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METODOS DE ESTUDO

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MÉTODOS DE ESTUDO

Introdução Muitos dos problemas de aprendizagem existentes entre os estudantes são hoje explicados pela ausência ou uso inadequado de métodos de estudo e pela inexistência de hábitos de trabalho que favoreçam a aprendizagem. Além disso, muitos jovens manifestam atitudes negativas face ao estudo, uma enorme desmotivação para as actividades escolares, dedicando-lhes muito pouco tempo. O texto seguinte pretende, de uma forma simples, dar aos alunos e encarregados de educação algumas pistas que os possam ajudar a organizar as actividades escolares. Motivação O segredo do sucesso está na motivação. Esta deverá ser forte, mas não excessiva (o que pode conduzir à ansiedade e ao medo do fracasso, que prejudicam o rendimento). Sem motivação aprende-se pouco e esquece-se depressa. Um estudante motivado concentra-se no trabalho, não se dispersa nem interrompe o estudo. Além disso, tudo o que é significativo e interessante para o sujeito permanece mais tempo na memória e pode ser recordado com facilidade. Os reforços do interesse Se a motivação é fraca os jovens precisam de reforços, que podem surgir da iniciativa de pais e professores, ou do próprio estudante. Castigos e prémios dos educadores É mais importante estar atento aos esforços do aluno do que às suas classificações. Alguns pais dão aos filhos um prémio em dinheiro, proporcional às classificações alcançadas. Mas este processo pode transformar o estudo num negócio. Por outro lado, é por vezes necessário aplicar castigos, mas é preferível sublinhar o encorajamento sempre que o aluno obtém um resultado positivo, já que são os prémios, e não os castigos, que podem criar o gosto pela aprendizagem. Estímulos criados pelo estudante O ideal é que o estudante seja capaz de oferecer a si mesmo reforços positivos. Quando obtém uma boa classificação ou termina uma tarefa difícil, pode oferecer a si mesmo algo que lhe agrade (e seja proporcional ao esforço realizado), como uma ida ao cinema ou saída com os amigos. 1

Mas os prémios não precisam de ser materiais. O aluno pode considerar estímulo suficiente a satisfação pessoal por aprender coisas novas, ou agradar aos pais, por exemplo. Pensar no futuro É bom que os jovens adquiram o hábito de pensar no futuro, encarando assim o estudo como forma de realização pessoal e profissional. Assim, o jovem não estudará apenas em função dos prémios ou castigos imediatos, mas terá consciência de estar a construir o seu próprio futuro. Autoconfiança A autoconfiança é uma atitude psicológica saudável (não deve confundir-se com arrogância ou excesso de confiança) que aumenta o interesse pelo estudo e diminui as angústias próprias dos momentos difíceis. A autoconfiança permite ao jovem uma reacção positiva perante uma dificuldade ou pequeno fracasso. Os estudantes sem autoconfiança valorizam excessivamente as suas limitações e duvidam de si mesmos; por isso desistem ou deixam correr as coisas, à espera que outros lhes resolvam os problemas. O medo do fracasso tem origem, muitas vezes, na falta de estímulos positivos e no abuso de castigos por parte dos educadores. Repreensões permanentes criam ansiedade e matam a autoconfiança. A construção da confiança A autoconfiança pode construir-se, passo a passo, com pequenos êxitos, baseados no esforço diário. Para esta construção são essenciais o saber e a consciência do dever cumprido. Dois exercícios mentais são importantes para a construção da autoconfiança: lembrar resultados positivos e acreditar no sucesso (quem já venceu, pode voltar a vencer). Seguir o curso adequado É muito importante que o jovem escolha o curso certo, de acordo com as suas aptidões, capacidades e interesses. Para uma escolha adequada é importante o conselho de um técnico (orientador vocacional ou psicólogo). Acrescente-se que nem todos podem alcançar licenciaturas. Por vezes, existem alternativas, aparentemente menos atractivas, que podem permitir a plena realização pessoal e profissional.

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Persistência O essencial para alcançar o sucesso é o empenho do jovem, e não apenas a ajuda dos pais ou professores. Se o curso foi bem escolhido e os métodos de trabalho são correctos, é necessário persistir, não cedendo às primeiras dificuldades. A Gestão do tempo de estudo O estudante deve conciliar as suas actividades desportivas, de convívio, etc, com o tempo dedicado aos estudos. É necessário que estabeleça uma escala de prioridades, fazendo uma gestão racional do tempo, dedicando a cada tarefa o tempo necessário. No entanto, um jovem com metas ambiciosas terá sempre que dedicar mais tempo ao estudo do que a outras ocupações. É desejável que se dedique ao estudo individual, em média, um mínimo de 10 horas semanais. Horas mais rentáveis Para a maior parte das pessoas, o rendimento intelectual da manhã é superior ao da tarde e noite. Ao princípio da tarde há sempre uma quebra de vivacidade mental, mas o fim da tarde parece igualmente eficaz. As horas mais rentáveis deverão ser dedicadas ao trabalho mais difícil. Antes de dormir deverão realizar-se apenas trabalhos de casa e revisões ligeiras. Pausas no trabalho Quando o estudante começa a sentir cansaço, é conveniente fazer uma pausa ou mudar de assunto. Quanto à duração do trabalho, o ideal poderá ser realizar “pequenas etapas” pequenos períodos de esforço intenso e concentrado. Por exemplo, 3 horas com 2 intervalos renderão mais do que 3 horas seguidas. A regra poderá ser: 10 minutos de intervalo por cada hora de estudo. Nos intervalos, deverão ser evitadas actividades que distraiam excessivamente (ver televisão, por exemplo). Para evitar a saturação, o estudante poderá também mudar de assunto, mas não é conveniente mudar para uma disciplina semelhante (Inglês e Francês, por exemplo), já que isto poderá provocar confusões. A eficácia de um horário É importante elaborar um horário semanal para o estudo. Este deverá ser realista e ajustar-se às necessidades individuais. Deverá também ser flexível e ter em conta 3

os compromissos relativos às várias disciplinas (testes e trabalhos, por exemplo, que poderão ser registados numa agenda). O horário deverá funcionar como um guia que poderá levar o aluno a trabalhar com regularidade. Exercício de autodisciplina O cumprimento de um horário favorece a aquisição de autodisciplina, sendo que esta é um trunfo fundamental para o sucesso nos estudos e na vida. O trabalho regular e planificado implica alguma dose de sacrifício, mas traz enormes recompensas: previne a fadiga, as confusões e a ansiedade de quem guarda o estudo para a última hora. Ocupações extra-escolares Um bom estudante deve dar prioridade ao trabalho escolar. Mas isso não significa que se torne um “escravo do dever”. Na escolha das suas actividades extra-escolares, deverá ter em conta os seguintes critérios: • A saúde física e psicológica (leitura, desporto); • O convívio; • O contacto com o mundo do trabalho (que abre novos horizontes e pode ajudar na escolha de uma vocação profissional. O local de estudo Um dos factores que afectam a falta de atenção e concentração no estudo é o ambiente de trabalho. O ideal é que exista um local destinado apenas ao estudo. Mas em muitos casos, isso não é possível. Deve então partir-se das condições existentes, identificando, em conjunto com o jovem quais os estímulos do meio ambiente que podem contribuir para perturbar a sua atenção e, em seguida, a imaginar estratégias para os eliminar ou evitar. O jovem deverá ser incentivado a organizar o seu local de estudo tendo em conta os seguintes aspectos: • Se possível, ter um local exclusivamente dedicado ao estudo. • Estudar num local confortável e com boa iluminação. • Ter todo o material necessário nesse local (para evitar interrupções). • Pôr fora do local de trabalho (ou desligar) tudo aquilo que puder servir de distracção (TV, rádio, jogos de computador, etc.). • Evitar ser interrompido por outras pessoas (colocando, por exemplo, um aviso na porta). 4

A Leitura Activa Apesar de vivermos na época do audiovisual e dos computadores, o livro continua a ser o principal instrumento de estudo. No entanto, muitos alunos confundem o saber estudar com um tipo de leitura superficial que não conduz à compreensão das ideias principais e à respectiva assimilação. Uma leitura orientada para o estudo deverá fazer-se de acordo com as regras seguintes. Etapas da leitura activa As duas etapas da leitura são: Ler “por alto”: Nesta fase, é aconselhável dar uma rápida vista de olhos pelo conteúdo, para obter uma “visão panorâmica” do assunto a explorar. Poderá passar pela leitura de um ou outro parágrafo do início, do meio ou do fim; pelo exame de títulos e subtítulos, esquemas, ilustrações e frases destacadas. O que importa é que, nesta fase, o estudante descubra a ideia principal do capítulo ou texto, orientando o trabalho para os aspectos mais importantes. Ler “em profundidade”: Nesta fase, o estudante deverá explorar e captar o essencial. Deverá passar pela leitura integral do texto, de forma aprofundada, tantas vezes quantas forem necessárias, até conseguir respostas para questões como estas: • Que diz o autor? Que ideias pretende transmitir? • Os factos e argumentos apresentados são fundamentados? • Concordo com as opiniões do autor? • Que novidades há no texto? • Há no texto informações úteis? Posso aplicá-las na prática? • Que relação tem o assunto com aquilo que já sei? O bom leitor manifesta espírito crítico perante aquilo que lê. A leitura “em profundidade” é feita com a inteligência e não só com os olhos. 5

Processos de Leitura Activa Consultar o Dicionário Só podemos captar as ideias de um texto se compreendermos as palavras usadas pelo autor. Por isso é muito importante a utilização de um dicionário sempre que encontramos palavras ou expressões desconhecidas ou de sentido duvidoso. O dicionário é uma fonte rápida e segura para tirar dúvidas e devemos tê-lo sempre à mão (um dicionário geral e, se necessário um dicionário especializado). Se não tivermos um dicionário, deveremos anotar as palavras cujo significado desconhecemos, para esclarecimento posterior. Através da consulta do dicionário, adquire-se também maior competência na comunicação oral e escrita. Sublinhar É uma forma de prestar mais atenção e captar melhor o que se lê. Quem sublinha lê duas vezes. Um bom sublinhado permite também tirar bons apontamentos e fazer revisões rápidas. Para sublinhar bem é preciso saber descobrir o essencial que, normalmente, é assinalado nos títulos e subtítulos ou através da insistência em determinadas ideias. As 3 regras fundamentais para sublinhar bem são: • Dar prioridade a definições, fórmulas, esquemas, termos técnicos e outros elementos que sejam a chave da ideia principal. • Não abusar dos traços e cores. Normalmente, basta destacar, por parágrafo, uma ou duas frases. Sublinhar tudo é o mesmo que não sublinhar nada. Fazer anotações As anotações à margem provam o espírito crítico do leitor. São reacções ou comentários pessoais ao que se lê e podem expressar-se de várias formas: Pontos de exclamação (surpresa ou entusiasmo), pontos de interrogação (dúvida ou discordância), palavras que resumam o essencial de um parágrafo, referências a outras ideias sobre o assunto, do mesmo autor ou de autores diferentes. Tirar apontamentos Os apontamentos facilitam a captação e retenção da matéria, a elaboração de trabalhos de casa e a revisão anterior às provas de avaliação. Escrevendo, aprendese melhor e guarda-se a informação por mais tempo. Os apontamentos podem ser de 3 tipos: Transcrições Transcrever é copiar por extenso um texto ou parte dele. Não é o melhor processo para estudar um assunto. Mais eficaz é elaborar esquemas ou resumos. Mas são indispensáveis quando recolhemos informação para um trabalho escrito e queremos recorrer a citações. As regras a respeitar nas transcrições são: 6

• • •

Não copiar textos demasiadamente longos. Seleccionar as partes mais importantes. Pôr entre aspas os textos transcritos. Indicar, com precisão, a fonte – nome do autor, título do livro ou revista, editor, nº e local de edição, data e página.

Esquemas Os esquemas são enunciados de palavras-chave, em torno das quais é possível arrumar grandes quantidades de conhecimentos. Permitem destacar e visualizar o essencial e a sua elaboração desenvolve a criatividade e o espírito crítico. Podem assumir a forma de índices, quadros, gráficos, desenhos ou mapas. Os esquemas podem perder o sentido com o tempo. Por isso, o mais aconselhável, é fazer resumos. Resumos Resumir exige a capacidade de seleccionar e reformular as ideias principais, usando frases bem articuladas. A metodologia aconselhável para resumir (sobretudo para estudantes pouco experientes nesta matéria) é: • Compreender o texto, na globalidade. • Descobrir a ideia-chave de cada parágrafo. • Registar as ideias-chave numa folha de rascunho. • Reconstruir o texto, de uma forma pessoal, respeitando o pensamento do autor. Um bom resumo (tal como um bom esquema) deve ter as seguintes características: • Brevidade – um bom resumo não deve ultrapassar um quarto do original. • Clareza – ideias apresentadas sem confusão ou ambiguidade. • Rigor – reprodução das ideias sem erros ou deformações. • Originalidade – utilização de linguagem original, própria de cada leitor, mas transmitindo o ponto de vista do autor – resumir não é comentar. Aprender a resumir é fundamental para comunicar o que sabemos, com rapidez e eficiência (nomeadamente em provas de avaliação).

A Elaboração de um Trabalho Fazer trabalhos escritos é um bom método para treinar as capacidades de compreensão e expressão. Há 3 fases na elaboração de um trabalho escrito:

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Escolha do tema A escolha do tema do trabalho deverá ser feita com cuidado. Se o tema for proposto pelo professor, o aluno deverá esclarecer bem junto daquele os objectivos pretendidos. Se a escolha for livre, o aluno deverá ter em conta: • A sua capacidade individual, para não se propor tarefas superiores às suas forças. • As fontes de consulta, assegurando-se de que estas existem e são acessíveis. • O tempo disponível, para poder delimitar as fronteiras da investigação. Recolha de informações As fontes de informação são diversas e poderão ser encontradas na biblioteca da escola ou em bibliotecas públicas. Os tipos essenciais de fontes são: • Os dicionários – esclarecem o sentido das palavras. • As enciclopédias – dão uma visão geral dos assuntos. • Os livros especializados – desenvolvem os temas. • Documentos em vídeo. • Páginas da Internet. • CD-ROM. • Entrevistas com pessoas ou entidades. Para encontrar livros numa biblioteca o estudante deverá consultar, se necessário com ajuda do responsável, os respectivos ficheiros, que estão organizados por assuntos, por títulos ou por autores. Não convém que o estudante se baseie numa única fonte: as fontes deverão ser variadas e merecedoras de crédito. É aconselhável começar o trabalho pela consulta de uma obra de informação geral sobre o tema (manual, enciclopédia). Para registar as informações recolhidas recomenda-se a utilização de fichas ou folhas soltas, de tamanho uniformizado. Não devem misturar-se ideias ou factos diversos numa mesma folha, para que o material seja depois mais fácil de consultar e manusear. As informações podem ser registadas como transcrições literais (neste caso, entre aspas e com indicação do autor, título da obra e página) ou como resumo pessoal. O Plano Depois da recolha das informações, o aluno deve elaborar um plano ou esquema orientador, que deverá ser mostrado ao professor. O plano oferece uma ajuda preciosa para a fase da escrita e, eventualmente, para uma intervenção oral a realizar sobre o tema. 8

Para elaborar um plano há duas operações necessárias: A filtragem É a selecção do material recolhido, em função dos objectivos que se pretende atingir. O estudante deve eliminar as informações supérfluas, duvidosas ou confusas, sem cair no erro de querer “dizer tudo”. A ordenação É a arrumação das informações segundo uma ordem lógica. As informações devem ser organizadas numa sequência lógica e bem articulada. Para realizar este trabalho, o estudante pode começar por escrever, numa folha, um índice esquemático, uma lista de ideias-chave, precedidas de números ou letras. Com base nesta lista, é mais fácil redigir de forma clara, sem perder o “fio condutor” das ideias. A redacção Um bom plano facilita a redacção mas esta é sempre um processo que passa por várias tentativas e exige esforço e persistência. As questões a ter em conta são: As partes do texto O trabalho deve ser dividido em 3 partes: A introdução – serve para mostrar, brevemente, o interesse do tema e a forma como vai ser desenvolvido. Apresenta o problema e marca os limites do trabalho. O desenvolvimento – “corpo do trabalho”, onde o tema é explicado, desenvolvido, ponto por ponto, ao longo de diversos capítulos, com títulos e subtítulos. Cada capítulo deve ter uma extensão adequada à importância do assunto abordado. A conclusão – Resume o essencial do que se disse ao longo do trabalho, podendo também servir para tomar posição e indicar pistas de investigação futuras. Bibliografia No final do trabalho, deve-se apresentar sempre uma lista bibliográfica. Ela deve ser organizada por ordem alfabética e deve integrar as obras consultadas. Pode ainda recomendar outras obras com interesse para o tema estudado. Na bibliografia devem mencionar-se os seguintes elementos, separados por vírgulas: • apelido e nome do autor (ou autores, ou organizador se a obra for colectiva); • título e subtítulo (sublinhados) • nº da edição utilizada; 9

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local de edição (se não constar, escreve-se s.l. – sem local); editor data de edição (se não constar, escreve-se s.d. – sem data).

Apresentação do Trabalho É muito importante cuidar da apresentação exterior do trabalho, que deve ser agradável e limpa, manifestando o respeito do estudante por si próprio e pelo destinatário do trabalho. Para uma apresentação cuidada, o estudante deve: • Usar folhas brancas, de formato comum; • Escrever apenas de um lado das folhas; • Reservar a 1ª página para a identificação pessoal, título do trabalho, nome da disciplina, escola e data; • Fazer um índice, na 2ª página; • Salientar convenientemente os títulos e subtítulos; • Sublinhar palavras e expressões mais importantes; • Abrir espaços entre os parágrafos; • Deixar margens que permitam anotações e a encadernação do trabalho; • Escrever em computador ou, quando tal não for possível, fazer caligrafia legível; • Não entregar folhas riscadas ou emendadas; • Numerar as páginas; • Sempre que possível, colocar capa no trabalho. • O trabalho pode ainda ser enriquecido com desenhos, fotos, esquemas, mapas, etc. Atitude na sala de aula O material de trabalho É muito importante levar sempre para as aulas o material necessário. Se o não fizer, mostra pouco brio e, certamente, não consegue trabalhar bem, nem deixa trabalhar os colegas. Se tiver o material necessário, pelo contrário, poderá seguir as explicações do professor tirando apontamentos, ou sublinhando o manual. Os assuntos da lição Se tiver conhecimento do assunto que irá ser tratado na próxima lição, o aluno terá toda a vantagem em preparar-se com antecedência. Com este tipo de preparação prévia da aula, o aluno consegue: • Captar de forma mais rápida e profunda a matéria dada; • Participar de forma mais eficiente na aula, dando contributos ou colocando dúvidas; 10

Registar apontamentos com maior facilidade.

O tempo gasto neste tipo de actividade (cerca de 15 minutos serão suficientes), é bem compensado pelas vantagens conseguidas. Saber escutar A atenção A atenção é um factor essencial. Prestar atenção implica evitar brincadeiras, conversas ou ocupações despropositadas (realizar trabalhos de outra disciplina, por exemplo). Os alunos atentos concentram-se nas aulas, contribuindo para a motivação dos professores, captando o essencial das matérias, tirando bons apontamentos e poupando horas de trabalho posterior. Para melhorar a atenção é importante escolher, sempre que possível, um lugar à frente e próximo do professor. A descoberta do essencial Quando existe um manual adoptado, é mais fácil descobrir o essencial das matérias, que aparecem organizadas no manual. Mas quando não existe manual, é muito mais importante tirar bons apontamentos, conhecer o método do professor, interpretar bem as palavras e ouvir até ao fim o que é dito na aula. É muito importante a interpretação das palavras usadas pelo professor. Quando alguma palavra ou expressão suscitar dúvidas, o aluno deverá solicitar o esclarecimento do seu exacto sentido. O aluno deve também escutar até ao fim as explicações do professor, mesmo que a matéria não lhe agrade ou não concorde com o que está a ser dito. O espírito crítico O aluno deve reflectir e avaliar aquilo que escuta. Isto significa que as coisas não devem ser aceites nem rejeitadas sem reflexão. A reflexão crítica é um processo activo de aprendizagem e uma condição indispensável para uma boa participação nas aulas. O que é desejável é que os alunos não se limitem a assistir e a escutar, mas participem activamente nas aulas. Os alunos participativos aprendem mais e estimulam os professores. Os alunos podem participar fazendo perguntas e intervindo nos debates.

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Participação Fazer perguntas Fazer perguntas é um bom processo de participação nas aulas. Mas elas devem ser interessadas, concretas e oportunas. Intervir nos debates Intervir nos debates facilita a assimilação da matéria, já que a memória guarda melhor aquilo de que se fala do que aquilo que apenas se escuta ou lê. Serve também de treino para a comunicação com os outros e dá autoconfiança. Tirar apontamentos O normal é fixarmos cerca de 20% do que apenas ouvimos. A única técnica que permite não perder o que se escuta é escrever apontamentos. É muito importante possuir nas aulas um caderno onde estes apontamentos possam ser registados. O bom aluno tem orgulho nos seus apontamentos e conhece as vantagens dos apontamentos bem organizados, sobretudo na altura das avaliações. Seleccionar É fundamental saber seleccionar o que é mais importante. Tirar mais ou menos notas depende da matéria, do método do professor e da existência ou não de um manual. Se existe um manual que contém o essencial da matéria, bastará anotar aquilo que completa ou clarifica o que está escrito. Para tal podem fazer-se anotações no próprio manual (isto implica, evidentemente, saber antecipadamente o que lá está escrito). Se não existir um manual, torna-se importante escrever o mais possível, centrando a atenção nas ideias, e não nas palavras do professor. Existindo ou não um manual, o aluno não deve deixar nunca de anotar: • Esquemas (quadros, gráficos, desenhos que resumem o essencial). • Definições, fórmulas, sínteses e comentários feitos pelo professor (estes elementos dão pistas sobre os elementos mais valorizados nos testes , por exemplo). • Indicações bibliográficas. Trabalho em Grupo Escolha dos colegas Um grupo equilibrado não deverá ultrapassar os cinco elementos, de forma que todos possam participar activamente nas discussões e decisões. Há quem sugira os três elementos como número ideal para a composição de um grupo de trabalho. 12

A realização do trabalho Definir objectivos Para que o trabalho possa ser realizado com êxito é necessário que o grupo estabeleça objectivos claros, que sejam compreendidos e aceites por todos os elementos. Se necessário, esta clarificação de objectivos deverá ser feita com o auxílio do professor. Distribuir tarefas As tarefas podem ser distribuídas de diversas formas: • Cada elemento selecciona um aspecto de trabalho que deseja realizar; • Os elementos discutem e decidem, por consenso, a divisão do trabalho; • O grupo decide aceitar as orientações do líder. Estabelecer regras O equilíbrio do grupo exige regras. Estas deverão constar sobretudo do modo de funcionamento e dos prazos a cumprir, não devendo tolerar-se a fuga às regras estabelecidas por consenso. Relações Humanas É muito importante cuidar das relações humanas, na aula ou fora dela, já que as boas relações interpessoais favorecem a confiança mútua, a cooperação e a produtividade do trabalho. No grupo, o diálogo é a única forma correcta de ultrapassar conflitos. As principais regras para a convivência são: • Escutar os outros, sem os interromper desnecessariamente; • Ter auto domínio, controlando os impulsos momentâneos; • Ser tolerante, compreendendo as limitações alheias; • Corrigir sem ofender, manifestando as nossas divergências com tacto e delicadeza; • Oferecer elogios, salientando os aspectos positivos do trabalho dos outros; • Usar o bom humor, acalmando e descontraindo o ambiente, nos momentos de tensão.

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O êxito dos grupos Os grupos bem sucedidos favorecem o rendimento intelectual, já que este é favorecido pelos acordos de cooperação entre pessoas, que se estimulam mutuamente. O simples debate de ideias e a reflexão em grupo fazem progredir melhor a aprendizagem. O trabalho em grupo favorece também a formação da personalidade, já que a colaboração solidária previne o individualismo e o excesso de competitividade. Além disso, o trabalho em grupo é cada vez mais importante para a vida profissional, já que os grandes projectos e realizações (mesmo no domínio da investigação) são levados a cabo por equipas multidisciplinares. A preparação para as provas de avaliação Habitualmente podemos distinguir dois tipos principais de atitude no que respeita à preparação para os testes e outras formas de avaliação: o aluno que planeia e o aluno que não organiza o estudo ao longo do tempo. O aluno que não faz uma adequada planificação do seu estudo é habitualmente aquele se prepara apenas na véspera das provas. O estudo “à última hora” apesar de resultar em algumas situações, não é de todo aconselhável uma vez que a informação apenas fica registada na memória a curto prazo, e por pouco tempo. Impede o seu utilizador de desenvolver as suas capacidades de relacionar, compreender e aplicar conceitos e conhecimentos de forma inteligente. Diversas disciplinas, entre as quais Matemática, Português, Ciências da Terra e da Vida, Ciências Físico-Químicas, Inglês, Francês, não se compadecem com uma atitude deste tipo. Nesta situação, além do mais, a ansiedade e a fadiga aumentam impedindo o aluno de estar tão predisposto para aprender quanto deveria. Outra tendência habitual de quem concentra o estudo na véspera dos testes ou provas de avaliação é a de fazer um esforço intenso sem cumprir pausas de descanso - estudar até tarde ou no próprio dia, levantar-se de madrugada. Na verdade, no dia anterior à prova, deve descansar-se mais, pois o sono regular é indispensável à concentração e à capacidade de raciocinar com clareza. Um aluno cansado, tem tendência a precipitar-se, a dar respostas imediatas sem uma leitura adequada das questões, encontra-se mais irritável e menos lúcido. A preparação para os testes É do senso comum, que a melhor forma de o aluno se preparar, é estudar de forma organizada e programada ao longo do tempo, esclarecendo as dúvidas, recorrendo a fontes de ajuda e de informação variadas, realizando esquemas, fazendo revisões periódicas. Para a véspera da prova deve ser deixada apenas uma revisão final. Até porque é frequente a concentração de avaliações na mesma semana. 14

Quem estudou ao longo do tempo, pode agora permitir-se fazer uma leitura cuidadosa dos sublinhados dos livros, das notas pessoais e dos apontamentos, esquemas e resumos que anteriormente realizou. Essa leitura será suficiente para reavivar os elementos principais. O intervalo que decorre entre a revisão final e a prova deve ser o menor possível, de modo a minimizar as interferências, evitando o esquecimento. Outro conselho útil pode ser rever a matéria antes de dormir, uma vez que durante o sono as interferências na memória serão menores. Isto, caso a prova ocorra de manhã; caso ocorra durante a tarde ou à noite, é aconselhável rever novamente a matéria no dia seguinte. Factores essenciais a ter em conta na preparação para os testes: • estudar com antecedência; • identificar os pontos importantes da matéria; • utilizar estratégias aprendidas (sublinhar, resumir, parafrasear, etc.); • ler os resumos elaborados; • elaborar listas de perguntas sobre a matéria, incluindo exemplos práticos, factos, datas, etc.; • anotar as dúvidas voltando a rever a matéria; • clarificar as dúvidas com o professor ou outros; • resolver testes ou exames antigos; • responder a questões sobre a matéria; • resolver problemas e efectuar exercícios de aplicação variados evoluindo no grau de dificuldade. Realizar provas de avaliação A leitura do enunciado é extremamente importante. Primeiro o estudante deve ler todo o enunciado e respectivas instruções, assumindo uma atitude atenta e confiante. Ao obter uma visão global da prova, ser-lhe-á mais fácil distribuir o tempo e organizar as respostas. As perguntas devem ser lidas com atenção. Muitas vezes o insucesso num teste deve-se ao facto de o aluno não responder exactamente àquilo que lhe é pedido. Assim, é necessário que o aluno saiba exactamente o que significam expressões como: analisar, averiguar, comparar, avaliar, definir, estabelecer, explicar, interpretar, justificar, descrever, enumerar, resumir, ilustrar, caracterizar, entre outras. Para dar uma boa resposta, o aluno deve identificar com clareza aquilo que lhe é solicitado e responder sem fugir ao tema. Uma boa prova não é necessariamente uma prova grande. Na avaliação é geralmente valorizado o essencial, não o acessório ou os pormenores. A distribuição do tempo é também crucial. Cada um deve aprender a gerir o tempo de acordo com o seu ritmo de trabalho e as dificuldades da prova. Tal só se 15

consegue treinando e melhorando o auto-conhecimento do ritmo de realização individual. Finalmente, o aluno deve reservar algum tempo para reler a prova, de modo a corrigir eventuais erros, verificar se respondeu a todas as questões. Regras mais importantes a ter em conta durante um teste: • ler o teste ou prova atenta e integralmente; • seguir correctamente todas as instruções do teste; • planificar bem o tempo disponível; • decidir a ordem pela qual vai responder às perguntas; • responder com lógica e precisão às perguntas; • responder com clareza e com uma letra legível; • procurar não deixar respostas em branco; • reler as respostas para verificar a existência de possíveis erros; • rever a pontuação; • aprender com a correcção dos erros. Para obter um bom desempenho nas provas de avaliação, além dos aspectos já referidos, importa salientar os seguintes: • Estudar de forma planeada, não deixando o estudo para a véspera; • Proceder a uma cuidadosa revisão da matéria; • Treinar respostas, resolver testes anteriores; • Encarar a avaliação com confiança; • Reflectir antes de responder, procurando captar o sentido exacto da pergunta; • Responder de forma clara e segura; • Evitar falar daquilo que não se domina bem; • Não dar opiniões pessoais caso não tenham sido pedidas; • Assumir as responsabilidades perante uma nota negativa; • Aproveitar o aviso, caso as notas estejam baixas, para modificar os métodos de trabalho. Método de Estudo A Vanessa (bani) me passou um link esses dias bastante interessante. Trata de um método de estudo e está na página do Prof. Alair, do IME-USP. Ele comenta: Esta leitura complementar trata de um método de estudo que recomendo fortemente seja lido por todo aluno que tenha interesse em se dar as razões do próprio estudo, por todo aluno que tenha um interesse maior pelo estudo que apenas tirar nota suficiente para passar na disciplina, por um eventual aluno que tenha interesse em reencontrar motivação mesmo que as circunstâncias da escola, o insucesso ou a aridez de muitas disciplinas tenha ofuscado a alegria e o entusiasmo de quando se era calouro. Esta leitura deve ser de auxílio ao estudo em geral, inclusive ao estudo de outras disciplinas. Problemas 16

Para não sucumbir ao stresse da avaliação, invista no planeamento: organize os tempos de estudo, crie um ambiente que favoreça a concentração, estabeleça objectivos específicos para cada sessão, treine estratégias de aprendizagem das matérias. Evite, sobretudo, as «directas»: para além de um enorme cansaço, provocam sentimentos de ansiedade e de insegurança, meio caminho andado para as «brancas». Mantenha os ritmos a que se habituou no período de aulas, invista numa alimentação equilibrada, durma no mínimo seis horas por noite. Se não tem nervos de aço, não abuse dos estimulantes. Inicie o «estágio» quanto antes. Boa sorte!

Saber estudar INSUFICIENTE tempo de estudo e falta de planeamento: eis as duas principais causas do fraco desempenho nas avaliações. Convém eliminá-las à partida. Não pense que basta assistir às aulas para saber a matéria — o estudo em casa é fundamental. Mas importa fazê-lo com regras. Comece por criar condições que favoreçam o estudo: organize o local de trabalho, estabeleça horários e metas específicas para cada sessão. Os estudantes devem possuir competências para autocontrolar o comportamento durante o estudo, entendem os especialistas — esta é uma condição necessária (mas não suficiente) para se ser bem sucedido nos exames. Arranje um espaço exclusivamente destinado ao estudo, de preferência confortável e com boa iluminação, onde possa colocar todo o material necessário a uma sessão (livros, cadernos diários, canetas, dicionários, marcadores, etc.). A ideia é evitar estar sempre a levantar-se, perdendo alguma concentração. Elimine deste local todos os elementos que habitualmente o distraem: televisão, rádio, livros de banda desenhada, revistas, telemóvel. Convença os pais e os irmãos a não o interromperem (se for preciso, coloque um aviso na porta). Estabeleça objectivos realistas e vá fazendo uma auto-avaliação dos planos de acordo com as necessidades e dificuldades pessoais (dedicando mais tempo a disciplinas consideradas mais complexas ou àquelas em que obteve menos boa classificação). Muitas vezes, os alunos não têm consciência da importância da aprendizagem que ocorre nas aulas, pensando que podem compensar as faltas de atenção e concentração com o estudo em casa. Nada mais errado: para além da aprendizagem das matérias que estão a ser expostas pelos professores, o que facilita o estudo posterior, ficam a saber como organizar os conhecimentos e quais os pontos a que os professores dão mais importância. Se ainda tiver oportunidade, pergunte ao professor qual é a melhor maneira de estudar a disciplina, a que suportes (livros, enciclopédias, Internet) recorrer, que objectivos devem ser atingidos para chegar ao dia do exame com um boa dose de autoconfiança. Acima de tudo, convença-se que não deve seguir o mesmo método de estudo para todas as disciplinas. A maior parte do estudo realiza-se através da leitura dos manuais e apontamentos das aulas, da realização de resumos ou notas e da revisão daqueles como preparação para as avaliações. Uma das principais estratégias para tirar melhor proveito da leitura consiste em saber identificar as ideias principais de um texto, organizá-las e 17

relacioná-las com outras anteriores. O autoquestionamento é um método alternativo também com bons resultados. Experimente colocar questões a si mesmo antes, durante e depois da leitura de um documento: verá que passa a organizar activamente a informação que vai recolhendo, clarificando o que não ficou compreendido numa primeira leitura. Muitos alunos consideram que a melhor forma de estudar determinada matéria é através da retenção das palavras exactas do texto. Apesar de algumas vezes ser importante fixar a informação tal como é apresentada (no caso de fórmulas, datas, designações), quando utilizada como única abordagem é incorrecta. Os estudantes tentam reter as palavras exactas do documento mesmo quando não o compreendem. Resultado: a compreensão da mensagem e a organização das ideias ficam muito aquém do desejado. Não se limite a papaguear o que acabou de ler, tente perceber o seu significado. E se tiver dificuldades peça explicações. Sublinhar um manual ou um caderno de apontamentos pode ser um bom caminho para reter conhecimentos. Importa, contudo, saber distinguir o essencial do acessório. De nada servirá sublinhar quase tudo ou apenas pequenos elementos descontextualizados, como datas ou nomes. Sublinhar significa destacar visualmente o que um texto tem de realmente importante. Parafrasear um texto é outro método de estudo com sucesso garantido. Consiste em traduzir pelas suas próprias palavras as ideias principais, facilita a retenção e a recordação do significado apreendido e constitui um passo fundamental para a elaboração de resumos. O resumo é uma tarefa sofisticada, pois implica dominar todas as estratégias anteriores: saber seleccionar as ideias principais e as acessórias, hierarquizar a informação obtida e ser capaz de a transmitir por escrito de uma forma económica mas com sentido. Mnemónicas, palavras-chave, ajudas visuais (esquemas, sobretudo) ou gravações áudio das matérias são outros métodos bastante eficientes de memorização. Não se esqueça que a identificação das dificuldades é meio caminho andado para a sua superação. Não bloqueie no «não percebo nada». Promova sessões de estudo com colegas mais à-vontade na matéria e dê voz às suas interrogações. Proibido passar fome EM PERÍODO de acentuado esforço intelectual dê especial atenção à sua alimentação. A endocrinologista Isabel do Carmo aconselha os estudantes a fazer várias refeições durante o dia: idealmente deverão tomar pequeno-almoço, almoço, lanche e jantar «sentados à mesa». Nada de pressas nestes momentos de «carregar baterias». Se estudar até tarde, faça uma ceia antes de se deitar. É difícil conciliar o sono com o estômago vazio. Vegetais, carne, peixe ou ovos e fruta são elementos imprescindíveis. Os farináceos também: coma pão ao pequeno-almoço e ao lanche, não passe sem arroz, massa ou batatas no acompanhamento das refeições principais. «São absolutamente necessários para manter os níveis de açúcar no sangue, essenciais a um bom raciocínio», sublinha a especialista. A fruta fornece simultaneamente hidratos de carbono, vitaminas e sais minerais. 18

Alimentar-se bem não significa comer muito ou escolher refeições pesadas. Evite as gorduras em demasia e os pratos de confecção elaborada (guisados, por exemplo): provocam sonolência e dificuldades de digestão. Qualquer dos efeitos afecta a concentração. A melhor bebida é a água. Beba-a sem limitações. Se não tiver problemas de peso, pode alternar com sumos de frutos ou refrigerantes. As bebidas desportivas — ricas em sais minerais e açúcar — podem ser uma boa alternativa para os serões. Alimentam sem afectar o sistema nervoso. Rui Lima, nutricionista do Ministério da Educação, alerta os estudantes para os malefícios do álcool: a sua ingestão perturba seriamente o rendimento intelectual. Quando conjugado com bebidas energéticas é um verdadeiro perigo. A refeição ideal para a véspera do exame: um prato de digestão fácil, massas de preferência. Manter o ritmo NÃO MUDE de hábitos durante este período e muito menos nos dias que antecedem as provas. Se sempre estudou de dia, continue; se prefere a actividade nocturna, mantenha-a. O psiquiatra Daniel Sampaio é adepto de um «ritmo de trabalho regular». As «directas» estão definitivamente desaconselhadas. Investigações recentes apontam a manhã como sendo o período do dia mais favorável ao estudo: a memorização e a concentração são superiores. Tenha isto em conta se não afectar grandemente a sua rotina. Não abuse de estimulantes: café, chá preto, coca-cola, bebidas energéticas, devem ser tomadas com moderação porque perturbam o sono. Evite experimentá-las em vésperas de exames. Se precisa mesmo de estudar horas a fio, recorra a estimulantes vegetais: o guaraná e o ginseng são menos prejudiciais do que a cafeína, considera o médico Pedro Lôbo do Vale. Em desespero de causa, saiba que as anfetaminas ou o «ecstasy», estimulando o sistema nervoso central, são substâncias enganadoras: mantêm-no alerta durante algumas horas, mas provocar-lhe-ão grande cansaço no período seguinte. O desempenho intelectual baixa consideravelmente. Mexa-se! PRATICADO com conta, peso e medida, o exercício físico só traz vantagens: contraria os malefícios do sedentarismo e ajuda a atenuar a ansiedade. Se é um fanático da aeróbica ou de outras modalidades que promovem um dispêndio considerável de calorias, modere os ímpetos. O cansaço extremo pode diminuir o rendimento intelectual. Daniel Sampaio não aconselha sessões de ginásio após as 18 horas: podem provocar insónias, pelo que estão contra-indicadas nas vésperas de exames. Conselhos práticos para os que não cuidam do físico: procure mexer-se entre as sessões de estudo. Ao fim de duas horas, quando a concentração começa a baixar, 19

faça um intervalo. Vá passear o cão, dê umas voltas pela casa para desentorpecer os músculos e desanuviar o espírito, dance durante uns minutos, pule à vontade. Truques chineses A MEDICINA tradicional chinesa pode revelar-se providencial neste período. Já ouviu falar dos truques para aumentar a capacidade de armazenar dados no cérebro ou para evitar as «brancas» durante as provas? Pedro Choy avança alguns segredos e técnicas milenares que a população chinesa põe em prática no dia-a-dia. Em frente ao espelho, procure o triângulo que protege o orifício da orelha (ver imagem). Pressionando este ponto de forma rítmica (com o indicador por dentro e o polegar por fora) poderá aumentar a sua capacidade de aprender. Agora encontre o ponto que fica a meio caminho entre as sobrancelhas. Com o polegar, faça movimentos de pulsação (compressão forte, ausência de compressão) e de rotação (no sentido dos ponteiros do relógio e em sentido contrário). A estimulação deste ponto tranquiliza e potencia a memorização e a retenção da informação. Outro ponto crucial: com a palma da mão para cima, procure as pregas do punho (que separam a mão do antebraço). Trace uma linha recta imaginária que vem do ponto que separa o dedo anelar do mínimo até esta prega. Está encontrado o ponto (ver imagem) que, pressionado à porta da sala de exame, pode evitar uma «branca». É também tranquilizante: os estudantes mais ansiosos vêem desaparecer os suores frios. A pressão deste ponto deve alternar entre a pulsação e a rotação. Existe ainda uma técnica simples de concentração que costuma facilitar tanto o rendimento intelectual como físico: sentado numa cadeira estável, respire devagar, feche os olhos e tente sentir o bater do coração nos dedos das mãos. Faça este exercício durante cinco minutos. Vai sentir grande paz interior. Os tratamentos de acupunctura com técnicos profissionais podem melhorar a concentração e a gestão do medo das avaliações. Se quiser experimentar esta terapia, convém iniciá-la dois ou três meses antes do exame. Uma sessão semanal é suficiente para notar melhorias. Vantagens do yoga NÃO FOI por acaso que a Associação Lusa de Yoga (ALYO) promoveu sessões semanais para os estudantes durante o mês de Maio. Aos sábados, entre as 10 da manhã e o meio-dia, quem quisesse experimentar algumas das posições psicobiológicas do yoga só tinha de dirigir-se à Alameda da Universidade, ao Campo Grande, em Lisboa. O objectivo da iniciativa consistia em ensinar os alunos a superar a tensão que precede as avaliações. «O yoga melhora a lucidez e aumenta a energia disponível pelo forte aumento de irrigação cerebral, eleva a autoconfiança através do adequado trabalho emocional, endocrinológico e neurovegetativo e ensina a exponenciar a atenção e melhorar a concentração», explica-se num folheto da associação. 20

Para António Pereira, director de uma das unidades da Rede Mestre DeRose em Lisboa, o yoga — que se auto-intitula mais próximo da técnica milenar — proporciona um «estado expandido de consciência», contribuindo igualmente para combater esgotamentos, irritabilidade, insónias, situações que advêm do excesso de stresse. «90% das pessoas sentem os efeitos de combate ao stresse logo na primeira sessão de yoga bem conduzida», sublinha. Ao contrário do exercício físico, os benefícios do yoga começam no sistema nervoso e endócrino, seguem para os órgãos internos, para depois chegarem aos músculos e articulações. Reaprende-se a respirar — a base da terapia. O professor aconselha a prática destes exercícios «sob orientação» duas vezes por semana. Sono reparador DORMIR no mínimo seis horas é condição fundamental para obter bom rendimento nas sessões de estudo e nas avaliações. Se é propenso a insónias e não consegue dominar a ansiedade, procure os conselhos de um psiquiatra. Verá que não é caso único. Os adeptos dos produtos naturais poderão optar por suplementos à base de plantas medicinais, como a erva-de-são-joão, a kava kava, o lúpulo ou a valeriana. Tisanas de tília e camomila também exercem um efeito calmante. Evite saltar refeições. A fome (e o cansaço extremo) é inimiga de um sono.

INTRODUÇÃO O método do Estudo de Caso é considerado um tipo de análise qualitativa (GOODE, 1969) e tem sido considerado, de acordo com YIN (1989, p. 10): "o irmão mais fraco dos métodos das Ciências Sociais" e as pesquisas feitas através deste método tem sido consideradas desviadas de suas disciplinas, talvez porque as investigações que o utilizam possuem precisão, objetividade e rigor insuficientes. De acordo com BONOMA, 1985, o método do Estudo de Caso tem sido visto mais como um recurso pedagógico ou como uma maneira para se gerar 'insights' exploratórios, do que um método de pesquisa propriamente dito e isto tem ajudado a mantê-lo nesta condição. Mas, apesar das fraquezas e limitações apontadas, o Estudo de Caso tem tido um uso extensivo na pesquisa social, seja nas disciplinas tradicionais, como a Psicologia, seja nas disciplinas que possuem uma forte orientação para a prática como a Administração, além de ser usado para a elaboração de teses e dissertações nestas disciplinas. Mas, se o método é assim considerado, porque isto ocorre? Uma das possíveis causas para afirmação de que este método é uma vez que, por ser utilizado limitações e fraquezas não sejam isto, segundo YIN (1989) reside no fato de que a o irmão mais fraco dos métodos, pode estar errada como um método pedagógico, seu projecto, suas bem conhecidas enquanto método de pesquisa. 21

O Método do Estudo de Caso é um método das Ciências Sociais e, como outras estratégias, tem as suas vantagens e desvantagens que devem ser analisadas à luz do tipo de problema e questões a serem respondidas, do controle possível ao investigador sobre o real evento comportamental e o foco na actualidade, em contraste com o carácter do método histórico. Um ponto comum entre vários autores (GOODE, 1969, YIN, 1989, BONOMA, 1985) é a recomendação de grande cuidado ao se planejar a execução do estudo de caso para se fazer frente às críticas tradicionais que são feitas ao método. É objectivo deste trabalho apresentar o método do estudo de caso como uma estratégia de pesquisa e considerar aspectos relevantes para o desenho e a condução de um trabalho de pesquisa com o uso deste método, analisando as suas vantagens e desvantagens. 1.1. Definição O Método do Estudo de Caso " ... não é uma técnica especifica. É um meio de organizar dados sociais preservando o carácter unitário do objecto social estudado" (GOODE & HATT, 1969, p.422). De outra forma, TULL (1976, p 323) afirma que "um estudo de caso refere-se a uma análise intensiva de uma situação particular" e BONOMA (1985, p. 203) coloca que o "estudo de caso é uma descrição de uma situação gerencial". YIN (1989, p. 23) afirma que "o estudo de caso é uma inquirição empírica que investiga um fenómeno contemporâneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenómeno e o contexto não é claramente evidente e onde múltiplas fontes de evidência são utilizadas". Esta definição, apresentada como uma "definição mais técnica" por YIN ( 1989, p. 23 ), nos ajuda, segundo ele, a compreender e distinguir o método do estudo de caso de outras estratégias de pesquisa como o método histórico e a entrevista em profundidade, o método experimental e o survey. O método, muitas vezes, é colocado como sendo mais adequado para pesquisas exploratórias e particularmente útil para a geração de hipóteses (TULL, 1976 ) e isto (YIN, 1989) pode ter contribuído para dificultar o entendimento do que é o método de estudo de casos, como ele é desenhado e conduzido. 1.2. O Uso do Método Estudo de Caso Ao comparar o Método do Estudo de Caso com outros métodos, YIN (1989) afirma que para se definir o método a ser usado é preciso analisar as questões que são colocadas pela investigação. De modo específico, este método é adequado para responder às questões "como" e '"porque" que são questões explicativas e tratam de relações operacionais que ocorrem ao longo do tempo mais do que frequências ou incidências. Isto também se aplica ao Método Histórico e ao Método Experimental que também objectivam responder a estas questões. Contudo, o caso do Método Histórico será recomendado quando não houver acesso ou controle pelo investigador aos eventos comportamentais, tendo que lidar com um passado "morto" (Yin, 1989, p. 19) sem dispor, por exemplo de pessoas vivas para darem depoimentos e tendo que recorrer a documentos e a artefactos culturais ou físicos como fontes de evidências. 22

No caso do Método Experimental, as respostas a estas questões são obtidas em situações onde o investigador pode manipular o comportamento de forma directa, precisa e sistemática, sendo-lhe possível isolar variáveis, como no caso de experimentos em laboratório. Ao fazer isto, deliberadamente se isola o fenómeno estudado de seu contexto. (YIN, 1981). De acordo com YIN (1989), a preferência pelo uso do Estudo de Caso deve ser dada quando do estudo de eventos contemporâneos, em situações onde os comportamentos relevantes não podem ser manipulados, mas onde é possível se fazer observações directas e entrevistas sistemáticas. Apesar de ter pontos em comum com o método histórico, o Estudo de Caso se caracteriza pela "... capacidade de lidar com uma completa variedade de evidências - documentos, artefactos, entrevistas e observações." (YIN, 1989, p. 19) Este método ( e os outros métodos qualitativos) é útil, segundo BONOMA (1985, p. 207), "... quando um fenómeno é amplo e complexo, onde o corpo de conhecimentos existente é insuficiente para permitir a proposição de questões causais e quando um fenómeno não pode ser estudado fora do contexto no qual ele naturalmente ocorre". Os objectivos do método de Estudo de Caso, segundo McClintock et al. (1983, p. 150), "...são (1) capturar o esquema de referência e a definição da situação de um dado participante ... (2) permitir um exame detalhado do processo organizacional e (3) esclarecer aqueles factores particulares ao caso que podem levar a um maior entendimento da causalidade. BONOMA (1985) ao tratar dos objectivos da colecta de dados, coloca como objectivos do Método do Estudo de Caso não a quantificação ou a enumeração, "... mas, ao invés disto (1) descrição, (2) classificação (desenvolvimento de tipologia), (3) desenvolvimento teórico e (4) o teste limitado da teoria. Em uma palavra, o objectivo é compreensão" (p. 206). De forma sintética, YIN (1989) apresenta quatro aplicações para o Método do Estudo de Caso: 1. Para explicar ligações causais nas intervenções na vida real que são muito complexas para serem abordadas pelos 'surveys' ou pelas estratégias experimentais; 2. Para descrever o contexto da vida real no qual a intervenção ocorreu; 3. Para fazer uma avaliação, ainda que de forma descritiva, da intervenção realizada; e 4. Para explorar aquelas situações onde as intervenções avaliadas não possuam resultados claros e específicos. 1.3. Preconceitos e Críticas em relação ao Estudo de Caso O Método de Estudo de Caso, de acordo com TULL e HAWKINS (1976), não deve ser usado com outros objectivos além do objectivo de geração de ideias para testes posteriores pois factores como o "...pequeno tamanho da amostra, a selecção não randômica, a falta de similaridade em alguns aspectos da situação problema, e a natureza subjectiva do processo de medida se combinam para limitar a acuracidade de um poucos casos" (p. 324). 23

Apesar de ser uma forma distinta para a inquirição empírica, ele é visto como a forma menos desejável do que a experimentação ou surveys. Segundo YIN (1989), isto ocorre por razões como a grande preocupação sobre a falta de rigor das pesquisas de estudo de caso, uma vez que, "... muitas vezes, o investigador de estudo de caso tem sido descuidado e tem admitido evidências equivocadas ou enviesadas para influenciar a direcção das descobertas e das conclusões".(YIN, 1989, p. 21) Um outro aspecto levantado por GOODE e HATT (1967, p. 426), é que o "...perigo básico no seu uso é a resposta do pesquisador ... que chega a ter a sensação de certeza sobre as suas próprias conclusões". Mais à frente, estes autores colocam também que "... cada caso desenvolvido como uma unidade assume dimensões completas na mente do pesquisador. Ele passa a sentir-se seguro de poder responder muito maior número de questões do que poderia fazer somente com os dados registrados". Isto significa que o sentimento de certeza do pesquisador é grande e é maior do que nos outros métodos de pesquisa e isto pode levar o pesquisador a ignorar os princípios básicos do plano da pesquisa e, segundo GOODE e HATT (1967, p. 427), o "resultado, naturalmente, é uma grande tentação de extrapolar, sem garantia". Ainda segundo GOODE e HATT (1967), a ocorrência deste sentimento de certeza pode resultar no perigo de se negligenciar ou deixar de verificar fidedignidade dos dados registrados, da classificação usada ou da análise dos dados. Aqui, é interessante o comentário feito pelos autores: "Como o pesquisador tende a frisar, ninguém conhece os dados tão bem quanto ele, assim imagina que ninguém poderia verificar apropriadamente seu trabalho. Além disto, a colega de dados é uma actividade que exige tempo, e é difícil encontrar outros que estejam dispostos a estudar os casos tão completamente."¹ Uma outra preocupação em relação a este método (YIN, 1989) é o fato dele fornecer pequena base para generalizações científicas uma vez que , por estudar um ou alguns casos não se constitui em amostra da população e, por isto, torna-se sem significado qualquer tentativa de generalização para populações. É também uma preocupação frequente com este método é queixa de que "... eles tomam muito tempo e resultam em um documento volumoso e de difícil leitura" (YIN, 1989, p 21.), o que nos parece, dificulta o entendimento e a compreensão. Com relação a estas considerações, concordamos com YIN (1989) quando ele afirma que bons estudos de caso são difíceis de serem realizados e que um dos principais problemas a isto relacionado refere-se à dificuldade de se definir ou testar as habilidades de um investigador para a realização de um bom estudo de caso. Mas estes problemas podem ser contornados. YIN (1989) e GOODE & HATT (1967), propõem algumas medidas para que se possa obter um bom estudo de caso: 1. Desenvolver um plano de pesquisa que considere estes perigos ou críticas. Por exemplo, com relação ao sentimento de certeza, pode-se usar um padrão de amostra apropriado pois, " sabendo que sua amostra é boa, ele tem uma base racional para fazer estimativas sobre o universo do qual ela é retirada" (GOODE & HATT, 1989, p. 428). 24

2. Ao se fazer generalizações, da mesma maneira que nas generalizações a partir de experimentos, fazê-las em relação às proposições teóricas e não para populações ou universos (YIN, 1989). 3. Planejar a utilização, tanto quanto possível, da "...técnica do código qualitativo para traços e factores individuais que são passíveis de tais classificações. Se usar categorias como 'egoísta' ou 'ajustado' ... desenvolverá um conjunto de instruções para decidir se um determinado caso está dentro da categoria e estas instruções devem ser escritas de maneira que outros cientistas possam repeti-las"( GOODE & HATT, 1969, p. 428-429). Estes autores recomendam que, por segurança, as classificações feitas sejam analisadas por um conjunto de colaboradores que atuarão como "juizes da fidedignidade mesmo das classificações mais simples".(ibid., p. 429). 4. Evitar narrações longas e relatórios extensos uma vez que relatórios deste tipo desencorajam a leitura e a análise do estudo do caso. 5. Proceder selecção e treinamento criteriosos dos investigadores e assistentes para assegurar o domínio das habilidades necessárias à realização de Estudo de Caso. II. O PROJETO DE PESQUISA COM O USO DO MÉTODO DO ESTUDO DE CASO Ao abordar os procedimentos para a elaboração de um projecto de pesquisa, YIN (1989), define Projecto de Pesquisa como sendo "... a sequência lógica que conecta os dados empíricos às questões iniciais de estudo da pesquisa e, por fim, às suas conclusões".(p. 27). Isto significa, a nosso ver que, a elaboração do projecto de pesquisa tem uma influência directa sobre os resultados a serem obtidos e a validade das conclusões tiradas do trabalho e ele serve de guia para todo o trabalho do investigador. Isto é coerente com que nos apresentam NACHMIAS e NACHMIAS (apud, YIN, 1989), quando descrevem o projecto de pesquisa como sendo uma planta que "... guia o investigador no processo de colecta, análise e interpretação das observações. É um modelo lógico que conduz o pesquisador ao formular inferências a respeito das relações causais entre as variáveis em observação ... e define... se as interpretações obtidas podem ser generalizadas para a população maior ou para situações diferentes".(p. 28-29). O projecto de pesquisa endereça quatro problemas: (1) que questões devem ser estudadas, (2) que dados são relevantes, (3) que dados devem ser colectados e (4) como se deve analisar os resultados. O projecto de pesquisa, se correctamente elaborado irá ajudar o investigador a evitar as situações onde as evidências não endereçam as questões inicialmente colocadas. Visto desta forma, o projecto de pesquisa é um trabalho, como veremos, bem mais completo do que um plano de trabalho e ele lida com os aspectos lógicos da pesquisa e não com os aspectos logísticos dela. 2.1. Componentes do Projecto de Pesquisa No que se refere ao Projecto de Pesquisa para a utilização do Estudo de Caso, cinco componentes (YIN, 1989) são especialmente importantes e devem ser elaborados 25

com cuidado e rigor pois darão sustentação ao processo de pesquisa e guiarão o investigador em seu trabalho, ajudando-o a se manter no rumo decidido. São eles: 2.1.1. - Questões de Estudo Conforme foi afirmado anteriormente, este método é indicado para responder às perguntas "como" e "porque" que são questões explicativas, nos estudos que tratam de relações operacionais que ocorrem ao longo do tempo mais do que frequências ou incidências e de eventos contemporâneos, em situações onde os comportamentos relevantes não podem ser manipulados, mas onde é possível se fazer observações directas e entrevistas sistemáticas e a primeira tarefa a ser empreendida é a clarificação precisa da natureza das questões. Esta tarefa é importante pois é ela que norteará todo o trabalho a ser realizado. 2.1.2. - Proposições do Estudo As proposições dizem respeito ao que será examinado dentro do escopo do trabalho e sua definição ajudará na decisão de onde procurar evidências relevantes. De acordo com YIN, 1989, sem estas proposições, "um investigador pode sentir-se tentado a colectar 'tudo' o que é impossível de ser feito".(p. 30) Alternativamente às proposições, o investigador pode estabelecer o propósito para o estudo ou mesmo definir os critérios pelos quais o sucesso da investigação será analisado. 2.1.3. - Unidade de Análise A unidade de análise está relacionada com a definição do que o caso é e ela pode ser um indivíduo, uma decisão, um programa, pode ser sobre a implantação de um processo e sobre uma mudança organizacional. A definição da unidade de análise está ligada à maneira pela qual as questões de estudo forma definidas. 2.1.4. Ligação dos Dados à Proposição e a os Critérios para a Interpretação dos Dados Estes dois componentes, o quarto e o quinto, representam a análise no Estudo de Caso e o projecto de pesquisa é a base sobre a qual esta análise será feita, relacionando-se as informações obtidas com as proposições estabelecida no início da elaboração do projecto de pesquisa. Com relação aos critérios para interpretação dos dados, as análises e inferências, em Estudos de Caso, são feitas por analogia de situações e buscam responder às questões por que e como inicialmente formuladas.(CAMPOMAR, 1991). Ao desenvolver estes componentes do Projecto de Pesquisa, o investigador é forçado a construir uma teoria inicial relativa ao estudo a ser empreendido. Esta teoria deve ser formulada antes do início da colecta de dados e ela irá ajudar a cobrir de forma incremental as questões, a proposições ou o propósito do estudo, as unidades de análise e possibilitará a ligação dos dados às proposições e fornecerá os critérios para a análise dos dados. (YIN, 1989). Ao proceder desta maneira e desenvolver o Projecto de Pesquisa, o investigador terá um roteiro objectivo e habilitado para orientá-lo durante todo o processo de realização do estudo, que lhe dará direcção para a definição dos dados a serem 26

colectados e para a definição das estratégias para a sua análise, possibilitando-lhe fazer contribuições/generalizações para a teoria maior (YIN, 1989). 2.2. - Processo para Pesquisa com o Uso do Método do Estudo de Caso Quando um investigador decide usar o Método do Estudo de Caso para os seus propósitos de pesquisa, ele deve possuir conhecimento e domínio do processo a ser utilizado para tal. BONOMA (1985), ao discorrer sobre o processo para a realização do Estudo de Caso aplicado ao Marketing, apresenta-o como sendo composto por outro estágios: 2.2.1. - Estágio Inicial ( Drift Stage) Neste estágio, o investigador aprende os conceitos relativos ao caso, sua localização e os jargões relacionado com o caso, tal qual eles ocorrem na vida real, estuda a literatura relativa ao caso e busca uma primeira noção sobre como opera o fenómeno objecto do estudo e dos componentes da prática observada. De acordo com BONOMA (1985), este é o "... estágio de imersão, no qual o contexto é observado para se obter uma perspectiva das modificações necessárias nas questões básicas do estudo para se assegurar uma investigação frutífera". (p. 204-205). O investigador elabora, então, um modelo preliminar que servirá de base tanto para determinar os vieses iniciais e os esforços necessários para eliminá-los quanto para o desenho do projecto de pesquisa. 2.2.2. - Estágio do Projecto Neste estágio, o objecto da colecta de dados é o acesso e o refinamento das áreas de investigação mais importantes sugeridas pelo projecto preliminar. Neste estágio, a habilidade crítica requerida do investigador é que ele possibilite que os dados colhidos posteriormente reconduzam-no ao estágio inicial caso seus conceitos inicias não se coadunem com a nova situação ou as melhores conceitualizações sugeridas por si mesmas. 2.2.3. - Estágio de Predição Este estágio ocorre do meio para o final do projecto de pesquisa do estudo de caso. Neste estágio, o investigador já possui um modelo sugerido das possíveis generalizações para teste e uma boa compreensão dos factores sob os quais as observações de campo poderão ser agrupadas e pode desejar avaliar as suas predições/proposições iniciais. Neste estágio, o investigador pode colher informações sobre outros casos que foram investigados em outras situações ou localidades, mas que sejam consistentes, para testar generalizações. (BONOMA, 1985). O aspecto crítico deste estágio reside na necessidade, por parte do investigador, de estar aberto para o fato de que muitas das suas generalizações não serem muito gerais mas circunscritas a situações particulares e para tratar as desconformidades como um estímulo para o desenvolvimento de novas generalizações ou de modificações nas já realizadas. 27

2.2.4. - Estágio de Desconfirmação Este estágio consiste na testagem adicional dos limites de generalização não rejeitados no estágio inicial. Neste estágio é feito um esforço proposital para se desconfirmar as generalizações feitas, aplicando-as a um conjunto maior de casos do que aquele conjunto identificado no estagio inicial e os contextos destes casos para a aplicação das generalizações devem ser caracterizados por condições extremas onde se possa esperar que os limites de generalização sejam excedidos. (BONOMA, 1985). BONOMA (1985), ao formatar e propor este processo afirma que estes estágios não são hierarquizados mas estão em uma evolução interactiva cujo objectivo é a busca da compreensão, mais parecida com a que é encontrada nos métodos dedutivos. 2.3. - Critérios para a Avaliação da Qualidade dos Projectos de Pesquisa Considerando que o projecto de pesquisa deve ser uma proposição lógica, sua qualidade deve ser analisada também por critérios lógicos e, de acordo com YIN (1989), quatro testes, referentes a Validade e a Confiabilidade são relevantes. 2.3. 1. - Validade De acordo com SYKES (1990), o termo validade é usado em uma grande variedade de sentidos nos debates sobre a pesquisa quantitativa. A sua mais importante distinção está em seu uso referindo-se ao tipo e precisão da informação obtida das amostras individuais, sejam elas indivíduos ou grupos e a avaliação da validade deve ser feita à luz do propósito do trabalho de investigação. A validade pode ser:

Validade Teórica - os métodos de colecta de dados têm validade teórica quando seus procedimentos são justificados em termos de teorias estabelecidas como as Psicológicas, Sociológicas etc. (SYKES, 1990); Validade de Construto - diz respeito ao estabelecimento de medidas de operação correctas para os conceitos a serem estudados (YIN, 1989) e flui de algum construto teórico (SYKES, 1989); Validade Interna - refere-se ao estabelecimento de relações causais (YIN, 1989) e resulta de estratégias que objectivem eliminar a ambiguidade e a contradição, embutidas nos detalhes e do estabelecimento de fortes conexões entre os dados (SYKES, 1990); Validade Externa - estabelece o domínio para o qual as descobertas do estudo podem ser generalizadas (YIN, 1989) e pode ser obtida pela replicação da pesquisa; Validade Instrumental ou de Critério - baseada na validade atribuída aos procedimentos usados na pesquisa. Contudo, nenhum procedimento/método pode ser considerado válido 'a priori' mas pode-se buscar a comparabilidade ou a compatibilidade das descobertas, usando-se o método da triangulação para se fazer esta análise (SYKES, 1990); Validade Consultiva - refere-se à possibilidade de se consultar os envolvidos no processo de pesquisa - entrevistadores, observadores, respondentes, entrevistados - para se obter informações sobre sua precisão, completude, relevância, etc. dos dados obtidos (SYKES, 1990). 28

2.3.2. - Fidedignidade A fidedignidade refere-se à consistência dos dados (SYKES, 1990) e à repetibilidade dos resultados em se repetindo os mesmos procedimentos em situação semelhante, ou seja, se outro investigador seguir exactamente os mesmos procedimentos como os descritos pelo primeiro e conduzir o mesmo estudo de caso ele chegará às mesmas descobertas e conclusões (YIN, 1989). Para que isto seja possível, é condição necessária que os procedimentos do estudo a ser repetido estejam devidamente documentados e, para facilitar este processo, o investigador deve projectar o maior número de estágios possíveis. 2.4. - Tipos de Casos YIN, 1989, apresenta quatro tipos de 'designs', resultantes de uma matriz de dupla entrada, considerando o número de casos envolvidos no projecto - um caso ou múltiplos casos - e a unidade de análise - holística ou encaixada (ver também CAMPOMAR, 1991). Neste aspecto, uma questão que tem sido levantada é a relativa à validade do estudo de um único caso. YIN, 1989, salienta que, por exemplo, se o caso estudado representa um caso crítico ele irá afectar directamente uma teoria bem formulada, servindo de teste para confirmá-la, desafiá-la ou até mesmo ampliá-la. O caso pode representar também um caso extremo ou único ou pode se tratar de um caso revelador que não era possível de ser investigado anteriormente e, desta forma se constituírem objectos válidos para estudo. Contudo, este autor salienta que as evidências dos casos múltiplos são reconhecidas como mais fortes do que as evidências de caso único. Considerando a matriz, teremos então quatro tipos de casos: tipo 1 - caso único/holístico, tipo 2 - caso único/encaixado, tipo 3 - múltiplos casos/holístico e tipo 4 - múltiplo casos/encaixados. Nas considerações sobre os tipos de casos, um aspecto relevante a ser considerado é o fato de que um projecto de pesquisa não é algo fechado e completo mas é algo dinâmico e vivo e que, por causa disto, pode ser necessário fazer-se modificações no projecto durante a sua execução. Segundo YIN, 1989, o grande risco a ser evitado é mudança da teoria inicial pois, se isto ocorrer, o pesquisador poderá ser acusado de se deixar levar por um vies na condução da pesquisa ou na interpretação dos dados. III. A PREPARAÇÃO PARA A CONDUÇÃO DO ESTUDO DE CASO Ao se decidir pela execução de um Estudo de Caso, deve-se ter em mente que a preparação demanda atenção para as habilidades do investigador, o seu treinamento, a preparação para a realização do Estudo de Caso, o desenvolvimento de um protocolo e a condução de um estudo piloto. (YIN, 1989). 3.1. - Habilidades do Investigador 29

Um investigador, para conduzir com sucesso um estudo de caso deve ser possuidor de habilidades que o habilitem para tal. Colwell (1990) apresenta um resumo do estudo de alguns autores (Axelrod, 1976; May, 1978; Calder, 1977; Berent, 1966; WELL, 1974 e R&D sub Committee, 1979) sobre as habilidades que um investigador deve possuir para ser bem sucedido na condução de um estudo qualitativo. Destas habilidades, segundo YIN (1989), as mais comumente encontradas são:
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Habilidade para fazer perguntas e interpretar os resultados; Habilidade para ouvir e não se deixar prender pelas suas próprias ideologias e percepções; Habilidade para adaptar-se e ser flexível para que possa ver as novas situações encontrada como oportunidades e não ameaças; Firme domínio das questões em estudo.

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Capaz de se manter protegida das vias derivadas de noções preconcebidas, incluindo as derivadas própria teoria. [ No aspecto de seleção de investigadores, é interessante notar que um dos testes psicológicos que parece atender à necessidade de avaliação destas habilidades tal como propostas por YIN (1989), é o MYERS-BRIGGS TYPE INDICATOR - MBTI, cuja descrição pode ser encontrada em CASADO, Tânia - O Diálogo entre Jung e From Dissertação de Mestrado - FEA-USP, 1991]. 3.2. - Treinamento e Preparação para um Estudo de Caso Específico O objectivo do treinamento e da preparação é o de criar condições para que o investigador possa actuar como um Investigador Senior e, uma vez no campo, possa conduzir seu próprio comportamento e tomar as decisões necessárias sem causar prejuízo para o estudo, sua validade e fidedignidade. Com relação ao treinamento específico, YIN (1989), o objectivo é dar a cada um a compreensão dos conceitos básicos, a terminologia, e as questões relevantes do estudo. De forma específica, cada investigador deve saber (1) porque o estudo está sendo feito, (2) que evidências estão sendo procuradas, (3) que variações podem ser previstas e o que pode se constituir numa evidência que suporte ou contrarie cada uma das proposições. Além disto, deve ser treinado nas práticas e procedimentos a serem adorados no campo e deve ser treinado para o domínio completo das questões do estudo. Cada investigador deve, neste processo de treinamento, ter a oportunidade de treinar e praticar cada uma das técnicas e instrumentos que serão utilizados na pesquisa para garantir que possuam a proficiência necessária para se conduzirem com autonomia quando estiverem no campo. Isto esta em acordo com a proposta de COLWELL (1990). 3.3 - O Protocolo do Estudo do Caso Este protocolo contém os procedimentos, os instrumentos e as regras gerais que devem ser seguidas na aplicação e no uso dos instrumentos e se constitui numa ática 30

para aumentar a fidedignidade da pesquisa. Segundo YIN (1989), este protocolo ou manual deve conter:

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uma visão geral do prometo do estudo de caso - objectivos, ajudas, as questões do estudo de caso e as leituras relevantes sobre os tópicos a serem investigados; os procedimentos de campo; as questões do estudo de caso que o investigador deve ter em mente, os locais, as fontes de informação, os formulários para o registro dos dados e as potenciais fontes de informação para cada questão; um guia para o relatório do Estudo do Caso.

Isto deverá actuar como facilitador para a colecta de dados, possibilitará a colecta dentro de formatos apropriados e reduzirá a necessidade de se retornar ao local onde o estudo foi realizado. 3.4. - O Estudo do Caso Piloto A preparação final do investigador na colecta de dados consiste na condução de um estudo piloto. A execução do estudo piloto, segundo YIN (1989), irá ajudar o investigador a refinar os seus procedimentos de colecta e registro de dados e dar-lheá a oportunidade para testar os procedimentos estabelecidos para esta finalidade. A condução de um estudo piloto é de extrema importância e a ele deve ser dada mais recursos do que à fase de colecta de dados do caso real (YIN, 1989. p. 80) pois, se concluir com sucesso a condução do estudo piloto, a probabilidade de sucesso na condução do estudo do caso real será bastante elevada. IV. A CONDUÇÃO DO ESTUDO DE CASO O Método do Estudo de Caso obtém evidências a partir de seis fontes de dados: documentos, registros de arquivos, entrevistas, observação directa, observação participante e artefactos físicos e cada uma delas requer habilidades específicas e procedimentos metodológicos específicos. 4.1. - Documentação A documentação, pela sua própria característica, é uma importante fonte de dados e nela as informações podem tomar diversas formas como cartas, memorandos, agendas, atas de reuniões, documentos administrativos, estudos formais, avaliações de plantas e artigos da mídia. O uso da documentação deve ser cuidadoso pois, segundo YIN (1989), eles não podem ser aceitos como registros literais e precisos dos eventos ocorridos e seu uso deve ser planejado para que sirva para corroborar e aumentar as evidencias vindas de outras fontes. Eles nos ajudam a estabelecer com clareza os títulos e os nomes das organizações mencionadas e inferências podem ser feitas a partir da análise da qualidade dos registros e dos documentos, como por exemplo, definir para quem determinados memorandos eram enviados e assim por diante (YIN, 1989, p. 86). 31

4.2. Dados Arquivados Os dados arquivados, em computador por exemplo, podem ser relevantes para muitos estudos de caso. Estes dados podem ser (YIN, 1989) dados de serviços, como número de clientes, dados organizacionais - orçamentos, mapas e quadros - para dados geográficos, lista de nomes, dados de levantamentos, dados pessoais - como salários, listas de telefone, que podem ser usados em conjunto com outras fontes de informações tanto para verificar a exactidão como para avaliar dados de outras fontes. Um cuidado a ser tomado é que, apesar de estes dados geralmente serem precisos, sua existência, por si ó, não são garantia de precisão e acurácia. Por causa disto, é sempre necessário que o investigador faça cruzamentos antes de chegar a conclusões. 4.3 Entrevistas Esta é uma das fontes de dados mais importantes para os estudos de caso, apesar de haver uma associação usual entre a entrevista e metodologia de 'survey' (YIN, 1989). A entrevista, dentro da metodologia do Estudo de Caso, pode assumir várias formas:

Entrevista de Natureza Aberta-Fechada - onde o investigador pode solicitar aos respondentes- chave a apresentação de fatos e de suas opiniões a eles relacionados; Entrevista Focada - onde o respondente é entrevistado por um curto período de tempo e pode assumir um carácter aberto-fechado ou se tornar conversacional, mas o investigador deve preferencialmente seguir as perguntas estabelecidas no protocolo da pesquisa; Entrevista do tipo Survey - que implicam em questões e respostas mais estruturadas.

De forma geral, as entrevistas são uma fonte essencial de evidências para o estudo de Caso (YIN, 1989), uma vez que os estudos de caso em pesquisa social lidam geralmente com actividades de pessoas e grupos. O problema é que isto pode sofrer a influência dos observadores e entrevistadores e, por isto, podem ser reportadas e interpretadas de acordo com as idiossincrasias de quem faz e relata a entrevista. Por outro lado, os respondentes bem informados podem fornecer importantes insights sobre a situação. Ao se considerar o uso das entrevistas, portanto, deve-se cuidar para que estes problemas não interfiram nos resultados provendo treinamento e habilitação dos investigadores envolvidos. 4.4. - Observação Directa Ao visitar o local de estudo, um observador preparado pode fazer observações e colectar evidências sobre o caso em estudo. "Estas evidências geralmente são úteis para prover informações adicionais sobre o tópico em estudo." (YIN, 1989, p.91) Para se aumentar a fidedignidade das observações, além de se ter roteiro definido no protocolo, pode-se designar mais de um observador e, após as observações, comparar os resultados das observações relatadas para se eliminar discrepâncias. 4.5. - Observação Participante 32

Este é um tipo especial de observação, na qual o observador deixa de ser um membro passivo e pode assumir vários papéis na situação do caso em estudo e pode participar e influenciar nos eventos em estudo. Este é um método que tem largo uso nas pesquisas antropológicas sobre diferentes grupos culturais e pode prover certas oportunidades para a colecta de dados que podem dar ao investigador acesso a eventos ou informações que não seriam acessados por outros métodos. O problema da observação participante é que ela tem grande capacidade de produzir vieses, pois o investigador pode assumir posições ou advogar contra os interesses das práticas cientificas recomendadas, pode assumir posições do grupo ou organização em estudo e pode ter problemas ao fazer anotações ou levantar questões sobre os eventos em perspectivas diferentes.

4.6. - Artefactos Físicos Os artefactos Físicos e Culturais também se constituem em uma fonte de evidências e podem ser colectados ou observados como parte do estudo de campo e podem fornecer informações importantes sobre o caso em estudo. Ao elaborar o Plano de Pesquisa, o investigador tem que estabelecer procedimentos que visem maximizar os resultados a serem obtidos com utilização destas seis fontes de evidência. Para auxiliá-lo nesta tarefa, YIN (1989) recomenda a aplicação de três princípios:

Princípio do Uso de Múltiplas Fontes de Evidência - esta é uma característica dos Estudos de Caso e o uso de múltiplas fontes de evidência pode ajudar o investigador a abordar o caso de forma mais ampla e completa, além de pode fazer cruzamento de informações e evidências; Princípio da Criação de um Banco de Dados do Estudo de Caso - para se registrar todas as evidências, dados, documentos e reportes sobre o caso em estudo e para torná-los disponíveis para consultas; Princípio da Manutenção de uma Cadeia de Evidências - que deve ser seguido para melhorar a fidedignidade do Estudo do Caso e tem como objectivo explicitar as evidências obtidas para as questões iniciais e como elas foram relacionadas às conclusões do estudo, servindo de orientação para observadores externos ou para aqueles que farão uso dos resultados do estudo.

V. A ANÁLISE DAS EVIDÊNCIAS NO ESTUDO DE CASO A análise de evidências no Estudo de caso é um dos menos desenvolvidos e um dos mais difíceis passos na condução de um Estudo de Caso (YIN, 1989.) Muitas vezes, um investigador inicia um estudo de caso sem uma visão muito clara das evidências a serem analisadas e podem sentir dificuldades para realizar este passo. Yin (1989) aponta que é necessário, para se fazer esta análise, se ter uma estratégia geral para a análise. "O objectivo final da análise é o de tratar as evidencias de forma 33

adequada para se obter conclusões analíticas convincentes e eliminar interpretações alternativas". (YIN, 1989, p. 106). 5.1. - Estratégias Gerais YIN (1989), apresenta duas estratégias para a análise das evidências:

Confiança nas Proposições Teóricas - Seguir as proposições teóricas estabelecidas no inicio do Estudo de Caso é, segundo YIN (1989), a melhor estratégia para a análise das evidências, uma vez que os objectivos originais e o prometo da pesquisa foram estabelecidos com base nas proposições que reflectem as questões da pesquisa, a revisão da literatura e novos insignes.

As proposições ajudam o investigador a manter o foco e a estabelecer critérios para seleccionar os dados. Ajudam também a organizar o caso e a analisar explanações alternativas.

Desenvolvimento da Descrição do Caso - Constitui-se na elaboração de um esquema descritivo para se organizar o Estudo de Caso e pode ser usado para ajuda a identificar os tipos de eventos que podem ser quantificados e como um padrão geral de complexidade para ajudar explicar.

5.2. - Modelos de Análise Mais Usados Os modelos citados por YIN (1989), como os mais usados são: Padrão Combinado - recomendado como um dos métodos mais recomendados para se fazer a análise. Compara padrões com base empírica com os padrões previstos. Se os padrões coincidem, os resultados ajudam o Estudo de Caso a aumentar a sua validade interna. Nos casos de estudos explanatórios, os padrões podem ser relacionados com as variáveis dependentes e independentes. Elaboração de Explicações - o objectivo é o de analisar o estudo de caso para elaborar explicações sobre o caso e se constitui de (a) uma acurada relação com os fatos do caso, (b) algumas considerações sobre as explicações alternativas e (c) algumas conclusões baseadas em simples explicações que pareçam mais congruentes com os fatos ( YIN, 1981, p.61). Análise de Séries Temporais - análoga às análises de séries temporais conduzidas nos experimentos e quase-experimentos e, quanto mais precisos forem os padrões, mais válidas serão as conclusões para o estudo de caso. Além destes modelos, YIN (1981) cita ainda: Distinção entre Notas e Narrativas - isto deve ser feito para evitar deixar-se levar por narrativas bem elaboradas feitas para relatar entrevistas individuais, reuniões específicas, actividades, sumários de documentos ou de relatórios individuais, que pela sua redacção podem influenciar a análise das evidências. Ater-se aos fatos é a melhor alternativa.

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Tabulação dos Eventos Significativos - se o investigador fez uso de categorias ou códigos, conforme sugerido por GOODE & HATT (1969), ele poderá usar métodos para tabular estes dados quantificados. A armadilha existente, segundo YIN (1981) ocorre quando o investigador usa categorias que são muito pequenas e muito numerosas, pois elas criarão dificuldades para o analista. Os dados quantitativos devem reflectir os eventos mais importantes do Estudo de Caso. De acordo com YIN (1989), nenhuma destas estratégias é de uso fácil e "nenhuma pode ser aplicada mecanicamente, seguindo uma receita de bolo" ( p. 125). A análise das evidências é o estágio mais difícil de ser realizado e vale ressaltar aqui a necessidade de se tomar os cuidados necessários, desde a fase de elaboração do plano de trabalho, para se evitar os perigos e as críticas que são feitas ao Estudo de Caso (Ver GOODE & HATT, 1969; YIN, 1989 e TULL & HAWKINS, 1976, por exemplo).

VI - A ELABORAÇÃO DO RELATÓRIO Normalmente, os relatórios de Estudo de Caso são longas narrativas que não seguem uma estrutura planejada, difícil tanto de ser redigida quanto de ser lida. Ao se elaborar o relatório, a primeira coisa a fazer é elaborar um esquema conceitual claro que irá orientar todo o trabalho de redacção. Ao se elaborar o relatório do Estudo de Caso, deve-se atentar para alguns aspectos importantes, como os propostos por YIN (1989):
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A audiência para o Estudo de Caso; A variedade de composições possíveis para os relatos de Estudos de Caso; A estrutura das ilustrações para o estudo de caso; Os procedimentos a serem seguidos na confecção; As características de um relatório adequado, cobrindo o prometo e o conteúdo.

Observar estes aspectos pode ajudar o investigador a elaborar um relatório de forma adequada e, assim, atender tanto aos requisitos dos leitores quanto aos de relato do estudo de caso propriamente dito. VII - CONCLUSÃO O método do Estudo de Caso, como todos os métodos de pesquisa, é mais apropriado para algumas situações do que para outras em pesquisa em Administração. Ao se decidir pelo uso deste método de pesquisa, um investigador deve ter em mente os perigos e as críticas que são normalmente feitas ao método em questão e deve tomar as precauções e cuidados necessários para evitá-los ou minimizar as suas consequências. De qualquer forma, o Método do Estudo de Caso oferece significativas oportunidades para a Administração e para os Administradores, pois pode possibilitar o estudo de inúmeros problemas de Administração de difícil abordagem por outros métodos e pela dificuldade de se isolá-los de seu contexto na vida real. 35

Este método, assim como ser estudado é amplo e insuficiente para suportar fenómeno não pode ser (BONOMA, 1985). Sumário
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os métodos qualitativos, são úteis quando o fenómeno a complexo, onde o corpo de conhecimentos existente é a proposição de questões causais e nos casos em que o estudado fora do contexto onde naturalmente ocorre.

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Tipos de Memória Fases da memorização Memorização: Vantagens e Desvantagens Factores influenciadores Técnicas de memorização

Introdução Na maioria dos casos, apenas a leitura de um texto não é suficiente para possuir conhecimentos, especialmente em matérias tão exigentes em termos de memória como a química ou a medicina. Uma leitura pode dar uma boa imagem inicial do tema, mas é necessário algo mais. Para tal é necessário um esforço voluntário, o reconhecimento de que é necessário e útil para que os conhecimentos possam ser adquiridos com uma maior eficiência. Tem de ser uma pessoa por si própria a decidir aprender para que qualquer esforço seja recompensado por um resultado final. Muitas vezes não se resume tudo apenas à memorização. Certas matérias realmente requerem uma grande dose de memorização de termos, relações e reacções. Mas outras, de natureza bastante diversa exigem a compreensão, como é o caso da matemática, dado que é impossível decorar a resolução de um exercício, antes é necessário compreender como se atinge a solução para que se consiga reproduzir o mesmo tipo de processo mas adequado a uma situação diferente. O mesmo acontece com muitos outros ramos e áreas. Na maior parte dos casos, podemos dizer que em todas as profissões é necessário decorar em primeiro lugar algumas noções e relações básicas e posteriormente é necessário compreender as excepções, os casos que se apresentam diariamente e que requerem mais do que uma simples récita do que se aprendeu. Exigem uma interpretação e uma adaptação. Daí que para o estudo de todas as matérias se comece sempre pelo mais monótono para depois se atingir o que se verifica ser um desafio. Por isso, não é talvez correcto pensar que exista um dilema entre a memorização e compreensão relativamente ao melhor método de estudo pois, na verdade, é necessária uma combinação de ambos para permitir o sucesso da aprendizagem.

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1 - Tipos de Memória Há três tipos principais de memória: a Automática, a Afectiva e a Cognitiva.

Memória automática

Esta é a memória que se relaciona com os hábitos que possuímos e com a utilização que damos a certas informações que necessitamos todos os dias. A esta memória apela algo tão básico como conduzir, mas também certas coisas como números de telefone. Quando se utiliza um determinado número todos os dias, é natural que ao fim de algum tempo ele fique na memória e já não seja necessário consultar a agenda telefónica. Daqui se retira a ideia de que a prática e a repetição são fundamentais para a memorização de tal maneira que a este nível a informação que pretendemos aparece-nos sem que tenhamos que fazer qualquer esforço para a lembrar.

Memória afectiva

Esta é a memória relacionada com as nossas experiências e recordações. Certo número de informações é obtida ao longo da nossa vida através de um contacto mais próximo com certas realidades ou mesmo em simples conversas que, pela importância de que se revestiram no momento ficarão connosco durante muito tempo. Desta forma, para que a memorização seja mais simples pode-se associar a determinadas informações dados pessoais que nos permitam uma recordação mais fácil. Deste princípio retiram-se algumas técnicas de memorização importantes.

Memória cognitiva

Memória O estabelecimento de redes lógicas no nosso pensamento favorece a reminiscência e a memória dessas relações causais. Voltamos um pouco ao princípio da compreensão, pois se algo está claro na nossa mente, é de certa forma mais fácil lembrarmo-nos disso. Daí que quando falamos muitas vezes em memorização, também está subjacente uma compreensão, pois é a melhor forma de manter uma informação durante mais tempo na nossa memória. 2 - Fases da memorização a – Estabelecimento de objectivos Em primeiro lugar é necessário enumerar a informação a memorizar e a sua urgência e aplicação. Assim, podemos estabelecer como objectivo um teste de uma matéria que irá decorrer daqui a uma semana. A partir daqui organizamos o tempo que temos disponível de forma a melhor o rentabilizar. b – Selecção As matérias a estudar necessitam, à partida, de uma selecção do que é importante e relevante, uma vez que não é necessário, nem possível, decorar toda a informação disponível. Deve ser escolhido o material mais básico a partir do qual se podem estabelecer relações causais com outras matérias que assim evitamos decorar. Assim como aquilo que se considera mais provável vir a necessitar. 37

c – Elaboração de materiais de trabalho Consoante a matéria a estudar, assim devem ser elaborados apontamentos adaptados à situação, curtos, visualmente atractivos e precisos, onde o processo de memorização se irá basear. d – Aplicação das técnicas de memorização Estas técnicas serão aprofundadas em seguida, mas existem diversos tipos, com diferente duração e aplicabilidade a cada caso. e – Revisão Finalmente e antes de se aplicar os conhecimentos estudados, é necessário certificarmo-nos de que eles foram correctamente apreendidos e para tal é útil fazer um pequeno teste, quer através de perguntas que outra pessoa possa fazer, quer através da récita de todos os conhecimentos decorados. Este teste pode revelar fraquezas que se podem corrigir antes dos exames.

3 - Memorização: Vantagens e Desvantagens As técnicas de memorização são talvez as mais fáceis de aprender e explicar pois a compreensão depende não tanto de técnicas mas sim de ginástica mental, em que só uma prática da matéria específica fornece os instrumentos necessários para a apreensão dos conhecimentos. Assim, concentrando-nos na memorização, é necessário ter em consideração, em primeiro lugar que tem vantagens e desvantagens. Vantagens:
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permite abarcar um vasto leque de conhecimentos; permite a aquisição de mecanismo mentais que facilitam o desenvolvimento intelectual; cada pessoa segue o seu ritmo de aprendizagem, uma vez que existem muitos métodos que se coadunam com cada pessoa e o seu ritmo específico; é uma das formas mais eficientes de lembrar dados que se pretende ou necessita de utilizar frequentemente.

Desvantagens:
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exige um grande nível de treino e esforço, pois a facilidade de memorização é algo que se obtém ao fim de algum trabalho; requer geralmente bastante tempo até se conseguir decorar todos os dados de que se necessita; muitas vezes os conhecimentos não ficam durante muito tempo na mente de quem os decora, sem compreender; 38

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é uma técnica de aprendizagem muito intensa, que causa bastante cansaço. 4 - Factores influenciadores No entanto, podemos identificar alguns que nos fornecem pistas para os métodos de memorização a explorar posteriormente:

Ligações afectivas

Naturalmente, é fácil lembrar-nos daquilo que gostamos, do aniversário dos nossos familiares ou amigos, das matérias ou dos assuntos que nos agradaram quando os estudámos. Desta forma podemos pensar que não vale a pena estar a tentar forçar a memorização de algo que nos desagrada profundamente porque mesmo que se consiga com um grande esforço decorar durante algum tempo, o esquecimento é extremamente rápido. Antes é mais útil encontrar algo de que gostamos realmente de estudar, pois essas são as matérias que manteremos mais facilmente e durante mais tempo na nossa memória.

Utilidade

Quando pensamos que um conjunto de informações não tem utilidade nenhuma, a motivação para o memorizar é bastante baixa. Desta forma, é necessário que os dados tenham uma aplicação prática visível para que se consiga novamente reter as informações por um período mais ou menos longo. Deste modo, é necessário apelar bastante ao raciocínio e ao sentido prático para encontrar alguma forma de aplicação dos conhecimentos, pois isso por si só já nos dá algumas ideias de como conseguir memorizá-los.

Compreensão

Assim como se devem encontrar afinidades e aplicações para os conhecimentos, também a sua correcta compreensão permite uma mais fácil memorização. Assim, é sempre útil tentar enquadrar os dados numa sequência lógica e não tentar memorizálos imediatamente sem se estabelecer previamente relações de causalidade.

Esquematização e Visualização

A memória funciona muitas vezes como uma impressão que se tem de algo estudado anteriormente. Assim, como numa fotografia, é mais fácil lembrarmo-nos da localização de um determinado tópico na página em que o inserimos do que das explicações que se inseriam dentro desse tópico. Quando lemos um jornal, aquilo que fixamos mais facilmente são as fotografias e os títulos que nos chamam mais a atenção. Por esse motivo, quando se elaboram apontamentos se deve ter o cuidado de fazer uma apresentação muito apelativa e organizada, e se possível gráfica, para que seja mais fácil a memorização dos conceitos.

Necessidade e urgência

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Quando um exame se aproxima, é mais urgente memorizar a matéria que nele se insere, mas também a maior pressão faz com que esse estudo tenha menor eficácia e dure menos. Por isso, uma memorização e compreensão com uma certa antecedência é mais benéfico para aplicações futuras dos conceitos estudados. 5 - Técnicas de memorização

Repetição

A forma mais simples de decorar uma determinada informação é exactamente repetila um determinado número de vezes até que esteja totalmente apreendida. Esta técnica é muito utilizada, mas pode ser demasiado fatigante ou mesmo pouco útil, uma vez que implica um esforço mental que resulta muitas vezes no posterior esquecimento de tudo o que foi decorado.

Imagens mentais

Esta técnica baseia-se na ideia da memória fotográfica. Para as pessoas que tenham maior facilidade em decorar imagens, aconselha-se o recurso a páginas de informação estruturada e extremamente visual que provoque uma impressão forte na memória e obrigue a uma recordação exacta. A grande desvantagem deste método é não poder ser aplicado a todas as matérias, mas apenas àquelas que tenham uma maior adaptabilidade a este tipo de estrutura.

Técnica dos espaços

Nesta técnica pretende-se utilizar a familiaridade da pessoa com determinado espaço para recordar determinada informação. Assim, por exemplo, pode-se associar a cada rua de uma pequena cidade uma ideia e o indivíduo, enquanto imagina passear-se por esses espaços vai-se recordando das informações que associou a cada um deles. Esta técnica tem a desvantagem de implicar um bom conhecimento dos espaços, o que não acontece com todos nós, mas também, que a matéria a estudar se associe com eles.

Palavras-chave

A ideia desta técnica é associar um tópico a cada palavra-chave, de modo que ao lembrarmo-nos desse termo nos recordamos de todo um raciocínio ou de toda uma matéria. Embora este método tenha nítidos benefícios do ponto de vista da compreensão da matéria, também é pouco confiável, pois a escolha de uma palavrachave é muito importante, e também aqui o esquecimento de uma dessas palavras pode ser fundamental para a perda de todo o raciocínio.

Elaboração progressiva

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Por vezes pode ser útil encadear as informações de tal maneira que elas sigam uma ordem lógica que nos permita recordar as informações que elas encerram. Esta técnica mostra-se bastante útil para descrever processos, mas para enumerar listas de características ou outras informações que pretendemos decorar, não é muito útil, devido à dificuldade de encadear os diferentes dados.

Técnica dos números

Algumas pessoas têm uma maior facilidade em recordar números do que palavras, o que pode ser comprovado, por exemplo, com os números de telefone. Para essas pessoas, a codificação de um conjunto de informações em números pode ser a forma mais fácil de adquirir todos esses dados. No entanto, esta técnica encerra também outros problemas como o excesso de codificação que pode tornar as mensagens um conjunto de informações sem sentido e de memorização ainda mais difícil.

Técnica das iniciais

Muitas pessoas têm também maior facilidade de decorar um processo ou dados como os elementos da tabela periódica, se estes formarem, com as suas iniciais uma palavra fácil de memorizar e com sentido. No entanto, também este método tem problemas pois a partir das iniciais apenas, muitas vezes é difícil lembrar quais as palavras que pretendem representar.

Rimas e jogos

O ensino de crianças passa muitas vezes por rimas e jogos, que se tornam fáceis instrumentos de memorização. Por exemplo, certas rimas para decorar o nome dos meses e do número de dias que os compõem ou mesmo o ritmo que se imprime à tabuada para que quase se assemelhe a uma cantiga são formas de memorização mais fáceis de implementar. Este tipo de métodos muitas vezes recorre a palavras que soam a outras e que têm um sentido caricato na frase, o que faz com que a memória os fixe mais facilmente pois apela á sua componente afectiva. Para matérias mais complexas, é, no entanto, difícil de aplicar e geralmente baseia-se em jogos tradicionais, que não incluem muitas das novas matérias a estudar. Elaboração de Apontamentos 1-Vantagens dos apontamentos Os apontamentos ou notas são registos curtos e sintéticos de uma comunicação oral ou escrita. Geralmente associa-se as notas ou apontamentos apenas ao estudo mas isso não é necessariamente verdade. Em muitas situações da vida profissional, familiar ou social as notas revelam-se extremamente importantes e os bons hábitos que se adquirem durante o tempo de estudante são muitas vezes úteis. Por exemplo, quando se inicia um trabalho diferente ou mesmo habitualmente em profissões como o jornalismo ou o ensino, os apontamentos são necessários para absorver e aplicar os conhecimentos. As principais razões que tornam os apontamentos tão importantes são várias: 41

Dificuldade de memorização - quase sempre é difícil recordar com precisão os procedimentos que nos foram ensinados e até que se atinja um nível de prática suficientemente grande, é necessário consultar as notas pois a nossa memória é falível e por vezes distorce mesmo as informações. Ganhos de tempo quando se fazem notas sobre um livro ou sobre uma aula ou reunião, elas apresentam-nos a informação que necessitamos de uma forma muito mais abreviada e sintética; os estudantes utilizam os apontamentos para resumir a matéria de um ano inteiro em algumas páginas para que seja mais fácil e rápido o estudo, não recorrendo às sebentas, que por vezes possuem muita informação ainda em bruto ou com detalhe excessivo. Maior atenção - quando existe uma preocupação em tirar notas de uma aula ou de um livro, naturalmente que a atenção para o assunto é muito maior porque por um lado é necessário seleccionar o mais importante e por outro lado é também fundamental ouvir ou ler bem para não registar falsas informações. Acumulação de conhecimentos - a construção de apontamentos permite criar uma base de conhecimentos e de ideias que facilitarão a compreensão de matérias mais avançadas, eliminando a necessidade de aprender tudo à última hora e tornando mais fácil o estudo para os exames. Formação - o treino que se obtém construindo apontamentos vai permitir que estes sejam cada vez mais úteis, compreensíveis e rápidos; a prática vai fazer com que o conjunto de sinais convencionados se alargue e que seja utilizado com tanta naturalidade que já se inseriu no quotidiano de quem os utiliza.

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2 - Esquemático Estes apontamentos caracterizam-se por esquemas, diagramas ou mapas que representem a matéria exposta de uma forma visualmente atractiva e simplificada sem que seja necessário recorrer a um texto compacto. Este método é bastante útil para certo tipo de assuntos que se prestem a um tratamento tão específico, mas também pode ser adaptado com alguma imaginação à maioria das matérias. Exige, no entanto uma capacidade de síntese, de compreensão dos factores mais importantes e de possuir a ideia geral para que se possa planear a estrutura a elaborar. Muitas vezes os próprios professores planeiam estas estruturas que apresentam aos seus alunos para que estes possam mais facilmente identificar o que é importante. A grande desvantagem deste método é realmente implicar uma dose de esquematização muito grande à qual nem todas as pessoas ou assuntos se prestam. 3 - Palavras chave Este tipo de apontamentos é bastante curto e consiste em retirar apenas da comunicação ou livro as palavras que melhor descrevem o objecto em análise.

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Podem ser utilizados para aulas uma vez que a síntese é muito importante e o professor raramente fala suficientemente devagar para permitir a recolha de notas mais pormenorizadas. Se se retirar o fundamental da aula através de algumas palavras-chave, posteriormente, e com o auxílio da bibliografia aconselhada é possível reconstruir a maior parte do discurso através das ideias registadas. Também para a elaboração de resumos de livros esta técnica é bastante útil pois permite individualizar imediatamente aquilo de que trata sem que se tenha de descrever exaustivamente o conteúdo, facultando a leitura da parte que se deseja. No entanto esta técnica tem desvantagens pois peca por ser demasiado resumida e por dar uma noção incompleta do assunto. Este método não deve ser utilizado para fazer apontamentos de estudo mas sim apontamentos iniciais. Para pessoas com uma boa memória e que a partir de algumas palavras consigam recordar-se do assunto é útil, mas para aquelas que se esquecem facilmente, algumas palavras podem não ser suficientes para servir como base para raciocínio. 4 – Resumos Em certos casos é mais fácil sintetizar a ideia de um livro ou da totalidade de uma aula através de um parágrafo que explicite as ideias que ficaram na nossa mente depois de absorver os conhecimentos. Este processo implica geralmente que seja feito imediatamente a seguir às aulas ou leituras efectuadas ou numa pausa. Implica um texto estruturado e correcto do ponto de vista gramatical. A estrutura utilizada exige um maior esforço de elaboração de um texto. É mais utilizado quando o conhecimento da matéria exposta é suficiente para permitir uma total compreensão do assunto de modo a que se consiga estruturar e escrever as ideias principais. É um método um pouco falível que se baseia na memória e na capacidade de compreensão que não é muito utilizado, também pelo trabalho que acarreta. Muitas vezes é utilizado para completar as notas por tópicos que se registaram durante a exposição. 5 - Tópicos A ideia subjacente a este conceito é resumir em frases curtas uma ideia expressa numa exposição oral de alguns minutos ou de um capítulo de um livro. É uma forma mais longa mas talvez mais compreensível de registar apontamentos pois embora demore mais tempo é mais clara do que a simples utilização de palavras-chave. Pode ser utilizado em conferências onde não temos uma ideia muito clara da matéria ensinada ou em livros mais técnicos e de difícil compreensão. Servem, no entanto objectivos um pouco mais limitados uma vez que podem não abarcar todos os conceitos expostos assim como a sua explicação. 43

É também particularmente útil para pessoas que tenham maior facilidade em compreender e elaborar o seu raciocínio através de um mote e não apenas de palavras soltas. Os inconvenientes deste método são o maior trabalho e tempo que implicam. A escrita de uma frase com lógica é mais difícil numa situação de pressão como uma aula ou uma exposição oral, mas pode ser mais facilitada se se tratar do resumo de um livro. 5 - Preparação Qualquer que seja o método a utilizar, é necessário executar algumas preparações para que a escrita de apontamentos seja mais eficiente:

Suporte - o suporte de escrita a utilizar deve ser durável, isto é, não devem ser utilizadas folhas soltas que se perdem facilmente e se podem misturar; é sempre mais vantajoso possuir um caderno onde as informações são ordenadas e compactadas, sendo fácil encontrar aquilo que se procura. Relembrar - quando nos preparamos para assistir a uma aula, ler um livro técnico ou participar numa reunião, é boa política perder alguns momentos a reler o que foi aprendido anteriormente ou os conceitos mais importantes por detrás da matéria a iniciar para que a compreensão seja mais rápida e para que não se perca tempo durante a escrita à procura de uma ideia que não ficou muito clara.

6 - Estruturação dos apontamentos É necessário estruturar os apontamentos segundo dois vectores principais:

Estruturar a página - é necessário deixar bastantes espaços entre pontos e capítulos para que mais tarde possam ser feitas anotações e se possam destacar os aspectos mais importantes.; deve ainda fazer-se uma numeração para que seja mais fácil encontrar e estruturar a matéria de modo a facilitar o estudo; também, por vezes, é útil dividir as páginas em diferentes áreas, por exemplo deixando uma coluna para as palavras-chave, outra para observações e uma principal para os tópicos ou texto dos apontamentos. Estruturar a informação - em relação ao conteúdo dos apontamentos, é útil dividir em capítulos e em tópicos, mesmo um texto ou uma comunicação extensa e aparentemente pouco estruturada; é importante ter uma apresentação muito visual e facilmente legível para memorizar a matéria mais facilmente.

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7 - Características das notas 44

Bons apontamentos são aqueles que possuam um determinado número de características que permitam a sua correcta e eficiente utilização. Podemos identificar algumas destas características. Pessoais - as notas são registadas em primeiro lugar para si próprio, daí que devam obedecer aos esquemas mentais do seu escritor para se tornarem compreensíveis para este; cada pessoa deve desenvolver a sua forma própria de fazer apontamentos pois só assim poderá fazê-lo utilizando todo o potencial que possui. Acessíveis - a linguagem a utilizar deve ser, dentro do possível, fácil de descodificar para que não se perca demasiado tempo a tentar entendê-los, mas também uma estrutura bem elaborada é uma condição muito importante para a sua acessibilidade. Adaptáveis - bons apontamentos podem ser utilizados como referência durante um longo período de tempo para suprirem diferentes necessidades, quer na vida estudantil para realizar testes, exames ou trabalhos ou mesmo posteriormente na vida profissional para aplicar às diversas situações como reuniões, entrevistas ou discussões. Abrangentes - os apontamentos devem incluir um vasto leque de informações para que se estabeleçam ligações entre as diversas matérias, em especial naquelas onde o conhecimento prévio é reduzido. Curtos - quanto mais reduzidos forem os apontamentos mais estarão a realizar a sua tarefa de simplificar e auxiliar o estudo. Embora tudo o que é essencial deva ser incluído, também é indispensável eliminar o supérfluo, para que as notas não fiquem difíceis de ler e pouco eficientes. Precisos - é necessário ter o cuidado de verificar se as notas que se tomam estão certas pois erros de registo, compreensão ou mesmo do próprio orador ou livro acontecem, daí que nada se deva registar sem que haja uma total compreensão do assunto; nada fica mais claro mesmo que seja lido vezes sem conta se, quando foi registado inicialmente, não se compreendia. Apelativos - o estudo pode ser uma actividade muito monótona e enfadonha e tornar os apontamentos mais atraentes e legíveis é um bom método para reduzir a saturação e permitir uma dedicação mais intensa e produtiva. 8 - Revisão das notas A tarefa que se segue quando as nota são concluídas é o seu estudo e revisão. Em primeiro lugar é necessário completar as informações que se obtiveram na aula, ou no livro ou reunião. Para isso devem reler-se as notas o mais rapidamente possível depois da sua escrita, pois só assim nos podemos ainda lembrar de algo que ficou menos claro na exposição ou que o professor não explicou suficientemente. É pois necessária uma pesquisa e uma leitura atenta dos apontamentos, seguida de uma consulta aos colegas ou ao professor quando um assunto não ficou devidamente esclarecido. Para isso é importante deixar espaços quando se elaboram os apontamentos de modo a colocar as observações e dúvidas no local em que elas são mais apropriadas. Também é nesta fase posterior que se procuram encontrar 45

exemplos para as teorias e assuntos debatidos para comprovar ou refutar aquilo que foi exposto. Por outro lado, uma tarefa de estruturação e embelezamento pode também ser útil nesta fase, quer para tornar mais fácil a leitura, quer para ter a certeza de que os conhecimentos ficaram devidamente registados e assentes. Para isso recomenda-se uma divisão em partes, capítulos e sub-capítulos com o uso de sublinhados e cores diversas que chamem a atenção para as palavras-chave, para as divisões e para os assuntos mais importantes. Por fim, o estudo e leitura das notas deve ser feito com toda a atenção e segundo as necessidades podendo servir de base para a realização de exercícios ou experiências ou como ponto de partida para o estudo de uma disciplina, permitindo um conhecimento geral que poderá eventualmente ser mais aprofundado através da bibliografia recomendada. 8 - Técnicas de escrita rápida Para fazer apontamentos e notas, é necessário utilizar técnicas de escrita básica que se baseiam numa escrita de tipo telegráfico em que se anulam os artigos e a maior parte dos verbos de forma a registar rapidamente as ideias. Também a utilização de abreviaturas e símbolos facilita bastante a escrita. É necessário construir um conjunto de símbolos que sejam compreensíveis para quem escreve e lê os apontamentos, mas o seu uso não pode ser excessivo ou os apontamentos tornam-se incompreensíveis. Algumas das abreviaturas e símbolos mais usados podem ser sistematizados: Conselhos sobre a realização de apontamentos Sintetizando tudo aquilo que foi exposto anteriormente, podemos incluir alguns conselhos finais que poderão ajudar os estudantes e profissionais na realização dos seus apontamentos. Utilizar as próprias palavras - sinónimo de que se percebeu aquilo que estava a ser exposto é a utilização das próprias palavras e não a simples transcrição do que se leu e ouviu; por outro lado, torna a posterior leitura muito mais fácil; Não abusar das abreviaturas - um texto com excesso de abreviaturas pode até tornar-se um enigma para o seu responsável daí que estas devam ser limitadas ao nível útil; Utilizar alinhamentos e numerações - este tipo de instrumentos torna mais clara a verdadeira dimensão do documento que produzimos e dos assuntos focados; Pensar antes de escrever - muitas pessoas procuram transcrever mecanicamente apenas o que o comunicador transmite confiando que a posterior leitura irá tornar tudo claro, mas isso não acontece em muitos casos; mais vale ter menos informações mas que essas sejam explícitas; 46

O conteúdo interessa mais do que a forma - apesar de se pretender que os apontamentos sejam o mais apelativos possível, é ainda mais importante a matéria que eles incluem; as preocupações com a forma têm que ser relegadas para segundo plano e reservadas para o período após a comunicação; Datar as informações - é importante referir a data em que se registou determinada informação pois isso irá permitir uma maior facilidade na comunicação com os colegas e na resolução das dúvidas; também uma data pode ser muito importante para a própria organização dos apontamentos e para que estes possam ser utilizados mais tarde e com outros fins; Suprimir pormenores e informações supérfluas - é importante, quando se registam as notas identificar aquilo que é relevante pois é impossível escrever tudo aquilo que se ouve ou lê; deste modo, uma supressão dos detalhes menos significantes é imprescindível.

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MAPUTO, 18 de Março de 2008

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