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Manual de Operação de ETE

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SANEAMENTO DE GOIÁS S/A

DIRETORIA DE PRODUÇÃO
OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE
TRATAMENTO DE ESGOTO
Participação:
P-GET / P-GTE / E-GSH / PR-GG / P/SLE
Apoio:
A-GDP
GERÊNCÌA DE DESENVOLVÌMENTO DE PESSOAL
MANUAL DE OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
CAPÌTULO 1
GESTÃO DO MEÌO AMBÌENTE E SANEAMENTO AMBÌENTAL
Autor: Eng. Civil Áttila Moraes Jardim Júnior
1.1) Crescimento PopuIacionaI e Econômico X Preservação AmbientaI
A questão ambiental vem merecendo, a cada dia, maior interesse das nações, em todo o
Planeta. Ìsto porque, o desenvolvimento do mundo moderno evidencia que os recursos
naturais não estão sendo suficientes para atender a demanda do sistema econômico e
também, por outro lado, o meio ambiente tem se mostrado limitado para absorver os
resíduos e rejeitos gerados.
Na verdade, promover o desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo preservar o meio
ambiente representa grande desafio para todos os povos. A esse modelo, que compatibiliza
adequadamente dois objetivos antagônicos denomina-se "desenvolvimento sustentável¨.
Atingir esse estágio de desenvolvimento exige das nações muito esforço individual, quando
o impacto apresenta-se local. Por outro lado, quando os impactos do desenvolvimento
apresentam-se geograficamente difusos a solução demanda acordos internacionais, o que
representa um grau a mais de complexidade ao assunto. Pode-se citar como exemplo
desses diferentes graus de dificuldades, que os países desenvolvidos conseguiram,
satisfatoriamente, despoluir seus rios, por tratar-se de poluição geograficamente delimitada.
Por outro lado, não estão obtendo sucesso em controlar o nível de gás carbônico na
atmosfera. Acordos internacionais sempre representam prejuízos diferenciados para os
envolvidos.
Ao se verificar a demografia da Terra, Tabela 1, fica evidente que uma das razões para a
natureza não vir atendendo a demanda do sistema econômico deve-se a alta taxa de
crescimento populacional. Esse crescimento apresenta uma face mais perversa ao retratar
que os países mais pobres apresentam as mais altas taxas de crescimento populacional.
Em outras palavras, isto representa dizer que a desigualdade econômica existente entre os
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países está aumentando a cada dia.
Tabela 1: População estimada e projetada para o Mundo
POPULAÇÃO ESTIMADA TAXA DE CRESCIMENTO
(milhões de habitantes) (% ao ano)
ANO 1950 2000 2050 1950-2000 2000-2050
M U N D O 2518 6071 8919 1,76 0,77
PAISES DESENVOLVIDOS 813 1194 1221 0,77 0,04
PAÌSES EM DESENVOLVÌMENTO 1705 4877 7699 2,1 0,91
Mais Pobres 200 668 1675 2,41 1,84
Outros 1505 4209 6024 2,06 0,72
Fonte: Departamento de Economia e Assuntos Sociais ÷ Nações Unidas (2002)
Além do aumento populacional, outro componente contribui muito para o agravamento
ambiental do planeta. As economias das nações estão apresentando vertiginosos
crescimentos em suas escalas. Ìsto quer dizer que o nível de produção e consumo do
planeta está, por isto, também crescendo. Esse fenômeno é comum principalmente entre os
países ricos, mas também está presente em grande parte dos países em desenvolvimento.
Assim, o crescimento populacional aliado aos crescimentos das escalas das economias
estão promovendo a escassez de recursos naturais da Terra e evidenciando sua fragilidade
em absorver os resíduos e rejeitos decorrentes desse desenvolvimento.
1.2) Recursos Hídricos
Um dos mais importantes recursos naturais da Terra trata-se da água. Ela exerce notável
influência sobre todas as formas de vida no planeta. Pode ser definida de várias maneiras,
dependendo do ângulo de observação. Para os químicos, ela é um composto inorgânico
formado por duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. Para os físicos, ela é a única
substância que, a temperatura normal, se apresenta na natureza nos três estados físicos
(sólido, liquido e gasoso). Para os biólogos, ela é a substância responsável pela existência e
manutenção de vida. Sem ela não haveriam as condições necessárias para a existência se
quer de uma espécie. Para os teólogos, a água é uma dádiva de Deus, que purifica,
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abençoa, nutre e proporciona aos indivíduos o pão da vida. Para os sanitaristas, ela é um
recurso natural renovável e estocável, a qual está contida na atmosfera, em formações
rochosas, em depósitos subterrâneos, além de fazer parte do solo, dos animais, das plantas
e dos minérios. Para a legisladores brasileiros, a água é um bem público de uso comum,
não suscetível de direito de propriedade. Para os economistas, a água é um recurso natural
renovável, porém limitado e escasso, de grande valor econômico, pelo menos em termos de
valor de uso.
Embora dois terços da superfície do planeta Terra sejam formados por esse composto
químico, a água, em condições de ser utilizada para o abastecimento público, representa-se
um bem escasso. A água doce é um percentual muito baixo em relação ao total existente no
globo, cerca de 3%. Destes, cerca de 2/3 formam as placas polares. Outra parte é de difícil
aproveitamento, pois encontra-se no subsolo a grandes profundidades. Certo é que a água
de rios, lagos e subterrânea aproveitáveis representam apenas 0,03% do total dos recursos
hídricos da Terra. A figura 1, abaixo, facilita o entendimento dessa situação.
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Outro assunto de interesse ao se tratar os recursos hÍdricos é descrever o ciclo hidrológico,
que evidencia os fluxos da água junto a camada superficial na Terra. Esse ciclo, provocado
pela absorção da energia solar, é responsável pelo clima e outros fenômenos de primordial
importância: a sobrevivência da ecodiversidade. A figura 2, abaixo, apresenta uma
visualização sintética desse ciclo.
O tratamento dispensado aos recursos hídricos deve merecer esforço de todas as nações
para não ocorrerem graves problemas de escassez e poluição. Um dos grandes problemas
nesse aspecto prende-se a distribuição irregular desse bem no globo terrestre.
Os recursos hídricos atendem a muitos interesses da humanidade, daí a necessidade de se
estabelecer regras para o seu múltiplo uso. Existem formas diferentes de utilização dos
recursos hídricos:
1 - o uso é dito consuntivo quando se retira água de um manancial, exemplo: irrigação,
abastecimento humano, dessedentação de animais e abastecimento industrial;
2 - o uso é dito não consuntivo quando não se retira água do manancial, como é o caso da
pesca, navegação, represamento para geração de energia, ou mesmo para lazer e
recreação.
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Outro aspecto relevante a ser mencionado, quando se procura uma abordagem sintética
sobre a gestão dos recursos hídricos, trata-se do conceito de bacia hidrográfica. A bacia
hidrográfica representa a delimitação de toda uma região que contribua para um dado corpo
d'água. No gerenciamento de um corpo hídrico as fronteiras da bacia hidrográfica devem
prevalecer sobre as fronteiras intergovernamentais, pois muitas vezes, um corpo d'água que
se destina a diluição de esgotos em um país pode vir a representar manancial de
abastecimento público de uma nação vizinha.
O uso de água para abastecimento público com o conseqüente retorno das águas servidas
ao corpo hídrico representa assunto do maior interesse ambiental e também de saúde
pública. O estudo desse campo do conhecimento, no entanto, se dá no âmbito do
saneamento ambiental.
1.3) Saneamento AmbientaI e Saúde PúbIica
Segundo a Organização Mundial da Saúde ÷ OMS, saneamento é o controle de todos os
fatores do meio físico do homem, que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre seu
bem estar físico, mental ou social. Representa, em outras palavras, um estado de completo
bem estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doenças.
Para promover este bem estar, o saneamento constitui um conjunto de ações sobre o meio
ambiente físico, de controle ambiental, com o objetivo básico de proteger a saúde do
homem.
1.4) Os serviços de saneamento podem assim ser sintetizados:
Abastecimento de água: abastecimento de água para as populações, com qualidade
compatível com a saúde publica e em quantidade suficiente para a garantia de condições
básicas de conforto;
Coleta e tratamento de esgoto: coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e
sanitariamente segura dos esgotos sanitários, neles incluídos os rejeitos provenientes das
atividades domésticas, comercial e de serviços, industrial e pública;
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Coleta, tratamento e disposição final de resíduos sólidos: Coleta, tratamento e disposição
ambientalmente adequada e sanitariamente segura de resíduos sólidos provenientes das
atividades domésticas, comercial e de serviços, industrial e pública;
Drenagem Pluvial: coleta de águas pluviais e controle de empoçamentos e inundações; e
Controle de Vetores: controle de vetores de doenças transmissíveis (insetos, roedores,
moluscos, etc).
Recentemente o conceito de saneamento vem sendo alterado de saneamento básico para
saneamento ambiental. Ìsto porque, o estabelecimento de condições mínimas ambientais
não poderiam ficar ausentes das necessidades de bem estar do homem. Daí a adoção do
novo conceito, a seguir descrito:
SANEAMENTO AMBIENTAL: É o conjunto de ações socioeconômicas que tem por objetivo
alcançar um meio ambiente com sanidade, por meio de abastecimento de água potável,
coleta, tratamento e disposição sanitária de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, promoção
da disciplina sanitária do uso do solo, drenagem urbana, controle de doenças transmissíveis
e demais serviços e obras especializadas, com a finalidade de proteger e melhorar as
condições de vida rural e urbana.
.....................................
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CAPÍTULO 2
CONCEÌTOS BÁSÌCOS DE UM SÌSTEMA DE ESGOTAMENTO SANÌTÁRÌO
Autores: Engª Ana Lúcia Colares Lopes Rocha
Engº Romis Alberto da Silva
2.1) O que é esgoto?
É todo despejo proveniente dos diversos usos da água, tais como as de uso doméstico,
contendo matéria fecal e águas servidas, industrial, de utilidade pública, de áreas agrícolas,
de superfície, de infiltração, pluviais e outros efluentes sanitários. Outra denominação:
águas residuárias.
2.2) AIguns conceitos básicos:
 Sistema de Esgotos Sanitários - SES: é o conjunto de obras e instalações destinadas a
propiciar:
-coleta;
-transporte e afastamento;
- tratamento;
-disposição final dos esgotos de forma adequada;
 Esgoto Bruto: esgoto não tratado;
 Esgoto tratado: esgoto após a etapa de tratamento, que remove seus principais
poluentes;
 Águas de infiltração: parcela de contribuição dos esgotos que provêm das águas do sub-
solo, que penetra nas canalizações de esgotos através das juntas, poços de visita e
defeitos nas estruturas do sistema;
 Águas pluviais: parcela das águas da chuva que escoa superficialmente;
 Corpo receptor: corpo d' água que recebe o lançamento de esgotos brutos ou tratados;
 Contaminação: introdução de substâncias nocivas no meio, como por exemplo,
organismos patogênicos e metais pesados;
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 ETE ÷ Estação de Tratamento de Esgotos;
 EEE ÷ Estação elevatória de esgotos;
 Montante: direção para o lado da nascente, de onde correm as águas;
 Jusante: direção para o lado da foz, para onde correm as águas de uma corrente fluvial;
 Esgoto Afluente à ETE: esgoto bruto ou parcialmente tratado que flui para uma unidade
de tratamento;
 Esgoto Efluente à ETE: esgoto que flui de um sistema de uma unidade de tratamento;
 Esgoto fresco: esgoto bruto recém gerado;
 Esgoto séptico: Esgoto em meio anaeróbio, muito poluído;
 Vazão de Esgotos: a vazão ou descarga de esgotos expressa a relação de quantidade do
esgoto transportado em um período de tempo. Normalmente a vazão é representada pela
letra¨Q¨ e é expressa em unidade de volume por unidade de tempo: l/s, m³/h, etc...;
 A vazão média de esgotos domésticos é calculada com base no consumo de água da
localidade, ou seja, em função do consumo médio diário de água de um indivíduo,
denominado quota per-capita (QPc). Calcula-se a vazão de esgotos utilizando-se do
conceito de coeficiente de retorno água-esgoto. Tal coeficiente situa-se em torno de 80%,
ou seja, para cada 100 litros de água consumida são lançados aproximadamente 80 litros
de esgotos na rede coletora;
 A vazão de infiltração no sistema de esgotos sanitários ocorre através de tubos
defeituosos, conexões, juntas ou paredes dos poços de visita. A quantidade de água
infiltrada depende de diversos fatores como tipo de material das tubulações, tipo de junta
empregada, tipo de solo, extensão da rede coletora, profundidade do lençol freático. É
expressa em l/s/m ou l/s/km;
 Vazão industrial: a vazão de esgotos produzida depende do tipo e porte da indústria;
 Bacia / sub-bacia de contribuição de esgotos: corresponde à parte ou toda área da bacia
hidrográfica que drenam os esgotos. Entende-se por bacia hidrográfica a área da
superfície terrestre drenada por um determinado curso d' água e limitada perifericamente
pelo limite do divisor das águas.
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2.3) CIassificação dos esgotos:
Os esgotos que chegam às Estações de Tratamento de Esgotos são basicamente
originados de três fontes distintas:
 Esgotos domésticos;
 Águas de infiltração;
 Efluentes não domésticos - os esgotos não domésticos deverão passar por pré-
tratamentos e/ou tratamentos específicos antes de serem lançados no sistema coletor
público ou no corpo receptor.
Esgotos Domésticos:
Provêm principalmente das residências, edificações comerciais, instituições ou quaisquer
edificações que contenham instalações de banheiro, lavanderias, cozinhas ou qualquer
dispositivo de utilização de água para fins domésticos.
Esgotos Não Domésticos:
Provêm principalmente de indústrias ÷ esgotos industriais, de hospitais, laboratórios,
unidades de saúde, lavanderias, lavajatos, oficinas mecânicas. Esses esgotos possuem
características próprias em função da atividade e do processo industrial empregados.
2.4) Características do esgoto:
2.4.1) Características físicas:
As características mencionadas a seguir são parâmetros de relevância para o estudo dos
esgotos sanitários:
Teor de sólidos: Os esgotos domésticos apresentam em média 0,08% de matéria sólida e
99,2% de água. A matéria sólida total do esgoto pode ser definida como a matéria que
permanece como resíduo após evaporação a 103°C.
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Temperatura: é ligeiramente superior a das águas de abastecimento; variação conforme as
estações do ano, sendo mais estável que a temperatura do ar. Ìnfluencia na atividade
microbiana, na solubilidade dos gases e na viscosidade do líquido;
Odor: No esgoto fresco o odor é oleoso, relativamente desagradável, no esgoto séptico o
odor é fétido, desagradável, devido ao gás sulfídrico e outros produtos da decomposição;
Cor: Os componentes responsáveis pela cor são os sólidos dissolvidos. No esgoto fresco a
cor é ligeiramente cinza, no esgoto séptico a cor é cinza escuro ou preto;
Turbidez: Representa o grau de interferência com a passagem de luz através do líquido,
conferindo uma aparência turva no mesmo. È causada por uma grande variedade de sólidos
em suspensão. Esgotos mais frescos ou mais concentrados geralmente possuem maior
turbidez.
2.4.2) Características químicas:
A origem dos esgotos permite classificar as características químicas em dois grandes
grupos:
a) da matéria orgânica;
b) da matéria inorgânica
a) Cerca de 70% dos sólidos no esgoto são de origem orgânica. Geralmente, estes
compostos orgânicos são uma combinação de carbono, hidrogênio, oxigênio, algumas
vezes com nitrogênio. Os grupos de substâncias orgânicas são constituídos principalmente
por:
 compostos de proteínas (40 a 60%);
 carboidratos (25 a 50%);
 gordura e óleos (10%);
 uréia, surfatantes, fenóis, pesticidas, etc.
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b) A matéria inorgânica contida nos esgotos é formada, principalmente pela presença de
areia e de substâncias minerais dissolvidas. A areia é proveniente de água de lavagem de
ruas e de águas do subsolo, que chegam às galerias de indevidamente ou se infiltram
através das juntas das canalizações.
2.4.3) Características bioIógicas:
Os principais organismos encontrados nos rios e nos esgotos são as bactérias, os fungos,
os protozoários, os vírus, as algas e os grupos de plantas e de animais.
As bactérias constituem talvez o elemento mais importante deste grupo de organismos, que
são responsáveis pela decomposição e estabilização da matéria orgânica, tanto na natureza
como nas unidades de tratamento biológico.
Há vários organismos cuja presença num corpo d'água indica uma forma qualquer de
poluição. As bactérias coliformes são típicas do intestino do homem e de outros animais de
sangue quente (mamíferos em geral) e, justamente por estarem sempre presentes no
excremento humano (100 a 400 bilhões de coliformes/habitante x dia) e serem de simples
determinação, são adotadas como referência para indicar a grandeza da contaminação.
2.5) Sistema de esgotos sanitários
À medida que as comunidades e a concentração da população tornam-se maiores, as
soluções individuais para o destino do esgoto doméstico devem dar lugar às soluções de
caráter coletivo denominadas de "sistema de esgotos¨. O sistema unitário consiste na
coleta de águas pluviais, dos esgotos domésticos e dos despejos industriais em um único
coletor.
No sistema separador absoIuto , os esgotos domésticos ficam completamente separados
dos esgotos pluviais. É o sistema adotado no Brasil. Um sistema de esgotos sanitário é
constituído das seguintes unidades:
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Ramal Predial: Os ramais prediais são os ramais domiciliares, que transportam os esgotos
para a rede pública de coleta.
Coletor: Os coletores recebem os esgotos das residências e demais edificações,
transportando-os aos coletores-tronco. Por transportarem uma menor vazão, possuem
diâmetros proporcionalmente menores que os das demais tubulações.
Coletor-tronco: Os coletores-tronco recebem as contribuições dos coletores, transportando-
os aos interceptores. Os diâmetros são usualmente mais elevados que os dos coletores.
Ìnterceptor: Os interceptores correm nos fundos de vale, margeando cursos d'água ou
canais. Os interceptores são responsáveis pelo transporte dos esgotos gerados na sua sub-
bacia, evitando que os mesmos sejam lançados nos corpos d'água. Em função das maiores
vazões transportadas, os diâmetros são usualmente maiores que os dos coletores-tronco.
Emissário: Os emissários são similares aos interceptores, com a diferença de que não
recebem contribuições ao longo do percurso. A sua função é transportar os esgotos até a
estação de tratamento de esgotos.
Poços de Visita: Os poços de visita (Pvs), são estruturas complementares do sistema de
esgotamento. A sua finalidade é permitir a inspeção e limpeza da rede. Podem ser
adotados nos trechos iniciais da rede, nas mudanças (direção, declividade, diâmetro ou
material), nas junções e em trechos longos.
Elevatória (EEE): Quando as profundidades das tubulações tornam-se demasiado elevadas,
quer devido à baixa declividade do terreno, quer devido à necessidade de se tranpor uma
elevação, torna-se necessário bombear os esgotos para um nível mais elevado. A partir
desse ponto, os esgotos podem voltar a fluir por gravidade. As unidades que fazem o
bombeamento são denominadas elevatrias, e as tubulações que transportam o esgoto
bombeado são denominadas linhas de recal!"e.
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Estação de tratamento de esgotos (ETE): A finalidade das estações de tratamento de
esgotos é a de remover os poluentes dos esgotos, os quais viriam a causar uma
deterioração da qualidade dos corpos d'água. A etapa de tratamento de esgotos tem sido
negligenciada em nosso meio, mas deve-se reforçar que o sistema de esgotamento
sanitário só pode ser considerado completo se incluir a etapa de tratamento.
Disposição final: Após o tratamento, os esgotos podem ser lançados ao corpo d'água
receptor ou, eventualmente, aplicados no solo. Em ambos os casos, há que se levar em
conta os poluentes eventualmente ainda presentes nos esgotos tratados, especialmente os
organismos patogênicos e metais pesados. As tubulações que transportam estes esgotos
são também denominadas de emissários.
........................................
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CAPÍTULO 3
NOÇÕES BÁSÌCAS DE QUALÌDADE DE ÁGUA E FUNDAMENTOS DE BÌOLOGÌA E
QUÍMÌCA APLÌCADOS AO TRATAMENTO DE ESGOTO
Autores: Eng. Civil Ana Lúcia Colares L. Rocha
Eng. Civil Áttila Moraes Jardim Júnior
#il. $ilma Maria Coelho
3.1) Introdução
Para a engenharia sanitária, o estudo da água é muito mais que a sua simples
caracterização da molecular H
2
O. Ao longo do seu ciclo pela natureza a água incorpora
diversas impurezas, que interferem na sua qualidade. Com o desenvolvimento econômico
dos últimos séculos, o homem vem, a cada dia, por todo o globo terrestre, interferindo com
mais intensidade sobre a qualidade das águas. Essa ação pode comprometer a
sobrevivência dos seres vivos. Ìnclusive a vida do homem vem sendo afetada.
A importância da biologia para a engenharia sanitária é inquestionável. Ela é relevante não
só pela necessidade ecológica de se preservar as vidas ligadas aos mais diferentes
ambientes da Terra, pois todos eles necessitam de água para haja vida, mas também
porque a maioria dos processos de tratamento de águas poluídas se dá por ação biológica.
O presente capítulo pretende abordar sinteticamente alguns fundamentos de biologia que
são básicos para a compreensão de dois temas: 1) Da necessidade da existência de
controle da poluição das águas, para garantia de vidas e 2) Como a microbiologia pode
favorecer a decomposição da matéria orgânica presente em águas poluídas, sendo um dos
instrumentos mais usuais ao tratamento de esgotos.
3.2) Ecossistema:
Ecossistema é um complexo sistema de relações mútuas, com transferência de energia e
de matéria, entre o meio abiótico e os seres vivos de determinada região. Dessa forma, um
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ecossistema é formado, necessariamente, de fatores bióticos (organismos vivos) e fatores
abióticos (elementos físicos e químicos do ambiente, como luz, calor, pH, grau de
salinidade, variações de pressão etc.). Cada um destes fatores influencia as propriedades
do outro e cada um é necessário para a manutenção da vida, como a conhecemos na Terra.
Constituem-se em ecossistemas uma floresta, uma campina, uma faixa mais profunda ou
mais superficial do mar, de um rio ou de uma lagoa, um aquário ou até mesmo uma poça
d'água, pois nela também se encontram organismos interagindo com fatores abióticos.
3.2.1) Principais tipos de Ecossistemas Naturais:
a) Ecossistemas dulcícolas:
Lêntico (águas paradas): lagos, tanques etc...;
Lótico (águas correntes): rios, riachos etc...;
Terras úmidas: brejos e florestas de pântanos.
b) Ecossistemas marinhos:
Oceano aberto (pelágico);
Águas de plataforma continental (águas costeiras);
Regiões de ressurgência (áreas férteis de alta produtividade pesqueira);
Estuários (baías litorâneas, estreitos, desembocaduras de rios, salgadios etc...).
3.3) Cadeia aIimentar aquática
Uma cadeia alimentar é um sistema inter-relacionado de organismos que produzem
alimentos, organismos que consomem alimentos e organismos que decompõem tecidos
vegetal e animal em nutrientes para a síntese de mais alimentos. Os microorganismos
desempenham um papel essencial em diversos aspectos desse sistema. Os principais
elementos da cadeia alimentar aquática são:
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Plâncton: comunidade de organismos que flutuam na água, levados pelas correntes
aquáticas, sendo constituídos pelo fitoplâncton e zooplâncton.
Fitoplâncton: O plâncton é formado por vegetais microscópios. Esses organismos são
autotróficos, ou seja: são capazes de sintetizar seus próprios alimentos. Nos ecossistemas
aquáticos (rios, mares,lagos, etc), os principais organismos, que dão origem a cadeia
alimentar, são algas microscópicas que flutuam livremente na água. Elas constituem o
fitoplâncton que serve de alimento ao zooplâncton.
Zooplâncton: Conjunto de seres heterotróficos (que não são capazes de sintetizar seus
próprios alimentos) que também são levados passivamente pelo movimento das águas:
protozoários, pequenos invertebrados (copépodes ÷ crustáceos que medem entre 1 a 5 mm)
e larvas de animais ma (moluscos, anelídeos, artrópodes, etc). Os organismos do
Zooplâncton representam os consumidores primários da cadeia alimentar.
Algas Pluricelulares e Pequenos Vegetais: esses organismos aquáticos de maior dimensão
também são autotróficos e juntamente com o fitoplâncton constituem a base da cadeia
alimentar aquática.
Peixes: Os pequenos peixes representamos consumidores secundários da cadeia alimentar,
enquanto os peixes maiores e outros animais aquáticos formam o grupo dos consumidores
terciários.
Outros Animais: outros animais de grande porte, dentre os quais o homem, formam o grupo
dos consumidores que estão no topo da cadeia alimentar.
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3.4) A quaIidade da água e sua importância para os seres vivos e para o homem
A qualidade da água é resultante de fenômenos naturais e da atuação do homem. De
maneira geral, pode-se dizer que a qualidade de uma determinada água é função do uso e
da ocupação do solo na bacia hidrográfica. Tal fato se deve aos seguintes fatores:
Condições naturais: mesmo em condições que a bacia hidrográfica seja preservada, existe
a incorporação de sólidos em suspensão ou dissolvidos na água. Pode-se citar como
exemplo rios totalmente preservados, ainda existentes na Bacia Amazônica, que têm suas
águas repletas de sólidos, matéria orgânica e não simplesmente H
2
O (líquido incolor,
inodoro, insípido, etc).
Ìnterferência do homem: a interferência do homem , dependendo da forma que ocupa o solo
ou faz o uso da água, pode representar grande interferência na qualidade da água. Quando
o homem aplica defensivos no solo, sem os devidos cuidados, ou lança esgoto nos rios,
causam algum tipo de ação predadora.
As condições naturais da qualidade da água dos recursos hídricos não representam uma
ameaça ecológica, pois os ecossistemas ali encontrados já estão ambientados a ela. Por
outro lado, a interferência humana na poluição das águas tem que ser disciplinada. Para
que os diferentes ecossistemas, aquáticos ou terrestres, sejam preservados, certos limites
de poluição têm que ser fixados e obedecidos. A determinação desses limites, ou padrões
ambientais, também é importante para a garantia de saúde e qualidade de vida ao homem.
Por isto, os países fazem leis fixando os níveis de poluição permitidos e os Estados , por
sua vez, definem padrões específicos para a região.
3.5) Impurezas encontradas na água
Os diversos componentes presentes na água, e que alteram seu grau de pureza, podem ser
tratados sinteticamente através de suas características, a saber:
Características físicas: Sólidos presentes na água. Eles podem estar em suspensão (sólidos
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de maiores dimensões ÷ maiores que 10
-3
mm. Exemplo: areia, pedaços de folhas, etc), na
forma coloidal (sólidos de dimensão entre 10
-6
mm e 10
-3
mm) , ou dissolvidos (sólidos de
menores dimensões entre 10
-9
mm e 10
-6
mm) , dependendo do seu tamanho.
Características químicas: As impurezas podem ser matéria orgânica ou inorgânica. As
substâncias orgânicas presentes na água são representadas em análise laboratorial como
sólidos voláteis. As inorgânicas relacionam-se aos sólidos fixos.
Características biológicas: Seres vivos ou mortos. Na avaliação da qualidade da água, os
microorganismos assumem o papel de maior importância, devido a sua grande
predominância em determinados ambientes e também porque são esses organismos
microscópios (bactérias, algas, protozoários, etc) que promovem a auto depuração dos
despejos. Os microorganismos da água são especialmente importantes porque estão
associados a doenças.
O gráfico abaixo melhor visualiza esta divisão dos componentes das águas:
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ÌMPUREZAS
CARACTERÌSTÌCAS
FÍSÌCAS
CARACTERÌSTÌCAS
BÌOLÓGÌCAS
CARACTERÌSTÌCAS
QUÍMÌCAS
Sólidos Gases Ìnorgânicos Orgânicos
Ser vivo Suspensos
Colidais
Dissolvidos
Matéria em
decomposição
Animais
Vegetais
Microorganismos
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Os recursos hídricos preferencialmente deveriam manter suas características naturais, pois
elas permitiriam a preservação dos diferentes ecossistemas neles existentes e não
contribuiriam para contaminação hídrica de muitas doenças ligadas aos lançamentos de
esgotos sanitários. É importante se ter em mente que nem sempre a água dos rios, em
suas características naturais, são próprias ao consumo humano. Muitas vezes elas
carregam impurezas, contaminantes químicos, ou biológicos, que são prejudiciais à saúde.
Poluição das águas: Entende-se por poluição das águas a adição de substâncias ou de
formas de energia que, diretamente ou indiretamente, alterem a natureza do corpo d'água
de uma maneira que prejudique os legítimos usos que deles são feitos. Esse conceito
associa poluição a prejuízos. Uma das formas de poluição que mais causam prejuízos ao
homem e ao meio ambiente é o lançamento de esgoto sanitário bruto, sem o tratamento
adequado, nos corpos d'água.

3.6) Parâmetros de quaIidade da água
A qualidade da água pode ser representada por diversos parâmetros, que traduzem as
suas características físicas, químicas e biológicas. Esses parâmetros são verificados em
laboratórios, através de diferentes análises. Eles servem para definir a qualidade da água
tanto para o abastecimento, como para águas residuais, mananciais (recurso hídrico dos
quais se retira água para abastecimento) e corpos receptores (recurso hídrico nos quais se
lançam resíduos).
Os principais parâmetros utilizados para se definir a qualidade das águas são:
3.6.1) Parâmetros físicos:
Cor: Representa a coloração da água. Geralmente a cor está relacionada com os sólidos
dissolvidos. Esse parâmetro é determinante para a aceitação de água para consumo
humano. Uma água de abastecimento deve ser o mais incolor possível. Cores mais
acentuadas em águas naturais representam a presença de matéria orgânica em
decomposição ou a presença de ferro ou manganês.
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Turbidez: Representa o grau de interferência com a passagem de luz. A turbidez relaciona-
se principalmente à presença de sólidos suspensos na água. É esteticamente desagradável,
embora não represente inconveniente sanitário obrigatoriamente. A utilização desse
parâmetro é comum ao processo de tratamento de água e também de esgoto.
Sabor e odor: São parâmetros relativos aos sentidos do gosto e do olfato. São parâmetros
relevantes para a produção de água de abastecimento. Comumente estão relacionados a
presença de matéria orgânica em decomposição ou presença de contaminantes industriais.
Temperatura: Representa a intensidade de calor da água. É um parâmetro de maior
importância para caracterização de corpos d'água e interfere nos processos de tratamento
de água e esgoto.
3.6.2) Parâmetros químicos:
pH: Representa a concentração de íons de hidrogênio H
+
. Dá uma indicação da acidez,
neutralidade, ou alcalinidade da água. Os sólidos dissolvidos na água são os agentes que
interferem no valor do seu pH. É um parâmetro de relevância tanto para o tratamento da
água, como do esgoto. Valores de pH afastados da neutralidade podem afetar a vida nas
águas.
Ìnterpretação: pH < 7: condição ácida
pH = 7: condição neutra
pH > 7: condição básica
Alcalinidade: Representam a quantidade de íons presentes na água para neutralizar os íons
H
+
. Os principais constituintes da alcalinidade são os bicarbonatos (HCO
3
); carbonatos
(CO
3
2-
); e hidróxidos.(HO
-
). A constituição da água, com maior ou menor concentração
variada de cada um desses íons propicia alterações no valor do pH das águas.
Ìnterpretação: A alcalinidade, o teor de gás carbônico e o pH estão relacionados
pH < 9,4: presença de hidróxidos ou carbonatos;
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pH entre 8,3 e 9,4 presença de carbonatos e bicarbonatos;
pH entre 4,4 e 8,3 presença apenas de bicarbonato.
Acidez: Capacidade da água em resistir às mudanças de pH causadas pelas bases.
Relaciona-se à presença de gás carbônico livre (CO
2
) e ácido sulfídrico (H
2
S). Tem pouco
significado sanitário. Podem caracterizar decomposição de matéria orgânica na água ou
contaminação industrial.
Interpretação: A alcalinidade, o teor de gás carbônico e o pH estão relacionados
pH > 8,2: ausência de CO
2;
pH entre 4,5 e 8,2 acidez carbônica;
pH <4,5 ácidos minerais fortes provenientes de despejos industriais.
Dureza: Concentração de cátodos multimetálicos em concentração. Os cátodos mais
comuns são divalentes (Ca
+2
) e (Mg
+2
). Não há evidência de que a dureza interfira sobre a
qualidade dos esgotos.
Ferro e manganês: O ferro e manganês quando presentes nas águas, apresentam-se nas
formas insolúveis (Fe
+3
) e (Mn
+4
). Não há evidência de que interfiram sobre a qualidade dos
esgotos.
Cloretos: Todas as águas naturais, em maior ou menor escala, possuem íons resultantes da
dissolução de minerais. Os cloretos (Cl
-
) são advindos da dissolução de sais. Estão portanto
relacionados aos sólidos dissolvidos.
Nitrogênio: Dentro do ciclo do nitrogênio na biosfera, ele pode alternar entre diversos
estados de oxidação. No meio aquático, o nitrogênio pode ser encontrado nas seguintes
formas:
(N) ÷ nitrogênio molecular, neste estado é volátil e escapa para a atmosfera;
(NH
3
) ÷ amônia, nesta forma é nocivo aos peixes;
(NO
2
-
) ÷ nitrito (primeira forma oxidada);
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(NO
3
-
) ÷ nitrato (segunda forma oxidada);
Nitrogênio orgânico ÷ dissolvido na água ou em suspensão.
A origem natural do nitrogênio na água deve-se a atmosfera e principalmente a
decomposição de compostos orgânicos presentes nos lançamentos de despejos na água,
motivados por ação humana. Ele é imprescindível para o crescimento dos microorganismos
responsáveis pelo tratamento de esgotos. Mas quando sua concentração é muito elevada
em um recurso hídrico pode ser prejudicial, pois pode provocar o consumo de oxigênio
dissolvido (O
2
) e o crescimento exagerado dos microorganismos comprometendo a vida no
meio hídrico. Esse fenômeno é conhecido como eutrofização.
Na decomposição natural de matéria orgânica, observa-se existir um ciclo. Verifica-se a
conversão de amônia a nitritos e de nitritos a nitratos, implicando no consumo de oxigênio
do meio. Por isto, em um corpo d'água, a forma do nitrogênio predominante na água pode
fornecer informações sobre o estado de poluição. Poluição recente está associada a
presença de nitrogênio nas formas orgânicas ou de amônia. Poluição remota está associada
a presença de nitratos.
Fósforo: As principais formas que o fosfato se apresenta nas águas são: ortofosfatos,
polifosfatos e fosfato orgânico. A sua presença na água está associada a sólidos em
suspensão ou sólidos em solução. Sua origem natural nas águas se deve a sua presença
de compostos orgânicos e a sua dissolução em compostos no solo. A ação humana
também propicia o incremento de fósforo na água, através dos despejos sanitários ou
industriais.
O fósforo é um elemento indispensável ao crescimento dos microorganismos responsáveis
pelo tratamento do esgoto.
Oxigênio dissolvido: O oxigênio dissolvido (OD) é de especial importância para os
organismos aeróbios (que necessitam do oxigênio para respirar). Assim um esgoto tratado
deve conter certo índice de OD antes de ser lançado no corpo receptor, ou estar isento de
substâncias que podem ser decompostas, através do consumo de OD das águas.
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Será mostrado mais adiante que a estabilização da matéria orgânica dos esgotos se dá pelo
consumo de OD pelas bactérias. Quando esta estabilização de matéria orgânica provocar a
extinção de OD do meio, obtém-se uma condição anaeróbia. Quando ela ocorre, provoca a
geração de maus odores e a mortandade dos peixes.
A origem natural de OD na água relaciona-se a dissolução do oxigênio atmosférico nas
turbulências das correntezas das águas e pela sua produção pelos organismos
fotossintéticos (algas).
Pela sua importância para a decomposição de matéria orgânica e também para a existência
de vida nas águas, o OD é considerado o principal parâmetro de caracterização dos efeitos
da poluição por despejos orgânicos nas águas.
Matéria orgânica: A matéria orgânica presente nos corpos d'água é a causadora do principal
problema de poluição dos recursos hídricos. O consumo de oxigênio do meio aquático pelos
microorganismos nos seus processos metabólicos e estabilização da matéria orgânica,
reduz a concentração de OD, comprometendo a existência da vida aquática.
A Demanda Bioquímica de Oxigênio - DBO retrata de uma forma indireta, o teor de
matéria orgânica nos esgotos ou nos corpos d'água. Trata-se de uma indicação do potencial
de consumo de oxigênio dissolvido do meio.

Micropoluentes inorgânicos: Uma grande parte dos micropoluentes inorgânicos são tóxicos.
Nesse grupo encontram-se os metais pesados. Entre os metais pesados que se dissolvem
na água incluem-se:
As - arsênio
Cd - cádmio
Cr - cromo
Pb - chumbo
Hg - mercúrio
Ag - prata
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Vários destes metais encontram-se na cadeia alimentar aquática representando um grande
perigo para os organismos situados nos degraus superiores. Felizmente a concentração dos
metais tóxicos nas águas dos corpos d'água é bem pequena. A atividade humana em
mineradoras representa um sério problema ambiental, quando propicia o lançamento de
metais pesados na água ou no solo. Como foi abordado anteriormente, a concentração dos
micropoluentes inorgânicos é mais relevante para o tratamento de água.
Micropoluentes orgânicos: Alguns materiais orgânicos são resistentes à degradação
biológica e com o agravante de estarem associados a problemas de toxicidade. Entre esses
produtos encontram-se os defensivos agrícolas, alguns tipos de detergentes e outros
produtos químicos. A presença desses compostos orgânicos da água se dá por dissolução.
O grande problema desses compostos é que mesmo em reduzida concentração provocam
grandes problemas de toxidade.
A origem desses produtos nos corpos d'água pode até, eventualmente, ter origem natural,
pois podem estar presentes em madeiras. Sua freqüência expressiva, no entanto, está
associada a ação do homem.
Os micropoluentes orgânicos afetam muito mais significativamente o abastecimento público.
Mas, especialmente, os detergentes tem ocasionado problemas em algumas ETEs da
SANEAGO.
3.6.3) Parâmetros bioIógicos:
Para definição da qualidade da água dos corpos d'água, os microorganismos apresentam
dois aspectos relevantes: 1) de promoverem a transformação da matéria dentro dos ciclos
biogeoquímicos (auto depuração). Esse aspecto é extremamente benéfico à preservação
dos recursos hídricos e 2) de, por outro lado, ocasionarem a transmissão de doenças.
Sendo assim, para garantia de que um corpo d'água não afete a saúde pública, torna-se
essencial conhecer a potencialidade de contaminação que ele pode oferecer.
O parâmetro mais usual para qualificação biológica da água, identificando sua
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potencialidade de microorganismos patológicos, é a quantificação dos coliformes, em
especial de Escherichia coli. Esse é um método indireto de aferição. As bactérias
Escherichia coli residem apenas no intestino dos animais de sangue quente e não são
patogênicas. Em um grama de fezes, em média, são encontrados 50 milhões de fecais, ou 3
milhões por 100 ml de esgoto. Os microorganismos causadores de doenças entéricas se
originam da mesma fonte, ou seja, fezes contaminadas. Conseqüentemente a água com
poluição fecal, via presença de coliformes fecais, é identificada como sendo potencialmente
perigosa.
3.7) Principais consequências do Iançamento de esgoto nos corpos hídricos
3.7.1) Aumento da DBO do corpo receptor:
Como o esgoto tem em sua constituição matéria orgânica diluída em água, seu lançamento
em um corpo d'água provoca o aumento da concentração de matéria orgânica do meio.
Esse aumento de matéria orgânica, como já foi visto anteriormente, pode ser medido pela
DBO do meio aquático, pois a Demanda Bioquímica de Oxigênio ÷ DBO retrata de uma
forma indireta, o teor de matéria orgânica da água. Trata-se de uma indicação do potencial
de consumo de oxigênio dissolvido do meio.
Esse aumento de DBO significa uma expectativa de consumo de OD, o que pode
desequilibrar toda a cadeia alimentar do meio aquático.

3.7.2) Consumo de Oxigênio DissoIvido - OD:
Como foi mencionado anteriormente, o lançamento de matéria orgânica no meio aquático
ocasiona o aumento de consumo de oxigênio dissolvido, pois os microorganismos presentes
no meio, ao efetuarem a digestão dessa matéria orgânica, demandam muito oxigênio.
Quando a concentração de OD atinge valores inferiores a 5 mg/l começam a morrer os
peixes mais exigentes de oxigênio. Quando a concentração de OD atinge 2 mg/l não é mais
possível a sobrevivência de qualquer espécie de peixe no meio. Se a concentração de OD
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atinge essa faixa, repentinamente os peixes mais exigentes podem vir a morrer. Peixes
mortos na água representam grande aumento do teor de matéria orgânica. Ou seja, a partir
do lançamento de um dado nível de matéria orgânica na água, o meio pode sofrer uma
inversão, deixar de ser aeróbio e transformar-se em anaeróbio.
Problemas relacionados a diminuição de OD nos cursos hídricos são característicos de
países em desenvolvimento. Os países desenvolvidos não enfrentam mais esse tipo de
problema em seus recursos hídricos.
3.7.3) Transmissão de doenças de veicuIação hídrica:
Os esgotos sanitários, por conterem além de matéria orgânica oriunda dos despejos das
cozinhas, contém excretas humanas, que representam uma fonte de contaminação por
muitos tipos de microorganismos presentes em indivíduos enfermos. Esse tipo de poluição,
que coloca em risco a saúde pública confere ao tratamento de esgoto uma grande
alternativa de saúde preventiva.
3.7.4) PoIuição por esgotos não residenciais:
Muitos componentes tóxicos provenientes de indústrias, comércios e outras atividades
econômicas são despejados nos cursos hídricos. Esse tipo de poluição pode comprometer o
meio ambiente e também a saúde pública. Nesse caso, dado a diversidade das formas de
contaminação, há a necessidade desses derivados industriais serem, um a um, tratados por
seus próprios geradores. Ou seja, as instituições governamentais devem atuar para forçar
os agentes poluidores a se responsabilizarem pelos danos que provocam à natureza. Ìsto
porque, as Estações Públicas de Tratamento de Esgoto não têm capacidade de reduzir
significativamente a concentração de muitos contaminantes industriais despejados nos
esgotos.
3.8) Lei que reguIamenta a poIuição de corpos d'água: RESOLUÇÃO 357 - CONAMA
Uma das formas de promover a gestão do meio ambiente se dá através do uso de leis. Elas
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definem a conduta a ser obedecida por agentes poluidores com o objetivo de amenizar os
impactos do desenvolvimento sobre o meio ambiente.
No Brasil, o Conselho Nacional do Meio Ambiente ÷ CONAMA, é o órgão governamental
que disciplina os padrões a serem observados para se adequar os lançamentos de esgotos.
A Resolução 357, de 17 de março de 2005, dispõe sobre a classificação dos corpos d'água
e diretrizes ambientais para seu enquadramento, bem como estabelece padrões de
lançamentos de efluentes. Para as águas doces, existem cinco classificações em ordem
decrescente de qualidade: classe especial, classe 1 , classe 2, classe 3 e classe 4.
Considera-se que este enquadramento deve estar baseado não necessariamente no estado
atual do corpo d'água, mas nos níveis de qualidade que deveriam possuir para atender às
necessidades da comunidade.Para os lançamentos de efluentes das estações de
tratamento de esgotos, a legislação estadual determinou que todos os cursos d'água do
Estado de Goiás pertencem à classe 2.
Na classe 2, as águas podem ser destinadas aos seguintes usos:
 ao abastecimento para consumo humano, após tratamento convencional;
 à proteção das comunidades aquáticas;
 à recreação de contato primário, tais como natação, esqui aquático e mergulho, conf.
Resolução CONAMA nº 274 de 2000;
 à irrigação de hortaliças, plantas frutíferas e de parques, jardins, campos de esporte e
lazer, com os quais o público possa vir a ter contato direto; e,
 à aqüicultura e à atividade de pesca.
Visando apresentar soluções efetivas à poluição dos corpos d'água, o CONAMA estabelece
muitos padrões, ou seja, parâmetros a serem mantidos nos corpos receptores. Dentre eles,
os abaixo listados merecem maior atenção:
Concentração de OD nos corpos d'água: O oxigênio dissolvido verificado a montante do
lançamento deve ser comparado ao verificado a jusante. Esta preocupação visa manter o
nível de oxigênio suficiente para preservar a "vida¨ nos corpos d'água. Para a classe 2, o
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OD em qualquer amostra ,não deve ser inferior a 5 mg/l O
2
.
Concentração de DBO nos corpos d'água: Assim como existe um valor restritivo de OD,
para manter as condições mínimas de vida aquática nos corpos receptores, há também um
valor limite para a DBO ÷ Demanda Bioquímica de Oxigênio. Para a classe 2, em qualquer
amostra, a DBO 5 dias a 20°C dever ser de no máximo 5 mg /l O
2.
Coliformes Fecais: A contagem de E. Coli evidencia a contaminação fecal, sendo portanto
um indicador muito importante. A presença de E. Coli nas águas pode estar ligada à
contaminação por patogênicos, microorganismos causadores de doenças. Existe limitação
para o padrão das águas classe 2 deste parâmetro, estabelecidos pelo órgão ambiental
competente.
Nutrientes: A necessidade de remoção de nutrientes nitrogênio, fósforo e potássio (N, P, K),
prende-se mais aos lançamentos destinados dos meios lênticos, dado significativo
desenvolvimento de algas, possibilidade de ocorrência de eutrofização em lagoas, lagos,
etc.
Os parâmetros citados são determinantes nos estudos dos tratamentos de esgotos, pois
devem ser respeitados e atendidos em quaisquer condições do corpo receptor. O estudo da
autodepuração do corpo receptor em conjunto com o nível de tratamento dos esgotos a ser
adotado devem garantir os valores de DBO, OD e coliformes do corpo receptor dentro dos
limites da classe a qual este pertence, ou seja a classe 2, em se tratando do Estado de
Goiás. Observa-se que nos casos de corpos receptores bem caudalosos, estes limites são
mais facilmente alcançados comparados com corpos receptores com pouca vazão.
3.9) A autodepuração dos cursos d'água
Um corpo d'água poluído por lançamentos de matéria orgânica biodegradável sofre um
processo de recuperação denominado de autodepuração. A autodepuração realiza-se por
meio de processos físicos (diluição, sedimentação) químicos (oxidação) e biológicos. A
decomposição da matéria orgânica corresponde, portanto, a um processo biológico
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integrante do fenômeno da autodepuração. A matéria orgânica é consumida pelos
microorganismos aeróbios, que transformam os compostos orgânicos de cadeias mais
complexas, como proteínas e gordura, em compostos mais simples como amônia,
aminoácidos e dióxido de carbono. Durante a decomposição , há um decréscimo nas
concentrações de oxigênio dissolvido na água devido à respiração dos microorganismos
decompositores. O processo de autodepuração completa-se com a reposição, pela
reaeração, desse oxigênio consumido.
O processo de autodepuração pode ser dividido em duas etapas:
a) Decomposição
A quantidade de oxigênio dissolvido na água necessária para a decomposição da matéria
orgânica é chamada de Demanda Bioquímica de Oxigênio ÷ DBO. Em outras palavras, a
DBO é o oxigênio que vai ser respirado pelos microorganismos decompositores aeróbios
para a decomposição da matéria orgânica lançada na água.
O conhecimento da DBO do esgoto como um todo já é suficiente para determinar o impacto
do despejo desse material na concentração de oxigênio dissolvido OD , do corpo d'água
receptor.
O consumo de oxigênio dissolvido para a digestão da matéria orgânica ocorre durante um
certo intervalo de tempo. Convencionou-se que as medições experimentais de DBO devem
ser feitas com ensaios que tenham duração de 5 dias, que se refere a decomposição da
matéria orgânica carbonácea. A temperatura afeta a taxa de degradação da matéria
orgânica, pois o metabolismos dos microorganismos decompositores tende a acelerar-se
com o aumento da temperatura. A determinação experimental da DBO é convencionalmente
feita a uma temperatura de 20°C, sendo adotado o símbolo de DBO
5,20
, para representá-la.
Quando os microorganismos terminam sua tarefa, dizemos que a matéria orgânica foi
estabilizada ou mineralizada, por não existirem mais compostos orgânicos biodegradáveis,
mas apenas água, gás carbônico e sais minerais.
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b) Recuperação de oxigênio dissoIvido ou reaeração
Existem fontes contínuas que adicionam oxigênio à água: a atmosfera e a fotossíntese. As
trocas atmosféricas são mais intensas quanto maior for a turbulência no curso de água.
Ocorre que, durante a fase de decomposição, os microorganismos que morrem, o oxigênio
começa a "sobrar¨ e a sua concentração aumenta novamente. Essas duas etapas ocorrem
simultaneamente ao longo de todo o processo.
Caso a quantidade de matéria orgânica lançada seja muito grande, pode haver o
esgotamento total do oxigênio dissolvido na água. A decomposição será feita pelos
microorganismos anaeróbios, que prosseguem as reações de decomposição utilizando o
deslocamento do hidrogênio para a quebra da cadeia orgânica. Como subproduto dessa
decomposição haverá a formação de metano, gás sulfídrico e outros. A decomposição
anaeróbia não é completa, devendo ser completada pela decomposição aeróbia quando o
rio apresentar teores mais elevados de oxigênio.
A figura a seguir representa o processo de autodepuração:
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3.10) O processo bioIógico de tratamento de esgoto
As bactérias e protozoários compreendem os principais grupos de microorganismos no
sistema "vivo¨ dos processos biológicos utilizados genericamente em todos os países. No
Brasil e outros países de temperatura tropical, o crescente uso de lagoas de estabilização,
fazem das bactérias e protozoários, em companhia das algas que provêem oxigênio ao meio
aquático, os principais organismos vivos de decomposição biológica da matéria orgânica
presente no esgoto.
Nos processo de tratamento de esgoto há uma interação de diversos mecanismos, alguns
acontecendo simultaneamente, outros seqüencialmente. A atuação microbiana inicia-se no
próprio sistema de coleta de esgoto e atinge seu máximo na Estação de Tratamento de
Esgoto ÷ ETE. Os processos biológicos propiciam a oxidação da matéria carbonácea e,
eventualmente, a oxidação da matéria nitrogenada.

O metabolismo da matéria carbonácea ocorre de duas formas genéricas, de acordo com a
disponibilidade de oxigênio livre no meio:
a) Conversão Aeróbia:

Quando há disponibilidade de oxigênio no meio, a conversão é denominada aeróbia. A
equação apresentada abaixo é uma simplificação desse processo. Nela a matéria orgânica
representada por uma molécula de glicose é decomposta em gás carbônico e água.
C
6
H
12
O
6
+ O
2
6 CO
2
+ 6 H
2
O + Energia
Características desse modelo de conversão:
 Conversão da matéria orgânica em dois produtos inertes;
 Utilização de oxigênio;
 Produção de gás carbônico;
 Liberação de energia.
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b) Conversão Anaeróbia:
Quando não há disponibilidade de oxigênio no meio, a conversão é denominada anaeróbia.
A equação apresentada abaixo é uma simplificação desse processo. Nela a matéria
orgânica representada por uma molécula de glicose é decomposta em metano e gás
carbônico.
C
6
H
12
O
6
3 CH
4
+ 3 CO
2
+ Energia
Características desse modelo de conversão:
 Não exclusividade da oxidação. Se de um lado o carbono do CO
2
se apresenta em seu
maior estado de oxidação, o CH
4
é altamente oxidável, mas por ser uma fase gasosa se
desprende do meio;
 Não utilização de oxigênio livre;
 Produção de metano e gás carbônico;
 Liberação de energia.
O processo facultativo é a variante mais simples de lagoas de estabilização (sob o aspecto
de representar a simples retenção de esgotos por um tempo suficiente para que os
processos naturais estabilizem a matéria orgânica). Por outro lado, aprofundando na
descrição do processo, mostra a diversidade do meio vivo atuante no processo. A matéria
orgânica particulada em suspensão (DBO particulada) tende a sedimentar, vindo a constituir
o lodo de fundo. Em processo anaeróbio, lentamente as bactérias anaeróbias convertem
essa matéria orgânica em gás carbônico, água, metano e fração inerte. A matéria orgânica
dissolvida (DBO solúvel) e a matéria orgânica em suspensão, de pequenas dimensões
(DBO finamente particulada) não sedimentam, permanecendo dispersas no meio líquido. Na
camada superficial tem-se a zona aeróbia. Nela essa matéria orgânica solúvel é oxidada por
meio da respiração aeróbia. O suprimento de oxigênio é proveniente da atuação das algas,
que absorvendo a irradiação solar, realizam a fotossíntese, aproveitando-se do gás
carbônico oriundo da conversão anaeróbia da camada de fundo da lagoa. Dessa forma
observa-se um equilíbrio do oxigênio gerado pelas algas e consumido pelas bactérias.
A Figura 1 abaixo apresenta esse esquema:
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FIGURA 1 - PROCESSO BIOLÓGICO FACULTATIVO (Serpig, 1996, Volume 3 p.19)
3.11) Fatores que interferem sobre o processo bioIógico
Fatores ambientais e a composição do esgoto interferem decisivamente no metabolismo
biológico. A temperatura, a disponibilidade de nutrientes, a presença de oxigênio, o pH, a
presença de elementos tóxicos e, no caso das estações fotossintéticas, a insolação
representam fatores com capacidade de interferir no "meio vivo¨ que decompõe as matérias
orgânicas do esgoto.
Em especial, os fatores mais comumente observáveis nos processos de tratamento de
esgoto são:
Temperatura: os processos biológicos ocorrem entre temperaturas de 20 a 30ºC, em países
de clima quente; e entre 8 a 10ºC, em países de clima frio. A taxa de atividade biológica
dobra com o incremento de 10 a 15ºC.
pH: anomalias no pH interferem, sobretudo, nos processos anaeróbios de alta taxa. Essa
concepção de tratamento deve ser mantido com valores entre 6,6 e 7,4. Fora da faixa entre
6,0 e 8,0, o processo torna-se extremamente instável.
Luminosidade: nos processos fotossintéticos a insolação é um dos fatores determinantes da
performance do processo biológico. Ela favorece o desenvolvimento de algas que
aumentam a disponibilidade de oxigênio no meio.
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3.12) Geração de Iodo
Todos os processos de tratamento de esgoto visam condicionar o efluente líquido final para
minimizar impactos nocivos ao corpo receptor. Por outro lado, alguns processos ocasionam
a geração freqüente de lodo. Outros ocasionam uma grande quantidade desse produto ao
final da vida do sistema.
O conhecimento da composição desse lodo é importante, uma vez que sua disposição final
é tarefa de uma rotina operacional em algumas estações de tratamento de esgotos.
Basicamente o lodo gerado em uma estação de tratamento é composto de:
 Compostos orgânicos : a parcela de compostos orgânicos é normalmente medida pela
concentração de sólidos voláteis ou percentuais de sólidos voláteis em relação aos
sólidos totais. A elevada concentração de matéria orgânica no lodo caracteriza a sua
desestabilização, possibilidade de decomposição anaeróbia, putrefação, geração de
odores e atração de vetores;
 Nutrientes : os valores típicos de nitrogênio, fósforo e potássio são sempre menores que o
desejado nos fertilizantes para uso agrícola, no entanto, o lodo pode ter um papel
importante como condicionador do solo.
 Organismos patogênicos : São inúmeros os organismos patogênicos presentes no esgoto
e conseqüentemente também nos lodos. O controle é exercido através dos coliformes
fecais, as salmonelas e os ovos de helmintos.
 Metais : são mais significativos para os esgotos de uma área densamente industrializada,
uma vez que suas maiores concentrações provêm de processos industriais.
.....................................
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CAPÍTULO 4
COLETA DE AMOSTRAS DE ÁGUAS RESÌDUÁRÌAS
Autor% #il. $ilma Maria Coelho
4.1) Importância da amostragem
A amostragem é a etapa inicial de uma análise que envolve grande responsabilidade,
devendo ser feita criteriosamente, pois todo um esforço analítico está na dependência direta
do cuidado com que tenha sido tomado a amostra para análise. Os resultados obtidos, na
avaliação dos dados, conduzirão às possíveis ações de reabilitação a que devem submeter
um sistema de tratamento para que sejam alcançados os objetivos propostos inicialmente
no projeto.
A amostra representa a síntese do comportamento do universo estudado, ou seja, ela deve
ser representativa do conjunto que se quer avaliar e a forma de tomá-la depende da
natureza do material e objetivo do trabalho a ser executado, conseqüentemente, a precisão
de uma análise em laboratório, só é possível se a amostra colhida for representativa. O
aparelho faz a determinação certa e precisa, mas a amostra deverá representar fielmente as
verdadeiras condições de operação, para que então os resultados analíticos sejam
indicativos da realidade.
Dessa forma é importante observar os procedimentos recomendados nos pontos seguintes,
de modo a coletar amostras representativas.
4.2) PIanejamento do programa de amostragem
O programa de amostragem pode ser delineado com vista a atingir objetivos gerais, a
executar dentro de um rotina que se repete ciclicamente. É o caso do monitoramento das
condições de funcionamento de uma ETE e da avaliação da qualidade do afluente, de modo
a avaliar o cumprimento das normas de descarga previstas na legislação com o objetivo de
o seu lançamento no meio receptor não causar impacto negativo.
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Mas o programa de amostragem também pode ser planejado para alcançar fins específicos,
nomeadamente no âmbito de um programa de investigação científica.
A metodologia da coleta de amostras será definida pelo laboratório de análises da ETE.
Assim, os parâmetros a analisar, o número de amostras, a frequência da amostragem e o
número de pontos de coleta são determinados pela finalidade do estudo. Utilize somente
amostras representativas ou aquelas que estejam coerentes com o programa de
amostragem. Os procedimentos de coleta, transporte e preparação das amostras antes da
análise laboratorial, propriamente dita, devem ser tais que assegure que a amostra
mantenha as suas características originais, permanecendo assim inalterados os seus
constituintes e as suas propriedades.
As amostras para as análises físico-químicas, bacteriológicas, algológicos, e parasitológicas
não devem ser as mesmas, pois os métodos de coleta e preservação são diferentes. As
amostras devem ter um tratamento especial de preservação e acondicionamento, de acordo
com o tipo de parâmetro a ser analisado.
4.3) Tipos de amostras
Deve ser definido o tipo de amostra a ser colhida para que esta seja representativa do
universo a ser estudado. Podem ser simples quando se colhe a amostra num tempo e lugar
determinados, refletindo as condições do local naquele exato momento, e podem ser
compostas quando colhidas em intervalos de tempo regulares no mesmo ponto ou em
pontos diferentes.
4.3.1) Amostras simpIes
São amostras colhidas individualmente refletem as condições no momento da amostragem,
pois as características dos esgotos não são estáveis. Não envolvem o uso de equipamento
mas pode se tornar um processo demasiadamente caro pois consome muito tempo quando
o programa a cumprir é extenso.
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As amostras devem ser colhidas no momento em que a estação estiver funcionando em
plena carga, o qual corresponde, na maioria das estações ao período entre 9 e 12 horas.
Para medir o pH, os gases dissolvidos (oxigênio dissolvido e dióxido de carbono), a
temperatura, os Coliformes Fecais (CF), metais, óleos e gorduras, basta uma amostra
simples. As determinações da Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), Demanda Química
de Oxigênio (DQO), Sólidos Suspensos (SS) e compostos nitrogenados já devem ser feitas
numa amostra composta.
4.3.2) Amostra compostas
Para se obter uma amostra representativa na qual possam ser analisados parâmetros que
variam significantemente ao longo do tempo será necessário que a amostra se componha
de sub amostras colhidas a intervalos de tempo regulares. Seria ainda desejável que o
volume destas sub amostras fosse proporcional a vazão nos instantes de coleta, o qual é
variável ao longo do dia. No primeiro caso, têm-se amostras compostas proporcionais ao
tempo e amostras compostas proporcionais à vazão, no segundo caso.
As amostras compostas podem ser colhidas automaticamente com aparelhos adequados,
ou, em alternativa, podem ser executadas manualmente. A indisponibilidade de medidores
de vazão acopláveis aos amostradores automáticos leva a que, as amostras compostas
proporcionais ao tempo sejam mais freqüentemente adaptadas, apesar da maior
representatividade das amostras proporcionais à vazão.
Nas amostras compostas é importante observar que:
 indicam as características do esgoto durante um dado período;
 são uma combinação de amostras instantâneas, tomada em determinado período;
 as porções individuais das amostras devem ser proporcionais a vazão do esgoto;
 se a vazão não for conhecida, pode-se usar alíquotas de volumes iguais na proporção da
amostra composta;
 não podem ser empregadas para a determinação de variáveis que se alteram durante a
manipulação das alíquotas, como é o caso do oxigênio dissolvido (O.D), pH, dióxido de
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carbono livre (CO
2
), bactérias, metais pesados, e óleos e gorduras. A determinação da
DBO, DQO, SS e compostos nitrogenados deve ser feita, preferencialmente, numa
amostra composta.
4.3.2.1) Como determinar amostras compostas proporcionais a vazão
Geralmente, as amostras compostas proporcionais a vazão são coletadas, com amostrador
automáticos em intervalos de tempo programados. Coleta-se um determinado volume
proporcional à vazão.
Quando não existe a possibilidade de recorrer a equipamento automático, um método de
amostragem composta, bastante simples e de resultados confiáveis é o método de
amostragem proporcional à vazão, de acordo com a seguinte metodologia:
 obter a curva da vazão de 24 horas dos esgotos que chegam á estação de tratamento;
 coletar quantidade de amostras proporcionais à vazão;
 conservar as amostras em baixa temperatura (caixa térmica com gelo), logo após a sua
coleta.
Exemplo:
Suponha-se que ao medir a vazão do esgoto de uma ETE foram encontrados os seguintes
valores, horas/vazão (l/s) respectivos.
QUADRO 1 - Variação das vazões
Horas 02 04 06 08 10 12 14 ..... 20 22 24
vazão(I/s) 400 600 1000 1200 1300 1500 1600 ..... 1000 800 500
Utilizando-se o método da proporcionalidade para as amostras, multiplicando, todos as
vazões por exemplo, por 0,2, teremos as seguintes quantidades de amostras em mL,
correspondendo a um total de, aproximadamente, 3000 mL de amostra, quantidade
suficiente para os testes a realizar.
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2h (400 x 0,2 = 80 mL) 14h (1600 x 0,2 = 320 mL)
4h (600 x 0,2 = 120 mL) 16h (1300 x 0,2 = 260 mL)
6h (1000 x 0,2 = 200 mL) 18h (1200 x 0,2 = 240 mL)
8h (1200 x 0,2 = 240 mL) 20h (1000 x 0,2 = 200 mL)
10h (1300 x 0,2 = 260 mL) 22h (800 x 0,2 = 160 mL)
12h (1500 x 0,2 = 300 mL) 24h (500 x 0,2 = 100mL)
4.4) Equipamentos de amostragem
Para realizar a colheita de amostras de águas residuais convém utilizar equipamentos que
contribuam para a representatividade das mesmas.
As amostras poderão ser colhidas com a ajuda de um equipamento simples, confeccionado
manualmente, semelhante a um frasco tipo "copo¨. Nas amostras destinadas à
determinação do oxigênio dissolvido e DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) devem
evitar-se, tanto quanto possível, o arejamento.
Os amostradores automáticos podem eliminar erros humanos comuns em amostragens
manuais. Podem reduzir os custos laboratoriais, incrementar a precisão das análises e
evitam o incômodo e o custo de amostragens manuais, principalmente durante a noite.
Quando se pretende analisar o líquido do interior da lagoa, especialmente em estudos
biológicos, o tipo de amostra deve ser um pouco diferente das citadas anteriormente: deve
ser colhida um coluna de líquido representativa da lagoa em toda a sua profundidade, com o
auxílio de uma coluna de vidro ou plástico apropriada ou amostradores específicos para
esse fim. As amostras devem ser colhidas evitando a sua perturbação, isto é, a mistura das
camadas superficiais e inferiores.
4.5) LocaIização dos pontos de amostragem
Os pontos de amostragem deverão ser de fácil acesso, simples identificação, característicos
da evolução do tratamento e representativos em relação ao estudo a que destinam os
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resultados das análises.
A localização do ponto de amostragem deve ser selecionado tendo em consideração que se
pretende uma amostra homogênea, inclusive no que se refere aos sólidos em suspensão
(SS) e à matéria particulada em suspensão coloidal, que fazem parte da composição do
esgoto.
Em Lagoas de Estabilização, os pontos de coleta devem localizar-se:
1) no esgoto afluente, antes da primeira lagoa;
2) entre duas lagoas em série, quando for este o sistema;
3) no esgoto efluente, após a lagoa ou a última lagoa, quando estas são em série.
No meio da lagoa no (A, B, C), quando o estudo recomendar.
Figura 1 ÷ Localização dos pontos de amostragem
QUADRO 2 ÷ Locais de coleta em lagoas de estabilização.
Parâmetro LocaI da coIeta Frequência
Coliformes 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
DBO 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
DQO 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
Fosfatos 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
Quali/quantificação de algas A ÷ B ÷ C semanal
Oxigênio dissolvido A ÷ B ÷ C ÷ 3 diária
Oxigênio de fotossíntese C semanal
Nitrogênio Orgânico 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
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LAGOA ANAERÓBIA
2
3
1
A
B C
LAGOA FACULTATIVA
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Parâmetro LocaI da coIeta Frequência
Nitratos 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
pH 1 ÷ 2 ÷ 3 diária
Sólidos totais 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
Sólidos sedimentáveis 1 ÷ 2 ÷ 3 diária
Sólidos em suspensão 1 ÷ 2 ÷ 3 semanal
Temperatura 1 ÷ 3 diária
Vazão 1 ÷ 3 diária
Obs: 1) a frequência apresentada corresponde ao ideal.
2) em lagoas aeradas não é comum o desenvolvimento de algas.
4.6) Preservação de amostras
As amostras nem sempre poderão ser analisadas após a coleta, devendo, portanto, serem,
imediatamente, preservadas e acondicionadas convenientemente em função do parâmetro
a analisar, de modo a garantir que possíveis alterações químicas e biológicas não
modifiquem substancialmente as suas características originais, até o momento da análise.
Os métodos de preservação são geralmente limitados e têm por objetivo retardar a ação
biológica, as reações químicas dos compostos e reduzir a volatilização dos constituintes.
São necessários cuidados especiais para amostras destinadas à determinação de
compostos orgânicos ou metais. Muitos constituintes podem estar presentes em
concentrações significativas de microgramas por litro, que podem desaparecer por completo
se a amostra não for preservada convenientemente.
O transporte das amostras ao laboratório pode demorar algum tempo, dependendo da
distância entre os locais. Além da preservação, as amostras devem ser transportadas em
caixas térmicas e acondicionadas com gelo. Lembrar que, temperaturas muito baixas, nas
caixas térmicas, podem congelar as amostras e provocar a quebra dos frascos.
As amostras destinadas à determinações pelos métodos espectrofométricos, em que se
utilizam kits de reagentes, devem obedecer aos critérios de preservação recomendados,
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conforme instruções do aparelho, a cada parâmetro a ser analisado.
O Quadro 3 apresenta as condições de preservação e conservação da amostra a que
devem obedecer para determinação de parâmetros físico-químicos e bacteriológicos, de
modo a que seja representativa.
QUADRO 3 ÷ Ìndicação do volume e preservação da amostra
Parâmetro Preservante
Período máximo de
conservação
VoIume em
(mI)
Frascos
Acidez refrigeração a 4ºC 24 horas 200 ml P,V
Alcalinidade refrigeração a 4ºC 24 horas 100 P,V
Algas 1 ml de solução de lugol/L a 4ºC.
Protegida da luz
Até 3 meses
300
V, âmbar
DBO refrigeração a 4ºC 24 horas 300 P,V
DQO H2SO4 conc.,até pH 2 ÷ 3 a 4ºC 7 dias 50 - 200 P,V
Cloretos (**) refrigeração a 4ºC 14 dias 50 - 100 P,V
Clorofila refrigeração a 4ºC, 1 mL de MgCO3
1% / L. Protegida da luz
24 horas 100 - 500 V, âmbar
Coliformes fecais refrigeração a 4ºC Mais breve possível 120 V
Cor (**) refrigeração a 4ºC 24 horas 100 - 200 P, V
Cianeto (**) NaOH até pH > 12 Mais breve possível 250 P
Fluoreto (**) refrigeração a 4ºC 7 dias 1000 P
Fenóis (**) 1mL d e H3PO4 a 4ºC Mais breve possível 500 V, âmbar
Fosfato total H2SO4 conc.,até pH 2 a 4ºC 7 dias ou 24 horas 200 P, V
Metais totais (**) HNO3 conc. até pH < 2 6 meses 1000 P, V
Metais dissolvidos
(**)
Ao filtrado: HCN3 até pH <2 6 meses
1000
P, V
Nitrogênio
amoniacal (*)
H2SO4 até pH < 2 e refrigeração a
4ºC
7 dias ou 24 horas
600
P, V
Nitrogênio orgânico
(*)
H2SO4 até pH < 2 e refrigeração a
4ºC
7 dias
600
P, V
Nitrato H2SO4 até pH < 2 e refrigeração a
4ºC
7 dias ou 24 horas
200
P, V
Nitrito refrigeração a 4ºC 48 horas 200 P, V
Óleos e gorduras HCl conc. Até pH < 2 24 horas 800 V
Oxigênio dissolvido
(O.D)
determinar no momento da coleta não há conservação
300
V
Oxigênio de
fotossíntese
refrigeração a 4ºC não há conservação,
efetuar leitura após 1 hora
300 V, âmbar
pH determinar no momento da coleta não há conservação ou 6
horas 50
P,V
Sólidos refrigeração a 4ºC 7 dias 2000 P,V
Temperatura determinar no momento da coleta não há conservação - -
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P = polietileno
V = vidro neutro ou borossilicatado
( * ) A primeira opção é a menos recomendada e só deve ser empregada quando realmente
se necessitar de prazo maior.
( ** ) Determinações não rotineiras
OBSERVAÇÕES:
Para amostras à determinar O.D em laboratório, deve-se encher o recipiente sem borbulhar
e extravazar o volume, aproximadamente, duas vezes. Preservar com 2mL de sulfato
manganoso e 2mL de reagente azida-iodeto alcalino, tapando o frasco e agitando-o bem
após cada adição de reagentes;
 Não devem aparecer bolhas dentro do frasco;
 Refrigerar em temperatura ligeiramente inferior a ambiente.
4.7) MetodoIogia de coIeta de amostras
Para coletar as amostras, o operador deve ter conhecimento do programa de amostragem,
o que irá definir o tipo de material que deverá ser levado para o trabalho de campo. Em
geral, o laboratório de analises físico-químicas e microbiológicas, determina através do
programa de amostragem, o número, a freqüência, o local dos pontos de coleta e a
profundidade a que devem ser tiradas as amostras.
Há procedimentos que são gerais a todas as amostras e outros que são específicos de cada
grupo de parâmetros a analisar, conforme se descrevem nos pontos seguintes. Tais
procedimentos devem ser executados com muita atenção, de modo a que os resultados
traduzam o funcionamento do sistema, no momento da coleta.
4.7.1) Procedimentos gerais
A maneira de coletar as amostras implica diretamente na sua representatividade. A fim de
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evitar erros e aconselhável que se observem os seguintes procedimentos:
4.7.1.1) Preparação de materiaI
A preparação de uma lista de material é da maior conveniência, evitando que algum item
possa ser esquecido. É importante certificar-se de que todo o material necessário está na
caixa de coleta, tais como:
a) frascos em quantidade suficiente ao número desejado de amostras (mais 1 sobressalente
por cada 5 pontos);
b) garrafas coletoras;
c) preservantes químicos;
d) termômetros;
e) ficha de registro dos dados, pipetas, equipamentos de proteção (luvas, botas, máscaras,
jalecos e;
f) produtos de desinfecção para os equipamentos e instrumentos utilizados na coleta das
amostras.
Os frascos excedentes são para substituir eventuais perdas e se necessário para coletar
num novo ponto de amostragem, caso seja observada alguma anormalidade no sistema que
determine a necessidade de uma amostra adicional.
4.7.1.2) Execução da amostragem
a) Deve-se evitar as amostras junto as paredes ou próximo do fundo dos canais. Convém
procurar um ponto representativo da massa líquida.
b) As amostras deverão ser tomadas no centro do canal, onde a velocidade é mais elevada
e a sedimentação de sólidos é mínima.
c) Em qualquer situação, convém escolher um local de amostragem em que o esgoto seja
uniforme e de preferência bem misturado. Pontos localizados junto a vertedores não são
recomendados.
d) Antes de iniciar a coleta, enxágüe o frasco algumas vezes com a própria amostra, com
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exceção daqueles que contêm solução preservante.
e) Na coleta da amostra deve ser mantida a verdadeira proporção entre liquido e os sólidos
em suspensão, devendo, contudo, evitar-se a presença de material estranho como: folhas,
pedaços de pedra, etc...
f) No local da coleta o frasco deve ser mergulhado a alguns centímetros abaixo do nível da
água evitando a entrada de material flutuante, que poderá tornar a amostra não
representativa. É importante também levar em conta que a amostra característica do esgoto
afluente deve ser colhida depois das grades ou da caixa de areia, caso existam.
g) Tanto a temperatura da água como do ar (na sombra), deverão ser registradas no
momento da coleta.
4.7.1.3) Cuidados adicionais
O operador encarregado da coleta de amostras tem um papel muito importante. Toda e
qualquer informação de campo complementa os resultados das análises na interpretação
dos mesmos. Assim, o operador deve:
a) Registrar na ficha de dados:
 as condições climáticas como: a nebulosidade, insolação e a ocorrência de chuvas no dia
anterior e no dia a coleta da amostra;
 a temperatura do ar;
 a temperatura do esgoto;
 a cor aparente do esgoto;
 o número da amostra;
 a data, a hora e o nome do responsável pela coleta;
 observações que julgue ser de interesse para a análise e interpretação dos resultados.
b) Ìdentificar corretamente os frascos:
 anotar o tipo de amostra (simples ou composta);
 o parâmetro a efetuar;
 a solução preservante, se for o caso;
 numerar os frascos segundo o ponto de coleta.
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c) Lavar o material utilizado na amostragem:
 após a coleta das amostras o material utilizado deve ser lavado com um jato de água e
seguidamente passado por uma solução desinfetante. Para preparar esta solução basta
misturar num balde:
 1 copo de água sanitária concentrada;
 10 litros de água.
..............................................
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CAPÍTULO 5
TÌPOS DE TRATAMENTO DE ESGOTOS
Autor% Engª M&rcia L"ccas Resende
O tratamento bioIógico dos esgotos reproduzem, de certa forma o mesmo que ocorre em
um curso de água onde são lançados despejos. No corpo d'água, a matéria orgânica é
convertida em produtos mineralizados inertes por mecanismos naturais ÷ é o denominado
fenômeno da autodepuração. Em uma estação de tratamento de esgotos ocorre o mesmo,
mas com tecnologia se consegue fazer com que o processo se desenvolva em condições
controladas (controle da eficiência) e em taxas mais elevadas, permitindo soluções mais
compactas.
A remoção da matéria orgânica dos esgotos ocorre por dois tipos de processos, o oxidativo
(oxidação da matéria orgânica) ou o fermentativo (fermentação da matéria orgânica). No
processo oxidativo a matéria orgânica é oxidada por um agente oxidativo presente no meio
líquido ÷ oxigênio, nitrato ou sulfato. No processo fermentativo ocorrem determinadas
reações de forma que depois de várias ocorrências seqüenciais os produtos se tornam
estabilizados, isto é, não mais suscetíveis a fermentação.
Há organismos adaptados funcionalmente para as diversas condições de respiração para o
tratamento de esgotos. Os organismos aeróbios estritos utilizam apenas o oxigênio livre
na sua respiração; os organismos facuItativos utilizam o oxigênio livre (preferencialmente)
ou o nitrato; os organismos anaeróbios estritos utilizam o sulfato ou o dióxido de carbono,
não podendo obter energia através da respiração aeróbia. As reações de oxidação que
ocorrem no tratamento de esgotos são portanto do tipo aeróbias, anóxicas ou anaeróbias.
5.1) AIguns Tipos de Estação de Tratamento de Esgoto
Qualquer que seja o tipo de tratamento escolhido, ele deve ser precedido do denominado
tratamento preliminar.
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Fazem parte do tratamento preliminar:
 Grades grossas e finas ÷ a função do gradeamento é a retirada dos sólidos grosseiros
presentes no esgoto. De acordo com o diâmetro do interceptor ou emissário de chegada
na ETE é necessária a colocação dos dois tipos de grade, uma de espaçamento maior
para reter os sólidos maiores e em seguida outra de espaçamento menor. A colocação
dessas grades a montante do tratamento tem o objetivo de proteger os demais
equipamentos das unidades de tratamento e impedir que esses sólidos sejam
encaminhados ao corpo receptor.
 Caixa de areia ÷ a retirada da areia presente nos esgotos tem a finalidade de evitar a
abrasão e obstrução dos equipamentos e tubulações da estação e, também, o acúmulo
desse material nas unidades da ETE.
Além desses equipamentos a estação poderá ter também, em alguns casos, uma unidade
para retirada de gorduras.
5.2) Lagoas de EstabiIização
As lagoas de estabilização constituem a forma mais simples para tratar os esgotos.
Constituem sistemas de tratamento biológico com o objetivo de remover a matéria orgânica.
São bastante indicadas para as condições brasileiras pois, além de requerer operação
simples e poucos ou nenhum equipamento, o clima favorece com temperatura e insolação
elevadas.
Alguns tipos de lagoas:
 Facultativas
 Anaeróbias
 Aeradas Facultativas
 Aeradas de Mistura Completa
 Decantação
 Maturação
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5.2.1) Lagoas FacuItativas
Constituem o sistema mais simples de lagoas de estabilização. Consiste na retenção dos
esgotos por um período de tempo suficiente para o desenvolvimento de processos naturais
de estabilização da matéria orgânica. As vantagens e desvantagens do sistema estão
associadas aos fenômenos naturais. A natureza é lenta, necessitando de longos tempos de
detenção para que as reações se completem e em temperatura adequada. Por implicar em
grandes requisitos de áreas, são apropriadas para locais onde o custo da terra seja barato e
o clima favorável. A eficiência do sistema é alta equiparando com a dos tratamentos
secundários.
Dentro das lagoas facultativas ocorrem três zonas de tratamento dos esgotos: zona aeróbia,
zona facultativa e zona anaeróbia. A matéria orgânica em suspensão sedimenta
constituindo o lodo de fundo ÷ zona anaeróbia ÷ onde ocorre a decomposição por
microrganismos anaeróbios. A matéria orgânica dissolvida permanece dispersa , sendo que
na camada mais superficial ÷ zona aeróbia ÷ ela é oxidada por meio da respiração aeróbia.
O oxigênio, é suprido ao meio pela fotossíntese realizada pelas algas, mantendo-se um
equilíbrio entre o consumo e a produção de oxigênio e gás carbônico. As bactérias
consomem oxigênio e produzem gás carbônico, as algas na presença da luz solar produzem
oxigênio e consomem gás carbônico. Na zona intermediária, onde a penetração da luz solar
é menor, a partir de uma certa profundidade vai ocorrer a ausência de oxigênio livre. Essa
zona onde grupos de bactérias sobrevivem tanto na presença de oxigênio (condições
aeróbias) quanto na de nitratos (condições anóxicas) e sulfatos e CO
2
(condições aneróbias)
é denominada zona facuItativa.
Tempo de detenção t = 15 a 45 dias
Profundidade h = 1,5 a 3,0 m
Taxa de aplicação superficial L
s
= 240 a 350 kgDBO/ha.d (para regiões com inverno quente
e elevada insolação)
Requisito de área A = L/L
s
Eficiência E = aproximadamente 90%
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5.2.2) Lagoas Anaeróbias
Forma de tratamento onde a existência de condições devem ser estritamente anaeróbias.
Ìsso é possível com o lançamento de grande carga de DBO por unidade de volume da
lagoa, fazendo com que a taxa de consumo de oxigênio seja várias vezes superior à sua
taxa de produção.
Essas lagoas são profundas, de 4 a 5 metros, para reduzir a possibilidade de penetração do
oxigênio produzido na superfície (pela fotossíntese e pela reaeração atmosférica) para as
demais camadas. O tempo de detenção hidráulica (t) se situa na faixa de 3 a 6 dias e a taxa
de aplicação volumétrica (L
v
) comumente adotada é 0,1 a 0,3 kgDBO/m
3
.d.
Os custos para implantação são relativamente baixos, pois por serem mais profundas essas
lagoas requerem menor área para implantação, não necessitam qualquer equipamento
especial e não consomem energia elétrica.
A eficiência na remoção de DBO é de 50 a 60%. A DBO efluente da lagoa anaeróbia é
ainda elevada, necessitando-se utilizar uma unidade posterior de tratamento.
Caso o sistema esteja bem equilibrado, a possibilidade de geração de mau cheiro é
pequena, mas problemas operacionais eventuais podem permitir a liberação de gás
sulfídrico, responsável por maus odores. Deve-se optar por esse tipo de tratamento quando
for possível se ter um grande afastamento de residências.
5.2.3) Lagoas Aeradas FacuItativas
A diferença entre a lagoa facultativa convencional e a aerada facultativa é que enquanto o
suprimento de oxigênio para a primeira é advindo da fotossíntese no caso da aerada
facultativa ele é obtido através de aeradores. Consegue-se assim a redução de requisitos
de área. Em contrapartida, por conta dos equipamentos o nível de operação é mais
sofisticado e o consumo de energia elétrica mais elevado.
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A denominação aerada facultativa é porque a energia utilizada é apenas para oxigenar a
lagoa, não sendo suficiente para manter os sólidos (bactérias e sólidos suspensos)
dispersos na massa líquida. Os sólidos sedimentam constituindo a camada de lodo de
fundo, a ser decomposta anaerobiamente. Apenas a DBO solúvel e a DBO representada
por sólidos de dimensões menores permanecem na massa líquida, sofrendo decomposição
aeróbia. O comportamento da lagoa é a de uma facultativa convencional.
Tempo de detenção t = 5 a 10 dias
Profundidade H = 2,5 a 4,5 metros
5.2.4) Lagoas Aeradas de Mistura CompIeta
São lagoas essencialmente aeróbias. A quantidade de energia fornecida aos aeradores
garantem a oxigenação do meio e mantêm os sólidos em suspensão (biomassa) dispersos
no meio líquido.
Tempo de detenção t = 2 a 4 dias
Profundidade H = 2,5 a 4,5 metros

Depois das lagoas aeradas de mistura completa normalmente são construídas lagoas de
decantação, pois o efluente delas não é adequado para lançamento direto no corpo
receptor, devido aos elevados teores de sólidos em suspensão.
5.2.5) Lagoas de Decantação
Dentro da lagoa existem dois volumes distintos, um destinado à clarificação e outro ao
armazenamento e digestão do lodo. O volume destinado à clarificação deve ter
profundidade < 1,5 m e tempo de detenção < 1 d.
Tempo de detenção total t > 2 dias (o tempo de detenção é baixo para evitar o crescimento
de algas)
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Profundidade total H < 3,0 metros (para permitir uma camada aeróbia acima do lodo)
O tempo de detenção baixo nesse tipo de lagoa é suficiente para uma eficiente remoção
dos sólidos em suspensão produzidos na lagoa aerada, mas não contribui para a remoção
bioquímica adicional de DBO.
5.2.6) Lagoas de Maturação
É uma alternativa bastante econômica para a desinfecção de efluentes, seu objetivo é a
remoção de patogênicos (pouca remoção adicional de DBO). Fora do intestino humano os
organismos patogênicos tendem a morrer. Fatores como temperatura, insolação, pH,
escassez de alimento, organismos predadores, competição, compostos tóxicos, etc.,
contribuem para a morte deles. O dimensionamento das lagoas de maturação se vale da
utilização de alguns dos mecanismos citados para esse fim. A pequena profundidade da
lagoa de maturação (H = 0,8 a 1,5 m) visa maximizar os efeitos bactericidas da luz solar
(radiação ultra violeta), bem como da fotossíntese, resultando na elevação do pH. Essas
lagoas são comumente implantadas em série, para se obter a eficiência desejada (E > 99,9
ou 99,99% de remoção de coliformes).
CoIiformes no esgoto bruto:
Produção per capita de coliformes = 4,0x10
10
CF/d.hab
Quantidade presente no esgoto bruto (exemplo):
P = 1000 hab.
Q = 200 m
3
/d
Carga = 4,0x10
10
CF/d.hab x 1000 hab = 4,0x10
13
concentração de coliformes = 4,0x10
13
/ 200 m
3
/d
= 2,0x10
11
CF/m
3
= 2,0x10
8
CF/l
= 2,0x10
7
CF/100 ml
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Os sistemas de tratamento de esgotos por lagoas de estabilização podem utilizar um só tipo
de lagoa ou combinar duas ou mais lagoas dando origem a um sistema mais eficiente. Os
sistemas mais comuns de tratamento com ou sem associação de lagoas são:
 Lagoas facultativas (maturação)
 Lagoas anaeróbias seguidas por lagoas facultativas (maturação)
 Lagoas aeradas facultativas (maturação)
 Lagoas aeradas de mistura completa seguidas por lagoas de decantação (maturação)
5.3) Reator Anaeróbio
Além dos sistemas que utilizam combinação de diversos tipos de lagoas, os sistemas que
combinam reator anaeróbio e lagoas, também são utilizados na Saneago.
Denominado originalmente na Holanda de UASB (Upflow Anaerobic Sludge Blanket
Reactor) ÷ Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente e Manta de Lodo, no Brasil são
denominados DAFA (Digestor Anaeróbio de Fluxo Ascendente), RAFA (Reator Anaeróbio de
Fluxo Ascendente), RALF (Reator Anaeróbio de Leito Fluidificado), etc.
O lodo de esgoto é retido nessa unidade de tratamento por separação de fases gasosa,
líquida e sólida. As bactérias em flocos ou grânulos formam uma manta de lodo no interior
do reator. Dispositivos projetados e instalados para separar gases, sólidos e líquidos
garantem a permanência do lodo no sistema e a retirada do biogás e a coleta do efluente
tratado. O lodo excedente descartado do sistema, com idade (tempo de residência celular)
superior a 30 dias já se encontra estabilizado.
Esse processo apresenta algumas vantagens em relação aos processos aeróbios
convencionais, principalmente quando implantados em locais de clima quente, por exemplo:
 Sistema compacto, com baixa demanda de área;
 Baixo custo de implantação e de operação;
 Baixa produção de lodo;
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 Baixo consumo de energia (só para elevatória de chegada quando existir);
 Satisfatória eficiência de remoção de DBO/DQO, da ordem de 65%-75%;
 Elevada concentração do lodo excedente;
 Boa desidratabilidade do lodo.
Algumas desvantagens que podem ser citadas:
 Possibilidade de emanação de maus odores ÷ Se bem projetado e operado não deve
ocorrer;
 Baixa capacidade do sistema em tolerar cargas tóxicas ÷ Usualmente não acontece com
esgoto doméstico;
 Elevado intervalo de tempo necessário para a partida do sistema ÷ 4 a 6 meses quando
não se usa inóculos;
 Necessidade de pós-tratamento ÷ A eficiência do sistema não se enquadra nos padrões
de lançamento estabelecidos pelos orgãos ambientais.
5.4 ) Lodos Ativados
Lodo ativado é o floco produzido no esgoto pelo crescimento de microorganismos na
presença de oxigênio dissolvido. O lodo é acumulado em um local denominado tanque de
aeração que recebe ar para o fornecimento do oxigênio necessário, e onde a concentração
de microorganismos é garantida devido o retorno de flocos previamente formados e
recirculados para o interior desse tanque.
As variantes mais comuns dos sistemas de lodos ativados são:
 Lodos ativados convencional (ETE Dr. Hélio de Brito)
 Lodos ativados por aeração prolongada (ETE de Cidade Ocidental)
 Lodos ativados por batelada ou de fluxo intermitente
No sistema convencional, para se economizar energia para a aeração, parte da matéria
orgânica dos esgotos é retirada antes do tanque de aeração. A matéria orgânica em
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suspensão, passível de sedimentação, é retirada no decantador primário. Assim o sistema
de lodos ativados convencional têm como parte integrante o tratamento primário
(decantador primário), além do tratamento preliminar.
O sistema de lodos ativados é muito utilizado em todo o mundo, para tratamento de esgotos
domésticos e industriais, quando se necessita elevada qualidade do efluente e reduzido
requisito de área. O sistema implica em alto consumo de energia elétrica e operação
cuidadosa pois utiliza grande quantidade de equipamentos eletro-mecânicos.
Uma variante do tratamento primário, como foi implantado na ETE de Goiânia, é o
Tratamento Primário com Precipitação Química, onde é utilizado um produtos químicos para
aumentar a eficiência da decantação primária. Essa modalidade de tratamento permite uma
maior remoção de carga orgânica no tratamento primário, podendo-se contar com unidades
de processo menores no tratamento secundário, e consequentemente com menor custo de
investimento do empreendimento.
O tratamento do lodo é parte integrante do processo de lodos ativados. Os subprodutos
gerados no tratamento pelo processo de lodos ativados, são:
 Material gradeado;
 Areia;
 Escuma;
 Lodo primário;
 Lodo secundário.
.........................................
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CAPÍTULO 6
OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO DE ESTAÇÕES DE TRATAMENTO DE ESGOTOS E
ESTAÇÕES ELEVATÓRÌAS
Autores%Eng.ª Marisa 'ignataro de Sant(Anna
)&c. *nd"strial Jacson Ramos
Engª L+via Maria ,ias
Engº Cl&cio Ramon
6.1) Medição de Vazão e Tratamento PreIiminar
6.1.1) Medição de vazão:
Definição Calha Parshall: Canal para medir vazão nos condutos abertos, constituído
essencialmente em um trecho convergente, uma garganta e um trecho divergente.
Executado em concreto ou adquirido pronta em fibra de vidro, cujas dimensões são pré-
estabelecidas em função de seu tamanho. O tamanho do medidor é expresso pela
dimensão da "garganta¨ - "w¨, em polegadas ou pés. Em anexo está apresentado um lay-out
da calha parshall com a tabela de dimensões e a tabela dos valores resultantes de vazão
em função da altura da lâmina do líquido medido em determinado ponto e do tamanho do
parshall "w¨ em polegadas (¨) ou pés (').
A leitura da vazão instantânea deve ser efetuada em conversor ou medida diretamente a
altura do nível de esgotos no ponto determinado na Calha Parshall com o auxílio de uma
régua graduada em centímetros, verificando a vazão na tabela apropriada. As medidas
deverão ser tomadas de hora em hora por 24 hs em data programada e devem ser
anotadas em relatório apropriado.
6.1.2) Limpeza do gradeamento
As grades de retenção de sólidos deverão ser limpas de hora em hora, utilizando-se de um
rastelo para remover os detritos, os quais deverão ser dispostos inicialmente em galões
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perfurados até a secagem.
Os resíduos já secos deverão ser conduzidos até a caixa de detritos ou local apropriado
para disposição no solo, colocando-se terra por cima. Lembrar que estes não devem ficar
expostos ao ar livre, pois provocam maus odores e proliferação de insetos. Quando as
caixas de detritos estiverem cheias, esvaziá-las por meio de equipamento e conduzir os
detritos para o aterro municipal.
6.1.3) Limpeza da Caixa de areia (desarenador)
A caixa de areia deverá ser limpa em intervalos de 7 a 15 dias, conforme o acúmulo de
sólidos observado. Seguir as instruções abaixo:
a) Desativar o canal a ser limpo, fechando as comportas de entrada e de saída;
b) Retirar o restante do líquido com balde ou através de bombeamento;
c) Retirar a areia com uma pá, colocando-a em carrinho de mão ou galão perfurado;
d) Conduzir a areia retirada até a caixa de detritos ou aterro. Cobrir com tampa ou lançar
terra sobre os resíduos;
e) Após retirar toda a areia, efetuar lavagem geral com água limpa, abrindo o registro de
lavagem;
f) Após a limpeza do canal, abrir a comporta para receber esgotos e proceder do mesmo
modo para o outro canal;
6.2) Lagoas de estabiIização
A simplicidade conceitual das lagoas de estabilização traz como conseqüência a própria
simplicidade dos procedimentos de operação e manutenção. As lagoas são inerentemente
simples, e devem ser projetadas para que assim o sejam ao longo da sua rotina
operacional. É neste ponto que reside a grande sustentabilidade do tratamento de esgoto
por lagoas de estabilização, principalmente para as nossas condições de país em
desenvolvimento. No entanto, a simplicidade operacional não deve ser um meio caminho
para o descaso com a estação e com o processo. Há uma série de procedimentos de
operação e manutenção que devem ser executados dentro de uma determinada rotina, sem
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a qual ocorrerão problemas ambientais e de redução na eficiência de tratamento.
O presente capítulo trata dos seguintes aspectos relativos à operação e manutenção das
lagoas:
 programação de inspeção, coletas e medições;
 ínicio de operação;
 problemas operacionais.
A cobertura deste itens é bastante simplificada. As referências WEF (1990), Yanez (1993)
ou Jordão e Pessoa (1995) devem ser consultadas para maiores detalhes com relação a
estes tópicos.
É essencial que o projeto da lagoa de estabilização inclua um Manual de Operação, que
forneça as principais diretrizes para a operação adequada do sistema projetado. Durante a
fase de operação, o operador poderá buscar aos poucos a otimização do processo, tendo
por base a sua experiência acumulada com a lagoa em questão.

6.2.1) Inspeção, coIetas e medições
O operador deve executar diariamente uma inspeção por toda a lagoa e unidades
complementares. Naturalmente que, dependendo do porte e da importância da lagoa, o
número de parâmetros a ser incluídos, bem como a freqüência de sua determinação,
poderão ser alterados e adaptados às necessidades locais. Um aspecto de fundamental
importância em um programa de monitoramento é o relacionado ao real aproveitamento dos
dados levantados. Não há sentido em se obter dados, se os mesmos não forem
posteriormente consistidos e interpretados. Deverão ser produzidos gráficos de
acompanhamento e desempenho da lagoa, com ampla participação do operador no seu
acompanhamento. A introdução dos dados em planilhas eletrônicas no computador, no
escritório central, possibilitando a elaboração de cálculos de parâmetros de carga e
eficiência e dos gráficos relevantes afigura-se como melhor forma de aproveitamento dos
dados.
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Durante a rotina operacional, o operador deve realizar as seguintes tarefas, estando sempre
atento ao processo de tratamento:
a) Sempre que houver resíduos ou crostas flutuando na superfície das lagoas, estes devem
ser retirados, utilizando-se de um coador para limpeza de piscinas. Os detritos devem ser
colocados em galões perfurados para secagem, dispostos nas laterais das lagoas,
conduzindo-os depois às caixas de detritos ou dispondo no solo em local apropriado;
b) Quando necessário, no caso de formação de placas de algas estagnadas na superfície,
deve ser efetuada a oxigenação das lagoas facultativas, com a utilização de barco e motor
de popa, atuando em toda a extensão das lagoas (procedimento adotado em casos
específicos);
c) Os taludes das lagoas deverão receber manutenções constantes, com a retirada de
vegetação que cresce em falhas no concreto. Após a limpeza, estas falhas devem ser
preenchidas. Acima das placas de concreto, efetuar manutenções na grama dos taludes;
d) Não permitir que haja crescimento de vegetação nos taludes das lagoas na altura do
nível de esgoto, predispondo à proliferação de insetos;
e) Nas ocorrências de elevação do nível de esgotos em caixas divisoras de vazão ou de
passagem, desobstruir as tubulações com o auxílio de varetas, jateamentos ou outros
meios;
f) As caixas e canais de esgotos em toda a estação devem ser limpas constantemente,
removendo quaisquer detritos e lavando-as posteriormente com vassoura e jatos de água;
g) Cabe ao operador o controle dos despejos de caminhões limpa-fossas, reportando-se ao
motorista antes do lançamento e anotando em formulário apropriado todas as informações
que se requer, conforme orientação da gerência. Não permitir lançamentos provenientes de
indústrias;
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h) Coletar amostras dos afluentes à ETE e efluentes tratados para análises de laboratório,
segundo orientação específica;
i) Efetuar análises de rotina para aferir a qualidade dos esgotos, conforme orientação
específica (equipe do laboratório);
j) Remover aeradores para a borda das lagoas e efetuar a remoção de detritos destes
equipamentos, com a freqüência estabelecida;
k) Efetuar a remoção de lodo e areia do fundo das lagoas, utilizando-se de draga, bomba de
sucção ou manualmente (ocorre em situações específicas);
l) Efetuar a manutenção e conservação da área da estação como um todo;
m) Capinar áreas verdes e taludes das lagoas;
n) Efetuar manutenção em áreas gramadas, jardins, cercas vivas ou outra vegetação;
o) Recepcionar técnicos da empresa ou visitantes, prestando-lhes informações inerentes ao
sistema;
p) Manter a área da estação cercada e com placa de identificação. O operador deve
percorrer toda a área da ETE, verificando o estado das cercas, do lançamento do efluente.
6.2.2) Início de Operação
6.2.2.1) Carregamento das Iagoas
O carregamento inicial das lagoas pode ser efetuado utilizando-se de um dos dois
procedimentos descritos a seguir (CETESB, 1989). O carregamento deve ser
preferencialmente no verão, quando há temperaturas mais elevadas.
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a) Enchimento da lagoa com água bombeada de córrego vizinho ou proveniente de sistema
de abastecimento público:
 Encher a lagoa com lâmina d'água mínima, preferencialmente atingindo-se 1 m;
 Bloquear os dispositivos de saída;
 Ìniciar a introdução de esgoto, até atingir a lâmina prevista em projeto;
 A adoção deste procedimento impede o crescimento descontrolado da vegetação, que
ocorre em condições de reduzida lâmina d'água;
 Permite testar a estanqueidade do sistema;
 Possibilita a correção de eventuais deficiências decorrentes de uma compactação
ineficaz (antes da introdução de esgoto).
b) Enchimento da lagoa com mistura de água bombeada do córrego e do esgoto a ser
tratado:
 Fazer uma mistura esgoto/água (diluição com uma relação igual ou superior a 1/5);
 Encher a lagoa com uma lâmina em torno de 0,40 m;
 Aguardar alguns dias, até que se verifique, visualmente, o aparecimento de algas;
 Nos dias subseqüentes, adicionar mais esgotos, ou mistura esgoto/água, até ocorrer uma
floração de algas;
 Ìnterromper a alimentação por um período de 7 a 14 dias;
 Encher a lagoa com esgotos até o nível de operação;
 interromper a alimentação;
 aguardar o estabelecimento de uma população de algas (em torno de 7 a 14 dias);
 alimentar normalmente a lagoa com esgotos.
Durante todo o período do carregamento, deve haver um acompanhamento por operadores
com experiência no processo. O período total de carregamento pode durar 60 dias, até que
se estabeleça no meio uma comunidade biológica equilibrada.
Os seguintes dois procedimentos devem ser evitados:
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 Receber a carga de esgotos prevista em projeto, sem que ser estabeleça na lagoa uma
comunidade biológica balanceada. Caso isto seja efetuado, a lagoa entrará em
anaerobiose, com desprendimento de maus odores. A reversão deste processo de
anaerobiose pode levar dois meses;
 Carregar as lagoas com contribuições pequenas e continuadas, o que freqüentemente
ocorre quando se tem um baixo número de ligações domiciliares. Neste caso, como o
terreno não está ainda colmatado, o líquido pode percolar pelos taludes, acumulando
sólidos putrescíveis, com emanação de maus odores.
6.2.2.2) Início de operação de Iagoas anaeróbias
O início de operação de lagoas anaeróbias requer os seguintes procedimentos (CETESB,
1989):
 Ìniciar a introdução dos esgotos segundo as recomendações do Ìtem 6.2.2;
 Manter o pH do meio levemente alcalino (7,2 a 7,5). Para facilitar a ocorrência destas
condições, pode-se adicionar, após 30 dias de operação, lodo digerido de estações de
tratamento de esgotos ou de tanques Ìmhoff, ou pó calcário, cinza vegetal ou bicarbonato
de sódio.
6.2.2.3) Início de operação de Iagoas facuItativas
Os seguintes procedimentos são recomendados (CETESB, 1989):
 Ìniciar a introdução dos esgotos segundo as recomendações do Ìtem 6.2.2;
 A manutenção de um pH levemente alcalino deverá ocorrer naturalmente, caso as
recomendações do Ìtem 6.2.2 sejam seguidas;
 Medir diariamente o oxigênio dissolvido.
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6.2.2.4) Início de operação de Iagoas em sistemas em série
A partida das lagoas situadas a jusante da lagoa primária pode ser efetuada segundo as
seguintes recomendações (CETESB, 1989):
 Ìniciar o enchimento das lagoas quando a lâmina d'água na lagoa primária atingir um
valor mínimo de 1,0 m;
 Fechar os dispositivos de saída das lagoas;
 A adição de água deve ser feita até se ter uma lâmina de 1,0 m;
 Quando a lagoa primária atingir o nível de operação, o seu efluente pode ser dirigido para
a célula subseqüente, tomando-se as seguintes precauções:
 retirar os stop-logs lentamente, impedindo que a lâmina d'água da unidade precedente
caia abaixo de 1,0 m;
 não efetuar operações de descarga de fundo da célula primária;
 equalizar as lâminas em todas as lagoas de forma lenta;
 evitar a situação em que uma lagoa esteja totalmente cheia, enquanto a unidade
subseqüente está vazia
6.2.3) ProbIemas operacionais nas Iagoas de estabiIização
Os principais problemas operacionais, das lagoas anaeróbias, facultativas e aeradas
encontram-se nos quadros abaixo, conjuntamente com as principais medidas a serem
tomadas para sua possível solução.
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6.3) Correção de eventuais probIemas durante operação de Iagoas anaeróbias
6.3.1) Lagoas Anaeróbias
6.3.1.1) Despreendimento de odores desagradáveis
Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga de esgotos e diminuição do
tempo de detenção;
-carga bem baixa e elevação excessiva do
tempo de detenção (a lagoa se comporta
como facultativa, com OD na massa líquida);
-presença de substâncias tóxicas;
-queda brusca de temperatura do esgoto.
-recircular o efluente da lagoa facultativa ou
de maturação para a entrada da lagoa
anaeróbia (recirculação de aproximadamente
1/6);
-melhorar a distribuição do efluente da lagoa
(distribuição por tubulações perfuradas no
fundo da lagoa);
-no caso de sobrecarga, eventual by-pass
parcial para a lagoa facultativa (caso esta
suporte elevações da carga);
-no caso de longos tempos de detenção,
operar com uma lagoa aneróbia apenas
(caso haja duas em paralelo);
-adicionar nitrato de sódio em vários pontos
da lagoa;
-adicionar cal (120g/10m3 de lagoa) para
elevar o pH, reduzindo as condições ácidas
responsáveis pela inibição da metanogênese
e pela maior presença do sulfeto na forma
livre, tóxica);
-adicionar produtos que seqüestrem os
sulfetos;
-evitar a adição de cloro, pois o mesmo
causará problemas posteriores para o
reinício das atividades biológicas.
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6.3.1.2)ProIiferação de Insetos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-material gradeado ou areia removida não
dispostos convenientemente;
-crescimento de vegetais no encontro entre
NA e talude interno;
-camada de escuma e óleo sempre presente
nas lagoas anaeróbias;
-circulação e manutenção fracas.
-aterrar o material removido das grades e
caixas de areia em valas;
-cortar os vegetais desenvolvidos;
-revolver com rastelo ou jato d'água, a
camada de material flutuante que cobre as
lagoas;
-aplicar cuidadosamente inseticidas ou
larvicidas na camada de escuma.
6.3.1.3)Crescimento de Vegetais
Possíveis causas Possíveis soIuções
-manutenção inadequada. -vegetais aquáticos (crescem no talude
interno): remoção total, evitando a sua
queda na lagoa;
-vegetais terrestres (crescem no talude
externo): capinar o terreno; adicionar
produtos químicos para controle de ervas.
6.3.1.4) Manchas verdes no encontro do NA com o taIude
Possíveis causas Possíveis soIuções
-proliferação de algas, face à pequena
profundidade no trecho NA-talude.
-remover as colônias de algas.
6.3.1.5)Superfície da Iagoa coberta por uma camada de escuma
Possíveis causas Possíveis soIuções
-escuma, óleo e plásticos. -não há que tomar atitudes: a camada de
escuma é totalmente normal em lagoas
anaeróbias, ajudando a manter a ausência
de oxigênio, dificultando o desprendimento
de maus odores.
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6.3.2) Lagoas FacuItativas
6.3.2.1) Escuma e FIutuantes (impedindo a passagem de energia Iuminosa)
Possíveis causas Possíveis soIuções
-superfloração de algas (formando nata
esverdeada);
-lançamento de material estranho (ex.: lixo);
-placas de lodo desprendidas do fundo;
-pouca recirculação e atuação do vento.
-quebrar a escuma com jatos d'água ou com
rastelo (escuma quebrada usualmente
afunda);
-remover a escuma, utilizando-se de canoa e
motor refrigerado a ar;
-desagregar ou remover placas de lodo;
-remover obstáculos para a penetração do
vento (caso possível).
6.3.2.2) Maus odores causados por sobrecarga
Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga de esgotos, causando
abaixamento do pH, queda de concentração
de OD, mudança na cor do efluente de verde
para verde-amarelado (predominância de
rotíferos e crustáceos, que se alimentam das
algas), aparecimento de zonas cinzentas
junto ao efluente e maus odores.
-transformar a operação de série para
paralelo;
-retirar temporariamente a lagoa
problemática de operação (desde que haja
pelo menos duas lagoas em paralelo);
-recircular o efluente na razão 1/6;
-considerar entradas múltiplas do afluente,
para evitar caminhos preferenciais;
-no caso de sobrecargas consistentes,
considerar a inclusão de aeradores na lagoa;
-eventualmente adicionar nitrato de sódio,
como complementação de fonte de oxigênio
combinado.
6.3.2.3) Maus odores causados por más condições atmosféricas
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Possíveis causas Possíveis soIuções
-longos períodos com tempo nublado e
temperatura baixa.
-diminuir a altura da lâmina d'água;
-colocar uma lagoa em paralelo em
operação;
-instalar aeradores superficiais próximos à
entrada do afluente.
6.3.2.4) Maus odores causados por substâncias tóxicas
Possíveis causas Possíveis soIuções
-substâncias tóxicas advindas de descargas
industriais, gerando repentinas condições
anaeróbias na lagoa.
-efetuar análise físico-química completa do
afluente de forma a identificar o possível
composto tóxico;
-identificar na bacia de contribuição a
indústria causadora da descarga, tomando
as providências dentro da legislação;
-isolar a lagoa afetada;
-colocar uma segunda unidade em operação
em paralelo, com aeração, caso seja
possível.
6.3.2.5) Maus odores causados por curto-circuitos hidráuIicos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-má distribuição do afluente;
-zonas mortas, advindas de excessivo
aproveitamento de curvas de nível;
-presença de vegetais aquáticos no interior
da lagoa;
-canalizações de entradas obstruídas.
-coletar amostras em vários pontos da lagoa
(ex.: OD) para verificar se há significativas
diferenças de ponto a ponto;
-no caso de entradas múltiplas, regularizar a
distribuição uniforme da vazão afluente por
todas as entradas;
-cortar e remover vegetais aquáticos;
-no caso de zonas mortas, introduzir aeração
para causar pequena mistura;
-desobstruir canalizações de entrada com
jateamentos ou outros meios;
-aerar a lagoa com canoa e motor.
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6.3.2.6) Maus odores causados por massas de aIgas fIutuantes
Possíveis causas Possíveis soIuções
-superfloração de algas, impedindo a
penetração de energia luminosa, e causando
problemas com mortandade da população
em excesso.
-jateamento com mangueira d'água;
-destruição com rastelo;
-remoção com peneiras.
6.3.2.7) EIevadas concentrações de aIgas (SS) no efIuente
Possíveis causas Possíveis soIuções
-condições atmosféricas que favorecem o
crescimento de certas populações de algas.
-retirar o efluente submerso, após passar por
defletores, que retêm as algas;
-usar múltiplas células em série, com um
reduzido tempo de detenção em cada célula;
-efetuar pós-tratamento do efluente da lagoa,
para remover excesso de SS.
6.3.2.8) Presença de aIgas (bactérias) verde-azuIadas
Possíveis causas Possíveis soIuções
-tratamento incompleto;
-sobrecarga;
-desbalanço de nutrientes.
-quebrar as florações de algas;
-adicionar criteriosamente sulfato de cobre.
6.3.2.9) Presença de aIgas fiIamentosas e musgo, que Iimitam a penetração de energia
Iuminosa
Possíveis causas Possíveis soIuções
-lagoas superdimensionadas;
-carga afluente sazonalmente reduzida.
-aumentar a carga unitária, através da
redução do número de lagoas em operação;
-usar operação em série.
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6.3.2.10) Tendência progressiva de decréscimo no OD (OD abaixo de 3 mg/I nos
meses quentes)
Possíveis causas Possíveis soIuções
-baixa penetração da luz solar;
-baixo tempo de detenção;
-alta carga de DBO;
-despejos industriais tóxicos.
-remover vegetais flutuantes;
-reduzir a carga na lagoa primária através de
operação em paralelo;
-introduzir aeração complementar;
-recircular o efluente final.
6.3.2.11) Tendência progressiva de decréscimo no pH (pH ideaI acima de 8), com
mortandade das aIgas verdes
Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga;
-longos períodos com condições
atmosféricas adversas;
-organismos se alimentando das algas.
-ver medidas relativas de OD ou maus
odores por sobrecarga.
6.3.2.12) ProIiferação de insetos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-presenças de vegetais nas margens dos
taludes internos das lagoas.
-reduzir o NA, fazendo com que as larvas
presas aos vegetais desapareçam, quando a
área secar;
-operar a lagoa com variação do NA;
-proteger o talude interno com placas de
concreto, argamassa, rip-rap etc...;
-destruir as escumas;
-aplicar criteriosamente produtos químicos.
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6.3.2.13) Vegetação
Possíveis causas Possíveis soIuções
-baixo nível operacional da lagoa (abaixo de
60 cm)
-infiltração excessiva;
-baixa vazão de esgotos.
-operar as lagoas com um nível superior a 90
cm;
-cortar vegetais nas margens internas,
evitando que os mesmos caiam dentro das
lagoas;
-proteger o talude internamente com placas
de concreto, argamassa , rip-rap etc...;
-remover vegetais internos à lagoa com
canoas ou dragas (abaixar o NA para facilitar
a operação);
-reduzir a permeabilidade da lagoa com uma
camada de argila (caso possível);
-aplicar criteriosamente herbicidas.
6.3.3) Lagoas Aeradas
6.3.3.1) OD ausente em aIguns pontos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-mau posicionamento dos aeradores;
-sobrecarga nos trechos iniciais.
-mudar a posição dos aeradores;
-colocar mais aeradores nos trechos iniciais;
-analisar sobrecarga (ver itens
correspondentes no quadro 10.5)
6.3.3.2) Ocorrência de maus odores e moscas
Possíveis causas Possíveis soIuções
-acúmulo de escumas nos cantos e taludes
internos.
-remover o material flutuante.
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6.3.3.3) OD variáveI, fIoco disperso e espumas
Possíveis causas Possíveis soIuções
-cargas de choque;
-superação;
-despejos industriais.
-controlar a operação dos aeradores por liga-
desliga;
-monitorar o OD para estabelecer a forma
ideal de operação dos aeradores;
-manter OD em torno de 1mg/l ou mais;
-localizar os despejos industriais que causem
as espumas, requerendo o seu pré-
tratamento.
6.4) Reatores anaeróbios de fIuxo ascendente e manta de Iodo
6.4.1) Partida e Operação de Reatores Anaeróbios
A partida dos reatores poderá ser feita com inóculo de lodo proveniente de outro reator
anaeróbio, de lagoa anaeróbia ou fossa séptica, ou simplesmente iniciando a alimentação
do reator do fluxo total de esgoto sem uso de inóculo.
A vantagem da aplicação de inóculo é a garantia de eficiência do processo em um prazo
mais curto, porém o lodo a ser aplicado não deve conter areia, gordura ou outros resíduos
que venham contribuir de forma nociva à operação do mesmo.
Sem aplicação de lodo, a formação da manta anaeróbia dentro do reator se dará de forma
mais lenta, retardando por algum tempo (de 4 a 6 meses), a eficiência na remoção de DBO
e de sólidos totais. Durante essa fase inicial de operação, os reatores funcionarão como
simples decantadores, com predominância quase exclusiva dos mecanismos físicos de
remoção de sólidos.
6.4.1.1) InocuIação do Reator
Para se calcular a quantidade de lodo a ser utilizado para a partida de um reator, é
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necessário conhecer as características do lodo de inóculo e do esgoto afluente ao reator. As
cargas biológicas iniciais para a partida de um reator deverão se situar na faixa de 0,05 a
0,50 kg DQO / kg SSV. Dia.
Portanto, deverão ser conhecidos a DQO (Demanda Química de Oxigênio) do esgoto
afluente e o teor de STV (Sólidos Totais Voláteis) do lodo a ser usado como inóculo.
A inoculação pode-se dar tanto com o reator cheio ou vazio, embora seja preferível a
inoculação com o reator vazio, a fim de diminuir as perdas de lodo durante o processo de
sua transferência.
Os seguintes procedimentos podem ser adotados:
 Transferir o lodo de inóculo para o reator, cuidando para que o mesmo seja descartado
no fundo do reator. Evitar turbulências e contato excessivo com o ar.
 Deixar o lodo em repouso por um período aproximado de 12 a 24 horas, possibilitando a
sua adaptação gradual à temperatura ambiente.
6.4.1.2) AIimentação do Reator com Esgotos
 Após o término do período de repouso, iniciar a alimentação do reator com esgotos, até
que o mesmo atinja aproximadamente a metade de seu volume útil;
 Deixar o reator sem alimentação por um período de 24 horas. Ao término desse período e
antes de iniciar uma próxima alimentação, coletar amostras do sobrenadante do reator e
efetuar análises dos seguintes parâmetros: temperatura, pH, alcalinidade, ácidos voláteis
e DQO. Caso esses parâmetros estejam dentro das faixas de valores aceitáveis,
prosseguir o processo de alimentação. Valores aceitáveis: pH entre 6,8 e 7,4 e ácidos
voláteis abaixo de 200 mg/L (como ácido cético).
 Continuar o processo de enchimento do reator, até que o mesmo atinja o seu volume total
(nível dos vertedores do decantador);
 Deixar o reator novamente sem alimentação por outo período de 24 horas. Ao término
desse período, retirar novas amostras para serem analisadas e proceder como
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anteriormente;
 Caso os parâmetros analisados estejam dentro das faixas estabelecidas, propiciar a
alimentação contínua do reator;
 Ìmplantar e proceder monitoramento de rotina do processo de tratamento.
6.4.2) Operação de reatores UASB
A operação satisfatória de reatores UASB requer o monitoramento apropriado do processo,
que será decisivo para a tomada de decisões.
Nos reatores UASB, a acumulação de sólidos biológicos ocorre após alguns meses de
operação contínua, de modo que o descarte de lodo excedente não deverá ser necessária
durante os primeiros meses de operação do reator.
Além da observação diária da qualidade dos efluentes do reator, os resultados de
laboratório referentes aos parâmetros de eficiência de remoção de DBO e de sólidos totais
serão imprescindíveis à decisão de descarte de lodo excedente.
Ao se observar queda de eficiência nos parâmetros citados e que os efluentes contém maior
quantidade de sólidos, esse é o momento para se descartar lodo. O descarte de lodo
excedente deverá ser feito preferencialmente da parte superior (lodo floculento).
À medida que se opera um reator, a necessidade de descarte de lodo excedente deverá
ocorrer dentro de uma periodicidade cíclica e poderá ser estabelecida uma rotina de
procedimentos envolvendo a quantidade de lodo e o período ideal de descarte.
A fim de evitar a liberação de gases mal cheirosos, o reator deve estar sempre coberto,
além da adoção de medidas alternativas de tratamento de gases, que poderão aplicadas.
6.4.3) ProbIemas operacionais nos Reatores Anaeróbios
6.4.3.1) Desprendimento de odores desagradáveis
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Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga de esgoto com conseqüentes
diminuição do tempo de detenção;
-elevadas concentrações de compostos de
enxofre no esgoto afluente;
-elevadas concentrações de ácidos voláteis
no reator, alcalinidade reduzida e queda de
pH;
-presença de substâncias tóxicas no esgoto;
-queda brusca de temperatura do esgoto.
-diminuir a vazão afluente à unidade com
problemas;
-verificar a possibilidade de reduzir as
concentrações de sulfetos no sistema;
-adicionar cal hidratada, a fim de elevar a
alcalinidade do reator e manter o pH próximo
a 7,0 (6,8 a 7,4);
-localizar e eliminar as fontes de substâncias
tóxicas;
-caso o reator não seja coberto, avaliar a
possibilidade de cobrí-lo.
6.4.3.2) EfIuente contendo eIevado teor de sóIidos suspensos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga da vazão de esgoto, com
conseqüente elevação das velocidades
superficiais;
-elevadas concentrações de sólidos
suspensos no afluente;
-excesso de sólidos no reator.
-diminuir a vazão afluente à unidade com
problemas;
-verificar a possibilidade da remoção de
sólidos a montante dos reatores;
-proporcionar o descarte do excesso de
sólidos presentes no sistema.
6.4.3.3) Queda da produção de Biogás
Possíveis causas Possíveis soIuções
-vazamentos nas tubulações de gás;
-entupimento das tubulações de gás;
-defeito nos medidores de gás;
-elevadas concentrações de ácidos voláteis
no reator, alcalinidade reduzida e queda do
pH;
-presença de substâncias tóxicas no esgoto;
-queda brusca de temperatura de esgoto.
-corrigir os vazamentos;
-desentupir as tubulações de gás;
-reparar os medidores de gás;
-adicionar cal hidratada, a fim de elevar a
alcalinidade do reator e manter o pH próximo
a 7,0 (6,8 a 7,4);
-localizar e eliminar as fontes de substâncias
tóxicas;
-caso o reator não seja coberto, avaliar a
possibilidade de cobrí-lo.
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6.4.3.4) Queda da eficiência do sistema
Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga de esgoto com conseqüentes
diminuição do tempo de detenção;
-elevadas concentrações de ácidos voláteis
no reator, alcalinidade reduzida e queda de
pH;
-perda excessiva de sólidos no sistema, com
redução do leito e da manta de lodo;
-presença de substâncias tóxicas no esgoto;
-queda brusca de temperatura do esgoto.
-diminuir a vazão afluente à unidade com
problemas;
-adicionar cal hidratada, a fim de elevar a
alcalinidade do reator e manter o pH próximo
a 7,0 (6,8 a 7,4);
-diminuir a vazão afluente à unidade com
problemas ou retirar temporariamente o
reator de operação;
-localizar e eliminar as fontes de substâncias
tóxicas;
-eventualmente, retirar o reator de operação
até que ocorra a redução dos ácidos
voláteis.
6.4.3.5) FIutuação de grânuIos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-sobrecarga de esgoto com conseqüentes
diminuição do tempo de detenção;
-reinicialização da operação do sistema,
após longos períodos de paralização.
-diminuir a vazão afluente à unidade com
problemas;
-reinicializar o sistema com aplicação de
menores cargas volumétricas.
6.4.3.6) ProIiferação de insetos
Possíveis causas Possíveis soIuções
-presença de camada de escuma e óleo que
normalmente se forma nos reatores
anaeróbios;
-sólidos voláteis no reator, alcalinidade
reduzida e queda no pH.
-aplicar dosagens adequadas de algum tipo
de inseticida, de modo a não prejudicar o
funcionamento do reator;
-remover a camada de escuma e aterrar
adequadamente;
-caso o reator não seja coberto, avaliar a
possibilidade de cobrí-lo.
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6.5) Operação e manutenção de eIevatórias de esgotos
6.5.1) Limpar diariamente o cesto de detritos, retirando-o do poço e conduzindo-o a uma
caixa de detritos. Em seguida, lavá-lo, retirando manualmente todos os resíduos nele retidos
e dispondo-os na caixa ou no solo;
6.5.2) Efetuar limpezas do poço de sucção com freqüência semestral, ou conforme
determinação superior. Seguir as orientações abaixo:
a) Manobrar comportas de modo a impedir a chegada de esgotos ao poço;
b) Esvaziar o poço por sucção, utilizando-se de bombas ou caminhão limpa - fossas;
c) Retirar com o auxílio de uma pá, os detritos das paredes e do fundo e lavar o poço
com jatos de água;
6.5.3) Efetuar limpezas nas caixas de chegada, by-pass, etc.;
6.5.4) Realizar manutenção da área da elevatória, efetuando limpezas na área externa,
casa de controle, quadro de comando, jardins, cercas;
6.5.5) Quando solicitado, cronometrar tempos decorridos entre acionamento e
desligamento de bombas, para o cálculo de vazões afluentes e de bombeamento;
6.5.6) Observar quaisquer anormalidades no funcionamento da elevatória, tais como falta
de acionamento de bombas, falta de energia elétrica, extravasamento de esgotos,
emanação de odores;
6.5.7) Comunicar de imediato ao setor competente as anormalidades verificadas em
equipamentos.
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6.6) Recomendações EIetromecânicas
6.6.1) Quadro de comando
No quadro de comando está o coração da operação do principal equipamento de uma
Estação Elevatória de Esgotos (EEE) , os conjuntos motor-bombas. Encontramos as
proteções, automação, comando, controle e sinalizações para o seu perfeito funcionamento.
Como este manual é para a operação, vamos nos ater somente ao comando, controle,
sinalização, medição e parte da automação:
6.6.1.1) ControIe:
Para o controle temos no painel do quadro de comando a chave ManuaI/ Automático.
Como o próprio nome diz, é uma chave que controla o acionamento manual, onde o sistema
obedece o comando do operador, como por exemplo: ligar e desligar os conjuntos moto-
bombas e/ou aeradores, e automático, onde o operador deixa de determinar as ações dos
equipamentos, que passa a operar automaticamente.
6.6.1.2) Comando:
Botão de emergência: Este comando é muito importante, pois é este que o operador deve
comandar em caso de algum problema mais sério. Como exemplo temos o caso de choque
elétrico ou um outro problema de igual seriedade. Geralmente é do tipo "soco¨ onde o
operador bate no mesmo com mão, desligando toda a operação. Há casos de inexistência
deste botão em quadro de comando e neste caso o operador deve desligar o disjuntor geral
no padrão CELG.
Botão Liga (geralmente na cor verde).
Botão Desliga (geralmente na cor vermelha):Esta, como a anterior, somente opera com o
sistema no modo manuaI.
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Botão Reset (geralmente na cor vermelha): Usado para "Reset¨, ou seja, para retirar
possíveis sinalizações de defeitos, um moto-bomba somente volta operar depois de
sanados os defeitos e comandado os botões de "Reset¨. Algumas panes são sanadas
simplesmente ao operar esta botoeira.
6.6.1.3) SinaIizações
Geralmente os sinalizadores são lâmpadas Piloto, de cor verde para indicar que a operação
está sendo executada com êxito, por exemplo: Bomba ligada, e de cor vermelha para indicar
alguma falha. Existe em alguns quadros de comando, sinalizador sonoro para indicar o
extravasamento do poço. Fique atento às sinalizações.
6.6.1.4) Medição
No quadro de comando existem instrumentos de medida de tensão, onde podemos além de
saber se está em patamares aceitáveis (em torno de 380V), podemos também detectar
possíveis falta de fase, e instrumentos de medida de corrente, onde podemos detectar
possível avarias nos conjuntos moto-bombas através de variações do nível de corrente
nestes instrumentos (figura 1) e, em alguns casos, medidor de nível onde mensuramos o
nível do poço de sucção. Na figura 2 vemos um Relé de Nível, medindo um nível de 1,23m
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6.6.1.5) Automação de EEEs
A automação é responsável pelo correto acionamento dos conjuntos moto-bombas. Existe
dois tipos básicos de automação utilizado pela Saneago: Automação por bóias e por sensor
ultrassônico.
Automação por bóias de nível: No poço de sucção estão instaladas duas ou mais bóias,
geralmente duas. Uma para comandar o desligamento do sistema (nível mínimo) e outra
para comandar o acionamento (nível máximo). A saber: quando o nível do líquido no poço
chegar ao nível máximo, ou seja, quando a bóia superior mudar de posição, em
conseqüência da elevação do esgoto no poço, esta comanda o sistema e um dos conjuntos
entrará em funcionamento, permanecendo neste estado até que a bóia de nível mínimo seja
desacionada desligando o mesmo.
Automação por Sensor de Nível Ultrassônico : Os sensores de nível ultrassônicos tem como
princípio de funcionamento o envio e recebimentos de impulsos sonoros em alta freqüência
(20 à 100kHz). O impulso emitido viaja no espaço, bate em uma superfície plana, que no
nosso caso água ou esgoto, e retorna à sua fonte. O sistema mede o tempo gasto para que
este impulso vá até o ponto de impacto e retorne a sua face e, posteriormente, calcula o
nível do poço.(veja figura abaixo)
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6.6.2) Inoperância de motores , aeradores, conjuntos moto-bombas
a) Deve-se verificar, através do voltímetro instalado no quadro de comando, a tensão da
rede elétrica. A tensão mínima para operação é da ordem de 340V para cada fase (comute
a chave voltimétrica para a leitura das fases RS, RT, ST respectivamente - veja a figura
abaixo).
Uma tensão abaixo de 340 Volts é reconhecida como falta de fase pelo sistema de proteção
do quadro de comando. Ocorrendo este fato, verifique se há falta de energia na redondeza.
Caso haja, contate o serviço de atendimento ao consumidor CELG informando-o do
ocorrido. Se o problema for de competência da mesma, esta o solucionará. Se não contate
a Regional de Serviços (GRS) da sua região.
b) Caso não detectada a falta de energia, ítem anterior, deve-se observar se há sinalização
de defeito através de lâmpada, de cor vermelha, no painel. Em caso afirmativo, acione o
botão "RESET" (cor vermelha) e verificando após, o sanar ou não do problema (a lâmpada
vermelha apagou?). Persistindo a pane deve-se, com todos equipamentos desligados,
desligar momentaniamente o disjuntor geral do padrão CELG. O sistema voltou operar
normalmente? em caso afirmativo, ótimo, caso contrário contate a GRS por intermédio do
seu gerente imediato.
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6.6.3) Defeitos e possíveis conseqüências da automação por bóias
6.6.3.1) ProbIemas na bóia de níveI mínimo, a que está IocaIizada mais ao fundo do
poço
Defeitos Conseqüências
Bóia presa, como se deflexionada pelo
nível do esgoto.
Os conjuntos poderão funcionar a "vazio¨, ou
seja, a seco ou sem esgoto. Este problema
além de danificar as partes mecânicas dos
conjuntos, poderá "queimar¨ o motor-bomba
por super-aquecimento, já que é o esgoto quem
refrigera o mesmo.
Bóia presa , ficando na posição de
ausência de esgoto.
O conjunto entrará em funcionamento tão logo
a bóia superior (nível máximo) seja
deflexionada pelo esgoto, e deixará de
funcionar quando esta volte ao seu estado
normal. Com isto o conjunto ficará ligando e
desligando várias vezes em pouco tempo,
diminuindo drasticamente o tempo de vida dos
mesmos. (Um motor-bomba deve ser ligado
aproximadamente até quatro vezes em uma
hora)
6.6.3.2) ProbIemas na bóia de níveI máximo, a que está IocaIizada na parte superior do
poço
Defeitos Conseqüências
Bóia presa, como se deflexionada pelo
nível do esgoto.
O conjunto entrará em funcionamento tão logo
a bóia inferior (nível mínimo) seja deflexionada
pelo esgoto, e deixará de funcionar quando
esta volte ao seu estado normal. Com isto o
conjunto ficará ligando e desligando várias
vezes em pouco tempo, diminuindo o seu
tempo de vida. (Um motor-bomba deve ser
ligado aproximadamente até quatro vezes em
uma hora)
Bóia presa , ficando na posição de
ausência de esgoto.
Haverá extravasamento constante de esgoto,
pois os conjuntos moto-bombas não entrarão
em funcionamento
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Para amenizar os problemas supracitados o poço de sucção deve ser limpo e observadas
as condições físicas das bóias e/ou sensores de nível periodicamente. Caso os problemas
ocorram mesmo com estes equipamentos em "perfeito¨ estado de conservação, deve-se
informar a equipe de manutenção de sua GRS.
6.6.4) Defeitos e possíveis conseqüências da Automação por Sensor de NíveI UItra-
sônico
Erros na leitura são os maiores problemas detectados neste sistema, tendo como
conseqüência todos os defeitos citados para o caso das bóias. Os erros de leitura são
principalmente causados pelo acúmulo de sujeira na face do sensor, que deve ser limpo
periodicamente com um pano úmido, e pelo excesso de sobrenadantes: bolas; sacos e
sacolas plásticas; tampinhas de garrafas PET, etc. Só para se ter uma idéia, já foi
detectado problema causado por uma aranha, que estava transitando na face do sensor.
Antes de chamar a manutenção, é de suma importância a observância da limpeza do poço e
do sensor de nível.
6.4.5) Recomendações:
6.4.5.1) O ideal é que exista uma caixa de areia antes de cada Estação Elevatória de
Esgotos ( EEE), mas uma grande parte destas EEE's não são servidas por esta importante
parte do sistema. Caso exista, é de grande importância a sua limpeza para a retirada de
areia, evitando o extravasamento destes sólidos para dentro do poço. Nas EEE's que não
tem caixa de areia fatalmente o poço deverá ser limpo com mais freqüência. Estes sólidos ,
se acumulados no poço, devido ao atrito entre a areia e o rotor da bomba, diminuem
consideravelmente a vida útil desta.

6.4.5.2) Procure familiarizar-se com o meio onde trabalha, observe o funcionamento de sua
EEE ficando atento a quaisquer variações de suas características tais como:
a) Ruídos estranhos;
b) Variações na corrente, para mais, pode ser um começo de avaria no seu motor ou um
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vazamento no acoplamento da bomba com o barrilete, ou para menos, exemplificando um
possível entupimento ou registro fechado;
c) Veja se há variações consideráveis no tempo de esvaziamento do poço;
d)Para cada equipamento retirado da EEE de ser anotado o seu respectivo número de
patrimônio, assim como o dia da retirada, no livro de ocorrência. Todas estas informações
são muito importantes e deverão ser repassadas, oportunamente, para a P-GET ou P-GTE,
conforme o caso.
6.4.5.3) Procure não tentar resolver problemas eletro-mecânicos, a Saneago tem equipes
capacitadas para este tipo de serviços. Você tem um papel importante que é a operação do
quadro de comando e o repasse das informações citadas acima.
6.4.5.4) Procure não abrir a porta do quadro de comando pois estará sujeito à choque
elétrico e isto poderá ser fatal.
6.4.5.5) Na ocasião da limpeza do poço de sucção, apesar de haver sistema de aterramento
em todas as nossas unidades, recomendamos que desligue o disjuntor geral no padrão
CELG.
............................
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APÊNDICE
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GERÊNCÌA DE DESENVOLVÌMENTO DE PESSOAL
MANUAL DE OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
APÊNDÌCE 1
O MODELO ADMÌNÌSTRATÌVO DAS ETES - SANEAGO
Autores: Eng.º Civil Áttila Moraes Jardim J"nior
Eng.ª Ana Lúcia Colares Lopes Rocha
1) Quem gerencia as EEEs e ETEs?
As Estações Elevatórias de Esgoto e Estações de Tratamento de Esgoto são unidades dos
Distritos, por isto, os Gerentes de Distrito são os responsáveis por estas unidades
operacionais da SANEAGO. Como suas operações demandam conhecimento técnico
específico, e também por haver necessidade de padronização dos procedimentos que
envolvem esgoto, as P-GET e P-GTE estarão trabalhando lado a lado com os Distritos
nessas Estações.
2) QuaI a estrutura disponíveI para operação, conservação, manutenção e proteção
das ETEs?
Cada Distrito da SANEAGO contará, além da estrutura do próprio Distrito e da GRS, de um
Operador de Sistemas para operar sua ETE.
As EEEs e ETE terão também uma empresa externa para prestar serviços rotineiros de
Iimpeza e conservação. Esse serviço se dará nas instalações operacionais, nas
edificações e áreas externas. Esta empresa eventuaImente prestará pequenos serviços de
engenharia para manutenção e meIhoria desta unidade operacional.
As SUSEÌ e SUMEN, através das P-GET e P-GTE assistirão os trabalhos das EEEs eETEs
através dos seus técnicos que estarão iniciaImente ensinando e, mais tarde, fiscaIizando
os trabalhos de cada Distrito.
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A P-GET e P-GTE apoiarão também os Distritos na cobrança dos trabalhos terceirizados
rotineiros. Quando o trabalho for eventual, de pequena obra ou melhoria, assumirão
totalmente a responsabilidade da autorização para execução e fiscalização dos mesmos.
3) A Administração IocaI das ETEs: O papel do Gerente de Distrito
Como foi esclarecido anteriormente, as EEEs e ETE por serem unidades operacionais locais
são de responsabilidade dos Gerentes de Distrito. Portanto, o Gerente deve, no mínimo,
fazer uma visita semanal às suas EEEs e ETE. A frequência de visita poderá ser
comprovada através de Livro de Anotação de Visitas, disponível na ETE.
Nas visitas às ETEs os Gerentes devem se ater, principalmente aos seguintes pontos:
 Como está a apresentação da ETE? (Casa de controle, processo, área externa,
urbanização)
 O Gradeamento, Caixa de Areia, Caixas de Controle (comportas) estão limpos e em
perfeito funcionamento?
 Como anda a assiduidade e pontualidade do Operador de Sistemas e da Empresa
Terceirizada?
 Existe evidência de algum problema operacional? (Contribuição indevida de indústrias,
volume excessivo de água pluvial, aspecto diferente das lagoas, odores desagradáveis)
 Existiu alguma visita não programada ou reclamação de vizinhos?
 As normas de segurança estão sendo respeitadas? O pessoal está uniformizado e com
EPÌs? As placas de segurança estão bem visíveis?
 Existe alguma dúvida operacional não esclarecida pelos técnicos das P-GET ou P-GTE?
Na cidade, o Gerente do Distrito deve ficar atento aos problemas de esgoto:
 Toda nova ligação de esgoto deve ser vistoriada, para verificar se as instalações estão
corretas, evitando-se contrbuição indevida de água pluvial.
 Toda oficina mecânica, posto de gasolina, lava-jato, indústrias devem ser periodicamente
fiscalizados para evitar lançamento irregular.
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GERÊNCÌA DE DESENVOLVÌMENTO DE PESSOAL
MANUAL DE OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
 Está havendo qualquer reclamação sobre esgoto por parte das autoridades? Se houver,
buscar imediatamente informação na P-GET ou P-GTE sobre como agir.
 Como anda a operação das Estações Elevatórias de Esgoto?
O Gerente do Distrito deve também manter contatos com o responsável pela empresa
externa. Deve cobrar programações e realizações de tarefas, contando com a participação
do Operador de Sistemas que pode contribuir, informando sobre o desempenho dos
empregados.
4) O apoio regionaI: O papel do GRS's
A grande responsabilidade da Gerência Regional de Serviços é a manutenção
eletromecânica das Estações Elevatórias de Esgoto e demais componentes elétricos ou
mecânicos da Estação de Tratamento de Esgoto.
A GRS, por ser uma unidade de apoio técnico operacional e supervisionar o desempenho
dos Distritos, pode acompanhar o desempenho operacional das ETEs. É recomendável que
laboratoristas, técnicos em saneamento e engenheiros da Regional façam visitas às EEEs e
ETEs de sua região. Esse corpo técnico é bem vindo à operação da ETE.
Outra colaboração que a Regional pode prestar às ETEs relaciona-se às atividades
administrativas ou organizacionais. O Distrito deve se adequar aos procedimentos
disciplinares estabelecidos pela GRS.
5) A Administração IocaI das ETEs: O papel do Operador de Sistema
O Operador de Sistemas, ligados à área de esgoto, conforme Especificação das Classes de
Cargos da SANEAGO, têm as seguintes obrigações básicas:
 Remover detritos de grades, caixa de areia, canais, taludes, lagoas ou outras unidades
de esgoto e dispô-las adeqüadamente;
 Realizar medidas de vazão, temperatura e outros parâmetros;
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 Limpar áreas, casa de controle, e demais instalações de EEEs e ETE;
 Desempenhar outras funções de mesma natureza, eventuais ou não, a critério da
gerência;
 Observar todo e quaisquer aspecto relacionado à conservação da área da ETE, visitando
com frequência o ponto de lançamento do efluente, vistoriando a cerca, observando
taludes, possíveis proliferação de pragas, manutenção dos sistemas de drenagem ÷
calhas, grelhas, caixas de passagem etc;
 Efetuar periodicamente a descarga de lodo de reatores anaeróbios e a retirada de lodo
seco dos leitos de secagem;
 Exercer as atividades de controle e fiscalização sobre a empresa externa: verificar o
fornecimento de materiais de consumo e utensílios de limpeza, EPÌ's, estado das
ferramentas e equipamentos, uniformes e frequência da equipe dos auxiliares de serviço;
 Relatar no "Livro de Ocorrências¨ toda e qualquer anomalia do processo de tratamento,
os procedimentos de rotina, interrupções do sistema, extravazamnetos, etc. Solicitar a
assinatura dos possíveis visitantes à ETE, mesmo funcionários da Saneago;
 Manter contato frequente com a P-GET/P-GTE e com o Distrito local, para decidir sobre
os problemas administrativos e/ou operacionais que venham a ocorrer.
No atual "modelo de gestão" adotado pela SANEAGO, onde a empresa externa realiza os
serviços braçais de limpeza e conservação, o Operador de Sistemas pode dividir a limpeza
de gradeamento, caixas de areia com a empresa externa, disponibilizando mais o seu
tempo para manter o processo operacional em perfeitas condições e as dependências da
ETE rigorosamente com bom aspecto.
Para supervisionar os trabalhos da empresa externa o Operador de Sistemas deve observar
as recomendações dos técnicos das P-GET e P-GTE, buscando garantir o atendimento
mínimo ao que foi sugerido.
O Operador de Sistemas deve anotar o comportamento dos empregados daquela empresa
e se dirigir ao Distrito, para em conjunto com o Gerente fazer as reclamações e sugestões
ao responsável pela empresa externa das ações necessárias para otimizar os trabalhos.
Deve ter o cuidado de manter sua autoridade e evitar criar vínculos empregatícios àqueles
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empregados. Esse vínculo estaria sendo criado caso os empregados de outra empresa
recebessem, diariamente, ordens de um empregado da SANEAGO. Para tal, o responsável
externo deve programar tarefas rotineiras do seu pessoal e responder pelo cumprimento das
realizações.
Por outro lado, embora o operador não possa "dar ordens" aos empregados de outra
empresa, seu bom exemplo profissional, a demonstração de conhecer a programação de
tarefas da empreiteira e seu esforço em verificá-las, seu empenho diário em manter as
Elevatórias e Estações de Tratamento na mais perfeita ordem, pode representar um fator
altamente positivo para o alcance dos resultados para a SANEAGO. Sendo assim, o
Operador de ETE deve aprimorar sua capacidade de bem se relacionar com o grupo
externo e demonstrar a todo tempo que está acompanhando os trabalhos.
6) O apoio técnico-administrativo das Superintendências SUMEN e SUSEI: O papel
das P-GTE e P-GET
As superintendências da Região Metropolitana e do Ìnterior têm importante papel nesse
momento em que muitas cidades passam a ter os serviços de esgoto sanitário. Muitas
técnicas operacionais e rotinas administrativas precisam ser assimiladas pelos Distritos, que
até então não dispunham desse serviço. Assim sendo, as P-GTE - Gerência de Tratamento
de Esgoto da SUMEN e P-GET ÷ Gerência de Suporte ao Tratamento de Esgoto têm entre
seus objetivos principais a normatização dos procedimentos para os serviços de esgoto de
toda a SANEAGO.
 Coordenar o processo de tratamento de esgoto, tomando todas as providências
necessárias para solucionar eventuais problemas operacionais. Paralelamente, buscar
orientar o Operador de Sistemas sobre a interpretação das ocorrências e o que deve, por
ele, ser feito.
 Manter um cadastro de todos os dados de análise laboratorial dos processos de
tratamento de esgoto e dos corpos receptores, interpretando os resultados e interferindo
nos processos;
 Visitar mensalmente as EEEs e ETE para orientar e fiscalizar os serviços rotineiros de
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responsabilidade do Distrito e da empresa externa. A responsabilidade da P-GET e P-
GTE, a princípio é orientativa e, posteriormente, deve ser muito mais de fiscalização.
 Fazer apontamento mensal dos serviços rotineiros prestados pela empresa externa,
possibilitando a sua medição.Gerar/aprovar os boletins de medição;
 Determinar a execução dos "serviços eventuais¨ à empresa externa, conforme a
necessidade. Em seguida, acompanhar suas execuções das pequenas obras ou
melhorias, fazendo o apontamento mensal dos serviços executados, pela empresa
externa, possibilitando a sua medição. Recusar quaisquer serviços que não sejam
compatíveis com os padrões;
 Prestar serviço de representação da empresa ao Distrito perante os órgãos públicos ou
organizações não governamentais, no que se refere ao tratamento de esgoto ou fatos
decorrentes desse processo;
7) O serviço externo: O papel das Empresas contratadas para prestação dos serviços
As empresas privadas estarão prestando os serviços denominados "Execução de
Serviços de Engenharia de pequeno porte, manutenção e conservação das ETEs e
EEEs de várias Cidades" por meio de Licitação pública.Todas as unidades das Estações
de Tratamento de Esgotos e sua(s) respectiva(s) estações elevatórias, foram agrupadas por
região, originando 07(sete) lotes distintos. Cada lote de cidades deve ser objeto de um
contrato de prestação de serviços com uma determinada empresa: a vencedora da
Licitação. Os lotes licitados são os seguintes:
Lote1: Entorno de BrasíIia ÷ Em operação: Anápolis, Luziânia, Cidade Ocidental, Novo
Gama, Valparaíso, Planaltina e Santo Antônio do Descoberto/Águas Lindas; Em obras:
Cristalina, Formosa e Silvânia.
Lote 2: Região SuI ÷ Em operação: Pires do Rio, Pontalina, Morrinhos, Goiatuba, Joviânia e
Cachoeira Dourada; Em Obras: Piracanjuba, Ìpameri, Bom Jesus de Goiás e Ìtumbiara.
Lote 3: Região Sudoeste ÷ Em operação: Quirinópolis, Jataí, Rio Verde, Caiapônia e
Aparecida do Rio Doce; Em obras: Caçu, Acreuna e Santa Helena de Goiás.
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Lote 4: Região Nordeste ÷ Em operação: São Miguel do Araguaia, Mara Rosa,
Minaçú/Furnas, Campos Belos, Posse, Ceres e Goianésia; Em obras: Uruaçu, Niquelândia e
Rubiataba.
Lote 5: Região Noroeste ÷ Em Operação: Ìnhumas, Goiás, Ìtapuranga, Araguapaz e
Britânia; Em obras: Jussara, Ìtaberaí e Ìtauçú.
Lote 6: Região Centro Oeste Goiano ÷ Em operação: Anicuns, Palmeiras, São Luís dos
Montes Belos, Paraúna e São João da Paraúna; Em obras: Ìporá.
Lote 7: Região MetropoIitana ÷ Em operação: Trindade, Guapó, Bela Vista de Goiás e
Abadia de Goiás.
Caberá, então, às essas sete empresas a execução de serviços rotineiros de limpeza,
conservação e manutenção das EEEs e ETEs, e a execução dos serviços eventuais, que
são pequenas obras de reparo e conservação, desde que solicitados pela P-GET/P-GTE.
8) Serviços Rotineiros:
Para execução dos "serviços rotineiros¨, a empresa deve cumprir uma série de tarefas,
conforme programação elaborada com o Distrito e P-GET ou P-GTE. É de inteira
responsabilidade da empresa externa a distribuição de tarefas aos seus empregados. Para
tal a empresa externa deve designar um responsável que acompanhe os trabalhos de suas
equipes nas diversas cidades do lote. A colaboração da SANEAGO pode se dar através do
Gerente de Distrito e Operador de Sistemas, informando regularmente sobre o desempenho
dos empregados externos no cumprimento das tarefas programadas. Para isto, deverá
atender às exigências do edital e do Termo de Referência:
 Contratação da equipe de auxiliares de serviços ÷ com vínculo empregatício e adicional
de insalubridade, vacinas preventivas, refeições fornecidas no local de trabalho e
transporte ao local de trabalho;
 Fornecer todo suprimento de material de consumo e de EPÌs;
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 Manter os equipamentos e ferramentas utilizadas em bom estado de conservação,
repondo/substituindo quando necessário;
 Obrigar a utilização de uniformes/crachás/EPÌs por seus empregados. Em caso de
acidente com um empregado de empresa externa, a SANEAGO não assumirá, em
hipótese alguma, co-responsbilidade ao acidente, pricipalmente em caso de falta de uso
de EPÌs;
 Ordenar aos seus empregados para que os portões das EE's e ETE permaneçam
fechados com cadeados, impedindo a entrada e permanência de pessoas estranhas e
animais;
 Orientar aos seus empregados a não prestar quaisquer informação ou declaração à
terceiros, em nome da Saneago;
 Comunicar, por meio de seus empregados, ao operador de sistemas da ETE e/ou a P-
GET e em casos de finais de semana e feriados, aos funcionários de plantão da Saneago
qualquer anomalia do sistema.
9) Serviços Eventuais:
O contrato externo contempla a realização de pequenas obras de engenharia para
recuperação de unidades operacionais ou melhorias. Essas pequenas obras só poderão ser
executadas onde houver necessidade reconhecida pelas P-GET ou P-GTE.
O recurso para esse fim é do lote de cidades e deve contemplar apenas as unidades mais
precárias. Por isto, pode haver situação de apenas poucas cidades serem beneficiadas com
eles, ou mesmo de não se utilizar desses recursos quando não se sentir necessidade.
A empresa deve disponibilizar esses serviços utilizando mão de obra específica e dentro do
prazo solicitado.
10) Tratamento Dispensado às autoridades e visitantes:
Diante do fato de estarmos vivenciando um momento "político-ambiental", onde o interesse
pelas questões ambientais se torna relevante em vários segmentos de ordem institucional e
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da própria população, as solicitações de visita às ETEs passam a se tornar cada vez mais
freqüentes.
A orientação geral é que todas as visitas sejam solicitadas à P-GET/P-GTE, através da
Gerência do Distrito da Saneago e programadas. Dependendo do nível de informações
requisitado pelos visitantes a P-GET ou P GTE irá designar e orientar ao Gerente do Distrito
ou ao Operador de Sistemas à prestar as devidas informações, ou até mesmo designar a
ida de um técnico ao local, visando a atender satisfatoriamente à demanda..
No caso de visitas não programadas, em se tratando de autoridades (promotoria pública,
vigilância sanitária, representantes das secretarias de meio ambiente e saúde, prefeitura,
etc) o operador de sistemas, e na ausência deste, um dos auxiliares de serviço, deverá
receber a(s) autoridade(s), pedir identificação, fornecer os contatos do Gerente do Distrito e
da P-GET/P-GTE para responder e/ou prestar quaisquer esclarecimentos. Todo visitante
deverá assinar o "livro de visitas" deixando legível o nome e contato.Esta visita deverá ser
informada ao Gerente do Distrito e à P-GET/PGTE. O gerente de Distrito ou o Operador de
ETE local deve deixar claro às autoridades visitantes a hierarquia e divisão dos trabalhos na
SANEAGO, ou seja, a operação da ETE demanda conhecimento científico de alta
complexidade, envolvendo diferentes áreas de conhecimento, portanto se o assunto for
técnico, a vinda de um especialista de Goiânia é indispensável. A autoridade visitante deve
ter em mente que a ETE tem, de fato, uma operação assistida, ou seja, se o regime de
operação estiver normal, o operador de sistemas responde pela ETE, se aparecer qualquer
novidade um especialista de maior conhecimento assume a operação.
Em se tratando de escolas, as visitas estão proibidas, até a liberação pelo setor de
"segurança de trabalho da Saneago".
........................................
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APÊNDÌCE 02
SEGURANÇA NO TRABALHO E DOENÇAS OCUPACÌONAÌS NO SÌSTEMA DE ESGOTO
Autores% Engº Seg. )rabalho% Silvino Ant-nio ,ias #atista
En.ermeira do )rabalho% C/ndida Miclos Moco
1) ResponsabiIidade civiI e penaI na Segurança do TrabaIho
A NR-24 que versa sobre condições sanitárias e conforto nos locais de trabalho no item
2476, deverão os responsáveis pelos estabelecimentos industriais dar aos resíduos destino
e tratamento que os tornem inácuos aos empregados e a coletividade.
A NR-07 que versa sobre o programa de controle médico de saúde ocupacional, quanto às
responsabilidades do empregador, no que diz respeito aos aspectos de segurança e higiene
ocupacional, destacam-se os enunciados do Código Penal (CP), Código Civil e do Supremo
Tribunal Federal (STF), transcritos abaixo:
Art. 121 do CP - este artigo pode ser aplicado nos casos de morte por acidente de trabalho
que decorre de culpa do empregador.
Art. 129 do CP - esclarece que ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem tem
pena de detenção de 3 meses a 1 ano: se resultar lesão corporal de natureza grave, a pena
se estende para 5 anos e, nos casos de incapacidade permanente para o trabalho, a pena
será de 2 a 8 anos.
Art. 132 do CP - determina que expor a vida ou saúde de outrem a perigo direto ou iminente
pode ter pena de detenção de 3 meses a 1 ano, se o fato não construir crime mais grave.
Art. 927 do CC - "Aquele que, por ato ilícito causar dano a outrem, fica obrigado a repará-
lo¨. No caso de lesão ou outra ofensa à saúde, o ofensor indenizará o ofendido das
despesas do tratamento e dos lucros cessantes, além de outro prejuízo sofrido pelo
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ofendido.
Art. 186 do CC - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
2) TrabaIhos com esgoto
Trabalho em locais onde há esgoto é sempre difícil e perigoso, devido aos riscos : químicos,
físicos, biológicos, e riscos de acidente local
RISCOS QUÍMICOS
➔ Gases tóxicos
➔ Baixo nível de oxigênio
➔ Vapores
➔ Poeiras
➔ Névoas
RISCOS FÍSICOS
➔ Ruídos nos locais confinados
➔ Umidade
➔ Queda de objetos
RISCOS BIOLÓGICOS
➔ Bactérias
➔ Fungos
➔ Protozoários
➔ Vermes
➔ Erisipela
➔ Ìnsetos
RISCOS DE ACIDENTES
➔ Ìluminação deficiente
➔ Possibilidade de explosão ou incêndio
2.1) Riscos químicos
2.1.1) Gases tóxicos:
 Gás carbônico ÷ CO
2
 Metano ÷ CH
4
 Sulfídrico ÷ H
2
S
 Amônia ÷ NH
3
2.1.2) Baixo NíveI de Oxigênio:
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Uma atmosfera com menos de 20,8% de volume de oxigênio, é considerada deficiente de
oxigênio. O nível, pode diminuir por vários motivos: reações químicas (oxidação), por ação
de bactérias (fermentação) ou quando o local é ocupado por outros gases.
2.1.3) Vapores, névoas, poeiras:
Em um local confinado, a atmosfera tóxica, deve ser considerada perigosa. A atmosfera
tóxica pode ser criada por vários motivos:
a) Produtos guardados: Os produtos armazenados em locais confinados, podem liberar
gases tóxicos quando removido, ou por decomposição.
b) Execução de trabalhos como: Soldagem, corte, pintura, decapagem, desengraxamento
etc, que podem liberar vapores tóxicos.
2.2) Riscos físicos
2.2.1) Ruídos
O ruído dentro de um local fechado, é ampliado devido à acústica do local, prejudicando a
comunicação interna e externa.
2.2.2) Umidade
Os trabalhos em superfícies escorregadias e lisas, podem provocar quedas, levando a
acidentes graves.
2.2.3) Queda de objetos
O trabalhador executando tarefas abaixo do nível do solo, deve ter cuidado com a queda de
objetos.
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2.3) Riscos bioIógicos
2.3.1) Bactérias
Encontram-se por toda a parte, na água, no solo, no ar e dentro de organismos vivos,
incluindo o homem.
As bactérias patogênicas produzem venenos chamados "toxinas¨. Entre as doenças
provocadas por bactérias, encontram-se a cólera, a meningite, a pneumonia, a tuberculose,
as infecções por estreptococos e estafilococos.
2.3.2) Fungos
Os fungos aparecem em todo o lado, no solo e na atmosfera. Penetra na pele sensível e
produzem doenças. São responsáveis pelo Pé de atleta, cândida, pelas tinhas e outras
micoses.
Os casos ligeiros de fungos podem ser curados com uma boa higiene e desinfetantes.
2.3.3) Protozoários
São microorganismos existentes em número incalculável. São parasitas e provocam
doenças como: amebíase, leishmaniose, malária e doença do sono.
-Prevenção: uso de EPÌs (botas e outros)
2.3.4) Larvas de Vermes
Parasita que vive e se multiplica no organismo humano e em alguns animais, podendo
provocar infecções e doenças. Normalmente infestam o intestino.
A maioria das infecções causadas por vermes, propaga-se de uma para outra pessoa
através da água, alimentos e dos locais contaminados por fezes humanas. Ex.: Larva
migraus encontada nas fezes de cães e gatos. A infestação é feita pela pele, pelas pernas e
pés.
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Prevenção: uso de EPÌs
2.3.5) ErisipeIa
Doença infecciosa e dolorosa, causada por um estreptococo. Aparecem manchas vermelho-
escuras especialmente no rosto, acompanhadas de febre, dores de cabeça e vômitos.
-Prevenção: uso de EPÌs e higienização com sabão neutro.
2.4) Riscos de acidentes
2.4.1) IIuminação deficiente
A iluminação deficiente pode provocar acidentes e problemas de saúde como : dores de
cabeça, tonteiras etc.
Possibilidade de incêndio: uma atmosfera se torna inflamável ou explosiva com oxigênio no
ar, gases, vapores ou pó inflamável na mistura adequada.
Cada gás tem seu limite de inflamabilidade.
2.4.2) Perigos respiratórios
Respiração: troca de gases entre os seres vivos e seu ambiente.
O consumo de ar respirado pelo homem, depende do esforço físico, da idade, constituição
física e estado psicológico. Durante o exercício físico, o consumo de oxigênio e a produção
de anidrido carbônico podem aumentar muito (até 20 vezes). A respiração forçada e difícil
chama-se dispnéia, que pode ter muitas causas, entre elas intoxicações causadas por
substâncias.
O homem executando atividades pesadas, dentro de um local confinado, consome em
média 50 litros de ar por minuto.
Não se pode ver ou sentir o odor de muitos gases e vapores tóxicos e nem tão pouco
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detectar o nível de oxigênio no local, que está no mínimo em 18%.
3) Procedimentos para execução de serviços em pvs - poço de visita
Todo trabalho em vias públicas dever ser sinalizado, esta sinalização deve:
a) Advertir os motoristas e pedestres da existência de obras. Para isso, são colocadas
placas e também obstáculos móveis ou portáteis canalizando os veículos para fora da área
interditada. Essa canalização deve ser suave, de forma a impedir mudanças bruscas no
caminho dos veículos.
b) Separar do trânsito de veículos e pedestres, o local em obras: para maior segurança dos
usuários da via e dos trabalhadores da obra.
3.1) SinaIizar com os seguintes EPCs:
 grade protetora tipo cancela;
 cavaletes;
 cones de sinalização;
 placas ÷ Homens Trabalhando;
 sinalizador luminoso e intermitente para serviços noturnos.
3.2) Equipamentos de proteção individuaI (EPIs):
 coletes refletivos (noturno e diurno)
4) PIaniIha de coIeta de dados
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Unidade OrganizacionaI: Estação de Tratamento de Esgotos
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TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO
ENGENHEIRO
SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
ESGOTO
É PROIBIDO DESCER EM PVS. O TRABALHO DE
DESENTUPIMENTO DEVERÁ SER EXECUTADO DO LADO DE
FORA COM USO DE VARETAS.
NA IMPOSSIBILIDADE DE EXECUTAR O SERVIÇO DO LADO
DE FORA, DEVERÃO SER ADOTADAS AS SEGUINTES MEDIDAS
DE SEGURANÇA:
1) O TRABALHO DEVE SER REALIZADO POR PESSOAL TREINADO E
HABILITADO, SEMPRE ACOMPANHADO DE UM RESPONSÁVEL QUE
DEVERÁ MONITORAR E COORDENAR TODO O SERVIÇO;
2) ABRIR O POÇO DE VISITA (P.V.) E/OU CAIXA DE REGISTRO;
3) ABRIR UM POÇO DE VISITA (P.V.) ACIMA E OUTRO ABAIXO E
VERIFICAR SE O ESGOTO ESTÁ ESCOANDO (CORRENDO),
PROMOVENDO MELHOR AREJAMENTO DO LOCAL;
4) NÃO DESCER NO POÇO DE VISITA (P.V.), SEM ANTES CERTIFICAR
QUE DOIS COLEGAS ESTEJAM JUNTO À ENTRADA DO P.V. PARA
SOCORRÊ-LO SE NECESSÁRIO;
5) NÃO DESCER SEM OS EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO:
♦ MACACÃO TIPO SANEAMENTO;
♦ MÁSCARA PANORÂMICA DE PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA, COM
MANGUEIRAS;
♦ CINTO DE SEGURANÇA TIPO PÁRA-QUEDISTA COM A CORDA FIXADA
AO CINTO;
♦ CAPACETE.
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17/05/2000
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TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO
ENGENHEIRO
SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
6) NUNCA ENTRAR PARA SOCORRER O COLEGA;
7) NÃO DESCER SEM ORDENS DE SERVIÇO POR ESCRITO, SÓ
DESCER COM A PRESENÇA DO CHEFE DA EQUIPE;
8) NÃO SE ALIMENTAR COM AS MÃOS SUJAS;
9) FREQUENTAR CURSOS , QUANDO CONVOCADOS;
10) EM CASO DE ACIDENTE DO TRABALHO E/OU TRAJETO, (CAPITAL)
DEVERÁ COMUNICAR O ACIDENTE NO PRAZO DE 48 HORAS, NO
SETOR DE CONVÊNIO SANEAGO/INSS - TELEFONE: 243-3345 OU
TELEFAX: 218-2752. QUANDO NO FINAL DE SEMANA PROCURAR O
INSTITUTO ORTOPÉDICO DE GOIÂNIA (IOG) - RUA T.27 C/ T.49 Nº 819 -
SETOR BUENO - TELEFONE: 252-5050, OU NO HOSPITAL DE
URGÊNCIAS (HUGO) TELEFONE: 546-4444. QUANDO O ACIDENTE
OCORRER NO INTERIOR, COMUNICAR O MESMO NO TELEFONE E/OU
TELEFAX ACIMA, NO PRAZO DE 72 HORAS. PROCURAR O HOSPITAL
PÚBLICO DA LOCALIDADE.
O GERENTE/SUPERIVSOR E O EMPREGADO QUE NÃO CUMPRIR
ESTA ORDEM DE SERVIÇO E A LEGISLAÇÃO SOBRE SEGURANÇA E
MEDICINA DO TRABALHO, ESTARÁ SUJEITO AS PENALIDADES
CABÍVEIS, PREVISTA NA CLT: ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO E
DEMISSÃO.
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OBS: TODAS AS AT!"!DADES DE"ER#O SER DESE$"O%"!DAS &O'
SEG(RA$)A &ASO $#O *A+A SEG(RA$)A $E&ESS,R!A- AS
AT!"!DADES DE"ER#O SER AD!ADAS AT. /(E *A+A &O$D!)0ES
SEG(RAS
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Esgoto - Máscara contra gases
Altamente infectante devido a presença de
microorganismos patogênicos provenientes de dejetos humanos e resíduos industriais.
Perigo: Ìnfestação por bactérias, vírus, helmintos e protozoários, intoxicação com gás
metano e gás sulfídrico, na manutenção dos P.Vs.
Prevenção: (P.Vs) Máscara contra gases de preferência de traquéia, cinto de segurança tipo
pára-quedas, dotado de corda para proteção em emergência, macacão em PVC com botas
e luvas, e óculos de segurança.
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TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO
ENGENHEIRO
SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
CANOA/BARCO-LAGOAS
DEVIDO AOS ACIDENTES OCORRIDOS COM QUEDAS DE
EMPREGADOS DURANTE ATIVIDADES REALIZADAS EM LAGOAS DE
ESTABILIZAÇÃO COM A UTILIZAÇÃO DE CANOAS A REMO E MOTORIZADAS,
SUJEITANDO OS EMPREGADOS AOS RISCOS DE AFOGAMENTO,
CONTAMINAÇÃO POR AGENTES NOCIVOS, E PERIGO DE ACIDENTES COM O
CONTATO COM A HÉLICE DE MOTORES PODENDO OCORRER INCLUSIVE
MUTILAÇÕES GRAVES. DE CONFORMIDADE COM A LEI Nº 6.514 DE 22/12/77.
AS ATIVIDADES EM BARCOS OU CANOAS A REMO E
MOTORIZADAS SÓ PODERÃO SER REALIZADAS SE HOUVER DISPONÍVEL NO
LOCAL COLETES SALVA-VIDAS, QUE OBRIGATORIAMENTE DEVERÃO SER
UTILIZADOS DURANTE A EXECUÇÃO DE QUALQUER ATIVIDADE EM
SUPERFÍCIES DE LAGOAS DE ESTABILIZAÇÃO, RIOS E LAGOS, QUE POSSAM
COLOCAR EM RISCO A SAÚDE E A VIDA DOS EMPREGADOS.

• FREQUENTAR CURSOS, QUANDO CONVOCADOS;
• EM CASO DE ACIDENTE DO TRABALHO E/OU TRAJETO, (CAPITAL) DEVERÁ
COMUNICAR O ACIDENTE NO PRAZO DE 48 HORAS, NO SETOR DE
CONVÊNIO SANEAGO/INSS - TELEFONE: 243-3345 OU TELEFAX: 218-2752.
QUANDO NO FINAL DE SEMANA PROCURAR O INSTITUTO ORTOPÉDICO DE
GOIÂNIA (IOG) - RUA T.27 C/ T.49 Nº 819 - SETOR BUENO - TELEFONE: 252-
5050, OU NO HOSPITAL DE URGÊNCIAS (HUGO) TELEFONE: 546-4444.
QUANDO O ACIDENTE OCORRER NO INTERIOR, COMUNICAR O MESMO NO
TELEFONE E/OU TELEFAX ACIMA, NO PRAZO DE 72 HORAS. PROCURAR O
HOSPITAL PÚBLICO DA LOCALIDADE.
O GERENTE/SUPERIVSOR E O EMPREGADO QUE NÃO CUMPRIR ESTA
ORDEM DE SERVIÇO E A LEGISLAÇÃO SOBRE SEGURANÇA E MEDICINA DO
TRABALHO, ESTARÁ SUJEITO AS PENALIDADES CABÍVEIS, PREVISTA NA
CLT: ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO E DEMISSÃO.
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TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO
ENGENHEIRO
SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
MEDIDAS DE CONTROLE
ESGOTO
• TODO TRABALHO EM VIAS PÚBLICAS DEVE SER SINALIZADO;
• NUNCA ENTRAR NUM P.V. ANTES DE ESTAR DEVIDAMENTE EQUIPADO E
ACOMPANHADO;
• A HIGIENIZAÇÃO COM ÁGUA E SABÃO É ESSENCIAL PARA ELIMINAR
RESÍDUOS;
• OS EPIS DEVEM SER LAVADOS E SECOS EM LOCAL APROPRIADO;
• OS EPIS DEVEM SER INSPECIONADOS ANTES DE SEREM USADOS, PARA
DETECTAR POSSÍVEIS DEFEITOS, RASGOS E ETC.
• TRABALHO DEVE SER REALIZADO POR EMPREGADO TREINADO E
HABILITADO, ACOMPANHADO DE UM COORDENADOR.
 EM CASO DE ACIDENTE DO TRABALHO E/OU TRAJETO, (CAPITAL) DEVERÁ
COMUNICAR O ACIDENTE NO PRAZO DE 48 HORAS, NO SETOR DE
CONVÊNIO SANEAGO/INSS - TELEFONE: 243-3345 OU TELEFAX: 218-2752.
QUANDO NO FINAL DE SEMANA PROCURAR O INSTITUTO ORTOPÉDICO DE
GOIÂNIA (IOG) - RUA T.27 C/ T.49 Nº 819 - SETOR BUENO - TELEFONE: 252-
5050, OU NO HOSPITAL DE URGÊNCIAS (HUGO) TELEFONE: 546-4444.
QUANDO O ACIDENTE OCORRER NO INTERIOR, COMUNICAR O MESMO NO
TELEFONE E/OU TELEFAX ACIMA, NO PRAZO DE 72 HORAS. PROCURAR O
HOSPITAL PÚBLICO DA LOCALIDADE.
O GERENTE/SUPERIVSOR E O EMPREGADO QUE NÃO CUMPRIR ESTA
ORDEM DE SERVIÇO E A LEGISLAÇÃO SOBRE SEGURANÇA E MEDICINA DO
TRABALHO, ESTARÁ SUJEITO AS PENALIDADES CABÍVEIS, PREVISTA NA
CLT: ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO E DEMISSÃO.
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TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO ENGENHEIRO SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
MEDIDAS DE CONTROLE
ESGOTO - ETE
• TODO TRABALHO DEVE SER REALIZADO DEVIDAMENTE EQUIPADO,
USANDO DEVIDAMENTE OS EPI'S NECESSÁRIOS;
• A HIGIENIZAÇÃO COM ÁGUA E SABÃO É ESSENCIAL PARA ELIMINAR
RESÍDUOS;
• OS EPIS DEVEM SER LAVADOS E SECOS EM LOCAL APROPRIADO;
• OS EPIS DEVEM SER INSPECIONADOS ANTES DE SEREM USADOS,
PARA DETECTAR POSSÍVEIS DEFEITOS, RASGOS E ETC.
• TRABALHO DEVE SER REALIZADO POR EMPREGADO TREINADO E
HABILITADO, ACOMPANHADO DE UM COORDENADOR.
 EM CASO DE ACIDENTE DO TRABALHO E/OU TRAJETO, (CAPITAL)
DEVERÁ COMUNICAR O ACIDENTE NO PRAZO DE 48 HORAS, NO
SETOR DE CONVÊNIO SANEAGO/INSS - TELEFONE: 243-3345 OU
TELEFAX: 218-2752. QUANDO NO FINAL DE SEMANA PROCURAR O
INSTITUTO ORTOPÉDICO DE GOIÂNIA (IOG) - RUA T.27 C/ T.49 Nº 819
- SETOR BUENO - TELEFONE: 252-5050, OU NO HOSPITAL DE
URGÊNCIAS (HUGO) TELEFONE: 546-4444. QUANDO O ACIDENTE
OCORRER NO INTERIOR, COMUNICAR O MESMO NO TELEFONE E/OU
TELEFAX ACIMA, NO PRAZO DE 72 HORAS. PROCURAR O HOSPITAL
PÚBLICO DA LOCALIDADE.
O GERENTE/SUPERIVSOR E O EMPREGADO QUE NÃO CUMPRIR
ESTA ORDEM DE SERVIÇO E A LEGISLAÇÃO SOBRE SEGURANÇA E
MEDICINA DO TRABALHO, ESTARÁ SUJEITO AS PENALIDADES
CABÍVEIS, PREVISTA NA CLT: ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO E
DEMISSÃO.
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TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO ENGENHEIRO SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
ESCAVAÇÕES
DE CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO VIGENTE, EM
TRABALHOS DE ESCAVAÇÕES, OS EMPREGADOS DEVERÃO
OBSERVAR AS SEGUINTES NORMAS:
1. ANTES DE SER INICIADA UMA OBRA DE ESCAVAÇÃO OU DE
FUNDAÇÃO, O RESPONSÁVEL DEVE PROCURAR INFORMAÇÕES A
RESPEITO DA EXISTÊNCIA DE GALERIAS, CANALIZAÇÕES, CABOS
NA ÁREA E PRODUTOS NOCIVOS;
2. A ÁREA DE TRABALHO DEVE SER PREVIAMENTE LIMPA. OS
MATERIAIS E OBJETOS DE QUALQUER NATUREZA QUE ESTIVEREM
EM RISCO DEVEM SER RETIRADOS OU ESCORADOS;
3. DEVEM SER ESCORADOS MUROS E EDIFICAÇÕES VIZINHAS E
TODAS AS ESTRUTURAS QUE POSSAM SER AFETADA PELA
ESCAVAÇÃO;
4. OS ESCORAMENTOS DEVEM SER INSPECIONADOS DIARIAMENTE;
5. O REBAIXAMENTO DO LENÇOL D'ÁGUA DEVE SER EXECUTADO
POR PESSOAS HABILITADAS;
6. OS TALUDES DAS ESCAVAÇÕES COM PROFUNDIDADE SUPERIOR A
1.25M DEVEM SER ESCORADOS E TER ESTABILIDADE GARANTIDA;
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VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO
ENGENHEIRO
SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
7. AS ESCAVAÇÕES COM MAIS DE 1.25M DE PROFUNDIDADE DEVEM
DISPOR DE ESCADAS OU RAMPAS, COLOCADAS PRÓXIMAS AOS
LOCAIS DE TRABALHO, PARA FACILITAR A SAÍDA RÁPIDA DO
PESSOAL;
8. OS MATERIAIS RETIRADOS DAS ESCAVAÇÕES DEVERÃO SER
DEPOSITADOS A UMA DISTÂNCIA SUPERIOR À METADE DA
PROFUNDIDADE DA MESMA;
9. CARGAS E SOBRECARGAS OCASIONAIS BEM COMO POSSÍVEIS
VIBRAÇÕES DEVEM SER LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO, PARA
DETERMINAR A INCLINAÇÃO DO TALUDE;
10. QUANDO HOUVER POSSIBILIDADE DE INFILTRAÇÃO OU
VAZAMENTO DE GÁS, O LOCAL DEVE SER DEVIDAMENTE
VENTILADO;
11. QUANDO EXISTIR CABO SUBTERRÂNEO DE ENERGIA ELÉTRICA, SÓ
PODERÃO SER INICIADOS OS TRABALHOS QUANDO O CABO
ESTIVER DESLIGADO;
12. A LOCALIZAÇÃO DAS TUBULAÇÕES E INSTALAÇÕES DEVE TER
SINALIZAÇÃO ADEQUADA: CERCAS DE PROTEÇÃO, ALÉM DE
GUARDA - CORPO;
13. O TRÁFEGO PRÓXIMO ÀS ESCAVAÇÕES DEVE SER DESVIADO E, NA
SUA IMPOSSIBILIDADE, REDUZIDA A VELOCIDADE DOS VEÍCULOS;
14. DEVEM SER CONSTRUÍDAS PASSARELAS DE LARGURA MÍNIMA DE
60 CENTÍMETROS, PROTEGIDAS POR GUARDA-CORPOS, QUANDO
FOR NECESSÁRIO O TRÂNSITO SOBRE A ESCAVAÇÃO;
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DA PÁGÌNA:
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MANUAL DE OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
TÍTULO:
ORDEM DE SERVIÇO
VERIFICAÇÃO APROVAÇÃO
SIGLA DA UO
A01S)
RUBRICA DO
ENGENHEIRO
SIGLA DA UO RUBRICA DO GERENTE
15. É PROIBIDO O ACESSO DE PESSOAS NÃO AUTORIZADAS ÀS ÁREAS
DE ESCAVAÇÃO E CRAVAÇÃO DE ESTACAS;
16. É OBRIGATÓRIO O USO DE E.P.IS. (EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÕES
INDIVIDUAIS) COMO: CAPACETE, BOTINA E LUVA;
17. AS ESCAVAÇÕES REALIZADAS EM VIAS PÚBLICAS OU CANTEIROS
DE OBRAS DEVEM SER SINALIZADAS E ISOLADAS;
18. FREQUENTAR CURSOS, QUANDO CONVOCADOS;
12 E' &ASO DE A&!DE$TE DO TRABA%*O E3O( TRA+ETO- 4&AP!TA%5
DE"ER, &O'($!&AR O A&!DE$TE $O PRA6O DE 78 *ORAS- $O
SETOR DE &O$"9$!O SA$EAGO3!$SS : TE%E;O$E: <7=-==7> O(
TE%E;A?: <18-<@>< /(A$DO $O ;!$A% DE SE'A$A PRO&(RAR O
!$ST!T(TO ORTOP.D!&O DE GO!A$!A 4!OG5 : R(A T<@ &3 T72 $B
812 : SETOR B(E$O : TE%E;O$E: <><->C>C- O( $O *OSP!TA% DE
(RG9$&!AS 4*(GO5 TE%E;O$E: >7D-7777 /(A$DO O A&!DE$TE
O&ORRER $O !$TER!OR- &O'($!&AR O 'ES'O $O TE%E;O$E
E3O( TE%E;A? A&!'A- $O PRA6O DE @< *ORAS PRO&(RAR O
*OSP!TA% PEB%!&O DA %O&A%!DADE
O GERENTE/SUPERIVSOR E O EMPREGADO QUE NÃO CUMPRIR
ESTA ORDEM DE SERVIÇO E A LEGISLAÇÃO SOBRE SEGURANÇA E
MEDICINA DO TRABALHO, ESTARÁ SUJEITO AS PENALIDADES
CABÍVEIS, PREVISTA NA CLT: ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO E
DEMISSÃO.
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GERÊNCÌA DE DESENVOLVÌMENTO DE PESSOAL
MANUAL DE OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
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5) Medidas de segurança em serviços de esgoto (ETE)
 Utilizar sempre EPÌs (equipamentos de Proteção Ìndividual) adequados para cada
atividade a ser executada;
 É obrigatório o uso de botas e uniforme (calça e jaleco azuis com emblema da
SANEAGO) nas áreas de manejo de esgotos.
 Nas tarefas que requerem contato ou manuseio com esgotos, utilizar sempre máscara
apropriada e luvas impermeáveis;
 Não fumar ou acender chamas durante a execução de tarefas;
 Manter a casa de controle sempre limpa, evitando contaminações;
 No intervalo entre atividades de risco, lavar luvas com detergente, retirá-las e lavar as
mãos;
 Lavar sempre as mãos com detergente, antes de se alimentar ou manusear alimentos;
 Designar local apropriado para o serviço de copa e cozinha, não sendo permitido
alimentar-se nos laboratórios;
 Copa, cozinha, banheiro e laboratório devem estar sempre absolutamente limpos para
evitar contaminação;
 Utilizar detergente, desinfetante e esterilizante químico recomendado para o preparo de
vidrarias e outros necessários;
 Nunca deixar sabão sujo ou com água, o qual representa foco de contaminação;
 Todos os EPÌs, demais equipamentos, ferramentas e materiais utilizados nas Estações
de Esgotos devem ser lavados com detergente após o uso, devendo ser guardados
rigorosamente limpos;
 Não reutilizar EPÌs que já estão contaminados, principalmente luvas;
 É de responsabilidade de cada empregado que utiliza as bancadas de serviço, promover
a limpeza, lavando com detergente e desinfetando com álcool;
 Eliminar roedores, baratas, moscas na casa de controle e na área como um todo,
tomando medidas também para eliminação de focos;
 Todo ambiente de trabalho deve ter toalha de papel absorvente e sabonete líquido para a
lavagem das mãos;
 Não pipetar líquidos ácidos venenosos ou contaminados por agente biológicos, com a
boca. Usar sempre para estas operações, aparelhos apropriados (pipetas e pêras);
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 Produtos químicos considerados inalantes tóxicos, devem ser abertos com uso de
máscaras. Não deixar embalagens de produtos químicos abertos ou semi abertos, nem
reutilizar embalagens;
 Manter adequados a iluminação e ventilação do local de trabalho ao executar as
atividades;
 Não usar máquinas ou equipamentos sem abilitação ou permissão;
 Todos os empregados devem assumir as atividades somente após treinamento de
capacitação;
 Os empregados devem ser submetidos a exames médicos admissionais e periódicos;
 Os funcionários da empresa que lidam com esgotos devem ser imunizados, conforme
recomendações do Serviço Social da empresa e da Gerência de Segurança e Medicina
do Trabalho.
6) Doenças de veicuIação hídrica e esgotos
6.1) HeImintíase
6.1.1) Ascaridíase: é causada pelo Ascaris lumbricóides também chamada "lombriga".
6.1.2) AnciIostomíase: é causada pelo 2ecator americano conhecida por doença do Jeca
Tatu ou amarelão. A infestação ocorre através da penetração dos ovos na pele causando
dermatite pruriginosa.
6.1.3) Enterobíase: é causada pelo Enterobi"s vermic"laris apresenta-se acompanhada de
intenso prurido anal, principalmente a noite.
6.2) Parasitoses intestinais
6.2.1) Giardíase: é causada pela 1iardia lamblia, acomete principalmente crianças.
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6.2.2) Amebíase: é causada pela Entamoeba h3stolitica, única considerada patogênica para
o homem. Ìncidëncia relacionada com condições de higiene precárias e falta de saneamento
básico.
6.3) Doenças diarréicas agudas
Síndrome causada por vários agentes etiológicos (bactérias, vírus e parasitas), cursa com
aumento do número de evacuações, fezes aquosas ou de pouca consistência.
Frequentemente acompanhada por vômitos e dor abdominal, geralmente dura 2 a 14 dias.
6.4) Hepatites
É uma doença causada por vírus, apresentam o fígado como órgão alvo. São cinco os
principais vírus:
 hepatite A
 hepatite B
 hepatite C
 hepatite D
 hepatite E
6.4.1) Hepatite A: é transmitida por via fecal-oral, pessoa a pessoa, através de água e
alimentos contaminados. Período de incubação média de 30 dias.
Quadro clínico: pode ser assintomático, ou com poucos sintomas.
6.4.2) Hepatite B: é transmitida por relações sexuais, agulhas e instrumentos contaminados
com sangue. Ìncubação de 45 a 180 dias, média de 60 a 90 dias.
Quadro clínico: mal estar, anorexia, náuses, vômitos, artralgias, edema, icterícia.
6.5) CóIera
Ìnfecção intestinal aguda e grave, causada pela enterotoxina do 4ibrio cholerae.
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Caracterizada por diarréia intensa, vômitos, desidratação súbita. A morte pode ocorrer em
horas após o início da doença.
Transmissão: água e alimentos;
Quadro clínico: o paciente "murcha rapidamente", fezes líquidas, turvas e esbranquiçadas
com aspecto de "água de arroz", vômitos.
6.6) Febre tifóide
É uma doença contagiosa, bacteriana, em lugares sem higiene e com condições precárias
de saneamento básico.
Sintomas: febre alta e contínua, mal estar, anorexia, com episódios alternados de diarréia
(fezes líquidas, fétidas, esverdeadas com aspecto de sopa de ervilha) e constipação.
Tranmissão: contato direto com fezes ou urina de doentes, ou indiretamente pela água ou
leite.
7) Prevenção e cuidados necessários na área de esgoto
 Utilizar sempre máscara apropriada e luvas impermeáveis quando em contato ou
manuseio com esgotos;
 Manter a higiene e segurança no local de trabalho;
 Manter a limpeza e higienização das instalações sanitárias durante a jornada de trabalho;
 Lavar luvas com sabão, retirá-los e lavar as mão;
 Retirar as luvas antes de tocar maçanetas de portas, telefones, corrimão, botões do
quadro de comando etc...;
 Lavar sempre as mãos com sabão antes de se alimentar ou manusear alimentos;
 Não deixar sabão sujo ou com água, o qual representa foco de contaminação;
 Todos os EPÌs e demais equipamentos, ferramentas e materiais utilizados nas estações
de esgoto devem ser lavados com água e sabão;
 Não reutilizar EPÌs que foram contaminados, principalmente luvas e máscaras;
 Manter limpa e higienizada as bancadas de serviços, lavando com água e sabão;
 Lavar diariamente os uniformes e botas com água e sabão e enxaguar com desinfetante;
 Todos os EPÌs utilizados por funcionários que manuseiam resíduos infectantes devem ser
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lavados diariamente;
 Sempre que ocorrer qualquer contaminação por contato com materiais infectantes, o EPÌ
deverá ser substituído imediatamente e se possível enviado para higienização e
esterilização;
 Para desinfecção de EPÌs usa-se somente a lavagem com água e sabão neutro e
posterior secagem;
 Administrar vermífugos (uma vez ao ano dependendo dos sintomas);
 Colaborar na difusão de informações e educação em saúde e higiene do trabaho;
 Todos funcionários que lidam com esgoto, devem ser imunizados;
 Os funcionários devem ser submetidos a exames periódicos conforme a idade.
8) Higiene e profiIaxia (prevenção)
 Uso adequado de EPÌs
 Lavagem constante das mãos
 Beber água tratada
 Ferver água proveniente de poços e cisternas
 Uso de inseticidas contra moscas
 Evitar ingerir peixes e carnes cruas
 Lavar folhas e verduras
 Lavar as mãos antes de comer
 Lavar as mãos antes e depois de usar o banheiro
 Manter as unhas sempre cortadas
 Conservar alimentos longe dos insetos
 Tratamento adequado dos dejetos
 Evitar andar descalços
 Não pisar, nem andar em águas paradas
 Tratar as pessoas infectadas (vermifugar)
 Fazer vacinas
 Manter higiene corporal
 Desenvolver atividades de educação em saúde
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9) Medidas de higiene pessoaI
Sabemos que a melhor maneira de prevenir as doenças, principalmente aquelas que são
encontradas no ambiente de trabalho, é a higiene pessoal. Também é conhecido que
podemos levar para os nossos lares as doenças que existem no nosso meio de trabalho.
Devemos-nos conscientizar da importância de seguirmos as normas, que recomendam:
 Antes de inicar as tarefas diárias do trabalho, devemos trocar as roupas que viemos de
casa;
 Durante o período de trabalho, é importante usarmos uniforme da SANEAGO;
 Caso exista uma tarefa que requeira maiores cuidados, dispor do equipamento correto
para tal realizá-la;
 Após cada procedimento, deve-se higienizar o equipamento utilizado quando este não for
descartável. Nunca reutilizar um equipamento descartável, desprezá-lo em recipiente
adequado;
 O emprego da lavagem das mãos é a melhor método para prevenção de doenças, o que
deve ser feito sempre que entrar com fontes contaminadas;
 Nunca tirar do seu próprio corpo um Equipamento de Poteção Ìndividual, para fornecê-lo
ao colega de trabalho;
 Nunca beber, fumar ou comer quando estiver realizando uma tarefa, e sempre que o fizer
deve ser em local apropriado;
 Manter as unhas higienizadas;
 Utilizar sempre toalhas de papel absorvente após lavagem das mãos;
 Nunca andar descalço, no local de trabalho;
 Nunca entrar em locais como: copa, cozinha com vestimentas que entraram em contato
com fontes contaminantes e as mãos sem a devida higienização;
 Evitar levar roupas de trabalho para casa;
 Tomar banho sempre que terminar ou interromper a jornada de trabalho.
......................................
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ANEXO - CAP. V
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I 4cm5 A B & D E ; G J $
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CALHA PARSHALL
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PLANTA E CORTE
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........................................
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REFERÊNCÌAS BÌBLÌOGRÁFÌCAS
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MANUAL DE OPERAÇÃO DE ESTAÇÃO DE TRATAMENTO DE ESGOTO
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 SPERLÌNG, Marcos Von - Princípios do Tratamento Biológico de Águas Residuárias:
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 SPERLÌNG, Marcos Von - Reatores Anaeróbios - vol 5 - Belo Horizonte, 1997
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