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MINSKY, CÂMBIO E “FINANÇA DIRETA”

MINSKY, CÂMBIO E “FINANÇA DIRETA”

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Este regime cambial decorre das tentativas de controle do que se
considera em geral uma excessiva volatilidade da taxa de câmbio no regime de
flutuação cambial pura. O governo interviria então com o intuito de evitar os
movimentos mais agudos do câmbio, procurando preservar os agentes de
movimentos muito bruscos ou de ultrapassagens com relação aos
fundamentos. Este regime pode não estabelecer nenhum compromisso formal
com qualquer taxa, sendo as intervenções governamentais feitas
episodicamente (dirty floating), ou pode ser estabelecida uma faixa formal de
variação da taxa de câmbio, a chamada banda. As bandas, por sua vez, podem
ser largas ou estreitas.

No regime de flutuação suja inexiste um compromisso a priori com
quaisquer rigidezes da taxa de câmbio, ainda que temporárias. Este regime
compartilha de muitas das características e das possibilidades de instabilização
que marcam o regime de flutuação pura. Todavia, as intervenções
governamentais no mercado cambial, através de compra e venda de divisas,
impedem que o saldo de balanço de pagamentos seja zerado automaticamente
“por definição”. São as intervenções no mercado por parte do governo que
estabelecem se o saldo será positivo (compras líquidas de dólar) ou negativo
(vendas líquidas).

Os problemas associados a este regime, além dos já descritos como
característicos do regime cambial flutuante, são: a) o grau de incerteza criado
pelas próprias intervenções pode causar dificuldades na medida em que as

105

tentativas de reduzir a volatilidade da taxa de câmbio sinalizem para os
aplicadores um risco cambial inferior ao de fato existente; se os gestores são
obrigados a desistir de uma determinada intervenção redutora de volatilidade, a
desvalorização subseqüente pode surpreender os agentes econômicos e
causar problemas por insuficiência de hedge; e b) é difícil identificar uma taxa
de câmbio “adequada” para se defender, e podem surgir dúvidas se a
intervenção governamental está apenas agindo no sentido de redução de
volatilidade realmente ou se ela está de fato afetando a tendência.

Diante destas dificuldades, a flutuação suja teria “evoluído” para uma
versão mais institucionalizada, que reconhece a existência de limites inferiores
e superiores formais para a variação das taxas de câmbio. O regime de bandas
passou a ser alvo de diversos estudos e chegou a ser identificado por certos
economistas como uma verdadeira panacéia, capaz de resolver os problemas
da administração dos objetivos externos sem excessivo comprometimento dos
objetivos internos da política monetária.

Duas características em tese benignas do sistema de bandas costumam
ser destacados na literatura124

:
a) o chamado “efeito lua-de-mel”, que prescreve a possibilidade de que
o banco central, uma vez firmada sua reputação de defesa da banda,
não precisasse mais atuar; os agentes, prevendo a intervenção,
criariam expectativas de que a taxa de câmbio reverteria após certo
ponto da banda e por si mesmos impediriam o rompimento dos
limites, sem que surgisse necessidade de compra ou venda de
moeda estrangeira ou elevação da taxa de juros por parte da
autoridade monetária; e
b) a idéia de que nestas circunstâncias as cotações cambiais se
concentrariam em torno do valor central da banda e as cotações
diárias apresentariam distribuição normal ao seu redor.

Ambos os efeitos dependem, porém, de que a autoridade monetária

124

Vide especialmente KRUGMAN (1991).

106

esteja disposta a perder reservas (e as tenha para tanto) e/ou que esteja
disposta a utilizar a taxa de juros na defesa da banda, abdicando de seu
emprego na perseguição dos objetivos internos de política econômica, ao
menos durante o período necessário para adquirir a necessária reputação125
.
Caso surjam expectativas de que a autoridade monetária não quer ou não pode
garantir a manutenção da banda, e que em conseqüência a banda poderia
“deslizar para cima”, nenhum dos dois efeitos supostamente benignos se
manteria. Além disso, em caso de modificação nos fundamentos da taxa de
câmbio que fizessem com o que a nova taxa de equilíbrio (tal como vista pelo
banco central) estivesse fora da banda, o deslizamento da banda seria
inevitável, e a credibilidade de seus defensores ficaria comprometida.

A utilização das bandas estreitas em pouco difere do câmbio fixo.
DAVIDSON (1994:231-34), por exemplo, compara os tetos superiores e
inferiores de uma banda estreita com os “pontos de ouro” (golden points) e não
vê razões para que sejam considerados como substancialmente diferentes
daqueles. Por conseqüência, ambos regimes cambiais serão tomados como
equivalentes, possuindo as mesmas instabilidades já indicadas na análise do
regime de câmbio fixo.

Os regimes de banda larga, por outro lado, tendem mais para os
regimes flutuantes e suas instabilidades, ficando apenas ressaltado que, por
apresentarem comportamento intra-banda menos previsível, talvez sejam
capazes de se sustentar por maior tempo, embora às custas de prêmios de
risco cambial mais altos.

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