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Tópicos de Matemática Financeira Prof.: Me. Jaime Martins de Sousa Neto Fevereiro / 2013

Tópicos de Matemática Financeira

Prof.: Me. Jaime Martins de Sousa Neto

Fevereiro / 2013

SUMÁRIO

1.

INTRODUÇÃO À MATEMÁTICA FINANCEIRA

4

1.1.

Conceitos básicos

4

1.2.

Taxa unitária

4

1.3.

Fator de capitalização

5

1.4.

Fator de descapitalização

5

1.5.

Acréscimo e desconto sucessivo

6

1.6.

Exercícios

6

2.

Calculadoras financeiras

8

3.

JUROS SIMPLES

9

3.1.

Cálculo do juro

9

3.2.

Montante

11

3.3.

Taxa nominal e proporcional

11

3.4.

Taxa equivalente

12

3.5.

Períodos não inteiros

13

3.6.

Juro Exato e Juro Comercial

13

3.7.

Valor nominal e valor atual

14

3.7.1. Diagramas de capital (Fluxo de Caixa)

14

3.7.2. Valor nominal

15

3.7.3. Valor atual

15

3.7.4. Valor futuro

16

Estudo Dirigido 1 - Juros Simples (Juro e Montante)

17

3.8.

Descontos

19

3.8.1. Desconto racional ou desconto “por dentro”

19

3.8.2. Desconto comercial ou desconto “por fora”

20

3.8.3. Desconto bancário

21

3.8.4. Taxa de juros efetiva

22

3.8.5. Relação entre desconto racional e comercial

22

Estudo Dirigido 2 Juros Simples (Descontos)

23

4.

JUROS COMPOSTOS

25

4.1.

Montante

26

4.2.

Cálculo do juro

26

4.3.

Valor atual e valor nominal

26

4.4.

Taxas equivalentes

27

4.5.

Períodos não inteiros

28

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4.7.

Juros compostos na calculadora financeira

29

Estudo Dirigido 3 Juros Compostos (Juro e Montante)

31

4.8. Equivalência de capitais

33

 

4.8.1. Capitais equivalentes

34

4.8.2. Valor atual de um conjunto de capitais

34

4.8.3. Conjuntos equivalentes de capitais

35

4.9. Séries de pagamentos ou recebimentos

36

 

4.9.1. Séries de pagamentos ou recebimentos uniformes

36

4.9.2. Séries de pagamentos ou recebimentos não uniformes

38

Estudo Dirigido 4 Juros Compostos (Equivalência de Capitais)

40

5.

INFLAÇÃO, ÍNDICES E JUROS REAIS

42

5.1.

Inflação e deflação

42

5.2.

Índices de preços

43

5.2.1.

Como usar um índice de preços

44

5.3.

Taxas de juros aparente e real

46

Estudo Dirigido 5 Inflação, índices e juros reais

47

6.

EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS

49

6.1.

Definições básicas

49

6.2.

Sistema de Amortização Constante (SAC)

49

6.3.

Sistema de Amortização Francês (SAF)

51

6.3.1.

Sistema Price

52

Estudo Dirigido 6 Empréstimos e Financiamentos

54

REFERÊNCIAS

56

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1.

INTRODUÇÃO À MATEMÁTICA FINANCEIRA

1.1.

Conceitos básicos

Alguns termos e definições utilizadas no estudo da Matemática Financeira.

Capital: qualquer quantidade de dinheiro, que esteja disponível em certa data, para ser aplicado numa operação financeira.

Juro: custo do capital durante determinado período de tempo.

Taxa de Juros: unidade de medida do juro que corresponde à remuneração paga pelo uso do capital, durante um determinado período de tempo. Indica a periodicidade dos juros.

Observação: em nosso curso usaremos a taxa unitária para que o cálculo fique simplificado, quando estivermos utilizando fórmulas para realizar os cálculos.

Montante: capital empregado mais o valor acumulado dos juros.

Observação: MONTANTE = CAPITAL + JUROS (independe se estamos falando em capitalização simples ou capitalização composta).

Capitalização: operação de adição dos juros ao capital.

Regime de Capitalização Simples: os juros são calculados periodicamente sobre o capital inicial e, o montante será a soma do capital inicial com as várias parcelas de juros, o que equivale a uma única capitalização.

Regime de Capitalização Composta: incorpora ao capital não somente os juros referentes a cada período, mas também os juros sobre os juros acumulados até o momento anterior.

Desconto: é o abatimento que se faz sobre um valor ou um título de crédito quando este é resgatado antes de seu vencimento. Todo título tem um valor nominal ou valor de face que é aquele correspondente à data de seu vencimento. A operação de desconto permite que se obtenha o valor atual ou valor presente do título em questão.

Observação: VALOR ATUAL (VALOR PRESENTE) = VALOR NOMINAL (VALOR

DE FACE) DESCONTO (independe se estamos falando em capitalização simples ou composta).

1.2. Taxa unitária

DEFINIÇÃO: quando pegamos uma taxa de juros e dividimos o seu valor por 100, encontramos a taxa unitária.

A taxa unitária é importante para nos auxiliar a desenvolver todos os cálculos em matemática financeira.

Pense na expressão 20% (vinte por cento), ou seja, esta taxa pode ser representada por uma fração, cujo numerador é igual a 20 e o denominador é igual a 100.

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Ex:

 

20%

= 20 ÷ 100

=

0,20

1,5%

= 1,5 ÷ 100

= 0,015

230%

= 230 ÷ 100

=

2,30

1.3.

Fator de capitalização

Vamos imaginar que certo produto sofreu um aumento de 20% sobre o seu valor inicial. Qual novo valor deste produto?

Claro que se não sabemos o valor inicial deste produto fica complicado para calcularmos, mas podemos fazer a afirmação abaixo:

O produto valia 100% sofreu um aumento de 20%, logo está valendo 120% do seu valor

inicial.

Como vimos no tópico anterior (1.2 taxas unitárias), podemos calcular qual o fator que podemos utilizar para calcular o novo preço deste produto, após o acréscimo.

Fator de capitalização = 120 ÷ 100 = 1,20

O Fator de capitalização Trata-se de um número no qual devo multiplicar o meu produto

para obter como resultado final o seu novo preço, acrescido do percentual de aumento que desejo utilizar.

Assim se o meu produto custava R$ 50,00, por exemplo, basta multiplicar R$ 50,00 pelo meu fator de capitalização por 1,2 para conhecer seu novo preço, neste exemplo será de R$

60,00.

CÁLCULO DO FATOR DE CAPITALIZAÇÃO: basta somar 1 com a taxa unitária, ou seja, 1 + 0,20 = 1,20.

1.4. Fator de descapitalização

Vamos imaginar que certo produto sofreu um desconto de 20% sobre o seu valor inicial. Qual novo valor deste produto?

Claro que se não sabemos o valor inicial deste produto fica complicado para calcularmos, mas podemos fazer a afirmação abaixo:

O produto valia 100% sofreu um desconto de 20%, logo está valendo 80% do seu valor

inicial.

Como vimos no tópico anterior (1.1 taxas unitárias), podemos calcular qual o fator que podemos utilizar para calcular o novo preço deste produto, após o acréscimo.

Fator de descapitalização = 80 ÷ 100 = 0,80.

O Fator de descapitalização trata-se de um número no qual devo multiplicar o meu produto

para obter como resultado final o seu novo preço, considerando o percentual de desconto

que desejo utilizar.

Assim se o meu produto custava R$ 50,00, por exemplo, basta multiplicar R$ 50,00 pelo meu fator de descapitalização por 0,8 para conhecer seu novo preço, neste exemplo será de R$ 40,00.

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CÁLCULO DO FATOR DE DESCAPITALIZAÇÃO: Basta subtrair o valor do desconto expresso em taxa unitária de 1, ou seja, 1 - 0,20 = 0,80.

1.5. Acréscimo e desconto sucessivo

Os bancos vem aumentando significativa as suas tarifas de manutenção de contas. Estudos mostraram um aumento médio de 30% nas tarifas bancárias no 1º semestre de 2009 e de 20% no 2° semestre de 2009. Assim podemos concluir que as tarifas bancárias tiveram em média suas tarifas aumentadas em:

a) 50%

b) 30%

c) 150%

d) 56%

e) 20%

Ao ler esta questão, muitos alunos se deslumbram com a facilidade e quase por impulso marcam como certa a alternativa “a” (a de “apressadinho”).

Ora, estamos falando de acréscimo sucessivo, vamos considerar que a tarifa média mensal de manutenção de conta no início de 2009 seja de R$ 10,00, logo teremos:

Após receber um acréscimo de 30% 10,00 x 1,3 (ver tópico 1.3) = 13,00

Agora vamos acrescentar mais 20% referente ao aumento dado no 2° semestre de 2009 13,00 x 1,2 (ver tópico 1.3) = 15,60. Ou seja, as tarifas estão 5,60 mais caras que o início do ano.

Como o valor inicial das tarifas eram de R$ 10,00, concluímos que as mesmas sofreram uma alta de 56% e não de 50% como achávamos anteriormente.

RESOLVENDO DE FORMA DIRETA

Basta multiplicar os fatores de capitalização, como aprendemos no tópico 1.3

Fator de Capitalização para acréscimo de 30% = 1,3

Fator de Capitalização para acréscimo de 20% = 1,2

1,3 x 1,2 = 1,56

Logo as tarifas sofreram uma alta média de: 1,56 1 = 0,56 = 56%

1.6.

Exercícios

1.6.1.

(VUNESP) Ana e Lúcia são vendedoras em uma grande loja. Em maio elas tiveram

exatamente o mesmo volume de vendas. Em junho, Ana conseguiu aumentar em 20% suas vendas, em relação a maio, e Lúcia, por sua vez, teve um ótimo resultado, conseguindo superar em 25% as vendas de Ana, em junho. Portanto, de maio para junho o volume de vendas de Lúcia teve um crescimento de:

(A)

(B)

(C)

35%

45%

50%

(D)

(E)

60%

65%

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1.6.2. Um produto sofreu em janeiro de 2009 um acréscimo de 20% sobre o seu valor, em

fevereiro outro acréscimo de 40% e em março um desconto de 50%. Neste caso podemos

afirmar que o valor do produto após a 3ª alteração em relação ao preço inicial é:

(A)

10% maior

(B)

10 % menor

(C)

Acréscimo superior a 5%

(D)

Desconto de 84%

(E)

Desconto de 16%

1.6.3. O professor Jaime perdeu 20% do seu peso de tanto “trabalhar” na véspera da prova

do ENADE, após este susto, começou a se alimentar melhor e acabou aumentando em 25% do seu peso no primeiro mês e mais 25% no segundo mês. Preocupado com o excesso de peso, começou a fazer um regime e praticar esporte e conseguiu perder 20% do seu peso. Assim o peso do professor Jaime em relação ao peso que tinha no início é:

(A)

8% maior

(B)

10% maior

(C)

12% maior

(D)

10% menor

(E)

Exatamente igual

1.6.4. (VUNESP) - O mercado total de um determinado produto, em número de unidades

vendidas, é dividido por apenas duas empresas, D e G, sendo que em 2003 a empresa D teve 80% de participação nesse mercado. Em 2004, o número de unidades vendidas pela empresa D foi 20% maior que em 2003, enquanto na empresa G esse aumento foi de 40%. Assim, pode-se afirmar que em 2004 o mercado total desse produto cresceu, em relação a

2003:

(A)

24 %

(B)

28 %

(C)

30 %

(D)

32 %

(E)

60 %

2. Calculadoras financeiras

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Na prática, os profissionais que trabalham com gestão em finanças precisam de algumas ferramentas que deem praticidade e muita precisão nos cálculos financeiros. Qualquer desconsideração, às vezes, de uma casa decimal, pode significar uma quantia considerável, principalmente quando se trabalha com montantes de alto valor. Por isso, é muito comum o uso de calculadoras financeiras, em especial, a calculadora HP 12C. Assim, nos próximos capítulos será explicado como efetuar os cálculos diretamente através da calculadora HP 12C (Figura 1), que é a calculadora financeira mais conhecida e difundida no Brasil.

calculadora financeira mais conhecida e difundida no Brasil. Figura 1 - Calculadora financeira HP 12C A

Figura 1 - Calculadora financeira HP 12C

A seguir, são apresentados os principais comandos da calculadora financeira HP 12C usados na resolução de problemas financeiros.

n i PV PMT FV CHS f g Onde: n = prazo (ou período) da
n
i PV
PMT
FV
CHS
f g
Onde:
n = prazo (ou período) da operação;

i = taxa de juros por período. Lembrando que nos programas de cálculo da HP 12C a taxa deve ser inserida na forma percentual, isto é, não deve ser dividida por 100; PV = valor presente (Present Value) ou capital inicial ou principal; PMT = Pagamento de Montante Temporário, que são os pagamentos iguais e periódicos (fluxos de caixa) ou as prestações; FV = valor futuro (Future Value) ou montante; CHS = troca de sinal (Change Sign). Tecla usada para trocar o sinal de um número.

f e g = A mesma tecla pode ser usada em até três funções diferentes: função normal (em

branco), função azul (antecedidas das teclas g) e função amarela (antecedidas da tecla f).

A calculadora HP 12C trabalha com fluxos de caixa, que significa ter saídas e entradas de capital.

Em alguns exemplos dessa apostila, serão demonstrados cálculos feitos com recursos disponíveis na calculadora financeira HP 12C.

3. JUROS SIMPLES

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Os juros são ditos simples quando não ocorre a capitalização dos mesmos, ou seja, não é cobrado juro dos juros. Calcula-se o juro de um período e sobre ele não é mais calculado juro, mesmo que o valor não seja pago.

Linearmente, os juros incidem exclusivamente sobre o principal (capital inicialmente aplicado) e geram, consequentemente, remuneração (ou custos) proporcional ao capital e ao prazo envolvidos na operação. Os juros simples comportam-se como uma Progressão Aritmética (PA).

Na teoria neoclássica dos fundos de empréstimos, os juros constituem compensação pela “espera” (abstenção do consumo) ao deixar de dispor de dinheiro no presente. A renúncia de parte do consumo presente (poupança) ocorre para se adquirir condições de aumentar o consumo futuro (investimento). A taxa de juros, portanto, é determinada conjuntamente pela poupança (oferta de fundos) e pelo investimento (demanda ou procura de fundos).

fundos) e pelo investimento (demanda ou procura de fundos). Figura 2- Interação entre a oferta de

Figura 2- Interação entre a oferta de fundos e a procura de fundos

A

oferta de fundos é influenciada pelo nível de riqueza, preferências temporais das pessoas

e

taxa de juros das aplicações.

Já a procura de fundos é determinada pela rentabilidade das aplicações e preferência temporal.

Assim, o custo real de um empréstimo é dado pela soma entre a taxa de juros, o custo do risco associado a esse empréstimo e ao custo dos impostos e dos serviços cobrados na ocasião do empréstimo. No entanto, a inflação provoca uma variação no custo real dos empréstimos. Portanto iremos admitiremos a hipótese de mercado perfeito, onde se deve obedecer a três premissas:

a) qualquer valor pode ser obtido ou aplicado à taxa de juros de equilíbrio;

b) as taxas são únicas e estáveis ao longo do tempo;

c) nas aplicações serão introduzidas as correções necessárias.

3.1. Cálculo do juro

O juro (J) é determinado através de um coeficiente referido a um dado intervalo de tempo.

Tal coeficiente corresponde à remuneração da unidade de capital empregado por um prazo

igual àquele da taxa.

Ex 1 : Qual o juro que rende um capital de R$ 1.000,00 aplicado por 1 ano à uma taxa de 10% ao ano?

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Resolução: Juro = (1.000) x 10/100 x 1 = R$ 100,00

Na calculadora HP 12C, a sequência de comandos que resolveria o problema seria:

 

Comandos

Significado

f

REG

 

Limpa os registradores de armazenamento

1000

CHS PV

Introduz o valor presente como número negativo

10

i

 

Informa a taxa de juros (anual)

360

n

Introduz o prazo (em dias)

f

INT

 

Calcula o valor dos juros = R$ 100,00

OBS: Em juros simples, o período “n” e a taxa “i” devem estar expressos, ou serem convertidos, para dia e taxa anual, respectivamente.

Ex 2 : Suponhamos que se tome emprestado a quantia de R$ 1.000,00 pelo prazo de 2 anos à taxa de 10% a.a. Qual será o valor pago como juro?

Resolução: Capital inicial (C) = R$ 1.000,00 Taxa de juros (i) = 10% a.a. Número de períodos (n) = 2 anos

J = 1.000,00 x 0,10 x 2 = R$ 200,00

Na calculadora HP 12C, a sequência de comandos que resolveria o problema seria:

 

Comandos

Significado

f

REG

 

Limpa os registradores de armazenamento

1000

CHS PV

Introduz o valor presente como número negativo

10

i

 

Informa a taxa de juros (anual)

720

n

Introduz o prazo (em dias)

f

INT

 

Calcula o valor dos juros = R$ 200,00

Portanto, o cálculo dos juros simples pode ser obtido pela seguinte fórmula:

Onde:

J  Cin
J  Cin

J: valor do juro;

C: capital inicial ou principal;

i: taxa de juros;

n: número de períodos.

Ex 3 : Quanto rende um principal de R$ 100,00 aplicado à taxa de 5% ao semestre por um prazo de 2 anos?

Resolução: Capital inicial (C) = R$ 100,00 Taxa de juros (i) = 5% a.s.= 0,05 a.s. Número de períodos (n) = 2 anos = 4 semestres

J = Cin

J = 100,00 x 0,05 x 4 = R$ 20,00

Na calculadora HP 12C, a sequência de comandos que resolveria o problema seria:

Tópicos de Matemática Financeira Prof.: Me. Jaime Martins de Sousa Neto

 

Comandos

Significado

f

REG

Limpa os registradores de armazenamento

100

CHS PV

Introduz o valor presente como número negativo

10 i

Informa a taxa de juros (anual)

720

n

Introduz o prazo (em dias)

f

INT

Calcula o valor dos juros = R$ 20,00

3.2. Montante

Define-se como montante (N) de um capital, aplicado à taxa i pelo prazo de n períodos, como sendo a soma do juro mais o capital inicial.

N = C + J

N = C + Cin

N = C(1+in)

Ex 4 : Qual é o montante de um capital de R$ 1.000,00 aplicado à taxa de 10% a.a. pelo prazo

de 2 anos?

Resolução:

N = 1.000 (1+0,10 x 2) = R$ 1.200,00

Na calculadora HP 12C, a sequência de comandos que resolveria o problema seria:

   

Comandos

Significado

f

REG

Limpa os registradores de armazenamento

1000 CHS PV

Introduz o valor presente como número negativo

10 i

Informa a taxa de juros (anual)

720 n

Introduz o prazo (em dias)

f

INT

Calcula o valor dos juros = R$ 200,00

+

Calcula o total do principal e o juro acumulado = R$ 1.200,00

3.3.

Taxa nominal e proporcional

A taxa nominal representa a taxa de juros contratada (ou declarada) numa operação financeira. Essa taxa é geralmente expressa para um período superior ao da incidência

(capitalização) dos juros. Por exemplo, um financiamento pode ser concedido para liquidação em pagamentos mensais, sendo a taxa de juros contratada de 24% a.a. (ao ano).

O período da operação é ano e o da incidência do juro é mês. Nesse caso, a taxa mensal a

ser considerada no cálculo do valor das prestações é de 2,0% a.m. (ao mês):

24 %

12

 2 , 0

%

a.m.

A taxa proporcional, por outro lado, é também típica do sistema de capitalização linear (juros

simples), sendo o prazo da taxa geralmente igual ao período de capitalização dos juros.

Assim, duas taxas de juros quando expressas em diferentes unidades de tempo, são definidas como proporcionais quando produzem valores iguais numa mesma unidade de

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tempo, ou seja, se houver igualdade entre o quociente das taxas com o quociente dos respectivos períodos, como na equação abaixo:

i n 1  1 i n 2 2
i
n
1 
1
i
n
2
2

Ex 5 : Verificar se as taxas de 5% ao trimestre e 20% são proporcionais.

Resolução:

i 1 = 5% a.t. = 0,05 a.t.

i 2 = 20% a.a. = 0,20 a.a.

n 1 = 3 meses

n 2 = 12 meses

0,20 0,05

3

12

0,25

0,25

A igualdade é verdadeira → são grandezas proporcionais!!! Ex 6 : Sendo a taxa de juros de 24% a.a., determinar a taxa proporcional mensal.

Resolução:

i 1 = 24% a.a. = 0,24 a.a. i 2 = ?

n 1 = 12 meses

n 2 = 1 mês

0 24

,

12

i

2

1

i

2

0 02

,

ou 2% a.m.

Para achar-se a taxa proporcional (i m ) de uma fração de um período basta dividir a taxa dada pelo denominador da fração, conforme abaixo:

i im  m
i
im 
m

Ex 7 : Sendo a taxa de 10% a.s., determinar a taxa trimestral que lhe é proporcional.

Resolução:

i = 0,10 a.s.

m = 2 (1 semestre = 2 trimestres)

3.4. Taxa equivalente

i

2

0,10

2

0,05

ou 5% a.t.

Duas taxas se dizem equivalentes se, aplicando um mesmo capital às duas taxas e pelo mesmo intervalo de tempo, ambas produzirem o mesmo juro.

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Exemplo 8 : seja um capital de R$ 10.000,00 que pode ser aplicado alternativamente à taxa de 2% a.m. ou de 24% a.a. Supondo um prazo de aplicação de 2 anos, verificar se as taxas são equivalentes.

Resolução:

i = 0,02 a.m./0,24% a.a.

n

= 2 anos ou 24 meses

J

= Cin = 10.000 x 0,02 x 24 = R$ 4.800,00

J

= Cin = 10.000 x 0,24 x 2 = R$ 4.800,00 As taxas são equivalentes!!!

3.5. Períodos não inteiros

Já vimos que o juro e o principal se supõem devidos apenas no final do prazo de aplicação. Entretanto, podem ocorrer situações em que o prazo de aplicação (n) não é inteiro!

Solução

a) calcula-se o juro correspondente à parte inteira;

b) calcula-se a taxa proporcional à fração de período que resta e o juro correspondente.

Exemplo 9 : qual o juro e qual o montante de um capital de R$ 1.000,00 que é aplicado à taxa de juros simples de 12% a.s. pelo prazo de 5 anos e 9 meses?

Resolução:

5

x 2 semestres = 10 semestres

9

meses = 1 semestre e 3 meses

=

11 semestres e 3 meses

a) Cálculo do juro

1 a etapa: J 1 = 1.000,00 x 0,12 x 11 = R$ 1.320,00

i

012

,

2 a etapa:

Portanto, J 2 = 1.000,00 x 0,06 x 1 = R$ 60,00 Total dos juros: J = J 1 + J 2 = 1.320 + 60 = 1.380,00

im

m

2

0 06

,

a.t.

Observe que a solução se obtém mais rapidamente lembrando-se que 3 meses é igual a 0,5 semestre. Assim 5 anos e 9 meses = 11,5 semestres Resolução: J 1 = 1.000,00 x 0,12 x 11,5 = R$ 1.380,00.

b) Cálculo do montante

N= C + J = 1.000,00 + 1.380,00 = R$ 2.380,00

3.6. Juro Exato e Juro Comercial

Aplicações correntes → taxas expressas em termos anuais → prazos fixados em dias

Curto prazo → juros simples → cálculo da taxa proporcional referente a 1 dia

Ano civil: 365 dias

Ano comercial: 360 dias

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Exemplo 10 : dada a taxa de 36% ao ano, quer-se saber qual é a taxa proporcional a 1 dia para os anos civil e comercial.

3.6.1. Juro Exato

i

365

36%

365

0,0986%

a.d.

i

360

36%

360

0,1%

a.d.

Chama-se de juro exato aquele que é obtido quando o período (n) está expresso em dias e

é adotada a convenção de ano civil.

Cin Je  365
Cin
Je 
365

Exemplo 11 : qual é o juro exato de um capital de R$ 10.000,00 que é aplicado por 40 dias à taxa de 36% a.a.?

3.6.2. Juro Comercial

J

10000.0,36.40

e 365

394,52

Chama-se de juro comercial (ou ordinário) aquele que é obtido quando o período (n) está expresso em dias e é adotada a convenção de ano comercial.

Exemplo 12 : qual é o juro comercial de um capital de R$ 10.000,00 que é aplicado por 40 dias

à taxa de 36% a.a.?

Cin Jc  360
Cin
Jc 
360

J

10000.0,36.40

c 360

400,00

Observe que o juro comercial é maior do que o juro exato!!!

A calculadora financeira HP 12C calcula os juros simples na base de 360 dias e na base de

365 dias, simultaneamente, como demonstrado abaixo:

   

Comandos

Significado

f

REG

 

Limpa os registradores de armazenamento

10000 CHS PV

Introduz o valor presente como número negativo

36

i

 

Informa a taxa de juros (anual)

40

n

 

Introduz o prazo (em dias)

f

INT

 

Calcula o valor do juro comercial = R$ 400,00

R↓

X

Y

Calcula o valor do juro exato = R$ 394,52

3.7.

 

Valor nominal e valor atual

3.7.1.

Diagramas de capital (Fluxo de Caixa)

Um diagrama de fluxo de caixa, é simplesmente a representação gráfica numa reta, dos períodos e dos valores monetários envolvidos em cada período, considerando-se certa taxa

de juros i.

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Traça-se uma reta horizontal que é denominada eixo dos tempos, na qual são representados os valores monetários, considerando-se a seguinte convenção: dinheiro recebido: seta para cima; dinheiro pago: seta para baixo, como nos exemplos abaixo.

dinheiro pago: seta para baixo, como nos exemplos abaixo. As saídas podem, também, estarem presentes entre
dinheiro pago: seta para baixo, como nos exemplos abaixo. As saídas podem, também, estarem presentes entre

As saídas podem, também, estarem presentes entre parênteses, significando que o valor é negativo, como demonstrado abaixo.

que o valor é negativo, como demonstrado abaixo. 3.7.2. Valor nominal É o quanto vale um

3.7.2. Valor nominal

É o quanto vale um compromisso na data de seu vencimento. Se após o vencimento o compromisso não for saldado, o mesmo continuará tendo seu valor nominal acrescido de juros e multa por atraso.

Exemplo 13 : uma pessoa que aplicou uma quantia hoje e vai resgatá-la por R$ 20.000,00 daqui a 12 meses. A situação pode ser representada do seguinte modo:

meses. A situação pode ser representada do seguinte modo: 3.7.3. Valor atual É o valor que

3.7.3. Valor atual

É o valor que um compromisso tem em uma data que antecede ao seu vencimento. Para calcular o valor atual é necessário especificar o valor nominal, a data de cálculo e a taxa de juros.

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Exemplo 14 : uma pessoa que aplicou uma quantia hoje e que recebeu, pela aplicação, um título que irá valer R$ 24.000,00 no mês 12.

um título que irá valer R$ 24.000,00 no mês 12. a) Suponhamos que o valor aplicado

a)

Suponhamos que o valor aplicado hoje tenha sido de R$ 15.000,00. Então podemos calcular a taxa de juros simples utilizada na aplicação do seguinte modo:

N = C (1+i.n) → 24.000 = 15.000 (1 + i.12) → i = 0,05 ou 5% a.m.

b)

Vamos admitir que não sabemos qual o valor aplicado, mas que conhecemos a taxa de aplicação que é 6% a.m. Nesse caso, poderemos calcular o valor atual hoje

N = C (1+i.n) → 24.000 = C (1 + 0,06.12) → C = 13.953,49

c)

Suponhamos que passados 6 meses da data de aplicação, a pessoa precisou de R$. Então ela vai ao mercado para “descontar” seu título. Supondo que a taxa de juros na data de 6 meses seja 7% a.m., quanto a pessoa pode obter pelo título?

Chamaremos de “V” o valor atual na data de 6 meses

N = C (1+i.n) → 24.000 = V (1 + 0,07.6) → V = 16.901,41

3.7.4.

Valor futuro

Corresponde ao valor do título em qualquer data posterior à que estamos considerando no momento. É o mesmo que montante, quando a data considerada for a do vencimento da aplicação.

Exemplo 15 : considere que uma pessoa tenha hoje a quantia de R$ 10.000,00. Qual será o valor futuro se a pessoa aplicar esta importância à taxa de 5% a.m. daqui a 3 meses?

N = C (1+i.n) → N = 10.000 (1 + 0,05.3) → N = 11.500,00

Qual será o valor futuro dos mesmos R$ 10.000,00 se a taxa for de 10% a.m. daqui a 6 meses?

N = C (1+i.n) → N = 10.000 (1 + 0,1.6) → N = 16.000,00

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Estudo Dirigido 1 - Juros Simples (Juro e Montante)

QUESTÃO 1. Calcular a taxa mensal proporcional de juros de:

a) 14,4% ao ano;

b) 6,8% ao quadrimestre;

c) 11,4% ao semestre;

d) 110,4% ao ano;

e) 54,72% ao biênio.

QUESTÃO 2. Calcular a taxa trimestral proporcional a juros de:

a) 120% ao ano;

b) 3,2% ao quadrimestre;

c) 1,5 % ao mês.

QUESTÃO 3. Determinar a taxa de juros simples anual proporcional às seguintes taxas:

a) 2,5 % ao mês;

b) 56, % ao quadrimestre;

c) 12,5 % para 5 meses.

QUESTÃO 4. Qual o capital que produz R$ 18.000,00 de juros simples, à taxa de 3% ao mês, pelo prazo de:

a) 60 dias;

b) 80 dias;

c) 3 meses e 20 dias;

d) 2 anos, 4 meses e 14 dias.

QUESTÃO 5. Uma pessoa aplicou R$ 12.000,00 numa Instituição Financeira resgatando, após 7 meses, o montante de R$ 13.008,00. Qual a taxa de juros equivalente linear mensal que o aplicador recebeu?

QUESTÃO 6. Uma nota promissória de valor nominal de R$ 140.000,00 é resgatada dois meses antes de seu vencimento. Qual o valor pago no resgate, sabendo-se que a taxa de juros simples é de 1,9% ao mês?

QUESTÃO 7. O montante de um capital de R$ 6.600,00 ao final de 7 meses é determinado adicionando-se $ 1.090,32 de juros. Calcular a taxa linear mensal e anual utilizada.

QUESTÃO 8. Em quanto tempo duplica um capital aplicado à taxa simples de 8% ao ano?

QUESTÃO 9. Um poupador com certo volume de capital deseja diversificar suas aplicações no mercado financeiro. Para tanto, aplica 60% do capital numa alternativa de investimento que paga 34,2% ao ano de juros simples pelo prazo de 60 dias. A outra parte é investida numa conta de poupança por 30 dias, sendo remunerada pela taxa linear de 3,1% ao mês.

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O total dos rendimentos auferidos pelos aplicados atinge R$ 1.562,40. Pede-se calcular valor de todo o capital investido.

QUESTÃO 10. Um eletrodoméstico é vendido em três pagamentos mensais e iguais. O primeiro pagamento é efetuado no ato da compra, e os demais, são devidos em 30 e 60 dias. Sendo de 4,4% ao mês à taxa linear de juros, pede-se calcular até que valor interessa adquirir o bem à vista.

Respostas: QUESTÃO 1 - a) R$ 1,2% a.m.; b) R$ 1,7% a.m.; c) 1,9% a.m.; d) 9,2% a.m.; e)

2,28% a.m./ QUESTÃO 2- a) 30% a.t.; b) 2,4% a.t.; c) 4,5% a.t./ QUESTÃO 3 - a) 30% a.a.;

b) 168% a.a.; c) 30% a.a./ QUESTÃO 4 a) C = 300.00,00; b) C = 225.000,00; c) C =

163.636,36; d) C = 21.077,28/ QUESTÃO 5 i = 0,012 ou 1,2% a.m./ QUESTÃO 6 C = 134.874,76/ QUESTÃO 7 i = 0,2832 ou 28,32% a.a./ QUESTÃO 8 12,5 anos/ QUESTÃO 9 C = 33.527,90/ QUESTÃO 10 Vale comprar o bem até 95,89% do seu valor, ou seja, com 4,11% de desconto.

Fórmulas:QUESTÃO1:

a) J = C.i.n; b)

QUESTÃO 6: N = C(1+i.n); QUESTÃO 7: J = C.i.n;

; QUESTÃO 4:

J = C.i.n; c) J = C.i.n; d) J = C.i.n ; QUESTÃO 5: N = C(1+i.n);

QUESTÃO 8: N = C(1+i.n);

;

QUESTÃO 2:

; QUESTÃO 3:

;

QUESTÃO 9: J = C.i.n; QUESTÃO 10:

5: N = C(1+i.n) ; QUESTÃO 8: N = C(1+i.n) ; ; QUESTÃO 2: ; QUESTÃO
5: N = C(1+i.n) ; QUESTÃO 8: N = C(1+i.n) ; ; QUESTÃO 2: ; QUESTÃO

3.8.

Descontos

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Quando se realiza uma aplicação de capital, com vencimento predeterminado, recebe-se um comprovante de aplicação, que pode ser uma nota promissória ou letra de câmbio. Caso deseje-se resgatar o capital aplicado antes de vencer o prazo, deve-se transferir a posse do título e levantar o principal acrescido dos juros naquela referida data.

Na ocasião de venda a prazo, recebe-se uma duplicata com vencimento predeterminado. Caso deseje-se receber dinheiro antes de vencer o prazo, deve-se transferir a posse da duplicata recebendo dinheiro em troca.

As duas situações acima abrangem operações de DESCONTO e o ato de efetuá-las é denominado de “descontar um título”.

3.8.1. Desconto racional ou desconto “por dentro”

Definição: é o desconto obtido pela diferença entre o valor nominal e o valor atual de um compromisso que seja saldado n períodos antes de seu vencimento.

Desconto: é a quantia a ser abatida do valor nominal;

Valor descontado: é a diferença entre o valor nominal e o desconto, sendo:

N: valor nominal (ou montante)

V r : valor atual (ou valor descontado racional)

n: no de períodos antes do vencimento

i:

taxa de desconto

D

r : valor do desconto

Assim, o valor descontado é obtido pela seguinte fórmula:

N V r  1  in
N
V r
1  in

Já o valor do desconto racional pode ser obtido pela seguinte expressão:

Nin Dr  1  in
Nin
Dr
1  in

OBS: em juros simples, o valor descontado é o próprio valor atual!!!

Exemplo 16 : uma pessoa pretende saldar um título de R$ 5.500,00, 3 meses antes de seu vencimento. Sabendo-se que a taxa de juros corrente é de 40% a.a., qual o desconto e quanto vai obter?

Resolução

Dr

Nin

1 in

0,40 5500   3 12 0,40 1   3 12
0,40
5500 
 3
12
0,40
1 
 3
12

5500

0,10

1

0,10

500,00

Valor descontado: V r = 5.500,00 500,00 = 5.000,00

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R$ 5.000,00 é o próprio valor atual do compromisso. De fato, nos próximos 3 meses à taxa de 40% a.m. a aplicação iria render:

J = Cin, J = 5000 x 0,40/12 x 3 = R$ 500,00

Observe que R$ 500,00 é o valor dos juros que a pessoa deixa de receber (ou de pagar) por saldar o compromisso antes do vencimento. Assim:

Dr = J → Dr = Cin

No regime de juros simples, a taxa de juros da operação é também a taxa de desconto.

3.8.2. Desconto comercial ou desconto “por fora”

Definição: é aquele valor que se obtém pelo cálculo do juro simples sobre o valor nominal do compromisso que seja saldado n períodos antes de seu vencimento.

Desconto: é a quantia a ser abatida do valor nominal;

Valor descontado: é a diferença entre o valor nominal e o desconto, sendo:

N: valor nominal (ou montante)

n: no de períodos antes do vencimento

i:

taxa de desconto

D

c : desconto comercial

V c : valor atual (ou valor descontado comercial)

Obtém-se o valor do desconto comercial aplicando-se a definição:

Dc Nin

E o valor descontado comercial:

V c N(1in)

OBS: esse resultado é também chamado valor atual comercial!!!

Exemplo 17 : uma pessoa pretende saldar um título de R$ 5.500,00, 3 meses antes de seu vencimento. Sabendo-se que a taxa de juros corrente é de 40% a.a., qual o desconto comercial e quanto vai obter?

a) Desconto comercial

D c = Nin = 5.500 x 0,40/12 x 3 = R$ 550,00

b) Valor descontado comercial

Vc = N(1-in) → Vc = 5.500 x (1 – 0,40/12 x 3) → Vc = 5.500 x 0,9 → Vc = R$ 4.950,00

Então a pessoa vai receber R$ 4.950,00 pelo desconto comercial, que é menos que os R$ 5.000,00 que receberia se o desconto fosse racional.

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É evidente que ao se fazer um desconto comercial a taxa de desconto utilizada não é mais igual à taxa de juros simples capaz de reproduzir o montante. Observe que, se o banco ganha R$ 550,00 sobre um valor de R$ 4.950,00, em 3 meses a taxa de juros da operação é:

i’ = 550/4.950,00 = 0,1111 a.t. ou i’ = 0,44 ou 44% a.a.

Desconto comercial → diferença entre a taxa de desconto utilizada na operação e a taxa implícita que é cobrada.

3.8.3. Desconto bancário

Definição: corresponde ao desconto comercial acrescido de uma taxa prefixada, cobrada sobre o valor nominal.

Taxa de despesas bancárias → despesas administrativas do banco ou instituição;

Desconto bancário → extensão do desconto comercial, sendo:

N: valor nominal (ou montante)

n: no de períodos antes do vencimento

i: taxa de desconto

D b : desconto bancário

V b : valor atual (ou valor descontado bancário)

h: taxas de despesas administrativas

Portanto, tem-se o valor do desconto bancário como:

Db N(i.n h)

E o valor descontado bancário como:

V b N1(i.n h)

Exemplo 18 : um título de R$ 5.500,00 foi descontado no Banco X, que cobra 2% como despesa administrativa. Sabendo-se que o título foi descontado 3 meses antes de seu vencimento e que a taxa corrente em desconto comercial é de 40% a.a., qual o desconto bancário? Quanto recebeu o proprietário do título?

a) Valor do desconto bancário:

b) Valor descontado bancário:

D

b

N i n h

.

(

)

V

b

N

1

(

i n h

.

5500

0,40

12

3

)

5500 1

0,40

12

0,02

  

660,00

3

0,02

 

4840,00

Desconto racional (R$ 5.000,00), Desconto comercial (R$ 4.950,00) → nota-se mais uma vez que a taxa de desconto ≠ taxa implícita na operação.

i’’ = 660/4.840 = 0,1364 a.t. ou 0,5456 a.a.

OBS: nos descontos comercial e bancário, deve-se calcular taxa real de juros cobrada na operação!!!

3.8.4. Taxa de juros efetiva

Tópicos de Matemática Financeira Prof.: Me. Jaime Martins de Sousa Neto

Definição: é a taxa de juros que aplicada sobre o valor descontado, comercial ou bancário, gera no período considerado um montante igual ao valor nominal, sendo:

n: no de períodos antes do vencimento i f : taxa efetiva V b : valor atual bancário

V c : valor atual comercial

Assim, temos:

a) Taxa efetiva para desconto comercial:

N  1 V i  c f n
N
 1
V
i
c
f
n

Sejam os mesmos dados observados no Exemplo 17, no qual Vc = 4.950,00, N = 5.500,00 e

n = 3. Aplicando a fórmula, temos:

5500 4950  1 i   0,037 f 3
5500
4950
 1
i
 0,037
f
3

a.m. ou 0,44 (44%)a.a.

b) Taxa efetiva para desconto bancário:

N  1 V i f  b n
N  1
V
i f
b
n

Sejam os mesmos dados observados no Exemplo 18, no qual Vb = 4.840,00, N = 5.500,00,

n = 3. Aplicando a fórmula, temos:

5500  1 4840 i   0,045 f 3 i if  c) Fórmula
5500
 1
4840
i
 0,045
f
3
i
if
c) Fórmula prática:
1  in

Assim, para o Exemplo 2, temos:

a.m. ou 0,54 (54%) a.a.

0,40 12 i   0,037 f 0,40 1   3 12
0,40
12
i
 0,037
f
0,40
1 
 3
12

a.m. ou 44% a.a.

3.8.5. Relação entre desconto racional e comercial

O desconto comercial pode ser entendido como sendo o montante do desconto racional calculado para o mesmo período e à mesma taxa.

Dc Dr (1in)

Exemplo: o desconto comercial de um título descontado 3 meses antes de seu vencimento e

à taxa de 40% a.a. é de R$ 550,00. Qual é o desconto racional?

550 D (1

r

0,40

12
12

3)

D

r

500,00

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Estudo Dirigido 2 Juros Simples (Descontos)

QUESTÃO 1. Calcular o desconto racional ("por dentro") nas seguintes condições:

a)

Valor Nominal:

R$ 70.000,00

Prazo do Desconto:

3 meses

Taxa de Desconto:

34% ao ano

b)

Valor Nominal:

R$ 37.000,00

Prazo do Desconto:

80 dias

Taxa de Desconto:

25 % ao ano

QUESTÃO 2. Um título no valor de R$ 22.000,00 é descontado 2 meses antes de seu vencimento. O conceito usado na operação é de desconto "por fora", sendo a taxa de desconto considerada de 48% ao ano. Pede-se calcular a taxa eletiva mensal de juros desta operação.

QUESTÃO 3. Calcular o valor descontado (valor atual) "por fora" nas seguintes condições:

a)

Valor Nominal:

R$ 66.000,00

Prazo do Desconto:

3 meses

Taxa de Desconto:

24% ao ano

b)

Valor Nominal:

R$ 105.000,00

Prazo do Desconto:

130 dias

Taxa de Desconto:

15 % ao ano

QUESTÃO 4. Um banco oferece um empréstimo à taxa efetiva de 4,7% a.m. para um prazo de 40 dias. Nesta alternativa, o pagamento do principal, acrescida dos juros, é efetuado ao final do período contratado. O banco deseja oferecer esse mesmo empréstimo, porém mediante uma operação de desconto, cobrando uma taxa antecipada "por fora". Qual deve ser a taxa de desconto mensal de forma que o custo efetivo da operação não se altere?

QUESTÃO 5. Um banco desconta um título de valor nominal de R$ 16.000,00, 80 dias antes de seu vencimento. Nesta operação, o banco cobra 39% ao ano de taxa de desconto "por fora" e 2% de despesa administrativa. Calcular o valor líquido liberado ao cliente e a taxa efetiva mensal composta desta operação.

QUESTÃO 6. Qual o valor máximo que uma pessoa deve pagar por um título de valor nominal de R$ 82.000,00 com vencimento para 110 dias se deseja ganhar 5 % ao mês. (Usar desconto racional).

QUESTÃO 7. Uma instituição desconta comercialmente um título n dias antes de seu vencimento, creditando o valor líquido de R$ 54.400,00 na conta do cliente. O valor de resgate deste título é de R$ 63.000,00 tendo sido adotada a taxa de desconto "por fora" de 2,2% ao mês. Pede-se determinar o prazo de antecipação deste título.

QUESTÃO 8. Sabe-se que o valor do desconto racional de um título à taxa de 66% ao ano e prazo de desconto de 50 dias, atinge R$ 28.963,00. Para estas mesmas condições, pede-se determinar o valor do desconto deste título se fosse adotado o conceito de desconto comercial (ou "por fora").

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QUESTÃO 9. Uma pessoa pretende saldar um título de R$ 11.000,00, 4 meses antes de seu vencimento. Sabendo-se que a taxa de juros corrente é de 40% a.a., qual o desconto comercial e quanto vai obter? Calcule a taxa de juros efetiva dessa aplicação.

QUESTÃO 10. O quociente entre os descontos comercial e racional é de 1,06. Qual será o prazo de antecipação se a taxa de juros for de 24% a.a.?

Respostas: QUESTÃO 1 - a) R$ 5.483,87; b) R$ 1.922,07/ QUESTÃO 2 - 4,34% a.m./ QUESTÃO 3 - a) R$ 62.040,00; b) R$ 99.312,50/ QUESTÃO 4 - 4,4% a.m./ QUESTÃO 5 - R$ 14.293,33; 0,14% a.d./ QUESTÃO 6 - R$ 69.295,77/ QUESTÃO 7 - 6,2 meses/ QUESTÃO 8 - R$ 32.020,21/ QUESTÃO 9 Dc = 1.466,67; Vc = 9.533,33; if = 46,10% a.a./ QUESTÃO 10 - 0,25 ano ou 3 meses.

Fórmulas: QUESTÃO 1:

; QUESTÃO 2:

; QUESTÃO 3: V c = N.(1 - i.n);

QUESTÃO 4:

QUESTÃO 7: V c = N.(1-i.n); QUESTÃO 8:

= N-D c ;

; QUESTÃO 5: D b = N.(i.n + h);

; QUESTÃO 6:

;

; D c = N.i.n; QUESTÃO 9: D c = N.i.n; Vc

; QUESTÃO 10: D c = D r .(1 + i.n)

; ; QUESTÃO 6: ; ; D c = N.i.n ; QUESTÃO 9: D c =
; ; QUESTÃO 6: ; ; D c = N.i.n ; QUESTÃO 9: D c =

4. JUROS COMPOSTOS

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Os juros são chamados de compostos quando incidem sobre o saldo acumulado (montante) ocorrendo, dessa forma, juros sobre juros periodicamente. No regime de juros compostos o juro gerado em determinada data é adicionado (incorporado) ao principal e serve de base para o cálculo de juros do período posterior.

A diferença entre os dois regimes de capitalização (simples e composto) pode ser facilmente

verificada por um exemplo.

Ex 1 : seja um principal de R$ 1.000,00 aplicado à taxa de 20% a.a. por um período de 4 anos

a juros simples e compostos

C 0 = R$ 1.000,00

i = 20% a.a.

n = 4 anos

A comparação entre os dois regimes de capitalização pode ser visualizada no quadro

abaixo:

   

Juros Simples

 

Juros Compostos

n

Juro por período (J)

Montante(N)

Juro por período (J)

Montante (N)

1

1.000

x 0,2 = 200

1.200

1.000

x 0,2 = 200

1.200

2

1.000

x 0,2 = 200

1.400

1.200

x 0,2 = 240

1.440

3

1.000

x 0,2 = 200

1.600

1.440

x 0,2 = 288

1.728

4

1.000

x 0,2 = 200

1.800

1.728

x 0,2 = 346

2.074

Na figura abaixo, pode-se observar, também a comparação entre os dois regimes de capitalização. Ao compararmos os dados e os gráficos percebemos que na capitalização simples os juros crescem de forma linear, enquanto na capitalização composta os juros crescem de forma exponencial. De acordo com os gráficos percebemos que a aplicação utilizando juros compostos é mais rentável que a capitalização simples, pois no regime simples os juros são fixos, isto é, calculados somente sobre o capital inicial. No caso dos compostos, são aplicados juros sobre juros, dessa forma, o valor de cada juro mensal é sempre maior que o do mês anterior.

de cada juro mensal é sempre maior que o do mês anterior. Figura 3 - Diferença

Figura 3 - Diferença entre os regimes de capitalização simples e composto

4.1. Montante

Tópicos de Matemática Financeira Prof.: Me. Jaime Martins de Sousa Neto

A partir do exemplo anterior, podemos generalizar o raciocínio para obter o montante ao

final de n períodos à taxa de juros i:

C

n C0 (1

i) n

Onde:

C n : montante ao final de n períodos;

C 0 : capital inicial ou principal;

i: taxa de juros;

n: número de períodos.

Ex 2 : Uma pessoa toma R$ 1.000,00 emprestado a juros de 2% a.m., durante um período de

10 meses, com capitalização composta. Qual o montante a ser devolvido?

Resolução:

C 0 = 1.000,00

i = 2% a.m.

n = 10 meses

C n = C 0 (1+ i) n → C 10 = 1.000 x (1+ 0,02) 10 → C 10 = 1.000 x (1,02) 10 → C 10 = 1.000 x 1,2190

→ C 10 = 1.219,00

4.2. Cálculo do juro

Sabe-se que o montante é a soma do principal (C 0 ) aos juros que a aplicação rende, no pazo considerado e à taxa de juros estipulada.

Assim, J n = C n C 0 Mas sendo C n = C 0 (1+ i) n Temos: J n = C 0 (1+ i) n C 0

J n = C 0 [(1+ i) n 1]

Ex 3 : Uma pessoa toma R$ 1.000,00 emprestado a juros de 2% a.m. pelo período de dez

meses, com capitalização composta. Qual o juro pago?

Resolução:

C 0 = 1.000,00

i = 2% a.m.

n = 10 meses

J n = C 0 [(1+ i) n – 1] → J 10 = 1.000 [(1+ 0,02) 10 1] → J 10 = 1.000 [(1,02) 10 – 1] → J 10 = 1.000

[1,2190 1] → J 10 = 1.000 x 0,2190 = R$ 219,00

4.3. Valor atual e valor nominal

O valor atual, como já visto em juros simples, corresponde ao valor da aplicação em uma

data inferior à do vencimento.

O valor nominal é o valor do título na data de seu vencimento.

Sejam V = valor atual na data zero (C 0 )

N = valor nominal da data n. Assim tem-se:

N = V(1 + i) n

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N V  (1+i) n
N
V 
(1+i) n

Ex 4 : Por quanto devo comprar um título vencível daqui a 5 meses com valor nominal de R$ 1.131,40, se a taxa de juros compostos corrente for de 2,5% a.m.?

Resolução:

V

4.4. Taxas equivalentes

N 1.131,40

(1+i) n

(1+ 0,025)

5

1.000,00

Taxas equivalentes são taxas de juros que geram montantes idênticos (equivalentes) quando capitalizadas sobre um mesmo capital e prazo.

Sejam as taxas:

i = referente a um intervalo de tempo p i q = correspondente a um intervalo de tempo igual à fração própria p/q (q > p), como demonstrado na ilustração abaixo:

p/q (q > p), como demonstrado na ilustração abaixo: Daí surge a fórmula, para o regime

Daí surge a fórmula, para o regime composto de capitalização, quando nos deparamos a um intervalo maior de tempo e deseja-se saber a taxa equivalente para um período menor (fração do período maior).

iq  1  1 q i
iq  1  1
q
i

ou

(fração do período maior). iq  1  1 q i ou i q  (1

i

q (1

i

)

1/ q

1

Ex 5 : Dada a taxa de juros de 9,2727 ao trimestre, determinar a taxa de juros compostos equivalente mensal.

i

q

q 1  i   i3  1
q
1
 i   i3 
1

3 1

0,092727

1

 

0,03

ou 3% a.m.

Assim, se obtivermos a taxa de um período menor de tempo e quisermos saber a taxa equivalente para um período maior de tempo, utiliza-se a seguinte expressão:

i

q

(1i)

q 1

Aplicando a fórmula para o Exemplo 5, temos:

i

q

(1

i

)

q

1 i3 (1

0,03)

3

1

 

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0,092727

ou 9,2727 a.t.

Ex 6 : Suponhamos que você se depare a duas opções de investimento, durante o período de um ano de aplicação: você poderá escolher investir o seu capital em uma aplicação que rende 2% ao mês ou, na outra opção, a aplicação renderá 26,824% ao ano. Assim, qual das duas alternativas de investimento deve-se escolher?

C 0 = R$ 1.000,00

i q = 2% a.m. i = 26,824% a.a.

n = 1 ano

Resolução:

C n = C 0 (1+ i) n → C 1 = 1.000 x (1+ 0,26824) 1 = 1.268,24

C n = C 0 (1+ i) n → C’ 1 = 1.000 x (1+ 0,02) 12 = 1.268,24

Resposta:as duas opções de investimento renderão o mesmo juro, uma vez que as duas taxas são equivalentes.

4.5. Períodos não inteiros

Ocorre quando o prazo de aplicação não seja um número inteiro, ou seja, em capitalizações descontínuas onde, por convenção, considera-se que os juros são formados no final de cada período de tempo ao qual se refere à taxa de juros. Se a taxa de juros é 10% ao mês, por exemplo, admite-seque o juro é formado não a cada dia, ou semana, mas no final de cada período mensal.

Hipóteses p/ resolver o problema

i. Convenção exponencial → juros do período não inteiro são calculados, utilizando-se a taxa equivalente, como na expressão abaixo:

Cn,p/q = C 0 (1+ i) n + p/q

Ex 7 : Um capital de R$ 1.000,00 é emprestado à taxa de juros compostos de 10% a.a. pelo prazo de 5 anos e 6 meses. Tendo por base a capitalização anual, qual será o montante?

Resolução:

C’ n,p/q = C 0 (1+ i) n + p/q → C’ 5,6/12 = 1000 (1+ 0,10) 5 + 1/2 → C’ 5,6/12 = 1000 (1,10) 5 + 0,5 → 1000 x 1,6891 → R$1.689,1

ii. Transformação do período de tempo não inteiro para anos, por meio de regra de três simples. Posteriormente, soma-se à parte inteira e aplica-se a fórmula do montante para o regime de juros compostos, como abaixo:

1 ano → 12 meses x ano → 6 meses

12.x = 1.6 → x = 6/12 → x = 0,5 ano

5 anos + 0,5 ano = 5,5 anos

C

n

C0 (1

i

)

n

4.6. Taxa efetiva e taxa nominal

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C5,5 1000(1 0,1)

5,5

1689,1

Quando o período de capitalização não coincide com o período da taxa, o montante é dado por:

Onde:

i

k

kn

C nk

C 0 (1

)

i = taxa nominal

k

n

C 0 = capital inicial ou principal

C nk = montante

= número de capitalizações para 1 período de taxa nominal

= n o de períodos de capitalização da taxa nominal

E a taxa efetiva da operação é dada por:

Onde:

i k i f  (1 )  1 k
i
k
i
f  (1
)
 1
k

i = taxa nominal;

k = número de capitalizações para 1 período de taxa nominal;

i f = taxa efetiva.

Ex 8 : Um capital de R$ 1.000,00 foi aplicado por 3 anos, à taxa de 10% a.a. com capitalização semestral. Calcular o montante e a taxa efetiva da operação.

Resolução:

i = 10% a.a.; k = 2; n = 3 anos

C

nk

C

0

i

f

(1

i

k

(1

k

)

i

k

)

kn

1 i (1

C

2.3

f

0,10

2

)

2.3

1000(1

0,10

2

)

2

 

1

0,1025

C 1340,10

6

ou 10,25% a.a.

4.7. Juros compostos na calculadora financeira

Nos exemplos a seguir, são demonstrados alguns cálculos, no regime de juros compostos, feitos com recursos disponíveis na calculadora financeira HP 12C.

Ex 9 : Se uma pessoa desejar obter R$ 200.000,00 dentro de um ano, quanto deverá aplicar hoje num fundo que rende 3% a.t.? Em outras palavras, qual é o valor presente (capital inicial) dessa aplicação?

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Na calculadora HP 12C, a sequência de comandos que resolveria o problema seria:

 

Comandos

Significado

f

REG

Limpa os registradores de armazenamento

200000

CHS FV

Introduz o valor futuro como número negativo

3

i

Informa a taxa de juros

4

n

Introduz o prazo

PV

 

Calcula o valor presente = R$ 177.697,41

Ex 10 : Determinar a taxa mensal de juros de uma aplicação de R$ 120.000,00 que gera um montante de R$ 130.439,50 ao final de um semestre.

Na calculadora HP 12C, a sequência de comandos que resolveria o problema seria:

 

Comandos

Significado

f

REG

Limpa os registradores de armazenamento

120000

CHS PV

Introduz o valor presente como número negativo

130439,50 FV

Introduz o valor futuro

6

n

Introduz o prazo

i

Calcula a taxa de juros = 1,4% a.m.

Ex 11 : Quais as taxas de juros mensal e trimestral equivalentes a 21% a.a.?

Com a ajuda da calculadora financeira, tem-se:

a) Taxa de juros equivalente mensal:

 

Comandos

Significado

f

REG

Limpa os registradores de armazenamento

0,21 ENTER

Taxa de juros dividida por 100

1

+

Soma-se 1 à taxa unitária

12

1/x y x

Calcula-se o inverso de 12 e calcula-se (1,21) 1/12

1

100 X

Taxa equivalente mensal = 1,6% a.m.

b) Taxa de juros equivalente trimestral:

 

Comandos

Significado

f

REG

Limpa os registradores de armazenamento

0,21 ENTER

Taxa de juros dividida por 100

1

+

Soma-se 1 à taxa unitária

 

1/x y x

Calcula-se o inverso de 4 e calcula-se

4

(1,21) 1/4

1

100 X

Taxa equivalente trimestral = 4,88% a.t.

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Estudo Dirigido 3 Juros Compostos (Juro e Montante)

QUESTÃO 1. Calcular o montante de uma aplicação de R$ 10.000,00 sob as hipóteses a seguir:

Taxa

Prazo

a) 20% a.a.

5 anos

b) 5% a.s.

3 anos e meio

c) 2,5% a.m.

1 ano

QUESTÃO 2. Qual é o juro auferido de um capital de R$ 1.500,00 aplicado segundo as hipóteses abaixo:

Taxa

Prazo

a) 10% a.a.

10 anos

b) 8% a.t.

18 meses

c) 1% à semana

2 meses

QUESTÃO 3. Se um investidor deseja ganhar 18% ao ano de taxa efetiva, pede-se calcular a taxa de juro que deverá exigir de uma aplicação se o prazo de capitalização for igual a:

a) 1 mês;

b) 1 trimestre;

c) 7 meses.

QUESTÃO 4. Um banco publica em suas agências o seguinte anúncio: "aplique R$ 1.000,00 hoje e receba R$ 1.180,00 ao final de 6 meses". Determinar a taxa mensal, semestral e anual de juros compostos oferecida por esta aplicação.

QUESTÃO 5. Os rendimentos de uma aplicação de R$ 12.800,00 somaram R$ 7.433,12 ao final de 36 meses. Determinar a taxa efetiva mensal de juros desta aplicação.

QUESTÃO 6. Uma loja está oferecendo uma mercadoria no valor de R$ 900,00 com desconto de 12% para pagamento a vista. Outra opção de compra é pagar os R$ 900,00 após 30 dias sem desconto. Calcular o custo efetivo mensal (i) da venda a prazo.

QUESTÃO 7. Se eu quiser comprar um carro no valor de R$ 60.000,00, quanto devo aplicar hoje para que, daqui a 2 anos, possua tal valor, sabendo-se que a taxa de juros da aplicação é de 2,5% a.m.?

QUESTÃO 8. Uma pessoa possui uma letra de câmbio que vence daqui a 1 ano, com valor nominal de R$ 1.344,89. Foi-lhe proposta a troca daquele título por outro, vencível daqui a 3 meses e no valor de R$ 1.080,00. Sabendo-se que a taxa corrente de mercado é de 2,5% a.m., pergunta-se se a troca proposta é vantajosa.

QUESTÃO

9.

Sabendo-se

que

uma

taxa

nominal

de

trimestralmente, calcular a taxa efetiva.

12%

a.a.

é

capitalizada

QUESTÃO 10. Quanto deve ser aplicado hoje para que se aufiram R$ 10.000,00 de juros ao fim de 5 anos, se a taxa de juros for de: a) 4% a.t.; b) 20% a.q.; c) 30% a.a.; d) 7,5005% a.a. (caderneta de poupança 2011)

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Respostas: QUESTÃO 1 - a) R$ 24.883,20; b) R$ 14.071,00; c) 13.448,89/ QUESTÃO 2- a) R$ 2.390,61; b) R$ 880,31; c) R$ 124,29/ QUESTÃO 3 - a) 1,39% a.m.; b) 4,22% a.t.; c) 10,14% p/ 7 meses/ QUESTÃO 4 - 2,8% a.m.; 18% a.s.; 39,24% a.a./ QUESTÃO 5 1,28% a.m./ QUESTÃO 6 13,64% a.m./ QUESTÃO 7 R$ 33.172,52/ QUESTÃO 8 - V1 = R$ 1.000,00, V2 = 1.002,89 (a troca é vantajosa)/ QUESTÃO 9 12,55% a.a./ QUESTÃO 10 a) 8.395,44; b)694,11; c) 3.686,5; d) 22.953,54.

Fórmulas: QUESTÃO 1: C n = C 0 (1+ i) n ; QUESTÃO 2: J n = C 0 [(1+ i) n 1]; QUESTÃO 3:

; QUESTÃO 4: C n = C 0 (1+ i) n ; QUESTÃO 5: J n = C 0 [(1+ i) n 1]; QUESTÃO

; QUESTÃO 9:

6: C n = C 0 (1+ i) n ; QUESTÃO 7:

C n = C 0 (1+ i) n ; QUESTÃO 8:

; QUESTÃO 10: J n = C 0 [(1+ i) n 1].

; QUESTÃO 7: C n = C 0 (1+ i) n ; QUESTÃO 8: ; QUESTÃO
; QUESTÃO 7: C n = C 0 (1+ i) n ; QUESTÃO 8: ; QUESTÃO

4.8. Equivalência de capitais

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O conceito de equivalência permite transformar formas de pagamentos (ou recebimentos)

em outras equivalentes e, consequentemente, efetuar comparações entre alternativas.

A equivalência de capitais é bastante utilizada na renegociação de dívidas, em particular, na substituição de um conjunto de títulos por outro, equivalente ao primeiro.

No estudo de equivalência de capitais, é fundamental o conceito de data focal ou data de referência, ou ainda data de avaliação, que é a data que é considerada como base para comparação de capitais referidos a datas diferentes. Iremos ilustrar melhor o conceito de equivalência de capitais, bem como o de data focal, a partir do Exemplo abaixo:

Ex 12 : Certa pessoa tem uma nota promissória a receber com valor nominal de R$ 15.000,00

que vencerá em dois anos. Além disso, possui R$ 20.000,00 hoje, que irá aplicar à taxa de

2% a.m., durante dois anos. Considerando que o custo de oportunidade do capital hoje, ou seja, a taxa de juros vigente no mercado, é de 2% a.m., pergunta-se:

a) Quanto possui hoje?

b) Quanto possuirá daqui a 1 ano?

c) Quanto possuirá daqui a 2 anos?

Resolução:

a 1 ano? c) Quanto possuirá daqui a 2 anos? Resolução : Sejam: x = quantia

Sejam: x = quantia que possui na data zero y = quantia que possuirá na data 12 meses z = quantia que possuirá na data 24 meses

a) Quanto possui hoje:

x

20.000

15.000

(1+ 0,02)

24

29.325,82

b) Quanto possuirá daqui a 1 ano:

y 20.000(1 0,02)

12

15.000

(1+ 0,02)

12

37.192,24

c) Quanto possuirá daqui a 2 anos:

z 20.000(1 0,02)

24

15.000

47.168,74

4.8.1. Capitais equivalentes

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Diz-se que dois ou mais capitais, com datas de vencimento determinadas, são equivalentes, levados para uma mesma data focal à mesma taxa de juros, tiverem valores iguais.

Seja um conjunto de valores nominais e suas respectivas datas de vencimento. Adotando-se uma taxa de juros i, estes capitais serão equivalentes na data focal zero se:

V

C

1

C

2

C

3

C

n

 

 

(1

i

)

1 (1

i

)

2 (1

i

) 3

(1

i

)

n

Exemplo 13 : Consideremos os valores nominais seguintes:

Capital (R$)

Datas de vencimento (anos)

1.100,00

1

1.210,00

2

1.331,00

3

1.464,00

4

1.610,51

5

Admitindo-se uma taxa de juros compostos de 10% a.a., verificar se os capitais são equivalentes na data focal zero.

Resolução:

V

1

V

V

V

V

2

3

4

5

C

1

1.100

(1 i

C

2

) 1

(1 0,10)

1

1.210

(1 i

C

3

) 2

(1 0,10)

2

1.331

(1 i

C

4

) 3

(1 0,10)

3

1.464

(1 i

C

5

) 4

(1 0,10)

1.610,51

4

(1 i

) 5

(1 0,10)

5

1.000,00

1.000,00

1.000,00

1.000,00

1.000,00

Assim, pode-se afirmar que os capitais são equivalentes na data focal zero.

4.8.2. Valor atual de um conjunto de capitais

Suponhamos que uma pessoa tenha uma carteira de aplicação em títulos de renda fixa, com datas de vencimento diferentes.

Assim, o valor da carteira pode ser obtido descontando-se os títulos para a data zero e somando-se os valores obtidos:

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V

C

1

1

C C

2

3

C

n

 

(1

i)

(1

i)

2

(1

i)

3

(1

i)

n

Exemplo 14 : Admitamos o conjunto de capitais seguinte:

Capital (R$)

Data de vencimento (mês)

1.000,00

6

2.000,00

12

5.000,00

15

Admitindo-se uma taxa de juros compostos de 3% a.m., pergunta-se qual o valor deste conjunto na data focal zero.

Resolução:

V

1.000 2.000

(1 0,03)

6

(1 0,03)

12

5.000

(1 0,03)

15

5.449,55

4.8.3. Conjuntos equivalentes de capitais

Sejam dados a taxa de juros i e dois conjuntos de valores nominais com seus respectivos prazos, contados a partir da mesma data de origem:

 

1 O Conjunto

 

2 O Conjunto

Capital

Data de vencimento

Capital

Data de vencimento

C

1

m

1

C' 1

m' 1

C

2

m

2

C' 2

m' 2

C

n

m

n

C' n

m' n

Deste modo, à taxa i e na data zero, os conjuntos de dados serão equivalentes se:

 

1

2

 

n

 
 

(1

i

)

m 1

(1

i

)

m 2

(1

i

)

m n

(1

i

)

m '

1

(1

i

)

m '

2

(1

i

)

m '

n

C 1

C 2

C n

C '

C '

C '

Exemplo 15 : verificar se os conjuntos de valores nominais abaixo, referidos à data focal zero, são equivalentes à taxa de juros de 10% a.a.

1 o Conjunto

2 o Conjunto

Capital (R$)

Data de vencimento

Capital (R$)

Data de vencimento

1.100,00

1 o ano

2.200,00

1 o ano

2.420,00

2 o ano

1.210,00

2 o ano

1.996,50

3 o ano

665,5

3 o ano

732,05

4 o ano

2.196,15

4 o ano

Resolução:

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1.100

2.420

1.996,50

732,05

2.200

1.210

665,50

2.196,15

(1

0,1)

1

(1

0,1)

2

(1

0,1)

3

(1

0,1)

4

(1

0,1)

1

(1

0,1)

2

(1

0,1)

3

(1