Aliar o conhecimento popular ao científico em busca de novos medicamentos farmacoterápicos e fitoterápicos é um dos principais caminhos para o sucesso de pesquisas na área de plantas medicinais. Isso é benéfico para as famílias que habitam os ecossistemas florestais, que podem obter dos recursos naturais e da sua conservação seu desenvolvimento sustentado, e para a população em geral, pelo acesso a novos e eficazes remédios. Resultado de uma extensa pesquisa iniciada em 1987, este livro compreende a descrição de 135 espécies medicinais, com nomes científico e popular, dados botânicos e propriedades de cura atribuídas pela medicina tradicional. Esse corpus foi selecionado num total de 340 espécies mencionadas em entrevistas com aproximadamente 110 moradores da Amazônia e 170 habitantes urbanos e rurais da região da Mata Atlântica. A obra, que inclui glossários de termos botânicos, químicos e médicos - além de um índice de nomes científicos -, não é uma mera segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia, publicado originalmente em 1989. Trata-se de um autêntico novo trabalho, que, além de incorporar todos os dados publicados naquele livro, introduz uma nova forma de apresentação dos dados das espécies medicinais, catalogadas graças a criteriosas pesquisas etnofarmacológicas.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador José Carlos Souza Trindade Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto Editor Executivo Jézio Hernani Bomfim Gutierre Conselho Editorial Acadêmico

Alberto Ikeda Antonio Carlos Carrera de Souza Antonio de Pádua Pithon Cyrino Benedito Antunes Isabel Maria F. R. Loureiro Lígia M. Vettorato Trevisan Lourdes A. M. dos Santos Pinto Raul Borges Guimarães Ruben Aldrovandi Tania Regina de Luca

Luiz Claudio Di Stasi Clélia Akiko Hiruma-Lima

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

2- edição, revista e ampliada

© 2002 Editora UNESP Direitos de publicação reservados à: Fundação Editora da UNESP (FEU) Praça da Sé, 1 08 0 1 0 0 1 - 9 0 0 - S ã o Paulo-SP Tel.: (Oxxll) 3242-7171 Fax: (Oxxll) 3 2 4 2 - 7 1 7 2 Home page: www.editora.unesp.br E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP Brasil) Di Stasi, Luiz Claudio Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica / Luiz Claudio Di Stasi, Clélia Akiko H i r u m a - L i m a ; colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito, Alexandre Mariot, Claudenice Moreira dos Santos. - 2. ed. rev. e ampl. - São Paulo: Editora UNESP, 2002. ISBN 8 5 - 7 1 3 9 - 4 1 1 - 3 1. Plantas medicinais-Amazônia 2. Plantas medicinais-Atlântica, Mata I. Hiruma-Lima, Clélia Akiko. II. S o u z a - B r i t o , A l b a Regina M o n t e i r o . III. M a r i o t , A l e x a n d r e . IV. Santos, Claudenice Moreira dos. V. Titulo. 02-4394 Índice para catálogo sistemático: 1. Brasil: Plantas medicinais: Botânica 581.6340981 CDD-581.6340981

Sobre os autores e colaboradores

Autores Luiz Claudio Di Stasi Biólogo Mestre em Farmacologia (EPM) Doutor em Química Orgânica (UNESP - Araraquara)

Laboratório de Fitofármacos - Lafit Batu Departamento de Farmacologia - In Clélia Akiko Hiruma-Lima Bióloga Mestre em Química e Farmacologia de Produtos Naturais (UFPB) Doutora em Ciências Biológicas, AC: Fisiologia (UNICAMP) Departamento de Fisiologia - Instituto de Biociências de Botucatu (UNESP) Colaboradores Alba Regina Monteiro Souza-Brito Bióloga - Fisiologia (UNICAMP) Alexandre Mariot Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Claudenice Moreira dos Santos Bióloga

Elza Maria Guimarães Santos Bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez Bióloga - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Leonardo Noboru Seito Biomédico - Laboratório de Fitofármacos - Farmacologia (UNESP) Maurício Sedrez dos Reis Engenheiro-Agrônomo - Fitotecnia (UFSC) Shirley Barbosa Feitosa Bióloga Wagner Gomes Portilho Biólogo - Fundação Florestal (Registro/SP)

Aos entrevistados Aldeia dos tenharins - Amazônia Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes Município de Humaitá - Amazonas

Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado, Jacupiranga e Sete Barras Mata Atlântica - Vale do Ribeira (São Paulo)

Agradecimentos da pesquisa na Amazônia

Ao Prof. Dr. Osvaldo Aulino da Silva, Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SR que, através de seu constante incentivo, de sua amizade e de suas idéias lúcidas e coerentes, tornou possível a realização deste trabalho com as características que ele possui. Aos ecólogos José Luís Campana Camargo, Silvana Amaral, Fábio Bassini e José Eduardo Mantovani; aos biólogos Aldeli Prates Ferreira, Silvana Trevisan, Simone Godói Cera, Ricardo Santos Silva e Natalina Evangelista de Lima (UNESP - Botucatu), pela imensa disposição e contribuição dispensada durante o levantamento etnofarmacológico e a coleta das plantas da região de Humaitá. A Dra. Marlene Freitas da Silva, Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia - INPA, por sua pronta disposição na identificação das espécies vegetais que constam desta obra. A Fundação Nacional do Índio - Funai, por permitir nossa permanência na aldeia dos tenharins. Ao Grupo de Trabalho da UNESP (GTUNESP) e à Fundação Rondon, pelo apoio. Aos soldados Nunes e Fonseca e ao próprio 42° Batalhão de Infantaria da Selva de Humaitá, pelas diversas caminhadas pelas matas da região à procura das espécies de nosso interesse. A srta. Roseli Galhardo Paganini, in memoriam, pela sua dedicação, interesse e paciência na datilografia da primeira edição deste livro. À Editora UNESP pela oportunidade de publicação. A todos aqueles que contribuíram direta ou indiretamente para que nossos objetivos se concretizassem.

Agradecimentos da pesquisa na Mata Atlântica

À diretora e ao vice-diretor do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, Profa. Dra. Sheilla Zambello de Pinho e Prof. Dr. Carlos Roberto Rubio, pelo constante apoio e estímulo durante toda a realização desta etapa da pesquisa. Aos funcionários da Seção de Transporte do Instituto de Biociências, UNESP - Botucatu, sempre prestativos e colaborando quando de nossa necessidade. Aos biólogos Murillo Queiroz Júnior, Mariana Aparecida Carvalhaes, Oei Sioe Tien, Gabriela Priolli de Oliveira, Sueli Harumi Kakinami e Miriam Helena Bueno Falótico, pela enorme colaboração na realização do levantamento etnofarmacológico e na coleta das espécies vegetais no Vale do Ribeira. A bióloga Renata Mazaro, pela imensa colaboração na atualização da revisão bibliográfica. A Fundação Florestal, pela colaboração em inúmeras atividades de campo e pelo apoio na realização de atividades de Educação Ambiental junto à base de Saibadela - Parque Estadual Intervales. Aos herbários "Irina Delanova Gemtchujnikov" IB, UNESP - Botucatu e "Barbosa Rodrigues" Itajaí, Santa Catarina, pela imensa colaboração na identificação do material botânico. A Fundação Brasileira de Plantas Medicinais, pela oportunidade de utilização de seu banco de dados na revisão das informações técnicas de todas as espécies vegetais constantes deste trabalho. A todos aqueles que colaboraram nas diversas etapas deste trabalho e para que ele fosse publicado com as características aqui apresentadas.

Vale do Ribeira.Agradecimentos especiais à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). . pelo apoio à pesquisa na Mata Atlântica .

Sumário Prefácio 17 Prefácio à primeira edição (1989) 23 Sobre a primeira edição do livro (1989) 27 Apresentação do trabalho em 1989 29 Metodologia de pesquisa 31 Organização do livro 35 Parte 1 Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 39 1 Commelinidae medicinais 41 2 Zingiberidae medicinais 51 3 Liliidae medicinais 64 4 Outras monocotiledôneas medicinais na Mata Atlântica 79 .

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 87 85 5 Magnoliales medicinais 89 6 Aristolochiales medicinais 7 Piperales medicinais 120 113 8 Ranunculales medicinais 139 Seção 2 Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 145 9 Caryophyllales medicinais 147 Seção 3 Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 1 7Í 10 Violales medicinais 1 77 11 Malvales medicinais 200 12 Urticales medicinais 230 13 Euphorbiales medicinais 236 14 Guttiferales medicinais 259 15 Primulales medicinais 262 16 Capparidales medicinais 265 Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 269 17 Rosales medicinais 271 18 Fabales medicinais 276 .

Sumário 19 Myrtales medicinais 321 20 Celastrales medicinais 331 21 Polygalales medicinais 337 22 Sapindales medicinais 339 23 Apiales medicinais 364 Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica 373 24 Gentianales medicinais 375 25 Solanales medicinais 393 26 Lamiales medicinais 406 27 Scrophulariales medicinais 449 28 Asterales medicinais 463 29 Rubiales medicinais 492 30 Dipsacales medicinais 496 Posfácio 501 Glossário de termos botânicos. químicos e médicos 505 Referências bibliográficas 523 Índice de nomes científicos 601 .

mas nenhuma satisfaz de forma completa as necessidades. especialmente a Floresta Amazônica e a Floresta Tropical Atlântica. a falta de propostas decorre de um dos dois. Inúmeras discussões e propostas são realizadas. Enumerando apenas alguns problemas decorrentes da devastação de ecossistemas como esses . pois. ou representam paliativos de curto prazo de funcionamento. empobrecimento do solo. da soma de dois fatores: • os escassos conhecimentos científicos sobre a complexidade de relações existentes entre os diversos componentes desses ecossistemas e. se propõe e se discute sobre o assunto. ou significam estratégias proibitivas.perda da fauna e da flora. incluindo a perda de conhecimentos sobre essas espécies e de seus potenciais produtos. Nos últimos anos. é patente também que não há nenhuma estratégia de manejo global desses ecossistemas e a sua conseqüente conservação. Acreditamos que. esse tema tomou conta do planeta e muito se fala. alterações climáticas. ou melhor. podemos verificar a necessidade de estratégias que permitam a manutenção dessas florestas. entre outros -. mas pouco se faz. que em sua maioria não resolvem o assunto. Apesar de tudo que se conhece sobre o assunto. conse- .Prefácio Acreditamos que é desnecessário afirmar a importância e a necessidade da conservação dos ecossistemas florestais brasileiros. provavelmente. comprometimento do abastecimento de água.

mas inclui ainda interesses econômicos. São eles que conhecem a floresta. sem dúvida alguma. contribuir imensamente com a elaboração de estratégias de conservação. regional. • o descaso por parte daqueles que propõem e executam as políticas de conservação ambiental local. quer sejam comunidades tradicionais. Consideramos. integram esse novo momento de ação sobre os ecossistemas. atualmente. de sua fragilidade diante da ação devastadora do homem.qüentemente. fator que limita a elaboração de estratégias eficazes de conservação. permitir grandes avanços na conservação. os pescadores do Vale do Ribeira. nacional e internacional para com os elementos humanos que habitam esses ecossistemas ou seu entorno. portanto. É nesse sentido que o manejo de vários produtos florestais de forma sustentável surge como uma excelente proposta e que as plantas medicinais. São eles que podem. Nesse sentido. Essa relação. Nesse aspecto. devemos salientar que qualquer proposta ou estudo que contribua com o conhecimento desses ecossistemas é valiosa. Sabemos que o homem sempre buscou na natureza recursos para sua sobrevivência. Para tal. seus produtos e suas relações. alternativas que mantenham esses habitantes na floresta com a qualidade de vida merecida irão. especialmente considerando-se o crescimento da população e a necessidade de mais e mais produtos a cada dia que passa. priorizadas. as pequenas vilas nas áreas rurais de ambas as regiões . como as diversas aldeias e tribos da Amazônia ou os quilombolas do Vale do Ribeira. os moradores da floresta . como mais um produto para comercialização.vivem diretamente dos produtos que essa floresta lhes oferece para sobrevivência ou para comercialização do excedente.quer sejam grupos definidos. os quais são atores-chave na elaboração de estratégias de conservação. novos estudos precisam ser feitos e as pesquisas interdisciplinares. que enquanto não se contemplar nas estratégias de conservação a melhoria da qualidade de vida do habitante da floresta pouco se poderá alcançar. pois além do conhecimento que possuem também atuam como verdadeiros fiscais de controle da ação antrópica. a contribuição deste . entretanto. uma vez que permitirá avanços na detecção de alternativas de conservação. São eles que vivem em contato direto com todos os elementos desse ecossistema. como os ribeirinhas da Amazônia. Por sua vez. Dessa forma. Essa forma de relação tornou-se mais perigosa. não se dá apenas visando à sobrevivência.

livro é um começo. Não custa lembrar e salientar. legitimarem o valor do conhecimento dessas comunidades e desses grupos e incluí-los no processo de conservação. como instituições determinantes para o avanço. mais abrangente. que a idéia de Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica foi tomando forma lentamente. menos globalizado e mais coerente com as necessidades e aspirações daqueles que fazem o patrimônio cultural do país e que conhecem o funcionamento de seus ecossistemas melhor que qualquer área específica do conhecimento científico. abrindo uma porta importante para a publicação deste material. Dessa forma. então começamos a ampliar o leque de colaboradores no trabalho de revisão bibliográfica das espécies vegetais identificadas e introduzir novos elementos à . conseqüentemente. e também no de desenvolvimento. reunir valor econômico maior que aquele atualmente praticado na relação das indústrias e laboratórios farmacêuticos com os grupos e as comunidades tradicionais. na verdade. melhores condições de vida podem ser oferecidas para esses habitantes que conhecem a floresta e dela vivem diariamente. Passou da hora de a ciência e a política. e incorporar na nova edição outras 41 espécies medicinais usadas na Amazônia e que haviam sido catalogadas em nossa pesquisa após a primeira edição. pagando o preço de um trabalho mais social. publicado originalmente em 1989. A equipe já não era a mesma. o número de informações disponibilizadas tornou a proposta mais árdua e difícil do que imaginávamos. a realização de uma segunda edição atualizada do livro Plantas medicinais na Amazônia. cada qual havia tomado seu caminho. centenas ou mesmo milhares de anos de relação desses habitantes da floresta com o ecossistema florestal. No entanto. Foi a partir de pesquisas que realizamos. que a ciência usou e ainda usa como fonte de informações para obtenção de novos medicamentos. já que dez anos haviam se passado. considerando os aspectos aqui referidos. sobretudo depois que a Fundação Editora UNESP propôs. pois ele fornece dados importantes sobre um grande número de espécies vegetais que podem ser estudadas como medicamento e. Nessa proposta inicial a idéia era atualizar a revisão bibliográfica das 59 espécies medicinais que constavam daquele livro. entretanto. que é justamente o conhecimento popular decorrente de dezenas. que pensávamos menor que aquele que originou o primeiro livro. Começamos o trabalho. fazer um novo livro e juntar os dados com os da primeira edição. em janeiro de 1999. Verificamos que a atualização dos dados e a ampliação do livro representava.

buscando nas mais variadas fontes dados que pudessem ser adicionados para cada uma das espécies a serem inseridas numa segunda edição do livro. toxicológicos e botânicos) de espécies vegetais desse importante ecossistema que é a Floresta Tropical Atlântica. mas verificamos lentamente que a proposta era bem mais valiosa. por outro. Por si só. Foi nessa fase do trabalho que surgiu a idéia de incorporarmos à pesquisa algumas das plantas medicinais. adicionando-se a essas plantas dados técnicos e científicos que permitissem avanços reais na pesquisa de plantas medicinais e na pesquisa de novas estratégias de conservação desses ecossistemas. Index Medicus. colocar lado a lado os dados de espécies vegetais específicas de cada ecossistema e usadas como medicamento pelos diferentes grupos estudados.proposta original. incluindo fotos de algumas espécies. que prontamente os disponibilizou para esta publicação. outro importante e singular ecossistema brasileiro. catalogadas em uma pesquisa etnofarmacológica realizada na região do Vale do Ribeira. No entanto. buscamos informações em diversos endereços. farmacológicos. A idéia de agrupar dados de pesquisas etnofarmacológicas com grupos étnicos distintos que habitam diferentes ecossistemas florestais ou em suas proximidades foi se concretizando como uma proposta de grande valor. além da pesquisa nos tradicionais índices de revisão (Biological Abstracts. Estado de São Paulo. Nessa nova etapa. pelo menos as mais citadas. além dos desenhos apresentados inicialmente. a nova idéia não tinha mais como retornar. A quantidade de informações obtidas foi gigantesca e iniciamos um trabalho cansativo e detalhado de seleção dos dados que considerávamos mais importantes para constar do novo material. A oportunidade de produzir uma publicação de plantas medicinais usadas na Amazônia e na Mata Atlântica. pois não existiam ainda dados pormenorizados (etnofarmacológicos. páginas e links que tratam do assunto e que estão com livre acesso na Internet. permitiria comparar os usos que grupos humanos distintos poderiam fazer de uma mesma espécie medicinal e. foi a possibilidade de disponibilizar para as comunidades tradicionais de ambas as regiões . Chemical Abstracts).não . por um lado. especialmente com comunidades tradicionais que habitam o interior ou no entorno da Mata Atlântica. assim como no banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). já disponibilizados em disquetes e com fácil acesso pelos computadores. químicos. à medida que. tornou-se o objetivo principal da nova equipe.

passaram a representar uma nova alternativa . A conservação dos ecossistemas tropicais.todos os dados e informações possíveis e mais importantes sobre as espécies vegetais mais utilizadas que orientou todo o nosso esforço em publicar este material na forma em que ele se apresenta. Com essa nova concepção. sempre foi uma preocupação constante. Relembramos que já em 1989 destacamos a importância de que o tema "plantas medicinais" tivesse uma abordagem ecológica e ambiental e que os dados das comunidades tradicionais e dos diferentes grupos étnicos sobre as plantas medicinais não fossem apenas um rol de informações para a seleção de plantas medicinais pelos pesquisadores da área. tanto para os pesquisadores da área como para a comunidade em geral. Quando Plantas medicinais na Amazônia foi publicado. mas um novo trabalho. que incorpora todos os dados publicados no primeiro livro e que introduz uma nova forma de apresentação dos dados de espécies medicinais catalogadas por pesquisas etnofarmacológicas criteriosas. não apenas catalogando espécies medicinais. raros eram os trabalhos e as publicações que estavam disponíveis. dados etnofarmacológicos continuam sendo a principal base para a escolha de plantas medicinais para estudos voltados para a obtenção de novos medicamentos. hoje. especialmente os habitantes das duas regiões onde foram realizados os estudos. como é o caso da Amazônia e. mas as plantas medicinais. Devemos ressaltar aqui a enorme evolução que o tema "plantas medicinais" teve no Brasil nos últimos anos. especialmente os mais ameaçados. Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica não é uma segunda edição de Plantas medicinais na Amazônia. excelentes publicações foram sendo disponibilizadas. como é o caso da Amazônia e da Mata Atlântica. mais acessível que os artigos . mas com um livro. especificamente. Mas mesmo considerando-se os enormes avanços nessa área.em artigos científicos e técnicos. que serão úteis. realizadas na região amazônica e na região da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. especialmente quando esses dados se referem a espécies nativas de ecossistemas florestais pouco conhecidos em sua complexidade. sem dúvida. No entanto. durante todo esse período. mas também discutindo e introduzindo novas abordagens para que a pesquisa com plantas medicinais pudesse escolher rumos e caminhos que apontassem para a solução dos principais problemas de saúde do país. da Mata Atlântica.

acreditamos que este trabalho é uma importante contribuição. mas pouco realizado na prática. Aliar o conhecimento popular com o conhecimento científico . Nesse sentido.somando-se a isso a busca de novos medicamentos. Trata-se de uma pesquisa iniciada em 1987 e que continua em comunidades tradicionais da Mata Atlântica. para que espécies nativas sejam priorizadas nos estudos de plantas medicinais pelos pesquisadores no Brasil. visto que as espécies vegetais de valor medicinal passam a ser mais um recurso florestal passível de exploração e de comercialização que.para a conservação dos ecossistemas. envolvendo uma enorme equipe de pesquisadores de distintos órgãos governamentais (estaduais. reduzindo assim os sérios problemas ambientais pelos quais esses ecossistemas passam. assim como a obtenção de renda adicional para as famílias que habitam os ecossistemas florestais ou seu entorno com a exploração sustentável desses recursos e sua conseqüente conservação . para sugerir que as pesquisas com plantas medicinais sejam pensadas também pelo seu caráter social e econômico. realizadas de forma racional e sustentável. respeitando-se os interesses das comunidades tradicionais. devemos fazer constar que este trabalho é resultado de uma pesquisa etnofarmacológica realizada com diferentes comunidades e grupos humanos do Brasil. quer sejam como medicamentos eficazes e seguros para uso local quer como recursos econômicos explorados de forma sustentável.não pode ser apenas a retórica. e para estimular e incentivar que tais pesquisas sejam realizadas efetivamente com o caráter inter e multidisciplinar amplamente apregoado e estimulado em inúmeras publicações. Luiz Claudio Di Stasi . mas a base das pesquisas na área de plantas medicinais. permitem a redução da ação antrópica sobre outros produtos florestais. cujo objetivo principal está na melhoria da qualidade de vida de comunidades que habitam os ecossistemas florestais por meio do uso correto e adequado de espécies nativas de valor medicinal. farmacoterápicos e especialmente fitoterápicos. municipais e federais) e não-governamentais. Finalmente. apesar de preliminar e pequena. para que parte do patrimônio cultural de diferentes grupos étnicos brasileiros seja registrada e não seja perdida. não sendo apenas uma compilação de dados da literatura.

Em primeiro lugar. que esse conhecimento seja perdido. principalmente no aspecto de alertar a população acerca dos problemas oriundos do uso indiscriminado de plantas medicinais e das plantas com efeitos tóxicos comprovados. Em terceiro lugar. Em segundo lugar. significaria um grande prejuízo para a cultura e para a ciência do país. obter informações que viessem subsidiar pesquisas nas diversas áreas que envolvem o estudo de plantas medicinais. o que. visando ao resgate e à preservação da cultura popular de grupos étnicos definidos. Tal proposta que se concretiza parcialmente com este trabalho é de grande valor. principalmente no que se refere a facilitar a seleção de espécies vegetais potencialmente ativas e que são utilizadas amplamente pela população de determinada região. realizar um estudo etnofarmacológico regional. o trabalho teve caráter de extensão universitária baseado na preocupação de devolver para a população envolvida no objeto de estudo os resultados das pesquisas realizadas com as espécies da região que pudessem fornecer esclarecimentos adicionais.Prefácio à primeira edição (1989) O trabalho aqui apresentado teve como objetivo alcançar as seguintes finalidades. mediante a realização de um inventário de plantas medicinais. desse modo. pois permite que a população se utilize dos recursos terapêuticos de origem . a nosso modo de ver. evitando-se. pretendeu-se. referente ao uso das plantas com fins terapêuticos.

mas funcionar como um instrumento de esclarecimento e alerta ao leigo usuário das plantas. Fugimos assim da postura clássica de exploração dos conhecimentos tradicionais da população e dos recursos naturais da região com fins estritamente de pesquisa. para executar atividades mais coerentes com nossa realidade. Nesse contexto. oferecer oportunidade a alunos de Ciências Biológicas e cursos afins de atuarem e manterem contato com uma área de pesquisa fascinante e de grande importância para um país com as características sociais que o Brasil possui. Em quarto lugar. ficamos plenamente satisfeitos com o interesse do grande número de alunos que participaram do trabalho. Osvaldo Aulino da Silva. Tal proposta decorre de uma filosofia de trabalho que contém uma preocupação em contribuir. Uma proposta de trabalho com tais características só é viável quando passa a envolver um grande número de indivíduos. realizado no município de Humaitá. Em nenhum momento este trabalho quer se prestar como um receituário de plantas medicinais (tal uso seria um engano desastroso). Finalmente. consideramos que a ciência. além dos objetivos aqui expostos. deve ter um componente social em seu escopo. é importante colocarmos aqui que o presente trabalho é parte integrante de um amplo projeto de pesquisa e extensão universitária. com a promoção de melhores condições de vida para a população. tendo conhecimentos adicionais sobre essas plantas. que potencialmente es- . com as atividades deste trabalho. da qual o próprio pesquisador faz parte. farmacologistas etc). e que visa. a estudar aspectos botânicos das plantas da região e executar atividades de Educação Ambiental.natural. como qualquer outra atividade humana. químicos. objetivou-se redigir este trabalho com o intuito de fornecer informações sobre plantas medicinais de forma que fosse acessível à população leiga e de interesse para os mais variados profissionais que trabalham na área (botânicos. Nesse contexto. juntamente com o Prof. muitos deles atualmente se direcionando profissionalmente para a pesquisa com plantas medicinais. mas também com a descoberta de soluções e novos caminhos que venham ao encontro das aspirações da sociedade brasileira. Por outro lado. preocupando-se não só com a busca do conhecimento real e verdadeiro. principalmente no que está relacionado às questões de saúde e preservação do patrimônio cultural e natural de uma região rica do nosso país. do Departamento de Botânica da UNESP Campus de Rio Claro (SP). pretendeu-se. com os conhecimentos adquiridos.

verificamos que é este o momento da realização do maior número possível de estudos etnofarmacológicos. pela sua característica multidisciplinar. incomparável com aquele que sentimos ao executarmos um trabalho individual. A literatura nos mostra que essas influências são inegáveis. antropólogos e químicos. essa área requer um enfoque novo. independentemente das dificuldades inerentes à própria relação social dos indivíduos. propostas e encaminhamentos que enriquecem imensamente o trabalho. que podemos denominar ecológico. além de engrandecer o trabalho. como também a qualidade das propriedades terapêuticas de interesse. como exemplos) e abióticos (umidade do ar. farmacologistas. além de botânicos. portanto é urgente a sua consideração. Ao considerarmos as características culturais de nosso país. como seres vivos.tejam dispostos a concretizar os objetivos sem medir esforços. estações do ano e outros). que se superando as dificuldades. A experiência do trabalho em equipe aqui realizado. Acreditamos. é necessário que se ampliem em número e em qualidade as pesquisas na área. que podem não só determinar a quantidade de produção de compostos secundários das plantas (princípios ativos). O trabalho em equipe na área de pesquisa em plantas medicinais. para que o conheci- . estão sujeitos às influências de fatores bióticos (floração. principalmente no aspecto do rico conhecimento de plantas medicinais existentes nas diversas regiões. O trabalho em equipe baseado em uma proposta concreta e clara torna-se simples e empolgante na medida em que permite um alcance mais rápido dos objetivos e envolve uma grande variedade de idéias. visto o grande risco de extinção de várias plantas medicinais e principalmente pelo fato de que os vegetais. tipo do solo. no entanto. antes de se propor um cultivo programado de plantas medicinais. consideramos de grande importância colocar que. No entanto. estágio de desenvolvimento. clima. qualquer projeto de pesquisa realizado em equipe tende a produzir melhores resultados em menor espaço de tempo. torna-se obrigatório quando se propõe o alcance de objetivos mais amplos como os aqui apresentados. A inserção dessa abordagem ambiental ou ecológica no estudo das plantas medicinais fornece novos elementos que melhor caracterizam os resultados experimentais realizados com determinada espécie. desde que cada participante cumpra suas tarefas e responsabilidades dentro do grupo. e nossa experiência é prova disso. propiciou um imenso prazer.

Foi unânime por parte de toda a equipe que se relatasse a beleza do contato com os grupos étnicos envolvidos. Essa urgência na realização desses trabalhos se baseia no fato de que o conhecimento popular está sendo rapidamente alterado ou até mesmo extinto. que. principalmente pela influência dos meios de comunicação de massa e pelo aspecto de que a abordagem etnofarmacológica possui a vantagem de permitir a padronização de modelos experimentais específicos que serviriam de instrumento de avaliação de um grande número de espécies vegetais. o que significa um menor custo no desenvolvimento da pesquisa e na obtenção do produto final. o que é de extremo interesse nas condições em que se encontra o país. além de tornarem possível este trabalho. preservado e utilizado como subsídio de pesquisas com plantas medicinais. desde a fase inicial até a possibilidade de publicá-lo com as características que aqui se apresentam. mas também por demonstrarem uma visão mais pura e bela da vida.mento tradicional seja devidamente resgatado. não só de conhecimento das potencialidades da natureza. Não podemos deixar de fazer constar aqui o grande prazer e até mesmo uma verdadeira paixão que envolveu a realização deste trabalho. acrescentaram uma experiência rica. Luiz Claudio Di Stasi .

O Brasil contribui com 120 mil espécies. por fim. 1564-1616) A utilização de plantas com fins medicinais era comum na Idade Média. Acredita-se que a flora mundial esteja entre 250 mil e 500 mil espécies. e a ausência de levantamentos etnofarmacológicos .. quando as pessoas parecem querer retomar suas raízes buscando nas plantas a cura de seus males. Observa-se. surge o livro Plantas medicinais na Amazônia. Dentro do terno cálice da débil flor residem o veneno e o poder medicinal. quando se sabe que milhares de informações populares sobre o uso de plantas medicinais estão desaparecendo. quando se constata. Ato II de Romeu e Julieta . Dessas.. de um lado. uma disparidade entre a quantidade e a diversidade da flora medicinal. apesar disso. mas os primeiros registros remontam a milênios. e. das quais o saber popular selecionou cerca de duas mil como medicinais. o enorme risco de extinção que correm fauna e flora. porque na terra não existe nada tão vil que não preste à terra algum benefício especial. a grande maioria na região amazônica.Sobre a primeira edição do livro (1989) Quando a consciência de uma nação inteira parece despertar para a preservação do santuário ecológico mundial que é a Amazônia. portanto.William Shakespeare. (Cena III. Oh! imensa é a graça poderosa que reside nas ervas e em suas raras qualidades. apenas 10% foram cientificamente investigadas do ponto de vista químico-farmacológico.

efeitos observados. Por último. e isso é o que importa. Profa. Quando dizemos criteriosos. Alba Regina Monteiro Souza Brito (UNICAMP . Levantamentos etnofarmacológicos. de outro. enfim. Dra. a distância vencida. Sua importância é tanto maior por tratar-se da região amazônica. vale salientar que este trabalho representa um pequeno passo diante do extenso caminho que se tem a percorrer na recuperação de todas as informações relativas às plantas medicinais. chamamos a atenção para levantamentos etnofarmacológicos nos quais constem identificação taxonômica das plantas envolvidas. como este que aqui se apresenta.criteriosos. posologia. são raros e induzem-nos a pensar que é possível ou que ainda há tempo de resgatar a memória nacional na utilização de plantas medicinais. dados que auxiliem o usuário final na busca de conhecimento que tais levantamentos oferecem. descrição botânica objetiva da espécie citada e usos. Esses requisitos estão plenamente satisfeitos neste livro. Mas o passo foi dado.Campinas) .

Atualmente. conforme aponta Philip M. por se tratar de uma importante fonte de perturbação. . De fato. provenientes da evapotranspiração. que. que outrora era restrita às margens dos rios navegáveis. alta precipitação e reciclagem de seu próprio material orgânico. No entanto. que chama a atenção de cientistas de várias partes do mundo. a taxa de desmatamento é o que realmente preocupa. no caso da Amazônia. Não é difícil justificar a necessidade de manejo dessa vegetação. a ação predatória do homem na Floresta Amazônica vem ocorrendo numa velocidade espantosa. Fearnside. atingiu um equilíbrio graças à interação de fatores como umidade.Apresentação do trabalho em 1 989 A Amazônia constitui um dos mais completos ecossistemas da Terra. Dada a fragilidade desse equilíbrio. qualquer atividade descontrolada pode acarretar processos irreversíveis de destruição da floresta. a situação em relação às áreas perturbadas é deveras preocupante. que para sua subsistência demanda áreas de cultivo e criação de gado. Basta lembrar que as florestas têm papel importante na regulação do ciclo hidrológico e que. apesar da pobreza dos solos. A exploração madeireira. esta contribui com cerca de 50% de vapor d'água para a formação de chuvas. apesar da exploração madeireira ainda representar pequena fração dos seus cinco milhões de quilômetros quadrados. atualmente assume proporções alarmantes graças ao desenvolvimento de vias rudimentares e com estas o avanço da colonização.

das quais poucas foram estudadas. em vista do desconhecimento das conseqüências reais que disso possam advir.O setor industrial tem também colaborado com o desmatamento na medida em que depende de matéria-prima florestal para manter o seu nível de industrialização. o uso indiscriminado de material vegetal na cura de doenças. levando-se em conta a preocupante taxa de predação feita pelo homem. Luiz Claudio Di Stasi. muitas provavelmente sucumbirão antes mesmo de qualquer conhecimento de seu potencial. que se origina tanto da necessidade de uma terapêutica alternativa pelo baixo poder aquisitivo e pelo difícil acesso à assistência médica como da grande influência cultural dos arborícolas da região. Trata-se de uma obra de capital importância no assunto e que se sobrepõe aos freqüentes receituários para se dedicar ao resgate do patrimônio etnofarmacológico e às valiosas informações técnicas que certamente servirão de apoio a novas pesquisas no campo das ciências naturais. Prof. desde o leigo ao mais especializado. ecológico e histórico. Plantas medicinais na Amazônia. honrado em apresentar esta obra. visando à preservação da memória histórica dos usos e costumes. riquíssima em espécies. a carência de estudos sobre a vegetação brasileira e orientação popular. pelos cuidados com a parte gráfica e as ilustrações. Somada a isso. julgamos altamente preocupantes: por um lado. por trás do uso inadvertido da área estão interesses industriais e políticos que concorrem para o desaparecimento da flora.Rio Claro) . e. mas diz respeito também à riqueza do conhecimento popular acerca do uso terapêutico de plantas. por outro. Osvaldo Aulino da Silva (UNESP . sua redação simples e facilidade de acesso para consulta. Dr. do ponto de vista social. fruto de um trabalho sério de pesquisa. informações importantes sobre as 59 espécies mais utilizadas pelos grupos étnicos estudados para fins terapêuticos. portanto. tendo à frente toda a dedicação e coordenação do Prof. A importância da Amazônia não se restringe apenas às espécies animais e vegetais. De qualquer maneira. coloca às mãos dos leitores. as falhas no fluxo informativo e conseqüente perda do conhecimento sobre a terapêutica empregada pelos diferentes grupos étnicos e. acarreta duas situações que. Sinto-me.

Metodologia de pesquisa Apresentamos. sul do Estado do Amazonas. Vale do Ribeira. • Aldeia dos Tenharins. no Amazonas. localizada a 120 quilômetros do município de Humaitá. resumidamente. conforme descrito a seguir: . a seqüência de estudos realizados para melhor compreensão das atividades de campo realizadas desde 1987. pois não consideramos ser este o espaço para pormenorizar todos os métodos utilizados. no Estado de São Paulo. Mata Atlântica • Comunidades rurais e urbanas dos municípios de Eldorado. Local da pesquisa A pesquisa foi realizada em duas regiões e em várias localidades de cada uma delas: Amazônia • Município de Humaitá. Jacupiranga e Sete Barras. • Comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. pela Rodovia Transamazônica em direção ao Norte. Entrevistas Entrevistas semi-estruturadas foram realizadas em ambas as regiões.

cujo acesso era feito por meio de barcos cedidos por lideranças locais (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar deste projeto). • Vinte entrevistas com habitantes de comunidades ribeirinhas do Rio Madeira e seus afluentes. Coleta de material e identificação taxonômica As espécies referidas nas entrevistas foram sempre coletadas pela indicação do entrevistado e na sua presença. a coleta errada do material. • Duas entrevistadas (tuxaua "Kuarrã". ao Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov". Para as espécies da Amazônia. Em alguns casos o material vegetal florido não foi coletado. novas visitas foram realizadas aos entrevistados até sua obtenção. • Setenta entrevistas com habitantes rurais de Eldorado (18). Para materiais fora da fase de floração. assim. as exsicatas foram enviadas ao Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Jacupiranga (21) e Sete Barras (31) (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). No caso de material em fase de floração. Chefe da Aldeia dos Tenharins e sua esposa foram entrevistados várias vezes por diferentes membros da equipe e por meio de quatro viagens para a aldeia).Amazônia • Noventa entrevistas com habitantes de Humaitá . Amazonas. Departamento de Botânica do Instituto de . evitando-se. exsicatas foram preparadas e enviadas para identificação.Amazonas (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar do trabalho). Mata Atlântica • Cem entrevistas com habitantes urbanos dos municípios de Eldorado e Jacupiranga (realizadas em todos os domicílios onde foram encontrados habitantes e que consentiram em participar da entrevista). • Noventa questionários aplicados a professores voluntários da rede oficial de ensino (escolas rurais e urbanas) e para líderes comunitários voluntários do município de Sete Barras.

Rio Claro.Botucatu e ao Herbário "Barbosa Rodrigues". Para as espécies coletadas na Mata Atlântica. Revisão bibliográfica Uma vez identificadas as espécies. ecológicas e botânicas) foram sendo adicionadas conforme a organização de cada um dos capítulos. priorizando-se os relatos de farmacologia que confirmassem ou não o uso tradicional das espécies vegetais. para sua identificação.Santa Catarina. . Banco de dados da Fundação Brasileira de Plantas Medicinais (FBPM). Chemical Abstracts. Depois da compilação dos dados foram selecionados aqueles de interesse para as características do trabalho aqui apresentado. Index Medicus (Med-line). foram realizadas pesquisas bibliográficas nos seguintes índices: • • • • • Biological Abstracts. Outras informações (agronômicas.Biociências da UNESP . as exsicatas foram enviadas aos Herbário "Irina Delanova Gemtchujnikov".Botucatu. Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da UNESP . Sites da Internet. Itajaí . os dados químicos e os de toxicidade que orientassem o uso das espécies. e ao Herbário do Instituto de Biociências da UNESP .

Organização do livro Para permitir que os dados das diferentes espécies medicinais referidas pelos habitantes de ambos os ecossistemas florestais pudessem ser avaliados comparativamente. Utilizou-se o sistema de classificação botânica adotado por Cronquist (1981) e modificado por Kubitzki em seu sistema de arranjo das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997). verificou-se que agrupar as espécies de forma sistemática considerando os grupos taxonômicos seria a melhor estratégia. Os capítulos se distribuem em duas partes: • Parte I . Incluem-se no livro apenas espécies de Angiospermae. mas considerando especialmente a Ordem Botânica à qual pertenciam.incluindo as monocotiledôneas medicinais. Uma nova forma de apresentação das espécies teve que ser analisada e. incluindo-se assim pequenas introduções e informações sobre cada uma das ordens e das famílias botânicas incluídas neste trabalho. as espécies não poderiam mais ser apresentadas por ordem alfabética de nomes populares. assim como enriqueceria os dados disponibilizados no livro. com o tempo. Isso tornaria fácil analisar a importância de cada família vegetal como fonte de espécies medicinais para estudos. como havia sido feito na primeira edição deste livro. . Optou-se por apresentar as espécies dentro de suas famílias.

Seção 3: Medicinais da subclasse Dillenidae . Das Dicotyledonae não foram referidas espécies das famílias. das diversas famílias incluídas em uma determinada ordem.Seção 2: Medicinais da subclasse Caryophyllidae . Para cada capítulo. . . • Dados químicos. incluindo-se os principais grupos e classes químicas já descritos na literatura científica para cada um dos gêneros ou espécie referida no texto. • Monografias de espécies medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica. as quais se subdividem em cinco seções: . dados ecológicos e distribuição. pois não foram citadas espécies vegetais desta subclasse em nenhuma entrevista.dados da medicina tradicional que incluem os dados decorrentes das entrevistas realizadas pelos pesquisadores do projeto. em vários casos. Também não é referida nenhuma espécie de Pteridophyta e Gymnospermae. incluindo: . que compreendem uma descrição botânica. significado do nome do gênero e dados sobre o gênero.Seção 1: Medicinais da subclasse Magnoliidae .dados botânicos e outras informações (quando for o caso).incluindo as dicotiledôneas medicinais.• Parte II . respectivas ordens e respectiva subclasse Hamamelidae. tem-se a seguinte estrutura-padrão: • Introdução sobre a ordem botânica.Seção 4: Medicinais da subclasse Rosidae . especialmente apontando-se o valor da ordem como fonte de espécies medicinais. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe.nomes populares da espécie na região de estudo ou de acordo com outras referências bibliográficas pesquisadas. . às quais foram adicionadas (quando existiam) outras referências de dados de uso popular.Seção 5: Medicinais da subclasse Asteridae Cada uma das partes inclui diversos capítulos montados a partir da ordem botânica das espécies vegetais referidas. • Introdução sobre a família botânica ou.

Todas essas imagens fazem parte do Banco de imagens organizado com apoio da Fapesp. Essas ilustrações constavam do livro Plantas. C.• Dados farmacológicos. formatado e montado para a inclusão neste livro. . • Em alguns capítulos todos esses dados estão agrupados em um único tópico. • Ilustrações: para algumas das espécies são apresentadas ilustrações. medicinais na Amazônia e foram escaneadas. formatadas e montadas para inclusão no livro. incluindo as principais referências sobre as atividades farmacológicas já descritas para uma espécie ou gênero. .desenhos escaneados: incluem ilustrações realizadas por L. UNESP. formatadas e montadas para inclusão no livro. O material após coleta ou por empréstimo dos herbários foi escaneado. de vários tipos: .escaneratas: técnica desenvolvida no Laboratório de Fitofármacos ( ) do Departamento de Farmacologia. . • Dados toxicológicos. apontando os principais efeitos tóxicos ou adversos de cada uma das plantas ou gênero. químicos e médicos usados no livro e um índice de nomes científicos que ajudam na compreensão dos diferentes tópicos abordados em cada um dos capítulos.fotos escaneadas: incluem fotos de várias origens (todas com a autoria) cedidas para esta publicação e que também foram escaneadas. Instituto de Biociências de Botucatu. para o armazenamento de imagens de exsicatas depositadas nos herbários. . Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. No final do livro. Di Stasi a partir da exsicata do material coletado ou a partir de outras ilustrações indicadas nas legendas. além de uma extensa bibliografia atualizada. Para várias espécies e gêneros não há estudos na literatura e esse tópico não existe. encontram-se um glossário de termos botânicos.

Parte I Monocotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Mayacaceae e Commelinaceae. Guimarães C.1 Commelinidae medicinais C. A ordem Commelinales inclui as famílias Rapateaceae. das quais devemos destacar apenas algumas espécies do gênero Tradescantia (Commelinaceae). Santos L. M. destacando-se o gênero Paepalanthus com centenas de espécies popularmente denominadas sempre-vivas e amplamente usadas como ornamentais. A ordem Cyperales inclui as famílias Cyperaceae e Graminae (Poaceae). e dessa segunda é que se destacam várias espécies de valor medicinal e econômico. algumas com importantes famílias botânicas e diversas espécies vegetais de valor medicinal e econômico. M. A. Na ordem Eriocaulales estão incluídas apenas as espécies da família Eriocaulaceae. pelo seu grande valor ornamental. Typhales. Outras ordens botânicas como Juncales. Xyridaceae. . Restionales e Hydatellales são pouco importantes nos ecossistemas brasileiros. C. Hiruma-Lima E. Di Stasi Introdução A subclasse Commelinidae de espécies vegetais inclui sete ordens. algumas delas descritas neste capítulo.

A família Poaceae. • Pooideae.500 espécies distribuídas universalmente e com grande importância econômica. A família é dividida em quarenta tribos. Arundinoideae e Chloridoideae. Paspalum. substâncias cianogênicas. subfamília que. Os outros constituintes incluem alcalóides. • Centothecoideae. do famoso centeio e da aveia. • Panicoideae. Nessa subfamília também encontramos importantes espécies e gêneros de valor econômico e alimentar. açúcar e trigo. amido. que incluem vários gêneros. como Sorghum do sorgo. flavonóides e terpenóides (Evans. e o gênero Oryza. principalmente Zea mays (milho). Cymbopogon. que estão distribuídas em seis subfamílias botânicas: • Bambusoideae. respectivamente. cujo representante principal é o arroz. e na Amazônia identificou-se o uso popular de quatro espécies distintas dessa família: Andropogon leucostachys. reunindo inúmeras utilidades. também denominada Gramineae. Dessas quatro espécies devemos destacar a Saccharum officinarum e a Cymbopogon citratus. visto que inclui inúmeras espécies dos gêneros Andropogon. Saccharum e outros. . Andropogon nardus. também referidas como medicinais na região da Mata Atlântica e cujos dados passamos a apresentar. 1996). é a mais importante. que inclui os gêneros Secale e Avena. Várias espécies possuem importância terapêutica. um dos mais importantes alimentos da população brasileira. ácidos fenólicos. As espécies de Poaceae contêm uma grande variedade de constituintes químicos. gêneros alimentícios como bebidas. açúcar e óleos essenciais. Zea. do ponto de vista de espécies medicinais. inclui cerca de 668 gêneros e aproximadamente 9. Cymbopogon citratus e Saccharum officinarum. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de grãos. e a cana-de-açúcar {Saccharum officinale). ferragem. como o Bambusa e suas 120 espécies popularmente denominadas bambus. saponinas. mas sem importância medicinal. excetuando-se as espécies do gênero Eleusine. Essa família botânica inclui plantas herbáceas com raízes fibrosas e rara ocorrência de arbustos ou árvores. que inclui alguns importantes gêneros. e uma grande proporção desses produtos é utilizada na indústria de gêneros alimentícios.

Em outras regiões do país. Dados botânicos A espécie é uma erva que atinge até 80 cm de altura com rizomas bastante oblíquos.5 m de altura. por sua vez. Dados botânicos A espécie é uma erva de colmo ereto que atinge até 1. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Capim-cheiroso e Capimlimão. espigas digitadas e com uma coroa de pêlos compridos. podendo atingir até 2 m de comprimen- .Espécies medicinais Andropogon leucostachys H. Na Mata Atlântica não foi referida como medicinal. Não foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas secas é utilizada como antitérmico e analgésico. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Rabo-de-cavalo.B. Andropogon nardus L. os quais. bainhas foliares cobrem a base dos ramos e das lâminas foliares com 10 a 20 cm de comprimento e aproximadamente 3 cm de largura. com folhas invaginadas bastante agudas. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. a planta também é conhecida como Capim-membeca. a espécie também é chamada de Capim-de-cheiro e Citronela. possuindo um grande número de ramos. também são ramificados e terminam em uma panícula de espigas digitadas. Em outras regiões do país. espiguetas sésseis e fruto cariopse. os colmos são finos.K. glabros e curvados.

flores reunidas em inflorescências do tipo espigueta com glumas vermelhas (Figura 1. rizoma semi-subterrâneo. Cymbopogon marginatus e Cymbopogon validus (Watt & BreyerBrandwijk. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica a espécie é chamada de Capimsanto.to. tais como flexuosus. formigas e traças. Vervena. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Dados botânicos Erva perene com caule do tipo colmo.) Stapf. com nós e entrenós.1). Capim-cheiroso. Capim-marinho. ásperas em ambas as faces. Capim-sidró. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugas. Patchuli-falso. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado na região amazônica contra qualquer tipo de dor. respectivamente sinônimos de Cymbopogon citratus. 1962). marginatus e validus. a decocção das folhas passada sobre a pele serve como repelente para insetos. compridas. nervação paralela e nervura central saliente na face dorsal. Alguns autores afirmam que essa espécie possui muitas variedades. Sídró. Corrêa (1984) refere que das folhas se pode obter um óleo essencial denominado óleo de citronela. eretas. formando uma touceira robusta. Capim-limão. bainha larga e lígula na base do limbo. ao passo que o óleo possui importante ação para espantar mosquitos. Capim-cidrão. as inflorescências são panículas lineares compostas de espigas pequenas e escuras. O uso oral dessa decocção é útil como antitérmico e para o alívio de gases intestinais. . Erva-cidreira. com grande valor econômico. Cymbopogon citratus (DC. problemas estomacais e febre. lineares. sudoríficas e carminativas. Capim-cidreira. folhas alternas.

cilíndrico. colmo arqueado na base.. pequeno (Figura 1. nervura central saliente e bainha espinescente. em Brasília. reumatismo e febre. é utilizado para aumentar a lactação e para tratar a insônia. articulado e um pouco mais grosso nos internós. dores de cabeça e disenteria. espiguetas com flores pequenas.. 1980). Cana. Matos & Das Graças. Na região da Mata Atlântica. fruto do tipo cariopse ovóide. no Mato Grosso. carnoso e com epiderme lenhosa de cor amarelada. no Pará. como calmante e antiespasmódico (Matos et al. Outras indicações de uso medicinal incluem o uso do chá das folhas. 1980). ásperas. calmante e antiespasmódico (Barros. Dados botânicos Planta herbácea de raiz geniculada e em parte fibrosa. 1986). A decocção das raízes é usada contra gripes fortes e reumatismo. simples. 1982. 1 dísticas. Saccharum officinarum L. 1988). planas. carminativo. no Rio Grande do Sul. verde ou violácea. dores de cabeça e dores musculares. a infusão das folhas é usada como antidiurético. no Ceará. na forma de banho (Amorozo & Gély. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o suco do colmo da planta. simplesmente. lineares. Nomes populares A espécie é chamada em todo o Brasil de Cana-de-açúcar ou. a infusão das folhas é usada internamente como sedativa e contra diarréia. duas vezes ao dia. ápice agudo. como calmante e contra pressão alta e esterilidade (Simões et al. folhas amplexicantes. hermafroditas.Na região da Mata Atlântica. ao passo que a decocção das raízes é amplamente usada como . como calmante e antiálgico (Van den Berg. O suco das folhas gelado é consumido como sedativo e como refrigerante.2). 1982). gripes fortes. como diurético. contra gripes.

citronelal. metil-heptenona. 1996). mirceno. terpenos e dipenteno (Costa.8-cineol. cetonas e alcoóis. 1997). além de o açúcar servir para o combate à pneumonia.. sendo determinados os principais constituintes: citral (69. mentol. terpineol e citronelol (Torres & Ragadio. farnesol. Esse óleo possui grande quantidade de citral (75% a 85%). citratus das Filipinas foi obtido de suas folhas. externamente. contra úlceras da córnea. 1. 1981). Estudos foram feitos no intuito de avaliar a variação sazonal da composição do óleo (Chagonda & Chalchat. cólera. tuberculose. cariofileno. febres.4%). O óleo essencial de C. neral. vômitos da gravidez (Corrêa. ácido nerólico e ácido gerânico (Sargenti & Lanças. rachas dos seios. escarlatina. linalol. 1986). Outras indicações incluem a referência de que a espécie é útil. como citronelal. a. felandreno. erisipela. geraniol. contra resinados e anginas e. . limoneno. geranial e outros compostos não identificados (Craveiro et al. Ming et al. A decocção dos bulbos é usada contra distúrbio dos rins e para expulsão de parasitas intestinais. 1996.diurético e contra hipotensão. envenenamento com arsênico. laurato de etila. além de seus isômeros geralúal e neral. como o geraniol. 1984).. metil-heptenol. 1997). neral. isovaleraldeído e decilaldeído. aftas. nerol. internamente.e b-pineno. Dados químicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus é constituído de mirceno. chumbo e cobre. vários aldeídos.

Di Stasi et al. 1985). uma potente atividade analgésica detectada pelos métodos de contorções abdominais e imersão da cauda. 2002). O óleo essencial foi incorporado a cremes antifúngicos tendo bons e significativos resultados (Wannissorn et al. citratus foram atribuídas aos constituintes do óleo essencial citral e mirceno (Ferreira et al.5%) apresentaram atividade antibacteriana e antifúngica (Chalchat et al. aumento do tempo de sono (Ferreira & Fonteles... analgésica (Viana et al. citratus foi testado quanto à sua atividade antinematoidal. citratus. mirceno (12. O extrato metanólico de C. 1990). anti-helmíntica (Jourdan. Pinho et al. 1988). 1986. (1988) e atribuído à presença do mirceno nessa espécie (Sarti et al.. 1984. (1983) referem atividade antiespasmódica. citratus inibiu a hepatocarcinogênese (Puatanachokchai et al. A atividade antibacteriana de C. 2000. e Di Stasi (1987). 1988). 1995). Onawunmi. não observando propriedades de interesse terapêutico. 1998). 1988) antimicrobiana (de Sá et al.. 1983 e 1989a).. 1985) e anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho. Com as folhas de C. 1988). porém apresentou atividade muito fraca (Mackeen et al. Tanto a atividade depressora do SNC quanto a atividade analgésica de C. citratus já foram constatadas as atividades: sedativa (Ferreira & Fonteles..9%) e neral (33.8%). Onawunmi et al. 1997) e o extrato de C. 2002... relatam. no entanto.. 1986 e 1987). 1996). (1985).. Carlini (1985) realizou um amplo estudo farmacológico. Onawunmi & Ogunlana.Dados farmacológicos O óleo essencial de Cymbopogon citratus possui atividade antibacteriana (Cimarga et al. 1997). O citral apresentou atividade citotóxica contra células leucêmicas P388 de camundongos (Dubey et al. geranial (45. Foram observadas as atividades de diminuição da atividade motora (Ferreira & Raulino Filho. 1989) e antioxidante (Lopes et al.. . 1986 e 1987.. O efeito analgésico foi confirmado por Lorenzetti et al. 1988).. enquanto Ferreira et al. anticonvulsivante (Ferreira & Raulino Filho.. Lorenzetti et al.. 1988). depressora do SNC (Ferreira & Raulino Filho. 1997). Os principais constituintes das folhas de C. toxicológico e clínico com essa espécie. citratus parece ser afetada pelo conteúdo de citral existente no óleo (Syed et al.

1997. bradipnéia. perda de postura. (1985) relatam que a fração polissacarídica dessa espécie foi capaz de inibir a acumulação de peróxidos lipídicos no soro de ratos. também conhecido como Capim-cidrão. citratus possui ação irritante sobre a pele de animais (Opdyke.. Menendez et al. citriodorus. 1990). Foi isolado também o policosanol. Não consideramos importante relatar os estudos químicos e farmacológicos de outras espécies desse gênero.. 1989). citratus. um álcool alifático com alto peso molecular. visto o grande número de trabalhos com C. apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. Para a espécie Saccharum officinarum. sedação e defecação (Ferreira et al. O efeito antioxidante do policosanol foi observado sobre a peroxidação lipídica de membrana do fígado (Fraga et al. 2000). Dados toxicológicos O óleo de C.. 1988). ligninas e ácidos fenólicos.. ácidos p-coumárico. 1983). Corrêa (1984) relata a presença de inúmeros compostos de interesse industrial.. Além de hipocolesterolêmico.Em relação a outras espécies do mesmo gênero. 1976) e o hidrolato dessa espécie provocou um quadro de hipocinesia. ataxia. é antiplaquetário e não apresentou efeito tóxico (Gomez et al. Hikino et al. officinarum foram obtidos polissacarídeos pécticos (Saavedra et al. e Di Stasi (1987) demonstrou um discreto efeito analgésico do extrato hidroalcoólico. 1986a). De S. O policosanol também foi capaz de prevenir as lesões espontâneas ateros-cleróticas e na isquemia cerebral em animais. capaz de diminuir os índices de colesterol em voluntários hipercolesterolêmicos. o extrato hidroalcoólico das folhas de C. Do extrato das raízes foi isolado éter glicosídeo aromático denominado vaniloil-1-Obeta-glucosídeo acetato (Yadava & Misra. ferúlico e sinápico (He & Terashima.. 1999). .

FIGURA 1. c) vista geral da touceira (Banco de imagens ). . b) inflorescências com os numerosos estames (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Costaricensis).Cymbopogon citratus: a) base da planta com bainhas.1 .

.Saccharum officinarum.2 . Vista geral da planta com a inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa (1984) .FIGURA 1.Banco de imagens ).

C. Hiruma-Lima L. Tal uso não é comum na região amazônica. . Lowiaceae. Zingiberaceae. Santos E. Di Stasi A subclasse Zingiberidae inclui duas grandes ordens: Bromeliales e Zingiberales. especificamente das famílias Zingiberaceae e Musaceae. Cannaceae e Marantaceae. apesar de sua intensa ocorrência e exploração na região da Mata Atlântica. M. da qual há vários representantes popularmente denominados Banana. As espécies da família Bromeliaceae. importante produto de comercialização. Guimarães C. entre outras o famoso gengibre (Zingiber officinale). Na ordem Bromeliales se encontra apenas a família Bromeliaceae. todas com pouco valor nos dois ecossistemas em questão. Na ordem Zingiberales estão incluídas as famílias Musaceae. A. referiremos espécies medicinais apenas da ordem Zingiberales. De todas essas famílias. M. importante fonte de espécies de grande interesse ornamental e econômico e cuja exploração comercial na região da Mata Atlântica representa um grande problema ambiental e uma fonte de recursos para as populações locais.2 Zingiberidae medicinais C. não inclui espécies referidas popularmente como medicinais.

destas. Curcuma. e • Zingiberoideae. Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Vendicaá. Renealmia e Riedelia. com várias espécies medicinais. inclui 52 gêneros. larga bainha na base que envolve o caule. descrita por Ivan Ivanovic Martinov. com folhas membranosas. deve-se destacar o grande valor econômico do gênero Zingiber e sua importância para as comunidades que habitam a região da Mata Atlântica.100 espécies tropicais espontâneas. nos quais estão distribuídas 1. lâminas . Espécies medicinais Alpinia japonica Miq. algumas delas aqui descritas. de amplo uso nas regiões de Mata Atlântica. que o utilizam como medicamento e como fonte de recurso financeiro. Vindecaá e Vindicáa. Os gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: • Costoideae. na qual se encontram as espécies dos gêneros Costus. Dados botânicos Erva perene com rizoma aromático do qual nasce o caule aéreo. Alpinia. na qual se localizam os gêneros Zingiber. várias são ervas com rizomas aromáticos e células secretoras com óleos etéricos de amplo uso.Plantas medicinais da família Zingiberaceae Introdução A família Zingiberaceae. Além do valor medicinal das espécies dessa família. especialmente as famosas Canas-do-brejo. Costus e Hedychium.

gineceu com ovário ínfero. mas com algumas espécies em regiões tropicais. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira e nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica a espécie é conhecida como Cana-do-brejo. elípticas. Dados da medicina tradicional Na Amazônia. A espécie é ornamental e muito explorada comercialmente na região do Vale do Ribeira. distribuídas especialmente na Ásia e nos países do Pacífico. contém inflorescências terminais. podendo chegar a até 1.com 20 a 40 cm de comprimento. . Outras indicações envolvem o uso interno da infusão das folhas. androceu com um estame fértil e em geral quatro estaminódios petalóides. ápice agudo e base arredondada. perianto distinto em cálice (claviforme. contra sarampo. podendo chegar a até 35 cm de comprimento.1). 1988). Dados botânicos Erva de rizoma ramificado e carnoso. O gênero Costus. hastes longas e folhas espiraladas em relação ao ramo. vistosas. densas com flores brancas ou róseas. enquanto o macerado das folhas em água é usado como amaciante de roupas. descrito por Carl Linnaeus. Costus spiralis Rosc. trilocular e muitos óvulos (Figura 2. inclui 42 espécies tropicais.5 m de altura. fruto capsular. O banho morno preparado com as folhas é utilizado em "frialdade nas pernas" (Amorozo & Gély. o banho preparado com folhas e flores é considerado útil como anti-séptico externo e contra corrimento vaginal. ocorrendo em abundância em regiões alagadas. O gênero Alpinia descrito por William Roxburg possui aproximadamente duzentas espécies. tridenteado e pubescente) e corola não vistosa. espessas. flores em grupos com brácteas vistosas. hermafroditas e zigomorfas. entouceirada.

A decocção de suas folhas. muito perfumadas (Figura 2. de onde partem as folhas longas. cilíndricas. descrito por Johan Gerhard Koenig. sésseis. Lírio branco e Gengibre branco. O gênero Hedychium. na forma de infusão. as folhas frescas são usadas topicamente como resolventes de tumores. A planta é amplamente encontrada na Mata Atlântica. em Iguape é comum a denominação Napoleão. muitas delas cultivadas como ornamentais e fornecedoras de fibras para produção de papel. Em razão de sua beleza. as inflorescências são terminais com flores brancas. incluindo a espécie aqui descrita. a espécie é muito utilizada como ornamento. habitando brejos ou locais alagados a pleno sol. sendo de fácil multiplicação por touceiras. podendo atingir até 2 m de altura com suas hastes eretas. Dados botânicos É uma planta herbácea e rizomatosa. Dados da medicina tradicional As folhas e flores dessa espécie. a infusão das folhas é usada contra hipertensão e como diurético. especialmente de origem sifilítica.2). Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica como Lírio-do-brejo. Hedychium coronarium Koen. são muito usadas na região do Vale do Ribeira como diurético e para reduzir a pressão arterial. e a infusão dos colmos é usada internamente contra hepatite e dores de barriga. . vistosas. grandes. Corrêa (1984) refere que o suco dessa planta é útil contra arteriosclerose e como calmante das excitações nervosas e do coração. inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. além de ser útil externamente na lavagem de feridas. lanceoladas e coriáceas.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. contra diarréias graves. Em outras regiões do Brasil também é denominada Lágrima-de-moça.

com ampla distribuição. Na medicina chinesa é usada internamente contra tosses. tosses. A espécie é usada. A espécie é reputada como estimulante. gripes. em todo o Brasil. ao passo que o xarope dos rizomas é amplamente utilizado contra dores de barriga.Zingiber officinale Roscoe Nomes populares A espécie é chamada. Não houve referência de uso dessa espécie na região amazônica. a decocção dos rizomas é usada contra gripes e tosses. lanceoladas. internamente. mas especialmente na Ásia. com uma lígula membranosa bífida. Ela também é explorada comercialmente como alimento e como medicamento pelos habitantes da região da Mata Atlântica. A espécie já era referida como medicinal no ano 200 d. contra reumatismo. e. folhas alternas. Dados botânicos É uma espécie com rizoma tuberoso. Dados da medicina tradicional Nas comunidades do Vale do Ribeira. . O gênero Zingiber foi descrito por Karl Julius Boerner e inclui mais de cem espécies pereniais. 1995). gripes e para problemas circulatórios. C. sendo provavelmente o local de sua origem. 1994). sendo especialmente importante contra a gastrite causada por consumo de álcool e para controle da diarréia (Grieve. carminativa com uso na dispepsia. com a parte aérea atingindo até 1 m de altura. onde a maioria das espécies é espontânea. contra náusea. flores amarelas na forma de espigas e fruto capsular. tendo sido citada também na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica e considerada uma das mais antigas espécies vegetais referidas como medicinais. além de diversos outros usos (Bown. externamente. A espécie tem sido cultivada por seu valor na medicina e na culinária. mesmo no Vale do Ribeira. diarréias e como vomitiva. flatulência e eólicas. cólicas. de Gengibre. indigestão. lumbago e cólicas menstruais.

galanolactona e (E)-8.. nerolidol.6-dehidrokawaina. 1987). speciosa e A.. galanga foram isolados dois compostos: acetato l'-acetoxichavicol e acetato DL-l'-acetoxieugenol (Itokawa et al. (Xue et al. óleo essencial. japonica foram isolados diversos sesquiterpenos. epóxido II e 4ahidroxidihidroagarofurano foram isolados de A. Cinco compostos.. 1995). 1988). Dos rizomas de A. 1990). speciosa derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária (Teng et al. taninos..16-dial (Morita & Itokawa. 1987c).. O acetato l'-acetoxichavicol foi isolado também do óleo essencial dos frutos de A. isohanalpinona e alpinenona. Foram também detectadas de suas sementes diterpenos com atividade citotóxica e antifúngica denominados galanal A e B. linalol. constituintes fenólicos em A. galanga são 1acetoxichavicol acetato e l'-acetoxieugenol acetato..6-dehidrokawaina.-(17)12-labddieno-15. sendo três do tipo eudesmano (Itokawa et al. galanga (Mori et al. dihidro-5. De A. conchigena que possui também nonacosano e sitosterol (Yu et al. galanga.. galanga. 1988). o peróxido secoguaiano e 6-hidroxialpinolídio (Itokawa et al. 1987). Os compostos isolados dos rizomas de A. são os responsáveis pela atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em . Foram isolados dos rizomas de A.8cineol. 1987a) e três do tipo guaiano: hanalpinona. flavonóides em A. 1987). São eles: p-hidroxicinamaldeído e di-(phidroxi-cis-stiril) metano (Barik et al. alcalóides e fenóis livres foram verificados em A. 1987a e 1987f) e A. formosana foram isolados de seus rizomas diterpenos do tipo labdano e do tipo bisnorlabdano. acetato de geranil. Da espécie A.. Esses mesmos constituintes foram também detectados nos frutos da espécie A... 1987). eugenol e acetato de chavicol foram determinados como os compostos aromáticos de A.. intermedia (ltowaka et al. Os sesquiterpenos -eudesmol. 1988). japonica (Morita et al. speciosa. e 5.. galanga (Barik et al.. 1988a). Os principais constituintes dos frutos de A. Foram isolados também dois sesquiterpenos do tipo alpinolídio.. katsumadai (Okugawa et al. nutans (Mendonça et al. 1996). 1987b). 1.. 1987b). humulene. Dois constituintes fenólicos foram também isolados do extrato clorofórmico do rizoma de A. 1985a e 1985b.Dados químicos da família Diversos compostos sesquiterpenóides foram isolados de Alpinia japonica (Itokawa et al. além da presença de sesquiterpenos e compostos fenólicos (Itokawa et al.

1990). flabellata (Kikuzaki et al. 1990). Do óleo essencial das sementes de A. blepharocalyx foram isolados diarilheptanoídios com propriedade de inibir a produção de óxido nítrico (Prasain et al.. 1997). tectochrisina e nootkatona (Zhang et al. Além dos sesquiterpenos hanalpinol. speciosa demonstrou a presença de taninos catéquicos. fenóis e alcalóides. bornil acetato. 1997a). chumbo. sódio. 2001) e do seu rizoma (Masuda et al. -ll(12)-eremofilen-10. De A. O óleo essencial das folhas e caules de A. As sementes possuem mirceno. furopelargona B. chinensis foram isolados diterpenóides (Sy & Brown. citronelol. 1997a).. polyantha foram isolados. 1994) fenilbutanóides foram obtidos das folhas de A. furopelargona A. além de dois flavonóides e quatro fenilpropanóides foram isolados dos rizomas de A. zerumbet (Xu et al. geraniol. decanol. 1997). -sitosterol. além de sesquiterpenos bisabolano oxigenados e monoterpenos oxigenados (Sy & Brown. manganês. 1988). Três novos diarilheptanóides . intermedeol e -selineno (Itokawa et al. além de óleos essenciais (Mendonça et al. linalol. 1987).. sesquifelandreno e zingibereno. além das vitaminas B1.8-cineol (Lai et al. isohanalpinona.foram isolados recentemente da espécie A. .. ferro. conchigera (Athmaprasangsa et al.. 1989). isohanalpinol e aokumanol. 1. 1987d). E. Dois novos diterpenos denominado zerimina A e B foram isolados de A. 1994). A análise fitoquímica de A. flavonóides (Luo et al. katsumadai possui -pineno. terpineol e 1. intermedia foram isolados os sesquiterpenos peróxidos. yakuchinona B.7-difenil-3.. fenchona e geraniol.5heptanediona. sendo um novo. o sesquiterpeno do tipo secoguaiano. 1992).-o1.. Cinco diarilheptanóides.. magnésio. C. Os frutos de A. 1997b) e quercetina (Wang et al. cálcio. pineno.. hanalpinol peróxido.. blepharocalyx (Kadota et al.. mirceno. B2. densibracteata foram isolados os bisabolanos. citronelil e geranil acetato (Nguyen et al. l.. Alpinia officinarum possui diarilheptanóides (Uehara et al. Dos rizomas de A.calixina A e B e 3-epi-calixina B . 1996). alpinenona. trans-bergamoteno.. 1997b). oxyphylla contêm neonotkatol.8-cineol. daucosterol. potássio. Das partes aéreas de A. grande conteúdo de zinco e manganês (Luo et al. aminoácidos e ácidos graxos (Wang et al.. epialpinolídio e o sesquiterpeno do tipo elemofilano.modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. felandreno. hanalpinona. 1989).. Das sementes A. 1999). yakuchinona A. zinco..

1999). Um diterpeno isolado de A galanga apresentou importante atividade antifúngica. 1972). A espécie A. 1996). Determinou-se a atividade fungicida utilizando-se as espécies Alpinia officinarum (Ray & Majumdar. revertida com a presença de ácidos graxos insaturados. galanga apresentaram efeitos sobre a indução de glutationa-S-transferase. bloqueio neuromuscular. indicando . é usada na culinária. 1987). 2000). sendo antiulcerogênica (Wang et al. Sesquiterpenos isolados de A. 1999 e 2000) e Costus tonkinensis apresentou tuterpenóides e esterois (Bohme et al. 1988. inibição da musculatura lisa. 1985). ambos importantes como flavorizantes e usados de diversas formas. 1988b). que é um derivado do gingerol.De Costus ofer e Costus speciosus foram isolados furostanol glicosídios e saponinas esteroidais (Ichinose et al. speciosa. galanga (Itokawa et al. Dados farmacológicos da família Diversas espécies do gênero Alpinia apresentaram atividade antimicrobiana (Habsah et al. mas não apresentou atividade diurética quando administrada agudamente na forma de chá (Laranja et al. 1988). Constituintes isolados de A. speciosa produziu depressão do sistema nervoso central. 1976) e A. O gengibre (Zingiber officinale) é uma espécie rica em óleo volátil denominado gingerol e shogaol. 1994). 1996). na perfumaria. provavelmente por diminuição do influxo de íons cálcio durante a contração (Vanderlinde et al. 1988a) e tranqüilizantes (Mendonça et al. Mendonça et al. além de medicinal. galanga (Janssen & Schefter. Estudos com a espécie A. A erva. 1986). Furostanol glicorilado também foi isolado de Costus spicatus (Da Selva et al. nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. 1999. 1989). A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. sugerindo que a atividade se deve a mudanças na permeabilidade da membrana (Haraguchi et al. 1987c) e A. 1996). japonica e A. Lin et al. e seu óleo. assim como vários derivados sesquiterpenóides inibiram as contrações induzidas por histamina ou bário (Morita et al. A atividade antiedema descrita decorre provavelmente por bloqueio da liberação de mediadores ou de suas ações (Gadelha & Menezes. 1997). A espécie possui alcalóides e sesquiterpenolactonas (Guerrero. oxyphylla (Kyung-Soo et al. A espécie também produz inibição da secreção gástrica (Hsu.

1988). O composto dihidro-5. galanga (Itokawa et al. blephawcalyx possuem efeito inibitório sobre a formação de óxido nítrico (Kadota et al.. antifúngica (Lima et al. Os diarilheptanóides isolados de A.6-dehidrokawaina isolado de A.. speciosa também possuem potentes agentes inibidores da biossíntese de prostaglandinas (Kiuchi et al. 1988a.. 1996). nutans demonstraram efeitos hipotensores (Fonteles et al. oxyphylla (Chun et al. O óleo essencial de A. Compostos isolados dos rizomas de A. 2002) e antigenotóxico (Heo et al. Derivados dehidrokawaina com atividade antiplaquetária foram isolados dos rizomas de A. 1992). 2001).. 1988b). 1996).. 1998). Os rizomas de A.... 1982). galanga também foram isolados inibidores da xantina oxidase (Noro et al. oxyphylla inibiu 57% das lesões gástricas produzidas por etanol (Yamahara et al. Existem relatos da atividade anti-helmíntica de Alpinia sp(Suzuki et al.. Do óleo essencial das folhas de A. 1994). 1993) e antimicrobiana (Sá et al. O extrato acetônico de A. 1990). Mendonça et al. que apresentou atividade cardiotônica (Nascimento et al. 2001). Dos rizomas de A. 1987c) e A. speciosa possui efeito inibidor do desenvolvimento vegetal (Fujita et al. 1992) e atividades ansiolíticas (Elizabetsky et al.. officinarum (Kiuchi et al. anticonvulsivante (Maia et al. . 1992).a potencialidade desses compostos como anticarcinogênicos (Zheng et al. 2002). 1998. Moraes et al. A síntese de prostaglandinas foi inibida por substâncias isoladas de A.. speciosa também possuem potente atividade antimicrobiana contra bactérias patogênicas (Tairaetal. 1988). 1990). 1996) e antiproliferativo (Ali et al. 1994). também isolado do óleo essencial.. 1987c). speciosa foi isolado o terpinen-4-ol. A atividade antitumoral foi determinada com substâncias isoladas de A. speciosa apresentaram atividade protetora da mucosa gástrica e duodenal em modelos de úlceras induzidas experimentalmente em roedores (Hsu. Esta mesma planta apresentou constituintes antieméticos (Shin et al. speciosa. O provável efeito dos derivados se deve à inibição da formação de tromboxana A2 (Teng et al. ArnaudBatista et al.. speciosa apresentou atividade analgésica periférica. O terpinen-4-ol. 1982. O extrato hidroalcoólico do rizoma e das folhas não apresentou atividade moluscicida (Almeida & Fonteles. apresentou atividade espasmolítica e hipotensora (Almeida et al. Estudos com a espécie A. 1989). 1992). 1993) e atividade antitumoral contra Sarcoma 180 em camundongos (Itokawa et al. 1988. Mendonça et al.. Geraniol e isotimol isolados de A.

1999). speciosa produziu excitação psicomotora. gardneranum apresentou atividade antitrombótica (Medeiros et al. Surh. 1992). contorções. 1999).. Plantas medicinais da família Musaceae Introdução A família Musaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende duzentas espécies vegetais distribuídas em seis gêneros... 2001. que incluem espécies conhecidas popularmente como Banana... além de prolongar o tempo de sono (Mendonça et al. dos quais dois possuem grande importância no Brasil. 2000).. Nos levantamentos etnobotânicos realizados foram referidas duas espécies medicinais. hipocinese. 2000) e H. Dados toxicológicos do gênero Alpinia A administração de extrato hidroalcoólico de A. relatadas a seguir. . ellipticum inibiu a síntese de leucotrienos (Kumar et al.. antitumoral e antiploriferativo (Koo et al. galanga foram realizados e demonstradas mudanças intensas no ganho de peso e aumento da motilidade e contagem de espermatozóides (Qureshi et al.. 1988b). De Zingiber officinale foi observada a atividade imunoestimulante (Puri et al.. 2002). Estudos toxicológicos (agudos e crônicos) com extratos etanólicos de A. O extrato de Costus dioscolor possui potente atividade antifúngica e antibacteriana (Habsah et al. A espécie H. 2002). Dos rizomas de Hedychium coronarium foram isolados diterpenos que reduziram a permeabilidade vascular e a produção de óxido nítrico (Matsuda et al.. A propriedade antilitíase foi conferida à espécie Costus spiralis (Viel et al. oxyphylla tem sido atribuída à presença de diarilheptanoides (Chun et al. 2000). O gingerol isolado desta espécie apresentou-se como potente inibidor da ativação plaquetária antioxidante. Musa e Heliconia. 2000) e redutor da peroxidação lipídica induzida pelo Malation em ratos (Ahmed et al. de amplo uso como alimento e de grande valor econômico.. 2000).A atividade antiinflamatória de A.

. oblongas e inteiras. mas não se trata da espécie comestível denominada Musa paradisíaca. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies desse gênero. Trata-se de uma espécie com até 4 m de altura. com bainhas grandes. com pseudocaule ereto e cilíndrico.5 m de altura. inflorescência na forma de espada protegida por brácteas e fruto capsular drupáceo contendo sementes ovóides. laminares de grande comprimento. O fruto da espécie não é usado como alimento. folhas longas. A espécie referida na região amazônica provavelmente se trata da Heliconia biahi L. Musa sp Nomes populares No Vale do Ribeira a espécie é chamada de Banana. com folhas longo-pecioladas.. no entanto não foi possível obter sua identificação completa. Dados da medicina tradicional A infusão da raiz de Heliconia sp é usada na região amazônica como diurético. reunindo importantes usos como alimento e como ornamento.Espécies medicinais Heliconia sp Nomes populares A espécie é popularmente conhecida na região amazônica como Banana-da-selva. Dados botânicos A espécie atinge de 2 a 2. Dados botânicos O gênero Heliconia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies na América tropical. minúsculas e duras.

fruto cilíndrico e anguloso semelhante à banana verdadeira. ao passo que o xarope da mesma parte é indicado contra bronquite. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. .Alpinia japonica. mas com 25% do comprimento e da largura. Ramo com inflorescência (redesenhado e modificado por Di Stasi a partir de Van der Berg) (Banco de imagens ). flores reunidas em espigas. mas de pequeno tamanho se comparado à banana verdadeira (Musa paradisíaca). tendo sido trazida da Ásia e introduzida na região há mais de cinqüenta anos.podendo atingir até 2 m. A espécie não é nativa da Mata Atlântica. onde é amplamente cultivada como ornamento.1 . FIGURA 2. dando um pequeno fruto que também é comestível. o macerado dos bulbos em água fria é usado contra tosse e asma.

FIGURA 2. .Hedychium coronarium. Vista da planta florida (Banco de imagens - ).2 .

Di Stasi F. das quais duas são particularmente importantes no Brasil pela abundância e ocorrência: Iridaceae . com uma espécie referida como medicinal na região amazônica. A. das quais devem ser destacadas as famílias Agavaceae. Alliaceae e Amaryllidaceae. Ocorrem ainda importantes espécies medicinais nas famílias Smilacaceae. Na família Agavaceae encontramos o gênero Sansevieria. Gonzalez L. como é o caso das orquídeas da família Orchidaceae. ordem Orchidales. Velloziales. N. e essa última também inclui inúmeras espécies ornamentais com ampla comercialização no Brasil. Dioscoreales. C.3 Liliidae medicinais L. Dioscoreaceae. especialmente na ordem Liliales. família Liliaceae. Asparagales. Seito C. A ordem Liliales inclui oito famílias botânicas. A ordem Asparagales inclui uma das espécies aqui referidas como medicinais. nas quais se encontram importantes espécies medicinais. e espécies ornamentais de grande beleza e valor econômico. G. Hiruma-Lima A subclasse Liliidae compreende seis grandes ordens botânicas (Haemodorales. Liliales e Orchidales). sendo uma ordem com 23 famílias botânicas. principal. Velloziaceae e Iridaceae. família Liliaceae.

Colchicum e Drimia. grande fonte de espécies dessa família. Nos levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas as espécies Allium cepa (Mata Atlântica). em razão do grande número de opiniões sobre a forma mais adequada de classificar suas espécies. pela ocorrência de importantes espécies medicinais e com uso na alimentação. Convallaria. nos quais estão distribuídas aproximadamente 4. como é o caso da cebola e do alho. que passamos a descrever. Alloe. sendo duas das mais antigas espécies usadas como medicamento pelos mais diferentes povos e civilizações. . Espécies medicinais da família Liliaceae Introdução A família Liliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 288 distintos gêneros. Narcissus e Veratrum. Trilium. Outro gênero importante é Aloe.950 espécies vegetais. dos quais devemos destacar o gênero Allium. também com usos medicinais e ornamentais ao longo de toda a história. A primeira. duas espécies de grande valor econômico e medicinal. ambas de valor econômico incomensurável. Muitas das plantas dessa família são ornamentais e se encontram especialmente nos gêneros Agapanthus. Allium sativum (Mata Atlântica e Amazônia) e Aloe vera (Mata Atlântica). Lillium. A segunda. ao passo que espécies medicinais são referidas especialmente nos gêneros Allium. que compreende as espécies Allium sativum (Alho) e Allium cepa (Cebola). Essa grande família ainda não possui uma subclassificação clara e aceita. esse da importante Babosa (Aloe vera).e Liliaceae. Tulipa. pelo grande número de espécies ornamentais. muitas das quais importantes fontes de recursos econômicos para os habitantes de regiões próximas à Mata Atlântica. 1997). especialmente do gênero Iris. a maioria de ervas perenais cosmopolitas geralmente ricas em alcalóides (Mabberley.

e amplamente consumido pelos gregos e romanos. em geral seco.000 a. O gênero Allium descrito por Carl Linnaeus compreende aproximadamente 650 espécies vegetais. que se mesclam com os bolbilhos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil com o nome de Alho. folhas lineares. na forma de umbela pedunculada.1). cuja maioria se encontra na Ásia e na Europa. ao passo que a infusão é usada contra gripes. Os primeiros registros escritos aparecem na medicina tradicional chinesa e na medicina aiurvédica. Era citado pelos babilônios no ano 3. Quando macerados em aguardente ou vinho branco. inclusos e envolvidos por fina membrana. Dados botânicos Erva de 50 a 60 cm de altura. corn bulbo formado por oito a doze bolbilhos (dentes) arqueados.Espécies medicinais Allium sativum L. ao passo que a decocção é usada contra enxa- . Não foram encontrados sinônimos para a espécie. onde a espécie é denominada rashoma (Bown. os bulbos dessa espécie. são indicados contra hipertensão e gripes fortes. 1995). Nas comunidades do Vale do Ribeira. obtida comercialmente. O macerado dos bulbos em água fria é indicado contra asma. O alho é uma das mais antigas espécies vegetais com referência de utilização como alimento e como medicamento. flores brancas ou avermelhadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o bulbo do alho cru é utilizado topicamente contra dores de dente em crianças. C. Poucas espécies nativas são encontradas no Brasil. fruto. sésseis. capsular. especialmente em crianças. loculicida (Figura 3. tosse e também contra hipertensão. são utilizados de várias formas. A decocção do bulbo preparado com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cominho é indicada contra cólicas menstruais e gripe. a maioria é cultivada.

tosse. anual. o bulbo é utilizado contra inflamações da garganta (Amorozo & Gély. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos para prevenir infecções e para tratar gripes.queca. É de amplo uso na culinária e na alimentação em geral. o uso externo. No Pará. os bulbos são usados na hipotensão. 1982). antiasmático. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com inúmeras variedades e subtipos. febrífugo. carnoso e com casca fina amarelo-parda. carminativo e vermífugo. como referido para o Alho. rouquidão. diurético. resfriados. 1992). com bulbo grande e solitário. Os bulbos frescos são utilizados externamente para o alívio de dores de cabeça. a espécie inclui vários usos medicinais. Em outras regiões do Brasil. Trata-se de uma espécie com usos históricos. todos usados e comercializados como alimento e condimento. especialmente acne e micoses. ao passo que a infusão das cas- . Os bulbilhos (macerados em água) também são usados contra resfriados. histéricas. bronquite. digestivo. subgloboso. ateromatose. 1984). e são úteis contra dores de dentes e ouvidos. também são utilizados como sudorífico. poderoso anti-séptico das vias digestivas. para problemas da pele. como antiespasmódico e antigripal (Verardo. Dados botânicos Erva bulbosa. dispostas em umbela. Allium cepa L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Cebola. tosse com expectoração. além do uso como condimento. 1988). Os bulbos são usados como excitante da mucosa do estômago. gastroenterite e disenteria. reumáticas e paralíticas (Corrêa. o macerado dos bulbos da cebola em água fria é usado contra bronquites de crianças. e como anti-séptico das vias digestivas (Costa. agudas. em afecções nervosas. folhas radicais ocas e compridas. flores hermafroditas regulares esverdeadas. arteriosclerose. Em Minas Gerais.

as flores são tubuladas. reunidas na forma de rosetas em sua base. são úteis contra edemas. Na região amazônica. sendo aproveitada para esse fim desde o Antigo Egito. onde se adaptou em quase todas as regiões do país.cas é usada como emético e contra parasitas intestinais.2). sinuoso-serrada com espinhos triangulares nas margens e ricas em mucilagens. Dados botânicos Planta perene e suculenta. onde foi descrita a utilização para massagear a pele da rainha Cléopatra. ao passo que as folhas frescas. A manipulação dessa planta no preparo de loções. apesar de a espécie ser encontrada cultivada em quintais. para acne. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. O gênero Aloe descrito por Carl Linnaeus inclui 365 espécies tropicais com ampla distribuição. como cicatrizante. como antiinflamatório e no alívio de dores de cabeça e. o suco preparado com as folhas dessa espécie é utilizado. Aloe vera L. O uso interno de um macerado em água fria. densas. Bown (1995) refere o uso interno dos bulbos contra infecções gástricas e dos brônquios e. é considerado excelente contra úlceras. folhas suculentas. usadas externamente. não foi referida pelos entrevistados como medicinal. externamente. cremes e soluções para pele é intenso na atualidade. lanceoladas. externo. dores e infecções da pele. internamente. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Babosa. dispostas em rácimos terminais de cor amarelo-esverdeada (Figura 3. A espécie também apresenta importante uso na indústria de cosméticos. A espécie não foi referida como medicinal pelos entrevistados na região amazônica. A espécie é originária da África Oriental e amplamente cultivada no Brasil. . Os bulbos frescos também são consumidos como condimento e alimento. podendo atingir até 1 m de altura. descansado por 24 horas na geladeira.

. sabaea foram obtidos alcalóides tóxicos (Blitzke et al. C. isolados dessa espécie inibiram a agregação plaquetária e/ou a atividade viral do HIV (Tatarintsev et al. exigindo-se cuidado na utilização. 1995). et al. Nos bulbos também foram encontrados aliina. aliinase que origina a alicina. isobarboloina (Kuzuya et al.. Da espécie A. obtidos de A. sativum. Sulfeto de metila e dissulfeto de isopropila foram detectados por cromatografia gasosaespectrometria de massa a partir de extratos aquosos dessa espécie (MartinLagos et al. S-alilcisteína e S-alilmercaptocisteína. 2000). sendo útil externamente contra enfermidades dos olhos e como inseticida. 1996b) e antocianinas e cianidina (Fossen & Andersen. 1999). além de evitar queda de cabelo... B e F foram isoladas dessa espécie (Pobozsny et al. . Dados químicos Vários sulfetos e polissulfetos de vinil. 1990). B... desoxialiina.Costa (1992) refere o uso externo da polpa das folhas contra ferimentos e queimaduras da pele. e aliina e alicina foram determinadas por cromatografia de camada delgada (Kappenberg & Glasl. relatando ainda que as folhas são purgativas. 1997). Prostaglandinas A. apresentam atividade antiproliferativa em cultura de células de câncer de mama (Li G. além de insulina e vitamina C foram isolados do bulbo de Allium sativum (San Martin. holosídeos. 1991). (B8) e P. foram isolados dessa espécie alfa-tocoferol (vitamina E) (Malik.. a polpa é emoliente e resolutiva. Corrêa (1984) refere que o suco fresco da planta é refrigerante e usado como anti-helmíntico. 1993). fitosterinas. as raízes são consideradas eficazes contra cólicas. saponinas esteroidais (Peng et al. 1968). catártico e febrífugo. Ajoeno e outros compostos sulfidrilas (Mutsch Eckner et al. 1992). 1979). proteínas e fermentos (Costa. e o composto aliina inativa radicais hidroxila (Kourounakis & Rekka. alil e alil-propil.. 1997). De diferentes espécies de Aloe foram isolados aloenina. 2001) plicatolorídeo (Viljoen et al. barbadensis (Saleen et al. A antro-cenona. recomendada contra tumores e tuberculose pulmonar. 1986). aloe barbendol foram isoladas das raízes A. vitaminas A. 1995). o ácido α-aminoacrílico que forma o ácido pirúvico e ácido amoníaco. barboloina. Além disso.. para melhorar o apetite e aliviar problemas digestivos. Bown (1995) refere o uso interno para constipação crônica. vários heterosídeos sulfurados. 1997).

para avaliar as atividades inibitórias contra 5-lipoxigenase. 1987. antibiótica. O sulfeto de dialila isolado dessa espécie inibiu a incidência e reduziu a freqüência de adenocarcinoma. 1995.Dados farmacológicos A espécie Allium sativum possui inúmeros compostos de enxofre que se decompõem em produtos voláteis presentes no óleo da espécie. 1996). demonstrou que os compostos de A. sativum exerceu efeito protetor ao aumentar a atividade antioxidante e reduzir a peroxidação lipídica (Balasenthil et al. in vitro (Sheela et al. agregação plaquetária e a enzima conversora de angiotensina I. 1981.. entre outras ações que serão discutidas a seguir. apresentando atividade antineoplásica através da indução da apoptose (Wargovich. sativum responsáveis pelas três primeiras atividades são substâncias com enxofre em suas estruturas (thiosulfinatos e ajoenos). O estudo comparativo in vitro. Além dessa classe de compostos. 1991). Entretanto. Nerkar et al. isolado de Allium sativum Linn. alérm de promover melhor controle da peroxidação de lipídios e estimular a secreção de insulina. 1992). rolêmica. cicloxigenase. Larner (1995) propôs uma teoria para explicar essa ação hipoglicemiante de Allium sativum. Por sua vez. O tratamento de ratos diabéticos com o composto antioxidante Sulfóxido de S-alilcisteína... 2000). o que demonstra sua importância como rica fonte de substâncias potencialmente úteis como medicamento. hipocoleste. Em animais com carciriogênese bucal o A.. Kwon et al.. Hikino et al. Esse mesmo efeito foi detectado . fibrinolítica. No entanto. o sulfeto de dialila promove hepatocarcinogênese (Takahashi et al. várias outras estão presentes nessa espécie e têm inúmeras outras atividades farmacológicas. Esses constituintes possuem atividade hipoglicemiante... estudos recentes demonstram que enquanto o dissulfeto de dialila atua como agente quimiopreventivo. Uma recente avaliação da importância do alho como agente terapêutico pode ser encontrada no trabalho de Augusti (1996). Augusti & Sheela. estudos clínicos mostraram que preparados de Allium sativum apenas promovem essa diminuição na colesterolemia se contiverem alicina (Bimmermann et al. amenizou a condição da diabetes na mesma extensão que a glibenclamida e a insulina. sugerindo ser decorrência da presença de compostos contendo o elemento telúrio. 2002). (1986) descrevem uma atividade hepatoprotetora para extratos brutos preparados com essa espécie.

dados que corroboram o efeito antidiabético da espécie (Sheela & Augusti. 1996)... A atividade antibacteriana do alho também foi estudada recentemente. Atividade antimalárica foi determinada para uma única dose de 50 mg/kg de ajoeno.. precursor da alicina e obtido do alho. 1983. 1993) e aquosos (Sato et al. Atividade antibacteriana foi determinada para a alicina (Hatanaka & Kaneda. 1983) obtidos a partir dessa espécie. 1997. fosfatase ácida. lactato desidrogenase e glicose-6-fosfatase hepática. O extrato de A. contra Helicobacter pylori. Escherichia coli e Aspergillus niger (Anesini & Perez. 1985. compostos fenólicos (Patel et al. Singh & Shukla. 1986) e com extratos brutos (Kumar & Sharma. 1982. O estudo realizado por Celini et al. 2001). sativum apresentou também atividade antibacteriana... bactéria envolvida na produção de úlceras gástricas (Sivam et al. 1980). 1984. 1981. Recente estudo demonstra uma importante ação tripanomicida de extratos e frações obtidas do óleo dessa espécie (Nok et al. 1992). O óleo de A. 1995). in vitro. Guevara et al.... inibindo inclusive a produção de afiatoxinas por Aspergillus sp (Zohri et al. (1996) demonstrou que o extrato aquoso inibiu o desenvolvimento bacteriano na concentração de 2-5 mg/ml. 1993). além de atuar como . glicose sangüínea e da atividade de enzimas como fosfatase alcalina. o aquecimento do extrato provoca diminuição do efeito observado e a associação desse extrato com omeprazol produz efeitos sinérgicos. sativum tem reduzido o nível tecidual de animais contaminados com chumbo indicando uma alternativa terapêutica para contaminação com este metal (Senapati et al.. Khan et al.5 mg/kg de cloroquina preveniu completamente o desenvolvimento subseqüente de parasitemia nos camundongos (Perez et al.por Kumari & Augusti (1995) com a administração de sulfóxido de S-metilcisteína isolada dessa espécie e com extratos brutos (El-Ashwah et al. 1994). enquanto a associação dessa dose com 4. Mossa. 1984. Sovova et al. Rees et al. 2002) contra Staphylococcus aureus. produziu diminuição na concentração de lipídeos no plasma. a qual suprimiu o desenvolvimento de parasitemia em camundongos.. O uso de alho na dieta de camundongos protegeu os animais contra as lesões causadas pela infestação por Schistosoma mansoni. 1985).. mas bactérias gram-positivas e gram-negativas e contra fungos. O sulfóxido de S-alilcisteína. Dababneh & Aldelamy.

Sandhu et al. assim como o efeito antiasmático podem ser oriundos da inibição das enzimas ciclooxigenase e lipoxigenase verificada com a espécie A. Block et al. (1985). Adetumbi et al. (1992). que demonstraram que os compostos ajoeno e alicina são os principais constituintes químicos com essa atividade farmacológica. 1980. A atividade antifúngica tem sido atribuída à presença da proteína allevina (Wang & Ng. Potente atividade moluscicida dose-dependente foi determinada para extratos brutos de bulbo de alho (Singh & Singh. Segundo Larner (1995) essa espécie mostrou-se razoavelmente ativa no controle da hipercolesterolemia. inibem a síntese de colesterol. Essas propriedades farmacológicas.. 1993). apresentar atividade esquistosomicida (Zakhary. 1993). cepa (Dorsch et al„ 1985). esse efeito é maior quando se emprega a mistura dos principais componentes. 1993). extratos aquosos (Fromtling & Bulmer. Boelter et al. alicina e sulfeto de dialila. sem. 1978. Extratos preparados com acetona/clorofórmio. assim como as respectivas substâncias isoladas. 1995b). Kamanna & Shandras-Wkhara. Foi relatada também redução dos níveis plasmáticos de colesterol (Pushpendran et al. Mohammad & Woodwara (1986). 1984. Diminuição da velocidade de agregação plaquetária com aumento do tempo de sangria também foi determinada por Doutremepuich et al. Também foi verificada atividade fungicida com compostos voláteis (Misra. 2001). 1978. 1996). e não as substâncias isoladas. foram estudadas quanto à inibição da síntese de colesterol. no entanto. assim como substâncias isoladas do alho. Atividade antifúngica de extratos aquosos e óleo essencial de alho foi também determinada contra várias espécies de Aspergillus (Pai & Platt.. enquanto atividade pesticida foi recentemente determinada para vários extratos preparados com raiz da espécie (Khan & Siddiqui. (1986). metil-ajoeno.agente anticercaricida.. 1992).. assim como atividade nematicida de extratos aquosos (Gupta & Sharma. 1993). 1980.. 1978). (1992b) nesse experimento demonstram que o extrato contendo ajoeno.. 1986) e brutos (Rees et al. Os compostos responsáveis pela atividade antiviral do extrato de alho foram recentemente determinados por Weber et al. 1994). da obesidade e no desarranjo da atividade das enzimas na dieta de ratos alimentados com colesterol (Sheela & Augusti. Rotzsch et al. Dados recentes demonstram que extratos aquo- . no entanto. Os resultados obtidos por Sendl et al. 1995) e Cladosporium (Sanchez-Mirt et al.

et al. 1996).. relatam que esse composto inibe de forma reversível a agregação plaquetária (Mutsch Eckner et al.. (1986b). a atividade antiplaquetária também descrita para a cebola (Allium cepa) tem sido relacionada à presença de compostos de enxofre (Goldman et al. Essa mesma planta reduziu a concentração . como radioproteção (Reeve et al. 1993). 1986a). também. atividade inibidora do transporte ativo de sódio em pele isolada de sapo e atividade hipocolesterolêmica e antiaterosclerótica em cabras (Kaul & Prasad.5. sua condutância. 12. diminuindo a atividade clastogênica e a freqüência de aberrações cromossômicas (Das... 25 e 50 mg/ml) foram capazes de inibir a síntese de prostanóides de maneira dose-dependente (Ali. E. e essa ação farmacológica provavelmente ocorre por inibição da liberação de mediadores químicos. tais como a histamina (Usui & Susuki. sugerindo a presença de componentes analgésicos e hiperalgésicos (Di Stasi et al. promovendo bradicardia em altas doses (Pantoja et al. 1993b). 1996). principal componente antiplaquetário do alho. et al.. natriurética e hipotensora em cão. (1992) com o composto ajoeno. Ribeiro et al.. 1996). 1991). bem como a atividade da Na+/ K+ ATPase (Norris et al. sativum apresentou atividade protetora contra substâncias genotóxicas. A fração aquosa dessa espécie diminuiu o potencial do sódio.. (1982). 1996). Estudos realizados por Apitz-Castro et al. assim como a reação de liberação induzida por agonistas. (1996) determinaram resposta diurética e natriurética de frações de alho sem observarem alterações na pressão arterial e no eletrocardiograma dos animais tratados.. e demonstram que esse componente previne a formação de trombos e pode ser usado na prevenção de trombos induzidos por lesões vasculares. 1993). além de atividades contra células de carcinoma de epitélio de transição (bexiga) (Riggs et al. Foram verificadas ainda outras atividades farmacológicas. atividade diurética. de redução com subseqüente aumento de contrações abdominais. (1987). 1997). 1996).sos de bulbos de alho fresco (5.. A atividade antiasmática descrita para o alho foi recentemente relacionada à presença de ajoeno no extrato. antiinflamatória (Khobragade & Jangde. Foushee et al. Atividade hipotensora foi descrita por Twaij et al. 1991). sativum (Kweon et al. enquanto Pantoja et al. A. M. Por sua vez. 1990). I. Alta atividade anticoagulante foi determinada para o extrato aquoso de bulbos de A..

conseqüentemente.. enquanto a fração tiosulfinato aumenta a atividade das células natural killer. de aumento das funções das células mononucleares do sangue humano periférico. Nepeta hindostana e ácido nicotínico. in vitro. Ko & Son. Allium sativum. 1993. 1993). A ação do alho em ativar a óxido nítrico-sintase foi recentemente estudada por Das. E a mistura de A. A ingestão de Allium sativum com a alimentação promoveu atividade cardioprotetora em coração isolado de rato (Isensee et al. 1991). sativum ou A. Chithra et al.. cepa com A.. O extrato aquoso e as duas frações aumentam a produção de interleucina-2 (Burger et al. . estudos referem que as folhas dessa planta possuem a capacidade de estimular a formação de fibroblastos e.. o extrato bruto dessa espécie reduziu a clastogenicidade dos compostos mutagênicos mitomicina.. ciclofosfamida e arsenato de sódio (Das et al. tais como S-alicisteína e Salilmercaptocisteína. promove proteção contra o infarto do miocárdio provocado pelo isoproterenol em ratos (Arora et al. e o óleo modificou a atividade de enzimas digestivas (Sharathchandra et al. 1992). 1995). et al. 1995) e o extrato aquoso do alho (Yang et al. que determinaram atividade antioxidante de extratos e de vários compostos organossulfurados isolados da espécie. 1993). apresentou atividade anti-hipertensiva e cardioprotetora em ratos hipertensos (Jacob et al. I. (1996)... Resultados similares foram obtidos por Imai et al. chinense aumenta a atividade inibitória sobre a agregação plaquetária (Morimitsu et al.. a fração polar e a fração tiosulfinato apresentaram atividade. 1995). 1991) e antiparasitária contra Hymenolepis nana e Giardia lamblia em crianças infectadas (Soffar & Mokhtar. Além disso. 1990). ela é um excelente cicatrizante (Costa. O extrato aquoso e a fração polar aumentam a produção de interleucina-1.. O estudo relata ainda que o aquecimento do alho não prejudica sua capacidade de ativar essa enzima.. Esse estudo demonstra claramente que este efeito não depende da presença de arginina ou de produtos derivados da aliina e que os constituintes responsáveis por essa ação farmacológica ainda não foram determinados. Extrato aquoso de A. um preparado à base de Curcuma longa. 1994). Para a espécie Aloe vera. (1994). Atividade antioxidante dose-dependente foi atribuída para o óleo (Sujatha & Srinivas. o extrato aquoso apresentou atividade antitrombótica (Ali. 1996). Lipotab. 1992. 1993). sativum L.sérica de ácido úrico em pacientes com gota (Ghosh & Ghosh.

Dados toxicológicos e observações de uso Recentes estudos clínicos demonstraram que o consumo de alho na dieta não está associado com a incidência de carcinoma de mama (Dorant et al. As folhas de A. 1999) que têm apresentado efeito tóxico em cultura de células (Avila et al.. barbadensis tem sido relatada (Vasques et al. 1991).. contudo. aumento na contagem de espermatozóides. pois o consumo desse produto associado a outras dietas e em quantidades comumente utilizadas não está associado ao risco de aparecimento de carcinoma de pulmão (Dorant et al. 1997). que inclui algumas espécies popu- . Foi também averiguado aumento no peso dos testículos e epidídimos. e dois gêneros se destacam: o Sansevieria.. 1997). vera têm apresentado efeito hipoglicêmico em animais diabéticos não-dependentes de insulina (Okjar et al. 2000). 1994). Espécies medicinais da família Agavaceae (Dracaenaceae) Introdução A família Agavaceae descrita por Barthélemy Charles Joseph Dumortier compreende 210 espécies tropicais e de climas áridos distribuídas em treze gêneros (Mabberley.. em camundongos. Saleem et al. Entretanto.1998).. 2001). vera e hipotensora de A.. 1996. esses dados referem-se. relataram poucas alterações funcionais orgânicas nos animais de experimentação. Essa família possui pequena importância no Brasil. Esta última espécie também possui registros de atividade antioxidante (Lee et al. Os estudos de toxicidade de Allium cepa. O efeito laxante tem sido relatado para espécies do gênero Aloe atribuído à presença de doina e emodina (Izzo et al. estudos clínicos mostram que há associação entre o alto consumo de alho na dieta com um alto risco de aparecimento de carcinoma de pulmão.. mas redução no peso do fígado e nos níveis de eritrócitos (Al Bekairi et al. A atividade antiinflamatória de A.. apenas aos pacientes que consumiram exclusivamente essa espécie na dieta.. 1995). 2001).

em relação a esse gênero não foi referida nenhuma espécie medicinal nas pesquisas realizadas na Amazônia e na Mata Atlântica.. 1996 e 1997b). Dados químicos e farmacológicos do gênero As folhas de S. pelas suas características de transmissão de corrente de voltagem (Jain et al. trifasciata têm sido estudadas como material potencial para baterias. 1996).. possui folhas carnosas. Das . cilíndricas. reunidas em grandes inflorescências paniculadas e trímeras.larmente denominadas Jibóia e usadas como medicinais no Norte do Brasil. Dados botânicos É uma planta herbácea que pode alcançar 90 cm de altura. o material vegetal não permitiu a identificação segura da espécie. flores pequenas. contra problemas hepáticos. 1987). Quimicamente foram isolados glicosídeos (Mimaki et al. O gênero Sansevieria foi descrito por Carl Peter Thumberg. No entanto. saponinas esteroidais (Mimaki et al. Dados da medicina tradicional A infusão das partes aéreas da planta é usada internamente. na região amazônica. longas.. brancas. pontiagudas e com manchas brancas. que também inclui espécies medicinais como a Agave americana. no entanto. Espécies medicinais Sansevieria sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Jibóia. A infusão das folhas tem uso mágico: "evitar a falta de alguma coisa em casa". As características indicam que se trata da espécie Sansevieria cylindrica. e o Agave.

saponinas. O extrato metanólico de Sansevieria guineensis Willd. 1996). .em Joly..1 . 1982). 1997). hyacinthoides foi isolado um constituinte esteroidal (GamboaAngulo et al. Das folhas de S.. pigmentos. reduziu significativamente a parasitemia de camundongos infectados com Plasmodium berghei (Franssen et al. cylindrica foram isolados lipídios..folhas de S.Allium sativum. 1998) (Banco de imagens ). e o extrato das folhas de Sansevieria ehrinbergii promoveu bloqueio da junção neuromuscular em preparação in vitro (Woodcock et al. Vista da planta toda (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov . FIGURA 3. 1986).. além de carboidratos. beta-sitosterol e beta-caroteno (Moustafa et al.

2 . .Aloe vera.FIGURA 3. Vista da planta toda sem flores (Banco de imagens - ).

Di Stasi A.4 Outras monocotiledonal medicinais na Mata Atlântica L. duas outras espécies de grande valor na região da Mata Atlântica foram referidas como medicinais. Na ordem Alismatales estão incluídas treze famílias botânicas. Mariot M. sem importância nos dois ecossistemas aqui discutidos. Euterpe edulis e Echinodorus grandiflorus. As duas espécies. que inclui a espécie medicinal Echinodorus grandiflorus aqui descrita. duas das quais são importantes fontes de espécies vegetais de valor medicinal e econô- . Na subclasse Alismatidae ocorrem apenas duas ordens botânicas: Alismatales e Triuridales. Triuridaceae. ainda não discutidas neste livro. Outras famílias dessa ordem são importantes fontes de espécies medicinais em regiões de clima temperado e. das quais destacamos apenas a família Alismataceae. Na subclasse Arecidae encontram-se quatro ordens botânicas. portanto. de pouco interesse para nosso estudo. mas importantes quanto a seus usos e utilidades para os habitantes da Mata Atlântica. C. esta segunda com uma única família. pertencem respectivamente às subclasses Arecidae e Alismatidae. Reis Além das monocotiledonal já descritas nos capítulos anteriores. S.

flores brancas. coriáceas. do famoso Chapéu-de-couro da Mata Atlântica. latescentes com lâmina foliar grande. Espécies medicinais da família Alismataceae Introdução A família Alismataceae descrita por Walter Vent possui quatorze gêneros. Dados botânicos A espécie é uma erva de área alagada ou brejo. Os principais gêneros dessa família encontrados no Brasil são Echinodorus. como é o caso da ordem Arales e da ordem Arecales. rizoma grosso e carnoso.1). 1997). numerosas. amplamente explorada e comercializada na região da Mata Atlântica como produto para alimentação. contendo vasos apenas nas raízes. vistosas e dispostas em panículas (Figura 4. folhas pecioladas. na qual se encontra o famoso palmiteiro Euterpe edulis.mico. mas que também é usado como espécie de valor medicinal. e Sagittaria. espécie de grande valor econômico. Inclui ervas perenais. com caule triangular e glabro. Aguapé. freqüentemente . A espécie possui as variedades floribundus. A planta é chamada também de Chá-de-campanha. Espécies medicinais Echinodorus grandiflorus Michelli Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é amplamente conhecida como Chapéu-de-couro. muitas aquáticas ou brejosas. ovadas. também denominada Arecaceae. essa segunda inclui apenas a família Palmae. nos quais estão distribuídas aproximadamente cem espécies vegetais cosmopolitas em regiões temperadas e tropicais (Mabberley. Congonha-do-brejo e Erva-do-brejo. grandes e eretas.

de barriga. bem como gripes e resfriados. as raízes são usadas externamente como cataplasmas no tratamento de hérnias. 1997). como ornamentais.650 espécies tropicais (Mabberley. muitas delas usadas como medicinais. nas costas. Dados Farmacológicos do Gênero: Efeitos tóxicos foram observados na espécie E. moléstias da pele e do fígado.consideradas outra espécie. como sedativo. Corrêa (1984) refere que a planta é considerada depurativa. e outras. macrophyllus alertando para o cuidado em seu uso crônico (Costa Lopes et al. Ocorrem também nessa família representantes acaules com folhas que nascem rentes ao chão. Dados da medicina tradicional Os habitantes do Vale do Ribeira referem o uso da infusão das folhas para o tratamento de problemas renais e hepáticos. sífilis. . reumatismo. também denominada Arecaceae. Incluem árvores ou arbustos. útil ainda contra artrites. e como anti-helmíntico. especialmente contra dores de cabeça. com folhas terminais. tônica e diurética. Espécies medicinais da família Palmae (Arecaceae) Introdução A família Palmae. raramente trepadeiras. além de usarem esse preparado para combater dores de cabeça. especialmente contra lombrigas (Ascaris lumbricoides). 2000). tendo caracteristicamente o caule do tipo estipe não ramificado. O gênero Echinodorus descrito por Louis Claude Marie Richars e Georg Engelmann inclui 48 espécies tropicais com distribuição restrita às Américas e à África. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui 203 gêneros. nos quais estão distribuídas aproximadamente 2. A decocção das folhas também é usada para problemas renais e como analgésico..

Cocos. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Palmito ou Palmiteiro. Dados botânicos A planta é uma palmeira esbelta de estipe reto.. e o Arecastrum. muito usadas no Brasil na produção de artesanatos. 2000a e 2000b). como é o caso da Areca catechu. Tratase de uma família de grande valor econômico e.. importante fonte de recursos para as populações que habitam as proximidades dos ecossistemas florestais. como é o caso de várias palmeiras. especialmente a palmeira imperial do gênero Roystonea. conseqüentemente. e o açaí. outros gêneros se destacam como fonte de produtos de valor econômico. do famoso coqueiro da Bahia. Outros gêneros de importância são Orbignia e Copernicia. como é o caso de várias espécies dos gêneros Attalea e Raphia.A família está subdividida em seis subfamílias. Muitas espécies exóticas são ainda cultivadas no Brasil como ornamentais. com folhas pinadas. especialmente da Mata Atlântica. chegando até 25 m de altura. amplamente conhecido na Mata Atlântica. Espécies medicinais Euterpe edulis M. macrophyllus (Shigemori et al. Dados químicos do gênero Diversos diterpenos foram isolados de E. amplamente conhecida na região amazônica. respectivamente do babaçu e da carnaúba. que incluem a piaçava e a ráfia. recurvadas e gomo vegetativo formado pelas bai- . Kobayashi et al. 2002. usadas tanto na indústria de alimentos como para ornamentos. 1998). e os principais gêneros encontrados no Brasil são representados por espécies de grande valor econômico. do jerivá (Joly. como é denominada a outra espécie do gênero. que inclui o famoso palmiteiro. outras são importantes como medicamento. Destaca-se o gênero Euterpe.

sendo muitas vezes dominante no extrato arbóreo.nhas. espádice na base do gomo com muitos ramos espiciformes. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Verifica-se intensa exploração da espécie para comercialização como produto alimentício de grande valor nos mercados nacional e internacional. . não fosse a intensa exploração da espécie. fato responsável pela intensa redução nas populações naturais da espécie na Mata Atlântica.Echinodorus grandiflorus (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. O gênero Euterpe descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui aproximadamente trinta espécies tropicais americanas. Espécie exclusiva de mata pluvial de encosta atlântica e de ocorrência muito comum na Mata Atlântica. externamente. 1998) (Banco de imagens). FIGURA 4. contra dores de barriga para controlar hemorragias e. frutos esféricos de cor preta-arroxeada. como antídoto para picada de cobras. o suco do caule é usado.1 . internamente.

Parte II Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Seção 1 Magnoliidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

do famoso Boldo. muito comuns e amplamente usadas como medicinais nas regiões da Mata Atlântica do Brasil. todas essas quatro com importantes espécies tanto na região amazônica como em áreas de Mata Atlântica. C.5 Magnoliales medicinais C. algumas com amplo número de espécies no Brasil. tais como Magnoliaceae. da qual inúmeras espécies de grande valor . são importantes como ornamentos. Na família Monimiaceae. inúmeros gêneros são importantes. consideradas uma das famílias botânicas mais primitivas e nas quais inúmeras espécies. A. Santos L. Myristicaceae e Lauraceae. Na família Chloranthaceae. M. inúmeras espécies são medicinais. Hiruma-Lima E. M. mas deve ser destacado o gênero Peumus. Outras famílias dessa ordem também são importantes. Guimarães C. Annonaceae. tais como as Magnoliaceae. especialmente dos gêneros Magnolia e Michelia. Espécies de Lauraceae e Myristicaceae possuem importante valor medicinal e econômico. especialmente aquelas do gênero Hedyosmum. Di Stasi A ordem Magnoliales inclui dezessete famílias botânicas. Nessa ordem botânica encontra-se ainda a família Lauraceae. amplamente conhecido e usado no Brasil como medicinal.

O gênero Annona inclui aproximadamente 140 espécies tropicais com várias espécies selvagens. 1997). Pinha. e Monodoroideae.econômico e medicinal são encontradas no Brasil e especialmente na Amazônia. arbustos e lianas. Annona reticulata. os gêneros mais comuns são Annona. e dos gêneros existentes há 29 registrados no Brasil. espalhadas por todo o planeta. Graviola e outros. Laurus e Sassafras. Cryptocarya. . compreendendo aproximadamente 260 espécies. Aniba e Nectandra. e no Brasil as espécies são freqüentes em matas do litoral e no cerrado. outras importantes fontes de compostos aromáticos e flavorizantes.150 espécies tropicais (Mabberley. enquanto na região da Mata Atlântica comunidades tradicionais referem o uso de espécies da família Lauraceae. e ainda outras importantes como alimento. 1997) e subtropicais. No Brasil. Guatteria. Annona tenuiflora e Annona squamosa. Artabotrys. como Aniba. As espécies mais comuns no Brasil são Annona muricata. divididas em duas grandes subfamílias: Annonoideae. Xylopia e Rollinia. O gênero Xylopia inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. esta segunda é uma espécie alternativa como fonte de piperina (Mabberley. muitas das quais denominadas popularmente Fruta-do-conde. Na região amazônica foram registrados os usos medicinais de algumas espécies pertencentes às famílias Annonaceae e Myristicaceae. Espécies conhecidas e mais comuns são Xylopia aromatica e Xylopia brasiliensis. como é o caso de algumas espécies do gênero Persea. que inclui os gêneros Annona. A família inclui árvores. que inclui nosso Abacateiro. Espécies medicinais da família Annonaceae Introdução A família Annonaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 112 gêneros com aproximadamente 2. Uvaria. Annona coriacea. Cabeça-de-negro. que inclui os gêneros Isolona e Monodora. Xylopia. Annona cherimolia. Cinnamomum. Nessa família podemos destacar as famosas espécies medicinais dos gêneros Ocotea. A maioria das espécies é de plantas lenhosas.

O gênero Annona descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 140 espécies tropicais encontradas nas Américas e cerca de 130 distribuídas no continente africano. Nomes populares Essa espécie é conhecida especialmente pelo nome de Graviola. O principal valor econômico das espécies dessa família é o fornecimento de frutos comestíveis. latescente. amareladas. Iriticum. com epiderme verde-escura. que são muito apreciados. com um espinho central. que apresentamos a seguir. com um tronco revestido por casca aromática. . tais como Araticum. sucosa. as folhas são alternas. alcançando até 15 cm de comprimento. pecioladas. Araticum-ponhê. polpa branca. O nome do gênero Annona descrito por Carl Linnaeus deriva de Anon. Várias espécies. Araticum-punhê. Annona tenuiflora e Xylopia frutescens. sementes castanhas ou pretas (Figura 5. onde são conhecidas como Araticum e Biribá. Espécies medicinais Annona muricata L. Coração-de-rainha e Nona. espessa com saliências cônicas. 1998). alcançando até 30 cm de comprimento. fruto do tipo baga irregular.Já o gênero Rollinia inclui aproximadamente sessenta espécies tropicais. com várias delas comuns na Amazônia (Joly. cordadas na base e acuminadas no ápice. mole e recurvado. têm importantes usos terapêuticos em diversas comunidades do país. no entanto.1). subglobosas. inflorescência cauliflora. flores axilares. no entanto vários sinônimos são usados. Araticum-de-paca. Dados botânicos e informações gerais Arvore que atinge até 10 m de altura. Na Amazônia foi identificado o uso freqüente de três espécies distintas dessa família: Annona muricata. com cálice de lobos triangulares e agudos. ovadas ou elípticooblongas. E a espécie típica do gênero e a primeira a ser descrita. nome popular da planta no Haiti e que significa "colheita do ano".

os frutos da espécie são usados contra aftas e como antidisentéricos. com importante uso potencial na fabricação de papel. 1984). folhas de Jambu e Amor-crescido é usada para problemas hepáticos. as flores. os brotos e as folhas são usados como béquicas. aumentar o leite de mãe depois de parto (lactagoga) e como adstringente. o chá das folhas é ainda usado contra proble- . tem grande valor como alimento. mole e branca. Na Amazônia. especialmente na produção de sucos. O bochecho do suco dos frutos é indicado no combate às aftas. Em outras regiões do Brasil. ao passo que a decocção das folhas frescas é indicada contra cistite. enquanto as sementes são adstringentes e eméticas (Corrêa. por sua vez. antirreumática e antinevrálgica quando usadas internamente. ao passo que a decocção da raiz é considerada antídoto nos envenenamentos por estupefacientes. antiespasmódicas e hipotensivas. referidos a seguir. antiespasmódicas e antidisentéricas. a decocção das folhas contém óleo essencial com ação parasiticida. combatem reumatismo e abcessos. dores de cabeça e como emagrecedor. sendo amplamente consumido nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. peitorais.É uma espécie amplamente encontrada desde a América Central até a Venezuela. tais como o uso do suco da fruta contra lombrigas e parasitas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as folhas cozidas. As sementes esmagadas são usadas como vermífugo e antihelmíntico contra parasitas internos e externos. especialmente lombrigas. 1984). para baixar febres. usadas topicamente. Além dos usos medicinais da espécie. A infusão das folhas frescas também é usada no controle da diabetes e da hipertensão. sorvetes e geléias (Corrêa. onde se tornou subespontânea. As folhas e raízes são consideradas sedativas. A infusão das folhas secas é usada contra insônias graves. diurético e no combate a insônias leves. a planta fornece madeira. A espécie possui ainda diversos usos populares disseminados em todo o país. sendo depois levada para outras regiões do planeta. como é o caso da espécie na Amazônia brasileira (Corrêa. A infusão de uma mistura contendo folhas frescas dessa espécie. O fruto. 1984). podendo também ser usada na arborização urbana. o suco dos frutos é usado internamente como antitérmico.

Nomes populares A espécie é conhecida como Araticum. como antiespasmódico. casca e raízes são usadas para combater disenterias e parasitas intestinais (Watt & Breyer-Brandwijk. são usadas como sedativo e tônico cardíaco (Grenand et al. as folhas e a casca da árvore.. as raízes e as folhas são consideradas antiparasitárias. especialmente na África. asma. ela tem sido cultivada e estabelecida em vários países tropicais. 1992). Nas Guianas. 1990). No Peru. parasitas. as sementes. Esse uso. inseticidas. espasmos e febres. hipertensão e parasitas intestinais (Asprey & Thornton.. mas estas ainda não foram coletadas com material vegetal fértil. 1978. é usado externamente para neuralgia. 1962). diarréia e como lactagogo. 1987). que também são consideradas eméticas e usadas popularmente em envenenamentos de peixes. 1962). Annona tenuiflora Mart. Weninger et al. Várias espécies do gênero Annona são encontradas na região de Mata Atlântica. e as sementes. reumatismo e dores em casos de artrites (Almeida. Não foram encontrados sinônimos dessa espécie. enquanto o óleo das folhas. gripe. impedindo-lhes a identificação correta. . 1955. no processo de pesca. 1986). 1993). onde é usada contra tosses. Na Índia. as raízes e folhas. contra diversos parasitas (de Feo. as cascas e folhas. foram referidas espécies desse gênero. tosse. o chá das folhas é utilizada para catarro. na forma de chá. também tem sido referido para as raízes e casca da planta. como sedativo e antiespasmódico (Vasquez. enquanto as flores para diminuir o catarro (Watt & Breyer-Brandwijk.mas do fígado. misturado com a fruta verde e óleo de azeitona. a fruta e seu suco são usados contra febre. sedativo e no tratamento de problemas cardíacos. contra diabetes. no entanto. Embora essa espécie seja usada tipicamente por indígenas da América do Sul. Na Jamaica e no Haiti. De acordo com os mesmos autores. no levantamento realizado com as comunidades da região do Vale do Ribeira. Ayensu. as folhas da espécie são usadas como anti-helmínticas e antiflogísticas.

a espécie também é conhecida como Pimenta-do-sertão. Ibira. Em outras regiões do Norte do Brasil. com casca fibrosa. cálice gamossépalo. simplesmente. simples. A espécie também é usada pelos habitantes da cidade de Humaitá. aromática. onde parte deste estudo foi realizada. curto-pecioladas. Jejerecou. alcançando até 8 m de altura. Nomes populares A espécie é denominada. fruto do tipo baga ovóide. Malagueta e Banana-de-macaco. Pindaíba. tonturas e hipotensão. oblongolanceoladas. significa lenho amargo e inclui aproximadamente 160 espécies tropicais. Dados botânicos e informações gerais Arvore de pequeno porte. coriáceas. É uma espécie com intensa ocorrência na Amazônia e amplamente utilizada como medicamento. muitas das quais usadas na medicina popular. inflorescências e glomérulos axilares com flores regulares. pétalas lineares. deiscente. Pindaíba-branca. folhas alternas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das folhas é usada contra dores de cabeça. tronco ereto e cilíndrico. folhas ovado-oblongas. Coaguerecou. Coajerucu. hermafroditas. Envira-preta. flores rosas com perianto trímero diferenciado em cálice e corola. Jegerecu. sul do Amazonas. também descrito por Carl Linnaeus. na região amazônica. e copa alongada.Dados botânicos Arvore de aproximadamente 9 m de altura. Pau-de-imbira. Pindaúva. O gênero Xylopia. Envira. agudas no ápice. lineares.3). Pijerucu. alternas e ápice cuspidado. frutescens Aubl. Xylopia cf. Coagerucu. Jejerecu. tanto pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia como pelos índios tenharins. glabras na face superior e pubescentes na face inferior. frutos sincárpicos com aspecto estrobiliforme (Figura 5. Breu. Pindaúba. com duas a seis sementes (Figura 5. vermelho. .2). sem estipulas. Breu branco ou.

chegando a substituir a Pimenta-do-reino (Piper nigrum L. Acetogeninas Acetogeninas são substâncias naturais bioativas presentes na casca.) por causa de seu óleo volátil (Corrêa. Na região amazônica da Colômbia. sendo uma espécie heliófita. . especialmente. Além dos usos medicinais descritos a seguir. ao passo que a decocção da casca é usada. também aromáticas. folhas e. A espécie Xylopia aromatica é usada popularmente como condimento em substituição à Pimenta-do-reino. para combater resfriados e dores de cabeça. são usadas como estimulantes da bexiga. como cabos de instrumentos e varas de pesca. como digestivo e são úteis contra catarro. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. para depois apresentarmos uma discussão dos dados farmacológicos. 1998). As sementes. A casca da espécie é aromática e usada como condimento picante. muitas das quais com importantes atividades farmacológicas. a espécie fornece madeira macia de fácil manipulação para artesanato. perenifólia e pioneira. raízes. incluímos inicialmente os dados químicos divididos em classes. A população refere que a inalação só pode ser feita na hora de dormir. 1984). leucorréia e cólicas do estômago (Corrêa. 1984). na forma de inalação.Trata-se de uma planta de ocorrência na região amazônica e também nas Guianas. Dados químicos dos gêneros Annona e Xylopia Estudos químicos realizados com a espécie Annona muricata indicam a presença de inúmeras substâncias químicas. própria para uso em carpintaria. típica de floresta pluvial amazônica (Lorenzi. os índios witoto utilizam com cautela o chá das folhas como diurético e antiedematogênico. Dada a grande quantidade de estudos realizados com espécies dessa família botânica. sementes de espécies da família Annonaceae. a infusão das folhas é usada como potente analgésico e antiinflamatório.

hoviicina A.São ácidos graxos modificados.. 1995b). epomuricenina A e B (Roblot et al.. enquanto Gromek et al. Destacamos aqui algumas das espécies mais estudadas como fonte de acetogeninas de interesse terapêutico. além das acetogeninas tetrahidrofurânicas gigantetrocina A. e sugeriram que esta também é uma substância precursora da biossíntese das acetogeninas comuns dessa família botânica. . anonacina e goniotalamicina já descritas nas sementes. 1995a) e muricatocina A e B (Wu et al. I.. No entanto. especialmente como citotóxicas. essa última também descrita em outras espécies do gênero Annona (Wu et al. Da espécie Annona muricata foram isoladas inúmeras acetogeninas. anomutacina 1. Acetogeninas também são encontradas em inúmeras espécies do gênero Annona. uma nova acetogenina tetrahidrofurânica foi isolada das folhas dessa espécie e denominada anonohexocina (Zeng et al. denominada corepoxilona. Das sementes também foram obtidas as acetogeninas solamina (Mynt et al. 1991).. 1995b). (1993) isolaram outra acetogenina dessa mesma espécie. neo-anonacina-10-ona. anonacina-10-ona. iso-neoanonacina-10ona. com atividade citotóxica descrita por inúmeros estudos e pesquisas.. murihexocina A e B (Zeng et al. 1994). 2002). cis-annomontacina (Liaw et al... Anomuricina A e B. 1995c). 1995a). hoviicina B e desoxi-hoviicina B (Yang et al. e que são importantes representantes da flora brasileira... 1994a e 1994c). A espécie Annona tenuiflora referida em nosso levantamento etnofarmacológico não tem sido estudada sob nenhum aspecto. Outros estudos relatam a presença de acetogeninas na casca do caule dessa espécie (epoximurina A e B). corossolina 1 e corossolina 2 (Cortes et al. das quais relacionamos oito acetogeninas monotetrahidrofurânicas denominadas neo-isoanonacina-10-ona. 1991b). os dados químicos de outras espécies desse gênero permitem descrever a sua constituição química clássica e indicar a potencialidade de estudo dessa espécie como fonte de novas substâncias de interesse farmacológico.. muricina H. 1993).. também foram isoladas das folhas dessa espécie (Wu et al. as quais são considerados compostos precursores das acetogeninas (Hisham et al. 2 e 3 (Wu et al. Recentemente. Das folhas ainda foram isoladas as acetogeninas anomuricina C. muricatocina C e gigantetronenina. muricatetrocina A e B. 1995e)..

. além de queromolina-2 e anonina em Annona glabra (Li et al. 1995). Da espécie Annona reticulata inúmeras acetogeninas foram isoladas. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona (Gu et al. 1994b). C e D (Fujimoto et al.. 1994c) neodesacetiluvaricina. (1993a) ainda isolaram 39 acetogeninas de várias espécies de Annonaceae. muricata e A. 1994). esquamosteno A (Araya et al. 1991a e 1991c).. 1993). Outros estudos relatam a presença de acetogeninas em várias outras espécies desse gênero. bulatanocina. reticulacinona (Hisham et al.. solamina. Sahai et al. 1993b). (1994) isolaram dezessete acetogeninas tetrahidrofurânicas. 1993).. três uvariamicinas. 1994b). tais como reticulatina (Saad et al. esquamona. Das sementes da mesma espécie. além de esquamocina e esquamostatina A. 1996).buladecionona e trans-buladecionona (Gu et al.... tais como araticulina em Annona crassiflora (Santos et al. 1994). 1994a). 31-hidroxibulatacina...... tais como querimolina 1 e 2 e almunequina e otivarina (Cortes et al. jeteína. incluindo A. cis-28hidroxibulatacinona e tran5-28-hidroxibulatacinona (Guetal. anoreticuína-9-ona. bulatencina. 1991). cis.. esquamocina e roliniastatina I (Vu et al. anomontacina em Annona montana (Jossang et al.. anogaleno (Sahpaz et al.. itrabina. esquamostanal A (Araya et al. 1994a e 1994b). squamocina e almunequina (Duret et al. Das sementes da espécie Annona squamosa foram isoladas as acetogeninas esquamostatinas A.. 1996). 1994). 1962). 1995a)... 4-deoxiasimicina e várias uramicinas (Hui et al. anomonicina e roliniastatina (Chang et al. 1991). 1995) em Annona bullata. 32-hidroxibulatacina. cherimolia. Das semen- .Da espécie Annona cherimolia já foram isoladas inúmeras acetogeninas. 1992). molvizarina e motrilina (Cortes et al. Alcalóides Alcalóides como muricina e muricinina foram descritos por Manske & Holmes em Annona muricata (Watt & Breyer-Brandwijk. esquamosinina A (Yang et al. 30-hidroxibulatacina.. neo-anonina B e neo-reticulacina A (Zheng et al.. isomolvizuína 2. Cortes et al. isoquerimolina 1. Existem relatos da presença de acetogeninos na espécie Xylopia aromatica (ColmanSaizarbitoria et al.. B. 1995). 1993b). anoglaucina em Annona glauca (Etcheverry et al.

reticulina. montana (Wu et al. 1987). 1993) e sesquiterpenos em A.. X. Wu et al. A. 1979. Barbosa Filho et al.. 1989. 1986) e A. squamosa (Setharaman. 1986). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. 1995e). Outros constituintes químicos A polpa da fruta de Annona muricata é rica em vitaminas B e C. 1996).. anolatina. purpurea (Castro et al. A. A. Alcalóides conhecidos como anoretina. foram isolados do fruto de Annona muricata . Y. aromatica (Rios et al.. uma lignana ((-)-siringaresinol). enquanto diterpenos foram descritos em A. 1994). isoboldina e outros foram isolados de A. Alcalóides benzilisoquinoléicos denominados anomolina.. 1979. enquanto os alcalóides anonaína. anonaína. quintasii (Quevauviller & FoussardBlanpin.. de A. A. Inúmeros compostos terpenóides. 1993).. cherimolia (Villar et al. X. squamosa (Leboeuf et al. 1978). um aldeído aromático (siringaldeído) e dois esteróides foram isolados do caule de A. 1982a e 1982b. 1991). senegalensis (Ekundayo & Oguntimein. cacans (Saito & Alvarenga. anolobina e asimilobina foram isolados de A. 1978)... argentinina e liriodenina foram obtidos de Annona montana (Leboeuf et al. michelalbina. Existem registros de alcalóides nas espécies Xylopia pancheri (Nieto et al. enquanto três amidas ácidas. oxouxinsunina. 1992. 1991). 1988). cherimolia (Yang et al. C.. 1994).. ambotay (Carazza et al. 1985) e A.tes de Annona muricata isolaram também o alcalóide liriodenina (Philipov et al.. enquanto a casca possui grandes quantidades de ácido hidrociânico (Watt & BreyerBrandwijk. bullafa (Kutschabsky et al. et al. 1976). 1984).. squamosa (Silveira et al. Yang & Chen.. 1976). laureliptina.. squamosa (Wu... 1981). 1970) e X. squamosa (Krishna Rao et al. salzmannii (Paulo et al. reticulina. como constituintes predominantes.. 1994). frutos de A. Martins et al.. ambotay (Oliveira et al. Flavonóides foram descritos em A. Constituintes químicos dessa classe química foram ainda obtidos das espécies A. brasilienses (Casagrande & Merotti. Mukhopadhyay et al. 1996) e de Annona reticulata (Saad et al. 1986).. 1962).. Monoterpenos foram isolados de A.

. Lopez Abraham. 1940). 1993). Terpenos também foram isolados de Annona reticulata (Saad et al.. obtidas de Annona muricata. 1988. aethiopica foram isolados diterpenos (Moreira & Roque. 1990). Dados farmacológicos dos gêneros Annona e Xylopia Atividade hipocolesterolêmica. 1995. 1991). 1962).. muricata e de A. Carbajal et al. 1979). 1993. 1991b). 1998). 1941.(Wong & Khoo.. 1979. A espécie Annona muricata possui. o talo e as sementes dessa espécie possuem ação antibacteriana contra vários patógenos (Sundarrao et al. 1996. 1979). 1987). Resultados similares foram obtidos com as acetogeninas muricatocina A e B também isoladas dessa espécie (Wu et al. Heinrich et al. Ngouela et al. propriedades inseticidas (Tattersfield et al. 1991). cherimolia foram ativas contra alguns parasitas. aromatica. X. 1991). muricata. 1992. Misas et al. raiz e sementes demonstraram propriedades inseticidas (Tattersfield et al. apresentaram potente atividade citotóxica sobre vários tipos de células tumorais (Cortes et al. Uma importante ação depressora em coração isolado de coelhos foi descrita por vários autores (Watt & Breyer-Brandwijk. sedativa e analgésica foi determinada para a espécie Annona muricata (Cavalcante. vasodilatadora. a raiz.. 1995b).. . possui atividade citotóxica contra algumas células tumorais (Mvnt et al.. antiespasmódica.. brasiliensis e X. De Xylopia frutescens. Anomutacina 1. enquanto as sementes da espécie possuem propriedades antiparasitárias (Bories et al. ao passo que as acetogeninas monotetrahidrofurânicas. acetogenina isolada de Annona muricata. Bourne & Egbe. também apresentou importante efeito citotóxico contra células tumorais de pulmão humano (Wu et al. Inúmeras pesquisas demonstram que a folha. 1925 e 1932). uma acetogenina isolada de A. 1995e)... X. 1991. Extratos obtidos a partir de folhas da espécie possuem atividade antimalárica (Antoun et al. enquanto extratos de folhas. mas inativas contra Entamoeba histolytica (Bories et al. corosolona 1 e corosolina 2.... 1991). Solanina. Acetogeninas isoladas sementes de A. Gbeassor et al.. Di Stasi. Estudos demonstram que a casca e as folhas de Annona muricata possuem atividades hipotensora. assim como outras espécies do gênero... 1993. relaxante de músculo liso e cardiodepressora em animais (Meyer. Vilegas et al. a casca..

Esteróides de A. salzmannii. squamosa demonstraram potente atividade cardiotônica (Wagner et al. cherimolia induziram contrações uterinas (Lozoya & Lozoya. oxonantenina e liriodenina isolados de Annona reticulata (Chang et al. enquanto alcalóides isolados de A.. reticulina. desacetiluvaricina e cis-bulatanocinona e trans-bulatanocinona de Annona bullata (Gu et al. Os alcalóides isolados de A... 1991. 1993b). nornuciferina e asimilobina foram inativos nos mesmos modelos experimentais (Wu. laureliptina e isoboldina) isolados da casca de A. 1991. Alcalóides citotóxicos também foram isolados das folhas de A. Atividade antimicrobiana também foi verificada com extratos de A. apenas a anonaína apresentou atividade antifúngica (Paulo et al. reticulina. Cortes et al. solamina. 1994). 1980). 1992). 1988b e 1988a).. A atividade inseticida de várias acetogeninas isoladas do gênero Annona tem sido determinada para a anonacina e compostos similares (Londershausen et al. 1993b e 1994b. squamosa. 1995). salzmanii apresentaram atividade antibiótica contra diversas bactérias e fungos (Barbosa et al. norcoridina. Os alcalóides liriodenina e noruchinsunina isolados de Annona cherimolia apresentaram efeitos vasodilatadores sobre aorta de rato isolada e tiveram seu mecanismo de ação estudado por Chulia et al... coridina. Hui et al. reticulatina. montana (Wu et al. Resultados similares foram obtidos para os alcalóides anonaína. enquanto os alcalóides de A. 1987) e A. 1992). tais como cinco acetogeninas isoladas de A. esquamona.. et al. enquanto os alcalóides liriodenina.Atividade citotóxica contra vários tipos de tumores foi descrita para inúmeras acetogeninas de várias espécies do gênero Annona. 1993).. oxoxilopina. squamosa apresentaram importante ação larvicida e quimioesterilizante contra mosquitos do gênero Anopheles (Saxena et al. Y... Chang et al... roemerina e desidroroemerina isolados das raízes dessa espécie (Chulia et al. produziram significante atividade antiagregação plaquetária e citotóxica. Atividade similar foi descrita para os alcalóides silopina. 1980). isolados de A. asimilobina. 1995a).. 1991c e 1991a). bulatanocina.. galucina. anonaína. 1993). . Os alcalóides coclaurina e oxoxilopina. anomonicina e roliniastatina isoladas de Annona reticulata (Saad et al.. De quatro alcalóides benzilisoquinoléicos (anonaína. C.. cherimolia (Villan del Fresno et al. cherimolia (Cortes et al... 1993) e várias outras (Jossang et al. (1995b). anoreticuína9-ona. montana (Wu et al. respectivamente. 1991).

2000) e apresentou atividade antiplasmodial (Jenett-Siems et al. squamosa. frutescens não apresentou atividade moluscicida. 1996). potenciação do efeito hipnótico do pentobarbital. 1998). 1979... Oliveira et al. 1994). Esta espécie também inibiu a atividade da enzima lipoxigenase (Braga et al. A. Verificou-se ainda atividade antifertilidade de A. L. reticulata foi determinada por Williams & Mansingh (1993).. que também apresentaram atividade tripanossomicida (Oliveira et al. 1996). Extratos preparados também com A. A. Diversas espécies do gênero foram estudadas quanto a sua propriedade molucicida (dos Santos & Sant'Ana... 1975). et al. Extratos etanólicos de sementes de A. popularmente utilizado para afecções do trato digestivo e reumatismo. 1989. 1979). donovani. atividade anticonvulsivante e analgésica. foi caracterizada a . senegalensis apresentou atividade relaxante muscular e antiespasmódica in vitro. Rao et al. que apresentou atividade antimicrobiana e tripanossomicida (Campos et al.. que determinaram efeito depressor do SNC.. O extrato etanólico da raiz de X.1983). 1993). que apresentou atividade citotóxica. porém extratos obtidos das cascas e do caule produziram efeito moluscicida (Santos. 1994). 1996.. 1993). provavelmente por impedir a implantação (Mishra et al. entre outras. e há relatos na literatura de sua atividade antitumoral (Rios et al. Do extrato etanólico das folhas de X. senegalensis produziram importantes efeitos antiparasitários contra cepas de Leishmania major. squamosa foram amplamente estudados por Saluja & Santini (1994).. Extratos hidroalcoólicos de sementes de Annona crassiflora produziram efeito inibitório inespecífico sobre contração muscular de íleo de cobaia (Weinberg et al. Extratos metanólicos de A. Anopheles stephensi (Saxena et al. 1999). et al. squamosa produziram mortalidade dose-dependente contra o mosquito. coriaceae (Souza et al.. discreta. fungitóxica. além dos compostos caurol e os ácidos xilópico e acutiflórico. Martins et al. F. parassimpatomimética de A. Das cascas de X. De Xylopia frutescens foram caracterizados alguns constituintes que apresentaram atividade biológica... 2001). como acido caurenóico. além de atividade antiúlcera induzida por indometacina e estresse (Langason et al. aromatica foi isolada atherospermidina... além de atividade citotóxica contra vários tipos de células tumorais (Sahpaz et al. E.. 1990. 1998). Silva. Trypanossoma brucei. enquanto o extrato etanólico de A. A atividade inseticida do extrato etanólico de A.

Plantas medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica atividade antimicrobiana (Lima et al. Em Guadalupe. Estudos recentes têm caracterizado a presença de alcalóides em A. sericea ou embiriba foi testado o extrato aquoso do fruto e das cascas. aethiopica promoveram efeito diurético e Hipotensor (Somovaet al. O grande número de indicações das diversas espécies do gênero Annona. (1988) para a espécie Annona muricata. Dados toxicológicos e observações de uso A degradação de hormônios tireoidianos ou a depressão da produção hormonal da adrenal é sugerida por Queiroz Neto et al. anti-helmíntico e citotóxica. Doses altas de extratos produzidos com Annona muricata causam tremores e convulsões (Watt & Breyer-Brandwijk. bem como a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem as atividades farmacológicas e toxicológicas.. Antilhas diversos casos de Parkinsonismo foi atribuído à ingestão de A. 1999). Os diterpenos caurenoicos presentes em X. 2001). muricata e A.. especialmente em uso crônico. 1962). squamosa (Caparros-Lefebvre & Elbaz. 2002). 1996 e 1997). que apresentou atividade analgésica (Almeida et al.. . indica a necessidade de cuidados no uso dessas espécies pela população. 1988c). muricata como a responsável pelas degenerações de células nervosas dopaminergéticos observadas in vitro (Lannuzel et al.. E da espécie X. como inseticida.

Espécies medicinais da família Myristicaceae Introdução A família Myristicaceae descrita por Robert Brown inclui dezenove gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. é freqüente a presença de espécies do gênero Virola e Myristica. a única espécie medicinal registrada na região amazônica a respeito dessa família foi a Virola surinamensis. Não existem muitos dados fitoquímicos dessa família. que possuem importância do ponto de vista econômico. Em outras regiões a espécie é denominada Andiroba. 1996). Espécies medicinais Virola surinamensis L. Ucuuba cheirosa. Sucuuba. Neste levantamento. tronco de 60-90 cm de diâmetro com casca grossa. Virola. 1997). e também como Leite-de-mucuiba. Sucuba. utilizadas na indústria madeireira 0oly 1998). Essa família inclui gêneros importantes. como a Noz-moscada (Myristica). e espécies do gênero Virola. usada como condimento. Horsfieldia e Knema. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Ucuuba. Árvore-do-sebo. Nozmoscada e Ucuuba-branca. No Brasil. como Myristica. porém há estudos sobre a presença de óleos essenciais e substâncias alucinogênicas (Evans. mas salientamos a ocorrência de várias espécies nessa formação florestal. No levantamento realizado na Mata Atlântica não foram referidas espécies medicinais dessa família. localizadas principalmente na região tropical (Mabberley. podendo chegar a até 35 m de altura. Bicuíba. Dados botânicos e informações gerais Arvore de porte médio. contendo ramos carregados de folhas .

No Estado do Tocantins existem relatos da utilização da seiva da V. a saber: V sebifera (Von Rotz et al. 1991 e 1992). hemorróidas e contra úlceras (Corrêa. 1969.. Vidigal et al. V. A casca é usada como medicamento para aftas. V surinamensis (Lopes et al. chegando até Pernambuco. et al. infecções.. S. 1997). inflamações. O nome do gênero Virola provém de um nome popular das Guianas. Dglucose e ácido ferúlico (trans e cis). gastrites e úlceras (Paixão & Hiruma-Lima. 1996). 2000). Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada internamente contra inflamações e febres. pavonis (Marques et al. pavonis (Martinez et al. -sitosteril-D-glucosídeo e uma nova série de ésteres acídicos (Kawanishi & Hashimoto. 1971). Martinez et al. 1987a). muitas delas com substâncias alucinógenas pela presença de triptaminas. como foi descrito por Jean Baptiste Aublet. 1984). Cassady et al. A planta é importante fornecedora de madeiras para marcenaria. Dados químicos do gênero Virola Foram isolados de três espécies de Virola ésteres de ácidos graxos. L. O látex é usado externamente misturado com água e na forma de banho no local para tratar doenças venéreas. heliófita e típica de áreas alagadas da floresta amazônica. usadas como venenos de flechas.pecioladas. 1992.. V michelli (Santos. 1995). inflorescências em panículas axilares e fruto elipsóide bivalvar... 1996.. popularmente conhecido como Leite-de-mucuíba.. A decocção das folhas é útil contra problemas do fígado.. Inclui 45 espécies de florestas tropicais. elongata . com até 20 cm de comprimento. para o tratamento de câncer. Ferri & Barata. como outras do gênero. V. Existem relatos de 1969 da presença de alcolóides em espécies do gênero Virola (Azurrel et al. V cf. bem como -sitosterol. surinamensis. oblongolanceoladas. É uma planta perenifólia.. Espécie de ocorrência na Amazônia. 1987). 1989. Existem diversos relatos da presença de lignanas e neolignanas em diversas espécies do gênero Virola.

.. 1987). 1993 e 1994).... michellii foi atribuída à presença da flavona.. V. V. surinamensis foi extraído um óleo essencial com atividade antimalarial (Lopez et al. calophylla.. carinata e V. 1990). 1996) e V. V. As atividades analgésicas e antiinflamatórias foram verificadas nas espécies V. 1987b). 2001). Lemus & Castro. 1995). Dados farmacológicos do gênero Virola Da seiva de V. 1989). existem relatos da presença de flavonóides nas espécies V. calophylloidea (Martinez. Das folhas de V. michellii (Cavalho et al. 1994 e 1995).. 2001). sebifera.. 1992). 1999. venosa (Kato et al. 1990.. 1986 e 1990). V. oleifera (Fernandes et al.. 1992) e V. 1990). koschnyi foi atribuída à presença de lignanas na composição de diferentes partes da planta (Rodriguez et al.. Pagnocca et al. que também possui atividade bradicárdica e colinérgica (Martins et al. urbaniana (Reis et al. V. 1996a). V. Alvarez et al. titonina .. e polifenóis nas espécies V..... 1996. 1989) e V. 1999). michelli (Santos et al. carinata e V. flexuosa (Aguirre. V. V. Cavalho et al. A atividade analgésica de V. Além das lignanas. V. caducifolia (Aparecida dos Santos et al. calophylloidea (Von Rotz et al. Andrade et al. surinamensis foi constatada a atividade gastroprotetora atribuída à presença de flavonóides (Batista et al. A atividade antifúngica das espécies V.. 1988).. surinamensis.(Kato et al. A presença dos flavonóides glicosilados astilbena e quercitrina em V oleifera foram as responsáveis pela atividade analgésica (Kuroshima et al. 1994 e 1996. pavonis. titonina (Andrade et al. foschnyi (Lemus & Castro. 1996. calophylla (Martinez et al.

alucinogênica de V. Licaria. Ocotea..850 espécies. Barata et al. inseticida e alucinogênica de diferentes espécies dessa família. dados etnofarmacológicos de V. 1994). 2000). 1996. porém. A família reúne grande importância econômica. V. duckei (Bennett & Alarcon. a grande maioria tropicais e de ocorrência na América do Sul e no Brasil. inseticida de V. surinamensis (Paixão & Hiruma-Lima. com substâncias flavorizantes e algumas medicinais. Nectandra. todos aromáticos. 1987). Os principais gêneros são Laurus. calophylla (Miles et al. tripanossomicida. surinamensis. koschnyi (Castro et al. 1978). mas não foi detectada em V. Aniba e Cinnamomum (da Canela em casca). do famoso Louro. surinamensis (Lopes et al. oleifera. sebifera. Sassafras. aliados ao relato de atividade moluscicida... Ainda existem relatos das atividades antitumoral. No Brasil ocorrem dezenove gêneros e aproximadamente 390 espécies (Barroso. árvores e arbustos (Mabberley.. 1998. As propriedades antioxidante e surfactante de V. pavonis foi atribuída à presença de neolignanas (Fernandes et al. sugerem cuidados da população quanto ao uso. Incluem muitas espécies aromáticas. 1999). donovani e V. e outros. 1997).. do nosso famoso Abacateiro. amplamente usado no Brasil como condimento. elongata (Davino et al. 2000).A atividade leishmanicida nas espécies V. Persea. além do . Observações de uso Não existem dados de toxicidade de espécies do gênero. 1991) como a surinamensina (Pinto et al. Espécies medicinais da família Lauraceae Introdução A família Lauraceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 52 gêneros e aproximadamente 2. V. pois. cercaricida e molucicida de V. sebifera são atribuídas à presença de ômega-(feruliloxi) acilglicerídeo (Kawanishi & Hashimoto. A propriedade antioxidante foi confirmada para V. carinata e V. 1986b e 1998). 1987) e anti-hemorrágica de V. 1996).. da famosa Canela-sassafrás.

lanceoladas. há inúmeras plantas fornecedoras de madeiras de excelente qualidade (Joly. pecioladas. flores muito aromáticas dispostas em umbelas e fruto do tipo baga pequena. . Dados botânicos A espécie é uma árvore de pequeno porte com ramos eretos. 1998). Espécies medicinais Laurus nobilis L. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Louro ou Loureiro. usado na Grécia para a confecção das famosas coroas de louro para agraciar os atletas ou outros heróis nacionais .Abacateiro. e de outras espécies. de estômago e como emética e abortiva. A decocção das folhas é usada como abortivo e contra constipação intestinal. É uma planta exótica e cultivada no Brasil. como a Canela e o Louro. a espécie cultivada ou adquirida no comércio é usada como medicamento na forma de infusão das folhas. folhas alternas. para combater problemas hepáticos e intestinais. Essa espécie não foi referida no levantamento realizado na região amazônica. A infusão também é indicada contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. e laus = "louvor". deriva de lauer = "verde". O gênero Laurus descrito por Carl Linnaeus é de origem mediterrânea. 1998). Na região da Mata Atlântica a espécie é cultivada ou adquirida no comércio como alimento e para ser usada como medicamento. bem como para dores de barriga. onde se adaptou muito bem.costume posteriormente assimilado por Roma e usado pelos césares (Joly. sendo considerada digestiva. fornecedor de alimento amplamente comercializado. O nome do gênero é derivado do uso da planta ao laurear um herói.

Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Abacateiro ou simplesmente Abacate. A planta também fornece madeira e reúne importante valor econômico. nome dado especificamente ao fruto. com caule um pouco tortuoso e uma enorme copa. analgésico. emenagogas.Internamente. pecioladas. vulnerárias. anti-sifilíticas. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. especialmente contra dores de barriga e para a expulsão de cálculo renal. lanceoladas e acuminadas. além de serem usadas contra doenças renais. diuréticas e febrífugas. podendo chegar a até 20 cm de comprimento. bronquites. estomáquicas. ao passo que a infusão das folhas. O gênero foi descrito por Phillip Miller e inclui aproximadamente duzentas espécies tropicais. fruto do tipo baga ovóide. úlceras e piolhos (Bown. com polpa verde. onde se encontram as folhas alternas. a decocção das folhas do abacateiro é usada como diurético. contra reumatismo. além de atuar como diurético e analgésico. As folhas são consideradas excitantes da vesícula biliar. estimulante do apetite e contra cólicas. 1995). ou Persea gratíssima Gaertn. é também usada contra febres. não ocorrendo espontaneamente. O nome do gênero deriva de uma homenagem a Perseu. reumatismo e uremia (Corrêa. sendo comercializada em todo o mundo. carminativas. Persea americana Mill. pequenas e pouco vistosas. . externamente. comestível. que envolve a semente grande e marrom. Dados botânicos É uma árvore com até 20 m de altura. Na região da Mata Atlântica essa espécie é cultivada em terrenos e áreas desmatadas. 1984). flores branco-pálidas. as folhas são usadas contra indigestão.

2002). spatulenol.. Grant et al.. 1991. 1989) e dermatite de contato (Ozden et al. 2002). monoterpenos e sesquiterpenos oxigenados (Caredda et al. 1991.. 2002). nobilis foi atribuída à presença de sesquiterpenolactonas que promoveu inibição do enchimento gástrico e aumento da secreção do muco gástrico (Matsuda et al. 2001). O 1. 2002).. 2002. bem como os efeitos larvicida e inseticida desta espécie (Oberlies et al„ 1998).8-cineol isolado de L.. Às folhas de P. 1999). americana têm sido atribuídos efeitos tóxicos em diversos animais (Mckenzie & Brown.. 1987). O extrato das folhas e flores também foi efetivo contra a Biomphalaria glabrata (Re & Kawano. 2000. . 1991). beta-eudesmol (Diaz-Maroto et al. Hargis et al. antiinflamatório (Ademylmi et al. americana citados acima. 2002). A espécie Persea americana L... foram atribuídos os efeitos analgésico. antifúngico (Domergue et al. 1995. Afifi et al. A atividade antiulcerogênica de L.Dados químicos e farmacológicos de Laurus nobilis e Persea americana O óleo essencial das folhas de Laurus nobilis possui eugenol. 1997). nobilis promoveu apoptose das células leucêmicas in vitro (Moteki et al. O óleo essencial apresentou atividade anticonvulsivante (Sayyah et al. Dados tóxicos e observação de uso Os diversos relatos dos efeitos tóxicos das folhas de P. Sladler et al. Carman & Handley. 1989) sendo a cardiomiopatia um dos distúrbios mais citados (Oelrichs et al.. antimicrobiana (Raharivelomanana et al... hidrocarbonetos... constituem-se em alertas para a população quanto à utilização das folhas desta espécie. elemicina.

FIGURA 5. . 1984). b) Fruto característico da espécie (Banco de imagens ).1 .Annona muricata: a) Detalhe do ramo com flor (modificado a partir de Corrêa.

FIGURA 5. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984) (Banco de imagens). .2 .Annona tenuiflora.

frutescens: a) Escanerata do ramo florido. b) Detalhe da flor (Banco de imagens). .Xylopia cf.FIGURA 5.3 .

No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso da espécie Aristolochia trilobata. no Brasil. Hydnoraceae e Rafflesiaceae. com referências etnofarmacológicas pouco comuns no país. ocorrem aproximadamente sessenta espécies distintas de Aristolochia. Joly. muitas das quais usadas como medicinais. mas também com arbustos e herbáceas (Mabberley. A. ao passo que na região do . sendo a primeira a mais importante e a única que inclui espécies medicinais referidas na Amazônia e na Mata Atlântica. Hiruma-Lima E. M. M. Santos C. predominantemente na forma de lianas e trepadeiras. A família Aristolochiaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent Jussieu inclui doze gêneros com aproximadamente 475 espécies tropicais. C.ó Aristolochiales medicinais L. Di Stasi C. e. Guimarães Introdução A Aristolochiales é a ordem três da subclasse das Magnoliidae e inclui apenas três famílias botânicas: Aristolochiaceae. 1997. 1998). Thottea e Asarum. Outros gêneros que incluem espécies medicinais descritas são Asarum e Trottea. Os gêneros mais importantes dessa família são Aristolochia.

ovadotrilobadas com base cordiforme e sem estipulas. Calunga. zigomorfas. e lochia = "nascimento". fruto capsular cilíndrico. .Vale do Ribeira uma espécie do gênero Aristolochia. sulcados e estriados. e refere-se à forma curvada da flor de uma das espécies (Aristolochia clematitis). parto. Capa-homem. Espécies medicinais Aristolochia trilobata L. pecioladas. flores isoladas. Batarda. ventralmente lisas e dorsalmente verrugosas (Figura 6. Nomes populares A espécie é denominada Urubu-caá na região amazônica. denominada popularmente como Milomem. que lembra o feto em posição antes do nascimento. e várias com usos medicinais descritos. muitas das quais ricas em alcalóides. a planta era usada popularmente para facilitar o parto. com sementes achatadas. monoclamídeas com tépalas bilabiadas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. ramos lisos. simples. axilares. o decocto das folhas é útil contra cólicas abdominais e problemas estomacais. folhas alternas. Em razão dessa forma e de acordo com a Teoria das Assinaturas. grandes. foi referida como medicinal. Mil-homens e Papo-de-peru. O gênero Aristolochia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 120 espécies tropicais. O nome do gênero Aristolochia vem do grego aristos = "bom".1). hermafroditas. usadas como venenos. Contra-erva. Jarrinha. Outras denominações populares são Angelicó. enquanto o banho preparado com folhas em água fria é utilizado contra dores de cabeça e dores musculares. Dados botânicos É uma planta trepadeira.

Também não é uma espécie cultivada. A espécie é sempre obtida de dentro da floresta. estomáquica. capoeiras e áreas em regeneração. Aristolochia sp Nomes populares Nas comunidades da região do Vale do Ribeira. A infusão das folhas é utilizada contra dores de barriga. sarnas e orquites (Van den Berg. disenteria e diarréia. ovado-trilobadas com base cordiforme e sem estipulas. sudorífica. constipação nasal. é usada também como abortiva e eficaz contra veneno de cobras (Corrêa. simples. o chá da raiz também é utilizado como emenagogo. não sendo encontrada em áreas degradadas. 1982). essa espécie é denominada Milomem ou Mil-homens. gripes fortes. as flores são isoladas e axilares. no entanto. e fruto capsular cilíndrico com sementes achatadas. a decocção das folhas dessa espécie é usada contra distúrbios estomacais e hepáticos.Outros usos populares indicam que a raiz é tônica. Dados químicos do gênero Aristolochia Não foram encontrados estudos químicos com a espécie Aristolochia trilobata. estimulante. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. 1984). sulcados e estriados. os ramos são lisos. anti-séptica. resfriados e para expulsão de parasitas intestinais. especialmente para combater náuseas e vômitos. diurética. cicatrizante e contra úlceras crônicas. excitante. catarros crônicos. pecioladas. apresentamos os principais dados químicos referentes à espécie do gênero. para caracterizar a sua importância como fonte de novos constituintes químicos. . essa espécie também é uma planta trepadeira com folhas alternas. Dados botânicos Assim como Aristolochia trilobata. anti-histérica e útil contra febres graves.

1986b e 1986a). A. indica (Piers & Tse.. 1988). 1985) e A. Chakravarty et al. 1980). A. A. molissima (Peng et al. alcalóides do grupo da berberina foram descritos em A. longa (De Pascual et al. 1989). II. inúmeros alcalóides denominados aristolactâmicos de A. dematilis (Makuch et al.. A. A. bracteata (ElTahir. 1992. 1986). 1988) e Aristolochia cymbifera (Leitão et al. yunnanensis (Chen et al. auricularia que possuem os ácidos aristolóquicos I. versicolor (Zeng et al. et al. 1993)... 1995). et al. 1996. 1977 e 1985). Terpenóides foram descritos em inúmeras espécies de Aristolochia. cinnabarina (Li et al.. 1995).. 1983a)... A. clematitis (Kostalova et al.. 1991. L. A. contorta (Lou et al.. indica (Che et al. 1980). 1979). A. 1994). 1991) e de A.. 1991). A. A. sendo descrito em A.. 1992). et al. 1988). elegans (El-Sebakhy et al.. A. Alcalóides foram isolados de várias espécies. 1980). tubiflora (Peng et al. tubiflora (Peng et al. III e IV (Houghton & Ogutveren.. kankauensis (Wu.. acuminata (Moretti et al. molissima (Peng. fangchi (Tsai et al. raízes de A.. liukiuensis (Mizuno et al... Paiva et al. A. chilensis (Urzua et al. A. 1995). versicolor (Zhang&He. 1995) e A. S.. em A. 1994). 1995)... 1994). T. A.. gigantea (Cortes et al. chilensis (Urzua Rodriguez. 1987).. 1991).. A. H. Zhang et al. 1991). clematitis (Kostalova et al. 1987).. et al. argentine (Priestap.. T. 1987). As sesquiterpenolactonas foram isoladas de A. Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1991a). 1983). A.. A. brasiliensis (Lopes et al. A. versicolor (He et al.. A. A. longa (De Pascual et al. S. et al. 1979) em raízes de A. 1984). argentine (Priestap. vários outros alcalóides aporfínicos de A. L. galeata (Lopes.. 1988). 1991). 1996). A.. Higa et al. J. A.. 1995). maurorum (Kery et al. M. A. rigida (Pistelli et al. Aristolochia cymbifera (Leitão et al.... rotunda (Pistelli et al.. ftiangularis (Bolzani et al. tais como A. ponticum (Houghton & Ogutveren. A.. Lopes. 1987. manshuriensis (Lou et al. G. A. cinnabarina (Li. A. 1987). kankauensis (Wu. X. A. 1991a). . Abel & Schimmer.Os ácidos aristolóquicos são os principais componentes de inúmeras espécies do gênero Aristolochia. 1992). gigantea (Lopes. clematitis (Kostalova et al. 1992) e outros alcalóides em A. A..1993). 1983). debilis (Ahmed Farag et al. A. 1987. 1987).. 1983b). nata (Moretti et al. auricularia (Houghton & Ogutveren. A. bracteata (ElTahir. rodix (Tsai et al.. A. P et al..... C. A. kankauensis (Wu et al. 1990. arcuata (Watanabe & Lopes. Lou et al. 1992). 1988. 1995) e A.. 1982). A. A. incluindo a magnoflorina obtida de partes aéreas de A. 1991b). tubiflora (Peng et al. 1995).. manshuriensis (Ruecker et al. esperanzae e A. A. 1987).. 1991b).

O ácido aristolóquico de A. -elemeno. 1988) e amidas em A. 1980). 1990). A. -elemeno e -humuleno foram determinados em A. birostris (Conserva et al. indica apresentou propriedades antiestrogênica e antiimplantacional (Pakrashi & Chakrabarty. A. 1994). T.. 1990). A. A. Lignanas também foram descritas em A. Dados farmacológicos do gênero Aristolochia Atividade antifertilidade foi determinada com substâncias isoladas de Aristolochia versicolor (He et al. Urzua & Presle. R.. 1996). kankauensis (Wu. 1995). rodix foi eficaz contra veneno de ofídeos (Tsai et al.. et al. S. 1977).Uma nova lignana nunca descrita na família Aristolochiaceae foi isolada de Aristolochia ponticum (Houghton & Ogutveren. 1993).. indica (Pakrashi & Pakrasi. Compostos como -cariofileno. e o ácido aristolóquico de A. chilensis (Urzua et al. taliscana (Longsw et al.. Estudos recentes demonstram ainda que o ácido aristolóquico possui uma efetiva atividade antiespermatogênica por interferir na espermiogênese no estágio de formação das espermátides (reduzidas em 72%) e reduzir em 47% a produção de células de Leydig maturas (Gupta.. et al.. macroura (Leitão et al. Lopes et al. 1987) e A. 1978). 1980. cymbifera. 1987b. arcuata (Watanabe & Lopes. A. Diterpenos isolados de Aristolochia albida agem como importantes antídotos de picada de cobras do gênero Naja (Haruna & .. A. esperanzae. triangularis (Ruecker et al. 1979).. 1991b). gigantea e A. 1988) e A. galeata (Lopes & Bolzani.. copaeno. S.

G. determinada pelo teste de Ames. O mesmo ácido obtido de A.. et al. 1991). 1988). 1985). 1990). 1988). H. Importante atividade cardiotônica foi obtida com os constituintes químicos obtidos de cultura de células de Aristolochia manshuriensis (Bulgakov et al. 1993). atividade analgésica.. paucinervis (Gadhi et al. birostris demonstraram. 1999). A. antibacteriana. 1983). Atividade mutagênica. Abel & Schimmer (1983) relatam que esse ácido é capaz de induzir aberrações cromossômicas estruturais e de apresentar potente efeito carcinogênico.. além de promover contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. O alcalóide magnoflorina obtido de várias espécies de Aristolochia diminui a pressão arterial em coelhos e induz hipotermia em camundongos.. 1979). Vários tipos de ácidos aristolóquicos são nefrotóxicos. 1996). A. 1995). 1979). paucinervis foi ativa contra a Helicobacter pylori (Gadhi et al. anti-séptica e cicatrizante de A.. indica apresentou atividade hepatotóxica e nefrotóxica em camundongos (Pakrashi & Shaha. Dados toxicológicos e observações O ácido aristolóquico tem sido reportado por seus efeitos tóxicos (Hashimoto et al. triangularis (Garcia. 1999). 1985). enquanto uma atividade relaxante muscular inespecífica em músculos lisos foi descrita para o extrato etanólico de Aristolochia papillaris (Lemos et al. papilaris (Maia et al.... A espécie A. 2001). 1991)... O ácido aristolóquico I promove contrações em músculos lisos isolados (El-Tahir. 2002). O ácido aristolóquico II é capaz de produzir arilação do DNA e promover carcinogênese e mutagênese (Pfau et al. e antiviral com A. niaurorum (Kery et al.. gigantea (Campos et al.. com A.. antitérmica e inibição das contrações induzidas por histamina. papilaris (Maia et al. causando lesões renais de forma dose-dependente em apenas três dias de tratamento . 1991). tulobata (Sosa et al. 1993).. no Sistema Nervoso Central.Choudhury. Foram ainda determinadas atividades citotóxica de A. também foi descrita para o ácido aristolóquico IV isolado de Aristolochia rigida (Pistelli et al. Atividade antifúngica foi determinada utilizando-se a espécie A. Estudos com A. acetilcolina e ocitocina (Conserva et al. Atividade antiinflamatória também foi observada em A.. multiflora (Moretti et al.

. 1993). Esse uso pode revelar inúmeros efeitos tóxicos dos constituintes químicos dessas espécies. cujos principais sinais são necrose do epitélio dos túbulos renais e alterações nos níveis de diversas enzimas (Mengs & Stotzem. Dados químicos e farmacológicos são escassos para garantir o uso seguro dessas espécies.Aristolochia trilobata.com 10. não é recomendada a utilização sobretudo em gestantes. Recentes estudos demonstram ainda o aparecimento rápido de fibrose renal intersticial pelo consumo crônico da infusão de Aristolochia pistolochia (Pena et al. 50 ou 100 mg/kg via oral. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis). . Entretanto. por suas características químicas. salientando ainda que várias delas são usadas como abortivas. FIGURA 6.1 . Da mesma forma. Hoehne (1978) relata inúmeros casos de intoxicação com várias espécies desse gênero. as espécies desse gênero são importantes fontes de novos constituintes químicos que ainda não foram devidamente estudados. 1996) por humanos.

do qual se destacam espécies como a Pimenta. lianas. dos quais se destacam os gêneros Piper. Piper nigrum. 1997). C. a família Piperaceae descrita por Paul Dietrich Giseke compreende aproximadamente três mil espécies distribuídas em oito gêneros (Mabberley. ervas e pequenas árvores sempre aromáticas. normalmente com células de óleos essenciais. Geralmente as plantas são arbustos. Por sua vez. A família é muito importante como fonte de substâncias com atividade farmacológica. Di Stasi C. epífitas. onde ocorrem em abundância e diversidade.7 Piperales medicinais L. Hiruma-Lima A. especialmente do gênero Piper. Mariot W. e a primeira não possui importância como fonte de espécies de valor medicinal. No Brasil ocorrem aproximadamente 460 espécies de cinco gêneros. A. e espécies me- . G. Reis Introdução Na ordem Piperales ocorrem apenas duas famílias botânicas: Saururaceae e Piperaceae. o mais estudado e conhecido do ponto de vista químico. Portilho M. Peperomia e Pothomorphe. muitas delas extremamente comuns na Mata Atlântica. S.

folhas alternas. Piper angustifolium. como a Piper betle (betel). Dados da medicina tradicional Os índios tenharins usam internamente (decocção) as partes aéreas da planta para curar diarréia e dores intensas do estômago. Piper longum. ovário com um só estigma. sendo também apenas . pequenas. muito semelhantes entre si. fruto pequeno do tipo drupa (Figura 7. Espécies medicinais Peperomia elongata H. os índios tenharins denominam essa planta Tracoá. elíptico-lanceoladas ou elíptico-ovadas.dicinais de ampla utilização. Nomes populares Além de Tracoaptera. A espécie só foi referida como medicinal pelos índios tenharins. Piper cubeba. flores sésseis reunidas em inflorescências do tipo espiga. O nome do gênero Peperomia é derivado de Piper. Pela ampla ocorrência e abundância no Brasil. Não foram identificados outros sinônimos para essa espécie.1). Dados botânicos Planta herbácea com internós glabros.B. ápice agudo com lâminas glabras e opacas em ambas as faces. O gênero Peperomia. como a chinesa e aiurvédica.K. as quais passamos a discutir a seguir. Piper methysticum e outras de grande importância em sistemas tradicionais de medicina. compreende aproximadamente mil espécies tropicais de ocorrência nas Américas. descrito por Hipólito Ruiz Lopes e José Antônio Pavón. Trata-se de uma família de complexa identificação taxonômica pelas características das inflorescências. várias espécies dessa família foram referidas como medicinais em ambos os locais de estudo envolvidos nesta pesquisa. muitas delas cultivadas como ornamentais e raramente conhecidas como medicinais.

as flores são dispostas em espigas e de coloração clara. curtopecioladas. sendo também amplamente cultivada como ornamental na região. ao passo que a decocção das folhas é usada para facilitar a digestão e no tratamento da hipertensão. mas com pouca ocorrência. Não foram encontrados sinônimos.K.B. Corrêa (1984) refere que a planta é estomáquica e tônica. na região amazônica. de distúrbios do estômago. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo e contra dores de estômago. Dados botânicos Trata-se de uma planta herbácea com folhas alternas. A espécie é encontrada na Mata Atlântica. pequenas. Não ocorreram relatos de usos de outras espécies desse gênero nos outros grupos entrevistados na região amazônica (comunidades ribeirinhas e habitantes do município de Humaitá). Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. gastrite e gripes. . Nomes populares A espécie é chamada. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Salva-vida ou Salva-vidas. em geral nas áreas de clareiras e em locais com grande umidade.obtida na área de floresta em torno da aldeia. Peperomia rotundifolia H. bastante carnosas e glabras. de o Céu elétrico ou Óleo elétrico. simples. Piper cavalcantei Yuncker.

com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. folhas pecioladas. Dados botânicos A planta é considerada um arbusto. isoladas e levemente curvadas. folhas curto-pecioladas com limbo foliar assimétrico e glabro em ambas as faces. pendente. inflorescências do tipo espiga. algumas lianas e pequenas árvores. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com caule e ramos de muitos nós e de coloração verde-escura. O nome Pariparoba é muito comum para várias espécies de Piperaceae. A infusão das folhas é usada como antidiarréico.Dados botânicos A espécie é um arbusto que chega até 2 m de altura. O gênero Piper descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duas mil espécies tropicais. característica marcante da espécie e bem distinta de outras Piperaceae. Jaborandi-cepoti e Pimenta-de-morcego. Outras denominações populares são João-guarandi-do-grado. Nomes populares A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira pelo nome de Pariparoba. O óleo retirado por maceração e aquecimento é usado topicamente para dor de ouvido e qualquer outro tipo de dor externa. atingindo até 10 cm de comprimento. para evitar desidratação e para combater cólicas menstruais.2). sendo a maioria arbustos. assimétricas na base. com vários nós e internós no caule central e em seus ramos. especialmente para dores de cabeça. membranáceas. podendo chegar a até 5 m de altura. podendo atingir 40 cm ou mais de comprimento e 25 cm de largura. O nome do gênero Piper é a denominação árabe da Pimenta. Piper cernnum Vell. os frutos são drupáceos (Figura 7. a inflorescência especiforme varia de 30 a 60 cm de comprimento. todas aromáticas. . a decocção das folhas é considerada excelente antitérmico e analgésico. conforme será observado na descrição de outras espécies deste livro.

além de ser útil em distúrbios renais. Trata-se de uma espécie amplamente coletada para comercialização como adulteração do jaborandi verdadeiro.3). tanto a infusão das folhas como as folhas frescas são usadas para aliviar a dor de dente. incluindo hepatite. especialmente em regiões de clareiras naturais e na borda de cursos de água. um pouco ásperas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. A espécie possui grande ocorrência na Mata Atlântica. especialmente contra dores de barriga. particularmente contra cólicas abdominais. ao passo que as raízes frescas também são mastigadas como antiinflamatório e contra distúrbios hepáticos. Nomes populares A espécie é conhecida na região da Mata Atlântica como Iaborandi ou Jaborandi. enquanto as raízes frescas mastigadas são usadas como analgésico. levemente curvadas.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Em outras regiões do país. inflorescências do tipo espiga. podendo atingir até 8 cm de comprimento (Figura 7. a infusão das folhas é usada como analgésico. Piper gaudichaudianum Kunth. tendo distribuição por todo o Brasil. acuminadas no ápice. O uso tópico da decocção das folhas ou apenas do seu sumo alivia dores musculares. membranáceas. onde a espécie é abundante. . Dados botânicos É um arbusto de pequeno porte com folhas curto-pecioladas. com os nomes de Murta e também de Pariparoba. assimétricas na base. estomacais e hepáticos.

flores . alongada e fina. flores verdes dispostas em inflorescências do tipo espiga. Em outras regiões do país. Pimenta-do-mato e Pimenta-dos-índios. com distribuição restrita à região Sudeste do Brasil. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins pelo n o m e de Nhambuí. pequena (até 11 cm de comprimento). Aperta-ruão ou Aperta-juan. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. com até 7 cm de comprimento (Figura 7. Dados botânicos Arbusto de 2 a 5 m de altura. com ramos glabros e cilíndricos. cordiformes. levemente assimétrica na base. Piper marginatum Jacq. r e t a . com ápice acuminado. Nhandi. A planta t a m b é m é coletada e comercializada como adulteração da pariparoba. membranácea. Ihotzkyanum Kunth. folhas alternas.4). sendo encontrada em áreas de clareira e em locais com u m i d a d e .Piper cf. pecioladas. membranosas. A espécie é muito comum na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é um arbusto pequeno com folhas curto-pecioladas e pequena bainha. c o m o Aperta-mão e Pimenteira. inflorescências do tipo espiga. Outras denominações populares para essa espécie são Caapeba-cheirosa. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica com os nomes de Apepa-ruão. a infusão das folhas é u s a d a contra distúrbios hepáticos. Bitre. glabra. estomacais e renais.

as raízes são carminativas. minúsculas. é encontrada na Mata Atlântica e conhecida com os mesmos nomes. Malvarisco. A planta é tônica.5). Caá-peuá. como ocorre no gênero Piper. fruto anguloso do tipo baga ovóide (Figura 7. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. estomáquica. sudoríficas. se ingerida. diuréticas. Pothomorphe peltata (L. bainha desenvolvida. visto que no primeiro as inflorescências aparecem agrupadas. essas diferenças ficam bem claras. peitadas. um gênero da família Araceae. fruto do tipo baga (Figura 7. Catajé. gineceu com três estigmas. andróginas. O gênero Pothomorphe diferencia-se do gênero Piper. estimulatórias (Corrêa. 1984). descrita a seguir. e não isoladas. Nomes populares A planta é conhecida na região amazônica com os nomes de Caapeba. com ápice agudo e nervação peltinérvea. os frutos são excitantes. Uma outra espécie do mesmo gênero. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. dores de dente e blenorragias. Comparando-se as figuras das espécies descritas neste capítulo. androceu com três estames. Caapeba-do-norte no Pará e no Mato Grosso como Pariparoba.com brácteas triangulares. ovado-arredondadas. contra veneno de cobra. flores sésseis. . sialagogas. as folhas. Segundo os índios tenharins essa planta é tóxica. formando uma falsa umbela.) Miq. Dados da medicina tradicional A raiz amassada é usada externamente para o alívio da dor e coceira causadas pela picada de insetos.6). O gênero Pothomorphe foi descrito por Friedrich Anton Wilhelm Miquel e significa "semelhante a Pothos". resolutiva e usada em banhos após o parto. membranosas. peltatas. principalmente da tucundeira.

membranosas. cordada. com ápice agudo e nervação peltinérvea. A raiz e as folhas são diuréticas e antigonorréicas. a planta toda fornece um suco útil contra queimaduras. a população refere o uso externo da infusão das folhas para o alívio de dores musculares e o uso interno do macerado das folhas em água para tratar distúrbios hepáticos. minúsculas. Capeba ou Pariparoba. . vermífugo. os mesmos usos atribuídos à infusão das raízes. as folhas são resolutivas e a raiz é estimulante do sistema linfático. flores dispostas em inflorescências formadas por várias espigas reunidas por um pedúnculo comum. formando uma falsa umbela. antiinflamatório externo e interno. A única diferença macroscópica entre essa espécie e a anterior é que no primeiro caso as folhas são peitadas (Pothomorphe peltata) e nesta espécie as folhas são cordadas. Dados botânicos Arbusto de folhas longo-pecioladas. 1980). Pothomorphe umbellata (L) Miq. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica.Dados da medicina tradicional As folhas untadas e levadas indiretamente ao fogo devem ser usadas topicamente para diminuir inchaço. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica pelo nome de Caapeba. fruto do tipo baga. 1984). Os mesmos sinônimos apresentados para a espécie Pothomorphe peltata são atribuídos a essa espécie. flores sésseis. andróginas. no Mato Grosso a planta é utilizada como antible-norrágico. desobstruente do fígado e do baço e útil contra infarto das vísceras abdominais (Corrêa. lenitivo para "machucaduras" e queimaduras (Van den Berg. ovado-arredondadas. bainha desenvolvida.7). diurético. e ela recebe o nome de Pothomorphe umbellata pela característica da inflorescência (Figura 7.

. De Peperomia campylotropa foram isoladas safrol. vulcanica e proctorionas de P. De Peperomia japonica. marginatum foram isolados aril-propanóides. Cromonas foram isoladas de P. flavonóides (Tillequin et al. grifolina bisobolol. C. indicada populamente como antitumoral.. consideramos necessário apresentar os principais estudos realizados com suas espécies. et al. 1988). (1995) isolaram piperogalina de Peperomia galioides. Os compostos descritos no óleo essencial de Peperomia subespatula foram safrol. quinonas piperogalona. 2000).. Os alcalóides. foram isolados lignanas denominadas peperomina A.. 1982). 1990). 2001).. marginatum foi isolada a croweacina (De Oliveira Santos et al. Mahiou et al..5-metilenedioxialilbenzeno e farneseno (De Diaz et al. Das partes aéreas de P. 1997). 1988). Das raízes de P. M.. galopiperona e hidropiperona (Villegas et al. são . Seeram et al. que também possui ácido grifólico. 1994). 3-hidroxi-4. E.. 1982). proctorii (Mbah et al. 1989) e peperomina D de Peperomia glabella (Delle Monache et al. et al. Dos óleos essenciais de Peperomia rotundifolia foram isolados terpenos e sesquiterpenos (Joseph et al.. sesquiterpenos. compostos de grande importância farmacológica. 1996). além de apiol.... que representa 49% dos constituintes voláteis. ácidos graxos (Lima et al. B e C (Chen. 2002. Pela importância do gênero Piper nos aspectos químico e farmacológico. acetato de bornila e os ácidos elaídico e linolênico (Garcia. marginatum foram isolados o ácido 3-farnesil4-hidroxibenzóico e um derivado metilado (Maxwell & Rampersad. 2001).Dados químicos Peperomia O composto com atividade antibacteriana obtido de Peperomia pellucida foi isolado como cristais incolores na forma de agulhas e elucidado como C-42N-230H (Bojo et al.. miristicina. 1978) e vários aril-propanóides no óleo essencial (Ramos et al. G. 1987) que também estão presentes em outras espécies deste gênero (dos Santos et al. Piper Das raízes de P. monoterpenos.

.. compostos fenólicos de P. 1982) e P clusti (Koul et al.. 1987). futokadsura (Chang et al. 1977) e P. 1983). piperina. 1985).. 1968).. nigrum (Inatani et al. P. Dados farmacológicos Peperomia Peperomia pellurída apresenta atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus. betle (Rimando et al. Li & Han... P. retrofractum (Banerji et al. 1986). chavicina e outros. 1995).. com potencialidade de ser importante antibiótico de largo espectro. P. Bacillus subtilis. betle (Evans et al. peltata apresenta o derivado monomérico do catecol 4-nerolidylcatechol e três dímeros (peltatol A. longum (Dutta et al.. 1985). auritum (Ampofo et al.. piperidina. tuberculatum (Braz Filho et al. 1979). 1980) e P. hispidum (Vieira et al. Isolaram também neoglicanas de P.. P peepuloides (Shah et al. Achenbach et al. 1977. cubeba (Badheka et al. Tabuneng et al. 1983. 1986). Foram estudados os óleos essenciais de P sarmentosum (Likhitwitaywuid et al. P.. P. Pseudomonas aeruginosa e Escherichia coli. 1986) e P. Pothomorphe P. aduncum (Smith & Kassim. 1980)... 1986 e 1987). flavonóides de P.. 1987). 1981). Uma quinona. 1986) e flavonas de P.. P. 1981) e P. P.encontrados com freqüência nesse gênero.. Foi demonstrado também que P. P. isolada de Peperomia galioides apresentou atividade antiparasítica contra três espé- .. 1986). 1987). lignanas de P.. galioides apresenta atividade contra Leishmania sp e Trypanosoma cruzi (Mahiou et al... P.. Foram isolados diversos alcalóides em P. guineense (Cole. 1987). hispidum (Burke & Nair. peltatol B e peltatol C) ativos contra HIV (Gustafson et al. flavonas de P sylvaticum (Banerji & Das.. lancei (Han et al. amalago (Dominguez et al. P. 1987). 1985) e P. 1984). 1986. jaborandi (San Martin. hostmanianum (Diaz et al. hispidum (Vieira et al. 1979). piperlongumina. methysticum (Smith. hancei (Li et al. hidropiperona. sylvaticum (Banerji & Pal. sendo os principais piperlonguminina. 1992). Shoji et al. aduncum e P. 1986.

. B. L. S. et al.. analgésica e antiedemotogênica (Kham & Omoloso.. bloqueada com prazosin e ioimbina.... R. do extrato (0. V. não foi observada inibição da doença em camundongos tratados tanto oralmente como pela via subcutânea (Inchausti et al. 1996). enquanto o extrato hidroalcoólico de Peperomia pellucida. mas não promoveu migração de leucócitos na pleurisia induzida por carragenina. M. em doses que variaram de 0. 1996a). hipotensora (Siqueira et al. et al. et al.. relaxamento muscular e dispnéia. V.. provavelmente o efeito antiedematogênico do extrato está especialmente relacionado com seu constituinte vasoconstrictor (D'Angelo et al. 1992). Assim. O extrato aquoso de P. cicatrizante (Saad et al. o extrato aquoso de Peperomia transparens apresentou propriedades natriurética e caliurética (Ribeiro. Embora o extrato de P. marginatum administrado intraperitonealmente em ratos e camundongos. também conhecida como Língua-de-sapo. apresentou atividades diurética (Santos. 1996). Aziba et al. A administração i. Diversas espécies do gênero apresentam importantes atividades farmacológicas. et al.. Peperomia nivales e Peperomia galoide apresentou atividade antiedematogênica cicatrizante e antiulcerogênica (Lozano et al. 1994).. Piper Foram caracterizadas para P.. atuar como antialérgico e diminuir . 1994).. O extrato metanólico de Peperomia flavamenta. 1996b). 2002. salivação intensa. promoveu piloereçáo. 1997).. 2001).. Villegas et al. 1997). 1998.5 mg/kg) em ratos anestesiados promoveu hipertensão dose-dependente. 1995). V. e atóxica (Saad et al. O extrato também apresentou pouco efeito analgésico no modelo de contorção abdominal. galioides e os compostos ácido grifóico. O. R. H. 1996). H. O extrato aquoso também reduziu edema da pata induzido por carragenina em ratos. 2001).1-0. antifúngica (Lima.cies de Leishmania (Mahiou et al. antibacteriana. Doses acima de 1g/kg promoveram depressão respiratória e morte.v. Substâncias de P. grifolina e piperogalina apresentem atividade leishmanicida in vitro. 2002. 1997)..1-1 g/kg. lacrimejamento. analgésica (Da Silva et al.. Arigoni-Blank et al. et al. longum foram capazes de proteger o animal do antígeno causador de broncoespasmo. O. hipotensora (Santos. marginatum as propriedades antiagregadora plaquetária (Lemos. E.

. nigrum (Miyakado et al. analgésica. Shen et al. peltata. 1987). O extrato metanólico das folhas apresentou ainda . 1985). esta última com potente atividade (Di Stasi. a degranulação. além de atuar impedindo a implantação de óvulos e como um abortivo precoce (Chandhoke et al... apresentou propriedades anestésica. fungicida.a freqüência e a intensidade dos ataques de asma (Dahanukar & Karandikar. agindo como os anestésicos locais (Singh. 1976).. 2002). Efeito analgésico foi determinado nas espécies P. 1984). A espécie P. P. Dahanukar et al. inibindo a agregação de plaquetas. 2002. por seus constituintes químicos. 2002). retrofactum (Woo et al. Prakash. e reduzir a acomodação visual (Garner & Klinger. 1983).. 1985). as kovalactonas isoladas desta espécie são responsáveis pelos efeitos ansiolíticos e antidepressivos. 1988). As neoglicanas isoladas de P. sua utlização crônica tem promovido hepatotoxicidade (Belia et al. Cairney et al. 1988). methysticum também conhecida como kava-kava. Atividade depressora do Sistema Nervoso Central foi verificada com piperina de P. além de bloquear a transmissão neuromuscular. 1985). 1986. conhecida como Pariparoba. 1984.. regnelli. 1984). aduncum (Lohezic-Le et al. a liberação de beta-glucuronidase e as enzimas lisossomais induzidas pelo PAF (Han et al. antioxidante (Choudhary & Kale. P. 1986 e 1988... Pothomorphe A espécie P. Di Stasi & Pupo. nematicida (Evans et al. Atualmente. 1979). 2002) e de indução de câncer mamário (Rao et al.. gaudichandianum. Desmachelier et al.. também foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. P. 1988). lindbergü e P. e aumentou o tempo de sono (Duve. 2002) e reduz a parasitemia por Plasmodium berghei em camundongo (Amorim et al. antiedematogênica dos extratos aquosos e alcoólico da planta (Amorim et al. Amorim et al.. larvicida (Mongelli et al. A espécie P.. 2000). 1991. Porém. 1985). e antiviral P.. betle apresentou atividades fungicida. 1987.. mutagênica (Chen et al. espasmolítica. 1978. futokadsura atuam efetiva e especificamente como antagonistas do PAF (fator de agregação plaquetária). 1984). P. anticonvulsivante.. amalago (Pupo.. inseticida com substâncias de P. peltata possui atividade analgésica (Pupo.. 1988) e não apresenta atividade mutagênica e antimalárica (Felzenszwalb et al. cincinnatoris. De P. 1986). abutiloides. lancei e P.

.1 .. 1997.Peperomia elongata. P.. Ramo florido (Desenhado por Di Stasi . antimalárica e antioxidante (Isobe et al. 1987). umbellata.. FIGURA 7. o que não foi observado na espécie P.. umbellata L. 1987). 2000). O extrato etanólico das raízes de P. umbellata. de Ferreira da Cruz et al.atividade protetora de DNA (Desmarchelier et al.. 1996) e antimutogênica (Felzenswalb et al. 1992). De P..Banco de imagens . 2002. Também foi detectada a atividade teratogênica no extrato aquoso das folhas de P. umbellata foram determinadas as atividades antimicrobiana. analgésica. Miq. peltata também promoveu inibição parcial do crescimento de bactérias (Mongelli et al. Desmarchelier et al. apresentou atividade antioxidante in vitro (Barros et al.. além de atividade anti-HIV (Gustafson et al. 1995). Moraes (1986) fez uma revisão da farmacognosia de P. antiedematogênica. peltata (Felzenswalb et al. 1996)..

.FIGURA 7. b) detalhe da inflorescência (Fotos: Alexandre Mariot .2 .Piper cernnum: a) vista parcial da planta com as inflorescências.Banco de imagens ).

Piper gaudichauditmum: a) escanerata do ramo com inflorescência.3 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens ). .FIGURA 7.

b) escanerata com detalhe da inflorescência e ápice da folha (Banco de imagens ). .4 .FIGURA 7.Piper Ihotzkyanum: a) escanerata do ramo com as inflorescências em espiga.

5 .Piper marginatum. Ramo com inflorescência (Desenho original por Di Stasi Banco de imagens ).FIGURA 7. .

Banco de imagens .6 .FIGURA 7. . .Pothomorphe peltata. Ramo florido mostrando a folha peitada e a inflorescência em forma de umbela (Desenho original por Di Stasi ..

7 .Pothomorphe umbellata. Ramo com inflorescência mostrando a folha cordada (Banco de imagens ). .inflorescências Folha cordada FIGURA 7.

Ranuculaceae e Papaveraceae. M. Em ambos os levantamentos etnofarmacológicos realizados foram referidas apenas espécies da família Menispermaceae. das quais devemos destacar Menispermaceae. como é o caso da Papaver somniferum. Guimarães Introdução A ordem Ranunculales compreende nove famílias botânicas distintas. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima C. todas sem importância do ponto de vista de espécies de valor medicinal e com distribuição e ocorrência no Brasil. M. famílias com várias espécies de valor medicinal e com algumas de grande importância farmacológica. Santos E. Berberidaceae. como a morfina e outros derivados opióides. de onde inúmeros compostos importantes e de grande valor na medicina. Sabiaceae. arbustos escandentes e . o famoso Ópio. Circaeasteraceae e Lardizabalaceae. A família Menispermaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 72 gêneros.8 Ranunculales medicinais L. Outras famílias dessa ordem são Fumariaceae. C. foram obtidos. algumas lianas. nos quais se distribuem aproximadamente 450 espécies tropicais e algumas raras de climas temperados. Pteridophyllaceae.

também denominada de Abutua. imene. Uma delas. são consideradas muito tóxicas. da Mata Atlântica. O nome do gênero Abuta tem origem na linguagem popular da Guiana. Dados botânicos Planta perene. onde muitas das quais são usadas popularmente como medicamento. Dados da medicina tradicional A casca do tronco.raramente árvores ou ervas (Mabberley. onde a planta foi referida como medicinal. a espécie é chamada de Abuta. folhas alternas e pecioladas. destacam-se os gêneros Cissampelos e Abuta com grande número de espécies medicinais. utilizadas por índios do Norte do país. com contorno oblongo (Figura 8. aplicada no local lesado e/ou ingerida. raspada e misturada com água. no entanto. Nessa família. flores masculinas e femininas com seis sépalas e apétalas. típica da aldeia tenharins. O gênero Abuta descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé Aublet inclui aproximadamente 35 espécies tropicais (Evans. é considerada útil como cicatrizante e antiinflamatório.1). Espécies medicinais Abuta sabdwithiana Krukoff & Barnaby Nomes populares Na região amazônica. 1996). constituída de cipós lenhosos com caule de estrutura anômala. assim como . fruto do tipo drupa. Espécies do gênero Abuta. trata-se de uma espécie do gênero Cissampelos e que não foi completamente identificada. Outra denominação é Iroba. rufescens e A. 1997). tais como A. Outras espécies desse gênero são conhecidas principalmente por Abutua ou Bútua. foi referida como planta antiinflamatória. flores masculinas reunidas em inflorescências paniculiformes multifloras e flores femininas em inflorescências racemosas. com ampla distribuição na América do Sul.

espécies do gênero Strychnos, que são usadas no preparo de um veneno que se aplica na ponta das flechas para caça (Hoehne, 1939). Várias espécies desse gênero são utilizadas no preparo de medicamentos tradicionais como anticoncepcionais (Mabberley, 1997).

Dados químicos das espécies
De A. sabdwithiana foram isolados sitosterol e éster alifáticos (Corrêa et al., 1977) e os alcalóides palmitina e xylopina (Nagem et al., 1993). Foram isolados dos caules de A. pahni, e identificados por métodos espectroscópicos, alcalóides do grupo da ísoquinolina. Três dos alcalóides bis-benzilisoquinolinas foram caracterizados como 2-N-nordaurisolina, 2-N-metillindoldamina e 2'-N-metil-lindoldamina. Os demais alcalóides foram: coclaurina, daurisolina, lindoldamina, di-metil-lindoldamina, esteparina e talifolina (Dute et al., 1987). De A. grisebachii já foram identificados os alcalóides da família bis-benzil-isoquinolina denominados grisabina, grisabutina, peinamina, 7-O-di-metil-peinamina, N-metil-7-O-di-metilpeinamina, macolidina e macolina (Ahmad & Cava, 1977; Galeffi et ai., 1977). De A. panurensis foram identificadas as presenças dos alcalóides panurensina e norpanurensina (Cava et ai., 1975), de A. rufescens, a esplendina (Skiles et ai., 1979) e de A bullatta, asaulatina (Hocquemiller et al., 1984). De A. velutina foram isolados o esteróide abutasterona (Pinheiro et al., 1983), os triterpenóides taraxerol e taraxerona e os alcalóides imerubina e imelutina (Pinheiro et al., 1984). De A. rufescens e A. pahni foram isolados diversos alcalóides (Dute et al., 1987; Skiles et al., 1979).

Dados farmacológicos das espécies
Estudos recentes demonstram que decocção de A. grandifolia inibiu parcialmente o desenvolvimento de Pseudomonas aeruginosa e de Mycobacterium gordonae, indicando a importância dessa espécie como agente antimicrobiano (Mongelli et al., 1995). Esta mesma espécie também apresentou atividade inseticida significativa contra Aedes aegypti (Ciccia et ai., 2000) e atividade antiplasmodial atribuídas aos alcalóides krukovina e limacina (Steele et al., 1999). Estudos com a infusão da espécie A. grandiflora demonstraram a ausência de citotoxicidade (Desmarchelier et al., 1996).

Dados toxicológicos das espécies
A utilização dessa espécie como medicamento tradicional ou fitoterápico, especialmente considerando-se os dados populares de toxicidade, é restrita, em razão do pequeno número de informações que garantam uso seguro. Essa restrição torna-se maior pelo fato de que os medicamentos tradicionais preparados com essa espécie na região amazônica não se caracterizam por uso disseminado e poucas informações estão disponíveis. Entretanto, esse aspecto torna a espécie interessante para a realização de novos estudos como fonte de substâncias ativas, especialmente aquelas com atividade antiinflamatória e cicatrizante.

FIGURA 8.1 - Abuta sabdwhhiana. Detalhe do ramo vegetativo (Desenho original por Di Stasi - Banco de imagens -

Seção 2
Caryophyllidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

9
Caryophyllales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. A. Hiruma-Lima

A ordem Caryophyllales, mais as ordens Polygonales (inclui a família Polygonaceae) e Plumbaginales (inclui a família Plumbaginaceae), formam a pequena subclasse Caryophyllidae. A ordem Caryophyllales também é conhecida pela denominação Centrospermae e inclui um grande número de espécies medicinais com distribuição e ocorrência na região amazônica. Nessa ordem de espécies vegetais estão incluídas quinze distintas famílias botânicas, das quais as mais importantes e com grande ocorrência no Brasil são Caryophyllaceae, Amaranthaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae, Cactaceae e Portulacaceae. Das espécies referidas nas regiões de estudo (Amazônia e Mata Atlântica) como medicinais e aqui registradas, encontram-se indivíduos que pertencem às famílias Amaranthaceae, Cactaceae, Chenopodiaceae, Phytolaccaceae, Nyctaginaceae e Portulacaceae, as quais serão discutidas mais adiante. No entanto, outras espécies dessa ordem são importantes como medicinais e devem ser aqui registradas, especialmente a Chenopodium ambrosioides da família Chenopodiaceae, amplamente conhecida e usada no Brasil como uma importante espécie medicinal com amplo espectro de usos populares. Essa espécie foi referida no levanta-

mento realizado na Mata Atlântica, ao lado de outras espécies das famílias Portulacaceae e Nyctaginaceae.

Espécies medicinais da família Amaranthaceae

Introdução
A família Amaranthaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales, subclasse Caryophyllidae, inclui 71 gêneros, com aproximadamente novecentas espécies tropicais ou subtropicais e poucas de clima temperado (Mabberley, 1997). A maioria das espécies é herbácea, mas alguns arbustos e trepadeiras são descritos na família, raramente ocorrem árvores. Os gêneros mais importantes dessa família são Amaranthus e Ptilotus (Amarantheae - Amaranthoideae), Celosia (Celosiae - Amaranthoideae), Gomphrena, Iresine, Alternanthera e Pfaffia (Gomphreneae - Gomphrenoideae) e Pseudoplantago (Pseudoplantageae Gomphrenoideae). No Brasil ocorrem doze gêneros e aproximadamente noventa espécies, destacando-se, pelo seu valor medicinal, várias espécies dos gêneros Celosia e Amaranthus descritos por Carl Linnaeus, e Pfaffia e Gomphrena, por Carl Martius. Muitas dessas espécies também são amplamente utilizadas como ornamentais, especialmente as do gênero Celosia. Outras espécies, do gênero Alternanthera, são amplamente distribuídas no Brasil e consideradas ervas daninhas, tais como A. ficoidea, A. amabilis, A. spectabilis e A. versicolor, mas algumas também são consideradas medicinais e outras, tóxicas. O gênero Pfaffia inclui uma espécie muito utilizada no Brasil como medicamento, a Pfaffia paniculata, que não é referida nas regiões em estudo.

Espécies medicinais

Alternanthera brasiliana (L) Kuntze e Alternanthera micrantha Domin.
Nomes populares

Para a espécie A. brasiliana, Emenda é o nome popular mais utilizado na região de amazônica; no entanto, as denominações Corrente, Abranda e Perpétua são também muito utilizadas popularmente e referem-se à mesma espécie. Em outras regiões do país a espécie é conhecida ainda como Correnteroxa, Perpétua-do-brasil, Caaponga, Ervanço, Carrapichinho, Terramicina, Penicilina, Argentina e Carrapichinho-do-mato. Para a espécie A. micrantha, Abranda é o nome popular utilizado na região. A população, muitas vezes, utiliza ambos os nomes populares de forma indiscriminada para ambas as espécies, mesmo considerando os distintos usos terapêuticos.
Dados botânicos

Alternanthera brasiliana é uma planta herbácea, perene, rasteira, com caule esverdeado; as folhas são simples, opostas, sésseis, de ápice agudo ou pouco acuminado e base atenuada nitidamente pilosa; a inflorescência é formada por espigas pedunculadas, multiflora, contendo flores em glomérulos alongados, hermafroditas, com duas brácteas subiguais, cobertas por cinco tépalas, com cinco estames alternados; o ovário é unilocular e uniovulado; o fruto é utrículo, indeiscente e unisseminado, envolvido por duas brácteas lanceoladas. O gênero Alternanthera inclui aproximadamente cem espécies tropicais e temperadas, distribuídas especialmente na América do Sul. O nome do gênero Alternanthera, descrito por Carl Linnaeus, significa "Anteras alternadas".
Dados da medicina tradicional

Para a espécie A. brasiliana a população da região amazônica usa a infusão das flores contra diarréia, inflamação e tosse (béquica), enquanto a

decocção das folhas em grande quantidade é usada internamente em caso de derrame cerebral; o banho preparado com as folhas é utilizado para "deslocamento de osso". Para a espécie A. micrantha, a população utiliza-se da infusão das flores contra diarréias fortes e hemorróidas. Refere-se popularmente, ainda, que essa infusão não deve ser utilizada topicamente contra hemorróidas, apenas internamente. Outras indicações incluem o uso do chá de todas as partes da planta para hemorróidas (Amorozo & Gély, 1988). Não foram referidos usos medicinais na região da Mata Atlântica para nenhuma espécie desse gênero.

Ce/os/a argentea L. var. crisfata
Nomes populares

Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Crista-de-galo; no entanto, vários sinônimos são usados, tais como Crista-de-galo plumosa, Celósia plumosa, Amaranto branco, Celósia branca, Suspiro e Veludo branco.
Dados botânicos

Celosia argentea é uma planta herbácea, anual, ereta, glabra, atingindo até 1 m de altura; possui um caule suculento com folhas sésseis, alternas, pecioladas, linear-lanceoladas de ápice acuminado, sem estipulas; as flores são pequenas, não vistosas, reunidas em inflorescências do tipo espiga ou panícula terminal, densamente ramificadas, podendo apresentar-se nas cores vermelha, vermelha-roxa, amarela ou branca; as flores possuem brácteas e bracteolas lanceoladas, acuminadas; as sépalas são lanceoladas e agudas; os estames estão reunidos na base; possui de quatro a oito sementes lenticulares, pontuadas e pretas (Figura 9.1). Essa variedade, também denominada Celosia cristata, é um derivado tetraplóide da Celosia argentea com plumas de várias cores (amarela, vermelha, roxa). O nome do gênero Celosia, descrito originalmente por Carl Linnaeus, vem de kéleos = "queimado", referindo-se ao aspecto geral das inflorescências. Esse gênero inclui aproxi-

madamente 45 espécies tropicais e subtropicais, com ampla distribuição na América do Sul e na África. Essa espécie também é encontrada na região do Vale do Ribeira, mas não foi referida como medicinal nas entrevistas realizadas nessa região.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá das flores é usado internamente contra gripe e rouquidão, e para esse segundo sintoma é comum o preparo de um chá bastante adocicado. Corrêa (1984) relata o emprego das sementes como antiescorbútico, anti-helmíntico e antidiarréico. O uso de espécies desse gênero, tais como C. trigyna e C. antihelminthica, é muito comum contra helmintos intestinais, especialmente contra Taenia (Hoehne, 1939). O uso de C. trigyna contra helmintos é extremamente comum e disseminado por diversos países da África (Watt & Breyer-Brandwijk, 1962).

Gomphrena globosa L
Nomes populares

Essa espécie, assim como outras da mesma família botânica, é conhecida popularmente na Amazônia como Perpétua. Em outras regiões, é também conhecida como Amaranto globoso e Gonfrena.
Dados botânicos

Gomphrena globosa é uma planta herbácea anual com até 1 m de altura; possui um talo ereto e pubescente, com ramos abundantes e curtos, opostos; as folhas são simples, opostas, elíptico-lanceoladas e pilosas; as flores se apresentam reunidas em inflorescências capitulares nas cores roxa ou rosada (Figura 9.2). Provavelmente originária da América tropical, mas também encontrada no sul da Ásia e com ampla distribuição na América do Sul. O gênero Gomphrena inclui aproximadamente 120 espécies tropicais e subtropicais, especialmente nativas da América e da Austrália. O nome do

gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius significa "escrever, pintar", relativo à folha variegada de grande parte das espécies desse gênero.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a infusão das flores é usada externamente no tratamento de hemorróidas, ao passo que o uso interno dessa infusão é referido como excelente no alívio da "palpitação" no coração. Outros usos incluem a fervura de todas as partes da planta, usada internamente, no caso de hemorragias fortes, especialmente em hemorragias menstruais (Guerrero, 1994).

Dados químicos dos gêneros Ce/os/a, Gomphrena e Alternanthera
Celosia argentea possui triterpenóides (raiz e sementes), sucrose (raiz) e flavonóides (folhas e caule), além de um importante polissacarídeo denominado celosina (Shah et al., 1993; Hase et al., 1996 e 1997; Schliema et al., 2001). A espécie também possuí dois raros isoflavonóides (Jong et al., 1995), lipídios, esteróis e ácidos (Mehta et al., 1981; Opute, 1980; Behari & Shri, 1986), várias isoflavonas (Jong & Hwang, 1995) e peptídios bicíclicos (Kobayashi et al., 2001; Morita et al., 2000). As sementes de treze linhagens de Celosia referentes a quatro espécies (C. argentea, C. cristata, C. plumosa e C. whileii) possuem proteínas, gordura e ácidos graxos, especificamente o ácido palmítico, oléico e linoléico (Prakash et al., 1992). Cinco espécies de Celosia foram analisadas quanto à composição nutricional e possuem vitamina C, carotenóides, proteínas e fatores antinutricionais, nitrato e oxalato (Prakash et al., 1995). Estudos farmacognósticos realizados com Gomphrena globosa confirmam a presença de flavonóides, saponinas e taninos nas flores; flavonóides, saponinas, sesquiterpenolactonas, taninos e triterpenos nas folhas e saponinas na raiz (Guerrero, 1994). De Alternanthera brasiliana foram caracterizadas as presenças de esteróides e terpenos (Macedo et al., 1999). Da espécie A. pungens foram isolados o

ácido oleanólico e uma sapogenina (De Ruiz et al., 1991), além de alfa-pineno (7,40%), canfeno (4,21%), beta-pineno (6,42%), mirceno (3,61%), p-cimeno (4,29%), limoneno (3,52%), beta-ocimeno (2,35%), 1,8-cineol (6,28%), alfatujeno (3,62%), alfa-borneol (4,46%), alfa-curcumeno (2,36%), cânfora (5,52%), bornil acetato (3,82%), alfa-terpinoleno (5,38%), linalol (6,29%), geraniol (7,42%), alfa-terpineol (3,82%), elemol acetato (6,14%), eudesmol (5,38%) e azuleno (3,16%) (Gupta & Saxena, 1987). Dos frutos dessa espécie também foram isolados antraquinonas e glicosídeos, além de heterosídeos, ácido oleanólico, b-sitosterol, amônias quaternárias, colina e acetilcolina. Lipídios neutros, fosfolipídios, glicolipídios e tocoferol foram determinados em A. sessilis por Sridhar & Lakshiminarayana (1993), além de ácido oleanólico e açúcares como glucose e ramnose (Kapundu et al., 1986). Uma C-flavona glicosilada denominada alternantina foi isolada de A. philoxeroides (Zhou et al., 1988). Estudos farmacognósticos demonstram a presença de taninos, sesquiterpenolactonas, esteróides e triterpenos em Alternathera sp, conhecida popularmente como Sanguinária (Guerrero, 1994).

Dados farmacológicos dos gêneros Alternanthera, Celosia e Gomphrena
Flavonóides das folhas e caule de C. argentea e o extrato alcoólico de folhas dessa espécie têm sido estudados pela ação antibacteriana e as sementes, pela atividade diurética em voluntários e ratos albinos (Shah et al., 1993). Esta espécie também possui propriedade antimetastática, imunomoduladora (Hayakawa et al., 1998), antidiabética (Vitrichelvan et al., 2002) e antimetótico atribuído à presença de peptídios tricíclícos (Morita et al., 2000; Kobayashi et al., 2001). O extrato de Celosia argentea, administrado intraperitonialmente, apresentou uma marcante supressão na produção de IgE anti-DNP em camundongos, mas não afetou a de IgG. Esses resultados sugerem que esse extrato, futuramente, poderá ser útil para a supressão de anticorpos IgE em certas desordens alérgicas (Imaoka et al., 1994). Celosina, um polissacarídeo isolado do extrato aquoso das sementes de Celosia argentea, apresentou um efeito hepatoprotetor, por inibir diversos

J. 1999. argentea. ainda. raízes. Além disso. assim como se confirmou que extratos aquosos e etanólicos de folhas. 1996a e 1996b). O tratamento feito com folhas secas e frescas de Celosia trigyna mostrou-se muito efetivo como anti-helmíntico (Audu. B. 1997). et al. o efeito sobre a peroxidase lipídica (Hase et al. Loureiro et al. 1993. Com outras espécies do gênero Alternanthera verificou-se que extratos do fruto de A. Brochado et al. as propriedades antibacterianas da planta (Schlemper et al. M. 1996). Esses dados sugerem que essa substância química é um ativo componente protetor dose-dependente contra hepatites químicas e imunológicas (Hase et al.. 1997). porém. 1996). antiviral (Brochado et al. 1998. Farias.. 1997).. 1993)... D.parâmetros alterados pela ação de tetracloreto de carbono.. in vitro. B. talos e flores são extremamente tóxicos para peixes (Guerrero. 1997. 1996 e 1998). além da produção de interleucinas-1-beta (IL1-beta) e óxido nítrico em macrófagos em concentração dose-dependente. Celosina também induziu a produção do fator de necrose tumoral alfa (TNF-alpha) em camundongos.. 1996. LDH) e o nível de bilirrubina. Estudos com Alternathera brasiliana permitiram constatar as seguintes propriedades: inibidor da proliferação de linfócitos humanos (Bento et ai. a secreção de IL-1-beta em células mononucleares humanas e aumentou a produtividade de gama interferon junto à concavalina A em células de baço de camundongos. celosian reduziu a mortalidade por hepatite induzida por Dgalactosamina em camundongos e. Não foram observadas.. Estudos realizados com extratos etanólicos de raiz de Gomphrena globosa apresentaram atividade antibacteriana. analgésica (Macedo et ai. 1994).. L. et al. 1996). Verificou-se ainda que essa espécie é capaz de aglutinar hemácias em felinos.. Gomes et al. Kern et al.. 1987). 1994) e depressora do SNC (Kern et al. Uma loção contendo C. tais como os níveis das enzimas plasmáticas (GPT. mas essa ação pode ser inibida pelo soro humano (Lim & Gook. Induziu. 1996. L. 1997). D. pungens apresentaram atividade purgativa dose-dependente . 1997) antiinflamatória e atóxica (Souza. relaxante (Araújo et al. Farias. Esses resultados indicam que celosina é um agente imunoestimulante do efeito anti-hepatotóxico (Hase et al.. Amaranthus tricolor (também da família Amaranthaceae) e outras plantas foi usada para o tratamento de dermatites atópicas (Mitsuyama & Yoshino.... et al. GOT.

1989). porém. aliado aos dados de toxicidade em peixes. et al. Estudos mais recentes demonstram uma redução na taxa de mortalidade de animais infectados com vírus da febre hemorrágica.... Espécies medicinais da família Cactaceae Introdução A família Cactaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Caryophyllales.. 1996. mas com inúmeras outras da mesma família botânica. especialmente em uso crônico. 1988.. sobretudo contra helmintos. 1972). 1986. 1998). 1995). assim como sugere a necessidade de pesquisas e estudos que melhor caracterizem a eficácia dessas espécies em diversas atividades farmacológicas e sua toxicidade. A ação anticarcinogènica de folhas de Alternanthera sp não foi efetiva para inibir o desenvolvimento de carcinomas implantados no estômago de camundongos (Aruna & Sivaramakrishnan. inclui . 1993). et al. pungens possui atividade estimulante direta sobre o sistema gastrointestinal. Observações de uso Há uma grande concordância nos usos populares das diversas espécies. De Ruiz et al. sessilis foi detectada atividade antiulcerogênica (Wang et al. Zhang et al.quando administrados oralmente em camundongos (Calderon et al. provavelmente por ação sobre receptores colinérgicos (Garcia.. confirmados para inúmeras espécies dessa família. requer cuidados por parte da população. não apenas com as espécies citadas. O uso das espécies contra helmintos. em doses terapêuticas também foram observadas ligeiras deformações das células hepáticas (Qu. S. Yang et al. 1996). A atividade antidiarréica foi estudada em camundongos em que o extrato metanólico de Alternanthera repens foi mais efetivo (Zavala et al... hemorragias. C. subclasse Caryophyllidae. Extrato aquoso de A. B. Do extrato de A. Diversos estudos foram desenvolvidos sobre a atividade antiviral de Alternanthera philoxeroides (Niu. 1992).

Em ambos os casos. 1997). usada na Amazônia como medicinal e descrita a seguir. com aproximadamente 1. Os gêneros mais importantes dessa família são: • Pereskia (Pereskioideae). • Opuntia (Opuntioideae). 1978). a família reúne 170 gêneros de distribuição restrita às Américas.400 espécies (Mabberley. A família inclui árvores xeromórficas comumente com caules suculentos e algumas epífitas. são espécies perenes. com afinidade com as cactáceas de origem andina (Barrozo. mas amplamente comercializadas como espécies ornamentais.97 gêneros. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal da espécie Pereskia grandiflora. Segundo Joly (1998). Espécies medicinais Pereskia grandiflora Haworth Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sangue-de-cristo. embora várias espécies possam ser encontradas na África. As espécies no Brasil podem ser divididas em dois grupos distintos: as encontradas na região Nordeste (com afinidades com as Cactaceae de origem norte-americana) e as cactáceas comuns das regiões Sudeste e Sul do país. que também inclui espécies medicinais. No Brasil ocorrem 32 gêneros. suculentas. Cereus e Melocactus (Cactoideae). . com aproximadamente 160 espécies distribuídas em todas as regiões (Barrozo. todas com metabolismo adaptado à produção de ácidos orgânicos e usualmente produzindo alcalóides e betalaínas. que inclui a espécie Pereskia grandiflora. • Cactus. enquanto na região do Vale do Ribeira nenhuma espécie dessa família foi referida como medicinal. Em outras regiões do país recebe os nomes de Cacto-rosa e Quiabento. reconhecidas popularmente como espécies comuns de caatinga. 1978). de hábito variável e geralmente espinhosas.

Dados químicos e farmacológicos do gênero De Pereskia grandifolia foram isolados sucrose.. guamacho possui ácidos galacturônico. 1986).. O gênero Pereskia é o único dessa família em que as folhas são desenvolvidas e não são suculentas. C. 1994). folhas subpecioladas. em altitudes e também no nível do mar. xilose e ramnose (De Pinto et al. .. glucose. numerosos acúleos. lenhoso. galactopiranose. cresce em matas e em restingas. sendo amplamente usada e comecializada como cerca viva. além de galactose. A goma de P. ramnose e ácido galacturônico (Sierakowski et al. O nome do gênero Pereskia foi revisado por Phil Miller. com numerosas sementes lenticulares aplanadas e obovadas. obovóide. antitérmico e contra gripes e resfriados. flores rosas com anteras amarelas e inodoras. muito ramificada e com ramos e caule cilíndrico. A espécie é originária da Argentina. galactose. ácido galactopiranosilurônico. 1990). Das folhas de P. ramnopiranose e glucopiranose (Sierakowski et al. Peiresc. 1987). Dados da medicina tradicional A decocção de qualquer parte da planta é usada internamente como analgésico. fructose e arabinose (Carvalho & Dietrich. dispostas em rácimos terminais.Dados botânicos É uma planta terrestre arbustiva ascendente por meio de espinhos que lhe servem como garras. É uma espécie apreciada como ornamental pelas abundantes flores rosas. aculeata caracterizou-se a presença de arabinose. galactose. além de heteropolissacarídeos. sendo uma planta arbustiva ou arbórea com até 6 m de altura. Não foram encontradas outras referências populares sobre a espécie. oblongas e acuminadas com base atenuada. arabinopiranose. arabinofuranose. glucurônico e seus metil ésteres. F. sendo uma homenagem ao professor N. arabinose. fruto do tipo baga glabra.

No Brasil ocorrem apenas dois gêneros. usada como alimento e medicamento em quase todo o território brasileiro. Talinum e Portulaca. no qual se encontra uma espécie cosmopolita de grande ocorrência no Brasil. 1997). arbustos e ervas. muitas delas suculentas (Mabberley. e 33 espécies (Barrozo. sendo algumas pequenas árvores. . Portulaca oleracea. O principal gênero é o Portulaca.Espécies medicinais da família Portulacaceae Introdução A família Portulacaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 32 gêneros. 1978). nos quais estão compreendidas aproximadamente 380 espécies cosmopolitas espontâneas. sendo uma espécie referida como medicinal nas duas regiões em que foram realizados os estudos aqui descritos.

obovadas. outros usos são atribuídos à espécie. O gênero Portulaca descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies tropicais. que são cultivadas em vários países como alimento cru ou cozido. o uso tópico da decocção é considerado excelente para aliviar a dor de queimaduras. pequenas. planas e suculentas. diminutivo de "porta". cólicas renais e . flores amarelas. fruto capsular obovóide. folhas pequenas. na forma de salada. sendo uma planta muito comum e de fácil desenvolvimento em todo o Brasil. como alimento. Corrêa (1984) refere que o caule e as folhas da planta são diuréticos. O nome do gênero Portulaca deriva de portula. Na região da Mata Atlântica. O suco das folhas é usado internamente contra úlceras e dores de barriga. e a maioria é de ervas suculentas anuais. mas algumas variações de nome popular são usadas.Espécies medicinais Portulaca oleraceae L. febrífugo e contra parasitas intestinais e cólicas renais. tais como Verduega. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. axilares ou terminais. pequenas. Bodroega. referindo-se às propriedades purgativas da planta. a decocção das partes aéreas é utilizada como diurético. Nomes populares A planta é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Beldroega. dadas sua rusticidade e resistência à seca. Dados botânicos É uma erva de caule curto. Inclui três variedades principais. sésseis. vermífugos e úteis para combater problemas hepáticos. A espécie é usada desde os tempos mais remotos. enquanto as folhas frescas são mastigadas e deglutidas para as mesmas finalidades. as partes aéreas cruas são usadas. especialmente em Portugal e na Alemanha. Berduega e Veduega. arroxeado e suculento.

pequenas. sendo uma planta muito variável e encontrada em todo o território brasileiro. cicatrizante externa. roxas ou avermelhadas dispostas em fascículos no ápice de cada um dos ramos. pilosas. A infusão das folhas é utilizada para retenção urinaria. emoliente. Perrexi e Alecrim-desão-josé. Dados botânicos É uma erva prostrada de caules cilíndricos. As folhas dessa planta também são comestíveis. de onde saem folhas alternas. estomáquica. A infusão das folhas com casca de caju (Anacardium occidentale) é usada na forma de banho de assento para tratar hemorróidas. Corrêa (1984) refere ainda que a planta é considerada tônica. Também conhecida como Beldroega. diurética. A infusão de folhas com broto de goiaba (Psidium guajava) é indicada contra diarréias graves. emenagogos e vermífugos. como as da beldroega. lanceoladas. O macerado das folhas em água é usado externamente contra qualquer tipo de ferida. A infusão das folhas com as de graviola e jambu (Spilanthes acmella) é considerada excelente para problemas do fígado. A infusão das folhas misturada com alfazema serve para tratar cólicas renais. . glabros e suculentos. Portulaca pilosa L.afecções da vista. emenagoga e eficaz contra erisipela. vulnerária. flores amarelas. sendo também usada localmente para "carne crescida no olho". Caaponga. além de seu uso na cura das queimaduras e das úlceras de todos os tipos. Dados da medicina tradicional A decocção das partes aéreas é usada contra erisipelas e febres. as sementes passam por diuréticos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Amor crescido. O sumo das folhas cruas é usado internamente para diminuir cólicas menstruais e corrimento vaginal. amarga.

isolados das raízes de P. B e C. portulacaxantina II e portulacaxantina III (Trezzini & Zryd. 1992).. Das outras espécies do gênero foram ainda isolados outros diterpenóides clerodânicos (Ohsaki et al. 1991. jewenol A e jewenol B (Ohsaki et al. beta-caroteno e glutation (Simopoulos et al..5% de lipídios. ferro. pilosanol A. 1994). 1990). além da presença de antioxidantes alfa-tocoferol. 24-metilene-24dihidroparkeol e 24-metilenecicloartanol. 1992). Observou-se a presença de triterpenos beta-amirina. Simopoulos et ai. 20:5-ômega-3 22:5-ômega-3. carboidratos. cálcio. além dos ácidos graxos do tipo ácido linolênico. e determinado que a tirosina é importante precursor do pigmento betalaína nas pétalas de espécies de Portulaca (Kishima et ai. Boschelle et ai. 1996). malônico...4. fumárico e acético (Gao & Liu. 1986) e os diterpenos trans-clerodânicos. Schneider & Kubelka (1990) caracterizaram a presença do ácido graxo ômega-3 (Omara-Alwala. tais como o diterpenóide pilosanona C (que possui esqueleto biciclo 5. ácido linoléico e ácido palmítico. dos quais 25% são ácidos graxos livres e 19% são esteróis. pilosa (Ohsaki et al. málico. ascórbico. campesterol e stigmasterol. 1996). 1991) e uma mucilagem viscosa formada por um complexo polissacarídeo (Wenzel et ai. 1988). 18:2-ômega-6 e 18:l-ômega-9 (Ornara Alwala et al. 1995. manganês. parkeol. 1996). oleracea apresenta um glicosídeo monoterpênico denominado portulosídeo A. cycloartenol... oleracea de proteínas.. como sitosterol. 1991). Foram isolados diversos triterpenóides em outras espécies do gênero Portulaca.0 undecano) de R pilosa (Ohsaki et ai. fósforo. ao passo que das suas sementes foram caracterizadas as presenças de ácido linoléico e ácido linolênico (Liu et ai. sendo o último composto um glicosídeo. 22:6ômega-3. hidrocarbonos e alfa-tocoferol. Também foram realizados estudos quantitativos da composição química de P.. P.. potássio e cobre (Mohamed & Hussein.Dados químicos Foram determinados diferentes ácidos graxos ômega-3 em folhas de R oleracea. ácido ascórbico. . Detectou-se a presença dos ácidos cítrico. Boehm & Boehm. 1991). succínico. três diterpenóides transclerodânicos. 1991).. (1991) detectaram de R oleracea 3. 1995b). butirospermol. Foram também isoladas duas betaxantinas de flores de R grandiflora.. dentre os quais 18:3-ômega-3. sintetizado a partir de linalol (Sakai et ai..

1989).. o que confere qualitativamente uma ação do tipo dos sais de potássio (Parry et al. aumentando a concentração de insulina sérica em ratos com diabetes mellitus (tipo II) experimentalmente induzida (Eskander & Jun. grandiflora Hook. em parte decorrente da grande quantidade de íons K+. apresentou atividade hipoglicemiante. 1985) relaxante muscular. P... oleracea.De P. suffruticosa foram isolados n-hentriacontano. 1989).. Essas atividades podem esclarecer o efeito renal de aumento da excreção de potássio.. . 1996)... lupeol. 1994). O extrato hidroalcoólico de P oleracea apresentou atividade analgésica (Di Stasi et al. 1989). n-hexacosanol.. enquanto das partes aéreas de P. foram isolados também diterpenos clerodânicos (Boehm & Boehm. sem alterar a diurese.. Dados farmacológicos O extrato aquoso de P oleracea apresentou atividade relaxante de músculo esquelético. dentre outras espécies.. 1987). reduziu atividade motora (Radhakresharan et al. 1995a) e outro diterpenóide clerodânico (Ohsaki et al. 1994). beta-D-glucosídeo e quercetina-3-ramnosídeo (Joshi et al. O extrato de P. Rocha et al.. 1987). n-triacontano. 1993).. Habtemariam et al. O extrato aquoso das partes aéreas de P pilosa apresentou atividades espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al.. 1993. De P. O extrato hidroalcoólico de P pillosa também apresentou atividade espasmolítica (Ribeiro-do-Valle et al. quando se observou um relaxamento muscular que não está relacionado com a liberação intracelular de cálcio.. 1989b) e hipotensora (Poli et al. 1989). beta-sitosterol.. 1995). 1989. grandiflora foi isolado o diterpeno portulal (Ohsaki et al. diurética (Rocha et al. 1997). oleracea foi investigado in vitro. stigmasterol. mas com o cálcio extracelular (Okwuasaba et al. além de antipirética e antiinflamatória (Poli et al. (1994). 2001) e não foi observada atividade antiulcerogênica (Costa et al.. porém não foi observada atividade analgésica (Poli et ai. encontrado por Rocha et al.

Salicornia. Erva-das-lombrigas. em que podemos destacar o gênero Chenopodium como o principal. até espécies bem aclimatadas em áreas tropicais.Espécies medicinais da família Chenopodiaceae Introdução A família Chenopodiaceae descrita por Walter Vent compreende 1. referida como uma das plantas usadas no embalsamamento de cadáveres. caule ereto e glabro. todos de pequena importância como fonte de espécies medicinais. extremamente ramificado.5 m. Dados botânicos A planta é uma erva cosmopolita. Inclui arbustos. Caacica. que pode atingir até 1. Spinaceae.300 espécies cosmopolitas d de áreas de deserto e semidesértica (Mabberley. No entanto. flores agrupadas em inflorescências glomerulares com muitas flores pequenas amarelo-esverdeadas. Também é chamada de Ambrósia. Espécies medicinais Chenopodium ombrosioides Bert. oblongas denteadas. ramos folhosos verdes com folhas alternas. 1978). raramente. Ex Stend. Menstruço. Mentrasto e Mentrusto. sendo uma planta extremamente . A família se subdivide em quatro subfamílias. Erva vomiqueira. são encontradas no Brasil espécies dos gêneros Beta. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como Erva-de-santa-maria. Anserina vermífuga. 1997). Trata-se de uma espécie com usos pré-históricos. sendo no Brasil encontradas espécies subespontâneas (Barrozo. ervas anuais ou perenes e. Salsola e Atriplex. pequenas árvores. Lombrigueira. Erva-das-cobras.

o macerado das folhas em água é usado tanto interna como externamente como antiinflamatório. referindo-se às folhas lobadas. Outro uso disseminado em todo o Brasil e reconhecidamente de grande valor é como inseticida doméstico. 1995). especialmente na área veterinária. Corrêa (1984) refere dezenas de usos medicinais dessa espécie. febre. incluindo a Amazônia. a espécie é também empregada como estomáquica e digestiva e. esse uso é comum também em outros países. Além desse uso. percevejos.) . baratas e demais insetos. externamente. O gênero Chenopodium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cem espécies. sendo especialmente útil como vermífugo de animais. como abortiva.. A espécie é utilizada na expulsão de parasitas intestinais. para problemas da pele. renais e genotoxicidade (Kapadia et al. Godano et al. dor ciática e parasitas intestinais e. Melito et al. além de ser empregado como fumigante contra mosquitos e inibidor do crescimento de larvas de pragas de lavoura (Bown. bronquite. lesões hepáticas. internamente. 2002. ao passo que a infusão das folhas é usada. em altas doses.. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica.. 1978. os quais devem ser observados em seu extenso trabalho. extremamente útil para afugentar pulgas. onde não foi referida como medicinal no estudo realizado. O nome do gênero Chenopodium significa "péde-ganso". uso disseminado em todo o Brasil e popularmente com eficácia incontestável. Dados toxicológicos Apesar da grande utilização desta espécie na medicina tradicional. as folhas frescas são usadas topicamente para diminuir edemas. a maioria de ervas. 1985a e 1985b.vulgar no Brasil e de ocorrência em todo o território nacional. amplamente disseminado nas zonas rurais. seu uso deve ser extremamente restrito pelos relatos de indução de tumores estomacais. destaca-se aqui a importância da espécie como vermífugo. contra reumatismo.

nome usado em todo o Brasil. com ampla distribuição no território e pertencentes especialmente aos gêneros Neea. Dados botânicos A planta é uma erva rasteira com poucos ramos ascendentes e pilosos. a espécie é conhecida como Erva-tostão. em trinta gêneros. opostas. O gênero Boerhavia descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente cinqüenta espécies vegetais. 1997). Mirabilis e Bougainvillea. Pega-pinto e Tangaraca. Dos gêneros. destacamos aqueles que possuem espécies de valor medicinal: Boerhavia. distribuídas. incluindo árvores. mas não antocianinas (Mabberley. químico e botânico alemão Hermann Boerhraave. Boerhavia. flores reunidas em panículas isoladas com quatro a sete flores pediceladas (Figura 9. Mirabilis. de onde partem folhas pequenas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. No Brasil ocorrem apenas dez gêneros e aproximadamente setentas espécies. Bougainvillea. arbustos e ervas que produzem betalaínas.Espécies medicinais da família Nyctaginaceae Introdução A família Nyctaginaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 390 espécies tropicais. e o nome do gênero foi dado em homenagem ao médico. ovadoblongas. Outros nomes empregados para identificar a espécie são Batata-de-porco. Espécies medicinais Boerhavia difusa Willd. pilosas e pecioladas. . Guapira e Andradea. Pisonia. Referimos a seguir o amplo uso medicinal na região do Vale do Ribeira de espécies do gênero Boerhavia.3).

..Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica a planta é muito conhecida e sempre referida como medicinal. 1999). 1997). Espécies medicinais da família Phytolacaceae Introdução A família Phytolacaceae descrita por Robert Brown compreende dezoito gêneros. cujos efeitos benéficos são incontestáveis.. Corrêa (1984) refere que a planta. sendo a parte mais usada e comercializada como excelente medicamento para problemas do fígado. sendo árvores. que inclui várias espécies medicinais e inúmeras usadas . 1991). Esta planta faz parte de uma composição fitoquímica que apresentou atividade amebicida (Sohni & Bhatt. arbustos. a maioria rica em antocianinas (Mabberley. 2000a). 1996) e lignanas (Lami et al.. atóxica. 1991) e antimicrobiana (Abo & Ashidi.. A fração alcaloídica é responsável pela atividade imunomoduladora observada para esta espécie (Mungantiwar et al. Pesquisas fitoquímicas apontam a presença de alcalóides (Garg. 1990 e 1991). além de ser considerada excelente diurético. sem efeito teratogênico (Singh et al. Sohni et al. O uso principal se baseia na infusão das folhas para a expulsão de vermes. e antifibrinolítica (Barthwal & Srivastava. 1999). 1991. Os principais gêneros dessa família são Phytolacca. nos quais se encontram aproximadamente 65 espécies tropicais espontâneas nas Américas.. 1997). ou na infusão de toda a planta contra hepatite e diarréia. desobstruente e um dos melhores medicamentos para icterícia e contra picadas de cobras. 1978 e 1980.. antiinflamatória (Hiruma-Lima et al. Rawat et al. especialmente a raiz. Dados químicos e farmacológicos da Boerhavia diffusa Alguns estudos farmacológicos têm demonstrado atividades hepatoprotetoras (Chandal et al. possui sabor picante. particularmente contra lombrigas. 1995). Aslam. lianas ou ervas. 1996.

O nome do gênero foi dado em homenagem a Jacob Petiver. agudas no ápice e estreitas na base. inchaço de mem- .4). que inclui uma única espécie. membranosas. estimulantes e úteis no tratamento de paralisia. sublenhoso. Pipi. peão-branco ou roxo é utilizado contra dores de cabeça. no alívio de dores musculares. na Bahia. como abortiva. 1984). Em outras regiões. gineceu unicarpelar com ovário súpero. Espécies medicinais Petiveria alliacea L. em decocto ou pó. fruto aquênio cilíndrico. o banho preparado com as folhas é útil como anti-séptico e antiemético para crianças. diurética. no Mato Grosso. Dados botânicos Subarbusto perene. achatado e carenado (Figura 9. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Nomes populares Na região amazônica a espécie é chamada de Mocura-caá. como Tipi. o uso tópico do preparado de folhas de mocura-caá. e o gênero Petiveria. folhas. em Pernambuco e em São Paulo. Gambá-tipi. reunidas em inflorescências axilares e terminais espiciformes. Erva-pipi e Raiz-de-guiné. anti-reumática e antivenérea (Corrêa. O uso externo das folhas novas e da raiz. Outros dados incluem o uso da raiz. folhas curto-pecioladas. alternas.como ornamentais. limão de cayanna. Tipi-verdadeiro. antiespasmódica e reputada como sudorífica. pequenas. androceu com quatro estames. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende apenas essa espécie de origem na América tropical. no Rio de Janeiro. farmacêutico e amante da natureza. amplamente utilizada como medicinal no Brasil e aqui descrita. Amansa-senhor. delgados e ascendentes. também é comum. ramificado com ramos compridos. estipuladas. ereto. raízes e ramos são considerados emenagogos. alfavacão. flores sésseis.

lignocerato de lignoceril e alfa-friedelinol (De Souza et al. 1988b). C. 1986). 1989) e depressora do SNC (Lima. nitrato de sódio. T. 1982). no Rio Grande do Sul. serina. Van den Berg... Dados químicos da espécie Da raiz e do caule foram isolados nitrato de potássio. 1982). antiespasmódico e sudorífico (Verardo. ácido lignocérico.. 1992). reumatismo. O infuso das raízes apresentou ação antinociceptiva. Diversos outros trabalhos também relatam atividades anticonvulsivante (Lima.. como abortivo. peptídeos como ácido glutâmico.. Dados farmacológicos da espécie Os dados farmacológicos são muito variados. De Souza et al. 1988). as raízes são usadas na hidropsia. na Paraíba.. trans-N-metil-4-metoxiprolina. flavonóides: 6-formil-8-metil-7-0-metilpinocembrina. 1986).. beta-sitosterol. a planta é utilizada como expectorante e vermífugo (Amorozo & Gély. em Minas Gerais. Pinto C. além dessas indicações. M. como antitérmico e em banhos de descarga (Simões. lignoceril álcool. 1998). 1980). T. triterpenos (Delia Monachi et al. no Ceará. as indicações populares se repetem (Matos & Das Graças. 1990).. ainda. 1982. 6-hidroximetil-8-metil-7-0-metilpinocembrina e 6-hidroximetil-8-metil5. C.. 1988. 1997. 1988). o macerado da raiz é utilizado como antimalárico (Matos et ai. et al. esteárico. . 1990). S. em Brasília e no Mato Grosso.bros inferiores e em dores de dente (Van den Berg.7-di-O-metilpinocembrina. 3-O-ramnosídeos de dihidrokaempferol. et al. 1988. e para a atividade depressora do Sistema Nervoso Central o efeito anticonvulsivante parece ser o mais importante (Lima et ai. Trotta et al. 1988. glicina e alantoína (Sousa et al. flavonóides. 1980. a raiz é útil na amenorréia (Agra. dihidroquercetina e miricetina (Delle Monache & Cuca Suarez. 1996) e dibenziltrisulfeto (DBTS) (Johnson et al. Grandi et ai. alantoína.. ácidos palmítico.. linoléico. pinitol. trisulfeto de dibenzila... M. 1982). et al. 1980).. paralisia. dores de cabeça. beta-sitosterol. De Lima et al. protegeu parcialmente animais contra as convulsões induzidas por pentilenotetrazol e mostrou ação anestésica local (De Lima et al.

mas não apresentam atividades sedativa e ansiolítica (Takahashi. 2001). . utilizado popularmente como vermífugo.. Lopez-Martins et al. 1991 e 1992).. 1991.. 1995) e hipoglicemiante (Lores & Pujol. alliacea também apresenta atividades tópica antiinflamatória (Germano et al. 1994).. Y. 1990). e o de caule. estudos in vitro demonstraram atividade genotóxica. Caldeira et al. 1993. além de atividade antimitótica (Malpezzi et al. Os extratos de raiz e folhas possuem efeito abortivo. 1988. 1994). 2050 aci02). 1998). zigotóxica e antimitótica do extrato hidroalcoólico.. atividades analgésica (Thomas et al.. hematopoiética (Quadros et al. O composto dibenziltrisulfeto (DBTS) apresenta importante atividade inseticida... citotóxica. Davino et al.. 1998). por levar à imbecilidade.. decorrente de substâncias mutagênicas e potencialmente carcinogênicas (Hoyos et al. 1988. 1993). Dados toxicológicos Dados populares dessa planta indicam atividade tóxica. 1992). Outros estudos também caracterizaram as atividades abortiva. tendo sido determinada a toxicidade subaguda. com uma D L m a de 1. 1996) e antitumoral (Davino et al. 2002... acaricida (Johnson et al. Guerra et al.. 1984). afasia e até à morte (Corrêa... 1989. et al.. 1992) e antiinflamatória para o extrato aquoso. antiinflamatória oral (Germano et al. 1987) e antiviral (Ruffa et al. Germano et al. No entanto. Takahashi.. 1995). M. 1991. O extrato aquoso da planta apresentou também atividades gastroprotetora (Cortez et al. Cortez et al.. O extrato hidroalcoólico de P. além de não apresentar atividade depressora (De Lima et al. Davino et al. Malpezzi et al.. outros estudos para avaliação das atividades analgésica e depressora do SNC em ratos e camundongos demonstraram atividade no teste de contorções abdominais induzidas por diferentes substâncias e inatividade no teste de imersão da cauda em água aquecida.. 1989. tanto das folhas quanto da raiz (Peters et al. 1991). também apresentou atividade moluscicida (Almeida..... 1988. 1993. sendo estas atribuídas à presença de saponinas e cumarinas na raiz (Davino et al. P. alliacea. 1997) e antifungica (Benevides et al.270 mg/kg para o extrato hidroalcoólico (Germano et al.. Elisabetsky et al. 1991).. 1988). efeito zigotóxico (Guerra et al.

FIGURA 9.1 - Celosia argentea: a) ramo florido; b) semente (Foto: Hiruma-Lima).

FIGURA 9.2 - Gomphrena globosa: a) escanerata do ramo com flores; b) escanerata com detalhe da flor (Banco de imagens -

FIGURA 9.3 - Boerhavia difusa. Detalhe do ramo com flores (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa, 1984 - Banco de imagens

FIGURA 9.4 - Petiveria alliacea. Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998 - Banco de imagens -

Seção 3
Dillenidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

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Violales medicinais

L. C. Di Stasi C. A. Hiruma-Lima F. G. Gonzalez W. G. Portilho

A ordem Violales inclui 23 famílias botânicas, muitas delas importantes fontes de espécies medicinais, tais como Flacourtiaceae (Lacistemaceae), Violaceae, Passifloraceae, Turneraceae, Caricaceae, Cucurbitaceae e Begoniaceae. Nessas e em outras famílias dessa ordem são encontradas muitas espécies comestíveis e inúmeras ornamentais, tratando-se de uma importante ordem de espécies vegetais com valor econômico e medicinal. Da família Flacourtiaceae deve-se destacar o gênero Casearia, que inclui a famosa medicinal Casearia sylvestris. Da família Violaceae, os gêneros Anchietia e Viola são os mais importantes, a espécie Anchietia salutaris, uma trepadeira conhecida como Cipó-suma, tem sido amplamente usada e estudada como importante fonte de produtos com atividade antialérgica e antiulcerogênica, enquanto no gênero Viola inúmeras espécies são cultivadas e comercializadas como ornamentais. Na família Begoniaceae, destacam-se as espécies ornamentais do gênero Begonia, enquanto na família Caricaceae encontram-se os gêneros Carica, importantes como fonte de espécies comestíveis e medicinais, e Jacaratia, no qual inúmeras espécies são belas ornamentais. Do

gênero Carica, a espécie Carica papaya foi referida como medicinal na região da Mata Atlântica, cujas folhas são amplamente utilizadas contra gripes, resfriados e tosses. Das outras famílias dessa ordem destacam-se espécies medicinais de Lacistemaceae, Passifloraceae e Cucurbitaceae, referidas como medicinais na região amazônica, assim como espécies medicinais de Cucurbitaceae e Passifloraceae, referidas na região do Vale do Ribeira.

Espécies medicinais da família Cucurbitaceae Introdução
A família Cucurbitaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 119 gêneros, com 775 espécies distribuídas especialmente em regiões tropicais e poucas em climas temperados (Mabberley, 1997). No Brasil, a família é representada por trinta gêneros, com aproximadamente duzentas espécies (Barrozo, 1978). A família inclui inúmeros gêneros de importância farmacológica, dos quais ressaltamos Fevillea, Cucumis, Momordica, Bryonia, Luffa, Cucurbita, Wilbrandia e Sechium. Muitas espécies dessa família são comestíveis e reúnem importante valor econômico no Brasil, especialmente aquelas dos gêneros Cucurbita, Momordica, Fevillea e Sechium.

Espécies medicinais Cucumis anguria L.
Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Maxixe ou Pepino-deíndio. Em outras regiões do país é também conhecida como Maxixe-bravo, Maxixeiro, Maxixo, Pepino-castanha, Pepino-de-burro, Pepino-espinhoso, Maxixe-do-mato e Cornichão.

Dados botânicos

A espécie é anual, com caule rasteiro e anguloso, contendo folhas curto-pecioladas, cordiformes, sublobadas e base emarginada, profundamente 5-lobada; flores brancas, de corola partida e segmentos mucronados; fruto do tipo baga, ovóide, indeiscente e com mesocarpo branco; sementes marginadas. O gênero Cucumis inclui 35 espécies tropicais, e várias são úteis como medicinais e na produção de compostos flavorizantes para uso em cosméticos e alimentos, devendo-se destacar a espécie Cucumis sativus, o famoso Pepino. O nome do gênero Cucumis descrito por Carl Linnaeus deriva de cuce, palavra céltica que significa "oco".
Dados da medicina tradicional

O fruto, além de comestível, é usado na forma de suco como sudorífico.

Cucurbita pepo L.

Nomes populares

A espécie é conhecida na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil como Abóbora. Também denominada Abóbora-moranga, Abóbora-de-carneiro, Abóbora-de-porco, Abóbora-moranga e Abóbora-porqueira.
Dados botânicos

É uma planta anual, rasteira e trepadeira, com ramos bastante vilosos e com gavinhas; folhas alternas, cordiformes, grandes e profundamente 5lobadas e pilosas; flores amarelas, grandes e vistosas; fruto grande, oblongo-arredondado com uma polpa fibrosa e comestível; as sementes achatadas são brancas. A espécie reúne inúmeras variedades, mas a C. pepo é de origem africana. É cultivada na região do Vale do Ribeira, inclusive pelas comunidades tradicionais e em quase todo o Brasil, sendo muito apreciada como alimento e importante recurso econômico. O gênero inclui aproximadamente treze espécies, mas inúmeras variedades para cada espécie, todas

de origem tropical. O nome do gênero Cucurbita descrito por Carl Linnaeus deriva de Cucumis e orbis, devido à forma esférica do fruto.
Dados da medicina tradicional

Na região do Vale do Ribeira, o macerado dos frutos em água fria, durante seis horas, é usado internamente para aliviar os sintomas de "queimação" do estômago. As sementes frescas trituradas ou secas ao sol são usadas internamente contra parasitas. Tanto os frutos como as sementes são amplamente consumidos como alimento. Corrêa (1984) refere que as folhas são usadas contra queimaduras, e as flores, para combater erisipela e qualquer inflamação; as sementes são usadas para doenças do fígado e baço, além de serem reconhecidamente tenífugas de grande uso; as raízes cozidas são usadas interna ou externamente como febrífugo ou para lavar feridas de origem sifilítica. As sementes frescas são usadas contra disenteria e para "refrescar o fígado", enquanto o cozimento das raízes possui propriedade febrífuga e tenífuga e, externamente, é usado contra úlceras sifilíticas (Guerrero, 1994).

Luffa cylindrica Roem.
Nomes populares

A espécie é chamada na região da Mata Atlântica, assim como em várias regiões do Brasil, pelo nome de Buchinha. A espécie também é chamada de Bucha-dos-paulistas, Fruta-dos-paulistas, Bucha-do-pescadores e Quingobógrande. Também é conhecida como Buchinha-do-norte, mas não tratamos aqui da verdadeira Buchinha-do-norte, que é a espécie Luffa operculata.
Dados botânicos

É uma planta trepadeira herbácea de porte alto e caule 5-angulado; folhas longo-pecioladas, palmadas e 5-lobadas, raramente com sete lobos; flores amarelas, sendo as masculinas dispostas em rácimos axilares, e as femininas, solitárias; fruto oblongo e cilíndrico, chegando a até 35 cm de comprimento, com sementes pretas ou cinzentas. Os frutos dessa espécie eram amplamente utili-

zados e ainda o são nas zonas rurais como esponja para a lavagem de louças (Figura 10.1). A espécie é cultivada na região da Mata Atlântica em São Paulo, sendo comum e subespontânea na região Nordeste do Brasil. O gênero inclui sete espécies tropicais. O nome do gênero Luffa descrito por Phillip Miller deriva de luff, que é o nome árabe da planta.
Dados da medicina tradicional

Na Mata Atlântica, especialmente nas regiões rurais, os frutos são macerados em aguardente ou vinho e utilizada contra rinite. O fruto (esponja) é empregado na limpeza do corpo e para melhorar a circulação na pele, além de comumente ser usado na lavagem de louça. A espécie é empregado equivocadamente como abortiva, por se considerar tratar-se da Buchinha-donorte, a Luffa operculata. Internamente a espécie é usada contra reumatismo, dores, hemorróidas, hemorragias internas e para melhorar a lactação (Bown, 1995). As folhas são usadas para acalmar a dor de cabeça e, quando cozidas, para purificar o sangue e como emenagogo; os frutos são usados como eméticos e catárticos violentos; a polpa, quando verde, é considerada purgante (Guerrero, 1994). Momordica charantia L.
Nomes populares

A espécie é conhecida na região amazônica e em várias regiões do país como Melão-de-são-caetano, inclusive na região do Vale do Ribeira. Em outras regiões, a espécie também é denominada Fruto-de-cobra, Fruto-denegro, Erva-de-são-caetano, Erva-são-vicente e Erva-de-lavadeira.
Dados botânicos

Planta trepadeira, escandente, delicada, ramificada, com caule estriado; folhas membranosas, 5-7-lobadas com lobos estreitos na base; gavinha simples, longa, delicada, pubescente; flores masculinas solitárias, em pedúnculo com bráctea reniforme, inteira; cálice com lacínios lanceolado-ovais; estames aglutinados com os lóculos das anteras; flor feminina longo-pedunculada;

fruto capsular carnoso, amarelo quando maduro; sementes vermelhas (Figura 10.2). O nome do gênero Momordica descrito por Carl Linnaeus deriva de momordi = passado do verbo mordere, significando "eu mordi", referindose à disposição das sementes no fruto deiscente, como dentes.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o sumo das folhas, uma vez ao dia, é útil como antimalárico, enquanto o preparado do sumo das folhas com óleo de andiroba é aplicado externamente contra coceira. A infusão das folhas misturada com folhas de Sacaca é utilizada no tratamento de hepatite. Na região da Mata Atlântica, a infusão das partes aéreas da planta é usada para problemas hepáticos e como emagrecedor. A espécie também é utilizada como purgativo, emético-catártico, febrífugo, antileucorréico, anticatarral, anti-reumático, vermífugo, supurativo, anticarbunculoso, antiinflamatório e contra cólicas abdominais, menstruações difíceis, queimaduras, cravos e morféia (Corrêa, 1984); no Piauí, é usada externamente contra enxaquecas e internamente como abortivo e contra problemas do fígado (Emperaire, 1982); em Minas Gerais, é usada como anti-hemorroidal, emenagogo, febrífugo, resolutivo, anti-helmíntico, anti-reumático, antigripal, emético e purgativo (Gavilanes et al., 1982; Verardo, 1982; Grandi et al., 1982; Grande & Siqueira, 1982); na Paraíba, contra verminoses e cólicas (Agra, 1980).

Sechium edule Sw.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil como Chuchu. Outras denominações comuns são Maxixe, Machucho, Maxixe francês, Xuxu e Machuchu.
Dados botânicos

É uma trepadeira herbácea, com caule ramoso, piloso, com gavinhas; folhas pecioladas, membranosas, ásperas, alternas, cordiformes, com três

como Cabeça-de-negro. e o nome. folhas pecioladas. O gênero inclui apenas seis espécies. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira.3). especialmente após o cultivo sistematizado. nas raízes formam-se tubérculos cilíndricos. Nomes populares A espécie é conhecida na Mata Atlântica e em outras regiões do país como Taiuiá. fruto do tipo pepônio verde. Wilbrandia. flores amarelas esbranquiçadas. descrito por Patrick Browne. alternas. sendo um produto amplamente comercializado. 5-lobadas e raramente com mais lobos. ramoso e delicado. membranosas. que significa "pepino". e sua raiz. O gênero descrito por Silva Manso inclui apenas duas espécies. como em formações secundárias. com até 20 cm de comprimento. sulcado. Reúne ainda inúmeras outras qualidades econômicas. chegando a atingir 50 cm de comprimento (Figura 10. rugoso.a cinco lobos. com caule anguloso. . capoeiras e na beira de estradas. mas ásperas. Na região da Mata Atlântica é comum encontrar a espécie dentro da floresta. O nome do gênero Sechium. Wilbrandia ebracteata Cogn. foi dado em homenagem a John Wilbrand. é uma variação de sicyos. Dados botânicos É uma planta rasteira e trepadeira. É uma importante espécie econômica. especialmente na Itália. A espécie é usada e amplamente comercializada como adulterante da Taiuiá verdadeira (Cayaponia tayuiya). visto seu grande consumo como alimento em todo o Brasil e em vários países da Europa. flores amarelo-claras. e muitas variedades em cada espécie. longos. a decocção dos brotos é usada contra hipertensão e como sedativo.

sífilis (Almeida et al. Os ácidos graxos predominantes foram o ácido alfa eleosteárico. além das momordicinas (Fatope et al. 1989). 1988. 1987).. 1995.Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. 1996. momordenol e o álcool monocíclico denominado momordol (Begum et ai. afecções da pele. 1997).. Grondin et al. divididos em lipídios não-polares (38. momorcharasídeo A e momorcharasídeo B que inibiram a síntese de DNA e RNA em células tumorais S180 (Zhu et al.. tumores e. 1996. a raiz é utilizada no tratamento de febre. Kusmenoglu.. Das sementes de M. Hara et al. De M. a decocção das raízes e das folhas é usada contra úlceras e gastrites.. além do esterol. Das sementes foram ainda isoladas lecitinas (Wang et ai. Das sementes de M. como laxativo (Farias et al. Wang et ai... Chang et al. Foram isolados ainda das sementes de M. Co. 1989) e monossacarídeos e dissacarídeos (Ishikawa et al... Nguyen. sendo o cucurbita-5. 1990a)... 1996). charantia foram isolados os triterpenóides cucurbitanos. 1989. também. Além disso. momordicinina e momordicilina.. uma proteína inativadora de ribossomos (Pu et ai. A composição química do fruto de M. Chandravadana et al. assim como no controle da diabetes.81%). Dos frutos frescos de M... Zheng et al. Huang et al.24-dien-3beta-ol e o 24-metilenecicloartanol os constituintes majoritários do óleo de suas sementes.80%) e fosfolipídios (16. aminoácidos e abundância em elementos como Cu.. 1986). 1985). ácido linolênico... 1990). Ni. charantia foi isolado um inibidor da tripsina (Kawamura et al. 1996). charantia foi determinada como 0. taraxerol e beta-amirina (Kikuchi et al. charantia também foram isolados vicina.. Zn. charantia foram isolados os triterpenos momordicina. charantia . charantia isolou-se uma mistura de esteróis acilglicosilados (Guevara et al. proteínas. Dados químicos de alguns gêneros Diversos estudos fitoquímicos têm sido feitos com a Momordica charantia (Garcia et al. ácido esteárico e o ácido palmítico (Yuwai et al. Foram isolados também cicloarterol. reumatismo. 1990. charantia também foram isolados triterpenos. Das folhas de M. glicolipídios (35.76% de lipídios. Cr. 1997). 1989.40%). Dos frutos verdes de M. 1996. 1992). charantia foi isolada a gama-momorcharia. Mn e Li (Peng & Li. Das sementes de M. 1996).. 1992). 1991.

Estudos fitoquímicos demonstraram grande proximidade entre espécies do gênero Momordica: Aí. linoléico e linolênico (Sibanda & Chitate. além de glicoproteínas (Minami & Funatsu. Triterpenóides cucurbitanos foram isolados do extrato clorofórmico das folhas de M. A espécie Cucurbita pepo é rica em glicosídeos saponínicos. pelas G. aos quais se atribui a potente atividade biodinâmica e tóxica das espécies em que são encontradas (Pagotto. esteárico. A espécie Luffa cylindrica possui alcalóides (Guerrero. também foram detectados em Aí. Geralmente. e inúmeros estudos são realizados com essa espécie. pela E e.vicine. seguidas. rigorosamente. também descrito em M. Recentes estudos demonstram que a família Cucurbitaceae é especializada na produção de cucurbitacinas. micose e momorcharasídeos A e B (Zhu et al. sesquiterpenolactonas e taninos. triterpenos tetracíclicos.. 1987). 1990b). além de uma resina (Volák & Stodola. Dos frutos de Cucumis anguria foram isolados ácido palmítico. oléico. albumina e um glicosídeo denominado cucurbitina. As sementes possuem 50% de óleo. contendo trinta carbonos. 1991). balsamina (De Tommasi et al. Dos frutos de Aí. Os glicosídeos fenilpropanóides verbascosídeo e calceolariosídeo. 1987). além de possuir óleo essencial (Guerrero. charantia. posteriormente. grosvenor foi isolado um triterpeno usado como adoçante (Hu & Lu. as cucurbitacinas estão presentes nas plantas como (J-glucosídeos. 1994). e são nomeadas com letras sucessivas do alfabeto (A -» R). 1995). Sobre outras espécies do gênero Momordka foram realizados inúmeros estudos químicos. além do ácido rosmarínico.. 1990). 1995). . isolados das partes aéreas. Aí. 1993). Das sementes de M. balsamina foram isolados os ácidos graxos: ácido octadecatrienóico. 1990). provavelmente uma das mais estudadas quanto às suas atividades farmacológicas. 1993). As mais comuns no reino vegetal são as cucurbitacinas B e D. 1994). dioica eM. charantica. H e I (Miro. punícico e alfa-eleosteárico (Gaydou et ai. foetida (Mulholland et al... Dados farmacológicos Várias atividades farmacológicas foram verificadas com a espécie Momordka charantia. involucrata (Shanta & Radhakrishnaiah. 1997).

1980.. 1983). Estudos demonstraram que a alimentação suplementada com Momordica charantia não produz efeitos adversos na ingestão alimentar. do AMPcídico de linfócitos leucêmicos. da síntese protéica. 1981. Athar et al. Atividade hipoglicemiante do extrato aquoso dos frutos de M.. 2002) (Jilka et al. 1983a e 1983b) e . Pugazhenthi & Murthy. charantia em camundongos com hiperglicemia induzida por ciproheptadina foi determinada por Cakici et al. charantia apresentou atividade hipoglicemiante em ratos diabéticos por diminuir a atividade das enzimas hepáticas envolvidas na gliconeogênese (glicose-6-fosfatase e frutose-l. 1986. extratos brutos de folhas.6-bisfosfatase) e aumentar a atividade da enzima glicose-6-fosfato desidrogenase em hepatócitos e eritrócitos (Shibib et ai. Os experimentos em animais e in vitro têm caracterizado o fruto como secretagogo de insulina e como insulinomimético (Kedar & Chakha Barti. Karunanayake et al.Atividade hipoglicemiante foi descrita para sementes. da guanilato ciclase de vários tecidos foi determinada com substâncias isoladas dessa espécie (Takemoto. (1986b e 1986c) verificaram que frações isoladas dessa espécie possuem atividade antilipolítica e lipogênica. Foram também descritas as atividades antitumoral (Nagasawa et al. Welihinda & Karunana-Yake (1986) e Miura et al. (1986)... 2002). 1993). 1997). 1996. antiviral (Takemoto et al. Os frutos atuam como imunossupressores via ação linfocitotóxica (Leung et al. Além disso. Platel & Sirinivasan. A administração oral do suco do fruto ou das sementes possibilitou redução nos níveis de glicose sangüínea e melhorou a tolerância a glicose em animais diabéticos e normais e no homem. O suco dos frutos de M.. sem alterações na glicemia e com redução significante na colesterolemia (Platel et al. DNA.. 1996. 1984. Ahmad et al. 1982.. charantia apresenta efeitos nas monooxigenases dependentes do citocromo P450 e glutation Stransferase hepáticas (enzimas metabolizadoras de drogas) em ratos com diabetes induzida por estreptozotocina (Raza et al.. Ng et ai. O extrato etanólico de M. 1982a e 1982b). 1987). charantia (Rathi et al. Welihinda et ai... no crescimento e no peso dos órgãos em ratos normais. 1996. 1993). (2001) demonstraram ainda que o suco da planta aumenta a tolerância a glicose e a recaptura da glicose nos tecidos.. Raman & Lau.. 1996). El-Gengaihi et al. (1994). Inibição da síntese de RNA. decocto das folhas e suco de M. parâmetros hematológicos permaneceram normais. com aumento de glicogênio nos tecidos e músculos.

alda-momorcharina.. incluindo M. Ng et al. uma glicoproteína que apresenta atividades abortiva... 1990). 1990a). atuam na clivagem de RNA (atividade ribonucleásica) (Mock et al. isoladas dessa espécie. O extrato metanólico dos frutos livres de saponinas em M. (1993) consideram que tais momordinas imunotóxicas poderiam ser utilizadas para a eliminação de linfócitos T em transplantes alogênicos de medula óssea. As proteínas inativadoras de ribossomos. inativadora de ribossomos e imunomoduladora. pulmonares e da mama (Rybak et al.. A glicoproteína isolada das sementes de M. momordina 1 e momordina 2. 1990).. antitumoral. 1993). charantia. possui atividade antitumoral contra diferentes linhagens de células (Ng et al. uma proteína inativadora de ribossomos. L. . 1993). Duas proteínas inibidoras da tripsina (MCTI-II' e BGIT) foram isoladas das sementes de M... Cinco compostos foram isolados de sementes de M. 1994). Demonstrou-se que momorcharina alfa e beta. 1983). charantia contra diferentes linhagens de células tumorais renais. quando conjugadas com anticorpo monoclonal reconhecedor de linfócitos humanos.. charantia têm sido relatados por uma atividade antileucêmica e antiviral (Cunnick et al.. os quais promoveram a inibição da síntese de DNA e RNA na linhagem de células tumorais SI80 (Zhu et al. charantia apresenta atividade hipoglicemiante em ratos normais e diabéticos (Ali. charantia.imunomoduladora (Spreafico et al. charantia) inibe a integrase de HIV-1. charantia. MAP30 (uma proteína anti-HIV isolada de M. e suas seqüências de aminoácidos foram determinadas (Miura & Funatsu. Wang et al. proteínas inativadoras de ribossomos. apresentam importante atividade imunotóxica (Wang et al. charantia. 1996). 1994). 1995b). A espécie também apresentou atividade indutora da produção de interferon (IFN tipo I) em coelhos e aumentou a atividade de células NK (natural killer) de camundongos (Huang et al.. impedindo a integração do DNA viral (Lee Huang et al. Os frutos e sementes de M. Fong et al.. charantia. 1996). 1987.. (1992) realizaram uma revisão das características bioquímicas e atividades biológicas de oito proteínas vegetais de espécies de Cucurbitaceae. isoladas de sementes de M. et al. Foi caracterizada a atividade antitumoral in vitro das proteínas inativadoras de ribossomos MAP30 de M. na qual descreveram a momorcochina. 1995). Foi observado um potente efeito imunossupressor das proteínas alfa e beta-momorcharina pela sua ação linfocitotóxica direta ou por um deslocamento dos parâmetros cinéticos da resposta imune (Leung et al.

1987). A potencialização da atividade anti-HIV das drogas antiinflamatórias dexametasona e indometacina pela proteína MP30 de M. Dos frutos verdes de M. Um ensaio com radioligantes indicou que o extrato bruto de M. M. L. Das folhas de M.. 1996).. 1990). 1997).. Basaran et al. De M. 1995).. (1984 e 1985). O extrato produzido com a combinação dos frutos de M.Atividade antiimplantacional foi determinada por Chan et al. charantia e Emblica officinalis Gaertn.. et al. No entanto. charantia apresentou atividade analgésica (Castro et al. charantia não foi efetiva na diminuição da parasitemia contra Plasmodium berghei em camundongos (Menezes Ornelas et ai. 1994). charantia também foi efetiva como medida profilática contra coccidiose de aves (Hayat et al.. Os frutos de M. charantia foi detectada atividade antimutagênica (Guevara et al. 1990. charantia foram também isoladas proteínas que apresentaram ação antifertilidade em ratos machos (Chang & Li. Apesar da indicação popular para inflamação. 1987). 1988) e o extrato etanólico das sementes possui atividade antitumoral (Santana et al. 1988). apresenta maior atividade antibacteriana do que os extratos em separado das espécies e maior . charantia foram isolados triterpenóides que diminuem a infestação de besouros (Chandravadana.(1991) detectaram essa atividade in vivo e in vitro contra Plasmodium berghei. charantia apresentaram ainda atividade antiulcerogênica e antitumoral (Sener & Temizer. 1991). A M. antiancilostomose (Berchieri et al. Embora indicada contra malária. e o rizoma de Curcuma longa Linn. 1996). 1996). MAP30 isolado de M. 1994). 1995). charantia apresenta atividade anti-retroviral contra o vírus do herpes (Bourinbaiar & Lee Huang.. charantia que se apresentaram ativos diante do vírus do herpes (Bourinbaiar et al... não foi observada atividade antiinflamatória das folhas e dos caules de M. 1996). O extrato aquoso da folha de M. charantia diminuiu em mais de 60% a atividade dos receptores para adenosina (Hasrat et al. que inibiu a síntese de esteróides induzida por uma dose máxima de ACTH em células adrenais isoladas de rato (Ng et al. charantia (Silva. Foram isoladas duas proteínas de M. charantia indica a possibilidade de seu uso conjunto na terapia contra o HIV (Bourinbaiar & Lee Huang.. Misra et al. Amorim et ai. 1990. De M... charantia foi isolado ginsenosídeo.

inibição da ovulação. De Wilbrandia ebracteata foram caracterizadas as propriedades antiulcerôgenicas (Gonzales & Di Stasi. De M. antimicrobial. anticoncepcional. Além disso. Miró. 2000) e antimutagênico (Yen et al. . Pagotto et al. hipovolemia. tais como antiinflamatória. além de apresentar atividade gastroprotetora (Fernandopulle. anti-helmíntica. 1995. Foram observadas inibições da ativação de fatores do sistema de coagulação sangüínea por inibidores de protease isolados de espécies da família Cucurbitaceae. O extrato alcoólico de M. 1995. 1986b). 1986). charantia (Sankaranarayanan &Jolly... 1984. 1991). Testes in vitro e in vivo com o conjugado anti-CD5-momordina (imunotoxina) pode ser útil na terapia da doença do enxerto e no tratamento contra leucemias e linfomas (Porro et al.. diminuição da síntese de eicosanóides e aumento da razão de AMPc/ GMPc (Miró.. 1989... A. antitumoral. Considerando-se a enorme variedade de cucurbitacinas..atividade hipoglicemiante.. 1994). 1996).. diminuição da pressão arterial. 1991). 1993). inúmeras atividades farmacológicas são referidas.. C. Trichosantina. citotóxica. Teixeira. 1993). 2002) analgésica e antiiflamatória (Peters et al. diarréia. Proteínas isoladas de M.. hipotensora (Gordon et al.. 1995. podem ser observados outros efeitos biológicos provocados pelas cucurbitacinas.. como aumento da permeabilidade capilar e diminuição da permeabilidade vascular. 1997 e 1999). Jensen & Lai. alfa-momorcharina e beta-momorcharina apresentam baixa imunogenicidade e ausência de reação cruzada em camundongos (Zhen et al. 1997). 2001).. et al. do que o extrato de M. charantia são inibidoras de tripsina e elastase (Hara et ai. 1995). 1995). dioica apresenta atividade antialérgica em ratos e camundongos (Gupta et ai.. Outras atividades também foram descritas para a espécie. cochinchinensis foi isolada uma fração hemolítica resistente a enzimas proteolíticas e ao aumento da temperatura (Ng et ai. 1993). aprisionando radicais livres derivados do oxigênio (radicais superóxido e hidroxila) (Sreejayan & Rao. em especial a tripsina inibitora-II (Hayashi et al. Hamato et ai. 1995.. ao mesmo tempo em que a atividade mutagênica e outros efeitos tóxicos têm sido descritos para as mesmas substâncias (Pagotto et al. hepatoprotetora e anti-reumática (Konoshima et al. em rato. 1996). Peters et al. tais como antioxidante. Para a espécie Sechium edule existem descrições de suas propriedades diurética (Melita Rodrigues et al.

1988). observou-se um aumento na concentração sérica de gama-glutamil transferase e fosfatase alcalina. El-Gengaihi et al. 1990).Da fração purificada de rizoma de Wilbrandia sp foram isolados. Essas mesmas proteínas foram isoladas das raízes de M.. 1986).. 1997). 1996... charantia foram isoladas duas proteínas denominadas alfa e betamomorcharina.. angaria foi de DL50 = 1. recentemente. 1992). 1996. Das sementes de M. charantia em animais ocorre principalmente no fígado e no sistema reprodutor (Pugazhenthi & Murthy. charantia em enzimas hepáticas. A toxicidade do fruto de C. Em estudo realizado para avaliar os efeitos do suco dos frutos e do extrato das sementes de M.. o consumo dessas espécies deve ser feito com cuidado. com um possível efeito hepatotóxico (Tennekoon et ai.. 1987). cochinchinensis com o mesmo tipo de efeito abortivo (Yeung et ai. Dados toxicológicos dos gêneros Momordica e Cucumis A toxicidade de M. Chan et al. . 1986). Os frutos de M. Platel & Sirinivasan. Em ambos os casos. que foram eqüipotentes em induzir aborto em camundongos (Yeung et ai. 1996.. antitumoral e antifertilidade em ratos e camundongos (Almeida et al. 1994).. Raman & Lau. 1986. A espécie também provoca lesões testiculares em cães (Díxit et ai. porém diminuiu sensivelmente com a fervura dos frutos em água (Sibanda & Chitate. sendo também observado que altas doses do suco dos frutos pode causar congestão das veias centrolobulares hepáticas. charantia possuem substâncias abortivas capazes de induzir teratogênese em embriões de ratos (Yeung et ali.6 mgAg. especialmente por gestantes. dois glucosídeos norcucurbitanos (WG1 e WG ) que apresentaram potentes atividades antiinflamatória. 1978) e induz alterações sobre parâmetros sangüíneos de suínos (Queiroz Neto et ai.

Mabberley (1997) inclui a família Lacistemaceae na Flacourtiaceae. cálice com sépalas imbricadas e desiguais entre si. Na região da Mata Atlântica não foram referidas espécies dessa família botânica. ovário unilocular.4). nos quais se distribuem aproximadamente quarenta espécies. flores andróginas dispostas em espigas curtas com brácteas que protegem as flores.Espécies medicinais da família Lacistemaceae Introdução A família Lacistemaceae descrita por Carl Friedrich Phillip von Martius inclui apenas dois gêneros (Lacistema e Lacistemopsis). semente com endosperma carnoso (Figura 10. bem desenvolvidas. mas que possui uma grande importância. alternas. e stemon = "estame". O nome do gênero Lacistema deriva do grego lacis = "trapo. um sistema de classificação também usado por vários pesquisadores. pedaço. referindo-se ao estame bifurcado. distribuídas em regiões tropicais. farrapo". androceu com um estame. incluindo árvores de pequeno porte ou arbustos cosmopolitas (Barrozo. onde há cerca de oito espécies. visto que foi citada por grande parte dos entrevistados. fruto do tipo capsular trilobado. folhas simples. 1978). Espécies medicinais Lacistema sp Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins (Amazônia) de Inguanguana. pétalas ausentes. e não foram encontrados sinônimos para ela. com gomo terminal protegido por estipula caduca. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Dessa família foi referida uma espécie medicinal na região amazônica a qual não foi completamente identificada. desde o México até o Peru e o norte do Brasil. .

existem várias espécies do gênero Passiflora. no entanto. Alguns frutos da família são comestíveis (Passiflora edulis). de valor alimentício e medicinal. A presença de glicosídeos cianogênicos é relatada em espécies dessa família (Evans. Espécies medicinais da família Passifloraceae Introdução A família Passifloraceae foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e Augustin Pyramus de Candole e inclui dezessete gêneros. arbustos e árvores (Mabberley. conforme apresentamos a seguir.Dados da medicina tradicional O uso externo das folhas sobre a cabeça é indicado como febrífugo. compreendendo lianas. com 575 espécies tropicais e temperadas. A grande maioria das espécies descritas nessa família são herbáceas ou lenhosas. Nomes populares A primeira espécie é mais conhecida pelo nome de Maracujá-do-mato. 1997). existem registros para a espécie como Maracujá-poranga. Essa família é composta principalmente pelos gêneros Passiflora. 1992). enquanto outros são utilizados na medicina popular como sedativos (Passiflora incarnata e outras espécies). No Brasil. . conhecidas popularmente como Maracujá (Joly. em geral trepadeiras. Espécies medicinais Passiflora coccinea Abl. Nos estudos etnofarmacológicos aqui descritos foram referidas apenas espécies desse gênero. 1996). Adenia e Tetrapathaea que habitam a Nova Zelândia. representando um importante recurso econômico.

caule robusto. 1990). antocianinas (Kidoey et al. planas e obtusas. mas esta só é usada na falta da Passiflora coccinea. fruto oblongo-ovóide. mas identificada apenas até o gênero. Dados químicos Isolaram de P coccinea os glicosídeos cianogênicos: passicoriacina. também foi referida na região amazônica como útil contra insônias. Spencer & Seigler. gavinhas que são ramos florais modificados. pela interpretação dada às peças florais. sementes compridas (Figura 10. 1987b e 1985). enquanto o macerado das folhas em água fria é útil para aliviar sintomas da asma. 2-pentadecanona. 1991). estipulas ovadas. cordiformes. uma espécie denominada Maracujá.5). que lembram os instrumentos do martírio. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o chá das folhas é útil contra problemas cardíacos e como sedativo. margem inteira. .. da qual foram obtidas substâncias cianogênicas (Chassagne et al. cilíndrico. monoterpenóides. 1989). flores com cinco sépalas ovadas. é usada para diversas finalidades. 1983). peninérveas. 2tridecanona. passissuberosina e epipassisuberosina (Spencer & Seigler. carotenóides (Ferreira et al. folhas inteiras. 1987a.. Na região da Mata Atlântica. Passiflora macrocarpa Mart. o suco dos frutos é considerado sedativo. e cinco pétalas rosadas. chamada popularmente de Maracujá gigante. corniculadas. principalmente a P edulis.. a infusão das folhas é usada internamente como sedativo. Uma outra espécie de maracujá.Dados botânicos Planta glabra. alternas. esverdeadas ou vermelho-esverdeadas (externamente) e róseas (internamente). hexadecanóico. pecíolos canaliculados com seis glândulas aos pares.. 1997). principalmente linalol e norterpenóides (Winterhalter. (9Z)-ácido octadecenóico. ovadas. 1996. Informações adicionais foram obtidas com outras espécies do gênero. 3-hidroxi-retro-alpha-ionol (Herderich & Winterhalter. epipassicoriacina. agudas no ápice e estreitas na base. O nome do gênero Passiflora se refere à flor da paixão (crucificação de Jesus). côncavas.

Esse composto não foi detectado em P coerulea. incarnata foram isolados: alcalóides (harmana. Flavonóides como vitexina. isovitexina. harmina. flavonóides (orientina. Ortega et al. Constituintes voláteis também já foram caracterizados de P. 1996). 1997. ácido ascórbico e beta-caroteno (Marin et al. B1. 1998).. Das folhas de P alata foram caracterizadas as atividades sedativa. 1997. isoorientina. Amaral..2-tridecanol octadecanóico e óxido ariofileno (Arriaga et al. 1986). fósforo. isoscoparin -2"-0-glucosídeo (Rahman et al. 1997). Sena & Leite.. 1986). ferro. 1988. 1988. Vale & Leite.. espasmolítica (Queiroz & Brandão. 1988). riboflavina. 1987b). potássio.. harmalina.. taninos. 1980. 1997).. 1979). Dados farmacológicos Estudos feitos com P edulis demonstraram atividade depressora inespecífica do Sistema Nervoso Central (Maluf et al. 1987a) e P suberosa (Kidoey et al. sendo a passiflorina o mais conhecido. isoschaftosídeo. mollissima (Froehlich et al. fermentos. PP e C (Zhuang & Wang.1979). P.. quadrangularis (Orsini et al. bem como a presença de glicosídeos em P. 2000. lipídios. schaftosídeo (Proliac & Raynaud. K. orientina e isoorientina. gomas e resinas foram obtidos em diversas espécies do gênero (Celighini et al. Vários alcalóides indólicos foram isolados desse gênero. isoorientin-2"-0glucopiranosídeo (Li et al. composto que apresentou atividade depressora do SNC apenas em doses altas. Raffaelli et al. 1995.. Da espécie P. 1987). amliformis (Restrepo & Duque. O suco dos frutos contém água. vitaminas A.. 1996). além de vários compostos aromáticos (Winter et al. glicosilflavona (Geiger & Markham. Proliac & Raynaud... harmol e harmalol). proteínas. 1997. assim como ácidos graxos. bem como ansiolítica e hipno-sedativa (Silva & Freire. vitexina e isovitexina) (Soulimani et al. 1986). P coriacea (Spencer & Seigler. et al. 1988). sovetexin-2"-0-glucopiranosídeo. Costa. carboidratos. 1980). Efeito depressor central também foi verificado com a P alata (Oga et al. maltol. B2. 1988. nem em R incarnata (Speroni et al. 1984) e a P incarnata (Kimura et al. 1988) e a ausência de efeito teratogênico (Amaral et al. açúcares. Menghini. cálcio. Dos frutos e folhas de P . Spencer & Seigler.. de onde foi isolada crisina.. 1989)... 1988).. analgésica. 1991). saponarina. 2000).

.Luffa cylindrica Roem. atribuída ao flavonóide ermanina (Echeverri et al. 2000). foetida apresentou atividades hipotensora. O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de P. enquanto do extrato aquoso das partes aéreas de Passiflora sp foi observada a atividade antifúngica (Boelter et al. antiinflamatório (Silva et al. 1985b. 2000) e imunoestimulante (Guerra et al. 1991. 1998a). que apresentou atividade citotóxica e antibacteriana contra Escherichia coli. Detalhe da folha 5-lobada. espasmolítica (Carneiro et al.edulis caracterizou-se a ausência de toxicidade (Melito et al.... outros trabalhos relatam a presença de efeito tóxico como a promoção de um quadro de hepatodistrofia quando do uso de dose superior à preconizada pela população (Melito et al.. Barros et al. antipirético (Silva et al. Das folhas de P .. ao passo que das folhas foram determinados os efeitos analgésico.1 . 1988) e efeitos tóxicos nos sistemas hepático e pancreático (Maluf et al.. tetrandra foi isolada 4-hidroxi-2ciclopentenona.. Bacillus subtilis e Pseudomonas aeruginosa (Perry et al. 1989).. Porém.. 1988).. fruto e flor (Banco de imagens . inotrópica. FIGURA 10. 1991). Echeverri & Suarez. 1978). 1989 e 1993) e inseticida. 1985).

Momordica charantia: a) ramo com frutos.2 . e b) ramos com flores (Fotos originais: Hiruma-Lima).FIGURA 10. .

FIGURA 10.3 - Wilbrandia ebracteata: a) escanerata com detalhe dos ramos com gavinhas e flores; b) escanerata com detalhe das flores; c) escanerata com detalhe da folha 5-lobada (Banco de imagens

FIGURA 10.4 - Lacistema sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius Flora Brasilica - Banco de imagens -

FIGURA 10.5 - Passiflora coccinea. Ramo florido com gavinhas (original por Di Stasi - Banco de imagens

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Malvales medicinais

L. C. Di Stasi S. B. Feitosa C. M. Santos E. M. Guimarães C. A. Hiruma-Lima

A ordem Malvales inclui doze famílias botânicas, muitas delas congregando inúmeras espécies medicinais, como é o caso das famílias Bixaceae, Tiliaceae, Sterculiaceae, Bombacaceae, Malvaceae e Geraniaceae. Das doze famílias pertencentes a essa ordem, espécies medicinais usadas na região amazônica e aqui registradas pertencem às Tiliaceae, Bixaceae, Sterculiaceae e Malvaceae. Das outras famílias dessa ordem ressaltam-se a Bombacaceae, que inclui gêneros importantes como Bombax, Adansonia - dos famosos e gigantescos Baobás -, Ceiba - à qual pertencem inúmeras espécies produtoras de fibras e espetaculares plantas ornamentais - e Ochroma - contendo várias espécies medicinais.

Espécies medicinais da família Bixaceae

Introdução
A família Bixaceae (Dicotyledonae) descrita por Karl Sigismund Kunth foi subordinada em 1968 à ordem Bixales (Barrozo, 1978) e incluía apenas o gênero Bixa. Atualmente a família Bixaceae está subordinada à ordem Malvales, subclasse Dilleniidae, e inclui o gênero Bixa e os gêneros Amoreuxia e Cochlospermum, anteriormente pertencentes à família Cochlospermaceae. A família conta com apenas dezesseis espécies tropicais, entre elas árvores e ervas, e todas produzem um suco vermelho ou laranja em suas células secretoras (Mabberley, 1997), uma característica marcante da família. O gênero Bixa possui quatro espécies, todas conhecidas no Brasil como Urucum e que reúnem importante valor econômico, além de suas propriedades medicinais. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foi registrado o uso medicinal de Bixa arbórea, a qual passamos a discutir a seguir.

Espécies medicinais
Bixa arbórea Hubr. e Bixa arbórea L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelos nomes de Urucum, Urucu e Urucu-da-mata.
Dados botânicos

Essa espécie é considerada um arbusto ou pequena árvore que atinge até 10 m de altura, com desenvolvimento na América Central, na América do Sul, no Caribe e no México. Possui folhas alternas, inteiras, simples e ovadas; flores vistosas, andróginas, reunidas em inflorescências paniculadas terminais, pentâmeras com numerosos estames livres ou concrescidos na base;

ovário súpero, unilocular, bicarpelar, com muitos óvulos; fruto seco, capsular, loculicida; sementes crassas e obovóides (Figura 11.1). Aproximadamente cinqüenta sementes são encontradas em cada um de seus frutos, e cada árvore chega a produzir mais de seiscentos frutos. Dessas sementes são retirados pigmentos de grande valor econômico, usados para as mais variadas finalidades, como adulteração de derivados da pimenta, aditivos de alimentos e outros, sendo um produto de grande exportação para a América do Norte e a Europa. Tradicionalmente, estas sementes são usadas até hoje pelos grupos indígenas da Amazônia para a pintura do corpo. O nome do gênero Bixa descrito por Carl Linnaeus deriva da denominação vulgar da espécie no Brasil. Exemplares da planta foram coletados nas duas regiões de estudo e submetidos à identificação taxonômica; a espécie coletada na região amazônica foi identificada como Bixa arboea, e a da Mata Atlântica, como Bixa orellana.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, a decocção das sementes é usada contra bronquite, febre e como afrodisíaco, enquanto a decocção das folhas é usada como antitérmico. Na região do Vale do Ribeira, a decocção das sementes é usada internamente contra bronquite e febre, especialmente em crianças. O chá feito com os brotos jovens é usado como antidisentérico, afrodisíaco, adstringente e para tratar problemas de pele, febres e hepatite (De Feo, 1992). As folhas cruas também são usadas para tratar problemas de pele, hepatite e como afrodisíaco, antidisentérico, além de como antipirético e digestivo (Duke et al, 1994). A espécie ainda é usada para tratar azia e problemas estomacais causados por comidas picantes, também como diurético e purgativo (Almeida, 1993).

Dados químicos
Nas sementes de Bixa orellana foi detectada a presença de terpenos do tipo E-geranolgeraniol (57% do peso), farnesilacetona, geranilgeranil octadecanoato e geranilgeranil formato e delta-tocotrienol (Jondiko & Pattenden, 1989). Além dos terpenóides foram identificados apocarotenóides,

Parte II - Dicotiledonae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica

como a bixina, e outro carotenóide, a nor-bixina, que juntos são responsáveis pela ação corante das sementes (Craveiro et ai., 1989; Chão et ai., 1991). A bixina é utilizada, fraudulentamente, como corante natural dos produtos derivados da pimenta vermelha, tais como páprica, pasta de páprica e outros (Minguez-Mosquera et ai., 1995). A substância apocarotenóide (1% do carotenóide total) isolada da casca da semente do fruto de Bixa orellana possui: 9'Z-apo-6'-locopenoato (Mercadante et al, 1996).

A análise do óleo essencial das sementes detectou a presença de 66,5% de hidrocarbonos e 12% de sesquiterpenos oxigenados. Dos compostos especialmente identificados constam alfa- e beta-pineno, alfa-elemeno, ischwarano, valenceno e amorfeno (Rath et al 1990). Além dos compostos citados, há também registro do isolamento de carotenóides: metilbixina, transbixina, beta-caroteno, criptoxantina, luteína e zeaxantina; de flavonóides: apigenina-7-bisulfato, cosmosiina, hipoaletina8-bisulfato, luteolina-7-bisulfato, luteiolina-7-O-beta-D-glucosídeo e isoscutelareína; de diterpenos: farnesilacetato, geranilgeraniol, geranil formato, geranil octadecanóico e ácido gálico (Gupta, 1995). Nas sementes dessa espécie foi descrita a presença de 40% a 45% de celulose; 3,5% a 5,5% sucrose; 0,3% a 0,9% de óleos essenciais; 3% de óleo fixo; 4,5% a 5,5% de pigmentos; 13% a 16% de proteínas, além de alfa- e beta-carotenóides (Zhang, 1992; Di Mascio, 1990).

Dados farmacológicos
O extrato aquoso de Bixa orellana promoveu atividade anti-secretora gástrica em ratos (Tseng et a., 1992), e o extrato clorofórmico promoveu atividade hipoglicemiante (Morrison & West, 1985; Thompson et ai., 1989). O extrato aquoso das sementes por via intraperitoneal promoveu diminuição da atividade motora, aumento da diurese e não apresentou sinais de toxicidade

(Paumgartten et al. 2002). O extrato etanólico dos frutos apresentou atividade antibacteriana (George & Pandalai, 1949), cuja potência foi recentemente confirmada contra algumas bactérias gram-positivas, tais como Bacillus subtilis, Staphylococcus aureus e Streptococcusfeccalis, e um discreto efeito contra Escherichia coli, Serratia marcescens, Cândida utilis e Aspergillus niger (Irobi et al., 1996). O extrato aquoso de Bixa orellana apresentou potente atividade inibitória à aldose redutase, assim como a substância isolada dele, a isocutelareína (Terashima et al., 1991). Outros estudos com preparados tradicionais mostram que o decocto das folhas é espasmogênico, ao induzir a contração do útero isolado de ratas (Rodriguez, 1988), o extrato aquoso das sementes apresentou atividade anti-hipertensiva (Rodrigues et al., 1987); e o extrato hidroalcoólico dos frutos apresentou atividades analgésica e antiinflamatória em camundongos (Nunes et al., 1998). O extrato solúvel em gordura de Bixa orellana é utilizado na coloração de manteiga de búfala (Ortega-Freitas et al., 1996), enquanto a maceração em álcool a 50% e a tintura de folhas de Physalis angulata mostraram atividade antigonorréica contra Neisseriagonorrhoeae in vitro (Caceres et al., 1995). O óleo essencial de Bixa orellana exibiu uma moderada atividade antibacteriana a Pseudonomas aeruginosa (Ontengro et al., 1995). A norbixina, um antioxidante extraído de B. orellana, não apresentou toxicidade significativa, porém registrou-se um aumento da massa hepática dos animais tratados, bem como foi observada atividade citostática in vitro (Laranja et al., 1998) e alterações na glicemia (Fernandes et al., 2002). Um metil-éster, trans-bixina, foi isolado e purificado a partir do extrato do pó das sementes de Bixa orellana. Essa substância causou hipoglicemia em cachorros, além de injúrias nas mitocôndrias e no retículo endoplasmático, especialmente do fígado e do pâncreas (Morrison et al., 1991).

Espécies medicinais da família Malvaceae Introdução
A família Malvaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 111 gêneros, nos quais ocorrem aproximadamente 1.800 espécies cosmo-

politas, espontâneas e tropicais (Mabberley, 1997). No Brasil é representada por 31 gêneros e cerca de duzentas espécies, incluindo ervas, arbustos, subarbustos e raramente árvores (Barrozo, 1978). Os principais gêneros com espécies medicinais são Gossypium, Hibiscus, Sida, Urena, Abutilon, Pavonia e Malva. Dessa família foram referidas inúmeras espécies medicinais, tanto na Amazônia como na Mata Atlântica, as quais são descritas a seguir.

Espécies medicinais Hibiscus furcellatus Desr.
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, Algodão-bravo ou Salsa-branca.
Dados botânicos

É um arbusto que pode atingir até 2 m de altura, com folhas ovadas, pecioladas e trilobadas, algumas vezes podendo ser penta-lobadas, dentadas com nervuras evidentes e salientes na parte inferior; as flores são rosas com manchas vermelhas, pedunculadas, solitárias e grandes; fruto do tipo capsular ovóide. O nome do gênero Hibiscus descrito por Carl Linnaeus deriva de íbis, deusa do antigo Egito.
Dados da medicina tradicional

A infusão das folhas é usada no combate a gases intestinais e como purgativo. Hibiscus rosa-sinensis L
Nomes populares

A espécie é denominada, na região amazônica, como Pampola. Outros nomes atribuídos à mesma planta são Pampoela, Firmeza-dos-homens,

Amor-de-homens, Amor-dos-homens, Aurora, Mimo-de-vênus, Papoula, Papoula-de-duas-cores, Rosa-branca, Rosa-louca, Rosa-paulista e Pampulha.
Dados botânicos

Arbusto pouco ramificado ou simples; caule redondo quase aveludado, com pêlos glandulosos e granulações estreladas; folhas pecioladas, lobadas, alternas, densamente pilosas ao longo das nervuras, com granulações estreladas na face superior; estipulas agudas, pubescentes; pedúnculos arqueados, arredondados, pubescente-aveludados; flores grandes, brancas de manhã e rosas ou vermelhas à tarde, pétalas ciliadas na margem; fruto do tipo cápsular com cinco lóculos; a cápsula é aveludada, com pêlos estrelados e glandulíferos (Figura 11.2).
Dados da medicina tradicional

O infuso das flores é utilizado contra insônia e como reputado alucinógeno.

Hibiscus

sabdariffa

L.

Nomes populares

A espécie é chamada, na região amazônica, de Vinagreira. Outros nomes da espécie são Caruru-azedo, Azedinha, Caruru grande, Quiabo-azedo, Quiabo-de-angola, Quiabo doce, Quiabo rosa e Rosela.
Dados botânicos

A planta é um arbusto anual de porte herbáceo e que pode atingir até 3 m de altura, com caule avermelhado, ramo e glabro, de onde partem ramos contendo folhas alternas 3 ou 5-lobadas, dentadas, 5-nervadas, com uma enorme glândula na parte inferior da nervura média; as flores são axilares, solitárias, rosas, com manchas escuras na base das pétalas; fruto do tipo cápsular. É uma planta amplamente cultivada em quintais como ornamental, pela beleza que apresenta quando florida, sendo ainda largamente usada na produção de recheios de doces, xaropes para confecção de geléias e o

famoso vinho de rosela (Corrêa, 1984), muito consumido antigamente, mas com pequena produção na atualidade.
Dados da medicina tradicional

A decocção das folhas é usada internamente como antitérmico, emoliente estomáquico. O suco preparado com os frutos também é indicado como antitérmico, além de ser comestível. Corrêa (1984) refere que as folhas, além do uso como tempero, são empregadas como emolientes estomáquicos, antiescorbúticos e febrífugos, enquanto as sementes e as raízes são diuréticas e tônicas.

Gossypium barbadense L.
Nomes populares

A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Algodão ou Algodoeira, mas também reúne vários sinônimos: Algodão crioulo, Algodão-dacosta, Algodão-da-guiné, Algodão-das-barbadas, Algodão-de-pernambuco e Algodão-folha-de-parreira.
Dados botânicos

Arbusto ramoso de até 5 m de altura, glabro; folhas pecioladas, alternas, largas, palminérvias, com estipulas eretas; flores amarelas, com manchas vermelhas na base das pétalas, grandes, vistosas, cíclicas, hermafroditas, axilares, solitárias; estames numerosos, com filetes parcialmente soldados formando o andróforo que envolve o gineceu; ovário supero; fruto capsular verde contendo seis sementes obovais, pretas, livres em cada lóculo, envolvidas por lã branca (Figura 11.3). O nome do gênero Gossypium descrito por Carl Linnaeus vem de gossum = "barrete", e "papo", referindo-se à cápsula.
Dados da medicina tradicional

O sumo das folhas é utilizado como expectorante e antimalárico e deve ser ingerido com um pouco de água, três vezes ao dia, até o alívio dos sinto-

aplicando-se topicamente as cinzas da seda (Emperaire. reunidas em fascículos axilares. O decocto das folhas é indicado contra hemorragias do ovário e no desarranjo menstrual. No Piauí é utilizado como antiinflamatório. na Bahia. de onde partem folhas pecioladas e lobadas. na região amazônica. Dados botânicos É uma planta anual e pilosa. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. como emético (Hoehne. . Sida rhombifolia L var. Nomes populares A espécie é chamada. freqüentemente com cálice roseado. com caule ereto e ramoso.mas. mas também de Ganchuma e Relógio. Malva parviflora L Nomes populares Na região da Mata Atlântica a espécie é chamada de Malva ou Marva. O gênero Malva descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente quarenta espécies de ocorrência em clima temperado e especialmente em áreas tropicais. lineares e de cor branca. Malva-preta. Vassoura e Relógio. emenagogos e as folhas (decocto). as flores são pequenas. as raízes são usadas contra moléstias uterinas. 1939). de Vassoura. como abortivos. canaiensis (Willd. fruto trígono com sementes vermelho-sangue vistosas. a decocção das folhas é usada contra febres e problemas intestinais. Schum.) K. no Pará. também conhecida como Malva-crespa e Malvaísco. 1982). enquanto um macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante.

no Rio Grande do Sul. Outros nomes atribuídos à espécie são Guaxima-roxa. é tido como útil. pubescentes na face superior e tomentosas na inferior. Em outras regiões do país. chamada de Caapiá. e o termo vulgar "Relógio" vem da pontualidade com que as flores se abrem e fecham diariamente. . como Minas Gerais. 1986). carpídio isolado com sementes trígono-achatadas (Figura 11. a planta é utilizada como béquica. axilares. Coaquibosa. Rabo-de-foguete. no Rio Grande do Sul. como Guaxima e Carrapichode-cavalo. Urena lobato L. na dose de três xícaras ao dia. na região amazônica. alternas..Vassourinha. var. pedras nos rins e como fortificante (Simões et ai. anti-hemorroidal. Aguaxima. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas curto-pecioladas. O nome do gênero Sida descrito por Carl Linnaeus é um antigo nome grego usado por Linnaeus. Malvaísco. febrífuga e estomacal (Gavilanes et ai. dispostas em racemos. Guaxima. e Guanxuma. reticulata (Cav.) Gurke Nomes populares A espécie é chamada. em São Paulo e no Rio de Janeiro..4). Na Mata Atlântica. contra desarranjo menstrual. Ibaxama. Carrapicho-de-lavadeira. 1982. Guaxuma. Malva-roxa. ramosa e pubescente. Grandi & Siqueira. Na Mata Atlântica foi citada uma espécie desse gênero. flores solitárias. mas esta não foi completamente identificada. Guaxiúba. róseas. O chá de toda a planta. a decocção das folhas de uma espécie desse gênero. as folhas são usadas como anticatarrais e emolientes. ereta. tônica. emoliente. 1982). Uacima e Uacima-roxa. Aramim. em Minas Gerais. popularmente conhecida como Caapiá. rombóideovais ou lanceoladas. Malva e Vassoura-do-campo. é de grande uso externo contra reumatismo. Dados botânicos Planta anual.

flores pecioladas. fruto do tipo capsular. mucilagens das espécies H. lobadas e de formas variáveis. comum às espécies desse gênero. 1977b e 1978). moschentos (Tomoda et al. H. solitárias. fosfolipídios (Tolibaev et ai. com grande destaque para as três nervuras centrais. de até 3 m de altura. syriaceus (Shimizu et al. 1986). Corrêa (1984) refere que a planta é emoliente. 1991). mas também é cultivada e espontânea em alguns países de clima temperado. 1977a. A planta é de grande ocorrência no Brasil e em outros países tropicais. cannabinus (Kulchik . suculentus (Moawad et al. pecioladas. emoliente e contra eólicas renais. ciclopropenos (Nakatani et ai. suculentus (Tomoda et al. onde se encontram glândulas nectaríferas. roxas ou rosas. pequenas.. cordiformes. 1987). H. Não foram citadas espécies medicinais desse gênero na região da Mata Atlântica. De suas pétalas foram isoladas antocianinas identificadas como cianidina-3-soforosídeo (Nakamura et ai. Tomoda & Ichikawa. 1990) e quatro novos compostos alifáticos (Nakatani et ai. 1985) e H. De H. 1986). rosa-sinensis foi isolado metil 2-hídroxisterculato (Nakatani & Hase. diurética e útil contra eólicas.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto. 3-7 nervadas. além de as flores serem consideradas excelentes expectorantes. um esterol denominado beta-rosasterol (Yu et ai. O nome do gênero Urena descrito por Carl Linnaeus deriva do uso da infusão das flores como expectorante. Dados químicos Hibiscus De H.. 1986. 1990). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. com ramos alternos cilíndricos. 1984).. cannabinus foram isolados. enquanto a infusão das flores como expectorante e a decocção das cascas empregada internamente contra afecções do digestivo... a decocção da raiz é usada como diurético. 1991). ligninas de H. de onde partem folhas alternas.

oléico e linoléico (Tolibaev et al. cannabinus foram isolados hidrocarbonetos. pelargonidina. sterculico. Duckart et al. arabinose e arabinan. o H. . Em cultura de tecidos. galactose. 1989). 1990). quercimeritrina. monoglicerídeos.4'-pentahidroxiflavona. Foram isolados também de H. vernólico e outros ácidos graxos (Farooqi & Ahmad. epoxiacilglicerídeos.-L-arabinosideo-7. lisofosfatidilcolina e lisofosfatidilinositol. 1991). sesquiterpenóides de H. sabdariffa foi determinada (Kalyane. ikshusterol. uma pectina típica (constituinte majoritário) (Mueller & Franz. Das sementes de H. kaempferol-7-O-alfa-ramnopiranosídeo. cianidina. cannabinus foram isolados ácido péctico (Saha et al. dois tipos de glocisídeos cianidinas (Mizukami et al. mutabilis também foram detectadas as antocianinas (Amrhein & Frank. esculentus furfuraldeído do ácido aldobiurônico (Shaw & Sen.5. abelmoschus (Maurer & Grieder. fosfatidiletanolamina. esculentus e H. betasitosterol. Um estudo da composição do mucopolissacarídeo das flores de H. 1988). tiliaceus (Ali et al. ácidos graxos livres. petunidina. além de genina e açúcares como delfinidina e cianidina. 1986).8.. além de 15% de ramnose. linolenato de metila. 1986. taxifolina e herbacetina. peonidina. Das pétalas de H. sabdariffa revela sua presença em 6%-8%. glucose. triacilglicerídeos.. 7-0alfa-ramnopiranosídeo.. 1989a e 1989b). De H. syriacus foram isolados 3-O-malonilglucosídeos de delfinidina. N-acilfosfatidiletanolamina.. sabdariffa produziu antocianinas. ácido 2-oxindole-3-acetilaminometilaspártico. mutabilis foram detectadas as presenças dos ácidos malválico. Me dioxindole-3-acetato e rutina (Ohmoto et al.. esterois livres. 1989). 1988). esterol ésters. beta-sitosterilglicosilado. kaempferol 3. 1988).-L-ramnosídeo e os flavonóides foliares saponaretina e saponarina (Bandyukova & Ligai.7. epi-ikshusterol. Husain et al.. 1990) e alfacelulose (Saikia et al. xilose e frutose (Pouget et al. malvidina (Kim et al.. No óleo das sementes de H. De H. ácidos palmítico... 1990). N-acilisofosfatidiletanolamina. moschentos foram isolados 3. 1991) e lactonas de H. 1978).. 1986. A quantificação das proteínas das sementes de H.et al. 1988). diacilglicerídeos. glicolipídios e fosfolipídios que incluem fosfatidilcolina.. 1977). De H. fosfatidilinositol. 1990a e 1990b).

resinas. óleo-dilinoleínas. syriacus também foi isolada mucilagem composta de polissacarídeos como L-ramnose. principalmente o esqualeno. araquídico.Das folhas de H. hirsutum (Schmidt & Wells. hidrocarbonetos. 1986). dipalmito-oleínas. miristoléico e palmitoléico. 1995). 1985). Gossypium As principais espécies do gênero Gossypium são G. 1978) e o gossipol (Zhou & Lin. barbadense determinou a presença de albumina. Foi feita a determinação de (-) gossipol e . Foram isolados de G. ácido D-galacturônico e ácido L-glucurônico (Shimizu et al 1986). Das sementes de G. D-galactose. Isolaram-se ainda os ácidos linoléico. palmito-dilinoleínas. barbadense foram isoladas proteínas solúveis em água (Yunuskhanov & Dzhalilov. Um estudo qualitativo e quantitativo das proteínas presentes nas sementes de G. hirsutum e G arboreum. oléico. esteárico. 1978) e polissacarídeos (Rakhmov et al. barbadense. sesquiterpenóides (0'Brien & Stipanovic. hirsutum também foram isolados amilose e amilopectina (Chang. 1987). corantes como carotenos. rainundii (Stipanovic et al. hirsutum e B. fosfolípides. barbadense vários flavonóides (El-Negoumy et al. De G. 1980). 1986. lecitinas. esteróis. xantofilas. dipalmito-linoleínas. diversos terpenóides (Hunter et al. Compostos terpenóides também foram determinados nas espécies G. mirístico. globulina. 1979) e G. prolamina e glutelina (Sammour et al. G. silianum (Kumamoto et al. também isolado de G. tocoferóis como alfa e gama-tocoferóis. 1986). 1985). mucilagens e proteínas (Costa. palmítico. glicerídeos como palmito-óleolinoleínas. 1979). Ermatov et al. 1995).

betasitosterol e stigmast-7-enol) também foram isolados das partes aéreas de P. fenilalanina e alanina (Ligai & Bandyukova.3%3%) (Bandyukova & Ligai. spinosa (Prakash et al. humilis. 1981). hirsutum (Mansour et al. S. ácido glutâmico e aspártico. Dados farmacológicos Hibiscus A administração oral do extrato etanólico 50% (400 mg/dia) de H. 1988). barbadense e G. O epidídimo apresentou uma diminuição de espermatozóides. De S. Sida Alcalóides foram isolados de S. 1988a). ácidos graxos como beta-sitosterol. Hidrocarbonetos (alcanos de cadeia normal e ramificada. Foi detectada também a presença dos aminoácidos livres serina. Das partes aéreas de S. As partes aéreas de S. e detectouse também a presença de baixas concentrações de taninos nas espécies G. 1987).(+) gossipol de G. quercimeritrina e herbacetina e as cumarinas. colesterol e stigmasterol (Goyal & Rani. stigmasterol. A extração das partes aéreas de S. isoquercitrina. rhombifolia e S. cordifolia contêm hidrocarbonetos saturados. vesícula seminal e próstata ventral foram . ácido palmítico. acuta. 1989b). As proteínas e o conteúdo de ácido siálico no epidídimo. campesterol. veronicaefolia foram isolados n-alcanos de cadeia longa (C13-36) e os fitosteróis. 1989a). 1997). espermátide e espermatozóide. hirsutum (Zhou & Lin. pristano. 1989). rosasinensis durante sessenta dias em ratos adultos machos sadios causou alterações degenerativas no espermatócito. S. hermaphrodita com etanol 70% obteve o maior rendimento de rutina (2. acuta (Goyal & Rani. escopoletina e escopolina e ácido clorogênico. rhombifolia foram isolados n-alcanos e esteróis (Goyal & Rani. hentriacontano e nonacosano) e fitosteróis (colesterol. esteárico e hexacosanóico (Khan et al. hermaphrodita contêm também os flavonóides. 1990). fitano. barbadense e G. Os valores hematológicos ficaram dentro da faixa normal. As partes aéreas floridas de S.

moschentos (Tomoda et al. sabdariffa foi caracterizada também como anti-hipertensiva (Onyenekwe et al. 1984. Ainda de H. com queda dos níveis plasmáticos de progesterona. e inibidora da broncoconstricção por ADP de H. 1986). antioxidante e anti-hepatotóxico (Liu et al.reduzidos nos animais tratados com H. 1987). Os componentes de Hibiscus mucilage apresentaram atividade anticomplemento em soro humano. esculentus (Medeiros et al. rosa-sinensis apresentaram uma forte atividade contraceptiva. tripsina e a alfa-quimiotripsina. Pai et al. hipoglicêmica de H. Com outras espécies foram verificadas atividades antitumoral de H. 1985). 1986. O ovário apresenta sinais de luteólise. rosa-sinensis foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Andrade et al. assim como uma forte ação citostática. bem como atividade hipoglicemiante (Tomoda et al. citotóxica. 2001). a administração oral do extrato benzênico das flores de H. Tan (1983) e Singwi & Lall (1980) e hipoglicemiante (Sochdewa et al. Pakrashi et al. Essas atividades. rosa-sinensis na dose de 1 gAg/dia durante cinco a oito dias encerra a gestação em 92% dos animais. 1989). rosa-sinensis foi de 100% nos ratos (Gupta et al. 1979). A espécie H. verificadas por Singh et al (1982). A luteólise pode se dar pela interferência hormonal. 1999). As flores de H. 1985). O extrato causa reabsorção do feto e diminuição do tamanho do ovário. sabdariffa foi capaz de inibir in vitro a conversão da angiotensina I e em menor grau a elastase. 2002). a atividade broncodilatadora (Medeiros et al. 1976a e 1976b ). no tratamento com Hibiscus. 1987). Haji & Haji.. O extrato das flores de H. causando o final da gestação (Pakrashi et al. rosa-sinensis (Kholkute & Udupa. Em camundongos. 1987). 1999. antiespermatogênica. 1990). A taxa de inibição de fertilidade com H. 2000). Não foram observadas alterações no glicogênio testicular. porém os níveis de colesterol subiram. e a atividade da enzima DELTA 5-3 beta-hidroxi-esteróide dehidrogenase do corpo lúteo diminui sensivelmente. O efeito angioprotetor em ratos se deu pela presença de flavonas e antocioninas no extrato (Jonadet et al. antimutagênica (Wang et al. sabdariffa (El-Merzabani et al. e de H. . 1992). O efeito está associado com a queda dos níveis de progesterona periférica e na diminuição da atividade da fosfatase ácida uterina. dificultando a implantação de óvulos e impedindo o desenvolvimento da gravidez em 92% dos animais (Kabir et al. esculentus.

1997). 1995). barbadense e G. principal constituinte do óleo do algodão. hirsutum são capazes de induzir a liberação de histamina por mastócitos e de promover alterações respiratórias em humanos (Elissalde et al. cordifolia apresentaram atividade de prevenção de cáries dentárias (Namba et al. Wang & Bunkers. barbadense apresentaram propriedades imunoquímicas (Ermatov et al. 1984). Extratos de S. 1980). Esses resultados indicam que a atividade antioxidante que está associada com o efeito anticarcinogênico de G. Um estudo extenso sobre essa substância e seus efeitos tóxicos pode ser encontrado no trabalho de Liener (1980). hirsutum e G. As proteínas das sementes de G. induziu esterilidade em ratos machos (Nadakavukaren et al. arboreum apresentaram atividade antibacteriana contra várias bactérias (Waage & Hedin. 2000) e tóxico (Bourke. rhombifolia (Bortoluzzi et al. Atividade antibiótica contra bactérias e fungos foi verificada com extratos de S. 1988) e S. Flavonóides de G. Sida Os alcalóides de S. Malva Para a espécie Malva parviplora existem relatos de atividade antifúngica (Wang et al.Gossypium O gossipol. 1982). serratifolia (Sawhney et al. 1985). acuta apresentaram atividade antimicrobiana (Gunatilaka et al. 1985). 1978). O estudo da atividade antioxidativa demonstrou que o extrato de Gossypium barbadense inibiu altas porcentagens da atividade hidrocarboneto hidroxilase produzido pelas enzimas microssomais hepáticas de camundongos induzidos por lindane. Terpenóides isolados de G. Os sintomas de intoxicação se dão pela presença do gossipol nessas espécies. barbadense tem uma importante função de proteção contra injúrias oxidativas (Awney et al. 1996). A atividade antibacteriana de compostos como alcanos e esteróis isolados de três espécies de Sida indicam que os hidrocarbonetos de cadeia longa .. 1979) e mostrou-se eficaz como agente antifertilidade em fêmeas (Nomeir & Abou-Donia. 2001.

et al. Das partes aéreas e folhas de S. incluindo árvores e arbustos. no Brasil ocorrem cerca de 120 espécies. 1998.são ativos contra bactérias gram-positivo e gram-negativo. Atividade antimicrobiana também foi detectada nas folhas e raízes de S. Franzotti et al. Fernandes et al. lobata apresentaram atividade antibacteriana (Mazumder et al. enquanto os esteróis são ativos contra seletivas bactérias. não foi observada atividade mutagênica (Sugai. Dombeya. 1997). rhombifolia. carpinifolia. nos quais se distribuem 1. V. 1988b). utilizadas popularmente para banhos ginecológicos e nos casos de inflamações da mucosa bucal. foram detectadas as atividades antiinflamatória e antimicrobiana (Santos. Bianchi et al. dos populares Chichá e Tacacá do Nordeste brasileiro. 1992).500 espécies tropicais. Sterculia. 1996). Helicteres e Waltheria. Os principais gêneros presentes no Brasil são: Byttneria. onde são encontrados em abundância. de grande cultivo em jardins. A introdução do grupo acetil no esterol propicia a diminuição da atividade do composto (Goyal & Rani. do valioso Cacaueiro Joly 1998). 2001). 1988. 1998). As espécies medicinais aqui descritas foram referidas na região amazônica. vulgarmente chamada de Guaxuma. Na região . com uso popular nas afecções respiratórias e digestivas. exceto Bacillus subtilis. todos típicos de cerrados e campos. cordifolia (Malva-branca). C. distribuídas em onze diferentes gêneros. porém com atividade tóxica (Bortoluzzi et al. poucas em áreas temperadas. Espécies medicinais da família Sterculiaceae Introdução A família Sterculiaceae descrita por Augustin Pyramus de Candole compreende 67 gêneros. Do infuso de S. 1998. Segundo Barrozo (1978). raramente ervas ou lianas (Mabberley. e o gênero Theobroma. onde também é comum a ocorrência de espécies do gênero Guazuma. Drena As raízes de U. F.

folhas com pecíolos curtos e carnosos. significa "manjar dos deuses". Dados da medicina tradicional Na região amazônica. onde podemos referir o Cupuaçu e o Cacau. Copoaçu. . com brácteas linear-lanceoladas.da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. duas das mais importantes e valiosas espécies. bem como nas comunidades locais da Amazônia. 1991). ex Spreng. 1990). liso e escuro (Figura 11. ovóide. oblongolanceoladas. O gênero Theobroma. O nome do gênero. o Cupuaçu é cultivado como uma fonte alimentar primária (Balee & Moore. pedunculadas. Theobroma. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica e em todo o Brasil de Cupuaçu.5). no Pará (Amorozo & Gély. Espécies medicinais Theobroma grandiflorum (Willd. medicinal e alimentar. fruto do tipo capsular grande. flores que brotam dos galhos. Cupu-assu. com estipulas caducas. na tribo ticuna da Amazônia (Schultes & Raffauf. de valor econômico. para o tratamento de diarréia. inclui vinte espécies vegetais de ocorrência na América tropical. e o chá da sua casca. com ramos longos. Em tribos indígenas amazônicas. Dados botânicos Arvore de grande porte. grossos e tomentosos. grandes e vistosas. com grande abundância no Norte e Nordeste do Brasil. 1988). Suas sementes são utilizadas para tratar dores abdominais. vermelho-escuras. ou por suas variantes: Cupuaçu. o suco das folhas é usado no tratamento da bronquite e de infecções renais.) Schum. descrito por Carl Linnaeus.

Outros nomes populares atribuídos a essa espécie são Cacao. Cacao forastero.9-tetrametilúrico. 1986).7. 1970. Cacao azul. flores dispostas no caule. com ramos curtos. Caca-y. grandiflorum). vermelho-escuras. Já a espécie T. mirístico. M.. usado no interior da região amazônica como excelente desodorante (Rodrigues. 1979). albuminas. folhas com pecíolos longos. Kakao. Pagonini et al. 1993). contêm flavonóides (Jalal & Collin.. speciosa possui ácido 1. ex Mart. mono. Dados químicos Assim como no Cupuaçu (T. fasciculadas. fornece sementes sucedâneas ao Cacau verdadeiro. Chocolate.e tri-insaturados (Costa. denominado Theobroma cacao L. et al. teobromina. ácidos esteárico. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Cacau. cacao desse mesmo gênero é usada nos casos de câncer e hemorróidas (Santos.3. inibidores fenólicos da a-amilase. oléico e linoléico.6). Cacaoyer. Outras indicações incluem o uso da cinza da madeira e da casca do fruto para produção de um sabão artesanal.. T. a planta é utilizada para o tratamento de infecções da garganta. Criollo. (Figura 11. fruto capsular ferrugíneo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Outras espécies desse gênero. glicerídeos di-saturados. cacao. inteiras. e a forma de uso se baseia na secagem das folhas a serem aplicadas na região afetada. cafeína (Maia et al. 1977).Theobroma speciosa Willd. no Amazonas. 1989). como a T. Dados botânicos Árvore de porte médio. tripsina . palmítico. globulinas (Voigt et al. 1992a e 1992b). até 10 m de altura.. oblongolanceoladas.

.5%) e o isoeugenol (8. T. que variou 50. nerol. A taxa de ácido graxos saturados/ insaturados variou de 1.6%. simiarum..(Quesada et al. geraniol. taninos condensados.. cafeína e teofilina foram detectados nas diferentes partes de duas variedades de T. As essências florais de T. tais como ácidos palmítico. cacao. 1995). derivados do ácido hidroxicinâmico. 1994). principalmente hidrocarbonetos saturados e insaturados. Durante a maturação da semente foi detectada a presença de fenóis. teobromina.37 a 1. antocianinas. longifoleno e citronelol (Erickson et al. nenhuma dessas quatro espécies vegetais apresenta teofilina (Marx & Maia. cacao foi caracterizado como de 190. 1991). quercetina3-0-glucosídeo. bem como em sementes de Theobroma grandiflorum. ácido cítrico. 1995) estão presentes nas sementes dessa espécie. T. 1987). Além de açúcares totais. 1989). subincanum. Os alcalóides teobromina.7% a 57. (-)epicatequina. 1986). Nessa espécie foi detectada a presença de hidrocarbonetos saturados. ácido lático. os maiores constituintes foram os monoterpenóides citral. Em T. Foi confirmada também a presença de (-)-epicatequina. ácido araquídico. e T. e sua goma encerra polissacarídeos (Figueira et al. pela presença de ácidos graxos. bicolor e T. diferentemente do T. augustifolium (Sotelo & Alvarez. esteárico e oléico (Griffiths & Harwood. (+)-catequina e antocianinas (Andebrhan et al.. dentre os quais o óxido de linalol (12. porém. 1991). 1986). T. taninos. cacao consistem de 78 componentes... xantinas e lipídios. speciosum. Esse constituinte também . 1996). Essas duas últimas substâncias atuam contra o fitopatógeno Crinipellis perniciosa (Vassoura-de-bruxa) (Andebrhan et al.. 1987).74% (SantAnna Tucci et al. Alcalóides purínicos (cafeína. 1994).2%). bicolor e T. cacao e também em T. Em T.9%). quercetina e esculentina (Bastide et al. procianidina B2. tais como o 1-pentadeceno e n-pentadecano. mariae. A gordura foi o principal constituinte das sementes de todas as amostras (Sotelo & Alvarez. cacao do Estado de São Paulo foi analisado quanto ao seu conteúdo de gordura. ácido erúcico e ácido lignocérico (Zakaria & Busri. o n-tricosana foi caracterizado como majoritário (12. flavan-3-ols. O T. ácido ecosadienóico. 1991). gorduras (Malini et al. mammosum foi detectada a presença de 58 componentes. O índice de saponificação da T.. Porém. augustifolium.. 1996). Em menor quantidade foi detectada a presença de ácido hexadecadienóico. teobromina e teofilina) foram encontrados em Theobroma cacao (Hammerstone et ai.

O fruto do Theobroma grandiflorum (Cupuaçu) apresenta em sua composição açúcares. Melzig et al.pode ser encontrado em culturas de tecidos de T. isolada dessa espécie vegetal. Dados farmacológicos das espécies e do gênero O extrato aquoso dos frutos de T.. A presença de epicatechina contribui para a inibição da lipoxigenose e o efeito antiinflamatório desta espécie (Schewe et al. clorofila. fenóis e taninos. cacao (Gurney et al. 1994) e antidepressora (Matsunaga et al. . 1997). Paganini et al.. 1997. 1989). 1992). teobromina e teofilina com seu efeito estimulante natural (Matissek. e a proantocianidina. et al. 1997. Aos polifenóis é atribuída também a atividade antiestresse em testes comportamentais em ratos (Takeda. 1997). bem como atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Perez & Anesini. Polifenóis antitumorais foram encontrados no extrato hidroalcoólico (60:40) das sementes de T. 1970.. M. 1992a e 1992b). análoga à manteiga de cacau. 1997). 2002). 1997). Inúmeras revisões têm sido feitas acerca das propriedades farmacológicas dos alcalóides derivados das metilxantinas. amido. proteína.. 1997). com ponto de fusão de 32°C (Rodrigues.. Esses polifenóis também foram responsáveis pelas atividades antioxidante e moduladora do sistema humano in vitro (Osakabe et al. As sementes fornecem 48% de uma gordura branca. A infecção das folhas com o fungo Crinipellis perniciosa é capaz de promover alterações na composição do fruto (Da Conceição et al. Sanbongi et al.... uma atividade analgésica (Santos.. cafeína. 2000). cacao apresentou um efeito vasodilatador. cacao (Yamagishi et al..

agudas no ápice e oblíquas na base. Outros nomes atribuídos à espécie decorrem desse nome indígena: Curuminzeira e Curuminzieira. serrilhadas. Na região da Mata Atlântica não foram citadas como medicinais espécies dessa família botânica. Essa família tem no Brasil um dos principais centros de dispersão. oblongolanceoladas. raramente ervas ou lianas (Mabberley. que compreende uma espécie medicinal denominada Açoita-cavalo. 1997). No Brasil. Triumfetta. folhas curto-pecioladas. de até 13 m de altura. Dados botânicos Árvore de porte médio. os gêneros mais comuns são Luehea. de outra espécie medicinal chamada Carrapicho-de-carneiro. com o nome de Curumin-nhapuá. . de numerosos estames livres. flores brancas com cinco sépalas e cinco pétalas. e aqui são encontrados treze gêneros e aproximadamente sessenta espécies (Barrozo. 1998). muito conhecida na região amazônica Joly. Espécies medicinais Muntingia calabura L. neste último está aqui descrita a única espécie referida na região amazônica como medicinal. Outras denominações são Calabura e Pau-de-seda. e Apeiba. sendo a maioria de árvores e arbustos. que a referiram como medicinal. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins. da planta Pau-de-jangada. Os principais gêneros são Tilia e Muntingia. 1978).Espécies medicinais da família Tiliaceae Introdução A família Tiliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 46 gêneros e 680 espécies subcosmopolitas.

calabura L. arredondado. vermelho. calabura foram isoladas Havanas. kaempferol 3-O-beta-D-galactosídeo.5%) e compostos carbonil (23. antiespasmódicas (Corrêa. Dados químicos das espécies e do gênero Das folhas e flores de M. compostos fenólicos (11.dispostas em pedicelos axilares. ácido caféico e ácido elágico (Seethraman. Dos frutos de Aí. ésteres (26. dos quais predominaram alcanos (44. fruto do tipo baga.3%). 1990). e salicilato de metila. aqui descrita como medicinal. inúmeras sementes (Figura 11. O nome do gênero foi dado por Linnaeus em homenagem a Abraham Munting. quercetina. denominado de 2-acetil-l-pirroline (1.. ovário 5-7 locular. Por destilação de arraste a vapor foram identificados 56 compostos. 1991).3%) os mais significativos. sesquiterpenóides (10.3%). 1984).9%). Foi observada a presença de potentes componentes de odor. calabura foram isolados polifenóis como kaempferol.7). e as flores. alcanos (15. . O gênero Muntingia descrito por Carl Linnaeus inclui uma única espécie. sendo ésteres (31. flavonas e biflavanas (Kaneda et al.3%).6%) e derivados furanos (8.7%).4%). indeiscente. A casca é emoliente. Do extrato citotóxico das raízes de M. Dados da medicina tradicional O chá das folhas é utilizado pelos índios tenharins para facilitar a expulsão do feto durante o parto. foram isolados por destilação a vácuo 42 compostos.

1998. Detalhe do ramo com flores (Desenho modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.1 -Bixa arbórea. e foto original por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .FIGURA 11.

2 .Hibiscus rosa-sinensis: a) ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Corrêa. 1984).FIGURA 11. 1998) (Banco de imagens - . b) detalhe do fruto aberto (segundo Gemtchujnikov em Joly.

Gossypium barbadense. Ramos floridos com detalhes das flores (Desenhos originais por Di Stasi e fotos originais por Hiruma-Lima) (Banco de imagens .3 .FIGURA 11.

canaiensis. 1998) (Banco de imagens .FIGURA 11. Detalhe do ramo florido e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.Sida rhombifolia var.4 .

Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens .FIGURA 11.Theobroma grandiflorum.5 .

6 .Theobroma speciosa. Detalhe do ramo florido (Flora brasiliensis) e detalhe do caule com frutos (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .FIGURA 11.

7 . Ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov) (Banco de imagens .Muntingia calabura.FIGURA 11.

cujas espécies sempre foram referidas apenas na família Moraceae. Da família Cannabaceae. Di Stasi L N. devemos salientar os gêneros Cannabis e Humulus: o primeiro. Em duas delas. Nos estudos realizados e apresentados neste livro. Relembramos aqui que empregamos neste estudo a revisão de Kubitzki sobre o sistema de classificação de Cronquist e. fonte de substâncias também tóxicas. amplamente conhecida como . As outras duas famílias dessa ordem. pois nela estão incluídas cinco famílias botânicas. e o segundo. Da família Urticaceae devemos destacar a ocorrência de espécies medicinais nos gêneros Parietaria e Pilea. espécies medicinais foram referidas na região amazônica e na Mata Atlântica. Cecropiaceae e Moraceae. das quais as famílias Moraceae. apresentamos distintamente as famílias Cecropiaceae e Moraceae.12 Urticales medicinais L. cujo uso abusivo é disseminado em todo o planeta. Cecropiaceae. por esse fato. duas espécies medicinais foram referidas: Cecropiapeltata. A. não possuem importantes espécies de valor medicinal. e o importante gênero Urtica. Seito C. fonte da maconha (Cannabis sativa). C. Hiruma-Lima A ordem Urticales é uma importante ordem da subclasse Dillenidae. Ulmaceae e Barbeyacea. Urticaceae e Cannabaceae possuem importantes espécies de valor medicinal.

Ambaíba. Imbaubão. Arvore-da-guiça. sendo este último o único importante como fonte de espécies medicinais e com grande ocorrência em todo o Brasil. folhas grandes. Ambaitinga. Ambaí. Figueira-de-surinam. longopecioladas. Ambatí. de Lixa. ao passo que na Mata Atlântica são comuns os nomes Embaúba e Umbaúba. Nomes populares Na região amazônica a planta é chamada de Imbaúba. alternas e protegidas por duas estipulas. Outras denominações populares são Aimbahú. e a espécie Sorocea bomplandii. peitadas acima do centro. distribuídas em seis gêneros: Coussapoa. a família Cecropiaceae fica definida como uma família que inclui aproximadamente 180 espécies. Espécies medicinais da família Cecropiaceae Introdução A família Cecropiaceae foi recentemente definida por Corneli C. Espécies medicinais Cecropia peltata L. Embaúba. Poiküospermum. Myrianthus. Arvore-da-preguiça e Torém. Dados botânicos Árvore com ramos curvos. referida com adulterante da Espinheirasanta. Imbati. Ibaituga. Ambahú. .Umbaúba e citada como medicinal tanto na Amazônia como na Mata Atlântica. lactescentes. Musanga. Pourouma e Cecropia. uma importante espécie medicinal da Mata Atlântica. Com esse novo arranjo. Toréin. Ibaíba. Berg e incorporada por Kubitzki em sua modificação sobre o sistema de Cronquist.

Dados químicos e farmacológicos Foram isolados flavonóides e cumarinas de C. adenopus. reunidas em densas inflorescências. a decocção das folhas é amplamente usada contra tosses. não foi detectada atividade inflamatória (Schenkel et al. O nome do gênero Cecropia vem de Cecrops. catharinensis.. peltata já foram detectadas atividades antimalárica e atóxica (Marinuzzi et al. a decocção das folhas é usada para facilitar o funcionamento dos rins e contra a malária (Corrêa. 1985). As folhas. Santos.1). ecoar". frutos nuculares. o látex é usado contra úlceras gangrenosas e cancerosas e verrugas.. a raiz é considerada útil contra tosse. obtusa foram detectadas as atividades anti-hipertensiva e diurética (Ribeiro. Na região do Vale do Ribeira. F. hidropisia. muitas delas de ocorrência no Brasil. filho da Terra. bronquite e gripes fortes. antililiásica (Domingos et al.. 1992.. Kerber. A. et al. 1986). catharinensis foi determinada atividade colinomimética bloqueável por atropina (Dalla-Costa & Rates. que significa "chamar. 1996). . Mal de Parkinson... C. 1994). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. A. C. O xarope dos brotos também é usado contra tosse. meio homem e meio serpente. et al. formando infrutescências inclusas (Figura 12. o chá dos brotos é tido como útil contra tosse e bronquite. Em C. referindo-se ao caule e aos ramos ocos das plantas desse gênero. A. glazioui foram detectadas as atividades antisecretora (Cysneiros et al. O gênero Cecropia descrito por Pehs Loefling compreende 75 espécies tropicais. Na espécie C. 1986. flores masculinas com dois estames e femininas com ovário súpero. Nas folhas do extrato de C. 1996b). lyratiloba (Menda.. asma. Das raízes de C. R. 1984b). unilocular. gemas e brotos são adstringentes. indicada popularmente como antiinflamatório. 1983). do grego. apresentou atividade hipotensora e atóxica (Borges. indicado popularmente como diurético e no tratamento de bronquites e asmas. 1998). 1984). carpelar.flores pequenas de sexo separado. usados na fabricação de instrumentos de sopro. Das folhas de C. et al. R.

distribuídas em 28 gêneros. Cysneiros et al. 1998. espasmolítica (Delia Monache et al. 1988.. 2002). Espécies medicinais Sorocea bomplandii (Baill. distribuídas em 38 gêneros. antiulcerogênica (Cysneiros et al.) Burger. dos quais se destacam: Ficus. usualmente com células lactíferas e grande produção de látex.. possui atividade antimicrobiana (Andra et al. Rocha et al. nos quais várias espécies medicinais são encontradas. A atividade hipoglicemiante foi constatada nas folhas de C. a família conta com aproximadamente 340 espécies. 2001). analgésico e relaxante muscular (Perez-Guerrero et al. obtusifolia (Andrade-Cetto & Wiedenfild. 2001). Astocarpus e Sorocea.. 1993 e 1996a). Dorstenia. característica marcante da maioria das espécies dessa família.. arbustos. 2001). que incluem árvores.. No Brasil. Rocho et al.100 espécies tropicais e poucas temperadas. Morus. na Mata Atlântica.depressora do SNC... e um dos compostos responsáveis é a isovitexina (Delia Monache et al. Esta mesma espécie apresentou baixa toxicidade. Lanjow & Bouer Nomes populares A espécie é chamada. 1997). 1988). lianas e ervas (Mabberley. Espécies medicinais da família Moraceae Introdução A família Moraceae. de Espinheira-santa. antidepressiva. 1998) e antimalárica (Marinuzzi et al. A cecropina. com inúmeras espécies usadas como ornamentais.. efeito depressor do SNC. Diversos estudos comprovaram a indicação como anti-hipertensivo. pois é confundida e coletada como a verdadeira Espinheira-santa. ansiolítica (Barettaetal. isolada de espécies deste gênero.. descrita originalmente por. Johann Heirinch Friedrich Link. 1992).. Em outras re- . compreende 1. 1998a e 1998b.

1993). A espécie é latescente. Gonzales et al. 2001) e antagonizou as contrações em úteros de ratos e íleo de cobaia (Calixto et al. primária e exclusiva do sub-bosque de matas primárias. especialmente da Mata Atlântica. Araçari. característica importante na diferenciação em relação à Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia. fruto do tipo baga. Esta mesma espécie apresentou efetiva atividade antiulcerogênica (Andrade et al. a infusão da espécie é usada contra dores de estômago.. Carapicica-de-folha-miúda. Soroco. bomplandii (Ferrari & Delle Monache. cilíndrico. com tronco ereto. da família Celastraceae). de face superior brilhante e inferior opaca.giões do país a planta é chamada de Cincho. Resple. 1993). de casca fina. folhas simples.. Flavonóides foram isolados de S. Laranjeira-do-mato. A planta é de ocorrência no Sudeste e no Sul do Brasil. ciófita. 2001. Dados Químicos e Farmacológicos A soroceina foi isolada de S. chegando a 10 cm de comprimento. bomplandii.. especialmente na Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 12 m de altura. Trata-se de uma espécie perenifólia. . ilicifolia e S. 2001. os dados etnofarmacológicos obtidos incluem o uso da espécie no tratamento de úlceras. onde ocorre em abundância e possui uma madeira empregada apenas pela população local para produção de cabos de enxadas e outros utensílios. bastante coriáceas e de bordas com pequenos espinhos. Folhas-de-serra.. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. Recentemente. inflorescências em rácimos axilares com flores verdes (femininas) e vermelho-escuras (masculinas). uso comum nas comunidades do Vale do Ribeira. Calixto et al. Canxim. quando não está em época de floração.

d) flor feminina. S. e) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Reis).1 . c) inflorescência.Cecropia peltata: a) vista geral da planta (foto M. 1998. (Banco de imagens .FIGURA 12. b) detalhe da folha.

M. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. das quais a terceira é uma importante fonte de espécies medicinais. M. Di Stasi Introdução A ordem Euphorbiales inclui apenas três famílias botânicas: Pandaceae. segundo Mabberley (1997). M.100 espécies espalhadas pelos mais variados tipos de vegetação (Barrozo. 1978). A família Euphorbiaceae. . 1997). nos quais estão distribuídas aproximadamente 8. comumente com células especializadas na produção de látex. C.100 espécies. lianas ou ervas. a família é representada por 72 gêneros. Thymelaceae e Euphorbiaceae. R. compreende 313 gêneros. No Brasil. com ampla distribuição e ocorrência no Brasil.13 Euphorbiales medicinais C. visto que os limites da diferenciação dos gêneros são pouco precisos. Os principais gêneros estão distribuídos em cinco subfamílias e. arbustos. especialmente encontradas em regiões tropicais e subtropicais (Mabberley. Hiruma-Lima A. Na família ocorrem árvores. com aproximadamente 1. Souza-Brito E. Guimarães C. A. Santos L. a maioria cosmopolita. Das centenas de gêneros. é urgente uma revisão da família.

e outras. estipuladas. Mabea. Dados botânicos Arbusto grande de até 6 m de altura. fruto seco. Pedilanthus. que são abundantes na região amazônica e na Mata Atlântica. devemos destacar inúmeras espécies usadas como ornamentais. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica como Sacaca e Cajucara. flores de sexo separado. febres. problemas hepáticos. dos quais referimos algumas espécies a seguir. belas quando floridas e muitas delas causadoras de irritação ocular. Espécies medicinais Croton cajucara Beth. da valiosa Mamona. O nome do gênero Croton descrito por Carl Linnaeus significa "carrapato". esquizocárpico. separando-se em três cocos. a maior produtora de borracha. com limbo dividido em lobos ou segmentos. reunidas em inflorescências racemosas com flores femininas inferiores.1). pecioladas. Espécies medicinais são referidas e encontradas em vários gêneros. espécie rica em óleo de rícino. sendo algumas árvores. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. icterícia e malária. Nesse gênero ocorrem 750 espécies tropicais. Do gênero Euphorbia. Uma importante espécie da região amazônica do gênero Hevea é a seringueira. sementes ricas em endosperma (Figura 13. Jatropha e Croton.devemos destacar Ricinus. enquanto a infu- . peninérveas. ervas e arbustos. folhas simples. lanceoladas. amplamente explorado comercialmente e cuja espécie Ricinus communis também é usada para diversas finalidades terapêuticas. atualmente cultivada em vários países. verdes. a decocção das folhas é utilizada contra dores de estômago. pela semelhança das sementes com esse animal. especialmente em Phyllanthus.

Não foram encontradas outras indicações populares para essa espécie. fruto seco. flores unissexuadas. Dados botânicos Arvore de até 4 m de altura. lactescente. Nomes populares A espécie é chamada. nodoso. A espécie é muitas vezes usada em substituição à Croton cajucara. no Ceará. estipuladas. é útil contra hepatite. a Sacaca. com ápice curtamente acuminado e base cordada. membranosas. glabras. Pinhão-do-paraguai. e Mandobiguaçu. Jairopha curcas L Nomes populares A espécie é chamada de Peão-branco. reunidas em inflorescências racemosas. esquizocárpico. Pinhão-manso. separando-se em três cocos. mas também de Peão. Pinhão Pinhão-branco. atingindo até 4 m de altura. na região amazônica. folhas alternas. Pião. grandes. amarelo-esverdeadas. de caule grosso. longo-pecioladas. de Sacaquinha. lanceoladas. lobadas. Dados botânicos A planta é um arbusto de porte médio. peninérveas. curto-pecioladas. palminérvias. Maduri-graça. Croton sacaquinha Croizat. Pinhãodos-barbados. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada via oral contra malária e problemas do fígado.são das folhas. no Pará. flores de sexo separado. misturada com Melão-de-são-caetano (Momordica charantia). Pinhão-de-purga. sementes ricas em endosperma. com brácteas . reunidas em inflorescências paucifloras. folhas simples. pequenas.

no Pará. e por isso deve ser sempre retirado antes do preparo do medicamento. deriva do grego iatros = "remédio". As sementes são eméticas (Corrêa. gineceu com ovário glabro e estigma bífido. Batata-detéu. são torradas. Pião caboclo. descrito originalmente por Carl Linnaeus e revista por Muell. O nome do gênero Jatropha. Arg. gripe (descascar a semente. assar a polpa na cinza. resina de copaíba e folhas de arruda é considerado útil contra derrame cerebral.2). esta passa a ser comestível e saudável). elipsóides e oblongas (Figura 13. fruto do tipo capsular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. lisas. Nomes populares A espécie é conhecida como Peão-roxo ou como Jalopão. as sementes são usadas contra dor de cabeça (tomar com cachaça ou torrar e fazer pílulas). constipação nasal e como purgativo. O preparado das sementes de Peãobranco com sumo de folhas de cravo. Raizde-téu. Jatropha gossypifolia L. o óleo das sementes é utilizado no Piauí como purgativo (Emperaire. flores masculinas com cinco sépalas ovadas e cinco pétalas. partir e tirar a "folhinha". 1988). raladas e utilizadas no preparo de infusão ou adicionadas ao leite para tratar sinusite. gengibre amassado. Outras indicações do uso local dessa espécie podem ser encontradas nas plantas Mocura-caá e Peão-roxo.lanceoladas. após a retirada do embrião. . Erva-purgante. coriáceo. tosse e catarro no peito (torrar com sebo da Holanda). 1982). Peão-pajé. contra feridas (Amorozo & Gély.. assim como para constipação nasal. sementes escuras. Peão-curador. secar até ficar fria. o chá das folhas é usado contra febre e fraqueza. dez estames. Mamoninha. colocar no café e banhar a cabeça). A população ribeirinha da região amazônica refere que o embrião da semente pode levar à cegueira pela alucinação que produz. 1984). Pinhão-roxo. a infusão das folhas é usada para lavar a cabeça e curar dores. enquanto as sementes. o látex é aplicado externamente. e phagein = "comer" (depois que extraído o composto tóxico da raiz.

útil nas obstruções das vias abdominais. O nome do gênero Mabea. ramosa. flores em grande quantidade agrupadas em rácimos. fruto capsular.Dados botânicos Árvore de pequeno porte. roxas. com folhas alternas. Outras indicações podem ser observadas em Mocura-caá. 1982). Em Brasília. as sementes são usadas contra gripes fortes (Barros. escuras e com pecíolos pubescentes. que nas flores masculinas podem formar um tubo petalóide. Dados da medicina tradicional O banho preparado com as folhas é utilizado como anti-séptico. contendo uma semente escura com pintas negras (Figura 13. palmadas e limbo dividido em lobos. descrito por Jean Baptiste Christophore Fuseé . as folhas untadas com sebo da Holanda e aquecidas no fogo são utilizadas na forma de compressa para dores de cabeça. 1982). No Pará. Mabea angustifolia Spruce ex Bth. grandes. no Piauí (Emperaire. glabras e estipuladas. lineares. cálice com cinco pétalas. A aplicação do látex no local é tida como útil contra feridas e mordidas de animais peçonhentos. o banho. folhas pecioladas. as folhas novas têm uso mágico pelas benzedeiras da região. e as folhas na cabeça. contra "mau olhado" (Amorozo & Gély.3). o chá das folhas é usado como antitérmico. contra feridas. dispostas em cimeiras paniculadas. contra "mau olhado". A planta é purgativa. com ramos pubescentes e estipulas compridas e lineares. trissulcado. Em outras regiões é chamada de Tacoari e Taquari. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 5 m de altura. Nomes populares A espécie é conhecida popularmente como Canudo-de-pito. flores unissexuadas. na hidrópisia e no tratamento do reumatismo (Corrêa. 1984). 1988).

a decocção da raiz ou o preparado de raiz com folha de abacate. a infusão das partes aéreas da planta é usada para expulsão de pedras dos rins e contra diarréia. Phyllanthus corcovadensis Muell. trissulcadas. O nome do gênero Phyllanthus. flor masculina fasciculada com três estames. ramificada. sendo um gênero que inclui cinqüenta espécies. distribuídas na América tropical. descrito por Carl Linnaeus. dividida na base em ramos cauliformes e em toda a extensão em ramos menores. reunidas em inflorescências do tipo glomérulo. estipuladas. significa "flor na folha". flor feminina fasciculada com ovário 5-7 locular. é tido como útil na expulsão de pedras dos rins. Arg. flores de sexo separado.4). com ramos glabros. folhas com limbo. alternas. Dados da medicina tradicional A planta é usada como diurético e dissolvente dos cálculos renais (Corrêa. Arrebenta-pedra ou Erva-pombinha. 1984). Na região amazônica. Não foram encontradas outras citações de uso medicinal dessa espécie.5 m de altura.Aublet. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil como o nome de Quebra-pedra. Na região do Vale do Ribeira. é usada como diurético e contra . que atinge até 0. incluindo as raízes. Dados botânicos Planta de pequeno porte. Dados da medicina tradicional Na região amazônica a infusão das cascas é utilizada como antitérmico. sementes minúsculas (Figura 13. cápsulas pequenas. refere-se a um nome comum e popular das Guianas. enquanto a infusão de toda a planta.

e os principais constituintes são alfa-pineno..8-cineol. cajucarina A e cajucarina B (Itokawa et al. é tida também como útil como desobstruente e contra problemas hepáticos e icterícia (Grandi & Siqueira.. dois clerodane diterpenos que apresentaram atividade antiinflamatória na inibição da fosfolipase A2 de veneno de abelha (Ichihara et al. foi descrita a presença da trans-desidrocrotonina (Itokawa et al. 1979... O óleo essencial das cascas de C. Dados químicos dos gêneros Crofon Da espécie C. A infusão das folhas. (1981) realizaram um grande estudo sobre a composição do óleo essencial de inúmeras espécies do gênero Croton.. 1991). Kubo et al. 1998). 1989). de ácido aleuritólico (Muller et al. principalmente por copaeno e cipereno (Nunes et al. Posteriormente. Das cascas de C. alfa-humuleno. 1992). é útil contra problemas do fígado. Em Minas Gerais. cajucara também foi isolada a sesquiterpenolactona desidrocrotonina (Simões et al. além de ser usada contra pedras nos rins. beta-cariofileno. Maciel et al. 2000). 1990. cajucara foram isolados cajucarinolídeo e isocajucarinolídeo..dores de barriga.. cajucara também foi caracterizado pela presença de sesquiterpenos. 1989. 1982). . desidrocrotonina copaeno Craveiro et al. 1986). transcrotonina. 1.

a C.3. glandulosus.16-epoxi-12-oxocleroda-13(16). alfa-cubebeno. enquanto germacreno B. foi determinada. acetato de propila. estragol.14dien-9-al e 3a. Das folhas de C. 1996). gama-elemeno. Os constituintes voláteis isolados de C.. Porém. eucaliptol. ludianus possui 1. zambesicums Muell. 3.5-trimetoxibenzeno. Foram também isolados triterpenos e o ácido 4-hidroxihigrínico (Krebs & Ramiarantsoa. betabourboneno e gama-cadineno.. mirceno. o óleo de C. chilensis foi isolada a clerodane e ácido crotônico (Borquez et al.. lundianus e a C. megalocarpus foram isolados o diterpeno clerodane. levatii foi isolado um diterpenóide neoclerodane. e chiromodine (Weckert et al. metil isoeugenol.6-trimetoxifenol. zambesicus apresenta também grande quantidade de limoneno (Menut et al. lechleri foi isolada a sinoacutina. alfa-guaieno. 1993a). Além disso.. Das partes aéreas de C. (E)-nerolidol e alfacadinol foram encontrados apenas em C. 1992). limoneno e outros. glandulosus (Neto et al.. 2. cortesianus foram isolados o clerodano. C.16-epoxi-12-oxo-cleroda-13(16). a printziano e um norclerodano (Siems et al.. alfa-ilangeno. 1995). cânfora. Ambas possuem em comum a presença de beta-cariofileno. Das cascas de Croton lechleri foram isolados também os diterpenos korberina A (I) e korberina B. e das cascas do caule de C. que não apresentou atividade cicatrizante (Carlin et al. gama-elemeno. crolechinol e ácido crolechínico (Cai et al. a levatina (Moulis et al.. propionato de etila. cadineno.. que apresentaram atividade antimicrobiana (Cai et al. e das folhas de C. As duas amostras possuem linalol e b-cariofileno como constituintes majoritários. 1995). hovarum: a 3a. 1992b).4-dimetoxifenol. 1996). Das cascas de Croton lechleri foram isolados 1. acetato de 3-metil-butanol. o epoxichiromodine e 3-O-acetoacetil lupeol (Addae-Mensah et al. 1992). alfa-humuleno. 1993b). metileugenol.8-cineol. Dois clerodane-diterpenos foram obtidos do extrato metanólico das cascas de C.. 2-metil-butanol.4. sitosterol. lechleri foram: acetato de etila.. sitosterol-b-D-glucopiranosídeo e b-sitostenona. Foi analisada a composição do óleo essencial de duas espécies de Croton. 3.cadideno. 4b-dihidroxi-15. allo-aromadendreno e torreyol. . aubrevillei J. e de C. acetato de 2-metil-butanol. 4-hidroxifeenetil.4b-dihidroxi-15. linalol.4-dimetoxibenzil. De C. 1996). p-cimeno. 1994). A composição do óleo essencial das cascas de C.. acetato de 1-butanol e 3-metil-2-pentanol (Bellesia et al.14-dieno. 1992).

De C. jatrofolona B. salutaris foram isolados sonderianol e diterpenos acíclicos e diterpenos tricíclicos (Itokawa et al.. ésteres e cetonas não-terpenóides. macwstachys (Herlem et al. argyrophylloides (Monte et al. 1992). jatroolona A.. e das cascas de C. 1992). Compostos terpenóides foram isolados de C.5'-pentahidroxirlavina (Aquino et al. Jatropha Das raízes de J. e de C. curculatiranas A e B (Naengchomnong et al. vomifoliol e ergasterol-5a-8a-endoperóxido (Hernandez & Delgado.3'. 5hidroxi-6. 1996).7b-dihidroxiannoneno e 6a. Do óleo de C. 6a. 1996). gossypifolios (Cespedes et al. 1988) e curcaciclina B (Auvin et al. 1986) e C. ácido 2S-tetracosanóico glicéride-1. stigmasterol. b-sitosterol.. hemiargyreus (Barnes & Borges. sonderianus foram isolados os diterpenos neo-clerodanos 6a-hidroxiannoneno. 1994). 1991). 1986). ruizianus foram isolados vários alcalóides (Del Castillo Cotillo et al. riangularis (Moura et al. 16hidroxijatrofolona. taraxerol. eudesmanos. . 1992). 1991). draco foram isolados os terpenóides b-sitosterol.. 1976). Altas concentrações de taninos foram encontradas em C. os triterpenóides jatrofolona A... (-)epigallocatequinae (-)-epi-3.7b-diacetoxiannoneno (Silveira & McChesney. jatrofolona B. e o diterpeno crotamaclina foi isolado de C. C. tomentina.. 1988).6-diona.. 1993). beta-D-glucosídeo e beta-sitosterol. Das raízes de C. castaprenol-11. taraxerol. 1995). draconoides foram isoladas as catequinas: (+)-ballocatequina.. 6-metoxi-7hidroxicoumarina.. eluteria foram isolados sesquiterpenos.. matourensis foi isolado o ácido maravuico um diterpeno. a seco-labdane (Schneider et al. jatrofina. 1981).7. 1991a).7-dimetoxicoumarina.. e das folhas de C.. De J. diasii (Alvarenga et al. enquanto alcalóides foram encontrados em C. nobiletina.5. sesquiterpeno fenol e diterpenos clerodânicos (Hagedorn & Brown. curcas foram isolados 5a-stigmastane-3. 3-hidroxi-4-metoxibenzaldeído é ácido 3metoxi-4-hidroxibenzóico e daucosterol (Kong et al. beta-sitosterol (Chen et al. Das partes aéreas de C. caniojana. sublyratus foi isolado o plaunotol (Nilubol.De C. jatrofol. curcas foram isolados ainda as latiranas.

1983).92%) e leucina (12. 1996. podagrida apresentaram 24%.. Teixeira. J. galvani (Guevara et al. . 1987). ácido araquídico e toxalbumina. mas não foi detectada a presença de taninos (Aderibigbe et al. os aminoácidos cistina (2. Banerji et al. malacophylla. 1996a) e jatrodiena (Das et al. valina (18. gossypifolia foram isoladas as lignanas isogadaína.. pohliana var. isoorientina..98%). 1990). galvani foram caracterizadas as presenças de alcalóides. sendo 0.30%) (Jain & Garg. alanina (28. 1988). gossypifolia e J. elbae. gossypifolia foram isolados os heptapeptídio cíclico.9%.. 1990).. 1987.26%. além de outros três derivados diterpenóides. caniojanae 1. ácido esteárico. Suas sementes possuem 50% a 60% de óleo.. todos utilizados no tratamento de tumores (Taylor et al.6% de ácido oléico. tlalcozotitlanensis e J. 1989).. Auvin-Guette et al. divica foram isolados beta-sitosterol. terpenos. vitexina e isovitexina (Xavier & D'Angelo. 14. Do caule de J. 0.71%).. 1989). 1986). glicina (19. Makkar et al. isoleucina (3. J. Do látex de /. denominada curcina (Costa.. 1995).07%)..15% e 15% de ácidos graxos saturados. e 43.9%. Das raízes secas de J./.60%. curcas. elliptica foi isolado como constituinte majoritária do óleo a d-selinina (Brum et al. Das folhas de J. ácido oléico.. 1997. 1988). 1996b). De J. Das cascas da raiz de J. curcas foram isoladas também várias lectinas. e delas foram isolados os óleos fixos: ácido palmítico. 2epijatrogrossidiona.. 1988.26% de ácido aracdônico. Das raízes de J. De J. multifida L. metionina (13. saponinas. citlalitriona e riolozatriona (Villarreal et al. 1997).. 1988). bem como o ácido nurístico. 1997). esteróides e glicosídeos. gadaína (Das et al. jatrofolona B. ciclogossina A e ciclogossina B (Horsten et al. compostos fenólicos. Dos rizomas de J. flavonóides..94%). 1988).11-bisepicaniojana (Jakupovic et al. 15. gossypifolia foram isolados os diterpenos jatrofolona A e jatrofatriona (Rahman et al. a lignana arilnaftaleno (Das & Banerji. Das folhas deJ. foi isolado de seu látex a albaditina. J. 1989a e 1989c). respectivamente (Raina & Gaikwad.9%).. ácido linoléico (Nasir et al. 0. arginina (0. um decapeptídeo cíclico a multifidol e o glucosídeo multifidol (Kosasi et al. gossypifolia foram isolados a lignana prasantalina (Chatterjee et al.1%). grossidentata foram isolados jatrogrossidiona. 1997).1997). As espécies. De J. mollissima foram isoladas orientina. Saponinas foram detectadas apenas em J.

1989. 1997). diterpenos. niruri. antibroncoconstritora e antiarrítmica (Ojewole.. Huang et al. 1977). P. ácido clorogênico. 1991). 1996. De J. Alcalóides foram isolados das folhas da P niruroides. 1984) e antibacteriana (Odebiyi. Yunes et al. assim como os diterpenóides de J.. P. discoideus. 1989a e 1989b. 1988. 1996. podagrica foram isolados vários esteróides e flavonóides. 1986.. 1996). 1988.. P. flavonóides. 1980). terpenos. 1988). enquanto em P. glucose e galactose (Hnatzyszyn et al. .. 1988). como sofraxidina e escopoletina (Hnatyszyn et al. 1996. klotzchianus foi isolado o orcinol (Kuster et al. 1986).... Hassarajani & Mulchandani.. Ahmad et al. da qual foram isolados alcalóides. Mabea Do látex do caule de M.. 1988. gossypifolia. triterpenóides (Joshi et al. cumarinas. 1985). 1986. virgatus (Babady-Bila et al. Singh et al... amarus e P... macrorhiza isolaram-se compostos triterpenóides com atividade antitumoral (Torrance et al. Anjaneyuly et al. neolignanas (Satyanarayana et al. 1990... Negietal. Singh et al. Phyllanthus Das várias espécies do gênero Phyllanthus. Mensah et al... hidroxiflavanona. 1986... 1983. excelsa foi isolado um diterpeno ingenana (Brooks et al. 1980 e 1981).Da espécie J. simplex. sellowianus foram detectadas as presenças de 7-hidroxiflavanona. Anjaneyulu et al. 1988. fistulifera foi detectado um naringenina coumaroil glucosídeo (Garcez et al. e um alcalóide denominado tetrametilpirazina (TMPZ). ácido caféico. a mais estudada é a P. 1996). De P. 1995).. Há revisões acerca desse gênero devido à diversidade de espécies existentes (Unander et al. 1996) e do alcalóide filantimida (Tempesta et al. 1981). levulose.. 1986) e vários outros compostos (Singh et al. que apresentou atividade bloqueadora da junção neuromuscular e hipotensora (Ojewole & Odebiyi.. E do seu látex foram isolados peptídeos cíclicos podaciclina A e B (Van den Berg et al. sacarose. 1990). Petchnaree et al. Ojewole & Odebiyi. 1991). Singh et al. Houghton et al. citral. e dos frutos de M. timol e carvacrol (Odebiyi. lignanas (Satyanarayana et al.

. 1989.. De P.. 1996). além de taninos (Zang. 1996) e fisalinas (Makino et al. 1997 e 1996a). C.. Das raízes de P. De P. 1996b). myrtifolius. 1988a. antidiabética (Silva et al. estas últimas também presentes em P angulata (Makino et al. 2001). foi determinado o conteúdo de ácido ascórbico. depressora do SNC (Hiruma-Lima. De P flexuosus foram isolados triterpenos.. antinociceptiva (Carvalho et al. 1995b).. Tanaka et al. 1998) e teratogênica (Crisostomo et al. 1998).. HirumaLima et al. 1996) antitumoral (Grynberg et al. 1999a). 1996). 1995).. cajucara apresentou atividade antiinflamatória. Lu et al. emblica L. além do alcalóide fisoperuvina (Hiroya et al.. 1996c)... Bighetti et al. 1988.. 1997). D. 1995a). Tanaka et al. inúmeras lignanas filamirícinas e os filamiricosídeos que aumentam a atividade da transcriptase reversa HIV-1 foram descritos (Lee. peviana foi descrita a presença de ácidos graxos no fruto e sementes (Aslanov et al.. 1988b). Em P. 1999) e antiulcerogênica (Souza Brito et al. 1987. Dados farmacológicos dos gêneros Croton A desidrocrotonina isolada das cascas de C.... et al. 2002. nalcanóis. hipocolesterolêmica (Martins et al.. analgésica. 1996). calisteginas (Asano et al. n-alcanos. 1999). 1993. Tanaka & Matsunaga. Em P acuminatus foi descrita uma lignana com atividade citostática denominada filantostatina A. 1998. francheti foram obtidos cicloheptano... 1996). ácido múcico e ácido gálico (Basa & Srinivasulu.. antiedermatogênica (Campos et al.. antiestrogênica (Luma Costa et al. e o extrato hidroalcoólico das folhas apresentou atividade hipolipidêmica em ratos (Farias et al.. 1988..De P. Li et al.. 1988. Das cascas dessa espécie já foram comprovadas as atividades hipoglicemiante (Cavalcante. 1996). antiinflamatória. alkekengi var. mínima foi isolada a fisalina L (Kawai et al.. fitosteróis e ácido tricadênico (Tanaka & Mastunaga. Farias et al. Z.. et al. 1995) e de carboidratos ésteres do ácido cinâmico (Latza et al. olenadienóis. . Farias et al.

1988) e C. 1985) e C. Costa. 1986).. C. estudos de toxicidade subcrônica com a desidrocrotonina alertam para o desenvolvimento de distúrbios hepáticos em ratos. 1988. mais comumente de C. glabelus (Novoa et al. tiglium foram isoladas duas toxinas crotina I e II. para crotina I foi de 0. hipotensora de C.. 1975). rhamnifolius (Silveira et al. anestésica local. presente nos casos de C. 2002a).. Ao final. 1985. pôde-se concluir que o poder cicatrizante da planta se dá pelas proan- . A crotina II também apresentou forte atividade inibitória sobre a síntese protéica em ribossomo (Chen et al. 1982). 1999b. Luz Paredes et al.. 1988). macrostachys (Mazzant et al. A DL50.Apesar de a desidrocrotonina não ter apresentado efeito citotóxico (Agner et al.. Ensaios in vitro indicaram que o látex não estimula a proliferação celular (Pieters et al. mucronofolius (Moraes Filho & Fonteles. lechleri. 1999).. penduliflorus (Anika & Shetty. Em outras espécies desse gênero foram verificadas inúmeras atividades farmacológicas. Sangue-de-dragão é um látex viscoso de coloração vermelha obtido de espécies de Croton. 1993. rangelianus (Lima et al. 1980. antiulcerôgenica de C.. O óleo essencial obtido de suas cascas apresentou atividade antiinflamatória. a ligana 3'.. A propriedade cicatrizante de Croton sp (sangue-de-dragão) foi testada com seus constituintes isolados: o alcalóide taspina. Propriedade antineoplásica potente foi determinada utilizando-se extratos de C. Tang et al. tranqüilizante. 1993.4-O-dimetilcedrusina e uma proantocianidina. 1982). 2001). C... sonderianus (Craveiro & Silveira. 1987).. C. 1988b) e substâncias isoladas de C. Chen & Pan. tiglium (Deshmukh & Borle... subtyratus (Kitazawa et al. antinociceptiva (Bighetti et al. 1980). et al. 1993). Batatinha et al.. entre outras. 1984). Das sementes de C.. lacciferus (Ratnayake et al. 1999) atóxica e excelente efeito cicatrizante e antiulcerôgenica (HirumaLima et al. 1994).. inseticida de C. 1983). C. campestris (Lima et al. com o uso prolongado (Rodriguez et al. 1987) e C. 2000a e 2002b). erythrochilus. Além da desidrocrotonina a atividade antiulcerôgenica foi atribuída também a crotonina. lacciferus (Bandara & Wimalasiri.23 mg/kg para crotina II. Foram verificadas ainda atividades laxativas com C.. cajucara (Hiruma-Lima et al. draconoides e C. anticonvulsivante e analgésica de C. penduliflorus (Asuku. 1988a). Atividade antibiótica contra inúmeras bactérias e fungos foi determinada com extratos de C. C.45 mg/kg e 2. zehnteri (Albuquerque et al. C. M.

Pieters et al. A fração anticâncer ativa foi isolada da mistura aquosa de Croton tiglium e Coptis japonica. berghei (Be &Truong. A mistura foi citotóxica em todas as linhagens de células tumorais testadas (Kim et al.32% de alcalóides e 2. 1992. Todos os três compostos bloquearam a contração induzida por estimulação nervosa.78% de flavonóides. lechleri foi testado em ensaios in vitro para avaliar sua propriedade citotóxica. Ao final dos experimentos. O efeito de C.tocianidinas que estimularam a contração do ferimento e formação de proteínas cicatrizantes (Pieters. 1994a e 1994b)... macrostachys foram isolados crotepóxido. antibacteriana e cicatrizante. Foi avaliado também o efeito antitumoral de alcalóide de Croton e da cisplatina sobre a membrana celular de eritrócitos humanos (Xy et al.. Do óleo essencial de C. nardus (Lemos et al. 1993). 1991). lupeol. os alcalóides de C. C. Atividade antimicrobiana também foi encontrada no óleo essencial de C. e a fração responsável pela atividade relaxante é a fração de alcalóides totais (Ribeiro Prata et al. 1992). tonkinensis contêm 0. lechleri sobre a proliferação das células endoteliais foi pouco significativo (Chen et al. 1992a). 1991a e 1991b). Os resultados sugerem que tanto o óleo essencial como o anetol e o estragol . Essa possui isoguanosina. 1994). As folhas secas de C. 1995). A crotepóxido possui atividade antitumoral contra carcinoma de pulmão de Lewis e carcinossarcoma de Walker (Addae-Mensah et al. betulina e ácidos graxos.. De C. berberina e outros alcalóides desse grupo. Das raízes de C. pôde-se constatar que a planta não apresentou atividade citotóxica e a atividade antibacteriana constatada foi atribuída aos compostos fenólicos e diterpenos existentes na planta.. Tanto o óleo essencial quanto o anetol e o estragol foram estudados em preparação de músculo isolado de rato. sonderianus foram isolados vários diterpenos acídicos.. tonkinensis reduziram significativamente a infecção de camundongos com P.. que apresentaram atividade antimicrobiana (McChesney et al.. 1995). zehntneri foram extraídos os constituintes majoritários anetol e estragol. campestris também apresentou atividade relaxante da musculatura lisa em diversas preparações farmacológicas. Ao final. O extrato etanólico bruto das folhas de C. Os alcalóides das folhas foram estudados quanto à sua atividade antimalárica.

p. 1993). Do látex de C. e um inseticida de plantas foi preparado a partir de C. eluteria é usado como atrativo de insetos (Tokumoto et al... Os extratos da sementes de C. antiplasmodial (Kohler . 1992). tiglium foram testadas in vitro e apresentaram efeito inibitório contra protease HIV (Ma et al. 1994). 1988). e detentores de atividade moluscicida contra Biomphalaria glabrata (Liu et al.7%) além de aminoácidos essenciais e lipídios (57. O óleo de C. pelo bloqueio da transmissão neuromuscular.. o alcalóide taspina (Itokawa et al. que apresentaram atividade antiviral (Tempesta. como também diminuindo os episódios de convulsões induzidas por pentilenotetrazol (Batatinha et al. 1995). Hirota et al. 1988). Do extrato clorofórmico das raízes de C.. Das sementes de J. curcas. 1989 e 1991).39 mg pela via i. 1994).. 1988. 1987. pelo aumento da concentração de cálcio (Albuquerque et al. 1997) e Schistosoma mansoni e S. 1990) o óleo de C. (Huang et al..possam ter dois sítios de ação na fibra muscular: na membrana pós-juncional.... curcas foram isolados ésteres forbálicos promotores de tumores (Horiuchi et al. 1991). 2000). 1991a). curcas foram isoladas três proteínas que apresentaram efeito tóxico potente em camundongos com DL50 de 6. diminuindo o comportamento exploratório e a locomoção.. Um alto grau de toxicidade em ratos foi encontrado nas sementes de J..9%) (Liberalino et al. 1989).. curcas foi isolada uma enzima proteolítica. 1992. Ubillas et al. 1995). zehntneri também foi capaz de alterar parâmetros comportamentais. curcas também foi purificada e caracterizada uma hemaglutinina (Asseleih et al. Do látex de J.. Uma análise química das sementes revela a existência de um alto grau de conteúdo protéico (26. Jatropha Das sementes de J. tanto na prova do campo aberto. 1997) antidiarrêica (Mujumdar et al. Das sementes de /. De Croton palanostigma foi isolada uma substância citotóxica. aromaticum foram isolados ácidos ciperenóico e (-)-hardwíquico. a curcaína (Nath & Dutta. tiglium (Fanetal. 2000). que apresentaram atividade inseticida (Bandara et al. haematobium (Rug & Ruppel... lechleri foi isolada grande quantidade de proantocianidinas. e no retículo sarcoplasmático.. Atividades larvicida (Karmegam et al.

1992). Dessa espécie foi isolada a jatrofona. multifida é utilizado como cosmético de pele e cabelos (Furuse et al.. 1996). 1997). O óleo das sementes de /.... A atividade moluscicida foi também derivada na espécie /. 1996).. F. apesar de sua utilização tradicional (Adewunmi & Marquis. 1990. 2000). Santos et al. De J.. 1992b e 1996). que apresentaram efeito citotóxico e promoveram hipertermia (Picha et al. espasmolítica (Trebien et al. 2001). Esse efeito da jatrofona pode ser decorrente tanto da etapa intracelular de transdução dos sinais como da mobilização dos níveis de cálcio intra e/ou extracelular (Dutra. 2001). curcas. gossypifolia apresentou atividades espasmolítica (Fontenele et al. multifida. 2000) responsável pela atividade antitumoral (Pessoa et al. De /. J. 1993). antiespasmódica (Silva et al. Esta mesma atividade foi observada em J. O látex de /. 1996). curcas foram isoladas curcusonas A e C.. 2002) e hemostática (Kone-Bamba et al. M. 1996.... que apresentaram componentes ansiolíticos e fraxetina com efeito analgésico (Okuyama et al. isabellii foi isolada a jatrofona. 1987b).. curcas foram ativas na intercalação de DNA (Gupta. P. cilliata foram isolados isoorientina e orientina. 1989c) e atividade antibacteriana (Aiyelaagbe. 1998). De J.. gaumeri (Sanchez-Medino et al. 1996)... A J.et al. grossidentata foi isolada a jatrogrossidiona. glauca (AlZanbagi et al. 1996).. et al. as quais apresentaram atividade leishmanicida e tripanossomicida (Schmeda-Hirschmann et al.. elliptica foram caracterizadas as atividades antiinflamatória. atóxica e anti-hipotensora (Paes et al. Mas o extrato metanólico dos seus frutos não foi capaz de apresentar atividade moluscicida.. 1987) também foram caracterizadas em J. usado tradicionalmente para o tratamento de feridas infecciosas. zeyheri foi isolada a jaherina. 1987) e tóxica (Brum et al.. As folhas de J. Dutra et al]. 1996). das contrações de preparações de músculo liso e cardíaco de maneira concentração dependente (Calixto & Santana.. 1992a. e de J. 1994). um diterpeno que possui atividade antimicrobiana (Dekker et al.. Das raízes de J. . et al. 1996). inibidora da agregação plaquetária (Dutra et al. apresenta constituintes anticomplementos do soro humano (Kosasi et al.. De J. 1987). que é moluscicida (Santos & Sant'Ana.

hipotensiva e hipoglicemiante (Srividya. 1994). que não foi capaz de proteger as células contra uma infecção aguda de HIV (Qian-Cutrone et al. urinaria promoveu resposta contrátil em traquéia isolada de cobaia (Paulino et al.. 1996)... O extrato etanólico dessa espécie apresentou atividade inibitória sobre a aldose reductase. . 1992). Santos et al. corcovadensis existem diversos relatos de sua atividade analgésica (Di Stasi et al. Gorski et al. 1985). De P. porém o mesmo tipo de extrato não foi capaz de promover a diurese em outro artigo (Gorski et al. 1995)... 1985) e contra hepatite do tipo B (Venkateswaran et al. Além disso. 1984) do extrato hidroalcoólico das folhas de P corcovadensis. O extrato hidroalcoólico de P.Phyllanfhus Diversas espécies do gênero Phyllanthus apresentaram efeito analgésico (Santos et al. 1995).. O extrato alcalóide de P niruri demonstrou atividade relaxante do músculo liso do trato urinário e biliar.. denominados filantina e fipofilantina e nirtetralina (Hussain et al. 1988. 1989). a geranina foi ativa em inibir a atividade diante da enzima conversora de angiotensina (Ueno et al. A atividade antihepatotóxica dessa espécie foi atribuída a dois compostos chamados de filantina e fipofilantina (Syamasundar.. obtidos da fração hexânica das partes aéreas do Quebra-pedra (Phyllanthus corcovadensis).. essa planta demonstrou atividades analgésica (Santos et al.. 1988). 1992. Do extrato metanólico das folhas dessa planta foi isolado o nirurisídeo.. 1995).. 1996a). anti-hepatotóxicas (Syamasundar et al. 1988). 1984. mas promoveu efeito relaxante em traquéia isolada de cobaia contraída por carbacol (Paulino et al. Na espécie P niruri foram determinadas atividades de redução no crescimento de cálculos renais (Melo et al.. Ribeiro et al. que foi atribuída aos compostos estigmasterol.. diurética. Existem relatos da atividade diurética (Ribeiro et al.. 1987). e o ácido elágico mostrou-se seis vezes mais potente que a quercitrina (Ueno. 1985 e 1986b. Di Stasi.. Foram também isolados dessa espécie antagonistas não-peptídicos da endotelina. 1987). campesterol e fitosterol (Santos et al. 1996b) e resposta contrátil na bexiga urinária de cobaia in vitro (Dias et al. 1995). o que leva pesquisadores a supor uma maior facilidade de expulsão de cálculos renais e vesiculares. Além disso. 1993.. Shimizu et al. 2000).

. 1996). A corilagina e outros flavonóides apresentaram atividade anticarcer in vivo e in vitro (Chen & Ren. corilagina... De P matsumurae foram isolados compostos polifenólicos como geranina. quercetina.. De P caroliniensis foram isolados fitosteróis... 1996). 1995). 1997).. . e o extrato diclorometano inibiu a função de neutrófilos (Paya et al. Seu extrato aquoso administrado oralmente durante três semanas provocou a diminuição dos níveis de glicose em ratos diabéticos (Hnatyszyn et al. ácido gálico e geraniina e flavonóides responsáveis pela atividade antinociceptiva (Filho et al. 1995)... niruri e P urinaria (Santos et al. 1997a e 1997b). De P emblica foi detectada a atividade antioxidante (Zhang et al. 1996.. 1996). Sane et al. propriedades antivirais do éster metílico do ácido dehidroquebúlico e ácido metil brevifolincarboxílico. caracterizadas como responsáveis pela atividade hepatoprotetora (Deb & Mandai. 1997). De P fraternus foram isolados flavonóides que apresentam atividade hipoglicemiante oral em ratos tratados com aloxana (Hukeri et al. ácido gálico e ácido protocatecoico. 1995). que apresentaram atividade inibitória sobre o crescimento do vírus HSV-1 (Zuo et al. e o extrato dos frutos foi avaliado quanto ao efeito protetor contra clastogenicidade induzida por sais de chumbo e alumínio (Dhir et al. ácido brevifolincarboxílico.. 1995). 1991). 1988). de P urinaria.. ácido elágico. 1990. das folhas e caules foram isoladas xantoxilinas que apresentaram atividade antifúngica (Lima et al.. 1996).. 1994).Do extrato etanólico dos caules e folhas de P sellowianus foram isolados elagitaninos identificados como furosina e geranina. Por meio de modelos in vivo foram caracterizadas as atividades antinociceptivas dos extratos de P. 1996). O extrato dos seus frutos possui antagonistas de estrogênio (Vessal & Yazdanian. Foram caracterizadas. Foi isolado de P sellowianus um alcalóide com atividade antibacteriana (Cechinel-Filho et al. 1996). Em ensaios in vivo foram observados mecanismos envolvidos com a atividade antinociceptiva (Miguel et al.. Foi caracterizada a presença das lignanas filantina e hipofilantina. O extrato aquoso dos frutos de P alkekengi foi capaz de modular a atividade aminopeptidase da pituitária e do hipotálamo basomedial (Vessal et al. O extrato de P amarus apresentou atividade potente no tratamento do vírus da hepatite B (Lee et al. Roy et al.

1984). A sintomatologia após o consumo é caracterizada por dor abdominal. 1987) e provoca náuseas. Croton As espécies do gênero Croton também merecem cuidados quanto à sua utilização. Quadros de hemorragia anal. 1979).. 1991c). Torpor. vômitos e diarréia. Em casos graves ocorrem espasmos musculares. coagulação e aumento no tempo de sangria foram verificados com o uso da polpa da semente. e ação estimulante da musculatura lisa. diversos casos de hepatite foram registrados confirmando portanto os resultados de Bighetti (1999b).. Pieters et al.. Um caso típico foi relatado para a espécie Croton cajucara. distúrbios respiratórios e eletrocardiográficos. 1986. hipotensão e desidratação. Existem registros de intoxição em crianças de J. Como conseqüência de seu uso crônico.Dados toxicológicos dos gêneros Jatropha Essa espécie é muito importante pelos efeitos tóxicos que produz. 1979). diarréia. 1979).. mutifida (Levin et al. amplamente utilizada sob a forma de chá no combate ao colesterol e em regimes de emagrecimento. hiporreflexia e coma podem ser conseqüência dos distúrbios hidroeletrolíticos (Schvartsman. cabras e carneiros (Abdu-Aguye et al. Itokawa et al. vômitos e diarréias em crianças Joubert et al. A presença de um complexo-lipóide nas sementes é considerada responsável pela dermatite causada. uma vez que existem diversos relatos de citotoxicidade para diferentes espécies do gênero (Mongelli et al. Ações simpatomimética e hipotensora foram determinadas com administração de jatrofona (Schvartsman. Rodrigues (1999) e Rodrigues & Haum . Efeitos como redução no tempo de protrombina. 1993. O óleo de suas sementes induz ao aparecimento de tumores de pele (Horiuchi et al. podendo causar a morte em humanos. Porros et al. náuseas. curcas em ratos.. Os glicosídeos da casca dessa semente possuem ação depressora sobre os sistemas respiratório e cardiovascular.. foram verificadas por Ahmed & Adam (1979). 1995.. 2000). redução no consumo de água. 1993. desidratação e morte são sinais de envenenamento por J. Hemorragias internas em diversos órgãos. Ahmed & Adam..

Croton cajucara: a) detalhe do ramo com flores e b) flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. Pieters & Vlietinck. FIGURA 13. tiglium (Bauer et al. Já foram isoladas também substâncias carcinogênicas de C. 1983.1 .(1999). 1998) (Banco de imagens . 1986). nos quais são descritas as atividades citotóxicas e hepatotóxicas desta planta..

2 -Jatropha curcas.FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e das flores (fotos originais por Hiruma-Lima). .

Jatropha gossypifolia. .3 . Hiruma-Lima).FIGURA 13. Detalhe do ramo com flores e frutos e detalhe das flores e frutos (fotos originais.

Phyllanthus corcovadensis: a) aspecto geral do ramo. c) flor masculina (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly. b) flor feminina. d) escanerata do ramo com folhas e flores (Banco de imagens . 1998).FIGURA 13.4 .

como Hypericum e Vismia (Hypericoideae). gomas. destacando-se inúmeros com importância medicinal no Brasil. No Brasil ocorrem várias espécies da família Clusiaceae. algumas delas de valor medicinal. No Brasil ocorrem 21 gêneros. Destacam-se nesses gêneros importantes espécies econômicas para a produção de madeiras. dentro de 45 gêneros de ocorrência em regiões tropicais (Mabberley. A família Clusiaceae foi descrita por Antonie Laurent de Jussieu e compreende aproximadamente 1. Hiruma-Lima L. A. 1978). . com aproximadamente 131 espécies de ampla distribuição por todo o território (Barrozo. sendo raramente descritas epífitas. Os gêneros são distribuídos em três subfamílias. Di Stasi Introdução A ordem Guttiferales inclui as famílias Guttiferae (também denominadas Clusiaceae). 1997). pigmentos. É composta por árvores. Calophyllum e Garcinia (Calophylloideae) e Kielmeyera (Bonnetioideae).14 Guttiferales medicinais C. Clusia. arbustos ou ervas. óleos essenciais e resinas. C.370 espécies. e Elatinaceae.

vismiaquinona A-C (Nagem & Faria. Em outras regiões. com distribuição restrita à América tropical. e algumas na África. Em V. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. comerciante de Lisboa que se dedicava à Botânica. descrito por Domingos Vandelli. Trata-se de uma espécie semidecídua. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Lacre. Dados químicos do gênero Nas folhas e caules de V. com ocorrência em formações secundárias. O tronco ereto possui casca grossa. as folhas são simples. ácido crisofânico. O gênero inclui aproximadamente 35 espécies. foi dedicado a Visme. damaradienol.Espécies m e d i c i n a i s Vismia japurensis Reich. opostas e com borda inteira. damagascina. Não houve registro de espécies medicinais dessa família no levantamento realizado na Mata Atlântica. Pau-de-lacre e Purga-de-vento. e várias têm valor medicinal. como Picharrinha. sendo facilmente cultivada. também chamada de Lacre. euxantona. coriáceas. inflorescências em panículas terminais com flores branco-amareladas e fruto do tipo baga. a maioria é fornecedora de resinas. o látex é usado topicamente no tratamento de impetigo. a espécie mais conhecida é a Vismia brasiliensis. 1990). ácido betúlico. friedelina. martiana foi observada a presença de sitosterol. O nome do gênero Vismia. guianensis foi detectada a presença de dois compostos fenólicos: a vismiona . pecioladas. madagascina. No Brasil. Dados botânicos A espécie é uma árvore que atinge de 9 a 11 m de altura e possui uma copa larga e densa.

1995. 1999)... indicado para dermatofilose. 1983). micrantha foram isolados xantonas. 2000) e benzofenonas e benzocumarinas (Seo et al. guaramirangae foram isoladas xantonas e xantolignóides (Delle Monache et al..5'dimetoxisesamina (Camele et al.. 1999) em V.. vários triterpenos.. Moracelli et al.e a ferruginina (Pasqua et al. p-o. conhecido popularmente como Lacre. De Vistnia caynnensis. 1982). Em V. et al.. Neles observou-se inexistência de efeito mutagênico ou citotóxico (Borges et al. como a friedelina. 1995).. . e em V. clorofórmicos e hexânicos apresentaram atividade imunodepressora e supressora de IgM (Guerra & Souza.. vulgarmente chamada de Pichirina. da planta fresca (Tokarnia et al. popularmente chamado de Lacre ou Picharinha.. 1979). Das raízes de V. as antraquinonas isoladas do fruto apresentaram atividade imunoativante (Pinto Jr. 1997). magnoliaefolia. benzofenonas (Fuller et al. 1993). Os extratos hidroalcoólicos. Foram realizados testes de toxicidade com o fruto do Vismia reichardtiana.. O extrato etanólico da folhas. Porém. apresentou atividade hipotensora (Prazeres et al.japurensis Rich. cayennensis. foi estudado um extrato etanólico dos frutos verdes que promoveu uma atividade depressora do Sistema Nervoso Central. De Vismia guineensis foi isolado vismiona o H com potencial atividade antimalarial (François et al. 2-isorenilemodina e 5. não foram observados sinais de toxicidade em bovinos até a dose de 10 g/kg. 2000). flavonóides e triterpenóides (Nagem & Ferreira. Dados farmacológicos do gênero De Vistnia d.. 1996). 1994). 1996).. Xantonas e antraquinonas (Bilia et al.

225 espécies tropicais e raramente em climas temperados. Os principais gêneros com espécies medicinais são Embelia. ainda não identificada completamente. 1997). Hiruma-Lima Introdução A ordem Primulales compreende apenas três famílias botânicas: Primulaceae. nos quais se distribuem 1. C. arbustos e lianas. das quais se destacam espécies medicinais na família Myrsinaceae. Rapania e Cybianthus. Descrevemos a citação de uma única espécie do gênero Cybianthus.15 Primulales medicinais L. mas aqui referida dada a sua importância como medicamento para os índios tenharins. . descrita por Robert Brown. sendo a maioria árvores. e poucas espécies herbáceas (Mabberley. Theophrastaceae e Myrsinaceae. Nessa família ocorrem 33 gêneros. Di Stasi C. A.

O gênero foi descrito por Carl Friedrich Philip von Martius e inclui aproximadamente 150 espécies de clima tropical. reunidas em inflorescências axilares. actinomorfas.Espécies medicinais Cybianthus sp. curtas. sem estipulas. O nome do gênero Cybianthus vem do grego kybos = "cubo". referindo-se à forma radial e tetrâmera da corola. flores pequenas. Observação: Não foram encontrados estudos sobre plantas deste gênero. e anthos = "flor". dispostas em racemos. Dados botânicos Pequeno arbusto com canais secretores na forma de pontes ou estrias nas folhas. . bicarpelar e unilocular com óvulos unisseriados (Figura 15. Nomes populares A espécie é chamada pelos índios tenharins de Moitini-nhopoã. androceu com cinco estames opostos às pétalas. diclamídeas. Não foram encontrados sinônimos para ela. ramos. folhas alternas. ovário supero. inteiras. flores e frutos.1). Dados da medicina tradicional Os índios tenharins utilizam o chá das folhas contra veneno de cobra.

Cybianthus sp. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Martius) (Banco de imagens .FIGURA 15.1 .

incluindo o uso interno do macerado em água da semente para o tratamento de inflamações e o uso tópico das sementes cruas e frescas contra inflamações. a população do Vale do Ribeira refere o uso do xarope das folhas. gripes e bronquites. . uma espécie da família Capparidaceae foi referida em uma das regiões de estudo e é descrita a seguir. A espécie Brassica nigra reúne diversas aplicações na medicina tradicional do Vale do Ribeira. apesar de seu amplo uso em todo o mundo. A. essas espécies não foram referidas como medicinais. onde se encontram mais facilmente inúmeras espécies das famílias Capparidaceae e várias outras cultivadas da família Brassicaceae. Na região amazônica. no entanto. Para a espécie Nasturtium officinale. enquanto a decocção das folhas e talos é usada contra bronquites. Essa ordem possui pequena importância como fonte de espécies medicinais. assim como a infusão das partes aéreas contra tosses. anemia e distúrbios da tireóide. C. Di Stasi A ordem Capparidales inclui treze famílias com pequena distribuição no Brasil. ambas cultivadas ou obtidas no comércio local. além de seu consumo como condimento.16 Capparidales medicinais C. Da família Brassicaceae foram referidas duas espécies medicinais de uso na região do Vale do Ribeira. Hiruma-Lima L. Brassica nigra (Mostarda) e Nasturtium offiánale (Agrião).

1978).Considerando que essas duas espécies são amplamente usadas e comercializadas em todo o mundo. com muitas flores rosas e bonitas. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante espinhento e ramificado. com seus representantes incluindo ervas. possui folhas compostas com 5 a 7 folíolos. optamos apenas por referi-las como medicinais de uso comum na região do Vale do Ribeira. tem aproximadamente 39 gêneros e 650 espécies. e a espécie Cleome latifolia. no Brasil ocorrem apenas nove gêneros e aproximadamente 45 espécies. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com o nome de Muçambé ou Mussambé. tem valor medicinal na região amazônica. que justifi- . descrita por Antoine Laurent de Jussieu. raramente são descritas lianas (Barrozo. Espécies medicinais da família Capparidaceae Introdução A família Capparaceae ou Capparidaceae (Dicotyledonae). Capparia e Maerua.5 m de altura. 1997). que atinge até 1. espalhadas nas regiões tropicais (Mabberley. Os principais gêneros são Cleome. inflorescências terminais bastante vistosas. e amplamente conhecidas e descritas em inúmeros livros e estudos. descrita a seguir. Espécies medicinais Cleome latifolia Vahl. arbustos ou pequenas árvores.

1996). das quais um número muito pequeno (seis) é usado como medicinal (Mabberley. além do cabralealactona e do ácido ursólico (Ahmad & Alvi. 1987). Dados químicos Do gênero Cleome foram isolados flavonóides (Sharaf et al... O gênero Cleome inclui aproximadamente 150 espécies tropicais.. droserifolia foram isolados os flavonóides quercetina-3-Oglucosil-7-O-ramnosídeo.7-di-O-ramnosídeo e 3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo (Yang et al. amblyocarpa foram isolados cleoamblinol A (Ahmed et al. incluindo a Cleome latifolia. Várias espécies desse gênero. um flavonol. De C.03%) e isorhamnetina e 3-O-neohesperidosídeo (0. De C. a única betaína descoberta em espécies do gênero Cleome (McLean et al.. 1990). bonanzina (0. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1988) e um diterpeno macrocíclico. 1997). e das partes aéreas de C. 1997) e glicinebetaína.0025%). isorhamnetina-3-0-glucosil-7-0-ramnosídeo. a infusão da planta toda é usada internamente como analgésico e antitérmico. Essa espécie é facilmente cultivada em todo o Brasil a pleno sol e muito usada ao longo de cercas.0075%). O extrato metanólico da planta toda de C. 1986).0013%). kaempferol. Dados farmacológicos De Cleome africana foram isolados esteróides triterpenóides que apresentaram atividade antitumoral (Nagaya et al. Das sementes de C. 1995). a diacetoxibraquiicarpona. kaempferitrina (0. os flavonóides artemetina (0.... o ácido cleomaldéico (Jente et al.. 1997) e triterpenos (Harraz et al. 3..06%) (El-Din et al.7-di-O-ramnosídeo (0. são cultivadas e usadas como ornamentais. viscosa apresentou um . 1997b). 1990)... brachycarpa foi isolado o triterpenóide cleocarpone (Ahmad et al.cam seu uso como ornamental. um trinortriterpenóide dilactona. a isoramnetina 3. 1997a) e citotóxica (Nagaya et al. viscosa foram isolados cleomiscosinas (Kumar et al. 1990).

1995a) e antioxidante (Selloum et al. . 1992). 1995b). 1999). gynandropsis Samy et al.. De C. viscosa (Samy et al... droserifolia apresentou atividade hipoglicemiante e hipocolesterolêmico (Nicola et al... 1999).efeito inotrópico sob os batimentos espontâneos in vitro. popularmente conhecido como Mussambé. A propriedade antibacteriana foi constatada em C.. A mesma atividade foi observada em Cleome spinosa. C. A espécie C. além de antiagregadora plaquetária (Medeiros et al. arábica foi isolado flavonol que apresentou atividade antiinflamatória comparável ao do diclofenaco em ratos (Selloum et al. Lemos et al. 1996).6-diona como as substâncias inotrópicas que aumentaram a amplitude do batimento cardíaco pela inibição da atividade Na+-K+ ATPase (Huang et al.. No extrato etanólico das raízes de Cleome sp. foi detectada a atividade espasmolítica (Barros et al.. Foram isolados o stigmast-4-en-6b-ol-3-ona e stigmast-4-en-3. 1995).. Chrysantha (Hashem & Wahba. 2000) e C. 1996). 1970).. 1993.. A espécie Cleome brachycarpa foi testada quanto à sua atividade sobre a musculatura lisa intestinal (Tanira et al.

Seção 4 Rosidae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

Di Stasi C. . e muitas das espécies da família Crassulaceae e Rosaceae são amplamente cultivadas como alimentares ou ornamentais. com inúmeras espécies medicinais. Em Rosaceae também são encontrados os principais exemplos de espécies cultivadas e usadas como alimentares e ornamentais. Crassulaceae. a qual foi identificada apenas até o gênero. sendo raro o informante que não conheça ou não cite a planta como medicinal. destacando-se em Crassulaceae as plantas do gênero Kalanchoe. Saxifragaceae. em razão do uso prioritário da planta como frutífera. Rubus e Prunus. a qual descrevemos a seguir. Pittosporaceae. Várias espécies dessa ordem são medicinais. espécies dos gêneros Spiraea. e de Rosaceae. das espécies medicinais dessa ordem foi referida apenas uma da família Chrysobalanaceae. Na Mata Atlântica foi referido o uso de uma espécie cultivada da família das Rosaceae amplamente consumida como alimento. a espécie descrita a seguir tem uso disseminado e generalizado na região de estudo.17 Rosales medicinais L. Rosaceae e Chrysobalanaceae (Barrozo. No Brasil só ocorrem representantes das famílias Cunoniaceae. Hiruma-Lima A ordem Rosales inclui 22 distintas famílias botânicas. A. C. Na região amazônica. No entanto. 1978). Não apresentamos uma revisão geral dessa espécie ou desse gênero.

inteiras. alternas. O nome do gênero Hirtella descrito por Carl Linnaeus deriva de hirtus. cíclicas. É considerada por muitos autores uma subfamília das Rosaceae e. incluindo este último uma das espécies mais usadas e conhecidas na região de estudo. com cerca de 460 espécies tropicais. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Marapuama.1). Chrysobalanus e Hirtella. Os principais gêneros dessa família são Licania. sépalas e pétalas livres. flores pequenas. segundo Barrozo (1978).Espécies medicinais da família Chrysobalanaceae Introdução A família Chrysobalanaceae inclui aproximadamente dezessete gêneros. folhas simples. muitas delas usadas para a produção de carvão. estipuladas. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. fruto do tipo drupa. onde ocorrem 120 espécies. diclamídias. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. o centro de dispersão dessa família é a Amazônia. . corola com cinco pétalas. ovário unilocular. referindo-se ao tipo de pilosidade. incluindo árvores e herbáceas. Espécies medicinais Hirtella sp. distribuídas em seis gêneros encontrados no Brasil. e inclui aproximadamente 103 espécies tropicais. zigomorfas. peninérveas. encontradas especialmente nas Américas e algumas na África. cálice gamossépalo com cinco lacínios. com semente sem endosperma e sulcos longitudinais (Figura 17.

da histórica Spiraea ulmaria. como é o caso das espécies do gênero Rosa. que inclui a espécie aqui descrita e referida como medicinal. Os principais gêneros estão distribuídos em quatro subfamílias: • Spiraeoideae. e • Prunoideae. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. toxicologia e química. é utilizada como afrodisíaco. Agrimonia e Fragaria. com aproximadamente 1. • Rosoideae. arbustos e ervas (Mabberley. da qual foi isolado o ácido salicílico. Rubus e Quijala.Dados da medicina tradicional A raiz da planta. a maioria nos gêneros Prunus. encontradas em climas temperados. com destaque para o gênero Spiraea. primeira substância a ser comercializada como medicamento. No Brasil há poucas espécies. Normalmente são árvores de pequeno porte. no que se refere à farmacologia. ralada. e inúmeras em climas subtropicais e tropicais. como a . a famosa aspirina. também se utiliza o chá contra reumatismo. e raiz bifurcada para as mulheres. • Maloideae. Potentila. com destaque para os gêneros Rubus. preparada com aguardente ou vinho branco e ingerida por seis dias consecutivos em jejum. compreende 95 gêneros.825 espécies subcosmopolitas. ou frutíferas. aliás um dos mais consumidos em todo o mundo. do gênero Frunus. Observações: Não foram encontrados dados na literatura sobre espécies desse gênero. que inclui. a partir deste se sintetizou o ácido acetilsalicílico. entre outros. 1997). A população distingue a planta em duas: com raiz pivotante que deve ser usada pelos homens. os gêneros Crataegus e Malus. Espécies medicinais da família Rosaceae Introdução A família Rosaceae. e outros gêneros normalmente de espécies cultivadas como ornamentais.

flores vistosas brancas. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado como antiinflamatório. Ameixa. a planta é chamada popularmente de Ameixa ou Ameixeira.Maçã (Malus). e contra diarréias. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Damasco. doce e com uma única semente. comestível e saboroso. de margem serrada. onde algumas têm sido aclimatadas e cultivadas em áreas de climas mais amenos. Pêssego. Cereja. . Morango (Fragaria). A infusão da casca do tronco é usada contra dores de barriga e diarréia. O gênero Prunus descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente duzentas espécies. Nomes populares Na Mata Atlântica. pendente. Dados botânicos A planta é uma árvore de pequeno porte. fruto do tipo drupa. Pêra (Pirus). ásperas. com folhas alternas. de cor roxo-escura ou amarelo-ouro. carnoso. Groselha e Moranguinho (Rubus). Marmelo (Cydonia). O nome do gênero corresponde a "ameixa". que existe em grande número. Espécie de grande valor econômico pela delícia de seus frutos e pela ampla ocorrência e cultivo na Europa e também no Brasil. lanceoladas. solitárias e/ou geminadas. em latim. Abricó e outras do gênero Prunus (Joly. e a infusão dos frutos. a maioria de climas temperados e raramente encontradas espontaneamente em climas tropicais. dependendo da variedade. a decocção das folhas é usada contra dores. dispostas em fascículos do tipo umbela. 1998). assim como em várias regiões do país. especialmente de cabeça. Espécies medicinais Prunus domestica L.

. FIGURA 17. Corrêa (1984) refere que os frutos são laxativos quando ingeridos em grande quantidade. 2001). Dados Químicos e Farmacológicos do Gênero Prunus Á espécie Prunus domestica têm sido atribuídas as propriedades antioxidantes (Kayano et al. 2000). 1978) (Banco de imagens • .1 .Sapuntzakis et al.. b) detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Barroso.contra distúrbios hepáticos e dores de barriga. Estas propriedades têm sido atribuídas à presença de flavonóides (StacewiczSapuntzakis et al... 2001).. laxante cardiotônica e preventiva na osteoporose (Stacewicz. De Prunus avium foi constatada a presença de monoterpinos (Rapparini et al. 2002. Nakatani et al.Hirtella: a) ramo florido (desenho original por Di Stasi). O suco preparado com água e sementes é usado para lavar os olhos quando irritados. 2001).

M. R. ornamentais. nos quais estão distribuídas dezoito mil espécies cosmopolitas. arbustos. C. tem-se a divisão nas seguintes subfamílias: • Caesalpinioideae (Leguminosae I) ou família Caesalpiniaceae.18 Fabales medicinais L. Souza-Brito A ordem Fabales inclui a família Leguminosae. incluindo árvores. Compreende três subfamílias. • Mimosoideae (Leguminosae II) ou família Mimosaceae. e • Papilionoideae (Leguminosae III) ou família Fabaceae. A. 1997). Guimarães C. medicinais. visto o grande número de espécies vegetais e a sua importância como fonte de produtos alimentares. Di Stasi E. M. lianas e ervas. De acordo com o arranjo de Kubitzki a partir do sistema de Cronquist (Mabberley. que é uma das maiores e mais importantes famílias botânicas. . M. madeireiras e outras espécies úteis de grande valor econômico. A família Leguminosae originalmente descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 642 gêneros. dependendo do arranjo sistemático adotado. Hiruma-Lima A. muitas vezes tratadas individualmente como famílias botânicas distintas. Santos C.

Dalwits. angustifolia e C. que inclui os gêneros Cássia. As espécies dessa família estão distribuídas em quatro tribos. Cassia multijuga. que inclui o gênero Copaifera. dentre as quais C. que inclui o gênero Bauhinia. C. • Cassieae. conforme indicado a seguir para os principais gêneros: • Caesalpinieae. occidentalis. C. C. no qual estão distribuídas inúmeras espécies medicinais com uso em inúmeros países. • Cercideae. Caesalpinia pulcherrima. as quais descrevemos a seguir. espécie vegetal com grande utilização medicinal em todo o território brasileiro. 1997). que inclui o gênero Caesalpinia. pertence à ordem Fabales e subclasse Rosidae (Mabberley. Cassia occidentalis e Cassia reticulata. no qual se pode referir a conhecida Pata-de-vaca (Bauhinia forficata).Espécies medicinais da família Caesalpiniaceae Introdução A família Caesalpiniaceae (Dicotyledonae). bonduc. Dialium e Senna. senna. todos contendo várias espécies de valor medicinal. onde se encontra a famosa Copaíba encontrada no Norte e Nordeste do país. Cassia occidentalis. também denominada subfamília Caesalpinioideae (Subfamília I) da família Leguminosae descrita originalmente por Antoine Laurent de Jussieu e redefinida em 1983 por Leslie Watson e M. de onde se extrai um importante óleo com grande valor na indústria. sapan e C. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica foram referidas cinco espécies medicinais. No Brasil destaca-se o conhecido Pau-ferro (Caesalpinia férrea). bonducella. J. . amplamente usadas e comercializadas como medicamentos. a saber: Caesalpinia férrea. das quais se destacam as espécies C. pulcherrima. • Detarieae. ao passo que no levantamento realizado na região do Vale do Ribeira foram citadas como medicinais as espécies Bauhinia forficata. Hymenaea courbaryl e outras espécies do gênero Hymenaea.

Por ser de rápido crescimento. é recomendada para recuperação de áreas degradadas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. assim como em quase todo o Brasil. raramente dentro das florestas. A espécie fornece madeira leve. Mororó.Espécies medicinais Bauhinia forficata Link. bastante espinhosa. É uma planta decídua. heliófita. sempre com acúleos e seus dois ápices. a espécie é chamada de Pata-de-vaca ou Unha-de-vaca. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. usada para produção de carvão e caixotes. . É amplamente utilizada como ornamental. Dados botânicos A planta é uma espécie arbórea com até 10 m de altura. Outras denominações comuns são Cascode-vaca. com grande abundância na Mata Atlântica. tronco tortuoso ou ereto. mas especialmente nas encostas e formações secundárias. hipoglicemiante e contra hipertensão e dores nas costas. a infusão das folhas é amplamente referida como diurético. flores intensamente brancas. Pata-de-boi e Unha-de-boi. O gênero Bauhinia foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente trezentas espécies pantropicais. folhas glabras. dadas as características morfológicas de suas folhas. divididas a partir da metade e atingindo até 12 cm. onde ocorre em áreas úmidas. algumas arbóreas e outras lianas. vistosas (Figura 18.1). mas por causa de seus espinhos é substituída por outras espécies do mesmo gênero. os mesmos usos atribuídos à decocção das folhas.

ferrea var. é utilizado contra asma e bronquite. Suas folhas. com característica de mata pluvial com ampla dispersão. é utilizado como . com corola de quatro pétalas subiguais e uma quinta superior. hermafroditas. O sumo das folhas é usado internamente para problemas cardíacos. quase reto (Figura 18. Nomes populares A espécie é denominada. A infusão conjunta da raspa da casca com folhas de manga é útil como antigripal e antitussígeno. A espécie é heliófita. várias são as utilizações medicinais dessa espécie. casca de jatobá. com tronco liso e cerne duro. folhas de manga. ovalados ou obovais.Caesalpinia ferrea Mart. enquanto a decocção da casca é usada internamente como antidisentérico. enquanto o uso interno dessa decocção é indicado contra amebíase e problemas hepáticos. especialmente de ruas e avenidas. após aquecimento. ultrapassando o cálice gamossépalo. ferrea var. além de ser empregado como fortificante para crianças. ferrea e a C. A infusão conjunta das folhas e frutos é útil para tratar inflamações do fígado e tuberculose. Dados botânicos Arvore de grande porte. mas conhecida em todo o Brasil como Pau-ferro ou Pau-ferro verdadeiro. fruto levemente estipitado. flores diclamídeas. podendo chegar a 15 m de altura. O nome do gênero Caesalpinia descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem a Andrea Caesalpino. botânico italiano. açúcar e água. dez estames. Jucá. folhas bipinadas com folíolos oblongos. são utilizadas externamente e no local contra hemorróidas. além dos nomes indígenas Ibirá-obi. ao passo que o preparado de casca de jucá. A madeira da espécie é muito usada na construção civil. na forma de decocto. leiostachya. Muirá-obi e Muiré-itá. Imirá-itá. aquecido até formar um xarope. séssil.2). além de largamente empregada como espécie ornamental. na região amazônica. ovário séssil e pubescente com 10 a 12 óvulos. O preparado da casca com um litro de água e um quilo de açúcar. São muito comuns duas variedades: a C. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

bipinadas. internamente. a decocção das raízes é usada como antitérmico. Considerada de origem antilhana. . também é chamada de Flor-de-pavão. especialmente bronquites. inflamações do fígado e baço. bem como contra desarranjo menstrual e problemas renais e pulmonares. folhas compostas. Baio-deestudante. a espécie também é utilizada contra feridas e contusões (Emperaire. a infusão das folhas da espécie é usada contra problemas respiratórios. Flor-do-paraíso. sobretudo como cerca viva. 1984).) Sw. Na região da Mata Atlântica. resfriados e tosses. frutos do tipo vagem bivalve e lenhosos. pois floresce quase ininterruptamente. Flamboyanzinho e Poinciana-anã. vermelhas e amarelas e roxoalaranjadas com estames longos. Em outras localidades do país. Espécie muito usada como ornamental. 1982). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.anticatarral. do fruto com propriedades béquicas e antidiabéticas. 1984). tem distribuição das Guianas até o Rio de Janeiro (Corrêa. contra tosse crônica. Dados botânicos A espécie é um arbusto bastante lenhoso e com espinhos fracos e pouco numerosos. Nomes populares A espécie é denominada. Chagueira ou Barba-de-barata. com folíolos ovado-oblongos. 1982). e em Alagoas. além do uso comum contra gripes. da casca como desobstruente e da madeira como anticatarral e contra feridas (Corrêa. Caesalpinia pulcherrima (L. glabros. asma e como cicatrizante (Campêlo. No Piauí. A vagem crua é útil contra tosse. tais como o das raízes como febrífugos e antidiarréicos. Outros usos medicinais dessa espécie são referidos por vários autores. enquanto o macerado das cascas em água fria é empregado. na região. com até 10 cm de comprimento. flores grandes e vistosas.

em doses elevadas. folhas pinadas. dado à falsa canela. passando-se o ramo no rosto como se fosse um benzimento. a casca é considerada emenagoga e. é chamada de Pau-cigarra e Caquera. odontálgicos. Cassia multijuga Rich. no alívio de dores causadas por contusões e para diminuir a febre. O nome do gênero Cassia. Segundo Corrêa (1984). A espécie ocorre em todo o Brasil.3). além de ornamental. A decocção das flores é utilizada contra dores de dente. o fruto é do tipo vagem reta. febrífugos. Nomes populares As espécie é denominada pelos índios tenharins Topeiuia. febrífugas e venenosas. . sendo uma planta decídua no inverno. compostas de inúmeros pares de folíolos (20 a 40) peciolados. abortiva. largo e achatado (Figura 18. febre e como purgativo.como emenagogo e abortivo e. heliófita e pioneira. brinquedos. deriva do grego Kasia. tendo propriedades tônicas. mas também é conhecida na região amazônica e no Brasil como Canafístula e Aleluia. A espécie reúne usos econômicos como fornecimento de madeira para produção de caixotes leves. amarga. Dados da medicina tradicional As folhas da espécie são usadas pelos índios tenharins como sedativo para crianças. estipuladas. as flores amarelas são reunidas em racemos dispostos em panículas terminais múltiplas. excitantes. Em outros locais do país. atingindo até 10 m de altura. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. com rara ocorrência dentro de florestas. quando em grandes doses. as folhas e flores são usadas como tônicos. externamente. lenha e carvão. casca lisa e cinzenta. obtusos no ápice e com base irregular. emenagogos e indicadas contra as anginas e qualquer inflamação da garganta e catarro pulmonar. a raiz é acre. descrito também por Carl Linnaeus. pela beleza da planta na época de floração. purgativos.

flores grandes. infecções gerais. enquanto o macerado da raiz em aguardente de cana é usado como diurético e contra infecções gerais. a espécie é conhecida principalmente como Fedegoso. Maioba. no Brasil é espontânea nas pastagens. Nomes populares Na região amazônica e na Mata Atlântica. verde-escuros em ambas as faces. sementes cilíndricas achatadas (Figura 18. 1982) e no tratamento de dores de cabeça. amarelas. composta de folíolos apicais (quatro a seis pares). Dados da medicina tradicional Na região amazônica.Cassia occidentalis L. com caule lenhoso na base. androceu com seis estames e três estaminódios curtos. é indicada popularmente como antitérmico. a semente torrada ou na forma de decocção é utilizada no tratamento de anemias e contra doenças do fígado e baço.. curto-peciolados. Outras denominações são Folha-de-pajé. folhas alternas. das folhas e da raiz é utilizada durante a menstruação. Lava-prados. ramos quase cilíndricos. achatados. gineceu com ovário piloso. Mata-pasto. A espécie é anual e floresce na época de chuvas. assim como em outras regiões do país. distúrbios hepáticos e do estômago e como diurético. Mamangá. Majerioba. Rioba. Tararucu. a infusão das raízes é usada contra dores de barriga. o sumo das folhas é usado topicamente em locais com coceira e na cura de micoses. Ibixuma. paripenadas com ráquis comprida. diurético e colagogo (Gavilanes et al. no Piauí a infusão do caule. dispostas. Segundo Emperaire (1982). Dados botânicos Arbusto glabro de até 2 m de altura. Na região da Mata Atlântica. Fedegoso-verdadeiro e Fedegosa.4). Em Minas Gerais. Lava-pratos. beiras de estradas e próximo a culturas. A infusão das folhas também é utilizada contra a malária. Manjerioba. febre. laxativo. resfriado e diarréia (Grandi et . frutos do tipo vagem glabra. estipulada e com glândulas na base. racemos axilares. gripes.

as folhas e as raízes são usadas contra gonorréia. sudorífico. 1994). hidrópisia e dismenorréia (Dennis. o chá das folhas é usado para cólicas estomacais e a trituração dessa mesma parte vegetal. febrífugo. dores menstruais e uterinas. Em outras localidades do país. inflamações nos olhos. 1970). as raízes são consideradas diuréticas. malária. as raízes são consideradas um tônico. como vermífugo (Nagaraju et al. 1990). emenagogo. e a infusão das flores contra bronquite (Rutter... 1982).. erisipela e tuberculose. oceidentalis tem uma longa história de uso pelos indígenas e indianas para febre. 1988). doenças hepáticas e como reconstituinte em doenças e fraquezas em geral (Coimbra. 1990). Na Amazônia peruana. No Brasil. internamente. No Rio Grande do Sul. Cassia reticulata Willd. 1986). diurético. No Peru. desordens do trato urinário. rins e bexiga (Simões et al. anemia. na asma. febrífugo e diurético. no combate de febre palustre e doenças hepáticas. 1985). sendo o suco utilizado no alívio da dor causada por queimaduras. nos desarranjos menstruais. Os índios misquitos da Nicarágua usam a decoçcão da planta fresca para dores em geral. reumatismo. como Mata-olho. as sementes. as folhas são usadas no combate a doenças cutâneas e ainda como diaforético.. doenças venéreas. a raiz triturada é utilizada para epilepsia. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica com os nomes de Pé-desão-joão e Dartrial. mordida de escorpião. tinha e hemorróidas. Além disso. é utilizada contra doenças do fígado. Corrêa (1984) relata o uso dessa espécie como antídoto de venenos e como abortiva enérgica.. são utilizadas contra asma. como antiinflamatório e. No Panamá. na forma de cataplasma. sarna e doenças de pele (Bardhan et al. preparadas como o café. A espécie C. problemas hepáticos. . estômago. reumatismo.al. purgativo. e a decocção é indicada para baixar a febre (Soukup. Na Índia. 1979). mas também são utilizadas contra tuberculose. e para constipações em bebês (Gupta et al.

com 6 a 15 cm de comprimento. Jutaí-peba. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. como antitérmico e diurético. dispostas em cimeiras terminais. glabros na porção superior e pilosos na porção inferior. Também é chamada de Jatobá-mirim. Jatobá-roxo. entre outros. 1994). Jutaí. Jatobá-de-porco. nome dado à planta em quase todo o Brasil. Nomes populares No Vale do Ribeira. Jutaí-café. com até . Jutaí-do-campo. Hymenaea courbaryl L. folhas compostas. Olhode-boi. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 20 m de altura. a decocção das raízes dessa planta é empregada no controle de problemas menstruais. fruto doce. folhas compostas contendo dois folíolos brilhantes. alternas e pilosas. A espécie também é comumente usada como ornamental e habita sobretudo nas margens dos rios. os frutos são vagens delgadas. base assimétrica. ápices acuminados. flores brancas vistosas. tronco ereto e ramos glabros. Jatobazeiro.Dados botânicos É um arbusto com caule lenhoso na porção inferior. Algarobo. purgativo e contra enfermidades renais (Guerrero. Jatobá-de-anta. farinhento e comestível. negras. A infusão de folhas é empregada externamente para problemas de pele. Jutaí-açu. brilhante. flores amarelas reunidas em racemos longos e repletos de flores. com casca dura. lisos. contendo glândulas e estipulas coriáceas persistentes e folíolos oblongos. A planta é usada na medicina de San Salvador também como laxativo. marrom. a espécie é conhecida como Jatobá. Jatai. Abati-tambaí. enquanto a infusão da planta toda é usada internamente no alívio de sintomas após picada de cobra.

2000) e os flavonóides kaempferol. Caesalpinia O extrato benzênico de C.. enquanto a madeira é usada na construção civil. purpurea possuem flavonas glicosiladas (Yadava & Reddy. O nome do gênero deriva do grego hymen. ferrea forneceu sitosterol. é eficaz contra tosses. vermífugo. sendo usada na arborização de parques e jardins. além do uso contra bronquite. O macerado das folhas em aguardente é usado contra bronquites e asma e como estimulante do apetite. A casca serve para curtume e fornece fibras para cordoaria.. e a seiva é excelente tônico para crianças. estimulando a digestão e fortificando o organismo. enquanto o xarope da casca do caule. além de cultivada em pomares para consumo de seus frutos. especialmente em crianças. e o fruto ainda é comestível e amplamente consumido na região do Vale do Ribeira. ácidos . Yadava & Tripathi. A espécie não foi referida nem encontrada na região amazônica. quercitrina e miricitrína foram obtidos de B.15 cm de comprimento. com florescimento entre outubro e dezembro. em alusão aos dois folíolos. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é usada internamente contra bronquites. microstachya (Meyre-Silva et al. enquanto o extrato alcoólico forneceu gaiato de etila. Dados químicos dos gêneros Bauhinia As espécies Bauhinia variegata e B. 2000). É uma espécie semidecídua. ácidos palmítico e octacosanóico. o deus da união. 2001) e betasistosterol e kaempferotrina foram isolados de B. Corrêa (1984) refere que a casca serve como adstringente. O gênero descrito por Carl Linnaeus compreende dezesseis espécies tropicais de ocorrência nas Américas e na África. A infusão da casca é usada como tônico para crianças. 2001. sedativo e peitoral.forticata (da Silva et al.

B. Das cascas e raízes de C. pulcherrima foram também isolados produtos naturais alifáticos (ácido decanedióico) (Awasthi & Misra. Kim et al. brazilina (Namikoshi et al. pulcheralpina e 5-vouacapenol (Che et al. 1973) e furanoditerpenóides (Ragasa et al. 1987e). 1977). a 8metoxibonducelina (Parmar et al.9.4. 1997a). Da madeira de C. De Caesalpinia pulcherrima foram isolados: homoisoflavanona.4'-dihidroxi-2'-metoxichalcona.. 1987a). 2002). bonducelpina A. 1997b). lup-20(29)-en-3beta-ol. ácido 3. taraxerol (Yadava & Nigam. 6-metoxipulcherrimina (McPherson et al. 1985). sapanol. 1986) além do esteróide P-sitosterol (Varshney & Pal. 6p-cinamoiloxi5a. ácido 2-amino-4-metilidenepentanedióico e ácido 2-amino-4-metilpentanedióico (Watson & Fowden. 1987b. ácido 2-amino-4-etilidenepentanedióico.. Peter et al.gálico e elágico (Santos & Sant'Ana.... 1997). acetato de lup-20 (29)en-3beta-il. 1997). episapanol.. 1997). 3'-0-metilepisappanol. lupeol. 3'-0-metilbrazilin. C e D (Peter et al.. 3'-0-metilsappanol.. ramnetina e ombuína (Namikoshi et al. bonducelina. bolducella foram isolados trinta diferentes ácidos graxos (Shameel et al..5-trihidroxibenzóico (Rao et al.4benzoquinona (McPherson et al. beta-sitosterol. 1987c). Das sementes de Caesalpinia ferrea foram isolados os aminoácidos: ácido 2-amino-3-(3-carboxifenil) propanóico. 1996). 1977).14-didehidro-5a-vouacapenol. neocaesalpinas A e B (Kinoshita et al. 4-O-metilepisapanol. protosapina (Namikoshi et al. alfa-amirina. 3-deoxisapanona B e 3'-deoxisapanona B (Namikoshi et al. C e D (Patil et al. 3'-deoxisapanoI. e dos ácidos 2-amino-4-metilenepentanedióico e 2-amino-4metilpentanodióico (Watson & Fowden.. 1986. 1978). pulcherrima foram isolados os terpenóides caesalina. 1997). 1978). .. beta-amirina. cianina. leucodelfinidina.. 1987) e pulcherriminas A. Foram isolados os flavonóides: rutina. Das sementes de C.ll.6-dimetoxi-l. 7p-vouacapenediol... De Caesalpinia bolducella foram isolados os furanoditerpenos caesalpina A e F (Pascoe et al. 1978) e 2. bondenolídeo. 8metoxibonducelina.. 8. De diferentes partes de C.. sappan foram isolados octacosanol. cianidina e miricitrina (Forsyth & Simmonds. miricetina. 8metoxibonducelina.. quercetina (Rao et al. 4. quercimeritrina (Awasthi & Misra. 1983).. 1987). B. 4-O-metilsapanol. sapanona B. 1973). quercetina.. os esteróis beta-sitosterol e beta-sitosteril galactosídeo (Ahmad et al. pulcherimina. 1954). 1983).

4-O-metilsapanol. 1995).. sapachalcona. brasilina e protosapaninas A. japonica foram isolados 3'-deoxi-4-0-metilsapanol... major foram isoladas caesaldekarinas A-E. dicopetala (Chowdhury et al. glicosídeos cardiotônicos. 1996).. 1988) e altas concentrações de taninos (Garro Galvesetal. 1986) e outros derivados antraquinônicos (Tiwardi & Singh... sapanonas a e b. Foi realizado um estudo comparativo da composição de flavonóides e ácidos graxos das sementes de Caesalpinia velutina. episapanol. M. occidentalis. S. 1994). 1985). além de xantonas (Wader & Kudav. isoflavanóides de C. crista foi isolado (+)-ononitol (Shi et al. sendo predominantemente de ácido linoléico e oléico (OrtegaNieblas et al. 1987f). Da madeira de C. 1977. 1987a). 1997). hintoni (Contreras et al. multijuga foram isolados derivados antraquinônicos (Singh.8-di-hidroxiantraquinona (Costa. 4-O-metilepisapanol. sitosterona. A composição de ácidos graxos das sementes de C. caladenia e C. estudos fitoquímícos demonstram a presença de alcalóides.. 1996) e de C. 1977). C. japonica (Namikoshi et al. 1986). 1977). glicosídeos (Singh. Fuke et al. vários compostos aromáticos de C. isolaram-se 1. Do Fedegoso.. sappan (Saitoh et al. Das sementes de C. 3-deoxisapanchalcona. platyloba. et al. 1986. reticulata.. Namikoshi et al. cacalaco e C. C. 1988). 1985). (Kitagawa et al. C. ácido esteárico e pinitol (Fernandes et al. triterpenos e sesquiterpenolactonas (Guerrero. digyna (Mahato et al. 1983). buteína.. 1987d). B e C (Namikoshi et al. taninos.. ácidos linoléico e palmítico de C. 1982). Cassia Da espécie C.. glicosídeos de C. 1987. sappan (Namikoshi & Tamotsu. sappan (Nigan et al. . spinosa foram extraídos ácido gálico (Reategui Gonzalez & Nakasone Rivadeneyra. 1981). saponinas. isoliquiritigenina. sapanol.Das raízes de C. pumila foi analisada. Foram isolados alcalóides de C.. leiostachya foram isolados polissacarídeos como galactomanana e xilogucana (Lima.. sitosterol. a espécie C. 1996). Dos frutos de C. Kitanaka et al. M. Na espécie C...

occidentalol-1. 1978).. De C. Singh. 1987). 1987).8-dihidroxiantraquinona (Wader & Kudav. & Singh. 1987. pinselina. questina. 1989).. 1987).7-dihidroxi-3metilxantona. De C. Da madeira foram isolados beta-sitosterol. 1986).. Das folhas de C.. bis (tetrahidro) antraceno. palmítico.. 1989a). 1. 1977) e os ácidos cáprico. 1988b). roxburguina (Ashok & Sarma.e beta-amirina. J. e sua descrição fitoquímica permite verificar as potencialidades de estudo de outras de suas espécies como fontes de novas substâncias químicas.. marginata foram isolados derivados antraquinônicos das folhas (Duggal & Misra. crisofanol. enquanto das vagens foram isolados crisofanol. Telange et al. O gênero Cassia tem sido amplamente estudado do ponto de vista químico. beta-sitosterol e betulina (Zafar et al. emodina. mirístico. dienóico e trienóico (Zaka et al. l. occidentalis foram isolados pinselina. 1990). 1989). 1982) e das raízes (Singh & Singh. alfa. além do ácido graxo ceto(Z)-7-oxo-ll-octadecenóico (Daulatabad et al.. 1986. triglicerídeos (Zaka et al. 1986). 1996). renigera foram isolados derivados antraquinônicos (Tiwardi & Richards. metilgermitorosona e singueanol-I (Kitanaka & Takido.. Das sementes de C.. J. 1987). A concentração de compostos fenólicos totais foi estimada em folhas e caules de C.. occidentalis também foram avaliados conteúdo de óleo.1987. carotenóides e tocoferóis durante o desenvolvimento das sementes (Zaka et al. roxburghii foram isolados derivados antraquinônicos (Ashok & Sarma. De C. esteárico e oléico (Alencar et al.. 1979). germicrisona. roxburguina. occidentalol-2. além de flavonas (Guptaetal.. 1990). 1988a). 1985). Das sementes de C. roxburguinol e um novo estilbeno. occidentalis foram isolados hidrocarbonetos (Majumdar et al. occidentalis de diferentes estágios de desenvolvimento (Ambasta et al. ácido tereftálico e (-)-epiafzelequina (Reddy et al. Da raiz de C. Foram isolados das sementes de C. 1987). hirsuta foram isolados triterpenóides e biantraquinona (Singh & Singh. . 1985). Das superfícies das folhas de C. senna foram isolados derivados antraquinônicos (Lemli & Curvele. occidentalis ácidos graxos e esteróis (Miralles & Gaydou. ácidos monoenóico. crisofanol.

1989). O perfil fitoquímico de C.. o senosídeo é o principal desses derivados.. antraquinonas (Zhang et al. obtusofolina. oléico e linoléico. 1988).3-dihidroxi-8metilantraquinona (Kameoka et al. obtusifolia foram também isolados obtusina. Dessa espécie também foram isolados os ácidos esteárico. gamahidroxiarginina e ácido aspártico (Upadhyaya & Singh. polissacarídeos (Khare et al. agliconas de antraquinonas e flavonóides (Upadhyaya & Singh. 1990). além da presença de beta-sitosterol. De C. 1987. obtusifolina e estigmasterol. aurantioobtusina. 1988). Nas sementes de C. flavonóides (Crawford et al... além de ácido palmítico. Asamizu et al. 1984).. beta-sitosterol e l. 1979). torosa foram isoladas as estruturas de tetraidroantracenos diméricos torosa I e II. . 1979) e sennosídeos A e B em diferentes partes da planta (Yasmin et al. esteárico. ácido crisofânico. 1990). De C. 1986).. angustifolia não difere muito do de C. 1978).Das raízes de C.. siamea foram isolados alcalóides e triterpenóides (Biswas & Mallik. flavonas. 1985).. 1989). flavonóides (Wassel & Baghdadi. linoléico.. fisciona. 1989). succínico e tartárico (Matsuura et al. 1990) e das naftopironas cassiasídeos B e C (Kitanaka & Takido.. oléico. 1988). tora foram isolados crisoobtusina e os aminoácidos cistina... m-cresol. Das sementes foi isolado o dihidroeleuterinol (Kitanaka et al. Metil palmitato e metil oleato. Também foram isolados vários outros derivados antraquinônicos (Pal et al. acutifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kalashnikova et al. 1980) e os ácidos palmítico. 1977). malválico. 1997). De C. Ishidaet al.. acutifolia quanto à presença de aminoácidos. angustifolia foram isolados polissacarídeos (Alam & Gupta. 1986. o aminoácido histidina (Zhang et al. e das folhas. obtusifolia foram isolados derivados antraquinônicos (Kitanaka & Takido. 1986). De C. uma Cglicosilflavona (Kitanaka et al. 1986). . emodina. obtusifolia foi detectada a presença de antraquinonas (Yasuda et al. polissacarídeos solúveis em água (Alam & Gupta. Do óleo essencial foram isolados dihidroactinidiolídeo. 1988). que apresentaram atividade inibitória do crescimento de células KB (Kitanaka & Takido.. De C. crisoobtusina. 1987) e emodina (Yang & Wang. 1987). estigmasterol.estercúlico e vernólico (Daulatabad et al. flavonóides (Wassel & Baghdadi. colesterol. De C. questina. 1986).. glicosídeos. 2-hidroxi-4-metoxiacetofenona. obtusina.

beta-amirina.. reina.. 1988). 1990). treonina e leucina). triptofano. 1977). 1990). oléico... 1988).. O óleo da semente de C. aminoácidos (lisina. emodina. fistula também foram isolados flavonóis e glicosídeos (Gupta et al.. 1990) e foi determinada a variação sazonal do conteúdo de . 1990). fistula foram isolados biflavanóides e triflavanóides (Morimoto et al. De C. compostos fenólicos e taninos (Ramachandra et al. triacontano. fistula (Cano Asseleih et al. araquidato de beta-sitosterol. malválico. 1990)..Ahuja et al. 1987). palmitato de beta-sitosterol.. fistula e das cascas de C.De C. De C. estercúlico e ácidos graxos ciclopropenóides (Daulatabad et al... 1978). O extrato das folhas de C. 1989a).. . ácido behênico. proteínas brutas.javanica foram isoladas proantocianidinas (Kashiwada et al. granais foram isolados polissacarídeos (Bose & Srivastava. Das raízes de C. butirospermona. De C.. Das cascas do caule de C. e do caule foram isolados procianidinas (NopitschMaietal.. Das sementes de C. behenato de beta-sitosterol. glauca foram isolados os ácidos palmítico. palmitato. laevigata foram isolados flavonóides (Tiwardi & Singh. flavonóides (Srivastava & Gupta. fistula e C. linolênico e araquídico (Dixit & Tiwari. de carboidratos e ácidos graxos totais (Ukhun & Ifebigh. 1990).javanica foram isoladas antraquinonas (Singh & Singh. singueana possuem 7-metilfisciona e cassiamina A (Mutasa et al. ácido crisofânico e kaempferol (Chaudhuri & Chawla. Das vagens de C.. As cascas do caule de C. Das folhas de C. 1987). ácido glutâmico e aspártico. Chowdhury et al. fistula foram isolados flavonóides (Morita et al. 1991). De C. arginina. 1978). 1981). 1990a) e antraquinonas (Messana et al. 1987b). 1988) e antraquinonas (.senosídeos das folhas de vagens de C. linoléico. Do óleo das sementes de C. allata foram caracterizados os conteúdos de proteínas. sericea foram caracterizadas as presenças de fibras. 1987b.. ácidos estercúlico e malválico (Daulatabad et al. carboidratos. javanica apresenta nonacosano. biantraquinonas e o alcalóide espermidina (Alemayehu et al. auriculata foram isolados flavanóides glicosilados (Rai & Dasaundhi. 1988). esteárico. renigera possui ácidos vernólico. 1988). De Cassia pudibunda foram isolados derivados naftopironas (Messana et al. 1990a).

ácido quelidônico. fisciona.. dihidroxantiletina e fisciona (Mukherjee et al. javanica (Singh & Jindal. 1988). marginata (Kumar et al. araquídico e behênico (Khalid et al. 2-methoxistipandrona. Sen et al. De C. B. emodina e rheina) (Krambeck et al.. C. oléico.. De C. palmítico.. 1986 e 1987). falacinol e uracila (El-Sayyad et al.Das partes aéreas de C. dimetil quelidonato e monometil quelidonato (Ashok & Sarma. 1988).. Galactomanana foi encontrada nas sementes de Cassia alata (Gupta et al. mirístico. 1986 e 1988b) e derivados antraquinônicos (Hata et al... C. sericea (Muralikrishna et al. Das sementes de C. 1986. 1978). nodosa foram isolados glicosídeos antraquinônicos (Sinha et al. 1989). 1977). Das folhas de C. 1986). 1988). Das raízes de C. estérico. De C. fastuosa foram isolados os glicosídeos. 1997). 1989) e nas sementes de C. Das flores de C.. 1987). além de alcalóides (Christofidis et al. didymobotrya foram isolados e caracterizados crisofanol. 1985). beta-sitosterol e estigmasterol (Mulchandani & Hassarajani. ovata foram isolados polissacarídeos solúveis em água (Kumar et al. mimosoides foram isolados n-hentriacontanol. linolênico. senosídeos A e B e 3 agliconas (aloé emodina.. holosericea é predominantemente de ácido láurico. 1990). De C. emodina. 1989).. crisofanol e antraquinonas (Mukherjee et al. palmitoléico. 1987). 1989a) e derivados antraquinônicos (Jain & Purohít. 1988). (Baba et al. garrettiana foram isolados um polifenol denominado cassigarol A.. 1985).. podocarpa foram isoladas antraquinonas (Rai. 1977). C.. De C.. pumila foram isolados tetratriacontanol.... Cassia laevigata (Singh.. spectabilis foram isolados antraquinonas. A composição dos ácidos graxos de C.4-dihidronaftaleno (Delle Monache et al. semicordata foram isolados compostos do tipo 1. 1988). Cassia javanica (Azero et al. linoléico. . siamea (Khan et al. R. 1987. 1987).

. 1996). 1995.. 2001. Nakamura et al. com alterações eletrocardiográficas secundárias (Santos et al. 2002.. candicans (Pepato et al. 1999). et al. et al.. comumente utilizados no tratamento de complicações da diabetes.. Os inibidores da aldose reductase.. E. 1997). purpurea deve ser evitado por causar disfunções tireoidianas (Panda & Kar. antiinflamatória (Carvalho. Lemus et al... gilliesii produziram 70% a 80% de inibição do tumor de Walker em ratos (Montgomery et al. 1998). Rossi-Ferreira et al. ferrea revelaram a presença de atividades atóxica e antiúlcera (Bacchi et al. anticoagulante (Milagres et al. De C.. 2002a e 2002b). e os dibenzoatos diterpenos pulcherriminas A e B foram ativos na reparação de DNA de leveduras (Patil et al. 1986). 1977). J. 1987).. antihistamínica e antialérgica (Rossi-Ferreira. et al. crista apresentaram atividade antimicrobiana (Beloy et al.. C.. 2000). analgésica (Carvalho. contêm caesalpina P.. guianensis (Kittakoop et al. 1986). antimicrobiana (Cebalhos et al. 3- ...Dados farmacológicos dos gêneros Bauhinia A propalada atividade hipoglicemiante foi observada nas espécies B. 1998). ferrea como antitumoral (Queiroz et al. O.. 1995. T. Amaral et al. C. 1976) e proteínas de C.. tarapotensis (Braca et al. Existem relatos ainda da propriedade antioxidante de B. 1991). malabarica e B. 1990) Lima. 2000. Lopes et al. et al. 1985). 1994) e de restrição ao fluxo coronariano por possível ação sobre a musculatura lisa dos vasos. 1991).. J. Caesalpinia Estudos com extratos brutos de C.. Extratos de C. Atividade hipoglicemiante foi verificada com extratos de C. 1988). 1994. O uso crônico de B.. A espécie C.forficata e B. ferrea foram ainda caracterizadas as atividades cardiotônica (Santos W. sapanchalcona. 1996. Munoz et al. 2001) e antimolarial de B. Bacchi & Sertié. Estudos mais recentes têm apontado C. O.... 1997) e hepatotóxica (Queiroz Neto et al. pulcherrima atua sobre as interações DNA-ligante (McPherson. leiostachya (Moura et al. antiedematogênica.

Do extrato de Caesalpinia foram isolados derivados benzindenopiranos. De C. . 1978. antibacteriana.. 1976) e. A brasilina (isolada de várias espécies de Caesalpinia) também foi capaz de modular a função imunológica. 1997). 1989). hepatoprotetor (Jafri et al. brasilina e derivados fenólicos extraídos de C. 1995a). Hussain et al. antifúngica. spinza foi obtido um inibidor da formação de melanina utilizado em cosméticos (Shibata et al.. de estimulante uterino (Saraf et al. 1997). 1991b) antimutagênico (Bin-Hafeez et al. inibitória da hemólise. antiviral contra hepatite B (Patney et al. Sama et al. sappan foi capaz de aumentar a atividade tirosinase e o conteúdo de melanina nas células B-16 (Lee & Kim. sappan como ingredientes ativos (Morota et al. 1996). Cassia Nas folhas de C. que foram utilizados no tratamento de microanginopatias e nas desordens da microcirculação (Moon.. principalmente pelo aumento da atividade das células T em camundongos com halotano (Choi et al. 2001). 1987. protosapanina A... 1987). 1996).. O extrato de Caesalpinia crista foi testado quanto à sua atividade anti-helmíntica contra Toxocara vitulorum.. 1962). Feng et al. 1999). antimalária (Gasquet et al.. 1994. occidentalis verificaram-se atividades antiinflamatóría (Sadique et al. antiparasitária.. vasoconstritora.. 1993.. porém o tratamento em búfalos não apresentou eficácia (Sindhu et al.. A brasilina isolada de C..deoxisapanona. O extrato metanólico de C. 1985). hipotensiva. 1992.. de relaxamento do músculo liso. sappan apresentou mais de 50% de inibição sobre a atividade da hialuronidase (Kim et al.. in vitro.. Caceres et al. Schmeda-Hirschmann et al. 1991. Sadique et al..

obtusifolia também apresentaram atividade tóxica sobre as funções mitocondriais do músculo (Lewis & Shibamoto. 1990. pumila possui antraquinonas que apresentaram atividade espasmolítica (Fatawi et al.. que apresentou intenso efeito inibitório sobre a liberação de histamina induzida por antiIgE de basófilos humanos in vitro (Inamori et al. 1991). podocarpa apresentaram resultados significativos quanto à atividade laxante (Elujoba et al. As folhas de dez espécies de Cassia da Nigéria foram estudadas quanto à sua propriedade laxante em ratos albinos machos.. 1990). angustifolia foi testada quanto à sua atividade antitumoral contra Sarcoma-180 de camundongos... utilizando as folhas de C. tora possuem glicosídeos de naftopirona que apresentaram atividade antihepatotóxica (Wong et al. 1991). 1989). Atividade antimicrobiana foi verificada com a utilização de C. O extrato das folhas de C. 1986a). 1988)..3'. acutifolia como controle positivo. 1984). As folhas de C. 1988 e 1989).5'-tetrahidroxistilbene. podocarpa apresentaram atividade laxante tão potente como a C. 1990).Das sementes de C. Os resultados finais indicaram que tanto C. espasmolítica com subs- . Ao final dos testes foi determinado que ambos apresentaram significativa atividade antiinflamatória (Palanichamy & Nagarajan. e C.. De C. garrettiana (Inamori et al. 1990). 1985).4. As antraquinonas de C. fastuosa também apresentou atividade laxante (Krambeck et al. 1988) e C.pudibunda (Cavalcanti et al. 1989). exibindo uma taxa de 51% de inibição (Mueller et al. Crawford et al. lugustrina (Abhaham et al. 1989)... obtusifolia também foram detectados altos níveis de mutagenicidade em testes com linhagens de bactérias (Friedman & Henika. 1986). alata e o kaempferol 3-O-soforosídeo foram avaliados quanto à sua atividade antiinflamatória comparada com a fenilbutazona. O extrato a 10% das folhas de C. que apresentaram efeito antiagregador plaquetário quando estudadas com células de ratos estimuladas por ácido araquidônico. ADP e colágeno (Yun-Choi et al. As sementes de C. 1979) e C. garrettiana foi isolada a 3.. glucoobtusifolina e glucoaurantioobtusina).. obtusifolia indicam alto grau de toxicidade quando comparados com parâmetros como tamanho do fígado e níveis de citocromo P-450 funcional (Crawford & Friedman. obtusifolia foram obtidas antraquinonas (glucocrisoobtusina. obtusifolia (Kitanaka & Takido. Estudos com as sementes de C.. A fração polissacarídica de C.. citotóxica com extratos de C. pudibunda (Cavalcanti et al. acutifolia. Nas sementes de C. alata quanto C. C.

cavalos e cabras. acompanhado de distúrbios hidreletrolíticos em casos graves (Schvartsman. pulcherrima é considerada planta de uso perigoso. . fistula (Babbar et al. anorexia e morte após oito a doze dias da ingestão. seca e/ou torrada. em geral. 1977) e antivirótica com extratos de C. 1998). Isso pôde ser verificado em intoxicação de suínos. 1986b). C. em razão de seus efeitos hepatotóxicos. fistula (Bhardwaj & Mathur.... quinquangulata (Ogura et al. dispnéia. Colvin et al. como substituta do café. Dados toxicológicos dos gêneros Embora a semente de C. vômitos. Seu consumo indiscriminado é perigoso. ocrídentalis seja utilizada na medicina tradicional. em razão dos efeitos tóxicos e abortivos de sua casca (Corrêa. 1991). O gênero Cassia produz.. cansaço e dores. 1987). que apresentaram um quadro de ataxia. e as espécies usadas para essa finalidade devem ser consumidas com cuidado.. A ingestão de grandes quantidades dessa semente tem causado problemas de toxicidade e até mesmo de morte em vacas. amplamente utilizada pela população. Salienta-se que a espécie C. caracterizado por náuseas. echinata também apresentou toxicidade (Oliveira et al. angustifolia (Nakajima et al. com degeneração de músculos esquelético e cardíaco (Martins et al. 1979). 1984). estudos clínicos têm demonstrado sua toxicidade.. pumila (Fatawi et al. 1986). além de lesões renais e disfunção hepática (Galai et al... roenwilana (Rowe et al. A administração de folhas de C. diarréia. 1979). cólicas abdominais e diarréia. apatia.tâncias isoladas de C. 1985).. ferrea. 1986. talica em cabras e carneiros revelou quadros de ataxia. 1985). Salienta-se que as espécies desse gênero são amplamente usadas e comercializadas como laxativos. na forma fresca.. um quadro de sintomas de tóxicos por causa da presença de glicosídeos antraquinônicos. fazendo parte de uma grande série de fitoterápicos disponíveis no mercado. em muitos países. especialmente por crianças. anemia. deve ter seu uso controlado e realizado com cuidado. A espécie C. 1979) e C. Estudos realizados com Caesalpinia ferrea determinaram seu efeito hepatotóxico (Queiroz Neto et al. enquanto um quadro de envenenamento foi verificado com C. antitumoral com extratos de C. purgativa dos glicosídeos de C.

Indigofereae: Indigofera. Trifolieae: Medicago. Psoraleae: Psoralea. Vicieae: Vicia e Pisum. 1978). das quais destacamos aqui apenas as de importância medicinal: • • • • • • Swartziae: Swartzia e Zollernia. sendo amplamente utilizadas in natura no combate a inúmeras pragas de lavouras e de ectoparasitas de animais. Sophoreae: Sophora. Abreae: Abrus. Dioclea e Mucuna. Genisteae: Lupinus. Galegeae: Astragfalus e Glycyrrhiza. Nos estudos realizados na região amazônica e . Phaseoleae: Phaseolus — do famoso Feijão. Dypteryxeae: Dypteryx. Para a família Fabaceae estão descritos aproximadamente 482 gêneros e cerca de doze mil espécies de ampla distribuição nas regiões temperadas e tropicais. Myrocarpus e Ormosia. Cajanus. Robinieae: Sesbania e Robinia. Diplotropis. onde se encontram plantas (Barrozo. Os principais gêneros estão distribuídos em 31 subfamílias. Derris e Lonchocarpus.Espécies medicinais da família Fabaceae Introdução A família Fabaceae também é classificada como subfamília Papilionoideae (Faboideae) da família Leguminosae. Desmodieae: Desmodium. Cymbosena. Crotalarieae: Crotalaria. • • • • • • • • • • Os dados aqui referidos demonstram a imensa importância dessa subfamília de espécies vegetais. onde muitas espécies vegetais possuem importantes efeitos inseticidas. Dalbergieae: Dalbergia e Andira. Canavalia. Millettieae: Tephrosia. um importante produto alimentar no Brasil —.

Cuandu. visto que seus frutos são comestíveis e usados em substituição ao feijão verdadeiro. O gênero Cajanus foi descrito por Augustin Pyramus de Candole e inclui 37 espécies tropicais. Ervilhade-angola. na Mata Atlântica. flores vistosas. o banho preparado com as folhas é indicado contra dores de barriga e diarréia. compostas de três folíolos aveludados. Feijão-de-árvore. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. contra constipação nasal. sendo um nome popular da planta usado em Malabar. Erva-do-congo.na Mata Atlântica foram referidas dez espécies medicinais. enquanto a decocção é usada internamente contra tosses. oblongos. gripes. . dores de barriga e diarréia e a infusão. Guandu ou Feijão-guandu. No restante do Brasil é conhecida como Guando. de onde partem folhas pecioladas. comprimida. Andu. as quais são descritas a seguir. Dados botânicos A planta é um subarbusto de caule ereto e lenhoso. 1984). podendo atingir 3 m de altura. fruto do tipo vagem linear. com ampla utilização em diversos países. Feijão-de-cuandu e Erva-desete-anos. pinadas. sendo ainda forrageira. Espécies medicinais Cajanus cf. indicus Spreng Nomes populares A espécie é chamada. A espécie possui um grande valor econômico. dispostas em pedúnculos axilares. mas há divergências quanto a essa classificação. Alguns autores referem que ocorrem três variedades. com ramos angulosos. Inúmeras utilidades são atribuídas a essa espécie (Corrêa.

de onde partem folhas compostas com sete a nove folíolos. com ramos tomentosos. na Mata Atlântica. reunidas em fascículos. 1997). fruto do tipo legume falcado. a infusão das folhas é usada contra desordens do fígado e do estômago.Cymbosema roseana Bent. O nome do gênero significa "estandarte cimbiforme". Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. menos freqüentemente. Derris amazonica Killip Nomes populares A espécie é chamada de Timborana na região amazônica. flores rosas. em forma de bote. Aproximadamente quarenta espécies desse gênero estão distribuídas nas florestas tropicais e subtropicais do Velho Mundo. O chá das folhas é usado na Amazônia contra desordens menstruais (Mabberley. acuminados e glabros. O gênero Cymbosema inclui uma única espécie. flores rosas. oblongos. O gênero Derris é composto basicamente por lianas e. e foi descrito por George Benthan. Dados botânicos A planta é uma enorme liana. reunidas em inflorescências com ráquis nodosa. de Flor-da-terra. O nome do gênero Derris. por arbustos ou árvores. descrito por João de Loureiro. . referindo-se ao legume. significa "pele dura". pediceladas. mais freqüentemente do sudeste da Ásia até a Austrália. Nomes populares A espécie é chamada. Dados botânicos A planta é um arbusto com folhas trifoliadas.

Nomes populares A espécie é chamada de Carrapicho na região amazônica. flores fortemente zigomorfas.5). corola dialipétala. coriáceo. folhas alternas. externa. revestida de pêlos curtos. Trevo-da-flórida. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. compostas. folhas pecioladas. didamídea. Dados botânicos Erva de pequeno porte. ereto e com raiz bastante lenhosa. Erva-dos-mendigos e Jiquerana. hermafrodita. com folíolos articulados na base.Dados da medicina tradicional A infusão das raízes é usada pelos índios tenharins no alívio dos sintomas de picada de cobra. sementes sem endosperma (Figura 18. Dados da medicina tradicional O talo da planta amassado é útil contra dores no peito e garganta e na cura de resfriados. com cálice gamossépalo. pentâmera. fruto do tipo legume linear. a prefloração da corola é imbricada descendente.) DC. enquanto a raspa da raiz é empregada contra envenenamento por cobras. cilíndrica. Desmodium tortuossum (Sw. Derris floribunda Bth. trifoliadas e . Nomes populares A espécie é denominada pelos índios tenharins Timuatã. Não foram encontrados sinônimos populares para ela. com uma grande pétala superior. Outros nomes populares são Amores-do-campo.

Cutiúba. flores rosas ou roxo-pálidas e raramente brancas. Sapupira-da-várzea.) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica principalmente de Fava. Sebipira. fruto do tipo vagem. todas conhecidas como Sucupira. vexilo oblongo provido de apêndices na base. Outros nomes comuns são Favinha. com folhas compostas. indeiscente. Sapupira. ovário piloso com pêlos cinzentos ou quase sésseis. um banho preparado com toda planta é indicado para combater a caspa.6). tendo um apêndice na base. O nome Diplotropis significa "duas carenas". O gênero descrito por George Benthan inclui sete espécies da região amazônica. Dados da medicina tradicional A semente ralada. Diplotropis purpurea (Rich. misturada com enxofre. plano. referindo-se à disposição das flores. pequenas. O gênero Desmodium descrito por Auguste Desvaux inclui aproximadamente 450 espécies vegetais. Sucupira-da-terra-firme. coriáceos. e a infusão é usada internamente como antigonorréico. Sapupira-preta. botão floral com pétalas de carenas desenvolvidas. fruto do tipo legume. reunidas em racemos. O nome do gênero significa "feixe". com sementes pretas e duras (Figura 18. . Dados da medicina tradicional Na região amazônica. é aplicada topicamente para tratamento de impingem. Sicupira. inflorescência revestida por pêlos cinzentos. Cutiubeira. com ampla distribuição no Brasil e no México. A espécie é excelente fornecedora de forragens e adubo verde. flor com estandarte longo. Sapupira-da-mata.com folíolo terminal ovado maior que os laterais. Dados botânicos Árvore de pequeno porte. Paricarana. pinadas e folíolos glabros.

O macerado dos frutos em álcool é usado contra dores de cabeça. . O nome do gênero significa "duas asas". dispostas em panículas pubescentes. flores vermelhas.Dipteryx odorata (Aubl. Imburana-de-cheiro. referindo-se ao cálice. compostas. que. e na produção de perfumes. Cumaru-amarelo. sendo indicado "cheirar quando se está com dor". Cumaruzeiro. 1991). imparipinadas. que permitiu seu uso na aromatização de chocolates. grosso. diaforético e contra problemas cardíacos e menstruais. quando maduros e secos. Cumar-do-amazonas. cigarros. na região amazônica. doces. A planta é de grande ocorrência na Amazônia e fornece excelente madeira de lei. as sementes maceradas em água são utilizadas como antiespasmódico. de pequena espessura. produto de enorme comércio no século passado por causa de seu excelente aroma. com cascas avermelhadas ou amarelo-acinzentadas. Umburana e Kumbaru. oleosa e aromática coberta por um pecíolo (Vieira. servem para tratar a pneumonia. alternas. de cor verde-amarelada. sabonetes e outros produtos da indústria de cosméticos.) Willd. Das sementes se preparavam antigamente excelentes colares e braceletes. Imburana. frutos em forma de vagem drupácea. podendo atingir até 35 m de altura. de Cumaru. alimentos e uísque. aromáticas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pecioladas. Em outras regiões do Brasil é conhecida como Cumaru-verdadeiro. charutos. quando passados sobre as costelas. O gênero Dipteryx descrito por Johann Cristian Daniel von Schreber inclui apenas dez espécies tropicais de grande ocorrência na Amazônia. caule reto. muito explorada comercialmente pela qualidade na produção de móveis de luxo. Nomes populares A espécie é chamada. Os frutos usados topicamente são eficazes no alívio da dor de ouvido e. além da famosa fava de cumaru. folhas grandes. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. se fendem liberando a semente roxo-escura.

internamente. caule ereto. contra qualquer inflamação. contendo casca de pequena espessura. diaforético. folhas grandes. podendo atingir até 3 m de altura. contra contusão e reumatismo. para banhos fortificantes de crianças. Dados botânicos A planta é uma árvore de grande porte. e os palikur. flores vermelhas. frutos em forma de vagem verde. aromáticas. febrífugo. Já os índios wayãpi usam a decocção da casca para banhos antipiréticos. antitussígeno. Corrêa (1984) refere que as sementes são antiespasmódicas. dores de ouvido e serve como tônico capilar (Vieira. grosso. alternas. emenagogo.As sementes embebidas no rum são usadas pelos "Créoles" para mordida de cobra como xampu. narcótico e estimulante. diaforéticas. O óleo das sementes auxilia nas úlceras bucais. Em outros lugares. compostas de sete a nove folíolos. antidispéptico. . dispostas em panículas pubescentes. cardiotônico. pela presença de Cumarina. com semente oleosa e aromática. diaforético. essa espécie é utilizada como anticoagulante. Dados da medicina tradicional A decocção das sementes é usada pelos índios tenharins em gargarejos. 1991). tônico cardíaco e anestésico sobre o sistema nervoso. Na Amazônia o uso dessa planta é aconselhado nas convalescências. pecioladas. antiespasmódico. para aliviar dores de garganta e. A planta é de grande ocorrência na Amazônia. Dipteryx punciata (Blake) Amshoff Nomes populares A espécie é chamada de Dióuvi pelos índios tenharins. emenagogas e cardíacas. imparipinadas. como reconstituinte das forças orgânicas.

Corrêa (1984) refere que a casca e a resina são excelentes para tratar feridas e contusões. na região da Mata Atlântica e em quase todo o Brasil. O gênero descrito por Francisco Friera Allemão e Cysneiro inclui apenas quatro espécies. A espécie tem grande ocorrência e distribuição na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. tinturas e perfumaria. Dados químicos dos gêneros Derris Das espécies do gênero Derris. O nome do gênero significa "fruto de bálsamo".Myrocarpus frondosus Aliem. com casca rugosa no caule. os mesmos efeitos são atribuídos às raízes. para fabricação de carroças. urucu. compostos 5-9 folioladas. outros compostos . portas e janelas de luxo. o macerado da casca da planta em aguardente é usado externamente como cicatrizante e antiinflamatório. assim como a casca. a mais estudada é a D. sendo ainda expectorante peitoral. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. flores brancas dispostas em racemos e fruto do tipo vagem oblonga. Pau-bálsamo. de Cabreúva.. A madeira. A planta fornece uma madeira avermelhada muito usada na construção civil. de onde foram isolados flavonóides (Braz Filho et al. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 15 m de altura. ramos glabros de onde partem folhas imparipinadas. indicadas nas lesões do sistema respiratório. Nomes populares A espécie é chamada. possui aroma balsâmico. sendo muito usada na indústria de cosméticos. 1974). Bálsamo e Pau-de-óleo. Outros nomes são Cabruê. Óleo-pardo. de ocorrência na América do Sul. enquanto os frutos passam por excitantes e antidispépticos.

canadense (L. Nascimento & Mors. D. 1976.. . N. heterocarpon e D... 1978. em maior quantidade nas raízes com mais de 18-24 meses de idade (Nguyen et al. que apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. foram isoladas as flavanonas lupinofolina e as piranoflavanonas. benthmii (Fellows et al. D. do seu caule e de suas folhas. Rao M. 1986). foram isolados. 1991. araripensis (Nascimento et al. 1961. Em D. 1977). Do caule de D. 1994). proteínas. homoadonivenita (Batyuk et al.) DC.. senegalenseína. hiravanona. B e C). 1976) e D. reticulata. também denominada D. 1973b) e saponina (Parente & Mors. canarensis (Evans et al. hookerianum foi isolada canavanina (Bell et al. indica caracterizou-se a presença de carboidratos. 1994). 1978). deguelina e tefrosina (Ahmed et al. et al. Em diferentes espécies de Derris caracterizou-se a presença de rotenonas. Nakatu et al. incanum DC. Da espécie D.. ou D. ácido ascórbico e pigmentos fenólicos (Mathur & Kamal. frutescens..rotenóides (Braz Filho et al. lupinifolina e laxiflorina.. além de coumestrol e alfa-amirina (Zoghbi et al. 1978). Foram isolados alcalóides de D. Lin & Kuo. spruceana..) DC. 1989). oblonga e D. 1993. reticulata cujos flavonóides apresentaram atividade citotóxica (Mahidol et al. 1978).. amoena. Flavonóides também foram isolados em D. D. De D. conhecidas popularmente como Pega-pega ou Beiço-de-boi. 1977). tortuosum. laxiflora Lin et al. os flavonóides. canum detectou-se a presença de isoflavanonas (desmodianonas A. spruceana (Garcia et al.. 1988). epoxilupinifolina e dereticulatina. Desmodium De D. E em D. com significativa atividade inibitória contra a proteína tirosina quinase (Kim et al. lipídios. laxiflora foram isoladas as flavanonas: 6. enquanto de D. 1997).. D. 1995b).. elliptica foram isolados os rotenóides eliptinol. scandens foram isolados isoflavonóides (Garcia et al. adhaesivum Schldl. 1987) e também o aminoácido canavanina (Tschiersch. 1986. As espécies D. 1989)..8-difenileriodictiol. D. glutinosum... aparines (Link..... 1985) e D. 1962). possuem em suas flores o flavonóide delfinidina (Forsyth & Simmonds. obtusa (Nascimento et al. 1997). 1996).. foram isolados os flavonóides desmodina. 1995b) e D. Das raízes de D... Bell et al. Kimetal.. e das raízes de D. Todos os compostos apresentaram atividade citotóxica contra linhagem de células P-388 (Mahidol et al. crisantemina e cianina (Matinod et al. D. 1954).

beta-carbolina. 1972). além de canavanina (Beveridge et al. normacromerina. Purushothaman et al.. Em D.4-dimetoxifenetilamina.. 1963). desmocarpina.N-dimetiltriptamina. intortum) possui carboidratos. 1969. kaempferol e quercetina. cinereum (Kunth) DC. 1-octacosanol. 1983). A planta conhecida popularmente como Amor-seco ou Pega-pega (D.. Don.Os alcalóides bufotenina. 1962. isoquercitrina. 1971). hordenina. Purushothaman et al.. 1972. tiliafolium G. 1-triacontanol e o esteróide betasitosterol (Hussain & Saifur-Rahman. A espécie D. e o esteróide antiosídeo (Alaniya. intortum foram caracterizados também os taninos condensados (Mwendia. 1977. Nmetiltiramina. 1975). hipoforina e os alcalóides. gangetinina. . leptocladina. hordenina. salsolina. gangeticum (L. cinarascens A. betaína. De D.. os alcalóides candicina. O-metilbufotenina N-óxido (Gosal & Banerjee. os flavonóides desmodol (Ueno et al. possui em suas folhas os produtos naturais alifáticos hexacosil eicosanoato. também muito usado medicinalmente. N-N-dimetil-3. Gray foram isolados o carboidrato D-pinitol (Plouvier. elegans DC. hipoforina. os flavonóides hiperina.) DC.4-dimetoxifenetilamina.. ario-inositol e betapinitol. 1968) e o aminoácido canavanina (Nakatu et al. triptamina e tiramina (Ghosal & Srivastava.. O D. ácido octacosanóico. salsolidina. difisolina. e de D. Nakatu et al. 1984. Bell et al. caudatum (Thunb. O-metilbufotenina. genisteína. 2-feniletilamina. 1978). gangetina. 2-hidroxigenisteína e kievitona (Ingham & Dewick.. possui os flavonóides dalbergioidina. 1964) foram todos isolados de D. 1973). Ghosal & Bhattacharya. foram isolados mangiferina. desmodina.) DC. 1978) e swertisina (Aritomi & Kawasaki. também denominada D. 1949) e a canavanina (Van Etten et al. Em suas raízes foram isolados abrina. N. bufotenina N-óxido. galactopinitol A. 3.

7-hidroxiflavona.. liquiritigenina e maackiana (Braz Filho et al. e os flavonóides isoliquiritigenina. e de D. multiflorum. vitexina. 1995). De D. foram isolados os flavonóides dalbergioidina. 1997). heptacosanol.) DC. triquetrum foram isolados friedelina. 1989). 1986.. lupeol. ácido indol-3-acético. Mukherjee et al. De D. 1989). podocarpum. De D. De D. trigonelina e tiramina (Ghosal et al. homoferreirina. N.. foi isolado o flavonóide kaempferitrina (Aritomi. pinitol e canavanina (Beveridge et al. Ahluwalia et al. Kubo et al. 1966).) DC. laxiflorum foram isolados heptacosanos. e de D. flavosativasídeo. betuína e lupeol (Ghosh & Dutta. 1971.. e os alcalóides colina. também denominado D. isovitexina. nonacosanos. Perez-Maldonado & Norton. Meyer foi isolado o flavonóide malvina (Park & Rotar... Bell et al. triflorum (L. 1968). styracifolium foram também isolados triterpenóides saponínicos (Ikegami et al.. De Desmodium uncinatum (Jacq.. os terpenóides beta-amirina.. 1965). também conhecido com D. 1977. formononetina. 1985)... foram isolados os flavonóides apigenina. mollicum foram isolados flavonas e flavonóides glicosilados (D'Agostino et al. vitexina e xilosilvitenina.. estigmasterol. b-sitosterol. Adinarayana & Syamasundar.1995. também denominado Amor-develha-da-folha-graúda. 1963a e 1963b. 1996). epifriedelinol e estigmasterol (Yang et al. 1978). racemosum.. 1995). Anjaneyulu et al. 1961 e 1962. 1989. também denominado Ougeinia dalbergioides Benth. De D. ácido triacontanóico e ácido 2-triacontenóico (Saxena & Shukla. foram isolados os carboidratos galactopinitol A. De D. Diplotropis Foram isolados do tronco da espécie os esteróides sitosterol. Kubo et al. De D. ougenina e quercetina (Balakrishna et al. 1965.. inositol. 1962).. 1984). Amor-de-velho-comum. styracifolium foram isolados os flavonóides schaftosídeo e vicenina e os terpenóides soiasapogenol B e soiasaponina (Yasukawa et al. foi isolado o alcalóide hordenina (Maurya et al. 1989). floribundum. e de D sandwicense E. kaempferol.. Sreenivasan & Sankarasubramanin.N-dimetiltriptamina N-óxido. estigmasterol. . compostos estes também isolados em D. 1982.. ojeinese. feniletilamina. ovalifolium (Giner-Chavez et al. tricosanol. o terpenóide lupeol.

. lupanina e tetrahidrorombifolina (Kinghorn et al. 1982). 1. De Diplotropis martiusii foram isolados os alcalóides angustifolina..3epimetoxilupanina.1973a).

1952). De diferentes partes de D.. punctata (Gruenwald. odoratina. 1995). retusina) e terpenóides (19-vouacapanol. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. lupenona e lupeol (Kaplan et al. 1979) e terpenóides (19-vouacapanol. odoratina. 1995). lupenona e lupeol (Kaplan et al. odoratina.. além dos terpenóides betulina. 1952). 1991).. utilizadas na indústria de cosméticos e perfumaria. 1981). odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al.. cumarinas (Ehlers et al. 1966). odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). 1996). A espécie D. 1994). 1993). lacunifera foram isolados ácidos graxos e di e sesquiterpenóides (Mendes & Silveira. 1994). Nakano et al. alata foram determinados 40% de óleo. odorata foram isolados benzopiranóides (umbelliferona e benzopiranona). pois suas sementes são ricas em Cumarina. alata foram determinados 40% de óleo. Benzopiranóides também foram isolados da espécie D. isoflavonóides (Lourenço et al. punctata (Gruenwald. 2000. flavonóides (dipterixina. .. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri.. retusina). De D. odoratina. 1995. De Dipterix odorata foram isolados também o ácido melilótico e melilotato de etila (Ehlers et al. 1995) e cumarinas (Ehlers et al. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. De D. além dos terpenóides betulina. 30% de proteínas e 19% de fibra (Togashi & Sgarieri. 1996) e constituintes voláteis (Woerner & Schreier. odorata apresenta um grande valor comercial. 1966) e beta-farneseno (Matos et al. flavonóides (dipterixina. Togashi..Dipferyx De diferentes partes de D... Das sementes de D.. ácido voucapênico e vouacapana) (Bisby et al. 1994). Das sementes da espécie D.

. 1997). gangeticum a gangetina que promoveu a diminuição da fertilidade masculina em ratos (Latha et al. foi avaliada a atividade tóxica em bovinos.. 1992) e depressora do SNC (Jabbar et al.. 1979). O extrato etanólico de D. Aragão & Valle.. D... Desmodium O Desmodium sp foi utilizado para o tratamento de hepatites do tipo B em humanos. . 2001). scandens foram isolados dois compostos warangalona e ácido robústico. micou.. também conhecido como Timbó. 1999. nicou (Costa et al. Derris A espécie Derris amazonica apresentou atividade antimalárica (Munoz et al. que provavelmente estão envolvidos com o efeito biológico in vivo e por sua atividade inseticida (Wang et al. 1998... De D. Das raízes de D. 2002). De Derris sp. urucu e D. 2001). 1987).. 1996). Essa planta também foi responsável pela atividade leishmanicida (Iwu et al.Dados farmacológicos dos gêneros Caia nus Uma proteína isolada de C. elíptica apresentou atividade antifúngica seletiva (Mohamed et ali.. urucum foram caracterizados os efeitos ictiotóxicos. 1997). sendo a rotenona o composto responsável pela atividade (Santos et al. Derris sp e D. indicus tem apresentado efeito hepatoprotetor (Datta et al. e o princípio ativo responsável pela atividade foram os alcalóides indólicos (Tubery et al.. 1997). 2000) e inseticida (Luitgards-Moura et al. Até a dose de 10 g/kg da planta fresca aplicada ao animal não foram observados sinais de toxicidade (Tokarnia et al. 1972). Foi isolada das raízes de D. Datta & Bhattacharrya.

styracifolium inibiu a cristalização de oxalato de cálcio. grahami promoveu relaxamento da musculatura lisa (Rojas et al.. 1997). 1988).. adscendens apresentou atividade antianafilática e é utilizado localmente para o tratamento da asma. e o principal constituinte parece ser um polissacarídeo que poderia ser usado para o tratamento renal (Li et al. . que também apresentaram atividade antimicrobiana (Monache et al. 1997). De Desmodium canum foram caracterizadas isoflavanonas desmodianonas A. além de apresentar atividades analgésica e antibacteriana (Vu et al. Tolera & Said. 1989). 1987). Estudos in vivo foram realizados com os flavonóides de D... que foram responsáveis pela prevenção da formação de cálculos renais (Kubo et al. De D. O extrato de D. intortum foi estudado quanto à sua digestibilidade e quanto ao seu uso como suplemento alimentar para carneiros e ovelhas (Perez-Maldonado et al. 1996. A desmodina apresentou atividade analgésica in vivo no modelo da placa quente (Batyuk et al. O extrato aquoso de D.. 1988). styracifolium. 1996). ovalifolium apresentaram atividade antibacteriana (Nelson et al. 1999).. O extrato de D. canadense foram isolados os flavonóides desmodina e homoadonivernite. 1997).. styracifolium promoveu a estimulação da secreção biliar. Uma caracterização preliminar sugere serem as saponinas triterpênicas as responsáveis pelas atividades (Addy. e os taninos isolados de D. D.A D.. B e C.

Mimosa. Prosopis. Leucaena.950 espécies descritas. et al. Y. Adenanthera. urucum provoca irritação da pele. 1991)...Diploiropis O caule de Diplotropis duckei apresentou atividades antiedematogênica e antinociceptiva (Costa et al. tremores musculares e morte por parada respiratória no homem (Sousa et al.. Calliandra. distribuídas em cinco tribos. Mas o pesticida natural rotenona extraído das espécies de Derris não apresenta atividade carcinogênica (Greenman et ali. lacunifora foi caracterizada atividade moluscicida (Almeida. doses elevadas podem causar náusea. 1996). Dipteryx Das cascas de Dipterix alata foi caracterizada a atividade antiinflamatória (Lima & Martins. 1987). muitos deles de valor medicinal. Zollernia e Acácia. Albizia. das sementes de D. .Espécies medicinais da família Mimosaceae Introdução A família Mimosaceae (subfamília Mimosoideae ou Leguminosae II) compreende 64 gêneros e 2. 1993). 1998). Dados toxicológicos do gênero Derris O contato direto de D.. das quais destacamos os gêneros Parkia. vômito. M. Inga.

Dados botânicos A planta é uma árvore com folhas alternas. na região da Mata Atlântica. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Ingá. repletas de glândulas.Espécies medicinais Inga spectabilis (Vahl. é chamada de Espinheira-santa. flores reunidas em espigas terminais. . Nomes populares A espécie. Moçataíba e Orelha-de-onça. encontradas em áreas tropicais e temperadas. Laranjeira-do-mato. pois é confundida e coletada como adulterante da Espinheira-santa verdadeira (Maytenus ilicifolia). pecioladas. com grande ocorrência na Amazônia. Dados botânicos A planta é uma árvore de porte médio (aproximadamente 15 m). O nome do gênero é denominação popular nas Guianas. Zollernia ilicifolia Vog. e a infusão das folhas é usada no tratamento de diabetes. Em outras regiões do país. pinadas. Dados da medicina tradicional Os frutos são comestíveis. O fruto é amplamente consumido como comestível na região amazônica. O gênero Inga descrito por Phillip Miller inclui 350 espécies vegetais. Ingá-grande e Jambolão. compostas por folíolos ovais. folhas simples coriáceas com cerca de 15 cm de comprimento e 5 cm de largura. a espécie é chamada de Mocitaíba.) Willd.

6. e o nome deriva de Hohenzollern. I. a infusão das folhas é usada internamente contra úlceras e problemas estomacais. I. laurina.4'trihidroxi-6. alba.. incluindo dores. Sobre o gênero Zollernia não foram encontrados estudos químicos. I. Foram isolados alcalóides das espécies I.3'4'-trihidroxiaurona e 7. Não foram encontradas outras referências de uso medicinal dessa espécie. Dados químicos e farmacológicos dos gêneros De Inga edulis var.oblongas. farmacológicos e toxicológicos. oerstediana e I. 1996).3'.7. estão sendo realizados em nossos laboratórios mas ainda em fase de publicação. Estudos preliminares de atividades analgésica e antiulcerogênica da espécie Zollernia ilicifolia. sertulifera.7). stipularis (Kraus & Reinbothe. paterno (Morton et al. Maytenus ilicifolia).22stigmastadien-3b-ol glucosedeo. 5. I. semialata. I. I. flores rosadas (Figura 18. nobilis. I.. longispica. 1991). bourgonii.4'-tetrahidroxi-3-metoxiflavona. O gênero descrito por Maximilian Alexander Philipp zu Wied-Neuied e Christian Gottfried Daniel Nees von Esenbeck inclui quatorze espécies tropicais. I. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. . I. com margens onduladas e providas de espinhos.8-dimetilflavona (Correa et al. a antiga casa regente prussiana. heterophylla. parviflora foram isolados os constituintes 7. estipulas espessas (característica marcante na diferenciação da Espinheira-santa verdadeira. 1973). assim como perfil fitoquímico e toxicidade aguda.

1 . b) detalhe das folhas (fotos originais por M. S.Bauhinia forfícata: a) vista geral da copa da árvore. .FIGURA 18. Reis).

Caesalpinia ferrea.FIGURA 18. Escanerata do ramo florido e da flor (Banco de imagens - .2 .

c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens 316 .FIGURA 18.3 . b) ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.Cassia multijuga: a) escanerata do ramo com flores e frutos. 1984).

b) escanerata do ramo com flores e frutos. c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens . 1939).FIGURA 18.4 .Cassia occidentalis: a) ramo com frutos e flores (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.

Derris floribunda.FIGURA 18.Banco de imagens - . Ramo florido e detalhe da flor (desenho original por Di Stasi .5 .

6 .Diplotropis purpurea. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .Banco de imagens - .FIGURA 18.

Detalhe das folhas com espinhos e das estipulas (fotos originais por M. Reis).Zollemia ilicifolia. S.FIGURA 18.7 . .

onde ocorrem cerca de 63 gêneros e aproximadamente 480 espécies (Barrozo. Muitas dessas espécies são ornamentais e amplamente conhecidas no Brasil. que inclui o gênero Punica. distribuídas nos 188 gêneros. assim come outras espécies de valor econômico. que incluem espécies medicinais.950 espécies. Punicaceae. lianas ou arbóreas (árvores) grandes e pequenas. com ocorrência principalmente nas regiões tropicais de todo o mundo (Mabberley. A. com inúmeros representantes no Brasil. das quais devemos destacar as Lytraceae do gênero Cuphea. Di Stasi C. como a popular Quaresmeira (Tibouchina) e . C. a Punica granatum. 1978). 1997). arbustivas. da famosa Romã.19 Myrtales medicinais L. São plantas herbáceas. Melastomataceae e Myrtaceae. e as duas famílias aqui descritas. Espécies medicinais da família Melastomataceae Introdução A família Melastomataceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu inclui 4. Hiruma-Lima A ordem Myrtales reúne doze famílias botânicas.

) DC. O nome do gênero Clidemia foi dedicado ao médico grego Clidemus. na região amazônica. fruto do tipo baga. Salpinga. Outro nome popular é Flor-de-quaresma. . Rhynchanthera grandiflora (Aubl. ereto e piloso. foram referidas como medicinal apenas duas espécies. brancas ou rosas. O gênero foi descrito por David Don e inclui 117 espécies tropicais de ocorrência nas Américas. essa espécie é chamada de Quaresma. Miconia. Neste estudo.as demais plantas ornamentais do gênero Leandra. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. as folhas maceradas cruas são usadas topicamente em feridas e coceiras provocadas por picadas de insetos e carrapatos. 1998). dispostas em cimeiras. flores pequenas. que descreveu inúmeras patologias em plantas. com folhas ovais e cordiformes. muitas delas com frutos comestíveis e várias de uso medicinal. Microlicia. Huberia. em outras regiões. Dados botânicos A planta é um arbusto de pequeno porte. ou Pixirica. Cambessedesia e Lavoisiera 0oly. Espécies medicinais Clidemia novemnervia Nome popular Essa espécie é conhecida popularmente como Aritucá. roxo. Clidemia novemnervia e Rhynchanthera grandiflora. nervadas e pubescentes. Nomes populares Na região amazônica. ambas pela indicação popular na região amazônica.

620 espécies (Mabberley. Foram observadas também nefrotoxicidade e gastroenterites (Murdiati et al. que contém 19% de taninos hidrolizáveis. Os . Dados químicos e farmacológicos do gênero Clidemia Não foram encontrados dados químicos ou farmacológicos da espécie. Eucalyptus. e várias outras em climas temperados. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada contra febres.. 1990). Psidium. planas. Pseudocaryophyllus. flores rosas ou roxas e fruto de cápsula escura. oeste da Índia e América tropical. Essa família inclui gêneros como Myrtus.Dados botânicos A planta é um arbusto de caule ereto e repleto de ramos pilosos e glandulosos. inclui cerca de 129 gêneros e aproximadamente 4. Enzimas séricas indicam provável dano hepático. A planta fornece madeira e é cultivada como ornamental pela beleza das flores. cordiformes na base e com margens serreadas e nervura central proeminente. Espécies medicinais da família Myrtaceae Introdução A família Myrtaceae. bem representada na Austrália. O nome do gênero significa "antera rostrada" e foi descrito por Augustin Pyramus De Candole. de onde partem folhas de pecíolo longo. Não foram encontradas outras referências medicinais dessa espécie. Syzygium. Eugenia. No gênero são descritas quatorze espécies vegetais. 1997) arbustivas e arbóreas. como o Óleo de eucalipto e a Pimenta. Leptospermum e Melaleuca. Várias espécies fornecem importantes óleos essenciais e temperos. Mas existem relatos da intoxicação em cabras por ingestão de Clidemia hirta. Pimenta. descrita por Antoine Laurent de Jussieu.

E uma espécie exótica. dispostas em corimbos. 1996). fruto do tipo drupa. especialmente as flores. Cereja-nacional. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. os gêneros Pimenta (Pimenta) e Syzygium (Cravo-da-índia) destacam-se como condimentos (Joly. várias espécies dos gêneros Psydium (Goiaba. comercializada no mundo todo como condimento e para a extração de seu óleo essencial. Myrciaria Gabuticaba). leucoantocianinas. sendo rara a presença dos glicosídeos cianogênicos e alcalóides (Evans. Jambo e Cambuci) e Paivaea se destacam pelo valor alimentício. Dados botânicos Árvore de porte médio (até 15 m) a pequeno (até 5 m quando cultivada). No Brasil. Araçá). para o alívio de dores de dentes. bastante aromáticas. rosas ou avermelhadas. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente como Cravo-da-índia ou Craveiro-da-índia. taninos. flores pequenas. as partes aéreas do Cravo-da-índia. são usadas no local. 1998). com folhas pecioladas.constituintes dessa família incluem. além de óleos essenciais. Espécies medicinais Caryophyííus aromaticus L. oblongas e glabras. A infusão das partes aéreas é utilizada como afrodisíaco e contra desordens estomacais. congestão nasal e dores de cabeça. enquanto a infusão com folhas de alfavaca (Ocimum basilicum) é usada externamente contra sinusite. cultivado ou adquirido no comércio. ácidos fenólicos e ésteres. opostas. de grande valor pelo seu uso na indústria de cosméticos e na produção de bebidas. Eugenia (Pitanga. .

Araçá-goiaba. brancas e com numerosos estames. por outras.1). é útil contra hemorróidas. galhada. que é a denominação em grego da planta. 1984). fruto com baga amarela. Provém de psidion. e Goiabeira Branca em Minas Gerais. esmagar. é indicado contra diarréia. a infusão das folhas é usada contra dor de barriga. O nome do gênero. morder". Psidium. existem registros para a espécie como Goiabeira. A infusão dos frutos. glabras ou ligeiramente pubescentes na face superior. no entanto. edema e. folhas opostas. actinomorfas. O chá feito das folhas e/ou da casca dessa espécie é utilizado por algumas tribos contra diarréia e disenteria. o chá das folhas novas. significa "triturar.Outras indicações incluem o uso da "água destilada de cravo" como digestivo e sudorífico (Corrêa. com cálice membranoso. ovadolanceoladas. internamente. flores hermafroditas. enquanto a decocção dos brotos é indicada contra diarréias graves. Psydium guajava L Nomes populares Essa planta é conhecida na região Amazônica como Goiaba. Araçáguaiaba. Guaiava. doenças da pele. curto-pecioladas. fervidos. e. para regulação do ciclo . Araçá-guaçu. assim como o chá das folhas com Amor-crescido. de polpa abundante (branca ou vermelha) e numerosas sementes pequenas e duras (Figura 19. Araçá-vaçu no Rio Grande do Sul. de sabor agradável. são usados contra dores de estômago e problemas de fígado e contra desarranjo menstrual e hemorróidas. os brotos de goiaba e de caju. referindo-se aos frutos. Guaiaba. usada externamente. diclamídeas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. botões florais tomentosos ou glabros. contra diarréias. com caule tortuoso e casca lisa. Dados botânicos Arbusto ou árvore de pequeno porte. Na região da Mata Atlântica.

Grenand et al. Psydium cf. misturado com folhas de salva-de-marajó. guajava ainda são utilizadas na América Latina. as raízes são usadas contra problemas estomacais e cutâneos (Corrêa. antidiarréica. 1988). As outras indicações populares incluem a utilização da casca como adstringente. 1992). A espécie é muito semelhante à goiabeira verdadeira. As folhas de P. misturado com folhas de pitanga. Duke & Vasquez.. no Rio Grande do Sul. diclamídeas. antileucorréica. principalmente em diarréias infantis. A espécie é igualmente cultivada no Brasil e em vários outros países. em gargarejos contra afecções da boca e garganta. 1994). Central. com vários galhos e caule bastante tortuoso e casca lisa. é antidiarréico (Amorozo &Gély. 1982.. sendo facilmente confundida com esta. no Pará. 1986). também é indicado contra leucorréias e em irritações vaginais (Verardo. é considerado útil contra desarranjo menstrual (Simões et al. oeste da África e sudeste da Ásia (Smith et al. Nomes populares A espécie é denominada nas comunidades tradicionais da Mata Atlântica Araçá ou Araçá-mirim. de polpa abundante. flores hermafroditas. botões florais tomentosos ou glabros. igualmente usados como alimento. anticolérica e antiúlcera. sendo também muito abundante em capoeiras e outras áreas desmatadas. a casca do tronco é utilizada também contra catarros intestinais. a infusão das folhas é utilizada como antidiarréica e contra problemas hepáticos (Emperaire. 1987. no Piauí. 1982). 1984). como também os frutos. . lavagens de úlceras. em Minas Gerais.. folhas opostas. o chá das folhas. fruto com baga amarela. 1982). Na Mata Atlântica a espécie é encontrada dentro de áreas florestais de formação secundária. 1980. actinomorfas. com cálice membranoso. brancas e com numerosos estames. Grandi & Siqueira. como estomáquico.menstrual. Dados botânicos A espécie é um arbusto com até 5 m de altura. o chá da folha. curto-pecioladas e glabras. indisposição estomacal e vertigem (Forero. guineense Sw. e o decocto.

. alcanos. óxido de humuleno. Oliveros-Belardo et al. 1996). Pino et al. himacaleno. 1. analgésica e anticonvulsivante (Costa et al. Yusof & Mohamed. 1987. derivado de eugenol. 1989. 28 ésteres. t-cariofileno. Dados químicos Foi isolado de Caryophyííus aromaticus o eugenol (Costa et al.. Ortega & Pino.. Ortega & Pino. 31 alcanos.. 1. 1989. e 95% são cariofileno (Latza et al. hidrocarbonetos e uma mistura de compostos (Nishimura et al. 1991). -bisaboleno. bisaboleno e -bisabolol (Craveiro et al... apresentou atividade depressora do SNC. 10 hidrocarbonetos e 13 uma mistura de compostos (Nishimura et al. p-cimeno. 1982) e quercetina. ésteres.. 1986. 1990. dos quais 13 são aldeídos. p-menten-9-ol. bem como outros constituintes aromáticos (Cicogna-Junior et al. 1994). lignina. as comunidades tradicionais usam a decocção das folhas como antiinflamatório e cicatrizante local. 1987. além de taninos (Misra & Seshadri. os frutos contêm monoterpenos e sesquiterpenos.. 1990. Marcelin et al.. o óleo essencial é constituído principalmente de -pineno. O dehidrodieugenol. açúcares. 1968. 1994). 1996). polissacarídeos e ácidos (El-Zorkani. 122 componentes voláteis. -cedreno. 1996.1-díetoxietano. borneol. 1987). 1978). Zheng et al. -santaleno.. pectina. humuleno. Dos frutos também foram isolados: l-0-trans-cinamoil-a-L-arabínofuranosil-(16)-b-D-glucopiranose e 1-O-trans-cinamoil-b-D-glucopiranose (Latza et al. 1996). mirceno. -bergamoteno. 17 cetonas. cetonas. As diferenças quantitativas e qua- . cremoflieno. Existem relatos das atividades quimopreventiva e detoxificante hepática (Kumari... -terpineol. enquanto a infusão das folhas é usada na forma de gargarejo como anti-séptico bucal e também como antiinflamatório externo. O aroma característico do fruto foi atribuído a quatro constituintes. 1987). 1990).1-dietoximetano... Wilson & Shaw. 1989. Pino et al. 1968). 1981). aldeídos. Chyau & Wu.. acoradieno.1-dietoxihexano e acetaldeído etil cis-3-hexenil acetal (Zhengy et al. -guaieno. denominados 1. 10 ácidos. De Psydium guajava foram isolados vários polifenóis (Okuda et al.Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. vitaminas C e A. -cubebeno.

. d-arabinose e ácido urônico (El-Sayed. alcoóis sesquiterpenóides e triterpenóides (Begum et al. As atividades antimicrobiana e antimutagênica foram verificadas para essa espécie (Misas et al.. Dados farmacológicos dos gêneros Farmacologicamente. enquanto (Z)ocimeno e beta-e gama-cariofileno se apresentam em maior quantidade no exterior (Chyau & Wu. 1989). Lima Filho et al. 1974. Osman et al. Hegnaurer. guajava foi atribuída à presença de alcalóides quaternários (Ali et al. ácidos linoléico... 1981). Jain et al. 1986). óleo essencial (Ji et al.. 2002. 1987). O interior das cascas é rico em ésteres.. O extrato aquoso tam- . ácido oleanólico (Mair et al. 1985) e quercetina foram isolados das flores (Mair et al. A atividade antibacteriana das cascas de P. 1987).. 1986).. Nas sementes foram determinados lipídios e proteínas (Habib. 1987). Ácido elágico.. (1994) e Neri et al. existem várias atividades descritas para espécies desse gênero. 1978). Chen & Yang (1983). Okuda et al.litativas nos constituintes voláteis do interior e do exterior da casca do fruto foram determinadas. guaijaverina. (1994) verificaram atividade hipoglicêmica. 1996). (1985) demonstraram que essa atividade não está relacionada com alterações no nível de insulina plasmática. d-galactose.. 1979b. palmítico. polifenoloxidase (Augustin et al. flavonóides. e nas folhas foram isolados taninos (Okuda et al. e Maruyama et al. 1991).. 1987. 1987). oléico e esteárico (Opute.

(Santos et al. 1994. 1994). F. guyanensins.. Das cascas de P. 1992.. 1990. anticonvulsivante (Santos.. Santos et al.. P. 1994. guajava foram isolados terpenóides (cariofileno. et al. 1988) e tosse (Jaiay et al.... et al. F.. 1989)... guajava foi isolado um alcalóide quartenário que apresentou atividade antibacteriana contra Shigella dysenteriae (Ali et al. De P. 1995). 1996a). 1999). Shimomura. 1996). Atividades analgésica e antiinflamatória também foram detectadas nas espécies P. que apresentaram atividade depressora do SNC (Shaheen et al. 1983). guajava foram isolados inibidores de colagenase com atividade antiinflamatória. 1994. Meckes et al.. 1970). explicando possivelmente seu efeito no tratamento das diarréias agudas (Lutterdodt. 1995. 1994. P. guyanensis. incanescens (Santos. Existem ainda relatos das reduzidas atividades tóxicas (Rao et al. 2002. óxido e b-selineno). guyanensis (Santos. Grover et al. Lozoya et al.... 1996) Rotavirus enterico e suas folhas foram efetivas contra a staphylococcus faureus (Gran & Demillo... O óleo essencial de P. e antitumoral de P.. 1996c.. e eugenol e timol de P. guajava inibiu a liberação gastrintestinal de acetilcolina em íleo de cobaia estimulado eletricamente ou por meio de contração espontânea. PonceMacotela et al. 1989.. F. incorporados aos dentifrícios para o controle de doenças periodontais (Santos. A.. Lozoya et al. apresentou atividade antimicrobiana (Santos.). et al. A. 1990. F. 1995).bém diminuiu significativamente os níveis de triglicérides sangüíneos (Basnet et al. Cáceres et al. 1994). Do extrato hexânico das folhas de P. pohlianum e Psidium sp... 1998). propriedade anticatártica (Pinto et al. Lutterdodt.. 1999). 1997) e bloqueadora da junção neuromuscular. A.. 1993. 1996a) de P. widgrenianum (Souza et al. Morales et al. 1993. Lutterdodt et al. guajava tem sido validado por estudos clínicos para o tratamento de disordens gastrintestinais (Lin et al. O extrato de folhas de P. A.. 1995). Lutterdodt. 1997. 2000. incanescens (Zelnik et al.. A. F. Cáceres et al. A propriedade hipoglicêmica dos frutos dessa espécie tem sido estudada e demonstrada (Roman-Ramos et al. 1996b) e P. A quercetina isolada de P.. pohlianum foram os responsáveis pela atividade (Cunha et al.. et al. . et al. Cheng et al.

Psydium guajava.FIGURA 19. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) e detalhe da flor (Banco de imagens .1 .

A família Celastraceae foi descrita por Robert Brown e compreende 88 gêneros. 1997). C. Gonzalez Introdução A ordem Celastrales inclui oito famílias botânicas. Inclui desde árvores até arbustos e lianas. .G. que inclui uma importante espécie vegetal do cerrado brasileiro. N. Di Stasi L.20 Celastrales medicinais L. Seito F . e apenas uma delas. a família Celastraceae. ambos contendo espécies amplamente estudadas. com inúmeras atividades farmacológicas já descritas. nos quais se distribuem aproximadamente 1. e Maytenus. aqui presente pela sua importância na região da Mata Atlântica. são Celastrus e Trypterygium. Salada e Cassine são também muito usadas e estudadas. representa importante fonte de espécies medicinais. que possuem espécies medicinais. com atividade antifertilidade masculina.300 espécies vegetais tropicais e raramente de climas temperados (Mabberley. gênero de grande valor medicinal. no qual discutimos duas espécies referidas na região da Mata Atlântica. Os principais gêneros dessa família. Austroplenckia.

a infusão das folhas é usada contra dores de barriga. Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil e é chamada na região da Mata Atlântica de Espinheira-santa. de Espinheira-santa. Cancerosa. arbusto menor (de 1 a 3 m). axilares. flores numerosas. dores nas costas e úlceras do estômago. . dor do "ciático". Erva-santa e Congorça. denteadas. gastrite e ulcera péptica. ex Reiss. fruto do tipo cápsula ovóide. Nomes populares A espécie é chamada. amarelo-avermelhado. Salva-vidas.cancerosa. Também é conhecida como Sombra-de-touro. bastante coriáceas. Corrêa (1926) refere o emprego da planta contra câncer do estômago e Graham (2000) cita o uso de diversas espécies para câncer. com acúleos. copa globosa e ramos glabros. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. de onde partem folhas elípticas. Erva. na região da Mata Atlântica. atingindo até 9 cm de comprimento. Espinho-de-Deus. glabras. Maytenus aquifolium M.Espécies medicinais Maytenus ilicifolia Mart. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 10 m de altura (no interior da Mata Atlântica). agrupadas em pequenas inflorescências fasciculares de cor amarelo-esverdeada. Costa (1984) prescreve o uso da infusão de suas folhas contra dispepsia. Espinheira-divina. Em outras regiões é chamada de Cambotá bravo e Pau-mamão. ápice agudo.

. aquifolium foram isolados quercetina e kaempferol (Sannomiya et al. A espécie tem sido amplamente usada e coletada na Mata Atlântica do Estado de São Paulo. alcalóides e triterpenos foram obtidos de M. Foram também isolados um glicosídeo. serradas e com acúleos nas margens e pequenas estípulas caducas. . oblongas. Foram isolados das cascas de raízes de M. 1995. Dados químicos De M... blepharodes foram isolados o triterpenóide xuxuarina E alfa (dímero baseado em duas unidades de pristimerinas) e dois sesquiterpenóides com esqueleto dihidro-beta-agarofurano (Gonzalez et al. 1995). para comercialização como adulterante da Espinheira-santa Maytenus ilicifolia. De M. a infusão das folhas é usada contra dores de barriga e úlceras do estômago.. krukovii (Honda et al. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. amazonica foram isolados nor-triterpeno e triterpenos nor-fenólicos (Chavez et al. heterophylla e M. 1998). 2000).. 2001) e triterpenos cetônicos de M. cuja aglicona é estruturalmente relacionada com os típicos sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos de várias Celastraceae (Munoz et al. aquifolium os alcalóides aquifoliunina E-III e aquifoliunina E-IV e os alcalóides siringaresinol e 4'-0-metil-(-)epigalocatequina (Corsino et al. boaria foram isolados quatro poliésteres betaagarofurânicos (Alarcon et al. 2000).Dados botânicos A planta é uma árvore ou um grande arbusto. 1995a). podendo chegar a até 15 cm de comprimento. vermelho. flores pequenas e axilares. fruto do tipo capsular. podendo chegar a até 4 m de altura. Não foram encontradas outras referências de uso popular desta espécie. 1998a e 1998b os terpenóides friedelina e quinona metídeo (Corsino et al. arbitifolia (Orabi et al. com ramos finos. contendo folhas alternas. 1999). Da infusão das folhas de M... 1997).. Das sementes de M... bem como os triterpenos fenólicos blefarodol e 7 alfa-hidroxi-canarol (Gonzalez et al.. 1998) e glucosídeos (Zhu et al..

foram isolados das folhas de M. canariensis foram isolados nor-triterpenos (Gonzalez et al. triterpenos do tipo friedelana. e outros triterpenos (Gonzalez et al.21-trione (Nozaki et al. 1994b).. Dos ramos de M. canaradial... .16. 1993). E-III. xuxuarinas F beta. ebenifolia foram isolados os alcalóides ebenifolinas WI..... 1994)...30-dihidroxi-lup-20(29)-en-3-one (Gonzalez et al. triterpenos com esqueleto friedo-oleanano (Gonzalez et al.. 1996b). 1993a e 1993b). 1995b) e sesquiterpenos com esqueleto dihidro-beta-agarofurânico (Gonzalez et al. 1992). 1991). 7-hidroxi-6-oxoiguesterol. cangoronina e ilicifolina. 1999).. chuchuhuasca (Shirota et al. além de pristimerina.8dihidroisoxuxuarina E alfa. G alfa e G beta. 7 alfa-hidroxicanarol. 5'-0-metilgallocatecol e 4-hidroxibenzaldeído (Munoz et al. 1995a). iliocifolia (Shirota et al. e escutidina alfa A foram isolados de M. E-I e E-II (Itokawa et al. De M.. 7.30-diol (20).30-lup-20(29) ene-triol e 28. lupeol. lup-20(29)-ene-3beta. 1992b). diversifolia foi isolado um triterpeno friedelano (maytensifolina-C).. Dos ramos de M.. sendo que o último apresenta atividade citotóxica contra células KB humanas (Kuo et al. emarginatina-D. tendo sido isolados os alcalóides chuchuhuaninas E-I. 1998). W-I e 4deoxieuonimina (Shirota et al. macrocarpa (Chavez et al. betulina.Gonzalez et al. ilicifolia foram isolados glicosídeos como os ilicifolinosídeos A-C (Zhu et al. tingenona e 20 alfa-hidroxi-tingenona (Alvarenga et al. E-V. os triterpenos fenólicos canarol. além de epicatecol. emarginatina-E e emarginatinina. alcalóides piridínicos com centro dihidroagarofurânico foram isolados das cascas de raízes de M. E-IV. os triterpenos 3-beta. Das folhas de M. bem como oito triterpenos dammarano (Chavez et al. Além disso. 1991b). 1999a e 2000). 1994). De M. As cascas das raízes de M... sendo a estrutura determinada como 6-beta-hidroxifriedelan3. chuchuhuasca apresentam diferentes alcalóides. os triterpenóides beta-amirina. ácido oleanólico e ácido betulônico. 15 alfa-hidroxi-21-ceto-pristimerina. 1998). 1994). E-II. ilicifolia (Itokawa et al..28. Sesquiterpenos foram isolados de M. emarginata foram isolados os alcalóides emarginatina-C.. Dímeros geométricos e estereoisoméricos de triterpenos. 1997).

tendo sido também isolados dímeros triterpenos na espécie (Gonzalez et al.. 1993c) e triterpenos dímericos (Gonzalez. -15-triacetoxi-l alfa. Gonzalez et al. Nor-triterpenos e triterpenos nor-fenólicos isolados de M. M. senegalensis também foi isolado o triterpeno ácido maytenônico (Abraham et al. 1971. 1999b). 6 beta.... 1996).. buchananii apresenta atividade mitogênica em linfócitos isolados de camundongos atímicos (Tachibana et al. 1981) e antimolarial ( El Taher et al.. Alcalóides foram isolados de M. De M. isolados de M. . 1999).. catingarum (Alvarenga et al. 2000.. 8 beta. myrsinoides (Baudouin et al. 1996a).. scutioides (Gonzalez et al.. Hep-2 e Vero (Gonzalez et al. A.. 1999). senegalensis foram isolados glicosídeos flavan-3-ol metilados e uma protoantocianidina metilada ((-)-epicatequina. scutioides apresenta atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e modesta atividade citotóxica contra as linhagens de células HeLa. Dados farmacológicos M. 2001). maytansina e maytanprina com atividade antitumoral (Wang et al. canariensis apresentaram atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas (Gonzalez et al. amazonica apresentam uma baixa atividade antitumoral contra linhagens de células tumorais (Chavez et al. confertiflora apresentaram atividade antitumoral (Tinwa et al. G. Do extrato metanólico de cascas dos ramos de M... 1996b). 1971). 1996b). senegalensis e M. assim como os compostos 6 beta. et al. magellanica apresenta sesquiterpenos dihidro-beta-agarofurânicos (Gonzalez et al. 15-tetraacetoxi9-alfa-benzoiloxi4 beta-hidroxi-beta-dihidroagarofurano.. O composto escutiona isolado de M... 8 beta.. 9 alfa-dibenzoiloxi-4 beta-hidroxi-betadihidroagarofurano e 1 alfa. 1996c). Nor-triterpenos isolados de M. assim como outro nor-triterpeno isolado de M. 1999a). tendo o extrato hidrometanólico apresentado moderada atividade inibidora contra protease de HIV (Hussein et al.M. macrocarpa (Chavez et al. 1984). Wang et al. Um triterpeno denominado escutiona foi isolado das cascas de raízes de M. 1981).. 1999).

. aquifolium possuem várias atividades farmacológicas. et al. Oliveira et al. 1999). Estudos fitoquímicos preliminares detectaram a presença de terpenóides e traços de compostos fenólicos nesse extrato (El Tahir et al.. ilicifolia não interfere na espermatogênese (Montanari et al. senegalensis apresentou importante atividade antiplasmódica contra linhagens de Plasmodium falciparum sensíveis e resistentes à cloroquina. Gonzalez.. F. 1991. especialmente contra úlceras (Souza-Formigoni et al. 2001. 1991. Queiroz et al.. Extratos de Maytenus ilicifolia e M.. Dados recentes indicam que o extrato etanólico das folhas de M.. 2002). 2000). . 1998a) porém reduziu a taxa de implantações dos embriões em ratas grávidas (Montanari & Bevilacqua. 2001).O extrato diclorometânico de M. ilicifolia não foram efetivos como antifúngicos (Portillo et al.. G. As folhas e caules de M.

Polygalaceae. com importantes espécies fontes de madeiras. . 1978). Trigoniaceae. No Brasil são encontradas espécies das famílias Malpiguiaceae. usada na produção da Ayahuasca. Di Stasi Introdução A ordem Polygalales inclui sete famílias botânicas. Algumas plantas dos gêneros Polygala e Securidaca são espécies medicinais da família Polygalaceae. No Brasil. C. e outras espécies dos gêneros Byrsonima e Calphimia. especialmente a famosa Banisteriopsis caapi. como espécies medicinais da família Malpiguiaceae. podem ser citadas as dos gêneros Banisteriopsis. 1997). corantes e de medicamentos. Malpiguia e Stygmaphyllon.21 Polygalales medicinais L. arbustos e lianas (Mabberley. distribuídas em todo o território nacional (Barrozo. especialmente árvores. Os principais gêneros dessa família são Banisteriopsis.100 espécies tropicais. com aproximadamente trezentas espécies. contendo cerca de 1. das quais se destacam as Malpiguiaceae e Polygalaceae. Vochysiaceae e Krameriaceae. bebida alucinógena. A família Malpiguiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange aproximadamente 67 gêneros. além das duas referidas a seguir. Byrsonima. Da família Vochysiaceae destacam-se os gêneros Vochysia e Qualea. ocorrem 32 gêneros. ambas com várias espécies medicinais.

Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada internamente contra febre.Espécies medicinais Stigmaphyllon fulgen Juss. Dados botânicos A espécie é uma planta trepadeira. descrito por Antoine Laurent de Jussieu. nas raízes formam-se grandes tubérculos. . Observação Não foram encontrados dados químicos e farmacológicos sobre essas duas espécies. contra icterícia. arredondadas. Gordura-de-porco ou Cajuçara. significa "estigmas foliáceos". e Stigmaphyllon strigosum (Poepp. sendo comumente coletadas como da mesma espécie. bastante pubescente. e. formando panículas com flores amarelas e frutos do tipo sâmara. Outra espécie na região amazônica é coletada com o mesmo nome e mesma utilização medicinal.) Juss. glabas na face superior e sedosas na face inferior. dor de estômago e gripes. O nome do gênero Stigmaphyllon. grande e robusta. externamente. Nomes populares Ambas são denominadas na região amazônica Tapiquira. de folhas cordiformes. no entanto foi identificada como Stigmaphyllon strigosum (Poepp. possui inflorescências dispostas em racemos axilares.) Juss.

amplamente usadas e estudadas como fontes de várias substâncias com atividades antimalárica e amebicida. especialmente no Sistema Nervoso Central. a ocorrência na região amazônica de espécies medicinais das famílias Anacardiaceae. Na família Sapindaceae destacam-se os gêneros Paullinia. além das espécies aqui citadas. inúmeras espécies medicinais. Possuem também significativos efeitos farmacológicos. todos com importantes espécies conhecidas popularmente como Timbó. que contém. M. especialmente dos gêneros Simarouba. Di Stasi A ordem Sapindales possui vinte diferentes famílias botânicas. . Das demais famílias dessa ordem. algumas com grande ocorrência no Brasil e na região amazônica. Souza-Brito L. destacando-se as famílias Burseraceae. Hiruma-Lima A. o Guaraná. Ailanthus. Quassia. A. Essa ordem.22 Sapindales medicinais C. Anacardiaceae. reúne inúmeras plantas de grande valor medicinal e econômico. R. muitas das quais usadas para a pesca por serem consideradas narcóticas para os peixes. É ainda nessa família que se encontra um dos produtos mais importantes do Brasil. Picrasma e Brucea. Simarubaceae e a outra família. Rutaceae. Oxalidaceae e Balsaminaceae. Oxalidadaceae e Rutaceae foi relevante. essas espécies serão descritas a seguir. C. Simaroubaceae. Sapindaceae. Cupania e Serjania. Meliaceae.

além de inúmeros usos na indústria de plásticos e de resinas. pertence à ordem Sapindales. tais como Caju. Spondias. o segundo gênero mais importante no Brasil é o Spondias. lianas e raramente ervas pereniais. arbustos. Essa família botânica inclui árvores. Desses gêneros destacam-se. Os principais gêneros dessa família botânica são Anacardium e Mangifera (Anacardiae). enquanto outras representam importantes fontes de madeiras. as espécies Pistacia lentiscus. nos países de clima temperado. relatados a seguir. distribuídas em regiões tropicais. 1997). Das variadas espécies dessa família deve-se destacar o Cajueiro. sendo pouco referida e usada em populações urbanas. Na região amazônica registrou-se amplo uso das espécies Anacardium occidentale (Caju). que inclui espécies conhecidas popularmente como Cajazeiro e Umbuzeiro. Anacardium giganteum é uma espécie muito utilizada pelos índios do Brasil.Espécies medicinais da família Anacardiaceae Introdução A família Anacardiaceae (Dicotyledonae). muitas espécies estão espalhadas por todo o território. amplamente consumida . Do mesmo gênero. especialmente como fonte de frutas amplamente consumidas e comercializadas. o Cajueiro fornece uma fruta de grande valor na produção de sucos. Spondias e Schinus. No Brasil. subclasse Rosidae. Rhus e Ozoroa (Rhoeae) e Dobinea (Dobineae). Muitas espécies dessa família são produtoras de frutos bem apreciados em todo o mundo. Além dos usos medicinais. Lanneae e Tapiríra (Spondiadeae). algumas com ampla ocorrência na Região Nordeste. reúne setenta gêneros. As espécies estão prioritariamente distribuídas nos trópicos. Pistacia terebinthus e Rhus coriaria. Nessa família. Semecarpus (Semecarpeae). Schinus. Manga e Pistache. com aproximadamente 875 espécies. descrita por John Lindley. Anacardium giganteum (Moranha) e Spondias purpurea (Serigüela). subtropicais e poucas em regiões de clima temperado (Mabberley. A espécie Mangifera indica. cuja castanha possui grande valor no mercado internacional como alimento. Mangifera. enquanto no Brasil os gêneros principais são Anacardium. Muitas dessas espécies são usadas como medicinais em diversas regiões do país.

Dados botânicos Anacardium giganteum é uma árvore alta. Caju-assu. Espécies medicinais Anacardium giganteum Hancock ex. O suco é preparado por maceração em água fria e então aplicado topicamente sobre a testa e a nuca. Pará e Mato Grosso. Engl. Cajuí. Caju-da-mata (Amazonas). Esses índios se utilizam do suco das folhas como antitérmico e para o alívio de dores de cabeça. Dados da medicina tradicional O uso dessa espécie é restrito aos índios tenharins. com tronco de casca lisa. de 25 a 30 m de altura. Possui ocorrência na Região Norte do Brasil. o fruto em forma de drupa é peduncular. especialmente no Amazonas. . não foi referida na região de estudo como medicinal.como alimento e cultivada em todo o território brasileiro. Nomes populares Essa espécie é conhecida pelos índios tenharins como Moranha.1). Cajueiro-da-mata (Mato Grosso). ovário súpero com um só óvulo. Não foram encontradas outras referências de usos desta espécie na medicina popular. em outras regiões do Brasil e Cajuy e Mairu. carnoso e raras vezes doce (Figura 22. as flores. perfumadas. entre outras tribos indígenas. sendo também denominada Cajuaçu. não sendo referida em outra comunidade da região amazônica. as folhas simples e alternas são glabras na face superior e pubescentes na face inferior. possuem sépalas e pétalas pentâmeras. apesar de possuir inúmeras virtudes medicinais registradas em outros levantamentos etnofarmacológicos. dispostas em panículas.

tais como Acajaíba. O . significa "semelhante ao coração". pendente de um receptáculo carnoso e aromático que é confundido com fruto (Figura 22. Dados da medicina tradicional Na região de estudo foi relatado que a casca é usada no tratamento de hemorróidas e diarréias graves. glabras. Além dos usos medicinais descritos a seguir. Cajumanso. plástico e resinas. raspa de amor-crescido e cajá. em referência ao nome de seu fruto. Anacardium. sendo seu centro de ocorrência o Brasil. pecioladas. com um só estame fértil. Dados botânicos Anacardium occidentale é uma árvore nativa do Nordeste do Brasil. tomando-se um copo por dia. e as castanhas secas e torradas são muito apreciadas no mundo inteiro. ou simplesmente Caju. que alcança até 15 m de altura e tem um tronco grosso e tortuoso de 25 a 40 cm de diâmetro. O gênero Anacardium descrito por Carl Linnaeus inclui quinze espécies tropicais na América do Sul. Para hemorróidas. Economicamente. utiliza-se um macerado coado da casca em água fria. heliófita e que cresce bem em solos secos. reticuladas e nervadas em ambas as faces. o fruto é do tipo aquênio reniforme. O óleo é usado na produção de borracha. O nome do gênero. Caju-da-praia. Contra diarréia. as flores. ovadas. É uma planta decídua. onduladas. pequenas e de coloração pálida. Caju-manteiga.2). assim como a própria castanha. o óleo da castanha. o chá deve ser aplicado na forma de banho de assento. no entanto. são pediceladas e dispostas em panículas terminais ramificadas. várias outras denominações são usadas para a espécie. entre outras. Nomes populares Essa espécie é amplamente conhecida como Cajueiro.Anacardium occidentale L. Acajuíba. possui importante mercado nacional e internacional. Caju-de-casa. o suco das frutas é usado como bebida refrigerante. ovário unilocular. utiliza-se o chá da casca adicionando-se broto de goiaba. as folhas são alternas.

Os índios ticuna da Amazônia usam o suco de fruta como preventivo contra gripes e o chá das folhas contra diarréia. 1982). historicamente há relatos do consumo do suco de caju para o tratamento de febre. tônico. 1984). 1993). contra aftas e inflamação da garganta na forma de gargarejo. contra úlceras. o óleo de semente com suco de fruta é usado contra verrugas. Reporta-se ainda que as frutas verdes são usadas para tratar hemoptise. A resina é usada como depurativo e expectorante. assim como um potente adstringente. brotos servem como expectorantes e o vinho obtido da fruta é indicado como um antidisentérico (Duke et al. O uso dessa espécie no combate à diarréia é comum em inúmeros países da América do Sul (Mejia & Reng. anti-helmíntico. As flores são afrodisíacas. 1994). P. Matos. purgativa. enquanto os índios wayãpi da Guiana indicam o chá contra cólicas de crianças (Schultes & Raffauf. astenia. para controle das secreções vaginais. utiliza-se ainda a infusão da casca como purgativo (Emperaire. 1990. como um diurético.. 1995). Cruz. 1993. . E comum no Brasil o uso na forma de banho de assento. 1982). 1995). tonsilite e problemas de garganta. problemas respiratórios e do estômago (Smith et al. debilidade muscular. Inúmeros outros usos foram descritos para essa espécie. 1992).. O pedúnculo dos frutos é reputado diurético. e a raiz. estimulante e afrodisíaco. Outros usos catalogados no Brasil referem à utilização da casca como tônico e estimulante medular. depurativo e anti-sifilítico. a casca é utilizada como adstringente.. desordens urinádas e asma (Lima.broto do caju é utilizado contra dores de estômago e problemas digestivos e deve ser fervido com broto de goiaba. além de o chá de folhas ser usado como líquido para limpeza bucal e gargarejo em úlceras de boca. Grenand et al. é eficiente contra aftas e cólicas intestinais. 1994. O suco das folhas serve como antiescorbútico. contra glicosúria e poliúria na forma de banho. O pericarpo tem utilização como anti-séptico. No Brasil ocorre ainda o uso da fruta contra sífilis. Em Juiz de Fora (MG). e ainda como expectorante e contra a icterícia (Corrêa. No Piauí. uma infusão de folha é usada contra diarréia. antidiabético e antihemorrágico (Verardo. calos e verrugas.. e a maceração de folhas para tratar diabete.

com copa bonita e arredondada. as folhas são anti-reumáticas e consideradas excelentes para tratar úlceras e feridas.3). Outros nomes comuns são Aroeira-mansa. Aroeira-do-sertão. A infusão das folhas é usada internamente contra reumatismo e a mastigação das folhas frescas. Bálsamo. lenha e carvão. por tratar-se de espécie com vários efeitos tóxicos. mas é muito usada como ornamental. sugere-se o uso com moderação. analgésico e contra coceiras. Coração-de-bugre. referindo-se às frestas da casca do fruto. Fruto-de-raposa. febrífuga e usada contra afecções uterinas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. o macerado das folhas em aguardente é usado externamente como cicatrizante. adstringente. Aroeira-vermelha. sendo comum encontrá-la no interior da Mata Atlântica. Cambuí. a planta é amplamente conhecida como Arueira ou Aroeira. O gênero Schinus foi descrito por Carl Linnaeus e compreende 27 espécies tropicais americanas. Aroeira-do-brejo. estimulante e analgésico. Fornece uma madeira de valor para a produção de mourões. com casca grossa. Fruto-de-sabi.Schinus terebenthifolius Raddi. Dados botânicos A planta é uma árvore com até 12 m de altura. Apesar de diversas outras indicações medicinais como diurético. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. o de onde saem ramos principais repletos de ramos secundários com folhas compostas. tônico. Aroeira-branca. Aroeira-da-praia. Corrêa (1984) refere que a casca é depurativa. . imparipinadas e de folíolos glabros (Figura 22. O nome do gênero significa "cortar". como cicatrizante e contra gengivites. Aroeira-do-campo. A planta é de ocorrência em todo o Centro-Oeste e Sudeste do Brasil. caule tortuoso.

O nome Spondias significa "ameixa". do tipo drupa. enquanto as folhas são consideradas antianêmicas (Guerrero. Nomes populares As espécie é conhecida na região amazônica como Umbu ou Serigüela. descrito também por Carl Linnaeus. especialmente árvores com resinas. sendo um composto característico das espécies deste gênero. como antidiarréico.O3). ilustrado a seguir. Acaju. imparipinadas. com folíolos oblongo-elípticos e acuminados. Dados químicos dos gênero A família Anacardiaceae é bem conhecida pela presença de fenóis e ácidos fenólicos. referindo-se à semelhança com o fruto. ou mesmo Caju. foi isolado da fruta e especialmente do óleo da castanha por Stadler (1887). referindo-se apenas à fruta da espécie. o fruto da espécie é empregado contra dores renais. Acaiou. além de comestíveis. Dados botânicos Spondias purpurea é uma árvore alta. Das folhas de Anacardium occidentale foram isolados ácidos fenólicos como gálico. O ácido anacárdico (C22H32. p-hidroxi- . o fruto. as folhas pecioladas e alternas são ovadolanceoladas. Outras denominações comuns são Acajá. Em outros países da América do Sul. com 5 a 7 m de altura. é ovóide. inclui espécies tropicais. Siriuela. 1994). esverdeado e doce (Figura 22.Spondias purpurea L. Cirouela. diurético e analgésico. são usados na forma de suco para o alívio de febre e dores. as flores são pequenas. antiespasmódico. ou Cajá e Umbu. reunidas em racemos. Dados da medicina tradicional Na região amazônica os frutos. O gênero Spondias. Inúmeras espécies desse gênero são historicamente conhecidas como Cajazeiro e Umbuzeiro.4).

agathisflavona. kaempferol. de diferentes partes da planta. a-amirina. anacardol. robustaflavona. n-eicosano. No fruto foram detectadas as presenças de ácido ascórbico. derivado de resorcinol. 1985). apigenina. narigenina. álcool araquidílico. sódio e açúcar. os seguintes compostos: acetofenona. 1987). 1989). 1997). fenol. esteróis. taninos. amentoflavona. estigmasterol. ácido procatéquico.benzóico e cinâmico (Koegel & Zech. aminoácidos. Mg. cardanol.. De Anacardium occidentale foram feitas caracterizações químicas e obtidas a partir das castanhas inúmeras proteínas. e de suas folhas foram isolados miricetina. ácido gentísico. Compostos derivados do ácido anacárdico. a-selineno e vitamina C (Gupta. taninos e açúcar (Nagaraja et al. 1986). 1987). campesterol e colesterol (Dinda et al. As castanhas possuem 96% de lipídios neutros e 4% de glicolipídios e fosfolipídios (Nagaraja. ácido-p-hidroxibenzóico. antocianinas. (-)-epiafzelequina. anacardol e cardol. A castanha possui também cardol e ácido anacárdico (Hegnauer. além de Na. além de flavonóides voláteis (Pino. limoneno. cicloartenol. 1973). glicosídeos de quercetina.. quercetina. também foram isolados (Costa. aminoácidos. quercetina 3-O-ramnosídeo e quercetina 3-O-glucosídeo (Arya et al. P. 1995). leucocianidina. K e Ca (Thomas & Dave. Al. S. 1986). anacardeína (Sathe et al. Das cascas de seu tronco foram isolados b-sitosterol. amido. C1. (-)epicatequina. Foram também caracterizados. triterpenos e sesquiterpetenolactonas . Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Anacardium occidentale indicam a presença de glicosídeos cardiotônicos. flavonóides. 1990). 1997c)..

Bacillus subtilis... Estudos farmacognósticos realizados com a espécie Spondias purpurea indicam a presença marcante de taninos. Dados descritos em inúmeras publicações confirmam a presença de inúmeros constituintes químicos. quercetina. 1992). Muroi & . tocoferol. ácidos esteárico. oléico. tocoferol e outros. 1993. mombin foi isolada uma série de ácidos 6-alkenilsalicílicos (Corthout et al. gram-negativas e outros microorganismos (Muroi et al. palmítico. 1991). aminoácidos variados.. denominados geraniina e galoilgeraniina. que apresentou uma pronunciada atividade antifilária.. Das folhas e caule dessa espécie também foram isolados dois taninos (Corthout et al. cardol e metilcardol obtidos dessa espécie apresentaram potente ação inibidora das enzimas tirosinahidroxilase (Kubo et al. -caroteno. Dados farmacológicos dos Gêneros Das cascas da castanha de Anacadium occidentale foi isolado um composto fenólico denominado cardol. Vários derivados do ácido anacárdico.. um derivado do ácido anacárdico (Onwuka. O composto 2-hexenal isolado dessa espécie mostrou importante ação bactericida contra bactérias gram-positivas. Porém diante do Helicobacter pylori o ácido anacárdico foi o mais efetivo antibacteriano ( Kubo et al. e raízes (Guerrero. 1994). Saccharomyces cerevisiae e Penicillium chrysogenum -. 2000).. 1994) e frutos (Augusto et al. Dezesseis compostos fenólicos isolados do óleo da castanha do caju foram testados quanto às suas propriedades antimicrobianas em quatro microorganismos típicos . 2000). Escherichia coli. 1991. 1994) e 15-lipoxigenase (Shobha et al. ácido salicílico. Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742. De Spondias citherea foram isolados compostos terpênicos voláteis (Franco & Shibamoto. flavonóides e triterpenos em suas folhas. 1994). -sitosterol. palmitoléico. tais como -catequina. Do extrato etanólico de folhas e caule de S. onde se observou que o ácido anacárdico foi o que apresentou a atividade mais fraca (Himejima & Kubo. O grupo hidroxil e a cadeia lateral alquil são imprescindíveis para a manutenção da atividade. -linolênico.(Guerrero. 1994). Himegima & Kubo.. láurico. 1991). 1999).

1995). mas se mostraram importantes como agentes antitumorais. . e observou-se que tanto o grupo carboxil como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida. Jurberg et al.. Os componentes do ácido anacárdico extraído de A.. 1993).epicatequina Kubo. meticardol e outros ácidos dessa espécie apresentaram efeitos citotóxicos moderados (Kubo et al. (1981) identificaram a-pineno no óleo essencial. 1992. Extratos aquosos de folhas dessa espécie possuem importante ação antifúngica (Ganesan. 1984b) e antibacteriana (Garg & Kasera. 1982). O extrato hexânico das cascas de A. Estudos com os componentes do ácido anacárdico extraído de A. Souza et al. Craveiro et al. Atividades moluscicida e hipoglicemiante foram determinadas também por Pereira & Souza (1974). occidentale permitiram verificar que tanto o grupo carboxila como a cadeia lateral insaturada são necessários para a manutenção da atividade moluscicida (Sullivan et al.. 1994). 1993). Não foi constatada a atividade hipoglicemiante de A.. 1974. que apresentou atividade depressora central (Garg & Kasera. occidentale foram avaliados perante a B. enquanto o cardol. occidentale apresentou atividade moluscicida (Pereira & Pereira. 1984a). glabrata. Três ácidos anacárdicos isolados recentemente possuem ação citotóxica contra células de carcinoma de mama. occidentale administrado em dose única em ratos normoglicêmicos e hiperglicêmicos (Vargas. 1991).

A epicatequina. 1982. mombin. 1993). Dos extratos hidroalcoólico. responsáveis por irritação da pele. Barbosa Filho et al. um intermediário do ciclo de vida do Schistosoma mansoni (Corthout et al. analgésica e tóxica (Rocha Mota et al. Salmonella enteritidis e Shigella flexneri (Cáceres et al. Além disso. 1990.. além de uma atividade moluscicida contra o caramujo Biomphalaria glabrata. Kudi et al. o que pode ser considerado um fator limitante à alimentação bovina (Onwuka. As catequinas isoladas a partir do extrato clorofórmico apresentaram atividade depressora do SNC (Fonteles et al.. possuem pronunciada atividade antiviral contra Coxsackie e Herpes simplex viruse (Corthout et al. o extrato etanólico e metanólico apresentaram atividades antimicrobiana e antifúngica (Moura et al. 1991)... 2001. 1980) enquanto. 2000.. 1992). 1999. isolada de A. 1990). Do extrato hexânico dessa espécie foi obtido SB-202742 (1). Abo et al... 1983). 1994). taninos isolados de S. occidentale. Geraniina e galoilgeraniina.. etanólico e aquoso das cascas e do caule de A. Akinpelu.. França et al. pela presença do cardol (Hoehne. 1981). 1992). foi estudada farmacologicamente e observou-se sua propriedade antiedematogênica e antiinflamatória em ratos (Swarnalakshmi et al. Dados toxicológicos da família Anacardiaceae e observações de uso Foram relatados efeitos tóxicos com a utilização das sementes cruas do caju. antiartrítica. . foram isolados taninos que produziram atividade antiinflamatória. Estudos in vitro realizados com extratos etanólico de Spondias purpurea apresentaram atividade contra algumas enterobactérias: Escherichia coli. as folhas possuem altas concentrações de taninos e saponinas. 1994).. O extrato aquoso das cascas do caule apresentou atividade hipoglicemiante (Vetral et al.. 1982 e 1985. 1999) e antibacteriano contra Bacillus cereus... Streptococcus pyogenes e Mycobacterium fortuitum. um derivado do ácido anacárdico que possui atividade inibitória sobre a beta-lactamase (Coates et al. Ácidos alcenisalicílicos isolados de Spondias mombin apresentaram pronunciado efeito antifúngico (Rodrigues et al. occidentale... Mota et al.

1939). Nesse sentido, estudos mais recentes demonstram que o cardol e o ácido anacárdico são os compostos responsáveis pela promoção de dermatites de contato (Hegnauer, 1973). Em razão da presença de fenóis, o caju induz a processos alérgicos, e a ingestão da semente crua determina problemas digestivos com dores e queimação na boca, edema de lábios, língua e gengivas, sialorréia intensa, disfagia e vômitos (Schvartsman, 1979). A semente assada é inócua. Recentes estudos confirmam casos de dermatite de contato pela castanha-de-caju (Rosen & Fordice, 1994; Diogenes et al, 1996), enquanto outros demonstram o desenvolvimento de processos alérgicos por causa do pólen da espécie (Fernandes & Mesquita, 1995). Sérios problemas de irritação da pele são causados pelos compostos fenólicos, ácido anacárdico e compostos derivados, enquanto os casos mais sérios de irritação e alergia ocorrem nos trabalhadores que coletam ou manipulam produtos da espécie Anacardium occidentale. A espécie Schinus terebenthifolius possui vários efeitos tóxicos, especialmente sob uso prolongado, o qual deve ser evitado.

Espécies medicinais da família Oxalidaceae

Introdução
A família Oxalidaceae descrita por Robert Brown compreende seis gêneros e aproximadamente 775 espécies distribuídas no Hemisfério Sul, especialmente nas zonas tropicais e subtropicais (Mabberley, 1997). Essa família apresenta em geral plantas herbáceas, ervas ou raramente arbóreas pequenas (Averrhoa), de folhas compostas, trifolioladas (Oxalis) ou com maior número de folíolos (Averrhoa), alternas com ou sem estipulas (Joly, 1998). Essa família inclui várias espécies de Trevo ou Azedinha de uso medicinal (Oxalis) e comestíveis (Averrhoa).

Espécies medicinais Averrhoa bilimbi L. e Averrhoa carambola L.
Nomes populares

Esta planta é conhecida na região amazônica como Limão de cayanna; no entanto, existem registros para a espécie como Bilimbi, Bílimbino e Caramboleira-amarela.
Dados botânicos

Árvore de até 13 metros de altura, com casca lisa e escura; folhas inteiras, com disposição alterna, imparipinadas, compostas de numerosos folíolos opostos; flores vermelhas e aromáticas, com cálice pubescente, reunidas em panículas terminais; fruto do tipo baga, oblongo, anguloso, verde-amarelado, comestível e semelhante ao de Averrhoa carambola (Carambola); duas sementes elípticas (Figura 22.5). O nome do gênero Averrhoa foi dado em homenagem a Averróis, médico árabe. O gênero Averrhoa foi descrito por Carl Linnaeus e inclui apenas as duas espécies aqui referidas; a espécie A. carambola tem origem na Malásia e é amplamente cultivada no Brasil; diferencia-se da outra porque os estames férteis são alternados com estaminódios, enquanto na espécie A. bilimbi os estames férteis possuem filetes mais curtos, alternados com filetes mais longos.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá do fruto é utilizado na cura de resfríados; o fruto misturado com goma de mandioca, água e açúcar é indicado contra dores de estômago; o fruto macerado com folhas de mocura-caá, alfavacão, peão-branco ou roxo e água é considerado excelente para dores de cabeça. Na região da Mata Atlântica, os frutos, além de comestíveis, são usados na forma de suco contra febres e disenterias. A infusão das folhas é considerado útil em diabetes "leves", como diurético e para reduzir o colesterol. Os outros usos catalogados no Brasil referem a utilização do suco do fruto como antiescorbútico e contra doenças cutâneas (Corrêa, 1984).

Dados químicos do gênero
Das folhas de A. carambola foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio. Os saponosídeos totais e flavonóides totais apresentaram atividade antibacteriana sobre cinco tipos de bactérias gram-positivas, porém não foram efetivas contra outros cinco tipos de bactérias gram-negativas e Candida albicans (Long et al., 1996). Dos frutos da A. carambola foram isolados carotenóides (Gross et al., 1983), polifenoloxidase (Adnan et al., 1986), ácido málico, ácido cítrico, fructose e glucose, aminoácidos (Yang et al., 1995), ácido ascórbico (Biswas & Mannan, 1996) pectinesterase (Horng et al., 1996), ácido oxálico (Wei & Wu, 1997). Constituintes voláteis do fruto fresco de A. carambola foram determinados, nos quais foi detectada a presença de um total de 126 compostos voláteis, predominantemente ésteres e compostos carbonil. Dos constituintes majoritários detectou-se a presença de (E)-hex-2-enal (2,4 mg/ kg) e benzoato de metila (1,9 mg/kg) (Froehlich & Schreier, 1989). Das folhas foram isolados 5-hidroximetil-2-furfural, além de flavonóides, antraquinonas, cianidina, b-sitosterol (Jabbar et al., 1995), saponosídeos, taninos, ácidos orgânicos e cálcio (Long et al., 1996). Constituintes voláteis dos frutos dessa espécie foram isolados, obtendo-se 53 componentes, dos quais 47,8% são ácidos alifáticos, além de ácido hexadecanóico (20,4%) e ácido (Z)-9-octadecenóico. Dentre os doze ésteres, foram isolados butil-nicotinato (1,6%) e hexil nicotinato (1,7%) (Wong & Wong, 1995), além de 3-O-cianidina também isolado de A. bilimbi (Gunasegaran, 1992). Já a espécie A. carambola possui diversos carotenóides (Gross et al., 1983) e sementes ricas em óleo (Berry, 1978).

Dados farmacológicos do gênero
O extrato aquoso de A. carambola apresentou atividade hipoglicemiante (Dalla Martha et al., 1997). Além disso, constatou-se atividade depressora central (Muir & Lam, 1980) e houve relatos de intoxicação pela ingestão de neurotoxinas do fruto em pacientes com insuficiência renal (Neto et al., 1998).

Os saponosídeos totais e flavonóides totais isolados de A carambola apresentaram atividade antibacteriana (Long et al., 1996). O efeito hipoglicemiante foi observado também para a espécie Averrhoa bilimbi sendo a função aquosa detentora de melhor atividade (Pushparaj et al., 2000 e 2001).

Espécies medicinais da família Rutaceae

Introdução
A família Rutaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 156 gêneros, nos quais estão distribuídas 1.800 espécies cosmopolitas, especialmente em regiões tropicais, incluindo arbóreas, arbustos e ervas aromáticas contendo compostos terpenóides característicos da família (Mabberley, 1997). No Brasil, a família está representada por 28 gêneros e aproximadamente 182 espécies (Barrozo, 1978). No sistema de Engler, as Rutaceae fazem parte da ordem Rutales e incluem sete subfamílias, enquanto no rearranjo aqui utilizado e proposto por Kubistzki, os gêneros dessa família se distribuem em cinco subfamílias distintas, das quais a mais importante é a Rutoideae, onde se encontram os gêneros Ruta, da famosa Arruda aqui descrita, e os gêneros Esenbeckia e Cusparia, que incluem espécies medicinais. Na subfamília Aurantioideae encontram-se os gêneros Aegle e Citrus, este segundo de imenso valor econômico e medicinal, dadas as famosas Laranjeiras e os variados Limoeiros, grupos de espécies cítricas amplamente cultivadas e comercializadas no Brasil, num importante setor da economia. Desse gênero, inúmeras espécies foram referidas como medicinais; no entanto, pelo amplo conhecimento delas e grande número de trabalhos envolvendo-as, optamos por não incluí-las no presente estudo.

Espécies medicinais Ruta graveolens L
Nomes populares

Essa espécie é chamada popularmente de Arruda, sendo ainda denominada Ruta em Minas Gerais, Arruda-fedorenta e Arruda-fêmea e Arrudamacho no Rio Grande do Sul.
Dados botânicos

Subarbusto de folhagem densa com odor característico; folhas alternas, pecioladas, tripinatipartidas, sem estipulas; flores amarelo-esverdeadas, hermafroditas, com pétalas livres entre si, pedunculadas, lanceoladas, com bráctea pequena; ovário súpero com muitos óvulos; fruto do tipo capsular com quatro a cinco lobos, arredondados; sementes pardas e rugosas (Figura 22.6). O nome do gênero, Ruta, vem do grego rute, derivado de ruesthai = "salvador", referindo-se ao poder curativo da planta. O gênero Ruta descrito por Carl Linnaeus inclui espécies com ocorrência e origem na região do Mediterrâneo e no sudeste da Ásia.
Dados da medicina tradicional

Na região amazônica, o chá ou o sumo das folhas, utilizado externamente, é considerado útil contra asma, pneumonia e dor de cabeça; o chá das folhas também é usado como analgésico, antiespasmódico, tranqüilizante e contra problemas uterinos, quando misturado com alho e cominho; o suco das folhas é usado como abortivo e contra derrame cerebral; folhas de arruda misturadas com sumo das folhas de cravo, resina de copaíba, gergelim amassado e semente de peão-branco são indicadas contra derrame cerebral; o preparado de sumo das folhas com flores de cravo e semente de gergelim é usado contra dores, paralisia infantil e "malapanhado" ("doença que entorta criança"). Na região do Vale do Ribeira, a infusão das folhas é usada contra cólicas menstruais, diarréia, dores de cabeça e febres, enquanto o xarope das folhas é usado contra tosses graves. O macerado das folhas em aguardente ou vinho branco é usado externamente contra dores de cabeça e enxaqueca,

e o banho preparado com as folhas serve para aliviar qualquer tipo de dor. A decocção das folhas de arruda é usada como abortivo, especialmente associada a outras espécies vegetais ou medicamento. É também utilizada externamente como inseticida e internamente como estimulante, sudorífero e emenagogo, e suas sementes servem como antihelmínticos e parasiticidas (Corrêa, 1984); o chá das folhas é usado como analgésico, abortivo, emenagogo, estupefaciente, antigripal, hemostático, anti-helmíntico, anti-reumático e contra lumbago, em Minas Gerais (Verardo, 1982; Grandi & Siqueira, 1982; Grandi et al., 1982); no Ceará, como analgésico e contra dismenorréia (Matos et al., 1982); em Brasília, como tranqüilizante (Barros, 1982); no Rio Grande do Sul, como abortivo e o banho com o chá das folhas serve para menstruação atrasada (Simões et al., 1986). Além destas indicações, também é utilizada como febrífugo, no Pará (Amorozo & Gély, 1988).

Dados químicos da espécie
Os constituintes químicos particulares da planta são a rutina e a essência. Foram reconhecidas também lactonas aromáticas como a Cumarina,

bergapteno, xantotoxina, rutarena e rutamarina, heterosídeos antiociânicos, alcalóides como a rutamina, cocusaginina, esquiamianina e ribalinidina. A essência da arruda possui metilcetonas, sendo 87,8% são representadas pela metilnonilcetona e metil-heptíicetona, pequenas quantidades de outras metilcetonas, hidrocarbonetos aromáticos e terpenóides, fenóis, ésteres fenólicos, ácidos graxos, cineol e alcoóis alifáticos (Costa, 1986). Alcalóides e glicosídeos também foram isolados (Nahrstedt et al., 1981; Kuzovkina et al., 1980; Kong et al, 1984; Kuzovkina et al., 1984; Nahrstedt et al, 1985; Somanathan & Smith, 1981; Chen et al., 2001) e flavonóides (Trovato et al, 2000).

Dados farmacológicos da Espécie
Costa (1986) relatou propriedades anti-helmínticas, estimulantes, febrífugas, emenagogas, e mostra que a ação espasmolítica da planta é atribuída à presença de bergapteno e xantotoxina, enquanto a presença de metilnonilcetona é responsável por sua ação vesicante, excitante da motilidade uterina e abortiva quando em doses altas. Atividade antimicrobiana foi determinada utilizando-se alcalóides dessa planta (Eilert et al., 1984) e flavonóides (Trovato et al., 2000). Atividades espasmolítica, contra micoses cutâneas e inibidora da implantação de óvulos, foram também determinadas (Minker et al, 1979; Fróes & Fróes, 1988; Guerra & Andrade, 1978). O extrato de Ruta graveolens, que apresenta os alcalóides dictamina, gamafagarina, chimianina, pteleína e cocusaginina, revelou um efeito mutagênico moderado na linhagem TA98 da Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1987). A rutina é um dos compostos isolados dessa planta mais utilizados para o tratamento dermatológico, porém apresenta problemas quanto à sua metabolização. Em razão disso, várias tentativas de encontrar um composto que melhore sua metabolização têm sido realizadas. Testes posteriores com rutacridona e epoxirutacridona indicaram que a rutacridona possui menor toxicidade ao ser metabolizada por enzimas do fígado de rato, ao passo que o epóxido não sofre metabolização (Paulini et al., 1989). Além disso, o extrato dessa planta também foi responsável pela inibição de 100% da atividade hemolítica dos venenos de cobra e escorpião (Sallal & Alkofahi, 1996).

Isolou-se ainda das raízes dessa espécie o alcalóide furanoacridona, composto responsável pela atividade mutagênica em diferentes linhagens de Salmonella typhimurium (Paulini et al., 1991a). Em estudos farmacológicos recentes, as folhas apresentaram atividades abortiva, mutagênica, além de diminuir a fertilidade (Rao et al. 1987; Sugai, 1996; Melito et al., 1997). E o extrato hidroalcoólico das partes aéreas mostrou atividade anticonvulsivante (Trotta et al., 1989) e antimicrobiana, mas não apresentou atividade esquistossomicida (Guilherme et al., 1989; De Sá et al., 1990b). A tintura de R. graveolens também foi responsável pela moderada atividade fotomutagênica em uma linhagem de algas verdes. A tintura possui bergapteno, psoraleno, impeatorina, dictaminina, gama-fagarina e skimianina. Mas o principal responsável pela atividade fotomutagênica parece ser o bergapteno (Schimmer & Kuehne, 1990). O extrato de éter de petróleo dessa planta apresentou efeito citotóxico quanto avaliado in vitro utilizando-se células de sarcoma de Yoshida (Trovato et al., 1996). O extrato clorofórmico da raiz, caule e folhas apresentou significativa atividade antifertilidade em ratos quando administrado intragastricamente do primeiro ao décimo dia pós-coito. A partir do fracionamento do extrato foi isolada a chalepensina como componente ativo responsável pela atividade tóxica (Kong et al., 1989).

Dados toxicológicos da Espécie
Hesnel et al. (1983) e Schwartsman (1979) verificaram fitodermatites causadas por substâncias químicas da R. graveolens, mediante um mecanismo fototóxico que torna a pele sensível à luz solar, induzindo dermatites. Corrêa (1984) relatou o aparecimento, após a ingestão, de dores epigástricas, cólicas, vômitos, arrefecimento da pele, depressão do pulso, contração das pupilas, convulsões e sonolência. A ingesta desta planta, por animais, tem promovido morte em 1 a 7 dias (El Agraa et al., 2002).

FIGURA 22.1 - Anacardium giganteum. Ramo com flor (desenho original por Di Stasi) e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998) (Banco de imagens -

FIGURA 22.2 - Anacardium occidentalle Ramo com inflorescência e fruto (original por HirumaLima).

FIGURA 22.3 - Schinus terebenthifolius. Ramo florido (modificado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly, 1998).

FIGURA 22.4 .Spondias purpurea. . Ramo com frutos (modificado a partir de Hoehne. 1946).

Averrhoa carambola: a) detalhe do ramo com flor e fruto. c) detalhe do fruto (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .5 . b) detalhe do ramo com folhas e flores (fotos originais por Hiruma-Lima).FIGURA 22.

6 .Ruta graveolens. Escanerata do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Eichler) (Banco de imagens - .FIGURA 22.

1997). as quais são descritas a seguir. mas alguns arbustos e árvores são des- . ambas com várias espécies medicinais e ocorrência em todo o Brasil.23 Apiales medicinais C. Espécies medicinais da família Apiaceae (Umbelliferae) Introdução A família Apiaceae (Dicotyledonae) é também denominada. Essa família inclui 446 gêneros. denominada também Umbellales. inclui apenas duas famílias botânicas (Araliaceae e Apiaceae). com aproximadamente 3. A.540 espécies cosmopolitas do Norte de climas temperados e espécies tropicais de montanhas (Mabberley. descrita inicialmente por Antoine Laurent de Jussieu. Existe uma grande discordância quanto à classificação dessas espécies e aqui adotamos aquela usada por Mabberley (1997). como Umbelliferae. Di Stasi A ordem Apiales. Dessa ordem foram registrados usos de espécies de ambas as famílias. A maioria das espécies é de plantas herbáceas. C. Hiruma-Lima L. de acordo com o sistema de classificação botânica.

1998).critos na família. com raízes fasciculadas. oblongolanceoladas. especialmente pelo seu uso como alimento e condimento. Muitas dessas espécies são cultivadas. não foram encontrados sinônimos populares que a identificassem. tais como Cenoura. sendo também usadas como medicamentos na região amazônica e na Mata Atlântica. Cominho e Salsa.Hydrocotyloideae). muito comum na Mata Atlântica. densamente imbricadas. Pimpinella (Erva-doce).Apioideae). Coentro. Coriandrum (Coriandreae . folhas alternas.Saniculoideae). Petroselium (Salsa). No Brasil ocorrem poucos gêneros. Erva-doce. Cicuta. optamos por incluir aqui apenas duas delas. entre inúmeros outros. Apium (gênero do Salsão). Apium com características ruderais. Eryngium e Alepidea (Eryngeae . Dados botânicos Erva de até 1 m de altura. dos quais se destacam Daucus (que inclui a Cenoura). onde há amplo uso como medicamento. a Eryngium ekmanii. e Hydrocotyle exigua. Apium. Foeniculum e Pimpinella (Apiae Apioideae).Apioideae). dunas e brejos. e Eryngium com espécies freqüentes em campos (Joly. Espécies medicinais Eryngium ekmanii Wolff. pela sua grande utilização na região amazônica e por representar um gênero nativo do Brasil. Essas plantas exóticas e amplamente cultivadas no Brasil possuem inúmeros estudos e descrições já disponíveis e. fibrosas e caule florífero solitário. Daucus (Caucalideae . Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Chicória. ascendentes. Os gêneros mais importantes dessa família são Centella e Hydrocotyle (Hydrocotyleae . assim. Inúmeros gêneros cultivados são muito comuns no Brasil. Coriandrum (Coentro) e Foeniculum (Cominho e Funcho). inflorescência dicásio ramificado com cada bifurcação . sendo considerados nativos Hydrocotyle com espécies em matas.

Dados botânicos A planta é uma erva de caule prostrado. cíclicas. com nós. quando preparado em alta concentração. espalhadas por diversos continentes. capítulos esverdeados com flores pequenas. Inúmeras espécies desse gênero são usadas como medicinais em diversos países. na região do Vale do Ribeira. dos quais são emitidas raízes. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. diclamídeas e hermafroditas. Eryngium. especialmente em crianças. usado topicamente. de no máximo 1 cm de espessura. lobadas e pilosas. no entanto. Hydrocotyle hirsuta Sw. habitando em lugares úmidos. vem de eros = "lã". de Erva-terrestre. folhas pequenas. é considerado excelente contra dores de cabeça. var. semelhantes a barba de cabra. e aix = "cabra".com um pedúnculo terminal e dois ramos laterais surgindo de um par de folhas ou brácteas. Na Mata Atlântica a espécie é encontrada em áreas de formação secundária e raramente na floresta. fruto subgloboso (Figura 23. enquanto o chá da raiz é empregado internamente em estados gripais. crenadas. referindo-se às fibras do rizoma.1). com flores avermelhadas. não foram encontrados dados de medicina tradicional referente à espécie em questão. exigua (Urban. Esse chá. frutos pilosos. o sumo das folhas frescas. O gênero Eryngium descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 250 espécies tropicais e temperadas. inflorescência em capítulo.) Malme Nomes populares A espécie é chamada. torcidas antes de abrir. Também é conhecida como Erva-capitão. O nome do gênero. cordiformes. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e . é usado internamente para expulsar restos de placenta em partos difíceis.

bourgatii (Lam et al. anetol e alfa-pineno (Pino et al. maritimum (Lisciani et al. 1984). diurético e. O nome Hydrocotyle deriva do grego hydro = "água". campestre foram isolados ainda flavonol e cumarinas (Erdemeier & Sticher. enquanto vários acetilenos foram obtidos das raízes de E. 1985. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Hohmann et al. 1997a). 1999). campestre (Erdemeier & Sticher. Dados químicos e farmacológicos Sobre a espécie Eryngium ekmanii não foram encontrados estudos químicos e farmacológicos. 1997).000 mg/kg e de 50 mg/kg por via endovenosa (Gupta. ao passo que das sementes foram isolados 37 compostos.5-trimetilbenzaldeído. 1997) além da atividade antimicótica (Abou-Jawdah et al. 1986).. ácido hexadecanóico e carotol os constituintes majoritários (Pino et al. O extrato das folhas frescas e secas e da raiz seca promoveu 100% de inibição dos venenos de cobra e de escorpião (Alkofahi et al. sendo majoritários carotol.. elegans (Campos & Garcia. Das folhas de E. acetilenos. Corrêa (1984) refere o uso das folhas como tônico. a DL50 por via oral foi de 1. 1995). emético... 1997a). Glicosídeos foram isolados de E. Esta mesma espécie apresentou atividade antiinflamatória (Garcia et al. foram isolados 46 compostos. a água das folhas serve para tirar sardas do rosto. 2002).. A atividade antiinflamatória foi determinada em E. em altas doses. 1992)... foetidum L. ilicifolium (Pinar & Galan. O extrato aquoso de E. creticum foi testado por sua atividade inibitória contra venenos de escorpião e de cobra. também encontrados em E. sendo 2. foetidum apresentou atividade anticonvulsivante (Simon & Singh. Além de saponinas. 1986).. O extrato aquoso e etanólico das folhas frescas e secas e da raiz de E. foi ainda isolado o falcarindiol em E. . 1986). De E. comarinas e flavonóides.inclui 130 espécies cosmopolitas. 1980) e E. farneseno.. 1985). a infusão das folhas é usada contra gripes e bronquites fortes.4. e cotyle = "umbigo". planum (Hiller et al.

Panax. No Brasil ocorrem vários gêneros. Várias espécies do gênero Hydrocotyle também são consideradas tóxicas para animais. lianas. Mackinlaya e Polyscias. são encontradas na família. mas raramente ervas. Os gêneros mais importantes dessa família são Aralia. de uso comum em cercas vivas e como ornamentais. mas demonstram a importância da realização de estudos com a espécie e outras do gênero. e as espécies mais comuns pertencem aos gêneros Hedera. é pouco comum a ocorrência de uso medicinal. em três distintas zonas de expansão: região Indomalaia. da famosa Hera dos parques.Observação de uso Esta Chicória não é a mesma planta conhecida na região Sudeste. subclasse Rosidae. Tetrapanax e Aralia. segundo a história. ambos introduzidos no Brasil. e inclui 47 gêneros. Várias espécies dessa família são consideradas tóxicas. Hedera.325 espécies tropicais espontâneas e poucas espécies de clima temperado (Mabberley. 1998). arbustos. Árvores. com aproximadamente 1. nessa família as raízes de uma importante espécie Panax ginseng têm sido usadas há mais de dois mil anos na medicina tradicional chinesa contra inúmeras doenças. e Polyscias. Essa espécie é uma das drogas mais comercializadas no mundo. As espécies estão distribuídas predominantemente em regiões tropicais. mas muito pouco se tem estudado sobre as espécies nativas dessa família botânica. 1997). famosa por ter sido usada. e centenas de . Australásia e América tropical (Joly. no envenenamento do filósofo Sócrates. especialmente em refogados e saladas. especialmente do gênero Cicuta. utilizada como alimento. Tetrapanax. Das inúmeras espécies descritas nessa família. Espécies medicinais da família Araliaceae Introdução A família Araliaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Apiales. Schefflera. Centro-Oeste e Sul. No entanto. Os dados da espécie e do gênero não fornecem subsídios que garantam sua utilização. epífitas.

sendo também usa- .estudos têm sido realizados em razão de sua importância química e farmacológica. O nome popular da espécie. tais como Panax notoginseng e Panax quinquefolius. Cuia. globoso. O gênero Polyscias. flores pequenas. androceu com cinco estames. grandes. pertencente ao gênero Polyscias. e o banho com folhas são úteis para acalmar crianças na hora de dormir. pela beleza de sua folhagem. amplamente cultivada como ornamental. descrito por Johann Forster e Georg Forster. reunidas em inflorescências axilares. cuja identificação taxonômica não foi completamente obtida. amplamente cultivadas no Brasil como ornamentais. refere-se à forma da folhas. Cuia. Espécies medicinais Polyscias sp Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Cuia-mansa. com larga bainha na base. Dados da medicina tradicional A infusão preparada com folhas. também possuem constituintes químicos e atividades farmacológicas similares ao Ginseng verdadeiro. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de apenas uma espécie medicinal dessa família. Cunha e Cunha-mansa. Outras espécies do gênero.2) Polyscias fruticosa e Polyscias guilfoylei. e acias = "sombra". variegadas. usada internamente. cálice pequeno. ovário ínfero. Dados botânicos Arvore de pequeno porte. folhas alternas. mas com certeza não se trata das espécies (Figura 23. A espécie não foi completamente identificada. inclui aproximadamente 150 espécies tropicais. O nome do gênero vem do grego polys = "muito". a maioria de árvores de pequeno porte ou arbustos. fruto indeiscente.

A raspa da casca do tronco servida com o sumo das folhas com raiz de açaí é um preparado útil contra anemias. Chaboud et al.. Glicosídeos oleanólicos. Nas folhas de Polyscias sp. 2001). 1986). 1995.. 1988. Proliac et al. 1990). sobretudo no extenso trabalho realizado por Corrêa (1984). sesquiterpenóides voláteis e poliacetilenos foram isolados de Polyscias fruticosa (Brophy et al. 1994). 1989c e 1990) e de P. 1996.. 1989b. 1992).. 1992. Em P. Nesse estudo. assim como do tempo de sobrevida e ganho de peso. De P pichroostachya foram isoladas saponinas triterpênicas que apresentaram efeito moluscicida (Gopalsamy et al. 1989a.. Lutumski & Luan. (1986) e demonstram que culturas de células da espécie Polyscias filicifolia normalizam a biossíntese de proteínas e a atividade de RNAt-sintetases de fígado de coelhos com isquemia do miocárdio induzida (Lekis et al. Barilyak & Dugan. crispatum caracterizou-se a presença de alcanos de cadeia longa (Broschat & Bogan. 2002.. 1998). Um importante estudo realizado por Trylis & Davydov (1995) sugere os mecanismos endócrinos e metabólicos da atividade adaptogênica de culturas de tecidos das espécies Polyscias filicifolia e Panax ginseng.. Vo et al. 1991). os autores demonstram que .. Recentes estudos confirmam os resultados obtidos por Slaveinskene et al. scutellaria (Paphassarang et al. Fulva (Bedir et al. 1992). A combinação desse tratamento com levo-deprenil é mais eficaz que o tratamento isolado (Yen & Knoll.. Dados químicos e farmacológicos do gênero Polyscias Saponinas triterpênicas do grupo do ácido oleanólico. ao passo que a fruta verde com mel é usada contra tosse. saponinas triterpênicas e triterpenos glicosilados foram encontrados nas folhas de P. Extratos alcoólicos de Polyscias filicifolia possuem efeito antimutagênico detectado pela habilidade de suprimir mutações genéticas de Salmonella tiphymurium (Dvornyk et al. foi constatada a presença de flavonóides (Lussignol et al..dos como calmante por adultos. Não foram encontradas referências de uso dessa espécie em nenhum levantamento etnofarmacológico. 1990. Estudos com camundongos tratados (três vezes por semana a partir de doze meses de idade) com extrato da raiz de Polyscias fruticosum demonstram claramente o aumento da função da memória.

foi verificado aumento da atividade da adrenal e da tiróide. prevenindo a exaustão das reservas de energia nos estágios finais de estresse.Eryngium ekmanii. especialmente a Panax ginseng. FIGURA 23. 2002). A espécie P. alterações nas taxas de metabolismo de carboidratos e lipídios. Detalhe da planta toda e da inflorescência (redesenhado por Di Stasi a partir da Flora Catarinensis) (Banco de imagens - . são fontes potenciais de novos constituintes químicos com importantes atividades farmacológicas.. mostram que essa espécie.as espécies estimulam a capacidade de trabalho físico dos animais em condições de imobilização. associados àqueles referentes a outras da família. filicifolia também possui atividade antimicrobiana (Furmanowa et al. bem como diminuição da produção de insulina e glucagon pelo pâncreas.1 . e de prolactina pela hipofise. Observações Os dados apresentados para algumas das espécies desse gênero. assim como outras do gênero Polyscias.

Banco de imagens - .FIGURA 23. Detalhe do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi .2 .Polyscias.

Seção 5 Asteridae medicinais na Amazônia e na Mata Atlântica .

apesar de pouco numerosa. Esses dados. Genistomaceae. Loganiaceae. devendo ser considerada uma significativa fonte de novos compostos de interesse terapêutico ou toxicológico. do qual foi isolada a famosa estricnina e inúmeros outros compostos com efeitos tóxicos já descritos. C. Essas três famílias reúnem grande valor medicinal e terapêutico. referidas como medicinais na região amazônica e descritas a seguir. Hiruma-Lima A ordem Gentianales inclui apenas seis famílias . espécies da família Strychnaceae também possuem importantes fontes de substâncias ativas. demonstram que a ordem Gentianales.24 Gentianales medicinais L. sendo importantes fontes de substâncias com atividade farmacológica. somados aos descritos a seguir para as famílias Apocynaceae. Apocynaceae. Di Stasi C. Apesar de não referidas no nosso estudo. Gentianaceae e Asclepiadaceae. é uma importante fonte de substâncias com potentes efeitos e ações farmacológicas.Strychnaceae. das quais as três últimas reúnem várias espécies medicinais e algumas com ampla ocorrência no Brasil. A. Gentianaceae e Asclepiadaceae -. destacando-se o gênero Strychnos (família Strychnaceae ou também denominada Loganiaceae III). .

e. subclasse Asteridae. Vinca. Allamanda. além dessas. . como os gêneros Allamanda. a família possui espécies trepadeiras. No Brasil ocorrem 41 gêneros e aproximadamente quatrocentas espécies. aqueles que incluem espécies arbóreas. as ornamentais Tabernaemontana e Plumeria. com espécies distribuídas nos cerrados e na Amazônia. Rauwolfia. com aproximadamente 1. sendo esta última o mais importante. fornecedores de madeira. Himatanthus (Plumeria) e Wrightia. e muitas dessas espécies representam protótipos de classes farmacológicas distintas de drogas e fazem parte da história da Farmacologia e da Terapêutica. entre as espécies de pequeno porte. arbusto encontrado na Índia. e que inclui aproximadamente trinta alcalóides. e encontrado em várias outras espécies do gênero. Nerium. Paquistão e Tailândia. Catharanthus. os gêneros Mandevilla e Thevetia. serpentinina e reserpina. Thevetia. ajmalinina. muito utilizadas ornamentalmente. Esse composto foi isolado em 1952 e possui inúmeras atividades farmacológicas. inclui 165 gêneros. A família Apocynaceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes vegetais de constituintes químicos de utilidade na medicina moderna. Os gêneros mais importantes dessa família são Alstonia. como Aspidosperma. ressaltam-se alguns gêneros e suas principais espécies: • do gênero Rauwolfia.Espécies medicinais da família Apocynaceae Introdução A família Apocynaceae (Dicotyledonae) descrita por Antoine Laurent de Jussieu pertence à ordem Gentianales. Mandevilla. 1997).900 espécies tropicais e subtropicais. arbóreas. Joly (1998) destaca. Java. sendo algumas poucas registradas em regiões temperadas (Mabberley. Hancornia. especialmente a espécie Rauwolfia serpentina. serpentina. muitas das quais trepadeiras e suculentas. Hancornia. Tabernaemontana. que possui diversas espécies como a Peroba e o Pau-pereira. Strophantus. Inclui espécies arbustivas. muito bem descritas nas obras clássicas de Farmacologia. Várias substâncias têm sido isoladas a partir de espécies dessa família. herbáceas. com destaque para ajmalina. Nesse contexto. dentre os gêneros. Aspidosperma. muitas das quais conhecidas como Mangaba.

A espécie Vinca rosea. A espécie também é conhecida no país com as seguintes denominações: Alamanda-deflor-grande. Vinca minor. ambas contendo inúmeros alcalóides bioativos. que essa família inclui um grande número de espécies tóxicas. tais como ouabaína. a saber Allamanda cathartica. segundo Evans (1996). destacando-se espécies do gênero Mandevilla. tais como alstonina. tem sido designada também como Catharanthus roseus. as espécies Strophantus gratus. e Thevetia peruviana. Espécies medicinais Allamanda cathartica Nomes populares L Alamanda é o nome popular utilizado nas duas regiões. tanto para os animais como para a espécie humana. espécies ricas em glicosídeos. merece destaque por possuir glicosídeos cardiotônicos como a adinerigenina e a canogenina. sendo estes dois últimos importantes agentes antineoplásicos. Vinca rosea e Catharanthus roseus. as espécies Vinca major. Strophantus combe e Strophantus sarmentosus. Várias espécies dessa família têm sido recentemente objeto de estudos como fonte de novas drogas.• do gênero Vinca e Catharanthus. vinblastina e vincristina. contudo. estrofantinidina e cimarina. cilastonina e também a reserpina. Himathantus sp. Wrightia e Aspidosperma. conhecida no Brasil como Espirradeira e muito usada como ornamental. Deve-se destacar. especialmente a Nerium oleander. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso de três espécies medicinais distintas dessa família. Orélia. • do gênero Strophantus. • do gênero Alstonia as espécies Alstonia scholaris e Alstonia contricta. fonte de mais de sessenta distintos alcalóides. alstonilina. Dedal-de-dama. fonte principal dos alcalóides antitumorais citados e de aproximadamente mais de 150 distintos alcalóides. • do gênero Nerium. tais como majdina. Alamanda amarela e Quatro-patacas. algumas das quais serão discutidas no final deste capítulo. .

O gênero inclui doze espécies tropicais. é considerada um excelente vermífugo. com copa estreita e tronco ereto. inflorescências com flores amarelas. enquanto a decocção das cascas da planta. Atribuem-se à casca as mesmas atividades das folhas. na forma de funil. Dados botânicos É uma árvore latescente de grande porte. em grande número. o qual também é útil contra sarna quando usado externamente. A infusão das folhas é utilizada como emético. em animais domésticos.1). semilenhoso. Refere-se ainda o intenso emprego desse macerado.Dados botânicos A espécie Allamanda cathartica é um arbusto alto e trepador lactescente. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Sucuuba. com casca rugosa. axilares e fasciculadas. emético e purgativo. A folha é considerada excelente catártico. Himatanthus sucuuba (Spruce) Wood. purgativo e catártico. atingindo até 20 m de altura. fruto do tipo capsular. Dados da medicina tradicional O uso tópico do macerado de todas as partes da planta é utilizado contra sarna. com folhas brilhantes. Segundo Corrêa (1984). espessas. sendo a A. O nome do gênero Allamanda descrito por Carl Linnaeus é uma homenagem ao famoso botânico holandês Allamand. sendo este segundo muito comum como animal doméstico na região amazônica. usada internamente. especialmente cães e macacos. alternas. com a mesma indicação. Ucuuba e Sucuba. a planta exsuda látex considerado venenoso. adicionando-se seu uso contra tumores hepáticos e parasitas intestinais. grandes. contendo poucas sementes (Figura 24. especialmente em crianças. Outros sinônimos populares são Janaguba e Sucuuba-verdadeira. folhas simples. . As flores e raízes são usadas contra problemas do baço. glabras e verticiladas. com tubo estreito e longo. Cathortica a mais extensivamente cultivada como ornamental.

A espécie tem ocorrência principal na Amazônia. ovaladas. heliófita e secundária. simples. grandes e brancas.) K. glabras em ambas as faces. Fava-elétrica e Ahoay-guassu. 1997). enquanto a decocção das folhas é usada internamente contra problemas do intestino (constipação). inflorescências dispostas em cimeiras terminais com poucas flores. ocorrendo preferencialmente no interior da mata. Dados da medicina tradicional O uso tópico do látex é indicado contra afecções da pele. Esse gênero é considerado sinônimo do gênero Plumeria (Mabberley. significando "manto de flor". Coração-de-jesus. recente divisão realizada por Plumel (1991) permite a distinção entre ambos os gêneros. todas encontradas na América do Sul (Plumel. Schum. especialmente no alívio de coceiras. estômago (dores e irritação) e na expulsão de vermes. folhas alternas. especialmente em crianças. com um tronco de casca cinzenta. Outros nomes populares no Brasil são Jorro-jorro. acumi- . A população refere que a planta deve ser usada com cuidado. coriáceas. sendo uma planta perenifólia. O gênero Himatanthus foi descrito por Carl Willdenov e Josef Schultes e inclui apenas treze espécies. Corrêa (1984) relata que a casca exsuda um látex medicinal e venenoso. referindo-se às brácteas que envolvem os botões florais. Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. linear-lanceoladas. pois o uso excessivo pode causar diarréias e desidratação. 1990). sendo útil como anti-helmíntico. Noz-de-cobra.pecioladas. O nome do gênero deriva do grego. Thevetia peruviana (Pers. no entanto. frutos geminados em forma de chifres. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Castanha-da-índia e Chapéu-de-napoleão. margens inteiras. alcançando até 10 m de altura. contendo sementes aladas.

especialmente do continente africano. a decocção das folhas tem sido empregada para combater febre e malária. com até 15 cm de comprimento e 7 cm de largura. além da sua utilização uso em vários países como emético. das quais a referida é a mais conhecida e estudada. antitérmico e emético são conhecidos por todo o planeta. 1984). enquanto a decocção das folhas é usada no alívio dos sintomas após picada de cobra. foi dado em homenagem a um monge francês chamado Andre Thevet. com corola em forma de funil. Os usos dessa espécie como purgativo.nadas. as sementes da espécie são muito utilizadas pelos indígenas na confecção de artefatos de adorno. inflorescências dispostas em cimeiras terminais. além de comumente empregadas para suicídio ou homicídio. sendo amplamente cultivada em vários países tropicais. 1984). contendo sementes duras e grandes. triangular. assim como outros inúmeros usos de várias par- . purgativa e emética e de uso perigoso. enquanto na Índia é comum a utilização da espécie para suicídios (Mabberley. sendo referidos em inúmeros trabalhos etnobotânicos realizados em vários países. purgante. 1962). Dados da medicina tradicional A infusão das cascas da planta é usada internamente como antitérmico. em pó. carnosas e glabras nas duas faces. descrito originalmente por Carl Linnaeus. que veio ao Brasil em 1590 e escreveu sobre a Guiana Francesa. arbotifaciente. As sementes da espécie são usadas como inseticida. É uma espécie muito usada como ornamental. O látex é amplamente utilizado em vários locais do mundo como veneno para flechas. colares. o látex acre é usado para acalmar dores de dente. O nome do gênero Thevetia. O gênero inclui apenas oito espécies tropicais. 1985). como pulseiras. contra reumatismo e hemorróidas e no tratamento de insônias (Duke. onde a espécie também é usada no envenenamento de peixes e como inseticida (Walt & Breyer-Brandwijk. fruto do tipo drupa carnosa. amarelas. revestimento de maracás (Corrêa. contendo flores grandes. a amêndoa. é empregada como cataplasma para neutralizar efeitos de veneno de cobra (Corrêa. para provocar vômitos. Thevetia peruviana é sinônimo de Thevetia neriifolia. No Brasil. 1997). braceletes. bactericida e como veneno para peixes. A casca é considerada amarga e febrífuga. aromáticas.

Dados químicos dos gêneros Allamanda. acetato de lupeol. além de 13-O-acetil plumierida. Os dados etnofarmacológicos são similares em todas as partes do mundo. Glicosídeos do grupo dos iridóides também têm sido descritos nas folhas dessa espécie (Abe et al.tes da planta têm sido relatados por diversos autores (Duke. Tewtrakul et al. 1974). ovata e T. O isolamento de diosgenina.. Corrêa.-D-glucopiranosilsitosterol (Matida et al.. siringaresinol e glicosídeos (Abe & Yamauchi. medioresinol. foram isolados do caule isoplumericina. thevetioides (Perez-Amador et al. cumarato de plumierida e protoplumericina (Shen & Chen.. assim como de outras espécies do gênero.. flavonóides. schottii. 1993). tevetiogenina e uzarigenina (Abe et al. enquanto do extrato etanólico das folhas e ramos foram isolados 3. também encontrados em outras partes das plantas desse gênero (Watt & Breyer-Brandwijk. a alanerosida. De outras espécies do gênero Allamanda. 2002). Dessa mesma espécie também foi caracterizado o iridóide glicosídeo. 1989). rutina e os iridóides plumierida. 1988). neriifolia os compostos 9. alamandina.-hidroximedioresinol.. -amirina. quercetina. Himatanthus e Thevetia Akah & Offiah (1992) relatam a presença de alcalóides. escoparona. saponinas e carboidratos no extrato aquoso de Allamanda cathartica. ácido ferúlico e ácido gentísico. 1988).-O. pinoresinol e alamicina (Anderson et al. . As sementes de Thevetia peruviana. 1962.1997. 1996. As folhas dessa planta contêm ainda as lignanas ácido ortocumárico. perivosídeo... 1986). plumierida. Das folhas dessa espécie foram isolados vários glicosídeos derivados da digitoxigenina. ruvosídeo e neriifolina. além das flavonóides (Germonsén-Robineau.-hidroxipinoresinol e 9. 1992b. 1992a e 1994). 1996). tevetina B. Kupchan et al.. blanchetii (Ganapaty et al. tais como de T. escopoletina. canogenina. além de lignanas como pinoresinol. como a A. Glicosídeos também têm sido isolados de outras espécies desse gênero..Kader et al. 1984). Existem ainda relatos da presença de iridóides lignanas(Abdel. lupeol e trifolina foi descrito nas flores de A. e possuem ainda outros glicosídeos como a tevetoxina. plumericina. 1988). 1995c e 1995a). cumarato e um glicosídeo (Ganapaty & Rao. são ricas em um glicosídeo a tevetina. também chamado tevetina A. -sitosterol. kaempferol. -sitosterol. Foram isolados de A. 1985). e de suas flores.

1995. 1996)... esperolactonas. cáprico. taninos e saponinas (Gupta. 1990). triterpenóides (Wood et al. cathartica causam purgação e aumento do movimento propulsivo do intestino em . Das folhas de T. Dados fitoquímicos demonstram que as folhas possuem alcalóides.Foi isolado das folhas dessa espécie um novo triterpeno pentacíclico além de um conhecido glicosídeo (Begum et al. láurico e caprílico apenas no óleo das sementes imaturas coletadas em outra época do ano.. o rendimento e a composição do óleo das sementes de Thevetia peruviana variam de acordo com a época de coleta. linoléico. Dados farmacológicos dos gêneros Allamanda. estudos descrevem a presença dos compostos denominados ácido confluêntico. 2001) e o ácido dihidroplumerinico além da ausência de alcalóides (Rocha et al. 1978).. 1991). alcalóides. taninos e saponinas. 2000). peruviana foram igualmente isolados novos flavonóis. Himatanthus e Thevetia Estudos recentes demonstram que extratos brutos de folhas de A. Da mesma forma. além de compostos conhecidos como kaempferol e quercetina (Abe et al. enquanto as cascas possuem alcalóides. 1992) e em T. Iridóides também foram isolados de H. neriifolia (Dinda&Saha. glicosídeos cardiotônicos. (1986).. linoléico. tendo sido isolados do óleo das sementes maduras e imaturas componentes como ácidos oléico. ursólico.. (1990) e Beauregard Cruz et al. 1994) e fulvoplumierina (Perdue & Blonster. taninos... oléico. esteárico. Foram descritos os ácidos mirístico. follax (Abdel-Kader et al.. 1982). esteárico e palmítico. De acordo com Obasi et al. Saxena & Jain (1990) descrevem que o óleo das sementes dessa espécie possui os ácidos palmítico. triterpenos e saponinas. 1993). 1994. 1995b) e monoterpenos polihidroxilados (Abe et al. phagedaenica foram isolados iridóides e triterpenos como a plumericina. e as raízes. obovatus (Vilegas et al. acetato de -amirina e acetato de -amirina também foram descritos nessa espécie (Siddiqui et al. allamandina e isoplumericina (Vanderlei et al. flavonóides. Ali et al. Triterpenos como ácido olianólico. Quanto à espécie Himatanthus sucuuba.. behênico e erúcico. Da espécie H. 1998)... ácido metilperlatólico (Endo et al. linolênico. Guerrero. 1992) e H. 1997) além da lignana pinoresinol (Braga et al.

1962). Staphylococcus aureus e Vibrio cholerae e outros microorganismos (Saxena & Jain. De Himatanthus sucuuba foram isolados a fúlvoplumierina com atividade citotóxica (Perdue & Blonster.. O óleo das sementes de Thevetia peruviana possui atividade bactericida contra Bacillus subtilis. útero e vasos sangüíneos (Chopra et al. Ações similares foram obtidas com o glicosídeo tevetoxina.. 1981). 2002). 1935). indicando ação purgativa por aumento da motilidade do trato gastrintestinal via ativação de receptor muscarínico (Akah et al. Peruvosídeo e neriifolina. é considerada precursora de outros glicosídeos citados e possui efeitos farmacológicos e tóxicos similares aos apresentados (Frerejacque et al. cathartica e A. A neriifolina. 1964) e à plumericina e isoplumericina isoladas de A. O extrato etanólico das partes aéreas de Allamanda blanchetii.camundongos. além de induzir contrações dose-dependentes apenas antagonizadas pela atropina. Existem ainda estudos que caracterizam a atividade antitumoral (Trotta & Paiva.. analgésica e antiinflamatória (de Miranda et al. 1933). inibem a atividade da Na+K+-ATPase por mecanismos similares ao dos digitálicos (Ye & Yang.. isolada dessa espécie. Obasi & Igboechi. Moreira et al.. componentes principais da espécie Thevetia peruviana. 1990). conhecida popularmente como orélia. O glicosídeo tevetina isolado de Thevetia peruviana possui importante ação estimulante de músculos lisos do intestino. mas mesmo assim pouco seguro para ser usado como agente terapêutico (Watt & Breyer-Brandwijk. blanchetii (Melo et al.. 1994). 1945 e 1947). atóxica e cicatrizante (Villegas et al. 1982a e 1982b. violacea (Lima & Caldas. Moraes et al.. 1984. 2000). Dados clínicos mostraram que esse composto produziu bons resultados em pacientes com descompensação cardíaca (Arnold et al. 2002) e antiofídico (Otero et al. . produziu atividades espasmogênica... 1997). mas substâncias mais ativas e menos tóxicas que elas foram obtidas por processos semi-sintéticos. que possuem atividade inibitória sobre a enzima monoamino oxidase B (Endo et al... 1991). o qual se mostrou menos tóxico que a tevetina.. 2000) A atividade antibiótica foi atribuída à alamandina de A. bexiga. 1990. 1978) e os ácidos confluêntico e metilperlatólico. 1994) antifúngico (Tiwari et al.. 1989). anti-hipertensora (Socorro & Thomas. 1992). antimicrobiana (Neto et al.

1996). Thevetia peruviana possuem valores de dose letal na ordem de 30 g/kg. 2002) a margem de segurança entre dose terapêutica e tóxica dessa substância é extremamente pequena (Chopra et al. 1996). 1993). nereifolia provocou arritmia cardíaca e diarréia sem manifestações histológicas (Tokarnia et al. A espécie Thevetia peruviana é considerada extremamente tóxica e a causa de inúmeros envenenamentos na espécie humana (Eddleston et al. e Thevetia peruviana e T. 1992). Frerejacque. No entanto. 1999. 2000. cobaias. 2000).. Inúmeros efeitos tóxicos dos glicosídeos produzidos por essa espécie e por outras do mesmo gênero estão descritos por Watt & BreyerBrandwijk (1962) e Langford & Boor (1996). A tevetina encontrada nessa espécie é altamente tóxica para camundongos. Nerium oleander causou arritmia cardíaca e diarréia severa. Allamanda cathartica causou principalmente manifestações de cólica e edemas nas paredes do rúmen e retículo. fato importante por ser essa espécie ornamental e muito comum em pastos. 2002. Oji et al.700 mg/kg é dose letal. 1958.Dados toxicológicos das espécies Recentes estudos realizados com a espécie A.. peixes e outros animais (Chopra et al. A mortalidade humana pela ingestão de Thevetia peruviana e Nerium oleander é geralmente pouco freqüente. O consumo da espécie por bovinos causa cólicas. há diferenças entre esses compostos quanto à sua toxicidade. cathartica indicam sua toxicidade para bovinos e demonstram que a DL50 para essas espécies é de 30 g/kg (Tokarnia et al. 1996). vindo a morrer 24 horas após o consumo (Oji & Okafor.... além de congestão da mucosa da área digestiva restante. e estudos recen- . A inclusão de sementes de Thevetia peruviana na dieta de ratos permitiu estabelecer que o consumo acima de 2.. 1933. Maringhini et al. Os animais exibem sérios problemas cardíacos e neuromusculares. para bovinos (Tokarnia et al. 1933). Saraswat et al.4g/kg.. efeitos tóxicos também são similares.. Nerium oleander. 0. Eddleston et al. 1996. Estudos de toxicidade demonstram que as espécies Allamanda cathartica. edema da parede do rúmem e congestão da mucosa do trato digestivo (Tokarnia et al. Singh & Singh.5 g/ kg e 14. respectivamente. acompanhadas de hemorragias e necrose de fibras do coração. Em razão das grandes semelhanças farmacológicas entre os diversos compostos obtidos de espécies dessa família com os digitálicos. gatos..

inibição da Na+. incluindo o homem. os quais ainda não foram estudados. Dessa forma. De todo modo. especialmente do grupo dos alcalóides e glícosídeos. visto que estudos nessa área ainda não foram realizados. com conseqüente identificação dos compostos responsáveis pela atividade hipotensora já determinada e como antiparasitária. tanto de forma terapêutica quanto como instrumento de suicídio. é importante considerar a utilização externa da espécie no combate a sarnas e parasitas intestinais. A utilização dessas espécies em paisagismo ou como ornamentais oferece sérios riscos à saúde (Langford & Boor.tes demonstram que os acidentes mais sérios ocorrem com crianças. Estudos realizados com a decocção de casca de caule de Himatanthus sucuuba sugerem que há uma baixa toxicidade reprodutiva e teratogênica. Da mesma forma. 1996). visto que a espécie age aumentando a motilidade intestinal. podendo provocar a eliminação de parasitas do trato gastrintestinal.K+-ATPase. uma importante fonte de novos constituintes químicos de interesse farmacológico. Essas propriedades cardiotônicas têm sido exploradas desde a Antigüidade. Deve-se salientar. no entanto. especialmente Thevetia peruviana e Nerium oleander. que o uso indiscriminado de preparados tradicionais com essa espécie pode causar sérios efeitos tóxicos. verifica-se a potencialidade dessas espécies e a conseqüente necessidade de estudos voltados a uma melhor descrição química. 1991). A base das ações fisiológicas desses compostos é similar àquela dos digitálicos clássicos. pelo agravamento dos sintomas de purgação e êmese. a utilização de espécies dessa família na pesquisa de novos compostos com esse tipo de atividade é extremamente promissora. A utilização interna da espécie Allamanda cathartica como purgativo e catártico se confirmou pelos estudos já realizados. ou seja. a espécie Himatanthus sucuuba pode representar. dada a riqueza química da família. Observações Várias espécies dessa família. revelando que seu consumo é seguro para a espécie humana (Guerra & Peters. são capazes de produzir efeitos inotrópicos positivos no coração de várias espécies animais. Considerando a importância da família Apocynaceae como fonte de compostos com atividade farmacológica. .

Oxypetalum e Calostigma. Nessa família ocorre um grande número de espécies tóxicas. sobretudo para animais. herbáceas e raramente arbustos e árvores. a maioria das espécies tem ocorrência em matas secundárias ou capoeiras e em regiões de campo de cerrado. Espécies medicinais Fischeria cf. sendo raras em matas primárias e em restingas (Barrozo. Tylophora e Calotropis.900 espécies tropicais e poucas de clima temperado (Mabberley. subclasse Asteriddae. Tylophora asthmatica e Calotropis procera. especialmente por seus efeitos tóxicos.Espécies medicinais da família Asclepiadaceae Introdução A família Asclepiadaceae (Dicotyledonae) descrita por Friedrich Medikus e Mortis Borkhausen pertence à ordem Gentianales. e algumas de grande valor medicinal. 1997). distribuídos em três subfamílias Periplocoideae. todas com inúmeros usos medicinais em vários países de todos os continentes e amplamente estudadas como fonte de novos compostos de interesse terapêutico. Sacamonoideae e Asclepiadoideae. 1986). mariana. No Brasil. esta última com os principais gêneros de espécies medicinais . Inclui lianas. tais como Asclepias curassavica. Verifica-se aqui uma grande ocorrência de espécies dos gêneros Asclepias. com aproximadamente 2. descrita a seguir. . sendo o gênero Asclepias o mais abundante em espécies conhecidas. Fischeria. Oxypetalum. No levantamento etnofarmacológico realizado foi registrado o uso da espécie Fischeria cf. Nomes populares A espécie é denominada Angélica ou Angélica-do-ar.Asclepias. mariana Dcne. trepadeiras. e inclui 315 gêneros.

Não foi encontrada descrição de outros usos tradicionais dessa espécie. de onde saem as folhas simples. com ramos pubescentes. formando uma corona composta de uma porção petalóide maior (cúculo) e uma porção fina recurvada (cornículo). especialmente a febre. androceu modificado. membranosas.2). E. Espécies medicinais da família Gentianaceae Introdução A família Gentianaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu. L. hermafroditas e de simetria radial.. foi realizado experimento de toxicidade. sementes comosas. fruto unilocular. flores pentâmeras. corola gamopétala. Dados da medicina tradicional A infusão da folhas é usada contra problemas hepáticos e no combate a sintomas da malária. von Fischer. com lacínios conspicuamente crispados.225 espécies cos- . Ao final do experimento não foram observados sinais de toxicidade nos animais (Tokarnia et al. curador do Jardim Botânico Imperial em Petersburgo e que viajou com Langsdorff. O gênero Fischeria inclui apenas dezesseis espécies tropicais com ocorrência na América tropical. O nome do gênero foi dado por Augustin de Candolle em homenagem a Friedr. Exceto por esse ensaio e ainda alguns dados botânicos e ecológicos de algumas espécies. 1979). com pecíolos pubescentes.Dados botânicos Espécie de pequeno porte. continuam inexistentes na literatura dados farmacológicos. opostas. nos quais se distribuem 1. administrando-se oralmente Fischeria mariana (10 g/kg) em bovinos jovens e desmamados. químicos e toxicológicos de espécies desse gênero. Dados toxicológicos da espécie Pela sua constante presença em pastagens. inclui aproximadamente 78 gêneros. diclamídeas. com testa verrucosa (Figura 24.

mopolitas. O nome do gênero Coutoubea descrito por Jean Baptiste C. também sésseis. a decocção das raízes é usada contra febre. subtropicais e de clima temperado. especialmente do gênero Dejanira. folhas opostas e sésseis. dispostas em espigas simples terminais. com pequenas árvores e alguns arbustos e ervas (Mabberley. 1998). desordens estomacais. F. e outras são usadas como ornamentais. Os gêneros principais e mais conhecidos são Gentiana. Puruvá e Cutúbea. Genciana-do-brasil ou Raiz-amargosa. Lisianthus e Coutoubea. Muitas dessas espécies são comuns no cerrado brasileiro. 1978). sendo conhecida em outras regiões brasileiras como Genciana. amenorréia e como vermífugo. fruto capsular. na região amazônica. Espécies medicinais Coutoubea spicata Aubl. flores brancas grandes e muito vistosas. reunidas em verticilos. Aublet refere-se a um nome popular e comum nas Guianas e inclui cinco espécies tropicais encontradas na América do Sul e no Brasil. No Brasil estão registrados aproximadamente 25 gêneros. sendo várias delas medicinais. Nomes populares A espécie é chamada. Voyria. mas também inúmeras espécies tropicais. 1997). com caule ereto de muitos ramos. de Carne-seca. amplexicaules e grandes. muitas espécies são comumente usadas como ornamentais e várias outras possuem valor medicinal pelos seus princípios amargos (Barrozo. Dados botânicos É uma planta anual. . Dejanira. como é o caso de espécies de Lysianthus (Joly. Dados da medicina tradicional Na região amazônica.

1997). demonstraram que a morte foi decorrente da ingestão de Arrabidaea japurensis (Bignoniaceae). foi atribuída a mortes súbitas em bovinos. e Strychnos. Um estudo experimental em bovinos indica que a dose letal da planta gira em torno de 20 g/kg. tônico. A rama coletada seca permanece tóxica mesmo depois de quatro meses e meio (Tokamia et al. do qual destacamos aqui uma espécie referida como medicinal. Os primeiros sintomas foram observados por aproximadamente 14 a 19 horas após ser completada a dose letal. conhecida popularmente como Tingui em Roraima. um dos encontrados no Brasil. Porém. taquicardia. hipotermia. anti-helmíntico e útil contra amenorréia (Corrêa. fonte entre outras espécies do gênero da estricnina. . Espécies medicinais da família Loganiaceae Introdução A família Loganiaceae descrita por Ivan Ivanovitc Martinov compreende 29 gêneros. ramosa também apresenta toxicidade manifestada com um quadro predominante de dores abdominais que evoluem de 8 a 20 horas. incluindo tanto árvores como arbustos. um gênero fonte de substâncias de interesse farmacológico e toxicológico. onde é cultivado como ornamental. estudos de toxicidade. quando ingerida dentro de 24 horas.. e morte. lianas e ervas (Mabberley. 1979). Os gêneros estão distribuídos em dez subfamílias. com aproximadamente 570 espécies de distribuição tanto em áreas tropicais como em áreas de clima temperado. Dados toxicológicos A Coutoubea ramosa. Mas a C. destacamos apenas os principais: Spigelia. Os sintomas duraram cerca de 8 a 19 horas e consistiram em anorexia. diminuição da atividade motora e dores abdominais. da famosa Strychnos nux vomica. polipnéia.Toda a planta é amarga e a decocção da raiz é usada como estomáquico. diminuição da atividade do rúmen. dentre eles. febrífugo. 1984).

A espécie também é conhecida como Cipó-cruzeiro. 2001). Dados Farmacológicos do Gênero Não existem registros de estudos com Strychnos triplinervia. Nomes populares Na Mata Atlântica. nux-vomica (Shoba & Thomas. também constatado para a espécie S. O nome do gênero designava. 1978). que se refere à presença de mais de 190 espécies. Segundo Corrêa (1984). No levantamento realizado. folhas opostas e ovais. potatorum foi caracterizada a atividade antidiarrêica (Biswas et al. a planta é narcótica e venenosa. das quais aproximadamente setenta ocorrem no Brasil. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. em seus cipós. flores amarelas em grande abundância.Espécies medicinais Strychnos triplinervia M. Dados botânicos A planta é descrita como árvore ou como uma enorme liana cujos rizomas saem e entram do solo. a espécie é chamada de Quina-cruzeiro. porém de S. Corrêa (1984) refere que a casca dos rizomas é usada contra problemas do estômago. a maioria na Amazônia (Barrozo. fruto do tipo baga globosa. Noz-vômica e Quina-de-cipó. foi uma das espécies mais citadas pelos entrevistados. glabras. O gênero Strychnos é o mais importante dessa família e foi descrito por Carl Linnaeus. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. antigamente.. . coriáceas e trinervadas. A planta recebe esse nome por possuir. a decocção da casca é amplamente referida como útil contra qualquer tipo de dor e para reduzir a febre. as plantas com propriedades narcóticas. nós na forma de uma cruz. 2002).

Rafatro et al.. nux-vomica reduziu a ingestão de álcool em ratos (Sukul et al. Dados Químicos do Gênero Os alcalóides foram os constituintes mais freqüentemente obtidos de espécies de S.. 2000). icaja foi isolado a sungucina com atividade antimalarial e citotóxica (Frederich et al.. FIGURA 24. myrtoides (Martin et al. ... Das raízes de S.Allamanda cathartica. S. 2001). 1999).. 1996). Existem relatos da atividade tóxica de diversas espécies do gênero que alerta para os cuidados de sua utilização (Ho et al... 1996). 2001).1 . 1998) e S.. usambarensis (Frederich et al. 2000. 1996).. panganesis (Nuzillard et al. mellodora (Brandt et al..A S. 2000 e 2001. 1995). S. S. Detalhe da flor (Banco de imagens - ). Alcalóides do gênero tem apresentado potente atividade antitumoral (Bonjean et al. Quetin-Lecrerq et al. guianesis (Penelle et al.

laniflora Dcne.2 .Fischeria cf. Aspecto geral do ramo florido (desenho original por Di Stasi .FIGURA 24.Banco de imagens - .

C. Essas duas famílias botânicas também são importantes pelo grande número de espécies cultivadas e comercializadas como alimentos. Seito C. Espécies medicinais da família Convolvulaceae Introdução A família Convolvulaceae descrita por Antonie Laurent de Jussieu inclui aproximadamente 1.600 espécies. Di Stasi F. das quais alguns exemplos são aqui referidos. Polemoniaceae e Hydrophyllaceae. Convolvulaceae.25 Solanales medicinais L. N. G. Gonzalez L. arbus- . distribuídas em 56 gêneros de ocorrência em regiões tropicais e de clima temperado e distribuição cosmopolita. Hiruma-Lima A ordem Solanales inclui cinco famílias: Nolanaceae. Inúmeras plantas medicinais são encontradas principalmente nas famílias Solanaceae e Convolvulaceae. Solanaceae. A. incluindo plantas herbáceas. algumas vezes parasitas. lianas. ervas.

Ipomoea batatas. e muitas espécies são cultivadas como alimentares e ornamentais. flores brancas. 1997). a espécie é cultivada e consumida como alimento. ainda que raramente. cordiformes. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. na região do Vale do Ribeira e em todo o Brasil. internamente. como Batata-da-terra.tos e raramente árvores (Mabberley. para infecções da boca. Possuem inúmeras variedades. geralmente lobadas. suculentas. em gargarejos. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada externamente como cicatrizante e. espécie amplamente cultivada e usada como alimento em todo o mundo. com folhas alternas. de Batata-doce. gengivite e dores de dente. axilares e fruto capsular. Nomes populares A espécie é chamada. Na região da Mata Atlântica. . que são cultivadas com fins comerciais. raízes tuberosas. Os principais gêneros são Ipomoea e Convolvolus. Espécies medicinais Ipomoea batatas Poir. Os tubérculos são amplamente utilizados como alimento. aqui também descrita como medicinal. rosas ou arroxeadas. pecioladas. A planta também é conhecida. Corrêa (1984) refere que as folhas são anti-reumáticas e eficazes contra abcessos da boca e inflamações da garganta. delicadas e amplamente consumidas como alimento. No gênero Ipomoea se encontra a famosa Batata-doce.

O nome do gênero Ipomoea descrito por Carl Linnaeus deriva de ips = "verme que rói". I. 1996). 1. É também chamada de Boa-tarde e Primavera. 2000. flores de 4 a 6 cm reunidas em pedúnculos axilares com uma a três flores tubulosas. anti-reumáticas e laxativas. hederifolia. 1996. comparando-se as plantas deste gênero. Goda et al. sendo várias ervas. como é o caso de I. muitas delas amplamente cultivadas.Ipomoea quamoclit L Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica como Primavera ou Florde-cardeal.. Muitas espécies são medicinais. ácido caféico e quercetina (Tan et al. pelo seu aspecto parecido com o dos vermes. principalmente como ornamentais pela beleza de suas folhagens e de suas flores. com caules bastante entrelaçados.. enquanto as folhas são detergentes. 1986). O gênero Ipomoea é numeroso e inclui aproximadamente 650 espécies tropicais e temperadas. carnea. oblongata. friedelina. Delgado et al. Corrêa (1984) refere que o pó da raiz é utilizado como antiencefalálgico e esternutatório. Alba. com nove a dezenove pares por segmentos lineares. batatas Lam. fruto capsular ovóide. sinensis. I. De . de 5 a 18 cm de comprimento. 1995). foram isolados vários carotenos (Bicudo de Almeida et al. como é o caso de /. b-sitosterol. I. de amplo uso em Veterinária contra feridas e úlceras de animais (uso externo). 1996). tubérculos ou arbustos. coptica.. com cinco lobos arredondados. Dados químicos do gênero Da espécie I. pinatipartidas e pecioladas. e de homoios = "semelhante". Dados da medicina tradicional A decocção da raiz da planta é usada internamente contra dores de cabeça e como purgativo. cairica. I. Dados botânicos A espécie é uma trepadeira anual. cairica.antocianinaseantocianidinas (Terahara et al. purpurea e I. folhas alternas. glabra. purpurea e /. de cor vermelhoviva ou rosa.. I. flavonóides (Zhou. acetil-b-amirina.

1997). 1999). Diversos flavonóides foram isolados de I.. também encontrados em I. operculinas I-VIII ácido operculínico A. cornea. regnellii e I.. Em Ipomoea aquatica foi detectada a presença do carotenóide aluteína (Wills & Rangga. e também dibenzil-g-butirolactona. alba foram isolados os alcalóides do tipo hexahidroindolizina (Ikhiri et al. matairesinol e trachelogenina. 1996). 1999) e estudos químicos foram realizados com a I. operculata foram isolados os glicosídeos jalapina. 1997). Das sementes de I. As folhas de I. 1996) amidos pirrolidina defótica (Tofern et al. asarifolia apresentam quantidades apreciáveis de proteínas brutas. 1988). 1996). as lignanas arctigenina. e das flores de I.. reptan foi isolada galactomanana (Kumari & Alam. De I. Foram detectados indícios de toxicidade nas folhas de I. hardwickii (Liu et al. Das sementes de I. carnea Jacq. reticulata (Mann et al. além de escopoletina e friedelinol (Lin & Chou. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero De Ipomoea orizabensis e I. carnea. Das partes aéreas de I. 1987). lonchophylla foi isolada uma fração tóxica para camundongos que contém uma mistura de inseparáveis glicosídeos resinosos (MacLeod et al.. além de b-sitosterol ácidos graxos e lignonas (Paska et al. ácido n-dodecanóico e/ou n-decanóico (Ono et al. cairica foram isoladas as cumarinas umbeliferona e scopoletina. muricata foram isolados glicosídeos com atividade laxante (Noda et al. 1986). tornando-a uma boa opção de suplementação alimentar (Ekpa... 1987). 1996 e 1997). tricolorinas e ácido tricolórico (Bah & Pereda-Miranda. Já do extrato etanólico da planta toda foram isoladas as ligninas (-)-arctigenina. 1990). 1997).I. onde foi observada a diminuição dos níveis de glicose e fosfatase sangüínea e elevação dos níveis de uréia (Zakir et al. De Lima & Braz-Filho. 1996)..7-dimetil-quercetina e 7-O-bD-glucopiranosil-4'-metilapigenina. adrenérgicos e . purpurea foram isolados glicosídeos acilados como a pelargonidina (Saito et al. (Sharma & Shukla. 1997).. Das raízes de I. alta concentração de cálcio e potássio. os flavonóides 4'. é medido por mecanismos colinérgicos. arctiina e matairesinosídeo. os níveis de oxalato e ftalatos na planta são menores do que a recomendação máxima como tóxica. quando administradas a cabras.. tricolor foram caracterizadas antocianinas (Teh & Francis. 1999a.. A contração do trato gastrintestinal pela administração de I. 1989).

pescapae (Madeira et al. A I. já foram caracterizadas as suas propriedades antimicrobiana (Lima et al. 1991). Os principais gêneros estão distribuídos em duas subfamílias: . 1995). O extrato diclorometano de I.. 1998)... fistulosa apresentou atividade antiinflamatória em teste de edema de rato em camundongos (Gorzalczany et al. apresentaram potencial atividade genotóxica em testes com bactérias (Friedman & Henika.. As sementes de Ipomoea ssp. conhecida popularmente como salsa-da-praia. Entre estes.. 1994). Das partes aéreas de Ipomoea asarifolium. 1997) e hemolítica (Paula & Freitas. 1997). 1997). 1993) e tóxica (Melo Diniz et al. Atividade tóxica também foi encontrada na espécie I fistulosa (Florio et al. tristeza e perda de peso nas cabras tratadas com a planta. 1998a e 1998b). hidroalcoólicos e clorofórmicos das raízes desta espécie apresentaram atividade anticonvulsivante em ratos (NavarroRuiz et al. Os extratos aquosos. arbustos. lianas e ervas (Mabberley.. A atividade antinociceptiva foi caracterizada também em I. e seus constituintes foram avaliados diante da Mycobacterium leprae (Kataria &Gupta. 1990). depressão. Espécies medicinais da família Solanaceae Introdução A família Solanaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu compreende 94 gêneros. no cerebelo e na medula espinhal (Srilatha et al. 1998).. Foram observadas também anorexia. 1992). O efeito tóxico foi observado no cérebro. espasmolítica (Medeiros et al. que apresentaram uma pronunciada atividade citotóxica em três linhagens de célula tumoral humana e atividade antibiótica contra duas linhagens de bactérias (Reynolds et al. As folhas de Ipomoea impeati apresentaram atividades antiinflamatória (Paula & Freitas. muitos destes com grande ocorrência no Brasil. 1996).não-colinérgicos (Hore et al.. Foram isolados de I. com 2. 1996). hispida é citada como droga antileprótica da flora medicinal indígena.. 1996).. antiagregadora plaquetária (Lemos et al. 2000). sendo 56 gêneros espontâneos da América do Sul.950 espécies subcosmopolitas. dos quais 25 são endêmicos.. stans três tetrassacarídeos. encontram-se árvores.

entre outros inúmeros compostos. visto que inclui inúmeras espécies fontes de compostos químicos de grande relevância na Farmacologia e na medicina moderna. Gambá. dessa subfamília. fonte de nicotina. descrito posteriormente.• Solanoideae. Em outras regiões. importante ferramenta farmacológica e. como é o caso da Batata-doce e das mais variadas batatas. da famosa Datura stramonium. . uma importante espécie cuja indústria do fumo movimenta milhões de dólares anualmente. do famoso Tomate. Managá-caa. Espécies medicinais Brunfelsia grandiflora D. com inúmeros representantes no Brasil. das inúmeras pimentas vermelhas e amarelas usadas como condimento. essa espécie é conhecida popularmente como Maliaca. amplamente usadas como alimento e que possuem elevado valor econômico. Manacá-açu e Jeratacaca. Estes dados mostram a enorme importância dessa família botânica. e outras relevantes espécies de importância farmacológica pela presença de inúmeros alcalóides como a hiosciamina e hioscina. Cuvitinga e outras espécies. inúmeras espécies dessa família foram referidas como medicinais e passam a ser descritas a seguir. como por compreender espécies vegetais de alto valor econômico e de grande utilidade na alimentação humana. Don. Datura. da famosa espécie Nicotiana tabacum. mas que causam problemas de saúde extremamente sérios e graves. de onde se isolou. Physalis. Brunsfelsia. Nomes populares Na região amazônica. na qual se encontram os gêneros Capsicum. Fumobravo. a capsaicina. pelos nomes de Manacá-da-serra. Lycopersicum. Nos estudos realizados. ainda do ponto de vista comercial e social. • Cestroideae. constituintes também presentes no gênero Hyoscyamus. como Juá-bravo. na qual se destacam os gêneros Nicotiana. e Solanum. que tem aqui descrita e posteriormente discutida uma de suas espécies. especialmente na espécie Hyosciamus niger. tanto do ponto de vista farmacológico.

Mata-fome. usadas e cultivadas como ornamentais e medicinais. pequenas. caule verde. Mabberley (1997) refere que as folhas e cascas da espécie são usadas na Amazônia como alucinógenos. agudas. Juá-de-capote. O gênero Brunfelsia descrito por Carl Linnaeus inclui quarenta espécies tropicais americanas e fontes de alcalóides. O nome do gênero foi dado por Carl Linnaeus em homenagem ao botânico alemão Otto Brunfels. glabra. bilocular. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. o chá de sua raiz é utilizado para o tratamento de problemas do fígado e contra malária. longo-pecioladas.Dados botânicos A espécie é um arbusto alto. súpero. ovário bicarpelar. Joá-de-capote. flores dispostas em cimeiras. especialmente na Amazônia. Physalis angulata L. na região amazônica. Joá. contendo ramos cilíndricos e casca fina e rugosa. semente rufescente (Figura 25. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. folhas elípticas e acuminadas. fruto esverdeado do tipo baga. muito ramificado. com anteras azuladas. Nomes populares A espécie é chamada. O nome do gênero Physalis vem do grego physa = "bexiga. de Camapu. Em outras regiões também é conhecida como Bucho-de-rã. folhas inteiras. a infusão das folhas é considerada excelente para diminuir febre. Tomate silvestre e Cereja-de-inverno. hermafroditas. Mulaca. O chá preparado com raiz de . Dados botânicos Erva com muitos ramos. Bolsa mulaca. androceu com cinco estames. flores amarelas.1). diclamídeas. pentâmeras. sem estipulas. possui. bolha". referindo-se à forma do fruto. ereto e crasso.

. A seiva dessa espécie é calmante e depurativa. 1990). a infusão da sua raiz. e as folhas e/ou as raízes contra dores de ouvido. bem como no combate a febre. da Amazônia brasileira. jurubeba e pega-pinto é utilizado contra doenças nervosas. 1984). hepatite e reumatismo (Forero. 1998). problemas hepáticos. vômito. a espécie ainda é empregada para tratar reumatismo crônico. o chá da raiz é considerado útil contra problemas do fígado. Rutter. o uso interno da planta toda é tido como útil contra problemas renais (Agra. Algumas tribos colombianas utilizam o chá das folhas no tratamento de asma (Forero. a espécie é conhecida como Jurubeba e Jurubebinha. enquanto outras acreditam que as folhas e os frutos possuem propriedade narcótica e que a decocção dessas partes vegetais apresentam atividade antiinflamatória e efeito desinfectante sobre as doenças de pele (Garcia-Barriga. são utilizados para os mesmos fins (Gavilanes et al. Embora alguns indígenas da Amazônia peruana usem o suco das folhas. A ingestão de uma xícara de chá das partes aéreas desse vegetal é recomendada para o tratamento de asma e de malária (Kember Mejia & Elsa. útil contra reumatismo. Jubeba. interna e externamente. As tribos indígenas da Amazônia utilizam a infusão das folhas como diurético (Duke et al. Outras denominações populares são Jurubeba verdadeira. no Pará. diuréticos e resolutivos (Corrêa. 1980).camapu misturada com raiz de açaí. 1980. malária. problemas hepáticos. contra icterícias (Schultes & Raffauf. tosse e dores no corpo (Amorozo & Gély. usam a seiva dessa planta para combater dores de ouvido (Ayala Flore. No Brasil. essa espécie vegetal é utilizada contra diabetes. 1990). em Minas Gerais. dermatites e doenças de pele. contra inflamações. Solanum paniculatum L. No Peru. 1995). 1993). 1974-1975). Juuna e Juvena. para tratar hepatite. e suas folhas têm uso diurético. contra vermes. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. . 1984) e a raiz. 1994). renais e de vesícula biliar (De Almeida. os frutos são desobstruentes. 1982). Juripeba. na Paraíba. 1980).. outros.

dispostas em racemos. fruto do tipo baga globosa. lilás ou roxas. referindo-se aos efeitos analgésicos e sedativos de inúmeras de suas espécies.700 espécies subcosmopolitas. es- . folhas alternas. Dados da medicina tradicional A decocção das folhas é usada contra parasitas intestinais. A espécie ocorre em áreas de formação secundária na região do Vale do Ribeira. flores em umbela. Solanum tuberosum L. especialmente contra lombrigas. de onde é obtida pelos habitantes locais. a espécie é conhecida como Batata e comumente denominada Batata-inglesa ou Batatinha. carnosos. de cor verde brilhante na parte superior e verde-esbranquiçada na inferior. além de ser indicada contra problemas do estômago. flores brancas. Dados botânicos A espécie é uma planta herbácea. brancos ou amarelados. compostas de cinco segmentos inteiros e ovados. ereta. Corrêa (1984) refere que as raízes e os frutos possuem propriedades amargas e desobstruentes. alívio". muito parecidas com as da Batata-inglesa. muitas delas de grande valor econômico. ricos em fécula e amplamente consumidos e apreciados em todo o mundo. fruto do tipo baga redonda. O gênero Solanum descrito por Carl Linnaeus compreende 1. Inclui inúmeras variedades. ramos subterrâneos formam tubérculos de diversos tamanhos e formas.Dados botânicos A planta é um arbusto pubescente nos ramos e nas folhas. sendo úteis contra icterícia. de caule alado. sinuosas e acuminadas. todas cultivadas. as quais são inteiras ou lobadas (cinco a sete lobos). Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. desiguais. hepatite e febres intermitentes. O nome do gênero deriva de solamen = "consolo.

1977). 1986. Do gênero Physalis.5%).pecialmente no Sul e no Sudeste do Brasil para comercialização interna e para exportação. 1979a.. 1980) e alcoóis triterpenóides de P alkekengi (Itoh et al. obtido de suas partes aéreas. 1991). Das raízes P peruviana foram isolados vitanolídeos (Neogi et al. P peruviana (Gottlieb et al. 1986). 1987. Os principais componentes identificados foram: ácido linoléico (75. alcoóis e ésteres. americana foram identificadas as presenças do ácido ricinoléico. ácido palmítico (7. hidrocarbonetos. Frolow et al. 1996). Oshima . 1986). a infusão das folhas é usada contra distúrbios do estômago. 1980) e P.. ácido oléico (11. Eguchi et al. Glotter et al.. As sementes de B. hopeana foram isolados quatro novos glicosídeos esteroidais (Ichiki et al. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Salicilato de metila também foi caracterizado como um dos constituintes majoritários. além de ácidos graxos normais (Daulatabad & Hosamani. 1987). peruviana (Sahai & Ray. minima (Mulchandani et al.. cetonas. 1994).8%). 1988. 1977 e 1978). No óleo das sementes de B. Já da casca da raiz de B. Gottlieb et al.. espécie de origem cubana. Alcalóides foram isolados de P. 1985). P. 1981). P pubescens (Reddy et al. principalmente.. Dados químicos das espécies e dos gêneros As espécies de Brunfelsia são ricas em escopoletina.5%). identificou a presença de 122 compostos. 1980. 1977a). 1995).. 1980... Na região.25%) e ácido ricinoléico (0. furocumarinas que parecem ser um antiinflamatório (Iyer. alkekengi (Kawai et al. uniflora constituem rica fonte de óleo (30.... ixocarpa (Abdullaev et al. Constatou-se que quase um terço da totalidade dos compostos identificados é de origem terpênica (Castioni & Kapetanidis. grandiflora. com ciclopropenóides.. o principal grupo de substâncias são os esteróis obtidos de P. Uma análise detalhada através de CG-MS do óleo essencial de B. 1985. P viscosa (Maslennikova et al. aldeídos.. dos quais foram caracterizados.. Vasina et al. 1986). De B. a planta é obtida no comércio (tubérculos) ou pelo cultivo (folhas).52%) (Maestri & Guzman. foram identificados escopoletina e ácido oleanólico (Magadan et al. P. nitida. 1987. angulata (Row et al.. Itoh et al.. Sinha et al.

beta-sitosterol. De P.. vitagulatina A.. além de vitaminimina (Gottlieb et al. Vasina et al. 1990). 1989. 1990. 1993. O extrato aquoso de B... australis (McBarron & de Sarem. acetil colina. Uma triagem hipocrática em ratos. flavonóides (Ser. vitaminimina. angulata foram isolados ainda vitasteróides. pauciflora e B. 2001) e vários tipos de esteróides (De Almeida. De P. flavonas e beta-sitosterol (Sinha et al. 1988). além de contatar também atividade antiinflamatória (Iyer et al. 1992a. febre e picadas de cobra. Existem relatos de atividade tóxica das espécies B. 1987). floribunda. 1967a e 1967b). neoclorogenina. 14-alfa-hidroxi-ixocarpanolídeo. minima var. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Brunfelsia grandiflora é popularmente utilizada para o tratamento de reumatismo. calcyina var.. 1975.. 1991). ácido clorogênico.. 1990. bronquites. 1989.. 1988). 1987. Já da raiz de B.. 1987 e 1990. . 1986. 2001). fisangulídeo. apresentou atividade antiedematogênica (Pereira et al. fisalina B e quercetina (Gupta et al. Dinan et al. revelou atividade depressora do SNC. bonodora. 1990). 1987b. 1986). Oliveira et al. Ripperger et al. 1988 e 1989)... Moiseeva et al. uniflora na forma de infuso (planta seca) a 10% ou planta fresca a 20% nas doses de 1 ou 2 g/kg produziu atividade analgésica e antiinflamatória em camundongos (Ruppelt et al... além de alcalóides.. hopeana. 1977). Shingu et al. 1968. flavonóides (Ismail & Alan. artrites. vamonolídeo e vitanolídeos (Vasina et al... Chen et al. 24-25-epoxi-vitanolídeo D e T e vitafisanolídeo.et al. 1992)... 1997. 1997). com extratos da raiz de B. Neilson & Burren. Da espécie Solanum papniculatum foram isolados paniculonina A e B. indica foram isolados vitasteróides. 1992b e 1992c). hopeana foi detectado um constituinte denominado escopoletina. vamonolídeo. 1983. B. figrina. glicosídeos. Chen et al. 1990). enquanto das folhas de P. B. alkekengi foram isoladas fisalinas (Kawai et al.. Spainhour et al. vitangulatina A. que apresentou atividade espasmolítica (Romero et al. painculogenina e jurubina (Ripperger & Schreiber. De P ixocarpa foi isolada ixocarpalactona A (Abdullaev et al.. fisagulina A e K. aianinas.. Banton et al. utilizada para picadas de cobra. A administração oral de B. uniflora.

1992a e 1992b). M. 1995. A atividade antineoplásica foi atribuída à fisalina D. quando ingeridas em dose única ou repetida. V.. Nos frutos de P.. 1988). atividade citotóxica contra vários tipos de células cancerígenas. Dados toxicológicos Estudos realizados com folhas frescas e secas de Brunsfelsia pauciflora apresentaram toxicidade em bovinos. 1987). moluscicida (Almeida & Fonteles.Para a Physalis angulata. O extrato aquoso e etanólico de diferentes partes dessa planta apresentou atividade antiinflamatória (Carvalho.. antibacteriana (Hussain et al. V. 1998b). minima foram isolados constituintes que apresentaram atividade antiinflamatória (Sethuraman & Sulochana.. peruviana revelou atividade antimicrobiana (Zaki et al. Ribeiro et al. como movimento . edulis detectou-se a presença das atividades colinomiméticas por meio de testes farmacológicos in vitro (De Almeida. melanomas. M. antigonorréica. antiespasmódica. aos esteóides.. Kusumoto et al. 1998). 1993. entre outras.. 1987). Das folhas de P.. Silva. 1998. et al. et al. niruri e P.. e a atividade imunoestimulante. 1991. M. M. V. do extrato da planta inteira e/ou da fração esteroidal (Carvalho. Haussmann et al. 1997. antileucêmica. 1989). G. 1998. Kurokawa et al. Soares et al... 1998) antimicobacteriano (Januario et al. constataram-se atividades hipotensora... M. M. antimutagênica. tenellus foi detectada a atividade analgésica (Ribeiro. 1990). antiasmática. Chiang et al. 1998). I. 1992. anticoagulante (Kone-Bamba et al.. Os extratos aquosos. aqui descrita. M. Para as diferentes partes vegetais de Physalis caroliniensis.. 1998). entre outras (Lin et al.. 1990). et al. alcoólicos. 2002. antiviral (Otake et al.. et al. Barbi et al. 1992a e 1992b).. anticolinérgica (Fonteles et al. 1998) e antineoplásica (Carvalho. et al. M. tripanossomicida (Barbi et al. V. isolada da fração aquosa da planta inteira (Carvalho. 1998. in vitro e in vivo.. Carvalho.. O estudo dos vitanolídeos de P. imunoestimulante (Carvalho. T. 1997. et al. 2000)... V. etanólicos e esteroidal mostraram. 1998). et al. imunomoduladora (Rosas et al. Pietro et al. incluindo leucemias. embora outros sinais também tenham sido verificados. V. O principal sintoma desse envenenamento foi a excitabilidade.. 1998). et al.. citotóxica. P. diurética.. anti-séptica.. 1998).

FIGURA 25. Aspecto geral do ramo com flor e fruto (desenho original por Di Stasi .1 . às vezes levando-o ao chão. tremor muscular com algumas contrações súbitas e falta de estabilidade do animal.de mastigação. irritabilidade. Além disso. perda de peso. 1991).Physalis angulata. salivação. falta de apetite.Banco de imagens - . quatro animais sofreram ataque epiléptico (Tokarnia et al. estiramento e contração das patas traseiras.

M. apesar de incluir apenas oito famílias. A família inclui árvores. arbustos.300 espécies (Mabberley. Espécies medicinais da família Boraginaceae Introdução A família Boraginaceae (Dicotyledonae). C. Nas regiões de estudo. foram referidas espécies medicinais dessas três famílias botânicas. das quais se destacam as Boraginaceae. Guimarães C. freqüentemente . Verbenaceae e Lamiaceae (Labiatae). espalhadas por todo o planeta. M. A. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. 1997). com aproximadamente 2. Hiruma-Lima Lamiales é uma das maiores ordens botânicas existentes. Santos C. Esta última família compreende um grande número de espécies de valor medicinal. inclui 130 gêneros distintos. Di Stasi E. as quais serão discutidas a seguir.26 Lamiales medicinais L. Amazônia e Mata Atlântica.

Borago e Symphytum (Boraginoideae). referida como medicinal na região de estudo e reconhecida como espécie cultivada no Brasil (Joly.herbáceas e raramente lianas. cujo gênero inclui a espécie Heliotropium indicum. de Ervabaleeira. muito ramificado. onde ocorre em abundância em solos arenosos e em áreas de restinga. este último com uma espécie amplamente conhecida e usada como medicinal. Espécies medicinais Cordia verbenaceae L.1). de onde saem folhas sésseis. A planta também é conhecida como Balieira-cambará. densa. 1998). na Mata Atlântica e em todo o Brasil. Espécie muito comum na região da Mata Atlântica. lanceoladas. agudas. Nomes populares A espécie é chamada. sendo raramente encontrada no interior de matas. e seus gêneros mais importantes são: • Cordia (Cordoideae). A população atribui os mesmos efeitos à decocção das folhas. formando grandes populações em áreas litorâneas. amplamente utilizada como medicinal e conhecida como Erva-baleeira e aqui descrita. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2 m de altura. com pedúnculos eretos e muitas flores brancas. no qual se encontra a famosa Cordia verbenaceae. fruto subgloboso vermelho (Figura 26. um dos gêneros mais comuns no Brasil. denominada popularmente Confrei e identificada como Symphytum officinale. com até 12 cm de comprimento. Inúmeras espécies dessa família são consideradas medicinais. • Cynoglossum. inflorescência espigosa. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. É uma planta heliófita e higrófita. • Heliotropium (Heliotropioideae). a infusão das folhas é usada como antiinflamatório. pubescentes na face inferior. sendo também indicada para o alívio de dores e na redução de febres. .

Jamacanga e Jacuacanga. tubulosas. fruto formado como uma mitra. folhas pecioladas. anginas. Amorozo & Gély (1988) referem que o chá da folha fresca é útil contra tosse e febre. alternas. de origem na América e distribuição global por todo o Brasil. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. furúnculos e também contra queimaduras. com ramos lisos e glabros. de flores brancas. O gênero Heliotropium contém aproximadamente 250 espécies vegetais. e trepein = "mudar". Um grande número dessas espécies é útil como ornamental.Heliotropium indicum L. referindo-se ao fato de as flores se torcerem após a exposição ao sol. com flores brancas ou azuis. faringites. incluindo úlceras. europaeum são reconhecidamente medicinais. ovadas ou cordiformes e acuminadas. inflorescência curvada. glabro ou pubescente. o macerado de folhas em água é indicado topicamente contra hemorróidas e afecções cutâneas. O nome do gênero Heliotropium descrito por Carl Linnaeus vem de helios = "Sol". Aguaraquiunha. moléstias cutâneas e feridas. e as espécies H. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Borragem-brava ou Fedegoso. Segundo Corrêa (1984). com dispersão regiões tropicais e temperadas. . O uso interno da infusão de folhas é útil como desobstruente do fígado. dispostas em espigas solitárias. a planta é desobstruente e anti-hemorroidária. as folhas e raízes maceradas são usadas topicamente nas regiões inflamadas do corpo (Guerrero. 1994). Dados botânicos A espécie é um subarbusto de 0.5 a 1 m de altura. É uma planta anual. estomatites. enquanto as folhas amassadas com folhas de Mucuracaá são usadas topicamente contra "baque". abcessos. e seu suco é de alto valor contra aftas. Na medicina tradicional salvadorenha. Crista-de-galo. incluindo espécies tropicais e outras de climas temperados. Outros sinônimos são Aguaraciunha-assu. amplexicaule e H.

flores grandes. lasiocarpina-N-óxido e indicina-N-óxido (Jain & Purohit. enquanto o macerado da raiz em aguardente também é usado como diurético e contra anemias. A decocção das folhas é usada internamente contra hepatite. dispostas radialmente. Outros nomes são Consolda.Symphytum officinale L. O macerado das folhas em aguardente é empregado externamente como cicatrizante. Das partes aéreas de H. beta-amirina e beta-sitosterolglucosídeo (Pandey et al. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. indicum também foram isolados da fração alcaloídica os alcalóides pirrolizidínicos heliotrina e lasiocarpina e compostos não-alcaloídicos. caule curto e ramoso. europina. fruto com quatro aquênios lisos. lasiocarpina. lupeol. De H. enquanto as raízes. Língua-de-vaca. além de alcalóides e taninos. Nomes populares A espécie é chamada. com folhas ovadas ou oblongas. de Confrei. possuem glicosídeos cardiotônicos (Guerrero. como beta-sitosterol. Orelha-de-vaca etc. Dados químicos Estudos fitoquímicos mostram que as folhas de Heliotropium indicum são ricas em alcalóides. tubulosas. Erva-do-cardeal. É uma planta cultivada ou subespontânea com origem na Ásia. . distúrbios estomacais. ásperas e onduladas.. 1994). 1996). Sonsólida. marifolium foram isolados os alcalóides pirrolizidínicos conhecidos por sua atividade antitumoral e denominados heliotrina. 1986). acuminadas no ápice. com porte herbáceo e raízes fasciculadas. amarelas ou rosas. Consolda maior. a espécie é amplamente cultivada com fins medicinais. taninos e triterpenos. Dados botânicos A espécie é uma erva de rizoma grosso. inflamação e dores de barriga. vistosas. na Mata Atlântica e em todo o Brasil.

1987). 1988). e heliotropina de H. hirsutissimum (Guner et al. supinina e europina (Rizk et al... heleurina. argentinum e var. H. 1995). spathulatum (Roeder et al. intermedina e retronecina) por Ravi et al. Alcalóides pirrolizidínicos também foram descritos em H. 1988). além de dois novos alcalóides pirrolizidínicos . subulatum (Malik & Rahman. 1990). stenophyllum. esfandiarii (Yassa et al. H. circinatum foram isolados os alcalóides curassavina. europina. Reina et al. coromandalina. lasiocarpina e 5'-acetileuropina) por Asibal et al.. scabrum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. Outras classes de compostos também têm sido estudadas para este gênero. 1988). Farrag et al. heliotrina e lasiocarpina de H. H. heliotrina e lasiocarpina e.de H. em que se .. em menor quantidade.De H.. H. Das partes aéreas de H. keralense (isolicopsamina. curassavinina. 1996). bursiferum (Marquina et al. 1995b). H.. echinatina. 1991). arborescens (Bourauel et al. heleurina. em H. H. rotundifolium (europina. 1996). 1986).a heliospatina e o heliospatulina . 1988). H.. (1989). (1990). 1995b. curassavicum (Davicino et al. 1988. 1989).. e suas folhas encerram ácidos graxos e esteróis (Miralles et al. licopsamina amabilina. bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. destacando-se compostos fenólicos em H. lasiocarpum (Akramov. heliotrina. curassavina. heliovicina. Inúmeros alcalóides pirrolizidínicos foram também descritos nas espécies H. europina e supinina em H. bacciferum foram isolados também os alcalóides heliotrina e europina (Pizk et al. bovei. coromandalinina. 1994). curassavicum var... bracteatum (Lakshmanan & Shanmugasundaram. 1988). dasycarpum (Rakhimova & Shakirov. 1995) e H. heliotrina. heliotrina e lasiocarpina (Guner..

1995..3-0-metilisorhamnetina e pachipodol (Torres et al. alliodora (Ioset et al.. 1987). o filifolinol e um espiro-benzodihidrofuranilterpeno (Torres et al. Do exsudato resinoso de H. 2000a) e C. 2001). Dados farmacológicos De Cordia dichotoma foi caracterizada a atividade antimicrobiana (Ahmad & Beg. filifolium também foram isolados. derivados do ácido caféico trimérico e tetramérico (Motoyama et al. Porém nenhum composto isoladamente foi ca- . 7-O-metileriodictiol. dentre outras espécies (Ficarra et al. Os constituintes fenólicos denominados galangina. De H. pinocembrina. pinocembrina.. C. C. A propriedade cicatrizante também foi atribuída a esta espécie (Reddy et al. 7. curassavica (Ioset et al. 1991 e 1988. naringenina e 2-geranil-4-hidroxifenil acetato foram isolados de H. De Heliotropium indicum foi isolada indicina N-óxido. As propriedades antifúngicos.. 1994 e 1996). 2001).. naringenina e 2geranil-4-hidroxifenil acetato (Villarroel & Urzua. filifolium (Urzua et al.. multispicata foi isolado triterpenóides com atividade anti-androgénica (Kuroyangi et al. ovalifolium (Guntern et al. 2001). 3-0-metilgalangina... 1990). stenophyllum (Villarroel & Urzua.. linnaei (Ioset et al... e a lasiocarpina que foi capaz de inibir todos os microorganismos testados... pinobanksina-3-acetato. verbenacea. 1998). 1996). enquanto 3-metilgalangina e galangina foram isolados de H. pinocembrina. chenopodiaceum. do exsudato. A Atividade antiinflamatória foi atribuída aos frutos de C. 1990). Ácidos graxos e esteróis foram descritos em H. larvicidas e antiviral foram obtidas das espécies de C. C. Al Awadi et al... 1989) e esteróis e quinonas em H. Sertie et al. tais como ácido rosmarínico. 2000b). De H.3'-dimetileriodictiol. Os flavonóides ayanina.descreveram os constituintes galangina. solicifolia (Hayashi et al. pervianum produz compostos fenólicos antioxidantes. 2002). hesperetina. 1996). myxa. sinuatum foram isolados os flavonóides naringenina. 1996). 2001) e de C. bursiferum foram isolados os alcalóides 9-angeloylretronecina N-óxido que inibiu o crescimento de Bacillus subtilis. A H. a qual foi avaliada quanto à sua atividade antitumoral diante de carcinoma de Ehrlich e sarcoma 180 em camundongos (Dutta et al.. 1990). sakuranetina foram isolados da resina de H. bacciferum (Miralles et al.

argentinum apresentam genotoxicidade.. 1994. 1995). nos quais se distribuem 6. também denominada Labiatae. enquanto alcalóides de Heliotropium curassavicum var.. Alcalóides pirrolizidínicos de Heliotropium bovei possuem atividade antifúngica (Reina et al. é potencialmente tóxica. havendo relatos da presença de alcalóides pirrolizidínicos em inúmeras espécies do gênero. 2001). assim como todo o gênero Heliotropium. 2002. possivelmente associada aos pirrolizidínicos alcalóides (Carballo et al. dolosum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que apresentaram hepatotoxicidade em camundongos. ellipticum e H. reconhecidamente constituintes com alta toxicidade.. Espécies medicinais da família Lamiaceae Introdução A família Lamiaceae. Das partes aéreas de H. De H. o consumo de espécies desse gênero deve ser evitado.700 espécies. foi descrita por Antoine Laurent de Jussieu e inclui cerca de 252 gêneros. o Ministério da Saúde do Brasil proibiu o uso e a comercialização de preparados por via oral. bursiferum (Marouina et al. sendo também contra-indicado o uso do material fresco. 1987. Alcalóides isolados de H. 2001a e 2001b). infusão ou chás por via oral. Portanto. subtilis como o extrato bruto de H..paz de inibir efetivamente o B. ramosissimum foram isolados alcalóides pirrolizidínicos que em estudos preliminares inibiram a atividade colinesterase sérica (Mahmoud et al.. porcos e aves (Gaul et al. europaeum e H. 1987). Dados toxicológicos A espécie. 1989).. elipticum apresentou também atividades antimicrobiana e antitumoral (Jain & Arora. Eroksuz et al. 1992). Jain et al. 1997). Em razão dos estudos realizados com a espécie Symphytum officinale. Um outro estudo com o extrato etanólico das partes aéreas e raízes de H.. a maioria de arbustos e ervas e raramente de árvores . subulatum apresentaram atividade antimicrobiana significativa (Jain & Sharma. Singh et al.

Melissa. especialmente americanas. pois são usadas como condimentos. Trata-se de uma importante família. Leucas e Sideritis. A família também é importante como fonte de espécies de grande valor no mercado. ex Benth. 1997). Mentha. Pogostemonoideae: Pogostemon. . oposto-decussadas. bilabiado. Thymus. androceu com estames esbranquiçados e anteras unitecas (Figura 26. com cálice tubuloso. bem como na indústria de perfumes e cosméticos. rígidas. folhas pecioladas. Salva-do-campo. alimentos.(Mabberley. Salvia. Salva-de-marajó e Salsa-de-marajó. Scutellarioideae: Scutellaria. Os principais gêneros desta família ocorrem em sete subfamílias. Lamioideae: Leonotis. Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Malva-do-campo. nas quais destacamos as principais espécies medicinais de ocorrência subespontânea ou cultivadas no Brasil: • • • • • • • Viticoidea: Vitex. visto que nela se concentra um grande número de plantas referidas e citadas como medicinais em todo o mundo. com haste suculenta. Nepetoideae: Hyssopus. obovais. Hyptis e Plectranthus. flores dispostas em capítulos pedunculados. e inclui mais de trezentas espécies de áreas tropicais. referindo-se ao lábio inferior da corola bilabiada. Malva. pubescentes. Origanum. O nome do gênero Hyptis descrito por Nicolaus Jacquim vem de hyptios = "recurvado". Satureja. Ajugoideae: Ajuga. com ápice agudo ou arredondado e base arredondada. Rosmarinus. Lavandula. do ponto de vista medicinal. corola com tubo infundibuliforme. Teucrioideae: Teucrium. Espécies m e d i c i n a i s Hyptis crenata Pohl. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. Ocimum. Salva. crenadas.2).

As folhas e os ramos são indicados como excitantes. anti-reumático e contra cólicas menstruais. a decocção das folhas é usada contra malária. formando capítulos globosos isolados (Figura 26. Nomes populares A espécie é chamada.3). diarréia. folhas opostas. mas não foi completamente identificada. Também é popularmente denominada Cordão-de-frade. a decocção misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra problemas do fígado. de constipações e artrites (Van den Berg. cálice pulverulento (corola bilabiada com lábio superior elminiforme muito mais longo que o inferior. e inclui apenas quinze espécies tropicais. antigripal. . Leonotis nepetaefolia Hort. ovadas e subcordiformes na base. flores dispostas em racemos densos e verticelados. enquanto o banho preparado com as raízes é usado externamente contra infecções. Essa espécie é usada na forma de infusão das raízes como analgésico. sudoríficos. Na região da Mata Atlântica. para regular a menstruação.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. cólicas menstruais e problemas digestivos. emenagogos. 1982). icterícia. Na Mata Atlântica. com caule quadrangular aveludado e pubescente. na região amazônica e em quase todo o Brasil. no tratamento de inflamações da garganta e olhos. uma espécie popularmente chamada de Mentrasto pertence a esse gênero. flores pediceladas com quatro estames. de Rubim. Cordão-de-são-francisco e Pau-de-praga. por causa do lábio superior da corola grande e ereto. Dados botânicos Erva anual. e a infusão da planta toda. um pouco lenhosa. de até 2 m de altura. O nome do gênero Leonotis descrito inicialmente por Christian Persoon e posteriormente revisado por Robert Brown significa "orelha de leão". recebe o mesmo nome.

como cicatrizante. especialmente de barriga e. a aplicação do macerado da planta no local lesado serve como cicatrizante e para aliviar dores de contusão. o chá de toda a planta. uma xícara por dia. sendo ainda indicada contra úlceras. o sumo da raiz amassada é considerado útil contra maleita (Van den Berg. como abortivo e antitérmico (Simões et al. Dados botânicos Planta anual. raramente arredondadas. pubescentes nas duas faces e membranosas. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica pelo nome de Catinga-demulata e. 1982). externamente. duas vezes ao dia. com cinco segmentos acuminados. ovadas ou oblongolanceoladas. cálice bilabiado. facilitando a expectoração. herbáceo. Esses nomes também são comuns para a espécie Leonotis nepetaefolia. como Cordão-de-frade. na Mata Atlântica. contra gripes. A planta é também considerada antiespasmódica. 1984). folhas pecioladas. pilosos e sulcados. febrífuga e diurética. o xarope das flores é indicado contra problemas digestivos.. útil contra úlceras. antireumática. a planta florida é usada na fraqueza geral. hipotensão. nas inflamações broncopulmonares. Leucas martinicensis R. ramos quadrangulares. reumatismo. Br. é utilizado como anti-reumático. com lábio superior 1-2 .. em Minas Gerais (Verardo. a infusão das folhas é usada. 1982). corola bilabiada. Na região do Vale do Ribeira. Grandi & Siqueira. antiasmática. durante dois dias. 1982. no Mato Grosso. elefantíase e hemorragias uterinas (Corrêa. no Rio Grande do Sul. Outros nomes comuns na região amazônica e em outras regiões do país são Cordão-de-são-francisco. flores sésseis. brancas. dores gerais. distúrbios do estômago. ramoso e pubescente. Pau-de-praga e Cordão-de-frade. desiguais entre si. 1986). no Ceará (Matos et al. de caule ereto.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1980). internamente.

filha de Cocylus. planas. na Mata Atlântica. ao passo que a infusão ingerida com elixir de Parigó é considerado útil contra dores de estômago. difere da M. corola gamopétala. piperita é um híbrido de M. viridis e M. as folhas (infusão) são sudoríficas e carminativas (Corrêa. formando espigas no ápice dos ramos. contra tumores. viridis por apresentar maior número de flores por glomérulo e menor número de glomérulos. apenas de Hortelã. flores dispostas em verticilos axilares multiflorais. os poetas dizem ter sido transformada nessa planta. folhas opostas. pouco aveludada. curto-pecioladas. aquatica. Hortelã-das-cozinhas. pentâmeras. Na região do Vale do Ribeira. as folhas picadas e adicionadas à água pré-aquecida são utilizadas contra problemas digestivos. é usado sobre gargantas inflamadas. zigomorfas. o macerado das folhas em água. descrito por Robert Brown. referindo-se à cor das flores. um pouco pubescentes. bilabiada. ramoso. flores violáceas. O nome do gênero Mentha descrito por Carl Linnaeus deriva de Mintha. topicamente. numerosas. hermafroditas. Entre seus sinônimos estão Hortelanzinho. Dados botânicos A espécie M. enquanto a infusão das folhas é utilizada internamente contra gripes fortes e tosses e. de porte herbáceo. O nome do gênero Leucas. A planta também é utilizada como tônico. ramos eretos e opostos. serrilhadas. fruto do tipo aquênio (Figura 26.5). com raiz fibrosa e caule ereto. diclamídeas. . 1984). Menta e Hortelã-verdadeira. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Mentha piperita L Nomes populares A espécie é chamada na região amazônica de Hortelã-pimenta e. e seu cozimento é indicado como antireumático. significa "branco". contra dores musculares e reumatismo. fruto formado por quatro aquênios (Figura 26. na forma de gargarejo. agudas. antiespasmódico e contra nevralgias.lobado e o inferior 1-3 lobado. externamente. nome recebido em todo o Brasil. decussadas.4). dela.

Hortelã-graúda. Hortelã-das-hortas e Hortelã-levante. a infusão das folhas. e ainda para diminuir o leite em lactantes (Corrêa. cólicas abdominais e tétano. dor de barriga. eólicas uterinas. Contudo. carminativas. Hortelã-comum. estomáquicas. de Hortelã-verde. estimulante do fluxo biliar. timpanite. sendo indicada contra flatulências. Outros usos incluem suas propriedades tônicas. calmante. vômitos e cólera (Matos & Das Graças. tremores. é utilizada internamente em distúrbios digestivos. digestivas. Mentha viridis L. A M. piperita ou o seu óleo é considerado eficiente espasmolítico (particularmente usado para aliviar desconfortos causados por espasmos no trato digestivo). estimulantes.. o suco das folhas é usado externamente como cicatrizante. mas também possui os seguintes nomes: Hortelã-grande. em 1990. a FDA declarou que o óleo dessa espécie não é eficaz no auxílio digestivo e baniu seu uso no país como droga sem prescrição para tal finalidade terapêutica (Blumenthal. antiespasmódicas. de estômago. no Rio Grande do Sul. enquanto o macerado das folhas em aguardente ou vinho branco também é empregado externamente como analgésico. anti-reumático e contra insônia. dismenorréias e verminoses. musculares. Hortelã-da-preta. antibacteriano e promotor de secreções gástricas (Bundesanzeiger. Nomes populares A espécie é chamada. Na região da Mata Atlântica. na região amazônica. diarréia. Hortelã-pequena. é indicada contra dores de estômago em crianças. a decocção das sementes é indicada para a expulsão de vermes. 1984). 1982) e como anti-séptico. três vezes ao dia. vômitos. a infusão das folhas é usada como sedativo e contra parasitas intestinais. garganta e dentes (Simões et al. dores de cabeça. 1986). 1986). é utilizada para tratar problemas do fígado (Barros. 1991). problemas cutâneos. . e as folhas frescas são usadas em crianças como estimulantes do apetite. bronquite e tosses. em Brasília.Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1980). catarros de mucosas.

inflorescência do tipo espiga. bronquites. caule ereto. assim como em todo o Brasil. O sumo das folhas é muito usado contra dores de ouvido. ramos eretos.6). ovais ou oblongas. bastante pilosa e com aroma forte. Dados botânicos A planta é uma erva que chega a atingir até 50 cm de altura. ovadolanceoladas. denticuladas. em verticilos aproximados. Mentha pulegium L. dores de estômago e "quebranto". com folhas pequenas. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. seu decocto é considerado útil contra tosse. . corola e cálice campanulado (Figura 26. serrilhadas. a infusão das folhas é usada contra parasitas intestinais. glabras. bronquite e gripe. a decocção das folhas faz parte de um coquetel de plantas com finalidade abortiva. Na região do Vale do Ribeira. cilíndrica e frouxa. ameba e giárdia. folhas subsésseis. garganta e estômago. dores de barriga e pedras nos rins. especialmente lombriga. pecioladas. ascendentes. opostas. flores rosas ou violeta-claras. Dados da medicina tradicional Na região amazônica o xarope das folhas é utilizado contra asma. os mesmos usos são atribuídos à infusão da raiz. cólicas. Também é conhecida como Poejo-das-hortas. tétano. a espécie é chamada de Poejo ou Puejo. o xarope das folhas é usado contra gripes e tosses. tosses.Dados botânicos Planta herbácea de pequeno porte. gripes. a infusão das folhas é usada para expulsão de parasitas intestinais e como analgésico. além de ser considerada útil contra febres.

entre outros. com ramos tetrágonos e pubescentes. é conhecida como Remédio-de-vaqueiro. de caule ramoso. Dados da medicina tradicional Na Mata Atlântica. flores brancas ou rosas. descrito por Carl Linnaeus. peitoral. significa "perfumada". Alfavacona. aglomeradas no ápice dos ramos e dispostas em espigas. Em outras regiões. O nome do gênero. a espécie é chamada de Alfavaca ou Alfavacão. com até 50 cm de altura ou maior. Nomes populares A espécie é chamada de Alfavacão na região amazônica. Ocimum. assim como em todo o Brasil. de Alfava. diarréias e disenterias. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. especialmente de ocorrência na África. diurética e útil contra resfriados. estomáquica. Alfavaca-de-vaqueiro e Manjericão. pequenas e finas. Corrêa (1984) refere que a planta é béquica. referindo-se à planta toda.Ocimum basilicum L. Alfavaquinha. A planta é de origem asiática e muito usada na indústria de perfumaria. O gênero inclui aproximadamente 150 espécies de climas tropicais e temperados. Alfavaca-de-cheiro. diaforética. dentadas. glabras. Em outras regiões. ovadas. Ocimum canum Sims. Alfavaca-do-campo. estimulante. de onde partem folhas opostas. o xarope e a infusão das folhas são usados contra tosses e bronquites. Dados botânicos A planta é uma erva anual. Alfavaca-cheirosa. .

de onde partem folhas ovais. Corrêa (1984) refere que a planta é diurética. A decocção das raízes . tosses e desordens uterinas e renais. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas ou das flores é indicada como diurético e diaforético. diaforética. béquica. enquanto a infusão das partes aéreas. Em outras pode ser reconhecida com o nome de Manjericão-cheiroso. de ramos quadrangulares. contendo folhas pecioladas. carminativa. As folhas cruas também são empregadas como condimento. pubescentes. Dados botânicos A planta é um arbusto lenhoso. além de diurética. fruto do tipo capsulas. flores vermelhas. glabros e eretos. além de excelente na cura da coqueluche. verticiladas e dispostas em racemos.Dados botânicos A planta é uma erva com ramos ascendentes. pubescentes. amarelo-esverdeadas. A planta toda é bastante aromática. flores roxas ou. rins e uretra. dispnéia e reumatismo. É originária do Oriente e amplamente cultivada no Brasil como condimento. dispostas em racemos paniculados. dores de cabeça e bronquites. O xarope das folhas com mel é usado contra tosses. serradas. a espécie é chamada de Alfavaca. é usada contra febres. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. denteadas. raramente. Ocimum gratissimum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. o banho preparado com as folhas é usado externamente para combater qualquer tipo de micose. glabras. tosses. sudorífica e útil contra problemas da bexiga. ovadolanceoladas. verdes e finas.

7). dores de cabeça e febres. congestão nasal e dor de cabeça. o sumo das folhas é usado externamente como cicatrizante. com flores de cálice tubuloso de lábios superior tetradenteado e corola com tubo campanulado e lábios superior branco e inferior violeta. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em todo o Brasil pelo nome de Alfavaca. como Manjericão. gripe e catarro no peito. As folhas são ainda muito usadas como condimento. Dados botânicos Arbusto com caule pouco pubescente. levemente pubescentes e inferiormente glandulosas. núculas negras e lisas (Figura 26. . O decocto das folhas misturado com cravo-da-índia é utilizado externamente contra sinusite. carminativa. folhas pecioladas. e na Mata Atlântica. mas também sob os seguintes sinônimos: Mangericão-grande. inflorescência racemosa. agudas. ao passo que o banho preparado com as folhas é considerado útil contra dores de cabeça. ovaladas. Ocimum micranthum Willd.é usada contra diarréias. dores de cabeça e como sedativo para crianças. O xarope preparado com as raízes é indicado contra tosses e dores de cabeça. devendo porém ser tomado somente à hora que se vai dormir. As sementes são usadas externamente como anti-séptico da região ocular e para eliminar "carne crescida" no olho. Alfavaca-de-vaqueiro e Alfavacona. glomerulada. enquanto seu uso interno é indicado contra dores do estômago e de cabeça. margem irregular. diurética e útil contra tosses. sudorífica. Corrêa (1984) refere que a planta é estimulante. Alfavacão. gineceu com ovário ovóide. problemas nervosos. androceu com estames inclusos. membranosas. As folhas da planta também são usadas como condimento alimentar. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. Alfavaca-do-campo. distúrbios do estômago. pequenas.

Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. 1980). Nomes populares A espécie é chamada no Vale do Ribeira e em todo o Brasil de Manjerona ou Orégano. 1984). com ramos ascendentes. além de a espécie ser utilizada também como condimento. enquanto a decocção é indicada contra constipação nasal. flores em glomérulos. as sementes são usadas para eliminar "vilide" (excrescência conjuntival). as folhas são consideradas úteis contra gripes. Corrêa (1984) refere que a planta é emenagoga. formando uma espiga terminal. no Pará (Amorozo & Gély. Nomes populares A espécie é chamada pelos habitantes da região amazônica de Oriza. de base arredondada e margem denteada. dores de cabeça e tosse.Na região da Mata Atlântica. Patchuli ou Patchouli. tosses e bronquites. Dados botânicos A planta é uma erva ereta. 1988). e em todo o Brasil é denominada Patcholi. vilosas. no Mato Grosso (Van den Berg. Origanum vulgare L. com até 50 cm de altura. Outras indicações referem o uso da planta como diurética e estimulante (Corrêa. pilosa. o xarope das folhas é usado contra bronquites e tosses. a infusão das folhas é usada contra infecções. de onde partem folhas ovais. dispostas em panículas. sendo também conhecida como Manjerona-selvagem. Pogostemon patchouly Pellet. .

bilocular. Corrêa (1984) refere que essa espécie é o verdadeiro Patchuli originário da Índia e da Mianmá.. suaveolens por Misra et al. A espécie não foi citada na região da Mata Atlântica. 2001 e 2002). A decocção das folhas com folhas de sacaca (Croton cajucara) é considerada útil contra hepatite. ovário supero. evidências de variabilidade intrapopulacional dessa espécie quanto à composição de monoterpenos (Queiroz et al. bicarpelar. porém. descrito por Desf. Uma outra análise do óleo essencial de H. suaveolens possui setenta componentes. três formando um lábio aberto. sendo mais comuns o beta-cariofileno. 1. dos quais 32 foram identificados. predominantemente de sesquitepenos. 1990).. Triterpenóides foram isolados de H. (1982).8-cineol (27%-38%) e sabineno (12%-18%). O óleo apresentou ainda forte atividade antimicrobiana contra Staphyloccocus aureus (Fun et al. Dados químicos dos gêneros e das espécies Hyptis De Hyptis suaveolens foi isolado L-fuco-4-O-metil-D-glucurono-D-xilano (Aspinall et al. Das folhas de H. 1988.. enquanto a infusão das folhas é utilizada como tranqüilizante.. cruzadas. O nome do gênero Pogostemon.Dados botânicos Planta herbácea com folhas opostas. Azevedo et al. hermafroditas. com espigas compostas.8). suaveolens apresentou altas concentrações de 1. pentâmeras. 1990). o sumo das folhas é usado externamente contra dores de cabeça. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. sabineno e alfa-copaeno (Din et al. significa "estames barbados". com dois óvulos em cada lóculo.8-cineol. O óleo essencial das partes aéreas de H. corola com quatro lobos. Existem. pectinata foi extraído um óleo essencial que apresentou 27 constituintes. fruto seco (Figura 26. flores em glomérulos. terpinen-4-ol. como beta- . alfa-bergamoteno. sedativo e hipotensor. androceu com estames excertos. flores diclamídeas. 1991).

6. sendo p-cimeno. 1987). Das raízes de L... albida foram isoladas triterpenolactonas. gama-terpineno. Em H.elemeno. Um estudo da variação sazonal da composição do óleo essencial dessa espécie também foi realizado (Malan et al. salzmanii foram isolados diterpenos. De H. 1990) e de H. 1988). germacreno D e biciclogermacreno e o constituinte majoritário é o beta-cariofileno (Brophy & Lassak. a flavona salvigenina e o triterpenóide ácido ursólico (Romo de Vivar et al.7-trimetoxi-5metilcromene-2-ona (Vasanth & Rao. 1988). Das folhas de H. uma ortoquinona denominada umbrosona (Delle Monache et al. 1987a). oblongifolia foram detectadas as presenças de alfa-pironas (PeredaMiranda et al. ácido oleanólico e ácido maslínico (Pereda-Miranda & Gascon-Figueroa.. Outras espécies do gênero também foram estudadas: de L. (1978) e Blounietal. Metil betulinato. (1980). ácido n-octacosanóico.. 1988) e leonotinina (Sivaraman et al. ácido ursólico. triterpenos e flavonóides (Pereda-Miranda & Delgado. 1988). beta-sitosterol-beta-D-glucopiranosídeo.. nepetaefolia foram isolados os compostos n-octacosanol. 1990). beta-cariofileno. uma outra análise do óleo de H.. 1990). Leonotis Do gênero Leonotis foram realizadas revisões sobre os constituintes químicos e atividade biológica. Vários diterpenóides foram isolados dessa espécie por Eagle et al. spicigera foi extraído um óleo essencial que é caracterizado principalmente pela presença de beta-cariofileno (68%) (Onayade et al. Das partes aéreas de H. 1988).. 1990). e de H. 4. mutabilis foram isolados triterpenos. 1990b). leonotis foi isolado um novo diterpenóide (Dekker et al. e de L. umbrosa. urticoides foram isolados o delta-lactone hipurticina. 1991). . timol.. ácido oleanólico acetato. Porém. leonurus isolouse diterpeno da classe do labdano (Kruger & Rivett. alfa-thujeno e mirceno os constituintes majoritários (Malan et al. pectinata da África caracterizou a presença de 32 componentes. lignanas e flavononas (Messana et al. especialmente no que se refere aos terpenos (Purushothaman & Vasanth.. De H. 1989). quercetina. campesterol. 1996).

1987). que cresce no norte da Itália e no sul do Brasil. metil acetato (16. piperita apresentou maior conteúdo de mentol e metil-acetato do óleo durante o período de máxima floração. neuflisiana foram isolados diterpenos e flavonas (Khalil et al. mentona (24. Vaverkova et al. N. tirosina. parece que o fotoperíodo associado com as variações ambientais influencia consideravelmente a com- . 1987.Leucas Não foram encontrados estudos sobre a espécie Leucas martinicensis. 1987). 1979). Foram feitas comparações entre o óleo essencial de M.7. Os maiores componentes do óleo no Brasil foram: mentol (29. Das raízes de L. 1996). et al. ácido aspártico. 5-hidroxi-6. piperita varia muito no decorrer das diversas fases do desenvolvimento da planta (Voirin & Bayet. serina. lanata foram isolados os aminoácidos histidina.8-cineol (6.80%).07%) e mentano (11. ácido glutâmico.20%). De L. triptofano e metionina (Dinda et al. mentona.4'-tetrametoxiflavona e dimetilsudaquitina e nevadensina (Zakharova et al. 1986). Das partes aéreas de L.. alanina. mentofurano (19. piperita foi caracterizado quanto à constituição de terpenos e flavonas. A M. sendo os principais terpenos mentol. prolina. fenilalanina. glicina. cephatoles isolaram-se ésteres e ácidos graxos (Chen et al. Com isso.64%).. 1990) e um composto fenólico (Misra. brassicasterol. O óleo essencial de três variedades de M. officinalis.. flavonas himenoxina. 1988). isomentona e o neomentol (Zakharova et al. O conteúdo de óleo essencial das folhas de M..10%) e 1.3'. colesterol. beta-sitosterol e estigmasterol (Dinda & Jana. O óleo extraído da planta na Itália possui: mentol (45. piperita var. aspera foi caracterizado um triterpenóide lactona denominado leucolactona (Pradhan et al.. mentocubanona.80%)..84%). 1995). T. hidroxiprolina.. lanata também foram caracterizados os esteróis campesterol. piperita rubescens aumentou significativamente durante o período de floração (Carnat & Lamaison. 1987). treonina. lisina.. Mentha A composição do óleo essencial de M. 1996). das partes aéreas de L. 1986 e 1987). Da espécie L. enquanto a mentona diminuiu significativamente (Vaverkova & Felklova.

. fitosterol. Entre os constituintes químicos reconhecidos isolados contam-se taninos.6.posição de terpenos dessa espécie (Sacco. lavanduliodora foram detectados altos níveis de linalol e linalil acetato.8-cineol. betaínas e óleo essencial já descrito (Costa. peroxidases. 1992). betasitosterina. resinas. nicotinamida. Ca. O óleo essencial da planta florida apresentou limoneno. A estocagem da planta alterou a composição de óleo essencial. como alfa-pineno. 1.3'. 1988). limoneno. Mg. além de ácido cítrico e ácido ascórbico (Zimna & Piekos. glicídios.7. Zi e Cu. reduzindo significativamente a concentração de mentol. De M.8. cadideno. piperita foram encontrados ainda os elementos Na. vitaminas C e D2. b-cariofileno. Nas folhas de M.. catalase. K. piperita foram isolados também os flavanóides apigenina. 1990) e flavonóides glicorilados. Mg. 1989). fenílico. caféico e clorogênico. 1987). 1986). . a-terpineol e geraniol (Sacco et al. ácidos p-cumárico.e sesquiterpenóides. luteolina e 5.. Em Mentha viridis var. a mentona permaneceu estável (Shalaby et al. Fe.4'-hexahidroxiflavona (Zakharov et al. Foram ainda isolados mono.

Sharma et al. b-cariofileno. De O. 1987.. 1987. 1986.. cis-cariofileno e alfa-muuroleno os constituintes majoritários (Wu et al. eugenol (Ekundayo et al.. gratissimum que cresce em Ruanda apresenta timol e eugenol. canum foram isolados diversos componentes... flores e caule de O. 1988. gratissimum apresentam como constituintes majoritários timol e p-cimeno (Pino et al. 1987).. 1990). gratissimum é composto de gamaterpineno. 1996). Ocimum Do óleo essencial de O. canum também foi isolada mucilagem e determinado seu teor emulsificante (Rojanapanthu et al. cis-ocimeno... basilicum (Brophy & Jogia. 1986. Do óleo essencial das folhas. Das folhas da O. micranthum foram isolados vinte compostos. e um grande número de hidrocarbonetos (Costa. as folhas e flores de O. canum foram isoladas altas concentrações de ácido linolênico (Angers et al. Takahashi et al. 1981. t-bergamoteno. Porém. beta-cariofileno..cariofileno.. 1981). 1986. Lawrence. linalol. dentre eles: (-)-borneol (Ravid et al. 1983). cariofildeno e alfa-guaieno (Craveiro et al. o eugenol é o constituinte majoritário.. 1990). Na China. 1990). Diversas revisões foram realizadas quanto à variação na composição do óleo de O. já citados. betaselineno e elemeno identificados como constituintes majoritários.. 1996 e 1997a). enquanto nas flores e no caule é a beta-selinene (Charles et al. compostos principalmente de mono e sesquiterpenos. Kartnig & Simon. Khanna et al.8-cineol.. 1988). eugenol.. eugenol. gratissimum brasileira foram caracterizados 34 constituintes. 1989). Das sementes de O. sendo 1. .. 1.. Os constituintes majoritários foram Metil eugenol e eugenol (Vostrowsky et al. estragol e a-terpineol (Chalchat et al. 1986.. Sakurai et al. O óleo essencial de O. os constituintes majoritários variam em cada parte da planta. De O. gratissimum foram identificados 37 constituintes voláteis (Yu & Cheng. Borges et al. 1996). o óleo essencial apresentou 21 constituintes. 1989). 1986.. Um estudo do óleo essencial envolvendo diversas espécies de Ocimum foi realizado (Khosla et al.Patel et al. e apresenta ainda atividade antimicrobiana (Ntezurubanza et al.. sendo eugenol. Em Cuba. Phan et al. 1996a). O óleo essencial de O.8-cineol. hidrocarbonetos como p-cimeno. Nas folhas. 1997). 1987).

oléico. sendo Metil chavicol. linalol e Metil eugenol os constituintes majoritários (Riaz et al. basilicum apresenta 44 compostos.8cineol.. Das folhas de O. rubrum foram isolados borneol. sendo. timol e outros três sesquiterpenos ainda não caracterizados (Farrag. kaempferol-3-O-rutinosídeo. já comentados (Modawi et al. triacontanol ferulato.. além de ácido p-cumárico. 1995). linoléico. linolênico e araquídico (Malik et al.. 1990. linalol. 1978). Murugesan & Damodaran. basilicum caracterizou-se a presença de polifenóis (Hodisan. na Turquia.. palmítico esteárico. 1985. basilicum da Argentina apresenta altas concentrações de linalol. o metil-eugenol e o eugenol os constituintes majoritários (Tateo & Verderio. 1996). sendo o linalol e o trans-metil-cinamato os constituintes majoritários (Berrada et al. sanctum possui estigmasterol. esculetina. eriodictiol7-glucosídeo e vicenina-2 (Skaltsa & Philianos. Em O. 1996) e também os constituintes responsáveis pelo seu aroma característico (Sheen et al. No Marrocos foram isolados 28 constituintes.. 1994). 1. basilicum em decorrência de secagem e armazenamento (Venskutonis et al. No Paquistão. 1977) e polissacarídeos (Bekers & Kroh. xantomicrol e derivados do ácido caféico (Tapenes et al. mirístico. 1995). cetonas. 1984).. Fatope & Takeda. Foram caracterizados a composição do óleo essencial de O. 1991). 1996). Thoppil. 1989). eriodictiol. isoquercitrina. nesse caso. album foram caracterizados os ácidos graxos: cáprico.. 1990). 1989).O óleo essencial de O. láurico. 1987). basilicum foram também obtidos vários taninos (Lang et al.8-cineol e sesquiterpenos (Farrag. 1987). 1988). além de metilchavicol. Das sementes de O. 1996). ácidos graxos e flavonóides (Maheshwari . o óleo essencial de O. ácidos orgânicos. 1987. A extração do óleo essencial com C0 2 supercrítico caracterizou a presença de dezenove componentes. 1. A espécie O. sabineno e eugenol (Retamar et al. fenóis. alcoóis.. De O. basilicum da Austrália (Lachowicz et al.. quercetin-3-O-diglucosídeo. basilicum e O. linalol e eugenol são os constituintes majoritários (Akgul. 1987) e ácido rosmarínico de suas raízes (Tada et al. Foi observada também a variação da composição do óleo essencial de O. 1986. basilicum foram isolados quercetina. b-sitosterol. rutina. esculina (Skaltsa & Philianos. 1995). timol.8cineol e eugenol. Ekundayo et al. basilicum que cresce em Portugal apresenta como constituinte majoritário linalol e Metil chavicol (Carmo et al.. kaempferol. 1. Das flores de O... 1989).. A casca do caule de O. terpenos. ácido caféico.

viride (Ekundayo. kilmandschariciim (Ntezurubanza et al. 1984). parviflorus (Nanda et al. Foram isolados de P purpurascens. flavonas.. Pogostemon As folhas de P.. patchouly encerram 45% de um óleo volátil do qual se extrai a cânfora (Corrêa. flavonas (Patwarphan & Gupta. 1986). cablin (Akhila .Além desses compostos. 1984) e grandes quantidades de timol em O. lactonas sesquiterpenóides de P. hidrocarbonetos monoterpenóides e sesquiterpenóides de P. 1985). foram obtidos limoneno e beta-pineno em O. 1981).

betasitosterol. 1998). 1998).. 1988. Do óleo essencial das folhas de P. P. 1989). mutabilis. saxatilis (Fernandes. mostrando baixa toxicidade e atividade sedativa. 1988). 1988). comumente utilizada como calmante.. plectranthoides foram investigados experimentalmente. 1984.. C. 1998). atrorubens. a-bulneseno... analgésica (Freitas et al. Estudos fitoquímicos e farmacológicos do extrato de P.. 1971). 1990). vulgata foi caracterizada a propriedade antiparacoccidiose (Fonseca et al. Munck & Croteau.. foram caracterizadas as atividades antiulcerogênica (Barbosa. plectranthoides (Esvandzhiya et al. Um diterpeno espasmolítico chamado de ácido auriculárico foi isolado de P. Thapa et al.. a-patchouleno e seiqueleno (Rakotonirainy et al. também conhecido como Sambacaitá. pectinata (Bispo et al. apresentou atividade tranqüilizante (Trotta et al. 1977. Coelho et al. que foram testados quanto à sua atividade antibacteriana. Dados farmacológicos dos gêneros e das espécies Hyptis O extrato hidroalcoólico das partes aéreas de H.... 1990)... bem como apresentou uma moderada atividade antifúngica (Iwu et al. cablin foi isolado o sesquiterpeno patchoulol (Croteau et al. Silva et al.. suaveolens apresenta 32 terpenóides. 1994.. 2001). citoprotetora do miocárdio (Barbosa et al. beta-amirina... . auricularis (Prakash et al. 1996) e analgésico e antiedemalogênico em H. além de outros diterpenóides (Hussaini et al. Atividades antimicrobiana e antifúngica foram atribuídas a H. O óleo essencial de H. e sesquiterpenóides do óleo essencial de P. Em H. suaveolens e H. H. Em H. ovalifolia e H. crenata. O óleo essencial de P cablin possui patchouli e norpathoulenol (Zhang et al. 1990).. 1984)... 1996) e os sesquiterpenos a-guaieno. et al. 1987. O óleo essencial foi capaz de inibir o crescimento de bactérias gram-positiva e gram-negativa. 1989). 1997). 1987. F et al. Phadnis et al. garwal et al. umbrosa. lupeol e epifriedalinol (Bahuguna et al. Foram identificados n-octacosanol.& Nigan. H. estigmasterol.. 1998) e atóxica (Junior et al.

leonurus (Bienvenu et al. antimicrobiana (Cos et al. piperita apresenta atividade antioxidante (Campos & Lissi. 1988). Forster et al. antiinflamatória e analgésica (Benoit et al. Saksena & Saksena.. 1985. Posteriormente. 1988). 1984). 1995. porém não foram observadas atividades antiinflamatória e diurética (Rae et al. 1980. enquanto extratos de folhas.. conhecido como Cordão-de-frade..As propriedades antibacterianas.. nepetaefolia. Do extrato metanólico de H. Calixto et al. Para o óleo essencial foi comprovada atividade fungicida (Guerin & Reveillere.. 1988).... capitata foram isolados e caracterizados cinco triterpenos. anti-secretória e citotóxica (Kuhnt et al.. 1976. umbrosa apresentaram atividade antibacteriana (Bosshard et al. Di . causando relaxamento dose-dependente em preparação uterina (Rae et al. ramos e flores de H. 1988.. do extrato de H. 1988. que foram testados quanto à sua citotoxicidade.. 2002). 1988). Diterpenóides isolados de H... 1988). capitata foi isolado o ácido ursólico. anti-hipertensiva e espasmolítica. O chá e o extrato hidroalcoólico relaxaram a musculatura lisa e aumentaram o inotropismo cardíaco in vitro (Calixto et al. O ácido alfa-hidroxiursólico demonstrou significativa atividade citotóxica in vitro em linhagens de célula tumoral de cólon humano HCT-8 (Yamagishi et al. além das células A-549 de carcinoma de pulmão humano. 1995). 2002).. Leonotis Em L. A propriedade anticonvulsivante foi atribuída a L. O ácido ursólico também apresentou citotoxicidade marginal em células tumorais de cólon humano (HCT-8) e mamário (MCF-7) (Lee et al. enquanto estudos realizados com extratos brutos mostraram atividades antiespasmódica. verticillata. Coelho et al. 1979). Mentha O infuso das folhas de M. e Novelo et al. 1993) foram atribuídas a H. foram detectadas as atividades broncodilatadora. 1988). nem antialérgica (Rossi-Ferreira et al. que apresentou citotoxicidade significativa em células linfocíticas leucêmicas P388 e L-1210.. 1995). tomentosa possuem atividades citotóxica e antitumoral (Kingston et al.

1988. 1989). R. 1986). Além das atividades já relatadas com M. arvensis (Ceruti et al. 1986b). O. piperita (Ansari et al.. internamente aumenta em doses terapêuticas a força cardíaca e a pressão nos vasos (Corrêa. determinaram-se propriedades fungicida. crispa (Mello et ai. 2002)..Stasi et al. 1987. antiespasmódica (Di Stasi et ai.. 2001 e 2002). gratissimum apresentou atividade antibacteriana (Ntezurubanza et ai. 1978) e O. cordifolia (Villasenor et al. O tratamento de enteroparasitoses mostrou-se eficaz sob a administração de M. Extratos brutos de O. espasmolítica (Queiroz & Reis. sanctum (Dey & Choudhuri. 1982. 1984) possuem atividade fungicida contra vários fungos patogênicos. Do híbrido. 2000)... Queiroz & Brandão. O mentol aplicado sobre a pele ou mucosas exerce uma ação anestésica. 1986a. Queiroz & Brandão.. 2002. enquanto estudos com O.. 1987). 1986a). basilicum demonstraram atividades analgésica. gratissimum (Atai et ai. Atividade antiúlcera com diminuição de secreção gástrica e dor local foi determinada por Meyer et al.. 2002).. O óleo essencial de O. sanctum (Phadke & Kulkarni. produzindo uma sensação de frio por causa da estimulação das extremidades térmico-sensoriais dos nervos localizados na pele. e a atividade antimutagênica ao extrato de M. 1987b)... também verificada com extratos de O. utilizando-se M. 2002). 1986c) e em O. A. Ocimum Verificou-se que a espécie O.. Atividade imunomoduladora foi determinada na espécie O. A propriedade larvicida e inseticida foi atribuída ao óleo de M.. americanus (Jain & Agrawal. 1986a. sanctum também apresentaram atividades antiinflamatória.. 1996) e hipotensora (Guedes et ai. Sharma & Jocob. 1989) e diurética (Carvalho et ai. analgésica e antipirética (Savitri & Vyas. cannum (Dubey et ai. .. 1993. Nos compostos isolados foi verificado que os óleos essenciais de O. et ai. Lahlou et ai. Mentha x Villosa foi isolado o rotundifolona com atividade analgésia e depressora do SNC (Hiruma. 1998). Chen et al. micranthum foi caracterizada a propriedade hipoglicemiante (Ribeiro. antibacteriana. Em O. 1984).. 1981). basilicum foram caracterizadas as propriedades analgésica (Di Stasi et ai. 1988) e relaxante da musculatura lisa intestinal (Madeira et ai. (1968). 1986). piperita. antifertilidade. micranthwn produziu bradicardia intensa (Ribeiro et ai. Almeida et ai. 1989).. Queiroz & Reis.

1994. gratissimum foi obtida uma fração que apresentou contração em íleo de cobaia e cólon de ratos e elevou a pressão sangüínea arterial de ratos (Onajobi. O óleo essencial de O. sanctum também apresentaram significativas atividades antiartrítica. principalmente por sua composição em eugenol (Hassanali et al. espasmolítica (Vanderlinde & Cortes.. A atividade antifúngica também foi observada nos óleos de O. 1986). Os óleos fixos de O... antiinflamatória. antiedematogênica (Vanderlinde & Costa.O. 1995 e 1996) imunomoduladora (Mediratta et al... 1990). sanctum também é responsável pelas atividades antimicrobiana e antifúngica (Prasad et ai. suave foram utilizadas como repelente de insetos. Vanderlinde et al. gratissimum (Sobti et al. 1997).. sanctum foi isolado um triterpeno caracterizado como constituinte majoritário. 1994). A intoxicação com CuS04 produziu uma significativa diminuição na produção de peróxido de lipídio. Vanderlinde et al. 1992. A atividade antiulcerogênica também foi confirmada para O. . 1989). 1994b. selloi apresentou atividades depressorado SNC (Vanderlinde & Cortes. Esses resultados indicam que o ácido ursólico pode apresentar uma potente atividade antialérgica (Rajasekaran et al.. sanctum restaurou vários parâmetros para valores próximos da normalidade (Shyamala & Devaki. 2001). enquanto a O. 1999. mas a administração de O. 1992. basilicum (Dube et al.. que apresentou atividade protetora do mastócito. suave (Tan et al. 1994). 1994a). 1995). antipirética em ratos (Singh & Majumdar.. As enzimas antioxidantes foram elevadas na toxicidade por CuS04. 1993. ao inibir de maneira concentração-dependente a degranulação de mastócitos do mesentérico e do peritônio. 1995) e O.. sanctum foi utilizado na desintoxicação induzida por CuS04. O. 1996).. O óleo essencial de O. E. 2002) e hipotensora em cão (Singh et al. Extrato etanólico das folhas de O. sanctum foram diminuição da acidez do suco gástrico e aumento das defesas da mucosa do estômago de ratos (Singh & Majumdar. 1994a) e analgésica (Vanderlinde & Costa. Nakamura et ai. O óleo essencial de O. 1989). Das folhas de O. 1986). Os efeitos do pré-tratamento de animais com O. As folhas de O.. basilicum apresentou atividade antinematoidal (Mackeen et al.. Das folhas de O. adscendens apresentou significativo efeito fungitóxico e não mostrou atividade fitotóxica (Asthana et al. o ácido ursólico. Vanisree & Devaki. Vanderlinde et al. Vanderlinde et al. 1986).. 2002). gratissimum apresentou atividade antifúngica (Lima.. et ai. 1996)..

Em estudos de toxicidade com espécies de Ocimum observou-se que a DL50 para camundongos foi de 42. folhas pecioladas. 1984). e estimulam a secreção de mucosas da boca e do nariz (Corrêa. Espécies medicinais da família Verbenaceae Introdução A família Verbenaceae descrita por Jean Henri Jaune Saint-Hilaire inclui 41 gêneros nos quais se distribuem 950 espécies tropicais. como Erva-cidreira-do-campo. Salva-limão. Stachytarpheta e Lippia. 1986). ascendentes. muitas delas aromáticas e de grande valor na indústria de perfumes. pubescentes. especialmente da América do Sul (Mabberley. caule e ramos primários.Br. A utilização terapêutica do mentol como anti-séptico deve ser criteriosa. e em outras. provocando sonolência. quadrangulares. Salsa. Sálvia e Salva-da-gripe. Compreendem árvores. e em estudos de toxicidade subaguda não foram observados efeitos tóxicos visíveis (Singh & Majumdar.5 ml/kg. alternas ou opostas . Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Erva-cidreira nas duas regiões de estudo.) N. Os principais gêneros que incluem espécies medicinais são Verbena. arbustos e ervas. sobretudo em crianças.E. 1997). Espécies medicinais Lippia a/ba (Will. Salva-brava. Dados botânicos Arbusto de até 3 m de altura. Alecrim-docampo. longos.Dados toxicológicos dos gêneros Altas doses do mentol obtidas de várias espécies referidas inibem a sensibilidade. 1995). pois ele pode provocar parada cardíaca ou respiratória por via reflexa (Costa.

tosses e gripes. O uso interno das folhas é indicado contra problemas estomacais. pentâmeras. Na região do Vale do Ribeira. o chá ou xarope das folhas com mel é utilizado contra gripes e tosse. no Mato Grosso (Van der Berg. o chá das folhas é utilizado como calmante. enquanto a infusão das raízes é usada externamente como cicatrizante. folhas pecioladas. náuseas. na Paraíba (Agra. 1986). o chá das folhas é utilizado como calmante. hermafroditas. flores pequenas. emenagoga (Corrêa. 1980). 1980). além de problemas do estômago. Essa espécie é usada como antiespasmódica. pubescente e bipartido. o banho preparado com as folhas também é usado contra tosses e bronquites de crianças. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Salva-do-marajó. Dados botânicos Planta de pequeno porte. a infusão das folhas é usada como calmante e contra hipertensão. sem estipulas. relaxante e contra intoxicações gerais.. como antigripal e calmante. flores pequenas. membranoso. 1988). reunidas em inflorescências vistosas. com lábio anterior trilobado e o posterior reduzido. 1984). sementes pequenas (Figura 26. é considerado útil para acalmar crianças e dar sono (Amorozo & Gély. Lippia grandís Schan. corola bilabiada. Malva e Nulva-do-marajó. Salva.9). Dados da medicina tradicional Na região amazônica. fruto do tipo capsular branco. no Rio Grande do Sul (Simões et al. reunidas em inflorescências capituliformes. cálice curto. diclamídeas. cálice curto. cólica do estômago. relaxante e contra intoxicações gerais e problemas do estômago. fruto com dois mericarpos plano- . estomáquica. corola violácea com lábio inferior maior que o superior. no Pará.(às vezes na mesma planta).

alba foram determinados os seguintes constituintes: neral. (1986 e 1987). betacariofileno (Craveiro et al. porém variações evidentes foram constatadas de acordo com a distribuição geográfica das . No óleo essencial de L. 1996a e 1996b).... timol. mirceno. nodiflora foram isolados vários flavonóides (Barberan et al. Souto-Bachiller et al.. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1987). p-cinieno. timol. Vários terpenóides foram isolados de L. o chá das folhas. lapachenol. Sauerwein et al. sesquiterpenos e epihernandulcina foram detectados em L. alfa-cubebeno. As espécies L. carboidratos e aminoácidos (Neidlein & Daldrup. Do óleo essencial dessa espécie foram obtidos os seguintes compostos: alfa-tugeno. isocatalpanol e os ésteres metílicos dos ácidos palmítico. 1981). Craveiro et al. microphylla foram isolados flavonóides: glicosil-quercetina. limoneno. Da parte aérea de L.. triphylla apresentaram os mesmos tipos de flavonóides (Tomas-Barberan et al. Matos et al. o preparado das folhas dessa planta com vagem-dejucá. é usado contra problemas do fígado. 1981). 1996). 1986. Hernandulcina. monoterpenos. gama-terpineno. 1982). 1987. 1986. 1987). 1987).. Já de L. esteárico. ermanina e errodictiol (Morais Filho et al. behênico e lignocérico (Macambira et al. geranial. 1983).. broto de goiaba e casca de caju é considerado útil para tratar desarranjo menstrual. canescens e I... ukambensis (Chogo & Crank. Da espécie L. americana foram obtidos ácidos graxos livres. Dados químicos do gênero Das plantas do gênero Lippia. a mais estudada é a L sidoides.. e esses sesquiterpenóides foram isolados por Compadre et al. 1991. (1981). 1980). citral e carvona (Matos et al. A composição do óleo essencial de várias espécies desse gênero foi estudada por Craveiro et al. dulcis (Bubnov & Gurskii.. três vezes ao dia. O nome do gênero Lippía é uma homenagem ao médico e botânico francês August Lippi. e do caule e folhas foram obtidos ácido .convexos. naringenina. carvacrol e cariofileno (Craveiro et al. acacetina. araquídico.vanílico.

diosmetina. naringenina e lapachenol (Dominguez et al. apigenina.54%) sesquiterpenos e hidrocarbonetos (Gallino. Das partes aéreas e das raízes de L. sendo 22 hidrocarbonetos. neral. wilmsii foram isolados quinze componentes. 1. 1. . alfa.origanoides foi quantificada. adoensis foram isolados monoterpenóides e sesquiterpenóides sendolinalol. eupatorina.8-cineol.27%). Das folhas dessa espécie foi obtido ainda um óleo que possui cânfora. 1990). Fun et al. cirsimaritina. p-cimeno. 1988). Do óleo das folhas de L. luteolina. 6-hidroxiluteolina. acetato de timol (17. eupafolina. dois fenóis e uma cetona (Pino et al.5-diona e trans-nerolidol (Catalan et al.. 1989). 1996a). 1. multiflora de diferentes regiões do Congo foi caracterizado.67%). 1996b). alba e L. hispidulina.8-cineol (2.97%) como principais componentes (Mwangi et al. De L.01%) ecariofileno (15. pectolinarigenina e cirsiliol (Skaltsa & Shammas. 1987). O óleo essencial de L.l..8-cineol e betacubebeno (Dellacassa et al. sabineno.e beta-pineno. luteolin-7-O-beta-glucosídeo. crisoeriol. dos quais foram identificados piperitona (28.12%)..8-cineol (15. Das folhas de L. Foi discutida também a possível relação entre as altas concentrações de monoterpenos e o alegado efeito antifertilidade dessa planta (Compadre et al. sesquiterpenolactonas como a integrifolian-l. p-cimeno (3. a-pineno. limoneno. graveolens foram isolados pinocembrina. 1. sendo o timol caracterizado como o componente principal (38.. As folhas dessa espécie coletadas no Togo apresentaram variações quanto à quantidade de geranial. fissicalyx (Retamar et al.espécies de L. 1987). O óleo essencial apresentou atividade inseticida de maneira dose-dependente (Koumaglo et al. germacreno D e elemol (Koumaglo et al. quatro éteres.8-cineol.35%). Dentre os compostos isolados. citriodora foram isolados treze flavonóides identificados como salvigenina. integrifolia foram isolados sesquiterpenos.. Das folhas e flores de L.. 1990. timol...23%) e metiltimol (2..8-cineol. alfa-terpineno (4.43%) e piperitenona (11. 1. graveolens.33%). timol e carvacrol foram os maiores constituintes voláteis de L. foram identificados ipsenona e outros vinte terpenos (Lamaty et al. 1990). 1991 e 1995). quatro alcanos. 1994 e 1995). Do óleo essencial dessa espécie do México foi isolado um total de 33 componentes. A composição química do óleo essencial de L. Os constituintes p-cimeno.. timol. 1989).. 1989).

P D..2% e 41. o verbascosídeo. et al. respectivamente). 1998. junelliana. mircenona (31%) e de L. 1980).. 1990). multiflora.. Do óleo das flores de L. 1996). 1986).4%.. um éster do ácido caféico ligado ao 3. 1980). M. Moraes et al. sendo geralmente maior em gram-positiva (Álea et al.. antiulcerogênica (Pascual et al. Seu óleo apresenta atividade antibacteriana. atribuída à presença de flavonóides (Santos. formando uma barreira que regula a perda da umidade transepidermal (Elder et al. integrifolia e L. relaxamento do duodeno e contração do reto abdominal (Gadelha et al. junelliana. efeito analgésico discreto (Di Stasi et al. 1981). 1980 e 1987. atribuída à presença de linalol e citral (Andrade et al.3%) (Zygadloet al. Já o óleo essencial de L. Além disso. 1987). 1998). 1988a).. Esse óleo... um dos componentes principais.. Dados farmacológicos do gênero Estudos farmacológicos demonstraram que Lippio alba produz pequeno efeito na diminuição do tônus intestinal (Viana et al. aristata (Moraes Filho et al. L. aristata (Rouquayrol et al. 1996). enquanto o outro componente. 19 Depressão do SNC foi detectada com óleo essencial de L. Vale et al. gracilis foram observados aumento inotrópico. 1997). grata (Viana et al.9%) elimoneno (13.. De L.4- . misturado a cremes. 2002). 1986b) e atividade citostática (Abhahan et al.. sidoides mostrou atividade moluscicida. e atividade anticonvulsivante (Vale et al... assim como o de L. Com a espécie L.5%). Desta espécie ainda foram caracterizadas as atividades anti-hipertensiva (Guerrero et al. integrifolia foram isolados da cânfora (18. Do extrato das folhas de L. polystachya. inibiu a biossíntese de tromboxana A2 (Chanh et al. 2000). turbinata e L...Y.. 1990). contribui para a coesão das células da pele.. 1979). 2001) e anticonvulsivante (de Barros Viana et al. de L. et al. 1996). além de uma atividade moluscicida (Almeida. L. e forte atividade antifúngica contra Trichophyton mentagrophytes interdigitale e Cândida albicans (Fun et al. polystachya foram isolados tujona (30..carvacrol. 1995a). lipifolil(6)-en-5-ona (18. copaeno e delta-cadineno (Elakovich & Oguntimein. turbinata da Argentina foram isolados os principais constituintes. Observou-se ainda atividade antitumoral com L.. as folhas apresentaram atividade depressora do SNC (Klueger et al.... 1998).

Matos et al. parece ser o principal responsável pela atividade hipotensora do extrato metanólico das folhas de L.. 1994. antimicótica e antifúngica contra microorganismos da pele (Guarrera et al. Teixeira et al. Botelho & Soares. antibacteriana (Aguiar et al. 1994.. 1980). ele não exibiu significativamente os valores de peróxido (Zygadlo et al.. anti-hipertensiva e bloqueadora da junção neuromuscular (Matos et al. et al. O óleo essencial das folhas de L. 1987) e antimicrobiana e leishmanicida. et al.. 1980. mas já foram constatadas as propriedades antitumoral (Costa et al. espasmolítica (Viana et al.... 1979) e I.. multiflora (Chanh et al. espasmolítica e bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al... 1988. 1978. et al. M. 1988b).. moluscicida (Moraes.. 1979.. et al. . 1988. nodiflora foi realizado um screening preliminar. 1978). chamassonis apresentou atividades espasmolítica... 1996. L. S.. anti-hipertensiva. e no óleo essencial. 1996). Os principais componentes do seu óleo essencial. 1995.. Moraes. M. 1980. atividades cicatrizante. Almeida. 1984). 1995b). Y. porém. 1978).. Lacotes et al. Dados toxicológicos do gênero Foram observados efeitos tóxicos em L.. grata.dihidroxifeniletanol.. apresentaram atividades antibacteriana. antiinflamatória e antipirética em ratos e camundongos (Forestieri et al. polystachya foi avaliado quanto à sua atividade antioxidante. anestésica (Viana et al.. 1992. e o de L. 1996)... O óleo essencial de L. graciliy (Fontenele et al. no extrato aquoso dessa espécie foram verificadas propriedades de relaxamento muscular (Noamesi et al. tranqüilizante (Matos et al. 1986).. 2001). 1992). Ximenes et al. 1988). 1977). O. antifúngica (Lemos et al. geminata e L. Teixeira. timol e carvacrol. Menezes et al. Além disso. sendo estas duas últimas propriedades atribuídas à presença de timol em sua composição (Lemos et ai.. 1985). Nas folhas de L. no qual se observaram atividades analgésica. hipnótica e hipotensora (Noamesi. potente atividade antimalárica in vitro perante Plasmodium falciparum (Valentin. 1979).. 1998). sidoides é usado comumente para o tratamento de micoses. Viana et al. 1996. M. 1978). 1995). O.. bloqueadora da junção neuromuscular (Viana et al. R.. Nunes. hipotensora e bloqueadora de contrações abdominais (Viana et al. Laxoste et al. sidoides (Fonteneles & Sales. 1998).

1 .Cordia verbenaceae: a) escanerata com ramo florido.FIGURA 26. b) escanerata com detalhe da inflorescência. . c) escanerata com detalhe das flores (Banco de imagens ).

.FIGURA 26. 1998).Hyptis crenata.2 . Aspecto geral do ramo florido e detalhe da flor (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov em Joly.

Leonotis nepetaefolia. Detalhe do ápice florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .FIGURA 26.3 .

FIGURA 26. Detalhe do ápice do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne) (Banco de imagens - .Leucas martinicensis.4 .

Mentha piperita.FIGURA 26. Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Baillon) (Banco de imagens - .5 .

6 . Detalhe do ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Nunez) (Banco de imagens - .Mentha viridis.FIGURA 26.

FIGURA 26.Ocimum micranthum. Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .7 .

8 . Ramo florido (original por Di Stasi) (Banco de imagens - .Pogostemon patchouly.FIGURA 26.

b) escanerata com detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .9 .FIGURA 26.Lippia alba: a) escanerata do ramo florido.

27 Scrophulariales medicinais C. arbustos e raramente ervas (Joly. as quais passamos a descrever. A. Bignoniaceae. 1997). incluindo árvores. subclasse Asteridae. foram referidas espécies medicinais das famílias Bignoniaceae. e reúne 120 gêneros. descrita por Antoine Laurent de Jussieu. Mabberley. Di Stasi A ordem Scrophulariales inclui treze distintas famílias botânicas. No estudo realizado. Espécies medicinais da família Bignoniaceae Introdução A família Bignoniaceae (Dicotyledonae). lianas. geralmente tropicais espontâneas na América do Sul. 1998. Hiruma-Lima L. Scrophulariaceae. C. Os gêneros mais importantes da . Pedaliaceae e Scrophulariaceae. representantes das mais importantes fontes de compostos ativos desta ordem botânica. com aproximadamente 750 espécies. pertence à ordem Scrophulariales. Pedaliaceae e Acanthaceae são as que apresentam maior ocorrência no Brasil.

fruto do tipo capsular largo. anteras glabras e ovário oblongo. curto-pecioladas. O caule lenhoso e as folhas possuem um odor fortíssimo de alho. uma delas. oblongo-linear. também é conhecida como Cipó-de-alho. com folíolos peciolados. Nomes populares A espécie é popularmente denominada Cipó-alho e Alho-d'água. contendo sementes oblongas (Figura 27. é descrita aqui. que inclui os Ipês e o Paud'arco. a saber Pyrostegia venusta e Adenocalyma alliaceum. os gêneros mais comuns são Tabebuia. No Brasil. duas espécies dessa família mostram-se amplamente utilizadas com fins medicinais. Em outras regiões do país. a famosa medicinal Unha-degato do gênero Bignonia. Dados botânicos É uma espécie de arbusto trepador. significando "coberta de glândulas" e referindo-se ao cálice e às brácteas florais. duas espécies do gênero Jacaranda foram citadas como medicinais. Espécies medicinais Adenocalyma alliaceum Miers. com gavinhas. folhas normalmente 2-3-folioladas. podendo chegar a até 16 cm de comprimento.família. No levantamento etnofarmacológico realizado na região amazônica. Jacaranda caroba. as quais são discutidas a seguir. de ramos cilíndricos e glabros. elípticos e coriáceos. com ampla distribuição nas regiões tropicais. Pyrostegia. o que gera o nome popular atribuído à espécie. da famosa Flor-de-são-joão. O nome do gênero descrito por Carl Friedrich Phillip von Martius e Carl Daniel Friedrich Meissner deriva do grego aderi = "glândula" e kalymma = "invólucro". são Tabebuia e jacaranda. inflorescência em racemo com cálice campanulado ou tubular e corola amarela e afunilada. Na região da Mata Atlântica. e as várias espécies do gênero Zeyhera. Essa característica permite o uso da planta em substituição ao alho.1). .

Dados botânicos A planta é uma árvore que pode atingir até 20 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região do Vale do Ribeira. fruto do tipo capsular. Camboté. de caule ereto de casca fina com escamas que se desprendem facilmente. especialmente a associada a estados gripais e resfriados. A planta oferece uma madeira apreciada na carvoaria. O macerado das folhas em aguardente é aplicado externamente como cicatrizante e contra úlceras. Carobado-carrasco. não completamente identificada e conhecida como . o banho preparado com as folhas da planta é indicado no combate a infecções. por ser mole e porosa. a infusão das folhas é utilizada no alívio a dores e no combate à febre. a espécie é chamada de Caroba ou Carobinha. sendo amplamente usada como ornamental. Jacaranda caroba (Vell.) DC. Em outras regiões do país pode ser reconhecida como Camboatá. coriáceos e glabros. Uma outra espécie do mesmo gênero. Corrêa (1984) refere que as folhas são febrífugos usados sobretudo contra resfriados. dispostas em panículas. folhas compostas com até 20 cm de comprimento e folíolos oblongolanceolados. das quais a maioria é encontrada no Brasil. Camboatá-pequeno. O gênero Jacaranda foi descrito por Antoine Laurent dejussieu e inclui 34 espécies tropicais americanas. pois possui crescimento rápido e é de fácil cultivo. Caroba-do-campo. flores tubulosas. Nomes populares Na região do Vale do Ribeira. Caroba-miúda. A espécie é encontrada no interior da Mata Atlântica. roxas.Dados da medicina tradicional Na região de estudo. enquanto a infusão das folhas é usada internamente contra sífilis e como depurativa.

ou seja /'coberta de fogo". descrito por Carel Borinov Presl. as folhas são tônicas e anti-sifilíticas. com ampla freqüência em formações secundárias de regiões litorâneas e matas pluviais. É muito comum no Brasil.Carobinha. onde é amplamente usada como ornamental em fazendas. O nome do gênero Pyrostegia. longas. folhas com folíolos ovadooblongos. inflorescências numerosas. Segundo Corrêa (1984).2). de cor laranja. fruto do tipo capsular com cerca de 25-30 cm de comprimento e 1. é usada na região contra diabetes e distúrbios hepáticos (infusão das folhas) e como cicatrizante (macerado das folhas em aguardente). especialmente no Dia de São João. o macerado das folhas em água fria é usado internamente contra disenterias e diarréias. raramente encontrada no interior de matas densas. Dados botânicos É uma liana trepadeira por gavinhas. adstringente e anti-sifilítica. . Trata-se de uma espécie heliófita. Nomes populares A espécie é conhecida como Cipó-de-são joão. deriva do grego pyr = "fogo" e stege = "coberta". Corrêa (1984) refere que a casca é amarga e possui propriedades diurética. repletos de flores tubulares.5 cm de largura. as folhas são reputadas tônicas e antidiarréicas. com até 11 cm de comprimento e 5 cm de largura.5 cm de largura (Figura 27. sendo portanto ideal para cultivo como ornamental. Pyrostegia venusta (Ker-Gawler) Miers. O nome popular decorre de seu emprego nos mastros usados nas festas juninas. referindo-se à planta florida com flores de corola alaranjada. amplamente encontrada em campos. sítios e quintais de residências. contendo sementes de 1 cm de comprimento e 3. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. podendo ocorrer com flores amarelas. especialmente em crianças. com ramos jovens delgados e folhagem densa. como corimbos multiflorais.

1996). com aproximadamente 85 espécies tropicais espontâneas e algumas de climas áridos. marginatum apresentou atividade tripanossomicida (Oliveira et al. aqui descrita como medicinal e da qual também se utilizam as sementes na alimentação e na produção do óleo de gergelim. O extrato etanólico da espécie A.. acorendico presente na planta (Oguro et al. No Brasil. 2001) e anticancinogênica atribuída ao ácido/. a atividade antimicrobiana foi conferida a J. Espécies medicinais da família Pedaliaceae Introdução A família Pedaliaceae descrita por Robert Brown compreende dezessete gêneros. venusta a presença de aminoácidos.. 1976 e 1977). A espécie J. Do caule dejacaranda filicifolía foi isolado um ácido fenolítico com atividade inibidora da lipoxigenase (Ali & Houghton. 1996). mas apenas cultivada. caucana tem apresentado a propriedade antiprotozoária (Weniger et al. 1994).. especialmente a espécie Sesamum indicum. decurrens possui ácido ursólico (Varanda et al. a família não é encontrada de forma espontânea. 1995). Foi detectada na flor de P.. 1999). Espécies medicinais Sesamum indicum L. sendo a maioria de ervas ou arbustos. . carotenóides e flavonóides (Gusman & Gottsberger.. mimosifolia (Bisnuttu & Lajubutu. promovendo uma diminuição da absorção de colesterol pelo intestino em animais hipercolesterolêmicos (Srinivasan & Srinivasan. A espécie J.Dados químicos e farmacológicos dos gêneros Adenocalyma e Pyrostegia As flores secas de Adenocalyma alliaceum foram incorporadas à dieta de ratos (2%) durante seis semanas. 1992). Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Gergelim.

flores amarelas. também possui importância na perfumaria e como medicinal: internamente. disenteria e catarro intestinal. O macerado das sementes com folhas de arruda (Ruta graveolens) e cravo (Caryophyllum aromaticus) é usado externamente no alívio a dores causadas por batida e contusão. vistosas. folhas simples. episesaminona (Marchand et al. externamente. externamente.3-epoxisesamone (Feroj Hasan et al. 1995).Dados botânicos A planta é uma erva anual. indicum foi caracterizada a presença de . tosses secas. dores de cabeça. de ocorrência nas áreas tropicais do Velho Mundo e no sul da África (Mabberley. 1997). Dados químicos do gênero De Sesamum indicum foram isoladas as lignanas sesamina. sesamolina (Mimura et al. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1997). O óleo de gergelim. e a espécie mais conhecida é Sesamum indicum. 2001). clorosesamona hidroxisesamona é 2. 1990). Tashiro et al. no Egito e na Babilônia (Bown. diarréias. para alívio da dor de ouvido. inteiras e pubescentes. e sobre as pernas para tratar paralisia. A mistura das sementes com sumo de cravo (flores) é usada como purgante. com origem na Ásia tropical ou na África. abortiva e anti-reumática e. podendo ser aplicado sobre a região do estômago para aliviar dor de barriga. castanha-de-peão-branco (Jatropha curcas) e folhas de arruda é usada internamente para tratar sintomas de derrame cerebral.. para tratar constipação nasal crônica. além de seu uso na culinária.. Nas sementes de S. para evitar perda de cabelos. Trata-se de uma planta usada há aproximadamente cinco mil anos. visão fraca. opostas.. osteoporose. 1988. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui apenas quinze espécies tropicais. distúrbios renais. O sumo das sementes é usado topicamente sobre a testa para aliviar a febre. 1995). e.. contra hemorróidas (Bown. com muitas sementes oleosas. o uso tópico das sementes de gergelim é considerado útil como antiinflamatório e contra qualquer tipo de ferida. fruto do tipo capsular. A infusão das sementes é usada internamente como diurética. Já essa mesma mistura acrescida de resina de copaíba.

Muitas das atividades biológicas conferidas às sementes de S. 1996). ácidos graxos. 1988) e betaglobulina (Rajendran & Prakash. 1989.. 1993). 1991). 1988). Nas raízes de S. Foi também observada a presença de cetoácidos nas sementes de S. indicum foram isolados naftoqueinonas com atividade antifúngica (Hasan et al. A estrutura desses compostos foi elucidada por evidências químicas e espectroscópicas (Suzuki et al. sesamina Do extrato aquoso de S. prolamina. globulina. Mimura. indicum foram isolados dois glicosídeos novos e seis conhecidos. .2000). A quantidade desses elementos varia de acordo com o grau de torra dos grãos (Yoshida.albumina. indicum detectaram a presença de glicolipídios. gama-tocoferol e sesamolina. 1994). Estudos realizados com o óleo de sementes assadas de S. indicum L. glutelina (Singh & Khanna. (Kar & Mishra. Foi observada a presença de glicosídeos polifenóis e fenóis com atividade antioxidante (Mimura & Ohsawa. indicum decorrem da presença de flavonóides em sua composição (Anila & Vijayalakshmi.. 2000 e 2001). bem como três novos triglicosídeos.

indicum (Takswchi et ai. 1991). 1992). 2002). Uma 2-episesalatina foi isolada das sementes de S.. 1992). . dois derivados do ciclohexiletanol.. 1988. dessa forma. Dados farmacologicos da espécie O extrato alcoólico das sementes de S. Foram identificadas das sementes desta espécie proteínas alergênicas que têm contribuído para os casos de alergia pelo uso da semente de gergelim (Beyeretal. 2001). indicum demonstrou uma potente atividade larvicida contra Aedes aegypti (Cepleanu et ai... sendo seu efeito citostático no bloqueio da fase S (Kamei et ai. em altas doses. foram isoladas das sementes de S. alatosídeo A-C. Foi observado que o efeito antioxidante associado ao efeito anticarcinogênico de Sesamum representa um papel importante para o organismo. 1995). sesamolina (Mimura et al. além de verbascosídeo. rengiol e isorengiol (Pottrat et al. Tashiro et al. respectivamente (Kang et al. Da parte aérea de S. contração em útero isolado de ratas e íleo de cobaias. indicum provocou hipotensão em ratos anestesiados. protegendo-o contra danos oxidativos. 1992). 5alatum (Kamal Eldin & Yousif. Mediante o uso de animais diabéticos observou-se o efeito hipoglicemiante das sementes de S. laciniatum foram isolados quatro derivados do ácido hidroxioleanólico (Krishnaswamy et al. angolense. indicum e S. 1997). diminuição da força e da taxa de contrações Atriais (do átrio do coração) de cobaias. 1994)...... 1990) e sesangolina. A alomelanina extraída das sementes suprime o crescimento de células tumorais in vivo e in vitro. 1991). alatum. e. Todos esses efeitos foram abolidos na presença de atropina. O extrato de S. Três novas saponinas foram isoladas da parte aérea de S. o que faz dessa planta um suplemento nutricional efetivo como antioxidante (Mimura.Duas lignanas furânicas. tais dados indicam que esse extrato contém substância semelhante à acetilcolina (Gilani & Aftab.

Outros nome são Vassourinha. ovaldolanceoladas. Tupixaba. arbustos e ervas. crenadas e glabras. pentâmeras. No Brasil. especialmente dos gêneros Antirrhinum. Vassourinha-de-botão. em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. axilares. pequenas. ovário supero. tais como Digitalis. hermafroditas. quatro estames didínamos. flores brancas. Veronica. Tapixaba. a espécie é popularmente conhecida como Fel-da-terra. incluindo árvores. Esterhazia. Nessa família constam ainda importantes gêneros de espécies medicinais. Nomes populares Na região amazônica. purpurea e D. fontes de compostos digitálicos de grande valor na medicina moderna. bilabiada. Verbascum e Wightia. . inúmeras espécies são cultivadas como ornamentais.Espécies medicinais da família Scrophulariaceae Introdução A família Scrophulariaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu abrange 269 gêneros. algumas aquáticas (Mabberley. bicarpelar. Outro gênero muito comum e de ocorrência em quase todo o Brasil é Scoparia. aqui descrito como medicinal. Calceolaria e Maurandia.100 espécies cosmopolitas espontâneas de áreas temperadas e parte em áreas tropicais. popularmente conhecido como Vassoura. com corola rotácea. no Pará. lanata. Vassourinha-doce e Corrente-roxa. Coerana-branca. Dados botânicos Planta herbácea de folhas pecioladas. Pupeiçava. Scobedia. Espécies medicinais Scoparia dulcis L. 1997). Ganha-aqui-ganha-acolá. nos quais estão distribuídas 5. opostas. Vassoura. das famosas D.

Em Minas Gerais. peitoral. especialmente na Floresta Amazônica. 1990). 1995). pectoral. 1982. A infusão da planta toda é usada como expectorante e emoliente (Hirschmann et al. para lavar feridas (Branch & da Silva. Coee et al. por causa do seu emprego. hepáticas e estomacais.. para tratar problemas do fígado e do estômago e estimular o apetite (Simões et al. O nome do gênero. 1987).3). 1980). 1986). 1994.. Verardo. brotoejas. e utilizada contra desordens respiratórias. já o chá da raiz é usado como antidiabético (Amorozo & Gély. Grandi et al. problemas cardíacos. No Pará. 1990). Coimbra. diabetes e hipertensão (De Almeida. para melhorar o estado geral do indivíduo. malária. erisipela e afecções cutâneas. bronquite. também. Os indígenas da Nicarágua utilizam a infusão a quente e/ou a decocção das folhas ou de todas as partes contra dor de barriga. No Rio Grande do Sul.. 1988. febrífuga. expectorante. Grandi & Siqueira. 1982. Encontrada em abundância na América do Sul. 1988). também. emoliente. é utilizada como anti-hemorroidal. febre. com todas as partes da planta. Nas tribos indígenas do Equador. doenças venéreas. significa "vassoura". hipotensiva. Já entre os ticunas. o chá da planta é usado contra hemorróidas. 1990). No Brasil. Cruz. tosse. 1996). Matos. o chá da planta toda é utilizado contra problemas hepáticos. béquica. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1983). bronquite. menstruais. . infecção urinaria e corrimento vaginal (Gavilanes et al. antidiabética e contra afecções catarrais. além de ser considerada tônica. tosse. Na Paraíba. desordens menstruais. essa espécie também é considerada emoliente. 1982. Scoparia. hipoglicemiante. As tribos indígenas das Guianas utilizam a decocção das folhas para enxaqueca. picada de mosquito. bem como para a limpeza do sangue e como auxiliar no parto (Dennis. emoliente e béquica (Corrêa. Outros indígenas do Brasil usam o suco das folhas para problemas nas vistas e. e as folhas. coceiras. com muitos óvulos (Figura 27. 1994.bilocular. a decocção é usada para lavar feridas e como forma de contraceptivo e/ou abortivo durante o período menstrual (Schultes & Raffauf. mas com a finalidade de reduzir inchaço e dor (Schultes & Raffauf. 1982)... para aliviar a febre e como antiemético infantil e anti-séptico (Grenand et al. 1993.. o chá é preparado. 1984). é utilizada contra tosses e verminoses (Agra.

antibacteriana gram-positiva... ácido escopadúlcico A e B (Hayashi et al... Hayashi et al. 1990). A atividade antiviral do ácido escopadúlcico B e escopadulina foi observada contra o vírus do herpes em estudos in vivo e in vitro (Hayashi et al. 1997. (1979) e Mahato et al. antifúngica.. Torres et al. anti-herpética. entre outros compostos (Kawasaki et al.1988b). depressora do SNC. sedativa e diurética (Ahmed et al. Hayashi e al. 1998). B e C (Kawasaki et al... 1989. 1993 e 1996) depressora (Freire. hipocolesterolêmica. cumárico. Azevedo et al. dulcinol e ácidos dulcióico. E. antiespasmódica. Dados farmacológicos da espécie Atividades analgésica... escutelareína. 1997) e o diterpeno tetracíclico escopadulina (Hayashi et al. scopadulciol (Hayashi et al. cinarosídeo D. 1993 e 1996).. 1991). antiviral.. simpatomimética (Freire et al. antiinflamatória. são capazes de inibir a atividade da bomba de próton gástrica (Hayashi et al. betulínico.. 1988a e 1990c).. Freire. 1990a e 1991). manitol. benzoxazolinona. Na escopadulina foi detectada a atividade antiviral (Hayashi et al. 1985). secretagoga e gastroprotetora (Mesia et al. anti-séptica. 1993 e 1996a). alfa-amirina. 1996b). 2000) foram determinadas em Scoparia dulcis. Os ácidos escopadúlcico B. O diterpeno escoparinol isolado desta espécie apresentou atividade analgésica. (1981).. glutinol e acacetina (Hayashi et al. 1987. escopadulciol. expectorante e atóxica (Moura et al. O.. Dalla Torre et al. obtidos da espécie. Também foi detectada a presença de glicosídeos. O óleo essencial da espécie também apresenta atividade fungicida (Lima.Dados químicos da espécie Vários triterpenóides foram isolados desta espécie por Ramesh et al. 2001)... apigenina. 1994.. et al. M. 1987). hipertensiva (Freire et al. 1988. beta-sitosterol. acacetina. gentísico. S. iflainóico.. antiinflamatória (Freire et al. S. 1990b). 6-metoxibenzoxazolinona. antidiabética (Jain. M. Existem registros na literatura da presença de diterpenóides denominados ácido escopárico A. 1990b). escoparinol e dulcinol (Ahamed & Jakupovic.. O ácido escopadúlcico tem apresentado também ati- . flavonas. et al. 1987 e 1988c). 1996). 1986 e 1988a.

vidade antimalarial in vitro (Riel et al. além de extrato etanólico demonstrar a mesma inibição aos receptores de serotonina e dopamina (Hasrat et al. dulcis diminuiu em mais de 60% a ligação do radioligante aos receptores 5-HT1A (Hasrat et al. 1988b). 1993)... FIGURA 27.. 1997a e 1997b). porém essa flavona apresentou maior suscetibilidade para linhagens de células cancerosas do que para as normais (Hayashi et al. 1997a)... Atividade citotóxica causada pela himenoxina foi observada em cultura de tecido humano. 1978) (Banco de imagens - . Ramos com flores (modificado a partir de Hoehne. Em estudos de radioligantes foi observado que o extrato de S. 2002) e antitumoral (Nishino et al.1 .Adenocalyma alliaceum.

2 .Pyrostegia venusta.FIGURA 27. Detalhe das inflorescências e flores tubulares (Banco de imagens - .

3 . 1946) (Banco de imagens - .FIGURA 27. Ramo florido com detalhes da flor e do fruto (redesenhado por Di Stasi a partir de Hoehne.Scoparia dulcis.

trepadeiras e ervas. encontradas em todo o planeta. a grande maioria dos gêneros é constituída de plantas de pequeno porte. 1997). Hiruma-Lima C. C. com aproximadamente 22. que reúne milhares de espécies vegetais com distribuição em todo o planeta. A família Asteraceae (Dicotyledonae) . arbóreas. Trata-se de uma grande ordem. das quais a família Asteraceae (Compositae) é uma das mais importantes como fonte de espécies vegetais de valor medicinal. Santos E.Ivan Martinov. que passamos a descrever a seguir. exceto na Antártida (Mabberley. Guimarães Introdução A ordem Asterales compreende nove famílias botânicas.28 Asterales medicinais L. Di Stasi C. A. Os gêneros estão distri- . foi descrita inicialmente como Compositae por Paul Dietrich Giseke. M. sendo a maior família botânica do grupo das angiospermas. herbáceas.750 espécies cosmopolitas. Essa família compreende 1. Inclui espécies arbustivas. M. Na região amazônica foram referidas inúmeras espécies medicinais da família Asteraceae.528 gêneros.

tais como inúmeras Vernonia. sendo os mais importantes os encontrados nas subfamílias Cichorioideae e Asteroideae. Gnaphalium e Achyrocline. do gênero Mikania. a famosa Arnica. Matricaria chamomila. Calendula. Calendula (Calenduleae). Vernonia e Elephantopus (Vernonieae). conhecidas popularmente como Macela ou Macela-do-campo. as várias espécies de Artemisia. Arnica e Tagetes (Helenieae). Calea. Semeio e Emilia (Senecioneae). • Cichorioideae Chaptalia (Mutisieae). especialmente a Mikania glomerata. especialmente Bidens pilosa e Bidens bipinnatus. Calendula officinalis. Bidens e Helianthus (Heliantheae). Artemisia. Matricaria. e inúmeras plantas de . Wedelia. Ageratum conyzoides. o Mentrasto. Baccharis e Solidago (Astereae). várias espécies do gênero Bidens. do gênero Arnica.buídos em três grandes subfamílias. os inúmeros Guacos e Guacos-de-quintal. Achillea e Santolina (Anthemideae). Mikania. Achillea millefolium. Nesse contexto. gênero da famosa Calêndula. A família Asteraceae pode ser considerada uma das mais importantes fontes de espécies vegetais de interesse terapêutico. muitas das quais amplamente estudadas dos pontos de vista químico e farmacológico. Sonchus e Taraxacum (Lactuceae). conhecida como Mil-folhas. muitas das quais conhecidas como Boldo ou Jalapa e amplamente usadas. as importantes Carquejas. dado o grande número de plantas pertencentes a ela que são usadas popularmente como medicamentos. popularmente conhecidas como Artemisia e Losna. Stevia e Eupatorium (Eupatorieae). Tanacetum. das quais se destaca a Baccharis trimera. muitas conhecidas como Picão e Carrapicho. a Camomila. Aster. Gnaphalium e Achyrocline (Gnaphalieae). Ageratum. com ampla distribuição no território brasileiro. Galinsoga. • Asteroideae Inula (Inuleae). devem ser ressaltadas algumas espécies de interesse medicinal. Zinnia. Lactuca. Saussurea e Echinopis (Cardueae). Novalgina e Anador.

Espécies medicinais Acanthospermum australe (Loefl. externamente. opostas. curto-pecioladas. de ápice e base agudas. como antiinflamatório e. .) Kuntze Nomes populares Essa espécie é conhecida na região amazônica como Carrapicho-rasteiro e apenas como Carrapicho na região do Vale do Ribeira. onde foram incorporadas na medicina tradicional. O nome do gênero vem do grego e significa "semente com espinhos". fruto do tipo aquênio fusiforme ou cuneiforme com cerdas uncinadas (Figura 28. em Minas Gerais. amplamente usadas na medicina popular. rasteira. como cicatrizante. apenas masculinas. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. inflorescências axilar ou terminal com flores reunidas em capítulo paucifloro. e brácteas involucrais envolvendo a flor feminina.1). sendo as flores dos bordos apenas femininas e as do disco. O gênero Acanthospermum descrito por Franz Schrank inclui apenas seis espécies tropicais. Grande parte dessas espécies é nativa do Brasil. Dados botânicos Planta anual. flores unissexuais e marginais. folhas simples. enquanto várias outras foram aqui aclimatadas e podem ser encontradas em todo o território brasileiro. inteiras. de pequeno porte. Na região do Vale do Ribeira. caule comprimido e denso-piloso. ereta ou prostrada. oblongo lanceoladas. Em outras regiões do país.pequeno porte do gênero Eupatorium. sendo Acanthospermum hispidum e Acanthospermum australe as mais comuns e consideradas invasoras. com borda irregularmente serreada. internamente. como Carrapichinho e Carrapicho-de-carneiro. a infusão preparada com a raiz é usada internamente para combater problemas renais e como potente diurético. a decocção das folhas é usada.

Milefólio e Mil-em-rama. digestivo. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 115 espécies de origem na Europa e na Ásia. amarelas e tubulosas. gripes e distúrbios do estômago. rizomatosa. sendo considerada útil para deter hemorragias uterinas. . agindo ainda como antiespasmódico. contendo folhas oblongolanceoladas. 1997). reunidas em capítulos corimbosos. 1982) e. Aquiléia. dor de cabeça e dores gerais. no Uruguai.A espécie também é usada em Minas Gerais como diaforética e emoliente (Gavilanes et al. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga e aromática e possui a propriedade de melhorar as condições gerais da circulação. Em outras regiões do país. a infusão ou a decocção das folhas é usada contra febre. hemorroidais e pulmonares. glabra. com caules ramosos. hermafroditas.. A espécie é de origem européia e amplamente cultivada no Brasil como medicinal. como contraceptivo feminino (Mabberley. sendo as marginais femininas e brancas. nome dado à planta pelos seus usos medicinais na região. raras são nativas das Américas. e as centrais. flores dimorfas. a espécie é conhecida ainda como Erva-de-carpinteiro. O nome do gênero Achillea foi dado em homenagem ao grego Aquiles (Achiles). Dados botânicos A planta é uma erva perene. Achillea millefolium L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. além de ser anti-helmíntica. a espécie é chamada de Novalgina. com até 60 cm de altura.

Ageratum conyzoides L. pilosa e ramosa. é conhecida ainda como Catinga-de-bode. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. anti-reumático e contra cólicas menstruais. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. antidiarréica. . flores brancas ou lilases. carminativa. Corrêa (1984) refere que a planta é amarga. ovadas. anti-reumática.2). útil contra resfriados. a infusão das raízes é usada internamente como analgésico. Dados botânicos A planta é uma erva anual. a espécie é chamada de Carqueja. com folhas opostas. enquanto o banho preparado com as raízes é indicado como anti-séptico e contra infecções da pele. a espécie é chamada de Mentrasto. A infusão preparada com a planta toda é usada na regulação menstrual e contra dores de cabeça e de barriga. febrífuga. Catingade-barão. cólicas flatulentas e uterinas. Nomes populares Na região da Mata Atlântica. significa "o que não envelhece". além de indicada para aliviar náuseas. mesmo nome dado para ela em quase todo o Brasil. amenorréia e gonorréia. com até 1 m de altura. reunidas em capítulos dispostos em panículas densas. Erva-de-são-joão e Maria-preta. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui 44 espécies tropicais de origem nas Américas. Ageratum. pecioladas. Baccharis trimera (Lers) DC. Em outras regiões do país. crenadas. A planta é invasora de culturas e fornecedora de forragem (Figura 28. É conhecida ainda como Carqueja-amargosa e Carqueja-crespa. mucilaginosa. e o nome do gênero. tônica. com caules cilíndricos de onde partem ramos ascendentes.

Amor-seco. os caules são lenhosos e trialados desde a base até o ápice. Erva-picão. estomáquico. sendo considerada útil contra afecções do fígado e diabetes. Em outras regiões do país. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente quatrocentas espécies tropicais americanas. entre outras (Corrêa. Aceitilla. . o deus Baco do vinho. Espinho-de-agulha. Pirco. fruto do tipo aquênio (Figura 28. enquanto o banho preparado com as folhas é indicado externamente para reduzir inchaços. Carrapicho-de-agulha. Erva-picão e Pau-pau. Inúmeros nomes têm sido registrados para essa espécie. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Bidens bipinnatus L. A decocção das partes aéreas da planta é também utilizada como diurético e contra inflamações e febres. sendo as alas levemente inervadas e seccionadas alternadamente.) Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e na Mata Atlântica. a planta é usada como tônico. podendo atingir até 1 m de altura. a decocção das folhas é usada como analgésico. Picão-do-campo. A infusão das raízes é usada externamente na redução de inchaço. como Picão-preto.3). Carrapicho-deduas-pontas. anti-helmíntico. Goambu. Piolho-de-padre. tais como Cuambu. Carrapicho. diurético e contra distúrbios renais. inflorescências em capítulos aglomerados com flores amarelas.Dados botânicos A planta é um subarbusto ereto e cheio de ramos glabros. Carrapicho-de-cavalo. A infusão das folhas é empregada como "emagrecedor" e para "desintoxicação do corpo". anti-reumático. bem como em vários Estados brasileiros. hipertensão. 1926). Macela-do-campo. com ampla distribuição na América do Sul. (Bidens pilosa L. estomacais e intestinais. O nome do gênero foi dado em homenagem a Bacchus. derrame cerebral e diabetes.

dores de cabeça e de dentes (De Feo. 1993. sialagoga. Coimbra. folhas opostas. a espécie também é referida como emoliente.4). 1994). A planta é considerada estimulante. bem como no combate a dores em geral Jager et al. pecioladas e fendidas. leucorréia. formando o papilho que é transformado em aristas (Figura 28. 1990. com até 1 m de altura. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. pentâmeras. O nome. ramosa. No Brasil. Na medicina tradicional peruana. adstringente e considerada útil contra icterícia.. glabra. 1990). micoses. 1995). Duke et ai. O gênero descrito por Carl Linnaeus inclui aproximadamente 240 espécies cosmopolitas. antiescorbútica. diabetes. hepatite. 1994). 1992. simples. icterícia e contra vermes distintos (Rutter. 1962). 1984). Grupos indígenas da Amazônia utilizam-na contra angina. utilizada especialmente contra icterícia. edema. antileucorréica. diurética. Essa espécie é de uso disseminado por toda a Amazônia e por todos os Estados brasileiros. vermífuga e vulnerária. desobstruente. com flores radiais liguladas. antidisentérica. Bidens.. diurético e contra hepatite. a espécie é usada como antiinflamatório. . antiblenorrágica. dismenorréia. 1996). referindo-se às aristas do papilho. No Leste da África. a infusão preparada com as partes aéreas da planta é usada no tratamento da hepatite. infecções urinárias (Mejia & Reng. Vasquez. disenteria. desordens hepáticas. laringite. com cálice modificado. infecções urinárias e vaginais (De Almeida. Outros usos indígenas incluem a decocção no tratamento da hepatite alcoólica e contra vermes. ereta. significa "dois dentes". conjuntivite.Dados botânicos Planta de pequeno porte. diabetes e inflamações (Corrêa. o suco da planta fresca é usado contra dores de ouvido e conjuntivite (Watt & Breyer-Brandwijk. capítulos pleiomorfos. flores amarelas reunidas em inflorescências do tipo capítulo.

estriado e diminuto. além de se reconhecer nela poderosa ação contra tétano. A decocção das folhas também é usada em desordens digestivas. estomáquico. acuminadas. anguloso. Em outras regiões do Brasil. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica especialmente pelo nome de Japana. como tônico. de caule ereto. como Iapana.Eupatorium ayapana Veuten. angina. infecções da boca e contra veneno de cobras (Corrêa. lanceoladas. Duas outras distintas espécies do gênero Eupatorium . triplinervadas. com papilho do mesmo tamanho (Figura 28. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas é usada como expectorante e contra diarréia e disenterias graves. folhas opostas.são coletadas pela população da região como sendo da mesma espécie.ambas não identificadas . digestivo. Dados botânicos Erva bastante delicada. ferrugíneo e glabro. enquanto o sumo das folhas frescas.) é usada internamente contra hemorróidas e verminoses. visto a grande semelhança entre elas. Japana-roxa e Erva-de-cobra. androceu com anteras levemente sagitadas. Japana-branca. mas são comuns outras denominações. e contra malária. flores (20 a 30) azuis. sudorífico. jambu (Spilanthes acmella) e abacate (Persea sp. estimulante. Aiapana. corola com tubo interno glabro. antidiarréico e antidisentérico. especialmente do fígado. A infusão de suas folhas com as de arruda (Ruta graveolens). empregado externamente na forma de banho. é considerado útil contra dores de cabeça e febre. . cólera. 1984). o primeiro a usar a planta como medicamento contra doença do fígado. a espécie possui vários usos das folhas. reunidas em capítulos dispostos terminalmente. O gênero Eupatorium foi descrito por Carl Linnaeus. fruto do tipo aquênio alongado.5). que o denominou assim em homenagem ao rei Eupator.

a espécie é chamada de Macela. referindo-se ao tomento das folhas. flores amarelas. serradas. assim como em todo o Brasil. com a face superior verde e glabra e a inferior alvo-tomentosa. .Gnaphalium purpureum L Nomes populares Na região da Mata Atlântica. reunidas em pequenos e numerosos capítulos radiados. dores de barriga e outros distúrbios intestinais. Solidago microglossa DC. capítulos pequenos e reunidos. folhas oblongas. Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. Dados botânicos A planta é uma espécie perenial e herbácea. O nome significa "feltro". a infusão das folhas é usada contra diarréia. que formam uma inflorescência cilíndrica. pequenas. a espécie é chamada de Arnica. de ocorrência nas Américas . O nome do gênero significa "o que é firme". O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e compreende aproximadamente oitenta espécies. podendo atingir até 1 m de altura. com caules contendo folhas elípticas e obovadas. com ápice arredondado. Nomes populares Na região da Mata Atlântica.especialmente na América do Norte . Dados botânicos A planta é um subarbusto perene. O gênero foi descrito por Carl Linnaeus e inclui aproximadamente cinqüenta espécies cosmopolitas.e com raras espécies na América do Sul.

dispostas em capítulos globosos terminais ou axilares. Abecedária. Mastruço e Agrião-do-norte. não alado. Dados botânicos Planta herbácea. o preparado com folhas de arruda. Spilanthes acmella Rich. Jambuaçu. agudas. flores amarelas. membranosas. tais como Agrião-do-pará. que tem mancha escura sobre a lígula. com corola curva. vários outros nomes são usados. o chá ou xarope das folhas é considerado útil contra tosses e problemas hepáticos. cálculos da bexiga e dores de dente. Nomes populares Essa espécie é conhecida principalmente pelo nome de Jambu. o macerado da planta toda em aguardente é usado externamente contra dores musculares. enquanto a decocção da planta toda é usada internamente como sedativo e contra distúrbios digestivos. Spilanthes. Botão-de-ouro. ovadas. Corrêa (1984) relata o uso da planta contra doenças da boca e da garganta. aristas do papilho sem pêlos retrorsos (Figura 28. significa "flor com mancha". excitante e tônica na Aldeia Olho D'Água (Elisabetsky et ai. Agriãobravo. o chá das folhas. descrito por Nicolaus von Jacquim. longo-pecioladas. comprimido com papilho aristado. é utilizado contra conjuntivite e problemas hepáticos. referindo-se à corola de flor feminina de algumas espécies. Essa planta é utilizada como estomáquica. . O nome do gênero. fruto do tipo aquênio. picadas de insetos e infecções.6).Dados da medicina tradicional Na região da Mata Atlântica. batidas. Agrião-do-brasil.. entretanto. misturado com folhas de amor-crescido e de graviola. boldo e abacate é indicado contra hemorróidas e helmintoses. Dados da medicina tradicional Na região de estudo. com folhas opostas.

cicatrizante. Cravo-de-tufo. divindade etrúria representada como um belo jovem. Na Colômbia. O gênero Tagetes descrito por Carl Linnaeus (tribo Tagetae) inclui aproximadamente cinqüenta espécies tropicais (Mabberley. minuta. também são usadas como medicinais. as folhas. A infusão das flores é considerada útil na dismenorréia. e indicada contra problemas hepáticos. antiespasmódica. febrífuga. são partidas e aromáticas. americana é utilizada no tratamento de afecções bucais e algumas variedades de herpes. tais como T. antigripal. a decocção das partes aéreas é usada internamente contra dores reumáticas. patula e T. O macerado das raízes em água é usado também internamente como laxante e emético. Cravinho. considerada carminativa. Outras espécies do gênero. no Pará (Amorozo & Gély. sendo também comumente chamada de Cravo. bronquite. narcótica. e seu nome vem de Tages. emenagoga. atingindo de 60 a 90 cm de altura. em Brasília (Matos & Das Graças. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. tosse e resfriado. está muito bem aclimatada no Brasil. 1997). Cravo-africano e Tagetes.1982). 1980). opostas ou alternas. nas dores de cabeça e na "doença dos nervos". digestiva. T. as flores pequenas são reunidas em capítulos grandes amarelo-alaranjados. Bown (1995) refere que a espécie é usada contra constipações severas e cólicas. com muitos ramos. 1988). a S. Cravo-amarelo ou Cravo-vermelho. Tagetes erecta L Nomes populares A espécie é conhecida em todo o Brasil pelo nome de Cravo-de-defunto. sendo muito comum como espécie ornamental e amplamente usada em cemitérios. desinfetante e antiasmática. Amorozo & Gély (1988) referem que o . Originária do México. Dados botânicos A espécie é uma herbácea ereta. lucida. abortiva.

as folhas são ásperas. pela abundância de flores. opostas. Zinnia elegans Jacq. Corrêa (1984) refere que a planta toda é peitoral e calmante. anteras amarelas e estigmas vermelhos. cordiformes. de Zinha ou Zínia. Segundo Hoehne (1939). Originária do México. . rosas.chá das folhas com alho é usado contra febres. resfriados. além de possuir raízes e sementes reputadas como laxativas. Moça-e-velha e Canela-de-velho. com uso freqüente contra dores reumáticas. as flores possuem várias cores.13% de terpenos) foi obtido das folhas de A. australe. e a folha socada com cachaça ou água morna é usada externamente (fricção) contra"doença que prende e doença do vento". Outras denominações populares incluem os nomes Capitão. que atua como anti-helmíntico e sudorífico. Dados químicos das espécies e gêneros Acanthospermum Óleo essencial (0. com caule ereto. forte. incluindo brancas. é amplamente usada no Brasil como ornamental. Nomes populares A espécie é chamada. Dados da medicina tradicional A infusão das folhas e flores misturada com folhas de sacaca (Croton cajucara) é amplamente utilizada no combate à malária. a espécie possui um óleo essencial nauseabundo. para tratar "doença que deixa o queixo duro". Dados botânicos A espécie é uma herbácea de 60 a 80 cm de altura. arroxeadas e vermelhas. flores pequenas reunidas em inflorescências do tipo capítulo solitário. bem como foram identificados os constituintes majoritários: beta-cariofileno. o chá das folhas e flores. sésseis. na região de estudo. bronquites e tosses.

. 2002. De Baccharis trimera foram isolados flavonóides. gama-cadineno. Diversos constituintes já foram obtidos de Ageratum conyzoides como terpenos e flavonóides (Okunode. Herz & Kalyanaraman. monoterpenos. Hausen et al. carotenóides e glicosídeos foram isolados de B. 1994). 1981. 1986. B. Serquiterpenos lactonas e flavonas foram obtidos de A. flavonas. 1991) também isolados de A setacea (Zitterl-Eglseer et al. Ageratum e Bacchoris Achilea millefoluim possui diversas sesquiterpenolactonas (Zozyo et al.. Debenedetti et al. 1996. 1981). Da espécie B. Hoffman & Hoelzl. De A. australe também foram isolados quatro flavonóides: penduletina. 1987. 1979). 1984). terpenos (Verzan & El Sayed. 1987). Gill et al. deterpenos... alfa-felandreno.. Nair et al. Sharma & Sharma. De A. Achilea. germacreno A. isocariofileno. Caffmi & Demolis. 1979). 1979. De A. 1992). cadineno. pilosa . 1975. 1975). gama-humuleno e viridifloreno (Machado et al. flavonas (Falk et al. 1994 e 1984. Alvarez et al.. pilosa. 1977). 1988a e 1988b. bipinnatus. beta-guaieno. Bohlmann et al.. De Tommassi et al. 1990. alfa-farneseno e beta-bisaboleno (Craveiro et al. 1990). 1992b. limoneno. timol. beta-cariofileno. rutina e saponinas (Soicke & Leng-Peschlow. catecolaminas. 1975) e monoterpenos (Orth et al. flavonóides (Shimizu et al. B. 1987).. 1987. 1980.. Poliacetilenos.. australe já foram isolados diterpenos e sesquiterpenolactonas (Bohlmann et al. 1997)... beta-pineno. hispidum foram isolados sesquiterpenos e compostos fenólicos (Jakupovic et al. Torres et al. millefolium também foram isolados ésterois. alfahumuleno. Christensen et al. 1978). saponinas e xantonas (Caetano et al.. 1994..4'-trihidroxi-3. laevis e B. Bidens O óleo essencial de Bidens pilosa possui alfa-pineno. 2000). 1991).. Das partes aéreas de A.. Wang et al... tripartitus.. B. leucoantociandinas.. Herz & Kalyanaraman... crisosfenol D.. 1976). delta-cadineno (De Marais et al.. alfa-copaeno. leucantha (Wat et ai. cumarinas. glabratum (Saleh et al. diterpenos (Saleh et al. flavonóides (Bohlmann et al..6-dimethoxiflavona (Debenedetti et al. Gene et al. triterpenos (Chandler et al.. 2000). 1985.beta-elemeno..7. 1997)... 1976a e 1976b). 1986. axilarina e 5.. 2001. monoterpenos e alcalóides (Bohlmann et al.

B. 1997). Eupatorium Flavonóides foram isolados de Eupatorium coelestinum (Le Van & Pham. os triterpenos friedelina e friedelan-3p-ol. angustifolium (Mesquita et al. 1986).. cernuol...B. E. 1991. 1994) e E. dois derivados tiofênicos. campylotheca (Bauer et al.. altissimum (D'Agostino et al. ferulefolius. B. E.. E. tripartitus (Christensen et al.. B.. Flavonóides glicosilados foram isolados de E tinifolium (D'Agostino et al. 1991). radiata e B. 1985). chrysoanthemoides. 1990a e 1990b). maximowicziana. foi isolado do óleo essencial de Bidens cernua (Smirnov et al. e um novo composto sesquiterpênico com atividade antimicrobiana. pilosa (Hoffmann & Hoelzl. 1990). E. 1995) e £. E. B.. 1995). 1992). 1987. enquanto várias chalconas foram obtidas de B.. e vários flavonóides (Geissberger & Sequin. adenophorum (Li et al.. 1988b. tripartita (Isakova et al. E. E. £. 1979). E. 1991) e E. 1990). 1990). eugenol. pilosa (Zuleeta et al. leucolepis (Herz & Palaniappan. 1994). 1982). salvia (Gonzalez et al. 1992).. Alcalóides pirrolizidínicos foram determinados em E cannabinum (Schimio et al. £. Liu et al. 1985). 1987. 1988. Um novo diterpeno foi recentemente isolado de B.japonicum.. Pagani.foram ainda isolados inúmeros compostos. ocimeno e chalconas foram isolados e caracterizados das partes verdes e flores de B. tinifolium (D'Agostinoetal. 1997). Edgar et al. 1988a. E. 1993 e 1995). ternbergianum (D'Agostino et al. 1988c e 1988d). glandulosum (Nair et al. frondosa (Karikome et al. 1986). 1995). ácido linoléico. buniifolium (Muschietti et al. Outros glicosídeos foram determinados nas espécies £. bipinnatus (W B. erythropappum (Talapatra et al. B. 1992). Três poliacetilenos. E. frondosa. 1997). chinese (Zhao et al. ácido linoléico e linolênico. 1992). Wang et al. E guayanum (Sagareishvili et al. bem como dois glicosídeos fenilpropanóides a partir de folhas frescas (Sashida et al. Poliacetilenos também foram isolados de B. B. portoricense (Wiedenfeld et al. littorale (Sato et al. 1987 e 1988). odorata (Hai et al. dahlioides. . E. cannabinum (Stevens et al. 1995) E.. E... E. 1981). tais como quatro auronas. 1995). 1990c) e E adenophorum (Li-Rongtao et al. micranthum (Herz et al 1978). rotundifolium (Hendriks et al. parviflora. subhastatum (Ferraro et al. B..fortunei.

americana foram isolados monoterpenos. entre outros (Nakatani & Nagashima.. 1990a e 1990b). Monoterpenos glicosilados foram obtidos de E. enquanto em E. De S. odoratum (Talapatra et al. 1996). cannabinum (Zdero & Bohlmann. laevigatum (Lopes et al. quadrangularae (Hubert et al. E. Os principais constituintes do óleo essencial de E... adenophorum. 1988a e 1988b). beta-himachaleno) ou ésteres fenólicos foi identificada nos óleos essenciais de E. e o óleo essencial das folhas contém alfa-pineno. ácidos graxos e ácido tetratriacontanóico. fenóis e saponina. cânfora. 1986). paniculata foram isolados aminoácidos (Dinda & Guha.. p-cimeno. triterpenóides de E. E. 1987). Diterpenóides foram isolados de E. cannabinum (Stefanovic et al. A presença de sesquiterpenolactonas foi caracterizada em E. E. acmella L. sesquiterpenos. laevigatum (Bauer et al. var. 1987). 1986). 1993). Na fração diclorometânica das flores dessa espécie também foram detectados várias amidas. sitosterol. E. cariofileno e cadinol (Inya-Agha et al. e sesquiterpenóides de E. Uma grande quantidade de terpenos (geranial. E. espilantol e três amidas foram isolados das flores de S. espilantol.. 1987). tinifolium (D'Agostino et al. 1996) e triterpenos (Ospina de Nigrinis et al. compostos oxigenados e nitrogenados (Stashenko et al. E.. 1980) e E. 1986). quadrangularis (Hubert et al. 1987). 1979). oleracea Clarice (Nakatani & Nagashima.. 1987). Das partes aéreas de S. 1986b). estigmasterol. adenophorum são p-cimeno e acetato de bornila (Ding et al. 1992a). 1986). stoechadosmum foram descritos como componentes principais a acetofenona e os derivados do timol (Nguyen et al. naginatacetona.. 1987) e E. odoratum foram encontrados taninos. recurvens (Herz et al. Uma amida. Ramsewak et al. entre outras espécies (Ding et al. mikanioides (Herz et al. fortuna (Haruna et al. deltoideum (Quijano et al. 1977).. . 1980).fortunei (Haruna et al.Nas folhas de E.. Spilanthes De Spilanthes acmella foram isolados saponinas e triterpenóides (Mukharya & Ansari. sitosterolO-beta-D-glucosídeo (Dinda & Guha. E. 1994). altissimum (Jakupovic et al. 1991). 1999).. 1978). limoneno. E. rufescens (Ruecker et al. 1992b. 1987).

erecta e T. lucida (Hethelyi et al.. patula e I minuta apresentaram propriedade biocida natural decorrente da presença de tiofenos (Ketel. campanulata. Das raízes de T. glandulifera) (Craveiro et al. T. riojana são duas espécies do gênero Tagetes morfologicamente muito similares. 1987). pois somente T. 1995). No entanto. patula foram isolados tiofenos. T.. tenuifolia (I signata) (Parodi et al. 1988). minuta são ocimeno.. distribuídos nas diferentes partes da raiz (Makjanic et al. tagetona e tagetenona (Zygadlo et al. As espécies T. Foi relatada ainda a presença de flavonóides em T. Pe- . Alguns compostos têm sido identificados como típicos para muitas das espécies pertencentes ao gênero Tagetes.. patula. 6-hidroxikaempferol. bem como a quercetina detectada apenas nas flores dessa espécie. laxa (De-Israilev et al. 1994) e T. T. o padrão floral não inclui flavonas nem flavonóides polimetoxilados. 1988. Na raiz e no broto de duas espécies desse gênero (T. onde foi caracterizada a presença majoritária de terpenóides e sesquiterpenos. T. benzofurano e isoeuparina (Parodi et al. 1992). minuta e T. 1988). dentro desse gênero foi encontrada uma certa diferenciação entre o padrão químico das flores e folhas de T. 1987). mendocina e T.. como quercetagetina. riojana sintetiza quercetina 5-0-glicosídeo (De-Israilev. 1993). 1987). rupestris (De-Israilev & Seeligmann. T microglossa (Castro. 1990). 1987. argentina) foram identificados quatro tiofenos.Tagetes Foram realizadas análises fitoquímicas dos óleos essenciais de Tagetes minuta (T. zipaquirensis (Abdala & Seeligmann. erecta (Singh et al. Ahmad et al. 1990a).. T. 1988). tais como quercetagetina. 1991). 1993b). patula (Ivancheva & Zdravkova. que podem ser diferenciadas pela composição química.. 1993). patuletina e muitos desses derivados. Tosi et al. que parecem ser sintetizados somente pelas folhas (DeIsrailev & Seeligmann. Entretanto. Os monoterpenos descritos em T.. patuletrina e patuletina.. 6-hidroxi e 6-metoxi flavonóis e seus glicosídeos (De-Israilev & Seeligmann. 1985). T. sendo a concentração desses compostos dependente do órgão utilizado e do estágio ontogênico da planta (Beavides & Caso. 1988a e 1988b). T. T multiflora (De-Israilev & Seeligmann. além de enxofre e fósforo. 1990b)..

. 1996) dessa espécie... hispidum mostraram ainda um pequeno aumento na freqüência cardíaca. 1988). a A.5-diglucosídeo por métodos cromatográficos e espectrais (Yamaguchi et al. 1995).quena quantidade de monotiofeno na raiz de T. 1996) bem como atividade imunomoduladora (Mirambola et al. 2001). 1991). além de produzir efeito inibitório sobre as contrações induzidas por histamina. . b-sitosterol e triterpenos (Sharada et al. australe demonstraram a ocorrência de uma forte inibição da enzima aldose redutase (Shimizu et al. no fluxo coronário e na amplitude das contrações (Medeiros et al.. 1980).. Carvalho et al. hispidum foi estudado o extrato hidroalcoólico da planta toda.. 2002) e antifúngica (Portillo et al. elegans foram identificadas como pelargonidina acetilada e cianidina 3.. Foram detectadas várias agliconas acumuladas na folhas e no caule (Wollenweber et al. 1988.. 1987).. australe contra Plasmodium berghei em roedores. Nascimento et al. elegans indicou a presença de Cumarina. ocitocina. indicando a possibilidade de atividade antimalárica dessa espécie.. (1991) e Carvalho & Kretlli (1991) demonstraram efeitos parciais de extratos brutos de A. glicosídeos cardíacos. Foi também constatada a atividade antimicrobiana (Silva et al. 1997). Experimentos com A.. australe (Matsunaga et al. bradicinina e isoprenalina em vários órgãos isolados (Brandão et al... Compostos com atividade citotóxica e antineoplásica também foram obtidos de uma outra espécie do gênero. o qual apresentou atividade broncodilatadora e espasmolítica (Brandão et al. taninos. Em A. 1997). Zinnia Uma triagem fitoquímica de Z. Dados farmacológicos das espécies e dos gêneros Acanthospermum Estudos realizados com a espécie A. As antocianinas das flores de Z. 1995). glabratum (Saleh et al. Atividade antineoplásica foi descrita para a espécie A.. 1988). patula foi detectada (Arroo et al.

Os extratos aquosos de Bidens pilosa L. conyzoides apresentaram atividade espasmolítica in vitro (Silva et al. A atividade anti-hepatotóxica de Baccharis trimera foi atribuída à presença de flavonóides (Soicke & Leng-Peschlow.. minor (Blume) Sherff.-ol. 2000). bipinnatus mostraram diminuição da amplitude da contração muscular do coração e aumento da freqüência cardíaca. possuem atividade antiinflamatória. 1991). var. 1996) e finalmente as propriedades relaxante e vasodilatadora de B. presente em suas partes aéreas (Torres et al. As flores e os talos possuem atividade antibacteriana contra Staphylococcus aureus (Nishikawa. Porém.. pilosa.. 1995) e anti-hipertensiva (Santos & Queiroz Neto. 1996). enquanto os ácidos linoléico e linolênico possuem atividade antimicrobiana (Geissberger & Sequin. Bondarenko et al. pilosa L. Extrato etanólico de B. à presença de saponinas (Gene et al. aumento do tônus e da amplitude das contrações no duodeno.. 1980). imunoestimulante (Ignácio et al. As atividades analgésica e antiinflamatória de Ageratum conyzoides não foram confirmadas por Yamamoto et al.. Triterpenos. e B. reduzindo a produção de prostaglandinas. chilensis DC diminuíram significativamente o edema de pata induzido pela canogenina em ratos. 1998b. Abena et al. (1993) foram capazes de comprovar o efeito analgésico desta espécie dois anos depois. 1985. 1987. pilosa inibiu a síntese das cicloxigenases. efeito que explica a utilização da espécie como analgésica (Jager et al... Goldberg et al. 1983)... 1949). 2000). 1987).. mas Bidens pilosa var.. minor foi a mais . N'Dounga et al. Bidens Experimentos com B. (1991). além de bloqueio das contrações uterinas produzidas pela acetilcolina (Torres da Silva et al. as propriedades analgésica e antiinflamatória. trimera foram caracterizadas como de responsabilidade do diterpeno. Ações antimicrobiana e antiparasitária foram verificadas com B. 1982) das folhas e raízes de Bidens pilosa. Foram detectadas atividades antimalárica in vivo e in vitro (Brandão et al. pilosa (Santos et al. Agerathum e Baccharis Existem relatos da atividades antiespermatogênica e antiinflamatória para Achilea millefolium (Montanari et al. As folhas de A. 1997). 1969).Achila. além de vários flavonóides obtidos de B. B.. como friedelina e friedelan-3.

Um composto sesquiterpênico isolado de B. 1986) e diurética (Rebuelta et al. 1977). mais recentemente. aurea aumentam a quantidade de muco e de proteínas em ratos. 1985). O extrato hexânico de B. E. 1989). E. 1998 e 1999). tequendamense (Mantilla & Sanabria. densum. A espécie B. pilosa foi ainda descrita e confirmada a atividade bactericida (Rabe. 1995 e 1996) e. ayapana faz parte da composição de produtos cosméticos e farmacêuticos por seu efeito protetor contra os raios solares e os radicais livres (Greff. e cinco poliacetilenos isolados desse extrato exibiram o mesmo efeito inibitório. 2002). 1995).... 1995). reduziram o edema de pata induzido por adjuvante de Freund (Chin et al. As folhas de E. 1985).. cernua impediu o crescimento de bactérias gram-positivas in vitro e de micodermatófitos (Smirnov et al. balantaefolium (Almeida & Fonteles.. 1995). gracilae. hepatoprotetora e antiinflamatória (Chin et al. in vitro. somente os extratos de B. ativa contra úlcera gástrica crônica e aguda (Ayuso Gonzales et al. aurea mostrou-se depressora do sistema nervoso central (Ayuso Gonzales et al. 1997).... E.. tacotaneum (Sanabria & Mantilla. hipotensora (Dimo et al. potente inibição sobre a ciclooxigenase e a 5-lipoxigenase. Foram relatadas atividades moluscicida e antibacteriana dos sesquiterpenóides de E. E.. Atividade antibiótica foi descrita para as espécies E. Estudos com essas frações em modelos de úlcera gástrica por ácido acético demonstram que o efeito protetor dessa fração contra úlceras decorre da recuperação da vascularização da área de úlcera com simultânea redução da infiltração leucocitária (Martin-Calero et al. 1996).. 1997). campylotheca apresentou. Eupatorium A espécie E. Estudos recentes mostram que frações ricas em flavonóides obtidas de B.. 1996). ou seja. Para a espécie B. pauciflorum (Giesbrecht et al. 1988) e E. brevipes (Guerrero et al. sendo eficazes contra úlcera por estresse (Alarcon et al. além de ação inibitória da síntese de prostaglandinas (Jager et al.. Entretanto. . 1994. ayapana possuem atividade antimicrobiana (Guptaetal. La Casa et al. uma significativa ação antiinflamatória (Redl et ai.. morifolium e E. 1994). glyptophlebum. var. minor e B. atidifolium e E. 1986b).ativa. 1985). consaguineum (Lopes et al. E.. E. pilosa L. pilosa L..

1986 e 1987. ayapana (Gonçalves et al.. Cáceres et al. E. A combinação dos extratos de Echinacea angustifolia. Baptisia tinetoria e Arnica montana promove aumento da atividade fagocitária in vivo e in vitro (Wagner & Jurcic. odoratum (Iwu & Chiori. Spilanthes Das folhas de S. DNA e RNA de células tumorais. 1995). 1995) e E. odoratum acelera o processo de coagulação sangüínea (Triratana et al. halinfolium e E. candolleanum (Campos et al. triplinerve também inibe o crescimento de inúmeras bactérias (Yadava & Saini. A. 1996) e E.. cannabinum (Bourrel et al.. hyssopifolium (Hall et al. flaccida. O óleo essencial de E. Sesquiterpenóides isolados de E. 1991). 1988). A... Atividade antiviral (anti-herpética) de Asteráceas da Argentina: Eupatorium buniifloium. e de E. fortunei são inibidoras de glicosidases (Sekioka et al. squalidum (Carvalho et al. 1991) e promove a contração de dueto deferente de cobaia e tiras arteriais de coelhos (Akah... Os extratos de E. 1992). 1990).. 1982a). 1998).. 1994) apresentaram ainda atividade antiinflamatória. brevipes e E. inulaefolium (Gorzalczany et al. Inya-Agha et al. RNAse. acmella foram isolados n-isobutil-4. Atividade antifúngica também foi determinada para compostos puros obtidos de E. Guerrero et al. 1984. vautheriana e Flaveria bidentis (Garcia et al.. laevigatum possui atividade espasmolítica (Andrade & Aucélio. 1990 e 1991). 1978). assim como da atividade da RNA polimerase.1986). pauciflorum. enzimas lisossomais e enzimas da síntese de glicogênio foram verificadas como substâncias isoladas de E. squalidum foram isoladas naftoquinonas com atividade antimalárica (Krettli. seabridum apresentaram atividade antitumoral (Woerdenbag.. Atividade antimalárica foi determinada para a espécie E. proteínas. O extrato bruto aquoso de E. que apresentou atividade analgésica (Ansari et al. 1988. E. 1989). larvicida (Pitasawat .5-decadienamida. Herz & Palaniappan... 1991). Piperidinas de E. 1991). Inibição da síntese de colesterol. 1995). DNAse. (Giesbrecht et al. cannabinum. 1986).. 1990). enquanto a espécie E. E.. Eupatorium perfoliatum. 1985. riparium (Ratnayake-Bandara et al.. Achyrodine alata. E. porém possui alcalóides pirrolizidínicos que induzem à hepatotoxicidade (Mendonça et al. 1987) contra inúmeras bactérias e fungos patogênicos.

isso denota um risco na aplicação imprópria dessas partes vegetais. 1992). 1993). usado como emenagogo. C. 1989). L. F. testes de pele realizados posteriormente apresentaram reações positivas não só à arnica. J. 1990).. T. enquanto o extrato de S. como também a várias outras plantas do mesmo gênero e do gênero Tagetes (Pirker et al.. 1987. RJ. 1993).. O extrato de S. 1996). 1999). mas não contra Candida sp. folhas e flores de T. embora ainda não se conheça o mecanismo de ação. Em I minuta. sendo os deri- . Tagetes Os extratos metanólicos de raiz. (Fabry et al. acmella foram caracterizadas também as atividades anticonvulsivante.. Andrade. erecta apresenta toxicidade contra fases larvais de Anopheles stephensi (Sharma & Saxena. 1995). 1995). oleracea (Herdy & Carvalho. 1988. e o extrato de S. calva inibiram a mutagênese induzida pelo tabaco e também a nitrosação de metiluréia de forma dose-dependente (Sukumaran & Kuttan. 1993. foi caracterizada a atividade antichagásica dos extratos hidroalcoólico e etanólico da folhas contra o Triatoma infestam (Bronfen.. 1994) e outras espécie de insetos (Broussalis et al. e Plasmodium berghei in vivo (Gasquet et al.. 1992. Valderrama et al. in vitro. sedativa.. presente em muitas espécies. como Aedes aegypti e Anopheles stephensi (Perich et al.. Camargo Neves et al. oleracea (200 a 400 /mg/ml) apresentou atividade antimalárica contra Plasmodium falciparum... Essa espécie também possui atividade larvicida contra Aedes fluviatilis. et al. 1998) e espilantol. mauritana (raiz e flores) possui atividade antifúngica contra Aspergillus sp. 1986) e S.. conhecida popularmente como Cravo-do-campo ou Coaribravo. antimicrobiana. antiulcerogênica e espasmogênica (Moreira et al. et al. Foi relatado o caso de um paciente de 69 anos de idade que apresentou dermatite facial após 24 horas de contato com arnica.. que possui potencial atividade inseticida (Kadir et al. Souza. et al. O eugenol. como no cravo-da-índia.. 1992) e antitumoral (Moraes et al. Uma fração do extrato de flores dessa espécie apresenta importante ação sobre o controle de outros vetores parasitários.. Em S. Compostos com atividade anestésica local foram isolados de Spilanthes americana (Nigrinis et al. 1984).. erecta apresentaram uma alta fototoxicidade. 1994). bem como no consumo destas (Meckes et al.et al...

foetidissima possuem componentes fitotóxicos com atividade antibiótica (Perez-Amador et al. O óleo essencial de I minuta apresenta atividade larvicida contra Aedes aegypti. a atividade da ATPase. a amplitute de contração do músculo esquelético em ratos (Aoki & Cortes. sendo potencialmente utilizável contra outras espécies de mosquitos. 1995). tendo sido isoladas fototoxinas que apresentaram atividade inseticida (Consoli et al.. in vivo e in vitro. 1992). Os extratos hexânicos de T.. Mabberley (1997) refere que um composto terpênico é considerado eficaz contra HIV e importante composto com atividade larvicida. 1991). 1997).... 1997). 1994). 1996). O extrato de Zinnia na dose 10% acima da DL50 induziu a algumas alterações histopatológicas e bioquímicas do fígado (Sharada et al. 1989). in vitro.. 1994). Houve também um aumento da amplitude de contração do intestino de coelho isolado. O extrato de T. presentes em diversas espécies de Asteraceae (Macedo et al. elegans L. D e F. Foi testado o extrato etanólico das partes aéreas de I patula. lúcida estimulou discretamente. 1995). O extrato alcoólico de diferentes partes dessa espécie exibiu atividade estrogênica. 1991).Ca2+ dependente e inibiu. füifolia apresenta atividade antioxidante no óleo de amendoim (Maestri et al.. Dentre outras espécies. além de seu efeito persistir por aproximadamente 24 horas (Green et al. coronopifolia e T. 1987). . Do extrato de Z. flavicoma foram isolados elemanlídeos do tipo zinaflavina B.. Essa planta também possui ação bactericida contra as infecções respiratórias causadas por três tipos de bactérias gram-positivas (Staphylococcus aureus. Zinnia As sementes de Z.. foram eficazes como fungicidas (Lacicowa & Wagner. que possuem elevada citotoxicidade em carcinoma laringeal humano e em fibroblasto do tecido conjuntivo (Tellez et al. o óleo essencial de T. enquanto seus compostos cumarínicos apresentaram uma pequena atividade inibitória sobre a contratilidade do músculo liso de coelhos (Rivera et al. o terpeno ocimenona presente no óleo revelou atividade em concentrações maiores que no óleo essencial completo. Streptococcus pneumoniae e Streptococcus pyogenes) (Caceres et al..vados tiofênicos os compostos ativos. além de atividade antimicrobiana contra bactérias gram-positivas e gram-negativas (Tereschuk et al. e o efeito do óleo persiste por pelo menos nove dias.

oleraceae apresentaram atividade convulsivante (Moreira et ai. rugosum é o principal componente tóxico (Beier et ai. acmella induziu a contrações abdominais e o extrato hexânico provocou convulsões tônico-clônicas e morte (Moreira. Estudos com extratos brutos demonstram que ocorrem malformações externas com o uso de A. 1988). Segundo Hoehne (1939).. 1994). dispnéia. australe são tóxicas para aves. poucos dados estão disponíveis sobre o uso dessa planta pelo homem. Estudos realizados com essa espécie demonstram a presença de várias atividades farmacológicas. hispidum mostraram efeitos tóxicos dos brotos e sementes. adenophorum (Oelrichs et ai. a espécie é uma fonte de substâncias que podem e devem ser estudadas para várias atividades farmacológicas. M. ageratoides possui efeitos tóxicos em bovinos. 1993). aspecto que limita sua utilização até que novos estudos sejam realizados. hemorragia. Observações adicionais Os dados de toxicidade apresentados para o gênero Acanthospermum demonstram claramente que preparados tradicionais com essa espécie não devem ser utilizados durante o período de gestação. 1995). enquanto o extrato aquoso de S. Estudos recentes mostram que o extrato hidroalcoólico não produz efeitos tóxicos (Dutra E. especialmente se for levado em conta que a espécie é utilizada como contraceptivo. a espécie E. especialmente na fase jovem. et al. fraqueza e debilidade dos membros. A. Entretanto. no entanto... os extratos não apresentam efeitos abortivos (Lemônica & Alvarenga... T. 1978a e 1978b). especialmente . S. 1995). 1996 e 1997). alopecia. icterícia e enterite catarral (Ali & Adam. australe durante o período de prenhez de ratas. enquanto hepatoxicidade foi determinada nas espécies E. congestão do baço e coração. A ingestão regular de E. Tremetona isolada de E. Estudos com a espécie A. et ai. Considerando-se ainda a pequena importância da espécie como medicamento tradicional.Dados toxicológicos das espécies e dos gêneros Hoehne (1939) relata que as sementes de A.. 1990). caracterizados por diarréia. adenophorum causou doenças pulmonares crônicas em cavalos (Oelrichs et ai. V. As folhas de S. porém nenhuma delas representa importante avanço na pesquisa de novas drogas.

relaxante muscular e antineoplásica.1 . A propriedade antimalárica indica a necessidade de novos estudos voltados à caracterização química dos constituintes responsáveis por essas atividades. A utilização da espécie para estudos de outras atividades farmacológicas descritas para espécies do mesmo gênero pode representar uma importante estratégia de estudo de compostos com atividades antimicrobiana. FIGURA 28. assim como novas avaliações da farmacologia com as substâncias devidamente isoladas. b) detalhe da escanerata.Acanthospermum australe: a) escanerata de ramo fértil.como diurético e hipotensor. c) detalhe da escanerata com flor (Banco de imagens - .

Ageratum conyzoides: a) escanerata do ramo florido.2 . b) detalhe da inflorescência (Banco de imagens - .FIGURA 28.

3 . b) escanerata com detalhe das inflorescências (Banco de imagens - .FIGURA 28.Baccharis trimera: a) escanerata mostrando o caule alado e as inflorescências.

FIGURA 28.Bidens bipinnatus.4 . Detalhe da escanerata mostrando inflorescência (Banco de imagens - .

.FIGURA 28. 1998). b) flor isolada e c) corte de capítulo longitudinal (redesenhado por Di Stasi a partir de Gemtchujnikov.: a) ramo florido (Di Stasi .original).5 .Eupatorium ayapana.

Spilanthes acmella. Ramo florido (redesenhado por Di Stasi a partir de Corrêa.6 .FIGURA 28. 1984). .

A. C. fonte de quinino e outros compostos de valor terapêutico. .29 Rubiales medicinais L. com representantes arbóreos. arbustivos. importante fonte de espécies ornamentais. alguns deles de valor histórico. Desfontainiaceae e Rubiaceae. Gelsemiaceae. assim como de vários compostos com atividade farmacológica. Coffea arábica. Essa família possui inúmeros gêneros de espécies medicinais. algumas espontâneas nas áreas tropicais. nos quais se distribuem mais de 10. como é o caso de Coffea e Cinchona. do famoso Cafeeiro. fonte de uma das mais apreciadas bebidas no Brasil. 1997). Genipa. Hiruma-Lima Introdução A ordem Rubiales inclui apenas três famílias botânicas. apenas esta última apresenta importância como fonte de espécies de valor econômico e terapêutico. A família Rubiaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu um grande número de gêneros abrange (630).200 espécies vegetais cosmopolitas. das quais destacamos os principais: • Cinchonoideae: Cinchona. Os gêneros dessa família estão distribuídos em quatro subfamílias. • Ixoroideae: Coffea. e Gardenia. algumas lianas e poucas ervas (Mabberley. Di Stasi C. do famoso jenipapo brasileiro.

bilocular com óvulos fixados na base do lóculo. com corola de base gibosa. fonte de emetina e outros constituintes de importância. tubo de corola ventricoso ou ampliado na base. importante árvore. Nomes populares Essa espécie é conhecida popularmente como Guarapitanga-poranha. ereto. Dados da medicina tradicional Os índios da aldeia tenharins utilizam o sumo das folhas ou o chá com pouca água para deter hemorragias de menstruação irregular. Cephaelis da famosa C. muito comuns em terrenos baldios. ovário ínfero. O nome do gênero Palicourea é popular nas Guianas. que compreende uma das espécies aqui referidas como medicinais. fruto indeiscente.• Antirheoideae: Guettarda. 1997). ipecacuanha. inteira. • Rubioideae: Psychotria. e Palicourea. O nome dessa planta se refere ao levantamento etnofarmacológico realizado na aldeia tenharins. folhas curto-pecioladas. especialmente na Amazônia. muitas delas encontradas na Amazônia e várias com atividade emética (Mabberley. diclamídeas. Não foram encontrados sinônimos. que inclui várias espécies com compostos de ação no SNC e muito usadas em rituais. bicarpelar. . Espécies medicinais Palicourea /an/f/ora Standl. lanceoladas. com pêlos abaixo da inserção dos estames. simples.1). flores hermafroditas. Borreria e Dioidea. com espécies popularmente denominadas Poaia. carnoso e drupáceo (Figura 29. e o gênero descrito por Jean Baptiste Christopjore Fuseé Aublet inclui duzentas espécies tropicais. Dados botânicos Pequeno arbusto. estipulas não foliáceas.

sendo a Palicoureina o polipeptídeo com atividade anti-HIV (Bokesch et al. frutos do tipo baga. 2001). com ramos cilíndricos.5 m de altura. de P. 1994). pecioladas. Dados farmacológicos e toxicológicos do gênero O extrato aquoso de P marcgravii apresentou atividades tóxica. mas também considerada espécie tóxica e perigosa. opostas.. Além de alcolóide. E popularmente usada como medicamento. Palermo-Neto et al.. acuminadas.. De-Moraes-Moreau et al. 1999). 1974) alcolóides também foram detectados na espécie P. avermelhadas. Dados químicos do gênero Das folhas de Palicaurea adusta foi isolado o alcalóide lyalosídeo (Valverde et al. 1995. inflorescência em panículas. delgados.. Nomes populares No Brasil todo. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. 1989a). 1976).. 1996. fendleri (Nakano & Martin. de onde partem folhas com venação tênue. Hil. a planta é conhecida popularmente como Erva-de-rato ou Douradinha-do-campo. avermelhados. Dados botânicos A planta é um arbusto com até 2. sobretudo na região amazônica. A planta é chamada de Erva-de-rato-verdadeira. foi caracterizada também a presença de ácido fluoroacético (Krebs et al. a infusão das partes aéreas é usada como alucinógeno e contra "verminoses de barriga cheia". (Kemmerling. . glabros. marcgravii.Palicourea marcgravii St. pois acreditase popularmente que os ratos sintam atração por ela. Peptídios macrocíclicos de P condensata foram isolados. o palicosídeo e de P alpina a palinina (Morita et al 1989. Stuart & Woo-Meng.

falta de coordenação motora..Banco de imagens - . espasmos musculares. Além de fluoroacetato. marcgravii foi isolado também um alcalóide indólico denominado palicosídeo (Morita et al. 1988. 1986). convulsões tônico-clônicas e distúrbios cardíacos. 1995). 1989). 1996). 1982). Palermo-Neto et al. midríase e morte em bovinos (Costa et al. que têm grande absorção no sistema gastrintestinal e atuam como inibidores da monoaminooxidase (Kemmerling.teratogênica (Costa. FIGURA 29. De-Moraes-Moreau et al. et al.juruana provocou mortes repentinas em coelhos e bezerros (Tokarnia & Jurgen.. A intoxicação aguda provocada pelo extrato de P. os frutos são mais tóxicos que as flores e folhas. porém tais sintomas foram observados somente em ruminantes.1 . Gorniak et al. contrações musculares. Tokarnia & Dobereiner. caracteriza-se por um quadro hipoglicêmico com ansiedade. 1989. Aspecto do ramo vegetativo (desenho original por Di Stasi . 1989). Das folhas de P.. e a intoxicação... marcgravii promoveu o aparecimento de excitação. P. náuseas. 1989b... 1980) e convulsivante (Gorniak et al.Palicourea laniflora.. outras duas substâncias também contribuem para o efeito tóxico: N-metiltiramina e 2-metiltetrahidro-b-carbolina. A ingestão experimental de P marcgravii promoveu morte repentina no gado. marcgravii foi atribuída à presença do ácido monofluoracético nas folhas dessa planta (Eckschmidt et al. comum em animais e rara na espécie humana. enquanto P. Segundo Schvartsman (1979). 1984a. vômitos.

Di Stasi C. 1997). na qual foi registrado o uso de uma importante espécie econômica e medicinal. Os principais gêneros são Sambucus. mas que são também comuns na Europa e na Austrália (Mabberley. Abelia e Linnaea. A. A família inclui inúmeras plantas ornamentais. também utilizado como medicinal em todo o mundo. A família Caprifoliaceae descrita por Antoine Laurent de Jussieu possui aproximadamente quinze gêneros e 420 espécies. arbustos e lianas. Lonicera. descrita a seguir. mas as medicinais são referidas principalmente na família Caprifoliaceae. Viburnum.30 Dipsacales medicinais L. das quais a família Caprifoliaceae é a que apresenta com maior número de exemplares encontradas no Brasil. Lonicera e Sambucus (Barrozo. Hiruma-Lima Introdução A ordem Dipsacales inclui apenas cinco famílias botânicas. As famílias Valerianaceae e Dipsacaceae também incluem importantes espécies no Brasil. 1978). C. distribuídas especialmente na América do Norte e na Ásia. cultivam-se algumas espécies dos gêneros Abelia. . a planta mais comumente utilizada e mais conhecida no Brasil é o Sabugueiro. No Brasil.

as flores são brancas. É uma espécie nativa da Europa e do Norte da África. Dados da medicina tradicional Na região amazônica. dispostas em um corimbo branco. Na região da Mata Atlântica. a infusão das folhas é indicada contra febres e resfriados. além de flavorizantes em vinhos. o uso tópico do sumo das folhas ou do macerado das folhas em água é indicado contra afecções da pele e como repelente de insetos. A infusão das folhas. é considerada excelente diurético e sudorífico. que se manifesta no suco vermelho-escuro dos frutos. folhas verde-escuras com cinco a sete folíolos peciolados e ovais. ao passo que a infusão das flores é usada contra dores musculares. . no champanhe e no catchup. visto que suas flores são empregadas na produção de inúmeras loções para pele. Floresce nos meses de julho a agosto.1). considerada exótica nas Américas. os frutos são drupas negras e brilhantes (Figura 30. também é utilizada em culinária como flavorizante de inúmeros alimentos. Nomes populares A espécie é conhecida na região amazônica e em várias outras do Brasil como Sabugueiro e Sabugueiro-negro. A decocção das folhas é empregada internamente contra sarampo.Espécies medicinais Sambucus nigra L. com ramos bastante lenhosos. O nome do gênero Sambucus descrito por Carl Linnaeus significa "cor vermelha". O mesmo nome é atribuído para a espécie na região do Vale do Ribeira. além de seu histórico uso medicinal. Apresenta importante valor econômico. óleos e ungüentos. Dados botânicos A espécie é um arbusto de 3 a 6 m de altura. e possuem aroma muito agradável. e suas frutas são usadas em saladas e no preparo de sucos. gripes fortes e varicela. usada internamente. A espécie.

. De S. canadensis foi isolado o iridóide . diuréticas. tetradecênico. esteárico. 1996) e carotenóides (Osianu & Ciurdaru. nigra. Corrêa (1984) refere que o chá da inflorescência é sudorífico e que as folhas são inseticidas. cianogeninas.. gripes. catarros. para pequenas queimaduras. Kaku et al... Dados químicos Da espécie Sambucus nigra foram obtidos antocianinas (BroennumHansen & Flink. mirístico. além do uso das folhas como inseticida e anti-séptico. 1989a). flavonóides. sudoríficas. 1986). glicosídeos fenólicos (D' Abrosca et al. folhas. 1988). irritação dos olhos ou pele inflamada e úlceras. lignanas. S. descrita no trabalho de Grieve (1994). Internamente. 2001).Bown (1995) refere que flores. racemosa e S. os ácidos graxos láurico. lectinas das cascas (Shibuya et al. além de serem úteis (uso externo) contra furúnculos. oléico.. 1989. externamente. linoléico e linolênico das sementes (Karovicova et al. 1990. 1989b e 1989c). Essa espécie possui uma importante e milenar história de usos medicinais e econômicos. reumatismo e febres. sinusite. erisipelas e queimaduras. palmítico. heptadecênico. onde também podem ser encontrados inúmeros dados químicos e farmacológicos. reduzir inflamação e como diurético e anticatarral. os aminoácidos fenilalanina e leucina (Karovicova et al. casca e frutos são usados para diminuir febres. Van Damme et al. a planta ainda é indicada contra influenza.

Salvia offtcinalis. 2000). De S. 1992b e 1992). 1990).. Dados farmacológicos A nigrina b é uma lectina isolada das cascas de Sambucus nigra que apresenta estrutura e atividade enzimática semelhante à da ricina. 1997). formosana foram isolados os triterpenos ésteres chamados de sambuculina A. 1997a e 1997b). 1987). mexicana. O extrato aquoso das folhas de S. Van Damme & Peumans.. 1986). promoveu-se um teste de hemaglutinação utilizando aglutininas de várias espécies de Sambucus (Murayama et al... Sambucus nigra. que possui atividade colerética (Takeda et al. uma formulação de plantas preparada com Mentha piperita. 1997). 1996.. que apresentaram atividade anti-hepatotóxica (Lin & Tome. De estrutura semelhante também foi isolada a nigrina F. e Polygonum aviculare. 1997). Artemisia absinthium. 1995). nigra também foram capazes de induzir à agregação de neutrófilos (Timoshenko et al. 1996). porém com uma toxicidade menor em camundongos (Battelli et al. promoveu atividade antioxidante (Stajner et al. Das cascas de S. não apresentou atividade antiinflamatória nem analgésica (Salamanca et al.. conhecido como Sauco. Bojic & Cuperlovic. e das raízes de S. Schoning. indicado popularmente como anti-reumático e anti-hemorroidol. apresentou atividade vasodilatadora (Paganini et al. De S.. Com base nessa constatação. indicado para hidropisia.. antiinflamatória e antipirética. Glicosídeo cianogênico foi caracterizado em S. nigra. O reatival. 1974). sem apresentar sinais de toxicidade (Nunes et al. 1994). O extrato hidroalcoólico de S.. De Sambucus sieboldina isolou-se mucina (Harada et al. As lectinas de S. das folhas. O extrato aquoso de S. sieboldiana foi isolada uma lectina responsável pela aglutinação de eritrócitos humanos (Tazaki & Shibuya. . beta-amirina e o ácido oleanólico.. apresentou atividades analgésica. australis. os triterpenóides e esteróides (Lin & Tome.. canadensis (Buhrmester et al. Centaurium minus. ebulus foram isolados glicosídeos iridóides e um glicosídeo monoterpeno (Gross et al. 1988). com ausência de atividade tóxica (Girbes et al. 1997.morronisídeo (Jensen & Nielsen. Prunus spinosa.. 1997. 1980). formosana foram isolados. 1989).

.Sambucus nigra. 2002). 1999) e a espécie S.. Detalhe do ramo florido (Banco de imagens - ). . 2000. ebulus não foi efetiva no combate ao Helicobacter pylori (Yesilada et al.A espécie S. peruviana apresentou atividade antimicrobiana para bactérias gram-positivas (Hernandez et al. Neto et al. FIGURA 30.1 .

das quais 86 são espécies referidas exclusivamente nà região amazônica e a maioria se trata de espécies nativas e endêmicas da região. Mata Atlântica. • 79 plantas medicinais são usadas na região do Vale do Ribeira. A maioria é nativa desse ecossistema. Dessas 135 espécies medicinais. • 109 são usadas na Amazônica.Posfácio L. como é o caso do Alho (Allium sativum). e a maioria das espécies é de plantas exóticas cultivadas no Brasil. das quais 56 espécies são exclusivamente referidas pelos entrevistados que habitam a Mata Atlântica de São Paulo ou seu entorno. • 23 espécies foram referidas em ambas as regiões. C. como é o caso do Pau-ferro (Caesalpinia ferrea). entre outros. cujos dados da medicina tradicional foram obtidos por entrevistas e questionários aplicados em duas importantes regiões do país: Amazônia e Mata Atlântica paulista. da Hortelã (Menthapiperita). muitas delas espontâneas em áreas de formação secundária e capoeiras. Carambola (Averrhoa carambola) e outras. e várias também exóticas e cultivadas na região do Vale do Ribeira. . Di Stasi O livro aqui apresentado compreendeu a descrição de 135 espécies medicinais. Algumas também são espécies nativas do Brasil e com ampla distribuição no território brasileiro.

enquanto as outras 119 são dicotiledôneas. das quais apenas 135 foram selecionadas para esta publicação. entre eles a sua importância para determinado grupo estudado. várias espécies amplamente conhecidas. . 340 espécies. A seleção das espécies baseou-se em vários critérios de exclusão. tais como o Alecrim (Rosmarinus offirínalis). No caso de plantas medicinais usadas na Mata Atlântica. Se considerarmos que o sistema de arranjo sistemático das plantas vasculares adotado por Mabberley (1997) e usado neste livro inclui nas angiospermas 76 ordens e 426 famílias. a Calêndula (Calendula officinalis). Esse dado se torna mais importante porque. líquens. a Camomila (Matricaria chamamila). a Losna (Artemisia absinthium). Também não fazem parte deste livro espécies de fungos. e 21 ordens e 84 famílias são de monocotiledôneas. compreendidas em trinta diferentes ordens. a Erva-cidreira de folhas ou Melissa (Melissa officinalis). o Agrião (Nasturtium officinalis). O mesmo critério foi usado para excluir algumas das espécies referidas na Amazônia e para justificar aquelas que se encontram aqui descritas. o Guaco (Mikania ghmerata) e outras do mesmo gênero. apenas dezesseis são monocotiledôneas. ou seja. neste livro. definida pelo número de citações feitas pelos entrevistados. Além da pequena importância que essas plantas possuem nas comunidades entrevistadas. o Mamão (Carica papaya). podemos observar a imensa diversidade biológica de espécies vegetais com usos medicinais que fazem parte da cultura e do patrimônio do Brasil. o Tomate (Lycopersicum suculentum) e a Salsa (Petroselium sativum) foram referidas como medicinais. as espécies foram selecionadas a partir dos levantamentos etnofarmacológicos realizados em ambas as regiões. briófitas e seres vivos que integram outros grupos taxonômicos do reino vegetal. a Erva-doce (Pimpinela anisum). das quais 55 ordens e 322 famílias são de dicotiledôneas. ambos grupos vegetais compreendidos pelas angiospermas. a Mostarda (Brassica nigra). o Coentro (Coriandrum sativum). devemos considerar que também priorizamos espécies nativas como um dos critérios de inclusão. Não foram referidas nas entrevistas nem incluídas no livro espécies de Pteridófita e de Gimnopermas. mas por pequeno número de entrevistados (menos de 10%). razão pela qual não foram incluídas no texto. incluindo na totalidade 160 espécies referidas na Amazônia e 180 referidas na Mata Atlântica.Dessas 135 espécies medicinais. As 135 espécies de angiospermas referidas estão distribuídas em 61 famílias botânicas.

alcançando alto índice de citação. insistimos que pesquisas etnofarmacológicas continuem sendo exaustivamente realizadas em todo o Brasil. pelos mais variados grupos de pesquisadores. dados botânicos e as informações que consideramos relevantes para esta publicação.Cumpre ainda assinalar que várias espécies não identificadas completamente foram incluídas pela sua importância nos distintos grupos étnicos que as referiram como medicinais. vários estudos estão sendo feitos e a revisão bibliográfica não foi completamente realizada. O mesmo não ocorre com as espécies medicinais de uso na região amazônica. e sempre espécies vegetais podem tornar-se novas espécies medicinais e potencialmente úteis para as pesquisas farmacológicas e químicas voltadas para a obtenção de novos medicamentos. isto é. que deve ser devidamente resgatado para que não se perca. para que em futuro próximo estes possam adquirir direitos sobre os eventuais e prováveis produtos que decorrerão das pesquisas nessa área. Várias das espécies medicinais usadas na Mata Atlântica incluídas neste livro não tiveram sua revisão bibliográfica apresentada. Por isso. documentado (como aqui está sendo feito) e avaliado como propriedade intelectual dos devidos grupos pesquisados. e que esse conhecimento seja recuperado. como a de massa e a erudita. Sobre essas. devemos salientar que o conhecimento popular sobre as plantas medicinais provém de uma cultura dinâmica e que se modifica diariamente. esse conhecimento se enriquece a cada dia. caracterizando-se como espécies com efetiva tradição de uso na comunidade. razão pela qual optamos por incluir apenas os dados de uso tradicional. . ou pagaremos tal perda com a redução das possibilidades de obtenção de novos medicamentos e novas alternativas terapêuticas ou econômicas. Essas informações mostram a grande importância do conhecimento popular acerca das virtudes medicinais das espécies vegetais brasileiras. Finalmente. seja de modo espontâneo seja por influências de outras culturas.

Fruto seco. Arilo. Folhas que se inserem isoladamente em diferentes níveis do ramo. Antera. químicos e médicos Termos botânicos Actinomorfa. Amplexicaule. indeiscente. Arista. Conjunto de órgãos masculinos da flor. Extremidade sutil e dura de determinadas estruturas da planta. Bianual. Anual. Fruto carnoso com pericarpo fino e parte interna carnosa. Alternas. Diz-se da folha que apresenta a ponta aguda e comprida. Acuminada. Aguda.Glossário de termos botânicos. . o ciclo reprodutivo e depois morre. Bainha. folhas que envolvem o caule. Planta que nasce. os estames. Andróginas. Baga. Parte apical dos estames onde estão alojados os grãos de pólen. com uma única semente. termo empregado para especificar qualquer estrutura que nasça sobre o ponto de inserção da folha no caule. no segundo. Qualquer parte da planta que tem pelo menos dois planos de simetria. Estrutura basal e alargada da folha que normalmente envolve o caule. Axilar. pelo lado interno. Excrescência da semente. Hermafroditas. Aquênio. Que abraça o caule. Folha terminada em ponta com ápice de ângulo agudo. com dois sexos. Androceu. se desenvolve até dar frutos e morre em um período não superior a um ano. Que fica na axila. Planta que em seu primeiro ano tem seu ciclo vegetativo.

seco e indeiscente. Na forma de cunha. quase sempre é o verticilo floral fortemente colorido.: cana-de-açúcar. Fruto seco. que se formam ao lado da parte basal das folhas. Parte do gineceu que fica entre o estigma e o ovário. Cápsula. Cálice. Qualquer órgão foliáceo situado na proximidade das folhas. Tipo de inflorescência em que as flores são geralmente sem pedúnculo e muito próximas entre si. Cuneiforme. Dicotiledôneas. Camada externa do pericarpo. Com a forma de elipse. Diz-se da folha cuja base se estende para além do ponto de inserção no caule. mas sempre terminando na mesma altura. Conjunto de pétalas inferiores ou dianteiras de uma flor papilionada. androceu ou planta que possui quatro estames. Decorrente. Tipo de inflorescência em que as flores saem em pontos distintos do mesmo eixo. Capítulo. como o fruto das gramíneas. Qualquer órgão que cai em determinado período. Caduco. Conjunto de sépalas. . em geral dois. Estilete. Escandente.Bráctea. Pétala superior da corola papilionada. Conjunto de pétalas. Diz-se da folha cujas bordas são recortadas em dentes arredondados. que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos. Carpelo. Tecido nutritivo encontrado nas sementes. deiscente. Planta trepadeira. Didínomo. Corimbo. Deiscente. inseridas em um eixo comum. Cada um dos apêndices. Colmo. Endosperma. Epicarpo. Escapo. Decumbentes. Estandarte. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem dois cotilédones. Estipula. Fruto carnoso com uma semente dentro do caroço. Carena. Caule com articulações bem evidentes nos nós. tornando-o alado. Diz-se de caules deitados no solo com as extremidades se erguendo. Que se abre. Drupa. Crenada. Corola. com função de proteção. Flor com dois envoltórios: cálice e corola. que é o verticilo externo da flor. que produz no ápice uma flor ou inflorescência. Diz-se da flor. Diclamídea. normalmente largo. Ex. Cariopse. Pedúnculo geralmente sem folhas. dois mais altos e dois mais baixos. Folha modificada que origina o gineceu. Elíptico. Fruto monospérmico.

Estrutura existente na epiderme de órgãos e tecidos aéreos da planta e responsável pelas trocas gasosas entre a planta e o ambiente. Parte do estame que sustenta a antera. de acordo com o número de elementos que constituem todo o verticilo floral. pentâmeras etc. Fasciculada. complexas e variadas nas formas. Ao conjunto de sépalas dá-se o nome de cálice. . É um termo usual com que se designa todo órgão lateral que brota do caule e dos ramos de maneira exógena e com crescimento limitado. o de corola. As flores podem ser dímeras. que juntos constituem o perianto. As principais partes de uma f l o r podem ser observadas como segue. Flores. trímeras.Estômato. de forma geralmente laminar e estrutura dorsiventral. Folha. e ao de pétalas. que é ramificada igualmente em forma de pincel. Refere-se geralmente à raiz que não tem eixo principal. Filete.As principais partes de uma folha podem ser observadas a seguir. As flores são estruturas de reprodução. sendo a parte da planta mais importante na classificação e identificação das espécies vegetais.

sendo os principais mostrados a seguir: Outro aspecto de grande importância na morfologia foliar é a nervação.A morfologia das lâminas foliares é bastante variada. conjunto de vasos que se distribuem pela lâmina e que podem ser dos seguintes tipos: As folhas ainda podem ser descritas em relação ao seu ápice como: . e sua margem pode apresentar diversos tipos de recorte.

ou com o próprio caule. no caso das folhas compostas pinadas.ou composta . que surgem de ambos os lados de um eixo denominado ráquis. às vezes numerosas. . Os principais tipos de folhas quanto à forma de sua base e articulação podem ser observados na figura que segue.A disposição das folhas no caule constitui a base da filotaxia. Nesses casos. Essa disposição pode ser das formas demonstradas nas figuras que seguem: As folhas podem ser simples .quando consta somente uma lâmina .quando se compõem de duas ou mais lâminas. As folhas podem ainda ser classificadas quanto à base de suas folhas e de acordo com a articulação com o ramo central ou secundário. as folhas podem ser pecioladas ou não. recebendo o nome de folíolos (ou pinais). A figura que segue ilustra esses tipos de folhas. representando uma importante característica para a classificação e identificação das plantas. às vezes reduzidas.

mais aquelas apresentadas para as flores. conforme se observa na figura a seguir. Todas essas características. são essenciais para a descrição das plantas e sua correta identificação.Finalmente. . as folhas podem ainda ser classificadas quanto à forma do limbo ou lâmina foliar.

com numerosas sementes que são liberadas quando atingem a maturação. Cavidade existente dentro do gineceu de uma flor. e as principais são motivadas na próxima figura. Lâmina. Inflorescência. Provido de pêlos longos. Planta que produz flores unissexuais. Planta ou flor com dois sexos. Flor com apenas um invólucro no perianto. Estrutura filamentosa e enrolada que auxilia a fixação da planta em um suporte. Oblonga. Glabro. Fruto seco. Que não se abre. sendo assim importante na morfologia e sistemática das plantas. Porção alargada e achatada da folha. É uma denominação dada ao conjunto de flores que supõem uma ramificação que. Hirsuto. Conjunto de órgãos femininos de uma flor. em linhas gerais. Lóculo. Gavinha. Diz-se da folha que tem a forma de lança. Monóica. deiscente. é constante para cada espécie vegetal. Hermafrodita. Lâmina foliar articulada sobre a ráquis de uma folha composta. Metaclamídeos. Orbicular. Monocotiledôneas. Grupos vegetais cuja flor tem corola com pétalas concrescidas. Gineceu. Lígula. Folículo. Plantas ou grupo de plantas cujas sementes possuem um só cotilédone.Folíolo. As inflorescências podem ser de diversos tipos. porém presentes na mesma planta. Indeiscente. Lanceolada. Diz-se da folha mais longa e com bordas quase paralelas. os carpelos. Gluma. Diz-se da folha em forma de círculo. Dividido em lobos ou porções não muito profundas. Agrupamento de frutos desenvolvidos a partir de uma inflorescência. . Diminuta excrescência ou apêndice na base das folhas das gramíneas. Brácteas externas que envolvem a espigueta. mais longa que larga. Infrutescência. Desprovido de pêlos. Lobado. Monoclamídea.

1978).Principais tipos de inflorescências de angiospermas (segundo Raven et al.. .

Uncinada. . palmítico. gasoso. Papilho. fórmico. Conjunto formado por cálice e corola. cáprico. Ácido. Qualquer ácido orgânico monocarboxílico. aromáticos etc. succínico. linoléico. Rizoma. Termos químicos Acetileno. Racemo. Eixo da inflorescência ou de uma folha composta. Perene. solúvel em água. Substâncias orgânicas. fenólico e tartárico.Panícula. Ácidos são compostos que contêm um hidrogênio e um radical negativo. Hidrocarboneto não saturado. Zigomorfa. Séssil. ou parte da inflorescência capituliforme que sustenta todas as flores. incolor. Receptáculo. Conjunto de estruturas com a mesma função. Caule subterrâneo. Inflorescência na qual as flores são pedunculadas e se inserem num eixo a distância não desprezível das outras. Perianto. Que forma gancho. Verticilo. Ácido graxo. gálico. Tipo de inflorescência que corresponde a um cacho composto. Qualquer órgão ou parte orgânica que não tem suporte. Tomentoso. isovalérico. São ácidos que possuem carbono em sua molécula. Planta com ciclo de vida superior a três anos. Podem ser monobásicos. Ácidos orgânicos. Qualquer substância de sabor ácido. araquídico. com cheiro desagradável. Planta ou órgão denso. Parte basal da flor que sustenta os verticilos. Pubescente. oléico. o mesmo que cacho. mirístico. Estruturas com simetria bilateral. Cálice modificado em pêlos. Alcalóides. Pecíolo. como folha sem pecíolo ou flor sem pedúnculo. Qualquer estrutura provida de pêlos. esteárico. nitrogenadas de origem vegetal. dibásicos. cerdas ou aristas. de caráter básico e ação farmacológica enérgica. Ráquis. Exemplos: ácidos acético. Parte da folha que prende a lâmina foliar ao ramo. cujos pêlos se entrelaçam. dispostas circularmente. característico da família Asteraceae (Compositae).

Catalase. Exemplo: p-cimeno. Substâncias fenólicas que ocorrem de forma livre (agliconas). Muitas atuam na atração de insetos para a polinização de plantas e apresentam inúmeras ações farmacológicas. estragol. Betaínas. Esteróides. Flavonóides. derivados do cicloperidrofenantreno. Cumarinas. Ver esteróides. acompanhada de uma quantidade de ácido fosfórico difícil de separar. Compostos naturais ou artificiais. Compostos aromáticos. que exercem várias funções. Qualquer álcool não saturado com uma estrutura de diversos anéis. Esterol. Substâncias derivadas de lactona do ácido p-hidroxicinâmico. Exemplos: carvacrol. de cor amarela e que acompanham a clorofila e os carotenóides nas partes verdes das plantas. com caráter gelatinoso. derivados de hidrocarbonetos por substituição de um ou mais átomos de hidrogênio por uma ou mais hidroxilas (OH). amarelos e roxos. Compostos orgânicos que possuem um grupo -CO unido por suas duas valências a um átomo de carbono. Cetonas. voláteis. Compostos alifáticos. Enzima que desdobra peróxido de hidrogênio em água e oxigênio. Compostos com uma hidroxila ligada diretamente a um carbono do anel benzênico. Qualquer composto orgânico que possui o grupo -CHO unido ao hidrogênio ou ao carbono de um radical orgânico. Fitosterol. composto formado por combinação da água com carbono e que possui a fórmula tipo Cn(H20) Carotenóides. Amilopectina. Carboidrato. ou ligadas a açúcares (glicosídeos). encontrado nos organismos vivos. Compostos derivados da 2-fenil-benzopirona. Fenóis. Flavonas. Aminoácidos. Compostos orgânicos em cuja molécula figuram os grupos carboxila e amina. originam as flavononas. vegetais e animais. odor característico facilmente reconhecido nas espécies de guaco. que podem ou não acompanhar a clorofila nos cloroplastos. como a quercetina. São corantes vegetais. Aldeído. Ou hidrato de carbono. timol. tais como os hormônios. Quando reduzidas nos carbonos 2 ou 3. Aminas com fórmula de dois pólos deferentes. Substâncias cuja molécula contém um anel benzênico. eugenol e hidroquinonas.Alcoóis. Uma das substâncias constituintes do amido. Líquidos incolores. Compostos orgânicos não-cíclicos. . onde exerce importantes funções.

liberando um ou mais açúcares e um outro componente denominado aglicona. Hormônio secretado pelo pâncreas. que se obtém pela destilação de água com plantas ou outras substâncias aromáticas. Mucilagens. com importante função no metabolismo dos açúcares pelo organismo. com propriedade de diminuir irritações locais da pele e mucosas. pela ação de ácidos diluídos. Glicosídeos. Compostos cíclicos. Substâncias incrustantes que acompanham a celulose nas paredes celulares dos tecidos chamados lignificados e que possuem caráter aromático. Qualquer enzima que decompõe o peróxido de hidrogênio sem deixar oxigênio livre. Nome genérico das gorduras ou substâncias insolúveis em água. Peróxido. Compostos cíclicos. Lignanas. Insulina. Insaturados. Heterosídeo. derivados de terpenos com grande ocorrência na família Asteraceae (Compositae). Substâncias que. Qualquer substância constituída exclusivamente por carbono e hidrogênio. sofrem hidrólise. recobrindo-as com uma camada protetora. Combinações orgânicas do tipo da glicose. Possui composição química diversificada e algumas atividades farmacológicas de interesse. derivados do fenilpropano. Óxido em que existem dois átomos de oxigênio diretamente ligados e que formam água oxigenada. Óleo essencial.Fosfolipídio. Líquido incolor e aromático. Ligninas. Lactonas. geralmente de odor agradável. Hidrolato. Glicosídeo que por hidrólise não produz exclusivamente a glicose. ocorrendo livremente ou ligados a açúcares. obtido de plantas mediante destilação por arraste com vapor d'água. Diz-se dos compostos orgânicos que apresentam ao menos uma ligação dupla ou tripla. Lipídios. Polímeros de açúcares (polissacarídeos). oxidando outros compostos. por aquecimento em meio ácido ou por ação de enzimas. Hidrocarboneto. Líquido oleoso. . Peroxidase. Qualquer lipídio que contenha uma molécula de ácido fosfórico. Exemplos: digitoxina e estrofantina. Glicídios. que se extraem de órgãos e partes vegetais com solventes orgânicos.

Adstringente. às vezes. Dor sufocante. Antiblenorrógico. perda momentânea da razão. Perda da capacidade de exprimir a linguagem por palavras escritas ou sinais. Alucinação. Falta de menstruação. Que combate as convulsões (contrações violentas. Antigonorréico. Antifertilidade. Que exerce efeito lesivo sobre as bactérias. a sangue). Angina.Termos médicos Abortivo. Antiespasmódico. Que suprime náuseas ou vômitos. . sufocação. antigonorréico. Que combate a disenteria (desordem intestinal com aumento do número de evacuações de fezes misturadas a muco e. Que produz perda parcial ou total da sensibilidade. Estado em que o sangue é deficiente em qualidade e quantidade de glóbulos vermelhos. Anestésico. Antidisentérico. Auticonvulsivante. Que aperta. Tumor maligno com disposição glandular. ato ou efeito de desvariar. Antiemético. Adenocarcinoma. Lesão na pele com aparecimento de pus por infecção dos folículos pilosos. Anticatarral. Amenorréia. Analgésico. aglomeração. involuntárias de músculos voluntários). Antiescorbútico. Antifúngico. Que combate a doença inflamatória da mucosa genital provocada pelo gonococo Neisseria gonorrhoeae. Que alivia espasmos (caracterizado por contração involuntária. podendo ser feminina ou masculina. doença sexualmente transmissível. Que combate a diabetes (doença caracterizada pela falta de insulina e eliminação de grande quantidade de urina). Que reduz a capacidade de reprodução. Que combate fungos. Antibacteriano. que provoca constricção. Queda dos cabelos. Capaz de promover expulsão do feto. Alopecia. Que combate o escorbuto (estado mórbido por carência de vitamina C no regime alimentar). Afrodisíaco. Que aumenta ou excita o desejo sexual. calvície. em conseqüência de lesão do sistema nervoso central. Expectorante. Que reduz ou suprime a dor. que prende. Delírio. Acne. Anemia. Agrupamento. violenta. que impede a formação de catarro. Agregação. Que combate a eliminação de muco. Afasia. de um músculo ou grupo de músculos). especialmente táctil e dolorosa. Antidiabético.

Que combate as doenças provocadas por vírus. Que combate a histeria. Anti-sifilítico. Anorexia. Antiinflamatório. Que combate a lepra. quase sempre transmitida por contato sexual. Antileucorréico. Que combate a malária (doença transmitida por um mosquito e causada por um protozoário do gênero Plasmodium). Brônquios. . Que faz baixar a temperatura.Anti-helmíntico. Em geral se forma na bexiga. termo comumente usado para definir produtos capazes de reduzir a incidência ou controlar a quantidade de microorganismos. Antileprótico. Relativo à tosse. Antivenéreo. Que impede a fermentação. Que dilata os brônquios. Antipruriginoso. Canais da árvore respiratória por onde passa o ar. que serve para o tratamento da tosse. Ataxia. formada por sais minerais. Que combate o corrimento vaginal simples. Que combate a formação de tumor maligno. especialmente bactérias. Que combate as inflamações. Falta de coordenação motora e capacidade de movimentação. nos rins e/ou na vesícula biliar. insensibilidade. Que combate a prurigem (dermatose caracterizada por intensa coceira). Anti-séptico ou Antisséptico. desinfetante.no. inatividade. putrefação ou contaminação microbiana. Que age contra as doenças sexualmente transmissíveis. febre paludosa ou palustre. Cálculo. Apatia. Antinociceptivo. Antineoplásico. Antimicrobio. Anti-reumático. falta de emoção. Que combate a sífilis. Antitérmico. Broncodilatador. Que combate helmintos. Estado de indiferença. doença causada pelo Treponema pallidum. Massa inorgânica anormal no organismo animal. em geral acompanhada por desordens na fala. Béquico. popularmente chamados de vermes dos intestinos. Que combate hemorróidas (tumor vascular constituído por varizes infectadas da região anal). Anti-hemorroidal. Que combate o reumatismo. Antivirótico. Também denominado antipirético e febrífugo. Que combate estímulos dolorosos nocivos ao organismo. Anti-histérico. também chamada de paludismo. Antitumoral. Redução ou perda de apetite. Que combate micróbios. Que combate tumores. Antimalárico.

Que deprime. Cardiotônico. Que favorece o fechamento de feridas cutâneas e recompõe tecidos lesados. muitas delas usadas para destruir células tumorais. Citotóxico. Cicatrizante. Infecção por bactérias. Alteração do sistema digestivo caracterizada por má digestão. Dificuldade na deglutição. gripe comum. Colagogo. também. Doença da pele de caráter inflamatório e com formação de bolhas. produzindo lesões nos órgãos e com a presença de bactérias no sangue. Diaforético. Prisão de ventre ou. reduz a excitação. Depurativo. Que favorece o fluxo biliar. Substância que possui propriedade de ser tóxica para as células. gripe. Acúmulo exagerado de sangue em determinada zona. Emético. Emenagogo. Que provoca vômito. reduz a força. particularmente a pele inflamada e porções próximas. Dermatite. Eczema. Sudorífico. libera a passagem de um vaso ou canal. Respiração difícil. Aumento do líquido entre as células nos tecidos ou nos espaços intercelulares. Congestão. sensação de peso ou queimação no estômago. do intestino. Purgativo. medicamento que restabelece o ritmo cardíaco. Disfagia. Desobstruente. que separa substâncias nocivas. Constipação. que previne a invasão de microorganismos. . crostas e secreção. do estômago etc. Que desentope. Que combate as infecções ou seus agentes causadores. Edema. Depressor. Que favorece ou provoca menstruação. Inflamação da pele. Indigestão. Catártico. dificuldade para respirar. Dispnéia. empachamento. Emoliente. enfraquece. medicamento que apressa e aumenta a evacuação intestinal e provoca purgação. Que favorece a secreção urinária. Desinfetante. Diurético. Que alivia a distensão por gases. Carminativo. Dispepsia. caracterizado visualmente pelo inchaço. que ativa a eliminação de bile. purifica. que aumenta ou provoca a secreção urinária. resfriado. acompanhada de náuseas. Que tem a propriedade de amolecer. Que limpa.Carbúnculo. Que exerce efeito tônico sobre o coração. estimulante da transpiração.

Eructação. Que diminui a da taxa de colesterol no sangue. Que combate fungos. Hipotensor.Erisipela. Farmacoterápico. que melhora o funcionamento do fígado. Relativo ao fígado. Estupefaciente. Fitofármaco. Que combate a febre. Hepatotóxico. com vermelhidão. Estomáquico. Que aumenta a pressão sangüínea. Que baixa a taxa de glicose no sangue. obtido tanto por síntese como a partir de produtos de origem natural. Fungicida. Hiperglicemia. Doença provocada por parasita da pele e tecido subcutâneo. Ictericia. Que baixa a pressão sangüínea. espanto. Que estimula ou provoca a ação. Hemostático. deposição de bile nos tecidos. lentidão anormal dos batimentos cardíacos). Hipocolesterolêmico. Hepático. Taxa de glicose (açúcar) no sangue acima do normal. que leva à perda de atividade. que estanca hemorragia. produz sono e alivia a dor (narcóticos). Que produz imobilidade emocional. Que facilita a saída das secreções das vias respiratórias. Excitante. com anemia. febre e dores (provocada por bactérias do tipo estreptococo). Células do fígado. Emprego de fitoterápicos no tratamento de doenças. Estimulante. Hipoglicemiante. Acúmulo anormal de líquido debaixo da pele ou em uma ou mais cavidades do corpo. Febrífugo. Expectorante. Flatulência. Hepatócitos. Glicosúria. Fitoterápico. O mesmo que arroto. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) plantas medicinais inteiras ou partes dela. Capaz de promover estímulos. Produto medicinal farmacêutico que possui como matéria(s)prima(s) substância(s) ativa(s) isolada(s) de plantas medicinais. Hipertensor. estado de irritação. no estômago etc. Hidropisia. Derrame de bile no sangue. Presença de taxa anormal de açúcar na urina. Relativo a hemostasia. Fitoterapia. que facilita as funções do estômago. Tóxico para as células do fígado. pigmentação amarela generalizada da pele. Relativo ao estômago. Distensão por gases no intestino. Produto medicinal farmacêutico com estrutura química definida. com bradicardia (pulso lento. . assombro.

Sialagoga. afecção cutânea. Morféia. Poliária. Dilatação da pupila. importantes para a coagulação sangüínea. o mesmo que laxante. Que alivia excitação. purgante. Que resolve. Qualquer agente químico capaz de provocar mutações (transformação da informação genética que resulta em células ou indivíduos com diferenças). Que mata ou destrói parasitas. Estado que é tóxico ao rim. purgativo fraco. impaludismo. Peitoral. Lenitivo. que acalma. Midríase.Impingem. Maleita. medicamento para o tratamento de doenças pulmonares ou do peito. Moluscicida. Grau ou índice de parasitas no sangue. tranqüilizante. . Que adoça ou acalma. Que laxa ou afrouxa. Linfocitotóxico. Parasiticida. como no caso da esquistossomose). Corpúsculos sangüíneos. Que produz gordura. Relativo a peito. calmante. Lipemia. Tóxico para as células brancas do sangue. Purgativo. Plaquetas. Laxativo. Mutagênico. que faz cessar inflamação. que apenas exonera o intestino. Excreção excessiva de urina. Nefrotoxicidade. Resolutivo. Incapacidade de reprodução. Infertilidade. dorso). Dor na região lombar (costas. Substância que mata insetos. Inseticida. Malária. Lumbago. produzindo sono e alívio da dor. Que combate moluscos (alguns são transmissores de doenças. Substância que apressa e aumenta a evacuação intestinal. Sedativo. Presença de taxa elevada de gordura no sangue. Parasitemia. Lepra. Que provoca fluxo de saliva ou salivação. Narcótico. Que produz sono ou inconsciência. droga que paralisa as funções do cérebro. Doença ou alteração cutânea de natureza alérgica. Lipogênico. causado por gordura.

Sialorréia. Próprio para curar feridas. Diaforético. Vulnerário. Medicamento que se aplica às pessoas feridas ou que tenham sofrido queda. . Supirativo. Que provoca vesículas. Testículo. Sinusite. Desenvolvimento de anormalidades fetais. Que destrói ou afugenta vermes. Tranqüilizante. Tônico. Salivação abundante. que acalma. bolhas. Que tranqüiliza. Vermífugo. Que produz pus. Tóxico para o zigoto. Vesicante. que facilita a saída de pus. Sudorífico. Revigorante. Órgão sexual masculino que produz espermatozóides. que restabelece o estado de saúde ou do órgão. Inflamação em um ou nos dos seios nasais. Zigotóxico. Teratogênese.

Referências Bibliográficas As referências bibliográficas estão aqui apresentadas por ordem alfabética dos autores e sistematizadas da seguinte forma: • • • • Apenas o primeiro autor. ABDU-AGUYE. Chemical & Pharmaceutical Bulletin (Tokyo).38. D.23. página e ano. v. Khim.5. 1995. Prir. p. F. et al. p. p.499-500. seguindo-se o título do congresso. ABDEL-KADER. n. incluindose volume.1294-7.60. página inicial e página final e ano de publicação. Não são apresentados os títulos dos trabalhos. p. . Um autor. et al. n. Human Toxicol. I. p. 1986. Biochemical Systematics and Ecology.871-2. R. Os dois autores.12.4. simpósio ou similar. nos casos de dupla autoria. Prod.326-32.7-8.3. M. (Tashk). 1995.269-74. P Lilloa. os autores são citados no texto. . v. 1995a. S. n.43. et a l j . ABDALA. O mesmo se aplica a teses.2. n. Prir. ABDULLAEV. 1985. et al. Khim. v. seguindo-se o ano de publicação e a referência bibliográfica com a autoria (conforme trabalhos e livros).3.l69-71. apenas sua referência. SEELIGMANN. n. n. seguindo-se o título do livro e todos os dados de imprenta necessários para a obtenção do material. • Quando se trata de resumo de Anais de congressos. dissertações e outras publicações do gênero. v. 1997.657-63. fascículo. Nat. v.5. os autores são citados como nos casos das revistas. Soedin (Tashk). N. 1986. p. Soedin. n. ABE. p. • Quando se trata de livro. . nos casos em que há mais de dois autores.. L. nos casos de única autoria..

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102. 351-2 Baccharis trimera. 345. 154 Alternanthera micrantha. 467-8. 69-74. 339-40 Anacardium giganteum. 381-5. 115 Aristolochia trilobata. 391 Allium cepa. 62 Alternanthera brasiliana. 42-3 Andropogon nardus. 111 Annonaceae. 316 Bidens bipinnatus. 65. 480. 202-4 . 65. 468-9. 467. 65-6. 152. 465. 463-5 Asterales. 463 Asteridae. 364 Apocynaceae. 95-9. 52. 93. 113-5. 79 Alismatidae. 77 Aloe vera. 227-8. 75 Allium sativum. 58. 79 Aristolochia. 475. 475. 488 Bauhinia forficata. 140-1. 340-3. 386 Asteraceae. 96. 361 Andropogon leucostachys. 487 Alismataceae. 480 Bignoniaceae. 143 Acanthospermum australe. 449 Bixa arborea. 458-6 Achillea millefolium. 119 Aristolochiaceae. 368 Arecaceae. 376 Araliaceae. 113 Aristolochiales. 68. 377-78. 468-9. 90 Apiaceae. 373 Averrhoa bilimbi. 81 Arecidae. 479. 489 Bidens pilosa. 351-2 Averrhoa carambola.Índice de nomes científicos Abuta sabdwithiana. 56. 223 Bixa orellana. 67. 110 Annona tenuiflora. 360 Anacardium occidentale. 453. 342-3. 461 Ageratum conyzoides. 78 Alpiniajaponica. 79 Allamanda cathartica. 113 Asclepiadaceae. 466 Adenocalyma alliaceum. 450. 149-50 Amaranthaceae. 3512. 43 Annona muricata. 201-2. 364 Apiales. 474. 90-3. 148 Anacardiaceae. 149.

236 Euterpe edulis. 284 Hyptis crenata. 283. 83 Eryngium ekmanii. 441 Inga spectabilis. 430. 145 Caryophyllus aromaticus. 225 Guttiferales. 395 . 272 Clidemia novemnervia. 386-7 Gentianaceae. 171 Gossypium barbadense. 366-7 Hymenaea courbaryl. 154. 413-4. 178 Cybianthus. 53-4 Coutoubea spicata. 163-4 Chrysobalanaceae. 322 Clusiaceae. 147 Caryophyllidae. 61 Heliotropium indicum. 49 Cymbosena roseuna. 296 Fabales. 264-5 Cymbopogon citratus. 324. 63 Heliconia. 231 Celastraceae. 331 Celosia argentea. 163 Chenopodium ambrosioides. 379. 210. 308 Dipteryx punctata. 185. 393 Cordia verbenacea. 287-8 Cassia reticulata. 411 Hibiscus furcellatus. 276 Fischeria cf. 212-3. 471 Gomphrena globosa. 302 Echinodorus grandiflorus. 298 Derris amazônica. 205 Hibiscus rosa-sinensis. 388 Croton cajucara. 230-2. 280. 375 Gnaphalium purpureum. 54. 231 Celastrales. 236 Euphorbiales. 496 Caryophyllales. 327 Cassia multijuga. 382-3. 272. 408-9. 407. 235 Cecropiaceae. 298 Derris floribunda. 259 Commelinidae. 238 Cucumis anguria. 151-2. 287 Cecropia peltata. 265 Caprifoliaceae. 387 Gentianales. 41-2 Convolvulaceae. 398.Bixaceae. 190 Cucurbitapepo. 297 Capparidaceae. 440 Costus spiralis. 242. 44. 315 Caesalpinia pulcherrima. 385 Hirtella. 205. 214 Himatanthus. 237. 275 Hydrocotyle exigua. 490 Euphorbiaceae. 175 Diplotropis purpurea. 319 Dipsacales. 266 Capparidales. 215. 259 Hedychium coronarium. 224 Hibiscus sabdariffa. 394-5 Ipomoea quamoclit. 481. 402-3 Cactaceae. 299. mariana. 165. 150. 206-7. 470. 496 Dipteryx odorata. indicus. 299 Dillenidae. 276-7 Cajanus cf. 279. 373 Eupatorium ayapana. 80. 247. 300. 82-3 Fabaceae. 295. 301-2. 170 Chenopodiaceae. 282-3. 152-3. 179 Cucurbitaceae. 365-9. 281. 201 Boerhavia difusa. 211. 172 Boraginaceae. 207. 312 Ipomoea batatas. 213. 155-6 Caesalpinia ferrea. 286. 406 Brunfelsia grandiflora. 292. 292 Caesalpiniaceae. 287 Cassia occidentalis. 46-7. 285. 318 Desmodium tortuossum. 255 Croton sacaquinha. 178-9.

Jacaranda caroba. 336 Maytenus ilicifolia. 103 Myrocarpus frondosus. 432 Ocimum micranthum. 426. 135 Piper marginatum. 204 Malvales. 167-9. 107 Leguminosae. 239-40. 229 Musa. 87 Magnoliales. 161-2 Portulaca pilosa. 42 Pogostemon patchouly.120 Piperales. 192-3. 195 Mabea angustifolia. 191-2. 125. 425. 208 Malvaceae. 442 Leucas martinicensis. 369-72 Portulaca oleraceae. 424. 108 Persea gratíssima. 134 Piper d. 303 Myrsinaceae. 166 Piper cavalcantei. 422-3. 258 Physalis angulata. 181-2. 447 Polygalales. 89 Malpiguiaceae. 446 Origanum vulgare. 406 Lauraceae. 173 Phyllanthus corcovadensis. 238-9. 133 Piper gaudichaudianum. 389 Luffa cylindrica. 431. marcgravii. 402-5 Phytolacaceae. 256 jatropha gossypifolia. 418 Mentha viridis. 427-8. 412-3 Lamiales. 425-6. lhotzkyanum. 180. 432. 132 Peperomia. 337 Malva parviflora. 252. 64 Lippia alba. 493. 39. 443 Liliaceae. 200 Maytenus aquifolium. 191 Lamiaceae. 445 Mimosaceae. 416. 422 Oxalidaceae. 139 Mentha piperita. 334-6 Melastomataceae. 435 Loganiaceae. 419-20. 131. 332. 60 Myristicaceae. 136 Piperaceae. 158 Pothomorphe peltata. 494-5 Passiflora coccinea. 240-1 Magnoliidae. 221-2. 121. 311 Momordica charantia. 122-3 Piper cernnum. 399-400. 130. 106 Laurus nobilis. 245. 241. 414. 161 Ocimum basilicum. 158-9. 156-7 Persea americana. 453 Peperomia elongata. 332. 337 Polyscias. 431. 277 Leonotis nepetaefolia. 321 Nyctaginaceae. 429. 451-2 Jatropha curcas. 184-9. 160. 64-5 Liliales. 199 Passifloraceae. 250-1. 123. 185. 196 Monocotiledonae. 137 . 79 Moraceae. 432 Ocimum canum. 427 Ocimum gratissimum. 126-7. 162 Portulacaceae. 254. 129. 64 Liliidae. 124. 121-2 Pereskia grandifolia. 415-6. 417. 120 Poaceae. 419. 125. 427. 444 Mentha pulegium. 323-4 Myrtales. 61 Musaceae. 321 Menispermaceae. 244-6. 108 Petiveria alliacea. 420. 262 Myrtaceae. 251 Lacistema. laniflora. 434-5 Lippia granais. 192 Pedaliaceae. 198 Lacistemaceae. 233 Muntingia calabura. 427. 495 Palicourea cf. 421. 128. 350 Palicourea cf.

497-500 Sansevieria. 393 Solanum paniculatum. 262 Prunus domestica. 363 Rutaceae. 350. 273 Rosales. 409. 226 Solanaceae. 478 Theobroma grandiflorum. 101. 312. 463 Scrophulariaceae. 55. 452. 339 Schinus terebenthifolius. 94-5. 492 Rubiales. 132. 274 Psydium cf. 138 Primulales. 482. 182 Sesamum indicum. 139 Rhynchanthera grandiflora. 354-7. 330 Pyrostegia venusta. frutescens. 197 Xylopia cf. 208-9. 361 Sterculiaceae. 76 Sapindales. 449 Sechium edule. 228 Thevetia peruviana. 230-1 Verbenaceae. 216 Stigmaphyllon fulgen. 50 Sambucus nigra. 338 Strychnos triplinervia. 51 Zinnia elegans.Pothomorphe umbellata. 58 Zingiberaceae. 349. 338 Stigmaphyllon strigosum. 213. 99. 344. 209 Urticales. 390 Symphytum officinale. 492 Ruta graveolens. 484 Zollernia ilicifolia. 353 Saccharum officinarum. 189. 322 Rosaceae. 379-85 Tiliaceae. 457 Scrophulariales. 112 Zingiber officinale. 233-4 Spilanthes acmella. 218. guineense. 221 Urena lobata. 457-60. 473-4. 227 Theobroma speciosa. 401 Solidago microglossa. 400 Solanum tuberosum. 271 Rosidae. 360 Scoparia dulcis. 474. 45. 345. 491 Spondias purpurea. 453-6 Sida rhombifolia. 48. 51 Zinigiberidae. 397-8 Solanales. 127. 215-6. 412 Tagetes erecta. 485. 326 Psydium guajava. 269 Rubiaceae. 471 Sorocea bomplandii. 462 Ranunculales. 320 . 477. 434 Violales. 347. 472. 217-9. 479. 260-1 Wilbrandia ebracteata. 177-8 Virola surinamensis. 183. 325-9. 52 Zingiberales. 103-6 Vismia japurensis.

SOBRE O LIVRO Formato: 1 6 x 23 cm Mancho: 27.Estúdio Gráfico (Diagramação) .5 x 49 paicas Tipologia: lowan Old Style 10/15 Papel: Offset 75 g / m 2 (miolo) Cartão Supremo 250 g / m 2 (capa) 2» edição: 2003 EQUIPE DE REALIZAÇÃO Coordenação Geral Sidnei Simonelli Produção Gráfica Anderson Nobara Edição de Texto Nelson Luís Barbosa (Assistente Editorial) Nelson Luís Barbosa (Preparação de Original) Marcelo Rondinelli e Ada Santos Seles (Revisão) Editoração Eletrônica Lourdes Guacira da Silva Simonelli (Supervisão) AVIT'S .

e Clélia Akiko Hiruma-Lima. do Instituto de Biociências (IB) da UNESP. do Departamento de Fisiologia. estimulam a realização de estudos desse gênero que recuperem e documentem o conhecimento popular das mais diferentes populações autóctones. do Departamento de Farmacologia. Campus de Botucatu.Ao coordenar a equipe científica multidisciplinar responsável pelo livro. os biólogos Luiz Cláudio Di Stasi. Capa: tsabel Carballo .

estudadas pelo seu potencial dores condições de atingir o desenvolvimento sustentado com a extração e conservação dos produtos medicinais existentes no seu próprio hábitat. ponto de partida para a identificação e catalogação de 135 espécies vegetais daquelas regiões que.Esta cuidadosa pesquisa etnofarmacológica tem como fonte moradores da Floresta Amazônica e da Mata Atlântica. .