P. 1
A emancipação humana - uma abordagem a partir de Karl Marx.pdf

A emancipação humana - uma abordagem a partir de Karl Marx.pdf

|Views: 10|Likes:

More info:

Published by: Livia Gomes Dos Santos on Oct 24, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/28/2015

pdf

text

original

V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO, EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11, 12, 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC - Brasil A EMANCIPAÇÃO HUMANA

: UMA ABORDAGEM A PARTIR DE KARL MARX 1 Ariela dos Santos Canielles 2 Avelino da Rosa Oliveira 3 Universidade Federal de Pelotas

Resumo: Este texto tem como objetivo discutir e apresentar a emancipação humana a partir de Karl Marx. Inicialmente, é fundamental a percepção de que a ideia da emancipação humana perpassa todo o constructo teórico marxiano. Todavia, neste ensaio, optamos em trabalhar a partir de três obras escritas na sua juventude – A questão judaica; Contribuição a Crítica da Filosofia de Hegel – Introdução e Manuscritos Econômicofilosoficos –, tendo em vista a explicitação de alguns aspectos relevantes como a origem desta temática, o contexto no qual foi desenvolvido e, principalmente, no que implicaria a emancipação humana. Inicialmente, apresenta-se um panorama geral da temática problematizada, posteriormente a Emancipação no contexto das três obras e, por conseguinte, os indicadores de conclusão. Conclui-se que a emancipação teorizada por Marx supera as concepções vigentes em sua época. O autor realiza uma importante distinção entre emancipação política e emancipação humana. Na perspectiva da emancipação política o Homem pode emancipar-se politicamente, porém permanecerá condicionado a um sistema que oprime suas características enquanto ser genérico e social. Em contrapartida, no pensamento de Marx, para haver a possibilidade da emancipação humana é necessária uma mudança tanto na forma de pensar como nas práticas dos homens. Esse processo está estreitamente relacionado à alienação do homem, à luta de classes e, principalmente, à liberdade. Desse modo, podemos afirmar que a emancipação humana vincula-se ao desejo da instauração de um novo modelo social que supere o sistema do capital. Por fim, emancipação humana envolve características específicas e complexas: a) Consiste em um processo coletivo e social; b) Para que a emancipação ocorra é necessária uma mudança na forma de pensar e agir em sociedade, através da formação omnilateral do homem (Educação integral – aspectos intelectuais culturais e trabalho); c) superação da alienação e sistema do capital. Palavras-chave: Karl Marx, Emancipação Humana, Superação

Este texto é fruto de uma pesquisa, em conclusão, no Curso de Mestrado em Educação – UFPel, na linha de pesquisa Filosofia e História da Educação.
2

1

Licenciada em Pedagogia, aluna de Mestrado no Programa de Pós- Graduação em Educação Universidade Federal de Pelotas, na Linha de Pesquisa: Filosofia e História da Educação. Bolsista de Programa de Demanda Social da CAPES. Integrante do Grupo de Pesquisa FEPráxiS - Filosofia Educação e Práxis Social . RS/ Brasil. E-mail: ariela.canielles@gmail.com Professor titular do Departamento de Fundamentos da Educação na Faculdade de Educação Universidade Federal de Pelotas. Pesquisador integrante do Grupo de Pesquisa FEPráxiS - Filosofia Educação e Práxis Social . RS/ Brasil E-mail: avelino.oliveira@gmail.com

3

13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . 12. A temática da emancipação humana está presente em todo o construto teórico marxiano. Partindo dessa constatação. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. educação transformadora.14). principalmente por pesquisadores em filosofia da educação. no ano de 1843. e a partir destes elementos amplia a discussão para o âmbito do Estado e da Política. Sobre esse aspecto. Principalmente.13) e que não há possibilidade de emancipação apenas para um lado da questão. Marx (2005) afirma que “antes de emancipar os outros precisamos emancipar-nos” (p. contrapondo-se e encaminhando a discussão para além da emancipação política. É preciso ressaltar que a critica marxiana consiste em uma “critica respeitosa”. já que existem pontos em que ele concorda com o jovem hegeliano. como conclusão. trata-se de um conceito complexo. principalmente pela não diferenciação entre emancipação humana e emancipação política. Inicialmente. trabalho e educação. A Emancipação na obra “A Questão Judaica” A Questão Judaica (Zur Judenfrage) publicada nos Anais franco-alemães. visando contribuir com as discussões em que este conceito é empregado. na busca da emancipação humana. avança para seu alargamento em outros textos marxianos do mesmo período e. entre outros. Marx (2005) ressalta que Bauer “colocou em novos termos a questão da emancipação dos judeus” (p. Nosso argumento parte da apresentação do conceito na obra A Questão Judaica. ainda é perceptível grande confusão teórica. porém. educação popular.Brasil 2 A emancipação humana é frequentemente discutida na área educacional.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. em concordância. encontram-se mais sistematicamente argumentos e problematizações que a tornam o texto-chave acerca deste assunto. movimentos sociais. são essencialmente humanos. Em determinado momento da obra. consiste numa reação de Marx à obra homônima de Bruno Bauer. aponta certas diretrizes a considerar sobre o tema. que exige cuidados no seu emprego. nesta obra. Bauer afirma que “na Alemanha ninguém está politicamente emancipado” (p.15) e trava uma discussão acerca da . nem cristãos e nem judeus alcançarão a emancipação sem entendimento de que antes de qualquer posição religiosa. no que tange a identificação de que a emancipação não é um problema somente dos judeus. buscamos apresentar e discutir a emancipação humana no constructo teórico marxiano. Marx expõe os aspectos principais do texto de Bauer. No entanto.

já que estava submetida a um Estado puramente religioso. Marx ressalta que. A emancipação da religião se coloca como condição. por referir-se unicamente ao Estado Cristão. um alcance geral. afirmando que sua crítica é meramente teológica. a própria ciência se encarrega de resolver as antíteses (MARX. sendo o homem a serpente que muda de pele em cada uma destas fases. independente das condições alemãs específicas. É preciso entender que “o emancipar-nos” evidenciado por Marx referese à problemática de que a Alemanha carecia da emancipação. se restringe ao campo religioso e ao Estado Cristão.. sua unidade. contudo. A ciência será. a diferenciação entre emancipação política e emancipação humana. 2005. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . em que as leis eram as leis religiosas e havia privilégios apenas aos membros da religião oficial. Outros países. diferentes peles de serpente com que cambiou a história. então. 15). num plano humano. E..V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. bem como a problematização acerca dos interesses individuais e coletivos dos homens na sociedade. Tão logo o judeu e o cristão reconheçam que suas respectivas religiões nada mais são que fases diferentes do desenvolvimento do espírito humano. já não se enfrentarão mais num plano religioso. Para Marx (2005) “O . no plano científico. tanto para o judeu que quer se emancipar politicamente. Falta-lhe. Trata-se das relações entre a religião e o Estado. ainda. Como se resolve uma antítese? Tornando-a impossível. mas somente no plano crítico. . científico. 15). Marx adverte que a emancipação buscada por Bauer tem caráter restrito e unilateral. a questão judaica tem.Brasil diferença religiosa: 3 A forma mais rígida da antítese entre o judeu e o cristão é a antítese religiosa. p. sendo o Cristianismo sua religião oficial. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. 2005. Com esse argumento. como França e Estados Unidos. ou seja. a Alemanha vivia sob um Estado teológico. já haviam superado essa situação e instaurado um Estado Político. Marx rebate as ideias do jovem hegeliano. sob o ponto de vista de Bauer. A partir de seus argumentos. p. E como se torna impossível uma antítese religiosa? Abolindo a religião. Na primeira metade do século XIX. 12. como para o Estado que o emancipa e deve ao mesmo tempo ser emancipado (MARX. da contradição entre as cadeias religiosas e a emancipação política. e não ao Estado Geral. é possível perceber a contribuição marxiana em virtude da diferenciação entre emancipação política e humana. Assim.

Ou seja. liberta-se politicamente de uma barreira ao se colocar em contradição consigo mesmo. Marx (2005) apresenta determinada discussão sobre direitos do homem. ao sobrepor esta barreira de modo abstrato e limitado. o Estado pode emancipar-se da religião.. 21) O aspecto apresentado nos aproxima de outro ponto falho. p. (p. Dessa forma o direito à liberdade corresponde ao “direito de fazer e empreender tudo que não prejudique os outros [. direitos do cidadão e relaciona estes direitos com o Estado e a emancipação política. em que atua como particular. 2005. de um modo parcial. Ainda sobre a emancipação política Marx ressalta: Porém a atitude do Estado em face da religião. relacionado à teorização sobre o conflito entre o interesse geral e o interesse particular do Homem. mesmo que seja um meio necessário(MARX. como também. na separação do homem em relação a seu semelhante[.] o direito do homem não se baseia na união do homem com o homem.] é o direito a esta dissociação. membro da sociedade burguesa. Os direitos do homem são baseados em quatro princípios: liberdade. mas. vive “uma dupla vida: uma celestial e outra terrena. que ao emancipar-se politicamente. Portanto. o direito do indivíduo limitado a si . a vida na comunidade política.23) Em virtude disto..é a atitude diante da religião dos homens que formam o Estado. não implicará na emancipação humana. Marx (2005. pelo contrário. considera outros homens como meios. Inicialmente.e nos referimos aqui ao Estado livre . através de um meio. na qual ele se considera um ser coletivo.Brasil 4 limite da emancipação política manifesta-se imediatamente no fato de que o Estado pode livrar-se de um limite sem que o homem dele se liberte realmente. Donde se conclui que o homem se liberta por meio do Estado. no fato de que o Estado pode ser um estado livre sem que o homem seja um homem livre” (p 21) . segurança e propriedade privada..23) ressalta que o Homem em sociedade vive uma dualidade: uma vida genérica em oposição a uma vida material. Deduz-se. degrada-se a si próprio como meio e converte-se em joguete de poderes estranhos”. o homem o faz por meio de um subterfúgio. ressaltamos que na visão marxiana os direitos humanos são os direitos do homem egoísta.. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. além disso. ainda que a maioria continue religiosa. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . e a vida sociedade civil. igualdade. p.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. 12. e visam garantir os interesses particulares.

36). estes direitos. degrada-se a esfera comunitária em que atua em detrimento da esfera em que o homem atual como ser parcial. pelo contrário fazem da própria vida genérica. 2005. da sociedade um marco exterior aos indivíduos.. conservação de suas propriedades individualidades egoístas (MARX. o autor refere-se à substituição de um sistema predominante feudal. não se considera como homem verdadeiro e autêntico o homem enquanto cidadão. modificando as relações entre os indivíduos. faz com que o homem encontre noutros homens a não realização de sua liberdade . Em suma. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . O novo modelo de sociedade instaurou uma nova condição ao Estado.39). O único nexo que os mantém em coesão é a necessidade natural. o conceito de polícia. p. segundo o qual toda sociedade somente existe para garantir a cada um de seus membros a conservação de sua pessoa. Aqui. Por ultimo. A revolução política é a revolução da sociedade civil” (p. p. o direito à segurança considerado “o direito supremo da sociedade burguesa. mas pelo contrário a limitação desta”(p. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. o direito à liberdade transforma-se no direito à propriedade privada “o direito de desfrutar de seu patrimônio e dele dispor arbitrariamente. Marx (2003) afirma que esta “é. senão enquanto burguês (MARX.37) Logo. Retornando à emancipação política. uma limitação de sua independência primitiva. 2005. como uma mônada presa a si mesma” (p. simultaneamente. o direito a igualdade está diretamente relacionado ao direito da liberdade. independente da sociedade é o direito pessoal [. a necessidade e o interesse particular. 37).Brasil 5 mesmo” (p. “a saber: que todo homem se considere igual. Marx (2005) ainda reforça a ideia de que os direitos do homem manifestam o caráter egoísta e individual da sociedade burguesa e nenhum dos direitos acima citados ultrapassa os interesses particulares e a dissociação da comunidade. a dissolução da velha sociedade em que repousa o estado alienador e a dissolução do poder senhorial. superado pelo sistema burguês da sociedade liberal. que finalmente.. sem atender aos demais homens. esboça que os direitos do homem acarretam o rebaixamento dos direitos do cidadão e a cidadania passa a ser apenas uma forma de conservação dos direitos humanos: “o citoyen é declarado servo do homme egoísta.] fundamento da sociedade burguesa. 12.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO.35). de seus direitos e de sua propriedade” (p. Longe de conceber o homem como um ser genérico.39). e a divisão da sociedade civil em “duas partes integrantes mais simples: de um lado os . Em consequencia.36).

obteve. Os droits de l’homme aparecem como droits naturales. liberdade religiosa. Marx (2005.. p. O homem egoísta é resultado passivo. é perceptível que o homem. surge como homem natural. o homem não-político. pois a atividade consciente de si mesma concentra no ato político. Com o objetivo de enfatizar a diferenciação entre emancipação política e emancipação humana Marx ressalta que: “Não há duvida que a emancipação política representa um grande progresso. p.Brasil 6 indivíduos. isto é. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . portanto. 41). a Alemanha não tem interesse na emancipação humana porque pretende preservar os pilares da sociedade. Embora não seja a ultima etapa da emancipação .. a emancipação política proposta por Bauer estava relacionada a esta limitação e não esgotava os problemas do homem frente à religião e à alienação política e social. dos aspectos coletivos. o autor afirma que a emancipação política ou a “revolução política dissolve a vida burguesa em suas partes integrantes sem revolucionar estas partes e submetê-las à crítica”. a situação de vida desses indivíduos [. Entretanto. obteve liberdade industrial” (Marx. Logo. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. 2003. Assim. Assim. 2003. “o homem não se libertou da religião. Deste modo. sua emancipação até mesmo da aparência de um conteúdo geral” (Marx. objeto natural. ficando claro que em nenhum momento é pensada a situação da comunidade. do outro os elementos materiais e espirituais que formam o conteúdo de vida. os direitos do homem o reduzem ao egoísmo e garantem apenas os direitos de cunho particular. simplesmente encontrado da sociedade dissolvida objeto de certeza imediata e. obteve a liberdade de propriedade. 40). ao alcançar a emancipação política. 12. não necessariamente alcança a emancipação humana. A partir da análise desses dois modelos sociais afirma que: “a emancipação política pode ter sido a emancipação da sociedade civil em relação à política. Com a emancipação política. p. 41). isto sim. Não se libertou do egoísmo da industria. Neste contexto. p. a emancipação da forma como foi proposta por Bauer limitava a possibilidade da emancipação humana.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. 41) ressalta que: O homem enquanto membro da sociedade civil. 2003. Não se libertou da propriedade.] atividade determinada de vida e situação de vida determinada passaram a ter um significado puramente individual” (Marx. Como já mencionamos.

chegou no essencial. Portanto.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. reafirma o Estado meramente teológico com prioridade para apenas uma religião.através da Educação e do Trabalho.25). A emancipação humana está no horizonte de toda a produção de Marx. Nele. Para isso.Brasil 7 humana em geral. No contexto marxiano. ao seu fim: e a critica da religião é o pressuposto de toda a crítica”(p. ela se caracteriza como a derradeira etapa da emancipação humana dentro do contexto do mundo atual” (2005. é o principio pelo qual haveria a possibilidade de rompimento e superação do modelo social do capital e a possibilidade de instauração de um novo modelo social em que acabaria com a dualidade do homem na sociedade. afirmando que “no caso da Alemanha. atingimos o cerne da distinção entre emancipação política e emancipação humana. grifos do autor). e isto. a crítica da religião.145). Emancinpação : Critica da filosofia do Direito de Hegel – Introdução A “Critica da Filosofia do Direito de Hegel – Introdução” foi a segunda obra de Karl Marx publicada nos Anais franco-alemães no ano de 1844 e consiste em um texto introdutório à reescrita dos Manuscritos de Kreuznach. Desta forma. Somente quando o homem individual real recupera em si o cidadão abstrato e se converte. em ser genérico. 2003. 42. é necessário uma nova consciência política e social. determinar-se como ser genérico. Logo. traça discussões acerca da . a emancipação humana só é possível quando o homem individual for superado e. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. p. Ou seja. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . a emancipação só poderá ser concretizada com a superação do sistema do capital. somente então se processa a emancipação humana (MARX. em seu trabalho individual em suas relações individuais somente reconhecido e organizado suas “forces propes” como forças sociais e quando. Nesse sentido a filosofia seria o principal fundamento para esse processo revolucionário despertando no Homem a consciência do seu papel na sociedade burguesa e instaurando um sentimento de busca pela mudança social. exigiria uma formação integral do Homem e de suas potencialidades . a emancipação política é o máximo a que se pode aspirar e a emancipação humana só é possível em um novo ordenamento social. pois é um processo coletivo e social. como homem individual. coletivamente. portanto já não separa de si a força social sob forma de força política. e ninguém alcança esse objetivo na individualidade. p. dentro de um ordenamento capitalista. 12. Marx (2005) retoma alguns aspectos da questão judaica e do Estado Cristão. Assim.

145). EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. o seu entusiasmo. porque eles são um mundo invertido. o seu complemento solene. o animo de um mundo sem coração e a alma de situação sem alma” (Marx. a religião não faz o homem. o Estado. consideradas por Marx como princípio ilusório da sociedade e o fundamento que preserva a organização social “A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real” (p. acocorado fora do mundo. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC .Brasil religião e da atuação do homem em sociedade . Mas o homem não é um ser abstrato. “na luta contra esta situação. a . p. ao enfatizar que a Alemanha orgulha-se de sua história de lutas e conquistas. p. a sociedade. indiretamente. referente à dualidade vivida pelo homem na sociedade capitalista que busca na religião a possibilidade de encontro e alívio das dores do dia-a-dia “A religião é o suspiro da criatura oprimida. Portanto. entretanto continua preso a um modelo opressor e deve decretar guerra a essa situação. em volta do verdadeiro sol. Assim. nessa perspectiva. porque a essência humana não possui verdadeira realidade. 12. e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão. o seu resumo enciclopédico. sua base geral de consolação e de justificativa. o terceiro.membro de uma religião: 8 Este é o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião. a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião (MARX. de modo que pense. Este Estado e esta sociedade produzem a religião. 145). 146) Outro aspecto que merece destaque é a concepção de Marx (2005) sobre o status quo alemão. o segundo. p. o Estado e a sociedade e. 2005. [. frente à religião. a sua sanção moral.] a crítica da religião liberta o homem da ilusão. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em torno de si mesmo (MARX. atue. assim.. A religião é a teoria geral deste mundo. refere-se à afirmação de que neste momento histórico a critica da religião é o pressuposto de toda crítica.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. principalmente. a ideia de que o homem faz a religião. a sua lógica em forma popular. a luta contra a religião é. pois a organização social e as leis na Alemanha eram as leis religiosas. a fim de que gire em torno de si mesmo e. é um ser histórico-social.. 2005. Por conseguinte. podemos colocar em evidência alguns aspectos relevantes: o primeiro. que não se encontrou ainda ou voltou a se perder.145) A partir da citação acima. o seu o seu point d’ honneur espiritualista. É a realização fantástica da essência humana. O homem é o mundo do homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem. consciência invertida do mundo. 2005.

por outro.. . p. A emancipação humana. E um belo dia. relevante.) A atividade abstrata. tem a sua contrapartida no sofrimento abstrato. a emancipação humana universal. a indignação é o seu modo essencial de sentimento. é o papel central da teoria na possibilidade da transformação social e instauração de um novo sistema. Apostando. “A revolução começou com as idéias de um monge e afirma que hoje é no cérebro do filósofo que ela começa” (p. as barreiras que na realidade tem de experimentar e atingir como uma emancipação das suas próprias barreiras reais? Uma revolução radical só pode ser a revolução de necessidades reais. Através da crítica. mas apenas um meio . mas a revolução parcial. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11.147). Não atingiu ainda na prática os estágios que já ultrapassou na teoria. a Alemanha não atravessou os estágios intermediários da emancipação política ao mesmo tempo em que os povos modernos. Será comparável a um feiticista que sofre das doenças do cristianismo. em nenhum momento. sobre o atraso da Alemanha e apresentando. luta entre as diferentes classes. o alemão encontrar-se-á ao nível da decadência européia. 12. Marx (2005) argumenta que o passado revolucionário da Alemanha é o teórico – a Reforma. problemas característicos da sociedade moderna... as classes oprimidas passariam ter a sua voz “fazendo-as ouvir o canto da sua própria melodia” (p. e a denuncia a sua principal tarefa” (p. Primeiramente. Além disso. (. de forma inicial. pois “a crítica já não é fim em si. por um lado. (MARX. assim.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. 2005. e principalmente. 147). em salto mortale. a arma contra o inimigo com o objetivo de destruição. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . 153) Após os elementos expostos. a concepção de emancipação Marx (2005) avalia: . na denuncia da opressão. para a qual parecem faltar os pressupostos e o campo de cultivo. ou seja. mas a cabeça da paixão” (p. e religiosos com o objetivo de conservar os pilares da sociedade. sobreposição de uma sobre as outras.148).Brasil 9 crítica não é paixão da cabeça.. esta deve acompanhar os problemas típicos da sua época. olharemos mais atentamente as questões sobre a emancipação. Como poderia a Alemanha. foi o objetivo desta nação. O sonho utópico da Alemanha não é a revolução radical. Outro ponto. superar não só as suas próprias barreiras. antes de alguma vez ter atingido o nível da emancipação européia. isto é.152) Ainda. mas também as das nações modernas. Marx ressalta que a emancipação pretendida na Alemanha é restrita aos aspectos políticos. a crítica ao Estado que obedece e faz valer as leis religiosas.

meramente política? Apenas esta: uma seção da sociedade civil emancipa-se e alcança o domínio universal: uma determinada classe empreende. 2005. exigiria da classe promissora: lógica. a emancipação humana. destacamos a discussão instaurada por Marx sobre os aspectos necessários para o alcance da emancipação humana universal. a partir da sua situação particular. Qual a base de uma revolução parcial. mas desde o momento em que as condições da época. a audácia revolucionária que arremessa ao adversário a frase provocadora: nada sou e serei tudo” (Marx. um estamento tem de ser o estamento do repúdio geral. Marx apresenta alguns aspectos necessários ao desenvolvimento de uma classe. Para que a revolução de um povo e a emancipação de uma classe particular da sociedade civil coincidam. uma emancipação geral da situação. por um momento apenas. Tal classe emancipa a sociedade como um todo. originam uma nova esfera que ela por sua vez pode oprimir” (p. Para completar a ideia. Para que um estamento seja estamento libertador par excellence. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . 154) Seguindo a mesma linha de argumentação. pois “cada uma dessas esferas começa por saber de si e por estabelecer-se ao lado das outras. que deixa de pé os pilares do edifício. com o objetivo de reforçar a hipótese de que a emancipação é um processo social. é necessário que outro estamento se revele abertamente como estamento da opressão. p. a fim de que a emancipação de semelhante esfera surja como uma emancipação geral. 154). o autor ressalta que falta a todas as classes “a grandeza de alma que. Assim. os identificaria com a alma popular. 2005 p. (MARX. não a partir do momento em que é oprimida. sem qualquer ação da sua parte. a incorporação dos limites gerais. a genialidade que instiga a força material ao poder político. afirma que esta problemática é típica do tempo histórico. por exemplo.154). que tenha voz na sociedade e almeje a . se possuir ou facilmente puder adquirir dinheiro ou cultura. Entretanto.Brasil 10 meramente política. acima citada.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. 12. outra classe tem de concentrar em si todos os males da sociedade. Originalmente. relacionado à superação da alienação. mas só no caso de a totalidade da sociedade se encontrar na mesma situação que esta classe. para que um estamento seja reconhecido como o estamento de toda a sociedade. Uma esfera social particular terá de olhar-se como o crime notório de toda a sociedade. rigor e intransigência para se fazerem representantes da sociedade.

a perda total da humanidade. 12. assim o proletariado tem as suas armas intelectuais na filosofia. p. de uma esfera que possua caráter universal porque os seus sofrimentos são universais. 20) Na citação acima.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. e que não exige uma reparação particular porque o mal que lhe é feito não é um mal particular. A dissolução da sociedade. finalmente. mas que se oponha totalmente aos pressupostos do sistema político alemão. na época. Façamos agora a síntese dos resultados: A emancipação dos alemães só é possível na prática. importância da filosofia nesse processo que aspiram. em suma. é o proletariado (Marx. 11 Onde existe então. de uma classe na sociedade civil que não seja uma classe da sociedade civil. principalmente. força do proletariado e. reduzindo-o a um “joguete” nas mãos da classe opressora e seus interesses individuais. os alemães emancipar-se-ão e tomar-se-ão homens. portanto. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. a consciência sobre a sua existência na sociedade. mas o mal em geral. argumenta que os alemães só alcançarão a emancipação que aspiram. quando ocorresse a transformação em todos os pilares da sociedade e para isso. o desejo de superação do modelo social que oprime as suas características enquanto ser genérico. que já não possa exigir um título histórico. E logo que o relâmpago do pensamento tenha penetrado profundamente no solo virgem do povo. 2008. era uma classe que estava surgindo devido ao crescimento da industria e a desintegração da classe média oprimida deveria obter a consciência e o fortalecimento necessário à superação do modelo vigente. luta de classes. emerge a exigência de uma formação omnilateral do homem e. a possibilidade positiva de emancipação? Resposta: Na formação de uma classe que tenha cadeias radicais. como classe particular. necessitaria da filosofia como fundamento (a cabeça) e o proletariado com a ação (o coração) da transformação: Assim como a filosofia encontra as armas materiais no proletariado. na Alemanha. de um estamento que seja a dissolução de todos os estamentos. de uma esfera que não se pode emancipa-se a si mesma nem emancipar de todas as outras esferas da sociedade sem as emancipá-las a todas – o que é. Como o proletariado. de uma esfera que não se oponha a consequências particulares. Então. a superação do sistema do capital. Marx (2005) no encerramento deste ensaio.Brasil emancipação. só pode redimir-se a por uma redenção total do homem. mas apenas o título humano. ou seja. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . se for adotado o ponto de vista . por fim.

nenhum tipo de servidão será abolido. A filosofia é a cabeça desta emancipação e o proletariado o seu coração. vai ao encontro do texto-chave sobre a emancipação humana. especificamente. A emancipação do alemão é a emancipação do homem. como um dos mais relevantes da sua juventude. não foi publicada em vida e consiste na reunião de algumas anotações realizadas entre os anos de 1844 a 1846 . A Alemanha não conseguirá emancipa-se da Idade Média a não ser que se emancipe ao mesmo tempo das vitórias parciais da Idade Média. e que norteará. segundo o qual o homem é para o homem o ser supremo. não explica a origem da propriedade privada. que é profunda. se toda a servidão não for destruída. A Alemanha. sem se revolucionar a partir do fundamento. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . Após os estudos realizados. percebemos que o manuscrito sobre “O Trabalho Estranhado e Propriedade Privada”. não pode fazer uma revolução. e argumenta que esta não é capaz de explicar as relações existentes no interior da sua economia (divisão do trabalho. na qual encontrase o texto aqui exposto. em que o verdadeiro sentido está relacionado à superação do sistema do capital. salário-lucro) do mesmo modo. p. Acreditamos o texto apresentado neste item. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11.156). A filosofia não pode realizar-se sem a suprasunção do proletariado. 2005.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. pois estão presentes temas. fortalece a ideia da emancipação humana como um processo complexo. Quando forem cumpridas toda as condições internas. todo o desenvolvimento é a afirmação de que na sociedade capitalista o trabalhador é rebaixado a condição de . e a instauração de um novo modelo social. (MARX. Este ensaio é considerado. Marx (2008) inicia o Manuscrito expondo os pressupostos da economia nacional. O Manuscrito sobre Trabalho Estranhado e Propriedade Privada – ajudando na compreensão da Emancipação Humana A obra “Manuscritos Econômico-Filosóficos”. o proletariado não se pode supra-sumir-se sem a realização da filosofia.capital.só foram editadas e publicadas em 1932. A primeira ideia defendida pelo autor. de Karl Marx. o dia da ressurreição da Alemanha será anunciado com o cantar do galo gaulês. que posteriormente o velho Marx retoma e teoriza na sua grande obra “O Capital”.Brasil 12 da teoria. 12. Na Alemanha. possui argumentos que nos ajudam na compreensão acerca da emancipação humana.

justamente. por meio do seu trabalho. mais. que sempre mais o mundo exterior sensível deixa de ser um objeto pertencente ao seu trabalho. segundo. cada vez. Nessa relação o Homem torna-se “servo do seu objeto” e não se reconhece frente à atividade produtiva e ao objeto originário deste ato: Quanto mais. menos acesso tem aos bens materiais. que [o mundo exterior sensível] deixa de ser um objeto pertencente ao seu trabalho. Entretanto. quanto mais ele se priva dos meios de vida segundo um duplo sentido: primeiro. p. segundo. na relação do trabalhador com o produto de seu trabalho. Ainda.81) . o estranhamento de si e o estranhamento dos outros homens.reafirmando a divisão da sociedade em dois grupos: dos proprietários e dos trabalhadores (sem propriedade). é ocasionada pelo trabalho estranhado. O trabalho não produz somente mercadorias. de ser meio de vida no sentido imediato. de fato mercadorias em geral. O trabalhador se torna uma mercadoria tão barata quanto mais mercadorias cria. no sistema do capital. Com a valorização do mundo dos homens. o trabalhador se apropria do mundo externo. e o trabalho é uma mediação inerente à sua existência. 12. quanto mais o homem trabalha. 2008. que [o mundo exterior sensível] cessa. Em consequência. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. e quanto mais ele produz. (MARX. ao ato da produção. O estranhamento vivenciado pelo trabalho ocorre sob quatro aspectos: o estranhamento ao fruto do trabalho (produto). e isto na medida em que produz. um meio de vida do seu trabalho. sobre a redução do trabalhador à condição de mercadoria Marx (2008) afirma que: O trabalhador se torna tanto mais pobre quanto mais riqueza produz. há o aumento da concorrência e o acumulo de capital nas mãos de poucos . da natureza sensível. p.Brasil 13 mercadoria. Podemos considerar o primeiro. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . portanto. meio para a subsistência física do trabalhador (MARX. um meio de vida do seu trabalho. menos ele tem acesso aos recursos materiais e não consegue suprir as necessidades básicas para a sua existência. 80) Seguindo a exposição.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. É preciso a consciência de que o homem modifica a natureza (o mundo exterior sensível) para suprir suas necessidades básicas. quanto mais a sua produção aumenta em poder de extensão. ele produz a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria. 2008. é importante destacar que a redução do homem a condição de mercadoria.

Isto é. o homem é a própria natureza. a natureza torna-se o corpo inorgânico do homem. e o humano. como uma perda de si.83) Diante disso. O terceiro aspecto. de um ser estranho a ele. 12.Brasil 14 Podemos destacar como a segunda forma de estranhamento. beber. é provocado pelas condições do trabalho acima citado e pelo modelo social vigente. sofre o estranhamento do gênero humano. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. para garantir a sua existência física (nas diferentes formas: alimento vestuário. pois na medida que o trabalho estranhado 1) estranha do homem a natureza. Portanto. o trabalhador passa a estranhar a si mesmo. ocorre pelo trabalhador não se reconhecer na atividade que desempenha. Inicialmente. por conseguinte. justamente. . o estranhamento ao ato da produção.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. animal (MARX. o estranhamento de si. 2008. o homem sente-se obrigado a cumprir essa atividade. A problemática acima citada atinge diretamente as condições da existência humana. adornos etc. Portanto. no qual é reduzido à condição de mercadoria e refém dos interesses dos detentores dos meios de produção. o estranhamento em relação ao ato de produção. Em virtude disso. pois para garantir a sua sobrevivência é preciso a constante interação entre eles. e procriar. quando muito ainda habitação. em que não se identifica na atividade realizada. e em suas funções humanas só [se sente] como animal. Pois. o trabalho está cada vez mais distante da condição de mediação existencial e torna-se cada vez mais exterior. com um trabalho que oprime as suas características enquanto ser genérico. p. Como conseqüência. por oprimir suas característica e o trabalhador se vê obrigado a realizar um trabalho. Para uma melhor compreensão deste aspecto. dentro do modelo capitalista. 2) [e o homem] de si mesmo. o homem ao estranhar a si próprio. ele vê o trabalho como não sendo seu. consequentemente.. ao resultado de que o homem. moradia etc) provenientes da atividade produtiva (trabalho). 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . é preciso a explanação sobre o ser genérico na concepção marxiana. sente que essa atividade não pertence a ele. o trabalhador não se reconhece na atividade que exerce e se vê obrigado a permanecer nesse contexto. (o trabalhador)_ só se sente como [ser] livre e ativo em suas funções animais. e sim do outro. além de conservar os pilares da sociedade. oprimindo suas características enquanto ser genérico. Sobre esse aspecto Marx afirma: Chega-se. Logo. comer. o homem necessita dos produtos emergidos da natureza. O animal se torna humano.

como o trabalho e o objeto do trabalho de outro homem. tanto da natureza quanto da faculdade genérica espiritual dele. arranca do Homem a sua vida e objetividade genérica e por conseguinte faz: Do ser genérico do homem. (p. faz da sua atividade vital. 12.85).86) Portanto. p. É a vida engendradora de vida”. da sua essência. Todavia. um ser estranho a ele. Logo. Estranha o seu próprio corpo. Portanto. Além disso a condição imposta pelo trabalho estranhado na sociedade repercute e está relacionado ao acumulo de capital. Marx (2008) alerta que “o trabalho estranhado inverte a relação a tal ponto que o homem. p. se o produto é estranho ao trabalhador e não pertence a ele. de sua atividade vital. por fim. apenas um meio para a sua existência” (MARX. a propriedade privada fruto é desta relação. estranha a vida genérica. .Brasil 15 de sua própria função ativa. e de seu ser genérico é o estranhamento do homem pelo [próprio] homem. o trabalho estranhado faz com que o homem permaneça estranhado a si e ao outro. “o objeto do trabalho. assim como a vida individual. o trabalho como atividade vital . de o homem estar estranhado do produto do seu trabalho. a sua essência humana. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. Visto que.84) o que difere o Homem das outras espécies é. resultando na garantia da continuação de um sistema que beneficia. a vida genérica. 2008. justamente. defronta-se com ele o outro homem. ela estranha o homem o gênero [humano]. um meio da sua existência individual. os mais favorecidos e oprime o trabalhador de diferentes. paga o próprio trabalho”.atividade produtiva corresponde ao meio para a satisfação de uma carência e manutenção da vida produtiva. devido a sua atividade produtiva consistir em uma prática consciente. faz da ultima em sua abstração um fim da primeira. O que é produto da relação do homem com seu trabalho. precisamente porque é um ser consciente. p. (MARX. E. Uma conseqüência imediata disto. e consigo mesmo. e idêntico a propriedade privada pois. e cada um deles estranho à essência humana. O trabalho estranhado. 2008. de sua atividade vital. Quando o homem está frente a si mesmo. à propriedade e ao salário do trabalhador. Faz-lhe da vida genérica apenas um meio da vida individual. nessa perspectiva o salário surge como conseqüência imediata do trabalho estranhado.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO.(MARX .2008. consequentemente pertence ao dono dos meios de produção. “a vida produtiva é. tal como a sua essência espiritual.84) Dessa forma. Segundo. assim como a natureza fora dele. Primeiro. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . porém. igualmente em sua forma abstrata e estranhada. vale como relação do homem com outro homem.

que a emancipação da sociedade da propriedade privada etc.Brasil 16 Nesse contexto. Esse processo está estreitamente ligado a superação do estranhamento do homem. da servidão. Na perspectiva da emancipação política o Homem pode emancipar-se politicamente porém permanecerá condicionado a um sistema que oprime suas características enquanto ser genérico e social.se de um processo social mais amplo e completo. dentro do modelo capitalista é o máximo que se pode alcançar. Portanto. Ainda nessa perspectiva. 2008. Logo.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. se manifesta na forma política da emancipação dos trabalhadores. Mas esta [ultima] está aí encerrada porque a opressão humana inteira está envolvida na relação do trabalhador com a produção. fica evidente que a emancipação pretendida por Marx possui um caráter único – a emancipação só é possível através da superação do sistema do capital. a propriedade privada e o modelo social. à liberdade. consciente do seu papel na sociedade – através da instauração de uma nova forma de pensar e agir em sociedade. p.. a emancipação envolve algumas características . fica evidente que a emancipação teorizada por Marx supera a emancipação política. Desse modo. unilateral . 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. principalmente. Em contrapartida. como um todo. 12. apresentamos a argumentação marxiana acerca da relação entre o trabalho estranhado. e todas as relações de servidão são apenas modificações e conseqüências dessa relação (MARX. E através. e também. o homem não é capaz de se emancipar na individualidade.apresentada por Bauer. 89) Considerações finais Inicialmente. além do mais. não como se dissesse respeito somente à emancipação deles mas porque na sua emancipação está encerrada a [emancipação] humana universal. à luta de classes e. Assim. A partir do estudo e exposição das três obras em questão. finalizando. dela a possibilidade um novo ordenamento social – que prime pelo homem como autor de suas ações. pois trata. no pensamento de Marx para haver a possibilidade da emancipação humana é necessária uma mudança tanto na forma de pensar como nas práticas dos homens. a emancipação humana surge como o princípio para a superação do estranhamento em seus diferentes aspectos. Da relação do trabalho estranhado com a propriedade privada depreende-se. podemos afirmar que a emancipação está relacionada ao desejo da instauração de um novo modelo social que supere o sistema do Capital.

Avelino da Rosa. MARX.2º Ed. São Paulo: Boitempo. 5.Brasil 17 específicas e complexas: a) Como já mencionamos. 2ªEd. Marx e a Exclusão. São Paulo: Expressão Popular.através da formação omnilateral do homem (Educação integral – aspectos intelectual e trabalho manual). Tradução: Isa Tavarez . Karl. Contribuição à Crítica da Economia Política. São Paulo: FTD. – São Paulo: Boitempo: 2008. Karl. 2009. São . Tradução de Rubens Eduardo Frias. de A. é um processo coletivo e social. Borges. Cidadania e Emancipação Humana. Marx: transformar o mundo. Karl. São Paulo: Editora Cortez. Tradução: Rubens Ederle e Leonardo de Deus. OLIVEIRA. Marx e a Liberdade. MARX. 2004. 1995. Antônio Joaquim. 2005. ENGELS Friedrich. Moacir. Antônio Joaquim. Porto Alegre: EDIPUCRS. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 2º Ed. Manuscritos econômico-filosoficos. SEVERINO. Educação. 2008.V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO. Tradução: Jesus Ranieri. 1997. Karl. São Paulo: Centauro. 2ª Edição. István. Referências: FREDERICO. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . Textos Sobre Educação e Ensino. São Paulo: Boitempo. A educação para além do Capital. OLIVEIRA. GADOTTI . São Paulo: Paulus. 12. Ijuí: Editora Ijuí. TONET. Como ler um texto de filosofia. Ivo. Tradução: Florestan Fernandes. 2005. – São Paulo: Boitempo: 2006. Avelino da Rosa. SEVERINO. A teoria da alienação em Marx. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. ed. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. Celso. 2008 MARX. Pelotas: Seiva. 2005. Karl. (Coleção Prazer em Conhecer) LAW. MARX. 2008. São Paulo: Centauro. Tradução: Maria Luiza X. Stephen. Tradução: Isa Tavarez . 1991. István. O Jovem Marx (1843-44): as origens da ontologia do ser social. b) Para que a emancipação ocorra é necessária uma mudança na forma de pensar e agir em sociedade . MÉSZÁROS. Filosofia da Educação: construindo a cidadania. MÉSZÁROS. 2004. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. A questão judaica. c) superação da alienação em suas diferentes formas. MARX.

1994. EDUCAÇÃO E EMANCIPAÇÃO HUMANA 11. 13 E 14 de abril de 2011 – UFSC – Florianópolis – SC . 12.Brasil Paulo: FTD. 18 .V ENCONTRO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E MARXISMO MARXISMO.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->