ESPECÍFICA PARA PEB – EDUCADOR INFANTIL

Conteúdo
1. Breve histórico da educação infantil no Brasil. ................................................................... 2 2. Perfil do profissional da educação infantil. .......................................................................... 2 2.1 PERFIL ................................................................................................................................ 3 3. Desenvolvimento da criança de zero a quatro anos. .......................................................... 3 3.1 A importância do brincar para o desenvolvimento da criança ........................................ 7 Por que se brinca na Educação Infantil? .............................................................................. 7 3.2. A intervenção do adulto mediando as relações socioafetivas na infância.................... 8 4. A proposta pedagógica na educação infantil. ...................................................................... 9 Organização em âmbitos e eixos ........................................................................................... 9 ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS .................................................................................................. 10 OBJETIVOS GERAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL ................................................................ 11 4.1 Aprendizagem significativa. ............................................................................................... 11 4.2 Parceria com a família. ....................................................................................................... 12 4.3 O período de adaptação. .................................................................................................... 13 4.4 A educação inclusiva. ......................................................................................................... 14 5. Avaliação na educação infantil. ........................................................................................... 15 6. Noções de higiene e saúde. ................................................................................................. 16

Sugestão Bibliográfica: LIMA, Elvira Souza. Desenvolvimento e aprendizagem na escola: aspectos culturais, neurológicos e psicológicos. São Paulo: Sobradinho, 1997. Grupo de Estudos do Desenvolvimento Humano e Editora Sobradinho. BRASIL. Referencial curricular nacional para educação infantil. Brasília: MEC/Set. (Introdução, 1). Disponível em: < www.mec.gov.br> BRASIL. Referencial curricular nacional para educação infantil. Brasília: MEC/Set. (Formação social e pessoal, 2). Disponível em: < www.mec.gov.br> BRASIL. Referencial curricular nacional para educação infantil. (Conhecimento do mundo, 3). Disponível em: < www.mec.gov.br> Brasília: MEC/Set.

FREEDMAN, Adriana. O brincar no cotidiano da criança. São Paulo: Moderna. REVISTA PÁTIO – Educação infantil. Porto Alegre, Artes Medica, ano I. Disponível em: < www.patioonline.com.br>

1. Breve histórico da educação infantil no Brasil.
A expansão da educação infantil no Brasil e no mundo tem ocorrido de forma crescente nas últimas décadas, acompanhando a intensificação da urbanização, a participação da mulher no mercado de trabalho e as mudanças na organização e estrutura das famílias. Por outro lado, a sociedade está mais consciente da importância das experiências na primeira infância, o que motiva demandas por uma educação institucional para crianças de zero a seis anos. A conjunção desses fatores ensejou um movimento da sociedade civil e de órgãos governamentais para que o atendimento às crianças de zero a seis anos fosse reconhecido na Constituição Federal de 1988. A partir de então, a educação infantil em creches e pré-escolas passou a ser, ao menos do ponto de vista legal, um dever do Estado e um direito da criança (artigo 208, inciso IV). O Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990, destaca também o direito da criança a este atendimento. Reafirmando essas mudanças, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394, promulgada em dezembro de 1996, estabelece de forma incisiva o vínculo entre o atendimento às crianças de zero a seis anos e a educação. Aparecem, ao longo do texto, diversas referências específicas à educação infantil. No título III, Do Direito à Educação e do Dever de Educar, art. 4º , IV, se afirma que: ―O dever do Estado com educação escolar pública será efetivado mediante a garantia de (...) atendimento gratuito em creches e préescolas às crianças de zero a seis anos de idade‖. Tanto as creches para as crianças de zero a três anos como as pré-escolas, para as de quatro a seis anos, são consideradas como instituições de educação infantil. A distinção entre ambas é feita apenas pelo critério de faixa etária. A educação infantil é considerada a primeira etapa da educação básica (título V, capítulo II, seção II, art. 29), tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade. O texto legal marca ainda a complementaridade entre as instituições de educação infantil e a família. Outras questões importantes para este nível de educação são tratadas na LDB, como as que se referem à formação dos profissionais, as relativas à educação especial e à avaliação.Considerando a grande distância entre o que diz o texto legal e a realidade da educação infantil, a LDB dispõe no título IX, Das Disposições Transitórias, art. 89, que: ―As creches e pré-escolas existentes ou que venham a ser criadas deverão, no prazo de três anos, a contar da publicação desta Lei, integrar-se ao respectivo sistema de ensino‖. No título IV, que trata da organização da Educação Nacional, art. 11, V, considera-se que: ―Os Municípios incumbir-se-ão de: (...) oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino‖. Porém, reafirma, no art. 9º, IV, que: ―A União incumbir-se-á de (...) estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil (...) que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum‖. Ainda no que se refere à legislação, são instituídas as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CNE/CEB n. 1, de 07/04/1999), de caráter mandatório, a serem observadas na elaboração das propostas pedagógicas de cada estabelecimento. Tais Diretrizes foram recentemente revogadas pela Resolução CNE/CBE n. 5, de 17 de dezembro (BRASIL, 2009a), que institui novas diretrizes para esta etapa da Educação Básica.

2. Perfil do profissional da educação infantil.

Embora não existam informações abrangentes sobre os profissionais que atuam diretamente com as crianças nas creches e pré-escolas do país, vários estudos têm mostrado que muitos destes profissionais ainda não têm formação adequada, recebem remuneração baixa e trabalham sob condições bastante precárias. Se na préescola, constata-se, ainda hoje, uma pequena parcela de profissionais considerados leigos, nas creches ainda é significativo o número de profissionais sem formação escolar mínima cuja denominação é variada: berçarista, auxiliar de desenvolvimento infantil, babá, pajem, monitor, recreacionista etc. A constatação dessa realidade nacional diversa e desigual, porém, foi acompanhada, nas últimas décadas, de debates a respeito das diversas concepções sobre criança, educação, atendimento institucional e reordenamento legislativo que devem determinar a formação de um novo profissional para responder às demandas atuais de educação da criança de zero a seis anos. As funções deste profissional vêm passando, portanto, por reformulações profundas. O que se esperava dele há algumas décadas não corresponde mais ao que se espera nos dias atuais. Nessa perspectiva, os debates têm indicado a necessidade de uma formação mais abrangente e unificadora para profissionais tanto de creches como de pré-escolas e de uma restruturação dos quadros de carreira

pode-se construir projetos educativos de qualidade junto aos familiares e às crianças. debatendo com seus pares. deve ter assegurado uma infância enriquecedora no sentido de seu desenvolvimento. como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. este Referencial utiliza a denominação ―professor de educação infantil‖ para designar todos os/as profissionais responsáveis pela educação direta das crianças de zero a seis anos. nas instituições de educação infantil. provisório e historicamente contextualizado que demanda reflexão e debates constantes com todas as pessoas envolvidas e interessadas. ampliando-lhes chances de acesso à carreira como professores de educação infantil. Artigo 2. uma formação bastante ampla do profissional que deve tornar-se. ele também. a oferecida em nível médio. função que passa a lhes ser garantida pela LDB. seja psicomotor. esta mesma Lei dispõe no título IX. que devem ser planejadas e compartilhadas com seus pares e outros profissionais da instituição. Ser polivalente significa que ao professor cabe trabalhar com conteúdos de naturezas diversas que abrangem desde cuidados básicos essenciais até conhecimentos específicos provenientes das diversas áreas do conhecimento. na modalidade Normal‖. a criança deve ser estudada na sucessão das etapas de desenvolvimento caracterizadas pelos domínios funcionais . dialogando com as famílias e a comunidade e buscando informações necessárias para o trabalho que desenvolve. como possibilite a atualização profissional. Em consonância com a LDB. A educação infantil é o momento de interação da criança com o mundo. com vista à profissionalização do docente de educação infantil. de fato. A principal instituição social para a criança é a família. (VYGOTSKY.que leve em consideração os conhecimentos já acumulados no exercício profissional.1994). Para que os projetos educativos das instituições possam. tenham eles/elas uma formação especializada ou não. Considerando a necessidade de um período de transição que permita incorporar os profissionais cuja escolaridade ainda não é a exigida e buscando proporcionar um tempo para adaptação das redes de ensino. com todos os que a cercam e com ela mesma. principalmente dos professores que trabalham nas instituições. faz-se necessário que estes profissionais. o registro. Isto significa que as diferentes redes de ensino deverão colocar-se a tarefa de investir de maneira sistemática na capacitação e atualização permanente e em serviço de seus professores (sejam das creches ou pré-escolas). art. de graduação plena. em curso de licenciatura. As crianças possuem suas características próprias e observam o mundo e o comportamento das pessoas que a cerca de uma maneira muito distinta. admitida. É também muito influenciada pelo meio social e cultural em que se situa. que está inserida em uma sociedade. é preciso ter professores que estejam comprometidos com a prática educacional. deverão criar condições de formação regular de seus profissionais. a LDB dispõe. 87. 3. Desenvolvimento da criança de zero a quatro anos. Em resposta a esse debate. Nessa perspectiva. da criação de hipóteses e de experiências vividas. aproveitando as experiências acumuladas daqueles que já vêm trabalhando com crianças há mais tempo e com qualidade. Por meio de suas ações. por sua vez. capazes de responder às demandas familiares e das crianças.1 PERFIL O trabalho direto com crianças pequenas exige que o professor tenha uma competência polivalente. A implementação e/ou implantação de uma proposta curricular de qualidade depende. Este caráter polivalente demanda. § 4º que: ―até o fim da década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço‖. o planejamento e a avaliação. parágrafo único). tenham ou venham a ter uma formação inicial sólida e consistente acompanhada de adequada e permanente atualização em serviço. refletindo constantemente sobre sua prática. como todo ser humano. 2. portanto este grupo deve receber condições básicas para a formação das crianças. o desenvolvimento da criança deve ser acompanhado desde o nascimento. Ao mesmo tempo. assim como às questões específicas relativas aos cuidados e aprendizagens infantis. um aprendiz. caso cumpridos os prérequisitos. Aprendem através da acumulação de conhecimentos. A criança é um sujeito. A ideia que preside a construção de um projeto educativo é a de que se trata de um processo sempre inacabado. art. Segundo Wallon. em universidades e institutos superiores de educação. representar esse diálogo e debate constante. São instrumentos essenciais para a reflexão sobre a prática direta com as crianças a observação. Com isso. 62 que: ―A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior. Assim. o diálogo no interior da categoria tanto quanto os investimentos na carreira e formação do profissional pelas redes de ensino é hoje um desafio presente. no título VI. afetivo ou cognitivo (Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei 8069 De 13 de Julho de 1990.

). Ressalta -se a importância da oferta de oportunidades de expressão espontânea da criança. começa a imitar alguns sons que ouve à sua volta. sobretudo através dos sentidos. entendidos como sendo desenvolvido primordialmente pelo meio social. idade da graça e período da imitação. em grupos que vão além dos limites familiares. exercitar na criança as habilidades de representação do seu meio. Para Mahoney. na escola. é nesse estágio. 1953) a) Desenvolvimento Intelectual • A aprendizagem faz-se. • Por volta do 6º mês. tais como a cooperação. De acordo com Wallon. e contribui para a formação do eu psíquico. . • A partir dos 4 meses. ressaltam-se as características desse momento do desenvolvimento da criança como forma de oferecer subsídios para a atuação do educador escolar nesse contexto. visto que permite a sua adaptação à vivência em comunidade. no qual a criança em seu confronto com o outro passa por uma verdadeira crise de personalidade. voltando-se para a exploração do mundo físico. o grupo permitirá à criança diferenciar-se dos outros e descobrir sua autonomia e sua originalidade. 1992). A criança passa a se considerar em função da admiração que acredita poder despertar nas pessoas.Gradualmente. No primeiro período da negação: auto-afirmar. -operacional (2 a 7 anos): aqui o desenvolvimento ocorre a partir da representação sensóriomotora para as soluções de problemas e segue para o pensamento pré-lógico. considerando a idade compreendida na educação infantil. Durant e esse estágio. compreende algumas palavras familiares (o nome dele. a criança apresenta modificações no seu padrão de interação com o mundo. todos com o objetivo de tornar o eu mais independente e diversificado. a solidariedade. Para Galvão. (GALVÃO. é nesse momento que a criança está mais propensa à formação de complexos. a dança. todos com o objetivo de tornar o eu mais independente e diversificado. "mamã". através do faz-deconta ou do uso da linguagem. com uma necessidade de agradar cujo objetivo é obter a aprovação dos demais. (WALLON. verifica-se que a educação infantil possui um papel importantíssimo na formação da personalidade da criança. com a aquisição da marcha e da linguagem. como também nos posteriores. (Wallon. caracterizada pelas mudanças nas suas relações com o seu entorno e pelo aparecimento de novas aptidões. artes. • Vocaliza espontaneamente. que vai até os 2 anos de idade. Após o nascimento. têm início na vida intra-uterina. 1934). 1934) Parte-se do princípio da necessidade de que a escola e todos aqueles envolvidos com a educação infantil tenham consciência de que suas ações têm consequências não só no momento atual do desenvolvimento da criança. "papá".da afetividade. a criança encontra-se no estágio sensório-motor e projetivo. que possui um papel essencial na assimilação do mundo exterior. de impor sua visão pessoal e lutar para fazer prevalecer sua opinião. As atividades em grupo devem alternar -se com atividades individuais fazendo assim uso das alternâncias comuns nesse estágio para promover o desenvolvimento de mais recursos de personalidade. De acordo com Wallon. ou seja. caracterizada por uma simbiose orgânica. Já Piaget menciona que as etapas de desenvolvimento das crianças são de extrema valia para o entendimento da atividade lúdica e seus efeitos na infância. 1937).. através de atividades como a música.. ocorre o estágio do personalismo. Os períodos de desenvolvimento são: -motor (0 a 2 anos): o desenvolvimento ocorre a partir da atividade reflexa para a representação e soluções sensório-motoras dos problemas. No terceiro período. o estágio. caracterizado como o período da simbiose afetiva. No segundo período idade da graça: atenção para si através da sedução. que a criança diferencia -se dos outros e descobri sua autonomia e sua originalidade. o companheirismo e o coletivismo. do ato motor e do conhecimento. a escola pode estimular o desenvolvimento de valores saudáveis nas interações. No período seguinte. 1953) O estágio do personalismo divide-se em três períodos distintos. o da imitação: por imitar. Para Wallon. (WALLON. Segundo o autor partir dos 3 anos. é muito importante para a formação da personalidade. que vai até os 6 anos de idade. A partir dessas considerações. virando a cabeça quando o chamam. Nesse sentido. (MAHONEY 2002). Os estágios do desenvolvimento propostos por Wallon. apresenta-se o estágio impulsivo.emocional no qual prevalece a emoção. atitudes que podem marcar de forma prolongada seu comportamento em relação ao meio. São eles: período da negação. ou seja. (WALLON. (WALLON. etc. momento da constituição do eu. contribui para que ela adquira uma precisão maior na expressão de seu eu. O estágio do personalismo divide-se em três períodos distintos.

Formação do conceito de causa e efeito no momento em que está explorando um brinquedo. Ações que realiza 4 a 7 meses Fica na postura de bruços e se apoia nos antebraços quando quer ver o que está acontecendo ao seu redor. Pega pequenos objetos com o indicador e o polegar Ações que realiza 1 a 2 anos Anda sem apoio. Olha. contudo Como se comunica Reconhece o próprio nome. “da-da”. Estende a mão para alcançar o objeto que deseja. é importante organizar a rotina do bebê. Consegue ficar em pé com apoio. Abre e fecha as mãos. Passa boa parte do tempo dormindo. Começa a compreende o significado de alguns gestos. o constante e agudo. Como se comunica Localiza a fonte sonora. joga beijo e entende quando lhe dizem tchau. No 2º ao 3º mês. Com brincadeiras e músicas o bebê fica agitado. Nesta fase. Segura objetos com firmeza por certo tempo e consegue pegar objetos suspensos. o bebê já começa a acompanhar objetos e pessoas com os olhos e reconhece os pais. como por exemplo. Sorri quando quer atenção do adulto. Reclama quando é contrariado. Como Reage Demonstrar raiva quando não é o centro das atenções. Ações que realiza 8 a 11 meses Engatinha e senta sem apoio. Apresenta equilíbrio quando colocado sentado. Como se comunica Quando ouve a voz dos pais. trocar a fralda depois da mamada ou dar banho todos os dias na mesma hora. Rola de um lado para o outro. alguns bebês podem demonstrar medo perante pessoas estranhas. Balança a cabeça quando não quer alguma coisa. É importante que a rotina seja de forma razoavelmente metódica. sorri e dá gritinhos. o bebê vira a cabeça. realizando movimentos de pernas. braços. transfere-o de uma mão para outra e colocao na boca.Faixa Etária 0 a 3 meses Ações que realiza No primeiro mês. Comportamento Desenvolve um tipo diferente de choro para cada problema que se apresenta. chacoalha. Seu sistema visual é limitado. portanto só enxerga algum objeto ou alguém se estiver bem próximo a ele. como por exemplo. Imita alguns sons de vogal. “ne-ne”. . tornando os horários das atividades fixos. o bebê ainda não compreende as regras. Nesta fase. Para de chorar ao ouvir música. Como Reage Ri quando algo o agrada e quando o desagrada mostra raiva através da expressão facial. Com 1 ano e 6 meses pode começar a correr. Fase do treino com monossílabos do tipo: “ma-ma”. A partir dos 18 meses começa a criar frases curtas. reage perante barulhos muito altos e pode se assustar com barulho inesperado. Bate palmas. Comunica-se através do choro e ruídos. Aponta para objetos ou pessoas. subir em Como Reage Mostra senso de humor. leva-as à boca e suga os dedos. Fica repetindo os seus próprios sons e imita as vozes das pessoas ao seu redor Como se comunica Movimenta a cabeça na direção do som escutado. e atira objetos ao chão. Reconhece sua imagem no espelho e reage com euforia. Nesta fase.

se perceber que seu pai está triste. corta papel. como por exemplo: “e então”. Como se comunica Nesta fase o vocabulário da criança aumentou bastante. "O que". etc. consegue acompanhar o ritmo da música batendo palmas. Como se comunica Constrói frases com até seis palavras. como por exemplo arrumar a mesa do jantar. Prefere não compartilhar brinquedos com as outras crianças. Como Reage Brinca com as outras crianças. A criança começa a formar frases com uma palavra só. por exemplo. já fala muitas palavras. Gosta de participar dos serviços de casa. "onde". Ações que realiza 3 a 4 anos Consegue colocar suas roupas e tirá-las sem ajuda de um adulto. Fala de si mesma na 3a. Maior domínio no uso de talheres. Consegue identificar algumas letras do alfabeto e números. Como Reage Está mais sociável com as outras crianças. Mexe em tudo e faz mal criação. Quando está bravo. “porque”. Sabe quando uma ilustração está de cabeça para baixo. Compreende a existência de regras gramaticais e tenta usá-las. Tenta impor suas vontades. Como se comunica As frases vão aumentando e surge o plural. As crianças nesta fase tem uma ótima compreensão. Apresenta interesse pelos sentimentos das pessoas que estão ao seu redor. Gosta de inventar e contar as próprias histórias. Gosta de rabiscar no papel. Consegue pedalar. Apresenta atenção para histórias pequenas. Reconhece as partes do seu corpo e de outras pessoas. Nesta fase já consegue segurar um lápis na posição correta. a qual acaba por volta dos 3 anos e 6 meses. Chama familiares próximos pelo nome. É possessivo. Ações que realiza 2 a 3 anos Tira os sapatos. Como Reage Apresenta percepção de quem é. nenê-naná”. Nesta fase a criança está pronta para abandonar o uso das fraldas. chora quando leva uma bronca e sorri quando é o centro das atenções ou quando é elogiado. sobre o dia a dia. . É capaz de separar os brinquedos por tamanho e cor. Também fala de coisas ausentes e usa palavras de ligação entre as sentenças. Chuta bola sem perder o equilíbrio. Consegue pegar a bola com as duas mãos quando está em movimento. Pergunta: "cadê". Ações que realiza 4 a 5 anos Consegue usar a tesoura. Gosta de desenhar. Lembra e conta histórias. pessoa. É comum a troca do '"r" pelo "l". Sente vontade de tomar as suas próprias decisões. Vira páginas de um livro ou revistas (várias ao mesmo tempo). “mas”.móveis e ficar nas pontas dos pés sem apoio. pode atirar objetos ou brinquedos. situações reais e pessoas próximas. Prefere companhia para brincar. Se sente grande perto das crianças menores. Expressa seus sentimentos e emprega verbos como “pensar” e “lembrar”. testa a autoridade. Compreende os conceitos de igual e diferente. Esta é a fase das perguntas: “que é isso?” Usa o próprio nome. entendem tudo que é dito em sua volta. mas até o término do ano constrói frases de até três palavras como: “quer ver tevê”. tipo “nenê-papá. Gosta de dançar. procura confortá-lo.

Brincar é um direito das crianças. a capacidade de resolver problemas. O ambiente escolar é um espaço que precisa ser explorado. Nas brincadeiras. O fato de a criança. se este for trabalhado dentro de uma brincadeira. já que aprende e se diverte. seus limites capacidades e solucionando problemas. p. Na educação infantil o lúdico. p. sentir o gosto dos alimentos. desde muito cedo. sentir medo. as brincadeiras e os jogos facilitam a aprendizagem da criança. tais como a atenção.de. Desta maneira. através das atividades lúdicas elas exploram o seu mundo interior. é fundamental o ato de brincar na Educação Infantil. a interagir no mundo. Para profissionais da educação é essencial que haja uma relação entre os objetivos que precisam ser alcançados com a forma lúdica de ensinar. grande/pequeno. a imitação. da brincadeira. 2011): Brincar é uma das atividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. Mas existem os momentos em que a criança usa o faz. MAZARO. para que a criança sinta prazer em aprender. como também em ir para a escola. reclamar. relacionando-se com os outros. (SILVA. mental. social e cultural. a memória. O brincar tem funções lúdicas e educativas ambos com valor pedagógico. a memória. permitindo assim um desenvolvimento físico. A brincadeira não só desenvolve o lado motor da criança. 21 apud CEBALOS. Isso faz com que aumente sua imaginação. a imaginação. de maneira prazerosa e como participante ativo do seu processo de aprendizagem. o raciocínio lógico. como promove processos de socialização e descoberta do mundo. a imitação. acordam e avivam forças da fantasia. A Educação Infantil é a fase das brincadeiras. Por que se brinca na Educação Infantil? A criança desde muito cedo se comunica através de gestos e sons e mais tarde vem representar determinados papéis nas brincadeiras. sons e mais tarde representar determinado papel na brincadeira faz com que ela desenvolva sua imaginação. 2010): O brincar infantil não é apenas uma brincadeira superficial desprezível. chorar.3. é o momento em que as crianças estão descobrindo o mundo. Nas brincadeiras as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes. Há brincadeiras que possuem regras estabelecidas como Pega-Pega. 2004. pois através da brincadeira ela aprende. emoções e atitudes irão se manifestar de forma natural. a criança aprende a conviver melhor. p.. fazendo com que o conhecimento aconteça de forma prazerosa. aprendendo sobre si. Ao contrário ele não acompanha e acaba se desinteressando. E em uma brincadeira é possível trabalhar inúmeros conceitos como as cores. A Educação Infantil é um processo para uma alfabetização. Segundo Kishimoto (2001. vibrar. 52 apud SILVA. E amadurecem as capacidades de socialização. imitam aspectos da vida adulta para compreendê-la. por sua vez. interagir com o outro. Ensinar por meio de jogos é um caminho para o educador desenvolver aulas mais interessantes. a memória. poder se comunicar por meio de gestos. é importante que o educador não utilize somente uma sala para ensinar. a criança necessita conhecer espaços diferentes. entristecer-se faz parte do processo de aprendizagem. que. No entanto é primordial que as práticas pedagógicas nas salas de aula envolvam brincadeiras ou jogos.1 A importância do brincar para o desenvolvimento da criança Brincar é criar. tocar. A brincadeira estimula a criança a desenvolver a atenção. descontraídas e dinâmicas. chegar ao conhecimento. contagiar. 1998. as crianças podem desenvolver algumas capacidades importantes. pular. emocional e social. Algumas instituições de ensino não valorizam o aprendizado através do lúdico. O brincar pode ter diversos tipos de estruturação utilizando-se de regras ou não. por meio da interação e da utilização e experimentação de regras e papéis sociais. simultaneamente. da pintura com o pincel. desenvolvendo assim. 2011). . imaginar. cheio/vazio e outros.O brincar dá prazer e para as crianças isto é fundamental. 26 apud PASQUALI et al. pois é através da execução dos movimentos que as pessoas interagem com o meio ambiente. criando. visualizar. estão sendo trabalhadas o movimento para a escrita.conta para expressar suas emoções criando suas próprias regras exercitando sua imaginação e explorando as diferentes representações sociais. dentro/fora. A brincadeira pode ser livre ou dirigida. EscondeEsconde etc. utilização e experimentação de regras e papéis. Rir. É na brincadeira que os sentimentos. Amadurecem também algumas capacidades de socialização. Em algumas situações é possível perceber que o educando só consegue entender um conceito. pois no verdadeiro e profundo brincar. social e cognitivo. a autonomia. as formas geométricas. como a atenção. se socializar. pois além de dar prazer. Segundo o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil (BRASIL. desperta a curiosidade e a imaginação. Nesse sentido o brincar é o ato de movimentar-se e é de grande importância biológica. mas o importante é que o educador consiga equilibrar estas funções para que aconteça o aprendizado. por meio da interação. chegam a ter uma ação plasmadora sobre o cérebro. psicológica. podendo competir em igualdade de condições com os inúmeros recursos a que o aluno tem acesso fora da escola. Através dos jogos de encaixe. experimentando. despertando ou estimulando sua vontade de frequentar com assiduidade a sala de aula e incentivando seu envolvimento no processo ensino e aprendizagem.

A intervenção do professor é necessária para que. As atividades lúdicas não só dão prazer como também prepara o sujeito para viver em sociedade. mediante a proposição de atividades lúdicas que levam a criança a agir com espontaneidade. assim como a diversidade de hábitos. A intervenção do adulto mediando as relações socioafetivas na infância A organização de situações de aprendizagens orientadas ou que dependem de uma intervenção direta do professor permite que as crianças trabalhem com diversos conhecimentos. Estas aprendizagens devem estar baseadas não apenas nas propostas dos professores. estimulando novas descobertas. portanto. A Educação Infantil é o ―berço‖ das descobertas. o professor deve agir como interventor e proporciona-lhe o maior número possível de atividades. encontrar e observar com seus próprios olhos. A existência de um ambiente acolhedor. dando vida aos objetos.. oferecendo-lhe um clima de bem-estar físico. sociais e cognitivas de cada criança aos seus conhecimentos prévios e aos conteúdos referentes aos diferentes campos de conhecimento humano. andar com seus próprios pés. • a individualidade e a diversidade. tende explorar o mundo que a cerca e tirar dele informações que lhe são necessárias. da elaboração de perguntas e respostas. 1912c. . Sendo assim. por meio da expressão e comunicação de sentimentos e ideias. O brincar é a primeira linguagem da criança. por excelência. p. etnias etc. já que elas aprendem por meio de uma construção interna ao relacionar suas ideias com as novas informações de que dispõem e com as interações que estabelece. O educando começa a ter que respeitar a vontade do outro. 2011). 16 apud PASQUALI et al. das crianças com as quais trabalha respeitando suas diferenças e ampliando suas pautas de socialização. Nesse processo. na organização do trabalho educativo: • a interação com crianças da mesma idade e de idades diferentes em situações diversas como fator de promoção da aprendizagem e do desenvolvimento e da capacidade de relacionar-se. é preciso que o professor considere. demonstrando seus modos de agir. organizando e propiciando espaços e situações de aprendizagens que articulem os recursos e capacidades afetivas. (ARANÃO. na escuta das crianças e na compreensão do papel que desempenham a experimentação e o erro na construção do conhecimento.. Para isso.. materiais e oportunidades de situações para que suas experiências sejam enriquecedoras. no parceiro mais experiente. a partir das atividades lúdicas é que ela irá se desenvolver facilitando seu processo de socialização. ajuda no aprendizado e na criatividade. Nessa perspectiva. da construção de objetos e brinquedos etc.2.Por isto a importância da Educação Infantil. o professor é mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento. da reflexão. em situações de interação social ou sozinhas. valores. construção de pensamentos. impulsiona o indivíduo a buscar soluções para situações de conflitos do dia-dia viver de acordo com sua natureza. cuja função é propiciar e garantir um ambiente rico. contribuindo para a construção de seu conhecimento. é capaz de respeitar regras. Essas considerações podem estruturar-se nas seguintes condições gerais relativas às aprendizagens infantis a serem seguidas pelo professor em sua prática educativa. comunicação. em um ambiente acolhedor e que propicie a confiança e a auto-estima. porém. para que use todo seu poder. dos códigos sociais e das diferentes linguagens. da experimentação. Para que as aprendizagens infantis ocorram com sucesso. • o grau de desafio que as atividades apresentam e o fato de que devam ser s ignificativas e apresentadas de maneira integrada para as crianças e o mais próximas possíveis das práticas sociais reais. • a resolução de problemas como forma de aprendizagem. 21 apud FRIEDMANN). é uma fase em que não podem faltar estímulos. que as crianças já possuem sobre o assunto. tratada corretamente. Sua interação com o meio se faz por intermédio de brincadeiras e jogos. ampliar suas capacidades de apropriação dos conceitos. Na instituição de educação infantil o professor constitui-se. portanto. emocionais. cabe ao professor propiciar situações de conversa. na instituição de educação infantil. prazeroso. • os conhecimentos prévios de qualquer natureza. crenças. afetivo. a brincadeira começa a se tornar mais complexa. representando vários papéis. as crianças possam. de forma a que possam comunicar-se e expressar-se. 2004. pois com seus mecanismos. fazendo com que haja uma evolução mental da criança. saudável e não discriminatório de experiências educativas e sociais variadas. 3. Assim. A criança ao brincar desenvolve habilidades físicas. não significa eliminar os conflitos. [. da manipulação de diferentes materiais. costumes. Aos poucos ela começa a sentir necessidade de interagir com as outras crianças e a partir disto. mas. brincadeiras ou de aprendizagens orientadas que garantam a troca entre as crianças. de pensar e de sentir. desperta a vontade de socialização. (FROEBEL. No primeiro momento a criança brinca sozinha. INTERAÇÃO A interação social em situações diversas é uma das estratégias mais importantes do professor para a promoção de aprendizagens pelas crianças.] A criança precisa aprender cedo como encontrar por si mesmo o centro de todos os seus poderes e membros. e deixada livre. E assim a brincadeira evolui na sua estruturação. social e intelectual. atribuindo-lhes sensações e emoções. suas ferramentas e suas estratégias pedagógicas visa à criação de condições para satisfazer as necessidades básicas da criança. para agarrar e pegar com suas próprias mãos. o professor deve conhecer e considerar as singularidades das crianças de diferentes idades. o lúdico é a peça essencial no processo ensino – aprendizagem. utilizando os próprios sentidos na descoberta gradual do mundo. essencialmente. p. A criança.

Está organizado de forma a explicitar as complexas questões que envolvem o desenvolvimento de capacidades de natureza global e afetiva das crianças. As capacidades de interação. considerar que as diferentes formas de sentir. é aconselhável que crianças com níveis de desenvolvimento diferenciados interajam. deve-se garantir uma proximidade de crianças com interesses e níveis de desenvolvimento semelhantes. propiciam a interação com os outros e facilitam a mediação com a cultura e os conhecimentos constituídos. Este âmbito abarca um eixo de trabalho denominado Identidade e autonomia. a construção da identidade. Uma das formas de propiciar essa troca é a socialização de suas descobertas. O âmbito social oferece. O âmbito de Formação Pessoal e Social refere-se às experiências que favorecem. a auxiliar as trocas entre as crianças e. como o conjunto de códigos e produções simbólicas. Esta idéia de cultura transcende. . A cultura é aqui entendida de uma forma ampla e plural. porém. portanto. Esta organização visa a abranger diversos e múltiplos espaços de elaboração de conhecimentos e de diferentes linguagens. em outras. mas pressupõe que o professor forneça elementos afetivos e de linguagem para que as crianças aprendam a conviver.disputas e divergências presentes nas interações sociais. ao mesmo tempo. Os âmbitos são compreendidos como domínios ou campos de ação que dão visibilidade aos eixos de trabalho educativo para que o professor possa organizar sua prática e refletir sobre a abrangência das experiências que propicia às crianças. o professor deve refletir e discutir com seus pares sobre os critérios utilizados na organização dos agrupamentos e das situações de interação. Considerando-se as particularidades da faixa etária compreendida entre zero e seis anos e suas formas específicas de aprender criou-se categorias curriculares para organizar os conteúdos a serem trabalhados nas instituições de educação infantil. o que vai potencializar novas interações. de respeito e de confiança. seus esquemas simbólicos de interação com os outros e com o meio. por sua vez. Pode-se estabelecer. em determinadas situações. visando. que a construção de conhecimentos se processa de maneira integrada e global e que há inter-relações entre os diferentes âmbitos a serem trabalhados com as crianças. sempre que possível. ocasiões únicas para elaborar estratégias de pensamento e de ação. é importante frisar que as crianças se desenvolvem em situações de interação social. nas quais conflitos e negociação de sentimentos. Assim. científicas e sociais da humanidade construído ao longo das histórias dos diversos grupos. quando o professor organiza as situações para que as crianças compartilhem seus percursos individuais na elaboração dos diferentes trabalhos realizados. quando elaboram suas descobertas e sentimentos e constroem um sentido de propriedade para as ações e pensamentos já compartilhados com outras crianças e com os adultos. portanto. ideias e soluções são elementos indispensáveis. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil define dois âmbitos de experiências: Formação Pessoal e Social e Conhecimento de Mundo. uma rede de reflexão e construção de conhecimentos na qual tanto os parceiros mais experientes quanto os menos experientes têm seu papel na interpretação e ensaio de soluções. Nessa perspectiva. Organização em âmbitos e eixos Frente ao mundo sociocultural e natural que se apresenta de maneira diversa e polissêmica optou-se por um recorte curricular que visa a instrumentalizar a ação do professor. 4. em sua prática educativa. devendo os professores ter consciência. a construção do sujeito. buscando as soluções mais adequadas para as situações com as quais se defrontam diariamente. Este âmbito traz uma ênfase na relação das crianças com alguns aspectos da cultura. O domínio progressivo das diferentes linguagens que favorecem a expressão e comunicação de sentimentos. os processos de socialização e o desenvolvimento da autonomia das crianças que propiciam. A proposta pedagógica na educação infantil. a ser e a estar com os outros e consigo mesmas em uma atitude básica de aceitação. são também desenvolvidas quando as crianças podem ficar sozinhas. Incide sobre aspectos essenciais do desenvolvimento e da aprendizagem e engloba instrumentos fundamentais para as crianças continuarem a aprender ao longo da vida. assim como a relação consigo mesmas. mas engloba os interesses momentâneos. nesse processo. as aprendizagens consideradas essenciais. garantir-lhes o espaço da individualidade. englobando múltiplos aspectos e em constante processo de reelaboração e ressignificação. podem desenvolver os conhecimentos e recursos de que dispõem. O trabalho com este âmbito pretende que as instituições possam oferecer condições para que as crianças aprendam a conviver. confrontando-os e reformulando-os. as tradições específicas e as convenções de grupos sociais particulares. prioritariamente. Propiciar a interação quer dizer. expressar e comunicar a realidade pelas crianças resultam em respostas diversas que são trocadas entre elas e que garantem parte significativa de suas aprendizagens. mesmo entre bebês. possibilitando a ampliação das hipóteses infantis. É preciso ressaltar que esta organização possui um caráter instrumental e didático. emoções e ideias das crianças. A interação permite que se crie uma situação de ajuda na qual as crianças avancem no seu processo de aprendizagem. Portanto. O âmbito de Conhecimento de Mundo refere-se à construção das diferentes linguagens pelas crianças e às relações que estabelecem com os objetos de conhecimento. destacando os âmbitos de experiências essenciais que devem servir de referência para a prática educativa. Nas situações de troca.

fenômenos da natureza. É importante. desde contar uma nova história. que nem sempre esta relação se explicita de forma imediata. placas etc. As orientações didáticas são subsídios que remetem ao ―como fazer‖. a fala. Seleção de conteúdos Os conteúdos aqui elencados pretendem oferecer um repertório que possa auxiliar o desenvolvimento das capacidades colocadas nos objetivos gerais. Cabe ao professor organizar seu planejamento de forma a aproveitar as possibilidades que cada conteúdo oferece. aprofundandoos a cada vez etc. Como são múltiplas as possibilidades de escolha de conteúdos. que requer um planejamento cuidadoso com um encadeamento de ações que visam a desenvolver aprendizagens específicas. No entanto. não restringindo o trabalho a um único eixo. os critérios para selecioná-los devem se atrelar ao grau de significado que têm para as crianças. aqui. voltar a eles diversas vezes. pode priorizar determinados conteúdos. O mesmo passeio envolve. de um lado. cabe ao professor selecioná-los e adequá-los de forma que sejam significativos para as crianças. que o professor considere as possibilidades que os conteúdos oferecem para o avanço do processo de aprendizagem e para a ampliação de conhecimento que possibilita. também. é importante que o professor saiba. Para que as crianças possam compreender a realidade na sua complexidade e enriquecer sua percepção sobre ela. Essa integração possibilita que a realidade seja analisada por diferentes aspectos. ao contato com a escrita e os números presentes nas casas. à intervenção direta do professor na promoção de atividades e cuidados alinhados com uma concepção de criança e de educação. Integração dos conteúdos Os conteúdos são compreendidos. como instrumentos para analisar a realidade.. em fragmentando o conhecimento. ampliando as suas possibilidades de trabalho. também. trabalhá-los em diferentes momentos do ano. Nas orientações didáticas gerais explicitam-se condições relativas à: princípios gerais do eixo. são indicações e sugestões para subsidiar a reflexão e a prática do professor. organizados por blocos. também. registro e avaliação. ao ler uma história para as crianças. Vale lembrar que estas orientações não representam um modelo fechado que define um padrão único de intervenção. como o equilíbrio e a coordenação da criança. mobilizam sentimentos e emoções constituindo-se em uma atividade que pode contribuir para o desenvolvimento das crianças. Linguagem oral e escrita. Natureza e sociedade. Esses conhecimentos ajudam o professor a dirigir sua ação de forma mais consciente. Cada documento de eixo contém orientações didáticas gerais e as específicas aos diversos blocos de conteúdos. aprendizagens relativas à socialização. à identificação de características de diferentes grupos sociais. do espaço e dos materiais. relacionados entre si. Um passeio pela rua pode oferecer elementos referentes à análise das paisagens. Se. Matemática. com vistas a desenvolver determinada capacidade. Organização dos conteúdos por blocos Os conteúdos são apresentados nos diversos eixos de trabalho. ou. é igualmente verdade. muitos conteúdos encontram-se contemplados em mais de um eixo. a estrutura sobre a qual será organizado o tempo didático. Na perspectiva de explicitar algumas indicações sobre o enfoque didático e apoiar o trabalho do professor. de outro lado. e a escrita. Essa organização visa a contemplar as dimensões essenciais de cada eixo e situar os diferentes conteúdos dentro de um contexto organizador que explicita suas especificidades por um lado e aponta para a sua ―origem‖ por outro. mas também. Embora estejam elencados por eixos de trabalho. considerando as características particulares de cada grupo e suas necessidades. Artes visuais. Estas estruturas didáticas contêm . as brincadeiras e as situações de aprendizagens orientadas. Organização do tempo A rotina representa. propor uma técnica diferente de desenho até situações mais elaboradas. a escuta. A apresentação de novos conteúdos às crianças requer sempre as mais diferentes estruturas didáticas. o desenvolvimento de um projeto. que está trabalhando não só a leitura. A prática educativa é bastante complexa e são inúmeras as questões que se apresentam no cotidiano e que transcendem o planejamento didático e a própria proposta curricular. observação. quando organiza uma atividade de percurso. como.Destacam-se os seguintes eixos de trabalho: Movimento. Deve se ter em conta que o professor. Pelo contrário. é verdade que a concepção de aprendizagem adotada determina o enfoque didático. o tempo de trabalho educativo realizado com as crianças. que está trabalhando tanto a percepção do espaço. à presença de animais. ou seja. Essa opção visa a apontar para o tratamento integrado que deve ser dado aos conteúdos. ORIENTAÇÕES DIDÁTICAS Os conteúdos estão intrinsecamente relacionados com a forma como são trabalhados com as crianças. organização do tempo. as orientações didáticas situam-se no espaço entre as intenções educativas e a prática. Por exemplo. contextualizando cada elemento na complexidade do meio. os conteúdos devem ser trabalhados de forma integrada. Música. por exemplo. sem fragmentá-la. não se constituindo um fim em si mesmos. A rotina deve envolver os cuidados. Estes eixos foram escolhidos por se constituírem em uma parcela significativa da produção cultural humana que amplia e enriquece as condições de inserção das crianças na sociedade.

entre outras: • brincadeiras no espaço interno e externo. São sequenciadas com intenção de oferecer desafios com graus diferentes de complexidade para que as crianças possam ir paulatinamente resolvendo problemas a partir de diferentes proposições. diária ou semanal. sentimentos. atividades de representação a partir de interferências previamente planejadas pelo educador etc. também. • descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo. respeitar e propiciar a amplitude das mais diversas experiências em relação aos eixos de trabalho propostos. atuando de forma cada vez mais independente. Os assuntos trabalhados com as crianças devem guardar relações específicas com os níveis de desenvolvimento das crianças em cada grupo e faixa etária e. A escolha dos conteúdos que definem o tipo de atividades permanentes a serem realizadas com frequência regular. plástica. pensamentos. Atividades permanentes São aquelas que respondem às necessidades básicas de cuidados. demonstrando atitudes de interesse. enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva. respeitando a diversidade e desenvolvendo atitudes de ajuda e colaboração. sentimentos. expressando emoções. fortalecendo sua auto-estima e ampliando gradativamente suas possibilidades de comunicação e interação social. constituindo-se em um instrumento para o planejamento do professor. 4. desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidado com a própria saúde e bem-estar. • cuidados com o corpo. • utilizar as diferentes linguagens (corporal.múltiplas estratégias que são organizadas em função das intenções educativas expressas no projeto educativo. . • observar e explorar o ambiente com atitude de curiosidade. • atividades diversificadas ou ambientes organizados por temas ou materiais à escolha da criança. oral e escrita) ajustadas às diferentes intenções e situações de comunicação. Estas sequencias derivam de um conteúdo retirado de um dos eixos a serem trabalhados e estão necessariamente dentro de um contexto específico. • brincar. • roda de conversas. cujos conteúdos necessitam de uma constância. pintura. • conhecer algumas manifestações culturais. São elas: atividades permanentes. incluindo momentos para que as crianças possam ficar sozinhas se assim o desejarem. atividades de representação a partir destas observações.1 Aprendizagem significativa. Sequencia de atividades São planejadas e orientadas com o objetivo de promover uma aprendizagem específica e definida. desejos e necessidades. necessidades e desejos e avançar no seu processo de construção de significados. • estabelecer e ampliar cada vez mais as relações sociais. com confiança em suas capacidades e percepção de suas limitações. aprendendo aos poucos a articular seus interesses e pontos de vista com os demais. • roda de história. Podem ser agrupadas em três grandes modalidades de organização do tempo. • ateliês ou oficinas de desenho. musical. respeito e participação frente a elas e valorizando a diversidade. pode-se planejar várias etapas de trabalho para ajudá-las a reelaborar e enriquecer seus conhecimentos prévios sobre esse assunto. sequencia de atividades e projetos de trabalho. dependente e agente transformador do meio ambiente e valorizando atitudes que contribuam para sua conservação. aprendizagem e de prazer para as crianças. depende das prioridades elencadas a partir da proposta curricular. como observação de pessoas. suas potencialidades e seus limites. Por exemplo: se o objetivo é fazer com que as crianças avancem em relação à representação da figura humana por meio do desenho. de forma a compreender e ser compreendido. expressar suas ideias. em cada grupo de crianças. modelagem e músic a. Consideram-se atividades permanentes. percebendo-se cada vez mais como integrante. OBJETIVOS GERAIS DA EDUCAÇÃO INFANTIL A prática da educação infantil deve se organizar de modo que as crianças desenvolvam as seguintes capacidades: • desenvolver uma imagem positiva de si. de desenhos ou pinturas de artistas e de fotografias. • estabelecer vínculos afetivos e de troca com adultos e crianças.

mas sim daquelas que possibilitam produzir novos conhecimentos a partir dos que já se tem e em interação com novos desafios. novos caminhos devem ser trilhados na relação entre as instituições de educação infantil e as famílias. RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS Nas situações de aprendizagem o problema adquire um sentido importante quando as crianças buscam soluções e discutem-nas com as outras crianças. parece não haver limites para os arranjos familiares na atualidade.2 Parceria com a família. Os gestos. As características da faixa etária das crianças atendidas. impedindo o diálogo. ainda. A observação acurada das crianças é um instrumento essencial nesse processo. bem como as necessidades atuais de construção de uma sociedade mais democrática e pluralista apontam para a importância de uma atenção especial com a relação entre as instituições e as famílias. sobre como educar e criar seus filhos dentro de um padrão preestabelecido e considerado adequado. por exemplo. ler. Implica que o professor estabeleça estratégias didáticas para fazê-lo. as famílias extensas. O Estatuto da Criança e do Adolescente reafirma. portanto. nas quais convivem na mesma casa várias gerações e/ou pessoas ligadas por parentescos diversos. como ponto de partida para sua ação educativa. proliferam hoje as famílias monoparentais. os conhecimentos que as crianças possuem. que a família é a primeira instituição social responsável pela efetivação dos . desenhar. Enfim. Além da família nuclear que é constituída pelo pai. a crítica incide na relação afetiva estabelecida com as crianças. Neste processo. uma vez que elas não se comunicam verbalmente. mãe e filhos. No caso das famílias de baixa renda. É possível ainda encontrar várias famílias coabitando em uma mesma casa. as crianças podem estabelecer relações entre novos conteúdos e os conhecimentos prévios (conhecimentos que já possuem). comuns na história brasileira. PROXIMIDADE COM AS PRÁTICAS SOCIAIS REAIS A prática educativa deve buscar situações de aprendizagens que reproduzam contextos cotidianos nos quais. É. Respeito aos vários tipos de estruturas familiares Constate-se que as famílias independente da classe social a qual pertencem se organizam das mais diversas maneiras. as brincadeiras e toda forma de expressão. contam-se tampinhas para fazer uma coleção etc 4. Há. expressões faciais. em geral moralizadora. A valorização e o conhecimento das características étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que compõem a nossa sociedade. socializando os resultados encontrados. afetivas e cognitivas a que estão expostas. Isto é. para enviar uma mensagem. podem-se também criar situações intencionais nas quais elas sejam capazes de explicitar seus conhecimentos por meio das diversas linguagens a que têm acesso. Enfoques teóricos mais recentes procuram entender a família como uma criação humana mutável. Constata-se em muitas instituições que estas relações têm sido conflituosas. representação e comunicação devem ser consideradas como fonte de conhecimento para o professor sobre o que a criança já sabe. lutas e disputa. mais difícil é a explicitação de tais conhecimentos. tenha uma função real. matizá-los. ampliá-los ou diferenciá-los em função de novas informações. contar. função do professor considerar. por serem consideradas como portadoras de carências de toda ordem. também. e a crítica às relações sociais discriminatórias e excludentes indicam que. nas quais apenas a mãe ou o pai está presente. Existem. Quanto menores são as crianças. Detectar os conhecimentos prévios das crianças não é uma tarefa fácil. Visões mais atualizadas sobre a instituição familiar propõem que se rejeite a ideia de que exista um único modelo. especialmente as mães. No caso das famílias de maior poder aquisitivo. sons produzidos. tem por base o modelo de família idealizada e tem sido responsável muito mais por um afastamento das duas instituições do que por um trabalho conjunto em prol da educação das crianças. Esse processo possibilitará a elas modificarem seus conhecimentos prévios. Esta concepção traduz um preconceito que gera ações discriminatórias. Nessa atividade. Muitas instituições que agem em função deste tipo de preconceito têm procurado implantar programas que visam a instruir as famílias. procurar uma informação etc. Não se trata de situações que permitam ―aplicar‖ o que já se sabe. advindos das mais variadas experiências sociais. movimentos corporais. o professor deve reconhecer as diferentes soluções. em seus termos. escrever. as famílias que se reconstituíram por meio de novos casamentos e possuem filhos advindos dessas relações. usando para isso os recursos de que dispõem. tornando-as significativas. capacitando-as a realizar novas aprendizagens. Com relação às crianças maiores.O processo que permite a construção de aprendizagens significativas pelas crianças requer uma intensa atividade interna por parte delas. Essa ação. baseadas numa concepção equivocada de que as famílias dificultam o processo de socialização e de aprendizagem das crianças. afeto e segurança como em campo de conflitos. As crianças têm direito de ser criadas e educadas no seio de suas famílias. escreve-se para guardar uma informação. sujeita a determinações culturais e históricas que se constitui tanto em espaço de solidariedade.

Cabe. com a rotina e com as outras crianças com as quais irá conviver. vencida pelo esgotamento físico ou emocional. Pode-se mesmo solicitar que a mãe ou responsável pela criança venha. e que depois pudessem ser substituídos por alguém da confiança da criança. O choro da criança. parando de chorar. e principalmente tranquilizar os pais. Este dia deve ser muito bem planejado para que a criança possa ser bem acolhida. parece ser o fator que mais provoca ansiedade tanto nos pais quanto nos professores. adoecer. considerando-as como parceiras e interlocutoras no processo educativo infantil. oferecendo apoio e tranquilidade. Quanto mais novo o bebê. a atenção do professor deve estar voltada para ela de maneira especial. é recomendável que se estabeleça um processo gradual de inserção. sendo capaz de se despedir da pessoa querida. irmãos. ampliando o tempo de permanência de maneira que a criança vá se familiarizando aos poucos com o professor. como alterações de apetite. ajudar a preparar o berço de seu bebê. A permanência na instituição de alguns objetos de transição. Os primeiros dias No primeiro dia da criança na instituição. ajudará neste processo. A maneira como a família vê a entrada da criança na instituição de educação infantil tem uma influência marcante nas reações e emoções da criança durante o processo inicial. retorno às fases anteriores do desenvolvimento (voltar a urinar ou evacuar na roupa. mas também a mãe. Os pais podem encontrar dificuldades de tempo para viver este processo por não poderem se ausentar muitos dias no trabalho. É importante que se solicite. deixando claro que o objetivo é a parceria de cuidados e educação visando ao bem-estar da criança. angústias e ansiedades. os objetivos do trabalho.3 O período de adaptação. é preciso estabelecer uma relação de confiança com as famílias. a presença da mãe ou do pai ou de alguém conhecido da criança para que ela possa enfrentar o ambiente estranho junto de alguém com quem se sinta segura. contribui para que a criança também se sinta menos insegura nos primeiros dias na instituição. outros membros como o pai. Alguns . Com os bebês muito pequenos. Reconhecer que os pais são as pessoas que mais conhecem as crianças e que entendem muito sobre como cuidá-las pode facilitar o relacionamento. A entrada na instituição O ingresso das crianças nas instituições pode criar ansiedade tanto para elas e para seus pais como para os professores. Dependendo da família e da criança. seria importante que pudessem estar presentes. como a chupeta. da chupeta ou de um paninho. durante o processo de inserção. também. por exemplo). uma crença de que o choro é inevitável e que a criança acabará se acostumando. A entrevista de matrícula pode ser usada para apresentar informações sobre o atendimento oferecido. Os professores precisam ter claro qual é o papel da mãe (ou de quem estiver acompanhando a criança) em seus primeiros dias na instituição. isolar-se dos demais e criar dependência de um brinquedo. às instituições estabelecerem um diálogo aberto com as famílias. com o espaço. identificá-lo com o nome. avós poderão estar envolvidos no processo de adaptação à instituição. Algumas crianças podem apresentar comportamentos diferentes daqueles que normalmente revelam em seu ambiente familiar. tanto em relação às manifestações emocionais quanto ao tempo necessário para se efetivar o processo. ou mesmo o bico da mamadeira a que ele está acostumado. o seu berço. por isso. Antes de tudo. As reações podem variar muito. pode-se fazer uma reunião com todos os pais novos para que se conheçam e discutam conjuntamente suas dúvidas e preocupações. Mas parece haver. e até quando se fizer necessário. o professor necessita de apoio e acompanhamento. 4. especialmente do diretor e membros da equipe técnica uma vez que ele também está sofrendo um processo de adaptação. ao menos no primeiro dia. Acolher os pais com suas dúvidas. Quando há um certo número de crianças para ingressar na instituição. um mordedor. a concepção de educação adotada. Este período exige muita habilidade. alguns dias antes. Podem. Esta é uma boa oportunidade também para que se conheça alguns hábitos das crianças e para que o professor estabeleça um primeiro contato com as famílias.direitos básicos das crianças. também. Neste caso. não é apenas a criança que passa pela adaptação. providenciar os alimentos que irá receber. É recomendável receber poucas crianças por vez para que se possa atendê-las de forma individualizada. Assim. o principal cuidado será preparar o seu lugar no ambiente. Quando tiver estabelecido um vínculo afetivo com o professor e com as outras crianças. nos primeiros dias. com segurança e desprendimento. maior a ligação entre mãe e filho. As instituições de educação infantil devem ter flexibilidade diante dessas singularidades ajudando os pais e as crianças nestes momentos. a fralda que ele usa para cheirar. é que ela poderá enfrentar bem a separação. Quando o atendimento é de período integral. portanto.

poderá aprender muito com ela. uma escola que dê conta da diversidade das crianças e ofereça respostas adequadas às suas características e necessidades. marginalizaram e estigmatizaram pessoas com diferenças individuais acentuadas. a igualdade e a equidade e a solidariedade. que deve contribuir para a integração na sociedade dos portadores de deficiência.acreditam que. A realidade brasileira. A Escola Inclusiva é uma tendência internacional deste final de século. Essa experiência deve ser evitada. de condutas típicas e de altas habilidades. No mundo inteiro tem se observado iniciativas no sentido da inclusão cada vez maior das crianças com necessidades especiais nos mais diversos espaços sociais. A criança que conviver com a diversidade nas instituições educativas. levando em consideração os gostos e preferências das crianças. como a dignidade do ser humano. quando todas as crianças e funcionários estão em período de adaptação. escolas que incluam todo mundo e conheçam as diferenças. respeitando suas diferenças. abrangendo aquelas com necessidades especiais. Aprender a conviver e relacionar-se com pessoas que possuem habilidades e competências diferentes. deixando-as chorar.. propondo a inclusão destas crianças nas instituições de educação infantil. em sua grande maioria. que possuem expressões culturais e marcas sociais próprias. como parte inseparável do direito à educação. o convívio com as outras crianças se torna benéfico na medida em que representa uma inserção de fato no universo social e favorece o desenvolvimento e a aprendizagem. o confronto com a diferença e o trabalho com a própria dificuldade. além de serem submetidas a diversos tipos de discriminação.4 A educação inclusiva. e portadores de altas habilidades) representam 10% da população brasileira e possuem. necessariamente. termo cunhado para a educação dirigida aos portadores de deficiência. é condição necessária para o desenvolvimento de valores éticos. as crianças se tornarão manhosas. são boas estratégias. durante a educação infantil‖. É considerada Escola Inclusiva aquela que abre espaço para todas as crianças. solicitando apoio de instituições e especialistas . em seu art. Os avanços no pensamento sociológico. preferencialmente na rede regular de ensino‖. exige que se busque alternativas para a integração do portador de deficiência. brinquedos de casinha. as particularidades de cada um. repensando a rotina em função de sua chegada e oferecendolhes atividades atrativas. por intermédio de sua Secretaria de Educação Especial (SEESP) uma política visando à integração das crianças portadoras de necessidades especiais ao sistema de ensino. O principal desafio da Escola Inclusiva é desenvolver uma pedagogia centrada na criança. EDUCAR CRIANÇAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS As pessoas que apresentam necessidades especiais (portadores de deficiência mental. física e deficiência múltipla. permitindo a formação de vínculos estimuladores.. no seu capítulo V. promover o convívio com a diversidade. pás. Da Educação Especial. Ambientes organizados com material de pintura. 54. mas também as competências. considera a educação especial como uma forma enriquecida de educação em geral. de princípios. Essa diversidade inclui não somente as diversas culturas. O Estatuto da Criança e do Adolescente. promovam a aprendizagem e atendam as necessidades de cada um‖.) atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência. III. dever constitucional do Estado. baldes. de condutas típicas e de altas habilidades. por parte do sistema educacional brasileiro.. sem discriminação. Este documento se inspira ―no princípi o de integração e no reconhecimento da necessidade de ação para conseguir escola para todos. Deve ser dada uma atenção especial às crianças. que é marca da vida social brasileira. é considerada pela Constituição brasileira. de maneira a garantir-lhe uma convivência participativa. se derem muita atenção e as pegarem no colo. afirma que: ―É dever do estado assegurar à criança e ao adolescente (. determina que: ―A oferta de educação especial. A posição da UNESCO. A LDB. 4. desenho e modelagem. isto é. política e prática das necessidades educativas especiais. uma vasta experiência de exclusão que se traduz em grandes limitações nas possibilidades de convívio social e usufruto dos equipamentos sociais (menos de 3% têm acesso a algum tipo de atendimento). O MEC desenvolve. de uma form a geral. Pelo lado das crianças que apresentam necessidades especiais. parágrafo 3º. Uma ação educativa comprometida com a cidadania e com a formação de uma sociedade democrática e não excludente deve. o abandono de práticas segregacionistas que. A Educação Especial. o que culmina hoje com a Declaração de Salamanca. auditiva. capaz de educar a todas. pegando no colo ou sugerindo-lhes atividades interessantes. visual. É necessário um período de planejamento da equipe para organizar a entrada e a rotina das crianças. ao longo da história. nesses momentos de choro. filosófico e legal vêm exigindo. O professor pode planejar a melhor forma de organizar o ambiente nestes primeiros dias. As orientações acima são válidas também para os primeiros dias do ano ou do semestre. o respeito ao outro. tem início na faixa etária de zero a seis anos. os hábitos. os costumes. areia e água etc.

deve-se ter em conta que não se trata de avaliar a criança. A observação das formas de expressão das crianças. mas sim as situações de aprendizagem que foram oferecidas. tem uma função real. implica propiciar uma educação baseada em condições de aprendizagem que respeitem suas necessidades e ritmos individuais. Para que as crianças possam manifestar suas preferências. chamar as crianças sempre pelo nome e facilitar que elas se chamem. em que elas experimentam agir sem ajuda. Avaliação na educação infantil. são algumas das condições necessárias para que essa aprendizagem ocorra. sejam elas expressas verbalmente ou de outra forma. da mesma forma. que a criança identifique seus colegas pelo nome apenas se foi dado a ela oportunidade para que pudesse conhecer o nome de todos e pudesse perceber que isso. mas levar em conta suas singularidades. justa e solidária. ao contrário do que se poderia supor. o nome de algumas crianças de seu grupo e dos adultos responsáveis por ele e valorizar algumas de suas conquistas pessoais. Para que a criança possa compreender seu próprio nome e o das outras pessoas como uma forma de identificação. mas sim que devem ser ouvidos e sempre respondidos. sejam elas comer sem ajuda. Uma expressão de aprovação diante de novas conquistas é uma das ações que pode ajudar as crianças a valorizarem suas conquistas. de suas capacidades de concentração e envolvimento nas atividades. No que se refere à formação da identidade e ao desenvolvimento progressivo da independência e autonomia. Isso significa que o professor deve planejar e oferecer uma gama variada de experiências que responda. bem como utilizar o nome para identificar pertences pessoais. de satisfação com sua própria produção e com suas pequenas conquistas é um instrumento de acompanhamento do trabalho que poderá ajudar na avaliação e no replanejamento da ação educativa. O professor pode ajudar as crianças a perceberem seu desenvolvimento e promover situações que favoreçam satisfazer-se com suas ações. é necessário que elas tenham tido a chance de comprovar que são capazes. seus desejos e desagrados. 5. cantar uma música. é importante que as crianças saibam o nome do professor. No que se refere à avaliação formativa. Uma conversa mostrando-lhes como faziam ―antes‖ e como já conseguem fazer ―agora‖ se configura num momento importante de avaliação para as crianças. como ―ele‖ ou ―ela‖. Da mesma forma. É uma meta a ser perseguida por todos aqueles comprometidos com o fortalecimento de uma sociedade democrática. DIVERSIDADE E INDIVIDUALIDADE Cabe ao professor a tarefa de individualizar as situações de aprendizagens oferecidas às crianças. tende a desistir de fazê-lo e acreditar que suas tentativas são inócuas. emocionais.quando isso se fizer necessário. como também por meio de estímulos diante das tentativas feitas. Isso pode ser facilitado tanto por meio de experiências concretas. em vez de apelidos depreciativos ou pronomes que diluem a identidade. fazer um desenho etc. Para que as crianças possam se tornar cada vez mais independentes do adulto. por exemplo. Isso não significa dizer que todas as queixas e desejos das crianças devam ser satisfeitos. Uma criança que percebe que suas colocações. entre si. são apontadas aqui aprendizagens prioritárias para crianças até os três anos de idade: reconhecer o próprio nome. não é marcar e estigmatizar as crianças pelo que diferem. Se não há possibilidade de atendê-los. simultaneamente. são desconsideradas. é uma boa atitude deixar isso claro para a criança e explicitar a razão da negativa. Assim. Isso significa dizer que a expectativa em relação à aprendizagem da criança deve estar sempre vinculada às oportunidades e experiências que foram oferecidas a ela. respeitando-as e valorizando-as como fator de enriquecimento pessoal e cultural. sociais e cognitivas assim como os conhecimentos que possuem dos mais diferentes assuntos e suas origens socioculturais diversas. Assim. Individualizar a educação infantil. considerando-as como pessoas singulares e com características próprias. seus desejos e desagrados é necessário que elas percebam que tais manifestações são recebidas e levadas em consideração. é necessário que os adultos e as outras crianças utilizem o nome próprio de cada um com esse fim. visando a ampliar e a enriquecer as capacidades de cada criança. recebam uma avaliação positiva delas. Algumas constatações que parecem óbvias aos adultos — como dizer ―você já está conseguindo amarrar os cadarços do seu sapato sozinho‖ — para as crianças muitas vezes possuem uma . pode-se esperar. considerando suas capacidades afetivas. além de ser algo importante e valorizado. às demandas do grupo e às individualidades de cada criança. pelo nome próprio sempre que isso for desejável. A partir dos três e até os seis anos. que demonstrem o desejo de independência em relação aos adultos no que se refere às ações cotidianas. A valorização das suas conquistas pessoais. pode-se esperar que as crianças manifestem suas preferências. Considerar que as crianças são diferentes entre si. pode ser uma atitude esperada das crianças desde que tenha havido condições para que elas próprias avaliem de forma positiva suas ações e. conhecer o nome de todos.

segurança. ainda. leitura e escrita etc. algumas de suas manifestações podem sinalizar desconforto. esperar que elas manifestem cada vez mais o desejo de ser independentes do adulto. tintas e lápis precisam ser seguro. próprio da espécie humana. Os tanques de areia precisam ser ensolarados. pesar os riscos e benefícios de cada atitude e procedimento. tendo assim uma história e necessidade de cuidados específicos. assim como prever a luminosidade adequada à exploração do ambiente e objetos. bem como suas reações. Essas situações devem ser alvo de reflexão dos educadores para que avaliem sua prática e a da instituição. revolvidos constantemente e protegidos de animais. confortáveis e permitir que sejam usados com independência e segurança. estética e higiene do ambiente. em um dado momento histórico e em dada cultura. irritar o adulto. No berçário e nas salas é aconselhável prever a redução da iluminação nos locais onde os bebês e crianças pequenas dormem. o choro pode. deixando-o num estado de tensão que acaba por dificultar o encaminhamento da situação. O choro infantil é uma delas. Noções de higiene e saúde. será necessária uma observação cuidadosa das crianças em questão. Uma vez que tenham tido a possibilidade de arriscar e experimentar sua capacidade de realizar ações sem ajuda. mais do que mobilizar. Dependendo de sua intensidade. acompanhar e avaliar constantemente as capacidades das crianças. As cadeiras e mesas utilizadas pelas crianças. Além do diálogo. segurança e integridade corporal e psíquica durante o período do dia em que elas permanecem na instituição. é necessário que sejam registradas. alimentação. duas situações relacionadas ao processo de construção da identidade que merecem atenção especial do professor e de outros profissionais da instituição. objetos. tanto do ponto de vista físico quanto químico. Ao organizar um ambiente e adotar atitudes e procedimentos de cuidado com a segurança. Significa proporcionar ambiente seguro e confortável. Revela. 6. conforto e proteção da criança na instituição. buscando compreender as situações que contribuem para esse sentimento. confirmando-lhes sua independência e reforçando sua auto-estima. por estarem relacionadas diretamente com a auto-estima. A outra diz respeito a manifestações de preconceitos e discriminações dirigidas a algumas crianças. e devem ser compreendidas e considerados pelo professor no planejamento de suas ações. segurança física e proteger não significa cercear as oportunidades das crianças em explorar o ambiente e em conquistar novas habilidades. Ainda no que se refere à observação das crianças. A saúde da criança que frequenta instituições de educação infantil revela sua singularidade como sujeito que vive em determinada família. pode-se planejar a realização de projetos específicos.importância grande. Na relação com cada criança. para ser suprida. os berços e os sanitários precisam ser adequados ao seu tamanho. As superfícies dos objetos e pisos precisam facilitar a . Uma delas refere-se a algumas crianças que podem manifestar falta de confiança em si próprias ou exibir atitudes de autodesvalorização. A promoção do crescimento e do desenvolvimento saudável das crianças na instituição educativa está baseada no desenvolvimento de todas as atitudes e procedimentos que Iolanda Huzak atendem as necessidades de afeto. às atividades de desenho. em que a questão-alvo de preconceito seja trabalhada com as crianças. Os brinquedos. o professor vai percebendo o significado do choro em cada situação. os professores oferecem oportunidades para que ela desenvolva atitudes e aprenda procedimentos que valorizem seu bem-estar. requer a mediação do adulto. pois representam uma avaliação sobre sua competência. PROTEÇÃO Oferecer conforto. Destacam-se. além do ambiente. a qualidade de sua vida na creche ou na pré-escola. evitando-se aqueles que contenham pinturas ou outros materiais tóxicos. mas aquela que pode utilizar e desenvolver o seu potencial biológico. que por sua vez vive em um grupo social. Para o planejamento das ações a serem realizadas. Uma criança saudável não é apenas aquela que tem o corpo nutrido e limpo. utensílios e brinquedos. O ambiente coletivo demanda condições ambientais e cuidados adequados ao contexto educacional. então. Tanto a creche quanto a pré-escola precisam considerar os cuidados com a ventilação. insolação. conforto. emocional e cognitivo. auxilia o professor a manter a calma necessária para encontrar formas de resolver a situação. também. A valorização de suas competências e características positivas é uma orientação que pode ser útil para que se reverta esse quadro. pode-se. O esforço para compreender as necessidades expressas pelas crianças. atendendo a criança quando ela sinalizar alguma necessidade que. Para que as observações não se percam e possam ser utilizadas como instrumento de trabalho.

ALIMENTAÇÃO As atividades do sistema digestivo do bebê recém-nascido. a criança que recebia papa com ajuda do adulto começa a mostrar interesse em segurar a colher. especialistas em educação especial devem ser consultados para orientarem professores e familiares responsáveis pelos cuidados com essas crianças. determinar seu próprio ritmo e a quantidade de alimentos que ingere. como sensações de fome e saciedade. A partir de suas necessidades afetivas e alimentares o bebê constrói e dirige seus primeiros movimentos no espaço. troca de olhares e expressões faciais entre o adulto e a criança. como febre. é necessário que um profissional de saúde possa supervisionar a oferta do substituto do leite materno. para evitar quedas e inalação de produtos como sabão. diminuir o uso da mamadeira. Todos os produtos químicos são potencialmente tóxicos ou podem causar danos à saúde. em pegar alimentos com os dedos e pôr na boca. tomar líquidos na caneca. o que propicia contato corporal. devem ser observadas de perto. . mas todas estão de acordo que o aleitamento ao seio é a forma mais saudável. A introdução de alimentos diferentes do leite. ao final do primeiro ano. o adulto pode propiciar experiências que possibilitem a aquisição de novas competências em relação ao ato de alimentar-se. Quando o bebê demonstra interesse em mamar sozinho e apresenta condições motoras para fazê-lo. convulsão. Procedimentos de limpeza não devem ocorrer com crianças presentes no ambiente. Aos poucos a dieta vai se modificando.manutenção da higiene e ao mesmo tempo serem acolhedores e confortáveis. O acompanhamento do estado de saúde da criança. Quando os bebês menores de seis meses frequentam a creche e já foram desmamados ou estão em processo de desmame. Crianças que estejam sem apetite. Todas essas mudanças podem acarretar uma ingestão menor do volume de alimentos. como a água sanitária e os demais hipocloritos. ocupam boa parte do seu interesse e percepção durante o período em que ele está acordado. soluço. dando-lhes informações e propiciando local adequado para que possam amamentar seu bebê se assim o desejarem e puderem. ou quando ocorre um acidente. bem recostado. pois isso aumenta o risco de acidentes por engasgo e de otites (infecções de ouvido). caso tenha tido oportunidade de experimentar. Existem diversas linhas sobre nutrição infantil. água sanitária . poderá dar subsídios para os familiares e educadores se tranquilizarem ou buscarem orientação dos profissionais de saúde. movimentos que podem ser vistos em seus lábios e em suas mãos ao tentar pegar o seio ou a mamadeira. depende do esquema de amamentação de cada criança. da evolução do seu peso e altura. Aconselha-se evitar que o bebê tome a mamadeira em posição horizontal. do ambiente onde ocorre a exposição e do organismo da pessoa exposta. a criança já poderá alimentar-se sozinha. A maioria dos bebês. Junto com as mudanças no cardápio ocorrem as aquisições de aprender a usar talheres. nesse caso. Em torno dos dois anos. para investigação de causas orgânicas ou emocionais que podem estar se manifestando pela rejeição dos alimentos. sempre seguindo as recomendações de segurança. É aconselhável que a instituição de educação infantil incentive e auxilie as mães nessa prática. acolhendo-as. Aos poucos. Nessa situação. Os professores precisam estar atentos às mudanças de necessidades das crianças de acordo com seu processo de desenvolvimento e com suas disposições afetivas. É recomendável que todos os professores reconheçam e saibam como proceder diante de crianças com sinais de mal-estar. pois a construção da independência é tão importante quanto os nutrientes que ela precisa ingerir. amoníaco e outros. Bebês amamentados exclusivamente ao peito têm esquemas de introdução de alimentos (sucos. partilhar das refeições à mesa com os companheiros. frutas. Ela poderá necessitar de ajuda e incentivo do adulto para que experimente novos alimentos ou para servir-se. líquidos ou pastosos. vômito. já pode ingerir todos os alimentos que são servidos para as crianças maiores e para os adultos. é importante que o professor providencie um local para que ele possa apoiar-se. Crianças e adultos podem desencadear crises asmáticas ou outras manifestações alérgicas ao inalarem produtos a base de cloro. Compreendendo a criança como ser ativo nesse processo. de acordo com os hábitos regionais e o desenvolvimento da criança. porém. Os procedimentos de limpeza precisam ser executados por equipe treinada e com produtos adequados . mas que se resolvem com a ajuda e compreensão dos educadores e com o próprio processo de desenvolvimento. que esse mesmo bebê que mama regularmente sem ajuda do adulto pode necessitar em outras ocasiões de ser pego ao colo para mamar. Produtos de limpeza devem ser diluídos e aplicados de acordo com sua finalidade. regurgitação e cólica. oferecendo oportunidades para os bebês e demais crianças permanecerem livres para explorar o ambiente. Recomenda-se que seja sempre o mesmo adulto que alimente e cuide dos bebês. sangramento nasal. É muito importante que os professores permitam que a criança experimente os alimentos com a própria mão. Aconselha-se que as mamadeiras sejam oferecidas com o bebê no colo. pois a toxicidade depende da dosagem utilizada. não acompanhando a curva de crescimento e ganho de peso esperada para sua faixa etária. É preciso lembrar. Algumas fases do desenvolvimento das crianças levam a uma perda de apetite ou a maiores exigências e recusas alimentares. quando há risco de longo tempo de espera dos demais bebês. pois nesta fase o vínculo é fundamental. Crianças com necessidades educativas especiais podem necessitar de outros procedimentos e. Pode-se observar esse interesse pelas expressões faciais e pelos movimentos corporais diante do seio ou da mamadeira que lhe são oferecidos. é importante que se planejem situações alternativas. papas) diferenciados daqueles que já recebem leite de outra espécie.

Oferecer apenas merendas industrializadas ou lanches compostos por salgadinhos. sem a posterior limpeza dos dentes. No período em que a criança está sob os cuidados da instituição educativa é possível prever uma rotina de escovação dos dentes. nas quais as crianças apenas fazem pequenos lanches ou merenda. o sexo. permite que elas aprendam sobre a função social da alimentação e as práticas culturais. que propicia segurança afetiva e ajuda. o ambiente e o tipo de atividade que desenvolve. proporcionar conforto ao saciar a fome. Apesar da diversidade dos hábitos alimentares é possível definir uma certa regularidade nos elementos que compõem o que os nutricionistas chamam de uma dieta adequada. BANHO . de acordo com os interesses e desenvolvimento infantil: • arrumar os ambientes onde são servidos pequenos lanches ou demais refeições de forma a permitir a conversa e a interação entre diferentes grupos. Como a criança aprende muito pela observação e imitação é importante que ela presencie adultos e outras crianças fazendo sua higiene bucal. É recomendável que os professores ofereçam uma variedade de alimentos e cuidem para que a criança experimente de tudo. CUIDADOS COM OS DENTES Considerando que a primeira dentição inicia-se. com acompanhamento mais próximo do professor. Desaconselha-se a oferta das refeições em grandes refeitórios com todos os grupos infantis presentes ao mesmo tempo. pois isso pode provocar cáries muito precoces. evitar oferecê-las para todos os grupos ao mesmo tempo em grandes refeitórios. o desenvolvimento de habilidades para escolher sua alimentação. e que segue algumas leis propostas pela ciência que estuda a nutrição humana. em geral. de preparações culinárias cotidianas ou que façam parte de festividades. bolachas.A oferta de alimentos nesta fase precisa ser feita em ambientes mais tranquilos. ao mesmo tempo que poderão ampliar seus conhecimentos sobre esses cuidados. Os dentistas recomendam a limpeza dos dentes do bebê com uma gaze enrolada no dedo indicador do adulto responsável pelo cuidado. • permitir que as crianças sentem com quem desejarem para comer e possam conversar com seus companheiros. por exemplo. balas e chocolates não atendem a necessidade do organismo de ingerir frutas e sucos naturais. • servir refeições em ambientes higiênicos. O planejamento. O preparo e oferta de refeições em ambientes coletivos demandam técnicas específicas. de cardápios balanceados. Assim como os demais cuidados. ainda que as preparações culinárias variem segundo a disponibilidade de determinados alimentos e hábitos regionais. permitindo que as crianças conversem entre si. o metabolismo. em pequenos grupos. tranquilos. recomenda-se incluir este cuidado a partir do surgimento dos primeiros dentes. prazer e independência. As necessidades nutricionais de cada pessoa variam com a idade. de projetos pedagógicos que envolvam o conhecimento sobre os alimentos. • possibilitar às crianças oportunidades que propiciem o acesso e conhecimento sobre os diversos alimentos. mas. quando o número de grupos infantis forem grandes (creches e pré-escolas com mais de cinquenta crianças). junto com as crianças. visando desenvolver atitudes e construir habilidades para autocuidado com a boca e com os dentes. oferecidos em ambientes afetivos. a alimentação envolve parceria com os familiares. necessitam que haja um planejamento conjunto sobre sua refeições. ou mesmo o uso de chupetas mergulhadas em mel ou açúcar para acalmar as crianças. além de fornecer nutrientes para manutenção da vida e da saúde. confortáveis. bonitos e prazerosos. sempre permeadas pelo prazer e pela afetividade. O respeito às suas preferências e às suas necessidades indica que nunca devem ser forçadas a comer. precisam também preocupar-se com as questões nutricionais e sempre que possível respeitar práticas sociais e culturais de cada criança. servir-se e alimentar-se com segurança. Iolanda Huzak. incluindo controle de qualidade permanente. Isso porque essa forma de organização aumenta o nível de ruído. As instituições que atendem meio período. embora possam ser ajudadas por meio da oferta de alimentos atraentes. prazer ao estimular o paladar e contribui para a socialização ao revesti-lo de rituais. de cuidados com o preparo e oferta de lanches ou outras refeições. no segundo semestre de vida e que estará completa em torno dos três anos de idade. bem preparados. Além disso é fonte de inúmeras oportunidades de aprendizagem. tanto para prevenir contaminações e intoxicações alimentares quanto para avaliar a qualidade do cardápio oferecido às crianças. de acordo co m as singularidades de cada grupo etário e com as diversas práticas culturais de alimentação. o peso e estatura corporal. Seguem algumas recomendações sobre procedimentos na organização das refeições e algumas sugestões de atividades que visam a integração dos cuidados com a ampliação das experiências das crianças e que podem ser desenvolvidas nos diversos grupos etários. o tempo de espera das crianças e dispersa a atenção tanto das crianças quanto dos professores. dieta adequada é aquela que supre as necessidades nutricionais para manutenção da vida e saúde. Do ponto de vista biológico. Bebês que estão sendo desmamados e recebendo novos alimentos ou crianças que não fazem todas as refeições na instituição. O ato de alimentar tem como objetivo. Recomenda-se organizar os lanches e/ou demais refeições de forma que as crianças possam vivenciá-las de acordo com as diversas práticas sociais em torno da alimentação. É importante evitar as práticas de oferecer mamadeiras para a criança antes de ela dormir. tranquilos e agradáveis.

Iolanda Huzak Em um espaço coletivo. jogos e brincadeiras em um espaço planejado para isso. sua chupeta e/ou cobertor etc. é importante considerar o número de bebês sob a responsabilidade de cada professor. refrescar. conversas. Estudos comprovam que o risco aumenta quando se manipulam as fraldas sujas no ambiente do berçário. É necessário organizar o tempo de espera para o banho. aprendam a despir-se e a vestir-se. Os professores não devem tolher as brincadeiras e explorações dos bebês ou crianças pequenas com medo de que se sujem. pentes etc. A observação. . a saboneteira. As crianças que chegam à instituição de madrugada muitas vezes estão sonolentas e precisam ser logo levadas para o berço ou colchonete. da frequência das eliminações. As necessidades e o ritmo de sono variam de indivíduo para indivíduo. permitindo que as crianças experimentem o prazer do contato com a água. toalhas. preparado e realizado como um procedimento que tanto promove o bem-estar quanto um momento no qual a criança experimenta sensações. Enquanto executa os procedimentos de troca. proporcionam bem-estar às crianças e permitem que elas percebam a sensação de estar seca e molhada. Os procedimentos com a higiene e proteção da pele. como banheiras seguras e higiênicas para bebês. Iolanda Huzak interage com o adulto e com as outras crianças. TROCA DE FRALDAS A organização do ambiente e o planejamento dos cuidados e das atividades com o grupo de bebês deve permitir um contato individual mais prolongado com cada criança. proporcionar conforto e prazer e preservar a integridade da pele.Os bebês e crianças pequenas que ainda usam fraldas e que permanecem durante muitas horas na instituição educativa podem precisar de um banho. Para evitar que esse cuidado individualizado implique num longo tempo de espera para as demais crianças. tanto para maior conforto como para prevenção de assaduras e brotoejas. gestos e movimentos da criança. as condições ambientais e materiais precisam garantir a segurança das crianças e prever o conforto dos adultos que as ajudam. o espelho etc. o banho precisa ser planejado. É aconselhável que se leve em conta a idade das crianças. É importante prever tempo para essa atividade. O local de troca e armazenamento de fraldas sujas precisa ser bem arejado para evitar que o cheiro característico do xixi e do cocô incomode a todos. O lixo onde são descartadas as fraldas contendo dejetos precisa ser tampado e trocado com frequência. SONO E REPOUSO O atendimento das necessidades de sono e repouso. A organização do banho na creche precisa prever condições materiais. água limpa em temperatura confortável. mas sofrem influências do clima. pelo professor. nas diferentes etapas da vida da criança. do aspecto do cocô e do xixi e do estado da pele da criança fornece dados sobre a saúde e o conforto de cada criança e aponta para outros cuidados que forem necessários. para evitar quedas. entra em contato com a água e com objetos. tem um importante papel na saúde em geral e no sistema nervoso em particular. No momento em que é incluído na rotina. choques elétricos e queimaduras com água quente ou dores no corpo ocasionadas pelo mal posicionamento do adulto na hora de exercer as atividades com as crianças. Para que a criança possa ir gradativamente aprendendo a cuidar de si. desde que respeitado o direito das crianças ao conforto. a localização e as condições do local de troca e a organização do trabalho. prever momentos para descanso entre períodos de atividades — o que nem sempre significa dormir — pode ser importante para crianças que necessitam descansar ou de maior privacidade. A troca de fraldas demanda ainda alguns procedimentos e condições ambientais adequados para evitar a disseminação de micróbios entre as crianças e adultos. principalmente em vigência de infecções comunitárias. Entretanto é aconselhável que o banho sirva também para relaxar. à saúde e ao bem-estar durante o período em que estão na instituição. ou não se adotam procedimentos corretos de higiene das mãos após esses cuidados. é preciso que as condições ambientais permitam que ela possa alcançar o registro do chuveiro. e podem sentir-se mais seguras se conservam consigo seu boneco ou travesseiro preferido. Esses objetos de uso pessoal podem ser rotulados com o nome da criança e cuidados por elas conforme vão adquirindo capacidade para isso. é aconselhável que o professor observe e corresponda aos sorrisos. a ensaboar-se e enxaguar-se. sabonete. ou se torne uma rotina mecanizada. da idade. Algumas famílias preferem dar banho em seus bebês em casa e esse desejo deve ser acolhido. respeitando-se a necessidade de privacidade de algumas delas e de atenção individualizada que cada uma requer. oferecendo materiais. do estado de saúde e se estabelecem também em relação às demandas da vida social. As crianças que já andam e que permanecem em pé com segurança e conforto. Por outro lado. podem tomar banho de chuveiro em companhia de outras. o que geralmente é causa de surtos de diarréia e hepatite infecciosa nas creches. os hábitos regionais e as recomendações sanitárias de prevenção de doenças por uso de objetos pessoais entre as crianças. a toalha.

materiais e ambiente adequado para aqueles que não querem dormir no mesmo horário. o professor pode desenvolver com os diversos grupos etários. Embalos e canções de ninar acalmam e induzem ao sono. como retirar calçados. Ministério da Educação e do Desporto. em ambientes muito claros ou ruidosos e recomenda-se prever brincadeiras. com vários cantos estruturados com colchonetes e almofadas que promovem a livre movimentação e exploração dos bebês e sua interação com objetos e companheiros. sem oportunidades para explorar mais livremente o ambiente e interagir com as outras crianças. cuidados e oportunidade para que as crianças tenham suas necessidades atendidas. dependendo do clima e do número de horas de sono à noite. os bebês passam dias inteiros presos nesses berços. em que possam repor suas energias ou terem sua necessidade de privacidade e de isolamento respeitada. atividades. com atividades mais livres e tranquilas. Referencial curricular nacional para a educação infantil / Ministério da Educação e do Desporto. a necessidade de privacidade. algumas crianças. 1998. Conforme os bebês vão crescendo e permanecendo mais tempo acordados. Secretaria de Educação Fundamental. ajudam a dormir melhor. ou de cada tipo de atendimento. Alguns cuidados precisam ser providenciados antes dos bebês e crianças pequenas dormirem. massagear. retirar objetos ou roupas que apertam. com pessoas e objetos conhecidos. possibilita maior liberdade de ação e ao mesmo tempo períodos de relaxamento e acolhimento. • conversar sobre os medos. acalentar os bebês que desejem ou que necessitem desse cuidado para relaxar e/ou dormir. Alguns dormem logo que são colocados no berço. — Brasília: MEC/SEF. oferta de colchonetes plastificados forrados com lençóis limpos e de uso exclusivo de cada criança (ou esteiras conforme a idade das crianças. de acordo com seu desenvolvimento e interesse. ou desejando fazê-lo. como um ―paninho‖. lotam o único espaço que têm com berços e cercados. atividades relacionadas aos momentos de sono e repouso ou projetos que abordem a importância do descanso para os seres humanos e outras espécies. A frequência em instituições de educação infantil acaba regulando e criando uma constância. Durante o primeiro ano de vida as crianças vão regulando suas necessidades de sono. • tocar. é desejável que os berços sejam substituídos por colchonetes individuais para os períodos de sono. Secretaria de Educação Fundamental. Para isso é necessário um local tranquilo e confortável para essas crianças descansarem. Um ambiente tranquilo e seguro. particularmente aqueles que têm um significado especial para a criança. Exemplos: • cantar para os bebês as mesmas canções de ninar que seus pais ou parentes cantam e gradativamente introduzir outras. Com frequência. REFERÊNCIAS: Brasil. Esses rituais ajudam a controlar as ansiedades e a agitação muitas vezes desencadeadas pelo próprio cansaço. Além de oferecer ambiente. Para crianças maiores que frequentam instituições de período integral é aconselhável prever um momento em que possam relaxar. os quais são necessários apenas nos períodos de sono. preservando-se. com maior segurança emocional e capacidade de se locomoverem pelo espaço. Temperatura agradável. mas dependem de cada caso. embalar. boa ventilação e penumbra. A organização do berçário. a chupeta ou qualquer outro objeto que traga de casa. precisam de um breve cochilo na instituição. pois as necessidades das crianças são diferentes. sonhos e fantasias associadas ao dormir. Muitas creches. o que é desfavorável para seu desenvolvimento. • desenvolver projetos de pesquisa sobre os hábitos.I VOL. enquanto as demais desenvolvem outras atividades. outros ainda gostam de ser embalados ou acalentados com toques e canções de ninar. conforto e segurança física e afetiva. Mas é importante que haja flexibilidade de horários e a existência de ambientes para sono ou para atividades mais repousantes. Desaconselha-se manter os bebês e crianças que estão dormindo. entretanto.II VOL III . rituais e cuidados utilizados na família e em outras culturas nos momentos de sono e repouso. verificar se há necessidade de troca de fraldas sujas ou molhadas. outros ficam balbuciando. colocar o bebê de lado para evitar acidentes no caso de regurgitar ou vomitar durante o sono.Os horários de sono e repouso não são definidos a priori. o clima e os hábitos regionais) também são cuidados para um sono e/ou descanso seguro e reparador. em especial aquelas que contam com um espaço reduzido para os bebês. VOL. Às vezes.

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