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DEPRESSÃO (Transtorno depressivo)

A tristeza é dos sentimentos humanos o mais doloroso. Todos nós tomamos contacto com ela
em algum momento de nossas vidas. A tristeza passageira, a "fossa" ou "baixo-astral", o "estar
down" fazem parte da vida, e são superados após algum tempo. O luto, após a perda de um
ente querido, manifesta-se por um sentimento de tristeza e vazio e também é superado com o
correr do tempo. Devem-se distinguir a tristeza e o luto normais da depressão.

A depressão é uma doença, como outra doença qualquer, que se caracteriza por uma tristeza
profunda e duradoura, além de outros sintomas e que dispõe hoje de tratamentos modernos
para alívio do sofrimento que acarreta. A depressão é uma doença bastante comum. A cada
ano, uma em cada vinte pessoas apresenta depressão. As chances de alguém ter uma
depressão ao longo da vida são de cerca de 15%. Ela se manifesta mais freqüentemente no
adulto, embora possa ocorrer em qualquer faixa de idade, da criança ao idoso. É mais
freqüente nas mulheres do que nos homens.

É muito importante que as pessoas saibam perceber a depressão para poder procurar ajuda
especializada e tratamento. A pessoa sente uma tristeza intensa, que não consegue vencer. Ela
pode achar que isso é uma "fraqueza de caráter" e tem vergonha de pedir ajuda, ou então não
sabe que se trata de uma doença como outra qualquer, passível de tratamento com grandes
chances de sucesso. Nessa situação é muito importante que os familiares ou amigos próximos
tomem a decisão de levá-la ao médico, seja o clínico ou médico da família, seja o psiquiatra.
Este fará uma avaliação minuciosa do quadro, orientando na realização de eventuais exames
laboratoriais, bem como no tratamento.

Os principais sintomas da depressão são: tristeza profunda e duradoura (em geral mais que
duas semanas), perda do interesse ou prazer em atividades que antes eram apreciadas,
sensação de vazio, falta de energia, apatia, desânimo, falta de vontade para realizar tarefas,
perda da esperança, pensamentos negativos, pessimistas, de culpa ou auto-desvalorização.
Além desses, a pessoa pode ter dificuldade para concentrar-se, não dorme bem, tem perda do
apetite, ansiedade e queixas físicas vagas (desconforto gástrico, dor de cabeça, entre outras).
Em casos mais graves podem ocorrer idéias de morte e suicídio, havendo até pessoas que
tentam o suicídio. A depressão é freqüentemente uma doença recorrente, a pessoa tem
episódios de depressão que se repetem de tempos em tempos.

A causa da depressão não é conhecida. Sabe-se que vários fatores biológicos e psicológicos
podem contribuir para seu aparecimento. Em algumas pessoas a hereditariedade tem um peso
importante, outros parentes também apresentam depressão. Com muita freqüência a
depressão começa após alguma situação de estresse ou conflito e depois persiste, mesmo
após a superação da dificuldade. As pesquisas mostram que na depressão há um desequilíbrio
químico no cérebro, com alterações de neurotransmissores (substâncias que fazem a
comunicação entre as células nervosas) principalmente da noradrenalina e da serotonina. A
descoberta destas alterações permitiu o desenvolvimento de medicamentos específicos para o
tratamento da depressão: os medicamentos antidepressivos.

O tratamento da depressão se faz atualmente com a combinação dos medicamento


antidepressivo com a psicoterapia. Esses medicamentos permitem uma recuperação gradual
da depressão (em geral em algumas semanas) além de proteger a pessoa de novas crises
depressivas. Por isto muitas pessoas precisam tomá-los por longos períodos de tempo, as
vezes por toda a vida. Como os medicamentos demoram algum tempo para agir, é importante
não desanimar; nesse período o apoio e a compreensão dos familiares é fundamental.

A abordagem psicoterápica concomitante ao uso de medicamentos permite que o tratamento


de depressão seja mais efetivo. A razão para a utilização das duas formas de tratamento está
na sua complementaridade A depressão, qualquer que seja sua origem, acarreta na pessoa
deprimida uma serie de alterações em suas relações com as pessoas que a cercam, em suas
atividades e fundamentalmente, na forma de expressão afetiva que possui. A dinâmica de suas
emoções encontra-se prejudicada. É nesses aspectos que a psicoterapia pode auxiliá-lo. Leva
a pessoa a reflexões sobre seu funcionamento dinâmico de suas emoções, possibilitando
assim a reconstituição de seu modo de ser, que se encontra circunstancialmente alterado.

Prof. Dr. Mario Rodrigues Louzã Neto – psiquiatria-psicanálise – CRMSP 34330

SINTOMAS DA DEPRESSÃO
Os sintomatologia depressiva muito variada e muito diferente entre as diferentes pessoas. Por isso a psicopatologia recomenda como válido a existência de apenas três sintomas depressivos básicos e suficientes
para sua detecção, no entanto, estes sintomas básicos darão origem à infinitas manifestações desta alteração afetiva.

Trata-se, esta tríade, da:

1 - Inibição Psíquica,
2 - do Estreitamento do Campo Vivencial e,
3- do Sofrimento Moral.

Compete à sensibilidade do observador, relacionar um sentimento, um comportamento, um pensamento ou um determinado sintoma como sendo a apresentação pessoal e individual de um desses três sintomas
básicos, tradução esta adequada a disposição pessoal da personalidade de cada um.

Em crianças e adolescentes, por exemplo, o humor pode ser irritável ao invés de triste. O adulto deprimido também pode experimentar sintomas adicionais durante a Depressão. Estes incluem alterações no
apetite ou peso, alterações do sono e da atividade psicomotora; diminuição da energia; sentimentos de desvalia ou culpa; dificuldades para pensar, concentrar-se ou tomar decisões, ou pensamentos recorrentes
sobre morte ou ideação suicida, planos ou tentativas de suicídio.

De qualquer forma, a Depressão deve ser acompanhada por sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou outras áreas importantes da vida do indivíduo. Para algumas
pessoas com Depressão mais leves, o funcionamento pode parecer normal, mas exige um esforço acentuadamente aumentado. O estado depressivo freqüentemente é descrito pela pessoa com setimentos de
tristeza, desesperança, falta de coragem ou como estando "na fossa" (DSM.IV).

Delírio DepressivoEmbora o juízo crítico possa estar conservado no paciente deprimido, suas vivências são suportadas com muito sofrimento e pessimismo.

A interpretação da realidade assume caráter alterado, de acordo com a intensidade da Depressão: poderá simplesmente se apresentar como idéias falsas, nos casos mais leves ou, nos casos mais graves como
delírio franco.

Acontece que, para diferenciar o delírio da depressão do delírio da esquizofrenia, chama-se Idéia Deliróide quando o delírio é secundário à depressão e Delírio Primário, quando for da esquizofrenia.

Em alguns casos, a tristeza pode ser negada de início, mas subseqüentemente pode ser revelada pela entrevista, por exemplo, quando a pessoa chora durante a consulta ou pela fisionomia aborrecida e
entristecida.

Outras pessoas, entretanto, podem se queixar de se sentirem indiferentes, apáticos ou ansiosos ou, ainda, podem referir queixas somáticas sem correspondência clínica mais do que sentimentos de tristeza.
Muitos referem ou demonstram irritabilidade aumentada, tendência para responder a eventos com ataques de ira ou culpando outros, ou um sentimento exagerado de frustração por questões menores.

Sofrimento Moral (autoestima baixa)


O Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é um fenômeno marcante e desagradável na trajetória depressiva. Trata-se de um sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade, incompetência,
pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra, fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos pejorativos.

Dependendo do grau da depressão, o Sofrimento Moral aparece em graus variados, desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos sentimentos depreciativos. Outro fator que complica o diagnóstico é o
fato do Sofrimento Moral nem sempre ser consciente e claro à pessoa que o sente. Muitas vezes a pessoa com baixa autoestima recorre a mecanismos de defesa que ofuscam seus verdadeiros sentimentos.

Por exemplo, nas pessoas com importante traço de irritabilidade e agressividade na personalidade, o sentimento de baixa autoestima se manifesta com agressividade, com comportamentos de superioridade
ostensiva, com dificuldades gritantes em lidar com as frustrações, com as filas, com ter de esperar, enfim, são pessoas que manifestam essa sensação de estarem sendo "agredidas" de alguma forma, portanto,
revidam com mais agressividade.

Em pessoas naturalmente retraídas e introvertidas, a baixa autoestima se faz sentir com mais retraimento ainda, com mutismo e quietude preocupante, com isolamento e extrema dificuldade em expor
sentimentos. Por isso, muitas vezes, "preferem" a manifestação somática dessas emoções.

Em pessoas de personalidade ansiosa a baixa autoestima faz com que os outros (notadamente, a opinião dos outros) pareçam inimigos em potencial, capazes que são de depreciar, de julgar, de avaliar...
Portanto, nada mais sensato que apresentarem, esses pacientes, quadros fóbicos sociais, evitação, sintomas autossômicos quando diante de outras pessoas, e assim por diante.

Quando a Depressão adquire características muito graves e psicóticas, o Sofrimento Moral pode ser aparecer sob a forma de delírio. Nesse caso seria o delírio humorcongruente. Um judeu, psicótico depressivo,
durante uma de suas crises de depressão profunda apresentava um pensamento francamente delirante, o qual dava-lhe a certeza de ter parte de seu cérebro apodrecido. Outrossim, julgava-se culpado por ter
ingerido, contra sua crença religiosa, carne suína há mais de 15 anos. Uma espécie de punição divina aplicada ao pecador incauto.

O prejuízo da autoestima proporcionado pela Depressão Grave ou Psicótica, pode ainda determinar uma ideação claramente paranóide, onde a culpa adquire uma posição destacada. Para fins de diagnóstico,
deve-se ter em mente que nas psicoses esquizofrênicas, onde freqüentemente aparece a ideação paranóide, a autoestima não se encontra perturbada como nos estados depressivos psicóticos. Esta observação
pode auxiliar o diagnóstico diferencial entre uma depressão com sintomatologia psicótica (ideação deliróide) e uma psicose esquizofrênica (com delírios).

O Sofrimento Moral deve ainda ser considerado o maior responsável pelo desfecho suicida das depressões severas. Aparece como uma prova doentia da incompetência do ser, de seu fracasso diante da vida e de
sua falência existencial. Enquanto nos estados eufóricos a autoestima se encontra patologicamente elevada e as idéias de grandeza proporcionam uma aprazível sensação de bem-estar, na Depressão a pessoa
se coloca numa das posições mais inferiores entre seus semelhantes.

Organicamente, uma pessoa com Sofrimento Moral, portanto, com tendência a autodepreciar-se em todos os sentidos, pode entender uma simples dor de estômago como prenúncios de um câncer gástrico, uma
tontura trivial com indícios de um derrame iminente, uma tosse frugal como sugestiva de câncer de pulmão ou tuberculose, uma simples gripe como sinal de AIDS, etc.

Inibição Global (apatia e desinteresse)


A Inibição global do organismo é um dos sintomas básicos da Depressão e se manifesta como uma espécie de freio ou lentificação dos processos físicos e psíquicos em sua globalidade, uma lassidão e lerdeza
generalizada de toda a atividade corpórea. Em graus variáveis, esta inibição geral torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e
com grande perda na capacidade em tomar iniciativas.

Os campos da consciência e da motivação estão seriamente comprometidos, advindo daí a dificuldade em manter um bom nível de memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da agressividade
necessária para tocar adiante o dia-a-dia. Percebemos os reflexos desta Inibição Global em várias áreas da atividade da pessoa, inclusive na diminuição da atividade motora e até na própria expressão da mímica,
fazendo com que o paciente tenha aparência de abatimento e de desinteresse.

A Inibição Global tem sido a responsável pelo longo itinerário que muitos pacientes percorrem antes de se acertarem com um tratamento psíquico. A primeira idéia que os pacientes deprimidos têm, estimulados
também pela família, é que seu mal estar pode resultar de alguma anemia, fraqueza, problema circulatório..., depois passam a tratamentos alternativos de macrobiótica, yoga, tai-chi-chuam..., submetem-se a
tediosos a passeios de gosto duvidoso, levados por amigos bem intencionados e, muitas vezes, consultam até um neurologista. Este ponto costuma ser o mais próximo que chegam do aparelho psíquico e,
normalmente, a causa psíquica é a última a ser questionada, embora seja a primeira que se faz sentir.

As pessoas que rodeiam o paciente com Inibição Global são solícitas em lembrá-lo de que a vida é boa, ressaltam que nada lhes falta, que gozam de saúde, que não são ricos mas tem gente em pior situação,
que pertencem a uma família decente e compreensiva... O paciente, por outro lado, não sendo um retardado mental, sabe de tudo isso e as palavras estimulantes apenas aumentam sua perplexidade, sua culpa e
seu aborrecimento consigo próprio.

A Inibição Global é secundária à Depressão, é um sintoma decorrente da Depressão e não uma doença que corrompe o juízo crítico, tornando os pacientes completamente desorientados em relação às condições
de sua vida ou de sua família.

Outro conceito importantíssimo, é que a Inibição Global é conseqüência da depressão e não o contrário. Essa colocação é importante porque, comumente, o público leigo costuma recomendar à pessoa deprimida
para que se esforce e se mobilize para melhorar da depressão, quando na realidade seria o contrário, ou seja, deve melhorar da depressão (tratar) para mobilizar-se normalmente e sem ninguém para pedir.

Estreitamento Vivencial (perda de prazer)


Estreitamento Vivencial é a expressão mais adequada para representar a perda progressiva da pessoa deprimida em sentir prazer. A palavra para designar o ponto mais alto desse fenômeno de perda do prazer é
Anedonia, ou seja, a incapacidade em sentir prazer por todas as coisas. No Estreitamento Vivencial o universo de interesses e de prazeres pelas coisas da vida vai sendo cada vez menor e mais restrito.

De fato, o interesse humano está indissoluvelmente ligado ao prazer; nos interessamos por aquilo quer nos dá prazer, por aquilo com o qual temos alguma ligação afetiva. Em situações normais a pessoa abre
para si um leque de interesses: interesse pelas notícias, pelos esportes, pela companhia de amigos e pessoas queridas, pelo conhecimento em geral, pelos passeios, pelas novidades, pelas compras, pelas artes,
pelos filmes, pela comida, pelas revistas e jornais, enfim, cada pessoa nutre um rol de interesses pessoais, evidentemente, interesses por coisas que lhe dão prazer.

Pois bem. No Estreitamento Vivencial da depressão esse leque de interesses vai se fechando, aparecendo progressivamente um desinteresse e desencanto pelas coisas. Há um momento onde a preocupação
com o próprio sofrimento toma conta de todo interesse vivencial do deprimido.

Não há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para se interessar na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para deleitar-se com um filme interessante, para sorver uma boa companhia, para
incrementar a discoteca, visitar um amigo...

No rol de ocupações do deprimido com Estreitamento Vivencial acaba só existindo a preocupação consigo próprio e com sua dor. Nada mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo. Neste caso, o leque do
campo vivencial fica tão estreito que só cabe nele o próprio paciente com sua depressão, o restante de tudo que a vida pode oferecer não interessa mais, a própria vida parece não interessar mais.

Enquanto a Inibição Global pode ser entendida como um aspecto exterior do relacionamento do indivíduo com o mundo, como uma espécie de prejuízo em sua performance, em seu rendimento pessoal e de
relacionamento com as coisas, o Estreitamento Vivencial, por sua vez, denota uma alteração mais interior, um prejuízo nas impressões que o mundo e a vida causam no sujeito.

Um é centrífugo o outro centrípeto. Na Inibição Global as coisas são feitas com dificuldade e lerdeza, com maior esforço físico e mental. No Estreitamento Vivencial as coisas nem sequer serão feitas.

Como se manifesta a Depressão


Saber como, exatamente, a pessoa apresenta sua depressão é uma questão complicada. Como dissemos, as manifestações depressivas são muito variadas e extremamente dependentes da personalidade de
cada um.

Mas uma coisa é certa; a Depressão costuma estar junto com a maioria dos transtornos emocionais, ora aparecendo como um sintoma de determinado estado emocional, ora apenas coexistindo com quadros
ansiosos, outras vezes como causa de determinados transtornos. Em muitas situações psíquicas a Depressão se encontra presente, às vezes de forma típica outras vezes dissimulada.

A Depressão aparece como um sintoma associado e impregnando todo o viver dos pacientes emocionais em geral, tanto sob sua forma típica, com tristeza, choro, desinteresse, etc, quanto em sua forma atípica,
com somatizações, pânico, ansiedade, fobia, obsessões.

De qualquer forma, o que encontramos mais freqüentemente nos distúrbios depressivos são os sintomas atrelados a essa afetividade alterada. Normalmente os sintomas afetivos não proporcionam prejuízo
significativo da crítica mas, apesar do juízo crítico estar conservado, as vivências do deprimido terão representação alterada (veja o capítulo sobre a Representação do Objeto), serão suportadas com grande
sofrimento e com perspectivas pessimistas.

Assim sendo, a interpretação e valorização afetiva da realidade podem ter seu caráter alterado, de acordo com a intensidade da Depressão: a pessoa deprimida poderá simplesmente apresentar idéias falsas
sobre a realidade, nos casos mais leves ou, nos casos mais graves, poderá desenvolver delírio franco sobre a realidade.

Em sua forma típica e clássica a manifestação da depressão depende sempre da maneira (quadro clínico, freqüência, intensidade) com a qual se manifesta o chamado Episódio Depressivo. Assim sendo,
estudando o Episódio Depressivo entenderemos as manifestações clínicas de todas as depressões típicas. Enfatizando sempre o termo "típico".

Apesar de não ser bem o propósito dessa obra classificar doenças, estando mais preocupados em fazer entender as emoções, mesmo assim vamos dar uma pincelada em alguns aspectos classificatórios
importantes para o entendimento global.

Saber se o estado depressivo é Leve, Moderado ou Grave é apenas uma questão da intensidade com que se apresenta o Episódio Depressivo. Saber se esse estado depressivo é uma ocorrência única na vida da
pessoa ou se é repetitivo, dependerá da freqüência com que os Episódios Depressivos se apresentam. Saber se o Transtorno Afetivo em pauta é simplesmente um quadro depressivo ou se é bipolar, dependerá
do fato dos Episódios Depressivos serem a única ocorrência afetiva ou se coexistem com episódios de euforia. Enfim, como se vê, estudando o Episódio Depressivo, sua intensidade, freqüência e apresentação,
podemos classificar o tipo de Transtorno Afetivo.

Devido ao fato dos estados depressivos se acompanharem, com assiduidade, de sintomas somáticos, a existência ou não destes sintomas também acaba fazendo parte da classificação. Da mesma forma, a
presença concomitante ao Episódio Depressivo com sintomas psicóticos determinará diferentes classificações.

Cumprindo apenas um propósito acadêmico, e aproveitando para mostrar que a classificação dos Transtornos Afetivos (ou do Humor) é relativamente fácil, relacionamos abaixo a classificação formal, de acordo
com a CID.10 (Classificação Internacional das Doenças).

DELÍRIO NA DEPRESSÃO
O Delírio Depressivo aparece só nos quadros muito graves. Normalmente surge sob a forma de Delírio de Pecado, quando a idéia principal é de culpa, ou quando o problema é a saúde, sob a forma de Delírio de
Doença. Se o medo diz respeito à fortuna, surgirá o Delírio de Ruína ou de Empobrecimento.
Percebe-se claramente que todos esses 3 tipos de delírios depressivos dizem respeito à severo prejuízo da auto-estima.

O doente com Delírio Pecaminoso crê, sem razão, ter cometido os piores crimes e pecados ou aumenta pequenas transgressões reais e tentações, mesmo apenas em pensamentos, para um pecado imperdoável.
Por este motivo não apenas o próprio paciente, nesta vida e na vida além da morte, como também todos os seus parentes e até todo o mundo será castigado de forma indescritível.

O Delírio de Empobrecimento ou o castigo muitas vezes é pensado de forma contaminante; não é apenas o doente a ser castigado por suas dívidas ou irá morrer de fome, mas também seus parentes terão igual
destino.

O Delírio de Doença depressivo é a crença de ter determinadas doenças, sempre especialmente graves. Devemos estabelecer uma distinção entre este delírio da depressão, do Delírio Hipocondríaco, que surge
na Esquizofrenia ou na Psicose Delirante Persistente, sem necessária existência de depressão.

Via de regra existe também uma diferença no fato de que o Delírio de Doença depressivo transfere para o futuro o pior que poderá acontecer, ao passo que o hipocondríaco se preocupa com o presente. O
depressivo crê sofrer de obstrução intestinal e que irá morrer de forma especialmente horrenda; o hipocondríaco sofre, neste momento atual, em função de constipação intestinal e exige e espera ajuda.

INTERESSE, APETITE E SONO NA DEPRESSÃO


A perda de interesse ou prazer quase sempre está presente, pelo menos em algum grau nas pessoas com Depressão.

Os pacientes podem relatar menor interesse por passatempos, "não se importar mais", ou a falta de prazer com qualquer atividade antes considerada agradável.
Os membros da família freqüentemente percebem um certo retraimento social ou descaso para atividades agradáveis, como por exemplo, jogar, assitir tv, ler revistas, reunir-se com amigos, brincar com netos e/ou
com colegas, etc.

Em muitos casos há uma redução significativa nos níveis de interesse ou do desejo sexual.

O apetite geralmente está reduzido, sendo que muitos indivíduos sentem que precisam se forçar a comer. Outros, por outro lado, podem ter uma incômoda avidez por alimentos específicos, como por exemplo,
chocolates, doces, etc.

Quando as alterações no apetite são severas, seja por diminuição ou aumento, pode haver uma perda ou ganho significativos de peso.

A perturbação do sono mais comumente associada com um Episódio Depressivo é a insônia, tipicamente intermediária, ou seja, com despertar durante a noite e dificuldade para voltar a dormir. Menos freqüente é
a insônia terminal, isto é, despertar muito cedo, com incapacidade de conciliar o sono novamente. A insônia inicial, isto é, a dificuldade para adormecer, embora menos freqüente, também pode ocorrer.

Além disso, alguns pacientes apresentam, curiosamente, uma sonolência excessiva (hipersonia), na forma de episódios prolongados de sono noturno ou de sono durante o dia.

Fonte: www.psiqweb.med.br

SINTOMAS DA DEPRESSÃO
Os mais comuns são tristeza, desânimo, insônia, apatia, falta de alegria, de apetite (algumas pessoas tem aumento de sono e de apetite), de desejo sexual, falta de vontade ate mesmo de fazer coisas simples tipo
tomar banho, assistir televisão ou ler um jornal. Sensação da falta de sensações. Ou seja, basicamente uma diminuição geral do nível de energia da pessoa.

Nem sempre a depressão significa tristeza, na maioria das vezes o sintoma principal é a queda de energia.

Ocorrem pensamentos pessimistas e repetitivos que não saem da cabeça. A pessoa perde o interesse por coisas que gostava de fazer ou por pessoas com as quais gostava de conviver. Parece que não
consegue se concentrar numa leitura ou guardar na memória o que leu.

Às vezes aparecem ataques de ansiedade com sudorese, palpitações e tremor, verdadeiros ataques de pânico, o que não quer dizer que você também tenha a Síndrome do Pânico.

Também podem ocorrer Pensamentos Obsessivos: a pessoa sabe que eles não fazem sentido mas não consegue tirá-los da cabeça. Por exemplo: conferir portas e janelas, achar que poderia fazer mal a si
mesmo ou a outras pessoas, etc. Essa pensamentos podem fazer parte da Depressão e não quer dizer que a pessoa também esteja sofrendo de DOC.

Problemas que antes eram resolvidos com facilidade se tornam tarefas pesadas e difíceis. Coisas que antes eram agradáveis se tornam sem graça.

Alguns casos de Depressão se caracterizam por dores vagas e difusas pelo corpo ou na cabeça, com vários exames laboratoriais normais. O intestino pode ficar preso, a boca amarga, a pele envelhecida, os
cabelos e as unhas fracos e sem brilho.

Muitas vezes aparecem pensamentos de "dormir e não acordar mais". Algumas pessoas se sentem como se estivessem separadas do mundo por uma redoma de vidro.

Outras não conseguem nem sentir alegria nem tristeza ("sensação da falta de sentimentos").

A pessoa pode ficar com "idéias fixas".

As principais são as seguintes:

Acha a situação financeira ruim e sem perspectiva.

Se sente culpado por coisas que fez e que não fez. O passado volta carregado de auto-recriminações, de arrependimentos, de coisas erradas que fora da Depressão a pessoa nem se lembra que existiram.

Durante a fase depressiva a auto-estima fica abaixo de zero.

Acredita estar passando por uma doença incurável.

Evidentemente nem todas as pessoas com Depressão apresentam todos esses sintomas.

As pessoas mais idosas podem apresentar um quadro clínico com falta de memória importante, às vezes mais evidente do que a própria Depressão.
Outras pessoas tem nítida piora da Depressão quando o tempo está nublado. Ë o que se chama de Depressão Sazonal. Ela pode ser muito bem tratada com Fototerapia.

Causas, fatores desencadeantes e situações que propiciam o aparecimento da


Depressão

Existem muitas. Geralmente é uma combinação de mais de uma causa. Por exemplo:

Predisposição genética.

Depressões anteriores. Depressão, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Daí a importância de começar a tratar o quanto antes.

Personalidade perfeccionista, detalhista.

Distimia.

Distúrbio Obsessivo Compulsivo.

Psicose.

Situações difíceis, desgastantes, frustrantes.

Perda de pessoa querida, de dinheiro, de posição profissional ou social, aposentadoria, etc.

Gravidez, Parto (Depressão Puerperal) e Menopausa.

Síndrome do Pânico.

Stress Pós Traumático: experiência traumática na qual a pessoa se sentiu indefesa ou humilhada ou sem possibilidade de reação, por exemplo assalto, seqüestro, acidentes.

Psicose.

Medicamentos: Corticóides, Quimioterapia, Interferon, Pílula Anticoncepcional (causa comum de depressão em mulheres jovens), Implantes Hormonais, Betabloqueadores, Parlodel, Digitálicos, Dissulfiram,
Reserpina, Cinarizina, Neurolépticos, Benzodiazepínicos, Barbitúricos, etc.

Drogas ou álcool, Anfetaminas, Anabolizantes.

Doenças Sistêmicas: Hepatite (principalmente a C), Hiper- e Hipotireoidismo, Câncer, Pneumonia, Mononucleose, Reumatismo, Insuficiência Cardíaca, Infarto, Ponte de Safena, Asma, Insuficiência Respiratória,
Apnéia Obstrutiva do Sono, Câncer, Esclerose Múltipla, Doença de Cushing, Diabetes, Anemia Perniciosa, Lupus, Artrite Reumatóide, Aids, Hipovitaminoses, Doença de Wilson, Sífilis, Huntington, Lupus,
Poliarterite Nodosa, Hipovitaminoses, Insuficiência Renal.

Doenças cerebrais: Traumatismos cranianos, Acidente Vascular Cerebral ("derrame"), Insuficiência Circulatória Cerebral, Alzheimer, Arteriosclerose, Esclerose Múltipla, Parkinson, Huntington, tumores benignos e
malignos, Epilepsia, Aneurismas, Enxaquecas, etc.

Dores crônicas, Fibromialgia.

Radioterapia.

Manifestação pára-neoplásica.

O que é esta Depressão?


De uma maneira bem simples, seu cérebro é formado por inúmeras células que se comunicam entre si através de substâncias químicas chamadas Neurotransmissores e por algum motivo eles não estão
"circulando" como deveriam. Por isso você se sente sem pique, com a concentração e a memória fracas, meio "devagar" (algumas pessoas sentem na verdade agitação, ao invés de apatia) e com alguns dos
outros sintomas descritos acima.

Uma Depressão pode ser "química" apesar de ter causa externa?


Sim. Muitas vezes ela começa reativa a algum problema real, mas com o tempo vai se tornando física. Úlcera, Infarto, gastrite e muitas outras doenças são desencadeadas por um Stress e no entanto depois
também se tornam físicas.

Mas é importante você saber que os eventos de vida que desencadearam a ou as primeiras depressões são cada vez menos necessários. Ou seja: com o tempo ela pode aparecer sozinha sem absolutamente
nenhum motivo.

É por isso que é tão importante tratar logo e de maneira completa

Tratamento

Antidepressivos
São remédios que corrigem o metabolismo dos Neurotransmissores. Eles não são calmantes e nem estimulantes, não criam dependência física e nem psíquica.
Psicoterapia
Pode ser útil, pois a Depressão afeta a pessoa como um todo e quase nenhuma doença se restringe apenas ao seu aspecto físico. Traços de personalidade assim como problemas atuais ou passados podem ter
algo a ver com a Depressão. Existem várias técnicas de Psicoterapia e algumas são mais indicadas que outras.

Se a Depressão apresenta certo grau de intensidade, a medicação tem prioridade absoluta com relação à terapia. A Psicoterapia pode esperar um pouco para ser iniciada, mas a medicação não, pois todas as
pesquisas indicam que quanto mais rápido começar o tratamento medicamentoso maior é a chance de não se ter recaídas mais tarde.

Tempo para começar a melhorar


Quase todos os Antidepressivos precisam de 3 a 6 semanas para fazer efeito. Não interrompa o tratamento por não sentir melhora nos primeiros dias. Uma maneira de apressar a melhora é tratar com
Antidepressivo no soro.

Para a família
Geralmente a família sofre porque não consegue ajudar e sobrecarrega porque vê a pessoa passar por especialistas, fazer exames, tomar calmantes, estimulantes e vitaminas sem melhora. Então começa a dizer
que é fita, "frescura", falta de força de vontade, e começa a dar palpites para a pessoa "se ajudar" "se animar" "reagir" e etc., como se ela não soubesse de tudo isso ...

A Depressão não é sinal de fraqueza de caráter e nem passa somente com "pensamento positivo".

A pessoa com Depressão geralmente está completamente indecisa com relação a tudo. Alguém tem que tomar decisões inclusive para iniciar o tratamento.

Observações
A) Algumas vezes o primeiro remédio não produz resultado. Isso não quer dizer que seja um caso grave. Na maioria das vezes basta trocar de medicação.

B) Mesmo que você já esteja se sentindo bem, não interrompa a medicação. Seu médico deve decidir quando diminuir, interromper ou trocar de medicação. Mesmo que sua depressão seja curta, o tratamento
será longo. Na verdade, quanto mais tempo você tomar o Antidepressivo, menor é o risco de uma outra depressão no futuro.

C) Decisões importantes com relação a problemas atuais de sua vida devem ser tomadas depois da Depressão ter melhorado. No momento todos os seus pontos de vista estão pessimistas e você está arriscado
a tomar decisões que não tomaria se não estivesse deprimido.

D) Uma dúvida freqüente é se a Depressão pode voltar. Muitas vezes pode. Existem fatores que serão avaliados para se chegar a uma conclusão. Porém, hoje em dia existem várias possibilidades de se fazer um
tratamento preventivo para evitar esse problema.

E) Se quando parar ou diminuir a dose do Antidepressivo os sintomas da Depressão voltarem, não quer dizer dependência da medicação, mas sim que ainda não era hora dessa parada. Antidepressivos não criam
dependência. A Depressão é que algumas vezes exige tempo de tratamento mais longo.

F) Alguns Antidepressivos podem apresentar alguns efeitos colaterais que nem sempre ocorrem e geralmente são muito fracos e não chegam a incomodar.

G) Um bom condicionamento físico é sempre importante, pois a ginástica libera Endorfinas, que são nossos Antidepressivos naturais e aumentam nosso bem estar. O intestino funciona melhor, a pressão arterial
fica mais estável, a pessoa tem menos taquicardia.

Concluindo: a Depressão é uma doença que incomoda muito a vida do paciente e de sua família. Por outro lado, costuma ser fácil de tratar. Assim como na Depressão a pessoa não consegue se imaginar bem,
quando ela passa a pessoa não consegue imaginar como era possível estar tão mal tão pouco tempo atrás.

Fonte: www.mentalhelp.com

Comportamento
Oriente-se pela psicologia e cultive sua auto-estima

Conheça os sintomas da depressão


por Rosemeire Zago – Psicóloga – abordagem junguiana

Muitas vezes sentimos uma tristeza profunda e pensamos estar em depressão. Será
que qualquer tristeza pode ser considerada uma depressão? Afinal o que significa e
será que pode nos ensinar algo?

A depressão é uma alteração do humor na forma de uma tristeza profunda que


induz a diminuição da estima por si próprio e muitas vezes a necessidade de
autopunição, comprometendo a alegria de viver. Há uma incapacidade em sentir
prazer e instala-se uma indiferença em relação a outras pessoas, com o mundo,
perdendo a esperança que algo possa melhorar. É como se não houvesse mais um
sentido para a vida.
Embora a genética exerça um papel sobre a depressão, ainda se discute se esse é
realmente um fator determinante. Com certeza em uma família com histórico de
depressão, é maior a probabilidade de outras pessoas apresentarem o mesmo
transtorno, que ocorre geralmente em situações específicas em conseqüência de
perdas materiais ou afetivas.

Não podemos negar que a vida é uma sucessão de perdas, mas é a forma pela qual
cada um de nós reage que podemos desenvolver ou não um quadro depressivo.
Nem sempre a perda se refere a morte ou separação, mas também por um
sentimento de decepção em relação aos outros e muitas vezes, em relação a si
mesmo. E decepções não nos faltam nas relações humanas em geral. Em qualquer
dos casos há uma significativa baixa da auto-estima. Nas depressões bipolares, onde
se alterna períodos de grande euforia com profunda tristeza também pode haver o
aspecto genético.

Os sintomas das pessoas em depressão são facilmente


identificáveis (veja abaixo), mas é importante que o
A pessoa deprimida
diagnóstico seja feito por um profissional de saúde. Entre
sente necessidade de
os sintomas, o apetite geralmente fica reduzido, alguns
ficar no silêncio e no
precisam se forçar a comer, pois não há vontade em se
escuro, pois só assim
alimentar; outros podem sentir vontade por alimentos
conseguirá ouvir a si
específicos, como doces ou carboidratos. Quando as
mesma
alterações no apetite são severas, pode haver uma
diminuição ou aumento de peso significativo.
O sono também é atingido, despertando durante a noite ou muito cedo, com
dificuldade para voltar a dormir ou ainda pode ocorrer a dificuldade para adormecer,
porém com menor freqüência. Sendo assim, há uma diminuição da energia, com
queixas de cansaço, mesmo sem esforço físico. Por exemplo, tomar banho e se
vestir pela manhã pode se tornar algo exaustivo ou levar o dobro de tempo
habitual. Veja os principais sintomas:

Sintomas psíquicos da depressão

- sentimento de tristeza profunda


- desesperança, impotência
- sentimentos de desvalia (de valor) ou culpa
- dificuldade de concentração ou tomada de decisões
- perda do interesse ou prazer por atividades antes prazerosas
- pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio

Sintomas físicos da depressão

- dor de cabeça
- alterações do apetite ou peso e do sono
- constipação intestinal (prisão de ventre) ou diarréia
- náuseas
- sensação de opressão no peito
- sensação de bolo na garganta
- dificuldade de respirar, sensação de falta de ar
- dor no peito
- dores nas costas
- perda ou diminuição do desejo sexual

Identificar os sintomas físicos também é importante, pois algumas pessoas


queixam-se de dores físicas, quando na verdade são somatizações de sentimentos
não expressos ou identificados. Por isso é tão importante falar sobre as dores até
que se esgotem para que assim sejam elaboradas. Quando há dificuldade para
enfrentar esse processo sozinho é aconselhável o acompanhamento com um
profissional que poderá ajudar a superar esse momento difícil.

O sofrimento em geral nos leva ao aprendizado. Para Jung a depressão é uma


maneira do nosso eu verdadeiro se confrontar com a energia reprimida expressa
pela depressão. É um convite à introspecção, a entrar no silêncio e no vazio. É
como se fosse uma necessidade de se retirar da pressão do dia-a-dia que a pessoa
não está conseguindo lidar, a fim de encontrar tempo para o essencial, a
contemplação, e encontrar luz na escuridão. Isso nos explica a necessidade que a
pessoa em depressão sente de ficar no silêncio e escuro, pois só assim conseguirá
ouvir a si mesma.

Ao entrar em seu próprio mundo e se confrontar com os sentimentos que até o


momento estavam sendo reprimidos e negados, poderá haver uma mudança de
comportamento e sentimento. É como se sua mente e seu corpo estivessem
pedindo, implorando, para que perceba que há algo muito maior que o externo,
valorizando mais as conquistas internas e o direito que todos temos de viver uma
vida com paz, amor e alegria!

Depressão

Bioquímica da Depressão

O cérebro de indivíduos com fase depressiva na doença bipolar (síndrome maníaco depressivo), depressão crônica ou profunda poderão apresentar pequenas diminuições
na utilização dos neurotransmissores monoaminas (noradrenalina e dopamina) e da serotonina (5-HT). Esta teoria das origens bioquímicas da depressão é conhecida como
teoria das monoaminas. No entanto na depressão unipolar mesmo profunda, na maioria das vezes não há alterações e na depressão unipolar moderada estas diminuições
quando existem não são significativas. Contudo os fármacos que são eficazes no tratamento da depressão todos eles aumentam os níveis de alguns desses
neurotransmissores. É sabido que a dopamina é importante nas vias da satisfação, e a adrenalina e serotonina produzem efeitos de satisfação.

Como os Antidepressivos atuam

Estas substâncias atuam diretamente no cérebro, modificando e corrigindo a transmissão neuro-química em áreas do sistema nervoso que regulam o estado do humor
(o nível da vitalidade, energia, interesse, emoções e a variação entre alegria e tristeza), quando o humor está afetado negativamente num grau significativo.

Farmacologia

Há três classes de fármacos usados na depressão: inibidores dos transportadores das monoaminas (triciclicos), inibidores seletivos do transportador da serotonina (SSRIs) e
inibidores da enzima MAO.

Estes fármacos funcionam aumentando as concentrações de dopamina, noradrenalina e serotonina entre os neurônios (sinapses). Deste modo aumenta a excitação nas vias
cerebrais cujos neurônios utilizam estes neurotransmissores, que são aquelas relacionadas com o bem-estar emocional.

Apesar de já se saber algo sobre a etiologia da depressão, os conhecimentos ainda são rudimentares, e a eficácia dos fármacos foi estabelecida por estudos empíricos
(tentativas) e não tanto por conhecimento profundo das causas.

Recentemente, alguns estudos indicaram que os antidepressores possivelmente modificam as ligações dos neurônios. Esse fato poderá sugerir que eles resolvem
permanentemente alguns problemas de desequilíbrios bioquímicos. No entanto mais estudos são necessários para esclarecer esta questão.

Clínica

Os triciclicos são os mais eficazes no tratamento da depressão profunda; os SSRI são mais seguros mas só são eficazes em depressão moderada, enquanto os inibidores da
MAO têm longa duração de ação.

Os fármacos são ineficazes em cerca de 30% dos casos de depressão. Nos estudos clínicos, uma grande percentagem melhora apenas com incentivo do médico e
placebo (comprimido de açúcar sem ação farmacológica) administrado como se fosse anti-depressor, o que prova que força de vontade, atenção e fé na cura são tão ou mais
importantes que os fármacos no tratamento dos deprimidos.

Os antidepressores criam dependência moderada. Não são usados enquanto drogas de abuso porque não geram sentimentos de euforia e prazer. Animais de
laboratório que recebem doses se carregarem num botão à sua disposição permanente, geralmente não mostram interesse em o fazer, ao contrário de drogas recreativas,
que consomem compulsivamente até à morte.
Depressão: necessidade de tratamento com medicamentos

Hoje em dia os antidepressores antitríciclicos têm talvez sido receitados abusivamente. Eles reduzem eficazmente os sintomas de depressão, mas os seus efeitos a
longo prazo não são totalmente conhecidos. Não será talvez justificável o seu uso em casos de depressão leve ou moderada causada por eventos estressantes vividos. Na
verdade em toda a história o homem teve de lidar com eventos difíceis na sua vida, a a depressão é muitas vezes um mecanismo normal e saudável que permite a
modificação de comportamentos e estruturas mentais quando a realidade não corresponde às expectativas. Por exemplo, na mulher, é universal e normal a leve depressão
pós-parto e na menopausa. Alguém que tem uma visão da vida, ambição ou comportamento que não são adequados à sua situação e possibilidades, poderá a vir sofrer de
depressão moderada. Pode ser forçado a um estado de confusão e insegurança, precisamente porque tem de modificar as suas estruturas de pensamento e seu modo de
vida. Um animal que é ensinado determinado comportamento e depois é colocado num ambiente que castiga esse mesmo comportamento sofrendo dores ou adversidade
quando o pratica, acaba por manifestar sintomas de depressão (retração, menor movimentação, mais medo) quando é obrigado a modificar o comportamento. Mas a
mudança de comportamento é vital no seu novo ambiente, já que o protege contra essa real dor ou adversidade.

Um problema para o psiquiatra é saber distinguir estados de depressão normal fisiológica que apenas necessitam de demonstrações de apoio de forma a incentivar o
paciente a resolver os seus problemas, de distúrbios mais graves possivelmente originados por desequilíbrios bioquímicos.

Outras Terapias

O uso de antidepressores clínicos em principio deveria ser limitado aos casos de depressão prolongada, risco de suicídio ou outro comportamento violento, ou em casos
de depressão profunda em que o paciente é incapaz de viver a sua vida de forma razoavelmente normal. Em casos muito graves ou em fases depressivas na doença bipolar,
a terapia de choques elétricos (terapia eletrocunvulsiva), com uso de elétrodos e anestésicos para eliminar a dor é ainda mais eficaz. No tratamento da depressão leve ou
moderada, outras técnicas menos invasivas têm eficácia, nomeadamente a psicoterapia, e são preferíveis aos fármacos (no entanto são muito mais dispendiosas).

Efeitos

Em pessoas não deprimidas e nas primeiras semanas em deprimidos: Sedação Confusão Perda da coordenação motora precisa

Em deprimidos tomando fármaco a longo prazo: Alívio dos sintomas de depressão (em 70% dos doentes)

Efeitos adversos

• Disfunção sexual

• Dependência e síndrome de privação

• Mania: ilusões de grandiosidade e otimismo irrealista

• O período mais perigoso para o suicídio é logo após o inicio da terapia, porque o fármaco só manifesta os seus efeitos completos após algumas semanas.
Desespero devido à continuação dos sintomas, por falta de informação, pode levar ao suicídio.

Classes de Antidepressores

1. Tricíclicos: mais antigos, únicos eficazes na depressão profunda.

2. SSRIs: mais utilizados na depressão moderada, incluem Prozac, Celexa e e Zoloft.


3. Inibidores da MAO: semelhantes nos seus efeitos aos tricíclicos mas com acção mais prolongada.

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre