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Plantas_medicinais_na_Amazônia_e_na_Mata_Atlântica

Plantas_medicinais_na_Amazônia_e_na_Mata_Atlântica

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Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

. pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).Vale do Ribeira.

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos.

esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. Inúmeras discussões e propostas são realizadas.Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. pois. ou significam estratégias proibitivas. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. provavelmente. que em sua maioria não resolvem o assunto.perda da fauna e da flora. a falta de propostas decorre de um dos dois. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. Acreditamos que. alterações climáticas. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. comprometimento do abastecimento de água. se propõe e se discute sobre o assunto. mas pouco se faz. entre outros -. conse- . Nos últimos anos. empobrecimento do solo. ou melhor. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação.

os pescadores do Vale do Ribeira. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. Dessa forma. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem. São eles que podem. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. Essa relação. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões .qüentemente. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. Para tal. como os ribeirinhas da Amazônia. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. seus produtos e suas relações. Consideramos. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. regional. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. quer sejam comunidades tradicionais. não se dá apenas visando à sobrevivência. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. a contribuição deste . Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. sem dúvida alguma. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. priorizadas. Por sua vez. como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. Nesse sentido. São eles que conhecem a floresta. portanto.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. Nesse aspecto.quer sejam grupos definidos. atualmente. como mais um produto para comercialização. permitir grandes avanços na conservação. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. mas inclui ainda interesses econômicos. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. os moradores da floresta . entretanto. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais.

já que dez anos haviam se passado. publicado originalmente em 1989. considerando os aspectos aqui referidos. Começamos o trabalho. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. Passou da hora de a ciência e a política. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . e também no de desenvolvimento. como instituições determinantes para o avanço. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição.livro é um começo. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. A equipe já não era a mesma. Dessa forma. entretanto. Não custa lembrar e salientar. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. conseqüentemente. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. em janeiro de 1999. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. pagando o preço de um trabalho mais social. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. na verdade. No entanto. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. cada qual havia tomado seu caminho. Foi a partir de pesquisas que realizamos. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. mais abrangente.

que prontamente os disponibilizou para esta publicação. Nessa nova etapa. buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. químicos. por outro. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. Por si só. incluindo fotos de algumas espécies. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. outro importante e singular ecossistema brasileiro. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. à medida que. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. buscamos informações em diversos endereços. já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. farmacológicos. No entanto. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. a nova idéia não tinha mais como retornar. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. Estado de São Paulo. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. além dos desenhos apresentados inicialmente.proposta original. Index Medicus. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). tornou-se o objetivo principal da nova equipe.não . pelo menos as mais citadas. por um lado. Chemical Abstracts). colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa.

como é o caso da Amazônia e. mas as plantas medicinais. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. passaram a representar uma nova alternativa . sempre foi uma preocupação constante. que serão úteis. mais acessível que os artigos . Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área. mas com um livro. especialmente os mais ameaçados. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. não apenas catalogando espécies medicinais. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. Com essa nova concepção. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos.em artigos científicos e técnicos. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. A conservação dos ecossistemas tropicais. No entanto. durante todo esse período. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. da Mata Atlântica. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. especificamente. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. mas um novo trabalho. hoje. sem dúvida.

farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável. apesar de preliminar e pequena.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. municipais e federais) e não-governamentais. mas pouco realizado na prática. acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação .para a conservação dos ecossistemas. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. Finalmente. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que.não pode ser apenas a retórica. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. Luiz Claudio Di Stasi . devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. Nesse sentido. realizadas de forma racional e sustentável. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais.

o que. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. Em primeiro lugar. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem .Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais. que esse conhecimento seja perdido. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. Em segundo lugar. evitando-se. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. a nosso modo de ver. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. Em terceiro lugar. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. pretendeu-se. desse modo. realizar um estudo etnofarmacológico regional.

da qual o próprio pesquisador faz parte. Por outro lado. além dos objetivos aqui expostos. juntamente com o Prof. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. com as atividades deste trabalho. mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. que potencialmente es- . Finalmente. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). e que visa. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. Osvaldo Aulino da Silva. como qualquer outra atividade humana. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. químicos. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental. pretendeu-se. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. com os conhecimentos adquiridos. deve ter um componente social em seu escopo.natural. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. com a promoção de melhores condições de vida para a população. consideramos que a ciência. realizado no município de Humaitá. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. Nesse contexto. Nesse contexto. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. farmacologistas etc). Em quarto lugar. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP).

O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. estágio de desenvolvimento.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. além de botânicos. estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. No entanto. para que o conheci- . como exemplos) e abióticos (umidade do ar. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. clima. portanto é urgente a sua consideração. verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. que podemos denominar ecológico. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. propiciou um imenso prazer. farmacologistas. Acreditamos. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. além de engrandecer o trabalho. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. tipo do solo. como seres vivos. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. essa área requer um enfoque novo. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. antropólogos e químicos. estações do ano e outros). como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. e nossa experiência é prova disso. consideramos de grande importância colocar que. pela sua característica multidisciplinar. no entanto. que se superando as dificuldades.

desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. Luiz Claudio Di Stasi .mento tradicional seja devidamente resgatado. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. além de tornarem possível este trabalho. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. acrescentaram uma experiência rica. Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. que.

O Brasil contribui com 120 mil espécies. por fim.William Shakespeare. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. apesar disso. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos . Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. Dessas. (Cena III. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. a grande maioria na região amazônica.. portanto. de um lado. Observa-se.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. e. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. quando se constata.. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. Ato II de Romeu e Julieta . mas os primeiros registros remontam a milênios. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia.

Mas o passo foi dado. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Por último. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. enfim. Dra. Levantamentos etnofarmacológicos. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos.criteriosos. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. posologia. a distância vencida. de outro. como este que aqui se apresenta.Campinas) . Quando dizemos criteriosos. efeitos observados. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Profa. e isso é o que importa. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem.

Atualmente. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. . qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. apesar da pobreza dos solos. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização. Dada a fragilidade desse equilíbrio. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. conforme aponta Philip M. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. no caso da Amazônia. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. No entanto. provenientes da evapotranspiração. Fearnside. De fato. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade. A exploração madeireira. que. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis.

De qualquer maneira. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir. riquíssima em espécies. do ponto de vista social. julgamos altamente preocupantes: por um lado. desde o leigo ao mais especializado. coloca às mãos dos leitores. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. Plantas medicinais na Amazônia. Luiz Claudio Di Stasi. fruto de um trabalho sério de pesquisa. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. portanto. honrado em apresentar esta obra. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais.Rio Claro) . ecológico e histórico. e. das quais poucas foram estudadas. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. Prof. sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. Dr. acarreta duas situações que. Sinto-me. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. Somada a isso. por outro. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial.

Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987.Metodologia de pesquisa Apresentamos. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões. • Aldeia dos Tenharins. no Amazonas. Jacupiranga e Sete Barras. resumidamente. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. conforme descrito a seguir: . sul do Estado do Amazonas. no Estado de São Paulo. Vale do Ribeira. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes.

• Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Amazonas. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação. evitando-se. ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). assim. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. No caso de material em fase de floração.Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. Para as espécies da Amazônia. Para materiais fora da fase de floração. Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). Departamento de Botânica do Instituto de . a coleta errada do material. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia).

e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP . Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Index Medicus (Med-line). priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. Sites da Internet. Outras informações (agronômicas.Botucatu. Chemical Abstracts. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". para sua identificação. os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies.Santa Catarina. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts.Rio Claro. . Itajaí .Biociências da UNESP .

. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e.Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. com o tempo. como havia sido feito na primeira edição deste livro. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam. Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae.incluindo as monocotiledôneas medicinais.

dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. as quais se subdividem em cinco seções: . • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. .Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae .Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. que compreendem uma descrição botânica. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas.dados botânicos e outras informações (quando for o caso). das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem. respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. Para cada capítulo.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. em vários casos. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista. . dados ecológicos e distribuição.incluindo as dicotiledôneas medicinais.• Parte II . significado do nome do gênero e dados sobre o gênero. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica. • Introdução sobre a família botânica ou. incluindo: . especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. • Dados químicos.

formatadas e montadas para inclusão no livro. UNESP. • Dados toxicológicos. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. formatadas e montadas para inclusão no livro. . incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. C. além de uma extensa bibliografia atualizada. encontram-se um glossário de termos botânicos. de vários tipos: . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L.• Dados farmacológicos. medicinais na Amazônia e foram escaneadas.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. No final do livro. . apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero.escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. . Essas ilustrações constavam do livro Plantas. . químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos. Instituto de Biociências de Botucatu.Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. formatado e montado para a inclusão neste livro.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

C. Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Hiruma-Lima E. Typhales. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. A. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae.1 Commelinidae medicinais C. Guimarães C. . M. pelo seu grande valor ornamental. Xyridaceae. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. Mayacaceae e Commelinaceae. Outras ordens botânicas como Juncales. M. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). algumas delas descritas neste capítulo. Santos L.

500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. é a mais importante. que inclui alguns importantes gêneros. 1996). como Sorghum do sorgo. mas sem importância medicinal. Saccharum e outros. • Centothecoideae. do ponto de vista de espécies medicinais. do famoso centeio e da aveia. e o gênero Oryza. reunindo inúmeras utilidades.A família Poaceae. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. gêneros alimentícios como bebidas. saponinas. Arundinoideae e Chloridoideae. açúcar e trigo. A família é dividida em quarenta tribos. Paspalum. ferragem. Andropogon nardus. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. Zea. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. açúcar e óleos essenciais. flavonóides e terpenóides (Evans. amido. Várias espécies possuem importância terapêutica. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. que incluem vários gêneros. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. cujo representante principal é o arroz. . ácidos fenólicos. respectivamente. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. que inclui os gêneros Secale e Avena. Cymbopogon. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). • Pooideae. • Panicoideae. substâncias cianogênicas. subfamília que. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. também denominada Gramineae. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. Os outros constituintes incluem alcalóides. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. principalmente Zea mays (milho).

podendo atingir até 2 m de comprimen- . glabros e curvados. os quais. a planta também é conhecida como Capim-membeca. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos. Em outras regiões do país. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Andropogon nardus L.Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. com folhas invaginadas bastante agudas. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. os colmos são finos. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. Em outras regiões do país. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela.5 m de altura. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo. por sua vez. possuindo um grande número de ramos. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico.K. espiguetas sésseis e fruto cariopse.B.

lineares.to. 1962). eretas. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. . respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. problemas estomacais e febre. Capim-cheiroso. Patchuli-falso. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto. marginatus e validus.1). O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. Capim-cidreira. com grande valor econômico. tais como flexuosus. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. Capim-limão. folhas alternas. sudoríficas e carminativas. Sídró.) Stapf. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. bainha larga e lígula na base do limbo. Capim-sidró. compridas. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. com nós e entrenós. formando uma touceira robusta. formigas e traças. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. Erva-cidreira. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Capim-marinho. rizoma semi-subterrâneo. Vervena. Cymbopogon citratus (DC. ásperas em ambas as faces. Capim-cidrão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

1980). carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. dores de cabeça e disenteria. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. na forma de banho (Amorozo & Gély. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante. no Rio Grande do Sul. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . 1980). simplesmente. 1982. a infusão das folhas é usada como antidiurético. contra gripes. no Mato Grosso. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. 1982).2). a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. gripes fortes. planas. no Ceará. espiguetas com flores pequenas. lineares. simples. Na região da Mata Atlântica. ásperas. folhas amplexicantes. verde ou violácea. A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. Cana. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. em Brasília. no Pará. nervura central saliente e bainha espinescente. como diurético. o suco do colmo da planta. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia.Na região da Mata Atlântica. articulado e um pouco mais grosso nos internós. pequeno (Figura 1. Matos & Das Graças. 1988). como calmante e antiálgico (Van den Berg. Saccharum officinarum L. dores de cabeça e dores musculares. hermafroditas. calmante e antiespasmódico (Barros. carminativo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.. duas vezes ao dia. 1986). 1 dísticas. reumatismo e febre. cilíndrico. colmo arqueado na base. fruto do tipo cariopse ovóide.. ápice agudo.

ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. chumbo e cobre. neral. escarlatina. além de o açúcar servir para o combate à pneumonia. cetonas e alcoóis. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. 1996). envenenamento com arsênico. internamente.e b-pineno. limoneno. O óleo essencial de C. 1997). além de seus isômeros geralúal e neral. a. metil-heptenol. terpenos e dipenteno (Costa. metil-heptenona.4%). Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. 1.. felandreno. mentol. contra resinados e anginas e. aftas. como o geraniol. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. Ming et al. externamente. . neral. linalol. 1981). vômitos da gravidez (Corrêa. farnesol. contra úlceras da córnea. 1996. febres. 1986). mirceno. geraniol. 1984).diurético e contra hipotensão. como citronelal. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). citronelal. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al.. 1997). isovaleraldeído e decilaldeído. nerol. erisipela. cariofileno. cólera. tuberculose. citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. vários aldeídos. Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat.8-cineol. rachas dos seios. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. laurato de etila.

1988) antimicrobiana (de Sá et al.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al.. 2002. 1995). citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al. Onawunmi & Ogunlana. Onawunmi.. O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. 1997) e o extrato de C.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al. e Di Stasi (1987). Com as folhas de C. Lorenzetti et al. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. 1985). 1988).8%). geranial (45. 1986 e 1987.. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. Pinho et al. analgésica (Viana et al. no entanto. 1988). A atividade antibacteriana de C. 1990). citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. 1986. 1988). 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. enquanto Ferreira et al. depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho.. anti-helmíntica (Jourdan. O extrato metanólico de C. 1988). Os principais constituintes das folhas de C. 1988). . porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al.9%) e neral (33. mirceno (12.. uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. toxicológico e clínico com essa espécie.. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. Di Stasi et al. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. 1986 e 1987).. (1985). 1983 e 1989a). 1997).. (1983) referem atividade antiespasmódica. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al. 2002).. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al... aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles. 1984. Onawunmi et al. 1997). 2000.. 1998). relatam. 1996). não observando propriedades de interesse terapêutico... 1989) e antioxidante (Lopes et al.. citratus.

ligninas e ácidos fenólicos. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. 1997. bradipnéia. 1999). O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero. De S. sedação e defecação (Ferreira et al. 1986a). Para a espécie Saccharum officinarum. também conhecido como Capim-cidrão. perda de postura. 2000). 1989).. 1983).Em relação a outras espécies do mesmo gênero.. visto o grande número de trabalhos com C.. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. Além de hipocolesterolêmico. ataxia. ácidos p-coumárico. Dados toxicológicos O óleo de C. ferúlico e sinápico (He & Terashima. 1990). o extrato hidroalcoólico das folhas de C. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. Menendez et al.. . Foi isolado também o policosanol. Hikino et al. 1988).. citriodorus.. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. citratus. um álcool alifático com alto peso molecular.

Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas. . b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).1 .FIGURA 1. c) vista geral da touceira (Banco de imagens ).

2 .Saccharum officinarum. .Banco de imagens ).FIGURA 1. Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .

Lowiaceae. As espécies da família Bromeliaceae. C. Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. Tal uso não é comum na região amazônica. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais. importante produto de comercialização. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. M. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Hiruma-Lima L.2 Zingiberidae medicinais C. . Guimarães C. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. A. Zingiberaceae. De todas essas famílias. M. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. Cannaceae e Marantaceae. Santos E.

Renealmia e Riedelia. Curcuma. lâminas . Além do valor medicinal das espécies dessa família. algumas delas aqui descritas. inclui 52 gêneros. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. com folhas membranosas. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. destas. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. nos quais estão distribuídas 1. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. especialmente as famosas Canas-do-brejo. Vindecaá e Vindicáa. e • Zingiberoideae. Alpinia. com várias espécies medicinais. larga bainha na base que envolve o caule. na qual se localizam os gêneros Zingiber. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. Costus e Hedychium. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso.

hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. gineceu com ovário ínfero. descrito por Carl Linnaeus. flores em grupos com brácteas vistosas. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso.com 20 a 40 cm de comprimento. perianto distinto em cálice (claviforme. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides.5 m de altura. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. contra sarampo. Costus spiralis Rosc. inclui 42 espécies tropicais. elípticas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. vistosas. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. fruto capsular. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. contém inflorescências terminais. espessas. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. mas com algumas espécies em regiões tropicais.1). podendo chegar a até 1. densas com flores brancas ou róseas. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. . entouceirada. ápice agudo e base arredondada. O gênero Costus. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. 1988). hermafroditas e zigomorfas. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. podendo chegar a até 35 cm de comprimento.

Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. grandes. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. muito perfumadas (Figura 2. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. de onde partem as folhas longas. A decocção de suas folhas. lanceoladas e coriáceas. . em Iguape é comum a denominação Napoleão. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça. Em razão de sua beleza. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. O gênero Hedychium. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. incluindo a espécie aqui descrita. sésseis. as inflorescências são terminais com flores brancas. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético.2). contra diarréias graves. Lírio branco e Gengibre branco. Hedychium coronarium Koen. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. a espécie é muito utilizada como ornamento. na forma de infusão. especialmente de origem sifilítica. sendo de fácil multiplicação por touceiras. vistosas. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. descrito por Johan Gerhard Koenig. cilíndricas.

a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. de Gengibre. folhas alternas. A espécie é reputada como estimulante. . Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. externamente. indigestão. contra náusea. O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. mesmo no Vale do Ribeira. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. internamente. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. cólicas. 1995). flatulência e eólicas. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. diarréias e como vomitiva. tosses. gripes. lumbago e cólicas menstruais.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. C. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. onde a maioria das espécies é espontânea. sendo provavelmente o local de sua origem. carminativa com uso na dispepsia. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. além de diversos outros usos (Bown. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga. com uma lígula membranosa bífida. A espécie é usada. e. sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. com ampla distribuição. mas especialmente na Ásia. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. 1994). com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. lanceoladas. contra reumatismo. gripes e para problemas circulatórios. em todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira.

alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. taninos. 1987b). japonica foram isolados diversos sesquiterpenos.6-dehidrokawaina. speciosa e A. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. 1996). Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A.. speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. 1987). Cinco compostos. De A. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato.. linalol. (Xue et al. speciosa. Os compostos isolados dos rizomas de A. humulene. 1987). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. flavonóides em A. isohanalpinona e alpinenona. e 5. Da espécie A. 1987a e 1987f) e A. galanga. 1987). São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al.. nerolidol... constituintes fenólicos em A....-(17)12-labddieno-15. 1. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al.. 1988). eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A.. galanga (Barik et al. dihidro-5. 1988a). 1990). óleo essencial. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio. Os principais constituintes dos frutos de A. 1987b). Foram isolados dos rizomas de A. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A.. galanga. 1995). conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. Os sesquiterpenos -eudesmol.6-dehidrokawaina. galanolactona e (E)-8. Dos rizomas de A. 1988). O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A... galanga (Mori et al. katsumadai (Okugawa et al. 1987). nutans (Mendonça et al. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . acetato de geranil. 1988). 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al.. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al.8cineol. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. 1987c). intermedia (ltowaka et al. japonica (Morita et al. 1985a e 1985b..16-dial (Morita & Itokawa.

linalol.. Dos rizomas de A. l. yakuchinona A..modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. flavonóides (Luo et al. zinco. flabellata (Kikuzaki et al. felandreno. 1990). Das sementes A... 1989). 1994). daucosterol. terpineol e 1.5heptanediona. densibracteata foram isolados os bisabolanos.8-cineol (Lai et al.. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. Cinco diarilheptanóides. Das partes aéreas de A. 1988).-o1. hanalpinona. cálcio. 1997b) e quercetina (Wang et al. 1987d). O óleo essencial das folhas e caules de A. tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. Do óleo essencial das sementes de A. furopelargona A.. sendo um novo.. decanol. Três novos diarilheptanóides .. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown.. citronelol. manganês. -sitosterol..calixina A e B e 3-epi-calixina B . pineno. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. bornil acetato. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. yakuchinona B. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al. katsumadai possui -pineno. alpinenona. 1989). intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. Os frutos de A. . além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. ferro. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al.. intermedeol e -selineno (Itokawa et al. -ll(12)-eremofilen-10. 1997a). hanalpinol peróxido. isohanalpinol e aokumanol. além de óleos essenciais (Mendonça et al. potássio. 1990). sesquifelandreno e zingibereno. isohanalpinona.. E. 1997). fenchona e geraniol. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. zerumbet (Xu et al. magnésio. trans-bergamoteno. 1. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.7-difenil-3.. 1996).. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. 1999). o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. fenóis e alcalóides. 1997b). As sementes possuem mirceno. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. 1997a). além das vitaminas B1. oxyphylla contêm neonotkatol. De A. C. A análise fitoquímica de A. polyantha foram isolados.. geraniol. furopelargona B. sódio. 1997). B2. 1992). 1987). blepharocalyx (Kadota et al.foram isolados recentemente da espécie A.8-cineol. mirceno.. chumbo. conchigera (Athmaprasangsa et al.

Lin et al. 1988b). oxyphylla (Kyung-Soo et al. na perfumaria. 1976) e A. 1989). 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. indicando . japonica e A. 1999). A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu. 2000). Mendonça et al. galanga (Janssen & Schefter. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1988. galanga (Itokawa et al. e seu óleo. é usada na culinária. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. inibição da musculatura lisa. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1996). 1972). Constituintes isolados de A. 1997). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. 1996). speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. A erva. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. além de medicinal.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. 1986). A espécie A. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. 1994). 1999. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. que é um derivado do gingerol. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. speciosa. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. Sesquiterpenos isolados de A. Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. 1988). 1985). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. Estudos com a espécie A. 1996). 1987c) e A. sendo antiulcerogênica (Wang et al. bloqueio neuromuscular. 1987). sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al.

O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. O composto dihidro-5. galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. 1982. 1998. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al. Compostos isolados dos rizomas de A. 1994). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A.. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. também isolado do óleo essencial. 1996) e antiproliferativo (Ali et al. 1988. 1992).. Os rizomas de A. 2001). 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al. Estudos com a espécie A. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al.. 1987c) e A. ArnaudBatista et al. 1988a.. 1996). Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al. Mendonça et al. 1988b). ... 1989). Geraniol e isotimol isolados de A. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A. 1992).. 1990). anticonvulsivante (Maia et al. speciosa. Os diarilheptanóides isolados de A. 1988). 1996). 1998).. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al.6-dehidrokawaina isolado de A. antifúngica (Lima et al. officinarum (Kiuchi et al. O extrato acetônico de A. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. oxyphylla (Chun et al..a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al.. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. O óleo essencial de A. Do óleo essencial das folhas de A. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. 1982). Dos rizomas de A. 1987c).. O terpinen-4-ol.. 2001). speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. 1994). 1993) e antimicrobiana (Sá et al. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. 2002). O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. 1992). galanga (Itokawa et al. 1988).. 1990).. Moraes et al. Mendonça et al.

de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. 2000). Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros. além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A... A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. contorções. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al.. 1999). que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana. ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais.. 2000). 2002). 2000). 1988b). O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. speciosa produziu excitação psicomotora.. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. Surh. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al. O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. 2001. 2002). Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.. relatadas a seguir. 1999)...A atividade antiinflamatória de A.. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. . oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 2000) e H. A espécie H. 1992). Musa e Heliconia. dos quais dois possuem grande importância no Brasil.. De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al. hipocinese.

. com folhas longo-pecioladas. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. O fruto da espécie não é usado como alimento. laminares de grande comprimento. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. oblongas e inteiras.5 m de altura. folhas longas. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. com pseudocaule ereto e cilíndrico. minúsculas e duras.. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. com bainhas grandes. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. no entanto não foi possível obter sua identificação completa.

flores reunidas em espigas. FIGURA 2. tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma. onde é amplamente cultivada como ornamento.Alpinia japonica.podendo atingir até 2 m. mas com 25% do comprimento e da largura. dando um pequeno fruto que também é comestível. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. .1 .

Vista da planta florida (Banco de imagens - ).2 . .Hedychium coronarium.FIGURA 2.

Seito C. Di Stasi F. principal. C. Alliaceae e Amaryllidaceae. G. Gonzalez L. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. especialmente na ordem Liliales. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. ordem Orchidales. sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. Velloziales. A. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Asparagales. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Dioscoreaceae. N.3 Liliidae medicinais L. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. Dioscoreales. família Liliaceae. família Liliaceae. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. Liliales e Orchidales). das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. Velloziaceae e Iridaceae.

Alloe. como é o caso da cebola e do alho.e Liliaceae. Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. ambas de valor econômico incomensurável. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. especialmente do gênero Iris. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. Narcissus e Veratrum. pelo grande número de espécies ornamentais. dos quais devemos destacar o gênero Allium. grande fonte de espécies dessa família. . que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). A segunda. Colchicum e Drimia. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. Convallaria. esse da importante Babosa (Aloe vera). muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. Outro gênero importante é Aloe.950 espécies vegetais. que passamos a descrever. em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley. Trilium. Lillium. A primeira. 1997). Tulipa. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação.

corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados. obtida comercialmente. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. Era citado pelos babilônios no ano 3. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. ao passo que a infusão é usada contra gripes. cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. tosse e também contra hipertensão. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura.1). folhas lineares. capsular. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. 1995). inclusos e envolvidos por fina membrana. que se mesclam com os bolbilhos. Nas comunidades do Vale do Ribeira. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. e amplamente consumido pelos gregos e romanos.000 a. flores brancas ou avermelhadas. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . fruto. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. são utilizados de várias formas. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. na forma de umbela pedunculada.Espécies medicinais Allium sativum L. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. Não foram encontrados sinônimos para a espécie. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. especialmente em crianças. os bulbos dessa espécie. em geral seco. sésseis. loculicida (Figura 3. a maioria é cultivada.

folhas radicais ocas e compridas. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. tosse. agudas. antiasmático. poderoso anti-séptico das vias digestivas. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. arteriosclerose. Em outras regiões do Brasil. Em Minas Gerais. Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. também são utilizados como sudorífico. carminativo e vermífugo. bronquite. além do uso como condimento. 1984). subgloboso. o uso externo. 1988). Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes. tosse com expectoração. Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. dispostas em umbela. com bulbo grande e solitário. como referido para o Alho. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. diurético. resfriados. Trata-se de uma espécie com usos históricos. gastroenterite e disenteria. com inúmeras variedades e subtipos. e são úteis contra dores de dentes e ouvidos.queca. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. 1982). Dados botânicos Erva bulbosa. digestivo. flores hermafroditas regulares esverdeadas. ao passo que a infusão das cas- . reumáticas e paralíticas (Corrêa. carnoso e com casca fina amarelo-parda. os bulbos são usados na hipotensão. anual. rouquidão. No Pará. a espécie inclui vários usos medicinais. em afecções nervosas. febrífugo. especialmente acne e micoses. histéricas. ateromatose. para problemas da pele. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. 1992). todos usados e comercializados como alimento e condimento.

Aloe vera L. as flores são tubuladas. lanceoladas. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. é considerado excelente contra úlceras.2). Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. reunidas na forma de rosetas em sua base. como cicatrizante. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais. A manipulação dessa planta no preparo de loções. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. onde se adaptou em quase todas as regiões do país. externo. densas. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. Dados botânicos Planta perene e suculenta. descansado por 24 horas na geladeira. folhas suculentas. são úteis contra edemas. internamente. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. usadas externamente. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. O uso interno de um macerado em água fria. podendo atingir até 1 m de altura. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. dores e infecções da pele. . externamente. Na região amazônica. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. ao passo que as folhas frescas. para acne. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens.

proteínas e fermentos (Costa. 1997). B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. 1995). Nos bulbos também foram encontrados aliina. relatando ainda que as folhas são purgativas. o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. 1995). C. 1997). 1979). A antro-cenona. vitaminas A. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína... barbadensis (Saleen et al. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. a polpa é emoliente e resolutiva. B. . Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica.. 1999).. catártico e febrífugo.. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. et al. aliinase que origina a alicina. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik. isobarboloina (Kuzuya et al..Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. 2000). (B8) e P. fitosterinas. 1992). 1991). sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1990). Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al.. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. 1968). 1993). além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. 1997). Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. obtidos de A. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. saponinas esteroidais (Peng et al. De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. desoxialiina. vários heterosídeos sulfurados. além de evitar queda de cabelo. 1986).. Além disso.. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. barboloina. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. Prostaglandinas A. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. alil e alil-propil. exigindo-se cuidado na utilização. aloe barbendol foram isoladas das raízes A. sativum. Da espécie A. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. holosídeos.

Além dessa classe de compostos. 2000). No entanto. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas.. fibrinolítica. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante.. Nerkar et al. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al... Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína. 1996). antibiótica. (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie. entre outras ações que serão discutidas a seguir. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. in vitro (Sheela et al.. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. Augusti & Sheela. Esse mesmo efeito foi detectado .Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie.. demonstrou que os compostos de A. Por sua vez. 2002). Hikino et al. isolado de Allium sativum Linn. o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. 1991). sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. Entretanto. 1981. 1987. Kwon et al. estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. cicloxigenase. hipocoleste. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). 1992). amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina.. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. Em animais com carciriogênese bucal o A. O estudo comparativo in vitro. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. rolêmica. 1995.

. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. Rees et al. 1985.. 1983.. 1997. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni.. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno. 1984. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. 1993).. A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. além de atuar como . O extrato de A. inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al.. 2001). O óleo de A. Khan et al. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al. O estudo realizado por Celini et al. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma.. 1982. 1984. Guevara et al. precursor da alicina e obtido do alho. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al. Singh & Shukla. 1985). contra Helicobacter pylori. Mossa. 1981. enquanto a associação dessa dose com 4. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos.. compostos fenólicos (Patel et al. in vitro. sativum apresentou também atividade antibacteriana. 1994). 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 2002) contra Staphylococcus aureus. glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. 1993) e aquosos (Sato et al. 1980). 1996). 1983) obtidos a partir dessa espécie. fosfatase ácida. O sulfóxido de S-alilcisteína. 1992). Dababneh & Aldelamy. dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti... 1995). Sovova et al..

(1992). 1995b). assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. assim como as respectivas substâncias isoladas. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. 1978). 1980. extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. 1984. 2001). Mohammad & Woodwara (1986). 1978. 1993). A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Essas propriedades farmacológicas. Boelter et al.. 1980. da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. (1985). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. 1978. 1993).. inibem a síntese de colesterol. Sandhu et al. (1986). apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. 1993). 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. metil-ajoeno. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui...agente anticercaricida. 1992). Kamanna & Shandras-Wkhara. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . e não as substâncias isoladas. cepa (Dorsch et al„ 1985). Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. no entanto. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. 1993). foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. 1994). assim como substâncias isoladas do alho. 1986) e brutos (Rees et al. no entanto.. (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno. Adetumbi et al. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt. Rotzsch et al. Block et al. sem. 1996). alicina e sulfeto de dialila.. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. Os resultados obtidos por Sendl et al.

. a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. 1996). M. Por sua vez. 1993). I. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio. E. sua condutância.. 1996). de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. (1992) com o composto ajoeno. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. enquanto Pantoja et al. Essa mesma planta reduziu a concentração . 1996). Ribeiro et al.. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato.. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos.. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A. 1986a). 12. (1987).. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. atividade diurética. et al. 1993). Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. sativum (Kweon et al. assim como a reação de liberação induzida por agonistas.. 1997).. Foushee et al. 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. A. 1991).sos de bulbos de alho fresco (5. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados. 1991). Estudos realizados por Apitz-Castro et al.. et al. 1993b). sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. também.5. (1982). natriurética e hipotensora em cão. 1990). tais como a histamina (Usui & Susuki. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad. 1996). relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al. bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das.. como radioproteção (Reeve et al. 1996). principal componente antiplaquetário do alho. (1986b).

A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. um preparado à base de Curcuma longa. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al.. sativum ou A. conseqüentemente. 1995). cepa com A. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. Chithra et al. 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. I.. 1992. 1992).. Para a espécie Aloe vera. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. (1994). Nepeta hindostana e ácido nicotínico. estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e. .... 1993). O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. et al. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. Allium sativum. apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. Extrato aquoso de A. 1993). chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al. 1993). Lipotab.. (1996). 1996). 1990).sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh. 1994). Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. Ko & Son. 1993. Além disso. 1991). A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das.. in vitro. Resultados similares foram obtidos por Imai et al. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. ela é um excelente cicatrizante (Costa. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados.. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. sativum L. E a mistura de A. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. 1995). que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie..

que inclui algumas espécies popu- .. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al. Essa família possui pequena importância no Brasil. 2001). 1997).. 1995). As folhas de A. Os estudos de toxicidade de Allium cepa.. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. 1994). mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta. Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. 2001)... 1991). 1996. vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. em camundongos. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al.1998). Entretanto. aumento na contagem de espermatozóides. Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. 2000). Saleem et al. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria.. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. vera e hipotensora de A. contudo.. A atividade antiinflamatória de A. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al.. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão. 1997). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.. esses dados referem-se.

no entanto. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura.. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. cilíndricas. Das . Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias.. em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica. saponinas esteroidais (Mimaki et al. flores pequenas. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. longas. As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras.. Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. No entanto. possui folhas carnosas. 1996 e 1997b). e o Agave. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. 1987). 1996).larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. na região amazônica. pontiagudas e com manchas brancas. brancas. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. contra problemas hepáticos.

1986).. . e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. cylindrica foram isolados lipídios. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd.. 1998) (Banco de imagens ). Das folhas de S.. pigmentos.. 1996). reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al.Allium sativum. 1997). além de carboidratos. FIGURA 3. 1982). Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov .folhas de S.1 . saponinas. hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al.em Joly.

Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ). .2 .FIGURA 3.Aloe vera.

Triuridaceae. Mariot M.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. As duas espécies. C. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. esta segunda com uma única família. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. de pouco interesse para nosso estudo. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. S. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. ainda não discutidas neste livro. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. Di Stasi A. portanto. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . das quais destacamos apenas a família Alismataceae. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais.

grandes e eretas. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis. numerosas. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales.1).mico. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. e Sagittaria. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. freqüentemente . também denominada Arecaceae. Inclui ervas perenais. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. rizoma grosso e carnoso. espécie de grande valor econômico. flores brancas. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. contendo vasos apenas nas raízes. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. 1997). com caule triangular e glabro. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. latescentes com lâmina foliar grande. ovadas. essa segunda inclui apenas a família Palmae. Aguapé. coriáceas. muitas aquáticas ou brejosas. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. A espécie possui as variedades floribundus. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. folhas pecioladas.

tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado.consideradas outra espécie. muitas delas usadas como medicinais. reumatismo. raramente trepadeiras. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. .650 espécies tropicais (Mabberley. também denominada Arecaceae. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. especialmente contra dores de cabeça. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. sífilis. de barriga. como ornamentais. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E.. com folhas terminais. como sedativo. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. Incluem árvores ou arbustos. e como anti-helmíntico. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico. tônica e diurética. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). e outras. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. bem como gripes e resfriados. nas costas. moléstias da pele e do fígado. 1997). 2000). Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. útil ainda contra artrites. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros.

. como é o caso de várias palmeiras. conseqüentemente. respectivamente do babaçu e da carnaúba. que incluem a piaçava e a ráfia. Espécies medicinais Euterpe edulis M. e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. outras são importantes como medicamento. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. como é o caso da Areca catechu. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. Tratase de uma família de grande valor econômico e. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. que inclui o famoso palmiteiro. e o açaí. amplamente conhecido na Mata Atlântica. chegando até 25 m de altura. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto. Kobayashi et al. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- .A família está subdividida em seis subfamílias. amplamente conhecida na região amazônica. 2000a e 2000b). do famoso coqueiro da Bahia. macrophyllus (Shigemori et al. 2002. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. especialmente da Mata Atlântica. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. do jerivá (Joly. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico.. e o Arecastrum. com folhas pinadas. como é denominada a outra espécie do gênero. 1998). Cocos. Destaca-se o gênero Euterpe.

nhas. . Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. como antídoto para picada de cobras. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. não fosse a intensa exploração da espécie. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. internamente.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. externamente. FIGURA 4. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. o suco do caule é usado. 1998) (Banco de imagens).1 . frutos esféricos de cor preta-arroxeada.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal. Na família Monimiaceae. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. Guimarães C. C. A. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. algumas com amplo número de espécies no Brasil. inúmeras espécies são medicinais. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. são importantes como ornamentos. Annonaceae. tais como as Magnoliaceae. Santos L. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. M. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. mas deve ser destacado o gênero Peumus. inúmeros gêneros são importantes. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. Myristicaceae e Lauraceae. da qual inúmeras espécies de grande valor . M. Hiruma-Lima E. tais como Magnoliaceae. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Na família Chloranthaceae.5 Magnoliales medicinais C. do famoso Boldo.

No Brasil. Cabeça-de-negro. Annona reticulata. Xylopia. Graviola e outros. 1997). arbustos e lianas. Pinha. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. e Monodoroideae. A família inclui árvores. e ainda outras importantes como alimento. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. Guatteria. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. Annona tenuiflora e Annona squamosa. A maioria das espécies é de plantas lenhosas. Annona coriacea. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. compreendendo aproximadamente 260 espécies. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Aniba e Nectandra. como Aniba. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. 1997) e subtropicais. que inclui nosso Abacateiro. Xylopia e Rollinia. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Laurus e Sassafras. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. Uvaria. espalhadas por todo o planeta. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. Artabotrys. Cinnamomum. . e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. que inclui os gêneros Annona. os gêneros mais comuns são Annona. Annona cherimolia. Cryptocarya.150 espécies tropicais (Mabberley. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley.

O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. sucosa. amareladas. com cálice de lobos triangulares e agudos. flores axilares. com epiderme verde-escura. tais como Araticum. Espécies medicinais Annona muricata L. as folhas são alternas. mole e recurvado. Várias espécies. no entanto. cordadas na base e acuminadas no ápice. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. subglobosas. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. que apresentamos a seguir. que são muito apreciados. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. pecioladas. alcançando até 15 cm de comprimento. Coração-de-rainha e Nona. 1998). no entanto vários sinônimos são usados. Araticum-punhê. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano". alcançando até 30 cm de comprimento. com um espinho central.1). O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. latescente. Iriticum. Araticum-de-paca. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. ovadas ou elípticooblongas. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. . polpa branca. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. com um tronco revestido por casca aromática. espessa com saliências cônicas. inflorescência cauliflora. fruto do tipo baga irregular. Araticum-ponhê.

aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. As folhas e raízes são consideradas sedativas. as flores. peitorais. as folhas cozidas. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. referidos a seguir. sorvetes e geléias (Corrêa. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Em outras regiões do Brasil. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. especialmente na produção de sucos. para baixar febres. a planta fornece madeira. mole e branca. podendo também ser usada na arborização urbana. sendo depois levada para outras regiões do planeta. com importante uso potencial na fabricação de papel. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. especialmente lombrigas. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. combatem reumatismo e abcessos. diurético e no combate a insônias leves. tem grande valor como alimento. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico. usadas topicamente. folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. O fruto. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . onde se tornou subespontânea. os brotos e as folhas são usados como béquicas. antiespasmódicas e antidisentéricas. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. antiespasmódicas e hipotensivas. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. Na Amazônia. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. por sua vez. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. 1984). enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. dores de cabeça e como emagrecedor. 1984). 1984). Além dos usos medicinais da espécie. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas.

parasitas. No Peru. Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. na forma de chá. gripe. 1992). 1993). no entanto. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. asma. é usado externamente para neuralgia. Na Jamaica e no Haiti. Nas Guianas. Esse uso. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. e as sementes.. especialmente na África. como antiespasmódico. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton. contra diabetes. 1990). são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. inseticidas. Na Índia. tosse. 1986). as folhas e a casca da árvore. impedindo-lhes a identificação correta. Annona tenuiflora Mart. De acordo com os mesmos autores. Ayensu. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. a fruta e seu suco são usados contra febre. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. 1987). 1962). Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. as cascas e folhas. diarréia e como lactagogo. Weninger et al. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. contra diversos parasitas (de Feo. espasmos e febres.mas do fígado. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas. 1962). as sementes. 1955. . no processo de pesca. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. as raízes e folhas. enquanto o óleo das folhas.. foram referidas espécies desse gênero. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. o chá das folhas é utilizada para catarro. onde é usada contra tosses. 1978.

Envira-preta. sem estipulas. simples. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. Ibira.3). Coagerucu. deiscente. Em outras regiões do Norte do Brasil. tronco ereto e cilíndrico. e copa alongada. Jegerecu. simplesmente. a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. . Breu branco ou. hermafroditas. Pau-de-imbira. também descrito por Carl Linnaeus. Xylopia cf. coriáceas. sul do Amazonas. Envira. tonturas e hipotensão. vermelho. curto-pecioladas. Malagueta e Banana-de-macaco. Coajerucu. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. Breu. fruto do tipo baga ovóide. na região amazônica. muitas das quais usadas na medicina popular.2). com duas a seis sementes (Figura 5. Pindaúba. Nomes populares A espécie é denominada. alcançando até 8 m de altura. Pindaúva. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. Jejerecou. aromática. Pijerucu. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. agudas no ápice. cálice gamossépalo. Coaguerecou. pétalas lineares. com casca fibrosa. lineares.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. onde parte deste estudo foi realizada. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. Pindaíba. folhas ovado-oblongas. folhas alternas. Jejerecu. oblongolanceoladas. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. frutescens Aubl. Pindaíba-branca. O gênero Xylopia. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. alternas e ápice cuspidado.

. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. sementes de espécies da família Annonaceae. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. ao passo que a decocção da casca é usada. também aromáticas.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. sendo uma espécie heliófita. 1984). para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. raízes. na forma de inalação. como cabos de instrumentos e varas de pesca. perenifólia e pioneira. folhas e. própria para uso em carpintaria. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1998). incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca. como digestivo e são úteis contra catarro. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. Além dos usos medicinais descritos a seguir. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. 1984). a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. são usadas como estimulantes da bexiga. Na região amazônica da Colômbia. As sementes. chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. para combater resfriados e dores de cabeça. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório. especialmente.

1991b).. 1995b). 1995e). cis-annomontacina (Liaw et al.. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. murihexocina A e B (Zeng et al. 1993). também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al.. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al.. Recentemente... . anomutacina 1. 1994).. neo-anonacina-10-ona. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al.. I. muricatetrocina A e B. muricina H. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. 1994a e 1994c). e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. muricatocina C e gigantetronenina. os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico. denominada corepoxilona. (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie.. epomuricenina A e B (Roblot et al. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico.São ácidos graxos modificados. 1995b). 2002). iso-neoanonacina-10ona.. hoviicina A. e que são importantes representantes da flora brasileira. anonacina-10-ona. Anomuricina A e B. 1991). A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto.. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. No entanto. 1995a). enquanto Gromek et al. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. 2 e 3 (Wu et al. especialmente como citotóxicas. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas. 1995c)..

bulatencina. molvizarina e motrilina (Cortes et al. isomolvizuína 2. anoreticuína-9-ona. C e D (Fujimoto et al. 1994c) neodesacetiluvaricina. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae... 1992). 1995). anogaleno (Sahpaz et al. muricata e A. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. 1996). 1994). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas.. Das sementes da mesma espécie. 1993b). 1994b). 1962). 31-hidroxibulatacina.... solamina.. 1993). 1991a e 1991c). 1994a). 1991).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.. 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. incluindo A. 1994). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero.. 30-hidroxibulatacina... cherimolia. 1995). 1996). além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. tais como reticulatina (Saad et al. anomontacina em Annona montana (Jossang et al. Das semen- .. 32-hidroxibulatacina.. 1991). B. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A. esquamosteno A (Araya et al.. reticulacinona (Hisham et al. itrabina. 1993b). isoquerimolina 1. tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al... além de esquamocina e esquamostatina A.. anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al..Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1993). três uvariamicinas. esquamostanal A (Araya et al. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al.. jeteína.. 1994). cis. 1995) em Annona bullata. 1995a). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. Sahai et al.. esquamosinina A (Yang et al. Cortes et al. bulatanocina. squamocina e almunequina (Duret et al. esquamona. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al. 1994b). 1994a e 1994b).. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal.

X. ambotay (Oliveira et al. et al.. 1986). Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina. C. de A. 1978). Mukhopadhyay et al.. Monoterpenos foram isolados de A. salzmannii (Paulo et al. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al.. A. 1991).. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin. 1988). Flavonóides foram descritos em A. 1991). Martins et al.. 1976). 1962).. A. laureliptina. 1992. uma lignana ((-)-siringaresinol).. 1994). Alcalóides conhecidos como anoretina. isoboldina e outros foram isolados de A. enquanto três amidas ácidas.. 1982a e 1982b.. 1989.. enquanto os alcalóides anonaína. 1985) e A. 1993) e sesquiterpenos em A.. cherimolia (Villar et al. como constituintes predominantes.. frutos de A. squamosa (Silveira et al. reticulina. reticulina. 1996). squamosa (Setharaman.. squamosa (Wu. 1986). enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. anonaína. Wu et al. 1984). foram isolados do fruto de Annona muricata . 1978). 1976). cacans (Saito & Alvarenga. 1994). squamosa (Leboeuf et al. 1981). 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. 1970) e X. Inúmeros compostos terpenóides. purpurea (Castro et al.. anolatina... enquanto diterpenos foram descritos em A. michelalbina. brasilienses (Casagrande & Merotti. squamosa (Krishna Rao et al. 1994). X.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al.. senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. oxouxinsunina. 1979. 1995e). cherimolia (Yang et al. A.. 1979. 1993). ambotay (Carazza et al. A. bullafa (Kutschabsky et al. Barbosa Filho et al. Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. anolobina e asimilobina foram isolados de A. Y.. 1986) e A. aromatica (Rios et al.. Yang & Chen. 1987). montana (Wu et al.

. . Ngouela et al. Heinrich et al. muricata e de A. De Xylopia frutescens. 1941. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. 1991). 1993.. 1992. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al...(Wong & Khoo. a casca. 1991b). acetogenina isolada de Annona muricata. Bourne & Egbe... 1993. X. Misas et al. 1988. antiespasmódica. 1995e). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. 1991. corosolona 1 e corosolina 2. X. a raiz.. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. Gbeassor et al. Anomutacina 1. 1979). 1940). Solanina. Di Stasi. Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. 1962). apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. aromatica. 1995b).. vasodilatadora. brasiliensis e X. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. Acetogeninas isoladas sementes de A. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk.. 1979. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante.. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. Lopez Abraham. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. obtidas de Annona muricata. Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica.. 1979). A espécie Annona muricata possui. 1991). Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. uma acetogenina isolada de A. enquanto extratos de folhas.. 1987).. assim como outras espécies do gênero. 1991). 1996... 1998). 1990). Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al. 1991). 1925 e 1932). 1995. possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al. Vilegas et al. 1993).. Carbajal et al. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. muricata. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora..

1995a). reticulina.. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. Hui et al. Cortes et al.. montana (Wu et al. 1993).. Os alcalóides isolados de A. isolados de A. 1992). Chang et al. esquamona. nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. cherimolia (Villan del Fresno et al. 1995). coridina. galucina. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. C. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona.. roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al.. solamina. salzmannii. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al. et al. montana (Wu et al. Esteróides de A. 1980).. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. 1993b). cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. cherimolia (Cortes et al. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. norcoridina. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. 1993b e 1994b. 1993). tais como cinco acetogeninas isoladas de A.. 1987) e A. anonaína. (1995b).. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. . 1992)... asimilobina. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. bulatanocina. squamosa.. enquanto os alcalóides liriodenina. 1980). 1993) e várias outras (Jossang et al. 1991.. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. anoreticuína9-ona. 1991. reticulatina.. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína.... 1994). 1991c e 1991a). 1991). enquanto os alcalóides de A. respectivamente. Y.. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. enquanto alcalóides isolados de A. oxoxilopina. reticulina. 1988b e 1988a)..

enquanto o extrato etanólico de A. coriaceae (Souza et al. 1998).. Extratos metanólicos de A. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos.. provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al.. que apresentou atividade citotóxica. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana. foi caracterizada a . A atividade inseticida do extrato etanólico de A. E... que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al. Extratos etanólicos de sementes de A. Oliveira et al. Do extrato etanólico das folhas de X. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. aromatica foi isolada atherospermidina. 1979. Rao et al. frutescens não apresentou atividade moluscicida. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. 1996). entre outras. squamosa. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. F. Silva. potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. 1993). 1990. discreta.. 1994). e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al.. 1975). 1994). A.. 1996. et al. Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. 1999). 2001). 1998).. O extrato etanólico da raiz de X. parassimpatomimética de A.. 1979).. 2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. 1996). fungitóxica. et al. donovani. Anopheles stephensi (Saxena et al. Das cascas de X.. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994). 1993). Trypanossoma brucei.. como acido caurenóico. atividade anticonvulsivante e analgésica. 1989. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993).. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica. senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. L. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. que determinaram efeito depressor do SNC. Extratos preparados também com A. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. Martins et al.1983).. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. A.

Em Guadalupe. que apresentou atividade analgésica (Almeida et al. squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. 1962). bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas. anti-helmíntico e citotóxica.. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. muricata e A. 1988c). 2002). muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al. indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. . Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. (1988) para a espécie Annona muricata. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. especialmente em uso crônico.. 1996 e 1997). E da espécie X... Os diterpenos caurenoicos presentes em X. 2001). Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. 1999). como inseticida.Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al.

Espécies medicinais Virola surinamensis L.Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. e também como Leite-de-mucuiba. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. Nozmoscada e Ucuuba-branca. que possuem importância do ponto de vista econômico. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. Ucuuba cheirosa. Árvore-do-sebo. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. contendo ramos carregados de folhas . podendo chegar a até 35 m de altura. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. como a Noz-moscada (Myristica). No Brasil. Sucuba. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. como Myristica. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. Horsfieldia e Knema. Neste levantamento. 1996). a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Sucuuba. e espécies do gênero Virola. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. 1997). Bicuíba. Essa família inclui gêneros importantes. Virola. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. usada como condimento.

.pecioladas. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto.. V. chegando até Pernambuco. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. et al. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola. Espécie de ocorrência na Amazônia. Cassady et al. muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. surinamensis. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. pavonis (Martinez et al. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria.. 1997). heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. como outras do gênero.. 1992. usadas como venenos de flechas. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. V. oblongolanceoladas. bem como -sitosterol. V surinamensis (Lopes et al. para o tratamento de câncer. S... V cf. com até 20 cm de comprimento. 1971)... inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar. 1996. 1989. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado. 2000). 1991 e 1992). elongata . 1995). 1987a). inflamações. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. Vidigal et al.. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. Ferri & Barata. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). 1996). É uma planta perenifólia. No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. 1969. A casca é usada como medicamento para aftas. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba. V michelli (Santos. L. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. 1987). Martinez et al. hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. infecções. 1984). pavonis (Marques et al. gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima.

V. Andrade et al. titonina . Pagnocca et al. V. 1992) e V. 1988). que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al.(Kato et al.. calophylloidea (Von Rotz et al.. koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al. 1986 e 1990). 1999.. urbaniana (Reis et al... foschnyi (Lemus & Castro. 1990). 1993 e 1994). V. venosa (Kato et al. e polifenóis nas espécies V. V. A atividade analgésica de V. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. V. titonina (Andrade et al... 2001). 1994 e 1996... A atividade antifúngica das espécies V. michelli (Santos et al. carinata e V. Lemus & Castro. carinata e V.. 1996a). 1996) e V. Alvarez et al.. calophylloidea (Martinez. michellii foi atribuída à presença da flavona. 1989) e V. michellii (Cavalho et al. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. V. surinamensis. 1990.. V. calophylla (Martinez et al. V. 1987).. 1999).. V... Das folhas de V. sebifera. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. calophylla. Cavalho et al. 1995).. 1989). 1987b). flexuosa (Aguirre. existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. Além das lignanas.. oleifera (Fernandes et al. 1996. 1992). 1990).. 2001). 1996. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. pavonis. 1994 e 1995).

donovani e V. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. surinamensis. 1987) e anti-hemorrágica de V. Ainda existem relatos das atividades antitumoral. alucinogênica de V. sebifera. calophylla (Miles et al. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. amplamente usado no Brasil como condimento. 2000). inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. Licaria. Ocotea. sugerem cuidados da população quanto ao uso. As propriedades antioxidante e surfactante de V. Incluem muitas espécies aromáticas. 1998. da famosa Canela-sassafrás. oleifera. 1996). do famoso Louro. 1986b e 1998). Sassafras. Persea. elongata (Davino et al. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. dados etnofarmacológicos de V. porém. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. carinata e V. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2... e outros. Os principais gêneros são Laurus. 1996. surinamensis (Lopes et al.. mas não foi detectada em V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima.. 1999). V. Nectandra. duckei (Bennett & Alarcon. tripanossomicida. A família reúne grande importância econômica. inseticida de V. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). 2000). árvores e arbustos (Mabberley. 1987).850 espécies.. Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. todos aromáticos.. 1978). pois. além do . do nosso famoso Abacateiro. 1997). cercaricida e molucicida de V. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. koschnyi (Castro et al. Barata et al. aliados ao relato de atividade moluscicida. V. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. 1994). No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso.A atividade leishmanicida nas espécies V.

O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea.Abacateiro. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. . há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. fornecedor de alimento amplamente comercializado. onde se adaptou muito bem. de estômago e como emética e abortiva. 1998). Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. deriva de lauer = "verde". Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. pecioladas. sendo considerada digestiva. como a Canela e o Louro. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. Espécies medicinais Laurus nobilis L. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. lanceoladas. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais .costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. 1998). e laus = "louvor". e de outras espécies. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. bem como para dores de barriga. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. folhas alternas. para combater problemas hepáticos e intestinais.

analgésico. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. além de serem usadas contra doenças renais. pecioladas. carminativas. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. comestível. bronquites. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. fruto do tipo baga ovóide. além de atuar como diurético e analgésico. lanceoladas e acuminadas. contra reumatismo. reumatismo e uremia (Corrêa. estomáquicas. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. sendo comercializada em todo o mundo. flores branco-pálidas. vulnerárias.Internamente. Persea americana Mill. . pequenas e pouco vistosas. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. onde se encontram as folhas alternas. externamente. diuréticas e febrífugas. ou Persea gratíssima Gaertn. é também usada contra febres. anti-sifilíticas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. úlceras e piolhos (Bown. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. as folhas são usadas contra indigestão. que envolve a semente grande e marrom. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. 1984). Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. emenagogas. nome dado especificamente ao fruto. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. 1995). estimulante do apetite e contra cólicas. ao passo que a infusão das folhas. com polpa verde. não ocorrendo espontaneamente.

1995.. Sladler et al.. 1999)... 2002). .. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2002).. spatulenol. A espécie Persea americana L. americana citados acima. O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. A atividade antiulcerogênica de L.. 1991. foram atribuídos os efeitos analgésico. antimicrobiana (Raharivelomanana et al. nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. elemicina. Hargis et al.8-cineol isolado de L. nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. Carman & Handley. 2000. Grant et al. beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998). 1997)... americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown. 2002).. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al.. 2001).Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. hidrocarbonetos. antifúngico (Domergue et al. 2002). 2002. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P.. constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. Às folhas de P. 1991. O 1. monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. 2002). Afifi et al. antiinflamatório (Ademylmi et al.. 1991). 1987).

1 .FIGURA 5. . b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa. 1984).

2 .FIGURA 5. . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Annona tenuiflora. 1984) (Banco de imagens).

FIGURA 5. frutescens: a) Escanerata do ramo florido. b) Detalhe da flor (Banco de imagens).Xylopia cf.3 . .

ao passo que na região do . C. Thottea e Asarum. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. no Brasil. 1997. Di Stasi C. e. 1998). A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. muitas das quais usadas como medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia. Santos C. Joly. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. M. Hiruma-Lima E. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. A. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. M.ó Aristolochiales medicinais L.

Capa-homem. Batarda. Calunga. Outras denominações populares são Angelicó.Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. e lochia = "nascimento". parto. Dados botânicos É uma planta trepadeira. muitas das quais ricas em alcalóides. e várias com usos medicinais descritos. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). pecioladas. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. grandes. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. com sementes achatadas. hermafroditas. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. simples. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas alternas. . O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom". ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. foi referida como medicinal. que lembra o feto em posição antes do nascimento. denominada popularmente como Milomem. a planta era usada popularmente para facilitar o parto.1). usadas como venenos. sulcados e estriados. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. ramos lisos. zigomorfas. Jarrinha. Contra-erva. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. axilares. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. Mil-homens e Papo-de-peru. fruto capsular cilíndrico. flores isoladas.

catarros crônicos. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. estomáquica. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. 1982). anti-séptica. disenteria e diarréia. sulcados e estriados. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. 1984). . gripes fortes. as flores são isoladas e axilares. constipação nasal. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. sudorífica. especialmente para combater náuseas e vômitos. simples. no entanto. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. estimulante. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. Também não é uma espécie cultivada. essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. anti-histérica e útil contra febres graves. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. capoeiras e áreas em regeneração. sarnas e orquites (Van den Berg. diurética. pecioladas. excitante. os ramos são lisos. essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. cicatrizante e contra úlceras crônicas. não sendo encontrada em áreas degradadas.

Zhang et al.. longa (De Pascual et al.. A. manshuriensis (Lou et al. 1995) e A. A. 1991). A. Paiva et al. A. clematitis (Kostalova et al. 1987). et al. 1991). 1992). A... S. A. 1987. Aristolochia cymbifera (Leitão et al.. A. molissima (Peng et al. A. indica (Piers & Tse. T.. 1983). versicolor (He et al. J. versicolor (Zhang&He. T. A. bracteata (ElTahir. A. contorta (Lou et al. esperanzae e A. . A. L... sendo descrito em A. Higa et al.. A. 1988). tubiflora (Peng et al. X.. argentine (Priestap. M. 1984). alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. 1988).. 1991b). A.. 1987). cinnabarina (Li et al. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A.. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1977 e 1985). liukiuensis (Mizuno et al. chilensis (Urzua Rodriguez. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. et al. 1996.. indica (Che et al. molissima (Peng. tubiflora (Peng et al. fangchi (Tsai et al. acuminata (Moretti et al. A. A. 1994). 1980).. clematitis (Kostalova et al.. A. A. A... 1993).. bracteata (ElTahir. A.. 1983b). A. 1987).. A. et al. L. A. 1992.. 1980). 1979). argentine (Priestap.. nata (Moretti et al. ftiangularis (Bolzani et al. 1991a).. debilis (Ahmed Farag et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. versicolor (Zeng et al. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. Abel & Schimmer... brasiliensis (Lopes et al. rodix (Tsai et al. clematitis (Kostalova et al. Lou et al. ponticum (Houghton & Ogutveren. 1995). galeata (Lopes. 1986). A. A... 1989). 1987). 1988).. A. H. 1994). 1992) e outros alcalóides em A. rigida (Pistelli et al.. 1995). chilensis (Urzua et al. 1982). Chakravarty et al. et al. longa (De Pascual et al. A.. A. 1992).Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. A. 1985) e A. A. kankauensis (Wu. A. arcuata (Watanabe & Lopes.. P et al. G. 1995). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. 1991). 1995). A. 1996).. Alcalóides foram isolados de várias espécies. gigantea (Cortes et al. 1979) em raízes de A... kankauensis (Wu. manshuriensis (Ruecker et al. A. tubiflora (Peng et al.. S.. III e IV (Houghton & Ogutveren. 1995). 1992). A. 1994). 1983a).. cinnabarina (Li. elegans (El-Sebakhy et al.. 1987). 1983). 1991).. 1991. raízes de A. Lopes. 1980)... et al. gigantea (Lopes.. 1991) e de A... 1995) e A. rotunda (Pistelli et al.. em A. 1991a). 1988. 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. 1986b e 1986a).1993). C. maurorum (Kery et al. tais como A. yunnanensis (Chen et al. A. 1991b). II. A. 1995). dematilis (Makuch et al. kankauensis (Wu et al. 1990. 1987. vários outros alcalóides aporfínicos de A. 1987).

kankauensis (Wu. 1980. birostris (Conserva et al. 1987b. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al... galeata (Lopes & Bolzani. A. S. taliscana (Longsw et al. Lopes et al. 1990). S.Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren.. A. arcuata (Watanabe & Lopes. 1979). 1988) e A. -elemeno.. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. esperanzae. 1996). indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty.. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta. rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al.. e o ácido aristolóquico de A. A. 1977). 1994). et al. chilensis (Urzua et al. Lignanas também foram descritas em A. A. indica (Pakrashi & Pakrasi. macroura (Leitão et al. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & ... O ácido aristolóquico de A. 1987) e A. triangularis (Ruecker et al. Urzua & Presle. 1978). copaeno. A. et al.. cymbifera. Compostos como -cariofileno. T. R. 1980). 1990). 1991b). 1995). gigantea e A. 1988) e amidas em A. 1993).. A.

1991). 1983). paucinervis (Gadhi et al.. 1991). 1985). gigantea (Campos et al.. 1988). determinada pelo teste de Ames. Estudos com A. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. O mesmo ácido obtido de A. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. 1979). papilaris (Maia et al. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A.. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. A. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha.. 1988). também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al.. Atividade antiinflamatória também foi observada em A. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento .. no Sistema Nervoso Central. niaurorum (Kery et al... 1999). Atividade mutagênica. birostris demonstraram. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos. 1991). 2002). multiflora (Moretti et al.. com A. e antiviral com A.. A. A espécie A. 1999).. 1995). papilaris (Maia et al.. 1990).Choudhury. 1993). 2001). et al.. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. H. atividade analgésica. G. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. tulobata (Sosa et al. 1985). 1996). enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. anti-séptica e cicatrizante de A. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. 1993). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. triangularis (Garcia. antibacteriana.. 1979)..

com 10. Entretanto. FIGURA 6.Aristolochia trilobata. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 1996) por humanos. Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. . 50 ou 100 mg/kg via oral.1 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero.. por suas características químicas. 1993). cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Da mesma forma.

especialmente do gênero Piper. lianas. Piper nigrum.7 Piperales medicinais L. onde ocorrem em abundância e diversidade. Mariot W. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. epífitas. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Geralmente as plantas são arbustos. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. normalmente com células de óleos essenciais. Hiruma-Lima A. Por sua vez. A. S. Di Stasi C. C. do qual se destacam espécies como a Pimenta. Portilho M. e espécies me- . G. Peperomia e Pothomorphe. 1997). e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. dos quais se destacam os gêneros Piper.

Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7.1). Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. como a Piper betle (betel). várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. como a chinesa e aiurvédica. ovário com um só estigma. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. Piper longum. Nomes populares Além de Tracoaptera. Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros. Espécies medicinais Peperomia elongata H. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. O gênero Peperomia. muito semelhantes entre si. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. Piper cubeba. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas. sendo também apenas . muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais. pequenas. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga.K. folhas alternas. Piper angustifolium.B. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. as quais passamos a discutir a seguir.dicinais de ampla utilização.

bastante carnosas e glabras. Piper cavalcantei Yuncker. pequenas. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. de distúrbios do estômago. mas com pouca ocorrência. . Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. Não foram encontrados sinônimos. na região amazônica. simples. curtopecioladas.B. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. gastrite e gripes. Peperomia rotundifolia H. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. A espécie é encontrada na Mata Atlântica.obtida na área de floresta em torno da aldeia. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá).K. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade. Nomes populares A espécie é chamada. as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.

inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. A infusão das folhas é usada como antidiarréico. folhas pecioladas. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. Piper cernnum Vell. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. . todas aromáticas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. podendo chegar a até 5 m de altura. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. sendo a maioria arbustos. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. algumas lianas e pequenas árvores. assimétricas na base. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. os frutos são drupáceos (Figura 7. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. especialmente para dores de cabeça. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. membranáceas. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais. a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico.2). isoladas e levemente curvadas. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. pendente. atingindo até 10 cm de comprimento. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento.

enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. um pouco ásperas. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro. assimétricas na base. inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. onde a espécie é abundante. tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. incluindo hepatite. a infusão das folhas é usada como analgésico. levemente curvadas. membranáceas. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. estomacais e hepáticos. além de ser útil em distúrbios renais. Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. . ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. especialmente contra dores de barriga. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. particularmente contra cólicas abdominais. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. Em outras regiões do país. tendo distribuição por todo o Brasil. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. acuminadas no ápice.3). Piper gaudichaudianum Kunth.

4). folhas alternas. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Aperta-ruão ou Aperta-juan. inflorescências do tipo espiga. flores . sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e . Bitre. estomacais e renais. cordiformes. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. r e t a . Ihotzkyanum Kunth. levemente assimétrica na base. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. Piper marginatum Jacq. Em outras regiões do país. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. membranosas. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. membranácea. Nhandi. alongada e fina.Piper cf. pequena (até 11 cm de comprimento). Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. glabra. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. com ramos glabros e cilíndricos. pecioladas. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. com ápice acuminado.

bainha desenvolvida. estimulatórias (Corrêa. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. diuréticas. se ingerida. fruto do tipo baga (Figura 7. com ápice agudo e nervação peltinérvea. O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. estomáquica. flores sésseis. peltatas. essas diferenças ficam bem claras. . ovado-arredondadas. sialagogas. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. Catajé. andróginas. como ocorre no gênero Piper. um gênero da família Araceae. Uma outra espécie do mesmo gênero.5). os frutos são excitantes. Malvarisco. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos. as raízes são carminativas. androceu com três estames. as folhas.6). contra veneno de cobra. sudoríficas. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. descrita a seguir. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. gineceu com três estigmas. 1984). membranosas.com brácteas triangulares. A planta é tônica. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. e não isoladas.) Miq. Pothomorphe peltata (L. resolutiva e usada em banhos após o parto. formando uma falsa umbela. Caá-peuá. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. principalmente da tucundeira. peitadas. minúsculas. dores de dente e blenorragias. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba.

desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. vermífugo. diurético. membranosas. formando uma falsa umbela. Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. bainha desenvolvida. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. 1980). Pothomorphe umbellata (L) Miq. Capeba ou Pariparoba. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. com ápice agudo e nervação peltinérvea. 1984). lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg.7). flores sésseis. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. . e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7. fruto do tipo baga. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. cordada. antiinflamatório externo e interno. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. andróginas. minúsculas. ovado-arredondadas.

foram isolados lignanas denominadas peperomina A. Piper Das raízes de P. 1996). galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al.. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. marginatum foram isolados aril-propanóides. C. 1988). miristicina. compostos de grande importância farmacológica. sesquiterpenos.. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al.. 1982). que também possui ácido grifólico. 2001). são . De Peperomia japonica.Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al. Os alcalóides.5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. G... que representa 49% dos constituintes voláteis. Seeram et al. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al. 2000). (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia.. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol.. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. além de apiol. proctorii (Mbah et al. flavonóides (Tillequin et al.. 1997). et al. Cromonas foram isoladas de P. ácidos graxos (Lima et al. Das partes aéreas de P.. vulcanica e proctorionas de P... Mahiou et al. grifolina bisobolol. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. 3-hidroxi-4. M. 1990). quinonas piperogalona. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. et al. indicada populamente como antitumoral. 1982). Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. monoterpenos. E. Das raízes de P.. B e C (Chen. 2001). 1988). 1994). 2002..

nigrum (Inatani et al.. chavicina e outros. 1979). cubeba (Badheka et al.. futokadsura (Chang et al.. 1980) e P. 1986) e P. 1986. 1979). 1983). 1987). aduncum e P. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A.. P. sylvaticum (Banerji & Pal. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. P.. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al. 1995). 1984). P peepuloides (Shah et al. Foi demonstrado também que P. P.. P.. 1985). auritum (Ampofo et al. retrofractum (Banerji et al. hidropiperona. betle (Evans et al. Achenbach et al. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. 1987). Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. hispidum (Vieira et al.. hispidum (Burke & Nair.. 1981). P. 1986) e flavonas de P. 1977) e P. methysticum (Smith. Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. piperidina. 1985). 1986.. P.. hostmanianum (Diaz et al. 1968). P.. P. Bacillus subtilis. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das. Li & Han. 1982) e P clusti (Koul et al. Uma quinona. hancei (Li et al. 1987). 1977. Tabuneng et al.. sendo os principais piperlonguminina. 1986). 1981) e P. longum (Dutta et al. betle (Rimando et al. 1986).. tuberculatum (Braz Filho et al. jaborandi (San Martin. 1987). piperina. 1986). isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- . com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. hispidum (Vieira et al. 1983... 1985) e P.. Foram isolados diversos alcalóides em P. lignanas de P. 1987)... aduncum (Smith & Kassim. Isolaram também neoglicanas de P.. P.. guineense (Cole. 1986 e 1987).. Shoji et al.encontrados com freqüência nesse gênero. amalago (Dominguez et al. 1992). Pothomorphe P. 1980). compostos fenólicos de P.. lancei (Han et al. flavonóides de P. P. piperlongumina.

et al. 1995). E. R. Villegas et al. promoveu piloereçáo. V. O. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. relaxamento muscular e dispnéia.1-1 g/kg.. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. 2001). 1994). Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. hipotensora (Santos. V.... analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso. 1996a). bloqueada com prazosin e ioimbina. antibacteriana... cicatrizante (Saad et al. V. 1997). 1996).. Piper Foram caracterizadas para P.1-0.. O. lacrimejamento. Aziba et al. apresentou atividades diurética (Santos. Assim. A administração i. enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos.. e atóxica (Saad et al. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al.. 1996). salivação intensa. L.. Arigoni-Blank et al. 1998. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. do extrato (0. 1997). Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte. galioides e os compostos ácido grifóico. et al. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. antifúngica (Lima. S..v. atuar como antialérgico e diminuir . 2002. 2001).. 1992).. R. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. 1997).. analgésica (Da Silva et al. et al. et al. Embora o extrato de P. Substâncias de P. também conhecida como Língua-de-sapo. B. 1994). M. H. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. O extrato aquoso de P. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro.cies de Leishmania (Mahiou et al.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. 1996). et al.. 2002. 1996b). em doses que variaram de 0. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. H. hipotensora (Siqueira et al.

a degranulação.. regnelli. 1985). 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al.. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. 1978. 1986 e 1988. Dahanukar et al. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al.. 1987. e aumentou o tempo de sono (Duve. mutagênica (Chen et al.. 2002). 1988). abutiloides.. 1988). nematicida (Evans et al. nigrum (Miyakado et al. 2000).. Desmachelier et al. P. P. esta última com potente atividade (Di Stasi. fungicida.. 1985). Atualmente. retrofactum (Woo et al. amalago (Pupo. 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al. Porém. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. Cairney et al. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. cincinnatoris. Prakash. lindbergü e P. methysticum também conhecida como kava-kava. 1988). peltata possui atividade analgésica (Pupo. 1985). peltata. 1987). O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1986. além de bloquear a transmissão neuromuscular. Amorim et al. betle apresentou atividades fungicida. e antiviral P. 1991. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 1984). 1983).. inibindo a agregação de plaquetas. lancei e P. inseticida com substâncias de P. 2002). espasmolítica.. Shen et al.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. 1984. P. Di Stasi & Pupo.. 1985). larvicida (Mongelli et al. 1984). A espécie P. As neoglicanas isoladas de P. Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. Pothomorphe A espécie P. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. agindo como os anestésicos locais (Singh.. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al... P. antioxidante (Choudhary & Kale. 1984). por seus constituintes químicos. aduncum (Lohezic-Le et al. A espécie P. as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. 1986). conhecida como Pariparoba. De P. 1979). apresentou propriedades anestésica. gaudichandianum. analgésica. 1976). 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al..... 2002. anticonvulsivante.

1992). O extrato etanólico das raízes de P. o que não foi observado na espécie P. FIGURA 7. 1987).1 .. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. De P. analgésica. Miq.. antimalárica e antioxidante (Isobe et al..atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al. P. 1987). antiedematogênica. umbellata L. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al. de Ferreira da Cruz et al.Peperomia elongata. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana.Banco de imagens . 2002. peltata (Felzenswalb et al. 1996). 1997.. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al... umbellata. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . umbellata. Desmarchelier et al. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al.. 2000). Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P.. 1995)..

Banco de imagens ).Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot . .2 .FIGURA 7.

3 .Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ).FIGURA 7. .

Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga. . b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ).FIGURA 7.4 .

Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ). .FIGURA 7.5 .Piper marginatum.

.6 .FIGURA 7.Banco de imagens .. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi .Pothomorphe peltata. .

inflorescências Folha cordada FIGURA 7.Pothomorphe umbellata. .7 . Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ).

Santos E. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. M. Di Stasi C. Berberidaceae. o famoso Ópio. das quais devemos destacar Menispermaceae. como é o caso da Papaver somniferum. A. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. Sabiaceae. foram obtidos. algumas lianas. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. como a morfina e outros derivados opióides. M.8 Ranunculales medicinais L. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. Ranuculaceae e Papaveraceae. Hiruma-Lima C. arbustos escandentes e . Pteridophyllaceae. C. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae.

constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. típica da aldeia tenharins. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. Uma delas. da Mata Atlântica. 1996). tais como A.1). assim como . flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. Espécies do gênero Abuta. fruto do tipo drupa. também denominada de Abutua. folhas alternas e pecioladas. rufescens e A. onde a planta foi referida como medicinal. imene. utilizadas por índios do Norte do país. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. aplicada no local lesado e/ou ingerida. a espécie é chamada de Abuta. Nessa família. são consideradas muito tóxicas. Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. foi referida como planta antiinflamatória. Dados da medicina tradicional A casca do tronco. raspada e misturada com água. com ampla distribuição na América do Sul.raramente árvores ou ervas (Mabberley. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. 1997). com contorno oblongo (Figura 8. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório. Dados botânicos Planta perene. no entanto. Outra denominação é Iroba. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

L.. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.. ainda. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. 1997). Não foram observadas.. B. GOT. 1987). D. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al... argentea. Brochado et al. 1997. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. Uma loção contendo C. D. 1994) e depressora do SNC (Kern et al. L. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. M. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. 1998. 1996). talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino.. Kern et al. Induziu.. 1996a e 1996b). pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . analgésica (Macedo et ai. Além disso. Farias. 1996. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. 1997). 1996). antiviral (Brochado et al. 1994).. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. 1996). 1996. além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. et al. et al.. O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. B. 1996 e 1998). 1993.. J. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono. LDH) e o nível de bilirrubina. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. porém. Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos. 1993).... Loureiro et al. 1997). Farias. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e.. et al. raízes. Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al. in vitro. 1999. Gomes et al. 1997). 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. relaxante (Araújo et al..

Extrato aquoso de A. não apenas com as espécies citadas. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. 1988. 1992).. Do extrato de A. 1995). 1996. subclasse Caryophyllidae. Yang et al.. Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales. De Ruiz et al. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica.. 1989). 1972). A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al. S. C. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. O uso das espécies contra helmintos. 1986. et al. et al. 1998). Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. especialmente em uso crônico.. porém. requer cuidados por parte da população. 1996). inclui . aliado aos dados de toxicidade em peixes. B. sobretudo contra helmintos. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1993). assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade.. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. Zhang et al. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia.. hemorragias. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al... confirmados para inúmeras espécies dessa família.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al.

embora várias espécies possam ser encontradas na África. Cereus e Melocactus (Cactoideae). . com aproximadamente 1. • Cactus. que também inclui espécies medicinais. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. No Brasil ocorrem 32 gêneros. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. • Opuntia (Opuntioideae).400 espécies (Mabberley. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. Segundo Joly (1998). Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. são espécies perenes. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. 1997). Em ambos os casos. a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas. 1978). com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. 1978). reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. de hábito variável e geralmente espinhosas.97 gêneros. suculentas. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal.

1994). obovóide. Peiresc. 1987). ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. arabinofuranose. Das folhas de P. 1986). A goma de P. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. galactopiranose.. . lenhoso. xilose e ramnose (De Pinto et al. galactose. glucose. arabinopiranose. 1990). além de galactose. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico.. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. galactose. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose. cresce em matas e em restingas. A espécie é originária da Argentina. oblongas e acuminadas com base atenuada. Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. C. numerosos acúleos. antitérmico e contra gripes e resfriados. em altitudes e também no nível do mar.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. guamacho possui ácidos galacturônico. sendo uma homenagem ao professor N. fruto do tipo baga glabra. F. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. dispostas em rácimos terminais. folhas subpecioladas. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. ácido galactopiranosilurônico. além de heteropolissacarídeos. glucurônico e seus metil ésteres. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. arabinose.. flores rosas com anteras amarelas e inodoras.

no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. arbustos e ervas. 1997). O principal gênero é o Portulaca. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. 1978). Talinum e Portulaca. Portulaca oleracea.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. muitas delas suculentas (Mabberley. sendo algumas pequenas árvores. e 33 espécies (Barrozo. . nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos.

tais como Verduega. fruto capsular obovóide. arroxeado e suculento. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. axilares ou terminais. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. diminutivo de "porta".Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. folhas pequenas. as partes aéreas cruas são usadas. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. Bodroega. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. como alimento. na forma de salada. especialmente em Portugal e na Alemanha. cólicas renais e . Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. outros usos são atribuídos à espécie. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. planas e suculentas. pequenas. sésseis. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. flores amarelas. pequenas. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. Na região da Mata Atlântica. dadas sua rusticidade e resistência à seca. e a maioria é de ervas suculentas anuais. Inclui três variedades principais. mas algumas variações de nome popular são usadas. Berduega e Veduega. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. obovadas. referindo-se às propriedades purgativas da planta. Dados botânicos É uma erva de caule curto.

além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. as sementes passam por diuréticos. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. Caaponga. emoliente. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. de onde saem folhas alternas. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. emenagogos e vermífugos. lanceoladas. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. diurética. vulnerária. glabros e suculentos. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. pilosas. Também conhecida como Beldroega. flores amarelas.afecções da vista. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. . A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. Portulaca pilosa L. emenagoga e eficaz contra erisipela. como as da beldroega. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. Perrexi e Alecrim-desão-josé. estomáquica. As folhas dessa planta também são comestíveis. cicatrizante externa. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". amarga. pequenas.

malônico. 1996).. dentre os quais 18:3-ômega-3. succínico. cycloartenol. 1996). butirospermol... 1991).. manganês. fósforo. ácido linoléico e ácido palmítico.5% de lipídios. málico. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. 1991. . Boschelle et ai.. três diterpenóides transclerodânicos. potássio e cobre (Mohamed & Hussein. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P. 1992).. 1988). ácido ascórbico. (1991) detectaram de R oleracea 3. Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. 1990). 1995b). Simopoulos et ai. ferro. além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. 1991). beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al. oleracea de proteínas. pilosanol A.. fumárico e acético (Gao & Liu. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. 1994). sendo o último composto um glicosídeo. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. 22:6ômega-3.. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. B e C. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. isolados das raízes de P. P. como sitosterol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol... sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai. ascórbico. 1991).. 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai.. pilosa (Ohsaki et al. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. 1995. carboidratos. 1992).0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. Boehm & Boehm. campesterol e stigmasterol. 1996). Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. parkeol. cálcio. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.4. Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca.

. 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al. encontrado por Rocha et al.De P. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. oleracea. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. Habtemariam et al.. P.. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio. 1987). O extrato de P. apresentou atividade hipoglicemiante. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano... 1993.. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. 1985) relaxante muscular.. stigmasterol. 1987). De P. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. sem alterar a diurese.. 1994). Rocha et al. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio. oleracea foi investigado in vitro.. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al.. 1989). 1993). porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al.. 1996). enquanto das partes aéreas de P.. n-hexacosanol. 1989).. lupeol. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. (1994). diurética (Rocha et al. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1989). . n-triacontano. grandiflora Hook.. 1997). 1989b) e hipotensora (Poli et al. 1989). beta-sitosterol. 1995). foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. 1989.. 1994).. dentre outras espécies.

caule ereto e glabro. ervas anuais ou perenes e. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. Salsola e Atriplex. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. Ex Stend. 1997). Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. extremamente ramificado. A família se subdivide em quatro subfamílias. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo.5 m. No entanto. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Salicornia. Spinaceae.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. Menstruço. Caacica. oblongas denteadas. Inclui arbustos. que pode atingir até 1. raramente. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. Erva vomiqueira. pequenas árvores. Erva-das-lombrigas. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais. Também é chamada de Ambrósia. 1978). Anserina vermífuga. Erva-das-cobras. Mentrasto e Mentrusto. sendo uma planta extremamente . ramos folhosos verdes com folhas alternas. Lombrigueira.

referindo-se às folhas lobadas. uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. Além desse uso. Godano et al. amplamente disseminado nas zonas rurais. externamente.) . Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. esse uso é comum também em outros países. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. 1978. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. febre. percevejos.. 1985a e 1985b. extremamente útil para afugentar pulgas. Melito et al. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. especialmente na área veterinária. 1995). onde não foi referida como medicinal no estudo realizado.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. baratas e demais insetos. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. ao passo que a infusão das folhas é usada. em altas doses. internamente. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies.. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. incluindo a Amazônia. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. para problemas da pele. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. como abortiva. 2002. a maioria de ervas. dor ciática e parasitas intestinais e. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. bronquite. contra reumatismo.. lesões hepáticas.

destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. . Pisonia. a espécie é conhecida como Erva-tostão. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Guapira e Andradea. Boerhavia. pilosas e pecioladas. de onde partem folhas pequenas. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. Dos gêneros. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. ovadoblongas. Pega-pinto e Tangaraca. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. em trinta gêneros.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. opostas. distribuídas. 1997). No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. nome usado em todo o Brasil. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. incluindo árvores. Bougainvillea. mas não antocianinas (Mabberley. Mirabilis. arbustos e ervas que produzem betalaínas.3). Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. Mirabilis e Bougainvillea. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.

possui sabor picante. arbustos. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. particularmente contra lombrigas. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. 2000a). 1999). Aslam. além de ser considerada excelente diurético. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1991.. 1978 e 1980. Sohni et al. 1999). 1996) e lignanas (Lami et al. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. 1997). sem efeito teratogênico (Singh et al.. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. atóxica. 1996. 1991). 1997). sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado.. Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. sendo árvores. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al.. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes.. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi...Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1995). especialmente a raiz. Corrêa (1984) refere que a planta. cujos efeitos benéficos são incontestáveis. Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. 1990 e 1991). Rawat et al. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. lianas ou ervas.

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. gineceu unicarpelar com ovário súpero. membranosas. no alívio de dores musculares. Pipi. ramificado com ramos compridos. Outros dados incluem o uso da raiz. Amansa-senhor. Dados botânicos Subarbusto perene. inchaço de mem- . na Bahia. em Pernambuco e em São Paulo. alfavacão. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. no Mato Grosso. como abortiva. delgados e ascendentes. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. folhas. flores sésseis. O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. ereto. diurética. pequenas. O uso externo das folhas novas e da raiz. em decocto ou pó. estipuladas. fruto aquênio cilíndrico. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. Gambá-tipi. raízes e ramos são considerados emenagogos. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. agudas no ápice e estreitas na base. folhas curto-pecioladas. que inclui uma única espécie. antiespasmódica e reputada como sudorífica. achatado e carenado (Figura 9. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. androceu com quatro estames. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. como Tipi. alternas. no Rio de Janeiro.como ornamentais. farmacêutico e amante da natureza. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. 1984). sublenhoso. Em outras regiões. Tipi-verdadeiro.4). e o gênero Petiveria. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. limão de cayanna. também é comum.

1982). triterpenos (Delia Monachi et al. o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. peptídeos como ácido glutâmico. . 1989) e depressora do SNC (Lima...bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. glicina e alantoína (Sousa et al. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. flavonóides.. no Ceará. C. as raízes são usadas na hidropsia. em Brasília e no Mato Grosso. antiespasmódico e sudorífico (Verardo. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. 1986). ácido lignocérico. 1982). 1988b). 1992). ainda.. na Paraíba. T. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima.. Grandi et ai.. lignoceril álcool. 1986).. linoléico. a raiz é útil na amenorréia (Agra.. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez.. beta-sitosterol. reumatismo. em Minas Gerais. S. M. et al.. et al. dores de cabeça. como abortivo. Van den Berg. De Souza et al. 1988). 1988. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. ácidos palmítico. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. 1990). Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. pinitol. beta-sitosterol. 1988). Trotta et al. esteárico. trisulfeto de dibenzila. De Lima et al. trans-N-metil-4-metoxiprolina. C. 1982. nitrato de sódio. 1982). 1988. Pinto C. paralisia... e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. 1997. 1980. 1988. no Rio Grande do Sul. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. et al. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. M. 1980). 1990). T. serina. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al. 1980). além dessas indicações. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões..7-di-O-metilpinocembrina. alantoína. 1998). lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al..

1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso.. 1990). 2050 aci02). 1992)... Elisabetsky et al. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al.. Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. Guerra et al. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. 1993.. alliacea. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida. Takahashi. 2002.. 1991).. P. No entanto. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. citotóxica. 1997) e antifungica (Benevides et al. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. 1995). 1991. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. 1984). 1988. Cortez et al. 1993). Germano et al. 1994). 1996) e antitumoral (Davino et al. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. utilizado popularmente como vermífugo. 1998). antiinflamatória oral (Germano et al.. Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. 1991.. atividades analgésica (Thomas et al. 1987) e antiviral (Ruffa et al.. M... O extrato hidroalcoólico de P.mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 1991 e 1992).. afasia e até à morte (Corrêa.. 1993. zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico. 1991). outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. Malpezzi et al. Caldeira et al.. efeito zigotóxico (Guerra et al... O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. por levar à imbecilidade. et al. 1989.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al. Y. 1994). hematopoiética (Quadros et al. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al.. também apresentou atividade moluscicida (Almeida. 1989. com uma D L m a de 1. . 1988.. Davino et al... e o de caule.. 1988).. acaricida (Johnson et al. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1998). Davino et al. 2001). Lopez-Martins et al... 1988..

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

foi dado em homenagem a John Wilbrand. 5-lobadas e raramente com mais lobos. visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. alternas. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). mas ásperas. é uma variação de sicyos. e muitas variedades em cada espécie. É uma importante espécie econômica. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos.3). Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. especialmente na Itália. ramoso e delicado. . longos. com caule anguloso. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. sulcado. rugoso. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. como em formações secundárias. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. folhas pecioladas.a cinco lobos. O gênero inclui apenas seis espécies. descrito por Patrick Browne. e o nome. membranosas. capoeiras e na beira de estradas. com até 20 cm de comprimento. sendo um produto amplamente comercializado. O nome do gênero Sechium. fruto do tipo pepônio verde. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. flores amarelas esbranquiçadas. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo. Wilbrandia ebracteata Cogn. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. como Cabeça-de-negro. e sua raiz. que significa "pepino". especialmente após o cultivo sistematizado. Wilbrandia. flores amarelo-claras.

assim como no controle da diabetes.. Das sementes de M. 1986). 1990). 1990.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes. 1991. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. charantia também foram isolados vicina. Das sementes de M.. 1996). Nguyen. Cr. 1987). 1990a).76% de lipídios. Das sementes de M.. momordicinina e momordicilina. sífilis (Almeida et al.. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. Kusmenoglu. 1989). glicolipídios (35. Dos frutos frescos de M. 1997). também. charantia foi isolada a gama-momorcharia. além das momordicinas (Fatope et al. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. 1988..40%)...Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. 1996). proteínas.. aminoácidos e abundância em elementos como Cu. Chang et al. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai... 1992). a raiz é utilizada no tratamento de febre. ácido linolênico. sendo o cucurbita-5. como laxativo (Farias et al. 1989. Zn. Huang et al. 1996. charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. charantia também foram isolados triterpenos. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.81%).. Co.. charantia . 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al. charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. De M. afecções da pele. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. 1989. além do esterol. charantia foi determinada como 0.80%) e fosfolipídios (16. Chandravadana et al. 1996. Hara et al. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. 1985). 1996). reumatismo. Além disso. 1992).. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. Zheng et al. Grondin et al. 1996. Foram isolados também cicloarterol. Mn e Li (Peng & Li. Das folhas de M... 1997).. tumores e. Foram isolados ainda das sementes de M. A composição química do fruto de M. divididos em lipídios não-polares (38. Dos frutos verdes de M. Ni. Wang et ai. 1995...

provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas.vicine. As sementes possuem 50% de óleo. 1994). charantica. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. contendo trinta carbonos. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1995).. Geralmente. sesquiterpenolactonas e taninos. rigorosamente. e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). além de glicoproteínas (Minami & Funatsu.. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. 1993). 1987). Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. foetida (Mulholland et al. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. 1997). As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. charantia. 1993). micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. 1994). 1990). 1990b). e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. posteriormente. também foram detectados em Aí. Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. balsamina (De Tommasi et al. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero.. 1990). esteárico. Aí. seguidas. pelas G. dioica eM. 1995). oléico. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. . além de uma resina (Volák & Stodola. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. além do ácido rosmarínico. isolados das partes aéreas. 1987). também descrito em M. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. pela E e. 1991). triterpenos tetracíclicos.. Das sementes de M. Dos frutos de Aí. H e I (Miro. além de possuir óleo essencial (Guerrero.

(1994). O suco dos frutos de M. no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. 1996. Athar et al. Ahmad et al. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. DNA. 1982a e 1982b). 1980. Platel & Sirinivasan. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. 1983). (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos... Além disso. Karunanayake et al. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al.. antiviral (Takemoto et al. charantia (Rathi et al. 1981. parâmetros hematológicos permaneceram normais. 1987)... da síntese protéica..6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. 1996). A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. 1983a e 1983b) e . Inibição da síntese de RNA.. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto.. O extrato etanólico de M. decocto das folhas e suco de M. 2002) (Jilka et al. 1993). 1993). Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. (1986). 2002).. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. 1984. El-Gengaihi et al.. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos. 1996. Welihinda et ai. 1986. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al. Ng et ai. Raman & Lau. Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica.. extratos brutos de folhas. 1997).Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. Pugazhenthi & Murthy.. 1982. 1996. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti.

Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al. isoladas de sementes de M. charantia. Ng et al. Os frutos e sementes de M. et al. antitumoral. 1995b). os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. isoladas dessa espécie. Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al.. 1990). (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. alda-momorcharina.. . 1996). L.. incluindo M.. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al.. 1987.. charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais.. charantia. Cinco compostos foram isolados de sementes de M. proteínas inativadoras de ribossomos. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M.. 1990a). A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al.. momordina 1 e momordina 2. charantia. na qual descreveram a momorcochina. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva. 1990). e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. 1994).imunomoduladora (Spreafico et al. 1983). A glicoproteína isolada das sementes de M. atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. Wang et al. charantia) inibe a integrase de HIV-1. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. charantia.. 1995). charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. 1993). 1993). pulmonares e da mama (Rybak et al. charantia.. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. As proteínas inativadoras de ribossomos. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. 1996).. Fong et al. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al. 1994). uma proteína inativadora de ribossomos. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos. Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta.

Dos frutos verdes de M. L. Amorim et ai. charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer.. 1991). 1987).. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. MAP30 isolado de M. Embora indicada contra malária.. 1996). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M. De M. charantia (Silva. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. M.. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. 1995).(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. 1995). (1984 e 1985). charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al. Basaran et al. 1987). Foram isoladas duas proteínas de M. A M. 1997). Misra et al. Apesar da indicação popular para inflamação. 1988). De M. 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. e o rizoma de Curcuma longa Linn.. antiancilostomose (Berchieri et al. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. O extrato aquoso da folha de M. charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana. 1990). et al. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. charantia foi isolado ginsenosídeo. não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. 1996). charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li... Os frutos de M.. A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. 1996). que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior .... charantia e Emblica officinalis Gaertn. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang. 1994). Das folhas de M. 1996). No entanto. charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang. 1990. 1994). 1990..

. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al. 1995. hipovolemia. 1993).. 1986b). A. 1997). tais como antiinflamatória. 1996). aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. 1994). Teixeira. Trichosantina. charantia (Sankaranarayanan &Jolly.atividade hipoglicemiante.. C. . antimicrobial. Miró. dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai. 1995). 1995. Proteínas isoladas de M. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. anticoncepcional. 1997 e 1999). et al. anti-helmíntica.. inibição da ovulação.. 1995. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi.. Pagotto et al.. 2000) e antimutagênico (Yen et al. 2001). 1984.. 1995). Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas. 1996)... tais como antioxidante. 1991). do que o extrato de M. 1989. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. 1986). 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. O extrato alcoólico de M. Além disso. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas. Peters et al. De M. 1993). 1991). cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al. Outras atividades também foram descritas para a espécie.. antitumoral.. diminuição da pressão arterial.. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. inúmeras atividades farmacológicas são referidas. Hamato et ai. hipotensora (Gordon et al.. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. 1993). Jensen & Lai.. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. em rato. citotóxica. 1995.. diarréia. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al.

Em ambos os casos. cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. 1997). charantia em enzimas hepáticas. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.. 1996. 1988). . Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M.. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali. Platel & Sirinivasan. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. Os frutos de M. especialmente por gestantes.. observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina.Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados.. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. 1990). recentemente.. Das sementes de M. 1996. Chan et al.6 mgAg.. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. El-Gengaihi et al. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai. A toxicidade do fruto de C. Raman & Lau.. 1986). 1986). 1996. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. 1986.. 1994). charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. 1987). Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate.. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M. 1992). angaria foi de DL50 = 1.

cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. farrapo". Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. mas que possui uma grande importância. Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. alternas. Dados botânicos Árvore de pequeno porte.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. 1978). e stemon = "estame".4). folhas simples. onde há cerca de oito espécies. pétalas ausentes. referindo-se ao estame bifurcado. semente com endosperma carnoso (Figura 10. pedaço. ovário unilocular. bem desenvolvidas. androceu com um estame. fruto do tipo capsular trilobado. . visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores. Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. e não foram encontrados sinônimos para ela. distribuídas em regiões tropicais. com gomo terminal protegido por estipula caduca. nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica.

arbustos e árvores (Mabberley. 1992). Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. 1997). Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. de valor alimentício e medicinal. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. representando um importante recurso econômico. conforme apresentamos a seguir. no entanto. existem várias espécies do gênero Passiflora.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. com 575 espécies tropicais e temperadas. Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. No Brasil. compreendendo lianas. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. . em geral trepadeiras. enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). 1996). A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. existem registros para a espécie como Maracujá-poranga.

Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. fruto oblongo-ovóide. pela interpretação dada às peças florais. Na região da Mata Atlântica. ovadas. 2tridecanona.. 1983). 1990). hexadecanóico. epipassicoriacina. cilíndrico. Spencer & Seigler. que lembram os instrumentos do martírio. estipulas ovadas. carotenóides (Ferreira et al. agudas no ápice e estreitas na base. 1991). da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina.. mas identificada apenas até o gênero. côncavas. antocianinas (Kidoey et al. principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. cordiformes. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). monoterpenóides. 1997). 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. o suco dos frutos é considerado sedativo. caule robusto. é usada para diversas finalidades. flores com cinco sépalas ovadas. uma espécie denominada Maracujá. folhas inteiras. alternas. Uma outra espécie de maracujá. 1989). também foi referida na região amazônica como útil contra insônias.. . principalmente a P edulis.5). 1987b e 1985). esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. 1996. gavinhas que são ramos florais modificados. enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. planas e obtusas. 1987a. margem inteira. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares. chamada popularmente de Maracujá gigante. peninérveas. corniculadas.Dados botânicos Planta glabra. (9Z)-ácido octadecenóico. 2-pentadecanona. sementes compridas (Figura 10. e cinco pétalas rosadas.. Passiflora macrocarpa Mart.

1997). 1988). 1988. 1996). riboflavina.1979). vitaminas A. potássio.. 1989). gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. Sena & Leite. O suco dos frutos contém água. assim como ácidos graxos. mollissima (Froehlich et al... 1995. isoschaftosídeo. 1997). isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1986). 1998). PP e C (Zhuang & Wang. Costa. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. carboidratos.. Proliac & Raynaud. Esse composto não foi detectado em P coerulea. 1997.. 1991).. além de vários compostos aromáticos (Winter et al. 1988). Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. amliformis (Restrepo & Duque.. Vale & Leite. bem como a presença de glicosídeos em P.. 1987). 1986). isoorientina. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. et al. P. Amaral. 1980). 2000. isovitexina.. harmina. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero.. glicosilflavona (Geiger & Markham. de onde foi isolada crisina. sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo.. Ortega et al. 1979). Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. 1988. maltol. sendo a passiflorina o mais conhecido. 1988.. açúcares. saponarina. fósforo.. fermentos.. Da espécie P. harmalina. lipídios. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa.. orientina e isoorientina. harmol e harmalol). isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. 1997.2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. Flavonóides como vitexina. taninos.. 1987b). cálcio. Spencer & Seigler. ferro. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. espasmolítica (Queiroz & Brandão.. Menghini. 1996). K. 1986). ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. Dos frutos e folhas de P . analgésica. flavonóides (orientina. B2. 1988). 1997. proteínas. quadrangularis (Orsini et al. P coriacea (Spencer & Seigler. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. 2000). B1. 1980. Raffaelli et al. nem em R incarnata (Speroni et al. schaftosídeo (Proliac & Raynaud.

1991). inotrópica. Das folhas de P . O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. Echeverri & Suarez. que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli.. antipirético (Silva et al. espasmolítica (Carneiro et al. 1985b.. 1991. Porém. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al. 1978).. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona..Luffa cylindrica Roem. 2000).. antiinflamatório (Silva et al.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al. FIGURA 10.. 1989 e 1993) e inseticida.. Detalhe da folha 5-lobada. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. Barros et al.. 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al..1 . atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al... fruto e flor (Banco de imagens . 1989). 1988). foetida apresentou atividades hipotensora. 1998a). 1985). Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al.

e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima). .2 .FIGURA 10.Momordica charantia: a) ramo com frutos.

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

mas. mas também de Ganchuma e Relógio. freqüentemente com cálice roseado. no Pará. Schum. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. Nomes populares A espécie é chamada. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. na região amazônica. reunidas em fascículos axilares. Sida rhombifolia L var. como abortivos. Malva-preta. as flores são pequenas. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. canaiensis (Willd. 1982). enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. 1939). emenagogos e as folhas (decocto). as raízes são usadas contra moléstias uterinas. como emético (Hoehne. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. . com caule ereto e ramoso. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. na Bahia. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. lineares e de cor branca. de Vassoura.) K. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. Vassoura e Relógio.

Malvaísco. var.Vassourinha. tônica. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. Malva e Vassoura-do-campo. na dose de três xícaras ao dia. Em outras regiões do país. é tido como útil. Aramim.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. folhas curto-pecioladas. . Urena lobato L. 1986). Guaxiúba. dispostas em racemos. Rabo-de-foguete. róseas. chamada de Caapiá. mas esta não foi completamente identificada. Ibaxama.. na região amazônica. popularmente conhecida como Caapiá. Guaxima. alternas. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. reticulata (Cav. Aguaxima. Guaxuma. é de grande uso externo contra reumatismo. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. flores solitárias. Dados botânicos Planta anual. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. rombóideovais ou lanceoladas. em Minas Gerais.4). contra desarranjo menstrual. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. no Rio Grande do Sul. 1982). Uacima e Uacima-roxa. como Minas Gerais. a planta é utilizada como béquica. ramosa e pubescente. 1982. ereta. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. Grandi & Siqueira. emoliente. carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. Malva-roxa. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. no Rio Grande do Sul. Carrapicho-de-lavadeira. Na Mata Atlântica. como Guaxima e Carrapichode-cavalo.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. anti-hemorroidal. Coaquibosa. O chá de toda a planta. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. e Guanxuma. em São Paulo e no Rio de Janeiro. axilares.

. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. De H. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. suculentus (Tomoda et al. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. H. Dados químicos Hibiscus De H. 3-7 nervadas. lobadas e de formas variáveis. fosfolipídios (Tolibaev et ai. 1991). de até 3 m de altura. com grande destaque para as três nervuras centrais. 1987). moschentos (Tomoda et al. emoliente e contra eólicas renais. ciclopropenos (Nakatani et ai. 1990).. Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. mucilagens das espécies H. de onde partem folhas alternas.. 1986). 1985) e H. cordiformes. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. com ramos alternos cilíndricos. cannabinus (Kulchik . De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. 1991).. ligninas de H. comum às espécies desse gênero. solitárias. Tomoda & Ichikawa. 1977a. diurética e útil contra eólicas. H. pecioladas. suculentus (Moawad et al. 1986. a decocção da raiz é usada como diurético. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. fruto do tipo capsular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pequenas. flores pecioladas. onde se encontram glândulas nectaríferas. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo. 1977b e 1978). roxas ou rosas. 1984). cannabinus foram isolados. syriaceus (Shimizu et al.. 1986).

pelargonidina. 1989a e 1989b). Em cultura de tecidos. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. 1988). A quantificação das proteínas das sementes de H. Foram isolados também de H. 1990). Das pétalas de H.. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. 1977). glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina. epi-ikshusterol. De H. beta-sitosterilglicosilado. 1991). 1978). syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. linolenato de metila. epoxiacilglicerídeos. 1989). sabdariffa foi determinada (Kalyane. 1988). monoglicerídeos.et al. ácidos graxos livres.. sterculico. Das sementes de H.4'-pentahidroxiflavona. oléico e linoléico (Tolibaev et al. fosfatidilinositol.. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. glucose. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. além de 15% de ramnose.. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. galactose. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. peonidina. abelmoschus (Maurer & Grieder. sesquiterpenóides de H. N-acilfosfatidiletanolamina. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al. De H.. diacilglicerídeos. 1988). 1986. o H. De H. 1991) e lactonas de H.5. 1986. esculentus e H. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. 1990a e 1990b). N-acilisofosfatidiletanolamina. taxifolina e herbacetina.7.. arabinose e arabinan.-L-arabinosideo-7. Duckart et al. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. fosfatidiletanolamina.-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai. esterol ésters. malvidina (Kim et al. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. . kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo.. 1986). betasitosterol. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. sabdariffa produziu antocianinas. quercimeritrina. esterois livres. No óleo das sementes de H. 7-0alfa-ramnopiranosídeo. tiliaceus (Ali et al. 1988). ácidos palmítico. 1990). kaempferol 3. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen. petunidina. triacilglicerídeos. 1989).... xilose e frutose (Pouget et al.8. cianidina. Husain et al. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico.. moschentos foram isolados 3. ikshusterol.

Foi feita a determinação de (-) gossipol e . barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. principalmente o esqualeno. D-galactose.Das folhas de H. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). hirsutum e B. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. também isolado de G. G. araquídico. miristoléico e palmitoléico. oléico. Ermatov et al. 1986. silianum (Kumamoto et al. hirsutum e G arboreum. 1985). barbadense. barbadense determinou a presença de albumina. corantes como carotenos. 1985). dipalmito-linoleínas. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. globulina. Foram isolados de G. rainundii (Stipanovic et al. xantofilas. óleo-dilinoleínas. mirístico. De G. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. 1987). 1986). lecitinas. esteárico. fosfolípides. palmito-dilinoleínas. 1986). 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. resinas. esteróis. 1995). Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. 1995). prolamina e glutelina (Sammour et al. 1979) e G. Das sementes de G. 1980). mucilagens e proteínas (Costa. 1979). hidrocarbonetos. palmítico. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. diversos terpenóides (Hunter et al. hirsutum (Schmidt & Wells. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. dipalmito-oleínas.

humilis. As partes aéreas de S. rhombifolia e S. espermátide e espermatozóide. ácido palmítico. betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. As partes aéreas floridas de S. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. S. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. fitano. acuta. hirsutum (Mansour et al. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. 1987). A extração das partes aéreas de S. ácidos graxos como beta-sitosterol. pristano. 1989a). Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. 1989b). campesterol. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani.(+) gossipol de G. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. 1988a). hermaphrodita contêm também os flavonóides. vesícula seminal e próstata ventral foram . fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova. rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. Das partes aéreas de S. 1989). isoquercitrina. acuta (Goyal & Rani. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. spinosa (Prakash et al. 1981). ácido glutâmico e aspártico. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. S. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. barbadense e G. Sida Alcalóides foram isolados de S. De S. 1997). As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. 1990). barbadense e G.3%3%) (Bandyukova & Ligai. stigmasterol. 1988). hirsutum (Zhou & Lin.

rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. e de H. 2001). 1987). 1984. 1989). moschentos (Tomoda et al. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. 1992). 1987). rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. hipoglicêmica de H. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. porém os níveis de colesterol subiram. causando o final da gestação (Pakrashi et al. Haji & Haji. 1976a e 1976b ). 1999. O ovário apresenta sinais de luteólise. assim como uma forte ação citostática. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. 2000). tripsina e a alfa-quimiotripsina. antimutagênica (Wang et al. a administração oral do extrato benzênico das flores de H. 2002). rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. Pai et al. Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. esculentus (Medeiros et al. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. 1979). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. A espécie H. no tratamento com Hibiscus. sabdariffa (El-Merzabani et al. As flores de H. 1985). antiespermatogênica. a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. esculentus. 1987). com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. citotóxica. O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. Pakrashi et al. A taxa de inibição de fertilidade com H.reduzidos nos animais tratados com H. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. 1986. Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano.. verificadas por Singh et al (1982). rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. Ainda de H. Em camundongos. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. 1999). 1990). sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. 1986). bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. . O extrato das flores de H. antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al. 1985). A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. Essas atividades.

1980). 1997). serratifolia (Sawhney et al. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. 1978). hirsutum e G. 1988) e S. Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. As proteínas das sementes de G. rhombifolia (Bortoluzzi et al. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). 1996). Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al. 1982). barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. Flavonóides de G. 1984). 1995). 1985). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa . 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. barbadense e G. Extratos de S.. Sida Os alcalóides de S. acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. 2000) e tóxico (Bourke. Terpenóides isolados de G. O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. Wang & Bunkers.Gossypium O gossipol. principal constituinte do óleo do algodão. 1985). Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. 2001.

1996). nos quais se distribuem 1. V. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. Sterculia. Na região . carpinifolia. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. incluindo árvores e arbustos. 2001). As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. e o gênero Theobroma. vulgarmente chamada de Guaxuma. et al. Das partes aéreas e folhas de S. 1988b). distribuídas em onze diferentes gêneros. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. 1992). F. Bianchi et al.500 espécies tropicais. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. 1998. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. C. poucas em áreas temperadas. Segundo Barrozo (1978). onde são encontrados em abundância. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. rhombifolia. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. todos típicos de cerrados e campos. utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. 1998.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Fernandes et al. raramente ervas ou lianas (Mabberley. Helicteres e Waltheria. 1998). cordifolia (Malva-branca). Dombeya. Drena As raízes de U. de grande cultivo em jardins. 1997). Do infuso de S. 1988. Franzotti et al. do valioso Cacaueiro Joly 1998). Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. exceto Bacillus subtilis.

com estipulas caducas. . ou por suas variantes: Cupuaçu.5). oblongolanceoladas. fruto do tipo capsular grande. para o tratamento de diarréia. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. grossos e tomentosos. vermelho-escuras. flores que brotam dos galhos. O gênero Theobroma. grandes e vistosas. de valor econômico. Theobroma. 1988). Em tribos indígenas amazônicas. 1991). Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu. 1990). O nome do gênero. ovóide. no Pará (Amorozo & Gély. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais. significa "manjar dos deuses". com ramos longos. descrito por Carl Linnaeus. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. Dados botânicos Arvore de grande porte. pedunculadas. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Cupu-assu. medicinal e alimentar. ex Spreng. com brácteas linear-lanceoladas. duas das mais importantes e valiosas espécies. e o chá da sua casca. Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. folhas com pecíolos curtos e carnosos. Copoaçu. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau.) Schum. bem como nas comunidades locais da Amazônia. liso e escuro (Figura 11.

fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. oblongolanceoladas.Theobroma speciosa Willd. fruto capsular ferrugíneo. Caca-y.6). cafeína (Maia et al. Cacao azul. albuminas. 1993).. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. Pagonini et al. Cacaoyer. (Figura 11. como a T. Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. oléico e linoléico. Outras espécies desse gênero. M.7. Chocolate. mono. fasciculadas. contêm flavonóides (Jalal & Collin. 1979). Dados botânicos Árvore de porte médio. ácidos esteárico. globulinas (Voigt et al. com ramos curtos. teobromina. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal.3. T. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos. vermelho-escuras. 1986). usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. 1977).. 1989). palmítico. cacao. 1970. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. no Amazonas. speciosa possui ácido 1. folhas com pecíolos longos. inibidores fenólicos da a-amilase. Criollo. inteiras. glicerídeos di-saturados. Cacao forastero. flores dispostas no caule. tripsina . denominado Theobroma cacao L. ex Mart. grandiflorum). e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. et al. 1992a e 1992b).. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. Kakao. até 10 m de altura.e tri-insaturados (Costa. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. Já a espécie T. mirístico..9-tetrametilúrico.

.7% a 57. ácido araquídico. T. pela presença de ácidos graxos.74% (SantAnna Tucci et al. xantinas e lipídios. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.(Quesada et al. Alcalóides purínicos (cafeína. 1996).6%. augustifolium (Sotelo & Alvarez. procianidina B2. Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al.. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia.. bicolor e T. dentre os quais o óxido de linalol (12. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1. T. As essências florais de T. principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. diferentemente do T. geraniol. Os alcalóides teobromina. speciosum. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai. O T. 1987). ácido cítrico. quercetina3-0-glucosídeo. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral.. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. 1996). quercetina e esculentina (Bastide et al. gorduras (Malini et al.. Em T. 1991).. 1994). nerol. ácido lático. 1986). cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. cacao e também em T. tais como ácidos palmítico. (-)epicatequina. 1991). cacao. O índice de saponificação da T. antocianinas. simiarum.. teobromina. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. 1995). derivados do ácido hidroxicinâmico.5%) e o isoeugenol (8. 1987). Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados.. que variou 50. Esse constituinte também .. porém. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. Além de açúcares totais. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. bicolor e T.37 a 1. 1989). mammosum foi detectada a presença de 58 componentes.2%). subincanum. augustifolium. e T. taninos condensados. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. Em T. 1991).9%). ácido ecosadienóico. flavan-3-ols. 1986). T. Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. Porém. 1994). cacao consistem de 78 componentes. cacao foi caracterizado como de 190. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. mariae. taninos. longifoleno e citronelol (Erickson et al. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez.

1970. amido.... 1997).. M. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. proteína. O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. cacao (Yamagishi et al... 2000). 1989). Melzig et al. e a proantocianidina. et al. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. 1997). 2002). análoga à manteiga de cacau. Sanbongi et al. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. 1997. fenóis e taninos. 1992). Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T.. bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. cacao apresentou um efeito vasodilatador.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. clorofila. cafeína. 1992a e 1992b). A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al.. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. cacao (Gurney et al. Paganini et al. isolada dessa espécie vegetal.. . 1997).. uma atividade analgésica (Santos. 1997). 1997. 1997).

Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. . folhas curto-pecioladas. com o nome de Curumin-nhapuá. 1978). de até 13 m de altura. da planta Pau-de-jangada. 1998). Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. de numerosos estames livres.Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas. Dados botânicos Árvore de porte médio. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. Triumfetta. que a referiram como medicinal. No Brasil. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. os gêneros mais comuns são Luehea. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. e Apeiba. 1997). raramente ervas ou lianas (Mabberley. serrilhadas. Espécies medicinais Muntingia calabura L. sendo a maioria de árvores e arbustos. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. oblongolanceoladas. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. agudas no ápice e oblíquas na base. muito conhecida na região amazônica Joly.

denominado de 2-acetil-l-pirroline (1.3%). sesquiterpenóides (10. calabura L.7%). compostos fenólicos (11. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol. e salicilato de metila.3%). Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos.dispostas em pedicelos axilares. 1990). Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. Foi observada a presença de potentes componentes de odor. ésteres (26. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos. sendo ésteres (31. inúmeras sementes (Figura 11. 1991).3%) os mais significativos.4%). dos quais predominaram alcanos (44. aqui descrita como medicinal.6%) e derivados furanos (8. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M.3%).9%). Do extrato citotóxico das raízes de M. Dos frutos de Aí. antiespasmódicas (Corrêa. ovário 5-7 locular. fruto do tipo baga. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo. arredondado. alcanos (15.7). e as flores. quercetina. 1984). calabura foram isoladas Havanas. vermelho.5%) e compostos carbonil (23.. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. indeiscente. flavonas e biflavanas (Kaneda et al. . A casca é emoliente.

e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens . 1998.FIGURA 11.1 -Bixa arbórea. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

1998) (Banco de imagens - .2 . b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1984).Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa.

3 .FIGURA 11. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .Gossypium barbadense.

4 .Sida rhombifolia var. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens . canaiensis.

5 .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .

6 .FIGURA 11.Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .

7 .Muntingia calabura. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .FIGURA 11.

Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. A. Da família Cannabaceae. Ulmaceae e Barbeyacea. cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. e o importante gênero Urtica. fonte de substâncias também tóxicas. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. Cecropiaceae. não possuem importantes espécies de valor medicinal. por esse fato. e o segundo. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. Di Stasi L N. Cecropiaceae e Moraceae. C. amplamente conhecida como . espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro.12 Urticales medicinais L. As outras duas famílias dessa ordem. fonte da maconha (Cannabis sativa). das quais as famílias Moraceae. Seito C. Em duas delas. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae.

folhas grandes. Figueira-de-surinam. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. referida com adulterante da Espinheirasanta. Ambaí. peitadas acima do centro. Arvore-da-preguiça e Torém. longopecioladas. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Poiküospermum. Ibaíba. Embaúba. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Ambahú.Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. Pourouma e Cecropia. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Ambaíba. Musanga. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. de Lixa. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Myrianthus. Imbaubão. . Ambaitinga. lactescentes. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Com esse novo arranjo. Imbati. Toréin. Ibaituga. Ambatí. e a espécie Sorocea bomplandii. Outras denominações populares são Aimbahú. Arvore-da-guiça. alternas e protegidas por duas estipulas. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist.

flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. . et al. carpelar. Kerber. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al.. filho da Terra. a raiz é considerada útil contra tosse. Mal de Parkinson. ecoar". lyratiloba (Menda. et al. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. Na espécie C. 1986. A. A. 1998). et al. A.. antililiásica (Domingos et al. reunidas em densas inflorescências. C. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. Nas folhas do extrato de C. 1996b). gemas e brotos são adstringentes. 1984). meio homem e meio serpente. indicada popularmente como antiinflamatório. Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. formando infrutescências inclusas (Figura 12.flores pequenas de sexo separado. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. 1983). catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. As folhas. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. F.. asma. 1986). adenopus. unilocular. Das folhas de C. catharinensis.. C. frutos nuculares. R.. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. 1996). muitas delas de ocorrência no Brasil. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. que significa "chamar. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. Na região do Vale do Ribeira. Santos. do grego. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. hidropisia. bronquite e gripes fortes. 1984b). usados na fabricação de instrumentos de sopro. 1994). R. Das raízes de C.. 1985). Em C. 1992.1). Dados da medicina tradicional Na região amazônica..

Cysneiros et al.. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. distribuídas em 38 gêneros. 2001). na Mata Atlântica. Dorstenia. antiulcerogênica (Cysneiros et al. isolada de espécies deste gênero. nos quais várias espécies medicinais são encontradas.. característica marcante da maioria das espécies dessa família.depressora do SNC. e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. a família conta com aproximadamente 340 espécies. Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. Rocho et al. Em outras re- . 1988). Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. 1988. 2002). que incluem árvores. 1997).) Burger. No Brasil. com inúmeras espécies usadas como ornamentais... antidepressiva. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. 1998a e 1998b. efeito depressor do SNC.. descrita originalmente por. 2001).. espasmolítica (Delia Monache et al. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex. 1992). compreende 1. ansiolítica (Barettaetal. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. distribuídas em 28 gêneros. arbustos. Morus.. dos quais se destacam: Ficus. de Espinheira-santa. 2001). Johann Heirinch Friedrich Link.. Astocarpus e Sorocea.100 espécies tropicais e poucas temperadas. A cecropina.. Rocha et al. analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. 1993 e 1996a). Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada.. 1998. lianas e ervas (Mabberley.

primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. folhas simples. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. com tronco ereto. quando não está em época de floração. de casca fina.. Folhas-de-serra. Resple. 1993). bomplandii.giões do país a planta é chamada de Cincho. Laranjeira-do-mato. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. Soroco. de face superior brilhante e inferior opaca. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. A espécie é latescente.. chegando a 10 cm de comprimento. 2001. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. especialmente na Mata Atlântica. Trata-se de uma espécie perenifólia. Canxim. ciófita.. especialmente da Mata Atlântica. Calixto et al. cilíndrico. fruto do tipo baga. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). da família Celastraceae). ilicifolia e S. Araçari.. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. . Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Carapicica-de-folha-miúda. uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. 2001. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. Flavonóides foram isolados de S. Gonzales et al. 1993). Recentemente. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura.

e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Reis).FIGURA 12.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. S. d) flor feminina.1 . c) inflorescência. (Banco de imagens . 1998. b) detalhe da folha.

Na família ocorrem árvores. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. . Guimarães C. comumente com células especializadas na produção de látex. A. nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. lianas ou ervas. é urgente uma revisão da família. a maioria cosmopolita. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. com aproximadamente 1. Thymelaceae e Euphorbiaceae. 1997). Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. Das centenas de gêneros.13 Euphorbiales medicinais C.100 espécies. arbustos. M. M. a família é representada por 72 gêneros. compreende 313 gêneros. segundo Mabberley (1997). das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. Santos L. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. 1978). Hiruma-Lima A. M. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil. Souza-Brito E. R. A família Euphorbiaceae.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. C. No Brasil.

amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. esquizocárpico. atualmente cultivada em vários países. da valiosa Mamona. peninérveas. sementes ricas em endosperma (Figura 13. espécie rica em óleo de rícino. problemas hepáticos. estipuladas. enquanto a infu- . flores de sexo separado. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. com limbo dividido em lobos ou segmentos. dos quais referimos algumas espécies a seguir. ervas e arbustos. separando-se em três cocos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. verdes. icterícia e malária. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores. Pedilanthus. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. folhas simples.1). Mabea. pecioladas. pela semelhança das sementes com esse animal. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". Do gênero Euphorbia. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. fruto seco. febres. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. especialmente em Phyllanthus. lanceoladas. Jatropha e Croton. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. a maior produtora de borracha. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. sendo algumas árvores.devemos destacar Ricinus. e outras.

A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara.são das folhas. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado. sementes ricas em endosperma. reunidas em inflorescências racemosas. Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. glabras. longo-pecioladas. Pinhão-manso. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Pinhão-de-purga. folhas alternas. no Ceará. estipuladas. membranosas. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. e Mandobiguaçu. Pinhãodos-barbados. separando-se em três cocos. Pinhão-do-paraguai. Pião. Nomes populares A espécie é chamada. de Sacaquinha. com ápice curtamente acuminado e base cordada. de caule grosso. grandes. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. palminérvias. lactescente. folhas simples. flores de sexo separado. flores unissexuadas. pequenas. reunidas em inflorescências paucifloras. fruto seco. atingindo até 4 m de altura. curto-pecioladas. mas também de Peão. esquizocárpico. Maduri-graça. com brácteas . no Pará. amarelo-esverdeadas. lobadas. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. nodoso. peninérveas. lanceoladas. Croton sacaquinha Croizat. Pinhão Pinhão-branco. é útil contra hepatite. a Sacaca. na região amazônica.

assar a polpa na cinza. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Arg. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). secar até ficar fria. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. constipação nasal e como purgativo. assim como para constipação nasal. são torradas. Mamoninha. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo. Batata-detéu. Raizde-téu. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. sementes escuras. deriva do grego iatros = "remédio". Pião caboclo. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral. o látex é aplicado externamente. Peão-curador.lanceoladas. partir e tirar a "folhinha". gengibre amassado. 1984). Jatropha gossypifolia L. raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. . Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). dez estames. colocar no café e banhar a cabeça). O nome do gênero Jatropha. após a retirada do embrião. esta passa a ser comestível e saudável). enquanto as sementes. 1982). gripe (descascar a semente. coriáceo. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. Erva-purgante.2). Peão-pajé. fruto do tipo capsular. lisas. elipsóides e oblongas (Figura 13. Pinhão-roxo. 1988). e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento.. contra feridas (Amorozo & Gély. no Pará. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz. As sementes são eméticas (Corrêa.

folhas pecioladas. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. contra "mau olhado". dispostas em cimeiras paniculadas. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. 1988). as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. ramosa. as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. 1982). no Piauí (Emperaire. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. lineares. A planta é purgativa.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. cálice com cinco pétalas. útil nas obstruções das vias abdominais. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura.3). com folhas alternas. glabras e estipuladas. flores unissexuadas. palmadas e limbo dividido em lobos. trissulcado. fruto capsular. 1984). com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. o chá das folhas é usado como antitérmico. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély. o banho. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. O nome do gênero Mabea. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. e as folhas na cabeça. No Pará. Em Brasília. contra feridas. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. roxas. 1982). escuras e com pecíolos pubescentes. grandes.

é usada como diurético e contra . Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra.Aublet. que atinge até 0. Arg. folhas com limbo. Na região amazônica.4). reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. Phyllanthus corcovadensis Muell. distribuídas na América tropical. Dados botânicos Planta de pequeno porte. descrito por Carl Linnaeus. ramificada. incluindo as raízes. Na região do Vale do Ribeira. estipuladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. alternas. cápsulas pequenas. a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. com ramos glabros. O nome do gênero Phyllanthus. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. trissulcadas. flores de sexo separado. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. 1984). Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. significa "flor na folha". sementes minúsculas (Figura 13. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha.5 m de altura. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. enquanto a infusão de toda a planta. flor masculina fasciculada com três estames.

cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo.. Kubo et al. 2000). Posteriormente.. 1979. de ácido aleuritólico (Muller et al. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. além de ser usada contra pedras nos rins. 1990. desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. 1989). Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. alfa-humuleno. 1986). cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al..8-cineol. A infusão das folhas. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. Em Minas Gerais..dores de barriga. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton... 1989. 1. e os principais constituintes são alfa-pineno. transcrotonina. O óleo essencial das cascas de C. 1992). é útil contra problemas do fígado. 1991). Das cascas de C. Maciel et al. beta-cariofileno. 1982). . 1998)..

Porém. e de C.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. metileugenol. alfa-cubebeno.4-dimetoxifenol. betabourboneno e gama-cadineno. p-cimeno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. lechleri foi isolada a sinoacutina. 2... aubrevillei J. 1996).. acetato de propila. a levatina (Moulis et al..4-dimetoxibenzil. Além disso. lundianus e a C. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.6-trimetoxifenol. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. 1995). limoneno e outros..3. cadineno. e das folhas de C. e das cascas do caule de C. hovarum: a 3a. 1994). acetato de 3-metil-butanol. Das folhas de C. 1992). 4-hidroxifeenetil.. glandulosus. enquanto germacreno B. 1995).16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). ludianus possui 1.8-cineol. propionato de etila. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. estragol.14-dieno. 2-metil-butanol. 1992b). metil isoeugenol. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al. linalol. gama-elemeno. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C. 1996). mirceno. gama-elemeno. 1993a). a printziano e um norclerodano (Siems et al.. A composição do óleo essencial das cascas de C.. De C. alfa-guaieno. Os constituintes voláteis isolados de C. eucaliptol. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. e chiromodine (Weckert et al. . foi determinada. acetato de 2-metil-butanol. 4b-dihidroxi-15. 1996). crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. C.4. 3. alfa-humuleno. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. glandulosus (Neto et al. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. lechleri foram: acetato de etila.5-trimetoxibenzeno. alfa-ilangeno. 1992). (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. allo-aromadendreno e torreyol. cânfora. a C. Das partes aéreas de C. 1992). 3. cortesianus foram isolados o clerodano.. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. zambesicums Muell.cadideno.. o óleo de C.. 1993b). sitosterol.4b-dihidroxi-15. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane.14dien-9-al e 3a.

Compostos terpenóides foram isolados de C. 1986). 1993). jatrofina. curcas foram isolados ainda as latiranas. De C. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al.. draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina.7-dimetoxicoumarina. 6-metoxi-7hidroxicoumarina. taraxerol. tomentina. 1991a)...7b-dihidroxiannoneno e 6a. jatrofolona B.. argyrophylloides (Monte et al. a seco-labdane (Schneider et al. 1992). b-sitosterol.De C.. os triterpenóides jatrofolona A. e das folhas de C. castaprenol-11. taraxerol. draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol. Do óleo de C.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. 1986) e C. 1992). matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. eudesmanos.3'. gossypifolios (Cespedes et al.. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. 1996).. 1991). salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol.. (-)epigallocatequinae (-)-epi-3. macwstachys (Herlem et al. 16hidroxijatrofolona. ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. 1988). Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno.7.. jatrofol. hemiargyreus (Barnes & Borges. ésteres e cetonas não-terpenóides. . 1981). 1991). stigmasterol.. 6a. e das cascas de C. 1976). jatrofolona B. 1992). Das raízes de C. jatroolona A. nobiletina. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 1996). C.. Das partes aéreas de C. 1995). vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado. Jatropha Das raízes de J. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. De J. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C.. 5hidroxi-6.. beta-sitosterol (Chen et al.5. riangularis (Moura et al. 1994). e de C. caniojana. enquanto alcalóides foram encontrados em C. eluteria foram isolados sesquiterpenos.6-diona. diasii (Alvarenga et al. beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol.

1996a) e jatrodiena (Das et al.9%. Das folhas de J. curcas foram isoladas também várias lectinas. 14. isoleucina (3. 1988).. Auvin-Guette et al.. 1997)..... gadaína (Das et al.94%). gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. De J. J.. foi isolado de seu látex a albaditina.9%.1%). caniojanae 1. compostos fenólicos. Makkar et al. respectivamente (Raina & Gaikwad.07%).15% e 15% de ácidos graxos saturados. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. 1987. J. As espécies. J. multifida L. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. 1996. terpenos. 1988)./. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo. . arginina (0. 1986). Do caule de J. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. Do látex de /. saponinas. galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. malacophylla.26%.. mollissima foram isoladas orientina. De J.6% de ácido oléico. Das cascas da raiz de J. gossypifolia e J. ácido esteárico. 1988).71%). e 43.. valina (18. além de outros três derivados diterpenóides. ácido oléico.26% de ácido aracdônico. 1997.9%). Das folhas deJ. flavonóides. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. denominada curcina (Costa. 1996b). glicina (19. os aminoácidos cistina (2. Banerji et al. Das raízes secas de J. esteróides e glicosídeos. 1989). 1995). Das raízes de J. alanina (28. isoorientina. 15. sendo 0.. elbae. 1989)..92%) e leucina (12. 2epijatrogrossidiona. 0. 0. 1997).98%). mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. 1987). De J. Saponinas foram detectadas apenas em J. Teixeira. 1989a e 1989c). gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.. jatrofolona B. 1990). podagrida apresentaram 24%.1997). Dos rizomas de J. galvani (Guevara et al. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al.. 1997). 1988. 1988).. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. pohliana var. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. divica foram isolados beta-sitosterol. tlalcozotitlanensis e J. 1983). ácido araquídico e toxalbumina.30%) (Jain & Garg.60%. curcas. ácido linoléico (Nasir et al. grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. metionina (13.11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. 1990). bem como o ácido nurístico..

Houghton et al. 1981). Singh et al. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. 1990.. 1988..... 1991). 1990). 1986. terpenos. 1983.. 1986). hidroxiflavanona. 1989. 1988.. Anjaneyulu et al. 1996. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. flavonóides. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). 1988). 1996. 1995). neolignanas (Satyanarayana et al. De P. Anjaneyuly et al. timol e carvacrol (Odebiyi.. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole.. 1997). como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. 1988. simplex. virgatus (Babady-Bila et al. gossypifolia. Mensah et al. macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. niruri.. discoideus.. Mabea Do látex do caule de M. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. triterpenóides (Joshi et al. ácido caféico. cumarinas.. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. Singh et al.. assim como os diterpenóides de J. lignanas (Satyanarayana et al.Da espécie J. sacarose. 1988). a mais estudada é a P. Negietal. Ahmad et al. . 1991). 1989a e 1989b. e dos frutos de M. Ojewole & Odebiyi. 1977). P. 1985). De J. 1986. 1984) e antibacteriana (Odebiyi.. 1980). citral. enquanto em P.. Hassarajani & Mulchandani. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. 1986. 1988. diterpenos. Yunes et al.. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1996).... 1986) e vários outros compostos (Singh et al. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi.... P. 1996). 1980 e 1981). levulose. ácido clorogênico. da qual foram isolados alcalóides. Petchnaree et al. P. amarus e P. Singh et al. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1996.. Huang et al.

1996) e fisalinas (Makino et al. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1996c). Tanaka & Matsunaga... 1995a). Z. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al. antiestrogênica (Luma Costa et al. 2001). antinociceptiva (Carvalho et al. além de taninos (Zang. myrtifolius. analgésica. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1996). De P. 1998. antidiabética (Silva et al. 2002. 1998). 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al.. hipocolesterolêmica (Martins et al. 1997). antiedermatogênica (Campos et al... antiinflamatória. HirumaLima et al. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. Lu et al. 1995). 1993. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al. Farias et al. De P. 1996b).. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. Das raízes de P. foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. nalcanóis. 1996).. 1988b). emblica L. et al. francheti foram obtidos cicloheptano... 1987. 1999). D. 1995b).. 1988.. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C... De P flexuosus foram isolados triterpenos... além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al.. 1996). alkekengi var. 1996). 1988.De P. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. Farias et al. Bighetti et al... olenadienóis. et al. Tanaka et al. . 1989. C. 1988. depressora do SNC (Hiruma-Lima. 1999a)... 1988a. ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu. 1996).. Em P. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.. Li et al. calisteginas (Asano et al. Tanaka et al.. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee.. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. n-alcanos.. 1997 e 1996a)..

1988b) e substâncias isoladas de C.. 1993). presente nos casos de C. cajucara (Hiruma-Lima et al. inseticida de C.. 1985. Costa. Tang et al. hipotensora de C. Ao final. para crotina I foi de 0. 1980). erythrochilus... tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. anticonvulsivante e analgésica de C. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. 2000a e 2002b). 2001). et al. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . lechleri. 1987) e C. 1982).45 mg/kg e 2. Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. entre outras. 1988)... mais comumente de C. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. 2002a). Batatinha et al..4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. antinociceptiva (Bighetti et al. 1999b. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. Das sementes de C.. A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. anestésica local. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. C. lacciferus (Ratnayake et al. A DL50. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. rangelianus (Lima et al. Luz Paredes et al. 1988.. tranqüilizante. C.. C. 1983). 1999).. 1988) e C. penduliflorus (Anika & Shetty.. penduliflorus (Asuku. C. com o uso prolongado (Rodriguez et al. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina.. a ligana 3'. tiglium (Deshmukh & Borle. sonderianus (Craveiro & Silveira. campestris (Lima et al. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. 1986). 1980.. draconoides e C. subtyratus (Kitazawa et al.. 1987). 1982).Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al. zehnteri (Albuquerque et al. lacciferus (Bandara & Wimalasiri. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. 1988a). glabelus (Novoa et al. 1984). antiulcerôgenica de C. C. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. 1975). 1985) e C. rhamnifolius (Silveira et al.23 mg/kg para crotina II. 1993. C. M. 1993... macrostachys (Mazzant et al. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. 1994). Chen & Pan.

sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos. O efeito de C. Ao final dos experimentos. 1994a e 1994b). C. A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. nardus (Lemos et al.. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta. zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. Pieters et al. 1994).78% de flavonóides. 1995). Do óleo essencial de C. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al. Essa possui isoguanosina. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al. berghei (Be &Truong. 1992). Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. O extrato etanólico bruto das folhas de C. macrostachys foram isolados crotepóxido. antibacteriana e cicatrizante. berberina e outros alcalóides desse grupo. As folhas secas de C.. Ao final. 1991). De C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. lupeol.. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. tonkinensis contêm 0. Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. 1993).. 1995).32% de alcalóides e 2. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica. os alcalóides de C.. 1992a). betulina e ácidos graxos. 1992. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P. Das raízes de C. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters.... 1991a e 1991b).

Do látex de C.. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J. (Huang et al. 2000). Ubillas et al. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. Das sementes de J... 1992). e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. 1994).. curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. tiglium (Fanetal... que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. O óleo de C. e no retículo sarcoplasmático.39 mg pela via i. 1989 e 1991). 1987. 1995). Os extratos da sementes de C. haematobium (Rug & Ruppel.possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.. tanto na prova do campo aberto.. curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. 1992. Atividades larvicida (Karmegam et al. zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. 1994). curcas foi isolada uma enzima proteolítica. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al. 1988). 1997) e Schistosoma mansoni e S. e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al. lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular. 1991). 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. 1988. 1989). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al.p.. 1990) o óleo de C. antiplasmodial (Kohler . Hirota et al.. Jatropha Das sementes de J. 1988). 1993). aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico.. Do extrato clorofórmico das raízes de C.9%) (Liberalino et al.. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. 1991a). curcas. Do látex de J... curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al.. 1995). 2000).. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção. o alcalóide taspina (Itokawa et al. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Das sementes de /. a curcaína (Nath & Dutta.

elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória.. 1997). as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. O óleo das sementes de /.. F. M. 1992).. 1996). 2000). curcas foram isoladas curcusonas A e C. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. As folhas de J. que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. P. De J. zeyheri foi isolada a jaherina. 1996. 1987).. espasmolítica (Trebien et al. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. 1996). Santos et al. 2001). et al.. A J. Das raízes de J. 1996). 1992b e 1996). apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis.. 1996). .. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 1992a.... 1990. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe.. 1987) e tóxica (Brum et al. um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al. Dutra et al]. das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana. 1998). gaumeri (Sanchez-Medino et al. 2001). De J. glauca (AlZanbagi et al.. J. 1996). De J. Dessa espécie foi isolada a jatrofona.. antiespasmódica (Silva et al. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. 1993). Esta mesma atividade foi observada em J.. 1987) também foram caracterizadas em J.. que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. De /. que é moluscicida (Santos & Sant'Ana. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. et al. 1996). A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. 1987b).. multifida.. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. 1994).. O látex de /. e de J. Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. isabellii foi isolada a jatrofona. inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. curcas...et al. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al. 1996)..

. campesterol e fitosterol (Santos et al. 1988). urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al.. a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. Shimizu et al.. 1987). que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. Ribeiro et al.. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo... diurética. 1995). O extrato hidroalcoólico de P. o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. 1985).. e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno.. 1988. Gorski et al. De P.. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1996). 1992). mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar. 1996a). 1989). 1995). Santos et al... 1988). 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1984. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al. Além disso. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis)... 1994). 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 2000). 1985 e 1986b. anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al. 1995). Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al. Di Stasi. 1987).. 1993. Além disso. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al... 1995). 1992.. que foi atribuída aos compostos estigmasterol.. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al.

. e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P.. O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. ácido gálico e ácido protocatecoico. 1996). 1997a e 1997b). Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1997). Sane et al. de P urinaria. que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. 1996). 1996).. 1996).. 1995).. Foram caracterizadas. 1988). 1991). O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. 1994). 1996. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina.Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina.. 1996). De P caroliniensis foram isolados fitosteróis.. De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al.. Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. Roy et al. 1995). quercetina. 1990. ácido elágico. De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. 1997). corilagina. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al... Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al.. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. ácido brevifolincarboxílico. De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. 1995). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren.. 1995). caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai..... das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al. niruri e P urinaria (Santos et al. 1996).

Quadros de hemorragia anal. Pieters et al. 1979). podendo causar a morte em humanos.... 1987) e provoca náuseas. Porros et al. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Como conseqüência de seu uso crônico. 1995. Existem registros de intoxição em crianças de J.. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal... Torpor. 1993. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. 1986. redução no consumo de água. 1979). 1991c). hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. 2000). vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. 1993.. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b).Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz.. 1984). Efeitos como redução no tempo de protrombina. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. vômitos e diarréia. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. diarréia. hipotensão e desidratação. náuseas. Ahmed & Adam. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. Hemorragias internas em diversos órgãos. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1979). Itokawa et al. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. e ação estimulante da musculatura lisa. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. curcas em ratos. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. mutifida (Levin et al. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos.

tiglium (Bauer et al. 1983. FIGURA 13. Pieters & Vlietinck. 1998) (Banco de imagens . Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1986).1 . nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta.(1999).Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly..

. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 13.2 -Jatropha curcas.

Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.Jatropha gossypifolia.FIGURA 13. Hiruma-Lima).3 . .

4 . 1998). c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) flor feminina.FIGURA 13.Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens .

No Brasil ocorrem 21 gêneros. sendo raramente descritas epífitas.370 espécies.14 Guttiferales medicinais C. . Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. É composta por árvores. como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). pigmentos. 1978). dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. A. arbustos ou ervas. Clusia. óleos essenciais e resinas. Hiruma-Lima L. gomas. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae). Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. C. e Elatinaceae. algumas delas de valor medicinal. 1997).

O tronco ereto possui casca grossa. e algumas na África. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. Em outras regiões. descrito por Domingos Vandelli. sendo facilmente cultivada. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. No Brasil. ácido betúlico. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. como Picharrinha. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. coriáceas. ácido crisofânico. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. friedelina. O nome do gênero Vismia. com ocorrência em formações secundárias. damaradienol. com distribuição restrita à América tropical. martiana foi observada a presença de sitosterol. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. também chamada de Lacre. opostas e com borda inteira. Trata-se de uma espécie semidecídua. madagascina. Em V. foi dedicado a Visme. damagascina. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . e várias têm valor medicinal. euxantona. vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. as folhas são simples. 1990). O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. pecioladas. a maioria é fornecedora de resinas.

1993). popularmente chamado de Lacre ou Picharinha. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza..5'dimetoxisesamina (Camele et al. indicado para dermatofilose. Os extratos hidroalcoólicos. 1982). como a friedelina. 2-isorenilemodina e 5.. Das raízes de V. cayennensis. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 1997)... 1999) em V.. benzofenonas (Fuller et al.japurensis Rich.. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana. De Vistnia caynnensis.. micrantha foram isolados xantonas.. 2000). Em V. magnoliaefolia.. vários triterpenos. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al. O extrato etanólico da folhas.. 1983). não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. Moracelli et al. da planta fresca (Tokarnia et al. 1999). e em V. 1996). guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al. 1979).. flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira.e a ferruginina (Pasqua et al. vulgarmente chamada de Pichirina. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. conhecido popularmente como Lacre. 1994).. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d. 1995. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al.. et al. . 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. p-o. 1996). 1995). Porém.

Rapania e Cybianthus. Di Stasi C. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. nos quais se distribuem 1. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia.15 Primulales medicinais L. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Nessa família ocorrem 33 gêneros. sendo a maioria árvores. C. . Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus. ainda não identificada completamente. Theophrastaceae e Myrsinaceae. A. 1997). arbustos e lianas.225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. descrita por Robert Brown.

actinomorfas. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. sem estipulas. ovário supero. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". diclamídeas. curtas. flores pequenas. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. androceu com cinco estames opostos às pétalas. bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15.Espécies medicinais Cybianthus sp. flores e frutos. reunidas em inflorescências axilares. e anthos = "flor". folhas alternas. Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. inteiras. referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. ramos. .1). dispostas em racemos. Não foram encontrados sinônimos para ela.

Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .1 .FIGURA 15.

C. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião). incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. Na região amazônica. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. A. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. no entanto. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. gripes e bronquites. uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. anemia e distúrbios da tireóide. Hiruma-Lima L. essas espécies não foram referidas como medicinais. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil.16 Capparidales medicinais C. Para a espécie Nasturtium officinale. . além de seu consumo como condimento.

Os principais gêneros são Cleome. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. 1997). e a espécie Cleome latifolia. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. 1978). descrita a seguir. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. que atinge até 1. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies.Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. que justifi- . com muitas flores rosas e bonitas. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. Capparia e Maerua. com seus representantes incluindo ervas. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. tem valor medicinal na região amazônica. arbustos ou pequenas árvores.5 m de altura. inflorescências terminais bastante vistosas. raramente são descritas lianas (Barrozo.

. O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. 1995). droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas. 1988) e um diterpeno macrocíclico. kaempferol.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0.. kaempferitrina (0. 1997) e triterpenos (Harraz et al.0075%). a diacetoxibraquiicarpona. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi.cam seu uso como ornamental. 1990).. 1990). 1990).7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al.7-di-O-ramnosídeo (0. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. um trinortriterpenóide dilactona. Várias espécies desse gênero. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al. O extrato metanólico da planta toda de C. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. são cultivadas e usadas como ornamentais. o ácido cleomaldéico (Jente et al. 1996).. 1997b).. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.0025%). 1997) e glicinebetaína.. um flavonol.. bonanzina (0. os flavonóides artemetina (0. e das partes aéreas de C. 3. Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al. viscosa apresentou um .06%) (El-Din et al. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.. incluindo a Cleome latifolia.0013%)... De C.. 1997). a isoramnetina 3. 1986). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. Das sementes de C. De C. 1987).

Lemos et al.efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. 2000) e C... A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al. Chrysantha (Hashem & Wahba.6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al. 1996).. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. 1999).. 1993... . 1992).. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al.. popularmente conhecido como Mussambé. gynandropsis Samy et al. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. 1995). arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 1995b). viscosa (Samy et al. A espécie C.. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. 1996).. De C. C. 1999). 1995a) e antioxidante (Selloum et al. 1970). droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

A. C. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. 1978). das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo. Rubus e Prunus. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal.17 Rosales medicinais L. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. Di Stasi C. Várias espécies dessa ordem são medicinais. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. Saxifragaceae. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. . No entanto. e de Rosaceae. espécies dos gêneros Spiraea. com inúmeras espécies medicinais. Pittosporaceae. a qual descrevemos a seguir. a qual foi identificada apenas até o gênero. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. Na região amazônica. Crassulaceae. Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais.

incluindo árvores e herbáceas. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. Os principais gêneros dessa família são Licania. cíclicas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. sépalas e pétalas livres.Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. folhas simples. zigomorfas. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. com cerca de 460 espécies tropicais.1). estipuladas. muitas delas usadas para a produção de carvão. onde ocorrem 120 espécies. cálice gamossépalo com cinco lacínios. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. inteiras. fruto do tipo drupa. flores pequenas. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. referindo-se ao tipo de pilosidade. . corola com cinco pétalas. segundo Barrozo (1978). peninérveas. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama. alternas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. diclamídias. ovário unilocular. Chrysobalanus e Hirtella. Espécies medicinais Hirtella sp.

a maioria nos gêneros Prunus. como é o caso das espécies do gênero Rosa. arbustos e ervas (Mabberley. Agrimonia e Fragaria. e • Prunoideae. também se utiliza o chá contra reumatismo. que inclui. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. Rubus e Quijala. compreende 95 gêneros. • Rosoideae.825 espécies subcosmopolitas. 1997). a famosa aspirina. toxicologia e química. os gêneros Crataegus e Malus. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. com aproximadamente 1. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. ralada. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. Potentila. entre outros.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. é utilizada como afrodisíaco. encontradas em climas temperados. e raiz bifurcada para as mulheres. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. do gênero Frunus. como a . preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. No Brasil há poucas espécies. Normalmente são árvores de pequeno porte. no que se refere à farmacologia. da histórica Spiraea ulmaria. da qual foi isolado o ácido salicílico. • Maloideae. ou frutíferas. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais. com destaque para o gênero Spiraea. com destaque para os gêneros Rubus. primeira substância a ser comercializada como medicamento.

Marmelo (Cydonia). especialmente de cabeça. dependendo da variedade. que existe em grande número. e a infusão dos frutos. pendente. comestível e saboroso. ásperas. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. . flores vistosas brancas. Cereja. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira. com folhas alternas. e contra diarréias. A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. de margem serrada. assim como em várias regiões do país. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. carnoso.Maçã (Malus). solitárias e/ou geminadas. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. Ameixa. O nome do gênero corresponde a "ameixa". fruto do tipo drupa. Morango (Fragaria). 1998). Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. dispostas em fascículos do tipo umbela. Damasco. Groselha e Moranguinho (Rubus). lanceoladas. em latim. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Espécies medicinais Prunus domestica L. Pêra (Pirus). a decocção das folhas é usada contra dores. Pêssego. Nomes populares Na Mata Atlântica. doce e com uma única semente.

O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados..Sapuntzakis et al. 2001). 2002. Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 2001). Nakatani et al.... 2001). FIGURA 17. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 2000).1 . b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga.. 1978) (Banco de imagens • . Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al.

incluindo árvores.18 Fabales medicinais L. A. ornamentais. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. Hiruma-Lima A. arbustos. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. M. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. medicinais. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. Di Stasi E. . De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. R. Guimarães C. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. C. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. M. lianas e ervas. M. Compreende três subfamílias. Santos C. dependendo do arranjo sistemático adotado. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae. 1997).

C. J. Cassia multijuga. amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. que inclui o gênero Caesalpinia. que inclui os gêneros Cássia. que inclui o gênero Bauhinia. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. bonduc. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. • Cercideae. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. • Cassieae. dentre as quais C. as quais descrevemos a seguir. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. • Detarieae. angustifolia e C. C. Dialium e Senna. Cassia occidentalis. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). Caesalpinia pulcherrima. . Dalwits. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. senna. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. sapan e C. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. todos contendo várias espécies de valor medicinal. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea. das quais se destacam as espécies C. 1997). que inclui o gênero Copaifera. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. pulcherrima. C. bonducella. occidentalis. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata). a saber: Caesalpinia férrea. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. Cassia occidentalis e Cassia reticulata.Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae).

sempre com acúleos e seus dois ápices. assim como em quase todo o Brasil. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. algumas arbóreas e outras lianas.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. raramente dentro das florestas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. É uma planta decídua. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. usada para produção de carvão e caixotes. A espécie fornece madeira leve. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. dadas as características morfológicas de suas folhas. flores intensamente brancas. . Outras denominações comuns são Cascode-vaca. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. É amplamente utilizada como ornamental. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. folhas glabras. vistosas (Figura 18. Mororó. tronco tortuoso ou ereto. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. Pata-de-boi e Unha-de-boi. com grande abundância na Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.1). os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. heliófita. Por ser de rápido crescimento. bastante espinhosa. onde ocorre em áreas úmidas.

quase reto (Figura 18. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. Dados botânicos Arvore de grande porte. folhas bipinadas com folíolos oblongos. A espécie é heliófita. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino.2).Caesalpinia ferrea Mart. na região amazônica. além de largamente empregada como espécie ornamental. é utilizado contra asma e bronquite. ferrea var. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. ultrapassando o cálice gamossépalo. séssil. é utilizado como . aquecido até formar um xarope. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. após aquecimento. Muirá-obi e Muiré-itá. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. Suas folhas. ferrea var. além de ser empregado como fortificante para crianças. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. São muito comuns duas variedades: a C. Nomes populares A espécie é denominada. especialmente de ruas e avenidas. fruto levemente estipitado. ferrea e a C. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. na forma de decocto. com tronco liso e cerne duro. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. folhas de manga. flores diclamídeas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. hermafroditas. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. açúcar e água. dez estames. botânico italiano. Jucá. casca de jatobá. leiostachya. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. Imirá-itá. ao passo que o preparado de casca de jucá. ovalados ou obovais. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. podendo chegar a 15 m de altura. com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior.

vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. asma e como cicatrizante (Campêlo. No Piauí.anticatarral. Considerada de origem antilhana. glabros. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. inflamações do fígado e baço. A vagem crua é útil contra tosse. flores grandes e vistosas. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. na região. também é chamada de Flor-de-pavão. Na região da Mata Atlântica. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. Nomes populares A espécie é denominada. folhas compostas. além do uso comum contra gripes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos.) Sw. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. 1984). contra tosse crônica. . Chagueira ou Barba-de-barata. Caesalpinia pulcherrima (L. e em Alagoas. bipinadas. pois floresce quase ininterruptamente. tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. Em outras localidades do país. Flor-do-paraíso. sobretudo como cerca viva. com até 10 cm de comprimento. especialmente bronquites. 1982). 1984). internamente. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. com folíolos ovado-oblongos. a decocção das raízes é usada como antitérmico. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. resfriados e tosses. Espécie muito usada como ornamental. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. 1982). Baio-deestudante.

. a raiz é acre. externamente. odontálgicos. estipuladas. as folhas e flores são usadas como tônicos. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. Cassia multijuga Rich. além de ornamental. dado à falsa canela. febrífugos. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. obtusos no ápice e com base irregular. é chamada de Pau-cigarra e Caquera.como emenagogo e abortivo e. heliófita e pioneira. descrito também por Carl Linnaeus. deriva do grego Kasia. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. brinquedos. o fruto é do tipo vagem reta. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. abortiva. a casca é considerada emenagoga e.3). atingindo até 10 m de altura. A espécie ocorre em todo o Brasil. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. sendo uma planta decídua no inverno. Segundo Corrêa (1984). em doses elevadas. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. Em outros locais do país. com rara ocorrência dentro de florestas. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. excitantes. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. folhas pinadas. quando em grandes doses. largo e achatado (Figura 18. febre e como purgativo. O nome do gênero Cassia. tendo propriedades tônicas. lenha e carvão. purgativos. amarga. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. casca lisa e cinzenta. pela beleza da planta na época de floração. febrífugas e venenosas.

Na região da Mata Atlântica. laxativo. racemos axilares. febre. ramos quase cilíndricos. Rioba. frutos do tipo vagem glabra. Em Minas Gerais. Lava-prados. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. A espécie é anual e floresce na época de chuvas.. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Majerioba. achatados. Lava-pratos. Mata-pasto. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. gineceu com ovário piloso. beiras de estradas e próximo a culturas. dispostas. amarelas. com caule lenhoso na base. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. paripenadas com ráquis comprida. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. gripes. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. é indicada popularmente como antitérmico. assim como em outras regiões do país.Cassia occidentalis L. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Tararucu.4). folhas alternas. estipulada e com glândulas na base. no Brasil é espontânea nas pastagens. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. diurético e colagogo (Gavilanes et al. Manjerioba. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. Segundo Emperaire (1982). Ibixuma. infecções gerais. curto-peciolados. flores grandes. verde-escuros em ambas as faces. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa. Mamangá. Outras denominações são Folha-de-pajé. Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. resfriado e diarréia (Grandi et . no Piauí a infusão do caule. Maioba.

Além disso. mas também são utilizadas contra tuberculose. No Brasil. doenças venéreas. problemas hepáticos. nos desarranjos menstruais. 1988). anemia. como Mata-olho. internamente.. emenagogo. tinha e hemorróidas. reumatismo. é utilizada contra doenças do fígado. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. preparadas como o café. 1994).. as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. hidrópisia e dismenorréia (Dennis... 1990). diurético. as raízes são consideradas diuréticas. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica. dores menstruais e uterinas. febrífugo. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. 1979). 1986). na forma de cataplasma. Cassia reticulata Willd. mordida de escorpião. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. erisipela e tuberculose. Na Índia. 1990). doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. como antiinflamatório e. sudorífico. febrífugo e diurético.. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. são utilizadas contra asma. No Rio Grande do Sul. as sementes. e para constipações em bebês (Gupta et al. reumatismo. como vermífugo (Nagaraju et al. na asma. A espécie C. sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. 1982). 1985). e a infusão das flores contra bronquite (Rutter. Na Amazônia peruana. . No Peru. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético. estômago. 1970). o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. malária.al. desordens do trato urinário. Em outras localidades do país. as raízes são consideradas um tônico. No Panamá. purgativo. rins e bexiga (Simões et al. inflamações nos olhos.

Algarobo. Jutaí-açu. com 6 a 15 cm de comprimento. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. Também é chamada de Jatobá-mirim. Nomes populares No Vale do Ribeira. Jatobá-de-porco. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. alternas e pilosas. fruto doce. Jutaí-do-campo. lisos. como antitérmico e diurético. marrom. folhas compostas. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. tronco ereto e ramos glabros. nome dado à planta em quase todo o Brasil. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. negras.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. Jutaí-café. Jutaí-peba. Abati-tambaí. os frutos são vagens delgadas. dispostas em cimeiras terminais. farinhento e comestível. Jutaí. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. brilhante. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. com até . ápices acuminados. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Jatobazeiro. Jatobá-de-anta. Jatobá-roxo. 1994). Hymenaea courbaryl L. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. Jatai. entre outros. a espécie é conhecida como Jatobá. Olhode-boi. base assimétrica. flores brancas vistosas. com casca dura.

2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. o deus da união.. é eficaz contra tosses. enquanto o xarope da casca do caule. 2001. ácidos . O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. O nome do gênero deriva do grego hymen. e a seiva é excelente tônico para crianças. ferrea forneceu sitosterol. em alusão aos dois folíolos. com florescimento entre outubro e dezembro. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. ácidos palmítico e octacosanóico. Caesalpinia O extrato benzênico de C. vermífugo. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. enquanto a madeira é usada na construção civil. 2000). sedativo e peitoral.forticata (da Silva et al. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria.15 cm de comprimento. sendo usada na arborização de parques e jardins. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B. especialmente em crianças. estimulando a digestão e fortificando o organismo. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. microstachya (Meyre-Silva et al.. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. 2000) e os flavonóides kaempferol. É uma espécie semidecídua. Yadava & Tripathi. além do uso contra bronquite. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy.

bondenolídeo. 4.. lup-20(29)-en-3beta-ol. 3'-0-metilepisappanol. 6p-cinamoiloxi5a. 1997).5-trihidroxibenzóico (Rao et al.. 1978).. C e D (Peter et al. De diferentes partes de C.. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al.. alfa-amirina. lupeol.. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. 1983). 1977). 1985). 1987b. pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. Foram isolados os flavonóides: rutina. 1997).. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1973). 3'-0-metilsappanol.. Das sementes de C. beta-sitosterol. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1997).gálico e elágico (Santos & Sant'Ana. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. 7p-vouacapenediol. taraxerol (Yadava & Nigam. quercetina. beta-amirina. Da madeira de C. 1954). pulcherimina. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. Das cascas e raízes de C. 1997a). 1997). B. Peter et al. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona..ll. Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico.. 1983). De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al..4. 1987).14-didehidro-5a-vouacapenol.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden. 2002). bonducelina. protosapina (Namikoshi et al. leucodelfinidina. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al.. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. 4-O-metilepisapanol. 8metoxibonducelina. Kim et al. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal.. 1996). brazilina (Namikoshi et al. sappan foram isolados octacosanol...4benzoquinona (McPherson et al. 3'-0-metilbrazilin..9. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al. 1987c). neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 8. ácido 3. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. C e D (Patil et al. 3'-deoxisapanoI. quercimeritrina (Awasthi & Misra.. 1987e). sapanona B. miricetina. cianina. sapanol. 1987) e pulcherriminas A. 1986. quercetina (Rao et al. 1997b). episapanol. 1978). B. . 8metoxibonducelina.. 1987a). a 8metoxibonducelina (Parmar et al. 4-O-metilsapanol. 1977). 1978) e 2.6-dimetoxi-l. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. bonducelpina A.

. 1987. A composição de ácidos graxos das sementes de C. pumila foi analisada. 1982). triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero.. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh. 1977). spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. sapanonas a e b. C. C. 1983). saponinas. isoliquiritigenina. sapanol.. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. isolaram-se 1. caladenia e C.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. digyna (Mahato et al. Do Fedegoso. sitosterol. cacalaco e C. sapachalcona. a espécie C. 1977).Das raízes de C.. 4-O-metilsapanol. glicosídeos (Singh. sappan (Saitoh et al. Das sementes de C. 1996). isoflavanóides de C. 1986).... 3-deoxisapanchalcona.. 1987d). Cassia Da espécie C. 1977. M. episapanol. hintoni (Contreras et al. glicosídeos de C. Kitanaka et al. 1986.. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh. sappan (Nigan et al. buteína. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina.. 1995). platyloba. 1987f). (Kitagawa et al. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides. ácidos linoléico e palmítico de C. 1996). 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. et al. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. japonica (Namikoshi et al. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol. 4-O-metilepisapanol. sappan (Namikoshi & Tamotsu.. sitosterona. M. taninos. 1981). 1997).. 1985). occidentalis. dicopetala (Chowdhury et al. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima.. Fuke et al. brasilina e protosapaninas A. vários compostos aromáticos de C.. 1994). 1996) e de C. B e C (Namikoshi et al. C. Foram isolados alcalóides de C. Dos frutos de C. 1987a). além de xantonas (Wader & Kudav. S.. major foram isoladas caesaldekarinas A-E. Namikoshi et al.. reticulata. 1985). glicosídeos cardiotônicos. Na espécie C. . Da madeira de C. 1988).

De C. 1985). Das sementes de C.. emodina. 1979).. crisofanol. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. palmítico. 1.. pinselina. 1987). mirístico. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. 1990). Das superfícies das folhas de C.. & Singh. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo.e beta-amirina.8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. 1989). enquanto das vagens foram isolados crisofanol.. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C.. germicrisona. crisofanol. alfa. Das folhas de C. 1988a). 1987. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. 1982) e das raízes (Singh & Singh.. bis (tetrahidro) antraceno. dienóico e trienóico (Zaka et al. . Foram isolados das sementes de C. roxburguina (Ashok & Sarma. J. Da raiz de C. ácidos monoenóico. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. J. 1990). roxburguina. 1987). além de flavonas (Guptaetal. occidentalis foram isolados pinselina. 1986)..7-dihidroxi-3metilxantona. 1977) e os ácidos cáprico. 1985).1987. esteárico e oléico (Alencar et al. occidentalol-1. 1987). hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. 1987). occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. questina. Telange et al. 1986). metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido. Singh. De C. 1989). 1988b). Das sementes de C. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. 1978). occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. roxburguinol e um novo estilbeno. triglicerídeos (Zaka et al. renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas. De C. 1987). 1996).. l. 1986. 1989a). Da madeira foram isolados beta-sitosterol... occidentalol-2. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele..

. malválico. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. 1987. angustifolia não difere muito do de C. 1988). 1985). esteárico. 1984).. além da presença de beta-sitosterol. 1986. 1986). glicosídeos.. . obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. succínico e tartárico (Matsuura et al. torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. crisoobtusina. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. 1986). 1980) e os ácidos palmítico. aurantioobtusina. além de ácido palmítico.. 1989).. que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido. 1978). obtusina. 1986). 1997). Nas sementes de C. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al..Das raízes de C. antraquinonas (Zhang et al. emodina. Asamizu et al. De C. m-cresol. beta-sitosterol e l. 1979). oléico e linoléico. . fisciona. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. colesterol. 1990). 1977). polissacarídeos (Khare et al. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. De C. linoléico. questina. De C. 1989). 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. obtusifolia foram também isolados obtusina. ácido crisofânico. De C.. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. o senosídeo é o principal desses derivados.. 1987) e emodina (Yang & Wang. e das folhas. 1988). 1986). gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh.. obtusofolina. o aminoácido histidina (Zhang et al. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. O perfil fitoquímico de C. 1989).3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina. De C. 1990). flavonóides (Wassel & Baghdadi. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. 1988).. flavonas. flavonóides (Wassel & Baghdadi. Metil palmitato e metil oleato. Ishidaet al.. De C. obtusifolina e estigmasterol. flavonóides (Crawford et al. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh.. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik.. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. oléico. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al... 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. 1987). 1988). estigmasterol.

javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh.. 1978).. 1990).Ahuja et al. 1977). de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. aminoácidos (lisina. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla.. 1989a). 1981). . 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1990). fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. De C. proteínas brutas. 1987b. behenato de beta-sitosterol.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al.. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. 1987b). renigera possui ácidos vernólico. javanica apresenta nonacosano. glauca foram isolados os ácidos palmítico.. 1988). fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al. 1978).. Das raízes de C. linoléico. triptofano.. Das vagens de C..senosídeos das folhas de vagens de C.. Das folhas de C. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. 1990a). ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al.. beta-amirina. As cascas do caule de C. reina. 1988). Das sementes de C. butirospermona. fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. 1990). carboidratos. palmitato. De C. fistula e C. fistula e das cascas de C.De C. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. Das cascas do caule de C. flavonóides (Srivastava & Gupta. palmitato de beta-sitosterol. triacontano. araquidato de beta-sitosterol.. esteárico. 1987). oléico. arginina. 1988). e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. O extrato das folhas de C. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al. 1990). laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. 1988).. Chowdhury et al. 1990). fistula (Cano Asseleih et al. De C. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. ácido glutâmico e aspártico. 1988) e antraquinonas (. treonina e leucina). 1991). Do óleo das sementes de C. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. O óleo da semente de C. malválico. emodina... 1990a) e antraquinonas (Messana et al. 1987).. ácido behênico. De C.

1986.. Das raízes de C. 1986 e 1987).. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. 1988). sericea (Muralikrishna et al. pumila foram isolados tetratriacontanol. Das folhas de C.. B. emodina. 1989) e nas sementes de C. Cassia laevigata (Singh. ácido quelidônico. 1988). 2-methoxistipandrona. falacinol e uracila (El-Sayyad et al. De C.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. Das flores de C. fastuosa foram isolados os glicosídeos. C. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al. R. 1985).. linolênico. C. mirístico. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. 1977). senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina. beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani.Das partes aéreas de C. 1997).. 1987). C. holosericea é predominantemente de ácido láurico. De C. nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. Das sementes de C. palmitoléico. 1978). javanica (Singh & Jindal.. 1985). 1987). 1988). 1986). palmítico. marginata (Kumar et al. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. estérico. araquídico e behênico (Khalid et al. além de alcalóides (Christofidis et al. 1989)... 1988).. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. 1990).. De C.. oléico.. spectabilis foram isolados antraquinonas.. 1987. 1987). didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol.. Sen et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A. 1989). dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. De C. De C... crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. linoléico. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. 1988). (Baba et al.. . Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. emodina e rheina) (Krambeck et al. 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. 1977). A composição dos ácidos graxos de C. Cassia javanica (Azero et al.. siamea (Khan et al. fisciona.

. et al.. 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. O. gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W.. Amaral et al. et al. 1986). 1988). E.. 1990) Lima. Munoz et al. e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira.. 1999). 1976) e proteínas de C. O. 2000).. Lopes et al.. 1996. leiostachya (Moura et al. contêm caesalpina P. J. antimicrobiana (Cebalhos et al. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes.. O uso crônico de B. tarapotensis (Braca et al.. 1985). 2000.Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. C. 1997). 2002. candicans (Pepato et al. Rossi-Ferreira et al.. De C.. anticoagulante (Milagres et al... 1995. analgésica (Carvalho. C. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B.forficata e B. antiedematogênica. sapanchalcona. 1986)... et al... ferrea como antitumoral (Queiroz et al. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. guianensis (Kittakoop et al. et al. 2001. Estudos mais recentes têm apontado C. T. Bacchi & Sertié. purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. 1994.. 1991). Lemus et al. 3- . 1991).. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. J. 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. 2001) e antimolarial de B. malabarica e B. 1998)... 1987). Os inibidores da aldose reductase.. antiinflamatória (Carvalho. 1995. 1977). 1998). Nakamura et al. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al.. Extratos de C. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al. 2002a e 2002b). A espécie C. 1996).

. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum. vasoconstritora... spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al.. 1994. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al.. de estimulante uterino (Saraf et al. Feng et al. Sadique et al. 2001).. 1992. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al. hipotensiva. 1991.. in vitro.. O extrato metanólico de C. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. Cassia Nas folhas de C. antiviral contra hepatite B (Patney et al. Schmeda-Hirschmann et al. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. protosapanina A. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim.deoxisapanona. 1978.. A brasilina isolada de C. 1999). 1997). antifúngica.. 1976) e. De C. Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. 1987. 1996). inibitória da hemólise.... Sama et al. 1997). 1962).. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon. 1996). antimalária (Gasquet et al. 1993. .. Hussain et al. Caceres et al. hepatoprotetor (Jafri et al. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1985). antibacteriana. de relaxamento do músculo liso.. 1995a). brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1987). sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al. antiparasitária.. 1989).

1990. citotóxica com extratos de C.. podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al.4. lugustrina (Abhaham et al... Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan.3'. 1984). 1991).. 1991). 1988 e 1989). garrettiana (Inamori et al. 1990). 1986a). As sementes de C. obtusifolia (Kitanaka & Takido.pudibunda (Cavalcanti et al. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al.5'-tetrahidroxistilbene. 1989). O extrato das folhas de C. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. Estudos com as sementes de C. 1989).. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C.. garrettiana foi isolada a 3. O extrato a 10% das folhas de C. utilizando as folhas de C. 1988). podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. 1979) e C. e C. 1985). pudibunda (Cavalcanti et al. As antraquinonas de C. C. A fração polissacarídica de C. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina).. 1990). acutifolia.Das sementes de C. obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos.. 1990). As folhas de C. 1986). obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. Os resultados finais indicaram que tanto C. alata quanto C. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al. Crawford et al.. Nas sementes de C.. alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. 1988) e C. espasmolítica com subs- . tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1989). fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al.. acutifolia como controle positivo.. exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. De C.

C. angustifolia (Nakajima et al. 1986.. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. anemia. além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al. especialmente por crianças. quinquangulata (Ogura et al. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. A administração de folhas de C. na forma fresca. 1979). como substituta do café. que apresentaram um quadro de ataxia. Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. 1985). talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia.. . em geral. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. em muitos países. seca e/ou torrada. caracterizado por náuseas. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. O gênero Cassia produz.. pumila (Fatawi et al. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. A espécie C. cavalos e cabras. Salienta-se que a espécie C. vômitos... fistula (Babbar et al. 1987). 1979) e C. Colvin et al. 1986b). pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. Seu consumo indiscriminado é perigoso.. purgativa dos glicosídeos de C. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos.. cólicas abdominais e diarréia. diarréia. dispnéia. cansaço e dores. 1991).. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. apatia.. amplamente utilizada pela população.. ferrea. estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. 1979). 1986). antitumoral com extratos de C. fistula (Bhardwaj & Mathur. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa.tâncias isoladas de C. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. roenwilana (Rowe et al. 1984). 1977) e antivirótica com extratos de C. 1998). 1985).

sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Sophoreae: Sophora. Myrocarpus e Ormosia. Indigofereae: Indigofera. Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Diplotropis. Desmodieae: Desmodium. das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. Vicieae: Vicia e Pisum. Nos estudos realizados na região amazônica e . Robinieae: Sesbania e Robinia. onde se encontram plantas (Barrozo. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. Abreae: Abrus. Dypteryxeae: Dypteryx. 1978). Cymbosena. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Millettieae: Tephrosia. Trifolieae: Medicago. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Psoraleae: Psoralea. Canavalia. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Derris e Lonchocarpus. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Genisteae: Lupinus. Dioclea e Mucuna. Crotalarieae: Crotalaria. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. um importante produto alimentar no Brasil —. Cajanus.

O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. gripes. na Mata Atlântica.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. . dispostas em pedúnculos axilares. Feijão-de-árvore. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. podendo atingir 3 m de altura. flores vistosas. com ampla utilização em diversos países. Andu. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. No restante do Brasil é conhecida como Guando. contra constipação nasal. pinadas. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. Espécies medicinais Cajanus cf. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. Guandu ou Feijão-guandu. Ervilhade-angola. A espécie possui um grande valor econômico. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. 1984). sendo um nome popular da planta usado em Malabar. as quais são descritas a seguir. Erva-do-congo. Cuandu. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. mas há divergências quanto a essa classificação. de onde partem folhas pecioladas. com ramos angulosos. comprimida. dores de barriga e diarréia e a infusão. fruto do tipo vagem linear. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa. oblongos. sendo ainda forrageira. compostas de três folíolos aveludados. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.

acuminados e glabros. por arbustos ou árvores. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é chamada. referindo-se ao legume. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. oblongos. com ramos tomentosos. fruto do tipo legume falcado. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. pediceladas. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas. de Flor-da-terra. significa "pele dura". reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. em forma de bote. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme".Cymbosema roseana Bent. menos freqüentemente. 1997). Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. reunidas em fascículos. e foi descrito por George Benthan. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. O nome do gênero Derris. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago. flores rosas. na Mata Atlântica. descrito por João de Loureiro. flores rosas. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. .

sementes sem endosperma (Figura 18. externa. revestida de pêlos curtos. pentâmera. com folíolos articulados na base.) DC.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. com uma grande pétala superior. Trevo-da-flórida. trifoliadas e . Dados botânicos Erva de pequeno porte. Outros nomes populares são Amores-do-campo. coriáceo. compostas. folhas alternas. a prefloração da corola é imbricada descendente. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. com cálice gamossépalo. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. flores fortemente zigomorfas. Derris floribunda Bth. ereto e com raiz bastante lenhosa. folhas pecioladas.5). fruto do tipo legume linear. Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. hermafrodita. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. Desmodium tortuossum (Sw. corola dialipétala. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. cilíndrica. didamídea. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica.

com folíolo terminal ovado maior que os laterais. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. com ampla distribuição no Brasil e no México. Dados da medicina tradicional A semente ralada.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. Sapupira-da-mata. Outros nomes comuns são Favinha. pequenas. todas conhecidas como Sucupira. com folhas compostas. O nome Diplotropis significa "duas carenas". Sapupira. com sementes pretas e duras (Figura 18. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. O nome do gênero significa "feixe". O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Sapupira-da-várzea. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. coriáceos. . plano. fruto do tipo legume. Cutiúba. Sapupira-preta. reunidas em racemos. referindo-se à disposição das flores. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa. Sucupira-da-terra-firme. flor com estandarte longo. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. misturada com enxofre. Paricarana. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. pinadas e folíolos glabros. fruto do tipo vagem. Sicupira. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. Sebipira. vexilo oblongo provido de apêndices na base. Diplotropis purpurea (Rich. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. indeiscente.6). Cutiubeira. tendo um apêndice na base.

produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. doces. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. Imburana. caule reto. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. frutos em forma de vagem drupácea. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. Nomes populares A espécie é chamada. podendo atingir até 35 m de altura. alternas. quando passados sobre as costelas. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. pecioladas. charutos. que. e na produção de perfumes. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. Umburana e Kumbaru. O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia.Dipteryx odorata (Aubl. de Cumaru. servem para tratar a pneumonia. . quando maduros e secos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. de cor verde-amarelada. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. referindo-se ao cálice. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. compostas. aromáticas. imparipinadas. dispostas em panículas pubescentes. de pequena espessura. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. sendo indicado "cheirar quando se está com dor".) Willd. além da famosa fava de cumaru. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. grosso. Cumaru-amarelo. folhas grandes. Cumaruzeiro. O nome do gênero significa "duas asas". flores vermelhas. Imburana-de-cheiro. Cumar-do-amazonas. se fendem liberando a semente roxo-escura. alimentos e uísque. 1991). na região amazônica. cigarros. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei.

internamente. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. flores vermelhas. contendo casca de pequena espessura. diaforéticas. podendo atingir até 3 m de altura. . para aliviar dores de garganta e. frutos em forma de vagem verde. antiespasmódico. aromáticas. folhas grandes. narcótico e estimulante. com semente oleosa e aromática. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. e os palikur. grosso. caule ereto. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. dispostas em panículas pubescentes.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. emenagogo. alternas. emenagogas e cardíacas. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. Em outros lugares. cardiotônico. pela presença de Cumarina. compostas de sete a nove folíolos. tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. contra contusão e reumatismo. essa espécie é utilizada como anticoagulante. como reconstituinte das forças orgânicas. antitussígeno. diaforético. diaforético. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. 1991). contra qualquer inflamação. pecioladas. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. febrífugo. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. antidispéptico. para banhos fortificantes de crianças. imparipinadas.

A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. com casca rugosa no caule. a mais estudada é a D. Outros nomes são Cabruê. Óleo-pardo. urucu. compostos 5-9 folioladas. Pau-bálsamo. A madeira. Nomes populares A espécie é chamada. tinturas e perfumaria. de ocorrência na América do Sul. portas e janelas de luxo. assim como a casca. Bálsamo e Pau-de-óleo. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo".Myrocarpus frondosus Aliem. sendo muito usada na indústria de cosméticos. possui aroma balsâmico. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas.. para fabricação de carroças. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. indicadas nas lesões do sistema respiratório. sendo ainda expectorante peitoral. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. 1974). de Cabreúva. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. outros compostos . os mesmos efeitos são atribuídos às raízes.

1978). Em D. Nascimento & Mors. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. 1996). lupinifolina e laxiflorina. 1977).rotenóides (Braz Filho et al. 1995b) e D. E em D.. N... 1989). canarensis (Evans et al. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1986. spruceana. 1976. 1997). Do caule de D. canadense (L.. crisantemina e cianina (Matinod et al. D. possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. aparines (Link. 1954).) DC. adhaesivum Schldl.. De D. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. 1978. deguelina e tefrosina (Ahmed et al. heterocarpon e D. incanum DC. As espécies D. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al... spruceana (Garcia et al. 1978). Kimetal. 1993. foram isolados os flavonóides desmodina. Rao M. hiravanona. B e C). 1988). benthmii (Fellows et al. D. 1991.. foram isolados. 1977). obtusa (Nascimento et al. Nakatu et al. proteínas.. laxiflora Lin et al. 1997). os flavonóides. 1986).) DC. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. 1994).. D. 1994). com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. enquanto de D. ou D. senegalenseína. frutescens. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. amoena. do seu caule e de suas folhas.. D. Das raízes de D. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1985) e D.. 1989).. D. .. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. et al. epoxilupinifolina e dereticulatina. araripensis (Nascimento et al. oblonga e D. também denominada D. 1995b). homoadonivenita (Batyuk et al. lipídios. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. D. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al.. Flavonóides também foram isolados em D. Lin & Kuo.. 1961. reticulata. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi... tortuosum. e das raízes de D.. Da espécie D. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. Bell et al. 1962).. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. 1973b) e saponina (Parente & Mors.. Foram isolados alcalóides de D. Desmodium De D. 1976) e D.8-difenileriodictiol. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al.. glutinosum. 1978)..

Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. N-N-dimetil-3. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. Em D. os alcalóides candicina. N. A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D. Nakatu et al. hipoforina e os alcalóides. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. também denominada D. 3. De D. Purushothaman et al. 1963). bufotenina N-óxido. 1969. leptocladina. 1973). Bell et al. Em suas raízes foram isolados abrina. Nmetiltiramina. genisteína. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick. hordenina. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. desmodina. também muito usado medicinalmente. gangetinina. Purushothaman et al. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. os flavonóides desmodol (Ueno et al. foram isolados mangiferina. gangetina. beta-carbolina. e de D. hordenina. O D. Ghosal & Bhattacharya. normacromerina. elegans DC. isoquercitrina.) DC. os flavonóides hiperina. cinereum (Kunth) DC. Don. desmocarpina.. hipoforina. e o esteróide antiosídeo (Alaniya.N-dimetiltriptamina. 1975). gangeticum (L. 1978).4-dimetoxifenetilamina.. caudatum (Thunb. 1977. 1984. ácido octacosanóico. 1962. 1983). . salsolina. kaempferol e quercetina. cinarascens A. A espécie D..Os alcalóides bufotenina. galactopinitol A.) DC. ario-inositol e betapinitol. 1-octacosanol. 1972.. 1964) foram todos isolados de D. O-metilbufotenina. 1972). O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee.4-dimetoxifenetilamina. salsolidina. betaína.... tiliafolium G. 2-feniletilamina. além de canavanina (Beveridge et al. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava. 1971). intortum) possui carboidratos. possui os flavonóides dalbergioidina.. difisolina. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman.

floribundum. nonacosanos. De D. 1966).. 1986. multiflorum. racemosum. N. Perez-Maldonado & Norton. Sreenivasan & Sankarasubramanin. Mukherjee et al. estigmasterol. 1965. isovitexina. kaempferol. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. e de D sandwicense E. ojeinese. estigmasterol.. epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. laxiflorum foram isolados heptacosanos. ácido indol-3-acético. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. formononetina.. 1984). foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. 1997). Bell et al. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. 1989). feniletilamina. 1963a e 1963b. 1989).. também conhecido com D. styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al. o terpenóide lupeol. inositol. triquetrum foram isolados friedelina. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. e de D. podocarpum. De D. foram isolados os flavonóides apigenina. 1989). flavosativasídeo..N-dimetiltriptamina N-óxido.. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. Amor-de-velho-comum. 1982.. pinitol e canavanina (Beveridge et al. compostos estes também isolados em D. vitexina e xilosilvitenina. Ahluwalia et al.) DC. Kubo et al. Kubo et al.. triflorum (L... 1965). também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. 1989. 1995). De D. e de D. vitexina. De Desmodium uncinatum (Jacq.. 1977. 1968). De D. De D.. 1961 e 1962..1995. 1985). 1995). lupeol.. Anjaneyulu et al. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. 1971.. Adinarayana & Syamasundar. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. homoferreirina. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta.) DC... e os flavonóides isoliquiritigenina. os terpenóides beta-amirina. também denominado D. ovalifolium (Giner-Chavez et al. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. 7-hidroxiflavona. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar. heptacosanol. 1962). mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. 1996). e os alcalóides colina. 1978). De D. De D. tricosanol. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. . b-sitosterol.

1. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina. .1973a).3epimetoxilupanina.. 1982).

punctata (Gruenwald... odoratina. alata foram determinados 40% de óleo. 2000.. 1994). De diferentes partes de D. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al.. 1995. 1981). . De D. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. flavonóides (dipterixina. punctata (Gruenwald. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier.. 1966). A espécie D. odorata apresenta um grande valor comercial. odoratina. 1995).. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. odoratina. 1994).Dipferyx De diferentes partes de D.. 1952). 1995).. lupenona e lupeol (Kaplan et al. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. De D. além dos terpenóides betulina. 1991). lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1996). 1994).. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. Das sementes de D. Togashi. cumarinas (Ehlers et al. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. 1993). 1952). isoflavonóides (Lourenço et al.. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. Nakano et al. flavonóides (dipterixina. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. Das sementes da espécie D. além dos terpenóides betulina. pois suas sementes são ricas em Cumarina. odoratina. retusina). alata foram determinados 40% de óleo. lupenona e lupeol (Kaplan et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. retusina) e terpenóides (19-vouacapanol.

.. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. Foi isolada das raízes de D. O extrato etanólico de D. nicou (Costa et al. também conhecido como Timbó. 1987). 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al. 1979). 1997). D.. 1997). 2001). Das raízes de D. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali. Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al. 1997).... gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos... Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. Aragão & Valle. 2002). e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al. Derris sp e D.. 1998. 1996).. De D. 2001). indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al.. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos. 1999. urucu e D. Datta & Bhattacharrya. sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. . 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. De Derris sp. micou. scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico.. 1972).

D. 1997). A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al.. 1997). que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al.. Tolera & Said.. ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al.. Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D. De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. O extrato de D.. 1988). e os taninos isolados de D.. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. O extrato aquoso de D. B e C. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al. styracifolium. O extrato de D. 1989). intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. 1999). 1988). 1996). além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. De D. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio.A D.. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. 1997).. 1987). 1996. que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. .

1991). das quais destacamos os gêneros Parkia. Inga.. Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D. et al. distribuídas em cinco tribos. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. Leucaena. . Albizia..950 espécies descritas.Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. vômito.. Y. Adenanthera.Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. Calliandra. Zollernia e Acácia. 1996). 1987).. Prosopis. muitos deles de valor medicinal. Mimosa. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al. 1998). doses elevadas podem causar náusea. M. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. 1993). urucum provoca irritação da pele. das sementes de D.

Zollernia ilicifolia Vog. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. pecioladas. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). repletas de glândulas. Em outras regiões do país. é chamada de Espinheira-santa. Ingá-grande e Jambolão. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. com grande ocorrência na Amazônia. flores reunidas em espigas terminais. na região da Mata Atlântica. a espécie é chamada de Mocitaíba. pinadas. Moçataíba e Orelha-de-onça. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. Laranjeira-do-mato.) Willd. compostas por folíolos ovais. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. . pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. Nomes populares A espécie.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais.

6. paterno (Morton et al. incluindo dores. I. stipularis (Kraus & Reinbothe.. I.3'.22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. alba.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. a antiga casa regente prussiana.7. I. longispica. I.oblongas. 1996). a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. e o nome deriva de Hohenzollern. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. oerstediana e I. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. farmacológicos e toxicológicos. bourgonii. flores rosadas (Figura 18. 1973). I. Maytenus ilicifolia). com margens onduladas e providas de espinhos. assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda. sertulifera. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. I. I. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var.8-dimetilflavona (Correa et al. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. heterophylla. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. 5. I. I.4'trihidroxi-6. parviflora foram isolados os constituintes 7..7).3'4'-trihidroxiaurona e 7. semialata. nobilis. Foram isolados alcalóides das espécies I. laurina. . 1991).

Reis). b) detalhe das folhas (fotos originais por M. S. .1 .Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore.FIGURA 18.

FIGURA 18. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .Caesalpinia ferrea.2 .

FIGURA 18.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos.3 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 . 1984).

1939).Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.FIGURA 18. b) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens .4 .

Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .FIGURA 18.Derris floribunda.Banco de imagens - .5 .

FIGURA 18.Diplotropis purpurea.Banco de imagens - .6 . Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .

. S.7 .FIGURA 18. Reis).Zollemia ilicifolia. Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M.

Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil.19 Myrtales medicinais L. assim come outras espécies de valor econômico. arbustivas. a Punica granatum. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas.950 espécies. e as duas famílias aqui descritas. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . 1978). que incluem espécies medicinais. Di Stasi C. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Melastomataceae e Myrtaceae. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. A. Punicaceae. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas. da famosa Romã. São plantas herbáceas. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. 1997). que inclui o gênero Punica. distribuídas nos 188 gêneros. onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. C. com inúmeros representantes no Brasil.

Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. em outras regiões. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. flores pequenas. dispostas em cimeiras. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. . O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. com folhas ovais e cordiformes. que descreveu inúmeras patologias em plantas. na região amazônica. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. ou Pixirica. Neste estudo. roxo.) DC. essa espécie é chamada de Quaresma. nervadas e pubescentes. Huberia. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. 1998).as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. Rhynchanthera grandiflora (Aubl. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Salpinga. ereto e piloso. Miconia. Nomes populares Na região amazônica. fruto do tipo baga. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. brancas ou rosas. ambas pela indicação popular na região amazônica. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. Microlicia. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá.

que contém 19% de taninos hidrolizáveis.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. e várias outras em climas temperados. de onde partem folhas de pecíolo longo. Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. Os . inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta.620 espécies (Mabberley. Pseudocaryophyllus. Eugenia. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Pimenta. bem representada na Austrália. Eucalyptus. Essa família inclui gêneros como Myrtus. Psidium. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. planas.. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. Leptospermum e Melaleuca. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. oeste da Índia e América tropical. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Syzygium. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. 1997) arbustivas e arbóreas. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1990).

Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. 1996). dispostas em corimbos. bastante aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. cultivado ou adquirido no comércio. com folhas pecioladas. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). leucoantocianinas. ácidos fenólicos e ésteres. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. oblongas e glabras. Myrciaria Gabuticaba). opostas. além de óleos essenciais. flores pequenas. taninos. No Brasil. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. . 1998). Cereja-nacional. as partes aéreas do Cravo-da-índia. são usadas no local. para o alívio de dores de dentes. rosas ou avermelhadas. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. especialmente as flores. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. congestão nasal e dores de cabeça. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. E uma espécie exótica. Eugenia (Pitanga. fruto do tipo drupa.constituintes dessa família incluem. Araçá).

que é a denominação em grego da planta. referindo-se aos frutos. Araçá-goiaba. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. Guaiaba. Araçá-guaçu. existem registros para a espécie como Goiabeira. curto-pecioladas. Provém de psidion. internamente. doenças da pele. no entanto. galhada. usada externamente. contra diarréias. brancas e com numerosos estames. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. A infusão dos frutos. significa "triturar. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. de sabor agradável. fruto com baga amarela. Psidium. Na região da Mata Atlântica. com cálice membranoso. O nome do gênero. edema e. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.1). actinomorfas. com caule tortuoso e casca lisa. diclamídeas. é indicado contra diarréia. Guaiava. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. morder". folhas opostas. botões florais tomentosos ou glabros. os brotos de goiaba e de caju. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. fervidos. Araçáguaiaba. 1984). glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. para regulação do ciclo .Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. por outras. esmagar. e. é útil contra hemorróidas. flores hermafroditas. o chá das folhas novas. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. ovadolanceoladas. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte.

1984). A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. 1982). 1988). botões florais tomentosos ou glabros. lavagens de úlceras. misturado com folhas de pitanga. folhas opostas. 1982). diclamídeas. guajava ainda são utilizadas na América Latina. indisposição estomacal e vertigem (Forero. no Pará. As folhas de P. antidiarréica. Duke & Vasquez. principalmente em diarréias infantis. guineense Sw.menstrual. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. sendo facilmente confundida com esta.. Central. flores hermafroditas. As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. . actinomorfas. brancas e com numerosos estames. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. 1980. também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. com cálice membranoso. 1994). misturado com folhas de salva-de-marajó. como também os frutos. é antidiarréico (Amorozo &Gély. A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. o chá das folhas. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. como estomáquico. 1992). curto-pecioladas e glabras.. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. Psydium cf. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. 1986). Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária.. fruto com baga amarela. Grandi & Siqueira. igualmente usados como alimento. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. 1982. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. anticolérica e antiúlcera. 1987. de polpa abundante. no Piauí. em Minas Gerais. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. e o decocto. antileucorréica. Grenand et al. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. o chá da folha. no Rio Grande do Sul.

28 ésteres. 1981). alcanos. 1994).. polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. -cubebeno. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al. dos quais 13 são aldeídos. apresentou atividade depressora do SNC. Yusof & Mohamed.. Zheng et al. Ortega & Pino. 1987. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. O dehidrodieugenol... derivado de eugenol.. -santaleno. aldeídos. 1978)..Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.. além de taninos (Misra & Seshadri. ésteres.1-díetoxietano. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al. humuleno. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. -guaieno. lignina. 1987. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. 1990. 1986... -terpineol. açúcares. 1968. cremoflieno. 1987). 1990). 122 componentes voláteis. 1. Wilson & Shaw. t-cariofileno.. Oliveros-Belardo et al. 1996. 1968). As diferenças quantitativas e qua- . 1991). Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al. 10 ácidos.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al.1-dietoximetano. 1987). p-menten-9-ol. -bisaboleno.. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo.. 1994). -cedreno. Pino et al. himacaleno. Marcelin et al. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. Ortega & Pino. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. 1989. 1982) e quercetina.. Pino et al. 1. vitaminas C e A. acoradieno. 1996). os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. Chyau & Wu. óxido de humuleno. cetonas. e 95% são cariofileno (Latza et al. p-cimeno. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. -bergamoteno. 31 alcanos. borneol. 1989. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari. 17 cetonas. 1996). denominados 1. 1990. 1996). mirceno... 1989. pectina.

O extrato aquoso tam- . guaijaverina. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. Jain et al. 1989).. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1991). Ácido elágico. flavonóides.. 1987. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. 1986).. 1986). Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. A atividade antibacteriana das cascas de P. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al. palmítico. (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. Lima Filho et al.. ácido oleanólico (Mair et al. Chen & Yang (1983). e Maruyama et al. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. 1987). d-galactose. (1994) e Neri et al. O interior das cascas é rico em ésteres... polifenoloxidase (Augustin et al. 1981). Okuda et al. 1996).litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. 1987).. Hegnaurer.. 1987). 1978).. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. 2002. 1979b. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. óleo essencial (Ji et al. ácidos linoléico. oléico e esteárico (Opute. 1974. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica.. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. 1987).. Osman et al.

apresentou atividade antimicrobiana (Santos. 1993. Das cascas de P... 1993. Lozoya et al. 1990. e antitumoral de P. 1996b) e P. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1996). guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. et al. Lutterdodt.). 1990. Cáceres et al. 1970).. 1999)... 1989). Lozoya et al. widgrenianum (Souza et al. Do extrato hexânico das folhas de P.. 1999). A. A. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. incanescens (Santos. 2000. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al. anticonvulsivante (Santos. et al. Morales et al. 1994.... 1995).. 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. 1994). 1995)... 1994).. F.. Cheng et al.. incanescens (Zelnik et al. e eugenol e timol de P. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. 2002. Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. Santos et al. 1995).. óxido e b-selineno). 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo. P. et al.. et al. (Santos et al. 1989.. A..bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. 1994. propriedade anticatártica (Pinto et al. 1996a). Grover et al. F. Lutterdodt. 1988) e tosse (Jaiay et al. guyanensins. et al.. Shimomura. A. 1994.. 1996c. F. guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. F. O extrato de folhas de P. 1998). F. 1992. Cáceres et al. pohlianum e Psidium sp. 1983). A quercetina isolada de P.. guyanensis (Santos.. P. 1997.. A. guyanensis. 1995. PonceMacotela et al. . O óleo essencial de P. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. Lutterdodt et al. 1994. De P... 1996a) de P.. Meckes et al..

FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .Psydium guajava.1 .

1997). com atividade antifertilidade masculina. são Celastrus e Trypterygium. Os principais gêneros dessa família. ambos contendo espécies amplamente estudadas. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica.G. N. . no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. representa importante fonte de espécies medicinais. A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. Seito F . Inclui desde árvores até arbustos e lianas. e apenas uma delas. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. nos quais se distribuem aproximadamente 1. e Maytenus. C. gênero de grande valor medicinal. que possuem espécies medicinais.20 Celastrales medicinais L. Austroplenckia. a família Celastraceae. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. Di Stasi L.

Salva-vidas. Cancerosa. gastrite e ulcera péptica. agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. arbusto menor (de 1 a 3 m). Também é conhecida como Sombra-de-touro. de onde partem folhas elípticas. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. glabras. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Erva. ápice agudo. com acúleos. na região da Mata Atlântica.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Espinheira-divina. Erva-santa e Congorça. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. ex Reiss. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. Maytenus aquifolium M.cancerosa. amarelo-avermelhado. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). . flores numerosas. fruto do tipo cápsula ovóide. dor do "ciático". denteadas. de Espinheira-santa. copa globosa e ramos glabros. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. bastante coriáceas. dores nas costas e úlceras do estômago. atingindo até 9 cm de comprimento. axilares. Espinho-de-Deus.

Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al.. 1998) e glucosídeos (Zhu et al.Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto.. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie... serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas... Dados químicos De M.. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. fruto do tipo capsular. heterophylla e M. . oblongas. Foram também isolados um glicosídeo. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. podendo chegar a até 4 m de altura. 1995a). podendo chegar a até 15 cm de comprimento.. 1995). Da infusão das folhas de M. 1997). krukovii (Honda et al. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago. 1998). 2000)... aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al.. 1995. flores pequenas e axilares. De M. contendo folhas alternas. arbitifolia (Orabi et al. 1999). cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al. 2001) e triterpenos cetônicos de M. vermelho. Das sementes de M. com ramos finos. 2000).. Foram isolados das cascas de raízes de M.

1994). ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI. sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. betulina. diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).. ilicifolia (Itokawa et al. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. 1996b). lupeol. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al.. E-I e E-II (Itokawa et al. 1995a).Gonzalez et al. 1992). chuchuhuasca (Shirota et al. Dos ramos de M. 1999). Sesquiterpenos foram isolados de M. As cascas das raízes de M. foram isolados das folhas de M. triterpenos do tipo friedelana. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al.. ácido oleanólico e ácido betulônico. xuxuarinas F beta. Das folhas de M. E-II. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al.... E-V.. 1992b). 1993a e 1993b). os triterpenos fenólicos canarol. E-IV. 1998). canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. os triterpenos 3-beta.30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. E-III. Além disso. Dos ramos de M. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. emarginatina-D. 1997). e outros triterpenos (Gonzalez et al. além de epicatecol... cangoronina e ilicifolina.. lup-20(29)-ene-3beta. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.30-lup-20(29) ene-triol e 28.16.. 1994). 1998). os triterpenóides beta-amirina. 7 alfa-hidroxicanarol.21-trione (Nozaki et al... 1999a e 2000). Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. emarginatina-E e emarginatinina.. 1991b). 1994b). chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides.. 1991). canaradial. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al.30-diol (20).. e escutidina alfa A foram isolados de M.28.8dihidroisoxuxuarina E alfa. iliocifolia (Shirota et al. 7.. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al. além de pristimerina.. De M. 1994). . G alfa e G beta. De M. macrocarpa (Chavez et al. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 1993).

1984)... 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa.. De M. 8 beta. macrocarpa (Chavez et al.. 1996b). tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. 2000.M. maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. G. myrsinoides (Baudouin et al. assim como os compostos 6 beta. Wang et al. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 1981).. catingarum (Alvarenga et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. -15-triacetoxi-l alfa. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al.. Dados farmacológicos M.. 1999). 1981) e antimolarial ( El Taher et al.. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. 1996b). 1971). confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al... Alcalóides foram isolados de M. 1971. 1996). Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. O composto escutiona isolado de M. Gonzalez et al. tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.. scutioides (Gonzalez et al. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. et al. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al.. senegalensis e M... A. 6 beta. 1996a). scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. isolados de M. 1996c).. . 2001). 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. M. Nor-triterpenos isolados de M... 8 beta. 1999). 1999). 1999a). Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M. 1999b).

. Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al.. Oliveira et al. 2001. 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. 2000). 1991. Queiroz et al... 1991. Extratos de Maytenus ilicifolia e M. 2002). senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina.O extrato diclorometânico de M. G.. 2001). ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. As folhas e caules de M.. 1999). . especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. et al.. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al. Gonzalez. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. F.

C. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. além das duas referidas a seguir. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. Malpiguia e Stygmaphyllon. 1978). distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. bebida alucinógena. ambas com várias espécies medicinais. Trigoniaceae. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. Vochysiaceae e Krameriaceae.100 espécies tropicais. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis. arbustos e lianas (Mabberley. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. ocorrem 32 gêneros. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. . com aproximadamente trezentas espécies. Byrsonima. especialmente árvores. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. usada na produção da Ayahuasca. 1997). com importantes espécies fontes de madeiras. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Polygalaceae.21 Polygalales medicinais L. contendo cerca de 1. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. corantes e de medicamentos. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. No Brasil.

Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. externamente.) Juss. glabas na face superior e sedosas na face inferior. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. e. Gordura-de-porco ou Cajuçara. significa "estigmas foliáceos".Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. contra icterícia.) Juss. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. bastante pubescente. dor de estômago e gripes. e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. possui inflorescências dispostas em racemos axilares. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. arredondadas. nas raízes formam-se grandes tubérculos. . O nome do gênero Stigmaphyllon. de folhas cordiformes. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. grande e robusta. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre.

Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. Oxalidaceae e Balsaminaceae.22 Sapindales medicinais C. amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. Das demais famílias dessa ordem. Anacardiaceae. inúmeras espécies medicinais. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. o Guaraná. C. M. especialmente dos gêneros Simarouba. Simarubaceae e a outra família. Sapindaceae. Quassia. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. além das espécies aqui citadas. Essa ordem. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. Simaroubaceae. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. que contém. especialmente no Sistema Nervoso Central. Ailanthus. Hiruma-Lima A. Picrasma e Brucea. . Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. Cupania e Serjania. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. R. Souza-Brito L. destacando-se as famílias Burseraceae. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. A. Rutaceae. essas espécies serão descritas a seguir. Meliaceae.

Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). as espécies Pistacia lentiscus. Do mesmo gênero. Desses gêneros destacam-se. Spondias e Schinus. Essa família botânica inclui árvores. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). sendo pouco referida e usada em populações urbanas. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Mangifera. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. No Brasil. distribuídas em regiões tropicais. Spondias. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país. Schinus. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. Além dos usos medicinais. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. lianas e raramente ervas pereniais. amplamente consumida . tais como Caju. nos países de clima temperado. que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. muitas espécies estão espalhadas por todo o território. A espécie Mangifera indica. enquanto outras representam importantes fontes de madeiras.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). reúne setenta gêneros. com aproximadamente 875 espécies. além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Nessa família. Semecarpus (Semecarpeae). pertence à ordem Sapindales. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). Manga e Pistache. descrita por John Lindley. subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. subclasse Rosidae. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. 1997). relatados a seguir. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil. arbustos.

Pará e Mato Grosso. Caju-assu. o fruto em forma de drupa é peduncular. Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Cajuí. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. com tronco de casca lisa. as flores. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha. dispostas em panículas. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. perfumadas.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. sendo também denominada Cajuaçu. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. entre outras tribos indígenas. Engl. Caju-da-mata (Amazonas).1). ovário súpero com um só óvulo. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. especialmente no Amazonas. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. não foi referida na região de estudo como medicinal. . de 25 a 30 m de altura.

ovadas. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. Caju-da-praia. tomando-se um copo por dia. várias outras denominações são usadas para a espécie. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. pecioladas.Anacardium occidentale L. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. plástico e resinas. Caju-de-casa. com um só estame fértil. É uma planta decídua. pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. no entanto. as flores.2). raspa de amor-crescido e cajá. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. Caju-manteiga. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. entre outras. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro. tais como Acajaíba. assim como a própria castanha. Cajumanso. Para hemorróidas. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. onduladas. ovário unilocular. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. Economicamente. possui importante mercado nacional e internacional. Além dos usos medicinais descritos a seguir. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. glabras. o fruto é do tipo aquênio reniforme. Contra diarréia. as folhas são alternas. O óleo é usado na produção de borracha. O nome do gênero. significa "semelhante ao coração". o óleo da castanha. Acajuíba. pequenas e de coloração pálida. heliófita e que cresce bem em solos secos. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. em referência ao nome de seu fruto. ou simplesmente Caju. Anacardium. O . reticuladas e nervadas em ambas as faces.

assim como um potente adstringente. 1993. calos e verrugas. 1994. 1992). 1984). O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. a casca é utilizada como adstringente. e a raiz. e a maceração de folhas para tratar diabete. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. Matos. purgativa. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. As flores são afrodisíacas. No Piauí. . E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1995). astenia. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. P. 1982). desordens urinádas e asma (Lima.. anti-helmíntico. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. 1993). o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. estimulante e afrodisíaco. e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. contra úlceras. debilidade muscular.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. 1994). antidiabético e antihemorrágico (Verardo. 1990. como um diurético. Grenand et al. Cruz. A resina é usada como depurativo e expectorante. contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. tônico.. tonsilite e problemas de garganta. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf.. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. 1982). uma infusão de folha é usada contra diarréia. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. para controle das secreções vaginais. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. O suco das folhas serve como antiescorbútico.. 1995). depurativo e anti-sifilítico. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. Em Juiz de Fora (MG).

sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Aroeira-do-campo.Schinus terebenthifolius Raddi. estimulante e analgésico. . tônico. com casca grossa. imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22.3). sugere-se o uso com moderação. adstringente. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Fruto-de-raposa. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Bálsamo. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. caule tortuoso. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. Cambuí. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. referindo-se às frestas da casca do fruto. Aroeira-da-praia. com copa bonita e arredondada. Aroeira-do-brejo. como cicatrizante e contra gengivites. Coração-de-bugre. Aroeira-do-sertão. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. analgésico e contra coceiras. Aroeira-vermelha. febrífuga e usada contra afecções uterinas. lenha e carvão. mas é muito usada como ornamental. Aroeira-branca. Fruto-de-sabi. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. O nome do gênero significa "cortar". Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético.

esverdeado e doce (Figura 22.4). as flores são pequenas. do tipo drupa. descrito também por Carl Linnaeus. antiespasmódico. sendo um composto característico das espécies deste gênero. Cirouela. o fruto. diurético e analgésico. reunidas em racemos. inclui espécies tropicais. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. especialmente árvores com resinas. com 5 a 7 m de altura. como antidiarréico. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. ilustrado a seguir. além de comestíveis. Acaju. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. O gênero Spondias. p-hidroxi- . enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero.O3). Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. O nome Spondias significa "ameixa". 1994). Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro. é ovóide. Acaiou. Siriuela. Outras denominações comuns são Acajá. O ácido anacárdico (C22H32. ou Cajá e Umbu. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). ou mesmo Caju. referindo-se à semelhança com o fruto. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. referindo-se apenas à fruta da espécie. imparipinadas.Spondias purpurea L. Em outros países da América do Sul.

antocianinas. leucocianidina. n-eicosano. estigmasterol. aminoácidos. derivado de resorcinol.. 1973). 1997c). Compostos derivados do ácido anacárdico. P. Al. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. agathisflavona. 1997). além de Na.. quercetina. além de flavonóides voláteis (Pino. 1986). flavonóides. e de suas folhas foram isolados miricetina. robustaflavona. os seguintes compostos: acetofenona. cicloartenol. ácido gentísico. anacardol. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. também foram isolados (Costa. (-)-epiafzelequina. narigenina. cardanol. Mg. a-amirina. campesterol e colesterol (Dinda et al. fenol. 1995). 1985). glicosídeos de quercetina. S. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. ácido procatéquico. amentoflavona. 1987).. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. C1. ácido-p-hidroxibenzóico.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. 1990). triterpenos e sesquiterpetenolactonas . amido. (-)epicatequina. limoneno. taninos. taninos e açúcar (Nagaraja et al. sódio e açúcar. apigenina. de diferentes partes da planta. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. álcool araquidílico. K e Ca (Thomas & Dave. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. kaempferol. anacardeína (Sathe et al. 1986). 1987). quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. aminoácidos. esteróis. anacardol e cardol. a-selineno e vitamina C (Gupta. 1989). Foram também caracterizados.

1994). láurico. Himegima & Kubo. oléico. 1991). Muroi & . Vários derivados do ácido anacárdico. aminoácidos variados. Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. 1993. -sitosterol. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol.. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos... -caroteno. Escherichia coli.. denominados geraniina e galoilgeraniina. tocoferol. -linolênico. 1994). flavonóides e triterpenos em suas folhas. 2000). onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. 1994) e frutos (Augusto et al.. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. quercetina. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al.(Guerrero. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. palmítico. 1999). um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária.. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. 2000). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. 1991). 1992). cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. 1994). 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. 1991. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . ácidos esteárico. palmitoléico. tocoferol e outros. Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. ácido salicílico. e raízes (Guerrero. tais como -catequina..Bacillus subtilis.

que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. 1994).. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1984a). Souza et al. enquanto o cardol. O extrato hexânico das cascas de A. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A.epicatequina Kubo. 1974. mas se mostraram importantes como agentes antitumorais.. Craveiro et al. 1991). Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. 1992. occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al. glabrata. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A. e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. 1982). 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera.. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas.. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. Jurberg et al. . Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). 1993). occidentale foram avaliados perante a B. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. 1993). 1995).

Mota et al.. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. Dos extratos hidroalcoólico. 2001. occidentale. 1999. responsáveis por irritação da pele.. 2000. 1992).. 1990). um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli.. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. Barbosa Filho et al. 1991).. 1994).. 1992). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). antiartrítica.. isolada de A. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. pela presença do cardol (Hoehne. mombin. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. Akinpelu. foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. . foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória.A epicatequina. Além disso.. 1982 e 1985. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. 1982. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al.. 1980) enquanto. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus. França et al. taninos isolados de S. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka.. 1994).. Kudi et al.. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al. 1983). 1981). 1990. occidentale... Geraniina e galoilgeraniina. 1993). Abo et al. Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al..

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

4 . 1946). .Spondias purpurea.FIGURA 22. Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne.

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto.5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

FIGURA 22.Ruta graveolens.6 . Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .

as quais são descritas a seguir. A. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). Essa família inclui 446 gêneros. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. denominada também Umbellales.23 Apiales medicinais C. mas alguns arbustos e árvores são des- . de acordo com o sistema de classificação botânica. Hiruma-Lima L. ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. com aproximadamente 3.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). 1997). descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Di Stasi A ordem Apiales. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. C. como Umbelliferae.

Apioideae). ascendentes.critos na família.Hydrocotyloideae). Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Cominho e Salsa. onde há amplo uso como medicamento. Coentro. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Apium (gênero do Salsão). e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. Muitas dessas espécies são cultivadas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. muito comum na Mata Atlântica. Apium. com raízes fasciculadas. sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas. fibrosas e caule florífero solitário. tais como Cenoura. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica.Apioideae). Coriandrum (Coriandreae . No Brasil ocorrem poucos gêneros. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. Apium com características ruderais.Saniculoideae). Daucus (Caucalideae . 1998). dunas e brejos. e Hydrocotyle exigua. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae). entre inúmeros outros. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). Erva-doce. optamos por incluir aqui apenas duas delas. Petroselium (Salsa). Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. densamente imbricadas. Pimpinella (Erva-doce). oblongolanceoladas. assim. a Eryngium ekmanii. Cicuta. folhas alternas.

Esse chá. cordiformes.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. capítulos esverdeados com flores pequenas. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. torcidas antes de abrir. lobadas e pilosas. referindo-se às fibras do rizoma. quando preparado em alta concentração. de Erva-terrestre. crenadas. na região do Vale do Ribeira. o sumo das folhas frescas. exigua (Urban. semelhantes a barba de cabra. diclamídeas e hermafroditas. O nome do gênero. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . var.com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. especialmente em crianças. Também é conhecida como Erva-capitão. e aix = "cabra". O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. é considerado excelente contra dores de cabeça. dos quais são emitidas raízes. vem de eros = "lã". Eryngium. frutos pilosos. é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis. com nós. usado topicamente. Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. habitando em lugares úmidos. de no máximo 1 cm de espessura. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hydrocotyle hirsuta Sw. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. folhas pequenas. no entanto. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. com flores avermelhadas.1). fruto subgloboso (Figura 23. cíclicas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. inflorescência em capítulo. espalhadas por diversos continentes.

.. emético. em altas doses.000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. foetidum L. acetilenos. 1986). 1980) e E. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos. Hohmann et al. 1986).. e cotyle = "umbigo". diurético e. planum (Hiller et al. foi ainda isolado o falcarindiol em E. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. sendo 2. . elegans (Campos & Garcia. a DL50 por via oral foi de 1. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. Além de saponinas. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. 1985).. O extrato aquoso de E. 1985.5-trimetilbenzaldeído. Das folhas de E. De E. 1999). 1992). Glicosídeos foram isolados de E. campestre (Erdemeier & Sticher.. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. ilicifolium (Pinar & Galan. a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes. 1997a). O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". 1997a). comarinas e flavonóides. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher.inclui 130 espécies cosmopolitas. 1997). 2002). 1984)... 1995).4. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. sendo majoritários carotol. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. anetol e alfa-pineno (Pino et al.. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. bourgatii (Lam et al. foram isolados 46 compostos. farneseno. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al.. maritimum (Lisciani et al. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 1986). Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. também encontrados em E.

é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. especialmente em refogados e saladas. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. Mackinlaya e Polyscias. No entanto. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. Árvores. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. segundo a história. arbustos. No Brasil ocorrem vários gêneros. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. Das inúmeras espécies descritas nessa família. e inclui 47 gêneros. epífitas. Centro-Oeste e Sul. e centenas de . Tetrapanax. Schefflera. especialmente do gênero Cicuta. e Polyscias. com aproximadamente 1. utilizada como alimento. ambos introduzidos no Brasil. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. 1997). Tetrapanax e Aralia. Panax.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. são encontradas na família. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. mas raramente ervas. 1998). lianas. Australásia e América tropical (Joly. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. no envenenamento do filósofo Sócrates. famosa por ter sido usada. subclasse Rosidae.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. Hedera. da famosa Hera dos parques.

pela beleza de sua folhagem.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. globoso. androceu com cinco estames. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. Cuia. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. A espécie não foi completamente identificada. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. grandes. Cunha e Cunha-mansa. O gênero Polyscias. refere-se à forma da folhas. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida.estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. ovário ínfero. a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. pertencente ao gênero Polyscias. flores pequenas. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. usada internamente. Outras espécies do gênero. O nome popular da espécie. Cuia. e acias = "sombra". folhas alternas. com larga bainha na base. sendo também usa- . e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. fruto indeiscente. variegadas. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. cálice pequeno. reunidas em inflorescências axilares. descrito por Johann Forster e Georg Forster. amplamente cultivada como ornamental. O nome do gênero vem do grego polys = "muito".

Em P. os autores demonstram que . Nesse estudo. Fulva (Bedir et al. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1991)... foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al. 2002. 1988. 2001). Lutumski & Luan. Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng.. 1989c e 1990) e de P. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. Nas folhas de Polyscias sp. Chaboud et al.. 1992. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. 1992). sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984).. 1998). 1995. 1992). 1989a. 1986).. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse... 1989b. Proliac et al. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. scutellaria (Paphassarang et al. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias.. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P.. Glicosídeos oleanólicos. A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll. 1990). 1994). 1996. 1990. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. Barilyak & Dugan. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória. sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. Vo et al.dos como calmante por adultos.

FIGURA 23.1 . filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. associados àqueles referentes a outras da família. 2002). especialmente a Panax ginseng.Eryngium ekmanii. e de prolactina pela hipofise. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse. mostram que essa espécie. são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas. A espécie P. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas.. assim como outras do gênero Polyscias. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero.

Banco de imagens - .Polyscias.FIGURA 23. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .2 .

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. Di Stasi C. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. apesar de pouco numerosa. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas. Apesar de não referidas no nosso estudo. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . demonstram que a ordem Gentianales. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. . Gentianaceae e Asclepiadaceae -. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III).Strychnaceae.24 Gentianales medicinais L. Esses dados. A. Gentianaceae e Asclepiadaceae. C. Apocynaceae. Loganiaceae. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. Genistomaceae. espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica.

dentre os gêneros. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. inclui 165 gêneros. Catharanthus. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. além dessas. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. aqueles que incluem espécies arbóreas. entre as espécies de pequeno porte. serpentinina e reserpina. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. Paquistão e Tailândia. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. muitas das quais conhecidas como Mangaba. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. arbóreas. Nerium. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. 1997). Nesse contexto.900 espécies tropicais e subtropicais. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. . com aproximadamente 1. Mandevilla. como Aspidosperma. Allamanda. Strophantus. e. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. como os gêneros Allamanda. Rauwolfia. muitas das quais trepadeiras e suculentas. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. Vinca. sendo esta última o mais importante. Joly (1998) destaca. ajmalinina. Hancornia. com destaque para ajmalina. subclasse Asteridae. a família possui espécies trepadeiras. Inclui espécies arbustivas. Tabernaemontana. muito utilizadas ornamentalmente. os gêneros Mandevilla e Thevetia. Thevetia. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. e encontrado em várias outras espécies do gênero. arbusto encontrado na Índia. Hancornia. Aspidosperma. herbáceas. fornecedores de madeira. Java. serpentina.

segundo Evans (1996). Himathantus sp. tais como ouabaína. a saber Allamanda cathartica. Wrightia e Aspidosperma. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. Alamanda amarela e Quatro-patacas.• do gênero Vinca e Catharanthus. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas. Vinca rosea e Catharanthus roseus. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. cilastonina e também a reserpina. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. vinblastina e vincristina. tanto para os animais como para a espécie humana. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. . estrofantinidina e cimarina. • do gênero Nerium. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. tem sido designada também como Catharanthus roseus. especialmente a Nerium oleander. Dedal-de-dama. Vinca minor. alstonilina. destacando-se espécies do gênero Mandevilla. as espécies Vinca major. Orélia. contudo. Deve-se destacar. espécies ricas em glicosídeos. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. as espécies Strophantus gratus. e Thevetia peruviana. tais como alstonina. A espécie Vinca rosea. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. tais como majdina. • do gênero Strophantus.

em animais domésticos. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. especialmente em crianças. alternas. grandes. contendo poucas sementes (Figura 24. As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. é considerada um excelente vermífugo. A infusão das folhas é utilizada como emético. especialmente cães e macacos. emético e purgativo. com casca rugosa. com folhas brilhantes. axilares e fasciculadas. Ucuuba e Sucuba. a planta exsuda látex considerado venenoso. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. sendo a A. enquanto a decocção das cascas da planta.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. A folha é considerada excelente catártico. espessas. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. folhas simples.1). fruto do tipo capsular. na forma de funil. usada internamente. atingindo até 20 m de altura. glabras e verticiladas. com a mesma indicação. semilenhoso. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. com copa estreita e tronco ereto. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. em grande número. inflorescências com flores amarelas. . adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. O gênero inclui doze espécies tropicais. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental. Segundo Corrêa (1984). com tubo estreito e longo. purgativo e catártico.

estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. glabras em ambas as faces. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. significando "manto de flor". Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. grandes e brancas. simples. linear-lanceoladas. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. Thevetia peruviana (Pers. especialmente no alívio de coceiras. Noz-de-cobra. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. sendo útil como anti-helmíntico. especialmente em crianças. alcançando até 10 m de altura. 1990). pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. todas encontradas na América do Sul (Plumel. inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. ovaladas. A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. Coração-de-jesus. heliófita e secundária. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. margens inteiras. 1997).) K. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. no entanto. frutos geminados em forma de chifres. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. coriáceas. enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação).pecioladas. sendo uma planta perenifólia. acumi- . O nome do gênero deriva do grego. folhas alternas. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. com um tronco de casca cinzenta. Schum. contendo sementes aladas. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. A população refere que a planta deve ser usada com cuidado.

assim como outros inúmeros usos de várias par- . das quais a referida é a mais conhecida e estudada. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. 1984). A casca é considerada amarga e febrífuga. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. purgativa e emética e de uso perigoso. como pulseiras. 1997). antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. 1984). além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. O nome do gênero Thevetia. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. No Brasil. além da sua utilização uso em vários países como emético. contendo flores grandes. Os usos dessa espécie como purgativo. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. fruto do tipo drupa carnosa. a amêndoa. especialmente do continente africano. para provocar vômitos. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. em pó. purgante. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. arbotifaciente. É uma espécie muito usada como ornamental. carnosas e glabras nas duas faces. triangular. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. com corola em forma de funil. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. braceletes. aromáticas. amarelas. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. bactericida e como veneno para peixes. contendo sementes duras e grandes. 1985). colares.nadas. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. revestimento de maracás (Corrêa. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. As sementes da espécie são usadas como inseticida. 1962). descrito originalmente por Carl Linnaeus.

-hidroximedioresinol. Corrêa. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke.1997..-hidroxipinoresinol e 9. schottii. também chamado tevetina A. 1988). também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk.. escoparona. além das flavonóides (Germonsén-Robineau. 1996).. plumericina. tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. 1988). 1992b. 1974). 1962. ovata e T. assim como de outras espécies do gênero. -amirina. plumierida. Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. 1989). medioresinol. As sementes de Thevetia peruviana.. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero. Dados químicos dos gêneros Allamanda. quercetina. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo.. -sitosterol. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen. alamandina. 1986). ruvosídeo e neriifolina. 1996. -sitosterol. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. escopoletina. Tewtrakul et al. Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. O isolamento de diosgenina. . a alanerosida. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. canogenina. acetato de lupeol.. além de 13-O-acetil plumierida. perivosídeo. neriifolia os compostos 9. são ricas em um glicosídeo a tevetina. flavonóides. Foram isolados de A. e de suas flores. blanchetii (Ganapaty et al. 1984).. cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. 1995c e 1995a). tais como de T.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al.. tevetina B. rutina e os iridóides plumierida. ácido ferúlico e ácido gentísico. Kupchan et al. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. como a A. 2002).Kader et al. além de lignanas como pinoresinol. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al. 1993). 1992a e 1994).-O. thevetioides (Perez-Amador et al.. 1988). kaempferol. foram isolados do caule isoplumericina. De outras espécies do gênero Allamanda. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. 1985).

taninos e saponinas (Gupta. esperolactonas. 1994. esteárico e palmítico. peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis.. 1991). e as raízes. (1990) e Beauregard Cruz et al. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda.. follax (Abdel-Kader et al. 1998). cáprico. 2000). alcalóides. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . Triterpenos como ácido olianólico... 1990). acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. obovatus (Vilegas et al. 1982). Ali et al.. Guerrero. Da mesma forma. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1996). Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. flavonóides. neriifolia (Dinda&Saha. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba. taninos. linoléico.. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. 1993). láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. behênico e erúcico. triterpenos e saponinas. De acordo com Obasi et al.. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. Da espécie H. esteárico. 1995. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides.. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. oléico. (1986). ácido metilperlatólico (Endo et al... glicosídeos cardiotônicos. linolênico. ursólico. triterpenóides (Wood et al. Das folhas de T. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. taninos e saponinas. Foram descritos os ácidos mirístico. 1978). Iridóides também foram isolados de H. enquanto as cascas possuem alcalóides.. 1992) e em T. 1992) e H. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al.. linoléico.

. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. bexiga. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii. 1994). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 1962). 1981).camundongos. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. 1991). 1935). 1997). 1990). 1992). 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1945 e 1947). 1989). produziu atividades espasmogênica. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva. antimicrobiana (Neto et al.. indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. 1933). blanchetii (Melo et al. anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 1994) antifúngico (Tiwari et al. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina. A neriifolina. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. cathartica e A.. 2002) e antiofídico (Otero et al. 1990. . Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain.. inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang. 2000). isolada dessa espécie. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina.. atóxica e cicatrizante (Villegas et al.... O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino... Obasi & Igboechi. Peruvosídeo e neriifolina. 2002)... conhecida popularmente como orélia. o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina. 1984. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. 1982a e 1982b.. Moraes et al. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al. Moreira et al. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. violacea (Lima & Caldas.

. No entanto. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. gatos. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. efeitos tóxicos também são similares. 1996). 1996). nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. 0. Maringhini et al. cobaias. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. e estudos recen- . 2002. para bovinos (Tokarnia et al... cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. além de congestão da mucosa da área digestiva restante. Saraswat et al.700 mg/kg é dose letal. 1993). acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. 1933). 1996. A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. Frerejacque.. 1958. 1933. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. 1996). A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.4g/kg. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. e Thevetia peruviana e T. Oji et al.. respectivamente.5 g/ kg e 14. 1999. Nerium oleander.. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. 1992). Singh & Singh. 2000.. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares... 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. Eddleston et al. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. peixes e outros animais (Chopra et al. 2000). Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996).

pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal. visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. ou seja. inibição da Na+. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. no entanto. Observações Várias espécies dessa família. os quais ainda não foram estudados. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. Deve-se salientar. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor. 1991). especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. incluindo o homem. Da mesma forma. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. . Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. 1996). que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. Dessa forma. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados.K+-ATPase. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. dada a riqueza química da família. De todo modo.

especialmente por seus efeitos tóxicos. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Oxypetalum.Asclepias. e inclui 315 gêneros. mariana Dcne. . esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. sobretudo para animais. distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. tais como Asclepias curassavica. Inclui lianas. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. Oxypetalum e Calostigma. mariana. No Brasil. descrita a seguir. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. Fischeria.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. com aproximadamente 2. 1997). e algumas de grande valor medicinal. Tylophora e Calotropis. herbáceas e raramente arbustos e árvores. trepadeiras. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. Espécies medicinais Fischeria cf. 1986). subclasse Asteriddae.

O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. diclamídeas. inclui aproximadamente 78 gêneros. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. membranosas. androceu modificado. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária.225 espécies cos- . L. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. corola gamopétala. com pecíolos pubescentes. von Fischer. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados.. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos.2). fruto unilocular. nos quais se distribuem 1. com testa verrucosa (Figura 24. 1979). formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. hermafroditas e de simetria radial. de onde saem as folhas simples. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. opostas. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. foi realizado experimento de toxicidade. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. sementes comosas. Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. com lacínios conspicuamente crispados. com ramos pubescentes. flores pentâmeras. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. E. especialmente a febre.Dados botânicos Espécie de pequeno porte.

Puruvá e Cutúbea. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. amenorréia e como vermífugo. 1998). Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. 1997). No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. mas também inúmeras espécies tropicais. a decocção das raízes é usada contra febre. folhas opostas e sésseis. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. especialmente do gênero Dejanira. fruto capsular. amplexicaules e grandes. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. Lisianthus e Coutoubea. também sésseis. sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. desordens estomacais. Voyria. 1978). com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. sendo várias delas medicinais. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. com caule ereto de muitos ramos. F. de Carne-seca. na região amazônica. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. subtropicais e de clima temperado. Nomes populares A espécie é chamada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. reunidas em verticilos. dispostas em espigas simples terminais. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. Dados botânicos É uma planta anual. e outras são usadas como ornamentais. .mopolitas. Dejanira. flores brancas grandes e muito vistosas.

um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. diminuição da atividade do rúmen. diminuição da atividade motora e dores abdominais. 1997). 1984).Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae).. um dos encontrados no Brasil. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. tônico. e morte. dentre eles. da famosa Strychnos nux vomica. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. quando ingerida dentro de 24 horas. febrífugo. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. 1979). estudos de toxicidade. . ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. incluindo tanto árvores como arbustos. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. lianas e ervas (Mabberley. polipnéia. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. Mas a C. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. e Strychnos. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. taquicardia. Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. hipotermia. Porém. destacamos apenas os principais: Spigelia. Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. onde é cultivado como ornamental. conhecida popularmente como Tingui em Roraima.

Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. nós na forma de uma cruz. O nome do gênero designava. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. 2002). a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. No levantamento realizado.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. Nomes populares Na Mata Atlântica. 1978). flores amarelas em grande abundância. . potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. Noz-vômica e Quina-de-cipó. folhas opostas e ovais. Segundo Corrêa (1984). a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. a maioria na Amazônia (Barrozo. glabras. coriáceas e trinervadas. nux-vomica (Shoba & Thomas. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. fruto do tipo baga globosa. Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. antigamente. as plantas com propriedades narcóticas. porém de S. também constatado para a espécie S. A planta recebe esse nome por possuir.. 2001). a planta é narcótica e venenosa. em seus cipós. que se refere à presença de mais de 190 espécies. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus.

1996). Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al. guianesis (Penelle et al. Das raízes de S. Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. 2001).. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S. . 1998) e S. 2000 e 2001. 1999). 2001).. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al.1 . 1996)..Allamanda cathartica. S.. S.. Rafatro et al. panganesis (Nuzillard et al..A S. mellodora (Brandt et al. FIGURA 24. myrtoides (Martin et al. usambarensis (Frederich et al. S. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). 2000. 1996).. Quetin-Lecrerq et al. 1995)..... 2000). icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.

laniflora Dcne.2 .Banco de imagens - .FIGURA 24. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Fischeria cf.

incluindo plantas herbáceas. das quais alguns exemplos são aqui referidos. arbus- . lianas. C. N. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1. Solanaceae.25 Solanales medicinais L. algumas vezes parasitas. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos.600 espécies. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Seito C. Convolvulaceae. A. distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. ervas. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Di Stasi F. Gonzalez L. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. G.

de Batata-doce. internamente. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. Nomes populares A espécie é chamada. Ipomoea batatas. cordiformes. ainda que raramente. flores brancas. axilares e fruto capsular. em gargarejos. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. que são cultivadas com fins comerciais. geralmente lobadas. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. pecioladas. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. gengivite e dores de dente. . aqui também descrita como medicinal. 1997). Na região da Mata Atlântica. como Batata-da-terra. A planta também é conhecida. delicadas e amplamente consumidas como alimento. Possuem inúmeras variedades. a espécie é cultivada e consumida como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento.tos e raramente árvores (Mabberley. com folhas alternas. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. suculentas. raízes tuberosas. para infecções da boca. rosas ou arroxeadas.

I. e de homoios = "semelhante". Delgado et al. de cor vermelhoviva ou rosa. enquanto as folhas são detergentes.. coptica. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. flavonóides (Zhou.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. cairica. pinatipartidas e pecioladas. I. cairica. I. como é o caso de /. batatas Lam. Dados químicos do gênero Da espécie I. 1996). O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. glabra. 2000. b-sitosterol. Alba. fruto capsular ovóide. com cinco lobos arredondados. friedelina. De . sinensis. anti-reumáticas e laxativas. Goda et al. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. ácido caféico e quercetina (Tan et al. O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". acetil-b-amirina.. como é o caso de I.. 1996. hederifolia. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). de 5 a 18 cm de comprimento. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores.. comparando-se as plantas deste gênero. foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. purpurea e I. sendo várias ervas. 1996). Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. muitas delas amplamente cultivadas. tubérculos ou arbustos. com caules bastante entrelaçados. 1995). I. Muitas espécies são medicinais. I. folhas alternas.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal. Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. carnea. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. 1. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. 1986). purpurea e /. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. oblongata.

1997).. De I. Das sementes de I. 1987). ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. Das sementes de I. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. 1997). Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al.. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. 1997). 1999) e estudos químicos foram realizados com a I.. tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa. adrenérgicos e ..I. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. (Sharma & Shukla. 1999). A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda.. Das raízes de I. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. é medido por mecanismos colinérgicos. os flavonóides 4'. quando administradas a cabras. 1997). 1996 e 1997). hardwickii (Liu et al. reticulata (Mann et al. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica.. 1988). e também dibenzil-g-butirolactona. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. As folhas de I. 1989).. De Lima & Braz-Filho. Diversos flavonóides foram isolados de I. lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al. matairesinol e trachelogenina. 1999a. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. 1996). alta concentração de cálcio e potássio. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. Das partes aéreas de I.. também encontrados em I. cornea. carnea Jacq. 1990).. e das flores de I. purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al.. 1987). carnea. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. as lignanas arctigenina. operculinas I-VIII ácido operculínico A.7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. 1996). Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. 1996). regnellii e I. 1986). arctiina e matairesinosídeo.

Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. 1995). tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta.. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. stans três tetrassacarídeos. 1992). 1998a e 1998b). muitos destes com grande ocorrência no Brasil. A I. 1996). 1997). 1996). Foram observadas também anorexia. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1998). 1997) e hemolítica (Paula & Freitas.. 1994).. hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. 1996). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul. Foram isolados de I.. O efeito tóxico foi observado no cérebro. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. 2000).. O extrato diclorometano de I. espasmolítica (Medeiros et al.950 espécies subcosmopolitas.. 1991).. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al.. 1990). encontram-se árvores..não-colinérgicos (Hore et al. pescapae (Madeira et al. arbustos. dos quais 25 são endêmicos. Os extratos aquosos. Entre estes.. conhecida popularmente como salsa-da-praia. 1998). depressão. As sementes de Ipomoea ssp. fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. lianas e ervas (Mabberley. com 2.. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika. 1997). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena. 1993) e tóxica (Melo Diniz et al.

do famoso Tomate. dessa subfamília. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca.• Solanoideae. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Physalis. tanto do ponto de vista farmacológico. • Cestroideae. e Solanum. como Juá-bravo. fonte de nicotina. Fumobravo. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. . inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. Gambá. descrito posteriormente. entre outros inúmeros compostos. da famosa espécie Nicotiana tabacum. Nos estudos realizados. ainda do ponto de vista comercial e social. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. da famosa Datura stramonium. com inúmeros representantes no Brasil. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. Don. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. Brunsfelsia. Manacá-açu e Jeratacaca. especialmente na espécie Hyosciamus niger. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. importante ferramenta farmacológica e. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. a capsaicina. pelos nomes de Manacá-da-serra. de onde se isolou. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. Lycopersicum. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Datura. Cuvitinga e outras espécies. Nomes populares Na região amazônica. Em outras regiões. Managá-caa.

referindo-se à forma do fruto. Nomes populares A espécie é chamada. longo-pecioladas. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. Dados botânicos Erva com muitos ramos. Mata-fome. muito ramificado. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. semente rufescente (Figura 25. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. sem estipulas. Juá-de-capote. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Joá-de-capote. pequenas. folhas inteiras. possui. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto esverdeado do tipo baga. bilocular. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. Physalis angulata L. diclamídeas. pentâmeras. Joá. ovário bicarpelar. com anteras azuladas. caule verde. Mulaca. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. súpero. flores dispostas em cimeiras. na região amazônica. flores amarelas. especialmente na Amazônia. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. folhas elípticas e acuminadas. hermafroditas. O chá preparado com raiz de . androceu com cinco estames. ereto e crasso. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. bolha". O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. Bolsa mulaca.1).Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. de Camapu. agudas. glabra.

útil contra reumatismo. da Amazônia brasileira.. no Pará. renais e de vesícula biliar (De Almeida. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. dermatites e doenças de pele. 1998). hepatite e reumatismo (Forero. a infusão da sua raiz. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. Rutter. contra inflamações. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. em Minas Gerais. 1993).. 1980). 1995). outros. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. 1984) e a raiz. 1982).camapu misturada com raiz de açaí. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. bem como no combate a febre. . Solanum paniculatum L. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. Juuna e Juvena. e suas folhas têm uso diurético. 1980. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. os frutos são desobstruentes. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. vômito. No Peru. contra icterícias (Schultes & Raffauf. 1990). Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. 1990). tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. para tratar hepatite. interna e externamente. malária. 1994). problemas hepáticos. No Brasil. diuréticos e resolutivos (Corrêa. Jubeba. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. Juripeba. na Paraíba. 1980). 1984). 1974-1975). As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. contra vermes. problemas hepáticos.

de onde é obtida pelos habitantes locais. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. hepatite e febres intermitentes. lilás ou roxas. folhas alternas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. brancos ou amarelados. de caule alado. dispostas em racemos. fruto do tipo baga globosa. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo. todas cultivadas. além de ser indicada contra problemas do estômago. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. Solanum tuberosum L. carnosos. muitas delas de grande valor econômico. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. desiguais. flores em umbela. fruto do tipo baga redonda.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas. es- . ereta. muito parecidas com as da Batata-inglesa. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). especialmente contra lombrigas. sinuosas e acuminadas. alívio". Inclui inúmeras variedades.700 espécies subcosmopolitas. flores brancas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies. sendo úteis contra icterícia.

1994). a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al.. 1980) e P. As sementes de B. No óleo das sementes de B. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P.. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. Já da casca da raiz de B. Na região. Do gênero Physalis. obtido de suas partes aéreas. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. 1986).8%). P viscosa (Maslennikova et al. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75.5%). P. uniflora constituem rica fonte de óleo (30. P pubescens (Reddy et al. Vasina et al. P. 1979a. espécie de origem cubana. 1981). 1995). 1977a). 1977 e 1978). Eguchi et al. 1980. 1986). Sinha et al. grandiflora. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. Glotter et al.. 1980. 1996). Oshima .. P peruviana (Gottlieb et al.. cetonas. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina... identificou a presença de 122 compostos. 1985. 1991). angulata (Row et al. De B.5%). 1986. 1987). ácido oléico (11. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. aldeídos. Itoh et al. minima (Mulchandani et al. Alcalóides foram isolados de P.. alcoóis e ésteres. 1987. dos quais foram caracterizados. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas). nitida. ácido palmítico (7.. Frolow et al.. Gottlieb et al.. 1977).. 1988. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B.. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. ixocarpa (Abdullaev et al.pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. alkekengi (Kawai et al..52%) (Maestri & Guzman. principalmente.. 1985). hidrocarbonetos. 1986).25%) e ácido ricinoléico (0. 1987. peruviana (Sahai & Ray. com ciclopropenóides.. Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al..

beta-sitosterol. Ripperger et al. acetil colina. 1988)... Uma triagem hipocrática em ratos. Dinan et al.. calcyina var. fisangulídeo. febre e picadas de cobra. B. 2001). 1987. além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. flavonóides (Ser. bonodora. Chen et al. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. Spainhour et al. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al.. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. 1992). painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. flavonóides (Ismail & Alan.... vamonolídeo. Chen et al. 1992a. 1975. uniflora.. 1991). pauciflora e B. De P. Neilson & Burren. 1990. vitaminimina.. fisalina B e quercetina (Gupta et al. 1988 e 1989). glicosídeos. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al. 1988). A administração oral de B. hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. angulata foram isolados ainda vitasteróides. 1989. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B.. vitagulatina A.. 1997. 1987). 1968. 1990). 1992b e 1992c). . 1983. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. 1993. 1967a e 1967b). bronquites.. revelou atividade depressora do SNC. B. Já da raiz de B. 1990. ácido clorogênico. australis (McBarron & de Sarem.. Vasina et al.. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo. 1986. enquanto das folhas de P. 1997). vitangulatina A.. 1987b. fisagulina A e K. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al. 1986).... além de alcalóides. neoclorogenina.et al. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al. 1977).. Banton et al. artrites. com extratos da raiz de B. 1990). alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al. aianinas. utilizada para picadas de cobra. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. Moiseeva et al. além de vitaminimina (Gottlieb et al. 1989. Oliveira et al. Shingu et al. 1990). figrina.. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida.. floribunda. O extrato aquoso de B. minima var. hopeana. De P. 1987 e 1990. indica foram isolados vitasteróides.

niruri e P. Ribeiro et al. Haussmann et al. Carvalho. Silva.. et al. 1988). P. antibacteriana (Hussain et al. 1995. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D.. entre outras (Lin et al.. entre outras. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade. V. et al. 1992. 1998) antimicobacteriano (Januario et al. M.. antileucêmica. 1998. como movimento . do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. V. aqui descrita.. diurética. anticolinérgica (Fonteles et al. I.. atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. antimutagênica. G.. O estudo dos vitanolídeos de P. M. M. et al. 1998). M. M. 1998)..... embora outros sinais também tenham sido verificados. 1998. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. 1998). Barbi et al. 1998. M.. Chiang et al. 1998).. M... quando ingeridas em dose única ou repetida.. V. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis. imunoestimulante (Carvalho. et al.. citotóxica.. etanólicos e esteroidal mostraram. minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana. M. anticoagulante (Kone-Bamba et al. 1989). 1993. 1998). 1992a e 1992b). in vitro e in vivo. antigonorréica. Pietro et al. e a atividade imunoestimulante. 1998b). 1990). edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho.. Kusumoto et al.. V. 1997. et al. 1998) e antineoplásica (Carvalho.Para a Physalis angulata. 2002. Os extratos aquosos. 1998). Das folhas de P. 2000). Soares et al.. imunomoduladora (Rosas et al. antiviral (Otake et al. et al. T.. V. 1991. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. 1990). Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. et al. constataram-se atividades hipotensora. antiespasmódica. 1987). et al.. tripanossomicida (Barbi et al. alcoólicos. Nos frutos de P. antiasmática. melanomas. aos esteóides. anti-séptica. Kurokawa et al. incluindo leucemias. moluscicida (Almeida & Fonteles. V.. 1997. 1987).. 1992a e 1992b).

salivação. irritabilidade. quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. falta de apetite. às vezes levando-o ao chão.Banco de imagens - . tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .de mastigação. FIGURA 25. Além disso. perda de peso. 1991).1 . estiramento e contração das patas traseiras.Physalis angulata.

com aproximadamente 2. A família inclui árvores. inclui 130 gêneros distintos. M. as quais serão discutidas a seguir. 1997). Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. Santos C. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes.300 espécies (Mabberley. freqüentemente . apesar de incluir apenas oito famílias. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. A. Guimarães C. arbustos. C. M. das quais se destacam as Boraginaceae. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). Nas regiões de estudo. Amazônia e Mata Atlântica.26 Lamiales medicinais L. Di Stasi E. espalhadas por todo o planeta. Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae).

amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. de onde saem folhas sésseis. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. . Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. com até 12 cm de comprimento. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. muito ramificado. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). na Mata Atlântica e em todo o Brasil. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. lanceoladas. 1998).1). cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. sendo raramente encontrada no interior de matas. agudas. Nomes populares A espécie é chamada. • Cynoglossum. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. pubescentes na face inferior. A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. de Ervabaleeira. É uma planta heliófita e higrófita. Borago e Symphytum (Boraginoideae). a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. inflorescência espigosa.herbáceas e raramente lianas. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. um dos gêneros mais comuns no Brasil. referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly. formando grandes populações em áreas litorâneas. densa. • Heliotropium (Heliotropioideae).

Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". inflorescência curvada. O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado.Heliotropium indicum L. Aguaraquiunha. com dispersão regiões tropicais e temperadas. Crista-de-galo. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. dispostas em espigas solitárias. e as espécies H. anginas. europaeum são reconhecidamente medicinais. . Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0.5 a 1 m de altura. Jamacanga e Jacuacanga. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. tubulosas. faringites. com flores brancas ou azuis. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. fruto formado como uma mitra. ovadas ou cordiformes e acuminadas. Um grande número dessas espécies é útil como ornamental. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. estomatites. alternas. glabro ou pubescente. moléstias cutâneas e feridas. e seu suco é de alto valor contra aftas. abcessos. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. É uma planta anual. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. Na medicina tradicional salvadorenha. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. amplexicaule e H. Segundo Corrêa (1984). com ramos lisos e glabros. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. e trepein = "mudar". 1994). de flores brancas. incluindo úlceras. furúnculos e também contra queimaduras. folhas pecioladas.

Consolda maior. lasiocarpina. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. vistosas. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. ásperas e onduladas. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. Outros nomes são Consolda. enquanto as raízes. de Confrei. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. 1994). 1986). acuminadas no ápice. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. europina. fruto com quatro aquênios lisos. Língua-de-vaca. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. lupeol. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite.. Nomes populares A espécie é chamada. distúrbios estomacais.Symphytum officinale L. com folhas ovadas ou oblongas. amarelas ou rosas. como beta-sitosterol. tubulosas. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. 1996). Das partes aéreas de H. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. . dispostas radialmente. inflamação e dores de barriga. Orelha-de-vaca etc. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. na Mata Atlântica e em todo o Brasil. De H. Sonsólida. flores grandes. Erva-do-cardeal. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. caule curto e ramoso. além de alcalóides e taninos. taninos e triterpenos.

intermedina e retronecina) por Ravi et al. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. europina e supinina em H.. 1988). dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. coromandalinina. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina.. curassavina. heliotrina. além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . curassavicum var. hirsutissimum (Guner et al. 1996). H. supinina e europina (Rizk et al. echinatina. licopsamina amabilina. bursiferum (Marquina et al. (1990). arborescens (Bourauel et al. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988). Reina et al. heliotrina. 1995) e H. 1995)... argentinum e var. 1989). keralense (isolicopsamina. H. 1995b.. H. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram.De H. heliotrina e lasiocarpina de H. heliotrina e lasiocarpina e. H. 1988). heliotrina e lasiocarpina (Guner.. em que se . Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H.. spathulatum (Roeder et al. curassavicum (Davicino et al. H. bovei.. destacando-se compostos fenólicos em H. europina. (1989). curassavinina. 1988. heleurina. e heliotropina de H. subulatum (Malik & Rahman. em H.. 1988). lasiocarpum (Akramov. esfandiarii (Yassa et al. 1986). 1991). 1995b). H. Das partes aéreas de H. 1987). 1994). coromandalina. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al. H. 1990). rotundifolium (europina. 1996). em menor quantidade. heleurina..de H. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. 1988). stenophyllum.. heliovicina.a heliospatina e o heliospatulina . Farrag et al.

2002). pinobanksina-3-acetato. 3-0-metilgalangina. Os flavonóides ayanina. pinocembrina. hesperetina.. 1996). 2000b). A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados. Do exsudato resinoso de H.. 2001). naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. bacciferum (Miralles et al. Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. 2001) e de C. filifolium (Urzua et al.descreveram os constituintes galangina. ovalifolium (Guntern et al. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al. filifolium também foram isolados. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. 1991 e 1988. 7. sakuranetina foram isolados da resina de H.. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis.. 2000a) e C.. C. alliodora (Ioset et al. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. C. stenophyllum (Villarroel & Urzua. do exsudato. 1990). 1995. Sertie et al.3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al... 1990). C. chenopodiaceum. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. 1996). verbenacea. dentre outras espécies (Ficarra et al. linnaei (Ioset et al. Os constituintes fenólicos denominados galangina. 1994 e 1996). 7-O-metileriodictiol.. pinocembrina. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. 1989) e esteróis e quinonas em H.. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. myxa. 1987). pinocembrina. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. A H.. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. De H. Al Awadi et al. 2001).. 1990)..... tais como ácido rosmarínico. 1998). As propriedades antifúngicos.. curassavica (Ioset et al. 2001). 1996). multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. solicifolia (Hayashi et al. enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H.3'-dimetileriodictiol. De H. Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- .

. bursiferum (Marouina et al. 1989). Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Dados toxicológicos A espécie. é potencialmente tóxica. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. Jain et al. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. assim como todo o gênero Heliotropium. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al. subtilis como o extrato bruto de H. 2001). sendo também contra-indicado o uso do material fresco. Singh et al. 1997). Das partes aéreas de H. Alcalóides isolados de H. argentinum apresentam genotoxicidade. nos quais se distribuem 6. ellipticum e H. Portanto. 2001a e 2001b)... a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores .. De H. 2002. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. europaeum e H. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade. infusão ou chás por via oral. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var.paz de inibir efetivamente o B. 1992). 1995). possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. 1987. 1987).. 1994. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H. também denominada Labiatae.700 espécies. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado.. Eroksuz et al. porcos e aves (Gaul et al..

Ocimum. corola com tubo infundibuliforme. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Melissa. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Salva. Salva-do-campo. Mentha. Trata-se de uma importante família. ex Benth. rígidas. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. pois são usadas como condimentos.2). referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". obovais. Nepetoideae: Hyssopus. alimentos. Hyptis e Plectranthus. Thymus. oposto-decussadas. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. Teucrioideae: Teucrium. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. flores dispostas em capítulos pedunculados. 1997). Satureja. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. especialmente americanas. . com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. bilabiado. Rosmarinus. Salvia. crenadas.(Mabberley. Pogostemonoideae: Pogostemon. do ponto de vista medicinal. pubescentes. Malva. Ajugoideae: Ajuga. Leucas e Sideritis. com cálice tubuloso. com haste suculenta. Lavandula. Scutellarioideae: Scutellaria. folhas pecioladas. Lamioideae: Leonotis. Origanum. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26.

de Rubim.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. e inclui apenas quinze espécies tropicais. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. . Dados botânicos Erva anual.3). antigripal. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. cólicas menstruais e problemas digestivos. diarréia. mas não foi completamente identificada. a decocção das folhas é usada contra malária. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. As folhas e os ramos são indicados como excitantes. para regular a menstruação. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. recebe o mesmo nome. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. ovadas e subcordiformes na base. flores pediceladas com quatro estames. sudoríficos. com caule quadrangular aveludado e pubescente. Leonotis nepetaefolia Hort. flores dispostas em racemos densos e verticelados. na região amazônica e em quase todo o Brasil. de até 2 m de altura. e a infusão da planta toda. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". emenagogos. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. folhas opostas. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. de constipações e artrites (Van den Berg. um pouco lenhosa. 1982). Na região da Mata Atlântica. Na Mata Atlântica. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. icterícia. anti-reumático e contra cólicas menstruais. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. Nomes populares A espécie é chamada.

nas inflamações broncopulmonares. 1984). no Rio Grande do Sul. duas vezes ao dia. como cicatrizante. raramente arredondadas. Grandi & Siqueira. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos. no Ceará (Matos et al. 1982). em Minas Gerais (Verardo. desiguais entre si. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. ramoso e pubescente. 1986). no Mato Grosso. ramos quadrangulares. a planta florida é usada na fraqueza geral. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. contra gripes. febrífuga e diurética. na Mata Atlântica. o chá de toda a planta. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. dores gerais. útil contra úlceras. pubescentes nas duas faces e membranosas. sendo ainda indicada contra úlceras. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. reumatismo. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. 1982). especialmente de barriga e. 1982. Leucas martinicensis R. Br. Na região do Vale do Ribeira. durante dois dias. folhas pecioladas. A planta é também considerada antiespasmódica. brancas. hipotensão.. facilitando a expectoração. é utilizado como anti-reumático. flores sésseis. como Cordão-de-frade. herbáceo. com cinco segmentos acuminados. cálice bilabiado. uma xícara por dia. distúrbios do estômago.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. internamente. corola bilabiada. ovadas ou oblongolanceoladas. externamente. pilosos e sulcados. como abortivo e antitérmico (Simões et al. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. antiasmática. de caule ereto. com lábio superior 1-2 . 1980). Dados botânicos Planta anual.. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. a infusão das folhas é usada. antireumática.

antiespasmódico e contra nevralgias. referindo-se à cor das flores. filha de Cocylus. pentâmeras. O nome do gênero Leucas.lobado e o inferior 1-3 lobado. contra dores musculares e reumatismo. topicamente. significa "branco". . pouco aveludada. serrilhadas. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. diclamídeas. Hortelã-das-cozinhas. contra tumores. bilabiada. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A planta também é utilizada como tônico. ramos eretos e opostos. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. flores violáceas. aquatica. numerosas. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. nome recebido em todo o Brasil. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. é usado sobre gargantas inflamadas. de porte herbáceo. apenas de Hortelã. um pouco pubescentes. ramoso. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. Na região do Vale do Ribeira. planas. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. na Mata Atlântica. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. folhas opostas. zigomorfas. descrito por Robert Brown. e seu cozimento é indicado como antireumático. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. piperita é um híbrido de M.4). agudas. Menta e Hortelã-verdadeira. formando espigas no ápice dos ramos. corola gamopétala. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. hermafroditas. externamente. decussadas. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. o macerado das folhas em água. fruto do tipo aquênio (Figura 26. dela. viridis e M. Dados botânicos A espécie M. curto-pecioladas. com raiz fibrosa e caule ereto.5). 1984). na forma de gargarejo. difere da M.

Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Hortelã-comum. no Rio Grande do Sul. eólicas uterinas. carminativas. timpanite. 1980). o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. Hortelã-da-preta. na região amazônica. 1986). piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). anti-reumático e contra insônia. . a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. Na região da Mata Atlântica. vômitos. dores de cabeça. estomáquicas. Contudo. A M. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. a infusão das folhas. dor de barriga. Hortelã-graúda. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. bronquite e tosses. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. 1984). de Hortelã-verde. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. de estômago. dismenorréias e verminoses. catarros de mucosas. em Brasília. sendo indicada contra flatulências. Nomes populares A espécie é chamada. é indicada contra dores de estômago em crianças. estimulante do fluxo biliar. tremores. diarréia. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. problemas cutâneos. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. garganta e dentes (Simões et al. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa.. estimulantes. calmante. Hortelã-pequena. 1982) e como anti-séptico. digestivas. musculares. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. três vezes ao dia. e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. cólicas abdominais e tétano. antiespasmódicas. 1986). 1991). em 1990. Mentha viridis L.

Mentha pulegium L. dores de estômago e "quebranto". corola e cálice campanulado (Figura 26. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. serrilhadas. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. garganta e estômago. cilíndrica e frouxa. bastante pilosa e com aroma forte. glabras. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. dores de barriga e pedras nos rins. . inflorescência do tipo espiga. bronquites. pecioladas. gripes. assim como em todo o Brasil. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. opostas. tosses. flores rosas ou violeta-claras. folhas subsésseis. em verticilos aproximados. cólicas. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. ovais ou oblongas. ramos eretos.6). ascendentes. além de ser considerada útil contra febres. bronquite e gripe. seu decocto é considerado útil contra tosse. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. denticuladas. caule ereto. ameba e giárdia. especialmente lombriga. com folhas pequenas. ovadolanceoladas. Na região do Vale do Ribeira. tétano.

flores brancas ou rosas. dentadas. glabras. significa "perfumada". . de caule ramoso. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. Alfavaquinha. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Alfavaca-de-cheiro. de Alfava. Alfavaca-do-campo. de onde partem folhas opostas. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. Alfavacona. O nome do gênero. entre outros. Dados botânicos A planta é uma erva anual. descrito por Carl Linnaeus. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Ocimum. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. com ramos tetrágonos e pubescentes. estimulante. estomáquica. pequenas e finas. diarréias e disenterias. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites.Ocimum basilicum L. especialmente de ocorrência na África. Em outras regiões. Alfavaca-cheirosa. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Ocimum canum Sims. com até 50 cm de altura ou maior. Em outras regiões. diaforética. assim como em todo o Brasil. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. referindo-se à planta toda. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. peitoral. diurética e útil contra resfriados. ovadas.

além de diurética. rins e uretra. flores roxas ou. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. tosses e desordens uterinas e renais. raramente. A planta toda é bastante aromática. de ramos quadrangulares. além de excelente na cura da coqueluche. ovadolanceoladas. tosses. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. fruto do tipo capsulas. As folhas cruas também são empregadas como condimento. diaforética. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. flores vermelhas. a espécie é chamada de Alfavaca. é usada contra febres. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. glabras. pubescentes. dispostas em racemos paniculados. A decocção das raízes . de onde partem folhas ovais. béquica. verdes e finas. pubescentes. carminativa. verticiladas e dispostas em racemos. contendo folhas pecioladas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. enquanto a infusão das partes aéreas. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. glabros e eretos. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. dores de cabeça e bronquites. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. amarelo-esverdeadas. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. serradas. dispnéia e reumatismo. denteadas.

Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. gineceu com ovário ovóide. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. androceu com estames inclusos. Alfavacão. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. Alfavaca-do-campo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. As folhas são ainda muito usadas como condimento. dores de cabeça e como sedativo para crianças. pequenas. O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. como Manjericão. e na Mata Atlântica. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. diurética e útil contra tosses. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta.7). As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. distúrbios do estômago. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. ovaladas. gripe e catarro no peito. membranosas. agudas. folhas pecioladas. . núculas negras e lisas (Figura 26. carminativa. margem irregular. sudorífica. Ocimum micranthum Willd.é usada contra diarréias. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. inflorescência racemosa. congestão nasal e dor de cabeça. glomerulada. problemas nervosos. dores de cabeça e febres. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir.

Pogostemon patchouly Pellet. no Pará (Amorozo & Gély. . vilosas. formando uma espiga terminal. Patchuli ou Patchouli. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. 1984). Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. além de a espécie ser utilizada também como condimento. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. a infusão das folhas é usada contra infecções. dispostas em panículas. de base arredondada e margem denteada. de onde partem folhas ovais. com ramos ascendentes. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. com até 50 cm de altura. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. 1988). 1980). flores em glomérulos. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. e em todo o Brasil é denominada Patcholi. no Mato Grosso (Van den Berg. as folhas são consideradas úteis contra gripes. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). tosses e bronquites.Na região da Mata Atlântica. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. pilosa. Origanum vulgare L. dores de cabeça e tosse.

Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá. significa "estames barbados". 2001 e 2002). Existem. com espigas compostas. alfa-bergamoteno. porém. suaveolens apresentou altas concentrações de 1. flores diclamídeas. 1991).. Triterpenóides foram isolados de H. pentâmeras. 1988. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. fruto seco (Figura 26.. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante. descrito por Desf. (1982). O nome do gênero Pogostemon. sedativo e hipotensor. A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. bicarpelar. três formando um lábio aberto. Das folhas de H. suaveolens possui setenta componentes. sendo mais comuns o beta-cariofileno. O óleo essencial das partes aéreas de H. com dois óvulos em cada lóculo.8).. suaveolens por Misra et al. cruzadas. androceu com estames excertos. predominantemente de sesquitepenos. flores em glomérulos. dos quais 32 foram identificados. como beta- . evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al.8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). corola com quatro lobos. Uma outra análise do óleo essencial de H. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. hermafroditas. O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. terpinen-4-ol. ovário supero.8-cineol. 1990).Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. Azevedo et al. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. bilocular.. 1990). 1. sabineno e alfa-copaeno (Din et al.

1990) e de H. 1990). ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa. Das raízes de L. 1988). ácido oleanólico acetato. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. beta-cariofileno. (1978) e Blounietal. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. 1989). 1996). Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica.. 1988). alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. albida foram isoladas triterpenolactonas.. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo.. quercetina. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. 1987a).. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. umbrosa. 4.elemeno. De H. 1988). 1988). timol. ácido n-octacosanóico. .. mutabilis foram isolados triterpenos. Em H. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. Metil betulinato. De H. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. Porém... uma outra análise do óleo de H.. (1980). especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth. e de L. 1990b).. 1990). 1987). triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. campesterol. e de H. germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. gama-terpineno. 1991). salzmanii foram isolados diterpenos. ácido ursólico. lignanas e flavononas (Messana et al. Das partes aéreas de H. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. Das folhas de H.6. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al. leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. sendo p-cimeno. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. 1990).7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al.

1988). beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana.7.80%). piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. 1979). mentona.3'.. serina. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. triptofano e metionina (Dinda et al. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. et al. mentofurano (19.8-cineol (6. lanata foram isolados os aminoácidos histidina. lisina. piperita var.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al.64%).. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. glicina. Das partes aéreas de L. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . das partes aéreas de L. isomentona e o neomentol (Zakharova et al. 1995). metil acetato (16. sendo os principais terpenos mentol.20%).. Da espécie L. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45.10%) e 1. Vaverkova et al. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al. fenilalanina. Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M. que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. Das raízes de L. Com isso. 1996).07%) e mentano (11.. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M. tirosina. prolina. O óleo essencial de três variedades de M. ácido glutâmico.. 1987). 1990) e um composto fenólico (Misra.. mentocubanona. 1986). ácido aspártico.. flavonas himenoxina. 1987. 1996). brassicasterol. officinalis.84%). 1987). 1986 e 1987).80%). De L. 1987). A M. alanina. hidroxiprolina. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. N. Mentha A composição do óleo essencial de M. treonina. mentona (24. colesterol.. T. 5-hidroxi-6.

6. 1987). Ca. Nas folhas de M. Foram ainda isolados mono. reduzindo significativamente a concentração de mentol. resinas.3'.8. 1986). . Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos. 1992).8-cineol. fenílico. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. 1989). 1. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. cadideno. Mg. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. K. De M. Zi e Cu. fitosterol. glicídios.. b-cariofileno. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. catalase.. Mg. limoneno.. peroxidases. 1990) e flavonóides glicorilados. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. caféico e clorogênico. vitaminas C e D2. ácidos p-cumárico. como alfa-pineno. betasitosterina. a-terpineol e geraniol (Sacco et al. Fe. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. 1988). nicotinamida. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.e sesquiterpenóides. Em Mentha viridis var.7. luteolina e 5.

eugenol.. Porém. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários. 1981. 1983). cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. Sakurai et al. 1988). 1986.. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. 1981). gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. t-bergamoteno. 1990). sendo eugenol.. Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. .. o eugenol é o constituinte majoritário. Takahashi et al. De O. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. Lawrence.Patel et al. Phan et al. já citados. Kartnig & Simon.... 1990). 1987). Na China. O óleo essencial de O.... 1986. 1986. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. hidrocarbonetos como p-cimeno. eugenol (Ekundayo et al. 1987. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. beta-cariofileno.. 1996).cariofileno. Das folhas da O. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.. 1986. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al.. Nas folhas. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta..8-cineol. Borges et al.. sendo 1. 1986.. Das sementes de O. linalol. 1996a).. O óleo essencial de O. flores e caule de O. eugenol. 1987). Em Cuba. Sharma et al. 1996). gratissimum é composto de gamaterpineno. o óleo essencial apresentou 21 constituintes.. 1988. Do óleo essencial das folhas. canum foram isolados diversos componentes.8-cineol. Khanna et al. micranthum foram isolados vinte compostos. as folhas e flores de O. 1989). 1997). 1987. 1996 e 1997a). De O. b-cariofileno. cis-ocimeno. 1. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. 1989). Ocimum Do óleo essencial de O. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. 1990). basilicum (Brophy & Jogia.

. 1991). 1995). Das sementes de O. o óleo essencial de O. kaempferol. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. No Paquistão.. rutina. esculetina. Das flores de O. 1984). 1996). Em O. além de ácido p-cumárico. ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . 1989). sabineno e eugenol (Retamar et al. sanctum possui estigmasterol. cetonas. mirístico. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. basilicum da Austrália (Lachowicz et al. isoquercitrina. quercetin-3-O-diglucosídeo. 1990). Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. terpenos. triacontanol ferulato. Murugesan & Damodaran. timol. 1978).. esculina (Skaltsa & Philianos. A espécie O. rubrum foram isolados borneol. Fatope & Takeda. De O. No Marrocos foram isolados 28 constituintes. sendo. Das folhas de O... 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. A casca do caule de O. Thoppil. basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al. basilicum e O. 1996). basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al. 1995). basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. basilicum apresenta 44 compostos. 1. 1995). A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. Ekundayo et al. linalol. 1. já comentados (Modawi et al. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. 1987. b-sitosterol. sendo Metil chavicol. basilicum foram isolados quercetina.. linolênico e araquídico (Malik et al. 1... 1988). 1987). além de metilchavicol. ácidos orgânicos.8cineol. 1985. 1986. eriodictiol. 1996). album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico. láurico. 1994). 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. palmítico esteárico. 1989). 1989). oléico. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. alcoóis.. fenóis. 1990. linoléico. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al.. na Turquia.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag.O óleo essencial de O. ácido caféico. 1987).. kaempferol-3-O-rutinosídeo.. nesse caso.8cineol e eugenol. sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan..

kilmandschariciim (Ntezurubanza et al.. cablin (Akhila . Foram isolados de P purpurascens. flavonas (Patwarphan & Gupta. Pogostemon As folhas de P. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. viride (Ekundayo. 1981). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. 1984)..Além desses compostos. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. parviflorus (Nanda et al. 1986). 1984) e grandes quantidades de timol em O. flavonas. 1985). lactonas sesquiterpenóides de P.

. beta-amirina. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. Em H. umbrosa. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al.. 1977. 1988... 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. 1971). Em H. 1988). Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P. crenata. 1989). comumente utilizada como calmante. 1990). 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. mutabilis. 1997). 1987. 1988).. et al. 1987. ovalifolia e H. 1998). Phadnis et al. plectranthoides foram investigados experimentalmente... Foram identificados n-octacosanol. bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al.. C. Silva et al. betasitosterol. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. H. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al.. plectranthoides (Esvandzhiya et al. F et al. 1998) e atóxica (Junior et al. 1984.. analgésica (Freitas et al. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. Do óleo essencial das folhas de P.. 1998).. 1998). também conhecido como Sambacaitá. O óleo essencial de H. auricularis (Prakash et al. atrorubens. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. Thapa et al. além de outros diterpenóides (Hussaini et al... 1990).. estigmasterol. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H.. . que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. Coelho et al.. a-bulneseno. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. suaveolens apresenta 32 terpenóides.& Nigan. suaveolens e H.. saxatilis (Fernandes. 1994. citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. 1984).. garwal et al. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa.. 2001). vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. P. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. Munck & Croteau. 1989). 1990). H.. pectinata (Bispo et al.

causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. Leonotis Em L. Di . Calixto et al. capitata foi isolado o ácido ursólico. tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al. 1988). nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. Saksena & Saksena. antimicrobiana (Cos et al. foram detectadas as atividades broncodilatadora.. 1995). 1988.. Do extrato metanólico de H.. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. 1995). Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.... que foram testados quanto à sua citotoxicidade.As propriedades antibacterianas. 1993) foram atribuídas a H. conhecido como Cordão-de-frade. 1988). 1980. anti-hipertensiva e espasmolítica. ramos e flores de H.. 1995. leonurus (Bienvenu et al. enquanto extratos de folhas. 2002). e Novelo et al. 1988).. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. 1985.. Mentha O infuso das folhas de M. Diterpenóides isolados de H. verticillata. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al.. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica... 1979). além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. 1988). 1988. Forster et al. 1976. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi.. 1988). 2002).. Coelho et al. 1988).. 1984). porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. Posteriormente. capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. nepetaefolia. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210. do extrato de H. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al.

. 1981). 2002). 1989) e diurética (Carvalho et ai... 1986). R.. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al. Lahlou et ai. 1989). Além das atividades já relatadas com M. antifertilidade. utilizando-se M.. 2000). americanus (Jain & Agrawal. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele... O. 1986a. 1982.. 1978) e O. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa.Stasi et al. Sharma & Jocob. cordifolia (Villasenor et al. 2002). sanctum (Phadke & Kulkarni. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 2001 e 2002).. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. 1986c) e em O. piperita.. Chen et al.... . enquanto estudos com O. Do híbrido. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. Em O. Ocimum Verificou-se que a espécie O. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. antibacteriana. também verificada com extratos de O. O óleo essencial de O. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. 1986a). (1968). 1987). 1984). gratissimum (Atai et ai.. crispa (Mello et ai. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. Queiroz & Brandão. 2002). Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. espasmolítica (Queiroz & Reis. 1988. 2002. 1986). determinaram-se propriedades fungicida. Almeida et ai. 1986a. antiespasmódica (Di Stasi et ai. 1986b). Queiroz & Reis. piperita (Ansari et al. arvensis (Ceruti et al. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M... sanctum (Dey & Choudhuri.. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória. A. cannum (Dubey et ai. 1993. Extratos brutos de O. 1998). basilicum demonstraram atividades analgésica. et ai. Queiroz & Brandão. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M. 1987. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. 1989). 1987b). basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai.

1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. Vanderlinde et al. 1989).. Das folhas de O. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. Das folhas de O.. O óleo essencial de O. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. 1993. suave foram utilizadas como repelente de insetos.O. 1994). sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. 1986). 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. 1995) e O. 1994a). Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. O. Vanderlinde et al. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al.. 1992. . Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al. O óleo essencial de O. suave (Tan et al... 1986). 1997). antiinflamatória. 1990). antipirética em ratos (Singh & Majumdar. mas a administração de O. Extrato etanólico das folhas de O.. 1994.. As folhas de O. 1986).. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al. 1994b. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al.. 1995). o ácido ursólico. 1989). 1999... sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. Vanderlinde et al. 2002). sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. enquanto a O. 1996). Vanderlinde et al. basilicum (Dube et al. 1996). 1994). As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04.. que apresentou atividade protetora do mastócito. gratissimum (Sobti et al. Os óleos fixos de O. 1992.. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. Nakamura et ai. E. 2001). sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. et ai... Vanisree & Devaki. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. O óleo essencial de O.. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes.

e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. Stachytarpheta e Lippia. alternas ou opostas . arbustos e ervas. Alecrim-docampo.5 ml/kg. Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. Compreendem árvores. quadrangulares. Salva-limão.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade.Br. 1997). Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura.) N. 1986). Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. especialmente da América do Sul (Mabberley. sobretudo em crianças. provocando sonolência. e em outras. Salsa. 1995). folhas pecioladas. Salva-brava. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes.E. Sálvia e Salva-da-gripe. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. ascendentes. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. caule e ramos primários. pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar. 1984). Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo. pubescentes. longos. como Erva-cidreira-do-campo.

como antigripal e calmante. 1986). 1980). a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. 1984). o chá das folhas é utilizado como calmante. emenagoga (Corrêa. Lippia grandís Schan.. fruto do tipo capsular branco. reunidas em inflorescências capituliformes. além de problemas do estômago. 1988). pentâmeras. Dados botânicos Planta de pequeno porte. membranoso. fruto com dois mericarpos plano- . corola bilabiada. flores pequenas. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. hermafroditas. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cólica do estômago. sementes pequenas (Figura 26. cálice curto. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. cálice curto. flores pequenas. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. relaxante e contra intoxicações gerais. no Rio Grande do Sul (Simões et al. no Mato Grosso (Van der Berg. náuseas. Essa espécie é usada como antiespasmódica. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó.(às vezes na mesma planta). diclamídeas. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. no Pará. 1980). pubescente e bipartido. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. reunidas em inflorescências vistosas. Salva. o chá das folhas é utilizado como calmante. estomáquica. tosses e gripes. Malva e Nulva-do-marajó.9). sem estipulas. Na região do Vale do Ribeira. na Paraíba (Agra. folhas pecioladas.

alfa-cubebeno. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. 1987). 1996). geranial. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. Matos et al. mirceno. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. Hernandulcina. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. canescens e I. 1987. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. 1980).. gama-terpineno. timol. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. 1987).convexos. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . citral e carvona (Matos et al. 1982). alba foram determinados os seguintes constituintes: neral.. (1986 e 1987).. Já de L. e do caule e folhas foram obtidos ácido . isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. As espécies L.. 1986. 1981). araquídico.. americana foram obtidos ácidos graxos livres. esteárico. Da espécie L.. 1983). 1986. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.vanílico. (1981).. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup... behênico e lignocérico (Macambira et al. timol. Souto-Bachiller et al. dulcis (Bubnov & Gurskii. Sauerwein et al. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. Craveiro et al. Vários terpenóides foram isolados de L. betacariofileno (Craveiro et al. 1981). monoterpenos.. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. lapachenol. naringenina. No óleo essencial de L. 1987). ukambensis (Chogo & Crank. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual.. três vezes ao dia. acacetina. é usado contra problemas do fígado. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. Da parte aérea de L. limoneno. 1996a e 1996b). 1991. o chá das folhas. a mais estudada é a L sidoides. p-cinieno. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno.

. 1991 e 1995). luteolina. alba e L. graveolens.8-cineol (2. wilmsii foram isolados quinze componentes.e beta-pineno. 1987).5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado. eupatorina. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino.l. 1987). De L. quatro éteres. .8-cineol. 1990)..97%) como principais componentes (Mwangi et al. dos quais foram identificados piperitona (28. fissicalyx (Retamar et al.12%). timol. 1989). diosmetina.. 1. acetato de timol (17. O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. graveolens foram isolados pinocembrina. Das folhas e flores de L. timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. alfa. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. p-cimeno.33%).. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. Os constituintes p-cimeno. 1. alfa-terpineno (4. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38. 1. hispidulina. 1.. 1988).01%) ecariofileno (15. 1.8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al.. sendo 22 hidrocarbonetos. cirsimaritina. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial.. 1989).8-cineol (15. timol. p-cimeno (3. neral. Das folhas de L. Dentre os compostos isolados. 1996a). 1989). A composição química do óleo essencial de L. eupafolina. 1990). luteolin-7-O-beta-glucosídeo. Das partes aéreas e das raízes de L.8-cineol. limoneno. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. sabineno. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. quatro alcanos. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas.. O óleo essencial de L. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.espécies de L. a-pineno.23%) e metiltimol (2.35%). 1994 e 1995). crisoeriol..8-cineol..67%). Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. apigenina. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. 1996b).27%). Do óleo das folhas de L. Fun et al.origanoides foi quantificada.. 6-hidroxiluteolina.43%) e piperitenona (11. dois fenóis e uma cetona (Pino et al. 1990.

.. Vale et al. Observou-se ainda atividade antitumoral com L... 1980 e 1987. 2002).. assim como o de L. M. 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al.. 2000)..Y. 1979). 1990). sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al..carvacrol. aristata (Moraes Filho et al. 1980).. Além disso. atribuída à presença de flavonóides (Santos.. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. o verbascosídeo. 1995a). 1990).. junelliana. Esse óleo. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. gracilis foram observados aumento inotrópico. e atividade anticonvulsivante (Vale et al. mircenona (31%) e de L. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al. et al.. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al.. Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. sidoides mostrou atividade moluscicida.. integrifolia e L. Com a espécie L. Do óleo das flores de L. misturado a cremes.4- .. Do extrato das folhas de L.. integrifolia foram isolados da cânfora (18.. Moraes et al. 1998. L. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al.5%). enquanto o outro componente. L. grata (Viana et al..4%. et al. multiflora.. Já o óleo essencial de L. 1987). 1996). De L. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. polystachya. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana.. junelliana. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. um dos componentes principais. contribui para a coesão das células da pele.. 1981). aristata (Rouquayrol et al. turbinata e L. 1998). 1997). 1980). lipifolil(6)-en-5-ona (18. 1996).9%) elimoneno (13. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. antiulcerogênica (Pascual et al. 1998). um éster do ácido caféico ligado ao 3. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al.2% e 41. de L.3%) (Zygadloet al. 1986). 1988a). 1996). além de uma atividade moluscicida (Almeida. P D.. respectivamente). polystachya foram isolados tujona (30. 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al.

R.. graciliy (Fontenele et al. O óleo essencial das folhas de L. 1980). 1996). antifúngica (Lemos et al. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai.. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. 1995.. Ximenes et al.. O. O óleo essencial de L. e o de L... 1978). 1985). 1992.. geminata e L. 1988. 1988. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L. 1998). hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. e no óleo essencial.. sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. 1996). 1978). 1980. Teixeira et al. porém. 1978). Moraes. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. 1994. 1986).. O. Teixeira. 1996. tranqüilizante (Matos et al. 1995).. 1984). 1979) e I. 2001). Matos et al.. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. Laxoste et al. 1977). Nas folhas de L. M. 1998). 1995b). no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. Nunes. sidoides (Fonteneles & Sales. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al.. et al. timol e carvacrol.. Os principais componentes do seu óleo essencial.. 1979). multiflora (Chanh et al. M. 1988). anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al.. ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al. apresentaram atividades antibacteriana. atividades cicatrizante. Viana et al. antibacteriana (Aguiar et al.. hipnótica e hipotensora (Noamesi... chamassonis apresentou atividades espasmolítica. 1978. S. moluscicida (Moraes. Almeida. no qual se observaram atividades analgésica. .. 1996. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L. 1979. Além disso.. M. espasmolítica (Viana et al. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. L.. 1980. anti-hipertensiva. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante... et al. Lacotes et al. grata. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al.dihidroxifeniletanol. Menezes et al.. Botelho & Soares. nodiflora foi realizado um screening preliminar. Y. et al. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. 1994.. 1988b). 1992). anestésica (Viana et al. et al....

b) escanerata com detalhe da inflorescência. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ). .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.1 .FIGURA 26.

2 . Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. 1998).Hyptis crenata.FIGURA 26. .

Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.Leonotis nepetaefolia.3 .

Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.FIGURA 26.4 .

Mentha piperita.5 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 26.

FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .Mentha viridis.6 .

FIGURA 26.Ocimum micranthum.7 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .

8 .FIGURA 26. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Pogostemon patchouly.

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 26.

No estudo realizado. 1997). geralmente tropicais espontâneas na América do Sul.27 Scrophulariales medicinais C. Os gêneros mais importantes da . Bignoniaceae. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. e reúne 120 gêneros. Hiruma-Lima L. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. Scrophulariaceae. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil. as quais passamos a descrever. Pedaliaceae e Scrophulariaceae. Mabberley. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. arbustos e raramente ervas (Joly. C. com aproximadamente 750 espécies. A. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). subclasse Asteridae. pertence à ordem Scrophulariales. 1998. incluindo árvores. lianas. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae.

elípticos e coriáceos. uma delas. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. também é conhecida como Cipó-de-alho. . são Tabebuia e jacaranda. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. os gêneros mais comuns são Tabebuia. anteras glabras e ovário oblongo. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. o que gera o nome popular atribuído à espécie. Jacaranda caroba. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho. de ramos cilíndricos e glabros. as quais são discutidas a seguir. contendo sementes oblongas (Figura 27. é descrita aqui. Na região da Mata Atlântica. que inclui os Ipês e o Paud'arco.família. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. com ampla distribuição nas regiões tropicais.1). duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. com gavinhas. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. oblongo-linear. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". No Brasil. Em outras regiões do país. folhas normalmente 2-3-folioladas. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. curto-pecioladas. Pyrostegia. da famosa Flor-de-são-joão. com folíolos peciolados. podendo chegar a até 16 cm de comprimento. e as várias espécies do gênero Zeyhera. fruto do tipo capsular largo. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica.

Uma outra espécie do mesmo gênero. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. flores tubulosas. Caroba-do-campo. fruto do tipo capsular. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. Caroba-miúda. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Carobado-carrasco.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. sendo amplamente usada como ornamental. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. especialmente a associada a estados gripais e resfriados.) DC. o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. Jacaranda caroba (Vell. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. não completamente identificada e conhecida como . Camboatá-pequeno. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. por ser mole e porosa. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. coriáceos e glabros. roxas. dispostas em panículas. Camboté. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura.

2). contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3.5 cm de largura. Trata-se de uma espécie heliófita. inflorescências numerosas. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. adstringente e anti-sifilítica. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". É muito comum no Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura. Segundo Corrêa (1984). como corimbos multiflorais. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. especialmente em crianças. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas.Carobinha. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada.5 cm de largura (Figura 27. Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. folhas com folíolos ovadooblongos. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. sítios e quintais de residências. . raramente encontrada no interior de matas densas. especialmente no Dia de São João. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). longas. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. ou seja /'coberta de fogo". com ramos jovens delgados e folhagem densa. de cor laranja. descrito por Carel Borinov Presl. O nome do gênero Pyrostegia. amplamente encontrada em campos. repletos de flores tubulares. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. podendo ocorrer com flores amarelas.

1999). Espécies medicinais Sesamum indicum L. . O extrato etanólico da espécie A.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. No Brasil. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al.. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. acorendico presente na planta (Oguro et al. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 1992). promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros... a família não é encontrada de forma espontânea. carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger. Foi detectada na flor de P. 1996). a atividade antimicrobiana foi conferida a J. especialmente a espécie Sesamum indicum. A espécie J.. 1976 e 1977). sendo a maioria de ervas ou arbustos. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. mas apenas cultivada. com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. A espécie J. 1995). 1996). 1994). decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. venusta a presença de aminoácidos.. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al.

além de seu uso na culinária. sesamolina (Mimura et al. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. tosses secas. flores amarelas. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. e sobre as pernas para tratar paralisia. 1997).3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. O óleo de gergelim. para evitar perda de cabelos. no Egito e na Babilônia (Bown. osteoporose. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral. dores de cabeça.. inteiras e pubescentes. clorosesamona hidroxisesamona é 2. 1988. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida.Dados botânicos A planta é uma erva anual. 2001). A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. com muitas sementes oleosas. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. 1997). abortiva e anti-reumática e. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. disenteria e catarro intestinal. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. e. distúrbios renais. 1995). de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. para alívio da dor de ouvido. com origem na Ásia tropical ou na África. episesaminona (Marchand et al. fruto do tipo capsular. 1995). para tratar constipação nasal crônica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. visão fraca. contra hemorróidas (Bown. Tashiro et al. externamente. vistosas. externamente. 1990). folhas simples. diarréias... O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre.. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba. opostas. Nas sementes de S. indicum foi caracterizada a presença de .

. 1989. 1988). 1991). A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. ácidos graxos.albumina. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi. 1993).. gama-tocoferol e sesamolina. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. (Kar & Mishra. bem como três novos triglicosídeos. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa.2000). Mimura. Nas raízes de S. 1996). sesamina Do extrato aquoso de S. indicum L. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. 2000 e 2001). 1994). . globulina. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. prolamina. indicum detectaram a presença de glicolipídios. glutelina (Singh & Khanna.

alatosídeo A-C. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. . 1997). Tashiro et al. Da parte aérea de S. sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. dois derivados do ciclohexiletanol. 1992). Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai. foram isoladas das sementes de S. 2001).. 1988. sesamolina (Mimura et al.. 1991). Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S. 2002).. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. alatum. 1990) e sesangolina.. 1992). diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura. 1994). indicum e S. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. e. indicum (Takswchi et ai. em altas doses... 1992). Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina.Duas lignanas furânicas. além de verbascosídeo. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. O extrato de S. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. protegendo-o contra danos oxidativos. respectivamente (Kang et al.. angolense. 1991).. 1995).. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. dessa forma. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S.

popularmente conhecido como Vassoura. axilares. bilabiada. nos quais estão distribuídas 5. das famosas D. tais como Digitalis. lanata.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. ovário supero. Scobedia. especialmente dos gêneros Antirrhinum. Tapixaba. purpurea e D. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. no Pará. quatro estames didínamos. opostas. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. 1997). pentâmeras. Verbascum e Wightia. algumas aquáticas (Mabberley. incluindo árvores. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. . Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. hermafroditas. ovaldolanceoladas. Tupixaba. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. bicarpelar. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. Esterhazia. Ganha-aqui-ganha-acolá. pequenas. flores brancas. Vassoura. Outros nome são Vassourinha. inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais. Nomes populares Na região amazônica. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Vassourinha-de-botão. aqui descrito como medicinal. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. Calceolaria e Maurandia. crenadas e glabras. No Brasil. com corola rotácea. arbustos e ervas. Veronica. Pupeiçava. Coerana-branca.

Em Minas Gerais. Já entre os ticunas. Cruz. Scoparia. o chá é preparado. No Pará. erisipela e afecções cutâneas. significa "vassoura". especialmente na Floresta Amazônica. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. 1995). febre. 1982. . 1980). 1993. 1990).. bronquite. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. No Rio Grande do Sul. Na Paraíba. é utilizada como anti-hemorroidal. antidiabética e contra afecções catarrais. febrífuga. hepáticas e estomacais. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. brotoejas. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. No Brasil. peitoral. também. 1988. por causa do seu emprego. para lavar feridas (Branch & da Silva. coceiras. com todas as partes da planta. Grandi & Siqueira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para melhorar o estado geral do indivíduo. Nas tribos indígenas do Equador.. hipotensiva. expectorante. Coee et al. também. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al.. 1994. 1982). já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. Encontrada em abundância na América do Sul. Matos. essa espécie também é considerada emoliente. com muitos óvulos (Figura 27.. 1990). Grandi et al.. pectoral. Coimbra. o chá da planta é usado contra hemorróidas. picada de mosquito. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. desordens menstruais.bilocular. diabetes e hipertensão (De Almeida. 1990). 1984). problemas cardíacos. 1986). e utilizada contra desordens respiratórias. 1983).3). 1994. é utilizada contra tosses e verminoses (Agra. 1987).. tosse. bronquite. infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. O nome do gênero. menstruais. para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. 1988). emoliente. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. 1982. 1996). emoliente e béquica (Corrêa. tosse. béquica. malária. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. hipoglicemiante. e as folhas. doenças venéreas. Verardo. além de ser considerada tônica. 1982.

1987 e 1988c).. E. alfa-amirina. Hayashi e al. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al. 1990b). entre outros compostos (Kawasaki et al. Os ácidos escopadúlcico B.... 2001). M. S. antifúngica. O. antibacteriana gram-positiva. 1990b). cumárico. escopadulciol. sedativa e diurética (Ahmed et al. flavonas. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. hipertensiva (Freire et al. 1993 e 1996).. 1991). antiinflamatória (Freire et al. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A... 1990).. antiinflamatória. (1981).. acacetina. 1985). depressora do SNC. 1997... 1990a e 1991).1988b). B e C (Kawasaki et al.. beta-sitosterol. 1998). betulínico. antiviral. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica. 1987). 1987. Azevedo et al. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. M. Também foi detectada a presença de glicosídeos. cinarosídeo D. glutinol e acacetina (Hayashi et al. antiespasmódica. antidiabética (Jain. 1988. 1986 e 1988a. Dalla Torre et al. 1996b). escutelareína.. simpatomimética (Freire et al. escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic. apigenina. anti-herpética. dulcinol e ácidos dulcióico. 1989. S. Torres et al... et al. benzoxazolinona. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. obtidos da espécie.. expectorante e atóxica (Moura et al.. A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. 1993 e 1996) depressora (Freire. gentísico. et al. Freire.. hipocolesterolêmica.. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. manitol. 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. iflainóico. 6-metoxibenzoxazolinona.. 1993 e 1996a). secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. 1988a e 1990c). O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima. scopadulciol (Hayashi et al. 1996). (1979) e Mahato et al.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. Hayashi et al. anti-séptica. 1994.

1993). 1997a). 1978) (Banco de imagens - .vidade antimalarial in vitro (Riel et al. Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 1988b).1 . além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al... porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al.. Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano.. 1997a e 1997b). FIGURA 27.Adenocalyma alliaceum.. 2002) e antitumoral (Nishino et al.

Pyrostegia venusta.FIGURA 27.2 . Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.3 .FIGURA 27. 1946) (Banco de imagens - .Scoparia dulcis.

Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae. herbáceas. foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. que passamos a descrever a seguir. A. M. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. encontradas em todo o planeta. Essa família compreende 1. Trata-se de uma grande ordem. M. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. exceto na Antártida (Mabberley. Santos E.528 gêneros. Di Stasi C.750 espécies cosmopolitas. trepadeiras e ervas. arbóreas. com aproximadamente 22. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas. C. Inclui espécies arbustivas. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. 1997). sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas.28 Asterales medicinais L.Ivan Martinov. Os gêneros estão distri- . Hiruma-Lima C. A família Asteraceae (Dicotyledonae) .

Galinsoga. do gênero Mikania. Calea. Gnaphalium e Achyrocline. Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. as importantes Carquejas.buídos em três grandes subfamílias. Aster. Matricaria chamomila. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. Artemisia. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Baccharis e Solidago (Astereae). várias espécies do gênero Bidens. Novalgina e Anador. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Mikania. Calendula officinalis. conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. com ampla distribuição no território brasileiro. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Tanacetum. Semeio e Emilia (Senecioneae). do gênero Arnica. Ageratum conyzoides. e inúmeras plantas de . Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. Zinnia. Arnica e Tagetes (Helenieae). Nesse contexto. a Camomila. conhecida como Mil-folhas. gênero da famosa Calêndula. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. o Mentrasto. Wedelia. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Matricaria. Calendula. Saussurea e Echinopis (Cardueae). • Asteroideae Inula (Inuleae). Calendula (Calenduleae). Ageratum. especialmente a Mikania glomerata. das quais se destaca a Baccharis trimera. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). tais como inúmeras Vernonia. Lactuca. as várias espécies de Artemisia. Achillea e Santolina (Anthemideae). Achillea millefolium. a famosa Arnica.

folhas simples. curto-pecioladas. amplamente usadas na medicina popular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. a decocção das folhas é usada. internamente. apenas masculinas. como antiinflamatório e. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". rasteira. de pequeno porte. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina. como cicatrizante. em Minas Gerais. com borda irregularmente serreada. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. . enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. opostas.pequeno porte do gênero Eupatorium. fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. flores unissexuais e marginais. Dados botânicos Planta anual. sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. caule comprimido e denso-piloso. externamente. Na região do Vale do Ribeira. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. ereta ou prostrada. oblongo lanceoladas. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. onde foram incorporadas na medicina tradicional. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras.1). Em outras regiões do país. inteiras. de ápice e base agudas.

além de ser anti-helmíntica. 1982) e. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. reunidas em capítulos corimbosos.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. como contraceptivo feminino (Mabberley. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. flores dimorfas. glabra. hemorroidais e pulmonares. contendo folhas oblongolanceoladas. dor de cabeça e dores gerais. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles).. Milefólio e Mil-em-rama. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . no Uruguai. digestivo. 1997). a espécie é chamada de Novalgina. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. agindo ainda como antiespasmódico. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. e as centrais. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. rizomatosa. gripes e distúrbios do estômago. com caules ramosos. hermafroditas. sendo as marginais femininas e brancas. raras são nativas das Américas. Aquiléia. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. Em outras regiões do país. Dados botânicos A planta é uma erva perene. com até 60 cm de altura. amarelas e tubulosas.

cólicas flatulentas e uterinas. Baccharis trimera (Lers) DC. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. febrífuga. além de indicada para aliviar náuseas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. pilosa e ramosa. tônica. crenadas.Ageratum conyzoides L. Catingade-barão. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. com folhas opostas. ovadas. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Em outras regiões do país. . pecioladas. antidiarréica. flores brancas ou lilases. mucilaginosa. a espécie é chamada de Carqueja. útil contra resfriados. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. a espécie é chamada de Mentrasto. Erva-de-são-joão e Maria-preta. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. significa "o que não envelhece". Ageratum. anti-reumática. carminativa. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. com até 1 m de altura.2). Nomes populares Na região da Mata Atlântica. e o nome do gênero. amenorréia e gonorréia. anti-reumático e contra cólicas menstruais.

Carrapicho-de-agulha. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. entre outras (Corrêa. Erva-picão. estomacais e intestinais. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente. a planta é usada como tônico. Picão-do-campo. Amor-seco. o deus Baco do vinho. Goambu. Bidens bipinnatus L. Carrapicho-de-cavalo.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. podendo atingir até 1 m de altura. Em outras regiões do país. (Bidens pilosa L. com ampla distribuição na América do Sul.3). O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Piolho-de-padre. Macela-do-campo. tais como Cuambu. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. como Picão-preto. hipertensão. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. 1926). estomáquico. bem como em vários Estados brasileiros. Carrapicho-deduas-pontas. Aceitilla. . derrame cerebral e diabetes. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Pirco. fruto do tipo aquênio (Figura 28. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. Espinho-de-agulha. a decocção das folhas é usada como analgésico. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas. Carrapicho. Erva-picão e Pau-pau. anti-helmíntico. anti-reumático. diurético e contra distúrbios renais. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres.

significa "dois dentes". 1992. utilizada especialmente contra icterícia. diabetes e inflamações (Corrêa. Bidens. No Brasil. 1984). formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. a espécie é usada como antiinflamatório. Vasquez. Duke et ai. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. pentâmeras. sialagoga. pecioladas e fendidas. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo. 1962). laringite. Na medicina tradicional peruana. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. glabra. 1996). desobstruente.Dados botânicos Planta de pequeno porte. folhas opostas. disenteria. . dores de cabeça e de dentes (De Feo. 1990). diurética. ramosa. Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. adstringente e considerada útil contra icterícia.. antiblenorrágica. 1994). com flores radiais liguladas. No Leste da África. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. capítulos pleiomorfos. simples.4). com até 1 m de altura. diurético e contra hepatite. 1994). icterícia e contra vermes distintos (Rutter. dismenorréia.. antiescorbútica. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. antileucorréica. edema. diabetes. hepatite. infecções urinárias (Mejia & Reng. A planta é considerada estimulante. referindo-se às aristas do papilho. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. O nome. a espécie também é referida como emoliente. conjuntivite. micoses. com cálice modificado. ereta. 1993. vermífuga e vulnerária. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. antidisentérica. 1990. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. bem como no combate a dores em geral Jager et al. desordens hepáticas. 1995). leucorréia. Coimbra.

1984). Japana-roxa e Erva-de-cobra. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. digestivo.5). estomáquico. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. Dados botânicos Erva bastante delicada. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. triplinervadas. angina. fruto do tipo aquênio alongado. enquanto o sumo das folhas frescas. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. ferrugíneo e glabro. anguloso.ambas não identificadas . cólera. Japana-branca. lanceoladas. o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. Aiapana. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. androceu com anteras levemente sagitadas.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. . Em outras regiões do Brasil. como tônico. a espécie possui vários usos das folhas. empregado externamente na forma de banho. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. flores (20 a 30) azuis. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. visto a grande semelhança entre elas. estriado e diminuto. antidiarréico e antidisentérico. sudorífico. especialmente do fígado. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. estimulante. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator.Eupatorium ayapana Veuten. folhas opostas. como Iapana. e contra malária. corola com tubo interno glabro.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie. de caule ereto. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . acuminadas. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). mas são comuns outras denominações.

especialmente na América do Norte . com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. pequenas. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. referindo-se ao tomento das folhas. assim como em todo o Brasil. folhas oblongas. Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. de ocorrência nas Américas . a infusão das folhas é usada contra diarréia. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. podendo atingir até 1 m de altura. com ápice arredondado. a espécie é chamada de Arnica. que formam uma inflorescência cilíndrica. capítulos pequenos e reunidos.e com raras espécies na América do Sul. O nome do gênero significa "o que é firme". com caules contendo folhas elípticas e obovadas. O nome significa "feltro". flores amarelas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas. a espécie é chamada de Macela. serradas. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. Solidago microglossa DC. .Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.

aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. agudas. Agrião-do-brasil. flores amarelas. o preparado com folhas de arruda. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. não alado. longo-pecioladas. batidas. tais como Agrião-do-pará. ovadas. Spilanthes acmella Rich. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. fruto do tipo aquênio. Spilanthes. entretanto. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. Abecedária. Agriãobravo. cálculos da bexiga e dores de dente. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. que tem mancha escura sobre a lígula. comprimido com papilho aristado.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. . o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. O nome do gênero. membranosas. excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. com folhas opostas. significa "flor com mancha". com corola curva. Mastruço e Agrião-do-norte. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. o chá das folhas. Jambuaçu. Botão-de-ouro. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses.. descrito por Nicolaus von Jacquim. vários outros nomes são usados. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. Essa planta é utilizada como estomáquica. Dados da medicina tradicional Na região de estudo.6). picadas de insetos e infecções. dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Dados botânicos Planta herbácea.

com muitos ramos. e seu nome vem de Tages. as folhas. narcótica. lucida. opostas ou alternas. atingindo de 60 a 90 cm de altura. também são usadas como medicinais. a S. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. bronquite. 1997). americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. sendo também comumente chamada de Cravo. considerada carminativa. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. são partidas e aromáticas. antiespasmódica. tais como T. febrífuga. 1988). patula e T. Cravinho. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. desinfetante e antiasmática. no Pará (Amorozo & Gély. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. T. Cravo-de-tufo. antigripal. digestiva. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. minuta. Na Colômbia. Cravo-africano e Tagetes. está muito bem aclimatada no Brasil. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. e indicada contra problemas hepáticos. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". divindade etrúria representada como um belo jovem. 1980).1982). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. emenagoga. cicatrizante. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. Outras espécies do gênero. abortiva. tosse e resfriado. em Brasília (Matos & Das Graças. Amorozo & Gély (1988) referem que o . Originária do México.

anteras amarelas e estigmas vermelhos. resfriados. arroxeadas e vermelhas. cordiformes.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. Segundo Hoehne (1939). sésseis. Nomes populares A espécie é chamada. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. Originária do México. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. para tratar "doença que deixa o queixo duro".chá das folhas com alho é usado contra febres. pela abundância de flores. Moça-e-velha e Canela-de-velho. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. rosas. com caule ereto. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. . australe. na região de estudo. as flores possuem várias cores. bronquites e tosses. Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. forte. Zinnia elegans Jacq. o chá das folhas e flores. incluindo brancas. com uso freqüente contra dores reumáticas. opostas. de Zinha ou Zínia. as folhas são ásperas. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno.

. glabratum (Saleh et al. 2001. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno.. Poliacetilenos. deterpenos. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. 1988a e 1988b.. 1979). leucantha (Wat et ai. delta-cadineno (De Marais et al. Da espécie B. Das partes aéreas de A.. gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. 1981). axilarina e 5. 1975. 2000). 1979). Nair et al.. 1977).. 1976). B. 1991). Alvarez et al. cadineno. De A. monoterpenos. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. 2000). alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. saponinas e xantonas (Caetano et al.. beta-pineno. 1979. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. De A. 1987.. Wang et al. tripartitus. Debenedetti et al. beta-cariofileno. 1992b.. flavonas. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina.6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al.7. Gill et al. Christensen et al. 1990).. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. crisosfenol D. 1997). 1987. Caffmi & Demolis. 1986.. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. alfa-copaeno.4'-trihidroxi-3..... 1992). Hoffman & Hoelzl. 1987). 1975) e monoterpenos (Orth et al. B. 1990. 1975). germacreno A. millefolium também foram isolados ésterois. cumarinas. B... triterpenos (Chandler et al. flavonas (Falk et al. 1996. 1986. catecolaminas.. De Tommassi et al. Herz & Kalyanaraman. 1981. flavonóides (Shimizu et al.. Bohlmann et al. Hausen et al... flavonóides (Bohlmann et al.. Gene et al. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al. Achilea. limoneno.. leucoantociandinas. 1985. 1997).beta-elemeno. bipinnatus. pilosa. alfa-felandreno... Sharma & Sharma... 1984). pilosa .. 1980. 2002. 1994. beta-guaieno. gama-cadineno. diterpenos (Saleh et al. Herz & Kalyanaraman. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. 1978).. terpenos (Verzan & El Sayed. De A.. Torres et al. 1987). 1976a e 1976b). alfahumuleno. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. 1994 e 1984. 1994). isocariofileno. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. laevis e B. timol.

. Três poliacetilenos... 1988a. 1982). .. micranthum (Herz et al 1978). ácido linoléico e linolênico. pilosa (Zuleeta et al. angustifolium (Mesquita et al. altissimum (D'Agostino et al. erythropappum (Talapatra et al... frondosa (Karikome et al.. 1995). Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. 1988c e 1988d). 1986). B.. buniifolium (Muschietti et al. tripartitus (Christensen et al.. chinese (Zhao et al. dahlioides. Poliacetilenos também foram isolados de B. E. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. 1990). £. E. 1993 e 1995). maximowicziana. chrysoanthemoides. radiata e B. 1990). rotundifolium (Hendriks et al. 1994) e E.fortunei. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. salvia (Gonzalez et al. 1995) E. 1988. 1990). E. E. 1992). B. cannabinum (Stevens et al. B.B. 1997). 1992). E. bipinnatus (W B. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. E.. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. 1981). 1995). 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. Wang et al.. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. 1979). E. tinifolium (D'Agostinoetal. glandulosum (Nair et al. subhastatum (Ferraro et al.. E. 1994). B. E. 1995) e £. campylotheca (Bauer et al. E. ácido linoléico. adenophorum (Li et al. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. enquanto várias chalconas foram obtidas de B. portoricense (Wiedenfeld et al. tais como quatro auronas.. 1987. 1995).foram ainda isolados inúmeros compostos. E. odorata (Hai et al. 1997).. 1991). 1997). E. E guayanum (Sagareishvili et al. Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. 1992). 1987. frondosa. ferulefolius. eugenol. cernuol. 1985). dois derivados tiofênicos. tripartita (Isakova et al. £. ternbergianum (D'Agostino et al. E. 1991. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. B. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. leucolepis (Herz & Palaniappan. 1992).japonicum. 1986).. Edgar et al.. littorale (Sato et al. B. parviflora. Pagani. 1988b. Liu et al. B. 1991) e E. 1987 e 1988). 1990a e 1990b). 1985).

1992b. E. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. 1986). E.. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. E. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. p-cimeno. 1987). odoratum foram encontrados taninos. fenóis e saponina. 1978).. 1994). laevigatum (Lopes et al.. 1996). adenophorum. recurvens (Herz et al. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. De S. E. sesquiterpenos. E. quadrangularae (Hubert et al. rufescens (Ruecker et al. americana foram isolados monoterpenos. laevigatum (Bauer et al.. 1987). 1988a e 1988b). stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S.. 1993). Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. triterpenóides de E. odoratum (Talapatra et al.fortunei (Haruna et al. E. espilantol.. cânfora. tinifolium (D'Agostino et al.. 1991). Das partes aéreas de S. cannabinum (Zdero & Bohlmann. sitosterol. fortuna (Haruna et al. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. altissimum (Jakupovic et al. quadrangularis (Hubert et al. mikanioides (Herz et al. 1986). estigmasterol. 1987). . E.Nas folhas de E. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha. 1986). Os principais constituintes do óleo essencial de E. 1999). oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima. 1977). deltoideum (Quijano et al. 1986b). 1987). 1980). enquanto em E. 1980) e E. entre outros (Nakatani & Nagashima. acmella L. E. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. Uma amida. entre outras espécies (Ding et al. var. 1986). 1979). limoneno. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. 1990a e 1990b). e sesquiterpenóides de E. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. 1992a). 1987).. naginatacetona. 1987). cannabinum (Stefanovic et al. 1987) e E. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al.... Diterpenóides foram isolados de E. Ramsewak et al.

T microglossa (Castro. Entretanto... 1988.. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. T. T. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. patuletrina e patuletina. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. que podem ser diferenciadas pela composição química. mendocina e T. além de enxofre e fósforo. minuta são ocimeno. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. Das raízes de T. No entanto. erecta e T. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. laxa (De-Israilev et al.. 1990). 1993b). 1991). riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares.. 1987). patula (Ivancheva & Zdravkova.. T. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. 1995). 1987). erecta (Singh et al. 1990b). patula foram isolados tiofenos. 1994) e T.. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. T. Tosi et al. 1985). 1987. 1987). 1990a). argentina) foram identificados quatro tiofenos. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. tais como quercetagetina. 1993).. 6-hidroxikaempferol. campanulata. dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. T. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. como quercetagetina. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. lucida (Hethelyi et al. T. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. patuletina e muitos desses derivados.. glandulifera) (Craveiro et al. 1988). T. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. pois somente T. 1993). 1988). patula. Pe- . Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes. Ahmad et al. Os monoterpenos descritos em T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. 1988)..Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. minuta e T. rupestris (De-Israilev & Seeligmann. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. 1992). 1988a e 1988b). As espécies T.

(1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. ocitocina.. Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. . 1988. a A. glabratum (Saleh et al. patula foi detectada (Arroo et al. 1991). taninos. Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z.quena quantidade de monotiofeno na raiz de T.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al.. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A.. além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina... 2002) e antifúngica (Portillo et al. Experimentos com A. 1987). Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al... 1996) dessa espécie.. australe contra Plasmodium berghei em roedores. 1980). 1988). australe (Matsunaga et al. As antocianinas das flores de Z. Carvalho et al. 1997). 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al.. 1988). glicosídeos cardíacos.... bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al. 1997). Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. 1995). no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al. elegans indicou a presença de Cumarina. 2001). Em A.. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. Nascimento et al. 1995).. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie.

. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. à presença de saponinas (Gene et al.. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno.. 2000). 1996). 2000). efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al. Triterpenos. 1991). aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno. 1998b. 1969).. enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. Os extratos aquosos de Bidens pilosa L.. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. N'Dounga et al. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. Extrato etanólico de B. Bidens Experimentos com B. pilosa. 1985. Bondarenko et al. Porém. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al.. as propriedades analgésica e antiinflamatória.. As folhas de A. além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. além de vários flavonóides obtidos de B. como friedelina e friedelan-3. e B. 1949)... var. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow. mas Bidens pilosa var. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. 1983). 1980). Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. pilosa (Santos et al. imunoestimulante (Ignácio et al. minor (Blume) Sherff. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. 1987). Goldberg et al. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. pilosa L. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al. (1991). reduzindo a produção de prostaglandinas. 1987. presente em suas partes aéreas (Torres et al. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto.-ol. possuem atividade antiinflamatória. Abena et al. B... minor foi a mais . 1997).Achila..

Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. densum.. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai. E. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al.. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. 1994.. 2002). potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. 1988) e E.. somente os extratos de B.. E. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. O extrato hexânico de B. 1985). 1995). morifolium e E... E. pilosa L.. Eupatorium A espécie E. campylotheca apresentou. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. pauciflorum (Giesbrecht et al. minor e B. 1986) e diurética (Rebuelta et al. 1995). E. 1997). ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. 1995 e 1996) e. consaguineum (Lopes et al. 1996). balantaefolium (Almeida & Fonteles. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al. 1996). 1989).. . glyptophlebum. 1986b). tacotaneum (Sanabria & Mantilla. var.. brevipes (Guerrero et al.. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. 1985). 1995). in vitro. mais recentemente. Para a espécie B. Um composto sesquiterpênico isolado de B. 1985). As folhas de E. ou seja. reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. La Casa et al. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al.. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. E. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B. atidifolium e E.. 1994).. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. pilosa L.. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. 1997). E. 1998 e 1999). 1977).. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. Entretanto. hipotensora (Dimo et al.ativa. tequendamense (Mantilla & Sanabria. gracilae. A espécie B.

E. 1995) e E. proteínas. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. Achyrodine alata.. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. inulaefolium (Gorzalczany et al. RNAse.. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al.. Guerrero et al. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. 1978). odoratum (Iwu & Chiori. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. 1988).. Spilanthes Das folhas de S. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. cannabinum. Inibição da síntese de colesterol. Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. Sesquiterpenóides isolados de E. 1985. 1990). brevipes e E. flaccida. A. ayapana (Gonçalves et al. Herz & Palaniappan. Cáceres et al. DNA e RNA de células tumorais.. E.. O extrato bruto aquoso de E. pauciflorum. assim como da atividade da RNA polimerase. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah. acmella foram isolados n-isobutil-4.. 1995).. 1998). vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al.. 1992). e de E.. hyssopifolium (Hall et al. 1984. 1990). 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória.. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. DNAse. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. enquanto a espécie E. 1990 e 1991). E. cannabinum (Bourrel et al... riparium (Ratnayake-Bandara et al. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag. 1986). A. 1995). (Giesbrecht et al. 1996) e E. O óleo essencial de E. 1982a). halinfolium e E. 1991). Os extratos de E. 1991).5-decadienamida. 1986 e 1987. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. 1991). 1988. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos. Eupatorium perfoliatum. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. squalidum (Carvalho et al.1986). candolleanum (Campos et al. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E... E. Inya-Agha et al. larvicida (Pitasawat . 1989).. Piperidinas de E.

(Fabry et al. RJ. isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. J. 1995). acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante. et al. sedativa. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum. 1998) e espilantol.. 1990). como no cravo-da-índia. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al.. 1992. 1993).. Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. Em S... enquanto o extrato de S. oleracea (Herdy & Carvalho.. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1986) e S. 1995). usado como emenagogo.. 1993).. 1989). presente em muitas espécies. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al. Souza. Andrade. 1987. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários. e o extrato de S. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade.. Em I minuta. folhas e flores de T. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. L. in vitro.... 1988. 1994)..et al. C. T.. Camargo Neves et al. et al. mas não contra Candida sp.. 1993. bem como no consumo destas (Meckes et al. O eugenol. et al. sendo os deri- .. 1999). erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. 1984). O extrato de S.. F. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. 1992). Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica. Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. Valderrama et al. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen. 1992) e antitumoral (Moraes et al. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al. antimicrobiana. 1996).

Dentre outras espécies. tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al.. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al. 1997). o óleo essencial de T. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias. coronopifolia e T. D e F... Zinnia As sementes de Z.. . que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. a atividade da ATPase. 1996). O extrato de T. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. 1987). Do extrato de Z. 1991). foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. 1994). Os extratos hexânicos de T. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B.. in vitro. 1991). 1995). elegans L.. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. in vivo e in vitro.Ca2+ dependente e inibiu. 1997)... Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado.. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. 1989). Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. lúcida estimulou discretamente. 1992). 1995). O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica.. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. 1994).vados tiofênicos os compostos ativos. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner.

especialmente .. et al. aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. enquanto o extrato aquoso de S. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. congestão do baço e coração.. 1994). especialmente na fase jovem. hemorragia. caracterizados por diarréia.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A. adenophorum (Oelrichs et ai. 1990). australe são tóxicas para aves. 1995). 1993). ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. a espécie E. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. Segundo Hoehne (1939). enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas.. V. 1978a e 1978b). S. australe durante o período de prenhez de ratas. alopecia. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas. oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. 1995). Tremetona isolada de E. no entanto.. 1988). hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. fraqueza e debilidade dos membros. A. A ingestão regular de E.. 1996 e 1997). T. dispnéia. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. et ai. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai.. Estudos com a espécie A. Entretanto. M. As folhas de S.

c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. b) detalhe da escanerata.1 . A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. FIGURA 28.como diurético e hipotensor. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil. relaxante muscular e antineoplásica.

Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.FIGURA 28. b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .2 .

3 .Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.FIGURA 28. b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .

Bidens bipinnatus.4 .FIGURA 28. Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

5 .original). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov. .FIGURA 28.Eupatorium ayapana. 1998).: a) ramo florido (Di Stasi .

.Spilanthes acmella.FIGURA 28.6 . Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).

do famoso Cafeeiro. • Ixoroideae: Coffea. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Genipa. C. Desfontainiaceae e Rubiaceae. alguns deles de valor histórico. Di Stasi C. Gelsemiaceae.200 espécies vegetais cosmopolitas. importante fonte de espécies ornamentais. 1997). fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630). arbustivos. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. e Gardenia. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. nos quais se distribuem mais de 10. A. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico.29 Rubiales medicinais L. como é o caso de Coffea e Cinchona. do famoso jenipapo brasileiro. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. algumas espontâneas nas áreas tropicais. com representantes arbóreos. . Coffea arábica. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas.

carnoso e drupáceo (Figura 29. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. Dados botânicos Pequeno arbusto. ovário ínfero. com pêlos abaixo da inserção dos estames. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais.1). inteira. fruto indeiscente. 1997). folhas curto-pecioladas. estipulas não foliáceas. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. fonte de emetina e outros constituintes de importância. especialmente na Amazônia. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. ereto. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. importante árvore. flores hermafroditas. Borreria e Dioidea.• Antirheoideae: Guettarda. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. Não foram encontrados sinônimos. Cephaelis da famosa C. com espécies popularmente denominadas Poaia. • Rubioideae: Psychotria. . O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. e Palicourea. com corola de base gibosa. muito comuns em terrenos baldios. diclamídeas. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. simples. ipecacuanha. lanceoladas. bicarpelar.

o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. 2001).. avermelhadas. de P. Nomes populares No Brasil todo. com ramos cilíndricos. marcgravii. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. inflorescência em panículas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". Hil.. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. opostas. 1976). Palermo-Neto et al. pecioladas. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. de onde partem folhas com venação tênue.. 1999). sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. avermelhados. glabros. frutos do tipo baga.Palicourea marcgravii St. . Stuart & Woo-Meng. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. acuminadas. E popularmente usada como medicamento. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. 1995. sobretudo na região amazônica. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. Além de alcolóide. De-Moraes-Moreau et al. 1989a).. fendleri (Nakano & Martin. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. delgados. (Kemmerling. 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. 1994).. 1996.5 m de altura.

.teratogênica (Costa. 1996).. 1989.. 1988. falta de coordenação motora. P. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. 1986). A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. Tokarnia & Dobereiner. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. Gorniak et al. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. Segundo Schvartsman (1979). 1980) e convulsivante (Gorniak et al..Banco de imagens - . midríase e morte em bovinos (Costa et al. enquanto P. contrações musculares.Palicourea laniflora.1 . et al. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P.. 1989). 1989b. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. espasmos musculares. convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. vômitos. 1989).juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen. Além de fluoroacetato. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . FIGURA 29. Palermo-Neto et al. 1995). De-Moraes-Moreau et al. náuseas. e a intoxicação. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1984a. 1982). Das folhas de P... comum em animais e rara na espécie humana..

A. também utilizado como medicinal em todo o mundo. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. descrita a seguir. arbustos e lianas. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. 1997). mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Os principais gêneros são Sambucus. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. C. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. Lonicera. Viburnum. Lonicera e Sambucus (Barrozo. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. No Brasil. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. Abelia e Linnaea.30 Dipsacales medicinais L. 1978). na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. Di Stasi C. .

ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. com ramos bastante lenhosos. gripes fortes e varicela. usada internamente. Apresenta importante valor econômico. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. considerada exótica nas Américas. . é considerada excelente diurético e sudorífico.Espécies medicinais Sambucus nigra L. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. as flores são brancas. A infusão das folhas. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. no champanhe e no catchup. Na região da Mata Atlântica. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. além de flavorizantes em vinhos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Floresce nos meses de julho a agosto. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo. e possuem aroma muito agradável. óleos e ungüentos. dispostas em um corimbo branco. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. além de seu histórico uso medicinal. A espécie. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados.1).

Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink.. heptadecênico. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al.. canadensis foi isolado o iridóide . a planta ainda é indicada contra influenza. flavonóides. os ácidos graxos láurico. diuréticas. 1988). reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. erisipelas e queimaduras. racemosa e S. folhas. sinusite.. descrita no trabalho de Grieve (1994). irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. Van Damme et al. S. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. palmítico. Kaku et al. casca e frutos são usados para diminuir febres. 1990.Bown (1995) refere que flores. glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. sudoríficas. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. externamente. lectinas das cascas (Shibuya et al. 1989a). para pequenas queimaduras. lignanas. 1986).. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. nigra. oléico. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. esteárico. 1989b e 1989c).. 1989. mirístico. Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. Internamente. tetradecênico. cianogeninas. gripes. reumatismo e febres. 2001). De S. catarros. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos.

1997.. formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A.. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. 1988).. Com base nessa constatação. nigra. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. 1997a e 1997b). promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al.. O reatival. porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. 1990). Centaurium minus. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. que possui atividade colerética (Takeda et al.. das folhas. O extrato aquoso das folhas de S.. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al. indicado para hidropisia. mexicana. Artemisia absinthium.. apresentou atividades analgésica. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. antiinflamatória e antipirética. beta-amirina e o ácido oleanólico.morronisídeo (Jensen & Nielsen. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome. com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. O extrato hidroalcoólico de S. Bojic & Cuperlovic. De S. Prunus spinosa. 1997). 1995). De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. 1992b e 1992).... De S. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. e Polygonum aviculare. . Schoning. 1997). 1996. O extrato aquoso de S.. 1989). 1994). Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. Salvia offtcinalis. 1997. formosana foram isolados. 1996). Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. Van Damme & Peumans. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. Sambucus nigra. Das cascas de S. 1986). 1974). e das raízes de S. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. 1980).. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. canadensis (Buhrmester et al. 1997). 2000). As lectinas de S. australis. conhecido como Sauco. 1987).

Sambucus nigra. FIGURA 30. 1999) e a espécie S. .A espécie S. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ).. 2002).1 .. Neto et al. 2000. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.

• 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. Mata Atlântica.Posfácio L. A maioria é nativa desse ecossistema. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. • 109 são usadas na Amazônica. da Hortelã (Menthapiperita). das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. C. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). entre outros. Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. Dessas 135 espécies medicinais. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. como é o caso do Alho (Allium sativum). • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. . e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno.

Dessas 135 espécies medicinais. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. a Calêndula (Calendula officinalis). a Erva-doce (Pimpinela anisum). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). o Agrião (Nasturtium officinalis). briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. . devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. a Camomila (Matricaria chamamila). Esse dado se torna mais importante porque. várias espécies amplamente conhecidas. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. a Mostarda (Brassica nigra). entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. o Mamão (Carica papaya). definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). 340 espécies. a Losna (Artemisia absinthium). o Coentro (Coriandrum sativum). ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica. neste livro. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). compreendidas em trinta diferentes ordens. podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. líquens. razão pela qual não foram incluídas no texto. ou seja. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. apenas dezesseis são monocotiledôneas. enquanto as outras 119 são dicotiledôneas.

razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. como a de massa e a erudita. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. isto é. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação. Por isso. Sobre essas. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas. esse conhecimento se enriquece a cada dia. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. Finalmente. pelos mais variados grupos de pesquisadores. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. .Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. alcançando alto índice de citação. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. e que esse conhecimento seja recuperado. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos.

Arista. Androceu. Excrescência da semente. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. com dois sexos. os estames. folhas que envolvem o caule. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Arilo. Que fica na axila. Antera. Bianual. Baga. . o ciclo reprodutivo e depois morre.Glossário de termos botânicos. pelo lado interno. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Alternas. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Andróginas. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Axilar. Hermafroditas. no segundo. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. com uma única semente. Aguda. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Bainha. indeiscente. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. Planta que nasce. Acuminada. Aquênio. Fruto seco. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Anual. Que abraça o caule. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Amplexicaule.

que é o verticilo externo da flor. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. androceu ou planta que possui quatro estames. Estandarte. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. Didínomo. Conjunto de sépalas. Cariopse. . Elíptico. Camada externa do pericarpo. Ex. Carpelo. Com a forma de elipse. Estipula. Epicarpo. Conjunto de pétalas. com função de proteção. Capítulo. seco e indeiscente. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. Planta trepadeira. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. Colmo. Decumbentes. Fruto seco. Folha modificada que origina o gineceu. Drupa. Deiscente. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. mas sempre terminando na mesma altura. Endosperma. Escandente.Bráctea. Escapo. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido.: cana-de-açúcar. Caule com articulações bem evidentes nos nós. deiscente. Cápsula. Cálice. Corola. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Qualquer órgão que cai em determinado período. Diz-se da flor. Crenada. Pétala superior da corola papilionada. Na forma de cunha. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. tornando-o alado. Pedúnculo geralmente sem folhas. Cada um dos apêndices. Dicotiledôneas. dois mais altos e dois mais baixos. Fruto monospérmico. Corimbo. Decorrente. Diclamídea. como o fruto das gramíneas. Carena. Cuneiforme. que se formam ao lado da parte basal das folhas. em geral dois. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. Caduco. inseridas em um eixo comum. Que se abre. Estilete. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. normalmente largo. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo.

Folha. trímeras. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. e ao de pétalas. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. que é ramificada igualmente em forma de pincel. Fasciculada. É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais. que juntos constituem o perianto. o de corola. Flores.Estômato. Filete. As flores podem ser dímeras. Parte do estame que sustenta a antera. As flores são estruturas de reprodução. complexas e variadas nas formas. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. pentâmeras etc. . de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice.

conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte. sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada.

Nesses casos. no caso das folhas compostas pinadas.quando se compõem de duas ou mais lâminas. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples . às vezes reduzidas.quando consta somente uma lâmina .A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. as folhas podem ser pecioladas ou não.ou composta . recebendo o nome de folíolos (ou pinais). Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue. às vezes numerosas. . ou com o próprio caule. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário.

conforme se observa na figura a seguir. Todas essas características. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação.Finalmente. as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar. . mais aquelas apresentadas para as flores.

com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Lâmina. Hermafrodita. Fruto seco. Diz-se da folha em forma de círculo. Brácteas externas que envolvem a espigueta. Folículo. porém presentes na mesma planta. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Desprovido de pêlos. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. As inflorescências podem ser de diversos tipos. deiscente. mais longa que larga. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Monoclamídea. Flor com apenas um invólucro no perianto. Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. é constante para cada espécie vegetal. Lanceolada. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Metaclamídeos. Oblonga. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Hirsuto. Provido de pêlos longos. Porção alargada e achatada da folha. Lobado. Inflorescência. Gluma. Monóica. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. Orbicular. Gineceu. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. e as principais são motivadas na próxima figura. Planta que produz flores unissexuais. Lígula. Indeiscente. . Gavinha. os carpelos. Glabro. Planta ou flor com dois sexos. Que não se abre. Monocotiledôneas. Infrutescência. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. em linhas gerais. Lóculo.Folíolo. Conjunto de órgãos femininos de uma flor.

.. 1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.

Termos químicos Acetileno. dibásicos. Alcalóides. Qualquer estrutura provida de pêlos. Perene. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. dispostas circularmente. Pecíolo. Verticilo. Tomentoso. gálico. cáprico. Pubescente. Qualquer substância de sabor ácido. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. Perianto. Zigomorfa. Racemo. Que forma gancho. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Ácido. aromáticos etc. . Planta ou órgão denso. araquídico. Papilho. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Séssil. nitrogenadas de origem vegetal. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Podem ser monobásicos. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Estruturas com simetria bilateral.Panícula. palmítico. fenólico e tartárico. mirístico. Substâncias orgânicas. Receptáculo. Ácidos orgânicos. gasoso. Caule subterrâneo. succínico. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. oléico. o mesmo que cacho. Uncinada. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Conjunto formado por cálice e corola. Cálice modificado em pêlos. linoléico. solúvel em água. Ácido graxo. cujos pêlos se entrelaçam. Conjunto de estruturas com a mesma função. Rizoma. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. incolor. com cheiro desagradável. característico da família Asteraceae (Compositae). fórmico. cerdas ou aristas. Exemplos: ácidos acético. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. Hidrocarboneto não saturado. Ráquis. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. esteárico. isovalérico.

Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Compostos naturais ou artificiais. São corantes vegetais. amarelos e roxos. Aminoácidos. Ver esteróides. Cetonas. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Fenóis. Catalase. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. estragol. Uma das substâncias constituintes do amido. vegetais e animais. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Flavonas. Compostos alifáticos. Ou hidrato de carbono. encontrado nos organismos vivos. Amilopectina. Esteróides. como a quercetina. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Exemplos: carvacrol. que exercem várias funções. derivados do cicloperidrofenantreno. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Carboidrato. Compostos aromáticos. com caráter gelatinoso. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Líquidos incolores. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. timol. tais como os hormônios. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). Esterol. . Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. onde exerce importantes funções. Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. Compostos orgânicos não-cíclicos. Exemplo: p-cimeno. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. originam as flavononas. Cumarinas. Flavonóides. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). voláteis.Alcoóis. eugenol e hidroquinonas. Aldeído. Betaínas. Fitosterol. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco.

Combinações orgânicas do tipo da glicose. Líquido incolor e aromático. liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. pela ação de ácidos diluídos. Substâncias que. Hormônio secretado pelo pâncreas. derivados do fenilpropano. Líquido oleoso. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). Exemplos: digitoxina e estrofantina. Compostos cíclicos. Lactonas. Hidrocarboneto. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). sofrem hidrólise.Fosfolipídio. . Lipídios. geralmente de odor agradável. Mucilagens. Glicídios. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Ligninas. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos. Glicosídeos. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. Óleo essencial. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Lignanas. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Hidrolato. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. Insaturados. Insulina. recobrindo-as com uma camada protetora. Peróxido. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. oxidando outros compostos. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Compostos cíclicos. Heterosídeo. Peroxidase. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio.

Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. podendo ser feminina ou masculina. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Amenorréia. Alopecia. de um músculo ou grupo de músculos). violenta. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. aglomeração. Que combate fungos. Acne. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. involuntárias de músculos voluntários). especialmente táctil e dolorosa. Antifúngico. que impede a formação de catarro. Agrupamento. Afrodisíaco. Adstringente. às vezes. Analgésico. Que combate as convulsões (contrações violentas. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Anestésico. Antibacteriano. Que combate a eliminação de muco. Capaz de promover expulsão do feto. Que reduz ou suprime a dor. Que aumenta ou excita o desejo sexual. Antifertilidade. sufocação. Agregação. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). perda momentânea da razão. Angina. Que reduz a capacidade de reprodução. Afasia. Antidiabético. Antiescorbútico. Falta de menstruação. Anticatarral.Termos médicos Abortivo. Anemia. Antiblenorrógico. Antidisentérico. Alucinação. Expectorante. Auticonvulsivante. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. a sangue). Antiespasmódico. Que aperta. Queda dos cabelos. Adenocarcinoma. Que suprime náuseas ou vômitos. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. Antigonorréico. antigonorréico. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Dor sufocante. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. ato ou efeito de desvariar. que prende. doença sexualmente transmissível. calvície. que provoca constricção. . Tumor maligno com disposição glandular. Antiemético. Delírio.

inatividade. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Antimalárico. Que dilata os brônquios.no. quase sempre transmitida por contato sexual. Broncodilatador. Que combate as doenças provocadas por vírus. Antivirótico. Que combate tumores. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). especialmente bactérias. Brônquios. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Antileprótico. Ataxia. Antinociceptivo. Antitumoral. Que combate helmintos. Relativo à tosse. em geral acompanhada por desordens na fala. Anti-sifilítico. insensibilidade. Anti-histérico. Massa inorgânica anormal no organismo animal. Antipruriginoso. Anti-hemorroidal. Que combate a formação de tumor maligno. Antivenéreo. desinfetante. Também denominado antipirético e febrífugo. febre paludosa ou palustre. Antimicrobio. Redução ou perda de apetite. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. também chamada de paludismo. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Anti-séptico ou Antisséptico. nos rins e/ou na vesícula biliar. Que impede a fermentação. formada por sais minerais. Estado de indiferença.Anti-helmíntico. Anti-reumático. Que combate micróbios. Que combate o corrimento vaginal simples. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. Que combate a sífilis. Antileucorréico. Antineoplásico. Que combate as inflamações. Antiinflamatório. . Cálculo. Anorexia. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. Que combate a histeria. Que faz baixar a temperatura. Apatia. falta de emoção. Que combate a lepra. Béquico. Antitérmico. putrefação ou contaminação microbiana. que serve para o tratamento da tosse. Em geral se forma na bexiga. doença causada pelo Treponema pallidum. Que combate o reumatismo.

Prisão de ventre ou. particularmente a pele inflamada e porções próximas. que aumenta ou provoca a secreção urinária. Colagogo. Cardiotônico. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Sudorífico. enfraquece. Depurativo. crostas e secreção. também. Emoliente. Respiração difícil. Diurético. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Cicatrizante. Inflamação da pele. Catártico. Que provoca vômito. Que alivia a distensão por gases. reduz a excitação. Desinfetante. Congestão. purifica. Que deprime. gripe. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Carminativo. Emenagogo. Que favorece ou provoca menstruação. estimulante da transpiração. sensação de peso ou queimação no estômago. Edema. que ativa a eliminação de bile. Que exerce efeito tônico sobre o coração. Indigestão. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Que favorece o fluxo biliar. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Depressor. Purgativo. que previne a invasão de microorganismos. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. Que favorece a secreção urinária. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. . Dispnéia. Dermatite. gripe comum. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. Eczema. Que limpa. Diaforético. resfriado. dificuldade para respirar. empachamento. caracterizado visualmente pelo inchaço. Citotóxico. Emético. Que tem a propriedade de amolecer. acompanhada de náuseas. que separa substâncias nocivas. reduz a força. Dificuldade na deglutição. do intestino. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Constipação. Dispepsia. Infecção por bactérias.Carbúnculo. libera a passagem de um vaso ou canal. do estômago etc. Desobstruente. Que desentope. Disfagia.

que leva à perda de atividade. Estimulante. Febrífugo. Hepatócitos. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. que melhora o funcionamento do fígado. Que produz imobilidade emocional. Eructação. Tóxico para as células do fígado. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Relativo a hemostasia. Hepático. Hipoglicemiante. pigmentação amarela generalizada da pele. Células do fígado. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. Que combate fungos. Flatulência. que estanca hemorragia. com vermelhidão. . com anemia. estado de irritação. Hepatotóxico. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Hemostático. espanto. Expectorante. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Que aumenta a pressão sangüínea. que facilita as funções do estômago. Que combate a febre. no estômago etc. Glicosúria. Hipertensor. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Farmacoterápico. Fitoterapia. O mesmo que arroto. Distensão por gases no intestino. Derrame de bile no sangue. Ictericia. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Hidropisia. Hiperglicemia. Que baixa a taxa de glicose no sangue. com bradicardia (pulso lento. Estupefaciente. Que estimula ou provoca a ação.Erisipela. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. assombro. Que baixa a pressão sangüínea. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Capaz de promover estímulos. Fungicida. Estomáquico. deposição de bile nos tecidos. Hipotensor. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Relativo ao fígado. Fitoterápico. Relativo ao estômago. Excitante. Fitofármaco. Hipocolesterolêmico.

Plaquetas. Que alivia excitação. Moluscicida. Que laxa ou afrouxa. Inseticida. causado por gordura. Estado que é tóxico ao rim. que faz cessar inflamação. Que adoça ou acalma. Peitoral. Malária. Excreção excessiva de urina. purgante. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. importantes para a coagulação sangüínea. Parasitemia. Grau ou índice de parasitas no sangue. Que mata ou destrói parasitas. como no caso da esquistossomose). Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Resolutivo. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Lumbago. Substância que mata insetos. Lenitivo. Maleita. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Que resolve. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças).Impingem. . afecção cutânea. Nefrotoxicidade. calmante. purgativo fraco. Tóxico para as células brancas do sangue. Incapacidade de reprodução. droga que paralisa as funções do cérebro. Lepra. Que produz sono ou inconsciência. que acalma. Narcótico. impaludismo. Midríase. Linfocitotóxico. produzindo sono e alívio da dor. Morféia. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. o mesmo que laxante. que apenas exonera o intestino. Corpúsculos sangüíneos. Que produz gordura. Poliária. Mutagênico. Relativo a peito. Parasiticida. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Dor na região lombar (costas. Sedativo. dorso). Dilatação da pupila. Laxativo. Infertilidade. tranqüilizante. Lipogênico. Lipemia. Sialagoga. Purgativo.

Revigorante. Que produz pus. Vermífugo. Que provoca vesículas. Teratogênese. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. que restabelece o estado de saúde ou do órgão.Sialorréia. Supirativo. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. que facilita a saída de pus. Tóxico para o zigoto. Próprio para curar feridas. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. Sudorífico. Zigotóxico. bolhas. Vesicante. Testículo. Vulnerário. Que destrói ou afugenta vermes. Diaforético. Tranqüilizante. que acalma. Que tranqüiliza. Sinusite. Tônico. Salivação abundante. .

Prir.499-500. 1995a. 1985.38.5.3. página e ano. I. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. p. simpósio ou similar. p. n. os autores são citados como nos casos das revistas. incluindose volume. n.12. Human Toxicol. p. • Quando se trata de livro. apenas sua referência. 1995. et al.Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. Nat. n. n.l69-71.2. Soedin. ABDEL-KADER. . D. N.269-74. p. Os dois autores. et al.60. p. p. Khim. p. R. 1997. v. Prir. página inicial e página final e ano de publicação. fascículo. Soedin (Tashk). P Lilloa. 1995. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. n. v. v. O mesmo se aplica a teses. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. v.5. . ABDU-AGUYE. n. Biochemical Systematics and Ecology. Um autor. M. os autores são citados no texto.871-2. Prod.1294-7.7-8. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo). 1986. F. L. (Tashk).326-32.. v. nos casos de única autoria. Khim. nos casos em que há mais de dois autores. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros).23.43. 1986. ABE. et a l j . SEELIGMANN.4.3. ABDULLAEV. . dissertações e outras publicações do gênero. n. et al..657-63. S. ABDALA. nos casos de dupla autoria. seguindo-se o título do congresso.

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463 Asteridae. 453. 90 Apiaceae. 42-3 Andropogon nardus. 316 Bidens bipinnatus. 62 Alternanthera brasiliana. 391 Allium cepa. 65-6. 52. 340-3. 361 Andropogon leucostachys. 110 Annona tenuiflora. 467-8. 480. 79 Alismatidae. 65. 58. 79 Allamanda cathartica. 489 Bidens pilosa. 480 Bignoniaceae. 111 Annonaceae. 202-4 . 140-1. 488 Bauhinia forficata. 113 Asclepiadaceae. 79 Aristolochia. 143 Acanthospermum australe. 364 Apiales. 465. 223 Bixa orellana. 373 Averrhoa bilimbi. 479. 468-9. 377-78. 90-3. 458-6 Achillea millefolium. 339-40 Anacardium giganteum. 201-2. 148 Anacardiaceae. 152. 113-5. 65. 154 Alternanthera micrantha. 450. 342-3. 449 Bixa arborea. 381-5. 115 Aristolochia trilobata. 69-74. 102. 475. 75 Allium sativum. 149-50 Amaranthaceae. 149. 68. 345. 3512.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 487 Alismataceae. 56. 67. 351-2 Averrhoa carambola. 93. 386 Asteraceae. 461 Ageratum conyzoides. 95-9. 360 Anacardium occidentale. 78 Alpiniajaponica. 376 Araliaceae. 119 Aristolochiaceae. 463-5 Asterales. 466 Adenocalyma alliaceum. 475. 113 Aristolochiales. 364 Apocynaceae. 368 Arecaceae. 77 Aloe vera. 81 Arecidae. 96. 43 Annona muricata. 468-9. 467. 474. 227-8. 351-2 Baccharis trimera.

230-2. 308 Dipteryx punctata. 312 Ipomoea batatas. 61 Heliotropium indicum. 276-7 Cajanus cf. 284 Hyptis crenata. 265 Caprifoliaceae. 402-3 Cactaceae. 49 Cymbosena roseuna. 205. 365-9. 386-7 Gentianaceae. 279. 394-5 Ipomoea quamoclit. 152-3. 211. 395 . 385 Hirtella. 440 Costus spiralis. 406 Brunfelsia grandiflora. 237. 287 Cecropia peltata. 190 Cucurbitapepo. 319 Dipsacales. 175 Diplotropis purpurea. mariana. 413-4. 151-2. 53-4 Coutoubea spicata. 286. 324. 215. 387 Gentianales. 366-7 Hymenaea courbaryl. 441 Inga spectabilis. 322 Clusiaceae. 430. 54. 388 Croton cajucara. 171 Gossypium barbadense. 379. 147 Caryophyllidae. 296 Fabales. 373 Eupatorium ayapana. 481. 178 Cybianthus. 407. 408-9. 163 Chenopodium ambrosioides. 315 Caesalpinia pulcherrima. 301-2. 255 Croton sacaquinha. 297 Capparidaceae. 287-8 Cassia reticulata. 496 Caryophyllales. 398. 155-6 Caesalpinia ferrea. 206-7. 287 Cassia occidentalis. 299. 411 Hibiscus furcellatus. 44. 272 Clidemia novemnervia. 46-7. 238 Cucumis anguria. 163-4 Chrysobalanaceae. 145 Caryophyllus aromaticus. 178-9. 292 Caesalpiniaceae. 212-3. 242. 231 Celastraceae. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 41-2 Convolvulaceae. 150. 236 Euphorbiales. 300. 327 Cassia multijuga. 259 Hedychium coronarium. 281. 272. 172 Boraginaceae. 213. 207. 165. 295. 292. 210. 236 Euterpe edulis. 82-3 Fabaceae. 179 Cucurbitaceae. 302 Echinodorus grandiflorus. 63 Heliconia. 266 Capparidales. 225 Guttiferales. 382-3. 170 Chenopodiaceae. 224 Hibiscus sabdariffa. 235 Cecropiaceae. 154. 185. 83 Eryngium ekmanii. 298 Derris floribunda. 375 Gnaphalium purpureum. 201 Boerhavia difusa. 496 Dipteryx odorata. 231 Celastrales. 490 Euphorbiaceae. 331 Celosia argentea. 264-5 Cymbopogon citratus. 80. 298 Derris amazônica. 280. 275 Hydrocotyle exigua. 282-3.Bixaceae. 470. 247. 283. 259 Commelinidae. indicus. 285. 393 Cordia verbenacea. 471 Gomphrena globosa. 276 Fischeria cf. 214 Himatanthus. 299 Dillenidae. 318 Desmodium tortuossum.

337 Malva parviflora. 332. 434-5 Lippia granais. 420. 493. 200 Maytenus aquifolium. 321 Menispermaceae. 435 Loganiaceae. 332. lhotzkyanum. 311 Momordica charantia. 429. 416. 42 Pogostemon patchouly. 418 Mentha viridis. 195 Mabea angustifolia. 64-5 Liliales. 336 Maytenus ilicifolia. 445 Mimosaceae. 125. 64 Liliidae. 431. 337 Polyscias. 421. 451-2 Jatropha curcas. 254. 107 Leguminosae. 369-72 Portulaca oleraceae. 425-6. 199 Passifloraceae. 262 Myrtaceae. 121-2 Pereskia grandifolia. 443 Liliaceae. 162 Portulacaceae. 432. 173 Phyllanthus corcovadensis. 244-6. 221-2. 124. 414. 192-3. 406 Lauraceae.120 Piperales. 196 Monocotiledonae. 241. 402-5 Phytolacaceae. 453 Peperomia elongata. 258 Physalis angulata. 256 jatropha gossypifolia. 158 Pothomorphe peltata. 250-1. 185. 277 Leonotis nepetaefolia. 208 Malvaceae. 130.Jacaranda caroba. 139 Mentha piperita. 303 Myrsinaceae. 161-2 Portulaca pilosa. 87 Magnoliales. 399-400. 431. 432 Ocimum canum. 444 Mentha pulegium. 132 Peperomia. 123. 229 Musa. 323-4 Myrtales. 191 Lamiaceae. 136 Piperaceae. 133 Piper gaudichaudianum. 121. 417. 495 Palicourea cf. 427. 251 Lacistema. 129. 412-3 Lamiales. 108 Persea gratíssima. 181-2. 432 Ocimum micranthum. 447 Polygalales. 389 Luffa cylindrica. 137 . 245. 422 Oxalidaceae. 128. 446 Origanum vulgare. 240-1 Magnoliidae. laniflora. 415-6. 427-8. 122-3 Piper cernnum. 350 Palicourea cf. 252. 134 Piper d. 156-7 Persea americana. 158-9. 161 Ocimum basilicum. 135 Piper marginatum. 494-5 Passiflora coccinea. 125. 126-7. marcgravii. 184-9. 180. 167-9. 64 Lippia alba. 120 Poaceae. 89 Malpiguiaceae. 321 Nyctaginaceae. 106 Laurus nobilis. 160. 427. 238-9. 233 Muntingia calabura. 131. 239-40. 198 Lacistemaceae. 425. 427 Ocimum gratissimum. 334-6 Melastomataceae. 442 Leucas martinicensis. 60 Myristicaceae. 79 Moraceae. 108 Petiveria alliacea. 61 Musaceae. 424. 192 Pedaliaceae. 422-3. 419-20. 39. 166 Piper cavalcantei. 426. 191-2. 204 Malvales. 419. 103 Myrocarpus frondosus.

477. 269 Rubiaceae. 197 Xylopia cf. 312. 474. 76 Sapindales. 409. 338 Stigmaphyllon strigosum. 215-6. 485. 103-6 Vismia japurensis. 482. 51 Zinigiberidae. 379-85 Tiliaceae. 472. 213. 491 Spondias purpurea. 492 Rubiales. 221 Urena lobata. 183. 271 Rosidae. frutescens. 479. 350. 177-8 Virola surinamensis. 484 Zollernia ilicifolia. 434 Violales. 320 . 478 Theobroma grandiflorum. 401 Solidago microglossa. 462 Ranunculales. 457-60. 390 Symphytum officinale. 99. 112 Zingiber officinale. 449 Sechium edule. 349. 273 Rosales. 50 Sambucus nigra. 353 Saccharum officinarum. 473-4. guineense. 457 Scrophulariales. 400 Solanum tuberosum. 361 Sterculiaceae. 48. 227 Theobroma speciosa. 51 Zinnia elegans. 360 Scoparia dulcis. 397-8 Solanales. 101. 233-4 Spilanthes acmella. 216 Stigmaphyllon fulgen. 262 Prunus domestica. 132. 322 Rosaceae. 228 Thevetia peruviana. 325-9. 209 Urticales. 218. 274 Psydium cf. 412 Tagetes erecta. 55. 471 Sorocea bomplandii. 217-9. 452. 127. 453-6 Sida rhombifolia. 52 Zingiberales. 345. 393 Solanum paniculatum. 45. 330 Pyrostegia venusta. 230-1 Verbenaceae. 226 Solanaceae. 189. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 326 Psydium guajava. 139 Rhynchanthera grandiflora. 347. 339 Schinus terebenthifolius.Pothomorphe umbellata. 182 Sesamum indicum. 338 Strychnos triplinervia. 354-7. 492 Ruta graveolens. 94-5. 58 Zingiberaceae. 463 Scrophulariaceae. 344. 363 Rutaceae. 497-500 Sansevieria. 208-9. 138 Primulales.

5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .Estúdio Gráfico (Diagramação) .SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.

estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. e Clélia Akiko Hiruma-Lima. do Departamento de Fisiologia. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Campus de Botucatu. do Departamento de Farmacologia. Capa: tsabel Carballo .

. estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica.