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Regras de Operação dos Reservatórios da Bacia do Paraíba do Sul

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A bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, onde vivem 5 milhões de habitantes, possui cerca de 57.000 Km² e estende-se pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Aproximadamente 2/3 de suas águas são transpostas para a bacia do Guandu, a qual abastece outros 8 milhões de habitantes da região metropolitana do Rio de Janeiro, além de produzir energia e fornecer água às indústrias da região. Em 17 de julho de 2000, através da Lei n° 9.984, foi criada a Agência Nacional de Águas – ANA,
tendo entre suas atribuições, definir as condições de operação de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS. Objetiva-se pro meio
deste artigo fazer uma síntese das simulações realizadas, e posteriormente discutidas no âmbito do Comitê da Bacia, resultando na edição da Resolução Nº 211/2003, dispondo sobre as regras a serem adotadas para a operação do sistema hidráulico do Rio Paraíba do Sul, que compreende, além dos reservatórios localizados na bacia, também as estruturas de transposição das águas do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Guandu. As regras até então vigentes tinham sido estabelecidas pela Portaria DNAEE n° 022/1977 e pelo Decreto n° 81.436/1978. Pretendeu-se apresentar o Sistema de Suporte à Decisão desenvolvido para a simulação do referido sistema, utilizando o modelo de rede de fluxo, denominado AcquaNet, empregado em simulação de bacias hidrográficas.
Em citações:
FREITAS, M. A. S. . Regras de Operação dos Reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul / Sistema Guandu. In: Seminário Internacional sobre Represas y Operación de Embalses, 2004, Puerto Iguazú. Anais do Seminário Internacional sobre Represas y Operación de Embalses. Puerto Iguazú : CACIER, 2004.
A bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, onde vivem 5 milhões de habitantes, possui cerca de 57.000 Km² e estende-se pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Aproximadamente 2/3 de suas águas são transpostas para a bacia do Guandu, a qual abastece outros 8 milhões de habitantes da região metropolitana do Rio de Janeiro, além de produzir energia e fornecer água às indústrias da região. Em 17 de julho de 2000, através da Lei n° 9.984, foi criada a Agência Nacional de Águas – ANA,
tendo entre suas atribuições, definir as condições de operação de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS. Objetiva-se pro meio
deste artigo fazer uma síntese das simulações realizadas, e posteriormente discutidas no âmbito do Comitê da Bacia, resultando na edição da Resolução Nº 211/2003, dispondo sobre as regras a serem adotadas para a operação do sistema hidráulico do Rio Paraíba do Sul, que compreende, além dos reservatórios localizados na bacia, também as estruturas de transposição das águas do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Guandu. As regras até então vigentes tinham sido estabelecidas pela Portaria DNAEE n° 022/1977 e pelo Decreto n° 81.436/1978. Pretendeu-se apresentar o Sistema de Suporte à Decisão desenvolvido para a simulação do referido sistema, utilizando o modelo de rede de fluxo, denominado AcquaNet, empregado em simulação de bacias hidrográficas.
Em citações:
FREITAS, M. A. S. . Regras de Operação dos Reservatórios da Bacia do Rio Paraíba do Sul / Sistema Guandu. In: Seminário Internacional sobre Represas y Operación de Embalses, 2004, Puerto Iguazú. Anais do Seminário Internacional sobre Represas y Operación de Embalses. Puerto Iguazú : CACIER, 2004.

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REGRAS DE OPERAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS DA BACIA DO RIO PARAÍBA DO SUL / SISTEMA GUANDU Marcos Airton de Sousa Freitas1

Resumo: A bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul, onde vivem 5 milhões de habitantes, possui cerca de 57.000 Km² e estende-se pelos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Aproximadamente 2/3 de suas águas são transpostas para a bacia do Guandu, a qual abastece outros 8 milhões de habitantes da região metropolitana do Rio de Janeiro, além de produzir energia e fornecer água às indústrias da região. Em 17 de julho de 2000, através da Lei n° 9.984, foi criada a Agência Nacional de Águas – ANA, tendo entre suas atribuições, definir as condições de operação de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS. Objetiva-se pro meio deste artigo fazer uma síntese das simulações realizadas, e posteriormente discutidas no âmbito do Comitê da Bacia, resultando na edição da Resolução Nº 211/2003, dispondo sobre as regras a serem adotadas para a operação do sistema hidráulico do Rio Paraíba do Sul, que compreende, além dos reservatórios localizados na bacia, também as estruturas de transposição das águas do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Guandu. As regras até então vigentes tinham sido estabelecidas pela Portaria DNAEE n° 022/1977 e pelo Decreto n° 81.436/1978. Pretendeu-se apresentar o Sistema de Suporte à Decisão desenvolvido para a simulação do referido sistema, utilizando o modelo de rede de fluxo, denominado AcquaNet, empregado em simulação de bacias hidrográficas. Palavras-chave: regras de operação de reservatórios; sistema de suporte à decisão. 1.INTRODUÇÃO Em 17 de julho de 2000, através da Lei n° 9.984, foi criada a Agência Nacional de Águas – ANA, tendo entre suas atribuições, definir as condições de operação de reservatórios de aproveitamentos hidrelétricos em articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS. Desde a sua implantação em dezembro de 2000, a ANA vem realizando estudos com vistas à reavaliação das regras atualmente utilizadas pelo ONS para a operação dos reservatórios da bacia do Paraíba do Sul (Figura 1), que tem como base os seguintes dispositivos legais: a) Decreto n° 68.324, de 9 de março de 1971; b) Decreto n° 73.619, de 12 de fevereiro de 1974, designando o DNAEE como responsável pelo estabelecimento das normas operativas dos reservatórios; c) Portaria DNAEE n° 022, de 14 de fevereiro de 1977, definindo o GCOI como responsável pelo acompanhamento da operação rio Paraíba do Sul. A partir deste acompanhamento, o GCOI deveria submeter à aprovação do DNAEE as novas regras de operação; d) Decreto n° 81.436, de 09 de março de 1978. Desde o ano de 1997, os reservatórios de Paraibuna (área de drenagem de 4.150 km2) e Santa Branca (área de drenagem de 5.030 km2), localizados no rio Paraíba do Sul, e Jaguari (área de drenagem de 1.300 km2), no rio Jaguari, não vinham conseguindo recuperar seus volumes úteis. Os reservatórios de Paraibuna e Jaguari, considerados os “pulmões” do sistema hidráulico da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul, pois representam, em conjunto, cerca de 80% do armazenamento total da bacia. A figura 2 apresenta o esquema do sistema hidráulico do rio Paraíba do Sul e transposição para a bacia do rio Guandu. Na figura 3 é mostrada a evolução do armazenamento equivalente, dos reservatórios da bacia em porcentagem do volume útil, a partir janeiro de 1993. Também é indicada a curva limite para redução da vazão objetivo em Santa Cecília de 250 m3/s para 190 m3/s, estabelecida pela Portaria DNAEE 022, de 1977. A evolução anual do armazenamento equivalente e a previsão da evolução deste armazenamento para o final do período seco do ano de 2003 são apresentadas na figura 4.

1

Engº Civil; Prof. Universitário; Espec. em Rec. Hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA) ; Diretor Técnico-Científico da Associação dos Servidores da Agência Nacional de Águas (ASÁGUAS); End. Prof.: SPS, Área 5, Quadra 3, Bl. L, Brasília–DF. Telef: +55-61-445-5348; E-mail: masfreitas@ana.gov.br

Figura 1: Localização da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul

B.MANSA

V.REDONDA

JACAREÍ

na ibu ara r.P

NA BU A AI ST NCA AR A P BR
GUARAREMA

r.Paraibuna r.Paraíba do Sul
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TOCOS
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SANTANA

VIGÁRIO LAJES

FTN/FTV Calha CEDAE PPS

NLP

PEREIRA PASSOS

Figura 2: Esquema do Sistema Hidráulico do rio Paraíba do Sul e Transposição para a Bacia do Rio Guandu. O motivo das reduzidas vazões afluentes poderia estar associado ao baixo nível pluviométrico dos últimos anos na bacia hidrográfica, às vazões defluentes estarem acima da capacidade de regularização dos reservatórios, ou ainda a uma combinação de ambos os fatores. Nesse sentido, efetuou-se uma avaliação da capacidade de regularização dos reservatórios de Paraibuna e Jaguari, considerados os “pulmões” do sistema hidráulico da bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. Foram adotadas as séries de vazões disponíveis no Sistema de Informações do Potencial Elétrico Brasileiro – SIPOT. Foram também analisadas as evoluções históricas das vazões defluentes aos reservatórios Paraibuna e Jaguari, para o período de 1993 a 2003.

Evolução do Armazenamento Equivalente
100,0 90,0 80,0 ARMAZENAMENTO (% VU 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 17/12/1995 10/04/1997 08/08/1997 01/12/1998 31/03/1999 26/04/1994 01/01/1993 24/08/1994 23/07/2000 20/11/2000 27/12/1993 29/08/1993 21/04/1995 19/08/1995 01/05/1993 13/08/1996 05/04/1998 11/12/1996 22/12/1994 03/08/1998 15/04/1996 06/12/1997 29/07/1999 26/11/1999 25/03/2000 33,8 25,3 49,4 46,2 51,1 53,2 45,2 37,9 29,2 17,5 14,7 36,0 45,5 63,6 64,2 98,7 90,1 76,5 79,6

83,5

63,7

Curva Limite da Portaria DNAEE 022

28/10/2002 15/03/2002 18/07/2001 10/11/2002 20/03/2001 15/11/2001 13/7/2002 10/3/2003

Figura 3. Evolução do armazenamento equivalente na bacia do Paraíba do Sul juntamente com a curva limite para redução da vazão objetivo em Santa Cecília de 260 para 190 m3/s.

Previsão da Evolução do Armazenamento Equivalente
100 95 90 85 80 75 70 65 60 55 50 45 40 35 30 25 20 15 10 5 0
1-jan 31-jan 2-mar 1-abr 1-mai 31-mai 30-jun 30-jul 29-ago 28-set 28-out 27-nov 27-dez

VOLUME ÚTIL (%)

1993

1994

1995

1996

1997

1998

1999

2000

2001

2002

2003

Figura 4. Previsão da evolução do armazenamento equivalente na bacia do Paraíba do Sul

2. EVOLUÇÃO DOS VOLUMES ARMAZENADOS NOS PRINCIPAIS RESERVATÓRIOS DA BACIA

Na tabela 1 são apresentadas as principais características dos reservatórios de Paraibuna e Jaguari.

Tabela 1. Características dos reservatórios Paraibuna e Jaguari.

Usina

Data do início do enchimento 01/1974 12/1969

Data do início da operação 04/1978 05/1972

N.A. máximo (m) 714,00 623,00

N.A. mínimo (m) 694,60 603,20

Volume total (106 m3) 4.732 1.236

Volume útil (106 m3)

Paraibuna Jaguari

2.636 793

Vazão média de longo termo (m3/s) 69,0 28,0

Nas figuras 5 e 6 é mostrada a evolução dos armazenamentos médios mensais dos reservatórios, desde o ano de 1993.
100,0

ARMAZENAMENTO PARAIBUNA
90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 01/01/1993 01/01/1994 01/01/1995 01/01/1996 31/12/1996 01/01/1998 01/01/1999 31/12/1999 30/12/2001 30/12/2002 30/12/2002
30/12/2002

Figura 5. Evolução dos volumes armazenamentos no reservatório Paraibuna

ARMAZENAMENTO (%)

100,0

ARMAZENAMENTO JAGUARI
90,0 80,0 70,0 60,0 50,0 40,0 30,0 20,0 10,0 0,0 01/01/1993 01/01/1994 01/01/1995 01/01/1996 31/12/1996 01/01/1998 01/01/1999 31/12/1999 30/12/2001 30/12/2002

Figura 6. Evolução dos volumes armazenamentos no reservatório Jaguari

Como se pode observar nessas figuras, a partir de 1997 os reservatórios não conseguiram recuperar os seu volumes úteis.

ARMAZENAMENTO (%)

Na tabela 2 são apresentados os principais requisitos de vazões mínimas (Qmín) e máximas (Qmáx) estabelecidos nos dispositivos legais vigentes até o ano de 2002. Tabela 2. Requisitos de vazões defluentes mínimas e máximas Decreto n° 68.324/1971 Jusante de Paraibuna Jusante de Santa Branca Jusante de Jaguari Portaria DNAEE n° 022/1977 Qmín = 30 m3/s Qmín = 40 m3/s Qmín = 10 m3/s Qmin=42 m3/s no período seco anual (junho a novembro) Qmín = 80 m3/s Qmín = 190 m3/s Qmín = 90 m3/s Qmín = 90 m3/s Qmín = 90 m3/s Qmín = 71 m3/s (condições hidrológicas adversas) Qmín = 119 m3/s no caso de condições hidrológicas adversas (por inferência, 190–71) Decreto n° 81.436/1978

Jusante de Funil Afluência a Santa Cecília Jusante da estação elevatória de Santa Cecília

Bombeamento Santa Cecília

Qmáx = 160 m3/s

Qmín = 100 m3/s

3. PRECIPITAÇÕES, VAZÕES AFLUENTES AOS PRINCIPAIS RESERVATÓRIOS DA BACIA ESTIMATIVAS DE DEMANDAS

E

As usinas de Paraibuna (rio Paraibuna/Paraitinga) e de Jaguari (rio Jaguari), localizadas nas cabeceiras da bacia, sem, portanto, impacto da operação de reservatórios a montante, foram escolhidas para uma primeira análise. Foram empregadas as séries de vazões mensais naturais, disponíveis no Sistema de Informações do Potencial Elétrico Brasileiro (SIPOT, 2003). Nas figuras 7 e 8, é mostrada a evolução histórica das vazões naturais, no período de 1931 a 2002, respectivamente, para a usina de Paraibuna e de Jaguari. Conforme se pode observar, a partir de 1997 as vazões naturais têm sido abaixo da vazão média de longo termo. Na tabela 3 são mostradas as vazões captadas, entre os trechos de reservatórios, estimadas pelo Plano Nacional de Recursos Hídricos. Tabela 3. Vazões captadas entre os trechos de reservatórios pelo Plano Nacional de Recursos Hídricos.

Vazão captada (m³/s) - Plano Nacional Demanda Paraibuna Santa Branca Humana 0.30 0.09 Animal 0.07 0.02 Indústria 0.11 0.07 Irrigação 0.14 0.02 Total 0.62 0.20

Funil Santa Cecília 6.21 2.67 0.19 0.09 4.59 1.22 7.45 0.26 18.44 4.24

Jaguari 2.86 0.02 2.46 0.13 5.47

Total 12.13 0.39 8.45 8.01 28.97

As séries de precipitações analisadas apresentaram não evidenciaram, estatisticamente uma redução na precipitação no período de 1997 a 2002. Contudo a precipitação média na bacia do rio Paraíba do Sul, como um todo, apresentou uma diminuição nos totais pluviométricos a partir de outubro de 2001. Segundo o INPE, o total acumulado no período de outubro de 2001 a 14 de abril de 2003 foi de 2019mm e a média de longo termo, para o mesmo período, foi de 2676mm. Na figura 7 observa-se mensalmente esta diminuição.

Figura 7. Precipitação Média Mensal no período Outubro/2001a Abril/2003 e comparativo com a Média de Longo Período para a bacia do rio Paraíba do Sul. Fonte: (http://www.cptec.inpe.br/%7energia) 4. VAZÕES DEFLUENTES AOS PRINCIPAIS RESERVATÓRIOS Na Portaria DNAEE n° 022, de 14 de fevereiro de 1977 foi estabelecido Qmín=30 m³/s a jusante de Paraibuna. Para o reservatório de Jaguari, Qmín=10 m³/s e Qmáx=42 m³/s no período seco anual (junho a novembro). As evoluções históricas das vazões defluentes aos reservatórios Paraibuna e Jaguari, respectivamente, para o período de 1993 a 2003 são apresentadas nas figuras 8 e 9. Para o reservatório Paraibuna, verificou-se, em especial, no período de 2001, que houve uma defluência maior que o valor mínimo de 30 m³/s praticamente durante todo o ano, com exceção para os meses de janeiro e fevereiro. Já no ano de 2002, a defluência mínima de 30 m³/s foi praticada durante os cinco primeiros meses. Para os demais meses a defluência foi maior. Com respeito ao reservatório Jaguari, para os anos 2001 e 2002, cumpriu-se a Portaria DNAEE n° 022, de 14 de fevereiro de 1977, que estabelece uma vazão mínima de 10 m³/s e uma vazão máxima de 42 m³/s, para os meses de junho a novembro.

Afluência e Descarga: Reservatório Paraibuna
Afluência (m³/s) Descarga total (m³/s)

500 450 400 350 300
m³/s

250 200 150 100 50 0
01/01/1993 01/01/1994 01/01/1995 01/01/1996 31/12/1996 31/12/1997 31/12/1998 31/12/1999 30/12/2000 30/12/2001 30/12/2002

dias

Figura 8. Afluência e descarga. Reservatório Paraibuna (1993 a 2003).

Afluência e Descarga: Reservatório Jaguari
Afluência (m³/s) Descarga total (m³/s)

140 120 100
m³/s

80 60 40 20 0
01 /1 /01 993 01 /1 /01 994 01 /1 /01 995 01 /1 /01 996 31 2/1 /1 996 31 2/1 /1 997 31 2/1 /1 998 31 2/1 /1 999 30/1 2/2000 30/1 2/2001 30/1 2/2002

dias

Figura 9. Afluência e descarga. Reservatório Jaguari (1993 a 2003). 5. SISTEMA DE SUPORTE À DECISÃO PARA A BACIA DO PARAIBA DO SUL Com o intuito de simular a operação dos reservatórios da bacia do Paraíba do Sul empregou-se o sistema hidráulico da bacia, utilizando o modelo AcquaNet (figura 10). O AcquaNet é um modelo de rede de fluxo para simulação de bacias hidrográficas. Com ele, pode-se montar redes com um grande número de reservatórios (representado pelos triângulos), demandas (quadrados) e trechos de canais (ligações), representando o problema em estudo de forma bastante detalhada. Os círculos ou nós de passagens representam as confluências de rios, estações elevatórias ou usinas hidrelétricas. O AcquaNet foi desenvolvido pelo LabSid da Escola Politécnica da USP e é originário do modelo MODSIM, desenvolvido na Universidade do Colorado (Labadie, 1988).

Figura 10. Representação do modelo de operação dos reservatórios da bacia do rio Paraíba do Sul

Na figura 11 são apresentados os resultados das simulações dos reservatórios. São mostradas as vazões “firmes” ou regularizadas pelos reservatórios Paraibuna e Jaguari, respectivamente, para diferentes níveis de garantia, considerando a série histórica de afluência de 1931 a 2002. Para o reservatório Paraibuna a vazão regularizada com 100% de garantia (Q100%=62,78 m³/s) representa cerca de 90,97% da vazão média de longo termo (69,01 m³/s). Para o reservatório Jaguari a vazão regularizada com 100% de garantia (Q100%=25,2 m³/s) corresponde aproximadamente a 87,74% da vazão média de longo termo (28,72 m³/s).
Vazão Firme: Paraibuna (1931-2002)
80 75 70 65 60 55 50 80 85 90 Garantia (%) 95 100

Vazão Firme: Jaguari (1931-2002)
35 32 m³/s 29 26 23 20 80 85 90 Garantia (%) 95 100

Figura 11. Vazão firme do reservatório Paraibuna e do reservatório Jaguari 5.1 Novas Regras de Operação para os Reservatórios da Bacia Com a utilização do modelo implementado no AcquaNet pode-se testar inúmeras possibilidades de vazões defluentes a cada reservatório, assim como restrições de valores máximos e ordem de prioridade no deplecionamento dos reservatórios. Após articulações com Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS e com o Comitê da Bacia Hidrográfica do rio Paraíba do Sul – CEIVAP e Comitê da Bacia do rio Guandu, foi publicada a Resolução Nº211, de 26 de maio de 2003, a qual dispõe sobre as regras a serem adotadas

m³/s

para a operação do sistema hidráulico do Rio Paraíba do Sul, que compreende, além dos reservatórios localizados na bacia, também as estruturas de transposições das águas do Rio Paraíba do Sul para o sistema Guandu. O Art. 1º da referida Resolução estabelece, em caráter emergencial, as seguintes regras de operação para o sistema hidráulico do rio Paraíba do Sul: I - a descarga mínima a jusante dos aproveitamentos deve respeitar os seguintes limites: a) Paraibuna b) Santa Branca c) Jaguari d) Funil e) Santa Cecília f) Pereira Passos 30 m3/s 40 m3/s 10 m3/s 80 m3/s 71 m3/s (instantânea) 120 m3/s (instantânea)

II – quando a vazão incremental entre Funil e Santa Cecília for maior que 110 m3/s, a vazão emergencial de 71m3/s a jusante de Santa Cecília deverá ser gradativamente aumentada até atingir o limite da vazão mínima normal de 90m3/s; III - o limite mínimo para a vazão média de bombeamento em Santa Cecília é de 119m3/s; VI - o deplecionamento dos reservatórios para atender o limite mínimo de 190 m³/s em Santa Cecília (71 m³/s para a jusante e 119 m³/s para bombeamento) deve observar a seguinte ordem de prioridade, procurando manter o limite de 10% do volume útil dos mesmos: a) 1º - Funil; b) 2º - Santa Branca; c) 3º - Paraibuna; d) 4º - Jaguari. O parágrafo único do Art. 1º reza que a ordem de prioridade de deplecionamento poderá ser revista, em função das afluências efetivamente verificadas, visando a evitar um acentuado desequilíbrio entre os armazenamentos dos reservatórios de Paraibuna e Jaguari.
Reservatório Paraibuna
100.0 %Volume Útil %Volume Útil 80.0 60.0 40.0 20.0 0.0
Jan Fev Mar Abr M Jun Jul Ago Set Out Nov D ai ez

ReservatórioSanta Branca
100.0 2000 2001 2002 2003 2004 80.0 60.0 40.0 20.0 0.0
Jan Fev M Abr M Jun Jul Ago Set O N D ar ai ut ov ez

2000 2001 2002 2003 2004

m eses

m eses

Reservatório Jaguari
100.0 %Volume Útil %Volume Útil 80.0 60.0 40.0 20.0 0.0
Jan Fev M Abr M Jun Jul Ago Set O N D ar ai ut ov ez

ReservatórioFunil
100.0 2000 2001 2002 2003 2004 80.0 60.0 40.0 20.0 0.0
Jan Fev M Abr M Jun Jul Ago Set O N D ar ai ut ov ez

2000 2001 2002 2003 2004

m eses

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Figura 12. Volumes úteis dos reservatórios Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil (período 2000-2004)

A figura 12 apresenta os volumes úteis dos reservatórios Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil, para o período de janeiro de 2000 a agosto de 2004, mostrando uma sensível recuperação dos reservatórios após a aplicação das regras de operação definidas pela nova resolução. 6. CONCLUSÕES As vazões naturais afluentes aos reservatórios Paraibuna e Jaguari para o período de 1996 a 2001, foram, de fato, inferiores às vazões médias de longo termo. Em relação às séries de precipitação, verificouse que a diminuição da precipitação média, apresentada na bacia, não foi suficiente para explicar o baixo nível atual de acumulação dos reservatórios da bacia. Considerando que os reservatórios da bacia não conseguiram recuperar os seus volumes úteis nos últimos anos e considerando a importância da bacia do Paraíba do Sul para o abastecimento de várias cidades, inclusive parte da Região Metropolitana do Rio de Janeiro foi editada uma Resolução sobre as regras a serem adotadas, para a operação do sistema hidráulico do rio Paraíba do Sul, compreendendo além dos reservatórios localizados na bacia, também as estruturas de transposição das águas do rio Paraíba do Sul para o sistema Guandu. As novas regras de operações, definidas com o auxílio do modelo de rede de fluxo AcquaNet, mostraram-se eficientes na recuperação dos reservatórios na bacia hidrográfica do rio Paraíba do Sul. 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Fonte: (http://www.cptec.inpe.br/%7energia) LABADIE, J. W. - Program Modsim: River Basin Network Flow Model For The Microcomputer, Department of Civil Engineering, Colorado State University, 1988. Resolução ANA Nº211, de 26 de maio de 2003. SIPOT, 2003 – Sistema de Informações do Potencial Hidrelétrico Brasileiro, Versão 4.0, ELETROBRÁS.

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