Plantas_medicinais_na_Amazônia_e_na_Mata_Atlântica

Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

ou significam estratégias proibitivas. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. entre outros -. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. ou melhor. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. provavelmente. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Nos últimos anos. mas pouco se faz. empobrecimento do solo. se propõe e se discute sobre o assunto. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . a falta de propostas decorre de um dos dois. pois.perda da fauna e da flora. conse- . que em sua maioria não resolvem o assunto. comprometimento do abastecimento de água. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. Acreditamos que. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. alterações climáticas.

Para tal. portanto. como mais um produto para comercialização. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. não se dá apenas visando à sobrevivência. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. Por sua vez. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . como os ribeirinhas da Amazônia. permitir grandes avanços na conservação. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão.qüentemente. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. atualmente. São eles que conhecem a floresta. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. priorizadas. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. sem dúvida alguma. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. Dessa forma. a contribuição deste . mas inclui ainda interesses econômicos. Nesse aspecto. os pescadores do Vale do Ribeira. São eles que podem. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. Essa relação. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. seus produtos e suas relações. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. entretanto. Nesse sentido. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. quer sejam comunidades tradicionais. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. os moradores da floresta .quer sejam grupos definidos.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. Consideramos. regional. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação.

Dessa forma. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. Começamos o trabalho. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. pagando o preço de um trabalho mais social. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. em janeiro de 1999. Passou da hora de a ciência e a política. como instituições determinantes para o avanço. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. entretanto. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos.livro é um começo. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. Não custa lembrar e salientar. Foi a partir de pesquisas que realizamos. e também no de desenvolvimento. na verdade. mais abrangente. conseqüentemente. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. cada qual havia tomado seu caminho. considerando os aspectos aqui referidos. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. publicado originalmente em 1989. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. No entanto. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. A equipe já não era a mesma. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. já que dez anos haviam se passado.

Por si só. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . Nessa nova etapa. Index Medicus. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). por outro. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. Estado de São Paulo. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. Chemical Abstracts). farmacológicos. outro importante e singular ecossistema brasileiro. buscamos informações em diversos endereços. à medida que. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. a nova idéia não tinha mais como retornar. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. No entanto. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. tornou-se o objetivo principal da nova equipe. pelo menos as mais citadas.proposta original. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. químicos. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. por um lado. além dos desenhos apresentados inicialmente.não . incluindo fotos de algumas espécies. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira.

tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. especificamente. mas com um livro. passaram a representar uma nova alternativa . raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. No entanto. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. especialmente os mais ameaçados. sem dúvida. da Mata Atlântica. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. durante todo esse período. que serão úteis. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. como é o caso da Amazônia e. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. não apenas catalogando espécies medicinais. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. sempre foi uma preocupação constante.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. mas um novo trabalho. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. hoje. A conservação dos ecossistemas tropicais. mais acessível que os artigos . excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. mas as plantas medicinais.em artigos científicos e técnicos. Com essa nova concepção. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área.

Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico .para a conservação dos ecossistemas. Finalmente. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. realizadas de forma racional e sustentável.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. municipais e federais) e não-governamentais. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. apesar de preliminar e pequena. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição.não pode ser apenas a retórica. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. mas pouco realizado na prática. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. Luiz Claudio Di Stasi . para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. Nesse sentido. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal.

desse modo. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. evitando-se. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . Em primeiro lugar. pretendeu-se. Em terceiro lugar. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. que esse conhecimento seja perdido. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. a nosso modo de ver. Em segundo lugar. o que.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. realizar um estudo etnofarmacológico regional. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos.

da qual o próprio pesquisador faz parte. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. realizado no município de Humaitá. Osvaldo Aulino da Silva. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. farmacologistas etc). principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. com os conhecimentos adquiridos. com as atividades deste trabalho. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. químicos. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. que potencialmente es- . Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). juntamente com o Prof. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. deve ter um componente social em seu escopo. Finalmente. como qualquer outra atividade humana. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Por outro lado. consideramos que a ciência. além dos objetivos aqui expostos. com a promoção de melhores condições de vida para a população.natural. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. Em quarto lugar. pretendeu-se. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. Nesse contexto. Nesse contexto. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. e que visa.

tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. como seres vivos. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. que podemos denominar ecológico. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. estações do ano e outros). pela sua característica multidisciplinar. Acreditamos. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. portanto é urgente a sua consideração. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. no entanto. essa área requer um enfoque novo. que se superando as dificuldades. estágio de desenvolvimento. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). e nossa experiência é prova disso. antropólogos e químicos. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. consideramos de grande importância colocar que. além de botânicos. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. farmacologistas. propiciou um imenso prazer. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. tipo do solo. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. além de engrandecer o trabalho. O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. No entanto. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. para que o conheci- . A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. clima.

não só de conhecimento das potencialidades da natureza. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. que. além de tornarem possível este trabalho. acrescentaram uma experiência rica. Luiz Claudio Di Stasi . preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais.mento tradicional seja devidamente resgatado. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país.

Ato II de Romeu e Julieta . O Brasil contribui com 120 mil espécies. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. (Cena III. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . a grande maioria na região amazônica. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. apesar disso. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial.. por fim. portanto. Observa-se.. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. de um lado. e. quando se constata. mas os primeiros registros remontam a milênios. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. Dessas. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo.William Shakespeare.

Quando dizemos criteriosos. posologia. Levantamentos etnofarmacológicos. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . e isso é o que importa. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Mas o passo foi dado. Dra.criteriosos. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. efeitos observados. como este que aqui se apresenta. a distância vencida.Campinas) . Por último. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Profa. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. de outro. enfim.

no caso da Amazônia. De fato. No entanto. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. que. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. apesar da pobreza dos solos. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. Atualmente. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. Dada a fragilidade desse equilíbrio. provenientes da evapotranspiração. A exploração madeireira. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. conforme aponta Philip M. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. Fearnside. . esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas.

a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. Dr. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. Luiz Claudio Di Stasi. Sinto-me. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP .Rio Claro) . portanto. fruto de um trabalho sério de pesquisa. riquíssima em espécies. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Prof. ecológico e histórico. acarreta duas situações que. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. Plantas medicinais na Amazônia. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. De qualquer maneira. julgamos altamente preocupantes: por um lado. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. e. desde o leigo ao mais especializado.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. coloca às mãos dos leitores. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. do ponto de vista social. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. honrado em apresentar esta obra. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. Somada a isso. por outro. das quais poucas foram estudadas.

• Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. resumidamente. no Estado de São Paulo. conforme descrito a seguir: . localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Vale do Ribeira. • Aldeia dos Tenharins. sul do Estado do Amazonas. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado.Metodologia de pesquisa Apresentamos. Jacupiranga e Sete Barras. no Amazonas. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte.

cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. No caso de material em fase de floração. evitando-se. • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. assim. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). a coleta errada do material. Para as espécies da Amazônia. Para materiais fora da fase de floração. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã".Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Departamento de Botânica do Instituto de . Amazonas. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista).

Biociências da UNESP . Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). . ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Chemical Abstracts.Santa Catarina. Index Medicus (Med-line). as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". para sua identificação.Botucatu.Rio Claro. Outras informações (agronômicas. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Para as espécies coletadas na Mata Atlântica.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. Itajaí . Sites da Internet. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.

as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. com o tempo. como havia sido feito na primeira edição deste livro. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. . Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae.

Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .incluindo as dicotiledôneas medicinais. as quais se subdividem em cinco seções: . Para cada capítulo. • Dados químicos. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. • Introdução sobre a família botânica ou. .Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. . incluindo: . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. que compreendem uma descrição botânica. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. . das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). dados ecológicos e distribuição. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. em vários casos. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae.• Parte II .

C. . • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. encontram-se um glossário de termos botânicos. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. UNESP. • Dados toxicológicos. formatadas e montadas para inclusão no livro. Instituto de Biociências de Botucatu. além de uma extensa bibliografia atualizada. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. de vários tipos: . .escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. formatadas e montadas para inclusão no livro. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. formatado e montado para a inclusão neste livro.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. No final do livro. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado.• Dados farmacológicos. .

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

1 Commelinidae medicinais C. C. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). . Hiruma-Lima E. Guimarães C. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. Mayacaceae e Commelinaceae. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. M. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). Santos L. Typhales. pelo seu grande valor ornamental. M. algumas delas descritas neste capítulo. Xyridaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. A. Outras ordens botânicas como Juncales. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens.

açúcar e óleos essenciais. é a mais importante. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. cujo representante principal é o arroz. principalmente Zea mays (milho). que incluem vários gêneros. do ponto de vista de espécies medicinais. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. Os outros constituintes incluem alcalóides. ferragem. respectivamente. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. A família é dividida em quarenta tribos. Saccharum e outros. 1996). • Pooideae. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. mas sem importância medicinal. e o gênero Oryza. ácidos fenólicos. Cymbopogon. amido. Andropogon nardus. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. que inclui os gêneros Secale e Avena. subfamília que. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. que inclui alguns importantes gêneros. substâncias cianogênicas.A família Poaceae. Arundinoideae e Chloridoideae. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. . • Centothecoideae. • Panicoideae. também denominada Gramineae. açúcar e trigo. Zea. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. reunindo inúmeras utilidades. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. saponinas. do famoso centeio e da aveia. Várias espécies possuem importância terapêutica. como Sorghum do sorgo. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). gêneros alimentícios como bebidas. Paspalum. flavonóides e terpenóides (Evans.

Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos.K. a planta também é conhecida como Capim-membeca. espiguetas sésseis e fruto cariopse. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. os colmos são finos. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. glabros e curvados. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. Em outras regiões do país. podendo atingir até 2 m de comprimen- . possuindo um grande número de ramos. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Andropogon nardus L. Em outras regiões do país.B. por sua vez. os quais.5 m de altura. com folhas invaginadas bastante agudas.

bainha larga e lígula na base do limbo. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. Capim-cheiroso.) Stapf. formando uma touceira robusta. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Capim-sidró. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. com grande valor econômico.to. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Capim-marinho. . compridas. rizoma semi-subterrâneo. Capim-cidreira. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Vervena. 1962). as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras.1). folhas alternas. com nós e entrenós. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. Cymbopogon citratus (DC. Capim-limão. lineares. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. tais como flexuosus. Sídró. problemas estomacais e febre. sudoríficas e carminativas. eretas. ásperas em ambas as faces. Capim-cidrão. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. Patchuli-falso. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. marginatus e validus. Erva-cidreira. formigas e traças. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk.

. ásperas. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. no Pará. simples. Na região da Mata Atlântica. como calmante e antiálgico (Van den Berg. no Rio Grande do Sul.. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. na forma de banho (Amorozo & Gély. 1986). dores de cabeça e disenteria. calmante e antiespasmódico (Barros. contra gripes. verde ou violácea. 1988). Matos & Das Graças. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. carminativo. folhas amplexicantes. espiguetas com flores pequenas. planas. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. 1 dísticas. o suco do colmo da planta. lineares. a infusão das folhas é usada como antidiurético. simplesmente. fruto do tipo cariopse ovóide. ápice agudo. pequeno (Figura 1. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1980). no Mato Grosso.2). colmo arqueado na base. hermafroditas. 1982). cilíndrico. 1980). em Brasília. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al.Na região da Mata Atlântica. Cana. duas vezes ao dia. nervura central saliente e bainha espinescente. reumatismo e febre. 1982. no Ceará. gripes fortes. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . dores de cabeça e dores musculares. como diurético. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. Saccharum officinarum L. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. articulado e um pouco mais grosso nos internós.

1.8-cineol. mentol. aftas. externamente. escarlatina. limoneno. erisipela.. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. além de seus isômeros geralúal e neral. cólera. contra úlceras da córnea. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. chumbo e cobre. isovaleraldeído e decilaldeído. linalol. rachas dos seios.. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. metil-heptenona. como o geraniol. 1981). a. 1997). geraniol. Ming et al. farnesol. como citronelal. 1984). terpenos e dipenteno (Costa. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. neral. envenenamento com arsênico. laurato de etila. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat.e b-pineno. tuberculose. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. neral. vômitos da gravidez (Corrêa. mirceno. felandreno. 1996). 1997). cetonas e alcoóis. 1986). nerol. metil-heptenol. cariofileno. . geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. 1996.4%). Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). contra resinados e anginas e. vários aldeídos.diurético e contra hipotensão. citronelal. O óleo essencial de C. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. febres. internamente.

Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. Onawunmi. 1986 e 1987).. . anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.. não observando propriedades de interesse terapêutico.. 2002. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. 1983 e 1989a). 1988)... 1995). Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. 1988) antimicrobiana (de Sá et al. Di Stasi et al..8%). 1997).. A atividade antibacteriana de C. Pinho et al.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. 1986. 1984.. no entanto. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. O extrato metanólico de C. geranial (45. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1997) e o extrato de C. (1983) referem atividade antiespasmódica. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles.. mirceno (12.. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al.. 1989) e antioxidante (Lopes et al.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. toxicológico e clínico com essa espécie.. 2002). 1988). enquanto Ferreira et al. Onawunmi et al. 1988). anti-helmíntica (Jourdan. Lorenzetti et al.9%) e neral (33. 1996). Os principais constituintes das folhas de C. 1998). O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. Com as folhas de C. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 2000. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 1986 e 1987. analgésica (Viana et al. (1985). 1988). 1990)... 1988). depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. citratus. Onawunmi & Ogunlana. 1997). e Di Stasi (1987). 1985). relatam.. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C.

Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. 1989). O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. 1997. . ligninas e ácidos fenólicos. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra.. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. um álcool alifático com alto peso molecular. 1983). citratus. sedação e defecação (Ferreira et al. visto o grande número de trabalhos com C. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. 1990). ácidos p-coumárico. bradipnéia.. perda de postura.. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1988). Além de hipocolesterolêmico. ferúlico e sinápico (He & Terashima. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. citriodorus. Hikino et al. Foi isolado também o policosanol. ataxia. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. Dados toxicológicos O óleo de C. 1986a). 2000). 1999).. De S.. também conhecido como Capim-cidrão.. Para a espécie Saccharum officinarum. Menendez et al. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke.

1 .Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.FIGURA 1. b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis). c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). .

FIGURA 1. .2 . Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .Banco de imagens ).Saccharum officinarum.

M. Tal uso não é comum na região amazônica. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. importante produto de comercialização. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. Santos E. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. . C. As espécies da família Bromeliaceae. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Hiruma-Lima L. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. Cannaceae e Marantaceae. De todas essas famílias. Zingiberaceae. M. Guimarães C. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Lowiaceae. A.2 Zingiberidae medicinais C. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae.

descrita por Ivan Ivanovic Martinov. Renealmia e Riedelia. Curcuma. especialmente as famosas Canas-do-brejo. com várias espécies medicinais. Além do valor medicinal das espécies dessa família. Costus e Hedychium. lâminas . deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica. Vindecaá e Vindicáa. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. e • Zingiberoideae. na qual se localizam os gêneros Zingiber. inclui 52 gêneros. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. larga bainha na base que envolve o caule. destas. algumas delas aqui descritas. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. Alpinia. com folhas membranosas. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. nos quais estão distribuídas 1.

podendo chegar a até 35 cm de comprimento. fruto capsular. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. contra sarampo. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. densas com flores brancas ou róseas. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. mas com algumas espécies em regiões tropicais. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. 1988). gineceu com ovário ínfero. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. . descrito por Carl Linnaeus. vistosas.5 m de altura. elípticas. O gênero Costus. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. entouceirada. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. inclui 42 espécies tropicais.1). flores em grupos com brácteas vistosas. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. espessas.com 20 a 40 cm de comprimento. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. ápice agudo e base arredondada. podendo chegar a até 1. Costus spiralis Rosc. contém inflorescências terminais. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. hermafroditas e zigomorfas. perianto distinto em cálice (claviforme.

A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. a espécie é muito utilizada como ornamento. especialmente de origem sifilítica. cilíndricas. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. grandes. incluindo a espécie aqui descrita. de onde partem as folhas longas.2). e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. lanceoladas e coriáceas. sendo de fácil multiplicação por touceiras. na forma de infusão. Hedychium coronarium Koen. . as inflorescências são terminais com flores brancas. sésseis. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. descrito por Johan Gerhard Koenig. Em razão de sua beleza. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. A decocção de suas folhas. contra diarréias graves. vistosas. O gênero Hedychium. Lírio branco e Gengibre branco. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. muito perfumadas (Figura 2. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. em Iguape é comum a denominação Napoleão. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial.

com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. com ampla distribuição. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. gripes. em todo o Brasil. folhas alternas. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. A espécie é usada. mas especialmente na Ásia. 1994). lanceoladas. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. e. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. contra náusea. além de diversos outros usos (Bown. indigestão. contra reumatismo. A espécie é reputada como estimulante. carminativa com uso na dispepsia. diarréias e como vomitiva. lumbago e cólicas menstruais. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. tosses. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. com uma lígula membranosa bífida. de Gengibre. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. externamente. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. 1995). gripes e para problemas circulatórios. sendo provavelmente o local de sua origem. . flatulência e eólicas. internamente. cólicas. onde a maioria das espécies é espontânea. C. mesmo no Vale do Ribeira.

speciosa e A. 1987a e 1987f) e A..8cineol. galanolactona e (E)-8.. constituintes fenólicos em A.. e 5.. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. isohanalpinona e alpinenona. 1987c). humulene. 1990)... conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. Cinco compostos. Os principais constituintes dos frutos de A. óleo essencial.6-dehidrokawaina. galanga. speciosa. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al..-(17)12-labddieno-15. eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A. galanga. nerolidol. 1987).. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. flavonóides em A. 1. 1995). galanga (Barik et al. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato. 1988). são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . 1988).. nutans (Mendonça et al. intermedia (ltowaka et al. 1988). linalol.6-dehidrokawaina.. 1987b). acetato de geranil.16-dial (Morita & Itokawa. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. 1987).. taninos. katsumadai (Okugawa et al. Os sesquiterpenos -eudesmol. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A.. dihidro-5. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A. 1987). De A. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. galanga (Mori et al. japonica (Morita et al. Da espécie A. (Xue et al. Dos rizomas de A. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.. 1987).Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A.. 1987b). Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A.. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. Foram isolados dos rizomas de A. Os compostos isolados dos rizomas de A. 1985a e 1985b. 1988a). 1996).

bornil acetato... além das vitaminas B1.. Três novos diarilheptanóides . 1999). conchigera (Athmaprasangsa et al. -ll(12)-eremofilen-10. polyantha foram isolados.. Cinco diarilheptanóides. 1989).. chumbo. terpineol e 1. citronelol. Além dos sesquiterpenos hanalpinol.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos.foram isolados recentemente da espécie A. De A.. 1989). B2. Os frutos de A. isohanalpinona.. fenchona e geraniol..calixina A e B e 3-epi-calixina B . intermedeol e -selineno (Itokawa et al. O óleo essencial das folhas e caules de A. 1994). . sódio. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. yakuchinona B. 1997a). tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. 1997b). 1997). l. oxyphylla contêm neonotkatol. felandreno. 1997a). 1988). 1. flabellata (Kikuzaki et al. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al... katsumadai possui -pineno. isohanalpinol e aokumanol. hanalpinol peróxido. fenóis e alcalóides. hanalpinona.7-difenil-3. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. cálcio. E. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano. daucosterol. ferro. Das sementes A. linalol. magnésio.-o1. sendo um novo.8-cineol. flavonóides (Luo et al.. blepharocalyx (Kadota et al. 1997b) e quercetina (Wang et al. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. sesquifelandreno e zingibereno. 1987d). intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. geraniol.. furopelargona A. Das partes aéreas de A.. potássio. densibracteata foram isolados os bisabolanos. furopelargona B. mirceno.5heptanediona. 1992). pineno. manganês. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano.. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. C. 1990). 1990). 1987). 1997).. 1996). As sementes possuem mirceno. Do óleo essencial das sementes de A. Dos rizomas de A.8-cineol (Lai et al. trans-bergamoteno. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. além de óleos essenciais (Mendonça et al. alpinenona. yakuchinona A. zerumbet (Xu et al. decanol. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. A análise fitoquímica de A. zinco. -sitosterol. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A.

1976) e A. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. Sesquiterpenos isolados de A. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. na perfumaria. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. 1972). sendo antiulcerogênica (Wang et al. bloqueio neuromuscular. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. galanga (Itokawa et al. que é um derivado do gingerol. Mendonça et al. 1996). 1997). provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1987c) e A. 1986). indicando . 2000). 1999). speciosa. A espécie A. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. Constituintes isolados de A. Lin et al. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. 1994). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1988). mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1996). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. é usada na culinária. oxyphylla (Kyung-Soo et al. 1989). A erva. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. galanga (Janssen & Schefter. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. 1987). speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. e seu óleo. 1999. 1988b). inibição da musculatura lisa. 1985). 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. além de medicinal. 1988. Estudos com a espécie A.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. 1996). japonica e A.

. 2001). blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A.. O terpinen-4-ol. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 1996). Compostos isolados dos rizomas de A.. 1987c) e A. 2002). O óleo essencial de A.... 1988b). speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al.... officinarum (Kiuchi et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. 1987c). anticonvulsivante (Maia et al. speciosa. Os rizomas de A. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. oxyphylla (Chun et al. 1989). 1982). 1988. Moraes et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. 1982. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. 1994). Do óleo essencial das folhas de A. Mendonça et al.. 1990). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. O extrato acetônico de A. .. 1988). antifúngica (Lima et al. 1998. ArnaudBatista et al.. 1992). galanga (Itokawa et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1998). Os diarilheptanóides isolados de A. 1988). 1992). 1992). Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. 1994).. também isolado do óleo essencial. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1996). 1990). Geraniol e isotimol isolados de A. Mendonça et al. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu.6-dehidrokawaina isolado de A. 1988a. Dos rizomas de A.. O composto dihidro-5. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. 2001). Estudos com a espécie A. 1993) e antimicrobiana (Sá et al. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica.a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al.

2002). O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante... O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al.. 1988b). Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A.. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. 2000).. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. 2000).. Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.A atividade antiinflamatória de A. . 2000) e H. 1999). relatadas a seguir. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al.. 2001. 2000). oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. 2002). 1992).. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. A espécie H. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. hipocinese.. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al.. Surh. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. Musa e Heliconia. contorções. 1999). de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. speciosa produziu excitação psicomotora. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais.

O fruto da espécie não é usado como alimento.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva.. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. oblongas e inteiras.5 m de altura. . inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. com folhas longo-pecioladas. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. com pseudocaule ereto e cilíndrico. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. minúsculas e duras. folhas longas. laminares de grande comprimento. com bainhas grandes. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2.

FIGURA 2. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. . dando um pequeno fruto que também é comestível. mas com 25% do comprimento e da largura. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite.podendo atingir até 2 m.1 . onde é amplamente cultivada como ornamento.Alpinia japonica. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. flores reunidas em espigas. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca).

Vista da planta florida (Banco de imagens - ). .FIGURA 2.Hedychium coronarium.2 .

Dioscoreaceae. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Seito C. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Velloziaceae e Iridaceae. Gonzalez L. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. família Liliaceae. Asparagales. Liliales e Orchidales). ordem Orchidales. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. família Liliaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. Velloziales. principal. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. N. especialmente na ordem Liliales.3 Liliidae medicinais L. G. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Di Stasi F. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. C. A. Dioscoreales. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Alliaceae e Amaryllidaceae. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae .

como é o caso da cebola e do alho. Outro gênero importante é Aloe. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Narcissus e Veratrum. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Alloe. Tulipa. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. que passamos a descrever. pelo grande número de espécies ornamentais. Convallaria. Lillium. grande fonte de espécies dessa família. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. Colchicum e Drimia. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. ambas de valor econômico incomensurável. 1997).e Liliaceae. . Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). especialmente do gênero Iris. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. A segunda. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). A primeira. esse da importante Babosa (Aloe vera). a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. dos quais devemos destacar o gênero Allium. Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história.950 espécies vegetais. Trilium. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita.

Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. na forma de umbela pedunculada. capsular. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. C. 1995). flores brancas ou avermelhadas. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. e amplamente consumido pelos gregos e romanos. loculicida (Figura 3. Nas comunidades do Vale do Ribeira. fruto. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. os bulbos dessa espécie. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica.1). tosse e também contra hipertensão. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais.Espécies medicinais Allium sativum L. são utilizados de várias formas. em geral seco. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. sésseis. ao passo que a infusão é usada contra gripes. especialmente em crianças. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. inclusos e envolvidos por fina membrana. Quando macerados em aguardente ou vinho branco.000 a. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. obtida comercialmente. folhas lineares. Era citado pelos babilônios no ano 3. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. que se mesclam com os bolbilhos. a maioria é cultivada.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. agudas. especialmente acne e micoses. além do uso como condimento. antiasmático. tosse. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. Dados botânicos Erva bulbosa. anual. arteriosclerose. subgloboso. os bulbos são usados na hipotensão. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. dispostas em umbela. também são utilizados como sudorífico. ateromatose. Em Minas Gerais. gastroenterite e disenteria. com inúmeras variedades e subtipos. reumáticas e paralíticas (Corrêa. Trata-se de uma espécie com usos históricos. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. carnoso e com casca fina amarelo-parda. todos usados e comercializados como alimento e condimento. 1982).queca. rouquidão. o uso externo. carminativo e vermífugo. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. 1988). bronquite. Em outras regiões do Brasil. em afecções nervosas. digestivo. poderoso anti-séptico das vias digestivas. flores hermafroditas regulares esverdeadas. como referido para o Alho. No Pará. febrífugo. com bulbo grande e solitário. resfriados. a espécie inclui vários usos medicinais. 1984). diurético. para problemas da pele. folhas radicais ocas e compridas. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. 1992). o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. histéricas. tosse com expectoração. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. ao passo que a infusão das cas- .

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . são úteis contra edemas. reunidas na forma de rosetas em sua base. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. como cicatrizante. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. internamente. descansado por 24 horas na geladeira. O uso interno de um macerado em água fria. Dados botânicos Planta perene e suculenta. ao passo que as folhas frescas. externo. usadas externamente. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. lanceoladas. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Na região amazônica. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra.2). O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. Aloe vera L. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. folhas suculentas. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. podendo atingir até 1 m de altura. externamente. A manipulação dessa planta no preparo de loções. as flores são tubuladas. dores e infecções da pele. é considerado excelente contra úlceras. para acne. densas.

holosídeos. além de evitar queda de cabelo. 1992). 1986). vitaminas A. . vários heterosídeos sulfurados.. et al.. A antro-cenona. 1991).. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl.. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. 1995). Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. 1997). fitosterinas. 2000). alil e alil-propil. isobarboloina (Kuzuya et al. desoxialiina. aliinase que origina a alicina. 1990). 1997). isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. catártico e febrífugo. 1997). aloe barbendol foram isoladas das raízes A. Nos bulbos também foram encontrados aliina. a polpa é emoliente e resolutiva. exigindo-se cuidado na utilização. 1999). saponinas esteroidais (Peng et al. 1968). foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik.. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos.. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. 1993). obtidos de A. proteínas e fermentos (Costa. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. Prostaglandinas A. barboloina. 1979). sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. 1995). S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. barbadensis (Saleen et al.. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar.. sativum.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. (B8) e P. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. Além disso. B. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. Da espécie A. C. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G.. relatando ainda que as folhas são purgativas. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico.

o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. 1987. Além dessa classe de compostos.. Nerkar et al. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante. 2002).. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. demonstrou que os compostos de A. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. O estudo comparativo in vitro. hipocoleste. Entretanto. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. Por sua vez. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. No entanto.. antibiótica. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma.. 1995. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. Augusti & Sheela. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. in vitro (Sheela et al. Esse mesmo efeito foi detectado . Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). 1981. fibrinolítica. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento... 2000). 1992). Hikino et al.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. entre outras ações que serão discutidas a seguir. isolado de Allium sativum Linn. 1991). sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). Em animais com carciriogênese bucal o A. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. 1996).. rolêmica. cicloxigenase. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. Kwon et al. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich.

1995). 1985. 1983) obtidos a partir dessa espécie. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. 1982. 1981. Sovova et al. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. precursor da alicina e obtido do alho..5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos. 1993). glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. enquanto a associação dessa dose com 4. 1984.. Mossa. Khan et al.. fosfatase ácida. Guevara et al. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. O extrato de A. Rees et al. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 1983.. 1980). O sulfóxido de S-alilcisteína. 1985). Singh & Shukla. 1984.. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. 1994). in vitro.. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. compostos fenólicos (Patel et al. 1997.. 2002) contra Staphylococcus aureus. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma.. 2001)... produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. além de atuar como . dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. sativum apresentou também atividade antibacteriana. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática.. contra Helicobacter pylori. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. 1996).por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. 1993) e aquosos (Sato et al. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. Dababneh & Aldelamy. 1992). O óleo de A. O estudo realizado por Celini et al.

que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. Block et al. 1992). 1984. 1995b).. 1993). Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh.agente anticercaricida.. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. 1993). alicina e sulfeto de dialila. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti.. e não as substâncias isoladas. no entanto. apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. inibem a síntese de colesterol. Mohammad & Woodwara (1986). 2001). enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. 1996). no entanto. Adetumbi et al. Essas propriedades farmacológicas.. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al.. 1993). 1994). Extratos preparados com acetona/clorofórmio. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. Os resultados obtidos por Sendl et al. (1986). 1978). assim como substâncias isoladas do alho. assim como as respectivas substâncias isoladas. Sandhu et al. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al.. 1980. cepa (Dorsch et al„ 1985). Dados recentes demonstram que extratos aquo- . Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. 1978. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Rotzsch et al. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. 1986) e brutos (Rees et al. 1978. 1980. Boelter et al. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. metil-ajoeno. (1992). 1993). assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. Kamanna & Shandras-Wkhara. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. (1985). sem. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer.

e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das. M. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. et al. (1992) com o composto ajoeno. 1996). assim como a reação de liberação induzida por agonistas. Estudos realizados por Apitz-Castro et al. 1997). 1996). (1982). antiinflamatória (Khobragade & Jangde.. Essa mesma planta reduziu a concentração . de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. 1993). sua condutância. 1986a). E. Foushee et al.5. natriurética e hipotensora em cão. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. 1996). 1993).. 1996). Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. 1991). sativum (Kweon et al. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas.. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. 1996). promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al.. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. et al.. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. 1993b). tais como a histamina (Usui & Susuki. I. A.sos de bulbos de alho fresco (5. principal componente antiplaquetário do alho. como radioproteção (Reeve et al. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. (1986b). também. 12. enquanto Pantoja et al.. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. atividade diurética... sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. (1987). 1990).. Ribeiro et al. 1991).. Por sua vez.

. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. 1993. Resultados similares foram obtidos por Imai et al.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. Além disso. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina.. 1995). sativum ou A. 1993). sativum L. . 1991). Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. I. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. 1996). a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. Extrato aquoso de A. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar.. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. E a mistura de A. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie.. Lipotab. A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. Ko & Son. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. Allium sativum.. (1996). Chithra et al. conseqüentemente.. cepa com A.. Para a espécie Aloe vera. 1993). 1992). tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. in vitro. 1995). de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. um preparado à base de Curcuma longa. 1992. et al. ela é um excelente cicatrizante (Costa.. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e.. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. (1994). 1993). 1994).. 1990). apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al.

. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. Entretanto. 1997). esses dados referem-se.. em camundongos. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. Essa família possui pequena importância no Brasil. Saleem et al.. As folhas de A.. 1994). Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.1998). contudo. A atividade antiinflamatória de A. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria. 1997). vera e hipotensora de A. 1996.. 1995). barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. 2000)... 2001). Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. aumento na contagem de espermatozóides. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. 1991). relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação... que inclui algumas espécies popu- . Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley. 2001). 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al.

no entanto.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. saponinas esteroidais (Mimaki et al. pontiagudas e com manchas brancas. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras. 1996 e 1997b). possui folhas carnosas. contra problemas hepáticos.. 1996). As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. flores pequenas.. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. No entanto. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. e o Agave. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". longas. brancas. na região amazônica. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. 1987).. Das . Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. cilíndricas.

1996).em Joly. 1986). Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .. 1998) (Banco de imagens ). reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. pigmentos.. Das folhas de S. 1997).folhas de S. cylindrica foram isolados lipídios.1 . hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. . FIGURA 3. além de carboidratos.Allium sativum. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al. 1982).. e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. saponinas..

2 .FIGURA 3. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).Aloe vera. .

As duas espécies. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Triuridaceae. esta segunda com uma única família. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. Mariot M. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. S. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . das quais destacamos apenas a família Alismataceae. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. Di Stasi A. C. ainda não discutidas neste livro.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. de pouco interesse para nosso estudo. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. portanto.

muitas aquáticas ou brejosas. essa segunda inclui apenas a família Palmae. Inclui ervas perenais. 1997). contendo vasos apenas nas raízes. freqüentemente . folhas pecioladas. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. e Sagittaria. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. A espécie possui as variedades floribundus. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. ovadas. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. com caule triangular e glabro.1). grandes e eretas. espécie de grande valor econômico. flores brancas. também denominada Arecaceae. coriáceas. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. latescentes com lâmina foliar grande. rizoma grosso e carnoso. numerosas.mico. Aguapé.

2000). Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. de barriga. . tônica e diurética. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa.650 espécies tropicais (Mabberley.. com folhas terminais. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. útil ainda contra artrites. moléstias da pele e do fígado. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. e outras. também denominada Arecaceae. como ornamentais. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. raramente trepadeiras.consideradas outra espécie. tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. 1997). bem como gripes e resfriados. muitas delas usadas como medicinais. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. sífilis. e como anti-helmíntico. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. nas costas. reumatismo. especialmente contra dores de cabeça. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. Incluem árvores ou arbustos. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. como sedativo.

como é denominada a outra espécie do gênero. Espécies medicinais Euterpe edulis M.A família está subdividida em seis subfamílias. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. Cocos.. Kobayashi et al. que incluem a piaçava e a ráfia. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. macrophyllus (Shigemori et al. Destaca-se o gênero Euterpe. outras são importantes como medicamento. amplamente conhecida na região amazônica. especialmente da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. 2000a e 2000b).. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. respectivamente do babaçu e da carnaúba. que inclui o famoso palmiteiro. chegando até 25 m de altura. Tratase de uma família de grande valor econômico e. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. 2002. com folhas pinadas. do famoso coqueiro da Bahia. amplamente conhecido na Mata Atlântica. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. do jerivá (Joly. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. como é o caso da Areca catechu. 1998). como é o caso de várias palmeiras. e o Arecastrum. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. e o açaí. conseqüentemente. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- .

internamente. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. .nhas. como antídoto para picada de cobras.1 . fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. o suco do caule é usado. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. externamente.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. não fosse a intensa exploração da espécie. 1998) (Banco de imagens). frutos esféricos de cor preta-arroxeada. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. FIGURA 4. contra dores de barriga para controlar hemorragias e.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Hiruma-Lima E. inúmeros gêneros são importantes. Santos L. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. A. tais como as Magnoliaceae. Annonaceae. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal.5 Magnoliales medicinais C. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. mas deve ser destacado o gênero Peumus. M. C. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. Na família Chloranthaceae. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. M. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. do famoso Boldo. tais como Magnoliaceae. são importantes como ornamentos. Guimarães C. da qual inúmeras espécies de grande valor . Na família Monimiaceae. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. Myristicaceae e Lauraceae. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. inúmeras espécies são medicinais. algumas com amplo número de espécies no Brasil.

Graviola e outros. Aniba e Nectandra. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. . enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. 1997) e subtropicais. que inclui os gêneros Annona. como Aniba. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Cabeça-de-negro. e ainda outras importantes como alimento. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Guatteria. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Annona cherimolia. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. que inclui nosso Abacateiro. Xylopia. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. arbustos e lianas. os gêneros mais comuns são Annona. Xylopia e Rollinia. Uvaria.150 espécies tropicais (Mabberley. Artabotrys. Annona reticulata. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. No Brasil. Annona coriacea. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Pinha. Cinnamomum. Laurus e Sassafras. espalhadas por todo o planeta. 1997). A família inclui árvores. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. e Monodoroideae. Cryptocarya.

O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. com cálice de lobos triangulares e agudos. Araticum-punhê. as folhas são alternas. no entanto vários sinônimos são usados. alcançando até 30 cm de comprimento. pecioladas. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. espessa com saliências cônicas. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. Iriticum. ovadas ou elípticooblongas. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. Várias espécies. no entanto. . Espécies medicinais Annona muricata L. Araticum-ponhê. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. polpa branca. fruto do tipo baga irregular. inflorescência cauliflora. O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. com epiderme verde-escura. mole e recurvado. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. subglobosas. latescente. amareladas. que são muito apreciados. que apresentamos a seguir. flores axilares. Araticum-de-paca. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". sucosa. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. 1998). cordadas na base e acuminadas no ápice. alcançando até 15 cm de comprimento. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. tais como Araticum. Coração-de-rainha e Nona. onde são conhecidas como Araticum e Biribá.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. com um espinho central.1). com um tronco revestido por casca aromática.

especialmente lombrigas. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Além dos usos medicinais da espécie. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. combatem reumatismo e abcessos. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. O fruto. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . as flores. as folhas cozidas. a planta fornece madeira. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. As folhas e raízes são consideradas sedativas. especialmente na produção de sucos. os brotos e as folhas são usados como béquicas. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. Em outras regiões do Brasil. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. diurético e no combate a insônias leves. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. peitorais. tem grande valor como alimento. referidos a seguir. antiespasmódicas e hipotensivas. por sua vez. usadas topicamente. 1984). ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. podendo também ser usada na arborização urbana. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. dores de cabeça e como emagrecedor. sendo depois levada para outras regiões do planeta. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. com importante uso potencial na fabricação de papel. sorvetes e geléias (Corrêa. antiespasmódicas e antidisentéricas. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. 1984). mole e branca. 1984). onde se tornou subespontânea. Na Amazônia. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. para baixar febres.

as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. o chá das folhas é utilizada para catarro. Na Jamaica e no Haiti. contra diversos parasitas (de Feo. 1993). também tem sido referido para as raízes e casca da planta. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. 1992). ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. tosse. . 1962). Weninger et al. 1986). 1987).mas do fígado. Annona tenuiflora Mart. parasitas. 1955. as sementes.. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. e as sementes. 1962). no entanto. asma. diarréia e como lactagogo. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. especialmente na África. no processo de pesca. Ayensu.. De acordo com os mesmos autores. gripe. como antiespasmódico. inseticidas. Nas Guianas. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. Na Índia. Esse uso. as cascas e folhas. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. 1990). na forma de chá. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. 1978. as folhas e a casca da árvore. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. espasmos e febres. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. No Peru. as raízes e folhas. a fruta e seu suco são usados contra febre. impedindo-lhes a identificação correta. onde é usada contra tosses. enquanto o óleo das folhas. é usado externamente para neuralgia. foram referidas espécies desse gênero. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. contra diabetes.

2). . cálice gamossépalo. folhas ovado-oblongas. e copa alongada. também descrito por Carl Linnaeus. Ibira. Breu branco ou. oblongolanceoladas. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. com duas a seis sementes (Figura 5. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. Xylopia cf. frutescens Aubl. fruto do tipo baga ovóide. agudas no ápice. O gênero Xylopia. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Pindaíba. coriáceas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. Pindaúba. Malagueta e Banana-de-macaco. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. deiscente. hermafroditas. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. pétalas lineares. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. lineares. simplesmente. alcançando até 8 m de altura. simples. sul do Amazonas. Jegerecu. onde parte deste estudo foi realizada. Envira-preta. Nomes populares A espécie é denominada. Pindaíba-branca. vermelho. alternas e ápice cuspidado.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. Jejerecou. Pau-de-imbira. tonturas e hipotensão. na região amazônica. aromática. tronco ereto e cilíndrico. Breu. Coaguerecou. curto-pecioladas. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. Em outras regiões do Norte do Brasil. Pijerucu. folhas alternas. muitas das quais usadas na medicina popular. sem estipulas. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. com casca fibrosa. Jejerecu.3). Coagerucu. Coajerucu. Envira. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Pindaúva.

chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. perenifólia e pioneira.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. Além dos usos medicinais descritos a seguir. 1984). A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. ao passo que a decocção da casca é usada. sendo uma espécie heliófita. As sementes. como digestivo e são úteis contra catarro. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. Na região amazônica da Colômbia. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. também aromáticas. especialmente. na forma de inalação.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. 1984). Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. como cabos de instrumentos e varas de pesca. raízes. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. própria para uso em carpintaria. sementes de espécies da família Annonaceae. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. para combater resfriados e dores de cabeça. são usadas como estimulantes da bexiga. 1998). . típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. folhas e.

e que são importantes representantes da flora brasileira. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. 1994a e 1994c).. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. denominada corepoxilona... anomutacina 1. 2002). muricatetrocina A e B. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. murihexocina A e B (Zeng et al. 1993). .São ácidos graxos modificados. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al.. No entanto. hoviicina A. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. muricatocina C e gigantetronenina. Anomuricina A e B. anonacina-10-ona. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. neo-anonacina-10-ona. especialmente como citotóxicas. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. I... cis-annomontacina (Liaw et al.. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. 1995e). Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 1991b). iso-neoanonacina-10ona. 1995b). Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas... essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. muricina H. epomuricenina A e B (Roblot et al. A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. 1991)... 1995c).. enquanto Gromek et al. Recentemente. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. 2 e 3 (Wu et al. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. 1995a). 1995b). 1994). das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas.

1991). 1992). 1994b). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. 1994). 30-hidroxibulatacina. esquamona. 1995) em Annona bullata. anomonicina e roliniastatina (Chang et al.. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. reticulacinona (Hisham et al.. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al..... 1991a e 1991c). jeteína. B. 1994). esquamosteno A (Araya et al. isomolvizuína 2.. além de esquamocina e esquamostatina A. muricata e A. 31-hidroxibulatacina.. squamocina e almunequina (Duret et al.buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. 1993). isoquerimolina 1. 1995)..... anoreticuína-9-ona. cherimolia.. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. solamina.. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al. Das sementes da mesma espécie. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero.. 1991). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1996). desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. Sahai et al.. bulatencina. C e D (Fujimoto et al. cis. 1994a e 1994b). 1994b). três uvariamicinas. 1962). incluindo A. itrabina. 1995). 1993b). 1994c) neodesacetiluvaricina. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. anogaleno (Sahpaz et al.... 1993). Cortes et al. esquamosinina A (Yang et al. 1993b). molvizarina e motrilina (Cortes et al.Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1996)... cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. 1994a). Das semen- . (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. bulatanocina. tais como reticulatina (Saad et al.. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. 1994). 32-hidroxibulatacina. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. 1995a). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. esquamostanal A (Araya et al. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk.

1987).. 1981). isoboldina e outros foram isolados de A.. enquanto diterpenos foram descritos em A. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. reticulina. como constituintes predominantes. Y. montana (Wu et al.. Wu et al. 1976). A. cacans (Saito & Alvarenga. brasilienses (Casagrande & Merotti.. 1978). Mukhopadhyay et al. 1986). de A. anolatina. Yang & Chen.. 1962). 1978). aromatica (Rios et al. cherimolia (Yang et al. X. michelalbina. 1970) e X. anonaína. A. 1993) e sesquiterpenos em A.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. Martins et al. foram isolados do fruto de Annona muricata . salzmannii (Paulo et al. A. squamosa (Silveira et al. 1995e). argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. Flavonóides foram descritos em A. 1992. 1991). 1976). purpurea (Castro et al.. 1988). 1986). Inúmeros compostos terpenóides. 1994).tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al. et al. enquanto os alcalóides anonaína. oxouxinsunina. 1993). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1986) e A. squamosa (Krishna Rao et al. reticulina. squamosa (Leboeuf et al.. bullafa (Kutschabsky et al. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. laureliptina. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. A. 1985) e A. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C.... 1996). 1984).. anolobina e asimilobina foram isolados de A. cherimolia (Villar et al.. 1979. enquanto três amidas ácidas... Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. uma lignana ((-)-siringaresinol). enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. 1991). ambotay (Carazza et al. X. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. ambotay (Oliveira et al.. frutos de A.. Monoterpenos foram isolados de A. 1982a e 1982b. Alcalóides conhecidos como anoretina. 1979. Barbosa Filho et al. squamosa (Wu. squamosa (Setharaman.. 1989.. C. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. 1994)... 1994).

1992. a casca. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. 1979). Gbeassor et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1962). Bourne & Egbe. Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al... 1941.. 1990).. 1925 e 1932). ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. muricata. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. corosolona 1 e corosolina 2. De Xylopia frutescens. 1995.. acetogenina isolada de Annona muricata. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al.. 1993. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. a raiz. Solanina. 1993. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. A espécie Annona muricata possui. antiespasmódica. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al.. Acetogeninas isoladas sementes de A.. 1991.. X... Vilegas et al. enquanto extratos de folhas. . 1995e). 1979. 1991). 1991). Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk.. Ngouela et al. brasiliensis e X. 1979). obtidas de Annona muricata. Di Stasi. assim como outras espécies do gênero. Heinrich et al. aromatica. 1991). 1993). X. 1995b). 1987). 1991b). muricata e de A. 1998). Anomutacina 1. uma acetogenina isolada de A.. vasodilatadora. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. 1940). 1988.. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. Carbajal et al. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha.. 1996. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. Misas et al. 1991). Lopez Abraham. cherimolia foram ativas contra alguns parasitas...(Wong & Khoo. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al.

laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A.. 1980). anoreticuína9-ona. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. 1994). solamina.. Hui et al.. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. et al. Y.. esquamona. 1993b). anonaína. reticulatina. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. norcoridina. oxoxilopina... asimilobina. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. galucina. 1993). Esteróides de A. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. 1992). 1980). reticulina. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. Cortes et al. isolados de A.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. (1995b). cherimolia (Cortes et al. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica.. 1995). enquanto alcalóides isolados de A. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. coridina. bulatanocina. 1991. 1993b e 1994b. enquanto os alcalóides liriodenina. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al. 1988b e 1988a). respectivamente. 1995a). montana (Wu et al.. 1993). salzmannii. enquanto os alcalóides de A..... 1991c e 1991a). squamosa. cherimolia (Villan del Fresno et al. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. montana (Wu et al. 1993) e várias outras (Jossang et al. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. Chang et al. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. tais como cinco acetogeninas isoladas de A. 1991).. Os alcalóides isolados de A. 1987) e A. 1991. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al.. ... C.. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. reticulina. 1992). Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina..

Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. frutescens não apresentou atividade moluscicida. 1994). Extratos etanólicos de sementes de A. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. Martins et al.. Anopheles stephensi (Saxena et al.1983). Do extrato etanólico das folhas de X. entre outras. F. Extratos metanólicos de A. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 1998). atividade anticonvulsivante e analgésica. que determinaram efeito depressor do SNC.. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. 1979). foi caracterizada a . parassimpatomimética de A. Extratos preparados também com A. que apresentou atividade citotóxica. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).. Das cascas de X.. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. aromatica foi isolada atherospermidina. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. 1996). Trypanossoma brucei. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. 1989. 1996).. 1979. 1990. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. E.. discreta. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. Oliveira et al. 1993)... que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. squamosa. enquanto o extrato etanólico de A. como acido caurenóico. 1998). 1993). fungitóxica. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico... 1994). donovani. 1996. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. Silva. A. Rao et al. A atividade inseticida do extrato etanólico de A. 2001). senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro... 1999). O extrato etanólico da raiz de X. 1975). senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. et al. et al.. coriaceae (Souza et al. L. A. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993)...

indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. anti-helmíntico e citotóxica. (1988) para a espécie Annona muricata. especialmente em uso crônico. 2001). sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. Em Guadalupe. Os diterpenos caurenoicos presentes em X.. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. 1962). Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. 2002). muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.. .. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. 1999). 1988c). como inseticida. E da espécie X. 1996 e 1997). aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. muricata e A..

utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. usada como condimento. Árvore-do-sebo. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. como a Noz-moscada (Myristica). Horsfieldia e Knema. que possuem importância do ponto de vista econômico. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. e espécies do gênero Virola. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. contendo ramos carregados de folhas . 1996). Sucuba. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Neste levantamento. Espécies medicinais Virola surinamensis L. podendo chegar a até 35 m de altura. Essa família inclui gêneros importantes. como Myristica. Sucuuba. Nozmoscada e Ucuuba-branca. No Brasil. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. Bicuíba. Virola. Ucuuba cheirosa. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. e também como Leite-de-mucuiba. 1997).

A casca é usada como medicamento para aftas. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. 1992. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres.pecioladas. para o tratamento de câncer. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. 1996. V cf. elongata .. Martinez et al. V. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. Cassady et al.. et al. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis).. com até 20 cm de comprimento. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. 1997).. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. pavonis (Marques et al. É uma planta perenifólia.. bem como -sitosterol. inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. 1969.. V surinamensis (Lopes et al. 1971). L. infecções. Espécie de ocorrência na Amazônia. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria.. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. 1984). como outras do gênero. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. usadas como venenos de flechas. 1995). V michelli (Santos. 1991 e 1992). inflamações. 2000). Ferri & Barata. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. oblongolanceoladas. 1989. 1996). V. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. S.. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. pavonis (Martinez et al. surinamensis. 1987). chegando até Pernambuco. Vidigal et al. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. 1987a)..

. michelli (Santos et al. sebifera. e polifenóis nas espécies V. 2001)... calophylla.. 1999).. Lemus & Castro. A atividade antifúngica das espécies V. 1990. 1996a)... V.. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al.. 1996. 1996.. V. flexuosa (Aguirre. calophylloidea (Von Rotz et al.. Alvarez et al. V. Pagnocca et al. surinamensis. michellii (Cavalho et al. 1996) e V. 1995). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. 1990).. 1994 e 1995). V. Das folhas de V. V.. V. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. 1989). 1992). 1987).. A atividade analgésica de V. 2001). urbaniana (Reis et al. V. titonina (Andrade et al. 1989) e V. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V.. foschnyi (Lemus & Castro. calophylloidea (Martinez. venosa (Kato et al. titonina . 1990). V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. 1987b). pavonis. 1986 e 1990).(Kato et al.... carinata e V. Andrade et al. 1994 e 1996.. 1988). carinata e V. 1999. Além das lignanas. calophylla (Martinez et al. michellii foi atribuída à presença da flavona. oleifera (Fernandes et al. 1993 e 1994). Cavalho et al. 1992) e V. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. V.

mas não foi detectada em V. V. surinamensis (Lopes et al. carinata e V.. Sassafras. 1987) e anti-hemorrágica de V. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). 1991) como a surinamensina (Pinto et al. 1978). árvores e arbustos (Mabberley. Licaria. inseticida de V. amplamente usado no Brasil como condimento. porém. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. Os principais gêneros são Laurus. e outros. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. 2000). A propriedade antioxidante foi confirmada para V. 1997). do nosso famoso Abacateiro. 1996. 1999). 2000). V. alucinogênica de V.. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. dados etnofarmacológicos de V.. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. A família reúne grande importância econômica. As propriedades antioxidante e surfactante de V. 1996). a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. Barata et al. Nectandra. 1994). do famoso Louro.. Incluem muitas espécies aromáticas. 1987). Ainda existem relatos das atividades antitumoral. além do .. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. pois. todos aromáticos. da famosa Canela-sassafrás. sebifera.850 espécies. 1998. tripanossomicida. sugerem cuidados da população quanto ao uso. Persea. elongata (Davino et al. aliados ao relato de atividade moluscicida. surinamensis. cercaricida e molucicida de V.A atividade leishmanicida nas espécies V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. donovani e V. 1986b e 1998). oleifera. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. koschnyi (Castro et al.. duckei (Bennett & Alarcon. calophylla (Miles et al. Ocotea.

O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. 1998). Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. . Espécies medicinais Laurus nobilis L. de estômago e como emética e abortiva. sendo considerada digestiva.Abacateiro. onde se adaptou muito bem. e de outras espécies. 1998). Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. lanceoladas. pecioladas. bem como para dores de barriga.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. para combater problemas hepáticos e intestinais. como a Canela e o Louro. deriva de lauer = "verde". fornecedor de alimento amplamente comercializado. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. folhas alternas. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. e laus = "louvor". usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas.

1984). As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. diuréticas e febrífugas. contra reumatismo. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. úlceras e piolhos (Bown. anti-sifilíticas. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. além de serem usadas contra doenças renais. reumatismo e uremia (Corrêa. bronquites. Persea americana Mill. pequenas e pouco vistosas. . as folhas são usadas contra indigestão. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. analgésico. pecioladas. estimulante do apetite e contra cólicas. comestível. não ocorrendo espontaneamente.Internamente. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. nome dado especificamente ao fruto. que envolve a semente grande e marrom. lanceoladas e acuminadas. ao passo que a infusão das folhas. é também usada contra febres. fruto do tipo baga ovóide. emenagogas. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. flores branco-pálidas. onde se encontram as folhas alternas. 1995). externamente. sendo comercializada em todo o mundo. ou Persea gratíssima Gaertn. além de atuar como diurético e analgésico. com polpa verde. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. estomáquicas. carminativas. vulnerárias.

. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). 1991. . 2002.. antiinflamatório (Ademylmi et al. 2002).. 1999).. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. spatulenol. Afifi et al.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. 2002). monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. O 1. 1995. 2001). antifúngico (Domergue et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. elemicina. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. Grant et al.. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. Às folhas de P. 2002)..8-cineol isolado de L. foram atribuídos os efeitos analgésico.... O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. A atividade antiulcerogênica de L. Hargis et al. hidrocarbonetos. 1991).. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. A espécie Persea americana L.. 2000. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. Carman & Handley. 1991.. americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. americana citados acima. Sladler et al. 1987).. 1997). 2002). 2002).

.Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).1 . 1984).FIGURA 5.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984) (Banco de imagens).Annona tenuiflora.FIGURA 5.2 . .

FIGURA 5. . b) Detalhe da flor (Banco de imagens).3 . frutescens: a) Escanerata do ramo florido.Xylopia cf.

ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. M. M. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Thottea e Asarum. 1997. Di Stasi C. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. Hiruma-Lima E. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. C. A. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. Santos C. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. no Brasil.ó Aristolochiales medicinais L. e. Joly. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. 1998). ao passo que na região do . Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. muitas das quais usadas como medicinais.

denominada popularmente como Milomem. zigomorfas. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". sulcados e estriados. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. monoclamídeas com tépalas bilabiadas.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. grandes. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. e várias com usos medicinais descritos. simples. Dados botânicos É uma planta trepadeira. ramos lisos. Calunga.1). foi referida como medicinal. usadas como venenos. muitas das quais ricas em alcalóides. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. Batarda. fruto capsular cilíndrico. Jarrinha. Capa-homem. folhas alternas. Mil-homens e Papo-de-peru. flores isoladas. pecioladas. que lembra o feto em posição antes do nascimento. ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. parto. . e lochia = "nascimento". axilares. Outras denominações populares são Angelicó. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). Contra-erva. hermafroditas. com sementes achatadas.

1982). a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. anti-séptica. disenteria e diarréia. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. os ramos são lisos. constipação nasal.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. sarnas e orquites (Van den Berg. sulcados e estriados. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. especialmente para combater náuseas e vômitos. pecioladas. simples. sudorífica. estimulante. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. capoeiras e áreas em regeneração. . no entanto. 1984). Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. não sendo encontrada em áreas degradadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. anti-histérica e útil contra febres graves. gripes fortes. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. diurética. estomáquica. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. catarros crônicos. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. excitante. cicatrizante e contra úlceras crônicas. Também não é uma espécie cultivada. as flores são isoladas e axilares.

. 1990. 1983b). em A.. 1994).. 1991) e de A. A. 1996). et al. T.. A. ponticum (Houghton & Ogutveren. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. 1991a). nata (Moretti et al. molissima (Peng. liukiuensis (Mizuno et al. manshuriensis (Ruecker et al. A. 1980). 1991a). 1991). galeata (Lopes. yunnanensis (Chen et al. II. 1987. A. gigantea (Lopes. arcuata (Watanabe & Lopes. 1980). 1991). C. Zhang et al. A. A. 1993).. 1992). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. longa (De Pascual et al. L. 1991).. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1989). cinnabarina (Li et al.. A. gigantea (Cortes et al. 1994). A.. 1988. A. Higa et al. 1987). 1988). 1995). A.. A. dematilis (Makuch et al. raízes de A. L. Abel & Schimmer. 1987.. 1984)... 1992. M.. 1987). A. Lou et al. 1991).. 1987). III e IV (Houghton & Ogutveren.. bracteata (ElTahir.1993). 1987).. Aristolochia cymbifera (Leitão et al. A. 1995).. chilensis (Urzua Rodriguez. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1980). maurorum (Kery et al. 1995). A.. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A.. tubiflora (Peng et al. A. ftiangularis (Bolzani et al.. A. fangchi (Tsai et al.. elegans (El-Sebakhy et al... 1977 e 1985). Alcalóides foram isolados de várias espécies. A. argentine (Priestap. auricularia (Houghton & Ogutveren... 1983). T. A. A. H. 1987). A. 1991b).. X. A. 1979) em raízes de A. 1995). Chakravarty et al. A. tais como A.. molissima (Peng et al. et al. Paiva et al. 1985) e A. 1995). 1983a). bracteata (ElTahir.. A. kankauensis (Wu et al.. rotunda (Pistelli et al... clematitis (Kostalova et al. A. A. esperanzae e A. rodix (Tsai et al. et al. manshuriensis (Lou et al. contorta (Lou et al. 1983). tubiflora (Peng et al. 1992). vários outros alcalóides aporfínicos de A. rigida (Pistelli et al. 1996.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. 1986b e 1986a). versicolor (He et al..... A.. sendo descrito em A. kankauensis (Wu. S.. 1988). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. acuminata (Moretti et al. 1995) e A. 1995). 1982). 1991. longa (De Pascual et al. A.. 1995) e A. 1986). tubiflora (Peng et al. argentine (Priestap. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. cinnabarina (Li. J. 1994)... indica (Che et al.. A. versicolor (Zeng et al. clematitis (Kostalova et al. S. P et al. 1992) e outros alcalóides em A. A. indica (Piers & Tse. A. G. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. clematitis (Kostalova et al.. A. . chilensis (Urzua et al. brasiliensis (Lopes et al. et al. A. versicolor (Zhang&He.. A.. A.. kankauensis (Wu. 1987). A. 1988).. 1979). et al. debilis (Ahmed Farag et al. 1991b). Lopes. 1992).

1990). taliscana (Longsw et al. chilensis (Urzua et al.. 1977).. 1988) e A. copaeno.. R.. 1991b). T. et al. indica (Pakrashi & Pakrasi... 1996). et al.. 1987) e A. -elemeno. Compostos como -cariofileno. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. macroura (Leitão et al. cymbifera. S. galeata (Lopes & Bolzani. kankauensis (Wu. A. gigantea e A. esperanzae. 1993). 1978). 1987b.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. O ácido aristolóquico de A. 1995). 1994). rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al. 1979). 1990). Lopes et al. arcuata (Watanabe & Lopes. 1980. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. A. A. Urzua & Presle. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & . 1980). S. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. A. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. A. triangularis (Ruecker et al.. A.. 1988) e amidas em A. e o ácido aristolóquico de A. birostris (Conserva et al. Lignanas também foram descritas em A..

2002). no Sistema Nervoso Central. enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. 1985). G.. Atividade mutagênica. 1993). e antiviral com A. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. et al. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico... H... com A. triangularis (Garcia. 2001). 1993). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. 1999). A. 1995). 1990). Atividade antiinflamatória também foi observada em A. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. niaurorum (Kery et al. A. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. 1988).. multiflora (Moretti et al. papilaris (Maia et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. 1983). antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. anti-séptica e cicatrizante de A.Choudhury. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. antibacteriana. tulobata (Sosa et al. O mesmo ácido obtido de A. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha... A espécie A.. 1991). 1999).. 1991).. papilaris (Maia et al. determinada pelo teste de Ames.. atividade analgésica. 1979). O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 1979).. birostris demonstraram. 1988).. 1996). acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. 1991).. Estudos com A. gigantea (Campos et al. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. 1985). paucinervis (Gadhi et al.

Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. 1996) por humanos. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas.. Da mesma forma. FIGURA 6. 50 ou 100 mg/kg via oral. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis).Aristolochia trilobata. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. . Entretanto.1 .com 10. por suas características químicas. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. 1993).

No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. normalmente com células de óleos essenciais. e espécies me- . Hiruma-Lima A. Peperomia e Pothomorphe. onde ocorrem em abundância e diversidade. A. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Piper nigrum. Por sua vez. epífitas.7 Piperales medicinais L. Di Stasi C. C. especialmente do gênero Piper. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. Geralmente as plantas são arbustos. S. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. Portilho M. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. lianas. Mariot W. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. G. 1997). dos quais se destacam os gêneros Piper.

Piper angustifolium. sendo também apenas . Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Piper cubeba. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. como a chinesa e aiurvédica. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. muito semelhantes entre si. Espécies medicinais Peperomia elongata H. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. como a Piper betle (betel). Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Nomes populares Além de Tracoaptera. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas.1). fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7.dicinais de ampla utilização. ovário com um só estigma. Piper longum. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. folhas alternas. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. as quais passamos a discutir a seguir. pequenas. O gênero Peperomia.B.K.

sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. pequenas. Não foram encontrados sinônimos. .K. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. bastante carnosas e glabras. de distúrbios do estômago. simples.B. Peperomia rotundifolia H. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). gastrite e gripes. curtopecioladas. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. mas com pouca ocorrência. Nomes populares A espécie é chamada. na região amazônica. Piper cavalcantei Yuncker. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade.

O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. assimétricas na base. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. inflorescências do tipo espiga. . conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. atingindo até 10 cm de comprimento. pendente. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. especialmente para dores de cabeça. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. podendo chegar a até 5 m de altura.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. os frutos são drupáceos (Figura 7. todas aromáticas. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. isoladas e levemente curvadas. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. algumas lianas e pequenas árvores. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. membranáceas. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas pecioladas.2). O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. sendo a maioria arbustos. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. Piper cernnum Vell. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico.

Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. particularmente contra cólicas abdominais. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. a infusão das folhas é usada como analgésico. Piper gaudichaudianum Kunth. membranáceas. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. especialmente contra dores de barriga. onde a espécie é abundante. acuminadas no ápice. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. assimétricas na base. além de ser útil em distúrbios renais. incluindo hepatite. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. tendo distribuição por todo o Brasil. um pouco ásperas. Em outras regiões do país.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. estomacais e hepáticos.3). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. levemente curvadas. . O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares.

com ápice acuminado. pecioladas. r e t a . flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Em outras regiões do país. pequena (até 11 cm de comprimento). com até 7 cm de comprimento (Figura 7. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. folhas alternas.4). Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Ihotzkyanum Kunth. levemente assimétrica na base. membranácea. com ramos glabros e cilíndricos.Piper cf. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. glabra. flores . estomacais e renais. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. alongada e fina. inflorescências do tipo espiga. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Piper marginatum Jacq. membranosas. cordiformes. Bitre. Aperta-ruão ou Aperta-juan. Nhandi.

diuréticas. estomáquica. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo.5). Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. ovado-arredondadas. Malvarisco. . contra veneno de cobra. os frutos são excitantes. fruto do tipo baga (Figura 7. androceu com três estames. bainha desenvolvida. 1984). estimulatórias (Corrêa. resolutiva e usada em banhos após o parto. essas diferenças ficam bem claras. principalmente da tucundeira. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. as folhas. sudoríficas. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba. gineceu com três estigmas. flores sésseis.com brácteas triangulares.) Miq. andróginas. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. A planta é tônica. formando uma falsa umbela. peitadas. como ocorre no gênero Piper. se ingerida. com ápice agudo e nervação peltinérvea.6). O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". e não isoladas. um gênero da família Araceae. descrita a seguir. Pothomorphe peltata (L. Uma outra espécie do mesmo gênero. peltatas. Caá-peuá. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. dores de dente e blenorragias. minúsculas. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. Catajé. as raízes são carminativas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. sialagogas. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. membranosas.

lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. bainha desenvolvida. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. membranosas. 1980).Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. flores sésseis. com ápice agudo e nervação peltinérvea. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. andróginas. formando uma falsa umbela. diurético. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. . vermífugo. minúsculas. antiinflamatório externo e interno. cordada. ovado-arredondadas. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. 1984). flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Capeba ou Pariparoba. Pothomorphe umbellata (L) Miq. fruto do tipo baga. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico.7). A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie.

Os alcalóides. G. marginatum foram isolados aril-propanóides. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. 2000). proctorii (Mbah et al.. que também possui ácido grifólico. compostos de grande importância farmacológica.. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. B e C (Chen. ácidos graxos (Lima et al. grifolina bisobolol. 2002.. monoterpenos. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. miristicina.. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol.. Seeram et al. sesquiterpenos. que representa 49% dos constituintes voláteis. et al. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. Das raízes de P. 1988). consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. 1994). quinonas piperogalona.. foram isolados lignanas denominadas peperomina A. vulcanica e proctorionas de P. M. De Peperomia japonica. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. E.. C. são . 1982). marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. além de apiol.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. 2001). flavonóides (Tillequin et al.. 1988). Das partes aéreas de P.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. indicada populamente como antitumoral. Piper Das raízes de P.. Mahiou et al. Cromonas foram isoladas de P. 1990). et al. 1997). 1996). 2001).. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico.. 3-hidroxi-4.. 1982)..

nigrum (Inatani et al. P.. Foram isolados diversos alcalóides em P. piperidina. 1987). 1986). 1987). chavicina e outros.. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. P. futokadsura (Chang et al.. tuberculatum (Braz Filho et al... Foi demonstrado também que P. hispidum (Vieira et al. betle (Evans et al. 1987). sendo os principais piperlonguminina. 1986) e P... Achenbach et al. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. cubeba (Badheka et al. aduncum e P. 1986.. 1981) e P. P. piperina. lignanas de P.. 1985).. 1977. flavonóides de P. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. piperlongumina. guineense (Cole.. 1983). amalago (Dominguez et al. auritum (Ampofo et al. jaborandi (San Martin. hidropiperona. 1987). 1985). P. compostos fenólicos de P. hostmanianum (Diaz et al. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al.. 1982) e P clusti (Koul et al. 1986) e flavonas de P. 1986.. P. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . hispidum (Vieira et al.. P.. longum (Dutta et al. P. retrofractum (Banerji et al. 1986 e 1987). 1979). P. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. hancei (Li et al. Isolaram também neoglicanas de P. betle (Rimando et al. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. methysticum (Smith. lancei (Han et al. 1984). 1985) e P. 1979)... 1977) e P. Li & Han. 1987).. 1980) e P. Tabuneng et al.encontrados com freqüência nesse gênero. hispidum (Burke & Nair.. Bacillus subtilis. aduncum (Smith & Kassim. P. Shoji et al. 1995). 1968).. 1986). 1981). 1980). Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli.. P peepuloides (Shah et al. P. 1983. 1992). peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. 1986). Pothomorphe P.. Uma quinona.. sylvaticum (Banerji & Pal.

o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro.. O extrato aquoso de P.. Substâncias de P. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. V. galioides e os compostos ácido grifóico. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al.. et al. 1995).. B.. 1994).1-0. 1992). 2002.v. 1997).. do extrato (0.. R. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas... et al. 1996). O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. e atóxica (Saad et al. 2001). 1996b). hipotensora (Siqueira et al. et al. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. 1996a).5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. relaxamento muscular e dispnéia.. A administração i. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. 1996). et al. também conhecida como Língua-de-sapo. Assim. Arigoni-Blank et al. cicatrizante (Saad et al. R. E. 1997). promoveu piloereçáo. 1997).. analgésica (Da Silva et al. 1996). Villegas et al. V. antibacteriana. M.1-1 g/kg. O. Aziba et al. S.. Piper Foram caracterizadas para P. salivação intensa. H.cies de Leishmania (Mahiou et al. H. L. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. apresentou atividades diurética (Santos. et al. atuar como antialérgico e diminuir . O. Embora o extrato de P. antifúngica (Lima.. lacrimejamento. 1994). em doses que variaram de 0. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos.. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al.. 1998. hipotensora (Santos. 2001). 2002. bloqueada com prazosin e ioimbina. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. V.

larvicida (Mongelli et al.. 1988). por seus constituintes químicos. mutagênica (Chen et al. 1987). 1991.. P. gaudichandianum. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al.. aduncum (Lohezic-Le et al. além de bloquear a transmissão neuromuscular. Porém. inseticida com substâncias de P. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 1979). Desmachelier et al. De P. 2002).. 1984). agindo como os anestésicos locais (Singh. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger.. P. 1988). 1985). fungicida. inibindo a agregação de plaquetas. O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . esta última com potente atividade (Di Stasi.. abutiloides. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. 1988).. 2000). A espécie P. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. nematicida (Evans et al. nigrum (Miyakado et al. cincinnatoris.. A espécie P.. 1985)... P. espasmolítica.. amalago (Pupo. lancei e P. Dahanukar et al. lindbergü e P. e antiviral P. 1984). peltata possui atividade analgésica (Pupo. conhecida como Pariparoba. anticonvulsivante. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. 1984). P. 2002. 1986 e 1988. e aumentou o tempo de sono (Duve. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. 1976).. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. regnelli. Prakash. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. 2002). 1986. apresentou propriedades anestésica. 1984. peltata. 1987. Di Stasi & Pupo. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. 1986).. analgésica. 1978. 1985).. antioxidante (Choudhary & Kale. Pothomorphe A espécie P. betle apresentou atividades fungicida.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. 1985). Cairney et al. Amorim et al... 1983). methysticum também conhecida como kava-kava. retrofactum (Woo et al. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. Shen et al. Atualmente. As neoglicanas isoladas de P. a degranulação. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos.

1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al.Peperomia elongata. De P... além de atividade anti-HIV (Gustafson et al.. 1996). Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . o que não foi observado na espécie P. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. 1997. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. Miq. umbellata. 1995).. Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.Banco de imagens . antimalárica e antioxidante (Isobe et al. 1992).. 1987). O extrato etanólico das raízes de P.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.. de Ferreira da Cruz et al. FIGURA 7.. 2000). antiedematogênica.1 . 2002. analgésica. umbellata. 1987). P. peltata (Felzenswalb et al. Desmarchelier et al.. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.. umbellata L. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al.

Banco de imagens ).Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.2 .FIGURA 7. . b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .

b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ). .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.3 .FIGURA 7.

4 . .Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).FIGURA 7.

5 . . Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7.Piper marginatum.

.FIGURA 7.6 . .Banco de imagens . Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi ..Pothomorphe peltata.

. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).inflorescências Folha cordada FIGURA 7.Pothomorphe umbellata.7 .

de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. o famoso Ópio. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. Di Stasi C. foram obtidos. Hiruma-Lima C. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. Santos E. C. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. das quais devemos destacar Menispermaceae. Pteridophyllaceae. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. como a morfina e outros derivados opióides. Ranuculaceae e Papaveraceae. A. algumas lianas. como é o caso da Papaver somniferum. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. Berberidaceae. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. M.8 Ranunculales medicinais L. M. arbustos escandentes e . A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. Sabiaceae.

raspada e misturada com água. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. com ampla distribuição na América do Sul. constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala.1). folhas alternas e pecioladas. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. tais como A. 1996).raramente árvores ou ervas (Mabberley. onde a planta foi referida como medicinal. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. com contorno oblongo (Figura 8. assim como . são consideradas muito tóxicas. utilizadas por índios do Norte do país. também denominada de Abutua. fruto do tipo drupa. aplicada no local lesado e/ou ingerida. a espécie é chamada de Abuta. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Nessa família. no entanto. foi referida como planta antiinflamatória. 1997). O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. Dados botânicos Planta perene. típica da aldeia tenharins. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. Espécies do gênero Abuta. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. da Mata Atlântica. Outra denominação é Iroba. rufescens e A. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. imene. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. Uma delas.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

1996). LDH) e o nível de bilirrubina... porém. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. Farias. 1996. 1997. 1993. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. 1996). et al. et al. analgésica (Macedo et ai. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. M. 1997). B... O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos. argentea..parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. Além disso. 1994). Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al. J.. Uma loção contendo C. Brochado et al. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. 1997).. 1996. Não foram observadas.. ainda. D. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino. 1996 e 1998). 1997). além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. D. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. Loureiro et al. 1997). Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. L. et al. L. relaxante (Araújo et al. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. Farias. Gomes et al. 1999.... raízes.. in vitro. 1996a e 1996b). Kern et al. 1993). Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. 1998. GOT. 1996). assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas.. antiviral (Brochado et al. Induziu. 1987). 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza.. B..

et al. Do extrato de A.. Yang et al. aliado aos dados de toxicidade em peixes.. confirmados para inúmeras espécies dessa família. porém. 1989). 1995). requer cuidados por parte da população. C. De Ruiz et al. Extrato aquoso de A. B. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. 1996). Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. especialmente em uso crônico.. hemorragias.. et al. 1998). subclasse Caryophyllidae. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia. 1996.. 1993)... Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. S. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. sobretudo contra helmintos. O uso das espécies contra helmintos. 1988.. 1972). mas com inúmeras outras da mesma família botânica. A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. inclui . não apenas com as espécies citadas. Zhang et al. 1992).quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1986. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica.

que também inclui espécies medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. 1978). A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. embora várias espécies possam ser encontradas na África. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. com aproximadamente 1. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. 1978). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga.97 gêneros. de hábito variável e geralmente espinhosas. Em ambos os casos. Cereus e Melocactus (Cactoideae). As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo.400 espécies (Mabberley. são espécies perenes. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. • Opuntia (Opuntioideae). . que inclui a espécie Pereskia grandiflora. suculentas. Segundo Joly (1998). No Brasil ocorrem 32 gêneros. 1997). • Cactus.

.. além de heteropolissacarídeos. arabinose. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. glucose. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. além de galactose. ácido galactopiranosilurônico. sendo uma homenagem ao professor N. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. 1987). Das folhas de P. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. em altitudes e também no nível do mar. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. arabinopiranose. A goma de P. F. antitérmico e contra gripes e resfriados. oblongas e acuminadas com base atenuada. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. C. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. lenhoso. galactopiranose. obovóide. folhas subpecioladas. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. cresce em matas e em restingas. fruto do tipo baga glabra. glucurônico e seus metil ésteres.. 1994). galactose. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. A espécie é originária da Argentina. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al.. dispostas em rácimos terminais. 1986). guamacho possui ácidos galacturônico. numerosos acúleos. 1990). arabinofuranose.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. Peiresc. galactose. xilose e ramnose (De Pinto et al.

sendo algumas pequenas árvores. Portulaca oleracea.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. 1997). sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. 1978). No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. . O principal gênero é o Portulaca. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. e 33 espécies (Barrozo. nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. muitas delas suculentas (Mabberley. Talinum e Portulaca. arbustos e ervas.

A espécie é usada desde os tempos mais remotos. fruto capsular obovóide. as partes aéreas cruas são usadas. cólicas renais e . folhas pequenas. dadas sua rusticidade e resistência à seca. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. na forma de salada. outros usos são atribuídos à espécie. Bodroega. como alimento. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. planas e suculentas. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. Inclui três variedades principais. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. sésseis. pequenas. obovadas. tais como Verduega. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Na região da Mata Atlântica. mas algumas variações de nome popular são usadas. pequenas. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. e a maioria é de ervas suculentas anuais. referindo-se às propriedades purgativas da planta. axilares ou terminais. especialmente em Portugal e na Alemanha. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. flores amarelas. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. arroxeado e suculento. Dados botânicos É uma erva de caule curto. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. Berduega e Veduega. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. diminutivo de "porta".

além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. cicatrizante externa. as sementes passam por diuréticos. As folhas dessa planta também são comestíveis. . emenagogos e vermífugos. Portulaca pilosa L. Perrexi e Alecrim-desão-josé. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". emoliente. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. flores amarelas. como as da beldroega. glabros e suculentos. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. pilosas. estomáquica. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. emenagoga e eficaz contra erisipela. vulnerária. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria.afecções da vista. lanceoladas. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. amarga. de onde saem folhas alternas. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. Caaponga. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. pequenas. diurética. Também conhecida como Beldroega.

sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. carboidratos. 1996). oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. 1992).. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. ácido ascórbico. parkeol.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. fósforo. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. malônico. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina.. 1996). três diterpenóides transclerodânicos.. málico.. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. cycloartenol. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. isolados das raízes de P.. como sitosterol.5% de lipídios. dentre os quais 18:3-ômega-3. Boehm & Boehm. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. 1991). ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. succínico. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. 1991. 1994).. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca. 1995b). Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. ferro.. cálcio. 1995. ácido linoléico e ácido palmítico. campesterol e stigmasterol. ascórbico. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1992). butirospermol. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. P. fumárico e acético (Gao & Liu. 1991).. pilosa (Ohsaki et al. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. Boschelle et ai. 1991).. (1991) detectaram de R oleracea 3. 22:6ômega-3. oleracea de proteínas. Simopoulos et ai. sendo o último composto um glicosídeo.4. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. manganês.. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. 1990).. 1988). 1996).. pilosanol A. . B e C.

.. n-triacontano.De P. 1989).. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. 1993). Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano.. encontrado por Rocha et al. 1993. P. diurética (Rocha et al.. apresentou atividade hipoglicemiante.. oleracea foi investigado in vitro. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. sem alterar a diurese. grandiflora Hook.. stigmasterol. Habtemariam et al. 1994). beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. 1996).... enquanto das partes aéreas de P.. 1997). O extrato de P. oleracea. 1989).. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. n-hexacosanol. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. 1985) relaxante muscular.. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. 1994). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. lupeol. 1987). Rocha et al.. beta-sitosterol. De P. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1987). grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. . 1989. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. 1989). (1994). 1995). mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. 1989b) e hipotensora (Poli et al. dentre outras espécies. 1989).. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm..

sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. Menstruço. Salsola e Atriplex. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Inclui arbustos. extremamente ramificado. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. sendo uma planta extremamente . Salicornia.5 m. oblongas denteadas.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Erva-das-lombrigas. Spinaceae. que pode atingir até 1. 1978). até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. A família se subdivide em quatro subfamílias. ramos folhosos verdes com folhas alternas. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Anserina vermífuga. Caacica. 1997). são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. raramente. No entanto. Lombrigueira. Mentrasto e Mentrusto. Erva-das-cobras. pequenas árvores. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. Também é chamada de Ambrósia. caule ereto e glabro. Ex Stend. ervas anuais ou perenes e. Erva vomiqueira.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley.

percevejos. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. especialmente na área veterinária. Godano et al. internamente. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. 1995).) . os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. amplamente disseminado nas zonas rurais. esse uso é comum também em outros países. extremamente útil para afugentar pulgas. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. contra reumatismo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. febre. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. 1978. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. bronquite. Além desse uso. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. 2002.. em altas doses. 1985a e 1985b. a maioria de ervas.. lesões hepáticas.. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. Melito et al. baratas e demais insetos. incluindo a Amazônia. referindo-se às folhas lobadas. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. externamente.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. para problemas da pele. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". dor ciática e parasitas intestinais e. ao passo que a infusão das folhas é usada. como abortiva.

Guapira e Andradea. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. de onde partem folhas pequenas. opostas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais.3). químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. ovadoblongas. Mirabilis. a espécie é conhecida como Erva-tostão. pilosas e pecioladas. Dos gêneros. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Bougainvillea. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. arbustos e ervas que produzem betalaínas. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. nome usado em todo o Brasil. em trinta gêneros. Boerhavia. . Mirabilis e Bougainvillea. incluindo árvores. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. distribuídas. 1997). mas não antocianinas (Mabberley. Pega-pinto e Tangaraca. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Pisonia. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia.

1996. sem efeito teratogênico (Singh et al.. 1991. Rawat et al. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. além de ser considerada excelente diurético. 2000a). lianas ou ervas. 1996) e lignanas (Lami et al. atóxica.. 1997). 1999). 1978 e 1980. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca.. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . Sohni et al.. especialmente a raiz. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. sendo árvores. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. 1995). Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. possui sabor picante. Aslam. arbustos.. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. 1999). 1990 e 1991).. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. Corrêa (1984) refere que a planta. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. 1997). antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. particularmente contra lombrigas. ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia.. 1991). a maioria rica em antocianinas (Mabberley.

alternas. inchaço de mem- . Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. gineceu unicarpelar com ovário súpero. Gambá-tipi. Tipi-verdadeiro. Pipi. e o gênero Petiveria. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. em decocto ou pó. achatado e carenado (Figura 9.4). na Bahia. Dados botânicos Subarbusto perene. sublenhoso. farmacêutico e amante da natureza. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. folhas curto-pecioladas. agudas no ápice e estreitas na base. no Mato Grosso. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. ereto. flores sésseis. fruto aquênio cilíndrico. diurética. membranosas. estipuladas. raízes e ramos são considerados emenagogos. Em outras regiões. ramificado com ramos compridos. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. como abortiva. no Rio de Janeiro. limão de cayanna.como ornamentais. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. 1984). folhas. como Tipi. alfavacão. O uso externo das folhas novas e da raiz. pequenas. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. antiespasmódica e reputada como sudorífica. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. no alívio de dores musculares. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. Outros dados incluem o uso da raiz. em Pernambuco e em São Paulo. que inclui uma única espécie. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. também é comum. androceu com quatro estames. Amansa-senhor. delgados e ascendentes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. T. 1988b). linoléico. ácidos palmítico.. paralisia.. a raiz é útil na amenorréia (Agra.. 1982).. na Paraíba. ainda. Trotta et al. 1982). Grandi et ai.. beta-sitosterol. 1988... alantoína. 1990). ácido lignocérico. glicina e alantoína (Sousa et al. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. C.. 1988). 1986).. como abortivo. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. De Souza et al. 1980). o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. nitrato de sódio. 1982. M.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. esteárico. trans-N-metil-4-metoxiprolina. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. C. 1986). como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. 1992).. 1988. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. et al. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. S. serina. T. M. De Lima et al. pinitol. et al. 1980). no Rio Grande do Sul. trisulfeto de dibenzila. 1988. 1989) e depressora do SNC (Lima. flavonóides. peptídeos como ácido glutâmico. 1982). et al. beta-sitosterol.. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. além dessas indicações. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima. . lignoceril álcool. em Minas Gerais. triterpenos (Delia Monachi et al. em Brasília e no Mato Grosso. dores de cabeça.. as raízes são usadas na hidropsia. Pinto C. 1997. no Ceará. Van den Berg.. 1988). lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. reumatismo. 1980. 1990). 1998).7-di-O-metilpinocembrina.

1991). outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. 1988. 1993. 1988. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso.. 1988. utilizado popularmente como vermífugo. Y. atividades analgésica (Thomas et al. 1989. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. alliacea.... . acaricida (Johnson et al..mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. P. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. 2050 aci02). sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. 1988). com uma D L m a de 1. 1998). 2002. 1994).. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1993). alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. 1993. antiinflamatória oral (Germano et al. 1989. 1984)....270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al... 1991). Malpezzi et al.. Davino et al.. No entanto. 1995). tendo sido determinada a toxicidade subaguda. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. Elisabetsky et al. 1991. hematopoiética (Quadros et al. Takahashi. por levar à imbecilidade.. Caldeira et al. 2001).. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1991. et al. Germano et al.. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico.. Lopez-Martins et al.. Guerra et al. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. 1994). afasia e até à morte (Corrêa. 1996) e antitumoral (Davino et al. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica.. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. citotóxica. M. e o de caule... 1991 e 1992). 1998)... efeito zigotóxico (Guerra et al. 1990).. 1997) e antifungica (Benevides et al. 1992). Cortez et al. O extrato hidroalcoólico de P. Davino et al. 1987) e antiviral (Ruffa et al..

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

10
Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. e sua raiz. Wilbrandia ebracteata Cogn. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. fruto do tipo pepônio verde. com até 20 cm de comprimento. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. O nome do gênero Sechium. É uma importante espécie econômica. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. longos. Wilbrandia. sendo um produto amplamente comercializado. . Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. e muitas variedades em cada espécie.3). O gênero inclui apenas seis espécies. como em formações secundárias. membranosas. especialmente na Itália. flores amarelo-claras. foi dado em homenagem a John Wilbrand. ramoso e delicado. rugoso. que significa "pepino". especialmente após o cultivo sistematizado. com caule anguloso. folhas pecioladas. alternas. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. sulcado. descrito por Patrick Browne. como Cabeça-de-negro. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). capoeiras e na beira de estradas. mas ásperas. é uma variação de sicyos.a cinco lobos. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. e o nome. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. 5-lobadas e raramente com mais lobos. flores amarelas esbranquiçadas. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10.

1989). charantia . charantia foi determinada como 0. 1996. divididos em lipídios não-polares (38. 1996). Huang et al. Das folhas de M..40%). proteínas. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. Zn.. sendo o cucurbita-5. além do esterol. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. De M. 1988.. também.. A composição química do fruto de M. glicolipídios (35. a raiz é utilizada no tratamento de febre. afecções da pele. 1989. 1991. 1990.. 1997). charantia também foram isolados triterpenos. Foram isolados ainda das sementes de M. charantia também foram isolados vicina. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. Chang et al. Nguyen. tumores e. Ni. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. Co. 1997).81%). Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al.76% de lipídios.. Das sementes de M. Cr. 1996. 1996)... 1989. além das momordicinas (Fatope et al. Wang et ai.. Além disso.. Chandravadana et al.. Zheng et al. 1995. Das sementes de M. 1985). momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al. 1996.. sífilis (Almeida et al. 1986). 1992). reumatismo. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. 1990). aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Hara et al.. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. momordicinina e momordicilina. 1996). Dos frutos frescos de M.. 1990a).Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. Dos frutos verdes de M. assim como no controle da diabetes... Kusmenoglu. 1992).24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. charantia foi isolada a gama-momorcharia.. 1987). Foram isolados também cicloarterol. ácido linolênico.80%) e fosfolipídios (16. como laxativo (Farias et al. Grondin et al... Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. Das sementes de M. Mn e Li (Peng & Li. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos.

linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. 1987). aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. As sementes possuem 50% de óleo. charantica. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. oléico. triterpenos tetracíclicos. dioica eM. 1997). micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. rigorosamente. isolados das partes aéreas. posteriormente. Dos frutos de Aí. balsamina (De Tommasi et al. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos.. 1994). Geralmente.. foetida (Mulholland et al. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. 1990). também descrito em M. 1993). balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. contendo trinta carbonos. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. seguidas. provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. . 1994). pela E e. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. além de possuir óleo essencial (Guerrero. pelas G. além do ácido rosmarínico. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. sesquiterpenolactonas e taninos. Aí. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). esteárico. além de uma resina (Volák & Stodola. também foram detectados em Aí. As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina.. 1991). 1995). H e I (Miro. Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. 1987). as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1995).. 1990b). além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. charantia. 1993). Das sementes de M.vicine. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. 1990).

. charantia (Rathi et al.. Ahmad et al.. Inibição da síntese de RNA. 1983).. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. extratos brutos de folhas.. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos.. da síntese protéica. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. DNA. antiviral (Takemoto et al. 1996. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. El-Gengaihi et al. parâmetros hematológicos permaneceram normais. Pugazhenthi & Murthy. 2002). O extrato etanólico de M.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. Raman & Lau. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. 1982a e 1982b)... 1983a e 1983b) e . (1986). 1980.. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.. Athar et al. decocto das folhas e suco de M. 1986. 1997). charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. 1982. Platel & Sirinivasan. Welihinda et ai. 1993). O suco dos frutos de M. 2002) (Jilka et al. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. 1987). Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. 1981. 1993). da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. Além disso. 1996)... 1996. Ng et ai. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. 1996. (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. (1994). 1984. Karunanayake et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al.

Fong et al. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. momordina 1 e momordina 2. pulmonares e da mama (Rybak et al. na qual descreveram a momorcochina. A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. incluindo M. charantia. charantia. .. charantia. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. 1994).. Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. proteínas inativadoras de ribossomos.. Os frutos e sementes de M. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. Wang et al. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. 1994)... 1983).. 1990). 1990). 1996).. 1987. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. isoladas de sementes de M. 1995). apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. Ng et al. As proteínas inativadoras de ribossomos.. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. L. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. 1993). charantia) inibe a integrase de HIV-1.. 1996).. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. 1990a).. charantia. alda-momorcharina. uma proteína inativadora de ribossomos. et al. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. A glicoproteína isolada das sementes de M. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea.. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta.imunomoduladora (Spreafico et al. charantia. antitumoral. 1993). atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. isoladas dessa espécie. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. 1995b).

charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1988). No entanto. MAP30 isolado de M.. Misra et al. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. O extrato aquoso da folha de M. (1984 e 1985).. 1996). De M. 1996). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. Embora indicada contra malária. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. 1990. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1996). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. 1991).. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al.. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M.. 1996). e o rizoma de Curcuma longa Linn. charantia (Silva.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. Foram isoladas duas proteínas de M. Amorim et ai.. 1995). 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. et al. 1987). Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. Dos frutos verdes de M. Basaran et al. 1994). 1994). Apesar da indicação popular para inflamação. 1997). antiancilostomose (Berchieri et al... A M. L. 1995). 1990.. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .. M. charantia e Emblica officinalis Gaertn.. 1990). charantia foi isolado ginsenosídeo. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. De M. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana.. Os frutos de M. 1987). Das folhas de M.

et al..... tais como antiinflamatória. antitumoral. 1996). além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. antimicrobial. 1995. hipovolemia. 1991).. inibição da ovulação. 1986). C. Pagotto et al. em rato. hipotensora (Gordon et al. Miró. 2000) e antimutagênico (Yen et al. Além disso. 1995).. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. 1993). 1984. 1996). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1994). . anti-helmíntica. 2001). diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. 1995). Proteínas isoladas de M.atividade hipoglicemiante. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. Peters et al. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al.. 1989. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae.. 1995. 1995. A. Jensen & Lai. aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. anticoncepcional. charantia (Sankaranarayanan &Jolly. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 1995. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al.. 1997 e 1999). 1997).. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. do que o extrato de M. citotóxica. diarréia. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas.. Hamato et ai. 1993). tais como antioxidante. 1986b). De M... Outras atividades também foram descritas para a espécie... diminuição da pressão arterial.. O extrato alcoólico de M. 1991). Trichosantina. 1993). em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Teixeira.

observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. 1992). Das sementes de M. angaria foi de DL50 = 1. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. 1996. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai.6 mgAg. 1996. 1987). 1996.. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. recentemente. 1986). dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória.... Raman & Lau. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai.. 1986). 1994). Em ambos os casos. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. Chan et al. 1990). charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina. 1997).. charantia em enzimas hepáticas. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1986. .Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. Os frutos de M.... cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. especialmente por gestantes. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. Platel & Sirinivasan. El-Gengaihi et al. 1988). A toxicidade do fruto de C.

Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. com gomo terminal protegido por estipula caduca.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. mas que possui uma grande importância. referindo-se ao estame bifurcado. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. ovário unilocular. e stemon = "estame". bem desenvolvidas. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. distribuídas em regiões tropicais. pétalas ausentes. androceu com um estame. alternas.4). O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. fruto do tipo capsular trilobado. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. e não foram encontrados sinônimos para ela. . 1978). onde há cerca de oito espécies. pedaço. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. folhas simples. semente com endosperma carnoso (Figura 10. farrapo".

no entanto. existem várias espécies do gênero Passiflora. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. compreendendo lianas. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. arbustos e árvores (Mabberley. 1996). Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. em geral trepadeiras. 1992). Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. representando um importante recurso econômico. No Brasil. conforme apresentamos a seguir. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. 1997). com 575 espécies tropicais e temperadas. de valor alimentício e medicinal.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. . A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas.

enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. 2-pentadecanona. agudas no ápice e estreitas na base. estipulas ovadas. Spencer & Seigler. monoterpenóides. principalmente a P edulis. caule robusto. Passiflora macrocarpa Mart. cilíndrico. 1989). carotenóides (Ferreira et al. peninérveas. sementes compridas (Figura 10. chamada popularmente de Maracujá gigante. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). corniculadas. 1987a. gavinhas que são ramos florais modificados.. mas identificada apenas até o gênero. 1996. 1987b e 1985). hexadecanóico. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. epipassicoriacina. côncavas. é usada para diversas finalidades. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo.. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. antocianinas (Kidoey et al. 2tridecanona. ovadas. alternas. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. 1991).5). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. o suco dos frutos é considerado sedativo. uma espécie denominada Maracujá. 1983). Uma outra espécie de maracujá. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). flores com cinco sépalas ovadas. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. pela interpretação dada às peças florais. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. e cinco pétalas rosadas.. margem inteira. folhas inteiras..Dados botânicos Planta glabra. 1997). pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. (9Z)-ácido octadecenóico. que lembram os instrumentos do martírio. Na região da Mata Atlântica. 1990). cordiformes. planas e obtusas. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. . fruto oblongo-ovóide. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina.

Costa. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. lipídios. Dos frutos e folhas de P . 1997.. mollissima (Froehlich et al.. 1997. taninos. Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. fermentos. vitaminas A. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al.. orientina e isoorientina. 1986). 1986). 1988. 1998). 1980).. saponarina. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. 1997). 1984) e a P incarnata (Kimura et al. glicosilflavona (Geiger & Markham. Flavonóides como vitexina.. Da espécie P. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al.1979). 1997. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. Raffaelli et al. Sena & Leite. harmalina.. isovitexina. Esse composto não foi detectado em P coerulea. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Amaral. isoorientina. 1980. riboflavina. açúcares. B1. harmina. proteínas. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. Proliac & Raynaud. cálcio. 1988). carboidratos. assim como ácidos graxos. maltol. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1986). Vale & Leite. fósforo. bem como a presença de glicosídeos em P.. P.. 2000). Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1979)..... O suco dos frutos contém água. 1997). vitexina e isovitexina) (Soulimani et al.. 1988). 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al.. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al.. 1995. potássio. amliformis (Restrepo & Duque. analgésica. B2. K. Spencer & Seigler. 1996). 1988. 1987b). Ortega et al.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. flavonóides (orientina.. sendo a passiflorina o mais conhecido. ferro. Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. PP e C (Zhuang & Wang. isoschaftosídeo. 1991). 1996). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. quadrangularis (Orsini et al. Menghini. et al. 1988. 1989). de onde foi isolada crisina. nem em R incarnata (Speroni et al. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. espasmolítica (Queiroz & Brandão.. 1987). harmol e harmalol). 2000. P coriacea (Spencer & Seigler. 1988).

FIGURA 10.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. 1985b. espasmolítica (Carneiro et al. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona.. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al.Luffa cylindrica Roem. inotrópica. 1991). ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico.. Das folhas de P . 1978).. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. 1988).. Barros et al... outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.. Detalhe da folha 5-lobada. 1991. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al.. 2000). fruto e flor (Banco de imagens .1 . 1998a). 1989 e 1993) e inseticida. 1985). Echeverri & Suarez.. Porém. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. antipirético (Silva et al. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P.. foetida apresentou atividades hipotensora.. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. antiinflamatório (Silva et al. 1989).

2 .FIGURA 10.Momordica charantia: a) ramo com frutos. e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima). .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

11
Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

Sida rhombifolia L var. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. emenagogos e as folhas (decocto). . na região amazônica. freqüentemente com cálice roseado. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. de Vassoura. como emético (Hoehne. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. as flores são pequenas. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. no Pará. canaiensis (Willd. Malva-preta. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. Schum. mas também de Ganchuma e Relógio. na Bahia. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. reunidas em fascículos axilares. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. como abortivos. as raízes são usadas contra moléstias uterinas.) K.mas. lineares e de cor branca. Vassoura e Relógio. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. 1939). enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. com caule ereto e ramoso. 1982).

Em outras regiões do país. mas esta não foi completamente identificada. axilares. em Minas Gerais. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Dados botânicos Planta anual. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. Guaxiúba. chamada de Caapiá. é de grande uso externo contra reumatismo. Grandi & Siqueira. emoliente. folhas curto-pecioladas. dispostas em racemos. Rabo-de-foguete. popularmente conhecida como Caapiá. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. tônica.. na região amazônica. contra desarranjo menstrual.4). Coaquibosa. alternas. Aramim. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa.. é tido como útil. Aguaxima. Guaxuma. Urena lobato L. rombóideovais ou lanceoladas. no Rio Grande do Sul. 1982. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. no Rio Grande do Sul. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e Guanxuma. Guaxima. Carrapicho-de-lavadeira. 1982). róseas.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. Ibaxama. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. O chá de toda a planta. na dose de três xícaras ao dia. 1986). Na Mata Atlântica. Malva e Vassoura-do-campo. ereta. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. em São Paulo e no Rio de Janeiro. a planta é utilizada como béquica. reticulata (Cav. como Minas Gerais.Vassourinha. Uacima e Uacima-roxa. Malvaísco. Malva-roxa. ramosa e pubescente. flores solitárias. anti-hemorroidal. . as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. var. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero.

1991). De H. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo.. mucilagens das espécies H. cordiformes. moschentos (Tomoda et al. lobadas e de formas variáveis. diurética e útil contra eólicas. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1987). 1984). suculentus (Tomoda et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. onde se encontram glândulas nectaríferas. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. com grande destaque para as três nervuras centrais. emoliente e contra eólicas renais...Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. cannabinus foram isolados. ligninas de H. 1986. flores pecioladas. 1991). A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. pequenas. roxas ou rosas. suculentus (Moawad et al. H. 1985) e H. H. de onde partem folhas alternas. ciclopropenos (Nakatani et ai. 1977b e 1978). 3-7 nervadas. Dados químicos Hibiscus De H. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente.. Tomoda & Ichikawa. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. cannabinus (Kulchik . O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. solitárias. pecioladas. comum às espécies desse gênero. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. com ramos alternos cilíndricos.. fosfolipídios (Tolibaev et ai. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. 1977a. 1986). 1986). de até 3 m de altura. syriaceus (Shimizu et al. 1990). a decocção da raiz é usada como diurético. fruto do tipo capsular.

o H. peonidina. 1977). glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. 1989a e 1989b). Husain et al. 1988).-L-arabinosideo-7. oléico e linoléico (Tolibaev et al. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. sterculico.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. quercimeritrina. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. 1990). esterol ésters. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. petunidina.. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. epoxiacilglicerídeos. 1989). moschentos foram isolados 3. 1991) e lactonas de H. xilose e frutose (Pouget et al. 1991)..4'-pentahidroxiflavona. Das sementes de H. 1990). 1990) e alfacelulose (Saikia et al. epi-ikshusterol. De H. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. triacilglicerídeos. esterois livres. .. De H. monoglicerídeos. Em cultura de tecidos. 1986)..et al. malvidina (Kim et al. galactose. fosfatidiletanolamina.. esculentus e H. Das pétalas de H.. glucose.. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. ikshusterol. De H. cianidina. pelargonidina. diacilglicerídeos. 1986. N-acilfosfatidiletanolamina. 1989). ácidos palmítico. abelmoschus (Maurer & Grieder. N-acilisofosfatidiletanolamina... arabinose e arabinan. sabdariffa produziu antocianinas. 1978). sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. fosfatidilinositol. além de 15% de ramnose.. 1988). dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. 1990a e 1990b). taxifolina e herbacetina. 1988). betasitosterol. A quantificação das proteínas das sementes de H. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. kaempferol 3. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. Foram isolados também de H.7. ácidos graxos livres. beta-sitosterilglicosilado. tiliaceus (Ali et al.8. sesquiterpenóides de H. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1988).5. Duckart et al. linolenato de metila. 1986. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. No óleo das sementes de H.

prolamina e glutelina (Sammour et al. dipalmito-oleínas. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. mirístico. De G. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. resinas. oléico. Ermatov et al. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. xantofilas. principalmente o esqualeno. dipalmito-linoleínas. corantes como carotenos. esteárico. araquídico.Das folhas de H. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . D-galactose. 1995). hirsutum (Schmidt & Wells. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. 1985). palmítico. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. palmito-dilinoleínas. hirsutum e G arboreum. 1979) e G. 1987). 1986). silianum (Kumamoto et al. diversos terpenóides (Hunter et al. globulina. lecitinas. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. barbadense determinou a presença de albumina. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. também isolado de G. 1995). hirsutum e B. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. G. 1979). tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. 1986). fosfolípides. barbadense. 1985). hidrocarbonetos. miristoléico e palmitoléico. rainundii (Stipanovic et al. Foram isolados de G. esteróis. 1986. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). 1980). mucilagens e proteínas (Costa. óleo-dilinoleínas. Das sementes de G.

Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. stigmasterol.(+) gossipol de G. ácido palmítico. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1987). As partes aéreas de S. pristano. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. vesícula seminal e próstata ventral foram . A extração das partes aéreas de S. As partes aéreas floridas de S. 1989). escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. S. De S. campesterol. 1981). fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. isoquercitrina. 1990). 1997). rhombifolia e S. espermátide e espermatozóide.3%3%) (Bandyukova & Ligai. S. 1989a). Das partes aéreas de S. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. 1988a). 1989b). As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. spinosa (Prakash et al. 1988). e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. hirsutum (Zhou & Lin. barbadense e G. hermaphrodita contêm também os flavonóides. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. acuta. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. hirsutum (Mansour et al. ácidos graxos como beta-sitosterol. fitano. acuta (Goyal & Rani. ácido glutâmico e aspártico. humilis. barbadense e G.

A espécie H. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. Ainda de H. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. assim como uma forte ação citostática. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. 1985). 2001). Essas atividades. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. Pakrashi et al. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. antimutagênica (Wang et al. tripsina e a alfa-quimiotripsina. .. O extrato das flores de H. antiespermatogênica. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. no tratamento com Hibiscus. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. 1999. 1976a e 1976b ). Em camundongos. 1987). A taxa de inibição de fertilidade com H. 1990). rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. 1986). hipoglicêmica de H. 1999). Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. 1992). citotóxica. moschentos (Tomoda et al. 1979). O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. 1986. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H.reduzidos nos animais tratados com H. 1984. causando o final da gestação (Pakrashi et al. rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. 2000). O ovário apresenta sinais de luteólise. Haji & Haji. 2002). esculentus (Medeiros et al. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. 1985). sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. sabdariffa (El-Merzabani et al. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. e de H. esculentus. 1987). Pai et al. 1989). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. porém os níveis de colesterol subiram. 1987). verificadas por Singh et al (1982). As flores de H.

1988) e S. Extratos de S. serratifolia (Sawhney et al. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. 1995).Gossypium O gossipol. 1980). Wang & Bunkers.. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. rhombifolia (Bortoluzzi et al. 1997). O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. Flavonóides de G. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. 1982). 1984). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . Sida Os alcalóides de S. 1985). Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. Terpenóides isolados de G. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. barbadense e G. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. 1978). 1985). As proteínas das sementes de G. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. principal constituinte do óleo do algodão. hirsutum e G. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1996). 2000) e tóxico (Bourke. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). 2001. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin.

de grande cultivo em jardins. distribuídas em onze diferentes gêneros. raramente ervas ou lianas (Mabberley. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. 1996). onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. Helicteres e Waltheria. nos quais se distribuem 1. Na região . et al. e o gênero Theobroma. do valioso Cacaueiro Joly 1998). 1997).500 espécies tropicais. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. poucas em áreas temperadas. Sterculia. carpinifolia. todos típicos de cerrados e campos. As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. Dombeya. 1998. 1998). porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. Das partes aéreas e folhas de S. V. Segundo Barrozo (1978). 1988b). vulgarmente chamada de Guaxuma. Do infuso de S. incluindo árvores e arbustos. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. 1988. F. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. Fernandes et al. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. 2001). C. 1998. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. Bianchi et al. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. Franzotti et al. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. 1992). cordifolia (Malva-branca). Drena As raízes de U. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. onde são encontrados em abundância. rhombifolia. exceto Bacillus subtilis.

1988). 1991). onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. ovóide. . para o tratamento de diarréia. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu.5). ex Spreng. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. liso e escuro (Figura 11. 1990). pedunculadas. vermelho-escuras. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. com ramos longos.) Schum. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em tribos indígenas amazônicas. bem como nas comunidades locais da Amazônia. com estipulas caducas. folhas com pecíolos curtos e carnosos. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. flores que brotam dos galhos. Cupu-assu. fruto do tipo capsular grande. medicinal e alimentar. Theobroma. significa "manjar dos deuses". Copoaçu. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. duas das mais importantes e valiosas espécies. e o chá da sua casca. com brácteas linear-lanceoladas. ou por suas variantes: Cupuaçu. grandes e vistosas.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. no Pará (Amorozo & Gély. O gênero Theobroma. Dados botânicos Arvore de grande porte. de valor econômico. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. descrito por Carl Linnaeus. O nome do gênero. oblongolanceoladas. grossos e tomentosos.

inibidores fenólicos da a-amilase. M. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao.e tri-insaturados (Costa.. glicerídeos di-saturados. ex Mart. 1993). e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. mono. Pagonini et al. Cacao azul. teobromina. et al. com ramos curtos. inteiras. folhas com pecíolos longos. albuminas. Cacao forastero. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. palmítico. denominado Theobroma cacao L. 1970. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. até 10 m de altura. ácidos esteárico. cacao. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal. Caca-y. fruto capsular ferrugíneo.Theobroma speciosa Willd.6). oblongolanceoladas.7. vermelho-escuras. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. tripsina . Criollo. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. como a T. Outras espécies desse gênero. 1989). 1992a e 1992b). mirístico. oléico e linoléico. globulinas (Voigt et al. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro.9-tetrametilúrico. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. contêm flavonóides (Jalal & Collin. Chocolate. 1986). (Figura 11..3. 1979). 1977).. Kakao. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Já a espécie T. fasciculadas. flores dispostas no caule. no Amazonas. grandiflorum). Cacaoyer. speciosa possui ácido 1. Dados botânicos Árvore de porte médio.. T. cafeína (Maia et al.

bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. antocianinas. 1991).. geraniol. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados.(Quesada et al.5%) e o isoeugenol (8. 1995). teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. speciosum. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. taninos condensados. quercetina3-0-glucosídeo. T. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. O T.2%). cacao consistem de 78 componentes..6%. ácido araquídico. Os alcalóides teobromina.37 a 1. Alcalóides purínicos (cafeína. dentre os quais o óxido de linalol (12.. gorduras (Malini et al.. longifoleno e citronelol (Erickson et al. pela presença de ácidos graxos. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al.7% a 57. 1986).. porém. teobromina. augustifolium (Sotelo & Alvarez.9%). T. 1996). mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados.. 1991). quercetina e esculentina (Bastide et al. bicolor e T. bicolor e T.74% (SantAnna Tucci et al. simiarum. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. derivados do ácido hidroxicinâmico. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. 1991). T. taninos. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. Esse constituinte também . Em T. nerol. 1996). Além de açúcares totais. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. As essências florais de T. cacao. ácido cítrico. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al. augustifolium. que variou 50.. cacao foi caracterizado como de 190. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al. flavan-3-ols. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. subincanum. mariae. 1986). O índice de saponificação da T. 1989). 1994). Porém. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. 1987). nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. procianidina B2. (-)epicatequina. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. 1987).. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. tais como ácidos palmítico. ácido lático. Em T. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. cacao e também em T. diferentemente do T. 1994). e T.. ácido ecosadienóico. xantinas e lipídios.

A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. 1997). uma atividade analgésica (Santos. 2002). clorofila. 1992). Melzig et al. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. cacao (Gurney et al. 1997). 1992a e 1992b). 1997). 1997. isolada dessa espécie vegetal. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. 1989).. cacao (Yamagishi et al. Sanbongi et al. análoga à manteiga de cacau..pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. .. e a proantocianidina. 2000). amido. proteína. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. M. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. 1997). et al... Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al.. cacao apresentou um efeito vasodilatador. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda.. fenóis e taninos.. cafeína. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1997). 1997... Paganini et al. 1970.

muito conhecida na região amazônica Joly. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. No Brasil. que a referiram como medicinal. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. de até 13 m de altura. de numerosos estames livres. 1998). 1978). Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. e Apeiba. . Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. Triumfetta. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. serrilhadas. com o nome de Curumin-nhapuá. 1997). Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. Espécies medicinais Muntingia calabura L. os gêneros mais comuns são Luehea. agudas no ápice e oblíquas na base. da planta Pau-de-jangada.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. Dados botânicos Árvore de porte médio. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. raramente ervas ou lianas (Mabberley. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. sendo a maioria de árvores e arbustos. oblongolanceoladas. folhas curto-pecioladas.

ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. sendo ésteres (31.3%) os mais significativos.3%).7). ovário 5-7 locular. calabura foram isoladas Havanas. calabura L.dispostas em pedicelos axilares. e salicilato de metila. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie.. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. e as flores.4%).6%) e derivados furanos (8. inúmeras sementes (Figura 11. 1984).9%).3%). 1990).7%). A casca é emoliente. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol.5%) e compostos carbonil (23. Do extrato citotóxico das raízes de M. fruto do tipo baga. aqui descrita como medicinal. 1991). arredondado.3%). quercetina. vermelho. indeiscente. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. compostos fenólicos (11. . alcanos (15. sesquiterpenóides (10. Dos frutos de Aí. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. ésteres (26. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1. antiespasmódicas (Corrêa. dos quais predominaram alcanos (44.

FIGURA 11. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . 1998.1 -Bixa arbórea.

1984).FIGURA 11.2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly. 1998) (Banco de imagens - .

FIGURA 11. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .3 .Gossypium barbadense.

Sida rhombifolia var.FIGURA 11. canaiensis.4 . 1998) (Banco de imagens . Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

FIGURA 11.5 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .Theobroma grandiflorum.

6 .Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.

7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .FIGURA 11.Muntingia calabura.

12 Urticales medicinais L. Seito C. e o segundo. Cecropiaceae. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. por esse fato. fonte de substâncias também tóxicas. Da família Cannabaceae. não possuem importantes espécies de valor medicinal. Di Stasi L N. amplamente conhecida como . devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Ulmaceae e Barbeyacea. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae. e o importante gênero Urtica. fonte da maconha (Cannabis sativa). Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. das quais as famílias Moraceae. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Em duas delas. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. Cecropiaceae e Moraceae. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. A. As outras duas famílias dessa ordem. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. C. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica.

Pourouma e Cecropia. referida com adulterante da Espinheirasanta. Ambaitinga. Ibaituga. Arvore-da-preguiça e Torém. Poiküospermum. Musanga. e a espécie Sorocea bomplandii. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. longopecioladas. Embaúba. Ambatí. Com esse novo arranjo.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Ambaí. Arvore-da-guiça. alternas e protegidas por duas estipulas. Ambaíba. Imbaubão. Figueira-de-surinam. de Lixa. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. Ibaíba. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. folhas grandes. lactescentes. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Ambahú. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Imbati. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. Toréin. Outras denominações populares são Aimbahú. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. Myrianthus. . peitadas acima do centro. Espécies medicinais Cecropia peltata L.

Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. 1996).. usados na fabricação de instrumentos de sopro. 1996b).. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. reunidas em densas inflorescências. catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. C. hidropisia. Na região do Vale do Ribeira. 1994). 1984). flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. do grego. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. F. 1985). A. Nas folhas do extrato de C. bronquite e gripes fortes. ecoar". que significa "chamar. Santos. et al. et al. 1992. a raiz é considerada útil contra tosse. 1986).1). lyratiloba (Menda. indicada popularmente como antiinflamatório. C. A. Em C. catharinensis. frutos nuculares. et al. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. unilocular. Na espécie C.. muitas delas de ocorrência no Brasil.. R. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. antililiásica (Domingos et al. Das folhas de C. 1983). Mal de Parkinson. meio homem e meio serpente. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. 1998). filho da Terra. R. Kerber. A. carpelar.flores pequenas de sexo separado. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro.. . O xarope dos brotos também é usado contra tosse. Das raízes de C. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. gemas e brotos são adstringentes. adenopus. 1984b).. asma. 1986. formando infrutescências inclusas (Figura 12. As folhas.

1998a e 1998b. No Brasil. que incluem árvores. Rocho et al. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. Astocarpus e Sorocea.. 2002).. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. compreende 1. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. descrita originalmente por. espasmolítica (Delia Monache et al. isolada de espécies deste gênero. Dorstenia. A cecropina. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. dos quais se destacam: Ficus.. 1997).) Burger. Morus. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. de Espinheira-santa. característica marcante da maioria das espécies dessa família. antiulcerogênica (Cysneiros et al. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. 1992). com inúmeras espécies usadas como ornamentais. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. 1988). Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. Johann Heirinch Friedrich Link.. 2001). 1998. 1988. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild.100 espécies tropicais e poucas temperadas. lianas e ervas (Mabberley. Cysneiros et al.. efeito depressor do SNC.. distribuídas em 28 gêneros. a família conta com aproximadamente 340 espécies. 1993 e 1996a).depressora do SNC. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. antidepressiva.. arbustos. Em outras re- . 2001). 2001). distribuídas em 38 gêneros. ansiolítica (Barettaetal. Rocha et al. na Mata Atlântica.. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C...

. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Folhas-de-serra. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. de face superior brilhante e inferior opaca. da família Celastraceae). Recentemente. Gonzales et al. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. A espécie é latescente. bomplandii. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. 2001. de casca fina. fruto do tipo baga. 1993). Araçari. especialmente na Mata Atlântica. especialmente da Mata Atlântica. Soroco. Trata-se de uma espécie perenifólia. com tronco ereto. ciófita. Carapicica-de-folha-miúda. 2001. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. Flavonóides foram isolados de S. Laranjeira-do-mato. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras.. 1993). Canxim. quando não está em época de floração.. Calixto et al. cilíndrico. folhas simples. Resple. chegando a 10 cm de comprimento. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura.giões do país a planta é chamada de Cincho. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos.. ilicifolia e S. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. . inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas).

1 . b) detalhe da folha. S. (Banco de imagens .FIGURA 12. Reis). d) flor feminina. c) inflorescência. 1998.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Guimarães C. a família é representada por 72 gêneros. com aproximadamente 1. A. lianas ou ervas. comumente com células especializadas na produção de látex. M.13 Euphorbiales medicinais C. A família Euphorbiaceae. No Brasil. segundo Mabberley (1997). compreende 313 gêneros. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. M. arbustos. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. R. 1978). Hiruma-Lima A. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. . Das centenas de gêneros. Na família ocorrem árvores. a maioria cosmopolita. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil.100 espécies. 1997). é urgente uma revisão da família. Santos L. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. C. M.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Souza-Brito E. Thymelaceae e Euphorbiaceae.

Jatropha e Croton. folhas simples. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. espécie rica em óleo de rícino. com limbo dividido em lobos ou segmentos. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. verdes. da valiosa Mamona. separando-se em três cocos. ervas e arbustos. estipuladas. flores de sexo separado. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. sendo algumas árvores. dos quais referimos algumas espécies a seguir. enquanto a infu- . peninérveas. atualmente cultivada em vários países. Mabea. febres. especialmente em Phyllanthus. pela semelhança das sementes com esse animal.devemos destacar Ricinus. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. icterícia e malária. a maior produtora de borracha. e outras. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. problemas hepáticos. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. pecioladas. lanceoladas. Do gênero Euphorbia.1). Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. fruto seco. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". esquizocárpico. Pedilanthus. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago.

no Pará. Pinhão-de-purga. na região amazônica. mas também de Peão. Pinhão Pinhão-branco. reunidas em inflorescências racemosas. é útil contra hepatite. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. peninérveas. Pião. reunidas em inflorescências paucifloras. Nomes populares A espécie é chamada. com brácteas . grandes. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. pequenas. Pinhão-manso. palminérvias. fruto seco. esquizocárpico. sementes ricas em endosperma. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. com ápice curtamente acuminado e base cordada. flores unissexuadas. Croton sacaquinha Croizat. lanceoladas.são das folhas. amarelo-esverdeadas. no Ceará. e Mandobiguaçu. longo-pecioladas. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. estipuladas. folhas alternas. lobadas. nodoso. glabras. atingindo até 4 m de altura. flores de sexo separado. de Sacaquinha. Pinhão-do-paraguai. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. lactescente. a Sacaca. separando-se em três cocos. membranosas. Pinhãodos-barbados. curto-pecioladas. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Maduri-graça. de caule grosso. folhas simples.

Mamoninha. Pinhão-roxo. deriva do grego iatros = "remédio". flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. O nome do gênero Jatropha. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. contra feridas (Amorozo & Gély. dez estames. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. As sementes são eméticas (Corrêa. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire.lanceoladas. 1984). Erva-purgante. Peão-pajé.2). assar a polpa na cinza. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. elipsóides e oblongas (Figura 13. 1988). Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. sementes escuras. . Peão-curador. constipação nasal e como purgativo. Batata-detéu. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. assim como para constipação nasal. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. Arg. enquanto as sementes. lisas.. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. gengibre amassado. 1982). coriáceo. após a retirada do embrião. esta passa a ser comestível e saudável). tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). são torradas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. secar até ficar fria. colocar no café e banhar a cabeça). Jatropha gossypifolia L. o látex é aplicado externamente. fruto do tipo capsular. Raizde-téu. no Pará. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. gripe (descascar a semente. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. partir e tirar a "folhinha". as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). Pião caboclo.

dispostas em cimeiras paniculadas. ramosa. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . o chá das folhas é usado como antitérmico. roxas.3). folhas pecioladas. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. grandes. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. com folhas alternas. lineares. contra "mau olhado". flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. escuras e com pecíolos pubescentes. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. 1988). que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. contra feridas. fruto capsular. o banho. glabras e estipuladas. e as folhas na cabeça. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. A planta é purgativa. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. Em Brasília. no Piauí (Emperaire. flores unissexuadas. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. O nome do gênero Mabea. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. 1982). 1982). contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. palmadas e limbo dividido em lobos. 1984). cálice com cinco pétalas. trissulcado. útil nas obstruções das vias abdominais. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. No Pará. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura.

significa "flor na folha". reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. flor masculina fasciculada com três estames. 1984). Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate.5 m de altura. que atinge até 0. cápsulas pequenas. trissulcadas. flores de sexo separado. incluindo as raízes. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. ramificada. enquanto a infusão de toda a planta. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. é usada como diurético e contra . Na região amazônica. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. Phyllanthus corcovadensis Muell. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. com ramos glabros. Arg. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. Dados botânicos Planta de pequeno porte.Aublet. O nome do gênero Phyllanthus. folhas com limbo. distribuídas na América tropical. estipuladas. sementes minúsculas (Figura 13. alternas. Na região do Vale do Ribeira.4). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. descrito por Carl Linnaeus.

Das cascas de C. Posteriormente. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton. 1989. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1979.. é útil contra problemas do fígado.dores de barriga.. transcrotonina. 1998). de ácido aleuritólico (Muller et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. 1991). A infusão das folhas. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. alfa-humuleno. 1986).... 1989). cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. 2000). 1982).. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. O óleo essencial das cascas de C. 1992). principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. . 1. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. e os principais constituintes são alfa-pineno. Em Minas Gerais. Kubo et al. 1990.8-cineol. Maciel et al.. além de ser usada contra pedras nos rins. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. beta-cariofileno. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo.

lechleri foram: acetato de etila.8-cineol. gama-elemeno. lundianus e a C.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16).14-dieno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. Das partes aéreas de C. 1995). De C.4-dimetoxifenol. alfa-cubebeno. 1996).cadideno. Das folhas de C.. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários.. 1992). que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. 4b-dihidroxi-15. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. 1994). eucaliptol. limoneno e outros. a printziano e um norclerodano (Siems et al.4b-dihidroxi-15..16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. alfa-ilangeno. e de C. 4-hidroxifeenetil.. e das cascas do caule de C.. glandulosus. aubrevillei J. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane.4-dimetoxibenzil. mirceno. metileugenol. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. 3. 1992). sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. ludianus possui 1. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. propionato de etila. acetato de propila.. p-cimeno. enquanto germacreno B. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. a levatina (Moulis et al. A composição do óleo essencial das cascas de C.4. 1996). cânfora.. acetato de 3-metil-butanol. alfa-humuleno. 2. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. Além disso. betabourboneno e gama-cadineno.6-trimetoxifenol. 3. . hovarum: a 3a. alfa-guaieno.. foi determinada. acetato de 2-metil-butanol. C. cadineno. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. allo-aromadendreno e torreyol.3.5-trimetoxibenzeno.. e das folhas de C. gama-elemeno. e chiromodine (Weckert et al. linalol. 2-metil-butanol. o óleo de C. zambesicums Muell. glandulosus (Neto et al. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. estragol. 1992b). 1996). lechleri foi isolada a sinoacutina. 1992). Os constituintes voláteis isolados de C. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. 1993b). Porém. 1993a). sitosterol.. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. a C. cortesianus foram isolados o clerodano. 1995)..14dien-9-al e 3a. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. metil isoeugenol.

.. a seco-labdane (Schneider et al. b-sitosterol. macwstachys (Herlem et al. 1992). sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno.. taraxerol. Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. jatrofolona B. 1991). 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. stigmasterol. Das partes aéreas de C. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. diasii (Alvarenga et al.. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. jatrofina. 1995). riangularis (Moura et al. Jatropha Das raízes de J. hemiargyreus (Barnes & Borges.7b-dihidroxiannoneno e 6a. os triterpenóides jatrofolona A. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. e das folhas de C. ésteres e cetonas não-terpenóides. eluteria foram isolados sesquiterpenos. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. tomentina.3'.. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. e de C. 1981). De C. 1993). ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. 1986) e C. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. 1992). castaprenol-11. 6a. 1994). salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. 1988). nobiletina. beta-sitosterol (Chen et al. 1992).. caniojana. jatrofolona B.. 1996). Compostos terpenóides foram isolados de C. 1986).5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. 16hidroxijatrofolona. 5hidroxi-6. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3.. jatroolona A.5. enquanto alcalóides foram encontrados em C. taraxerol. 1991a).6-diona. curcas foram isolados ainda as latiranas. De J. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. 1996). jatrofol. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. . C.De C. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. eudesmanos. e das cascas de C. gossypifolios (Cespedes et al. argyrophylloides (Monte et al. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C.7... Do óleo de C..7-dimetoxicoumarina. 1976).. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. 1991).. Das raízes de C.

mollissima foram isoladas orientina. podagrida apresentaram 24%. De J. 15.26% de ácido aracdônico. 1988). J. gossypifolia e J. caniojanae 1. 1986). Das raízes secas de J. J. Auvin-Guette et al. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. 1989)../. divica foram isolados beta-sitosterol. Das folhas deJ. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. . curcas. ácido oléico. compostos fenólicos.60%. 1997).6% de ácido oléico. ácido esteárico. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. As espécies. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. e 43. metionina (13. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. Das folhas de J.30%) (Jain & Garg. valina (18. 1996a) e jatrodiena (Das et al. Do látex de /.98%). 1988. Dos rizomas de J. 1997). 1989a e 1989c). 1997. malacophylla. curcas foram isoladas também várias lectinas. foi isolado de seu látex a albaditina. além de outros três derivados diterpenóides.71%). gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. 14. 1989).. arginina (0. isoorientina.9%.1%). Do caule de J. 1997).. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico. flavonóides. 1988). Das cascas da raiz de J. Makkar et al.9%). 1988). a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al... Banerji et al.. ácido araquídico e toxalbumina.. 1996. Saponinas foram detectadas apenas em J. 1987. De J. elbae..9%. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides.. 0. glicina (19. Teixeira. respectivamente (Raina & Gaikwad. De J. gadaína (Das et al. 0. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. jatrofolona B.. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. pohliana var. bem como o ácido nurístico. terpenos. sendo 0. isoleucina (3. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. 1995).15% e 15% de ácidos graxos saturados..26%.. 1988).. 1990). saponinas. os aminoácidos cistina (2. 1983). 1990).92%) e leucina (12. 1987). tlalcozotitlanensis e J. 1996b)..07%).94%). alanina (28.1997). denominada curcina (Costa. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. 2epijatrogrossidiona.. galvani (Guevara et al. Das raízes de J. esteróides e glicosídeos. multifida L. ácido linoléico (Nasir et al. J.

1996. terpenos. a mais estudada é a P. sacarose. da qual foram isolados alcalóides. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi. 1988). e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ).. 1977). Singh et al. 1995). 1997). como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. P. 1991). 1988. P. citral.. virgatus (Babady-Bila et al. Mabea Do látex do caule de M.. diterpenos.. 1990. Ahmad et al. Houghton et al. 1990).. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. Petchnaree et al. 1984) e antibacteriana (Odebiyi.. 1980). gossypifolia. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. 1983. Anjaneyuly et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al.. timol e carvacrol (Odebiyi. discoideus. niruri.. 1996. ácido caféico. Singh et al. 1991). Mensah et al. 1996). 1989. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. 1996). sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona.. lignanas (Satyanarayana et al. ácido clorogênico. Negietal. 1996. Singh et al. 1980 e 1981). flavonóides.. 1986. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus.. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole. P.. amarus e P. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. 1988... e dos frutos de M.. 1989a e 1989b. hidroxiflavanona... De J. 1988).. 1986).Da espécie J. assim como os diterpenóides de J. 1988. 1985). neolignanas (Satyanarayana et al. levulose. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. Huang et al. cumarinas... triterpenóides (Joshi et al. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1986. 1981). Hassarajani & Mulchandani.. enquanto em P.. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. De P. simplex. Ojewole & Odebiyi. Yunes et al. 1988.. . 1986. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. Anjaneyulu et al.

... 1999). antidiabética (Silva et al....De P. D. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. 1996c).. nalcanóis. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. Das raízes de P. 1995b). 1996) antitumoral (Grynberg et al. Farias et al. Tanaka & Matsunaga. 1988b). antiedermatogênica (Campos et al. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.... 1996b). 1996). . 1998). 1988. 1997 e 1996a). analgésica... alkekengi var.. De P flexuosus foram isolados triterpenos. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al.. Farias et al. 1998... 2002. 1996).. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. calisteginas (Asano et al. 1988a. além de taninos (Zang.. hipocolesterolêmica (Martins et al. emblica L. Li et al. antinociceptiva (Carvalho et al. C..... foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico.. 1993. 1988. francheti foram obtidos cicloheptano. 1996). Lu et al. Z. antiestrogênica (Luma Costa et al. et al. myrtifolius. HirumaLima et al. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga.. 2001). Bighetti et al. 1988. Em P. Tanaka et al. 1999a). 1996) e fisalinas (Makino et al. 1996). 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1996). além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al. et al. 1997). olenadienóis. 1989. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. antiinflamatória. 1995). De P. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C. 1995a).. Tanaka et al. cajucara apresentou atividade antiinflamatória.. De P. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. 1987. n-alcanos.

. hipotensora de C. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. Luz Paredes et al. 1987) e C. C. C. 1999b. Das sementes de C. zehnteri (Albuquerque et al. glabelus (Novoa et al. para crotina I foi de 0... 1988) e C. 1980). lacciferus (Bandara & Wimalasiri. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. C. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. 1983). 1982). Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. 2001). 1982). 1988..Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. mais comumente de C. 1988b) e substâncias isoladas de C. antiulcerôgenica de C.. entre outras. 1993. 1987). Chen & Pan. erythrochilus. lacciferus (Ratnayake et al. 1993). tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. 2000a e 2002b).. tiglium (Deshmukh & Borle. anticonvulsivante e analgésica de C.. sonderianus (Craveiro & Silveira.45 mg/kg e 2.23 mg/kg para crotina II. 1988). antinociceptiva (Bighetti et al. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas.. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al.. Ao final. 1986).. 1988a). 1985) e C. com o uso prolongado (Rodriguez et al. Batatinha et al. C. penduliflorus (Anika & Shetty. lechleri. subtyratus (Kitazawa et al. 2002a). 1984). 1980.. 1985. tranqüilizante.. Tang et al. 1999). A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . presente nos casos de C.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina.. cajucara (Hiruma-Lima et al. M.. 1993.. inseticida de C. anestésica local. penduliflorus (Asuku. A DL50. et al. macrostachys (Mazzant et al. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. Costa. 1994). C. a ligana 3'. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. 1975). mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. campestris (Lima et al. rhamnifolius (Silveira et al.. C. rangelianus (Lima et al. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. draconoides e C..

. 1994). Ao final. antibacteriana e cicatrizante.. Do óleo essencial de C.. 1994a e 1994b). De C. betulina e ácidos graxos.32% de alcalóides e 2. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . 1991). Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. nardus (Lemos et al.. 1995). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Ao final dos experimentos. 1992a). e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. tonkinensis contêm 0. berghei (Be &Truong. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. Das raízes de C. 1991a e 1991b).. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. macrostachys foram isolados crotepóxido. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. As folhas secas de C. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. 1993). O efeito de C. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. os alcalóides de C. lupeol. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. 1995). 1992). 1992. C.78% de flavonóides. O extrato etanólico bruto das folhas de C. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. berberina e outros alcalóides desse grupo.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. Essa possui isoguanosina.... Pieters et al.

1989 e 1991). que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. 1989).9%) (Liberalino et al. Jatropha Das sementes de J. haematobium (Rug & Ruppel.... 1992).. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.. Atividades larvicida (Karmegam et al. tanto na prova do campo aberto.. 1987. O óleo de C.. 1988... eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. Das sementes de /.. e no retículo sarcoplasmático. 2000). Hirota et al. 1994). (Huang et al. tiglium (Fanetal. 1994). curcas. 2000). a curcaína (Nath & Dutta. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26.. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas.39 mg pela via i. 1988). curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. o alcalóide taspina (Itokawa et al. Do extrato clorofórmico das raízes de C. Das sementes de J.. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional. 1992. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. Do látex de J.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J.. 1990) o óleo de C.. 1997) e Schistosoma mansoni e S. Os extratos da sementes de C. 1995). diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. 1995). zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. antiplasmodial (Kohler . 1988).. 1993). e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. Do látex de C.. Ubillas et al. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al.p. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. 1991). 1991a).

A J. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra.. 1997)... 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. zeyheri foi isolada a jaherina. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. O óleo das sementes de /. Santos et al. 1987).. curcas foram isoladas curcusonas A e C.. curcas. 1987b). As folhas de J. De J. 1996). isabellii foi isolada a jatrofona. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. glauca (AlZanbagi et al. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. 1996). 2001).. F. De J. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1987) também foram caracterizadas em J. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al..... Das raízes de J. et al. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. Dessa espécie foi isolada a jatrofona. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.. e de J. 1996). que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. 1993). 1996). das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. . apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. 1998). 1992b e 1996).et al.. gaumeri (Sanchez-Medino et al. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas.. M. 1996).. 2000).. De /. 1992). inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. et al. Dutra et al]. 1987) e tóxica (Brum et al. O látex de /. espasmolítica (Trebien et al. 1990. 1992a. De J. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al.. 1996.. Esta mesma atividade foi observada em J. antiespasmódica (Silva et al. 1994). P. 1996). multifida. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al.. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. J. 2001).. A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. 1996).. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al.

Di Stasi. 1987). Ribeiro et al.. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis)... 1992).. 1995). 1996a). 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. 1992. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al... Gorski et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al.... Além disso. 1988. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares.. que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. . 1995).Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1993. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. 1985 e 1986b. 1985). porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. 1984.. 1989). e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1996)... Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. O extrato hidroalcoólico de P. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. De P. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al. Shimizu et al. Santos et al. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al.... denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1987). essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. campesterol e fitosterol (Santos et al. diurética. 1995). Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. 1995). hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. que foi atribuída aos compostos estigmasterol. 1994). 1988).. 1988). 2000). O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. Além disso. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar.

1996. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al.. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. 1996). 1997). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. 1995). 1994). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. 1988). 1991).Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina.. Roy et al.. Sane et al... das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. 1996). .. quercetina. 1995).. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. ácido brevifolincarboxílico. 1997). 1996). O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al... 1995). 1996)... De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. niruri e P urinaria (Santos et al. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. de P urinaria. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. 1996). ácido elágico. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1996).. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al.. 1997a e 1997b). 1990. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. corilagina. ácido gálico e ácido protocatecoico. 1995). Foram caracterizadas. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina.

1991c). hipotensão e desidratação. vômitos e diarréia. 1993. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. Itokawa et al. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. náuseas. 1979).. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. 1986. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. 1995. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum .. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b). Efeitos como redução no tempo de protrombina.. 1979). Pieters et al. redução no consumo de água. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. 1987) e provoca náuseas. 1979)... Existem registros de intoxição em crianças de J. Ahmed & Adam. diarréia. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. curcas em ratos. e ação estimulante da musculatura lisa. Como conseqüência de seu uso crônico. Torpor. Quadros de hemorragia anal. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. mutifida (Levin et al.. Hemorragias internas em diversos órgãos... 1984). foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1993. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. podendo causar a morte em humanos.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. Porros et al. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. 2000).

nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.(1999). Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1998) (Banco de imagens . tiglium (Bauer et al.1 . 1986). 1983. FIGURA 13.Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Pieters & Vlietinck..

. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).2 -Jatropha curcas.FIGURA 13.

Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.Jatropha gossypifolia.FIGURA 13.3 . . Hiruma-Lima).

c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) flor feminina. 1998). d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .FIGURA 13.4 .Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo.

No Brasil ocorrem 21 gêneros.370 espécies. óleos essenciais e resinas. gomas. sendo raramente descritas epífitas. arbustos ou ervas. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. Clusia. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). É composta por árvores. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Hiruma-Lima L. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil.14 Guttiferales medicinais C. A. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). 1997). algumas delas de valor medicinal. C. e Elatinaceae. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. pigmentos. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. 1978). .

o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. ácido crisofânico. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. O nome do gênero Vismia. damagascina. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. Trata-se de uma espécie semidecídua. e várias têm valor medicinal. pecioladas. Em V. as folhas são simples. também chamada de Lacre. sendo facilmente cultivada. descrito por Domingos Vandelli. com distribuição restrita à América tropical. martiana foi observada a presença de sitosterol. madagascina. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. opostas e com borda inteira. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. 1990).Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. Em outras regiões. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ácido betúlico. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. O tronco ereto possui casca grossa. a maioria é fornecedora de resinas. e algumas na África. como Picharrinha. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . com ocorrência em formações secundárias. friedelina. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. euxantona. damaradienol. foi dedicado a Visme. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. coriáceas. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. No Brasil.

popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. 1979). benzofenonas (Fuller et al..e a ferruginina (Pasqua et al. conhecido popularmente como Lacre.... O extrato etanólico da folhas. 1997). Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. p-o. indicado para dermatofilose..japurensis Rich. 1999). 1995). 1999) em V. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al. 2-isorenilemodina e 5. Moracelli et al. Os extratos hidroalcoólicos. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. 1993). 1983). guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. . flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. 1982). Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. como a friedelina. Porém.. e em V.. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. Das raízes de V. micrantha foram isolados xantonas. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al.. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. 1996). da planta fresca (Tokarnia et al. vulgarmente chamada de Pichirina. 1994).. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. 2000). De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 1996). clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza.. vários triterpenos. Em V... De Vistnia caynnensis. cayennensis.5'dimetoxisesamina (Camele et al. magnoliaefolia. et al. 1995..

Theophrastaceae e Myrsinaceae. Di Stasi C. Nessa família ocorrem 33 gêneros. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. descrita por Robert Brown. Rapania e Cybianthus. C. arbustos e lianas. . ainda não identificada completamente. e poucas espécies herbáceas (Mabberley.15 Primulales medicinais L. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. sendo a maioria árvores. A.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. nos quais se distribuem 1. 1997). das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae.

curtas. diclamídeas. Não foram encontrados sinônimos para ela. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. reunidas em inflorescências axilares. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola.1). Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. e anthos = "flor". bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. ramos. flores pequenas. flores e frutos. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. sem estipulas. actinomorfas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. dispostas em racemos. inteiras. . ovário supero. androceu com cinco estames opostos às pétalas. folhas alternas.Espécies medicinais Cybianthus sp.

Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .FIGURA 15.Cybianthus sp.1 .

. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. C. A. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. essas espécies não foram referidas como medicinais. Hiruma-Lima L. no entanto. anemia e distúrbios da tireóide. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. Para a espécie Nasturtium officinale. apesar de seu amplo uso em todo o mundo.16 Capparidales medicinais C. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. gripes e bronquites. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. Na região amazônica. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. além de seu consumo como condimento.

Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. inflorescências terminais bastante vistosas. que atinge até 1. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Os principais gêneros são Cleome. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). com seus representantes incluindo ervas. arbustos ou pequenas árvores. descrita a seguir. tem valor medicinal na região amazônica. raramente são descritas lianas (Barrozo. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. que justifi- . com muitas flores rosas e bonitas. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. Capparia e Maerua. 1978).Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. e a espécie Cleome latifolia.5 m de altura. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. 1997).

1995). um flavonol.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. 1988) e um diterpeno macrocíclico. O extrato metanólico da planta toda de C.cam seu uso como ornamental.. o ácido cleomaldéico (Jente et al. kaempferol. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.. incluindo a Cleome latifolia.0075%). Várias espécies desse gênero. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al.. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. 1990). Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. De C.7-di-O-ramnosídeo (0...0025%). bonanzina (0. 1987). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. um trinortriterpenóide dilactona. De C. 1997b). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. 3.. viscosa apresentou um . 1990). O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. os flavonóides artemetina (0. Das sementes de C. e das partes aéreas de C.. a isoramnetina 3. 1997) e triterpenos (Harraz et al. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. são cultivadas e usadas como ornamentais. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley.0013%). 1986). a diacetoxibraquiicarpona.. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas... Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al.. 1997) e glicinebetaína. 1990).06%) (El-Din et al. 1997). 1996). kaempferitrina (0. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico.

viscosa (Samy et al. 1996). De C.. 1995). 1999). 1970)... A espécie C.. 1993. 1995b). Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 1995a) e antioxidante (Selloum et al.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. . A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al.. 1992)..efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 2000) e C. C. popularmente conhecido como Mussambé. gynandropsis Samy et al.. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. 1996). droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. Chrysantha (Hashem & Wahba. Lemos et al. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. 1999)....

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A. Saxifragaceae. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Na região amazônica. espécies dos gêneros Spiraea. a qual foi identificada apenas até o gênero. Pittosporaceae. Di Stasi C. C. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Várias espécies dessa ordem são medicinais. 1978). . Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Rubus e Prunus. Crassulaceae. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. e de Rosaceae. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. No entanto. a qual descrevemos a seguir. com inúmeras espécies medicinais.17 Rosales medicinais L. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae.

incluindo árvores e herbáceas. inteiras. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. cálice gamossépalo com cinco lacínios. referindo-se ao tipo de pilosidade. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. flores pequenas. estipuladas.1).Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. cíclicas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. segundo Barrozo (1978). e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. corola com cinco pétalas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. muitas delas usadas para a produção de carvão. diclamídias. alternas. zigomorfas. com cerca de 460 espécies tropicais. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. onde ocorrem 120 espécies. Os principais gêneros dessa família são Licania. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. sépalas e pétalas livres. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. Chrysobalanus e Hirtella. . ovário unilocular. Espécies medicinais Hirtella sp. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. fruto do tipo drupa. peninérveas. folhas simples. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17.

preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. arbustos e ervas (Mabberley. No Brasil há poucas espécies. encontradas em climas temperados. como é o caso das espécies do gênero Rosa. que inclui. Agrimonia e Fragaria. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. da qual foi isolado o ácido salicílico. • Maloideae. entre outros. Potentila.825 espécies subcosmopolitas. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. com destaque para o gênero Spiraea. é utilizada como afrodisíaco. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. com destaque para os gêneros Rubus. Rubus e Quijala. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. ou frutíferas. os gêneros Crataegus e Malus. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. Normalmente são árvores de pequeno porte. ralada. compreende 95 gêneros. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. como a . também se utiliza o chá contra reumatismo. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. com aproximadamente 1. toxicologia e química. 1997). no que se refere à farmacologia. da histórica Spiraea ulmaria. • Rosoideae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. primeira substância a ser comercializada como medicamento. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. e • Prunoideae. e raiz bifurcada para as mulheres. a famosa aspirina. do gênero Frunus. a maioria nos gêneros Prunus.

ásperas. flores vistosas brancas. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. dependendo da variedade. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. Marmelo (Cydonia). assim como em várias regiões do país. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. Groselha e Moranguinho (Rubus). de margem serrada. Espécies medicinais Prunus domestica L. O nome do gênero corresponde a "ameixa". onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. lanceoladas. Nomes populares Na Mata Atlântica. carnoso. especialmente de cabeça. Cereja. Damasco. comestível e saboroso. Ameixa. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. dispostas em fascículos do tipo umbela. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. e a infusão dos frutos. solitárias e/ou geminadas. em latim. . pendente. Pêssego. 1998). que existe em grande número. doce e com uma única semente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.Maçã (Malus). e contra diarréias. Morango (Fragaria). fruto do tipo drupa. com folhas alternas. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. Pêra (Pirus). a decocção das folhas é usada contra dores.

laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz.. 2000).. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. Nakatani et al. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade.1 . Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso. FIGURA 17.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). 2001). O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados.. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.. 2001).. 2001).contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.Sapuntzakis et al. 2002. 1978) (Banco de imagens • .

R. 1997). A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. M. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. Guimarães C. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. lianas e ervas. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. medicinais. M. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. incluindo árvores. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. Di Stasi E. C. Hiruma-Lima A. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas.18 Fabales medicinais L. Compreende três subfamílias. dependendo do arranjo sistemático adotado. ornamentais. A. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. arbustos. . M. Santos C. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae.

que inclui os gêneros Cássia.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). Dalwits. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. bonducella. . das quais se destacam as espécies C. senna. • Cassieae. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. C. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). J. bonduc. sapan e C. occidentalis. Cassia multijuga. as quais descrevemos a seguir. Caesalpinia pulcherrima. que inclui o gênero Copaifera. pulcherrima. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. a saber: Caesalpinia férrea. • Cercideae. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. todos contendo várias espécies de valor medicinal. Cassia occidentalis. 1997). conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. • Detarieae. angustifolia e C. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. dentre as quais C. que inclui o gênero Caesalpinia. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. C. Dialium e Senna. C. que inclui o gênero Bauhinia. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). Cassia occidentalis e Cassia reticulata.

Pata-de-boi e Unha-de-boi. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. algumas arbóreas e outras lianas. É amplamente utilizada como ornamental. Por ser de rápido crescimento. É uma planta decídua. onde ocorre em áreas úmidas. tronco tortuoso ou ereto. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. . dadas as características morfológicas de suas folhas. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas.1). vistosas (Figura 18. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. assim como em quase todo o Brasil. flores intensamente brancas. heliófita. Mororó. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. usada para produção de carvão e caixotes. folhas glabras. bastante espinhosa. raramente dentro das florestas. A espécie fornece madeira leve. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. sempre com acúleos e seus dois ápices. com grande abundância na Mata Atlântica. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca.

O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. Dados botânicos Arvore de grande porte. flores diclamídeas. podendo chegar a 15 m de altura. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. leiostachya. ovalados ou obovais. além de largamente empregada como espécie ornamental. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. Jucá. na região amazônica. séssil. após aquecimento. Muirá-obi e Muiré-itá. açúcar e água. aquecido até formar um xarope. ferrea var. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. na forma de decocto. dez estames. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. ferrea var. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. além de ser empregado como fortificante para crianças. hermafroditas. é utilizado como . ao passo que o preparado de casca de jucá. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. casca de jatobá.Caesalpinia ferrea Mart. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. folhas de manga. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. especialmente de ruas e avenidas. Imirá-itá. fruto levemente estipitado. botânico italiano. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. Suas folhas. Nomes populares A espécie é denominada. é utilizado contra asma e bronquite.2). ultrapassando o cálice gamossépalo. A espécie é heliófita. com tronco liso e cerne duro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. São muito comuns duas variedades: a C. quase reto (Figura 18. ferrea e a C. folhas bipinadas com folíolos oblongos.

1982). bipinadas. folhas compostas. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. com folíolos ovado-oblongos. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. asma e como cicatrizante (Campêlo. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. 1984). frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. a decocção das raízes é usada como antitérmico. e em Alagoas. A vagem crua é útil contra tosse. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. com até 10 cm de comprimento. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. pois floresce quase ininterruptamente. Chagueira ou Barba-de-barata. Caesalpinia pulcherrima (L. Considerada de origem antilhana. além do uso comum contra gripes. Nomes populares A espécie é denominada. Espécie muito usada como ornamental. Na região da Mata Atlântica. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Flor-do-paraíso. flores grandes e vistosas.) Sw. Baio-deestudante. . também é chamada de Flor-de-pavão. contra tosse crônica. Em outras localidades do país. na região. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. inflamações do fígado e baço. especialmente bronquites. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. internamente.anticatarral. 1982). da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. 1984). sobretudo como cerca viva. glabros. No Piauí. resfriados e tosses.

com rara ocorrência dentro de florestas. quando em grandes doses. dado à falsa canela. O nome do gênero Cassia. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. casca lisa e cinzenta. o fruto é do tipo vagem reta. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. heliófita e pioneira. a casca é considerada emenagoga e.como emenagogo e abortivo e. deriva do grego Kasia. externamente. descrito também por Carl Linnaeus. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. Cassia multijuga Rich. odontálgicos. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. . atingindo até 10 m de altura.3). largo e achatado (Figura 18. lenha e carvão. Segundo Corrêa (1984). sendo uma planta decídua no inverno. as folhas e flores são usadas como tônicos. febrífugas e venenosas. A espécie ocorre em todo o Brasil. febre e como purgativo. em doses elevadas. estipuladas. tendo propriedades tônicas. brinquedos. a raiz é acre. folhas pinadas. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. além de ornamental. febrífugos. obtusos no ápice e com base irregular. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. amarga. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. excitantes. purgativos. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. abortiva. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. pela beleza da planta na época de floração. Em outros locais do país. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia.

sementes cilíndricas achatadas (Figura 18.. infecções gerais.Cassia occidentalis L. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. dispostas. Na região da Mata Atlântica. frutos do tipo vagem glabra. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. Manjerioba. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. no Brasil é espontânea nas pastagens.4). Tararucu. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. Em Minas Gerais. Mamangá. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. diurético e colagogo (Gavilanes et al. gripes. verde-escuros em ambas as faces. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. Rioba. Majerioba. laxativo. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Lava-pratos. ramos quase cilíndricos. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Outras denominações são Folha-de-pajé. racemos axilares. febre. flores grandes. Lava-prados. gineceu com ovário piloso. Mata-pasto. beiras de estradas e próximo a culturas. Maioba. paripenadas com ráquis comprida. resfriado e diarréia (Grandi et . estipulada e com glândulas na base. curto-peciolados. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. com caule lenhoso na base. Ibixuma. no Piauí a infusão do caule. amarelas. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. é indicada popularmente como antitérmico. assim como em outras regiões do país. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Segundo Emperaire (1982). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. achatados. folhas alternas.

malária. na forma de cataplasma. são utilizadas contra asma. sudorífico. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. mordida de escorpião. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. febrífugo e diurético. e para constipações em bebês (Gupta et al. inflamações nos olhos. 1986). 1979). como vermífugo (Nagaraju et al.... as sementes. reumatismo. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. Além disso. Na Amazônia peruana.. na asma. No Peru. 1994). 1982).al. internamente. emenagogo. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. purgativo. as raízes são consideradas diuréticas. . a raiz triturada é utilizada para epilepsia. tinha e hemorróidas. preparadas como o café. 1988). no combate de febre palustre e doenças hepáticas. febrífugo. as raízes são consideradas um tônico. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. 1990). Cassia reticulata Willd. como antiinflamatório e. como Mata-olho. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. hidrópisia e dismenorréia (Dennis. é utilizada contra doenças do fígado. doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. Em outras localidades do país. 1985). reumatismo. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. problemas hepáticos. erisipela e tuberculose. nos desarranjos menstruais. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. 1970). as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. No Panamá. dores menstruais e uterinas.. desordens do trato urinário. anemia. No Brasil. estômago. doenças venéreas. 1990). rins e bexiga (Simões et al. Na Índia. A espécie C. No Rio Grande do Sul. diurético. mas também são utilizadas contra tuberculose.

a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. farinhento e comestível. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. dispostas em cimeiras terminais. negras. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Também é chamada de Jatobá-mirim. Abati-tambaí. como antitérmico e diurético. Hymenaea courbaryl L. Jutaí-açu. Jutaí-do-campo. Jatai. Jatobazeiro. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. lisos. os frutos são vagens delgadas. Jatobá-roxo. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. marrom. Nomes populares No Vale do Ribeira. Jutaí-peba.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Jatobá-de-porco. Jutaí-café. Jatobá-de-anta. brilhante. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. fruto doce. flores brancas vistosas. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. ápices acuminados. Algarobo. 1994). base assimétrica. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. entre outros. folhas compostas. a espécie é conhecida como Jatobá. nome dado à planta em quase todo o Brasil. tronco ereto e ramos glabros. com 6 a 15 cm de comprimento. Olhode-boi. alternas e pilosas. com até . com casca dura. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Jutaí.

é eficaz contra tosses. 2000) e os flavonóides kaempferol. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. Yadava & Tripathi. 2000). vermífugo.. sendo usada na arborização de parques e jardins.. com florescimento entre outubro e dezembro.forticata (da Silva et al.15 cm de comprimento. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria. Caesalpinia O extrato benzênico de C. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. sedativo e peitoral. o deus da união. enquanto a madeira é usada na construção civil. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. ácidos . O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. especialmente em crianças. além do uso contra bronquite. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero deriva do grego hymen. enquanto o xarope da casca do caule. ácidos palmítico e octacosanóico. e a seiva é excelente tônico para crianças. ferrea forneceu sitosterol. É uma espécie semidecídua. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. em alusão aos dois folíolos. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. estimulando a digestão e fortificando o organismo. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. 2001. microstachya (Meyre-Silva et al. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. A infusão da casca é usada como tônico para crianças.

e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. 4. beta-amirina. Kim et al. C e D (Patil et al. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 3'-0-metilbrazilin. 4-O-metilepisapanol. beta-sitosterol.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. bonducelpina A. lup-20(29)-en-3beta-ol. 1997). quercetina.... . 1983). ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico. sappan foram isolados octacosanol. 1987b. sapanol. 3'-0-metilsappanol. 6p-cinamoiloxi5a. 1987).. pulcherimina. 8. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. taraxerol (Yadava & Nigam.4benzoquinona (McPherson et al.. bondenolídeo. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona. 1978) e 2. 1978). 4-O-metilsapanol. Das cascas e raízes de C. B. De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 1987e).4. leucodelfinidina. C e D (Peter et al. 3'-deoxisapanoI. Peter et al.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana.9. brazilina (Namikoshi et al. 1997). 1973). protosapina (Namikoshi et al. 1977).5-trihidroxibenzóico (Rao et al. 1986. 1977). 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. quercetina (Rao et al.. 8metoxibonducelina.. 1987a).. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. lupeol. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. 1954). episapanol... 1987) e pulcherriminas A. 3'-0-metilepisappanol.14-didehidro-5a-vouacapenol... 1997). 1997a). 1997b). Das sementes de C.. alfa-amirina.. 1978).. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. Foram isolados os flavonóides: rutina. ácido 3. 1996). 7p-vouacapenediol. 1997). 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. bonducelina. miricetina. 2002). 1987c). a 8metoxibonducelina (Parmar et al.. 8metoxibonducelina.6-dimetoxi-l.. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. B. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. Da madeira de C. cianina.ll. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. 1985). sapanona B. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. De diferentes partes de C. 1983).. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. quercimeritrina (Awasthi & Misra..

. C. caladenia e C. cacalaco e C. 4-O-metilepisapanol. além de xantonas (Wader & Kudav. 1977). sapanol. 1983).... Namikoshi et al. platyloba. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. reticulata. hintoni (Contreras et al. 1987.. a espécie C. sappan (Saitoh et al.. Dos frutos de C. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. C.. 1995). saponinas. Fuke et al. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. 1987f). Da madeira de C. episapanol. .. dicopetala (Chowdhury et al. sappan (Nigan et al. 1982). vários compostos aromáticos de C. M. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. 1986. 1977). M. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. A composição de ácidos graxos das sementes de C.. 1977. glicosídeos de C. isoflavanóides de C. taninos. sitosterona. Cassia Da espécie C. 1985). japonica (Namikoshi et al.Das raízes de C.. 1994). brasilina e protosapaninas A. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima. C. pumila foi analisada. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 1986). 1981). ácidos linoléico e palmítico de C. 1987a). 1996) e de C. et al. isoliquiritigenina.. 3-deoxisapanchalcona. sapachalcona. Das sementes de C. B e C (Namikoshi et al. isolaram-se 1. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. sitosterol.. spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. 4-O-metilsapanol.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. (Kitagawa et al. glicosídeos cardiotônicos.. 1997). digyna (Mahato et al. occidentalis. Na espécie C. sappan (Namikoshi & Tamotsu. S. sapanonas a e b. 1996). buteína. 1987d). 1996).. glicosídeos (Singh. 1985).. Foram isolados alcalóides de C. Kitanaka et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. 1988). Do Fedegoso..

metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. roxburguina (Ashok & Sarma. triglicerídeos (Zaka et al.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. ácidos monoenóico.. 1979). enquanto das vagens foram isolados crisofanol. 1982) e das raízes (Singh & Singh. J.. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al.. alfa. 1985). dienóico e trienóico (Zaka et al. Das folhas de C. 1989). 1987). e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. 1990).e beta-amirina. occidentalol-1. Foram isolados das sementes de C. além de flavonas (Guptaetal. questina. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1989). l. pinselina. 1986). bis (tetrahidro) antraceno.. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. germicrisona. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. & Singh. roxburguinol e um novo estilbeno. . carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al... palmítico. 1987). Singh. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo. occidentalol-2. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. roxburguina.. crisofanol. Telange et al. 1986. 1987)..7-dihidroxi-3metilxantona. Das sementes de C. 1977) e os ácidos cáprico. 1988a). roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. 1989a). 1987). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C. crisofanol. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. emodina.1987. 1990). De C. De C. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. 1978). 1987).. occidentalis foram isolados pinselina. esteárico e oléico (Alencar et al. 1988b)... Das sementes de C. Da raiz de C. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. J.. 1986). occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. Das superfícies das folhas de C. 1987. 1996). 1985). mirístico. 1. De C.

De C. 1986).estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. obtusina... além de ácido palmítico. aurantioobtusina. ácido crisofânico.. fisciona.. angustifolia não difere muito do de C.. De C. 1989). malválico. 1988).3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. e das folhas. 1980) e os ácidos palmítico. 1986. Asamizu et al. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1987. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al.. flavonóides (Wassel & Baghdadi. oléico e linoléico. 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al.. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. 1989). flavonas. De C. antraquinonas (Zhang et al. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. Nas sementes de C.. 1978). siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. O perfil fitoquímico de C. 1988). 1986). 1979). 1985). colesterol. além da presença de beta-sitosterol. beta-sitosterol e l. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona.. . Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. succínico e tartárico (Matsuura et al. De C. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. glicosídeos.. esteárico. De C. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. emodina. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1986). 1984). angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. questina.. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido. .. o senosídeo é o principal desses derivados. linoléico. Metil palmitato e metil oleato. oléico. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. 1997). tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina.. flavonóides (Wassel & Baghdadi. 1989). acutifolia quanto à presença de aminoácidos. obtusifolina e estigmasterol... obtusofolina. m-cresol. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. 1988). Ishidaet al. crisoobtusina. estigmasterol. o aminoácido histidina (Zhang et al. De C. 1987). 1988). 1977). obtusifolia foram também isolados obtusina.Das raízes de C. 1986). flavonóides (Crawford et al. 1990). polissacarídeos (Khare et al. 1990).

De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi.. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. flavonóides (Srivastava & Gupta. 1988). estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . palmitato. aminoácidos (lisina. 1988)... emodina. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al.. De C.De C.Ahuja et al. triptofano. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. 1988). malválico. 1978). De C. 1990). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. reina. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. As cascas do caule de C. 1988). 1981). 1987b).. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. .. 1990). De C. fistula (Cano Asseleih et al. beta-amirina. 1977). 1978). Do óleo das sementes de C. ácido glutâmico e aspártico. ácido behênico. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. Das cascas do caule de C. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. De C.... 1990). Das raízes de C. 1987).. 1990). 1988) e antraquinonas (. butirospermona. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. 1991). behenato de beta-sitosterol. glauca foram isolados os ácidos palmítico. 1990). fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. 1987). arginina. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. fistula e C... Das sementes de C. 1990a). 1987b. treonina e leucina). Das vagens de C. oléico. 1989a). renigera possui ácidos vernólico.. fistula e das cascas de C. proteínas brutas. O óleo da semente de C. Das folhas de C. 1990a) e antraquinonas (Messana et al.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al.javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. O extrato das folhas de C.. triacontano.. javanica apresenta nonacosano. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. linoléico. esteárico.senosídeos das folhas de vagens de C. Chowdhury et al. araquidato de beta-sitosterol. carboidratos. palmitato de beta-sitosterol. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas.

1988). De C. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai.. R. De C. emodina.. spectabilis foram isolados antraquinonas. fastuosa foram isolados os glicosídeos. além de alcalóides (Christofidis et al. 1978).. javanica (Singh & Jindal. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1988). sericea (Muralikrishna et al. 1990). 1987). 1989). Sen et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. A composição dos ácidos graxos de C. Das sementes de C. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. estérico. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. fisciona. linolênico. mirístico. 1987. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al.. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma.. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani.. 1985). 1989). C. C.. ácido quelidônico. 1977). Das folhas de C. C. oléico.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al.. 1987)..Das partes aéreas de C. linoléico. De C. 1987).. palmítico. siamea (Khan et al. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. . nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. De C. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol.. Das flores de C.. De C.. 1986 e 1987)... 1986). falacinol e uracila (El-Sayyad et al. pumila foram isolados tetratriacontanol. 1988). 1986. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. marginata (Kumar et al. Das raízes de C. 1989) e nas sementes de C. emodina e rheina) (Krambeck et al. 1977). 1985). 1988).. 2-methoxistipandrona. Cassia laevigata (Singh.. (Baba et al. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. 1997). senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. palmitoléico. araquídico e behênico (Khalid et al.. 1988). B. Cassia javanica (Azero et al.

J. 2001) e antimolarial de B. Lopes et al.. 2002. analgésica (Carvalho. 1988). gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al.. 1995. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. J.. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. 1997)... De C. Nakamura et al. malabarica e B. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. Lemus et al. 1986). 2001. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. 1990) Lima.forficata e B. Extratos de C. 1998). et al. 1998). 1996. leiostachya (Moura et al.. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes. 1986). 1991). et al.. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C.. 2000. 1976) e proteínas de C. 1994.. Estudos mais recentes têm apontado C. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al... A espécie C. O. contêm caesalpina P. Rossi-Ferreira et al. anticoagulante (Milagres et al.. antimicrobiana (Cebalhos et al. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. 1985).. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. C. 1987). 1996).. 2000). O.. 1991). 1995. guianensis (Kittakoop et al.. 1999). et al. et al.. 2002a e 2002b). Munoz et al.. antiinflamatória (Carvalho. Amaral et al. sapanchalcona. T. tarapotensis (Braca et al. E. candicans (Pepato et al.. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 1977). antiedematogênica. ferrea como antitumoral (Queiroz et al.. Bacchi & Sertié.. O uso crônico de B. Os inibidores da aldose reductase... C. 3- . ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos.

. 1985).. Sama et al. hipotensiva. 1992... 1978... 1997). 1989). in vitro. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. de estimulante uterino (Saraf et al. Sadique et al. 1993. Feng et al. antibacteriana. sappan como ingredientes ativos (Morota et al.. 1987. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. O extrato metanólico de C. 1995a). spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon... vasoconstritora. hepatoprotetor (Jafri et al. antiparasitária. 1996). Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. Cassia Nas folhas de C. A brasilina isolada de C. 1962). Hussain et al. antifúngica. 1976) e. inibitória da hemólise. 1996). 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. De C.. Schmeda-Hirschmann et al.. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al.. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. 1999). 2001). Caceres et al. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica.deoxisapanona. . de relaxamento do músculo liso.... 1997). 1991. antiviral contra hepatite B (Patney et al. 1994. protosapanina A. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C.. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. 1987). porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. antimalária (Gasquet et al..

. O extrato a 10% das folhas de C.. As sementes de C. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.pudibunda (Cavalcanti et al. pudibunda (Cavalcanti et al.. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. Crawford et al. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. Estudos com as sementes de C..3'. 1990).. garrettiana foi isolada a 3. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. e C. A fração polissacarídica de C. garrettiana (Inamori et al.. 1985). 1990). As folhas de C.. 1986). pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. 1991). citotóxica com extratos de C. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al.. ADP e colágeno (Yun-Choi et al.. obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. espasmolítica com subs- . 1991). De C. alata quanto C. 1990). Nas sementes de C.4. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos. lugustrina (Abhaham et al. 1989). 1984). 1986a). 1988) e C. obtusifolia (Kitanaka & Takido. 1989). O extrato das folhas de C.Das sementes de C. 1990. 1979) e C. utilizando as folhas de C. 1988 e 1989). que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico.. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. C. acutifolia como controle positivo.. acutifolia. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina).. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. Os resultados finais indicaram que tanto C.5'-tetrahidroxistilbene. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. 1989). Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1988). As antraquinonas de C.

A administração de folhas de C. Seu consumo indiscriminado é perigoso.. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. diarréia.. roenwilana (Rowe et al. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C.. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. Colvin et al. amplamente utilizada pela população. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa.. em geral. 1986. C. ferrea. especialmente por crianças. na forma fresca. vômitos. A espécie C. cansaço e dores. antitumoral com extratos de C. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. 1979) e C. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. fistula (Bhardwaj & Mathur. 1987). Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. seca e/ou torrada. pumila (Fatawi et al. 1986b). como substituta do café. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. 1979). Salienta-se que a espécie C. anemia... . purgativa dos glicosídeos de C. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. quinquangulata (Ogura et al. angustifolia (Nakajima et al. apatia. fistula (Babbar et al. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al.. em muitos países. 1984). que apresentaram um quadro de ataxia. cólicas abdominais e diarréia.. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. cavalos e cabras... O gênero Cassia produz. 1979). caracterizado por náuseas. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. 1985). Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. 1991).tâncias isoladas de C. 1985). dispnéia. 1986). 1998). acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. 1977) e antivirótica com extratos de C. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional.

Indigofereae: Indigofera. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Abreae: Abrus. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Psoraleae: Psoralea. 1978). Trifolieae: Medicago. Desmodieae: Desmodium. Millettieae: Tephrosia. Genisteae: Lupinus. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Dioclea e Mucuna. Sophoreae: Sophora.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Crotalarieae: Crotalaria. onde se encontram plantas (Barrozo. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Robinieae: Sesbania e Robinia. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Dypteryxeae: Dypteryx. Cymbosena. Canavalia. Myrocarpus e Ormosia. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Nos estudos realizados na região amazônica e . Diplotropis. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. um importante produto alimentar no Brasil —. Derris e Lonchocarpus. Cajanus. Vicieae: Vicia e Pisum.

podendo atingir 3 m de altura. com ramos angulosos. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. flores vistosas. Andu. A espécie possui um grande valor econômico. na Mata Atlântica. de onde partem folhas pecioladas. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. . dores de barriga e diarréia e a infusão. Cuandu. Erva-do-congo. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. pinadas. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. Ervilhade-angola. Feijão-de-árvore. oblongos. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. com ampla utilização em diversos países. fruto do tipo vagem linear. No restante do Brasil é conhecida como Guando. as quais são descritas a seguir. contra constipação nasal. compostas de três folíolos aveludados. sendo ainda forrageira. 1984). gripes. Espécies medicinais Cajanus cf. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. dispostas em pedúnculos axilares. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. comprimida. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. Guandu ou Feijão-guandu. mas há divergências quanto a essa classificação.

menos freqüentemente. na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. reunidas em fascículos. .Cymbosema roseana Bent. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. flores rosas. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". oblongos. significa "pele dura". descrito por João de Loureiro. flores rosas. em forma de bote. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. com ramos tomentosos. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. pediceladas. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. por arbustos ou árvores. Nomes populares A espécie é chamada. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. referindo-se ao legume. 1997). Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. fruto do tipo legume falcado. acuminados e glabros. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. de Flor-da-terra. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. O nome do gênero Derris. e foi descrito por George Benthan.

cilíndrica. com cálice gamossépalo. pentâmera. corola dialipétala. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. com uma grande pétala superior. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. sementes sem endosperma (Figura 18.5). compostas. Trevo-da-flórida. trifoliadas e . Não foram encontrados sinônimos populares para ela. didamídea.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. folhas alternas. coriáceo. ereto e com raiz bastante lenhosa. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. Outros nomes populares são Amores-do-campo. Desmodium tortuossum (Sw. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. a prefloração da corola é imbricada descendente. com folíolos articulados na base. flores fortemente zigomorfas.) DC. externa. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. Derris floribunda Bth. folhas pecioladas. hermafrodita. fruto do tipo legume linear. revestida de pêlos curtos. Dados botânicos Erva de pequeno porte.

reunidas em racemos. fruto do tipo legume. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. Outros nomes comuns são Favinha. Diplotropis purpurea (Rich. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. plano. com ampla distribuição no Brasil e no México. Sapupira-da-mata. O nome do gênero significa "feixe". Dados da medicina tradicional A semente ralada. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Sebipira.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Cutiubeira. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. vexilo oblongo provido de apêndices na base. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. fruto do tipo vagem. Cutiúba. O nome Diplotropis significa "duas carenas". misturada com enxofre. pinadas e folíolos glabros. todas conhecidas como Sucupira. O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. indeiscente. com sementes pretas e duras (Figura 18. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. Paricarana. Sapupira-da-várzea. Sapupira-preta. com folhas compostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. Sicupira.6). Sapupira. tendo um apêndice na base. coriáceos. flor com estandarte longo. pequenas. . referindo-se à disposição das flores. Sucupira-da-terra-firme. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas.

na região amazônica. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. 1991). frutos em forma de vagem drupácea. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. Imburana-de-cheiro. Umburana e Kumbaru. cigarros. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. quando passados sobre as costelas. caule reto. Imburana. doces. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. Cumaru-amarelo. charutos. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. de Cumaru. O nome do gênero significa "duas asas". aromáticas. se fendem liberando a semente roxo-escura. Nomes populares A espécie é chamada. de cor verde-amarelada. alternas. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. de pequena espessura. quando maduros e secos. alimentos e uísque. Cumar-do-amazonas. folhas grandes. flores vermelhas. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. referindo-se ao cálice. dispostas em panículas pubescentes. imparipinadas. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. podendo atingir até 35 m de altura. além da famosa fava de cumaru. . oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. servem para tratar a pneumonia. pecioladas. compostas. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. Cumaruzeiro.) Willd. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. grosso. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. e na produção de perfumes.Dipteryx odorata (Aubl. que. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

para banhos fortificantes de crianças. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. antitussígeno. essa espécie é utilizada como anticoagulante. aromáticas. emenagogo. diaforéticas. 1991). dispostas em panículas pubescentes. narcótico e estimulante. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. contra contusão e reumatismo. compostas de sete a nove folíolos. alternas.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. e os palikur. contra qualquer inflamação. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. cardiotônico. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. diaforético. antidispéptico. contendo casca de pequena espessura. imparipinadas. diaforético. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. com semente oleosa e aromática. internamente. pela presença de Cumarina. . frutos em forma de vagem verde. para aliviar dores de garganta e. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. antiespasmódico. grosso. flores vermelhas. como reconstituinte das forças orgânicas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. emenagogas e cardíacas. podendo atingir até 3 m de altura. Em outros lugares. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. febrífugo. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. caule ereto. pecioladas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. folhas grandes.

para fabricação de carroças. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. possui aroma balsâmico. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. compostos 5-9 folioladas. portas e janelas de luxo. sendo ainda expectorante peitoral.. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo". A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Outros nomes são Cabruê.Myrocarpus frondosus Aliem. indicadas nas lesões do sistema respiratório. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. com casca rugosa no caule. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. outros compostos . O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. urucu. 1974). sendo muito usada na indústria de cosméticos. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. Óleo-pardo. Pau-bálsamo. Bálsamo e Pau-de-óleo. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. de Cabreúva. A madeira. a mais estudada é a D. assim como a casca. de ocorrência na América do Sul. tinturas e perfumaria. Nomes populares A espécie é chamada.

D. Do caule de D. D... Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. canadense (L. Lin & Kuo. D. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. enquanto de D. 1989). D. 1962).. Rao M.. spruceana (Garcia et al. oblonga e D. Kimetal. frutescens. do seu caule e de suas folhas. tortuosum.. incanum DC. E em D. As espécies D. Nascimento & Mors. adhaesivum Schldl. crisantemina e cianina (Matinod et al. N. laxiflora Lin et al..rotenóides (Braz Filho et al. . glutinosum. epoxilupinifolina e dereticulatina. Desmodium De D. 1977). 1995b). 1973b) e saponina (Parente & Mors. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6.) DC.. Da espécie D. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. 1997). que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. Em D. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. Foram isolados alcalóides de D. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. proteínas. 1986). Flavonóides também foram isolados em D. 1994). hiravanona. senegalenseína. 1978). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. 1995b) e D. 1991.. foram isolados os flavonóides desmodina..8-difenileriodictiol. spruceana.. 1988). De D. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1954). foram isolados.. D.. 1986. 1978)... D. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. lipídios. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al.. 1976) e D. 1994). Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. 1961. benthmii (Fellows et al. 1993. os flavonóides.. lupinifolina e laxiflorina. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. ou D. aparines (Link. araripensis (Nascimento et al. 1989). 1997). canarensis (Evans et al. homoadonivenita (Batyuk et al. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. B e C).. reticulata. e das raízes de D. Nakatu et al.... foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. heterocarpon e D. Bell et al.. 1978). obtusa (Nascimento et al. 1977). 1996).) DC. 1976. Das raízes de D. 1985) e D.. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. et al. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. também denominada D. 1978.. amoena.

também muito usado medicinalmente. 1969. 1964) foram todos isolados de D. elegans DC. também denominada D. N. 3. genisteína. cinereum (Kunth) DC. Bell et al.. difisolina. 1962. gangeticum (L. N-N-dimetil-3.N-dimetiltriptamina. 1975). 1-octacosanol. caudatum (Thunb. além de canavanina (Beveridge et al. betaína. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. . cinarascens A. salsolidina. hipoforina e os alcalóides. bufotenina N-óxido. 1983). 1978).) DC. possui os flavonóides dalbergioidina. tiliafolium G. Nmetiltiramina. ario-inositol e betapinitol. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. 1973). 1972.. A espécie D. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. salsolina. Ghosal & Bhattacharya. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. foram isolados mangiferina. ácido octacosanóico. 2-feniletilamina. hipoforina. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. hordenina. os alcalóides candicina.. 1963). O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. hordenina. isoquercitrina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. beta-carbolina. desmodina.. Nakatu et al. galactopinitol A. 1972). 1984. gangetinina.) DC. os flavonóides desmodol (Ueno et al.4-dimetoxifenetilamina. gangetina. Purushothaman et al.. Em D.Os alcalóides bufotenina.. kaempferol e quercetina. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. intortum) possui carboidratos.4-dimetoxifenetilamina. O D.. 1971). e de D. O-metilbufotenina. desmocarpina. normacromerina. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier.. Em suas raízes foram isolados abrina. Purushothaman et al. De D. Don. leptocladina. os flavonóides hiperina. 1977.

compostos estes também isolados em D. e de D.. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. heptacosanol. De D. 1984). 1989.. lupeol. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. também denominado D. formononetina.) DC. Mukherjee et al. 1997). ovalifolium (Giner-Chavez et al. racemosum. Kubo et al. e de D sandwicense E. 1989). b-sitosterol. De D. e de D.. e os flavonóides isoliquiritigenina. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta.. isovitexina. podocarpum. Anjaneyulu et al. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. estigmasterol. Ahluwalia et al.. 1965. Adinarayana & Syamasundar.. kaempferol.N-dimetiltriptamina N-óxido. 1961 e 1962. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. foram isolados os flavonóides apigenina.. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. flavosativasídeo. 7-hidroxiflavona.. De D. 1995). floribundum. pinitol e canavanina (Beveridge et al. nonacosanos. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. De D.1995. N. 1995). 1963a e 1963b. . vitexina e xilosilvitenina. De D. inositol. De Desmodium uncinatum (Jacq. triflorum (L. 1989). 1968).) DC. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. triquetrum foram isolados friedelina. 1971.. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. vitexina. homoferreirina.. ojeinese. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth.. 1986. multiflorum. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. Amor-de-velho-comum. 1965). 1966). e os alcalóides colina. laxiflorum foram isolados heptacosanos.. 1985). estigmasterol. 1982. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al.. tricosanol. Sreenivasan & Sankarasubramanin.. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al.. 1977. 1978). também denominado Amor-develha-da-folha-graúda.. Bell et al. feniletilamina. De D. também conhecido com D. De D. os terpenóides beta-amirina. Perez-Maldonado & Norton. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. 1996). 1989). Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. ácido indol-3-acético. o terpenóide lupeol. Kubo et al. 1962)..

De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina..3epimetoxilupanina. 1. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al.1973a). 1982). .

lupenona e lupeol (Kaplan et al. além dos terpenóides betulina. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. De D. 1952). além dos terpenóides betulina. 1995).Dipferyx De diferentes partes de D. A espécie D. alata foram determinados 40% de óleo.. 1966). punctata (Gruenwald. Nakano et al. odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. pois suas sementes são ricas em Cumarina. 2000. Togashi. odoratina.. odoratina. odorata apresenta um grande valor comercial. 1995. alata foram determinados 40% de óleo. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. flavonóides (dipterixina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona).. 1991)... retusina). isoflavonóides (Lourenço et al. Das sementes da espécie D. 1995) e cumarinas (Ehlers et al.. De diferentes partes de D. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. De D. lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. . flavonóides (dipterixina. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1995). 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. 1996). punctata (Gruenwald.. cumarinas (Ehlers et al.. 1981). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. 1994). 1952). 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. 1994). odoratina. 1994). Benzopiranóides também foram isolados da espécie D.. odoratina. Das sementes de D. 1993)..

Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. D. 1972). urucu e D.. 1998. Datta & Bhattacharrya. Derris sp e D.. 1996). Foi isolada das raízes de D. 1999. . Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. 1987). De Derris sp. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. 1997). Aragão & Valle.. O extrato etanólico de D. também conhecido como Timbó. 2002). 2001). que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al.. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. 2001). 1997). nicou (Costa et al... 1979).. gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. Das raízes de D.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. 1997).... micou. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. De D..

Tolera & Said... styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. 1989).. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. e os taninos isolados de D. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1997). 1999).. 1996).. 1997). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al.. styracifolium.. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. D. O extrato aquoso de D. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. O extrato de D.A D. 1997). De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. 1996. 1987). adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. O extrato de D.. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. De D. B e C. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1988). intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. . 1988). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al.

Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. Calliandra.. vômito. das quais destacamos os gêneros Parkia. Y. . urucum provoca irritação da pele. 1996). das sementes de D.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. et al. Mimosa. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. Inga. Adenanthera. Leucaena. doses elevadas podem causar náusea.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. muitos deles de valor medicinal. distribuídas em cinco tribos. M. 1987). tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.. 1991). 1998).950 espécies descritas. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. Prosopis.. 1993). Zollernia e Acácia. Albizia..

pecioladas. encontradas em áreas tropicais e temperadas. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas.) Willd. Nomes populares A espécie. com grande ocorrência na Amazônia. na região da Mata Atlântica. Moçataíba e Orelha-de-onça. Laranjeira-do-mato.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. . Em outras regiões do país. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. compostas por folíolos ovais. pinadas. flores reunidas em espigas terminais. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Ingá-grande e Jambolão. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). a espécie é chamada de Mocitaíba. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. repletas de glândulas. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). é chamada de Espinheira-santa. Zollernia ilicifolia Vog.

farmacológicos e toxicológicos. incluindo dores. I. bourgonii. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação.4'trihidroxi-6. I. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var. laurina. Foram isolados alcalóides das espécies I. Maytenus ilicifolia).3'. heterophylla.7). longispica.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. I. I. e o nome deriva de Hohenzollern. a antiga casa regente prussiana. nobilis. 5. . Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia.. 1996). O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. 6. I. paterno (Morton et al. com margens onduladas e providas de espinhos. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I.3'4'-trihidroxiaurona e 7. 1991). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. I. I.oblongas. flores rosadas (Figura 18. alba. sertulifera. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos.8-dimetilflavona (Correa et al. semialata.. I.7. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. stipularis (Kraus & Reinbothe. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. 1973). oerstediana e I. parviflora foram isolados os constituintes 7.

S. . Reis).1 .FIGURA 18.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. b) detalhe das folhas (fotos originais por M.

Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .FIGURA 18.

b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.3 . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.FIGURA 18. 1984).

4 .FIGURA 18.Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1939). c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . b) escanerata do ramo com flores e frutos.

Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .Derris floribunda.Banco de imagens - .5 .FIGURA 18.

FIGURA 18.Diplotropis purpurea.Banco de imagens - .6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

.7 . Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. S.Zollemia ilicifolia. Reis).FIGURA 18.

19 Myrtales medicinais L. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. assim come outras espécies de valor econômico. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. que incluem espécies medicinais. e as duas famílias aqui descritas. 1997). São plantas herbáceas. Di Stasi C. 1978).950 espécies. arbustivas. da famosa Romã. distribuídas nos 188 gêneros. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. a Punica granatum. Punicaceae. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. C. com inúmeros representantes no Brasil. que inclui o gênero Punica. A. Melastomataceae e Myrtaceae.

1998). Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. dispostas em cimeiras. roxo. Nomes populares Na região amazônica. fruto do tipo baga. flores pequenas. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. nervadas e pubescentes. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. essa espécie é chamada de Quaresma. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. Salpinga. com folhas ovais e cordiformes. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. ou Pixirica. . Neste estudo. Huberia. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. na região amazônica. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. que descreveu inúmeras patologias em plantas.) DC. ambas pela indicação popular na região amazônica. Microlicia. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. brancas ou rosas. Miconia. em outras regiões. ereto e piloso.

A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. 1990).620 espécies (Mabberley. e várias outras em climas temperados. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Eucalyptus. Pimenta. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. oeste da Índia e América tropical. Os . Eugenia. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Psidium. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. Leptospermum e Melaleuca. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente.. bem representada na Austrália. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Essa família inclui gêneros como Myrtus. de onde partem folhas de pecíolo longo. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. 1997) arbustivas e arbóreas. Pseudocaryophyllus. planas. Syzygium. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos.

comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. rosas ou avermelhadas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). Cereja-nacional. . enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. são usadas no local. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. para o alívio de dores de dentes.constituintes dessa família incluem. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. além de óleos essenciais. as partes aéreas do Cravo-da-índia. fruto do tipo drupa. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. cultivado ou adquirido no comércio. Araçá). A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. oblongas e glabras. Eugenia (Pitanga. 1998). leucoantocianinas. No Brasil. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. bastante aromáticas. E uma espécie exótica. especialmente as flores. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. congestão nasal e dores de cabeça. com folhas pecioladas. opostas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ácidos fenólicos e ésteres. taninos. dispostas em corimbos. Myrciaria Gabuticaba). flores pequenas. 1996).

doenças da pele. significa "triturar. existem registros para a espécie como Goiabeira. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. contra diarréias. diclamídeas. edema e. para regulação do ciclo . morder". a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. com cálice membranoso. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. Araçá-goiaba. galhada. botões florais tomentosos ou glabros. O nome do gênero. que é a denominação em grego da planta. Guaiaba. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. actinomorfas. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. é útil contra hemorróidas. no entanto. 1984). Araçá-guaçu. ovadolanceoladas. referindo-se aos frutos. e. Araçáguaiaba. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. Psidium. fervidos. por outras. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. esmagar. de sabor agradável. Guaiava. folhas opostas. usada externamente. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. internamente. Na região da Mata Atlântica.1). é indicado contra diarréia. os brotos de goiaba e de caju. curto-pecioladas. o chá das folhas novas. com caule tortuoso e casca lisa. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. brancas e com numerosos estames. flores hermafroditas. fruto com baga amarela.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. Provém de psidion. A infusão dos frutos.

antileucorréica. 1982). curto-pecioladas e glabras. 1988). misturado com folhas de salva-de-marajó. anticolérica e antiúlcera. com cálice membranoso. botões florais tomentosos ou glabros.menstrual. As folhas de P.. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. o chá da folha. no Rio Grande do Sul. é antidiarréico (Amorozo &Gély. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. 1982). Grandi & Siqueira. 1987. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. diclamídeas. 1984). e o decocto.. Grenand et al. brancas e com numerosos estames. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. 1982. misturado com folhas de pitanga. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. Psydium cf. o chá das folhas. principalmente em diarréias infantis. 1986). indisposição estomacal e vertigem (Forero. como estomáquico. flores hermafroditas. 1992). em Minas Gerais. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. lavagens de úlceras. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. actinomorfas. Central. 1980. de polpa abundante. Duke & Vasquez. . no Piauí. antidiarréica. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. como também os frutos. em gargarejos contra afecções da boca e garganta.. guajava ainda são utilizadas na América Latina. folhas opostas. 1994). fruto com baga amarela. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. igualmente usados como alimento. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. sendo facilmente confundida com esta. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. no Pará. guineense Sw.

humuleno. 1990. -santaleno.. 1986. açúcares.. 1996). borneol. pectina. Chyau & Wu. Wilson & Shaw. ésteres. 1987).. t-cariofileno. óxido de humuleno.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 1989. 17 cetonas. -cubebeno. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. cetonas.. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. cremoflieno. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. acoradieno. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 1978). -terpineol. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. 1. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. Marcelin et al. 1989. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. -cedreno. 1987. 10 ácidos. -bergamoteno... As diferenças quantitativas e qua- ..1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. lignina. alcanos. 1994). Ortega & Pino. 1982) e quercetina. 1. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. aldeídos... 1996). Pino et al. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. dos quais 13 são aldeídos. 1996). hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. -guaieno. 31 alcanos. mirceno. 1989. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1996. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. vitaminas C e A.. Oliveros-Belardo et al. denominados 1. 28 ésteres. Pino et al. 1991). 1994). Zheng et al.. 1968).. derivado de eugenol. e 95% são cariofileno (Latza et al.1-díetoxietano. p-cimeno.. Ortega & Pino. 1990. 122 componentes voláteis.. além de taninos (Misra & Seshadri. 1987.1-dietoximetano. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. -bisaboleno.. apresentou atividade depressora do SNC. 1987). p-menten-9-ol. O dehidrodieugenol. Yusof & Mohamed. himacaleno. 1990). 1968. 1981).

litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas.. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. óleo essencial (Ji et al. 1996). palmítico. 1981). Jain et al. Ácido elágico. flavonóides. A atividade antibacteriana das cascas de P. ácidos linoléico. 1987). Chen & Yang (1983). 1989). 1991). 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 1987). (1994) e Neri et al.. 1979b. Okuda et al. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. Lima Filho et al... guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 2002. e Maruyama et al. Osman et al. 1978). 1986). d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. 1987)... guaijaverina. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. O interior das cascas é rico em ésteres. O extrato aquoso tam- . 1974. 1987). oléico e esteárico (Opute. 1987.... alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. d-galactose. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. polifenoloxidase (Augustin et al. 1986). ácido oleanólico (Mair et al. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. Hegnaurer...

Lozoya et al. Cheng et al..... A. 1998). anticonvulsivante (Santos. Lutterdodt. Morales et al. . 1995). 1996b) e P. 1992. Cáceres et al. A quercetina isolada de P..... Grover et al. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. 1995. widgrenianum (Souza et al. et al. 1988) e tosse (Jaiay et al. guyanensis. Das cascas de P. apresentou atividade antimicrobiana (Santos. 2000. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. Lozoya et al. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al.. A. et al. 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. incanescens (Zelnik et al. Lutterdodt et al. et al. O extrato de folhas de P. (Santos et al. Meckes et al. 1990. óxido e b-selineno). 1996a). 1994). 1993. A... F. Do extrato hexânico das folhas de P. 1989).. et al.. propriedade anticatártica (Pinto et al. Santos et al. guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. incanescens (Santos. F. 1989.bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. 1994. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular.. 1994). Lutterdodt. Cáceres et al. 1997. 1999). guyanensins. 1999).. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. 1995).. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 1993.. e eugenol e timol de P... e antitumoral de P. 1983). Shimomura.. PonceMacotela et al.. 1994. De P. 1996a) de P.). F.. P. F. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 1995).. F. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. P. pohlianum e Psidium sp. guyanensis (Santos.. O óleo essencial de P. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. A. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. A. 1994.. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al.. 1970). 1996c. 1994. 1990. et al. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt... 1996). 2002.

Psydium guajava.1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .FIGURA 19.

representa importante fonte de espécies medicinais. a família Celastraceae. Inclui desde árvores até arbustos e lianas.G. e apenas uma delas.20 Celastrales medicinais L. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. . Austroplenckia. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. C. N.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. gênero de grande valor medicinal. ambos contendo espécies amplamente estudadas. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. nos quais se distribuem aproximadamente 1. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. são Celastrus e Trypterygium. e Maytenus. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. Di Stasi L. que possuem espécies medicinais. 1997). que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. com atividade antifertilidade masculina. Seito F . Os principais gêneros dessa família.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. Erva-santa e Congorça. Também é conhecida como Sombra-de-touro. dores nas costas e úlceras do estômago. glabras. copa globosa e ramos glabros. Salva-vidas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. . fruto do tipo cápsula ovóide. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Cancerosa.cancerosa. Maytenus aquifolium M. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). bastante coriáceas. na região da Mata Atlântica. axilares. denteadas. atingindo até 9 cm de comprimento. de onde partem folhas elípticas. Erva. Espinheira-divina. arbusto menor (de 1 a 3 m).Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. ápice agudo. com acúleos. amarelo-avermelhado. Espinho-de-Deus. flores numerosas. ex Reiss. de Espinheira-santa. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Nomes populares A espécie é chamada. gastrite e ulcera péptica. dor do "ciático".

serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. 1995). Dados químicos De M. vermelho. com ramos finos. podendo chegar a até 15 cm de comprimento.. . 1998) e glucosídeos (Zhu et al... 1995a). Foram também isolados um glicosídeo. podendo chegar a até 4 m de altura. 2001) e triterpenos cetônicos de M... Foram isolados das cascas de raízes de M. 2000). 1997). amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. oblongas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1998). boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al... 2000). bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. De M.. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. 1995. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. contendo folhas alternas.. flores pequenas e axilares. fruto do tipo capsular. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. Da infusão das folhas de M. krukovii (Honda et al.. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. 1999).. heterophylla e M.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. arbitifolia (Orabi et al. Das sementes de M. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia.. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al.

. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol.. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al.30-lup-20(29) ene-triol e 28.30-diol (20). além de epicatecol.. De M. 1998). foram isolados das folhas de M. 1993a e 1993b). .Gonzalez et al. E-III. macrocarpa (Chavez et al... 1999a e 2000). e outros triterpenos (Gonzalez et al. 1991). cangoronina e ilicifolina.. 1998)... Dos ramos de M. Sesquiterpenos foram isolados de M. As cascas das raízes de M.. 1996b). 1999).. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 1994). 1994). triterpenos do tipo friedelana.. além de pristimerina. G alfa e G beta. chuchuhuasca (Shirota et al.16. E-I e E-II (Itokawa et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. 1992b). ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. 1993).. ácido oleanólico e ácido betulônico.. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al.. e escutidina alfa A foram isolados de M. 1997). emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C. De M. E-IV.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al.. 1994). os triterpenos 3-beta. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. Dos ramos de M. 7. canaradial. 7 alfa-hidroxicanarol. betulina. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. os triterpenóides beta-amirina.28. lupeol.. ilicifolia (Itokawa et al. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al.. emarginatina-E e emarginatinina. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. os triterpenos fenólicos canarol.21-trione (Nozaki et al. iliocifolia (Shirota et al. E-V. 1992). tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al.. Além disso.8dihidroisoxuxuarina E alfa. lup-20(29)-ene-3beta. 1991b). sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. xuxuarinas F beta. 1995a). 1994b). emarginatina-D. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C). E-II. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. Das folhas de M.

confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. 2001). Nor-triterpenos isolados de M.. et al. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al.. 1999b).. 2000. Dados farmacológicos M.. catingarum (Alvarenga et al.. 1996a). 1999). senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al.. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. 1999a). 1996b).. senegalensis e M. Gonzalez et al. Alcalóides foram isolados de M. 1996c). maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. De M.. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. G. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. 1999).. tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. 1984). macrocarpa (Chavez et al.. 1971. A. . myrsinoides (Baudouin et al. 1999). Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. Wang et al.M. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. assim como os compostos 6 beta. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa.. isolados de M. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M.. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al. 1981) e antimolarial ( El Taher et al. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina.. 1971).. 8 beta. 1996b). 1996)... M. 6 beta. 1981). 8 beta. O composto escutiona isolado de M. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. -15-triacetoxi-l alfa. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez.. scutioides (Gonzalez et al.

1991.O extrato diclorometânico de M. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 2001). Extratos de Maytenus ilicifolia e M.. F. et al. .. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al. G. Gonzalez. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. Oliveira et al.. 2000). aquifolium possuem várias atividades farmacológicas.. 1999). 2002). ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al.. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. 1991. 2001. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M.. As folhas e caules de M.. Queiroz et al.

contendo cerca de 1. Malpiguia e Stygmaphyllon. com aproximadamente trezentas espécies.21 Polygalales medicinais L. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. . usada na produção da Ayahuasca. bebida alucinógena. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae.100 espécies tropicais. corantes e de medicamentos. C. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Polygalaceae. especialmente árvores. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. 1997). Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. com importantes espécies fontes de madeiras. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. ambas com várias espécies medicinais. Vochysiaceae e Krameriaceae. 1978). A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. além das duas referidas a seguir. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Trigoniaceae. No Brasil. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. ocorrem 32 gêneros. arbustos e lianas (Mabberley. Byrsonima.

Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. significa "estigmas foliáceos". Gordura-de-porco ou Cajuçara. externamente. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. bastante pubescente. arredondadas. contra icterícia. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. grande e robusta. descrito por Antoine Laurent de Jussieu.) Juss.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. e. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. nas raízes formam-se grandes tubérculos. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. dor de estômago e gripes. de folhas cordiformes.) Juss. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. . glabas na face superior e sedosas na face inferior. O nome do gênero Stigmaphyllon. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara.

Simarubaceae e a outra família. destacando-se as famílias Burseraceae. Essa ordem. Sapindaceae. especialmente no Sistema Nervoso Central. especialmente dos gêneros Simarouba. Cupania e Serjania. Quassia. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. além das espécies aqui citadas. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Ailanthus. Hiruma-Lima A. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. o Guaraná. A. . que contém. Anacardiaceae. Rutaceae. inúmeras espécies medicinais. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. Simaroubaceae. essas espécies serão descritas a seguir. Souza-Brito L. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. M. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. R. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Picrasma e Brucea. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Das demais famílias dessa ordem. C. Meliaceae.22 Sapindales medicinais C.

Manga e Pistache. 1997). relatados a seguir. Semecarpus (Semecarpeae). algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Além dos usos medicinais. distribuídas em regiões tropicais. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Do mesmo gênero. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). Essa família botânica inclui árvores. amplamente consumida . que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. nos países de clima temperado. lianas e raramente ervas pereniais. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. as espécies Pistacia lentiscus. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). tais como Caju. arbustos. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. Desses gêneros destacam-se. No Brasil. reúne setenta gêneros. Spondias. pertence à ordem Sapindales. descrita por John Lindley. Nessa família. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. subclasse Rosidae. com aproximadamente 875 espécies. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Spondias e Schinus. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. Schinus. Mangifera. A espécie Mangifera indica. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). muitas espécies estão espalhadas por todo o território.

Pará e Mato Grosso. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. ovário súpero com um só óvulo. perfumadas. Engl. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. o fruto em forma de drupa é peduncular. Cajuí.1). não foi referida na região de estudo como medicinal. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. sendo também denominada Cajuaçu. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. entre outras tribos indígenas. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Caju-assu. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. as flores. especialmente no Amazonas. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. . com tronco de casca lisa. Caju-da-mata (Amazonas). dispostas em panículas. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. de 25 a 30 m de altura.

Economicamente. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. ou simplesmente Caju. tomando-se um copo por dia. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. Cajumanso. o óleo da castanha. É uma planta decídua. Caju-da-praia. pecioladas. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro.Anacardium occidentale L.2). no entanto. as folhas são alternas. tais como Acajaíba. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. Caju-manteiga. pequenas e de coloração pálida. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. assim como a própria castanha. Acajuíba. o fruto é do tipo aquênio reniforme. reticuladas e nervadas em ambas as faces. em referência ao nome de seu fruto. onduladas. Anacardium. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Contra diarréia. Para hemorróidas. ovadas. O óleo é usado na produção de borracha. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. várias outras denominações são usadas para a espécie. com um só estame fértil. heliófita e que cresce bem em solos secos. possui importante mercado nacional e internacional. glabras. ovário unilocular. significa "semelhante ao coração". O . Caju-de-casa. raspa de amor-crescido e cajá. O nome do gênero. entre outras. plástico e resinas. as flores. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba.

O pericarpo tem utilização como anti-séptico. anti-helmíntico. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. astenia. estimulante e afrodisíaco. P. e a maceração de folhas para tratar diabete. calos e verrugas. 1982). 1995). 1990. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. a casca é utilizada como adstringente. No Piauí. como um diurético. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. Cruz. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. para controle das secreções vaginais. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. e a raiz. 1984). O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. As flores são afrodisíacas. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. 1995). problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. contra glicosúria e poliúria na forma de banho.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. desordens urinádas e asma (Lima. 1994. assim como um potente adstringente. 1982). depurativo e anti-sifilítico.. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Grenand et al. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. 1994).. 1993).. A resina é usada como depurativo e expectorante. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. Em Juiz de Fora (MG). 1992). tônico. Matos. contra úlceras. uma infusão de folha é usada contra diarréia. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. 1993. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais.. O suco das folhas serve como antiescorbútico. purgativa. . Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. tonsilite e problemas de garganta. debilidade muscular.

Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. Bálsamo. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. referindo-se às frestas da casca do fruto. Aroeira-do-brejo. Aroeira-branca. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Aroeira-do-campo. lenha e carvão. Fruto-de-raposa.3). sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. tônico. caule tortuoso. Aroeira-da-praia. Aroeira-do-sertão. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Fruto-de-sabi. . Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. com copa bonita e arredondada. com casca grossa. estimulante e analgésico. sugere-se o uso com moderação. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. como cicatrizante e contra gengivites. febrífuga e usada contra afecções uterinas. O nome do gênero significa "cortar". Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. mas é muito usada como ornamental. Aroeira-vermelha. Coração-de-bugre.Schinus terebenthifolius Raddi. Cambuí. analgésico e contra coceiras. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. adstringente.

como antidiarréico. reunidas em racemos. O ácido anacárdico (C22H32. ou Cajá e Umbu. O nome Spondias significa "ameixa". esverdeado e doce (Figura 22. ilustrado a seguir. antiespasmódico. O gênero Spondias.O3). diurético e analgésico. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. além de comestíveis. imparipinadas. Acaiou. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. Siriuela. referindo-se apenas à fruta da espécie. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. 1994). Cirouela. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. o fruto. inclui espécies tropicais. ou mesmo Caju. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. Acaju. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. especialmente árvores com resinas. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Outras denominações comuns são Acajá. descrito também por Carl Linnaeus. com 5 a 7 m de altura. as flores são pequenas. sendo um composto característico das espécies deste gênero. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. Em outros países da América do Sul.Spondias purpurea L. p-hidroxi- .4). referindo-se à semelhança com o fruto. é ovóide. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). do tipo drupa.

aminoácidos. 1985). Al. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. K e Ca (Thomas & Dave. 1973). S. Compostos derivados do ácido anacárdico. esteróis. ácido procatéquico. além de Na. ácido-p-hidroxibenzóico. e de suas folhas foram isolados miricetina. glicosídeos de quercetina. de diferentes partes da planta. sódio e açúcar. P. também foram isolados (Costa. limoneno.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. anacardol e cardol. campesterol e colesterol (Dinda et al. 1997c). quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. C1. taninos.. 1986). quercetina. 1986). 1997). taninos e açúcar (Nagaraja et al. álcool araquidílico. a-amirina. apigenina. aminoácidos. cardanol. anacardol. a-selineno e vitamina C (Gupta. os seguintes compostos: acetofenona. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. 1989). 1990).. além de flavonóides voláteis (Pino. amentoflavona. antocianinas. ácido gentísico. anacardeína (Sathe et al.. leucocianidina. 1987). estigmasterol. agathisflavona. kaempferol. 1995). flavonóides. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. fenol. n-eicosano. amido. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. robustaflavona. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. Foram também caracterizados. cicloartenol. narigenina. 1987). (-)-epiafzelequina. Mg. derivado de resorcinol. (-)epicatequina. triterpenos e sesquiterpetenolactonas .

tocoferol e outros.. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. e raízes (Guerrero. ácidos esteárico. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. tocoferol. Vários derivados do ácido anacárdico. 1994). Himegima & Kubo. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. 1999).. flavonóides e triterpenos em suas folhas. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária. -caroteno. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. Muroi & . ácido salicílico. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al.. -sitosterol. 1991. 1992). 2000). O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade.. denominados geraniina e galoilgeraniina..Bacillus subtilis. 1993. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. aminoácidos variados. tais como -catequina. 2000). Do extrato etanólico de folhas e caule de S. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. 1994). quercetina. 1994) e frutos (Augusto et al. láurico. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. palmitoléico. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. -linolênico. 1991). Escherichia coli.(Guerrero.. 1991). 1994). Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. oléico.. palmítico. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos .

1993).. enquanto o cardol. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. Jurberg et al.. 1982).epicatequina Kubo. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al.. 1994). (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. glabrata. 1995). e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. 1992. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1991). Souza et al. 1974. . Craveiro et al.. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. 1993). occidentale foram avaliados perante a B. 1984a). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A. O extrato hexânico das cascas de A. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A.

Abo et al. Kudi et al. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. Geraniina e galoilgeraniina. 1992). Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al.. 1982.. França et al. 1990). foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Akinpelu. 1982 e 1985. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. isolada de A.. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. Mota et al. occidentale.. 1994). Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. 1992). responsáveis por irritação da pele. . Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. 1994). analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. occidentale. 1999. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. pela presença do cardol (Hoehne.. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al.A epicatequina. Além disso. 1993).. Barbosa Filho et al. mombin.. 1990. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. antiartrítica. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al.. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. 2000. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. Dos extratos hidroalcoólico. 1983).. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al.. 1991). taninos isolados de S.. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. 1981). além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata.... 2001. 1980) enquanto..

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

Spondias purpurea.4 . 1946). .FIGURA 22. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .5 .Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22.

Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .Ruta graveolens.6 .FIGURA 22.

Di Stasi A ordem Apiales. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. Hiruma-Lima L. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. A. denominada também Umbellales. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). com aproximadamente 3. como Umbelliferae. Essa família inclui 446 gêneros. C. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). as quais são descritas a seguir. de acordo com o sistema de classificação botânica.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley.23 Apiales medicinais C. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. 1997). mas alguns arbustos e árvores são des- .

onde há amplo uso como medicamento. No Brasil ocorrem poucos gêneros. dunas e brejos. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica.Apioideae). Apium com características ruderais. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho).Saniculoideae). sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. Cominho e Salsa. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Cicuta.Apioideae). inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Daucus (Caucalideae . folhas alternas. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. muito comum na Mata Atlântica. Erva-doce. Apium (gênero do Salsão). Coentro. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. a Eryngium ekmanii. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. Petroselium (Salsa). Apium. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . assim. entre inúmeros outros.Hydrocotyloideae). pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Coriandrum (Coriandreae . Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. 1998). com raízes fasciculadas. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). densamente imbricadas. fibrosas e caule florífero solitário. oblongolanceoladas. e Hydrocotyle exigua. ascendentes. Pimpinella (Erva-doce). optamos por incluir aqui apenas duas delas. Muitas dessas espécies são cultivadas. tais como Cenoura.critos na família.

O nome do gênero. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . Esse chá. torcidas antes de abrir. de Erva-terrestre. folhas pequenas. espalhadas por diversos continentes. o sumo das folhas frescas. diclamídeas e hermafroditas. lobadas e pilosas. cordiformes. Também é conhecida como Erva-capitão. crenadas. dos quais são emitidas raízes. quando preparado em alta concentração. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. é considerado excelente contra dores de cabeça. especialmente em crianças.1). usado topicamente. semelhantes a barba de cabra. exigua (Urban. inflorescência em capítulo. Eryngium. capítulos esverdeados com flores pequenas. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. vem de eros = "lã". var. de no máximo 1 cm de espessura.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. referindo-se às fibras do rizoma. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no entanto. com nós. frutos pilosos. com flores avermelhadas. fruto subgloboso (Figura 23. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. cíclicas. habitando em lugares úmidos. e aix = "cabra". Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. na região do Vale do Ribeira. Hydrocotyle hirsuta Sw.

Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. 1986). Hohmann et al.. 1980) e E.. farneseno. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher.. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. ilicifolium (Pinar & Galan. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. 1986).. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". sendo majoritários carotol.5-trimetilbenzaldeído. O extrato aquoso de E. foetidum L. foi ainda isolado o falcarindiol em E. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1985). bourgatii (Lam et al. 1984). 1986). 1997a). O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. 1999). De E. foram isolados 46 compostos. elegans (Campos & Garcia. 1997). Além de saponinas.. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. e cotyle = "umbigo".000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. Das folhas de E. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. 1995). sendo 2.. emético. 2002). diurético e. acetilenos. a DL50 por via oral foi de 1..4. . Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. 1985. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh.. maritimum (Lisciani et al. Glicosídeos foram isolados de E.inclui 130 espécies cosmopolitas. planum (Hiller et al. campestre (Erdemeier & Sticher.. comarinas e flavonóides. também encontrados em E. 1992). a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. anetol e alfa-pineno (Pino et al. 1997a). creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. em altas doses. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico.

325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. especialmente em refogados e saladas. utilizada como alimento. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. Árvores. Australásia e América tropical (Joly. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. especialmente do gênero Cicuta. segundo a história. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. No entanto. e inclui 47 gêneros. e centenas de .Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. ambos introduzidos no Brasil. 1997). 1998). epífitas. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. lianas. No Brasil ocorrem vários gêneros. Hedera. mas raramente ervas. famosa por ter sido usada. Tetrapanax e Aralia. com aproximadamente 1. Schefflera. no envenenamento do filósofo Sócrates. arbustos. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. Tetrapanax. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Das inúmeras espécies descritas nessa família. da famosa Hera dos parques. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. Mackinlaya e Polyscias. Panax. e Polyscias. são encontradas na família. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. subclasse Rosidae. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. Centro-Oeste e Sul.

A espécie não foi completamente identificada. e acias = "sombra". amplamente cultivada como ornamental. O gênero Polyscias. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. refere-se à forma da folhas. pela beleza de sua folhagem. Cuia. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. androceu com cinco estames. grandes. cálice pequeno. pertencente ao gênero Polyscias. descrito por Johann Forster e Georg Forster. Cuia. com larga bainha na base. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. Cunha e Cunha-mansa. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. folhas alternas.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. Outras espécies do gênero. fruto indeiscente. variegadas. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. usada internamente. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. flores pequenas. O nome popular da espécie. globoso. ovário ínfero. reunidas em inflorescências axilares. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". sendo também usa- .

assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. 1989a. Barilyak & Dugan.. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. 1996. 1994). 2001). Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng. scutellaria (Paphassarang et al. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al.. Chaboud et al. 1989c e 1990) e de P.. 1990. 1992. Vo et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. Lutumski & Luan. 1989b. Nas folhas de Polyscias sp. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1992). 1992). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). os autores demonstram que . 1991). ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. 1990)... Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al.. 1998). Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1986). foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. Proliac et al.. 2002. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. Glicosídeos oleanólicos.dos como calmante por adultos. Em P.. 1995. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. Nesse estudo... saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Fulva (Bedir et al. 1988.

Eryngium ekmanii. FIGURA 23. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. 2002).. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . especialmente a Panax ginseng. assim como outras do gênero Polyscias. A espécie P. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios.1 . são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. mostram que essa espécie. e de prolactina pela hipofise. associados àqueles referentes a outras da família.

Polyscias. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .FIGURA 23.2 .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Apocynaceae. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae.Strychnaceae. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. . das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. C. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. demonstram que a ordem Gentianales. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. Apesar de não referidas no nosso estudo. apesar de pouco numerosa. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. Esses dados. Di Stasi C. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. Genistomaceae. Gentianaceae e Asclepiadaceae. A. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III).24 Gentianales medicinais L. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Loganiaceae.

Allamanda. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. Inclui espécies arbustivas. Nesse contexto. como Aspidosperma. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. e. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. Vinca. 1997). ajmalinina. Java. com destaque para ajmalina. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. inclui 165 gêneros. como os gêneros Allamanda. Aspidosperma. Mandevilla. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. Joly (1998) destaca. com aproximadamente 1. serpentina. aqueles que incluem espécies arbóreas. . No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. arbusto encontrado na Índia.900 espécies tropicais e subtropicais. Thevetia. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. Hancornia. fornecedores de madeira. a família possui espécies trepadeiras. serpentinina e reserpina. sendo esta última o mais importante. os gêneros Mandevilla e Thevetia. muito utilizadas ornamentalmente. dentre os gêneros. Catharanthus. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. além dessas. Rauwolfia. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Nerium. Strophantus. muitas das quais conhecidas como Mangaba. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. Tabernaemontana. Paquistão e Tailândia. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Hancornia. arbóreas. herbáceas. entre as espécies de pequeno porte. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. subclasse Asteridae. e encontrado em várias outras espécies do gênero.

conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Wrightia e Aspidosperma. as espécies Vinca major. tais como alstonina. Vinca rosea e Catharanthus roseus. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. tais como majdina. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. especialmente a Nerium oleander. A espécie Vinca rosea. Alamanda amarela e Quatro-patacas. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. tanto para os animais como para a espécie humana. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. cilastonina e também a reserpina. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. as espécies Strophantus gratus. a saber Allamanda cathartica. • do gênero Nerium. segundo Evans (1996). Deve-se destacar. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. alstonilina. tais como ouabaína. e Thevetia peruviana. Vinca minor. Himathantus sp. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. • do gênero Strophantus. Orélia. espécies ricas em glicosídeos. . merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. vinblastina e vincristina. estrofantinidina e cimarina. contudo. Dedal-de-dama.• do gênero Vinca e Catharanthus. tem sido designada também como Catharanthus roseus.

O gênero inclui doze espécies tropicais. Ucuuba e Sucuba. a planta exsuda látex considerado venenoso. alternas. fruto do tipo capsular. .1). grandes. glabras e verticiladas. purgativo e catártico. em grande número. em animais domésticos. atingindo até 20 m de altura. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. especialmente em crianças. A infusão das folhas é utilizada como emético. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. com a mesma indicação. na forma de funil. enquanto a decocção das cascas da planta. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. contendo poucas sementes (Figura 24. usada internamente.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. com copa estreita e tronco ereto. Segundo Corrêa (1984). com folhas brilhantes. A folha é considerada excelente catártico. espessas. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. folhas simples. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. especialmente cães e macacos. semilenhoso. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. axilares e fasciculadas. é considerada um excelente vermífugo. inflorescências com flores amarelas. com tubo estreito e longo. com casca rugosa. emético e purgativo. sendo a A.

recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. frutos geminados em forma de chifres. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. especialmente em crianças. simples.pecioladas. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto.) K. 1990). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. Coração-de-jesus. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. margens inteiras. significando "manto de flor". Noz-de-cobra. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. glabras em ambas as faces. sendo útil como anti-helmíntico. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. grandes e brancas. linear-lanceoladas. no entanto. folhas alternas. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). sendo uma planta perenifólia. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. com um tronco de casca cinzenta. Thevetia peruviana (Pers. alcançando até 10 m de altura. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. especialmente no alívio de coceiras. acumi- . heliófita e secundária. 1997). coriáceas. Schum. contendo sementes aladas. O nome do gênero deriva do grego. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. ovaladas. todas encontradas na América do Sul (Plumel.

com corola em forma de funil. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. revestimento de maracás (Corrêa. O nome do gênero Thevetia. a amêndoa. assim como outros inúmeros usos de várias par- . para provocar vômitos. purgante. contendo flores grandes. No Brasil. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. aromáticas. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. contendo sementes duras e grandes. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. 1984). Os usos dessa espécie como purgativo. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. purgativa e emética e de uso perigoso. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. A casca é considerada amarga e febrífuga. triangular. bactericida e como veneno para peixes. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. além da sua utilização uso em vários países como emético. 1984). como pulseiras. carnosas e glabras nas duas faces. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. em pó. colares. descrito originalmente por Carl Linnaeus. 1985). antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. 1962). O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. arbotifaciente. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. É uma espécie muito usada como ornamental. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley.nadas. braceletes. 1997). As sementes da espécie são usadas como inseticida. fruto do tipo drupa carnosa. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. especialmente do continente africano. amarelas.

1988). thevetioides (Perez-Amador et al. plumericina. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. além de 13-O-acetil plumierida.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. assim como de outras espécies do gênero. 1992b. alamandina. 1988).. 1995c e 1995a). siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. As sementes de Thevetia peruviana. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina.. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo.. 1993). -sitosterol. 1985). schottii. De outras espécies do gênero Allamanda. neriifolia os compostos 9. 1974). e de suas flores.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. plumierida. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. Dados químicos dos gêneros Allamanda. medioresinol. quercetina. além de lignanas como pinoresinol.Kader et al. 1996). Tewtrakul et al. 2002). O isolamento de diosgenina. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao.-hidroxipinoresinol e 9. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. 1962. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. ruvosídeo e neriifolina. 1992a e 1994). enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo..-O. rutina e os iridóides plumierida. foram isolados do caule isoplumericina. escopoletina. 1984).. 1989). ácido ferúlico e ácido gentísico. canogenina. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. Foram isolados de A. 1988). kaempferol. flavonóides. 1986). -amirina. blanchetii (Ganapaty et al. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. tevetina B. são ricas em um glicosídeo a tevetina.1997. como a A. Kupchan et al. ovata e T. a alanerosida. escoparona. .-hidroximedioresinol. também chamado tevetina A... perivosídeo. -sitosterol. 1996.. acetato de lupeol. tais como de T. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. Corrêa..

esteárico e palmítico. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. cáprico. Das folhas de T.. triterpenos e saponinas. triterpenóides (Wood et al. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides. 1982). além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. taninos e saponinas (Gupta. 1995. neriifolia (Dinda&Saha. linoléico. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba.. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. e as raízes. Foram descritos os ácidos mirístico.. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . obovatus (Vilegas et al. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. alcalóides. flavonóides. ursólico.. 1993). Iridóides também foram isolados de H.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. 1996). Ali et al. oléico. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. enquanto as cascas possuem alcalóides. esperolactonas. taninos e saponinas.. 1994. Da mesma forma.. taninos. Guerrero.. esteárico. De acordo com Obasi et al. follax (Abdel-Kader et al.. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. 1992) e H. 1991). 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. (1990) e Beauregard Cruz et al. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. 1998). (1986). 1978).. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina.. linolênico.. ácido metilperlatólico (Endo et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. 1990). linoléico. glicosídeos cardiotônicos.. Da espécie H. Triterpenos como ácido olianólico. behênico e erúcico. 2000). 1992) e em T. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster.

. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. 1992).. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al.. cathartica e A. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 1935). Peruvosídeo e neriifolina. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. 1994) antifúngico (Tiwari et al.. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al.camundongos. 2002) e antiofídico (Otero et al. conhecida popularmente como orélia. 1997). 1945 e 1947).. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. isolada dessa espécie. 1989). 1991).. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. 1990). Moraes et al. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. 2000).. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. Obasi & Igboechi. 1984. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. A neriifolina. atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 1990. 1982a e 1982b.. Moreira et al. bexiga. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 1981). 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. produziu atividades espasmogênica. 1933). O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. violacea (Lima & Caldas.. . 1994). Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina.. 2002). blanchetii (Melo et al. 1962). 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al.. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina.. Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. antimicrobiana (Neto et al. Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al..

acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. Maringhini et al..700 mg/kg é dose letal. e estudos recen- . gatos. Oji et al. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. 2002. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A. 1996.. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al.. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. para bovinos (Tokarnia et al. 1958. 1933). A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. 2000). 1999. Saraswat et al... Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. Frerejacque. peixes e outros animais (Chopra et al..5 g/ kg e 14. respectivamente. Nerium oleander. 1993). 1996). Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. e Thevetia peruviana e T. 1933. 1996). 0. cobaias. 1992). Eddleston et al. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. além de congestão da mucosa da área digestiva restante.. nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. 2000.. Singh & Singh. A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. 1996). No entanto.. efeitos tóxicos também são similares.4g/kg.

dada a riqueza química da família. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. incluindo o homem. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. os quais ainda não foram estudados. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. ou seja. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. Da mesma forma. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. De todo modo. Deve-se salientar. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. Observações Várias espécies dessa família. 1991). verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. . A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. Dessa forma. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. inibição da Na+. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. no entanto.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica.K+-ATPase. 1996). Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade.

1997). Inclui lianas. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. e inclui 315 gêneros. mariana. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. 1986). No Brasil. descrita a seguir. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. e algumas de grande valor medicinal. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. sobretudo para animais. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. especialmente por seus efeitos tóxicos. herbáceas e raramente arbustos e árvores. . mariana Dcne. trepadeiras. Espécies medicinais Fischeria cf. subclasse Asteriddae. Oxypetalum. Fischeria. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. com aproximadamente 2. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. tais como Asclepias curassavica. Tylophora e Calotropis.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Oxypetalum e Calostigma. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais .Asclepias.

androceu modificado. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero.225 espécies cos- . diclamídeas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. E. de onde saem as folhas simples. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. sementes comosas. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. flores pentâmeras. L. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. membranosas. foi realizado experimento de toxicidade. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. com ramos pubescentes. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. opostas. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr.2). especialmente a febre. Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. com pecíolos pubescentes. nos quais se distribuem 1.. com testa verrucosa (Figura 24. fruto unilocular. inclui aproximadamente 78 gêneros. corola gamopétala. com lacínios conspicuamente crispados. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. von Fischer. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. hermafroditas e de simetria radial. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. 1979).

com caule ereto de muitos ramos. Puruvá e Cutúbea. subtropicais e de clima temperado. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. a decocção das raízes é usada contra febre. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. também sésseis. Lisianthus e Coutoubea. reunidas em verticilos. sendo várias delas medicinais. 1998). Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. 1997). especialmente do gênero Dejanira. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. . Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. F. flores brancas grandes e muito vistosas. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. desordens estomacais. 1978). amenorréia e como vermífugo. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. Nomes populares A espécie é chamada. dispostas em espigas simples terminais. folhas opostas e sésseis. amplexicaules e grandes. fruto capsular. Voyria. de Carne-seca. Dados botânicos É uma planta anual. na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.mopolitas. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. mas também inúmeras espécies tropicais. e outras são usadas como ornamentais. Dejanira.

lianas e ervas (Mabberley. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. . dentre eles. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. Porém.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. da famosa Strychnos nux vomica. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. 1979). 1997). anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. febrífugo. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. destacamos apenas os principais: Spigelia. onde é cultivado como ornamental. diminuição da atividade motora e dores abdominais. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. tônico. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. e morte. e Strychnos. hipotermia. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. quando ingerida dentro de 24 horas.. 1984). Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. incluindo tanto árvores como arbustos. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. estudos de toxicidade. diminuição da atividade do rúmen. um dos encontrados no Brasil. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. Mas a C. polipnéia. taquicardia. conhecida popularmente como Tingui em Roraima.

1978).Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. folhas opostas e ovais. em seus cipós. a maioria na Amazônia (Barrozo. glabras. Nomes populares Na Mata Atlântica. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. Noz-vômica e Quina-de-cipó. antigamente. . a planta é narcótica e venenosa. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. 2001). das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. fruto do tipo baga globosa. Segundo Corrêa (1984). foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados.. No levantamento realizado. flores amarelas em grande abundância. as plantas com propriedades narcóticas. coriáceas e trinervadas. A planta recebe esse nome por possuir. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. 2002). Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. porém de S. nux-vomica (Shoba & Thomas. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. que se refere à presença de mais de 190 espécies. também constatado para a espécie S. nós na forma de uma cruz. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. O nome do gênero designava.

. mellodora (Brandt et al. 2000 e 2001.. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. guianesis (Penelle et al. 2001). usambarensis (Frederich et al. 1995).. myrtoides (Martin et al. S.. 1996).. 1999). S. icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al. 1996). 2001). ... 2000). Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Detalhe da flor (Banco de imagens - ).. 1996).1 .A S. panganesis (Nuzillard et al.. Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. FIGURA 24.. Das raízes de S. 1998) e S. Quetin-Lecrerq et al.Allamanda cathartica.. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. 2000. Rafatro et al. S.

Fischeria cf. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi . laniflora Dcne.Banco de imagens - .FIGURA 24.2 .

Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae.25 Solanales medicinais L. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Solanaceae. das quais alguns exemplos são aqui referidos. N. G. lianas. algumas vezes parasitas. Seito C. ervas. Convolvulaceae. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. arbus- . distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. incluindo plantas herbáceas. A. Gonzalez L. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. C.600 espécies. Di Stasi F.

Na região da Mata Atlântica. geralmente lobadas. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. pecioladas. Nomes populares A espécie é chamada. cordiformes. A planta também é conhecida. como Batata-da-terra. de Batata-doce. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. 1997). internamente. a espécie é cultivada e consumida como alimento. flores brancas. com folhas alternas. rosas ou arroxeadas. para infecções da boca. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. que são cultivadas com fins comerciais. em gargarejos. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. Possuem inúmeras variedades. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. axilares e fruto capsular. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. ainda que raramente. suculentas. aqui também descrita como medicinal. gengivite e dores de dente. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. raízes tuberosas.tos e raramente árvores (Mabberley. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. delicadas e amplamente consumidas como alimento. . e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Ipomoea batatas.

purpurea e I. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. glabra.. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. comparando-se as plantas deste gênero. Muitas espécies são medicinais. b-sitosterol. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. carnea.. 1995). de 5 a 18 cm de comprimento. I. 1996). anti-reumáticas e laxativas. flavonóides (Zhou. oblongata. hederifolia. como é o caso de /. cairica. cairica. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". folhas alternas. Alba. batatas Lam. Goda et al.. coptica. 2000. com caules bastante entrelaçados. ácido caféico e quercetina (Tan et al. sendo várias ervas. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. I. O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. 1996). com cinco lobos arredondados. I. Delgado et al. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. sinensis.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. 1996. 1. muitas delas amplamente cultivadas. De . Dados químicos do gênero Da espécie I. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo.. 1986). de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). fruto capsular ovóide. friedelina. I. I. acetil-b-amirina. tubérculos ou arbustos. purpurea e /. e de homoios = "semelhante". de cor vermelhoviva ou rosa. pinatipartidas e pecioladas. enquanto as folhas são detergentes. como é o caso de I.

é medido por mecanismos colinérgicos.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina.. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. 1996). De I. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. e também dibenzil-g-butirolactona. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. as lignanas arctigenina. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. 1996). reticulata (Mann et al. adrenérgicos e . carnea. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al.I. 1996 e 1997). 1989). e das flores de I. 1997). A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. quando administradas a cabras... 1990). tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis.. regnellii e I. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. 1996). 1997). Das sementes de I. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. operculinas I-VIII ácido operculínico A.. cornea. Das partes aéreas de I.. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. 1988). De Lima & Braz-Filho. 1997). 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. 1997). Das raízes de I. os flavonóides 4'.. carnea Jacq.. Diversos flavonóides foram isolados de I. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. 1987). Das sementes de I. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. alta concentração de cálcio e potássio. 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. 1986). 1999). onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. arctiina e matairesinosídeo. As folhas de I.. (Sharma & Shukla.. também encontrados em I. hardwickii (Liu et al. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. 1999a. 1987). além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. matairesinol e trachelogenina.

As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. 1997). 1996).. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. espasmolítica (Medeiros et al. O efeito tóxico foi observado no cérebro.. depressão. Foram isolados de I. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. O extrato diclorometano de I. 1994). 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. pescapae (Madeira et al. Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. 1996). 1991). 1997).não-colinérgicos (Hore et al. lianas e ervas (Mabberley. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta.950 espécies subcosmopolitas. hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 1998). dos quais 25 são endêmicos. 1998).. Entre estes.. Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . antiagregadora plaquetária (Lemos et al. As sementes de Ipomoea ssp. 1995). que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. encontram-se árvores. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul.. 2000). 1990). arbustos. stans três tetrassacarídeos. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros.. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al.. Foram observadas também anorexia. conhecida popularmente como salsa-da-praia. A I.. Os extratos aquosos. com 2. 1992). A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. 1996)... 1998a e 1998b)..

essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. dessa subfamília. Don. e Solanum. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. importante ferramenta farmacológica e. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. como Juá-bravo. • Cestroideae. Gambá. da famosa espécie Nicotiana tabacum. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. . uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. fonte de nicotina. Fumobravo. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves.• Solanoideae. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. Em outras regiões. com inúmeros representantes no Brasil. Nos estudos realizados. Brunsfelsia. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. pelos nomes de Manacá-da-serra. Physalis. Nomes populares Na região amazônica. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. tanto do ponto de vista farmacológico. descrito posteriormente. do famoso Tomate. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. de onde se isolou. Cuvitinga e outras espécies. a capsaicina. da famosa Datura stramonium. Datura. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. Manacá-açu e Jeratacaca. Lycopersicum. ainda do ponto de vista comercial e social. Managá-caa. entre outros inúmeros compostos. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. na qual se encontram os gêneros Capsicum. especialmente na espécie Hyosciamus niger.

ovário bicarpelar. Mata-fome. bolha". pentâmeras.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. Joá-de-capote. diclamídeas. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. caule verde. glabra. especialmente na Amazônia. folhas elípticas e acuminadas. ereto e crasso. androceu com cinco estames. com anteras azuladas. Joá. longo-pecioladas. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. de Camapu. possui. na região amazônica. pequenas. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. Bolsa mulaca. agudas. referindo-se à forma do fruto. bilocular. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. Mulaca. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. Nomes populares A espécie é chamada. fruto esverdeado do tipo baga. flores dispostas em cimeiras. súpero. folhas inteiras. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. Physalis angulata L. O chá preparado com raiz de . Juá-de-capote. flores amarelas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. sem estipulas.1). hermafroditas. Dados botânicos Erva com muitos ramos. semente rufescente (Figura 25. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. muito ramificado.

hepatite e reumatismo (Forero. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. . a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. Jubeba. Juripeba. malária. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. 1974-1975). Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. para tratar hepatite. vômito. útil contra reumatismo.. no Pará. na Paraíba. os frutos são desobstruentes. Juuna e Juvena. problemas hepáticos. 1980). dermatites e doenças de pele. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. 1990). renais e de vesícula biliar (De Almeida.. 1980). 1993). o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. Rutter. 1998). As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. 1984). contra inflamações. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. em Minas Gerais. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. outros. problemas hepáticos. bem como no combate a febre. 1994). essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. 1995). A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. No Peru.camapu misturada com raiz de açaí. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. da Amazônia brasileira. 1990). 1980. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. contra icterícias (Schultes & Raffauf. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. a infusão da sua raiz. 1982). o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. contra vermes. interna e externamente. e suas folhas têm uso diurético. No Brasil. 1984) e a raiz. diuréticos e resolutivos (Corrêa. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. Solanum paniculatum L.

hepatite e febres intermitentes. além de ser indicada contra problemas do estômago. brancos ou amarelados. fruto do tipo baga redonda. folhas alternas.700 espécies subcosmopolitas. Inclui inúmeras variedades. todas cultivadas. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. ereta. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. es- . alívio". a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. de caule alado. dispostas em racemos. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. Solanum tuberosum L. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. sinuosas e acuminadas. de onde é obtida pelos habitantes locais. muito parecidas com as da Batata-inglesa. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. lilás ou roxas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. flores brancas. fruto do tipo baga globosa. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. carnosos. especialmente contra lombrigas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). sendo úteis contra icterícia. flores em umbela. desiguais. muitas delas de grande valor econômico.

minima (Mulchandani et al.25%) e ácido ricinoléico (0. peruviana (Sahai & Ray. 1985.52%) (Maestri & Guzman. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. principalmente. Sinha et al. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. Do gênero Physalis. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. cetonas. alkekengi (Kawai et al. Itoh et al. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis.. 1991). 1996). P.5%). Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B.. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al... P peruviana (Gottlieb et al.. Gottlieb et al. 1987... Na região.. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. nitida. 1994). 1986). ixocarpa (Abdullaev et al. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). identificou a presença de 122 compostos. P viscosa (Maslennikova et al. 1977 e 1978). com ciclopropenóides. 1980) e P. angulata (Row et al. 1986).8%). Oshima . Frolow et al. 1977a).. 1987). Já da casca da raiz de B. hidrocarbonetos. alcoóis e ésteres. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. dos quais foram caracterizados.. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. Eguchi et al. De B.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação.. 1988. 1985). P pubescens (Reddy et al.. As sementes de B.. Vasina et al. No óleo das sementes de B. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. 1979a. Glotter et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. espécie de origem cubana. Alcalóides foram isolados de P. 1980.. ácido palmítico (7. 1995). 1981). ácido oléico (11. 1986).. 1977). 1986. obtido de suas partes aéreas.5%). aldeídos. 1987. 1980. grandiflora. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. P.. a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago..

fisagulina A e K. vitaminimina. fisangulídeo. 1988). 1983.. artrites.. Ripperger et al. vitagulatina A... Chen et al. 1977). 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. B.. utilizada para picadas de cobra. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. minima var. . De P. Oliveira et al. angulata foram isolados ainda vitasteróides. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al.. flavonóides (Ismail & Alan. aianinas. enquanto das folhas de P. A administração oral de B.. figrina. beta-sitosterol. floribunda. 1987 e 1990. indica foram isolados vitasteróides... Spainhour et al. além de alcalóides.. 1968. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. 1990). hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. Moiseeva et al. 1997. acetil colina. 1987). além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. De P. bonodora. 1989. flavonóides (Ser. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. ácido clorogênico. 1992b e 1992c). 1992). 1990. 1987. Dinan et al. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. 1987b.. hopeana. 1993. com extratos da raiz de B.. Banton et al. 1992a.. Uma triagem hipocrática em ratos. Já da raiz de B. vitangulatina A. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. australis (McBarron & de Sarem. vamonolídeo. calcyina var. neoclorogenina. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. glicosídeos..et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al.. Vasina et al. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. revelou atividade depressora do SNC.. 1990. 1989. além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1988 e 1989). O extrato aquoso de B. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. 1990). 1967a e 1967b). 1986). bronquites... 1986. 1997). 1990). febre e picadas de cobra. 2001).. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. 1988).. B. 1975. Shingu et al.. Chen et al. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. fisalina B e quercetina (Gupta et al. 1991). uniflora. pauciflora e B. Neilson & Burren.

1987). niruri e P. 1998) e antineoplásica (Carvalho.. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. 1997.. edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. 1998). 1989). anticoagulante (Kone-Bamba et al. anti-séptica. antiviral (Otake et al. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. 1992. moluscicida (Almeida & Fonteles. 1998). M. et al. entre outras (Lin et al. V. V. M... Kurokawa et al. 1998. 1987).. anticolinérgica (Fonteles et al.. 1998). entre outras. aqui descrita. Carvalho. V. Nos frutos de P. 1998. 1990). como movimento . 1991.. melanomas. etanólicos e esteroidal mostraram. Pietro et al. et al. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. antibacteriana (Hussain et al. M. 1997. tripanossomicida (Barbi et al.. V.. P. antigonorréica. 1993.. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. Ribeiro et al.. M. alcoólicos. et al. quando ingeridas em dose única ou repetida. Haussmann et al. antileucêmica. Das folhas de P. M. 2002. G. V. M. I.. e a atividade imunoestimulante. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro.. M.. diurética. 1992a e 1992b). isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. et al. Soares et al... imunomoduladora (Rosas et al. 1998b).. Barbi et al. et al. 1998. 1998).. in vitro e in vivo. O estudo dos vitanolídeos de P. Chiang et al. Silva. constataram-se atividades hipotensora. Os extratos aquosos..Para a Physalis angulata. 1988). et al.. embora outros sinais também tenham sido verificados. antimutagênica. et al. 2000). Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. M.. 1990).. incluindo leucemias. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho. et al. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. V. antiespasmódica.. citotóxica. 1998). Kusumoto et al. T. 1998).. aos esteóides.. imunoestimulante (Carvalho. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. 1992a e 1992b). antiasmática. 1995.

1991). às vezes levando-o ao chão. salivação. perda de peso. falta de apetite. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. FIGURA 25.Banco de imagens - . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al.1 . Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .de mastigação. estiramento e contração das patas traseiras. Além disso. irritabilidade.Physalis angulata.

Di Stasi E.26 Lamiales medicinais L. inclui 130 gêneros distintos. arbustos. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). Guimarães C. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. M. C. Amazônia e Mata Atlântica. Santos C. com aproximadamente 2. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Nas regiões de estudo. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). espalhadas por todo o planeta. 1997). freqüentemente . M.300 espécies (Mabberley. apesar de incluir apenas oito famílias. das quais se destacam as Boraginaceae. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. A família inclui árvores. as quais serão discutidas a seguir. A.

Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. Nomes populares A espécie é chamada. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. . com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. inflorescência espigosa. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. É uma planta heliófita e higrófita. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). agudas. um dos gêneros mais comuns no Brasil. muito ramificado. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. formando grandes populações em áreas litorâneas. densa. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. com até 12 cm de comprimento. • Cynoglossum. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. de onde saem folhas sésseis.1). referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. pubescentes na face inferior. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. lanceoladas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.herbáceas e raramente lianas. sendo raramente encontrada no interior de matas. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. 1998). Borago e Symphytum (Boraginoideae). • Heliotropium (Heliotropioideae). de Ervabaleeira.

e trepein = "mudar". com flores brancas ou azuis. faringites. Jamacanga e Jacuacanga. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. furúnculos e também contra queimaduras. anginas. incluindo úlceras. e as espécies H. 1994). as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. dispostas em espigas solitárias. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. folhas pecioladas. com ramos lisos e glabros. Aguaraquiunha. ovadas ou cordiformes e acuminadas. tubulosas. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. alternas.5 a 1 m de altura. Segundo Corrêa (1984). É uma planta anual. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". moléstias cutâneas e feridas. europaeum são reconhecidamente medicinais. estomatites. Na medicina tradicional salvadorenha. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. de flores brancas. com dispersão regiões tropicais e temperadas. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. e seu suco é de alto valor contra aftas. abcessos. glabro ou pubescente. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. Crista-de-galo. fruto formado como uma mitra. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. inflorescência curvada. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. amplexicaule e H.Heliotropium indicum L. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. .

O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. 1994). Erva-do-cardeal. ásperas e onduladas. com folhas ovadas ou oblongas. Língua-de-vaca. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. Consolda maior. dispostas radialmente. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. 1996). taninos e triterpenos. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. amarelas ou rosas. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira..Symphytum officinale L. 1986). como beta-sitosterol. flores grandes. Sonsólida. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. tubulosas. lupeol. além de alcalóides e taninos. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. enquanto as raízes. Nomes populares A espécie é chamada. inflamação e dores de barriga. De H. vistosas. acuminadas no ápice. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. Outros nomes são Consolda. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. fruto com quatro aquênios lisos. . com porte herbáceo e raízes fasciculadas. Orelha-de-vaca etc. caule curto e ramoso. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. Das partes aéreas de H. de Confrei. distúrbios estomacais. europina. lasiocarpina.

1991).. 1989). destacando-se compostos fenólicos em H. 1995). heliovicina.De H. H. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.. H. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. rotundifolium (europina. argentinum e var. licopsamina amabilina. curassavicum (Davicino et al. arborescens (Bourauel et al. em H. echinatina. heliotrina e lasiocarpina (Guner. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . 1988). e heliotropina de H.. 1988. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. coromandalinina. esfandiarii (Yassa et al. stenophyllum. em que se . spathulatum (Roeder et al. 1995) e H. heleurina. heliotrina e lasiocarpina de H... (1989). lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. 1996). Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H.. intermedina e retronecina) por Ravi et al. supinina e europina (Rizk et al. em menor quantidade... H. 1988). subulatum (Malik & Rahman. europina. 1994). 1988). 1995b)..de H. 1986). 1988). coromandalina. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. europina e supinina em H. 1988). curassavinina. heliotrina. keralense (isolicopsamina. H. 1987). heliotrina. (1990). bovei. H. bursiferum (Marquina et al. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. 1990). 1995b. heliotrina e lasiocarpina e. lasiocarpum (Akramov. hirsutissimum (Guner et al. H. H. Farrag et al.a heliospatina e o heliospatulina . heleurina.. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. Reina et al. Das partes aéreas de H. curassavicum var.. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. curassavina. dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. 1996).

. 1990).. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. stenophyllum (Villarroel & Urzua.descreveram os constituintes galangina.. Os constituintes fenólicos denominados galangina. bacciferum (Miralles et al. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. 1996).. As propriedades antifúngicos. 1987). curassavica (Ioset et al. 1996).3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. 1995. do exsudato. Os flavonóides ayanina. 1989) e esteróis e quinonas em H. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . 1991 e 1988. linnaei (Ioset et al. 2001). dentre outras espécies (Ficarra et al. Do exsudato resinoso de H. 7-O-metileriodictiol. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al.. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido.3'-dimetileriodictiol.. 1998). 2000b). 3-0-metilgalangina. pinocembrina. sakuranetina foram isolados da resina de H.. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. 2001). solicifolia (Hayashi et al. Sertie et al.. tais como ácido rosmarínico.. De H. pinocembrina. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. filifolium também foram isolados. 1990). 2000a) e C. 1990).. 2002). 1996). C.. 1994 e 1996). 2001) e de C.. ovalifolium (Guntern et al. alliodora (Ioset et al.. 2001). A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. C. myxa. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. 7.. chenopodiaceum. pinobanksina-3-acetato. filifolium (Urzua et al. C. verbenacea. Al Awadi et al. pinocembrina. De H. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al.. A H. hesperetina.

ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. também denominada Labiatae.. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var.. Singh et al. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros.paz de inibir efetivamente o B. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. 1989). 1995). a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . 2001a e 2001b).. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos.700 espécies. subtilis como o extrato bruto de H. ellipticum e H. Portanto. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. Eroksuz et al. europaeum e H. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. 1987. Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado. Dados toxicológicos A espécie. 2002.. 1987). Das partes aéreas de H.. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. infusão ou chás por via oral. argentinum apresentam genotoxicidade.. assim como todo o gênero Heliotropium. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. Alcalóides isolados de H. 1997). Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. Jain et al. 1992). 2001). sendo também contra-indicado o uso do material fresco. porcos e aves (Gaul et al. bursiferum (Marouina et al. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. 1994. é potencialmente tóxica. De H.. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. nos quais se distribuem 6.

com cálice tubuloso. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. pois são usadas como condimentos. oposto-decussadas. rígidas. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex.2). Salva. do ponto de vista medicinal. alimentos. bilabiado. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. Lavandula. pubescentes. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Melissa. Satureja. com haste suculenta. crenadas. flores dispostas em capítulos pedunculados. Teucrioideae: Teucrium. Ocimum. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo.(Mabberley. obovais. Nepetoideae: Hyssopus. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. Thymus. folhas pecioladas. Malva. especialmente americanas. Origanum. Salva-do-campo. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Lamioideae: Leonotis. corola com tubo infundibuliforme. Leucas e Sideritis. Hyptis e Plectranthus. ex Benth. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". . bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Trata-se de uma importante família. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. 1997). Rosmarinus. Scutellarioideae: Scutellaria. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Salvia. Mentha. Ajugoideae: Ajuga. Pogostemonoideae: Pogostemon. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada.

para regular a menstruação. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. . icterícia. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. e inclui apenas quinze espécies tropicais. Dados botânicos Erva anual. mas não foi completamente identificada. cólicas menstruais e problemas digestivos. Na Mata Atlântica. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. diarréia. anti-reumático e contra cólicas menstruais. sudoríficos. um pouco lenhosa. flores pediceladas com quatro estames. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. emenagogos. de constipações e artrites (Van den Berg. antigripal.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas opostas. Na região da Mata Atlântica. de até 2 m de altura. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. recebe o mesmo nome. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". na região amazônica e em quase todo o Brasil.3). Nomes populares A espécie é chamada. de Rubim. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. e a infusão da planta toda. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. flores dispostas em racemos densos e verticelados. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. com caule quadrangular aveludado e pubescente. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. Leonotis nepetaefolia Hort. a decocção das folhas é usada contra malária. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. ovadas e subcordiformes na base. 1982).

pubescentes nas duas faces e membranosas. na Mata Atlântica. de caule ereto. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. antireumática. em Minas Gerais (Verardo. pilosos e sulcados. especialmente de barriga e. A planta é também considerada antiespasmódica. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. ovadas ou oblongolanceoladas. antiasmática. duas vezes ao dia. flores sésseis. 1982. febrífuga e diurética. 1980). externamente.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Leucas martinicensis R. ramos quadrangulares. com lábio superior 1-2 . útil contra úlceras. no Ceará (Matos et al. herbáceo. ramoso e pubescente. nas inflamações broncopulmonares. é utilizado como anti-reumático. no Rio Grande do Sul. hipotensão. com cinco segmentos acuminados. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. uma xícara por dia. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e.. 1982). 1982). o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. contra gripes. durante dois dias. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. como abortivo e antitérmico (Simões et al. 1984). 1986). como cicatrizante. distúrbios do estômago. a infusão das folhas é usada.. Dados botânicos Planta anual. Na região do Vale do Ribeira. no Mato Grosso. internamente. brancas. facilitando a expectoração. Br. a planta florida é usada na fraqueza geral. corola bilabiada. raramente arredondadas. dores gerais. sendo ainda indicada contra úlceras. como Cordão-de-frade. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. desiguais entre si. cálice bilabiado. o chá de toda a planta. Grandi & Siqueira. reumatismo. folhas pecioladas.

diclamídeas. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. na forma de gargarejo. difere da M. filha de Cocylus. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. antiespasmódico e contra nevralgias. é usado sobre gargantas inflamadas. O nome do gênero Leucas. topicamente. viridis e M. dela. significa "branco". corola gamopétala. formando espigas no ápice dos ramos. bilabiada. contra tumores. pentâmeras. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. Na região do Vale do Ribeira. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. planas. aquatica. o macerado das folhas em água. e seu cozimento é indicado como antireumático. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. curto-pecioladas. ramoso. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. um pouco pubescentes. ramos eretos e opostos. folhas opostas. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. numerosas. contra dores musculares e reumatismo. referindo-se à cor das flores. Hortelã-das-cozinhas. piperita é um híbrido de M. externamente. de porte herbáceo. agudas. zigomorfas.lobado e o inferior 1-3 lobado. descrito por Robert Brown. na Mata Atlântica. Menta e Hortelã-verdadeira. hermafroditas. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. nome recebido em todo o Brasil.4). apenas de Hortelã. 1984). A planta também é utilizada como tônico. . O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais.5). serrilhadas. fruto do tipo aquênio (Figura 26. com raiz fibrosa e caule ereto. decussadas. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. flores violáceas. pouco aveludada. Dados botânicos A espécie M.

três vezes ao dia. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. 1986). 1982) e como anti-séptico. A M. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. de estômago. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. digestivas. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. diarréia. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. garganta e dentes (Simões et al. Mentha viridis L. de Hortelã-verde. Nomes populares A espécie é chamada. timpanite. Hortelã-pequena. no Rio Grande do Sul. anti-reumático e contra insônia. estimulantes. Na região da Mata Atlântica. Contudo. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. 1986). Hortelã-graúda. antiespasmódicas. cólicas abdominais e tétano. em Brasília. dismenorréias e verminoses. estomáquicas. a infusão das folhas. problemas cutâneos. 1984). dores de cabeça. na região amazônica. sendo indicada contra flatulências. Hortelã-da-preta. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. bronquite e tosses. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. catarros de mucosas. Hortelã-comum. em 1990. é indicada contra dores de estômago em crianças. vômitos. estimulante do fluxo biliar. eólicas uterinas. tremores. calmante. 1991). a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. carminativas. . 1980). é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. musculares.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dor de barriga..

O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. tosses. opostas. assim como em todo o Brasil. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. gripes. em verticilos aproximados. dores de barriga e pedras nos rins. garganta e estômago. corola e cálice campanulado (Figura 26. caule ereto. serrilhadas. ramos eretos. flores rosas ou violeta-claras. bronquites. especialmente lombriga. seu decocto é considerado útil contra tosse. além de ser considerada útil contra febres. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. ovais ou oblongas. tétano. denticuladas. ovadolanceoladas. Mentha pulegium L. ascendentes. dores de estômago e "quebranto". bronquite e gripe. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. Na região do Vale do Ribeira. com folhas pequenas. . inflorescência do tipo espiga. ameba e giárdia. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. bastante pilosa e com aroma forte. glabras. pecioladas. folhas subsésseis.6). Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. cilíndrica e frouxa. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. cólicas.

Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. peitoral. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. Em outras regiões. com ramos tetrágonos e pubescentes. com até 50 cm de altura ou maior. flores brancas ou rosas. pequenas e finas. Ocimum canum Sims. Ocimum. Em outras regiões. Alfavaca-cheirosa. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. de caule ramoso. Alfavaca-de-cheiro. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. descrito por Carl Linnaeus. Alfavacona. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Alfavaquinha. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. diurética e útil contra resfriados. diarréias e disenterias. dentadas. Alfavaca-do-campo.Ocimum basilicum L. Dados botânicos A planta é uma erva anual. referindo-se à planta toda. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. entre outros. assim como em todo o Brasil. diaforética. estimulante. especialmente de ocorrência na África. estomáquica. glabras. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. de Alfava. O nome do gênero. ovadas. de onde partem folhas opostas. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. . significa "perfumada".

de ramos quadrangulares. pubescentes. A decocção das raízes . flores roxas ou. além de excelente na cura da coqueluche. carminativa. denteadas. enquanto a infusão das partes aéreas. verdes e finas. serradas.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. rins e uretra. flores vermelhas. béquica. tosses. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. ovadolanceoladas. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. verticiladas e dispostas em racemos. de onde partem folhas ovais. glabros e eretos. a espécie é chamada de Alfavaca. pubescentes. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. A planta toda é bastante aromática. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. amarelo-esverdeadas. é usada contra febres. dispnéia e reumatismo. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. fruto do tipo capsulas. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. As folhas cruas também são empregadas como condimento. dores de cabeça e bronquites. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. glabras. além de diurética. tosses e desordens uterinas e renais. contendo folhas pecioladas. diaforética. dispostas em racemos paniculados. raramente.

Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. sudorífica. pequenas. Alfavacão. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. dores de cabeça e febres. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. como Manjericão. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. glomerulada. diurética e útil contra tosses. folhas pecioladas. gripe e catarro no peito. e na Mata Atlântica. agudas. congestão nasal e dor de cabeça. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. . margem irregular. distúrbios do estômago. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. androceu com estames inclusos. carminativa. inflorescência racemosa. dores de cabeça e como sedativo para crianças.7). Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça.é usada contra diarréias. Alfavaca-do-campo. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. Ocimum micranthum Willd. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ovaladas. gineceu com ovário ovóide. As folhas são ainda muito usadas como condimento. problemas nervosos. membranosas. núculas negras e lisas (Figura 26. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar.

o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. Patchuli ou Patchouli. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.Na região da Mata Atlântica. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. a infusão das folhas é usada contra infecções. dispostas em panículas. de base arredondada e margem denteada. no Pará (Amorozo & Gély. 1988). Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. dores de cabeça e tosse. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. Pogostemon patchouly Pellet. formando uma espiga terminal. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. 1980). as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). com ramos ascendentes. além de a espécie ser utilizada também como condimento. vilosas. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. as folhas são consideradas úteis contra gripes. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. flores em glomérulos. tosses e bronquites. 1984). . pilosa. com até 50 cm de altura. Origanum vulgare L. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. no Mato Grosso (Van den Berg. de onde partem folhas ovais.

8). fruto seco (Figura 26. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. O óleo essencial das partes aéreas de H. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. flores em glomérulos. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. pentâmeras. predominantemente de sesquitepenos. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. 1991). com dois óvulos em cada lóculo. 1990). (1982).8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). como beta- . suaveolens apresentou altas concentrações de 1.. Das folhas de H.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. três formando um lábio aberto.8-cineol. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. dos quais 32 foram identificados. flores diclamídeas. suaveolens por Misra et al. 2001 e 2002). Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. significa "estames barbados". 1990). sedativo e hipotensor. Uma outra análise do óleo essencial de H.. bilocular. descrito por Desf. ovário supero.. sendo mais comuns o beta-cariofileno. terpinen-4-ol. androceu com estames excertos. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. com espigas compostas. 1. hermafroditas. porém. corola com quatro lobos. 1988. Existem. O nome do gênero Pogostemon. alfa-bergamoteno. Triterpenóides foram isolados de H. cruzadas. bicarpelar. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. suaveolens possui setenta componentes. Azevedo et al..

1989).. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. Porém. gama-terpineno. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. 1990b). (1978) e Blounietal. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. 1990) e de H. ácido n-octacosanóico. timol. Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. 1987a). lignanas e flavononas (Messana et al. 1991). Das folhas de H. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. 1988). De H. Das partes aéreas de H. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al.6. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo. e de H.. sendo p-cimeno. 1990).. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. . salzmanii foram isolados diterpenos. beta-cariofileno... leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. 1988). Metil betulinato. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak.. De H. ácido ursólico. albida foram isoladas triterpenolactonas.. Em H. 1988). triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. mutabilis foram isolados triterpenos. umbrosa. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. e de L. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. 1996).. uma outra análise do óleo de H. 4. 1987). 1990). Das raízes de L. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. 1990). (1980). 1988).elemeno. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. campesterol.. quercetina. ácido oleanólico acetato.

A M. mentofurano (19. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. das partes aéreas de L..3'. officinalis.64%). piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. 1987). fenilalanina. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . Da espécie L. triptofano e metionina (Dinda et al. piperita var. 1996).20%). colesterol. ácido aspártico. 1986 e 1987).. brassicasterol.. mentona (24. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. N. mentocubanona. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. Vaverkova et al..80%).. 1990) e um composto fenólico (Misra. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. 1987).80%). Com isso... flavonas himenoxina. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. 1986).8-cineol (6.. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. alanina. mentona. sendo os principais terpenos mentol. 5-hidroxi-6. 1979). serina. treonina.84%). hidroxiprolina.10%) e 1. O óleo essencial de três variedades de M. tirosina. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. prolina. 1988). 1987. 1996). 1987). beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana.7. Mentha A composição do óleo essencial de M. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. Das raízes de L. De L. T. 1995).4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. glicina. et al. metil acetato (16. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova.07%) e mentano (11. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. lisina. Das partes aéreas de L. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. ácido glutâmico. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al.

1987). como alfa-pineno. De M. 1988).posição de terpenos dessa espécie (Sacco. 1986).6. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. ácidos p-cumárico. betasitosterina. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. Ca.. Mg. catalase. Nas folhas de M. nicotinamida.3'. fenílico. Em Mentha viridis var. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. a-terpineol e geraniol (Sacco et al.. resinas. glicídios. Zi e Cu. peroxidases. fitosterol. limoneno. 1990) e flavonóides glicorilados. Mg. Foram ainda isolados mono. K. luteolina e 5.e sesquiterpenóides. Fe. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. . piperita foram encontrados ainda os elementos Na. caféico e clorogênico. b-cariofileno. reduzindo significativamente a concentração de mentol. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato. 1. cadideno. 1989). além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos.8-cineol. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina.. 1992). A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. vitaminas C e D2.8.7.

1987.. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al.8-cineol. o eugenol é o constituinte majoritário. 1981). . cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Takahashi et al. O óleo essencial de O. as folhas e flores de O. Das folhas da O. 1986.. Em Cuba. canum foram isolados diversos componentes. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. 1990). estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1987. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. sendo 1. Nas folhas.8-cineol. Borges et al. eugenol. 1997). 1986. Lawrence. 1989). Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. De O. eugenol (Ekundayo et al. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.. 1981. 1986.. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al.. De O. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa... Phan et al. basilicum (Brophy & Jogia. Khanna et al. 1988.. 1987). 1996a). 1. b-cariofileno. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. Sakurai et al.Patel et al. t-bergamoteno. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. beta-cariofileno. 1986. 1990). Porém. Kartnig & Simon. 1989).. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al... 1996 e 1997a). O óleo essencial de O. Do óleo essencial das folhas. 1996). sendo eugenol. 1983). os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. hidrocarbonetos como p-cimeno. 1990)... já citados.. 1988). eugenol.. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol.. o óleo essencial apresentou 21 constituintes..cariofileno. Das sementes de O. flores e caule de O. micranthum foram isolados vinte compostos.. Ocimum Do óleo essencial de O. 1986. 1996). canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al.. gratissimum é composto de gamaterpineno. 1987). Na China. linalol. Sharma et al. cis-ocimeno. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al.

kaempferol. já comentados (Modawi et al. 1996). basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. Das sementes de O. linalol. b-sitosterol. 1978). esculetina. 1984)... sabineno e eugenol (Retamar et al. 1990. rutina. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. 1988). 1. além de ácido p-cumárico. Em O. 1990). linolênico e araquídico (Malik et al. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. sendo Metil chavicol. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al.. 1. sanctum possui estigmasterol. 1989). 1995). o óleo essencial de O. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . De O. rubrum foram isolados borneol. 1995). Das folhas de O. basilicum e O. fenóis. esculina (Skaltsa & Philianos. Ekundayo et al. terpenos. timol. No Paquistão. linoléico... 1989). A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al.. 1986.. 1987). mirístico. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. ácido caféico. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. palmítico esteárico. Das flores de O. além de metilchavicol. ácidos orgânicos.. láurico. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. basilicum apresenta 44 compostos.O óleo essencial de O. 1985. 1996). sendo. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. 1991).. Murugesan & Damodaran.8cineol.. nesse caso. basilicum foram isolados quercetina. 1994). cetonas. 1987. 1995). 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. A casca do caule de O. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. Thoppil. quercetin-3-O-diglucosídeo. triacontanol ferulato. 1. eriodictiol.. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. 1989). basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. isoquercitrina. 1987). 1996).8cineol e eugenol. na Turquia. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. Fatope & Takeda.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. oléico. A espécie O... alcoóis. kaempferol-3-O-rutinosídeo.

patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa..Além desses compostos. 1985). lactonas sesquiterpenóides de P. 1984) e grandes quantidades de timol em O. flavonas. 1981). viride (Ekundayo. cablin (Akhila . flavonas (Patwarphan & Gupta. Pogostemon As folhas de P. 1986). hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. 1984). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. parviflorus (Nanda et al.. Foram isolados de P purpurascens.

. Thapa et al. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. auricularis (Prakash et al. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. F et al. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. 1977. Silva et al.. 1990). também conhecido como Sambacaitá. H. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. garwal et al. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al.. beta-amirina. 1998) e atóxica (Junior et al.& Nigan. 1997). 1988).. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. Em H. vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. crenata. analgésica (Freitas et al. Munck & Croteau. ovalifolia e H. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. C. saxatilis (Fernandes. mutabilis. 1987. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al... atrorubens. O óleo essencial de H. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H. 1971). Phadnis et al. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. 1998). Coelho et al. 1998)... suaveolens apresenta 32 terpenóides... Foram identificados n-octacosanol.. H. comumente utilizada como calmante. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa.. 1984).. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1987... 1990).. 1989). Do óleo essencial das folhas de P. 1988. umbrosa. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. 1994. P. plectranthoides (Esvandzhiya et al. betasitosterol... 1989). lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. Em H. 2001).. 1988). a-bulneseno. 1998). bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. plectranthoides foram investigados experimentalmente.. . 1984.. suaveolens e H. et al. estigmasterol. 1990). pectinata (Bispo et al.

1976. 1988. verticillata. Forster et al. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. enquanto extratos de folhas.. foram detectadas as atividades broncodilatadora. do extrato de H. 1988). Posteriormente. nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. Diterpenóides isolados de H.. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica.. nepetaefolia. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. Di . conhecido como Cordão-de-frade. anti-hipertensiva e espasmolítica. 1993) foram atribuídas a H. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. leonurus (Bienvenu et al. 1988). 1979). O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. Leonotis Em L. 2002). causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al..As propriedades antibacterianas... 1995. ramos e flores de H.. 1988).. Saksena & Saksena. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. antimicrobiana (Cos et al. e Novelo et al.. Coelho et al. Calixto et al... Mentha O infuso das folhas de M... 1988). Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. 1988. 1985. 2002). 1984). Do extrato metanólico de H. 1988). 1988). 1995). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. 1995).. que foram testados quanto à sua citotoxicidade. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al. capitata foi isolado o ácido ursólico. 1980.

1986). também verificada com extratos de O.. 1989) e diurética (Carvalho et ai. antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1988. sanctum (Dey & Choudhuri.. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. gratissimum (Atai et ai. Almeida et ai. espasmolítica (Queiroz & Reis..Stasi et al. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. antifertilidade. 1987b). e a atividade antimutagênica ao extrato de M. 1993. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. et ai. Lahlou et ai. cannum (Dubey et ai. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. crispa (Mello et ai. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. 2002). basilicum demonstraram atividades analgésica. (1968). A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 1986a.. 1989). 1989). 1987). Ocimum Verificou-se que a espécie O. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. sanctum (Phadke & Kulkarni. R. Queiroz & Reis. piperita.. Queiroz & Brandão.. 1986a)... 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. americanus (Jain & Agrawal. A. 2000).. Chen et al.. piperita (Ansari et al.. 2002). 1986c) e em O. . arvensis (Ceruti et al.. antibacteriana. 1978) e O. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.. Em O. Além das atividades já relatadas com M. cordifolia (Villasenor et al. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. 1986). 1981). enquanto estudos com O. 1982. 1984). determinaram-se propriedades fungicida. Do híbrido. Sharma & Jocob.. O óleo essencial de O. 2002). 1986b).. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. utilizando-se M. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. 1986a. 2002. 1996) e hipotensora (Guedes et ai... 1998). Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. Extratos brutos de O. Queiroz & Brandão. O. 2001 e 2002). 1987.

A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. 1995). 1993. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. E. Das folhas de O. O óleo essencial de O. 1989).. 1989). 1996). Extrato etanólico das folhas de O. antipirética em ratos (Singh & Majumdar. 2001).. 1994. et ai. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1994a). ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. . basilicum (Dube et al. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes.. Vanderlinde et al. Das folhas de O. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al.. enquanto a O.. suave foram utilizadas como repelente de insetos. 1995) e O. 1986).. mas a administração de O. 2002).... Vanderlinde et al. que apresentou atividade protetora do mastócito. O óleo essencial de O.O. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. O.. Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. Nakamura et ai. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al. sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. antiinflamatória. o ácido ursólico.. 1986). suave (Tan et al. gratissimum (Sobti et al. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. Vanderlinde et al. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. 1994). adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. 1990). 1997).. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa.. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. 1986).. Vanisree & Devaki. 1999. As folhas de O. 1994). 1994b. 1992. Vanderlinde et al. O óleo essencial de O.. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. Os óleos fixos de O. 1992. 1996)..

E. Salva-limão. Compreendem árvores. alternas ou opostas . Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. 1995). Salsa. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. 1997). Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. ascendentes. pubescentes. Sálvia e Salva-da-gripe. como Erva-cidreira-do-campo. Stachytarpheta e Lippia. folhas pecioladas. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura.5 ml/kg. longos. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. sobretudo em crianças. provocando sonolência. arbustos e ervas. 1984). especialmente da América do Sul (Mabberley. 1986).Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. caule e ramos primários. e em outras. Alecrim-docampo. quadrangulares. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. Salva-brava.Br. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa.) N. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa.

flores pequenas. emenagoga (Corrêa. tosses e gripes. 1986). flores pequenas. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. corola bilabiada. estomáquica. cálice curto. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. Salva. folhas pecioladas. além de problemas do estômago. reunidas em inflorescências capituliformes. fruto com dois mericarpos plano- . O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. 1980). 1984). membranoso. na Paraíba (Agra. sementes pequenas (Figura 26. no Rio Grande do Sul (Simões et al. Malva e Nulva-do-marajó.. fruto do tipo capsular branco. sem estipulas. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. 1980).9). enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. cólica do estômago. relaxante e contra intoxicações gerais. cálice curto. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. pubescente e bipartido. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. pentâmeras. hermafroditas. como antigripal e calmante. o chá das folhas é utilizado como calmante. Na região do Vale do Ribeira.(às vezes na mesma planta). reunidas em inflorescências vistosas. Lippia grandís Schan. 1988). o chá das folhas é utilizado como calmante. Essa espécie é usada como antiespasmódica. náuseas. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. no Pará. Dados botânicos Planta de pequeno porte. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diclamídeas. no Mato Grosso (Van der Berg. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó.

betacariofileno (Craveiro et al. araquídico.. ukambensis (Chogo & Crank. As espécies L. Da espécie L. Souto-Bachiller et al. No óleo essencial de L. naringenina. limoneno. e do caule e folhas foram obtidos ácido . Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. monoterpenos. três vezes ao dia.. Hernandulcina. p-cinieno. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. o chá das folhas. alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. 1982). 1987). 1986. a mais estudada é a L sidoides.convexos.. 1987).. 1981). 1996a e 1996b).. 1991. americana foram obtidos ácidos graxos livres. geranial. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. (1981). e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. Craveiro et al.. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. acacetina. dulcis (Bubnov & Gurskii. Vários terpenóides foram isolados de L. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . Matos et al. timol. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. (1986 e 1987). Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. 1981). Sauerwein et al. behênico e lignocérico (Macambira et al. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. 1983). Da parte aérea de L. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. lapachenol. gama-terpineno.. canescens e I. 1987. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. mirceno. alfa-cubebeno.. 1986. citral e carvona (Matos et al.. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. esteárico. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. Já de L. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. é usado contra problemas do fígado..vanílico. 1987). 1996). 1980). timol.

5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. a-pineno.01%) ecariofileno (15. eupatorina. dos quais foram identificados piperitona (28. neral. crisoeriol. p-cimeno.. eupafolina.97%) como principais componentes (Mwangi et al.. limoneno. 1990). dois fenóis e uma cetona (Pino et al. . 6-hidroxiluteolina.l. cirsimaritina. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. Das folhas e flores de L. 1996a). 1988). 1994 e 1995). graveolens.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino..12%). Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora.8-cineol.35%). timol. alfa-terpineno (4. acetato de timol (17. 1989). graveolens foram isolados pinocembrina.23%) e metiltimol (2. Das partes aéreas e das raízes de L. 1987).origanoides foi quantificada. 1990. 1. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. 1996b). Os constituintes p-cimeno. Dentre os compostos isolados. alba e L.. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. hispidulina. apigenina. 1. Do óleo das folhas de L. luteolina. 1.8-cineol (2.8-cineol. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. 1989). alfa. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina.. 1987). De L.33%). diosmetina.43%) e piperitenona (11.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. 1990). 1989). 1991 e 1995).8-cineol. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. Fun et al. fissicalyx (Retamar et al. quatro éteres.. sabineno. 1. luteolin-7-O-beta-glucosídeo.27%).. p-cimeno (3.67%). Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes.8-cineol (15. wilmsii foram isolados quinze componentes. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l.. timol.. Das folhas de L.e beta-pineno.espécies de L.. integrifolia foram isolados sesquiterpenos. sendo 22 hidrocarbonetos. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. quatro alcanos. O óleo essencial de L. 1. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. A composição química do óleo essencial de L.

1986). misturado a cremes. De L.. gracilis foram observados aumento inotrópico.. turbinata e L. P D. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al.5%). as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al.carvacrol. respectivamente). 1980 e 1987.. polystachya foram isolados tujona (30. 1996). integrifolia foram isolados da cânfora (18. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. antiulcerogênica (Pascual et al.. et al. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. de L. 1981). L. Moraes et al. Observou-se ainda atividade antitumoral com L. integrifolia e L.. o verbascosídeo.Y. 1990).. 1998).. 1979). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al. 1988a). M. contribui para a coesão das células da pele. polystachya. 1980).. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al... et al. 1997). 1998).. 2000).. aristata (Moraes Filho et al.9%) elimoneno (13. Esse óleo. Do extrato das folhas de L. um éster do ácido caféico ligado ao 3. Já o óleo essencial de L. além de uma atividade moluscicida (Almeida. 2002).2% e 41.. 1980). 1995a).. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.4%. aristata (Rouquayrol et al. 1998. multiflora... junelliana. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. sidoides mostrou atividade moluscicida. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. L. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. lipifolil(6)-en-5-ona (18. Além disso. assim como o de L. Vale et al.. 1996).. junelliana. 1990).. grata (Viana et al. Do óleo das flores de L.. enquanto o outro componente. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al.. 1987). Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. Com a espécie L. mircenona (31%) e de L. um dos componentes principais.4- . 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al. atribuída à presença de flavonóides (Santos. e atividade anticonvulsivante (Vale et al.3%) (Zygadloet al.. 1996).

O óleo essencial das folhas de L. et al. e o de L.. Ximenes et al. 1995b). no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. 2001). 1998). 1994.. antibacteriana (Aguiar et al.. M. Teixeira et al... geminata e L.. apresentaram atividades antibacteriana. 1994. hipnótica e hipotensora (Noamesi.. 1995). 1979). Além disso. et al. 1978). anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai. Menezes et al. 1992. et al. espasmolítica (Viana et al. 1996. . grata. Nunes. Os principais componentes do seu óleo essencial. anestésica (Viana et al. Lacotes et al... tranqüilizante (Matos et al. 1980).. e no óleo essencial... 1978. 1992). no qual se observaram atividades analgésica. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1988)... Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L.. timol e carvacrol. Nas folhas de L. Botelho & Soares.. 1996. 1996).. 1977). M. 1984).. 1978). et al. Viana et al. 1980. 1985). L. 1988. multiflora (Chanh et al. 1980. atividades cicatrizante...dihidroxifeniletanol. Matos et al. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. 1978).. Laxoste et al. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. graciliy (Fontenele et al. antifúngica (Lemos et al. S. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. porém. 1998). 1988b). 1979) e I. Moraes.. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. Y. R... O óleo essencial de L.. 1996). anti-hipertensiva. Teixeira. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. M. chamassonis apresentou atividades espasmolítica. Almeida.. 1995. O. O. nodiflora foi realizado um screening preliminar.. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. 1988. 1979. moluscicida (Moraes. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. 1986). sidoides (Fonteneles & Sales.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses.

FIGURA 26.Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). .1 . b) escanerata com detalhe da inflorescência.

1998). .2 .FIGURA 26.Hyptis crenata. Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Leonotis nepetaefolia.FIGURA 26. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .3 .

Leucas martinicensis.FIGURA 26.4 . Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .

FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .5 .Mentha piperita.

Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .6 .Mentha viridis.FIGURA 26.

FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .Ocimum micranthum.

FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .8 .Pogostemon patchouly.

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26.

Scrophulariaceae. pertence à ordem Scrophulariales. lianas. subclasse Asteridae. Hiruma-Lima L. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. e reúne 120 gêneros. as quais passamos a descrever. C. Os gêneros mais importantes da . A. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul.27 Scrophulariales medicinais C. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Bignoniaceae. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). arbustos e raramente ervas (Joly. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. incluindo árvores. 1998. 1997). foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. Mabberley. No estudo realizado. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. com aproximadamente 750 espécies.

1). os gêneros mais comuns são Tabebuia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum.família. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. folhas normalmente 2-3-folioladas. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. as quais são discutidas a seguir. com folíolos peciolados. também é conhecida como Cipó-de-alho. fruto do tipo capsular largo. e as várias espécies do gênero Zeyhera. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. são Tabebuia e jacaranda. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". curto-pecioladas. anteras glabras e ovário oblongo. No Brasil. com ampla distribuição nas regiões tropicais. que inclui os Ipês e o Paud'arco. contendo sementes oblongas (Figura 27. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. . de ramos cilíndricos e glabros. com gavinhas. elípticos e coriáceos. o que gera o nome popular atribuído à espécie. uma delas. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. Na região da Mata Atlântica. Em outras regiões do país. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. Jacaranda caroba. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. da famosa Flor-de-são-joão. Pyrostegia. oblongo-linear. é descrita aqui.

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. especialmente a associada a estados gripais e resfriados.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Uma outra espécie do mesmo gênero. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. Carobado-carrasco. Camboatá-pequeno. sendo amplamente usada como ornamental. Caroba-miúda. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. das quais a maioria é encontrada no Brasil. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. roxas. não completamente identificada e conhecida como . Nomes populares Na região do Vale do Ribeira.) DC. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. dispostas em panículas. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Jacaranda caroba (Vell. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. fruto do tipo capsular. coriáceos e glabros. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. por ser mole e porosa. flores tubulosas. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. Caroba-do-campo. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. Camboté. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções.

folhas com folíolos ovadooblongos. . Segundo Corrêa (1984). com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. especialmente no Dia de São João. podendo ocorrer com flores amarelas. adstringente e anti-sifilítica. descrito por Carel Borinov Presl. sítios e quintais de residências. É muito comum no Brasil. como corimbos multiflorais. especialmente em crianças. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. ou seja /'coberta de fogo". Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers.Carobinha. O nome do gênero Pyrostegia. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. de cor laranja. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. inflorescências numerosas. longas. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas.2). com ramos jovens delgados e folhagem densa. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). amplamente encontrada em campos. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. repletos de flores tubulares.5 cm de largura. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. Trata-se de uma espécie heliófita. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3.5 cm de largura (Figura 27. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. raramente encontrada no interior de matas densas.

venusta a presença de aminoácidos.. 1976 e 1977). caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. 1995). 1996).. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas... No Brasil. mas apenas cultivada. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. Espécies medicinais Sesamum indicum L. 1996).. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. 1992). a família não é encontrada de forma espontânea. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. A espécie J. 1999). Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. A espécie J. 1994). promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. sendo a maioria de ervas ou arbustos. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. acorendico presente na planta (Oguro et al. . especialmente a espécie Sesamum indicum. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. Foi detectada na flor de P. O extrato etanólico da espécie A. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger.

tosses secas. flores amarelas. 1997). podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. Nas sementes de S. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral.Dados botânicos A planta é uma erva anual. distúrbios renais. no Egito e na Babilônia (Bown. abortiva e anti-reumática e. e sobre as pernas para tratar paralisia. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. para tratar constipação nasal crônica. vistosas. externamente. 1988. folhas simples. opostas. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. clorosesamona hidroxisesamona é 2.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. visão fraca. externamente. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. 1995).. diarréias.. disenteria e catarro intestinal. O óleo de gergelim. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. para evitar perda de cabelos. contra hemorróidas (Bown. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. 1995). O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. episesaminona (Marchand et al.. com origem na Ásia tropical ou na África. 1990). além de seu uso na culinária. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. dores de cabeça.. sesamolina (Mimura et al. Tashiro et al. inteiras e pubescentes. com muitas sementes oleosas. e. 1997). osteoporose. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. 2001). O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. indicum foi caracterizada a presença de . para alívio da dor de ouvido. fruto do tipo capsular.

1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. glutelina (Singh & Khanna. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. bem como três novos triglicosídeos.albumina. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. 1994). A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. 1988). 1993). (Kar & Mishra. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 1989.. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. indicum detectaram a presença de glicolipídios. globulina. Nas raízes de S.2000). 2000 e 2001). indicum L. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. prolamina. ácidos graxos. . gama-tocoferol e sesamolina. sesamina Do extrato aquoso de S. 1996).. Mimura. 1991).

protegendo-o contra danos oxidativos. além de verbascosídeo. indicum e S. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. Tashiro et al... A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. respectivamente (Kang et al. 1991). . dois derivados do ciclohexiletanol. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo.. 2002). dessa forma.. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. 1988.. 1990) e sesangolina. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. e. 1992). O extrato de S.. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. foram isoladas das sementes de S. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. 1994)... diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. 2001). alatosídeo A-C.Duas lignanas furânicas. em altas doses. 1992). Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. alatum. 1992). 1997).. 1995). Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. indicum (Takswchi et ai. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. 1991). Da parte aérea de S. angolense. sesamolina (Mimura et al.

purpurea e D. pequenas.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. . bicarpelar. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. opostas. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. nos quais estão distribuídas 5. hermafroditas. pentâmeras. crenadas e glabras. ovário supero. arbustos e ervas. Nomes populares Na região amazônica. Verbascum e Wightia. tais como Digitalis. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. aqui descrito como medicinal. quatro estames didínamos. popularmente conhecido como Vassoura. ovaldolanceoladas. Vassoura. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. Tupixaba. com corola rotácea. incluindo árvores. lanata. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. No Brasil. Pupeiçava. Scobedia. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. Vassourinha-de-botão. bilabiada. especialmente dos gêneros Antirrhinum. Calceolaria e Maurandia. Esterhazia. 1997). a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. no Pará. Veronica. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. flores brancas. Coerana-branca. Outros nome são Vassourinha. axilares. Ganha-aqui-ganha-acolá. das famosas D. Tapixaba. algumas aquáticas (Mabberley.

tosse. 1988). 1995). No Rio Grande do Sul. especialmente na Floresta Amazônica. também. erisipela e afecções cutâneas. picada de mosquito. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. hipoglicemiante. Verardo. Grandi & Siqueira. expectorante. 1983). Matos. febre. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. o chá é preparado.. malária. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. . febrífuga. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. 1988. Cruz. Coimbra. O nome do gênero. 1990). Scoparia. Coee et al. Encontrada em abundância na América do Sul. 1982. doenças venéreas. com todas as partes da planta. e as folhas. 1982. menstruais. 1984).. 1987).. 1982).3). essa espécie também é considerada emoliente. Nas tribos indígenas do Equador.bilocular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pectoral.. 1993. Já entre os ticunas. emoliente e béquica (Corrêa. para lavar feridas (Branch & da Silva. Em Minas Gerais. tosse. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. No Pará. 1996). problemas cardíacos. 1994. coceiras. com muitos óvulos (Figura 27. bronquite. Na Paraíba. béquica. desordens menstruais. e utilizada contra desordens respiratórias.. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. é utilizada como anti-hemorroidal. peitoral. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. hipotensiva. o chá da planta é usado contra hemorróidas. bronquite. antidiabética e contra afecções catarrais. além de ser considerada tônica.. 1990). hepáticas e estomacais. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. Grandi et al. diabetes e hipertensão (De Almeida. para melhorar o estado geral do indivíduo. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. 1980). por causa do seu emprego. 1990). 1982. brotoejas. emoliente. significa "vassoura". também. 1986). 1994. No Brasil.

O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- .. antifúngica. cumárico.. 1988. antiinflamatória. Freire. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. 1994. 1991). obtidos da espécie. 1987 e 1988c). O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. acacetina. iflainóico.. 1990). scopadulciol (Hayashi et al.. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1988a e 1990c).. 1996). 1997. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. 1986 e 1988a.. et al. 1990a e 1991). antiinflamatória (Freire et al. et al. glutinol e acacetina (Hayashi et al.. depressora do SNC. 1990b). 1993 e 1996a). Azevedo et al. O. flavonas. cinarosídeo D.. escutelareína. gentísico. 1998).. B e C (Kawasaki et al.. M. betulínico. expectorante e atóxica (Moura et al. E.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 2001). 1993 e 1996). simpatomimética (Freire et al. ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al.1988b). Também foi detectada a presença de glicosídeos. antibacteriana gram-positiva. 1987). Dalla Torre et al... alfa-amirina. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. 6-metoxibenzoxazolinona. 1989. (1981). Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. anti-herpética. entre outros compostos (Kawasaki et al... antiespasmódica. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.. Os ácidos escopadúlcico B. sedativa e diurética (Ahmed et al. S. 1990b). (1979) e Mahato et al. M. S. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. beta-sitosterol. apigenina. anti-séptica. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al.... Hayashi et al. antidiabética (Jain. hipocolesterolêmica. 1987. 1993 e 1996) depressora (Freire. benzoxazolinona. dulcinol e ácidos dulcióico. Torres et al. 1985).. hipertensiva (Freire et al. 1996b). antiviral.. manitol. escopadulciol. Hayashi e al.

Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne.Adenocalyma alliaceum..vidade antimalarial in vitro (Riel et al... Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S.1 . dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1988b). 2002) e antitumoral (Nishino et al. 1997a). 1993). 1997a e 1997b). além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. FIGURA 27.. 1978) (Banco de imagens - ..

FIGURA 27.Pyrostegia venusta.2 . Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

Scoparia dulcis. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne. 1946) (Banco de imagens - .3 .FIGURA 27.

com aproximadamente 22.528 gêneros.750 espécies cosmopolitas. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. A. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.Ivan Martinov.28 Asterales medicinais L. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. Essa família compreende 1. C. 1997). arbóreas. Santos E. Inclui espécies arbustivas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. Hiruma-Lima C. Trata-se de uma grande ordem. Os gêneros estão distri- . sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. herbáceas. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . M. Di Stasi C. encontradas em todo o planeta. exceto na Antártida (Mabberley. que passamos a descrever a seguir. M. trepadeiras e ervas.

Achillea millefolium. do gênero Mikania. a Camomila. Mikania. gênero da famosa Calêndula. com ampla distribuição no território brasileiro. Gnaphalium e Achyrocline. Wedelia. Semeio e Emilia (Senecioneae). das quais se destaca a Baccharis trimera. Artemisia. Saussurea e Echinopis (Cardueae). tais como inúmeras Vernonia. Tanacetum.buídos em três grandes subfamílias. Calea. especialmente a Mikania glomerata. as várias espécies de Artemisia. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. Calendula officinalis. • Asteroideae Inula (Inuleae). dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). Zinnia. a famosa Arnica. o Mentrasto. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Arnica e Tagetes (Helenieae). especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Ageratum. e inúmeras plantas de . Calendula. • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). Matricaria. Calendula (Calenduleae). muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Nesse contexto. Baccharis e Solidago (Astereae). Achillea e Santolina (Anthemideae). Lactuca. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Aster. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Novalgina e Anador. conhecida como Mil-folhas. Ageratum conyzoides. Matricaria chamomila. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Galinsoga. várias espécies do gênero Bidens. devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. do gênero Arnica. as importantes Carquejas.

de pequeno porte.pequeno porte do gênero Eupatorium. em Minas Gerais. com borda irregularmente serreada. de ápice e base agudas. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. Na região do Vale do Ribeira. ereta ou prostrada. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. apenas masculinas. amplamente usadas na medicina popular. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. internamente.1). onde foram incorporadas na medicina tradicional. caule comprimido e denso-piloso. Em outras regiões do país. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. opostas. rasteira. inteiras. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. externamente. oblongo lanceoladas. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. Dados botânicos Planta anual. a decocção das folhas é usada. como cicatrizante. folhas simples. como antiinflamatório e. curto-pecioladas. . sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. flores unissexuais e marginais. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos".

flores dimorfas. digestivo. a espécie é chamada de Novalgina. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. como contraceptivo feminino (Mabberley. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. sendo as marginais femininas e brancas. Milefólio e Mil-em-rama.. com até 60 cm de altura. 1982) e. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). além de ser anti-helmíntica. Dados botânicos A planta é uma erva perene. no Uruguai. Aquiléia. rizomatosa. amarelas e tubulosas. hermafroditas. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. gripes e distúrbios do estômago. 1997). . Em outras regiões do país.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. agindo ainda como antiespasmódico. hemorroidais e pulmonares. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. e as centrais. glabra. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. contendo folhas oblongolanceoladas. dor de cabeça e dores gerais. com caules ramosos. raras são nativas das Américas. reunidas em capítulos corimbosos.

ovadas. com até 1 m de altura. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. mucilaginosa.Ageratum conyzoides L. a espécie é chamada de Mentrasto. Baccharis trimera (Lers) DC. flores brancas ou lilases. Catingade-barão. e o nome do gênero. . crenadas. febrífuga. Em outras regiões do país. útil contra resfriados. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. amenorréia e gonorréia. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. significa "o que não envelhece". antidiarréica. cólicas flatulentas e uterinas. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. Erva-de-são-joão e Maria-preta. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. Dados botânicos A planta é uma erva anual. pecioladas. com folhas opostas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. pilosa e ramosa. anti-reumática. Ageratum. a espécie é chamada de Carqueja. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. além de indicada para aliviar náuseas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. tônica.2). reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. carminativa. é conhecida ainda como Catinga-de-bode.

Piolho-de-padre. Erva-picão e Pau-pau. fruto do tipo aquênio (Figura 28. o deus Baco do vinho. Bidens bipinnatus L. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Em outras regiões do país. diurético e contra distúrbios renais. entre outras (Corrêa. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Amor-seco. estomacais e intestinais.3). Aceitilla. anti-reumático. . Erva-picão. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Goambu. Pirco. estomáquico. Picão-do-campo. a decocção das folhas é usada como analgésico. com ampla distribuição na América do Sul. Espinho-de-agulha. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Macela-do-campo. como Picão-preto. hipertensão. derrame cerebral e diabetes. Carrapicho-de-agulha. tais como Cuambu. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. a planta é usada como tônico. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. 1926). anti-helmíntico. bem como em vários Estados brasileiros. Carrapicho-deduas-pontas. podendo atingir até 1 m de altura.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Carrapicho-de-cavalo. Carrapicho. (Bidens pilosa L. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente.

O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. A planta é considerada estimulante. com até 1 m de altura. a espécie é usada como antiinflamatório. utilizada especialmente contra icterícia. significa "dois dentes". bem como no combate a dores em geral Jager et al. hepatite. 1994). Bidens. pecioladas e fendidas. antiblenorrágica. dismenorréia. diurético e contra hepatite. Vasquez. ramosa. pentâmeras. 1984). edema. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite.. laringite. adstringente e considerada útil contra icterícia. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. 1994). desordens hepáticas. 1962). 1993.. com cálice modificado. com flores radiais liguladas. O nome. ereta. No Leste da África. Na medicina tradicional peruana. dores de cabeça e de dentes (De Feo. antidisentérica. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. micoses. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. glabra. capítulos pleiomorfos.Dados botânicos Planta de pequeno porte. Coimbra. 1995). 1996). antiescorbútica. folhas opostas. antileucorréica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1992. No Brasil.4). vermífuga e vulnerária. 1990. conjuntivite. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. simples. infecções urinárias (Mejia & Reng. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. leucorréia. sialagoga. diabetes e inflamações (Corrêa. diabetes. desobstruente. a espécie também é referida como emoliente. referindo-se às aristas do papilho. disenteria. diurética. Duke et ai. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. . 1990).

infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. e contra malária. de caule ereto. antidiarréico e antidisentérico. acuminadas. ferrugíneo e glabro. Aiapana. triplinervadas. androceu com anteras levemente sagitadas. especialmente do fígado. angina. sudorífico.ambas não identificadas . visto a grande semelhança entre elas. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. lanceoladas. cólera. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator. mas são comuns outras denominações. digestivo. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. anguloso. Japana-branca. empregado externamente na forma de banho. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. 1984).são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. fruto do tipo aquênio alongado. como Iapana. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28.Eupatorium ayapana Veuten. estimulante. Dados botânicos Erva bastante delicada. estriado e diminuto. como tônico. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano.5). O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. corola com tubo interno glabro. a espécie possui vários usos das folhas. estomáquico. Japana-roxa e Erva-de-cobra. enquanto o sumo das folhas frescas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. Em outras regiões do Brasil.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. folhas opostas. . flores (20 a 30) azuis.

a espécie é chamada de Macela.especialmente na América do Norte . com ápice arredondado. que formam uma inflorescência cilíndrica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. flores amarelas. de ocorrência nas Américas . referindo-se ao tomento das folhas.Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. assim como em todo o Brasil. a infusão das folhas é usada contra diarréia. O nome do gênero significa "o que é firme". Solidago microglossa DC. folhas oblongas. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. a espécie é chamada de Arnica. .e com raras espécies na América do Sul. pequenas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. serradas. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. O nome significa "feltro". podendo atingir até 1 m de altura. capítulos pequenos e reunidos. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea.

misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. flores amarelas. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. O nome do gênero. Jambuaçu. Agriãobravo. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. cálculos da bexiga e dores de dente. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. picadas de insetos e infecções. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. ovadas. Essa planta é utilizada como estomáquica. Dados botânicos Planta herbácea. longo-pecioladas. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta.. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. agudas. que tem mancha escura sobre a lígula. membranosas. batidas. descrito por Nicolaus von Jacquim. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. significa "flor com mancha". Mastruço e Agrião-do-norte. vários outros nomes são usados. não alado. com corola curva. com folhas opostas. fruto do tipo aquênio. Agrião-do-brasil. Spilanthes. Spilanthes acmella Rich. o chá das folhas. Abecedária. comprimido com papilho aristado. . enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. tais como Agrião-do-pará. o preparado com folhas de arruda. entretanto. Botão-de-ouro. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.6). o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares.

bronquite. 1980). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. considerada carminativa. são partidas e aromáticas. minuta. 1988). Na Colômbia. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. febrífuga. Originária do México. antiespasmódica. T. também são usadas como medicinais. Outras espécies do gênero. com muitos ramos. tosse e resfriado. está muito bem aclimatada no Brasil. desinfetante e antiasmática.1982). Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. lucida. Cravo-africano e Tagetes. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. patula e T. as folhas. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. divindade etrúria representada como um belo jovem. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. digestiva. 1997). tais como T. abortiva. Cravinho. opostas ou alternas. antigripal. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. emenagoga. a S. e seu nome vem de Tages. narcótica. no Pará (Amorozo & Gély. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. em Brasília (Matos & Das Graças. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. sendo também comumente chamada de Cravo. Cravo-de-tufo. Amorozo & Gély (1988) referem que o . e indicada contra problemas hepáticos. atingindo de 60 a 90 cm de altura. cicatrizante.

anteras amarelas e estigmas vermelhos. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura.chá das folhas com alho é usado contra febres. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". Nomes populares A espécie é chamada. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. bronquites e tosses. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. arroxeadas e vermelhas. as folhas são ásperas. as flores possuem várias cores. para tratar "doença que deixa o queixo duro".13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Segundo Hoehne (1939). com caule ereto. é amplamente usada no Brasil como ornamental. de Zinha ou Zínia. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. sésseis. pela abundância de flores. na região de estudo. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. rosas. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Moça-e-velha e Canela-de-velho. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. opostas. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. forte. o chá das folhas e flores. cordiformes. Originária do México. incluindo brancas. resfriados. Zinnia elegans Jacq. com uso freqüente contra dores reumáticas. . australe.

saponinas e xantonas (Caetano et al. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 1976a e 1976b). De A.. 1978). rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow.... 1997). 1975) e monoterpenos (Orth et al. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. leucantha (Wat et ai. beta-cariofileno. Wang et al. B. 1994 e 1984. bipinnatus.. Hausen et al. 1977). 1991). triterpenos (Chandler et al. gama-cadineno. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. 1990. cumarinas. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. pilosa. 1997). cadineno. crisosfenol D. 1980. Christensen et al.... Das partes aéreas de A. Bohlmann et al. 1987). 2000).. isocariofileno. Torres et al. De A. Alvarez et al. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. Hoffman & Hoelzl. Nair et al.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al..7. Caffmi & Demolis. Poliacetilenos. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. alfahumuleno.. 1979. 1975). 1987. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. Herz & Kalyanaraman... 1994).. 1981. flavonóides (Bohlmann et al. timol. catecolaminas. Debenedetti et al.. laevis e B.. 1984). 1979).. Gill et al.. deterpenos. Da espécie B... 1990). tripartitus. beta-pineno. 1987. alfa-copaeno. Herz & Kalyanaraman. 1987). De Tommassi et al. diterpenos (Saleh et al. flavonas.. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1992). terpenos (Verzan & El Sayed. 2002. B. 1985. 1994. Sharma & Sharma. 1986. 1981). De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. monoterpenos... flavonóides (Shimizu et al. axilarina e 5. beta-guaieno. 2000).4'-trihidroxi-3. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al.. 1996. 1979). B.. glabratum (Saleh et al.beta-elemeno. 1992b. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1988a e 1988b. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. De A. limoneno.. germacreno A. 2001. 1986. delta-cadineno (De Marais et al... 1976).. leucoantociandinas. alfa-felandreno. 1975. millefolium também foram isolados ésterois. Gene et al. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. pilosa .. flavonas (Falk et al. Achilea.

1990). maximowicziana. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. 1987 e 1988). parviflora.. E. 1982). 1997). E. erythropappum (Talapatra et al. 1991). 1991. 1990). rotundifolium (Hendriks et al. 1993 e 1995). eugenol. B. angustifolium (Mesquita et al. 1994) e E. 1987. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. altissimum (D'Agostino et al. 1986).. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. Pagani. chinese (Zhao et al. B.. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. .. ternbergianum (D'Agostino et al. 1995). 1990). E. tripartita (Isakova et al. E. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol.japonicum...B. leucolepis (Herz & Palaniappan. B. cannabinum (Stevens et al. 1991) e E. adenophorum (Li et al. pilosa (Zuleeta et al. B. E. Edgar et al. 1995) E. 1995). E. subhastatum (Ferraro et al. E. chrysoanthemoides. 1995) e £.. bipinnatus (W B. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. 1986). Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. 1995). 1992). dahlioides. 1987. £. E guayanum (Sagareishvili et al. portoricense (Wiedenfeld et al.. Wang et al. 1992). 1990a e 1990b). buniifolium (Muschietti et al. ferulefolius. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. 1994). 1985). frondosa (Karikome et al.. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin.fortunei. £. E. B. 1997).. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1988a. 1992). 1992). E. odorata (Hai et al. littorale (Sato et al. tripartitus (Christensen et al. E. micranthum (Herz et al 1978). radiata e B. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al... 1988b. Liu et al. dois derivados tiofênicos. glandulosum (Nair et al. E. tais como quatro auronas.foram ainda isolados inúmeros compostos. B. tinifolium (D'Agostinoetal. ácido linoléico.. 1985). ácido linoléico e linolênico. campylotheca (Bauer et al.. cernuol. 1988. Poliacetilenos também foram isolados de B. E. 1997).. E. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. frondosa. B. 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. 1979). 1981). salvia (Gonzalez et al. 1988c e 1988d).. Três poliacetilenos.

fortunei (Haruna et al. triterpenóides de E. 1986). 1987). 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. 1986). Uma grande quantidade de terpenos (geranial. 1999).. limoneno. . Das partes aéreas de S. 1987). E. recurvens (Herz et al. 1987). ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. 1994).. acmella L.. e sesquiterpenóides de E. Os principais constituintes do óleo essencial de E... 1987). naginatacetona. 1987). 1977).. 1986). altissimum (Jakupovic et al. odoratum (Talapatra et al. 1987). stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E.. E. laevigatum (Lopes et al. fortuna (Haruna et al. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. E.Nas folhas de E. E. entre outros (Nakatani & Nagashima. laevigatum (Bauer et al. E.. cânfora. 1986b). adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1992b. 1986). De S.. p-cimeno. enquanto em E. 1978). estigmasterol. Uma amida. cannabinum (Zdero & Bohlmann. 1992a).. sitosterol. 1987) e E. Ramsewak et al. mikanioides (Herz et al. E. adenophorum. sesquiterpenos. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. 1979). var. 1993). compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. espilantol. 1980). tinifolium (D'Agostino et al. 1980) e E. Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. E. 1996).. odoratum foram encontrados taninos. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. cannabinum (Stefanovic et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. rufescens (Ruecker et al. E. entre outras espécies (Ding et al. fenóis e saponina. 1991). americana foram isolados monoterpenos. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. Diterpenóides foram isolados de E. 1988a e 1988b). deltoideum (Quijano et al. quadrangularis (Hubert et al. 1990a e 1990b). quadrangularae (Hubert et al. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E.

1990). 1993b). Tosi et al. As espécies T. erecta (Singh et al. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. 1987). T. Pe- . zipaquirensis (Abdala & Seeligmann.. T. 1992). rupestris (De-Israilev & Seeligmann. 1994) e T. 1987). 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. laxa (De-Israilev et al. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. erecta e T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. Das raízes de T. Entretanto.. 1990a). sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. T. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. 1987.. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. 1993). patuletrina e patuletina. 1988. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. T. 1988a e 1988b). minuta e T.. campanulata. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. minuta são ocimeno. além de enxofre e fósforo. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann..... Ahmad et al. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. patuletina e muitos desses derivados. No entanto. Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. 1988). T. patula foram isolados tiofenos. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1987). 1988). patula (Ivancheva & Zdravkova. pois somente T. 1988). T microglossa (Castro. glandulifera) (Craveiro et al. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. tais como quercetagetina. 1990b). 6-hidroxikaempferol. 1993). que podem ser diferenciadas pela composição química. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann.. Os monoterpenos descritos em T.. como quercetagetina. argentina) foram identificados quatro tiofenos. T. 1995). 1991). lucida (Hethelyi et al. patula. T. 1985). mendocina e T.

.. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 1988). ocitocina. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1997). taninos. 2002) e antifúngica (Portillo et al. 1997). australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. glicosídeos cardíacos. elegans indicou a presença de Cumarina. Em A. 1980)... australe contra Plasmodium berghei em roedores. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al... australe (Matsunaga et al. Nascimento et al. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. 1987).. As antocianinas das flores de Z. 1996) dessa espécie. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z.. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. 1988). 1995).. Carvalho et al.. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. 1991). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al... glabratum (Saleh et al. Experimentos com A. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. a A. 2001). 1988. 1995)..quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. . hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. patula foi detectada (Arroo et al..

Bondarenko et al. N'Dounga et al. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois... conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. 1980). As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. as propriedades analgésica e antiinflamatória. 1997). B. var. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. 1949). 2000).. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. e B. Abena et al. presente em suas partes aéreas (Torres et al. minor (Blume) Sherff. 1987). Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. 1985. imunoestimulante (Ignácio et al. 1969)... bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. Goldberg et al. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow.-ol. pilosa. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. pilosa L.. Extrato etanólico de B.. Porém. 1991). à presença de saponinas (Gene et al. 1987. minor foi a mais . (1991). As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa.. pilosa (Santos et al. mas Bidens pilosa var. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. 2000). 1996). 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. possuem atividade antiinflamatória. 1983). Triterpenos.. As folhas de A..Achila.. além de vários flavonóides obtidos de B.. reduzindo a produção de prostaglandinas. como friedelina e friedelan-3. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. Bidens Experimentos com B. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. 1998b. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno.

somente os extratos de B. 1986b).. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. Entretanto. 1989). 1998 e 1999). aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos.... 1997). Eupatorium A espécie E. morifolium e E. 1988) e E. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1986) e diurética (Rebuelta et al. ou seja. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. 1995). E. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. 1996). 1995). minor e B. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. 1995 e 1996) e. mais recentemente.. pauciflorum (Giesbrecht et al. 1995). Para a espécie B.. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. 1997). A espécie B. E. campylotheca apresentou. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. E... Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. atidifolium e E. O extrato hexânico de B..ativa. hipotensora (Dimo et al.. .. densum. glyptophlebum. pilosa L.... 1996). sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. 1985). brevipes (Guerrero et al. 1994). uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. As folhas de E. gracilae. 2002). Um composto sesquiterpênico isolado de B. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. E. La Casa et al. balantaefolium (Almeida & Fonteles. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. var. 1994. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. E. consaguineum (Lopes et al. 1977). pilosa L. E. tequendamense (Mantilla & Sanabria. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase.. in vitro. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. 1985).. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. 1985).

1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. DNA e RNA de células tumorais. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. acmella foram isolados n-isobutil-4. e de E. hyssopifolium (Hall et al. 1992). enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E.. 1995)..1986). porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. 1991). Sesquiterpenóides isolados de E. odoratum (Iwu & Chiori. riparium (Ratnayake-Bandara et al. 1989). Guerrero et al. E. Spilanthes Das folhas de S. halinfolium e E. brevipes e E. 1984. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al. 1988).... Eupatorium perfoliatum. O extrato bruto aquoso de E. ayapana (Gonçalves et al. flaccida. 1995) e E. Piperidinas de E. proteínas. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. inulaefolium (Gorzalczany et al. 1978).. 1995).. Inya-Agha et al.. 1986). 1985. 1991). Achyrodine alata. Inibição da síntese de colesterol. cannabinum. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. 1988. Os extratos de E. DNAse. 1991).. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. E. 1990). 1986 e 1987. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. larvicida (Pitasawat . cannabinum (Bourrel et al. 1990). Cáceres et al. 1998).5-decadienamida. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. O óleo essencial de E... 1990 e 1991). 1996) e E. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. squalidum (Carvalho et al.. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al.. assim como da atividade da RNA polimerase. 1982a). 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. E. A.. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. A. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. Herz & Palaniappan. pauciflorum.. RNAse.. (Giesbrecht et al. enquanto a espécie E. E. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. candolleanum (Campos et al.

Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. Valderrama et al. antimicrobiana.. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. (Fabry et al. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena.. Em I minuta.. Em S. Souza.. O extrato de S.. oleracea (Herdy & Carvalho. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. e o extrato de S. J. enquanto o extrato de S. 1989). Andrade. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. bem como no consumo destas (Meckes et al. 1993). que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1988. presente em muitas espécies. como no cravo-da-índia.. 1999). sendo os deri- ... 1990). Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. et al. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. 1995). et al. et al. RJ. T. 1992) e antitumoral (Moraes et al.. folhas e flores de T. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. 1993). Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. usado como emenagogo. 1993. in vitro. Camargo Neves et al. sedativa. 1987. mas não contra Candida sp.. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al. C. 1994).. 1995). F. 1984). 1996). Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1992).. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al.... O eugenol.. 1992. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade.. L. 1986) e S.et al. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. 1998) e espilantol. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al.

1987). a atividade da ATPase.. 1996). tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al. 1994). 1997). 1995). a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. in vivo e in vitro. O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. 1989). Zinnia As sementes de Z.. D e F. 1992). foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al.. o óleo essencial de T. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. in vitro. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. 1991). Os extratos hexânicos de T. Do extrato de Z. lúcida estimulou discretamente.. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti... 1997). e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.vados tiofênicos os compostos ativos. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida.. 1994). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. O extrato de T. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al.. elegans L.Ca2+ dependente e inibiu. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B. 1995). coronopifolia e T. Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.. 1991). .. Dentre outras espécies.

V. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas.. enquanto o extrato aquoso de S. S. a espécie E. et ai. Estudos com a espécie A. alopecia. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. 1993). rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. 1994). As folhas de S. australe são tóxicas para aves. Entretanto.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. 1988). et al. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. Segundo Hoehne (1939). especialmente na fase jovem.. A. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. fraqueza e debilidade dos membros. M. A ingestão regular de E. Tremetona isolada de E. adenophorum (Oelrichs et ai. 1995). aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. 1978a e 1978b).. 1990). australe durante o período de prenhez de ratas. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. T. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. no entanto. caracterizados por diarréia. congestão do baço e coração. dispnéia. hemorragia... os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. 1996 e 1997). especialmente . ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas.. 1995). icterícia e enterite catarral (Ali & Adam.

b) detalhe da escanerata. relaxante muscular e antineoplásica. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.1 . c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil.como diurético e hipotensor. FIGURA 28.

FIGURA 28.Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .

b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .3 .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.

Bidens bipinnatus.FIGURA 28. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .4 .

: a) ramo florido (Di Stasi . 1998).FIGURA 28. .original). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.5 .Eupatorium ayapana.

Spilanthes acmella. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.FIGURA 28.6 . . 1984).

• Ixoroideae: Coffea. e Gardenia. Genipa. nos quais se distribuem mais de 10. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. Desfontainiaceae e Rubiaceae. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. C. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. do famoso Cafeeiro. do famoso jenipapo brasileiro. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. Gelsemiaceae. Di Stasi C. arbustivos. alguns deles de valor histórico. com representantes arbóreos. importante fonte de espécies ornamentais. A. como é o caso de Coffea e Cinchona.29 Rubiales medicinais L.200 espécies vegetais cosmopolitas. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. . algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. algumas espontâneas nas áreas tropicais. 1997). Coffea arábica.

com corola de base gibosa. Cephaelis da famosa C. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. Não foram encontrados sinônimos. ereto. fruto indeiscente. 1997). O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. • Rubioideae: Psychotria.1). especialmente na Amazônia. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. muito comuns em terrenos baldios. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. bicarpelar. importante árvore. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. folhas curto-pecioladas. ipecacuanha. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. Dados botânicos Pequeno arbusto. Borreria e Dioidea. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular.• Antirheoideae: Guettarda. fonte de emetina e outros constituintes de importância. simples. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. . inteira. e Palicourea. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. ovário ínfero. carnoso e drupáceo (Figura 29. com espécies popularmente denominadas Poaia. flores hermafroditas. estipulas não foliáceas. diclamídeas. lanceoladas. com pêlos abaixo da inserção dos estames.

Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. sobretudo na região amazônica. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. pecioladas. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. marcgravii. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. 1999). De-Moraes-Moreau et al. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela.. fendleri (Nakano & Martin. Nomes populares No Brasil todo. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". Palermo-Neto et al. Stuart & Woo-Meng. delgados. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. avermelhadas. opostas. 1994). Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. de P. inflorescência em panículas. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. 2001). . avermelhados.. (Kemmerling. Além de alcolóide.Palicourea marcgravii St. glabros. acuminadas.5 m de altura. Hil. 1989a). frutos do tipo baga. de onde partem folhas com venação tênue.. 1996.. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. E popularmente usada como medicamento. com ramos cilíndricos. sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. 1995. 1976).

caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. contrações musculares. 1986). comum em animais e rara na espécie humana. 1988. P. Gorniak et al. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina...teratogênica (Costa... De-Moraes-Moreau et al. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. midríase e morte em bovinos (Costa et al. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - . 1989.Palicourea laniflora. 1995).1 . et al. 1989b. FIGURA 29. 1989). Segundo Schvartsman (1979). Tokarnia & Dobereiner. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. 1982). que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. vômitos.. 1980) e convulsivante (Gorniak et al. 1989).. espasmos musculares. Além de fluoroacetato. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. e a intoxicação. 1996). marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. Das folhas de P. falta de coordenação motora. enquanto P. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. 1984a... Palermo-Neto et al. náuseas.

descrita a seguir.30 Dipsacales medicinais L. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. No Brasil. Di Stasi C. 1978). das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. Lonicera. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. Viburnum. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Lonicera e Sambucus (Barrozo. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. arbustos e lianas. na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. C. também utilizado como medicinal em todo o mundo. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. . 1997). Abelia e Linnaea. Os principais gêneros são Sambucus. A. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies.

é considerada excelente diurético e sudorífico. as flores são brancas. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. óleos e ungüentos. usada internamente. e possuem aroma muito agradável. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. . gripes fortes e varicela. além de flavorizantes em vinhos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. Floresce nos meses de julho a agosto. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. além de seu histórico uso medicinal. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. A infusão das folhas. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos.Espécies medicinais Sambucus nigra L. no champanhe e no catchup. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". A espécie. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. dispostas em um corimbo branco. considerada exótica nas Américas. Apresenta importante valor econômico. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos.1). Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. Na região da Mata Atlântica. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. com ramos bastante lenhosos. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados.

1990. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. 1988). esteárico. folhas. os ácidos graxos láurico. mirístico. Internamente. 1986). lignanas. 1989b e 1989c)... Van Damme et al. diuréticas. casca e frutos são usados para diminuir febres.. erisipelas e queimaduras. irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. heptadecênico. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. Kaku et al. sudoríficas. descrita no trabalho de Grieve (1994). glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. gripes. a planta ainda é indicada contra influenza. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. S.Bown (1995) refere que flores. tetradecênico. para pequenas queimaduras. 2001). 1989a). racemosa e S. canadensis foi isolado o iridóide . Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. lectinas das cascas (Shibuya et al. flavonóides. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al.. nigra. palmítico. sinusite. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. 1989. catarros. oléico.. reumatismo e febres. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. externamente. cianogeninas. De S.

australis.. indicado para hidropisia. 1980). não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al.morronisídeo (Jensen & Nielsen... Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. que possui atividade colerética (Takeda et al. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. O reatival.. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. Salvia offtcinalis.. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. formosana foram isolados. De S. 1996. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. Artemisia absinthium. 1992b e 1992). 1989).. nigra. canadensis (Buhrmester et al. Com base nessa constatação. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. De S.. 1994). 1995).. e das raízes de S. mexicana. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. O extrato aquoso de S. 1997). os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. Sambucus nigra. 1997). que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. das folhas. Das cascas de S. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. 1988).. 1990). 1997). O extrato aquoso das folhas de S. 1996). 2000). 1997. apresentou atividades analgésica.. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. conhecido como Sauco. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al.. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. beta-amirina e o ácido oleanólico. As lectinas de S. 1974). Centaurium minus. 1997a e 1997b). 1986).. Schoning. Bojic & Cuperlovic. Van Damme & Peumans. Prunus spinosa. antiinflamatória e antipirética. 1997. . e Polygonum aviculare. O extrato hidroalcoólico de S. 1987). promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al.

Neto et al. 2002). 2000.Sambucus nigra. FIGURA 30. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al.A espécie S. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al..1 . .. 1999) e a espécie S. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ).

das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. • 109 são usadas na Amazônica. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. da Hortelã (Menthapiperita). Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. como é o caso do Alho (Allium sativum).Posfácio L. Mata Atlântica. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. entre outros. . Carambola (Averrhoa carambola) e outras. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. C. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. Dessas 135 espécies medicinais. A maioria é nativa desse ecossistema. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno.

Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. a Camomila (Matricaria chamamila). a Losna (Artemisia absinthium). o Agrião (Nasturtium officinalis). As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. o Coentro (Coriandrum sativum). definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. o Mamão (Carica papaya). . No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. a Erva-doce (Pimpinela anisum). Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%).Dessas 135 espécies medicinais. apenas dezesseis são monocotiledôneas. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. 340 espécies. a Mostarda (Brassica nigra). a Calêndula (Calendula officinalis). neste livro. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. líquens. várias espécies amplamente conhecidas. razão pela qual não foram incluídas no texto. ou seja. compreendidas em trinta diferentes ordens. das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). Esse dado se torna mais importante porque. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis).

. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. esse conhecimento se enriquece a cada dia. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. pelos mais variados grupos de pesquisadores. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. Sobre essas. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. alcançando alto índice de citação. isto é.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. como a de massa e a erudita. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. e que esse conhecimento seja recuperado. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. Finalmente. Por isso. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área.

Aguda. Fruto seco. Aquênio. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. os estames. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Alternas. Baga. Planta que nasce. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. o ciclo reprodutivo e depois morre. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo.Glossário de termos botânicos. Antera. folhas que envolvem o caule. Bianual. Amplexicaule. Arista. Acuminada. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Anual. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. com uma única semente. Excrescência da semente. Que fica na axila. Andróginas. Axilar. Bainha. pelo lado interno. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. com dois sexos. . termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Androceu. Arilo. Que abraça o caule. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Hermafroditas. no segundo. indeiscente. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa.

que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Crenada. Decorrente. Diclamídea. Carena. Conjunto de pétalas. Cápsula. Ex. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones.: cana-de-açúcar. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. deiscente. que é o verticilo externo da flor. normalmente largo. Pedúnculo geralmente sem folhas. Epicarpo. Na forma de cunha. Conjunto de sépalas. Pétala superior da corola papilionada. seco e indeiscente. Camada externa do pericarpo. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Capítulo. Diz-se da flor. Cuneiforme. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Didínomo. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Corola. Fruto monospérmico. Decumbentes. Fruto seco. . Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Folha modificada que origina o gineceu. Cariopse. mas sempre terminando na mesma altura. Caule com articulações bem evidentes nos nós. Deiscente. Elíptico. Planta trepadeira. Qualquer órgão que cai em determinado período. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Endosperma. Drupa. dois mais altos e dois mais baixos. Cálice. Carpelo. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. tornando-o alado. em geral dois. Colmo. Estandarte. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. como o fruto das gramíneas. Escapo. Escandente. com função de proteção. Corimbo. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. inseridas em um eixo comum. Com a forma de elipse. Estilete. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas.Bráctea. Dicotiledôneas. Caduco. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Cada um dos apêndices. Estipula. androceu ou planta que possui quatro estames. Que se abre.

Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. As flores são estruturas de reprodução. Parte do estame que sustenta a antera. Folha. que é ramificada igualmente em forma de pincel. . que juntos constituem o perianto. pentâmeras etc. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. e ao de pétalas. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Fasciculada. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. Filete. o de corola. complexas e variadas nas formas. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais.Estômato. trímeras. As flores podem ser dímeras.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. Flores.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: .A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.

no caso das folhas compostas pinadas. recebendo o nome de folíolos (ou pinais).A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia.quando se compõem de duas ou mais lâminas. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. . às vezes numerosas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. ou com o próprio caule. as folhas podem ser pecioladas ou não. às vezes reduzidas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples .quando consta somente uma lâmina . Nesses casos. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas.ou composta .

são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação. Todas essas características. conforme se observa na figura a seguir.Finalmente. . as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. mais aquelas apresentadas para as flores.

Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Orbicular. Indeiscente. Folículo. Hirsuto. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. Diz-se da folha que tem a forma de lança. As inflorescências podem ser de diversos tipos. Inflorescência. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. Flor com apenas um invólucro no perianto. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Lobado. Monoclamídea. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Desprovido de pêlos. Monóica. Planta que produz flores unissexuais.Folíolo. em linhas gerais. Provido de pêlos longos. Que não se abre. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Brácteas externas que envolvem a espigueta. porém presentes na mesma planta. Glabro. Gavinha. Lóculo. Oblonga. Porção alargada e achatada da folha. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. os carpelos. Monocotiledôneas. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Planta ou flor com dois sexos. Lâmina. Metaclamídeos. e as principais são motivadas na próxima figura. Fruto seco. é constante para cada espécie vegetal. Lígula. Gluma. . Gineceu. deiscente. mais longa que larga. com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Hermafrodita. Infrutescência. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Lanceolada. Diz-se da folha em forma de círculo.

Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al. 1978). ..

Pecíolo. cujos pêlos se entrelaçam. Podem ser monobásicos. Estruturas com simetria bilateral. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. o mesmo que cacho. fenólico e tartárico. cerdas ou aristas. Hidrocarboneto não saturado. Verticilo. Ráquis. Cálice modificado em pêlos. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Perianto. Uncinada. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Ácido graxo. característico da família Asteraceae (Compositae). solúvel em água. dibásicos. gasoso. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. esteárico. Zigomorfa. Séssil. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Substâncias orgânicas. dispostas circularmente. Que forma gancho. succínico. . Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Qualquer estrutura provida de pêlos. araquídico. cáprico. Ácidos orgânicos. Termos químicos Acetileno. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Papilho. incolor. fórmico. oléico. Conjunto de estruturas com a mesma função. Qualquer substância de sabor ácido.Panícula. palmítico. Ácido. Receptáculo. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Rizoma. mirístico. linoléico. Exemplos: ácidos acético. gálico. Racemo. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Caule subterrâneo. aromáticos etc. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Perene. Tomentoso. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Pubescente. Alcalóides. Planta ou órgão denso. isovalérico. Conjunto formado por cálice e corola. com cheiro desagradável. nitrogenadas de origem vegetal.

Aminoácidos. São corantes vegetais. onde exerce importantes funções. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Compostos orgânicos não-cíclicos. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. tais como os hormônios. derivados do cicloperidrofenantreno. Compostos naturais ou artificiais. vegetais e animais. estragol. Líquidos incolores. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. Compostos alifáticos. Aldeído. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. Fitosterol. Fenóis. Exemplos: carvacrol. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Ver esteróides. como a quercetina. amarelos e roxos. originam as flavononas. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. eugenol e hidroquinonas. que exercem várias funções. Betaínas. voláteis. Cetonas. timol. Amilopectina. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Cumarinas. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. encontrado nos organismos vivos. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Carboidrato. Uma das substâncias constituintes do amido. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. Flavonas. com caráter gelatinoso. Compostos aromáticos. Catalase. Esterol. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). Flavonóides. Exemplo: p-cimeno.Alcoóis. Esteróides. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). . Ou hidrato de carbono.

Lignanas. Óleo essencial. Glicosídeos. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Lipídios. geralmente de odor agradável. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Líquido oleoso. Peróxido. Insaturados.Fosfolipídio. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Hidrolato. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. derivados do fenilpropano. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. recobrindo-as com uma camada protetora. Substâncias que. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. pela ação de ácidos diluídos. Hidrocarboneto. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. oxidando outros compostos. Compostos cíclicos. Ligninas. Mucilagens. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Glicídios. sofrem hidrólise. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Compostos cíclicos. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Heterosídeo. Insulina. Hormônio secretado pelo pâncreas. Lactonas. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Peroxidase. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. . Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Líquido incolor e aromático. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo.

Anestésico. Alucinação. Antifertilidade. Antiemético. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Analgésico. Falta de menstruação. antigonorréico. ato ou efeito de desvariar. Antigonorréico. Antifúngico.Termos médicos Abortivo. Que aperta. Que combate a eliminação de muco. Antidisentérico. perda momentânea da razão. às vezes. Antidiabético. Adstringente. Auticonvulsivante. Anticatarral. Que combate as convulsões (contrações violentas. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. de um músculo ou grupo de músculos). Delírio. violenta. que impede a formação de catarro. Queda dos cabelos. podendo ser feminina ou masculina. Alopecia. Agrupamento. Dor sufocante. Adenocarcinoma. Antibacteriano. especialmente táctil e dolorosa. . Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Que reduz a capacidade de reprodução. Capaz de promover expulsão do feto. Afasia. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Que suprime náuseas ou vômitos. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). que prende. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. Agregação. que provoca constricção. Angina. a sangue). Que combate fungos. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Amenorréia. Acne. Expectorante. doença sexualmente transmissível. Antiescorbútico. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Antiespasmódico. sufocação. Afrodisíaco. Tumor maligno com disposição glandular. involuntárias de músculos voluntários). Anemia. calvície. aglomeração. Antiblenorrógico. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Que reduz ou suprime a dor.

doença causada pelo Treponema pallidum. Redução ou perda de apetite. especialmente bactérias. Broncodilatador. Antileprótico.Anti-helmíntico. Que combate a formação de tumor maligno. Que combate o corrimento vaginal simples. Que combate micróbios. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Antitumoral. Antileucorréico. Cálculo. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. insensibilidade.no. Ataxia. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Relativo à tosse. Em geral se forma na bexiga. Que impede a fermentação. que serve para o tratamento da tosse. desinfetante. Antipruriginoso. também chamada de paludismo. Antitérmico. putrefação ou contaminação microbiana. Que combate as inflamações. Também denominado antipirético e febrífugo. Apatia. Béquico. Que combate as doenças provocadas por vírus. inatividade. Estado de indiferença. Que combate a sífilis. Antinociceptivo. Que dilata os brônquios. Antimicrobio. em geral acompanhada por desordens na fala. Antineoplásico. Que combate o reumatismo. Massa inorgânica anormal no organismo animal. . Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Que combate a lepra. Antivirótico. Anti-reumático. Antiinflamatório. Brônquios. quase sempre transmitida por contato sexual. Que combate a histeria. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). nos rins e/ou na vesícula biliar. falta de emoção. Que faz baixar a temperatura. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate helmintos. Anti-hemorroidal. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Antimalárico. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Anorexia. Que combate tumores. formada por sais minerais. Antivenéreo. Anti-séptico ou Antisséptico. Anti-sifilítico. febre paludosa ou palustre. Anti-histérico.

Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. purifica. Desinfetante. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. acompanhada de náuseas. Que favorece a secreção urinária. Dispepsia. que aumenta ou provoca a secreção urinária. estimulante da transpiração. empachamento. reduz a força. Cardiotônico. Citotóxico. do intestino. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Dermatite. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Dispnéia. Que desentope. Catártico. Eczema. Que deprime. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. Diaforético. muitas delas usadas para destruir células tumorais. sensação de peso ou queimação no estômago. reduz a excitação. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Respiração difícil. gripe. Emoliente. Que limpa. Infecção por bactérias. Diurético. que ativa a eliminação de bile. Que favorece ou provoca menstruação. Emenagogo. Cicatrizante. Constipação. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Desobstruente. Sudorífico. libera a passagem de um vaso ou canal. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. enfraquece. crostas e secreção. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Inflamação da pele. Disfagia. Colagogo. Que favorece o fluxo biliar. Depurativo. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Dificuldade na deglutição. Edema. Congestão. também. . Que provoca vômito. dificuldade para respirar.Carbúnculo. caracterizado visualmente pelo inchaço. particularmente a pele inflamada e porções próximas. gripe comum. Depressor. Purgativo. que previne a invasão de microorganismos. resfriado. Carminativo. que separa substâncias nocivas. Emético. Indigestão. Que tem a propriedade de amolecer. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. do estômago etc. Que alivia a distensão por gases. Prisão de ventre ou.

Células do fígado. Hipocolesterolêmico. Excitante. Que combate a febre. Distensão por gases no intestino. espanto. Tóxico para as células do fígado. Febrífugo. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Que produz imobilidade emocional. Ictericia. Hidropisia. O mesmo que arroto. deposição de bile nos tecidos. Que aumenta a pressão sangüínea. Fungicida. Eructação. Estupefaciente. Que baixa a pressão sangüínea. Hepático. no estômago etc. Expectorante. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. com bradicardia (pulso lento. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. produz sono e alivia a dor (narcóticos). que estanca hemorragia. Relativo ao estômago. que facilita as funções do estômago. Flatulência. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Capaz de promover estímulos. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Fitoterápico. Hepatotóxico. Farmacoterápico. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). estado de irritação. assombro. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças.Erisipela. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Relativo a hemostasia. com vermelhidão. pigmentação amarela generalizada da pele. Fitoterapia. Hemostático. Hiperglicemia. Hipotensor. . Que estimula ou provoca a ação. Relativo ao fígado. Estimulante. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. com anemia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. que leva à perda de atividade. Estomáquico. Que baixa a taxa de glicose no sangue. que melhora o funcionamento do fígado. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Fitofármaco. Que combate fungos. Hipoglicemiante. Hepatócitos. Hipertensor. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Glicosúria. Derrame de bile no sangue.

Maleita. Tóxico para as células brancas do sangue. Estado que é tóxico ao rim. impaludismo. Lenitivo. Que mata ou destrói parasitas. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). purgativo fraco. Poliária. Corpúsculos sangüíneos. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. que acalma. Infertilidade. Incapacidade de reprodução. Lepra. Midríase. Purgativo. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. purgante. Peitoral. causado por gordura. que faz cessar inflamação. Substância que mata insetos. Lumbago. Dilatação da pupila. como no caso da esquistossomose). Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Que laxa ou afrouxa. produzindo sono e alívio da dor.Impingem. Parasiticida. que apenas exonera o intestino. tranqüilizante. Parasitemia. Excreção excessiva de urina. Grau ou índice de parasitas no sangue. Narcótico. Inseticida. Malária. Que produz gordura. calmante. Que resolve. dorso). Moluscicida. Sialagoga. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Nefrotoxicidade. Que alivia excitação. o mesmo que laxante. droga que paralisa as funções do cérebro. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Resolutivo. Dor na região lombar (costas. Lipemia. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Mutagênico. . Laxativo. Que adoça ou acalma. Sedativo. Morféia. Linfocitotóxico. Relativo a peito. Lipogênico. Que produz sono ou inconsciência. Plaquetas. importantes para a coagulação sangüínea. afecção cutânea.

Sudorífico. Que produz pus. Próprio para curar feridas. Vermífugo. Zigotóxico. Tranqüilizante. Tóxico para o zigoto. Que tranqüiliza. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. que acalma. Salivação abundante. . Tônico. Que destrói ou afugenta vermes. Testículo. Sinusite. Desenvolvimento de anormalidades fetais.Sialorréia. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. Vesicante. que facilita a saída de pus. Que provoca vesículas. bolhas. Revigorante. Teratogênese. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Vulnerário. Diaforético. Supirativo. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides.

n. Prir. 1995. et al. (Tashk). nos casos de dupla autoria.4. v. Khim.3. ABDALA. n.871-2. os autores são citados como nos casos das revistas. os autores são citados no texto. p.60. n.269-74. I. F. Os dois autores. p. simpósio ou similar. dissertações e outras publicações do gênero. O mesmo se aplica a teses. página inicial e página final e ano de publicação.12. nos casos de única autoria.. Prir. 1986.326-32. p. Human Toxicol. apenas sua referência. Um autor. Soedin (Tashk).1294-7. et al. et al.7-8. D. fascículo.. . R. incluindose volume. v. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros). et a l j .5. n. M.38. Soedin. p. página e ano. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. • Quando se trata de livro. p. nos casos em que há mais de dois autores. Prod.2. Biochemical Systematics and Ecology. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos.5. 1985. N. 1986. n. ABDU-AGUYE. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material.3.23. . P Lilloa. Khim. S. seguindo-se o título do congresso. 1997. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). ABDULLAEV. Nat. p.l69-71. 1995. L. n.499-500. SEELIGMANN. n.43. v. p. 1995a. ABDEL-KADER.657-63. v. ABE. v. .Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor.

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468-9. 119 Aristolochiaceae. 377-78. 223 Bixa orellana. 386 Asteraceae. 201-2. 461 Ageratum conyzoides. 339-40 Anacardium giganteum. 110 Annona tenuiflora.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 115 Aristolochia trilobata. 148 Anacardiaceae. 475. 364 Apiales. 75 Allium sativum. 113-5. 43 Annona muricata. 480 Bignoniaceae. 152. 102. 227-8. 62 Alternanthera brasiliana. 96. 467-8. 381-5. 487 Alismataceae. 342-3. 111 Annonaceae. 68. 77 Aloe vera. 42-3 Andropogon nardus. 488 Bauhinia forficata. 56. 368 Arecaceae. 474. 95-9. 479. 65-6. 78 Alpiniajaponica. 154 Alternanthera micrantha. 466 Adenocalyma alliaceum. 140-1. 90-3. 143 Acanthospermum australe. 58. 475. 391 Allium cepa. 79 Allamanda cathartica. 65. 463 Asteridae. 361 Andropogon leucostachys. 345. 467. 489 Bidens pilosa. 316 Bidens bipinnatus. 376 Araliaceae. 93. 3512. 67. 450. 90 Apiaceae. 351-2 Baccharis trimera. 69-74. 373 Averrhoa bilimbi. 463-5 Asterales. 52. 364 Apocynaceae. 453. 79 Alismatidae. 360 Anacardium occidentale. 458-6 Achillea millefolium. 351-2 Averrhoa carambola. 81 Arecidae. 149. 449 Bixa arborea. 113 Aristolochiales. 65. 149-50 Amaranthaceae. 79 Aristolochia. 340-3. 480. 465. 113 Asclepiadaceae. 468-9. 202-4 .

318 Desmodium tortuossum. 281. 379. 264-5 Cymbopogon citratus. 407. 207. 470. 41-2 Convolvulaceae. 259 Commelinidae. 151-2. 394-5 Ipomoea quamoclit. 408-9. 324. 259 Hedychium coronarium. 238 Cucumis anguria. 215. 236 Euphorbiales. 255 Croton sacaquinha. 185. 225 Guttiferales.Bixaceae. 297 Capparidaceae. 411 Hibiscus furcellatus. 366-7 Hymenaea courbaryl. 299 Dillenidae. 80. 152-3. 393 Cordia verbenacea. 471 Gomphrena globosa. 382-3. 395 . 322 Clusiaceae. 236 Euterpe edulis. 406 Brunfelsia grandiflora. 231 Celastrales. 481. 402-3 Cactaceae. 82-3 Fabaceae. 312 Ipomoea batatas. 237. 300. 163-4 Chrysobalanaceae. 212-3. 287-8 Cassia reticulata. 275 Hydrocotyle exigua. 178 Cybianthus. 287 Cassia occidentalis. 211. 285. 387 Gentianales. 190 Cucurbitapepo. 44. 283. 266 Capparidales. 286. 302 Echinodorus grandiflorus. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 46-7. 413-4. 155-6 Caesalpinia ferrea. 210. mariana. 154. 242. 235 Cecropiaceae. 175 Diplotropis purpurea. 205. 179 Cucurbitaceae. 295. 265 Caprifoliaceae. 279. 214 Himatanthus. 206-7. 319 Dipsacales. 147 Caryophyllidae. 298 Derris floribunda. 63 Heliconia. 61 Heliotropium indicum. 276 Fischeria cf. 298 Derris amazônica. 292. 296 Fabales. 430. 53-4 Coutoubea spicata. 490 Euphorbiaceae. 398. 150. 292 Caesalpiniaceae. 327 Cassia multijuga. 247. 231 Celastraceae. 145 Caryophyllus aromaticus. 375 Gnaphalium purpureum. 272. 171 Gossypium barbadense. 165. 280. 230-2. 388 Croton cajucara. 170 Chenopodiaceae. 284 Hyptis crenata. 496 Caryophyllales. 201 Boerhavia difusa. 272 Clidemia novemnervia. indicus. 287 Cecropia peltata. 496 Dipteryx odorata. 373 Eupatorium ayapana. 163 Chenopodium ambrosioides. 83 Eryngium ekmanii. 224 Hibiscus sabdariffa. 172 Boraginaceae. 54. 49 Cymbosena roseuna. 441 Inga spectabilis. 178-9. 213. 331 Celosia argentea. 308 Dipteryx punctata. 299. 440 Costus spiralis. 315 Caesalpinia pulcherrima. 301-2. 282-3. 276-7 Cajanus cf. 385 Hirtella. 386-7 Gentianaceae. 365-9.

200 Maytenus aquifolium. 417. 240-1 Magnoliidae. 422 Oxalidaceae. 426. 64-5 Liliales. 128. 106 Laurus nobilis. 132 Peperomia. 453 Peperomia elongata. 303 Myrsinaceae. 158 Pothomorphe peltata. 420. 251 Lacistema. 389 Luffa cylindrica. 245. 131. 120 Poaceae. 337 Polyscias. 121-2 Pereskia grandifolia.Jacaranda caroba. 399-400. 229 Musa. 424. 406 Lauraceae. 337 Malva parviflora. 156-7 Persea americana. 495 Palicourea cf. 238-9. 311 Momordica charantia. 192-3. 204 Malvales. 277 Leonotis nepetaefolia. 198 Lacistemaceae. 252. 447 Polygalales. laniflora. 136 Piperaceae. 162 Portulacaceae. 494-5 Passiflora coccinea. 180. 134 Piper d. 414. 39. 429. 402-5 Phytolacaceae. 158-9. 166 Piper cavalcantei. 107 Leguminosae. 167-9. 445 Mimosaceae. 419. 421. 133 Piper gaudichaudianum. 427. 89 Malpiguiaceae. 369-72 Portulaca oleraceae. 160. 244-6. 442 Leucas martinicensis. 103 Myrocarpus frondosus. 412-3 Lamiales. 432 Ocimum canum. 185. 241. 161 Ocimum basilicum. 446 Origanum vulgare. 422-3. 135 Piper marginatum. 415-6. 130. 427 Ocimum gratissimum. 239-40. 444 Mentha pulegium. 126-7. 434-5 Lippia granais. 61 Musaceae. 121. marcgravii. 191-2. 196 Monocotiledonae. 332. 350 Palicourea cf. 79 Moraceae. 122-3 Piper cernnum. 87 Magnoliales. 416.120 Piperales. 108 Persea gratíssima. 173 Phyllanthus corcovadensis. 256 jatropha gossypifolia. 321 Menispermaceae. 258 Physalis angulata. 250-1. 129. 418 Mentha viridis. 435 Loganiaceae. 125. 323-4 Myrtales. 427. 419-20. 425. 493. 192 Pedaliaceae. 443 Liliaceae. 254. 161-2 Portulaca pilosa. 451-2 Jatropha curcas. 181-2. 334-6 Melastomataceae. 431. 199 Passifloraceae. 42 Pogostemon patchouly. 64 Liliidae. 233 Muntingia calabura. 262 Myrtaceae. 221-2. 123. 108 Petiveria alliacea. 321 Nyctaginaceae. 427-8. 195 Mabea angustifolia. lhotzkyanum. 432 Ocimum micranthum. 432. 139 Mentha piperita. 125. 431. 137 . 184-9. 332. 191 Lamiaceae. 425-6. 124. 60 Myristicaceae. 64 Lippia alba. 336 Maytenus ilicifolia. 208 Malvaceae.

274 Psydium cf. 390 Symphytum officinale. 497-500 Sansevieria. 262 Prunus domestica. 474. 412 Tagetes erecta. 269 Rubiaceae. 209 Urticales. 182 Sesamum indicum. 215-6. 350. 449 Sechium edule. 233-4 Spilanthes acmella. 139 Rhynchanthera grandiflora. 477. 479. 491 Spondias purpurea. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 330 Pyrostegia venusta. 101. 354-7. 51 Zinigiberidae. 112 Zingiber officinale. 401 Solidago microglossa. 197 Xylopia cf. 216 Stigmaphyllon fulgen. 76 Sapindales. 462 Ranunculales. 397-8 Solanales. 338 Strychnos triplinervia. 208-9. frutescens. 226 Solanaceae. 213. 273 Rosales. 472. 400 Solanum tuberosum. 217-9. 484 Zollernia ilicifolia. 132. 393 Solanum paniculatum. 457-60. 349. 344. 453-6 Sida rhombifolia. 473-4. 50 Sambucus nigra. 478 Theobroma grandiflorum. 338 Stigmaphyllon strigosum. 312. 271 Rosidae. 138 Primulales. 221 Urena lobata. 492 Rubiales. 52 Zingiberales. 457 Scrophulariales. 99. 361 Sterculiaceae. 452. 183. 227 Theobroma speciosa. 320 . 177-8 Virola surinamensis.Pothomorphe umbellata. 471 Sorocea bomplandii. 363 Rutaceae. 127. 345. 485. 322 Rosaceae. 94-5. 492 Ruta graveolens. 347. 463 Scrophulariaceae. 58 Zingiberaceae. 230-1 Verbenaceae. 103-6 Vismia japurensis. 379-85 Tiliaceae. 325-9. 45. 228 Thevetia peruviana. 326 Psydium guajava. 353 Saccharum officinarum. 482. 55. 360 Scoparia dulcis. 409. 189. 339 Schinus terebenthifolius. 48. guineense. 218. 51 Zinnia elegans. 434 Violales.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .

os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. do Departamento de Farmacologia. e Clélia Akiko Hiruma-Lima.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. Campus de Botucatu. Capa: tsabel Carballo . do Departamento de Fisiologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.

.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat.