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Resumo de Redação

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Published by: Sandoval Castelo Cavalcante on Nov 15, 2013
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02/14/2014

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  • Ato de Escrever
  • Tipos de Redação
  • Descrição
  • Narração
  • Dissertação
  • Carta
  • Relações entre Descrição - Narração - Dissertação
  • Tema e Título
  • Coerência e Coesão
  • Argumentação
  • In ormações E!plícitas e Implícitas
  • Discurso Direto" Indireto e Indireto #ivre
  • Recursos Discursivos
  • In ormações Importantes
  • Atitudes não recomendadas
  • Temas de Redação
  • Atividades
  • Redação $ icial

Ato de Escrever

“Escrever é expressar-se.
Escrever é lembrar-se.
Uns escrevem para salvar a humanidade ou incitar lutas de
classes, outros para se perpetuar nos manuais de literatura
ou conquistar posições e honrarias.
Os melhores são os que escrevem pelo prazer de escrever.¨
Lêdo Ivo apud CampedeIIi, 1998, p. 335
Como sabemos, a redação é um dos elementos mais requisitados em processos seletivos
de uma forma geral, e em virtude disso é que devemos estar aptos para desenvolvê-la de
forma plausível e, consequentemente, alcançarmos o sucesso almejado.
Escrever redação não é difícil! A primeira coisa que podemos salientar para que tenha um
bom desempenho com o seu trabalho é sempre priorizar as questões de coerência e também
coesão, em outras palavras, dar cabo no assunto, e não fugir dele em momento algum.
É sempre importante estarmos atentos para a realidade mundial e em especial a
brasileira, temos que ler e assistir jornais, ler revistas, etc. em síntese, estar em sintonia com as
notícias, pois manter-se sempre atualizado pode ser a chave para o sucesso.
Os concusos públicos e vestibulares atuais exploram com certo peso essas atualidades,
incorporando o aspecto do dia a dia. As provas de hoje estão todas intertextualizadas, com a
integração de conteúdos comuns à prova de gramática, literatura e interpretação de texto (uma
boa interpretação é 60% de garantia de se ter uma boa nota!), além do qual o senso crítico e
de compreensão do concursando farão a diferença.
Uma redação bem feita é sinal que a pessoa tem um bom conhecimento da sua língua. É
necessário também ter calma e paciência, sempre prestar muita atenção nas propostas dadas
pelos examinadores.
Faça um rascunho a lápis de sua redação, crie seu texto, revise para ver se não há erros,
e passe a limpo na folha especificada a tinta. Depois disso é torcer para que você tenha ido
muito bem e conseguido uma boa nota, já que na maioria dos concursos e vestibulares do
Brasil, a prova de redação tem um peso muito alto.
Na produção de um texto, o mais importante é como você organiza as ideias, muitas
vezes o candidato sabe muito sobre o assunto, todas as suas causas e consequências, porém
ele não tem a preocupação de organizar suas ideias, e esse, certamente é o responsável pela
reprovação de muitos na prova de redação.
O modo de correção da prova é muito rígido, de modo que determinado professor não
possa expor sua opinião julgando o concursando ao espelho de seu pensamento. A correção
abordará aspectos formais do texto, o emprego da gramática normativa, o senso crítico e a
correlação tema/texto.
Escrever bem não é coisa do outro mundo, é alcançável a todos, basta apenas interesse.
Tipos de Redação
Para escrever uma redação ou um texto, necessitamos de técnicas que implicam no
domínio de capacidades linguísticas. Temos dois momentos: o de formular pensamentos (o
que se quer dizer) e o de expressá-los por escrito (o escrever propriamente dito). Fazer uma
redação, seja ela de que tipo for, não significa apenas escrever de forma correta, mas sim,
organizar ideias sobre determinado assunto.
E para expressarmos por escrito, existem alguns modelos de expressão escrita:
Descrição ÷ Narração ÷ Dissertação – Carta.
Descrição
- expõe características dos seres ou das coisas, apresenta uma visão;
- é um tipo de texto figurativo;
- retrato de pessoas, ambientes, objetos;
- predomínio de atributos;
- uso de verbos de ligação;
- frequente emprego de metáforas, comparações e outras figuras de linguagem;
- tem como resultado a imagem física ou psicológica.
Narração
- expõe um fato, relaciona mudanças de situação, aponta antes, durante e depois dos
acontecimentos (geralmente);
- é um tipo de texto sequencial;
- relato de fatos;
- presença de narrador, personagens, enredo, cenário, tempo;
- apresentação de um conflito;
- uso de verbos de ação;
- geralmente, é mesclada de descrições;
- o diálogo direto é frequente.
Dissertação
- expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa;
- é um tipo de texto argumentativo.
- defesa de um argumento:
a) apresentação de uma tese que será defendida,
b) desenvolvimento ou argumentação,
c) fechamento;
- predomínio da linguagem objetiva;
- prevalece a denotação.
Carta
- esse é um tipo de texto que se caracteriza por envolver um remetente e um destinatário;
- é normalmente escrita em primeira pessoa, e sempre visa um tipo de leitor;
- é necessário que se utilize uma linguagem adequada com o tipo de destinatário e que
durante a carta não se perca a visão daquele para quem o texto está sendo escrito.
Descrição
É a representação com palavras de um objeto, lugar, situação ou coisa, onde procuramos
mostrar os traços mais particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer elemento
que seja apreendido pelos sentidos e transformado, com palavras, em imagens.
Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa ou uma paisagem a alguém,
está fazendo uso da descrição. Não é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de
vista do observador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa forma, o que será
importante ser analisado para um, não será para outro.
A vivência de quem descreve também influencia na hora de transmitir a impressão
alcançada sobre determinado objeto, pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou
sentimento.
Exemplos:
(Ì) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda. Mas a penumbra dos ramos
cobria o atalho.
Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores, pequenas surpresas entre os cipós.
Todo o jardim triturado pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o meio
sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e aves. Tudo era estranho,
suave demais, grande demais.¨
(extraído de "Amor", Laços de FamíIia, CIarice Lispector)
(ÌÌ) Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole, aplicado, inteligência tarda.
Raimundo gastava duas horas em reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta
minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com o cérebro. Reunia a isso grande
medo ao pai. Era uma criança fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na
escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais severo com ele do que conosco.
(Machado de Assis. "Conto de escoIa". Contos. 3ed. São PauIo, Ática, 1974, págs. 31-32.)
Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor da escola que o escritor
frequentava.
Deve-se notar:
- que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao mesmo tempo que gastava
duas horas para reter aquilo que os outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo
tinha grande medo ao pai);
- por isso, não existe uma ocorrência que possa ser considerada cronologicamente
anterior a outra do ponto de vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola é
cronologicamente anterior a retirar-se dela; no nível do relato, porém, a ordem dessas duas
ocorrências é indiferente: o que o escritor quer é explicitar uma característica do menino, e não
traçar a cronologia de suas ações);
- ainda que se fale de ações (como entrava, reti rava-se), todas elas estão no pretérito
imperfeito, que indica concomitância em relação a um marco temporal instalado no texto (no
caso, o ano de 1840, em que o escritor frequentava a escola da rua da Costa) e, portanto, não
denota nenhuma transformação de estado;
- se invertêssemos a sequência dos enunciados, não correríamos o risco de alterar
nenhuma relação cronológica - poderíamos mesmo colocar o últímo período em primeiro lugar
e ler o texto do fim para o começo: O mestre era mais severo com ele do que conosco.
Entrava na escola depois do pai e retirava-se antes...
Evidentemente, quando se diz que a ordem dos enunciados pode ser invertida, está-se
pensando apenas na ordem cronológica, pois, como veremos adiante, a ordem em que os
elementos são descritos produz determinados efeitos de sentido.
Quando alteramos a ordem dos enunciados, precisamos fazer certas modificações no
texto, pois este contém anafóricos (palavras que retomam o que foi dito antes, como ele, os,
aquele, etc. ou catafóricos (palavras que anunciam o que vai ser dito, como este, etc.), que
podem perder sua função e assim não ser compreendidos. Se tomarmos uma descrição como
As flores manifestavam todo o seu esplendor. O Sol fazia-as brilhar, ao invertermos a
ordem das frases, precisamos fazer algumas alterações, para que o texto possa ser
compreendido: O Sol fazia as flores brilhar. Elas manifestavam todo o seu esplendor.
Como, na versão original, o pronome oblíquo as é um anafórico que retoma flores, se
alterarmos a ordem das frases ele perderá o sentido. Por isso, precisamos mudar a palavra
flores para a primeira frase e retomá-la com o anafórico elas na segunda.
Por todas essas características, diz-se que o fragmento do conto de Machado é
descritivo. Descrição é o tipo de texto em que se expõem características de seres concretos
(pessoas, objetos, situações, etc.) consideradas fora da relação de anterioridade e de
posterioridade.
Características:
- Ao fazer a descrição enumeramos características, comparações e inúmeros elementos
sensoriais;
- As personagens podem ser caracterizadas física e psicologicamente, ou pelas ações;
- A descrição pode ser considerada um dos elementos constitutivos da dissertação e da
argumentação;
- é impossível separar narração de descrição;
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim a capacidade de
observação que deve revelar aquele que a realiza.
- Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo: “(...) Ângela tinha cerca de
vinte anos; parecia mais velha pelo desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda,
sanguínea e fogosa, era um desses exemplares excessivos do sexo que parecem
conformados expressamente para esposas da multidão (...)¨ (RauI Pompéia – O Ateneu)
- Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não existe relação de anterioridade
e posterioridade entre seus enunciados.
- Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que se usem então as formas
nominais, o presente e o pretério imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência aos
verbos que indiquem estado ou fenômeno.
- Todavia deve predominar o emprego das comparações, dos adjetivos e dos advérbios,
que conferem colorido ao texto.
A característica fundamental de um texto descritivo é essa inexistência de progressão
temporal. Pode-se apresentar, numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que
eles sejam sempre simultâneos, não indicando progressão de uma situação anterior para outra
posterior. Tanto é que uma das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos no
presente ou no pretérito imperfeito do indicativo: o primeiro expressa concomitância em relação
ao momento da fala; o segundo, em relação a um marco temporal pretérito instalado no texto.
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria introduzir um enunciado que
indicasse a passagem de um estado anterior para um posterior. No caso do texto ÌÌ inicial, para
transformá-lo em narração, bastaria dizer: Reunia a isso grande medo do pai. Mais tarde,
Ìibertou-se desse medo...
Características Linguísticas:

O enunciado narrativo, por ter a representação de um acontecimento, fazer-
transformador, é marcado pela temporalidade, na relação situação inicial e situação final,
enquanto que o enunciado descritivo, não tendo transformação, é atemporal.
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático-semânticas encontradas no texto
que vão facilitar a compreensão:
- Predominância de verbos de estado, situação ou indicadores de propriedades, atitudes,
qualidades, usados principalmente no presente e no imperfeito do indicativo (ser, estar, haver,
situar-se, existir, ficar).
- Enfâse na adjetivação para melhor caracterizar o que é descrito; Exemplo:

"Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado num colarinho direito. O
rosto aguçado no queixo ia-se alargando até à calva, vasta e polida, um pouco amolgado no
alto; tingia os cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca - e aquele
preto lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas não tingia o bigode; tinha-o
grisalho, farto, caído aos cantos da boca. Era muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras.
Tinha uma covinha no queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio."
(Eça de Queiroz - O Primo BasíIio)
- Emprego de figuras (metáforas, metonímias, comparações, sinestesias). Exemplo:

"Era o Sr. Lemos um velho de pequena estatura, não muito gordo, mas rolho e bojudo
como um vaso chinês. Apesar de seu corpo rechonchudo, tinha certa vivacidade buliçosa e
saltitante que lhe dava petulância de rapaz e casava perfeitamente com os olhinhos de
azougue."
(José de AIencar - Senhora)
- Uso de advérbios de localização espacial. Exemplo:

"Até os onze anos, eu morei numa casa, uma casa velha, e essa casa era assim: na
frente, uma grade de ferro; depois você entrava tinha um jardinzinho; no final tinha uma
escadinha que devia ter uns cinco degraus; aí você entrava na sala da frente; dali tinha um
corredor comprido de onde saíam três portas; no final do corredor tinha a cozinha, depois tinha
uma escadinha que ia dar no quintal e atrás ainda tinha um galpão, que era o lugar da
bagunça..."
(Entrevista gravada para o Projeto NURC/RJ)
Recursos:
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas. Ex: O dia transcorria
amarelo, frio, ausente do calor alegre do sol.
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas, concretas. Ex: As criaturas
humanas transpareciam um céu sereno, uma pureza de cristal.
- As sensações de movimento e cor embelezam o poder da natureza e a figura do
homem. Ex: Era um verde transparente que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.
- A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do texto. Ex: Vida simples. Roupa
simples. Tudo simples. O pessoal, muito crente.
A descrição pode ser apresentada sob duas formas:

Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a passagem são apresentadas como
realmente são, concretamente. Ex: "Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70kg. Aparência atlética,
ombros largos, pele bronzeada. Moreno, olos negros, cabelos negros e lisos!.
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento. Exemplo: “ A casa velha era enorme,
toda em largura, com porta central que se alcançava por três degraus de pedra e quatro
janelas de guilhotina para cada lado. Era feita de pau-a-pique barreado, dentro de uma
estrutura de cantos e apoios de madeira-de-lei. Telhado de quatro águas. Pintada de roxo-
claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, provavelmente sede de alguma fazenda que
tivesse ficado, capricho da sorte, na linha de passagem da variante do Caminho Novo que veio
a ser a Rua Principal, depois a Rua Direita ÷ sobre a qual ela se punha um pouco de esguelha
e fugindo ligeiramente do alinhamento (...).¨ (Pedro Nava – Baú de Ossos)
Descrição Subjetiva: quando há maior participação da emoção, ou seja, quando o
objeto, o ser, a cena, a paisagem são transfigurados pela emoção de quem escreve, podendo
opinar ou expressar seus sentimentos. Ex: !"as ocasi#es de aparato é $ue se podia tomar
pulso ao omem. "%o s& as condecora'#es grita(am)le no peito como uma coura'a de grilos.
Ateneu* Ateneu* Aristarco todo era um an+ncio, os gestos, calmos, soberanos, calmos, eram
de um rei...! ("O Ateneu", RauI Pompéia)
“(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra esperança maior: para ele, Joca
Ramiro era único homem, par-de-frança, capaz de tomar conta deste sertão nosso, mandando
por lei, de sobregoverno.¨ (Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)
Os efeitos de sentido criados pela disposição dos elementos descritivos:
Como se disse anteriormente, do ponto de vista da progressão temporal, a ordem dos
enunciados na descrição é indiferente, uma vez que eles indicam propriedades ou
características que ocorrem simultaneamente. No entanto, ela não é indiferente do ponto de
vista dos efeitos de sentido: descrever de cima para baixo ou vice-versa, do detalhe para o
todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido distintos.
Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio", de Bocage:
Magro, de olhos azuis, carão moreno,
bem servido de pés, meão de altura,
triste de facha, o mesmo de figura,
nariz alto no meio, e não pequeno.
Ìncapaz de assistir num só terreno,
mais propenso ao furor do que à ternura;
bebendo em níveas mãos por taça escura
de zelos infernais letal veneno.
Obras de Boa!e. Porto, "ello # $rmão%
&'()% p*!. +',.
O poeta descreve-se das características físicas para as características morais. Se fizesse
o inverso, o sentido não seria o mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer
relevo.
O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a visualizar uma cena. É como traçar com
palavras o retrato de um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas características exteriores,
facilmente identificáveis (descrição objetiva), ou suas características psicológicas e até
emocionais (descrição subjetiva).
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de adjetivos, também denominado
adjetivação. Para facilitar o aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando, após
escrever seu texto, sublinhe todos os substantivos, acrescentando antes ou depois deste um
adjetivo ou uma locução adjetiva.
Descrição de objetos constituídos de uma só parte:
- Ìntrodução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do
objeto descrito.
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) - formato (comparação com figuras geométricas e
com objetos semelhantes); dimensões (largura, comprimento, altura, diâmetro etc.)
- Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) - material, peso, cor/brilho, textura.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro
comentário que envolva o objeto como um todo.
Descrição de objetos constituídos por várias partes:
- Ìntrodução: observações de caráter geral referentes à procedência ou localização do
objeto descrito.
- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários das partes que compõem o
objeto, associados à explicação de como as partes se agrupam para formar o todo.
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo (externamente) - formato,
dimensões, material, peso, textura, cor e brilho.
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua utilidade ou qualquer outro
comentário que envolva o objeto em sua totalidade.
Descrição de ambientes:
- Ìntrodução: comentário de caráter geral.
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global do ambiente: paredes, janelas,
portas, chão, teto, luminosidade e aroma (se houver).
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a objetos lá existentes: móveis,
eletrodomésticos, quadros, esculturas ou quaisquer outros objetos.
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no ambiente.
Descrição de paisagens:
- Ìntrodução: comentário sobre sua localização ou qualquer outra referência de caráter
geral.
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo (explicação do que se vê ao longe).
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais próximos do observador - explicação
detalhada dos elementos que compõem a paisagem, de acordo com determinada ordem.
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo acerca da impressão que a
paisagem causa em quem a contempla.
Descrição de pessoas (Ì):
- Ìntrodução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor da pele, idade, cabelos, olhos,
nariz, boca, voz, roupas).
- Desenvolvimento: características psicológicas (personalidade, temperamento, caráter,
preferências, inclinações, postura, objetivos).
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral.
Descrição de pessoas (ÌÌ):
- Ìntrodução: primeira impressão ou abordagem de qualquer aspecto de caráter geral.
- Desenvolvimento: análise das características físicas, associadas às características
psicológicas (1ª parte).
- Desenvolvimento: análise das características físicas, associadas às características
psicológicas (2ª parte).
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de caráter geral.
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É uma estrutura pictórica, em que
os aspectos sensoriais predominam. Porque toda técnica descritiva implica contemplação e
apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de
sensibilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou interior em suas telas, o autor de
uma descrição focaliza cenas ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade.
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não-Iiterária ou Iiterária. Na
descrição não-literária, há maior preocupação com a exatidão dos detalhes e a precisão
vocabular. Por ser objetiva, há predominância da denotação.
Textos descritivos não-Iiterários: A descrição técnica é um tipo de descrição objetiva:
ela recria o objeto usando uma linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para
descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os compõem, para descrever
experiências, processos, etc.
Exemplo:
Folheto de propaganda de carro
Conforto interno - É impossível falar de conforto sem incluir o espaço interno. Os seus
interiores são amplos, acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O Passat e o
Passat Variant possuem direção hidráulica e ar condicionado de elevada capacidade,
proporcionando a climatização perfeita do ambiente.
Porta-malas - O compartimento de bagagens possui capacidade de 465 litros, que pode
ser ampliada para até 1500 litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado.
Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em plástico reciclável e posicionado
entre as rodas traseiras, para evitar a deformação em caso de colisão.
Textos descritivos Iiterários: Na descrição literária predomina o aspecto subjetivo, com
ênfase no conjunto de associações conotativas que podem ser exploradas a partir de
descrições de pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes; situações e coisas. Vale
lembrar que textos descritivos também podem ocorrer tanto em prosa como em verso.

Exemplos de descrições segundo a época:
Descrição Romântica
"Sobre a alvura diáfana do algodão, a sua pele, cor de cobre, brilhava com reflexos
dourados; os cabelos pretos cortados rentes, a tez lisa, os olhos grandes com os cantos
exteriores erguidos para a fronte; a pupila negra, móbil, cintilante; a boca forte mas bem
modelada e guarnecida e dentes alvos, davam ao rosto pouco oval a beleza inculta da graça,
da força e da inteligência.
Tinha a cabeça cingida por uma fita de couro, a qual se prendiam ao lado esquerdo duas
plumas matizadas que, descrevendo uma longa espiral, vinham roçar com as pontas negras o
pescoço flexível.
(...)
Ali, por entre a folhagem, distinguiam-se as ondulações felinas de um dorso negro,
brilhante, marchetado de pardo; às vezes viam-se brilhar na sombra dois raios vítreos e
pálidos, que semelhavam os reflexos de alguma cristalização de rocha, ferida pela luz do sol."
(AIencar, José de. O !uarani-
Descrição ReaIista
"Ìmaginem um homem de trinta e oito a quarenta anos, alto, magro e pálido. As roupas,
salvo o feitio, pareciam ter escapado ao cativeiro de Babi lônia; o chapéu era contemporâneo do
de Gessler. Ìmaginem agora uma sobrecasaca, mais larga do que pediam as carnes, - ou,
literalmente, os ossos da pessoa; a cor preta ia cedendo o passo a um amarelo sem brilho; o
pêlo desaparecia aos poucos; dos oito primitivos botões restavam três. As calças, de brim
pardo, tinham duas fortes joelheiras, enquanto as bainhas eram roídas pelo tacão de um botim
sem misericórdia nem graxa. Ao pescoço flutuavam as pontas de uma gravata de duas cores,
ambas desmaiadas, apertando um colarinho de oito dias. Creio que trazia também colete, um
colete de seda escura, roto a espaços, a desabotoado."
(Assis, Machado de. .em/rias p/stumas de Br*s 0ubas-
Descrição Modernista
"A manhã me viu de pé, no banheiro, contemplando no vaso a curiosa entidade que eu
tinha produzido: um objeto cilíndrico, bem formado, de cor saudável, textura fina, superfície
lisa, quase acetinada. E tinha, à guisa de olhos, dois grãos de milho.
Flutuava displicentemente, a graciosa criatura. A descarga vazava; a corrente que fluía
marulhando orientava-a ora para o norte, ora para o nordeste, ora para o sul. De repente
virou-se e ficou boiando de costas. Estava tão bem ali, que vacilei em dar a descarga. Mas não
podia deixar sujeira no vaso: apertei o botão."
(ScIiar, Moacyr. O ilo das *!uas)
Exemplos de descrições segundo o objeto:
Descrição de Ambiente
"Ali naquela casa de muitas janelas e bandeiras coloridas vivia Rosali na. Casa de gente
de casta, segundo eles antigamente. Ainda conserva a imponência e o porte senhorial, o ar
solarengo que o tempo de todo não comeu. As cores das janelas e das portas estão lavadas de
velhas, o reboco caído em alguns trechos como grandes placas de ferida, mostra mesmo as
pedras e os tijolos e as taipas de sua carne e ossos, feitos para durar toda a vida; vi dros
quebrados nas vidraças, resultado do ataque da meninada nos dias de reinação, quando
vinham provocar Rosalina (não de propósito e ruindade, mas sem-que-fazer de menino),
escondida detrás das cortinas e reposteiros: nos peitoris das sacadas de ferro rendilhado,
formando flores estilizadas, setas, volutas, esses e gregas, faltam muitas das pinhas de cristal
faceitado cor-de-vinho que arrematavam nas cantoneiras a leveza daqueles balcões."
(Dourado, Autran. 1pera dos mortos. Rio de Janeiro: CiviIização BrasiIeira, 1975, p. 1-2.)
Descrição de Tipo
"Quando o coronel João Capistrano Honório Cota mandou erguer o sobrado, tinha pouco
mais de trinta anos. Mas já era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava muito
dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de casimira inglesa, o colete de linho
atravessado pela grossa corrente de ouro do relógio; a calça é que era como a de todos na
cidade -brim, a não ser em certas ocasiões (batizado, morte, casamento - então era parelho
mesmo, por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito. Dava gosto ver.
O passo vagaroso de quem não tem pressa - o mundo podia esperar por ele, o peito
magro estufado, os gestos lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da Ìgreja
cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os que por ele passavam ou os que
chegavam na janela muitas vezes só para vê-lo passar.
Desde longe a gente adivinhava ele vindo: alto, magro, descarnado como uma ave
pernalta de grande porte. Sendo assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava
sempre a impressão de uma grande e ponderada figura. Não jogava as pernas para os lados
nem as trazia abertas, esticava-as feito medisse os passos, quebrando os joelhos em reto.
Quando montado, indo para a sua Fazenda da Pedra Menina, no cavalo branco ajaezado
de couro trabalhado e prata, aí então sim era a grande imponente figura, que enchia as vistas.
Parecia um daqueles cavaleiros antigos, fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim, quando
iam para a guerra armados cavaleiros."
(Dourado, Autran. Ópera dos Mortos. Rio de Janeiro: CiviIização BrasiIeira, 1975, p. 9-1O)
Descrever é fazer viver os pormenores, situações ou pessoas. Evocar o que se vê e o
que se sente. É criar o que não se vê, mas se percebe ou imagina. Não copiar friamente, mas
deixar rica uma imagem transmitindo sensações fortes.
Narração
A Narração é um tipo de texto que relata uma história real, fictícia ou mescla dados reais
e imaginários. O texto narrativo apresenta personagens que atuam em um tempo e em um
espaço, organizados por uma narração feita por um narrador. É uma série de fatos situados
em um espaço e no tempo, tendo mudança de um estado para outro, segundo relações de
sequencialidade e causalidade, e não simultâneos como na descrição. Expressa as relações
entre os indivíduos, os conflitos e as ligações afetivas entre esses indivíduos e o mundo,
utilizando situações que contêm essa vivência.
Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o narrador acaba sempre
contando onde, quando, como e com quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração
predomina a ação: o texto narrativo é um conjunto de ações; assim sendo, a maioria dos
verbos que compõem esse tipo de texto são os verbos de ação. O conjunto de ações que
compõem o texto narrativo, ou seja, a história que é contada nesse tipo de texto recebe o nome
de enredo.
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas personagens, que são
justamente as pessoas envolvidas no episódio que está sendo contado. As personagens são
identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos substantivos próprios.
Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo sem querer) ele acaba contando
"onde" (em que lugar) as ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar onde
ocorre uma ação ou ações é chamado de espaço, representado no texto pelos advérbios de
lugar.
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer "quando" ocorreram as ações
da história. Esse elemento da narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através dos
tempos verbais, mas principalmente pelos advérbios de tempo. É o tempo que ordena as ações
no texto narrativo: é ele que indica ao leitor "como" o fato narrado aconteceu.
A história contada, por isso, passa por uma introdução (parte inicial da história, também
chamada de prólogo), pelo desenvoIvimento do enredo (é a história propriamente dita, o
meio, o "miolo" da narrativa, também chamada de trama) e termina com a concIusão da
história (é o final ou epílogo). Aquele que conta a história é o narrador, que pode ser pessoaI
(narra em 1ª pessoa: Eu...) ou impessoaI (narra em 3ª pessoa: Ele...).
Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos de ação, por advérbios de
tempo, por advérbios de lugar e pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os
agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações expressas pelos verbos,
formando uma rede: a própria história contada.
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta a história.
Elementos Estruturais (Ì):
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos.
- Personagens: são seres que se movimentam, se relacionam e dão lugar à trama que se
estabelece na ação. Revelam-se por meio de características físicas ou psicológicas. Os
personagens podem ser lineares (previsíveis), complexos, tipos sociais (trabalhador, estudante,
burguês etc.) ou tipos humanos (o medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti -heróis,
protagonistas ou antagonistas.
- Narrador: é quem conta a história.
- Espaço: local da ação. Pode ser físico ou psicológico.
- Tempo: época em que se passa a ação. CronoIógico: o tempo convencional (horas,
dias, meses); PsicoIógico: o tempo interior, subjetivo.
Elementos Estruturais (ÌÌ):
Personagens - Quem? Protagonista/Antagonista
Acontecimento - O quê? -ato
Tempo - Quando? .poca em $ue ocorreu o /ato
Espaço - Onde? 0ugar onde ocorreu o /ato
Modo - Como? 1e $ue /orma ocorreu o /ato
Causa - Por quê? Motivo pelo qual ocorreu o fato
Resultado - previsível ou imprevisível.
Final - Fechado ou Aberto.
Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se de tal forma, que não é possível
compreendê-los isoladamente, como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de
implicação mútua entre eles, para garantir coerência e verossimilhança à história narrada.
Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão, obrigatoriamente sempre presentes
no discurso, exceto as personagens ou o fato a ser narrado.
Exemplo:
Porquinho-da-índia
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índía.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...
- O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
ManueI Bandeira. EstreIa da vida inteira. 4ª ed. Rio de Janeiro, José OIympio, 1973, pág. 110.
Observe que, no texto acima, há um conjunto de transformações de situação: ganhar um
porquinho-da-índia é passar da situação de não ter o animalzinho para a de tê-lo; levá-lo para a
sala ou para outros lugares é passar da situação de ele estar debaixo do fogão para a de estar
em outros lugares; ele não gostava: “$ueria era estar debai2o do /og%o3 implica a volta à
situação anterior; “n%o /azia caso nenum das minas ternurinas3 dá a entender que o menino
passava de uma situação de não ser terno com o animalzinho para uma situação de ser; no
último verso tem-se a passagem da situação de não ter namorada para a de ter.
Verifica-se, pois, que nesse texto há um grande conjunto de mudanças de situação. É
isso que define o que se chama o componente narrativo do texto, ou seja, narrativa é uma
mudança de estado pela ação de alguma personagem, é uma transformação de situação.
Mesmo que essa personagem não apareça no texto, ela está logicamente implícita. Assim, por
exemplo, se o menino ganhou um porquinho-da-índia, é porque alguém lhe deu o animalzinho.
Assim, há basicamente, dois tipos de mudança: aquele em que alguém recebe alguma
coisa (o menino passou a ter o porquinho-da índia) e aquele alguém perde alguma coisa (o
porquinho perdia, a cada vez que o menino o levava para outro lugar, o espaço confortável de
debaixo do fogão). Assim, temos dois tipos de narrativas: de aquisição e de privação.
Existem três tipos de foco narrativo:
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na qual é participante. Nesse caso
ele é narrador e personagem ao mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa.
- Narrador-observador: é aquele que conta a história como alguém que observa tudo
que acontece e transmite ao leitor, a história é contada em 3ª pessoa.
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo e as personagens, revelando
seus pensamentos e sentimentos íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes,
aparece misturada com pensamentos dos personagens (discurso indireto livre).
Estrutura:
- Apresentação: é a parte do texto em que são apresentados alguns personagens e
expostas algumas circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ação se
desenvolverá.
- CompIicação: é a parte do texto em que se inicia propriamente a ação. Encadeados, os
episódios se sucedem, conduzindo ao clímax.
- CIímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu momento crítico, tornando o
desfecho inevitável.
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações dos personagens.
Tipos de Personagens:
Os personagens têm muita importância na construção de um texto narrativo, são
elementos vitais. Podem ser principais ou secundários, conforme o papel que desempenham
no enredo, podem ser apresentados direta ou indiretamente.
A apresentação direta acontece quando o personagem aparece de forma clara no texto,
retratando suas características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação indireta se dá
quando os personagens aparecem aos poucos e o leitor vai construindo a sua imagem com o
desenrolar do enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e do modo como
vai fazendo.
- Em 1ª pessoa:
Personagem PrincipaI: há um “eu¨ participante que conta a história e é o protagonista.
Exemplo:
“Parei na varanda, ia tonto, atordoado, as pernas bambas, o coração parecendo querer
sair-me pela boca fora. Não me atrevia a descer à chácara, e passar ao quintal vizinho.
Comecei a andar de um lado para outro, estacando para amparar-me, e andava outra vez e
estacava.¨
(Machado de Assis. 2om 0asmurro)
Observador: é como se dissesse: É verdade, pode acreditar, eu estava lá e vi. Exemplo:
“Batia nos noventa anos o corpo magro, mas sempre teso do Jango Jorge, um que foi
capitão duma maloca de contrabandista que fez cancha nos banhados do Ìbirocaí.
Esse gaúcho desabotinado levou a existência inteira a cruzar os campos da fronteira; à
luz do Sol, no desmaiado da Lua, na escuridão das noites, na cerração das madrugadas...;
ainda que chovesse reiúnos acolherados ou que ventasse como por alma de padre, nunca
errou vau, nunca perdeu atalho, nunca desandou cruzada!...
(...)
Aqui há poucos ÷ coitado! ÷ pousei no arranchamento dele. Casado ou doutro jeito,
afamilhado. Não no víamos desde muito tempo. (...)
Fiquei verdeando, à espera, e fui dando um ajutório na matança dos leitões e no tiramento
dos assados com couro.
(J. Simões Lopes Neto – 0ontrabandista)
- Em 3ª pessoa:
Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira pessoa. Exemplo:
“Devia andar lá pelos cinco anos e meio quando a fantasiaram de borboleta. Por isso não
pôde defender-se. E saiu à rua com ar menos carnavalesco deste mundo, morrendo de
vergonha da malha de cetim, das asas e das antenas e, mais ainda, da cara à mostra, sem
máscara piedosa para disfarçar o sentimento impreciso de ridículo.¨
(IIka Laurito. Sal do "3rio)
Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como sendo vista por uma câmara ou
filmadora. Exemplo:
Festa
Atrás do balcão, o rapaz de cabeça pelada e avental olha o crioulão de roupa limpa e
remendada, acompanhado de dois meninos de tênis branco, um mais velho e outro mais novo,
mas ambos com menos de dez anos.
Os três atravessam o salão, cuidadosamente, mas resolutamente, e se dirigem para o
cômodo dos fundos, onde há seis mesas desertas.
O rapaz de cabeça pelada vai ver o que eles querem. O homem pergunta em quanto fica
uma cerveja, dois guaranás e dois pãezinhos.
__ Duzentos e vinte.
O preto concentra-se, aritmético, e confirma o pedido.
__Que tal o pão com molho? ÷ sugere o rapaz.
__ Como?
__ Passar o pão no molho da almôndega. Fica muito mais gostoso.
O homem olha para os meninos.
__ O preço é o mesmo ÷ informa o rapaz.
__ Está certo.
Os três sentam-se numa das mesas, de forma canhestra, como se o estivessem fazendo
pela primeira vez na vida.
O rapaz de cabeça pelada traz as bebidas e os copos e, em seguida, num pratinho, os
dois pães com meia almôndega cada um. O homem e (mais do que ele) os meninos olham
para dentro dos pães, enquanto o rapaz cúmplice se retira.
Os meninos aguardam que a mão adulta leve solene o copo de cerveja até a boca, depois
cada um prova o seu guaraná e morde o primeiro bocado do pão.
O homem toma a cerveja em pequenos goles, observando criteriosamente o menino mais
velho e o menino mais novo absorvidos com o sanduíche e a bebida.
Eles não têm pressa. O grande homem e seus dois meninos. E permanecem para
sempre, humanos e indestrutíveis, sentados naquela mesa.
(Wander PiroIi)
Tipos de Discurso:
Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente para o personagem, sem a sua
interferência. Exemplo:
Caso de Desquite
__ Vexame de incomodar o doutor (a mão trêmula na boca). Veja, doutor, este velho
caducando. Bisavô, um neto casado. Agora com mania de mulher. Todo velho é sem-
vergonha.
__ Dobre a língua, mulher. O hominho é muito bom. Só não me pise, fico uma jararaca.
__ Se quer sair de casa, doutor, pague uma pensão.
__ Essa aí tem filho emancipado. Criei um por um, está bom? Ela não contribuiu com
nada, doutor. Só deu de mamar no primeiro mês.
__Você desempregado, quem é que fazia roça?
__ Ìsso naquele tempo. O hominho aqui se espalhava. Fui jogado na estrada, doutor.
Desde onze anos estou no mundo sem ninguém por mim. O céu lá em cima, noite e dia o
hominho aqui na carroça. Sempre o mais sacrificado, está bom?
__ Se ficar doente, Severino, quem é que o atende?
__ O doutor já viu urubu comer defunto? Ninguém morre só. Sempre tem um cristão que
enterra o pobre.
__ Na sua idade, sem os cuidados de uma mulher...
__ Eu arranjo.
__ Só a troco de dinheiro elas querem você. Agora tem dois cavalos. A carroça e os dois
cavalos, o que há de melhor. Vai me deixar sem nada?
__ Você tinha amula e a potranca. A mula vendeu e a potranca, deixou morrer. Tenho
culpa? Só quero paz, um prato de comida e roupa lavada.
__ Para onde foi a lavadeira?
__ Quem?
__ A mulata.
(...)
(DaIton Trevisan – A !uerra 0on4u!al)
Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem diz, sem lhe passar diretamente
a palavra. Exemplo:
Frio
O menino tinha só dez anos.
Quase meia hora andando. No começo pensou num bonde. Mas lembrou-se do
embrulhinho branco e bem feito que trazia, afastou a idéia como se estivesse fazendo uma
coisa errada. (Nos bondes, àquela hora da noite, poderiam roubá-lo, sem que percebesse; e
depois?... Que é que diria a Paraná?)
Andando. Paraná mandara-lhe não ficar observando as vitrines, os prédios, as coisas.
Como fazia nos dias comuns. Ìa firme e esforçando-se para não pensar em nada, nem olhar
muito para nada.
__ Olho vivo ÷ como dizia Paraná.
Devagar, muita atenção nos autos, na travessia das ruas. Ele ia pelas beiradas. Quando
em quando, assomava um guarda nas esquinas. O seu coraçãozinho se apertava.
Na estação da Sorocabana perguntou as horas a uma mulher. Sempre ficam mulheres
vagabundeando por ali, à noite. Pelo jardim, pelos escuros da Alameda Cleveland. Ela lhe deu,
ele seguiu. Ìgnorava a exatidão de seus cálculos, mas provavelmente faltava mais ou menos
uma hora para chegar em casa. Os bondes passavam.
(João Antônio – .ala!ueta% 5erus e Baana6o)
Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala do personagem e a fala do
narrador. É um recurso relativamente recente. Surgiu com romancistas inovadores do século
XX. Exemplo:
A Morte da Porta-Estandarte
Que ninguém o incomode agora. Larguem os seus braços. Rosinha está dormindo. Não
acordem Rosinha. Não é preciso segurá-lo, que ele não está bêbado... O céu baixou, se
abriu... Esse temporal assim é bom, porque Rosinha não sai. Tenham paciência... Largar
Rosinha ali, ele não larga não... Não! E esses tambores? Ui! Que venham... É guerra... ele vai
se espalhar... Por que não está malhando em sua cabeça?... (...) Ele vai tirar Rosinha da
cama... Ele está dormindo, Rosinha... Fugir com ela, para o fundo do País... Abraçá-la no alto
de uma colina...
(AníbaI Machado)
Sequência Narrativa:
Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias: uma coordena-se a outra, uma
implica a outra, uma subordina-se a outra.
A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
- uma em que uma personagem passa a ter um querer ou um dever (um desejo ou uma
necessidade de fazer algo);
- uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma competência para fazer algo);
- uma em que a personagem executa aquilo que queria ou devia fazer (é a mudança
principal da narrativa);
- uma em que se constata que uma transformação se deu e em que se podem atribuir
prêmios ou castigos às personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os castigos,
para os maus).
Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se pressupõem logicamente. Com
efeito, quando se constata a realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela
efetua-se porque quem a realiza pode, sabe, quer ou deve fazê-la. Tomemos, por exemplo, o
ato de comprar um apartamento: quando se assina a escritura, realiza-se o ato de compra;
para isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer ou dever comprar (respectivamente,
querer deixar de pagar aluguel ou ter necessidade de mudar, por ter sido despejado, por
exemplo).
Algumas mudanças são necessárias para que outras se deem. Assim, para apanhar uma
fruta, é necessário apanhar um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um carro,
é preciso antes conseguir o dinheiro.
7arrativa e 7arra6ão
Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A narratividade é um componente narrativo
que pode existir em textos que não são narrações. A narrativa é a transformação de situações.
Por exemplo, quando se diz “1epois da aboli'%o, incenti(ou) se a imigra'%o de europeus3,
temos um texto dissertativo, que, no entanto, apresenta um componente narrativo, pois contém
uma mudança de situação: do não incentivo ao incentivo da imigração européia.
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de texto, o que é narração?
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três características:
- é um conjunto de transformações de situação (o texto de Manuel Bandeira ÷ “Porquinho-
da-índia¨, como vimos, preenche essa condição);
- é um texto figurativo, isto é, opera com personagens e fatos concretos (o texto
"Porquinho-da-índia" preenche também esse requisito);
- as mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal que, entre elas, existe sempre
uma relação de anterioridade e posterioridade (no texto "Porquinho-da-índia" o fato de ganhar o
animal é anterior ao de ele estar debaixo do fogão, que por sua vez é anterior ao de o menino
levá-lo para a sala, que por seu turno é anterior ao de o porquinho-da-índia voltar ao fogão).
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre pertinente num texto narrativo,
mesmo que a sequência linear da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no
romance machadiano Mem&rias p&stumas de 4r5s 6ubas, quando o narrador começa
contando sua morte para em seguida relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada. No
entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura, as relações de anterioridade e de
posterioridade.
Resumindo: na narração, as três características explicadas acima (transformação de
situações, figuratividade e relações de anterioridade e posterioridade entre os episódios
relatados) devem estar presentes conjuntamente. Um texto que tenha só uma ou duas dessas
características não é uma narração.
Esquema que pode facilitar a elaboração de seu texto narrativo:
- Ìntrodução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que aconteceu, quando e onde.
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos personagens.
- Desenvolvimento: detalhes do fato.
- Conclusão: consequências do fato.
Caracterização Formal:
Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspecto narrativo apresenta, até certo
ponto, alguma subjetividade, porquanto a criação e o colorido do contexto estão em função da
individualidade e do estilo do narrador. Dependendo do en/o$ue do redator, a narração terá
diversas abordagens. Assim é de grande importância saber se o relato é feito em primeira -
pessoa ou terceira pessoa. No primeiro caso, há a participação do narrador; segundo, há uma
inferência do último através da onipresença e onisciência.
Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação dos acontecimentos: esses podem
oscilar no tempo, transgredindo o aspecto linear e constituindo o que se denomina “/lasback¨.
O narrador que usa essa técnica (característica comum no cinema moderno) demonstra maior
criatividade e originalidade, podendo observar as ações ziguezagueando no tempo e no
espaço.
Exemplo - Personagens
"Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Amâncio não viu a mulher chegar.
- Não quer que se carpa o quintal, moço?
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face escalavrada. Mas os olhos...
(sempre guardam alguma coisa do passado, os olhos)."
(Kiefer, CharIes. A dentadura postiça. Porto AIegre: Mercado Aberto, p. 5O)
Exemplo - Espaço
Considerarei longamente meu pequeno deserto, a redondeza escura e uniforme dos
seixos. Seria o leito seco de algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a insipidez."
(Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto AIegre: Movimento, 1981, p. 51)
Exemplo - Tempo
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a mulher lhe pediu que a
chamasse cedo."
(Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. p.4)
Ao longo da nossa vida, vivemos em meio a muitas narrativas. Desde muito cedo,
ouvimos histórias de nossas famílias, de como era a cidade ou o bairro há muito tempo atrás;
como eram nossos parentes quando mais novos. Ouvimos também histórias de medos, de
personagens fantásticos, de sonhos. Enfim, ouvimos, contamos, lemos, assistimos,
imaginamos histórias.
Texto 1
“Noite escura, sem céu nem estrelas. Uma noite de ardentia. Estava tremendo. O que
seria desta vez? A resposta veio do fundo. Uma enorme baleia, com o corpo todo iluminado,
passava exatamente sob o barco, quase tocando-lhe o fundo. Podia ser sua descomunal
cauda, de envergadura talvez igual ao comprimento do meu barco, passando por baixo, de um
lado, enquanto do outro, seguiam o corpo e a cabeça. Com o seu movimento verde
fosforescente iluminando a noite, nem me tocou, e iluminada seguiu em frente. Com as mãos
agarradas na borda, estava completamente paralisado por tão impressionante espetáculo÷
belo e assustador ao mesmo tempo. Acompanhava com os olhos e a respiração seu caminho
sob a superfície. Manobrou e voltou-se de novo, e, mesmo maravilhado com o que via, não tive
a menor dúvida: voei para dentro, fechei a porta e todos os respiros, e fiquei aguardando,
deitado, com as mãos no teto, pronto para o golpe. Suavemente tocou o leme e passou a
empurrar o barco, que ficou atravessado a sua frente. Eu procurava imaginar o que ela queria.
(KIink, Amir. "Cem dias entre céu e mar". Rio de Janeiro: José OIympio, 1986)
Texto 2
A lebre e a tartaruga
A lebre estava se vangloriando de sua rapidez, perante os outros animais: “Nunca perco
de ninguém. Desafio a todos aqui a tomarem parte numa corrida comigo.¨
“Aceito o desafio!¨, disse a tartaruga calmamente. “Ìsto parece brincadeira. Poderia
dançar à sua volta, por todo o caminho¨, respondeu a lebre.
“Guarde sua presunção até ver quem ganha¨, recomendou a tartaruga.
A um sinal dado pelos outros animais, as duas partiram. A lebre saiu a toda velocidade.
Mais adiante, para demonstrar seu desprezo pela rival, deitou-se e tirou uma soneca. A
tartaruga continuou avançando, com muita perseverança. Quando a lebre acordou, viu-a já
pertinho do ponto final e não teve tempo de correr, para chegar primeiro.
Moral: 6om perse(eran'a, tudo se alcan'a.
Comentário:
- o texto mostra, através de um relato de e2periência (i(ida, cenas da memória do famoso
navegador brasileiro - Amir Klink, autor de vários livros sobre suas viagens;
- o texto 2 conta uma história de animais - /5bula - que ilustra um comportamento humano
e cuja finalidade é dar um ensinamento a respeito de certas atitudes das pessoas.
Podemos afirmar que os dois textos têm em comum os seguintes aspectos:
- acontecimento, fato, situação (ou "o que aconteceu" e "como aconteceu")
- personagem (ou "com quem aconteceu")
- espaço, tempo (ou o "onde" e "quando aconteceu")
- narrador (ou "quem está contando")
Ambos os textos são narrativas, mas com uma diferença: o primeiro é uma narrativa não
ficcionaI, porque traz uma história vivida e relatada por uma pessoa. O segundo é uma
narrativa ficcionaI, em que um autor cria no mundo da imaginação, uma história narrada por
um narrador e vivida por seus personagens.
Para a distinção entre narrativa ficcional e não ficcional ficar mais clara, é bom lembrar,
por exemplo, que a notícia de jornal é também uma narrativa de não ficção, pois relata fatos da
realidade que mereçam ser divulgados.
Tipologia da Narrativa Ficcional:
- Romance
- Conto
- Crônica
- Fábula
- Lenda
- Parábola
- Anedota
- Poema Épico
Tipologia da Narrativa Não-Ficcional:
- Memorialismo
- Notícias
- Relatos
- História da Civilização
Apresentação da Narrativa:
- visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em quadrinhos) e desenhos.
- auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e discos.
- audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas.
Exemplos de Textos Narrativos:
Conto: é a forma narrativa, em prosa, de menor extensão (no sentido estrito de tamanho).
Entre suas principais características, estão a concisão, a precisão, a densidade, a unidade de
efeito ou impressão total: o conto precisa causar um efeito singular no leitor; muita excitação e
emotividade. Ao escritor de contos dá-se o nome de contista. Exemplo:
A noite em que os hotéis estavam cheios
O casal chegou à cidade tarde da noite. Estavam cansados da viagem; ela, grávida, não
se sentia bem. Foram procurar um lugar onde passar a noite. Hotel, hospedaria, qualquer coisa
serviria, desde que não fosse muito caro.
Não seria fácil, como eles logo descobriram. No primeiro hotel o gerente, homem de maus
modos, foi logo dizendo que não havia lugar. No segundo, o encarregado da portaria olhou
com desconfiança o casal e resolveu pedir documentos. O homem disse que não tinha, na
pressa da viagem esquecera os documentos.
÷ E como pretende o senhor conseguir um lugar num hotel, se não tem documentos? ÷
disse o encarregado. ÷ Eu nem sei se o senhor vai pagar a conta ou não!
O viajante não disse nada. Tomou a esposa pelo braço e seguiu adiante. No terceiro hotel
também não havia vaga. No quarto ÷ que era mais uma modesta hospedaria ÷ havia, mas o
dono desconfiou do casal e resolveu dizer que o estabelecimento estava lotado. Contudo, para
não ficar mal, resolveu dar uma desculpa:
÷ O senhor vê, se o governo nos desse incentivos, como dão para os grandes hotéis, eu
já teria feito uma reforma aqui. Poderia até receber delegações estrangeiras. Mas até hoje não
consegui nada. Se eu conhecesse alguém influente... O senhor não conhece ninguém nas
altas esferas?
O viajante hesitou, depois disse que sim, que talvez conhecesse alguém nas altas
esferas.
÷ Pois então ÷ disse o dono da hospedaria ÷ fale para esse seu conhecido da minha
hospedaria. Assim, da próxima vez que o senhor vier, talvez já possa lhe dar um quarto de
primeira classe, com banho e tudo.
O viajante agradeceu, lamentando apenas que seu problema fosse mais urgente:
precisava de um quarto para aquela noite. Foi adiante.
No hotel seguinte, quase tiveram êxito. O gerente estava esperando um casal de
conhecidos artistas, que viajavam incógnitos. Quando os viajantes apareceram, pensou que
fossem os hóspedes que aguardava e disse que sim, que o quarto já estava pronto. Ainda fez
um elogio.
÷ O disfarce está muito bom. Que disfarce? Perguntou o viajante. Essas roupas velhas
que vocês estão usando, disse o gerente. Ìsso não é disfarce, disse o homem, são as roupas
que nós temos. O gerente aí percebeu o engano:
÷ Sinto muito ÷ desculpou-se. ÷ Eu pensei que tinha um quarto vago, mas parece que
já foi ocupado.
O casal foi adiante. No hotel seguinte, também não havia vaga, e o gerente era metido a
engraçado. Ali perto havia uma manjedoura, disse, por que não se hospedavam lá? Não seria
muito confortável, mas em compensação não pagariam diária. Para surpresa dele, o viajante
achou a idéia boa, e até agradeceu. Saíram.
Não demorou muito, apareceram os três Reis Magos, perguntando por um casal de
forasteiros. E foi aí que o gerente começou a achar que talvez tivesse perdido os hóspedes
mais importantes já chegados a Belém de Nazaré.
("A Massagista Japonesa", "Contos para um NataI brasiIeiro",
Editora ReIume: IBASE - Rio de Janeiro, 1996, p. 09.)
Crônica: é uma narração, segundo a ordem temporal. O termo é atribuído, por exemplo,
aos noticiários dos jornais, comentários literários ou científicos, que preenchem periodicamente
as páginas de um jornal. Exemplo:
Escuta
"Já que está se falando tanto em aparelhos de escuta, imagine se existisse um aparelho
capaz de captar do ar tudo que já foi dito pela raça humana desde os seus primeiros grunhidos.
Nossas palavras provocam ondas sonoras que se alastram e quem nos assegura que elas não
continuam no ar, dando voltas ao mundo, junto com as palavras dos outros, para sempre?
Como não parece existir fronteiras para a técnica moderna, o aparelho certamente se
sofisticaria em pouco tempo e logo poderíamos captar a época que quiséssemos e isolar
palavras, frases, discursos inteiros, inclusive identificando o seu lugar de origem. Sintonizar o
Globe Theater de Londres e ouvir as palavras de Shakespeare ditas por atores da época
elizabetana, com intervenções do ponto e comentários da platéia, por exemplo. Ouvir, talvez, o
próprio Shakespeare falando. Ou tossindo, já que todos os sons que emitimos? espirros,
gemidos, puns também continuariam no ar para serem ouvidos. O grito do Ìpiranga. Discursos
do Rui Barbosa. O silêncio do Maracanã quando o Uruguai marcou o segundo gol. As grandes
frases da humanidade, na voz do próprio autor! Descobriríamos que Alexandre, o Grande, tinha
voz fina, que Napoleão era linguinha, que a primeira coisa que Cabral disse ao chegar ao Brasil
foi "Diabos, enxarquei as botas"...
As pessoas se reuniriam para sintonizar o passado, à procura de vozes conhecidas e
frases famosas.
"Se for para o bem de todos e a felicidade geral da nação, diga ao povo que..."? Ìsso não
interessa. Muda. "Gugu"? Espera! Essa voz não me é estranha... "Dadá"? Sou eu, quando era
bebê! Aumenta, aumenta! É verdade que não haveria como identificar vozes famosas, dizendo
coisas banais. Aquela frase, captada numa rua de Atenas? "Aparece lá em casa, e leva a
patroa"? pode muito bem ter sido dita por Péricles. Aquela outra "Um pouquinho mais para
cima... Aí, aí! agora coça!" pode ter sido dita por Madame Currie para o marido. Ou por Max
para Engels. E não se deve esquecer que algumas das coisas mais bonitas ditas pelo homem
através da História foram ditas baixinho, no ouvido de alguém, e não causaram ondas. Da
próxima vez que disser alguma coisa que valha a pena no ouvido de alguém, portanto, grite.
Você pode estar rompendo um caso de amor, e talvez um tímpano, mas estará falando para a
posteridade.
[...]"
(Veríssimo, Luís Fernando. JornaI do BrasiI, 27/O9/98, p. 11)
FábuIa: é uma narrativa figurada, na qual são animais que ganham características
humanas. Sempre contém um moral por sustentação, constatada no final da história. É um
gênero muito versátil, pois permite diversas maneiras de se abordar determinado assunto. É
muito interessante para crianças, pois permite que elas sejam ensinadas dentro de preceitos
morais sem que percebam. Exemplo:
O Lobo e o Cordeiro
A razão do mais forte é a que vence no final (nem sempre o Bem derrota o Mal).

Um cordeiro a sede matava
nas águas limpas de um regato.
Eis que se avista um lobo que por lá passava
em forçado jejum, aventureiro inato,
e lhe diz irritado: - "Que ousadia
a tua, de turvar, em pleno dia,
a água que bebo! Hei de castigar-te!"
- "Majestade, permiti-me um aparte" -
diz o cordeiro. - "Vede
que estou matando a sede
água a jusante,
bem uns vinte passos adiante
de onde vos encontrais. Assim, por conseguinte,
para mim seria impossível
cometer tão grosseiro acinte."
- "Mas turvas, e ainda mais horrível
foi que falaste mal de mim no ano passado.
- "Mas como poderia" - pergunta assustado
o cordeiro -, "se eu não era nascido?"
- "Ah, não? Então deve ter sido
teu irmão." - "Peço-vos perdão
mais uma vez, mas deve ser engano,
pois eu não tenho mano."
- "Então, algum parente: teus tios, teus pais. . .
Cordeiros, cães, pastores, vós não me poupais;
por isso, hei de vingar-me" - e o leva até o recesso
da mata, onde o esquarteja e come sem processo.
La Fontaine
Lenda: é uma narrativa fantasiosa transmitida pela tradição oral através dos tempos. De
caráter fantástico e/ou fictício, as lendas combinam fatos reais e históricos com fatos irreais
que são meramente produto da imaginação aventuresca humana. Com exemplos bem
definidos em todos os países do mundo, as lendas geralmente fornecem explicações
plausíveis, e até certo ponto aceitáveis, para coisas que não têm explicações científicas
comprovadas, como acontecimentos misteriosos ou sobrenaturais. Podemos entender que
lenda é uma degeneração do Mito. Como diz o dito popular "Quem conta um conto aumenta
um ponto", as lendas, pelo fato de serem repassadas oralmente de geração a geração, sofrem
alterações à medida que vão sendo recontadas. Exemplo:
Boi Tatá
É um Monstro com olhos de fogo, enormes, de dia é quase cego, à noite vê tudo. Diz a
lenda que o Boitatá era uma espécie de cobra e foi o único sobrevivente de um grande dilúvio
que cobriu a terra. Para escapar ele entrou num buraco e lá ficou no escuro, assim, seus olhos
cresceram.
Desde então anda pelos campos em busca de restos de animais. Algumas vezes, assume
a forma de uma cobra com os olhos flamejantes do tamanho de sua cabeça e persegue os
viajantes noturnos. Às vezes ele é visto como um facho cintilante de fogo correndo de um lado
para outro da mata. No Nordeste do Brasil é chamado de "Cumadre Fulôzinha". Para os índios
ele é "Mbaê-Tata", ou Coisa de Fogo, e mora no fundo dos rios.
Dizem ainda que ele é o espírito de gente ruim ou almas penadas, e por onde passa, vai
tocando fogo nos campos. Outros dizem que ele protege as matas contra incêndios.
A ciência diz que existe um fenômeno chamado Fogo-fátuo, que são os gases inflamáveis
que emanam dos pântanos, sepulturas e carcaças de grandes animais mortos, e que visto de
longe parecem grandes tochas em movimento.
ParáboIa: narrativa curta ou apólogo, muitas vezes erroneamente definida também como
fábula. Sua característica é ser protagonizada por seres humanos e possuir sempre uma razão
moral que pode ser tanto implícita como explícita. Ao longo dos tempos vem sendo utilizada
para ilustrar lições de ética por vias simbólicas ou indiretas. Narração figurativa na qual, por
meio de comparação, o conjunto dos elementos evoca outras realidades, tanto fantásticas,
quanto reais. Exemplo:
O Filho Pródigo
“Um certo homem tinha dois filhos. E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte
da fazenda que me pertence. E ele repartiu por eles a fazenda. E, poucos dias depois, o filho
mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longínqua e ali desperdiçou a sua fazenda,
vivendo dissolutamente. E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e
começou a padecer necessidades. E foi e chegou-se a um dos cidadãos daquela terra, o qual o
mandou para os seus campos a apascentar porcos. E desejava encher o seu estômago com as
bolotas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada. E, caindo em si, disse: Quantos
trabalhadores de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome! Levantar-me-ei, e
irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser
chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores. E, levantando-se, foi para seu
pai; e, quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e, correndo,
lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou. E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti e
já não sou digno de ser chamado teu filho. Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a
melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés, e trazei o bezerro
cevado, e matai-o; e comamos e alegremo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu;
tinha-se perdido e foi achado. E começaram a alegrar-se. E o seu filho mais velho estava no
campo; e, quando veio e chegou perto de casa, ouviu a música e as danças. E, chamando um
dos servos, perguntou-lhe que era aquilo. E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o
bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo. Mas ele se indignou e não queria entrar. E,
saindo o pai, instava com ele. Mas, respondendo ele, disse ao pai: Eis que te sirvo há tantos
anos, sem nunca transgredir o teu mandamento, e nunca me deste um cabrito para alegrar-me
com os meus amigos. Vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou a tua fazenda com as
meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado. E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e
todas as minhas coisas são tuas. Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este
teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado¨
(EvangeIho Lucas 15:11-32)

Erros 0omuns na 7arra6ão:
- 8so e mau uso das palavras: Sabe-se muito bem que as palavras funcionam como
matéria-prima para a construção de qualquer texto. Um defeito que um bom texto jamais
deverá apresentar é a repetição de palavras sem fins estilísticos. Claro que não estamos
falando de repetições intencionais como as anáforas, por exemplo, mas daquele tipo que
desgasta a narrativa e empobrece, inclusive, seus significados. Exemplo:
"A menina esteve sentada ali durante toda à tarde. Coitada da menina, não sabia que a
consulta duraria tanto e que sua mãe ficaria, então, preocupada. A menina pediu para telefonar
e falou com a mãe, explicando-lhe a demora."
Procure substituir os nomes por pronomes quando perceber que você repetiu muito a
mesma palavra.

- 8so de lih9s: Entendendo-se como clichê as repetições de expressões, ideias ou
palavras que, pelo uso constante e popularizado, nada mais significam. Exclua de sua redação
narrativa as expressões: "lindo dia de sol", "abraço cheio de emoção", "beijo doce", "ao pôr-do-
sol", "faces rosadas", "inocente criança", "Num belo domingo de Primavera...", "família unida",
"uma grande salva de palmas", "paixão intensa".
Estes são apenas alguns exemplos. E depende da sensibilidade de cada um para captar
os desgastes que as palavras e expressões possuem.

- :alta de oer9nia interna: Levando-se em conta que uma narrativa é uma sucessão
de acontecimentos que ocorrem em tempo e espaço determinados, que envolvem ações feitas
e recebidas pelas personagens, é interessante que jamais percamos a coerência interna.
Precisamos ter atenção na construção do texto narrativo, a fim de que ele não perca suas
qualidades de completude. Deixar pelo caminho situações mal desenvolvidas, circunstâncias
mal nomeadas ou esclarecidas dão sempre a ideia de desatenção, pressa ou falta de cuidado
com a tessitura do texto. Ele deve sempre parecer um todo verossímil, capaz de convencer
quem o leia. Ìmitação da vida ou ultra-realidade, o texto não pode, a não ser por escolha do
autor, como estilo, parecer frágil em alguns aspectos, sem resistência de continuidade.
Mesmo que o tempo seja "cortado" e nele se insiram os /lasback, não permita que ele se
fragmente e esses fragmentos esgarcem a compreensão do que você imprimiu à sua história.
Lembre-se de que a narrativa é como uma vida, um trecho dela: há circunstâncias que, se
retiradas, fazem-na tornar-se incompleta ou superficial.

- Aus9nia de arater3stias das persona!ens: Quando construímos a personagem
ou personagens, sabemos que elas devem parecer verdadeiras, criaturas assemelhadas que
são aos humanos. Mesmo numa fábula ou num apólogo, em que animais ou coisas são
personificados, há uma tendência de caracterizá-las como criaturas do mundo real. Uma
personagem, sobretudo a protagonista, deve ter traços fortes, típicos, particulares. Se você
criá-las sem características específicas, não há como ressaltar-lhe os atos e tomá-los
significativos na sequência da narração. Uma boa personagem tem um cacoete qualquer; uma
cor de olhos, tiques, manias, gestos (passar a mão no cabelo, estalar os dedos ou balançar a
cabeça de um lado para o outro.)

- Aus9nia de arater3stias espaiais: Caracterização do espaço onde ocorrem as
ações. Muitas vezes, ele sequer existe, como no trecho: "Enquanto lá fora chovia
intensamente, as crianças pulavam aos berros sobre o sofá da sala."
Quando o corretor lê isso, sem mais nenhuma indicação posterior, o que pode imaginar é
um sofá no meio do nada e três crianças pulando sobre ele... uma janela dependurada e lá fora
a chuva intensa... Este aspecto é tão importante que, frequentemente, revela estados de
espírito, características psicológicas e intelectuais das personagens. Não seja excessivamente
minucioso, aborde aspectos. Por exemplo: numa narrativa de terror ou suspense, em que uma
determinada cena vai se desenvolver no sótão; ou no porão, é imprescindível que você, em
dado momento, indique e descreva os caminhos que conduzem a tais lugares.

- 8so reiterado de ad4etivos: Exemplo: "Numa linda, perfeita, maravilhosa, fantástica e
ensolarada manhã de primavera brasileira, aquela extraordinária jovem de cabelos longos,
negros e volumosos abriu a ampla janela para o belíssimo e perfeito jardim..."
É evidente que, ao descrever uma personagem ou o ambiente em que ela se encontra,
precisaremos da ajuda de adjetivos; mas saiba priorizá-los no uso, evitando abundância
desnecessária. Uso ampliado de adjetivos também desgasta (como no exemplo acima).
- Esrita irular: Rigorosamente, não há tamanho exato para nenhum tipo de texto,
muito menos os narrativos. Mas convém não ultrapassar 40 ou 50 linhas para que não
incorramos num erro muito significativo: escrever "circularmente", ou seja, repetir, infinitamente
repetir, ao redor do mesmo tema, a mesma história ou argumentos como uma espécie de
bêbado que fala sempre a mesma coisa. Escrever circularmente é como andar em círculos,
sem que possamos sair do lugar, investindo em algo que é importante para qualquer narrativa:
as ações novas que se encadeiam, a peripécia dos acontecimentos, a sequência que nos
permita um bom fecho. Antes de começar a escrever, faça um breve roteiro (não é um resumo)
sobre como quer que a história se desenvolva. Ajuda muito e nos auxilia a não nos perdermos
em descaminhos.

- 0ome6o% meio e fim: Muita gente, quando escreve, imagina que, para ser
compreendido, é preciso ser didático. Não acredite nisso. Uma pergunta que se faz muito ao
intentar um texto narrativo é se ele pode terminar em "aberto", ou seja, apenas com a sugestão
de fecho, aceitando a interferência, a interação com o leitor que pode, de acordo com suas
vivências e experiências, "fechá-lo" à sua maneira. Ìsso é uma boa dica, acredite, para fazer
melhor o seu texto. Experimente, por exemplo, começá-lo pelo clímax, assim você rompe o
lugar comum e chama mais a atenção do seu corretor.

- Es;ueendo uma persona!em: Antes de começar o seu texto, lembre-se de ler com
atenção todas as recomendações do enunciado e não se esquecer de qualquer
recomendação. Sobretudo quando se trata de criar um determinado tipo de personagem. Se o
enunciado pedir a você que crie um detetive, uma mulher que lê mãos, um homem misterioso
de chapéu, tais pedidos, certamente, fazem parte fundamental do que se pretende da narrativa.
Pior do que isso é começar a narrar e, após citar uma personagem, esquecê-la, deixá-la de
lado, não trazê-la ao fio da história para que se desenvolva plenamente. "Esquecer" uma
personagem é ato narrativo imperdoável.

- Es;ueendo uma a6ão: Nada pior que esquecer uma ação exigida pelo enunciado.
Quando ele pede um determinado componente acional, melhor prestar muita atenção e dar um
contorno de relevância a isso. Normalmente, o enunciado destaca o que pede como
imprescindível. E antes de passar a limpo a redação, vá ao rol de exigências e confira se
cumpriu todos os itens. Há duas coisas que dão nota zero na hora de elaborar o texto: fugir do
modal, trocá-lo (pede-se, por exemplo, uma narração e você faz uma dissertação..). A outra é
esquecer os itens do enunciado, descumpri-los ou relegar exigências fundamentais a
circunstâncias secundárias.
Dissertação
A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação de uma determinada ideia. É,
sobretudo, analisar algum tema. Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio,
clareza, coerência, objetividade na exposição, um planejamento de trabalho e uma habilidade
de expressão.
É em função da capacidade crítica que se questionam pontos da realidade social,
histórica e psicológica do mundo e dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu
significado diz respeito a um tipo de texto em que a exposição de uma ideia, através de
argumentos, é feita com a finalidade de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou
artístico.
Exemplo:
Há três métodos pelos quais pode um homem chegar a ser primeiro-ministro. O primeiro é
saber, com prudência, como servir-se de uma pessoa, de uma filha ou de uma irmã; o
segundo, como trair ou solapar os predecessores; e o terceiro, como clamar, com zelo furioso,
contra a corrupção da corte. Mas um príncipe discreto prefere nomear os que se valem do
último desses métodos, pois os tais fanáticos sempre se revelam os mais obsequiosos e
subservientes à vontade e às paixões do amo. Tendo à sua disposição todos os cargos,
conservam-se no poder esses ministros subordinando a maioria do senado, ou grande
conselho, e, afinal, por via de um expediente chamado anistia (cuja natureza lhe expliquei),
garantem-se contra futuras prestações de contas e retiram-se da vida pública carregados com
os despojos da nação.
Jonathan Swift. Via!ens de Gulliver.
São PauIo, AbriI CuIturaI, 1979, p. <=+-<=>.
Esse texto explica os três métodos pelos quais um homem chega a ser primeiro-ministro,
aconselha o príncipe discreto a escolhê-lo entre os que clamam contra a corrupção na corte e
justifica esse conselho.
Observe-se que:
- o texto é temático, pois analisa e interpreta a realidade com conceitos abstratos e
genéricos (não se fala de um homem particular e do que faz para chegar a ser
primeiro-ministro, mas do homem em geral e de todos os métodos para atingir o poder);
- existe mudança de situação no texto (por exemplo, a mudança de atitude dos que
clamam contra a corrupção da corte no momento em que se tornam primeiros-ministros);
- a progressão temporal dos enunciados não tem importância, pois o que importa é a
relação de implicação (clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto depois da
nomeação para primeiro-ministro).
Características:
- ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é temático;
- como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação;
- ao contrário do texto narrativo, nele as relações de anterioridade e de posterioridade dos
enunciados não têm maior importância - o que importa são suas relações lógicas: analogia,
pertinência, causalidade, coexistência, correspondência, implicação, etc.
- a estética e a gramática são comuns a todos os tipos de redação. Já a estrutura, o
conteúdo e a estilística possuem características próprias a cada tipo de texto.

São partes da dissertação: Introdução / DesenvoIvimento / ConcIusão.
Introdução: em que se apresenta o assunto; se apresenta a ideia principal, sem, no
entanto, antecipar seu desenvolvimento. Tipos:
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem discutidos. Ex: “Cada criatura humana
traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para
dentro...¨
- AIusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um fato presente. Ex: “A crise
econômica que teve início no começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de
inflação que a década colecionou, agravou vários dos históricos problemas sociais do país.
Entre eles, a violência, principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente identificada
pela população brasileira.¨
- Proposição: o autor explicita seus objetivos.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma coisa apresentada no texto. Ex:
Você quer estar “na sua¨? Quer se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo
cano! Faça parte desse time de vencedores desde a escolha desse momento!
- Contestação: contestar uma idéia ou uma situação. Ex: “É importante que o cidadão
saiba que portar arma de fogo não é a solução no combate à insegurança.¨
- Características: caracterização de espaços ou aspectos.
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex: “Em 1982, eram 15,8 milhões os
domicílios brasileiros com televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de aparelhos
receptores instalados do mundo). Ao todo, existem no país 257 emissoras (aquelas capazes de
gerar programas) e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais recebidos). (...)¨
- DecIaração IniciaI: emitir um conceito sobre um fato.
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto do texto. Ex: “A principal
característica do déspota encontra-se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e
das regras que definem a vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu poder, escreve
Aristóteles, é arbitrário, pois decorre exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas
necessidades.¨
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que compõem o texto.
- Interrogação: questionamento. Ex: “Volta e meia se faz a pergunta de praxe: afinal de
contas, todo esse entusiasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?¨
- Suspense: alguma informação que faça aumentar a curiosidade do leitor.
- Comparação: social e geográfica.
- Enumeração: enumerar as informações. Ex: “Ação à distância, velocidade,
comunicação, linha de montagem, triunfo das massas, Holocausto: através das metáforas e
das realidades que marcaram esses 100 últimos anos, aparece a verdadeira doença do
século...¨
- Narração: narrar um fato.
DesenvoIvimento: é a argumentação da ideia inicial, de forma organizada e progressiva.
É a parte maior e mais importante do texto. Podem ser desenvolvidos de várias formas:
- Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com este tipo de abordagem.
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a idéia principal ao máximo,
esclarecendo o conceito ou a definição.
- Comparação: estabelecer analogias, confrontar situações distintas.
- BiIateraIidade: quando o tema proposto apresenta pontos favoráveis e desfavoráveis.
- IIustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou descrever uma cena.
- Cifras e Dados Estatísticos: citar cifras e dados estatísticos.
- Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para prováveis resultados.
- Interrogação: Toda sucessão de interrogações deve apresentar questionamento e
reflexão.
- Refutação: questiona-se praticamente tudo: conceitos, valores, juízos.
- Causa e Consequência: estruturar o texto através dos porquês de uma determinada
situação.
- Oposição: abordar um assunto de forma dialética.
- ExempIificação: dar exemplos.
ConcIusão: é uma avaliação final do assunto, um fechamento integrado de tudo que se
argumentou. Para ela convergem todas as ideias anteriormente desenvolvidas.
- ConcIusão Fechada: recupera a ideia da tese.
- ConcIusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um pensamento ou faz uma proposta,
incentivando a reflexão de quem lê.
Exemplo:
1ireito de 7rabalo
Com a queda do feudalismo no século XV, nasce um novo modelo econômico: o
capitalismo, que até o século XX agia por meio da inclusão de trabalhadores e hoje passou a
agir por meio da exclusão. ?A-
A tendência do mundo contemporâneo é tornar todo o trabalho automático, devido à
evolução tecnológica e a necessidade de qualificação cada vez maior, o que provoca o
desemprego. Outro fator que também leva ao desemprego de um sem número de
trabalhadores é a contenção de despesas, de gastos. ?B-
Segundo a Constituição, “preocupada¨ com essa crise social que provém dessa
automatização e qualificação, obriga que seja feita uma lei, em que será dada absoluta
garantia aos trabalhadores, de que, mesmo que as empresas sejam automatizadas, não
perderão eles seu mercado de trabalho. ?0-
Não é uma utopia?!
Um exemplo vivo são os bóias-frias que trabalham na colheita da cana de açúcar que
devido ao avanço tecnológico e a lei do governador Geraldo Alkmin, defendendo o meio
ambiente, proibindo a queima da cana de açúcar para a colheita e substituindo-os então pelas
máquinas, desemprega milhares deles. ?2-
Em troca os sindicatos dos trabalhadores rurais dão cursos de cabeleleiro, marcenaria,
eletricista, para não perderem o mercado de trabalho, aumentando, com isso, a classe de
trabalhos informais.
Como ficam então aqueles trabalhadores que passaram à vida estudando, se
especializando, para se diferenciarem e ainda estão desempregados?, como vimos no último
concurso da prefeitura do Rio de Janeiro para “gari¨, havia até advogado na fila de inscrição.
?E-
Já que a Constituição dita seu valor ao social que todos têm o direito de trabalho, cabe
aos governantes desse país, que almeja um futuro brilhante, deter, com urgência esse
processo de desníveis gritantes e criar soluções eficazes para combater a crise generalizada
?:-, pois a uma nação doente, miserável e desigual, não compete a tão sonhada modernidade.
?G-
1º Parágrafo ÷ Introdução
A. Tema: Desemprego no Brasil.
ContextuaIização: decorrência de um processo histórico problemático.
2º ao 6º Parágrafo ÷ DesenvoIvimento
B. Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que remetem a uma análise do tema
em questão.
C. Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado da realidade.
D. Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de quem propõe soluções.
E. Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição.
7º Parágrafo: ConcIusão
F. Uma possível solução é apresentada.
G. O texto conclui que desigualdade não se casa com modernidade.
É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar sobre o que não se conhece. A
leitura de bons textos é um dos recursos que permite uma segurança maior no momento de
dissertar sobre algum assunto. Debater e pesquisar são atitudes que favorecem o senso
crítico, essencial no desenvolvimento de um texto dissertativo.
Ainda temos:
Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o assunto que vai ser abordado.
TítuIo: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo discutido.
Argumentação: é um conjunto de procedimentos linguísticos com os quais a pessoa que
escreve sustenta suas opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer
argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma determinada tese.
Estes assuntos serão vistos com mais afinco posteriormente.
Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são:
- toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade de pleno domínio do assunto
e habilidade de argumentação;
- em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema;
- a coerência é tida como regra de ouro da dissertação;
- impõem-se sempre o raciocínio lógico;
- a linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer ambiguidade pode ser um ponto
vulnerável na demonstração do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original,
nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve ser impessoal (evitar-se o uso da primeira
pessoa).
O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve apresentar: uma frase contendo a ideia
principal (frase nuclear) e uma ou mais frases que explicitem tal ideia.
Exemplo: “A televisão mostra uma realidade idealizada (ideia central) porque oculta os
problemas sociais realmente graves. (ideia secundária)¨.
Vejamos:
Ìdeia central: A poluição atmosférica deve ser combatida urgentemente.
DesenvoIvimento: A poluição atmosférica deve ser combatida urgentemente, pois a alta
concentração de elementos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas, sobretudo
daquelas que sofrem de problemas respiratórios:
- A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem levado muita gente ao vício.
- A televisão é um dos mais eficazes meios de comunicação criados pelo homem.
- A violência tem aumentado assustadoramente nas cidades e hoje parece claro que esse
problema não pode ser resolvido apenas pela polícia.
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise atualmente.
- O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a sociedade brasileira.
O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras:
Enumeração: Caracteriza-se pela exposição de uma série de coisas, uma a uma. Presta-
se bem à indicação de características, funções, processos, situações, sempre oferecendo o
complemente necessário à afirmação estabelecida na frase nuclear. Pode-se enumerar,
seguindo-se os critérios de importância, preferência, classificação ou aleatoriamente.
Exemplo:
1- O adolescente moderno está se tornando obeso por várias causas: alimentação
inadequada, falta de exercícios sistemáticos e demasiada permanência diante de
computadores e aparelhos de Televisão.
2- Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o número de emissoras que
dedicam parte da sua programação à veiculação de programas religiosos de crenças variadas.
3-
- A Santa Missa em seu lar.
- Terço Bizantino.
- Despertar da Fé.
- Palavra de Vida.
- Ìgreja da Graça no Lar.
4-
- Ìnúmeras são as dificuldades com que se defronta o governo brasileiro diante de tantos
desmatamentos, desequilíbrios sociológicos e poluição.
- Existem várias razões que levam um homem a enveredar pelos caminhos do crime.
- A gravidez na adolescência é um problema seríssimo, porque pode trazer muitas
consequências indesejáveis.
- O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua sobrevivência no mundo atual e
vários são os tipos de lazer.
- O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em várias categorias.
Comparação: A frase nuclear pode-se desenvolver através da comparação, que
confronta ideias, fatos, fenômenos e apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança.
Exemplo:
“A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a velhice, pelo contrário, é
dominada por um vago e persistente sentimento de dor, porque já estamos nos convencendo
de que a felicidade é uma ilusão, que só o sofrimento é real¨.
?Arthur Shopenhauer-
Causa e Consequência: A frase nuclear, muitas vezes, encontra no seu
desenvolvimento um segmento causal (fato motivador) e, em outras situações, um segmento
indicando consequências (fatos decorrentes).
Exemplos:
- O homem, dia a dia, perde a dimensão de humanidade que abriga em si, porque os seus
olhos teimam apenas em ver as coisas imediatistas e lucrativas que o rodeiam.
- O espírito competitivo foi excessivamente exercido entre nós, de modo que hoje somos
obrigados a viver numa sociedade fria e inamistosa.
Tempo e Espaço: Muitos parágrafos dissertativos marcam temporal e espacialmente a
evolução de ideias, processos.
Exemplos:
Tempo - A comunicação de massas é resultado de uma lenta evolução. Primeiro, o
homem aprendeu a grunhir. Depois deu um significado a cada grunhido. Muito depois, inventou
a escrita e só muitos séculos mais tarde é que passou à comunicação de massa.
Espaço - O solo é influenciado pelo clima. Nos climas úmidos, os solos são profundos.
Existe nessas regiões uma forte decomposição de rochas, isto é, uma forte transformação da
rocha em terra pela umidade e calor. Nas regiões temperadas e ainda nas mais frias, a camada
do solo é pouco profunda. (Melhem Adas)
ExpIicitação: Num parágrafo dissertativo pode-se conceituar, exemplificar e aclarar as
ideias para torná-las mais compreensíveis.
Exemplo: “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do coração para irrigar os
tecidos. Exceto no cordão umbilical e na ligação entre os pulmões e o coração, todas as
artérias contém sangue vermelho-vivo, recém oxigenado. Na artéria pulmonar, porém, corre
sangue venoso, mais escuro e desoxigenado, que o coração remete para os pulmões para
receber oxigênio e liberar gás carbônico¨.
Antes de se iniciar a elaboração de uma dissertação, deve delimitar-se o tema que será
desenvolvido e que poderá ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo, o tema é a
questão indígena, ela poderá ser desenvolvida a partir das seguintes ideias:
- A violência contra os povos indígenas é uma constante na história do Brasil.
- O surgimento de várias entidades de defesa das populações indígenas.
- A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio brasileiro.
- A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.
Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, deve fazer a estruturação do texto.
A estrutura do texto dissertativo constitui-se de:
Introdução: deve conter a ideia principal a ser desenvolvida (geralmente um ou dois
parágrafos). É a abertura do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a atenção
para dois itens básicos: os objetivos do texto e o plano do desenvolvimento. Contém a
proposição do tema, seus limites, ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser defendida.
DesenvoIvimento: exposição de elementos que vão fundamentar a ideia principal que
pode vir especificada através da argumentação, de pormenores, da ilustração, da causa e da
consequência, das definições, dos dados estatísticos, da ordenação cronológica, da
interrogação e da citação. No desenvolvimento são usados tantos parágrafos quantos forem
necessários para a completa exposição da ideia. E esses parágrafos podem ser estruturados
das cinco maneiras expostas acima.
ConcIusão: é a retomada da ideia principal, que agora deve aparecer de forma muito
mais convincente, uma vez que já foi fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação
(um parágrafo). Deve, pois, conter de forma sintética, o objetivo proposto na instrução, a
confirmação da hipótese ou da tese, acrescida da argumentação básica empregada no
desenvolvimento.
Observe o texto abaixo:
8ida ou Morte
Ìntrodução
A grande produção de armas nucleares, com seu incrível potencial destrutivo, criou uma
situação ímpar na história da humanidade: pela primeira vez, os homens têm nas mãos o poder
de extinguir totalmente a sua própria raça da face do planeta.
Desenvolvimento
A capacidade de destruição das novas armas é tão grande que, se fossem usadas num
conflito mundial, as consequências de apenas algumas explosões seriam tão extensas que
haveria forte possibilidade de se chegar ao aniquilamento total da espécie humana. Não
haveria como sobreviver a um conflito dessa natureza, pois todas as regiões seriam
rapidamente atingidas pelos efeitos mortíferos das explosões.
Conclusão

Só resta, pois, ao homem uma saída: mudar essa situação desistindo da corrida
armamentista e desviando para fins pacíficos os imensos recursos econômicos envolvidos
nessa empreitada suicida. Ou os homens aprendem a conviver em paz, em escala mundial, ou
simplesmente não haverá mais convivência de espécie alguma, daqui a algum tempo.
97e2to adaptado do artigo :;az e corrida armamentista3 in 1ouglas 7u/ano, p. <7=
Na introdução, o autor apresenta o tema (desenvolvimento científico levou o homem a
produzir bombas que possibilitam a destruição total da humanidade), no desenvolvimento, ele
expõe os argumentos que apóiam a sua afirmação inicial e na conclusão, conclui o seu
pensamento inicial, com base nos argumentos.
Na dissertação, pode-se construir frases de sentido geral ou de sentido específico,
particular. Às vezes, uma afirmação de sentido geral pode não ser inaceitável, mas se for
particularizada torna-se aceitável.
Exemplo:
É proibido falar ao telefone celular. (sentido geral)
É proibido falar ao telefone celular dirigindo. (sentido específico)
Quando o autor se preocupa principalmente em expor suas ideias a respeito do tema
abordado, fica claro que seu objetivo é fazer com que o leitor concorde com ele. Nesse caso,
tem-se a dissertação argumentativa Para que a argumentação seja eficiente, o raciocínio deve
ser exposto de maneira lógica, clara e coerente.
O autor de uma dissertação deve ter sempre em mente, as possíveis reações do leitor e
por isso, deve-se considerar todas as possíveis contra-argumentações, a fim de que possa
“cercar¨ o leitor no sentido de evitar possíveis desmentidos da tese que se está defendendo. As
evidências são o melhor argumento.
Os principais autores de redação em língua portuguesa no Brasil sugerem os conhecidos
esquemas de acordo com cada tipo de texto. Seguir as instruções de introdução dá ao
candidato o ponto pertinente.
Gênero textuaI: Este quesito contempla a adequação ao gênero em foco. Por exemplo,
caso o candidato se exprima, em uma dissertação, com subjetividade, própria de textos
literários como a narração e a descrição, perderá pontos.
Esquema: Cada tipo de texto requer esquema próprio. A utilização correta de um
esquema vale ponto na prova. Leia com atenção e siga todos os passos a seguir.
Quanto à introdução, Hildebrando A. de André (1998, p.67) sugere frase-síntese
acrescida de tópicos frasais do segundo e terceiro parágrafos.
Por sua vez, Branca Granatic (1996, p.80) aborda a redação dividida em esquemas,
independentemente da tipologia textual.
Es;uema &
- Ìntrodução: expressão inicial (facultativa) + tema com objetivo + citação dos argumentos
1, 2 e 3.
- Desenvolvimento do argumento 1
- Desenvolvimento do argumento 2
- Desenvolvimento do argumento 3
- Conclusão: expressão conclusiva (facultativa) + tema com objetívo + observação final
(impessoal, positiva, otimista, que solucione o problema e apresente viés humanístíco).
Em primeiro lugar, leia o(s) texto(s) apresentado(s) na prova várias vezes, até sua perfeita
compreensão. Lembre-se de que não há necessariamente relação direta dos textos com o
tema. A seguir, identifique o tema, caso este não tenha sido explicitado. Depois, crie seu
objetivo, ou seja, sem fugir do tema, posicione-se. Alguns autores chamarão o tema com o
objetivo de tese. Por fim, de acordo com seu posicionamento e sem fugir do tema, busque dois
ou três argumentos para desenvolver a redação.
Exemplos:

Tema: Sexo antes do casamento.
Objetivo: Apresentar visões favoráveis ao sexo antes do casamento.
Argumentos:
(1) Maior conhecimento íntimo do parceiro;
(2) Novo conceito de liberdade;
(3) Ruptura da ideologia vigente.
Tema: Problema hídrico no Distrito Federal.
Objetivo: Mostrar a real e trágica situação e apresentar soluções.
Argumentos:
(1) A construção de poços artesianos sem nenhuma fiscalização e planejamento em
condomínios irregulares;
(2) A conivência do GDF;
(3) A construção de uma nova barragem (Corumbá 4) para abastecimento de água do DF
e entorno.
Tema: MST
Objetivo: Apresentar a existência de várias correntes dentro do MST e suas posições.
Argumentos:
(1) Propostas de reforma agrária pelas quais eles lutam;
(2) Posição das correntes mais radicais;
(3) Soluções do governo ao MST.
Sugestões extraídas da coluna Língua Solta, de Dad Squarisi, do jornal 6orreio
4raziliense.
Assunto: Velhice
Leitor: Grupo de pessoas com idade entre 60 e 65 anos.
DeIimitação do assunto: O perigo da ociosidade na velhice.
Objetivo: Apresentar sugestões de atividades capazes de prevenir a ociosidade na
velhice.
Ideias do desenvoIvimento:
(1) A aposentadoria do trabalho não significa aposentadoria de mãos, pés e cabeça;
(2) Há muitas ofertas de atividades para pessoas que já passaram dos 60 anos: grupos
de estudo, viagens, cerâmica, contadores de histórias;
(3) Atividade física é importante, mas não deve ser vista como tortura. Escolha a que
mais lhe dá prazer: caminhada, musculação, hidroginástica, natação.
Assunto: Falar em público.
Leitor: Alunos do curso de expressão oral.
DeIimitação do assunto: Falar bem é dom ou habilidade aprendida?
Objetivo: Demonstrar que, com treino, qualquer pessoa pode falar em público com
desenvoltura e sem medo.
Ideias do desenvoIvimento:
(1) Falar, como escrever, é habilidade - melhorar depende de treino;
(2) Exemplo de pessoas que, graças ao treino, venceram as dificuldades. O principal
deles: Demóstenes, pai da Oratória. Ele venceu até a gagueira;
(3) Como melhorar a expressão oral.
Após considerar todas essas etapas, é possível começar a redação.
Comece o primeiro parágrafo com uma expressão inicial (adverbial) que não seja óbvia.
Por exemplo, a palavra "atualmente" é muito óbvia na introdução, usada por diversas pessoas.
Por esse motivo, use alguma expressão que aluda a seu objetivo e argumentação. Em
seguida, cite o tema e seu objetivo previamente elaborado.
Lembre-se: nada de copiá-lo; reescreva-o com outras palavras. Ìsso também vale em
relação a seus argumentos, que devem apenas ser citados, e não desenvolvidos ou
explicitados. Tudo em um único parágrafo, curto, de três a cinco linhas.
Nos próximos três parágrafos, desenvolva seus três argumentos. Para tal, siga a ordem
de sua introdução, abordando cada argumento em um parágrafo. Lembre-se de que a tese
será desenvolvida exatamente agora; por isso, é preciso convencer o leitor de seu ponto de
vista sobre o tema e, oportunamente, dar explicações, desenvolver cada argumento.
Esta é a reta final. Ìsso significa que você deve continuar atento(a) ao regramento da
redação dissertativa, que também tem suas especificidades quanto à conclusão do texto. Por
isso, comece com uma expressão conclusiva que não seja óbvia como "portanto", "assim",
"dessa forma".
Não inicie frase com gerúndio. Aliás, em todo o texto, o gerúndio só cabe após uma
vírgula ou no meio de uma construção não virgulada (não utilize de maneira nenhuma
"concluindo", por exemplo). Empregue algumas palavras que denotem finalização (sem se
valer de chavões), preferencialmente relacionadas ao tema ou à argumentação.
Exemplos: "Com base nos dados acima explicitados", "Sob o foco da argumentação
anterior". E não se esqueça de utilizar a vírgula, caso venha antes do verbo, como já sugerido.
Cite, em seguida, o tema e o objetivo, com outras palavras, fazendo uma relação com a
observação final do texto, no ponto forte da redação. Ela deve ser impessoal (nunca em
primeira pessoa, singular ou plural), denotar otimismo com relação ao problema abordado,
enfatizar a valorização do ser humano, concluir de maneira sucinta os dados comprobatórios
referentes ao tema e ao objetivo.
Lembre-se: jamais cite os argumentos na conclusão.
Es;uema <
- Ìntrodução: expressão inicial + tema com objetivo + citação dos argumentos 1 e 2.
- Desenvolvimento do argumento 1
- Desenvolvimento do argumento 2
- Conclusão: expressão conclusiva + tema com objetivo + observação final (impessoal,
positiva, otimista, que solucione o problema e apresente viés humanístíco).
Quanto ao esquema 2, que apresenta somente dois argumentos, o candidato deve seguir
as orientações do esquema 1, com atenção ainda maior aos dois argumentos para
fundamentar o texto.
@eAto Ar!umentativo% 2issertativo e EApositivo
Quando se pensa em um desses três tipos de texto, geralmente acredita-se que se trata
de uma dissertação. Por mais que haja uma série de proximidades com a dissertação, os
textos argumentativo, dissertativo e expositivo têm características particulares. A principal delas
é exatamente o fato de proporcionarem maior liberdade ao redator, pois o deixa livre das
expressões inicial e conclusiva, obrigatórias na dissertação.
Há várias maneiras de organizar logicamente um texto argumentativo. No entanto, para
facilitar a redação, sugerem-se dois esquemas de estrutura:
Es;uema &
- Ìntrodução: tema com objetivo + citação dos argumentos 1 e 2.
- Desenvolvimento do argumento 1 + expressão de ligação entre os argumentos +
desenvolvimento do argumento 2.
- Conclusão: tema com objetívo + observação final (impessoal, positiva, otimista, que
solucione o problema e apresente viés humanístíco).
Es;uema <
- Ìntrodução: tema com objetivo + citação dos argumentos 1 e 2 + desenvolvimento do
argumento 1
- Expressão de ligação entre os argumentos + desenvolvimento do argumento 2 +
conclusão (tema com objetivo + observação final - impessoal, positiva, otimista, que solucione
o problema e apresente viés humanístíco).
Tanto o esquema 1 como o 2 estão corretos quanto à estrutura de um texto
argumentativo, dissertativo ou expositivo. Contudo, recomenda-se utilizar o esquema 1, pela
organização mais explícita da redação, a partir da "separação de atitudes": introduzir o tema,
desenvolver, concluir.
Requisitos para uma boa dissertação:
· sistematizar os dados reunidos;
· ordená-los;
· interpretá-los coerentemente.
Tipos: Dependendo da eleição do autor e da natureza do tema, a dissertação pode ser
expositiva ou polêmica:
2isserta6ão EApositiva
O autor poderá reunir material de fontes diversas e desenvolver uma posição
compreensiva do assunto, baseado no que foi coletado. Esse tipo dissertação exige do
expositor informação atualizada.
2isserta6ão 5ol9mia
O autor, além de reunir dados e expô-los com pertinência, apresentará posicionamentos,
apoiado em razões e evidências.
Esse tipo de dissertação é feito a partir de assuntos polêmicos, encadeando ideias que se
desenvolvem através de argumentos.
Na dissertação polêmica, há selecão de prós e/ou contras; o autor deve focalizar o
assunto proposto, questionando-o e procurando solucioná-lo antes de uma análise valorativa.
Aqui se exige, além de conhecimentos razoáveis, outra habilidade: capacidade de persuasão.
Estrutura b*sia da disserta6ão pol9mia
Ìntrodução:
- Apresentação do assunto proposto.
- Frase-ponte (de ligação)
Desenvolvimento:
- Elemento relacionador + pró (ou contra) + justificativa.
- Elemento relacionador + pró (ou contra) + justificativa.
- Elemento relacionador + pró (ou contra) + justificativa.
- Frase-ponte (de separação).
- Elemento relacionador + contra (ou pró) + justificativa.
- Elemento relacionador + contra (ou pró) + justificativa.
- Elemento relacionador + contra (ou pró) + justificativa.
Conclusão:
- Frase-ponte de ligação.
- Conclusão propriamente dita.
Observações: Para maior funcionalidade, não se devem misturar, indiscriminadamente, os
prós e os contras. Primeiro, expõem-se todos os prós e, depois, todos os contras (ou vice-
versa). A técnica dissertativa é a empregada nos trabalhos científicos, ensaios, reportagens,
editoriais, artigos.
2isserta6ão 5ol9mia
Megalópole: Um bem ou um mal?
Apresentação do assunto proposto:
Quando uma cidade cresce vertiginosa e desenfreadamente, assume as características
de uma megalópole. Assim, Nova Ìorque, Tóquio, São Paulo e outros centros urbanos
espalhados pelo mundo têm conseguido diariamente aumentar a sua densidade demográfica,
apresentando os pontos positivos e negativos para os seus habitantes.
Frase-ponte (Iigação):
Vejamos primeiramente os aspectos positivos numa grande cidade.
EIemento reIacionador + pró + justificativa:
Com relação ao setor econômico, há maiores possibilidades de emprego, melhores
salários, mais chance de ascensão profissional, conferindo tudo isso ao trabalhador da
megalópole a oportunidade, por tantos desejada, de atingir um “status¨ social.
EIemento reIacionador + pró + justificativa:
Se focarmos o assunto através do prisma cultural, observaremos que a megalópole,
possuindo vários teatros, museus, universidades e casas de cultura, poderá oferecer grandes
oportunidades para a aquisição de conhecimentos na área artístico-cultural.
EIemento reIacionador + pró + justificativa:
Quanto ao lazer, podemos afirmar que a megalópole proporciona uma vida social intensa,
possuindo boas casas de diversão, muitos clubes, restaurantes com comidas das mais
variadas origens, lugares aprazíveis para passear e toda a sorte de atrativos.
EIemento reIacionador + pró + justificativa:
Finalmente, se levarmos em consideração as facilidades que a megalópole oferece aos
seus moradores, podemos averiguar toda a gama de conforto conquistada pela moderna
tecnologia científica, como o metrô, o aperfeiçoamento da aparelhagem doméstica nos prédios
residenciais, hipermercados, alimentos prontos, etc.
Frase-ponte (separação):
Se focarmos porém, o lado negativo da megalópole, veremos que a mesma apresenta
diversos pontos cruciais.
EIemento reIacionador + contra + justificativa:
Em primeiro lugar, podemos citar a falta de solidariedade humana e o egoísmo que
habitam o coração dos indivíduos da grande metrópole. Sendo pessoas sem tempo para
dialogar, os moradores da megalópole tornam-se praticamente insensíveis à dor e aos
problemas dos que os cercam.
EIemento reacionador + contra + justificativa:
Como decorrência desse fato, o habitante da megalópole, embora cercado por alguns
milhões de indivíduos, sente-se, paradoxalmente, muito só; o ambiente lhe é estranho, o meio
lhe é hostil.
EIemento reIacionador + contra + justificativa:
Acrescente-se a isto o problema da poluição ambiental. Numa cidade, onde a indústria
prolifera, lançando, no ar, rios e mares, toda sorte de detritos químicos, um indivíduo que aqui
se desenvolva terá maior chance de adoecer física e psiquicamente.
Frase-ponte (Iigação) + ConcIusão propriamente dita:
De tudo que se expôs acima, infere-se que a megalópole apresentará mais pontos
positivos do que negativos, se a pessoa que nela habita for ambiciosa (econômica e
culturalmente) e apreciar o movimento das grandes cidades, a rapidez e o conforto. Se, por
outro lado, tratar-se de indivíduo preso à natureza e à vida pacata, o aspecto negativo da
megalópole pesará muito mais na sua balança valorativa, porquanto não atenderá às suas
necessidades vitais.
6onecimento 6ient>/ico e 7ecnologia
Em sentido amplo, conhecimento é o atributo que tem o homem de reagir frente ao que o
cerca. Dessa forma, podemos distinguir três tipos de conhecimento: o empírico, o científico e o
filosófico.
Com relação ao primeiro, constatamos que, através dele, se apreende a aparência das
coisas. Assim, observamos que o conhecimento empírico situado na esfera do particular.
Quanto ao conhecimento filosófico, percebemos que o mesmo vai tirar a essência do ser,
já que o cientista, permanecendo na faixa do físico não consegue atingi-Ìa.
Em se tratando, porém, do conhecimento científico, observamos que o mesmo é
orientado, sistemático e formal. A pesquisa científica exige método e coordenação. Conhecer
alguma coisa é analisá-la profundamente, obedendo a uma série de etapas e fatores. Essa
persistência na busca é que vai permitir ao espírito científico equacionar o problema.
Por outro lado, a natureza é o objeto do conhecimento científico. Assim, ela não pode ser
encarada como um complexo de forças misteriosas e inexoráveis. Acrescente-se a isso que a
ciência não poderá se dissociar da tecnologia, pois as duas estão intimamente ligadas.
Enquanto aquela é busca ordenada, pesquisa pura, esta é aplicação do científico ao técnico. A
ciência fundamenta a tecnologia, é o seu apoio. A primeira sem a segunda constituir-se-ia num
saber desligado da prática. A segunda sem a primeira seria algo empírico, unilateral, sem base.
Ciência e tecnologia precisam caminhar juntas, pois são dois seres que se completam,
formando um todo homogêneo que, em última análise, deveria visar ao progresso do homem e
ao bem comum. Mas a ciência têm uma função explicativa, desde que sua finalidade é
examinar o fenômeno natural. Ìnterrogação e a dúvida geram, de certo modo, um conflito entre
o homem e o mundo. E, nesse esforço de buscar a solução para a natureza que o constrói e
investiga o porquê das coisas, o homem espera perplexo uma resposta. Aqui, a ciência
esgotou o seu potencial e cedeu lugar a um outro tipo de conhecimento referenciado
anteriormente, o filosófico, para que o homem tente e consiga desvendar a realidade.
Assim, concluímos que, se o conhecimento empírico é insuficiente para chegarmos aos
universais, o conhecimento científico, embora suporte da tecnologia, apresenta as suas
limitações. E, para se autojustificar, necessita do amparo de um conhecimento mais alto: o
filosófico.
Carta
A carta é um dos instrumentos mais úteis em situações diversas. É um dos mais
antigos meios de comunicação. Em uma carta formal é preciso ter cuidado na coerência do
tratamento, por exemplo, se começamos a carta no tratamento em terceira pessoa devemos ir
até o fim em terceira pessoa: se, si, consigo, o, a, lhe, sua, diga, não digas, etc., seguindo
também os pronomes e formas verbais na terceira pessoa.
Atenção aos pronomes de tratamento como Vossa Senhoria, Vossa Excelência, eles
devem concordar sempre na terceira pessoa.
Há vários tipos de cartas, a forma da carta depende do seu conteúdo:
- Carta PessoaI é a carta que escrevemos para amigos, parentes namorado(a), o
remetente é a própria pessoa que assina a carta, estas cartas não têm um modelo pronto, são
escritas de uma maneira particular.
- Carta ComerciaI se torna o meio mais efetivo e seguro de comunicação dentro de uma
organização. A linguagem deve ser clara, simples, correta e objetiva. Existem alguns tipos de
carta comercial:
- ParticuIar, famiIiar ou sociaI: são tipos de correspondência que são trocadas
entre particulares, cujo assunto, se enquadra em particular, íntimo e pessoal.
- Bancária: este é focalizado nos assuntos relacionados à vida bancária.
- ComerciaI: associado às transações industriais ou comerciais.
- OficiaI: Destinada ao serviço militar, público ou civil.
A documentação comercial compreende os papéis empregados em todas as transações
da empresa como: Carta, Telegrama, Cheque, Pedido de Duplicatas, Faturas, Memorandos,
Relatórios, Avisos, Recibos, Fax. Na correspondência a linguagem mais correta é aquela que é
adequada ao contexto, ao momento, e à relação entre o emissor e o destinatário.
Por exemplo: a linguagem que você usa para falar com um amigo, não é a mesma que
você usa para falar com sua avó, ou com um parente distante.
Existem vários tipos de cartas, e pessoas diferentes para qual deve mandá-las, cartas de
amor, de familiares que moram muito longe, ou se alguém é parabenizado por seu aniversário.
A carta ao ser escrita deve ser primeiramente bem analisada em termos de língua portuguesa,
ou seja, deve-se observar a concordância, a pontuação e a maneira de escrever com início,
meio e então o fim, contendo também um cabeçalho e se for uma carta formal, deve conter
pronomes de tratamento (Senhor, Senhora, V. Ex.ª etc.) e por fim a finalização da carta que
deve conter somente um cumprimento formal ou não (grato, beijos, abraços, adeus etc.).
Depois de todos esses itens terem sido colocados na carta, a mesma deverá ser colocada em
um envelope para ser enviado ao destinatário. Na parte de trás e superior do envelope deve-se
conter alguns dados muito importantes tais como: nome do destinatário, endereço (rua, bairro e
cidade) e por fim o CEP. Já o remetente (quem vai enviar a carta), também deve inserir na
carta os mesmos dados que o do destinatário, que devem ser escritos na parte da frente do
envelope. E por fim deve ser colocado no envelope um selo que serve para que a carta seja
levada à pessoa mencionada. Exemplo:
- Cabeçalho: cidade, data, mês e ano.
- Conteúdo: o texto da carta com começo, meio e fim.
- Saudações: finalização da carta.
No envelope deve conter: Atrás do envelope, lado com aba. Remetente.
- Nome completo.
- Rua ÷ número ÷ bairro (não obrigatório)
- Cidade ÷ Estado.
- CEP.
Alguns concursos e exames vestibulares trazem como prova de redação o pedido de
elaboração de uma carta argumentativa. Significa que o estudante deverá elaborar uma carta
que tenha "tese" (o assunto propriamente dito) argumentação (o conjunto de ideias ou fatos
que constituem os argumentos que levam ao convencimento ou à conclusão de algo) e
conclusão.
A carta argumentativa que apresento como exemplo tem como tese o "casamento", ou
melhor, "a manutenção do casamento". A argumentação, em dois parágrafos, tenta convencer
o interlocutor de que o casamento não deve ser desfeito, sendo esta a conclusão.
6aro "icolo
Chegou-me a notícia de que você e Maria Lúcia estão em vias de separação. Ìsso me
entristeceu deveras, já que vocês sempre foram considerados o casal exemplar. Lembra-se
daquela época quando brincávamos, dizendo que vocês eram "mais" perfeitos que Tarcísio
Meira e Glória Meneses, o casal modelo da televisão brasileira? Pois é. E agora me vem essa
informação estapafúrdia de que a perfeição é imperfeita. Fiquei chocado, mas ainda tenho a
esperança de que não passa de uma crise superável. Por isso peguei da caneta para escrever-
lhes minhas considerações sobre o assunto e tentar ajudá-los a superar isso. Como amigo de
infância e mais velho que você, portanto mais experiente, acho que tenho esse direito, não é
mesmo? E também porque, conforme você sabe muito bem, minha tese sempre foi a de que
casamento é dedicação e sacrifício. Ìsso que quero evidenciar a vocês nestas linhas.
Quando vocês se uniram, não apenas formaram um casal, mas sim se tornaram um
casal, o que significa que a individualidade de cada um não foi extinta. Cada um de vocês traz
uma bagagem de história pessoal e familiar muito forte, e isso não pode ser jamais
desprezado. Em alguma crise conjugal, cada um deve ter isso em mente, para entender os
pontos de vista do outro e, assim, relevar pequenos deslizes e perdoá-los. Perdoar não
significa esquecer completamente o problema, mas sim renunciar à punição e deixar de
considerar essenciais os erros. O mais importante está na harmonia do casal e do próprio ser.
Quem consegue agir dessa maneira desenvolve, certamente, suas inteligências interpessoais e
intrapessoais.
O segundo aspecto que quero frisar é o da honra, esse princípio ético que leva alguém a
ter uma conduta proba, virtuosa, corajosa, e que lhe permite gozar de bom conceito junto à
sociedade. Muito bem. Não quero entrar em detalhes de caráter religioso, mas quero lembrar-
lhes que prometeram perante a comunidade e perante seu líder religioso ficar juntos "até que a
morte os separe". Foi uma promessa solene. Uma pessoa honrada cumpre suas promessas e
não se deixa abater por seus problemas, e sim os resolve conforme surgirem, por mais graves
que sejam.
Vocês são extremamente inteligentes e têm aquelas duas inteligências, intrapessoal e
interpessoal, bem desenvolvidas, eu o sei. Devem, portanto, renunciar à punição que estão
infligindo a si mesmos e enfrentar a situação com dignidade, já que são pessoas honradas.
Devem, portanto, tentar, até a última esperança, manter o casamento. E não podem deixar que
essa última esperança se esgote. "Aparem as arestas", como dizem alguns, e não esgotem os
recursos para permanecerem juntos, afinal casamento é dedicação e sacrifício. Espero que
essas poucas palavras produzam o efeito desejado: a conscientização de que vocês são unos,
de que o casal que se tornaram não deve e não pode ser desfeito e de que são capazes de
solucionar as desavenças e transformá-las em aprendizagem.
Abraços fraternos de seu amigo.
"oslid 7akannor?
0arta Ar!umentativa
Relembrando, é preciso destacar dois tipos básicos de carta. O primeiro é a
correspondência oficial e comercial, que nos é enviada pelos poderes políticos ou por
empresas privadas (comunicações de multas de trânsito, mudanças de endereço e telefone,
propostas para renovar assinaturas de revistas, etc.).
Este tipo de carta caracteriza-se por seguir modelos prontos, em que o remetente só
altera alguns dados. Apresentam uma linguagem padronizada (repare que elas são
extremamente parecidas, começando geralmente por :8imos por meio desta@3) e
normalmente são redigidas na linguagem formal culta. Nesse tipo de correspondência, mesmo
que venha assinada por uma pessoa física, o emissor é uma pessoa jurídica (órgão público ou
empresa privada), no caso, devidamente representada por um funcionário.
Outro tipo de correspondência é a carta pessoal, que utilizamos para estabelecer contato
com amigos, parentes, namorado(a). Tais cartas, por serem mais informais que a
correspondência oficial e comercial, não seguem modelos prontos, caracterizando-se pela
linguagem coloquial. Nesse caso o remetente é a própria pessoa que assina a
correspondência.
Embora você passa encontrar por aí livros que trazem “modelos¨ de cartas pessoais
(principalmente “modelos de carta de amor¨), fuja deles, pois tais “modelos¨ se caracterizam
por uma linguagem artificial, surrada, repleta de expressões desgastadas, além de serem
completamente ultrapassados.
Não há regras fixas (nem modelos) para se escrever uma carta pessoal, afora a data, o
nome (ou apelido) da pessoa a quem se destina e o nome (ou apelido) de quem a escreve, a
forma de redação de uma carta pessoal é extremamente particular.
No processo de comunicação (e a correspondência é uma forma de comunicação entre
pessoas), não se pode falar em linguagem correta, mas em linguagem adequada. Não falamos
com uma criança do mesmo modo que falamos com um adulto.
A linguagem que utilizamos quando discutimos um filme com os amigos é bastante
diferente daquela a que recorremos quando vamos requerer vaga para um estágio ao diretor
de uma empresa. Em síntese: a linguagem correta é a adequada ao assunto tratado (mais
formal ou mais informal), à situação em que está sendo produzida, à relação entre emissor e
destinatário (a linguagem que você utiliza com um amigo íntimo é bastante diferente da que
utiliza com um parente distante ou mesmo com um estranho).
Na correspondência deve ocorrer exatamente a mesma coisa: a linguagem e o tratamento
utilizados vão variar em função da intimidade dos correspondentes, bem como do assunto
tratado. Uma carta a um parente distante comunicando um fato grave ocorrido com alguém da
família apresentará uma linguagem mais formal. Já uma carta ao melhor amigo comunicando a
aprovação no vestibular terá uma linguagem mais simples e descontraída, sem formalismos de
qualquer espécie.
5artes da 0arta
- local e data;
- destinatário;
- saudação;
- interlocução com o destinatário;
- despedida;
- assinatura.
Esses itens estão na ordem em que devem aparecer. Caso se esqueça de dizer algo
importante e já tenha finalizado a carta é só acrescentar a abreviação latina P.S (post scriptum)
ou Obs. (observação). Essa sigIa é originada do verbo Iatino "post scribere" que significa
"escrever depois".
As EApressBes Surradas
Na produção de textos, devemos evitar frases feitas e expressões surradas (os chamados
clichês), como :nos p>ncaros da gl&ria3, :silêncio sepulcral3, :nos prim&rdios da umanidade3,
etc. Na carta, não é diferente. Fuja de expressões surradas que já apareceram em milhares de
cartas, como :Ascre(o)les estas mal tra'adas linas3 ou :Aspero $ue esta (5 encontr5)lo
gozando de sa+de3.
A 0oer9nia no @ratamento
Na carta formal, é necessário a coerência no tratamento. Se a iniciamos tratando o
destinatário por tu, devemos manter esse tratamento até o fim, tomando todo o cuidado com
pronome e formas verbais. Nesse tipo de carta, são comuns os erros de uniformidade de
tratamento como o que apresentamos abaixo:
:8ocê de(er5 comparecer B reuni%o. Aspero)te ansiosamente. "%o se es$ue'a de trazer
tua agenda.3
Observe que não há nenhuma uniformidade de tratamento: começa-se por você (terceira
pessoa), depois passa-se para a segunda pessoa (te), volta-se à terceira (se), terminando com
a segunda (tua).
Ainda com relação à uniformidade, fique atento ao emprego de pronomes de tratamento
como Vossa Senhoria, Vossa Excelência, etc. Embora se refiram às pessoas com quem
falamos, esses pronomes devem concordar na terceira pessoa. Veja:
:Aguardo $ue 8ossa Senoria possa en(iar)me ainda oCe os relat&rios de sua autoria.
8ossa A2celência n%o precisa preocupar)se com seus au2iliares.3
5ronome de @ratamento
- Abade, prior, superior, visitador de ordem reIigiosa ÷ Paternidade ÷ Revmo. Dom
(Padre)
- Abadessa ÷ Caridade ÷ Revma. Madre
- AImirante ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Almirante
- Arcebispo ÷ Excelência e Reverendíssima ÷ Exmo. e Revmo. Dom
- Arquiduque ÷ Alteza ÷ A Sua Alteza Arquiduque
- Bispo ÷ Excelência e Reverendíssima ÷ Exmo. E Revmo. Dom
- Brigadeiro ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Brigadeiro
- CardeaI ÷ Eminência e Reverendíssima ÷ Emmo. E Revmo. Cardeal Dom
- Cônego ÷ Reverendíssima ÷ Revmo. Sr. Côn.
- CônsuI ÷ Senhoria (Vossa Senhoria) ÷ Ìlmo. Sr. Cônsul
- CoroneI ÷ Senhoria ÷ Ìlmo. Sr. Cel.
- Deputado ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Deputado
- Desembargador ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Desembargador
- Duque ÷ Alteza (Sereníssimo Senhor) ÷ A Sua Alteza Duque
- Embaixador ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. General
- Frade ÷ Reverendíssima ÷ Revmo. Sr. Fr.
- Freira ÷ Reverendíssima ÷ Revma. Ìr.
- GeneraI ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. General
- Governador de Estado ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Governador
- Imperador ÷ Majestade (Senhor) ÷ A Sua Majestade Ìmperador
- Irmã (Madre, Sóror) ÷ Reverendíssima ÷ Rema. Ìr. (Madre, Sóror)
- Juiz ÷ Excelência (Meritíssimo Juiz) ÷ Exmo. Sr. Dr.
- Major ÷ Senhoria ÷ Ìlmo. Sr. Major
- MarechaI ÷ Excelência ÷ Emo. Sr. Marechal
- Ministro ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Ministro
- Monsenhor ÷ Reverendíssima ÷ Revmo. Sr. Mons.
- Padre ÷ Reverendíssima ÷ Revmo. Sr. Padre
- Papa ÷ Santidade (Santíssimo Padre), Beatitude ÷ A Sua Santidade Papa (Ao
Beatíssimo Padre)
- Patriarca ÷ Excelência, Reverendíssima e Beatitude ÷ Exmo. E Revmo. Dom (Ao
Beatíssimo Padre)
- Prefeito ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Prefeito
- Presidente de Estado ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Presidente
- Príncipe, Princesa ÷ Alteza (Sereníssimo Senhor, Sereníssima Senhor) ÷ A Sua Alteza
Príncipe (ou Princesa)
- Rei, Rainha ÷ Majestade (Senhor, Senhora) ÷ A Sua Majestade Rei (ou Rainha)
- Reitor (de Universidade) ÷ Magnificência (Magnífico Reitor) ÷ Exmo. Sr. Reitor
- Reitor (de Seminário) ÷ Reverendíssimo ÷ Revmo. Sr. Pe.
- Secretário de Estado ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Secretário
- Senador ÷ Excelência ÷ Exmo. Sr. Senador
- Tenente CoroneI ÷ Senhoria ÷ Ìlmo. Sr. Ten. Cel.
- Vereador ÷ Excelência ÷ Ìlmo. Sr. Vereador
- Demais autoridades, oficiais e particuIares, chefes de seção, presidentes de
bancos, órgãos de segundo escaIão do governo ÷ Senhoria ÷ Ìlmo. Sr.

Na Correspondência Pública, costuma-se usar V.Sª para pessoa de categoria igual ou
inferior, e 8. A2D para pessoa de categoria superior.
Consultor geral, Chefe de estado, chefe de gabinetes Legislativo, Demais autoridades
recebem como pronome de tratamento Vossa Senhoria. Como vocativo ÷ quando se dirige a
autoridade (forma adequada ao Cargo): Usa-se “Senhor¨.
Todos os tratamentos podem aparecer na forma oblíqua, após dirigir-se a uma
autoridade. Podemos, sem temor de erro, dizer: “Formulamos-le¨, “pedimos-le¨, vemos na
sua pessoa¨, em vez de formulamos a V. Sª., ou a V.Exª., etc.
A Carta é o elemento postal mais importante, constituída por algumas folhas de papel
fechadas em um envelope, que é selado e enviado ao destinatário da mensagem através do
serviço dos correios.
Atualmente a carta vem sendo substituída pelo e-mail que é a forma de correio eletrônico
mais difundida no mundo, mas ainda há pessoas que pelo simples prazer de trocar
correspondências físicas preferem utilizar o método da Carta.
Encontramo-nos hoje, inseridos em uma sociedade extremamente dinâmica, na qual o
fator “tempo¨ desempenha sua palavra de ordem. Para que possamos acompanhar esta
evolução, precisamos nos adequar constantemente, principalmente com o manuseio referente
aos recursos tecnológicos.
Sua finalidade restringe-se à comunicação entre as pessoas, uma vez que esta se dá de
forma rápida e eficiente, permitindo que haja a troca de mensagens feitas em meio eletrônico,
interagindo as relações pessoais e profissionais. Essa comunicação, que antes só era possível
por meio de cartas e telegramas, atualmente possibilita a troca de informações a qualquer
instante, independente da distância a que se inserem os interlocutores envolvidos.
Quanto à estrutura, assemelha-se à carta no que se refere ao vocativo, texto, despedida e
assinatura. A data não é fator relevante, pois o próprio programa já se incube de detalhar o dia
e a hora em que a mensagem foi enviada.
No que se refere à linguagem, esta varia de acordo com o grau de intimidade
estabelecido entre os interlocutores e com a finalidade a que se destina a comunicação.
Obviamente que, ao se tratar de assuntos profissionais, o vocabulário tende a apresentar um
certo formalismo.
A palavra e-mail constitui a redução de eletronic mail, cuja significância é correio
eletrônico, sua estrutura pauta-se pela seguinte forma: nome@provedor.com.br
O nome representa o usuário; @ é o símbolo que passa ao computador a mensagem de
que o conjunto de informações é de um endereço de e-mail; o provedor é a empresa que
viabiliza o acesso à Ìnternet de forma gratuita ou mediante o pagamento de uma taxa. O termo
“com¨ tem o sentido de comercial e “br¨ de Brasil.
Relações entre
Descrição - Narração - Dissertação
2esri6ão e 7arra6ão
Os textos descritivos e narrativos são figurativos. Eles representam o mundo, simulam-no.
A narração mostra mudanças de situação de um ser particular (o menino que ganhou um
porquinho-da-índia, por exemplo), com os enunciados dispostos numa progressão temporal,
numa relação de anterioridade e posterioridade. A descrição expõe propriedades e aspectos de
um ser particular (o céu numa noite estrelada, um rosto sofrido, uma personagem, a hora do
rush) numa relação de simultaneidade; nela não há mudança de situação.
2isserta6ão
O texto dissertativo é temático. Ele comenta, explica, analisa, classifica os seres. Por isso,
sua referência ao mundo se faz por conceitos amplos, modelos genéricos, muitas vezes
abstraídos do tempo e do espaço. Pela mesma razão, embora também nele apareçam
mudanças de situação, não têm maior importância as relações de anterioridade e
posterioridade entre os enunciados, mas sim as relações lógicas. O texto dissertativo típico é o
da ciência e da filosofia.
O texto dissertativo é mais abstrato que os outros dois. Ele interpreta e analisa os dados
concretos da realidade. Esses dados, quando aparecem numa dissertação, só servem para
confirmar ou exemplificar as ideias abstratas que estão sendo apresentadas.
Embora a progressão temporal da dissertação não tenha importância, não se pode mudar
à vontade a sequência dos enunciados, pois há o risco de se alterarem as relações lógicas.
A dissertação fala também de mudanças, mas aborda essas transformações de maneira
diferente da narração. Enquanto a finalidade central da narração é relatar mudanças, a da
dissertação é explicar e interpretar as transformações relatadas.
O ponto de vista do produtor do teAto
Geralmente se pensa que é só na dissertação que o produtor do texto expressa seu ponto
de vista sobre o objeto posto em discussão. Ìsso não é verdade. Também na narração e na
descrição estão presentes os pontos de vista do enunciador. O modo como eles são
apresentados é que difere em cada tipo de texto.
Como a dissertação é um texto temático, nela os pontos de vista são explícitos. Na
descrição, o ponto de vista é manifestado, entre outros recursos pelos aspectos selecionados e
pela adjetivação colhida: o produtor do texto transmite uma mensagem positiva ou negativa do
que está sendo dito. Na narração, um dos meios mais eficientes de manifestar um ponto de
vista é o encadeamento das figuras.
Para entender o ponto de vista existente na narração e na descrição, é preciso não
esquecer que se trata de textos figurativos e que por trás das figuras existe um tema implícito.
Por exemplo, narrar a história de um país cujo presidente praticava os mais variados esportes,
vivia a dizer trabalhava em favor dos pobres, enquanto a recessão aumentava, e com ela o
desemprego e miséria, é manifestar um ponto de vista sobre o tal presidente.
2esfazendo um e;u3voo
“Seria difícil encontrar uma definição do mito que fosse aceito por todos os eruditos e, ao
mesmo tempo, acessível aos não-especialistas. Por outro lado, será realmente possível
encontrar uma única definição capaz de cobrir todos os tipos e todas as funções dos mitos, em
todas as sociedades arcaicas e tradicionais? O mito é uma realidade cultural extremamente
complexa, que pode ser abordada e interpretada através de perspectivas múltiplas e
complementares.
A definição que a mim, pessoalmente, me parece a menos imperfeita, por ser mais ampla,
é a seguinte: o mito conta uma história sagrada; ele relata um acontecimento ocorrido no
tempo primordial, o tempo fabuloso do "princípio". Em outros termos, o mito narra como, graças
às façanhas dos entes sobrenaturais, uma realidade que passou a existir, seja uma realidade
total, o Cosmo, ou apenas um fragmento: uma ilha, uma espécie vegetal, um comportamento
humano, uma instituição. É sempre, portanto, a narrativa de uma "criação": ele relata de que
modo algo foi produzido e começou a ser. O mito fala apenas do que realmente ocorreu, do
que se manifestou plenamente. Os personagens dos mitos são os entes sobrenaturais. Eles
são conhecidos sobretudo pelo que fizeram no tempo prestigioso dos "primórdios". Os mitos
revelam, portanto, sua atividade criadora e desvendam a sacralidade (ou simplesmente a
"sobrenaturalidade") de suas obras. Em suma, os mitos descrevem as diversas, e algumas
vezes dramáticas, irupções do sagrado (ou do "sobrenatural") no Mundo. É essa irupção do
sagrado que realmente fundamenta o Mundo e o converte no que é hoje. E mais: é em razão
das intervenções dos entes sobrenaturais que o homem é o que é hoje, um ser mortal,
sexuado e cultural.¨
.irea Eliade. .ito e Cealidade.
São 5aulo% 5erspetiva% &',<% p.&&.
Alguém poderia dizer que esse texto é uma descrição, pois ele "descreve" as
propriedades, as características do mito. No entanto, cabe lembrar que o que define a
descrição são todas as propriedades enunciadas acima, tomadas conjuntamente. Uma
descrição é um texto figurativo. Este é um texto temático, pois fala de coisas abstratas: defi -
nição, tipos e funções do mito, sociedades arcaicas e tradicionais, realidade cultural, etc. Ele
aborda uma transformação: vai da ausência de definição do mito à existência de uma definição.
Nele as relações importantes são as relações lógicas; por exemplo,
a causalidade
:A de/inic%o $ue 9...= me parece a menos imper/eita, por ser mais ampla3
e a conclusão
:. sempre, portanto, a narrati(a de uma cria'%o.3
Se o texto é temático, mostra mudanças de situação e coloca em primeiro plano as re-
lações lógicas entre os elementos que o compõem é uma dissertação.
Poder-se-ia dizer ainda que o texto citado é uma descrição porque só são utilizados
verbos no presente do indicativo. No entanto, deve-se observar que o presente, nesse caso,
tem um valor epistêmico, ou seja, tem um significado onitemporal (do latim omni = "todo"): o
que ele enuncia é válido para todas as épocas, e não somente para o momento da fala. A frase
:o mito conta uma ist&ria sagrada3 quer dizer que o mito sempre conta uma história sagrada.
O presente usado nas descrições, diversamente, é pontual, indica um estado no momento da
fala. Quando se diz, numa descrição, :E sol nasce no orizonte3, está-se afirmando que aquilo
está ocorrendo naquele momento; não se está enunciando a verdade científica de que o sol
sempre nasce no horizonte.
O texto dissertativo fala do geral; o texto descritivo, do particular. Quando se fala da
árvore em geral, disserta-se; quando se fala de um ipê em flor diante de certa janela,
descreve-se. O texto temático que enuncia propriedades e características é dissertativo; o texto
figurativo que apresenta propriedades e características de um ser singular é descritivo.
8niformidade e 2iversidade
Existe uma concepção muito difundida de que cada texto é uma criação nova, riginal.
Quando estamos diante de um texto, é comum a impressão de que nunca lemos outro como
aquele. É a ilusão da originalidade absoluta.
Trata-se, sem dúvida, de uma ilusão, porque nenhum texto é completamente novo. De um
lado, há modos de organização textual, mecanismos de construção de sentido que se repetem
em vários textos; de outro, os textos reproduzem as ideias, as concepções e os valores que
circulam na sociedade de dado lugar e de certa época. Evidentemente, essas ideias não são
únicas, porque em qualquer sociedade complexa há um conjunto muito grande de concepções
em conflito e em concorrência, isto é, diferentes discursos: são múltiplas concepções
religiosas, diferentes modelos políticos, diversos sistemas filosóficos e assim por diante.
O texto, que é sempre um produto de dimensões históricas, vincula-se a uma dessas
concepções. Da mesma forma, há também diversos modos de construção textual que servem
de modelo para textos particulares que fazem uso de procedimentos conhecidos e que se
repetem em muitos outros textos do mesmo gênero. Desse modo, todo texto, ao lado de
algumas novidades que, sem dúvida, o distinguem e o singularizam, obedece a determinados
padrões gerais, seja no nível das ideias que transmite, seja no domínio da composição. Ìsso
significa que, num texto, nem tudo é totalmente novo, nem tudo é totalmente velho e já
conhecido. Em qualquer texto coexistem a diversidade e a uniformidade, a variabilidade e a
invariabilidade. Sob a superfície diferenciada, há, num nível mais profundo, modelos que se
repetem.
Procedimentos composicionais, que são modelos ou planos para a construção de
diferentes textos.
7arra6ão% 2esri6ão e 2isserta6ão
Há séculos a tradição do ensino vem trabalhando com uma classificação de textos que se
revelou bastante produtiva: é a que os distingue em narração, descrição e dissertação. Se os
textos podem ser distribuídos nessas três classes, é porque cada uma delas apresenta um
plano de construção uniforme, isto é, um conjunto de procedimentos comuns.
A desri6ão é um texto construído por acúmulo: seu enunciador vai acrescentando
detalhes, propriedades, características simultâneas do objeto descrito. A narra6ão elabora-se
por meio de uma progressão temporal, que vai mostrando as transformações do objeto
narrado. A disserta6ão é constituída por uma progressão lógica, em que cada enunciado, que
se articula logicamente a outro, é um comentário sobre fatos ou ideias postos em discussão.
Podem ocorrer, numa dissertação, trechos narrativos ou descritivos. No entanto, eles
estarão não como um fim em si mesmo, mas para serem comentados ou interpretados pelos
enunciados. Observe o texto que segue:
O evento mais significativo na América Latina, na semana passada, não foi a posse do
novo presidente do Equador, Lucio Gutiérrez, outro líder de esquerda que chega ao poder.
Também não foi a tentativa de relançamento do Mercosul pelos presidentes Lula, do Brasil e
Duhalde, da Argentina, nem a articulação de um grupo de países da região para servir de
mediador na crise da Venezuela. O evento mais significativo deu-se nos ares, e tem a ver
também com a Venezuela: um Boeing 727 que partira de Caracas com destino a Santo
Domingo teve de voltar, por razões de segurança, tal a balbúrdia a bordo desde que os
passageiros identificaram a presença, entre eles, de um contestável do regime de Hugo
Chávez, o general da reserva Belisário Landis, ex-comandante da Guarda Nacional e atual
embaixador na República Dominicana. Os passageiros apupavam e ofendiam o general. A
gritaria chegou a tal ponto que o piloto, meia hora depois da decolagem julgou por bem voltar.
(...)
O episódio mostra a que ponto se chegou, na Venezuela. ( ... ) O espaço de um Boeing
ficou pequeno demais para conter representantes dos dois pedaços em que se dividiu a
população.
Roberto Pompeu de ToIedo. In: Ve4a% <<D&D<EE=% p.').
A narrativa do que aconteceu no Boeing que ia de Caracas a Santo Domingo não é o
objetivo central desse texto, mas aí foi incluída como pretexto para que o enunciador
comentasse a respeito da divisão que se produziu na Venezuela entre partidários e opositores
do governo. O texto trata justamente desse tema, que foi desenvolvido a partir do fato narrado.
2isserta6ão
Pode-se dizer que a dissertação é, por excelência, um texto do comentário. É a análise de
um tema posto em debate. Em outros termos, comentário significa explicitar os diversos pontos
de vista ou os diversos ângulos pelos quais se pode analisar um problema ou uma questão
posta em julgamento. Por meio do comentário, o sentido do tema é desdobrado, pondo-se em
evidência significados ainda não revelados. O comentário põe à mostra novos ângulos de uma
questão posta sob consideração.
A dissertação é sempre uma leitura ativa de um tema, pois é uma operação em que dele
se extraem as mais variadas relações de sentido com vistas a uma conclusão. O enunciador
utiliza-se de vários tipos de comentário, de várias relações significativas para persuadir o leitor
a aceitar sua conclusão.
Tradicionalmente, divide-se a dissertação em três partes: a introdução, o desenvolvimento
e a conclusão. Na primeira, o enunciador situa o tema que será tratado; na segunda, faz sobre
ele diferentes comentários; na terceira, apresenta, sob forma de conclusão, o resultado final a
que os comentários anteriores servem de fundamento.
O poder persuasivo dessa montagem depende da pertinência dos comentários, da sua
combinação e da implicação entre a conclusão e seus antecedentes.
@ipos de 0oment*rios
Os comentários podem ser de vários tipos, pois é possível explorar diferentes relações de
sentido para explicar os diversos significados presentes num tema. O que importa é que eles
sempre servem para tornar explícitos significativos ocultos por baixo de qualquer questão posta
em discussão.
Tipos de comentários utilizáveis na dissertação, que se destacam por serem aqueles com
que mais frequentemente os textos são compostos.
0oment*rio por @radu6ão ou Espeifia6ão
É aquele que define o significado pelo qual um tema deve ser analisado, o ângulo pelo
qual uma questão deve ser considerada.
1o Fe(&l(er -umegante B 4oca na 4otiCa
Smoking gun, literalmente, "revólver fumegante", em inglês, é o revólver que acaba de ser
usado. Foi acionado há tão pouco que seus mecanismos não ti veram tempo de entrar em
descanso, e a fumaça ainda escapa do cano. Achar o "revólver fumegante", ou surpreender
alguém com o revólver fumegante, é uma expressão que, nos Estados Unidos, significa pegar
alguém em flagrante. A metáfora é apropriada. Nada mais incriminador do que encontrar o
revólver ainda soltando fumaça na mão do assassino, a vítima estatelada ao lado, o cenário a
revelar a vítima, o autor e o instrumento do crime com clareza solar.
Roberto Pompeu de ToIedo. In: Ve4a% &'D<D<EE=% p.&E<.
Nesse texto, o enunciador começa seu comentário especificando ou traduzindo o sentido
pelo qual vai analisar o tema: :1o re(&l(er /umegante B boca na botiCa3. O trecho reproduzido
acima mostra apenas uma parte dessa especificação: apresenta o sentido com que se vai
tomar a expressão revólver fumegante.
Nos parágrafos seguintes o enunciador, depois de mostrar que as expressões usadas nos
Estados Unidos e no Brasil para significar o ato de pegar alguém em flagrante são,
respectivamente, achar alguém com o revólver fumegante e pegar com a boca na botija, tece
considerações sobre a cultura de cada povo.
0oment*rio por 0ontraste
É aquele em que se confrontam dois temas, duas situações, dois fatos, pondo em
evidência as diferenças entre eles. Destina-se a precisar o sentido de um dado tema, a facilitar
a compreensão de um certo enunciado.
O que interessa aqui é o revólver fumegante em si. Quer dizer: a própria expressão. Ela é
usada não só em casos de guerra ou de crimes de sangue. No caso Watergate, no qual não
havia violência física, a expressão também foi fatalmente utilizada. E assim também nas
numerosas vezes em que, nos oitos anos da era Clinton, se tentou envolver o presidente em
algum escândalo. Não é mais do que dizer o óbvio lembrar que a imagem casa bem com um
país de caubóis. Ou um país em que comprar uma arma é quase mais fácil que comprar
antibióticos, afinal, antibióticos precisam de receita. O revólver é algo tão presente quanto a
Bíblia, na formação americana, daí não causar espanto que esteja em todas as bocas.
Também não espanta que seja tão invocado num país que não consegue ficar sossegado,
precisa sempre arrumar um inimigo e, como um viciado, sofre crise de abstinência se não se
engaja de tempos em tempos numa guerra.
No Brasil não se usa a expressão revólver fumegante. Não é corrente, nem fica bem, em
português, em matéria de sonoridade. Nosso equivalente seria... apanhar alguém "com a boca
na botija". Pronto, diriam os mais apressados. Estamos vingados. Enquanto eles revelam a
propensão para soluções violentas, na escolha de uma expressão que evoca sangue, nós,
para dizer a mesma coisa, adotamos uma pacífica imagem de cozinha.
Não sejamos tão condescendentes conosco mesmos, nem patriotas pelas razões
erradas. Admitamos humildemente que talvez não sejamos menos violentos. Apenas, a
violência, por aqui, assume outras formas. De mais a mais, se as expressões idiomáticas
revelam as características de um povo, a "boca na botija" diz algo não muito lisonjeiro do povo
brasileiro. Quem é apanhado com a boca na botija é porque está roubando comida de outrem.
E se está roubando comida é porque está com fome. A expressão inscreve-se na tradição dos
contos, ditos e anedotas que enfatizam a malandragem dos fracos contra os fortes, na luta da
sobrevivência. É uma tradição comum aos ambientes de penúria e desigualdade.
$dem. $bidem.
Fazendo o contraste entre as expressões :re(&l(er /umegante3 e :com a boca na botiCa3, e
pondo à mostra diferentes traços da índole e dos costumes de cada povo que se serve delas, o
enunciador discrimina características do povo brasileiro e do norte-americano.
0oment*rio pela 0ausa
É aquele que explica os motivos que deram origem a uma dada situação.
:. normal nos realit? soGs ocorrerem pe$uenas intrigas, discuss#es e e2plos#es de
ansiedade nessas produ'#es, por$ue as pessoas en/rentam uma situa'%o de isolamento e
press%o.3
Ve4a% <<D&D<EE=% p.&=
Nesse texto, comenta-se a ocorrência de discussões e explosões de ansiedade nos
reality shows por meio da explicitação da causa que a provoca: o isolamento e a pressão a que
submetidos os participantes. Nem sempre a causa é exposta por meio de conectores tão
evidentes como porque. Exemplo:
:6om as possibilidades abertas pelas no(as tecnologias, a 78 de(er5 (i(er uma
re(olu'%o nos pr&2imos anos.3
A causa da revolução na TV dos próximos anos serão as possibilidades abertas pelas
novas tecnologias.
0oment*rio por Efeito ou 0onse;u9nia
É aquele que expõe os resultados positivos ou negativos de um fato ou evento.
:"um realit? soG, as pessoas encontram) se isoladas e sob grande tens%o. Assa
situa'%o acaba /uncionando como um catalisador capaz de acelerar a /orma'%o de la'os
emocionais, tanto positi(os $uanto negati(os, entre os participantes.3
O efeito de as pessoas estarem, num reality show, isoladas e sob grande tensão é a
formação de laços emocionais positivos ou negativos.
0oment*rio por :inalidade
É aquele que expõe os objetivos de uma dada situação, os fins pretendidos por uma
determinada ação, sejam eles válidos ou não. A finalidade pode ser interpretada como um tipo
de causa, já que um objetivo a alcançar é também um desencadeador de uma ação.
No mundo inteiro, há um padrão interessante nas respostas dos candidatos que desejam
participar de nossos programas. Quando questionados por que eles gostariam de estar no Big
Brother, por exemplo, todos vêm com a mesma conversa: é pelo desafio, pelo dinheiro do
prêmio ou para se tornar famoso.
A finalidade das pessoas que querem participar de um reality show é tornar-se famosas,
ganhar o dinheiro do prêmio ou enfrentar desafios.
0oment*rio por $mplia6ão ou por 0ondi6ão
É aquele em que o raciocínio se faz sob a forma “se x, então y", ou seja, é aquele em que
se explicam as condições, os pré-requisitos, os elementos prévios para que uma situação
ocorra.
:Se as -arc est%o /azendo terrorismo, elas têm $ue ser tratadas como terroristas.3
Ve4a% &'D=D<EE=% p.&>.
Observe que o comentário apresenta uma implicação: Se as -arc 9-or'as Armadas
Fe(olucion5rias da 6olHmbia= est%o /azendo terrorismo, (então) elas têm $ue ser tratadas
como terroristas. O elemento prévio para que elas sejam tratadas como terroristas é o fato de
estarem fazendo terrorismo.
0oment*rio por Analo!ia
É aquele em que se confrontam duas situações para mostrar algum tipo de semelhança
entre elas. Uma situação antiga que tenha pontos em comum com uma nova, por exemplo,
serve para compreender melhor esta última.
:6ompara)se o $ue est5 ocorrendo na tele(is%o atualmente, na Auropa, nos Astados
Inidos e no 4rasil, com o /enHmeno $ue atingiu a m+sica pop nos anos J0. "a$uela época, o
surgimento do rockKnLroll agra(ou a distMncia $ue separa(a os gostos da Cu(entude e dos mais
(elos. 9 ... = oCe estamos (i(endo um co$ue de gera'#es parecido em rela'%o B 78.3
Ve4a% <<D&D<EE=% p.'.
Para explicar as críticas de que os reality shows não passam de baixaria, compara-se a
atual fase da TV com a época do aparecimento do rock. Mostra-se que nesses dois períodos
há um choque entre o gosto de duas gerações: da mesma forma como nos anos de 1960 os
mais velhos haviam criticado o baixo nível das músicas, hoje criticam o baixo nível da TV.
0oment*rio por 0onessão
É aquele em que se concede um argumento contrário à tese defendida pelo enunciador,
para dizer que esse argumento não tem peso suficiente para desqualificá-la ou refutá-la.
Exemplo:
:Ambora esteCamos en/rentando gra(es problemas de natureza econHmica, nosso pa>s
n%o perdeu a autocon/ian'aN nosso po(o e nossas institui'#es s%o mais /ortes do $ue os
problemas s%o gra(es.3
Como se vê, concede-se a existência de graves problemas (o que é um argumento
contrário à autoconfiança do país), mas, ao mesmo tempo, estabelece-se o pressuposto de
que essa oposição não tem força suficiente para abalar a autoconfiança do país.
O argumento por concessão é muito eficaz, pois, de um lado, coloca em evidência a voz
daqueles que discordam do ponto de vista defendido pelo enunciador; de outro, revela um
enunciador não ingênuo, isto é, ciente de que sua tese tem adversários, e ainda um polemista
seguro, que tem coragem e razão para sustentar um ponto de vista sem se abalar com a
opinião contrária.
Tema e Título
Tecer um bom texto é uma tarefa que requer competência por parte de quem a pratica,
pois o mesmo não pode ser visto como um emaranhado de frases soltas e ideias desconexas.
Pelo contrário, elas devem estar organizadas e justapostas entre si, denotando clareza de
sentido quanto à mensagem que ora se deseja transmitir.
Geralmente, a proposta é acompanhada de uma coletânea de textos, a qual devemos
fazer uma leitura atenta de modo a percebermos qual é o tema abordado em questão.
Diante disso, é essencial que entendamos a diferença existente entre estes dois
elementos: Tema e TítuIo.
@ema: O crescente dinamismo que permeia a sociedade, aliado à inovação tecnológica,
requer um aperfeiçoamento profissional constante.
@3tulo: A importância da capacitação profissional no mundo contemporâneo.
Como podemos perceber, o tema é algo mais abrangente e consiste na tese a ser
defendida no próprio texto.
Já o título é algo mais sintético, é como se fosse afunilando o assunto que será
posteriormente discutido.
O importante é sabermos que: do tema é que se extrai o título, haja vista que o mesmo é
um elemento-base, fonte norteadora para os demais passos.
Existem certos temas que não revelam uma nítida objetividade, como, o exposto
anteriormente. É o caso de fragmentos literários, trechos musicais, frases de efeito, entre
outros.
Nesse caso, exige-se mais do leitor quanto à questão da interpretação, para daí chegar à
ideia central. Como podemos identificar através deste excerto:
:As ideias s%o apenas pedras postas a atra(essar a corrente de um rio, se est%o ali é
para $ue possamos cegar B outra margem, a outra margem é o $ue importa3.
?FosG Sarama!o-
Essa linguagem, quando analisada, leva-nos a inferir sobre o seguinte, e que este poderia
ser o título:
A importância da coerência e da coesão para o sentido do texto. Fazendo parte também
desta composição estão os temas apoiados em imagens, como é o caso de gráficos, histórias
em quadrinhos, charges e pinturas.
Tal ocorrência requer o mesmo procedimento por parte do leitor, ou seja, que ele
desenvolva seu conhecimento de mundo e sua capacidade de interpretação para desenvolver
um bom texto.
Comumente surgem questionamentos sobre a semelhança entre o título e o tema em uma
produção textual. Mas será que são palavras sinônimas?
A boa qualidade de um texto depende de uma série de fatores que colaboram para a
clareza das ideias transmitidas. Todos os elementos precisam estar em sintonia entre si,
principalmente o tema e o título, pois ambos mantêm uma relação de dependência,
representando o assunto abordado. É preciso tomar muito cuidado para não confundir título
com tema. Um é a extensão do outro, mas para que fique clara esta distinção, os
conheceremos passo a passo:
O Tema é o assunto proposto para a discussão, possui uma característica mais
abrangente, pois é visto de uma maneira global. Para melhor exemplificarmos, tomemos como
exemplo a questão da violência. Este tema engloba vários tipos de violência, como a física,
verbal, violência racial, infantil e outras.
Ao delimitarmos este assunto, falando da violência em um bairro específico da cidade,
estamos nos restringindo somente àquele lugar. Este, portanto, caracteriza o TítuIo.
A seguir, veremos um texto no qual fica evidente a marca dos itens acima relacionados:
Bomba na meia-idade.
“Am Culo, a bomba atHmica /ez cin$uenta anos. A primeira arma nuclear da ist&ria /oi
testada Bs 5OPmin<5s do dia 1J de Culo de 1P<5, em Alamogordo, "o(o Mé2ico, Astados
Inidos.
0ibertou energia e$ui(alente a 18 toneladas de @7@ e enheu de ale!ria ientistas e
en!enheiros ;ue haviam trabalhado duro durante tr9s anos para onstruir a bomba.
Menos de um mês depois, $uando uma e2plos%o semelante dizimou as cidades de
Qirosima e "agasaki no Rap%o, a alegria deu lugar B (ergona.H
Superinteressante% São 5aulo% fev.<EE=.
Destacamos como títuIo, Bomba na meia-idade. Tema, Os cinquenta anos de criação da
bomba atômica. A leitura do texto deixa clara a diferença entre título e tema:
2ieta "iberada
:"%o é (erdade $ue se lactantes obesas /izerem dieta comprometer%o os bebês.
"utricionistas da Ini(ersidade da 6arolina do "orte, Astados Inidos, acompanaram $uarenta
muleres $ue consumiam uma dieta de bai2a caloria. Ap&s dez semanas, elas perderam 5
$uilos em média, mas os bebês cresceram bem. Aten'%oN s& especialistas podem preparar a
dieta.3
Superinteressante% mar6o% <EEE.
O títuIo é: Dieta Liberada. O tema é: A dieta em mulheres obesas durante a
amamentação. O título tem a função de chamar a atenção sobre o texto. Por isso é bom que
seja curto, chamativo e tenha tudo a ver com o que é falado.
Reforçando:
Tema: É o assunto sobre o qual se escreve, ou seja, a ideia que será defendida ao longo
da dissertação. Deve-se ter o tema como um elemento abstrato. Nunca se refira a ele como
parte da dissertação
TítuIo: É uma expressão, geralmente curta e sem verbo, colocada antes da dissertação.
Se não houver verbo no título, não se usa ponto final. Não se deve pular linha depois do título.
A colocação de letras maiúsculas em todas as palavras, menos artigos, preposições e
conjunções, é facultativa.
Apesar de o título ser importante para uma dissertação, julgo ser também perigoso, pois,
como o estudante não está acostumado a dissertar, pode equivocar-se e dar um título que não
corresponda ao âmago da redação. Portanto acredito que o ideal seria colocar título apenas
quando a prova o exigir.
Coerência e Coesão
Não basta conhecer o conteúdo das partes de um trabalho: introdução, desenvolvimento
e conclusão. Além de saber o que se deve (e o que não se deve) escrever em cada parte
constituinte do texto, é preciso saber escrever obedecendo às normas de coerência e coesão.
Antes de mais nada, é necessário definir os termos: coerência diz respeito à articulação do
texto, à compatibilidade das ideias, à lógica do raciocínio, a seu conteúdo. 6oes%o refere-se à
expressão linguística, ao nível gramatical, às estruturas frasais e ao emprego do vocabulário.
Coerência e coesão relacionam-se com o processo de produção e compreensão do texto,
a coesão contribui para a coerência, mas nem sempre um texto coerente apresenta coesão.
Pode ocorrer que o texto sem coerência apresente coesão, ou que um texto tenha coesão sem
coerência. Em outras palavras: um texto pode ser gramaticalmente bem construído, com frases
bem estruturadas, vocabulário correto, mas apresentar ideias disparatadas, sem nexo, sem
uma sequência lógica: há coesão, mas não coerência. Por outro lado, um texto pode
apresentar ideias coerentes e bem encadeadas, sem que no plano da expressão, as estruturas
frasais sejam gramaticalmente aceitáveis: há coerência, mas não coesão.
Na obra de Oswald de Andrade, por exemplo, encontram-se textos coerentes sem
coesão, ou textos coesos, mas sem coerência. Em Carlos Drummond de Andrade, há inúmeros
exemplos de textos coerentes, sem coesão gramatical no plano sintático. A linguagem literária
admite essas liberdades, o que não vem ao caso, pois na linguagem acadêmica, referencial, a
obediência às normas de coerência e coesão são obrigatórias. Ainda assim, para melhor
esclarecimento do assunto, apresentam-se exemplos de coerência sem coesão e coesão sem
coerência:
I0idadezinha Jual;uerH
6asas entre bananeiras
muleres entre laranCeiras
pomar amor cantarN
Im omem (ai de(agar
Im cacorro (ai de(agar.
Im burro (ai de(agar
1e(agar.. as Canelas olam.
Ata (ida besta, meu 1eus.!
?Andrade% &',=% p. (,-
Apesar da aparente falta de nexo, percebe-se nitidamente a descrição de uma
cidadezinha do interior: a paisagem rural, o estilo de vida sossegado, o hábito de bisbilhotar, de
vigiar das janelas tudo o que se passa lá fora... No plano sintático, a primeira estrofe contém
apenas frases ou sintagmas nominais (cantar pode ser verbo ou substantivo - os meu cantares
= as minhas canções); as demais, não apresentam coesão - uma frase não se relaciona com
outra, mas, pela forma de apresentação, colaboram para a coerência do texto.
I2o outro lado da paredeH
Meu la'o de botina.
Fecebi a tua comunica'%o, escrita do beiral da (iragem sempieterna. -oi um tiro no al(o
do cora'%o, se bem $ue ele C5 esteCa treinado.
A culpa de tudo $uem tem) na é esse bandido desse coronel do A2ército 4rasileiro $ue
nos in/licitou.
Fe/lete antes de te matares* Fe/lete Roanina. ;rincipalmente se ainda é tempo* .s uma
tarada.
Suando te coneci, 6ez Qippol?te $uerias /alecer dia e noite. An/im, adeus.
"unca te es$uecerei. "e(er more* 6omo dizem os cor(os.!
Foão da Slavonia
?Andrade% O.% &',&% p. <E&-<E<-
Embora as frases sejam sintaticamente coesas, nota-se que, neste texto, não há
coerência, não se observa uma linha lógica de raciocínio na expressão das ideias. Percebe-se
vagamente que a personagem João Slavonia teria recebi do uma mensagem de Joaninha
9Fecebi a tua comunica'%o=, ameaçando cometer suicídio 9Fe/lete antes de te matares*=. A
última frase contém uma alusão ao poema !E cor(o!, de Edgar Alan Poe.
A respeito das relações entre coerência e coesão, Guimarães (1990, p. 42) diz:
!E e2posto autoriza) nos a seguinte conclus%oN ainda $ue distingui(eis 9a coes%o diz
respeito aos modos de intercone2%o dos componentes te2tuais, a coerência re/ere) se aos
modos como os elementos subCacentes B super/>cie te2tual tecem a rede do sentido=, trata)se
de dois aspectos de um mesmo /enHmeno ) a coes%o /uncionando como e/eito da coerência,
ambas c+mplices no processamento da articula'%o do te2to.!
A coerência textual subjaz ao texto e é responsável pela hierarquização dos elementos
textuais, ou seja, ela tem origem nas estruturas profundas, no conhecimento do mundo de cada
pessoa, aliada à competência linguística, que permitirá a expressão das ideias percebidas e
organizadas, no processo de codificação referido na página... Deduz-se daí que é difícil, senão
impossível, ensinar coerência textual, intimamente ligada à visão de mundo, à origem das
ideias no pensamento. A coesão, porém, refere-se à expressão linguística, aos processos
sintáticos e gramaticais do texto.
O seguinte resumo caracteriza coerência e coesão:
Coerência: rede de sintonia entre as partes e o todo de um texto. Conjunto de unidades
sistematizadas numa adequada relação semântica, que se manifesta na compatibilidade entre
as ideias. (Na linguagem popular: “dizer coisa com coisa¨ ou “uma coisa bate com outra¨).
Coesão: conjunto de elementos posicionados ao longo do texto, numa linha de sequência
e com os quais se estabelece um vínculo ou conexão sequencial. Se o vínculo coesivo se faz
via gramática, fala-se em coesão gramatical. Se se faz por meio do vocabulário, tem-se a
coesão lexical.
Coerência
- assenta-se no plano cognitivo,da inteligibilidade do texto;
- situa-se na subjacência do texto; estabelece conexão conceitual;
- relaciona-se com a macroestrutura; trabalha com o todo, com o aspecto global do texto;
- estabelece relações de conteúdo entre palavras e frases.
Coesão
- assenta-se no plano gramatical e no nível frasal;
- situa-se na superfície do texto, estabele conexão sequencial;
- relaciona-se com a microestrutura, trabalha com as partes componentes do texto;
- Estabelece relações entre os vocábulos no interior das frases.
Coerência e coesão são responsáveis pela inteligibilidade ou compreensão do texto. Um
texto bem redigido tem parágrafos bem estruturados e articulados pelo encadeamento das
ideias neles contidas. As estruturas frasais devem ser coerentes e gramaticalmente corretas,
no que respeita à sintaxe. O vocabulário precisa ser adequado e essa adequação só se
consegue pelo conhecimento dos significados possíveis de cada palavra. Talvez os erros mais
comuns de redaçao sejam devidos à impropriedade do vocabulário e ao mau emprego dos
conectivos (conjunções, que têm por função ligar uma frase ou período a outro). Eis alguns
exemplos de impropriedade do vocabulário, colhidos em redações sobre censura e os meios
de comunica'%o e outras.
!"osso direito é /risado na 6onstitui'%o.!
Nosso direito é assegurado pela Constituição.
!Astabelecer os limites as $uais a programa'%o de(eria estar e2posta.!
Estabelecer os limites aos quais a programação deveria estar sujeita.
“A censura deveria punir as notícias sensacionalistas.¨
A censura deveria proibir (ou coibir) as notícias sensacionalistas ou punir os meios de
comunicação que veiculam tais notícias.
“Retomada das rédeas da programação.¨
Retomada das rédeas dos meios de comunicação, no que diz respeito a programação.
:Es meios de comunica'%o est%o sendo apelati(os, (ulgarizando e deterio rando
indi(>duos.3
Os meios de comunicação estão recorrendo a expedientes grosseiros vulgarizando o
nível dos programas e desrespeitando os telespectadores.
:A discuss%o deste assunto é inerente B sociedade.3
A discussão deste assunto é tarefa da sociedade (compete à sociedade).
:"a (erdade, da$uele autor eles pegaram apenas a nomenclatura...3
Na verdade, daquele autor eles adotaram (utilizaram) apenas a nomenclatura...
:A ordem e /orma de apresenta'%o dos elementos das re/erências bibliogr5/i cas s%o
mostradas na "4F J0OT da A4"73
(são regulamentadas pela NBR 6023 da ABNT).
O emprego de vocabulário inadequado prejudica muitas vezes a compreensão das ideias.
É importante, ao redigir, empregar palavras cujo significado seja conhecido pelo enunciador, e
cujo emprego faça parte de seus conhecimentos linguísticos. Muitas vezes, quem redige
conhece o significado de determinada palavra, mas não sabe empregá-la adequadamente, isso
ocorre frequentemente com o emprego dos conectivos (preposições e conjunções). Não basta
saber que as preposições ligam nomes ou sintagmas nominais no interior das frases e que as
conjunções ligam frases dentro do período; é necessário empregar adequadamente tanto umas
como outras. É bem verdade que, na maioria das vezes, o emprego inadequado dos
conectivos remete aos problemas de regência verbal e nominal.
Exemplos:
:6oa'%o aos meios de comunica'%o3 tem o sentido de atuar contra os meios de
comunica'%o, os meios de comunica'%o so/rem a a'%o (erbal, s%o coagidos.
:6oa'%o dos meios de comunica'%o3 signi/ica $ue os meios de comunica'%o é $ue
e2ercem a a'%o de coagir.
:Astar inteirada com os /atos3 signi/ica participa'%o, intera'%o.
:Astar inteirada dos /atos3 signi/ica ter conecimento dos /atos, estar in/ormada.
:Ur de encontro3 signi/ica di(ergir, n%o concordar.
:Ur ao encontro3 $uer dizer concordar.
:Amea'a de liberdade de e2press%o e transmiss%o de ideias3 signi/ica a liberdade n%o é
amea'a,
:Amea'a B liberdade de e2press%o e transmiss%o de ideias!, isto é, a liberdade /ica
amea'ada.
:A princ>pio3 indica um /ato anterior (A princípio, ela aceitava as desculpas que Mário lhe
dava, mas depois deixou de acreditar nele).
:Am princ>pio3 indica um /ato de certeza pro(is&ria (Em princípio, faremos a reunião na
quarta-feira $uer dizer $ue a reuni%o ser5 na $uarta)/eira, se todos concordarem, se ou(er
possibilidade, porém admite a ideia de mudar a data=.
:;or princ>pio3 indica cren'a ou con(ic'%o (Por princípio, sou contra o racismo).
Quanto à regência verbal, convém sempre consultar um dicionário de verbos e regimes,
pois muitos verbos admitem duas ou três regências diferentes; cada uma, porém, tem um
significado específico. Lembre-se, a propósito, de que as dúvidas sobre o emprego da crase
decorrem do fato de considerar-se crase como sinal de acentuação apenas, quando o
problema refere-se à regencia nominal e verbal.
Exemplos:
E (erbo assistir admite duas regênciasN
assistir o/a 9transiti(o direto= signi/ica dar ou prestar assistência 9O médico assiste o
doente):
Assistir ao 9transiti(o indireto=N ser espectador (Assisti ao jogo da seleção).
Ìnteirar o/a 9transiti(o direto= signi/ica completar (Ìnteirei o dinheiro do presente).
Ìnteirar do 9transiti(o direto e indireto=, signi/ica in/ormar alguém de..., tomar ou dar
conecimento de algo para alguém (Quero inteirá-la dos fatos ocorridos...).
Pedir o 9transiti(o direto= signi/ica solicitar, pleitear (Pedi o jornal do dia).
Pedir que - contém uma ordem (A professora pediu que fizessem silêncio).
Pedir para - pedir permiss%o (Pediu para sair da classe); signi/ica também pedir em /a(or
de alguém (A Diretora pediu ajuda para os alunos carentes) em /a(or dos alunos, pedir algo a
alguém 9para si=N (Pediu ao colega para ajudá-lo); pode signi/icar ainda e2igir, reclamar 9Es
professores pedem aumento de salário).
O mau emprego dos pronomes relativos também pode levar à falta de coesão gramatical.
Frequentemente, emprega-se no $ual ou ao $ual em lugar do )$ue , com prejuízo da clareza do
texto; outras vezes, o emprego é desnecessário ou inadequado. Barbosa e Amaral
(colaboradora) (1988, p. 157) apresentam os seguintes exemplos:
“Pela manhã o carteiro chegou com um envelope para mim no qual estava sem
remetente¨. 96egou com um en(elope $ue 9o $ual= esta(a sem remetente=.
“Encontrei apenas belas palavras o qual não duvido da sensibilidade...¨
Ancontrei belas pala(ras e n%o du(ido da sensibilidade delas 9pala(ras ceias de
sensibilidade=.
“Dentro do envelope havia apenas um papel em branco onde atribui muitos significados¨:
a(ia apenas um papel em branco ao qual atribui muitos signi/icados (onde signi/ica lugar no
$ual=.
:Qa(ia recebido um en(elope em meu nome e $ue n%o porta(a destinat5rio, apesar $ue
em seu conte+do a(ia uma /ola em branco. 9 .. =3
"%o se emprega apesar que, mas apesar de. A maisN apesar de n%o ligar corretamente
as duas /rases, n%o /az sentido, as /rases de(eriam ser coordenadas por eN não portava
destinatário e em seu interior havia uma folha ou: havia recebido um envelope em meu nome,
que não portava destinatário, cujo conteúdo era uma folha em branco.
Essas e outras frases foram observadas em redações, quando foi proposto o seguinte
tema:
:Umagine a seguinte situa'%oN
) oCe (ocê est5 completando dezoito anos.
) "esta data, (ocê recebe pelo correio uma /ola de papel em branco, num en(elope em
seu nome, sem indica'%o do remetente.
) Além disso, (ocê gana de presente um retrato seu e um disco. Fe/lita sobre essa
situa'%o.
A partir da re/le2%o /eita, rediCa um te2to em prosa, sem ultrapassar o espa'o reser(ado
para reda'%o no caderno de respostas.!
Como de costume, muito se comentou, até nos jornais da época, a falta de coerência, as
frases sem clareza, pelo mau emprego dos conectivos, como as seguintes:
:;rimeiramente acei gozado a$ueles dois presentes, pois concluo $ue nunca de(eria
es$uecer mina in/Mncia.3
Há falta de nexo entre as duas frases, pois uma não é conclusão da outra, nem ao menos
estão relacionadas e gozado deveria ser substituído por engra'ado ou estrano.
:A /ola pode estar amarrada num cesto de li2o mas o disco repete sempre a mesma
m+sica.3
A primeira frase não tem sentido e a segunda não se relaciona com a pri meira. O
conectivo :mas3 deveria sugerir ideia de oposição, o que não ocorre no exemplo anterior. Não
se percebe relação entre : o disco repete sempre a mesma m+sica3 e a primeira frase.
:Mas, ao abrir a porta, era apenas o correio no $ual (iera trazer) me uma encomenda.3
Observa-se o emprego de no $ual por o $ual, melhor ainda ficaria que, simplesmente: era
apenas o correio $ue (iera trazer) me uma encomenda.
Por outro lado, não mereceram comentários nem apareceram nos jornais boas redações
como a que se segue:
:A (ida oCe me cumprimentou, mandou) me mina /otogra/ia de garoto, com olos em
e2pectati(a admirando o mundo. Aste mundo sem respostas para os meus dezoito anos.
Mundo ) carta sem remetente, carta interrogati(a para mo'o $ue aguarda o /uturo, saboreando
o /ruto do aman%.
Fecebi um disco, também, cuCa m+sica tem a sonoridade de passos marcando para o
/uturo, ao som de melodias de cirandas es$uecidas do menino) mo'o de outrora, e do
mo'o) omem de oCe, $ue completa dezoito anos.
Sou agora a certeza de uma resposta B carta sem remetente $ue me comunica a (ida.
8eCo, na /otogra/ia de mim mesmo, o omem $ue en/rentar5 a (ida, $ue coler5 com seu amor
B luta e com seu esp>rito ambicioso, os /rutos do destino.
A a m+sica dos passos) /uturos na cadência do menino $ue dei2ou de ser, est5 o ritmo da
(it&ria sobre as di/iculdades, a mina consagra'%o /utura do omem, $ue (encer5 o destino e
ser5 uma a/irma'%o dentro da sociedade.! 6. V.
EAemplo de: (Fonseca, 1981, p. 178)
Para evitar a falta de coerência e coesão na articulação das frases, aconselha-se levar
em conta as seguintes sugestões para o emprego correto dos articuladores sintáticos
(conjunções, preposições, locuções prepositivas e locuções conjuntivas).
Para dar ideia de oposição ou contradição% a articulação sintática se faz por meio de
conjunções adversativas: mas, porém, toda(ia, contudo, no entanto, entretanto (nunca no
entretanto).
Podem também ser empregadas as conjunções concessivas e locuções prepositivas para
introduzir a ideia de oposição aliada à concessão: embora, ou muito embora, apesar de, ainda
$ue, con$uanto, posto $ue, a despeito de, n%o obstante.
A articulação sintática de causa pode ser feita por meio de conjunções e locuções
conjuntivas: pois, por$ue, como, por isso $ue, (isto $ue, uma (ez $ue, C5 $ue. Também podem
ser empregadas as preposições e locuções prepositivas: por, por causa de, em (ista de, em
(irtude de, de(ido a, em conse$uência de, por moti(o de, por raz#es de.
O principal articulador sintático de condi'%o é o :se3N Se o time ganar esse Cogo, ser5
campe%o. Pode-se também expressar condição pelo emprego dos conectivos: caso, contanto
$ue, desde $ue, a menos $ue, a n%o ser $ue.
O emprego da preposição :para3 é a maneira mais comum de expressar finalidade. I.
necess5rio bai2ar as ta2as de Curos para $ue a economia se estabilize3 ou para a economia se
estabilizar. :7eresa (ai estudar bastante para /azer boa pro(a.3 Q5 outros articuladores que
expressam finalidade: a/im de, com o prop&sito de, na /inalidade de, com a inten'%o de, com o
obCeti(o de, com o /ito de, com o intuito de.
A ideia de conclusão pode ser introduzida por meio dos articuladores: assim, desse
modo, ent%o, logo, portanto, pois, por isso, por conseguinte, de modo $ue, em (ista disso. Para
introduzir mais um argumento a favor de determinada conclusão emprega-se ainda. Os
articuladores ali5s, além do mais, além disso, além de tudo, introduzem um argumento
decisivo, cabal, apresentado como un acréscimo, para justificar de forma incontestável o
argumento contrário.
Para introduzir esclarecimentos, retificações ou desenvolvimento do que foi dito
empregam-se os articuladores: isto é, $uer dizer, ou seCa, em outras pala(ras. A conjunção
aditiva :e3 anuncia não a repetição, mas o desenvolvimento do discurso, pois acrescenta uma
informação nova, um dado novo, e se não acrescentar nada, é pura repetição e deve ser
evitada.
Alguns articuladores servem para estabelecer uma gradação entre os correspondentes de
determinada escala. No alto dessa escala acham-se: mesmo, até, até mesmo, outros situam-se
no plano mais baixo: ao menos, pelo menos, no m>nimo.
Introdução
A Ìntrodução é a informação do assunto sobre o qual a dissertação tratará. O parágrafo
introdutório é fundamental, precisa ser bem claro e chamar a atenção para os tópicos mais
importantes do desenvolvimento.
O primeiro parágrafo da redação pode ser feito de diversas maneiras diferentes:
@ra4et/ria hist/ria
Traçar a trajetória histórica é apresentar uma analogia entre elementos do passado e do
presente. Já que uma analogia será apresentada, então os elementos devem ser similares; há
de haver semelhança entre os argumentos apresentados, ou seja, só usaremos a trajetória
histórica, quando houver um fato no passado que seja comparável, de alguma maneira, a outro
no presente.
Quando apresentar a trajetória histórica na introdução, deve-se discutir, no
desenvolvimento, cada elemento em um só parágrafo. Não misture elementos de épocas
diferentes em um mesmo parágrafo. A trajetória histórica torna convincente a exemplificação;
só se deve usar esse argumento, se houver conhecimento que legitime a fonte histórica.
0omparando soial% !eo!r*fia ou historiamente
Também é apresentar uma analogia entre elementos, porém sem buscar no passado a
argumentação. É comparar dois países, dois fatos, duas personagens, enfim, comparar dois
elementos, para comprovar o tema.
Lembre-se de que se trata da introdução, portanto a comparação apenas será
apresentada para, no desenvolvimento, ser discutido cada elemento da comparação em um
parágrafo.
0oneituando ou definindo uma ideia ou situa6ão
Em alguns temas de dissertação surgem palavras-chave de extrema importância para a
argumentação. Nesses casos, pode-se iniciar a redação com a definição dessa palavra, com o
significado dela, para, posteriormente, no desenvolvimento, trabalhar com exemplos de
comprovação.
0ontestando uma ideia ou ita6ão% ontradizendo% em partes
Quando o tema apresenta uma ideia com a qual não se concorda inteiramente, pode-se
trabalhar com este método: concordar com o tema, em partes, ou seja, argumentar que a ideia
do tema é verdadeira, mas que existem controvérsias; discutir que o assunto do tema é
polêmico, que há elementos que o comprovem, e elementos que discordem dele, igualmente.
Não se esqueça de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a introdução,
estar em harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o desenvolvimento deve
conter as duas comprovações, cada uma em um parágrafo.
Cefutando o tema% ontradizendo totalmente
Refutar significa rebater os argumentos; contestar as asserções; não concordar com algo;
reprovar; ser contrário a algo; contrariar com provas; desmentir; negar. Portanto refutar o tema
é escrever, na introdução, o contrário do que foi apresentado pelo tema. Deve-se tomar muito
cuidado, pois não é só escrever o contrário, mas mostrar que se é contra o que está escrito. O
ideal, nesse caso, é iniciar a introdução com :Ao contr5rio do $ue se acredita...3
Não se esqueça, novamente, de que o desenvolvimento tem que ser condizente com a
introdução, estar em harmonia com ela, ou seja, se trabalhar com esse método, o
desenvolvimento deve conter apenas elementos contrários ao tema. Cuidado para não cair em
contradição. Se for, na introdução, favorável ao tema, apresente, no desenvolvimento, apenas
elementos favoráveis a ele; se for contrário, apresente apenas elementos contrários.
Elaborando uma sGrie de interro!a6Bes
Pode-se iniciar a redação com uma série de perguntas. Porém, cuidado! Devem ser
perguntas que levem a questionamentos e reflexões, e não perguntas vazias que levem a nada
ou apenas a respostas genéricas. As perguntas devem ser respondidas, no desenvolvimento,
com argumentações coerentes e importantes, cada uma em um parágrafo. Portanto use esse
método apenas quando já possuir as respostas, ou seja, escolha primeiramente os argumentos
que serão utilizados no desenvolvimento e elabore perguntas sobre eles, para funcionar como
introdução da dissertação.
Pode-se transformar a introdução em uma pergunta. O mesmo já citado anteriormente,
mas com apenas uma pergunta.
Elaborando uma enumera6ão de informa6Bes
Quando se tem certeza de que as informações são verídicas, podem-se usá-las na
introdução e, depois, discuti-las, uma a uma, no desenvolvimento.
0araterizando espa6os ou aspetos
Pode-se iniciar a introdução com uma descrição de lugares ou de épocas, ou ainda com
uma narração de fatos. Deve ser uma curta descrição ou narração, somente para iniciar a
redação de maneira interessante, curiosa. Não se empolgue! Não transforme a dissertação em
descrição, muito menos em narração.
Cesumo do ;ue ser* apresentado no desenvolvimento
Uma das maneiras mais fáceis de se elaborar a introdução é apresentar o resumo do que
se vai discutir no desenvolvimento. Nesse caso, é necessário planejar cuidadosamente a
redação toda, antes de começá-la, pois, na introdução, serão apresentados os tópicos a serem
discutidos no desenvolvimento. Deve-se tomar o cuidado para não se apresentarem muitos
tópicos, senão a dissertação será somente expositiva e não argumentativa. Cada tópico
apresentado na introdução deve ser discutido no desenvolvimento em um parágrafo inteiro.
Não se devem misturá-los em um parágrafo só, nem utilizar dois ou mais parágrafos, para se
discutir um mesmo assunto. O ideal é que sejam apresentados somente dois ou três temas
para discussão.
5ar*frase
Uma maneira de se elaborar a introdução é valendo-se da paráfrase, que consiste em
reescrever o tema, utilizando suas próprias palavras. Deve-se tomar o cuidado, para não
apenas substituírem as palavras do tema por sinônimos, pois isso será demonstração de falta
de criatividade; o melhor é reestruturar totalmente o tema, realmente utilizando "suas" palavras.
Observe o que traz o Michaelis - Moderno Dicionário da Língua Portuguesa, quanto à
definição da palavra paráfrase: Explicação ou tradução mais desenvolvida de um texto por
meio de palavras diferentes das nele empregadas. Portanto sua frase deve ser mais
desenvolvida que a frase apresentada como tema, e as palavras devem ser diferentes, e não
sinônimas.
:rases-modelo% para o in3io da introdu6ão
Não tomem estas frases como receita infalível. Antes de usá-las, analise bem o tema,
planeje incansavelmente o desenvolvimento, use sua inteligência, para ter certeza daquilo que
será incluso em sua dissertação. Só depois disso, use estas frases:
. de conecimento geral $ue...
7odos sabem $ue, em nosso pa>s, 5 tempos, obser(a)se...
Nesse caso, utilizei circunstância de lugar (em nosso país) e de tempo (há tempos). Ìsso é
só para mostrar que é possível acrescentar circunstância divesas na introdução, não
necessariamente estas que aqui estão. Outro elemento com o qual se deve tomar muito
cuidado é o pronome :se3. Nesse caso, ele é partícula apassivadora, portanto o verbo deverá
concordar com o elemento que vier à frente (singular ou plural).
6ogita)se, com muita /re$uência, de...
E mesmo racioc>nio da anterior, agora com a circunstMncia de modo 9com muita
/re$uência=.
Muito se tem discutido, recentemente, acerca de...
Muito se debate, oCe em dia...
;art>cula apassi(adora no(amente. 6uidado com a concordMncia.
E 9A=..... é de /undamental importMncia em....
. de /undamental importMncia o 9a=....
. indiscut>(el $ue... W . ineg5(el $ue...
Muito se discute a importMncia de...
6omenta)se, com /re$uência, a respeito de...
"%o raro, toma)se conecimento, por meio de..., de
Apesar de muitos acreditarem $ue.... 9re/uta'%o=
Ao contr5rio do $ue muitos acreditam... 9re/uta'%o=
;ode)se a/irmar $ue, em raz%o de... 9de(ido a, pelo=...
Ao /azer uma an5lise da sociedade, busca)se descobrir as causas de....
7al(ez seCa di/>cil dizer o moti(o pelo $ual...
Ao analisar o 9a, os, as=..., é poss>(el conecer o 9a, os, as=...., pois...
Argumentação
O ato de comunicação não visa apenas transmitir uma informação a alguém. Quem
comunica pretende criar uma imagem positiva de si mesmo (por exemplo, a de um sujeito
educado, ou inteligente, ou culto), quer ser aceito, deseja que o que diz seja admitido como
verdadeiro. Em síntese, tem a intenção de convencer, ou seja, tem o desejo de que o ouvinte
creia no que o texto diz e faça o que ele propõe.
Se essa é a finalidade última de todo ato de comunicação, todo texto contém um
componente argumentativo. A argumentação é o conjunto de recursos de natureza linguística
destinados a persuadir a pessoa a quem a comunicação se destina. Está presente em todo tipo
de texto e visa a promover adesão às teses e aos pontos de vista defendidos.
As pessoas costumam pensar que o argumento seja apenas uma prova de verdade ou
uma razão indiscutível para comprovar a veracidade de um fato. O argumento é mais que isso:
como se disse acima, é um recurso de linguagem utilizado para levar o interlocutor a crer
naquilo que está sendo dito, a aceitar como verdadeiro o que está sendo transmitido. A
argumentação pertence ao domínio da retórica, arte de persuadir as pessoas mediante o uso
de recursos de linguagem.
Para compreender claramente o que é um argumento, é bom voltar ao que diz Aristóteles,
filósofo grego do século lV a.C., numa obra intitulada :7&picosN os argumentos s%o +teis
$uando se tem de escoler entre duas ou mais coisas3.
Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma desvantajosa, como a saúde e
a doença, não precisamos argumentar. Suponhamos, no entanto, que tenhamos de escolher
entre duas coisas igualmente vantajosas, a riqueza e a saúde. Nesse caso, precisamos
argumentar sobre qual das duas é mais desejável. O argumento pode então ser defi nido como
qualquer recurso que torna uma coisa mais desejável que outra. Ìsso significa que ele atua no
domínio do preferível. Ele é utilizado para fazer o interlocutor crer que, entre duas teses, uma é
mais provável que a outra, mais possível que a outra, mais desejável que a outra, é preferível à
outra.
O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de um fato, mas levar o ouvinte
a admitir como verdadeiro o que o enunciador está propondo.
Há uma diferença entre o raciocínio lógico e a argumentação. O primeiro opera no
domínio do necessário, ou seja, pretende demonstrar que uma conclusão deriva
necessariamente das premissas propostas, que se deduz obrigatoriamente dos postulados
admitidos. No raciocínio lógico, as conclusões não dependem de crenças, de uma maneira de
ver o mundo, mas apenas do encadeamento de premissas e conclusões.
Por exemplo, um raciocínio lógico é o seguinte encadeamento:
A é igual a 4.
A é igual a 6.
Ant%oN 6 é igual a A.
Admitidos os dois postulados, a conclusão é, obrigatoriamente, que C é igual a A.
Outro exemplo:
7odo ruminante é um mam>/ero.
A (aca é um ruminante.
0ogo, a (aca é um mam>/ero.
Admitidas como verdadeiras as duas premissas, a conclusão também será verdadeira.
No domínio da argumentação, as coisas são diferentes. Nele, a conclusão não é
necessária, não é obrigatória. Por isso, deve-se mostrar que ela é a mais desejável, a mais
provável, a mais plausível. Se o Banco do Brasil fizer uma propaganda dizendo-se mais
confiável do que os concorrentes porque existe desde a chegada da família real portuguesa ao
Brasil, ele estará dizendo-nos que um banco com quase dois séculos de existência é sólido e,
por isso, confiável. Embora não haja relação necessária entre a solidez de uma instituição
bancária e sua antiguidade, esta tem peso argumentativo na afirmação da confiabilidade de um
banco. Portanto é provável que se creia que um banco mais antigo seja mais confiável do que
outro fundado há dois ou três anos.
Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase impossível, tantas são as
formas de que nos valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa a outra. Por isso, é
importante entender bem como eles funcionam.
Já vimos diversas características dos argumentos. É preciso acrescentar mais uma: o
convencimento do interlocutor, o auditório, que pode ser individual ou coletivo, será tanto mais
fácil quanto mais os argumentos estiverem de acordo com suas crenças, suas expectativas,
seus valores. Não se pode convencer um auditório pertencente a uma dada cultura enfatizando
coisas que ele abomina. Será mais fácil convencê-lo valorizando coisas que ele considera
positivas. No Brasil, a publicidade da cerveja vem com frequência associada ao futebol, ao gol,
à paixão nacional. Nos Estados Unidos, essa associação certamente não surtiria efeito, porque
lá o futebol não é valorizado da mesma forma que no Brasil. O poder persuasivo de um
argumento está vinculado ao que é valorizado ou desvalorizado numa dada cultura.
@ipos de Ar!umento
Já verificamos que qualquer recurso linguístico destinado a fazer o interlocutor dar prefe-
rência à tese do enunciador é um argumento. Exemplo:
Ar!umento de Autoridade
É a citação, no texto, de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como
autoridades em certo domínio do saber, para servir de apoio àquilo que o enunciador está
propondo. Esse recurso produz dois efeitos distintos: revela o conhecimento do produtor do
texto a respeito do assunto de que está tratando; dá ao texto a garantia do autor citado. É
preciso, no entanto, não fazer do texto um amontoado de citações. A citação precisa ser
pertinente e verdadeira. Exemplo:
:A imagina'%o é mais importante do $ue o conecimento.3
Suem disse a /rase a> de cima n%o /ui eu... -oi Ainstein. ;ara ele, uma coisa (em antes
da outraN sem imagina'%o, n%o 5 conecimento. "unca o in(erso.
AleA FosG 5erisinoto.
$n: :olha de S. 5aulo% =ED)D&''=% p. >-<
A tese defendida nesse texto é que a imaginação é mais importante do que o
conhecimento. Para levar o auditório a aderir a ela, o enunciador cita um dos mais célebres
cientistas do mundo. Se um físico de renome mundial disse isso, então as pessoas devem
acreditar que é verdade.
Ar!umento de Juantidade
É aquele que valoriza mais o que é apreciado pelo maior número de pessoas, o que
existe em maior número, o que tem maior duração, o que tem maior número de adeptos, etc. O
fundamento desse tipo de argumento é que mais = melhor. A publicidade faz largo uso do
argumento de quantidade.
Ar!umento do 0onsenso
É uma variante do argumento de quantidade. Fundamenta-se em afirmações que, numa
determinada época, são aceitas como verdadeiras e, portanto, dispensam comprovações, a
menos que o objetivo do texto seja comprovar alguma delas. Parte da ideia de que o consenso,
mesmo que equivocado, corresponde ao indiscutível, ao verdadeiro e, portanto, é melhor do
que aquilo que não desfruta dele. Em nossa época, são consensuais, por exemplo, as
afirmações de que o meio ambiente precisa ser protegido e de que as condições de vida são
piores nos países subdesenvolvidos. Ao confiar no consenso, porém, corre-se o risco de
passar dos argumentos válidos para os lugares-comuns, os preconceitos e as frases carentes
de qualquer base científica.
Ar!umento de EAist9nia
É aquele que se fundamenta no fato de que é mais fácil aceitar aquilo que
comprovadamente existe do que aquilo que é apenas provável, que é apenas possível. A
sabedoria popular enuncia o argumento de existência no provérbio :Mais (ale um p5ssaro na
m%o do $ue dois (oando3.
Nesse tipo de argumento, incluem-se as provas documentais (fotos, estatísticas,
depoimentos, gravações, etc.) ou provas concretas, que tornam mais aceitável uma afirmação
genérica. Durante a invasão do Ìraque, por exemplo, os jornais diziam que o exército
americano era muito mais poderoso do que o iraquiano. Essa afirmação, sem ser
acompanhada de provas concretas, poderia ser vista como propagandística. No entanto,
quando documentada pela comparação do número de canhões, de carros de combate, de
navios, etc., ganhava credibilidade.
Ar!umento ;uase l/!io
É aquele que opera com base nas relações lógicas, como causa e efeito, analogia,
implicação, identidade, etc. Esses raciocínios são chamados quase lógicos porque,
diversamente dos raciocínios lógicos, eles não pretendem estabelecer relações necessárias
entre os elementos, mas sim instituir relações prováveis, possíveis, plausíveis. Por exemplo,
quando se diz :A é igual a 43, :4 é igual a 63, :ent%o A é igual a 63, estabelece-se uma relação
de identidade lógica. Entretanto, quando se afirma :Amigo de amigo meu é meu amigo3 não se
institui uma identidade lógica, mas uma identidade provável.
Um texto coerente do ponto de vista lógico é mais facilmente aceito do que um texto
incoerente. Vários são os defeitos que concorrem para desqualificar o texto do ponto de vista
lógico: fugir do tema proposto, cair em contradição, tirar conclusões que não se fundamentam
nos dados apresentados, ilustrar afirmações gerais com fatos inadequados, narrar um fato e
dele extrair generalizações indevidas.
Ar!umento do Atributo
É aquele que considera melhor o que tem proriedades típicas daquilo que é mais
valorizado socialmente, por exemplo, o mais raro é melhor que o comum, o que é mais refinado
é melhor que o que é mais grosseiro, etc.
Por esse motivo, a publicidade usa, com muita frequência, celebridades recomendando
prédios residenciais, produtos de beleza, alimentos estéticos, etc., com base no fato de que o
consumidor tende a associar o produto anunciado com atributos da celebridade.
Uma variante do argumento de atributo é o argumento da competência linguística. A
utilização da variante culta e formal da língua que o produtor do texto conhece a norma
linguística socialmente mais valorizada e, por conseguinte, deve produzir um texto em que se
pode confiar. Nesse sentido é que se diz que o modo de dizer dá confiabilidade ao que se diz.
Ìmagine-se que um médico deva falar sobre o estado de saúde de uma personalidade
pública. Ele poderia fazê-lo das duas maneiras indicadas abaixo, mas a primeira seria
infinitamente mais adequada para a persuasão do que a segunda, pois esta produziria certa
estranheza e não criaria uma imagem de competência do médico:
) ;ara aumentar a con/iabilidade do diagn&stico e le(ando em conta o car5ter in(asi(o de
alguns e2ames, a e$uipe médica ou(e por bem determinar o internamento do go(ernador
pelo per>odo de três dias, a partir de oCe, < de /e(ereiro de O001.
) ;ara conseguir /azer e2ames com mais cuidado e por$ue alguns deles s%o
barra) pesada, a gente botou o go(ernador no ospital por três dias.
Como dissemos antes, todo texto tem uma função argumentativa, porque ninguém fala
para não ser levado a sério, para ser ridicularizado, para ser desmentido: em todo ato de
comunicação deseja-se influenciar alguém. Por mais neutro que pretenda ser, um texto tem
sempre uma orientação argumentativa.
A orientação argumentativa é uma certa direção que o falante traça para seu texto. Por
exemplo, um jornalista, ao falar de um homem público, pode ter a intenção de criticá-lo, de
ridicularizá-lo ou, ao contrário, de mostrar sua grandeza.
O enunciador cria a orientação argumentativa de seu texto dando destaque a uns fatos e
não a outros, omitindo certos episódios e revelando outros, escolhendo determinadas palavras
e não outras, etc. Veja:
:E clima da /esta era t%o pac>/ico $ue até sogras e noras troca(am abra'os a/etuosos.3
O enunciador aí pretende ressaltar a ideia geral de que noras e sogras não se toleram.
Não fosse assim, não teria escolhido esse fato para ilustrar o clima da festa nem teria utilizado
o termo até, que serve para incluir no argumento alguma coisa inesperada.
Além dos defeitos de argumentação mencionados quando tratamos de alguns tipos de
argumentação, vamos citar outros:
- Uso sem delimitação adequada de palavra de sentido tão amplo, que serve de
argumento para um ponto de vista e seu contrário. São noções confusas, como paz, que,
paradoxalmente, pode ser usada pelo agressor e pelo agredido. Essas palavras podem ter
valor positivo (paz, justiça, honestidade, democracia) ou vir carregadas de valor negativo
(autoritarismo, degradação do meio ambiente, injustiça, corrupção).
- Uso de afirmações tão amplas, que podem ser derrubadas por um único
contra-exemplo. Quando se diz :7odos os pol>ticos s%o ladr#es3, basta um único exemplo de
político honesto para destruir o argumento.
- Emprego de noções científicas sem nenhum rigor, fora do contexto adequado, sem o
significado apropriado, vulgarizando-as e atribuindo-lhes uma significação subjetiva e
grosseira. É o caso, por exemplo, da frase :E imperialismo de certas ind+strias n%o permite
$ue outras crescam3, em que o termo imperialismo é descabido, uma vez que, a rigor, significa
:a'%o de um Astado (isando a reduzir outros B sua dependência pol>tica e econHmica3.
A boa argumentação é aquela que está de acordo com a situação concreta do texto, que
leva em conta os componentes envolvidos na discussão (o tipo de pessoa a quem se dirige a
comunicação, o assunto, etc).
Convém ainda alertar que não se convence ninguém com manifestações de sinceridade
do autor (como eu, que não costumo mentir...) ou com declarações de certeza expressas em
fórmulas feitas (como estou certo, creio firmemente, é claro, é óbvio, é evidente, afirmo com
toda a certeza, etc). Em vez de prometer, em seu texto, sinceridade e certeza, autenticidade e
verdade, o enunciador deve construir um texto que revele isso. Em outros termos, essas
qualidades não se prometem, manifestam-se na ação.
A argumentação é a exploração de recursos para fazer parecer verdadeiro aquilo que se
diz num texto e, com isso, levar a pessoa a que texto é endereçado a crer naquilo que ele diz.
Um texto dissertativo tem um assunto ou tema e expressa um ponto de vista,
acompanhado de certa fundamentação, que inclui a argumentação, questionamento, com o
objetivo de persuadir. Argumentar é o processo pelo qual se estabelecem relações para chegar
à conclusão, com base em premissas. Persuadir é um processo de convencimento, por meio
da argumentação, no qual procura-se convencer os outros, de modo a influenciar seu
pensamento e seu comportamento.
A persuasão pode ser válida e não válida. Na persuasão válida, expõem-se com clareza
os fundamentos de uma ideia ou proposição, e o interlocutor pode questionar cada passo do
raciocínio empregado na argumentação. A persuasão não válida apoia-se em argumentos
subjetivos, apelos subliminares, chantagens sentimentais, com o emprego de "apelações",
como a inflexão de voz, a mímica e até o choro.
Alguns autores classificam a dissertação em duas modalidades, expositiva e
argumentativa. Esta, exige argumentação, razões a favor e contra uma ideia, ao passo que a
outra é informativa, apresenta dados sem a intenção de convencer. Na verdade, a escolha dos
dados levantados, a maneira de expô-los no texto já revelam uma "tomada de posição", a
adoção de um ponto de vista na dissertação, ainda que sem a apresentação explícita de argu-
mentos. Desse ponto de vista, a dissertação pode ser definida como discussão, debate,
questionamento, o que implica a liberdade de pensamento, a possibilidade de discordar ou
concordar parcialmente. A liberdade de questionar é fundamental, mas não é suficiente para
organizar um texto dissertativo. É necessária também a exposição dos fundamentos, os
motivos, os porquês da defesa de um ponto de vista.
Pode-se dizer que o homem vive em permanente atitude argumentativa. A argumentação
está presente em qualquer tipo de discurso, porém, é no texto dissertativo que ela melhor se
evidencia.
Para discutir um tema, para confrontar argumentos e posições, é necessária a capacidade
de conhecer outros pontos de vista e seus respectivos argumentos. Uma discussão impõe,
muitas vezes, a análise de argumentos opostos, antagônicos. Como sempre, essa capacidade
aprende-se com a prática. Um bom exercício para aprender a argumentar e contra-argumentar
consiste em desenvolver as seguintes habilidades:
- argumentação: anotar todos os argumentos a favor de uma ideia ou fato; imaginar um
interlocutor que adote a posição totalmente contrária;
- contra-argumentação: imaginar um diálogo-debate e quais os argumentos que essa
pessoa imaginária possivelmente apresentaria contra a argumentação proposta;
- refutação: argumentos e razões contra a argumentação oposta.
A argumentação tem a finalidade de persuadir, portanto, argumentar consiste em
estabelecer relações para tirar conclusões válidas, como se procede no método dialético. O
método dialético não envolve apenas questões ideológicas, geradoras de polêmicas. Trata-se
de um método de investigação da realidade pelo estudo de sua ação recíproca, da contradição
inerente ao fenômeno em questão e da mudança dialética que ocorre na natureza e na
sociedade.
Descartes (1596-1650), filósofo e pensador francês, criou o método de raciocínio
silogístico, baseado na dedução, que parte do simples para o complexo. Para ele, verdade e
evidência são a mesma coisa, e pelo raciocínio torna-se possível chegar a conclusões
verdadeiras, desde que o assunto seja pesquisado em partes, começando-se pelas
proposições mais simples até alcançar, por meio de deduções, a conclusão final. Para a linha
de raciocínio cartesiana, é fundamental determinar o problema, dividi-lo em partes, ordenar os
conceitos, simplificando-os, enumerar todos os seus elementos e determinar o lugar de cada
um no conjunto da dedução.
A lógica cartesiana, até os nossos dias, é fundamental para a argumentação dos
trabalhos acadêmicos. Descartes propôs quatro regras básicas que constituem um conjunto de
reflexos vitais, uma série de movimentos sucessivos e contínuos do espírito em busca da
verdade:
- evidência;
- divisão ou análise;
- ordem ou dedução;
- enumeração.
A enumeração pode apresentar dois tipos de falhas: a omissão e a incompreensão.
Qualquer erro na enumeração pode quebrar o encadeamento das ideias, indispensável para o
processo dedutivo.
A forma de argumentação mais empregada na redação acadêmica é o silogismo,
raciocínio baseado nas regras cartesianas, que contém três proposi ções: duas premissas,
maior e menor, e a conclus%o. As três proposições são encadeadas de tal forma, que a
conclusão é deduzida da maior por intermédio da menor. A premissa maior deve ser universal,
emprega todo, nenum, pois alguns não caracteriza a universalidade.
Há dois métodos fundamentais de raciocínio: a dedu'%o (silogística), que parte do geral
para o particular, e a indu'%o, que vai do particular para o geral. A expressão formal do método
dedutivo é o silogismo. A dedução é o caminho das consequências, baseia-se em uma
conexão descendente (do geral para o particular) que leva à conclusão. Segundo esse método,
partindo-se de teorias gerais, de verdades universais, pode-se chegar à previsão ou
determinação de fenômenos particulares. O percurso do raciocínio vai da causa para o efeito.
Exemplo:
Todo homem é mortal (premissa maior = geral, universal)
Fulano é homem (premissa menor = particular)
Logo, Fulano é mortal (conclusão)
A indução percorre o caminho inverso ao da dedução, baseia-se em uma conexão
ascendente, do particular para o geral. Nesse caso, as constatações particulares levam às leis
gerais, ou seja, parte de fatos particulares conhecidos para os fatos gerais, desconhecidos. O
percurso do raciocínio se faz do e/eito para a causa. Exemplo:
O calor dilata o ferro (particular)
O calor dilata o bronze (particular)
O calor dilata o cobre (particular)
O ferro, o bronze, o cobre são metais
Logo, o calor dilata metais (geral, universal)
Quanto a seus aspectos formais, o silogismo pode ser válido e verdadeiro; a conclusão
será verdadeira se as duas premissas também o forem. Se há erro ou equívoco na apreciação
dos fatos, pode-se partir de premissas verdadeiras para chegar a uma conclusão falsa. Tem-
se, desse modo, o sofisma. Uma definição inexata, uma divisão incompleta, a ignorância da
causa, a falsa analogia são algumas causas do sofisma. O sofisma pressupõe má fé, intenção
deliberada de enganar ou levar ao erro; quando o sofisma não tem essas intenções propositais,
costuma-se chamar esse processo de argumentação de paraIogismo. Encontra-se um
exemplo simples de sofisma no seguinte diálogo:
- Você concorda que possui uma coisa que não perdeu?
- Lógico, concordo.
- Você perdeu um brilhante de 40 quilates?
- Claro que não!
- Então você possui um brilhante de 40 quilates...
Exemplos de sofismas:
2edu6ão
Todo professor tem um diploma (geral, universal)
Fulano tem um diploma (particular)
Logo, fulano é professor (geral ÷ conclusão falsa)
$ndu6ão
O Rio de Janeiro tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Taubaté (SP) tem uma estátua do Cristo Redentor. (particular)
Rio de Janeiro e Taubaté são cidades.
Logo, toda cidade tem uma estátua do Cristo Redentor. (geral ÷ conclusão falsa)
Nota-se que as premissas são verdadeiras, mas a conclusão pode ser falsa. Nem todas
as pessoas que têm diploma são professores; nem todas as cidades têm uma estátua do Cristo
Redentor. Comete-se erro quando se faz generalizações apressadas ou infundadas. A "simples
inspeção" é a ausência de análise ou análise superficial dos fatos, que leva a pronunciamentos
subjetivos, baseados nos sentimentos não ditados pela razão.
Tem-se, ainda, outros métodos, subsidiários ou não fundamentais, que contribuem para a
descoberta ou comprovação da verdade: análise, síntese, classificação e definição. Além
desses, existem outros métodos particulares de algumas ciências, que adaptam os processos
de dedução e indução à natureza de uma realidade particular. Pode-se afirmar que cada
ciência tem seu método próprio demonstrativo, comparativo, histórico etc. A análise, a síntese,
a classificação a definição são chamadas métodos sistemáticos, porque pela organização e
ordenação das ideias visam sistematizar a pesquisa.
AnáIise e síntese são dois processos opostos, mas interligados; a análise parte do todo
para as partes, a síntese, das partes para o todo. A análise precede a síntese, porém, de certo
modo, uma depende da outra. A análise decompõe o todo em partes, enquanto a síntese
recompõe o todo pela reunião das partes. Sabe-se, porém, que o todo não é uma simples
justaposição das partes. Se alguém reunisse todas as peças de um relógio, não significa que
reconstruiu o relógio, pois fez apenas um amontoado de partes. Só reconstruiria todo se as
partes estivessem organizadas, devidamente combinadas, seguida uma ordem de relações
necessárias, funcionais, então, o relógio estaria reconstruído.
Síntese, portanto, é o processo de reconstrução do todo por meio da integração das
partes, reunidas e relacionadas num conjunto. Toda síntese, por ser uma reconstrução,
pressupõe a análise, que é a decomposição. A análise, no entanto, exige uma decomposição
organizada, é preciso saber como dividir o todo em partes. As operações que se realizam na
análise e na síntese podem ser assim relacionadas:
Análise: penetrar, decompor, separar, dividir.
Síntese: integrar, recompor, juntar, reunir.
A análise tem importância vital no processo de coleta de ideias a respeito do tema
proposto, de seu desdobramento e da criação de abordagens possíveis. A síntese também é
importante na escolha dos elementos que farão parte do texto.
Segundo Garcia (1973, p.300), a análise pode ser /ormal ou in/ormal. A análise formal
pode ser científica ou experimental; é característica das ciências matemáticas, físico-naturais e
experimentais. A análise informal é racional ou total, consiste em “discernir¨ por vários atos
distintos da atenção os elementos constitutivos de um todo, os diferentes caracteres de um
objeto ou fenômeno.
A análise decompõe o todo em partes, a classificação estabelece as necessárias relações
de dependência e hierarquia entre as partes. Análise e classificação ligam-se intimamente, a
ponto de se confundir uma com a outra, contudo são procedimentos diversos: análise é
decomposição e classificação é hierarquisação.
Nas ciências naturais, classificam-se os seres, fatos e fenômenos por suas diferenças e
semelhanças; fora das ciências naturais, a classificação pode-se efetuar por meio de um
processo mais ou menos arbitrário, em que os caracteres comuns e diferenciadores são
empregados de modo mais ou menos convencional. A classificação, no reino animal, em
ramos, classes, ordens, subordens, gêneros e espécies, é um exemplo de classificação
natural, pelas características comuns e diferenciadoras. A classificação dos variados itens
integrantes de uma lista mais ou menos caótica é artificial.
Exemplo: aquecedor, automóvel, barbeador, batata, caminhão, canário, jipe, leite, ônibus,
pão, pardal, pintassilgo, queijo, relógio, sabiá, torradeira.
Aves: Canário, Pardal, Pintassilgo, Sabiá.
AIimentos: Batata, Leite, Pão, Queijo.
Mecanismos: Aquecedor, Barbeador, Relógio, Torradeira.
VeícuIos: Automóvel, Caminhão, Jipe, Ônibus.
Os elementos desta lista foram classificados por ordem alfabética e pelas afinidades
comuns entre eles. Estabelecer critérios de classificação das ideias e argumentos, pela ordem
de importância, é uma habilidade indispensável para elaborar o desenvolvimento de uma
redação. Tanto faz que a ordem seja crescente, do fato mais importante para o menos
importante, ou decrescente, primeiro o menos importante e, no final, o impacto do mais
importante; é indispensável que haja uma lógica na classificação. A elaboração do plano
compreende a classificação das partes e subdivisões, ou seja, os elementos do plano devem
obedecer a uma hierarquização. (Garcia, 1973, p. 302-304.)
Para a clareza da dissertação, é indispensável que, logo na introdução, os termos e
conceitos sejam definidos, pois, para expressar um questionamento, deve-se, de antemão,
expor clara e racionalmente as posições assumidas e os argumentos que as justificam. É muito
importante deixar claro o campo da discussão e a posição adotada, isto é, esclarecer não só o
assunto, mas também os pontos de vista sobre ele.
A definição tem por objetivo a exatidão no emprego da linguagem e consiste na
enumeração das qualidades próprias de uma ideia, palavra ou objeto. Definir é classificar o
elemento conforme a espécie a que pertence, demonstra: a característica que o diferencia dos
outros elementos dessa mesma espécie.
Entre os vários processos de exposição de ideias, a definição é um dos mais importantes,
sobretudo no âmbito das ciências. A definição científica ou didática é denotativa, ou seja,
atribui às palavras seu sentido usual ou consensual, enquanto a conotativa ou metafórica
emprega palavras de sentido figurado. Segundo a lógica tradicional aristotélica, a definição
consta de três elementos:
- o termo a ser definido;
- o gênero ou espécie;
- a diferença específica.
O que distingue o termo definido de outros elementos da mesma espécie. Exemplo:
Na frase: O homem é um animal racional classifica-se:
Elemento espécie diferença
a ser definido específica
É muito comum formular definições de maneira defeituosa, por exemplo: An5lise é
$uando a gente decomp#e o todo em partes. Esse tipo de definição é gramaticalmente
incorreto; $uando é advérbio de tempo, não representa o gênero, a espécie, a gente é forma
coloquial não adequada à redação acadêmica. Tão importante é saber formular uma definição,
que se recorre a Garcia (1973, p.306), para determinar os "requisitos da definição denotativa¨.
Para ser exata, a definição deve apresentar os seguintes requisitos:
- o termo de(e realmente pertencer ao gênero ou classe em $ue est5 inclu>doN :mesa é
um m&(el3 9classe em $ue XmesaL est5 realmente inclu>da= e n%o :mesa é um instrumento ou
/erramenta ou instala'%o3,
) o gênero de(e ser su/icientemente amplo para incluir todos os e2emplos espec>/icos da
coisa de/inida, e su/icientemente restrito para $ue a di/eren'a possa ser percebida sem
di/iculdade,
) de(e ser obrigatoriamente a/irmati(aN n%o 5, em (erdade, de/ini'%o, $uando se diz $ue
o :triMngulo n%o é um prisma3,
) de(e ser rec>procaN :E omem é um ser (i(o3 n%o constitui de/ini'%o e2ata, por$ue a
rec>proca, :7odo ser (i(o é um omem3 n%o é (erdadeira 9o gato é ser (i(o e n%o é omem=,
) de(e ser bre(e 9contida num s& per>odo=. Suando a de/ini'%o, ou o $ue se pretenda
como tal, é muito longa 9séries de per>odos ou de par5gra/os=, cama)se e2plica'%o, e também
de/ini'%o e2pandida,d
) de(e ter uma estrutura gramatical r>gidaN suCeito 9o termo= Y c&pula 9(erbo de liga'%o
ser= Y predicati(o 9o gênero= Y adCuntos 9as di/eren'as=.
As definições dos dicionários de língua são feitas por meio de paráfrases definitórias, ou
seja, uma operação metalinguística que consiste em estabelecer uma relação de equivalência
entre a palavra e seus significados.
A força do texto dissertativo está em sua fundamentação. Sempre é fundamental procurar
um porquê, uma razão verdadeira e necessária. A verdade de um ponto de vista deve ser
demonstrada com argumentos válidos. O ponto de vista mais lógico e racional do mundo não
tem valor, se não estiver acompanhado de uma fundamentação coerente e adequada.
Os métodos fundamentais de raciocínio segundo a lógica clássica, que foram abordados
anteriormente, auxiliam o julgamento da validade dos fatos. Às vezes, a argumentação é clara
e pode reconhecer-se facilmente seus elementos e suas relações; outras vezes, as premissas
e as conclusões organizam-se de modo livre, misturando-se na estrutura do argumento. Por
isso, é preciso aprender a reconhecer os elementos que constituem um argumento:
premissasWconclus#es. Depois de reconhecer, verificar se tais elementos são verdadeiros ou
falsos; em seguida, avaliar se o argumento está expresso corretamente; se há coerência e
adequação entre seus elementos, ou se há contradição. Para isso é que se aprende os
processos de raciocínio por dedução e por indução. Admitindo-se que raciocinar é relacionar,
conclui-se que o argumento é um tipo específico de relação entre as premissas e a conclusão.
5roedimentos Ar!umentativos: Constituem os procedimentos argumentativos mais
empregados para comprovar uma afirmação: exemplificação, explicitação, enumeração,
comparação.
EAemplifia6ão: Procura justificar os pontos de vista por meio de exemplos, hierarquizar
afirmações. São expressões comuns nesse tipo de procedimento: mais importante $ue,
superior a, de maior rele(Mncia $ue. Empregam-se também dados estatísticos, acompanhados
de expressões: considerando os dados, con/orme os dados apresentados. Faz-se a
exemplificação, ainda, pela apresentação de causas e consequências, usando-se comumente
as expressões: por$ue, por$uanto, pois $ue, uma (ez $ue, (isto $ue, por causa de, em (irtude
de, em (ista de, por moti(o de.
EApliita6ão: O objetivo desse recurso argumentativo é explicar ou esclarecer os pontos
de vista apresentados. Pode-se alcançar esse objetivo pela definição, pelo testemunho e pela
interpretação. Na explicitação por definição, empregam-se expressões como: $uer dizer,
denomina)se, cama) se, na (erdade, isto é, aCa (ista, ou melor, nos testemunhos são
comuns as expressões: con/orme, segundo, na opini%o de, no parecer de, consoante as ideias
de, no entender de, no pensamento de. A explicitação se faz também pela interpretação, em
que são comuns as seguintes expressões: parece, assim, desse ponto de (ista.
Enumera6ão: Faz-se pela apresentação de uma sequência de elementos que
comprovam uma opinião, tais como a enumeração de pormenores, de fatos, em uma
sequência de tempo, em que são frequentes as expressões: primeiro, segundo, por +ltimo,
antes, depois, ainda, em seguida, ent%o, presentemente, antigamente, depois de, antes de,
atualmente, oCe, no passado, sucessi(amente, respecti(amente. Na enumeração de fatos em
uma sequência de espaço, empregam-se as seguintes expressões: c5, l5, acol5, ali, a>, além,
adiante, perto de, ao redor de, no Astado tal, na capital, no interior, nas grandes cidades, no
sul, no leste...
0ompara6ão: Analogia e contraste são as duas maneiras de se estabelecer a
comparação, com a finalidade de comprovar uma ideia ou opinião. Na analogia, são comuns as
expressões: da mesma /orma, tal como, tanto $uanto, assim como, igualmente. Para
estabelecer contraste, empregam-se as expressões: mais $ue, menos $ue, melor $ue, pior
$ue.
Entre outros tipos de argumentos empregados para aumentar o poder de persuasão de
um texto dissertativo encontram-se:
Ar!umento de autoridade: O saber notório de uma autoridade reconhecida em certa
área do conhecimento dá apoio a uma afirmação. Dessa maneira, procura-se trazer para o
enunciado a credibilidade da autoridade citada. Lembre-se que as citações literais no corpo de
um texto constituem argumentos de autoridade. Ao fazer uma citação, o enunciador situa os
enunciados nela contidos na linha de raciocínio que ele considera mais adequada para explicar
ou justificar um fato ou fenômeno. Esse tipo de argumento tem mais caráter confirmatório que
comprobatório.
Apoio na onsensualidade: Certas afirmações dispensam explicação ou comprovação,
pois seu conteúdo é aceito como válido por consenso, pelo menos em determinado espaço
sociocultural. Nesse caso, incluem-se
- A declaração que expressa uma verdade universal (o homem, mortal, aspira à
imortalidade);
- A declaração que é evidente por si mesma (caso dos postulados e axiomas);
- Quando escapam ao domínio intelectual, ou seja, é de natureza subjetiva ou sentimental
(o amor tem razões que a própria razão desconhece); implica apreciação de ordem estética
(gosto não se discute); diz respeito a fé religiosa, aos dogmas (creio, ainda que parece
absurdo).
0omprova6ão pela eAperi9nia ou observa6ão: A verdade de um fato ou afirmação
pode ser comprovada por meio de dados concretos, estatísticos ou documentais.
0omprova6ão pela fundamenta6ão l/!ia: A comprovação se realiza por meio de
argumentos racionais, baseados na lógica: causa/efeito; consequência/causa;
condição/ocorrência.
Fatos não se discutem; discutem-se opiniões. As declarações, julgamento,
pronunciamentos, apreciações que expressam opiniões pessoais (não subjetivas) devem ter
sua validade comprovada, e só os fatos provam. Em resumo toda afirmação ou juízo que
expresse uma opinião pessoal só terá validade se fundamentada na evidência dos fatos, ou
seja, se acompanhada de provas, validade dos argumentos, porém, pode ser contestada por
meio da contra-argumentação ou refutação. São vários os processos de contra-argumentação:
Cefuta6ão pelo absurdo: refuta-se uma afirmação demonstrando o absurdo da
consequência. Exemplo clássico é a contra-argumentação do cordeiro, na conhecida fábula !E
lobo e o cordeiro!;
Cefuta6ão por eAlusão: consiste em propor várias hipóteses para eliminá-las,
apresentando-se, então, aquela que se julga verdadeira;
2es;ualifia6ão do ar!umento: atribui-se o argumento à opinião pessoal subjetiva do
enunciador, restringindo-se a universalidade da afirmação;
Ata;ue ao ar!umento pelo testemunho de autoridade: consiste em refutar um
argumento empregando os testemunhos de autoridade que contrariam a afirmação
apresentada;
2es;ualifiar dados onretos apresentados: consiste em desautorizar dados reais,
demonstrando que o enunciador baseou-se em dados corretos, mas tirou conclusões falsas ou
inconsequentes. Por exemplo, se na argumentação afirmou-se, por meio de dados estatísticos,
que !o controle demogr5/ico produz o desen(ol(imento!, afirma-se que a conclusão é
inconsequente, pois baseia-se em uma relação de causa-efeito difícil de ser comprovada. Para
contra-argumentar, propõe-se uma relação inversa: !o desen(ol(imento é $ue gera o controle
demogr5/ico!.
Apresentam-se aqui sugest#es, um dos roteiros possíveis para desenvolver um tema, que
podem ser analisadas e adaptadas ao desenvolvimento de outros temas. Elege-se um tema, e,
em seguida, sugerem-se os procedimentos que devem ser adotados para a elaboração de um
Plano de Redação.
Tema: O homem e a m*;uinaN necessidade e riscos da e(olu'%o tecnol&gica
- Questionar o tema, transformá-lo em interrogação, responder a interrogação (assumir
um ponto de vista); dar o porquê da resposta, justificar, criando um argumento básico;
- Ìmaginar um ponto de vista oposto ao argumento básico e construir uma contra-
argumentação; pensar a forma de refutação que poderia ser feita ao argumento básico e tentar
desqualificá-la (rever tipos de argumentação);
- Refletir sobre o contexto, ou seja, fazer uma coleta de ideias que estejam direta ou
indiretamente ligadas ao tema (as ideias podem ser listadas livremente ou organizadas como
causa e consequência);
- Analisar as ideias anotadas, sua relação com o tema e com o argumento básico;
- Fazer uma seleção das ideias pertinentes, escolhendo as que poderão ser aproveitadas
no texto; essas ideias transformam-se em argumentos auxiliares, que explicam e corroboram a
ideia do argumento básico;
- Fazer um esboço do Plano de Redação, organizando uma sequência na apresentação
das ideias selecionadas, obedecendo às partes principais da estrutura do texto, que poderia
ser mais ou menos a seguinte:
Ìntrodução
- função social da ciência e da tecnologia;
- definições de ciência e tecnologia;
- indivíduo e sociedade perante o avanço tecnológico.
Desenvolvimento
- apresentação de aspectos positivos e negativos do desenvolvimento tecnológico;
- como o desenvolvimento científico-tecnológico modificou as condições de vida no
mundo atual;
- a tecnocracia: oposição entre uma sociedade tecnologicamente desenvolvida e a
dependência tecnológica dos países subdesenvolvidos;
- enumerar e discutir os fatores de desenvolvimento social;
- comparar a vida de hoje com os diversos tipos de vida do passado; apontar
semelhanças e diferenças;
- analisar as condições atuais de vida nos grandes centros urbanos;
- como se poderia usar a ciência e a tecnologia para humanizar mais a sociedade.
Conclusão
- a tecnologia pode libertar ou escravizar: benefícios/consequências maléficas;
- síntese interpretativa dos argumentos e contra-argumentos apresentados.
Naturalmente esse não é o único, nem o melhor plano de redação: é um dos possíveis.

Inormações E!plícitas e Implícitas
Texto:
:"eto ainda est5 longe de se igualar a $ual$uer um desses cra$ues 9Fi(elino, Ademir da
Vuia, ;edro Foca e ;elé=, mas ainda tem um longo camino a trilar 9...=.3
Ve4a São 5aulo% <(D&<D&''E% p. &>.
Esse texto diz explicitamente que:
- Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são craques;
- Neto não tem o mesmo nível desses craques;
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente.
O texto deixa implícito que:
- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se dos craques citados;
- Esses craques são referência de alto nível em sua especialidade esportiva;
- Há uma oposição entre Neto e esses craques no que diz respeito ao tempo disponível
para evoluir.
Todos os textos transmitem explicitamente certas informações, enquanto deixam outras
implícitas. Por exemplo, o texto acima não explicita que existe a possibilidade de Neto se
equiparar aos quatro futebolistas, mas a inclusão do advérbio ainda estabelece esse implícito.
Não diz também com explicitude que há oposição entre Neto e os outros jogadores, sob o
ponto de vista de contar com tempo para evoluir. A escolha do conector “mas¨ entre a segunda
e a primeira oração só é possível levando em conta esse dado implícito. Como se vê, há mais
significados num texto do que aqueles que aparecem explícitos na sua superfície. Leitura
proficiente é aquela capaz de depreender tanto um tipo de significado quanto o outro, o que,
em outras palavras, significa ler nas entrelinhas. Sem essa habilidade, o leitor passará por cima
de significados importantes ou, o que é bem pior, concordará com ideias e pontos de vista que
rejeitaria se os percebesse.
Os significados implícitos costumam ser classificados em duas categorias: os
pressupostos e os subentendidos.
5ressupostos: são ideias implícitas que estão implicadas logicamente no sentido de
certas palavras ou expressões explicitadas na superfície da frase. Exemplo:
:André tornou) se um antitabagista con(icto.3
A informação explícita é que hoje André é um antitabagista convicto. Do sentido do verbo
tornar-se, que significa "vir a ser", decorre logicamente que antes André não era antitabagista
convicto. Essa informação está pressuposta. Ninguém se torna algo que já era antes. Seria
muito estranho dizer que a palmeira tornou-se um vegetal.
:Au ainda n%o cone'o a Auropa.3
A informação explícita é que o enunciador não tem conhecimento do continente europeu.
O advérbio ainda deixa pressuposta a possibilidade de ele um dia conhecê-la.
As informações explícitas podem ser questionadas pelo receptor, que pode ou não
concordar com elas. Os pressupostos, porém, devem ser verdadeiros ou, pelo menos,
admitidos como tais, porque esta é uma condição para garantir a continuidade do diálogo e
também para fornecer fundamento às afirmações explícitas. Ìsso significa que, se o
pressuposto é falso, a informação explícita não tem cabimento. Assim, por exemplo, se Maria
não falta nunca a aula nenhuma, não tem o menor sentido dizer :Até Maria compareceu B aula
de oCe3. Até estabelece o pressuposto da inclusão de um elemento inesperado.
Na leitura, é muito importante detectar os pressupostos, pois eles são um recurso
argumentativo que visa a levar o receptor a aceitar a orientação argumentativa do emissor. Ao
introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o enunciador pretende transformar seu
interlocutor em cúmplice, pois a ideia implícita não é posta em discussão, e todos os
argumentos explícitos só contribuem para confirmá-la. O pressusposto aprisiona o receptor no
sistema de pensamento montado pelo enunciador.
A demonstração disso pode ser feita com as “verdades incontestáveis¨ que estão na base
de muitos discursos políticos, como o que segue:
:Suando o curso do rio S%o -rancisco /or mudado, ser5 resol(ido o problema da seca no
"ordeste.3
O enunciador estabelece o pressuposto de que é certa a mudança do curso do São
Francisco e, por consequência, a solução do problema da seca no Nordeste. O diálogo não
teria continuidade se um interlocutor não admitisse ou colocasse sob suspeita essa certeza.
Em outros termos, haveria quebra da continuidade do diálogo se alguém interviesse com uma
pergunta deste tipo:
:Mas $uem disse $ue é certa a mudan'a do curso do rioZ3
A aceitação do pressuposto estabelecido pelo emissor permite levar adiante o debate; sua
negação compromete o diálogo, uma vez que destrói a base sobre a qual se constrói a
argumentação, e daí nenhum argumento tem mais importância ou razão de ser. Com
pressupostos distintos, o diálogo não é possível ou não tem sentido.
A mesma pergunta, feita para pessoas diferentes, pode ser embaraçosa ou não,
dependendo do que está pressuposto em cada situação. Para alguém que não faz segredo
sobre a mudança de emprego, não causa o menor embaraço uma pergunta como esta:
:6omo (ai (ocê no seu no(o empregoZ3
O efeito da mesma pergunta seria catastrófico se ela se dirigisse a uma pessoa que
conseguiu um segundo emprego e quer manter sigilo até decidir se abandona o anterior. O
adjetivo novo estabelece o pressuposto de que o interrogado tem um emprego diferente do
anterior.
.aradores de 5ressupostos
- Adjetivos ou palavras similares modificadoras do substantivo
Rulina /oi mina primeira /ila.
“Primeira¨ pressupõe que tenho outras filhas e que as outras nasceram depois de Julinha.
1estru>ram a outra igreCa do po(oado.
“Outra¨ pressupõe a existência de pelo menos uma igreja além da usada como referência.
- Certos verbos
Fenato continua doente.
O verbo “continua¨ indica que Renato já estava doente no momento anterior ao presente.
"ossos dicion5rios C5 aportuguesaram a pala(rea cop?desk.
O verbo “aportuguesar¨ estabelece o pressuposto de que copidesque não existia em
português.
- Certos advérbios
A produ'%o automobil>stica brasileira est5 totalmente nas m%os das multinacionais.
O advérbio totalmente pressupõe que não há no Brasil indústria automobilística nacional.
) 8ocê con/eriu o resultado da loteriaZ
) QoCe n%o.
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito limitado estabelece o
pressuposto de que apenas nesse intervalo (hoje) é que o interrogado não praticou o ato de
conferir o resultado da loteria.
- Orações adjetivas
Es brasileiros, $ue n%o se importam com a coleti(idade, s& se preocupam com seu
bem) estar e, por isso, Cogam li2o na rua, /ecam os cruzamentos, etc.
O pressuposto é que “todos¨ os brasileiros não se importam com a coletividade.
Es brasileiros $ue n%o se importam com a coleti(idade s& se preocupam com seu
bem) estar e, por isso, Cogam li2o na rua, /ecam os cruzamentos, etc.
Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns¨ brasileiros não se importam com a
coletividade.
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As explicativas
pressupõem que o que elas expressam se refere à totalidade dos elementos de um conjunto;
as restritivas, que o que elas dizem concerne apenas a parte dos elementos de um conjunto. O
produtor do texto escreverá uma restritiva ou uma explicativa segundo o pressuposto que
quiser comunicar.
Subentendidos: são insinuações contidas em uma frase ou um grupo de frases.
Suponhamos que uma pessoa estivesse em visita à casa de outra num dia de frio glacial e que
uma janela, por onde entravam rajadas de vento, estivesse aberta. Se o visitante dissesse
:Sue /rio terr>(el3, poderia estar insinuando que a janela deveria ser fechada.
Há uma diferença capital entre o pressuposto e o subentendido. O primeiro é uma
informação estabelecida como indiscutível tanto para o emissor quanto para o receptor, uma
vez que decorre necessariamente do sentido de algum elemento linguístico colocado na frase.
Ele pode ser negado, mas o emissor coloca-o implicitamente para que não o seja. Já o
subentendido é de responsabilidade do receptor. O emissor pode esconder-se atrás do sentido
literal das palavras e negar que tenha dito o que o receptor depreendeu de suas palavras.
Assim, no exemplo dado acima, se o dono da casa disser que é muito pouco higiênico fechar
todas as janelas, o visitante pode dizer que também acha e que apenas constatou a
intensidade do frio.
O subentendido serve, muitas vezes, para o emissor proteger-se, para transmitir a
informação que deseja dar a conhecer sem se comprometer. Ìmaginemos, por exemplo, que
um funcionário recém-promovido numa empresa ouvisse de um colega o seguinte:
:6ompetência e mérito continuam n%o (alendo nada como critério de promo'%o nesta
empresa...3
Esse comentário talvez suscitasse esta suspeita:
:8ocê est5 $uerendo dizer $ue eu n%o merecia a promo'%oZ3
Ora, o funcionário preterido, tendo recorrido a um subentendido, poderia responder:
:Absolutamente* Astou /alando em termos gerais.3
Discurso Direto" Indireto e Indireto
#ivre
Num texto, as personagens falam, conversam entre si, expõem ideias. Quando o narrador
conta o que elas disseram, insere na narrativa uma fala que não é de sua autoria, cita o
discurso alheio. Há três maneiras principais de reproduzir a fala das personagens: o discurso
direto, o discurso indireto e o discurso indireto livre.
2isurso 2ireto
:0onge do olos...3
) Meu pai* 1isse Ro%o Aguiar com um tom de ressentimento $ue /ez pasmar o
comendador.
) Sue éZ ;erguntou este.
Ro%o Aguiar n%o respondeu. E comendador arrugou a testa e interrogou o roto mudo do
/ilo. "%o leu, mais adi(inou alguma coisa desastrosa, desastrosa, entenda)se, para os
c5lculos conCunto)pol>ticos ou pol>ticos)conCugais, como melor nome aCa.
) 1ar)se)5 caso $ue... come'ou a dizer comendador.
) Sue eu namoreZ Unterrompeu galo/eiramente o /ilo.
.ahado de Assis. 0ontos. <(K Ed. São 5aulo% Ltia% <EE<% p. +=.
O narrador introduz a fala das personagens, um pai e um filho, e, em seguida, como quem
passa a palavra a elas e as deixa falar. Vemos que as partes introdutórias pertencem ao
narrador (por exemplo, disse João Aguiar com um tom de ressentimento que faz pasmar o
comendador) e as falas, às personagens, (por exemplo, Meu pai!).
O discurso direto é o expediente de citação do discurso alheio pela qual o narrador
introduz o discurso do outro e, depois, reproduz literalmente a fala dele.
As marcas do discurso são:
- A fala das personagens é, de princípio, anunciada por um verbo (disse e interrompeu no
caso do filho e perguntou e começou a dizer no caso do pai) denominado :(erbo de dizer3
(como recrutar, retorquir, afirmar, obtem)perar declarar e outros do mesmo tipo), que pode vir
antes, no meio ou depois da fala das personagens (no nosso caso, veio depois);
- A fala das personagens aparece nitidamente separada da fala do narrador, por aspas,
dois pontos, travessão ou vírgula;
- Os pronomes pessoais, os tempos verbais e as palavras que indicam espaço e tempo
(por exemplo, pronomes demonstrativos e advérbios de lugar e de tempo) são usados em
relação à pessoa da personagem, ao momento em que ela fala diz “eu¨, o espaço em que ela
se encontra é o aqui e o tempo em que fala é o agora.
2isurso $ndireto
Observemos um fragmento do mesmo conto de Machado de Assis:
“Im dia, Sera/ina recebeu uma carta de 7a(ares dizendo)le $ue n%o (oltaria mais B
casa de seu pai, por este le a(er mostrado m5 cara nas +ltimas (ezes $ue ele l5 esti(era.3
$dem. $bidem% p. +).
Nesse caso o narrador para citar que Tavares disse a Serafina, usa o outro procedimento:
não reproduz literalmente as palavras de Tavares, mas comunica, com suas palavras, o que a
personagem diz. A fala de Tavares não chega ao leitor diretamente, mas por via indireta, isto é,
por meio das palavras do narrador. Por essa razão, esse expediente é chamado discurso
indireto.
As principais marcas do discurso indireto são:
- As falas das personagens também vem introduzidas por um verbo de dizer;
- As falas das personagens constituem oração subordinada substantiva objetiva direta do
verbo de dizer e, portanto, são separadas da fala do narrador por uma partícula introdutória
normalmente “que¨ ou “se¨;
- Os pronomes pessoais, os tempos verbais e as palavras que indicam espaço e tempo
(como pronomes demonstrativos e advérbios de lugar e de tempo) são usados e relação a
narrador, ao momento em que ele fala e ao espaço em que está.
5assa!em do 2isurso 2ireto para o 2isurso $ndireto
Pedro disse:
) Au estarei a$ui aman%.
No discurso direto, o personagem Pedro diz “eu¨; o “aqui¨ é o lugar em que a personagem
está; “amanh㨠é o dia seguinte ao que ele fala. Se passarmos essa frase para o discurso
indireto ficará assim:
;edro disse $ue estaria l5 no dia seguinte.
No discurso indireto, o “eu¨ passa a ele porque á alguém de quem o narrador fala; estaria
é futuro do pretérito: é um tempo relacionado ao pretérito da fala do narrador (disse), e não ao
presente da fala do personagem, como estarei; lá é o espaço em que a personagem (e não o
narrador) havia de estar; no dia seguinte é o dia que vem após o momento da fala da
personagem designada por ele.
Na passagem do discurso direto para o indireto, deve-se observar as frases que no
discurso direto tem as formas interrogativas, exclamativa ou imperativa convertem-se, no
discurso indireto, em orações declarativas.
Ala me perguntouN $uem est5 aiZ
Ela me per!untou ;uem estava l*.
As interjeições e os vocativos do discurso direto desaparecem no discurso indireto ou tem
seu valor semântico explicitado, isto é, traduz-se o significado que elas expressam.
E papagaio disseN E* 05 (em a raposa.
O papa!aio disse admirado (explicitação do valor semântico da interjeição oh!) ;ue ao
lon!e vinha a raposa.
Se o discurso citado (fala da personagem) comporta um “eu¨ ou um “tu¨ que não se
encontram entre as pessoas do discurso citante (fala do narrador), eles são convertidos num
“ele¨, se o discurso citado contém um “aqui¨ não corresponde ao lugar em que foi proferido o
discurso citante, ele é convertido num “lá¨.
;edro disse l5 em ;arisN ) A$ui eu me sinto bem.
Eu (pessoa do discurso citado que não se encontra no discurso citante) converte-se em
ele; aqui (espaço do discurso citado que é diferente do lugar em que foi proferido o discurso
citante) transforma-se em lá:
- 5edro disse ;ue l* ele se sentia bem.
Se a pessoa do discurso citado, isto é, da fala da personagem (eu, tu, ele) tem um
correspondente no discurso citante, ela ocupa o estatuto que tem nesse último.
Maria declarou)meN ) Au te amo.
O “te¨ do discurso citado corresponde ao “me¨ do citante. Por isso, “te¨ passa a “me¨:
- .aria delarou-me ;ue me amava.
No que se refere aos tempos, o mais comum é o que o verbo de dizer esteja no presente
ou no pretérito perfeito. Quando o verbo de dizer estiver no presente e o da fala da
personagem estiver no presente, pretérito ou futuro do presente, os tempos mantêm-se na
passagem do discurso direto para o indireto. Se o verbo de dizer estiver no pretérito perfeito, as
alterações que ocorrerão na fala da personagem são as seguintes:
Discurso Direto – Discurso Indireto
Presente ÷ Pretérito Ìmperfeito
Pretérito Perfeito ÷ Pretérito mais-que-perfeito
Futuro do Presente ÷ Futuro do Pretérito
Roa$uim disseN ) 6ompro tudo isso.
- Foa;uim disse ;ue omprava tudo isso.
Roa$uim disseN ) 6omprei tudo isso.
- Foa;uim disse ;ue omprara tudo isso.
Roa$uim disseN ) 6omprarei tudo isso.
- Foa;uim disse ;ue ompraria tudo isso.
Discurso Indireto Livre
"9...= "o dia seguinte -abiano (oltou B cidade, mas ao /ecar o neg&cio notou $ue as
opera'#es de Sin5 8it&ria, como de costume, di/eriam das do patr%o. Feclamou e obte(e a
e2plica'%o abitualN a di/eren'a era pro(eniente de Curos.
"%o se con/ormouN de(ia a(er engano. Ale era bruto, sim senor, (ia)se per/eitamente
$ue era bruto, mas a muler tina miolo. 6om certeza a(ia um erro no papel do branco. "%o
se descobriu o erro, e -abiano perdeu os estribos. ;assar a (ida inteira assim no toco,
entregando o $ue era dele de m%o beiCada* Asta(a direito a$uiloZ 7rabalar como negro e
nunca arranCar carta de al/orria*
Grailiano Camos. Vidas seas.
<)K Ed. São 5aulo% .artins% &',&% p. &=(.
Nesse texto, duas vozes estão misturadas: a do narrador e a de Fabiano. Não há
indicadores que delimitem muito bem onde começa a fala do narrador e onde se inicia a da
personagem. Não se tem dúvida de que o período inicial está traduzido a fala do narrador. A
bem verdade, até não se conformou (início do segundo parágrafo), é a voz do narrador que
está comandando a narrativa. Na oração devia haver engano, já começa haver uma mistura de
vozes: sob o ponto de vista das marcas gramaticais, não há nenhuma pista para se concluir,
que a voz de Fabiano é que esteja sendo citada; sob o ponto de vista do significado, porém,
pode-se pensar numa reclamação atribuída a ele.
Tomemos agora esse trecho: :Ale era bruto, sim senor, (ia)se per/eitamente $ue era
bruto, mas a muler tina miolo. 6om certeza a(ia um erro no papel do branco.3 Pelo
conteúdo de verdade é pelo modo de dizer, tudo nos induz a vislumbrar aí a voz de Fabiano
ecoando por meio do discurso do narrador. É como se o narrador, sem abandonar as marcas
linguísticas próprias de sua fala, estivesse incorporando as reclamações e suspeitas da
personagem, a cuja linguagem pertencem expressões do tipo bruto, sim senhor e a mulher
tinha miolo. Até a repetição de palavras e uma certa entonação presumivelmente exclamativa
confirmam essa inferência.
Para perceber melhor o que é o discurso indireto livre, confrontemos uma frase do texto
com a correspondente em discurso direito e indireto:
- Discurso Ìndireto Livre
Asta(a direito a$uiloZ
- Discurso Direto
-abiano perguntouN ) Asta direito istoZ
) Discurso Ìndireto
-abiano perguntou se a$uilo esta(a direito
Essa forma de citação do discurso alheio tem características próprias que são tanto do
discurso direto quanto do indireto. As características do discurso indireto livre são:
- Não há verbos de dizer anunciando as falas das personagens;
- Estas não são introduzidas por partículas como “que¨ e “se¨ nem separadas por sinais
de pontuação;
- O discurso indireto livre contém, como o discurso direto, orações interrogativas,
imperativas e exclamativas, bem como interjeições e outros elementos expressivos;
- Os pronomes pessoais e demonstrativos, as palavras indicadoras de espaço e de tempo
são usados da mesma forma que no discurso indireto. Por isso, o verbo estar, do exemplo
acima, ocorre no pretérito imperfeito, e não no presente (está), como no discurso direto. Da
mesma forma o pronome demonstrativo ocorre na forma aquilo, como no discurso indireto.
:un6Bes dos diferentes modos de itar o disurso do outro
O discurso direto cria um efeito de sentido de verdade. Ìsso porque o leito ou ouvinte tem
a impressão de que quem cita preservou a integridade do discurso citado, ou seja, o que ele
reproduziu é autêntico. É como se ouvisse a pessoa citada com suas próprias palavras e,
portanto, com a mesma carga de subjetividade.
Essa modalidade de citação permite, por exemplo, que se use variante linguística da
personagem como forma de fornecer pistas para caracterizá-la. Sirva de exemplo o trecho que
segue, um diálogo entre personagens do meio rural, um farmacêutico e um agricultor, cuja fala
é transcrita em discurso direto pelo narrador:
Um velho brônzeo apontou, em farrapos, à janela aberta o azul.
- Como vai, Elesbão?
- Sua bênção...
- Cheio de doenças?
- Sim sinhô.
- De dores, de dificuldades?
- Sim sinhô.
- De desgraças...
O farmacêutico riu com um tímpano desmesurado. Você é o Brasil. Depois Ìndagou:
- O que você eu Elesbão?
- To precisando de uns dinheirinho e duns gênor. Meu arroizinho tá bão, tá encanando
bem. Preciso de uns mantimento pra coiêta. O sinhô pode me arranjá com Nhô Salim. Depois
eu vendo o arroiz pra ele mermo.
- Você é sério, Elesbão?
- Sô sim sinhô!
- Quanto é que você deve pro Nhô Salim?
- Um tiquinho.
OsMaldo de Andrade. .aro Nero.
<K Ed. Cio de Faneiro% 0iviliza6ão Brasileira% &',+% p. ,-).
Quanto ao discurso indireto, pode ser de dois tipos, e cada um deles cria um efeito de
sentido diverso.
- 2isurso $ndireto ;ue analisa o onteúdo: elimina os elementos emocionais ou
afetivos presentes no discurso direto, assim como as interrogações, exclamações ou formas
imperativas, por isso produz um efeito de sentido de objetividade analítica. Com efeito, nele o
narrador revela somente o conteúdo do discurso da personagem, e não o modo como ela diz.
Com isso estabelece uma distância entre sua posição e a da personagem, abrindo caminho
para a réplica e o comentário. Esse tipo de discurso indireto despersonaliza discurso citado em
nome de uma objetividade analítica. Cria, assim, a impressão de que o narrador analisa o
discurso citado de maneira racional e isenta de envolvimento emocional. O discurso indireto,
nesse caso, não se interessa pela individualidade do falante no modo como ele diz as coisas.
Por isso é a forma preferida nos textos de natureza filosófica, científica, política, etc., quando
se expõe as opiniões dos outros com finalidade de criticá-las, rejeitá-las ou acolhê-las.
- 2isurso $ndireto ;ue analisa a eApressão: serve para destacar mais o modo de dizer
do que o que se diz; por exemplo, as palavras típicas do vocabulário da personagem citada, a
sua maneira de pronunciá-las, etc. Nesse caso, as palavras ou expressões ressaltadas
aparecem entre aspas. Veja-se este exemplo. De Eça de Queirós:
...descobrira de repente, uma man%, eu n%o de(ia trair Amaro, :por$ue era pap5 do seu
6arlinos3. A disse)o ao abade, /ez corar os sessenta e $uatro anos do bom (elo 9...=.
O rime do 5adre Amaro.
5orto% "ello e $rmão% s.d.% vol. $% p. =&+.
Ìmagine-se ainda que uma pessoa, querendo denunciar a forma deselegante com que
fora atendida por um representante de uma empresa, tenha dito o seguinte:
A certa altura, ele me respondeu $ue, se eu n%o esti(esse satis/eito, $ue /osse reclamar
:para o bispo3 e $ue ele C5 n%o esta(a :nem a>3 com :tipinos3 como eu.
Em ambos os casos, as aspas são utilizadas para dar destaque a certas formas de dizer
típicas das personagens citadas e para mostrar o modo como o narrador as interpreta. No
exemplo de Eça de Queirós, “por$ue era o pap5 de seu 6arlinos3 contem uma expressão da
personagem Amélia e mostra certa dose de ironia e malícia do narrador. No segundo exemplo,
as aspas destacam a insatisfação do narrador com a deselegância e o desprezo do funcionário
para com os clientes.
O discurso indireto livre fica a meio caminho da subjetividade e da objetividade. Tem
muitas funções. Por exemplo, dá verossimilhança a um texto que pretende manifestar
pensamentos, desejos, enfim, a vida interior de uma personagem.
Em síntese, demonstra um envolvimento tal do narrador com a personagem, que as
vozes de ambos se misturam como se eles fossem um só ou, falando de outro modo, como se
o narrador tivesse vestido completamente a máscara da personagem, aproximando-a do leitor
sem a marca da sua intermediação.
Veja-se como, neste trecho: :E t>mido Rosé3, de Antônio de Alcântara Machado, o
narrador, valendo-se do discurso indireto livre, leva o leitor a partilhar do constrangimento da
personagem, simulando estar contaminado por ele:
9...= Mais depressa n%o podia andar. Varoar, garoa(a sempre. Mas ali o ne(oeiro C5 n%o
era tanto /elizmente. 1ecidiu. Uria indo no camino da 0apa. Se encontrasse a muler bem. Se
n%o encontrasse paciência. "%o iria procurar. Uria é para casa. A/inal de contas era mesmo um
trou2a. Suando podia n%o $uis. Agora $ue era di/>cil $ueria.
"aran4a-da-hina. $n: 7ovelas 5aulistanas.
&K Ed. Belo Oorizonte% $tatiaiaD São 5aulo% Edusp% &'')% p. &)+.
Recursos Discursivos
Tomemos o caso de Romeu e Julieta: essa peça teatral foi baseada nas Novelas do frade
dominicano italiano Mateo Bandelo, as quais, por sua vez, foram inspi radas em narrativas
antigas, de seu país ou estrangeiras. Em todas elas aparece o relato da paixão entre dois
jovens, proibida por causa do ódio de morte que separava suas famílias. O ímpeto da paixão
vence a interdição paterna, mas acaba em tragédia, com o suicídio do casal de protagonistas.
As novelas de Mateo Bandelo estão publicadas e têm alguma notoriedade, mas nada
comparável ao retumbante sucesso da peça de Shakespeare, que posteriormente foi tema de
óperas (Bellini e Gounod), balé (Prokofiev) e filmes (George Cukor, Franco Zeffirelli, Baz
Luhrmann, etc.).
Exemplos como esse são conhecidos de todos, mas poucos sabem explicar por que e
como isso se dá. Por se tratar de um esclarecimento útil a todos quantos se dedicam ao ensino
e ao aprendizado da leitura e da redação, vamos ensaiar aqui uma resposta para esta questão:
qual é o diferencial que torna um texto mais célebre ou simplesmente mais qualificado que
outro com o mesmo sentido? Ou: como é possível encontrar um modo mais atraente e mais
persuasivo de dizer a mesma coisa?
Vamos designar pelo nome de recursos discursivos todo tipo de expediente que contribui
para elevar o grau de perfeição de um texto sem, contudo, interferir, ao menos de maneira
radical, no seu significado de base.
É operando com esses recursos que se consegue melhorar cada vez mais o mesmo
texto, e tantas as possibilidades de manobra com que se costuma dizer que todo texto é
perfectível ao infinito. Ou seja, por mais que se aperfeiçõe o enunciado, invariavelmente
sobram aspectos a aperfeiçoar.
Todos os grandes escritores confessam que nenhum texto nasce pronto, fruto de uma
iluminação momentânea. Sua elaboração começa sempre de um esboço rudimentar que vai
passando por sucessivas alterações, até chegar a um ponto tal, que o autor não sabe mais
mexer.
Exemplo disso é o fragmento dos originais de :Vrande sert%oN (eredas3, no qual se veem
diversas alterações e anotações feitas pelo próprio Guimarães Rosa.
Quando os poetas comentam as inúmeras modificações que fazem nos seus textos,
costumam gerar incredulidade. Mas essa revelação é expressão da mais pura verdade e, para
confirmá-la, basta conferir quantos rabiscos, alterações, e acréscimos se dão na superfície dos
seus originais. Nas grandes editoras, sobretudo nas de obras de caráter informativo, há
profissionais especializados em melhorar o padrão de qualidade dos textos a serem impressos.
Essa melhora não consiste em trocar um texto por outro, mas em promover num mesmo
texto alterações que afetam o modo de dizer, e não o que se diz. Tais alterações são feitas por
meio da exploração de certos expedientes que vamos chamar de recursos discursivos e que,
em suma, enquadram-se na seguinte definição: são expedientes linguísticos usados para
tornar o enunciado o mais próximo possível das intenções programadas pelo enunciador.
Bom texto é aquele que atinge o resultado programado, e esse resultado só pode ser
atingido plenamente se todos os seus enunciados exploram os recursos discursivos orientados
para cumprir as intenções do seu enunciador. Convém insistir no fato de que os recursos dis-
cursivos afetam dominantemente o modo de dizer, e não o que se diz. Exemplo:
Numa reportagem transmitida por um canal de televisão há algum tempo, os responsáveis
pela matéria queriam confrontar vantagens e desvantagens dos tratamentos de saúde feitos à
base de plantas medicinais ou de remédios da medicina alopática. Como é sugerido pelos
manuais de jornalismo, o editor-chefe colocou no ar a opinião de um camelô do centro de São
Paulo e a de um fitoterapeuta, familiarizado com a terminologia científica. Ambos disseram:
Pergunta: E $ue o senor diz do tratamento por plantas medicinaisZ
Resposta do camelô: E tratamento por er(as é uma boa... ;rimeiro por$ue elas é mais
barata $ue os remédio de /arm5cia, segundo por$ue, se elas n%o /az bem, mal também n%o
/az.
Resposta do fitoterapeuta: A /itoterapia, em contraposi'%o com a alopatia, tem
ine$u>(ocas (antagensN primeiro, pelo seu bai2o custo, segundo, pela ausência de se$uelas
comprometedoras.
Confrontando as duas respostas, percebe-se que são praticamente idênticas quanto ao
sentido, como se pode observar a seguir:
Resposta do camelô: E tratamento por er(as é uma boa...
Resposta do fitoterapeuta: A /itoterapia, em contraposi'%o com a alopatia traz
ine$u>(ocas (antagensN
Resposta do camelô: ;rimeiro por$ue elas é mais barata $ue o remédio da /arm5cia,
Resposta do fitoterapeuta: primeiro, pelo seu bai2o custo,
Resposta do camelô: Segundo por$ue, se elas n%o /az bem, mas também n%o /az.
Resposta do fitoterapeuta: segundo, pela ausência de se$uelas comprometedoras.
A comparação não permite dizer que o sentido dos dois textos seja exatamente o mesmo,
mas o confronto entre as três partes em que foram di vididas as duas declarações nos dá
absoluta certeza de que o maior prestígio do texto do cientista não decorre da diferença de
sentido, ou seja, do conteúdo de verdade daquilo que é dito.
Ora, se a diferença não está no que se diz (no sentido propriamente dito), só pode estar
no modo de dizer, isto é, no efeito de sentido provocado pelos recursos de linguagem
explorados por um e outro enunciador. Esses efeitos são obtidos pelo modo particular com que
cada um constrói o seu enunciado. Em outras palavras, o efeito de sentido produzido pelo texto
depende da competência de trazer para a construção do enunciado certas particularidades que
o tornam mais adequado para atingir o resultado planejado pelo enunciador.
Essa capacidade do enunciador de adequar os recursos disponíveis na língua para
conseguir o que pretende depende de escolhas que não afetam propriamente o sentido, mas
sim o efeito de sentido do texto.
No caso das duas respostas dadas pelos entrevistados, fica evidente o maior prestígio
das palavras selecionadas pelo cientista: tratamento por ervas e fitoterapia possuem
exatamente o mesmo sentido, mas o prestígio social da palavra científica é maior; assim
também a expressão é uma boa pode significar o mesmo que traz inequívocas vantagens, mas
o prestígio da segunda expressão é maior.
Efeitos de Sentido
Já dissemos que os recursos discursivos não interferem propriamente no sentido básico
do texto, mas no efeito de sentido, ou seja, podemos, por exemplo, comunicar praticamente a
mesma informação de modos diferentes: com mais envolvimento emocional, com mais
imparcialidade, com sensacionalismo, etc.
Uma maneira de constatar essa variedade de formas e expressão é observar como
manchetes de jornais diferentes transmitem a mesma notícia.
A título de ilustração, vamos transcrever algumas manchetes da derrota da seleção
brasileira na final da Copa do Mundo de 1998 na França, todas elas publicadas na primeira
página de diversos jornais no dia 13 de julho daquele ano.
4rasil 0 [ T -ran'a ) 9Rornal 0ance \ S%o ;aulo=
-ran'a [ 4rasil ) T [ 0 ) 7risteza ) 9]ero Qora \ ;orto Alegre=
. o ;enta $ue partiu* ) 9"ot>cias ;opulares \ S%o ;aulo
-ran'a goleia 4rasil e le(a 6opa ) 9E Astado de S. ;aulo \ S%o ;aulo=
]agallo engole ]idane ) 91i5rio ;opular \ S%o ;aulo=
A o 4rasil te(e $ue engolir. A +ltima 6opa do Milênio é da -ran'a ) 96orreio ;opular \ 6ampinas)
S;=
-ran'a adia sono do ;enta ) 9E Vlobo \ Fio de Raneiro=
4rasil 1ecepciona. A -ran'a é 6ampe% do Mundo Un(icta ) 9Rornal do 4rasil \ Fio de Raneiro=
8aleu, 4rasil* ) 9A Vazeta Asporti(a \ S%o ;aulo=
Ara uma (ez o ;enta ) 9-ola da 7arde \ S%o ;aulo=
-ran'a le(a sono do ;enta ) 9A 7ribuna \ Santos)S;=
Não há dúvida de que a notícia veiculada em todas as manchetes é uma só: E 4rasil
perdeu a 6opa do Mundo de 1PP8.
Fica evidente também que a mesma notícia foi dada de diferentes modos, cada um a
serviço de uma intenção diferente.
Há jornais que preferiram mostrar perplexidade e tristeza diante da derrota; outros
lamentaram a perda da possibilidade de conquistar o até então inédito quinto título mundial;
uns preferiram o tom trágico; outros, certo humor; alguns optaram por aparentar neutralidade.
Esses efeitos foram produzidos pela exploração de recursos de linguagem que afetaram
muito mais o modo de dizer do que o conteúdo do que se disse, comprovando a afirmação de
que os chamados recursos discursivos são expedientes linguísticos utilizáveis para dizer de
diversas maneiras um mesmo conteúdo de verdade.
A exploração desses recursos permite que um mesmo fato seja enunciado de forma mais
eloquente, mais neutra, mais humorada, mais irônica, com mais subjetividade, com mais
objetividade, etc.
Os recursos discursivos valorizam o enunciador do texto e dão credibilidade às suas
palavras, mas não atingem esse resultado por meio do exibicionismo indisfarçado daquele que
escreve.
Diz um provérbio: !Alogio em boca pr&pria é (itupério!, isto é, quando o elogio é feito pelo
próprio indivíduo, transforma-se em insulto, já que é sintoma de vaidade e de autopromoção.
Por isso, não causa boa impressão o enunciador do texto tentar conquistar credibilidade
expondo de forma explícita suas competências: :E omem $ue diz sou, n%o é3; quem sabe
demonstra isso no fazer, construindo enunciados tão bem elaborados, que induzam o
interlocutor a olhar com respeito e admiração quem os construiu.
Um exemplo às avessas é dado por políticos em campanha eleitoral: raramente dão a
impressão de estar falando a verdade. Num debate entre candidatos a governador de São
Paulo em 2002, por exemplo, um dos concorrentes, ao ser argui do sobre a questão da
segurança pública, deu uma resposta aproximadamente como esta:
:Au estudei esse assunto muito bem durante três anos e, por isso, me sinto per/eitamente
capacitado para en/rentar o gra(e problema da (iolência em nosso estado.3
Quem domina um tema não precisa (e nem deve) anunciar sua competência;
simplesmente a demonstra falando sobre ele com precisão, fluência e grande quantidade de
informação.
"iberdade Gramatial
Se as leis impostas pela estrutura gramatical fossem todas rígidas e não admitissem
nenhuma variação, não sobraria espaço para direcionar o enunciado ao resultado programado
por um enunciador em particular. Todos seriam compulsoriamente condicionados pelas
mesmas regras, e não haveria diferenças entre os textos.
Existem, sim, estruturas gramaticais não sujeitas a variação alguma, como, por exemplo,
a posição do artigo em português: como ele jamais pode vir posposto ao substantivo a que está
associado, sua posição não é explorável como recurso discursivo.
Já o adjetivo admite que o enunciador escolha uma de duas posições possíveis, de
acordo com o efeito de sentido que deseja produzir. Exemplo:
- Para se chegar ao fim, 5 $ue se percorrer uma estrada longa.
- Para se chegar ao fim, 5 $ue se percorrer uma longa estrada.
O adjetivo longa, no primeiro enunciado, vem depois do substantivo e, nessa posição,
indica a extensão da estrada de forma objetiva, sem assinalar nenhuma impressão do
enunciador; colocado antes, o adjetivo traduz a mesma qualidade, mas acrescida da impressão
do enunciador de que a estrada é cansativamente longa.
Com referência ao artigo “uma¨, a estrutura do português não admite a escolha de
posição possível no caso do adjetivo longa. Seriam inaceitáveis versões como estas:
- *Para se chegar ao fim, há que se percorrer longa estrada uma.
- *Para se chegar ao fim, há que se percorrer estrada uma longa.
O asterisco (*) antes de uma palavra ou expressão quer dizer que ela é impossível de
ocorrer na língua - é agramatical.
Em síntese, pelos exemplos apresentados, fica evidente que uma das formas de dar
crédito ao conteúdo de verdade de um texto é investir no enunciado. Em outras palavras, o
modo de dizer qualifica a coisa dita. Os enunciados são a mani festação concreta da
competência do seu enunciador: por trás de um enunciado bem construído existe sempre um
bom construtor.
Como as possibilidades abertas pela língua são praticamente infinitas, os recursos
discursivos são da mesma ordem de grandeza. Ìsso torna impossível qualquer pretensão de
fazer um inventário fechado deles.
O que se pode fazer é selecionar alguns desses recursos, com o propósito principal de
chamar a atenção para o fato de que a lei maior que regula seu uso é a adequação. Ìsso quer
dizer que o grande segredo do bom texto consiste em corresponder integralmente às intenções
do enunciador, ou seja, em atingir o resultado programado.
O enunciador deve, portanto, ter clareza sobre as várias condições que interferem na
construção dos enunciados, tendo em mente sempre o pressuposto de que certa característica
que é positiva para um gênero de texto, pode ser negativa para outro.
Para o texto dissertativo de caráter científico, por exemplo, é considerada como imprópria
qualquer revelação subjetiva da preferência do enunciador por uma opinião ou por outra sobre
o tema que está sob consideração.
Seria caricato, por exemplo, num texto científico de psicologia, o enunciador, ao descrever
as características do indivíduo introvertido, mostrar sua antipatia por esse tipo psicológico.
Comparemos, por exemplo, o texto abaixo com a versão que o segue, deliberadamente
adulteradas com as inserções em itálico:
Ìntroversão. Do latim “intro¨ = dentro + “vertere¨ = volver, voltar para. É a tendência do
indivíduo a dirigir seus interesses para a vida interior, em vez de fazê-lo para o mundo exterior.
Jung (1875÷1961) dividia os tipos de personalidade em duas classes básicas: introvertidas e
extrovertidas. Esta divisão tem como base dois modos diferentes de reagir às circunstâncias e,
segundo ele, são suficientemente marcados para serem considerados típicos.
:ernado B. Lvila. 5e;uena enilopGdia
de moral e ivismo. .E0D:ename% &',<% p. ='>.
Versão alterada:
Ìntroversão. Do Latim "intro" = dentro + “vertere¨ = volver, voltar para. É a mania de um
indivíduo sorrateiramente ocultar-se no seu mundinho interior, em vez de expor-se com
sinceridade à vida exterior. Jung (nascido em 1875 e, infelizmente, falecido em 1961) divide os
tipos de personalidade em duas classes opostas: enrustidas e transparentes. Esta divisão tem
como base dois modos diferentes de peitar a realidade e, segundo o sublime psicólogo, são
desgraçadamente marcados e difundidos para serem considerados típicos.
Nem é preciso comentar por que a segunda versão é totalmente despropositada para um
texto dissertativo de caráter científico. Todas as intromissões do enunciador e todas as
manifestações de subjetividade são desqualificantes para esse tipo, de texto. O tom neutro do
original, com palavras usadas em sentido literal, em busca do efeito de objetividade, é o mais
adequado para a exposição científica.
Não é demais insistir que a boa utilização dos recursos discursivos depende do resultado
que o enunciador pretende atingir com o seu texto.
No texto científico, o uso de palavras carregadas de subjetividade ou desviadas do seu
sentido literal compromete a credibilidade do que se diz, pois a falta de precisão no uso dos
termos não é compatível com o rigor que se exige desse gênero de texto.
Veremos um tipo de manipulação da língua que chama a atenção mais para o modo de
construir o enunciado do que para o significado imediato da mensagem:
- Clever, successful people read. The Economist. (Ìt's not just what you say.)
;essoas inteligentes e bem sucedidas leem 7e Aconomist. 9"%o é apenas o $ue (ocê
diz.=
) :U ne(er read 7e Aconomist.3 9UtLs oG ?ou sa? it.=
:Au nunca leio 7e Aconomist.3 9. a /orma como (ocê diz.= ) Astagi5rio na 5rea de
Administra'%o, <O anos.
O produto divulgado nesse anúncio (premiado com o Leão de Ouro em Cannes) é uma
escola de propaganda. O resultado pretendido pela agência é divulgar o diferencial que
caracteriza o publicitário formado por esse tipo de instituição, pondo em confronto duas formas
de fazer publicidade: uma baseada no senso comum; outra, numa competência só adquirida
numa escola de propaganda. Ambos os textos manifestam a intenção de persuadir o leitor a
comprar The Economist, revista semanal inglesa, mundialmente respeitada sobretudo pela sua
competência de análise e interpretação dos fatos. O argumento utilizado também é
semelhante: revelar que a leitura da revista torna as pessoas mais competentes para o suces-
so no mundo dos negócios. A diferença está no modo de dizer, enquanto o primeiro texto faz
uso de uma linguagem rotineira, pouco criativa e por isso mesmo pouco impactante, o segundo
usa uma linguagem provocante e desafiadora:
A apreensão do sentido global resultante do confronto entre os dois textos não é imediata
e requer conhecimento de mundo, sobretudo o de que a idade de 42 anos não é nada
prestigiosa para um estagiário (trainee) na área de Administração. A citação entre aspas, que
produz efeito de realidade, justifica o que está entre parênteses: exatamente por não ser leitor
da revista, o presumível profissional, aos 42 anos, ainda está em estágio de principiante.
Ceursos Jualifiantes
A competência para produzir textos dissertativos é, sem dúvida, a mais reclamada para
atender às necessidades práticas tanto do mundo do trabalho quanto da vida escolar,
sobretudo nos seus graus mais avançados. Não é por outra razão que, nos vestibulares e nos
concursos em geral, é o tipo de texto mais exigido: quando não é imposto obrigatoriamente aos
candidatos, costuma ser proposto a eles como opção. O conhecimento dos mecanismos de
construção do texto dissertativo é, pois, uma necessidade.
O texto dissertativo, dominantemente atrelado à função referencial, deve produzir o efeito
de verdade, isto é, criar a impressão de estar reproduzindo com a maior precisão possível a
verdade das coisas ou dos objetos. Deve perseguir o efeito de objetividade.
É claro que, como todo texto, será construído por um sujeito e conterá sua visão de
mundo, mas convém dar a impressão de que esse sujeito não interferiu na verdade das coisas
de que trata. O enunciador do texto dissertativo deve acionar todos os dispositivos possíveis
para criar a impressão de que a verdade aí exposta depende da lógica das coisas, e não da
subjetividade do enunciador.
É por isso que, em princípio, não contribuem em nada para aumentar o poder
argumentativo desse tipo de texto quaisquer marcas de individualidade, tais como:
- uso da primeira ou da segunda pessoa (eu; tu/você);
- manifestações de juízo pessoal (penso que, quero crer, no meu ponto de vista);
- restrições de espaço (aqui) e de tempo (agora), que diminuem o campo de validade de
uma afirmação;
- manifestações de reação emotiva.
Exemplo: ;ara (ocê ter no'%o de como anda a pol>tica por :a$ui3, basta ler o notici5rio
dos Cornais de :oCe3. :8ocê3 pode admitir o :absurdo3 de /iscais remetendo :seu3 dineiro para
a Su>'aZ :Acredito3 $ue, como :eu3, o po(o inteiro /i$ue /urioso com tanta /alta de (ergona
:desses descarados3*
Esse trecho, como se pode perceber, está fora do tom reclamado pelo enunciado
dissertativo. A relação entre o enunciador do texto e seu interlocutor está marcada pela
pessoalidade (eu/você), pela proximidade do espaço (aqui) e pelo caráter momentâneo do
tempo (hoje). Além disso, há exclamações e expressões de caráter emotivo. O tom é mais o
de uma carta familiar. Excluir essas marcas do enunciado não muda substancialmente o
sentido, mas muda o tom e faz crescer a impressão de que o texto é mais consistente sob o
ponto de vista dissertativo.
Exemplo: ;ara se ter no'%o de como anda a pol>tica nacional, basta ler o notici5rio dos
Cornais. . inadmiss>(el $ue /iscais remetam dineiro de impostos para o e2terior. . de causar
repulsa o despudor da /iscaliza'%o.
Sem alterar praticamente o conteúdo de verdade, apenas optando pela escolha de
palavras menos marcadas pela subjetividade ou proximidade do enunciador, deu-se ao texto
outra impressão mais parecida com editorial de jornal do que com carta para um amigo.
Todo esforço de quem constrói um texto referencial deve ser o de trazer para a sua
superfície as coisas a que ele faz referência.
É imperioso, portanto, apagar qualquer ruído que impeça ou dificulte a apreensão mais
imediata possível do conteúdo informativo do texto que desvie a atenção do interlocutor do
objeto de referência. Como decorrência desse esforço de trazer a informação da maneira mais
rápida transparente, o enunciador deve tomar vários cuidados, tais como:
7eutralidade: Nenhum texto é neutro, pois todos eles contêm a visão de mundo do seu
enunciador, mas a elaboração do texto dissertativo requer o esforço de aproximá-lo daquilo
que se convencionou chamar de neutralidade científica. Contribui para produzir esse efeito a
exclusão de tudo o que chama a atenção sobre o enunciador e sobre o enunciado.
O respeito às normas, ao costumeiro, ao usual é uma forma de não chamar a atenção
nem sobre o enunciador, nem sobre o enunciado. O terno e a gravata são anormais numa
praia tanto quanto o maiô é anormal na tribuna do Senado e, em princípio, o desvio da norma
desperta mais curiosidade. Se uma senadora ocupar a tribuna e quiser que prestem atenção
no que diz o seu discurso, deve usar traje social; se quiser que prestem atenção nela, deve
usar biquíni.
É essa a razão por que, ao redigir uma dissertação, é conveniente seguir todas as normas
e formalidades típicas desse tipo de texto. O respeito à norma culta escrita, a pontuação, a
ausência de rasuras, o cuidado com a letra, a limpeza do papel, tudo isso contribui para evitar
o que se chama de desnecessário esforço de interpretação por parte do leitor. Quanto menos
chamar a atenção para algo diferente do seu conteúdo, mais o texto dissertativo se aproxima
do modelo ideal.
Sentido "iteral: O uso das palavras em seu sentido literal também é uma providência útil
para ajustar-se ao tom do texto dissertativo. O sentido não literal ou figurado pode ser usado,
mas somente quando for funcional, isto é, quando contribuir para revelar o conteúdo de
verdade, e não para deslocar o olhar para o modo de arquitetar o enunciado. A palavra
desviada do seu sentido literal tem valor quase de finalidade no texto poético; no referencial,
apenas de instrumento. Exemplo:
:A (iolência tende a recrudescer nos centros mais populosos.3
Esse modo de dizer é mais típico do texto dissertativo do que:
:A m%e da criminalidade /loresce mais nos canteiros mais repletos de (egeta'%o.3
O uso da ironia, por exemplo, deve ser feito com cuidado, para evitar que o interlocutor
entenda a palavra irônica no seu sentido literal. Exemplo:
:"o sistema liberal capitalista, por e2emplo, é sempre poss>(el ocorrer o milagre de um
cidad%o /azer /ortuna com trabalo e suor, dos outros.3
Sem a frase final, ainda que curta, não é possível perceber o sentido irônico de todo o
trecho anterior.
5reisão 0oneitual: No texto dissertativo, dada a sua natureza referencial, quanto mais
precisamente as palavras indicarem os objetos, tanto melhor. Por isso, o sentido denotativo é
sempre preferível ao conotativo, pois a conotação é mais sujeita a variações de grupo para
grupo, tanto no plano do sentido quanto no da valorização social. Exemplo:
A discussão sobre a legalização da eutanásia, de quando em quando, vem à tona no
nosso noticiário. :;elo termo se entende a elimina'%o n%o dolorosa de doentes portadores de
moléstia incur5(el, causa de so/rimento insuport5(el, elimina'%o consumada seCa a pedido do
paciente, seCa por imposi'%o de outros.3
:ernando Bastos de Lvila.
5e;uena enilopGdia de moral e ivismo ?verbete PEutan*siaP-.
.E0D:ename% &',<% p. <'E.
Eis um texto em que a escolha das palavras está totalmente adequada ao tom
dissertativo. Percebe-se o cuidado de evitar palavras marcadas por conotações de um grupo
social particularizado. Para se perceber o efeito de neutralidade produzido por essa escolha
lexical, pode-se confrontar o texto com esta paráfrase:
:A briga sobre a apro(a'%o da eutan5sia, de (ez em $uando, (ira not>cia.3
Essa paráfrase ainda tem o tom dissertativo, mas se percebe que as palavras escolhidas
não têm a precisão das que ocorrem no original. Além disso, são palavras mais marcadas por
conotação popular. Para tornar mais enfática a demonstração de quanto a escolha das
palavras interfere no efeito de sentido criado pelo texto, vamos fazer mais esta paráfrase:
:E bate)boca sobre a libera'%o da eutan5sia, (ira e me2e, pinta na m>dia.3
O sentido é praticamente o mesmo, mas o efeito de sentido é bem diferente: as palavras
escolhidas, além do seu significado de base, comportam uma sobrecarga de conotação pouco
condizente com o tom neutro reclamado pelo texto dissertativo.
Ce!iBes "eAiais: Grosso modo, podemos definir léxico como o conjunto de palavras de
que dispõe uma língua. Sabe-se que uma língua moderna, como o português, o espanhol, o
francês, o inglês, tem em torno de 500 mil palavras. Desse repertório, essencialmente coletivo,
um indivíduo não consegue reter na memória muito além de 3 mil. Existem, pois, palavras que
só ocorrem em determinados contextos e são usadas apenas por certo grupo de pessoas ou
em certas ocasiões.
Uma palavra que se usa, por exemplo, para xingar o juiz no campo de futebol não se usa
em conversa de salão. Podemos então falar em regiões lexicais, isto é, subconjuntos de
palavras típicas de certo grupo social, de certas situações de interlocução, de certos campos
do saber: região lexical da polidez, do insulto, da intimidade, das religiões, da filosofia, etc.
Evidentemente, num texto dissertativo, não devem estar presentes palavras de uma
região lexical típica de um grupo particular, sobretudo se ele é desprestigiado.
Costuma-se dizer que uma variante linguística carrega o prestígio do grupo social que a
utiliza. Palavras marcadas como típicas de um grupo social depreciado como que chamam
para o texto a mesma depreciação de que esse grupo padece.
Nesse particular, é preciso cuidado para não cair em dois extremos: nem abusar de
palavras depreciadas, nem forçar o uso artificioso de palavras prestigiadas das quais o
enunciador não tem domínio. A escolha lexical é um terreno em que dificilmente se consegue
tapear sem dar tropeções, às vezes desconcertantes.
Um bom exemplo (guardado de memória) é o de uma apresentadora de TV que recebeu
em seu programa um advogado para falar sobre o novo Código Civil. Para adequar-se à
importância do entrevistado e do tema, ela procurou caprichar na escolha das palavras. Ao
fazer uma pergunta sobre a complexidade e a delicadeza de controvérsias entre herdeiros,
disse aproximadamente estas palavras:
:Mas $uando se trata de di(idir eran'a, a> o bico pega.3
A expressão :a> o bico pega3 para designar uma situação conflituosa e tensa não é
compatível com o tema e a circunstância em que foi produzida.
Audit/rio 8niversal: Sabe-se que o poder argumentativo de um texto depende
decisivamente de sua adequação ao auditório, cujo sistema de valores e crenças deve ser
levado em consideração pelo enunciador. Para um evangélico, uma citação bíblica tem grande
poder de persuasão; para um materialista, pode produzir efeito contrário.
Como a maioria dos textos dissertativos propostos nos concursos e vestibulares não são
endereçadas a um auditório particular, é preciso escolher argumentos que tenham validade
universal, isto é, que sirvam para qualquer tipo de auditório. Nesses casos, não convém utilizar
o léxico de um grupo particular mesmo que seja prestigiado. Quando se pretende persuadir a
todos, não é conveniente dar demonstração de pertencer a um grupo particular, já que, numa
sociedade complexa, raramente um grupo desfruta da unanimidade. Exemplo:
:A se2ualidade é uma /or'a energizante $ue coloca o omem em sintonia com ondas
c&smicas e aumenta sua capacidade mental de capta'%o da luz interior.3
Muitas das palavras escolhidas nesse texto vinculam o enunciador a um tipo de crença
que não é unanimemente aceita. Pode-se dizer a mesma coisa com palavras de uma região
lexical mais neutra menos marcada, como, por exemplo:
:A se2ualidade é uma puls%o de dimens%o bio/>sica $ue pode aumentar a (italidade.3
@em*tio: O texto dissertativo é temático, isto é, construído dominantemente com
palavras abstratas. Sabe-se que palavras concretas são ótimas para exemplificar e ilustrar
ideias gerais, mas inadequadas para construir teorias, comentários genéricos. Não é possível
um texto dissertativo ser composto só por palavras concretas. Exemplo:
:Segundo estat>sticas, o brasileiro passa mais de três oras por dia na /rente do tele(isor.
"inguém /ez ainda o c5lculo do n+mero de oras di5rias $ue um aluno consome com o estudo.
Am alguns lugares como cursinos, por e2emplo, o m>nimo $ue um aluno bom estuda s%o três
oras por dia. Q5 $uem estude seis oras além das aulas e até mais.3
Como se vê, esse texto dissertativo ainda não "decolou". Os dados fornecidos por meio
de palavras concretas podem ser matéria para uma reflexão dissertativa, mas sua simples
exposição não constitui uma dissertação.
5alavras Abstratas e o Ciso do Vazio: As palavras abstratas são ótimas para fazer
grandes sínteses, expressar julgamentos genéricos, fazer interpretações abrangentes, por isso
são apropriadas para formular enunciados dissertativos. Mas é preciso cuidado com a escolha
dessas palavras. Primeiro porque elas não representam coisas ou objetos do mundo natural e,
por isso mesmo, são mais difíceis de definir, e assim a extensão dos fenômenos a que elas se
referem pode variar segundo a concepção da corrente de pensamento a que pertencem. A
palavra cidadania, por exemplo, hoje muito em voga, pode, para uns, indicar amor à pátria,
civismo; para outros, a prerrogativa de um cidadão fazer valer os seus direitos.
Segundo, porque o uso abusivo dessas palavras pode resultar num vazio, isto é, levar à
perda do controle sobre o que está sendo dito e cair naquilo que costumam chamar de
psitacismo, isto é, mera reprodução de palavras, como um papagaio (psitac&s, em grego), sem
noção do conteúdo expresso por elas. Ìsso é muito comum em pessoas que, usando um
emaranhado de palavras de difícil compreensão, querem exibir erudição ou confundir o
interlocutor. O gênero humorístico tem explorado o uso das palavras abstratas, exatamente
para satirizar o vazio que, muitas vezes, está oculto por baixo desse tipo de vocabulário.
Exemplo:
:E car5ter discricion5rio de grupos egemHnicos é /un'%o direta de um processo de
elitiza'%o e sectarismo pe$ueno burguês, marcado, de um lado, pela puls%o at5(ica de relegar
ao ostracismo a di/eren'a, de outro, a repulsa pelo co$ue dialético necessariamente implicado
na con(i(ência com o pluralismo e, por /im, a coni(ência es$uizo/rênica com a patologia do
isolacionismo.3
Mesmo que isso impressione, trocado em miúdos tem um significado muito mais pobre do
que indicam as aparências.
O jornalista Elio Gaspari, na sua página publicada aos domingos na -ola de S. ;aulo,
costuma incluir uma coluna em que, sob o título !6urso Madame "atasa de piano e
português!, comenta declarações ou textos alheios. O trecho reproduzido por ele na edição de
6 de abril de 2003 (p. A-14) padece exatamente do abuso de substantivos abstratos que, se
têm sentido unívoco, é só no círculo fechado dos economistas:
Madame Natasha tem horror a música. EÌa deu uma de suas bolsas de estudo ao
professor Eduardo Fiúza, do departamento de economia da PUC, pela seguinte formulação
num artigo sobre preços de automóveis: !Se os pre'os n%o /orem instrumentados, os es)
timadores dos parMmetros de pre'o na e$ua'%o de demanda ser%o (iesadas, de(ido B
correla'%o $ue e2iste entre o pre'o e as caracter>sticas n%o obser(adas pelos econometristas
9mas percebidas pelos consumidores e /abricantes=, uma espécie de (iés de simultaneidade!.
Madame entendeu que o professor busca uma forma de cálculo para os preços dos
automóveis. Só.
Esolha "eAial: A escolha criteriosa das palavras é um dos indicadores mais sensíveis
de um bom texto. E, nesse particular, a melhor impressão que o enunciador pode provocar é a
de que cada palavra do enunciado corresponde perfeitamente à sua intenção. O contrário
também é verdade: nada pior para um texto do que a impressão de que não era bem aquela a
intenção de quem o escreveu ou a de que o enunciado fugiu ao controle do enunciador.
Exemplo:
:Sendo este o domingo de ;5scoa, pedimos B Sra. Randira $ue pona um o(o no altar.3
A escolha da forma verbal ponha, em vez de coloque, deposite, pouse, seguramente não
decorreu da intenção de criar efeito de sentido humor: a frase foi transcrita de um comunicado
exposto no interior de uma igreja em São Paulo (reproduzido na íntegra no Jornal da USP de 2
de setembro de 1996). A escolha, que estaria perfeita se a intenção fosse fazer piada com a
Sra. Jandira, depõe contra o enunciador, sobretudo porque o enunciado produz um sentido não
programado. Caso mais comprometedor para quem escreve é o uso de palavras que não
fazem o menor sentido, produzindo o nonsense, como se vê nesta frase reproduzida de uma
redação de aluno: :E 4rasil é um pa>s de e2tens%o territorial.3
É provável que o enunciador, já tendo ouvido dizer que o Brasil é um país de extensão
continental, inadvertidamente tenha trocado o adjetivo por territorial, dando mostras de que não
tinha o menor controle sobre o que estava dizendo.
Se quisermos resumir os critérios de seleção lexical, podemos agrupá-los em três tipos:
- precisão lexical;
- valorização social;
- sonoridade.
5reisão "eAial: Por precisão lexical entende-se a maior aproximação possível entre a
palavra escolhida e o conceito que se pretende transmitir. Em outros termos, entre várias
palavras capazes de traduzir um conceito, existe uma que, por assim dizer, acerta no alvo.
Outras, no mesmo contexto, ficariam mais próximas ou menos do conceito desejado. Exemplo:
) 6omo é mesmo $ue se diz $uando $ueremos /alar de uma pessoa $ue n%o tem CeitoZ
) 1esaCeitadaZ
) "%o. A$uela $ue n%o tem mais conserto.
) 6omo assimZ
) Ima pessoa $ue é m5 e a gente sabe $ue nunca (ai dei2ar de ser.
) A* Uncorrig>(el.
) Usso. Assa é a pala(ra $ue eu $ueria.
É mais ou menos isso que se passa na mente de uma pessoa em busca da precisão
lexical. Quando se escreve podendo fazer consulta, o dicionário comum ou o dicionário de
sinônimos ajuda. Na falta desse recurso, num exame sem consulta, cabe ao redator sempre
teimar um pouco, em vez de se entregar à primeira palavra que lhe vem à mente. Esse cuidado
faz com que o texto se aprimore cada vez mais, até chegar ao ponto melhor, se der tempo.
Vejamos três estágios de redação:
- 7em ora $ue, na pol>tica, eles acabam sem mais nem menos aCudando certas pessoas
$ue n%o mereciam ser aCudadas s& por$ue gostam mais delas nem se sabe por $uê.
) Q5 circunstMncias, no mundo da pol>tica, e $ue pessoas mais graduadas bene/iciam
outras $ue n%o têm merecimento para isso s& raz#es pessoais.
) "o mundo da ati(idade pol>tica, 5 e2emplos da pr5tica do /a(oritismo, espécie de
inCusti'a caracterizada por conceder (antagens moti(adas n%o por mérito do premiado, mas
por pre/erência subCeti(a do ben/eitor.
Fica evidente a melhora progressiva em termos de precisão, do primeiro para o terceiro
enunciado. Outro aspecto relacionado com a precisão lexical é o uso de palavras polissêmicas,
isto é, aquelas que admitem sentidos variados de acordo com o contexto. Há certas palavras
que funcionam como verdadeiros curingas e poderiam ser substituídas por outras mais
específicas. Exemplos bastante ilustrativos do quotidiano são termos como coisa, negócio,
treco, troço, etc., cujo emprego indiscriminado, além de empobrecer o enunciado, prejudica a
imagem do enunciador.
O enunciado fica empobrecido porque uma variedade grande de sentidos possíveis acaba
reduzida a uma só impressão de caráter genérico. O enunciador fica prejudicado porque dá
mostras de um olhar grosseiro e pouco analítico sobre as coisas. A visão pormenorizada é
mais argumentativa que a visão indiferenciada.
O texto publicitário a seguir, anuncia com humor, um dicionário que se apresenta como
solução para o problema daquelas pessoas que, por pobreza lexical, lançam mão de meia
dúzia de palavras para traduzir uma enorme variedade de sentidos.
:Aste treco ser(e para (ocê nunca mais es$uecer o nome da$uele coiso.3
O abuso de palavras polissêmicas tem o inconveniente de nivelar significados e provocar
a perda de traços de sentido presentes em palavras mais específicas e mais apropriadas para
traduzir o fenômeno representado. O uso da expressão :a> /ica di/>cil3 tem sido abusivo na fala
quotidiana, servindo para traduzir os mais variados sentidos. Exemplo:
:Se o paciente n%o sabe dizer os seus sintomas para o médico, a> /ica di/>cil.3
Tradução: o diagnóstico fica prejudicado.
:Se o Cogador n%o segue as t5ticas combinadas no (esti5rio, a> /ica di/>cil.3
Tradução: qualquer treinamento é inútil.
:E go(erno promete, mas n%o cumpre suas promessasN a> /ica di/>cil.3
Tradução: nesse caso, não pode esperar o apoio dos eleitores.
:6ertas pessoas $uerem progredir sem es/or'oN a> /ica di/>cil.3
Tradução: uma coisa não ocorre sem a outra.
Valoriza6ão Soial: palavras com o mesmo sentido não desfrutam do mesmo prestígio
social. Essa contradição é um fenômeno linguístico muito apropriado para demonstrar que a
língua é, ao mesmo tempo, um código e um fato social.
Muitas vezes, usos indiferentes para o funcionamento do código, isto é, para a produção
do significado, não o são para a imagem social daquele que fala ou daquele de quem se fala.
Um termo mal empregado pode fornecer indícios sobre a condição social do falante ou da
imagem social que ele faz do seu interlocutor ou do objeto de que está falando.
Suponhamos a cena do rapaz no primeiro jantar na casa da namorada. A mãe, solícita,
pergunta a ele se está servido de mais uma porção de sobremesa e ouve como resposta algo
nestes termos: “) "%o, cega. R5 estou ceio*3
Sem levar em cota outros aspectos do ritual da polidez esquecidos pelo rapaz, a escolha
lexical “ceio3, convenhamos, não é a mais apropriada, para a situação. Outras palavras, como
:satis/eito3, :bem ser(ido3, são socialmente tidas como mais polidas. Nesse caso, a escolha da
palavra prejudica a imagem de quem a produziu.
Ìmaginemos agora que, num jantar de apresentação semelhante, o anfitrião se dirija ao
convidado da filha nestes termos: :) A briga por um trampo oCe em dia, malandro, n%o est5
mole.3
Nesse caso, a seleção de uma palavra como :trampo3 não é a mais esperada, e o
vocativo :malandro3, além de corroborar a imagem de falta de polidez do pai da garota, ainda
sugere que ele não tem boa imagem do rapaz.
Por fim, imaginemos que, ao informar a mãe sobre uma convocação para uma reunião de
pais e mestres na escola, o filho ouça uma pergunta como esta: :) Suando é $ue (ai ser essa
Co'aZ A escolha da palavra :Co'a3 denota o desapreço pelo tema tratado.
Sonoridade: Poucas pessoas se dão conta de que a língua, mesmo a escrita, é
constituída de sons. As letras da língua escrita passam pelos olhos do leitor mas
inevitavelmente chegam também aos seus ouvidos sob a forma de uma representação
acústica, isto é, de uma imagem sonora.
Uma palavra ou frase é formada de múltiplos sons combinados entre si, e essa
combinação, além do sentido produzido, produz também uma sequência sonora que pode ser
agradável ou desagradável de ouvir.
São inúmeros os exemplos de sequências de palavras que são inconvenientes não pelo
sentido que produzem, nem pela contradição que envolvem, nem pela transgressão às normas
gramaticais. Exemplo:
:Acei estrano o teu comportamentoN nunca (i)te t%o irritado.3
A sequência nunca (i)te t%o, sem dúvida, deve ser trocada por coisa melhor. E o melhor,
nesse caso, é apenas trocar o pronome de lugar: nunca te (i t%o irritado.
Outro exemplo:
:Até o momento é o +nico medicamento para tratamento do estiramento da musculatura
/emural.3
A terminação idêntica de uma série de palavras produz o que os estudiosos chamam de
eco. Também aqui, basta uma troca que evite esse desconforto, e a frase fica boa, com o
mesmo sentido. Quando se fala da sonoridade, não se pode esquecer do cacófato, mau som
resultante da junção de duas ou mais palavras. Por mau som entenda-se aqui sentido grotesco
sugerido pelo encontro de palavras. Exemplos:
"unca !astes mais do $ue recebes.
7osso hino de(e ser cantado por ada brasileiro.
Mesmo que não resulte num nome chulo como no primeiro exemplo, o mau som é
considerado um cacófato e deve ser evitado.
Inormações Importantes
EstGtia
Este critério, em primeira instância, desperta o interesse ou a aversão do leitor por sua
produção textual. É a apresentação do texto, assim como são para nós a adequação e o asseio
de uma roupa. Deve-se enfatizar que a estética se aplica a todos os tipos de texto. Alguns
autores abordam a letra como a expressão da personalidade do concursando ou aluno.
Contudo, por vezes, as bancas examinadoras punem o uso de letras de imprensa, sobretudo
quando utilizadas em caixa-alta (maiúscula). Assim, seguem-se algumas sugestões para não
perder pontos referentes à apresentação textual, aqui denominada "estética". Como critério de
correção, será utilizada a perda da pontuação total do quesito sempre que houver uma
incidência de erro, entendida como o descumprimento das sugestões de cada um dos quesitos.
"e!ibilidade
A letra não precisa ser bonita ou enfeitada, como em convites de casamento, por
exemplo. Ela deve ser correta e legível! Exemplos:
- i e j com pingo;
- c com cedilha correto = ç;
- tiI sobre a primeira vogal do ditongo nasal acentuado, e não ao centro das duas ou
sobre a segunda = ão;
- n e m corretos e não com aparência de u; não pular linhas; letras menores com metade
do tamanho das maiores.
Caso você tenha muita dificuldade, pense na possibilidade de adquirir um caderno de
caligrafia e reaprenda a escrever as letras corretamente, de acordo com os exemplos acima.
Caso opte pelas letras de imprensa, não se esqueça de mesclar maiúsculas com minúsculas,
de modo gramaticalmente correto.
.ar!ens
Ao refletir sobre a relação das margens com a estética, pensa-se automaticamente em
um texto alinhado tanto à margem esquerda como à direita, sem a utilização abusiva de
separações silábicas. Sugestões:
- não deixe espaço superior a 0,3cm entre o texto e a margem estabelecida;
- separe no máximo cinco palavras em todo o texto, de forma correta. Consideram-se
separações incorretas: isolar vogais, dissílabas, palavras que comecem por h;
- separe apenas palavras que sejam pelo menos trissílabas, que comecem por consoante
que não seja h;
- separe substantivos compostos com hífen com traço lateral, e as demais palavras com
traço abaixo da última letra;
- nunca ultrapasse a margem.
5ar*!rafos
Pontinha de unha ou um dedo nunca foram nem nunca serão medidas padrão de um
parágrafo. Algumas sugestões para elaborar um parágrafo esteticamente ideal:
- faça recuo de 2 a 4cm;
- não marque o início dos parágrafos;
- não deixe uma diferença superior a 0,3cm entre o recuo de um parágrafo e outro, pois
isso passa ao leitor a sensação de estarem desalinhados;
- escreva pelo menos duas frases em cada parágrafo;
- utilize no máximo 60 palavras por frase.
:usão de letras
Escolha uma letra, cursiva ou de imprensa, e não misture as duas formas. Este item
também contempla a utilização incorreta de letras maiúsculas ou minúsculas. Nunca escreva o
texto todo em caixa alta.
Alguns concursos optam pela análise grafológica, que analisa a personalidade com base
na letra cursiva. Por isso, a letra cursiva lhe dá maior segurança, já que há bancas de correção
que eliminam candidatos que utilizam letra de imprensa.
Casuras
Definitivamente, as rasuras prejudicam a estética do texto e, a depender da forma como
se evidenciarem, podem levar à reprovação do candidato. Considera-se rasura a utilização de
corretivo ou o rabisco de palavras.
- use um traço retilíneo cortando toda a palavra; tal anulação pode acontecer em até cinco
palavras em todo o texto;
- não coloque a palavra anulada entre parênteses.
Gram*tia
Este critério contempla a mensuração de conhecimentos gramaticais aplicados à
produção textual. Apresenta-se aqui apenas a explicação do que faz perder pontos gramaticais
em uma redação (para tirar dúvidas de ortografia, conjugação verbal e sintaxe, entre outros,
consulte o resumo Português-Gramática de nossa coleção ÷ Nova Apostila).
- Ortografia: avalia o emprego da grafia correta das palavras, como o uso de ç, ss, sc, x,
ch...
- Acentuação: avalia a utilização correta de acentos, como o uso de acento agudo ( ´),
acento circunflexo (^), til (~) e acento grave indicativo de crase (`). Lembre-se: crase não é
acento, mas a fusão de duas vogais iguais; o til é sinal de nasalização;
- Pontuação: avalia-se a utilização correta da pontuação, como o uso de ponto final (.),
vírgula (,), ponto-e-vírgula (;), dois-pontos (:), ponto de interrogação (?), ponto de exclamação
(!) e reticências (...).
- Conectores e Colocação Pronominal: este ponto considera a utilização correta dos
conectores para uma boa construção textual, bem como os fatores de próclise, ênclise e
mesóclise, como o uso de "eu te amo", "amo-te", "amar-te-ei", entre outros.
- Concordância ou Regência: avaliam a concordância e a regência, verbais ou nominais.
0onteúdo
- Adequação ao tema
- Domínio do conteúdo
- Pertinência dos argumentos: progressão lógica da argumentação
- Pertinência dos argumentos: consistência da argumentação
- Originalidade
Os pontos dispensados ao conteúdo, estreia central da dissertação ou do texto
argumentativo, estão diretamente relacionados a seu domínio. Por isso, a leitura de jornais e
revistas informativas e uma visão política, econômica e cultural, por exemplo, são fundamentais
para a elaboração de textos convincentes.
@ipos de 2esenvolvimento
Alguns autores, porém, sugerem a organização dos conteúdos em tipos de
desenvolvimento. Por exemplo, Ana Helena Cizotto Belline (1988, p.36) divide-os em dez
categorias: causa e consequência, oposição, tempo, espaço, tempo e espaço, definição,
semelhança, exemplos/citações/dados estatísticos, enumeração, perguntas.
- 0ausa e 0onse;u9nia: Esta categoria é a organizadora de seu texto e deve ser
utilizada na montagem de sua estrutura. Atente para a enumeração dos argumentos de acordo
com as tabelas:
1º argumento: causa / causa / causa / consequência.
2º argumento: causa / causa / consequência / consequência.
3º argumento: causa / consequência / consequência / consequência
1º argumento: causa / causa / consequência.
2º argumento: causa / consequência / consequência.
- Oposi6ão: Serve também como organizadora do texto e deve ser utilizada durante a
montagem da estrutura. Para a enumeração dos argumentos, recomenda-se tomar por base o
seguinte esquema:
1º argumento: Favorável / Contrário.
2º argumento: Contrário / Favorável.
3º argumento: Contrário / Favorável.
Como é possível observar, só há duas possibilidades de organizar o texto por oposição e
ambas exigem três argumentos. Com apenas dois argumentos por oposição, automaticamente
haveria um favorável e outro contrário ao tema e, portanto, uma argumentação morna, que
tanto afirma como nega, sem posicionamento, elemento central da dissertação. Vale lembrar
que é necessário manter coerência na enumeração dos argumentos: deve-se colocar
primeiramente o que for minoria e deixar os outros dois (maioria) como segundo e terceiro
argumentos, isso facilita, inclusive, na constituição de uma ponte com a conclusão.
- @empo: É o tipo de desenvolvimento, e a categoria, que objetiva situar o leitor
temporalmente. Para tanto, a utilização de advérbios de tempo se faz obrigatória. É
recomendável utilizar, no mínimo, três advérbios temporais: !"o século passado!, :Am 1P<53,
!"o dia da posse!, !^s duas da tarde! etc.
- Espa6o: Situa o leitor espacialmente e, para tanto, a utilização de advérbios de lugar
também é obrigatória. Recomenda-se o uso de, no mínimo, três advérbios espaciais: !"o
4rasil!, !"a América 0atina!, !"o mundo!, !"o prédio do ministério!, !"a ;ra'a dos 7rês
;oderes!, !"a escola! etc.
- @empo e espa6o: O objetivo é situar o leitor temporal e espacialmente. Nesse sentido, é
obrigatória a utilização de advérbios de tempo e lugar. Sugere-se, no mínimo, o uso de quatro
advérbios temporais e espaciais: !A partir de O000, no 4rasil!, !"o +ltimo semestre, em S%o
;aulo!, !"este século, a América 6entral!, !QoCe, na ;ra'a da Sé!, !Entem, no Maracan%! etc.
- 2efini6ão: Tem por objetivo explicar determinado argumento, para comprovar a tese
diante do tema. Recomenda-se o uso de, no mínimo, três verbos que indiquem definição:
!entende) se por!, !de/ine) se por!, !$uer dizer!, !en/atiza) se!, !denota!.
- Semelhan6a: Desenvolvimento que tem por objetivo comparar para comprovar.
Devem-se utilizar, no mínimo, três comparações: !t%o... como!, :tanto $uanto3, !tal $ual!,
!assim como! etc.
- EAemplosDita6BesDdados estat3stios: Nessa categoria, a finalidade é exemplificar,
mencionar autores e citações ou dados estatísticos. Use, no mínimo, dois exemplos ou
citações.
- Enumera6ão: Desenvolvimento com vistas a enumerar fatos ou situações em um
mesmo argumento. Devem-se fazer pelo menos três enumerações.
- 5er!untas: Desenvolvimento que utiliza perguntas retóricas como argumentação e
posicionamento, e deve conter, no mínimo, quatro delas.
Estil3stia
- Sub4etividade: Recomenda-se não utilizar a primeira pessoa nem do singular, nem do
plural: se isso for feito, além de pontuação na prova, o candidato perderá pontos no quesito
"gênero textual". A dissertação é um texto denotativo; logo, não devem ser empregadas marcas
de pessoalidade, próprias apenas de textos literários.
- $noer9nia ou Cepeti6ão: É aconselhável não repetir palavras das seguintes classes
gramaticais: substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, interjeição. Lembre-se de que é possível
utilizar o mesmo radical com vários afixos sinônimos, pois o que é proibido especificamente é a
repetição da flexão. Analise as ideias na argumentação, com a finalidade de deixar o texto
coerente.
- 5oua Ob4etividade: Evite verbos de ligação, entre eles, !ser!, !estar!, !/icar!,
!permanecer!, !parecer!, porque apenas ligam palavras. Após terminar o rascunho, revise a
dissertação e substitua os verbos repetidos ou de ligação. Veja algumas sugestões:
A/irma'%oN consistir, constituir, significar, denotar, mostrar, traduzir-se por, expressar,
representar, evidenciar...
6ausalidadeN causar, motivar, originar, ocasionar, gerar, propiciar, resultar, provocar,
produzir, contribuir, determinar, criar...
-inalidadeN visar, ter em vista, objetivar, ter por objetivo, pretender, tencionar, cogitar,
tratar, servir para, prestar-se para...
Eposi'%oN opor-se, contrariar, negar, impedir, surgir em oposição, surgirem contraposição,
apresentar em oposição, ser contrário...
- 0olo;uialismo: Evidencia características da fala na escrita. Como estratégia de
avaliação, veja a seguir algumas proibições que, se não acatadas, fazem perder pontos neste
quesito.
- três usos da primeira pessoa na redação inteira;
- três usos de verbo de ligação no mesmo parágrafo;
- começar frase com gerúndio, duplo gerúndio na mesma frase, gerúndio no futuro;
- usar gírias, regionalismos etc.
- 0onota6ão ou Estran!eirismo: Já que a dissertação é um texto denotativo,
informativo, formal, sugere-se a não utilização de: sentido figurado, figuras de linguagem,
funções de linguagem, estrangeirismo etc.
Atitudes não recomendadas
EApressBes 0onden*veis
- a nível de, ao nível. Opção: em nível, no nível.
- face a, frente a. Opção: ante, diante, em face de, em vista de, perante.
- onde (quando não exprime lugar). Opção: em que, na qual, nas quais, no qual, nos
quais.
- (medidas) visando... Opção: (medidas) destinadas a.
- sob um ponto de vista. Opção: de um ponto de vista.
- sob um prisma. Opção: por (ou através de) um prisma.
- como sendo. Opção: suprimir a expressão.
- em função de. Opção: em virtude de, por causa de, em consequência de, por, em razão
de.
EApressBes não reomendadas
- a partir de (a não ser com valor temporal). Opção: com base em, tomando-se por base,
valendo-se de...
- através de (para exprimir “meio¨ ou instrumento). Opção: por, mediante, por meio de, por
intermédio de, segundo...
- devido a. Opção: em razão de, em virtude de, graças a, por causa de.
- dito. Opção: citado, mensionado.
- enquanto. Opção: ao passo que.
- fazer com que. Opção: compelir, constranger, fazer que, forçar, levar a.
- inclusive (a não ser quando significa incluindo-se). Opção: até, ainda, igualmente,
mesmo, também.
- no sentido de, com vistas a. Opção: a fim de, para, com o fito (ou objetivo, ou intuito) de,
com a finalidade de, tendo em vista.
- pois (no início da oração). Opção: já que, porque, uma vez que, visto que.
- principalmente. Opção: especialmente, mormente, notadamente, sobretudo, em
especial, em particular.
- sendo que. Opção: e.
EApressBes ;ue demandam aten6ão
- acaso, caso ÷ com se, use acaso; caso rejeita o se
- aceitado, aceito ÷ com ter e haver, aceitado; com ser e estar, aceito
- acendido, aceso (formas similares) ÷ idem
- à custa de ÷ e não às custas de
- à medida que ÷ à proporção que, ao mesmo tempo que, conforme
- na medida em que ÷ tendo em vista que, uma vez que
- a meu ver ÷ e não ao meu ver
- a ponto de ÷ e não ao ponto de
- a posteriori, a priori ÷ não tem valor temporal
- de modo (maneira, sorte) que ÷ e não a
- em termos de ÷ modismo; evitar
- em vez de ÷ em lugar de
- ao invés de ÷ ao contrário de
- enquanto que ÷ o que é redundância
- entre um e outro ÷ entre exige a conjunção e, e não a
- implicar em ÷ a regência é direta (sem em)
- ir de encontro a ÷ chocar-se com
- ir ao encontro de ÷ concordar com
- junto a ÷ usar apenas quando equivale a adido ou similar
- o (a, s) mesmo (a, s) ÷ uso condenável para substituir pronomes
- se não, senão ÷ quando se pode substituir por caso não, separado; quando se pode,
junto
- todo mundo ÷ todos
- todo o mundo ÷ o mundo inteiro
- não-pagamento = hífen somente quando o segundo termo for substantivo
- este e isto ÷ referência próxima do falante (a lugar, a tempo presente; a futuro próximo;
ao anunciar e a que se está tratando)
- esse e isso ÷ referência longe do falante e perto do ouvinte (tempo futuro, desejo de
distância; tempo passado próximo do presente, ou distante ao já mencionado e a ênfase).
Erros 0omuns
) !QoCe ao receber alguns presentes no $ual completo (inte anos teno muitas no(idades
para contar3. Temos aí um exemplo de uso inadequado do pronome relativo. Ele provoca falta
de coesão, pois não consegue perceber a que antecedente ele se refere, portanto nada
conecta e produz relação absurda.
- !7eno uma prima $ue trabala num circo como m5gica e uma das m5gicas mais
engra'adas era uma caneta com tinta in(is>(el $ue em (ez de tinta a(ia sa>do suco de lima3.
Você percebe aí a incapacidade do concursando ou vestibulando organizar sintaticamente o
período. Selecionar as frases e organizar as ideias é necessário. Escrever com clareza é muito
importante.
- !Ainda brinca(a de boneca $uando coneci 1a(i, piloto de cart, moreno, O0 anos, com
olos cor de mel. !7udo come'ou na$uele baile de $uinze anos!, !...é aos dezoito anos $ue se
come'a a procurar o camino do aman% e encontrar as perspecti(a $ue nos acompanam
para sempre na estrada da (ida3. Você pode ter conhecimento do vocabulário e das regras
gramaticais e, assim, construir um texto sem erros. Entretanto, se você reproduz sem nenhuma
crítica ou reflexão expressões gastas, vulgarizadas pelo uso contínuo. A boa qualidade do texto
fica comprometida.
- Tema: Para você, as experiências genéticas de clonagem põem em xeque todos os
conceitos humanos sobre Deus e a vida? !4em a clonagem n%o é tudo, mas na (ida tudo tem
o seu (alor e os omens a todo momento necessitam de descobrir todos os mistérios da (ida
$ue nos cerca a todo instante3. É importante você escrever atendendo ao que foi proposto no
tema. Antes de começar o seu texto leia atentamente todos os elementos que o examinador
apresentou para você utilizar. Esquematize suas ideias, veja se não há falta de
correspondência entre o tema proposto e o texto criado.
- !Ima bi&psia do tumor retirado do />gado do meu primo 9...= mostrou $ue ele n%o era
maligno3. Esta frase está ambígua, pois não se sabe se o pronome ele refere-se ao fígado ou
ao primo. Para se evitar a ambiguidade, você deve observar se a relação entre cada palavra do
seu texto está correta.
- !Ale me trata(a como uma crian'a, mas eu era apenas uma crian'a3. O conectivo mas
indica uma circunstância de oposição, de ideia contrária a. Portanto, a relação adversativa
introduzida pelo "mas" no fragmento acima produz uma ideia absurda.
- !Antretanto, como C5 diziam os s5biosN depois da tempestade sempre (em a bonan'a.
Ap&s longo supl>cio, meu cora'%o apazigua(a as tormentas e a sensatez me mostra(a $ue s&
estar>amos separadas carnalmente3. Não utilize provérbios ou ditos populares. Eles
empobrecem a redação, pois fazer parecer que seu autor não tem criatividade ao lançar mão
de formas já gastas pelo uso frequente.
- !Astou sem inspira'%o para /azer uma reda'%o. Ascre(er sobre a situa'%o dos sem)
terraZ 4em $ue o pro/essor poderia propor outro tema3. Você não deve falar de sua redação
dentro do próprio texto.
- !7odos os deputados s%o corruptos3. Evite pensamentos radicais. É recomendável não
generalizar e evitar, assim, posições extremistas.
- !4em, aco $ue ) (ocê sabe ) n%o é /5cil dizer essas coisas. Ele, aco $ue ele n%o (ai
concordar com a decis%o $ue (ocê tomou, $uero dizer, os /atos le(am (ocê a isso, mas (ocê
sabe ) todos sabem ) ele pensa di/erente. . bom a gente pensar como (ai /azer para, en/im,
para ele entender a decis%o3. Não se esqueça que o ato de escrever é diferente do ato de falar.
O texto escrito deve se apresentar desprovido de marcas de oralidade.
- "Mal cheiro", "mau-humorado". Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro
(bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Ìgualmente: mau humor, mal-intencionado, mau
jeito, mal-estar.
- "Fazem" cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia
dois séculos. / Fez 15 dias.
- "Houveram" muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos
acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.
- "Existe" muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente
o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. /
Restaram alguns objetos. / Sobravam ideias.
- Para "mim" fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para
eu dizer, para eu trazer.
- Entre "eu" e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre
eles e ti.
- "Há" dez anos "atrás". Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou
dez anos atrás.
- "Entrar dentro". O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo
de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.
- "Venda à prazo". Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja
subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo,
a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.
- "Porque" você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que
separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que
razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava
congestionado.
- Vai assistir "o" jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa,
à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles
obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. /
Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.
- Preferia ir "do que" ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É
preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.
- O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado.
Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias.
Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.
- Não há regra sem "excessão". O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre
parênteses, a forma correta: "paralizar" (paralisar), "beneficiente" (beneficente), "xuxu"
(chuchu), "previlégio" (privilégio), "vultuoso" (vultoso), "cincoenta" (cinquenta), "zuar" (zoar),
"frustado" (frustrado), "calcáreo" (calcário), "advinhar" (adivinhar), "benvindo" (bem-vindo),
"ascenção" (ascensão), "pixar" (pichar), "impecilho" (empecilho), "envólucro" (invólucro).
- Quebrou "o" óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma:
Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.
- Comprei "ele" para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim:
Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.
- Nunca "lhe" vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser
usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.
- "Aluga-se" casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se
consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se
empregados.
- "Tratam-se" de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos
melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os
amigos.
- Chegou "em" São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São
Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.
- Atraso implicará "em" punição. Ìmplicar é direto no sentido de acarretar, pressupor:
Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.
- Vive "às custas" do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não "em
vias de": Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.
- Todos somos "cidadões". O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de
caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.
- O ingresso é "gratuíto". A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e
fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr,
recórde, aváro, ibéro, pólipo.
- A última "seção" de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a
tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos;
sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.
- Vendeu "uma" grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro,
vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a
cal, etc.
- "Porisso". Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.
- Não viu "qualquer" risco. É nenhum, e não "qualquer", que se emprega depois de
negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu
nenhuma confusão.
- A feira "inicia" amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-
se) amanhã.
- Soube que os homens "feriram-se". O que atrai o pronome: Soube que os homens se
feriram. / A festa que se realizou... O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções
subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. /
Quando se falava no assunto... / Como as pessoas lhe haviam dito... / Aqui se faz, aqui se
paga. / Depois o procuro.
- O peixe tem muito "espinho". Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O
"fuzil" (fusível) queimou. / Casa "germinada" (geminada), "ciclo" (círculo) vicioso, "cabeçário"
(cabeçalho).
- Não sabiam "aonde" ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa
com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
- "Obrigado", disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: "Obrigada", disse a moça. /
Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.
- O governo "interviu". Ìntervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da
mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados:
entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos,
condisser, etc.
- Ela era "meia" louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.
- "Fica" você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique:
Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.
- A questão não tem nada "haver" com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver
ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.
- A corrida custa 5 "real". A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.
- Vou "emprestar" dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro
emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância:
Pediu emprestadas duas malas.
- Foi "taxado" de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi
tachado de leviano.
- Ele foi um dos que "chegou" antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um
dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre
vibravam com a vitória.
- "Cerca de 18" pessoas o saudaram. 6erca de indica arredondamento e não pode
aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.
- Ministro nega que "é" negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e
talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele
talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.
- Tinha "chego" atrasado. "Chego" não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.
- Tons "pastéis" predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia:
Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o
normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.
- Queria namorar "com" o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.
- O processo deu entrada "junto ao" STF. Processo dá entrada no STF. Ìgualmente: O
jogador foi contratado do (e não "junto ao") Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre
os (e não "junto aos") leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não "junto ao") banco. / A
reclamação foi apresentada ao (e não "junto ao") Procon.
- As pessoas "esperavam-o". Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a,
os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na,
põe-nos, impõem-nos.
- Vocês "fariam-lhe" um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes)
depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês
lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca "imporá-
se"). / Os amigos nos darão (e não "darão-nos") um presente. / Tendo-me formado (e nunca
tendo "formado-me").
- Chegou "a" duas horas e partirá daqui "há" cinco minutos. Há indica passado e equivale
a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou
há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a
(distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.
- Blusa "em" seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é
feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.
- A artista "deu à luz a" gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz
quíntuplos. Também é errado dizer: Deu "a luz a" gêmeos.
- Estávamos "em" quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos
seis. / Ficamos cinco na sala.
- Sentou "na" mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o
certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.
- Ficou contente "por causa que" ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe.
Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.
- O time empatou "em" 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que
ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.
- À medida "em" que a epidemia se espalhava... O certo é: À medida que a epidemia se
espalhava... Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na
medida em que elas existem.
- Não queria que "receiassem" a sua companhia. O i não existe: Não queria que
receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só
existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).
- Eles "tem" razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O
mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe,
eles põem.
- A moça estava ali "há" muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça
estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. /
Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no
imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)
- Não "se o" diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use:
Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.
- Acordos "políticos-partidários". Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia:
acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-
financeiras, partidos social-democratas.
- Andou por "todo" país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo
país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada,
qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.
- "Todos" amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. /
Era difícil apontar todas as contradições do texto.
- Favoreceu "ao" time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da
casa. / A decisão favoreceu os jogadores.
- Ela "mesmo" arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma
(própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.
- Chamei-o e "o mesmo" não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de
pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se
hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não "dos mesmos").
- Vou sair "essa" noite. É este que designa o tempo no qual se está ou objeto próximo:
Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou
lendo), este século (o século 20).
- A temperatura chegou a 0 "graus". Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-
quilômetro, zero hora.
- Comeu frango "ao invés de" peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez
de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
- Se eu "ver" você por aí... O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier
(de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de
fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.
75. Ele "intermedia" a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele
intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa
norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.
- Ninguém se "adequa". Não existem as formas "adequa", "adeque", etc., mas apenas
aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.
- Evite que a bomba "expluda". Explodir só tem as pessoas em que depois do “d¨ vêm “e¨
e “i¨: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale "exploda" ou "expluda",
substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em
todas as pessoas. Assim, não existem as formas "precavejo", "precavês", "precavém",
"precavenho", "precavenha", "precaveja", etc.
- Governo "reavê" confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue
haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá,
reouvesse. Por isso, não existem "reavejo", "reavê", etc.
- Disse o que "quiz". Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis,
quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.
- O homem "possue" muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir
só têm a terminação ui: Ìnclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue,
atue, atenue.
- A tese "onde"... Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o
jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende
essa ideia. / O livro em que... / A faixa em que ele canta... / Na entrevista em que...
- Já "foi comunicado" da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém "é
comunicado" de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra
forma errada: A diretoria "comunicou" os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria
comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.
- "Ìnflingiu" o regulamento. Ìnfringir é que significa transgredir: Ìnfringiu o regulamento.
Ìnfligir (e não "inflingir") significa impor: Ìnfligiu séria punição ao réu.
- A modelo "pousou" o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião,
viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre).
Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).
- Espero que "viagem" hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma
verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também "comprimentar" alguém: de
cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão.
Ìgualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).
- O pai "sequer" foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi
avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.
- Comprou uma TV "a cores". Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV
"a" preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.
- "Causou-me" estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as
palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito.
Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não "foi iniciado" esta noite as
obras).
- A realidade das pessoas "podem" mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve
influir na concordância. Por isso: A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões
entre os funcionários foi punida (e não "foram punidas").
- O fato passou "desapercebido". Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado.
Desapercebido significa desprevenido.
- "Haja visto" seu empenho... A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu
empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.
- A moça "que ele gosta". Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta.
Ìgualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de
que participou, o amigo a que se referiu, etc.
- É hora "dele" chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou
pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo
convidado... / Depois de esses fatos terem ocorrido...
- Vou "consigo". Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode
substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Ìgualmente:
Ìsto é para o senhor (e não "para si").
- Já "é" 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. /
Já é (e não "são") 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.
- A festa começa às 8 "hrs.". As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural
nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não "kms."), 5 m, 10 kg.
- "Dado" os índices das pesquisas... A concordância é normal: Dados os índices das
pesquisas... / Dado o resultado... / Dadas as suas ideias...
- Ficou "sobre" a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do
assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava
sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o
doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.
- "Ao meu ver". Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.
Temas de Redação
A seguir, são listados diversos temas apresentados em provas de concursos públicos
para que possam praticar.
01 – (Cespe – DPF/DGP – Escrivão da PoIícia FederaI)
Depois de cuidadoso tratamento estatístico, os autores de uma pesquisa em Nova Ìorque
verificaram que, independentemente dos fatores de risco (a renda familiar, a possível
existência de desinteresse paterno pela sorte dos filhos, os níveis de violência na comunidade
em que viviam, a escolaridade dos pais e a presença de transtornos psiquiátricos nas
crianças), o número de horas que um adolescente com idade média de 14 anos fica diante da
televisão, por si só, está significativamente associado à prática de assaltos e à participação em
brigas com vítimas e em crimes de morte mais tarde, quando atinge a faixa etária dos 16 aos
22 anos.
?$nternet:QMMM.drauziovarella.om.brR ?om adapta6Bes-.
Na revista Science, Craig Anderson, da Universidade de Ìowa, responsabiliza a imprensa
por apresentar até hoje como controverso um debate que deveria ter sido encerrado anos
atrás.
Segundo o especialista, esse comportamento é comparável ao mantido por décadas
diante da discussão sobre as relações entre o cigarro e o câncer de pulmão, quando a
comunidade científica estava cansada de saber e de alertar a população para isso. Seis das
mais respeitadas associações médicas norte-americanas (entre as quais as de pediatria,
psicologia e a influente American Medical Association) publicaram, em 2001, um relatório com
a seguinte conclusão sobre o assunto:
:Es dados apontam de /orma impressionante para uma cone2%o causal entre a (iolência
na m>dia e o comportamento agressi(o de certas crian'as3.
$dem. $bidem.
Os valores transmitidos pelo sistema educacional seriam, na visão de Pinheiro
Guimarães, os :da produ'%o material e da ma2imiza'%o do consumo indi(idual do ser umano
como unidade de trabalo e n%o como cidad%o pol>tico)solid5rio, digno de uma (ida espiritual
superior3.
Ele vê essa “vida espiritual superior¨ prejudicada pelos “programas degradantes e
idiotizantes de televisão¨, atividade que consome, segundo sua conta, mais de 80% do tempo
livre do cidadão comum. “Esse tempo foi capturado pela televisão, que os estados e os
governos têm tratado como uma atividade econômica normal e não como um veículo com
influência extraordinária sobre a sociedade e seu imaginário¨.
.erval 5ereira. O ima!in*rio soial.
$n: O Globo% E,DE)D<EE+ ?om adapta6Bes-.
Considerando que as idéias apresentadas nos textos acima têm caráter unicamente
motivador, redija um texto dissertativo, posicionando-se acerca do tema seguinte.
A influ9nia da televisão no ima!in*rio soial.
02 – (Cespe – SGA/AAJ – AnaIista de apoio às atividades jurídicas/Arquiteto)
De acordo com o Regimento Ìnterno da Secretaria de Estado de Gestão Administrativa
(SGA) do Governo do Distrito Federal (GDF), a Subsecretaria de Gestão de Recursos
Logísticos (SGRL), órgão de comando e supervisão, é subordinada diretamente à SGA.
Entre as várias atribuições da SGRL, está a de propor, promover, supervisionar e avaliar
normas e procedimentos operacionais relativos às atividades de gestão, de manutenção predial
e locação de bens imóveis no âmbito da administração direta do Distrito Federal.
A utilização de imóveis de propriedade de terceiros para a instalação de serviços de
órgãos estruturais do GDF só pode ocorrer, em caráter excepcional, para casos de absoluta
necessidade e, para isso, é primordial que inexista, na localidade, imóvel do GDF em
condições de ser considerado elegível para tal finalidade.
Suponha que o GDF aprove a instalação de um posto do Ìnstituto de Defesa do
Consumidor do DF (ÌDC-PROCOM) em Samambaia e constate que não há, na localidade,
imóvel de sua propriedade que possa abrigar tal serviço. Nessa situação, redija um texto
dissertativo relativo ao fato, abordado, necessariamente, os seguintes aspectos:
- procedimentos a serem adotados para que se inicie o processo de locação;
- escolha do imóvel;
- ações a serem executadas após a escolha do imóvel e antes da assinatura do contrato
de locação.
03 – (Cespe – MMA – AnaIista AmbientaI/PoIíticas de gestão em meio ambiente)
Durante a Conferência de Estocolmo, em 1972, o representante do governo brasileiro
declarou textualmente, para assombro do mundo civilizado: “Um país que não alcançou o nível
satisfatório mínimo para prover o essencial não está em condições de desviar recursos
consideráveis para a proteção do meio ambiente¨.
Com base na declaração acima, redija um texto dissertativo acerca das medidas
propostas durante a ECO-92 para compatibiIizar o desenvoIvimento econômico com a
proteção do meio ambiente.
04 – (Cespe – Anvisa – EspeciaIista em reguIação e vigiIância sanitária/Arquitetura)
Ces3duos s/lidos de saúde
Atualmente, os resíduos sólidos de saúde constituem sérios problemas para os
administradosres hospitalares, devido à falta de informações e à carência de trabalhos de
conscientização mais eficazes nas unidades de saúde. O despreparo e o desconhecimento têm
gerado especulações errôneas e fantasiosas entre funcionários, pacientes e comunidades
vizinhas às instalações hospitalares e aos aterros sanitários. Sem dúvida, não só os resíduos
hospitalares mas também os de outras unidades de saúde, como clínicas odontológicas e de
análises bioquímicas e veterinárias, apresentam potenciais riscos à saúde e ao meio ambiente,
devido à presença de material biológico, químico, radiotivo e perfurocortante.
A aplicação de procedimentos corretos de biossegurança em todas as unidades de
saúde, incluindo o manejo e o tratamento adequado dos resíduos, previne infecções cruzadas,
proporciona conforto e segurança à clientela e à equipe de trabalho e mantém o ambiente
limpo e agradável.
Considerando que as ideias do texto acima têm caráter unicamente motivador, redija um
texto dissertativo, posicionando-se acerca do seguinte tema.
$mportSnia da atua6ão dos /r!ãos de vi!ilSnia sanit*ria na fisaliza6ão e na
manuten6ão da ;ualidade do meio ambiente.
05 – (Cespe – DPF/DGP – Agente da PoIícia FederaI)
5edindo uma pizza em <EE'
Telefonista: __ Pizza Hot, boa noite!
Cliente: __ Boa noite, quero encomendar pizzas...
Telefonista: __ Pode me dar o seu NÌDN?
Cliente: __ Sim, o meu número de identificação nacional é 61021993-8456-54632107.
Telefonista: __ Obrigada, Sr. Lacerda. Seu endereço é Av. Paes de Barros, 1988 ap. 52B
e o número de seu telefone é 5494-2366, certo? O telefone do seu escritório da Lincoln
Seguros é o 5745-2302 e o seu celular é 9266-2566.
Cliente: __ Como você conseguiu essas informações todas?
Telefonista: __Nós estamos ligados em rede ao Grande Sistema Central.
Cliente: __ Ah, sim é verdade! Eu queria encomendar duas pizzas, uma quatro queijos e
outra calabresa...
Telefonista: __ Talvez não seja uma boa idéia...
Cliente: __ O quê?
Telefonista: __ Consta na sua ficha médica que o Sr. sofre de hipertensão e tem a taxa de
colesterol muito alta. Além disso, o seu seguro de vida proíbe categoricamente escolhas
perigosas para a sua saúde.
Cliente: __ É, você tem razão! O que você sugere?
Telefonista: __ Por que que o Sr. não experimenta a nossa pizza Superlight, com tofu e
rabanetes? O Sr. vai adorar!
Cliente: __ Como é que você sabe que vou adorar?
Telefonista: __ O Sr. consultou o site “Recettes Gourmandes au Soja¨ da Biblioteca
Municipal, dia 15 de janeiro, às 14:27h, onde permaneceu ligado à rede durante 39 minutos.
Daí a minha sugestão...
Cliente: __ OK, está bem! Mande-me duas pizzas tamanho família!
Telefonista: __ É a escolha certa para o Sr., sua esposa e seus quatro filhos, pode ter
certeza.
Cliente: __ Quanto é?
Telefonista: __ São R$ 49,99.
Cliente: __ Você quer o número do meu cartão de crédito?
Telefonista: __ Lamento, mas o Sr. vai ter que pagar em dinheiro. O limite do seu cartão
de crédito já foi ultrapassado.
Cliente: __ Meta-se com a sua vida! Mande-me as pizzas que eu arranjo o dinheiro.
Quando é que entregam?
Telefonista: __ Estamos um pouco atrasados, serão entregues em 45 minutos. Se o Sr.
estiver com muita pressa pode vir buscá-las, se bem que transportar duas pizzas na moto não
é aconselhável, além de ser perigoso...
Cliente: __ Mas que história é essa, como é que você sabe que eu vou de moto?
Telefonista: __ Peço desculpas,mas reparei aqui que o Sr. não pagou as últimas
prestações do carro e ele foi penhorado. Mas a sua moto está paga, e então pensei que fosse
utilizá-la.
Cliente: __ @$%§@&?#>§/%#!!!!!!!!!!!!
Telefonista: __ Gostaria de pedir ao Sr. para não me insultar... Não se esqueça de que o
Sr. já foi condenado em julho de 2006 por desacato em público a um Agente Regional.
Cliente: __ (Silêncio)
Telefonista: __ Mais alguma coisa?
Cliente: __ Não, é só isso... não, espere... não se esqueça dos 2 litros de Coca-Colam
que constam na promoção.
Telefonista: __ Senhor, o regulamento da nossa promoção, conforme citado no artigo
3095423/12, nos proíbe de vender bebidas com açúcar a pessoas diabéticas...
Cliente: __ Aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh!!!!!!!!!!!! Vou me atirar pela janela!!!
Telefonista: __ E machucar o joelho? O Sr. mora no andar térreo!
?"u3s :ernando Ver3ssimo-.
Considerando que o texto tem caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo,
posicionando-se a respeito do tema a seguir.
O avan6o da tenolo!ia da informa6ão e o respeito T privaidade do indiv3duo
06 – (Cespe – DPF/DGP – DeIegado de PoIícia FederaI)
Texto I
A onda de violência que vivemos hoje deve-se a incontáveis motivos. Um deles parece-
me especialmente virulento: o desinvestimento cultural na idéia do “próximo¨.
Substituímos a prática de reflexão ética pelo treinamento nos cálculos econômicos;
brindamos alegremente o “enterro¨ das utopias socialistas; reduzimos virtude e excelência
pessoais a sucesso midiático; transformamos nossas universidades em máquinas de produção
padronizada de diplomas e teses; multiplicamos nossos “pátios dos milagres¨, esgotos a céu
aberto, analfabetos, delinqüentes e, por fim, aderimos à lei do mercado com a volúpia de quem
aperta a corda do próprio pescoço, na pressa de encurtar o inelutável fim.
Voltamos as costas ao mundo e construímos barricadas em torno do idealizado valor de
nossa intimidade. Fizemos de nossas vidas claustros sem virtudes; encolhemos nossos sonhos
para que coubessem em nossas ínfimas singularidades interiores; vasculhamos nossos corpos,
sexos e sentimentos com a obsessão de quem vive um transe narcísico e, enfim, aqui estamos
nós, prisioneiros de cartões de crédito, carreiras de cocaína e da dolorosa consciência de que
nenhuma fantasia sexual ou romântica pode saciar a voracidade com que desejamos ser
felizes.
Sozinhos em nossa descrença, suplicamos proteção a economistas, policiais,
especuladores e investidores estrangeiros, como se algum deles pudesse restituir a esperança
no “próximo¨ que a lógica da mercadoria devorou.
Furandir :reire 0osta. :olha de S. 5aulo% <<D'D&''( ?om adapta6Bes-.
Texto II
Ìnesgotável, o repertório do tráfico para roubar-nos a dignidade revive as granadas. Três
delas ganharam a rua no curto intervalo de cinco dias, atiradas com a naturalidade de estalinho
junino. Não explodiram por sorte, inabilidade ou velhice.
Mas detonaram em nossas barbas o deboche repetido com a métrica cotidiana da
violência: é guerra. Uma de suas raízes alimenta-se da disseminação de armas de fogo entre
os traficantes, ferida aberta à sombra de varizes socioeconômicas, cuja cicatrização agoniza no
mofo de desencontros e desinteresses políticos.
Como o natimorto dueto entre os governos estadual e federal para reaver armamento
militar em favelas do Rio: muita encenação, nenhuma palha movida.
Doutor em combate, não precisa sê-lo para ver: urge desarmar o adversário.
(Um adversário aparelhado até os dentes, cujo desplante avança como formiga no
açúcar.) Caminho que exige a orquestração entre força e inteligência, prevenção e ataque ÷
regidos pela convergência de esforços políticos, indispensável para se vencer uma guerra.
Editorial. Fornal do Brasil% &(D'D<EE+ ?om adapta6Bes-.
Redija um texto dissertativo a respeito da vioIência, estabelecendo relações entre as
idéias expressas nos textos Ì e ÌÌ.
07 – (Cespe – DPF/DGP – Escrivão de PoIícia FederaI)
Este momento que atravessamos, marcado por antagonismos étnicos, econômicos e
socioculturais, transforma-se em um desafio para todos os cidadãos que desejam uma
sociedade mais justa e igual. Fazem-se necessárias, mais do que nunca, discussões e
reflexões em busca de saídas para as grandes questões sociais e humanas.
A construção da Paz. Ano 10, n. 14, jan.-jun/2001.
Internet: http://www.uneb.br (com adaptações).
&EE ;uestBes
Excelente a última reportagem especial (“100 questões para entender o mundo¨, 23 de
junho). Ficou muito bem registrado que os desafios superados pela comunidade mundial nas
últimas décadas ensinam que é, sim, possível vencermos os dramas da desigualdade,
promover a tolerância e associar prosperidade com justiça, desde que todas as nações se
reconheçam como partícipes soberanos e legítimos dessa nova conjuntura.
Ou!o "ions 0oelho. Ceife: Ve4a. 0artas% =ED(D<EE+ ?om adapta6Bes-.
Pesquisa ouviu 3.500 jovens de 15 a 24 anos de idade em todos os estados brasileiros.
Leia abaixo alguns dos aspectos que compõem o retrato da juventude no país.
Qual o problema que mais o preocupa atualmente?
Pensando em uma sociedade ideal, qual desses valores seria o mais importante?
Violência/criminalidade 27%, Temor a Deus 17%; Desemprego/futuro profissional 26%,
Respeito ao meio ambiente 12%; Drogas 8%, Ìgualdade de oportunidades 12%; Educação 6%,
Religiosidade 10%; Família 6%, Respeito a diferenças 8%; Saúde 6%, Solidariedade 8%; Crise
financeira 5%, Justiça social 7%.
$sto G% >D>D<EE+ ?om adapta6Bes-.
Considerando que a humanidade dos humanos reside no fato de serem racionais,
dotados de vontade livre, de capacidade para a comunicação e para a vida em sociedade, de
capacidade para interagir com a natureza e com o tempo, nossa cultura e sociedade nos
definem como sujeitos do conhecimento e da ação, localizando a violência em tudo aquilo que
reduz um sujeito à condição de objeto.
Do ponto de vista ético, somos pessoas e não podemos ser tratados como coisas. A ética
é normativa exatamente por isso: visa impor limites e controles ao risco permanente de
violência.
.arilena 0hau3. 0onvite T filosofia.
São 5aulo: Ltia% &''>% p. ==, ?om adapta6Bes-.
Considerando que as idéias apresentadas nos fragmentos de textos acima têm caráter
unicamente motivador, redija um texto dissertativo posicionando-se acerca do tema seguinte e
utilizando, necessariamente, o recurso de exemplificação.
:A sociedade n%o é o retrato apenas de seus go(ernantes, é o retrato de seus cidad%os,
em desta$ue, de suas elites. . o nosso retrato, do 4rasil todo, de todos n&s.3
?SGr!io Abranhes-
08 – (Cespe – AnateI – AnaIista Administrativo/Comunicação SociaI)
Nas questões da prova discursiva, cada uma delas valendo 2,5 pontos, faça o que se
pede.
1- Sistemas de comunicação podem ser classificados em analógicos e digitais.
Atualmente, a digitalização de sinais analógicos, como no caso da telefonia e da radiodifusão
sonora e de imagens, constitui um processo irreversível. Embora apresente diversas
vantagens, o sistema digital também possui problemas na transmissão de sinais, que vêm
sendo resolvidos pelo uso de técnicas adequadas.
A partir das informações acima, redija um texto argumentativo identificando os motivos
pelos quais os sinais analógicos, nos sistemas que transmitem voz e imagem, vêm sendo
substituídos pelos sinais digitais. O texto deve abordar, necessariamente, os seguintes
aspectos:
- robustez de um sinal em face do ruído;
- possibilidades de novos serviços de telecomunicações;
- capacidade de transmissão;
- uso de espectro.
2- Os sistemas de comunicação são fundamentados em duas plataformas básicas: via
rádio e via cabo. As tecnologias de sistemas via satélite e via fibra óptica constituem exemplos,
respectivamente, de plataformas desses tipos de sistema. Essas tecnologias se destacam por
apresentarem características importantes para os sistemas de telecomunicações, em função
de capacidade de tráfego, capacidade de cobertura, mobilidade e custos relativos à infra-
estrutura.
Considerando essas informações, redija um texto argumentativo que compare as
plataformas de sistemas via satélite às de sistemas via fibra óptica, com vistas a destacar as
vantagens e as desvantagens de cada sistema. O texto deve abordar, necessariamente, os
seguintes aspectos:
- capacidade de tráfego de informação;
- capacidade de cobertura;
- estado da arte;
- aplicações típicas.
3- Uma empresa norte-americana, com sede na cidade de Nova Ìorque, atualmente em
fase de expansão comercial, pretende participar do mercado brasileiro de telecomunicações.
Em razão disso, contratou consultoria com a finalidade de obter informações acerca das
condições objetivas e subjetivas necessárias à outorga de autorização para explorar o referido
serviço em regime privado.
A partir das informações acima, redija texto argumentativo em que sejam descritas, com
fundamentação, as condições objetivas e subjetivas legais que a empresa norte-americana
devrá observar para que lhe seja outorgada autorização para exploração de serviço de
telecomunicação no Brasil, abordando, necessariamente, os seguintes aspectos:
- legislação pertinente;
- requisitos mínimos objetivos e subjetivos necessários para a outorga de serviço de
telecomunicação em regime privado.
09 – (Cespe – MP/MT – Promotor de Justiça)
1- Antônio, de 11 anos de idade, estudava no Colégio Hipotético (CH), localizado em
Cuiabá-M, sendo que sua mãe não pagou as mensalidades durante os últimos seis meses.
Encerrado o ano letivo, a mãe de Antônio, que estava desempregada, decidiu transferi-lo para
a rede pública de ensino, mas obteve do CH a resposta de que a instituição somente forneceria
os documentos necessários à transferência se os débitos fossem previamente quitados. A
mãe, então, procurou o MP/MT. O promotor de justiça responsável fez ingerências infrutíferas
perante o CH, com o objetivo de que fossem fornecidos à criança os referidos documentos.
Porém, frente às reiteradas negativas por parte do CH, o promotor de justiça ingressou
com mandado de segurança contra a diretora do colégio, postulando a imediata concessão da
documentação necessária à transferência.
Considerando a situação hipotética apresentada acima, redija texto dissertativo,
devidamente justificado, abordando necessariamente os seguintes aspectos:
- se o interesse tutelado pela referida ação é coletivo, difuso ou individual;
- se existe base constitucional e legal que confira ao MP/MT legitimidade para ingressar
com a referida ação.
2- A Associação de Defesa da Terceira Ìdade (ADTÌ), uma associação civil sem fins
lucrativos constituída há dois anos para defender os direitos dos idosos no estado de Mato
Grosso, recentemente moveu ação judicial contra uma empresa que administra uma rede de
cinemas de Cuiabá-MT, postulando sua condenação a conceder desconto de 50% a todos os
cidadãos maiores de 60 anos, mediante comprovação documental de sua idade.
Acerca dessa situação hipotética, redija texto dissertativo, devidamente justificado, que
aborde necessariamente os seguintes tópicos:
- existência de fundamento legal para o pedido deduzido pela ADTÌ na referida ação;
- possibilidade de a ADTÌ utilizar-se, para a finalidade de tutelar o interesse em questão,
de ação civil pública, ação popular e mandato de segurança coletivo.
10 – (Cespe)
:A$uele $ue /izer um bem, $uer seCa do peso de um 5tomo, (ê)lo)5,
e a$uele $ue /izer um mal, $uer seCa do peso de um 5tomo, (ê)lo)5.3
?Alorão% ''K Surata% vers3ulos , e )-.
O Bom Samaritano
Um certo doutor da lei, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus:
__ E quem é o meu próximo?
E, respondendo, Jesus disse:
__Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os
quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto. E ocasionalmente
descia pelo mesmo caminho certo sacertode; e, vendo-o, passou de largo. E de igual modo
também um levita, chegando àquele lugar, e, vendo-o passou de largo. Mas um samaritano,
que ia de viagem, chegou ao pé dele, e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão; e,
aproximando-se, atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua
cavalgadura, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele; e, partindo ao outro dia, tirou dois
dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe:
“Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.¨ Qual, pois,
destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores?
E ele disse:
__ O que usou de misericórdia para com ele.
Disse, pois, Jesus:
__ Vai e faze da mesma maneira.
?"uas% U% <'-=, V om adapta6Bes-
Ì have a dream today. Ì have a dream that one day every valley shall be exalted, every hill
and mountain shall be made low, the rough places will be made plain, and the crooked places
will be made straight, and the glory of the Lord shall be revealed, and all flesh shall see it
together.
Hoy, yo tengo un sueno! El sueno que algún día los valles no sean profundos y que cada
colina y montana se allanen; que los lugares más ásperos se aplanen y los caminos tortuosos
se hagan rectos; que la gloria de Dios se revele y que toda la gente la contemple en comunión.
Je fais un rêve aujourd'hui. Je rêve qu'un jour chaque vallée sera élevée, chaque colline et
chaque montagne seront nivelées, les endroits rugueux seront lissés et les endroits tortueux
seront alignés, et la gloire du Seigneur sera révélée, et tous les hommes la verront ensemble.
?.artin "uther Win!. Xashin!ton-8SA% <)D)D&'(=-
Considerando que as ideias apresentadas acima têm caráter unicamente motivador, redija
um texto dissertativo posicionando-se acerca do seguinte tema:
@ornar o mundo melhor G responsabilidade de todos e de ada um.
Outros temas su!eridos:
- Eleições
- Conflitos no Oriente Médio
- Esquerda X Direita
- Terrorismo
- Globalização
- Desenvolvimento sustentável
- MST
- Projeto de parceria civil entre pessoas do mesmo sexo (contribuição deste grupo e
omissão do voto dos parlamentares)
- Racismo
- Diálogo inter-religioso
- Drogas ilícitas e drogas lícitas
- Clonagem de órgãos
- Doenças do nosso tempo
- Reforma tributária
- Governo Dilma
- Cotas para negros em universidades públicas
- Reforma da educação superior
- Risco-país
- Transgênicos
- CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas)
- A febre dos concursos para cargos públicos
- O Brasil e as desigualdades sociais
- Os sindicatos e as ONGs e suas funções sociais
- A Filosofia como componente obrigatório nas escolas
- A união das polícias civil e militar
- Os regionalismos e a construção de uma língua própria
- As autarquias e seu poder de polícia
Atividades
01. Redija uma dissertação em prosa, reIacionando os três textos a seguir.
@eAto &
Na prova de Redação dos vestibulares, talvez a verdadeira questão seja sempre a
mesma:
"Conseguirei?". Cada candidato aplica-se às reflexões e às frases na difícil tarefa de falar
de um tema A proposto, com a preocupação em B - "Conseguirei?" - para convencer o leitor X.
Texto 2.
Ao escrever "Lutar sem palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a
manhã", Carlos Drummond de Andrade já era um poeta maior da nossa língua.
Texto 3.
"É difícil defender, só com palavras, a vida¨.
?Foão 0abral de .elo 7eto-.
02. Ìmagine-se nesta situação: um dia, ao invés de encontrar-se no ano de 1998, você
(mantendo os conhecimentos de que dispomos em nossa época) está em abril de 1500,
participando de alguma forma do seguinte episódio relatado por Pero Vaz de Caminha:
!8iu um deles _>ndios` umas contas de ros5rio, brancas, acenou $ue las dessem, /olgou
muito com elas, e lan'ou)as ao pesco'o. 1epois tirou)as e enrolou no bra'o e acena(a para a
terra e ent%o para as contas e para o colar da capit%o como $ue dariam ouro por a$uilo. Usto
tom5(amos n&s assim por o deseCarmos, mas ele $ueria dizer $ue le(aria as contas e mais o
colar, isto n%o $uer>amos n&s entender, por$ue n%o lo a(>amos de dar.!
?0aminha% 5ero Vaz de. 0arta El CeY 2om .anuel-.
Redija uma narrativa em 1ª pessoa. Nessa narrativa, você deverá:
- participar necessariamente da ação;
- fazer aparecer as diferenças culturais entre as três partes: você, que veio do final do
século XX, os índios e os portugueses da época do descobrimento.
03. Leia os textos abaixo:
Este seu olhar
"Este seu olhar
Quando encontra o meu
Fala de uma coisas que eu não posso acreditar
Doce é sonhar
É pensar que você
Gosta de mim como eu de você
Mas a ilusão
Quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais
Ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos."
?Antonio 0arlos Fobim-.
!Se podes olar, (ê. Se podes (er, repara.3
?"ivro dos 0onselhos-.
!Es olos de duas pessoas se encontramN é o melor sinal, na literatura de
apai2onamento, do amor B primeira (ista. A (ista tem este poder de re(elar e, $uando é
rec>proca, de proporcionar uma entrega imediata de um amante ao outro. ;elo menos na
literatura e no imagin5rio romMnticos. ;or$ue o olar consiste num duplo mo(imentoN ele
captura e também cede, ele e2trai e doa.!
?Cenato Fanine Cibeiro% Os amantes ontra o poder-.
A seguir redija um texto dissertativo, com a extensão mínima de trinta e máxima de
sessenta linhas, desenvolvendo o tema a seguir.
Olhar: 4anela da alma% espelho do mundo.
04. Leia os textos abaixo:
"Quanto ao povo, isto é, a camada social composta de pequenos comerciantes, artífices,
empregados diversos, militares de patente inferior, gente enfim de algum rendimento,
intermediários entre a casta senhorial e a população escrava, expandia-se também em
divertimentos mais acessíveis, nos batuques, nas touradas, nas cavalhadas e - por que não?
nas festividades religiosas. O carnaval, então como hoje, já constituiria a festa popular de
sentido mais democrático, igualando ricos e pobres, humildes e poderosos."
"A orgia está estritamente ligada à festa. Uma instituição em que se suprimem as regras
da vida cotidiana e onde se realiza um estado de excitação coletiva. O todo, porém, com um
início e um fim pré-organizados. Com um ritual de entrada e um ritual de saída. Também a
orgia, de modo geral, se desenvolve dentro de uma festa."
Felicidade
"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei, ou de pirata ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira
Tristeza não tem fim
Felicidade, sim."
?.úsia de Antonio 0arlos Fobim D "etra de Vin3ius de .orais-.
A seguir, redija um texto dissertativo com a extensão mínima de trinta e máxima de
sessenta linhas, desenvolvendo o tema abaixo:
2ireito i!ual... s/ no arnavalZ
05. Leia os fragmentos a seguir, extraídos do Iivro A vida de GaIiIeu, de BertoIt
Brecht:
!Q5 dois mil anos a umanidade acreditou $ue o Sol e as estrelas do céu gira(am em
torno dela. E papa, os cardeais, os pr>ncipes, os s5bios, capit%es, comerciantes, pei2eiros e
crian'as de escola, todos acando $ue esta(am im&(eis nessa bola de cristal.!
!...tempo antigo acabou, e agora é um tempo no(o. R5 /az cem anos $ue a umanidade
est5 esperando alguma coisa.!
!...$uinentas m%os se mo(em em conCunto, organizadas de maneira no(a.!
!...agora, (eCa o $ue se dizN se as coisas s%o assim, assim n%o (%o /icar. 7udo se mo(e,
meu amigo.!
!...R5 se descobriu muita coisa, mas 5 mais coisas ainda $ue poder%o ser descobertas.
1e modo $ue também as no(as gera'#es têm o $ue /azer.!
Valendo-se dessas sugestões, redija um texto dissertativo, com a extensão mínima de
trinta e máxima de sessenta linhas, acerca do tema:
A onstru6ão do futuro s/ G poss3vel om a partiipa6ão de todos.
06. !Mestre n%o é $uem ensina, mas $uem de repente aprende.!
Faça um texto dissertativo em prosa de, no máximo vinte linhas, a partir da reflexão sobre
esta frase Guimarães Rosa. Dê um título ao seu texto.
07. !Am armonia com a generalizada decadência do nosso sistema educacional, est%o
em curso muitas pr5ticas $ue, se n%o reagirmos, acabar%o por nos reduzir a /alantes de um
dialeto incompat>(el com as necessidades ci(ilizadas de comunica'%o.!
?Foão 8baldo Cibeiro-.
Faça um texto dissertativo em prosa de, no máximo vinte linhas, comentando essa
afirmação. Dê um título ao seu texto.
08. !E $ue de(eria surpreender é menos o grau sel(agem de (iolência C5 atingido e mais
o /ato de $ue a sel(ageria n%o seCa ainda maior.!
?0l/vis Cossi% :olha de São 5aulo-.
Faça um texto dissertativo em prosa de, no máximo vinte linhas, comentando essa
afirmação. Dê um título ao seu texto.
09.
Ìnstruções: Escreva em prosa uma dissertação sobre o tema abaixo proposto. As ideias
devem ser desenvolvidas de modo que se perceba uma introdução: a expressão resumida da
proposta (ideia-núcleo); um desenvolvimento: a explanação da idéia inicial; e a conclusão:
fecho do raciocínio desenvolvido.
Proposta: A miséria de grande parcela da população brasileira tem sido um dos assuntos
mais debatidos entre nós. Queremos que você participe deste debate, dizendo de que depende
primordialmente, em sua opinião, a erradicação e/ou combate da miséria existente no Brasil.
Ìmportante: Crie um título coerente! O texto final não pode ser feito a lápis.
10.
Ìnstruções: Considerando a própria realidade sócio cultural (sic) brasileira e tomando
como base as informações e opiniões contidas na coletânea a seguir, redija uma dissertação
dizendo de que depende primordialmente a erradicação da violência entre nós.
!E problema é $ue as solu'#es pri(adas e (iolentas 9iniciati(as particulares para en/rentar
a (iolência= n%o apenas n%o s%o as mais e/icazes como também podem ter resultados
contr5rios aos esperados. 9...= 8iolência n%o é remédio para a (iolência. Ao contr5rio, é o $ue a
/az proli/erar.!
?@ereza 0aldeira% :olha de São 5aulo-.
!Era, n%o ser%o mais perigosos e preCudiciais, para o pa>s, os grandes crimes ) o assalto
ao tesouro p+blico ou B poupan'a pri(adaZ A esses crimes nada têm a (er com a miséria.
;odem ter a (er, sim, com a impunidade. 9...= E maior perigo, para cada um de n&s, n%o est5
no trabalador desempregado, $ue raras (ezes se torna ladr%o. E perigo est5 no engra(atado
$ue /urta enormes somas.!
?Cenato Fanine Cibeiro% :olha de São 5aulo-.
!Art. Ja ) S%o direitos sociais a educa'%o, a sa+de, o trabalo, o lazer, a seguran'a, a
pre(idência social, a prote'%o B maternidade e B in/Mncia, a assistência aos desempregados,
na /orma desta 6onstitui'%o.
Art. 7a ) S%o direitos dos trabaladores urbanos e ruraisN
9...................................................................=
8U ) sal5rio m>nimo /i2ado em lei, capaz de atender as suas necessidades (itais b5sicas e
a de sua /am>lia...!
?0onstitui6ão do Brasil-.
Ìmportante: Dê um título ao seu texto. O texto final deve ser feito a tinta.
11. DesenvoIva uma dissertação com cerca de 50 Iinhas, manuscritas e Iegíveis,
sem rasuras, a tinta ou Iápis. Defenda ou refute as idéias apresentadas no fragmento de
texto, através de uma dissertação integrada, coerente e organicamente estruturada.
Fundamente bem suas idéias sem sair do tema. Na anáIise da redação será aceito
quaIquer posicionamento ideoIógico. Dê um títuIo sugestivo e criativo à sua redação.
!"ossa cultura perdeu muito de seus (alores tradicionais. E dineiro é a +nica coisa $ue
sobrou para estimular os deseCos e as aspira'#es da maioria das pessoas. E dineiro tomou o
lugar ou entrou pro/undamente no mundo da religi%o, do patriotismo, da arte, ao amor e da
ciência... Es ricos e os pobres lutam por dineiro por raz#es muito di/erentes. Mas $uem é
pobre entende algo sobre o dineiro $ue os ricos n%o entendem. A o contr5rio também é
(erdadeiro. Es pobres sentem o poder do dineiro na pr&pria pele. Ima pessoa rica
/re$uentemente sente isso nas suas emo'#es, n%o no seu corpo. Suem é rico sabe $ue com
dineiro, muitas (ezes, (ocê pode manipular, ble/ar, e /azer o $ue (ocê $uiser. Mas até um
certo ponto. Sabe interiormente $ue 5 algo essencial na condi'%o umana $ue o dineiro n%o
compra.!
?Faob 7eedleman% entrevista T EAame% ed. (+>% p. ,(-.
12.
Ìnstruções: Com base no texto que se segue crie: Um título sugestivo à sua redação.
Redija um texto, a partir das ideias apresentadas. Defenda os seus pontos de vista
utilizando-se de argumentação lógica.
@ema de Ceda6ão
!4onnie nasceu nesses dias em $ue a morte rondou)nos com sua brutal e irredut>(el
presen'a. Am sua o(ina, al(a e simb&lica inocência, ela surgiu na 78 e nos Cornais, ao lado da
m%e, 1oll?. "enuma das duas suspeita de onde (eio e para onde ir5. "%o se indagam, n%o
/ormulam, n%o têm ang+stiasN s%o apenas o(elas, (i(er%o e morrer%o.
;ara os umanos, contudo, 1oll? e 4onnie s%o mais do $ue dois l>mpidos e pac>/icos
animais. S%o um no(o epis&dio do ancestral duelo $ue a umanidade tra(a contra a natureza.
Im ensaio di(ino da raz%o, uma esperan'a, possi(elmente (%, de $ue um dia o destino
umano complete)se e triun/e sobre a m%e criadora. Até l5, porém, continuar5 a con(i(er com
a morte, esse de/eito irre(og5(el da cria'%o.!
?Gon6alves .. A.% 2omin!ueira% :olha de São 5aulo% <(DE+D')% p! &-'-.
13. EIabore teses possíveis para textos sobre os temas propostos a seguir,
conforme o exempIo abaixo:
Tema: A importância da religião na vida do homem.
Tese: O homem, por ser incompleto, procura fora de si as respostas para suas perguntas
mais fundamentais, sobretudo no tocante à própria existência. Ora, a religião é a resposta
perfeita, pois,descolada da razão, é capaz de responder a qualquer anseio e acalmar o
coração de todo ser humano.
Tema: Desemprego e informalidade: a deterioração das oportunidades e condições de
trabalho no Brasil.
Tese:
Tema: Violência urbana e crime organizado: quais as soluções para a sensação de
insegurança nas grandes metrópoles?
Tese:
Tema: Cotas para negros nas universidades: Solução para o preconceito no Brasil?
Tese:
Tema: Educação e cultura: sua importância para o indivíduo e para a sociedade.
Tese:
Tema: Corpo e Beleza: como cuidar da aparência sem descuidar da mente?
Tese:
Tema: Arte e sociedade: porque as pessoas se afastaram do teatro, museus e salas de
concerto?
Tese:
Tema: O mundo de amanha: como impedir as queimadas, aquecimento global, poluição,
esgotamento de reservas naturais, diminuição da biodiversidade e extinção das espécies?
Tese:
Tema: Ética e pesquisa científica: quais os limites morais da ciência?
Tese:
Tema: Ìnclusão digital: como fazer que todos entrem na era da informação e se
beneficiem da tecnologia.
Tese:
Tema: Relacionamentos amorosos e familiares no mundo contemporâneo: melhores ou
piores?
Tese:
14. Tema da Dissertação:
"÷ Não é preciso zangar-se. Todos nós temos as nossas opiniões.
÷ Sem dúvida. Mas é tolice querer uma pessoa ter opinião sobre assunto que
desconhece. (...) Que diabo! Eu nunca andei discutindo gramática. Mas as coisas da minha
fazenda julgo que devo saber. E era bom que não me viessem dar lições. Vocês me fazem
perder a paciência."
Você tem opinião sobre as afirmações acima?
Se tem, defenda sua opinião.
Se não, expIique por quê.
15. O trabaIhador brasiIeiro, em sua grande maioria, recebe saIário mensaI que tem
como ponto de referência a chamada "Cesta Básica". Leia o texto a seguir e, baseado no
que eIe significa para você, escreva a sua redação, dissertativa.
0omida
Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.
?Arnaldo AntunesD .arelo :romerDSGr!io Britto-.
:em Resus n%o tem dentes no pa>s dos banguelas.3
?@itãs% &'))-
16. Faça uma dissertação discutindo as opiniões expostas a seguir. É importante
que você assuma uma posição a favor ou contra as ideias apresentadas. Justifique-a
com argumentos convincentes. Você poderá também assumir uma posição diferente,
aIinhando argumentos que a sustentem.
- Alega-se, com frequência, que o vestibular, como forma de seleção dos candidatos à
escola superior, favorece os alunos de melhor situação econômica que têm condições de
cursar as melhores escolas e prejudica os menos favorecidos que são obrigados a estudar em
escolas de padrão inferior de ensino.
- Por outro lado, há quem considere que o vestibular é apenas um processo de seleção
que procura avaliar o conhecimento dos candidatos num determinado momento, escolhendo
aqueles que se apresentam melhor preparados para ingressar na Universidade. Culpá-lo por
possíveis injustiças é o mesmo que culpar o termômetro pela febre.
17. O trecho a seguir do conto "A Igreja do Diabo", de Machado de Assis, descreve
a necessidade que o homem teria de regras que Ihe digam o que fazer e como se
comportar. Uma vez conseguido isso, eIe passaria a vioIar secretamente as normas que
tanto desejou. Escreva uma dissertação que anaIise esta visão que o autor tem do
comportamento humano. Você pode discordar ou concordar com eIa, desde que seus
argumentos sejam fundamentados. O maior mérito estará numa argumentação coesa
capaz de Ievar a uma concIusão coerente.
Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar
uma Ìgreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o
papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem
ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios
humanos. (...) Está claro que (o Diabo) combateu o perdão das injúrias e outras máximas de
brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia, mas induziu a exercê-la mediante
retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie. (...) A Ìgreja fundara-se; a doutrina propagava-
se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse,
uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às
escondidas, praticavam as antigas virtudes. (...) Certos glutões recolhiam-se a comer
frugalmente três ou quatro vezes por ano (...) muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas
ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os
fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto
dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros.
[Nota: embaçar: lograr, enganar]
18. ReIacione os textos abaixo e redija uma dissertação, em prosa, discutindo as
ideias neIes contidas e apresentando argumentos que comprovem e/ou refutem essas
ideias.
!Antes mundo era pe$ueno
;or$ue 7erra era grande
QoCe o mundo é muito grande
;or$ue 7erra é pe$uena
1o tamano da antena parabolicamar5!
?Gilberto Gil-.

!6omo democratizar a 78, o r5dio, a imprensa, $ue s%o o o2igênio e a /uma'a $ue a
nossa imagina'%o respiraZ 6omo seria uma 78 sem manipula'%oZ S%o perguntas di/>ceis, mas
a luta social e/eti(a, e sobretudo um proCeto de /uturo, s%o imposs>(eis sem entrar nesse
terreno.!
?Coberto ShMarz-.
!7e(ê colorida
/ar5 azul)r&sea
a cor da (idaZ!
?0arlos 2rummond de Andrade-.
19. ReIacione os textos e a imagem seguintes e escreva uma dissertação em prosa,
discutindo as idéias neIes contidas e expondo argumentos que sustentem o ponto de
vista que você adotou.
Am muitas pessoas C5 é um descaramento dizerem !Au!.
@.X. Adorno
"%o 5 sempre suCeito, ou suCeitos. 9...=
1igamos $ue o suCeito é raro, t%o raro $uanto as (erdades.
A. Badiou
7odos s%o li(res para dan'ar e para se di(ertir, do mesmo modo $ue, desde a
neutraliza'%o ist&rica da religi%o, s%o li(res para entrar em $ual$uer uma das in+meras seitas.
Mas a liberdade de escola da ideologia, $ue re/lete sempre a coer'%o econHmica, re(ela)se
em todos os setores como a liberdade de escoler o $ue é sempre a mesma coisa.
@.X. Adorno
20. Leia atentamente os textos dados, procurando identificar a questão neIes
tratada. Escreva uma dissertação em prosa, reIacionando os dois textos e expondo
argumentos que sustentem seu próprio ponto de vista.
@eAto &
Entre os Maoris, um povo polinésio, existe uma dança destinada a proteger as
sementeiras de batatas, que quando novas são muito vulneráveis aos ventos do leste: as
mulheres executam a dança, entre os batatais, simulando com os movimentos dos corpos o
vento, a chuva, o desenvolvimento e o florescimento do batatal, sendo esta dança
acompanhada de uma canção que é um apelo para que o batatal siga o exemplo do bailado.
As mulheres interpretam em fantasia a realização prática de um desejo. É nisto que consiste a
magia: uma técnica ilusória destinada a suplementar a técnica real.
Mas essa técnica ilusória não é vã. A dança não pode exercer qualquer feito direto sobre
as batatas, mas pode ter (como de fato tem) um efeito apreciável sobre as mulheres.
Ìnspiradas pela convicção de que a dança protege a colheita, entregam-se ao trabalho com
mais confiança e mais energia. E, deste modo, a dança acaba, afinal, por ter um efeito sobre a
colheita.
?Geor!e @homson-
@eAto <
A ciência livra-nos do medo, combatendo com respostas objetivas esse veneno subjetivo.
Com um bom pára-raios, quem em casa teme as tempestades? Todo ritual mítico está
condenado a desaparecer; a função dos mitos se estreita a cada invenção, e todo vazio em
que o pensamento mágico imperava está sendo preenchido pelo efeito de uma operação
racional. Quanto à arte, continuará a fazer o que pode: entreter o homem nas pausas de seu
trabalho, desembaraçada agora de qualquer outra missão, que não mais é preciso lhe atribuir.
?Oerule Granville-
21. Redija uma dissertação em prosa, reIacionando os três textos abaixo.
@eAto &
Na prova de Redação dos vestibulares, talvez a verdadeira questão seja sempre a
mesma: "Conseguirei?". Cada candidato aplica-se às reflexões e às frases na difícil tarefa de
falar de um tema A proposto, com a preocupação em B ÷ "Conseguirei?", para convencer um
leitor X.
@eAto <
Ao escrever "Lutar com palavras / é a luta mais vã. / Entanto lutamos / mal rompe a
manhã", Carlos Drummond de Andrade já era um poeta maior da nossa língua.
@eAto =
É difícil defender, só com palavras, a vida
?Foão 0abral de .elo 7eto-.
22. A partir da Ieitura dos textos abaixo, redija uma DISSERTAÇÃO em prosa,
discutindo as idéias neIes contidas.
9...= o in/erno s%o os Eutros.
?Fean-5aul Sartre-
9...= padecer a con(ic'%o de $ue, na estreiteza das rela'#es da (ida, a alma aleia
comprime)nos, penetra)nos, suprime a nossa, e e2iste dentro de n&s, como uma consciência
imposta, um demHnio usurpador $ue se assenoreia do go(erno dos nossos ner(os, da
dire'%o do nosso $uerer, $ue é esse estrano esp>rito, esse esp>rito in(asor $ue /az as (ezes
de nosso esp>rito, e $ue de /ora, a nossa alma, m>sera e2ilada, contempla inerte a tirania
(iolenta dessa alma, outrem, $ue manda nos seus dom>nios, $ue rege as inten'#es, as
resolu'#es e os atos muito di/erentemente do $ue /izera ela pr&pria 9...=.
?Caul 5ompGia-
:\ Es outros têm uma espécie de cacorro /areCador, dentro de cada um, eles mesmos
n%o sabem. Usso /eito um cacorro, $ue eles têm dentro deles, é $ue /areCa, todo o tempo, se a
gente por dentro da gente est5 mole, est5 suCo ou est5 ruim, ou errado... As pessoas, mesmas,
n%o sabem. Mas, ent%o, elas /icam assim com uma precis%o de Cudiar com a gente...KK
?Foão Guimarães Cosa-.
9...=
e2perimentar
colonizar
ci(ilizar
umanizar
o omem
descobrindo em suas pr&prias entranas
a perene, insuspeitada alegria
de con(i(er.
?0arlos 2rummond de Andrade-.
E /il&so/o e psic&logo billiam Rames camou a aten'%o para o grau em $ue nossa
identidade é /ormada por outras pessoasN s%o os outros $ue nos permitem desen(ol(er um
sentimento de identidade, e as pessoas com as $uais nos sentimos mais B (ontade s%o
a$uelas $ue nos :de(ol(emKK uma imagem ade$uada de n&s mesmos 9...=.
?Alain de Botton-.
23. Dissertação:
Como você avalia a jovem geração brasileira que constitui a maioria dos que chegam
agora ao vestibular? Situada, em sua maior parte, na faixa etária que vai dos dezesseis aos
vinte e um anos, que características essa geração apresenta? Que opinião você tem sobre tais
características?
Para tratar desse tema, você poderá, por exemplo, identificar as principais virtudes ou os
defeitos que eventualmente essa jovem geração apresenta; indicar quais são os valores que,
de fato, ela julga mais importantes e opinar sobre eles. Você poderá, também, considerá-la
quanto à formação intelectual, identificando, aí, os pontos fortes e as possíveis deficiências.
Poderá, ainda, observar qual é o grau de respeito pelo outro, de consciência social, de
companheirismo, de solidariedade efetiva, de conformismo ou de inconformismo que essa
geração manifesta.
Refletindo sobre aspectos como os acima sugeridos, escolhendo entre eles os que você
julgue mais pertinentes ou, caso ache necessário, levantando outros aspectos que você
considere mais relevantes para tratar do tema proposto, redija uma DÌSSERTAÇÃO EM
PROSA, apresentando argumentos que dêem consistência e objetividade ao seu ponto de
vista.
24. Dissertação:
Recentemente, o Deputado Federal Aldo Rebelo (PCdoB÷SP), visando proteger a
identidade cultural da língua portuguesa, apresentou um projeto de lei que prevê sanções
contra o emprego abusivo de estrangeirismos. Mais que isso, declarou o Deputado, interessa-
lhe incentivar a criação de um "Movimento Nacional de Defesa da Língua Portuguesa".
Leia alguns dos argumentos que ele apresenta para justificar o projeto, bem como os
textos subsequentes, relacionados ao mesmo tema.
"A História nos ensina que uma das formas de dominação de um povo sobre outro se dá
pela imposição da língua. (...)" "...estamos a assistir a uma verdadeira descaracterização da
Língua Portuguesa, tal a invasão indiscriminada e desnecessária de estrangeirismos ÷ como
'holding', 'recall', 'franchise', 'coffee-break', 'self-service' ÷ (...). E isso vem ocorrendo com
voracidade e rapidez tão espantosas que não é exagero supor que estamos na iminência de
comprometer, quem sabe até truncar, a comunicação oral e escrita com o nosso homem
simples do campo, não afeito às palavras e expressões importadas, em geral do inglês norte-
americano, que dominam o nosso cotidiano (...)"
"Como explicar esse fenômeno indesejável, ameaçador de um dos elementos mais vitais
do nosso patrimônio cultural ÷ a língua materna ÷, que vem ocorrendo com intensidade
crescente ao longo dos últimos 10 a 20 anos? (...)"
"Parece-me que é chegado o momento de romper com tamanha complacência cultural, e,
assim, conscientizar a nação de que é preciso agir em prol da língua pátria, mas sem
xenofobismo ou intolerância de nenhuma espécie. (...)"
?2ep. :ed. Aldo Cebelo% &'''-.
!"a realidade, o problema do empréstimo lingc>stico n%o se resol(e com atitudes
reacion5rias, com estabelecer barreiras ou cord#es de isolamento B entrada de pala(ras e
e2press#es de outros idiomas. Fesol(e)se com o dinamismo cultural, com o gênio in(enti(o do
po(o. ;o(o $ue n%o /orCa cultura dispensa)se de criar pala(ras com energia irradiadora e tem
de con/ormar)se, $ueiram ou n%o $ueiram os seus gram5ticos, B condi'%o de mero usu5rio de
cria'#es aleias.!
?0elso 0unha% &'()-.
!Im pa>s como a Alemana, menos (ulner5(el B in/luência da coloniza'%o da l>ngua
inglesa, discute oCe uma re/orma ortogr5/ica para XgermanizarL e2press#es estrangeiras, o $ue
C5 é regra na -ran'a. E risco de se cair no nacionalismo tosco e na 2eno/obia é e(idente. "%o
é preciso, porém, agir como ;olicarpo Suaresma, personagem de 0ima 4arreto, $ue $ueria
trans/ormar o tupi em l>ngua o/icial do 4rasil para recuperar o instinto de nacionalidade.
"o 4rasil de oCe C5 seria um a(an'o se as pessoas passassem a usar, entre outros
e2emplos, a pala(ra XentregaL em (ez de Xdeli(er?L.!
?:olha de S. 5aulo% <ED&ED')-.
Levando em conta as ideias presentes nos três textos, redija uma dissertação em prosa,
expondo o que você pensa sobre essa iniciativa do Deputado e as questões que ela envolve.
Apresente argumentos que dêem sustentação ao ponto de vista que você adotou.
25.
@eAto &
Um dia sim, outro também. Duas bombas, suásticas nazistas e muitas mensagens
pregando a tolerância zero a negros, judeus, homossexuais e nordestinos marcaram a Semana
da Pátria em São Paulo. O primeiro petardo foi direcionado na segunda-feira 4, para o
coordenador da Anistia Ìnternacional. Tratava-se de uma bomba caseira, postada numa
agência dos Correios de Pinheiros com endereço certo: a casa do coordenador. Uma hora e
meia depois, foi a vez de o secretário de Segurança e de os presidentes das comissões
Municipal e Estadual de Direitos Humanos receberem cartas ameaçadoras. Assinando "Nós os
skinheads" (cabeça raspada), os autores abusaram da linguagem chula, do ódio e da
intolerância. "Vamos destruir todos os viados, pretos e nordestinos", prometeram. Eles
asseguravam também já terem escolhido os representantes daqueles que não se enquadram
no que chamam de "raça pura" para receberem "alguns presentinhos".
Como prometeram, era só o começo. No dia seguinte, terça-feira 5, o mesmo grupo
mandou outra bomba, dessa vez para a associação da Parada do Orgulho Gay.
?$sto G% E)DE'D<EEE-.
@eAto <
Desde então [os anos 80], o poder racista alastrou-se por todo o mundo numa torrente de
excessos sanguinolentos. Também na Alemanha, imigrantes e refugiados foram mortos
friamente por maltas de radicais de direita em atentados incendiários. Até hoje, a esfera pública
minimiza tais crimes como obra de uns poucos jovens desclassificados. Na verdade, porém, o
poder racista à solta nas ruas é o prenúncio de uma reviravolta nas condições atmosféricas
mundiais.
?Cobert Wurz-.
@eAto =
Um dos eventos realizados no final de abril deste ano no Chile foi uma conferência
internacional secreta de militantes extremistas de direita e organizações neonazistas planejada
e divulgada pela Ìnternet. Foram convidados a participar do "Primeiro Encontro Ìdeológico
Ìnternacional de Nacionalismo e Socialismo" representantes do Brasil, Uruguai, Argentina,
Venezuela e Estados Unidos.
?$sto G% E)DE'D<EEE-.
2emais teAtos:
9...= "os +ltimos anos, grupos neonazistas têm se multiplicado. 7anto nos Astados Inidos
e na Auropa $uanto a$ui parece e2istir uma rela'%o entre o desemprego estrutural do sistema
capitalista e a ascens%o desses grupos de inspira'%o neonazista.
?5*!ina da $nternet-.
7oda proclama'%o contra o /ascismo $ue se abstena de tocar nas rela'#es sociais de
$ue ele resulta como uma necessidade natural, é despro(ida de sinceridade.
?Bertolt Breht-.
6onsiderar alguém como culpado, por$ue pertence a uma coleti(idade B $ual ele n%o
!escoleu! pertencer, n%o é caracter>stica pr&pria s& do racismo. 7odo nacionalismo mais
intenso, e até mesmo $ual$uer bairrismo, consideram sempre os outros 9certos outros= como
culpados por serem o $ue s%o, por pertencerem a uma coleti(idade B $ual n%o escoleram
pertencer. 9...=.
?0ornelius 0astoriadis-.
!A (iolência é a base da educa'%o de cada um.!
?Cesposta de um idadão an[nimo entrevistado pela @V sobre as razBes da viol9nia-.
Estes textos (adaptados das fontes citadas) apresentam notícias sobre o crescimento do
neonazismo e do neofascismo e, também, alguns pontos de vista sobre o sentido desse
fenômeno. Com base nesses textos e em outras informações e reflexões que julgue
adequadas, redija uma dissertação em prosa, procurando argumentar de modo claro e
consistente.
26. Considerando os aspectos abaixo sugeridos ou, ainda, escoIhendo outro que
você juIgue mais importante para tratar do tema, redija, com sinceridade e pIena
Iiberdade de opinião, uma dissertação em prosa, em Iinguagem adequada à situação,
procurando argumentar com pertinência e coerência.
Como você avalia os responsáveis por sua formação, ou seja, seus pais e familiares,
professores, orientadores religiosos, líderes políticos, intelectuais, autoridades etc.?
Visando ao desenvolvimento do tema, você poderá, se quiser, refletir sobre as seguintes
questões:
Quais foram os principais responsáveis por sua formação?
Quais são as características mais marcantes que apresentam?
Você julga que eles assumiram, de fato, sua função de formadores?
Em que aspectos a formação que lhe proporcionaram foi satisfatória ou insatisfatória?
Você poderá, ainda, identificar os valores que são realmente importantes para eles,
opinando sobre esses valores. Poderá, também, considerar se eles são em si mesmos
pessoas íntegras e felizes e se, assim, constituem bons modelos de vida.
27. Leia atentamente os três textos abaixo.
Com o apoio dos três textos apresentados, escreva uma dissertação em prosa, na
quaI você deverá discutir manifestações concretas de afirmação ou de negação da
autoestima entre os brasiIeiros. Apresente argumentos que deem sustentação ao ponto
de vista que você adotou.
@eAto &
Está no dicionário Houaiss: autoestima s.f. qualidade de quem se valoriza, se contenta
com seu modo de ser e demonstra, conseqüentemente, confiança em seus atos e julgamentos.
A definição do dicionário parece limitar-se ao âmbito do indivíduo, mas a palavra
autoestima já há algum tempo é associada a uma necessidade coletiva. Por exemplo: nós,
brasileiros, precisamos fortalecer nossa autoestima.
Neste caso, a satisfação com nosso modo de ser, como povo, nos levaria à confiança em
nossos atos e julgamentos. Mas talvez seja o caso de perguntar: não são os nossos atos e
julgamentos que acabam por fortalecer ou enfraquecer nossa autoestima, como indivíduos ou
como povo?
@eAto <
Estão num poema de Drummond, da década de vinte, os versos:
A a gente (iaCando na p5tria sente saudades da p5tria. 9...=
A$ui ao menos a gente sabe $ue é tudo uma canala s&.
@eAto =
Está num artigo do jornalista Zuenir Ventura, de dois anos atrás:
De um país em crise e cheio de mazelas, onde, segundo o ÌBGE, quase um quarto da
população ganha R$ 4 por dia, o que se esperaria? Que fosse a morada de um povo infeliz,
cético e pessimista, não?
Não. Por incrível que pareça, não. Os brasileiros não só consideram seu país um lugar
bom e ótimo para viver, como estão otimistas em relação a seu futuro e acreditam que ele se
transformará numa superpotência econômica em cinco anos. Pelo menos essa é a conclusão
de um levantamento sobre a "utopia brasileira" realizado pelo Datafolha.
28. Redija uma dissertação em prosa, na quaI você apontará, sucintamente, as
diferentes concepções do tempo, presentes nos três textos abaixo, e argumentará em
favor da concepção do tempo com a quaI você mais se identifica.
@eAto &
Mais do que nunca a história é atualmente revista ou inventada por gente que não deseja
o passado real, mas somente um passado que sirva a seus objetivos. (...).
Os negócios da humanidade são hoje conduzidos especialmente por tecnocratas,
resolvedores de problemas, para quem a história é quase irrelevante; por isso, ela passou a ser
mais importante para nosso entendimento do mundo do que anteriormente.
?Eri OobsbaMm% @empos interessantes: uma vida no sGulo UU-.
@eAto <
O que existe é o dia-a-dia. Ninguém vai me dizer que o que aconteceu no passado tem
alguma coisa a ver com o presente, muito menos com o futuro. Tudo é hoje, tudo é já.
Quem não se liga na velocidade moderna, quem não acompanha as mudanças, as
descobertas, as conquistas de cada dia, fica parado no tempo, não entende nada do que está
acontecendo.
?Oerberto "inhares% depoimento-.
@eAto =
"%o se a/obe, n%o,
Sue nada é pra C5,
E amor n%o tem pressa,
Ale pode esperar em silêncio
"um /undo de arm5rio,
"a posta)restante,
Milênios, milênios
"o ar...
A $uem sabe, ent%o,
E Fio ser5
Alguma cidade submersa.
Es esca/andristas (ir%o
A2plorar sua casa,
Seu $uarto, suas coisas,
Sua alma, des(%os...
S5bios em (%o
7entar%o deci/rar
E eco de antigas pala(ras,
-ragmentos de cartas, poemas,
Mentiras, retratos,
8est>gios de estrana ci(iliza'%o.
"%o se a/obe, n%o,
Sue nada é pra C5,
Amores ser%o sempre am5(eis.
-uturos amantes $ui'5
Se amar%o, sem saber,
6om o amor $ue eu um dia
1ei2ei pra (ocê.
?0hio Buar;ue% P:uturos amantesP-.
29. Considere os textos abaixo:
P0atraa invis3velP oupa lu!ar de est*tua
Sem que ninguém saiba como - e muito menos o por quê ÷ uma *catraca enferrujada foi
colocada em cima de um pedestal no largo do Arouche (centro de São Paulo). É o "monumento
à catraca invisível", informa uma placa preta com moldura e letras douradas, colocada abaixo
do objeto, onde ainda se lê: "Programa para a descatracalização da vida, Julho de 2004".
?Adaptado de :olha de S. 5aulo% E+ de setembro de <EE+-.
*Catraca = borboleta: dispositivo geralmente formado por três ou quatro barras ou alças
giratórias, que impede a passagem de mais de uma pessoa de cada vez, instalado na entrada
e/ou saída de ônibus, estações, estádios etc. para ordenar e controlar o movimento de
pessoas, contá-las etc.
Grupo assume autoria da Patraa invis3velP
Um grupo artístico chamado "Contra Filé" assumiu a responsabilidade pela colocação de
uma catraca enferrujada no largo do Arouche (região central). A intervenção elevou a catraca
ao status de monumento "à descatracalização da vida" e fez parte de um programa
apresentado no SESC da Avenida Paulista, paralelamente ao Fórum das Cidades.
No site do SESC, o grupo afirma que a catraca representa um objeto de controle
"biopolítico" do capital e do governo sobre os cidadãos.
?Adaptado de :olha de S. 5aulo% E' de setembro de <EE+-.
30. Os três textos abaixo apresentam diferentes visões de trabaIho. O primeiro
procura conceituar essa atividade e prever seu futuro. O segundo trata de suas
condições no mundo contemporâneo e o úItimo, iIustrado peIa famosa escuItura de
MicheIangeIo, refere-se ao trabaIho de artista. ReIacione esses três textos e com base
nas ideias neIes contidas, aIém de outras que juIgue reIevantes, redija uma dissertação
em prosa, argumentando sobre o que Ieu acima e também sobre os outros pontos que
você tenha considerado pertinentes.
@eAto &
O trabalho não é uma essência atemporal do homem. Ele é uma invenção histórica e,
como tal, pode ser transformado e mesmo desaparecer.
?Adaptado de A. SimBes-.
@eAto <
Há algumas décadas, pensava-se que o progresso técnico e o aumento da capacidade de
produção permitiriam que o trabalho ficasse razoavelmente fora de moda e a humanidade
tivesse mais tempo para si mesma. Na verdade, o que se passa hoje é que uma parte da
humanidade está se matando de tanto trabalhar, enquanto a outra parte está morrendo por
falta de emprego.
?.. A. .ar;ues-.
@eAto =
O trabalho de arte é um processo. Resulta de uma vida. Em 1501, Michelangelo retorna
de viagem a Florença e concentra seu trabalho artístico em um grande bloco de mármore
abandonado. Quatro anos mais tarde fica pronta a escultura "David".
?Adaptado de site da $nternet-.
31. Discorra, com cIareza e coesão, sobre os Partidos PoIíticos, abordando os
seguintes aspectos:
- Natureza jurídica
- Autonomia
- Esfera de ação
- Relevância do registro dos estatutos no Tribunal Superior Eleitoral.
- Vedações

UtiIize no mínimo 15 (quinze) Iinhas e no máximo 30 (trinta) Iinhas.
32. Leia atentamente o texto que segue.

0onstituionalismos perversos
Na União Européia, os franceses e os holandeses, recentemente, disseram não a um
projeto constitucional mais interessado em constitucionalizar o mercado do que a democracia.
Também os quenianos disseram não a um projeto constitucional que nasceu como um dos
mais progressistas da África, mas que nos últimos anos fora totalmente adulterado pelo
presidente Kibaki para concentrar em si e no governo central poderes excessivos e pouco
susceptíveis de controle democrático. O fato de ambas as tentativas terem falhado é, em si
mesmo, animador. Significa que, quando o processo constitucional é usado para virar a
soberania do povo contra o povo e o exercício da cidadania contra cidadania, dizer não à
Constituição é ato de afirmação democrática. Que isto aconteça tanto na Europa como na
África é sinal de que a globalização dos mercados livres terá de conviver cada vez mais com a
globalização dos cidadãos livres.
?Boaventura de Souza Santos%
soi/lo!o e professor da :auldade de Eonomia da 8niversidade de 0oimbra-

Redija uma dissertação, na quaI você se posicione em reIação às ideias presentes
no texto acima, dando reIevo às afirmações que neIe se encontram subIinhadas.
A dissertação deverá ter uma extensão mínima de 20 Iinhas e máxima de 30 Iinhas.
Redação $icial
0oneito
Entende-se por Redação Oficial o conjunto de normas e práticas que devem reger a
emissão dos atos normativos e comunicações do poder público, entre seus diversos
organismos ou nas relações dos órgãos públicos com as entidades e os cidadãos.
A Redação Oficial inscreve-se na confluência de dois universos distintos: a forma rege-se
pelas ciências da linguagem (morfologia, sintaxe, semântica, estilística etc.); o conteúdo
submete-se aos princípios jurídico-administrativos impostos à União, aos Estados e aos
Municípios, nas esferas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Pertencente ao campo da linguagem escrita, a Redação Oficial deve ter as qualidades e
características exigidas do texto escrito destinado à comunicação impessoal, objetiva, clara,
correta e eficaz.
Por ser "oficial", expressão verbal dos atos do poder público, essa modalidade de redação
ou de texto subordina-se aos princípios constitucionais e administrativos aplicáveis a todos os
atos da administração pública, conforme estabelece o artigo 37 da Constituição Federal:
!A administra'%o p+blica direta e indireta de $ual$uer dos ;oderes da Ini%o, dos
Astados, do 1istrito -ederal e dos Munic>pios obedecer5 aos princ>pios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e e/iciência 9 ... =!.
A forma e o conteúdo da Redação Oficial devem convergir na produção dos textos dessa
natureza, razão pela qual, muitas vezes, não há como separar uma do outro. Ìndicam-se, a
seguir, alguns pressupostos de como devem ser redigidos os textos oficiais.
5adrão ulto do idioma
A redação oficial deve observar o padrão culto do idioma quanto ao léxico (seleção
vocabular), à sintaxe (estrutura gramatical das orações) e à morfologia (ortografia, acentuação
gráfica etc.).
Por padrão culto do idioma deve-se entender a língua referendada pelos bons gramáticos
e pelo uso nas situações formais de comunicação. Devem-se excluir da Redagão Oficial a
erudição minuciosa e os preciosismos vocabulares que criam entraves inúteis à compreensão
do significado. Não faz sentido usar “perfunctório¨ em lugar de "superficial" ou "doesto" em vez
de "acusação" ou "calúnia". São descabidos também as citações em língua estrangeira e os
latinismos, tão ao gosto da linguagem forense. Os manuais de Redação Oficial, que vários
órgãos têm feito publicar, são unânimes em desaconselhar a utilização de certas formas
sacramentais, protocolares e de anacronismos que ainda se leem em documentos oficiais,
como: "No dia 20 de maio, do ano de 2011 do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo", que
permanecem nos registros cartorários antigos.
Não cabem também, nos textos oficiais, coloquialismos, neologismos, regionalismos,
bordões da fala e da linguagem oral, bem como as abreviações e imagens sígnicas comuns na
comunicação eletrônica.
Diferentemente dos textos escolares, epistolares, jornalísticos ou artísticos, a Redação
Oficial não visa ao efeito estético nem à originalidade. Ao contrário, impõe uniformidade,
sobriedade, clareza, objetividade, no sentido de se obter a maior compreensão possível com o
mínimo de recursos expressivos necessários. Portarias lavradas sob forma poética, sentenças
e despachos escritos em versos rimados pertencem ao “folclore¨ jurídico-administrativo e são
práticas inaceitáveis nos textos oficiais. São também inaceitáveis nos textos oficiais os vícios
de linguagem, provocados por descuido ou ignorância, que constituem desvios das normas da
língua-padrão. Enumeram-se, a seguir, alguns desses vícios:
- Barbarismos: São desvios:
- da ortografia: “advinhar¨ em vez de adivinhar; “excessão¨ em vez de exceção.
- da pronúncia: “rúbrica¨ em vez de rubrica.
- da morfologia: “interviu¨ em vez de interveio.
- da semântica: desapercebido (sem recursos) em vez de despercebido (não
percebido, sem ser notado).
- pela utilização de estrangeirismos: galicismo (do francês): “mise-en-scène¨ em vez
de encenação; anglicismo (do inglês): “delivery¨ em vez de entrega em domicílio.
- Ara3smos: Utilização de palavras ou expressões anacrônicas, fora de uso. Ex.:
“asinha¨ em vez de ligeira, depressa.
- 7eolo!ismos: Palavras novas que, apesar de formadas de acordo com o sistema
morfológico da língua, ainda não foram incorporadas pelo idioma. Ex.: “imexível¨ em vez de
imóvel, que não se pode mexer; “talqualmente¨ em vez de igualmente.
- Soleismos: São os erros de sintaxe e podem ser:
- de concordância: “sobrou¨ muitas vagas em vez de sobraram.
- de regência: os comerciantes visam apenas “o lucro¨ em vez de ao lucro.
- de colocação: “não tratava-se¨ de um problema sério em vez de não se tratava.
- Ambi!uidade: Duplo sentido não intencional. Ex.: O desconhecido falou-me de sua
mãe. (Mãe de quem? Do desconhecido? Do interlocutor?)
- 0a/fato: Som desagradável, resultante da junção de duas ou mais palavras da cadeia
da frase. Ex.: Darei um prêmio por cada eleitor que votar em mim (por cada e porcada).
- 5leonasmo: Ìnformação desnecessariamente redundante. Exemplos: As pessoas
pobres, $ue n%o têm dinheiro, vivem na miséria; Os moralistas, que se preocupam com a
moral, vivem vigiando as outras pessoas.
A Redação Oficial supõe, como receptor, um operador linguístico dotado de um repertório
vocabular e de uma articulação verbal minimamente compatíveis com o registro médio da
linguagem. Nesse sentido, deve ser um texto neutro, sem facilitações que intentem suprir as
deficiências cognitivas de leitores precariamente alfabetizados.
Como exceção, citam-se as campanhas e comunicados destinados a públicos
específicos, que fazem uma aproximação com o registro linguístico do público-alvo. Mas esse é
um campo que refoge aos objetivos deste material, para se inserir nos domínios e técnicas da
propaganda e da persuasão.
Se o texto oficial não pode e não deve baixar ao nível de compreensão de leitores
precariamente equipados quanto à linguagem, fica evidente o falo de que a alfabetização e a
capacidade de apreensão de enunciados são condições inerentes à cidadania. Ninguém é
verdadeiramente cidadão se não consegue ler e compreender o que leu. O domínio do idioma
é equipamento indispensável à vida em sociedade.
$mpessoalidade e Ob4etividade
Ainda que possam ser subscritos por um ente público (funcionário, servidor etc.), os
textos oficiais são expressão do poder público e é em nome dele que o emissor se comunica,
sempre nos termos da lei e sobre atos nela fundamentados.
Não cabe na Redação Oficial, portanto, a presença do “eu¨ enunciador, de suas
impressões subjetivas, sentimentos ou opiniões. Mesmo quando o agente público manifesta-se
em primeira pessoa, em formas verbais comuns como: declaro, resolvo, determino, nomeio,
exonero etc., é nos termos da lei que ele o faz e é em função do cargo que exerce que se
identifica e se manifesta.
O que interessa é aquilo que se comunica, é o conteúdo, o objeto da informação. A
impessoalidade contribui para a necessária padronização, reduzindo a variabilidade da
linguagem a certos padrões, sem o que cada texto seria suscetível de inúmeras interpretações.
Por isso, a Redação Oficial não admite adjetivação. O adjetivo, ao qualificar, exprime
opinião e evidencia um juízo de valor pessoal do emissor. São inaceitáveis também a
pontuação expressiva, que amplia a significação (! ... ), ou o emprego de interjeições (Oh! Ah!),
que funcionam como índices do envolvimento emocional do redator com aquilo que está
escrevendo.
Se nos trabalhos artísticos, jornalísticos e escolares o estilo individual é estimulado e
serve como diferencial das qualidades autorais, a função pública impõe a despersonalização
do sujeito, do agente público que emite a comunicação. São inadmissíveis, portanto, as marcas
individualizadoras, as ousadias estilísticas, a linguagem metafórica ou a elíptica e alusiva. A
Redação Oficial prima pela denotação, pela sintaxe clara e pela economia vocabular, ainda que
essa regularidade imponha certa "monotonia burocrática" ao discurso.
Reafirma-se que a intermediação entre o emissor e o receptor nas Redações Oficiais é o
código linguístico, dentro do padrão culto do idioma; uma linguagem "neutra", referendada
pelas gramáticas, dicionários e pelo uso em situações formais, acima das diferenças
individuais, regionais, de classes sociais e de níveis de escolaridade.
:ormalidade e 5adroniza6ão
As comunicações oficiais impõem um tratamento polido e respeitoso. Na tradição
ibero-americana, afeita a títulos e a tratamentos reverentes, a autoridade pública revela sua
posição hierárquica por meio de formas e de pronomes de tratamento sacramentais.
“Excelentíssimo¨, “Ìlustríssimo¨, “Meritíssimo¨, “Reverendíssimo¨ são vocativos que, em
algumas instâncias do poder, tornaram-se inevitáveis. Entenda-se que essa solenidade tem por
consideração o cargo, a função pública, e não a pessoa de seu exercente.
Vale lembrar que os pronomes de tratamento são obrigatoriamente regidos pela terceira
pessoa. São erros muito comuns construções como “Vossa Excelência sois bondoso(a)¨; o
correto é “Vossa Excelência é bondoso(a)¨.
A utilização da segunda pessoa do plural (vós), com que os textos oficiais procuravam
revestir-se de um tom solene e cerimonioso no passado, é hoje incomum, anacrônica e
pedante, salvo em algumas peças oratórias envolvendo tribunais ou juizes, herdeiras, no Brasil,
da tradição retórica de Rui Barbosa e seus seguidores.
Outro aspecto das formalidades requeridas na Redação Oficial é a necessidade prática de
padronização dos expedientes. Assim, as prescrições quanto à diagramação, espaçamento,
caracteres tipográficos etc., os modelos inevitáveis de ofício, requerimento, memorando, aviso
e outros, além de facilitar a legibilidade, servem para agilizar o andamento burocrático, os
despachos e o arquivamento.
É também por essa razão que quase todos os órgãos públicos editam manuais com os
modelos dos expedientes que integram sua rotina burocrática. A Presidência da República, a
Câmara dos Deputados, o Senado, os Tribunais Superiores, enfim, os poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário têm os próprios ritos na elaboração dos textos e documentos que lhes
são pertinentes.
0onisão e 0lareza
Houve um tempo em que escrever bem era escrever "difícil". Períodos longos,
subordinações sucessivas, vocábulos raros, inversões sintáticas, adjetivação intensiva,
enumerações, gradações, repetições enfáticas já foram considerados virtudes estilísticas.
Atualmente, a velocidade que se impõe a tudo o que se faz, inclusive ao escrever e ao ler,
tornou esses recursos quase sempre obsoletos. Hoje, a concisão, a economia vocabular, a
precisão lexical, ou seja, a eficácia do discurso, são pressupostos não só da Redação Oficial,
mas da própria literatura. Basta observar o estilo “enxuto¨ de Graciliano Ramos, de Carios
Drummond de Andrade, de João Cabral de Melo Neto, de Dalton Trevisan, mestres da
linguagem altamente concentrada.
Não têm mais sentido os imensos “prolegômenos¨ e “exórdios¨ que se repetiam como
ladainhas nos textos oficiais, como o exemplo risível e caricato que segue:
:;reliminarmente, antes de mais nada, indispens5(el se /az $ue nos (alamos do enseCo
para congratularmo) nos com 8ossa A2celência pela oportunidade da medida proposta B
aprecia'%o de seus nobres pares. Mas, $uem sou eu, umilde ser(idor p+blico, para abordar
$uest#es de tamana comple2idade, a respeito das $uais di(ergem os ermeneutas e
e2egetas.
Antrementes, numa an5lise ainda $ue per/unct&ria das causas primeiras, $ue
/undamentaram a proposi'%o tempesti(amente encaminada por 8ossa A2celência,
indispens5(el se /az uma abordagem preliminar dos antecedentes imediatos, posto $ue estes
antecedentes necessariamente antecedem os conse$uentes3.
Observe que absolutamente nada foi dito ou informado.
As 0omunia6Bes Ofiiais
A redação das comunicações oficiais obedece a preceitos de objetividade, concisão,
clareza, impessoalidade, formalidade, padronização e correção gramatical.
Além dessas, há outras características comuns à comunicação oficial, como o emprego
de pronomes de tratamento, o tipo de fecho (encerramento) de uma correspondência e a forma
de identificação do signatário, conforme define o Manual de Feda'%o da ;residência da
Fep+blica. Outros órgãos e instituições do poder público também possuem manual de redação
próprio, como a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Ministério das Relações
Exteriores, diversos governos estaduais, órgãos do Judiciário etc.
5ronomes de @ratamento
A regra diz que toda comunicação oficial deve ser formal e polida, isto é, ajustada não
apenas às normas gramaticais, como também às normas de educação e cortesia. Para isso, é
fundamental o emprego de pronomes de tratamento, que devem ser utilizados de forma
correta, de acordo com o destinatário e as regras gramaticais.
Embora os pronomes de tratamento se refiram à segunda pessoa (Vossa Excelência,
Vossa Senhoria), a concordância é feita em terceira pessoa.
0onordSnia verbal:
Vossa Senhoria falou muito bem.
Vossa Excelência vai esclarecer o tema.
Vossa Majestade sabe que respeitamos sua opinião.
0onordSnia pronominal:
Pronomes de tratamento concordam com pronomes possessivos na terceira pessoa.
Vossa Excelência escolheu seu candidato. (e não “vosso...¨).
0onordSnia nominal:
Os adjetivos devem concordar com o sexo da pessoa a que se refere o pronome de
tratamento.
Vossa Excelência ficou confuso. (para homem)
Vossa Excelência ficou confusa. (para mulher)
Vossa Senhoria está ocupado. (para homem)
Vossa Senhoria está ocupada. (para mulher)
Sua Excelência - de quem se fala (ele/ela).
Vossa Excelência - com quem se fala (você)
Empre!o dos 5ronomes de @ratamento
As normas a seguir fazem parte do Manual de Feda'%o da ;residência da Fep+blica.
8ossa A2celênciaN É o tratamento empregado para as seguintes autoridades:
- Do Poder Executivo - Presidente da República; Vice-presidenÌe da República; Ministros
de Estado; Governadores e vice-governadores de Estado e do Distrito Federal; Oficiais
generais das Forças Armadas; Embaixadores; Secretários-executivos de Ministérios e demais
ocupantes de cargos de natureza especial; Secretários de Estado dos Governos Estaduais;
Prefeitos Municipais.
- Do Poder LegisIativo - Deputados Federais e Senadores; Ministro do Tribunal de
Contas da União; Deputados Estaduais e Distritais; Conselheiros dos Tribunais de Contas
Estaduais; Presidentes das Câmaras Legislativas Municipais.
- Do Poder Judiciário - Ministros dos Tribunais Superiores; Membros de Tribunais;
Juizes; Auditores da Justiça Militar.
Voativos
O vocativo a ser empregado em comunicações dirigidas aos chefes de poder é
Excelentíssimo Senhor, seguido do cargo respectivo: Excelentíssimo Senhor Presidente da
República; Excelentíssimo Senhor Presidente do Congresso Nacional; Excelentíssimo Senhor
Presidente do Supremo Tribunal Federal.
As demais autoridades devem ser tratadas com o vocativo Senhor ou Senhora, seguido
do respectivo cargo: Senhor Senador / Senhora Senadora; Senhor Juiz/ Senhora Juiza; Senhor
Ministro / Senhora Ministra; Senhor Governador / Senhora Governadora.
Endere6amento
De acordo com o Manual de Feda'%o da ;residência, no envelope, o endereçamento das
comunicações dirigidas às autoridades tratadas por Vossa Excelência, deve ter a seguinte
forma:
A Sua A2celência o Senor
-ulano de 7al
Ministro de Astado da Rusti'a
700J<) P00 ) 4ras>lia. 1-
A Sua A2celência o Senor
Senador -ulano de 7al
Senado -ederal
701J5) P00 ) 4ras>lia. 1-
A Sua A2celência o Senor
-ulano de 7al
Ruiz de 1ireito da l0D 8ara 6>(el
Fua A46, nd 1OT
01010) 000 ) S%o ;aulo. S;
Conforme o Manual de Redação da Presidência, “em comunicações oficiais, está abolido
o uso do tratamento digníssimo (DD) às autoridades na lista anterior. A dignidade é
pressuposto para que se ocupe qualquer cargo público, sendo desnecessária sua repetida
evocação¨.
8ossa SenoriaN É o pronome de tratamento empregado para as demais autoridades e
para particulares. O vocativo adequado é: Senhor Fulano de Tal / Senhora Fulana de Tal.
"o en(elope, de(e constar do endere'amentoN
Ao Senor
-ulano de 7al
Fua A46, nd 1OT
701OT)000 \ 6uritiba.;F
Conforme o Manual de Redação da Presidência, em comunicações oficiais “fica
dispensado o emprego do superlativo Ìlustríssimo para as autoridades que recebem o
tratamento de Vossa Senhoria e para particulares. É suficiente o uso do pronome de
tratamento Senhor. O Manual também esclarece que “doutor não é forma de tratamento, e sim
título acadêmico¨. Por isso, recomenda-se empregá-lo apenas em comunicações dirigidas a
pessoas que tenham concluído curso de doutorado. No entanto, ressalva-se que “é costume
designar por doutor os bacharéis, especialmente os bacharéis em Direito e em Medicina¨.
8ossa Magni/icênciaN É o pronome de tratamento dirigido a reitores de universidade.
Corresponde-lhe o vocativo: Magnífico Reitor.
8ossa SantidadeN É o pronome de tratamento empregado em comunicações dirigidas ao
Papa. O vocativo correspondente é: Santíssimo Padre.
8ossa Aminência ou 8ossa Aminência Fe(erend>ssimaN São os pronomes empregados
em comunicações dirigidas a cardeais. Os vocativos correspondentes são: Eminentíssimo
Senhor Cardeal, ou Eminentíssimo e Reverendíssimo Senhor Cardeal.
Nas comunicações oficiais para as demais autoridades eclesiásticas são usados: 8ossa
A2celência Fe(erend>ssima (para arcebispos e bispos); 8ossa Fe(erend>ssima ou 8ossa
Senoria Fe(erend>ssima (para monsenhores, cônegos e superiores religiosos); 8ossa
Fe(erência (para sacerdotes, clérigos e demais religiosos).
:ehos para 0omunia6Bes
De acordo com o Manual da ;residência, o fecho das comunicações oficiais “possui, além
da finalidade óbvia de arrematar o texto, a de saudar o destinatário¨, ou seja, o fecho é a
maneira de quem expede a comunicação despedir-se de seu destinatário.
Até 1991, quando foi publicada a primeira edição do atual Manual de Feda'%o da
;residência da Fep+blica, havia 15 padrões de fechos para comunicações oficiais. O Manual
simplificou a lista e reduziu-os a apenas dois para todas as modalidades de comunicação
oficial. São eles:
Cespeitosamente: para autoridades superiores, inclusive o presidente da República.
Ateniosamente: para autoridades de mesma hierarquia ou de hierarquia inferior.
“Ficam excluídas dessa fórmula as comunicações dirigidas a autoridades estrangeiras,
que atenderem a rito e tradição próprios, devidamente disciplinados no Manual de Redação do
Ministério das Relações Exteriores¨, diz o Manual de Feda'%o da ;residência da Fep+blica.
A utilização dos fechos “Respeitosamente¨ e “Atenciosamente¨ é recomendada para os
mesmos casos pelo Manual de Feda'%o da Câmara dos Deputados e por outros manuais
oficiais. Já os fechos para as cartas particulares ou informais ficam a critério do remetente, com
preferência para a expressão “Cordialmente¨, para encerrar a correspondência de forma polida
e sucinta.
$dentifia6ão do Si!nat*rio
Conforme o Manual de Feda'%o da ;residência do Fep+blica, com exceção das
comunicações assinadas pelo presidente da República, em todas as comunicações oficiais
devem constar o nome e o cargo da autoridade que as expede, abaixo de sua assinatura. A
forma da identificação deve ser a seguinte:
9espa'o para assinatura=
"ome
6e/e da Secretaria) Veral da ;residência da Fep+blica
9espa'o para assinatura=
"ome
Ministro de Astado da Rusti'a
“Para evitar equívocos, recomenda-se não deixar a assinatura em página isolada do
expediente. Transfira para essa página ao menos a última frase anterior ao fecho¨, alerta o
Manual.
5adrBes e .odelos
O 5adrão Of3io
O Manual de Redação da Presidência da República lista três tipos de expediente que,
embora tenham finalidades diferentes, possuem formas semelhantes: Ofício, Aviso e
Memorando. A diagramação proposta para esses expedientes é denominada padrão ofício.
O Ofício, o Aviso e o Memorando devem conter as seguintes partes:
- @ipo e número do eApediente% se!uido da si!la do /r!ão ;ue o eApede. Exemplos:
E/. 1OTWO00O)MMA
A(iso 1OTWO00O)SV
Mem. 1OTWO00O)M-
- "oal e data. Devem vir por extenso com alinhamento à direita. Exemplo:
4ras>lia, O0 de maio de O011
- Assunto. Resumo do teor do documento. Exemplos:
AssuntoN ;roduti(idade do &rg%o em O010.
AssuntoN "ecessidade de a$uisi'%o de no(os computadores.
- 2estinat*rio. O nome e o cargo da pessoa a quem é dirigida a comunicação. No caso
do ofício, deve ser incluído também o endereço.
- @eAto. Nos casos em que não for de mero encaminhamento de documentos, o
expediente deve conter a seguinte estrutura:
$ntrodu6ão: que se confunde com o parágrafo de abertura, na qual é apresentado o
assunto que motiva a comunicação. Evite o uso das formas: “Tenho a honra de¨, “Tenho o
prazer de¨, “Cumpre-me informar que¨,empregue a forma direta;
2esenvolvimento: no qual o assunto é detalhado; se o texto contiver mais de uma ideia
sobre o assunto, elas devem ser tratadas em parágrafos distintos, o que confere maior clareza
à exposição;
0onlusão: em que é reafirmada ou simplesmente reapresentada a posição
recomendada sobre o assunto.
Os parágrafos do texto devem ser numerados, exceto nos casos em que estes estejam
organizados em itens ou títulos e subtítulos.
Quando se tratar de mero encaminhamento de documentos, a estrutura deve ser a
seguinte:
$ntrodu6ão: deve iniciar com referência ao expediente que solicitou o encaminhamento.
Se a remessa do documento não tiver sido solicitada, deve iniciar com a informação do motivo
da comunicação, que é encaminhar, indicando a seguir os dados completos do documento
encaminhado (tipo, data, origem ou signatário, e assunto de que trata), e a razão pela qual está
sendo encaminhado, segundo a seguinte fórmula:
:Am resposta ao A(iso nd 11O, de 10 de /e(ereiro de O011, encamino, ane2a, c&pia do
E/>cio nd T<, de T de abril de O010, do 1epartamento Veral de Administra'%o, $ue trata da
re$uisi'%o do ser(idor -ulano de 7al.3
ou
:Ancamino, para e2ame e pronunciamento, a ane2a c&pia do telegrama nd 11O, de 11 de
/e(ereiro de O011, do ;residente da 6on/edera'%o "acional de Agricultura, a respeito de
proCeto de moderniza'%o de técnicas agr>colas na regi%o "ordeste.3
2esenvolvimento: se o autor da comunicação desejar fazer algum comentário a respeito
do documento que encaminha, poderá acrescentar parágrafos de desenvolvimento; em caso
contrário, não há parágrafos de desenvolvimento em aviso ou ofício de mero encaminhamento.
- :eho.
) Assinatura.
) $dentifia6ão do Si!nat*rio
:orma de 2ia!rama6ão
Os documentos do padrão o/>cio devem obedecer à seguinte forma de apresentação:
- deve ser utilizada fonte do tipo Times "eG Foman de corpo 12 no texto em geral, 11 nas
citações, e 10 nas notas de rodapé;
- para símbolos não existentes na fonte 7imes "eG Foman, poder-se-ão utilizar as fontes
s?mbol e b>ngdings;
- é obrigatório constar a partir da segunda página o número da página;
- os ofícios, memorandos e anexos destes poderão ser impressos em ambas as faces do
papel. Neste caso, as margens esquerda e direita terão as distâncias invertidas nas páginas
pares (“margem espelho¨);
- o início de cada parágrafo do texto deve ter 2,5 cm de distância da margem esquerda;
- o campo destinado à margem lateral esquerda terá, no mínimo 3,0 cm de largura;
- o campo destinado à margem lateral direita terá 1,5 cm;
- deve ser utilizado espaçamento simples entre as linhas e de 6 pontos após cada
parágrafo, ou, se o editor de texto utilizado não comportar tal recurso, de uma linha em branco;
- não deve haver abuso no uso de negrito, itálico, sublinhado, letras maiúsculas,
sombreado, sombra, relevo, bordas ou qualquer outra forma de formatação que afete a
elegância e a sobriedade do documento;
- a impressão dos textos deve ser feita na cor preta em papel branco. A impressão
colorida deve ser usada apenas para gráficos e ilustrações;
- todos os tipos de documento do padrão o/>cio devem ser impressos em papel de
tamanho A-4, ou seja, 29,7 x 21,0 cm;
- deve ser utilizado, preferencialmente, o formato de arquivo Fic 7e2t nos documentos
de texto;
- dentro do possível, todos os documentos elaborados devem ter o arquivo de texto
preservado para consulta posterior ou aproveitamento de trechos para casos análogos;
- para facilitar a localização, os nomes dos arquivos devem ser formados da seguinte
maneira: tipo do documento + número do documento + palavras-chave do conteúdo. Exemplo:
IE/. 1OT ) relat&rio produti(idade ano O0103
Aviso e Of3io ?0omunia6ão EAterna-
São modalidades de comunicação oficial praticamente idênticas. A única diferença entre
eles é que o aviso é expedido exclusivamente por Ministros de Estado, para autoridades de
mesma hierarquia, ao passo que o ofício é expedido para e pelas demais autoridades. Ambos
têm como finalidade o tratamento de assuntos oficiais pelos órgãos da Administração Pública
entre si e, no caso do ofício, também com particulares.
Quanto a sua forma, Aviso e Ofício seguem o modelo do padrão o/>cio, com acréscimo do
vocativo, que invoca o destinatário, seguido de vírgula. Exemplos:
A2celent>ssimo Senor ;residente da Fep+blica,
Senora Ministra,
Senor 6e/e de Vabinete,
Devem constar do cabeçalho ou do rodapé do ofício as seguintes informações do
remetente:
- nome do órgão ou setor;
- endereço postal;
- telefone e endereço de correio eletrônico.
Obs: Modelo no final da matéria.
.emorando ou 0omunia6ão $nterna
O Memorando é a modalidade de comunicação entre unidades administrativas de um
mesmo órgão, que podem estar hierarquicamente em mesmo nível ou em nível diferente.
Trata-se, portanto, de uma forma de comunicação eminentemente interna.
Pode ter caráter meramente administrativo, ou ser empregado para a exposição de
projetos, ideias, diretrizes etc. a serem adotados por determinado setor do serviço público.
Sua característica principal é a agilidade. A tramitação do memorando em qualquer órgão
deve pautar-se pela rapidez e pela simplicidade de procedimentos burocráticos. Para evitar
desnecessário aumento do número de comunicações, os despachos ao memorando devem ser
dados no próprio documento e, no caso de falta de espaço, em folha de continuação. Esse
procedimento permite formar uma espécie de processo simplificado, assegurando maior
transparência a tomada de decisões, e permitindo que se historie o andamento da matéria
tratada no memorando.
Quanto a sua forma, o memorando segue o modelo do padrão ofício, com a diferença de
que seu destinatário deve ser mencionado pelo cargo que ocupa. Exemplos:
Ao Sr. 6e/e do 1epartamento de Administra'%o
Ao Sr. Subce/e para Assuntos Rur>dicos.
Obs: Modelo no final da matéria.
EAposi6ão de .otivos
É o expediente dirigido ao presidente da República ou ao vice-presidente para:
- informá-lo de determinado assunto;
- propor alguma medida; ou
- submeter a sua consideração projeto de ato normativo.
Em regra, a exposição de motivos é dirigida ao Presidente da República por um Ministro
de Estado. Nos casos em que o assunto tratado envolva mais de um Ministério, a exposição de
motivos deverá ser assinada por todos os Ministros envolvidos, sendo, por essa razão,
chamada de interministerial.
Formalmente a exposição de motivos tem a apresentação do padrão ofício. De acordo
com sua finalidade, apresenta duas formas básicas de estrutura: uma para aquela que tenha
caráter exclusivamente informativo e outra para a que proponha alguma medida ou submeta
projeto de ato normativo.
No primeiro caso, o da exposição de motivos que simplesmente leva algum assunto ao
conhecimento do Presidente da República, sua estrutura segue o modelo antes referido para o
padrão ofício.
Já a exposição de motivos que submeta à consideração do Presidente da República a
sugestão de alguma medida a ser adotada ou a que lhe apresente projeto de ato normativo,
embora sigam também a estrutura do padrão ofício, além de outros comentários julgados
pertinentes por seu autor, devem, obrigatoriamente, apontar:
- na introdução: o problema que está a reclamar a adoção da medida ou do ato
normativo proposto;
- no desenvoIvimento: o porquê de ser aquela medida ou aquele ato normativo o ideal
para se solucionar o problema, e eventuais alternativas existentes para equacioná-lo;
- na concIusão, novamente, qual medida deve ser tomada, ou qual ato normativo deve
ser editado para solucionar o problema.
Deve, ainda, trazer apenso o formulário de anexo à exposição de motivos, devidamente
preenchido, de acordo com o seguinte modelo previsto no Anexo ÌÌ do Decreto nº 4.1760, de 28
de março de 2010.
Anexo à exposição de motivos do (indicar nome do Ministério ou órgão equivalente) nº
______, de ____ de ______________ de 201_.
- Síntese do problema ou da situação que reclama providências;
- Soluções e providências contidas no ato normativo ou na medida proposta;
- Alternativas existentes às medidas propostas. Mencionar:
- se há outro projeto do Executivo sobre a matéria;
- se há projetos sobre a matéria no Legislativo;
- outras possibilidades de resolução do problema.
- Custos. Mencionar:
- se a despesa decorrente da medida está prevista na lei orçamentária anual; se
não, quais as alternativas para custeá-la;
- se a despesa decorrente da medida está prevista na lei orçamentária anual; se
não, quais as alternativas para custeá-la;
- valor a ser despendido em moeda corrente;
- Razões que justificam a urgência (a ser preenchido somente se o ato proposto for
medida provisória ou projeto de lei que deva tramitar em regime de urgência). Mencionar:
- se o problema configura calamidade pública;
- por que é indispensável a vigência imediata;
- se se trata de problema cuja causa ou agravamento não tenham sido previstos;
- se se trata de desenvolvimento extraordinário de situação já prevista.
- Ìmpacto sobre o meio ambiente (somente que o ato ou medida proposta possa vir a tê-
lo)
- Alterações propostas. Texto atual, Texto proposto;
- Síntese do parecer do órgão jurídico.
Com base em avaliação do ato normativo ou da medida proposa à luz das questões
levantadas no ítem 10.4.3.
A falta ou insuficiência das informações prestadas pode acarretar, a critério da Subchefia
para Assuntos Jurídicos da Casa Civil, a devolução do projeto de ato normativo para que se
complete o exame ou se reformule a proposta.
O preenchimento obrigatório do anexo para as exposições de motivos que proponham a
adoção de alguma medida ou a edição de ato normativo tem como finalidade:
- permitir a adequada reflexão sobre o problema que se busca resolver;
- ensejar mais profunda avaliação das diversas causas do problema e dos defeitos que
pode ter a adoção da medida ou a edição do ato, em consonância com as questões que devem
ser analisadas na elaboração de proposições normativas no âmbito do Poder Executivo (v.
10.4.3.)
- conferir perfeita transparência aos atos propostos.
Dessa forma, ao atender às questões que devem ser analisadas na elaboração de atos
normativos no âmbito do Poder Executivo, o texto da exposição de motivos e seu anexo
complementam-se e formam um todo coeso: no anexo, encontramos uma avaliação profunda e
direta de toda a situação que está a reclamar a adoção de certa providência ou a edição de um
ato normativo; o problema a ser enfrentado e suas causas; a solução que se propõe, seus
efeitos e seus custos; e as alternativas existentes. O texto da exposição de motivos fica, assim,
reservado à demonstração da necessidade da providência proposta: por que deve ser adotada
e como resolverá o problema.
Nos casos em que o ato proposto for questão de pessoal (nomeação, promoção,
ascenção, transferência, readaptação, reversão, aproveitamento, reintegração, recondução,
remoção, exoneração, demissão, dispensa, disponibilidade, aposentadoria), não é necessário o
encaminhamento do formulário de anexo à exposição de motivos. Ressalte-se que:
- a síntese do parecer do órgão de assessoramento jurídico não dispensa o
encaminhamento do parecer completo;
- o tamanho dos campos do anexo à exposição de motivos pode ser alterado de acordo
com a maior ou menor extensão dos comentários a serem alí incluídos.
Ao elaborar uma exposição de motivos, tenha presente que a atenção aos requisitos
básicos da Redação Oficial (clareza, concisão, impessoalidade, formalidade, padronização e
uso do padrão culto de linguagem) deve ser redobrada. A exposição de motivos é a principal
modalidade de comunicação dirigida ao Presidente da República pelos Ministros. Além disso,
pode, em certos casos, ser encaminhada cópia ao Congresso Nacional ou ao Poder Judiciário
ou, ainda, ser publicada no 1i5rio E/icial da Ini%o, no todo ou em parte.
.ensa!em

É o instrumento de comunicação oficial entre os Chefes dos Poderes Públicos,
notadamente as mensagens enviadas pelo Chefe do Poder Executivo ao Poder Legislativo
para informar sobre fato da Administração Pública; expor o plano de governo por ocasião da
abertura de sessão legislativa; submeter ao Congresso Nacional matérias que dependem de
deliberação de suas Casas; apresentar veto; enfim, fazer e agradecer comunicações de tudo
quanto seja de interesse dos poderes públicos e da Nação.
Minuta de mensagem pode ser encaminhada pelos Ministérios à Presidência da
República, a cujas assessorias caberá a redação final.
As mensagens mais usuais do Poder Executivo ao Congresso Nacional têm as seguintes
finalidades:
- Enaminhamento de pro4eto de lei ordin*ria% omplementar ou finaneira: Os
projetos de lei ordinária ou complementar são enviados em regime normal (Constituição, art.
61) ou de urgência (Constituição, art. 64, §§ 1º a 4º). Cabe lembrar que o projeto pode ser
encaminhado sob o regime normal e mais tarde ser objeto de nova mensagem, com solicitação
de urgência.
Em ambos os casos, a mensagem se dirige aos Membros do Congresso Nacional, mas é
encaminhada com aviso do Chefe da Casa Civil da Presidência da República ao Primeiro
Secretário da Câmara dos Deputados, para que tenha início sua tramitação (Constituição, art.
64, caput).
Quanto aos projetos de lei financeira (que compreendem plano plurianual, diretrizes
orçamentárias, orçamentos anuais e créditos adicionais), as mensagens de encaminhamento
dirigem-se aos membros do Congresso Nacional, e os respectivos avisos são endereçados ao
Primeiro Secretário do Senado Federal. A razão é que o art. 166 da Constituição impõe a
deliberação congressual sobre as leis financeiras em sess%o conCunta, mais precisamente, “na
forma do regimento comum¨. E à frente da Mesa do Congresso Nacional está o Presidente do
Senado Federal (Constituição, art. 57, § 5º), que comanda as sessões conjuntas.
As mensagens aqui tratadas coroam o processo desenvolvido no âmbito do Poder
Executivo, que abrange minucioso exame técnico, jurídico e econômico-financeiro das matérias
objeto das proposições por elas encaminhadas.
Tais exames materializam-se em pareceres dos diversos órgãos interessados no assunto
das proposições, entre eles o da Advocacia Geral da União. Mas, na origem das propostas, as
análises necessárias constam da exposição de motivos do órgão onde se geraram, exposição
que acompanhará, por cópia, a mensagem de encaminhamento ao Congresso.
- Enaminhamento de medida provis/ria: Para dar cumprimento ao disposto no art. 62
da Constituição, o Presidente da República encaminha mensagem ao Congresso, dirigida a
seus membros, com aviso para o Primeiro Secretário do Senado Federal, juntando cópia da
medida provisória, autenticada pela Coordenação de Documentação da Presidência da
República.
- $ndia6ão de autoridades: As mensagens que submetem ao Senado Federal a
indicação de pessoas para ocuparem determinados cargos (magistrados dos Tribunais
Superiores, Ministros do TCU, Presidentes e diretores do Banco Central, Procurador-Geral da
República, Chefes de Missão Diplomática etc.) têm em vista que a Constituição, no seu art. 52,
incisos ÌÌÌ e ÌV, atribui àquela Casa do Congresso Nacional competência privativa para aprovar
a indicação. O currículum vitae do indicado, devidamente assinado, acompanha a mensagem.
- 5edido de autoriza6ão para o presidente ou o vie-presidente da Cepúblia se
ausentarem do 5a3s por mais de &> dias: Trata-se de exigência constitucional (Constituição,
art. 49, ÌÌÌ, e 83), e a autorização é da competência privativa do Congresso Nacional.
O presidente da República, tradicionalmente, por cortesia, quando a ausência é por prazo
inferior a 15 dias, faz uma comunicação a cada Casa do Congresso, enviando-lhes mensagens
idênticas.
- Enaminhamento de atos de onessão e renova6ão de onessão de emissoras
de r*dio e @V: A obrigação de submeter tais atos à apreciagão do Congresso Nacional consta
no inciso XÌÌ do artigo 49 da Constituição. Somente produzirão efeitos legais a outorga ou
renovação da concessão após deliberação do Congresso Nacional (Constituição, art. 223, §
3º). Descabe pedir na mensagem a urgência prevista no art. 64 da Constituição, porquanto o §
1º do art. 223 já define o prazo da tramitação.
Além do ato de outorga ou renovação, acompanha a mensagem o correspondente
processo administrativo.
- Enaminhamento das ontas referentes ao eAer3io anterior: O Presidente da
República tem o prazo de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa para enviar ao
Congresso Nacional as contas referentes ao exercício anterior (Constituição, art. 84, XXÌV),
para exame e parecer da Comissão Mista permanente (Constituição, art. 166, § 1º), sob pena
de a Câmara dos Deputados realizar a tomada de contas (Constituição, art. 51, ÌÌ), em
procedimento disciplinado no art. 215 do seu Regimento Ìnterno.
- .ensa!em de abertura da sessão le!islativa: Ela deve conter o plano de governo,
exposição sobre a situação do País e solicitação de providências que julgar necessárias
(Constituição, art. 84, XÌ).
O portador da mensagem é o Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Esta
mensagem difere das demais porque vai encadernada e é distribuída a todos os congressistas
em forma de livro.
- 0omunia6ão de san6ão ?om restitui6ão de aut/!rafos-: Esta mensagem é dirigida
aos membros do Congresso Nacional, encaminhada por Aviso ao Primeiro Secretário da Casa
onde se originaram os autógrafos. Nela se informa o número que tomou a lei e se restituem
dois exemplares dos três autógrafos recebidos, nos quais o Presidente da República terá
aposto o despacho de sanção.
- 0omunia6ão de veto: Dirigida ao Presidente do Senado Federal (Constituição, art. 66,
§ 1º), a mensagem informa sobre a decisão de vetar, se o veto é parcial, quais as disposições
vetadas, e as razões do veto. Seu texto vai publicado na íntegra no Diário Oficial da União, ao
contrário das demais mensagens, cuja publicação se restringe à notícia do seu envio ao Poder
Legislativo.
- Outras mensa!ens: Também são remetidas ao Legislativo com regular frequência
mensagens com:
- encaminhamento de atos internacionais que acarretam encargos ou
compromissos gravosos (Constituição, art. 49, Ì);
- pedido de estabelecimento de alíquolas aplicáveis às operações e prestações
interestaduais e de exportação (Constituição, art. 155, § 2º, ÌV);
- proposta de fixação de limites globais para o montante da dívida consolidada
(Constituição, art. 52, VÌ);
- pedido de autorização para operações financeiras externas (Constituição, art.
52, V); e outros.
Entre as mensagens menos comuns estão as de:
- convocação extraordinária do Congresso Nacional (Constituição, art. 57, § 6º);
- pedido de autorização para exonerar o Procurador-Geral da República (art. 52, XÌ, e
128, § 2º);
- pedido de autorização para declarar guerra e decretar mobilização nacional
(Constituição, art. 84, XÌX);
- pedido de autorização ou referendo para celebrara paz (Constituição, art. 84, XX);
- justificativa para decretação do estado de defesa ou de sua prorrogação (Constituição,
art. 136, § 4º);
- pedido de autorização para decretar o estado de sítio (Constituição, art. 137);
- relato das medidas praticadas na vigência do estado de sítio ou de defesa (Constituição,
art. 141, parágrafo único);
- proposta de modificação de projetas de leis financeiras (Constituição, art. 166, § 5º);
- pedido de autorização para utilizar recursos que ficarem sem despesas
correspondentes, em decorrência de veto, emenda ou rejeição do projeto de lei orçamentária
anual (Constituição, art. 166, § 8º);
- pedido de autorização para alienar ou conceder terras públicas com área superior a
2.500 ha (Constituição, art. 188, § 1º); etc.
As mensagens contêm:
- a indicação do tipo de expediente e de seu número, horizontalmente, no início da
margem esquerda:
Mensagem nd
- vocativo, de acordo com o pronome de tratamento e o cargo do destinatário,
horizontalmente, no início da margem esquerda:
A2celent>ssimo Senor ;residente do Senado -ederal,

- o texto, iniciando a 2 cm do vocativo;
- o local e a data, verticalmente a 2 cm do final do texto, e horizontalmente fazendo
coincidir seu final com a margem direita. A mensagem, como os demais atos assinados pelo
Presidente da República, não traz identificação de seu signatário.
Obs: Modelo no final da matéria.
@ele!rama
Com o fito de uniformizar a terminologia e simplificar os procedimentos burocráticos,
passa a receber o título de telegrama toda comunicação oficial expedida por meio de telegrafia,
telex etc. Por se tratar de forma de comunicação dispendiosa aos cofres públicos e
tecnologicamente superada, deve restringir-se o uso do telegrama apenas àquelas situações
que não seja possível o uso de correio eletrônico ou fax e que a urgência justifique sua
utilização e, também em razão de seu custo elevado, esta forma de comunicação deve
pautar-se pela concisão.
Não há padrão rígido, devendo-se seguir a forma e a estrutura dos formulários disponíveis
nas agências dos Correios e em seu sítio na Ìnternet.
Obs: Modelo no final da matéria.
:aA
O fax (forma abreviada já consagrada de /ac) s>mile) é uma forma de comunicação que
está sendo menos usada devido ao desenvolvimento da Ìnternet. É utilizado para a
transmissão de mensagens urgentes e para o envio antecipado de documentos, de cujo
conhecimento há premência, quando não há condições de envio do documento por meio
eletrônico. Quando necessário o original, ele segue posteriormente pela via e na forma de
praxe.
Se necessário o arquivamento, deve-se fazê-lo com cópia xerox do fax e não com o
próprio fax, cujo papel, em certos modelos, se deteriora rapidamente.
Os documentos enviados por fax mantêm a forma e a estrutura que lhes são inerentes. É
conveniente o envio, juntamente com o documento principal, de folha de rosto, isto é, de
pequeno formulário com os dados de identificação da mensagem a ser enviada.
0orreio Eletr[nio
O correio eletrônico (“e-mail¨), por seu baixo custo e celeridade, transformou-se na
principal forma de comunicação para transmissão de documentos.
Um dos atrativos de comunicação por correio eletrônico é sua flexibilidade. Assim, não
interessa definir forma rígida para sua estrutura. Entretanto, deve-se evitar o uso de linguagem
incompatível com uma comunicação oficial.
O campo assunto do formulário de correio eletrônico mensagem deve ser preenchido de
modo a facilitar a organização documental tanto do destinatário quanto do remetente.
Para os arquivos anexados à mensagem deve ser utilizado, preferencialmente, o formato
Fic 7e2t. A mensagem que encaminha algum arquivo deve trazer informações mínimas sobre
seu conteúdo.
Sempre que disponível, deve-se utilizar recurso de confirmação de leitura. Caso não seja
disponível, deve constar da mensagem pedido de confirmação de recebimento.
Nos termos da legislação em vigor, para que a mensagem de correio eletrônico tenha
(alor documental, isto é, para que possa ser aceita como documento original, é necessário
existir certi/ica'%o digital que ateste a identidade do remetente, na forma estabelecida em lei.
Apostila
É o aditamento que se faz a um documento com o objetivo de retificação, atualização,
esclarecimento ou fixar vantagens, evitando-se assim a expedição de um novo título ou
documento. Estrutura:
- Título: APOSTÌLA, centralizado.
- Texto: exposição sucinta da retificação, esclarecimento, atualização ou fixação da
vantagem, com a menção, se for o caso, onde o documento foi publicado.
- Local e data.
- Assinatura: nome e função ou cargo da autoridade que constatou a necessidade de
efetuar a apostila.
Não deve receber numeração, sendo que, em caso de documento arquivado, a apostila
deve ser feita abaixo dos textos ou no verso do documento.
Em caso de publicação do ato administrativo originário, a apostila deve ser publicada com
a menção expressa do ato, número, dia, página e no mesmo meio de comunicaçao oficial no
qual o ato administrativo foi originalmente publicado, a fim de que se preserve a data de
validade.
Obs: Modelo no final da matéria.
A@A
É o instrumento utilizado para o registro expositivo dos fatos e deliberações ocorridos em
uma reunião, sessão ou assembleia. Estrutura:
- Título - ATA. Em se tratando de atas elaboradas sequencialmente, indicar o respectivo
número da reunião ou sessão, em caixa-alta.
- Texto, incluindo: Preâmbulo - registro da situação espacial e temporal e participantes;
Registro dos assuntos abordados e de suas decisões, com indicação das personalidades
envolvidas, se for o caso; Fecho - termo de encerramento com indicação, se necessário, do
redator, do horário de encerramento, de convocação de nova reunião etc.
A ATA será assinada e/ou rubricada portodos os presentes à reunião ou apenas pelo
presidente e relator, dependendo das exigências regimentais do órgão.
A fim de se evitarem rasuras nas atas manuscritas, deve-se, em caso de erro, utilizar o
termo “digo¨, seguido da informação correta a ser registrada. No caso de omissão de
informações ou de erros constatados após a redação, usa-se a expressão “Em tempo¨ ao final
da ATA, com o registro das informações corretas.
Obs: Modelo no final da matéria.
0arta
É a forma de correspondência emitida por particular, ou autoridade com objetivo
particular, não se confundindo com o memorando (correspondência interna) ou o ofício
(correspondência externa), nos quais a autoridade que assina expressa uma opinião ou dá
uma informação não sua, mas, sim, do órgão pelo qual responde. Em grande parte dos casos
da correspondência enviada por deputados, deve-se usar a carta, não o memorando ou ofício,
por estar o parlamentar emitindo parecer, opinião ou informação de sua responsabilidade, e
não especificamente da Câmara dos Deputados. O parlamentar deverá assinar memorando ou
ofício apenas como titular de função oficial específica (presidente de comissão ou membro da
Mesa, por exemplo). Estrutura:
- Local e data.
- Endereçamento, com forma de tratamento, destinatário, cargo e endereço.
- Vocativo.
- Texto.
- Fecho.
- Assinatura: nome e, quando necessário, função ou cargo.
Se o gabinete usar cartas com frequência, poderá numerá-las. Nesse caso, a numeração
poderá apoiar-se no padrão básico de diagramação.
O fecho da carta segue, em geral, o padrão da correspondência oficial, mas outros fechos
podem ser usados, a exemplo de “Cordialmente¨, quando se deseja indicar relação de
proximidade ou igualdade de posição entre os correspondentes.
Obs: Modelo no final da matéria.
2elara6ão
É o documento em que se informa, sob responsabilidade, algo sobre pessoa ou
acontecimento. Estrutura:
- Título: DECLARAÇÃO, centralizado.
- Texto: exposição do fato ou situação declarada, com finalidade, nome do interessado em
destaque (em maiúsculas) e sua relação com a Câmara nos casos mais formais.
- Local e data.
- Assinatura: nome da pessoa que declara e, no caso de autoridade, função ou cargo.
A declaração documenta uma informação prestada por autoridade ou particular. No caso
de autoridade, a comprovação do fato ou o conhecimento da situação declarada deve serem
razão do cargo que ocupa ou da função que exerce.
Declarações que possuam características específicas podem receber uma qualificação, a
exemplo da “declaração funcional¨.
Obs: Modelo no final da matéria.
2espaho
É o pronunciamento de autoridade administrativa em petição que lhe é dirigida, ou ato
relativo ao andamento do processo. Pode ter caráter decisório ou apenas de expediente.
Estrutura:
- Nome do órgão principal e secundário.
- Número do processo.
- Data.
- Texto.
- Assinatura e função ou cargo da autoridade.
O despacho pode constituir-se de uma palavra, de uma expressão ou de um texto mais
longo.
Obs: Modelo no final da matéria.
Ordem de Servi6o
É o instrumento que encerra orientações detalhadas e/ou pontuais para a execução de
serviços por órgãos subordinados da Administração. Estrutura:
- Título: ORDEM DE SERVÌÇO, numeração e data.
- Preâmbulo e fundamentação: denominação da autoridade que expede o ato (em
maiúsculas) e citação da legislação pertinente ou por força das prerrogativas do cargo, seguida
da palavra “resolve¨.
- Texto: desenvolvimento do assunto, que pode ser dividido em itens, incisos, alíneas etc.
- Assinatura: nome da autoridade competente e indicação da função.
A Ordem de Serviço se assemelha à Portaria, porém possui caráter mais específico e
detalhista. Objetiva, essencialmente, a otimização e a racionalização de serviços.
Obs: Modelo no final da matéria.
5areer
É a opinião fundamentada, emitida em nome pessoal ou de órgão administrativo, sobre
tema que lhe haja sido submetido para análise e competente pronunciamento. Visa fornecer
subsídios para tomada de decisão. Estrutura:
- Número de ordem (quando necessário).
- Número do processo de origem.
- Ementa (resumo do assunto).
- Texto, compreendendo: Histórico ou relatório (introdução); Parecer (desenvolvimento
com razões e justificativas); Fecho opinativo (conclusão).
- Local e data.
- Assinatura, nome e função ou cargo do parecerista.
Além do Parecer Administrativo, acima conceituado, existe o Parecer Legislativo, que é
uma proposição, e, como tal, definido no art. 126 do Regimento Ìnterno da Câmara dos
Deputados.
O desenvolvimento do parecer pode ser dividido em tantos itens (e estes intitulados)
quantos bastem ao parecerista para o fim de melhor organizar o assunto, imprimindo-lhe
clareza e didatismo.
Obs: Modelo no final da matéria.
5ortaria
É o ato administrativo pelo qual a autoridade estabelece regras, baixa instruções para
aplicação de leis ou trata da organização e do funcionamento de serviços dentro de sua esfera
de competência. Estrutura:
- Título: PORTARÌA, numeração e data.
- Ementa: síntese do assunto.
- Preâmbulo e fundamentação: denominação da autoridade que expede o ato e citação da
legislação pertinente, seguida da palavra “resolve¨.
- Texto: desenvolvimento do assunto, que pode ser dividido em artigos, parágrafos,
incisos, alíneas e itens.
- Assinatura: nome da autoridade competente e indicação do cargo.
Certas portarias contêm considerandos, com as razões que justificam o ato. Neste caso, a
palavra “resolve¨ vem depois deles.
A ementa justifica-se em portarias de natureza normativa.
Em portarias de matéria rotineira, como nos casos de nomeação e exoneração, por
exemplo, suprime-se a ementa.
Obs: Modelo no final da matéria.
Celat/rio
É o relato exposilivo, detalhado ou não, do funcionamento de uma instituição, do exercício
de atividades ou acerca do desenvolvimento de serviços específicos num determinado período.
Estrutura:
- Título - RELATÓRÌO ou RELATÓRÌO DE...
- Texto - registro em tópicos das principais atividades desenvolvidas, podendo ser
indicados os resultados parciais e totais, com destaque, se for o caso, para os aspectos
positivos e negativos do período abrangido. O cronograma de trabalho a ser desenvolvido, os
quadros, os dados estatísticos e as tabelas poderão ser apresentados como anexos.
- Local e data.
- Assinatura e função ou cargo do(s) funcionário(s) relator(es).
No caso de Relatório de Viagem, aconselha-se registrar uma descrição sucinta da
participação do servidor no evento (seminário, curso, missão oficial e outras), indicando o
período e o trecho compreendido. Sempre que possível, o Relatório de Viagem deverá ser
elaborado com vistas ao aproveitamento efetivo das informações tratadas no evento para os
trabalhos legislativos e administrativos da Casa.
Quanto à elaboração de Relatório de Atividades, deve-se atentar para os seguintes
procedimentos:
- abster-se de transcrever a competência formal das unidades administrativas já descritas
nas normas internas;
- relatar apenas as principais atividades do órgão;
- evitar o detalhamento excessivo das tarefas executadas pelas unidades administrativas
que lhe são subordinadas;
- priorizar a apresentação de dados agregados, grandes metas realizadas e problemas
abrangentes que foram solucionados;
- destacar propostas que não puderam ser concretizadas, identificando as causas e
indicando as prioridades para os próximos anos;
- gerar um relatório final consolidado, limitado, se possível, ao máximo de dez páginas
para o conjunto da Diretoria, Departamento ou unidade equivalente.
Obs: Modelo no final da matéria.
Ce;uerimento ?5eti6ão-
É o instrumento por meio do qual o interessado requer a uma autoridade administrativa
um direito do qual se julga detentor. Estrutura:
- Vocativo, cargo ou função (e nome do destinatário), ou seja, da autoridade competente.
- Texto incluindo: Preâmbulo, contendo nome do requerente (grafado em letras
maiúsculas) e respectiva qualificação: nacionalidade, estado civil, profissão, documento de
identidade, idade (se maior de 60 anos, para fins de preferência na tramitação do processo,
segundo a Lei 10.741/03), e domicílio (caso o requerente seja servidor da Câmara dos
Deputados, precedendo à qualificação civil deve ser colocado o número do registro funcional e
a lotação); Exposição do pedido, de preferência indicando os fundamentos legais do
requerimento e os elementos probatórios de natureza fática.
- Fecho: “Nestes termos, Pede deferimento¨.
- Local e data.
- Assinatura e, se for o caso de servidor, função ou cargo.
Quando mais de uma pessoa fizer uma solicitação, reivindicação ou manifestação, o
documento utilizado será um abaixo-assinado, com estrutura semelhante à do requerimento,
devendo haver identificação das assinaturas.
A Constituição Federal assegura a todos, independentemente do pagamento de taxas, o
direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso
de poder (art. 51, XXXÌV, “a¨), sendo que o exercício desse direito se instrumentaliza por meio
de requerimento. No que concerne especificamente aos servidores públicos, a lei que institui o
Regime único estabelece que o requerimento deve ser dirigido à autoridade competente para
decidi-lo e encaminhado por intermédio daquela a que estiver imediatamente subordinado o
requerente (Lei nº 8.112/90, art. 105).
Obs: Modelo no final da matéria.
5rotoolo
O registro de protocolo (ou simplesmente “o protocolo“) é o livro (ou, mais atualmente, o
suporte informático) em que são transcritos progressivamente os documentos e os atos em
entrada e em saída de um sujeito ou entidade (público ou privado). Este registro, se
obedecerem a normas legais, têm fé pública, ou seja, tem valor probatório em casos de
controvérsia jurídica.
O termo protocolo tem um significado bastante amplo, identificando-se diretamente com o
próprio procedimento. Por extensão de sentido, “protocolo¨ significa também um trâmite a ser
seguido para alcançar determinado objetivo (“seguir o protocolo¨).
A gestão do protocolo é normalmente confiada a uma repartição determinada, que recebe
o material documentário do sujeito que o produz em saída e em entrada e os anota num
registro (atualmente em programas informáticos), atruibuindo-lhes um número e também uma
posição de arquivo de acordo com suas características.
O registro tem quatro elementos necessários e obrigatórios:
- Número progressivo.
- Data de recebimento ou de saída.
- Remetente ou destinatário.
) Regesto, ou seja, breve resumo do conteúdo da correspondência.
EAemplo de Of3io
(Ministério)
(Secretaria/Departamento/Setor/Entidade)
(Endereço para correspondência)
(Endereço – continuação)
(Telefone e Endereço de Correio Eletrônico)
f!cio n" #$%/&''&/S()*+
,ras!lia- $. de maio de $.&&
/ Sua E0celência o Sen1or
Deputado (2ome)
C3mara dos Deputados
4.&5.)'.. – ,ras!lia – D6
/ssunto7 Demarcação de terras indígenas
Sen1or Deputado-
&8 Em complemento 9s o:ser;aç<es transmitidas pelo tele=rama n" &#%- de $% de
a:ril >ltimo- informo ?ossa E0celência de @ue as medidas mencionadas em sua carta n"
54.A- diri=ida ao Sen1or *residente da +ep>:lica- estão amparadas pelo procedimento
administrati;o de demarcação de terras ind!=enas institu!do pelo Decreto n" $$- de % de
fe;ereiro de &''& (cBpia ane0a)8
$8 Em sua comunicação- ?ossa E0celência ressal;a a necessidade de @ue – na
definição e demarcação das terras ind!=enas – fossem le;adas em consideração as
caracter!sticas sBcio)econômicas re=ionais8
C8 2os termos do Decreto n" $$- a demarcação de terras ind!=enas de;erD ser
precedida de estudos e le;antamentos técnicos @ue atendam ao disposto no art8 $C&- E &"-
da Constituição 6ederal8 s estudos de;erão incluir os aspectos etno)1istBricos-
sociolB=icos- carto=rDficos e fundiDrios8 e0ame deste >ltimo aspecto de;erD ser feito
conFuntamente com o Br=ão federal ou estadual competente8
%8 s Br=ãos p>:licos federais- estaduais e municipais de;erão encamin1as as
informaç<es @ue Ful=arem pertinentes so:re a Drea em estudo8 G i=ualmente asse=urada a
manifestação de entidades representati;as da sociedade ci;il8
#8 s estudos técnicos ela:orados pelo Br=ão federal de proteção ao !ndio serão
pu:licados Funtamente com as informaç<es rece:idas dos Br=ãos p>:licos e das entidades
ci;is acima mencionadas8
58 Como ?ossa E0celência pode ;erificar- o procedimento esta:elecido asse=ura
@ue a decisão a ser :ai0ada pelo Ministro de Estado da Hustiça so:re os limites e a
demarcação de terras ind!=enas seFa informada de todos os elementos necessDrios-
inclusi;e da@ueles assinalados em sua carta- com a necessDria transparência e a=ilidade8
/tenciosamente-
(Nome)
(cargo)
% cm
&"' cm
("' cm
' cm
()* mm
(&+ mm
EAemplo de Aviso
/;iso n" %#/SCT)*+
,ras!lia- $4 de fe;ereiro de $.&&
/ Sua E0celência o Sen1or
(2ome e car=o)
/ssunto7 Seminário sobre o uso de energia no setor público
Sen1or Ministro-
Con;ido ?ossa E0celência a participar da sessão de a:ertura do *rimeiro
SeminDrio +e=ional so:re o Iso Eficiente de Ener=ia no Setor *>:lico- a ser realiJado
em # de março prB0imo- 9s ' 1oras- no auditBrio da Escola 2acional de /dministração
*>:lica – E2/*- localiJada no Setor de Kreas Lsoladas- nesta capital8
SeminDrio mencionado inclui)se nas ati;idades do *ro=rama 2acional das
Comiss<es Lnternas de Conser;ação de Ener=ia em Mr=ãos *>:licos- institu!do pelo
Decreto n" ''85#5- de $5 de outu:ro de &''.8
/tenciosamente-
(2ome do si=natDrio)
(car=o do si=natDrio)
% cm
&"' cm
("' cm
' cm
()* mm
(&+ mm
EAemplo de .emorando
Mem8 &&A/DH
Em &$ de a:ril de $.&&
/o Sr8 C1efe do Departamento de /dministração
/ssunto7 Administração, Instalação de microcomputadores
&8 2os termos do *lano (eral de LnformatiJação- solicito a ?ossa Sen1oria
;erificar a possi:ilidade de @ue seFam instalados três microcomputadores neste
Departamento8
$8 Sem descer a maiores detal1es técnicos- acrescento- apenas- @ue o ideal seria
@ue o e@uipamento fosse dotado de disco r!=ido e de monitor padrão E(/8 Nuanto a
pro=ramas- 1a;eria necessidade de dois tipos7 um processador de te0tos e outro
=erenciador de :anco de dados8
C8 treinamento de pessoal para operação dos micros poderia ficar a car=o da
Seção de Treinamento do Departamento de ModerniJação- cuFa c1efia FD manifestou seu
acordo a respeito.
4. Devo mencionar, por fim, que a informatização dos trabalos
deste Departa!mento ense"ar# racional distribuição de tarefas entre os
servidores e, sobretudo, uma meloria na qualidade dos serviços
prestados.
$tenciosamente,
(Nome do signat#rio)

% cm
&"' cm
("' cm
' cm
()* mm
(&+ mm
EAemplo de EAposi6ão de .otivos de 0ar*ter $nformativo
EM n" ..&%5/&''&)M+E
,ras!lia- $% de maio de $.&&
E0celent!ssimo Sen1or *residente da +ep>:lica-
*residente (eor=e ,us1 anunciou- no >ltimo dia &C- si=nificati;a mudança
da posição norte)americana nas ne=ociaç<es @ue se realiJam – na Conferência do
Desarmamento- em (ene:ra – de uma con;enção multilateral de proscrição total das
armas @u!micas8 /o renunciar 9 manutenção de cerca de dois por cento de seu arsenal
@u!mico até a adesão 9 con;enção de todos os pa!ses em condiç<es de produJir armas
@u!micas- os Estados Inidos reapro0imaram sua postura da maioria dos @uarenta pa!ses
participantes do processo ne=ociador- inclusi;e o ,rasil- a:rindo possi:ilidades concretas
de @ue o tratado a ser conclu!do e assinado em praJo de cerca de um ano8 (888)

/tenciosamente-

(2ome)
(car=o)
% cm
&"' cm
("' cm
' cm
' cm
("' cm
("' cm
& cm
EAemplo de .ensa!em
ExempIo de Fax (Forma e Estrutura)
Mensa=em n" &&A
E0celent!ssimo Sen1or *residente do Senado 6ederal-
Comunico a ?ossa E0celência o rece:imento das mensa=ens SM n"s &.5 a
&&.- de &''&- nas @uais informo a promul=ação dos Decretos Oe=islati;os n"s 'C a '4- de
&''&- relati;os 9 e0ploração de ser;iços de radiodifusão8

,ras!lia- $A de março de $.&&

% cm
&"' cm
' cm
, cm
( cm
()* mm
(&+ mm
EAemplo de @ele!rama
PBr=ão E0pedidorl
Psetor do Br=ão e0pedidorQ
Pendereço do Br=ão e0pedidorQ
DestinatDrio7 RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
2" do fa0 de destino7 RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR Data7 RRR/RRR/RRRRR
+emetente7 RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
Tel8 p/ contato7 RRRRRRRRRRRRRRRRRRRR6a0/correio eletrônico7 RRRRRRRRRRRRRRRR
2" de pD=inas7 esta S RRRRRR2" do documento7 RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
:ser;aç<es7 RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
RRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR
EAemplo de Apostila
/*STLO/
/ Diretora da Coordenação de Secretariado *arlamentar do Departamento
de *essoal declara @ue o ser;idor Hosé da Sil;a- nomeado pela *ortaria CD)CC)
+N)..&/$..%- pu:licada no Suplemento ao ,oletim /dministrati;o de C. de março
de $..%- te;e sua situação funcional alterada- de SecretDrio *arlamentar
+e@uisitado- ponto n8 &$C- para SecretDrio *arlamentar sem ;!nculo efeti;o com o
ser;iço p>:lico- ponto n8 &.#8&$C- a partir de && de a:ril de $..%- em face de
decisão contida no *rocesso n8 $#8..&/$..%8
,ras!lia- em $5/#/$.&&
Maria da Sil;a
Diretora
EAemplo de A@A
C/M/+/ DS DE*IT/DS
CE2T+ DE DCIME2T/TU E L26+M/TU
Coordenação de *u:licaç<es
/T/
/s &.1&#min- do dia $% de maio de $.&&- na Sala de +eunião do Cedi- a
Sra8 Maria da Sil;a- Diretora da Coordenação- deu in!cio aos tra:al1os com a leitura
da ala da reunião anterior- @ue foi apro;ada- sem alteraç<es8 Em prosse=uimento-
apresentou a pauta da reunião- com a inclusão do item V*roFetos Conclu!dosV- sendo
apro;ada sem o acréscimo de no;os itens8 Tomou a pala;ra o Sr8 Hosé da Sil;a- C1efe
da Seção de MarWetin=- @ue apresentou um :re;e relato das ati;idades desen;ol;idas
no trimestre- incluindo o lançamento dos no;os produtos8 Em se=uida- o Sr8 MDrio
dos Santos- C1efe da Tipo=rafia- ressaltou @ue nos >ltimos meses os tra:al1os
en;iados para pu:licação esta;am de acordo com as normas esta:elecidas-
para:eniJando a todos pelos resultados alcançados8 Com relação aos proFeXos
conclu!dos- a Diretora esclareceu @ue todos manti;eram)se dentro do crono=rama de
tra:al1o preesta:elecido e @ue serao encamin1ados 9 =rDfica na prB0ima semana8 Ys
&&1%#min a Diretora encerrou os tra:al1os- antes con;ocando reunião para o dia $ de
Fun1o- @uarta)feira- 9s &. 1oras- no mesmo local8 2ada mais 1a;endo a tratar- a
reunião foi encerrada- e eu- /na de SouJa- la;rei a presente ata @ue ;ai assinada por
mim e pela Diretora8
Diretora
SecretDria
EAemplo de 0arta
CZM/+/ DS DE*IT/DS
(/,L2ETE D/ DE*IT/D/ M/+L/ D/ SLO?/
,ras!lia- % de maio de $.&&8
/o Sen1or
Hosé Maria da Sil;a
+ua ,ul1<es de Car;al1o- $'C- Copaca:ana
$.C#.).4. ) +io de Haneiro – +H
*reJado Sen1or-
Em atenção 9 carta de ?8 Sa8- informo @ue o processo de transferência de
estudantes para as escolas técnicas federais é feito de forma p>:lica- com normas
esta:elecidas em editais e di;ul=adas pelas instituiç<es8 Ca:e ao candidato pleitear a
;a=a de acordo com os critérios esta:elecidos8
Contando com a compreensão de ?8 S[8- coloco)me 9 disposição para sanar
e;entuais d>;idas @uanto a esse assunto8
Cordialmente-
Maria da Sil;a
Deputada 6ederal
EAemplo de 2elara6ão
CZM/+/ DS DE*IT/DS
DE*/+T/ME2T DE *ESS/O
Coordenação de +e=istro 6uncional
DECO/+/TU
Declaro- para fins de pro;a Funto ao Supremo Tri:unal 6ederal- @ue HSG D/
SLO?/- e0)ser;idor da C3mara dos Deputados- te;e declarada a ;ac3ncia do car=o de
/nalista Oe=islati;o ) atri:uição /ssistente Técnico- a partir de $/&/$..% (DCD de
C/&/$..%)8 referido e0)ser;idor não usufruiu das férias relati;as ao e0erc!cio de
$..C e- em seus assentos funcionais- consta a concessão de C. (trinta) dias de licença
para capacitação- referente ao @uin@uênio &C/&/&''# a $5/&/$... (*rocesso n8
#8444/$..C- pu:licado no ,oletim /dministrati;o n8 &#- de 4/&/$..%)8
,ras!lia- &. de fe;ereiro de $.&&8
Maria Hosé da Sil;a
Diretora
EAemplo de 2espaho
CZM/+/ DS DE*IT/DS
*+LMEL+/)SEC+ET/+L/
*rocesso n 8 888888888
Em 8888 / 8888 /$.. 888
/o Sen1or *residente da C3mara dos Deputados- por força do disposto no inciso
L do art8 4. do +e=imento do Cefor- c/c o art8 '#- da Oei n8 A8&&$/'.- com parecer fa;orD;el
desta Secretaria- nos termos das informaç<es e manifestaç<es dos Br=ãos técnicos da Casa8
Deputado Hosé da Sil;a
*rimeiro)SecretDrio
EAemplo de Ordem de Servi6o
CZM/+/ DS DE*IT/DS
C2SIOT+L/ TGC2LC/
+DEM DE SE+?LT 28 C- DE 5/5/$.&.
DL+ET+ D/ C2SIOT+L/ TGC2LC/ D/ CZM/+/ DS
DE*IT/DS- no uso de suas atri:uiç<es- resol;e7
&8 /s salas C e % da Consultoria Técnica ficam destinadas a reuni<es de tra:al1o
com deputados- consultores e ser;idores dos setores de apoio da Consultoria Técnica8
$8 /s reuni<es de tra:al1o serão a=endadas pre;iamente pela Diretoria da
Coordenação de Ser;iços (erais8
88888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
58 \a;endo mais de uma solicitação de uso para o mesmo 1orDrio- serD adotada
a se=uinte ordem de preferência7
& ) reuni<es de tra:al1o com a participação de deputados]
&& ) reuni<es de tra:al1o da diretoria]
&&& ) reuni<es de tra:al1o dos consultores]
L? 8 8888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
888888888
? 8 88888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
8888888888
48 cancelamento de reunião de;erD ser imediatamente comunicado 9 Diretor!a
da Coordenação de Ser;iços (erais8
Hosé da Sil;a
Diretor
EAemplo de 5areer
*/+ECE+ HI+^DLC
De7 Departamento Hur!dico
*ara7 (erente /dministrati;o
Sen1or (erente-
Com relação 9 @uestão so:re a esta:ilidade pro;isBria por =estação- ou não- da empre=ada 6ulana de Tal-
passamos a analisar o assunto8
arti=o &.- letra _:`- do /DCT- asse=ura esta:ilidade 9 empre=ada =estante- desde a confirmação da =ra;ideJ até
cinco meses apBs o parto8
2esta 1ipBtese- e0iste responsa:ilidade o:Feti;a do empre=ador pela manutenção do empre=o- ou seFa- :asta
compro;ar a =ra;ideJ no curso do contrato para @ue 1aFa incidência da re=ra @ue asse=ura a esta:ilidade pro;isBria no
empre=o8 fundamento Fur!dico desta esta:ilidade é a proteção 9 maternidade e 9 inf3ncia- ou seFa- prote=er a =estante e o
nascituro- asse=urando a di=nidade da pessoa 1umana8
/ confirmação da =ra;ideJ- e0pressão utiliJada na Constituição- refere)se 9 afirmati;a médica do estado
=estacional da empre=ada e não e0i=e @ue o empre=ador ten1a ciência pré;ia da situação da =ra;ideJ8 2este sentido tem
sido as reiteradas decis<es do C8 TST- culminando com a edição da S>mula n8 $%%- @ue assim disciplina a @uestão7
L ) descon1ecimento do estado =ra;!dico pelo empre=ador não afasta o direito ao pa=amento da indeniJação
decorrente da esta:ilidade8 (art8 &.- LL- V:V do /DCT)8 (e0)H n" AA – DH &58.%8$..%)8
LL ) / =arantia de empre=o 9 =estante sB autoriJa a reinte=ração se esta se der durante o per!odo de esta:ilidade8
Do contrDrio- a =arantia restrin=e)se aos salDrios e demais direitos correspondentes ao per!odo de esta:ilidade8 (e0)S>mula
n" $%% – +es &$&/$..C- DH &'8&&8$..C)8
LLL ) 2ão 1D direito da empre=ada =estante 9 esta:ilidade pro;isBria na 1ipBtese de admissão mediante contrato de
e0periência- ;isto @ue a e0tinção da relação de empre=o- em face do término do praJo- não constitui dispensa ar:itrDria ou
sem Fusta causa8 (e0)H n" &'5 ) Lnserida em .A8&&8$...)8
2o caso colocado em anDlise- perce:e)se @ue não 1a;ia confirmação da =estação antes da dispensa8 /o contrDrio-
diante da suspeita de =ra;ideJ- a empresa te;e o cuidado de pedir a realiJação de e0ame la:oratorial- o @ue foi feito- não
tendo sido confirmada a =ra;ideJ8 / empresa sB dispensou a empre=ada depois @ue l1e foi apresentado o resultado
ne=ati;o do teste de =ra;ideJ8 / confirmação do estado =estacional sB ;eio apBs a dispensa8
/ssim- para solução da @uestão- importante inda=ar se =ra;ideJ confirmada no curso a;iso pré;io indeniJado
=arante ou não a esta:ilidade8
TST tem decidido (S>mula C4&)- @ue a proFeção do contrato de tra:al1o para o futuro- pela concessão de a;iso
pré;io indeniJado- tem efeitos limitados 9s ;anta=ens econômicas o:tidas no per!odo de pré)a;iso8 Este entendimento
e0clui a esta:ilidade pro;isBria da =estante- @uando a =ra;ideJ ocorre apBs a rescisão contratual8
/ =ra;ideJ super;eniente 9 dispensa- durante o a;iso pré;io indeniJado- não asse=ura a esta:ilidade8 Contudo- na
1ipBtese dos autos- em:ora a =ra;ideJ ten1a sido confirmada no curso do a;iso pré;io indeniJado- certo é @ue a
empre=ada FD esta;a =rD;ida antes da dispensa- como atestam os e0ames traJidos aos autos8 / conclusão da
ultrossono=rafia o:stétrica afirma @ue em C. de Ful1o de $..' a idade =estacional eco=rafica era de pouco mais de &C
semanais- portanto- na data do afastamento a reclamante FD conta;a com mais de .& mês de =ra;ideJ8
Em face do e0posto- considerando os fundamentos Fur!dicos do instituto da esta:ilidade da =estante- considerando
@ue a responsa:ilidade do empre=ador pela manutenção do empre=o é o:Feti;a e considerando @ue o descon1ecimento do
estado =ra;!dico não impede o recon1ecimento da =ra;ideJ- conclui)se @ue7
a) não e0iste esta:ilidade @uando a =ra;ideJ ocorre na ;i=ência do a;iso pré;io indeniJado]
:) fica asse=urada a esta:ilidade @uando- em:ora confirmada no per!odo do a;iso pré;io indeniJado- a =ra;ideJ
ocorre antes da dispensa8
De acordo com tais conclus<es- entendemos @ue a empresa de;e proceder a reinte=ração da empre=ada diante da
esta:ilidade pro;isBria decorrente da =estação8
G o parecer8
(localidade)- (dia) de (mês) de (ano)8
(assinatura)
(nome)
(car=o)
EAemplo de 5ortar3a
CZM/+/ DS DE*IT/DS
DL+ET+L/)(E+/O
*+T/+L/ 28 &- de &C/&/$.&.
Disciplina a utiliJação da c1ancela eletrônica
nas re@uisiç<es de passa=ens aéreas e diDrias de
;ia=ens- autoriJadasem processos
administrati;os no 3m:ito da C3mara dos
Deputados e assinadas pelo Diretor)(eral8
DL+ET+)(E+/O D/ CZM/+/ DS DE*IT/DS- no uso das
atri:uiç<es @ue l1e confere o arti=o &%4- item X?- da +esolução n8 $.- de C. de
no;em:ro de &'4&- resol;e7
/rt8 && 6ica institu!do o uso da c1ancela eletrônica nas re@uisiç<es de
passa=ens aéreas e diDrias de ;ia=ens- autoriJadas em processos administrati;os pela
autoridade competente e assinadas pelo Diretor)(eral- para parlamentar- ser;idor ou
con;idado- no 3m:ito da C3mara dos Deputados8
/rt8 $& / c1ancela eletrônica- de acesso restrito- serD ;Dlida se autenticada
mediante cBdi=o de se=urança e acompan1ada do atesto do C1efe de (a:inete da
Diretoria(eral ou do seu primeiro su:stituto8
/rt8 C& Esta portaria entra em ;i=or na data de sua pu:licação8
Sér=io Sampaio Contreiras de /lmeida
Diretor)(eral
.odelo de Celat/rio
CZM/+/ DS DE*IT/DS
M+(U *+L2CL*/O
Br=ão SecundDrio
+EO/TM+L
Lntrodução
/presentar um :re;e resumo das temDticas a serem a:ordadas8 Em se
tratando de relatBrio de ;ia=em- indicar a denominação do e;ento- local e per!odo
compreendido8
TBpico &
/tri:uir uma temDtica para o relato a ser apresentado8
888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
TBpico &8&
\a;endo su:di;is<es- os assuntos su:se@aentes serão apresentados
1ierar@uiJados 9 temDtica =eral8
888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
TBpico $
/tri:uir uma temDtica para o relato a ser apresentado8
8888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
C8 Consideraç<es finais
8888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
,ras!lia- 8888888888888888888888de de $.&888
2ome
6unção ou Car=o
.odelo de Ce;uerimento
CZM/+/ DS DE*IT/DS
M+(U *+L2CL*/O
Mr=ão SecundDrio
(?ocati;o)
(Car=o ou função e nome do destinatDrio)
888888888888888888888888888888888888 (nome do re@uerente- em mai>sculas) 88888888888888888888888888
8888888888888888888888888888888888888888888888888888888888 (demais dados de @ualificação)- re@uer 88888888888888888
88888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888888
2estes termos-
*ede deferimento8
,ras!lia- 888888888888888888888888de 888888888888888888de $.&88888
2ome
Car=o ou 6unção

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