P. 1
CATÁLOGO CASAS TÍPICAS DE PORTUGAL

CATÁLOGO CASAS TÍPICAS DE PORTUGAL

3.33

|Views: 23.330|Likes:
Publicado porkikinhas33

More info:

Published by: kikinhas33 on Aug 03, 2009
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

06/12/2015

pdf

text

original

Sections

Catálogo

Casas Típicas de Portugal Cultura, Língua e Comunicação
Culturas de Urbanismo e Mobilidade 6

EFA NS Técnicas Administrativas

Página2

Índice

Minho.......................................................................................................................................... 3

Trás-os-Montes ............................................................................................................................ 8

Beiras ........................................................................................................................................ 12

Estremadura e Ribatejo .............................................................................................................. 22

Alentejo ..................................................................................................................................... 26

Algarve ...................................................................................................................................... 29

Açores ....................................................................................................................................... 33

Madeira ..................................................................................................................................... 36

Casas de Sonho .......................................................................................................................... 40

Adelaide Coutinho ............................................................................................................................. 41

Marta Silva ........................................................................................................................................ 42

Susana Magalhães ............................................................................................................................. 44

Mavilda Silva ..................................................................................................................................... 47

Ana Pereira ........................................................................................................................................ 51

Alice Marques ................................................................................................................................... 52

Rute Veloso ....................................................................................................................................... 54

Carla Rocha ....................................................................................................................................... 56

Sílvia Gomes ...................................................................................................................................... 59

Maria Paula Teixeira .......................................................................................................................... 61

Fátima Porto ...................................................................................................................................... 64

Isabel Valverde .................................................................................................................................. 66

Carmen Airosa ................................................................................................................................... 68

Joana Silva Dias ................................................................................................................................. 70

Página3

O Minho é uma província do Norte de Portugal que se dedica à agricultura,
pastorícia, pecuária e ao turismo rural. Os principais produtos agrícolas são os cereais,
que deram origem a um tipo de construção muito típico do Alto Minho: os espigueiros.
São formados por uma câmara estreita, com paredes aprumadas e fendas verticais para
arejamento.

Assentam numa base de pés simples, normalmente de pedra, rematados por
cornijas ou capitéis salientes, de forma a impedir o acesso dos roedores. O chão é
constituído por um lastro de pedra, com lajes longitudinais. No topo, são geralmente
rematados por uma cruz, que invoca a protecção divina para os cereais. Os espigueiros
serviam para proteger o cereal das intempéries e dos animais roedores. Alguns deles
ainda são utilizados.

As casas típicas das aldeias serranas são em granito com telhados de colmo, que
nos dias de hoje foi na maioria substituído pela telha. As principais características destas

Página4

habitações são: cobertura inclinada de quatro águas, com beirados salientes, para um
melhor escoamento da chuva, chaminé estreita, acima do cume do telhado, forro no
telhado por cima dos barrotes, varanda corrida envidraçada, grandes blocos
quadrangulares de granito, dispostos em fiadas horizontais, grandes lajes de pedra,

coluna do alpendre com elemento decorativo em “S” de dupla espiral.

Estas casas possuem estas características devido à
principal actividade económica desenvolvida na província, a
Agricultura, e também devido às condições atmosféricas. O
Minho é uma zona com um clima frio e chuvoso e as suas
habitações são adequadas a esses factores climáticos,
consoante a pluviosidade.
Nas vertentes e vales da serrania minhota, encontram-se casas feitas de granito e
madeira, geralmente com dois pisos: no rés-do-chão fica a pocilga, o lagar e outras
divisões para arrumar os utensílios agrícolas, no primeiro andar os quartos, a sala e a
cozinha. O acesso à parte superior da casa faz-se por uma escada exterior, que termina
em varanda.

Estas casas rurais destinam-se particularmente ao turismo rural.
Os materiais de construção mais usados nesta região são: os blocos de granito
quadrangulares, para a construção da estrutura da casa, as madeiras, usadas no forro do
telhado e para os barrotes de suporte, grandes lajes de pedra e a telha, que veio
substituir o colmo no cimo dos telhados.

Os principais elementos decorativos são:

A CORNIJA – de maneira geral, dá-se o nome de cornija a todo conjunto de
molduras salientes que servem de arremate superior às obras de arquitectura. Ângulo de
um edifício.

Página5

O CAPITEL – Parte superior da coluna, acima do fuste (parte principal da coluna,
entre o capitel e a base), em que descansa a arquitrave (parte do entablamento [friso e
cornija] que descansa sobre os capitéis das colunas). Nome do arremate superior dos
balaústres.
As JANELAS – a sua caixilharia é em madeira, são pequenas e com portadas.

A COLUNA DO ALPENDRE – com elemento decorativo em “S” de dupla espiral.

Nos interiores das habitações do Minho predominam as madeiras e o ambiente
rústico, com escadaria em madeira e lareiras em pedra. O mobiliário é tradicional com
madeiras pouco tratadas. Ainda hoje se utilizam os fogões/fornos a lenha, o que torna a
sua gastronomia especial. São casas modestas, tendo apenas o essencial para a sua
habitabilidade, mesmo no turismo rural.

Página6

Como adornos são utilizados: Brinquedos, barcos, espigueiros, tabuleiros,
aproveitam a madeira como matéria-prima brinquedos pintados em cores fortes e que
recordam a infância à antiga; a construção de miniaturas de barcos à escala com
materiais de adorno a relembrar a época dos descobrimentos; espigueiros, na tradição
rural, os tabuleiros utilitários primeiro, depois decorativos.

Ferros forjados, cobres, latoaria são artefactos que se utilizam como elementos
decorativos, seja na construção civil no caso dos ferros forjados (varandas, portais,
cataventos, fechaduras, aldrabas); cobres, originários de oficinas onde se produziam
panelas e tachos, potes de alambiques, sulfatadores que, depois, com apurados
gravados e finura de linhas se transformam nos cobres artísticos; latoaria, hoje,
praticamente só com funções decorativas.

Os bordados e rendas em pano alinhado, linho, estopa fina e lã, com a utilização
do fio de algodão perlé ou fio de lã e produzidos a partir da combinação das chamadas
cores folclóricas (o azul, o vermelho e o verde).

Página7

A cerâmica também se destaca como elemento decorativo nestas habitações, a
tão conhecida Louça da Meadela (faiança louça de pó de pedra).

A cantaria tem como matéria-prima o granito. Os canteiros tradicionais utilizam
apenas o martelo, o cinzel, esquadro e o metro para moldar o granito em bruto,
transformando-o em esbeltas formas de arte: bicas de água (carrancas), conchas,
relógios de sol, santos populares, fogões de sala, chafarizes e fontanários.

Página8

Há séculos atrás, a construção da casa transmontana era formada por um só
compartimento, no qual, num canto acendia-se o lume e noutro dormia a família, que
geralmente era numerosa.
Mais recentemente a casa típica transmontana era dividida em dois tipos: a casa
alpendrada, cuja sua construção era em xisto com varanda recolhida, situada a meio da
fachada; a casa serrana, que por sua vez era construída em xisto ou granito, com escadas
salientes e telhados de duas águas.

Página9

A sua constituição era formada por o rés-do-chão e primeiro andar. O rés-do-chão
destinava-se a arrecadações e lojas de gado, o qual servia para o aquecimento do piso
superior e o primeiro andar destinava-se ao convívio familiar. Um dos traços
característicos nestas casas é a existência de anexos, onde estão incluídos palheiros,
cabana de recolha de carros agrícolas e acurralada onde é depositado os estrumes.

A região transmontana está situada numa zona montanhosa e de vales. Nesta
região o inverno é muito rigoroso e o verão com temperaturas muito altas e seco. Estas
características influenciam a construção das casas: o Inverno é muito rígido, assim o
granito protege-a do frio, o que permite aos seus moradores, aquece-la por dentro com
as lareiras; em contrapartida, no Verão a casa conserva-se mais fresca isolando-a do
calor.

Uma das poucas excepções que existe nesta região, é a diferença de classes
sociais, reflectindo-se nas habitações. Os chamados “senhores” habitavam em casas
muito grandes feitas exclusivamente de granito, onde
empregavam pessoas para cuidar das mesmas; na classe mais
baixa as suas casas eram mais modestas e mais pequenas.
O Homem transmontano recorreu à natureza para
construir as suas casas. As matérias-primas mais utilizadas

Página10

seriam o xisto, granito e madeiras.

Xisto – é uma rocha sedimentar formada por acumulações de cianofíceas (algas
verdes azuladas, fixadoras de nitrogénio). O xisto existe há cerca de 250 milhões
de anos. Em linguagem popular é conhecida por lousa.

Granito – é uma rocha formada por três minerais: mica,
quartzo e feldspato. Esta pedra é mais dura que o mármore.
O granito é duradouro, bonito e forte.

Madeira – era utilizada na construção vários tipos de
madeira: castanheiro, nogueira, carvalho, entre outros.

Os principais elementos decorativos do interior e exterior das habitações são:

Interiores – é usual nas cozinhas a utilização do cubo ou embódio (funil) que
comunica com a pia dos porcos, por onde se lança a vianda (alimento) para esses
animais; os potes de ferro, caldeira de cobre e a borralheira que serve para
armazenar a cinza, badil, tenazes, são presentes nestas habitações. A saída do
fumo é facilitada por uma pequena cabana, erguida no declive do telhado, que
serve como trave do fumeiro onde se penduram os presuntos para se ultimar a

Página11

cura ao fumo. Por trás das lareiras surge a boca do forno, para cozer o pão, que
depois é guardado numa arca de castanho juntamente com a carne de porco,
essa arca encontra-se no canto da cozinha e serve também como mesa.

Exterior – verifica-se muito como decoração a arte
do azulejo, que em algumas casas particulares são
visíveis em fontes, fontanários, largos, jardins,
capelas, igrejas, etc. Normalmente, este tipo de
azulejo atrai pelos seus desenhos, pinturas, formas
e seus dizeres.

Página12

No passado a construção de habitações (outros edifícios) era feita de materiais na

própria região como sejam os calhaus rolados do rio (“bolas”), o granito, o xisto, o barro

vermelho, a madeira (castanho e pinho) e a telha portuguesa ou canudo.
As paredes exteriores eram construídas com as “bolas” depois de partidas ao meio, o
granito era utilizado para a construção das esquinas das casas e para o suporte das
janelas, o xisto era colocado sobre as janelas e o barro vermelho servia para vedar as
paredes.

Interiormente as paredes e o soalho da casa eram em madeira de pinho,
assentando este último em barrotes de castanho. O divisionamento da casa era feito da
seguinte forma: no rés-do-chão encontravam-se o curral e/ou arrumos e no primeiro
andar a cozinha, os quartos (normalmente em número de dois), e a varanda em madeira,
sendo a ligação entre os dois pisos feita por uma escada interior em madeira.

Página13

A razão desta divisão tinha a ver com as condições climatéricas da região, pois a
presença de animais no rés-do-chão fornecia calor ao piso superior. Outra característica
destas habitações era a não existência de chaminés, vistos os fumos saírem
directamente pelo tecto.

Hoje, apesar do ainda existente património arquitectónico, a dificuldade de
loteamento, o retorno dos emigrantes, têm contribuído para a progressiva destruição do
núcleo urbano da vila com maiores características tradicionais.
Imagens de casas Beirãs

Casa Tradicional da Guarda

Casa tradicional de Tábua

Uma casa tipicamente Beirã

Casa tradicional de Viseu

Casa de xisto da Beira

Casas da Região das Beiras

Página14

Casa típica Beira Baixa

Casa típica Beira Alta Casa típica Beira Baixa

Imagens de casas Beirãs - CostaNova

A Arquitectura da Costa Nova

A praia da Costa Nova é um óptimo local de lazer e excelente espaço para férias
em qualquer altura do ano. Com os seus "palheiros" riscadinhos, qual pijama colorido,
apresenta uma marginal de aspecto único, em primeiro lugar pelo seu aspecto garrido e
policromo: é o verde, o azul, o amarelo e o vermelho, que transmitem sensações de
alegria e jovialidade. A estrada ribeirinha permite longos e salutares passeios, a pé ou de
bicicleta, para admirar paisagens, embarcações e artes locais de pesca.
Origem dos "palheiros"
Os primeiros palheiros foram construídos à beira-mar, por pescadores, para
guardar as redes e todo o restante material de pesca. Nesta época eram constituídos por
uma única e ampla divisão. Mais tarde, e segundo as necessidades individuais dos
pescadores, começaram a surgir algumas divisões interiores. A construção era feita com
materiais da zona, único recurso existente dada a precária situação económica da
comunidade piscatória local.

Página15

Características dos "palheiros"
Os antigos palheiros de habitação possuíam um só piso e erguiam-se sobre
estacas, que ficavam à vista, e se encontravam assentes na areia seca. O tabuado
exterior era disposto horizontalmente, mas, no final do século passado, foi introduzida
uma variação, reflectindo a vontade de ostentação social: o tabuado passou a ser
disposto verticalmente, sinalizando o facto de os seus proprietários viverem com certo
desafogo económico. Com o aumento da população e a fixação das areias, as estacas
foram sendo progressivamente reduzidas, passando os palheiros a ser assentes no solo.
Os mais antigos e modestos palheiros eram pintados a vermelhão, e só posteriormente
surgiram exemplares com o tabuado pintado de duas cores, frescas e garridas,
transmitindo uma atmosfera de alegria e vivacidade.
Hoje, restam poucos palheiros de madeira na Costa Nova, utilizando-se quase
exclusivamente o cimento. Os mais recentes palheiros são edificados utilizando técnicas
de construção modernas, mas respeitando os traços arquitectónicos dos antigos,
especialmente no que se refere à fachada principal. A sua peculiaridade arquitectónica
confere características únicas a estas praias, individualizando-as tanto a nível nacional
como internacional.

Materiais de construção e acabamentos

O tijolo de adobe é um material vernacular usado na construção civil.
É considerado um dos antecedentes históricos do tijolo de barro e seu
processo construtivo é uma forma rudimentar de alvenaria. Adobes
são tijolos de terra crua, água e palha e algumas vezes outras fibras naturais, moldados
em formas por processo artesanal ou semi-industrial.

Chama-se argamassa à mistura feita com pelo menos um
aglomerante, agregados miúdos e água. O aglomerante pode ser
a cal, o cimento ou o gesso. O agregado mais comum é a areia,

Página16

embora possa ser utilizado o pó de pedra. Normalmente, a argamassa é utilizada em
alvenaria e em revestimento.

A Pedra de Xisto pode ser castanha ou preta e é muito utilizada na
construção civil. As casas tradicionais Beirãs são na sua maioria feitas em
pedra de xisto ou têm acabamentos em xisto.

Telha de alvenaria de várias cores muito utilizada nos telhados das casas
Beirãs.

Alvenaria em tijolo, utilizada em paredes de interior ou para revestimentos
de exterior.

Blocos de alvenaria em cimento. Não muito utilizado

na construção tradicional.

Materiais de construção e acabamentos

Mármore, granito, calcário, ardósias...As pedras naturais da Barmat são
originárias de pedreiras localizadas na região.

Xisto Ardósia. Xisto de cor cinzenta-azulada a cinzenta escura, homogéneo,
compacto, finamente granular, exibindo clivagem xistente nítida. Utilizações
Recomendadas: Pavimentos e revestimentos e outras aplicações tanto para interiores
como para exteriores.

Pedra de granito Cinza, por vezes trabalhada para acabamentos de exterior,
originárias das pedreiras da região.

Página17

Pedra granito castanho da Figueira da Foz, muito utilizada na construção
tradicional das casas Beirãs, proveniente das pedreiras portuguesas.

O tabique, também designado de “taipa de fasquio”, “taipa de rodízio”, “taipa
de sopapo”, “taipa de chapada”, “pau a pique”, “terra sobre engradado” ou “barro
armado” é um método construtivo comum em grande parte das construções

tradicionais, consiste numa estrutura de madeira interligada por trama de madeira,
formado por um engradado preenchido por terra argilosa, podendo conter fibras
vegetais. As construções em tabique foram as que melhor resistiram ao terramoto de
1755.

Madeira de Carvalho Negral. Moderadamente pesada, muito retráctil. Madeira
com utilizações bastante circunscritas, mais valorizável em carpintarias. Utilizada em
pisos, também como travessas, muito utilizada nas construções rurais, estores e tutores.

Em arquitectura, um lintel é uma peça dura de materiais diversos (madeira,
pedra, concreto etc.) que constitui o acabamento da parte superior de portas e janelas;
sendo também chamada de verga ou padieira.

Lintel trabalhado em madeira de cedro.

Lintel trabalhado em pedra pertencente a uma catedral.

Página18

ELEMENTOS DE DECORAÇÃO

Cama de ferro trabalhada, utilizando no passado os colchões de palha.

Página19

Cómoda com tampo de mármore, espelho embutido e pequenas gavetas como

guarda-jóias.

Baú em madeira, onde se guardavam as roupas de cama e enxovais.

Mesa-de-cabeceira com tampo de mármore e local para guardar o bacio.

Cadeira em palhinha, utilizada quer no quarto quer na sala.

Candeeiros a petróleo, utilizados nas mesas-de-cabeceira.

Bacio ou penico em zinco pintado, guardava-se no quarto na mesa-de-

cabeceira.

Lavatório portátil em zinco esmaltado, utilizado no quarto ou na divisão que

servia de casa de banho.

Bidé portátil, em porcelana pintada, utilizado nos quartos ou divisão que

servia de casa de banho.

Página20

Bidé portátil, em zinco esmaltado, utilizado nos quartos ou divisão que servia

de casa de banho.

Banheira com pés, em zinco esmaltado, portátil para se poder usar nos

quartos ou em divisória própria

Espelho portátil, em madeira, pintada à mão. Utilizado no quarto ou casa de

banho.

Fogão a lenha, que servia também de caldeira para aquecimento das casas.

Mesa ou aparador de serventia à sala ou cozinha.

Móvel de cozinha para guardar as loiças, que se decorava com bicos de renda.

Banco corrido, em palhinha, utilizado nas salas ou cozinhas.

Móvel de sala, com tampo em mármore e quase sempre decorado com um

espelho.

Mesa corrida de cozinha ou sala, em madeira maciça.

Página21

Móvel de canto cuja finalidade era fazer de dispensa, em vez de vidro utilizava-

se a rede mosquiteiras.

Página22

No Sul as casas são normalmente caiadas de branco e rebocadas, dado que o
clima é quente e seco, quase todas pequenas e térreas.
Nestas regiões existem casas com diversas características dependendo da zona,
os terrenos são bastante argilosos e calcários, sendo estes materiais com qualidade
isoladora.

Predominam as cores azul, verde, ocre e vermelhão, pintadas com uma facha por
fora nas partes laterais e rodapés.

Ribatejo

Na casa ribatejana empregam telhados de duas águas (telhado em forma de V
invertido), possibilitando assim o caimento da água para os dois lados. Nestes utilizam
telha canudo com curvatura acentuada. Têm chaminés alongadas perpendiculares ao
cume (alto) do telhado.

As paredes são caiadas para protegerem o adobe das intempéries, com rodapés
vermelhão, ocre, azul ou verde.
O chão por sua vez é em terra batida, vermelhos ou ocre, regados com aguada de

barro.

Página23

A sua construção é feita em adobe (blocos de massa, constituída por areia e brita
ligados entre si com argila), a fundação é feita em pedra a fim de evitar o contacto do
adobe com a humidade.

Estremadura

Na zona norte da Estremadura (Marinha Grande) a maior parte das construções

são em madeira.
São estacadas, evitando assim a acumulação de areias. Normalmente são de cor ocre ou
vermelha.

Casa alpendrada

Na zona interior centro da Estremadura, na zona de (Ansião) predomina a

tradicional casa alpendrada.

Casa de planta rectangular, construída em adobe ou taipa, com cobertura em
telhado de quatro águas, prolongando-se em água corrida sobre o alpendre. Piso térreo
aberto por uma porta de vão reentrante, tendo a um lado um banco corrido adossado à
fachada e do outro lado de nove degraus que acede a um alpendre murado de vãos
delimitados por colunas de fuste octogonal. Porta ladeada por duas janelas rectas.

Página24

Casa saloia

No território da península de Lisboa (Loures) existe habitualmente a construção
saloia, caracterizada pelos seus telhados mouriscos de quatro águas. Devido á actividade
agrícola do homem as casas são compostas de lagares, adegas, estábulos, currais e
fornos.

Uma curiosidade na zona saloia (Concelho de Loures) é seus moinhos. Tendo sido
das áreas de maior transformação de cereais, é por isso natural que um número de
moinhos desse á paisagem do concelho um tom pitoresco. As paredes são igualmente
rebocadas e pintadas de branco e tendo pormenores coloridos (rodapés coloridos azul).
Ainda na zona centro de Lisboa podemos encontrar os bairros típicos da cidade:
Bairro Alto
Bairro Alfama
Bairro da Bica
Bairro da Mouraria, etc...

Página25

Nestas zonas do país podemos encontrar material:

Argila – É formada pela alteração de certas rochas, como as que tem feldspato, a argila
pode ser encontrada próxima de rios.
Brita - É uma areia para juntar à massa do cimentado
O basalto - É uma rocha ígnea eruptiva, de granulação fina.
Cal - É uma das substâncias mais importantes para a indústria, sendo obtida por
decomposição térmica de calcário (de 825 a 900 °C). Também chamada de cal viva ou cal
virgem, é um composto sólido branco.
Calcário - São rochas sedimentares que contêm minerais com quantidades acima de 30%
de carbonato de cálcio (aragonita ou calcita). Quando o mineral predominante é a
dolomita, a Rocha calcária é denominada calcário dolomítico.
Granito - O granito é uma rocha ígnea de grão fino, médio ou grosseiro, composta
essencialmente por quartzo e feldspatos, tendo como minerais característicos
frequentes moscovite, biotite e/ou anfíbolas.
Xisto - É o nome genérico de vários tipos de rochas metamórficas facilmente
identificáveis por serem fortemente laminadas. Em linguagem popular, em Portugal é

também conhecida por “lousa”.

Página26

A província alentejana situa-se a sul do País e divide-se em duas áreas, Alto e Baixo
Alentejo. É uma zona com muitas planícies, tornando-se bastante árida no Verão. Apesar
de ser uma zona seca, existem dois tipos de árvores predominantes, o sobreiro e a
oliveira. O porco preto é um animal doméstico típico da região sendo a sua carne
apreciada em todo país.

Sendo o clima da região bastante tórrido, as casas são caiadas de branco para
protecção dos raios solares. À volta das portas e janelas são pintadas faixas amarelas e
azuis para protecção dos insectos que são atraídos pela cor branca, afastando os
insectos do interior das casas, as janelas de pequenas
dimensões, serviam para manter a casa fresca.
A chaminé era de grandes dimensões (pois algumas das
casas possuíam fornos a lenha) e era construída na
fachada frontal. O telhado era de duas águas com forro
de canas para isolamento do calor, optando alguns por

Página27

colocar uma ou duas telhas de vidro para a luz entrar. A sua construção era de tijolos de
barro amassados e secos ao sol, a cobertura era em argamassa de cal e areia.
Os materiais usados na área são: argila (barro), cal, xisto, areia e pedra da região.
De um modo geral, a casa era decomposta em cozinha (que funciona como sala) e
quartos. Os quartos eram pouco usados, só serviam para dormir. Além de serem pouco
iluminados também eram frios. Toda a casa era fria, porque o chão era de xisto ou de
tijoleira e as paredes eram muito grossas barrando assim a entrada do calor.

Na cozinha tinha uma lareira grande e larga, onde se
aqueciam e cozinhavam pão, bolos e outros. No inverno a
cozinha servia como sala onde as pessoas permaneciam,
por ser o local mais quente da casa. O gado era guardado
em caves, porque viviam em colinas.

Localização Geográfica

O Baixo Alentejo integra a extensa Região
Alentejo, sendo limitado a norte pelo Distrito de
Évora, a leste por Espanha, e a sul pelo Distrito de
Faro. Esta sub-região integra 13 Concelhos:
Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Barrancos, Beja,
Castro Verde, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola,
Moura, Ourique, Serpa e Vidigueira.

Clima

Página28

Em termos climatéricos, o Baixo Alentejo é uma Região
de clima mediterrânico, sendo caracterizado por uma
temperatura média anual elevada que oscila entre os
15º e os 17,5º. No interior as amplitudes térmicas variam
entre os 13º e os 15º graus celsius, sendo que os dias
com temperatura máxima superior a 25º elevam-se a
mais de um terço do ano. A precipitação anual é mal
repartida verificando-se um excesso de água no Outono e Inverno e acentuada carência
no Verão.

Esta sub-região é fortemente marcada não só por um património cultural, que se
reflecte nos sítios arqueológicos, castelos, igrejas, antigas minas, museus, e pequenas
vilas e aldeias que com as suas construções tradicionais reflectem a diversidade das
influências culturais a que esta região esteve sujeita, mas também por um património
natural do qual constituem exemplos as zonas de protecção especial (ZPE) de Moura,
Barrancos e do Guadiana.

Gastronomia

A carne de porco e de borrego são a base da
gastronomia tradicional da sub-região,
juntando-se-lhes ainda as espécies cinegéticas como o javali, o coelho, a lebre
e a perdiz. O pão, o azeite e as ervas aromáticas são ingredientes
fundamentais desta cozinha mediterrânica, dando sabor às sopas, migas,
ensopados e açordas. Os vinhos, queijos, enchidos e presuntos – alguns com
Denominação de Origem – são elementos indispensáveis da boa mesa alentejana. Os
ovos, a gila e a amêndoa são elementos integrantes da confeitaria, sendo de salientar a
doçaria conventual. Cada localidade tem as suas especialidades gastronómicas.

Página29

A arquitectura tradicional algarvia, de forte influência árabe (deixada pelos
mouros que por cá se instalaram durante milhares de anos) reflecte a história, o gosto
popular e as necessidades concretas desta região quente e soalheira. Contém
pormenores como as chaminés decoradas, as platibandas coloridas, as frescas açoteias e
o branco da cal nas paredes que têm origem em utilidades específicas do quotidiano de
outros tempos.

Apesar da predominância de casas quadradas pintadas de branco, há excepções,
que se adequam ao clima do Algarve e enriquecem o património edificado. É o caso dos
telhados de quatro águas, abundantes em Tavira e Faro, dos moinhos, de vento e maré, e

dos engenhos d’água, que constituem um importante legado na história da região

algarvia.

São características da tipologia destas casas as chaminés algarvias, que podem ser
cilíndricas ou prismáticas, quadradas ou rectangulares, simples ou elaboradas. São um
simbolismo da região e uma prova da influência de cinco séculos de ocupação árabe.

Página30

Os engenhos d’água são milenares e utilizados para elevar a água e conduzi-la ao campo,
as noras, as cegonhas e os açudes sustentam técnicas primitivas de irrigação fazendo
parte da história da agricultura algarvia.
Outros elementos característicos desta região são os moinhos de maré e vento,
engenhos do passado que funcionavam aproveitando as forças da natureza. Estes
moinhos, as azenhas, mantêm-se actualmente como um importante legado na história
da região algarvia.

É de referenciar os telhados da zona de Tavira e Faro que possuem os chamados
“Telhados de quatro águas”, imagem de marca de Tavira, cuja arquitectura se caracteriza
por estas coberturas de forte influência oriental, espalhadas por toda cidade.
Em Olhão as casas são quadradas caiadas de branco, com terraço planos de
inspiração árabe e platibandas debruadas a cinzento e azul, sendo o orgulho desta
cidade.

Contraste entre a Casa dos Montes e a Casa Modernista Chalés

Casa dos Montes

A vasta área serrana situada entre a Serra do
Caldeirão e o Vale do Guadiana representa hoje, talvez, o
sector do território algarvio em que em encontramos
mais preservada e intacta a casa popular tradicional,
térrea, construída em xisto e caiada. É preservada mais
frequentemente por abandono ou no processo de
decadência do que por acções de recuperação que cada
vez mais se impõem como necessárias.
A casa dos Montes é historicamente uma estrutura térrea de base rectangular e
de uma só água, marcada por uma grande flexibilidade evolutiva e capaz de suportar
sucessivas ampliações de acordo com as necessidades do agregado familiar. Quando se
refere à habitação do Vale do Guadiana, em geral com uma só água, com paredes de

Página31

xisto e com pavimentos de terra batida. Contudo ocorre também aqui a casa térrea com
duas águas, e surgem uma série de variantes no aproveitamento interno dos espaços de
viver. Na Serra do Caldeirão fronteira natural entre o Alentejo e Algarve - região de xisto,
onde as construções manifestam conformidades com aquelas duas províncias, as
habitações apresentam aspecto bem definidos: as suas proporções, a simplicidade e
sobretudo a escala dos seus elementos, o emprego do xisto nas alvenarias e a
combinação dos parâmetros deste material, com a cal que o reveste são de registar.
Estas habitações apresentam a forma rectangular habitual, porém é dado ver a junção
dos vários corpos com a mesma configuração muita vezes em diferentes níveis,
formando um único conjunto. As paredes divisórias são os elementos de suporte da
cobertura, cobrindo em alguns casos, algumas superfícies.

Casa Modernista –Chalés

Embora não seja fruto de construtores especialistas
revelam um aspecto importante da casa popular: a sua
evolução, ou sua substituição, sobretudo a partir do Séc.
XIX, por via da maior internacionalização de influência e
modas estilísticas e construtivas; e, em contrapartida, a
importância que as casas populares do Algarve foi
adquirindo a concepção de projectos de arquitectura por
arquitectos, para habitações de férias na região.
Contrastando com a casa dos montes surge o chalé
que utiliza coberturas muita inclinadas, com o emprego de
madeiras aparentes, em sanqueados muito salientes da
fachada, com utilização da telha industrial (a de tipo Marselha).
Associados a este novo conceito de casa, surgem também os vãos com desenho
ogival (numa evocação simbólica do revivalismo neo-gótico), e a aplicação de elementos
construtivos complementares, como mirantes e terraços.

Página32

Este tipo de casa porém, está mais associado às novas classes sociais com mais posses,

como a classe média e “burguesa” urbana e menos aos grupos mais pobres e rurais da

sociedade portuguesa e algarvia.
O aparecimento deste novo tipo de construção reflecte a casa familiar centro-
europeia, ocorre mais nas regiões serranas (no Algarve, Serra de Monchique e seus
núcleos urbanos), ou então nos centros urbanos mais importantes como modo inovador

e “à moda “de construi a casa nova ou a casa de veraneio, tal como sucede em Tavira ou

em Messines.

Principais Materiais de Construção/ Elementos Decorativos

Os vários tipos de pedra que podemos encontrar no solo e no subsolo algarvio
permitem uma diversidade de expressões construtivas e arquitectónicas – dos mais
correntes xisto e calcário, respectivamente por toda a Serra e Barrocal, aos excepcionais
e localizados grés de Silves e Messines (um arenito) e à dura pedra de Monchique, a
foiaíte.

O calcário está normalmente reservado para a utilização em partes mais nobres
da construção arquitectónica - como as molduras dos vãos, em portas e janelas.

Página33

A Região Autónoma dos Açores é constituída por
nove ilhas e estão divididas em 3 partes distintas.
O Grupo Ocidental é composto por Corvo e Flores;
o Grupo central por Faial, Pico, São Jorge e
Terceira; no Grupo Oriental, Santa Maria e São
Miguel, neste grupo está incluído um grupo de

rochedos e recifes vulcânicos.
Os Açores são constituídos por montanhas e vales
cobertos de vegetação, lagoas de grande beleza, crateras
de vulcões extintos, nascentes de águas fumegantes,
lamas ferventes e cavernas misteriosas, tudo isto faz com
que os Açores tenham uma paisagem deslumbrante.
As casas típicas dos Açores sofreram várias alterações ao
longo dos anos. As influências culturais e arquitectónicas
de vários países, a geografia e clima determinou os estilos
diferentes.

Página34

Sendo esta uma região vulcânica e rica em florestas, o material usado era a madeira, a
pedra vulcânica e basáltica. A construção era simples e defensiva, isto para se
defenderem contra os elementos da natureza. Estas eram cobertas de colmo ou telhas,
possuíam um único piso, tinham paredes triangulares com
pequenas janelas e portas com abertura bem acima do
nível da rua. Neste piso havia três divisões, separados por
madeira. A entrada ficava no meio da casa, de um lado
estava um quarto para dormir e do outro a cozinha, com
lareira, o forno e a amassadeira onde se preparava as refeições.
O piso era de terra batida, com excepção do quarto que
tinha o chão e o tecto coberto de madeira. Entre o tecto
e o telhado havia um espaço chamado "falsa" onde era
armazenado os produtos agrícolas. Anexo à casa havia
um depósito coberto (cisterna) que recolhia as águas da
chuva e outro para apoio agrícola (atafona). Ao redor da casa era um espaço para cultivo
e criação de animais. Todo a casa e anexos eram cercados por um muro.
Ao longo dos anos, como já referi anteriormente, as casas
evoluíram. Ficaram mais confortáveis, mas o estilo
predominante era o Português. Surgiram nas ilhas
açorianas a cantaria, os azulejos de Portugal, as peças
decorativas das Índias, as novas cores e formas sul-
americanas, que clareavam os tons tristes e escuros das casas.
Actualmente já podemos determinar com mais exactidão a
Casa Típica Açoriana. Estas casas são constituídas por três
pisos. No rés-do-chão é guardado os produtos agrícolas, no
primeiro andar ficam os quartos, sala de estar e a cozinha e
no terceiro piso serve para arrumos. As janelas em guilhotina,
varadas trabalhadas com ripas de madeira. Muitas destas casas ostentam figuras
decorativas em alvenaria, faiança e porcelana.

Página35

Os materiais utilizados nesta construção é da própria região, isto é a pedra vulcânica e
madeira. A pintura das suas paredes é feita com cal, assim ficam mais bonitas e vistosas.
O aspecto arquitectónico das casas açorianas é alterada consoante a ilha a que nos
referimos, porém os materiais de construção utilizados são iguais.
Não é demais salientar que para se construir uma casa, nesta região, é necessário
obedecer as regras e condições estéticas, esta medida foi tomada pelas autoridades
locais para preservar a beleza e as características tradicionais açorianas, que se viram
ameaçadas.

Catálogo de matérias de construção e figuras decorativas

Pedra vulcânica

Faia das Ilhas

Faiança

Azulejo Português

Página36

Há trinta e cinco milhões de anos, uma erupção vulcânica fez nascer uma ilha no
Oceano Atlântico. Da lava ergueram-se espectaculares montanhas cobertas de densa
floresta e luxuriante vegetação. Actualmente, a actividade vulcânica encontra-se extinta.
Perante este cenário deslumbrante, os descobridores não tiveram dificuldade em
escolher o seu nome, ILHA DA MADEIRA. As condições do meio geográfico e as
actividades do homem levaram-no a construir habitações e abrigos feitos na rocha. A
essas construções dá-se o nome de “furnas” (em algumas localidades têm o nome de
“lapas”)(fig.1). Existem vários tipos de furnas, umas são recolhidas e fechadas na rocha;

outras podem ser recuadas, interiores, cravadas na montanha.

Fig.1

Página37

Há também aquelas que são salientes e que têm a fachada para o exterior. Em
algumas, há também aquelas que são de zinco, telha ou colmo. Em localidades, a furna
passou de habitação a pouso de gado (palheiros) e a depósito de produtos agrícolas; as
mais próximas do mar serviam para guardar redes de pesca e outros materiais.
Situado no Oceano Atlântico a apenas 500Km do Continente Africano e a 1000Km de
Portugal Continental, encontra-se o Arquipélago da Madeira.
Este, para além da ilha com o mesmo nome, é composto pela Ilha do Porto Santo (Ilha
Dourada) a 90Km NE Funchal; pelas (Ilhas) 3 ilhotas desertas e inabitáveis (Deserta
Grande, Bugio e Ilhéu Chão 20Km SE do Funchal) e pelas Ilhas selvagens e constituem
uma reserva natural, a 280Km do Funchal.
A ilha da Madeira é também constituída principalmente por basalto, podendo no
entanto, encontrar-se notórios calcários coloridos na Zona de S. Vicente (costa norte).
A distribuição das terras foram feitas por estes três povoadores e as ilhas da Madeira e
Porto Santo foram divididas em três capitanias. A vertente Sul da Madeira ficou a cargo
de João Gonçalves Zarco (1450), a vertente norte coube a Tristão Vaz Teixeira lha do
Porto Santo foi entregue a Bartolomeu Perestelo (1446).

Fig.7

As “casas de palha” (típicas do concelho de Santana e um dos principais cartazes

turísticos da ilha) são construídas de mandebarro amassado com palha; as fachadas são
triangulares de madeira e com as paredes brancas, tendo uma larga barra pintada na

Página38

base (Fig.7). Estas casas possuem normalmente um rés-do-chão e um primeiro andar, o
qual se destina a servir de dispensa, isto é, lugar onde se guardam os produtos da terra,
podendo também haver escadas exteriores em madeira de acesso à dispensa.
Estas casas são cobertas de colmo e sobre um
olhar atento reparamos que nas esquinas dos
telhados das casas mais antigas (que se podem
encontrar por todo o lado, ao redor da ilha),
elementos decorativos tais como caras de anjos,
pombas de asa abertas, cães, gatos, corujas entre
outros. Estas figuras inicialmente eram feitas
manualmente em barro, actualmente são em gesso,
sendo retocados por artesãos existentes no Funchal.
Tiveram influências várias quer nacionais quer
estrangeiras, nomeadamente, minhotas, mouriscas
africanas e da Flandres. Apesar do Porto Santo ter sido descoberto antes da Madeira, a
verdade é que foi esta a primeira das ilhas a ser povoada, isto porque a primeira tentativa
de povoar Porto Santo não resultou devido à aridez do solo.
Existem dois grupos de habitações, a casa antiga ou secular, normalmente de dois
pisos e a casa rural térrea, com cozinha integrada. Normalmente construídas de acordo
com o meio ambiente onde estão inseridas. A sua construção é em pedra sendo as
paredes de pedra vulcânica a única existente nas ilhas, em alguns casos a cal é aplicada
directamente sobre basalto. Possuem um telhado “abatido” e com beiral, chaminé
prismática, faixas nas portas e janelas de cor cinzenta ou
vermelha, paredes em tufo ou basalto, pavimento em lajes
de basalto e janelas de guilhotina, com estores de ripes
horizontais de madeira. A casa de Porto Santo é mais
elementar, possuindo cozinha integrada e forno exterior,
cobertura de duas ou quatro águas em telha cerâmica.

Fig.8

Página39

Os principais atractivos da Ilha da Madeira são as festividades do Carnaval,
que espelham as características culturais do povo madeirense, o famoso fogo-de-
artifício, que se realiza todos os anos a 31 de Janeiro, a Festa da Flor, que ocorre na
Primavera quando as flores estão no seu melhor (existindo mais de 700 espécies de
plantas superiores a conservar), já há muitos anos um dos maiores atractivos tanto para
os turistas como para os próprios madeirenses. O artesanato, sendo os vimes uma das
principais indústrias da Madeira, antes de serem usados são fervidos para lhes conferir
elasticidade e torná-los mais fáceis de manejar. É essa fervura que lhes confere a cor
acastanhada em vez do branco de origem. A feitura de cestos para as vindimas, peças de
mobiliário (cadeiras, canapés e mesas) foi muito desenvolvida na ilha. Mas é com os
“Carros do Monte” que assume a sua importância.

“É do maciço caprichoso das lavas dependuradas
do alto; da corda de serranias entulada em gargantas;
dos contrafortes e colinas de amparo que protegem
as várzeas; dos colos arcantes que minoram as alturas
das lombadas que se enrugam descendo às achadas;
dos tabuleiros de cultivo quer matizam as encostas de
fertilidade do solo banhado de luz; de tanto e

tamanho ornato junto que te vem Madeira, a tua beleza consagrada.”

Engº. Carlos Ribeiro

Página40

Página41

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->