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Enciclopédia da Bíblia

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[Org.]
Tradução: Barbara Theoto Lambert

Enciclopédia da

Título original: The Illustrated Encyclopedia of the Bible © Lion Publishing plc 2001 © do texto: 2001 John Drane ISBN 0-7459-5061-2

Acknowledgments
We are grateful to the following contributors to the original Lion Encyclopedia of the Bible, whose material has been included in this book: David Clines MA John Drane MA, PhD Margaret Embry BA, BD David Gillett BA, MPhil Ralph Gower MEd, BD Colin Hemer MA, PhD Kenneth Kitchen BA, PhD Robin Keeley BA Alan Millard, MA, MPhil, FSA Margaret Moore BA, BD
CDD-220.3

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Enciclopédia da Bíblia / organizada por John Drane ; tradução Barbara Theoto Lambert. -- São Paulo : Paulinas : Edições Loyola, 2009. Título original: The illustrated encyclopedia of the Bible. ISBN 978-85-356-2430-4 (Paulinas) ISBN 978-85-15-03612-7 (Loyola) ISBN 0-7459-5061-2 (ed. original) 1. Bíblia - Dicionários e enciclopédias. I. Drane, John. 09-01773 Índice para catálogo sistemático: 1. Bíblia : Enciclopédias 220.3

Stephen Parish Dip Th John Paterson MA

Revisão: Ana Elis N. M. Andrade Revisão Técnica: Cássio Murilo Dias da Silva Diagramação: Inês Ruivo Andrade

Picture Acknowledgments
Cover Mithras slaying the bull; vase from Vulci c. 440 BC (bottom left, front cover); ivory carving of lion and lotus plants: © The British Museum Oak tree: Roger Kent Pomegranate juglet, Jerusalem c. 700 BC (top right, front cover); Amorite jar (back cover): © The Ashmolean Museum, Oxford Old man; palm tree; shepherd: David Townsend/Lion Publishing Background illustrations of Solomon’s Temple and Herod’s Temple: Stephen Conlin Prelims and Introduction Title page (anticlockwise) Background map: David Atkinson Roman soldier: Martin Sanders Solomon’s pillars, Timna Park, Negev: Jon Arnold Wine jar from Judea: Zev Radovan Persepolis: PowerStock Photo Library Rural house reconstruciton: Zev Radovan Caesarea: Stephen Conhn Alexander ihe Great: Zev Radovan Treasury at Petra: Jon Arnold View across the Nile: Jon Arnold Page 5 Dagger, Royal Treasure at Ur: © The British Museum, by courtesy of the Trustees Gold jewellery, mid‑second millennium BC: Zev Radovan Israelite seal inscribed ‘belonging to Shallum’; 7th century BC: Zev Radovan Seal with four‑winged creature, 8th century BC: Zev Radovan Page 6 Sacred tree plaque from Ahab’s ivory palace: Zev Radovan Seal inscribed ‘Amos the scribe’; 8000‑7000 BC: Zev Radovan Roman glass cosmetics container: Zev Radovan Page 7 Gold Astarte, Gezer, 14th century BC: Zev Radovan Phoenician seal, Dor: Zev Radovan Israelite seal inscribed ‘To Pedajah son of the King’, 6th century BC: Zev Radovan Spearhead, c. 2000 BC: Zev Radovan Page 8 Tools of a Roman doctor: Zev Radovan Egyptian pen case: Ashmolean Museum, Oxford Israelite seal inscribed ‘belonging to Abdi, servant of Hoshea’: Zev Radovan Part‑openers All part‑opener illustrations: Simon Bull

Paulinas Rua Pedro de Toledo, 164 04039-000 São Paulo, SP T 55 11 2125 3549 F 55 11 2125 3548 Telemarketing e SAC: 0800 7010081 editora@paulinas.com.br www.paulinas.org.br Edições Loyola Rua 1822, 347 04216-000 São Paulo, SP Caixa Postal 42.335 – 04218-970 São Paulo, SP T 55 11 2914 1922 F 55 11 2063 4275 editorial@loyola.com.br vendas@loyola.com.br www.loyola.com.br
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora.

ISBN 978-85-15-03612-7 © EDIÇÕES LOYOLA, São Paulo, 2009 © Pia Sociedade Filhas de São Paulo, São Paulo, 2009

Sumário
Introdução 9

Parte 1. Esboço da História Bíblica
Os patriarcas e seu mundo 18 O êxodo do Egito 20 Os israelitas entram em Canaã 22 A era dos juízes 24 Os primeiros reis 26 Dois reinos 28 A ascensão da Assíria 30 A invasão babilônia 32 Do exílio ao retorno 34 Os impérios grego e romano 36 Breve história de Jerusalém 38 Nos passos de Jesus 40 O nascimento do cristianismo 42 As viagens de Paulo 44 As primeiras Igrejas 46

Parte 2. Povos e Impérios
Os sumérios 50 Os egípcios 52 Religião e crenças egípcias 54 Os canaanitas 56 Os filisteus 58 Os assírios 60 Os babilônios 62 Religião e crenças babilônias 64 Os persas 66 Os gregos 68 Civilização helenística 70 Os romanos 72 Religião e crenças romanas 74 Nações ao norte e ao sul 76 Nações a leste e a oeste 78

Parte 3. O Mundo da Bíblia
o mundo natural da Bíblia As terras da Bíblia 82 Geografia regional 84 Clima e recursos naturais 86 Plantas e flores 88 Árvores e arbustos 90 Mamíferos e aves 92 vida familiar nos tempos da bíblia A família 94 Casamento e bodas 96 Um recém-nascido 98 Educação 100 Trabalho diário 102 O ano agrícola 104 Comida e bebida 106 Leis e hábitos alimentares 108 Roupas e cosméticos 110 Tendas e casas 112 Dentro de casa 114 O mundo social da bíblia Reis e governantes 116 Guerra 118 Cidades, vilas e aldeias 120 Viagem e transporte 122 Comércio 124 Dinheiro, pesos e medidas 126 Artes e ofícios 128 Cerâmica 130 Construção e construtores 132 Mineração e metalurgia 134 Fabricação de roupas 136 Saúde e medicina 138 Jogos e esportes 140 Instrumentos musicais 142

Parte 4. Religião e Culto
Crenças antigas 146 O Deus criador de Israel 148 A fé de Israel 150 As leis de Deus na prática 152 Feriados e dias santos 154 Feriados anuais 156 O Tabernáculo 158 Três templos 160 Sacerdotes e rituais 162

Morte e além-vida 164 Os profetas 166 Grupos e seitas 168 Religião do Novo Testamento 170 Os primeiros cristãos 172 A prática da oração 174

Parte 5. A Vida e o Ensinamento de Jesus
O Jesus da história 178 Jesus, o líder 180 Jesus, o mestre 182 Jesus, o curador 184 Jesus, o profeta 186 Jesus, o condenado 188 Jesus, o salvador 190

Parte 6. A Bíblia Livro a Livro
Entendendo a Bíblia 194 196 O Pentateuco A Torá ou Pentateuco: visão geral Gênesis 198 Êxodo 200 Levítico, Números 202 Deuteronômio 203 Livros Históricos Livros históricos: visão geral Josué 206 Juízes 207 1 e 2 Samuel 208 1 e 2 Reis 210 1 e 2 Crônicas 212 Esdras, Neemias 213 Rute 214 Ester 215

204

Sabedoria e poesia Sabedoria e poesia: visão geral 216 Jó 218 Provérbios, Eclesiastes 219 Salmos 220 Cântico dos Cânticos, Lamentações 221 Os profetas Os profetas: visão geral Amós 224 Oséias 225 222

Isaías 226 Miquéias, Sofonias 228 Naum, Habacuc 229 Jeremias 230 Ezequiel 232 Daniel 233 Ageu, Zacarias 234 Malaquias 235 Joel 236 Abdias, Jonas 237 Entre os testamentos Entre os testamentos: visão geral 238 Os livros deuterocanônicos 240 Os Evangelhos e os Atos Os Evangelhos e os Atos: visão geral Marcos 244 Mateus 246 Lucas 248 Atos dos Apóstolos 249 João 250 242

Escritos dos apóstolos Escritos dos apóstolos: visão geral 252 Tiago 254 Hebreus 255 1 Pedro 256 Judas, 2 Pedro 257 Gálatas 258 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses 259 1 Coríntios 260 2 Coríntios 261 Romanos 262 Filipenses, Colossenses 264 Filemon, Efésios 265 As epístolas pastorais, 1 Timóteo 266 2 Timóteo, Tito 267 1 João 268 2 e 3 João 269 Apocalipse 270

Parte 7. Localizador Rápido
Israel no Antigo Testamento 274 Israel no Novo Testamento 275 Pessoas 276 LUGARES 290 TEMAS 302 Índice Remissivo 310

Introdução
O que é a Bíblia?
A Bíblia é um dos grandes clássicos da literatura mundial. Ainda que suas histórias possam ter ocorrido muito tempo atrás, num punhado de pequenos países no extremo oriental do mar Mediterrâneo, até hoje ainda são lidas com entusias‑ mo por milhões de pessoas mundo afora. Suas partes mais recentes têm quase 2 mil anos de idade, enquanto as origens das partes mais antigas se perderam para sempre nas névoas da antiguidade. Mas sua combinação única de relatos épicos, história, filosofia reflexiva, poesia, comentário político e muito mais decorre da fusão de todos os elementos de aventura, excitação e sus‑ pense que poderíamos esperar de um moderno dra‑ ma televisivo. De fato, a Bíblia tem fornecido rotei‑ ros para diversos filmes de Hollywood. Foi traduzida para mais línguas do que qualquer outro livro na história, e suas partes mais conhecidas estão dispo‑ níveis hoje em mais de duas mil línguas. A Bíblia também tem sido a inspiração por trás de diversos grandes movimentos sociais. No século XIX, por exemplo, William Wilberforce se inspirou no que leu naquelas páginas e se lançou numa cam‑ panha para abolir a escravidão. No mesmo período, o político britânico conde de Shaftesbury leu a Bí‑ blia e se comprometeu a interromper a exploração de mulheres e crianças por seus patrões. Em mea‑ dos do século XX, o líder religioso afro-americano Martin Luther King contestou e mudou todo o curso das relações raciais nos Estados Unidos com base no que conhecia da Bíblia e de sua mensagem. E, no final do século XX, muito da pressão que levou ao colapso do sistema de apartheid, que se‑ gregava as raças na África do Sul, veio de grupos religiosos inspirados na visão de um modo de vida mais digno, sobre o qual tinham lido na Bíblia. canções, poesia e história, bem como ensinamentos religiosos, mas mesmo esses ensinamentos são apresentados de forma variada, incluindo narrativas antigas junto a cartas corriqueiras, visões e outros tipos de literatura. A Bíblia é hoje dividida em duas partes principais, às quais os cristãos se referem como Antigo Testamento e Novo Testamento, pois as vêem como duas metades de uma mesma história. O Antigo Testamento, de fato, é a Bíblia hebraica original, que tinha vida própria muito antes de o cristianismo entrar em cena. Ele consiste nos escritos sagrados da fé judaica, o judaísmo. A Bíblia hebraica também é respeitada e citada pelos muçulmanos. O Novo Testamento é uma coleção de textos escritos por cristãos no primeiro século depois de Cristo.

A Bíblia hebraica
Há 39 livros na Bíblia hebraica original. Estes livros são o acervo literário da nação de Israel. De dife‑ rentes modos, seus relatos cobrem cerca de 1.500 anos da história inicial da nação, começando com Abraão, considerado seu fundador, e terminando na época do império grego de Alexandre Magno e seus sucessores. Há grande diversidade nos livros da Bíblia hebraica. Dos relatos de heróis como Moisés, Débora, Josué, Davi e Ester, aos livros mais reflexivos como Jó e Eclesiastes, há sempre algo que atrairá alguém. Relatos fascinantes de intriga e paixão humana estão lado a lado com indagações filosóficas sobre o significado da vida humana. Os livros da Bíblia hebraica foram organizados tradicionalmente em três grupos: a Lei, os Profetas e os Escritos.

Uma biblioteca
De modo, talvez, surpreendente, a Bíblia não é apenas um livro, mas toda uma biblioteca. Como toda biblioteca, ela contém vários tipos de literatura, escritos por pessoas diferentes em épocas distintas e com propósitos diferenciados. Apresenta contos,

A lei
Consiste nos cinco primeiros livros da Bíblia he‑ braica (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deute‑ ronômio). Acreditava-se que eram de importância especial por terem sido supostamente escritos por um dos primeiros líderes de Israel, um homem chamado Moisés, cuja história é contada em alguns
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deles. Nem todos são “leis” no sentido moderno da palavra. De fato, o livro do Gênesis é formado inteiramente por narrativas e não contém absoluta‑ mente nada que possa ser entendido como regras e regulamentos. Mesmo os outros quatro livros, que contêm leis comunitárias, também apresentam narrativas. O termo hebraico para “lei” (torah) significa, na verdade, “guia” ou “instrução”, que pode incluir regras teóricas, mas também deve in‑ corporar narrativas que possam servir de ilustrações cotidianas de como se espera que as pessoas vivam. Esses cinco livros ficaram conhecidos mais tarde como “Pentateuco” e foram sempre agrupados por causa da tradição de que Moisés teria escrito todos eles. Algumas partes do Pentateuco podem facilmente remontar a períodos muito antigos, mas, com o passar do tempo, a vida mudou, e foi preciso atualizar as velhas leis e elaborar novas, que teriam sido acrescentadas por editores, posteriores.

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Os Profetas
É a porção maior da Bíblia hebraica. Seu nome pro‑ vém de uma série de ativistas religiosos e políticos que tentaram influenciar a vida da nação de Israel durante um longo período de vários séculos. Esta coleção de livros também se divide em duas partes distintas: os profetas anteriores e os profetas poste‑ riores. Será mais útil aqui examinar primeiro os profetas posteriores.
os profetas posteriores

Os profetas são mencionados ao longo da história do povo israelita. Não eram primordialmente escritores, mas oradores e ativistas políticos. A fé de Israel tinha como base a crença de que a religião não estava relacionada somente ao tipo de rituais realizados nos santuários e templos, mas devia ser um modo de vida. Quando as pessoas se voltaram para as histórias de como seus ancestrais tinham vivido, chegaram à conclusão de que os valores de Deus estavam essencialmente ligados à justiça e à liberdade. Um grupo de seus próprios antepassados tinha sido escravizado no Egito, e Deus ficara junto deles em seu sofrimento, até finalmente orquestrar sua libertação. Daquela época em diante, os israelitas se convenceram de que Deus estava ao lado dos pobres e dos oprimidos, e essa crença foi incorporada em todas as suas leis. É fácil sustentar essas crenças — mais difícil, po‑ rém, é praticá-las. Os profetas eram a consciência da nação, sempre recordando às pessoas o quanto

deviam à generosidade e ao amor de Deus, e enco‑ rajando-as a demonstrar esses mesmos valores em suas relações mútuas e com outras nações. Era uma luta árdua, e vários profetas foram perseguidos, pre‑ sos e até mortos. Mas essa mensagem estava no cer‑ ne da autêntica fé hebraica, e por isso ela tem um papel tão grande nos livros do Antigo Testamento. Nem todos os profetas tiveram livros designados por seu nome. Dos que tiveram, Isaías, Jeremias e Ezequiel têm os livros mais extensos, enquanto a doze outros foram atribuídos livros bem mais curtos: Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Os próprios profetas raramente faziam longos discursos. Em geral, pronunciavam mensagens breves que podiam ser facilmente decoradas — boa parte delas em poesia. Também eram artistas da mímica e do drama, e encenavam suas mensagens.
os profetas anteriores

Parte do manuscrito de Isaías, um dos Manuscritos do Mar Morto, encontrados em Qumran, datando aproximadamente de 100 d.C. (Crédito: Zev Radovan).

São os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel e 1 e 2 Reis. Aparecem na Bíblia hebraica antes dos profetas posteriores e, à primeira vista, parecem tão diferentes que não fica claro por que também deveriam ser incluídos entre os Profetas. Assemelham-se mais a livros de história, narrando a saga da nação de Israel desde o tempo em que seus ancestrais escaparam da escravidão até a época, no século VI a.C., em que a capital nacional foi destruída pelo império babilônio e seu povo deportado. Nesse intervalo, lemos como, sob os reis Davi e Salomão, Israel experimentou um breve período de estabilidade e influência política. Mas a maior parte do resto da história descreve como esse grande reino se dividiu em dois (Israel e Judá), que lutaram para manter sua independência diante da pressão crescente das grandes potências da época, sobretudo Egito, Assíria, Babilônia e Síria. O que torna também “proféticos” esses livros históricos é que eles não narram simplesmente os eventos, mas, como todos os bons livros de história, interpretam os fatos, dizem a seus leitores o que esses fatos significam e como têm de ser entendidos em relação com o grande movimento da história mundial mais ampla da época. E, fazendo isso, seus autores enxergavam as coisas do modo como os profetas tinham ensinado. Olhando para a nação, eles podiam ver que sempre que o povo se compro‑ metia com os valores divinos e os modos de agir de Deus a nação prosperava. Mas quando as exigências divinas de justiça e amor eram esquecidas a nação
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sofria. A fé israelita não se concentrava em teorias filosóficas, mas começava com o modo como Deus tinha lidado com o povo nas experiências da vida cotidiana. A história, assim, era muito importante: era um dos lugares-chave onde a atividade de Deus podia ser vista, e com uma avaliação adequada de seu significado, tal como explicado pelos profetas, o povo podia descobrir como devia viver.

Os Escritos
Esta seção inclui todos os demais livros da Bíblia hebraica. Não são todos do mesmo gênero literário. Salmos, Provérbios e Jó são muito diferentes entre si no conteúdo, por exemplo, mas todos são poesia. Em seguida, vêm os livros conhecidos como Megilloth ou “Cinco pergaminhos”: Rute, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Lamentações e Ester. Mais uma vez, possuem estilos diferentes, mas foram agrupados porque cada um deles tem uma associa‑ ção particular com festas religiosas significativas: Rute era usado no Pentecostes; Cântico, na Páscoa; Eclesiastes, nos Tabernáculos; Lamentações, para rememorar a destruição de Jerusalém; e Ester, no Purim. Há também os livros de Esdras, Neemias e 1 e 2 Crônicas, todos relativos à situação em que o povo de Judá se encontrava depois de receber do imperador persa Ciro, o Grande, permissão para re‑ tornar à terra natal em 538 a.C., em seguida à des‑ truição do império babilônio. E, por fim, há o livro de Daniel, contendo visões e algumas narrativas, e relacionado a um período ainda mais tardio.

Compilando a Bíblia hebraica
Assim como os livros foram escritos durante um longo período, também levou muito tempo para que fossem reunidos na forma como estão hoje. Parece ter havido nisso diversos estágios. As nações tendem a refletir sobre sua história em épocas de grande prosperidade e em épocas de grande crise. A compilação da Bíblia hebraica provavelmente começou nos tempos de sucesso gozado pelo povo sob o rei Salomão (970-930 a.C.), e há indícios de que nesta época foram compilados os mais antigos relatos da vida nacional, contidos nos livros do Gênesis até 1 Samuel. Eles não foram escritos então, é claro, mas recolhidos do material que havia sido transmitido de memória durante várias gerações. As pessoas queriam saber de onde vinham e as experiên­ cias que tinham compartilhado, de modo a poder celebrar suas proezas. Pouco mais tarde, depois que o grande reino de Israel se dividiu em
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dois, o povo do norte (Israel) desfrutou de grande prosperidade sob o rei Jeroboão II e compilou mate‑ rial relativo à sua própria história nacional. Mas foi sobretudo durante épocas de grande distúrbio que a Bíblia hebraica foi compilada, quan‑ do o povo tentou entender o que tinha ocorrido de errado e como pôr tudo em ordem novamente. Em 722 a.C., o reino de Israel, com capital em Samaria, foi devastado por uma invasão assíria. Sua economia ficou arruinada, suas terras foram doa‑ das a outros e seu povo foi dispersado pelo Oriente Médio. O reino de Judá, menor, com sede em Je‑ rusalém, ainda sobrevivia, mas estava claro que ele também sucumbiria se não tirasse lições do desastre que tinha esmagado seu vizinho maior. Os profetas Miquéias e Isaías falaram nessa situação, e recorda‑ ram ao povo a necessidade de preservar os manda‑ mentos divinos, especialmente a justiça para todos na comunidade. Nessa época, foram coletadas as primeiras histórias do povo israelita, e as leis foram revistas para que o povo pudesse ver claramente como precisava viver se quisesse fazer a vontade de Deus. Por volta de 622 a.C., um novo livro da lei es‑ tava em circulação em Jerusalém, explicitando-a de forma minuciosa. Infelizmente, as coisas já estavam demasiado corrompidas, e menos de 40 anos depois Jerusalém foi destruída pelos babilônios. Levados para viver muito longe, no exílio, os judeus volta‑ ram a meditar sobre as histórias de seu passado, e gradualmente elas foram escritas na forma como as temos hoje, para ajudar a nação a evitar cometer os mesmos erros novamente. Pouco depois, os persas permitiram que os judeus retornassem à terra natal, e durante os dois séculos seguintes houve muita leitura e releitura das histó‑ rias antigas, junto à coleta das palavras dos profetas e a transcrição e edição de obras posteriores, como as contidas nos Escritos. A tradição judaica identifica Esdras (cuja história é contada no livro homônimo) como uma pessoaEscriba dos dias modernos (Crédito: Zev Radovan).

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chave na organização e compilação dos livros da Bíblia hebraica na época. Mas o que ocorreu nesse período foi o fim de um longo processo de desen‑ volvimento, e é importante não esquecer que muito daquele material já existia bem antes de ser reunido e editado daquela forma.

escritos em pouco mais de 50 anos, entre a metade e o final do século I d.C.

As epístolas
Tal como no caso do Antigo Testamento, a ordem atual em que os livros aparecem no Novo Testamento não é um guia preciso sobre quando foram escritos. Os primeiros textos escritos do Novo Testamento foram as epístolas (cartas) enviadas por Paulo e outros a comunidades cristãs e a indivíduos em diferentes regiões do império romano. Isso reflete a rápida difusão da Igreja cristã, que tinha se estabelecido em todas as principais cidades da zona mediterrânea menos, de uma geração depois da crucificação de Jesus. Relatos sobre a vida e o ensinamento de Jesus devem ter circulado desde o início, mas parecem ter sido transmitidos quase exclusivamente por via oral, durante um longo período. A Igreja crescia tão rapidamente que a doutrinação dos recémconvertidos era muito mais importante do que a produção de obras literárias, e foi nesse contexto que as diversas epístolas foram escritas. Em sua maior parte, elas não eram apresentações bem detalhadas da fé cristã, mas respostas ad hoc a situações particulares que surgiam à medida em que pessoas de contextos culturais diferentes se esforçavam por exprimir a nova fé, usando a língua e as idéias de que dispunham. Perguntas tinham de ser respondidas, disputas precisavam ser resolvidas, pedia-se aconselhamento sobre uma variedade de assuntos, e os cristãos que sofriam perseguição precisavam ser encorajados. Todos esses fatores contribuíram para a produção das cartas que hoje se encontram no Novo Testamento. Cada uma delas foi endereçada a cristãos em localidades específicas, mas, como freqüentemente elas davam orientação geral sobre a vida e as crenças dos cristãos, sua utilidade para toda a Igreja logo foi reconhecida, e parece que nos últimos anos do século I d.C. coletâneas de cartas já tinham sido compiladas.

Traduzindo a Bíblia hebraica
O mundo mudou muito depressa depois da época do império persa. Em pouco tempo, a antiga língua dos hebreus tinha sido esquecida por quase todo o povo, e os judeus estavam vivendo em vários países diferentes. Durante o império romano, havia mais judeus vivendo em Alexandria do Egito que em Jerusalém! E a língua que a maioria deles falava era o grego. Segundo a lenda, foram os judeus de Alexandria que decidiram traduzir suas escrituras do hebraico para o grego, com o apoio do faraó Ptolomeu II Filadelfo (284-247 a.C.). Na época do Novo Testamento, as escrituras hebraicas eram am‑ plamente lidas em grego, numa tradução conhecida como Septuaginta. Foi essa tradução que pôs os livros na ordem que têm hoje. Ela também incluiu alguns outros textos que não estavam originalmen‑ te entre os 39 livros da Bíblia hebraica. Desde então, tem havido grande debate sobre o valor de tais tex‑ tos. A maioria das Bíblias hoje os imprime separada‑ mente, na qualidade de “livros deuterocanônicos”. Tal como a Bíblia hebraica, eles incluem história, poesia, narrativas e filosofia religiosa.

O Novo Testamento
No início da era cristã, a Palestina estava sob fir‑ me controle do império romano. Mas a fé cristã começou num contexto fortemente judaico. O próprio Jesus era judeu, bem como seus primeiros seguidores. Naturalmente, portanto, a primeira Bí‑ blia dos cristãos foi a tradução grega das escrituras hebraicas, a Septuaginta. Eles a liam atentamente porque acreditavam que os ditos e feitos de Jesus eram, de algum modo, o cumprimento da anti‑ ga mensagem dada por Deus ao povo de Israel, séculos antes. Mas, em pouco tempo, os cristãos se sentiram estimulados por Deus a produzir sua própria literatura, que então veio a formar o que hoje se conhece como Novo Testamento. Como a Bíblia hebraica, o Novo Testamento não é um livro só, mas uma coleção de livros diferentes. No caso, 27 deles. Mas, enquanto os livros da Bíblia hebrai‑ ca foram escritos e compilados ao longo de vários séculos, todos os livros do Novo Testamento foram

Os evangelhos
Os quatro primeiros livros do Novo Testamento são os evangelhos, que contêm relatos da vida de Jesus e exposições de sua doutrina. Não são todos idênti‑ cos, embora entre os três primeiros (Mateus, Marcos e Lucas) existam semelhanças importantes, enquan‑ to o quarto evangelho (João) é bastante diferente em estilo e, principalmente, em conteúdo. Foram compilados com base nas histórias que sobre Jesus
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circulavam, oralmente, nas primeiras comunidades cristãs e, por isso, suas origens devem remontar às pessoas que conheceram Jesus em vida. Mas, pra‑ ticamente desde o início, essas lembranças foram preservadas não só por causa do interesse histórico, mas porque podiam, como as epístolas, servir de guias aos crentes cristãos. Assim como os redato‑ res da Bíblia hebraica interpretaram o significado dos eventos históricos que relatavam, também os evangelistas explicaram e adequaram as narrativas de Jesus a seus leitores. É por isso que existe mais de uma versão: não havia discordâncias quanto ao formato fundamental da narrativa, mas como cada autor se dirigia às necessidades de grupos humanos bem distintos, em diferentes pontos do império romano, eles precisaram de liberdade para adequar o ensinamento de Jesus diretamente a seus leitores. Foi nesse processo que emergiram os quatro evangelhos escritos do Novo Testamento: à medida que as Igrejas cresciam em número e à medida que a primeira geração de discípulos de Jesus começava a morrer, o único modo satisfatório de preservar aquelas histórias era registrá-las por escrito. Isso também lhes deu, é claro, uma circulação mais ampla. Um dos evangelhos — Lucas — tinha um volume anexo: os Atos dos Apóstolos. Ele continua‑ va a narrativa desde o tempo de Jesus, por meio de um relato seletivo das atividades de alguns de seus discípulos, até o ponto em que o missionário Paulo chegou à própria capital do império, Roma.

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Textos e manuscritos
Com exceção de algu‑ mas pequenas porções escritas em aramaico, os livros da Bíblia hebraica, como sugere o nome, foram origi‑ nalmente compilados em hebraico. Foram transmitidos de uma geração à outra, à medida em que os escribas regularmente faziam novas cópias dos textos. Mas os documentos não duravam muito no clima das terras bíblicas e, assim, relativamente poucas cópias antigas sobrevi‑ veram. Antes de 1947, os mais antigos manuscritos hebraicos conhecidos não remontavam mais do que aos séculos IX e X d.C., e continham somente os cinco primeiros livros da Bíblia hebraica, não a coleção inteira. Então, em 1947, ocorreu a notável descoberta dos Manuscritos do Mar Morto. Esses documentos compunham originalmente a biblio‑ teca de uma comunidade religiosa que viveu em Qumran, perto do mar Morto, na Palestina, num período pouco anterior e posterior ao início da era cristã. Esse acervo continha manuscritos hebrai‑ cos quase mil anos mais antigos do que qualquer outro previamente conhecido. De modo, talvez, surpreendente, o texto que continham era muito pouco diferente do que sempre fora conhecido. Naturalmente, há alguns pontos em que palavras e expressões diferentes são usadas, e às vezes não é mais possível discernir o que as palavras hebraicas significam. Mas os copistas, durante vários séculos, fizeram realmente um ótimo trabalho e cometeram pouquíssimos erros ou alterações, o que significa que podemos confiar que o Antigo Testamento que temos hoje é substancialmente o mesmo que seus autores escreveram muitos séculos atrás. Os textos dos livros do Antigo Testamento tam‑ bém chegaram até nós em outras traduções antigas, sendo a mais importante delas a versão grega conhecida como Septuaginta. À medida que o cristia‑ nismo se difundia entre povos que falavam outras línguas, o Antigo Testamento também foi traduzido em latim (a Vulgata), siríaco (a Peshitta) e egípcio (copta). Todas essas versões antigas confirmam o

Compilando o Novo Testamento
A real compilação de todos esses livros diferentes, para formar o que hoje conhecemos como Novo Testamento, deve ter começado no contexto do cul‑ to cristão. As primeiras assembléias de cristãos pro‑ vavelmente seguiam a prática do culto judaico e faziam leituras regulares do Antigo Testamento. Seria natural ler, ao mesmo tempo, os novos livros cristãos, e perto do início do século II quase todos os livros do Novo Testamento eram amplamente usados e valorizados. Alguns eram menos popula‑ res que os demais, sobretudo Hebreus, Apocalipse, 2 Pedro e 2 e 3 João. Mas os cristãos acabaram por reconhecer que os 27 livros do Novo Testamento falavam com particular autoridade e eram especial‑ mente úteis na solução dos problemas das Igrejas crescentes. Foi somente no concílio de Cartago, em 397, que as Igrejas de fato publicaram uma lista de livros do Novo Testamento, mas já vinha existindo uma aceitação informal desses 27 livros muito antes
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Livro de oração, Jerusalém (Crédito: Jon Arnold).

disso, e a lista simples‑ mente confirmou o que os cristãos já tinham reconhecido.

que já sabíamos: o texto das escrituras hebraicas foi preservado cuidadosamente durante muitas gera‑ ções, não só em sua língua original, mas também no processo de tradução. Os livros do Novo Testamento foram escritos originalmente em grego, e vários milhares de manuscritos antigos desses livros sobreviveram, seja em parte ou no todo. Além disso, os especialistas também têm à sua disposição certo número de traduções antigas do Novo Testamento em latim, siríaco, copta e outras línguas, bem como citações contidas nos escritos dos primeiros líderes cristãos. Bem no princípio, os livros do Novo Testamento teriam sido escritos em rolos feitos de papiro, couro ou pergaminho. Mas, por volta do século II, os cris‑ tãos tinham inventado um novo tipo de documen‑ to, o códice, que tinha folhas costuradas num dos lados, tal como num livro moderno. Dois dos mais importantes grupos de manuscritos do Novo Testa‑ mento são os papiros Bodmer (um dos quais data do final do século II d.C.) e os papiros Chester Beatty (do início do século III). Eles contêm so‑ mente partes do Novo Testamento, mas o Códice Sinaítico, que data do século IV, contém o Novo Testamento completo, enquanto o Códice Vaticano apresenta tudo até a primeira parte da Epístola aos Hebreus. Esses dois códices manuscritos foram feitos por copistas profissionais em Alexandria do Egito, e, quando estudiosos do século XIX começaram a in‑ vestigar mais detalhadamente a história do texto do Novo Testamento, essas foram as fontes principais a que tiveram acesso. Desde então, vários outros documentos em papiro foram descobertos. Nos úl‑ timos dois séculos, especialistas em línguas e textos antigos se esforçaram para comparar todos eles, co‑ tejando os materiais para se assegurar de que o que está hoje no Novo Testamento seja o mais próximo possível do que seus autores originalmente escreve‑ ram. Os pequenos pontos discutíveis que permane‑ cem dizem respeito a questões mínimas de fraseado, e nenhuma dessas questões levanta qualquer dúvi‑ da sobre a mensagem central do Novo Testamento.

contam a história da nação de Israel (continuada nos livros deuterocanônicos dos Macabeus). No Novo Testamento, os Atos dos Apóstolos relatam alguns eventos da vida das primeiras comunidades cristãs. Mas nenhum desses livros simplesmente registra acontecimentos passados. Todos relatam algumas coisas e não outras, e sempre interpretam o que incluem, explicando sua importância à luz da fé religiosa dos autores. O mais próximo que temos de registros históricos seriam algumas partes dos livros das Crônicas, no Antigo Testamento.
poesia

A Bíblia contém muita poesia. Os profetas do Antigo Testamento parecem ter deixado muitas de suas mensagens em forma poética, e Jesus freqüen‑ temente fez o mesmo (o Pai nosso, por exemplo, é poesia). Isso tornava mais fácil recordar e repetir a mensagem. Mas vários outros livros contêm poesia: os livros de Jó, os Salmos e os Provérbios, por exemplo, e os deuterocanônicos Sabedoria e Sirácida. O Cântico dos Cânticos, do Antigo Testa‑ mento, é um longo poema que celebra o amor entre uma jovem de família real e seu noivo.
narrativas

Diferentes gêneros literários
Há várias formas diferentes de literatura contidas na Bíblia. As mais importantes são:
história

Os povos sempre gostaram de boas histórias, e os hebreus não eram exceção. Esta era uma das formas preferidas de Jesus para transmitir sua mensagem, e quase todo o seu ensinamento nos evangelhos do Novo Testamento está em forma de histórias. Outros livros bíblicos que caem nessa categoria são, no Antigo Testamento, as narrativas de Jó, Jonas e Ester, e talvez partes de Daniel e as histórias de José no livro do Gênesis. Todas elas são, sem dúvida, narrativas habilmente construídas, elaboradas, como um bom romance, para prender a atenção do leitor e transmitir uma mensagem ao mesmo tempo. Alguns estudiosos acreditam que as histórias de Jó e Jonas podem originalmente ter sido idealizadas para ser encenadas como um drama. Nos livros deuterocanônicos, Tobias, Judite e vários adendos às narrativas de Daniel e Ester também entram nessa categoria.
visões

Muito da Bíblia é História. No Antigo Testamento, são históricos os livros de Josué, Juízes, 1 e 2 Samuel, 1 e 2 Reis, 1 e 2 Crônicas, Esdras e Neemias. Todos

As visões podem ser encontradas dispersas pelas narrativas bíblicas, mas três livros em particular estão repletos delas: Daniel, no Antigo Testamento, Apocalipse, no Novo Testamento e 2 Esdras na co‑ letânea deuterocanônica. Esses livros compartilham
15

algo em comum: todos foram escritos no que é cha‑ mado de estilo apocalíptico, e numa época em que seus autores e leitores estavam sendo perseguidos. Ao olhar para o que está acontecendo do ponto de vista de Deus no outro mundo, eles colocam o so‑ frimento presente em perspectiva e mostram que se trata apenas de uma situação temporária: Deus e as forças do bem sempre prevalecerão sobre as forças do mal.
epístolas

I NTRODUÇÃO

filosofia e ética

São encontradas no Novo Testamento, escritas por Paulo e outros chefes da Igreja para manter conta‑ to com seus amigos. A literatura grega e latina tem diversos exemplos de escritos que se parecem com cartas, mas que são de fato livros comuns escritos nesse estilo. As epístolas do Novo Testamento são cartas de verdade, escritas por pessoas reais para ou‑ tras pessoas reais, e enviadas sob os cuidados de um mensageiro ou por meio do sistema postal romano normal.
evangelhos

Diversos livros bíblicos contêm conselhos sobre como viver. Muitos deles, como os ensinamentos dos Provérbios, no Antigo Testamento, e Tiago, no Novo Testamento, são simples, diretos e bastante semelhantes a outras doutrinas éticas da época. Mas outros livros debatem as grandes questões da vida e da morte, e o significado das coisas. Aí se incluem os livros de Jó e Eclesiastes, no Antigo Testamento; Sabedoria e Sirácida, nos deuterocanônicos; e Hebreus, no Novo Testamento.
histórias de fé

Os quatro evangelhos do Novo Testamento são difíceis de classificar. Contêm elementos de história e biografia, junto aos ensinamentos de Jesus, mas nenhum desses rótulos sozinho pode descrevêlos adequadamente. Os evangelhos parecem ter sido um gênero literário singular, usado por seus autores para inspirar e encorajar a fé em Jesus, mas fazendo isso pela narrativa das histórias de Jesus e, em seguida, explicando e adequando seu significado a seus leitores, e convidando-os a seguir Jesus por conta própria.
elementos devocionais

Alguns livros do Novo Testamento contêm instruções relacionadas ao culto na Igreja primitiva, incluindo alguns hinos que eram cantados em louvor a Deus. Mas o livro dos Salmos, no Antigo Testamento, é a maior coleção de elementos devocionais. Esse livro é uma forma especializada de poesia e inclui canções — junto a instruções para os músicos — e orientações detalhadas para dançarinos e outros chefes do culto.

Os livros de filosofia tendem a abordar grandes questões de maneira abstrata. Mas os povos de to‑ das as culturas têm preferido geralmente contar histórias para explicar idéias que não poderiam ser abordadas de nenhum outro modo. Essas histórias às vezes são chamadas de “mitos”, o que pode su‑ gerir que de algum modo são falsas ou inconfiáveis. Preferimos usar aqui a expressão “histórias de fé” porque, longe de serem falsas, tais histórias expres‑ sam verdades profundas sobre algumas das mais complexas questões da vida: de onde vem o mun‑ do? Qual a razão de estarmos vivos? Por que há tantas catástrofes no mundo? A Bíblia começa com histórias desse tipo no livro do Gênesis e, fazendo isso, prepara o cenário para tudo o que virá a seguir. Obviamente, há muitos gêneros literários dife‑ rentes na Bíblia. Este é um dos segredos de sua con‑ tínua popularidade tantos séculos depois de ter sido escrita. Aqui alguém sempre encontra alguma coisa, e ela não está encoberta pelo jargão religioso. Ao contrário, a história bíblica de Deus está intimamen‑ te ligada aos tipos de coisas que as pessoas comuns fazem e pensam todos os dias. Os autores viam seus diferentes livros como partes conexas de uma his‑ tória comum, por meio da qual podiam transmitir o que acreditavam ser a coisa mais importante de todas: a consciência de que este mundo e suas vicis‑ situdes não são apenas uma seqüência aleatória de coincidências, mas são vigiados por um Deus que não é uma força divina remota, incognoscível, mas um ser pessoal com quem mulheres e homens po‑ dem ter relações pessoais.

16

P a r t e 1

E sboço da H istória B íblica

H i s t ó ri a B í b l i c a

Os patriarcas e seu mundo

O

mundo dos primeiros ancestrais de Israel era formado por reinos ricos e poderosos nos vales fluviais do Egito e da Mesopotâmia. Nas terras entre eles havia várias cidades muradas e reinos pequeninos. Essas fortalezas protegiam os lavradores que cultivavam as terras circundantes. Mas também havia tribos nômades que se moviam de um lugar a outro em busca de bom pasto para seus rebanhos.
Uma terra nova
Quando chegou a Canaã, Abraão se fixou primeiro nas colinas de Siquém. A planície costeira e o vale do Jordão, onde havia boa terra cultivável, já estavam ocupados. No entanto, o vale do Jordão pareceu atraente para o sobrinho de Abraão, Ló, que decidiu descer das colinas para estabelecer-se perto de Sodoma. Mas a vida ali tinha seus riscos, e, quando Sodoma mais tarde foi ameaçada de destruição por reis invasores, Abraão foi chamado para resgatar o sobrinho.

da

Ancestral de uma grande nação
O mais antigo ancestral de Israel foi Abraão. Suas origens remontam à cidade sul-mesopotâmica de Ur, junto ao rio Eufrates. Alguns de seus parentes se estabeleceram em Haran, várias centenas de quilômetros ao norte de Ur. Mas, quando seu pai Tera morreu, Abraão mudou-se para Canaã. Lá, ele e a família levaram vida nômade, indo de um lugar a outro em busca de pasto e água.

E s b oço

1

3e4
Promessas cumpridas
Exceto por uma breve visita ao Egito, em tempo de fome, Abraão passou a maior parte da vida em Canaã, com base perto de Hebron. Diz a Bíblia que essa era a terra que Deus prometera dar a Abraão e seus descendentes. Deus também prometeu um filho a Abraão e à mulher, Sara. Ficaram sem filhos durante muito tempo, e Sara tinha dado a Abrãao uma concubina egípcia, Agar. Quando Abrãao tinha 86 anos, Agar deu à luz um filho, Ismael. Anos depois, Sara geraria o filho prometido, Isaac.
Um grupo de visitantes semitas no Egito é retratado nesta pintura na tumba de Khnomhotpe em Beni-Hasan. O artista reproduziu cuidadosamente os detalhes de sua aparência e de sua vestimenta, e a pintura nos dá uma boa idéia de como seriam os patriarcas.

Ge

7
sse n

8 Edom

Isaac, o filho de Abraão
A Bíblia conta que, quando Isaac era criança, Deus testou os limites da fé de seu pai Abraão pedindo-lhe que sacrificasse seu filho. Quando Abraão estava 18

prestes a obedecer, um anjo interveio e a vida de Isaac foi poupada. Aos 40 anos, Isaac se casou com Rebeca, que era um dos familiares de Abraão em Haran. Depois de muito tempo, Isaac e Rebeca tiveram gêmeos: Esaú e Jacó.

Egito
Rio N
ilo

Can aã

2000 a.C.

1925 A  braão sai de Haran

1900

1800

1710 A  família de Jacó entra no Egito

1700

1600 a.C.

Abraão

Isaac Jacó

José

Jacó, o filho de Isaac
Quando Isaac estava bem idoso, Jacó enganou-o para receber dele a herança do irmão Esaú. Jacó, temendo a reação de Esaú, partiu depressa e visitou parentes em Paddan-Aram, o distrito em torno de Haran. Por 20 anos, ele tra­ balhou para seu astuto tio Labão. Depois, pegou suas duas esposas,

Haran

Paddan-Aram

seus filhos e seus rebanhos e voltou para Canaã. Jacó ainda temia muito a ira de Esaú, e em Maanaim rezou deses‑ peradamente pela ajuda de Deus. Veio a tranqüilidade, e o reencontro foi amistoso. O resto da vida de Jacó se passou em Canaã, até que, muito idoso, se reuniu ao mais novo de seus 12 filhos, José, no Egito.

José, o filho de Jacó
A posição de José como filho predileto de Jacó e o fato de gabar-se disso lhe valeram o ódio dos irmãos. Quando veio a chance, eles o venderam como escravo. No Egito, José alcançou uma alta posição. Foi preso sob falsa acusa‑ ção, mas acabou se tornando ministrochefe de um dos faraós egípcios.

Abraão

1 2
jacó

Abraão deixa Ur e viaja com a família para Haran. Quando seu pai morre, Abraão responde ao chamado de Deus e se muda para Canaã. Ló se separa de Abraão e se fixa em Sodoma. Abraão se fixa perto de Hebron.

Rio Eu fr

Ver também Os sumérios  (páginas 50-51) Os egípcios  (páginas 52-53) A fé de Israel  (páginas 150-151) Gênesis  (páginas 198-199)

es at

Jacó deixa o acampamento de Isaac em Beersheba com medo da reação do irmão. Chega ao lar dos parentes em Paddan-Aram. Jacó parte de regresso a Canaã. Em Maanaim, reúne-se com o irmão Esaú, que viajou desde Edom para encontrá-lo. Jacó fica em Siquém, depois em Betel e finalmente se fixa perto de Hebron.

5 6 7 8

6 7

Betel

Rio Jordão

4

Siquém 5

Ri

4 Maanaim o Jaboc

Jac

3

Dotan

para Paddan-Aram

ó

1 Ur

josé
José parte de Hebron para visitar os irmãos.

Reencontro familiar

Hebron

José encontra os irmãos em Dotan. Eles planejam matá-lo, mas acabam vendendo-o a mercadores, que o levam para o Egito como escravo. José supera diversos obstáculos no Egito e se torna ministro-chefe do faraó. Sua família inteira é convidada a fixar-se em Gessen.

3 Bersabé 2
Sodoma (possível localização)

A seca e a fome freqüentemente casti‑ gavam Canaã. Mas, no Egito, José tinha garantido que grão suficiente havia sido armazenado. Quando seus irmãos vieram de Canaã comprar grãos, José primeiro os testou e em seguida disselhes quem era. Convidou o pai Jacó e as famílias dos irmãos a viverem no Egito. Eles acabaram se fixando em Gessen, no delta oriental do Nilo, perto da corte. 19

Esaú

H i s t ó ri a B í b l i c a

O êxodo do Egito

O

s descendentes de Jacó viveram no Egito por mais de 450 anos, durante os quais formaram uma nação — a nação de Israel. Os egípcios, sob o governo de uma dinastia de faraós mais hostis, começaram a encará-los como uma ameaça. Puseram os israelitas sob rígido controle, forçando-os a trabalhar como escravos nas olarias. Para reduzir seu número crescente, os bebês israelitas recémnascidos eram afogados no rio Nilo.

Êxodo para a liberdade
A viagem dos israelitas para libertar-se da escravidão no Egito é conhecida como “êxo‑ do”. A palavra “êxodo” significa simplesmente saída ou partida. Mas essa “saída” do Egito, o êxodo, foi o acontecimentochave da história de Israel no Antigo Testamento. Todas as gerações futuras se lembrariam dele e o comemorariam.

E s b oço

Um novo líder
A Bíblia registra que os israelitas clamaram por auxílio a Deus, que lhes enviou um lí‑ der: Moisés. A data provável é o começo do século XIII a.C. Moisés chefiaria os israelitas na libertação da escravidão, rumo à terra de Canaã, a assim chamada “Terra Prometida”.

Os escravos israelitas eram obrigados a fazer tijolos para o programa de construção dos faraós. Cenas pintadas nas paredes de túmulos do Egito antigo mostram como a mistura de argila e palha era colocada em fôrmas de madeira para ser cozida ao sol.

da

Uma série de pragas
Moisés e seu irmão Aarão repetidamente pediram ao faraó permissão para que os israelitas saíssem do Egito, mas foi neces‑ sária uma série de pragas terríveis enviadas por Deus até que o faraó concordasse. A décima praga foi a decisiva. “Por todo o Egito”, anunciou Moisés, “em certa noite, o filho primogênito de cada família morre‑ rá”. Os primogênitos dos israelitas seriam poupados se o povo seguisse atentamente as instruções dadas por Moisés. Deviam marcar os umbrais de suas portas com o sangue de um cordeiro morto em sacrifício. Depois assar o cordeiro e comê-lo naquela noite, com ervas amargas e pão sem fermento. E então preparar suas bagagens e ficar prontos para partir numa viagem.

Gess en
Ramsés Sucot

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A

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Egito
Rio

O faraó Ramsés II governou o antigo Egito entre 1279 e 1212 a.C. Foi responsável por vários projetos monumentais, incluindo o templo de Luxor. Acredita-se em geral que Ramsés II seja o faraó que Moisés e Aarão tiveram de enfrentar para garantir a liberdade de Israel.

Fora do Egito
Depois que a morte poupou as famílias de Israel, o faraó dei‑ xou-as partir. No entanto, no último minuto, ele mudou de idéia e mandou o exército persegui-las. Mas os israelitas es‑ caparam para o Sinai através do “mar dos juncos”. Desde então, a cada ano, o povo de Israel celebra esse acontecimento numa festa chamada Pessach (“passagem”), origem da nossa palavra “Páscoa”.

20

N ilo

1400 a.C.

1300 a.C.

1276 – O êxodo 40 anos no deserto Josué Do Egito a Canaã Ninguém pode ter certeza da rota dos israelitas através do deserto de Canaã. Mas muito provavelmente viajaram para o sul, perto da costa, depois foram para o interior, na região do monte Sinai. Moveram-se depois para Cades e enviaram espiões para explorar a terra prometida.

1200 a.C.

Moisés Aarão

1230 – Invasão de Canaã

Cidades muradas e gigantes
Espiões israelitas relataram que Canaã era rica e fértil, mas que era a terra de cidades mura‑ das e de um povo gigante. Ouvindo isso, diz a Bíblia, os israelitas se recusaram terminante‑ mente a obedecer a Deus e a seguir adiante. Como castigo, passaram 40 anos no deserto árido. Depois, tomaram a estrada que la‑ deava Edom e travaram batalhas com os amorreus e os moabitas. Acamparam nas planícies de Moab. Moisés morreu, e Josué se tornou o novo chefe.

Ver também Os egípcios  (páginas 52-53) Os canaanitas  (páginas 56-57) As leis de Deus  na prática (páginas 152-153) Êxodo  (páginas 200-201) Levítico, Números,  Deuteronômio (páginas 202-203)

Canaã

Jericó Monte Nebô Hebron Mar Morto

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eo n â r r e Mar Medit
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Deserto de Sur

Pr ová

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Moab
Edom

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Os Dez Mandamentos
Após viajar pelo deserto por quase três meses, os israelitas acamparam junto ao monte Sinai. Lá, Deus fez um acordo com eles (a “aliança”), declarando formalmente que eram o povo de Deus. Por sua parte, eles deveriam seguir a Deus e obedecer suas leis. As leis de Deus foram resumidas nos Dez Mandamentos, que foram dados a Moisés em duas placas de pedra. Eles fixavam os princípios básicos que governariam as vidas dos israelitas. A promessa de obediência foi confirmada numa cerimônia solene.

Cades-Barnea R ot a al tern ati va

Esiongueber
Vista do monte Sinai.

Monte Sinai

Golfo

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21

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Go lfo de

H i s t ó ri a B í b l i c a

Os israelitas entram em Canaã

J

osué sucedeu a Moisés na chefia dos israelitas e, afinal, por volta de 1230 a.C., eles atravessaram o rio Jordão para entrar na “terra prometida”, Canaã, vindos do oeste. Canaã, na época, estava dividida num grande número de pequenos Estados independentes, todos centrados em cidades fortificadas com governantes próprios. Diante dos israelitas estava a cidade fortificada de Jericó. Toda a terra que Deus lhes havia prometido estava à espera de ser conquistada.

As ruínas de uma torre de quase oito metros de altura erguida em Jericó, no oitavo milênio antes de Cristo, atesta a antiguidade da cidade. A torre tinha uma porta e uma escada interna, e talvez servisse de vigia.

E s b oço

da

A queda de Jericó
O primeiro alvo de Josué foi tomar Jericó, uma estratégica cidade murada na terra de Canaã. Jericó caiu após um cer‑ co memorável. A Bíblia descreve como, a cada dia durante seis dias, as forças israelitas marcharam Libna em torno da cidade sem emitir um som exceto o pisoteio dos pés e o estampido das Eglon trombetas. No sétimo dia, rodearam a muralha Laquis sete vezes e desferiram um grito tremendo. As muralhas desabaram. Os israelitas avançaram e des‑ Debir truíram totalmente a cidade.

Jericó ficava em torno de um oásis às margens do vale do rio Jordão. Já vinha sendo ocupada mais de 6 mil anos antes de ser tomada pelos israelitas.

Monte Ebal Siquém

2 2
Maceda Bet-Horon

4

Gabaon

Hai

Jerusalém

3

1
Jericó Guilgal

Vitória no sul
Após uma derrota inicial, Josué tomou Hai e marchou adiante para se estabelecer em Siquém, uma cidade-chave na rota rumo ao centro de Canaã. Isso lhe deu uma boa base na região. No entanto, restavam inimigos no sul e no norte. Os gabaonitas, temendo uma derrota para Josué, con‑ venceram os israelitas a fazer com eles uma aliança de paz. Quando os reis de Jerusalém, Hebron e três cidades vizinhas, alarmados com a aliança, declararam guerra a Gabaon, Josué foi obrigado a ajudar seus aliados, e os ini‑ migos foram derrotados na batalha de Bet-Horon. Josué executou os cinco reis e destruiu suas cidades. Quando retornou a Guilgal, o sul de Canaã estava em suas mãos. 22

Hebron
Dentro de Canaã
As forças de Josué cruzam o rio Jordão, tomam Jericó e, depois, Hai. Josué leva os israelitas para o norte, ao monte Ebal, onde ergue um altar a Deus. Os reis de Jerusalém, Hebron, Iarmut, Laquis e Eglon formam uma coalizão para assediar Gabaon. São atacados, por sua vez, pelos israelitas e perseguidos no vale de Bet-Horon.

1

1 2 3

Josué rapidamente se move para o sul e destrói as cidades de Maceda, Libna, Laquis, Eglon, Hebron e Debir. Com o sul de Canaã tomado, os israelitas marcham rumo ao norte para enfrentar e derrotar o rei Jabin de Hasor e seus aliados nas águas de Merom.

4 5

R

i

o

A aliança do norte
As notícias das vitórias israelitas no sul viajaram depressa. No norte, o rei de Hasor reuniu seus aliados e juntos marcharam para enfrentar os invasores. Josué atacou-os de surpresa em seu acampamento junto às águas de Merom e obteve nova vitória. Capturou a impor‑ tante cidade de Hasor e reduziu-a a cinzas. Matou os reis que se opu‑ nham a ele, mas poupou outras cidades.

Ág M uas er d om e

5

Hasor

A fortaleza canaanita de Hasor situava-se em importantes rotas comerciais. Achados arqueológicos indicam que Hasor foi destruída no final do século XIII a.C. À esquerda da foto estão o portão e o edifício em pilastras da época salomônica; no centro, o sistema de águas do século IX a.C.

Ver também Os canaanitas  (páginas 56-57) Geografia regional  (páginas 84-85) Josué, Juízes  (páginas 206-207)

5
1270 a.C. 1200 a.C. 1150 a.C.

1230 Invasão de Canaã

ã

o

40 anos no deserto

1200 F  ilisteus invadem e se estabelecem na planície costeira de Canaã

Josué

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Zabulon Issa car Ma as n nass és Ma
Gad
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Doze tribos
Os israelitas eram tradicionalmente divididos em 12 tribos, descendentes dos 12 filhos de Jacó, e unidas por seu relacionamento especial com Deus. Diferentes áreas de Canaã foram atribuídas às diferentes tribos. As tribos de Rúben e Gad se fixaram no leste de Canaã, junto à meia tribo de Manassés. As tribos de Aser, Neftali, Zabulon, Issacar e Efraim, a meia tribo de Dan e a outra meia tribo de Manassés se fixaram no noroeste. As tribos de Benjamin, Judá e Simeão e a outra meia tribo de Dan se fixaram no sudoeste.

Fixando-se na terra
Josué derrotou os reis de Canaã e destruiu várias cidades importantes e, com elas, vários centros religio‑ sos canaanitas. A conquista não foi completa, mas Josué já tinha feito bastante para que seu povo come‑ çasse a se fixar na terra. Os israelitas nunca tiveram su‑ cesso total em apoderar-se de toda Canaã. Ainda tinham inimigos a acossá-los, e os israelitas muitas vezes simplesmente adotavam o modo de vida canaanita e adora‑ vam deuses canaanitas. Mas houve algumas vitórias extraordinárias, e os israelitas se estabeleceram como o poder dominante na terra. 23

Dan
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H i s t ó ri a B í b l i c a

A era dos juízes

Hasor

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epois de se mudarem para a terra prometida de Canaã, as tribos israelitas se fixaram nas áreas atribuídas a elas. Mas elas se viram dispersas, rodeadas de vizinhos hostis, e começou a parecer impossível aos israelitas ganhar pleno controle da terra. Gradualmente, eles começaram a firmar compromissos com as nações circundantes, e com seus deuses, para garantir a paz.

Monte Tabor
Guerreiros da liberdade
Como em tantas ocasiões em sua história, os israelitas clamaram a Deus por auxílio em épocas de dificuldade. A Bíblia conta que, diante disso, Deus “suscitou juízes, que os libertaram”. Esses “juízes” não eram simplesmente juízes da lei; eram, num sentido bem real, “libertadores” ou guerreiros da liberdade. Conquistaram ao menos uma pausa temporária nos assédios dos inimigos dos israelitas. Os mais famosos desses juízes foram Débora e Barac, Gedeão, Jefté, Sansão e Samuel.

E s b oço

da

Sansão
Os filisteus, que tinham invadido e ocupado a planície costeira de Canaã por volta de 1200 a.C., formaram uma grande e poderosa nação. Começaram a se infiltrar no mesmo território que Israel estava pleiteando, trazendo consigo promessas de benefícios eco‑ nômicos. Obtida sem 4 guerra, essa dominação Soreq 1 insidiosa era uma amea‑ Timná Léhi ça à independência con‑ 2 tínua dos israelitas. Consagrado a Deus Ascalon ao nascer, Sansão estava 3 preso a um voto de ja‑ Hebron mais cortar seus cabelos; em troca, Deus dotara Gaza 3 Sansão de uma força enorme. Sansão foi juiz em Israel por cerca de 20 anos. Durante esse tempo, ele lutou sozinho Ascalon contra os filisteus em numerosos conflitos, dei‑ xando à mostra o perigo da infiltração filistéia. Sansão morreu em seu confronto final com os filisteus. Embora grandes esperanças Gaza tivessem sido depositadas em Sansão, levou ainda muito tempo até que os israelitas finalmente derrotassem seus inimigos.

Silo

Mispá

Hebron

Proezas de Sansão
Sansão se casa com uma mulher filistéia em Timná. Na festa de núpcias, ele lança um enigma para 30 convidados, que conseguem obter a resposta ameaçando a noiva dele. Sansão mata 30 filisteus em Ascalon e dá a noiva a um amigo. Os filisteus vêm capturar Sansão em Léhi, mas ele mata mil deles usando uma queixada de jumento.

1 2

Sansão visita uma prostituta em Gaza. Ao sair, leva consigo as portas da muralha da cidade e as carrega até Hebron. Sansão se apaixona por Dalila em Soreq. Ela colabora com os filisteus para obter o segredo de sua força. A cabeleira de Sansão é cortada e ele é derrotado pelos filisteus, que o cegam e o levam acorrentado até Gaza. Algum tempo depois, ele é exibido no templo, onde faz o teto desmoronar numa última demonstração de força.

3 4

24

Rio Jordão

Sob cerco

Ataques de Barac

Os inimigos dos israelitas tiraram proveito de sua evidente fraqueza. As nações vizinhas voltaram ao ataque: os canaanitas de Hasor, ao norte; os madianitas, a leste; os amonitas, do outro lado do Jordão. E, do litoral, os filisteus empurravam os israelitas cada vez mais rumo às colinas.

1 Monte Tabor c ra 2 Ba

Harôshet

As forças de Barac se reúnem no monte Tabor. As forças canaanitas de Sísara, armadas com 900 carros de ferro, se espalham na planície de Jezreel.

1 2

Débora e Barac
Por 20 anos, os israelitas tinham sido governados por Jabin, rei de Hasor. Débora, uma profetisa, foi um dos juízes israelitas por volta de 1125 a.C. Ela convocou Barac, um israelita de Neftali, para recrutar um exército e combater Sísara, o
1100

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Ci

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As forças de Barac atacam e derrotam os canaanitas, cujos carros ficam inutilizados por causa do solo úmido em torno do rio Cison. Barac persegue os canaanitas até Haroshet.

Ri

o

O monte Tabor, cenário da derrota de Sísara para Barac.

comandante das forças canaanitas. Barac concordou, desde que Débora o acompanhasse. Os canaanitas foram derrotados em batalha na planície de Jezreel. A vitória é descrita vividamente no “Cântico de Débora”, no livro dos Juízes do Antigo Testamento.
1000 a.C.

1230 a.C.

1200

Início da conquista da terra prometida

Período aproximado dos Juízes

Saul 1050 - 1010

Jefté

Rio Jaboc

Rio Jordã o

Galaad

Israel estava sob ameaça de invasão novamente, desta vez pelos amonitas. Quando os anciãos de Ga‑ laad convidaram Jefté para ser seu comandante, ele primeiro tentou uma solução diplomática Rio para o conflito. Tendo fra­ cassado Jaboc nisso, Jefté reuniu tro­ pas para lutar contra os amonitas. té Antes de partir em batalha, Jef Jefté fez um voto a Deus: se

fosse vitorioso, sacrificaria quem quer que primeiro saísse de sua casa para encontrá-lo quando voltasse. E ele se foi e derrotou definitivamente os amonitas. Imagine seu desespero quando a primeira pessoa que viu em seu retorno triunfante foi sua única filha. Apesar da dor, e apesar do fato de sacrificar crianças ser proibido na lei israelita, Jefté manteve a promessa e ofereceu a filha em holocausto. Jefté foi juiz de Israel por seis anos.

ta s

Gedeão

Rio Jordã o

Depois da vitória obtida por Débora e Barac Planície de Jezreel sobre Jabin, Israel novamente se viu em dificuldades. Por sete anos consecutivos, sua terra foi invadida pelos madianitas, um grupo nômade. Gedeão foi chamado por 2 Deus para resgatar Israel desses invasores. Gedeão Num exército de milhares, Gedeão esco‑ lheu 300 homens para atacar os madianitas à noite. Em pânico e confusão, os madia‑ nitas mataram uns aos outros em grande número, e o restante fugiu. Depois dessa vitória decisiva, os israelitas viveram em paz por 40 anos, até a morte de Gedeão.
Êxitos de Gedeão

1

Rio Jaboc

Ma

dia

nitas

i on m A

Samuel

Monte Tabor

O último e maior dos juízes foi Samuel. Sob sua liderança, os filisteus foram finalmente derrotados na batalha de Mispá, provavelmente por volta de 1095 a.C. Depois dessa vitória, os israelitas viveram em paz por vários anos. Samuel trouxe os israelitas de volta às leis de Deus e governou Israel por toda a vida.

1 2 3

Invasores madianitas acampam na planície de Jezreel. Gedeão ataca os madianitas num ataque-surpresa noturno em três frentes. Os madianitas fogem rumo ao vale do Jordão, mas são capturados e destruídos pelas forças de Gedeão.

Silo

3

3

Ver também Os canaanitas  (páginas 56-57) Os filisteus  (páginas 58-59) Nações a leste e a oeste  (páginas 78-79) Juízes  (páginas 206-207)

25

H i s t ó ri a B í b l i c a

Os primeiros reis

Q

uando Samuel, o último dos juízes israelitas, enve‑ lheceu, o povo exigiu um rei que o governasse, como nas demais nações. Samuel resistiu a princípio e alertou que um rei resultaria em recrutamento militar, trabalho forçado e opressão. Mas os israelitas insistiram e, por fim, Samuel fez o que pediam.

Saul
O primeiro rei dos israelitas, Saul, era da tribo de Benjamin. Foi designado rei em 1050 a.C. Pouco de‑ pois, teve de enfrentar um desafio dos amonitas, que se moviam do leste para assediar Jabés de Galaad. Saul reuniu um exército e lançou um ataque em três frentes que os expulsou. Em seguida, durante toda a sua vida, Israel se viu engajado numa guerra contra os filisteus. Logo o poder subiu à cabeça de Saul, e a Bíblia afirma que ele começou a desdenhar as instru‑ ções claras de Deus. Por causa da desobediência de Saul, seu filho Jônatas não herdou o trono. Em vez disso, durante a vida de Saul, Deus mandou Samuel ungir Davi como o próximo rei de Israel.

E s b oço

A fonte de En-Gadi, às margens do Mar Morto, foi um lugar onde Davi se escondeu do rei Saul.

da

A funda era uma arma comum nos tempos bíblicos, e Davi usou uma para matar Golias, o filisteu. Este relevo data do século IX a.C.

s Terra dos Filisteu
7

Afec

Ramá

To rre nt e

de

sor e B
7 6

Gat 2 Ceila Siqueleg
Davi reinou em Hebron como rei de Judá. Mil anos antes, Abraão tinha usado Hebron como base, e foi enterrado ali.

1 2 Adulam 3 Héret 9 Bet-Lehem Hebron Horesh Gabaá Jerusalém Nob

Davi
Davi era pastor em Belém, membro da tribo de Judá e harpista talentoso. Foi levado à corte do rei para acalmar Saul com sua música, que então sofria de acessos de loucura. No começo, Davi gozou dos favores do rei. Mas, depois que Davi matou o campeão filisteu Golias, Saul ficou muito enciumado. O filho de Saul, Jônatas, avisou Davi que ele corria perigo de vida. Por vários anos, Davi foi obrigado a viver como um fora-da-lei. Mais tarde, Saul e Jônatas foram mortos numa batalha contra os filisteus no monte Gelboé. 26

4 8 6

á Jud

2

Maon
Davi foi aclamado rei em Hebron em 1002 a.C., aos 30 anos de idade. Pelos dois primeiros anos, porém, foi rei ape‑ nas de sua própria região tribal, no sul. Foi um período de guerra civil entre o exército de Davi e os par‑ tidários do antigo rei, Saul. Davi uniu o reino e foi nomeado rei de todas as 12 tribos de Israel. Duran‑ te seu reinado, expandiu o reino e expulsou os inimigos. Foi um rei muito popular, e seu legado ao filho Salomão foi paz e segurança.

4 5 En-Gadi 3

b a Mo

a trilha de Davi à realeza
Saul tem ciúmes dos êxitos militares de Davi e toma ciência de que Davi acabará sucedendo-lhe como rei. Davi teme pela vida e encontra refúgio entre os sacerdotes de Nob, onde recolhe a espada de Golias. Saul ordena a morte dos sacerdotes por acobertarem Davi. Davi encontra refúgio na cidade filistéia de Gat, mas teme os filisteus e foge para Adulam. A ele se junta um bando de quase 600 homens descontentes com o governo de Saul. Dirigem-se a Moab. Regressa a Judá em resposta a uma profecia e luta contra os filisteus, que estão assediando Ceila.

1 2 3 4 5 6 7

Enquanto isso, os israelitas são derrotados no monte Gelboé. Saul e os filhos são mortos e seus corpos fixados nas muralhas de Bet-Shan. Os homens de Jabés de Galaad recolhem os corpos e os enterram. Davi se dirige a Hebron, onde é feito rei de Judá. Há uma guerra civil entre os partidários de Davi e os da família de Saul. Gradualmente, a posição de Davi se torna mais forte, até que Israel o reconhece como rei.

Ver também: Os filisteus  (páginas 58-59) Três templos (páginas 160-161) 1 e 2 Samuel  (páginas 208-209) 1 e 2 Reis  (páginas 210-211)

8 9

Ele reina por sete anos e meio em Hebron. Em seguida, captura Jerusalém dos jebuseus e faz dela sua capital.

Saul persegue Davi com uma força de 3 mil homens até Horesh e Maon, mas se retira quando é informado de que os filisteus estão invadindo Judá. Davi prossegue até En-Gadi. Saul volta a perseguir Davi, que lhe poupa a vida. Davi se dirige a Maon. Saul o segue e, novamente, Davi poupa sua vida. Esta fotografia aérea mostra a colina de Bet-Shan, com o anfiteatro romano em primeiro plano. Os corpos do rei Saul e de seu filho Jônatas foram fixados nas paredes de Bet-Shan depois que foram derrotados pelos filisteus.

Davi busca refúgio novamente em Gat. O rei Aquis de Gat acredita que Davi é inimigo de Israel e lhe oferece Siqueleg como base. Os filisteus se reúnem para atacar Israel. Saul convoca suas tropas e os encontra no monte Gelboé. Davi chega a Afec, mas é impedido de se juntar à batalha. Retorna a Siqueleg e descobre que os amalequitas arrasaram a cidade. Parte em perseguição pela ravina de Besor e os destrói.

E x é rc i t o f i li
ci Exér

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aelita to is r

Monte Gelboé Bet-Shan

Jabés de Galaad

Salomão

n o Am
Os jebuseus estavam convictos de que Jerusalém era inexpugnável, mas as forças de Davi encontraram um caminho até a cidade usando um túnel que fora cavado para dar acesso ao suprimento de água da fonte Geon.

A sabedoria de Salomão como rei é lendária. Tornou-se rei em 970 a.C. e protegeu Israel construindo fortalezas e mantendo um poderoso exército. Um reino forte e seguro per‑ mitiu que Israel prosperasse graças a alianças de comércio. O reino de Salomão incluía todas as nações desde o rio Eufrates até a Filistéia e os limites do Egito. Essas nações lhe pagavam tributos e estiveram sujeitas a ele enquanto viveu. Paz e segurança permitiram ao rei cuidar de outros negó‑ cios, entre os quais o governo e a administração. Na corte de Salomão, havia tempo para a cultura e para o gozo da beleza. Mandou construir um templo magnífico em Jerusalém, e vários outros belos edifícios. Seu reinado foi a época de ouro de Israel. Mas esse quadro também tinha um lado escuro. A introdução de pesados impostos, do trabalho forçado e de divindades estrangeiras irritava seus súditos, e lançou as se‑ mentes que viriam a dividir o reino após sua morte.

1070 a.C.

1000 a.C. Reinado de Davi em Israel e Judá Reinado de Saul 1050 - 1010 1002 - 970 Reinado de Davi em Judá 1010-1002

900 a.C.
966 Início das obras do templo 959 Término das obras do templo

Reinado de Salomão 970 - 930

27

H i s t ó ri a B í b l i c a

Dois reinos

S

ob o rei Salomão, Israel se tornou um reino rico e poderoso, mas o povo era oprimido e sobrecarregado com impostos e trabalhos forçados. Quando Roboão, filho de Salomão, subiu ao trono, os israelitas lhe suplicaram que aliviasse seu fardo. Ele se recusou. O povo se rebelou e a nação ficou dividida.

O reino de Judá
No sul, o novo reino de Judá compreendia as tribos de Judá e Benjamin. Era um reino pequeno, com cerca de 5.630 quilômetros quadrados de área, um terço do tamanho do reino de Israel. Roboão continuou a governar o reino em sua capital, Jerusalém.

Síri (Ara a m)
Dan

O reino de Israel
Dez das tribos israelitas fundaram um novo reino, que chamaram de Israel. Jeroboão I foi designado rei e governou desde sua capital, Siquém. Estabeleceu novos centros de culto nas cidades de Dan e Betel para seu reino do norte, que estava separado de Jerusalém.

E s b oço

da

Bons ou maus reis?

Monte Carmelo

Israel
Siquém Betel Samaria Silo

Ramot no Guilead

t eu s

Jerusalém Bet-Sames

Am o

n

Os historiadores que escreveram os li‑ vros dos Reis e das Crônicas do Antigo Siquém foi escolhida por Testamento classificaram os reis de Israel Jeroboão I para ser a capital do e Judá como “bons” ou “maus”, confor‑ novo reino de Israel. me reformavam a religião ou permitiam que prosseguissem as práticas não-israe‑ litas adotadas pelo povo. Ozias e Ezequias foram dois reis reformadores de Judá. O rei Acab de Israel tem um dos piores conceitos. Ele e sua mulher estrangeira, Jezabel, apoiaram o culto de Baal, se opuseram ao profeta Elias e perseguiram os que cultuavam o próprio Deus de Israel. As ruínas da “casa de marfim” de Acab, em Samaria, podem ser vistas ainda hoje.

Guerra e conciliação
Roboão e os reis seguintes de Judá tentaram restabele‑ cer sua autoridade sobre as demais 10 tribos, e os reinos de Judá e Israel viveram um período de guerra civil que durou 60 anos. Foi Josafá o rei que, por fim, concluiu uma aliança com o rei Acab de Israel. Depois disso, os dois reinos coope‑ raram contra o avanço dos inimigos à sua volta.

Uma era de profecia
Contra o pano de fundo da divisão e da cooperação posterior das tribos de Israel, a Bíblia fala dos profetas que estavam ativos nesse período. Um profeta era considerado como um porta-voz de Deus, ativamente preocupado com a conduta do povo de Deus. Vários profetas viveram juntos em comunidades. O profeta Eliseu foi o líder de uma dessas comunidades, como também foi, mais tarde, o profeta Isaías.

Filis

Te

rra

dos

Judá

Moab

E do m

O rei Acab de Israel casouse com Jezabel, filha de Etbaal, rei de Tiro. Jezabel instaurou o culto do deus da chuva, Baal. Acab construiu um templo para Baal em sua capital, Samaria.

Israel se divide em dois reinos
900 a.C. 800 a.C.

Reinado de Jeroboão 930 - 910 Reinado de Roboão 930 - 913

Período de guerra civil

Reinado de Acab 874 - 853 Reinado de Josafá

Reinado de Ozias 791 - 739

Elias

Eliseu

28

Elias e Eliseu
O profeta Elias se insurgiu contra o rei Acab de Israel e o culto do deus canaa­ nita Baal, exigindo fé renovada no Deus de Israel. A Bíblia relata um incidente no mon‑ te Carmelo, quando Elias desafiou os sacerdotes a provar a existência do deus deles. Se Baal pudesse queimar um sacrifício, seria pro‑ va suficiente; no entanto, se o Deus de Israel, Javé, mandasse fogo para queimar o sacrifício de Elias, isso provaria que Ele era o verdadeiro Deus. A Bíblia conta que os Monte sacerdotes fracassaram, Carmelo Elias teve êxito e o povo gritou: “Javé é Deus!” Elias treinou um novo profeta, Eliseu, 5 para continuar o trabalho que ele 5 iniciara. Eliseu pro‑ fetizou em Israel por mais de 50 anos, durante o Samaria reinado de seis reis. Segundo 4 a Bíblia, ele também rea‑ lizou vários milagres de cura.

Sarepta

Algumas das ruínas do palácio erguido em Samaria pelo rei Acab são visíveis ainda hoje.

(A Síri ra

Damasco

a ) m

3

8
Ver também Os canaanitas  (páginas 56-57) Guerra  (páginas 118-119) Os profetas  (páginas 166-167) 1 e 2 Reis  (páginas 210-211) 1 e 2 Crônicas  (páginas 212-213)

Jezreel Dotan 7 1 Siquém
Rio Jordão

2 Torrente de Carit

Betel 5 Jerusalém 6
Profecias de Elias
O profeta Elias anuncia uma seca iminente ao rei Acab. Elias em seguida se retira para junto de uma fonte em Carit, onde Deus promete que os corvos lhe trarão alimento.

1 2 3 4

As viagens de Eliseu
O profeta Eliseu viaja a Betel, depois ao monte Carmelo e a Samaria. Eliseu acompanha os reis de Israel e Judá contra os moabitas.

700 a.C.

680 a.C.

722 Queda de Samaria Reinado de Ezequias 729 - 687

Moab

A fonte seca. Elias se dirige a Sarepta e se hospeda na casa de uma viúva. Após três anos de seca, Elias enfrenta Acab e desafia os profetas de Baal para uma disputa no monte Carmelo. Deus dá ganho de causa a Elias no monte Carmelo. Os profetas de Baal são mortos e Elias foge para o sul, temendo represálias. Encontra Deus no monte Sinai.

Tropas sírias enviadas para capturar Eliseu são cegadas e levadas por ele de Dotan a Samaria. Mais tarde, os sírios cercam Samaria, mas Eliseu profetiza o fim do cerco. Eliseu vai a Damasco. Profetiza que Hazael será o próximo rei da Síria e causará grandes danos a Israel.

5 6 7 8

29

H i s t ó ri a B í b l i c a

A ascensão da Assíria

P

E s b oço

da

or causa de sua posição estratégica entre os poderes do Egito e da Mesopotâmia, Israel e Judá eram muito vulneráveis à agressão militar. Os reis Davi e Salomão tiveram êxito em parte porque nenhuma das grandes nações era poderosa o bastante para atacar durante seus reinados. Mas depois da divisão dos israelitas em dois reinos, nações vizinhas — Síria, Amon e Moab — causaram problemas crescentes aos subseqüentes reis de Israel e Judá. No entanto, foi o crescimento das grandes potências mais a noroeste que se provou decisivo.

O crescimento do império assírio
O império assírio teve um primeiro período de poder sob o rei Teglat-Falasar I por volta de 1100 a.C. Mas a agressão impiedosa pela qual a Assíria era tão temida atingiu seu pico entre 880 e 612 a.C. O império assírio tinha como base em três grandes cidades: Assur, Calá e Nínive.

1 Qarqar
O rei assírio Sargão II, que deportou a população do reino do norte, Israel.

Judá e Israel subjugados
A partir de meados do século IX a.C., época do rei Acab em Israel, os reis da Assíria repetidamente atacaram Israel. Logo o rei Jeú de Israel (841-814 a.C.) estava pagando um tributo anual a Salmanasar III da Assíria. Acás, rei de Judá por volta de 735-715 a.C., pediu a Teglat-Falasar III da Assíria que o ajudasse a combater a Síria e Israel. O rei assírio concordou, e derrotou a ambos. Mas Judá teve de se tornar um reino-súdito da Assíria em troca da ajuda.

850 a.C.

841

814 Israel – reino vassalo da Assíria

800 a.C.

Invasões assírias
Em 853 a.C., o exército de Salmanasar III é confrontado em Qarqar por 12 reis que se uniram para lhe fazer oposição; um deles é Acab, rei de Israel. Em 841 a.C., Salmanasar III de novo marcha sobre a área, montando um cerco a Damasco. O rei Jeú de Israel pagalhe tributo. Salmanasar então tem de proteger sua fronteira norte contra ataques, e Damasco aproveita a ocasião para atacar Israel e Judá. O rei Teglat-Falasar III investe até a fronteira do Egito em 734 a.C. Logo, em 733 a.C., ataca Israel, destruindo Magedo e Hasor, e tornando províncias assírias a área costeira, a Galiléia e a área além do rio Jordão. Em 732 a.C., Samaria é poupada somente porque seu rei rebelde, Pecá, é assassinado. Salmanasar V captura o rei Oséias de Israel em 724 a.C. e monta um cerco a Samaria. Em 722 a.C., toma Samaria e envia os israelitas em exílio, pondo deste modo um fim ao reino do norte.

2 Damasco 4 Hasor

1 2 3 4

O declínio do império assírio
Os assírios dominaram os negócios dos reinos de Israel e Judá, bem como conquistaram várias outras nações, incluindo Egito, Síria e Babilônia. No entanto, os assí‑ rios tiveram de travar muitas batalhas para proteger seu império, que, de fato, cresceu demais para ser adequa‑ damente defendido. Com o tempo, diversas províncias reconquistaram a liberdade. O império durou até Assur cair diante dos medos em 614 a.C., e a capital, Nínive, ser destruída pelos medos e babilônios em 612 a.C.

Magedo Samaria

3

Um detalhe do Obelisco Negro do rei assírio Salmanasar (858-824 a.C.), de Calá. O rei Jeú de Israel aparece de joelhos diante do governante assírio.

30

Nínive

A s s í ri a
Nínive Cale B Assur

éd

M

ia

Ver também Os assírios  (páginas 60-61) 1 e 2 Reis  (páginas 210-211) 1 e 2 Crônicas  (páginas 212-213) Isaías  (páginas 226-227)

a

bi

Damasco Samaria

Babilônia

ia

Susa

n

E g i to
Mênfis

Elam

733  Judá – reino vassalo da Assíria 722  Assíria cerca Samaria; fim do reino do norte 701  Assíria cerca Jerusalém sem sucesso

700 a.C.

600 a.C.

614 M  edos tomam Assur 612 B  abilônios destroem Nínive

Isaías

Jeremias

O reino do norte destruído
Quando o rei Oséias de Israel se rebelou e recusou pagar o tributo anual, o rei assírio Salmanasar V começou um cerco de três anos a Samaria, então capital de Israel. Os israelitas foram deportados para a Assíria e o reino de Israel foi destruí­ do (722-721 a.C.). Nunca mais se ouviu falar das 10 tribos de Israel.

Jerusalém assediada
Logo depois da destruição de Is­ rael, os assírios derrotaram o Egito. Então, em 701 a.C., o poderoso rei Senaquerib assediou Jerusalém, porque o rei Ezequias de Judá tinha parado de pagar o tributo aos assí‑ rios e conclamado uma rebelião. A Bíblia registra que Ezequias confiou em Deus e Jerusalém foi salva. O rei Senaquerib retornou a Nínive, onde foi morto por um de seus filhos.

Este relevo do palácio do rei assírio Senaquerib em Nínive retrata o cerco de Laquis em 701 a.C. A infantaria e os arqueiros usam uma rampa de assédio para escalar os muros.

31

H i s t ó ri a B í b l i c a

A invasão babilônia

S

e a Assíria na Bíblia representava a opressão, a Babilônia representava o poder. Nabopolasar, governador da área em torno do golfo Pérsico, libertou a Babilônia dos assírios e se tornou rei em 626 a.C. Continuou a obter vitórias sobre os assírios, e em 612 a.C. os babilônios e os medos capturaram Nínive, a capital assíria. Não se contentaram em se apoderar da própria Assíria: partiram à conquista de todo o império assírio.

2

Carquemis
2

da

625 a.C.

627

600 a.C. 525 a.C. 612 Babilônios destroem Nínive 539  Ciro da Pérsia 609 Josias de Judá é morto em Magedo conquista o império 605 Babilônios derrotam egípios em Carquemis babilônio 597 Judá rende-se aos babilônios 587 Babilônios destroem Jerusalém Exílio na Babilônia 593 Ezequiel 571 Jeremias

E s b oço
Judá sob pressão

Em 609 a.C., o rei Josias de Judá é morto em batalha contra tropas egípcias em Magedo. Judá se torna um Estado súdito do Egito. Quatro anos depois, em 605 a.C., o rei Nabucodonosor da Babilônia, tendo derrotado os egípcios em Carquemis, invade Judá e ocupa a planície costeira. Em 597 a.C., Jerusalém é forçada a render-se ao rei Nabucodonosor. Dez anos depois, Nabucodonosor marcha novamente sobre Jerusalém, em seguida a uma rebelião. Em 587 a.C., a cidade é tomada e destruída, e seus cidadãos são enviados ao exílio.

1 2 3

A queda de Jerusalém
Pouco depois que Joiakin se tornou rei de Judá em 597 a.C., os babilônios conquistaram Jerusalém. O rei e diver‑ sos líderes de Judá foram enviados ao exílio na Babilônia. A política dos invasores não era somente pilhar e destruir, mas também enfraquecer as nações subjugadas e prevenir futuras rebeliões deportando seus cidadãos proeminentes. Apesar disso, dez anos depois, Sedecias, um rei-fantoche colocado no trono de Judá por Nabucodonosor da Babilô‑ nia, pediu ajuda aos egípcios. Para esmagar essa revolta, os babilônios montaram um cerco de 18 meses a Jerusalém, antes de tomar a cidade em 587 a.C. O rei Sedecias foi capturado e cegado. Jerusalém e seu templo foram destruídos. Objetos valiosos, incluindo o tesouro do templo, foram saqueados, e o povo foi de‑ portado para a Babilônia. Somente os mais pobres foram deixados para cultivar a terra. Era o início do pe‑ ríodo da história judaica conhecido como “o Exílio”.

Magedo
3

1

Jerusalém

1

Esta tabuleta de argila, parte da Crônica Babilônia, registra alguns eventos importantes da história da Babilônia e de Judá. Entre eles, a subida ao trono do rei babilônio Nabucodonosor II, a batalha de Carquemis, a queda de Jerusalém em 597 a.C. e a nomeação de Sedecias como rei de Judá.

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