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NÚCLEOS INTEGRALISTAS DO ESTADO

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Vinicius de Moraes
Gumercindo Rocha Dorea

Vinicius de Moraes,
Afinal, vestiu – ou não – a camisa-verde dos integralistas?

Poucos são os escritores, tanto poetas quanto prosadores, que merecem a atenção – uma
desmesurada atenção – dos resenhistas ou noticiaristas da mídia, como o poeta, o
cronista e autor de musica popular Vinicius de Moraes, atenção que culminou, há
poucos anos, com a publicação de sua Poesia completa e prosa, volume imenso de 1.571
paginas, pela Nova Aguilar, em 1998, e que prossegue, incansavelmente, sem
perspectiva de interrupção.

Não se pretende, aqui, mergulhar na produção intelectual de Vinicius. A outros, e em


melhor oportunidade, já foi dada esta chance, em paginas inúmeras de jornais de grande
circulação, onde as suas mutações são devidamente avaliadas.

Um momento, entretanto, da existência de nosso poetinha (como por muitos e


denominado) merece aqui ser anotado: o que se encerra em seus primeiros livros, aos
quais Octavio de Faria dedicou a metade e uma substanciosa obra, a outra metade
dedicada a Augusto Frederico Schmidt: Dois poetas.

No volume da Nova Aguilar, essa fase e classificada como O sentimento de sublime e,


por ela, Vinicius e associado ao grupo de intelectuais brasileiros prenhe da agonia
católica, onde se agasalhavam vultos como o citado Schmidt, o próprio Octavio, Otto
Lara Resende, Pedro Nava, etc...

Estamos na época pos-revolução de 1930, quando no Brasil uma juventude sequiosa de


mudanças políticas e sociais se atirava febrilmente para compor as hostes da Ação
Integralista Brasileira, cuja doutrina, o Integralismo, fora lançado por um escritor de
projeção, Plínio Salgado, ou para os quadros do Partido Comunista Brasileiro, então em
grande fermentação, juntamente com outros movimentos de esquerda que não
aceitavam a submissão religiosa que seus acólitos votavam a Stalin. Foi o momento em
que universitários da Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, como San Thiago Dantas,
Antonio Galotti, Vicente Chermont de Miranda também conviveram com Vinicius de
Morais. Com uma característica, entretanto: quase todo grupo do celebre CAJU
envergava a camisa-verde do Integralismo. O que acontece, porem, com Vinicius?
Vestiu ele – ou não – a camisa-verde?...
Um depoimento taxativo, a nosso ver, soluciona o problema. Esta la, no livro de Joel
Silveira e Genaton Moraes Neto, Hitler- Stalin, o pacto maldito (ed. Record, RJ, 1989.
p.464), o depoimento do jornalista Pompeu de Souza, claramente escrito:

“Conheci companheiros nossos usando camisa-verde, como Neiva Moreira, San Tiago
Dantas, Dom Helder Câmara. Depois que o tempo passa, a gente faz a síntese a partir
da tese e da antítese e chega a seguinte conclusão: naquela época, as contradições e os
problemas eram tão gritantes que quem tivesse caráter ou era comunista ou era
integralista nesse pais. Eu não compreendia os integralistas; odiava-os e brigava com
eles. E ate Vinicius de Moraes eu cheguei a conhecer de camisa-verde, embora depois
ele negasse terminantemente. Mas eu conheci magrinho – e de camisa-verde”

Vinicius de Moraes, então, se vestiu a camisa-verde, grande honra para ele, pois ela foi
uma característica marcante na vida política e cultural brasileira de grande parte do
século XX, marcando profundamente o ritmo histórico do Brasil. E se desistiu, no meio
do caminho, embrenhando-se em rumo diferente, abandonando os seus companheiros,
não há porque recriminá-lo: ele usufruiu de uma característica fundamental do ser
humano – o direito de escolha.
Para o bem ou para o mal.

Autor: Gumercindo Rocha Dorea

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