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Notas de Aula Microeconomia I

Prof. João Mário França CAEN-UFC

1 Teoria da Decisão Individual (Referência: Cap.1 - MWG)

Seja X R + L o conjunto de alternativas possíveis de consumo, dentre os elementos de X, queremos saber como o agente escolhe.

Primeira abordagem: através das relações de preferências, impondo a racionalidade e analisando as con- sequências.

Segunda abordagem: Por meio da escolha individual, impondo a esta diretamente suposições (Axioma Fraco da Preferência Revelada (WARP)).

1.1 Relações de Preferência (RP)

X R + L : x, y e z X(x, y e z são cestas possíveis de consumo):

(a)

A RP estrita ( ): x y x y e não y x.

(b)

A RP de indiferença (): xy x y e y x.

Definição 1.B.1: A relação de preferência ( ) é dita racional se possuir duas características:

(i)

É completa: x, y X, temos x y e/ou y x.

(ii)

É transitiva: x, y, z X, temos que se x y e y z x z.

Proposição 1.B.1: Se é racional então:

é irreflexível (x x não acontece) e transitiva;

é reflexiva, transitiva e simétrica (x y y x).

• Se x y e y z x z.

Definição 1.B.2: Uma função U : X é uma função utilidade que representa as relações de preferência ( ) se, para qualquer x y U(x) U(y).

Proposição 1.B.2: Uma relação de preferência só pode ser representada por uma função utilidade se for racional.

Demonstração:

Deve-se mostrar que se uma função utilidade representa preferências ( ), então ( ) deve ser completa e transitiva.

Completeza. Suponha que U : X R que represente . Sejam x, y X U (x),U (y) R e U (x) U (y) e/ou U (y) U (x), pela ordenação dos números reais. Assim, x y e/ou y x é completa.

Transitividade. Sejam x, y , z X tais que x y e y z. Assim U (x) U (y) e U (y) U (z). Pela transitividade dos números reais temos que U (x) U (z). Logo, x z é transitiva.

1.2 Regra de Escolha

Uma estrutura de escolha (B,C(·)) consiste de dois ingredientes:

1

B é uma família (conjunto) de subconjuntos não vazios de X, isto é, todo elemento de B é um conjunto B X, onde B B representa o conjunto orçamentário.

• C(·) é uma regra de escolha que associa um conjunto não vazio de elementos escolhidos C(B) B para todo conjunto orçamentário B B.

Exemplo 1.C.1: Suponha X = {x, y, z} e B = {x, y}, {x, y, z}. Então:

C 1 ({x,y}) = {x},C 1 ({x,y,z}) = {x};

C 2 ({x,y}) = {x},C 2 ({x,y,z}) = {x,y}.

Definição 1.C.1: Uma estrutura de escolha (B, C(·)) satisfaz o WARP se para algum B B com x, y B nós temos x C(B), então para qualquer B B com x, y B e y C(B ) nós devemos ter x C(B ). Em outras palavras, o WARP diz que se x é sempre escolhido quando y está disponível, então não existe um conjunto orçamentário contendo ambas as alternativas para o qual y é escolhido e x não é.

No exemplo anterior temos que C 1 satisfaz o WARP enquanto C 2 não satisfaz.

1.3 Relação entre Relação de Preferência e Regra de Escolha

1. Se as são racionais, a estrutura gerada por essas escolhas satisfaz o WARP?

2. Se (B,C(·)) satisfaz o WARP, necessariamente uma racional que é consistente com estas escolhas?

Demonstração:

1) Seja B B tal que x, y B e x C (B, ). Pela definição de C (B, ) x y, y B. Suponha que B B tal que x, y B e y C (B , ). Isso implica que y z, z B e portanto x C (B , ). Dessa maneira, satisfaz o WARP.

2) Suponha X = {x, y, z}, B = {{x, y}, {y, z}, {x, z}},C ({x, y}) = {x},C ({y, z}) = {y} e C ({x, z}) = {z}. A estrutura de escolha satisfaz o WARP contudo por não atender a transitividade, não é racional.

Exercício

1. Um técnico de futebol escala o seu time de acordo com a seguinte regra:

(i) Para cada posição ele escolhe os mais rápidos (ex. os mais rápidos entre os atacantes).

(ii) Se dois forem igualmente rápidos ele escolhe o que chutar melhor.

(iii)

Se os dois forem igualmente rápidos e chutarem igualmente bem ele escolhe o que for mais forte.

(iv)

Se os dois forem igualmente rápidos, chutarem igualmente bem e forem igualmente fortes ele escolhe o mais experiente.

Pergunta: Essas preferências são completas? São transitivas?

2 Escolha do Consumidor (Referência: Cap.2 - MWG)

Contexto: Bens e serviços que o consumidor pode adquirir estão disponíveis a preços conhecidos.

2.1 Bens

Seja o vetor de bens: x T = {x 1 ,

,x l } R L + .

2.2 Conjunto de consumo

X = R + L = {x R L :x l 0, para l = 1,

,L}.

R + L é um conjunto convexo, isto é, se x e x R L + , então x = α · x + (1 α)·x R + L para α [0, 1].

2.3 Orçamento Competitivo

Seja o vetor de preços: p T = [p 1 ,

Para simplificar considere p 0, isto é, p l > 0,l.

,

p L ] R L .

2

A cesta de consumo x R + L está dentro da restrição orçamentária: x 1 · p 1 +

Definição 2.D.1: O conjunto orçamentário Walrasiano: B p,w = {x R + L : p · x w} é o conjunto de todo o consumo possível (factível) para o consumidor face os preços de mercado e a riqueza w.

O conjunto Walrasiano B p,w é convexo. Isto é, se x e x B p,w , então x = α · x + (1 α) · x B p,w para α [0, 1].

Demonstração:

Veja que como x e x são não-negativos, logo x R + L . Note que como p·x w e p · x = α · (p · x) + (1 α) · (p · x ) w. Dessa maneira, x B p,w = x R + L : p ·x w.

* Resolver exercício 2.D.4

+ x l · p l w.

2.4 Função de Demanda e Estática Comparativa

Seja x(p,w) a função de demanda Walrasiana (FDW). Cada par (p,w) estabelece um conjunto de cestas de consumo escolhidas. Veja que x(p,w) tem apenas um elemento.

Definição 2.E.1: A funçao de demanda x(p,w) é homogênea de grau zero (HG0) se x(α · p,α · w) = x(p,w) para todo p,w e α > 0.

Definição 2.E.2 A funçao de demanda x(p,w) satisfaz a lei de Walras se para todo p 0 e w > 0, nós temos que p · x = w para todo x x(p,w).

Exercício 2.E.1: Suponha L = 3 e considere a FDW x(p,w) definida por:

x 1 (p,w) x 2 (p,w)

x 3 (p,w) =

=

=

p 2

p 1 +p 2 +p 3 · w

p 1 ,

p 3

p 1 +p

p

p 1 +p 2 +p 3 · w

p 3 .

2 +p 3 · w

p 2 ,

1

Verifique a Lei de Walras e a HG0.

Implicação da HG0 para x(p,w): x(p,w) tem formalmente L + 1 argumentos, assim nós podemos, sem perda de generalidade, normalizar o nível de uma das L + 1 variáveis independentes para um nível arbitrário. Uma

normalização comum é p l = 1 para algum l = 1, efetivos de x(p,w) é L.

A FDW é dada por: x T (p,w) = [x 1 (p,w),

Outra é w = 1. Portanto, o número de argumentos

,L.

,x

L (p,w)]. Assume-se que x(p,w) é contínua e diferenciável.

2.4.1 Estática Comparativa

Efeito Riqueza

Considere preço fixo.

O

O

Comparativa Efeito Riqueza Considere preço fixo. O O Efeito Riqueza efeito renda para o l-ésimo bem

Efeito Riqueza

efeito renda para o l-ésimo bem é dado por: δx l (p,w) . Desta maneira, tem-se que:

δw

Bens normais ou superiores: x l (p,w) 0.

Bens

∂w

inferiores: x 1 (p,w) < 0.

∂w

efeito riqueza pode ser representado como segue:

3

D w x(p,w) =

∂x 1 (p,w) ∂w ∂x 2 (p,w) ∂w

·

·

·

∂x l (p,w) ∂w

R L .

Efeito Preço (Efeito Substituição)

Considere renda fixa.

O efeito substituição é dado por: x l (p,w)

∂p K

.

Se ∂x l (p,w) ∂p K

∂x l (p,w) ∂p K

> 0 considera-se como bem de Gien.

< 0 diz-se que vale a lei da demanda. No caso de

O efeito preço pode ser representado na forma de matrix como segue:

D p x(p,w) =

∂x 1 (p,w) δp 1

∂x L (p,w) ∂p 1

·

·

·

·

·

·

·

·

·

∂x 1 (p,w) ∂p L

∂x L (p,w) ∂p L

.

Proposição 2.E.1: Se a função de demanda Walrasiana x(p, w) é homogênea de grau zero, então para todo p e w:

ou na forma de matriz:

L

k=1

∂x l (p,w) ∂p k

·

p k + ∂x l (p,w) ∂w

· w = 0, para l = 1,

,L.

(1)

D p x(p,w) · p + D w x(p,w) · w = 0.

Demonstração:

Sabendo que FDW é HG0 então: x(α · p,α · w) x(p,w) = 0 para α > 0. Diferenciando esta expressão em relação a α:

∂x(∂p,∂w)

(αp)

·

p + ∂x(∂p,∂w) (αw)

Considere α = 1:

∂x(∂p,∂w)

(p)

Por Euler:

·

p + ∂x(∂p,∂w) (w)

· w = 0.

· w = 0.

L

k=1

∂x l (∂p,∂w) (p k )

·

p k + ∂x l (∂p,δw) (w)

· w = 0 para l = 1,

,L.

c.q.d

A equação (1) pode ser escrita na forma de elasticidade da demanda com respeito ao preço e a renda:

4

ξ lk (p,w) = x ∂p l (p,w) k

·

p k x l (p,w)

e

ξ lw (p,w) = x l ∂w (p,w)

·

w x l (p,w) .

Proposição 2.E.2: Se a função demanda satisfaz a lei de Walras, então para todo p e w:

L

l=1 p l · ∂x l (p,w)

∂p k

+ x k (p,w) = 0

ou em notação matricial:

p · D p x(p,w) + x(p,w) T = 0 T .

Demonstração:

Se satisfaz a lei de Walras então: l=1 p l · x l (p,w) = w. Diferencie esta expressão com relação a p:

L

L

l=1

∂x l (p,w) (p k )

·

p l + ∂x k (p,w) (w)

· w = 0 para k = 1,

,L.

c.q.d.

Proposição 2.E.3: Se a função demanda satisfaz a lei de Walras, então para todo p e w:

ou em notação matricial:

L

l=1 p l · ∂x l (p,w)

∂w

= 1

p · D w x(p,w) = 1.

Demonstração:

Se satisfaz a lei de Walras então: l=1 p l · x l (p,w) = w. Diferencie esta expressão com relação a w:

L

L

l=1

∂x l (p,w) ∂w

· p l = 1

c.q.d.

2.5

O Axioma Fraco da Preferência Revelada e a Lei da Demanda

Análise dos Orçamentos:

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

Regra de Escolha:

x(p ,w ) C(B p ,w )

x(p ,w ) C(B p ,w

)

, w ) x ( p ,w ) ∈ C ( B p , w )

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

=satisfaz o WARP

5

Análise dos Orçamentos:

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

Regra de Escolha:

x(p ,w ) C(B p ,w )

x(p ,w ) C(B p ,w

)

Análise dos Orçamentos:

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

Regra de Escolha:

x(p ,w ) C(B p ,w )

x(p ,w ) C(B p ,w

)

, w ) x ( p ,w ) ∈ C ( B p , w )

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

=satisfaz o WARP

w x ( p ,w ) B p , w = ⇒ satisfaz o WARP x

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

=satisfaz o WARP

w = ⇒ satisfaz o WARP x ( p ,w ) ∈ B p , w

6

Análise dos Orçamentos:

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

Regra de Escolha:

x(p ,w ) C(B p ,w )

x(p ,w ) C(B p ,w

)

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

=não satisfaz o WARP

,w ) ∈ B p , w = ⇒ não satisfaz o WARP Análise dos Orçamentos:

Análise dos Orçamentos:

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

Regra de Escolha:

x(p ,w ) C(B p ,w )

x(p ,w ) C(B p ,w

)

x(p ,w ) B p ,w

x(p ,w ) B p ,w

=não satisfaz o WARP

Definição 2.F.1: A FDW x(p,w) satisfaz o WARP se a propriedade abaixo se mantém para todo (p,w) e (p ,w ):

Se

 

p · x(p ,w ) w e x(p ,w ) x(p,w), então p · x(p,w) > w

2.5.1

Implicações do Axioma Fraco:

Uma mudança nos preços afeta o consumo, pois altera não só os preços relativos de diferentes bens mas também a riqueza real do consumidor.

Proposição 2.F.1: Suponha que a FDW x(p,w) é HG0 e satisfaz a lei de Walras. Portanto, x(p,w) satisfaz o WARP se e somente se a seguinte propriedade se mantém:

(p p)·[x(p ,w ) x(p,w)] 0,

com desigualdade estrita se x(p ,w ) x(p,w).

Demonstração:

Se x(p,w)

Se x(p,w) x(p ,w ) p [x(p ,w ) x(p,w)] p[x(p ,w ) x(p,w)]

= x(p ,w ) (p p)[x(p ,w ) x(p,w)] = 0

()

(∗∗)

< 0

A relação acima deve ser obtida mantendo-se o WARP. Analisando (*) :

p [x(p ,w )] = w (Lei de Walras) p [x(p,w)] = w (A mudança de preços é compensada na renda) (*) = 0 Analisando (**) :

p[x(p,w)] = w p[x(p ,w )] > w (Para garantir o WARP) =Vale a Lei da Demanda para variações de preços acompanhadas de variações na renda

7

Proposição 2.F.3: Seja uma FDW diferenciável x(p,w) que satisfaz a lei de Walras, é HG0 e satisfaz o WARP, então para todo (p,w) a matriz de Slutsky satisfaz: V · S(p,w) · V 0, para todo V R L .

Note que S(p,w) sendo negativa semi-definida implica que S ll 0, isto é, o efeito substituição do bem l com respeito ao seu próprio preço é sempre não-positivo.

No caso do bem de Gien: x l (p,w) > 0.

∂p l

No caso do bem inferior: x l (p,w) < 0.

Exercícios:

∂p l

1. 2.F10, 2.F11, 2.F15.

2. Em 1994 Valéria gastou sua renda em dois bens: x e y. Entre 1994 e 1995 a renda da Valéria permaneceu constante e tanto o preço do bem x quanto o preço do bem y cairam 10%. Em 1995 Valéria comprou o mesmo montante do bem x que ela comprou em 1994, mas comprou mais do bem y que ela tinha comprado em 1994. O bem y é um bem inferior, normal ou superior?

Proposição 2.F.3: Suponha que FDW x(p,w) é diferenciável, HG0 e satisfaz a lei de Walras. Então, p·S(p,w) = 0 e S(p,w) · p = 0 para todo (p,w).

Demonstração: exercício

3

Teoria da Demanda Clássica (Referência: cap.3 - MWG)

3.1

Relação de Preferência: Propriedades Básicas

Definição 3.B.1: A relação de preferência (RP) sobre X é racional se ela atende as duas propriedades:

• Completas;

• Transitivas.

Definição 3.B.2: A RP sobre X é monótona se x,y X e y x implicar em y x. A RP sobre X é estritamente monótona se x,y X e y x e y x implicar em y x.

Definição 3.B.3: A RP sobre X é não saciada localmente se para todo x X e para todo > 0, existe y X tal que y x e y x.

Exercício 3.B.1: Mostre o seguinte:

(a)

Se é estritamente monótona, então é monótona.

(b)

Se é monótona, então é localmente não saciada.

Definição 3.B.4: A RP sobre X é convexa se y x e z x então: α · y + (1 α) · z x para todo α [0, 1].

Definição 3.B.5:A RP sobre X é estritamente convexa se y x e z x então: α · y + (1 α) · z x para todo

α [0, 1].

Definição 3.B.6: Uma RP monótona sobre X R + L é homotética se x y, então αx αy, para todo α 0.

Definição 3.B.7: Uma RP sobre X R + L é quase-linear com respeito ao bem 1 se:

• Se x y (x + αe 1 ) (y + αe 1 ) para e 1 = (1, 0,

• (x +αe 1 ) > x para todo x e α 0.

3.2 Preferência e Utilidade

,

0) e qualquer α R.

Definição: Uma RP é dita lexicográfica sobre X, x y, se ”x 1 > y 1 ” ou ”x 1 = y 1 e x 2 y 2 .

Exemplo 3.C.1:As preferências lexicográficas não são contínuas. Para ver isso considere

x n = (1/n, 0) e y n = (0, 1). Para todo n, tem-se que x n y n . Então, lim

Logo, não é contínua.

n x n = (0, 0) lim

n y n = (0, 1). Absurdo!

8

Proposição 3.C.1: Suponha que uma RP racional sobre X é contínua. Então existe uma função utilidade contínua U (x) que representa .

Teorema: Se existe U (x) que representa , v(x) = f (U (x)) representa as mesmas relações de preferências desde que f : U R seja estritamente crescente.

Teorema: Seja representada por U : R + L R então:

• U(x) é estritamente crescente estritamente monótonas.

• U(x) é quase-côncava convexas.

• U(x) é estritamente quase-côncava estritamente convexas.

Obs.: Toda função utilidade côncava implica que é quase-côncava. A volta não é verdade.

Exercício:

1. Faça gráficos diferentes para esboçar duas curvas de indiferença para pessoas com cada uma das seguintes funções de utilidade:

(a)

U (x,y) = x + 2y

(b)

U (x,y) = min{x,y}

(c)

U (x,y) = x + min{x,y}

3.3 O Problema da Maximização da Utilidade - PMU

Hipótese Comportamental: Os consumidores racionais escolhem a melhor cesta x factível: x B tal que x x para todo x B, onde B representa o conjunto orçamentário.

Sejam p 0 e w > 0, o problema da maximização da utilidade é:

max u(x) s.a. p · x w.

x0

Proposição 3.D.1: Se p 0 e u(·) é contínua, então o problema de maximização da utilizade possui solução.

Se são estritamente convexas implica que U (x) é estritamente quase-côncava e neste caso x(p,w) é uma função, ou seja, a relação é única.

Seja X R n aberto e convexo, f : X R; g : X R m ;h:X R q . O problema é:

max f (x) s.a. g(x) = 0 e h(x) 0

x

Objetivo: Descrever quais são as condições necessárias e suficientes para que a solução do problema acima seja descrito por:

C.P.O:

  Df (x) + λDg(x) + µDh(x) = 0

    g(x) = 0

 
  Min{µ I ,h I (x)} = 0, I = 1, 2,

    λ R m

   µ R q

,q.

Condição necessária:

Passo 1: Verificar das restrições de desigualdades quantas são ativas (h (x) = 0).

Passo 2: O posto

Dg(x)

Dh(x)

= m + a,

onde h(x) denota as restrições ativas e a é o número delas.

Condição de Suficiência:

A) g : X R m C 1 g 1 (0) = x R m /g(x) = 0 é convexo.

9

Obs.1: Na g(x) = 0 estão também as h (x) = 0.

Obs.2: As restrições lineares sempre atendem esta condição.

B) h : X R q é quase-côncava.

C) f : X R C 1 é pseudo-côncava (quase-côncava com δ (x) 0). Verificar se f (x) é côncava.

RESOLUÇÃO:

1. No caso de uma variável:

• Maneira 1: Calcula f (x) e f (x). No caso de f (x) 0, então f(x) é côncava. No caso de f (x) < 0, f (x) é estritamente côncava.

• Maneira 2: Para T [0, 1] : f (T x + (1 T )x ) T f (x) + (1 T )f (x ) f (x) é côncava. No caso de desigualdade estrita diz-se que f (x) é estritamente côncava.

2. No caso de duas variáveis (f (x 1 ,x 2 )): Calcule:

D 2 f

=

f 11

f 21

f 12

f 22

.

No caso de f 11 0 e det(D 2 f ) 0 diz-se que f (x 1 ,x 2 ) é côncava. No caso de f 11 < 0 e det(D 2 f ) > 0 diz-se que f (x 1 ,x 2 ) é estritamente côncava. Lembre que se f (x) é côncava então é quase-côncava. Se f (x) não é côncava mas é monótona (Df (x) 0 ou Df (x) 0 para x X), então f (x) é quase-côncava.

Exemplo: max

x,yX U(x,y) = x α · y β s.a.

+ y = 1 0 0

x

x

y

0 α 1

0 β

α

1

+ β

1

Solução:

Ł = x α · y β + λ(1 x y) + µ 1 · x + µ 2 · y C.P.O:

Ł

  

Ł

 

Ł

= α · x α1 · y β λ + µ 1 = 0

= β · x α · y β1 λ + µ 2 = 0

= 1x y = 0

∂x

∂y

∂λ

min{µ 1 ,x} = 0

min{µ 2 ,y} = 0

Considere que x,y > 0. Resolvendo as equações acima conlcui-se que: x =

Condição necessária:

1) Posto [Dg(x)] = m [11] = m P osto = 1 = m. 1 restrição ativa de g.

Condição de suficiência:

α

α+β e y =

β

α+β .

A) g 1 (·) é convexo, pois g(x) é linear.

B) h(·) precisa ser quase-côncava.

C) det(D 2 f ) = α · β α β + 1 αβ. Logo, f(x) é côncava.

* Interpretação Econômica do Multiplicador de Lagrange

max u(x) s.a. p · x w e x 0

C.P.O.: (caso x > 0.):

Ł

∂x j

Ł

∂x

k

= 0

= 0

∂u(·)

∂x j

∂u(·)

∂x k

=

=

λ · p j

λ · p k

λ = D w U (x(p,w))= Utilidade Marginal da Riqueza.

Proposição 3.D.2: Propriedades da função demanda walrasiana:

10

1.

HG0 em (p,w) : x(α · p,α · w) = x(p,w), para todo p, w e α > 0.

2.

p · x = w para todo x x(p,w). Demonstração:

Suponha que exista x x(p,w) tal que p · x w. Logo, por não saciedade local, existe x x(p,w) tal que p · x w. Contradição já que x é solução do PMU.

3.

Se é (estritamente) convexa, de forma que U (·) é (estritamente) quase-côncava, então x(p,w) é um conjunto convexo (elemento único).

3.3.1

Função Utilidade Indireta

v(p,w) = U(x (p,w)), onde x (p,w) é obtido a partir da função Walrasiana.

Proposição 3.D.3: Propriedades da função utilidade indireta:

1.

HG0 em p, w.

2.

Estritamente crescente em w e não-crescente em p l , l = 1,

,L.

3.

Quase-convexa em p, w.

4.

Contínua em p, w.

3.4

Problema da Minimização do Dispêndio - PMD

min p · x

s.a. U (x) U ; x 0.

Função dispêndio: e(p,u) = p · h(p,u), onde h(p,u) é a função demanda hicksiana.

Proposição 3.E.2: Propriedades da função dispêndio:

1. HG1 em p.

2. Estritamente crescente em U e não-decrescente em p l , para todo l.

3. Côncava em p.

4. Contínua em p, w.

Proposição 3.E.3: Propriedades da função hicksiana:

1. HG0 em p. Demonstração:

O ponto ótimo é o mesmo ao aplicarmos uma transformação monotônica na função obejetivo.

2. Não excede a utilidade: x h(p,u),u(x) = u. Demonstração:

Suponha que x h(p,U ) tal que U (x) > U . Tome x = αx, α (0, 1), tal que por continuidade de U para α próximo de 1, U(x ) > U (x). Temos que px < px. Contradiz x ser ótimo para o PMD

¯

com o nível de utilidade U.

3. Se é (estritamente) convexa, então h(p,u) é um conjunto convexo (único elemento).

** Relação entre a função utilidade indireta e a função dispêndio:

Fixe (p,w) e faça u = v(p,w). e(p,u) w e(p,u(p,w) w).

Fixe (p,u) e faça w = e(p,u). v(p,w) u v(p, e(p,u) w).

Proposição 3.E.1: Relação entre a função utilidade indireta e a função dispêndio: Se u(·) é contínua e estritamente crescente então para todo p 0 e w > 0:

1. e(p, v(p,w)) = w

2. v(p, e(p,u)) = u

Demonstração: e(p, v(p,w)) = w.

Suponha e(p,u) < w, onde u = v(p,w), u < u, v = [v(0, u)], p/u > u(0). Pela continuidade de e(p,u) nós

podemos portanto escolher > 0 suficientemente pequeno tal que u + < u. Assim, e(p,u + ) < w.

11

Fazendo w = e(p,u + ), temos que: v(p,w ) u + . Como w < w, então v(p,w) > v(p,w e ) > u + . Mas,

u = v(p,w). Então u > u + . Contradição! Logo, e(p, v(p,w)) = w.

Fica como exercício a prova do item 2.

Exemplo: Considere u(x 1 ,x 2 ) = (x ρ + x ρ ) ρ . Resolva o problema abaixo admitindo solução interior (x 1 ,x 2 > 0):

1

1

max u(·) s.a . p · x = w, x 0.

Considere r =

Solução:

ρ

ρ1 .

• F.D.W.: x 1 (p,w) =

r1

p p r +p

1

w

r

2

1

,

• F.U.I: v(p,w) = w · (p r + p

1

x 2 (p,w) =

r 2 ) 1

r .

• F.D.: e(p,u) = u · (p r + p

1

r 2 ) 1

r .

p

r1

2

w

p r +p

1

r

2 .

** Dualidade entre a F.D.W e a F.D.H:

Sob hipótese: são completas, transitivas, contínua, estritamente monotônica e estritamente convexas no R n . Portanto, pode ser representada por u que é contínua, estritamente crescente e estritamente quase-côncava no R Para p