores tubulares. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética.

O extrato etanólico da espécie A. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. 1994). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. mas apenas cultivada.. 1995). 1996). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas.. sendo a maioria de ervas ou arbustos. . Espécies medicinais Sesamum indicum L. 1996). carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. acorendico presente na planta (Oguro et al.. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. venusta a presença de aminoácidos. 1999). a família não é encontrada de forma espontânea. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. No Brasil. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros.. especialmente a espécie Sesamum indicum. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos.. Foi detectada na flor de P. A espécie J. 1992). 1976 e 1977). A espécie J. a atividade antimicrobiana foi conferida a J.

opostas. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga.. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. Nas sementes de S. 1997). O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. vistosas. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. indicum foi caracterizada a presença de . O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. 1997). dores de cabeça.. clorosesamona hidroxisesamona é 2. fruto do tipo capsular. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. 1995).Dados botânicos A planta é uma erva anual. osteoporose. visão fraca. distúrbios renais. além de seu uso na culinária. para alívio da dor de ouvido. sesamolina (Mimura et al. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. O óleo de gergelim. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. para evitar perda de cabelos. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina.. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. diarréias. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. no Egito e na Babilônia (Bown. flores amarelas. Tashiro et al. 1988. externamente. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. disenteria e catarro intestinal. tosses secas. episesaminona (Marchand et al. 1995). com muitas sementes oleosas. 2001). Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. e sobre as pernas para tratar paralisia. folhas simples. para tratar constipação nasal crônica. contra hemorróidas (Bown. abortiva e anti-reumática e.. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. e.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. inteiras e pubescentes. externamente. 1990). com origem na Ásia tropical ou na África. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

Nas raízes de S. 2000 e 2001). (Kar & Mishra.albumina. sesamina Do extrato aquoso de S. Mimura. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al.2000). 1988). indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. globulina. 1996). Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 1989. 1994). indicum detectaram a presença de glicolipídios.. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. indicum L. gama-tocoferol e sesamolina. prolamina. 1991).. ácidos graxos. bem como três novos triglicosídeos. . glutelina (Singh & Khanna. 1993). A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida.

dois derivados do ciclohexiletanol. alatum. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. 1991). sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai.. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. 2002). além de verbascosídeo.. protegendo-o contra danos oxidativos. 1992). Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S.. indicum (Takswchi et ai. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. 1994). indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. 2001). indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. respectivamente (Kang et al. 1988.. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. alatosídeo A-C. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. 1997). e. 1991). em altas doses.. foram isoladas das sementes de S. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. 1990) e sesangolina.Duas lignanas furânicas. . o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 1992).. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al.. dessa forma. Tashiro et al.. indicum e S. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. Da parte aérea de S. O extrato de S. angolense. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. sesamolina (Mimura et al.. 1992). Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. 1995).

Tapixaba. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. . bicarpelar. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. ovário supero. tais como Digitalis. Ganha-aqui-ganha-acolá. 1997). axilares. purpurea e D. hermafroditas. popularmente conhecido como Vassoura. especialmente dos gêneros Antirrhinum. com corola rotácea. quatro estames didínamos. ovaldolanceoladas. Coerana-branca. crenadas e glabras. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. algumas aquáticas (Mabberley. aqui descrito como medicinal. Vassourinha-de-botão. incluindo árvores. pequenas. Scobedia. No Brasil. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. no Pará. das famosas D. Outros nome são Vassourinha. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Veronica. Verbascum e Wightia. Nomes populares Na região amazônica. bilabiada. flores brancas. Esterhazia. lanata. Vassoura. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. opostas. arbustos e ervas. Calceolaria e Maurandia. Tupixaba. nos quais estão distribuídas 5. pentâmeras. Pupeiçava.

para melhorar o estado geral do indivíduo. 1990). por causa do seu emprego. béquica. picada de mosquito. febrífuga.. O nome do gênero. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. erisipela e afecções cutâneas... além de ser considerada tônica. diabetes e hipertensão (De Almeida. o chá é preparado. 1982). brotoejas. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. especialmente na Floresta Amazônica. 1995). hipoglicemiante. 1984). Coimbra. No Brasil. também. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. também. tosse. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. Grandi & Siqueira. antidiabética e contra afecções catarrais. 1983). mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. 1982. o chá da planta é usado contra hemorróidas. 1993.. menstruais. essa espécie também é considerada emoliente. problemas cardíacos. hipotensiva. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. Verardo. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. Scoparia. bronquite. 1994. Grandi et al. tosse. No Pará.. No Rio Grande do Sul. significa "vassoura". Já entre os ticunas. doenças venéreas. 1988). hepáticas e estomacais. é utilizada como anti-hemorroidal.bilocular. expectorante.. 1990). 1986). bronquite. 1996). Matos. desordens menstruais. coceiras. emoliente e béquica (Corrêa. 1982. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. Coee et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1994. febre. emoliente. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. Nas tribos indígenas do Equador. e utilizada contra desordens respiratórias. Na Paraíba. malária. 1990). pectoral. Encontrada em abundância na América do Sul. com todas as partes da planta. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. 1980). para lavar feridas (Branch & da Silva. . o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. peitoral. 1987). e as folhas. Cruz. com muitos óvulos (Figura 27. 1988.3). Em Minas Gerais. 1982.

obtidos da espécie. simpatomimética (Freire et al. hipocolesterolêmica. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. (1979) e Mahato et al. 1990a e 1991). 1987 e 1988c). 1987. (1981).. antiespasmódica. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. antifúngica. 1990b). M... antibacteriana gram-positiva.. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. antidiabética (Jain. flavonas. 1990b). anti-herpética. acacetina. Freire. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica.. 1985). 1988a e 1990c). entre outros compostos (Kawasaki et al. 1997.. manitol.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. escutelareína.. antiinflamatória. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. O. Azevedo et al.. cumárico. 1986 e 1988a. B e C (Kawasaki et al. iflainóico. S. 2001). et al. cinarosídeo D.. 1993 e 1996) depressora (Freire.1988b). Hayashi e al. benzoxazolinona. 1993 e 1996a). betulínico. 1998). Torres et al.. 1994. escopadulciol... Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. E. 1990). 1989. gentísico. hipertensiva (Freire et al. 1987).. alfa-amirina. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. beta-sitosterol. Também foi detectada a presença de glicosídeos. 1996). Dalla Torre et al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . S.. M. et al. anti-séptica. Os ácidos escopadúlcico B. 1993 e 1996). Hayashi et al. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al.. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. glutinol e acacetina (Hayashi et al. apigenina. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. depressora do SNC. antiinflamatória (Freire et al. dulcinol e ácidos dulcióico.. antiviral.. 6-metoxibenzoxazolinona. 1988. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. 1991). ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1996b). sedativa e diurética (Ahmed et al. expectorante e atóxica (Moura et al.. scopadulciol (Hayashi et al...

além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al.. 1978) (Banco de imagens - . 1997a e 1997b). FIGURA 27.Adenocalyma alliaceum. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.1 . porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.. 1997a). Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne..vidade antimalarial in vitro (Riel et al... dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1993). 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1988b).

Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .2 .

FIGURA 27.Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1946) (Banco de imagens - .3 .

Santos E. Essa família compreende 1. arbóreas. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. com aproximadamente 22. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Hiruma-Lima C. 1997). herbáceas. Os gêneros estão distri- . Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas.750 espécies cosmopolitas. que passamos a descrever a seguir. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. M. Di Stasi C. A.Ivan Martinov. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. encontradas em todo o planeta. exceto na Antártida (Mabberley. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. C. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . Trata-se de uma grande ordem. Inclui espécies arbustivas. trepadeiras e ervas.528 gêneros. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas.28 Asterales medicinais L. M.

Lactuca. com ampla distribuição no território brasileiro. do gênero Mikania. Calendula (Calenduleae). Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Artemisia. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. as importantes Carquejas. Achillea millefolium. Semeio e Emilia (Senecioneae). muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Saussurea e Echinopis (Cardueae). conhecida como Mil-folhas. gênero da famosa Calêndula. e inúmeras plantas de . • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Galinsoga. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Mikania. Tanacetum. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Matricaria chamomila. tais como inúmeras Vernonia. • Asteroideae Inula (Inuleae). os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. a famosa Arnica. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Arnica e Tagetes (Helenieae). a Camomila. Zinnia. Wedelia. o Mentrasto. Nesse contexto. Baccharis e Solidago (Astereae).buídos em três grandes subfamílias. as várias espécies de Artemisia. Aster. especialmente a Mikania glomerata. Calendula officinalis. do gênero Arnica. das quais se destaca a Baccharis trimera. Ageratum conyzoides. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Calendula. várias espécies do gênero Bidens. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Novalgina e Anador. Ageratum. Calea. Matricaria. Gnaphalium e Achyrocline.

de ápice e base agudas. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. a decocção das folhas é usada. em Minas Gerais. rasteira. Dados botânicos Planta anual. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. amplamente usadas na medicina popular. Na região do Vale do Ribeira. de pequeno porte. como antiinflamatório e. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. externamente. curto-pecioladas. com borda irregularmente serreada. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. internamente.1). Em outras regiões do país. oblongo lanceoladas. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. . como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. apenas masculinas. opostas. flores unissexuais e marginais.pequeno porte do gênero Eupatorium.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. inteiras. onde foram incorporadas na medicina tradicional. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. ereta ou prostrada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. caule comprimido e denso-piloso. folhas simples. como cicatrizante. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais.

agindo ainda como antiespasmódico. amarelas e tubulosas. Milefólio e Mil-em-rama. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. hermafroditas.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. gripes e distúrbios do estômago. glabra. como contraceptivo feminino (Mabberley. a espécie é chamada de Novalgina.. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. 1997). a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. reunidas em capítulos corimbosos. contendo folhas oblongolanceoladas. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. flores dimorfas. com até 60 cm de altura. raras são nativas das Américas. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). dor de cabeça e dores gerais. digestivo. 1982) e. e as centrais. Aquiléia. no Uruguai. . Em outras regiões do país. rizomatosa. hemorroidais e pulmonares. com caules ramosos. além de ser anti-helmíntica. Dados botânicos A planta é uma erva perene. sendo as marginais femininas e brancas.

Em outras regiões do país. ovadas. antidiarréica.Ageratum conyzoides L. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. anti-reumático e contra cólicas menstruais. e o nome do gênero. significa "o que não envelhece". O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. crenadas. útil contra resfriados. pecioladas. além de indicada para aliviar náuseas. pilosa e ramosa. a espécie é chamada de Mentrasto. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. carminativa. anti-reumática. Catingade-barão. Erva-de-são-joão e Maria-preta. com até 1 m de altura. tônica. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. mucilaginosa. Baccharis trimera (Lers) DC. cólicas flatulentas e uterinas. . A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. febrífuga. Ageratum. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. a espécie é chamada de Carqueja. flores brancas ou lilases. com folhas opostas. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. amenorréia e gonorréia. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.2).

com ampla distribuição na América do Sul. 1926). Picão-do-campo. hipertensão. Piolho-de-padre. Em outras regiões do país. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. o deus Baco do vinho. (Bidens pilosa L. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. podendo atingir até 1 m de altura. estomacais e intestinais. Erva-picão e Pau-pau. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. anti-reumático. fruto do tipo aquênio (Figura 28. Erva-picão. anti-helmíntico. estomáquico.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. Amor-seco. a planta é usada como tônico. a decocção das folhas é usada como analgésico. . Carrapicho-de-agulha. tais como Cuambu. bem como em vários Estados brasileiros. Carrapicho-deduas-pontas. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. entre outras (Corrêa. diurético e contra distúrbios renais.3). os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Goambu.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Bidens bipinnatus L. Aceitilla. Pirco. como Picão-preto. Carrapicho-de-cavalo. Espinho-de-agulha. Macela-do-campo. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. derrame cerebral e diabetes. Carrapicho. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas.

significa "dois dentes". 1992. utilizada especialmente contra icterícia. edema. disenteria. diurética. dores de cabeça e de dentes (De Feo. A planta é considerada estimulante. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. . conjuntivite. Bidens. 1996). Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. diurético e contra hepatite. dismenorréia. antileucorréica. 1994).. desordens hepáticas. ereta. leucorréia. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. capítulos pleiomorfos. com flores radiais liguladas. vermífuga e vulnerária. antidisentérica. diabetes. 1990). com cálice modificado. simples. ramosa. No Leste da África. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com até 1 m de altura. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. a espécie é usada como antiinflamatório. 1990. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. infecções urinárias (Mejia & Reng. pecioladas e fendidas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. a espécie também é referida como emoliente. Na medicina tradicional peruana. O nome. laringite. referindo-se às aristas do papilho. 1993.. adstringente e considerada útil contra icterícia. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. Duke et ai. 1984). diabetes e inflamações (Corrêa. micoses. antiescorbútica. antiblenorrágica. 1962). No Brasil.Dados botânicos Planta de pequeno porte. Vasquez. Coimbra. pentâmeras. glabra. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. 1994). 1995). sialagoga. folhas opostas.4). bem como no combate a dores em geral Jager et al. desobstruente. hepatite. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28.

angina. especialmente do fígado. Aiapana. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. Dados botânicos Erva bastante delicada. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. estomáquico. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. enquanto o sumo das folhas frescas.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. anguloso. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano.ambas não identificadas . antidiarréico e antidisentérico. de caule ereto. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. como Iapana. Japana-roxa e Erva-de-cobra. flores (20 a 30) azuis. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado.5). infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. ferrugíneo e glabro. a espécie possui vários usos das folhas. folhas opostas. estriado e diminuto. corola com tubo interno glabro. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. visto a grande semelhança entre elas. androceu com anteras levemente sagitadas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . empregado externamente na forma de banho. e contra malária. . é considerado útil contra dores de cabeça e febre. como tônico. 1984). estimulante. sudorífico. Em outras regiões do Brasil. lanceoladas. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas.Eupatorium ayapana Veuten. Japana-branca. cólera. fruto do tipo aquênio alongado. mas são comuns outras denominações. digestivo.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). acuminadas. triplinervadas.

Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. com ápice arredondado. assim como em todo o Brasil. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. a infusão das folhas é usada contra diarréia. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. folhas oblongas. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. que formam uma inflorescência cilíndrica. O nome significa "feltro". Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. de ocorrência nas Américas . O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. serradas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. pequenas. capítulos pequenos e reunidos. O nome do gênero significa "o que é firme". . Nomes populares Na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Macela. flores amarelas.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. referindo-se ao tomento das folhas.especialmente na América do Norte . a espécie é chamada de Arnica.e com raras espécies na América do Sul. Solidago microglossa DC. podendo atingir até 1 m de altura.

. Botão-de-ouro. que tem mancha escura sobre a lígula. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. não alado. entretanto. fruto do tipo aquênio. Spilanthes. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. Agriãobravo. significa "flor com mancha". enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Abecedária. Jambuaçu. descrito por Nicolaus von Jacquim. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola.. Mastruço e Agrião-do-norte. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. comprimido com papilho aristado. O nome do gênero. cálculos da bexiga e dores de dente. Spilanthes acmella Rich. picadas de insetos e infecções.6). longo-pecioladas. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. membranosas. com corola curva. Agrião-do-brasil. com folhas opostas. Dados botânicos Planta herbácea. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. o chá das folhas. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. flores amarelas. agudas. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. o preparado com folhas de arruda. batidas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Essa planta é utilizada como estomáquica. vários outros nomes são usados. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. tais como Agrião-do-pará. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. ovadas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai.

americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e seu nome vem de Tages. no Pará (Amorozo & Gély. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". em Brasília (Matos & Das Graças. opostas ou alternas. Originária do México. digestiva. as folhas. divindade etrúria representada como um belo jovem. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. T. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. considerada carminativa. lucida. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. minuta. também são usadas como medicinais. narcótica. 1997). 1988). Na Colômbia. abortiva. antiespasmódica.1982). febrífuga. desinfetante e antiasmática. e indicada contra problemas hepáticos. sendo também comumente chamada de Cravo. bronquite. Outras espécies do gênero. patula e T. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. 1980). Cravinho. a S. Amorozo & Gély (1988) referem que o . tais como T. emenagoga. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. Cravo-africano e Tagetes. antigripal. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. está muito bem aclimatada no Brasil. cicatrizante. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Cravo-de-tufo. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. são partidas e aromáticas. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. com muitos ramos. atingindo de 60 a 90 cm de altura. tosse e resfriado. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas.

e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. o chá das folhas e flores. para tratar "doença que deixa o queixo duro". cordiformes. incluindo brancas. pela abundância de flores. as folhas são ásperas. resfriados. é amplamente usada no Brasil como ornamental.chá das folhas com alho é usado contra febres. de Zinha ou Zínia. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. anteras amarelas e estigmas vermelhos. Segundo Hoehne (1939). Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. bronquites e tosses. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. arroxeadas e vermelhas. sésseis. Nomes populares A espécie é chamada. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. na região de estudo. rosas. com uso freqüente contra dores reumáticas. forte. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. australe. Moça-e-velha e Canela-de-velho. com caule ereto. as flores possuem várias cores. Zinnia elegans Jacq. .13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. opostas. Originária do México. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura.

1979). beta-cariofileno. 1994). 2001. 1975. catecolaminas. Alvarez et al. De A. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. germacreno A.. cadineno... triterpenos (Chandler et al. glabratum (Saleh et al.. 1994 e 1984. alfa-felandreno.. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. 1979. Gene et al. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow.. flavonas (Falk et al. 2000). diterpenos (Saleh et al. 1979)... Caffmi & Demolis. terpenos (Verzan & El Sayed. 1992b... De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. cumarinas. Poliacetilenos. De Tommassi et al. beta-guaieno. millefolium também foram isolados ésterois. alfa-copaeno. 2002. 1976a e 1976b). Herz & Kalyanaraman. pilosa. 1975). Sharma & Sharma. gama-cadineno. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno.7. 1991). 1985. 1987). 1981. bipinnatus.. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. Hoffman & Hoelzl. 1987.. 1977). Wang et al.. 1976). 1984).. pilosa . 1987. 1987). B.. 1986.. 1978). Torres et al. 1994... leucoantociandinas.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. flavonóides (Shimizu et al. B.. limoneno. Bohlmann et al.. B. axilarina e 5.. deterpenos. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. Das partes aéreas de A. 1997).. saponinas e xantonas (Caetano et al. Herz & Kalyanaraman... Christensen et al. 1980.. tripartitus. Gill et al. flavonas. Nair et al. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1981). 1992). Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. 1986. laevis e B. 2000). 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al.. flavonóides (Bohlmann et al.. 1990. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. Achilea. Da espécie B. De A. isocariofileno. Hausen et al. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. 1997). leucantha (Wat et ai. crisosfenol D.. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 1988a e 1988b. delta-cadineno (De Marais et al..4'-trihidroxi-3. 1996. 1975) e monoterpenos (Orth et al. beta-pineno. timol. monoterpenos.. Debenedetti et al. 1990).beta-elemeno. De A. alfahumuleno.

bipinnatus (W B. E. 1990). dois derivados tiofênicos. portoricense (Wiedenfeld et al. E. E. 1991). cernuol. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al.. £. campylotheca (Bauer et al.. 1982). pilosa (Hoffmann & Hoelzl. chinese (Zhao et al.fortunei. 1995) E. tripartitus (Christensen et al.. buniifolium (Muschietti et al. B.. E guayanum (Sagareishvili et al.. frondosa. tinifolium (D'Agostinoetal.B. 1994). ácido linoléico e linolênico. . chrysoanthemoides. 1991) e E. odorata (Hai et al. 1988b. E. rotundifolium (Hendriks et al. parviflora. subhastatum (Ferraro et al. leucolepis (Herz & Palaniappan.... B. 1997). 1997). B. Poliacetilenos também foram isolados de B. 1990). ternbergianum (D'Agostino et al. E. 1992). Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1986). ferulefolius.. E. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. 1991.japonicum. ácido linoléico. 1992). 1995) e £. Pagani.. pilosa (Zuleeta et al. 1986). radiata e B. 1990a e 1990b). 1987 e 1988). angustifolium (Mesquita et al. Wang et al. tais como quatro auronas. 1994) e E. £. dahlioides. E. adenophorum (Li et al. salvia (Gonzalez et al. E. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. eugenol. glandulosum (Nair et al. Liu et al. B. 1990). foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. 1985).. 1988a. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. frondosa (Karikome et al. 1987. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. 1981). micranthum (Herz et al 1978). maximowicziana. 1997). enquanto várias chalconas foram obtidas de B. altissimum (D'Agostino et al.. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. 1985). E. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. E. 1987.. E. 1995).. E.. 1988c e 1988d). 1979). B. tripartita (Isakova et al. cannabinum (Stevens et al.. Edgar et al. 1995). Três poliacetilenos. littorale (Sato et al. B. B.foram ainda isolados inúmeros compostos. 1992). 1993 e 1995). erythropappum (Talapatra et al. 1988. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. E. 1992). 1995).

1980). cannabinum (Stefanovic et al. 1987). 1987).... e sesquiterpenóides de E. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. americana foram isolados monoterpenos. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. E. mikanioides (Herz et al. sesquiterpenos. 1992b. 1979). 1977). 1990a e 1990b). . espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. deltoideum (Quijano et al. 1999). E. entre outras espécies (Ding et al. E. laevigatum (Lopes et al. Das partes aéreas de S. Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1992a). laevigatum (Bauer et al. adenophorum. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. 1978). Ramsewak et al.. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. E. fortuna (Haruna et al.. odoratum (Talapatra et al. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. De S. E. stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. cânfora. 1996). adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. E. 1986).Nas folhas de E. altissimum (Jakupovic et al. 1980) e E. 1987) e E. E. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. 1986). rufescens (Ruecker et al. 1993).. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. estigmasterol. 1987). enquanto em E.. recurvens (Herz et al. triterpenóides de E. entre outros (Nakatani & Nagashima. var. fenóis e saponina.. 1986). ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. 1994). 1987). acmella L. cannabinum (Zdero & Bohlmann. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. quadrangularae (Hubert et al. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. 1987). quadrangularis (Hubert et al. 1987).fortunei (Haruna et al. 1991). 1988a e 1988b).. p-cimeno. 1986b). A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E.. sitosterol. espilantol. E. tinifolium (D'Agostino et al. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. limoneno. 1986). naginatacetona.. Diterpenóides foram isolados de E. Uma amida. odoratum foram encontrados taninos.

... 1990b). patula foram isolados tiofenos. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. 6-hidroxikaempferol. 1993). campanulata. Das raízes de T. glandulifera) (Craveiro et al. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. Ahmad et al. 1988). T. que podem ser diferenciadas pela composição química. Tosi et al. 1988. T. T. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T.. 1988). 1994) e T. erecta (Singh et al. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. T. T. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. além de enxofre e fósforo. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. tais como quercetagetina. As espécies T. Entretanto. lucida (Hethelyi et al. mendocina e T. No entanto. pois somente T. como quercetagetina. 1987. 1987). patuletrina e patuletina. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1991). 1993b). patula.. erecta e T.. minuta são ocimeno. Os monoterpenos descritos em T. T. 1987). rupestris (De-Israilev & Seeligmann. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. 1988a e 1988b). tenuifolia (I signata) (Parodi et al. laxa (De-Israilev et al.. 1988)... 1990a). Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. T. argentina) foram identificados quatro tiofenos. 1987). Pe- . minuta e T. T microglossa (Castro. 1992).Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. patuletina e muitos desses derivados. 1995). riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev.. 1990). patula (Ivancheva & Zdravkova. 1985). riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1993).

1988). além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. elegans indicou a presença de Cumarina. glabratum (Saleh et al.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al.. a A. 1987). 1991). As antocianinas das flores de Z.... Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. glicosídeos cardíacos. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. 1988.. 1980). 1997). b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. . 1996) dessa espécie. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. patula foi detectada (Arroo et al. 1997). taninos. 2001). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. Experimentos com A.. 1995).quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. ocitocina.. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. Nascimento et al. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. Em A.. Carvalho et al. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al.... australe (Matsunaga et al. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. australe contra Plasmodium berghei em roedores. 1995). indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1988). 2002) e antifúngica (Portillo et al....

-ol.. 1980). 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. mas Bidens pilosa var. Triterpenos. 1987). 1991). 1998b. Bidens Experimentos com B. 1949). à presença de saponinas (Gene et al.. e B. Abena et al. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno.Achila. 1985. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. Extrato etanólico de B. imunoestimulante (Ignácio et al. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L.. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. 1983). trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. (1991). Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. como friedelina e friedelan-3. B. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. as propriedades analgésica e antiinflamatória. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. 1996). pilosa (Santos et al.. 1997). 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. Porém. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases.. pilosa. Goldberg et al. var. minor foi a mais .. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto.. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al... Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. N'Dounga et al. 1987. reduzindo a produção de prostaglandinas. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. possuem atividade antiinflamatória. pilosa L.. 1969). minor (Blume) Sherff. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. 2000). além de vários flavonóides obtidos de B... Bondarenko et al. As folhas de A. 2000).

1995 e 1996) e. 1996).. 1995). Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. hipotensora (Dimo et al.. in vitro. Eupatorium A espécie E. E.. pilosa L. 1994). . sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. 1986b). tacotaneum (Sanabria & Mantilla. mais recentemente. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. A espécie B. E. minor e B. E. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. 1985). brevipes (Guerrero et al.ativa. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. var. pauciflorum (Giesbrecht et al. E.. atidifolium e E.. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório.. morifolium e E. 1997). 1998 e 1999). aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos.. O extrato hexânico de B. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al.. balantaefolium (Almeida & Fonteles. 1977). ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff... além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al.. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B... tequendamense (Mantilla & Sanabria. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. densum. gracilae. 1985). Para a espécie B. pilosa L. E.. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. 1988) e E. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. consaguineum (Lopes et al. somente os extratos de B. Entretanto. ou seja.. 1986) e diurética (Rebuelta et al. 1995).. campylotheca apresentou. As folhas de E. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 2002). 1989). 1996). glyptophlebum. 1985). E. La Casa et al. 1997). 1995). reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. Um composto sesquiterpênico isolado de B. 1994.

DNAse. RNAse.. 1996) e E. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag.. pauciflorum. cannabinum. hyssopifolium (Hall et al. 1990). 1992).5-decadienamida. Sesquiterpenóides isolados de E. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. (Giesbrecht et al. 1995). halinfolium e E. cannabinum (Bourrel et al. A. Os extratos de E. acmella foram isolados n-isobutil-4. 1988). Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. flaccida. 1988. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. 1991). O óleo essencial de E. Guerrero et al. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. Inibição da síntese de colesterol. brevipes e E.. 1989). Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E.. 1985. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. 1991). fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. 1990 e 1991). assim como da atividade da RNA polimerase. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic... 1986 e 1987. 1998). odoratum (Iwu & Chiori. Cáceres et al.. 1991)... Piperidinas de E. 1978). que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. squalidum (Carvalho et al. 1982a). larvicida (Pitasawat . 1995) e E. Inya-Agha et al.. E.. inulaefolium (Gorzalczany et al. Achyrodine alata. E.1986). e de E. E. candolleanum (Campos et al. Eupatorium perfoliatum. riparium (Ratnayake-Bandara et al. E.. A. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. ayapana (Gonçalves et al. proteínas. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1990). DNA e RNA de células tumorais. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini.. enquanto a espécie E.. 1986). Herz & Palaniappan. Spilanthes Das folhas de S. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. 1984.. 1995).. O extrato bruto aquoso de E.

1987. 1993). 1995)... 1992.. 1994).. 1999). acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. 1992) e antitumoral (Moraes et al. in vitro. e o extrato de S. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. mas não contra Candida sp. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. O extrato de S.. presente em muitas espécies. C. (Fabry et al. J.. bem como no consumo destas (Meckes et al. sedativa. et al. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. Camargo Neves et al. antimicrobiana. Em S. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. et al. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo.. como no cravo-da-índia. 1990). 1984). embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1993). T. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. O eugenol.. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. folhas e flores de T. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários.. 1992).. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. Em I minuta. Valderrama et al.. oleracea (Herdy & Carvalho.. 1996). usado como emenagogo. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. Andrade.et al. L. 1995). Souza. F. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica.. RJ.. 1988.. 1993. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis.. enquanto o extrato de S. 1986) e S. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp.. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. 1998) e espilantol. 1989). et al. sendo os deri- .

coronopifolia e T. . Os extratos hexânicos de T.. 1991). Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. Do extrato de Z. 1994). foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al.. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al... 1997). presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. a atividade da ATPase. 1994). 1992).Ca2+ dependente e inibiu. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. lúcida estimulou discretamente. 1996). e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. 1987).. Dentre outras espécies. O extrato de T.. D e F. in vitro. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. elegans L.. 1995). 1995). o óleo essencial de T. 1989). 1997). além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al... a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1991). além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al.. Zinnia As sementes de Z. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula.vados tiofênicos os compostos ativos. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. in vivo e in vitro.

Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. Entretanto. no entanto. alopecia. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas.. 1994). ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. especialmente . especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo.. 1995). aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. caracterizados por diarréia. enquanto o extrato aquoso de S. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. 1988). 1990). a espécie E. et al. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. Tremetona isolada de E. Segundo Hoehne (1939). adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. V. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. T. 1996 e 1997). dispnéia. 1995). congestão do baço e coração... especialmente na fase jovem. 1978a e 1978b). As folhas de S.. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. A ingestão regular de E. 1993).. fraqueza e debilidade dos membros. Estudos com a espécie A. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. A. M. S. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. australe durante o período de prenhez de ratas. adenophorum (Oelrichs et ai. australe são tóxicas para aves. hemorragia. et ai.

assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana.como diurético e hipotensor. A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.1 . relaxante muscular e antineoplásica. FIGURA 28. b) detalhe da escanerata. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.2 .FIGURA 28.

b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .3 .Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28.

Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .4 .Bidens bipinnatus.FIGURA 28.

Eupatorium ayapana.: a) ramo florido (Di Stasi .5 .FIGURA 28.original). 1998). . b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.

6 .Spilanthes acmella.FIGURA 28. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984). .

1997). nos quais se distribuem mais de 10. .200 espécies vegetais cosmopolitas. Genipa. importante fonte de espécies ornamentais. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. com representantes arbóreos. e Gardenia. do famoso Cafeeiro. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. alguns deles de valor histórico. Desfontainiaceae e Rubiaceae.29 Rubiales medicinais L. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). como é o caso de Coffea e Cinchona. do famoso jenipapo brasileiro. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. algumas espontâneas nas áreas tropicais. C. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. • Ixoroideae: Coffea. Di Stasi C. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. A. Gelsemiaceae. arbustivos. Coffea arábica. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley.

Cephaelis da famosa C.1). Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. lanceoladas. com espécies popularmente denominadas Poaia. muito comuns em terrenos baldios. ereto. importante árvore. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. Dados botânicos Pequeno arbusto. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. fruto indeiscente. • Rubioideae: Psychotria. simples. com pêlos abaixo da inserção dos estames. estipulas não foliáceas. especialmente na Amazônia. . e Palicourea. bicarpelar. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. flores hermafroditas. com corola de base gibosa. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. inteira. ovário ínfero. diclamídeas. folhas curto-pecioladas. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. Não foram encontrados sinônimos.• Antirheoideae: Guettarda. Borreria e Dioidea. 1997). que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. fonte de emetina e outros constituintes de importância. carnoso e drupáceo (Figura 29. ipecacuanha. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas.

Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica.5 m de altura.. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. Hil. E popularmente usada como medicamento. pecioladas. acuminadas. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. com ramos cilíndricos. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados... De-Moraes-Moreau et al. . sobretudo na região amazônica. delgados. frutos do tipo baga. Além de alcolóide. avermelhados. marcgravii. 2001). a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". inflorescência em panículas. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. glabros. 1994). de P. 1995. opostas. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. 1996. avermelhadas. Stuart & Woo-Meng.. 1999). 1976). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. Nomes populares No Brasil todo. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. 1989a). fendleri (Nakano & Martin. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. (Kemmerling.Palicourea marcgravii St. de onde partem folhas com venação tênue. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela.. Palermo-Neto et al. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al.

enquanto P.teratogênica (Costa. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. 1982).. 1989. e a intoxicação. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. Das folhas de P. 1986).. vômitos. FIGURA 29.Banco de imagens - . A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. Segundo Schvartsman (1979). De-Moraes-Moreau et al. Palermo-Neto et al. P. 1989). 1989). convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos.. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al.. falta de coordenação motora. midríase e morte em bovinos (Costa et al. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. 1980) e convulsivante (Gorniak et al..juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. Tokarnia & Dobereiner. comum em animais e rara na espécie humana. náuseas. 1996).Palicourea laniflora..1 . 1988. et al. espasmos musculares. 1995). 1984a. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade.. Gorniak et al.. 1989b. contrações musculares. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. Além de fluoroacetato. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação.

também utilizado como medicinal em todo o mundo. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. C. Lonicera e Sambucus (Barrozo. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. Abelia e Linnaea. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. 1997).30 Dipsacales medicinais L. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. descrita a seguir. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. arbustos e lianas. A. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. Viburnum. No Brasil. Lonicera. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. 1978). Os principais gêneros são Sambucus. Di Stasi C. .

ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares.1). que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. é considerada excelente diurético e sudorífico. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. óleos e ungüentos. com ramos bastante lenhosos. Apresenta importante valor econômico. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. além de seu histórico uso medicinal. Floresce nos meses de julho a agosto. A infusão das folhas. considerada exótica nas Américas. usada internamente.Espécies medicinais Sambucus nigra L. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. e possuem aroma muito agradável. gripes fortes e varicela. dispostas em um corimbo branco. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. além de flavorizantes em vinhos. no champanhe e no catchup. A espécie. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na região da Mata Atlântica. . A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". as flores são brancas. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos.

tetradecênico. racemosa e S. para pequenas queimaduras. Internamente..Bown (1995) refere que flores. palmítico. gripes. catarros. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. reumatismo e febres. sudoríficas... reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. canadensis foi isolado o iridóide . flavonóides. De S. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. mirístico. 2001).. S. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. esteárico. a planta ainda é indicada contra influenza. 1990. Van Damme et al. oléico. sinusite. 1989. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. folhas. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. erisipelas e queimaduras. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. os ácidos graxos láurico. casca e frutos são usados para diminuir febres. cianogeninas. 1988). Kaku et al. externamente. 1986). heptadecênico.. 1989b e 1989c). nigra. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. descrita no trabalho de Grieve (1994). lignanas. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. 1989a). lectinas das cascas (Shibuya et al. diuréticas.

De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al. e das raízes de S. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. 1997a e 1997b). sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. e Polygonum aviculare. 1996). 1997). 1989). promoveu atividade antioxidante (Stajner et al.. O extrato hidroalcoólico de S. O extrato aquoso de S.morronisídeo (Jensen & Nielsen.. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. nigra. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. Bojic & Cuperlovic.. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S.. Centaurium minus. 1990). 1980). uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita.. 1988). australis. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. antiinflamatória e antipirética. que possui atividade colerética (Takeda et al. conhecido como Sauco. O reatival. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. As lectinas de S.. 1995). De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1997). 1997. indicado para hidropisia. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. 1997. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. formosana foram isolados. beta-amirina e o ácido oleanólico. 1992b e 1992). formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. Artemisia absinthium. De S.. O extrato aquoso das folhas de S. De S. 1974). 2000). com ausência de atividade tóxica (Girbes et al... . 1997). apresentou atividades analgésica.. Prunus spinosa. das folhas. 1996.. Com base nessa constatação. Salvia offtcinalis. Van Damme & Peumans.. Sambucus nigra. Das cascas de S. 1987). Schoning. canadensis (Buhrmester et al. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. 1986). mexicana. 1994). nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al.

ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al. . FIGURA 30. 2000.Sambucus nigra.1 . peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. 2002). Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). Neto et al. 1999) e a espécie S..A espécie S..

da Hortelã (Menthapiperita). como é o caso do Alho (Allium sativum). entre outros.Posfácio L. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. A maioria é nativa desse ecossistema. Dessas 135 espécies medicinais. . e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. • 109 são usadas na Amazônica. Mata Atlântica. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. C. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais.

o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. 340 espécies. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. o Coentro (Coriandrum sativum). Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. líquens. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). compreendidas em trinta diferentes ordens. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. apenas dezesseis são monocotiledôneas. a Mostarda (Brassica nigra). a Calêndula (Calendula officinalis). ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. neste livro. razão pela qual não foram incluídas no texto. ou seja.Dessas 135 espécies medicinais. o Mamão (Carica papaya). a Erva-doce (Pimpinela anisum). Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. várias espécies amplamente conhecidas. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. a Camomila (Matricaria chamamila). enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. o Agrião (Nasturtium officinalis). devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. a Losna (Artemisia absinthium). Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. Esse dado se torna mais importante porque. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. . as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões.

ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. pelos mais variados grupos de pesquisadores. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. e que esse conhecimento seja recuperado. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. esse conhecimento se enriquece a cada dia. isto é. Por isso. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. alcançando alto índice de citação. como a de massa e a erudita. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. Finalmente. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Sobre essas. .

. Axilar. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Alternas. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Hermafroditas. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. com uma única semente. indeiscente. Anual. Aquênio. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Antera. Planta que nasce. Amplexicaule. Andróginas. Arista. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Fruto seco. pelo lado interno. no segundo. Bianual. Aguda. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Que fica na axila. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. folhas que envolvem o caule. Bainha. Androceu. o ciclo reprodutivo e depois morre. os estames. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo.Glossário de termos botânicos. Excrescência da semente. Acuminada. Que abraça o caule. com dois sexos. Baga. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Arilo.

Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. que é o verticilo externo da flor. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Folha modificada que origina o gineceu. Ex. Qualquer órgão que cai em determinado período. . inseridas em um eixo comum. Decorrente. Conjunto de sépalas. Didínomo. androceu ou planta que possui quatro estames. mas sempre terminando na mesma altura. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Que se abre. Caduco. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Colmo. Deiscente. Corimbo. seco e indeiscente. Carena. Elíptico. Corola. deiscente. Endosperma.: cana-de-açúcar. Escapo. Diz-se da flor. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Dicotiledôneas. Pedúnculo geralmente sem folhas. Planta trepadeira. Escandente. Crenada. Com a forma de elipse. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Pétala superior da corola papilionada. tornando-o alado. como o fruto das gramíneas. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Epicarpo. Camada externa do pericarpo. Cálice. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Estipula. dois mais altos e dois mais baixos. Drupa. Decumbentes. Estandarte. com função de proteção. Cápsula. Capítulo. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Cariopse. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada.Bráctea. Carpelo. em geral dois. Diclamídea. Cada um dos apêndices. Na forma de cunha. Cuneiforme. Fruto seco. normalmente largo. Estilete. Fruto monospérmico. Conjunto de pétalas.

que é ramificada igualmente em forma de pincel. As flores são estruturas de reprodução. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. As flores podem ser dímeras. Flores. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente.Estômato. e ao de pétalas. Filete. o de corola. . Folha. trímeras. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Fasciculada. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. que juntos constituem o perianto.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. pentâmeras etc. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. complexas e variadas nas formas. Parte do estame que sustenta a antera.

A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.

Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. às vezes numerosas.ou composta . recebendo o nome de folíolos (ou pinais).A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. Nesses casos. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . as folhas podem ser pecioladas ou não. . às vezes reduzidas. ou com o próprio caule.quando consta somente uma lâmina . representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.quando se compõem de duas ou mais lâminas. no caso das folhas compostas pinadas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.

mais aquelas apresentadas para as flores. . conforme se observa na figura a seguir. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar.Finalmente. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. Todas essas características.

Lobado. Provido de pêlos longos. Hermafrodita. Lanceolada. Planta ou flor com dois sexos. Monocotiledôneas.Folíolo. e as principais são motivadas na próxima figura. Que não se abre. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Inflorescência. Diz-se da folha em forma de círculo. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Gavinha. Desprovido de pêlos. os carpelos. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Monoclamídea. Oblonga. Indeiscente. Fruto seco. deiscente. . Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Planta que produz flores unissexuais. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Diz-se da folha que tem a forma de lança. em linhas gerais. Hirsuto. Flor com apenas um invólucro no perianto. Lígula. Gluma. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Gineceu. Folículo. Monóica. Lâmina. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Porção alargada e achatada da folha. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Infrutescência. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Glabro. mais longa que larga. é constante para cada espécie vegetal. Orbicular. Lóculo. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Metaclamídeos. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. porém presentes na mesma planta. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Brácteas externas que envolvem a espigueta.

Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.. . 1978).

oléico. fenólico e tartárico. Alcalóides. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. cáprico. Verticilo. solúvel em água. Perianto. succínico. fórmico. Qualquer substância de sabor ácido. Receptáculo. Que forma gancho. aromáticos etc. araquídico. Rizoma. incolor. o mesmo que cacho. Séssil. Racemo. nitrogenadas de origem vegetal. Conjunto formado por cálice e corola. Qualquer estrutura provida de pêlos. cerdas ou aristas. linoléico. Conjunto de estruturas com a mesma função. Termos químicos Acetileno. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. gálico. . Tomentoso. Zigomorfa. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. Pecíolo. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Perene. com cheiro desagradável. Ráquis. Ácidos orgânicos. Caule subterrâneo. Ácido.Panícula. isovalérico. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Podem ser monobásicos. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Hidrocarboneto não saturado. Papilho. dispostas circularmente. Ácido graxo. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Uncinada. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. palmítico. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Cálice modificado em pêlos. característico da família Asteraceae (Compositae). Estruturas com simetria bilateral. Substâncias orgânicas. Planta ou órgão denso. Pubescente. dibásicos. mirístico. cujos pêlos se entrelaçam. esteárico. Exemplos: ácidos acético. gasoso. Planta com ciclo de vida superior a três anos.

eugenol e hidroquinonas. Catalase. onde exerce importantes funções. encontrado nos organismos vivos. Ou hidrato de carbono. originam as flavononas. Uma das substâncias constituintes do amido. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Amilopectina. Cetonas. voláteis. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Esterol.Alcoóis. Betaínas. Flavonas. como a quercetina. Flavonóides. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. que exercem várias funções. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Compostos aromáticos. Aminoácidos. Compostos alifáticos. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Compostos orgânicos não-cíclicos. Compostos naturais ou artificiais. derivados do cicloperidrofenantreno. Exemplo: p-cimeno. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Exemplos: carvacrol. vegetais e animais. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Líquidos incolores. Carboidrato. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. com caráter gelatinoso. Ver esteróides. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Esteróides. Fenóis. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. tais como os hormônios. São corantes vegetais. . Cumarinas. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). amarelos e roxos. Aldeído. timol. estragol. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Fitosterol.

geralmente de odor agradável. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Hidrocarboneto. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Substâncias que. Líquido incolor e aromático. Lactonas. sofrem hidrólise. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Líquido oleoso. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Heterosídeo. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Hidrolato. Peróxido.Fosfolipídio. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Glicídios. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Mucilagens. Peroxidase. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. derivados do fenilpropano. oxidando outros compostos. Insulina. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Glicosídeos. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Insaturados. pela ação de ácidos diluídos. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Óleo essencial. . Compostos cíclicos. Lignanas. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Lipídios. Hormônio secretado pelo pâncreas. Ligninas. recobrindo-as com uma camada protetora. Compostos cíclicos.

Capaz de promover expulsão do feto. Adstringente. antigonorréico. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Queda dos cabelos. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Afasia. Amenorréia. a sangue). Alopecia. Alucinação. Que reduz ou suprime a dor. Dor sufocante. de um músculo ou grupo de músculos). Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Afrodisíaco. Que combate fungos. Angina. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Que aumenta ou excita o desejo sexual. Antiescorbútico. Analgésico. Antiespasmódico. Agregação. Expectorante. perda momentânea da razão. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. doença sexualmente transmissível. podendo ser feminina ou masculina. que prende. Acne. aglomeração. Que aperta. calvície. Antiemético. que provoca constricção. Antigonorréico. Anemia. Que suprime náuseas ou vômitos. Antiblenorrógico. Agrupamento. às vezes. Que combate a eliminação de muco. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Antidisentérico. Anestésico. Tumor maligno com disposição glandular. Anticatarral. Falta de menstruação.Termos médicos Abortivo. Antifúngico. Antibacteriano. especialmente táctil e dolorosa. . involuntárias de músculos voluntários). ato ou efeito de desvariar. Antifertilidade. Auticonvulsivante. Antidiabético. Delírio. sufocação. que impede a formação de catarro. violenta. Que reduz a capacidade de reprodução. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Adenocarcinoma. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Que combate as convulsões (contrações violentas. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae.

Que combate as inflamações. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate a lepra. Antileucorréico. em geral acompanhada por desordens na fala. Que combate a formação de tumor maligno. Broncodilatador. Brônquios. Que combate a sífilis. Antitumoral. também chamada de paludismo. desinfetante. Apatia. Que combate tumores.Anti-helmíntico.no. Antitérmico. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Que combate micróbios. Anorexia. Cálculo. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Em geral se forma na bexiga. putrefação ou contaminação microbiana. que serve para o tratamento da tosse. especialmente bactérias. Estado de indiferença. Que combate o corrimento vaginal simples. Anti-séptico ou Antisséptico. Que combate as doenças provocadas por vírus. inatividade. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Anti-histérico. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate helmintos. Antivenéreo. Antipruriginoso. Antiinflamatório. Ataxia. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Antineoplásico. Antimicrobio. Antileprótico. Anti-hemorroidal. Relativo à tosse. quase sempre transmitida por contato sexual. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Que combate a histeria. Antivirótico. Béquico. . Que faz baixar a temperatura. Que combate o reumatismo. falta de emoção. insensibilidade. Que dilata os brônquios. Que impede a fermentação. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. nos rins e/ou na vesícula biliar. Antimalárico. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antinociceptivo. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Anti-reumático. doença causada pelo Treponema pallidum. Anti-sifilítico. Redução ou perda de apetite. formada por sais minerais. febre paludosa ou palustre.

medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Congestão. Sudorífico. dificuldade para respirar. Edema. Que favorece ou provoca menstruação. Que tem a propriedade de amolecer. acompanhada de náuseas. reduz a excitação. Cardiotônico. libera a passagem de um vaso ou canal. Que favorece a secreção urinária. caracterizado visualmente pelo inchaço. Purgativo. que separa substâncias nocivas. muitas delas usadas para destruir células tumorais. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Diaforético. estimulante da transpiração. Desinfetante. resfriado. Respiração difícil. Que alivia a distensão por gases. também. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. crostas e secreção. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Inflamação da pele. Depressor. Dificuldade na deglutição. Emenagogo. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Prisão de ventre ou. Indigestão. Diurético. empachamento. Que exerce efeito tônico sobre o coração. reduz a força.Carbúnculo. Carminativo. Citotóxico. Que desentope. do estômago etc. . Dermatite. purifica. sensação de peso ou queimação no estômago. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. do intestino. enfraquece. Que deprime. Que limpa. que previne a invasão de microorganismos. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. que ativa a eliminação de bile. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Desobstruente. Constipação. Eczema. Dispepsia. Emético. gripe. Que provoca vômito. Que favorece o fluxo biliar. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Catártico. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Emoliente. Depurativo. Colagogo. Dispnéia. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Disfagia. Infecção por bactérias. gripe comum. Cicatrizante.

Eructação. Hemostático. Estimulante. espanto. que leva à perda de atividade. Capaz de promover estímulos. Fitoterápico. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Que combate fungos. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Hipoglicemiante. Que baixa a taxa de glicose no sangue. com anemia. no estômago etc. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. deposição de bile nos tecidos. Hipertensor. assombro. que estanca hemorragia. Fungicida. O mesmo que arroto. Hepatócitos. pigmentação amarela generalizada da pele. Distensão por gases no intestino. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Ictericia. Células do fígado. Glicosúria. Relativo ao estômago. estado de irritação. Flatulência. Fitoterapia. Expectorante. Que produz imobilidade emocional.Erisipela. que melhora o funcionamento do fígado. Estupefaciente. com vermelhidão. Relativo a hemostasia. Hipotensor. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Farmacoterápico. Que estimula ou provoca a ação. Hepático. Que baixa a pressão sangüínea. Estomáquico. com bradicardia (pulso lento. Hiperglicemia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Hepatotóxico. Que aumenta a pressão sangüínea. Tóxico para as células do fígado. Hidropisia. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. . lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Hipocolesterolêmico. Derrame de bile no sangue. Relativo ao fígado. Excitante. que facilita as funções do estômago. Que combate a febre. Febrífugo. Fitofármaco. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural.

Dilatação da pupila. Midríase. como no caso da esquistossomose). Inseticida. Que resolve. Que adoça ou acalma. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Que produz sono ou inconsciência. Infertilidade. Parasiticida. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Malária. causado por gordura. Poliária. Purgativo. Lepra. droga que paralisa as funções do cérebro. dorso).Impingem. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. purgativo fraco. Maleita. Lenitivo. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Linfocitotóxico. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Parasitemia. Relativo a peito. Lipemia. Laxativo. impaludismo. que apenas exonera o intestino. Tóxico para as células brancas do sangue. tranqüilizante. que faz cessar inflamação. o mesmo que laxante. Incapacidade de reprodução. Lumbago. Morféia. Resolutivo. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Que alivia excitação. Substância que mata insetos. Nefrotoxicidade. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Sialagoga. que acalma. Peitoral. importantes para a coagulação sangüínea. calmante. Que produz gordura. . Grau ou índice de parasitas no sangue. Narcótico. Moluscicida. Estado que é tóxico ao rim. Sedativo. Que laxa ou afrouxa. Excreção excessiva de urina. produzindo sono e alívio da dor. Plaquetas. Corpúsculos sangüíneos. Dor na região lombar (costas. Que mata ou destrói parasitas. Lipogênico. Mutagênico. afecção cutânea. purgante.

Revigorante. Tranqüilizante. que facilita a saída de pus. Tônico. bolhas. Vulnerário. Diaforético. Que tranqüiliza. Testículo. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. que restabelece o estado de saúde ou do órgão.Sialorréia. Vesicante. Sinusite. Supirativo. Que produz pus. Que provoca vesículas. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Salivação abundante. Desenvolvimento de anormalidades fetais. . Tóxico para o zigoto. Vermífugo. Próprio para curar feridas. que acalma. Que destrói ou afugenta vermes. Zigotóxico. Sudorífico. Teratogênese.

R. . p. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). dissertações e outras publicações do gênero. seguindo-se o título do congresso. ABDALA. v.871-2. I. L. D. et al. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. n. et a l j . .269-74. n. ABDEL-KADER. v. p. 1995. (Tashk). fascículo. n. Prod. 1986. apenas sua referência. página inicial e página final e ano de publicação. N.3.l69-71. Biochemical Systematics and Ecology. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. Khim. S. • Quando se trata de livro. ABE. 1997. os autores são citados como nos casos das revistas. SEELIGMANN.23. et al. nos casos de dupla autoria. Human Toxicol.43. . p. nos casos em que há mais de dois autores. 1995a. nos casos de única autoria. p. Soedin. ABDULLAEV. incluindose volume.5. v.657-63. p.1294-7. simpósio ou similar. Soedin (Tashk). et al.38. p. 1985. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). 1995.4.12.3. ABDU-AGUYE.5.326-32. Os dois autores. 1986. Prir. n. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. p.7-8. Khim. M. n.2. Nat. n. página e ano.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. Um autor.60. os autores são citados no texto. F. O mesmo se aplica a teses... v. P Lilloa.499-500. n. Prir. v.

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368 Arecaceae. 386 Asteraceae. 463-5 Asterales. 79 Allamanda cathartica. 376 Araliaceae. 223 Bixa orellana. 140-1. 342-3. 152. 461 Ageratum conyzoides. 377-78. 75 Allium sativum. 149. 52. 68. 475. 339-40 Anacardium giganteum. 475. 480. 381-5. 458-6 Achillea millefolium. 93. 316 Bidens bipinnatus. 361 Andropogon leucostachys. 96. 360 Anacardium occidentale. 489 Bidens pilosa. 143 Acanthospermum australe. 480 Bignoniaceae. 467. 58. 468-9. 113 Aristolochiales. 65-6. 95-9. 90-3. 201-2. 468-9. 351-2 Averrhoa carambola. 79 Alismatidae. 450. 202-4 . 364 Apocynaceae. 42-3 Andropogon nardus. 479. 149-50 Amaranthaceae.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 78 Alpiniajaponica. 111 Annonaceae. 119 Aristolochiaceae. 466 Adenocalyma alliaceum. 62 Alternanthera brasiliana. 69-74. 81 Arecidae. 467-8. 487 Alismataceae. 488 Bauhinia forficata. 364 Apiales. 463 Asteridae. 148 Anacardiaceae. 340-3. 3512. 90 Apiaceae. 110 Annona tenuiflora. 227-8. 154 Alternanthera micrantha. 115 Aristolochia trilobata. 465. 345. 351-2 Baccharis trimera. 77 Aloe vera. 113-5. 79 Aristolochia. 474. 449 Bixa arborea. 102. 56. 65. 67. 373 Averrhoa bilimbi. 391 Allium cepa. 453. 43 Annona muricata. 65. 113 Asclepiadaceae.

324. 286. 287-8 Cassia reticulata. 235 Cecropiaceae. 327 Cassia multijuga. 206-7. 247. 430. 398. 154. 259 Hedychium coronarium. 171 Gossypium barbadense. 49 Cymbosena roseuna. 299. 282-3. 165. 231 Celastraceae. 190 Cucurbitapepo. 178 Cybianthus. 379. 230-2. 175 Diplotropis purpurea. 319 Dipsacales. 312 Ipomoea batatas. 300. 279. 298 Derris amazônica. 155-6 Caesalpinia ferrea. 387 Gentianales. 178-9. 215. 205. 224 Hibiscus sabdariffa. 276 Fischeria cf. 145 Caryophyllus aromaticus. 242. 214 Himatanthus. 408-9. 212-3. 264-5 Cymbopogon citratus. 280. 213. 54. 255 Croton sacaquinha. 299 Dillenidae.Bixaceae. 179 Cucurbitaceae. 276-7 Cajanus cf. 238 Cucumis anguria. 441 Inga spectabilis. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 411 Hibiscus furcellatus. 295. mariana. 53-4 Coutoubea spicata. 285. indicus. 201 Boerhavia difusa. 225 Guttiferales. 413-4. 308 Dipteryx punctata. 382-3. 407. 388 Croton cajucara. 481. 395 . 375 Gnaphalium purpureum. 496 Caryophyllales. 496 Dipteryx odorata. 170 Chenopodiaceae. 373 Eupatorium ayapana. 163-4 Chrysobalanaceae. 44. 207. 393 Cordia verbenacea. 297 Capparidaceae. 302 Echinodorus grandiflorus. 83 Eryngium ekmanii. 236 Euterpe edulis. 385 Hirtella. 322 Clusiaceae. 82-3 Fabaceae. 211. 163 Chenopodium ambrosioides. 46-7. 275 Hydrocotyle exigua. 231 Celastrales. 147 Caryophyllidae. 287 Cecropia peltata. 440 Costus spiralis. 266 Capparidales. 152-3. 272. 292 Caesalpiniaceae. 292. 394-5 Ipomoea quamoclit. 237. 236 Euphorbiales. 315 Caesalpinia pulcherrima. 301-2. 259 Commelinidae. 283. 210. 185. 366-7 Hymenaea courbaryl. 287 Cassia occidentalis. 471 Gomphrena globosa. 272 Clidemia novemnervia. 63 Heliconia. 490 Euphorbiaceae. 470. 172 Boraginaceae. 298 Derris floribunda. 284 Hyptis crenata. 281. 406 Brunfelsia grandiflora. 151-2. 318 Desmodium tortuossum. 365-9. 80. 331 Celosia argentea. 296 Fabales. 61 Heliotropium indicum. 150. 41-2 Convolvulaceae. 386-7 Gentianaceae. 265 Caprifoliaceae. 402-3 Cactaceae.

107 Leguminosae. 136 Piperaceae. 399-400. 124. 192 Pedaliaceae. 121-2 Pereskia grandifolia. 323-4 Myrtales. 420. 126-7. 185. 432. 424. 199 Passifloraceae. 245. 334-6 Melastomataceae. 240-1 Magnoliidae. 416. 419-20. 162 Portulacaceae. 158 Pothomorphe peltata. 160. 239-40. 337 Malva parviflora. 208 Malvaceae. 125. 200 Maytenus aquifolium. 120 Poaceae. 415-6. 427. 173 Phyllanthus corcovadensis. 427 Ocimum gratissimum. 184-9. 60 Myristicaceae. 422-3. 389 Luffa cylindrica. 241. 238-9. 244-6. 431. 192-3.Jacaranda caroba. 427. 493. 406 Lauraceae. 402-5 Phytolacaceae. 161 Ocimum basilicum. 443 Liliaceae. 419. 447 Polygalales. 425-6. 125. 444 Mentha pulegium. 429. 129. 64 Lippia alba. 250-1. 422 Oxalidaceae. 446 Origanum vulgare. 256 jatropha gossypifolia. 135 Piper marginatum. 122-3 Piper cernnum. 139 Mentha piperita. 42 Pogostemon patchouly. 195 Mabea angustifolia. 132 Peperomia. 431. 442 Leucas martinicensis. 332. 204 Malvales. 418 Mentha viridis. 494-5 Passiflora coccinea. 64 Liliidae. 130. 106 Laurus nobilis. 161-2 Portulaca pilosa. 414. 61 Musaceae. 495 Palicourea cf. 303 Myrsinaceae. 332. 251 Lacistema. 128. lhotzkyanum. 108 Persea gratíssima. 131. 421. 166 Piper cavalcantei. 252. 79 Moraceae. 229 Musa. 417. 87 Magnoliales. 123. 191 Lamiaceae. 181-2. 277 Leonotis nepetaefolia. 337 Polyscias. 262 Myrtaceae. 451-2 Jatropha curcas. marcgravii. 434-5 Lippia granais. laniflora. 191-2. 258 Physalis angulata. 221-2. 134 Piper d. 137 . 39. 453 Peperomia elongata. 121. 350 Palicourea cf. 64-5 Liliales. 254. 167-9. 369-72 Portulaca oleraceae. 321 Nyctaginaceae. 432 Ocimum canum.120 Piperales. 336 Maytenus ilicifolia. 196 Monocotiledonae. 108 Petiveria alliacea. 435 Loganiaceae. 133 Piper gaudichaudianum. 180. 412-3 Lamiales. 89 Malpiguiaceae. 432 Ocimum micranthum. 311 Momordica charantia. 321 Menispermaceae. 425. 233 Muntingia calabura. 198 Lacistemaceae. 158-9. 103 Myrocarpus frondosus. 426. 427-8. 156-7 Persea americana. 445 Mimosaceae.

226 Solanaceae. 474. 213. 228 Thevetia peruviana. 271 Rosidae. frutescens. 189. 492 Rubiales. 363 Rutaceae. 401 Solidago microglossa. 76 Sapindales. 397-8 Solanales. 482. 208-9. 233-4 Spilanthes acmella. 330 Pyrostegia venusta. 478 Theobroma grandiflorum. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 463 Scrophulariaceae. 477. 452. 58 Zingiberaceae. 99.Pothomorphe umbellata. 183. 216 Stigmaphyllon fulgen. 94-5. 497-500 Sansevieria. 361 Sterculiaceae. 182 Sesamum indicum. 112 Zingiber officinale. 230-1 Verbenaceae. 51 Zinnia elegans. 50 Sambucus nigra. 353 Saccharum officinarum. 349. 479. 472. 320 . 485. 103-6 Vismia japurensis. 462 Ranunculales. 471 Sorocea bomplandii. 473-4. 312. 215-6. 347. 262 Prunus domestica. 338 Strychnos triplinervia. 217-9. 273 Rosales. guineense. 132. 393 Solanum paniculatum. 338 Stigmaphyllon strigosum. 412 Tagetes erecta. 449 Sechium edule. 360 Scoparia dulcis. 48. 491 Spondias purpurea. 484 Zollernia ilicifolia. 400 Solanum tuberosum. 227 Theobroma speciosa. 345. 209 Urticales. 409. 457-60. 453-6 Sida rhombifolia. 339 Schinus terebenthifolius. 197 Xylopia cf. 344. 127. 492 Ruta graveolens. 221 Urena lobata. 101. 390 Symphytum officinale. 379-85 Tiliaceae. 218. 325-9. 139 Rhynchanthera grandiflora. 434 Violales. 354-7. 138 Primulales. 55. 177-8 Virola surinamensis. 274 Psydium cf. 326 Psydium guajava. 322 Rosaceae. 51 Zinigiberidae. 269 Rubiaceae. 350. 45. 457 Scrophulariales. 52 Zingiberales.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .Estúdio Gráfico (Diagramação) .

do Departamento de Farmacologia. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Capa: tsabel Carballo . do Departamento de Fisiologia. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. Campus de Botucatu. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro.

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. .Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica.